direito ambiental

AUTOR: RômUlO SilveiRA dA ROchA SAmpAiO

1ª edição

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Sumário

Direito Ambiental
BlOCO I. InTRODUçãO AO DIREITO AmBIEnTAl ................................................................................................................................3

Aula 1. O surgimento e a autonomia do Direito Ambiental ........................................................... 4 Aula 2. Direitos e Interesses Difusos e Coletivos............................................................................. 7 Aula 3. Princípios do Direito Ambiental ........................................................................................ 9 Aula 4. Direito Ambiental na Constituição Federal de 1988 ........................................................ 13 Aula 5. Competências constitucionais em matéria ambiental........................................................ 16 Aula 6. Política e Sistema Nacional do Meio Ambiente ................................................................ 19

BlOCO II. InSTRUmEnTOS DA POlíTICA nACIOnAl DO mEIO AmBIEnTE............................................................................................24

Aula 7. Padrões de Qualidade e Zoneamento Ambiental .............................................................. 25 Aula 8. Publicidade, Informação, Educação e Participação Ambiental .......................................... 29 Aula 9: Auditoria Ambiental e Due Diligence ......................................................................... 33 Aula 10: Avaliação de Impacto Ambienta (AIA), Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) ....36 Aula 11: Licenciamento Ambiental ............................................................................................. 42 Aula 12: Dano e Responsabilidade Ambiental .............................................................................. 47 Aula 13: Direito de Águas ............................................................................................................ 54 Aula 14: Tutela do Ar e da Atmosfera ........................................................................................... 57 Aula 15: Tutela da Fauna e da Flora.............................................................................................. 60 Aula 16: Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC)................................................ 63 Aula 17: Florestas Públicas (Lei N. 11.284/2006) e Bioma Mata Atlântica (Lei N. 11.428/2006) ......68 Aula 18: Proteção da Diversidade Biológica.................................................................................. 72 Aula 19: Biotecnologia e Biossegurança ........................................................................................ 75 Aula 20: Saneamento Básico e Meio Ambiente............................................................................. 78 Aula 21: Urbanismo e Meio Ambiente ......................................................................................... 85 Aula 22: Mineração e Meio Ambiente .......................................................................................... 90 Aula 23: Política Energética e Meio Ambiente .............................................................................. 94

BlOCO III: TUTElAS ESPECífICAS DO mEIO AmBIEnTE .....................................................................................................................53

diReiTO AmbienTAl

Bloco I. Introdução ao dIreIto amBIental
Introdução ao Bloco I

A Revolução Industrial é o marco desencadeador de uma sociedade fundada no consumo. Esta sociedade impõe uma pressão cada vez maior sobre os recursos naturais, fazendo crescer preocupações com o meio ambiente e, consequentemente, com a própria sobrevivência da vida no planeta. Diante das constantes agressões ao meio ambiente, comprovadas pela ciência e condenadas pela ética e moral, surge a necessidade de se repensar conceitos desenvolvimentistas clássicos. Neste sentido, se faz imperiosa a agregação de diversas áreas do conhecimento científico, técnico, jurídico e mesmo de saberes de comunidades tradicionais e locais em torno de uma nova teoria de desenvolvimento sustentável que permita a utilização presente dos recursos naturais existentes sem, contudo, esgotá-los, para que o mesmo direito possa ser garantido às futuras gerações. Dentro desse contexto se insere este novo ramo do direito, o direito ambiental. Por sua natureza interdisciplinar em sua gênese, o direito do ambiente acaba também evocando conceitos e, até certo ponto, se sobrepondo aos instrumentos de outras disciplinas clássicas: direito constitucional, administrativo, civil, penal e processual. Pelo fato das atividades poluidoras e de degradação do meio ambiente não conhecerem fronteiras, o direito ambiental evoca constantemente noções de direito internacional fazendo surgir também uma disciplina derivada, intitulada direito internacional ambiental.

FGv diReiTO RiO

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oBjetIvos Entender os conceitos formadores do direito ambiental. direitos como o do consumidor e o próprio ambiental. autonomia em relação às demais disciplinas clássicas do direito e interdisciplinaridade. social e coletiva. Constituição Federal. Artigos 184. doutrIna leitura obrigatória José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). abrindo espaço para novas disciplinas jurídicas. dentre elas. Universidade Aberta (1998). Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). 19-36. o surgimento e a autonomia do direito ambiental Introdução A complexidade e evolução da sociedade moderna fizeram com que uma terceira geração de direitos se delineasse. o direito ambiental. quebrando a divisão clássica do direito de tradição civilística entre público e privado. Proporcionar a precisa identificação e caracterização do bem ambiental. Caracterizam-se pela coletividade da titularidade e complexidade do bem protegido e das intervenções estatais – por meio de regulação – em áreas antes estritamente privadas. Diferenciar as concepções antropocêntricas e ecocêntricas e os conceitos amplos e restritos do direito ambiental e como essas caracterizações afetam a tutela dos interesses e direitos relacionados na prática. novas formas de tutela e proteção dos interesses e direitos que já não mais são individualizados. 2. passam a exigir uma re-estruturação da teoria clássica do direito. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). Introdução ao Direito do Ambiente. FGv diReiTO RiO 4 . Pp. Com isso. sob o prisma da dimensão fundamental. 3. 186 e 225.diReiTO AmbienTAl aula 1. legIslação 1. sua recente consolidação. Incluem-se dentro desta nova geração.

reais ou concretas – acentuam o princípio da igualdade. os direitos de terceira geração. O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração – constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva. sociais e culturais) – que se identificam com as liberdades positivas. Enquanto os direitos de primeira geração (direitos civis e políticos) – que compreendem as liberdades clássicas. 30/out. FGv diReiTO RiO 5 . pp. negativas ou formais – realçam o princípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos. 37. Por que razão os juristas encaram as questões ambientais com base numa abordagem interdisciplinar? 3.164-0-sp (Impetrante: antônio de andrade ribeiro junqueira. Pode-se considerar o ambiente como novo bem jurídico protegido pelo direito? Por quê? 7. mas. José Joaquim Gomes canotilho (coordenador) (1998). refletindo. enquanto valores fundamentais indisponíveis. Articulando os dispositivos constitucionais pertinentes. consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento. é possível afirmar que o direito ao ambiente é hoje um (novo) direito fundamental dos cidadãos? 1 extraídas da obra introdução ao direito do Ambiente. Impetrado: presidente da república). expansão e reconhecimento dos direitos humanos. num sentido verdadeiramente mais abrangente. notas e Questões1 1. Quais as pré-compreensões do Direito do Ambiente? Como se caracterizam? 5./1995. Quais as razões que tornam a proteção do ambiente uma das preocupações fundamentais dos cidadãos atualmente? 2. a expressão significativa de um poder atribuído. que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais. 16-22. caracterizados. Ementa: A QUESTÃO DO DIREITO AO MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO – DIREITO DE TERCEIRA GERAÇÃO – PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE. não ao indivíduo identificado em sua singularidade. dentro do processo de afirmação dos direitos humanos. Quais os principais problemas com que se defrontam os juristas na regulação jurídica dos problemas ambientais? 4. Em que consiste o conceito estrito de ambiente? Quais são as principais críticas que se lhe podem dirigir e quais as suas vantagens? 6. Em que consiste a implicação ou referência sistêmico-social da noção de bem jurídico ambiental? 8. à própria coletividade social.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa stF Ms 22. p. pela nota de uma essencial inexauribilidade.

diReiTO AmbienTAl 9. Poderá considerar-se o Direito do Ambiente como nova disciplina jurídica autônoma? Qual o relevo prático desta problemática? FGv diReiTO RiO 6 . ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? 11. Em que consiste a noção de dano ambiental? 10. Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente.

