direito ambiental

AUTOR: RômUlO SilveiRA dA ROchA SAmpAiO

1ª edição

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Sumário

Direito Ambiental
BlOCO I. InTRODUçãO AO DIREITO AmBIEnTAl ................................................................................................................................3

Aula 1. O surgimento e a autonomia do Direito Ambiental ........................................................... 4 Aula 2. Direitos e Interesses Difusos e Coletivos............................................................................. 7 Aula 3. Princípios do Direito Ambiental ........................................................................................ 9 Aula 4. Direito Ambiental na Constituição Federal de 1988 ........................................................ 13 Aula 5. Competências constitucionais em matéria ambiental........................................................ 16 Aula 6. Política e Sistema Nacional do Meio Ambiente ................................................................ 19

BlOCO II. InSTRUmEnTOS DA POlíTICA nACIOnAl DO mEIO AmBIEnTE............................................................................................24

Aula 7. Padrões de Qualidade e Zoneamento Ambiental .............................................................. 25 Aula 8. Publicidade, Informação, Educação e Participação Ambiental .......................................... 29 Aula 9: Auditoria Ambiental e Due Diligence ......................................................................... 33 Aula 10: Avaliação de Impacto Ambienta (AIA), Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) ....36 Aula 11: Licenciamento Ambiental ............................................................................................. 42 Aula 12: Dano e Responsabilidade Ambiental .............................................................................. 47 Aula 13: Direito de Águas ............................................................................................................ 54 Aula 14: Tutela do Ar e da Atmosfera ........................................................................................... 57 Aula 15: Tutela da Fauna e da Flora.............................................................................................. 60 Aula 16: Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC)................................................ 63 Aula 17: Florestas Públicas (Lei N. 11.284/2006) e Bioma Mata Atlântica (Lei N. 11.428/2006) ......68 Aula 18: Proteção da Diversidade Biológica.................................................................................. 72 Aula 19: Biotecnologia e Biossegurança ........................................................................................ 75 Aula 20: Saneamento Básico e Meio Ambiente............................................................................. 78 Aula 21: Urbanismo e Meio Ambiente ......................................................................................... 85 Aula 22: Mineração e Meio Ambiente .......................................................................................... 90 Aula 23: Política Energética e Meio Ambiente .............................................................................. 94

BlOCO III: TUTElAS ESPECífICAS DO mEIO AmBIEnTE .....................................................................................................................53

diReiTO AmbienTAl

Bloco I. Introdução ao dIreIto amBIental
Introdução ao Bloco I

A Revolução Industrial é o marco desencadeador de uma sociedade fundada no consumo. Esta sociedade impõe uma pressão cada vez maior sobre os recursos naturais, fazendo crescer preocupações com o meio ambiente e, consequentemente, com a própria sobrevivência da vida no planeta. Diante das constantes agressões ao meio ambiente, comprovadas pela ciência e condenadas pela ética e moral, surge a necessidade de se repensar conceitos desenvolvimentistas clássicos. Neste sentido, se faz imperiosa a agregação de diversas áreas do conhecimento científico, técnico, jurídico e mesmo de saberes de comunidades tradicionais e locais em torno de uma nova teoria de desenvolvimento sustentável que permita a utilização presente dos recursos naturais existentes sem, contudo, esgotá-los, para que o mesmo direito possa ser garantido às futuras gerações. Dentro desse contexto se insere este novo ramo do direito, o direito ambiental. Por sua natureza interdisciplinar em sua gênese, o direito do ambiente acaba também evocando conceitos e, até certo ponto, se sobrepondo aos instrumentos de outras disciplinas clássicas: direito constitucional, administrativo, civil, penal e processual. Pelo fato das atividades poluidoras e de degradação do meio ambiente não conhecerem fronteiras, o direito ambiental evoca constantemente noções de direito internacional fazendo surgir também uma disciplina derivada, intitulada direito internacional ambiental.

FGv diReiTO RiO

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doutrIna leitura obrigatória José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). Diferenciar as concepções antropocêntricas e ecocêntricas e os conceitos amplos e restritos do direito ambiental e como essas caracterizações afetam a tutela dos interesses e direitos relacionados na prática. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). Com isso. abrindo espaço para novas disciplinas jurídicas.diReiTO AmbienTAl aula 1. Pp. social e coletiva. 19-36. sua recente consolidação. FGv diReiTO RiO 4 . sob o prisma da dimensão fundamental. dentre elas. o surgimento e a autonomia do direito ambiental Introdução A complexidade e evolução da sociedade moderna fizeram com que uma terceira geração de direitos se delineasse. Incluem-se dentro desta nova geração. o direito ambiental. 186 e 225. Artigos 184. oBjetIvos Entender os conceitos formadores do direito ambiental. 2. novas formas de tutela e proteção dos interesses e direitos que já não mais são individualizados. direitos como o do consumidor e o próprio ambiental. Proporcionar a precisa identificação e caracterização do bem ambiental. Constituição Federal. Introdução ao Direito do Ambiente. 3. passam a exigir uma re-estruturação da teoria clássica do direito. autonomia em relação às demais disciplinas clássicas do direito e interdisciplinaridade. quebrando a divisão clássica do direito de tradição civilística entre público e privado. legIslação 1. Caracterizam-se pela coletividade da titularidade e complexidade do bem protegido e das intervenções estatais – por meio de regulação – em áreas antes estritamente privadas. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). Universidade Aberta (1998).

Enquanto os direitos de primeira geração (direitos civis e políticos) – que compreendem as liberdades clássicas. que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais. notas e Questões1 1. reais ou concretas – acentuam o princípio da igualdade. 37. Quais as razões que tornam a proteção do ambiente uma das preocupações fundamentais dos cidadãos atualmente? 2. Quais as pré-compreensões do Direito do Ambiente? Como se caracterizam? 5. p. Pode-se considerar o ambiente como novo bem jurídico protegido pelo direito? Por quê? 7. a expressão significativa de um poder atribuído. enquanto valores fundamentais indisponíveis. sociais e culturais) – que se identificam com as liberdades positivas. consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento. num sentido verdadeiramente mais abrangente./1995. Impetrado: presidente da república). Em que consiste a implicação ou referência sistêmico-social da noção de bem jurídico ambiental? 8. FGv diReiTO RiO 5 . à própria coletividade social. José Joaquim Gomes canotilho (coordenador) (1998). O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração – constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva. 30/out. expansão e reconhecimento dos direitos humanos. Quais os principais problemas com que se defrontam os juristas na regulação jurídica dos problemas ambientais? 4. 16-22. Articulando os dispositivos constitucionais pertinentes. mas. dentro do processo de afirmação dos direitos humanos. é possível afirmar que o direito ao ambiente é hoje um (novo) direito fundamental dos cidadãos? 1 extraídas da obra introdução ao direito do Ambiente. refletindo. pp. negativas ou formais – realçam o princípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos. Por que razão os juristas encaram as questões ambientais com base numa abordagem interdisciplinar? 3. pela nota de uma essencial inexauribilidade. Ementa: A QUESTÃO DO DIREITO AO MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO – DIREITO DE TERCEIRA GERAÇÃO – PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE. caracterizados.164-0-sp (Impetrante: antônio de andrade ribeiro junqueira.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa stF Ms 22. os direitos de terceira geração. não ao indivíduo identificado em sua singularidade. Em que consiste o conceito estrito de ambiente? Quais são as principais críticas que se lhe podem dirigir e quais as suas vantagens? 6.

diReiTO AmbienTAl 9. Em que consiste a noção de dano ambiental? 10. Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente. Poderá considerar-se o Direito do Ambiente como nova disciplina jurídica autônoma? Qual o relevo prático desta problemática? FGv diReiTO RiO 6 . ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? 11.

1-22. 3. direitos e interesses metaindividuais. mas que ainda suscitam diversas questões práticas. jurIsprudêncIa stF re 163231-3/sp (recorrente: Ministério público do estado de são paulo.625/1993. Editora Juarez de Oliveira (2006). Lei 8. Antônio F. acabam contaminando a prática e. então./97. Artigo 25. incisos I a III.347/1985. Artigo 81. Artigo 1º. desde a caracterização e classificação até aos imbróglios e divergências processuais. tipificados pelo direito positivo vigente no Brasil. Os problemas de aplicação desses conceitos. Lei 8. coletivo ou individual homogêneo. podem operar contra a eficiente proteção do bem jurídico que se propõem a proteger. esmiuçados pela doutrina especializada. direitos e interesses difusos e Coletivos Introdução Surgem. portanto.078/1990. Possibilitar a compreensão da indenização individual por dano coletivo. legIslação 1. alínea “a” doutrIna leitura obrigatória Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida. pp. FGv diReiTO RiO 7 . Lei 7. Constituição Federal. Artigos 129. pp. Beltrão. oBjetIvos Categorizar os interesses e direitos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (saudável) como difuso. Tutela dos Interesses Difusos e Coletivos. recorrido: associação notre dame de educação e cultura). 26/fev. inciso IV. Manual de Direito Ambiental – série Concursos Públicos. G. 4.diReiTO AmbienTAl aula 2. parágrafo único. 17-19. 225. 2. Identificar os critérios para legitimação da defesa do meio ambiente. Editora Método (2008).

Por um período de 3 meses a associação de pescadores da Ilha do Governador. Quais são os interesses e direitos a serem tutelados? 2. composta por 100 pescadores. Durante o processo de abastecimento. O vazamento causou ainda a morte de diversas espécies de pássaros. Como o exercício de um interesse específico pode afetar positiva ou negativamente o resultado final de outro interesse? FGv diReiTO RiO 8 . ficou impossibilitada de exercer a sua atividade econômica. ficaram impossibilitados de exercer suas atividades econômicas e de auto-sustento. Como o direito e/ou interesse tutelado vinculam a resposta a ser dada pelo Poder Judiciário? 3. peixes e foi responsável pela interdição de vários balneários. um vazamento na mangueira de combustível ocasionou uma explosão de grande dimensão. estava abastecendo seu cargueiro no porto do Rio de Janeiro. o petróleo vazou contaminando 80% da baía de Guanabara. não associados a esta entidade. Outros 50 pescadores. indaga-se: 1. Como decorrência. por força da mesma proibição provisória imposta pela autoridade ambiental competente. após ter carregado a embarcação com petróleo.diReiTO AmbienTAl notas e Questões Imagine a seguinte situação baseada em um acontecimento real: Uma grande companhia de óleo e gás. Diante deste cenário.

3. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). PrinCíPios do direito ambiental Introdução A crescente preocupação social com as questões ambientais influenciou a comunidade internacional e as legislações constitucionais e infraconstitucionais de diversos países a enveredar para a elaboração de normas de proteção do meio ambiente. Para orientar esta atividade normativa. diversos princípios surgiram tanto em âmbito internacional. até então recém nascida. Artigo 225. A este novo projeto de desenvolvimento econômico. como no plano nacional e que serviram também para auxiliar na interpretação de conceitos legislativos e sanarem lacunas desta. Possibilitar a identificação dos princípios explícitos e implícitos em textos normativos.diReiTO AmbienTAl aula 3. Lei 6. oBjetIvos Conhecer os princípios formadores do direito ambiental. 2. 5. entender a existência desses princípios e justificar as suas aplicações práticas. 4. disciplina jurídica. pretende introduzir alguns dos mais importantes princípios do direito ambiental e trabalhar a aplicação dos conceitos a eles inerentes ao caso concreto.605/1998. Diferenciar os conceitos de princípios similares para melhor articulação da aplicação prática. Esta aula. Constituição Federal. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). A conscientização de que os recursos naturais renováveis ou não renováveis são limitados clamou por uma intervenção legislativa capaz de reconstruir modelos clássicos desenvolvimentistas. FGv diReiTO RiO 9 .938/1981. portanto. resolveu-se incluir a noção de sustentável como única forma viável de evitar a degradação do meio ambiente a níveis que permitam a sadia qualidade de vida no planeta. legIslação 1. Esta reconstrução passou a impor ao desenvolvimento econômico a racional utilização dos recursos naturais e fez com que os processos industriais passassem a internalizar as externalidades ambientais. Lei 9.

• na sua capacidade de integração de lacunas2. 16ª Edição. Ementa: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO CAUTELAR – LIBERAÇÃO DO PLANTIO E COMERCIALIZAÇÃO DE SOJA GENÉTICAMENTE MODIFICADA (SOJA ROUND UP READY). finalmente. • no seu potencial como auxiliares da interpretação de outras normas jurídicas e.. § 1º. 57-72 e 74-108. 8º. DO CPC – INTELIGÊNCIA. IV. 808./2000. I – Improcedência da alegação de julgamento extra petita. jurIsprudêncIa trF 1ª região. muito concreto.01. ac 2000. Universidade Aberta [1998]. NO MEIO AMBIENTE. CAPUTE E § 1º. de uma norma. mesmo porque.) leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. apelados: Instituto Brasileiro de defesa do consumidor [Idec] e associação civil greenpeace). DE OGM – PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E DA INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO CAUTELAR – PRESENÇA DO FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO – INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA – ART. 225. DA RESOLUÇÃO CONAMA Nº 237/97 – INEXISTÊNCIA DE NORMA REGULAMENTADORA QUANTO À LIBERAÇÃO E DESCARTE. DA CF/88 C/C ARTS. no exercício do poder geral de cautela. Introdução ao Direito do Ambiente. 2º. 9º E 10º. 8/ago.diReiTO AmbienTAl doutrIna utilidade dos princípios Apesar de terem um conteúdo relativamente vago. III. tornando inconstitucionais ou ilegais as disposições legais ou regulamentares ou os actos administrativos que os contrariem. Direito Ambiental Brasileiro. 3º.938/81 E ARTS 1º. § 4º. a utilidade dos princípios reside fundamentalmente: • em serem um padrão que permite aferir a validade das leis. pp. DA LEI Nº 6. Editora Malheiros (2008). 43. SEM O PRÉVIO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – ART. pode o magistrado adotar 2 Uma lacuna é a não previsão de um caso na lei e a integração da lacuna consiste na criação da disciplina jurídica para aquele caso concreto. p. (José Joaquim Gomes Canotilho [coordenador]. FGv diReiTO RiO 10 . quando comparado com o conteúdo. 4º E ANEXO I.014661-1-dF (apelantes: união Federal e Monsanto do Brasil ltda. na ação cautelar.00.

exatamente. V – A existência do fumus boni iuris ou da probabilidade de tutela. autorizando o plantio e a comercialização de soja transgênica. de organismos geneticamente modificados. na qual os autores se insurgem. § 4º.974/95. Precedente do STF (ADIN nº 1.086-7/SC. IV. Rel. até o momento presente. especialmente ante séria dúvida quanto à Constitucionalidade do art. em escala comercial. do CPC. em face do veto presidencial à disposição constante do projeto da Lei nº 8. tal como consta do Anexo I da aludida Resolução CONAMA nº 237/97. à luz das quais se infere que a definição de “obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente”. que conserva a sua eficácia na pendência do processo principal – e não apenas até a sentença – mesmo porque os feitos cautelar e principal têm natureza e objetivos distintos. IV. do Decreto nº 1. do direito invocado. 8º. na forma da lei. II – A sentença de procedência da ação principal não prejudica ou faz cessar a eficácia da ação cautelar. a regulamentação relativa à liberação e descarte. incumbindo ao poder Público. no meio ambiente.279). 225.938. necessário o estudo prévio de impacto ambiental. compreende “a introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas”. da Lei nº 6. 225. III – Se os autores só reconhecem ao IBAMA a prerrogativa de licenciar atividades potencialmente carecedoras de degradação ambiental. de 31/08/81 – recepcionada pela CF/88 – e dos arts. 24. 225 da CF/88 erigiu o meio ambiente ecologicamente equilibrado “a bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. § 1º. XVI. 9º e 10º. não há suporte à conclusão de que a mera expedição de parecer pela CNTBio. por via de conseqüência. 1º. previamente. e a comercialização de sementes de soja geneticamente modificadas. da CF/88).diReiTO AmbienTAl providência não requerida e que lhe pareça idônea para a conservação do estado de fato e de direito envolvido na lide. 2º. pelo que.§ 1º. a que se refere o art. VI. para assegurar a efetividade desse direito. no meio ambiente. pág. caput e § 1º. 4º e Anexo I da Resolução CONAMA nº 237/97. sem o prévio estudo de impacto ambiental.752/95. Inteligência do art. 3º. juridicamente relevante é a tese de impossibilidade de autorizaFGv diReiTO RiO 11 . a que se dará publicidade” (art. c) pela vedação contida no art.974/95. estudo prévio de impacto ambiental. IV – O art. da Lei 8. que permite à CNTBio dispensar o prévio estudo de impacto ambiental – de competência do IBAMA – em se tratando de liberação de organismos geneticamente modificados. II. “exigir. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. para o plantio. contra o aludido parecer. que veiculava idêntica faculdade outorgada à CNTBio. 808. diante da qual se conclui que a CNTBio deve expedir. in DJU de 16/09/94. encontra-se demonstrada especialmente: a) pelas disposições dos arts. sob pena de se tornarem ineficazes outras disposições daquele diploma legal. Ilmar Galvão. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. para a qual. da CF/88. Min. à máquina de norma regulamentadoras a respeito do assunto. possa tornar sem objeto a ação cautelar. 8º. no processo principal. 2º.

tal como previsto no art. notas e Questões 1. lesão ao meio ambiente e lesão grave ao meio ambiente.974/95. IDEC e Greenpeace? 3. VI. Qual é a natureza jurídica e justificativa do princípio do poluidor-pagador? 5. da Lei nº 8. pode causar. O que se entende por princípio da participação? Qual é a sua importância e relevância prática? 4. VII – Homologação do pedido de desistência do IBAMA para figurar no pólo ativo da lide. desde incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias e lesão corporal grave. De que forma o princípio da precaução se aplica ao caso relatado no caso União Federal e Monsanto vs. em face da superveniência da Medida Provisória nº 1. §§ 1º a 3º. de 01/06/2000. Apelações e remessa oficial. sem a adoção de rigorosos critérios de segurança. até o deslinde da ação principal. 13. sem a observância das devidas cautelas regulamentares. o risco de dano irreversível e irreparável ao meio ambiente e à saúde pública. V. da Lei nº 8. que sinalizam a potencialidade lesiva de atividade cujo descarte ou liberação de OGM. tida como interposta. até a morte. e 13. tipificando-se tais condutas como crimes e impondo-lhes severas penas.diReiTO AmbienTAl ção de qualquer atividade relativa à introdução de OGM no meio ambiente. no intuito de se evitar – em homenagem aos princípios da precaução e da instrumentalidade do processo cautelar –. improvidas. d) Pelas disposições dos arts. VIII – Preliminares rejeitadas. IV – A existência de uma situação de perigo recomenda a tutela cautelar. 8º. no meio ambiente.974/95. pela utilização de engenharia genética no meio ambiente e em produtos alimentícios. O que distingue os princípios da precaução e da prevenção? 2.984-18. De que forma princípios gerais como o da razoabilidade e proporcionalidade se relacionam com a instrumentalização dos princípios de direito ambiental? FGv diReiTO RiO 12 .

e que assumiu proporções inesperadas no século XX. portanto. 170. O texto constitucional inova ainda quando divide a responsabilidade pela defesa do meio ambiente entre o Poder Público e à coletividade. III e IV. bem se compreende que Constituições mais antigas. É por isso que. legIslação 1. Trabalhar a idéia de divisão de responsabilidades em ações de proteção e defesa do meio ambiente entre o Poder Público e a coletividade. Elaborar a noção do ambiente ecologicamente equilibrado como direito subjetivo de todos e dever fundamental do Estado. não tenham cuidado FGv diReiTO RiO 13 . também reforçando o seu título de “constituição cidadã”. o de número “VI”. como a norte-americana. Constituição Federal. Entender o papel do Judiciário na consolidação da proteção ambiental constitucional. Artigos 5º. Identificar os instrumentos processuais constitucionais de defesa do meio ambiente. traçar o conteúdo e os limites da ordem jurídica. direta ou indiretamente.diReiTO AmbienTAl aula 4. com mais destaque a partir dos anos 60. como lei fundamental. doutrIna Meio ambiente: bem jurídico per se Cabe à Constituição. direito ambiental na Constituição federal de 1988 Introdução A Constituição Federal brasileira de 1988 é um marco na defesa dos direitos e interesses ambientais ao dispor em diferentes títulos e capítulos sobre a necessidade de preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. é a primeira vez em que a expressão “meio ambiente” aparece em uma Constituição brasileira. a francesa e a italiana. Em capítulo específico. XXIII. Além disso. Tema candente. oBjetIvos Reconhecer a importância de disposições constitucionais específicas em matéria de defesa e proteção do meio ambiente. ampliando sobremaneira a importância da sociedade civil organizada e. diversos são os conceitos e princípios inovadores trazidos pela Carta Magna que norteiam o direito ambiental brasileiro. vamos localizar na norma constitucional os fundamentos da proteção do meio ambiente. 129. III e 225.

o meio ambiente deixa de ser considerado um bem jurídico per accidens e é elevado à categoria de bem jurídico per se. pp.diReiTO AmbienTAl especificamente da matéria. os diversos países. tendo como pressuposto. a saúde humana. ou seja. (2007). pp. com profundidade. Mas.01049432-1/sc (agravante: união Federal. de 19/jul. ainda que sem previsão constitucional expressa. a proteção do meio ambiente. 2004. Editora Revista dos Tribunais [2005]. (Édis Milaré. (2008). Ementa: AGRAVO. inclusive o nosso. o espanhol (1978) e o brasileiro (1988). Isso acontecia porque o legislador se baseava no poder geral que lhe cabia para proteger a “saúde humana”. d. 4ª Edição. Direito Ambiental Brasileiro. nos regimes constitucionais anteriores a 1988. 5ª Edição. Paulo de Bessa Antunes. com autonomia em relação a outros bens protegidos pela ordem jurídica. Aparece o ambientalismo como direito fundamental da pessoa humana. Editora Malheiros (2008). 142-192. isto é. 16ª Edição. Editora Lumen Juris.j. Nessa nova perspectiva. Editora Revista dos Tribunais. Federação das entidades ecologistas de santa catarina. agravados: rede de organizações não-governamentais da Mata atlântica. Bibliografia complementar Édis Milaré. 11ª Edição. a saúde ambiental. como é o caso da saúde humana. embora sem perder seus vínculos originais com a saúde humana.u. Assim ocorria também no Brasil. as questões envolvidas na lide. p. Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos recursos naturais renováveis – IBaMa). promulgaram (e promulgam) leis e regulamentos de proteção do meio ambiente. ganha identidade própria. Aí está. jurIsprudêncIa trF 4ª região. historicamente. pp. 57-76.04. Direito do Ambiente. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar. já que o ato presidencial não FGv diReiTO RiO 14 . HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. o primeiro fundamento para a tutela ambiental. porque é mais abrangente e compreensiva. 122-152. Nos regimes constitucionais modernos. energética Barra grande s/a. Direito Ambiental. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS./2006. 180). explícito ou implícito. Direito do Ambiente. 1. como o português (1976). leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado.

saúde. segurança e economia públicas.diReiTO AmbienTAl se reveste de caráter revisional. vale dizer. notas e Questões 1. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta. Qual é a importância dada pela decisão União Federal vs. 2. Quais são os conceitos fundamentais medidos e sopesados pelo julgado supra citado para fundamentar a decisão final? 4. Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica e outros ao meio ambiente? 3. a sua potencialidade de lesão à ordem. sim. não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender. Qual é a importância da Constituição trazer previsões de direitos e deveres de defesa e proteção do meio ambiente? 2. Quais são os argumentos constitucionais que poderiam ter influenciado o julgado de forma diversa do decidido? FGv diReiTO RiO 15 . mas.

