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SAMIZDAT16

SAMIZDAT16

4.67

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Por que Samizdat?, Henry Alfred Bugalho

ENTREVISTA
Katia Suman e Claudia Tajes

MICROCONTOS
Henry Alfred Bugalho
Caio Rudá
Joaquim Bispo

RECOMENDAÇÕES DE LEITURA
Estados Unidos: a formação da nação, Guilherme Augusto Rodrigues
Final de Jogo, de Julio Cortázar, Henry Alfred Bugalho
Ficções, de Jorge Luis Borges, Henry Alfred Bugalho
Putas Assassinas, de Roberto Bolaño, Caio Rudá

AUTOR EM LÍNGUA PORTUGUESA
A Velha e a Aranha, Mia Couto

CONTOS
A Pedra do Olho Divino, Carlos Alberto Barros
Sonhos de Batata, Maria de Fátima Santos
A Luz de Delft, Joaquim Bispo
Gêmeos, Volmar Camargo Junior
O Livro dos Hereges, Henry Alfred Bugalho
As bases da criação, José Espírito Santo
Juliana e o coelho, Mariana Valle
Misantropia infecciosa, Léo Borges
O grito de Joana, Barbara Duffles
O Admirador - Parte 2: pesadelo?, Maristela Deves
Helena, Giselle Sato e Pedro Faria

AUTOR CONVIDADO
Guisado, José Guilherme Vereza

TRADUÇÃO
A Seita de Fênix, Jorge Luis Borges
Olhos de Cão Azul, Gabriel García Márquez
Cronópios e Famas, Julio Cortázar
A Criação, Eduardo Galeano

TEORIA LITERÁRIA
Realismo Mágico, a realidade à mercê da Literatura, Henry Alfred Bugalho

CRÔNICA
O Milagre do Sol, Joaquim Bispo
O Fabuloso destino de Amélie Poulain, Giselle Sato
A Visita do Saci, Henry Alfred Bugalho

POESIA
Laboratório Poético: um Ser Indefinido, Volmar Camargo Junior
Poemação, Caio Rudá
Haikais, Guilherme Augusto Rodrigues
Sementementalismo, Dênis Moura

SOBRE OS AUTOR ES DA SAMIZDAT
Por que Samizdat?, Henry Alfred Bugalho

ENTREVISTA
Katia Suman e Claudia Tajes

MICROCONTOS
Henry Alfred Bugalho
Caio Rudá
Joaquim Bispo

RECOMENDAÇÕES DE LEITURA
Estados Unidos: a formação da nação, Guilherme Augusto Rodrigues
Final de Jogo, de Julio Cortázar, Henry Alfred Bugalho
Ficções, de Jorge Luis Borges, Henry Alfred Bugalho
Putas Assassinas, de Roberto Bolaño, Caio Rudá

AUTOR EM LÍNGUA PORTUGUESA
A Velha e a Aranha, Mia Couto

CONTOS
A Pedra do Olho Divino, Carlos Alberto Barros
Sonhos de Batata, Maria de Fátima Santos
A Luz de Delft, Joaquim Bispo
Gêmeos, Volmar Camargo Junior
O Livro dos Hereges, Henry Alfred Bugalho
As bases da criação, José Espírito Santo
Juliana e o coelho, Mariana Valle
Misantropia infecciosa, Léo Borges
O grito de Joana, Barbara Duffles
O Admirador - Parte 2: pesadelo?, Maristela Deves
Helena, Giselle Sato e Pedro Faria

AUTOR CONVIDADO
Guisado, José Guilherme Vereza

TRADUÇÃO
A Seita de Fênix, Jorge Luis Borges
Olhos de Cão Azul, Gabriel García Márquez
Cronópios e Famas, Julio Cortázar
A Criação, Eduardo Galeano

TEORIA LITERÁRIA
Realismo Mágico, a realidade à mercê da Literatura, Henry Alfred Bugalho

CRÔNICA
O Milagre do Sol, Joaquim Bispo
O Fabuloso destino de Amélie Poulain, Giselle Sato
A Visita do Saci, Henry Alfred Bugalho

