direito ambiental

AUTOR: RômUlO SilveiRA dA ROchA SAmpAiO

1ª edição

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Sumário

Direito Ambiental
BlOCO I. InTRODUçãO AO DIREITO AmBIEnTAl ................................................................................................................................3

Aula 1. O surgimento e a autonomia do Direito Ambiental ........................................................... 4 Aula 2. Direitos e Interesses Difusos e Coletivos............................................................................. 7 Aula 3. Princípios do Direito Ambiental ........................................................................................ 9 Aula 4. Direito Ambiental na Constituição Federal de 1988 ........................................................ 13 Aula 5. Competências constitucionais em matéria ambiental........................................................ 16 Aula 6. Política e Sistema Nacional do Meio Ambiente ................................................................ 19

BlOCO II. InSTRUmEnTOS DA POlíTICA nACIOnAl DO mEIO AmBIEnTE............................................................................................24

Aula 7. Padrões de Qualidade e Zoneamento Ambiental .............................................................. 25 Aula 8. Publicidade, Informação, Educação e Participação Ambiental .......................................... 29 Aula 9: Auditoria Ambiental e Due Diligence ......................................................................... 33 Aula 10: Avaliação de Impacto Ambienta (AIA), Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) ....36 Aula 11: Licenciamento Ambiental ............................................................................................. 42 Aula 12: Dano e Responsabilidade Ambiental .............................................................................. 47 Aula 13: Direito de Águas ............................................................................................................ 54 Aula 14: Tutela do Ar e da Atmosfera ........................................................................................... 57 Aula 15: Tutela da Fauna e da Flora.............................................................................................. 60 Aula 16: Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC)................................................ 63 Aula 17: Florestas Públicas (Lei N. 11.284/2006) e Bioma Mata Atlântica (Lei N. 11.428/2006) ......68 Aula 18: Proteção da Diversidade Biológica.................................................................................. 72 Aula 19: Biotecnologia e Biossegurança ........................................................................................ 75 Aula 20: Saneamento Básico e Meio Ambiente............................................................................. 78 Aula 21: Urbanismo e Meio Ambiente ......................................................................................... 85 Aula 22: Mineração e Meio Ambiente .......................................................................................... 90 Aula 23: Política Energética e Meio Ambiente .............................................................................. 94

BlOCO III: TUTElAS ESPECífICAS DO mEIO AmBIEnTE .....................................................................................................................53

diReiTO AmbienTAl

Bloco I. Introdução ao dIreIto amBIental
Introdução ao Bloco I

A Revolução Industrial é o marco desencadeador de uma sociedade fundada no consumo. Esta sociedade impõe uma pressão cada vez maior sobre os recursos naturais, fazendo crescer preocupações com o meio ambiente e, consequentemente, com a própria sobrevivência da vida no planeta. Diante das constantes agressões ao meio ambiente, comprovadas pela ciência e condenadas pela ética e moral, surge a necessidade de se repensar conceitos desenvolvimentistas clássicos. Neste sentido, se faz imperiosa a agregação de diversas áreas do conhecimento científico, técnico, jurídico e mesmo de saberes de comunidades tradicionais e locais em torno de uma nova teoria de desenvolvimento sustentável que permita a utilização presente dos recursos naturais existentes sem, contudo, esgotá-los, para que o mesmo direito possa ser garantido às futuras gerações. Dentro desse contexto se insere este novo ramo do direito, o direito ambiental. Por sua natureza interdisciplinar em sua gênese, o direito do ambiente acaba também evocando conceitos e, até certo ponto, se sobrepondo aos instrumentos de outras disciplinas clássicas: direito constitucional, administrativo, civil, penal e processual. Pelo fato das atividades poluidoras e de degradação do meio ambiente não conhecerem fronteiras, o direito ambiental evoca constantemente noções de direito internacional fazendo surgir também uma disciplina derivada, intitulada direito internacional ambiental.

FGv diReiTO RiO

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quebrando a divisão clássica do direito de tradição civilística entre público e privado. doutrIna leitura obrigatória José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). direitos como o do consumidor e o próprio ambiental. legIslação 1. autonomia em relação às demais disciplinas clássicas do direito e interdisciplinaridade. 2. Constituição Federal. Com isso. Artigos 184.diReiTO AmbienTAl aula 1. novas formas de tutela e proteção dos interesses e direitos que já não mais são individualizados. FGv diReiTO RiO 4 . sua recente consolidação. 19-36. 186 e 225. oBjetIvos Entender os conceitos formadores do direito ambiental. Introdução ao Direito do Ambiente. Incluem-se dentro desta nova geração. abrindo espaço para novas disciplinas jurídicas. dentre elas. Proporcionar a precisa identificação e caracterização do bem ambiental. sob o prisma da dimensão fundamental. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). o surgimento e a autonomia do direito ambiental Introdução A complexidade e evolução da sociedade moderna fizeram com que uma terceira geração de direitos se delineasse. social e coletiva. o direito ambiental. passam a exigir uma re-estruturação da teoria clássica do direito. Universidade Aberta (1998). Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). Pp. Diferenciar as concepções antropocêntricas e ecocêntricas e os conceitos amplos e restritos do direito ambiental e como essas caracterizações afetam a tutela dos interesses e direitos relacionados na prática. Caracterizam-se pela coletividade da titularidade e complexidade do bem protegido e das intervenções estatais – por meio de regulação – em áreas antes estritamente privadas. 3.

Quais os principais problemas com que se defrontam os juristas na regulação jurídica dos problemas ambientais? 4. que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais. reais ou concretas – acentuam o princípio da igualdade. Ementa: A QUESTÃO DO DIREITO AO MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO – DIREITO DE TERCEIRA GERAÇÃO – PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE. 37. José Joaquim Gomes canotilho (coordenador) (1998). pp. Impetrado: presidente da república). 16-22. num sentido verdadeiramente mais abrangente. enquanto valores fundamentais indisponíveis. refletindo. expansão e reconhecimento dos direitos humanos. dentro do processo de afirmação dos direitos humanos.164-0-sp (Impetrante: antônio de andrade ribeiro junqueira. Por que razão os juristas encaram as questões ambientais com base numa abordagem interdisciplinar? 3. consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento. sociais e culturais) – que se identificam com as liberdades positivas. pela nota de uma essencial inexauribilidade. Quais as razões que tornam a proteção do ambiente uma das preocupações fundamentais dos cidadãos atualmente? 2. Articulando os dispositivos constitucionais pertinentes. 30/out. Quais as pré-compreensões do Direito do Ambiente? Como se caracterizam? 5.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa stF Ms 22. os direitos de terceira geração. negativas ou formais – realçam o princípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos. à própria coletividade social./1995. Em que consiste a implicação ou referência sistêmico-social da noção de bem jurídico ambiental? 8. p. FGv diReiTO RiO 5 . Enquanto os direitos de primeira geração (direitos civis e políticos) – que compreendem as liberdades clássicas. Pode-se considerar o ambiente como novo bem jurídico protegido pelo direito? Por quê? 7. notas e Questões1 1. caracterizados. Em que consiste o conceito estrito de ambiente? Quais são as principais críticas que se lhe podem dirigir e quais as suas vantagens? 6. não ao indivíduo identificado em sua singularidade. O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração – constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva. é possível afirmar que o direito ao ambiente é hoje um (novo) direito fundamental dos cidadãos? 1 extraídas da obra introdução ao direito do Ambiente. mas. a expressão significativa de um poder atribuído.

diReiTO AmbienTAl 9. ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? 11. Em que consiste a noção de dano ambiental? 10. Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente. Poderá considerar-se o Direito do Ambiente como nova disciplina jurídica autônoma? Qual o relevo prático desta problemática? FGv diReiTO RiO 6 .

Artigos 129. 3. Lei 8. Beltrão. Antônio F. Editora Juarez de Oliveira (2006). legIslação 1. Artigo 25. desde a caracterização e classificação até aos imbróglios e divergências processuais. inciso IV. parágrafo único. Artigo 1º. Tutela dos Interesses Difusos e Coletivos. então. jurIsprudêncIa stF re 163231-3/sp (recorrente: Ministério público do estado de são paulo. portanto. 4. Identificar os critérios para legitimação da defesa do meio ambiente. direitos e interesses difusos e Coletivos Introdução Surgem. Os problemas de aplicação desses conceitos. Artigo 81. Possibilitar a compreensão da indenização individual por dano coletivo. pp. FGv diReiTO RiO 7 . direitos e interesses metaindividuais.078/1990./97. G. pp. oBjetIvos Categorizar os interesses e direitos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (saudável) como difuso. Constituição Federal. 2. alínea “a” doutrIna leitura obrigatória Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida. tipificados pelo direito positivo vigente no Brasil. esmiuçados pela doutrina especializada.625/1993. 17-19. podem operar contra a eficiente proteção do bem jurídico que se propõem a proteger. 225. 26/fev. coletivo ou individual homogêneo. acabam contaminando a prática e. Lei 7. Manual de Direito Ambiental – série Concursos Públicos. mas que ainda suscitam diversas questões práticas. Editora Método (2008).diReiTO AmbienTAl aula 2.347/1985. Lei 8. recorrido: associação notre dame de educação e cultura). incisos I a III. 1-22.

Como o direito e/ou interesse tutelado vinculam a resposta a ser dada pelo Poder Judiciário? 3. estava abastecendo seu cargueiro no porto do Rio de Janeiro. ficou impossibilitada de exercer a sua atividade econômica. peixes e foi responsável pela interdição de vários balneários. um vazamento na mangueira de combustível ocasionou uma explosão de grande dimensão. ficaram impossibilitados de exercer suas atividades econômicas e de auto-sustento. não associados a esta entidade. indaga-se: 1. o petróleo vazou contaminando 80% da baía de Guanabara. Por um período de 3 meses a associação de pescadores da Ilha do Governador. Diante deste cenário. Como o exercício de um interesse específico pode afetar positiva ou negativamente o resultado final de outro interesse? FGv diReiTO RiO 8 . Outros 50 pescadores. por força da mesma proibição provisória imposta pela autoridade ambiental competente. Quais são os interesses e direitos a serem tutelados? 2. composta por 100 pescadores.diReiTO AmbienTAl notas e Questões Imagine a seguinte situação baseada em um acontecimento real: Uma grande companhia de óleo e gás. O vazamento causou ainda a morte de diversas espécies de pássaros. Como decorrência. após ter carregado a embarcação com petróleo. Durante o processo de abastecimento.

PrinCíPios do direito ambiental Introdução A crescente preocupação social com as questões ambientais influenciou a comunidade internacional e as legislações constitucionais e infraconstitucionais de diversos países a enveredar para a elaboração de normas de proteção do meio ambiente. portanto. pretende introduzir alguns dos mais importantes princípios do direito ambiental e trabalhar a aplicação dos conceitos a eles inerentes ao caso concreto. Esta aula. Diferenciar os conceitos de princípios similares para melhor articulação da aplicação prática. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). A conscientização de que os recursos naturais renováveis ou não renováveis são limitados clamou por uma intervenção legislativa capaz de reconstruir modelos clássicos desenvolvimentistas. até então recém nascida. 5. FGv diReiTO RiO 9 .diReiTO AmbienTAl aula 3. Esta reconstrução passou a impor ao desenvolvimento econômico a racional utilização dos recursos naturais e fez com que os processos industriais passassem a internalizar as externalidades ambientais. Constituição Federal. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). legIslação 1. Para orientar esta atividade normativa. disciplina jurídica.605/1998. Lei 6. oBjetIvos Conhecer os princípios formadores do direito ambiental.938/1981. 3. entender a existência desses princípios e justificar as suas aplicações práticas. Artigo 225. diversos princípios surgiram tanto em âmbito internacional. Lei 9. 4. resolveu-se incluir a noção de sustentável como única forma viável de evitar a degradação do meio ambiente a níveis que permitam a sadia qualidade de vida no planeta. 2. como no plano nacional e que serviram também para auxiliar na interpretação de conceitos legislativos e sanarem lacunas desta. A este novo projeto de desenvolvimento econômico. Possibilitar a identificação dos princípios explícitos e implícitos em textos normativos.

808. DA CF/88 C/C ARTS. • no seu potencial como auxiliares da interpretação de outras normas jurídicas e. 2º. jurIsprudêncIa trF 1ª região. finalmente. SEM O PRÉVIO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – ART. p.. pode o magistrado adotar 2 Uma lacuna é a não previsão de um caso na lei e a integração da lacuna consiste na criação da disciplina jurídica para aquele caso concreto.00. I – Improcedência da alegação de julgamento extra petita. 225. tornando inconstitucionais ou ilegais as disposições legais ou regulamentares ou os actos administrativos que os contrariem.) leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. pp. na ação cautelar. 9º E 10º. Direito Ambiental Brasileiro. apelados: Instituto Brasileiro de defesa do consumidor [Idec] e associação civil greenpeace). 8/ago. de uma norma. • na sua capacidade de integração de lacunas2. 43. 4º E ANEXO I.014661-1-dF (apelantes: união Federal e Monsanto do Brasil ltda. IV. DO CPC – INTELIGÊNCIA. Introdução ao Direito do Ambiente.01. ac 2000./2000. 16ª Edição.938/81 E ARTS 1º. mesmo porque. quando comparado com o conteúdo. 57-72 e 74-108. Ementa: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO CAUTELAR – LIBERAÇÃO DO PLANTIO E COMERCIALIZAÇÃO DE SOJA GENÉTICAMENTE MODIFICADA (SOJA ROUND UP READY). § 1º. DA RESOLUÇÃO CONAMA Nº 237/97 – INEXISTÊNCIA DE NORMA REGULAMENTADORA QUANTO À LIBERAÇÃO E DESCARTE. no exercício do poder geral de cautela. (José Joaquim Gomes Canotilho [coordenador]. DE OGM – PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E DA INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO CAUTELAR – PRESENÇA DO FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO – INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA – ART. 3º. FGv diReiTO RiO 10 . DA LEI Nº 6. NO MEIO AMBIENTE. 8º. a utilidade dos princípios reside fundamentalmente: • em serem um padrão que permite aferir a validade das leis. § 4º. CAPUTE E § 1º. muito concreto. III. Editora Malheiros (2008). Universidade Aberta [1998].diReiTO AmbienTAl doutrIna utilidade dos princípios Apesar de terem um conteúdo relativamente vago.

§ 1º. e a comercialização de sementes de soja geneticamente modificadas.diReiTO AmbienTAl providência não requerida e que lhe pareça idônea para a conservação do estado de fato e de direito envolvido na lide. 225. na qual os autores se insurgem. Precedente do STF (ADIN nº 1. Rel. para assegurar a efetividade desse direito. 2º. em face do veto presidencial à disposição constante do projeto da Lei nº 8. encontra-se demonstrada especialmente: a) pelas disposições dos arts.974/95. Inteligência do art. III – Se os autores só reconhecem ao IBAMA a prerrogativa de licenciar atividades potencialmente carecedoras de degradação ambiental. do Decreto nº 1. IV. estudo prévio de impacto ambiental. XVI. “exigir. IV. VI. § 4º. na forma da lei. de organismos geneticamente modificados. II. especialmente ante séria dúvida quanto à Constitucionalidade do art. para a qual. para o plantio.974/95.752/95. do direito invocado. V – A existência do fumus boni iuris ou da probabilidade de tutela. do CPC. 9º e 10º. 3º. in DJU de 16/09/94. 4º e Anexo I da Resolução CONAMA nº 237/97. 225 da CF/88 erigiu o meio ambiente ecologicamente equilibrado “a bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. da Lei 8. 225. em escala comercial. caput e § 1º. até o momento presente. da CF/88). compreende “a introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas”. Ilmar Galvão. 8º. a regulamentação relativa à liberação e descarte. exatamente. a que se refere o art.086-7/SC.938. incumbindo ao poder Público. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente.279). no meio ambiente. diante da qual se conclui que a CNTBio deve expedir. da Lei nº 6. Min. juridicamente relevante é a tese de impossibilidade de autorizaFGv diReiTO RiO 11 . que permite à CNTBio dispensar o prévio estudo de impacto ambiental – de competência do IBAMA – em se tratando de liberação de organismos geneticamente modificados. 2º. por via de conseqüência. previamente. pág. à luz das quais se infere que a definição de “obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente”. contra o aludido parecer. necessário o estudo prévio de impacto ambiental. tal como consta do Anexo I da aludida Resolução CONAMA nº 237/97. não há suporte à conclusão de que a mera expedição de parecer pela CNTBio. pelo que. § 1º. sob pena de se tornarem ineficazes outras disposições daquele diploma legal. que conserva a sua eficácia na pendência do processo principal – e não apenas até a sentença – mesmo porque os feitos cautelar e principal têm natureza e objetivos distintos. que veiculava idêntica faculdade outorgada à CNTBio. 8º. 24. c) pela vedação contida no art. da CF/88. no processo principal. possa tornar sem objeto a ação cautelar. à máquina de norma regulamentadoras a respeito do assunto. II – A sentença de procedência da ação principal não prejudica ou faz cessar a eficácia da ação cautelar. 808. a que se dará publicidade” (art. no meio ambiente. de 31/08/81 – recepcionada pela CF/88 – e dos arts. sem o prévio estudo de impacto ambiental. autorizando o plantio e a comercialização de soja transgênica. IV – O art. 1º.

diReiTO AmbienTAl ção de qualquer atividade relativa à introdução de OGM no meio ambiente. IDEC e Greenpeace? 3. e 13. da Lei nº 8. o risco de dano irreversível e irreparável ao meio ambiente e à saúde pública. §§ 1º a 3º. V. O que distingue os princípios da precaução e da prevenção? 2. notas e Questões 1. VIII – Preliminares rejeitadas. sem a observância das devidas cautelas regulamentares. da Lei nº 8. VI. Qual é a natureza jurídica e justificativa do princípio do poluidor-pagador? 5. no intuito de se evitar – em homenagem aos princípios da precaução e da instrumentalidade do processo cautelar –. IV – A existência de uma situação de perigo recomenda a tutela cautelar. pode causar. Apelações e remessa oficial. pela utilização de engenharia genética no meio ambiente e em produtos alimentícios. até o deslinde da ação principal. lesão ao meio ambiente e lesão grave ao meio ambiente. d) Pelas disposições dos arts. desde incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias e lesão corporal grave. 8º. até a morte. sem a adoção de rigorosos critérios de segurança. De que forma o princípio da precaução se aplica ao caso relatado no caso União Federal e Monsanto vs. De que forma princípios gerais como o da razoabilidade e proporcionalidade se relacionam com a instrumentalização dos princípios de direito ambiental? FGv diReiTO RiO 12 . improvidas. de 01/06/2000. no meio ambiente. O que se entende por princípio da participação? Qual é a sua importância e relevância prática? 4.974/95. que sinalizam a potencialidade lesiva de atividade cujo descarte ou liberação de OGM. tipificando-se tais condutas como crimes e impondo-lhes severas penas. tida como interposta.984-18. tal como previsto no art. em face da superveniência da Medida Provisória nº 1.974/95. VII – Homologação do pedido de desistência do IBAMA para figurar no pólo ativo da lide. 13.

não tenham cuidado FGv diReiTO RiO 13 . vamos localizar na norma constitucional os fundamentos da proteção do meio ambiente. como lei fundamental. 129. portanto.diReiTO AmbienTAl aula 4. Constituição Federal. é a primeira vez em que a expressão “meio ambiente” aparece em uma Constituição brasileira. ampliando sobremaneira a importância da sociedade civil organizada e. oBjetIvos Reconhecer a importância de disposições constitucionais específicas em matéria de defesa e proteção do meio ambiente. O texto constitucional inova ainda quando divide a responsabilidade pela defesa do meio ambiente entre o Poder Público e à coletividade. o de número “VI”. Além disso. com mais destaque a partir dos anos 60. bem se compreende que Constituições mais antigas. Entender o papel do Judiciário na consolidação da proteção ambiental constitucional. como a norte-americana. Elaborar a noção do ambiente ecologicamente equilibrado como direito subjetivo de todos e dever fundamental do Estado. III e 225. e que assumiu proporções inesperadas no século XX. direito ambiental na Constituição federal de 1988 Introdução A Constituição Federal brasileira de 1988 é um marco na defesa dos direitos e interesses ambientais ao dispor em diferentes títulos e capítulos sobre a necessidade de preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. também reforçando o seu título de “constituição cidadã”. III e IV. traçar o conteúdo e os limites da ordem jurídica. Trabalhar a idéia de divisão de responsabilidades em ações de proteção e defesa do meio ambiente entre o Poder Público e a coletividade. diversos são os conceitos e princípios inovadores trazidos pela Carta Magna que norteiam o direito ambiental brasileiro. Em capítulo específico. Identificar os instrumentos processuais constitucionais de defesa do meio ambiente. Artigos 5º. legIslação 1. doutrIna Meio ambiente: bem jurídico per se Cabe à Constituição. Tema candente. 170. XXIII. É por isso que. a francesa e a italiana. direta ou indiretamente.

tendo como pressuposto. Paulo de Bessa Antunes. 4ª Edição. explícito ou implícito. pp. energética Barra grande s/a. a proteção do meio ambiente. Federação das entidades ecologistas de santa catarina. isto é. já que o ato presidencial não FGv diReiTO RiO 14 . Editora Revista dos Tribunais. Aí está. agravados: rede de organizações não-governamentais da Mata atlântica.diReiTO AmbienTAl especificamente da matéria. d. historicamente. Editora Lumen Juris. Direito Ambiental Brasileiro. jurIsprudêncIa trF 4ª região. (Édis Milaré. com autonomia em relação a outros bens protegidos pela ordem jurídica. 1. p. promulgaram (e promulgam) leis e regulamentos de proteção do meio ambiente. Nessa nova perspectiva. Ementa: AGRAVO.j. ainda que sem previsão constitucional expressa. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. (2008). Editora Revista dos Tribunais [2005]. a saúde humana. o primeiro fundamento para a tutela ambiental. Assim ocorria também no Brasil.01049432-1/sc (agravante: união Federal. Nos regimes constitucionais modernos. porque é mais abrangente e compreensiva. Direito Ambiental. pp. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. com profundidade. Bibliografia complementar Édis Milaré. os diversos países. o meio ambiente deixa de ser considerado um bem jurídico per accidens e é elevado à categoria de bem jurídico per se. (2007). Direito do Ambiente. 11ª Edição. 122-152. ganha identidade própria. 142-192. como o português (1976). o espanhol (1978) e o brasileiro (1988). de 19/jul. Editora Malheiros (2008). Direito do Ambiente. pp. Mas. 2004. 180).u. Isso acontecia porque o legislador se baseava no poder geral que lhe cabia para proteger a “saúde humana”. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar. as questões envolvidas na lide. a saúde ambiental. Aparece o ambientalismo como direito fundamental da pessoa humana. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado./2006. 16ª Edição. ou seja. como é o caso da saúde humana.04. Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos recursos naturais renováveis – IBaMa). nos regimes constitucionais anteriores a 1988. 5ª Edição. 57-76. inclusive o nosso. embora sem perder seus vínculos originais com a saúde humana.

saúde. sim. vale dizer. não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender. Qual é a importância da Constituição trazer previsões de direitos e deveres de defesa e proteção do meio ambiente? 2. notas e Questões 1.diReiTO AmbienTAl se reveste de caráter revisional. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta. Qual é a importância dada pela decisão União Federal vs. Quais são os argumentos constitucionais que poderiam ter influenciado o julgado de forma diversa do decidido? FGv diReiTO RiO 15 . a sua potencialidade de lesão à ordem. segurança e economia públicas. mas. Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica e outros ao meio ambiente? 3. 2. Quais são os conceitos fundamentais medidos e sopesados pelo julgado supra citado para fundamentar a decisão final? 4.