18.diReiTO AmbienTAl aula 5. aparentemente descentralizador. De acordo com o princípio da predominância do interesse. 30. 23. se sobrepõem e geram incertezas práticas. Distrito Federal e Municípios para a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer das suas formas. a Carta Magna estabelece um complexo sistema de repartição de competências legislativas e executivas. pesca. Preceitos de competência privativa. da Constituição da República estabelece a competência comum da União. conservação da natureza. doutrIna Competência Comum: o art. 25. constituindo-se muitas vezes em obstáculos de difícil transposição no campo processual. 24. 22. Artigos 1º. oBjetIvos Identificar e diferenciar as diferentes competências em matéria ambiental. bem como para a preservação das florestas. para florestas. estadual e municipal. defesa do solo e dos recursos naturais. É justamente neste particular que reside uma das questões mais conflitantes do direito ambiental: a divisão de competências entre os diferentes entes da federação em matéria de legislação e execução de políticas ambientais. 24. Competência legislativa: o art. Dentro deste modelo. como responsabilidade por dano ao meio ambiente. cabendo aos Estados a competência supleFGv diReiTO RiO 16 . Infelizmente. 170 e 182. da Carta de 1988 estabelece a competência legislativa concorrente da União. Trabalhar e aplicar o sistema de competências na prática. a conseqüência nefasta de um sistema de competências confuso pode acarretar em irreparável dano ao meio ambiente. caça. Constituição Federal. 24 que a União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. da fauna e da flora. Estados. excluindo os Municípios. ComPetênCias ConstituCionais em matéria ambiental Introdução A Constituição Federal de 1988 cria uma federação com três níveis de governo: federal. VI e VII. concorrente e suplementar ao mesmo tempo em que são elucidados pelo texto constitucional. Trata-se da competência material ou administrativa. legIslação 1. VI e VIII. 23. dos Estados e do Distrito Federal. fauna. a Carta Federal expressamente dispõe nos parágrafos do art.

º 2. (2008). Manual de Direito Ambiental. Afronta à competência legislativa concorrente da União para editar normas gerais referentes à produção e consumo. 66-70. Editora Método. requeridos: assembléia legislativa do estado do Mato grosso do sul e governador do estado do Mato grosso do sul). G. Direito do Ambiente. VI e XII e §§ 1º e 2º da Constituição Federal. Beltrão. Bibliografia complementar Paulo de Bessa Antunes. 55-71. II e LIV. Manual de Direito Ambiental. p.210/01. (2008). eventual lei estadual oriunda desta competência legislativa plena terá sua eficácia suspensa. 11ª Edição. Editora Malheiros. 2ª Edição. Lei n. Qual é a diferença entre competência administrativa e competência legislativa? Quais são os dispositivos constitucionais específicos que fundamentam esta repartição de competências? FGv diReiTO RiO 17 . 25. pp. Beltrão. Editora Lumen Júris. 111-115. G. 77-92. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado.179-183. I e XII. V. 170. jurIsprudêncIa stF adin 2. 5ª Edição. (Antônio F. Editora Método. pp. Édis Milaré. (2006). Inexistindo lei federal sobre normas gerais. [2008]. 22. (2008).diReiTO AmbienTAl mentar. Inexistência. Ofensa aos arts. pp. Editora Revista dos Tribunais (2008). 16ª Edição. pp. caso posteriormente seja editada lei federal sobre normas gerais. notas e Questões 1. § 1º. Ementa Ação Direta de Inconstitucionalidade.396-9 (requerente: governador do estado de goiás. Direito Ambiental. caput. do Estado do Mato Grosso do Sul. pp. II e IV. à proteção do meio ambiente e controle da poluição e à proteção e defesa da saúde. Antônio F. artigo 24. Editora Atlas. 18 e 5º. caput. 105). Direito Ambiental Brasileiro. Curso de Direito Ambiental. os Estados excepcionalmente exercerão a competência legislativa plena. Luís Carlos Silva de Moraes.

editora método. manual de direito Ambiental.diReiTO AmbienTAl 2. é de competência exclusiva dos Estados-membros a preservação das florestas. p. (Procurador da República 20º Concurso) Assinale a alternativa correta:3 a) o combate à poluição. d) nenhuma das alternativas está correta. de que forma esta competência da União é exercida? 3. A União é competente para legislar em matéria que verse sobre proteção e defesa do meio ambiente? Em caso afirmativo. Podem os municípios legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 5. em qualquer de suas formas. na ausência de legislação específica da União. 109. (2008). b) situa-se no âmbito da legislação concorrente a competência para legislar sobre proteção do meio ambiente. Em matéria de competência suplementar dos Estados. Podem os Estados legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 4. beltrão. c) tendo em vista o princípio da descentralização administrativa. pode o Estado ocupar o espaço com legislação estadual em matéria de defesa e proteção do meio ambiente? E o município? 6. é de competência exclusiva da União. 3 Questão extraída da obra: Antônio F. FGv diReiTO RiO 18 . G.

A legislação brasileira. 2. Portanto.938/1981. Nesta esteira.797/1989. Lei 7. Dentro deste contexto. Lei 6. contudo. FGv diReiTO RiO 19 . como a soberania e o próprio direito das nações ao desenvolvimento econômico. assume especial relevância a organização e o mapeamento institucional. Visando mitigar este conflito sem. Compreender e aplicar na prática a divisão de competências dos órgãos integrantes do SISNAMA. Com a concepção da Declaração de Estocolmo de 1972. ferir direitos até então internacionalmente reconhecidos. 3. Conceitualizar e compreender o Sistema Nacional do Meio Ambiente. impulsionada pelo movimento ambientalista da década de 70. mas mantendo preservada a compatibilização destes objetivos com o direito ao desenvolvimento econômico e social. Identificar e distinguir o organograma institucional do SISNAMA. constitui-se em um marco ao conceber a necessidade de uma gestão qualificada. bem como a elaboração de um atualizado quadro legal e regulatório que pudesse recepcionar e se adequar aos preceitos internacionalmente reconhecidos. Lei 7. preservando os aspectos econômicos. sociais e ambientais. surge a necessidade de criação e desenvolvimento de diretrizes e ações coordenadas para instrumentalizar o objetivo maior perseguido.735/1989. a comunidade internacional passou a trabalhar a noção de desenvolvimento sustentável. oBjetIvo Entender e contextualizar a concepção da Política Nacional do Meio Ambiente e sua respectiva instrumentalização. PolítiCa e sistema naCional do meio ambiente Introdução Diante da complexidade do bem ambiental e dos meios para efetivação da sua defesa e proteção. a Declaração do Rio de 1992 consolidou o conceito de gestão ambiental como instrumento indispensável ao cumprimento de objetivos preservacionistas e de defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado. instaurou-se um conflito de interesses entre países em desenvolvimento e desenvolvidos acerca do direito ao desenvolvimento econômico. é precursora na adoção de uma política nacional e quadro institucional sistematizado para efetivar a finalidade máxima de defesa e proteção do meio ambiente ecologicamente sadio à qualidade de vida.diReiTO AmbienTAl aula 6. legIslação 1.

cuja estruturação é feita com base na lei da PNMA [Política Nacional do Meio Ambiente]. Lei 10. COMPETÊNCIA DO IBAMA. recorridos: Ministério público Federal.696/1995. 153-175. 11ª Edição. Beltrão. (2008). DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. INTERESSE NACIONAL. Decreto 964/1993.683/2003. (2008). Interessado: Instituto Brasileiro do Meio ambiente e recursos naturais renováveis [IBaMa]).diReiTO AmbienTAl 4. pp. Decreto 1. 93-124. 5ª Edição. jurIsprudêncIa stj recurso especial 588. Editora Método. (2008). (2008). leitura obrigatória Édis Milaré. Fundação do Meio ambiente [FatMa]. FGv diReiTO RiO 20 . Editora Malheiros. Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. Paulo de Bessa Antunes. doutrIna O SISNAMA [Sistema Nacional de Meio Ambiente] é o conjunto de órgãos e instituições vinculadas ao Poder Executivo que. estadual e municipal. 113-121. pp.650/2003. p. Antônio F. conforme definido em lei. muitas outras instituições nacionais têm importantes atribuições no que se refere à proteção do meio ambiente. (Paulo de Bessa Antunes. nos níveis federal. 93). 285-298 / 307-321.022-sc (2003/0159754-5) (recorrentes: superintendência do porto de Itajaí. 7. Editora Lumen Juris. são encarregados da proteção ao meio ambiente. Lei 10. pp. Direito do Ambiente. Direito Ambiental. Editora Lumen Juris. Editora Revista dos Tribunais (2007). 11ª Edição. pp. Manual de Direito Ambiental. Direito Ambiental Brasileiro. LICENCIAMENTO. 5. 6. Além do SISNAMA. G. Ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. 16ª Edição. Direito Ambiental. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.

sobre o homem que vive e depende do rio. sobre as correntes marítimas. 4.diReiTO AmbienTAl 1. Qual é a função que o Conselho de Governo vem desenvolvendo na prática? Explique. o mar territorial afetado. 3. nesta condição. Qual é a importância e o fundamento legal de inclusão do princípio da informação ao SISNAMA? 7. A natureza desconhece fronteiras políticas. é patrimônio do Poder Público que. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. extrapolando os limites impostos pelo homem. notas e Questões 1. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. sobre os mangues. A atividade do órgão estadual. mas. O que é o SISNAMA e qual a sua utilidade dentro da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. principalmente. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. nesse caso. Recursos especiais improvidos. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. sobre a orla litorânea. e. bem como. 8. in casu. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. Os bens ambientais são transnacionais. 2. pode até haver duplicidade de licenciamento. deve zelar e administrá-lo em prol da coletividade para as gerações presentes e futuras? Justifique. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. O que é a Política Nacional do Meio Ambiente? 2. através dos órgãos ambientais públicos e privados. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. é supletiva. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. como bem de uso comum de todos. O que é o CONAMA e quais são as suas funções? FGv diReiTO RiO 21 . Quais são os órgãos integrantes do SISNAMA? 9. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. De que forma o desenvolvimento econômico é tratado pela Política Nacional do Meio Ambiente? 5. Qual a finalidade de se instituir uma Política Nacional do Meio Ambiente? 3. enfim. a FATMA. É possível afirmar que o meio ambiente. pelo depósito dos detritos no mar. sobre as praias. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. 5. do mar e do mangue nessa região. 4.

e) estabelecer normas e padrões relativos à emissão de poluição por veículos automotores. cons- 4 Questão extraída da obra: Antônio F. beltrão. (2008). pois é de competência comum da União. o Conselho Nacional da Amazônia Legal e o Conselho Nacional da Mata Atlântica. a Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. não obstante já possuir órgão ambiental na esfera estadual.5 a) Compõem o SISNAMA: o Conselho de Governo. versando sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição das águas. o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). Um vereador de determinado município. editora método. 5 6 Id. c) autorizar a exploração comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs). G. julgue os próximos itens. dados os constantes episódios de degradação de recursos hídricos naquela unidade da federação. b) rever. incluindo manutenção. do DF e dos Municípios legislar sobre a matéria mencionada. após a expedição de parecer técnico conclusivo favorável pelos órgãos competentes. (Procurador Município Manaus 2006) As competências atribuídas legalmente ao Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA dão-lhe a prerrogativa de:4 a) fixar as políticas de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável em nível nacional. 12. d) autorizar a supressão. Considere a seguinte situação hipotética.diReiTO AmbienTAl 10.6 a. melhoria ou recuperação de qualidade ambiental que visem a elevação da qualidade de vida da população. dos Estados. 192. (Procurador do Estado AP 2006) Quanto ao Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). (Juiz de Direito – TJMT 2004) A respeito da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e da normatização constitucional e infraconstitucional relativa ao meio ambiente. Id. b) O Fundo Nacional de Meio Ambiente objetiva o desenvolvimento de projetos que visem o uso racional e sustentável de recursos naturais. apresentou projeto de lei. Nessa situação. em grau de recurso. 11. aproveitando-se da legitimidade democrática decorrente de sua composição ampliada. Determinado Estado da Federação. tal projeto pode ser considerado compatível. as decisões relativas à outorga de licenciamento ambiental proferidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). 192-193. FGv diReiTO RiO 22 . sob o ponto de vista constitucional. p. b. julgue os próximos itens. manual de direito Ambiental. diminuição ou alteração de área de preservação permanente e de reserva legal. 195. aeronaves e embarcações. p. o Grupo Executivo do Setor Pesqueiro (GESPE). Considere a seguinte situação hipotética. pp.

FGv diReiTO RiO 23 .diReiTO AmbienTAl tituiu uma fundação responsável pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. dos Estados. do DF e dos Municípios e não por fundações. apesar de tal fundação destinar-se aos mencionados fins. ainda que instituídas pelo poder público para propósitos ambientais. Nessa situação. pois ele só é integrado pelos órgãos ambientais da União. ela não compõe o Sistema nacional do Meio Ambiente (SISNAMA).

VIII – o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental. II – o zoneamento ambiental. estadual e municipal. V – os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia. Alguns se encontram exaustivamente regulados. seguro ambiental e outros. quando inexistentes.938/81 apresenta um rol de onze incisos elencando os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. X – a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente. obrigando-se o Poder Público a produzi-las. como concessão florestal. XIII – instrumentos econômicos. a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. XII – o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ ou utilizadoras dos recursos ambientais. outros ainda carecem de elucidação regulamentar específica. Este capítulo irá abordar sucintamente alguns destes instrumentos e aprofundar em maiores detalhes aqueles que visam o uso equilibrado dos recursos naturais. da Lei 6. Artigo 9º. da Lei 6. de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas. tais como áreas de proteção ambiental. XI – a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente. IV – o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras. servidão ambiental. São eles os meios para a efetiva defesa e proteção do meio ambiente. IX – as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não-cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental. III – a avaliação de impactos ambientais.938/1981: São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: I – o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental. voltados para a melhoria da qualidade ambiental. VI – a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal. VII – o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente. FGv diReiTO RiO 24 . Instrumentos da PolítIca nacIonal do meIo amBIente Introdução ao Bloco O artigo 9º.diReiTO AmbienTAl Bloco II.

inc. 9º. efluentes e ruídos (atualmente instituídos). sociedade civil. contudo. II. olvidar da defesa e proteção do meio ambiente. Padrões de Qualidade e Zoneamento ambiental Introdução A fixação de padrões de qualidade e o zoneamento ambiental são dois instrumentos de extrema importância para a consecução das premissas inerentes ao desenvolvimento sustentável. é necessária uma previsão legal sólida dos instrumentos de política do meio ambiente. atualizada e séria articulação dos meios para atingir as metas previamente traçadas. FGv diReiTO RiO 25 .diReiTO AmbienTAl aula 7. A sua composição e diversidade democrática (governo. Dentro deste contexto e somando-se à complexidade e rapidez cada vez maior da evolução do conhecimento e avanço tecnológico da sociedade moderna. ou como incentivo à monocultura. é imprescindível uma democrática.938/81. bem como de congregar e resolver eventuais conflitos de interesses dos diferentes setores representados. preservação ambiental e/ou mista. oBjetIvo Entender o conceito e a importância da definição de padrões de qualidade ambiental e critérios coerentes de zoneamento ambiental. Compreender e resolver as tensões entre os poderes públicos e iniciativa privada em matérias de padrões de qualidade ambiental e zoneamento ecológico-econômico. este instrumento assume especial relevância. realça a importância do correto planejamento do território que será destinado à indústria.938/81 e o órgão deliberativo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). é ele também mecanismo de convergência de objetivos preservacionistas e econômicos. O atual debate acerca dos biocombustíveis como vilões da agricultura voltada para a produção de alimentos. em relação aos padrões de qualidade. Portanto. o marco regulatório é justamente a Lei 6. previsto pelo art. agricultura. porém dotados de mecanismos flexíveis de deliberação que possam acompanhar o desenvolvimento técnico-científico e os diferentes anseios da sociedade. Distinguir as diferentes atribuições da União. Estados e Municípios em matéria de zoneamento ambiental. classe empresarial e científica) é capaz de identificar e definir os padrões aceitáveis de emissão de poluentes. num país de dimensões continentais como o Brasil. Como o próprio nome sugere. da Lei 6. No tocante ao zoneamento ecológico-econômico (ZEE). No Brasil. o zoneamento ambiental constitui-se como outro instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente. Reconhecendo-se a necessidade do avanço nas áreas econômica e social sem.

Editora Revista dos Tribunais (2007). Curso de Direito Ambiental. 122). Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. Decreto 4.diReiTO AmbienTAl legIslação 1. 11ª Edição. Editora Malheiros. 188-214. [2008]. F Bertoldi empreendimentos Imobiliários ltda e arrimo empreendimentos Imobiliários ltda). 43. 321-353.297/02. (2008). Direito Ambiental Brasileiro. (Paulo Affonso Leme Machado. 16ª Edição. FGv diReiTO RiO 26 . p. (2008). pp. 186 e 225. 72-84. Beltrão.171/91 doutrIna Os padrões de qualidade ambiental consistem em parâmetros fixados pela legislação para regular o lançamento/emissão de poluentes visando assegurar a saúde humana e a qualidade do ambiente. jurIsprudêncIa stj ação rescisória 756 – pr (1998/0025286-0) (autor: estado do paraná. Lei 6. 3. Editora Atlas. p. 16ª Edição. Manual de Direito Ambiental. Variam conforme a toxicidade do poluente. artigos 21. 182. Editora Malheiros. Constituição Federal. (Antônio F. 5ª Edição. 181-199. G. O zoneamento consiste em dividir o território em parcelas nas quais se autorizam determinadas atividades ou interdita-se. pp. Editora Método. Direito Ambiental. pp. Lei 8. Editora Lumen Juris. o exercício de outras atividades. Direito Ambiental Brasileiro. Direito do Ambiente. 25. 2. 191). de modo absoluto ou relativo. 4. 91. seu grau de dispersão. Luís Carlos Silva de Moraes. Paulo de Bessa Antunes.938/81. vazão da corrente de água (em caso do ambiente receptor ser água) etc. pp. Ainda que o zoneamento não constitua. por si só. (2008). a solução de todos os problemas ambientais é um significativo passo. 165. (2006). o uso preponderante do bem ambiental receptor. leitura obrigatória Édis Milaré. réus: Município de guaratuba. 2ª Edição.

LEGITIMIDADE DO MUNICÍPIO PARA ATUAR NA DEFESA DE SUA COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. DJ de 28. no âmbito do exercício da competência legislativa. Ação rescisória procedente. 1ª T. A atuação do Município. RMS 13. mas tão somente legislar em circunstâncias remanescentes. daí resultando a impossibilidade do art. Francisco Peçanha Martins. 7.2000. NORMAS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. Min.. Demócrito Reinaldo.diReiTO AmbienTAl Ementa: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. destinado a preservar a autonomia municipal.02. cumpre a observância das normas editadas pela União e pelos Estados. da CF/88).380/80 do Estado do Paraná. 4.. estabeleceu medidas destinadas à execução das atribuições conferidas pelas legislações constitucional e federal. ao prescrever condições para proteção de áreas de interesse especial. como a expedição de alvará para construção. DJ de 9. está em desacordo com as limitações urbanísticas impostas pelas legislações estaduais então em vigor e fora dos parâmetros autorizados pelo Conselho do Litoral. bem como de garantir a validade dos atos administrativos correspondentes. 6. 05/89. o que enseja a imposição de medidas administrativas coercitivas prescritas pelo Decreto Estadual n.02. 30. 2. Min. Entendida a questão sob esse enfoque. 3.629/PR. revogá-la. AÇÃO RESCISÓRIA. 1ª T. A teor dos disposto nos arts.279/PR.. A Lei Municipal n. 25 da Constituição do Estado do Paraná. 24 e 30 da Constituição Federal.274. CONCESSÃO DE ALVARÁ MUNICIPAL. notas e Questões 1. aos Municípios. A Lei n. não podendo contrariá-las. LEI PARANAENSE N.11. Precedentes: RMS 9. DJ de 03. I. Francisco Falcão. se dá em defesa de seu próprio direito subjetivo de preservar sua competência para legislar sobre matérias de interesse local (art.252/PR. no mandado de segurança no qual se discute a possibilidade de embargo de construção de prédios situados dentro de seus limites territoriais. é de se admitir a legitimidade do município impetrante. 5. ainda que tais benefícios sejam diretamente dirigidos às construtoras que receiam o embargo de suas edificações. VIOLAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR.2003. 2ª T.279/PR. De que forma os padrões de qualidade ambiental são desenvolvimentos e instituídos no Brasil? FGv diReiTO RiO 27 . 7. 1.1999. que instituiu diretrizes para o zoneamento e uso do solo no Município de Guaratuba. EDIFICAÇÃO LITORÂNEA. DJ de 01. de 09 de março de 1983. possibilitando a expedição de alvará de licença municipal para a construção de edifícios com gabarito acima do permitido para o local. Precedente: RMS 9. Min. como as referentes à proteção das paisagens naturais notáveis e ao meio ambiente. Francisco Falcão. Min.389/80.