POESIA
Laboratório Poético: um Ser Indefinido, Volmar Camargo Junior
Poemação, Caio Rudá
Haikais, Guilherme Augusto Rodrigues
Sementementalismo, Dênis Moura

SOBRE OS AUTOR ES DA SAMIZDAT

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Crônica

91

www.revistasamizdat.com

Nas nossas sociedades

muito afastadas dos tempos

bíblicos, sentimos, por vezes,

a nostalgia de viver situações

como a de Abraão ver entrar

três anjos tenda adentro, ver

Cristo dar de comer a cinco

mil pessoas com cinco pães

e dois peixes ou assistir à

revelação do anjo Gabriel a

Maomé. Nos nossos tempos,

não acontecem milagres –

todos aconteceram há muito

tempo e só tomamos co-

nhecimento deles por fontes

secundárias. A manifestação

do sobrenatural mais recente

que conheço é a aparição da

Virgem aos pastorinhos em

Fátima, Portugal. E só Lúcia

garantiu que viu. Aconteceu,

no entanto, um fenómeno

extraordinário relatado pelos

jornais e assistido por muitas

das cinquenta mil pessoas

presentes: o milagre do sol,

na sequência da aparição de

13 de Outubro de 1917.

Segundo uma testemunha

que na altura tinha nove

anos, «eu olhava fxamente o

astro; pareceu-me pálido e

privado da sua deslumbrante

claridade; dir-se-ia um globo

de neve girando sobre si

mesmo. Depois, subitamente,

pareceu descer em zigueza-

gue, ameaçando cair sobre

a Terra. (…

) Durante os

longos minutos do fenómeno

solar, os objectos colocados

perto de nós refectiam todas

as cores do arco-íris…

os

nossos rostos fcavam ora

vermelhos, ora azuis, ora

amarelos. (…

) Ao fm de

dez minutos, o Sol retomou

o seu lugar, da mesma ma-

neira que dali tinha descido,

sempre pálido e sem lumino-

sidade.»

Outra testemunha disse:

«O Sol começou a bailar e a

dada altura pareceu deslocar-

se do frmamento e em rodas

de fogo, precipitar-se sobre

nós.»

Outra, ainda: «coisa mais

espantosa era poder olhar

para o disco solar por muito

tempo, brilhando com luz e

calor, sem ferir os olhos ou

prejudicar a retina. [Durante

este tempo], o disco do sol

não se manteve imóvel, teve

um movimento vertiginoso,

não como a cintilação de

uma estrela em todo o seu

brilho, pois girou sobre si

mesmo num rodopio louco.

Durante este fenómeno

solar, que acabo de descrever,

houve também mudanças de

cor na atmosfera. Olhando

para o sol, notei que tudo

se escurecia. Olhei primeiro

para os objectos mais perto e

depois estendi a minha vista

ao longo do campo até ao

horizonte. Vi que tudo tinha

assumido cor de ametista. Os

objectos à minha volta, o céu

e a atmosfera, eram da mes-

ma cor. Tudo perto e longe

tinha mudado, tomando a

cor de velho damasco ama-

relo. As pessoas pareciam

que sofriam de icterícia e

lembro-me de uma sensação

de divertimento ao vê-los tão

feios e repulsivos. A minha

mão estava da mesma cor.

Então, de repente, ouviu-

se um clamor, um grito de

agonia vindo de toda a gente.

O sol, girando loucamente,

parecia de repente soltar-se

do frmamento e, vermelho

como o sangue, avançar

ameaçadoramente sobre a

terra como se fosse para nos

esmagar com o seu peso

enorme e abrasador. A sensa-

ção durante esses momentos

foi verdadeiramente terrível.»

Como eu gostaria de lá ter

estado, mas isso aconteceu

há quase cem anos. Conver-

sando sobre este assunto com

uma tia devota, ela disse-me

que há pessoas que afrmam

presenciar um milagre do

sol semelhante, durante a

procissão de Santo António,

a 13 de Junho, em Lisboa.