Possibilitar a compreensão da indenização individual por dano coletivo. Editora Juarez de Oliveira (2006). alínea “a” doutrIna leitura obrigatória Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida. Os problemas de aplicação desses conceitos. Antônio F. Beltrão. 26/fev. 4. tipificados pelo direito positivo vigente no Brasil. coletivo ou individual homogêneo. Artigo 25./97. inciso IV.347/1985. Manual de Direito Ambiental – série Concursos Públicos. Constituição Federal. Lei 8.625/1993. pp. 3. Artigo 81. oBjetIvos Categorizar os interesses e direitos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (saudável) como difuso. Lei 7. incisos I a III. Lei 8. FGv diReiTO RiO 7 . esmiuçados pela doutrina especializada. mas que ainda suscitam diversas questões práticas. 17-19. acabam contaminando a prática e. Artigo 1º. legIslação 1. Tutela dos Interesses Difusos e Coletivos. Identificar os critérios para legitimação da defesa do meio ambiente. podem operar contra a eficiente proteção do bem jurídico que se propõem a proteger.078/1990. direitos e interesses metaindividuais. então. 2. parágrafo único. jurIsprudêncIa stF re 163231-3/sp (recorrente: Ministério público do estado de são paulo. 225. G. Artigos 129. direitos e interesses difusos e Coletivos Introdução Surgem. 1-22. desde a caracterização e classificação até aos imbróglios e divergências processuais.diReiTO AmbienTAl aula 2. Editora Método (2008). recorrido: associação notre dame de educação e cultura). pp. portanto.

Diante deste cenário. Como decorrência. Por um período de 3 meses a associação de pescadores da Ilha do Governador. Como o exercício de um interesse específico pode afetar positiva ou negativamente o resultado final de outro interesse? FGv diReiTO RiO 8 . Quais são os interesses e direitos a serem tutelados? 2. por força da mesma proibição provisória imposta pela autoridade ambiental competente. Durante o processo de abastecimento. O vazamento causou ainda a morte de diversas espécies de pássaros. Outros 50 pescadores. ficaram impossibilitados de exercer suas atividades econômicas e de auto-sustento. o petróleo vazou contaminando 80% da baía de Guanabara. um vazamento na mangueira de combustível ocasionou uma explosão de grande dimensão. peixes e foi responsável pela interdição de vários balneários. composta por 100 pescadores. após ter carregado a embarcação com petróleo. não associados a esta entidade. ficou impossibilitada de exercer a sua atividade econômica. indaga-se: 1. Como o direito e/ou interesse tutelado vinculam a resposta a ser dada pelo Poder Judiciário? 3.diReiTO AmbienTAl notas e Questões Imagine a seguinte situação baseada em um acontecimento real: Uma grande companhia de óleo e gás. estava abastecendo seu cargueiro no porto do Rio de Janeiro.

diReiTO AmbienTAl aula 3. FGv diReiTO RiO 9 . Artigo 225. entender a existência desses princípios e justificar as suas aplicações práticas. 4. disciplina jurídica. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). resolveu-se incluir a noção de sustentável como única forma viável de evitar a degradação do meio ambiente a níveis que permitam a sadia qualidade de vida no planeta. como no plano nacional e que serviram também para auxiliar na interpretação de conceitos legislativos e sanarem lacunas desta. 3. pretende introduzir alguns dos mais importantes princípios do direito ambiental e trabalhar a aplicação dos conceitos a eles inerentes ao caso concreto.605/1998. Diferenciar os conceitos de princípios similares para melhor articulação da aplicação prática. Esta reconstrução passou a impor ao desenvolvimento econômico a racional utilização dos recursos naturais e fez com que os processos industriais passassem a internalizar as externalidades ambientais. A este novo projeto de desenvolvimento econômico. Constituição Federal. PrinCíPios do direito ambiental Introdução A crescente preocupação social com as questões ambientais influenciou a comunidade internacional e as legislações constitucionais e infraconstitucionais de diversos países a enveredar para a elaboração de normas de proteção do meio ambiente. Possibilitar a identificação dos princípios explícitos e implícitos em textos normativos. Lei 6. Para orientar esta atividade normativa. Lei 9. 2. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). 5. oBjetIvos Conhecer os princípios formadores do direito ambiental.938/1981. diversos princípios surgiram tanto em âmbito internacional. até então recém nascida. Esta aula. legIslação 1. A conscientização de que os recursos naturais renováveis ou não renováveis são limitados clamou por uma intervenção legislativa capaz de reconstruir modelos clássicos desenvolvimentistas. portanto.

Ementa: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO CAUTELAR – LIBERAÇÃO DO PLANTIO E COMERCIALIZAÇÃO DE SOJA GENÉTICAMENTE MODIFICADA (SOJA ROUND UP READY). DA RESOLUÇÃO CONAMA Nº 237/97 – INEXISTÊNCIA DE NORMA REGULAMENTADORA QUANTO À LIBERAÇÃO E DESCARTE.938/81 E ARTS 1º. DE OGM – PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E DA INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO CAUTELAR – PRESENÇA DO FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO – INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA – ART./2000.) leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. 3º. ac 2000. Direito Ambiental Brasileiro. 9º E 10º.diReiTO AmbienTAl doutrIna utilidade dos princípios Apesar de terem um conteúdo relativamente vago. § 4º. apelados: Instituto Brasileiro de defesa do consumidor [Idec] e associação civil greenpeace). 225. SEM O PRÉVIO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – ART. IV. DA CF/88 C/C ARTS.. • no seu potencial como auxiliares da interpretação de outras normas jurídicas e. tornando inconstitucionais ou ilegais as disposições legais ou regulamentares ou os actos administrativos que os contrariem. 57-72 e 74-108. Editora Malheiros (2008).014661-1-dF (apelantes: união Federal e Monsanto do Brasil ltda. p. de uma norma. 16ª Edição. 2º. Universidade Aberta [1998]. pp. pode o magistrado adotar 2 Uma lacuna é a não previsão de um caso na lei e a integração da lacuna consiste na criação da disciplina jurídica para aquele caso concreto. finalmente. quando comparado com o conteúdo. muito concreto. CAPUTE E § 1º.00. jurIsprudêncIa trF 1ª região. 808. no exercício do poder geral de cautela. • na sua capacidade de integração de lacunas2. a utilidade dos princípios reside fundamentalmente: • em serem um padrão que permite aferir a validade das leis. FGv diReiTO RiO 10 . DA LEI Nº 6. 8/ago. 43. mesmo porque.01. Introdução ao Direito do Ambiente. DO CPC – INTELIGÊNCIA. na ação cautelar. III. 4º E ANEXO I. § 1º. NO MEIO AMBIENTE. 8º. (José Joaquim Gomes Canotilho [coordenador]. I – Improcedência da alegação de julgamento extra petita.