Qual a participação do Conselho de Defesa Nacional no zoneamento ambiental? 4. Considere a seguinte situação: uma indústria foi instalada em uma determinada região em 1980. ajuíza ação com pedido de relocalização da indústria. Com base na legislação brasileira vigente. esta área passa a ser ocupada por conjuntos habitacionais.diReiTO AmbienTAl 2. temendo os riscos à saúde impostos pelas atividades industriais. A corporação. 3. Por ser questão de interesse local é possível afirmar que o Município detém liberdade plena para definir o zoneamento ecológico-econômico? Justifique. A população no entorno da fábrica. contra-argumenta baseando-se em direito adquirido de pré-ocupação do solo. FGv diReiTO RiO 28 . por sua vez. É possível afirmar que a definição de padrões de qualidade ambiental está restrita ao Poder Legislativo? Justifique. como o caso deve ser resolvido? 5. Por volta de 1990.

6.938/81. informação e educação ambiental como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Neste campo. 4. 5. Identificar os principais pontos da política de educação ambiental e articular formas de aplicação e efetivação prática. informação e educação ambiental para permitir a efetiva participação da sociedade civil organizada e de indivíduos na implementação e execução da política ambiental. Tanto o Direito Internacional como o Direito Estrangeiro (comparado) sedimentaram a necessidade de publicidade. é possível visualizar com clareza a relação do direito ambiental com o direito administrativo. Lei 6.051/95. artigos 5. Distinguir as diferenças entre publicidade e informação ambiental.795/99. Convenção de Aarhus. PubliCidade.650/03 Lei 9. 225. informação. eduCação e PartiCiPação ambiental Introdução Três importantes princípios de direito ambiental são regulamentados e tomam forma no direito brasileiro como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. publicidade e educação ambiental com participação popular qualificada nos processos decisórios. Por serem institutos ligados à atividade da administração pública. emprestam muitos dos conceitos e forma do direito administrativo. 2. Constituição Federal. como a ação popular e a ação civil pública.diReiTO AmbienTAl aula 8. Lei 9. portanto. São também imprescindíveis para a instrumentalização dos mecanismos processuais de defesa do meio ambiente. quando aplicados ao direito ambiental. Lei 10. legIslação 1. FGv diReiTO RiO 29 . Compreender a importância e relação entre informação. oBjetIvos Entender a importância da publicidade. 3. XXXIII.

11. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. Editora Malheiros. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. § 1°. Édis Milaré.340/2002. obscuridade ou contradição a ser suprida. Governador do Estado do Mato Grosso. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. DECRETO ESTADUAL N. Direito Ambiental Brasileiro. Editora Revista dos Tribunais. 9. foram estes rejeitados.438. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. (2008). (2007). NÃO-PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. 243-250. de 12.diReiTO AmbienTAl doutrIna leitura obrigatória Paulo de Bessa Antunes. estaria o estado-membro autorizado a FGv diReiTO RiO 30 . 444-447. 16ª Edição. (2008). NOS TERMOS DO ART. 5ª edição. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. Direito Ambiental. consubstanciado na edição do Decreto n. 11ª edição.2002. Paulo Affonso Leme Machado. Trata-se de mandado de segurança. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL. com pedido liminar.795/1997. bem como determinou. DA CF/1988. denegou a ação mandamental. Direito do Ambiente. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. Em sede de recurso ordinário. 5. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. 24. 1. 1. por maioria. em seu art. segundo. em se tratando de matéria ambiental. 5. DECRETO ESTADUAL N. Editora Lumen Juris. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação. primeiro. ART. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. 3°.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. 178-187. 4. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental. jurIsprudêncIa Ementa DIREITO AMBIENTAL. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – SNUC. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA.

os Estados-membros e o Distrito Federal. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente.985/2002. 24. 9. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. 9. quer pela falta de previsão na legislação estadual. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena.985/2000.340. pesca. 22. Assim sendo.438/2002. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. caça. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. 3. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA. 22.985/2000. Aliás. VI. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da federação brasileira (art. 24. da Lei n. a qual. que exige a realização de prévia consulta pública. que regulamentou a Lei n. ao prescrever. § 1°. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. À norma FGv diReiTO RiO 31 . respeitando. quando for o caso. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. nos termos da legislação estadual (MT) e federal. não prevalece disposição de lei federal. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. § 2°. a regra do art. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. da Carta Maior. possibilitar seja identificada a “localização. qual seja. § 2°. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. fauna. do art. 170. defesa do solo e dos recursos naturais. da CF/1988. da Lei n. § 4º. tendo em conta as necessidades da população local. o estatuído no § 1º. 2. 4°. os §§ 1° e 2° do art. A União. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. da CFRB). embora sucinta. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de conservação a ser criada. qual seja. na esteira do art. de 22 de agosto de 2002. como ocorreu no caso. No caso dos autos. da Lei n. conservação da natureza. da CF/1988).diReiTO AmbienTAl legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. em seu art. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. 5. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. 22. 4. VI. prevista no art. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. 4. 9. evidentemente. O Decreto Estadual n. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. alcança o objetivo perseguido pelo art. b) nos casos de competência legislativa concorrente. O Decreto n. 24.985/2000. no Estado do Mato Grosso. 9.

263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. 38/1995). Como a participação nos processos decisórios pode ser importante instrumento de política ambiental? 4. Recurso ordinário não-provido. no entanto. Quais são os pontos positivos e as principais críticas à política de educação ambiental brasileira? 5. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. quem é legítimo para solicitar informações ao Poder Público? 3. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. notas e Questões 1. 5.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. incisos V e VII. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. O ato governamental (Decreto n. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. 6. do Código Ambiental (Lei Complementar n.diReiTO AmbienTAl de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da federação. 5. sendo-lhe. Por que o direito à informação ambiental é importante instrumento de política do meio ambiente? 2. mormente as presentes nos arts. Pode a educação ambiental ser considerada instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. No direito ambiental brasileiro. O que é e como está estruturado o Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente – SINIMA? FGv diReiTO RiO 32 .

o de desonerar a administração pública de conduzir este processo. Este instrumento possui uma característica peculiar no desempenho da função fiscalizadora da aplicação das normas ambientais. É através do due diligence que a corporação que compra ou incorpora outra pessoa jurídica. due diligence ambiental. oBjetIvos Entender a importância da auditoria ambiental. por vezes.diReiTO AmbienTAl aula 9: auditoria ambiental e due dIlIgence Introdução A auditoria ambiental é um importante instrumento de política do meio ambiente. ou mesmo em simples transações de compra-e-venda entre pessoas físicas. fica reservada a função de fiscalização. ainda que não absoluta. da precisão dos dados apresentados pela auditoria ambiental privada. A auditoria ambiental mandatória (imposta por lei). Cada vez mais exigido em grandes fusões e incorporações. a auditoria ambiental voluntária assemelha-se em muito ao processo conhecido pela sua terminologia em inglês. Ao poder público. tomam conhecimento de eventuais passivos ambientais. FGv diReiTO RiO 33 . Desta natureza preventiva emerge a importância de um completo processo de due diligence ambiental. Neste último caso. Identificar as vantagens e desvantagens de um sistema fortemente dependente da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente. Os benefícios são inúmeros. dentre eles. qual seja. ante o crescente aumento das responsabilidades criminais. A auditoria ambiental transfere do poder público para a iniciativa privada o dever de informar a conformidade dos processos produtivos com a legislação vigente. Compreender a importância e significado da due diligence ambiental. o de instruir decisões corporativas estratégicas como instrumento de gestão e responsabilidade sócio-ambiental e também o de orientar processos de fusões e incorporações. não exclui a possibilidade da realização de auditorias voluntárias. custoso e deveras complexo. do ônus na busca da informação e monitoramento dos processos produtivos. por amostragem. Identificar e trabalhar os principais tópicos que devem ser inseridos na auditoria e due diligence ambiental. a inversão. Esta inversão apresenta alguns pontos positivos. dentre eles. civis e administrativas. Diferenciar auditoria ambiental mandatória e voluntária e estas do due diligence. o due diligence ambiental faz parte da rotina do advogado e consultor de direito ambiental. Está intimamente ligada aos mecanismos de aplicação dos padrões de qualidade ambiental estipulados por legislação específica.

disponível em: http://www. BIBlIograFIa coMpleMentar LINDER. n. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – MEDIDA LIMINAR – LEI ESTADUAL QUE INSTITUIU AUDITORIA AMFGv diReiTO RiO 34 . Journal of Policy Analysis and Management. TJ-PR. 3. 298-314. 5.898. doutrIna Auditoria ambiental é o procedimento de exame e avaliação periódica ou ocasional do comportamento de uma empresa em relação ao meio ambiente.gov./2006.htm. Malheiros.alerj. 2) Lei Ordinária do Estado do Rio de Janeiro. pp.br/processo6. por unanimidade de votos. (spring 1986). Órgão Especial. Direito Ambiental Brasileiro.rj. n.br/processo2.org/ stable/3323264. disponível em http://www. em indeferir a liminar requerida na presente Ação Direta de Inconstitucionalidade. Direito Ambiental Brasileiro. 261-282. p. vol.alerj. artigos.rj.gov. pp. DJ: 7254. ementa: DECISÃO: ACORDAM os desembargadores integrantes do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. 16ª Edição. disponível em http://www. Julgamento 06/Nov. Paulo Affonso Leme.htm. 2008. leItura oBrIgatórIa MACHADO. 2008.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) Constituição do Estado do Rio de Janeiro. jurIsprudêncIa Autora: ALCOPAR – Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná vs. 590-594. São Paulo: Malheiros. de 26/11/1991. Ação Direta de Inconstitucionalidade n.jstor. 376102-0. “Regulatory Compliance Through Environmental Auditing”. (Paulo Affonso Leme Machado. 1. 191). Stephen H. 16ª Edição. Interessada: Assembléia Legislativa do Estado do Paraná.

qual a função desempenhada pela auditoria ambiental? 5) Quais as vantagens e desvantagens de utilização da auditoria ambiental como instrumento de política ambiental? 6) O que é o due diligence? 7) Como a auditoria ambiental diferencia-se e como se assemelha ao due diligence? 8) Quais os principais tópicos que preferencialmente devem constar da auditoria e do due diligence ambiental. COADUNA-SE COM O SISTEMA CONSTITUCIONAL DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE EQUILIBRADO – PLAUSIBILIDADE – AUSÊNCIA – GRANDE LAPSO TEMPORAL ENTRE A EDIÇÃO DO ATO E A PROPOSITURA DA AÇÃO – URGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA – INSURGÊNCIA MERAMENTE QUANTO A INTERESSES SUBJETIVOS DOS ASSOSSIADOS DA ENTIDADE AUTORA – CARÁTER OBJETIVO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ABSTRATO – CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO AFETAM O JULGAMENTO DA AÇÃO DIRETA – INDEFERIMENTO DA LIMINAR.diReiTO AmbienTAl BIENTAL COMPULSÓRIA – DIPLOMA QUE. notas e Questões 1) O que é auditoria ambiental? 2) Qual a diferença entre auditoria ambiental mandatória e voluntária? 3) Qual ente da Federação está mais adepto ao uso da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente: União. EM PRIMEIRA ANÁLISE. FGv diReiTO RiO 35 . Estados ou Municípios? Por quê? 4) Dentro de uma política do meio ambiente.

refletindo nos ordenamentos jurídicos nacionais. na forma de princípio de direito ambiental.diReiTO AmbienTAl aula 10: avaliação de imPaCto ambienta (aia). Desde rios pegando fogo. Trabalhar os aspectos práticas da realização do EIA/RIMA. por conseguinte. a sociedade civil organizada e. vazamentos de óleo de gigantesca magnitude. como momento da exigência. elaboração e custeio. o incremento dos níveis de informação e transparência na execução de projetos com potencial poluidor. a avaliação de impacto ambiental exerce funções relevantes dentro do contexto do direito ambiental. relevante ressaltar a de instrumento de política do meio ambiente instrumentalizando o próprio princípio da precaução. Estes eventos fizeram crescer mundialmente a pressão pela necessidade da realização de uma avaliação prévia a qualquer projeto dos eventuais impactos ambientais para atividades com potenciais poluidores significativos. Examinar o papel do princípio da participação e informação no processo de avaliação de impacto ambiental. Como princípio. ao meio ambiente. Este modelo de desenvolvimento que não internalizava as cuidados básicos com a gestão de recursos naturais renováveis ou não. Por sua singular importância. até sérias contaminações radioativas. estudo e relatório de imPaCto ambiental (eia/rima) Introdução O histórico menosprezo às externalidades ambientais ensejou inúmeros projetos ao redor do mundo sem qualquer observância aos eventuais impactos negativos. a avaliação de impacto ambiental encontra-se atualmente consolidada no direito ambiental. instruindo a ação de organismos internacionais e como parte integrante de diversos ordenamentos jurídicos nacionais. atraindo. para citar apenas alguns. em tratados internacionais o que acaba. Dentre elas. Entender o papel do CONAMA na determinação de atividades que atraiam a exigência do EIA/RIMA. inexoravelmente. por vezes irreversíveis. oBjetIvos Distinguir avaliação de impacto ambiental de estudo e relatório de impacto ambiental. Identificar as principais questões que devem ser inseridas no estudo e relatório de impacto ambiental. percebe-se de forma crescente a inserção da avaliação de impactos ambientais. FGv diReiTO RiO 36 . e os respectivos impactos ambientais acarretou inevitavelmente prejuízos catastróficos ao meio natural. A partir de então. o aumento da participação popular e dos mecanismos de controle da ação do estado. Analisar a exigibilidade do EIA/RIMA à luz da legislação vigente e interpretação jurisprudencial. Compreender a importância da avaliação de impacto ambiental como instrumento de política do meio ambiente. com ela. porém limitados.

pp.086-7. mitigados e/ou compensados quando da sua instalação./2001. FIORILLO. 2008. Curso de Direito Ambiental Brasileiro.274/1990. (Édis Milaré. Direito Ambiental Brasileiro. Direito do Ambiente. 5ª edição. 354-403. 3ª Edição. FGv diReiTO RiO 37 . doutrIna A implantação de qualquer atividade ou obra efetiva ou potencialmente degradadora deve submeter-se a uma análise e controle prévios. 137-166. 2006. 2008. jurIsprudêncIa Requerente: Procurador-Geral da República vs. Luís Carlos Silva de. MACHADO. Paulo de Bessa. p. 2ª Edição. 253-306. 1. Celso Antonio Pacheco. artigo 225. Lei 6. 2002. São Paulo: Método. 2008. São Paulo: Revista dos Tribunais. Rio de Janeiro: Lumen Juris. pp. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 5ª edição. em casos específicos. Decreto 99. São Paulo: Atlas. Tribunal Pleno. Requerido: Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Manual de Direito Ambiental. Julgamento 7/Jun. Revista dos Tribunais. DJ 10/Ago. artigo 7º. inciso IV. 215-270. MORAES. da sua operação e. BELTRÃO. Édis. parágrafo 1º. Curso de Direito Ambiental. 16ª Edição. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. G. Paulo Affonso Leme.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) 2) 3) 4) Constituição Federal. 67-74. Direito do Ambiente. Direito Ambiental. pp. do encerramento das atividades. corrigidos. São Paulo: Malheiros.938/1981. pp./2001. artigo 6º. Antônio F. 354. STF. pp. 2007. Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. São Paulo: Saraiva. 101-104. 11ª Edição. Tal análise se faz necessária para se anteverem os riscos e eventuais impactos ambientais a serem prevenidos. pp. inciso III. inciso II e parágrafos 1º e 2º e artigo 9º. 2007.

podendo ser dispensados por livre decisão do órgão licenciador. b. Não são em princípio exigíveis. O órgão ambiental competente. Ação julgada procedente. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL. c. mas podem sê-lo por livre decisão do órgão licenciador. São em princípio exigíveis. e. beltrão. d. pp. São sempre exigíveis. do § 1º do artigo 225 da Constituição Federal. 1 FGv diReiTO RiO 38 . apesar de verificar que a atividade ou o empreendimento não é potencialmente causador de significativa degradação am- As questões 5 a 11 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. mas podem sê-lo pelo órgão licenciador se o impacto ambiental for significativo. § 1º. o estudo de impacto ambiental e seu respectivo relatório (EIA/RIMA)1 a. b. IV. Não são em princípio exigíveis. São em princípio exigíveis. ao dispensar a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental no caso de áreas de florestamento ou reflorestamento para fins empresariais. 225. 192-199.diReiTO AmbienTAl ementa AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. podendo ser dispensados pelo órgão licenciador se o impacto ambiental não for significativo. G. para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo constitucional catarinense sob enfoque. cria exceção incompatível com o disposto no mencionado inciso IV. CONTRARIEDADE AO ART. editora método. sujeitando-se às sanções administrativas. Manual de Direito Ambiental. civis e penais. notas e Questões 1) Qual a diferença entre Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e Estudo / Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)? 2) Qual a diferença entre Estudo e Relatório de Impacto Ambiental? 3) Qual a finalidade destes instrumentos (AIA / EIA / RIMA)? 4) (Procurador do Município Manaus 2006) No curso de processos de licenciamento ambiental. DA CARTA DA REPÚBLICA. 5) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. ARTIGO 182 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. O empreendedor e os profissionais que subscrevem o Estudo de Impacto Ambiental são responsáveis pelas informações apresentadas. A norma impugnada. 2008.

As afirmativas “a” e “b”. Apenas a afirmativa “a”. “b” e “c”. Apenas as afirmativas “a” e “b”. d. c. e. As afirmativas (a) e (b). as estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento. As diretrizes a serem seguidas para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental são determinadas exclusivamente pelo órgão competente que realizar o licenciamento ambiental. A afirmativa “c”. observado o sigilo industrial. Está(ão) incorreta(s) apenas: a. os postos de abastecimento de combustível. As afirmativas (a) e (c). e. Está(ao) correta(s) a. b. Durante o período de análise técnica. FGv diReiTO RiO 39 . b. A afirmativa (c). Em regra. e os gasodutos. 7) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. é de competência do órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados em dois ou mais Estados. o RIMA deve estar disponível ao público no órgão ambiental estadual. c. As afirmativas “a”. c.771/65. b. É obrigatória a elaboração de Estudo de Impacto ambiental para: os distritos industriais.º 4. 6) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. c. A afirmativa “a”.diReiTO AmbienTAl biental. A afirmativa “b”. A afirmativa (a). Está(ão) correta(s) apenas: a. Compete ao IBAMA exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei Federal n. A afirmativa (b). poderá mesmo assim exigir os estudos ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento. b. c. Apenas a afirmativa “c”. c. Compete ao órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conservação de domínio estadual. b. e. Apenas as afirmativas “a” e “c”. d. d. O RIMA é parte integrante do Estudo de Impacto Ambiental. As afirmativas “a” e “c”.

Compete à ANVISA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. e. Independentemente de quem seja o empreendedor. b. c. A afirmativa “c”. d. c. Quanto aos aspectos de biossegurança de OGM e seus derivados. c. b. e. Análise preliminar de risco. b. FGv diReiTO RiO 40 . bem como medidas mitigadoras apara a redução do impacto ambiental. O Estudo de Impacto Ambiental é exigível para todos os licenciamentos ambientais. a responsabilidade pelas despesas de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental é do Poder Público. b. As afirmativas “a” e “c”. Está(ão) correta(s) apenas: a. e. Plano de manejo. Compete ao IBAMA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. Estudo prévio de impacto ambiental. Relatório ambiental preliminar. A afirmativa “a”. d. 9) (Procurador do Estado/PR – 2007) À luz da legislação ordinária vigente em nosso país. 10) (Procurador do Estado/PR – 2007) Qual é o instrumento de controle do Poder Público destinado a atestar a viabilidade ambiental de um empreendimento ou atividade? a.diReiTO AmbienTAl 8) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. Compete simultaneamente ao IBAMA. d. a decisão técnica do CONAMA vincula os demais órgãos e entidades da administração. assinale a alternativa correta: a. Licença prévia. c. O Estudo de Impacto Ambiental deverá contemplar alternativas tecnológicas e locacionais. à ANVISA e à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. Compete à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. As afirmativas “a” e “b”. As afirmativas “b” e “c”.