Distrito Federal e Municípios para a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer das suas formas. fauna. Preceitos de competência privativa. da Carta de 1988 estabelece a competência legislativa concorrente da União. Infelizmente. 24 que a União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. a Carta Magna estabelece um complexo sistema de repartição de competências legislativas e executivas. VI e VIII. Dentro deste modelo. aparentemente descentralizador. se sobrepõem e geram incertezas práticas. Competência legislativa: o art. pesca. De acordo com o princípio da predominância do interesse. ComPetênCias ConstituCionais em matéria ambiental Introdução A Constituição Federal de 1988 cria uma federação com três níveis de governo: federal. cabendo aos Estados a competência supleFGv diReiTO RiO 16 . doutrIna Competência Comum: o art. concorrente e suplementar ao mesmo tempo em que são elucidados pelo texto constitucional. Trata-se da competência material ou administrativa.diReiTO AmbienTAl aula 5. 18. 170 e 182. 23. caça. 25. oBjetIvos Identificar e diferenciar as diferentes competências em matéria ambiental. excluindo os Municípios. É justamente neste particular que reside uma das questões mais conflitantes do direito ambiental: a divisão de competências entre os diferentes entes da federação em matéria de legislação e execução de políticas ambientais. dos Estados e do Distrito Federal. como responsabilidade por dano ao meio ambiente. da fauna e da flora. 30. Artigos 1º. Trabalhar e aplicar o sistema de competências na prática. constituindo-se muitas vezes em obstáculos de difícil transposição no campo processual. defesa do solo e dos recursos naturais. 24. bem como para a preservação das florestas. para florestas. 24. estadual e municipal. a Carta Federal expressamente dispõe nos parágrafos do art. 23. VI e VII. legIslação 1. 22. Estados. Constituição Federal. da Constituição da República estabelece a competência comum da União. conservação da natureza. a conseqüência nefasta de um sistema de competências confuso pode acarretar em irreparável dano ao meio ambiente.

(2008). Beltrão. Beltrão. notas e Questões 1. 55-71. jurIsprudêncIa stF adin 2. VI e XII e §§ 1º e 2º da Constituição Federal.diReiTO AmbienTAl mentar. Manual de Direito Ambiental. 105). II e LIV. 2ª Edição. 170. G. p. 16ª Edição. Curso de Direito Ambiental. Antônio F. 25. II e IV. Édis Milaré. Direito do Ambiente. [2008]. Ementa Ação Direta de Inconstitucionalidade. Luís Carlos Silva de Moraes. (Antônio F.396-9 (requerente: governador do estado de goiás. pp. 77-92. pp. pp. Editora Revista dos Tribunais (2008). Editora Malheiros. Manual de Direito Ambiental. caput. (2008). Bibliografia complementar Paulo de Bessa Antunes. Editora Método. à proteção do meio ambiente e controle da poluição e à proteção e defesa da saúde. Qual é a diferença entre competência administrativa e competência legislativa? Quais são os dispositivos constitucionais específicos que fundamentam esta repartição de competências? FGv diReiTO RiO 17 . pp. caput. 11ª Edição. G. (2008). 111-115. Ofensa aos arts. 22. Editora Atlas.179-183. Afronta à competência legislativa concorrente da União para editar normas gerais referentes à produção e consumo. 66-70. artigo 24. Inexistência. Lei n. pp.º 2. (2006). 5ª Edição. do Estado do Mato Grosso do Sul. Direito Ambiental.210/01. § 1º. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. Editora Lumen Júris. I e XII. Inexistindo lei federal sobre normas gerais. 18 e 5º. requeridos: assembléia legislativa do estado do Mato grosso do sul e governador do estado do Mato grosso do sul). caso posteriormente seja editada lei federal sobre normas gerais. os Estados excepcionalmente exercerão a competência legislativa plena. V. eventual lei estadual oriunda desta competência legislativa plena terá sua eficácia suspensa. Editora Método. Direito Ambiental Brasileiro.

109. 3 Questão extraída da obra: Antônio F. beltrão. Em matéria de competência suplementar dos Estados. FGv diReiTO RiO 18 . A União é competente para legislar em matéria que verse sobre proteção e defesa do meio ambiente? Em caso afirmativo. Podem os Estados legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 4. na ausência de legislação específica da União. pode o Estado ocupar o espaço com legislação estadual em matéria de defesa e proteção do meio ambiente? E o município? 6. editora método. é de competência exclusiva da União. (2008).diReiTO AmbienTAl 2. G. Podem os municípios legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 5. é de competência exclusiva dos Estados-membros a preservação das florestas. de que forma esta competência da União é exercida? 3. em qualquer de suas formas. b) situa-se no âmbito da legislação concorrente a competência para legislar sobre proteção do meio ambiente. p. c) tendo em vista o princípio da descentralização administrativa. manual de direito Ambiental. (Procurador da República 20º Concurso) Assinale a alternativa correta:3 a) o combate à poluição. d) nenhuma das alternativas está correta.

é precursora na adoção de uma política nacional e quadro institucional sistematizado para efetivar a finalidade máxima de defesa e proteção do meio ambiente ecologicamente sadio à qualidade de vida. a comunidade internacional passou a trabalhar a noção de desenvolvimento sustentável. como a soberania e o próprio direito das nações ao desenvolvimento econômico. Lei 7. impulsionada pelo movimento ambientalista da década de 70. Conceitualizar e compreender o Sistema Nacional do Meio Ambiente. Lei 7. contudo. sociais e ambientais. 3. Identificar e distinguir o organograma institucional do SISNAMA. bem como a elaboração de um atualizado quadro legal e regulatório que pudesse recepcionar e se adequar aos preceitos internacionalmente reconhecidos. instaurou-se um conflito de interesses entre países em desenvolvimento e desenvolvidos acerca do direito ao desenvolvimento econômico. Visando mitigar este conflito sem. assume especial relevância a organização e o mapeamento institucional. surge a necessidade de criação e desenvolvimento de diretrizes e ações coordenadas para instrumentalizar o objetivo maior perseguido. FGv diReiTO RiO 19 .797/1989. a Declaração do Rio de 1992 consolidou o conceito de gestão ambiental como instrumento indispensável ao cumprimento de objetivos preservacionistas e de defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado. preservando os aspectos econômicos. Compreender e aplicar na prática a divisão de competências dos órgãos integrantes do SISNAMA. Nesta esteira. ferir direitos até então internacionalmente reconhecidos.938/1981.735/1989. constitui-se em um marco ao conceber a necessidade de uma gestão qualificada. Dentro deste contexto. mas mantendo preservada a compatibilização destes objetivos com o direito ao desenvolvimento econômico e social. oBjetIvo Entender e contextualizar a concepção da Política Nacional do Meio Ambiente e sua respectiva instrumentalização. Com a concepção da Declaração de Estocolmo de 1972. A legislação brasileira. 2. legIslação 1.diReiTO AmbienTAl aula 6. Portanto. PolítiCa e sistema naCional do meio ambiente Introdução Diante da complexidade do bem ambiental e dos meios para efetivação da sua defesa e proteção. Lei 6.

(2008).diReiTO AmbienTAl 4. nos níveis federal. (2008). Manual de Direito Ambiental. Ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL.022-sc (2003/0159754-5) (recorrentes: superintendência do porto de Itajaí. 5. COMPETÊNCIA DO IBAMA. Direito Ambiental Brasileiro. conforme definido em lei. INTERESSE NACIONAL. 5ª Edição. Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. doutrIna O SISNAMA [Sistema Nacional de Meio Ambiente] é o conjunto de órgãos e instituições vinculadas ao Poder Executivo que. Editora Lumen Juris. pp. (2008). AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 16ª Edição. G. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. pp. 93). Editora Malheiros. Decreto 964/1993.696/1995. Direito Ambiental. pp.650/2003. Beltrão. (Paulo de Bessa Antunes. Paulo de Bessa Antunes. Além do SISNAMA. jurIsprudêncIa stj recurso especial 588. 285-298 / 307-321. 153-175. cuja estruturação é feita com base na lei da PNMA [Política Nacional do Meio Ambiente]. 113-121. Interessado: Instituto Brasileiro do Meio ambiente e recursos naturais renováveis [IBaMa]). muitas outras instituições nacionais têm importantes atribuições no que se refere à proteção do meio ambiente. LICENCIAMENTO. 11ª Edição. Decreto 1. pp. leitura obrigatória Édis Milaré. recorridos: Ministério público Federal. FGv diReiTO RiO 20 .683/2003. 93-124. Lei 10. Fundação do Meio ambiente [FatMa]. Direito Ambiental. 7. são encarregados da proteção ao meio ambiente. (2008). p. 6. Editora Revista dos Tribunais (2007). Antônio F. Editora Lumen Juris. estadual e municipal. Direito do Ambiente. 11ª Edição. Editora Método. Lei 10.

Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. é patrimônio do Poder Público que. A natureza desconhece fronteiras políticas. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. sobre as correntes marítimas. Qual a finalidade de se instituir uma Política Nacional do Meio Ambiente? 3. Os bens ambientais são transnacionais. Quais são os órgãos integrantes do SISNAMA? 9. Recursos especiais improvidos. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. 8. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. o mar territorial afetado. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. nesta condição. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. pode até haver duplicidade de licenciamento. como bem de uso comum de todos. É possível afirmar que o meio ambiente. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. e. nesse caso. enfim. a FATMA. sobre as praias. é supletiva. O que é o SISNAMA e qual a sua utilidade dentro da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. 4. deve zelar e administrá-lo em prol da coletividade para as gerações presentes e futuras? Justifique. principalmente. sobre os mangues. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. sobre a orla litorânea. notas e Questões 1. 4. A atividade do órgão estadual. in casu. 2. Qual é a função que o Conselho de Governo vem desenvolvendo na prática? Explique. 5. O que é o CONAMA e quais são as suas funções? FGv diReiTO RiO 21 . através dos órgãos ambientais públicos e privados. bem como. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. Qual é a importância e o fundamento legal de inclusão do princípio da informação ao SISNAMA? 7. pelo depósito dos detritos no mar. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. do mar e do mangue nessa região. mas. De que forma o desenvolvimento econômico é tratado pela Política Nacional do Meio Ambiente? 5. extrapolando os limites impostos pelo homem. O que é a Política Nacional do Meio Ambiente? 2. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. sobre o homem que vive e depende do rio.diReiTO AmbienTAl 1. 3.

(2008). do DF e dos Municípios legislar sobre a matéria mencionada. julgue os próximos itens. manual de direito Ambiental. aeronaves e embarcações.6 a. Determinado Estado da Federação. incluindo manutenção. Considere a seguinte situação hipotética. o Grupo Executivo do Setor Pesqueiro (GESPE). FGv diReiTO RiO 22 . julgue os próximos itens. beltrão. p. editora método.diReiTO AmbienTAl 10. e) estabelecer normas e padrões relativos à emissão de poluição por veículos automotores. b) O Fundo Nacional de Meio Ambiente objetiva o desenvolvimento de projetos que visem o uso racional e sustentável de recursos naturais. G. versando sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição das águas. não obstante já possuir órgão ambiental na esfera estadual. p. pois é de competência comum da União. 195. 192-193. (Juiz de Direito – TJMT 2004) A respeito da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e da normatização constitucional e infraconstitucional relativa ao meio ambiente. Id. tal projeto pode ser considerado compatível. (Procurador Município Manaus 2006) As competências atribuídas legalmente ao Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA dão-lhe a prerrogativa de:4 a) fixar as políticas de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável em nível nacional. dos Estados. 5 6 Id. melhoria ou recuperação de qualidade ambiental que visem a elevação da qualidade de vida da população. Um vereador de determinado município. Considere a seguinte situação hipotética. após a expedição de parecer técnico conclusivo favorável pelos órgãos competentes. em grau de recurso. cons- 4 Questão extraída da obra: Antônio F. aproveitando-se da legitimidade democrática decorrente de sua composição ampliada. pp. b) rever. 11. c) autorizar a exploração comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs). 192. as decisões relativas à outorga de licenciamento ambiental proferidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. 12. d) autorizar a supressão. dados os constantes episódios de degradação de recursos hídricos naquela unidade da federação. o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). o Conselho Nacional da Amazônia Legal e o Conselho Nacional da Mata Atlântica. a Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. apresentou projeto de lei. diminuição ou alteração de área de preservação permanente e de reserva legal. sob o ponto de vista constitucional. b. Nessa situação. o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA).5 a) Compõem o SISNAMA: o Conselho de Governo. (Procurador do Estado AP 2006) Quanto ao Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA).

do DF e dos Municípios e não por fundações. apesar de tal fundação destinar-se aos mencionados fins. dos Estados.diReiTO AmbienTAl tituiu uma fundação responsável pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. FGv diReiTO RiO 23 . pois ele só é integrado pelos órgãos ambientais da União. ela não compõe o Sistema nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). ainda que instituídas pelo poder público para propósitos ambientais. Nessa situação.

VIII – o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental. VII – o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente. servidão ambiental. como concessão florestal. seguro ambiental e outros. voltados para a melhoria da qualidade ambiental. a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.938/1981: São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: I – o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental. III – a avaliação de impactos ambientais. Instrumentos da PolítIca nacIonal do meIo amBIente Introdução ao Bloco O artigo 9º. Alguns se encontram exaustivamente regulados. São eles os meios para a efetiva defesa e proteção do meio ambiente. XIII – instrumentos econômicos. V – os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia. Este capítulo irá abordar sucintamente alguns destes instrumentos e aprofundar em maiores detalhes aqueles que visam o uso equilibrado dos recursos naturais. XII – o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ ou utilizadoras dos recursos ambientais. obrigando-se o Poder Público a produzi-las. IV – o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras. XI – a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente. VI – a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal. II – o zoneamento ambiental. outros ainda carecem de elucidação regulamentar específica. da Lei 6.938/81 apresenta um rol de onze incisos elencando os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. da Lei 6. FGv diReiTO RiO 24 . IX – as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não-cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental. X – a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente. Artigo 9º. quando inexistentes. estadual e municipal.diReiTO AmbienTAl Bloco II. tais como áreas de proteção ambiental. de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas.

preservação ambiental e/ou mista. Como o próprio nome sugere. da Lei 6.938/81. Estados e Municípios em matéria de zoneamento ambiental. II. previsto pelo art. porém dotados de mecanismos flexíveis de deliberação que possam acompanhar o desenvolvimento técnico-científico e os diferentes anseios da sociedade. o marco regulatório é justamente a Lei 6. realça a importância do correto planejamento do território que será destinado à indústria. agricultura. 9º. Distinguir as diferentes atribuições da União. olvidar da defesa e proteção do meio ambiente. sociedade civil. Reconhecendo-se a necessidade do avanço nas áreas econômica e social sem. este instrumento assume especial relevância. em relação aos padrões de qualidade. efluentes e ruídos (atualmente instituídos). é imprescindível uma democrática. num país de dimensões continentais como o Brasil. FGv diReiTO RiO 25 . ou como incentivo à monocultura. é ele também mecanismo de convergência de objetivos preservacionistas e econômicos.diReiTO AmbienTAl aula 7. Compreender e resolver as tensões entre os poderes públicos e iniciativa privada em matérias de padrões de qualidade ambiental e zoneamento ecológico-econômico. inc. Portanto. No tocante ao zoneamento ecológico-econômico (ZEE). bem como de congregar e resolver eventuais conflitos de interesses dos diferentes setores representados.938/81 e o órgão deliberativo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). oBjetIvo Entender o conceito e a importância da definição de padrões de qualidade ambiental e critérios coerentes de zoneamento ambiental. o zoneamento ambiental constitui-se como outro instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente. atualizada e séria articulação dos meios para atingir as metas previamente traçadas. classe empresarial e científica) é capaz de identificar e definir os padrões aceitáveis de emissão de poluentes. O atual debate acerca dos biocombustíveis como vilões da agricultura voltada para a produção de alimentos. contudo. A sua composição e diversidade democrática (governo. Dentro deste contexto e somando-se à complexidade e rapidez cada vez maior da evolução do conhecimento e avanço tecnológico da sociedade moderna. Padrões de Qualidade e Zoneamento ambiental Introdução A fixação de padrões de qualidade e o zoneamento ambiental são dois instrumentos de extrema importância para a consecução das premissas inerentes ao desenvolvimento sustentável. é necessária uma previsão legal sólida dos instrumentos de política do meio ambiente. No Brasil.

Lei 8.938/81. p. réus: Município de guaratuba. o uso preponderante do bem ambiental receptor. 122). Direito do Ambiente. Editora Atlas. 191). [2008]. a solução de todos os problemas ambientais é um significativo passo. pp. Ainda que o zoneamento não constitua. Editora Lumen Juris. Direito Ambiental. (2008). 165. Constituição Federal. Beltrão. (2008). Direito Ambiental Brasileiro. 3. jurIsprudêncIa stj ação rescisória 756 – pr (1998/0025286-0) (autor: estado do paraná. pp. Lei 6. Variam conforme a toxicidade do poluente. Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. p. artigos 21. 43. de modo absoluto ou relativo. (Paulo Affonso Leme Machado. 4. o exercício de outras atividades. O zoneamento consiste em dividir o território em parcelas nas quais se autorizam determinadas atividades ou interdita-se. 2. 91. 181-199. 5ª Edição. 11ª Edição. Luís Carlos Silva de Moraes. Editora Malheiros. leitura obrigatória Édis Milaré. vazão da corrente de água (em caso do ambiente receptor ser água) etc. G. (2006). pp. 25. 72-84. Editora Malheiros. Editora Revista dos Tribunais (2007). FGv diReiTO RiO 26 . Direito Ambiental Brasileiro.171/91 doutrIna Os padrões de qualidade ambiental consistem em parâmetros fixados pela legislação para regular o lançamento/emissão de poluentes visando assegurar a saúde humana e a qualidade do ambiente. Curso de Direito Ambiental. 16ª Edição. (Antônio F. (2008). Editora Método. 188-214. por si só. Paulo de Bessa Antunes. Manual de Direito Ambiental. pp.297/02. 16ª Edição. F Bertoldi empreendimentos Imobiliários ltda e arrimo empreendimentos Imobiliários ltda). 2ª Edição. seu grau de dispersão. 182. 186 e 225. 321-353. Decreto 4.diReiTO AmbienTAl legIslação 1.