Fiquei alvoroçado com a

possibilidade de assistir a um

fenómeno tão prodigioso e,

na data indicada (há uns dez

anos), lá estava eu integrado

na procissão, atento, quer à

ambiência celestial, quer à

humana. Junho em Lisboa,

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SAMIZDAT maio de 2009

às cinco da tarde é quente.

A procissão movia-se deva-

gar em frente da Sé. Então,

comecei a ouvir algumas

pessoas – uma aqui, outra ali

– a chamar a atenção para

o sol, a apontar, a dizer que

viam o sol a girar. Uns e ou-

tros olhavam, tentando ver o

fenómeno. O entusiasmo não

era grande. Olhei também, de

relance. O sol era uma bola

de fogo, como habitualmente,

perigoso para os olhos como

sempre.

Então, julguei compreen-

der tudo. Eu estava farto de

assistir a milagres do sol,

cada vez que jogava ténis

quando, tendo que acompa-

nhar alguma bola alta, dava

com os olhos no sol: a minha

retina fcava maculada com

uma mancha, onde o sol

a queimara e, durante um

bocado, uma mancha com a

mesma forma e de uma cor

arbitrária, sobrepunha-se a

tudo o que eu olhava. Para

mim, aquela gente estava a

queimar a retina irrespon-

savelmente, e foi isso que

disse a algumas pessoas,

levemente receoso de que

me considerassem herege.

Ninguém fcou escandaliza-

do ou irritado, talvez só um

pouco pesaroso de que o seu

desejo não se concretizasse.

Eu próprio fquei um pouco

desapontado, embora não

esperasse outra coisa.

O «milagre do sol» de

1917 tem aspectos difíceis

de enquadrar numa única

explicação. Há até quem fale

em Ovnis. Eu, por mim, fco

dividido. Por um lado, gosto

de cultivar uma atitude de

abertura, conforme aprendi

do astrónomo francês do

século XVIII, Laplace:

«Estamos tão longe de

conhecer todas as forças da

Natureza e suas múltiplas

modalidades de acção, que

seria pouco flosófco ne-

gar a existência de certos

fenómenos apenas porque

não podem ser explicados

no estado actual dos nossos

conhecimentos.»

Por outro, irritam-me as

explicações de base sobre-

natural, que, até agora, só

nos fzeram perder tempo

precioso na compreensão do

Universo. Gostei do que ouvi

há dias a um cientista evolu-

cionista:

«Não há confito entre

ciência e sobrenatural. Se

houvesse fantasmas, fadas,

duendes, a ciência teria de os

investigar. O problema não é

da ciência, mas do Universo

que nos calhou, que não veio

equipado de sobrenatural.»

Fontes:

Seomara da Veiga Ferreira,

As Aparições em Portugal

dos Séculos XIV a XX, Reló-

gio d’Água, 1985.

http://pt.wikipedia.org/

wiki/O_Milagre_do_Sol

http://www.fatima.org/

port/essentials/facts/pmiracle.

asp

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o FaBuLoSo dEStiNo dE amÉLiE PouLaiN

- JEaN PiErrE JEuNEt

Crônica

Giselle Natsu Sato

http://www.m

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Le Fabuleux Destin d'Amelie
Poulain - Jean-Pierre Jeunet

Tudo em Amélie é perfei-
ta sincronia. Aceitando o que
a vida oferece, sem maiores
preocupações: viver é o de-

safo diário. O resto é conse-

qüência. Descobrindo segre-
dos e devolvendo esperança
em gotas de lembranças.
Caixinha de surpresas, pe-
dacinhos de vida recortados.
Olhar inesperado, surpreso e
inocente. Resguardando so-
nhos de menina e brincando
de ser mulher. Amélie traz
descobertas, romance, jeito
frágil e atitudes expressivas.

O que existe neste flme
tão sutil e inexato? Talvez

a personagem seja a brisa
fresca que esperamos a vida
inteira. O sopro que nunca
chega; sempre adiado e no f-
nal permanece desconhecido.
Vontade de sair passeando
pelas cidades, ruas e aveni-
das. De amar e ser amada. A
canção que toca o coração é
som de chuva, ninho de pas-

sarinhos, fores e carinho.