A legislação brasileira estabelece. A legislação brasileira estabelece. A exigência. do EIA está vinculada ao custo final do empreendimento proposto. assinale a opção correta. ou não.diReiTO AmbienTAl 11) (OAB/CESPE – 2007. a avaliação de impactos ambientais e a criação de espaços territoriais especialmente protegidos.II) Considerando aspectos relativos à proteção administrativa do meio ambiente. entre outros. de acordo com tabela fixada pela administração pública. São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. O EIA/RIMA é uma das fases do procedimento de licenciamento ambiental. o qual nunca poderá ser dispensado pelo órgão ambiental. c. os casos em que a administração pública deve solicitar ao empreendedor estudo de impacto ambiental (EIA). b. todos os casos em que a administração pública deve exigir do empreendedor a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental. a. FGv diReiTO RiO 41 . em enumeração taxativa. devendo ser elaborado por equipe técnica multidisciplinar indicada pelo órgão ambiental competente. d. em áreas públicas ou particulares. em rol exemplificativo. o zoneamento ambiental. cabendo ao empreendedor recolher à administração pública o valor correspondente aos seus custos.

aquelas que não violem os princípios consagrados pelo artigo 225 da Carta da República. suspensão ou cancelamento da licença ambiental. Esta mudança de paradigmas é emblemática. Como as melhores práticas ambientais estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. Identificar atividades que exigem licenciamento ambiental especial.diReiTO AmbienTAl aula 11: liCenCiamento ambiental Introdução A partir do momento em que as externalidades ambientais passam a ser reguladas pelos ordenamentos jurídicos nacionais. É o reconhecimento de que o desenvolvimento somente será admitido se sustentável for. Analisar questões controvertidas quanto à competência em licenciamento ambiental. Examinar o direito à indenização de eventual prejudicado nos casos de modificação. debater sobre a natureza jurídica do instituto do licenciamento ambiental. o Poder Público institui licenças ou autorizações concedidas e impostas precariamente à atividade econômica. legIslação 1) Lei 6. FGv diReiTO RiO 42 . as licenças ambientais são provisórias. instalação e operação. porém sempre limitados. Após o levantamento e averiguação das externalidades negativas ambientais e como meio de controle do bem ambiental. Significa reconhecer que a atividade econômica já não mais se encontra livre para explorar os recursos naturais renováveis ou não. suspensão ou cancelamento de licença. tempo e modo. a legislação brasileira impõe um sistema de licenciamento ambiental que se traduz em autorizações de planejamento prévio. visando à consagração dos princípios de direito ambiental. Entender as diferentes etapas e prazos do licenciamento ambiental brasileiro. Articular o princípio da participação popular e o licenciamento ambiental. desde que verificadas as melhores práticas ambientais. Para tanto. Resolver casos que envolvam modificação. a circunstâncias de fato.938/1981. devendo ser renovadas periodicamente. ou seja. oBjetIvos À luz do direito administrativo. A avaliação de impacto ambiental é um dos elementos deste sistema. surge a necessidade de desenvolvimento e imposição de um sistema de controle administrado e gerido pelo Poder Público. Aprofundar o embasamento jurídico da exigência de licenças ambientais. Trabalhar os institutos do direito adquirido e ato jurídico perfeito em face de atividades pretéritas à vigência da legislação acerca do licenciamento ambiental.

Para tanto. arma-o a lei de uma série de instrumentos de controle – prévios. Celso Antonio Pacheco. 2007. Revista dos Tribunais. 2008. autorizações e licenças pertencem à família dos atos administrativos de controle prévio. as permissões. (Édis Milaré. 85-101. MORAES. São Paulo: Iglu Editora. 405-435. OLIVEIRA. Por ser de todos em geral e de ninguém em particular. 2007. bem de uso comum do povo. 2008. 2002. Assim. FIORILLO. 1999. São Paulo: Saraiva. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. pp. doutrIna Segundo a lei brasileira. 3ª Edição. o meio ambiente é qualificado como patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido para uso da coletividade ou. pp. 141-180. São Paulo: Malheiros. 2006. São Paulo: Atlas. através dos quais possa ser verificada a possibilidade e regularidade de toda e qualquer intervenção projetada sobre o meio ambiente considerado. Édis. e habite-se é forma de controle sucessivo. inexiste direito subjetivo à sua utilização. G. Paulo de Bessa. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. Direito do Ambiente. concomitantes e sucessivos –. São Paulo: Revista dos Tribunais. 16ª Edição. MACHADO. 11ª Edição.274/1990. Direito Ambiental Brasileiro. 404. 63-80. 5ª edição. Paulo Affonso Leme. 2ª Edição. Direito Ambiental. só pode legitimar-se mediante ato próprio de seu direto guardião – o Poder Público. que. p. 5ª edição. por exemplo. essencial à sadia qualidade de vida. Manual de Direito Ambiental. 2008. Antônio Inagê de Assis. São Paulo: Método. Antônio F. BELTRÃO.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. pp. Curso de Direito Ambiental. FGv diReiTO RiO 43 . O Licenciamento Ambiental. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 271-297. 166-181.diReiTO AmbienTAl 2) Decreto 99. na linguagem do constituinte. pp. a fiscalização é meio de controle concomitante. pp. 3) Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. Luís Carlos Silva de. pp. à evidência. Direito do Ambiente.

5. A natureza desconhece fronteiras políticas. quem deve arcar com os custos inerentes à adaptação da licença? FGv diReiTO RiO 44 . Recurso Especial n. Em caso positivo. COMPETÊNCIA DO IBAMA. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. é supletiva. Recursos especiais improvidos. 1ª Turma. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. Recorrido: Ministério Público Federal. 2. sobre a orla litorânea. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa Recorrente: Superintendência do Porto de Itajaí vs. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. LICENCIAMENTO. 588. bem como. INTERESSE NACIONAL. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. mas. principalmente. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. 1. o mar territorial afetado. enfim. através dos órgãos ambientais públicos e privados. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. 3. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. Os bens ambientais são transnacionais. pp. STJ. suspensão e/ou cancelamento? Explique. a FATMA. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. 4. A atividade do órgão estadual. sobre o homem que vive e depende do rio. nesse caso. ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. notas e Questões 1) Durante a vigência de uma licença ambiental. DJ 5/Abr. extrapolando os limites impostos pelo homem. sobre as correntes marítimas. pelo depósito dos detritos no mar. e. é possível a modificação dos seus termos. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. do mar e do mangue nessa região. in casu.022-SC (2003/0159754-5)./2004. Julgamento 17/Fev. sobre os mangues. pode até haver duplicidade de licenciamento. 10-30. sobre as praias./2004.

2 anos. a de instalação e a de operação. na qual existe uma situação de incerteza quanto à real efetivação dos danos ambientais. (CESPE – Juiz Federal Substituto TRF 5ª Região) Em virtude da concessão de licença de operação a uma usina hidrelétrica. c. mas também a outras cidades. b. d. criar novas restrições ambientais. 6 anos. já que seria necessária a participação dessa autarquia federal como órgão de proteção ambiental competente. A ausência da participação do IBAMA no procedimento de concessão de licença de operação enseja uma irregularidade. e. exceto quando o órgão competente para a concessão da licença julgar necessário ou quando sua realização for solicitada pelo Ministério Público ou requerido ao órgão ambiental por a. nas proximidades de um município. suspensão e/ou cancelamento de licença ambiental vigente. Pelo menos 1% de eleitores do município atingido. 3) (Defensor Público SP 2006) A concessão de licença ambiental não prevê a obrigatoriedade de audiência pública. d. c. b. 4) (Defensor Público SP 2006) O licenciamento ambiental é feito em três etapas distintas. 5 anos. Cinqüenta ou mais cidadãos. Na hipótese aventada. 3 anos. Os técnicos do órgão licenciador estadual constataram ainda que o resfriamento do aqüífero poderia trazer conseqüências não apenas ao município vizinho. o órgão licenciador competente não pode. julgue os itens que se seguem. cabe ao empreendedor ser indenizado pelos danos materiais e/ou morais decorrentes? Explique. e.5% de cidadãos do município atingido. nem mesmo aludindo ao princípio da precaução. b. A licença de instalação NÃO poderá ultrapassar a. Considerando o texto acima como referência inicial. cujo grande apelo turístico era a existência de um lençol freático de águas quentes. Mais de 1% dos cidadãos residentes no município atingido.diReiTO AmbienTAl 2) No caso de modificação. por meio do seu poder de política. conforme a outorga das seguintes licenças: a prévia. 5. localizadas em unidade da federação confrontante. mas também porque cabe ao IBAMA o exercício do poder de polícia quando as questões FGv diReiTO RiO 45 . Pelo menos 0. 10 anos. Mais de cem eleitores. tendo em vista não somente que a potencialidade lesiva abrange diretamente mais de um Estado federativo. foi constatado que o funcionamento da usina poderia vir a causar o resfriamento de seu lençol aqüífero termal. a.

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ambientais envolvam bens da União, como no caso em comento, haja vista que os recursos minerais do subsolo pertencem à União. 6) (Procurador do Estado/PR – 2007) Assinale a alternativa incorreta: a. Os estudos necessários ao processo de licenciamento ambiental deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor. b. O licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades de impacto ambiental local compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando couber. c. Compete ao órgão ambiental estadual o licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades localizados ou desenvolvidos ao longo de rios, ainda que de domínio federal. d. Compete ao IBAMA o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental localizadas em Estados que sejam limítrofes a outros países. e. Pode o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, modificar as condicionantes e as medidas de controle e adequação, bem como suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.

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aula 12: dano e resPonsabilidade ambiental
Introdução

Conforme reiteradamente exposto em tópicos anteriores, o bem ambiental é complexo, pois composto de diversos elementos naturais e, conforme o ordenamento jurídico, de elementos criados artificialmente pelo homem. Pelo fato desses elementos apresentarem intricada relação com a vida humana, estão constantemente sujeitos a serem alterados e/ou modificados. Acontece, porém, que a noção clássica de dano pressupõe uma ação negativa, ou seja, prejudicial ao estado em que se encontrava o bem antes do evento danoso. Em se tratando do bem ambiental e dos elementos que o compõem, a caracterização de um dano é ameaçada pelo alto grau de subjetividade no juízo de valor que, por sua vez, varia conforme o interesse em jogo. Por exemplo: o que seria um meio ambiente ecologicamente equilibrado? Quem define quais os critérios para se atingir um meio ambiente ecologicamente equilibrado? A ciência? Mas por vezes a própria ciência é contraditória. Conseqüentemente, a própria caracterização de um determinado dano ambiental não é matéria pacífica. Na mesma esteira, muitos danos ao meio ambiente são de longa maturação, não sendo sentidos, senão depois de transcorridos longos períodos de tempo. Em todas essas hipóteses, há, portanto, significativa dificuldade de estabelecimento de nexo causal, típico da relação entre o dano e a responsabilidade civil clássica. Por outro lado, quando efetivamente constatada a existência de um dano ao meio ambiente como, por exemplo, inequívoco derramamento de substância tóxica que afeta a saúde da população e os atributos ecológicos dos elementos diretamente afetados pelo vazamento, impõe-se a construção de uma responsabilidade especial que considere a complexidade anteriormente narrada do bem ambiental. Para tanto, a Constituição Federal de 1988 estabelece as linhas gerais para uma tríplice responsabilização: no campo penal, administrativo e reparatório, bem assim a legislação infraconstitucional, mais precisamente, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6,938/81) e a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998).

oBjetIvos

Entender a noção de dano ambiental à luz da complexidade do bem ambiental. Trabalhar as possibilidades reparatórias diante de um dano ambiental. Identificar as dificuldades da aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao meio ambiente. Examinar as conseqüências sancionatórias imputadas pelo ordenamento jurídico brasileiro ao responsável pelo dano ambiental. Conhecer as condutas lesivas ao meio ambiente que dão ensejo a responsabilidade penal. Analisar as possibilidades de atuação da administração pública na imposição de
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diReiTO AmbienTAl

sanções administrativas. Articular a aplicação das responsabilidades civil, penal e administrativa.

legIslação

1) Constituição Federal de 1988, artigo 225; 2) Lei 6.938/1981; 3) Lei 9.605/1998.

doutrIna A partir do momento em que as preocupações ambientais começaram a encontrar eco no mundo do Direito e em que surgiram normas jurídicas a tutelar o novo bem jurídico (que constitui também um direito fundamental), teriam obviamente de surgir também disposições legais a ocupar-se da violação das normas destinadas à tutela do ambiente, assim fazendo o seu aparecimento a categoria do ilícito ambiental. Para Postiglione (Ambiente: suo significato giuridico unitario, Rivista Trimestrale di Diritto Publico, anno XXXV (1985), p. 51), o “dano ambiental é o prejuízo trazido às pessoas, aos animais, às plantas e aos outros recursos naturais (água, ar e solo) e às coisas (...) que consiste numa ofensa do direito ao ambiente”, traduzindo-se também numa “violação em concreto dos ‘standards’ de aceitabilidade estabelecidos pelo legislador”. (...) A responsabilidade civil é um instituto cuja antiguidade remonta ao Direito Romano mas que tem vindo a evoluir ao longo dos tempos, adaptando-se às necessidades postas pelas sociedades modernas. Mesmo assim ele revela-se, em muitos casos, um meio inadequado de lidar com os atentados ao ambiente. Inadequado pelas dificuldades de prova dos seus rigorosos pressupostos, mesmo quando as razões de justiça permitam prescindir daquele cuja prova poder ser mais difícil: a culpa. A responsabilidade objectiva, pelo risco ou por factos lícitos, é, sem dúvida, um grande avanço no sentido da correspondência do instituto às necessidades da vida moderna, sem perda de justiça intrínseca. Porém, não é ainda suficiente para cobrir todas as situações de dano que, cada vez com mais frequência, ocorrem e que, por falta de prova de um ou outro pressuposto, ficam impunes e por indemnizar. A solução parece passar pela aposta em novos instrumentos jurídicos para a protecção do ambiente. (José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador), Introdução ao Direito do Ambiente, Universidade Aberta, 1998, p. 29 e 139.)

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Direito Ambiental Brasileiro.2004. § 1º. ainda que não sejam eles os responsáveis por eventuais desmatamentos anteriores. DJ de 01. pp. RESPONSANTE. 476 DO CPC. 341-368 e 696-731. Celso Antonio Pacheco. 29-33 e 139-134. Universidade Aberta. TERRAS RURAIS. 745. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 2008. MACHADO. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. Relator Ministro Francisco Falcão. DJ de 22. DJ de 17. São Paulo: Revista dos Tribunais. A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva. 2. pp. MATAS.04. 14. determina que o poluidor seja obrigado a indenizar ou reparar os danos ao meio-ambiente e. RESP 263383/PR. 3ª Edição./2007. preceitua que a obrigação persiste. MILARÉ. Introdução ao Direito do Ambiente.09. Recurso Especial n. AgRg no REsp 504626/ PR. 1998. 5ª edição./2007. 809-957. Relator Ministro João Otávio de Noronha. São Paulo: Método. desta relatoria. ART. Antônio F. BIBlIograFIa coMpleMentar CANOTILHO. por isso que a Lei 8. Édis. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). mesmo sem culpa. 16ª Edição.363-PR (2005/0069112-7). 1ª Turma.2003. Paulo Affonso Leme. Relator Ministro Castro Meira. ante a ratio essendi da Lei 6. 2008. 11ª Edição. STJ.771/65) que estaFGv diReiTO RiO 49 . pp. DJ de 22. 234-242 e 201-215.938/81. DJ 18/Out. que em seu art. FIORILLO. 242-261. Manual de Direito Ambiental. A obrigação de reparação dos danos ambientais é proter rem. pp. Recorrido: ADEAM Associação Brasileira de Defesa Ambiental. Julgamento 20/Set. São Paulo: Malheiros. Precedentes do STJ: RESP 826976/ PR. São Paulo: Saraiva.08. pp. ADMINISTRATIVO. FACULDADE DO ÓRGÃO JULGADOR. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANOS AMBIETNAIS. 321-337. 2002. 2008.171/91 vigora para todos os proprietários rurais.2006. Paulo de Bessa. quanto ao terceiro. 1. RECOMPOSIÇÃO. Direito Ambiental.2005 e EDcl no AgRg no RESP 255170/SP. jurIsprudêncIa Recorrente: Oswaldo Alfredo Cintra vs. ementa PROCESSUAL CIVIL. G. máxime porque a referida norma referendou o próprio Código Florestal (Lei 4. 2007.05. Direito do Ambiente. BELTRÃO. pp.diReiTO AmbienTAl leItura oBrIgatórIa ANTUNES.

já temos a Lei 6. entre os quais o da “utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente”.938/81. § III. A responsabilidade sem culpa tem incidência na indenização ou na reparação dos “danos causados ao meio ambiente e aos terceiros afetados por sua atividade” (art. Precedente do STJ: RESP 343. moral e constitucionalmente. independentemente de culpa. 326327. 3. Não interessa que tipo de obra ou atividade seja exercida pelo que degrada.2002. obrigando os seus proprietários a instituírem áreas de reservas legais.diReiTO AmbienTAl belecia uma limitação administrativa às propriedades rurais. está autorizado..)” in Direito Ambiental Brasileiro. Procura-se quem foi atingido e. em matéria ambiental . 14. por um princípio de Direito Natural. da Lei 6. seguindo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei.741/ PR. por sua natureza. de no mínimo 20% de cada propriedade. Nenhum dos poderes da República. dispõe: “Haverá obrigação de reparar o dano. Quanto à segunda parte.. pois não há necessidade de que ela apresente risco ou seja perigosa. Facilita-se a obtenção da prova da responsabilidade. a requisitos certos.. Relator Ministro Franciulli Netto.. Presente. Malheiros Editores. 5. Repara-se por força do Direito Positivo e. como para a geração futura. inicia-se o processo lógico-jurídico da imputação civil objetiva ambiental!. em sua obra Direito Ambiental Brasileiro. O artigo 927. em prol do interesse coletivo. 12ª ed. se for o meio ambiente e o homem. 186 que a função social da propriedade rural é cumprida quando atende. da prevenção e da reparação. o juiz analisará. Paulo Affonso Leme Machado. 2004. É cediço em sede doutrinária que se reconhece ao órgão julgador da primazia da suscitação do incidente de uniformização discricionariedade no exame FGv diReiTO RiO 50 . a imprudência e a negligência para serem protegidos bens de alto interesse de todos e cuja lesão ou destruição terá conseqüências não só para a geração presente. Quanto à primeira parte. também. o binômio dano/ reparação.938/81). pois não é justo prejudicar nem os outros e nem a si mesmo. nos casos especificados em lei. parágrafo único. Só depois é que se entrará na fase do estabelecimento do nexo de causalidade entre a ação ou omissão e o dano. É contra Direito enriquecer-se ou ter lucro à custa da degradação do meio ambiente. ninguém. A Constituição Federal consagra em seu art. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar..” Na conceituação do risco aplicam-se os princípios da precaução. pois. DJ de 07.)A responsabilidade objetiva ambiental significa que quem danificar o ambiente tem o dever jurídico de repará-lo. 4. Não se pergunta a razão da degradação para que haja o dever de indenizar e/ou reparar. caso a caso. a concordar ou a praticar uma transação que acarrete a perda de chance de vida e de saúde das gerações (. que instituiu a responsabilidade sem culpa. cujo regime de responsabilidade não tenha sido especificado em lei. sem se exigir a intenção. do CC de 2002. ressalta que “(. p. “É a responsabilidade pelo risco da atividade. quando nos defrontarmos com atividades de risco. risco para os direitos de outrem”. ou o Poder Público fará a classificação dessas atividades.10.

isto é. 6. ao revés.. que lhes tolhesse o movimento em direção a novas maneiras de entender as regras jurídicas. EDcl nos EDcl no RMS 20101/ES.diReiTO AmbienTAl da necessidade do incidente porquanto. é que se põe o problema da uniformização da jurisprudência. ante o óbice erigido pela Súmula 07. Deveras. DJ de 01. in Comentários ao Código de Processo Civil. ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? FGv diReiTO RiO 51 . de impor aos órgãos judicantes uma camisa-de-força. razão pela qual não se admite a sua promíscua utilização com nítida feição recursal. Sob esse ângulo. na medida do possível. DJ de 29. Relator Ministro Francisco Falcão.. a cuja luz hão de apreciar-se as hipóteses variadíssimas que a vida oferece à consideração dos julgadores.2006. 9.05. pura e simplesmente. DJ de 30. O pedido de uniformização de jurisprudência revela caráter eminentemente preventivo e. Trata-se. e somente neles. Sobre o thema leciona José Carlos Barbosa Moreira.2006 e EDcl no AgRg nos EDcl no CC 34001/ES. de evitar. especialmente porque o instituto sub examine não é servil à apreciação do caso concreto.2004. Vol.11. cumpre destacar. o mencionado incidente não ostenta natureza recursal.) Nesses limites. 10. determinar o seu sentido e alcance. interpretar essas regras. Cumpre-lhes. litteris: “No exercício da função jurisdicional. 8.(. nem seria concebível que se tratasse. Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 620276/RS.08. para tanto. objetivando a pacificação da jurisprudência interna de determinado Tribunal. têm os órgãos judiciais de aplicar aos casos concretos as regras de direito. consoante cediço. Não se trata. Relator Ministro Jorge Scartezzini. revela meio hábil à discussão de teses jurídicas antagônicas. consoante a ratio essendi do art. sempre que anteriormente adotada já não corresponda às necessidades cambiantes do convívio social. ao qual a iniciativa do incidente é mera faculdade. Relator Ministro Castro Meira. Forense. que a sorte dos litigantes e afinal a própria unidade do sistema jurídico vigente fiquem na dependência exclusiva da distribuição do feito ou do recurso a este ou àquele órgão (. 476 do CPC. 04-05.. 7. por vezes suscitado com intuito protelatório. notas e Questões 1) Em que consiste a noção de dano ambiental? 2) Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente.. Assim se fixam as teses jurídicas. V. Recurso especial desprovido. a severidade do incidente é tema interditado ao STJ.)” p. não vincula o órgão julgador.

