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Vida

Sempre a indesencorajada alma do


A poesia é igual à vida
homem
sem a poesia não existe
resoluta indo à luta.
vida, sem vida não
(Os contingentes anteriores
existe a Humanidade,
falharam?
pois nós somos a
Pois mandaremos novos contingentes
humanidade, o mundo
e outros mais novos.)
sem a vida seria vago e
Sempre o cerrado mistério
frio.
de todas as idades deste mundo
antigas ou recentes; A vida é uma luta tal
sempre os ávidos olhos, hurras, como a humanidade.
palmas
de boas-vindas, o ruidoso aplauso;
sempre a alma insatisfeita,
curiosa e por fim não convencida,
lutando hoje como sempre,
batalhando como sempre.
Cântico de Humanidade

Hinos aos deuses, não.


A poesia existe em todo
Os homens é que merecem
o lado. Os hinos existem
Que se lhes cante a virtude.
para aumentar as
Bichos que lavram no chão,
expectativas da
Actuam como parecem,
humanidade e a fé aos
Sem um disfarce que os mude.
deuses. O cântico da
nossa alma é como os
Apenas se os deuses querem
bichos que lavram no
Ser homens, nós os cantemos.
chão, a nossa alma nem
E à soga do mesmo carro,
sempre nos
Com os aguilhões que nos ferem,
apercebemos da sua
Nós também lhes demonstremos
presença.
Que são mortais e de barro.
Solidão

Que venham todos os pobres da Terra


os ofendidos e humilhados Existem muitos pobres
os torturados infelizmente nesta
os loucos: humanidade, muitos são
meu abraço é cada vez mais largo ofendidos e humilhados,
envolve-os a todos! torturados, etc. Mas não
deixam de ter alma,
Ó minha vontade, ó meu desejo muitas vezes são
— os pobres e os humilhados excluídos e é isso que
todos acontece aqui, neste
se quedaram de espanto!... poema.

(A luz do Sol beija e fecunda


mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
geladas solidões.)
Os Amigos Infelizes

Andamos nus, apenas revestidos


Este poema também
Da música inocente dos sentidos.
podia ter o título de
solidão pois fala na
Como nuvens ou pássaros passamos
humanidade onde existe
Entre o arvoredo, sem tocar nos ramos.
(neste caso) 2 amigos
que não têm ninguém e
No entanto, em nós, o canto é quase mudo.
nem falam com ninguém
Nada pedimos. Recusamos tudo.
e a única coisa que de
que gostam é a poesia.
Nunca para vingar as próprias dores
Tiramos sangue ao mundo ou vida às
flores.

E a noite chega! Ao longe, morre o dia...


A Pátria é o Céu. E o Céu, a Poesia...

E há mãos que vêm poisar em nossos


ombros
E somos o silêncio dos escombros.

Ó meus irmãos! em todos os países,


Rezai pelos amigos infelizes!
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