A vida crua fcou lá trás,

esquecida em uma esqui-
na qualquer. Hoje é dia de
Amélie. O importante, não
é contar uma história coe-
rente, o objetivo é despertar...
Cenários lindos de Paris, o
encando das botinas velhas e
pesadas de Amélie. Como se

o calçado, fosse o único fo

que prendesse a personagem
à terra. Ele está lá, para que

ela não futue, qual balão

colorido...

O flme inspira o melhor

da fantasia, o doce mais gos-
toso, beijos e abraços perdi-
dos. Nostalgia. Finais felizes e
sons que despertam a mágica
de estar viva. O flme perfei-
to para qualquer estado de
humor. O dom de ser agra-
dável na medida certa. Como
um café, no bistrô da rua
pequena, cheiro de canela,
açucar e infância.

Sinopse:

Amélie sai do subúrbio
para o bairro parisiense de

Montmartre onde começa
a trabalhar como garçone-
te. Certo dia, encontra no
banheiro de seu apartamento
uma caixinha com brinque-

dos e fgurinhas pertencentes

ao antigo morador do apar-
tamento. Decide procurá-lo
e entregar o pertence ao seu
dono. Ao notar que ele chora
de alegria ao reaver o seu
objeto, a moça fca impres-
sionada e remodela sua visão
do mundo.

A partir de então, Amélie
se engaja na realização de

pequenos gestos a fm de

ajudar e tornar mais felizes
as pessoas ao seu redor. Ela
ganha aí um novo sentido
para sua existência. Em uma
destas pequenas grandes
ações ela encontra um ho-
mem por quem se apaixona
à primeira vista. E então seu
destino muda para sempre...

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SAMIZDAT maio de 2009

a ViSita do SaCi

Crônica

Henry Alfred Bugalho

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/photos/jm

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www.revistasamizdat.com

Sempre que ocorria
alguma discussão em
casa por causa de co-
mida - quem comeria a
última bolacha do pa-
cote, ou a última fatia
de pizza, ou o bife que
havia sobrado -, minha
mãe ressuscitava uma
história de sua infân-
cia.

Contava ela que,
quando criança, du-
rante um jantar, houve
uma briga entre ela
e as irmãs por causa
duma coxa de frango.
Minha avó interveio,
mas nenhum consenso
foi possível. No entanto,
depois de muito arran-
ca-rabo, minha mãe e
as irmãs descobriram
que a coxa de frango
havia desaparecido.

— Foi o Saci — sen-
tenciou minha vó — o
Saci viu a briga e veio
pra instaurar a desor-
dem.

Quem não conhece

a fgura do Saci não

deve ter tido infância.
Personagem presente
nas obras de Montei-
ro Lobato, na série de

TV “Sítio do Pica-Pau

Amarelo” e até em gibis

de Maurício de Souza,
é um mito tradicional
do folclore brasileiro: o
negrinho perneta, gorro
vermelho e cachimbo
na boca. Dizem as len-
das que ele adora rou-
bar pertences das pes-
soas e que faz tranças
nas crinas de cavalo; é
um menino travesso.

Assim, toda a vez que
sumia alguma coisa em
casa, eu e minha irmã
imediatamente repe-
tíamos a sabedoria de
vovó:

— Foi o Saci.

Não se tratava de
acreditar ou não na
existência dele, mas
sim porque era algo
que fazia parte de nossa
criação e que era um
tanto engraçado, mas
isto até a viagem que

fzemos para o sítio de

vovó.

Viajar para o interior
não era o meu progra-
ma favorito, mas era a
obrigação de todo Na-
tal e Ano-Novo. Du-
rante a maior parte do
tempo, permanecíamos
na casa da minha avó
na cidade, mas, por um

dia ou dois, íamos tam-
bém para o sítio dela,
onde preparávamos um
churrasco e podíamos
pescar.

As crianças - eu, mi-
nha irmã, primos e pri-

mas - fcávamos todas

acomodadas num dos
quartos da velha casa
de madeira e dormía-
mos em beliches. Logo
ao chegarmos lá, al-
guém comentou, ao ver
a tinta descascada na
porta do nosso quarto:

— Olha, parece a

fgura do Saci.