b. ou à noite. 2008. Em razão de sua baixa instrução ou escolaridade.diReiTO AmbienTAl 3) Como está configurada a responsabilidade civil na Lei 6. G. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que possam resultar em danos à saúde humana. Abusando de licença que lhe tenha sido regularmente concedida. 263. c. FGv diReiTO RiO 52 . Destruir bem especialmente protegido por lei. 2 As questões 9 e 10 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. Para obter vantagem pecuniária. Fazer o funcionário público afirmação falsa em procedimento de autorização de licenciamento ambiental. Dentro de unidade de conservação. Conceder a funcionário público licença em desacordo com as normas ambientais para obra cuja realização dependa de ato autorizativo do Poder Público. e. c. aquele que tiver o dever contratual de fazê-lo. Em domingos e feriados. d. e. beltrão. editora método. 5) Qual é a intenção implícita na responsabilização penal de condutas lesivas ao meio ambiente? 6) Podem as pessoas coletivas ser punidas pela prática de crimes ecológicos? 7) De que forma a imposição de sanções administrativas pode ser instrumento eficaz na prevenção de ações lesivas ao meio ambiente? 8) Qual(is) a(s) distinção(ões) fundamental(is) entre responsabilidade civil e sanção administrativa? 9) (Procurador do MP do TCE/MG 2007) Dentre os crimes ambientais.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente)? 4) Dê exemplos de dificuldades na aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao ambiente. tal como definido pela Lei n. ter o agente cometido o crime a.º 9. p. de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental. Deixar. 10) (Procurador Município Manaus 2006) NÃO é circunstância agravante da pena pela prática de crime ambiental. NÃO admite a modalidade culposa o de2 a. d.605/98. b. Manual de Direito Ambiental.

diante da competência concorrente prevista pela Constituição Federal para a tutela do meio ambiente. Esta necessidade impõe o desenvolvimento de uma intrincada rede normativa nas três esferas da federação. e assim sucessivamente. o tratamento legal dispensado a um determinado bem ambiental deve sempre considerar o conjunto dos demais que compõe o todo meio ambiente. Por outro lado. Isto porque. basicamente em uma das seguintes categorias: fauna. FGv diReiTO RiO 53 . o bem ambiental é complexo. Como decorrência da impossibilidade do isolamento prático do conjunto de bens ambientais que. a intervenção na flora quase sempre refletirá na fauna.diReiTO AmbienTAl bloCo iii: tutelas esPeCífiCas do meio ambiente Introdução Conforme relatado nos blocos anteriores. flora. a tutela específica deve sempre ser aplicada e interpretada à luz dos princípios constitucionais e preceitos legislativos federais gerais. Se por um lado o direito ambiental apresenta princípios formadores e específicos. no campo da natureza e da ecologia. assim como a intervenção no ar pode refletir na água. pois que é composto por diversos elementos. consegue proporcionar mais eficácia no cumprimento dos objetivos propostos em cada tipo de legislação. por outro. água e ar. compreendidos. por exemplo. peculiaridades em relação à forma de responsabilização de eventual dano em face da própria complexidade do bem a que se propõe tutelar. O ordenamento jurídico ao diferenciar o tratamento dispensado ao bem ambiental conforme a sua natureza. fora do campo meramente legislativo ou didático. a especificidade dos elementos que compõem o meio ambiente atrai a necessidade do desenvolvimento de tutelas específicas.

porém limitado. Como decorrência. Conhecer a legislação aplicável e instituições responsáveis pela gestão das águas. surge um intricado sistema legal e institucional responsável pela gestão dos recursos hídricos e que passa a ser tratado como matéria inerente ao Direito de Águas. as pressões sobre este recurso natural. houve a necessidade de reconstrução dos ordenamentos jurídicos para adequarem e harmonizarem noções econômicas e preservacionistas. Distinguir políticas de alocação de políticas para evitar poluição das águas. por meio do exercício cada vez maior do seu poder regulatório. Trabalhar a aplicação da doutrina a casos concretos envolvendo conflitos sobre direito de uso da água. IV. com o crescimento demográfico acelerado. I. Contudo. Analisar a racionalidade da cobrança da água. Lei 4.771/65. oBjetIvos Entender a evolução histórico-legislativa do tratamento dos recursos hídricos no Brasil. tornaram-se fonte de extrema preocupação. A partir do momento em que água passa a ser encarada como um recurso renovável.643/1934 (Código de Águas). contribuindo para políticas públicas desastrosas na gestão deste recurso natural tão precioso. b e c. Decreto-lei 852/1938. acabou por influenciar inúmeros sistemas legais ao redor do mundo. Código Florestal. legIslação 1) 2) 3) 4) 5) 6) Constituição Federal. 26. Esta mudança é refletida por uma tendência atual de maior intervenção do Estado. Decreto 24. Entender o regime de competências legislativa e material. 21. 22. Artigo 2º. Distinguir a cobrança pelo uso da água da cobrança pelo serviço de distribuição da água. FGv diReiTO RiO 54 . III. classificação das águas e do uso da água. O tratamento da água como um recurso ilimitado e passível de ser apropriado gratuitamente. no Brasil. a. Artigos 20. Lei 9. XIX.diReiTO AmbienTAl aula 13: direito de Águas Introdução Historicamente. V e VI. o surgimento de novas fontes de poluição e políticas públicas insustentáveis. Decreto-lei 221/1967 (Código de Pesca).433/1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos e Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos). quanto vital. vital à própria vida no planeta. a água foi considerada um recurso natural renovável e ilimitado.

aproveitamento. 16ª Edição. 2006. 35 e 39. FGv diReiTO RiO 55 . em geleiras ou atmosféricas – .) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. Revista dos Tribunais. 2007. (Cid Tomanik Pompeu. faz com que o direito de águas contenha normas tradicionalmente colocadas no campo do direito privado e no do direito público. 35 e 39. a conservação e preservação das águas. Direito Ambiental Brasileiro. superficiais ou subterrâneas. 441-529. pp. denominava-se direito hidráulico.. pp. salobras. 699-735. qualidade e estado decorrem de fatores naturais e/ou humanos os mais diversos. ou até para agravá-los. Recorrido: Henrique Hessel Roschel e Outros (3). 2ª Turma. a água na Terra é praticamente a mesma durante os últimos milhões de anos. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 463-499.. a doutrina. Suas fontes são a legislação. pp. eliminá-los ou redirecioná-los. DJ 06/2/2006. que desconhece limites no seu percurso. Paulo de Bessa. pp. STJ. São Paulo: Malheiros.056-SP (2001/0087209-0). 2008. 2008. De início. assim como a defesa contra suas danosas conseqüências. 5ª edição. Recurso Especial n. POMPEU. 333. jurIsprudêncIa Recorrente: Ministério Público do Estado de São Paulo vs. uso. Direito de Águas no Brasil. 11ª Edição. Direito do Ambiente. As mudanças de local. pp. salgadas. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. Paulo Affonso Leme. A estreita vinculação das normas jurídicas relativas às águas com o ciclo hidrológico.diReiTO AmbienTAl doutrIna Em suas mais variadas formas e localizações – doces. Direito Ambiental. Julgamento 13/12/2005. Direito de Águas no Brasil. MACHADO. São Paulo: Revista dos Tribunais. de acordo com as necessidades e possibilidades que se apresentam. 2006. São Paulo: Revista dos Tribunais. Édis. Cid Tomanik. (. a jurisprudência e o costume.) O direito de águas pode ser conceituado como conjunto de princípios e normas jurídicas que disciplinam. que acabam recebendo a participação do homem para amenizá-los.

1. 13 da Lei nº 6. tais como as de proteção aos mananciais. do parcelamento e da ocupação do solo urbano”. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. compete-lhe “promover. Da interpretação sistemática dos arts.766/79 e 225 da CF. ÁREA DE MANANCIAIS. FGv diReiTO RiO 56 . LOTEAMENTO IRREGULAR. 40 da Lei 6. 13 E 40 DA LEI N. PODER-DEVER. notas e Questões 1) Qual é a racionalidade na imposição de cobrança pelo uso da água? 2) Qual é o regime de propriedade aplicável aos recursos hídricos no Brasil? 3) De qual ente da Federação é a competência legislativa e administrativa sobre águas? Explique. mediante planejamento e controle do uso. pois consoante dispõe o art. quando o loteamento for edificado em áreas tidas como de interesse especial. ARTS. RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO E DO ESTADO. VIII.766/99 consistem num dever-poder do Município. 6. 3.766/79. 30. extrai-se a necessidade de o Estado interferir.diReiTO AmbienTAl ementa ADMINISTRATIVO. repressiva ou preventivamente. 2. da Constituição da República. Recurso especial provido. no que couber. As determinações contidas no art. adequado ordenamento territorial.

caput. à evaporação à transpiração.diReiTO AmbienTAl aula 14: tutela do ar e da atmosfera Introdução Juntamente com a água. o recurso ar – mais amplamente. a qualidade do ar está intimamente ligada ao sadio funcionamento de outros sistemas ecológicos. legIslação 1) Constituição Federal. Analisar a importância da definição de padrões de qualidade do ar nacionais em um contexto internacional. Examinar as instituições responsáveis pela execução de políticas de qualidade do ar e legislação aplicável. Compreender o tratamento da matéria pelo ordenamento jurídico brasileiro. 30. a difícil tarefa de estabelecimento de relações de causa e efeito. bem assim. II. o ar dos recursos naturais mais importantes para a sobrevivência da vida humana no planeta. 003/1990 e 008/1990. A sua contaminação causa efeitos nocivos imediatos e impactos significativos na saúde dos seres humanos. Além dos prejuízos diretos à saúde da população. VI. Sua utilização se dá pela forma de “despejo” de substâncias químicas poluentes. Enquanto corpo receptor de impactos. 24. Identificar os principais gases responsáveis pela poluição atmosférica. a poluição atmosférica chega a ser visível. 225. Porém. à oxidação e aos fenômenos climáticos e meteorológicos. oBjetIvos Entender as funções e relações da qualidade do ar com a saúde da população e sadio funcionamento de sistemas ecológicos diversos. que não pode ser devidamente avaliado. artigos 23. Não é incomum a população dos grandes centros utilizarem máscaras para circular nas ruas. além do biológico ou ecológico. doutrIna Ligado estreitamente aos processos vitais de respiração e fotossíntese. 2) Resoluções CONAMA 005/1989. Trabalhar problemas práticos. a atmosfera – tem um significado econômico. Em alguns centros metropolitanos. interesses econômicos na utilização deste precioso recurso contribuem para as imperfeições legislativas e executivas no combate à poluição atmosférica. Porém. IV. sua capacidade de absorção é limitada e de rápida contaminação. é o recurso que mais rapidamente se contaFGv diReiTO RiO 57 .

Paulo Affonso Leme. contrariando o sistema erigido na Lei Federal 6. pp. Direito do Ambiente.938/81. de condições favoráveis. p. Julgamento 11/ Nov./2003./2003.938/81. ementa ADMINISTRATIVO – DIREITO AMBIENTAL – REGULAMENTO – PADRÔES DE QUALIDADE AMBIENTAL – ADOÇÃO DE CRITÉRIOS INSEGUROS – DECRETO 8.468/76 do Estado de São Paulo. DJ 15/Dez. 1ª Turma. São Paulo: Revista dos Tribunais.468/76 – DO ESTADO DE SÃO PAULO – ILEGALIDADE – LEI 6. Direito do Ambiente. Direito Ambiental Brasileiro. (Édis Milaré. STJ. Édis. 2008. jurIsprudêncIa Recorrente: Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS vs. 2007. Recorrido: Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo DAEE. 16ª Edição. 204. a extensão da propriedade e o olfato de pessoas credenciadas. Revista dos Tribunais. Recurso Especial n.355-SP (2001/0196898-0).) leItura oBrIgatórIa: MILARÉ. BIBlIograFIa coMpleMentar: MACHADO. 5ª edição. quando adotou como padrões de medida de poluição ambiental. pp. 534-561.diReiTO AmbienTAl mina e mais rapidamente se recupera – dependendo. 5ª edição. 204-214. 2007. incidiu em ilegalidade. evidentemente. São Paulo: Malheiros. O Decreto 8. 399. notas e Questões 1) Como pode ser feita a compatibilização entre o desejo de grandes centros de atrair um parque industrial que gere empregos e movimente a economia local com os objetivos de preservação da sadia qualidade do ar? FGv diReiTO RiO 58 .

3) Existe alguma espécie de compromisso internacional que obrigue o Brasil a adotar medidas de controle contra a poluição do ar? Caso positivo. como o ar e atmosfera são tutelados? Quais os pontos negativos e positivos desta estrutura. FGv diReiTO RiO 59 .diReiTO AmbienTAl 2) Do ponto de vista do arcabouço legal e institucional brasileiro. identifique 3 deles fundamentando a resposta.

Muito além do patrimônio paisagístico. positivos e negativos. controle de erosão. a imprescindibilidade da preservação da flora. expressão máxima da intrínseca relação entre fauna e flora. VI. Compreender a importância ecológica desempenhada pela flora e pela fauna. FGv diReiTO RiO 60 . o equilíbrio ecológico passa pela proteção da fauna. legIslação 1) Constituição Federal. 3) Decreto-lei 221/1967 (Código da Pesca). II. 24. O mundo vive uma acelerada perda da flora e os resultados estão sendo sentidos no crescente número de espécies em extinção ou já extintas. oBjetIvos Trabalhar a relação entre fauna e flora. fauna e flora são os que se apresentam mais intimamente ligados entre si. No mesmo sentido. artigos 23. regulação climática. Esta constatação preliminar é imprescindível.771/1965 (Código Florestal).diReiTO AmbienTAl aula 15: tutela da fauna e da flora Introdução Dentre os elementos que compõem a biosfera. com a situação inversa. Por tudo isso.197/1967 (Código de Caça). etc. Os impactos também podem ser sentidos na perda da biodiversidade. Da mesma forma. se faz sentir nas funções ecológicas auxiliares indispensáveis à sadia qualidade de vida: manutenção da qualidade da água. Examinar a racionalidade da proteção de determinadas áreas e a regulação de algumas atividades econômicas e recreativas que representem risco à integridade da fauna. o direito ambiental desempenha importante função no controle de atividades que coloquem em risco o equilíbrio da fauna e da flora. Identificar o regime jurídico aplicável à fauna e à flora. caput e § 1º. VII. pois as políticas públicas planejadas para a proteção da fauna somente alcançarão os objetivos para os quais foram pensadas se levarem em consideração os possíveis impactos. 2) Lei 4. por exemplo. 225. 30. 4) Lei 5. conhecidas ou ainda não conhecidas pelo homem. na flora. como indispensável à própria preservação da flora.633/1989. 5) Decreto Federal 97. Entender a terminologia e respectivos conceitos dos elementos que compõem a flora. VII e § 4º.

5ª edição. protegem ou defendem a biota devem fundamentar-se em dados científicos: não podem desconhecer as leis naturais que regulam as espécies vivas.. 236-251. ASSOREAMENTO DA REPRESA. somados à destruição da Mata Atlântica. impõe a condenação dos responsáveis. Julgamento 27/6/2006. 5ª edição. Direito do Ambiente. pp. Por isso.) Flora e fauna são extremamente solidárias – poderíamos dizer.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. pp. são cúmplices entre si. jurIsprudêncIa Recorrentes: Alberto Srur e Município de São Bernardo do Campo vs. ainda que. 237. A destruição ambiental verificada nos limites do Reservatório Billings – que serve de água grande parte da cidade de São Paulo –. haja necessidade de se remover famílias instaladas no local FGv diReiTO RiO 61 . STJ. as leis humanas que preservam. 1. nichos ecológicos e cadeia trófica. 403. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Recurso Especial n. de modo que a espécie humana evite toda e qualquer forma de prepotência e crueldade para com o mundo natural. 2007.. Paulo de Bessa. Decorre daí que as “relações formais” dos indivíduos e da sociedade humana com o meio ambiente precisam ser pautadas pelas “relações naturais” que se desenvolvem no seio dos ecossistemas. REPARAÇÃO AMBIENTAL. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE. RESERVATÓRIO BILLINGS. São Paulo: Revista dos Tribunais. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. 11ª Edição. OBRIGAÇÃO DE FAZER. 2007. principalmente se pensarmos em termos de hábitats. 2ª Turma. provocando assoreamentos. (Édis Milaré. Tal fato vale para a economia e uma infinidade de outras atividades. Direito Ambiental. LOTEAMENTO CLANDESTINO. Édis. MATA ATLÂNTICA. Revista dos Tribunais. Recorrido: Ministério Público do Estado de São Paulo. Direito do Ambiente. 325-546. DJ 14/8/2006. ementa AÇÃO CIVIL PÚBLICA. p. para tanto. 2008.190SP (2001/0125125-0).diReiTO AmbienTAl doutrIna (.

diReiTO AmbienTAl de forma clandestina.3 A matéria florestal. notas e Questões 1) (CESPE – AGU 2006) A preservação das florestas é uma das questões fundamentais para a sobrevivência da humanidade e de todas as formas de vida. está contemplada na Lei n. As relações entre a necessidade de desenvolvimento econômico e a destruição das áreas florestais é bastante evidente. Ele também contempla a proteção das demais formas de vegetação reconhecidas de utilidade para as terras que revestem. 515 do Código de Processo Civil acórdão que. Não fere as disposições do art. improvidos. mas de preservação de reservatório de abastecimento urbano. O Código Florestal não está voltado apenas para a proteção das florestas. 2008. 3. O regime jurídico da propriedade florestal é puramente civil. p. que. editora método. pois as matas particulares não estão sujeitas a ingerências administrativas. 3 FGv diReiTO RiO 62 . que beneficia um número muito maior de pessoas do que as residentes na área de preservação. igualmente evidentes são as relações entre a destruição das florestas e a pobreza. nessa parte. 230 e 231.771/1965. No conflito entre o interesse público e o particular há de prevalecer aquele em detrimento deste quando impossível a conciliação de ambos. provavelmente deixaram-se enganar pelos idealizadores de loteamentos irregulares na ânsia de obterem moradias mais dignas. Recursos especiais de Alberto Srur e do Município de São Bernardo do Campo parcialmente conhecidos e. Não se trata tão-somente de restauração de matas em prejuízo de famílias carentes de recursos financeiros. A questão 1 foi extraída da seguinte obra: Antônio F. reformando a sentença. Manual de Direito Ambiental. a. Com relação a esse assunto. desprezando pedido alternativo constante das razões da apelação. julgue os itens que se seguem. G. 4. beltrão. Tanto é assim que o Banco Mundial aponta que a área ocupada por florestas nos países em desenvolvimento foi reduzida à metade em aproximadamente um século. em decorrência de loteamento irregular implementado na região. c. 4. julga procedente a ação nos exatos termos do pedido formulado na peça vestibular. b. As florestas públicas são consideradas bens de interesse dominial do Estado. 2. no Brasil.

o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza.985/2000. da fauna brasileira. fruto de longos anos de discussões e debates sobre um projeto de lei de 1992. II. dentre eles. Porém.892. III e VII sobre obrigações gerais de defesa e proteção da fauna e da flora. três importantes diplomas legais completam o regime jurídico estrutural de proteção da flora e. Em relação ao SNUC. Foi então que em 2000. incluindo os principais dispositivos do Código Florestal. I. 9.428/2006 e Lei do Bioma Mata Atlântica. criadas por ato do Poder Público. 9. n. conseqüentemente. é importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 dispõe em seu artigo 225.985/2000.985/2000. n.985/2000. Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos do SNUC. Divididas em dois grupos. de número 2. a saber. 9. DOUTRINA As unidades de conservação. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. garantindo-lhes assim a necessária eficácia. as áreas de preservação permanente e de reserva legal. as Unidades de Proteção Integral (cujo objetivo básico é preservar a natureza. INTRODUÇÃO Após analisado os aspectos gerais da proteção da flora e da fauna. instituído pela Lei n. São eles. 9. OBJETIVOS Identificar as diferentes formas de proteção das florestas divididas em Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. incs. 11. artigo 225. fazem parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza — SNUC e são constituídas pelo conjunto de unidades de conservação federais e estaduais e municipais de acordo com o disposto na referida Lei n.DIREITO AMBIENTAL AULA 16: SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC). é que o SNUC toma forma pela Lei n. § 1º. sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos FGV DIREITO RIO 63 . pela natureza de normas gerais. 11. 2) Lei n. os referidos dispositivos constitucionais não prescindiam de específica regulamentação. a Lei das Florestas Públicas.428/2006.

225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. (2008).985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. (2008). RMS n. DECRETO ESTADUAL N.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL. Editora Saraiva. pp. 16ª Edição. NOS TERMOS DO ART. 547-626. 4. 9ª edição. 109-110. pp./2007. DECRETO ESTADUAL N.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. Editora Lumen Juris.DIREITO AMBIENTAL naturais salvo exceções previstas na própria lei ora mencionada) e as Unidades de Uso Sustentável (cujo objetivo básico é compartilhar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcelas integrantes do SNUC) passaram. 1. 9. ART. 24. 652-690. Editora Revista dos Tribunais. 5. 811-850. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA — SNUC. 2) Paulo Affonso Leme Machado. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. Julgamento 12/Jun. Ementa DIREITO AMBIENTAL.795/1997. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. (2008). CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA. DA CF/1988. pp. 5ª edição. Recorrido: Estado de Mato Grosso. (2007). Direito do Ambiente. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 11ª Edição.340/2002. FGV DIREITO RIO 64 . § 1°. Editora Malheiros. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. NÃO— PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. 20281-MT (2005/0105652-0). JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Hermes Wilmar Storch vs./2007. STJ. DJ 29/ Jun. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. a ter composição bem delimitada com objetivos fixados pela norma. 1ª Turma. por força de lei. Direito Ambiental.

e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. do art. da Lei n. quando for o caso. foram estes rejeitados. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. estaria o estado-membro autorizado a legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. 9. 22.2002.DIREITO AMBIENTAL 1.985/2000. da CF/1988). Em sede de recurso ordinário. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. 2. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. evidentemente. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. 5. de 12. por maioria. O Decreto n. como ocorreu no caso.340. 3°. bem como determinou. obscuridade ou contradição a ser suprida. O Decreto Estadual n. que regulamentou a Lei n. 9. da Lei n. o estatuído no § 1º. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. 4. segundo. da CF/1988. possibilitar seja identificada a “localização. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente — FEMA. em se tratando de matéria ambiental. nos termos da legislação estadual (MT) e federal.438. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. denegou a ação mandamental. alcança o objetivo perseguido pelo art. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. 9. Governador do Estado do Mato Grosso. respeitando. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art.438/2002. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. 24. prevista no art. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. 22. os §§ 1° e 2° do art. em seu art. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. embora sucinta. a qual. 3. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente.985/2002. 4°. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. Trata-se de mandado de segurança. de 22 de agosto de 2002. Aliás. ao prescrever. § 4º. b) nos casos de competência legislativa concorrente. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. primeiro.985/2000. com pedido liminar. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental.11. § 2°. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. consubstanciado na edição do Decreto n. 5. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de FGV DIREITO RIO 65 . em seu art. qual seja. no Estado do Mato Grosso. § 1°. 24. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena.