in DJU de 16/09/94. do CPC. da CF/88). § 4º. em face do veto presidencial à disposição constante do projeto da Lei nº 8. 4º e Anexo I da Resolução CONAMA nº 237/97. para assegurar a efetividade desse direito. § 1º. tal como consta do Anexo I da aludida Resolução CONAMA nº 237/97. no meio ambiente. estudo prévio de impacto ambiental. 2º. na qual os autores se insurgem. 8º. no processo principal. 225. que veiculava idêntica faculdade outorgada à CNTBio.279).752/95. à máquina de norma regulamentadoras a respeito do assunto. 808. em escala comercial. pág. Min. da CF/88.086-7/SC. IV – O art.974/95.diReiTO AmbienTAl providência não requerida e que lhe pareça idônea para a conservação do estado de fato e de direito envolvido na lide. III – Se os autores só reconhecem ao IBAMA a prerrogativa de licenciar atividades potencialmente carecedoras de degradação ambiental. para a qual. XVI. Rel. possa tornar sem objeto a ação cautelar. da Lei 8. Ilmar Galvão. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. a regulamentação relativa à liberação e descarte. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. de organismos geneticamente modificados. a que se dará publicidade” (art. diante da qual se conclui que a CNTBio deve expedir. IV. II. e a comercialização de sementes de soja geneticamente modificadas. V – A existência do fumus boni iuris ou da probabilidade de tutela.938.974/95. 8º. autorizando o plantio e a comercialização de soja transgênica. por via de conseqüência. 9º e 10º. necessário o estudo prévio de impacto ambiental. até o momento presente. do Decreto nº 1. a que se refere o art. do direito invocado. que conserva a sua eficácia na pendência do processo principal – e não apenas até a sentença – mesmo porque os feitos cautelar e principal têm natureza e objetivos distintos.§ 1º. 225 da CF/88 erigiu o meio ambiente ecologicamente equilibrado “a bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. Inteligência do art. sem o prévio estudo de impacto ambiental. 2º. sob pena de se tornarem ineficazes outras disposições daquele diploma legal. 24. exatamente. na forma da lei. pelo que. incumbindo ao poder Público. “exigir. para o plantio. encontra-se demonstrada especialmente: a) pelas disposições dos arts. no meio ambiente. que permite à CNTBio dispensar o prévio estudo de impacto ambiental – de competência do IBAMA – em se tratando de liberação de organismos geneticamente modificados. especialmente ante séria dúvida quanto à Constitucionalidade do art. 225. não há suporte à conclusão de que a mera expedição de parecer pela CNTBio. 3º. da Lei nº 6. caput e § 1º. 1º. contra o aludido parecer. IV. de 31/08/81 – recepcionada pela CF/88 – e dos arts. Precedente do STF (ADIN nº 1. c) pela vedação contida no art. VI. juridicamente relevante é a tese de impossibilidade de autorizaFGv diReiTO RiO 11 . II – A sentença de procedência da ação principal não prejudica ou faz cessar a eficácia da ação cautelar. compreende “a introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas”. previamente. à luz das quais se infere que a definição de “obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente”.

até o deslinde da ação principal. e 13. sem a observância das devidas cautelas regulamentares.diReiTO AmbienTAl ção de qualquer atividade relativa à introdução de OGM no meio ambiente.984-18. De que forma princípios gerais como o da razoabilidade e proporcionalidade se relacionam com a instrumentalização dos princípios de direito ambiental? FGv diReiTO RiO 12 . O que distingue os princípios da precaução e da prevenção? 2. VIII – Preliminares rejeitadas. lesão ao meio ambiente e lesão grave ao meio ambiente. sem a adoção de rigorosos critérios de segurança.974/95. da Lei nº 8. até a morte. pode causar. 13. V. da Lei nº 8. IV – A existência de uma situação de perigo recomenda a tutela cautelar. tipificando-se tais condutas como crimes e impondo-lhes severas penas. desde incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias e lesão corporal grave. Qual é a natureza jurídica e justificativa do princípio do poluidor-pagador? 5. no meio ambiente. que sinalizam a potencialidade lesiva de atividade cujo descarte ou liberação de OGM. improvidas. tida como interposta. IDEC e Greenpeace? 3. de 01/06/2000.974/95. em face da superveniência da Medida Provisória nº 1. Apelações e remessa oficial. o risco de dano irreversível e irreparável ao meio ambiente e à saúde pública. 8º. d) Pelas disposições dos arts. notas e Questões 1. tal como previsto no art. O que se entende por princípio da participação? Qual é a sua importância e relevância prática? 4. VI. pela utilização de engenharia genética no meio ambiente e em produtos alimentícios. §§ 1º a 3º. De que forma o princípio da precaução se aplica ao caso relatado no caso União Federal e Monsanto vs. VII – Homologação do pedido de desistência do IBAMA para figurar no pólo ativo da lide. no intuito de se evitar – em homenagem aos princípios da precaução e da instrumentalidade do processo cautelar –.

III e 225. a francesa e a italiana. ampliando sobremaneira a importância da sociedade civil organizada e.diReiTO AmbienTAl aula 4. 129. III e IV. Artigos 5º. é a primeira vez em que a expressão “meio ambiente” aparece em uma Constituição brasileira. também reforçando o seu título de “constituição cidadã”. Além disso. com mais destaque a partir dos anos 60. oBjetIvos Reconhecer a importância de disposições constitucionais específicas em matéria de defesa e proteção do meio ambiente. o de número “VI”. traçar o conteúdo e os limites da ordem jurídica. Entender o papel do Judiciário na consolidação da proteção ambiental constitucional. Constituição Federal. É por isso que. 170. vamos localizar na norma constitucional os fundamentos da proteção do meio ambiente. portanto. Tema candente. como lei fundamental. direito ambiental na Constituição federal de 1988 Introdução A Constituição Federal brasileira de 1988 é um marco na defesa dos direitos e interesses ambientais ao dispor em diferentes títulos e capítulos sobre a necessidade de preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Identificar os instrumentos processuais constitucionais de defesa do meio ambiente. direta ou indiretamente. Em capítulo específico. e que assumiu proporções inesperadas no século XX. O texto constitucional inova ainda quando divide a responsabilidade pela defesa do meio ambiente entre o Poder Público e à coletividade. Trabalhar a idéia de divisão de responsabilidades em ações de proteção e defesa do meio ambiente entre o Poder Público e a coletividade. Elaborar a noção do ambiente ecologicamente equilibrado como direito subjetivo de todos e dever fundamental do Estado. legIslação 1. diversos são os conceitos e princípios inovadores trazidos pela Carta Magna que norteiam o direito ambiental brasileiro. doutrIna Meio ambiente: bem jurídico per se Cabe à Constituição. XXIII. como a norte-americana. não tenham cuidado FGv diReiTO RiO 13 . bem se compreende que Constituições mais antigas.