E realmente parecia
muito mesmo: da cin-
tura para cima, havia
uma silhueta na tinta
descascada que mostra-
va o quadril, os braci-
nhos, a cabeça, o capuz
e até o cachimbo. Era o
Saci, só que sem perna
(onde a tinta não havia
descascado ainda).

Ninguém deu muita
importânci ao fato, no
entanto, à noite, após
todos terem ido dormir,
ouvimos um sussurro
no nosso quarto das
crianças; era minha
prima nos chamando:

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SAMIZDAT maio de 2009

— Gente, olha lá pra

porta!

E, como era de se
esperar, havia a silhue-
ta descascada do Saci,
contudo, havia dois
novos elementos: agora
ele tinha a perna única
e, aparentemente, saía
fumacinha do cachim-
bo dele.

Todos fcamos apa-
vorados, afônicos, tre-
mendo embaixo dos
lençóis.

De quando em quan-
do, alguém, que estava
de olhos fechados, per-
guntava:

— Ele ainda está lá?

Então um de nós era
obrigado a enfrentar o
medo e constatar que
o Saci ainda estava lá,

ftando-nos, fumando

seu cachimbo.

Na manhã seguinte,
este foi o assunto em
casa, todos pondo a
mão no fogo ao afr-
marem que tinham
realmente visto o Saci
durante a noite. Para
reforçar nossa certeza,
a porta de casa havia
sido encontrada aberta.

Especularam que havia
sido vovó quem havia
saído, à noite, para ir
ao banheiro (que era
no quintal), mas ela
jurou de pés juntos que
não tinha acordado de
madrugada. Portanto,
indubitavelmente, era o
Saci quem havia entra-
do.

Pareidolia é um ter-

mo usado para defnir

este tipo de fenômeno
psicológico, quando a
mente interpreta cer-
tos dados como sendo
signifcativos e os rela-
cionam a outros.

Pode até ser isto que
ocorreu naquela noite,
mas como nos conven-
cer que não havíamos
visto, de fato, o Saci, ou
que não era obra dele
o sumiço da coxa de
frango de minha mãe?

Isto porque a expli-
cação mais plausível
nem sempre é a melhor
explicação.

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Volmar Camargo Junior

Laboratório Poético:

um SEr iNdEFiNido

Poesia

incógnita

um diabinho empoeirado se esgueirava

entre as pernas das cadeiras

debaixo das camas, à hora do banho

encurralou-se num canto da casa

com esses dois dedos

sem querer, esmaguei-o

morreu, uma pena, sem nenhum esforço

morreu, desgraçado, sem dizer a que veio

Fera (Vermelho-gente)

tinge-te, fera, de vermelho-gente

quente troféu vivo de tua caça

dure a tua raça, fera, eternamente

rola e delicia-te, fera, sente

gente parda, preta ou pálida

retalhada, é rubra inteiramente

caça, persegue, retalha, devora

sê por dentro e por fora, inteira, vermelho-gente

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/photos/paperpariah/2417142640/sizes/o/

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onerossi.fles.wordpress.com

/2009/03/m

ela-m

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I.

O poema é uma maçã

que despenca da árvore,

ao sopro do vento, e

chega, seu único propósito,

ao chão.

Caio Rudá

Poemação

Poesia

II.

Me admira o homem

com sua astúcia

fazer da maçã

objeto não de único objetivo.

A maçã é, pois, um subjeto

que alimenta

que ornamenta

ou que apenas apodrece no

chão.

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Poesia

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/photos/rheinland1977/458847518/sizes/l/

Uma mulher pulcra

vem e sonolenta, deita-se

à noite sepulcra...

Guilherme Augusto Rodrigues

HaikaisPoesia

Ah! E no outono

abre uma tímida rosa

revela-se a vida.

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/photos/10202475@

N

02/2439540698/sizes/o/

Escrevi este soneto para um amor

Que me causou tanto sonho quanto dor...