Francisco Falcão. RMS 13. destinado a preservar a autonomia municipal. daí resultando a impossibilidade do art. 4.629/PR. A Lei n.274.279/PR. 5. 1ª T. Min.2003. de 09 de março de 1983. 6. NORMAS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. no âmbito do exercício da competência legislativa. LEI PARANAENSE N. Precedentes: RMS 9. 25 da Constituição do Estado do Paraná. 2. no mandado de segurança no qual se discute a possibilidade de embargo de construção de prédios situados dentro de seus limites territoriais.. Ação rescisória procedente. o que enseja a imposição de medidas administrativas coercitivas prescritas pelo Decreto Estadual n. 7.11. bem como de garantir a validade dos atos administrativos correspondentes. Francisco Peçanha Martins.diReiTO AmbienTAl Ementa: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. está em desacordo com as limitações urbanísticas impostas pelas legislações estaduais então em vigor e fora dos parâmetros autorizados pelo Conselho do Litoral. é de se admitir a legitimidade do município impetrante. não podendo contrariá-las. cumpre a observância das normas editadas pela União e pelos Estados. I. DJ de 28. que instituiu diretrizes para o zoneamento e uso do solo no Município de Guaratuba. Min.. aos Municípios. A Lei Municipal n. VIOLAÇÃO. CONCESSÃO DE ALVARÁ MUNICIPAL.02. ao prescrever condições para proteção de áreas de interesse especial.1999. LEGITIMIDADE DO MUNICÍPIO PARA ATUAR NA DEFESA DE SUA COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR.2000. como as referentes à proteção das paisagens naturais notáveis e ao meio ambiente. possibilitando a expedição de alvará de licença municipal para a construção de edifícios com gabarito acima do permitido para o local. da CF/88). Demócrito Reinaldo. notas e Questões 1. Min. estabeleceu medidas destinadas à execução das atribuições conferidas pelas legislações constitucional e federal. EDIFICAÇÃO LITORÂNEA. 3. Entendida a questão sob esse enfoque. mas tão somente legislar em circunstâncias remanescentes. DJ de 9. A teor dos disposto nos arts. se dá em defesa de seu próprio direito subjetivo de preservar sua competência para legislar sobre matérias de interesse local (art.380/80 do Estado do Paraná. como a expedição de alvará para construção. Francisco Falcão. 2ª T.. De que forma os padrões de qualidade ambiental são desenvolvimentos e instituídos no Brasil? FGv diReiTO RiO 27 . 7. 05/89. Min.279/PR. 30.252/PR. DJ de 03. ainda que tais benefícios sejam diretamente dirigidos às construtoras que receiam o embargo de suas edificações. 1. Precedente: RMS 9. AÇÃO RESCISÓRIA. DJ de 01. 24 e 30 da Constituição Federal. A atuação do Município. revogá-la. 1ª T.02.389/80.

por sua vez. Com base na legislação brasileira vigente. ajuíza ação com pedido de relocalização da indústria.diReiTO AmbienTAl 2. esta área passa a ser ocupada por conjuntos habitacionais. A corporação. Considere a seguinte situação: uma indústria foi instalada em uma determinada região em 1980. como o caso deve ser resolvido? 5. Por volta de 1990. temendo os riscos à saúde impostos pelas atividades industriais. 3. contra-argumenta baseando-se em direito adquirido de pré-ocupação do solo. Por ser questão de interesse local é possível afirmar que o Município detém liberdade plena para definir o zoneamento ecológico-econômico? Justifique. Qual a participação do Conselho de Defesa Nacional no zoneamento ambiental? 4. FGv diReiTO RiO 28 . É possível afirmar que a definição de padrões de qualidade ambiental está restrita ao Poder Legislativo? Justifique. A população no entorno da fábrica.

quando aplicados ao direito ambiental. Lei 10. 4. 2. Lei 6. informação e educação ambiental como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. informação e educação ambiental para permitir a efetiva participação da sociedade civil organizada e de indivíduos na implementação e execução da política ambiental. Por serem institutos ligados à atividade da administração pública. Identificar os principais pontos da política de educação ambiental e articular formas de aplicação e efetivação prática. FGv diReiTO RiO 29 . 3. portanto. oBjetIvos Entender a importância da publicidade. artigos 5. 5. como a ação popular e a ação civil pública. Compreender a importância e relação entre informação.diReiTO AmbienTAl aula 8. legIslação 1. informação. Convenção de Aarhus. PubliCidade.795/99.938/81. XXXIII. São também imprescindíveis para a instrumentalização dos mecanismos processuais de defesa do meio ambiente.051/95. é possível visualizar com clareza a relação do direito ambiental com o direito administrativo. Tanto o Direito Internacional como o Direito Estrangeiro (comparado) sedimentaram a necessidade de publicidade. publicidade e educação ambiental com participação popular qualificada nos processos decisórios. eduCação e PartiCiPação ambiental Introdução Três importantes princípios de direito ambiental são regulamentados e tomam forma no direito brasileiro como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Neste campo. Distinguir as diferenças entre publicidade e informação ambiental. Constituição Federal. 225.650/03 Lei 9. 6. Lei 9. emprestam muitos dos conceitos e forma do direito administrativo.

em se tratando de matéria ambiental. de 12. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. Editora Revista dos Tribunais. 24. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. Édis Milaré. foram estes rejeitados. (2007). estaria o estado-membro autorizado a FGv diReiTO RiO 30 . 5. Direito do Ambiente. ART. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – SNUC. 9. em seu art. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO.795/1997. jurIsprudêncIa Ementa DIREITO AMBIENTAL. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação. 5ª edição. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso.340/2002. Paulo Affonso Leme Machado. denegou a ação mandamental. bem como determinou. DECRETO ESTADUAL N. 444-447. 5.2002. 16ª Edição. DA CF/1988. (2008). obscuridade ou contradição a ser suprida. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. 3°. NOS TERMOS DO ART. consubstanciado na edição do Decreto n. NÃO-PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO.diReiTO AmbienTAl doutrIna leitura obrigatória Paulo de Bessa Antunes. Trata-se de mandado de segurança. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. Direito Ambiental.11. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL. Direito Ambiental Brasileiro. segundo. por maioria. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. 11ª edição. DECRETO ESTADUAL N. 4. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. Em sede de recurso ordinário. Governador do Estado do Mato Grosso. Editora Malheiros. com pedido liminar. 1. 1. 178-187. Editora Lumen Juris. 243-250. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. (2008). § 1°.438. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. primeiro.

diReiTO AmbienTAl legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. da Lei n. evidentemente. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso. 4°. os Estados-membros e o Distrito Federal. § 4º. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. a qual. quer pela falta de previsão na legislação estadual. alcança o objetivo perseguido pelo art. a regra do art. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. ao prescrever. O Decreto Estadual n. Assim sendo. 5. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da federação brasileira (art. possibilitar seja identificada a “localização. 170. 4. 24. que exige a realização de prévia consulta pública. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. na esteira do art.985/2000. qual seja. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA. 22. 2. § 1°. No caso dos autos. da CFRB). conservação da natureza. de 22 de agosto de 2002. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. defesa do solo e dos recursos naturais. que regulamentou a Lei n. no Estado do Mato Grosso. 9. § 2°.340. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. da Lei n. O Decreto n. 3. tendo em conta as necessidades da população local. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. 9. qual seja. A União.985/2000. 4. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. da CF/1988. embora sucinta. da Lei n. 24. prevista no art. b) nos casos de competência legislativa concorrente. 24. da Carta Maior. caça. os §§ 1° e 2° do art. 22. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. fauna. como ocorreu no caso. À norma FGv diReiTO RiO 31 . proteção do meio ambiente e controle da poluição”.985/2002. 9. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. não prevalece disposição de lei federal. VI. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. 9. nos termos da legislação estadual (MT) e federal. do art. § 2°. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de conservação a ser criada. pesca. o estatuído no § 1º. quando for o caso. em seu art. VI.985/2000. respeitando. Aliás. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental.438/2002. 22. da CF/1988).

quem é legítimo para solicitar informações ao Poder Público? 3. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. 5.diReiTO AmbienTAl de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da federação. mormente as presentes nos arts.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. do Código Ambiental (Lei Complementar n. no entanto. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. Quais são os pontos positivos e as principais críticas à política de educação ambiental brasileira? 5. Recurso ordinário não-provido. Por que o direito à informação ambiental é importante instrumento de política do meio ambiente? 2. sendo-lhe. O ato governamental (Decreto n. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. 38/1995). notas e Questões 1. Pode a educação ambiental ser considerada instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. incisos V e VII. O que é e como está estruturado o Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente – SINIMA? FGv diReiTO RiO 32 . Como a participação nos processos decisórios pode ser importante instrumento de política ambiental? 4. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. 6. 5. No direito ambiental brasileiro.

ainda que não absoluta. o de instruir decisões corporativas estratégicas como instrumento de gestão e responsabilidade sócio-ambiental e também o de orientar processos de fusões e incorporações. Neste último caso. não exclui a possibilidade da realização de auditorias voluntárias. A auditoria ambiental mandatória (imposta por lei). É através do due diligence que a corporação que compra ou incorpora outra pessoa jurídica. custoso e deveras complexo.diReiTO AmbienTAl aula 9: auditoria ambiental e due dIlIgence Introdução A auditoria ambiental é um importante instrumento de política do meio ambiente. qual seja. Os benefícios são inúmeros. da precisão dos dados apresentados pela auditoria ambiental privada. dentre eles. Ao poder público. Diferenciar auditoria ambiental mandatória e voluntária e estas do due diligence. Cada vez mais exigido em grandes fusões e incorporações. tomam conhecimento de eventuais passivos ambientais. oBjetIvos Entender a importância da auditoria ambiental. o de desonerar a administração pública de conduzir este processo. civis e administrativas. por amostragem. Desta natureza preventiva emerge a importância de um completo processo de due diligence ambiental. ante o crescente aumento das responsabilidades criminais. do ônus na busca da informação e monitoramento dos processos produtivos. fica reservada a função de fiscalização. Identificar e trabalhar os principais tópicos que devem ser inseridos na auditoria e due diligence ambiental. a auditoria ambiental voluntária assemelha-se em muito ao processo conhecido pela sua terminologia em inglês. Está intimamente ligada aos mecanismos de aplicação dos padrões de qualidade ambiental estipulados por legislação específica. dentre eles. o due diligence ambiental faz parte da rotina do advogado e consultor de direito ambiental. Identificar as vantagens e desvantagens de um sistema fortemente dependente da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente. a inversão. Compreender a importância e significado da due diligence ambiental. A auditoria ambiental transfere do poder público para a iniciativa privada o dever de informar a conformidade dos processos produtivos com a legislação vigente. due diligence ambiental. ou mesmo em simples transações de compra-e-venda entre pessoas físicas. Este instrumento possui uma característica peculiar no desempenho da função fiscalizadora da aplicação das normas ambientais. FGv diReiTO RiO 33 . por vezes. Esta inversão apresenta alguns pontos positivos.

5. disponível em http://www. 2008./2006. 16ª Edição. Paulo Affonso Leme. DJ: 7254. Ação Direta de Inconstitucionalidade n.org/ stable/3323264. ementa: DECISÃO: ACORDAM os desembargadores integrantes do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. 191). doutrIna Auditoria ambiental é o procedimento de exame e avaliação periódica ou ocasional do comportamento de uma empresa em relação ao meio ambiente.jstor. artigos.br/processo2.alerj. por unanimidade de votos. 2) Lei Ordinária do Estado do Rio de Janeiro.gov. “Regulatory Compliance Through Environmental Auditing”. disponível em: http://www.htm. n. TJ-PR. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – MEDIDA LIMINAR – LEI ESTADUAL QUE INSTITUIU AUDITORIA AMFGv diReiTO RiO 34 . leItura oBrIgatórIa MACHADO. vol. pp. 590-594.gov. 16ª Edição. Julgamento 06/Nov. BIBlIograFIa coMpleMentar LINDER.br/processo6. Journal of Policy Analysis and Management.alerj. 261-282. 376102-0. 2008.rj. p.rj. pp. São Paulo: Malheiros. (Paulo Affonso Leme Machado. Malheiros. n. Órgão Especial. Interessada: Assembléia Legislativa do Estado do Paraná. em indeferir a liminar requerida na presente Ação Direta de Inconstitucionalidade. 1.898. Direito Ambiental Brasileiro.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) Constituição do Estado do Rio de Janeiro. Direito Ambiental Brasileiro. 3.htm. de 26/11/1991. disponível em http://www. (spring 1986). jurIsprudêncIa Autora: ALCOPAR – Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná vs. Stephen H. 298-314.

COADUNA-SE COM O SISTEMA CONSTITUCIONAL DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE EQUILIBRADO – PLAUSIBILIDADE – AUSÊNCIA – GRANDE LAPSO TEMPORAL ENTRE A EDIÇÃO DO ATO E A PROPOSITURA DA AÇÃO – URGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA – INSURGÊNCIA MERAMENTE QUANTO A INTERESSES SUBJETIVOS DOS ASSOSSIADOS DA ENTIDADE AUTORA – CARÁTER OBJETIVO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ABSTRATO – CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO AFETAM O JULGAMENTO DA AÇÃO DIRETA – INDEFERIMENTO DA LIMINAR. EM PRIMEIRA ANÁLISE. qual a função desempenhada pela auditoria ambiental? 5) Quais as vantagens e desvantagens de utilização da auditoria ambiental como instrumento de política ambiental? 6) O que é o due diligence? 7) Como a auditoria ambiental diferencia-se e como se assemelha ao due diligence? 8) Quais os principais tópicos que preferencialmente devem constar da auditoria e do due diligence ambiental. Estados ou Municípios? Por quê? 4) Dentro de uma política do meio ambiente.diReiTO AmbienTAl BIENTAL COMPULSÓRIA – DIPLOMA QUE. notas e Questões 1) O que é auditoria ambiental? 2) Qual a diferença entre auditoria ambiental mandatória e voluntária? 3) Qual ente da Federação está mais adepto ao uso da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente: União. FGv diReiTO RiO 35 .

Por sua singular importância. Este modelo de desenvolvimento que não internalizava as cuidados básicos com a gestão de recursos naturais renováveis ou não. Analisar a exigibilidade do EIA/RIMA à luz da legislação vigente e interpretação jurisprudencial. por conseguinte. a avaliação de impacto ambiental encontra-se atualmente consolidada no direito ambiental. Examinar o papel do princípio da participação e informação no processo de avaliação de impacto ambiental. Compreender a importância da avaliação de impacto ambiental como instrumento de política do meio ambiente. Trabalhar os aspectos práticas da realização do EIA/RIMA. por vezes irreversíveis. Estes eventos fizeram crescer mundialmente a pressão pela necessidade da realização de uma avaliação prévia a qualquer projeto dos eventuais impactos ambientais para atividades com potenciais poluidores significativos. como momento da exigência. Dentre elas. FGv diReiTO RiO 36 . até sérias contaminações radioativas. atraindo. a avaliação de impacto ambiental exerce funções relevantes dentro do contexto do direito ambiental. Entender o papel do CONAMA na determinação de atividades que atraiam a exigência do EIA/RIMA. com ela. a sociedade civil organizada e. oBjetIvos Distinguir avaliação de impacto ambiental de estudo e relatório de impacto ambiental. instruindo a ação de organismos internacionais e como parte integrante de diversos ordenamentos jurídicos nacionais. relevante ressaltar a de instrumento de política do meio ambiente instrumentalizando o próprio princípio da precaução. A partir de então. Desde rios pegando fogo. para citar apenas alguns. Como princípio. na forma de princípio de direito ambiental. ao meio ambiente. em tratados internacionais o que acaba. Identificar as principais questões que devem ser inseridas no estudo e relatório de impacto ambiental. refletindo nos ordenamentos jurídicos nacionais.diReiTO AmbienTAl aula 10: avaliação de imPaCto ambienta (aia). estudo e relatório de imPaCto ambiental (eia/rima) Introdução O histórico menosprezo às externalidades ambientais ensejou inúmeros projetos ao redor do mundo sem qualquer observância aos eventuais impactos negativos. porém limitados. elaboração e custeio. vazamentos de óleo de gigantesca magnitude. o aumento da participação popular e dos mecanismos de controle da ação do estado. e os respectivos impactos ambientais acarretou inevitavelmente prejuízos catastróficos ao meio natural. percebe-se de forma crescente a inserção da avaliação de impactos ambientais. inexoravelmente. o incremento dos níveis de informação e transparência na execução de projetos com potencial poluidor.

São Paulo: Atlas.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) 2) 3) 4) Constituição Federal. (Édis Milaré. 2002. BELTRÃO. pp. pp. doutrIna A implantação de qualquer atividade ou obra efetiva ou potencialmente degradadora deve submeter-se a uma análise e controle prévios. artigo 7º. 2006.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. Tal análise se faz necessária para se anteverem os riscos e eventuais impactos ambientais a serem prevenidos. Manual de Direito Ambiental. São Paulo: Revista dos Tribunais. Curso de Direito Ambiental Brasileiro.086-7. 354. 2007. 137-166. pp. mitigados e/ou compensados quando da sua instalação. corrigidos. artigo 6º. Paulo Affonso Leme. p. pp. Direito do Ambiente. 1.274/1990. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. Tribunal Pleno. Curso de Direito Ambiental. São Paulo: Saraiva. artigo 225. da sua operação e. 11ª Edição. Decreto 99. Requerido: Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. 354-403. jurIsprudêncIa Requerente: Procurador-Geral da República vs. 2ª Edição.938/1981. São Paulo: Método. inciso II e parágrafos 1º e 2º e artigo 9º. São Paulo: Malheiros./2001. Antônio F. Julgamento 7/Jun. 2008. Lei 6. G. FIORILLO. parágrafo 1º. do encerramento das atividades. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 215-270. 5ª edição. Luís Carlos Silva de. Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. Direito Ambiental./2001. Rio de Janeiro: Lumen Juris. MACHADO. MORAES. Celso Antonio Pacheco. 101-104. STF. 5ª edição. pp. inciso IV. Édis. Paulo de Bessa. Direito do Ambiente. Revista dos Tribunais. 3ª Edição. DJ 10/Ago. pp. FGv diReiTO RiO 37 . em casos específicos. 253-306. inciso III. Direito Ambiental Brasileiro. 16ª Edição. 67-74. 2007. 2008. 2008.

Ação julgada procedente. para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo constitucional catarinense sob enfoque. apesar de verificar que a atividade ou o empreendimento não é potencialmente causador de significativa degradação am- As questões 5 a 11 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. 192-199. podendo ser dispensados pelo órgão licenciador se o impacto ambiental não for significativo. G. beltrão. podendo ser dispensados por livre decisão do órgão licenciador. editora método. São em princípio exigíveis. sujeitando-se às sanções administrativas. notas e Questões 1) Qual a diferença entre Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e Estudo / Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)? 2) Qual a diferença entre Estudo e Relatório de Impacto Ambiental? 3) Qual a finalidade destes instrumentos (AIA / EIA / RIMA)? 4) (Procurador do Município Manaus 2006) No curso de processos de licenciamento ambiental. § 1º. 1 FGv diReiTO RiO 38 . d. cria exceção incompatível com o disposto no mencionado inciso IV. Não são em princípio exigíveis. c. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL. O órgão ambiental competente. civis e penais. ao dispensar a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental no caso de áreas de florestamento ou reflorestamento para fins empresariais. CONTRARIEDADE AO ART. e. IV. São em princípio exigíveis. o estudo de impacto ambiental e seu respectivo relatório (EIA/RIMA)1 a.diReiTO AmbienTAl ementa AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. b. 225. O empreendedor e os profissionais que subscrevem o Estudo de Impacto Ambiental são responsáveis pelas informações apresentadas. A norma impugnada. mas podem sê-lo por livre decisão do órgão licenciador. do § 1º do artigo 225 da Constituição Federal. Não são em princípio exigíveis. DA CARTA DA REPÚBLICA. 5) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. São sempre exigíveis. pp. Manual de Direito Ambiental. b. ARTIGO 182 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. mas podem sê-lo pelo órgão licenciador se o impacto ambiental for significativo. 2008.

as estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento. 7) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. Apenas as afirmativas “a” e “c”. d. Está(ao) correta(s) a. d. A afirmativa “c”. os postos de abastecimento de combustível. e os gasodutos. b. 6) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. Durante o período de análise técnica. b. Está(ão) incorreta(s) apenas: a.diReiTO AmbienTAl biental. Está(ão) correta(s) apenas: a. As afirmativas “a” e “c”. Apenas as afirmativas “a” e “b”. Apenas a afirmativa “a”. d. A afirmativa (c). c. As afirmativas (a) e (c). c. e. c. b. O RIMA é parte integrante do Estudo de Impacto Ambiental. “b” e “c”. Apenas a afirmativa “c”. As diretrizes a serem seguidas para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental são determinadas exclusivamente pelo órgão competente que realizar o licenciamento ambiental. Compete ao IBAMA exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei Federal n. poderá mesmo assim exigir os estudos ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento. é de competência do órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados em dois ou mais Estados. b. c. o RIMA deve estar disponível ao público no órgão ambiental estadual. A afirmativa “b”. c. Compete ao órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conservação de domínio estadual. As afirmativas (a) e (b). c. As afirmativas “a”. É obrigatória a elaboração de Estudo de Impacto ambiental para: os distritos industriais. Em regra. A afirmativa (b). As afirmativas “a” e “b”.771/65. e. observado o sigilo industrial. b. e. A afirmativa “a”.º 4. A afirmativa (a). FGv diReiTO RiO 39 .

O Estudo de Impacto Ambiental deverá contemplar alternativas tecnológicas e locacionais. A afirmativa “a”. Estudo prévio de impacto ambiental. c. b. bem como medidas mitigadoras apara a redução do impacto ambiental. b. Quanto aos aspectos de biossegurança de OGM e seus derivados. Compete ao IBAMA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. Licença prévia. assinale a alternativa correta: a. A afirmativa “c”. Compete simultaneamente ao IBAMA. e. Está(ão) correta(s) apenas: a. FGv diReiTO RiO 40 . à ANVISA e à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. 10) (Procurador do Estado/PR – 2007) Qual é o instrumento de controle do Poder Público destinado a atestar a viabilidade ambiental de um empreendimento ou atividade? a. d. Relatório ambiental preliminar. b. 9) (Procurador do Estado/PR – 2007) À luz da legislação ordinária vigente em nosso país. e. d. b. c. Independentemente de quem seja o empreendedor. As afirmativas “a” e “b”. Análise preliminar de risco. d. e. O Estudo de Impacto Ambiental é exigível para todos os licenciamentos ambientais. Compete à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. c. As afirmativas “b” e “c”. a decisão técnica do CONAMA vincula os demais órgãos e entidades da administração. a responsabilidade pelas despesas de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental é do Poder Público. As afirmativas “a” e “c”. c.diReiTO AmbienTAl 8) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. Compete à ANVISA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. Plano de manejo.

assinale a opção correta. c. a avaliação de impactos ambientais e a criação de espaços territoriais especialmente protegidos. todos os casos em que a administração pública deve exigir do empreendedor a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental. d. FGv diReiTO RiO 41 . ou não. São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. b. do EIA está vinculada ao custo final do empreendimento proposto. A legislação brasileira estabelece. A legislação brasileira estabelece. em áreas públicas ou particulares. os casos em que a administração pública deve solicitar ao empreendedor estudo de impacto ambiental (EIA). O EIA/RIMA é uma das fases do procedimento de licenciamento ambiental. entre outros. A exigência. devendo ser elaborado por equipe técnica multidisciplinar indicada pelo órgão ambiental competente.II) Considerando aspectos relativos à proteção administrativa do meio ambiente. de acordo com tabela fixada pela administração pública.diReiTO AmbienTAl 11) (OAB/CESPE – 2007. em rol exemplificativo. a. em enumeração taxativa. cabendo ao empreendedor recolher à administração pública o valor correspondente aos seus custos. o zoneamento ambiental. o qual nunca poderá ser dispensado pelo órgão ambiental.