os diversos países. Direito do Ambiente. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar. inclusive o nosso. Assim ocorria também no Brasil. d. pp. Isso acontecia porque o legislador se baseava no poder geral que lhe cabia para proteger a “saúde humana”. historicamente. Paulo de Bessa Antunes. a proteção do meio ambiente. energética Barra grande s/a. Editora Lumen Juris. Bibliografia complementar Édis Milaré. ganha identidade própria. jurIsprudêncIa trF 4ª região. o espanhol (1978) e o brasileiro (1988). Editora Malheiros (2008). a saúde ambiental. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. 122-152. Aparece o ambientalismo como direito fundamental da pessoa humana. 57-76. Aí está. 142-192. já que o ato presidencial não FGv diReiTO RiO 14 . promulgaram (e promulgam) leis e regulamentos de proteção do meio ambiente. (2007).j. pp. como é o caso da saúde humana. embora sem perder seus vínculos originais com a saúde humana. isto é. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. agravados: rede de organizações não-governamentais da Mata atlântica. ainda que sem previsão constitucional expressa. 4ª Edição. pp. p. tendo como pressuposto. Federação das entidades ecologistas de santa catarina. 11ª Edição. de 19/jul. com profundidade. explícito ou implícito./2006. porque é mais abrangente e compreensiva. 16ª Edição. Editora Revista dos Tribunais [2005]. com autonomia em relação a outros bens protegidos pela ordem jurídica. 5ª Edição. 180). 2004. nos regimes constitucionais anteriores a 1988. Editora Revista dos Tribunais. Ementa: AGRAVO. Nos regimes constitucionais modernos.u. a saúde humana. 1. Direito Ambiental Brasileiro. (Édis Milaré. Nessa nova perspectiva.01049432-1/sc (agravante: união Federal. Direito Ambiental.04. Direito do Ambiente. Mas. o primeiro fundamento para a tutela ambiental. como o português (1976).diReiTO AmbienTAl especificamente da matéria. (2008). as questões envolvidas na lide. ou seja. Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos recursos naturais renováveis – IBaMa). o meio ambiente deixa de ser considerado um bem jurídico per accidens e é elevado à categoria de bem jurídico per se.

Qual é a importância dada pela decisão União Federal vs. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta. Quais são os argumentos constitucionais que poderiam ter influenciado o julgado de forma diversa do decidido? FGv diReiTO RiO 15 . Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica e outros ao meio ambiente? 3. segurança e economia públicas. vale dizer. notas e Questões 1. saúde. 2. sim. Quais são os conceitos fundamentais medidos e sopesados pelo julgado supra citado para fundamentar a decisão final? 4.diReiTO AmbienTAl se reveste de caráter revisional. mas. não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender. a sua potencialidade de lesão à ordem. Qual é a importância da Constituição trazer previsões de direitos e deveres de defesa e proteção do meio ambiente? 2.

É justamente neste particular que reside uma das questões mais conflitantes do direito ambiental: a divisão de competências entre os diferentes entes da federação em matéria de legislação e execução de políticas ambientais. da Carta de 1988 estabelece a competência legislativa concorrente da União. a Carta Federal expressamente dispõe nos parágrafos do art. Preceitos de competência privativa. bem como para a preservação das florestas. aparentemente descentralizador. 22. doutrIna Competência Comum: o art. 24. Competência legislativa: o art. Distrito Federal e Municípios para a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer das suas formas. 23. concorrente e suplementar ao mesmo tempo em que são elucidados pelo texto constitucional. 30. caça. cabendo aos Estados a competência supleFGv diReiTO RiO 16 . da Constituição da República estabelece a competência comum da União. dos Estados e do Distrito Federal. para florestas. excluindo os Municípios. estadual e municipal. Estados. legIslação 1. De acordo com o princípio da predominância do interesse. a Carta Magna estabelece um complexo sistema de repartição de competências legislativas e executivas. VI e VIII. 24. 18. Dentro deste modelo. da fauna e da flora. constituindo-se muitas vezes em obstáculos de difícil transposição no campo processual. fauna. 170 e 182. como responsabilidade por dano ao meio ambiente. ComPetênCias ConstituCionais em matéria ambiental Introdução A Constituição Federal de 1988 cria uma federação com três níveis de governo: federal. Artigos 1º. a conseqüência nefasta de um sistema de competências confuso pode acarretar em irreparável dano ao meio ambiente. se sobrepõem e geram incertezas práticas. Trabalhar e aplicar o sistema de competências na prática.diReiTO AmbienTAl aula 5. Infelizmente. 25. conservação da natureza. Constituição Federal. pesca. defesa do solo e dos recursos naturais. VI e VII. Trata-se da competência material ou administrativa. 24 que a União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. oBjetIvos Identificar e diferenciar as diferentes competências em matéria ambiental. 23.

Antônio F. caput. Editora Lumen Júris. Beltrão. notas e Questões 1. Édis Milaré. Manual de Direito Ambiental. Editora Revista dos Tribunais (2008). Direito Ambiental. 25. I e XII. eventual lei estadual oriunda desta competência legislativa plena terá sua eficácia suspensa. Editora Atlas. [2008]. Manual de Direito Ambiental. pp. Ofensa aos arts. jurIsprudêncIa stF adin 2. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. pp. Afronta à competência legislativa concorrente da União para editar normas gerais referentes à produção e consumo.210/01. (2006). 105). VI e XII e §§ 1º e 2º da Constituição Federal. V. G. pp. Beltrão. 5ª Edição. 2ª Edição.diReiTO AmbienTAl mentar. Editora Método. Lei n. 55-71. (2008). 66-70. Direito do Ambiente. os Estados excepcionalmente exercerão a competência legislativa plena. caput. 16ª Edição. II e IV. (2008). 18 e 5º. do Estado do Mato Grosso do Sul. Curso de Direito Ambiental. 170. caso posteriormente seja editada lei federal sobre normas gerais. G. Inexistência.396-9 (requerente: governador do estado de goiás.179-183. Qual é a diferença entre competência administrativa e competência legislativa? Quais são os dispositivos constitucionais específicos que fundamentam esta repartição de competências? FGv diReiTO RiO 17 .º 2. Bibliografia complementar Paulo de Bessa Antunes. 22. 11ª Edição. requeridos: assembléia legislativa do estado do Mato grosso do sul e governador do estado do Mato grosso do sul). (Antônio F. p. Editora Método. Editora Malheiros. (2008). pp. II e LIV. Direito Ambiental Brasileiro. Inexistindo lei federal sobre normas gerais. 111-115. § 1º. à proteção do meio ambiente e controle da poluição e à proteção e defesa da saúde. artigo 24. Luís Carlos Silva de Moraes. 77-92. pp. Ementa Ação Direta de Inconstitucionalidade.

