direito ambiental

AUTOR: RômUlO SilveiRA dA ROchA SAmpAiO

1ª edição

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Sumário

Direito Ambiental
BlOCO I. InTRODUçãO AO DIREITO AmBIEnTAl ................................................................................................................................3

Aula 1. O surgimento e a autonomia do Direito Ambiental ........................................................... 4 Aula 2. Direitos e Interesses Difusos e Coletivos............................................................................. 7 Aula 3. Princípios do Direito Ambiental ........................................................................................ 9 Aula 4. Direito Ambiental na Constituição Federal de 1988 ........................................................ 13 Aula 5. Competências constitucionais em matéria ambiental........................................................ 16 Aula 6. Política e Sistema Nacional do Meio Ambiente ................................................................ 19

BlOCO II. InSTRUmEnTOS DA POlíTICA nACIOnAl DO mEIO AmBIEnTE............................................................................................24

Aula 7. Padrões de Qualidade e Zoneamento Ambiental .............................................................. 25 Aula 8. Publicidade, Informação, Educação e Participação Ambiental .......................................... 29 Aula 9: Auditoria Ambiental e Due Diligence ......................................................................... 33 Aula 10: Avaliação de Impacto Ambienta (AIA), Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) ....36 Aula 11: Licenciamento Ambiental ............................................................................................. 42 Aula 12: Dano e Responsabilidade Ambiental .............................................................................. 47 Aula 13: Direito de Águas ............................................................................................................ 54 Aula 14: Tutela do Ar e da Atmosfera ........................................................................................... 57 Aula 15: Tutela da Fauna e da Flora.............................................................................................. 60 Aula 16: Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC)................................................ 63 Aula 17: Florestas Públicas (Lei N. 11.284/2006) e Bioma Mata Atlântica (Lei N. 11.428/2006) ......68 Aula 18: Proteção da Diversidade Biológica.................................................................................. 72 Aula 19: Biotecnologia e Biossegurança ........................................................................................ 75 Aula 20: Saneamento Básico e Meio Ambiente............................................................................. 78 Aula 21: Urbanismo e Meio Ambiente ......................................................................................... 85 Aula 22: Mineração e Meio Ambiente .......................................................................................... 90 Aula 23: Política Energética e Meio Ambiente .............................................................................. 94

BlOCO III: TUTElAS ESPECífICAS DO mEIO AmBIEnTE .....................................................................................................................53

diReiTO AmbienTAl

Bloco I. Introdução ao dIreIto amBIental
Introdução ao Bloco I

A Revolução Industrial é o marco desencadeador de uma sociedade fundada no consumo. Esta sociedade impõe uma pressão cada vez maior sobre os recursos naturais, fazendo crescer preocupações com o meio ambiente e, consequentemente, com a própria sobrevivência da vida no planeta. Diante das constantes agressões ao meio ambiente, comprovadas pela ciência e condenadas pela ética e moral, surge a necessidade de se repensar conceitos desenvolvimentistas clássicos. Neste sentido, se faz imperiosa a agregação de diversas áreas do conhecimento científico, técnico, jurídico e mesmo de saberes de comunidades tradicionais e locais em torno de uma nova teoria de desenvolvimento sustentável que permita a utilização presente dos recursos naturais existentes sem, contudo, esgotá-los, para que o mesmo direito possa ser garantido às futuras gerações. Dentro desse contexto se insere este novo ramo do direito, o direito ambiental. Por sua natureza interdisciplinar em sua gênese, o direito do ambiente acaba também evocando conceitos e, até certo ponto, se sobrepondo aos instrumentos de outras disciplinas clássicas: direito constitucional, administrativo, civil, penal e processual. Pelo fato das atividades poluidoras e de degradação do meio ambiente não conhecerem fronteiras, o direito ambiental evoca constantemente noções de direito internacional fazendo surgir também uma disciplina derivada, intitulada direito internacional ambiental.

FGv diReiTO RiO

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Universidade Aberta (1998). passam a exigir uma re-estruturação da teoria clássica do direito. direitos como o do consumidor e o próprio ambiental. sob o prisma da dimensão fundamental. Constituição Federal. Caracterizam-se pela coletividade da titularidade e complexidade do bem protegido e das intervenções estatais – por meio de regulação – em áreas antes estritamente privadas. 186 e 225. FGv diReiTO RiO 4 . autonomia em relação às demais disciplinas clássicas do direito e interdisciplinaridade. Pp. 2. social e coletiva. oBjetIvos Entender os conceitos formadores do direito ambiental. Proporcionar a precisa identificação e caracterização do bem ambiental. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). abrindo espaço para novas disciplinas jurídicas. 19-36. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). quebrando a divisão clássica do direito de tradição civilística entre público e privado. Artigos 184. o direito ambiental. dentre elas. Incluem-se dentro desta nova geração. sua recente consolidação.diReiTO AmbienTAl aula 1. Com isso. legIslação 1. Diferenciar as concepções antropocêntricas e ecocêntricas e os conceitos amplos e restritos do direito ambiental e como essas caracterizações afetam a tutela dos interesses e direitos relacionados na prática. Introdução ao Direito do Ambiente. 3. o surgimento e a autonomia do direito ambiental Introdução A complexidade e evolução da sociedade moderna fizeram com que uma terceira geração de direitos se delineasse. novas formas de tutela e proteção dos interesses e direitos que já não mais são individualizados. doutrIna leitura obrigatória José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador).

Enquanto os direitos de primeira geração (direitos civis e políticos) – que compreendem as liberdades clássicas. reais ou concretas – acentuam o princípio da igualdade. p. Ementa: A QUESTÃO DO DIREITO AO MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO – DIREITO DE TERCEIRA GERAÇÃO – PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE. 37. expansão e reconhecimento dos direitos humanos. negativas ou formais – realçam o princípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos. FGv diReiTO RiO 5 . notas e Questões1 1. Pode-se considerar o ambiente como novo bem jurídico protegido pelo direito? Por quê? 7. José Joaquim Gomes canotilho (coordenador) (1998). Em que consiste a implicação ou referência sistêmico-social da noção de bem jurídico ambiental? 8. pp.164-0-sp (Impetrante: antônio de andrade ribeiro junqueira. é possível afirmar que o direito ao ambiente é hoje um (novo) direito fundamental dos cidadãos? 1 extraídas da obra introdução ao direito do Ambiente. dentro do processo de afirmação dos direitos humanos. 30/out. Quais as razões que tornam a proteção do ambiente uma das preocupações fundamentais dos cidadãos atualmente? 2. pela nota de uma essencial inexauribilidade./1995. Quais as pré-compreensões do Direito do Ambiente? Como se caracterizam? 5. sociais e culturais) – que se identificam com as liberdades positivas. refletindo. num sentido verdadeiramente mais abrangente. caracterizados. Em que consiste o conceito estrito de ambiente? Quais são as principais críticas que se lhe podem dirigir e quais as suas vantagens? 6.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa stF Ms 22. O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração – constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva. 16-22. à própria coletividade social. não ao indivíduo identificado em sua singularidade. Quais os principais problemas com que se defrontam os juristas na regulação jurídica dos problemas ambientais? 4. os direitos de terceira geração. enquanto valores fundamentais indisponíveis. Articulando os dispositivos constitucionais pertinentes. mas. a expressão significativa de um poder atribuído. Impetrado: presidente da república). que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais. consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento. Por que razão os juristas encaram as questões ambientais com base numa abordagem interdisciplinar? 3.

Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente. Poderá considerar-se o Direito do Ambiente como nova disciplina jurídica autônoma? Qual o relevo prático desta problemática? FGv diReiTO RiO 6 .diReiTO AmbienTAl 9. ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? 11. Em que consiste a noção de dano ambiental? 10.

Identificar os critérios para legitimação da defesa do meio ambiente. G.diReiTO AmbienTAl aula 2. 4. 2. Tutela dos Interesses Difusos e Coletivos. Lei 8. 17-19. Manual de Direito Ambiental – série Concursos Públicos. podem operar contra a eficiente proteção do bem jurídico que se propõem a proteger. Antônio F. Lei 8.078/1990. mas que ainda suscitam diversas questões práticas. Editora Método (2008). Constituição Federal.625/1993. Lei 7. Artigo 81. Artigo 25. 26/fev. legIslação 1. inciso IV. 1-22. esmiuçados pela doutrina especializada. acabam contaminando a prática e. tipificados pelo direito positivo vigente no Brasil. FGv diReiTO RiO 7 . oBjetIvos Categorizar os interesses e direitos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (saudável) como difuso.347/1985. pp. Artigos 129. direitos e interesses difusos e Coletivos Introdução Surgem. alínea “a” doutrIna leitura obrigatória Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida. Possibilitar a compreensão da indenização individual por dano coletivo. incisos I a III. coletivo ou individual homogêneo. parágrafo único. 225./97. direitos e interesses metaindividuais. 3. então. Beltrão. jurIsprudêncIa stF re 163231-3/sp (recorrente: Ministério público do estado de são paulo. recorrido: associação notre dame de educação e cultura). Os problemas de aplicação desses conceitos. Editora Juarez de Oliveira (2006). desde a caracterização e classificação até aos imbróglios e divergências processuais. portanto. Artigo 1º. pp.

indaga-se: 1. por força da mesma proibição provisória imposta pela autoridade ambiental competente. o petróleo vazou contaminando 80% da baía de Guanabara. Outros 50 pescadores. peixes e foi responsável pela interdição de vários balneários. um vazamento na mangueira de combustível ocasionou uma explosão de grande dimensão. Como o direito e/ou interesse tutelado vinculam a resposta a ser dada pelo Poder Judiciário? 3.diReiTO AmbienTAl notas e Questões Imagine a seguinte situação baseada em um acontecimento real: Uma grande companhia de óleo e gás. ficaram impossibilitados de exercer suas atividades econômicas e de auto-sustento. estava abastecendo seu cargueiro no porto do Rio de Janeiro. O vazamento causou ainda a morte de diversas espécies de pássaros. ficou impossibilitada de exercer a sua atividade econômica. Durante o processo de abastecimento. composta por 100 pescadores. Como o exercício de um interesse específico pode afetar positiva ou negativamente o resultado final de outro interesse? FGv diReiTO RiO 8 . Por um período de 3 meses a associação de pescadores da Ilha do Governador. não associados a esta entidade. Diante deste cenário. Quais são os interesses e direitos a serem tutelados? 2. após ter carregado a embarcação com petróleo. Como decorrência.

Esta reconstrução passou a impor ao desenvolvimento econômico a racional utilização dos recursos naturais e fez com que os processos industriais passassem a internalizar as externalidades ambientais.diReiTO AmbienTAl aula 3. PrinCíPios do direito ambiental Introdução A crescente preocupação social com as questões ambientais influenciou a comunidade internacional e as legislações constitucionais e infraconstitucionais de diversos países a enveredar para a elaboração de normas de proteção do meio ambiente. Diferenciar os conceitos de princípios similares para melhor articulação da aplicação prática. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). até então recém nascida. 2. 4. FGv diReiTO RiO 9 . Artigo 225. 3. oBjetIvos Conhecer os princípios formadores do direito ambiental. A este novo projeto de desenvolvimento econômico. legIslação 1. Esta aula. pretende introduzir alguns dos mais importantes princípios do direito ambiental e trabalhar a aplicação dos conceitos a eles inerentes ao caso concreto. diversos princípios surgiram tanto em âmbito internacional. Possibilitar a identificação dos princípios explícitos e implícitos em textos normativos. resolveu-se incluir a noção de sustentável como única forma viável de evitar a degradação do meio ambiente a níveis que permitam a sadia qualidade de vida no planeta. entender a existência desses princípios e justificar as suas aplicações práticas.605/1998.938/1981. Lei 6. como no plano nacional e que serviram também para auxiliar na interpretação de conceitos legislativos e sanarem lacunas desta. A conscientização de que os recursos naturais renováveis ou não renováveis são limitados clamou por uma intervenção legislativa capaz de reconstruir modelos clássicos desenvolvimentistas. portanto. Para orientar esta atividade normativa. disciplina jurídica. Lei 9. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). Constituição Federal. 5.

) leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. 9º E 10º. IV. 3º. III. 57-72 e 74-108. FGv diReiTO RiO 10 . 225. (José Joaquim Gomes Canotilho [coordenador]. jurIsprudêncIa trF 1ª região. DA LEI Nº 6.. DA RESOLUÇÃO CONAMA Nº 237/97 – INEXISTÊNCIA DE NORMA REGULAMENTADORA QUANTO À LIBERAÇÃO E DESCARTE.01. pode o magistrado adotar 2 Uma lacuna é a não previsão de um caso na lei e a integração da lacuna consiste na criação da disciplina jurídica para aquele caso concreto. DO CPC – INTELIGÊNCIA. Universidade Aberta [1998]. no exercício do poder geral de cautela. § 1º. NO MEIO AMBIENTE. apelados: Instituto Brasileiro de defesa do consumidor [Idec] e associação civil greenpeace). pp. • na sua capacidade de integração de lacunas2. muito concreto.00. SEM O PRÉVIO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – ART. 43. 8/ago. de uma norma.diReiTO AmbienTAl doutrIna utilidade dos princípios Apesar de terem um conteúdo relativamente vago. a utilidade dos princípios reside fundamentalmente: • em serem um padrão que permite aferir a validade das leis. 808. quando comparado com o conteúdo.938/81 E ARTS 1º. ac 2000./2000. tornando inconstitucionais ou ilegais as disposições legais ou regulamentares ou os actos administrativos que os contrariem. Ementa: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO CAUTELAR – LIBERAÇÃO DO PLANTIO E COMERCIALIZAÇÃO DE SOJA GENÉTICAMENTE MODIFICADA (SOJA ROUND UP READY). Introdução ao Direito do Ambiente. mesmo porque. § 4º.014661-1-dF (apelantes: união Federal e Monsanto do Brasil ltda. DA CF/88 C/C ARTS. DE OGM – PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E DA INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO CAUTELAR – PRESENÇA DO FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO – INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA – ART. I – Improcedência da alegação de julgamento extra petita. Direito Ambiental Brasileiro. 2º. 16ª Edição. p. CAPUTE E § 1º. na ação cautelar. • no seu potencial como auxiliares da interpretação de outras normas jurídicas e. finalmente. Editora Malheiros (2008). 4º E ANEXO I. 8º.

II – A sentença de procedência da ação principal não prejudica ou faz cessar a eficácia da ação cautelar. diante da qual se conclui que a CNTBio deve expedir.974/95. juridicamente relevante é a tese de impossibilidade de autorizaFGv diReiTO RiO 11 . 3º. do Decreto nº 1. 2º. até o momento presente. no meio ambiente. no processo principal. 4º e Anexo I da Resolução CONAMA nº 237/97. à luz das quais se infere que a definição de “obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente”. tal como consta do Anexo I da aludida Resolução CONAMA nº 237/97. VI.938.diReiTO AmbienTAl providência não requerida e que lhe pareça idônea para a conservação do estado de fato e de direito envolvido na lide. 24. para a qual. V – A existência do fumus boni iuris ou da probabilidade de tutela. de 31/08/81 – recepcionada pela CF/88 – e dos arts. que permite à CNTBio dispensar o prévio estudo de impacto ambiental – de competência do IBAMA – em se tratando de liberação de organismos geneticamente modificados. III – Se os autores só reconhecem ao IBAMA a prerrogativa de licenciar atividades potencialmente carecedoras de degradação ambiental. Min. à máquina de norma regulamentadoras a respeito do assunto.974/95. a que se refere o art. possa tornar sem objeto a ação cautelar. pág. previamente. na forma da lei. que conserva a sua eficácia na pendência do processo principal – e não apenas até a sentença – mesmo porque os feitos cautelar e principal têm natureza e objetivos distintos. exatamente. Precedente do STF (ADIN nº 1. 225 da CF/88 erigiu o meio ambiente ecologicamente equilibrado “a bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida.086-7/SC. II. contra o aludido parecer. na qual os autores se insurgem. da Lei 8. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. encontra-se demonstrada especialmente: a) pelas disposições dos arts. especialmente ante séria dúvida quanto à Constitucionalidade do art. Ilmar Galvão. do direito invocado. incumbindo ao poder Público. do CPC. em face do veto presidencial à disposição constante do projeto da Lei nº 8.279). pelo que. a regulamentação relativa à liberação e descarte. 1º. IV – O art. 808. de organismos geneticamente modificados. para o plantio. que veiculava idêntica faculdade outorgada à CNTBio. 225. 2º. por via de conseqüência. caput e § 1º. 8º. estudo prévio de impacto ambiental. “exigir. no meio ambiente. para assegurar a efetividade desse direito. Rel. 8º. autorizando o plantio e a comercialização de soja transgênica. IV. 9º e 10º. § 4º. 225. Inteligência do art. não há suporte à conclusão de que a mera expedição de parecer pela CNTBio. sem o prévio estudo de impacto ambiental. da CF/88). c) pela vedação contida no art.§ 1º. sob pena de se tornarem ineficazes outras disposições daquele diploma legal. in DJU de 16/09/94. a que se dará publicidade” (art. em escala comercial. § 1º.752/95. XVI. da Lei nº 6. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. IV. necessário o estudo prévio de impacto ambiental. da CF/88. e a comercialização de sementes de soja geneticamente modificadas. compreende “a introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas”.

VIII – Preliminares rejeitadas. IV – A existência de uma situação de perigo recomenda a tutela cautelar.974/95. tida como interposta. pela utilização de engenharia genética no meio ambiente e em produtos alimentícios. da Lei nº 8. no meio ambiente. que sinalizam a potencialidade lesiva de atividade cujo descarte ou liberação de OGM. em face da superveniência da Medida Provisória nº 1.984-18. sem a observância das devidas cautelas regulamentares. §§ 1º a 3º. Qual é a natureza jurídica e justificativa do princípio do poluidor-pagador? 5. e 13. IDEC e Greenpeace? 3. desde incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias e lesão corporal grave. sem a adoção de rigorosos critérios de segurança. de 01/06/2000. 8º. VI. De que forma o princípio da precaução se aplica ao caso relatado no caso União Federal e Monsanto vs. V. até a morte. o risco de dano irreversível e irreparável ao meio ambiente e à saúde pública. 13. tipificando-se tais condutas como crimes e impondo-lhes severas penas. tal como previsto no art. lesão ao meio ambiente e lesão grave ao meio ambiente. da Lei nº 8. De que forma princípios gerais como o da razoabilidade e proporcionalidade se relacionam com a instrumentalização dos princípios de direito ambiental? FGv diReiTO RiO 12 . O que distingue os princípios da precaução e da prevenção? 2. VII – Homologação do pedido de desistência do IBAMA para figurar no pólo ativo da lide. O que se entende por princípio da participação? Qual é a sua importância e relevância prática? 4. d) Pelas disposições dos arts.974/95. notas e Questões 1. pode causar.diReiTO AmbienTAl ção de qualquer atividade relativa à introdução de OGM no meio ambiente. até o deslinde da ação principal. Apelações e remessa oficial. no intuito de se evitar – em homenagem aos princípios da precaução e da instrumentalidade do processo cautelar –. improvidas.

não tenham cuidado FGv diReiTO RiO 13 . 170. portanto. doutrIna Meio ambiente: bem jurídico per se Cabe à Constituição. III e 225. e que assumiu proporções inesperadas no século XX. direito ambiental na Constituição federal de 1988 Introdução A Constituição Federal brasileira de 1988 é um marco na defesa dos direitos e interesses ambientais ao dispor em diferentes títulos e capítulos sobre a necessidade de preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Trabalhar a idéia de divisão de responsabilidades em ações de proteção e defesa do meio ambiente entre o Poder Público e a coletividade. bem se compreende que Constituições mais antigas. oBjetIvos Reconhecer a importância de disposições constitucionais específicas em matéria de defesa e proteção do meio ambiente. XXIII. Além disso. III e IV. O texto constitucional inova ainda quando divide a responsabilidade pela defesa do meio ambiente entre o Poder Público e à coletividade. como a norte-americana. Elaborar a noção do ambiente ecologicamente equilibrado como direito subjetivo de todos e dever fundamental do Estado. Em capítulo específico.diReiTO AmbienTAl aula 4. ampliando sobremaneira a importância da sociedade civil organizada e. é a primeira vez em que a expressão “meio ambiente” aparece em uma Constituição brasileira. como lei fundamental. vamos localizar na norma constitucional os fundamentos da proteção do meio ambiente. diversos são os conceitos e princípios inovadores trazidos pela Carta Magna que norteiam o direito ambiental brasileiro. com mais destaque a partir dos anos 60. também reforçando o seu título de “constituição cidadã”. 129. o de número “VI”. Artigos 5º. a francesa e a italiana. direta ou indiretamente. legIslação 1. traçar o conteúdo e os limites da ordem jurídica. Tema candente. Entender o papel do Judiciário na consolidação da proteção ambiental constitucional. Identificar os instrumentos processuais constitucionais de defesa do meio ambiente. Constituição Federal. É por isso que.

historicamente. 2004. já que o ato presidencial não FGv diReiTO RiO 14 .j. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. (Édis Milaré. a saúde ambiental. d. 57-76. Bibliografia complementar Édis Milaré.u. 5ª Edição. a proteção do meio ambiente. Direito Ambiental Brasileiro. pp. 122-152. Editora Lumen Juris.diReiTO AmbienTAl especificamente da matéria. Federação das entidades ecologistas de santa catarina. embora sem perder seus vínculos originais com a saúde humana. pp. com autonomia em relação a outros bens protegidos pela ordem jurídica./2006. tendo como pressuposto. Mas. Ementa: AGRAVO. como é o caso da saúde humana. Aparece o ambientalismo como direito fundamental da pessoa humana. com profundidade. Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos recursos naturais renováveis – IBaMa). Direito do Ambiente. ganha identidade própria. o meio ambiente deixa de ser considerado um bem jurídico per accidens e é elevado à categoria de bem jurídico per se. os diversos países. o espanhol (1978) e o brasileiro (1988). Isso acontecia porque o legislador se baseava no poder geral que lhe cabia para proteger a “saúde humana”. ou seja. Direito do Ambiente. Nessa nova perspectiva. inclusive o nosso. Editora Revista dos Tribunais. as questões envolvidas na lide. 1.04. isto é. ainda que sem previsão constitucional expressa. de 19/jul. o primeiro fundamento para a tutela ambiental. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE.01049432-1/sc (agravante: união Federal. p. a saúde humana. 4ª Edição. 142-192. nos regimes constitucionais anteriores a 1988. agravados: rede de organizações não-governamentais da Mata atlântica. Nos regimes constitucionais modernos. 180). porque é mais abrangente e compreensiva. pp. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. explícito ou implícito. Editora Revista dos Tribunais [2005]. Editora Malheiros (2008). (2008). (2007). como o português (1976). Assim ocorria também no Brasil. Direito Ambiental. Aí está. jurIsprudêncIa trF 4ª região. Paulo de Bessa Antunes. energética Barra grande s/a. 11ª Edição. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar. promulgaram (e promulgam) leis e regulamentos de proteção do meio ambiente. 16ª Edição.

mas. saúde. sim. Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica e outros ao meio ambiente? 3. vale dizer. 2.diReiTO AmbienTAl se reveste de caráter revisional. a sua potencialidade de lesão à ordem. Qual é a importância dada pela decisão União Federal vs. segurança e economia públicas. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta. Qual é a importância da Constituição trazer previsões de direitos e deveres de defesa e proteção do meio ambiente? 2. Quais são os argumentos constitucionais que poderiam ter influenciado o julgado de forma diversa do decidido? FGv diReiTO RiO 15 . notas e Questões 1. não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender. Quais são os conceitos fundamentais medidos e sopesados pelo julgado supra citado para fundamentar a decisão final? 4.