Estação Ecológica. VI. no entanto. 4. caça. 6. Reserva Biológica.DIREITO AMBIENTAL conservação a ser criada. Estação Ecológica. na esteira do art. sendo-lhe. A União. Monumento Natural de Refúgio da Vida Silvestre. quer pela falta de previsão na legislação estadual. G. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. FGV DIREITO RIO 66 . 227 e 229. Refúgio da Vida Silvestre e Reserva Extrativista. Manual de Direito Ambiental. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. Floresta Nacional. Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. Recurso ordinário não-provido. 1 As questões 1-3 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. que exige a realização de prévia consulta pública. 9. da Carta Maior. Parque Nacional. Editora Método. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. NOTAS E QUESTÕES1 1) (Defensor Público SP 2006) O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza estabelece dois grupos de unidades de conservação. Floresta Nacional. da Lei n. Reserva da Fauna. São Unidades de Proteção Integral: a. pesca. as de Proteção Integral e as de Uso Sustentável. p. qual seja. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da Federação brasileira (art. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. da CFRB).438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. b. À norma de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da Federação. não prevalece disposição de lei federal. Reserva Extrativista.985/2000. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. fauna. os Estados-membros e o Distrito Federal. 5. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. do Código Ambiental (Lei Complementar n. mormente as presentes nos arts. Assim sendo. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. Reserva Extrativista. Reserva Biológica e Estação Ecológica. 22. Reserva Biológica. defesa do solo e dos recursos naturais. 170. Área de Proteção Ambiental. Parque Nacional. d. No caso dos autos. 24. Área de Proteção Ambiental. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. 5. 38/1995). VI. Área de Proteção Ambiental. (2008). Floresta Nacional e Reserva Extrativista. O ato governamental (Decreto n. conservação da natureza. § 2°. e. c. Refúgio da Vida Silvestre. a regra do art. Beltrão. tendo em conta as necessidades da população local. incisos V e VII.

emanado do poder público b. d. Têm sua utilização sujeita ao licenciamento ambiental a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA. daquele aplicável às unidades de conservação. incluindo medidas com o fim de promover sua integração econômica e social das comunidades vizinhas. e. Integram o grupo de Unidades de Proteção Integral as seguintes categorias de unidades de conservação: Estação Ecológica. como Unidade de Conservação de Proteção Integral. e. enquanto as unidades de conservação podem ser definidas tanto por lei quanto por ato do Poder Executivo. é a restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada. Monumento Natural. ao Poder Público. Reserva Biológica. Restauração. 3) (Promotor de Justiça MG — XLVI Concurso) Assinale a alternativa CORRETA. Apenas podem ser definidas pela lei. essencialmente. d. diferente de sua condição original. sendo públicos a posse e o domínio de sua área. Parque Nacional. segundo a definição estabelecida na lei citada.DIREITO AMBIENTAL 2) (Procurador Município Manaus 2006) O regime jurídico das áreas de preservação permanente difere. Têm sua supressão condicionada à autorização legislativa. O objetivo básico das Unidades de Conservação de Proteção Integral é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais. tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. ao passo que as unidades de conservação devem ser necessariamente declaradas por ato concreto. Podem ser definidas em caráter geral pela lei. Áreas de Relevante Interesse Ecológico e Área de Proteção Ambiental. A Estação Ecológica. . ao passo que as unidades de conservação sujeitam-se aos órgãos seccionais integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente — SISNAMA. enquanto as unidades de conservação podem ser suprimidas por ato do Poder Executivo. Têm por objetivo exclusivo a preservação da vegetação. c. c. Havendo áreas particulares incluídas em seus limites deverão ser cedidas. FGV DIREITO RIO 67 b. enquanto as unidades de conservação sempre visam à proteção integral dos ecossistemas compreendidos em sua área. de acordo com o que dispõe a lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação — SNUC: a. sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos. porque as áreas de preservação permanente a. a título gratuito. sendo esta uma das restrições legais ao direito de propriedade. Em se tratando de unidade de conservação deve ser elaborado um Plano de Manejo que abranja a área correspondente à unidade de conservação.

este esperado instituto disciplinador foi concretizado com o advento da Lei 11. Analisar os conceitos. 11. 3) Lei n.11. com diversidade biológica proporcionalmente superior à da própria Amazônia.284/2006. 3. foram quase duas décadas até a Lei n. INTRODUÇÃO O Código Florestal e o SNUC ainda se mostravam insuficientes para lidar com uma questão crucial para o desenvolvimento nacional: as atividades de exploração de florestas públicas. Finalmente. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal.284/2006) E BIOMA MATA ATLÂNTICA (LEI N. Diversas foram as inovações deste diploma legal. principalmente na Amazônia e quase sempre à margem do sistema legal vigente. por ter um histórico de ocupação extrativista e ser o primeiro bioma a receber os primeiros colonizadores. 11. Dentre os seus principais dispositivos. dentre as quais se destacam: a concepção do Serviço Florestal Brasileiro. dentre outros igualmente importantes e detalhados pelo diploma legal.428/2006. Em território de tamanha riqueza florestal e dimensões continentais. artigo 225. a instituição de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal e a criação do Cadastro Nacional de Florestas Públicas. 11.750/93. 2) Lei n. por abrigar as regiões mais industrializadas do país. Desde o dispositivo constitucional declarando a região como sendo parte do patrimônio nacional (art. em relação ao bioma Mata Atlântica. 225. as controvérsias em relação a um efetivo instrumento de proteção foram quase que insuperáveis. § 4º.DIREITO AMBIENTAL AULA 17: FLORESTAS PÚBLICAS (LEI N.428/2006). encontram-se a confirmação da delimitação geográfica do bioma e disposições de proteção da vegetação primária e secundária. esta nos diferentes estados de regeneração.428/2006 que disciplinou o bioma Mata Atlântica.776/2006. Por abrigar mais de 60% da população brasileira. passando pelo Projeto de Lei n. conhecido como a Lei de Gestão de Florestas Públicas. objetivos e instrumentos de proteção da Mata Atlântica. torna-se praticamente impossível uma efetiva gestão sem um instrumento disciplinador das atividades exploratórias.285/1992 e Decreto n. da CF/88). 284/2006. os desafios em se alcançar um denominador comum entre os diferentes interesses foram extremos. 11. Após os debates em torno do Projeto de Lei 4. OBJETIVOS Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos da Lei de Gestão de Florestas Públicas. FGV DIREITO RIO 68 . Compreender a importância de um instrumento legal específico para a proteção da Mata Atlântica.

15% do território brasileiro era coberto pelas diferentes formações florestais do bioma. Julgamento 07/Fev. STJ. 638-639 e 707. 2ª Turma.) Acredita-se que quando os portugueses chegaram ao Brasil./2008. há cerca de 500 anos. o País tinha 1. INVIABILIDADE. (Édis Milaré. Editora Malheiros. Editora Revista dos Tribunais.. pp. a extensão da Mata Atlântica está reduzida a aproximadamente 100. o que quer dizer que esse recurso natural teve 93% de sua área original devastada. pp. 5ª edição. licenciamento ambiental. 5ª edição. INEXISTÊNCIA DE EXPLORAÇÃO ECONÔMICA. 16ª Edição. DJ 27/Mai./2008. (2007). pp.) Leitura obrigatória 1) Paulo Affonso Leme Machado.. criou todo um sistema de gestão sustentável de florestas. 638-650 e 707-725. Direito do Ambiente.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA A Lei 11. DESAPROPRIAÇÃO. tais como Sistema de Unidades de Conservação (SNUC). Bibliografia complementar 1) Édis Milaré. (.) não teve tão-somente o condão de proceder a algumas alterações no Código Florestal. mas. Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). Direito do Ambiente. 905783-SC (2006/0249674-9). JUROS COMPENSATÓRIOS. em verdade. (2008). de 2 de março de 2006. BASE DE CÁLCULO. (2007). CÁLCULO EM SEPARADO.768-779 e 849-850. JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Leme Comércio Importação Exportação Empreendimentos e Participação Ltda vs. (.. DIFERENÇA ENTRE 80% DO FGV DIREITO RIO 69 .000 km2. COBERTURA FLORÍSTICA. Recorrido: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Editora Revista dos Tribunais. licitações e conhecimentos tradicionais. REFORMA AGRÁRIA.300.. ou seja. Ementa ADMINISTRATIVO.000 km2 de Mata Atlântica. tangendo ainda diversos outros assuntos correlatos. Hoje. 284. REsp n.

primária ou secundária em estágio avançado de regeneração. sujeito a sanções administrativas e penais.324/RN. a exploração de florestas.629/93). FGV DIREITO RIO 70 . A indenização da cobertura florística depende da efetiva comprovação de que o proprietário esteja explorando econômica e licitamente os recursos vegetais. PREQUESTIONAMENTO. 3.2007. de forma objetiva. Na falta de autorização ou licença ambiental e de Plano de Manejo. nos termos da jurisprudência do egrégio STF (ADI-MC 2. INEXISTÊNCIA. por suas características naturais ou por obediência a estatuto jurídico próprio. não é um direito ou interesse indenizável. 1. incidem juros compensatórios sobre a parcela cujo levantamento não foi autorizado judicialmente (20% do depósito. até a publicação da liminar concedida na ADIN 2. Na análise do potencial econômico madeireiro. 4. 5. Min. ao contrário. p/ acórdão Min. adequadamente fundamentado. Primeira Seção. Ainda que o valor da indenização. DEPÓSITO INICIAL CONFIRMADO PELO JUDICIÁRIO. na moldura da Lei 11. excluindo-se da base de cálculo as Áreas de Preservação Permanente (arts. Rel. Atende ao postulado da justa indenização o acórdão. da Lei Complementar 76/1993).428/2006. DJ 3. ART. A partir dessa data.DIREITO AMBIENTAL DEPÓSITO E O VALOR FIXADO NO ACÓRDÃO. os juros compensatórios são de 6% (seis por cento) ao ano. que fixa seu montante atendendo aos critérios legais (art. de que são exemplos as árvores imune a corte (art. Tendo a imissão na posse ocorrido após o advento da MP 1. corresponda ao montante anteriormente depositado pelo expropriante. não podem ser exploradas por conta da vedação de supressão para fins comerciais. se ocorrer. Rel.2006. j.03. nos termos da Súmula 618/ STF. Francisco Peçanha Martins. Precedente: REsp 437.938/81.332/DF).8. 2. conforme art. João Otávio de Noronha. Rel. 2° e 3° do Código Florestal). Precedente: REsp 711. as de Reserva Legal sem Plano de Manejo aprovado pelo órgão ambiental competente. em regra.577/97. dentre outros casos.577/SP. SUCUMBÊNCIA DO EXPROPRIADO. sem prejuízo do dever de reparar o dano causado. alínea b. 437 DO CPC. ART. 6º. Ministro Castro Meira. Precedente: REsp 608. JUSTA INDENIZAÇÃO.2001). passam a ser calculados em 12% (doze por cento) ao ano.02. caracteriza ilícito ambiental (Lei 9. 12 da Lei 8. Segunda Turma.605/98). 08. 19 DA LC 76/93.09.332/DF (13. do Código Florestal) e a vegetação da Mata Atlântica. nos termos e limites de autorização expedida de maneira regular.593/MA. deve-se levar em consideração as restrições legais e administrativas à utilização da propriedade. bem como as que. § 1º. DJ 06.2006. 14. 6. Não se conhece da suposta violação de dispositivos legais não ventilados no acórdão recorrido sequer implicitamente (Súmula 211/STJ). 7. fixado na sentença. quando juridicamente possível. nos termos da Lei 6.

DIREITO AMBIENTAL 8. se dá provimento. Recurso Especial do particular parcialmente provido. 19. Recurso Especial do INCRA de que parcialmente se conhece e a que. nessa parte. Tendo o particular contestado o depósito inicial. que acabou endossado pelo Judiciário. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância da elaboração de um diploma legal específico para tratar da gestão das Florestas Públicas? 2) Quais os princípios que instruem a gestão de Florestas Públicas e como eles se relacionam com os princípios gerais de direito ambiental? 3) Para efeitos de proteção do bioma Mata Atlântica. caput. 9. da LC 76/93. nos estritos termos do art. configura-se a sucumbência do expropriado. como se dá a divisão entre os diferentes estágios de regeneração e qual a exceção prevista para comunidades tradicionais e pequenos proprietários rurais? FGV DIREITO RIO 71 .

de 23 de agosto de 2001. Diante da dificuldade em se transformar em lei ordinária. assim como o meio ambiente como um todo. O fundamento maior. Compreender a evolução legislativa tanto na esfera internacional. como também na nacional. visando possibilitar traçar paralelos com outras tutelas específicas do direito ambiental. Como não poderia ser diferente. progressivamente. pelo Decreto n. então. espalharam-se por diversos países. por meio do Decreto n. FGV DIREITO RIO 72 . OBJETIVOS Entender a importância da existência de um regime jurídico especial para tutela da biodiversidade. surgiu a necessidade de um regime jurídico específico que pudesse orientar e incentivar ações domésticas visando a tutela da diversidade biológica do planeta. a comunidade internacional. portanto. junto com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática e Convenção sobre o Combate a Desertificação. Alguns anos mais tarde. princípios e diretrizes gerais da Política Nacional de Biodiversidade. que em 1998. Diante da exploração predatória das florestas tropicais. em 2001. foi instituída a Política Nacional de Biodiversidade. em 1992 diversos países assinaram a Convenção sobre Diversidade Biológica que. 4. a Medida Provisória n. Deste limitado quadro legal. é possível a análise e exame dos objetivos. No Brasil não foi diferente. princípios e diretrizes gerais que orientam a tutela da biodiversidade no Brasil. este movimento internacional por um regime jurídico supranacional para tutelar a diversidade biológica do planeta exigiu ações domésticas que.DIREITO AMBIENTAL AULA 18: PROTEÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA INTRODUÇÃO A proteção da diversidade biológica está intrinsecamente conectada à tutela da fauna e flora. não conhece fronteiras políticas e. Porém. É assim. locais onde se concentram a maior parte da diversidade biológica do planeta.186-16. 2. diante da dificuldade inerente à regulação das florestas na esfera supranacional.519. 2. Trabalhar os objetivos. Foi quando. justifica-se a sua tutela na esfera supranacional. portanto. dispôs sobre o acesso à diversidade biológica no Brasil.339/2002. que embasou esta preocupação internacional foi o de que a diversidade biológica. Pelo contrário. compôs o grupo das chamadas Convenções do Rio. o país foi e é constantemente alvo de pressões internacionais visando impor padrões de proteção cada vez mais rigorosos. a Convenção sobre Diversidade Biológica é incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. por possuir a mais rica biodiversidade do planeta. entendeu por acordar sobre um regime jurídico próprio à tutela da diversidade biológica no planeta.

(2008). pp. o estado de degradação ambiental do mundo que lhe era contemporâneo. 11ª Edição. 2) Convenção sobre Diversidade Biológica. Pesquisas arqueológicas demonstram que mesmo comunidades pré-históricas poderiam ter levado inúmeros animais à extinção. eminentemente. a primeira constatação de mudanças negativas no meio natural que cerca o Homem foi feita por Platão em seu célebre diálogo Crito. 325. 4) Decreto n. 389-428. pp. acompanha a vida do Ser Humano sobre o Planeta Terra.DIREITO AMBIENTAL LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. Editora Revista dos Tribunais. 2. 5ª edição. (Paulo de Bessa Antunes. 11ª Edição. em função de caça intensiva e da destruição de vegetação. Paul R. artigo 225. (2007). no qual ele lamenta. semelhante à luta pela sobrevivência e evolução natural que se verifica entre todas as espécies.186-16/2001. Direito Ambiental. em menos de 1. Não seria exagerado dizer que a convivência “natural” do Ser Humano com outros animais é. Direito do Ambiente. Ehrlich demonstra que os Maori. 3) Medida Provisória n. praticamente.000 anos de presença na Nova Zelândia. FGV DIREITO RIO 73 . 547-569. Editora Lumen Juris.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. Direito Ambiental. DOUTRINA A percepção de que certos elementos do mundo natural estão desaparecendo em função da atividade humana é um fenômeno social muito antigo e que. pp. promoveram a extinção de cerca de 13 espécies de Moa (pássaro sem asas). (2008). Há suspeitas de que a aparição do Homem no continente americano pode ter contribuído fortemente para a extinção de pelo menos duas espécies de mamíferos. 4. Para o pensamento ocidental. acidamente. Leitura complementar 1) Édis Milaré. Editora Lumen Juris.339/2002. Mesmo sociedades tidas como “primitivas” e paradisíacas foram responsáveis pela extinção de espécies.

TJ-SP. AI n. II) — Recurso desprovido. Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga./2008. Suzano Papel e Celulose e Estado de São Paulo.399-5/8./2008. 759.DIREITO AMBIENTAL JURISPRUDÊNCIA Agravante: Ministério Público vs. Câmara Especial do Meio Ambiente. Agravados: Defensoria Pública do Estado de São Paulo. artigo 5º. Ementa AGRAVO DE INSTRUMENTO — Ação civil pública — grandes plantações de eucalipto e devastação ambiental — Decisão que indeferiu a liminar e não acolheu o pedido de extinção da ação — Legitimidade da Defensoria Pública Estadual para propor ação civil pública (Lei 7. Julgamento 28/Ago.A. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “diversidade biológica”? 2) Quais são princípios que instruíram a Convenção sobre Biodiversidade Biológica de 1992? 3) Quais são os principais riscos à biodiversidade nos âmbitos global e regional? 4) Quais são os instrumentos legais brasileiros que auxiliam na tutela da diversidade biológica? Por quê? 5) Quais os princípios da Política Nacional da Biodiversidade? 6) Qual a controvérsia acerca da legalidade do Plano Nacional da Biodiversidade? FGV DIREITO RIO 74 .347/85. DJ-SP 11/Set. VCP Votorantin Celulose e Papel S.

Analisar os aspectos referentes à incerteza dos possíveis impactos. p. “[b]iodiversidade e biossegurança estão freqüentemente enlaçadas. FGV DIREITO RIO 75 . e combinado com a euforia em torno da maximização dos lucros como decorrência da manipulação genética. consumidor final de muitos destes produtos alterados geneticamente. como o dever de precaução. [2007]. 10. difíceis de enquadrar. regras de conduta normatizadas pelo ordenamento jurídico pátrio. faz surgir a noção em torno do que a Convenção sobre Diversidade Biológica de 1992 chamou de “Biossegurança”. Trata-se de tecnologia de ponta que busca controlar a informação genética de plantas e animais. com intuito de servir aos anseios e necessidades do próprio ser humano. 3) Medida Provisória n. questões de ordem Ética e também de Direito. não podem ser marginalizadas.814/2003. Examinar a relação entre Biotecnologia e Biossegurança. § 1º. o próprio homem. artigo 225. de outro. Editora Revista dos Tribunais. A preocupação em torno dos possíveis impactos à biodiversidade e ao próprio ser humano. Identificar os principais elementos da Política de Desenvolvimento da Biotecnologia. vêm sendo relegadas a um segundo plano. que conjugam biotecnologia e biossegurança com os requisitos da Biodiversidade. mas no meio ambiente dentro de uma visão ecocêntrica de direito ambiental. 4) Lei n. Contudo. 2. Devido à ausência de certeza em relação aos impactos da aplicação desta nova tecnologia. 2) Lei n. 5ª edição. No amplo quadro das experiências. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal.191-9/2001.974/1995. nas palavras de Édis Milaré.” (Direito do Ambiente. incluindo aí. 8. II e III. Contextualizar a noção de Biossegurança. OBJETIVOS Compreender o significado e importância do disciplinamento legal de questões envolvendo a biotecnologia.DIREITO AMBIENTAL AULA 19: BIOTECNOLOGIA E BIOSSEGURANÇA INTRODUÇÃO A biotecnologia é fruto do acelerado desenvolvimento técnico-científico observado na segunda metade do Século XX. 582). podem surgir casos intrigantes. de um lado. não apenas nos seres humanos. Neste sentido.

