direito ambiental

AUTOR: RômUlO SilveiRA dA ROchA SAmpAiO

1ª edição

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Sumário

Direito Ambiental
BlOCO I. InTRODUçãO AO DIREITO AmBIEnTAl ................................................................................................................................3

Aula 1. O surgimento e a autonomia do Direito Ambiental ........................................................... 4 Aula 2. Direitos e Interesses Difusos e Coletivos............................................................................. 7 Aula 3. Princípios do Direito Ambiental ........................................................................................ 9 Aula 4. Direito Ambiental na Constituição Federal de 1988 ........................................................ 13 Aula 5. Competências constitucionais em matéria ambiental........................................................ 16 Aula 6. Política e Sistema Nacional do Meio Ambiente ................................................................ 19

BlOCO II. InSTRUmEnTOS DA POlíTICA nACIOnAl DO mEIO AmBIEnTE............................................................................................24

Aula 7. Padrões de Qualidade e Zoneamento Ambiental .............................................................. 25 Aula 8. Publicidade, Informação, Educação e Participação Ambiental .......................................... 29 Aula 9: Auditoria Ambiental e Due Diligence ......................................................................... 33 Aula 10: Avaliação de Impacto Ambienta (AIA), Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) ....36 Aula 11: Licenciamento Ambiental ............................................................................................. 42 Aula 12: Dano e Responsabilidade Ambiental .............................................................................. 47 Aula 13: Direito de Águas ............................................................................................................ 54 Aula 14: Tutela do Ar e da Atmosfera ........................................................................................... 57 Aula 15: Tutela da Fauna e da Flora.............................................................................................. 60 Aula 16: Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC)................................................ 63 Aula 17: Florestas Públicas (Lei N. 11.284/2006) e Bioma Mata Atlântica (Lei N. 11.428/2006) ......68 Aula 18: Proteção da Diversidade Biológica.................................................................................. 72 Aula 19: Biotecnologia e Biossegurança ........................................................................................ 75 Aula 20: Saneamento Básico e Meio Ambiente............................................................................. 78 Aula 21: Urbanismo e Meio Ambiente ......................................................................................... 85 Aula 22: Mineração e Meio Ambiente .......................................................................................... 90 Aula 23: Política Energética e Meio Ambiente .............................................................................. 94

BlOCO III: TUTElAS ESPECífICAS DO mEIO AmBIEnTE .....................................................................................................................53

diReiTO AmbienTAl

Bloco I. Introdução ao dIreIto amBIental
Introdução ao Bloco I

A Revolução Industrial é o marco desencadeador de uma sociedade fundada no consumo. Esta sociedade impõe uma pressão cada vez maior sobre os recursos naturais, fazendo crescer preocupações com o meio ambiente e, consequentemente, com a própria sobrevivência da vida no planeta. Diante das constantes agressões ao meio ambiente, comprovadas pela ciência e condenadas pela ética e moral, surge a necessidade de se repensar conceitos desenvolvimentistas clássicos. Neste sentido, se faz imperiosa a agregação de diversas áreas do conhecimento científico, técnico, jurídico e mesmo de saberes de comunidades tradicionais e locais em torno de uma nova teoria de desenvolvimento sustentável que permita a utilização presente dos recursos naturais existentes sem, contudo, esgotá-los, para que o mesmo direito possa ser garantido às futuras gerações. Dentro desse contexto se insere este novo ramo do direito, o direito ambiental. Por sua natureza interdisciplinar em sua gênese, o direito do ambiente acaba também evocando conceitos e, até certo ponto, se sobrepondo aos instrumentos de outras disciplinas clássicas: direito constitucional, administrativo, civil, penal e processual. Pelo fato das atividades poluidoras e de degradação do meio ambiente não conhecerem fronteiras, o direito ambiental evoca constantemente noções de direito internacional fazendo surgir também uma disciplina derivada, intitulada direito internacional ambiental.

FGv diReiTO RiO

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Artigos 184. sob o prisma da dimensão fundamental. abrindo espaço para novas disciplinas jurídicas. dentre elas.diReiTO AmbienTAl aula 1. oBjetIvos Entender os conceitos formadores do direito ambiental. 3. legIslação 1. novas formas de tutela e proteção dos interesses e direitos que já não mais são individualizados. quebrando a divisão clássica do direito de tradição civilística entre público e privado. 2. Caracterizam-se pela coletividade da titularidade e complexidade do bem protegido e das intervenções estatais – por meio de regulação – em áreas antes estritamente privadas. passam a exigir uma re-estruturação da teoria clássica do direito. autonomia em relação às demais disciplinas clássicas do direito e interdisciplinaridade. sua recente consolidação. o surgimento e a autonomia do direito ambiental Introdução A complexidade e evolução da sociedade moderna fizeram com que uma terceira geração de direitos se delineasse. FGv diReiTO RiO 4 . social e coletiva. Incluem-se dentro desta nova geração. Constituição Federal. doutrIna leitura obrigatória José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). Com isso. 19-36. 186 e 225. Proporcionar a precisa identificação e caracterização do bem ambiental. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). Pp. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). Diferenciar as concepções antropocêntricas e ecocêntricas e os conceitos amplos e restritos do direito ambiental e como essas caracterizações afetam a tutela dos interesses e direitos relacionados na prática. Introdução ao Direito do Ambiente. o direito ambiental. direitos como o do consumidor e o próprio ambiental. Universidade Aberta (1998).

enquanto valores fundamentais indisponíveis.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa stF Ms 22. caracterizados. Articulando os dispositivos constitucionais pertinentes. 30/out. notas e Questões1 1. os direitos de terceira geração. Quais as pré-compreensões do Direito do Ambiente? Como se caracterizam? 5. consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento. pela nota de uma essencial inexauribilidade. que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais. Por que razão os juristas encaram as questões ambientais com base numa abordagem interdisciplinar? 3. Enquanto os direitos de primeira geração (direitos civis e políticos) – que compreendem as liberdades clássicas. 16-22. não ao indivíduo identificado em sua singularidade. Pode-se considerar o ambiente como novo bem jurídico protegido pelo direito? Por quê? 7. à própria coletividade social. a expressão significativa de um poder atribuído. 37./1995. negativas ou formais – realçam o princípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos. mas. dentro do processo de afirmação dos direitos humanos. Quais os principais problemas com que se defrontam os juristas na regulação jurídica dos problemas ambientais? 4. José Joaquim Gomes canotilho (coordenador) (1998). Impetrado: presidente da república). pp. num sentido verdadeiramente mais abrangente. Em que consiste o conceito estrito de ambiente? Quais são as principais críticas que se lhe podem dirigir e quais as suas vantagens? 6. FGv diReiTO RiO 5 . p. Em que consiste a implicação ou referência sistêmico-social da noção de bem jurídico ambiental? 8. Quais as razões que tornam a proteção do ambiente uma das preocupações fundamentais dos cidadãos atualmente? 2. refletindo. reais ou concretas – acentuam o princípio da igualdade.164-0-sp (Impetrante: antônio de andrade ribeiro junqueira. expansão e reconhecimento dos direitos humanos. sociais e culturais) – que se identificam com as liberdades positivas. O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração – constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva. é possível afirmar que o direito ao ambiente é hoje um (novo) direito fundamental dos cidadãos? 1 extraídas da obra introdução ao direito do Ambiente. Ementa: A QUESTÃO DO DIREITO AO MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO – DIREITO DE TERCEIRA GERAÇÃO – PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE.

Poderá considerar-se o Direito do Ambiente como nova disciplina jurídica autônoma? Qual o relevo prático desta problemática? FGv diReiTO RiO 6 . Em que consiste a noção de dano ambiental? 10. Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente. ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? 11.diReiTO AmbienTAl 9.

alínea “a” doutrIna leitura obrigatória Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida. direitos e interesses metaindividuais. tipificados pelo direito positivo vigente no Brasil. 17-19. Antônio F. pp. 1-22. Lei 7.078/1990. oBjetIvos Categorizar os interesses e direitos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (saudável) como difuso. parágrafo único.625/1993. G. legIslação 1. Editora Método (2008). Artigos 129. inciso IV./97. 26/fev. incisos I a III. Lei 8. Manual de Direito Ambiental – série Concursos Públicos. Editora Juarez de Oliveira (2006). direitos e interesses difusos e Coletivos Introdução Surgem. Lei 8. jurIsprudêncIa stF re 163231-3/sp (recorrente: Ministério público do estado de são paulo.347/1985. pp. esmiuçados pela doutrina especializada. 3. Artigo 1º.diReiTO AmbienTAl aula 2. mas que ainda suscitam diversas questões práticas. Artigo 81. Beltrão. então. coletivo ou individual homogêneo. Identificar os critérios para legitimação da defesa do meio ambiente. recorrido: associação notre dame de educação e cultura). 2. podem operar contra a eficiente proteção do bem jurídico que se propõem a proteger. Constituição Federal. desde a caracterização e classificação até aos imbróglios e divergências processuais. Artigo 25. Os problemas de aplicação desses conceitos. FGv diReiTO RiO 7 . 225. portanto. Tutela dos Interesses Difusos e Coletivos. 4. acabam contaminando a prática e. Possibilitar a compreensão da indenização individual por dano coletivo.

O vazamento causou ainda a morte de diversas espécies de pássaros. ficou impossibilitada de exercer a sua atividade econômica. Diante deste cenário. Como decorrência. Como o direito e/ou interesse tutelado vinculam a resposta a ser dada pelo Poder Judiciário? 3. Por um período de 3 meses a associação de pescadores da Ilha do Governador. composta por 100 pescadores. por força da mesma proibição provisória imposta pela autoridade ambiental competente. Quais são os interesses e direitos a serem tutelados? 2. após ter carregado a embarcação com petróleo. estava abastecendo seu cargueiro no porto do Rio de Janeiro. o petróleo vazou contaminando 80% da baía de Guanabara. peixes e foi responsável pela interdição de vários balneários. não associados a esta entidade.diReiTO AmbienTAl notas e Questões Imagine a seguinte situação baseada em um acontecimento real: Uma grande companhia de óleo e gás. ficaram impossibilitados de exercer suas atividades econômicas e de auto-sustento. indaga-se: 1. Outros 50 pescadores. Durante o processo de abastecimento. Como o exercício de um interesse específico pode afetar positiva ou negativamente o resultado final de outro interesse? FGv diReiTO RiO 8 . um vazamento na mangueira de combustível ocasionou uma explosão de grande dimensão.

disciplina jurídica.605/1998. Lei 9. pretende introduzir alguns dos mais importantes princípios do direito ambiental e trabalhar a aplicação dos conceitos a eles inerentes ao caso concreto. 3. A este novo projeto de desenvolvimento econômico. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). 2. Esta reconstrução passou a impor ao desenvolvimento econômico a racional utilização dos recursos naturais e fez com que os processos industriais passassem a internalizar as externalidades ambientais. como no plano nacional e que serviram também para auxiliar na interpretação de conceitos legislativos e sanarem lacunas desta. oBjetIvos Conhecer os princípios formadores do direito ambiental. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). Constituição Federal. Diferenciar os conceitos de princípios similares para melhor articulação da aplicação prática. resolveu-se incluir a noção de sustentável como única forma viável de evitar a degradação do meio ambiente a níveis que permitam a sadia qualidade de vida no planeta. Esta aula. diversos princípios surgiram tanto em âmbito internacional. A conscientização de que os recursos naturais renováveis ou não renováveis são limitados clamou por uma intervenção legislativa capaz de reconstruir modelos clássicos desenvolvimentistas. entender a existência desses princípios e justificar as suas aplicações práticas.diReiTO AmbienTAl aula 3. Artigo 225. 5.938/1981. até então recém nascida. portanto. Possibilitar a identificação dos princípios explícitos e implícitos em textos normativos. Lei 6. FGv diReiTO RiO 9 . PrinCíPios do direito ambiental Introdução A crescente preocupação social com as questões ambientais influenciou a comunidade internacional e as legislações constitucionais e infraconstitucionais de diversos países a enveredar para a elaboração de normas de proteção do meio ambiente. 4. legIslação 1. Para orientar esta atividade normativa.

de uma norma. SEM O PRÉVIO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – ART. 2º. FGv diReiTO RiO 10 .014661-1-dF (apelantes: união Federal e Monsanto do Brasil ltda. Introdução ao Direito do Ambiente. quando comparado com o conteúdo. Universidade Aberta [1998]. pp. mesmo porque.) leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado.diReiTO AmbienTAl doutrIna utilidade dos princípios Apesar de terem um conteúdo relativamente vago. DA LEI Nº 6. muito concreto. 43./2000. na ação cautelar. 8º. 16ª Edição. jurIsprudêncIa trF 1ª região. 3º. no exercício do poder geral de cautela. § 1º.01. § 4º. tornando inconstitucionais ou ilegais as disposições legais ou regulamentares ou os actos administrativos que os contrariem. Editora Malheiros (2008).00. (José Joaquim Gomes Canotilho [coordenador]. Direito Ambiental Brasileiro. DE OGM – PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E DA INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO CAUTELAR – PRESENÇA DO FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO – INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA – ART. finalmente. CAPUTE E § 1º. 8/ago. • na sua capacidade de integração de lacunas2.938/81 E ARTS 1º. pode o magistrado adotar 2 Uma lacuna é a não previsão de um caso na lei e a integração da lacuna consiste na criação da disciplina jurídica para aquele caso concreto. 57-72 e 74-108. 225. apelados: Instituto Brasileiro de defesa do consumidor [Idec] e associação civil greenpeace). • no seu potencial como auxiliares da interpretação de outras normas jurídicas e. a utilidade dos princípios reside fundamentalmente: • em serem um padrão que permite aferir a validade das leis. Ementa: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO CAUTELAR – LIBERAÇÃO DO PLANTIO E COMERCIALIZAÇÃO DE SOJA GENÉTICAMENTE MODIFICADA (SOJA ROUND UP READY). III. DA RESOLUÇÃO CONAMA Nº 237/97 – INEXISTÊNCIA DE NORMA REGULAMENTADORA QUANTO À LIBERAÇÃO E DESCARTE. DA CF/88 C/C ARTS. DO CPC – INTELIGÊNCIA. NO MEIO AMBIENTE. 9º E 10º. p. I – Improcedência da alegação de julgamento extra petita. IV.. 4º E ANEXO I. ac 2000. 808.

c) pela vedação contida no art. no meio ambiente. autorizando o plantio e a comercialização de soja transgênica. da Lei 8. a que se refere o art. incumbindo ao poder Público. não há suporte à conclusão de que a mera expedição de parecer pela CNTBio. na qual os autores se insurgem. até o momento presente. § 1º. § 4º. Ilmar Galvão.086-7/SC. XVI. tal como consta do Anexo I da aludida Resolução CONAMA nº 237/97. que permite à CNTBio dispensar o prévio estudo de impacto ambiental – de competência do IBAMA – em se tratando de liberação de organismos geneticamente modificados. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. encontra-se demonstrada especialmente: a) pelas disposições dos arts. de organismos geneticamente modificados. V – A existência do fumus boni iuris ou da probabilidade de tutela. especialmente ante séria dúvida quanto à Constitucionalidade do art. 24. possa tornar sem objeto a ação cautelar. da CF/88). 8º. da Lei nº 6. contra o aludido parecer. 9º e 10º. II. por via de conseqüência. à luz das quais se infere que a definição de “obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente”. em escala comercial. de 31/08/81 – recepcionada pela CF/88 – e dos arts. 808. que veiculava idêntica faculdade outorgada à CNTBio. III – Se os autores só reconhecem ao IBAMA a prerrogativa de licenciar atividades potencialmente carecedoras de degradação ambiental. a regulamentação relativa à liberação e descarte. pelo que. pág.diReiTO AmbienTAl providência não requerida e que lhe pareça idônea para a conservação do estado de fato e de direito envolvido na lide. 2º. 1º. 2º. compreende “a introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas”. 225. estudo prévio de impacto ambiental. 3º. para assegurar a efetividade desse direito. IV.§ 1º. na forma da lei. em face do veto presidencial à disposição constante do projeto da Lei nº 8. in DJU de 16/09/94. para a qual. caput e § 1º.938. IV – O art. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente.974/95. sob pena de se tornarem ineficazes outras disposições daquele diploma legal. do direito invocado. 225.974/95. que conserva a sua eficácia na pendência do processo principal – e não apenas até a sentença – mesmo porque os feitos cautelar e principal têm natureza e objetivos distintos. 8º. da CF/88. e a comercialização de sementes de soja geneticamente modificadas. Precedente do STF (ADIN nº 1. do CPC. no processo principal. Min.279). a que se dará publicidade” (art. Inteligência do art. no meio ambiente. à máquina de norma regulamentadoras a respeito do assunto. necessário o estudo prévio de impacto ambiental. juridicamente relevante é a tese de impossibilidade de autorizaFGv diReiTO RiO 11 . exatamente. do Decreto nº 1. VI. II – A sentença de procedência da ação principal não prejudica ou faz cessar a eficácia da ação cautelar. Rel. sem o prévio estudo de impacto ambiental. 4º e Anexo I da Resolução CONAMA nº 237/97. IV.752/95. para o plantio. “exigir. diante da qual se conclui que a CNTBio deve expedir. 225 da CF/88 erigiu o meio ambiente ecologicamente equilibrado “a bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. previamente.

Apelações e remessa oficial. sem a adoção de rigorosos critérios de segurança.984-18. improvidas. tal como previsto no art. o risco de dano irreversível e irreparável ao meio ambiente e à saúde pública. tipificando-se tais condutas como crimes e impondo-lhes severas penas. lesão ao meio ambiente e lesão grave ao meio ambiente. De que forma princípios gerais como o da razoabilidade e proporcionalidade se relacionam com a instrumentalização dos princípios de direito ambiental? FGv diReiTO RiO 12 . no intuito de se evitar – em homenagem aos princípios da precaução e da instrumentalidade do processo cautelar –.diReiTO AmbienTAl ção de qualquer atividade relativa à introdução de OGM no meio ambiente. no meio ambiente. VII – Homologação do pedido de desistência do IBAMA para figurar no pólo ativo da lide. e 13. tida como interposta. de 01/06/2000. IDEC e Greenpeace? 3. sem a observância das devidas cautelas regulamentares. VIII – Preliminares rejeitadas. Qual é a natureza jurídica e justificativa do princípio do poluidor-pagador? 5. O que se entende por princípio da participação? Qual é a sua importância e relevância prática? 4. até o deslinde da ação principal. pode causar. pela utilização de engenharia genética no meio ambiente e em produtos alimentícios. da Lei nº 8. O que distingue os princípios da precaução e da prevenção? 2. d) Pelas disposições dos arts. IV – A existência de uma situação de perigo recomenda a tutela cautelar.974/95. notas e Questões 1. 13. V. que sinalizam a potencialidade lesiva de atividade cujo descarte ou liberação de OGM. §§ 1º a 3º. até a morte. da Lei nº 8. 8º. em face da superveniência da Medida Provisória nº 1.974/95. desde incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias e lesão corporal grave. VI. De que forma o princípio da precaução se aplica ao caso relatado no caso União Federal e Monsanto vs.

não tenham cuidado FGv diReiTO RiO 13 . como a norte-americana. oBjetIvos Reconhecer a importância de disposições constitucionais específicas em matéria de defesa e proteção do meio ambiente. legIslação 1. direta ou indiretamente. doutrIna Meio ambiente: bem jurídico per se Cabe à Constituição. Em capítulo específico. direito ambiental na Constituição federal de 1988 Introdução A Constituição Federal brasileira de 1988 é um marco na defesa dos direitos e interesses ambientais ao dispor em diferentes títulos e capítulos sobre a necessidade de preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Entender o papel do Judiciário na consolidação da proteção ambiental constitucional. Além disso. diversos são os conceitos e princípios inovadores trazidos pela Carta Magna que norteiam o direito ambiental brasileiro. bem se compreende que Constituições mais antigas. 129. Trabalhar a idéia de divisão de responsabilidades em ações de proteção e defesa do meio ambiente entre o Poder Público e a coletividade. como lei fundamental. Tema candente. É por isso que. o de número “VI”. XXIII. O texto constitucional inova ainda quando divide a responsabilidade pela defesa do meio ambiente entre o Poder Público e à coletividade. é a primeira vez em que a expressão “meio ambiente” aparece em uma Constituição brasileira. traçar o conteúdo e os limites da ordem jurídica. III e IV. também reforçando o seu título de “constituição cidadã”. Elaborar a noção do ambiente ecologicamente equilibrado como direito subjetivo de todos e dever fundamental do Estado. portanto. Artigos 5º. 170. Identificar os instrumentos processuais constitucionais de defesa do meio ambiente. e que assumiu proporções inesperadas no século XX. com mais destaque a partir dos anos 60. ampliando sobremaneira a importância da sociedade civil organizada e. a francesa e a italiana. III e 225.diReiTO AmbienTAl aula 4. vamos localizar na norma constitucional os fundamentos da proteção do meio ambiente. Constituição Federal.