Distrito Federal e Municípios para a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer das suas formas. doutrIna Competência Comum: o art. VI e VII. Artigos 1º. a Carta Magna estabelece um complexo sistema de repartição de competências legislativas e executivas. a conseqüência nefasta de um sistema de competências confuso pode acarretar em irreparável dano ao meio ambiente. 24 que a União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. fauna. 18. Dentro deste modelo. Constituição Federal. Trata-se da competência material ou administrativa. aparentemente descentralizador. 24. VI e VIII. concorrente e suplementar ao mesmo tempo em que são elucidados pelo texto constitucional. Trabalhar e aplicar o sistema de competências na prática. ComPetênCias ConstituCionais em matéria ambiental Introdução A Constituição Federal de 1988 cria uma federação com três níveis de governo: federal. Estados. Competência legislativa: o art. legIslação 1. É justamente neste particular que reside uma das questões mais conflitantes do direito ambiental: a divisão de competências entre os diferentes entes da federação em matéria de legislação e execução de políticas ambientais. cabendo aos Estados a competência supleFGv diReiTO RiO 16 . De acordo com o princípio da predominância do interesse. excluindo os Municípios. Infelizmente. 24. 23. a Carta Federal expressamente dispõe nos parágrafos do art. da Carta de 1988 estabelece a competência legislativa concorrente da União. bem como para a preservação das florestas. da fauna e da flora. 23. como responsabilidade por dano ao meio ambiente. se sobrepõem e geram incertezas práticas. estadual e municipal. 25. pesca. 30. da Constituição da República estabelece a competência comum da União. oBjetIvos Identificar e diferenciar as diferentes competências em matéria ambiental. para florestas.diReiTO AmbienTAl aula 5. caça. dos Estados e do Distrito Federal. 170 e 182. conservação da natureza. Preceitos de competência privativa. 22. defesa do solo e dos recursos naturais. constituindo-se muitas vezes em obstáculos de difícil transposição no campo processual.

diReiTO AmbienTAl mentar. notas e Questões 1. Bibliografia complementar Paulo de Bessa Antunes. requeridos: assembléia legislativa do estado do Mato grosso do sul e governador do estado do Mato grosso do sul). Direito Ambiental. 105). Curso de Direito Ambiental.º 2. Édis Milaré. (2008). (2006). Editora Malheiros. G. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. artigo 24. 25. I e XII. caput.396-9 (requerente: governador do estado de goiás. Direito do Ambiente. 55-71. os Estados excepcionalmente exercerão a competência legislativa plena. caput. Inexistência. Direito Ambiental Brasileiro. 170. II e IV. 111-115. Ementa Ação Direta de Inconstitucionalidade. 22. § 1º. (Antônio F. caso posteriormente seja editada lei federal sobre normas gerais.210/01. pp. Editora Atlas. jurIsprudêncIa stF adin 2. Qual é a diferença entre competência administrativa e competência legislativa? Quais são os dispositivos constitucionais específicos que fundamentam esta repartição de competências? FGv diReiTO RiO 17 . p. Editora Método. II e LIV. (2008). 11ª Edição. Inexistindo lei federal sobre normas gerais. Lei n. [2008]. (2008). pp. Ofensa aos arts. eventual lei estadual oriunda desta competência legislativa plena terá sua eficácia suspensa. Manual de Direito Ambiental. 18 e 5º. 16ª Edição. Editora Revista dos Tribunais (2008). Manual de Direito Ambiental. Editora Método. 5ª Edição. 66-70. 77-92. do Estado do Mato Grosso do Sul. pp. Afronta à competência legislativa concorrente da União para editar normas gerais referentes à produção e consumo. G. VI e XII e §§ 1º e 2º da Constituição Federal. Luís Carlos Silva de Moraes. pp. Editora Lumen Júris.179-183. Beltrão. pp. Beltrão. V. Antônio F. à proteção do meio ambiente e controle da poluição e à proteção e defesa da saúde. 2ª Edição.

pode o Estado ocupar o espaço com legislação estadual em matéria de defesa e proteção do meio ambiente? E o município? 6. 3 Questão extraída da obra: Antônio F. manual de direito Ambiental. em qualquer de suas formas. beltrão. de que forma esta competência da União é exercida? 3. Podem os municípios legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 5. (Procurador da República 20º Concurso) Assinale a alternativa correta:3 a) o combate à poluição.diReiTO AmbienTAl 2. na ausência de legislação específica da União. b) situa-se no âmbito da legislação concorrente a competência para legislar sobre proteção do meio ambiente. d) nenhuma das alternativas está correta. é de competência exclusiva dos Estados-membros a preservação das florestas. Em matéria de competência suplementar dos Estados. FGv diReiTO RiO 18 . é de competência exclusiva da União. Podem os Estados legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 4. 109. editora método. (2008). p. G. A União é competente para legislar em matéria que verse sobre proteção e defesa do meio ambiente? Em caso afirmativo. c) tendo em vista o princípio da descentralização administrativa.

a Declaração do Rio de 1992 consolidou o conceito de gestão ambiental como instrumento indispensável ao cumprimento de objetivos preservacionistas e de defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado. A legislação brasileira. 3. Lei 7. mas mantendo preservada a compatibilização destes objetivos com o direito ao desenvolvimento econômico e social. como a soberania e o próprio direito das nações ao desenvolvimento econômico. Dentro deste contexto. PolítiCa e sistema naCional do meio ambiente Introdução Diante da complexidade do bem ambiental e dos meios para efetivação da sua defesa e proteção. preservando os aspectos econômicos. constitui-se em um marco ao conceber a necessidade de uma gestão qualificada. Conceitualizar e compreender o Sistema Nacional do Meio Ambiente. bem como a elaboração de um atualizado quadro legal e regulatório que pudesse recepcionar e se adequar aos preceitos internacionalmente reconhecidos. FGv diReiTO RiO 19 . impulsionada pelo movimento ambientalista da década de 70. legIslação 1. Compreender e aplicar na prática a divisão de competências dos órgãos integrantes do SISNAMA. assume especial relevância a organização e o mapeamento institucional. Lei 7. surge a necessidade de criação e desenvolvimento de diretrizes e ações coordenadas para instrumentalizar o objetivo maior perseguido. Identificar e distinguir o organograma institucional do SISNAMA. instaurou-se um conflito de interesses entre países em desenvolvimento e desenvolvidos acerca do direito ao desenvolvimento econômico. Nesta esteira. oBjetIvo Entender e contextualizar a concepção da Política Nacional do Meio Ambiente e sua respectiva instrumentalização. a comunidade internacional passou a trabalhar a noção de desenvolvimento sustentável. é precursora na adoção de uma política nacional e quadro institucional sistematizado para efetivar a finalidade máxima de defesa e proteção do meio ambiente ecologicamente sadio à qualidade de vida. contudo.735/1989. Com a concepção da Declaração de Estocolmo de 1972.diReiTO AmbienTAl aula 6. sociais e ambientais. ferir direitos até então internacionalmente reconhecidos. 2.797/1989. Portanto. Visando mitigar este conflito sem. Lei 6.938/1981.

(2008). Lei 10. Manual de Direito Ambiental. Editora Lumen Juris.022-sc (2003/0159754-5) (recorrentes: superintendência do porto de Itajaí. Direito do Ambiente. Editora Malheiros. (2008). pp. 153-175. leitura obrigatória Édis Milaré. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. Direito Ambiental Brasileiro. Direito Ambiental. Além do SISNAMA. conforme definido em lei. Interessado: Instituto Brasileiro do Meio ambiente e recursos naturais renováveis [IBaMa]). Paulo de Bessa Antunes. FGv diReiTO RiO 20 . estadual e municipal. (2008). Editora Revista dos Tribunais (2007). Decreto 964/1993. pp. 7. doutrIna O SISNAMA [Sistema Nacional de Meio Ambiente] é o conjunto de órgãos e instituições vinculadas ao Poder Executivo que. G. nos níveis federal. INTERESSE NACIONAL. COMPETÊNCIA DO IBAMA. Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. LICENCIAMENTO. são encarregados da proteção ao meio ambiente. Antônio F. 11ª Edição. 285-298 / 307-321. Editora Método. cuja estruturação é feita com base na lei da PNMA [Política Nacional do Meio Ambiente]. jurIsprudêncIa stj recurso especial 588. Fundação do Meio ambiente [FatMa]. Decreto 1. 11ª Edição. p.696/1995. (2008).650/2003. 5ª Edição. 93). 16ª Edição.diReiTO AmbienTAl 4.683/2003. Ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. pp. Beltrão. 93-124. 5. recorridos: Ministério público Federal. 6. Lei 10. 113-121. pp. Direito Ambiental. Editora Lumen Juris. (Paulo de Bessa Antunes. muitas outras instituições nacionais têm importantes atribuições no que se refere à proteção do meio ambiente.

mas. Quais são os órgãos integrantes do SISNAMA? 9. o mar territorial afetado. extrapolando os limites impostos pelo homem. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. 8. Os bens ambientais são transnacionais. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal.diReiTO AmbienTAl 1. é patrimônio do Poder Público que. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. deve zelar e administrá-lo em prol da coletividade para as gerações presentes e futuras? Justifique. principalmente. 5. sobre o homem que vive e depende do rio. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. do mar e do mangue nessa região. 3. 2. como bem de uso comum de todos. através dos órgãos ambientais públicos e privados. in casu. Qual é a função que o Conselho de Governo vem desenvolvendo na prática? Explique. nesse caso. e. sobre a orla litorânea. O que é a Política Nacional do Meio Ambiente? 2. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. enfim. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. O que é o SISNAMA e qual a sua utilidade dentro da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. Recursos especiais improvidos. a FATMA. sobre os mangues. É possível afirmar que o meio ambiente. O que é o CONAMA e quais são as suas funções? FGv diReiTO RiO 21 . A atividade do órgão estadual. bem como. 4. Qual a finalidade de se instituir uma Política Nacional do Meio Ambiente? 3. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. Qual é a importância e o fundamento legal de inclusão do princípio da informação ao SISNAMA? 7. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. A natureza desconhece fronteiras políticas. notas e Questões 1. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. De que forma o desenvolvimento econômico é tratado pela Política Nacional do Meio Ambiente? 5. é supletiva. sobre as correntes marítimas. pode até haver duplicidade de licenciamento. sobre as praias. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. 4. pelo depósito dos detritos no mar. nesta condição.

(Procurador do Estado AP 2006) Quanto ao Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). 11. G. pois é de competência comum da União. o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). diminuição ou alteração de área de preservação permanente e de reserva legal. o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA).diReiTO AmbienTAl 10. (Juiz de Direito – TJMT 2004) A respeito da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e da normatização constitucional e infraconstitucional relativa ao meio ambiente. do DF e dos Municípios legislar sobre a matéria mencionada. Considere a seguinte situação hipotética. Um vereador de determinado município. d) autorizar a supressão.6 a. o Grupo Executivo do Setor Pesqueiro (GESPE). 12. julgue os próximos itens. editora método. dos Estados. FGv diReiTO RiO 22 . Considere a seguinte situação hipotética. julgue os próximos itens. 192. incluindo manutenção. manual de direito Ambiental. b) rever. pp. 195. melhoria ou recuperação de qualidade ambiental que visem a elevação da qualidade de vida da população. sob o ponto de vista constitucional. Nessa situação. cons- 4 Questão extraída da obra: Antônio F. p. b. tal projeto pode ser considerado compatível. Determinado Estado da Federação.5 a) Compõem o SISNAMA: o Conselho de Governo. dados os constantes episódios de degradação de recursos hídricos naquela unidade da federação. c) autorizar a exploração comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs). o Conselho Nacional da Amazônia Legal e o Conselho Nacional da Mata Atlântica. (Procurador Município Manaus 2006) As competências atribuídas legalmente ao Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA dão-lhe a prerrogativa de:4 a) fixar as políticas de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável em nível nacional. as decisões relativas à outorga de licenciamento ambiental proferidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. aeronaves e embarcações. 5 6 Id. 192-193. e) estabelecer normas e padrões relativos à emissão de poluição por veículos automotores. a Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. não obstante já possuir órgão ambiental na esfera estadual. Id. em grau de recurso. (2008). b) O Fundo Nacional de Meio Ambiente objetiva o desenvolvimento de projetos que visem o uso racional e sustentável de recursos naturais. após a expedição de parecer técnico conclusivo favorável pelos órgãos competentes. beltrão. aproveitando-se da legitimidade democrática decorrente de sua composição ampliada. p. apresentou projeto de lei. versando sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição das águas.

FGv diReiTO RiO 23 . do DF e dos Municípios e não por fundações. apesar de tal fundação destinar-se aos mencionados fins. ela não compõe o Sistema nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). dos Estados. pois ele só é integrado pelos órgãos ambientais da União. Nessa situação. ainda que instituídas pelo poder público para propósitos ambientais.diReiTO AmbienTAl tituiu uma fundação responsável pela proteção e melhoria da qualidade ambiental.

da Lei 6. XII – o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ ou utilizadoras dos recursos ambientais. seguro ambiental e outros. III – a avaliação de impactos ambientais. tais como áreas de proteção ambiental. a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.diReiTO AmbienTAl Bloco II. IV – o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras. VIII – o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental. X – a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente.938/1981: São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: I – o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental. da Lei 6. IX – as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não-cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental. V – os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia. quando inexistentes. voltados para a melhoria da qualidade ambiental. XI – a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente.938/81 apresenta um rol de onze incisos elencando os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. VII – o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente. servidão ambiental. Este capítulo irá abordar sucintamente alguns destes instrumentos e aprofundar em maiores detalhes aqueles que visam o uso equilibrado dos recursos naturais. Artigo 9º. FGv diReiTO RiO 24 . como concessão florestal. estadual e municipal. outros ainda carecem de elucidação regulamentar específica. Instrumentos da PolítIca nacIonal do meIo amBIente Introdução ao Bloco O artigo 9º. São eles os meios para a efetiva defesa e proteção do meio ambiente. de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas. II – o zoneamento ambiental. obrigando-se o Poder Público a produzi-las. VI – a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal. Alguns se encontram exaustivamente regulados. XIII – instrumentos econômicos.

Distinguir as diferentes atribuições da União.938/81 e o órgão deliberativo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). agricultura. olvidar da defesa e proteção do meio ambiente. II. num país de dimensões continentais como o Brasil. preservação ambiental e/ou mista. contudo. efluentes e ruídos (atualmente instituídos). sociedade civil. bem como de congregar e resolver eventuais conflitos de interesses dos diferentes setores representados. Compreender e resolver as tensões entre os poderes públicos e iniciativa privada em matérias de padrões de qualidade ambiental e zoneamento ecológico-econômico. O atual debate acerca dos biocombustíveis como vilões da agricultura voltada para a produção de alimentos.938/81. 9º. o zoneamento ambiental constitui-se como outro instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente. A sua composição e diversidade democrática (governo. Estados e Municípios em matéria de zoneamento ambiental. atualizada e séria articulação dos meios para atingir as metas previamente traçadas. oBjetIvo Entender o conceito e a importância da definição de padrões de qualidade ambiental e critérios coerentes de zoneamento ambiental. inc. é imprescindível uma democrática. Dentro deste contexto e somando-se à complexidade e rapidez cada vez maior da evolução do conhecimento e avanço tecnológico da sociedade moderna. o marco regulatório é justamente a Lei 6. FGv diReiTO RiO 25 . este instrumento assume especial relevância. Como o próprio nome sugere. Reconhecendo-se a necessidade do avanço nas áreas econômica e social sem.diReiTO AmbienTAl aula 7. ou como incentivo à monocultura. No tocante ao zoneamento ecológico-econômico (ZEE). é necessária uma previsão legal sólida dos instrumentos de política do meio ambiente. realça a importância do correto planejamento do território que será destinado à indústria. é ele também mecanismo de convergência de objetivos preservacionistas e econômicos. em relação aos padrões de qualidade. porém dotados de mecanismos flexíveis de deliberação que possam acompanhar o desenvolvimento técnico-científico e os diferentes anseios da sociedade. classe empresarial e científica) é capaz de identificar e definir os padrões aceitáveis de emissão de poluentes. Padrões de Qualidade e Zoneamento ambiental Introdução A fixação de padrões de qualidade e o zoneamento ambiental são dois instrumentos de extrema importância para a consecução das premissas inerentes ao desenvolvimento sustentável. previsto pelo art. No Brasil. da Lei 6. Portanto.

G. Direito Ambiental. Manual de Direito Ambiental. 3. [2008].938/81. por si só. 91. 16ª Edição. pp. Direito Ambiental Brasileiro. 181-199. O zoneamento consiste em dividir o território em parcelas nas quais se autorizam determinadas atividades ou interdita-se. 165. Luís Carlos Silva de Moraes. Editora Lumen Juris. Curso de Direito Ambiental. Lei 8. seu grau de dispersão. o uso preponderante do bem ambiental receptor. p. (2008). Constituição Federal. 186 e 225. 122). (Antônio F. vazão da corrente de água (em caso do ambiente receptor ser água) etc. Decreto 4. 4. 5ª Edição. a solução de todos os problemas ambientais é um significativo passo. 43. pp. 188-214. 16ª Edição. Paulo de Bessa Antunes. pp. Direito do Ambiente. leitura obrigatória Édis Milaré. (2006). Variam conforme a toxicidade do poluente. 321-353. Editora Malheiros. réus: Município de guaratuba. de modo absoluto ou relativo. o exercício de outras atividades. (2008). 182. Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. p. (Paulo Affonso Leme Machado. artigos 21. Editora Atlas. Editora Revista dos Tribunais (2007). (2008). pp.diReiTO AmbienTAl legIslação 1. Lei 6. 11ª Edição. FGv diReiTO RiO 26 . F Bertoldi empreendimentos Imobiliários ltda e arrimo empreendimentos Imobiliários ltda). Editora Método. 2ª Edição. 72-84. 2.297/02. 191). Direito Ambiental Brasileiro. 25. jurIsprudêncIa stj ação rescisória 756 – pr (1998/0025286-0) (autor: estado do paraná. Beltrão.171/91 doutrIna Os padrões de qualidade ambiental consistem em parâmetros fixados pela legislação para regular o lançamento/emissão de poluentes visando assegurar a saúde humana e a qualidade do ambiente. Ainda que o zoneamento não constitua. Editora Malheiros.

notas e Questões 1. A atuação do Município.279/PR. I. no mandado de segurança no qual se discute a possibilidade de embargo de construção de prédios situados dentro de seus limites territoriais. Min. 7. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR. destinado a preservar a autonomia municipal.2000.2003. Precedentes: RMS 9. Min.389/80. LEGITIMIDADE DO MUNICÍPIO PARA ATUAR NA DEFESA DE SUA COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. 2ª T. ao prescrever condições para proteção de áreas de interesse especial.252/PR.diReiTO AmbienTAl Ementa: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO.02. Francisco Falcão. não podendo contrariá-las. Ação rescisória procedente. de 09 de março de 1983. é de se admitir a legitimidade do município impetrante. RMS 13. da CF/88). Francisco Falcão. está em desacordo com as limitações urbanísticas impostas pelas legislações estaduais então em vigor e fora dos parâmetros autorizados pelo Conselho do Litoral.. A Lei n. LEI PARANAENSE N.. 2. Entendida a questão sob esse enfoque. cumpre a observância das normas editadas pela União e pelos Estados. EDIFICAÇÃO LITORÂNEA.380/80 do Estado do Paraná. 4. CONCESSÃO DE ALVARÁ MUNICIPAL. 1ª T. Min. A teor dos disposto nos arts. DJ de 03. mas tão somente legislar em circunstâncias remanescentes. no âmbito do exercício da competência legislativa.11. DJ de 9. possibilitando a expedição de alvará de licença municipal para a construção de edifícios com gabarito acima do permitido para o local. Precedente: RMS 9. 7.. como a expedição de alvará para construção. AÇÃO RESCISÓRIA. 3. 24 e 30 da Constituição Federal. revogá-la. NORMAS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE.629/PR. ainda que tais benefícios sejam diretamente dirigidos às construtoras que receiam o embargo de suas edificações. 6. estabeleceu medidas destinadas à execução das atribuições conferidas pelas legislações constitucional e federal. se dá em defesa de seu próprio direito subjetivo de preservar sua competência para legislar sobre matérias de interesse local (art. Demócrito Reinaldo. DJ de 28. daí resultando a impossibilidade do art. 5. 30. A Lei Municipal n.274. 1.02. Francisco Peçanha Martins. bem como de garantir a validade dos atos administrativos correspondentes. que instituiu diretrizes para o zoneamento e uso do solo no Município de Guaratuba. Min. 25 da Constituição do Estado do Paraná. o que enseja a imposição de medidas administrativas coercitivas prescritas pelo Decreto Estadual n. como as referentes à proteção das paisagens naturais notáveis e ao meio ambiente. aos Municípios. 1ª T.279/PR. VIOLAÇÃO. 05/89. DJ de 01. De que forma os padrões de qualidade ambiental são desenvolvimentos e instituídos no Brasil? FGv diReiTO RiO 27 .1999.