(Procurador da República 20º Concurso) Assinale a alternativa correta:3 a) o combate à poluição. beltrão. manual de direito Ambiental. b) situa-se no âmbito da legislação concorrente a competência para legislar sobre proteção do meio ambiente. 3 Questão extraída da obra: Antônio F. é de competência exclusiva da União. Em matéria de competência suplementar dos Estados. A União é competente para legislar em matéria que verse sobre proteção e defesa do meio ambiente? Em caso afirmativo. editora método. 109. na ausência de legislação específica da União. p. em qualquer de suas formas. de que forma esta competência da União é exercida? 3. (2008). é de competência exclusiva dos Estados-membros a preservação das florestas. FGv diReiTO RiO 18 . d) nenhuma das alternativas está correta. c) tendo em vista o princípio da descentralização administrativa. pode o Estado ocupar o espaço com legislação estadual em matéria de defesa e proteção do meio ambiente? E o município? 6. Podem os municípios legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 5. Podem os Estados legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 4. G.diReiTO AmbienTAl 2.

Lei 7. a Declaração do Rio de 1992 consolidou o conceito de gestão ambiental como instrumento indispensável ao cumprimento de objetivos preservacionistas e de defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado. instaurou-se um conflito de interesses entre países em desenvolvimento e desenvolvidos acerca do direito ao desenvolvimento econômico.938/1981. como a soberania e o próprio direito das nações ao desenvolvimento econômico. assume especial relevância a organização e o mapeamento institucional. A legislação brasileira. impulsionada pelo movimento ambientalista da década de 70. mas mantendo preservada a compatibilização destes objetivos com o direito ao desenvolvimento econômico e social. preservando os aspectos econômicos. 3.diReiTO AmbienTAl aula 6. Compreender e aplicar na prática a divisão de competências dos órgãos integrantes do SISNAMA. sociais e ambientais. contudo. 2. Nesta esteira. FGv diReiTO RiO 19 .797/1989. oBjetIvo Entender e contextualizar a concepção da Política Nacional do Meio Ambiente e sua respectiva instrumentalização. legIslação 1. ferir direitos até então internacionalmente reconhecidos. surge a necessidade de criação e desenvolvimento de diretrizes e ações coordenadas para instrumentalizar o objetivo maior perseguido.735/1989. Lei 6. constitui-se em um marco ao conceber a necessidade de uma gestão qualificada. Dentro deste contexto. Com a concepção da Declaração de Estocolmo de 1972. Portanto. Visando mitigar este conflito sem. a comunidade internacional passou a trabalhar a noção de desenvolvimento sustentável. bem como a elaboração de um atualizado quadro legal e regulatório que pudesse recepcionar e se adequar aos preceitos internacionalmente reconhecidos. Lei 7. Conceitualizar e compreender o Sistema Nacional do Meio Ambiente. é precursora na adoção de uma política nacional e quadro institucional sistematizado para efetivar a finalidade máxima de defesa e proteção do meio ambiente ecologicamente sadio à qualidade de vida. PolítiCa e sistema naCional do meio ambiente Introdução Diante da complexidade do bem ambiental e dos meios para efetivação da sua defesa e proteção. Identificar e distinguir o organograma institucional do SISNAMA.

Lei 10. Fundação do Meio ambiente [FatMa]. Beltrão. são encarregados da proteção ao meio ambiente. Além do SISNAMA. 93). pp. INTERESSE NACIONAL. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU.022-sc (2003/0159754-5) (recorrentes: superintendência do porto de Itajaí. 11ª Edição.696/1995. 6. Editora Método. Manual de Direito Ambiental. Interessado: Instituto Brasileiro do Meio ambiente e recursos naturais renováveis [IBaMa]). pp. 93-124. Editora Malheiros. 16ª Edição. Direito Ambiental Brasileiro. FGv diReiTO RiO 20 . recorridos: Ministério público Federal. (2008). Editora Lumen Juris. pp. Ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. jurIsprudêncIa stj recurso especial 588. estadual e municipal. G. Decreto 1. nos níveis federal. 113-121. (2008). 7. LICENCIAMENTO. (Paulo de Bessa Antunes. (2008). 285-298 / 307-321. Editora Lumen Juris. 153-175. conforme definido em lei.diReiTO AmbienTAl 4. 5ª Edição. p.683/2003. Paulo de Bessa Antunes. Decreto 964/1993. Lei 10. Direito Ambiental. (2008). Antônio F.650/2003. Direito Ambiental. Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. COMPETÊNCIA DO IBAMA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Editora Revista dos Tribunais (2007). 5. 11ª Edição. muitas outras instituições nacionais têm importantes atribuições no que se refere à proteção do meio ambiente. cuja estruturação é feita com base na lei da PNMA [Política Nacional do Meio Ambiente]. Direito do Ambiente. leitura obrigatória Édis Milaré. doutrIna O SISNAMA [Sistema Nacional de Meio Ambiente] é o conjunto de órgãos e instituições vinculadas ao Poder Executivo que. pp.

Recursos especiais improvidos. in casu. O que é a Política Nacional do Meio Ambiente? 2. Qual é a importância e o fundamento legal de inclusão do princípio da informação ao SISNAMA? 7. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. o mar territorial afetado. principalmente. sobre o homem que vive e depende do rio. 8. 2. sobre as praias. De que forma o desenvolvimento econômico é tratado pela Política Nacional do Meio Ambiente? 5. 5. É possível afirmar que o meio ambiente. sobre a orla litorânea. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. do mar e do mangue nessa região. O que é o CONAMA e quais são as suas funções? FGv diReiTO RiO 21 . 4. Qual é a função que o Conselho de Governo vem desenvolvendo na prática? Explique. nesta condição. Qual a finalidade de se instituir uma Política Nacional do Meio Ambiente? 3. 3. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. como bem de uso comum de todos. pelo depósito dos detritos no mar. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. Quais são os órgãos integrantes do SISNAMA? 9. Os bens ambientais são transnacionais. deve zelar e administrá-lo em prol da coletividade para as gerações presentes e futuras? Justifique. mas. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. notas e Questões 1. A natureza desconhece fronteiras políticas. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. é patrimônio do Poder Público que. sobre as correntes marítimas. nesse caso. a FATMA. 4.diReiTO AmbienTAl 1. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. e. pode até haver duplicidade de licenciamento. A atividade do órgão estadual. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. é supletiva. extrapolando os limites impostos pelo homem. O que é o SISNAMA e qual a sua utilidade dentro da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. sobre os mangues. bem como. através dos órgãos ambientais públicos e privados. enfim.