11ª Edição. de 24 de março de 2005.510. da Lei nº 11105. de 24 de março de 2005.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. Requeridos: Presidente da República e Congresso Nacional. 11.591. de 5 de janeiro de 1995. Editora Lumen Juris. por normas da Comissão Técnica nacional de Biossegurança — CTNBio. e a Medida Provisória no 10. pp. (2008). Tal lei foi regulamentada pelo Decreto no 5. 225 da Constituição Federal.DIREITO AMBIENTAL 5) Lei n. 005º e parágrafos. 371.105. Editora Revista dos Tribunais. p. Julgamento 29/ Mai. de 15 de dezembro de 2003. Tribunal Pleno. JURISPRUDÊNCIA Requerente: Procurador-Geral da República vs. (2007). e dá outras providências”. 11ª Edição. cria o Conselho Nacional de Biossegurança — CNBS. (Paulo de Bessa Antunes. estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados — OGM e seus derivados. Dispositivo Legal Questionado Art. reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança — CTNBio. 6) Decreto n.974. DOUTRINA A produção e utilização dos organismos geneticamente modificados no Brasil. Editora Lumen Juris.105/2005. 3. STF. encontra-se regida pela Lei no 11. de 22 de novembro de 2005 e por muitos outros atos normativos e. 5ª edição. 6. Direito Ambiental. (2008). Direito do Ambiente.041/2007. de 24 de março de 2005. Direito Ambiental. dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança — PNB. Lei nº 11105.814. ADI n. 371-387. em especial. pp. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes./2008. que “regulamenta os incisos II. FGV DIREITO RIO 76 . 570-602. IV e V do § 1º do art. revoga a Lei no 8.

NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “Biotecnologia”? 2) O que se entende por “Biossegurança”? 3) Qual a relação entre “Biotecnologia” e “Biossegurança”? 4) Qual é o papel do Direito na intervenção em questões envolvendo biotecnologia? 5) Quais os principais pontos positivos e negativos do tratamento jurídico brasileiro às matérias de biotecnologia e biossegurança? FGV DIREITO RIO 77 . 005º — É permitida. a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento. § 001º — Em qualquer caso. § 003º — É verdade a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no art. já congelados na data da publicação desta Lei. é necessário o consentimento dos genitores. 015 da Lei nº 9434. de 04 de fevereiro de 1997. ou que. na data de publicação desta Lei. § 002º — Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisas ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética e pesquisa. depois de completarem 3 (três) anos.DIREITO AMBIENTAL Art. para fins de pesquisa e terapia. contados a partir da data de congelamento. ou 0II — sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais. atendidas as seguintes condições: 00I — sejam embriões inviáveis.

Na verdade. volta-se para a saúde pública. OBJETIVOS Entender a evolução histórica da questão do saneamento básico no Brasil. com mensagem de Ano Novo. mas. apontando caminhos para a solução de uma velha problemática nacional ligada visceralmente às perspectivas de desenvolvimento com sustentabilidade. fluxos e refluxos de uma tramitação tempestuosa. o de manifestar o temor em imposição internacional de restrições ambientais que poderiam inibir o desenvolvimento econômico. os investimentos em saneamento básico.445/2007. discussões. No Brasil.445/2007 encerra longos anos de debate em torno de um projeto de lei acerca da concepção e elaboração de um Plano Nacional de Saneamento Básico. constituem-se em importante instrumento da própria gestão ambiental e sanitária. Compreender a importância e examinar a relação entre políticas de investimento em saneamento básico e defesa e proteção do meio ambiente. a Lei n. 11. Identificar as diretrizes nacionais do saneamento básico. 11. DOUTRINA A mais nova das grandes políticas de âmbito nacional teve a sua “certidão de nascimento” estampada na Lei 11. à defesa e proteção da saúde da população. a delegação brasileira já alardeava que a pobreza é a pior forma de degradação ambiental.445. trata-se de um novo período de esperanças sólidas. LEGISLAÇÃO 1) Lei n. Analisar os princípios fundamentais da lei de saneamento básico.DIREITO AMBIENTAL AULA 20: SANEAMENTO BÁSICO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO Nos debates acerca da Declaração de Estocolmo de 1972. Esta Lei do Saneamento Básico é uma pedra FGV DIREITO RIO 78 . ou seja. É certo que o contexto era diverso. fundamentalmente. no dia 5 de janeiro de 2007. Portanto. passando previamente pela saúde ambiental. Sim. à defesa e proteção do meio ambiente. Enfim. mas a posição brasileira serve para ilustrar um dos grandes problemas ambientais dos países em desenvolvimento: a falta de saneamento básico em grande parte da população menos favorecida. veio à luz. Este problema está intimamente ligado à garantia constitucional do princípio do direito à sadia qualidade de vida. Trata-se de uma efeméride que coroou esforços. essa solução — ao mesmo tempo nova e antiga —.

CONSTITUCIONAL. 23. (2007). Agravo Regimental em Suspensão de Liminar 20050500004825202. CONTRATO DE CONCESSÃO. BEM PÚBLICO FEDERAL. DJ 3/Out. MP Nº 2.180-35/2001. Editora Revista dos Tribunais. (Édis Milaré. JURISPRUDÊNCIA 1) TRF-5ª Região. INVASÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. DESOBRIGAÇÃO. FIXAÇÃO DE MULTA DIÁRIA PARA O CASO DE NÃO ADOÇÃO DAS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS. DA CF/88. DILATAÇÃO E NÃO SUSPENSÃO. p. pp. ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. Editora Revista dos Tribunais. E 225. 5ª edição. ESPECIFICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA COMPESA SEGUNDO O TÍTULO JURÍDICO. APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO DEFINIDO PARA A RECUPERAÇÃO DAS INSTALAÇÕES. PRINCÍPIOS DO POLUIDOR-PAGADOR. DA COMPESA. COBERTURA DAS DESPESAS A PARTIR DAS TARIFAS COBRADAS PELA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. 603-617. COMPETÊNCIA MUNICIPAL. 603. (2007).437/92. ARTS. Ementa PROCESSUAL CIVIL. FGV DIREITO RIO 79 . PARCIAL PROVIMENTO. NESSE PONTO. VI. DA PREVENÇÃO E DA PRECAUÇÃO. DETERMINAÇÃO À COMPESA DE SUSPENSÃO DA ATIVIDADE POLUIDORA POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. EXCLUSIVIDADE DETIDA PELA COMPESA. LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. 5ª edição.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. INEXISTÊNCIA./2005. ESCASSEZ DO PRAZO. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO (DE RECONSIDERAÇÃO) INDEFERITÓRIA DE PEDIDO SUSPENSIVO DOS EFEITOS DA LIMINAR CONCEDIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.DIREITO AMBIENTAL infra-estrutural na construção de um bem-estar mais completo e sadio para a comunidade nacional. DESPEJO NO RIO SÃO FRANCISCO. FALTA DE TRATAMENTO DO ESGOTO SANITÁRIO DA CIDADE DE PETROLINA/PE. INOCORRÊNCIA. LEI Nº 8. Direito do Ambiente. Direito do Ambiente.

EM DJ DE 06. ARNALDO ESTEVES LIMA. POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO ADEQUADAS DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. PARTICULARIZADOS ESSES REQUISITOS.DIREITO AMBIENTAL 1. À SAÚDE. TENDO EM CONTA QUE A PRETENSÃO EM LITÍGIO ENVOLVE BEM PÚBLICO PERTENCENTE À UNIÃO: O RIO SÃO FRANCISCO (STJ. SOBRETUDO POR SER MEDIDA DE CONTRACAUTELA. A LEGITIFGV DIREITO RIO 80 .2004. EM 01. AINDA MAIS. PUBL. VINCULADA AOS PRESSUPOSTOS DE PLAUSIBILIDADE JURÍDICA E DO PERIGO DA DEMORA. EM 10.2004). NO AGRG NA SUSPENSÃO DE LIMINAR Nº 57/DF.2004). J. SEGURANÇA PÚBLICA E ECONOMIA PÚBLICA). APENAS É ADMITIDA EM CASO DE MANIFESTO INTERESSE PÚBLICO OU DE FLAGRANTE ILEGITIMIDADE E PARA IMPEDIR GRAVE LESÃO À ORDEM. J. DETERMINOU À COMPESA. A CONCESSÃO DE SUSPENSÃO DE LIMINAR OU DE SENTENÇA. COM AS ALTERAÇÕES DA MP Nº 2. OUTROSSIM. PELA DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO A SER CONSIDERADO DIANTE DA MÁCULA EXPRESSIVA A SER OBSTADA. TRATA-SE DE MEDIDA EXCEPCIONAL. DA LEI Nº 8. 2. A SUSPENSÃO DE SUA ATIVIDADE POLUIDORA. “ESSA ORIENTAÇÃO. NO ÂMBITO DA QUAL NÃO SE EFETUA EXAME DE MÉRITO EM RELAÇÃO À LIDE ORIGINÁRIA.11.12. PUBL.437/92. NO INSTRUMENTO. É COMPETENTE A JUSTIÇA FEDERAL IN CASU. DESTARTE. DE PROCEDIMENTO SUMÁRIO E DE COGNIÇÃO INCOMPLETA. COM A PERSCRUTAÇÃO DA URGÊNCIA DA PROVIDÊNCIA REQUESTADA. TERCEIRA SEÇÃO. MAS APENAS UMA AFERIÇÃO DA PLAUSIBILIDADE DAS RAZÕES DEDUZIDAS PELO REQUERENTE. REL. DEVE-SE LANÇAR OLHOS AO PERFAZIMENTO DOS PRESSUPOSTOS ESPECÍFICOS — O FUMUS BONI JURIS E O PERICULUM IN MORA —. CABENDO AO ENTE POSTULANTE A DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA DESSAS CONDIÇÕES. SAÚDE PÚBLICA.09. ALÉM DE OUTRAS PROVIDÊNCIAS. JUSTIFICADA PELA SERIEDADE DAS CONSEQÜÊNCIAS DERIVADAS. EM DJ DE 17. INDEFERIU O PEDIDO DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA LIMINAR.2004. QUE. NOS TERMOS DO ART. ASSOCIADA À VERIFICAÇÃO DA POSSIBILIDADE LESIVA DAS ESFERAS SIGNIFICATIVAS ENUMERADAS NA NORMA JURÍDICA LEGAL (ORDEM PÚBLICA. CONSISTENTE NO DESPEJO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO SÃO FRANCISCO.07. EM SÍNTESE. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA QUE. 3. À SEGURANÇA E À ECONOMIA PÚBLICAS. CONTUDO. CC Nº 33987. MIN. EM JUÍZO DE RECONSIDERAÇÃO.180-35/2001. 4O. QUE DEVEM ESTAR PRESENTES PARA A CONCESSÃO DAS LIMINARES” (TRECHO DO VOTO DO MINISTRO EDSON VIDIGAL. NÃO DEIXA DE ADMITIR UM EXERCÍCIO MÍNIMO DE DELIBERAÇÃO DO MÉRITO. CONCEDIDA EM SEDE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA.

ENFATIZA-SE. A DISTINÇÃO ENTRE REGRAS JURÍDICAS E PRINCÍPIOS JURÍDICOS. ESSENCIALMENTE. A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE. NÃO A ATIVIDADE REPARATÓRIA. “A CONSAGRAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO ESTABELECEU FGV DIREITO RIO 81 . OUTROSSIM. O POLUIDOR-PAGADOR. O PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO. COM O CONSEQÜENTE AFASTAMENTO DE UMA POSTURA MAIS LEGALISTA. DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO (VORSORGEPRINZIP). DITO DE OUTRO MODO. MAS A PREVENÇÃO. PELO PRINCÍPIO DO PREDADOR-PAGADOR. SEJA NO CORPO PROPRIAMENTE DITO DO TEXTO CONSTITUCIONAL (ARTS. DA APLICAÇÃO E DA INTEGRAÇÃO NORMATIVA. DENTRE OUTROS. À SOCIEDADE. O DESENVOLVIMENTO DESSE CUIDADO DEU ENSEJO AO DIREITO AMBIENTAL. REALÇANDO-SE. OS PRINCÍPIOS TÊM AVULTADO COMO VERDADEIRAS NORMAS DE CONDUTA. ENCONTRA GUARIDA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. SÃO PRINCÍPIOS DE DIREITO AMBIENTAL. COM A REFERÊNCIA A BEM-ESTAR. SUSTENTADO EM SÓLIDA BASE DE PRINCÍPIOS. E NÃO MERAMENTE COMO DIRETRIZES HERMENÊUTICAS. NESSE CAMPO. 5. PARA O FATO DE QUE OS PRINCÍPIOS JURÍDICOS — ESCRITOS OU IMPLÍCITOS — REPRESENTAM AS BASES SOBRE AS QUAIS O DIREITO SE CONSTRÓI E DAS QUAIS ELE DERIVA (AS REGRAS JURÍDICAS. CORRESPONDENDO. AO DEVER JURÍDICO DE IMPEDIR A REALIZAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS. REPRESENTATIVO DE DIREITO SUBJETIVO E VINCULADO. SENDO AMBOS NORMAS JURÍDICAS (PROCESSO DE JURIDICIZAÇÃO). SOBRELEVANDO A PREOCUPAÇÃO COM A ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A TODOS OS ENTES DA FEDERAÇÃO E. PORTANTO. DEVEM FUNCIONAR COMO ORIENTADORES PREFERENCIAIS DA INTERPRETAÇÃO. 4.DIREITO AMBIENTAL MIDADE DOS MINISTÉRIOS PÚBLICOS ESTADUAL E FEDERAL E O INSTRUMENTO POR ELES MANEJADO (AÇÃO CIVIL PÚBLICA) GUARDAM COMPATIBILIDADE COM OS DIREITOS A PROTEGER. E 225). O DA PREVENÇÃO E O DA PRECAUÇÃO. INCLUSIVE.347/85. COMO NOVO RAMO JURÍDICO. OU. ATRAVÉS. EX VI DA LEI Nº 7. 23. SERIAM CONCREÇÃO DOS PRINCÍPIOS). DESPERTOU-SE. HODIERNAMENTE. AO DIREITO À VIDA. SEJA NO PRELÚDIO. 6. POR ASSIM DIZER. “CONTRARIA A MORALIDADE E A LEGALIDADE ADMINISTRATIVA O ADIAMENTO DE MEDIDAS DE PRECAUÇÃO QUE DEVAM SER TOMADAS IMEDIATAMENTE” (PAULO AFONSO LEME MACHADO). REPUTADO BEM DE USO COMUM DO POVO. IMPÕE-SE A “AÇÃO ANTECIPADA DIANTE DO RISCO OU DO PERIGO”. VI. MAIS QUE ISSO. ESTÁ O POLUIDOR OBRIGADO A PAGAR PELA POLUIÇÃO CAUSADA OU POTENCIALMENTE OCASIONÁVEL. OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS QUE INSPIRAM O SISTEMA JURÍDICO E QUE.

DESTARTE. DEMAIS DISSO. NÃO SE PODE OLVIDAR A INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE ADMINISTRATIVA FRENTE A DIREITOS CONSTITUCIONALMENTE CONSAGRADOS E PROTEGIDOS. 9. QUE NÃO FOREM CONTRARIADOS PELO DEGRADADOR” (RODOLFO DE CAMARGO MANCUSO). 7.DIREITO AMBIENTAL VERDADEIRA REGRA DE JULGAMENTO NA ATIVIDADE JUDICIAL. COM EXCLUSIVIDADE. EM RAZÃO DO ESTADO FALENCIAL DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. EXATAMENTE A COMPESA. AMPARADOS CIENTIFICAMENTE E DEMONSTRADOS. NO SENTIDO DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO COLETIVA EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE. ADMINISTRAR E EXPLORAR. CONSTATOU-SE O EFETIVO LANÇAMENTO DE DEJETOS (ESGOTO NÃO TRATADO) NO RIO SÃO FRANCISCO. PELA COMPESA. COM DANOS AO MEIO AMBIENTE. CONSOANTE DESTACADO PELA POSTULANTE. E NUNCA DE SUSPENSÃO DE EXECUÇÃO. A SUSPENSÃO DA LIMINAR. 8. DIANTE DE ELEMENTOS INDICIÁRIOS QUANTO À OCORRÊNCIA EFETIVA OU POTENCIAL DE DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS. PELO MENOS. REALCE-SE QUE O DESPEJAMENTO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO. AO INVÉS DE RESGUARDAR. O DIREITO DE IMPLANTAR. COMO É O CASO DO MEIO AMBIENTE. FRENTE AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO (EQUILÍBRIO) DE PODERES. FGV DIREITO RIO 82 . ENTRETANTO. COMPROVADA A ADOÇÃO DAS PRESTAÇÕES INICIAIS. JUSTIFICAR-SE-IA PEDIDO DE DILATAÇÃO DE PRAZO. DESDE 1975. DETENDO. SE O TEMPO JUDICIALMENTE CONCEDIDO SE MOSTRAVA DIMINUTO. OFENDERIA A ORDEM PÚBLICA E A SAÚDE PÚBLICA. EM RELAÇÃO ÀS QUAIS O PODER JUDICIÁRIO NÃO PODE EFETUAR INSERÇÕES ATINENTES À CONVENIÊNCIA E À OPORTUNIDADE. CABE AO PODER JUDICIÁRIO REALIZAR O CONTROLE DE LEGALIDADE E DE LEGITIMIDADE DOS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DE OUTRO LADO. OS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. AMPLIAR. É CERTO QUE ÀS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS INCUMBE DEFINIR AS POLÍTICAS DE SANEAMENTO BÁSICO DA CIDADE. AMENIZAR OS PREJUÍZOS AO MEIO AMBIENTE NÃO PODE SER CONFUNDIDA COM INVIABILIDADE DE EFETIVAÇÃO DESSAS PROVIDÊNCIAS. ESPECIFICAMENTE NO QUE TANGE ÀS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO ESGOTO. NÃO É NEGADO PELA COMPANHIA REQUERENTE. A ESCASSEZ DE PRAZO PARA REALIZAÇÃO DAS OBRAS E DOS SERVIÇOS IMPRESCINDÍVEIS A AFASTAR OU. DIANTE DA DIMENSÃO DAS MEDIDAS A SEREM IMPLEMENTADAS. INDUSTRIALMENTE.

A SABER. TAIS TAREFAS. especificamente. EM 1975. COM A LIMINAR. NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM DEPENDÊNCIA DE RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS. OUTROSSIM. PELO PARCIAL PROVIMENTO DO AGRAVO. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO DE CONCESSÃO. AS MEDIDAS QUE LHE FORAM DETERMINADAS GUARDAM COMPATIBILIDADE COM O TÍTULO JURÍDICO QUE VINCULA A REFERIDA PESSOA JURÍDICA AO CASO EM COMENTO. NÃO É CORRETO AFIRMAR QUE O PROVIMENTO JUDICIAL VERGASTADO IMPUTOU À COMPESA TODA A RESPONSABILIDADE PELA POLUIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância do saneamento básico para o Direito Ambiental? 2) De que forma. o saneamento básico se relaciona com a defesa e proteção do meio ambiente? FGV DIREITO RIO 83 . ALGUMAS DAS QUAIS JÁ COM LICENÇA DE FUNCIONAMENTO. INCLUSIVE DIANTE DA FALTA DE NEGATIVA DA COMPANHIA — PELA COMPESA. NÃO HÁ COMO EXIGI-LAS DA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA ESTADUAL. ESPECIFICOU-SE A ATIVIDADE ILÍCITA PERPETRADA — SEGUNDO INDÍCIOS ROBUSTOS. PORTANTO. POR ISSO MESMO. “PARA EXPLORAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTOS SANITÁRIOS”. SE MANTIDA. 13. O CONTRATO DE CONCESSÃO FIRMADO ENTRE A COMPESA E O MUNICÍPIO DE PETROLINA.DIREITO AMBIENTAL 10. 12. OS RECURSOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DO SISTEMA. EM SENDO. MERECE PROVIMENTO O AGRAVO TÃO-SOMENTE PARA AFASTAR AS DETERMINAÇÕES SECUNDÁRIAS FEITAS PELO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU À COMPESA. PORQUANTO AS MEDIDAS CUJA IMPLEMENTAÇÃO FOI DETERMINADA ESTÃO ABRANGIDAS PELO OBJETO CONTRATUAL. 11. NO QUAL ESTÃO INCLUÍDAS AS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. AJUSTE QUE PREVÊ A FONTE DOS RECURSOS FINANCEIROS QUE DEVERÃO CUSTEÁ-LAS. DE COMPETÊNCIA MUNICIPAL. NÃO TEM FORÇA A ALEGAÇÃO DE INSUSTENTATIBILIDADE DA LIMINAR DEFERIDA PORQUE A COMPESA TERIA PASSADO A TRABALHAR NA RECUPERAÇÃO DAS ESTRUTURAS. ADVÊM DAS TARIFAS COBRADAS PELA COMPESA PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. NO QUE TANGE À LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E À FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. O QUE SE FEZ FOI EXIGIR A CORRETA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONCEDIDOS. NÃO SE PODE AFIRMAR QUE A LIMINAR OCASIONA.