Dênis Moura

Sementementalismo

Poesia

Observo a noite de teus olhos vida

E o dia de teu constante sorriso;

O Sol canela de teu corpo liso

Aquecendo o meu, esta terra árida.

Tuas palavras como chuva cálida

E o teu ser com quem familiarizo

A substância do sentir faz vívida

A semente que em nós materializo.

E o Sol aquece e a chuva lhe modera;

E entre o dia e a noite se pondera

Em juntos vivermos unicamente.

Que vivamos tal tão eternamente

Como o dia, a noite, o Sol e quem dera

A chuva, o ar e a vida da semente.

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SOBRE OS AUTORES DA

SAMIZDAT

Henry alfred Bugalho

Formado em Filosofa pela UFPR, com ênfase em

Estética. Especialista em Literatura e História. Autor
de quatro romances e de duas coletâneas de contos.

Editor da Revista SAMIZDAT e um dos fundadores
da Ofcina Editora. Autor do livro best-selling “Guia
Nova York para Mãos-de-Vaca”. Mora, atualmente, em
Nova York, com sua esposa Denise e Bia, sua cachor-
rinha.

henrybugalho@gmail.com

www.maosdevaca.com

Edição, diagramação e capa

Joaquim Bispo

Ex-técnico de televisão, xadrezista e pintor amador,
licenciado recente em História da Arte, experimenta
agora o prazer da escrita, em Lisboa.

episcopum@hotmail.com

Revisão

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mariana Valle

Por um amor não correspondido, a carioca de
Copacabana começou a poetar aos 12 anos. Veio o
beijo e o príncipe virou sapo. Mas a poesia virou sua

amante. Fez ofcina literária e deu pra encharcar o

papel com erotismo. E também com seu choro. Em
reação à hipocrisia e ao machismo da sociedade.
Atuou como jornalista em várias empresas, mas foi
na TV Globo onde aprimorou as técnicas de reda-
ção e fcção. E hoje as usa para contar suas próprias

histórias. Algumas publicadas em seu primeiro livro

e outras divulgadas nos links listados em seu blog

pessoal: www.marianavalle.com

Assessoria de imprensa

Volmar Camargo Junior

Inconformado com a própria inaptidão para di-
zer algo sem ser através de subterfúgios, abdicou de
parte de suas horas diárias de sono, tentando domar
a sintaxe e adestrar a semântica. Depois de perambu-
lar pelo Rio Grande do Sul, acampou-se na brumosa,
fria, úmida, às vezes assustadora – mas cercada por
um cenário natural de extrema beleza – Canela, na
Serra Gaúcha. Amargo e frio, cálido e doce, descen-
dente de judeus poloneses, ciganos uruguaios, indí-
genas missioneiros, pêlos-duros do Planalto Médio,
é brasileiro, gaúcho, e, quando ninguém está vendo,
torcedor do Grêmio Futebol Porto-alegrense. Autor

dos blogs “Um resto de café frio” e “Bah!”.

v.camargo.junior@gmail.com

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/vcj

Coordenação de Entrevista

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Caio rudá

Bahiano do interior, hoje mora na capital. Estuda
Psicologia na Universidade Federal da Bahia e espera
um dia entender o ser humano. Enquanto isso não
acontece, vai escrevendo a vida, decodifcando o enig-
ma da existência. Não tem livro publicado, prêmio,
reconhecimento e sequer duas décadas de vida. Mas
como consolo, um potencial asseverado pela mãe.

Colaboração

Barbara Duffes

Jornalista, escritora e roteirista, é autora do livro
“Não Abra” e do blog “Não Clique”. Apesar das nega-
tivas, esta carioca quer, sim, ser lida - como todo es-

critor. Tem dias de conto, de crônica e de pílulas sem

sentido. Suas paixões: cinema e livros com cheiro de
novo - se bem que adora se perder nos sebos da vida.