Articular o princípio da participação popular e o licenciamento ambiental. ou seja. FGv diReiTO RiO 42 . suspensão ou cancelamento da licença ambiental. o Poder Público institui licenças ou autorizações concedidas e impostas precariamente à atividade econômica. Resolver casos que envolvam modificação. Examinar o direito à indenização de eventual prejudicado nos casos de modificação. tempo e modo. a circunstâncias de fato. Entender as diferentes etapas e prazos do licenciamento ambiental brasileiro.diReiTO AmbienTAl aula 11: liCenCiamento ambiental Introdução A partir do momento em que as externalidades ambientais passam a ser reguladas pelos ordenamentos jurídicos nacionais. surge a necessidade de desenvolvimento e imposição de um sistema de controle administrado e gerido pelo Poder Público. devendo ser renovadas periodicamente. Como as melhores práticas ambientais estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. suspensão ou cancelamento de licença. Aprofundar o embasamento jurídico da exigência de licenças ambientais. legIslação 1) Lei 6. as licenças ambientais são provisórias. Trabalhar os institutos do direito adquirido e ato jurídico perfeito em face de atividades pretéritas à vigência da legislação acerca do licenciamento ambiental. Identificar atividades que exigem licenciamento ambiental especial. Para tanto. Significa reconhecer que a atividade econômica já não mais se encontra livre para explorar os recursos naturais renováveis ou não. porém sempre limitados. A avaliação de impacto ambiental é um dos elementos deste sistema. Após o levantamento e averiguação das externalidades negativas ambientais e como meio de controle do bem ambiental. Analisar questões controvertidas quanto à competência em licenciamento ambiental. visando à consagração dos princípios de direito ambiental. a legislação brasileira impõe um sistema de licenciamento ambiental que se traduz em autorizações de planejamento prévio. Esta mudança de paradigmas é emblemática. É o reconhecimento de que o desenvolvimento somente será admitido se sustentável for. desde que verificadas as melhores práticas ambientais. debater sobre a natureza jurídica do instituto do licenciamento ambiental.938/1981. aquelas que não violem os princípios consagrados pelo artigo 225 da Carta da República. instalação e operação. oBjetIvos À luz do direito administrativo.

Celso Antonio Pacheco. pp. autorizações e licenças pertencem à família dos atos administrativos de controle prévio. Direito do Ambiente. Antônio F. pp. 166-181. O Licenciamento Ambiental. Para tanto. 2007. 141-180. 2006. Luís Carlos Silva de. (Édis Milaré.274/1990. 405-435. Manual de Direito Ambiental. Rio de Janeiro: Lumen Juris. o meio ambiente é qualificado como patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido para uso da coletividade ou. 2ª Edição. São Paulo: Saraiva. OLIVEIRA. G. pp. 404. bem de uso comum do povo. essencial à sadia qualidade de vida. Antônio Inagê de Assis. 1999. BELTRÃO. 2002. as permissões. São Paulo: Iglu Editora. 85-101. Édis. Por ser de todos em geral e de ninguém em particular. 5ª edição. 2008. pp. 3) Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. São Paulo: Revista dos Tribunais. pp. e habite-se é forma de controle sucessivo. 3ª Edição. arma-o a lei de uma série de instrumentos de controle – prévios. 5ª edição. doutrIna Segundo a lei brasileira. 2008. concomitantes e sucessivos –. São Paulo: Malheiros. Paulo de Bessa. Revista dos Tribunais. 2008. Direito do Ambiente. à evidência. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. na linguagem do constituinte. Direito Ambiental. Paulo Affonso Leme. 2007. através dos quais possa ser verificada a possibilidade e regularidade de toda e qualquer intervenção projetada sobre o meio ambiente considerado. p. Curso de Direito Ambiental.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. 271-297. 63-80. Direito Ambiental Brasileiro. MACHADO. 16ª Edição. só pode legitimar-se mediante ato próprio de seu direto guardião – o Poder Público. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. FGv diReiTO RiO 43 . a fiscalização é meio de controle concomitante. FIORILLO. inexiste direito subjetivo à sua utilização. São Paulo: Atlas. que. MORAES. por exemplo. São Paulo: Método. Assim.diReiTO AmbienTAl 2) Decreto 99. 11ª Edição. pp.

o qual receberá milhões de toneladas de detritos. 588. o mar territorial afetado. notas e Questões 1) Durante a vigência de uma licença ambiental. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. sobre os mangues. 1. principalmente. 5. sobre o homem que vive e depende do rio. in casu. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. Os bens ambientais são transnacionais. 1ª Turma. Julgamento 17/Fev./2004. 2. DJ 5/Abr. Recursos especiais improvidos. STJ. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. é possível a modificação dos seus termos. Recurso Especial n. A natureza desconhece fronteiras políticas. 10-30. 4. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho./2004.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa Recorrente: Superintendência do Porto de Itajaí vs. LICENCIAMENTO. sobre as praias. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. pode até haver duplicidade de licenciamento. do mar e do mangue nessa região.022-SC (2003/0159754-5). pp. e. Recorrido: Ministério Público Federal. COMPETÊNCIA DO IBAMA. a FATMA. ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. extrapolando os limites impostos pelo homem. através dos órgãos ambientais públicos e privados. 3. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. INTERESSE NACIONAL. pelo depósito dos detritos no mar. quem deve arcar com os custos inerentes à adaptação da licença? FGv diReiTO RiO 44 . Em caso positivo. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. mas. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. suspensão e/ou cancelamento? Explique. sobre a orla litorânea. A atividade do órgão estadual. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. nesse caso. sobre as correntes marítimas. bem como. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. enfim. é supletiva.

10 anos. 4) (Defensor Público SP 2006) O licenciamento ambiental é feito em três etapas distintas. 6 anos. na qual existe uma situação de incerteza quanto à real efetivação dos danos ambientais. a. 3 anos. cabe ao empreendedor ser indenizado pelos danos materiais e/ou morais decorrentes? Explique. Os técnicos do órgão licenciador estadual constataram ainda que o resfriamento do aqüífero poderia trazer conseqüências não apenas ao município vizinho. criar novas restrições ambientais. c.diReiTO AmbienTAl 2) No caso de modificação. nem mesmo aludindo ao princípio da precaução. Na hipótese aventada. b. 3) (Defensor Público SP 2006) A concessão de licença ambiental não prevê a obrigatoriedade de audiência pública. Cinqüenta ou mais cidadãos. Pelo menos 1% de eleitores do município atingido. e. c. por meio do seu poder de política. Mais de cem eleitores. e. (CESPE – Juiz Federal Substituto TRF 5ª Região) Em virtude da concessão de licença de operação a uma usina hidrelétrica. 5 anos. Mais de 1% dos cidadãos residentes no município atingido. o órgão licenciador competente não pode. conforme a outorga das seguintes licenças: a prévia. d. b. cujo grande apelo turístico era a existência de um lençol freático de águas quentes. suspensão e/ou cancelamento de licença ambiental vigente. A ausência da participação do IBAMA no procedimento de concessão de licença de operação enseja uma irregularidade. mas também a outras cidades. Considerando o texto acima como referência inicial.5% de cidadãos do município atingido. Pelo menos 0. mas também porque cabe ao IBAMA o exercício do poder de polícia quando as questões FGv diReiTO RiO 45 . a de instalação e a de operação. tendo em vista não somente que a potencialidade lesiva abrange diretamente mais de um Estado federativo. julgue os itens que se seguem. 5. nas proximidades de um município. 2 anos. exceto quando o órgão competente para a concessão da licença julgar necessário ou quando sua realização for solicitada pelo Ministério Público ou requerido ao órgão ambiental por a. d. já que seria necessária a participação dessa autarquia federal como órgão de proteção ambiental competente. A licença de instalação NÃO poderá ultrapassar a. localizadas em unidade da federação confrontante. b. foi constatado que o funcionamento da usina poderia vir a causar o resfriamento de seu lençol aqüífero termal.

diReiTO AmbienTAl

ambientais envolvam bens da União, como no caso em comento, haja vista que os recursos minerais do subsolo pertencem à União. 6) (Procurador do Estado/PR – 2007) Assinale a alternativa incorreta: a. Os estudos necessários ao processo de licenciamento ambiental deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor. b. O licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades de impacto ambiental local compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando couber. c. Compete ao órgão ambiental estadual o licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades localizados ou desenvolvidos ao longo de rios, ainda que de domínio federal. d. Compete ao IBAMA o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental localizadas em Estados que sejam limítrofes a outros países. e. Pode o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, modificar as condicionantes e as medidas de controle e adequação, bem como suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.

FGv diReiTO RiO 46

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aula 12: dano e resPonsabilidade ambiental
Introdução

Conforme reiteradamente exposto em tópicos anteriores, o bem ambiental é complexo, pois composto de diversos elementos naturais e, conforme o ordenamento jurídico, de elementos criados artificialmente pelo homem. Pelo fato desses elementos apresentarem intricada relação com a vida humana, estão constantemente sujeitos a serem alterados e/ou modificados. Acontece, porém, que a noção clássica de dano pressupõe uma ação negativa, ou seja, prejudicial ao estado em que se encontrava o bem antes do evento danoso. Em se tratando do bem ambiental e dos elementos que o compõem, a caracterização de um dano é ameaçada pelo alto grau de subjetividade no juízo de valor que, por sua vez, varia conforme o interesse em jogo. Por exemplo: o que seria um meio ambiente ecologicamente equilibrado? Quem define quais os critérios para se atingir um meio ambiente ecologicamente equilibrado? A ciência? Mas por vezes a própria ciência é contraditória. Conseqüentemente, a própria caracterização de um determinado dano ambiental não é matéria pacífica. Na mesma esteira, muitos danos ao meio ambiente são de longa maturação, não sendo sentidos, senão depois de transcorridos longos períodos de tempo. Em todas essas hipóteses, há, portanto, significativa dificuldade de estabelecimento de nexo causal, típico da relação entre o dano e a responsabilidade civil clássica. Por outro lado, quando efetivamente constatada a existência de um dano ao meio ambiente como, por exemplo, inequívoco derramamento de substância tóxica que afeta a saúde da população e os atributos ecológicos dos elementos diretamente afetados pelo vazamento, impõe-se a construção de uma responsabilidade especial que considere a complexidade anteriormente narrada do bem ambiental. Para tanto, a Constituição Federal de 1988 estabelece as linhas gerais para uma tríplice responsabilização: no campo penal, administrativo e reparatório, bem assim a legislação infraconstitucional, mais precisamente, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6,938/81) e a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998).

oBjetIvos

Entender a noção de dano ambiental à luz da complexidade do bem ambiental. Trabalhar as possibilidades reparatórias diante de um dano ambiental. Identificar as dificuldades da aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao meio ambiente. Examinar as conseqüências sancionatórias imputadas pelo ordenamento jurídico brasileiro ao responsável pelo dano ambiental. Conhecer as condutas lesivas ao meio ambiente que dão ensejo a responsabilidade penal. Analisar as possibilidades de atuação da administração pública na imposição de
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diReiTO AmbienTAl

sanções administrativas. Articular a aplicação das responsabilidades civil, penal e administrativa.

legIslação

1) Constituição Federal de 1988, artigo 225; 2) Lei 6.938/1981; 3) Lei 9.605/1998.

doutrIna A partir do momento em que as preocupações ambientais começaram a encontrar eco no mundo do Direito e em que surgiram normas jurídicas a tutelar o novo bem jurídico (que constitui também um direito fundamental), teriam obviamente de surgir também disposições legais a ocupar-se da violação das normas destinadas à tutela do ambiente, assim fazendo o seu aparecimento a categoria do ilícito ambiental. Para Postiglione (Ambiente: suo significato giuridico unitario, Rivista Trimestrale di Diritto Publico, anno XXXV (1985), p. 51), o “dano ambiental é o prejuízo trazido às pessoas, aos animais, às plantas e aos outros recursos naturais (água, ar e solo) e às coisas (...) que consiste numa ofensa do direito ao ambiente”, traduzindo-se também numa “violação em concreto dos ‘standards’ de aceitabilidade estabelecidos pelo legislador”. (...) A responsabilidade civil é um instituto cuja antiguidade remonta ao Direito Romano mas que tem vindo a evoluir ao longo dos tempos, adaptando-se às necessidades postas pelas sociedades modernas. Mesmo assim ele revela-se, em muitos casos, um meio inadequado de lidar com os atentados ao ambiente. Inadequado pelas dificuldades de prova dos seus rigorosos pressupostos, mesmo quando as razões de justiça permitam prescindir daquele cuja prova poder ser mais difícil: a culpa. A responsabilidade objectiva, pelo risco ou por factos lícitos, é, sem dúvida, um grande avanço no sentido da correspondência do instituto às necessidades da vida moderna, sem perda de justiça intrínseca. Porém, não é ainda suficiente para cobrir todas as situações de dano que, cada vez com mais frequência, ocorrem e que, por falta de prova de um ou outro pressuposto, ficam impunes e por indemnizar. A solução parece passar pela aposta em novos instrumentos jurídicos para a protecção do ambiente. (José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador), Introdução ao Direito do Ambiente, Universidade Aberta, 1998, p. 29 e 139.)

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mesmo sem culpa. 2008. DJ 18/Out. jurIsprudêncIa Recorrente: Oswaldo Alfredo Cintra vs. Recurso Especial n. que em seu art. 3ª Edição.diReiTO AmbienTAl leItura oBrIgatórIa ANTUNES. DJ de 17. por isso que a Lei 8. 341-368 e 696-731. RECOMPOSIÇÃO. José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). 476 DO CPC. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. pp. 5ª edição. Paulo de Bessa. AgRg no REsp 504626/ PR. ainda que não sejam eles os responsáveis por eventuais desmatamentos anteriores. 16ª Edição. preceitua que a obrigação persiste. A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva. Relator Ministro Castro Meira. Rio de Janeiro: Lumen Juris. São Paulo: Malheiros. 11ª Edição. 1. Precedentes do STJ: RESP 826976/ PR.2004. Manual de Direito Ambiental.771/65) que estaFGv diReiTO RiO 49 . ementa PROCESSUAL CIVIL. 2. G.2006. DJ de 22.09. Celso Antonio Pacheco. Édis. São Paulo: Revista dos Tribunais. Direito do Ambiente. Relator Ministro João Otávio de Noronha. Universidade Aberta. São Paulo: Saraiva. BELTRÃO. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 14. Introdução ao Direito do Ambiente. FACULDADE DO ÓRGÃO JULGADOR. DANOS AMBIETNAIS. 2007. pp. 29-33 e 139-134. 2002. desta relatoria. 2008. Recorrido: ADEAM Associação Brasileira de Defesa Ambiental. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. pp.171/91 vigora para todos os proprietários rurais. máxime porque a referida norma referendou o próprio Código Florestal (Lei 4.05.2003.04. A obrigação de reparação dos danos ambientais é proter rem. 234-242 e 201-215. BIBlIograFIa coMpleMentar CANOTILHO. Julgamento 20/Set. ante a ratio essendi da Lei 6.2005 e EDcl no AgRg no RESP 255170/SP. quanto ao terceiro. pp.08. DJ de 22. 745. DJ de 01. ADMINISTRATIVO. São Paulo: Método. 809-957. 1ª Turma.938/81. MATAS. 2008. TERRAS RURAIS. STJ. § 1º. Direito Ambiental Brasileiro. Paulo Affonso Leme. determina que o poluidor seja obrigado a indenizar ou reparar os danos ao meio-ambiente e.363-PR (2005/0069112-7). pp. Antônio F. pp./2007. Direito Ambiental. MILARÉ. 321-337./2007. Relator Ministro Francisco Falcão. MACHADO. 1998. 242-261. RESP 263383/PR. RESPONSANTE. FIORILLO. ART.

Não se pergunta a razão da degradação para que haja o dever de indenizar e/ou reparar. Malheiros Editores. independentemente de culpa.938/81. obrigando os seus proprietários a instituírem áreas de reservas legais. 4. § III. Procura-se quem foi atingido e. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. 5. p. O artigo 927. Facilita-se a obtenção da prova da responsabilidade. o binômio dano/ reparação. A responsabilidade sem culpa tem incidência na indenização ou na reparação dos “danos causados ao meio ambiente e aos terceiros afetados por sua atividade” (art. a imprudência e a negligência para serem protegidos bens de alto interesse de todos e cuja lesão ou destruição terá conseqüências não só para a geração presente. Não interessa que tipo de obra ou atividade seja exercida pelo que degrada. entre os quais o da “utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente”. Quanto à primeira parte. o juiz analisará. Relator Ministro Franciulli Netto. que instituiu a responsabilidade sem culpa. parágrafo único.10.. nos casos especificados em lei. como para a geração futura. por sua natureza. sem se exigir a intenção. É cediço em sede doutrinária que se reconhece ao órgão julgador da primazia da suscitação do incidente de uniformização discricionariedade no exame FGv diReiTO RiO 50 . cujo regime de responsabilidade não tenha sido especificado em lei. inicia-se o processo lógico-jurídico da imputação civil objetiva ambiental!. Precedente do STJ: RESP 343. Nenhum dos poderes da República.2002. por um princípio de Direito Natural..)” in Direito Ambiental Brasileiro. Presente. quando nos defrontarmos com atividades de risco. a requisitos certos. pois não há necessidade de que ela apresente risco ou seja perigosa. pois não é justo prejudicar nem os outros e nem a si mesmo. ou o Poder Público fará a classificação dessas atividades. pois. do CC de 2002. em sua obra Direito Ambiental Brasileiro. em prol do interesse coletivo.. Só depois é que se entrará na fase do estabelecimento do nexo de causalidade entre a ação ou omissão e o dano. já temos a Lei 6. 14. moral e constitucionalmente. 3.. ninguém.diReiTO AmbienTAl belecia uma limitação administrativa às propriedades rurais. ressalta que “(. “É a responsabilidade pelo risco da atividade.. Repara-se por força do Direito Positivo e. a concordar ou a praticar uma transação que acarrete a perda de chance de vida e de saúde das gerações (. em matéria ambiental .” Na conceituação do risco aplicam-se os princípios da precaução. da prevenção e da reparação. seguindo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei. 12ª ed. também. Quanto à segunda parte. se for o meio ambiente e o homem.)A responsabilidade objetiva ambiental significa que quem danificar o ambiente tem o dever jurídico de repará-lo.938/81). risco para os direitos de outrem”. caso a caso.741/ PR. A Constituição Federal consagra em seu art. de no mínimo 20% de cada propriedade. da Lei 6. DJ de 07. 2004. É contra Direito enriquecer-se ou ter lucro à custa da degradação do meio ambiente. 326327. 186 que a função social da propriedade rural é cumprida quando atende. dispõe: “Haverá obrigação de reparar o dano. está autorizado. Paulo Affonso Leme Machado.

que a sorte dos litigantes e afinal a própria unidade do sistema jurídico vigente fiquem na dependência exclusiva da distribuição do feito ou do recurso a este ou àquele órgão (. ao qual a iniciativa do incidente é mera faculdade. na medida do possível. consoante a ratio essendi do art. interpretar essas regras. Deveras. ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? FGv diReiTO RiO 51 .. é que se põe o problema da uniformização da jurisprudência. 7.. revela meio hábil à discussão de teses jurídicas antagônicas. ao revés. e somente neles.11. in Comentários ao Código de Processo Civil.. 476 do CPC. consoante cediço. 6. DJ de 30. Cumpre-lhes. 9. notas e Questões 1) Em que consiste a noção de dano ambiental? 2) Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente. isto é. objetivando a pacificação da jurisprudência interna de determinado Tribunal. por vezes suscitado com intuito protelatório.2004.diReiTO AmbienTAl da necessidade do incidente porquanto. Sobre o thema leciona José Carlos Barbosa Moreira. EDcl nos EDcl no RMS 20101/ES. Assim se fixam as teses jurídicas. ante o óbice erigido pela Súmula 07. O pedido de uniformização de jurisprudência revela caráter eminentemente preventivo e. razão pela qual não se admite a sua promíscua utilização com nítida feição recursal. sempre que anteriormente adotada já não corresponda às necessidades cambiantes do convívio social. Recurso especial desprovido.) Nesses limites. determinar o seu sentido e alcance. não vincula o órgão julgador.05. a cuja luz hão de apreciar-se as hipóteses variadíssimas que a vida oferece à consideração dos julgadores. DJ de 01. V. de evitar. 04-05. a severidade do incidente é tema interditado ao STJ. 8.2006. Relator Ministro Jorge Scartezzini. Forense. Vol. o mencionado incidente não ostenta natureza recursal. nem seria concebível que se tratasse.)” p. de impor aos órgãos judicantes uma camisa-de-força. Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 620276/RS. cumpre destacar. DJ de 29. que lhes tolhesse o movimento em direção a novas maneiras de entender as regras jurídicas.(. Relator Ministro Francisco Falcão. 10. Trata-se. Não se trata.08. Relator Ministro Castro Meira. para tanto. têm os órgãos judiciais de aplicar aos casos concretos as regras de direito. pura e simplesmente. especialmente porque o instituto sub examine não é servil à apreciação do caso concreto.2006 e EDcl no AgRg nos EDcl no CC 34001/ES. litteris: “No exercício da função jurisdicional.. Sob esse ângulo.