445/2007 que consagram conceitos de proteção ambiental? 5) De que forma a política de saneamento básico pode refletir uma concepção antropocêntrica e/ou ecocêntrica do direito ambiental? FGV DIREITO RIO 84 . 11.DIREITO AMBIENTAL 3) Como o saneamento básico pode instrumentalizar o princípio do direito à sadia qualidade de vida? 4) Quais são os princípios fundamentais da Lei n.

justificando uma análise mais aprofundada da questão à luz do direito ambiental. É de observar que a Política Urbana está inserida na ordem econômica. Examinar o fundamento da função social da propriedade à luz de conceitos e normas de direito ambiental.) FGV DIREITO RIO 85 . Portanto. Compreender a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. É possível. Capítulo VI. 10. Estima-se que 80% da população mundial habitará áreas urbanas em um futuro próximo. o legislador situou-a ao lado da Política Fundiária e da Reforma Agrária. os processos de concepção. diversamente do que ocorre com o Meio Ambiente. a Constituição de 1988. 225). E este número está crescendo. Analisar o tratamento constitucional da política urbana. contemplou a Política Urbana. Logo. vislumbrar a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. Considerando que os últimos dados sugerem uma população mundial em torno de 6 (seis) bilhões. (Édis Milaré. as políticas urbanas possuem papel de destaque na defesa e proteção do meio ambiente. assim. 2) Lei n. 5ª edição. Editora Revista dos Tribunais. Trabalhar os principais fundamentos e diretrizes do Estatuto da Cidade. p. OBJETIVOS Contextualizar o meio ambiente urbano no estudo do direito ambiental. que integra a ordem social (Título VIII. elaboração e monitoramento das políticas urbanas não podem se render aos cobiçados investimentos econômicos em detrimento da proteção e da defesa do meio ambiente. art. dirigido à ordem econômica e financeira. no Capítulo II do Título VII. (2007). Direito do Ambiente.DIREITO AMBIENTAL AULA 21: URBANISMO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO As questões ambientais inerentes ao meio ambiente urbano vêm assumindo cada vez mais papel de destaque no estudo do direito ambiental. DOUTRINA No amplo leque das estruturas da vida nacional. artigos 182 e 183. 514. é fácil imaginar os possíveis impactos ambientais desta situação. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal.257/2001. Ao tratar da questão urbana no contexto da ordem econômica. assim como o Sistema Financeiro Nacional.

providenciando. litteris: “(. depois de ter determinado a instalação de drenos no Lago Igapó 2. DO CPC. In casu. após. BACIA HIDROGRÁFICA ENVOLVIDA PELO DESENVOLVIMENTO URBANO. 535. 514-545. autorizou que particulares despejassem toda a espécie de resíduos em parte alagadiça. além da compensação pelos danos não passíveis de reparação..) No âmbito substancial. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL PERMANENTE. OPÇÃO ADMINISTRATIVA.. bem como a condenação dos responsáveis nas despesas decorrentes das providências indicadas no laudo. DETERMINAÇÃO DE ATERRAMENTO PARCIAL. recobrir o local com uma camada de 30 centímetros de terra. PROVA. ALTERAÇÃO AMBIENTAL QUE ATINGIU APENAS PARTE DA BACIA. PREVALÊNCIA DAQUELES VALORES. o Tribunal local analisou a questão sub examine — ocorrência de dano ambiental decorrente do aterramento de parte do Lago Guapó II situado no Município de Londrina — à luz do contexto fático-probatório engendrado nos autos. REsp. NECESSIDADE IMPOSTA PELA OCUPAÇÃO HUMANA. Julgado 20/set. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. a respeitável sentença recorrida deve ser inteiramente preservada. 2. ao fundamento de que o réu. transformando o local num depósito de lixo a céu aberto. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. no ano de 1985. URBANIZAÇÃO E SANEAMENTO./2007. Editora Revista dos Tribunais. consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado. 1. 2. mandando. SÚMULA 07/STJ. 840011/PR — 2006/0059704-6. para recolher as águas das nascentes. objetivando a realização de estudo técnico para reparação ou mitigação do impacto ambiental. quando prefeito. DANO AO MEIO AMBIENTE. Seu digno e culto prolator realizou uma análise aprofundada e sensata da séria questão em tela. revolvendo cuidadosamente a prova produzida. DJ 8/out. LAGO ARTIFICIAL. ainda./2007. CONJUNTURA DE FATO. em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 5ª edição. Ementa PROCESSUAL CIVIL.DIREITO AMBIENTAL Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. pp. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. INEXISTÊNCIA. FGV DIREITO RIO 86 . 1ª Turma. MEDIDA DE PROTEÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO. o estreitamento do leito normal do Ribeirão Cambé. Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual em face de exprefeito. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. (2007). OFENSA AO ART. Direito do Ambiente.

. Wilson Moreira. ao determinar. por tratar-se de solo instável. foram gastos muitos recursos e esforços. em razão das conseqüências do represamento realizado em administração anterior. colhe-se mais adiante: Quando a represa do Lago Igapó 2 foi construída. que acarretou a formação da remanescente área de brejo aqui referida.) FGV DIREITO RIO 87 . portanto. já na década de 50. a bacia mantém suas características primitivas. dentro do limite da razoabilidade. pois. trazendo sérias complicações e desconforto à população residente. o que se tentou por cerca de 3 anos. a área foi alterada e degradada pelo uso. foi decidido que a melhor alternativa seria o aterramento do local. própria à sedimentação biológica (. Porém o material retirado. em gestão administrativa anterior da Prefeitura. Nela foram bem exaltados e sopesados os elementos da instrução que amparam o convencimento de que aquela obra tomou-se inevitável. Assim. revelou-se necessária. Teophilo. Délio César. inclusive com áreas de retenção de curso. a primitiva e extensa bacia do Ribeirão Cambé e outras nascentes já havia sofrido relevante alteração. em decorrência do represamento das águas. Com a construção de casas na Rua Prol Joaquim de Matos Barreto houve o corte da base da encosta o que provocou o afloramento de algumas nascentes. mas a lâmina ficou muito rasa gerando decomposição da vegetação existente. O trabalho dá conta. tendo perdido suas características naturais. o relatório elaborado pelo Instituto Ambiental do Paraná registrou às fls. que o aterro feito pelo apelado WILSON MOREIRA desponta como uma obra complementar e que. como perdurasse o problema do mau cheiro e proliferação de mosquitos.. já era bem antiga. como opção administrativa. que a administração pública nada mais fez do que exercer seus poder discricionário. (grifo nosso) A influência degradatória da presença do homem. em substituição ao Dr. que: “Com o passar do tempo. a realização do aterro. procurou-se alternativas para resolver o problema. supervenientemente.DIREITO AMBIENTAL para concluir. de que apesar do aterro as nascentes foram preservadas e. ainda. Foi também definido que a área deveria ser gramada e arborizada com eucaliptos e destinada a práticas esportivas. Na ocasião houve debate com diversos arquitetos da UEL e. acertadamente. Ainda de acordo com o Sr. atualmente conduzidas ao canal norte do aterro. Segundo informações de antigo funcionário da prefeitura (Sr. devido à exploração minerária e outros impactos. em uma reunião na Prefeitura. quando era prefeito o Sr. caracterizada por nascentes. Teophilo Paranaense Coutinho Gomes) houve a tentativa de retirada do material ali existente para aprofundar o fundo lago. Ainda que se trate de uma importante bacia. No mesmo trabalho. 337/337. porém sem sucesso. desde que. Tempos depois o nível da água foi elevado. nos seus demais recantos. retomava ao fundo do lago quando ocorriam chuvas. a lâmina d’água não cobria o trecho da planície hoje aterrada. Convém deixar bem enfatizado. o que provocou mau cheiro e a proliferação de mosquitos. a partir da formação artificial do Lago Igapó.

O local foi transformado em extenso parque verde. o acervo instrutório. Inexiste ofensa ao art.938/81. no contexto do caso. notadamente seu art. da qual já havia decorrido o impacto ambiental que” tudo faz crer. Este mais convence que. sendo inconcludente em tal sentido.. esta já vigente à época dos fatos. para proteger a população. cujo decisum revela-se devidamente fundamentado. quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. um a um. a respeitável sentença recorrida. que estava em progressivo processo de poluição. largamente freqüentada. Há toda uma conjuntura em que perdeu atualidade e objetividade a discussão sobre o argumento contido na inicial. o aterro já estava implantado. Recurso Especial parcialmente conhecido e. e as conseqüências da ocupação humana dos setores marginais.859/RS. o Código Florestal. I e II. quando foi instituído o Parque Ecológico Linear do Ribeirão Cambé. o que traz à consideração as notórias dificuldades do poder público em conter práticas dessa natureza.05. Precedente desta Corte: RESP 658. 535. I resultou na formação do brejo. carentes de educação ou consciência ecológica. nesta parte. desprovido. como também a Lei n. de que o réu WILSON MOREIRA teria autorizado a população a fazer da área a ser aterrada um local de despejo de lixo e toda a espécie de detritos.) Em suma. desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão..DIREITO AMBIENTAL Ora.. como alternativa de saneamento. assim. se tal ocorria. 369/95.) Assim. publicado no DJ de 09. (. devem ter sua interpretação contemporizada. preparado pela Administração Municipal como área pública de lazer. concorria para estimular a Administração à alternativa de aterrar a área pantanosa. 18. como área de preservação permanente. o magistrado não está obrigado a rebater. 4.. que se localiza entre os dois lagos (Igapó— I e Igapó— II). aos quais se somam os aqui expendidos. em que a Administração Municipal estava às voltas com o prosseguimento de um projeto cuja execução fora iniciada anteriormente com a criação artificial do Lago Igapó. com todas as suas repercussões negativas. Fato que. os argumentos trazidos pela parte.2005. deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos. CPC.(. pelo Decreto n. 6. era por iniciativa de pessoas desinformadas ou desatentas. porque irretocável. que concluiu pela improcedência do pleito deduzido nesta ação civil pública por danos ao meio ambiente. Ademais. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que o meio ambiente urbano é matéria de especial relevância para o direito ambiental? 2) Qual a distinção que a Constituição Federal de 1988 faz entre direito urbanístico e direito ambiental? FGV DIREITO RIO 88 .” 3.

10.257/2001 e quais os limites constitucionais da atuação municipal nesta esfera? FGV DIREITO RIO 89 . consoante previsão da Lei n.257/2001? 5) Qual é o papel do zoneamento ambiental na política urbana. 10.DIREITO AMBIENTAL 3) De que forma ações e decisões urbanísticas podem afetar ou violar normas de direito ambiental? Como esta relação está refletida no caso gerador? 4) De que forma a preocupação com as normas e princípios que orientam o direito ambiental está retratada na Lei n.

III. 7.314/1996. 7. Aliás.DIREITO AMBIENTAL AULA 22: MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO A história da exploração de recursos minerais no Brasil remonta ao período da colonização. o papel da mineração assume papel de destaque no Brasil.314/1996. 21. Como decorrência do avanço tecnológico e científico da sociedade pós-moderna. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. XXV. Por possuir dimensões continentais e riqueza mineral invejável no contexto internacional. artigos 20. é importante frisar que o tratamento constitucional dispensado à atividade minerária é amplo. São diversos os dispositivos constitucionais que regulam direta e indiretamente a mineração. Examinar os principais elementos da legislação infraconstitucional à luz das normas de direito ambiental. 174. 2º e 3º. constituindo-se. mais precisamente. juntamente com o pau-brasil. a cana-de-açúcar e o café. FGV DIREITO RIO 90 . 231 e § 3º. IX. 2) ADCT. no art. artigos 43 e 44. 9. 176 e §§ 1º. em um dos mais importantes ciclos econômicos do período colonial. 3) Decreto-Lei n. inc. a atividade minerária se torna imprescindível às necessidades da população em geral. 91. 22. há uma especial preocupação do direito ambiental em regulamentar a mineração à luz dos princípios constitucionais que orientam a matéria.805/1989 e Lei n. OBJETIVOS Entender a importância da atividade de mineração para o desenvolvimento nacional.805/1989. XII. § 2º. 225. 9. 225. por ser uma atividade com grande potencial degradador e por explorar recursos naturais limitados. instituído pelo Decreto-Lei n. Por outro lado. 227/1967 com as alterações promovidas pela Lei n. Analisar os principais aspectos da Constituição Federal que tratam da atividade de mineração e normas ambientais. 227/1997. Trabalhar a relação entre mineração e direito ambiental. § 1º. 4) Lei n. o principal diploma legal é o Código de Minas. da CF/88. 5) Lei n. § 3º. Na esfera infraconstitucional.

RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. 2. uma vez que a ilicitude no comportamento omissivo é aferida sob a perspectiva de que deveria o Estado ter agido conforme estabelece a lei. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. encontrando-se inscrita no artigo 225. Julgado 22/mai./2007. Direito Ambiental. 647493/SC — 2004/0032785-4. como materiais fornecidos pelo ambiente a serem utilizados pelos brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil dentro de uma concepção técnica que situa a existência de massas individualizadas de substâncias minerais ou fósseis encontradas na superfície ou no interior da terra. 9ª edição. CARVÃO MINERAL. 2º e 3º da Carta Magna. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. FGV DIREITO RIO 91 . 349-357. 1. POLUIÇÃO AMBIENTAL. pp. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 349. p. de forma que elas sejam equalizadas à conservação ambiental. 2ª Turma. Editora Saraiva./2007. 737-755. DJ 22/out. seu grande significado estratégico e sua notória relevância em face do próprio controle ambiental. §§ 1º. devem ser tutelados juridicamente como bens. (2008). mesmo em se tratando de responsabilidade por dano ao meio ambiente.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. REPARAÇÃO. (2008). Esta obrigatoriedade foi alçada à categoria constitucional. 11ª edição. REsp. Curso de Direito Ambiental Brasileiro.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA Os recursos minerais em nosso país. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. A responsabilidade civil do Estado por omissão é subjetiva. (2008). ESTADO DE SANTA CATARINA. levando-se em consideração sua elevada representatividade econômica. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. A União tem o dever de fiscalizar as atividades concernentes à extração mineral. 9ª edição. RESPONSABILIDADE DO ESTADO POR OMISSÃO. Bibliografia complementar 1) Celso Antonio Pacheco Fiorillo. EMPRESAS MINERADORAS. Editora Lumen Juris. Ementa RECURSO ESPECIAL. Editora Saraiva. pp.

4. Recursos de Coque Catarinense Ltda. Esse desiderato apresenta-se consentâneo com o princípio da eqüidade. Condenada a União a reparação de danos ambientais.. Carbonífera Palermo Ltda.. quando utilizam-na com objetivos fraudulentos ou diversos daqueles para os quais foi constituída.DIREITO AMBIENTAL 3. 14. Carbonífera Metropolitana S/A. IV. 7. De outro lado. por falta de nexo causal entre o dano ocorrido em um determinado lugar por atividade poluidora realizada em outro local. Havendo mais de um causador de um mesmo dano ambiental. 3º. e (iii) nem comprovando-se que os sócios ou administradores têm maior poder de solvência que as sociedades. 942 do Código Civil. na modalidade subsidiária. § 1º. na última hipótese. Companhia Carbonífera Urussanga providos em parte. não-conhecidos. Carbonífera Criciúma S/A.938/81. 5. se diversos forem os causadores da degradação ocorrida em diferentes locais. os sócios/administradores respondem pelo cumprimento da obrigação de reparação ambiental na qualidade de responsáveis em nome próprio. Portanto. A desconsideração da pessoa jurídica consiste na possibilidade de se ignorar a personalidade jurídica autônoma da entidade moral para chamar à responsabilidade seus sócios ou administradores. Ibramil — Ibracoque Mineração Ltda. todos respondem solidariamente pela reparação. Recurso do Ministério Público provido em parte. (ii) não se constituindo a personalização social obstáculo ao cumprimento da obrigação de reparação ambiental. como se fora auto-indenização. é certo que a sociedade imediatamente estará arcando com os custos de tal reparação. a aplicação da disregard doctrine não tem lugar e pode constituir. ainda que contíguos. 8. A responsabilidade será solidária com os entes administrados. não há como atribuir-se a responsabilidade solidária adotando-se apenas o critério geográfico. 6. Recursos de Companhia Siderúrgica Nacional. Recurso da União provido em parte. na forma do art. da Lei n. Carbonífera Barro Branco S/A. 6. Segundo o que dispõe o art. A ação de reparação/recuperação ambiental é imprescritível. Companhia Brasileira Carbonífera de Ararangua (massa falida). (i) na falta do elemento “abuso de direito”. Companhia Carbonífera Catarinense. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que a atividade de mineração se constitui como de especial interesse para o direito ambiental? 2) Como se dá a atividade minerária em terras indígenas? FGV DIREITO RIO 92 . obstáculo ao cumprimento da obrigação. uma vez que a atividade industrial responsável pela degradação ambiental — por gerar divisas para o país e contribuir com percentual significativo de geração de energia. c/c o art. como ocorre com a atividade extrativa mineral — a toda a sociedade beneficia.

DIREITO AMBIENTAL 3) Como os impactos das atividades de mineração são tratados pelo ordenamento jurídico ambiental brasileiro? 4) Como as questões referentes à defesa e proteção do meio ambiente são tratadas pelo Código de Minas? 5) É possível afirmar que os recursos minerais são bens ambientais? Explique. FGV DIREITO RIO 93 .

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AULA 23: POLÍTICA ENERGÉTICA E MEIO AMBIENTE

INTRODUÇÃO Talvez não tenha um tema que atualmente esteja tão relacionado com a questão ambiental do que a crescente demanda mundial por energia e suas formas de geração. São as matrizes energéticas responsáveis por grande parte dos problemas ambientais que assolam a sociedade moderna. A emissão de dióxido de carbono por usinas termoelétricas que se utilizam do carvão mineral, constitui-se como a principal das causas para o aquecimento global. A utilização cada vez em maior escala das usinas hidrelétricas é responsável por danos, muitas vezes irreparáveis, à fauna e à flora de determinados ecossistemas. As próprias tecnologias mais limpas de produção de energia, também não são livres de significativos impactos ambientais ou de difíceis escolhas éticas. É, por exemplo, o caso dos biocombustíveis (etanol e biodiesel) que transformam plantações inteiras destinadas à produção de alimentos em monoculturas visando a produção de energia (i.e. cana-de-açúcar, soja, mamona, etc.). Ou, por outro lado, o investimento em energia eólica que demanda grandes estruturas que representam um dano ao valor paisagístico de determinadas regiões e podem ter implicações, por exemplo, em correntes migratórias de diversas espécies de pássaros. E mais, os próprios investimentos em painéis solares que, por sua vez, demanda de substâncias derivadas do petróleo no processo de fabricação. Há ainda questões referentes ao investimento em energia nuclear, debate bastante atual no Brasil e no mundo, mas que vêm acompanhadas das preocupações com os resíduos nucleares e o receio de acidentes como o de Chernobyl. Também não são isentos de possíveis impactos ambientais, a promissora tecnologia que permite que o automóvel seja movido à energia elétrica, pois que não resolveria os problemas referentes à matriz energética utilizada. Estes são apenas alguns exemplos e que não incluem outras formas, ainda pouco debatidas no direito brasileiro, como o hidrogênio, produção de energia pela variação de marés, ou geotermais, para citar alguns. Diante deste complexo cenário, ganha em importância a Política Energética Nacional. Entendê-la e contextualizá-la dentro do direito ambiental como, aliás, vem sendo feito por organismos internacionais e por diversos países, é de fundamental importância para a efetiva proteção do meio ambiente. No Brasil, este debate é ainda mais relevante, pois é constantemente citado como exemplo mundial de investidor em tecnologias energéticas mais limpas, como também para inserir na euforia das recentes descobertas de enormes reservas petrolíferas a questão ambiental.

OBJETIVOS Entender a relação entre política energética e meio ambiente. Compreender a estrutura legal e institucional da Política Energética Nacional. Contextualizar a Política Energética Nacional no direito ambiental. Entender a relação entre produção energética, consumo racional e proteção ambiental.
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LEGISLAÇÃO 1) Lei n. 9.478/1997.

DOUTRINA O ano de 2001 marcou uma importantíssima alteração nos hábitos de consumo de energia dos brasileiros, pois nele ocorreu o fenômeno que ficou conhecido como apagão. O apagão foi o nome popular de um grave problema de abastecimento de energia elétrica que foi conseqüência de vários e diferenciados fatores políticos, sociais, econômicos e climatológicos. (...) A produção e o consumo de energia são das questões ambientais mais relevantes e, qualquer que seja a configuração da matriz energética de um país, as suas repercussões sobre o meio ambiente serão sempre importantes e significativas. (Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), p. 787.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), pp. 787-811;

JURISPRUDÊNCIA 1) TRF 4ª Região, 2004.04.01049432-1/SC (Agravante: União Federal, Agravados: Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica, Federação das Entidades Ecologistas de Santa Catarina, Energética Barra Grande S/A, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA), D.J.U. de 19/jul./2006. Ementa AGRAVO. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. 1. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar, com profundidade, as questões envolvidas na lide, já que o ato presidencial não se reveste de caráter revisional, vale dizer, não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender, mas, sim, a sua potencialidade de lesão à ordem, saúde, segurança e economia públicas. 2. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta.
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NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a relação entre produção e consumo energético e proteção ao meio ambiente? 2) Quais são as matrizes energéticas priorizadas pela Política Energética Nacional? 3) De que forma a preocupação com a defesa e proteção do meio ambiente está inserida na Política Energética Nacional? 4) De que forma a relação entre política energética e proteção do meio ambiente está refletida no caso gerador desta aula? 5) Como fazer a conciliação entre os interesses e a necessidade energética, como pilares do desenvolvimento nacional, com a defesa e proteção do meio ambiente?

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Sampaio & Furtado Sociedade de Advogados. Nova Iorque. Mestre e Doutorando em Direito Ambiental e Recursos Naturais pela Pace University School of Law. Mestre em Direito Econômico e Social pela PUCPR. direito internacional ambiental e direito climático. Co-editor do compêndio de leis mundiais sobre aplicação e execução de leis ambientais (environmental enforcement & compliance) a ser publicado pela Cambridge University Press. Membro do Grupo de Especialistas da Comissão em Energia e Mudança Climática da Academia de Direito Ambiental da União para Conservação da Natureza (International Union for the Conservation of Nature — IUCN). EUA. Professor adjunto da Pace University School of Law. Autor de artigos publicados em revistas e jornais norte-americanos sobre mudança climática e biocombustíveis (Fordham International Law Journal e Proceedings of the 30th Aniversary of Environmental Law Programs at Pace). Advogado e consultor externo associado ao Escritório Marinoni. Palestrante em eventos no Brasil e nos EUA sobre os temas de direito ambiental brasileiro e norte-americano.DIREITO AMBIENTAL RÔMULO SILVEIRA DA ROCHA SAMPAIO Professor e Pesquisador da FGV Direito Rio. FGV DIREITO RIO 97 . Professor convidado dos programas de pós-graduação em direito ambiental da PUC-SP e PUC-RJ.

DIREITO AMBIENTAL FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes de Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 98 .

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