(2007). Editora Lumen Juris. Bibliografia complementar Édis Milaré. pp.01049432-1/sc (agravante: união Federal. Assim ocorria também no Brasil. 2004. isto é. Editora Revista dos Tribunais [2005]. energética Barra grande s/a. Direito Ambiental Brasileiro. inclusive o nosso. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar. o meio ambiente deixa de ser considerado um bem jurídico per accidens e é elevado à categoria de bem jurídico per se. promulgaram (e promulgam) leis e regulamentos de proteção do meio ambiente. 142-192. Aí está. agravados: rede de organizações não-governamentais da Mata atlântica.diReiTO AmbienTAl especificamente da matéria. 5ª Edição. pp. Direito do Ambiente. 11ª Edição. como é o caso da saúde humana. Isso acontecia porque o legislador se baseava no poder geral que lhe cabia para proteger a “saúde humana”. porque é mais abrangente e compreensiva. de 19/jul. jurIsprudêncIa trF 4ª região. ou seja. Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos recursos naturais renováveis – IBaMa). 4ª Edição. já que o ato presidencial não FGv diReiTO RiO 14 . leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. pp.u. com profundidade. 16ª Edição. 122-152. Aparece o ambientalismo como direito fundamental da pessoa humana. Editora Malheiros (2008). (Édis Milaré. Direito Ambiental. nos regimes constitucionais anteriores a 1988. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. ainda que sem previsão constitucional expressa. a proteção do meio ambiente. Ementa: AGRAVO. Nessa nova perspectiva. Direito do Ambiente. com autonomia em relação a outros bens protegidos pela ordem jurídica. 57-76. explícito ou implícito. as questões envolvidas na lide.j. Nos regimes constitucionais modernos. a saúde ambiental./2006. Editora Revista dos Tribunais. Paulo de Bessa Antunes. 180). HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. Mas. ganha identidade própria. 1. tendo como pressuposto. historicamente. como o português (1976). Federação das entidades ecologistas de santa catarina. o espanhol (1978) e o brasileiro (1988). d. (2008). o primeiro fundamento para a tutela ambiental. a saúde humana. p. os diversos países.04. embora sem perder seus vínculos originais com a saúde humana.

segurança e economia públicas. Qual é a importância da Constituição trazer previsões de direitos e deveres de defesa e proteção do meio ambiente? 2. Quais são os argumentos constitucionais que poderiam ter influenciado o julgado de forma diversa do decidido? FGv diReiTO RiO 15 . mas. a sua potencialidade de lesão à ordem. vale dizer. Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica e outros ao meio ambiente? 3. Qual é a importância dada pela decisão União Federal vs. não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta. notas e Questões 1. Quais são os conceitos fundamentais medidos e sopesados pelo julgado supra citado para fundamentar a decisão final? 4. saúde.diReiTO AmbienTAl se reveste de caráter revisional. sim. 2.

para florestas. 170 e 182. 22. 30. conservação da natureza. VI e VII. Distrito Federal e Municípios para a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer das suas formas. estadual e municipal. Trata-se da competência material ou administrativa. defesa do solo e dos recursos naturais. 23. ComPetênCias ConstituCionais em matéria ambiental Introdução A Constituição Federal de 1988 cria uma federação com três níveis de governo: federal. excluindo os Municípios. Constituição Federal. dos Estados e do Distrito Federal.diReiTO AmbienTAl aula 5. legIslação 1. a Carta Magna estabelece um complexo sistema de repartição de competências legislativas e executivas. 18. 24. aparentemente descentralizador. 24. 23. se sobrepõem e geram incertezas práticas. fauna. da Carta de 1988 estabelece a competência legislativa concorrente da União. bem como para a preservação das florestas. 25. como responsabilidade por dano ao meio ambiente. constituindo-se muitas vezes em obstáculos de difícil transposição no campo processual. VI e VIII. Estados. doutrIna Competência Comum: o art. Preceitos de competência privativa. concorrente e suplementar ao mesmo tempo em que são elucidados pelo texto constitucional. da fauna e da flora. caça. da Constituição da República estabelece a competência comum da União. 24 que a União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. De acordo com o princípio da predominância do interesse. Competência legislativa: o art. Trabalhar e aplicar o sistema de competências na prática. Artigos 1º. pesca. Infelizmente. Dentro deste modelo. a Carta Federal expressamente dispõe nos parágrafos do art. É justamente neste particular que reside uma das questões mais conflitantes do direito ambiental: a divisão de competências entre os diferentes entes da federação em matéria de legislação e execução de políticas ambientais. a conseqüência nefasta de um sistema de competências confuso pode acarretar em irreparável dano ao meio ambiente. oBjetIvos Identificar e diferenciar as diferentes competências em matéria ambiental. cabendo aos Estados a competência supleFGv diReiTO RiO 16 .

Editora Revista dos Tribunais (2008).º 2. jurIsprudêncIa stF adin 2. 2ª Edição. Editora Malheiros. Afronta à competência legislativa concorrente da União para editar normas gerais referentes à produção e consumo. pp. p. Direito do Ambiente. artigo 24. Ementa Ação Direta de Inconstitucionalidade. (2006). Manual de Direito Ambiental. II e LIV. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. (2008). Édis Milaré. Lei n. 5ª Edição. VI e XII e §§ 1º e 2º da Constituição Federal. Editora Lumen Júris. Editora Atlas. Direito Ambiental Brasileiro. 55-71. G. 111-115. V.396-9 (requerente: governador do estado de goiás.diReiTO AmbienTAl mentar. 22. Qual é a diferença entre competência administrativa e competência legislativa? Quais são os dispositivos constitucionais específicos que fundamentam esta repartição de competências? FGv diReiTO RiO 17 . 105). à proteção do meio ambiente e controle da poluição e à proteção e defesa da saúde. Beltrão. II e IV. 16ª Edição. 11ª Edição. caso posteriormente seja editada lei federal sobre normas gerais. Antônio F. G. Inexistindo lei federal sobre normas gerais. Editora Método. pp. do Estado do Mato Grosso do Sul. Direito Ambiental. pp. § 1º. notas e Questões 1. Luís Carlos Silva de Moraes. Editora Método. requeridos: assembléia legislativa do estado do Mato grosso do sul e governador do estado do Mato grosso do sul). I e XII. (2008). 25. (Antônio F. pp.179-183. os Estados excepcionalmente exercerão a competência legislativa plena. Ofensa aos arts.210/01. 77-92. Inexistência. 170. Manual de Direito Ambiental. Beltrão. caput. Curso de Direito Ambiental. 66-70. pp. caput. (2008). 18 e 5º. Bibliografia complementar Paulo de Bessa Antunes. eventual lei estadual oriunda desta competência legislativa plena terá sua eficácia suspensa. [2008].

FGv diReiTO RiO 18 . é de competência exclusiva da União. c) tendo em vista o princípio da descentralização administrativa. em qualquer de suas formas. beltrão. Podem os Estados legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 4. b) situa-se no âmbito da legislação concorrente a competência para legislar sobre proteção do meio ambiente.diReiTO AmbienTAl 2. (2008). p. na ausência de legislação específica da União. (Procurador da República 20º Concurso) Assinale a alternativa correta:3 a) o combate à poluição. editora método. d) nenhuma das alternativas está correta. 109. Em matéria de competência suplementar dos Estados. 3 Questão extraída da obra: Antônio F. de que forma esta competência da União é exercida? 3. pode o Estado ocupar o espaço com legislação estadual em matéria de defesa e proteção do meio ambiente? E o município? 6. G. manual de direito Ambiental. é de competência exclusiva dos Estados-membros a preservação das florestas. Podem os municípios legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 5. A União é competente para legislar em matéria que verse sobre proteção e defesa do meio ambiente? Em caso afirmativo.

ferir direitos até então internacionalmente reconhecidos. é precursora na adoção de uma política nacional e quadro institucional sistematizado para efetivar a finalidade máxima de defesa e proteção do meio ambiente ecologicamente sadio à qualidade de vida. instaurou-se um conflito de interesses entre países em desenvolvimento e desenvolvidos acerca do direito ao desenvolvimento econômico. Compreender e aplicar na prática a divisão de competências dos órgãos integrantes do SISNAMA. assume especial relevância a organização e o mapeamento institucional. surge a necessidade de criação e desenvolvimento de diretrizes e ações coordenadas para instrumentalizar o objetivo maior perseguido. a Declaração do Rio de 1992 consolidou o conceito de gestão ambiental como instrumento indispensável ao cumprimento de objetivos preservacionistas e de defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado. Lei 7. contudo. Lei 7. FGv diReiTO RiO 19 . Dentro deste contexto. 3. Visando mitigar este conflito sem. legIslação 1. sociais e ambientais. bem como a elaboração de um atualizado quadro legal e regulatório que pudesse recepcionar e se adequar aos preceitos internacionalmente reconhecidos. 2. como a soberania e o próprio direito das nações ao desenvolvimento econômico. preservando os aspectos econômicos.735/1989. impulsionada pelo movimento ambientalista da década de 70. Conceitualizar e compreender o Sistema Nacional do Meio Ambiente. A legislação brasileira. Lei 6. a comunidade internacional passou a trabalhar a noção de desenvolvimento sustentável. Portanto.938/1981. PolítiCa e sistema naCional do meio ambiente Introdução Diante da complexidade do bem ambiental e dos meios para efetivação da sua defesa e proteção.797/1989. Identificar e distinguir o organograma institucional do SISNAMA. Com a concepção da Declaração de Estocolmo de 1972. oBjetIvo Entender e contextualizar a concepção da Política Nacional do Meio Ambiente e sua respectiva instrumentalização. Nesta esteira. constitui-se em um marco ao conceber a necessidade de uma gestão qualificada.diReiTO AmbienTAl aula 6. mas mantendo preservada a compatibilização destes objetivos com o direito ao desenvolvimento econômico e social.

683/2003.696/1995. Lei 10. Fundação do Meio ambiente [FatMa]. 93-124. Direito Ambiental Brasileiro. Ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. doutrIna O SISNAMA [Sistema Nacional de Meio Ambiente] é o conjunto de órgãos e instituições vinculadas ao Poder Executivo que. Editora Lumen Juris. jurIsprudêncIa stj recurso especial 588. Editora Lumen Juris. (Paulo de Bessa Antunes. 113-121. 16ª Edição. Beltrão. pp. (2008). 11ª Edição. conforme definido em lei. p. G. 5. Antônio F. (2008). Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. FGv diReiTO RiO 20 . muitas outras instituições nacionais têm importantes atribuições no que se refere à proteção do meio ambiente. (2008). recorridos: Ministério público Federal. (2008).diReiTO AmbienTAl 4. pp. 153-175.022-sc (2003/0159754-5) (recorrentes: superintendência do porto de Itajaí. Interessado: Instituto Brasileiro do Meio ambiente e recursos naturais renováveis [IBaMa]). AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LICENCIAMENTO. pp. Paulo de Bessa Antunes. nos níveis federal. 5ª Edição. Direito do Ambiente. Lei 10. Decreto 1. Editora Método. Manual de Direito Ambiental. Decreto 964/1993. estadual e municipal. 6. Além do SISNAMA.650/2003. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. INTERESSE NACIONAL. cuja estruturação é feita com base na lei da PNMA [Política Nacional do Meio Ambiente]. Editora Malheiros. Direito Ambiental. são encarregados da proteção ao meio ambiente. Direito Ambiental. 11ª Edição. 285-298 / 307-321. 93). COMPETÊNCIA DO IBAMA. Editora Revista dos Tribunais (2007). pp. leitura obrigatória Édis Milaré. 7.

é supletiva. O que é o SISNAMA e qual a sua utilidade dentro da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. pelo depósito dos detritos no mar. mas. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. De que forma o desenvolvimento econômico é tratado pela Política Nacional do Meio Ambiente? 5. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. extrapolando os limites impostos pelo homem. 8. 3. através dos órgãos ambientais públicos e privados. in casu. do mar e do mangue nessa região. sobre os mangues. sobre o homem que vive e depende do rio. A natureza desconhece fronteiras políticas. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. bem como. 5. 4. é patrimônio do Poder Público que. Qual a finalidade de se instituir uma Política Nacional do Meio Ambiente? 3. o mar territorial afetado. enfim. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. pode até haver duplicidade de licenciamento. notas e Questões 1. Qual é a função que o Conselho de Governo vem desenvolvendo na prática? Explique. principalmente. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. O que é o CONAMA e quais são as suas funções? FGv diReiTO RiO 21 . O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações.diReiTO AmbienTAl 1. nesta condição. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. Os bens ambientais são transnacionais. e. a FATMA. Recursos especiais improvidos. É possível afirmar que o meio ambiente. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. sobre as praias. como bem de uso comum de todos. nesse caso. A atividade do órgão estadual. O que é a Política Nacional do Meio Ambiente? 2. 4. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. deve zelar e administrá-lo em prol da coletividade para as gerações presentes e futuras? Justifique. sobre as correntes marítimas. 2. sobre a orla litorânea. Quais são os órgãos integrantes do SISNAMA? 9. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. Qual é a importância e o fundamento legal de inclusão do princípio da informação ao SISNAMA? 7.

Um vereador de determinado município. Nessa situação. 195. Id. julgue os próximos itens. dos Estados. pois é de competência comum da União. o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). d) autorizar a supressão. julgue os próximos itens. cons- 4 Questão extraída da obra: Antônio F. sob o ponto de vista constitucional. aproveitando-se da legitimidade democrática decorrente de sua composição ampliada. FGv diReiTO RiO 22 . e) estabelecer normas e padrões relativos à emissão de poluição por veículos automotores. o Grupo Executivo do Setor Pesqueiro (GESPE). 192-193. beltrão. b.diReiTO AmbienTAl 10.6 a. não obstante já possuir órgão ambiental na esfera estadual. Considere a seguinte situação hipotética. p. 11. em grau de recurso. após a expedição de parecer técnico conclusivo favorável pelos órgãos competentes. o Conselho Nacional da Amazônia Legal e o Conselho Nacional da Mata Atlântica. p. a Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. Considere a seguinte situação hipotética. do DF e dos Municípios legislar sobre a matéria mencionada. (2008). (Juiz de Direito – TJMT 2004) A respeito da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e da normatização constitucional e infraconstitucional relativa ao meio ambiente. pp. o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). as decisões relativas à outorga de licenciamento ambiental proferidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. 12. Determinado Estado da Federação. editora método. versando sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição das águas. diminuição ou alteração de área de preservação permanente e de reserva legal. G. b) O Fundo Nacional de Meio Ambiente objetiva o desenvolvimento de projetos que visem o uso racional e sustentável de recursos naturais. dados os constantes episódios de degradação de recursos hídricos naquela unidade da federação. tal projeto pode ser considerado compatível. manual de direito Ambiental. 192. incluindo manutenção. (Procurador do Estado AP 2006) Quanto ao Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). (Procurador Município Manaus 2006) As competências atribuídas legalmente ao Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA dão-lhe a prerrogativa de:4 a) fixar as políticas de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável em nível nacional. 5 6 Id. melhoria ou recuperação de qualidade ambiental que visem a elevação da qualidade de vida da população. b) rever. apresentou projeto de lei. aeronaves e embarcações. c) autorizar a exploração comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs).5 a) Compõem o SISNAMA: o Conselho de Governo.

FGv diReiTO RiO 23 . ainda que instituídas pelo poder público para propósitos ambientais. dos Estados. pois ele só é integrado pelos órgãos ambientais da União. Nessa situação. apesar de tal fundação destinar-se aos mencionados fins. ela não compõe o Sistema nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). do DF e dos Municípios e não por fundações.diReiTO AmbienTAl tituiu uma fundação responsável pela proteção e melhoria da qualidade ambiental.

X – a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente. servidão ambiental. Este capítulo irá abordar sucintamente alguns destes instrumentos e aprofundar em maiores detalhes aqueles que visam o uso equilibrado dos recursos naturais. Artigo 9º. da Lei 6. São eles os meios para a efetiva defesa e proteção do meio ambiente. II – o zoneamento ambiental. a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. como concessão florestal. da Lei 6. IV – o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras.938/81 apresenta um rol de onze incisos elencando os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. III – a avaliação de impactos ambientais. V – os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia. FGv diReiTO RiO 24 . VII – o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente. de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas. voltados para a melhoria da qualidade ambiental. VIII – o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental. estadual e municipal. outros ainda carecem de elucidação regulamentar específica. XII – o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ ou utilizadoras dos recursos ambientais. VI – a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal. seguro ambiental e outros.diReiTO AmbienTAl Bloco II. Instrumentos da PolítIca nacIonal do meIo amBIente Introdução ao Bloco O artigo 9º. Alguns se encontram exaustivamente regulados. XI – a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente. tais como áreas de proteção ambiental. IX – as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não-cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental. quando inexistentes.938/1981: São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: I – o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental. XIII – instrumentos econômicos. obrigando-se o Poder Público a produzi-las.

Reconhecendo-se a necessidade do avanço nas áreas econômica e social sem. é ele também mecanismo de convergência de objetivos preservacionistas e econômicos. o marco regulatório é justamente a Lei 6. agricultura. No Brasil. o zoneamento ambiental constitui-se como outro instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente. Compreender e resolver as tensões entre os poderes públicos e iniciativa privada em matérias de padrões de qualidade ambiental e zoneamento ecológico-econômico. oBjetIvo Entender o conceito e a importância da definição de padrões de qualidade ambiental e critérios coerentes de zoneamento ambiental. preservação ambiental e/ou mista. porém dotados de mecanismos flexíveis de deliberação que possam acompanhar o desenvolvimento técnico-científico e os diferentes anseios da sociedade. FGv diReiTO RiO 25 .938/81 e o órgão deliberativo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).diReiTO AmbienTAl aula 7. realça a importância do correto planejamento do território que será destinado à indústria. este instrumento assume especial relevância. efluentes e ruídos (atualmente instituídos). Estados e Municípios em matéria de zoneamento ambiental. é necessária uma previsão legal sólida dos instrumentos de política do meio ambiente. Padrões de Qualidade e Zoneamento ambiental Introdução A fixação de padrões de qualidade e o zoneamento ambiental são dois instrumentos de extrema importância para a consecução das premissas inerentes ao desenvolvimento sustentável. 9º. O atual debate acerca dos biocombustíveis como vilões da agricultura voltada para a produção de alimentos. num país de dimensões continentais como o Brasil. Como o próprio nome sugere. A sua composição e diversidade democrática (governo. contudo. é imprescindível uma democrática. Portanto. da Lei 6. classe empresarial e científica) é capaz de identificar e definir os padrões aceitáveis de emissão de poluentes. olvidar da defesa e proteção do meio ambiente.938/81. previsto pelo art. bem como de congregar e resolver eventuais conflitos de interesses dos diferentes setores representados. inc. Dentro deste contexto e somando-se à complexidade e rapidez cada vez maior da evolução do conhecimento e avanço tecnológico da sociedade moderna. No tocante ao zoneamento ecológico-econômico (ZEE). II. atualizada e séria articulação dos meios para atingir as metas previamente traçadas. em relação aos padrões de qualidade. sociedade civil. Distinguir as diferentes atribuições da União. ou como incentivo à monocultura.

Luís Carlos Silva de Moraes. 4. Decreto 4. 182. (Antônio F. 25. 3. Direito do Ambiente. 91. seu grau de dispersão. pp. 11ª Edição. Variam conforme a toxicidade do poluente. 321-353. 181-199. O zoneamento consiste em dividir o território em parcelas nas quais se autorizam determinadas atividades ou interdita-se. 16ª Edição. (2008). 2. F Bertoldi empreendimentos Imobiliários ltda e arrimo empreendimentos Imobiliários ltda). Manual de Direito Ambiental. (2008). (2006). artigos 21.171/91 doutrIna Os padrões de qualidade ambiental consistem em parâmetros fixados pela legislação para regular o lançamento/emissão de poluentes visando assegurar a saúde humana e a qualidade do ambiente. Direito Ambiental Brasileiro. 191). 5ª Edição. p. pp. pp. Paulo de Bessa Antunes.938/81. G. réus: Município de guaratuba. 165. Editora Método. (Paulo Affonso Leme Machado. FGv diReiTO RiO 26 . [2008]. Curso de Direito Ambiental. Editora Lumen Juris. 72-84. 2ª Edição.297/02. Editora Malheiros. 186 e 225. (2008). por si só.diReiTO AmbienTAl legIslação 1. Lei 8. o uso preponderante do bem ambiental receptor. Ainda que o zoneamento não constitua. 43. a solução de todos os problemas ambientais é um significativo passo. o exercício de outras atividades. Beltrão. 188-214. jurIsprudêncIa stj ação rescisória 756 – pr (1998/0025286-0) (autor: estado do paraná. Lei 6. vazão da corrente de água (em caso do ambiente receptor ser água) etc. pp. p. Editora Revista dos Tribunais (2007). de modo absoluto ou relativo. Direito Ambiental Brasileiro. leitura obrigatória Édis Milaré. 16ª Edição. Editora Atlas. Editora Malheiros. Constituição Federal. 122). Direito Ambiental. Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado.