938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente)? 4) Dê exemplos de dificuldades na aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao ambiente. Para obter vantagem pecuniária. d. FGv diReiTO RiO 52 . Em razão de sua baixa instrução ou escolaridade. p. Fazer o funcionário público afirmação falsa em procedimento de autorização de licenciamento ambiental. 2008. G.diReiTO AmbienTAl 3) Como está configurada a responsabilidade civil na Lei 6. Em domingos e feriados. b.605/98. Deixar. 10) (Procurador Município Manaus 2006) NÃO é circunstância agravante da pena pela prática de crime ambiental. NÃO admite a modalidade culposa o de2 a. e. Abusando de licença que lhe tenha sido regularmente concedida. Conceder a funcionário público licença em desacordo com as normas ambientais para obra cuja realização dependa de ato autorizativo do Poder Público. tal como definido pela Lei n. 263. Destruir bem especialmente protegido por lei. d. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que possam resultar em danos à saúde humana. Dentro de unidade de conservação.º 9. 2 As questões 9 e 10 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. 5) Qual é a intenção implícita na responsabilização penal de condutas lesivas ao meio ambiente? 6) Podem as pessoas coletivas ser punidas pela prática de crimes ecológicos? 7) De que forma a imposição de sanções administrativas pode ser instrumento eficaz na prevenção de ações lesivas ao meio ambiente? 8) Qual(is) a(s) distinção(ões) fundamental(is) entre responsabilidade civil e sanção administrativa? 9) (Procurador do MP do TCE/MG 2007) Dentre os crimes ambientais. ter o agente cometido o crime a. Manual de Direito Ambiental. editora método. aquele que tiver o dever contratual de fazê-lo. de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental. e. ou à noite. b. c. c. beltrão.

o bem ambiental é complexo. assim como a intervenção no ar pode refletir na água. diante da competência concorrente prevista pela Constituição Federal para a tutela do meio ambiente. flora. água e ar.diReiTO AmbienTAl bloCo iii: tutelas esPeCífiCas do meio ambiente Introdução Conforme relatado nos blocos anteriores. pois que é composto por diversos elementos. fora do campo meramente legislativo ou didático. a tutela específica deve sempre ser aplicada e interpretada à luz dos princípios constitucionais e preceitos legislativos federais gerais. Se por um lado o direito ambiental apresenta princípios formadores e específicos. no campo da natureza e da ecologia. por outro. compreendidos. Por outro lado. Isto porque. Como decorrência da impossibilidade do isolamento prático do conjunto de bens ambientais que. a intervenção na flora quase sempre refletirá na fauna. o tratamento legal dispensado a um determinado bem ambiental deve sempre considerar o conjunto dos demais que compõe o todo meio ambiente. peculiaridades em relação à forma de responsabilização de eventual dano em face da própria complexidade do bem a que se propõe tutelar. O ordenamento jurídico ao diferenciar o tratamento dispensado ao bem ambiental conforme a sua natureza. consegue proporcionar mais eficácia no cumprimento dos objetivos propostos em cada tipo de legislação. FGv diReiTO RiO 53 . a especificidade dos elementos que compõem o meio ambiente atrai a necessidade do desenvolvimento de tutelas específicas. e assim sucessivamente. Esta necessidade impõe o desenvolvimento de uma intrincada rede normativa nas três esferas da federação. por exemplo. basicamente em uma das seguintes categorias: fauna.

Conhecer a legislação aplicável e instituições responsáveis pela gestão das águas. Esta mudança é refletida por uma tendência atual de maior intervenção do Estado. Como decorrência. Distinguir a cobrança pelo uso da água da cobrança pelo serviço de distribuição da água.433/1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos e Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos). Contudo. Decreto-lei 221/1967 (Código de Pesca). Decreto 24. a. Artigos 20.diReiTO AmbienTAl aula 13: direito de Águas Introdução Historicamente. I. Entender o regime de competências legislativa e material. contribuindo para políticas públicas desastrosas na gestão deste recurso natural tão precioso. oBjetIvos Entender a evolução histórico-legislativa do tratamento dos recursos hídricos no Brasil.643/1934 (Código de Águas). porém limitado. classificação das águas e do uso da água. Decreto-lei 852/1938. O tratamento da água como um recurso ilimitado e passível de ser apropriado gratuitamente. A partir do momento em que água passa a ser encarada como um recurso renovável. 21. quanto vital. Analisar a racionalidade da cobrança da água. III. Artigo 2º. 26. Distinguir políticas de alocação de políticas para evitar poluição das águas. V e VI. houve a necessidade de reconstrução dos ordenamentos jurídicos para adequarem e harmonizarem noções econômicas e preservacionistas. Trabalhar a aplicação da doutrina a casos concretos envolvendo conflitos sobre direito de uso da água. 22. as pressões sobre este recurso natural. XIX. vital à própria vida no planeta. por meio do exercício cada vez maior do seu poder regulatório. tornaram-se fonte de extrema preocupação. Código Florestal. acabou por influenciar inúmeros sistemas legais ao redor do mundo. legIslação 1) 2) 3) 4) 5) 6) Constituição Federal. a água foi considerada um recurso natural renovável e ilimitado. FGv diReiTO RiO 54 . surge um intricado sistema legal e institucional responsável pela gestão dos recursos hídricos e que passa a ser tratado como matéria inerente ao Direito de Águas.771/65. o surgimento de novas fontes de poluição e políticas públicas insustentáveis. b e c. no Brasil. IV. Lei 4. com o crescimento demográfico acelerado. Lei 9.

BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. aproveitamento. denominava-se direito hidráulico. MACHADO. ou até para agravá-los. faz com que o direito de águas contenha normas tradicionalmente colocadas no campo do direito privado e no do direito público. São Paulo: Revista dos Tribunais. Paulo de Bessa. 463-499. a jurisprudência e o costume. a água na Terra é praticamente a mesma durante os últimos milhões de anos. Direito de Águas no Brasil. eliminá-los ou redirecioná-los. qualidade e estado decorrem de fatores naturais e/ou humanos os mais diversos. que desconhece limites no seu percurso. (. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Direito de Águas no Brasil.056-SP (2001/0087209-0). 2008.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. FGv diReiTO RiO 55 . pp.diReiTO AmbienTAl doutrIna Em suas mais variadas formas e localizações – doces. 11ª Edição. pp. 2ª Turma. São Paulo: Revista dos Tribunais. Direito do Ambiente. 441-529. Direito Ambiental Brasileiro. em geleiras ou atmosféricas – . A estreita vinculação das normas jurídicas relativas às águas com o ciclo hidrológico. a conservação e preservação das águas. 2006. Paulo Affonso Leme. Édis. 35 e 39. pp. De início. (Cid Tomanik Pompeu. pp. 2008. Direito Ambiental. Recorrido: Henrique Hessel Roschel e Outros (3). salobras. 2006. Cid Tomanik. 2007. 5ª edição. jurIsprudêncIa Recorrente: Ministério Público do Estado de São Paulo vs. 699-735.) O direito de águas pode ser conceituado como conjunto de princípios e normas jurídicas que disciplinam. pp. Julgamento 13/12/2005. DJ 06/2/2006. que acabam recebendo a participação do homem para amenizá-los. assim como a defesa contra suas danosas conseqüências. de acordo com as necessidades e possibilidades que se apresentam. uso. 16ª Edição.. 333. Revista dos Tribunais. superficiais ou subterrâneas. salgadas. a doutrina. As mudanças de local. 35 e 39. STJ. Recurso Especial n. Suas fontes são a legislação. São Paulo: Malheiros.. POMPEU.

40 da Lei 6. extrai-se a necessidade de o Estado interferir. quando o loteamento for edificado em áreas tidas como de interesse especial.766/99 consistem num dever-poder do Município. tais como as de proteção aos mananciais. 1. compete-lhe “promover. pois consoante dispõe o art. 30.diReiTO AmbienTAl ementa ADMINISTRATIVO. do parcelamento e da ocupação do solo urbano”. VIII. Da interpretação sistemática dos arts.766/79. 2.766/79 e 225 da CF. 6. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 13 E 40 DA LEI N. LOTEAMENTO IRREGULAR. no que couber. 13 da Lei nº 6. notas e Questões 1) Qual é a racionalidade na imposição de cobrança pelo uso da água? 2) Qual é o regime de propriedade aplicável aos recursos hídricos no Brasil? 3) De qual ente da Federação é a competência legislativa e administrativa sobre águas? Explique. 3. mediante planejamento e controle do uso. ARTS. adequado ordenamento territorial. ÁREA DE MANANCIAIS. Recurso especial provido. repressiva ou preventivamente. RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO E DO ESTADO. As determinações contidas no art. PODER-DEVER. FGv diReiTO RiO 56 . da Constituição da República.

legIslação 1) Constituição Federal. caput. oBjetIvos Entender as funções e relações da qualidade do ar com a saúde da população e sadio funcionamento de sistemas ecológicos diversos. Porém. sua capacidade de absorção é limitada e de rápida contaminação. artigos 23. Sua utilização se dá pela forma de “despejo” de substâncias químicas poluentes. a difícil tarefa de estabelecimento de relações de causa e efeito. Porém. a poluição atmosférica chega a ser visível.diReiTO AmbienTAl aula 14: tutela do ar e da atmosfera Introdução Juntamente com a água. II. Não é incomum a população dos grandes centros utilizarem máscaras para circular nas ruas. à evaporação à transpiração. à oxidação e aos fenômenos climáticos e meteorológicos. VI. Analisar a importância da definição de padrões de qualidade do ar nacionais em um contexto internacional. 30. 24. a qualidade do ar está intimamente ligada ao sadio funcionamento de outros sistemas ecológicos. interesses econômicos na utilização deste precioso recurso contribuem para as imperfeições legislativas e executivas no combate à poluição atmosférica. Identificar os principais gases responsáveis pela poluição atmosférica. 003/1990 e 008/1990. Além dos prejuízos diretos à saúde da população. doutrIna Ligado estreitamente aos processos vitais de respiração e fotossíntese. o ar dos recursos naturais mais importantes para a sobrevivência da vida humana no planeta. 2) Resoluções CONAMA 005/1989. 225. é o recurso que mais rapidamente se contaFGv diReiTO RiO 57 . A sua contaminação causa efeitos nocivos imediatos e impactos significativos na saúde dos seres humanos. Trabalhar problemas práticos. Compreender o tratamento da matéria pelo ordenamento jurídico brasileiro. que não pode ser devidamente avaliado. além do biológico ou ecológico. bem assim. a atmosfera – tem um significado econômico. o recurso ar – mais amplamente. IV. Em alguns centros metropolitanos. Enquanto corpo receptor de impactos. Examinar as instituições responsáveis pela execução de políticas de qualidade do ar e legislação aplicável.

(Édis Milaré. São Paulo: Malheiros. Édis.355-SP (2001/0196898-0). 204. incidiu em ilegalidade. Recorrido: Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo DAEE.468/76 – DO ESTADO DE SÃO PAULO – ILEGALIDADE – LEI 6. 2008. 399. a extensão da propriedade e o olfato de pessoas credenciadas. pp. Direito Ambiental Brasileiro. 2007. Recurso Especial n. 204-214./2003. evidentemente. 534-561. Revista dos Tribunais. O Decreto 8. STJ. Direito do Ambiente. 5ª edição.938/81. 5ª edição. de condições favoráveis. 2007. São Paulo: Revista dos Tribunais. pp. 1ª Turma. ementa ADMINISTRATIVO – DIREITO AMBIENTAL – REGULAMENTO – PADRÔES DE QUALIDADE AMBIENTAL – ADOÇÃO DE CRITÉRIOS INSEGUROS – DECRETO 8. Julgamento 11/ Nov./2003. p.) leItura oBrIgatórIa: MILARÉ. notas e Questões 1) Como pode ser feita a compatibilização entre o desejo de grandes centros de atrair um parque industrial que gere empregos e movimente a economia local com os objetivos de preservação da sadia qualidade do ar? FGv diReiTO RiO 58 . Direito do Ambiente.diReiTO AmbienTAl mina e mais rapidamente se recupera – dependendo. quando adotou como padrões de medida de poluição ambiental.468/76 do Estado de São Paulo. 16ª Edição. BIBlIograFIa coMpleMentar: MACHADO. DJ 15/Dez. jurIsprudêncIa Recorrente: Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS vs. contrariando o sistema erigido na Lei Federal 6. Paulo Affonso Leme.938/81.

diReiTO AmbienTAl 2) Do ponto de vista do arcabouço legal e institucional brasileiro. 3) Existe alguma espécie de compromisso internacional que obrigue o Brasil a adotar medidas de controle contra a poluição do ar? Caso positivo. identifique 3 deles fundamentando a resposta. como o ar e atmosfera são tutelados? Quais os pontos negativos e positivos desta estrutura. FGv diReiTO RiO 59 .

expressão máxima da intrínseca relação entre fauna e flora. 4) Lei 5.633/1989. Compreender a importância ecológica desempenhada pela flora e pela fauna. Os impactos também podem ser sentidos na perda da biodiversidade. se faz sentir nas funções ecológicas auxiliares indispensáveis à sadia qualidade de vida: manutenção da qualidade da água.197/1967 (Código de Caça). Da mesma forma. 30. positivos e negativos. etc. 3) Decreto-lei 221/1967 (Código da Pesca). o direito ambiental desempenha importante função no controle de atividades que coloquem em risco o equilíbrio da fauna e da flora. Muito além do patrimônio paisagístico. O mundo vive uma acelerada perda da flora e os resultados estão sendo sentidos no crescente número de espécies em extinção ou já extintas. por exemplo. regulação climática. o equilíbrio ecológico passa pela proteção da fauna. caput e § 1º. na flora. 5) Decreto Federal 97. II. com a situação inversa. artigos 23. oBjetIvos Trabalhar a relação entre fauna e flora. FGv diReiTO RiO 60 . como indispensável à própria preservação da flora. fauna e flora são os que se apresentam mais intimamente ligados entre si. VII e § 4º. Identificar o regime jurídico aplicável à fauna e à flora. Esta constatação preliminar é imprescindível. Por tudo isso. VI. Entender a terminologia e respectivos conceitos dos elementos que compõem a flora. controle de erosão.diReiTO AmbienTAl aula 15: tutela da fauna e da flora Introdução Dentre os elementos que compõem a biosfera. conhecidas ou ainda não conhecidas pelo homem.771/1965 (Código Florestal). VII. Examinar a racionalidade da proteção de determinadas áreas e a regulação de algumas atividades econômicas e recreativas que representem risco à integridade da fauna. 225. a imprescindibilidade da preservação da flora. 2) Lei 4. legIslação 1) Constituição Federal. 24. pois as políticas públicas planejadas para a proteção da fauna somente alcançarão os objetivos para os quais foram pensadas se levarem em consideração os possíveis impactos. No mesmo sentido.

BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. 1. 325-546. Recurso Especial n. nichos ecológicos e cadeia trófica. as leis humanas que preservam. Tal fato vale para a economia e uma infinidade de outras atividades. 2007. ementa AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Direito Ambiental.) Flora e fauna são extremamente solidárias – poderíamos dizer. 236-251. 2ª Turma. são cúmplices entre si. 2008. (Édis Milaré.. MATA ATLÂNTICA. provocando assoreamentos. REPARAÇÃO AMBIENTAL.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. LOTEAMENTO CLANDESTINO. STJ. de modo que a espécie humana evite toda e qualquer forma de prepotência e crueldade para com o mundo natural. jurIsprudêncIa Recorrentes: Alberto Srur e Município de São Bernardo do Campo vs. 5ª edição. ainda que.. Recorrido: Ministério Público do Estado de São Paulo. São Paulo: Revista dos Tribunais. 5ª edição. principalmente se pensarmos em termos de hábitats. OBRIGAÇÃO DE FAZER. RESERVATÓRIO BILLINGS. Direito do Ambiente. pp. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Por isso. Édis. A destruição ambiental verificada nos limites do Reservatório Billings – que serve de água grande parte da cidade de São Paulo –. haja necessidade de se remover famílias instaladas no local FGv diReiTO RiO 61 . somados à destruição da Mata Atlântica.190SP (2001/0125125-0). Paulo de Bessa. 403. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE. Direito do Ambiente.diReiTO AmbienTAl doutrIna (. 11ª Edição. p. pp. protegem ou defendem a biota devem fundamentar-se em dados científicos: não podem desconhecer as leis naturais que regulam as espécies vivas. 2007. DJ 14/8/2006. 237. Julgamento 27/6/2006. para tanto. impõe a condenação dos responsáveis. ASSOREAMENTO DA REPRESA. Revista dos Tribunais. Decorre daí que as “relações formais” dos indivíduos e da sociedade humana com o meio ambiente precisam ser pautadas pelas “relações naturais” que se desenvolvem no seio dos ecossistemas.

3. julgue os itens que se seguem. Tanto é assim que o Banco Mundial aponta que a área ocupada por florestas nos países em desenvolvimento foi reduzida à metade em aproximadamente um século. que. Manual de Direito Ambiental. pois as matas particulares não estão sujeitas a ingerências administrativas. As florestas públicas são consideradas bens de interesse dominial do Estado. notas e Questões 1) (CESPE – AGU 2006) A preservação das florestas é uma das questões fundamentais para a sobrevivência da humanidade e de todas as formas de vida. 3 FGv diReiTO RiO 62 . editora método. beltrão. Recursos especiais de Alberto Srur e do Município de São Bernardo do Campo parcialmente conhecidos e. provavelmente deixaram-se enganar pelos idealizadores de loteamentos irregulares na ânsia de obterem moradias mais dignas. desprezando pedido alternativo constante das razões da apelação. 230 e 231. Não fere as disposições do art. 2008. improvidos. G.diReiTO AmbienTAl de forma clandestina. 2. p.3 A matéria florestal. As relações entre a necessidade de desenvolvimento econômico e a destruição das áreas florestais é bastante evidente. igualmente evidentes são as relações entre a destruição das florestas e a pobreza. reformando a sentença. no Brasil. Não se trata tão-somente de restauração de matas em prejuízo de famílias carentes de recursos financeiros. em decorrência de loteamento irregular implementado na região. No conflito entre o interesse público e o particular há de prevalecer aquele em detrimento deste quando impossível a conciliação de ambos. está contemplada na Lei n. c. 4. O regime jurídico da propriedade florestal é puramente civil. O Código Florestal não está voltado apenas para a proteção das florestas. 4. mas de preservação de reservatório de abastecimento urbano. nessa parte. a. b. Com relação a esse assunto. que beneficia um número muito maior de pessoas do que as residentes na área de preservação. 515 do Código de Processo Civil acórdão que.771/1965. Ele também contempla a proteção das demais formas de vegetação reconhecidas de utilidade para as terras que revestem. A questão 1 foi extraída da seguinte obra: Antônio F. julga procedente a ação nos exatos termos do pedido formulado na peça vestibular.

incs. 9. Porém. DOUTRINA As unidades de conservação.985/2000. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. II. as Unidades de Proteção Integral (cujo objetivo básico é preservar a natureza. o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. a saber. III e VII sobre obrigações gerais de defesa e proteção da fauna e da flora. criadas por ato do Poder Público. pela natureza de normas gerais. da fauna brasileira. Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos do SNUC. 11. n. três importantes diplomas legais completam o regime jurídico estrutural de proteção da flora e. as áreas de preservação permanente e de reserva legal. é que o SNUC toma forma pela Lei n. 9. garantindo-lhes assim a necessária eficácia.985/2000. artigo 225.985/2000. I. OBJETIVOS Identificar as diferentes formas de proteção das florestas divididas em Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. conseqüentemente. fazem parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza — SNUC e são constituídas pelo conjunto de unidades de conservação federais e estaduais e municipais de acordo com o disposto na referida Lei n. sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos FGV DIREITO RIO 63 . Foi então que em 2000. 2) Lei n. os referidos dispositivos constitucionais não prescindiam de específica regulamentação. 9. fruto de longos anos de discussões e debates sobre um projeto de lei de 1992. incluindo os principais dispositivos do Código Florestal. é importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 dispõe em seu artigo 225. Em relação ao SNUC.892.985/2000. 11. dentre eles. § 1º. instituído pela Lei n.428/2006. 9. de número 2. a Lei das Florestas Públicas. Divididas em dois grupos. São eles. n.428/2006 e Lei do Bioma Mata Atlântica.DIREITO AMBIENTAL AULA 16: SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC). INTRODUÇÃO Após analisado os aspectos gerais da proteção da flora e da fauna.