o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). 192. melhoria ou recuperação de qualidade ambiental que visem a elevação da qualidade de vida da população.6 a. b) O Fundo Nacional de Meio Ambiente objetiva o desenvolvimento de projetos que visem o uso racional e sustentável de recursos naturais. aproveitando-se da legitimidade democrática decorrente de sua composição ampliada. sob o ponto de vista constitucional. Id. apresentou projeto de lei. 11. 12. 195. (Juiz de Direito – TJMT 2004) A respeito da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e da normatização constitucional e infraconstitucional relativa ao meio ambiente. (2008). Um vereador de determinado município.5 a) Compõem o SISNAMA: o Conselho de Governo. julgue os próximos itens. Considere a seguinte situação hipotética. manual de direito Ambiental. do DF e dos Municípios legislar sobre a matéria mencionada. julgue os próximos itens. Nessa situação. d) autorizar a supressão. (Procurador Município Manaus 2006) As competências atribuídas legalmente ao Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA dão-lhe a prerrogativa de:4 a) fixar as políticas de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável em nível nacional. Considere a seguinte situação hipotética. aeronaves e embarcações. dados os constantes episódios de degradação de recursos hídricos naquela unidade da federação. após a expedição de parecer técnico conclusivo favorável pelos órgãos competentes. versando sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição das águas. incluindo manutenção. tal projeto pode ser considerado compatível. G. não obstante já possuir órgão ambiental na esfera estadual. dos Estados. em grau de recurso. c) autorizar a exploração comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs).diReiTO AmbienTAl 10. o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). o Conselho Nacional da Amazônia Legal e o Conselho Nacional da Mata Atlântica. editora método. pp. 192-193. b) rever. p. diminuição ou alteração de área de preservação permanente e de reserva legal. pois é de competência comum da União. cons- 4 Questão extraída da obra: Antônio F. beltrão. Determinado Estado da Federação. a Câmara de Políticas dos Recursos Naturais. as decisões relativas à outorga de licenciamento ambiental proferidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. b. FGv diReiTO RiO 22 . p. 5 6 Id. e) estabelecer normas e padrões relativos à emissão de poluição por veículos automotores. o Grupo Executivo do Setor Pesqueiro (GESPE). (Procurador do Estado AP 2006) Quanto ao Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA).

Nessa situação. pois ele só é integrado pelos órgãos ambientais da União. apesar de tal fundação destinar-se aos mencionados fins.diReiTO AmbienTAl tituiu uma fundação responsável pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. dos Estados. FGv diReiTO RiO 23 . ainda que instituídas pelo poder público para propósitos ambientais. ela não compõe o Sistema nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). do DF e dos Municípios e não por fundações.

IX – as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não-cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental. IV – o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras. X – a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente. como concessão florestal.938/1981: São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: I – o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental. FGv diReiTO RiO 24 .diReiTO AmbienTAl Bloco II. outros ainda carecem de elucidação regulamentar específica. seguro ambiental e outros. obrigando-se o Poder Público a produzi-las. VI – a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal. Alguns se encontram exaustivamente regulados. São eles os meios para a efetiva defesa e proteção do meio ambiente. V – os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia. voltados para a melhoria da qualidade ambiental. VII – o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente. servidão ambiental. de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas. da Lei 6. a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. Este capítulo irá abordar sucintamente alguns destes instrumentos e aprofundar em maiores detalhes aqueles que visam o uso equilibrado dos recursos naturais. XII – o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ ou utilizadoras dos recursos ambientais. tais como áreas de proteção ambiental. quando inexistentes. II – o zoneamento ambiental. VIII – o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental. da Lei 6.938/81 apresenta um rol de onze incisos elencando os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. XIII – instrumentos econômicos. XI – a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente. Artigo 9º. III – a avaliação de impactos ambientais. estadual e municipal. Instrumentos da PolítIca nacIonal do meIo amBIente Introdução ao Bloco O artigo 9º.

num país de dimensões continentais como o Brasil. Estados e Municípios em matéria de zoneamento ambiental. contudo.938/81 e o órgão deliberativo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). sociedade civil. FGv diReiTO RiO 25 . olvidar da defesa e proteção do meio ambiente. o marco regulatório é justamente a Lei 6. é imprescindível uma democrática. efluentes e ruídos (atualmente instituídos). agricultura. realça a importância do correto planejamento do território que será destinado à indústria. Compreender e resolver as tensões entre os poderes públicos e iniciativa privada em matérias de padrões de qualidade ambiental e zoneamento ecológico-econômico. 9º. é ele também mecanismo de convergência de objetivos preservacionistas e econômicos. II.938/81. o zoneamento ambiental constitui-se como outro instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente.diReiTO AmbienTAl aula 7. é necessária uma previsão legal sólida dos instrumentos de política do meio ambiente. inc. atualizada e séria articulação dos meios para atingir as metas previamente traçadas. previsto pelo art. O atual debate acerca dos biocombustíveis como vilões da agricultura voltada para a produção de alimentos. Distinguir as diferentes atribuições da União. No Brasil. No tocante ao zoneamento ecológico-econômico (ZEE). oBjetIvo Entender o conceito e a importância da definição de padrões de qualidade ambiental e critérios coerentes de zoneamento ambiental. bem como de congregar e resolver eventuais conflitos de interesses dos diferentes setores representados. da Lei 6. classe empresarial e científica) é capaz de identificar e definir os padrões aceitáveis de emissão de poluentes. em relação aos padrões de qualidade. Reconhecendo-se a necessidade do avanço nas áreas econômica e social sem. preservação ambiental e/ou mista. Portanto. Como o próprio nome sugere. Padrões de Qualidade e Zoneamento ambiental Introdução A fixação de padrões de qualidade e o zoneamento ambiental são dois instrumentos de extrema importância para a consecução das premissas inerentes ao desenvolvimento sustentável. este instrumento assume especial relevância. porém dotados de mecanismos flexíveis de deliberação que possam acompanhar o desenvolvimento técnico-científico e os diferentes anseios da sociedade. A sua composição e diversidade democrática (governo. Dentro deste contexto e somando-se à complexidade e rapidez cada vez maior da evolução do conhecimento e avanço tecnológico da sociedade moderna. ou como incentivo à monocultura.