Min. DJ de 01. 5.02. 7.1999.389/80.. De que forma os padrões de qualidade ambiental são desenvolvimentos e instituídos no Brasil? FGv diReiTO RiO 27 . NORMAS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. I. cumpre a observância das normas editadas pela União e pelos Estados. 05/89. LEI PARANAENSE N.380/80 do Estado do Paraná. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR. EDIFICAÇÃO LITORÂNEA.2000. Min. que instituiu diretrizes para o zoneamento e uso do solo no Município de Guaratuba. DJ de 03.629/PR. 1ª T. A teor dos disposto nos arts. 6. Francisco Peçanha Martins.279/PR. Precedente: RMS 9. Min. de 09 de março de 1983. no âmbito do exercício da competência legislativa. 1ª T. VIOLAÇÃO. como a expedição de alvará para construção. ao prescrever condições para proteção de áreas de interesse especial. DJ de 9. notas e Questões 1. não podendo contrariá-las. ainda que tais benefícios sejam diretamente dirigidos às construtoras que receiam o embargo de suas edificações. 25 da Constituição do Estado do Paraná. 24 e 30 da Constituição Federal. 7. 4. Francisco Falcão.11.02. daí resultando a impossibilidade do art..diReiTO AmbienTAl Ementa: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. DJ de 28. 2. Min. A Lei n. Precedentes: RMS 9. estabeleceu medidas destinadas à execução das atribuições conferidas pelas legislações constitucional e federal. é de se admitir a legitimidade do município impetrante. destinado a preservar a autonomia municipal. AÇÃO RESCISÓRIA. 1. 3. revogá-la.274. Demócrito Reinaldo.2003. LEGITIMIDADE DO MUNICÍPIO PARA ATUAR NA DEFESA DE SUA COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. está em desacordo com as limitações urbanísticas impostas pelas legislações estaduais então em vigor e fora dos parâmetros autorizados pelo Conselho do Litoral. o que enseja a imposição de medidas administrativas coercitivas prescritas pelo Decreto Estadual n. bem como de garantir a validade dos atos administrativos correspondentes.279/PR. Entendida a questão sob esse enfoque. Francisco Falcão..252/PR. se dá em defesa de seu próprio direito subjetivo de preservar sua competência para legislar sobre matérias de interesse local (art. RMS 13. A Lei Municipal n. da CF/88). aos Municípios. A atuação do Município. Ação rescisória procedente. como as referentes à proteção das paisagens naturais notáveis e ao meio ambiente. mas tão somente legislar em circunstâncias remanescentes. 30. possibilitando a expedição de alvará de licença municipal para a construção de edifícios com gabarito acima do permitido para o local. no mandado de segurança no qual se discute a possibilidade de embargo de construção de prédios situados dentro de seus limites territoriais. 2ª T. CONCESSÃO DE ALVARÁ MUNICIPAL.

diReiTO AmbienTAl 2. Por ser questão de interesse local é possível afirmar que o Município detém liberdade plena para definir o zoneamento ecológico-econômico? Justifique. contra-argumenta baseando-se em direito adquirido de pré-ocupação do solo. É possível afirmar que a definição de padrões de qualidade ambiental está restrita ao Poder Legislativo? Justifique. 3. esta área passa a ser ocupada por conjuntos habitacionais. ajuíza ação com pedido de relocalização da indústria. temendo os riscos à saúde impostos pelas atividades industriais. Considere a seguinte situação: uma indústria foi instalada em uma determinada região em 1980. FGv diReiTO RiO 28 . Com base na legislação brasileira vigente. Por volta de 1990. como o caso deve ser resolvido? 5. Qual a participação do Conselho de Defesa Nacional no zoneamento ambiental? 4. A corporação. por sua vez. A população no entorno da fábrica.

informação e educação ambiental para permitir a efetiva participação da sociedade civil organizada e de indivíduos na implementação e execução da política ambiental. Lei 9. Lei 6. Por serem institutos ligados à atividade da administração pública. emprestam muitos dos conceitos e forma do direito administrativo. São também imprescindíveis para a instrumentalização dos mecanismos processuais de defesa do meio ambiente.938/81. informação e educação ambiental como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Distinguir as diferenças entre publicidade e informação ambiental. quando aplicados ao direito ambiental.051/95. XXXIII. 5. Tanto o Direito Internacional como o Direito Estrangeiro (comparado) sedimentaram a necessidade de publicidade. informação. 6. é possível visualizar com clareza a relação do direito ambiental com o direito administrativo. como a ação popular e a ação civil pública. Identificar os principais pontos da política de educação ambiental e articular formas de aplicação e efetivação prática. 4. Neste campo. Constituição Federal.795/99. portanto. PubliCidade. 2. artigos 5.650/03 Lei 9. publicidade e educação ambiental com participação popular qualificada nos processos decisórios. legIslação 1. 225. 3. Convenção de Aarhus. eduCação e PartiCiPação ambiental Introdução Três importantes princípios de direito ambiental são regulamentados e tomam forma no direito brasileiro como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. FGv diReiTO RiO 29 . oBjetIvos Entender a importância da publicidade.diReiTO AmbienTAl aula 8. Compreender a importância e relação entre informação. Lei 10.

16ª Edição. Governador do Estado do Mato Grosso. DECRETO ESTADUAL N. Direito Ambiental. § 1°. (2007).340/2002. por maioria. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão.diReiTO AmbienTAl doutrIna leitura obrigatória Paulo de Bessa Antunes. 9. 1. NOS TERMOS DO ART. Direito Ambiental Brasileiro. Édis Milaré. Editora Revista dos Tribunais.2002. Em sede de recurso ordinário.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. Paulo Affonso Leme Machado. de 12. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. (2008).11. em seu art. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. 24. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. 3°. estaria o estado-membro autorizado a FGv diReiTO RiO 30 . 1. Editora Malheiros. DA CF/1988. jurIsprudêncIa Ementa DIREITO AMBIENTAL. em se tratando de matéria ambiental. segundo. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL. Editora Lumen Juris. 243-250. ART. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. 444-447. NÃO-PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. Trata-se de mandado de segurança. denegou a ação mandamental. DECRETO ESTADUAL N. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. 5. Direito do Ambiente.795/1997. primeiro. bem como determinou. consubstanciado na edição do Decreto n. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental. 11ª edição. com pedido liminar. 5ª edição. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação. obscuridade ou contradição a ser suprida. 4. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – SNUC. 178-187. foram estes rejeitados. (2008). COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. 5.438. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA.

O Decreto n. conservação da natureza. da Lei n. de 22 de agosto de 2002. 3. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. o estatuído no § 1º. da Carta Maior. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. defesa do solo e dos recursos naturais. nos termos da legislação estadual (MT) e federal. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. 170. qual seja. na esteira do art. ao prescrever. pesca. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. 4. no Estado do Mato Grosso.340. evidentemente.438/2002. § 2°. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de conservação a ser criada. como ocorreu no caso. 4. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. respeitando. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. 9. 24.985/2000. O Decreto Estadual n. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. VI. da Lei n. não prevalece disposição de lei federal. b) nos casos de competência legislativa concorrente.985/2000.985/2000. do art. A União. VI. fauna. À norma FGv diReiTO RiO 31 . 2. da CF/1988). 4°. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. quando for o caso. a regra do art. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. 24. que regulamentou a Lei n. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. embora sucinta. em seu art. quer pela falta de previsão na legislação estadual. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. tendo em conta as necessidades da população local. da Lei n. 9. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da federação brasileira (art. possibilitar seja identificada a “localização. a qual. caça. 9. § 1°. que exige a realização de prévia consulta pública. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA. 9. § 2°. da CFRB). 5.985/2002. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. § 4º. da CF/1988. 22. 22. alcança o objetivo perseguido pelo art. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. No caso dos autos. os §§ 1° e 2° do art. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso.diReiTO AmbienTAl legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. 24. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. qual seja. Assim sendo. Aliás. prevista no art. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. os Estados-membros e o Distrito Federal. 22.

Quais são os pontos positivos e as principais críticas à política de educação ambiental brasileira? 5. O que é e como está estruturado o Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente – SINIMA? FGv diReiTO RiO 32 . tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. No direito ambiental brasileiro. sendo-lhe. incisos V e VII. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. Como a participação nos processos decisórios pode ser importante instrumento de política ambiental? 4. 38/1995). 6. mormente as presentes nos arts. quem é legítimo para solicitar informações ao Poder Público? 3. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. Recurso ordinário não-provido. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. Pode a educação ambiental ser considerada instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. notas e Questões 1. 5. O ato governamental (Decreto n. 5.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual.diReiTO AmbienTAl de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da federação. do Código Ambiental (Lei Complementar n. Por que o direito à informação ambiental é importante instrumento de política do meio ambiente? 2. no entanto.

Está intimamente ligada aos mecanismos de aplicação dos padrões de qualidade ambiental estipulados por legislação específica. Este instrumento possui uma característica peculiar no desempenho da função fiscalizadora da aplicação das normas ambientais. Compreender a importância e significado da due diligence ambiental. da precisão dos dados apresentados pela auditoria ambiental privada. Identificar e trabalhar os principais tópicos que devem ser inseridos na auditoria e due diligence ambiental. Diferenciar auditoria ambiental mandatória e voluntária e estas do due diligence. a auditoria ambiental voluntária assemelha-se em muito ao processo conhecido pela sua terminologia em inglês. o de instruir decisões corporativas estratégicas como instrumento de gestão e responsabilidade sócio-ambiental e também o de orientar processos de fusões e incorporações. Ao poder público. Esta inversão apresenta alguns pontos positivos. fica reservada a função de fiscalização. oBjetIvos Entender a importância da auditoria ambiental. qual seja. custoso e deveras complexo. o de desonerar a administração pública de conduzir este processo. Os benefícios são inúmeros. Desta natureza preventiva emerge a importância de um completo processo de due diligence ambiental. dentre eles.diReiTO AmbienTAl aula 9: auditoria ambiental e due dIlIgence Introdução A auditoria ambiental é um importante instrumento de política do meio ambiente. por vezes. ou mesmo em simples transações de compra-e-venda entre pessoas físicas. do ônus na busca da informação e monitoramento dos processos produtivos. É através do due diligence que a corporação que compra ou incorpora outra pessoa jurídica. due diligence ambiental. ainda que não absoluta. tomam conhecimento de eventuais passivos ambientais. a inversão. A auditoria ambiental mandatória (imposta por lei). ante o crescente aumento das responsabilidades criminais. FGv diReiTO RiO 33 . civis e administrativas. Cada vez mais exigido em grandes fusões e incorporações. A auditoria ambiental transfere do poder público para a iniciativa privada o dever de informar a conformidade dos processos produtivos com a legislação vigente. por amostragem. o due diligence ambiental faz parte da rotina do advogado e consultor de direito ambiental. dentre eles. não exclui a possibilidade da realização de auditorias voluntárias. Neste último caso. Identificar as vantagens e desvantagens de um sistema fortemente dependente da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente.

Direito Ambiental Brasileiro.br/processo2. (spring 1986). em indeferir a liminar requerida na presente Ação Direta de Inconstitucionalidade.rj. 2008. pp. 191). Julgamento 06/Nov. TJ-PR. jurIsprudêncIa Autora: ALCOPAR – Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná vs.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) Constituição do Estado do Rio de Janeiro. São Paulo: Malheiros. 590-594. Interessada: Assembléia Legislativa do Estado do Paraná. artigos. leItura oBrIgatórIa MACHADO. vol. Malheiros. disponível em http://www. pp.gov. 376102-0. BIBlIograFIa coMpleMentar LINDER. Journal of Policy Analysis and Management. ementa: DECISÃO: ACORDAM os desembargadores integrantes do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. 2) Lei Ordinária do Estado do Rio de Janeiro.br/processo6. de 26/11/1991.gov.898. 2008. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – MEDIDA LIMINAR – LEI ESTADUAL QUE INSTITUIU AUDITORIA AMFGv diReiTO RiO 34 . n. 298-314.htm.jstor.alerj./2006. “Regulatory Compliance Through Environmental Auditing”. Paulo Affonso Leme.org/ stable/3323264. disponível em http://www. disponível em: http://www. Ação Direta de Inconstitucionalidade n.htm. 5. 3. n. p. por unanimidade de votos. 16ª Edição.alerj. (Paulo Affonso Leme Machado. 261-282. DJ: 7254. doutrIna Auditoria ambiental é o procedimento de exame e avaliação periódica ou ocasional do comportamento de uma empresa em relação ao meio ambiente. 16ª Edição. Direito Ambiental Brasileiro.rj. 1. Órgão Especial. Stephen H.

qual a função desempenhada pela auditoria ambiental? 5) Quais as vantagens e desvantagens de utilização da auditoria ambiental como instrumento de política ambiental? 6) O que é o due diligence? 7) Como a auditoria ambiental diferencia-se e como se assemelha ao due diligence? 8) Quais os principais tópicos que preferencialmente devem constar da auditoria e do due diligence ambiental.diReiTO AmbienTAl BIENTAL COMPULSÓRIA – DIPLOMA QUE. EM PRIMEIRA ANÁLISE. FGv diReiTO RiO 35 . Estados ou Municípios? Por quê? 4) Dentro de uma política do meio ambiente. COADUNA-SE COM O SISTEMA CONSTITUCIONAL DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE EQUILIBRADO – PLAUSIBILIDADE – AUSÊNCIA – GRANDE LAPSO TEMPORAL ENTRE A EDIÇÃO DO ATO E A PROPOSITURA DA AÇÃO – URGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA – INSURGÊNCIA MERAMENTE QUANTO A INTERESSES SUBJETIVOS DOS ASSOSSIADOS DA ENTIDADE AUTORA – CARÁTER OBJETIVO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ABSTRATO – CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO AFETAM O JULGAMENTO DA AÇÃO DIRETA – INDEFERIMENTO DA LIMINAR. notas e Questões 1) O que é auditoria ambiental? 2) Qual a diferença entre auditoria ambiental mandatória e voluntária? 3) Qual ente da Federação está mais adepto ao uso da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente: União.

Trabalhar os aspectos práticas da realização do EIA/RIMA. Desde rios pegando fogo. na forma de princípio de direito ambiental. por vezes irreversíveis. o aumento da participação popular e dos mecanismos de controle da ação do estado. Compreender a importância da avaliação de impacto ambiental como instrumento de política do meio ambiente. a sociedade civil organizada e. atraindo. Identificar as principais questões que devem ser inseridas no estudo e relatório de impacto ambiental. estudo e relatório de imPaCto ambiental (eia/rima) Introdução O histórico menosprezo às externalidades ambientais ensejou inúmeros projetos ao redor do mundo sem qualquer observância aos eventuais impactos negativos. Examinar o papel do princípio da participação e informação no processo de avaliação de impacto ambiental. como momento da exigência. a avaliação de impacto ambiental exerce funções relevantes dentro do contexto do direito ambiental. refletindo nos ordenamentos jurídicos nacionais. Por sua singular importância. ao meio ambiente. instruindo a ação de organismos internacionais e como parte integrante de diversos ordenamentos jurídicos nacionais. com ela. Analisar a exigibilidade do EIA/RIMA à luz da legislação vigente e interpretação jurisprudencial. FGv diReiTO RiO 36 . a avaliação de impacto ambiental encontra-se atualmente consolidada no direito ambiental. o incremento dos níveis de informação e transparência na execução de projetos com potencial poluidor. Entender o papel do CONAMA na determinação de atividades que atraiam a exigência do EIA/RIMA. percebe-se de forma crescente a inserção da avaliação de impactos ambientais. elaboração e custeio. Dentre elas. por conseguinte. oBjetIvos Distinguir avaliação de impacto ambiental de estudo e relatório de impacto ambiental. inexoravelmente. Estes eventos fizeram crescer mundialmente a pressão pela necessidade da realização de uma avaliação prévia a qualquer projeto dos eventuais impactos ambientais para atividades com potenciais poluidores significativos.diReiTO AmbienTAl aula 10: avaliação de imPaCto ambienta (aia). para citar apenas alguns. vazamentos de óleo de gigantesca magnitude. em tratados internacionais o que acaba. porém limitados. e os respectivos impactos ambientais acarretou inevitavelmente prejuízos catastróficos ao meio natural. relevante ressaltar a de instrumento de política do meio ambiente instrumentalizando o próprio princípio da precaução. A partir de então. Como princípio. Este modelo de desenvolvimento que não internalizava as cuidados básicos com a gestão de recursos naturais renováveis ou não. até sérias contaminações radioativas.

São Paulo: Revista dos Tribunais./2001. mitigados e/ou compensados quando da sua instalação. FGv diReiTO RiO 37 . artigo 6º. Curso de Direito Ambiental. 101-104. pp.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. 2007. jurIsprudêncIa Requerente: Procurador-Geral da República vs. Direito do Ambiente. 1. Celso Antonio Pacheco. em casos específicos. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Direito do Ambiente. (Édis Milaré. Paulo Affonso Leme. Tal análise se faz necessária para se anteverem os riscos e eventuais impactos ambientais a serem prevenidos. pp. inciso IV. da sua operação e. Antônio F. 3ª Edição. 354. Luís Carlos Silva de. Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. inciso III. Decreto 99. Édis. 215-270. 11ª Edição. 2002. inciso II e parágrafos 1º e 2º e artigo 9º. Direito Ambiental. São Paulo: Malheiros. parágrafo 1º. artigo 225. FIORILLO. Paulo de Bessa. São Paulo: Atlas. pp. pp.938/1981./2001. MACHADO. Requerido: Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. 2008. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. Direito Ambiental Brasileiro. 2008. São Paulo: Método. 67-74. Tribunal Pleno. 5ª edição. 137-166. Curso de Direito Ambiental Brasileiro.086-7. doutrIna A implantação de qualquer atividade ou obra efetiva ou potencialmente degradadora deve submeter-se a uma análise e controle prévios. Lei 6. corrigidos. 2ª Edição. 16ª Edição. 253-306. 2006. Julgamento 7/Jun. STF.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) 2) 3) 4) Constituição Federal. 5ª edição. DJ 10/Ago. 2007.274/1990. pp. MORAES. São Paulo: Saraiva. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. pp. 2008. do encerramento das atividades. Revista dos Tribunais. Manual de Direito Ambiental. G. 354-403. BELTRÃO. p. artigo 7º.

2008. mas podem sê-lo pelo órgão licenciador se o impacto ambiental for significativo. pp. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL. do § 1º do artigo 225 da Constituição Federal. 1 FGv diReiTO RiO 38 . São em princípio exigíveis. para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo constitucional catarinense sob enfoque. 192-199. b. Não são em princípio exigíveis. d. e. São sempre exigíveis.diReiTO AmbienTAl ementa AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA CARTA DA REPÚBLICA. CONTRARIEDADE AO ART. b. G. Não são em princípio exigíveis. cria exceção incompatível com o disposto no mencionado inciso IV. A norma impugnada. 5) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. apesar de verificar que a atividade ou o empreendimento não é potencialmente causador de significativa degradação am- As questões 5 a 11 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. notas e Questões 1) Qual a diferença entre Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e Estudo / Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)? 2) Qual a diferença entre Estudo e Relatório de Impacto Ambiental? 3) Qual a finalidade destes instrumentos (AIA / EIA / RIMA)? 4) (Procurador do Município Manaus 2006) No curso de processos de licenciamento ambiental. civis e penais. o estudo de impacto ambiental e seu respectivo relatório (EIA/RIMA)1 a. mas podem sê-lo por livre decisão do órgão licenciador. O órgão ambiental competente. § 1º. IV. sujeitando-se às sanções administrativas. ARTIGO 182 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Ação julgada procedente. beltrão. 225. São em princípio exigíveis. editora método. ao dispensar a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental no caso de áreas de florestamento ou reflorestamento para fins empresariais. podendo ser dispensados pelo órgão licenciador se o impacto ambiental não for significativo. podendo ser dispensados por livre decisão do órgão licenciador. c. O empreendedor e os profissionais que subscrevem o Estudo de Impacto Ambiental são responsáveis pelas informações apresentadas. Manual de Direito Ambiental.

As afirmativas (a) e (c). FGv diReiTO RiO 39 . c. As afirmativas “a” e “c”. é de competência do órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados em dois ou mais Estados. Está(ão) correta(s) apenas: a. e. Apenas as afirmativas “a” e “b”. Durante o período de análise técnica. Compete ao órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conservação de domínio estadual. e. b. poderá mesmo assim exigir os estudos ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento. os postos de abastecimento de combustível. o RIMA deve estar disponível ao público no órgão ambiental estadual. c. d. A afirmativa (a). as estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento. A afirmativa “b”. b. “b” e “c”. Apenas a afirmativa “c”. e. As afirmativas “a”. É obrigatória a elaboração de Estudo de Impacto ambiental para: os distritos industriais.771/65. Está(ao) correta(s) a.diReiTO AmbienTAl biental. b. 7) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. Apenas as afirmativas “a” e “c”. c.º 4. A afirmativa “c”. c. As diretrizes a serem seguidas para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental são determinadas exclusivamente pelo órgão competente que realizar o licenciamento ambiental. d. 6) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. As afirmativas “a” e “b”. Apenas a afirmativa “a”. b. Em regra. A afirmativa (b). d. As afirmativas (a) e (b). O RIMA é parte integrante do Estudo de Impacto Ambiental. A afirmativa “a”. b. A afirmativa (c). Compete ao IBAMA exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei Federal n. Está(ão) incorreta(s) apenas: a. observado o sigilo industrial. c. c. e os gasodutos.