547-626. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. Julgamento 12/Jun. (2008). PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. (2008).DIREITO AMBIENTAL naturais salvo exceções previstas na própria lei ora mencionada) e as Unidades de Uso Sustentável (cujo objetivo básico é compartilhar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcelas integrantes do SNUC) passaram. DECRETO ESTADUAL N. NÃO— PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. 1.340/2002.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. 109-110. pp. NOS TERMOS DO ART. Ementa DIREITO AMBIENTAL. 1ª Turma. FGV DIREITO RIO 64 . 652-690.795/1997. ART. Editora Saraiva. 811-850. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL. § 1°. 5ª edição. DECRETO ESTADUAL N. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA./2007. 11ª Edição. 5. RMS n. 16ª Edição. Editora Lumen Juris. 9ª edição. STJ. Direito Ambiental.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. 4. Recorrido: Estado de Mato Grosso. por força de lei. (2007). Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Hermes Wilmar Storch vs. pp. 2) Paulo Affonso Leme Machado. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA — SNUC. 20281-MT (2005/0105652-0). DJ 29/ Jun. 24. Editora Malheiros. Editora Revista dos Tribunais. Direito do Ambiente. Curso de Direito Ambiental Brasileiro./2007. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. (2008). DA CF/1988. a ter composição bem delimitada com objetivos fixados pela norma. 9. pp.

em seu art. 3. como ocorreu no caso. O Decreto Estadual n. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. por maioria. § 1°. primeiro. denegou a ação mandamental. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. 22. 24. embora sucinta. respeitando. bem como determinou. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de FGV DIREITO RIO 65 .DIREITO AMBIENTAL 1.2002. § 2°. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. o estatuído no § 1º. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu.438. 4°. do art. 9. 22. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. da CF/1988). de 22 de agosto de 2002. 5. 3°.11. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. 9. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. qual seja. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. foram estes rejeitados. os §§ 1° e 2° do art. 9. prevista no art. estaria o estado-membro autorizado a legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. Trata-se de mandado de segurança. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente — FEMA. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena.985/2002.340. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. 24. Aliás. alcança o objetivo perseguido pelo art. O Decreto n.985/2000. 2. ao prescrever. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”.985/2000. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação.438/2002. obscuridade ou contradição a ser suprida. da CF/1988. evidentemente. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. da Lei n. possibilitar seja identificada a “localização. em seu art. 4. da Lei n. 5. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. quando for o caso. § 4º. com pedido liminar. que regulamentou a Lei n. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. b) nos casos de competência legislativa concorrente. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. Em sede de recurso ordinário. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. em se tratando de matéria ambiental. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. no Estado do Mato Grosso. a qual. segundo. de 12. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. consubstanciado na edição do Decreto n. nos termos da legislação estadual (MT) e federal. Governador do Estado do Mato Grosso.

quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. Reserva Biológica. da Lei n. Floresta Nacional. 227 e 229. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. Reserva Extrativista.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. Refúgio da Vida Silvestre. VI. Editora Método. quer pela falta de previsão na legislação estadual. na esteira do art. Floresta Nacional. Área de Proteção Ambiental. mormente as presentes nos arts. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. VI. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. Área de Proteção Ambiental. Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. 6. 5. que exige a realização de prévia consulta pública. 5. p. G. 22.985/2000. Parque Nacional. Reserva da Fauna. incisos V e VII. pesca. no entanto. Floresta Nacional e Reserva Extrativista. Refúgio da Vida Silvestre e Reserva Extrativista. NOTAS E QUESTÕES1 1) (Defensor Público SP 2006) O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza estabelece dois grupos de unidades de conservação. as de Proteção Integral e as de Uso Sustentável. e. sendo-lhe. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso. Recurso ordinário não-provido. da Carta Maior. da CFRB). fauna. A União. Reserva Biológica. O ato governamental (Decreto n. b. tendo em conta as necessidades da população local. Estação Ecológica. não prevalece disposição de lei federal. Assim sendo. Área de Proteção Ambiental. Manual de Direito Ambiental. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. conservação da natureza. À norma de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da Federação. Reserva Extrativista. os Estados-membros e o Distrito Federal. d. São Unidades de Proteção Integral: a. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. caça. (2008). 24. 9. Reserva Biológica e Estação Ecológica. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. a regra do art. 4. c. defesa do solo e dos recursos naturais. Monumento Natural de Refúgio da Vida Silvestre. No caso dos autos. Parque Nacional. 38/1995). FGV DIREITO RIO 66 . do Código Ambiental (Lei Complementar n.DIREITO AMBIENTAL conservação a ser criada. § 2°. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da Federação brasileira (art. qual seja. 170. 1 As questões 1-3 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. Beltrão. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. Estação Ecológica.

tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. Têm sua utilização sujeita ao licenciamento ambiental a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA. Têm por objetivo exclusivo a preservação da vegetação. A Estação Ecológica. 3) (Promotor de Justiça MG — XLVI Concurso) Assinale a alternativa CORRETA. c. c. Podem ser definidas em caráter geral pela lei. sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos. e. Têm sua supressão condicionada à autorização legislativa. daquele aplicável às unidades de conservação. Áreas de Relevante Interesse Ecológico e Área de Proteção Ambiental. porque as áreas de preservação permanente a. é a restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada. incluindo medidas com o fim de promover sua integração econômica e social das comunidades vizinhas. segundo a definição estabelecida na lei citada. essencialmente. FGV DIREITO RIO 67 b. de acordo com o que dispõe a lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação — SNUC: a. Restauração. d. ao passo que as unidades de conservação devem ser necessariamente declaradas por ato concreto. ao passo que as unidades de conservação sujeitam-se aos órgãos seccionais integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente — SISNAMA. . Integram o grupo de Unidades de Proteção Integral as seguintes categorias de unidades de conservação: Estação Ecológica. Parque Nacional. como Unidade de Conservação de Proteção Integral. O objetivo básico das Unidades de Conservação de Proteção Integral é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais. enquanto as unidades de conservação sempre visam à proteção integral dos ecossistemas compreendidos em sua área. Reserva Biológica. enquanto as unidades de conservação podem ser suprimidas por ato do Poder Executivo. Havendo áreas particulares incluídas em seus limites deverão ser cedidas. sendo públicos a posse e o domínio de sua área. d. a título gratuito. sendo esta uma das restrições legais ao direito de propriedade. e. diferente de sua condição original. Monumento Natural.DIREITO AMBIENTAL 2) (Procurador Município Manaus 2006) O regime jurídico das áreas de preservação permanente difere. Em se tratando de unidade de conservação deve ser elaborado um Plano de Manejo que abranja a área correspondente à unidade de conservação. enquanto as unidades de conservação podem ser definidas tanto por lei quanto por ato do Poder Executivo. ao Poder Público. Apenas podem ser definidas pela lei. emanado do poder público b.

3. Analisar os conceitos. Por abrigar mais de 60% da população brasileira. foram quase duas décadas até a Lei n. encontram-se a confirmação da delimitação geográfica do bioma e disposições de proteção da vegetação primária e secundária. 11. dentre outros igualmente importantes e detalhados pelo diploma legal. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. por ter um histórico de ocupação extrativista e ser o primeiro bioma a receber os primeiros colonizadores. Desde o dispositivo constitucional declarando a região como sendo parte do patrimônio nacional (art. esta nos diferentes estados de regeneração. 11.750/93. Compreender a importância de um instrumento legal específico para a proteção da Mata Atlântica.428/2006 que disciplinou o bioma Mata Atlântica. Diversas foram as inovações deste diploma legal.285/1992 e Decreto n. artigo 225. em relação ao bioma Mata Atlântica. passando pelo Projeto de Lei n. 3) Lei n. Após os debates em torno do Projeto de Lei 4.428/2006. Dentre os seus principais dispositivos. da CF/88). FGV DIREITO RIO 68 . dentre as quais se destacam: a concepção do Serviço Florestal Brasileiro. Finalmente. com diversidade biológica proporcionalmente superior à da própria Amazônia. 11. 284/2006.284/2006.284/2006) E BIOMA MATA ATLÂNTICA (LEI N. este esperado instituto disciplinador foi concretizado com o advento da Lei 11. § 4º.11. os desafios em se alcançar um denominador comum entre os diferentes interesses foram extremos. objetivos e instrumentos de proteção da Mata Atlântica. as controvérsias em relação a um efetivo instrumento de proteção foram quase que insuperáveis.428/2006). Em território de tamanha riqueza florestal e dimensões continentais.DIREITO AMBIENTAL AULA 17: FLORESTAS PÚBLICAS (LEI N. conhecido como a Lei de Gestão de Florestas Públicas. 225. por abrigar as regiões mais industrializadas do país. torna-se praticamente impossível uma efetiva gestão sem um instrumento disciplinador das atividades exploratórias. 11. OBJETIVOS Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos da Lei de Gestão de Florestas Públicas. 2) Lei n. principalmente na Amazônia e quase sempre à margem do sistema legal vigente. a instituição de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal e a criação do Cadastro Nacional de Florestas Públicas. INTRODUÇÃO O Código Florestal e o SNUC ainda se mostravam insuficientes para lidar com uma questão crucial para o desenvolvimento nacional: as atividades de exploração de florestas públicas.776/2006.

284. há cerca de 500 anos. pp. tangendo ainda diversos outros assuntos correlatos.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA A Lei 11. REFORMA AGRÁRIA. INEXISTÊNCIA DE EXPLORAÇÃO ECONÔMICA. Editora Revista dos Tribunais. INVIABILIDADE. 638-650 e 707-725.. DJ 27/Mai. CÁLCULO EM SEPARADO. tais como Sistema de Unidades de Conservação (SNUC). criou todo um sistema de gestão sustentável de florestas.. Hoje. 15% do território brasileiro era coberto pelas diferentes formações florestais do bioma. BASE DE CÁLCULO. JUROS COMPENSATÓRIOS. mas. (. o País tinha 1. (. licenciamento ambiental.000 km2 de Mata Atlântica.. DESAPROPRIAÇÃO.) Acredita-se que quando os portugueses chegaram ao Brasil. pp. (2008). (2007). Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). 2ª Turma. STJ. Direito do Ambiente. pp. (Édis Milaré. Julgamento 07/Fev./2008. 638-639 e 707. Direito do Ambiente. Bibliografia complementar 1) Édis Milaré. 5ª edição. em verdade. Recorrido: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Editora Malheiros. 16ª Edição. DIFERENÇA ENTRE 80% DO FGV DIREITO RIO 69 . ou seja.000 km2. a extensão da Mata Atlântica está reduzida a aproximadamente 100. Ementa ADMINISTRATIVO. Editora Revista dos Tribunais. COBERTURA FLORÍSTICA./2008. 905783-SC (2006/0249674-9). o que quer dizer que esse recurso natural teve 93% de sua área original devastada.) não teve tão-somente o condão de proceder a algumas alterações no Código Florestal.768-779 e 849-850.300. (2007). JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Leme Comércio Importação Exportação Empreendimentos e Participação Ltda vs. de 2 de março de 2006.) Leitura obrigatória 1) Paulo Affonso Leme Machado. REsp n.. licitações e conhecimentos tradicionais. 5ª edição.

8. primária ou secundária em estágio avançado de regeneração. A indenização da cobertura florística depende da efetiva comprovação de que o proprietário esteja explorando econômica e licitamente os recursos vegetais. nos termos e limites de autorização expedida de maneira regular. a exploração de florestas. Na análise do potencial econômico madeireiro.09. Não se conhece da suposta violação de dispositivos legais não ventilados no acórdão recorrido sequer implicitamente (Súmula 211/STJ). não podem ser exploradas por conta da vedação de supressão para fins comerciais.332/DF (13. até a publicação da liminar concedida na ADIN 2. quando juridicamente possível. DJ 06. 1.593/MA. SUCUMBÊNCIA DO EXPROPRIADO.2006.02. Rel.DIREITO AMBIENTAL DEPÓSITO E O VALOR FIXADO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. de que são exemplos as árvores imune a corte (art. j. DEPÓSITO INICIAL CONFIRMADO PELO JUDICIÁRIO.2007.428/2006. de forma objetiva. por suas características naturais ou por obediência a estatuto jurídico próprio. ART. na moldura da Lei 11. p/ acórdão Min. Rel. Rel. 3. da Lei Complementar 76/1993). não é um direito ou interesse indenizável. bem como as que. fixado na sentença. Min. que fixa seu montante atendendo aos critérios legais (art. passam a ser calculados em 12% (doze por cento) ao ano. Ministro Castro Meira. § 1º. do Código Florestal) e a vegetação da Mata Atlântica. Ainda que o valor da indenização. 19 DA LC 76/93. Tendo a imissão na posse ocorrido após o advento da MP 1. incidem juros compensatórios sobre a parcela cujo levantamento não foi autorizado judicialmente (20% do depósito. em regra.577/SP. se ocorrer. os juros compensatórios são de 6% (seis por cento) ao ano.324/RN. excluindo-se da base de cálculo as Áreas de Preservação Permanente (arts. conforme art.605/98). 14. João Otávio de Noronha.2006. 437 DO CPC. FGV DIREITO RIO 70 . Precedente: REsp 711. alínea b. Segunda Turma. adequadamente fundamentado.577/97.332/DF). Na falta de autorização ou licença ambiental e de Plano de Manejo. nos termos da jurisprudência do egrégio STF (ADI-MC 2. dentre outros casos.938/81. 5. ao contrário. A partir dessa data. Precedente: REsp 437. 2. corresponda ao montante anteriormente depositado pelo expropriante. DJ 3. deve-se levar em consideração as restrições legais e administrativas à utilização da propriedade. Precedente: REsp 608. sem prejuízo do dever de reparar o dano causado. 4. caracteriza ilícito ambiental (Lei 9. 6º. 08.629/93). Atende ao postulado da justa indenização o acórdão. sujeito a sanções administrativas e penais.2001). 7. ART. 6. JUSTA INDENIZAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO. as de Reserva Legal sem Plano de Manejo aprovado pelo órgão ambiental competente. nos termos da Súmula 618/ STF. Francisco Peçanha Martins. Primeira Seção. 12 da Lei 8. 2° e 3° do Código Florestal).03. nos termos da Lei 6.

Recurso Especial do INCRA de que parcialmente se conhece e a que. 9. que acabou endossado pelo Judiciário. Tendo o particular contestado o depósito inicial. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância da elaboração de um diploma legal específico para tratar da gestão das Florestas Públicas? 2) Quais os princípios que instruem a gestão de Florestas Públicas e como eles se relacionam com os princípios gerais de direito ambiental? 3) Para efeitos de proteção do bioma Mata Atlântica. Recurso Especial do particular parcialmente provido. caput. da LC 76/93.DIREITO AMBIENTAL 8. 19. como se dá a divisão entre os diferentes estágios de regeneração e qual a exceção prevista para comunidades tradicionais e pequenos proprietários rurais? FGV DIREITO RIO 71 . se dá provimento. configura-se a sucumbência do expropriado. nos estritos termos do art. nessa parte.

portanto. 2. progressivamente. pelo Decreto n. surgiu a necessidade de um regime jurídico específico que pudesse orientar e incentivar ações domésticas visando a tutela da diversidade biológica do planeta. princípios e diretrizes gerais que orientam a tutela da biodiversidade no Brasil. Diante da exploração predatória das florestas tropicais. este movimento internacional por um regime jurídico supranacional para tutelar a diversidade biológica do planeta exigiu ações domésticas que. visando possibilitar traçar paralelos com outras tutelas específicas do direito ambiental. espalharam-se por diversos países. a Medida Provisória n. Porém. foi instituída a Política Nacional de Biodiversidade. a Convenção sobre Diversidade Biológica é incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. OBJETIVOS Entender a importância da existência de um regime jurídico especial para tutela da biodiversidade. locais onde se concentram a maior parte da diversidade biológica do planeta. entendeu por acordar sobre um regime jurídico próprio à tutela da diversidade biológica no planeta. 4. 2. portanto. é possível a análise e exame dos objetivos. junto com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática e Convenção sobre o Combate a Desertificação. que em 1998. de 23 de agosto de 2001. Pelo contrário. O fundamento maior. É assim. por meio do Decreto n.186-16. FGV DIREITO RIO 72 . Trabalhar os objetivos.DIREITO AMBIENTAL AULA 18: PROTEÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA INTRODUÇÃO A proteção da diversidade biológica está intrinsecamente conectada à tutela da fauna e flora. diante da dificuldade inerente à regulação das florestas na esfera supranacional. Diante da dificuldade em se transformar em lei ordinária. assim como o meio ambiente como um todo. Como não poderia ser diferente. em 1992 diversos países assinaram a Convenção sobre Diversidade Biológica que. Foi quando. não conhece fronteiras políticas e. compôs o grupo das chamadas Convenções do Rio. Compreender a evolução legislativa tanto na esfera internacional. então. Alguns anos mais tarde. princípios e diretrizes gerais da Política Nacional de Biodiversidade. em 2001. que embasou esta preocupação internacional foi o de que a diversidade biológica. o país foi e é constantemente alvo de pressões internacionais visando impor padrões de proteção cada vez mais rigorosos. por possuir a mais rica biodiversidade do planeta. justifica-se a sua tutela na esfera supranacional. a comunidade internacional. como também na nacional. Deste limitado quadro legal. No Brasil não foi diferente.519. dispôs sobre o acesso à diversidade biológica no Brasil.339/2002.

em menos de 1. 389-428. (2007). acidamente. Pesquisas arqueológicas demonstram que mesmo comunidades pré-históricas poderiam ter levado inúmeros animais à extinção. 3) Medida Provisória n. o estado de degradação ambiental do mundo que lhe era contemporâneo. semelhante à luta pela sobrevivência e evolução natural que se verifica entre todas as espécies. pp. Mesmo sociedades tidas como “primitivas” e paradisíacas foram responsáveis pela extinção de espécies.DIREITO AMBIENTAL LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. 2. Editora Lumen Juris. pp. 325. Direito Ambiental. 4. praticamente. Direito Ambiental. Ehrlich demonstra que os Maori. artigo 225. 547-569. promoveram a extinção de cerca de 13 espécies de Moa (pássaro sem asas). no qual ele lamenta. Não seria exagerado dizer que a convivência “natural” do Ser Humano com outros animais é. 11ª Edição. Há suspeitas de que a aparição do Homem no continente americano pode ter contribuído fortemente para a extinção de pelo menos duas espécies de mamíferos. em função de caça intensiva e da destruição de vegetação. 11ª Edição. eminentemente. pp. Paul R. (2008). Leitura complementar 1) Édis Milaré. 4) Decreto n. acompanha a vida do Ser Humano sobre o Planeta Terra. Para o pensamento ocidental. Direito do Ambiente. Editora Lumen Juris. 5ª edição. 2) Convenção sobre Diversidade Biológica.186-16/2001. Editora Revista dos Tribunais.339/2002.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. (2008). a primeira constatação de mudanças negativas no meio natural que cerca o Homem foi feita por Platão em seu célebre diálogo Crito. (Paulo de Bessa Antunes. DOUTRINA A percepção de que certos elementos do mundo natural estão desaparecendo em função da atividade humana é um fenômeno social muito antigo e que.000 anos de presença na Nova Zelândia. FGV DIREITO RIO 73 .

/2008. Suzano Papel e Celulose e Estado de São Paulo. Câmara Especial do Meio Ambiente.347/85. II) — Recurso desprovido. Julgamento 28/Ago. 759.399-5/8. Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga./2008. Ementa AGRAVO DE INSTRUMENTO — Ação civil pública — grandes plantações de eucalipto e devastação ambiental — Decisão que indeferiu a liminar e não acolheu o pedido de extinção da ação — Legitimidade da Defensoria Pública Estadual para propor ação civil pública (Lei 7. DJ-SP 11/Set.DIREITO AMBIENTAL JURISPRUDÊNCIA Agravante: Ministério Público vs. artigo 5º. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “diversidade biológica”? 2) Quais são princípios que instruíram a Convenção sobre Biodiversidade Biológica de 1992? 3) Quais são os principais riscos à biodiversidade nos âmbitos global e regional? 4) Quais são os instrumentos legais brasileiros que auxiliam na tutela da diversidade biológica? Por quê? 5) Quais os princípios da Política Nacional da Biodiversidade? 6) Qual a controvérsia acerca da legalidade do Plano Nacional da Biodiversidade? FGV DIREITO RIO 74 . Agravados: Defensoria Pública do Estado de São Paulo. VCP Votorantin Celulose e Papel S. TJ-SP.A. AI n.

“[b]iodiversidade e biossegurança estão freqüentemente enlaçadas.814/2003. artigo 225. incluindo aí. FGV DIREITO RIO 75 . Examinar a relação entre Biotecnologia e Biossegurança. 2) Lei n. 582). vêm sendo relegadas a um segundo plano. § 1º. OBJETIVOS Compreender o significado e importância do disciplinamento legal de questões envolvendo a biotecnologia. faz surgir a noção em torno do que a Convenção sobre Diversidade Biológica de 1992 chamou de “Biossegurança”. o próprio homem.191-9/2001. com intuito de servir aos anseios e necessidades do próprio ser humano. Neste sentido. 8. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. Analisar os aspectos referentes à incerteza dos possíveis impactos. podem surgir casos intrigantes. e combinado com a euforia em torno da maximização dos lucros como decorrência da manipulação genética. Devido à ausência de certeza em relação aos impactos da aplicação desta nova tecnologia. questões de ordem Ética e também de Direito. [2007].DIREITO AMBIENTAL AULA 19: BIOTECNOLOGIA E BIOSSEGURANÇA INTRODUÇÃO A biotecnologia é fruto do acelerado desenvolvimento técnico-científico observado na segunda metade do Século XX. regras de conduta normatizadas pelo ordenamento jurídico pátrio. mas no meio ambiente dentro de uma visão ecocêntrica de direito ambiental.” (Direito do Ambiente. 10. p. não apenas nos seres humanos. difíceis de enquadrar. consumidor final de muitos destes produtos alterados geneticamente. nas palavras de Édis Milaré. de um lado. não podem ser marginalizadas. II e III. que conjugam biotecnologia e biossegurança com os requisitos da Biodiversidade. como o dever de precaução. Trata-se de tecnologia de ponta que busca controlar a informação genética de plantas e animais. 2. Contudo. de outro.974/1995. 5ª edição. Contextualizar a noção de Biossegurança. Identificar os principais elementos da Política de Desenvolvimento da Biotecnologia. Editora Revista dos Tribunais. 4) Lei n. A preocupação em torno dos possíveis impactos à biodiversidade e ao próprio ser humano. No amplo quadro das experiências. 3) Medida Provisória n.

reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança — CTNBio. revoga a Lei no 8. FGV DIREITO RIO 76 . 6) Decreto n. (2008).591. de 22 de novembro de 2005 e por muitos outros atos normativos e. 3. de 15 de dezembro de 2003. pp. (Paulo de Bessa Antunes. que “regulamenta os incisos II. Direito do Ambiente. cria o Conselho Nacional de Biossegurança — CNBS. 371-387. pp.974. e dá outras providências”. JURISPRUDÊNCIA Requerente: Procurador-Geral da República vs. Tribunal Pleno. em especial. encontra-se regida pela Lei no 11. estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados — OGM e seus derivados. 371. da Lei nº 11105.041/2007. 5ª edição. Editora Lumen Juris. Editora Revista dos Tribunais. (2007). Dispositivo Legal Questionado Art. Lei nº 11105. 11ª Edição.510. Tal lei foi regulamentada pelo Decreto no 5. por normas da Comissão Técnica nacional de Biossegurança — CTNBio. (2008). STF. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. Editora Lumen Juris. 570-602. de 24 de março de 2005.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. Requeridos: Presidente da República e Congresso Nacional. 225 da Constituição Federal./2008. de 24 de março de 2005.814.105. Direito Ambiental. de 5 de janeiro de 1995. 11. Direito Ambiental. 11ª Edição. e a Medida Provisória no 10. IV e V do § 1º do art. dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança — PNB. de 24 de março de 2005.DIREITO AMBIENTAL 5) Lei n. Julgamento 29/ Mai. 6.105/2005. ADI n. 005º e parágrafos. DOUTRINA A produção e utilização dos organismos geneticamente modificados no Brasil. p.

para fins de pesquisa e terapia. ou que. já congelados na data da publicação desta Lei. § 002º — Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisas ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética e pesquisa. 005º — É permitida. 015 da Lei nº 9434. de 04 de fevereiro de 1997. § 001º — Em qualquer caso. contados a partir da data de congelamento. § 003º — É verdade a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no art. ou 0II — sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais. a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento. depois de completarem 3 (três) anos. na data de publicação desta Lei. é necessário o consentimento dos genitores.DIREITO AMBIENTAL Art. atendidas as seguintes condições: 00I — sejam embriões inviáveis. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “Biotecnologia”? 2) O que se entende por “Biossegurança”? 3) Qual a relação entre “Biotecnologia” e “Biossegurança”? 4) Qual é o papel do Direito na intervenção em questões envolvendo biotecnologia? 5) Quais os principais pontos positivos e negativos do tratamento jurídico brasileiro às matérias de biotecnologia e biossegurança? FGV DIREITO RIO 77 .