3. A corporação. Qual a participação do Conselho de Defesa Nacional no zoneamento ambiental? 4. Por volta de 1990. temendo os riscos à saúde impostos pelas atividades industriais. Considere a seguinte situação: uma indústria foi instalada em uma determinada região em 1980. como o caso deve ser resolvido? 5.diReiTO AmbienTAl 2. ajuíza ação com pedido de relocalização da indústria. contra-argumenta baseando-se em direito adquirido de pré-ocupação do solo. esta área passa a ser ocupada por conjuntos habitacionais. FGv diReiTO RiO 28 . É possível afirmar que a definição de padrões de qualidade ambiental está restrita ao Poder Legislativo? Justifique. A população no entorno da fábrica. Por ser questão de interesse local é possível afirmar que o Município detém liberdade plena para definir o zoneamento ecológico-econômico? Justifique. por sua vez. Com base na legislação brasileira vigente.

eduCação e PartiCiPação ambiental Introdução Três importantes princípios de direito ambiental são regulamentados e tomam forma no direito brasileiro como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. 3.650/03 Lei 9. Neste campo. 5. artigos 5. Lei 9. 2. XXXIII. PubliCidade. Por serem institutos ligados à atividade da administração pública. emprestam muitos dos conceitos e forma do direito administrativo. São também imprescindíveis para a instrumentalização dos mecanismos processuais de defesa do meio ambiente. oBjetIvos Entender a importância da publicidade. portanto. Distinguir as diferenças entre publicidade e informação ambiental.diReiTO AmbienTAl aula 8. 4. é possível visualizar com clareza a relação do direito ambiental com o direito administrativo. Identificar os principais pontos da política de educação ambiental e articular formas de aplicação e efetivação prática. Convenção de Aarhus. FGv diReiTO RiO 29 . Tanto o Direito Internacional como o Direito Estrangeiro (comparado) sedimentaram a necessidade de publicidade.051/95.795/99. informação. informação e educação ambiental como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Compreender a importância e relação entre informação. como a ação popular e a ação civil pública. Constituição Federal. Lei 6.938/81. 225. quando aplicados ao direito ambiental. publicidade e educação ambiental com participação popular qualificada nos processos decisórios. 6. Lei 10. informação e educação ambiental para permitir a efetiva participação da sociedade civil organizada e de indivíduos na implementação e execução da política ambiental. legIslação 1.

Trata-se de mandado de segurança. (2008). § 1°. DECRETO ESTADUAL N. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. DECRETO ESTADUAL N. em se tratando de matéria ambiental. Direito do Ambiente. obscuridade ou contradição a ser suprida. NOS TERMOS DO ART. ART.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. Governador do Estado do Mato Grosso.2002. Editora Revista dos Tribunais. Direito Ambiental. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. 4. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. (2008). Édis Milaré. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. segundo. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. foram estes rejeitados. NÃO-PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. 3°. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. bem como determinou.diReiTO AmbienTAl doutrIna leitura obrigatória Paulo de Bessa Antunes. jurIsprudêncIa Ementa DIREITO AMBIENTAL. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. 1. 178-187. 24. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental. 243-250. Direito Ambiental Brasileiro. Editora Malheiros. primeiro. Editora Lumen Juris. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – SNUC. 444-447. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL.438. (2007). alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. 11ª edição. DA CF/1988. em seu art. de 12. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. 1. 5ª edição. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. Em sede de recurso ordinário. Paulo Affonso Leme Machado. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação. 5. 5. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. 16ª Edição. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA.340/2002. estaria o estado-membro autorizado a FGv diReiTO RiO 30 . denegou a ação mandamental. consubstanciado na edição do Decreto n. com pedido liminar.11. 9. por maioria.795/1997.

evidentemente. na esteira do art. O Decreto n. 4. § 2°. 22. § 1°. o estatuído no § 1º. conservação da natureza. 9. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso. que exige a realização de prévia consulta pública. embora sucinta. VI. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. 9. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. 5. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. 22. 4. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. a regra do art. da Lei n. da CF/1988. não prevalece disposição de lei federal. a qual. Aliás. 170. 24. ao prescrever. do art. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da federação brasileira (art. respeitando. qual seja. os §§ 1° e 2° do art. os Estados-membros e o Distrito Federal. da CF/1988).985/2000. § 4º. 22. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. O Decreto Estadual n. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. quer pela falta de previsão na legislação estadual. No caso dos autos. pesca. de 22 de agosto de 2002. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. À norma FGv diReiTO RiO 31 . que regulamentou a Lei n. prevista no art. da Lei n. Assim sendo. alcança o objetivo perseguido pelo art.340.985/2002. 24. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. 2. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. 9. b) nos casos de competência legislativa concorrente. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de conservação a ser criada.438/2002. fauna. em seu art. 4°. nos termos da legislação estadual (MT) e federal. 24. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. da CFRB). da Lei n. 9. possibilitar seja identificada a “localização. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. no Estado do Mato Grosso. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA. como ocorreu no caso. qual seja. 3.diReiTO AmbienTAl legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União.985/2000. VI. defesa do solo e dos recursos naturais. tendo em conta as necessidades da população local. caça. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. da Carta Maior. quando for o caso. A União. § 2°.985/2000.

sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. Como a participação nos processos decisórios pode ser importante instrumento de política ambiental? 4. Quais são os pontos positivos e as principais críticas à política de educação ambiental brasileira? 5. sendo-lhe. 6. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. 5. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. 5. incisos V e VII. mormente as presentes nos arts. notas e Questões 1. quem é legítimo para solicitar informações ao Poder Público? 3.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. O ato governamental (Decreto n. 38/1995). vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. do Código Ambiental (Lei Complementar n. No direito ambiental brasileiro. no entanto.diReiTO AmbienTAl de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da federação. O que é e como está estruturado o Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente – SINIMA? FGv diReiTO RiO 32 . Recurso ordinário não-provido. Por que o direito à informação ambiental é importante instrumento de política do meio ambiente? 2. Pode a educação ambiental ser considerada instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente? 6.

o due diligence ambiental faz parte da rotina do advogado e consultor de direito ambiental. A auditoria ambiental mandatória (imposta por lei). Desta natureza preventiva emerge a importância de um completo processo de due diligence ambiental. Compreender a importância e significado da due diligence ambiental.diReiTO AmbienTAl aula 9: auditoria ambiental e due dIlIgence Introdução A auditoria ambiental é um importante instrumento de política do meio ambiente. tomam conhecimento de eventuais passivos ambientais. A auditoria ambiental transfere do poder público para a iniciativa privada o dever de informar a conformidade dos processos produtivos com a legislação vigente. não exclui a possibilidade da realização de auditorias voluntárias. É através do due diligence que a corporação que compra ou incorpora outra pessoa jurídica. Cada vez mais exigido em grandes fusões e incorporações. do ônus na busca da informação e monitoramento dos processos produtivos. Este instrumento possui uma característica peculiar no desempenho da função fiscalizadora da aplicação das normas ambientais. qual seja. Esta inversão apresenta alguns pontos positivos. Identificar e trabalhar os principais tópicos que devem ser inseridos na auditoria e due diligence ambiental. a auditoria ambiental voluntária assemelha-se em muito ao processo conhecido pela sua terminologia em inglês. o de desonerar a administração pública de conduzir este processo. por vezes. fica reservada a função de fiscalização. por amostragem. Os benefícios são inúmeros. due diligence ambiental. dentre eles. dentre eles. civis e administrativas. o de instruir decisões corporativas estratégicas como instrumento de gestão e responsabilidade sócio-ambiental e também o de orientar processos de fusões e incorporações. ou mesmo em simples transações de compra-e-venda entre pessoas físicas. da precisão dos dados apresentados pela auditoria ambiental privada. Neste último caso. FGv diReiTO RiO 33 . Diferenciar auditoria ambiental mandatória e voluntária e estas do due diligence. a inversão. ainda que não absoluta. Identificar as vantagens e desvantagens de um sistema fortemente dependente da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente. ante o crescente aumento das responsabilidades criminais. Ao poder público. custoso e deveras complexo. oBjetIvos Entender a importância da auditoria ambiental. Está intimamente ligada aos mecanismos de aplicação dos padrões de qualidade ambiental estipulados por legislação específica.

htm.org/ stable/3323264. BIBlIograFIa coMpleMentar LINDER.rj. 376102-0. Interessada: Assembléia Legislativa do Estado do Paraná. 3. por unanimidade de votos. pp. Journal of Policy Analysis and Management.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) Constituição do Estado do Rio de Janeiro. 5.898. 16ª Edição. Malheiros. pp.jstor. Julgamento 06/Nov./2006. p. 1. em indeferir a liminar requerida na presente Ação Direta de Inconstitucionalidade. (spring 1986). (Paulo Affonso Leme Machado. n. Stephen H. n.alerj. 590-594.br/processo2. 2008. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – MEDIDA LIMINAR – LEI ESTADUAL QUE INSTITUIU AUDITORIA AMFGv diReiTO RiO 34 . TJ-PR. 298-314. disponível em http://www. Ação Direta de Inconstitucionalidade n.htm. de 26/11/1991. doutrIna Auditoria ambiental é o procedimento de exame e avaliação periódica ou ocasional do comportamento de uma empresa em relação ao meio ambiente. leItura oBrIgatórIa MACHADO.gov. “Regulatory Compliance Through Environmental Auditing”. disponível em: http://www. 2) Lei Ordinária do Estado do Rio de Janeiro. disponível em http://www.gov.rj. Direito Ambiental Brasileiro. jurIsprudêncIa Autora: ALCOPAR – Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná vs. Órgão Especial.alerj. Direito Ambiental Brasileiro. ementa: DECISÃO: ACORDAM os desembargadores integrantes do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.br/processo6. artigos. Paulo Affonso Leme. 191). 16ª Edição. 2008. vol. São Paulo: Malheiros. DJ: 7254. 261-282.

qual a função desempenhada pela auditoria ambiental? 5) Quais as vantagens e desvantagens de utilização da auditoria ambiental como instrumento de política ambiental? 6) O que é o due diligence? 7) Como a auditoria ambiental diferencia-se e como se assemelha ao due diligence? 8) Quais os principais tópicos que preferencialmente devem constar da auditoria e do due diligence ambiental. FGv diReiTO RiO 35 .diReiTO AmbienTAl BIENTAL COMPULSÓRIA – DIPLOMA QUE. Estados ou Municípios? Por quê? 4) Dentro de uma política do meio ambiente. notas e Questões 1) O que é auditoria ambiental? 2) Qual a diferença entre auditoria ambiental mandatória e voluntária? 3) Qual ente da Federação está mais adepto ao uso da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente: União. EM PRIMEIRA ANÁLISE. COADUNA-SE COM O SISTEMA CONSTITUCIONAL DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE EQUILIBRADO – PLAUSIBILIDADE – AUSÊNCIA – GRANDE LAPSO TEMPORAL ENTRE A EDIÇÃO DO ATO E A PROPOSITURA DA AÇÃO – URGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA – INSURGÊNCIA MERAMENTE QUANTO A INTERESSES SUBJETIVOS DOS ASSOSSIADOS DA ENTIDADE AUTORA – CARÁTER OBJETIVO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ABSTRATO – CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO AFETAM O JULGAMENTO DA AÇÃO DIRETA – INDEFERIMENTO DA LIMINAR.

como momento da exigência. estudo e relatório de imPaCto ambiental (eia/rima) Introdução O histórico menosprezo às externalidades ambientais ensejou inúmeros projetos ao redor do mundo sem qualquer observância aos eventuais impactos negativos. por vezes irreversíveis. e os respectivos impactos ambientais acarretou inevitavelmente prejuízos catastróficos ao meio natural. instruindo a ação de organismos internacionais e como parte integrante de diversos ordenamentos jurídicos nacionais. o incremento dos níveis de informação e transparência na execução de projetos com potencial poluidor.diReiTO AmbienTAl aula 10: avaliação de imPaCto ambienta (aia). elaboração e custeio. Compreender a importância da avaliação de impacto ambiental como instrumento de política do meio ambiente. para citar apenas alguns. Como princípio. Por sua singular importância. relevante ressaltar a de instrumento de política do meio ambiente instrumentalizando o próprio princípio da precaução. ao meio ambiente. na forma de princípio de direito ambiental. em tratados internacionais o que acaba. porém limitados. atraindo. por conseguinte. Analisar a exigibilidade do EIA/RIMA à luz da legislação vigente e interpretação jurisprudencial. Desde rios pegando fogo. Trabalhar os aspectos práticas da realização do EIA/RIMA. vazamentos de óleo de gigantesca magnitude. Este modelo de desenvolvimento que não internalizava as cuidados básicos com a gestão de recursos naturais renováveis ou não. com ela. Estes eventos fizeram crescer mundialmente a pressão pela necessidade da realização de uma avaliação prévia a qualquer projeto dos eventuais impactos ambientais para atividades com potenciais poluidores significativos. até sérias contaminações radioativas. FGv diReiTO RiO 36 . Dentre elas. Examinar o papel do princípio da participação e informação no processo de avaliação de impacto ambiental. A partir de então. a sociedade civil organizada e. Identificar as principais questões que devem ser inseridas no estudo e relatório de impacto ambiental. refletindo nos ordenamentos jurídicos nacionais. o aumento da participação popular e dos mecanismos de controle da ação do estado. inexoravelmente. percebe-se de forma crescente a inserção da avaliação de impactos ambientais. a avaliação de impacto ambiental encontra-se atualmente consolidada no direito ambiental. a avaliação de impacto ambiental exerce funções relevantes dentro do contexto do direito ambiental. Entender o papel do CONAMA na determinação de atividades que atraiam a exigência do EIA/RIMA. oBjetIvos Distinguir avaliação de impacto ambiental de estudo e relatório de impacto ambiental.

G. 67-74. pp.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) 2) 3) 4) Constituição Federal. pp. inciso IV. Lei 6. MORAES. artigo 225. São Paulo: Saraiva. 354. 2002. STF. Direito do Ambiente. 2006. FGv diReiTO RiO 37 . parágrafo 1º. pp. Paulo Affonso Leme. FIORILLO. do encerramento das atividades. Luís Carlos Silva de. DJ 10/Ago. Édis. (Édis Milaré. 1. 354-403. p. inciso III. 3ª Edição. Curso de Direito Ambiental. 5ª edição. 2007.274/1990. da sua operação e. pp. 101-104. corrigidos. Paulo de Bessa. São Paulo: Malheiros. Antônio F. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. pp. mitigados e/ou compensados quando da sua instalação. Direito Ambiental. doutrIna A implantação de qualquer atividade ou obra efetiva ou potencialmente degradadora deve submeter-se a uma análise e controle prévios. São Paulo: Atlas. 137-166. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES.938/1981. jurIsprudêncIa Requerente: Procurador-Geral da República vs. Decreto 99. São Paulo: Revista dos Tribunais.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. Tribunal Pleno. 2007. Direito do Ambiente. pp. Tal análise se faz necessária para se anteverem os riscos e eventuais impactos ambientais a serem prevenidos. Manual de Direito Ambiental. 253-306. 5ª edição. inciso II e parágrafos 1º e 2º e artigo 9º. em casos específicos. Celso Antonio Pacheco. Requerido: Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina./2001. Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997.086-7. Julgamento 7/Jun. 2008. 2008. artigo 6º. Direito Ambiental Brasileiro. 16ª Edição. BELTRÃO. 2008./2001. 11ª Edição. 2ª Edição. 215-270. MACHADO. São Paulo: Método. artigo 7º. Revista dos Tribunais. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. Rio de Janeiro: Lumen Juris.

pp. editora método. beltrão. IV. 192-199. § 1º. mas podem sê-lo por livre decisão do órgão licenciador. Ação julgada procedente. e. O empreendedor e os profissionais que subscrevem o Estudo de Impacto Ambiental são responsáveis pelas informações apresentadas. 2008. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL. notas e Questões 1) Qual a diferença entre Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e Estudo / Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)? 2) Qual a diferença entre Estudo e Relatório de Impacto Ambiental? 3) Qual a finalidade destes instrumentos (AIA / EIA / RIMA)? 4) (Procurador do Município Manaus 2006) No curso de processos de licenciamento ambiental. Não são em princípio exigíveis. ao dispensar a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental no caso de áreas de florestamento ou reflorestamento para fins empresariais. G. Não são em princípio exigíveis. A norma impugnada. o estudo de impacto ambiental e seu respectivo relatório (EIA/RIMA)1 a. podendo ser dispensados pelo órgão licenciador se o impacto ambiental não for significativo. O órgão ambiental competente. São em princípio exigíveis. civis e penais. DA CARTA DA REPÚBLICA. CONTRARIEDADE AO ART. ARTIGO 182 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo constitucional catarinense sob enfoque. c.diReiTO AmbienTAl ementa AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. podendo ser dispensados por livre decisão do órgão licenciador. São sempre exigíveis. mas podem sê-lo pelo órgão licenciador se o impacto ambiental for significativo. apesar de verificar que a atividade ou o empreendimento não é potencialmente causador de significativa degradação am- As questões 5 a 11 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. Manual de Direito Ambiental. sujeitando-se às sanções administrativas. b. b. do § 1º do artigo 225 da Constituição Federal. 5) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. cria exceção incompatível com o disposto no mencionado inciso IV. d. São em princípio exigíveis. 225. 1 FGv diReiTO RiO 38 .

A afirmativa (b). os postos de abastecimento de combustível. c. e. FGv diReiTO RiO 39 . b. Está(ao) correta(s) a. Compete ao IBAMA exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei Federal n. Apenas as afirmativas “a” e “b”. poderá mesmo assim exigir os estudos ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento. As afirmativas (a) e (c). c. b. e os gasodutos. as estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento. e. As afirmativas “a” e “b”. observado o sigilo industrial. é de competência do órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados em dois ou mais Estados. c. b. d. A afirmativa “c”. Durante o período de análise técnica. Apenas a afirmativa “a”. Apenas a afirmativa “c”. A afirmativa “b”. As afirmativas (a) e (b). As afirmativas “a”. A afirmativa (c). A afirmativa “a”. c. c. Está(ão) correta(s) apenas: a. d.771/65.º 4. As diretrizes a serem seguidas para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental são determinadas exclusivamente pelo órgão competente que realizar o licenciamento ambiental. Compete ao órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conservação de domínio estadual. e. b. As afirmativas “a” e “c”. Em regra. Apenas as afirmativas “a” e “c”. c. “b” e “c”. d. o RIMA deve estar disponível ao público no órgão ambiental estadual. 7) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. Está(ão) incorreta(s) apenas: a. 6) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a.diReiTO AmbienTAl biental. A afirmativa (a). b. O RIMA é parte integrante do Estudo de Impacto Ambiental. É obrigatória a elaboração de Estudo de Impacto ambiental para: os distritos industriais.

FGv diReiTO RiO 40 . b. b. e. d. bem como medidas mitigadoras apara a redução do impacto ambiental. Relatório ambiental preliminar. Plano de manejo. Análise preliminar de risco. A afirmativa “c”. Independentemente de quem seja o empreendedor. a responsabilidade pelas despesas de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental é do Poder Público. Compete simultaneamente ao IBAMA. As afirmativas “a” e “c”. O Estudo de Impacto Ambiental deverá contemplar alternativas tecnológicas e locacionais. 10) (Procurador do Estado/PR – 2007) Qual é o instrumento de controle do Poder Público destinado a atestar a viabilidade ambiental de um empreendimento ou atividade? a. As afirmativas “b” e “c”. As afirmativas “a” e “b”. d. b. Está(ão) correta(s) apenas: a. e. c. assinale a alternativa correta: a. c. d. à ANVISA e à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. Compete à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. b. Compete à ANVISA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. Compete ao IBAMA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados.diReiTO AmbienTAl 8) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. A afirmativa “a”. c. Quanto aos aspectos de biossegurança de OGM e seus derivados. c. a decisão técnica do CONAMA vincula os demais órgãos e entidades da administração. Licença prévia. O Estudo de Impacto Ambiental é exigível para todos os licenciamentos ambientais. e. 9) (Procurador do Estado/PR – 2007) À luz da legislação ordinária vigente em nosso país. Estudo prévio de impacto ambiental.

em rol exemplificativo. todos os casos em que a administração pública deve exigir do empreendedor a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental.II) Considerando aspectos relativos à proteção administrativa do meio ambiente. O EIA/RIMA é uma das fases do procedimento de licenciamento ambiental.diReiTO AmbienTAl 11) (OAB/CESPE – 2007. A legislação brasileira estabelece. a. São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. b. d. devendo ser elaborado por equipe técnica multidisciplinar indicada pelo órgão ambiental competente. o zoneamento ambiental. do EIA está vinculada ao custo final do empreendimento proposto. FGv diReiTO RiO 41 . assinale a opção correta. o qual nunca poderá ser dispensado pelo órgão ambiental. em áreas públicas ou particulares. a avaliação de impactos ambientais e a criação de espaços territoriais especialmente protegidos. em enumeração taxativa. A legislação brasileira estabelece. A exigência. cabendo ao empreendedor recolher à administração pública o valor correspondente aos seus custos. ou não. c. de acordo com tabela fixada pela administração pública. os casos em que a administração pública deve solicitar ao empreendedor estudo de impacto ambiental (EIA). entre outros.