Está(ão) correta(s) apenas: a. c. FGv diReiTO RiO 40 . e. b. 10) (Procurador do Estado/PR – 2007) Qual é o instrumento de controle do Poder Público destinado a atestar a viabilidade ambiental de um empreendimento ou atividade? a. à ANVISA e à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. O Estudo de Impacto Ambiental deverá contemplar alternativas tecnológicas e locacionais. b. b. As afirmativas “b” e “c”. c. c. Compete ao IBAMA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. Análise preliminar de risco. b. Compete à ANVISA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. O Estudo de Impacto Ambiental é exigível para todos os licenciamentos ambientais. As afirmativas “a” e “b”. e. c. Relatório ambiental preliminar. e. d. d. bem como medidas mitigadoras apara a redução do impacto ambiental. A afirmativa “a”. Plano de manejo. Quanto aos aspectos de biossegurança de OGM e seus derivados. d. Estudo prévio de impacto ambiental. Compete à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. a responsabilidade pelas despesas de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental é do Poder Público. Licença prévia. A afirmativa “c”. Independentemente de quem seja o empreendedor. Compete simultaneamente ao IBAMA. 9) (Procurador do Estado/PR – 2007) À luz da legislação ordinária vigente em nosso país.diReiTO AmbienTAl 8) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. a decisão técnica do CONAMA vincula os demais órgãos e entidades da administração. As afirmativas “a” e “c”. assinale a alternativa correta: a.

em enumeração taxativa. todos os casos em que a administração pública deve exigir do empreendedor a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental. em rol exemplificativo. assinale a opção correta. do EIA está vinculada ao custo final do empreendimento proposto. entre outros. devendo ser elaborado por equipe técnica multidisciplinar indicada pelo órgão ambiental competente. FGv diReiTO RiO 41 . c. São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. A legislação brasileira estabelece. em áreas públicas ou particulares. d. a. o qual nunca poderá ser dispensado pelo órgão ambiental.diReiTO AmbienTAl 11) (OAB/CESPE – 2007. ou não. a avaliação de impactos ambientais e a criação de espaços territoriais especialmente protegidos. cabendo ao empreendedor recolher à administração pública o valor correspondente aos seus custos. os casos em que a administração pública deve solicitar ao empreendedor estudo de impacto ambiental (EIA). A legislação brasileira estabelece. o zoneamento ambiental. de acordo com tabela fixada pela administração pública.II) Considerando aspectos relativos à proteção administrativa do meio ambiente. b. O EIA/RIMA é uma das fases do procedimento de licenciamento ambiental. A exigência.

instalação e operação. Como as melhores práticas ambientais estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. A avaliação de impacto ambiental é um dos elementos deste sistema. porém sempre limitados. Após o levantamento e averiguação das externalidades negativas ambientais e como meio de controle do bem ambiental.938/1981. Identificar atividades que exigem licenciamento ambiental especial.diReiTO AmbienTAl aula 11: liCenCiamento ambiental Introdução A partir do momento em que as externalidades ambientais passam a ser reguladas pelos ordenamentos jurídicos nacionais. surge a necessidade de desenvolvimento e imposição de um sistema de controle administrado e gerido pelo Poder Público. Resolver casos que envolvam modificação. o Poder Público institui licenças ou autorizações concedidas e impostas precariamente à atividade econômica. Significa reconhecer que a atividade econômica já não mais se encontra livre para explorar os recursos naturais renováveis ou não. a legislação brasileira impõe um sistema de licenciamento ambiental que se traduz em autorizações de planejamento prévio. É o reconhecimento de que o desenvolvimento somente será admitido se sustentável for. legIslação 1) Lei 6. tempo e modo. desde que verificadas as melhores práticas ambientais. ou seja. aquelas que não violem os princípios consagrados pelo artigo 225 da Carta da República. Entender as diferentes etapas e prazos do licenciamento ambiental brasileiro. Trabalhar os institutos do direito adquirido e ato jurídico perfeito em face de atividades pretéritas à vigência da legislação acerca do licenciamento ambiental. a circunstâncias de fato. suspensão ou cancelamento de licença. Aprofundar o embasamento jurídico da exigência de licenças ambientais. debater sobre a natureza jurídica do instituto do licenciamento ambiental. FGv diReiTO RiO 42 . as licenças ambientais são provisórias. Esta mudança de paradigmas é emblemática. visando à consagração dos princípios de direito ambiental. Para tanto. oBjetIvos À luz do direito administrativo. Examinar o direito à indenização de eventual prejudicado nos casos de modificação. suspensão ou cancelamento da licença ambiental. Articular o princípio da participação popular e o licenciamento ambiental. Analisar questões controvertidas quanto à competência em licenciamento ambiental. devendo ser renovadas periodicamente.

2008. p. autorizações e licenças pertencem à família dos atos administrativos de controle prévio. BELTRÃO. inexiste direito subjetivo à sua utilização. Paulo Affonso Leme. à evidência. concomitantes e sucessivos –. São Paulo: Método. doutrIna Segundo a lei brasileira.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. arma-o a lei de uma série de instrumentos de controle – prévios. 16ª Edição. por exemplo. Direito Ambiental. o meio ambiente é qualificado como patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido para uso da coletividade ou. Direito Ambiental Brasileiro. pp. Direito do Ambiente. Curso de Direito Ambiental. São Paulo: Atlas. pp. 2008. Rio de Janeiro: Lumen Juris. essencial à sadia qualidade de vida. 141-180. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 63-80. pp. 166-181. 404. 85-101. só pode legitimar-se mediante ato próprio de seu direto guardião – o Poder Público. que. através dos quais possa ser verificada a possibilidade e regularidade de toda e qualquer intervenção projetada sobre o meio ambiente considerado. Luís Carlos Silva de. 271-297. 11ª Edição. MORAES. MACHADO. G. 3ª Edição. 3) Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. Celso Antonio Pacheco. Revista dos Tribunais. Antônio Inagê de Assis. a fiscalização é meio de controle concomitante. pp. Assim. as permissões. O Licenciamento Ambiental. Édis. 5ª edição. São Paulo: Iglu Editora. Antônio F. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Malheiros.274/1990. 5ª edição. 1999. 2007. OLIVEIRA. pp. bem de uso comum do povo. Por ser de todos em geral e de ninguém em particular. (Édis Milaré. Manual de Direito Ambiental. Paulo de Bessa. 405-435. FIORILLO. 2008. 2ª Edição. e habite-se é forma de controle sucessivo. FGv diReiTO RiO 43 . 2002. 2006. Direito do Ambiente. Para tanto. 2007. na linguagem do constituinte. São Paulo: Revista dos Tribunais.diReiTO AmbienTAl 2) Decreto 99. pp. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES.

bem como. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. pp. A natureza desconhece fronteiras políticas. 5. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. A atividade do órgão estadual. 588. e.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa Recorrente: Superintendência do Porto de Itajaí vs. 1. é supletiva. notas e Questões 1) Durante a vigência de uma licença ambiental. LICENCIAMENTO. nesse caso. mas. a FATMA. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. 3. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. sobre os mangues. do mar e do mangue nessa região. quem deve arcar com os custos inerentes à adaptação da licença? FGv diReiTO RiO 44 . Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. sobre o homem que vive e depende do rio. Recorrido: Ministério Público Federal. sobre as correntes marítimas. sobre as praias. pelo depósito dos detritos no mar. Recursos especiais improvidos. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. enfim. Recurso Especial n./2004. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. suspensão e/ou cancelamento? Explique./2004. o mar territorial afetado. 10-30. ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. pode até haver duplicidade de licenciamento. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. STJ. Julgamento 17/Fev. através dos órgãos ambientais públicos e privados. COMPETÊNCIA DO IBAMA. principalmente. INTERESSE NACIONAL. Em caso positivo. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. 1ª Turma. é possível a modificação dos seus termos.022-SC (2003/0159754-5). O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. sobre a orla litorânea. Os bens ambientais são transnacionais. DJ 5/Abr. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 4. 2. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. extrapolando os limites impostos pelo homem. in casu.

5 anos. nem mesmo aludindo ao princípio da precaução. 3) (Defensor Público SP 2006) A concessão de licença ambiental não prevê a obrigatoriedade de audiência pública. 10 anos. A licença de instalação NÃO poderá ultrapassar a. c. tendo em vista não somente que a potencialidade lesiva abrange diretamente mais de um Estado federativo. a. criar novas restrições ambientais. Cinqüenta ou mais cidadãos. 3 anos. b.5% de cidadãos do município atingido. 4) (Defensor Público SP 2006) O licenciamento ambiental é feito em três etapas distintas. A ausência da participação do IBAMA no procedimento de concessão de licença de operação enseja uma irregularidade. c. exceto quando o órgão competente para a concessão da licença julgar necessário ou quando sua realização for solicitada pelo Ministério Público ou requerido ao órgão ambiental por a. b.diReiTO AmbienTAl 2) No caso de modificação. cabe ao empreendedor ser indenizado pelos danos materiais e/ou morais decorrentes? Explique. suspensão e/ou cancelamento de licença ambiental vigente. na qual existe uma situação de incerteza quanto à real efetivação dos danos ambientais. Pelo menos 1% de eleitores do município atingido. d. por meio do seu poder de política. Mais de 1% dos cidadãos residentes no município atingido. localizadas em unidade da federação confrontante. 5. o órgão licenciador competente não pode. d. foi constatado que o funcionamento da usina poderia vir a causar o resfriamento de seu lençol aqüífero termal. Mais de cem eleitores. b. nas proximidades de um município. cujo grande apelo turístico era a existência de um lençol freático de águas quentes. (CESPE – Juiz Federal Substituto TRF 5ª Região) Em virtude da concessão de licença de operação a uma usina hidrelétrica. Pelo menos 0. a de instalação e a de operação. Os técnicos do órgão licenciador estadual constataram ainda que o resfriamento do aqüífero poderia trazer conseqüências não apenas ao município vizinho. já que seria necessária a participação dessa autarquia federal como órgão de proteção ambiental competente. conforme a outorga das seguintes licenças: a prévia. e. Considerando o texto acima como referência inicial. 2 anos. mas também a outras cidades. julgue os itens que se seguem. 6 anos. mas também porque cabe ao IBAMA o exercício do poder de polícia quando as questões FGv diReiTO RiO 45 . e. Na hipótese aventada.

diReiTO AmbienTAl

ambientais envolvam bens da União, como no caso em comento, haja vista que os recursos minerais do subsolo pertencem à União. 6) (Procurador do Estado/PR – 2007) Assinale a alternativa incorreta: a. Os estudos necessários ao processo de licenciamento ambiental deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor. b. O licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades de impacto ambiental local compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando couber. c. Compete ao órgão ambiental estadual o licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades localizados ou desenvolvidos ao longo de rios, ainda que de domínio federal. d. Compete ao IBAMA o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental localizadas em Estados que sejam limítrofes a outros países. e. Pode o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, modificar as condicionantes e as medidas de controle e adequação, bem como suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.

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aula 12: dano e resPonsabilidade ambiental
Introdução

Conforme reiteradamente exposto em tópicos anteriores, o bem ambiental é complexo, pois composto de diversos elementos naturais e, conforme o ordenamento jurídico, de elementos criados artificialmente pelo homem. Pelo fato desses elementos apresentarem intricada relação com a vida humana, estão constantemente sujeitos a serem alterados e/ou modificados. Acontece, porém, que a noção clássica de dano pressupõe uma ação negativa, ou seja, prejudicial ao estado em que se encontrava o bem antes do evento danoso. Em se tratando do bem ambiental e dos elementos que o compõem, a caracterização de um dano é ameaçada pelo alto grau de subjetividade no juízo de valor que, por sua vez, varia conforme o interesse em jogo. Por exemplo: o que seria um meio ambiente ecologicamente equilibrado? Quem define quais os critérios para se atingir um meio ambiente ecologicamente equilibrado? A ciência? Mas por vezes a própria ciência é contraditória. Conseqüentemente, a própria caracterização de um determinado dano ambiental não é matéria pacífica. Na mesma esteira, muitos danos ao meio ambiente são de longa maturação, não sendo sentidos, senão depois de transcorridos longos períodos de tempo. Em todas essas hipóteses, há, portanto, significativa dificuldade de estabelecimento de nexo causal, típico da relação entre o dano e a responsabilidade civil clássica. Por outro lado, quando efetivamente constatada a existência de um dano ao meio ambiente como, por exemplo, inequívoco derramamento de substância tóxica que afeta a saúde da população e os atributos ecológicos dos elementos diretamente afetados pelo vazamento, impõe-se a construção de uma responsabilidade especial que considere a complexidade anteriormente narrada do bem ambiental. Para tanto, a Constituição Federal de 1988 estabelece as linhas gerais para uma tríplice responsabilização: no campo penal, administrativo e reparatório, bem assim a legislação infraconstitucional, mais precisamente, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6,938/81) e a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998).

oBjetIvos

Entender a noção de dano ambiental à luz da complexidade do bem ambiental. Trabalhar as possibilidades reparatórias diante de um dano ambiental. Identificar as dificuldades da aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao meio ambiente. Examinar as conseqüências sancionatórias imputadas pelo ordenamento jurídico brasileiro ao responsável pelo dano ambiental. Conhecer as condutas lesivas ao meio ambiente que dão ensejo a responsabilidade penal. Analisar as possibilidades de atuação da administração pública na imposição de
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sanções administrativas. Articular a aplicação das responsabilidades civil, penal e administrativa.

legIslação

1) Constituição Federal de 1988, artigo 225; 2) Lei 6.938/1981; 3) Lei 9.605/1998.

doutrIna A partir do momento em que as preocupações ambientais começaram a encontrar eco no mundo do Direito e em que surgiram normas jurídicas a tutelar o novo bem jurídico (que constitui também um direito fundamental), teriam obviamente de surgir também disposições legais a ocupar-se da violação das normas destinadas à tutela do ambiente, assim fazendo o seu aparecimento a categoria do ilícito ambiental. Para Postiglione (Ambiente: suo significato giuridico unitario, Rivista Trimestrale di Diritto Publico, anno XXXV (1985), p. 51), o “dano ambiental é o prejuízo trazido às pessoas, aos animais, às plantas e aos outros recursos naturais (água, ar e solo) e às coisas (...) que consiste numa ofensa do direito ao ambiente”, traduzindo-se também numa “violação em concreto dos ‘standards’ de aceitabilidade estabelecidos pelo legislador”. (...) A responsabilidade civil é um instituto cuja antiguidade remonta ao Direito Romano mas que tem vindo a evoluir ao longo dos tempos, adaptando-se às necessidades postas pelas sociedades modernas. Mesmo assim ele revela-se, em muitos casos, um meio inadequado de lidar com os atentados ao ambiente. Inadequado pelas dificuldades de prova dos seus rigorosos pressupostos, mesmo quando as razões de justiça permitam prescindir daquele cuja prova poder ser mais difícil: a culpa. A responsabilidade objectiva, pelo risco ou por factos lícitos, é, sem dúvida, um grande avanço no sentido da correspondência do instituto às necessidades da vida moderna, sem perda de justiça intrínseca. Porém, não é ainda suficiente para cobrir todas as situações de dano que, cada vez com mais frequência, ocorrem e que, por falta de prova de um ou outro pressuposto, ficam impunes e por indemnizar. A solução parece passar pela aposta em novos instrumentos jurídicos para a protecção do ambiente. (José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador), Introdução ao Direito do Ambiente, Universidade Aberta, 1998, p. 29 e 139.)

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A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva. 234-242 e 201-215.771/65) que estaFGv diReiTO RiO 49 . 1ª Turma. quanto ao terceiro. 745. 2008. Antônio F. RESPONSANTE. DJ de 22. ementa PROCESSUAL CIVIL. 29-33 e 139-134. 2. BIBlIograFIa coMpleMentar CANOTILHO. Manual de Direito Ambiental. 1998. Celso Antonio Pacheco. pp. MATAS. Relator Ministro João Otávio de Noronha. Direito do Ambiente. Direito Ambiental Brasileiro.04. ADMINISTRATIVO. jurIsprudêncIa Recorrente: Oswaldo Alfredo Cintra vs. RECOMPOSIÇÃO. São Paulo: Malheiros. Relator Ministro Francisco Falcão. Julgamento 20/Set. FACULDADE DO ÓRGÃO JULGADOR. Paulo Affonso Leme. RESP 263383/PR. 476 DO CPC.2005 e EDcl no AgRg no RESP 255170/SP. MACHADO. preceitua que a obrigação persiste.171/91 vigora para todos os proprietários rurais. máxime porque a referida norma referendou o próprio Código Florestal (Lei 4. pp. pp. 11ª Edição. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. mesmo sem culpa. José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). Paulo de Bessa.diReiTO AmbienTAl leItura oBrIgatórIa ANTUNES. Universidade Aberta.08.09. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. ainda que não sejam eles os responsáveis por eventuais desmatamentos anteriores. DANOS AMBIETNAIS. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. São Paulo: Saraiva. 321-337. São Paulo: Revista dos Tribunais. 5ª edição. DJ de 17. G. 2008. Relator Ministro Castro Meira. 242-261. TERRAS RURAIS. 3ª Edição. BELTRÃO. FIORILLO. 1. desta relatoria. pp. STJ. determina que o poluidor seja obrigado a indenizar ou reparar os danos ao meio-ambiente e./2007.363-PR (2005/0069112-7). ART. pp. por isso que a Lei 8. AgRg no REsp 504626/ PR. Introdução ao Direito do Ambiente. MILARÉ. DJ 18/Out.2003. A obrigação de reparação dos danos ambientais é proter rem. Recorrido: ADEAM Associação Brasileira de Defesa Ambiental. 2007. 341-368 e 696-731. 809-957. Direito Ambiental. ante a ratio essendi da Lei 6. Precedentes do STJ: RESP 826976/ PR. DJ de 01./2007. § 1º. que em seu art. 2008. pp. Recurso Especial n. São Paulo: Método.2006. 16ª Edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Édis. DJ de 22.2004.05.938/81. 2002. 14.

A Constituição Federal consagra em seu art. Procura-se quem foi atingido e. Paulo Affonso Leme Machado. pois não há necessidade de que ela apresente risco ou seja perigosa.. em prol do interesse coletivo. § III. a requisitos certos.938/81. nos casos especificados em lei..2002.938/81). 12ª ed. 3..)A responsabilidade objetiva ambiental significa que quem danificar o ambiente tem o dever jurídico de repará-lo. Repara-se por força do Direito Positivo e. independentemente de culpa.. do CC de 2002. se for o meio ambiente e o homem. É contra Direito enriquecer-se ou ter lucro à custa da degradação do meio ambiente. de no mínimo 20% de cada propriedade.741/ PR.” Na conceituação do risco aplicam-se os princípios da precaução. Malheiros Editores. Relator Ministro Franciulli Netto. É cediço em sede doutrinária que se reconhece ao órgão julgador da primazia da suscitação do incidente de uniformização discricionariedade no exame FGv diReiTO RiO 50 . o binômio dano/ reparação. 326327. O artigo 927. por um princípio de Direito Natural. Precedente do STJ: RESP 343. inicia-se o processo lógico-jurídico da imputação civil objetiva ambiental!. a concordar ou a praticar uma transação que acarrete a perda de chance de vida e de saúde das gerações (. Presente. em matéria ambiental . obrigando os seus proprietários a instituírem áreas de reservas legais. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. Só depois é que se entrará na fase do estabelecimento do nexo de causalidade entre a ação ou omissão e o dano. ou o Poder Público fará a classificação dessas atividades. A responsabilidade sem culpa tem incidência na indenização ou na reparação dos “danos causados ao meio ambiente e aos terceiros afetados por sua atividade” (art. Quanto à segunda parte. parágrafo único. Quanto à primeira parte. em sua obra Direito Ambiental Brasileiro. pois. moral e constitucionalmente. seguindo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei.)” in Direito Ambiental Brasileiro.10. a imprudência e a negligência para serem protegidos bens de alto interesse de todos e cuja lesão ou destruição terá conseqüências não só para a geração presente. 14. 186 que a função social da propriedade rural é cumprida quando atende. entre os quais o da “utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente”. Facilita-se a obtenção da prova da responsabilidade. ressalta que “(. o juiz analisará. 2004. “É a responsabilidade pelo risco da atividade. já temos a Lei 6. pois não é justo prejudicar nem os outros e nem a si mesmo.. caso a caso. Não interessa que tipo de obra ou atividade seja exercida pelo que degrada. como para a geração futura. ninguém. quando nos defrontarmos com atividades de risco. dispõe: “Haverá obrigação de reparar o dano. sem se exigir a intenção. Nenhum dos poderes da República. está autorizado. risco para os direitos de outrem”. por sua natureza. da prevenção e da reparação. Não se pergunta a razão da degradação para que haja o dever de indenizar e/ou reparar. que instituiu a responsabilidade sem culpa. p.diReiTO AmbienTAl belecia uma limitação administrativa às propriedades rurais. também. 5. DJ de 07. 4. da Lei 6. cujo regime de responsabilidade não tenha sido especificado em lei.

04-05. 7. EDcl nos EDcl no RMS 20101/ES. litteris: “No exercício da função jurisdicional. Relator Ministro Jorge Scartezzini. de evitar. não vincula o órgão julgador.. Forense. a severidade do incidente é tema interditado ao STJ. ante o óbice erigido pela Súmula 07. notas e Questões 1) Em que consiste a noção de dano ambiental? 2) Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente. para tanto. o mencionado incidente não ostenta natureza recursal.2006. Assim se fixam as teses jurídicas. que a sorte dos litigantes e afinal a própria unidade do sistema jurídico vigente fiquem na dependência exclusiva da distribuição do feito ou do recurso a este ou àquele órgão (. Deveras. determinar o seu sentido e alcance. Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 620276/RS. é que se põe o problema da uniformização da jurisprudência. ao qual a iniciativa do incidente é mera faculdade. Trata-se. Sobre o thema leciona José Carlos Barbosa Moreira. por vezes suscitado com intuito protelatório. Relator Ministro Castro Meira. Cumpre-lhes. têm os órgãos judiciais de aplicar aos casos concretos as regras de direito. 6. de impor aos órgãos judicantes uma camisa-de-força. Recurso especial desprovido. 476 do CPC. consoante a ratio essendi do art.08. nem seria concebível que se tratasse. 10. DJ de 30.. revela meio hábil à discussão de teses jurídicas antagônicas.05. e somente neles.11. 8. especialmente porque o instituto sub examine não é servil à apreciação do caso concreto. Relator Ministro Francisco Falcão.. DJ de 29.(.diReiTO AmbienTAl da necessidade do incidente porquanto. ao revés. a cuja luz hão de apreciar-se as hipóteses variadíssimas que a vida oferece à consideração dos julgadores..) Nesses limites. objetivando a pacificação da jurisprudência interna de determinado Tribunal. 9. V. sempre que anteriormente adotada já não corresponda às necessidades cambiantes do convívio social. ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? FGv diReiTO RiO 51 . Não se trata. O pedido de uniformização de jurisprudência revela caráter eminentemente preventivo e. isto é.)” p. razão pela qual não se admite a sua promíscua utilização com nítida feição recursal. Sob esse ângulo. que lhes tolhesse o movimento em direção a novas maneiras de entender as regras jurídicas.2004. pura e simplesmente. interpretar essas regras.2006 e EDcl no AgRg nos EDcl no CC 34001/ES. consoante cediço. cumpre destacar. DJ de 01. na medida do possível. in Comentários ao Código de Processo Civil. Vol.