Carlos Barros

Paulistano, flho de nordestinos, desenhista desde

sempre, artista plástico formado, escritor. Começou

sua vida profssional como educador e, desde então,

já deixou seu rastro por ONG’s, Escolas e Centros
Culturais, através de trabalhos artísticos e pedagó-

gicos – experiências que têm forte infuência sobre
seus escritos. Atualmente, organiza ofcinas de ilus-
tração para crianças, estuda pós-graduação em Histó-
ria da Arte e escreve para publicações na internet.

carloseducador@hotmail.com

http://desnome.blogspot.com

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SAMIZDAT maio de 2009

Giselle Sato

Autora de Meninas Malvadas, A Pequena Baila-

rina e Contos de Terror Selecionados. Se autodefne

apenas como uma contadora de histórias carioca.
Estudou Belas Artes, Psicologia e foi comissária de
bordo. Gosta de retratar a realidade, dedicando-se
a textos fortes que chegam a chocar pelos detalhes,
funcionando como um efciente panorama da socie-
dade em que vivemos.

Guilherme rodrigues

Estudante de Letras na Universidade do Sagrado
Coração, em Bauru, onde sempre morou. Nutre gran-
de paixão por Línguas, Literatura e Lingüística, áreas
a que se dedica cada vez mais.

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SAMIZDAT maio de 2009

José Espírito Santo

Informático com licenciatura e pós graduação na

Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa,
trabalha há largos anos em formação e consultoria,
sendo especialista em Bases de Dados, Sistemas de

Gestão Transaccional e Middleware de “Messaging”.

A paixão pela escrita surgiu recentemente, tendo no

ano de 2007 produzido os livros “Esboços” (contos) e
“Onde termina esta praia” (poesia). Vive com a fa-
mília em Alverca, uma pequena cidade um pouco a
norte de Lisboa, Portugal.

dênis moura

Paulistano de pia, cearence de mar e poeta de
amar. Viaja tanto o céu estrelado quanto o ciberes-
paço, mais com bits de imaginação que com telescó-
pios. Pensa que tudo se recria a cada Big Bang, seja
ele micro, macro ou social. Luta pela justiça, a paz e
a igualdade, com um giz na mão e uma pistola na

outra. É Tecnólogo a sonhar com Telemática social,

com a democracia participativa eletrônica, onde o
povo eleja menos e decida mais. Publica estes dias
sua primeira obra, um Romance de Ficção Científ-
ca, e deixa engavetadas suas apunhaladas poesias. É

feito de bits, links e teia pra que não desmaterialize,

o clique, o blogue e o leia!

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maria de Fátima Santos

Nasceu em Lagos, Algarve, mas tem Angola, onde
viveu a adolescência, como a sua mãe-terra. Licen-
ciada em Física tem sido professora de Física e Quí-
mica. Com poemas em vários livros, em co-autoria,
é às pequenas histórias, que lhe voam no teclado,

que chama “meus contos”. O blog Repensando (www.

intervalos.blogspot.com ) tem sido seu parceiro e
motivador na escrita dos últimos anos. Escreve pelo
gosto de deixar que as palavras vão fazendo vida.
Escreve pelo gozo.

Léo Borges

Nasceu em setembro de 1974, é carioca, servidor
público e amante da literatura. Formado em Comu-

nicação Social pela FACHA - Faculdades Integradas

Hélio Alonso, participou da antologia de crônicas

“Retratos Urbanos” em 2008 pela Editora Andross.

maristela deves

Gaúcha nascida na pequena cidade de Pirapó, co-
meçou a sonhar em ser escritora tão logo aprendeu a
ler. Escreve principalmente contos nos gêneros misté-
rio, suspense e terror, além de crônicas.

Pedro Faria

Estuda Matemática na Universidade Estadual do
Rio de Janeiro, músico amador e escritor quando dá
na telha. Nascido e criado no Rio.

106

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SAMIZDAT maio de 2009

Também nesta edição, textos de

Barbara Duffes

Caio rudá

Carlos alberto Barros

dênis moura

Giselle Natsu Sato

Guilherme rodrigues

Henry alfred Bugalho

Joaquim Bispo

José Espírito Santo

Léo Borges

maria de Fátima Santos

mariana Valle

maristela Scheuer deves

Pedro Faria

Volmar Camargo Junior

http://www.fickr.com

/photos/elizacole/335268220/sizes/o/

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