Para tanto. A avaliação de impacto ambiental é um dos elementos deste sistema. É o reconhecimento de que o desenvolvimento somente será admitido se sustentável for. tempo e modo. Trabalhar os institutos do direito adquirido e ato jurídico perfeito em face de atividades pretéritas à vigência da legislação acerca do licenciamento ambiental. instalação e operação.diReiTO AmbienTAl aula 11: liCenCiamento ambiental Introdução A partir do momento em que as externalidades ambientais passam a ser reguladas pelos ordenamentos jurídicos nacionais. Esta mudança de paradigmas é emblemática. Identificar atividades que exigem licenciamento ambiental especial. o Poder Público institui licenças ou autorizações concedidas e impostas precariamente à atividade econômica. a circunstâncias de fato. devendo ser renovadas periodicamente. Como as melhores práticas ambientais estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. ou seja. debater sobre a natureza jurídica do instituto do licenciamento ambiental. Após o levantamento e averiguação das externalidades negativas ambientais e como meio de controle do bem ambiental. desde que verificadas as melhores práticas ambientais. suspensão ou cancelamento de licença. porém sempre limitados. aquelas que não violem os princípios consagrados pelo artigo 225 da Carta da República. Entender as diferentes etapas e prazos do licenciamento ambiental brasileiro.938/1981. oBjetIvos À luz do direito administrativo. Articular o princípio da participação popular e o licenciamento ambiental. Resolver casos que envolvam modificação. surge a necessidade de desenvolvimento e imposição de um sistema de controle administrado e gerido pelo Poder Público. Examinar o direito à indenização de eventual prejudicado nos casos de modificação. legIslação 1) Lei 6. as licenças ambientais são provisórias. FGv diReiTO RiO 42 . Aprofundar o embasamento jurídico da exigência de licenças ambientais. suspensão ou cancelamento da licença ambiental. Analisar questões controvertidas quanto à competência em licenciamento ambiental. visando à consagração dos princípios de direito ambiental. a legislação brasileira impõe um sistema de licenciamento ambiental que se traduz em autorizações de planejamento prévio. Significa reconhecer que a atividade econômica já não mais se encontra livre para explorar os recursos naturais renováveis ou não.

2007. Para tanto. OLIVEIRA. Direito do Ambiente. pp.274/1990. São Paulo: Saraiva. pp. 3ª Edição. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. 2002. MORAES. Direito Ambiental. Celso Antonio Pacheco. 2007. essencial à sadia qualidade de vida. 85-101. Direito Ambiental Brasileiro.diReiTO AmbienTAl 2) Decreto 99. G. que. na linguagem do constituinte. São Paulo: Método. à evidência. Assim.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. Antônio F. pp. arma-o a lei de uma série de instrumentos de controle – prévios. 63-80. 3) Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. Direito do Ambiente. 2006. Antônio Inagê de Assis. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. pp. 1999. O Licenciamento Ambiental. doutrIna Segundo a lei brasileira. São Paulo: Revista dos Tribunais. FGv diReiTO RiO 43 . e habite-se é forma de controle sucessivo. Manual de Direito Ambiental. MACHADO. as permissões. concomitantes e sucessivos –. 2008. BELTRÃO. através dos quais possa ser verificada a possibilidade e regularidade de toda e qualquer intervenção projetada sobre o meio ambiente considerado. pp. Rio de Janeiro: Lumen Juris. São Paulo: Atlas. o meio ambiente é qualificado como patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido para uso da coletividade ou. Luís Carlos Silva de. Paulo de Bessa. 11ª Edição. São Paulo: Iglu Editora. autorizações e licenças pertencem à família dos atos administrativos de controle prévio. 405-435. 404. (Édis Milaré. Édis. São Paulo: Malheiros. 271-297. 141-180. 5ª edição. Revista dos Tribunais. inexiste direito subjetivo à sua utilização. só pode legitimar-se mediante ato próprio de seu direto guardião – o Poder Público. 16ª Edição. Curso de Direito Ambiental. a fiscalização é meio de controle concomitante. Por ser de todos em geral e de ninguém em particular. FIORILLO. 2008. 166-181. 2008. Paulo Affonso Leme. bem de uso comum do povo. pp. p. 5ª edição. 2ª Edição. por exemplo.

1ª Turma. a FATMA. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. sobre o homem que vive e depende do rio. Recurso Especial n.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa Recorrente: Superintendência do Porto de Itajaí vs./2004. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. suspensão e/ou cancelamento? Explique. LICENCIAMENTO. pp. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. 3. quem deve arcar com os custos inerentes à adaptação da licença? FGv diReiTO RiO 44 . in casu.022-SC (2003/0159754-5). pode até haver duplicidade de licenciamento. bem como. do mar e do mangue nessa região. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. o mar territorial afetado. 5. 588. mas. Os bens ambientais são transnacionais. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. pelo depósito dos detritos no mar. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. através dos órgãos ambientais públicos e privados. enfim. ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. Recursos especiais improvidos. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. STJ. DJ 5/Abr. 10-30./2004. é possível a modificação dos seus termos. nesse caso. 1. principalmente. 2. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. 4. sobre os mangues. A natureza desconhece fronteiras políticas. é supletiva. e. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. COMPETÊNCIA DO IBAMA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Julgamento 17/Fev. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. sobre as praias. A atividade do órgão estadual. extrapolando os limites impostos pelo homem. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. notas e Questões 1) Durante a vigência de uma licença ambiental. Em caso positivo. INTERESSE NACIONAL. sobre as correntes marítimas. Recorrido: Ministério Público Federal. sobre a orla litorânea.

A ausência da participação do IBAMA no procedimento de concessão de licença de operação enseja uma irregularidade. c. 2 anos. 5 anos. na qual existe uma situação de incerteza quanto à real efetivação dos danos ambientais. Os técnicos do órgão licenciador estadual constataram ainda que o resfriamento do aqüífero poderia trazer conseqüências não apenas ao município vizinho. d. e. 3 anos. Pelo menos 1% de eleitores do município atingido. exceto quando o órgão competente para a concessão da licença julgar necessário ou quando sua realização for solicitada pelo Ministério Público ou requerido ao órgão ambiental por a. b. a de instalação e a de operação. b. julgue os itens que se seguem. c. d. cabe ao empreendedor ser indenizado pelos danos materiais e/ou morais decorrentes? Explique. 6 anos. Cinqüenta ou mais cidadãos. 10 anos. criar novas restrições ambientais. o órgão licenciador competente não pode. mas também porque cabe ao IBAMA o exercício do poder de polícia quando as questões FGv diReiTO RiO 45 . e. Na hipótese aventada. b. suspensão e/ou cancelamento de licença ambiental vigente.5% de cidadãos do município atingido. foi constatado que o funcionamento da usina poderia vir a causar o resfriamento de seu lençol aqüífero termal. a. Considerando o texto acima como referência inicial. Mais de 1% dos cidadãos residentes no município atingido.diReiTO AmbienTAl 2) No caso de modificação. Pelo menos 0. A licença de instalação NÃO poderá ultrapassar a. (CESPE – Juiz Federal Substituto TRF 5ª Região) Em virtude da concessão de licença de operação a uma usina hidrelétrica. nem mesmo aludindo ao princípio da precaução. tendo em vista não somente que a potencialidade lesiva abrange diretamente mais de um Estado federativo. 5. conforme a outorga das seguintes licenças: a prévia. nas proximidades de um município. por meio do seu poder de política. localizadas em unidade da federação confrontante. já que seria necessária a participação dessa autarquia federal como órgão de proteção ambiental competente. mas também a outras cidades. Mais de cem eleitores. cujo grande apelo turístico era a existência de um lençol freático de águas quentes. 3) (Defensor Público SP 2006) A concessão de licença ambiental não prevê a obrigatoriedade de audiência pública. 4) (Defensor Público SP 2006) O licenciamento ambiental é feito em três etapas distintas.

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ambientais envolvam bens da União, como no caso em comento, haja vista que os recursos minerais do subsolo pertencem à União. 6) (Procurador do Estado/PR – 2007) Assinale a alternativa incorreta: a. Os estudos necessários ao processo de licenciamento ambiental deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor. b. O licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades de impacto ambiental local compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando couber. c. Compete ao órgão ambiental estadual o licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades localizados ou desenvolvidos ao longo de rios, ainda que de domínio federal. d. Compete ao IBAMA o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental localizadas em Estados que sejam limítrofes a outros países. e. Pode o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, modificar as condicionantes e as medidas de controle e adequação, bem como suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.

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aula 12: dano e resPonsabilidade ambiental
Introdução

Conforme reiteradamente exposto em tópicos anteriores, o bem ambiental é complexo, pois composto de diversos elementos naturais e, conforme o ordenamento jurídico, de elementos criados artificialmente pelo homem. Pelo fato desses elementos apresentarem intricada relação com a vida humana, estão constantemente sujeitos a serem alterados e/ou modificados. Acontece, porém, que a noção clássica de dano pressupõe uma ação negativa, ou seja, prejudicial ao estado em que se encontrava o bem antes do evento danoso. Em se tratando do bem ambiental e dos elementos que o compõem, a caracterização de um dano é ameaçada pelo alto grau de subjetividade no juízo de valor que, por sua vez, varia conforme o interesse em jogo. Por exemplo: o que seria um meio ambiente ecologicamente equilibrado? Quem define quais os critérios para se atingir um meio ambiente ecologicamente equilibrado? A ciência? Mas por vezes a própria ciência é contraditória. Conseqüentemente, a própria caracterização de um determinado dano ambiental não é matéria pacífica. Na mesma esteira, muitos danos ao meio ambiente são de longa maturação, não sendo sentidos, senão depois de transcorridos longos períodos de tempo. Em todas essas hipóteses, há, portanto, significativa dificuldade de estabelecimento de nexo causal, típico da relação entre o dano e a responsabilidade civil clássica. Por outro lado, quando efetivamente constatada a existência de um dano ao meio ambiente como, por exemplo, inequívoco derramamento de substância tóxica que afeta a saúde da população e os atributos ecológicos dos elementos diretamente afetados pelo vazamento, impõe-se a construção de uma responsabilidade especial que considere a complexidade anteriormente narrada do bem ambiental. Para tanto, a Constituição Federal de 1988 estabelece as linhas gerais para uma tríplice responsabilização: no campo penal, administrativo e reparatório, bem assim a legislação infraconstitucional, mais precisamente, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6,938/81) e a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998).

oBjetIvos

Entender a noção de dano ambiental à luz da complexidade do bem ambiental. Trabalhar as possibilidades reparatórias diante de um dano ambiental. Identificar as dificuldades da aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao meio ambiente. Examinar as conseqüências sancionatórias imputadas pelo ordenamento jurídico brasileiro ao responsável pelo dano ambiental. Conhecer as condutas lesivas ao meio ambiente que dão ensejo a responsabilidade penal. Analisar as possibilidades de atuação da administração pública na imposição de
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sanções administrativas. Articular a aplicação das responsabilidades civil, penal e administrativa.

legIslação

1) Constituição Federal de 1988, artigo 225; 2) Lei 6.938/1981; 3) Lei 9.605/1998.

doutrIna A partir do momento em que as preocupações ambientais começaram a encontrar eco no mundo do Direito e em que surgiram normas jurídicas a tutelar o novo bem jurídico (que constitui também um direito fundamental), teriam obviamente de surgir também disposições legais a ocupar-se da violação das normas destinadas à tutela do ambiente, assim fazendo o seu aparecimento a categoria do ilícito ambiental. Para Postiglione (Ambiente: suo significato giuridico unitario, Rivista Trimestrale di Diritto Publico, anno XXXV (1985), p. 51), o “dano ambiental é o prejuízo trazido às pessoas, aos animais, às plantas e aos outros recursos naturais (água, ar e solo) e às coisas (...) que consiste numa ofensa do direito ao ambiente”, traduzindo-se também numa “violação em concreto dos ‘standards’ de aceitabilidade estabelecidos pelo legislador”. (...) A responsabilidade civil é um instituto cuja antiguidade remonta ao Direito Romano mas que tem vindo a evoluir ao longo dos tempos, adaptando-se às necessidades postas pelas sociedades modernas. Mesmo assim ele revela-se, em muitos casos, um meio inadequado de lidar com os atentados ao ambiente. Inadequado pelas dificuldades de prova dos seus rigorosos pressupostos, mesmo quando as razões de justiça permitam prescindir daquele cuja prova poder ser mais difícil: a culpa. A responsabilidade objectiva, pelo risco ou por factos lícitos, é, sem dúvida, um grande avanço no sentido da correspondência do instituto às necessidades da vida moderna, sem perda de justiça intrínseca. Porém, não é ainda suficiente para cobrir todas as situações de dano que, cada vez com mais frequência, ocorrem e que, por falta de prova de um ou outro pressuposto, ficam impunes e por indemnizar. A solução parece passar pela aposta em novos instrumentos jurídicos para a protecção do ambiente. (José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador), Introdução ao Direito do Ambiente, Universidade Aberta, 1998, p. 29 e 139.)

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G. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Precedentes do STJ: RESP 826976/ PR. 1ª Turma. Recorrido: ADEAM Associação Brasileira de Defesa Ambiental. Universidade Aberta. 5ª edição. DJ 18/Out.04. 2008. Paulo Affonso Leme. 3ª Edição. DJ de 22. § 1º. pp. pp. 29-33 e 139-134.08. 321-337. 11ª Edição. MACHADO. ainda que não sejam eles os responsáveis por eventuais desmatamentos anteriores. pp. RECOMPOSIÇÃO.2004.171/91 vigora para todos os proprietários rurais. Julgamento 20/Set.09. RESP 263383/PR. RESPONSANTE. A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva. desta relatoria. José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). ementa PROCESSUAL CIVIL. São Paulo: Saraiva. Antônio F. DJ de 01. FIORILLO. 1. DJ de 22. pp. 745. DANOS AMBIETNAIS. Rio de Janeiro: Lumen Juris. São Paulo: Método. 2008. Introdução ao Direito do Ambiente. por isso que a Lei 8. Relator Ministro Castro Meira. AgRg no REsp 504626/ PR. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. TERRAS RURAIS. Relator Ministro Francisco Falcão. 2002. 2. Direito Ambiental. São Paulo: Revista dos Tribunais. preceitua que a obrigação persiste. 2008. pp. mesmo sem culpa. 341-368 e 696-731. STJ. 1998. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. MATAS. determina que o poluidor seja obrigado a indenizar ou reparar os danos ao meio-ambiente e. FACULDADE DO ÓRGÃO JULGADOR. que em seu art.05. 2007. MILARÉ. Relator Ministro João Otávio de Noronha. 242-261. DJ de 17. São Paulo: Malheiros. quanto ao terceiro. jurIsprudêncIa Recorrente: Oswaldo Alfredo Cintra vs. Recurso Especial n. Édis. Direito Ambiental Brasileiro./2007. Celso Antonio Pacheco. ADMINISTRATIVO. 16ª Edição.938/81.771/65) que estaFGv diReiTO RiO 49 .2005 e EDcl no AgRg no RESP 255170/SP. Paulo de Bessa. Manual de Direito Ambiental.363-PR (2005/0069112-7). pp. 476 DO CPC.2003. Direito do Ambiente. ART. BIBlIograFIa coMpleMentar CANOTILHO. 234-242 e 201-215. máxime porque a referida norma referendou o próprio Código Florestal (Lei 4.2006.diReiTO AmbienTAl leItura oBrIgatórIa ANTUNES. BELTRÃO. A obrigação de reparação dos danos ambientais é proter rem. ante a ratio essendi da Lei 6. 809-957. 14./2007.

. Relator Ministro Franciulli Netto. O artigo 927. Presente.2002. em sua obra Direito Ambiental Brasileiro.741/ PR. Malheiros Editores.. por um princípio de Direito Natural.. ninguém. dispõe: “Haverá obrigação de reparar o dano. Paulo Affonso Leme Machado. sem se exigir a intenção. o binômio dano/ reparação. 2004. “É a responsabilidade pelo risco da atividade. se for o meio ambiente e o homem. inicia-se o processo lógico-jurídico da imputação civil objetiva ambiental!. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. § III. também. ressalta que “(. entre os quais o da “utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente”. já temos a Lei 6. caso a caso. de no mínimo 20% de cada propriedade.10. independentemente de culpa. 4. Procura-se quem foi atingido e. 14. Não interessa que tipo de obra ou atividade seja exercida pelo que degrada. Precedente do STJ: RESP 343. da prevenção e da reparação. seguindo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei. a concordar ou a praticar uma transação que acarrete a perda de chance de vida e de saúde das gerações (. que instituiu a responsabilidade sem culpa. Só depois é que se entrará na fase do estabelecimento do nexo de causalidade entre a ação ou omissão e o dano. Não se pergunta a razão da degradação para que haja o dever de indenizar e/ou reparar. p. 186 que a função social da propriedade rural é cumprida quando atende. 326327. em matéria ambiental . É cediço em sede doutrinária que se reconhece ao órgão julgador da primazia da suscitação do incidente de uniformização discricionariedade no exame FGv diReiTO RiO 50 . Facilita-se a obtenção da prova da responsabilidade. moral e constitucionalmente.)A responsabilidade objetiva ambiental significa que quem danificar o ambiente tem o dever jurídico de repará-lo.” Na conceituação do risco aplicam-se os princípios da precaução. A responsabilidade sem culpa tem incidência na indenização ou na reparação dos “danos causados ao meio ambiente e aos terceiros afetados por sua atividade” (art. a requisitos certos. pois não há necessidade de que ela apresente risco ou seja perigosa. 5. por sua natureza.. do CC de 2002. Repara-se por força do Direito Positivo e. risco para os direitos de outrem”. Quanto à segunda parte. obrigando os seus proprietários a instituírem áreas de reservas legais. em prol do interesse coletivo. pois não é justo prejudicar nem os outros e nem a si mesmo. nos casos especificados em lei. da Lei 6. 3. pois.diReiTO AmbienTAl belecia uma limitação administrativa às propriedades rurais. Nenhum dos poderes da República. cujo regime de responsabilidade não tenha sido especificado em lei.938/81.938/81). o juiz analisará.. É contra Direito enriquecer-se ou ter lucro à custa da degradação do meio ambiente. 12ª ed. a imprudência e a negligência para serem protegidos bens de alto interesse de todos e cuja lesão ou destruição terá conseqüências não só para a geração presente. DJ de 07. ou o Poder Público fará a classificação dessas atividades. está autorizado.)” in Direito Ambiental Brasileiro. A Constituição Federal consagra em seu art. quando nos defrontarmos com atividades de risco. Quanto à primeira parte. parágrafo único. como para a geração futura.

nem seria concebível que se tratasse. que a sorte dos litigantes e afinal a própria unidade do sistema jurídico vigente fiquem na dependência exclusiva da distribuição do feito ou do recurso a este ou àquele órgão (. revela meio hábil à discussão de teses jurídicas antagônicas. 7. Relator Ministro Castro Meira. ao revés. não vincula o órgão julgador. 9.2006. de evitar. é que se põe o problema da uniformização da jurisprudência. determinar o seu sentido e alcance. sempre que anteriormente adotada já não corresponda às necessidades cambiantes do convívio social.) Nesses limites. Deveras. O pedido de uniformização de jurisprudência revela caráter eminentemente preventivo e. Sob esse ângulo. de impor aos órgãos judicantes uma camisa-de-força. 8. consoante cediço. in Comentários ao Código de Processo Civil. EDcl nos EDcl no RMS 20101/ES. para tanto. a severidade do incidente é tema interditado ao STJ. ao qual a iniciativa do incidente é mera faculdade. isto é.)” p.. objetivando a pacificação da jurisprudência interna de determinado Tribunal. por vezes suscitado com intuito protelatório.2004.11..08. Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 620276/RS.. que lhes tolhesse o movimento em direção a novas maneiras de entender as regras jurídicas. têm os órgãos judiciais de aplicar aos casos concretos as regras de direito. DJ de 30. DJ de 29. 476 do CPC. 6. e somente neles. Relator Ministro Jorge Scartezzini. 10. notas e Questões 1) Em que consiste a noção de dano ambiental? 2) Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente. Recurso especial desprovido. Sobre o thema leciona José Carlos Barbosa Moreira.2006 e EDcl no AgRg nos EDcl no CC 34001/ES. cumpre destacar. DJ de 01. Cumpre-lhes. interpretar essas regras. litteris: “No exercício da função jurisdicional. a cuja luz hão de apreciar-se as hipóteses variadíssimas que a vida oferece à consideração dos julgadores. Assim se fixam as teses jurídicas. Relator Ministro Francisco Falcão. ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? FGv diReiTO RiO 51 . razão pela qual não se admite a sua promíscua utilização com nítida feição recursal. V. Forense. 04-05. especialmente porque o instituto sub examine não é servil à apreciação do caso concreto. o mencionado incidente não ostenta natureza recursal. consoante a ratio essendi do art.diReiTO AmbienTAl da necessidade do incidente porquanto. Não se trata. na medida do possível. ante o óbice erigido pela Súmula 07. Vol.(. Trata-se.05.. pura e simplesmente.