3. Beltrão. G. o uso preponderante do bem ambiental receptor. pp. 2ª Edição. réus: Município de guaratuba. Direito Ambiental. Editora Lumen Juris. 182. Ainda que o zoneamento não constitua. Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. 11ª Edição.171/91 doutrIna Os padrões de qualidade ambiental consistem em parâmetros fixados pela legislação para regular o lançamento/emissão de poluentes visando assegurar a saúde humana e a qualidade do ambiente. Constituição Federal. (2008). de modo absoluto ou relativo. Lei 8. Curso de Direito Ambiental. 5ª Edição. (2006). Direito Ambiental Brasileiro. vazão da corrente de água (em caso do ambiente receptor ser água) etc. Manual de Direito Ambiental. a solução de todos os problemas ambientais é um significativo passo. por si só. p. o exercício de outras atividades. Editora Revista dos Tribunais (2007). (2008). Editora Malheiros. pp. 122).297/02. Direito Ambiental Brasileiro. 72-84. Paulo de Bessa Antunes. 321-353. O zoneamento consiste em dividir o território em parcelas nas quais se autorizam determinadas atividades ou interdita-se. (2008). Decreto 4. 16ª Edição. leitura obrigatória Édis Milaré.938/81. Direito do Ambiente. seu grau de dispersão. Editora Método. Editora Malheiros. 188-214. Editora Atlas. Luís Carlos Silva de Moraes. Lei 6. 186 e 225. Variam conforme a toxicidade do poluente. jurIsprudêncIa stj ação rescisória 756 – pr (1998/0025286-0) (autor: estado do paraná. 91. pp. artigos 21. (Antônio F. pp.diReiTO AmbienTAl legIslação 1. 181-199. 16ª Edição. 165. p. 191). 2. 4. 43. 25. (Paulo Affonso Leme Machado. [2008]. FGv diReiTO RiO 26 . F Bertoldi empreendimentos Imobiliários ltda e arrimo empreendimentos Imobiliários ltda).

como as referentes à proteção das paisagens naturais notáveis e ao meio ambiente. Precedentes: RMS 9.diReiTO AmbienTAl Ementa: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. Demócrito Reinaldo. Precedente: RMS 9.. EDIFICAÇÃO LITORÂNEA. que instituiu diretrizes para o zoneamento e uso do solo no Município de Guaratuba. bem como de garantir a validade dos atos administrativos correspondentes.02. 6. 2ª T. DJ de 01.274. A teor dos disposto nos arts. I. DJ de 9.389/80. De que forma os padrões de qualidade ambiental são desenvolvimentos e instituídos no Brasil? FGv diReiTO RiO 27 .1999. Francisco Peçanha Martins. A atuação do Município. de 09 de março de 1983. DJ de 03. 7. 30. 1. está em desacordo com as limitações urbanísticas impostas pelas legislações estaduais então em vigor e fora dos parâmetros autorizados pelo Conselho do Litoral. mas tão somente legislar em circunstâncias remanescentes. daí resultando a impossibilidade do art. ao prescrever condições para proteção de áreas de interesse especial.629/PR.. 4. o que enseja a imposição de medidas administrativas coercitivas prescritas pelo Decreto Estadual n.2000. Ação rescisória procedente. 7.252/PR. NORMAS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. CONCESSÃO DE ALVARÁ MUNICIPAL. como a expedição de alvará para construção. no mandado de segurança no qual se discute a possibilidade de embargo de construção de prédios situados dentro de seus limites territoriais. no âmbito do exercício da competência legislativa.2003. Min. 1ª T. ainda que tais benefícios sejam diretamente dirigidos às construtoras que receiam o embargo de suas edificações. 2.. Min. 05/89. LEGITIMIDADE DO MUNICÍPIO PARA ATUAR NA DEFESA DE SUA COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. possibilitando a expedição de alvará de licença municipal para a construção de edifícios com gabarito acima do permitido para o local. RMS 13. Francisco Falcão. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR. A Lei n. revogá-la. VIOLAÇÃO. aos Municípios. Min. DJ de 28. AÇÃO RESCISÓRIA. LEI PARANAENSE N.279/PR.11. 24 e 30 da Constituição Federal. destinado a preservar a autonomia municipal.279/PR. 3. não podendo contrariá-las. Francisco Falcão. da CF/88). 5. Entendida a questão sob esse enfoque.02. é de se admitir a legitimidade do município impetrante. 25 da Constituição do Estado do Paraná.380/80 do Estado do Paraná. 1ª T. estabeleceu medidas destinadas à execução das atribuições conferidas pelas legislações constitucional e federal. cumpre a observância das normas editadas pela União e pelos Estados. Min. notas e Questões 1. A Lei Municipal n. se dá em defesa de seu próprio direito subjetivo de preservar sua competência para legislar sobre matérias de interesse local (art.

por sua vez. Por volta de 1990. A corporação. 3. ajuíza ação com pedido de relocalização da indústria. contra-argumenta baseando-se em direito adquirido de pré-ocupação do solo.diReiTO AmbienTAl 2. FGv diReiTO RiO 28 . É possível afirmar que a definição de padrões de qualidade ambiental está restrita ao Poder Legislativo? Justifique. esta área passa a ser ocupada por conjuntos habitacionais. Considere a seguinte situação: uma indústria foi instalada em uma determinada região em 1980. A população no entorno da fábrica. temendo os riscos à saúde impostos pelas atividades industriais. Com base na legislação brasileira vigente. Qual a participação do Conselho de Defesa Nacional no zoneamento ambiental? 4. Por ser questão de interesse local é possível afirmar que o Município detém liberdade plena para definir o zoneamento ecológico-econômico? Justifique. como o caso deve ser resolvido? 5.

informação. emprestam muitos dos conceitos e forma do direito administrativo. informação e educação ambiental para permitir a efetiva participação da sociedade civil organizada e de indivíduos na implementação e execução da política ambiental. Distinguir as diferenças entre publicidade e informação ambiental. Lei 10. PubliCidade. informação e educação ambiental como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. 2.650/03 Lei 9.938/81. Tanto o Direito Internacional como o Direito Estrangeiro (comparado) sedimentaram a necessidade de publicidade. XXXIII. FGv diReiTO RiO 29 . é possível visualizar com clareza a relação do direito ambiental com o direito administrativo. 3. quando aplicados ao direito ambiental. Constituição Federal. Por serem institutos ligados à atividade da administração pública.diReiTO AmbienTAl aula 8. oBjetIvos Entender a importância da publicidade. Compreender a importância e relação entre informação. Neste campo.795/99. São também imprescindíveis para a instrumentalização dos mecanismos processuais de defesa do meio ambiente. artigos 5. 5. 4. Lei 9. Convenção de Aarhus. eduCação e PartiCiPação ambiental Introdução Três importantes princípios de direito ambiental são regulamentados e tomam forma no direito brasileiro como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. 225. como a ação popular e a ação civil pública.051/95. legIslação 1. Identificar os principais pontos da política de educação ambiental e articular formas de aplicação e efetivação prática. Lei 6. portanto. 6. publicidade e educação ambiental com participação popular qualificada nos processos decisórios.