Em domingos e feriados.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente)? 4) Dê exemplos de dificuldades na aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao ambiente. e. b. e. Manual de Direito Ambiental. Para obter vantagem pecuniária. NÃO admite a modalidade culposa o de2 a. aquele que tiver o dever contratual de fazê-lo. beltrão.605/98. Conceder a funcionário público licença em desacordo com as normas ambientais para obra cuja realização dependa de ato autorizativo do Poder Público. ter o agente cometido o crime a. de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental. Dentro de unidade de conservação. p. 2 As questões 9 e 10 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. 10) (Procurador Município Manaus 2006) NÃO é circunstância agravante da pena pela prática de crime ambiental. G. Em razão de sua baixa instrução ou escolaridade. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que possam resultar em danos à saúde humana. Fazer o funcionário público afirmação falsa em procedimento de autorização de licenciamento ambiental. ou à noite. c.º 9. FGv diReiTO RiO 52 . 2008. d. Deixar. d. c. Abusando de licença que lhe tenha sido regularmente concedida. 5) Qual é a intenção implícita na responsabilização penal de condutas lesivas ao meio ambiente? 6) Podem as pessoas coletivas ser punidas pela prática de crimes ecológicos? 7) De que forma a imposição de sanções administrativas pode ser instrumento eficaz na prevenção de ações lesivas ao meio ambiente? 8) Qual(is) a(s) distinção(ões) fundamental(is) entre responsabilidade civil e sanção administrativa? 9) (Procurador do MP do TCE/MG 2007) Dentre os crimes ambientais. 263. b. editora método. Destruir bem especialmente protegido por lei. tal como definido pela Lei n.diReiTO AmbienTAl 3) Como está configurada a responsabilidade civil na Lei 6.

O ordenamento jurídico ao diferenciar o tratamento dispensado ao bem ambiental conforme a sua natureza. consegue proporcionar mais eficácia no cumprimento dos objetivos propostos em cada tipo de legislação. peculiaridades em relação à forma de responsabilização de eventual dano em face da própria complexidade do bem a que se propõe tutelar. a tutela específica deve sempre ser aplicada e interpretada à luz dos princípios constitucionais e preceitos legislativos federais gerais. a intervenção na flora quase sempre refletirá na fauna. compreendidos. Como decorrência da impossibilidade do isolamento prático do conjunto de bens ambientais que. no campo da natureza e da ecologia. Se por um lado o direito ambiental apresenta princípios formadores e específicos.diReiTO AmbienTAl bloCo iii: tutelas esPeCífiCas do meio ambiente Introdução Conforme relatado nos blocos anteriores. e assim sucessivamente. FGv diReiTO RiO 53 . basicamente em uma das seguintes categorias: fauna. pois que é composto por diversos elementos. a especificidade dos elementos que compõem o meio ambiente atrai a necessidade do desenvolvimento de tutelas específicas. assim como a intervenção no ar pode refletir na água. fora do campo meramente legislativo ou didático. Isto porque. por exemplo. água e ar. o bem ambiental é complexo. diante da competência concorrente prevista pela Constituição Federal para a tutela do meio ambiente. por outro. o tratamento legal dispensado a um determinado bem ambiental deve sempre considerar o conjunto dos demais que compõe o todo meio ambiente. Esta necessidade impõe o desenvolvimento de uma intrincada rede normativa nas três esferas da federação. Por outro lado. flora.

XIX.433/1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos e Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos). Conhecer a legislação aplicável e instituições responsáveis pela gestão das águas.771/65.643/1934 (Código de Águas). a. houve a necessidade de reconstrução dos ordenamentos jurídicos para adequarem e harmonizarem noções econômicas e preservacionistas.diReiTO AmbienTAl aula 13: direito de Águas Introdução Historicamente. classificação das águas e do uso da água. b e c. a água foi considerada um recurso natural renovável e ilimitado. IV. Entender o regime de competências legislativa e material. Esta mudança é refletida por uma tendência atual de maior intervenção do Estado. contribuindo para políticas públicas desastrosas na gestão deste recurso natural tão precioso. porém limitado. vital à própria vida no planeta. 21. Lei 4. quanto vital. A partir do momento em que água passa a ser encarada como um recurso renovável. Decreto-lei 221/1967 (Código de Pesca). III. V e VI. Artigo 2º. 26. Distinguir a cobrança pelo uso da água da cobrança pelo serviço de distribuição da água. Decreto-lei 852/1938. o surgimento de novas fontes de poluição e políticas públicas insustentáveis. FGv diReiTO RiO 54 . 22. Lei 9. por meio do exercício cada vez maior do seu poder regulatório. com o crescimento demográfico acelerado. Contudo. no Brasil. Como decorrência. tornaram-se fonte de extrema preocupação. Trabalhar a aplicação da doutrina a casos concretos envolvendo conflitos sobre direito de uso da água. Artigos 20. oBjetIvos Entender a evolução histórico-legislativa do tratamento dos recursos hídricos no Brasil. O tratamento da água como um recurso ilimitado e passível de ser apropriado gratuitamente. Decreto 24. Código Florestal. I. surge um intricado sistema legal e institucional responsável pela gestão dos recursos hídricos e que passa a ser tratado como matéria inerente ao Direito de Águas. legIslação 1) 2) 3) 4) 5) 6) Constituição Federal. acabou por influenciar inúmeros sistemas legais ao redor do mundo. Distinguir políticas de alocação de políticas para evitar poluição das águas. as pressões sobre este recurso natural. Analisar a racionalidade da cobrança da água.

) leItura oBrIgatórIa MILARÉ... a doutrina.diReiTO AmbienTAl doutrIna Em suas mais variadas formas e localizações – doces. de acordo com as necessidades e possibilidades que se apresentam. 2007. que acabam recebendo a participação do homem para amenizá-los. Cid Tomanik. uso. a jurisprudência e o costume. Suas fontes são a legislação. MACHADO. pp.) O direito de águas pode ser conceituado como conjunto de princípios e normas jurídicas que disciplinam. salgadas. aproveitamento. São Paulo: Revista dos Tribunais. eliminá-los ou redirecioná-los. ou até para agravá-los. Rio de Janeiro: Lumen Juris. POMPEU. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. São Paulo: Revista dos Tribunais. a água na Terra é praticamente a mesma durante os últimos milhões de anos. FGv diReiTO RiO 55 . 16ª Edição. São Paulo: Malheiros. Édis. pp. que desconhece limites no seu percurso. pp. 2006. assim como a defesa contra suas danosas conseqüências. pp. em geleiras ou atmosféricas – .056-SP (2001/0087209-0). superficiais ou subterrâneas. Julgamento 13/12/2005. 333. Paulo de Bessa. Direito de Águas no Brasil. STJ. faz com que o direito de águas contenha normas tradicionalmente colocadas no campo do direito privado e no do direito público. qualidade e estado decorrem de fatores naturais e/ou humanos os mais diversos. Paulo Affonso Leme. Recorrido: Henrique Hessel Roschel e Outros (3). denominava-se direito hidráulico. a conservação e preservação das águas. salobras. pp. 441-529. 5ª edição. (Cid Tomanik Pompeu. Direito de Águas no Brasil. 2008. 2006. Direito Ambiental Brasileiro. Direito do Ambiente. Direito Ambiental. A estreita vinculação das normas jurídicas relativas às águas com o ciclo hidrológico. 2008. 463-499. As mudanças de local. 2ª Turma. Revista dos Tribunais. DJ 06/2/2006. 35 e 39. 699-735. (. Recurso Especial n. De início. 11ª Edição. 35 e 39. jurIsprudêncIa Recorrente: Ministério Público do Estado de São Paulo vs.

diReiTO AmbienTAl ementa ADMINISTRATIVO. FGv diReiTO RiO 56 . no que couber. RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO E DO ESTADO. do parcelamento e da ocupação do solo urbano”. 6. da Constituição da República. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LOTEAMENTO IRREGULAR. quando o loteamento for edificado em áreas tidas como de interesse especial. notas e Questões 1) Qual é a racionalidade na imposição de cobrança pelo uso da água? 2) Qual é o regime de propriedade aplicável aos recursos hídricos no Brasil? 3) De qual ente da Federação é a competência legislativa e administrativa sobre águas? Explique. 13 E 40 DA LEI N. 30. extrai-se a necessidade de o Estado interferir.766/79 e 225 da CF. 2. PODER-DEVER. compete-lhe “promover. VIII. Recurso especial provido. ÁREA DE MANANCIAIS. tais como as de proteção aos mananciais.766/99 consistem num dever-poder do Município. repressiva ou preventivamente. mediante planejamento e controle do uso. pois consoante dispõe o art. Da interpretação sistemática dos arts. adequado ordenamento territorial. ARTS. As determinações contidas no art. 13 da Lei nº 6. 1.766/79. 3. 40 da Lei 6.

Além dos prejuízos diretos à saúde da população. bem assim. à evaporação à transpiração. caput. o recurso ar – mais amplamente. artigos 23. A sua contaminação causa efeitos nocivos imediatos e impactos significativos na saúde dos seres humanos. o ar dos recursos naturais mais importantes para a sobrevivência da vida humana no planeta. Enquanto corpo receptor de impactos. 24. Não é incomum a população dos grandes centros utilizarem máscaras para circular nas ruas. sua capacidade de absorção é limitada e de rápida contaminação. à oxidação e aos fenômenos climáticos e meteorológicos. Porém.diReiTO AmbienTAl aula 14: tutela do ar e da atmosfera Introdução Juntamente com a água. Compreender o tratamento da matéria pelo ordenamento jurídico brasileiro. 30. oBjetIvos Entender as funções e relações da qualidade do ar com a saúde da população e sadio funcionamento de sistemas ecológicos diversos. Trabalhar problemas práticos. 2) Resoluções CONAMA 005/1989. Examinar as instituições responsáveis pela execução de políticas de qualidade do ar e legislação aplicável. 003/1990 e 008/1990. que não pode ser devidamente avaliado. interesses econômicos na utilização deste precioso recurso contribuem para as imperfeições legislativas e executivas no combate à poluição atmosférica. a atmosfera – tem um significado econômico. Porém. II. além do biológico ou ecológico. a qualidade do ar está intimamente ligada ao sadio funcionamento de outros sistemas ecológicos. é o recurso que mais rapidamente se contaFGv diReiTO RiO 57 . a poluição atmosférica chega a ser visível. Identificar os principais gases responsáveis pela poluição atmosférica. legIslação 1) Constituição Federal. Analisar a importância da definição de padrões de qualidade do ar nacionais em um contexto internacional. a difícil tarefa de estabelecimento de relações de causa e efeito. 225. Em alguns centros metropolitanos. doutrIna Ligado estreitamente aos processos vitais de respiração e fotossíntese. VI. IV. Sua utilização se dá pela forma de “despejo” de substâncias químicas poluentes.

Julgamento 11/ Nov. Direito do Ambiente. (Édis Milaré. Paulo Affonso Leme.diReiTO AmbienTAl mina e mais rapidamente se recupera – dependendo. São Paulo: Revista dos Tribunais. evidentemente. p.938/81. São Paulo: Malheiros. incidiu em ilegalidade./2003. quando adotou como padrões de medida de poluição ambiental. 16ª Edição. Édis. 2007. 1ª Turma. O Decreto 8. Direito do Ambiente./2003. pp.468/76 do Estado de São Paulo. Revista dos Tribunais. pp. Recurso Especial n.938/81. notas e Questões 1) Como pode ser feita a compatibilização entre o desejo de grandes centros de atrair um parque industrial que gere empregos e movimente a economia local com os objetivos de preservação da sadia qualidade do ar? FGv diReiTO RiO 58 . Direito Ambiental Brasileiro. de condições favoráveis.355-SP (2001/0196898-0).468/76 – DO ESTADO DE SÃO PAULO – ILEGALIDADE – LEI 6. DJ 15/Dez. 399. 534-561. BIBlIograFIa coMpleMentar: MACHADO. 204.) leItura oBrIgatórIa: MILARÉ. a extensão da propriedade e o olfato de pessoas credenciadas. jurIsprudêncIa Recorrente: Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS vs. 5ª edição. 2007. 2008. 204-214. ementa ADMINISTRATIVO – DIREITO AMBIENTAL – REGULAMENTO – PADRÔES DE QUALIDADE AMBIENTAL – ADOÇÃO DE CRITÉRIOS INSEGUROS – DECRETO 8. 5ª edição. STJ. Recorrido: Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo DAEE. contrariando o sistema erigido na Lei Federal 6.

como o ar e atmosfera são tutelados? Quais os pontos negativos e positivos desta estrutura. 3) Existe alguma espécie de compromisso internacional que obrigue o Brasil a adotar medidas de controle contra a poluição do ar? Caso positivo. identifique 3 deles fundamentando a resposta. FGv diReiTO RiO 59 .diReiTO AmbienTAl 2) Do ponto de vista do arcabouço legal e institucional brasileiro.

Os impactos também podem ser sentidos na perda da biodiversidade. a imprescindibilidade da preservação da flora.771/1965 (Código Florestal). se faz sentir nas funções ecológicas auxiliares indispensáveis à sadia qualidade de vida: manutenção da qualidade da água. artigos 23. caput e § 1º. Por tudo isso. 3) Decreto-lei 221/1967 (Código da Pesca). controle de erosão.diReiTO AmbienTAl aula 15: tutela da fauna e da flora Introdução Dentre os elementos que compõem a biosfera. na flora. 4) Lei 5. expressão máxima da intrínseca relação entre fauna e flora. regulação climática. VI. FGv diReiTO RiO 60 . 225. 5) Decreto Federal 97. 30. 2) Lei 4. conhecidas ou ainda não conhecidas pelo homem. etc. Examinar a racionalidade da proteção de determinadas áreas e a regulação de algumas atividades econômicas e recreativas que representem risco à integridade da fauna.633/1989. 24. Muito além do patrimônio paisagístico. o direito ambiental desempenha importante função no controle de atividades que coloquem em risco o equilíbrio da fauna e da flora. VII. Entender a terminologia e respectivos conceitos dos elementos que compõem a flora. O mundo vive uma acelerada perda da flora e os resultados estão sendo sentidos no crescente número de espécies em extinção ou já extintas. legIslação 1) Constituição Federal. Compreender a importância ecológica desempenhada pela flora e pela fauna. por exemplo. Identificar o regime jurídico aplicável à fauna e à flora. II. com a situação inversa. No mesmo sentido. oBjetIvos Trabalhar a relação entre fauna e flora.197/1967 (Código de Caça). Da mesma forma. o equilíbrio ecológico passa pela proteção da fauna. positivos e negativos. pois as políticas públicas planejadas para a proteção da fauna somente alcançarão os objetivos para os quais foram pensadas se levarem em consideração os possíveis impactos. como indispensável à própria preservação da flora. Esta constatação preliminar é imprescindível. fauna e flora são os que se apresentam mais intimamente ligados entre si. VII e § 4º.

nichos ecológicos e cadeia trófica.190SP (2001/0125125-0). somados à destruição da Mata Atlântica. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. são cúmplices entre si. 236-251. Direito Ambiental. Decorre daí que as “relações formais” dos indivíduos e da sociedade humana com o meio ambiente precisam ser pautadas pelas “relações naturais” que se desenvolvem no seio dos ecossistemas.. 1. Recorrido: Ministério Público do Estado de São Paulo. para tanto. de modo que a espécie humana evite toda e qualquer forma de prepotência e crueldade para com o mundo natural. Paulo de Bessa. RESERVATÓRIO BILLINGS. impõe a condenação dos responsáveis. LOTEAMENTO CLANDESTINO. A destruição ambiental verificada nos limites do Reservatório Billings – que serve de água grande parte da cidade de São Paulo –. 403.diReiTO AmbienTAl doutrIna (. haja necessidade de se remover famílias instaladas no local FGv diReiTO RiO 61 . REPARAÇÃO AMBIENTAL. 237. principalmente se pensarmos em termos de hábitats. Tal fato vale para a economia e uma infinidade de outras atividades. pp. jurIsprudêncIa Recorrentes: Alberto Srur e Município de São Bernardo do Campo vs. 11ª Edição. 2007. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE.) Flora e fauna são extremamente solidárias – poderíamos dizer. ementa AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 2008. Julgamento 27/6/2006. MATA ATLÂNTICA. 5ª edição. São Paulo: Revista dos Tribunais. Édis.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. 2007. 325-546. provocando assoreamentos. p. OBRIGAÇÃO DE FAZER. Revista dos Tribunais. protegem ou defendem a biota devem fundamentar-se em dados científicos: não podem desconhecer as leis naturais que regulam as espécies vivas. Por isso. STJ.. DJ 14/8/2006. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 2ª Turma. pp. Recurso Especial n. ASSOREAMENTO DA REPRESA. ainda que. 5ª edição. Direito do Ambiente. Direito do Ambiente. as leis humanas que preservam. (Édis Milaré.

igualmente evidentes são as relações entre a destruição das florestas e a pobreza. mas de preservação de reservatório de abastecimento urbano. Com relação a esse assunto. 4. pois as matas particulares não estão sujeitas a ingerências administrativas. c. julgue os itens que se seguem.3 A matéria florestal. A questão 1 foi extraída da seguinte obra: Antônio F. Manual de Direito Ambiental. b. editora método. está contemplada na Lei n. que beneficia um número muito maior de pessoas do que as residentes na área de preservação. G. As relações entre a necessidade de desenvolvimento econômico e a destruição das áreas florestais é bastante evidente. 3. O Código Florestal não está voltado apenas para a proteção das florestas. reformando a sentença. Recursos especiais de Alberto Srur e do Município de São Bernardo do Campo parcialmente conhecidos e. 2008. p. que. 2. As florestas públicas são consideradas bens de interesse dominial do Estado. Tanto é assim que o Banco Mundial aponta que a área ocupada por florestas nos países em desenvolvimento foi reduzida à metade em aproximadamente um século. improvidos. provavelmente deixaram-se enganar pelos idealizadores de loteamentos irregulares na ânsia de obterem moradias mais dignas. Não fere as disposições do art. Não se trata tão-somente de restauração de matas em prejuízo de famílias carentes de recursos financeiros. 515 do Código de Processo Civil acórdão que. 230 e 231.771/1965. no Brasil. julga procedente a ação nos exatos termos do pedido formulado na peça vestibular.diReiTO AmbienTAl de forma clandestina. beltrão. O regime jurídico da propriedade florestal é puramente civil. em decorrência de loteamento irregular implementado na região. Ele também contempla a proteção das demais formas de vegetação reconhecidas de utilidade para as terras que revestem. a. desprezando pedido alternativo constante das razões da apelação. nessa parte. No conflito entre o interesse público e o particular há de prevalecer aquele em detrimento deste quando impossível a conciliação de ambos. 4. notas e Questões 1) (CESPE – AGU 2006) A preservação das florestas é uma das questões fundamentais para a sobrevivência da humanidade e de todas as formas de vida. 3 FGv diReiTO RiO 62 .