Abusando de licença que lhe tenha sido regularmente concedida. Manual de Direito Ambiental. de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental.º 9. G. 10) (Procurador Município Manaus 2006) NÃO é circunstância agravante da pena pela prática de crime ambiental. ou à noite. c. c. Dentro de unidade de conservação.diReiTO AmbienTAl 3) Como está configurada a responsabilidade civil na Lei 6. beltrão.605/98. 2008. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que possam resultar em danos à saúde humana. Para obter vantagem pecuniária. editora método. Conceder a funcionário público licença em desacordo com as normas ambientais para obra cuja realização dependa de ato autorizativo do Poder Público. 263. Em razão de sua baixa instrução ou escolaridade. e. 2 As questões 9 e 10 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. aquele que tiver o dever contratual de fazê-lo. FGv diReiTO RiO 52 . Deixar. 5) Qual é a intenção implícita na responsabilização penal de condutas lesivas ao meio ambiente? 6) Podem as pessoas coletivas ser punidas pela prática de crimes ecológicos? 7) De que forma a imposição de sanções administrativas pode ser instrumento eficaz na prevenção de ações lesivas ao meio ambiente? 8) Qual(is) a(s) distinção(ões) fundamental(is) entre responsabilidade civil e sanção administrativa? 9) (Procurador do MP do TCE/MG 2007) Dentre os crimes ambientais. NÃO admite a modalidade culposa o de2 a.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente)? 4) Dê exemplos de dificuldades na aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao ambiente. b. e. Fazer o funcionário público afirmação falsa em procedimento de autorização de licenciamento ambiental. Em domingos e feriados. tal como definido pela Lei n. d. d. ter o agente cometido o crime a. b. p. Destruir bem especialmente protegido por lei.

O ordenamento jurídico ao diferenciar o tratamento dispensado ao bem ambiental conforme a sua natureza. e assim sucessivamente. diante da competência concorrente prevista pela Constituição Federal para a tutela do meio ambiente. fora do campo meramente legislativo ou didático. o bem ambiental é complexo. Por outro lado. peculiaridades em relação à forma de responsabilização de eventual dano em face da própria complexidade do bem a que se propõe tutelar. compreendidos. pois que é composto por diversos elementos. Esta necessidade impõe o desenvolvimento de uma intrincada rede normativa nas três esferas da federação. consegue proporcionar mais eficácia no cumprimento dos objetivos propostos em cada tipo de legislação. flora. no campo da natureza e da ecologia. por exemplo.diReiTO AmbienTAl bloCo iii: tutelas esPeCífiCas do meio ambiente Introdução Conforme relatado nos blocos anteriores. a especificidade dos elementos que compõem o meio ambiente atrai a necessidade do desenvolvimento de tutelas específicas. Se por um lado o direito ambiental apresenta princípios formadores e específicos. por outro. basicamente em uma das seguintes categorias: fauna. Como decorrência da impossibilidade do isolamento prático do conjunto de bens ambientais que. FGv diReiTO RiO 53 . a tutela específica deve sempre ser aplicada e interpretada à luz dos princípios constitucionais e preceitos legislativos federais gerais. Isto porque. o tratamento legal dispensado a um determinado bem ambiental deve sempre considerar o conjunto dos demais que compõe o todo meio ambiente. assim como a intervenção no ar pode refletir na água. água e ar. a intervenção na flora quase sempre refletirá na fauna.

Conhecer a legislação aplicável e instituições responsáveis pela gestão das águas. Código Florestal. surge um intricado sistema legal e institucional responsável pela gestão dos recursos hídricos e que passa a ser tratado como matéria inerente ao Direito de Águas. as pressões sobre este recurso natural. FGv diReiTO RiO 54 . O tratamento da água como um recurso ilimitado e passível de ser apropriado gratuitamente. A partir do momento em que água passa a ser encarada como um recurso renovável.643/1934 (Código de Águas). 21. Lei 4. vital à própria vida no planeta. Trabalhar a aplicação da doutrina a casos concretos envolvendo conflitos sobre direito de uso da água. Distinguir a cobrança pelo uso da água da cobrança pelo serviço de distribuição da água. b e c. I. contribuindo para políticas públicas desastrosas na gestão deste recurso natural tão precioso. 22. oBjetIvos Entender a evolução histórico-legislativa do tratamento dos recursos hídricos no Brasil. Lei 9.diReiTO AmbienTAl aula 13: direito de Águas Introdução Historicamente. Artigo 2º. XIX. Decreto-lei 852/1938. legIslação 1) 2) 3) 4) 5) 6) Constituição Federal. porém limitado. a. III. Decreto 24. tornaram-se fonte de extrema preocupação. Distinguir políticas de alocação de políticas para evitar poluição das águas. a água foi considerada um recurso natural renovável e ilimitado. Artigos 20. o surgimento de novas fontes de poluição e políticas públicas insustentáveis. Entender o regime de competências legislativa e material. quanto vital. 26. Decreto-lei 221/1967 (Código de Pesca). Contudo. no Brasil. classificação das águas e do uso da água. V e VI. com o crescimento demográfico acelerado. acabou por influenciar inúmeros sistemas legais ao redor do mundo. IV. Esta mudança é refletida por uma tendência atual de maior intervenção do Estado. houve a necessidade de reconstrução dos ordenamentos jurídicos para adequarem e harmonizarem noções econômicas e preservacionistas.433/1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos e Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos). Como decorrência.771/65. por meio do exercício cada vez maior do seu poder regulatório. Analisar a racionalidade da cobrança da água.

11ª Edição. eliminá-los ou redirecioná-los. Direito de Águas no Brasil. salgadas. 35 e 39. Édis. As mudanças de local. 35 e 39. Direito Ambiental. Direito de Águas no Brasil. denominava-se direito hidráulico. (Cid Tomanik Pompeu. FGv diReiTO RiO 55 . a jurisprudência e o costume. que desconhece limites no seu percurso. Revista dos Tribunais. Suas fontes são a legislação. qualidade e estado decorrem de fatores naturais e/ou humanos os mais diversos. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. São Paulo: Malheiros. pp. Direito Ambiental Brasileiro.. (. Rio de Janeiro: Lumen Juris. STJ. Recurso Especial n.diReiTO AmbienTAl doutrIna Em suas mais variadas formas e localizações – doces. 2006. 441-529. que acabam recebendo a participação do homem para amenizá-los. pp. assim como a defesa contra suas danosas conseqüências. Recorrido: Henrique Hessel Roschel e Outros (3). Paulo Affonso Leme. pp.. 2007. DJ 06/2/2006. 2ª Turma. POMPEU. Julgamento 13/12/2005. 2006.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. aproveitamento. Direito do Ambiente. em geleiras ou atmosféricas – . ou até para agravá-los. Cid Tomanik. 2008. a água na Terra é praticamente a mesma durante os últimos milhões de anos. pp. São Paulo: Revista dos Tribunais.) O direito de águas pode ser conceituado como conjunto de princípios e normas jurídicas que disciplinam. 463-499. 333. uso. a doutrina. Paulo de Bessa. superficiais ou subterrâneas. a conservação e preservação das águas. De início. faz com que o direito de águas contenha normas tradicionalmente colocadas no campo do direito privado e no do direito público. 16ª Edição. de acordo com as necessidades e possibilidades que se apresentam. 5ª edição. pp. 699-735. jurIsprudêncIa Recorrente: Ministério Público do Estado de São Paulo vs. 2008. A estreita vinculação das normas jurídicas relativas às águas com o ciclo hidrológico. MACHADO. São Paulo: Revista dos Tribunais. salobras.056-SP (2001/0087209-0).

2. do parcelamento e da ocupação do solo urbano”. pois consoante dispõe o art. ARTS. mediante planejamento e controle do uso. repressiva ou preventivamente. 3. PODER-DEVER. LOTEAMENTO IRREGULAR. 1. extrai-se a necessidade de o Estado interferir. adequado ordenamento territorial.766/79. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 30. compete-lhe “promover. VIII.766/79 e 225 da CF. 40 da Lei 6.766/99 consistem num dever-poder do Município. Recurso especial provido.diReiTO AmbienTAl ementa ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO E DO ESTADO. 13 da Lei nº 6. notas e Questões 1) Qual é a racionalidade na imposição de cobrança pelo uso da água? 2) Qual é o regime de propriedade aplicável aos recursos hídricos no Brasil? 3) De qual ente da Federação é a competência legislativa e administrativa sobre águas? Explique. As determinações contidas no art. 13 E 40 DA LEI N. 6. Da interpretação sistemática dos arts. da Constituição da República. tais como as de proteção aos mananciais. ÁREA DE MANANCIAIS. no que couber. quando o loteamento for edificado em áreas tidas como de interesse especial. FGv diReiTO RiO 56 .

24. Porém. VI. à evaporação à transpiração. Identificar os principais gases responsáveis pela poluição atmosférica. Trabalhar problemas práticos. Compreender o tratamento da matéria pelo ordenamento jurídico brasileiro. A sua contaminação causa efeitos nocivos imediatos e impactos significativos na saúde dos seres humanos. além do biológico ou ecológico. Em alguns centros metropolitanos. que não pode ser devidamente avaliado. Além dos prejuízos diretos à saúde da população. bem assim. Examinar as instituições responsáveis pela execução de políticas de qualidade do ar e legislação aplicável. 003/1990 e 008/1990. Analisar a importância da definição de padrões de qualidade do ar nacionais em um contexto internacional. a poluição atmosférica chega a ser visível. à oxidação e aos fenômenos climáticos e meteorológicos. 225. sua capacidade de absorção é limitada e de rápida contaminação. 30. 2) Resoluções CONAMA 005/1989. a qualidade do ar está intimamente ligada ao sadio funcionamento de outros sistemas ecológicos. é o recurso que mais rapidamente se contaFGv diReiTO RiO 57 . o recurso ar – mais amplamente. IV. II. legIslação 1) Constituição Federal. artigos 23. doutrIna Ligado estreitamente aos processos vitais de respiração e fotossíntese. Sua utilização se dá pela forma de “despejo” de substâncias químicas poluentes. o ar dos recursos naturais mais importantes para a sobrevivência da vida humana no planeta. Não é incomum a população dos grandes centros utilizarem máscaras para circular nas ruas. Enquanto corpo receptor de impactos. Porém. a atmosfera – tem um significado econômico.diReiTO AmbienTAl aula 14: tutela do ar e da atmosfera Introdução Juntamente com a água. interesses econômicos na utilização deste precioso recurso contribuem para as imperfeições legislativas e executivas no combate à poluição atmosférica. oBjetIvos Entender as funções e relações da qualidade do ar com a saúde da população e sadio funcionamento de sistemas ecológicos diversos. a difícil tarefa de estabelecimento de relações de causa e efeito. caput.

STJ. notas e Questões 1) Como pode ser feita a compatibilização entre o desejo de grandes centros de atrair um parque industrial que gere empregos e movimente a economia local com os objetivos de preservação da sadia qualidade do ar? FGv diReiTO RiO 58 . pp. Direito do Ambiente. de condições favoráveis. DJ 15/Dez. O Decreto 8.diReiTO AmbienTAl mina e mais rapidamente se recupera – dependendo. 1ª Turma. São Paulo: Revista dos Tribunais.938/81. a extensão da propriedade e o olfato de pessoas credenciadas. 2007.355-SP (2001/0196898-0). Direito Ambiental Brasileiro. Édis.468/76 do Estado de São Paulo./2003. jurIsprudêncIa Recorrente: Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS vs. 2008. 16ª Edição. 534-561.468/76 – DO ESTADO DE SÃO PAULO – ILEGALIDADE – LEI 6./2003. 204-214. evidentemente. Revista dos Tribunais. 204. Direito do Ambiente. pp. São Paulo: Malheiros. p.) leItura oBrIgatórIa: MILARÉ. 5ª edição. 5ª edição. Julgamento 11/ Nov. 2007. quando adotou como padrões de medida de poluição ambiental. (Édis Milaré. incidiu em ilegalidade. ementa ADMINISTRATIVO – DIREITO AMBIENTAL – REGULAMENTO – PADRÔES DE QUALIDADE AMBIENTAL – ADOÇÃO DE CRITÉRIOS INSEGUROS – DECRETO 8.938/81. contrariando o sistema erigido na Lei Federal 6. BIBlIograFIa coMpleMentar: MACHADO. Paulo Affonso Leme. Recorrido: Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo DAEE. Recurso Especial n. 399.

diReiTO AmbienTAl 2) Do ponto de vista do arcabouço legal e institucional brasileiro. identifique 3 deles fundamentando a resposta. como o ar e atmosfera são tutelados? Quais os pontos negativos e positivos desta estrutura. FGv diReiTO RiO 59 . 3) Existe alguma espécie de compromisso internacional que obrigue o Brasil a adotar medidas de controle contra a poluição do ar? Caso positivo.

5) Decreto Federal 97. Examinar a racionalidade da proteção de determinadas áreas e a regulação de algumas atividades econômicas e recreativas que representem risco à integridade da fauna. o equilíbrio ecológico passa pela proteção da fauna. controle de erosão. o direito ambiental desempenha importante função no controle de atividades que coloquem em risco o equilíbrio da fauna e da flora. No mesmo sentido. com a situação inversa. Entender a terminologia e respectivos conceitos dos elementos que compõem a flora. regulação climática. Identificar o regime jurídico aplicável à fauna e à flora. VII. 225. etc. II. se faz sentir nas funções ecológicas auxiliares indispensáveis à sadia qualidade de vida: manutenção da qualidade da água. 2) Lei 4. VII e § 4º. positivos e negativos. 3) Decreto-lei 221/1967 (Código da Pesca). pois as políticas públicas planejadas para a proteção da fauna somente alcançarão os objetivos para os quais foram pensadas se levarem em consideração os possíveis impactos.diReiTO AmbienTAl aula 15: tutela da fauna e da flora Introdução Dentre os elementos que compõem a biosfera. fauna e flora são os que se apresentam mais intimamente ligados entre si. expressão máxima da intrínseca relação entre fauna e flora. FGv diReiTO RiO 60 .633/1989. como indispensável à própria preservação da flora. Os impactos também podem ser sentidos na perda da biodiversidade. O mundo vive uma acelerada perda da flora e os resultados estão sendo sentidos no crescente número de espécies em extinção ou já extintas. Por tudo isso. a imprescindibilidade da preservação da flora. por exemplo.771/1965 (Código Florestal). 4) Lei 5. conhecidas ou ainda não conhecidas pelo homem. legIslação 1) Constituição Federal. 30. artigos 23. oBjetIvos Trabalhar a relação entre fauna e flora. na flora. Compreender a importância ecológica desempenhada pela flora e pela fauna. 24. Da mesma forma. caput e § 1º. Esta constatação preliminar é imprescindível. Muito além do patrimônio paisagístico.197/1967 (Código de Caça). VI.

ASSOREAMENTO DA REPRESA. pp. DJ 14/8/2006. 237. Édis. ainda que. haja necessidade de se remover famílias instaladas no local FGv diReiTO RiO 61 . BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. STJ. Tal fato vale para a economia e uma infinidade de outras atividades. Direito Ambiental.190SP (2001/0125125-0). Decorre daí que as “relações formais” dos indivíduos e da sociedade humana com o meio ambiente precisam ser pautadas pelas “relações naturais” que se desenvolvem no seio dos ecossistemas. Julgamento 27/6/2006. Direito do Ambiente. 2007. Recorrido: Ministério Público do Estado de São Paulo. ementa AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Recurso Especial n. 11ª Edição. são cúmplices entre si.) Flora e fauna são extremamente solidárias – poderíamos dizer... São Paulo: Revista dos Tribunais. 2ª Turma. impõe a condenação dos responsáveis. 2007. Direito do Ambiente. 325-546. protegem ou defendem a biota devem fundamentar-se em dados científicos: não podem desconhecer as leis naturais que regulam as espécies vivas. as leis humanas que preservam. principalmente se pensarmos em termos de hábitats. 5ª edição.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. MATA ATLÂNTICA. 1. jurIsprudêncIa Recorrentes: Alberto Srur e Município de São Bernardo do Campo vs. para tanto. RESERVATÓRIO BILLINGS. 2008. 236-251. 403. 5ª edição. A destruição ambiental verificada nos limites do Reservatório Billings – que serve de água grande parte da cidade de São Paulo –.diReiTO AmbienTAl doutrIna (. Revista dos Tribunais. de modo que a espécie humana evite toda e qualquer forma de prepotência e crueldade para com o mundo natural. LOTEAMENTO CLANDESTINO. somados à destruição da Mata Atlântica. provocando assoreamentos. OBRIGAÇÃO DE FAZER. (Édis Milaré. p. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Paulo de Bessa. REPARAÇÃO AMBIENTAL. pp. Por isso. nichos ecológicos e cadeia trófica.

igualmente evidentes são as relações entre a destruição das florestas e a pobreza. Com relação a esse assunto. O regime jurídico da propriedade florestal é puramente civil. 3. Não fere as disposições do art. p. julgue os itens que se seguem. desprezando pedido alternativo constante das razões da apelação. julga procedente a ação nos exatos termos do pedido formulado na peça vestibular. em decorrência de loteamento irregular implementado na região. 4. no Brasil. b. Recursos especiais de Alberto Srur e do Município de São Bernardo do Campo parcialmente conhecidos e. que beneficia um número muito maior de pessoas do que as residentes na área de preservação. 2008. c. 3 FGv diReiTO RiO 62 . O Código Florestal não está voltado apenas para a proteção das florestas. improvidos. a. editora método. está contemplada na Lei n. As relações entre a necessidade de desenvolvimento econômico e a destruição das áreas florestais é bastante evidente. As florestas públicas são consideradas bens de interesse dominial do Estado. reformando a sentença. beltrão. Não se trata tão-somente de restauração de matas em prejuízo de famílias carentes de recursos financeiros. pois as matas particulares não estão sujeitas a ingerências administrativas. Manual de Direito Ambiental. provavelmente deixaram-se enganar pelos idealizadores de loteamentos irregulares na ânsia de obterem moradias mais dignas. 515 do Código de Processo Civil acórdão que. notas e Questões 1) (CESPE – AGU 2006) A preservação das florestas é uma das questões fundamentais para a sobrevivência da humanidade e de todas as formas de vida. que. G. A questão 1 foi extraída da seguinte obra: Antônio F. Tanto é assim que o Banco Mundial aponta que a área ocupada por florestas nos países em desenvolvimento foi reduzida à metade em aproximadamente um século.771/1965. nessa parte. 2. Ele também contempla a proteção das demais formas de vegetação reconhecidas de utilidade para as terras que revestem.3 A matéria florestal. 230 e 231. mas de preservação de reservatório de abastecimento urbano. No conflito entre o interesse público e o particular há de prevalecer aquele em detrimento deste quando impossível a conciliação de ambos. 4.diReiTO AmbienTAl de forma clandestina.

DOUTRINA As unidades de conservação. 11. Divididas em dois grupos. garantindo-lhes assim a necessária eficácia. incluindo os principais dispositivos do Código Florestal. as Unidades de Proteção Integral (cujo objetivo básico é preservar a natureza. 11. n. Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos do SNUC. criadas por ato do Poder Público. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. 9. instituído pela Lei n. artigo 225. da fauna brasileira.DIREITO AMBIENTAL AULA 16: SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC). 9.428/2006. 2) Lei n. fazem parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza — SNUC e são constituídas pelo conjunto de unidades de conservação federais e estaduais e municipais de acordo com o disposto na referida Lei n. incs.428/2006 e Lei do Bioma Mata Atlântica. n.985/2000. dentre eles. Porém. 9. fruto de longos anos de discussões e debates sobre um projeto de lei de 1992. Foi então que em 2000. OBJETIVOS Identificar as diferentes formas de proteção das florestas divididas em Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. 9. III e VII sobre obrigações gerais de defesa e proteção da fauna e da flora. as áreas de preservação permanente e de reserva legal. os referidos dispositivos constitucionais não prescindiam de específica regulamentação. é que o SNUC toma forma pela Lei n. INTRODUÇÃO Após analisado os aspectos gerais da proteção da flora e da fauna. três importantes diplomas legais completam o regime jurídico estrutural de proteção da flora e. de número 2. a saber. sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos FGV DIREITO RIO 63 . Em relação ao SNUC. a Lei das Florestas Públicas. o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza.985/2000. I. II.985/2000. São eles. conseqüentemente. § 1º.892. é importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 dispõe em seu artigo 225. pela natureza de normas gerais.985/2000.

pp. FGV DIREITO RIO 64 . (2008). (2008). DECRETO ESTADUAL N. 652-690. 9./2007. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA — SNUC./2007. (2008). Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. 24. 1. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.795/1997. ART. Editora Saraiva. Editora Revista dos Tribunais. RMS n. DECRETO ESTADUAL N. DJ 29/ Jun. Ementa DIREITO AMBIENTAL. Editora Malheiros. 811-850. NÃO— PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Hermes Wilmar Storch vs. a ter composição bem delimitada com objetivos fixados pela norma.DIREITO AMBIENTAL naturais salvo exceções previstas na própria lei ora mencionada) e as Unidades de Uso Sustentável (cujo objetivo básico é compartilhar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcelas integrantes do SNUC) passaram. Direito Ambiental. 16ª Edição. 20281-MT (2005/0105652-0). 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. 1ª Turma. 11ª Edição. por força de lei. NOS TERMOS DO ART. 547-626. pp. 5. 4. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA. (2007). PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. 5ª edição. Editora Lumen Juris. 2) Paulo Affonso Leme Machado.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. 109-110. 9ª edição. pp. DA CF/1988. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. Recorrido: Estado de Mato Grosso. Julgamento 12/Jun. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL. Direito do Ambiente.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. § 1°.340/2002. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. STJ.