Analisar os princípios fundamentais da lei de saneamento básico. Identificar as diretrizes nacionais do saneamento básico.445. essa solução — ao mesmo tempo nova e antiga —. 11. Esta Lei do Saneamento Básico é uma pedra FGV DIREITO RIO 78 . DOUTRINA A mais nova das grandes políticas de âmbito nacional teve a sua “certidão de nascimento” estampada na Lei 11. trata-se de um novo período de esperanças sólidas. Trata-se de uma efeméride que coroou esforços. os investimentos em saneamento básico. a Lei n. mas. 11. Este problema está intimamente ligado à garantia constitucional do princípio do direito à sadia qualidade de vida. mas a posição brasileira serve para ilustrar um dos grandes problemas ambientais dos países em desenvolvimento: a falta de saneamento básico em grande parte da população menos favorecida. com mensagem de Ano Novo. Compreender a importância e examinar a relação entre políticas de investimento em saneamento básico e defesa e proteção do meio ambiente. no dia 5 de janeiro de 2007. Portanto. apontando caminhos para a solução de uma velha problemática nacional ligada visceralmente às perspectivas de desenvolvimento com sustentabilidade. passando previamente pela saúde ambiental. Sim. Enfim. OBJETIVOS Entender a evolução histórica da questão do saneamento básico no Brasil. constituem-se em importante instrumento da própria gestão ambiental e sanitária. à defesa e proteção da saúde da população.445/2007 encerra longos anos de debate em torno de um projeto de lei acerca da concepção e elaboração de um Plano Nacional de Saneamento Básico. volta-se para a saúde pública. fundamentalmente. fluxos e refluxos de uma tramitação tempestuosa. ou seja.445/2007. É certo que o contexto era diverso.DIREITO AMBIENTAL AULA 20: SANEAMENTO BÁSICO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO Nos debates acerca da Declaração de Estocolmo de 1972. LEGISLAÇÃO 1) Lei n. discussões. Na verdade. à defesa e proteção do meio ambiente. No Brasil. o de manifestar o temor em imposição internacional de restrições ambientais que poderiam inibir o desenvolvimento econômico. veio à luz. a delegação brasileira já alardeava que a pobreza é a pior forma de degradação ambiental.

ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. DA CF/88. DA COMPESA. FALTA DE TRATAMENTO DO ESGOTO SANITÁRIO DA CIDADE DE PETROLINA/PE.180-35/2001. (Édis Milaré. DJ 3/Out. (2007). AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO (DE RECONSIDERAÇÃO) INDEFERITÓRIA DE PEDIDO SUSPENSIVO DOS EFEITOS DA LIMINAR CONCEDIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PRINCÍPIOS DO POLUIDOR-PAGADOR. JURISPRUDÊNCIA 1) TRF-5ª Região. DILATAÇÃO E NÃO SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.437/92. COBERTURA DAS DESPESAS A PARTIR DAS TARIFAS COBRADAS PELA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO. BEM PÚBLICO FEDERAL. DESPEJO NO RIO SÃO FRANCISCO. INEXISTÊNCIA. ESPECIFICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA COMPESA SEGUNDO O TÍTULO JURÍDICO. 603-617. Direito do Ambiente. 603. Editora Revista dos Tribunais. Ementa PROCESSUAL CIVIL. LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. p. COMPETÊNCIA MUNICIPAL./2005. Agravo Regimental em Suspensão de Liminar 20050500004825202. 5ª edição. INOCORRÊNCIA. FGV DIREITO RIO 79 . E 225.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. 23. CONTRATO DE CONCESSÃO. PARCIAL PROVIMENTO. Editora Revista dos Tribunais. NESSE PONTO. MP Nº 2. FIXAÇÃO DE MULTA DIÁRIA PARA O CASO DE NÃO ADOÇÃO DAS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS. APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO DEFINIDO PARA A RECUPERAÇÃO DAS INSTALAÇÕES.DIREITO AMBIENTAL infra-estrutural na construção de um bem-estar mais completo e sadio para a comunidade nacional. pp. DETERMINAÇÃO À COMPESA DE SUSPENSÃO DA ATIVIDADE POLUIDORA POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. LEI Nº 8. INVASÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. (2007). DA PREVENÇÃO E DA PRECAUÇÃO. Direito do Ambiente. ARTS. DESOBRIGAÇÃO. EXCLUSIVIDADE DETIDA PELA COMPESA. 5ª edição. CONSTITUCIONAL. ESCASSEZ DO PRAZO. VI.

À SAÚDE. “ESSA ORIENTAÇÃO. NO ÂMBITO DA QUAL NÃO SE EFETUA EXAME DE MÉRITO EM RELAÇÃO À LIDE ORIGINÁRIA. NO INSTRUMENTO. EM 01. DESTARTE. ARNALDO ESTEVES LIMA. CONTUDO. MAS APENAS UMA AFERIÇÃO DA PLAUSIBILIDADE DAS RAZÕES DEDUZIDAS PELO REQUERENTE. EM DJ DE 17.09. CABENDO AO ENTE POSTULANTE A DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA DESSAS CONDIÇÕES. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA QUE. MIN. EM DJ DE 06.07. ALÉM DE OUTRAS PROVIDÊNCIAS. À SEGURANÇA E À ECONOMIA PÚBLICAS. NOS TERMOS DO ART. PUBL.2004). TENDO EM CONTA QUE A PRETENSÃO EM LITÍGIO ENVOLVE BEM PÚBLICO PERTENCENTE À UNIÃO: O RIO SÃO FRANCISCO (STJ. DE PROCEDIMENTO SUMÁRIO E DE COGNIÇÃO INCOMPLETA. QUE. A LEGITIFGV DIREITO RIO 80 . DETERMINOU À COMPESA. EM 10. REL. COM A PERSCRUTAÇÃO DA URGÊNCIA DA PROVIDÊNCIA REQUESTADA. POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO ADEQUADAS DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. TERCEIRA SEÇÃO. TRATA-SE DE MEDIDA EXCEPCIONAL. ASSOCIADA À VERIFICAÇÃO DA POSSIBILIDADE LESIVA DAS ESFERAS SIGNIFICATIVAS ENUMERADAS NA NORMA JURÍDICA LEGAL (ORDEM PÚBLICA. DA LEI Nº 8. NÃO DEIXA DE ADMITIR UM EXERCÍCIO MÍNIMO DE DELIBERAÇÃO DO MÉRITO. PUBL.2004. QUE DEVEM ESTAR PRESENTES PARA A CONCESSÃO DAS LIMINARES” (TRECHO DO VOTO DO MINISTRO EDSON VIDIGAL. JUSTIFICADA PELA SERIEDADE DAS CONSEQÜÊNCIAS DERIVADAS.DIREITO AMBIENTAL 1. CONCEDIDA EM SEDE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA. VINCULADA AOS PRESSUPOSTOS DE PLAUSIBILIDADE JURÍDICA E DO PERIGO DA DEMORA. APENAS É ADMITIDA EM CASO DE MANIFESTO INTERESSE PÚBLICO OU DE FLAGRANTE ILEGITIMIDADE E PARA IMPEDIR GRAVE LESÃO À ORDEM. DEVE-SE LANÇAR OLHOS AO PERFAZIMENTO DOS PRESSUPOSTOS ESPECÍFICOS — O FUMUS BONI JURIS E O PERICULUM IN MORA —.12. SAÚDE PÚBLICA. CONSISTENTE NO DESPEJO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO SÃO FRANCISCO. CC Nº 33987. J. A CONCESSÃO DE SUSPENSÃO DE LIMINAR OU DE SENTENÇA. AINDA MAIS. J. PELA DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO A SER CONSIDERADO DIANTE DA MÁCULA EXPRESSIVA A SER OBSTADA. INDEFERIU O PEDIDO DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA LIMINAR.180-35/2001. 4O. É COMPETENTE A JUSTIÇA FEDERAL IN CASU.11. PARTICULARIZADOS ESSES REQUISITOS.437/92. SEGURANÇA PÚBLICA E ECONOMIA PÚBLICA). COM AS ALTERAÇÕES DA MP Nº 2. EM SÍNTESE. OUTROSSIM. 2. EM JUÍZO DE RECONSIDERAÇÃO. NO AGRG NA SUSPENSÃO DE LIMINAR Nº 57/DF. A SUSPENSÃO DE SUA ATIVIDADE POLUIDORA. SOBRETUDO POR SER MEDIDA DE CONTRACAUTELA.2004. 3.2004).

5. SOBRELEVANDO A PREOCUPAÇÃO COM A ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A TODOS OS ENTES DA FEDERAÇÃO E. MAIS QUE ISSO. OS PRINCÍPIOS TÊM AVULTADO COMO VERDADEIRAS NORMAS DE CONDUTA. A DISTINÇÃO ENTRE REGRAS JURÍDICAS E PRINCÍPIOS JURÍDICOS. INCLUSIVE. O POLUIDOR-PAGADOR. EX VI DA LEI Nº 7. OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS QUE INSPIRAM O SISTEMA JURÍDICO E QUE. E 225). 6. AO DIREITO À VIDA. COM A REFERÊNCIA A BEM-ESTAR. SERIAM CONCREÇÃO DOS PRINCÍPIOS). DESPERTOU-SE. “CONTRARIA A MORALIDADE E A LEGALIDADE ADMINISTRATIVA O ADIAMENTO DE MEDIDAS DE PRECAUÇÃO QUE DEVAM SER TOMADAS IMEDIATAMENTE” (PAULO AFONSO LEME MACHADO). O DESENVOLVIMENTO DESSE CUIDADO DEU ENSEJO AO DIREITO AMBIENTAL. DEVEM FUNCIONAR COMO ORIENTADORES PREFERENCIAIS DA INTERPRETAÇÃO. NÃO A ATIVIDADE REPARATÓRIA. OU. A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE. SUSTENTADO EM SÓLIDA BASE DE PRINCÍPIOS. ATRAVÉS. COMO NOVO RAMO JURÍDICO. “A CONSAGRAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO ESTABELECEU FGV DIREITO RIO 81 . PORTANTO. COM O CONSEQÜENTE AFASTAMENTO DE UMA POSTURA MAIS LEGALISTA. CORRESPONDENDO. NESSE CAMPO. REPUTADO BEM DE USO COMUM DO POVO.347/85. O PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO. ESSENCIALMENTE. REPRESENTATIVO DE DIREITO SUBJETIVO E VINCULADO.DIREITO AMBIENTAL MIDADE DOS MINISTÉRIOS PÚBLICOS ESTADUAL E FEDERAL E O INSTRUMENTO POR ELES MANEJADO (AÇÃO CIVIL PÚBLICA) GUARDAM COMPATIBILIDADE COM OS DIREITOS A PROTEGER. HODIERNAMENTE. À SOCIEDADE. MAS A PREVENÇÃO. O DA PREVENÇÃO E O DA PRECAUÇÃO. SENDO AMBOS NORMAS JURÍDICAS (PROCESSO DE JURIDICIZAÇÃO). PARA O FATO DE QUE OS PRINCÍPIOS JURÍDICOS — ESCRITOS OU IMPLÍCITOS — REPRESENTAM AS BASES SOBRE AS QUAIS O DIREITO SE CONSTRÓI E DAS QUAIS ELE DERIVA (AS REGRAS JURÍDICAS. AO DEVER JURÍDICO DE IMPEDIR A REALIZAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS. DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO (VORSORGEPRINZIP). SÃO PRINCÍPIOS DE DIREITO AMBIENTAL. E NÃO MERAMENTE COMO DIRETRIZES HERMENÊUTICAS. VI. ESTÁ O POLUIDOR OBRIGADO A PAGAR PELA POLUIÇÃO CAUSADA OU POTENCIALMENTE OCASIONÁVEL. DA APLICAÇÃO E DA INTEGRAÇÃO NORMATIVA. IMPÕE-SE A “AÇÃO ANTECIPADA DIANTE DO RISCO OU DO PERIGO”. 23. OUTROSSIM. PELO PRINCÍPIO DO PREDADOR-PAGADOR. ENCONTRA GUARIDA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. ENFATIZA-SE. DENTRE OUTROS. SEJA NO CORPO PROPRIAMENTE DITO DO TEXTO CONSTITUCIONAL (ARTS. POR ASSIM DIZER. REALÇANDO-SE. DITO DE OUTRO MODO. SEJA NO PRELÚDIO. 4.

PELA COMPESA. 8. NÃO SE PODE OLVIDAR A INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE ADMINISTRATIVA FRENTE A DIREITOS CONSTITUCIONALMENTE CONSAGRADOS E PROTEGIDOS. AO INVÉS DE RESGUARDAR. FGV DIREITO RIO 82 . COMO É O CASO DO MEIO AMBIENTE. INDUSTRIALMENTE. É CERTO QUE ÀS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS INCUMBE DEFINIR AS POLÍTICAS DE SANEAMENTO BÁSICO DA CIDADE. ADMINISTRAR E EXPLORAR. SE O TEMPO JUDICIALMENTE CONCEDIDO SE MOSTRAVA DIMINUTO. CABE AO PODER JUDICIÁRIO REALIZAR O CONTROLE DE LEGALIDADE E DE LEGITIMIDADE DOS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. 7. DETENDO. COM EXCLUSIVIDADE. EM RAZÃO DO ESTADO FALENCIAL DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. COM DANOS AO MEIO AMBIENTE. CONSTATOU-SE O EFETIVO LANÇAMENTO DE DEJETOS (ESGOTO NÃO TRATADO) NO RIO SÃO FRANCISCO. QUE NÃO FOREM CONTRARIADOS PELO DEGRADADOR” (RODOLFO DE CAMARGO MANCUSO). OFENDERIA A ORDEM PÚBLICA E A SAÚDE PÚBLICA. ESPECIFICAMENTE NO QUE TANGE ÀS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO ESGOTO. DEMAIS DISSO.DIREITO AMBIENTAL VERDADEIRA REGRA DE JULGAMENTO NA ATIVIDADE JUDICIAL. DESDE 1975. DE OUTRO LADO. NO SENTIDO DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO COLETIVA EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE. O DIREITO DE IMPLANTAR. A ESCASSEZ DE PRAZO PARA REALIZAÇÃO DAS OBRAS E DOS SERVIÇOS IMPRESCINDÍVEIS A AFASTAR OU. ENTRETANTO. EXATAMENTE A COMPESA. PELO MENOS. AMENIZAR OS PREJUÍZOS AO MEIO AMBIENTE NÃO PODE SER CONFUNDIDA COM INVIABILIDADE DE EFETIVAÇÃO DESSAS PROVIDÊNCIAS. DESTARTE. NÃO É NEGADO PELA COMPANHIA REQUERENTE. DIANTE DA DIMENSÃO DAS MEDIDAS A SEREM IMPLEMENTADAS. 9. JUSTIFICAR-SE-IA PEDIDO DE DILATAÇÃO DE PRAZO. REALCE-SE QUE O DESPEJAMENTO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO. FRENTE AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO (EQUILÍBRIO) DE PODERES. AMPARADOS CIENTIFICAMENTE E DEMONSTRADOS. EM RELAÇÃO ÀS QUAIS O PODER JUDICIÁRIO NÃO PODE EFETUAR INSERÇÕES ATINENTES À CONVENIÊNCIA E À OPORTUNIDADE. A SUSPENSÃO DA LIMINAR. CONSOANTE DESTACADO PELA POSTULANTE. OS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. AMPLIAR. COMPROVADA A ADOÇÃO DAS PRESTAÇÕES INICIAIS. E NUNCA DE SUSPENSÃO DE EXECUÇÃO. DIANTE DE ELEMENTOS INDICIÁRIOS QUANTO À OCORRÊNCIA EFETIVA OU POTENCIAL DE DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS.

NO QUE TANGE À LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E À FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. TAIS TAREFAS. NO QUAL ESTÃO INCLUÍDAS AS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM DEPENDÊNCIA DE RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS. EM 1975. EM SENDO. POR ISSO MESMO. INCLUSIVE DIANTE DA FALTA DE NEGATIVA DA COMPANHIA — PELA COMPESA. ADVÊM DAS TARIFAS COBRADAS PELA COMPESA PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. COM A LIMINAR. DE COMPETÊNCIA MUNICIPAL. MERECE PROVIMENTO O AGRAVO TÃO-SOMENTE PARA AFASTAR AS DETERMINAÇÕES SECUNDÁRIAS FEITAS PELO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU À COMPESA.DIREITO AMBIENTAL 10. ALGUMAS DAS QUAIS JÁ COM LICENÇA DE FUNCIONAMENTO. NÃO SE PODE AFIRMAR QUE A LIMINAR OCASIONA. PORQUANTO AS MEDIDAS CUJA IMPLEMENTAÇÃO FOI DETERMINADA ESTÃO ABRANGIDAS PELO OBJETO CONTRATUAL. 12. PORTANTO. “PARA EXPLORAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTOS SANITÁRIOS”. O CONTRATO DE CONCESSÃO FIRMADO ENTRE A COMPESA E O MUNICÍPIO DE PETROLINA. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO DE CONCESSÃO. especificamente. SE MANTIDA. NÃO TEM FORÇA A ALEGAÇÃO DE INSUSTENTATIBILIDADE DA LIMINAR DEFERIDA PORQUE A COMPESA TERIA PASSADO A TRABALHAR NA RECUPERAÇÃO DAS ESTRUTURAS. AJUSTE QUE PREVÊ A FONTE DOS RECURSOS FINANCEIROS QUE DEVERÃO CUSTEÁ-LAS. OUTROSSIM. 11. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância do saneamento básico para o Direito Ambiental? 2) De que forma. PELO PARCIAL PROVIMENTO DO AGRAVO. 13. A SABER. o saneamento básico se relaciona com a defesa e proteção do meio ambiente? FGV DIREITO RIO 83 . NÃO É CORRETO AFIRMAR QUE O PROVIMENTO JUDICIAL VERGASTADO IMPUTOU À COMPESA TODA A RESPONSABILIDADE PELA POLUIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO. OS RECURSOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DO SISTEMA. NÃO HÁ COMO EXIGI-LAS DA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA ESTADUAL. AS MEDIDAS QUE LHE FORAM DETERMINADAS GUARDAM COMPATIBILIDADE COM O TÍTULO JURÍDICO QUE VINCULA A REFERIDA PESSOA JURÍDICA AO CASO EM COMENTO. ESPECIFICOU-SE A ATIVIDADE ILÍCITA PERPETRADA — SEGUNDO INDÍCIOS ROBUSTOS. O QUE SE FEZ FOI EXIGIR A CORRETA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONCEDIDOS.

11.DIREITO AMBIENTAL 3) Como o saneamento básico pode instrumentalizar o princípio do direito à sadia qualidade de vida? 4) Quais são os princípios fundamentais da Lei n.445/2007 que consagram conceitos de proteção ambiental? 5) De que forma a política de saneamento básico pode refletir uma concepção antropocêntrica e/ou ecocêntrica do direito ambiental? FGV DIREITO RIO 84 .