DOUTRINA As unidades de conservação. n. III e VII sobre obrigações gerais de defesa e proteção da fauna e da flora.985/2000. 2) Lei n.DIREITO AMBIENTAL AULA 16: SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC). é que o SNUC toma forma pela Lei n.892. garantindo-lhes assim a necessária eficácia. 11. a saber. as Unidades de Proteção Integral (cujo objetivo básico é preservar a natureza. a Lei das Florestas Públicas. 9. criadas por ato do Poder Público. artigo 225. Em relação ao SNUC. instituído pela Lei n. fruto de longos anos de discussões e debates sobre um projeto de lei de 1992.428/2006 e Lei do Bioma Mata Atlântica. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. incluindo os principais dispositivos do Código Florestal. dentre eles. II. INTRODUÇÃO Após analisado os aspectos gerais da proteção da flora e da fauna.985/2000. Foi então que em 2000. pela natureza de normas gerais. São eles. sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos FGV DIREITO RIO 63 . três importantes diplomas legais completam o regime jurídico estrutural de proteção da flora e. n.985/2000. de número 2. Porém. 9. 9. o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. 11. OBJETIVOS Identificar as diferentes formas de proteção das florestas divididas em Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. § 1º. as áreas de preservação permanente e de reserva legal. I. conseqüentemente. Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos do SNUC. os referidos dispositivos constitucionais não prescindiam de específica regulamentação. Divididas em dois grupos. da fauna brasileira. 9.428/2006. é importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 dispõe em seu artigo 225. fazem parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza — SNUC e são constituídas pelo conjunto de unidades de conservação federais e estaduais e municipais de acordo com o disposto na referida Lei n. incs.985/2000.

a ter composição bem delimitada com objetivos fixados pela norma./2007. 811-850. 11ª Edição. RMS n. DJ 29/ Jun. Recorrido: Estado de Mato Grosso.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. Julgamento 12/Jun. NÃO— PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. Direito Ambiental. 109-110. pp. STJ. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA. ART. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. FGV DIREITO RIO 64 . 5. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. (2007).340/2002. 1. 9ª edição. Ementa DIREITO AMBIENTAL. § 1°. 652-690. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. pp. 5ª edição. pp. Editora Lumen Juris. 16ª Edição. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. 20281-MT (2005/0105652-0). DA CF/1988. 547-626. por força de lei. 24. Direito do Ambiente. DECRETO ESTADUAL N. DECRETO ESTADUAL N. 1ª Turma. 2) Paulo Affonso Leme Machado. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA./2007. (2008).438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA — SNUC. 9.DIREITO AMBIENTAL naturais salvo exceções previstas na própria lei ora mencionada) e as Unidades de Uso Sustentável (cujo objetivo básico é compartilhar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcelas integrantes do SNUC) passaram.795/1997. Editora Revista dos Tribunais.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. (2008). 4. Editora Saraiva. (2008). ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL. JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Hermes Wilmar Storch vs. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. Editora Malheiros. NOS TERMOS DO ART. Curso de Direito Ambiental Brasileiro.

reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. primeiro. possibilitar seja identificada a “localização. estaria o estado-membro autorizado a legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. quando for o caso. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. foram estes rejeitados. 24. da CF/1988. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. os §§ 1° e 2° do art. § 1°.438/2002. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. a qual. 9. Em sede de recurso ordinário. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. 24. Trata-se de mandado de segurança. 4°. por maioria.438. da CF/1988). em seu art. em seu art. § 4º. embora sucinta. 22. da Lei n.985/2000. § 2°.340. de 22 de agosto de 2002. segundo. 5. ao prescrever. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena.985/2002. consubstanciado na edição do Decreto n. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. 3. 22. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação. em se tratando de matéria ambiental. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”.2002. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. Aliás. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. b) nos casos de competência legislativa concorrente.985/2000. denegou a ação mandamental. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. nos termos da legislação estadual (MT) e federal. o estatuído no § 1º. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. evidentemente. O Decreto n. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental.11. 9. obscuridade ou contradição a ser suprida. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente — FEMA. no Estado do Mato Grosso. bem como determinou. com pedido liminar. 9. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. Governador do Estado do Mato Grosso. de 12. como ocorreu no caso. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. respeitando. alcança o objetivo perseguido pelo art. 2. do art. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. 4. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. da Lei n. qual seja. 5. prevista no art. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de FGV DIREITO RIO 65 .DIREITO AMBIENTAL 1. O Decreto Estadual n. 3°. que regulamentou a Lei n.

detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. caça. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da Federação brasileira (art. 1 As questões 1-3 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. (2008). G. Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. No caso dos autos. São Unidades de Proteção Integral: a. b. Área de Proteção Ambiental. da CFRB). Floresta Nacional. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. Recurso ordinário não-provido. 38/1995). Floresta Nacional. § 2°. fauna. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. Reserva Biológica. c. 9. pesca. e. do Código Ambiental (Lei Complementar n. Manual de Direito Ambiental. que exige a realização de prévia consulta pública. VI. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. Estação Ecológica. os Estados-membros e o Distrito Federal. quer pela falta de previsão na legislação estadual. Refúgio da Vida Silvestre e Reserva Extrativista. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. não prevalece disposição de lei federal. da Lei n. A União. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. VI. mormente as presentes nos arts. 24.985/2000. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. Área de Proteção Ambiental. 227 e 229. defesa do solo e dos recursos naturais. incisos V e VII. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. Monumento Natural de Refúgio da Vida Silvestre. Refúgio da Vida Silvestre. Reserva Extrativista. 5. Reserva Extrativista. FGV DIREITO RIO 66 . Reserva Biológica e Estação Ecológica. Beltrão. a regra do art. À norma de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da Federação. p. Estação Ecológica. Editora Método. no entanto. conservação da natureza. O ato governamental (Decreto n. 22. Assim sendo. 4. na esteira do art. Parque Nacional. Área de Proteção Ambiental. qual seja. d. sendo-lhe. NOTAS E QUESTÕES1 1) (Defensor Público SP 2006) O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza estabelece dois grupos de unidades de conservação. 5. da Carta Maior. Parque Nacional. Reserva da Fauna. tendo em conta as necessidades da população local. as de Proteção Integral e as de Uso Sustentável. Floresta Nacional e Reserva Extrativista. 170. Reserva Biológica.DIREITO AMBIENTAL conservação a ser criada. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. 6.

segundo a definição estabelecida na lei citada. enquanto as unidades de conservação podem ser suprimidas por ato do Poder Executivo. enquanto as unidades de conservação sempre visam à proteção integral dos ecossistemas compreendidos em sua área. Reserva Biológica.DIREITO AMBIENTAL 2) (Procurador Município Manaus 2006) O regime jurídico das áreas de preservação permanente difere. Têm sua utilização sujeita ao licenciamento ambiental a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA. tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. sendo esta uma das restrições legais ao direito de propriedade. e. . Parque Nacional. e. de acordo com o que dispõe a lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação — SNUC: a. c. A Estação Ecológica. incluindo medidas com o fim de promover sua integração econômica e social das comunidades vizinhas. como Unidade de Conservação de Proteção Integral. diferente de sua condição original. Áreas de Relevante Interesse Ecológico e Área de Proteção Ambiental. Monumento Natural. Restauração. Têm sua supressão condicionada à autorização legislativa. Em se tratando de unidade de conservação deve ser elaborado um Plano de Manejo que abranja a área correspondente à unidade de conservação. a título gratuito. FGV DIREITO RIO 67 b. emanado do poder público b. enquanto as unidades de conservação podem ser definidas tanto por lei quanto por ato do Poder Executivo. d. daquele aplicável às unidades de conservação. ao passo que as unidades de conservação sujeitam-se aos órgãos seccionais integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente — SISNAMA. porque as áreas de preservação permanente a. Havendo áreas particulares incluídas em seus limites deverão ser cedidas. 3) (Promotor de Justiça MG — XLVI Concurso) Assinale a alternativa CORRETA. sendo públicos a posse e o domínio de sua área. O objetivo básico das Unidades de Conservação de Proteção Integral é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais. essencialmente. Integram o grupo de Unidades de Proteção Integral as seguintes categorias de unidades de conservação: Estação Ecológica. Apenas podem ser definidas pela lei. c. d. Podem ser definidas em caráter geral pela lei. sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos. Têm por objetivo exclusivo a preservação da vegetação. ao Poder Público. é a restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada. ao passo que as unidades de conservação devem ser necessariamente declaradas por ato concreto.

285/1992 e Decreto n. por abrigar as regiões mais industrializadas do país.DIREITO AMBIENTAL AULA 17: FLORESTAS PÚBLICAS (LEI N.284/2006) E BIOMA MATA ATLÂNTICA (LEI N.428/2006). este esperado instituto disciplinador foi concretizado com o advento da Lei 11. em relação ao bioma Mata Atlântica. 225.428/2006 que disciplinou o bioma Mata Atlântica. as controvérsias em relação a um efetivo instrumento de proteção foram quase que insuperáveis. principalmente na Amazônia e quase sempre à margem do sistema legal vigente. 2) Lei n. 11. Diversas foram as inovações deste diploma legal. objetivos e instrumentos de proteção da Mata Atlântica. FGV DIREITO RIO 68 . 11. a instituição de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal e a criação do Cadastro Nacional de Florestas Públicas. 11. esta nos diferentes estados de regeneração. 284/2006. INTRODUÇÃO O Código Florestal e o SNUC ainda se mostravam insuficientes para lidar com uma questão crucial para o desenvolvimento nacional: as atividades de exploração de florestas públicas. encontram-se a confirmação da delimitação geográfica do bioma e disposições de proteção da vegetação primária e secundária. Após os debates em torno do Projeto de Lei 4. dentre as quais se destacam: a concepção do Serviço Florestal Brasileiro.284/2006. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. por ter um histórico de ocupação extrativista e ser o primeiro bioma a receber os primeiros colonizadores. passando pelo Projeto de Lei n. Em território de tamanha riqueza florestal e dimensões continentais. 11. os desafios em se alcançar um denominador comum entre os diferentes interesses foram extremos. da CF/88). Desde o dispositivo constitucional declarando a região como sendo parte do patrimônio nacional (art.11. Dentre os seus principais dispositivos.750/93. foram quase duas décadas até a Lei n. 3. com diversidade biológica proporcionalmente superior à da própria Amazônia.776/2006. conhecido como a Lei de Gestão de Florestas Públicas. Por abrigar mais de 60% da população brasileira. 3) Lei n. artigo 225. Finalmente.428/2006. OBJETIVOS Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos da Lei de Gestão de Florestas Públicas. dentre outros igualmente importantes e detalhados pelo diploma legal. Compreender a importância de um instrumento legal específico para a proteção da Mata Atlântica. § 4º. Analisar os conceitos. torna-se praticamente impossível uma efetiva gestão sem um instrumento disciplinador das atividades exploratórias.

Bibliografia complementar 1) Édis Milaré. 638-639 e 707..000 km2./2008.) Leitura obrigatória 1) Paulo Affonso Leme Machado. criou todo um sistema de gestão sustentável de florestas. 638-650 e 707-725.. o País tinha 1. STJ. DESAPROPRIAÇÃO./2008. (2007). REFORMA AGRÁRIA.) Acredita-se que quando os portugueses chegaram ao Brasil. licitações e conhecimentos tradicionais. Direito do Ambiente. 5ª edição.300. (. de 2 de março de 2006. Ementa ADMINISTRATIVO. REsp n. pp. (. BASE DE CÁLCULO. CÁLCULO EM SEPARADO. (2007). INEXISTÊNCIA DE EXPLORAÇÃO ECONÔMICA. mas. pp. licenciamento ambiental. Editora Revista dos Tribunais. (Édis Milaré. Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). 284. DIFERENÇA ENTRE 80% DO FGV DIREITO RIO 69 . (2008). Editora Revista dos Tribunais. JUROS COMPENSATÓRIOS. tangendo ainda diversos outros assuntos correlatos. Julgamento 07/Fev. em verdade. o que quer dizer que esse recurso natural teve 93% de sua área original devastada. 5ª edição. há cerca de 500 anos. COBERTURA FLORÍSTICA. Hoje. JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Leme Comércio Importação Exportação Empreendimentos e Participação Ltda vs. tais como Sistema de Unidades de Conservação (SNUC).. 905783-SC (2006/0249674-9). 16ª Edição. Editora Malheiros.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA A Lei 11.000 km2 de Mata Atlântica. ou seja. a extensão da Mata Atlântica está reduzida a aproximadamente 100.768-779 e 849-850. Recorrido: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). 2ª Turma. pp. 15% do território brasileiro era coberto pelas diferentes formações florestais do bioma.) não teve tão-somente o condão de proceder a algumas alterações no Código Florestal. INVIABILIDADE. Direito do Ambiente.. DJ 27/Mai.

2007. na moldura da Lei 11. corresponda ao montante anteriormente depositado pelo expropriante. de forma objetiva. alínea b. caracteriza ilícito ambiental (Lei 9. Tendo a imissão na posse ocorrido após o advento da MP 1. Rel. passam a ser calculados em 12% (doze por cento) ao ano.577/97. incidem juros compensatórios sobre a parcela cujo levantamento não foi autorizado judicialmente (20% do depósito. Francisco Peçanha Martins. A partir dessa data.03. DEPÓSITO INICIAL CONFIRMADO PELO JUDICIÁRIO. Min. ao contrário. excluindo-se da base de cálculo as Áreas de Preservação Permanente (arts.605/98). § 1º. JUSTA INDENIZAÇÃO. 12 da Lei 8. p/ acórdão Min. Atende ao postulado da justa indenização o acórdão. primária ou secundária em estágio avançado de regeneração. a exploração de florestas. nos termos da Lei 6. j. 2° e 3° do Código Florestal). do Código Florestal) e a vegetação da Mata Atlântica. adequadamente fundamentado. dentre outros casos. fixado na sentença. por suas características naturais ou por obediência a estatuto jurídico próprio.938/81.DIREITO AMBIENTAL DEPÓSITO E O VALOR FIXADO NO ACÓRDÃO. Precedente: REsp 711. 7. que fixa seu montante atendendo aos critérios legais (art. bem como as que. 1. não podem ser exploradas por conta da vedação de supressão para fins comerciais. DJ 06. Ainda que o valor da indenização. INEXISTÊNCIA. Primeira Seção. de que são exemplos as árvores imune a corte (art. até a publicação da liminar concedida na ADIN 2. sujeito a sanções administrativas e penais. 14. Segunda Turma. nos termos da jurisprudência do egrégio STF (ADI-MC 2. Não se conhece da suposta violação de dispositivos legais não ventilados no acórdão recorrido sequer implicitamente (Súmula 211/STJ).09. PREQUESTIONAMENTO. Na falta de autorização ou licença ambiental e de Plano de Manejo.593/MA.332/DF). 6º.324/RN. da Lei Complementar 76/1993). DJ 3. João Otávio de Noronha. Ministro Castro Meira. ART.2006. quando juridicamente possível. 5. Rel. ART.332/DF (13. Precedente: REsp 437.2001). os juros compensatórios são de 6% (seis por cento) ao ano. 4. SUCUMBÊNCIA DO EXPROPRIADO.02. FGV DIREITO RIO 70 . nos termos e limites de autorização expedida de maneira regular. 08. Na análise do potencial econômico madeireiro. nos termos da Súmula 618/ STF. deve-se levar em consideração as restrições legais e administrativas à utilização da propriedade. Precedente: REsp 608. 437 DO CPC. conforme art.2006.577/SP. em regra. se ocorrer.8. 19 DA LC 76/93.428/2006.629/93). Rel. as de Reserva Legal sem Plano de Manejo aprovado pelo órgão ambiental competente. 6. A indenização da cobertura florística depende da efetiva comprovação de que o proprietário esteja explorando econômica e licitamente os recursos vegetais. sem prejuízo do dever de reparar o dano causado. 3. não é um direito ou interesse indenizável. 2.

DIREITO AMBIENTAL 8. nessa parte. se dá provimento. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância da elaboração de um diploma legal específico para tratar da gestão das Florestas Públicas? 2) Quais os princípios que instruem a gestão de Florestas Públicas e como eles se relacionam com os princípios gerais de direito ambiental? 3) Para efeitos de proteção do bioma Mata Atlântica. caput. configura-se a sucumbência do expropriado. da LC 76/93. como se dá a divisão entre os diferentes estágios de regeneração e qual a exceção prevista para comunidades tradicionais e pequenos proprietários rurais? FGV DIREITO RIO 71 . Recurso Especial do particular parcialmente provido. Recurso Especial do INCRA de que parcialmente se conhece e a que. nos estritos termos do art. Tendo o particular contestado o depósito inicial. que acabou endossado pelo Judiciário. 19. 9.

2. o país foi e é constantemente alvo de pressões internacionais visando impor padrões de proteção cada vez mais rigorosos.339/2002. 2. assim como o meio ambiente como um todo. progressivamente. a Convenção sobre Diversidade Biológica é incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro.186-16. é possível a análise e exame dos objetivos. este movimento internacional por um regime jurídico supranacional para tutelar a diversidade biológica do planeta exigiu ações domésticas que. Diante da exploração predatória das florestas tropicais. Trabalhar os objetivos. O fundamento maior. compôs o grupo das chamadas Convenções do Rio. FGV DIREITO RIO 72 .519. que embasou esta preocupação internacional foi o de que a diversidade biológica.DIREITO AMBIENTAL AULA 18: PROTEÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA INTRODUÇÃO A proteção da diversidade biológica está intrinsecamente conectada à tutela da fauna e flora. que em 1998. Porém. Pelo contrário. Compreender a evolução legislativa tanto na esfera internacional. entendeu por acordar sobre um regime jurídico próprio à tutela da diversidade biológica no planeta. visando possibilitar traçar paralelos com outras tutelas específicas do direito ambiental. então. diante da dificuldade inerente à regulação das florestas na esfera supranacional. Diante da dificuldade em se transformar em lei ordinária. É assim. a comunidade internacional. Deste limitado quadro legal. princípios e diretrizes gerais que orientam a tutela da biodiversidade no Brasil. pelo Decreto n. de 23 de agosto de 2001. dispôs sobre o acesso à diversidade biológica no Brasil. locais onde se concentram a maior parte da diversidade biológica do planeta. por possuir a mais rica biodiversidade do planeta. Foi quando. Alguns anos mais tarde. como também na nacional. OBJETIVOS Entender a importância da existência de um regime jurídico especial para tutela da biodiversidade. a Medida Provisória n. portanto. princípios e diretrizes gerais da Política Nacional de Biodiversidade. em 1992 diversos países assinaram a Convenção sobre Diversidade Biológica que. No Brasil não foi diferente. surgiu a necessidade de um regime jurídico específico que pudesse orientar e incentivar ações domésticas visando a tutela da diversidade biológica do planeta. justifica-se a sua tutela na esfera supranacional. portanto. Como não poderia ser diferente. em 2001. espalharam-se por diversos países. junto com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática e Convenção sobre o Combate a Desertificação. por meio do Decreto n. 4. não conhece fronteiras políticas e. foi instituída a Política Nacional de Biodiversidade.

Não seria exagerado dizer que a convivência “natural” do Ser Humano com outros animais é. em função de caça intensiva e da destruição de vegetação. DOUTRINA A percepção de que certos elementos do mundo natural estão desaparecendo em função da atividade humana é um fenômeno social muito antigo e que. Editora Lumen Juris. Direito do Ambiente. 4. Há suspeitas de que a aparição do Homem no continente americano pode ter contribuído fortemente para a extinção de pelo menos duas espécies de mamíferos. 389-428. Para o pensamento ocidental. FGV DIREITO RIO 73 . eminentemente.DIREITO AMBIENTAL LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. Paul R. pp. 2. pp. artigo 225. (Paulo de Bessa Antunes. o estado de degradação ambiental do mundo que lhe era contemporâneo. 11ª Edição. 11ª Edição.186-16/2001. semelhante à luta pela sobrevivência e evolução natural que se verifica entre todas as espécies. 325. Direito Ambiental. Leitura complementar 1) Édis Milaré. 3) Medida Provisória n. (2008). no qual ele lamenta. Editora Revista dos Tribunais. acidamente. 4) Decreto n. Editora Lumen Juris. 2) Convenção sobre Diversidade Biológica. Direito Ambiental.339/2002. (2007). Ehrlich demonstra que os Maori. praticamente. Pesquisas arqueológicas demonstram que mesmo comunidades pré-históricas poderiam ter levado inúmeros animais à extinção. 5ª edição. Mesmo sociedades tidas como “primitivas” e paradisíacas foram responsáveis pela extinção de espécies. acompanha a vida do Ser Humano sobre o Planeta Terra. em menos de 1.000 anos de presença na Nova Zelândia. pp. (2008). promoveram a extinção de cerca de 13 espécies de Moa (pássaro sem asas).) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. a primeira constatação de mudanças negativas no meio natural que cerca o Homem foi feita por Platão em seu célebre diálogo Crito. 547-569.

artigo 5º. DJ-SP 11/Set. II) — Recurso desprovido. 759. Suzano Papel e Celulose e Estado de São Paulo. AI n. Julgamento 28/Ago. VCP Votorantin Celulose e Papel S. TJ-SP.DIREITO AMBIENTAL JURISPRUDÊNCIA Agravante: Ministério Público vs./2008.399-5/8. Câmara Especial do Meio Ambiente.347/85. Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga. Ementa AGRAVO DE INSTRUMENTO — Ação civil pública — grandes plantações de eucalipto e devastação ambiental — Decisão que indeferiu a liminar e não acolheu o pedido de extinção da ação — Legitimidade da Defensoria Pública Estadual para propor ação civil pública (Lei 7.A. Agravados: Defensoria Pública do Estado de São Paulo./2008. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “diversidade biológica”? 2) Quais são princípios que instruíram a Convenção sobre Biodiversidade Biológica de 1992? 3) Quais são os principais riscos à biodiversidade nos âmbitos global e regional? 4) Quais são os instrumentos legais brasileiros que auxiliam na tutela da diversidade biológica? Por quê? 5) Quais os princípios da Política Nacional da Biodiversidade? 6) Qual a controvérsia acerca da legalidade do Plano Nacional da Biodiversidade? FGV DIREITO RIO 74 .

Contextualizar a noção de Biossegurança. Editora Revista dos Tribunais. § 1º. 2) Lei n. Trata-se de tecnologia de ponta que busca controlar a informação genética de plantas e animais. questões de ordem Ética e também de Direito.974/1995. “[b]iodiversidade e biossegurança estão freqüentemente enlaçadas. 8. 2. 5ª edição.191-9/2001. [2007]. mas no meio ambiente dentro de uma visão ecocêntrica de direito ambiental. difíceis de enquadrar. incluindo aí.814/2003. 4) Lei n. OBJETIVOS Compreender o significado e importância do disciplinamento legal de questões envolvendo a biotecnologia. podem surgir casos intrigantes. No amplo quadro das experiências. não apenas nos seres humanos. Neste sentido. não podem ser marginalizadas. e combinado com a euforia em torno da maximização dos lucros como decorrência da manipulação genética. artigo 225. com intuito de servir aos anseios e necessidades do próprio ser humano. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. 3) Medida Provisória n. Analisar os aspectos referentes à incerteza dos possíveis impactos.DIREITO AMBIENTAL AULA 19: BIOTECNOLOGIA E BIOSSEGURANÇA INTRODUÇÃO A biotecnologia é fruto do acelerado desenvolvimento técnico-científico observado na segunda metade do Século XX. regras de conduta normatizadas pelo ordenamento jurídico pátrio. A preocupação em torno dos possíveis impactos à biodiversidade e ao próprio ser humano. II e III. Devido à ausência de certeza em relação aos impactos da aplicação desta nova tecnologia. Identificar os principais elementos da Política de Desenvolvimento da Biotecnologia. de outro. de um lado. faz surgir a noção em torno do que a Convenção sobre Diversidade Biológica de 1992 chamou de “Biossegurança”. que conjugam biotecnologia e biossegurança com os requisitos da Biodiversidade. p. Examinar a relação entre Biotecnologia e Biossegurança. Contudo.” (Direito do Ambiente. 582). nas palavras de Édis Milaré. o próprio homem. vêm sendo relegadas a um segundo plano. como o dever de precaução. 10. consumidor final de muitos destes produtos alterados geneticamente. FGV DIREITO RIO 75 .