O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente — FEMA. 5.438. Trata-se de mandado de segurança. 22. O Decreto Estadual n. estaria o estado-membro autorizado a legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. segundo. em seu art. consubstanciado na edição do Decreto n. foram estes rejeitados. do art.438/2002. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico.340. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. possibilitar seja identificada a “localização. respeitando. Em sede de recurso ordinário. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental. 5. embora sucinta. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. prevista no art. de 22 de agosto de 2002. primeiro. 22.985/2000.2002. o estatuído no § 1º. Aliás. que regulamentou a Lei n. bem como determinou. em se tratando de matéria ambiental. obscuridade ou contradição a ser suprida. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. § 2°. 9. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. da CF/1988). haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. 24. com pedido liminar. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. 9. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. Governador do Estado do Mato Grosso. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. de 12. O Decreto n. como ocorreu no caso. ao prescrever. evidentemente. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. a qual. da Lei n. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação. § 1°. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. 4. denegou a ação mandamental. 9. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. 3°. 24. da CF/1988. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. 3. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de FGV DIREITO RIO 65 . nos termos da legislação estadual (MT) e federal. no Estado do Mato Grosso. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. qual seja. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. § 4º. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. alcança o objetivo perseguido pelo art.985/2002. os §§ 1° e 2° do art. por maioria.DIREITO AMBIENTAL 1.11. b) nos casos de competência legislativa concorrente. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. em seu art.985/2000. da Lei n. quando for o caso. 4°. 2.

tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. 9. Área de Proteção Ambiental. Área de Proteção Ambiental. Reserva Biológica. Reserva Extrativista. no entanto. Reserva da Fauna. na esteira do art. 24.DIREITO AMBIENTAL conservação a ser criada. G.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. Reserva Extrativista. NOTAS E QUESTÕES1 1) (Defensor Público SP 2006) O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza estabelece dois grupos de unidades de conservação. Floresta Nacional e Reserva Extrativista. 22. tendo em conta as necessidades da população local. Editora Método. Estação Ecológica. mormente as presentes nos arts. § 2°. Recurso ordinário não-provido. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. 5. sendo-lhe. fauna. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. Floresta Nacional. 5. 1 As questões 1-3 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. b. Refúgio da Vida Silvestre. quer pela falta de previsão na legislação estadual. FGV DIREITO RIO 66 . quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. d. 4. pesca. O ato governamental (Decreto n. VI. Parque Nacional. 170. caça. qual seja. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. e. do Código Ambiental (Lei Complementar n. 38/1995). À norma de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da Federação. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. Beltrão. Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. as de Proteção Integral e as de Uso Sustentável. Assim sendo. incisos V e VII. da Lei n.985/2000. que exige a realização de prévia consulta pública. Manual de Direito Ambiental. os Estados-membros e o Distrito Federal. Parque Nacional. VI. não prevalece disposição de lei federal. 6. da Carta Maior. Refúgio da Vida Silvestre e Reserva Extrativista. Floresta Nacional. São Unidades de Proteção Integral: a. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. conservação da natureza. c. 227 e 229. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. No caso dos autos. A União. Área de Proteção Ambiental. Reserva Biológica. p. Estação Ecológica. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da Federação brasileira (art. Monumento Natural de Refúgio da Vida Silvestre. defesa do solo e dos recursos naturais. da CFRB). (2008). Reserva Biológica e Estação Ecológica. a regra do art. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso.

tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. Reserva Biológica. FGV DIREITO RIO 67 b. Em se tratando de unidade de conservação deve ser elaborado um Plano de Manejo que abranja a área correspondente à unidade de conservação. sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos. Havendo áreas particulares incluídas em seus limites deverão ser cedidas. porque as áreas de preservação permanente a. ao Poder Público. essencialmente. c. Têm sua utilização sujeita ao licenciamento ambiental a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA. Parque Nacional. Apenas podem ser definidas pela lei.DIREITO AMBIENTAL 2) (Procurador Município Manaus 2006) O regime jurídico das áreas de preservação permanente difere. e. 3) (Promotor de Justiça MG — XLVI Concurso) Assinale a alternativa CORRETA. é a restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada. Têm por objetivo exclusivo a preservação da vegetação. diferente de sua condição original. ao passo que as unidades de conservação devem ser necessariamente declaradas por ato concreto. Podem ser definidas em caráter geral pela lei. enquanto as unidades de conservação podem ser suprimidas por ato do Poder Executivo. Integram o grupo de Unidades de Proteção Integral as seguintes categorias de unidades de conservação: Estação Ecológica. sendo esta uma das restrições legais ao direito de propriedade. d. enquanto as unidades de conservação sempre visam à proteção integral dos ecossistemas compreendidos em sua área. daquele aplicável às unidades de conservação. Monumento Natural. como Unidade de Conservação de Proteção Integral. O objetivo básico das Unidades de Conservação de Proteção Integral é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais. enquanto as unidades de conservação podem ser definidas tanto por lei quanto por ato do Poder Executivo. d. A Estação Ecológica. Têm sua supressão condicionada à autorização legislativa. segundo a definição estabelecida na lei citada. e. ao passo que as unidades de conservação sujeitam-se aos órgãos seccionais integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente — SISNAMA. . a título gratuito. c. Áreas de Relevante Interesse Ecológico e Área de Proteção Ambiental. de acordo com o que dispõe a lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação — SNUC: a. sendo públicos a posse e o domínio de sua área. emanado do poder público b. incluindo medidas com o fim de promover sua integração econômica e social das comunidades vizinhas. Restauração.

3. Diversas foram as inovações deste diploma legal.776/2006. a instituição de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal e a criação do Cadastro Nacional de Florestas Públicas. Dentre os seus principais dispositivos. 2) Lei n. com diversidade biológica proporcionalmente superior à da própria Amazônia. 11. encontram-se a confirmação da delimitação geográfica do bioma e disposições de proteção da vegetação primária e secundária. Compreender a importância de um instrumento legal específico para a proteção da Mata Atlântica.284/2006. Por abrigar mais de 60% da população brasileira. passando pelo Projeto de Lei n. 284/2006. OBJETIVOS Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos da Lei de Gestão de Florestas Públicas. 225. Em território de tamanha riqueza florestal e dimensões continentais.11. FGV DIREITO RIO 68 . 11. por ter um histórico de ocupação extrativista e ser o primeiro bioma a receber os primeiros colonizadores. principalmente na Amazônia e quase sempre à margem do sistema legal vigente. Finalmente. INTRODUÇÃO O Código Florestal e o SNUC ainda se mostravam insuficientes para lidar com uma questão crucial para o desenvolvimento nacional: as atividades de exploração de florestas públicas. foram quase duas décadas até a Lei n.750/93. os desafios em se alcançar um denominador comum entre os diferentes interesses foram extremos.DIREITO AMBIENTAL AULA 17: FLORESTAS PÚBLICAS (LEI N.285/1992 e Decreto n. torna-se praticamente impossível uma efetiva gestão sem um instrumento disciplinador das atividades exploratórias. 11. as controvérsias em relação a um efetivo instrumento de proteção foram quase que insuperáveis. da CF/88). em relação ao bioma Mata Atlântica. Analisar os conceitos.428/2006. esta nos diferentes estados de regeneração. dentre outros igualmente importantes e detalhados pelo diploma legal.284/2006) E BIOMA MATA ATLÂNTICA (LEI N. 11. este esperado instituto disciplinador foi concretizado com o advento da Lei 11. Após os debates em torno do Projeto de Lei 4. artigo 225. conhecido como a Lei de Gestão de Florestas Públicas. 3) Lei n.428/2006 que disciplinou o bioma Mata Atlântica. § 4º. Desde o dispositivo constitucional declarando a região como sendo parte do patrimônio nacional (art. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. objetivos e instrumentos de proteção da Mata Atlântica. por abrigar as regiões mais industrializadas do país. dentre as quais se destacam: a concepção do Serviço Florestal Brasileiro.428/2006).

Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE).000 km2. Direito do Ambiente.000 km2 de Mata Atlântica. BASE DE CÁLCULO. tais como Sistema de Unidades de Conservação (SNUC).. CÁLCULO EM SEPARADO. REsp n. 284.300.768-779 e 849-850. Editora Revista dos Tribunais. DESAPROPRIAÇÃO. ou seja. mas. pp. de 2 de março de 2006. (. Recorrido: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Editora Malheiros. pp.. Julgamento 07/Fev./2008. licenciamento ambiental. (Édis Milaré. JUROS COMPENSATÓRIOS. 905783-SC (2006/0249674-9). (. INVIABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Leme Comércio Importação Exportação Empreendimentos e Participação Ltda vs. 15% do território brasileiro era coberto pelas diferentes formações florestais do bioma. 638-650 e 707-725. em verdade. DIFERENÇA ENTRE 80% DO FGV DIREITO RIO 69 . o que quer dizer que esse recurso natural teve 93% de sua área original devastada. INEXISTÊNCIA DE EXPLORAÇÃO ECONÔMICA. Editora Revista dos Tribunais. 2ª Turma. Hoje. pp. (2007). a extensão da Mata Atlântica está reduzida a aproximadamente 100.) Acredita-se que quando os portugueses chegaram ao Brasil.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA A Lei 11. Ementa ADMINISTRATIVO. criou todo um sistema de gestão sustentável de florestas./2008. Direito do Ambiente. STJ.) Leitura obrigatória 1) Paulo Affonso Leme Machado.. DJ 27/Mai. REFORMA AGRÁRIA. o País tinha 1. 638-639 e 707. (2008). 16ª Edição. COBERTURA FLORÍSTICA. 5ª edição.) não teve tão-somente o condão de proceder a algumas alterações no Código Florestal. há cerca de 500 anos.. (2007). Bibliografia complementar 1) Édis Milaré. licitações e conhecimentos tradicionais. tangendo ainda diversos outros assuntos correlatos. 5ª edição.

19 DA LC 76/93. da Lei Complementar 76/1993).324/RN. sujeito a sanções administrativas e penais. do Código Florestal) e a vegetação da Mata Atlântica.09. se ocorrer. Precedente: REsp 608. dentre outros casos. que fixa seu montante atendendo aos critérios legais (art. excluindo-se da base de cálculo as Áreas de Preservação Permanente (arts.2006. Tendo a imissão na posse ocorrido após o advento da MP 1. por suas características naturais ou por obediência a estatuto jurídico próprio.DIREITO AMBIENTAL DEPÓSITO E O VALOR FIXADO NO ACÓRDÃO. passam a ser calculados em 12% (doze por cento) ao ano. j. JUSTA INDENIZAÇÃO. DJ 3. ART. 5. de que são exemplos as árvores imune a corte (art.2007. adequadamente fundamentado. 12 da Lei 8.605/98).332/DF (13. nos termos e limites de autorização expedida de maneira regular. bem como as que. 2. 6. as de Reserva Legal sem Plano de Manejo aprovado pelo órgão ambiental competente. na moldura da Lei 11. João Otávio de Noronha. Rel.938/81. nos termos da Lei 6. caracteriza ilícito ambiental (Lei 9.2006.593/MA. nos termos da jurisprudência do egrégio STF (ADI-MC 2. 08. 1.332/DF). 2° e 3° do Código Florestal). § 1º. 4. Rel. ART. não é um direito ou interesse indenizável. de forma objetiva. Segunda Turma. fixado na sentença. os juros compensatórios são de 6% (seis por cento) ao ano. corresponda ao montante anteriormente depositado pelo expropriante. incidem juros compensatórios sobre a parcela cujo levantamento não foi autorizado judicialmente (20% do depósito. primária ou secundária em estágio avançado de regeneração. conforme art. Min. Na análise do potencial econômico madeireiro. ao contrário. 14. sem prejuízo do dever de reparar o dano causado. SUCUMBÊNCIA DO EXPROPRIADO.02. Não se conhece da suposta violação de dispositivos legais não ventilados no acórdão recorrido sequer implicitamente (Súmula 211/STJ).577/SP. 6º. A indenização da cobertura florística depende da efetiva comprovação de que o proprietário esteja explorando econômica e licitamente os recursos vegetais. 437 DO CPC. DJ 06.428/2006. A partir dessa data. Rel. 7. Precedente: REsp 711. 3. Atende ao postulado da justa indenização o acórdão. em regra. PREQUESTIONAMENTO.2001).8. Ministro Castro Meira. a exploração de florestas. Na falta de autorização ou licença ambiental e de Plano de Manejo. Ainda que o valor da indenização. DEPÓSITO INICIAL CONFIRMADO PELO JUDICIÁRIO.03.577/97. Primeira Seção. INEXISTÊNCIA. Precedente: REsp 437. Francisco Peçanha Martins. FGV DIREITO RIO 70 . não podem ser exploradas por conta da vedação de supressão para fins comerciais. nos termos da Súmula 618/ STF. deve-se levar em consideração as restrições legais e administrativas à utilização da propriedade. alínea b.629/93). até a publicação da liminar concedida na ADIN 2. p/ acórdão Min. quando juridicamente possível.

nessa parte. caput. Tendo o particular contestado o depósito inicial. da LC 76/93. 9.DIREITO AMBIENTAL 8. nos estritos termos do art. se dá provimento. Recurso Especial do particular parcialmente provido. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância da elaboração de um diploma legal específico para tratar da gestão das Florestas Públicas? 2) Quais os princípios que instruem a gestão de Florestas Públicas e como eles se relacionam com os princípios gerais de direito ambiental? 3) Para efeitos de proteção do bioma Mata Atlântica. Recurso Especial do INCRA de que parcialmente se conhece e a que. que acabou endossado pelo Judiciário. como se dá a divisão entre os diferentes estágios de regeneração e qual a exceção prevista para comunidades tradicionais e pequenos proprietários rurais? FGV DIREITO RIO 71 . configura-se a sucumbência do expropriado. 19.

compôs o grupo das chamadas Convenções do Rio. Porém.519. entendeu por acordar sobre um regime jurídico próprio à tutela da diversidade biológica no planeta.DIREITO AMBIENTAL AULA 18: PROTEÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA INTRODUÇÃO A proteção da diversidade biológica está intrinsecamente conectada à tutela da fauna e flora. dispôs sobre o acesso à diversidade biológica no Brasil. como também na nacional. que embasou esta preocupação internacional foi o de que a diversidade biológica. locais onde se concentram a maior parte da diversidade biológica do planeta. Como não poderia ser diferente. OBJETIVOS Entender a importância da existência de um regime jurídico especial para tutela da biodiversidade. Diante da dificuldade em se transformar em lei ordinária. por meio do Decreto n. princípios e diretrizes gerais da Política Nacional de Biodiversidade. não conhece fronteiras políticas e. que em 1998. visando possibilitar traçar paralelos com outras tutelas específicas do direito ambiental. foi instituída a Política Nacional de Biodiversidade. então. diante da dificuldade inerente à regulação das florestas na esfera supranacional. FGV DIREITO RIO 72 . No Brasil não foi diferente. espalharam-se por diversos países. Deste limitado quadro legal. o país foi e é constantemente alvo de pressões internacionais visando impor padrões de proteção cada vez mais rigorosos. a Medida Provisória n. portanto. 4. é possível a análise e exame dos objetivos. progressivamente. Compreender a evolução legislativa tanto na esfera internacional. Foi quando. este movimento internacional por um regime jurídico supranacional para tutelar a diversidade biológica do planeta exigiu ações domésticas que. assim como o meio ambiente como um todo. Alguns anos mais tarde. a Convenção sobre Diversidade Biológica é incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. 2. de 23 de agosto de 2001. princípios e diretrizes gerais que orientam a tutela da biodiversidade no Brasil. em 2001. Diante da exploração predatória das florestas tropicais. justifica-se a sua tutela na esfera supranacional. É assim. Pelo contrário.339/2002. em 1992 diversos países assinaram a Convenção sobre Diversidade Biológica que. surgiu a necessidade de um regime jurídico específico que pudesse orientar e incentivar ações domésticas visando a tutela da diversidade biológica do planeta. 2. O fundamento maior. Trabalhar os objetivos. por possuir a mais rica biodiversidade do planeta. junto com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática e Convenção sobre o Combate a Desertificação. pelo Decreto n. portanto. a comunidade internacional.186-16.

acidamente. 5ª edição. pp. praticamente. 2) Convenção sobre Diversidade Biológica.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. Direito do Ambiente. 547-569. o estado de degradação ambiental do mundo que lhe era contemporâneo. artigo 225. Direito Ambiental.DIREITO AMBIENTAL LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. Editora Lumen Juris.339/2002. 3) Medida Provisória n. pp. Há suspeitas de que a aparição do Homem no continente americano pode ter contribuído fortemente para a extinção de pelo menos duas espécies de mamíferos. 389-428. Leitura complementar 1) Édis Milaré. acompanha a vida do Ser Humano sobre o Planeta Terra. em menos de 1. 11ª Edição. Paul R. 11ª Edição.186-16/2001. (2007). Direito Ambiental. Editora Lumen Juris. semelhante à luta pela sobrevivência e evolução natural que se verifica entre todas as espécies.000 anos de presença na Nova Zelândia. no qual ele lamenta. 325. FGV DIREITO RIO 73 . 4. DOUTRINA A percepção de que certos elementos do mundo natural estão desaparecendo em função da atividade humana é um fenômeno social muito antigo e que. Ehrlich demonstra que os Maori. promoveram a extinção de cerca de 13 espécies de Moa (pássaro sem asas). a primeira constatação de mudanças negativas no meio natural que cerca o Homem foi feita por Platão em seu célebre diálogo Crito. (2008). Não seria exagerado dizer que a convivência “natural” do Ser Humano com outros animais é. 4) Decreto n. eminentemente. 2. Mesmo sociedades tidas como “primitivas” e paradisíacas foram responsáveis pela extinção de espécies. em função de caça intensiva e da destruição de vegetação. Pesquisas arqueológicas demonstram que mesmo comunidades pré-históricas poderiam ter levado inúmeros animais à extinção. Para o pensamento ocidental. Editora Revista dos Tribunais. pp. (Paulo de Bessa Antunes. (2008).

NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “diversidade biológica”? 2) Quais são princípios que instruíram a Convenção sobre Biodiversidade Biológica de 1992? 3) Quais são os principais riscos à biodiversidade nos âmbitos global e regional? 4) Quais são os instrumentos legais brasileiros que auxiliam na tutela da diversidade biológica? Por quê? 5) Quais os princípios da Política Nacional da Biodiversidade? 6) Qual a controvérsia acerca da legalidade do Plano Nacional da Biodiversidade? FGV DIREITO RIO 74 ./2008. Suzano Papel e Celulose e Estado de São Paulo. DJ-SP 11/Set.347/85. artigo 5º. VCP Votorantin Celulose e Papel S. Agravados: Defensoria Pública do Estado de São Paulo.DIREITO AMBIENTAL JURISPRUDÊNCIA Agravante: Ministério Público vs. Câmara Especial do Meio Ambiente. Ementa AGRAVO DE INSTRUMENTO — Ação civil pública — grandes plantações de eucalipto e devastação ambiental — Decisão que indeferiu a liminar e não acolheu o pedido de extinção da ação — Legitimidade da Defensoria Pública Estadual para propor ação civil pública (Lei 7. II) — Recurso desprovido. TJ-SP.A. Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga. 759.399-5/8./2008. Julgamento 28/Ago. AI n.

DIREITO AMBIENTAL AULA 19: BIOTECNOLOGIA E BIOSSEGURANÇA INTRODUÇÃO A biotecnologia é fruto do acelerado desenvolvimento técnico-científico observado na segunda metade do Século XX. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. “[b]iodiversidade e biossegurança estão freqüentemente enlaçadas. faz surgir a noção em torno do que a Convenção sobre Diversidade Biológica de 1992 chamou de “Biossegurança”. OBJETIVOS Compreender o significado e importância do disciplinamento legal de questões envolvendo a biotecnologia. incluindo aí. p. II e III. mas no meio ambiente dentro de uma visão ecocêntrica de direito ambiental. 10. difíceis de enquadrar. § 1º. [2007]. Devido à ausência de certeza em relação aos impactos da aplicação desta nova tecnologia. 582). 3) Medida Provisória n. 4) Lei n. Identificar os principais elementos da Política de Desenvolvimento da Biotecnologia. regras de conduta normatizadas pelo ordenamento jurídico pátrio. consumidor final de muitos destes produtos alterados geneticamente. de um lado. como o dever de precaução. que conjugam biotecnologia e biossegurança com os requisitos da Biodiversidade. A preocupação em torno dos possíveis impactos à biodiversidade e ao próprio ser humano. Examinar a relação entre Biotecnologia e Biossegurança. 8. Trata-se de tecnologia de ponta que busca controlar a informação genética de plantas e animais. Analisar os aspectos referentes à incerteza dos possíveis impactos.814/2003. questões de ordem Ética e também de Direito. e combinado com a euforia em torno da maximização dos lucros como decorrência da manipulação genética. não podem ser marginalizadas. vêm sendo relegadas a um segundo plano. 2) Lei n. o próprio homem. Contextualizar a noção de Biossegurança. Contudo. FGV DIREITO RIO 75 . 5ª edição. Neste sentido. 2. No amplo quadro das experiências.” (Direito do Ambiente. com intuito de servir aos anseios e necessidades do próprio ser humano. artigo 225.974/1995. podem surgir casos intrigantes. de outro. nas palavras de Édis Milaré.191-9/2001. não apenas nos seres humanos. Editora Revista dos Tribunais.

pp. (2008). estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados — OGM e seus derivados. que “regulamenta os incisos II. Requeridos: Presidente da República e Congresso Nacional. Julgamento 29/ Mai. revoga a Lei no 8. (Paulo de Bessa Antunes.DIREITO AMBIENTAL 5) Lei n. 6) Decreto n. encontra-se regida pela Lei no 11. Direito do Ambiente. 371-387. Direito Ambiental. reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança — CTNBio. 11. 11ª Edição. 11ª Edição.814. de 24 de março de 2005. Editora Lumen Juris. de 5 de janeiro de 1995. p. dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança — PNB. JURISPRUDÊNCIA Requerente: Procurador-Geral da República vs. cria o Conselho Nacional de Biossegurança — CNBS. e a Medida Provisória no 10. e dá outras providências”.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. IV e V do § 1º do art. em especial.510. de 22 de novembro de 2005 e por muitos outros atos normativos e. 6. STF. por normas da Comissão Técnica nacional de Biossegurança — CTNBio. 3. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. Tribunal Pleno. 005º e parágrafos. ADI n. Editora Lumen Juris. 371.591. (2008). de 24 de março de 2005.105. pp. Tal lei foi regulamentada pelo Decreto no 5. da Lei nº 11105. Editora Revista dos Tribunais. Dispositivo Legal Questionado Art. Lei nº 11105./2008.105/2005. 570-602.974. 5ª edição. de 24 de março de 2005. FGV DIREITO RIO 76 . 225 da Constituição Federal. de 15 de dezembro de 2003.041/2007. (2007). Direito Ambiental. DOUTRINA A produção e utilização dos organismos geneticamente modificados no Brasil.