5ª edição. Considerando que os últimos dados sugerem uma população mundial em torno de 6 (seis) bilhões. diversamente do que ocorre com o Meio Ambiente.) FGV DIREITO RIO 85 . Ao tratar da questão urbana no contexto da ordem econômica. é fácil imaginar os possíveis impactos ambientais desta situação. 10. 514. p. assim. É possível.DIREITO AMBIENTAL AULA 21: URBANISMO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO As questões ambientais inerentes ao meio ambiente urbano vêm assumindo cada vez mais papel de destaque no estudo do direito ambiental. (2007). Capítulo VI. Estima-se que 80% da população mundial habitará áreas urbanas em um futuro próximo. o legislador situou-a ao lado da Política Fundiária e da Reforma Agrária. artigos 182 e 183. Logo. Trabalhar os principais fundamentos e diretrizes do Estatuto da Cidade.257/2001. assim como o Sistema Financeiro Nacional. Editora Revista dos Tribunais. no Capítulo II do Título VII. Portanto. 2) Lei n. (Édis Milaré. justificando uma análise mais aprofundada da questão à luz do direito ambiental. Examinar o fundamento da função social da propriedade à luz de conceitos e normas de direito ambiental. vislumbrar a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. DOUTRINA No amplo leque das estruturas da vida nacional. OBJETIVOS Contextualizar o meio ambiente urbano no estudo do direito ambiental. contemplou a Política Urbana. as políticas urbanas possuem papel de destaque na defesa e proteção do meio ambiente. art. E este número está crescendo. É de observar que a Política Urbana está inserida na ordem econômica. que integra a ordem social (Título VIII. Analisar o tratamento constitucional da política urbana. dirigido à ordem econômica e financeira. a Constituição de 1988. Direito do Ambiente. 225). elaboração e monitoramento das políticas urbanas não podem se render aos cobiçados investimentos econômicos em detrimento da proteção e da defesa do meio ambiente. Compreender a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. os processos de concepção.

DETERMINAÇÃO DE ATERRAMENTO PARCIAL. revolvendo cuidadosamente a prova produzida. SÚMULA 07/STJ. LAGO ARTIFICIAL. Direito do Ambiente. (2007). pp. o Tribunal local analisou a questão sub examine — ocorrência de dano ambiental decorrente do aterramento de parte do Lago Guapó II situado no Município de Londrina — à luz do contexto fático-probatório engendrado nos autos. 1ª Turma.. depois de ter determinado a instalação de drenos no Lago Igapó 2. objetivando a realização de estudo técnico para reparação ou mitigação do impacto ambiental. In casu. transformando o local num depósito de lixo a céu aberto. Julgado 20/set. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. autorizou que particulares despejassem toda a espécie de resíduos em parte alagadiça. a respeitável sentença recorrida deve ser inteiramente preservada. MEDIDA DE PROTEÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO. recobrir o local com uma camada de 30 centímetros de terra. para recolher as águas das nascentes. ainda. o estreitamento do leito normal do Ribeirão Cambé. NECESSIDADE IMPOSTA PELA OCUPAÇÃO HUMANA. 535. além da compensação pelos danos não passíveis de reparação. FGV DIREITO RIO 86 . ALTERAÇÃO AMBIENTAL QUE ATINGIU APENAS PARTE DA BACIA. 2. DO CPC. 5ª edição. litteris: “(. 514-545. 840011/PR — 2006/0059704-6. 2. em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. URBANIZAÇÃO E SANEAMENTO. quando prefeito. DANO AO MEIO AMBIENTE. após. INEXISTÊNCIA. CONJUNTURA DE FATO. bem como a condenação dos responsáveis nas despesas decorrentes das providências indicadas no laudo. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL PERMANENTE. 1. providenciando.. OPÇÃO ADMINISTRATIVA./2007. REsp. Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual em face de exprefeito./2007. Seu digno e culto prolator realizou uma análise aprofundada e sensata da séria questão em tela.DIREITO AMBIENTAL Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. Editora Revista dos Tribunais. BACIA HIDROGRÁFICA ENVOLVIDA PELO DESENVOLVIMENTO URBANO. DJ 8/out. PREVALÊNCIA DAQUELES VALORES. ADMINISTRATIVO. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Ementa PROCESSUAL CIVIL. no ano de 1985. mandando. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ao fundamento de que o réu. OFENSA AO ART.) No âmbito substancial. consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado. PROVA.

de que apesar do aterro as nascentes foram preservadas e. Nela foram bem exaltados e sopesados os elementos da instrução que amparam o convencimento de que aquela obra tomou-se inevitável. que acarretou a formação da remanescente área de brejo aqui referida. Foi também definido que a área deveria ser gramada e arborizada com eucaliptos e destinada a práticas esportivas. o que se tentou por cerca de 3 anos. 337/337. inclusive com áreas de retenção de curso. a lâmina d’água não cobria o trecho da planície hoje aterrada. Teophilo Paranaense Coutinho Gomes) houve a tentativa de retirada do material ali existente para aprofundar o fundo lago. em substituição ao Dr. a bacia mantém suas características primitivas. já na década de 50. No mesmo trabalho. ao determinar. o relatório elaborado pelo Instituto Ambiental do Paraná registrou às fls. foram gastos muitos recursos e esforços. como opção administrativa. que o aterro feito pelo apelado WILSON MOREIRA desponta como uma obra complementar e que. portanto. devido à exploração minerária e outros impactos.) FGV DIREITO RIO 87 . Tempos depois o nível da água foi elevado. Wilson Moreira. dentro do limite da razoabilidade. (grifo nosso) A influência degradatória da presença do homem. caracterizada por nascentes. Assim. a primitiva e extensa bacia do Ribeirão Cambé e outras nascentes já havia sofrido relevante alteração. Délio César. tendo perdido suas características naturais. Ainda de acordo com o Sr.. Teophilo. em gestão administrativa anterior da Prefeitura. mas a lâmina ficou muito rasa gerando decomposição da vegetação existente. em decorrência do represamento das águas. que a administração pública nada mais fez do que exercer seus poder discricionário. própria à sedimentação biológica (. porém sem sucesso. colhe-se mais adiante: Quando a represa do Lago Igapó 2 foi construída. revelou-se necessária. Ainda que se trate de uma importante bacia. a área foi alterada e degradada pelo uso. por tratar-se de solo instável. nos seus demais recantos.DIREITO AMBIENTAL para concluir.. procurou-se alternativas para resolver o problema. a partir da formação artificial do Lago Igapó. Convém deixar bem enfatizado. quando era prefeito o Sr. em uma reunião na Prefeitura. como perdurasse o problema do mau cheiro e proliferação de mosquitos. a realização do aterro. Segundo informações de antigo funcionário da prefeitura (Sr. pois. atualmente conduzidas ao canal norte do aterro. que: “Com o passar do tempo. já era bem antiga. O trabalho dá conta. foi decidido que a melhor alternativa seria o aterramento do local. o que provocou mau cheiro e a proliferação de mosquitos. em razão das conseqüências do represamento realizado em administração anterior. Na ocasião houve debate com diversos arquitetos da UEL e. acertadamente. Porém o material retirado. desde que. Com a construção de casas na Rua Prol Joaquim de Matos Barreto houve o corte da base da encosta o que provocou o afloramento de algumas nascentes. ainda. retomava ao fundo do lago quando ocorriam chuvas. trazendo sérias complicações e desconforto à população residente. supervenientemente.

I resultou na formação do brejo. o acervo instrutório. era por iniciativa de pessoas desinformadas ou desatentas. concorria para estimular a Administração à alternativa de aterrar a área pantanosa. Inexiste ofensa ao art. Este mais convence que. os argumentos trazidos pela parte. preparado pela Administração Municipal como área pública de lazer. largamente freqüentada.2005. como também a Lei n. O local foi transformado em extenso parque verde. devem ter sua interpretação contemporizada. desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. em que a Administração Municipal estava às voltas com o prosseguimento de um projeto cuja execução fora iniciada anteriormente com a criação artificial do Lago Igapó.DIREITO AMBIENTAL Ora. quando foi instituído o Parque Ecológico Linear do Ribeirão Cambé. quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. para proteger a população. como área de preservação permanente. cujo decisum revela-se devidamente fundamentado. pelo Decreto n. nesta parte. no contexto do caso. 4. carentes de educação ou consciência ecológica. aos quais se somam os aqui expendidos. notadamente seu art.. desprovido. deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos.(. da qual já havia decorrido o impacto ambiental que” tudo faz crer. que concluiu pela improcedência do pleito deduzido nesta ação civil pública por danos ao meio ambiente. 6. esta já vigente à época dos fatos. que estava em progressivo processo de poluição. o Código Florestal. o magistrado não está obrigado a rebater. I e II.. e as conseqüências da ocupação humana dos setores marginais.859/RS. o aterro já estava implantado.. Recurso Especial parcialmente conhecido e. assim. 18. de que o réu WILSON MOREIRA teria autorizado a população a fazer da área a ser aterrada um local de despejo de lixo e toda a espécie de detritos. CPC.) Assim. um a um. publicado no DJ de 09. 535. o que traz à consideração as notórias dificuldades do poder público em conter práticas dessa natureza.. a respeitável sentença recorrida. sendo inconcludente em tal sentido.05. com todas as suas repercussões negativas.) Em suma. Ademais. porque irretocável. Precedente desta Corte: RESP 658.938/81. Fato que.” 3. se tal ocorria. como alternativa de saneamento. que se localiza entre os dois lagos (Igapó— I e Igapó— II). 369/95. Há toda uma conjuntura em que perdeu atualidade e objetividade a discussão sobre o argumento contido na inicial. (. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que o meio ambiente urbano é matéria de especial relevância para o direito ambiental? 2) Qual a distinção que a Constituição Federal de 1988 faz entre direito urbanístico e direito ambiental? FGV DIREITO RIO 88 .

257/2001 e quais os limites constitucionais da atuação municipal nesta esfera? FGV DIREITO RIO 89 .DIREITO AMBIENTAL 3) De que forma ações e decisões urbanísticas podem afetar ou violar normas de direito ambiental? Como esta relação está refletida no caso gerador? 4) De que forma a preocupação com as normas e princípios que orientam o direito ambiental está retratada na Lei n. 10. 10. consoante previsão da Lei n.257/2001? 5) Qual é o papel do zoneamento ambiental na política urbana.

III. 227/1997. XXV. Trabalhar a relação entre mineração e direito ambiental. 22.805/1989. por ser uma atividade com grande potencial degradador e por explorar recursos naturais limitados. XII.314/1996. 21. 174. Examinar os principais elementos da legislação infraconstitucional à luz das normas de direito ambiental. 91. 7. IX. Aliás. 225. da CF/88. § 2º. 5) Lei n. 231 e § 3º. § 3º. 2) ADCT. instituído pelo Decreto-Lei n. há uma especial preocupação do direito ambiental em regulamentar a mineração à luz dos princípios constitucionais que orientam a matéria. OBJETIVOS Entender a importância da atividade de mineração para o desenvolvimento nacional. o principal diploma legal é o Código de Minas.314/1996. o papel da mineração assume papel de destaque no Brasil. FGV DIREITO RIO 90 . no art. inc. 225. 9. artigos 20. São diversos os dispositivos constitucionais que regulam direta e indiretamente a mineração. Como decorrência do avanço tecnológico e científico da sociedade pós-moderna. Por outro lado. 9. é importante frisar que o tratamento constitucional dispensado à atividade minerária é amplo. juntamente com o pau-brasil. Por possuir dimensões continentais e riqueza mineral invejável no contexto internacional. § 1º. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. 227/1967 com as alterações promovidas pela Lei n. mais precisamente. 4) Lei n. Analisar os principais aspectos da Constituição Federal que tratam da atividade de mineração e normas ambientais. constituindo-se. a atividade minerária se torna imprescindível às necessidades da população em geral. em um dos mais importantes ciclos econômicos do período colonial.DIREITO AMBIENTAL AULA 22: MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO A história da exploração de recursos minerais no Brasil remonta ao período da colonização. 2º e 3º.805/1989 e Lei n. 3) Decreto-Lei n. 176 e §§ 1º. Na esfera infraconstitucional. a cana-de-açúcar e o café. artigos 43 e 44. 7.

Ementa RECURSO ESPECIAL. Editora Saraiva. Direito Ambiental. (2008). Editora Saraiva. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. REsp. p. 11ª edição. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. como materiais fornecidos pelo ambiente a serem utilizados pelos brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil dentro de uma concepção técnica que situa a existência de massas individualizadas de substâncias minerais ou fósseis encontradas na superfície ou no interior da terra. CARVÃO MINERAL. RESPONSABILIDADE DO ESTADO POR OMISSÃO. uma vez que a ilicitude no comportamento omissivo é aferida sob a perspectiva de que deveria o Estado ter agido conforme estabelece a lei. 1. FGV DIREITO RIO 91 . 737-755. EMPRESAS MINERADORAS. Curso de Direito Ambiental Brasileiro./2007. Julgado 22/mai. Editora Lumen Juris.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. A União tem o dever de fiscalizar as atividades concernentes à extração mineral. 647493/SC — 2004/0032785-4. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA Os recursos minerais em nosso país. (2008). pp. (2008). 349. ESTADO DE SANTA CATARINA. encontrando-se inscrita no artigo 225. DJ 22/out. 2ª Turma. 2. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. POLUIÇÃO AMBIENTAL./2007. 9ª edição. Bibliografia complementar 1) Celso Antonio Pacheco Fiorillo. devem ser tutelados juridicamente como bens. 2º e 3º da Carta Magna. de forma que elas sejam equalizadas à conservação ambiental. Esta obrigatoriedade foi alçada à categoria constitucional. levando-se em consideração sua elevada representatividade econômica. 9ª edição. pp. REPARAÇÃO. mesmo em se tratando de responsabilidade por dano ao meio ambiente. seu grande significado estratégico e sua notória relevância em face do próprio controle ambiental. A responsabilidade civil do Estado por omissão é subjetiva. §§ 1º. 349-357.

Recurso da União provido em parte. 5. 6. na forma do art. 8. todos respondem solidariamente pela reparação. na última hipótese. Ibramil — Ibracoque Mineração Ltda. Carbonífera Metropolitana S/A. 14. Segundo o que dispõe o art. como ocorre com a atividade extrativa mineral — a toda a sociedade beneficia. Companhia Carbonífera Urussanga providos em parte. 7. Recursos de Companhia Siderúrgica Nacional. uma vez que a atividade industrial responsável pela degradação ambiental — por gerar divisas para o país e contribuir com percentual significativo de geração de energia. como se fora auto-indenização. De outro lado. Companhia Carbonífera Catarinense. a aplicação da disregard doctrine não tem lugar e pode constituir.DIREITO AMBIENTAL 3. não há como atribuir-se a responsabilidade solidária adotando-se apenas o critério geográfico. Condenada a União a reparação de danos ambientais. Carbonífera Criciúma S/A. A desconsideração da pessoa jurídica consiste na possibilidade de se ignorar a personalidade jurídica autônoma da entidade moral para chamar à responsabilidade seus sócios ou administradores. da Lei n. Recurso do Ministério Público provido em parte. A ação de reparação/recuperação ambiental é imprescritível. na modalidade subsidiária. c/c o art. Carbonífera Palermo Ltda. Carbonífera Barro Branco S/A. Recursos de Coque Catarinense Ltda. Esse desiderato apresenta-se consentâneo com o princípio da eqüidade. (ii) não se constituindo a personalização social obstáculo ao cumprimento da obrigação de reparação ambiental. Companhia Brasileira Carbonífera de Ararangua (massa falida). NOTAS E QUESTÕES 1) Por que a atividade de mineração se constitui como de especial interesse para o direito ambiental? 2) Como se dá a atividade minerária em terras indígenas? FGV DIREITO RIO 92 . 4. § 1º. IV. ainda que contíguos.. 942 do Código Civil. obstáculo ao cumprimento da obrigação. os sócios/administradores respondem pelo cumprimento da obrigação de reparação ambiental na qualidade de responsáveis em nome próprio. se diversos forem os causadores da degradação ocorrida em diferentes locais. 3º. Portanto. quando utilizam-na com objetivos fraudulentos ou diversos daqueles para os quais foi constituída. não-conhecidos. (i) na falta do elemento “abuso de direito”. A responsabilidade será solidária com os entes administrados. é certo que a sociedade imediatamente estará arcando com os custos de tal reparação. e (iii) nem comprovando-se que os sócios ou administradores têm maior poder de solvência que as sociedades. 6.. por falta de nexo causal entre o dano ocorrido em um determinado lugar por atividade poluidora realizada em outro local.938/81. Havendo mais de um causador de um mesmo dano ambiental.

DIREITO AMBIENTAL 3) Como os impactos das atividades de mineração são tratados pelo ordenamento jurídico ambiental brasileiro? 4) Como as questões referentes à defesa e proteção do meio ambiente são tratadas pelo Código de Minas? 5) É possível afirmar que os recursos minerais são bens ambientais? Explique. FGV DIREITO RIO 93 .

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AULA 23: POLÍTICA ENERGÉTICA E MEIO AMBIENTE

INTRODUÇÃO Talvez não tenha um tema que atualmente esteja tão relacionado com a questão ambiental do que a crescente demanda mundial por energia e suas formas de geração. São as matrizes energéticas responsáveis por grande parte dos problemas ambientais que assolam a sociedade moderna. A emissão de dióxido de carbono por usinas termoelétricas que se utilizam do carvão mineral, constitui-se como a principal das causas para o aquecimento global. A utilização cada vez em maior escala das usinas hidrelétricas é responsável por danos, muitas vezes irreparáveis, à fauna e à flora de determinados ecossistemas. As próprias tecnologias mais limpas de produção de energia, também não são livres de significativos impactos ambientais ou de difíceis escolhas éticas. É, por exemplo, o caso dos biocombustíveis (etanol e biodiesel) que transformam plantações inteiras destinadas à produção de alimentos em monoculturas visando a produção de energia (i.e. cana-de-açúcar, soja, mamona, etc.). Ou, por outro lado, o investimento em energia eólica que demanda grandes estruturas que representam um dano ao valor paisagístico de determinadas regiões e podem ter implicações, por exemplo, em correntes migratórias de diversas espécies de pássaros. E mais, os próprios investimentos em painéis solares que, por sua vez, demanda de substâncias derivadas do petróleo no processo de fabricação. Há ainda questões referentes ao investimento em energia nuclear, debate bastante atual no Brasil e no mundo, mas que vêm acompanhadas das preocupações com os resíduos nucleares e o receio de acidentes como o de Chernobyl. Também não são isentos de possíveis impactos ambientais, a promissora tecnologia que permite que o automóvel seja movido à energia elétrica, pois que não resolveria os problemas referentes à matriz energética utilizada. Estes são apenas alguns exemplos e que não incluem outras formas, ainda pouco debatidas no direito brasileiro, como o hidrogênio, produção de energia pela variação de marés, ou geotermais, para citar alguns. Diante deste complexo cenário, ganha em importância a Política Energética Nacional. Entendê-la e contextualizá-la dentro do direito ambiental como, aliás, vem sendo feito por organismos internacionais e por diversos países, é de fundamental importância para a efetiva proteção do meio ambiente. No Brasil, este debate é ainda mais relevante, pois é constantemente citado como exemplo mundial de investidor em tecnologias energéticas mais limpas, como também para inserir na euforia das recentes descobertas de enormes reservas petrolíferas a questão ambiental.

OBJETIVOS Entender a relação entre política energética e meio ambiente. Compreender a estrutura legal e institucional da Política Energética Nacional. Contextualizar a Política Energética Nacional no direito ambiental. Entender a relação entre produção energética, consumo racional e proteção ambiental.
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LEGISLAÇÃO 1) Lei n. 9.478/1997.

DOUTRINA O ano de 2001 marcou uma importantíssima alteração nos hábitos de consumo de energia dos brasileiros, pois nele ocorreu o fenômeno que ficou conhecido como apagão. O apagão foi o nome popular de um grave problema de abastecimento de energia elétrica que foi conseqüência de vários e diferenciados fatores políticos, sociais, econômicos e climatológicos. (...) A produção e o consumo de energia são das questões ambientais mais relevantes e, qualquer que seja a configuração da matriz energética de um país, as suas repercussões sobre o meio ambiente serão sempre importantes e significativas. (Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), p. 787.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), pp. 787-811;

JURISPRUDÊNCIA 1) TRF 4ª Região, 2004.04.01049432-1/SC (Agravante: União Federal, Agravados: Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica, Federação das Entidades Ecologistas de Santa Catarina, Energética Barra Grande S/A, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA), D.J.U. de 19/jul./2006. Ementa AGRAVO. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. 1. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar, com profundidade, as questões envolvidas na lide, já que o ato presidencial não se reveste de caráter revisional, vale dizer, não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender, mas, sim, a sua potencialidade de lesão à ordem, saúde, segurança e economia públicas. 2. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta.
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NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a relação entre produção e consumo energético e proteção ao meio ambiente? 2) Quais são as matrizes energéticas priorizadas pela Política Energética Nacional? 3) De que forma a preocupação com a defesa e proteção do meio ambiente está inserida na Política Energética Nacional? 4) De que forma a relação entre política energética e proteção do meio ambiente está refletida no caso gerador desta aula? 5) Como fazer a conciliação entre os interesses e a necessidade energética, como pilares do desenvolvimento nacional, com a defesa e proteção do meio ambiente?

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FGV DIREITO RIO 97 . EUA. Professor adjunto da Pace University School of Law.DIREITO AMBIENTAL RÔMULO SILVEIRA DA ROCHA SAMPAIO Professor e Pesquisador da FGV Direito Rio. Mestre em Direito Econômico e Social pela PUCPR. Mestre e Doutorando em Direito Ambiental e Recursos Naturais pela Pace University School of Law. Sampaio & Furtado Sociedade de Advogados. direito internacional ambiental e direito climático. Advogado e consultor externo associado ao Escritório Marinoni. Autor de artigos publicados em revistas e jornais norte-americanos sobre mudança climática e biocombustíveis (Fordham International Law Journal e Proceedings of the 30th Aniversary of Environmental Law Programs at Pace). Nova Iorque. Membro do Grupo de Especialistas da Comissão em Energia e Mudança Climática da Academia de Direito Ambiental da União para Conservação da Natureza (International Union for the Conservation of Nature — IUCN). Co-editor do compêndio de leis mundiais sobre aplicação e execução de leis ambientais (environmental enforcement & compliance) a ser publicado pela Cambridge University Press. Palestrante em eventos no Brasil e nos EUA sobre os temas de direito ambiental brasileiro e norte-americano. Professor convidado dos programas de pós-graduação em direito ambiental da PUC-SP e PUC-RJ.

DIREITO AMBIENTAL FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes de Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 98 .

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