11. (2007). 225 da Constituição Federal. e dá outras providências”. (2008). de 5 de janeiro de 1995.814.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. JURISPRUDÊNCIA Requerente: Procurador-Geral da República vs. 11ª Edição. 6) Decreto n. 6. pp./2008. p. Editora Lumen Juris. reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança — CTNBio. revoga a Lei no 8.591. STF. Tribunal Pleno. de 15 de dezembro de 2003. Requeridos: Presidente da República e Congresso Nacional. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. Lei nº 11105.974.510. Julgamento 29/ Mai. IV e V do § 1º do art. da Lei nº 11105. de 24 de março de 2005. 570-602. em especial. pp.105/2005. (Paulo de Bessa Antunes. 5ª edição. DOUTRINA A produção e utilização dos organismos geneticamente modificados no Brasil.DIREITO AMBIENTAL 5) Lei n. estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados — OGM e seus derivados. que “regulamenta os incisos II. Tal lei foi regulamentada pelo Decreto no 5. 371-387. Editora Revista dos Tribunais. encontra-se regida pela Lei no 11. de 24 de março de 2005. dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança — PNB. Direito Ambiental. Editora Lumen Juris. de 22 de novembro de 2005 e por muitos outros atos normativos e. 3. 005º e parágrafos. ADI n. por normas da Comissão Técnica nacional de Biossegurança — CTNBio. Direito Ambiental. Direito do Ambiente. 371.105. e a Medida Provisória no 10. FGV DIREITO RIO 76 .041/2007. 11ª Edição. de 24 de março de 2005. (2008). Dispositivo Legal Questionado Art. cria o Conselho Nacional de Biossegurança — CNBS.

contados a partir da data de congelamento. 015 da Lei nº 9434. ou que. § 001º — Em qualquer caso. de 04 de fevereiro de 1997. depois de completarem 3 (três) anos.DIREITO AMBIENTAL Art. ou 0II — sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais. a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento. 005º — É permitida. na data de publicação desta Lei. para fins de pesquisa e terapia. já congelados na data da publicação desta Lei. § 002º — Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisas ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética e pesquisa. § 003º — É verdade a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no art. atendidas as seguintes condições: 00I — sejam embriões inviáveis. é necessário o consentimento dos genitores. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “Biotecnologia”? 2) O que se entende por “Biossegurança”? 3) Qual a relação entre “Biotecnologia” e “Biossegurança”? 4) Qual é o papel do Direito na intervenção em questões envolvendo biotecnologia? 5) Quais os principais pontos positivos e negativos do tratamento jurídico brasileiro às matérias de biotecnologia e biossegurança? FGV DIREITO RIO 77 .

11. Trata-se de uma efeméride que coroou esforços. Na verdade. o de manifestar o temor em imposição internacional de restrições ambientais que poderiam inibir o desenvolvimento econômico. passando previamente pela saúde ambiental. a delegação brasileira já alardeava que a pobreza é a pior forma de degradação ambiental. à defesa e proteção do meio ambiente. Esta Lei do Saneamento Básico é uma pedra FGV DIREITO RIO 78 . Este problema está intimamente ligado à garantia constitucional do princípio do direito à sadia qualidade de vida. É certo que o contexto era diverso. mas. essa solução — ao mesmo tempo nova e antiga —. apontando caminhos para a solução de uma velha problemática nacional ligada visceralmente às perspectivas de desenvolvimento com sustentabilidade.445. à defesa e proteção da saúde da população. Enfim. com mensagem de Ano Novo. discussões. mas a posição brasileira serve para ilustrar um dos grandes problemas ambientais dos países em desenvolvimento: a falta de saneamento básico em grande parte da população menos favorecida. fluxos e refluxos de uma tramitação tempestuosa. OBJETIVOS Entender a evolução histórica da questão do saneamento básico no Brasil. trata-se de um novo período de esperanças sólidas. constituem-se em importante instrumento da própria gestão ambiental e sanitária. Portanto. ou seja. 11. no dia 5 de janeiro de 2007. DOUTRINA A mais nova das grandes políticas de âmbito nacional teve a sua “certidão de nascimento” estampada na Lei 11. veio à luz.DIREITO AMBIENTAL AULA 20: SANEAMENTO BÁSICO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO Nos debates acerca da Declaração de Estocolmo de 1972.445/2007. LEGISLAÇÃO 1) Lei n. Sim. Analisar os princípios fundamentais da lei de saneamento básico. volta-se para a saúde pública. os investimentos em saneamento básico.445/2007 encerra longos anos de debate em torno de um projeto de lei acerca da concepção e elaboração de um Plano Nacional de Saneamento Básico. No Brasil. Compreender a importância e examinar a relação entre políticas de investimento em saneamento básico e defesa e proteção do meio ambiente. a Lei n. Identificar as diretrizes nacionais do saneamento básico. fundamentalmente.

DA COMPESA. COBERTURA DAS DESPESAS A PARTIR DAS TARIFAS COBRADAS PELA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. VI. (2007). DA CF/88. FALTA DE TRATAMENTO DO ESGOTO SANITÁRIO DA CIDADE DE PETROLINA/PE. JURISPRUDÊNCIA 1) TRF-5ª Região./2005. COMPETÊNCIA MUNICIPAL. 603-617. PRINCÍPIOS DO POLUIDOR-PAGADOR. CONTRATO DE CONCESSÃO. DA PREVENÇÃO E DA PRECAUÇÃO. ARTS. PARCIAL PROVIMENTO. Ementa PROCESSUAL CIVIL. DILATAÇÃO E NÃO SUSPENSÃO. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO. INVASÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. BEM PÚBLICO FEDERAL. DESPEJO NO RIO SÃO FRANCISCO. Direito do Ambiente. FIXAÇÃO DE MULTA DIÁRIA PARA O CASO DE NÃO ADOÇÃO DAS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS. ESCASSEZ DO PRAZO. (2007). 23. DETERMINAÇÃO À COMPESA DE SUSPENSÃO DA ATIVIDADE POLUIDORA POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. 5ª edição. LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. 603. FGV DIREITO RIO 79 . ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. NESSE PONTO. Agravo Regimental em Suspensão de Liminar 20050500004825202. MP Nº 2.437/92. Editora Revista dos Tribunais.180-35/2001. p. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO (DE RECONSIDERAÇÃO) INDEFERITÓRIA DE PEDIDO SUSPENSIVO DOS EFEITOS DA LIMINAR CONCEDIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. INEXISTÊNCIA. LEI Nº 8. ESPECIFICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA COMPESA SEGUNDO O TÍTULO JURÍDICO. (Édis Milaré. 5ª edição. Editora Revista dos Tribunais.DIREITO AMBIENTAL infra-estrutural na construção de um bem-estar mais completo e sadio para a comunidade nacional. INOCORRÊNCIA. EXCLUSIVIDADE DETIDA PELA COMPESA. DESOBRIGAÇÃO. E 225. pp. Direito do Ambiente. CONSTITUCIONAL. APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO DEFINIDO PARA A RECUPERAÇÃO DAS INSTALAÇÕES. DJ 3/Out.

ASSOCIADA À VERIFICAÇÃO DA POSSIBILIDADE LESIVA DAS ESFERAS SIGNIFICATIVAS ENUMERADAS NA NORMA JURÍDICA LEGAL (ORDEM PÚBLICA. OUTROSSIM. POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO ADEQUADAS DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. É COMPETENTE A JUSTIÇA FEDERAL IN CASU. NO INSTRUMENTO. PELA DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO A SER CONSIDERADO DIANTE DA MÁCULA EXPRESSIVA A SER OBSTADA. MAS APENAS UMA AFERIÇÃO DA PLAUSIBILIDADE DAS RAZÕES DEDUZIDAS PELO REQUERENTE. AINDA MAIS. SOBRETUDO POR SER MEDIDA DE CONTRACAUTELA. TRATA-SE DE MEDIDA EXCEPCIONAL. COM AS ALTERAÇÕES DA MP Nº 2. ALÉM DE OUTRAS PROVIDÊNCIAS. NO ÂMBITO DA QUAL NÃO SE EFETUA EXAME DE MÉRITO EM RELAÇÃO À LIDE ORIGINÁRIA. 4O. À SEGURANÇA E À ECONOMIA PÚBLICAS. CONCEDIDA EM SEDE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA. NO AGRG NA SUSPENSÃO DE LIMINAR Nº 57/DF. A LEGITIFGV DIREITO RIO 80 . DETERMINOU À COMPESA. 3. DA LEI Nº 8.2004). EM 01. A SUSPENSÃO DE SUA ATIVIDADE POLUIDORA.09. JUSTIFICADA PELA SERIEDADE DAS CONSEQÜÊNCIAS DERIVADAS.2004. TENDO EM CONTA QUE A PRETENSÃO EM LITÍGIO ENVOLVE BEM PÚBLICO PERTENCENTE À UNIÃO: O RIO SÃO FRANCISCO (STJ.2004. DESTARTE. DEVE-SE LANÇAR OLHOS AO PERFAZIMENTO DOS PRESSUPOSTOS ESPECÍFICOS — O FUMUS BONI JURIS E O PERICULUM IN MORA —. APENAS É ADMITIDA EM CASO DE MANIFESTO INTERESSE PÚBLICO OU DE FLAGRANTE ILEGITIMIDADE E PARA IMPEDIR GRAVE LESÃO À ORDEM. EM DJ DE 06. QUE. EM 10. NOS TERMOS DO ART. TERCEIRA SEÇÃO. EM JUÍZO DE RECONSIDERAÇÃO. PARTICULARIZADOS ESSES REQUISITOS. REL. QUE DEVEM ESTAR PRESENTES PARA A CONCESSÃO DAS LIMINARES” (TRECHO DO VOTO DO MINISTRO EDSON VIDIGAL. ARNALDO ESTEVES LIMA.07. CONTUDO. VINCULADA AOS PRESSUPOSTOS DE PLAUSIBILIDADE JURÍDICA E DO PERIGO DA DEMORA.180-35/2001.12. NÃO DEIXA DE ADMITIR UM EXERCÍCIO MÍNIMO DE DELIBERAÇÃO DO MÉRITO.DIREITO AMBIENTAL 1. PUBL. SAÚDE PÚBLICA. À SAÚDE. PUBL.11. 2. J. CONSISTENTE NO DESPEJO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO SÃO FRANCISCO. CC Nº 33987.437/92. EM DJ DE 17.2004). DE PROCEDIMENTO SUMÁRIO E DE COGNIÇÃO INCOMPLETA. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA QUE. INDEFERIU O PEDIDO DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA LIMINAR. J. CABENDO AO ENTE POSTULANTE A DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA DESSAS CONDIÇÕES. MIN. SEGURANÇA PÚBLICA E ECONOMIA PÚBLICA). “ESSA ORIENTAÇÃO. A CONCESSÃO DE SUSPENSÃO DE LIMINAR OU DE SENTENÇA. EM SÍNTESE. COM A PERSCRUTAÇÃO DA URGÊNCIA DA PROVIDÊNCIA REQUESTADA.

REALÇANDO-SE. 6. E 225). CORRESPONDENDO. INCLUSIVE. SUSTENTADO EM SÓLIDA BASE DE PRINCÍPIOS. DEVEM FUNCIONAR COMO ORIENTADORES PREFERENCIAIS DA INTERPRETAÇÃO. À SOCIEDADE. OUTROSSIM. DENTRE OUTROS. ENFATIZA-SE. A DISTINÇÃO ENTRE REGRAS JURÍDICAS E PRINCÍPIOS JURÍDICOS. SEJA NO PRELÚDIO. A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE. COM O CONSEQÜENTE AFASTAMENTO DE UMA POSTURA MAIS LEGALISTA. REPRESENTATIVO DE DIREITO SUBJETIVO E VINCULADO. O POLUIDOR-PAGADOR. PARA O FATO DE QUE OS PRINCÍPIOS JURÍDICOS — ESCRITOS OU IMPLÍCITOS — REPRESENTAM AS BASES SOBRE AS QUAIS O DIREITO SE CONSTRÓI E DAS QUAIS ELE DERIVA (AS REGRAS JURÍDICAS. SENDO AMBOS NORMAS JURÍDICAS (PROCESSO DE JURIDICIZAÇÃO). IMPÕE-SE A “AÇÃO ANTECIPADA DIANTE DO RISCO OU DO PERIGO”. SERIAM CONCREÇÃO DOS PRINCÍPIOS). REPUTADO BEM DE USO COMUM DO POVO. AO DIREITO À VIDA. EX VI DA LEI Nº 7. DA APLICAÇÃO E DA INTEGRAÇÃO NORMATIVA. ESSENCIALMENTE. SOBRELEVANDO A PREOCUPAÇÃO COM A ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A TODOS OS ENTES DA FEDERAÇÃO E. O DA PREVENÇÃO E O DA PRECAUÇÃO. OS PRINCÍPIOS TÊM AVULTADO COMO VERDADEIRAS NORMAS DE CONDUTA. 23. E NÃO MERAMENTE COMO DIRETRIZES HERMENÊUTICAS.DIREITO AMBIENTAL MIDADE DOS MINISTÉRIOS PÚBLICOS ESTADUAL E FEDERAL E O INSTRUMENTO POR ELES MANEJADO (AÇÃO CIVIL PÚBLICA) GUARDAM COMPATIBILIDADE COM OS DIREITOS A PROTEGER. SEJA NO CORPO PROPRIAMENTE DITO DO TEXTO CONSTITUCIONAL (ARTS. MAIS QUE ISSO. COM A REFERÊNCIA A BEM-ESTAR. NESSE CAMPO. 5. DITO DE OUTRO MODO. PELO PRINCÍPIO DO PREDADOR-PAGADOR. DESPERTOU-SE. NÃO A ATIVIDADE REPARATÓRIA. PORTANTO. OU. O PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO. VI. SÃO PRINCÍPIOS DE DIREITO AMBIENTAL. MAS A PREVENÇÃO. “A CONSAGRAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO ESTABELECEU FGV DIREITO RIO 81 . 4. O DESENVOLVIMENTO DESSE CUIDADO DEU ENSEJO AO DIREITO AMBIENTAL. POR ASSIM DIZER. ESTÁ O POLUIDOR OBRIGADO A PAGAR PELA POLUIÇÃO CAUSADA OU POTENCIALMENTE OCASIONÁVEL. DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO (VORSORGEPRINZIP). OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS QUE INSPIRAM O SISTEMA JURÍDICO E QUE. ATRAVÉS. AO DEVER JURÍDICO DE IMPEDIR A REALIZAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS. ENCONTRA GUARIDA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988.347/85. “CONTRARIA A MORALIDADE E A LEGALIDADE ADMINISTRATIVA O ADIAMENTO DE MEDIDAS DE PRECAUÇÃO QUE DEVAM SER TOMADAS IMEDIATAMENTE” (PAULO AFONSO LEME MACHADO). HODIERNAMENTE. COMO NOVO RAMO JURÍDICO.

8. CONSTATOU-SE O EFETIVO LANÇAMENTO DE DEJETOS (ESGOTO NÃO TRATADO) NO RIO SÃO FRANCISCO. CABE AO PODER JUDICIÁRIO REALIZAR O CONTROLE DE LEGALIDADE E DE LEGITIMIDADE DOS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DIANTE DA DIMENSÃO DAS MEDIDAS A SEREM IMPLEMENTADAS. REALCE-SE QUE O DESPEJAMENTO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO. DESTARTE. DETENDO. COMO É O CASO DO MEIO AMBIENTE. FRENTE AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO (EQUILÍBRIO) DE PODERES. JUSTIFICAR-SE-IA PEDIDO DE DILATAÇÃO DE PRAZO. A SUSPENSÃO DA LIMINAR. O DIREITO DE IMPLANTAR. EM RELAÇÃO ÀS QUAIS O PODER JUDICIÁRIO NÃO PODE EFETUAR INSERÇÕES ATINENTES À CONVENIÊNCIA E À OPORTUNIDADE. ESPECIFICAMENTE NO QUE TANGE ÀS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO ESGOTO. É CERTO QUE ÀS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS INCUMBE DEFINIR AS POLÍTICAS DE SANEAMENTO BÁSICO DA CIDADE. DESDE 1975. COM EXCLUSIVIDADE.DIREITO AMBIENTAL VERDADEIRA REGRA DE JULGAMENTO NA ATIVIDADE JUDICIAL. DE OUTRO LADO. NÃO É NEGADO PELA COMPANHIA REQUERENTE. AMPLIAR. AMENIZAR OS PREJUÍZOS AO MEIO AMBIENTE NÃO PODE SER CONFUNDIDA COM INVIABILIDADE DE EFETIVAÇÃO DESSAS PROVIDÊNCIAS. 9. AO INVÉS DE RESGUARDAR. ENTRETANTO. E NUNCA DE SUSPENSÃO DE EXECUÇÃO. OS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. SE O TEMPO JUDICIALMENTE CONCEDIDO SE MOSTRAVA DIMINUTO. DEMAIS DISSO. INDUSTRIALMENTE. EM RAZÃO DO ESTADO FALENCIAL DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. COMPROVADA A ADOÇÃO DAS PRESTAÇÕES INICIAIS. QUE NÃO FOREM CONTRARIADOS PELO DEGRADADOR” (RODOLFO DE CAMARGO MANCUSO). OFENDERIA A ORDEM PÚBLICA E A SAÚDE PÚBLICA. AMPARADOS CIENTIFICAMENTE E DEMONSTRADOS. NO SENTIDO DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO COLETIVA EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE. 7. PELA COMPESA. COM DANOS AO MEIO AMBIENTE. ADMINISTRAR E EXPLORAR. CONSOANTE DESTACADO PELA POSTULANTE. DIANTE DE ELEMENTOS INDICIÁRIOS QUANTO À OCORRÊNCIA EFETIVA OU POTENCIAL DE DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS. A ESCASSEZ DE PRAZO PARA REALIZAÇÃO DAS OBRAS E DOS SERVIÇOS IMPRESCINDÍVEIS A AFASTAR OU. EXATAMENTE A COMPESA. PELO MENOS. NÃO SE PODE OLVIDAR A INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE ADMINISTRATIVA FRENTE A DIREITOS CONSTITUCIONALMENTE CONSAGRADOS E PROTEGIDOS. FGV DIREITO RIO 82 .

11. PELO PARCIAL PROVIMENTO DO AGRAVO. especificamente. NO QUE TANGE À LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E À FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. AS MEDIDAS QUE LHE FORAM DETERMINADAS GUARDAM COMPATIBILIDADE COM O TÍTULO JURÍDICO QUE VINCULA A REFERIDA PESSOA JURÍDICA AO CASO EM COMENTO. ADVÊM DAS TARIFAS COBRADAS PELA COMPESA PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. TAIS TAREFAS. 13. PORQUANTO AS MEDIDAS CUJA IMPLEMENTAÇÃO FOI DETERMINADA ESTÃO ABRANGIDAS PELO OBJETO CONTRATUAL. NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM DEPENDÊNCIA DE RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS. O QUE SE FEZ FOI EXIGIR A CORRETA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONCEDIDOS. DE COMPETÊNCIA MUNICIPAL. “PARA EXPLORAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTOS SANITÁRIOS”. OS RECURSOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DO SISTEMA. NÃO HÁ COMO EXIGI-LAS DA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA ESTADUAL. A SABER. OUTROSSIM. SE MANTIDA. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância do saneamento básico para o Direito Ambiental? 2) De que forma. ESPECIFICOU-SE A ATIVIDADE ILÍCITA PERPETRADA — SEGUNDO INDÍCIOS ROBUSTOS. O CONTRATO DE CONCESSÃO FIRMADO ENTRE A COMPESA E O MUNICÍPIO DE PETROLINA. MERECE PROVIMENTO O AGRAVO TÃO-SOMENTE PARA AFASTAR AS DETERMINAÇÕES SECUNDÁRIAS FEITAS PELO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU À COMPESA. EM SENDO. POR ISSO MESMO. EM 1975. NÃO SE PODE AFIRMAR QUE A LIMINAR OCASIONA.DIREITO AMBIENTAL 10. PORTANTO. 12. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO DE CONCESSÃO. COM A LIMINAR. INCLUSIVE DIANTE DA FALTA DE NEGATIVA DA COMPANHIA — PELA COMPESA. NÃO TEM FORÇA A ALEGAÇÃO DE INSUSTENTATIBILIDADE DA LIMINAR DEFERIDA PORQUE A COMPESA TERIA PASSADO A TRABALHAR NA RECUPERAÇÃO DAS ESTRUTURAS. o saneamento básico se relaciona com a defesa e proteção do meio ambiente? FGV DIREITO RIO 83 . NO QUAL ESTÃO INCLUÍDAS AS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. ALGUMAS DAS QUAIS JÁ COM LICENÇA DE FUNCIONAMENTO. NÃO É CORRETO AFIRMAR QUE O PROVIMENTO JUDICIAL VERGASTADO IMPUTOU À COMPESA TODA A RESPONSABILIDADE PELA POLUIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO. AJUSTE QUE PREVÊ A FONTE DOS RECURSOS FINANCEIROS QUE DEVERÃO CUSTEÁ-LAS.

DIREITO AMBIENTAL 3) Como o saneamento básico pode instrumentalizar o princípio do direito à sadia qualidade de vida? 4) Quais são os princípios fundamentais da Lei n.445/2007 que consagram conceitos de proteção ambiental? 5) De que forma a política de saneamento básico pode refletir uma concepção antropocêntrica e/ou ecocêntrica do direito ambiental? FGV DIREITO RIO 84 . 11.