§ 003º — É verdade a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no art. de 04 de fevereiro de 1997. ou 0II — sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais. atendidas as seguintes condições: 00I — sejam embriões inviáveis. 015 da Lei nº 9434. é necessário o consentimento dos genitores. para fins de pesquisa e terapia. ou que. § 001º — Em qualquer caso. já congelados na data da publicação desta Lei. a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento. 005º — É permitida.DIREITO AMBIENTAL Art. § 002º — Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisas ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética e pesquisa. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “Biotecnologia”? 2) O que se entende por “Biossegurança”? 3) Qual a relação entre “Biotecnologia” e “Biossegurança”? 4) Qual é o papel do Direito na intervenção em questões envolvendo biotecnologia? 5) Quais os principais pontos positivos e negativos do tratamento jurídico brasileiro às matérias de biotecnologia e biossegurança? FGV DIREITO RIO 77 . depois de completarem 3 (três) anos. contados a partir da data de congelamento. na data de publicação desta Lei.

É certo que o contexto era diverso. essa solução — ao mesmo tempo nova e antiga —. apontando caminhos para a solução de uma velha problemática nacional ligada visceralmente às perspectivas de desenvolvimento com sustentabilidade. fluxos e refluxos de uma tramitação tempestuosa. DOUTRINA A mais nova das grandes políticas de âmbito nacional teve a sua “certidão de nascimento” estampada na Lei 11. Enfim. com mensagem de Ano Novo. discussões. Identificar as diretrizes nacionais do saneamento básico. ou seja. 11. os investimentos em saneamento básico.DIREITO AMBIENTAL AULA 20: SANEAMENTO BÁSICO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO Nos debates acerca da Declaração de Estocolmo de 1972. Sim. à defesa e proteção do meio ambiente.445/2007. passando previamente pela saúde ambiental. Este problema está intimamente ligado à garantia constitucional do princípio do direito à sadia qualidade de vida. à defesa e proteção da saúde da população. Portanto. volta-se para a saúde pública. Compreender a importância e examinar a relação entre políticas de investimento em saneamento básico e defesa e proteção do meio ambiente. 11. fundamentalmente. no dia 5 de janeiro de 2007.445/2007 encerra longos anos de debate em torno de um projeto de lei acerca da concepção e elaboração de um Plano Nacional de Saneamento Básico. LEGISLAÇÃO 1) Lei n. a Lei n. constituem-se em importante instrumento da própria gestão ambiental e sanitária. a delegação brasileira já alardeava que a pobreza é a pior forma de degradação ambiental. No Brasil. Na verdade.445. trata-se de um novo período de esperanças sólidas. mas a posição brasileira serve para ilustrar um dos grandes problemas ambientais dos países em desenvolvimento: a falta de saneamento básico em grande parte da população menos favorecida. veio à luz. Esta Lei do Saneamento Básico é uma pedra FGV DIREITO RIO 78 . mas. OBJETIVOS Entender a evolução histórica da questão do saneamento básico no Brasil. Trata-se de uma efeméride que coroou esforços. o de manifestar o temor em imposição internacional de restrições ambientais que poderiam inibir o desenvolvimento econômico. Analisar os princípios fundamentais da lei de saneamento básico.

NESSE PONTO. (Édis Milaré. ARTS. (2007). FGV DIREITO RIO 79 . VI. 23. DETERMINAÇÃO À COMPESA DE SUSPENSÃO DA ATIVIDADE POLUIDORA POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO (DE RECONSIDERAÇÃO) INDEFERITÓRIA DE PEDIDO SUSPENSIVO DOS EFEITOS DA LIMINAR CONCEDIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Agravo Regimental em Suspensão de Liminar 20050500004825202. COBERTURA DAS DESPESAS A PARTIR DAS TARIFAS COBRADAS PELA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Direito do Ambiente. MP Nº 2. ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. DA COMPESA. PARCIAL PROVIMENTO. DILATAÇÃO E NÃO SUSPENSÃO.437/92. Editora Revista dos Tribunais. DJ 3/Out. FALTA DE TRATAMENTO DO ESGOTO SANITÁRIO DA CIDADE DE PETROLINA/PE. Editora Revista dos Tribunais. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO. COMPETÊNCIA MUNICIPAL. CONSTITUCIONAL.180-35/2001. pp. 5ª edição. ESCASSEZ DO PRAZO./2005. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA 1) TRF-5ª Região. 5ª edição. BEM PÚBLICO FEDERAL. 603. INEXISTÊNCIA. DESOBRIGAÇÃO. INVASÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. LEI Nº 8. 603-617.DIREITO AMBIENTAL infra-estrutural na construção de um bem-estar mais completo e sadio para a comunidade nacional. PRINCÍPIOS DO POLUIDOR-PAGADOR. DA CF/88. DA PREVENÇÃO E DA PRECAUÇÃO. (2007). DESPEJO NO RIO SÃO FRANCISCO. EXCLUSIVIDADE DETIDA PELA COMPESA. APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO DEFINIDO PARA A RECUPERAÇÃO DAS INSTALAÇÕES. Direito do Ambiente. CONTRATO DE CONCESSÃO. p. INOCORRÊNCIA. ESPECIFICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA COMPESA SEGUNDO O TÍTULO JURÍDICO. LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. FIXAÇÃO DE MULTA DIÁRIA PARA O CASO DE NÃO ADOÇÃO DAS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS. Ementa PROCESSUAL CIVIL. E 225.

AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA QUE. DA LEI Nº 8. DE PROCEDIMENTO SUMÁRIO E DE COGNIÇÃO INCOMPLETA. PELA DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO A SER CONSIDERADO DIANTE DA MÁCULA EXPRESSIVA A SER OBSTADA. CONCEDIDA EM SEDE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONSISTENTE NO DESPEJO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO SÃO FRANCISCO. NÃO DEIXA DE ADMITIR UM EXERCÍCIO MÍNIMO DE DELIBERAÇÃO DO MÉRITO. POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO ADEQUADAS DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA.2004. TRATA-SE DE MEDIDA EXCEPCIONAL. À SEGURANÇA E À ECONOMIA PÚBLICAS. É COMPETENTE A JUSTIÇA FEDERAL IN CASU. QUE DEVEM ESTAR PRESENTES PARA A CONCESSÃO DAS LIMINARES” (TRECHO DO VOTO DO MINISTRO EDSON VIDIGAL.12. NOS TERMOS DO ART. SAÚDE PÚBLICA.DIREITO AMBIENTAL 1. TERCEIRA SEÇÃO.2004. COM A PERSCRUTAÇÃO DA URGÊNCIA DA PROVIDÊNCIA REQUESTADA. MIN. 3. J. 2. SEGURANÇA PÚBLICA E ECONOMIA PÚBLICA). CONTUDO. EM DJ DE 06.09. JUSTIFICADA PELA SERIEDADE DAS CONSEQÜÊNCIAS DERIVADAS.180-35/2001. NO INSTRUMENTO. CC Nº 33987. EM JUÍZO DE RECONSIDERAÇÃO. DETERMINOU À COMPESA. TENDO EM CONTA QUE A PRETENSÃO EM LITÍGIO ENVOLVE BEM PÚBLICO PERTENCENTE À UNIÃO: O RIO SÃO FRANCISCO (STJ.2004). AINDA MAIS. MAS APENAS UMA AFERIÇÃO DA PLAUSIBILIDADE DAS RAZÕES DEDUZIDAS PELO REQUERENTE. J. ALÉM DE OUTRAS PROVIDÊNCIAS. EM 01. COM AS ALTERAÇÕES DA MP Nº 2. PUBL. EM 10. A LEGITIFGV DIREITO RIO 80 . A CONCESSÃO DE SUSPENSÃO DE LIMINAR OU DE SENTENÇA. DEVE-SE LANÇAR OLHOS AO PERFAZIMENTO DOS PRESSUPOSTOS ESPECÍFICOS — O FUMUS BONI JURIS E O PERICULUM IN MORA —. A SUSPENSÃO DE SUA ATIVIDADE POLUIDORA. ASSOCIADA À VERIFICAÇÃO DA POSSIBILIDADE LESIVA DAS ESFERAS SIGNIFICATIVAS ENUMERADAS NA NORMA JURÍDICA LEGAL (ORDEM PÚBLICA. PUBL. EM DJ DE 17. INDEFERIU O PEDIDO DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA LIMINAR. REL. EM SÍNTESE. PARTICULARIZADOS ESSES REQUISITOS. QUE. VINCULADA AOS PRESSUPOSTOS DE PLAUSIBILIDADE JURÍDICA E DO PERIGO DA DEMORA. “ESSA ORIENTAÇÃO. APENAS É ADMITIDA EM CASO DE MANIFESTO INTERESSE PÚBLICO OU DE FLAGRANTE ILEGITIMIDADE E PARA IMPEDIR GRAVE LESÃO À ORDEM.11.2004). NO AGRG NA SUSPENSÃO DE LIMINAR Nº 57/DF. OUTROSSIM. CABENDO AO ENTE POSTULANTE A DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA DESSAS CONDIÇÕES. SOBRETUDO POR SER MEDIDA DE CONTRACAUTELA.07.437/92. À SAÚDE. DESTARTE. 4O. NO ÂMBITO DA QUAL NÃO SE EFETUA EXAME DE MÉRITO EM RELAÇÃO À LIDE ORIGINÁRIA. ARNALDO ESTEVES LIMA.

INCLUSIVE. O PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO. PARA O FATO DE QUE OS PRINCÍPIOS JURÍDICOS — ESCRITOS OU IMPLÍCITOS — REPRESENTAM AS BASES SOBRE AS QUAIS O DIREITO SE CONSTRÓI E DAS QUAIS ELE DERIVA (AS REGRAS JURÍDICAS. IMPÕE-SE A “AÇÃO ANTECIPADA DIANTE DO RISCO OU DO PERIGO”. NÃO A ATIVIDADE REPARATÓRIA. E NÃO MERAMENTE COMO DIRETRIZES HERMENÊUTICAS. OU. DESPERTOU-SE. VI. COM A REFERÊNCIA A BEM-ESTAR. A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE. OUTROSSIM. DEVEM FUNCIONAR COMO ORIENTADORES PREFERENCIAIS DA INTERPRETAÇÃO. “A CONSAGRAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO ESTABELECEU FGV DIREITO RIO 81 . SUSTENTADO EM SÓLIDA BASE DE PRINCÍPIOS. OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS QUE INSPIRAM O SISTEMA JURÍDICO E QUE. SÃO PRINCÍPIOS DE DIREITO AMBIENTAL. O DESENVOLVIMENTO DESSE CUIDADO DEU ENSEJO AO DIREITO AMBIENTAL. HODIERNAMENTE.347/85. POR ASSIM DIZER. DITO DE OUTRO MODO. SENDO AMBOS NORMAS JURÍDICAS (PROCESSO DE JURIDICIZAÇÃO). 23. SEJA NO CORPO PROPRIAMENTE DITO DO TEXTO CONSTITUCIONAL (ARTS. OS PRINCÍPIOS TÊM AVULTADO COMO VERDADEIRAS NORMAS DE CONDUTA. O DA PREVENÇÃO E O DA PRECAUÇÃO. ESTÁ O POLUIDOR OBRIGADO A PAGAR PELA POLUIÇÃO CAUSADA OU POTENCIALMENTE OCASIONÁVEL. A DISTINÇÃO ENTRE REGRAS JURÍDICAS E PRINCÍPIOS JURÍDICOS. CORRESPONDENDO. ENFATIZA-SE. REPUTADO BEM DE USO COMUM DO POVO. SEJA NO PRELÚDIO. 5. NESSE CAMPO. DENTRE OUTROS. MAIS QUE ISSO. SERIAM CONCREÇÃO DOS PRINCÍPIOS). REPRESENTATIVO DE DIREITO SUBJETIVO E VINCULADO. SOBRELEVANDO A PREOCUPAÇÃO COM A ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A TODOS OS ENTES DA FEDERAÇÃO E. EX VI DA LEI Nº 7. DA APLICAÇÃO E DA INTEGRAÇÃO NORMATIVA. AO DEVER JURÍDICO DE IMPEDIR A REALIZAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS. O POLUIDOR-PAGADOR. 6. MAS A PREVENÇÃO. À SOCIEDADE. REALÇANDO-SE. COM O CONSEQÜENTE AFASTAMENTO DE UMA POSTURA MAIS LEGALISTA. ENCONTRA GUARIDA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. COMO NOVO RAMO JURÍDICO. AO DIREITO À VIDA. E 225). ATRAVÉS. 4. DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO (VORSORGEPRINZIP). ESSENCIALMENTE. “CONTRARIA A MORALIDADE E A LEGALIDADE ADMINISTRATIVA O ADIAMENTO DE MEDIDAS DE PRECAUÇÃO QUE DEVAM SER TOMADAS IMEDIATAMENTE” (PAULO AFONSO LEME MACHADO). PELO PRINCÍPIO DO PREDADOR-PAGADOR. PORTANTO.DIREITO AMBIENTAL MIDADE DOS MINISTÉRIOS PÚBLICOS ESTADUAL E FEDERAL E O INSTRUMENTO POR ELES MANEJADO (AÇÃO CIVIL PÚBLICA) GUARDAM COMPATIBILIDADE COM OS DIREITOS A PROTEGER.

9. AMPLIAR. EM RAZÃO DO ESTADO FALENCIAL DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. CABE AO PODER JUDICIÁRIO REALIZAR O CONTROLE DE LEGALIDADE E DE LEGITIMIDADE DOS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. NÃO É NEGADO PELA COMPANHIA REQUERENTE. DIANTE DA DIMENSÃO DAS MEDIDAS A SEREM IMPLEMENTADAS. DESTARTE. JUSTIFICAR-SE-IA PEDIDO DE DILATAÇÃO DE PRAZO. DETENDO. A SUSPENSÃO DA LIMINAR. SE O TEMPO JUDICIALMENTE CONCEDIDO SE MOSTRAVA DIMINUTO. 7. E NUNCA DE SUSPENSÃO DE EXECUÇÃO. FRENTE AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO (EQUILÍBRIO) DE PODERES. EXATAMENTE A COMPESA. DIANTE DE ELEMENTOS INDICIÁRIOS QUANTO À OCORRÊNCIA EFETIVA OU POTENCIAL DE DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS. 8. O DIREITO DE IMPLANTAR. CONSOANTE DESTACADO PELA POSTULANTE. A ESCASSEZ DE PRAZO PARA REALIZAÇÃO DAS OBRAS E DOS SERVIÇOS IMPRESCINDÍVEIS A AFASTAR OU. PELO MENOS. DEMAIS DISSO. REALCE-SE QUE O DESPEJAMENTO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO.DIREITO AMBIENTAL VERDADEIRA REGRA DE JULGAMENTO NA ATIVIDADE JUDICIAL. COM DANOS AO MEIO AMBIENTE. PELA COMPESA. EM RELAÇÃO ÀS QUAIS O PODER JUDICIÁRIO NÃO PODE EFETUAR INSERÇÕES ATINENTES À CONVENIÊNCIA E À OPORTUNIDADE. AMPARADOS CIENTIFICAMENTE E DEMONSTRADOS. COM EXCLUSIVIDADE. ESPECIFICAMENTE NO QUE TANGE ÀS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO ESGOTO. NO SENTIDO DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO COLETIVA EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE. OFENDERIA A ORDEM PÚBLICA E A SAÚDE PÚBLICA. É CERTO QUE ÀS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS INCUMBE DEFINIR AS POLÍTICAS DE SANEAMENTO BÁSICO DA CIDADE. QUE NÃO FOREM CONTRARIADOS PELO DEGRADADOR” (RODOLFO DE CAMARGO MANCUSO). ENTRETANTO. NÃO SE PODE OLVIDAR A INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE ADMINISTRATIVA FRENTE A DIREITOS CONSTITUCIONALMENTE CONSAGRADOS E PROTEGIDOS. COMPROVADA A ADOÇÃO DAS PRESTAÇÕES INICIAIS. AMENIZAR OS PREJUÍZOS AO MEIO AMBIENTE NÃO PODE SER CONFUNDIDA COM INVIABILIDADE DE EFETIVAÇÃO DESSAS PROVIDÊNCIAS. INDUSTRIALMENTE. AO INVÉS DE RESGUARDAR. OS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. COMO É O CASO DO MEIO AMBIENTE. DE OUTRO LADO. ADMINISTRAR E EXPLORAR. DESDE 1975. CONSTATOU-SE O EFETIVO LANÇAMENTO DE DEJETOS (ESGOTO NÃO TRATADO) NO RIO SÃO FRANCISCO. FGV DIREITO RIO 82 .

OUTROSSIM. SE MANTIDA. PELO PARCIAL PROVIMENTO DO AGRAVO. DE COMPETÊNCIA MUNICIPAL. A SABER. COM A LIMINAR. O QUE SE FEZ FOI EXIGIR A CORRETA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONCEDIDOS. ADVÊM DAS TARIFAS COBRADAS PELA COMPESA PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. EM 1975. O CONTRATO DE CONCESSÃO FIRMADO ENTRE A COMPESA E O MUNICÍPIO DE PETROLINA. AS MEDIDAS QUE LHE FORAM DETERMINADAS GUARDAM COMPATIBILIDADE COM O TÍTULO JURÍDICO QUE VINCULA A REFERIDA PESSOA JURÍDICA AO CASO EM COMENTO. POR ISSO MESMO. ESPECIFICOU-SE A ATIVIDADE ILÍCITA PERPETRADA — SEGUNDO INDÍCIOS ROBUSTOS. 13. ALGUMAS DAS QUAIS JÁ COM LICENÇA DE FUNCIONAMENTO. “PARA EXPLORAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTOS SANITÁRIOS”. NÃO TEM FORÇA A ALEGAÇÃO DE INSUSTENTATIBILIDADE DA LIMINAR DEFERIDA PORQUE A COMPESA TERIA PASSADO A TRABALHAR NA RECUPERAÇÃO DAS ESTRUTURAS. INCLUSIVE DIANTE DA FALTA DE NEGATIVA DA COMPANHIA — PELA COMPESA. EM SENDO. o saneamento básico se relaciona com a defesa e proteção do meio ambiente? FGV DIREITO RIO 83 . PORQUANTO AS MEDIDAS CUJA IMPLEMENTAÇÃO FOI DETERMINADA ESTÃO ABRANGIDAS PELO OBJETO CONTRATUAL. TAIS TAREFAS. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO DE CONCESSÃO. MERECE PROVIMENTO O AGRAVO TÃO-SOMENTE PARA AFASTAR AS DETERMINAÇÕES SECUNDÁRIAS FEITAS PELO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU À COMPESA. OS RECURSOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DO SISTEMA. especificamente. NO QUE TANGE À LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E À FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE.DIREITO AMBIENTAL 10. 11. 12. NÃO É CORRETO AFIRMAR QUE O PROVIMENTO JUDICIAL VERGASTADO IMPUTOU À COMPESA TODA A RESPONSABILIDADE PELA POLUIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO. NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM DEPENDÊNCIA DE RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS. NÃO HÁ COMO EXIGI-LAS DA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA ESTADUAL. AJUSTE QUE PREVÊ A FONTE DOS RECURSOS FINANCEIROS QUE DEVERÃO CUSTEÁ-LAS. NO QUAL ESTÃO INCLUÍDAS AS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. NÃO SE PODE AFIRMAR QUE A LIMINAR OCASIONA. PORTANTO. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância do saneamento básico para o Direito Ambiental? 2) De que forma.

11.445/2007 que consagram conceitos de proteção ambiental? 5) De que forma a política de saneamento básico pode refletir uma concepção antropocêntrica e/ou ecocêntrica do direito ambiental? FGV DIREITO RIO 84 .DIREITO AMBIENTAL 3) Como o saneamento básico pode instrumentalizar o princípio do direito à sadia qualidade de vida? 4) Quais são os princípios fundamentais da Lei n.

Ao tratar da questão urbana no contexto da ordem econômica. 2) Lei n. (Édis Milaré. Considerando que os últimos dados sugerem uma população mundial em torno de 6 (seis) bilhões. DOUTRINA No amplo leque das estruturas da vida nacional. Estima-se que 80% da população mundial habitará áreas urbanas em um futuro próximo. a Constituição de 1988. o legislador situou-a ao lado da Política Fundiária e da Reforma Agrária. Portanto. justificando uma análise mais aprofundada da questão à luz do direito ambiental. no Capítulo II do Título VII. as políticas urbanas possuem papel de destaque na defesa e proteção do meio ambiente. Editora Revista dos Tribunais. Logo. E este número está crescendo. OBJETIVOS Contextualizar o meio ambiente urbano no estudo do direito ambiental.DIREITO AMBIENTAL AULA 21: URBANISMO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO As questões ambientais inerentes ao meio ambiente urbano vêm assumindo cada vez mais papel de destaque no estudo do direito ambiental. 514. Examinar o fundamento da função social da propriedade à luz de conceitos e normas de direito ambiental. assim como o Sistema Financeiro Nacional.) FGV DIREITO RIO 85 . Compreender a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. Capítulo VI. Analisar o tratamento constitucional da política urbana.257/2001. Direito do Ambiente. 10. Trabalhar os principais fundamentos e diretrizes do Estatuto da Cidade. é fácil imaginar os possíveis impactos ambientais desta situação. diversamente do que ocorre com o Meio Ambiente. É possível. contemplou a Política Urbana. p. dirigido à ordem econômica e financeira. artigos 182 e 183. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. assim. 5ª edição. É de observar que a Política Urbana está inserida na ordem econômica. (2007). vislumbrar a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. que integra a ordem social (Título VIII. os processos de concepção. elaboração e monitoramento das políticas urbanas não podem se render aos cobiçados investimentos econômicos em detrimento da proteção e da defesa do meio ambiente. art. 225).

PREVALÊNCIA DAQUELES VALORES. o Tribunal local analisou a questão sub examine — ocorrência de dano ambiental decorrente do aterramento de parte do Lago Guapó II situado no Município de Londrina — à luz do contexto fático-probatório engendrado nos autos. 5ª edição. Ementa PROCESSUAL CIVIL. revolvendo cuidadosamente a prova produzida. depois de ter determinado a instalação de drenos no Lago Igapó 2. OPÇÃO ADMINISTRATIVA. pp. 840011/PR — 2006/0059704-6. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. litteris: “(.DIREITO AMBIENTAL Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. Editora Revista dos Tribunais. a respeitável sentença recorrida deve ser inteiramente preservada. 2. objetivando a realização de estudo técnico para reparação ou mitigação do impacto ambiental. URBANIZAÇÃO E SANEAMENTO. 514-545. providenciando. Julgado 20/set. 1. LAGO ARTIFICIAL. In casu. NECESSIDADE IMPOSTA PELA OCUPAÇÃO HUMANA. OFENSA AO ART. DO CPC. bem como a condenação dos responsáveis nas despesas decorrentes das providências indicadas no laudo. CONJUNTURA DE FATO. quando prefeito. Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual em face de exprefeito./2007. (2007). 535. ao fundamento de que o réu. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.. após. PROVA. FGV DIREITO RIO 86 . 2.) No âmbito substancial. ADMINISTRATIVO. consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado. para recolher as águas das nascentes. no ano de 1985. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. transformando o local num depósito de lixo a céu aberto. Direito do Ambiente. INEXISTÊNCIA. ainda./2007. REsp. SÚMULA 07/STJ. DANO AO MEIO AMBIENTE. em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. DJ 8/out. autorizou que particulares despejassem toda a espécie de resíduos em parte alagadiça.. MEDIDA DE PROTEÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO. DETERMINAÇÃO DE ATERRAMENTO PARCIAL. mandando. BACIA HIDROGRÁFICA ENVOLVIDA PELO DESENVOLVIMENTO URBANO. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. o estreitamento do leito normal do Ribeirão Cambé. ALTERAÇÃO AMBIENTAL QUE ATINGIU APENAS PARTE DA BACIA. Seu digno e culto prolator realizou uma análise aprofundada e sensata da séria questão em tela. recobrir o local com uma camada de 30 centímetros de terra. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL PERMANENTE. além da compensação pelos danos não passíveis de reparação. 1ª Turma.

o que provocou mau cheiro e a proliferação de mosquitos. como opção administrativa. porém sem sucesso. devido à exploração minerária e outros impactos. Foi também definido que a área deveria ser gramada e arborizada com eucaliptos e destinada a práticas esportivas. em razão das conseqüências do represamento realizado em administração anterior. o relatório elaborado pelo Instituto Ambiental do Paraná registrou às fls.. portanto. a realização do aterro. por tratar-se de solo instável. Segundo informações de antigo funcionário da prefeitura (Sr. acertadamente. mas a lâmina ficou muito rasa gerando decomposição da vegetação existente. O trabalho dá conta. como perdurasse o problema do mau cheiro e proliferação de mosquitos. colhe-se mais adiante: Quando a represa do Lago Igapó 2 foi construída.DIREITO AMBIENTAL para concluir. tendo perdido suas características naturais. procurou-se alternativas para resolver o problema. revelou-se necessária. já era bem antiga. Tempos depois o nível da água foi elevado. desde que. Teophilo. nos seus demais recantos. quando era prefeito o Sr. que o aterro feito pelo apelado WILSON MOREIRA desponta como uma obra complementar e que. a bacia mantém suas características primitivas. Com a construção de casas na Rua Prol Joaquim de Matos Barreto houve o corte da base da encosta o que provocou o afloramento de algumas nascentes. trazendo sérias complicações e desconforto à população residente. No mesmo trabalho. dentro do limite da razoabilidade. que: “Com o passar do tempo. própria à sedimentação biológica (. de que apesar do aterro as nascentes foram preservadas e. Teophilo Paranaense Coutinho Gomes) houve a tentativa de retirada do material ali existente para aprofundar o fundo lago. o que se tentou por cerca de 3 anos. em substituição ao Dr. a primitiva e extensa bacia do Ribeirão Cambé e outras nascentes já havia sofrido relevante alteração. em gestão administrativa anterior da Prefeitura. em decorrência do represamento das águas. atualmente conduzidas ao canal norte do aterro. caracterizada por nascentes. retomava ao fundo do lago quando ocorriam chuvas. já na década de 50. a lâmina d’água não cobria o trecho da planície hoje aterrada. a área foi alterada e degradada pelo uso. foram gastos muitos recursos e esforços. Nela foram bem exaltados e sopesados os elementos da instrução que amparam o convencimento de que aquela obra tomou-se inevitável. inclusive com áreas de retenção de curso. Wilson Moreira. Délio César. que a administração pública nada mais fez do que exercer seus poder discricionário. que acarretou a formação da remanescente área de brejo aqui referida. Ainda de acordo com o Sr. Ainda que se trate de uma importante bacia. 337/337. em uma reunião na Prefeitura. foi decidido que a melhor alternativa seria o aterramento do local.. pois. (grifo nosso) A influência degradatória da presença do homem. Convém deixar bem enfatizado. supervenientemente. ainda. Assim. Porém o material retirado.) FGV DIREITO RIO 87 . Na ocasião houve debate com diversos arquitetos da UEL e. a partir da formação artificial do Lago Igapó. ao determinar.

I e II. a respeitável sentença recorrida. 4. Precedente desta Corte: RESP 658. esta já vigente à época dos fatos.. Fato que. como alternativa de saneamento.DIREITO AMBIENTAL Ora. largamente freqüentada.) Assim.2005. O local foi transformado em extenso parque verde. 18. desprovido. cujo decisum revela-se devidamente fundamentado. preparado pela Administração Municipal como área pública de lazer. de que o réu WILSON MOREIRA teria autorizado a população a fazer da área a ser aterrada um local de despejo de lixo e toda a espécie de detritos. para proteger a população. um a um. o magistrado não está obrigado a rebater. carentes de educação ou consciência ecológica. I resultou na formação do brejo. o Código Florestal. que concluiu pela improcedência do pleito deduzido nesta ação civil pública por danos ao meio ambiente. o aterro já estava implantado.05. Ademais. como área de preservação permanente. desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 369/95.) Em suma.. assim. Recurso Especial parcialmente conhecido e. deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos. Este mais convence que. quando foi instituído o Parque Ecológico Linear do Ribeirão Cambé. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que o meio ambiente urbano é matéria de especial relevância para o direito ambiental? 2) Qual a distinção que a Constituição Federal de 1988 faz entre direito urbanístico e direito ambiental? FGV DIREITO RIO 88 .938/81. pelo Decreto n. com todas as suas repercussões negativas. que estava em progressivo processo de poluição. 535.” 3. porque irretocável. publicado no DJ de 09.859/RS. Há toda uma conjuntura em que perdeu atualidade e objetividade a discussão sobre o argumento contido na inicial. quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. concorria para estimular a Administração à alternativa de aterrar a área pantanosa. o acervo instrutório. CPC. se tal ocorria. sendo inconcludente em tal sentido. nesta parte. Inexiste ofensa ao art. os argumentos trazidos pela parte. (. notadamente seu art. da qual já havia decorrido o impacto ambiental que” tudo faz crer. e as conseqüências da ocupação humana dos setores marginais. aos quais se somam os aqui expendidos. em que a Administração Municipal estava às voltas com o prosseguimento de um projeto cuja execução fora iniciada anteriormente com a criação artificial do Lago Igapó. era por iniciativa de pessoas desinformadas ou desatentas. o que traz à consideração as notórias dificuldades do poder público em conter práticas dessa natureza. 6.(... no contexto do caso. devem ter sua interpretação contemporizada. que se localiza entre os dois lagos (Igapó— I e Igapó— II). como também a Lei n.

consoante previsão da Lei n. 10.257/2001 e quais os limites constitucionais da atuação municipal nesta esfera? FGV DIREITO RIO 89 .257/2001? 5) Qual é o papel do zoneamento ambiental na política urbana.DIREITO AMBIENTAL 3) De que forma ações e decisões urbanísticas podem afetar ou violar normas de direito ambiental? Como esta relação está refletida no caso gerador? 4) De que forma a preocupação com as normas e princípios que orientam o direito ambiental está retratada na Lei n. 10.

7. 4) Lei n. Por possuir dimensões continentais e riqueza mineral invejável no contexto internacional.DIREITO AMBIENTAL AULA 22: MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO A história da exploração de recursos minerais no Brasil remonta ao período da colonização. 3) Decreto-Lei n. juntamente com o pau-brasil. São diversos os dispositivos constitucionais que regulam direta e indiretamente a mineração. 9. em um dos mais importantes ciclos econômicos do período colonial. 174. no art. Por outro lado. Na esfera infraconstitucional. a atividade minerária se torna imprescindível às necessidades da população em geral. artigos 43 e 44. § 2º. XII. IX. Trabalhar a relação entre mineração e direito ambiental. a cana-de-açúcar e o café. FGV DIREITO RIO 90 . Aliás. 231 e § 3º. artigos 20. 5) Lei n. 2º e 3º. Analisar os principais aspectos da Constituição Federal que tratam da atividade de mineração e normas ambientais.805/1989 e Lei n. 21. 227/1967 com as alterações promovidas pela Lei n. o papel da mineração assume papel de destaque no Brasil. Como decorrência do avanço tecnológico e científico da sociedade pós-moderna. inc. 2) ADCT. é importante frisar que o tratamento constitucional dispensado à atividade minerária é amplo. da CF/88. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. § 1º. 7.805/1989. o principal diploma legal é o Código de Minas. há uma especial preocupação do direito ambiental em regulamentar a mineração à luz dos princípios constitucionais que orientam a matéria. § 3º. XXV. 22. 176 e §§ 1º. 225. 9. por ser uma atividade com grande potencial degradador e por explorar recursos naturais limitados.314/1996. 227/1997. 91. OBJETIVOS Entender a importância da atividade de mineração para o desenvolvimento nacional.314/1996. constituindo-se. 225. instituído pelo Decreto-Lei n. mais precisamente. Examinar os principais elementos da legislação infraconstitucional à luz das normas de direito ambiental. III.

2. RESPONSABILIDADE DO ESTADO POR OMISSÃO./2007. POLUIÇÃO AMBIENTAL. Direito Ambiental. Bibliografia complementar 1) Celso Antonio Pacheco Fiorillo. A União tem o dever de fiscalizar as atividades concernentes à extração mineral./2007. 9ª edição. CARVÃO MINERAL. REsp. FGV DIREITO RIO 91 . 2ª Turma. seu grande significado estratégico e sua notória relevância em face do próprio controle ambiental. mesmo em se tratando de responsabilidade por dano ao meio ambiente. 737-755. encontrando-se inscrita no artigo 225. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. REPARAÇÃO. A responsabilidade civil do Estado por omissão é subjetiva. 349-357. pp. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 9ª edição. (2008). de forma que elas sejam equalizadas à conservação ambiental. Julgado 22/mai. 349. Ementa RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. §§ 1º. DJ 22/out. Editora Lumen Juris. 647493/SC — 2004/0032785-4. 11ª edição. Esta obrigatoriedade foi alçada à categoria constitucional. p. uma vez que a ilicitude no comportamento omissivo é aferida sob a perspectiva de que deveria o Estado ter agido conforme estabelece a lei. devem ser tutelados juridicamente como bens. Editora Saraiva.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. EMPRESAS MINERADORAS. pp. levando-se em consideração sua elevada representatividade econômica. Editora Saraiva. 2º e 3º da Carta Magna. (2008).DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA Os recursos minerais em nosso país. (2008). ESTADO DE SANTA CATARINA. 1. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. como materiais fornecidos pelo ambiente a serem utilizados pelos brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil dentro de uma concepção técnica que situa a existência de massas individualizadas de substâncias minerais ou fósseis encontradas na superfície ou no interior da terra.

se diversos forem os causadores da degradação ocorrida em diferentes locais. quando utilizam-na com objetivos fraudulentos ou diversos daqueles para os quais foi constituída.938/81. na última hipótese. na forma do art.DIREITO AMBIENTAL 3. § 1º. como ocorre com a atividade extrativa mineral — a toda a sociedade beneficia. Companhia Carbonífera Urussanga providos em parte.. Havendo mais de um causador de um mesmo dano ambiental. Recurso do Ministério Público provido em parte. De outro lado. Ibramil — Ibracoque Mineração Ltda. não há como atribuir-se a responsabilidade solidária adotando-se apenas o critério geográfico. Carbonífera Criciúma S/A. (i) na falta do elemento “abuso de direito”. é certo que a sociedade imediatamente estará arcando com os custos de tal reparação. ainda que contíguos. 14. Condenada a União a reparação de danos ambientais. 942 do Código Civil. 3º. 8. Recursos de Companhia Siderúrgica Nacional. 6. A desconsideração da pessoa jurídica consiste na possibilidade de se ignorar a personalidade jurídica autônoma da entidade moral para chamar à responsabilidade seus sócios ou administradores. a aplicação da disregard doctrine não tem lugar e pode constituir. os sócios/administradores respondem pelo cumprimento da obrigação de reparação ambiental na qualidade de responsáveis em nome próprio. Companhia Carbonífera Catarinense. Carbonífera Metropolitana S/A. não-conhecidos. 7. 5. IV. por falta de nexo causal entre o dano ocorrido em um determinado lugar por atividade poluidora realizada em outro local. como se fora auto-indenização. Portanto. Carbonífera Palermo Ltda. Esse desiderato apresenta-se consentâneo com o princípio da eqüidade. (ii) não se constituindo a personalização social obstáculo ao cumprimento da obrigação de reparação ambiental. 4. e (iii) nem comprovando-se que os sócios ou administradores têm maior poder de solvência que as sociedades.. da Lei n. c/c o art. obstáculo ao cumprimento da obrigação. na modalidade subsidiária. Recursos de Coque Catarinense Ltda. A responsabilidade será solidária com os entes administrados. Companhia Brasileira Carbonífera de Ararangua (massa falida). Recurso da União provido em parte. 6. Segundo o que dispõe o art. Carbonífera Barro Branco S/A. A ação de reparação/recuperação ambiental é imprescritível. todos respondem solidariamente pela reparação. uma vez que a atividade industrial responsável pela degradação ambiental — por gerar divisas para o país e contribuir com percentual significativo de geração de energia. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que a atividade de mineração se constitui como de especial interesse para o direito ambiental? 2) Como se dá a atividade minerária em terras indígenas? FGV DIREITO RIO 92 .

DIREITO AMBIENTAL 3) Como os impactos das atividades de mineração são tratados pelo ordenamento jurídico ambiental brasileiro? 4) Como as questões referentes à defesa e proteção do meio ambiente são tratadas pelo Código de Minas? 5) É possível afirmar que os recursos minerais são bens ambientais? Explique. FGV DIREITO RIO 93 .

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AULA 23: POLÍTICA ENERGÉTICA E MEIO AMBIENTE

INTRODUÇÃO Talvez não tenha um tema que atualmente esteja tão relacionado com a questão ambiental do que a crescente demanda mundial por energia e suas formas de geração. São as matrizes energéticas responsáveis por grande parte dos problemas ambientais que assolam a sociedade moderna. A emissão de dióxido de carbono por usinas termoelétricas que se utilizam do carvão mineral, constitui-se como a principal das causas para o aquecimento global. A utilização cada vez em maior escala das usinas hidrelétricas é responsável por danos, muitas vezes irreparáveis, à fauna e à flora de determinados ecossistemas. As próprias tecnologias mais limpas de produção de energia, também não são livres de significativos impactos ambientais ou de difíceis escolhas éticas. É, por exemplo, o caso dos biocombustíveis (etanol e biodiesel) que transformam plantações inteiras destinadas à produção de alimentos em monoculturas visando a produção de energia (i.e. cana-de-açúcar, soja, mamona, etc.). Ou, por outro lado, o investimento em energia eólica que demanda grandes estruturas que representam um dano ao valor paisagístico de determinadas regiões e podem ter implicações, por exemplo, em correntes migratórias de diversas espécies de pássaros. E mais, os próprios investimentos em painéis solares que, por sua vez, demanda de substâncias derivadas do petróleo no processo de fabricação. Há ainda questões referentes ao investimento em energia nuclear, debate bastante atual no Brasil e no mundo, mas que vêm acompanhadas das preocupações com os resíduos nucleares e o receio de acidentes como o de Chernobyl. Também não são isentos de possíveis impactos ambientais, a promissora tecnologia que permite que o automóvel seja movido à energia elétrica, pois que não resolveria os problemas referentes à matriz energética utilizada. Estes são apenas alguns exemplos e que não incluem outras formas, ainda pouco debatidas no direito brasileiro, como o hidrogênio, produção de energia pela variação de marés, ou geotermais, para citar alguns. Diante deste complexo cenário, ganha em importância a Política Energética Nacional. Entendê-la e contextualizá-la dentro do direito ambiental como, aliás, vem sendo feito por organismos internacionais e por diversos países, é de fundamental importância para a efetiva proteção do meio ambiente. No Brasil, este debate é ainda mais relevante, pois é constantemente citado como exemplo mundial de investidor em tecnologias energéticas mais limpas, como também para inserir na euforia das recentes descobertas de enormes reservas petrolíferas a questão ambiental.

OBJETIVOS Entender a relação entre política energética e meio ambiente. Compreender a estrutura legal e institucional da Política Energética Nacional. Contextualizar a Política Energética Nacional no direito ambiental. Entender a relação entre produção energética, consumo racional e proteção ambiental.
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LEGISLAÇÃO 1) Lei n. 9.478/1997.

DOUTRINA O ano de 2001 marcou uma importantíssima alteração nos hábitos de consumo de energia dos brasileiros, pois nele ocorreu o fenômeno que ficou conhecido como apagão. O apagão foi o nome popular de um grave problema de abastecimento de energia elétrica que foi conseqüência de vários e diferenciados fatores políticos, sociais, econômicos e climatológicos. (...) A produção e o consumo de energia são das questões ambientais mais relevantes e, qualquer que seja a configuração da matriz energética de um país, as suas repercussões sobre o meio ambiente serão sempre importantes e significativas. (Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), p. 787.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), pp. 787-811;

JURISPRUDÊNCIA 1) TRF 4ª Região, 2004.04.01049432-1/SC (Agravante: União Federal, Agravados: Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica, Federação das Entidades Ecologistas de Santa Catarina, Energética Barra Grande S/A, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA), D.J.U. de 19/jul./2006. Ementa AGRAVO. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. 1. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar, com profundidade, as questões envolvidas na lide, já que o ato presidencial não se reveste de caráter revisional, vale dizer, não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender, mas, sim, a sua potencialidade de lesão à ordem, saúde, segurança e economia públicas. 2. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta.
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NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a relação entre produção e consumo energético e proteção ao meio ambiente? 2) Quais são as matrizes energéticas priorizadas pela Política Energética Nacional? 3) De que forma a preocupação com a defesa e proteção do meio ambiente está inserida na Política Energética Nacional? 4) De que forma a relação entre política energética e proteção do meio ambiente está refletida no caso gerador desta aula? 5) Como fazer a conciliação entre os interesses e a necessidade energética, como pilares do desenvolvimento nacional, com a defesa e proteção do meio ambiente?

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Mestre e Doutorando em Direito Ambiental e Recursos Naturais pela Pace University School of Law. Professor convidado dos programas de pós-graduação em direito ambiental da PUC-SP e PUC-RJ. Palestrante em eventos no Brasil e nos EUA sobre os temas de direito ambiental brasileiro e norte-americano.DIREITO AMBIENTAL RÔMULO SILVEIRA DA ROCHA SAMPAIO Professor e Pesquisador da FGV Direito Rio. Advogado e consultor externo associado ao Escritório Marinoni. Sampaio & Furtado Sociedade de Advogados. Professor adjunto da Pace University School of Law. FGV DIREITO RIO 97 . Mestre em Direito Econômico e Social pela PUCPR. Membro do Grupo de Especialistas da Comissão em Energia e Mudança Climática da Academia de Direito Ambiental da União para Conservação da Natureza (International Union for the Conservation of Nature — IUCN). EUA. Autor de artigos publicados em revistas e jornais norte-americanos sobre mudança climática e biocombustíveis (Fordham International Law Journal e Proceedings of the 30th Aniversary of Environmental Law Programs at Pace). direito internacional ambiental e direito climático. Co-editor do compêndio de leis mundiais sobre aplicação e execução de leis ambientais (environmental enforcement & compliance) a ser publicado pela Cambridge University Press. Nova Iorque.

DIREITO AMBIENTAL FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes de Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 98 .

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