É de observar que a Política Urbana está inserida na ordem econômica. 514. a Constituição de 1988. assim. Analisar o tratamento constitucional da política urbana. Examinar o fundamento da função social da propriedade à luz de conceitos e normas de direito ambiental.DIREITO AMBIENTAL AULA 21: URBANISMO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO As questões ambientais inerentes ao meio ambiente urbano vêm assumindo cada vez mais papel de destaque no estudo do direito ambiental. dirigido à ordem econômica e financeira. as políticas urbanas possuem papel de destaque na defesa e proteção do meio ambiente. 10. Compreender a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. assim como o Sistema Financeiro Nacional. Direito do Ambiente. vislumbrar a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. Estima-se que 80% da população mundial habitará áreas urbanas em um futuro próximo. 5ª edição. Logo. diversamente do que ocorre com o Meio Ambiente. Considerando que os últimos dados sugerem uma população mundial em torno de 6 (seis) bilhões. que integra a ordem social (Título VIII. Capítulo VI. Editora Revista dos Tribunais. elaboração e monitoramento das políticas urbanas não podem se render aos cobiçados investimentos econômicos em detrimento da proteção e da defesa do meio ambiente. E este número está crescendo. justificando uma análise mais aprofundada da questão à luz do direito ambiental. (Édis Milaré. DOUTRINA No amplo leque das estruturas da vida nacional. OBJETIVOS Contextualizar o meio ambiente urbano no estudo do direito ambiental. Trabalhar os principais fundamentos e diretrizes do Estatuto da Cidade. (2007). contemplou a Política Urbana. p. é fácil imaginar os possíveis impactos ambientais desta situação. o legislador situou-a ao lado da Política Fundiária e da Reforma Agrária. Ao tratar da questão urbana no contexto da ordem econômica.) FGV DIREITO RIO 85 . art. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. 2) Lei n. no Capítulo II do Título VII.257/2001. É possível. Portanto. 225). artigos 182 e 183. os processos de concepção.

OPÇÃO ADMINISTRATIVA. bem como a condenação dos responsáveis nas despesas decorrentes das providências indicadas no laudo. 2. Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual em face de exprefeito. revolvendo cuidadosamente a prova produzida. Editora Revista dos Tribunais. no ano de 1985. AÇÃO CIVIL PÚBLICA./2007. DETERMINAÇÃO DE ATERRAMENTO PARCIAL. LAGO ARTIFICIAL. 840011/PR — 2006/0059704-6. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná.) No âmbito substancial. autorizou que particulares despejassem toda a espécie de resíduos em parte alagadiça. objetivando a realização de estudo técnico para reparação ou mitigação do impacto ambiental. depois de ter determinado a instalação de drenos no Lago Igapó 2. litteris: “(. PREVALÊNCIA DAQUELES VALORES. Ementa PROCESSUAL CIVIL. 535. (2007). 514-545. mandando. para recolher as águas das nascentes. ao fundamento de que o réu. NECESSIDADE IMPOSTA PELA OCUPAÇÃO HUMANA. quando prefeito. após. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Direito do Ambiente. ALTERAÇÃO AMBIENTAL QUE ATINGIU APENAS PARTE DA BACIA. SÚMULA 07/STJ. MEDIDA DE PROTEÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO.. DJ 8/out./2007. REsp. CONJUNTURA DE FATO. transformando o local num depósito de lixo a céu aberto. o Tribunal local analisou a questão sub examine — ocorrência de dano ambiental decorrente do aterramento de parte do Lago Guapó II situado no Município de Londrina — à luz do contexto fático-probatório engendrado nos autos. pp. URBANIZAÇÃO E SANEAMENTO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL PERMANENTE. 2. recobrir o local com uma camada de 30 centímetros de terra. a respeitável sentença recorrida deve ser inteiramente preservada. DO CPC. DANO AO MEIO AMBIENTE. BACIA HIDROGRÁFICA ENVOLVIDA PELO DESENVOLVIMENTO URBANO. ainda. ADMINISTRATIVO. o estreitamento do leito normal do Ribeirão Cambé. 1. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. PROVA. Julgado 20/set. 1ª Turma. Seu digno e culto prolator realizou uma análise aprofundada e sensata da séria questão em tela. em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. OFENSA AO ART. FGV DIREITO RIO 86 . providenciando. In casu.. 5ª edição. além da compensação pelos danos não passíveis de reparação.DIREITO AMBIENTAL Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado. INEXISTÊNCIA.

que o aterro feito pelo apelado WILSON MOREIRA desponta como uma obra complementar e que.. de que apesar do aterro as nascentes foram preservadas e. colhe-se mais adiante: Quando a represa do Lago Igapó 2 foi construída. No mesmo trabalho. Segundo informações de antigo funcionário da prefeitura (Sr. a lâmina d’água não cobria o trecho da planície hoje aterrada. a realização do aterro. já era bem antiga. (grifo nosso) A influência degradatória da presença do homem. trazendo sérias complicações e desconforto à população residente. inclusive com áreas de retenção de curso. Assim. a partir da formação artificial do Lago Igapó. nos seus demais recantos. que acarretou a formação da remanescente área de brejo aqui referida. Ainda de acordo com o Sr. em uma reunião na Prefeitura. Foi também definido que a área deveria ser gramada e arborizada com eucaliptos e destinada a práticas esportivas. Délio César. o que se tentou por cerca de 3 anos. a primitiva e extensa bacia do Ribeirão Cambé e outras nascentes já havia sofrido relevante alteração. o que provocou mau cheiro e a proliferação de mosquitos. atualmente conduzidas ao canal norte do aterro. portanto. em razão das conseqüências do represamento realizado em administração anterior. dentro do limite da razoabilidade. em decorrência do represamento das águas. Teophilo.DIREITO AMBIENTAL para concluir. Teophilo Paranaense Coutinho Gomes) houve a tentativa de retirada do material ali existente para aprofundar o fundo lago. Porém o material retirado. desde que.. Convém deixar bem enfatizado.) FGV DIREITO RIO 87 . revelou-se necessária. foram gastos muitos recursos e esforços. supervenientemente. própria à sedimentação biológica (. O trabalho dá conta. ao determinar. retomava ao fundo do lago quando ocorriam chuvas. acertadamente. Na ocasião houve debate com diversos arquitetos da UEL e. em substituição ao Dr. que: “Com o passar do tempo. ainda. Tempos depois o nível da água foi elevado. quando era prefeito o Sr. 337/337. a bacia mantém suas características primitivas. foi decidido que a melhor alternativa seria o aterramento do local. o relatório elaborado pelo Instituto Ambiental do Paraná registrou às fls. Wilson Moreira. como perdurasse o problema do mau cheiro e proliferação de mosquitos. a área foi alterada e degradada pelo uso. já na década de 50. devido à exploração minerária e outros impactos. em gestão administrativa anterior da Prefeitura. Nela foram bem exaltados e sopesados os elementos da instrução que amparam o convencimento de que aquela obra tomou-se inevitável. que a administração pública nada mais fez do que exercer seus poder discricionário. tendo perdido suas características naturais. mas a lâmina ficou muito rasa gerando decomposição da vegetação existente. pois. por tratar-se de solo instável. procurou-se alternativas para resolver o problema. como opção administrativa. Com a construção de casas na Rua Prol Joaquim de Matos Barreto houve o corte da base da encosta o que provocou o afloramento de algumas nascentes. Ainda que se trate de uma importante bacia. caracterizada por nascentes. porém sem sucesso.

Ademais.) Em suma. CPC. de que o réu WILSON MOREIRA teria autorizado a população a fazer da área a ser aterrada um local de despejo de lixo e toda a espécie de detritos. que concluiu pela improcedência do pleito deduzido nesta ação civil pública por danos ao meio ambiente. os argumentos trazidos pela parte. um a um. Este mais convence que.. como área de preservação permanente. porque irretocável. 4.938/81. o aterro já estava implantado. em que a Administração Municipal estava às voltas com o prosseguimento de um projeto cuja execução fora iniciada anteriormente com a criação artificial do Lago Igapó. Precedente desta Corte: RESP 658. era por iniciativa de pessoas desinformadas ou desatentas. com todas as suas repercussões negativas. carentes de educação ou consciência ecológica. preparado pela Administração Municipal como área pública de lazer. O local foi transformado em extenso parque verde.) Assim.2005. esta já vigente à época dos fatos. da qual já havia decorrido o impacto ambiental que” tudo faz crer.DIREITO AMBIENTAL Ora. 369/95. que se localiza entre os dois lagos (Igapó— I e Igapó— II). publicado no DJ de 09.859/RS. quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos.. Fato que. sendo inconcludente em tal sentido. desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. a respeitável sentença recorrida. como alternativa de saneamento. aos quais se somam os aqui expendidos. o que traz à consideração as notórias dificuldades do poder público em conter práticas dessa natureza. para proteger a população. o acervo instrutório. o magistrado não está obrigado a rebater. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que o meio ambiente urbano é matéria de especial relevância para o direito ambiental? 2) Qual a distinção que a Constituição Federal de 1988 faz entre direito urbanístico e direito ambiental? FGV DIREITO RIO 88 . I e II.(. e as conseqüências da ocupação humana dos setores marginais. quando foi instituído o Parque Ecológico Linear do Ribeirão Cambé.. Recurso Especial parcialmente conhecido e. 18. devem ter sua interpretação contemporizada.” 3. concorria para estimular a Administração à alternativa de aterrar a área pantanosa. pelo Decreto n. assim. Inexiste ofensa ao art.. largamente freqüentada. 6. se tal ocorria. no contexto do caso. desprovido. (.05. cujo decisum revela-se devidamente fundamentado. nesta parte. que estava em progressivo processo de poluição. 535. I resultou na formação do brejo. como também a Lei n. Há toda uma conjuntura em que perdeu atualidade e objetividade a discussão sobre o argumento contido na inicial. notadamente seu art. o Código Florestal. deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos.

257/2001? 5) Qual é o papel do zoneamento ambiental na política urbana.257/2001 e quais os limites constitucionais da atuação municipal nesta esfera? FGV DIREITO RIO 89 .DIREITO AMBIENTAL 3) De que forma ações e decisões urbanísticas podem afetar ou violar normas de direito ambiental? Como esta relação está refletida no caso gerador? 4) De que forma a preocupação com as normas e princípios que orientam o direito ambiental está retratada na Lei n. 10. consoante previsão da Lei n. 10.

OBJETIVOS Entender a importância da atividade de mineração para o desenvolvimento nacional. mais precisamente. em um dos mais importantes ciclos econômicos do período colonial. instituído pelo Decreto-Lei n. o principal diploma legal é o Código de Minas. o papel da mineração assume papel de destaque no Brasil. 5) Lei n. 227/1967 com as alterações promovidas pela Lei n. Aliás. 176 e §§ 1º. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. Examinar os principais elementos da legislação infraconstitucional à luz das normas de direito ambiental. 7.314/1996. Na esfera infraconstitucional. da CF/88. artigos 43 e 44. Trabalhar a relação entre mineração e direito ambiental. a cana-de-açúcar e o café. IX. São diversos os dispositivos constitucionais que regulam direta e indiretamente a mineração. 2º e 3º. Por possuir dimensões continentais e riqueza mineral invejável no contexto internacional.805/1989. 22. juntamente com o pau-brasil. § 1º. a atividade minerária se torna imprescindível às necessidades da população em geral. FGV DIREITO RIO 90 . § 2º.DIREITO AMBIENTAL AULA 22: MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO A história da exploração de recursos minerais no Brasil remonta ao período da colonização. 2) ADCT. artigos 20. inc. 9. é importante frisar que o tratamento constitucional dispensado à atividade minerária é amplo. 7. Por outro lado. por ser uma atividade com grande potencial degradador e por explorar recursos naturais limitados. no art. 231 e § 3º. 9. constituindo-se. 225. 174. III. § 3º. 91. 225. XII. XXV. há uma especial preocupação do direito ambiental em regulamentar a mineração à luz dos princípios constitucionais que orientam a matéria. 3) Decreto-Lei n.805/1989 e Lei n.314/1996. Como decorrência do avanço tecnológico e científico da sociedade pós-moderna. 21. 227/1997. 4) Lei n. Analisar os principais aspectos da Constituição Federal que tratam da atividade de mineração e normas ambientais.

JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. mesmo em se tratando de responsabilidade por dano ao meio ambiente. FGV DIREITO RIO 91 . 11ª edição. REsp. uma vez que a ilicitude no comportamento omissivo é aferida sob a perspectiva de que deveria o Estado ter agido conforme estabelece a lei. Julgado 22/mai. POLUIÇÃO AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Bibliografia complementar 1) Celso Antonio Pacheco Fiorillo. A União tem o dever de fiscalizar as atividades concernentes à extração mineral. (2008). Esta obrigatoriedade foi alçada à categoria constitucional. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. (2008). devem ser tutelados juridicamente como bens. EMPRESAS MINERADORAS. Ementa RECURSO ESPECIAL. A responsabilidade civil do Estado por omissão é subjetiva. 9ª edição. 1. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. Editora Lumen Juris. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. 2ª Turma. Direito Ambiental. DJ 22/out. (2008). REPARAÇÃO./2007. ESTADO DE SANTA CATARINA. CARVÃO MINERAL. 349-357. Editora Saraiva. p.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA Os recursos minerais em nosso país. 737-755. 2. de forma que elas sejam equalizadas à conservação ambiental. §§ 1º. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. 349. pp. seu grande significado estratégico e sua notória relevância em face do próprio controle ambiental. RESPONSABILIDADE DO ESTADO POR OMISSÃO. 9ª edição. levando-se em consideração sua elevada representatividade econômica. Editora Saraiva. 647493/SC — 2004/0032785-4. 2º e 3º da Carta Magna./2007. como materiais fornecidos pelo ambiente a serem utilizados pelos brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil dentro de uma concepção técnica que situa a existência de massas individualizadas de substâncias minerais ou fósseis encontradas na superfície ou no interior da terra. pp. encontrando-se inscrita no artigo 225.

3º. 4. uma vez que a atividade industrial responsável pela degradação ambiental — por gerar divisas para o país e contribuir com percentual significativo de geração de energia. Segundo o que dispõe o art. Recurso do Ministério Público provido em parte.938/81. Portanto. Recurso da União provido em parte. Carbonífera Criciúma S/A.. ainda que contíguos. 5. como se fora auto-indenização. na modalidade subsidiária. Carbonífera Palermo Ltda. 14. a aplicação da disregard doctrine não tem lugar e pode constituir. por falta de nexo causal entre o dano ocorrido em um determinado lugar por atividade poluidora realizada em outro local. 6. Condenada a União a reparação de danos ambientais. na última hipótese. De outro lado. todos respondem solidariamente pela reparação. Recursos de Coque Catarinense Ltda. não-conhecidos. Recursos de Companhia Siderúrgica Nacional. A desconsideração da pessoa jurídica consiste na possibilidade de se ignorar a personalidade jurídica autônoma da entidade moral para chamar à responsabilidade seus sócios ou administradores. 6. 942 do Código Civil. Carbonífera Metropolitana S/A. na forma do art. é certo que a sociedade imediatamente estará arcando com os custos de tal reparação. quando utilizam-na com objetivos fraudulentos ou diversos daqueles para os quais foi constituída.. c/c o art. não há como atribuir-se a responsabilidade solidária adotando-se apenas o critério geográfico. Companhia Carbonífera Urussanga providos em parte. (i) na falta do elemento “abuso de direito”. Havendo mais de um causador de um mesmo dano ambiental. § 1º. Ibramil — Ibracoque Mineração Ltda. e (iii) nem comprovando-se que os sócios ou administradores têm maior poder de solvência que as sociedades. Esse desiderato apresenta-se consentâneo com o princípio da eqüidade. IV. Companhia Brasileira Carbonífera de Ararangua (massa falida). se diversos forem os causadores da degradação ocorrida em diferentes locais. os sócios/administradores respondem pelo cumprimento da obrigação de reparação ambiental na qualidade de responsáveis em nome próprio. da Lei n. Carbonífera Barro Branco S/A. Companhia Carbonífera Catarinense. como ocorre com a atividade extrativa mineral — a toda a sociedade beneficia. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que a atividade de mineração se constitui como de especial interesse para o direito ambiental? 2) Como se dá a atividade minerária em terras indígenas? FGV DIREITO RIO 92 . 8. A responsabilidade será solidária com os entes administrados. (ii) não se constituindo a personalização social obstáculo ao cumprimento da obrigação de reparação ambiental. obstáculo ao cumprimento da obrigação. A ação de reparação/recuperação ambiental é imprescritível.DIREITO AMBIENTAL 3. 7.

FGV DIREITO RIO 93 .DIREITO AMBIENTAL 3) Como os impactos das atividades de mineração são tratados pelo ordenamento jurídico ambiental brasileiro? 4) Como as questões referentes à defesa e proteção do meio ambiente são tratadas pelo Código de Minas? 5) É possível afirmar que os recursos minerais são bens ambientais? Explique.

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AULA 23: POLÍTICA ENERGÉTICA E MEIO AMBIENTE

INTRODUÇÃO Talvez não tenha um tema que atualmente esteja tão relacionado com a questão ambiental do que a crescente demanda mundial por energia e suas formas de geração. São as matrizes energéticas responsáveis por grande parte dos problemas ambientais que assolam a sociedade moderna. A emissão de dióxido de carbono por usinas termoelétricas que se utilizam do carvão mineral, constitui-se como a principal das causas para o aquecimento global. A utilização cada vez em maior escala das usinas hidrelétricas é responsável por danos, muitas vezes irreparáveis, à fauna e à flora de determinados ecossistemas. As próprias tecnologias mais limpas de produção de energia, também não são livres de significativos impactos ambientais ou de difíceis escolhas éticas. É, por exemplo, o caso dos biocombustíveis (etanol e biodiesel) que transformam plantações inteiras destinadas à produção de alimentos em monoculturas visando a produção de energia (i.e. cana-de-açúcar, soja, mamona, etc.). Ou, por outro lado, o investimento em energia eólica que demanda grandes estruturas que representam um dano ao valor paisagístico de determinadas regiões e podem ter implicações, por exemplo, em correntes migratórias de diversas espécies de pássaros. E mais, os próprios investimentos em painéis solares que, por sua vez, demanda de substâncias derivadas do petróleo no processo de fabricação. Há ainda questões referentes ao investimento em energia nuclear, debate bastante atual no Brasil e no mundo, mas que vêm acompanhadas das preocupações com os resíduos nucleares e o receio de acidentes como o de Chernobyl. Também não são isentos de possíveis impactos ambientais, a promissora tecnologia que permite que o automóvel seja movido à energia elétrica, pois que não resolveria os problemas referentes à matriz energética utilizada. Estes são apenas alguns exemplos e que não incluem outras formas, ainda pouco debatidas no direito brasileiro, como o hidrogênio, produção de energia pela variação de marés, ou geotermais, para citar alguns. Diante deste complexo cenário, ganha em importância a Política Energética Nacional. Entendê-la e contextualizá-la dentro do direito ambiental como, aliás, vem sendo feito por organismos internacionais e por diversos países, é de fundamental importância para a efetiva proteção do meio ambiente. No Brasil, este debate é ainda mais relevante, pois é constantemente citado como exemplo mundial de investidor em tecnologias energéticas mais limpas, como também para inserir na euforia das recentes descobertas de enormes reservas petrolíferas a questão ambiental.

OBJETIVOS Entender a relação entre política energética e meio ambiente. Compreender a estrutura legal e institucional da Política Energética Nacional. Contextualizar a Política Energética Nacional no direito ambiental. Entender a relação entre produção energética, consumo racional e proteção ambiental.
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LEGISLAÇÃO 1) Lei n. 9.478/1997.

DOUTRINA O ano de 2001 marcou uma importantíssima alteração nos hábitos de consumo de energia dos brasileiros, pois nele ocorreu o fenômeno que ficou conhecido como apagão. O apagão foi o nome popular de um grave problema de abastecimento de energia elétrica que foi conseqüência de vários e diferenciados fatores políticos, sociais, econômicos e climatológicos. (...) A produção e o consumo de energia são das questões ambientais mais relevantes e, qualquer que seja a configuração da matriz energética de um país, as suas repercussões sobre o meio ambiente serão sempre importantes e significativas. (Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), p. 787.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), pp. 787-811;

JURISPRUDÊNCIA 1) TRF 4ª Região, 2004.04.01049432-1/SC (Agravante: União Federal, Agravados: Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica, Federação das Entidades Ecologistas de Santa Catarina, Energética Barra Grande S/A, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA), D.J.U. de 19/jul./2006. Ementa AGRAVO. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. 1. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar, com profundidade, as questões envolvidas na lide, já que o ato presidencial não se reveste de caráter revisional, vale dizer, não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender, mas, sim, a sua potencialidade de lesão à ordem, saúde, segurança e economia públicas. 2. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta.
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NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a relação entre produção e consumo energético e proteção ao meio ambiente? 2) Quais são as matrizes energéticas priorizadas pela Política Energética Nacional? 3) De que forma a preocupação com a defesa e proteção do meio ambiente está inserida na Política Energética Nacional? 4) De que forma a relação entre política energética e proteção do meio ambiente está refletida no caso gerador desta aula? 5) Como fazer a conciliação entre os interesses e a necessidade energética, como pilares do desenvolvimento nacional, com a defesa e proteção do meio ambiente?

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direito internacional ambiental e direito climático. Professor convidado dos programas de pós-graduação em direito ambiental da PUC-SP e PUC-RJ. FGV DIREITO RIO 97 . Mestre e Doutorando em Direito Ambiental e Recursos Naturais pela Pace University School of Law. Professor adjunto da Pace University School of Law. Nova Iorque. EUA. Mestre em Direito Econômico e Social pela PUCPR. Autor de artigos publicados em revistas e jornais norte-americanos sobre mudança climática e biocombustíveis (Fordham International Law Journal e Proceedings of the 30th Aniversary of Environmental Law Programs at Pace).DIREITO AMBIENTAL RÔMULO SILVEIRA DA ROCHA SAMPAIO Professor e Pesquisador da FGV Direito Rio. Sampaio & Furtado Sociedade de Advogados. Advogado e consultor externo associado ao Escritório Marinoni. Co-editor do compêndio de leis mundiais sobre aplicação e execução de leis ambientais (environmental enforcement & compliance) a ser publicado pela Cambridge University Press. Palestrante em eventos no Brasil e nos EUA sobre os temas de direito ambiental brasileiro e norte-americano. Membro do Grupo de Especialistas da Comissão em Energia e Mudança Climática da Academia de Direito Ambiental da União para Conservação da Natureza (International Union for the Conservation of Nature — IUCN).

DIREITO AMBIENTAL FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes de Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 98 .