(2007). Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. estaria o estado-membro autorizado a FGv diReiTO RiO 30 . (2008). bem como determinou. 444-447. 5. Paulo Affonso Leme Machado. (2008). porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental.340/2002. Édis Milaré. em seu art. 5. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – SNUC. Direito Ambiental Brasileiro. foram estes rejeitados. NÃO-PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. Governador do Estado do Mato Grosso. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. obscuridade ou contradição a ser suprida. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação.11. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL. DA CF/1988. consubstanciado na edição do Decreto n. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. Em sede de recurso ordinário. 11ª edição. denegou a ação mandamental. por maioria. 5ª edição. Trata-se de mandado de segurança. 178-187. de 12.diReiTO AmbienTAl doutrIna leitura obrigatória Paulo de Bessa Antunes. Editora Revista dos Tribunais. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. 3°. 24. ART. 4. Direito Ambiental. DECRETO ESTADUAL N. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr.438.795/1997. Editora Lumen Juris. § 1°.2002. jurIsprudêncIa Ementa DIREITO AMBIENTAL. 1. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. 243-250.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. primeiro. em se tratando de matéria ambiental. NOS TERMOS DO ART. 16ª Edição. segundo. Editora Malheiros. 9. 1. com pedido liminar. DECRETO ESTADUAL N. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. Direito do Ambiente.

9. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso.438/2002. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. em seu art. defesa do solo e dos recursos naturais. A União.340. nos termos da legislação estadual (MT) e federal. a qual. quer pela falta de previsão na legislação estadual. da Lei n. qual seja. prevista no art. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da federação brasileira (art.985/2000. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. À norma FGv diReiTO RiO 31 . na esteira do art.diReiTO AmbienTAl legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. 24. alcança o objetivo perseguido pelo art.985/2000. fauna. 22. pesca. a regra do art. Aliás. 5. § 4º. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. 24. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. O Decreto n. 4. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. tendo em conta as necessidades da população local. da Carta Maior. No caso dos autos. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. § 2°. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. do art. VI. da CF/1988. ao prescrever. da CF/1988). 3.985/2002. 24. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA. no Estado do Mato Grosso. b) nos casos de competência legislativa concorrente. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. que regulamentou a Lei n. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. respeitando. possibilitar seja identificada a “localização. VI. § 1°. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. caça. 2. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de conservação a ser criada. 22. conservação da natureza. o estatuído no § 1º. quando for o caso. não prevalece disposição de lei federal. 170. Assim sendo. 22. os Estados-membros e o Distrito Federal. evidentemente.985/2000. 4. 4°. de 22 de agosto de 2002. que exige a realização de prévia consulta pública. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. qual seja. os §§ 1° e 2° do art. da CFRB). como ocorreu no caso. § 2°. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. 9. embora sucinta. 9. 9. da Lei n. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. O Decreto Estadual n. da Lei n.

mormente as presentes nos arts. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. Pode a educação ambiental ser considerada instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. O que é e como está estruturado o Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente – SINIMA? FGv diReiTO RiO 32 . 6. Por que o direito à informação ambiental é importante instrumento de política do meio ambiente? 2. notas e Questões 1. Recurso ordinário não-provido. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. 5. No direito ambiental brasileiro. do Código Ambiental (Lei Complementar n. O ato governamental (Decreto n. 38/1995). 5. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. Como a participação nos processos decisórios pode ser importante instrumento de política ambiental? 4.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. Quais são os pontos positivos e as principais críticas à política de educação ambiental brasileira? 5. no entanto. sendo-lhe. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local.diReiTO AmbienTAl de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da federação. quem é legítimo para solicitar informações ao Poder Público? 3. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. incisos V e VII.

Este instrumento possui uma característica peculiar no desempenho da função fiscalizadora da aplicação das normas ambientais. da precisão dos dados apresentados pela auditoria ambiental privada. Diferenciar auditoria ambiental mandatória e voluntária e estas do due diligence. due diligence ambiental. ou mesmo em simples transações de compra-e-venda entre pessoas físicas. oBjetIvos Entender a importância da auditoria ambiental. FGv diReiTO RiO 33 . o de desonerar a administração pública de conduzir este processo. por amostragem. dentre eles. ante o crescente aumento das responsabilidades criminais. dentre eles. custoso e deveras complexo. do ônus na busca da informação e monitoramento dos processos produtivos. qual seja. É através do due diligence que a corporação que compra ou incorpora outra pessoa jurídica. Identificar e trabalhar os principais tópicos que devem ser inseridos na auditoria e due diligence ambiental. A auditoria ambiental transfere do poder público para a iniciativa privada o dever de informar a conformidade dos processos produtivos com a legislação vigente. Cada vez mais exigido em grandes fusões e incorporações. civis e administrativas. por vezes. a inversão. o de instruir decisões corporativas estratégicas como instrumento de gestão e responsabilidade sócio-ambiental e também o de orientar processos de fusões e incorporações. Esta inversão apresenta alguns pontos positivos. Neste último caso.diReiTO AmbienTAl aula 9: auditoria ambiental e due dIlIgence Introdução A auditoria ambiental é um importante instrumento de política do meio ambiente. Ao poder público. Desta natureza preventiva emerge a importância de um completo processo de due diligence ambiental. Compreender a importância e significado da due diligence ambiental. A auditoria ambiental mandatória (imposta por lei). fica reservada a função de fiscalização. o due diligence ambiental faz parte da rotina do advogado e consultor de direito ambiental. ainda que não absoluta. não exclui a possibilidade da realização de auditorias voluntárias. a auditoria ambiental voluntária assemelha-se em muito ao processo conhecido pela sua terminologia em inglês. Os benefícios são inúmeros. Identificar as vantagens e desvantagens de um sistema fortemente dependente da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente. Está intimamente ligada aos mecanismos de aplicação dos padrões de qualidade ambiental estipulados por legislação específica. tomam conhecimento de eventuais passivos ambientais.

de 26/11/1991.898. por unanimidade de votos.jstor./2006. “Regulatory Compliance Through Environmental Auditing”. pp. vol.rj. 5. Direito Ambiental Brasileiro. 16ª Edição. 2008. artigos.alerj. disponível em http://www.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) Constituição do Estado do Rio de Janeiro. pp. ementa: DECISÃO: ACORDAM os desembargadores integrantes do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. Interessada: Assembléia Legislativa do Estado do Paraná. 261-282. doutrIna Auditoria ambiental é o procedimento de exame e avaliação periódica ou ocasional do comportamento de uma empresa em relação ao meio ambiente.gov. disponível em: http://www. 2008. disponível em http://www.rj. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – MEDIDA LIMINAR – LEI ESTADUAL QUE INSTITUIU AUDITORIA AMFGv diReiTO RiO 34 . Stephen H. Direito Ambiental Brasileiro.alerj. 16ª Edição. 3. Órgão Especial. p. 1. n.br/processo6. DJ: 7254. 2) Lei Ordinária do Estado do Rio de Janeiro. 590-594. 298-314.org/ stable/3323264. 376102-0. 191).br/processo2.htm. leItura oBrIgatórIa MACHADO. em indeferir a liminar requerida na presente Ação Direta de Inconstitucionalidade. Julgamento 06/Nov. (Paulo Affonso Leme Machado. Paulo Affonso Leme. Journal of Policy Analysis and Management. n. (spring 1986).htm. São Paulo: Malheiros. jurIsprudêncIa Autora: ALCOPAR – Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná vs. Malheiros. BIBlIograFIa coMpleMentar LINDER.gov. TJ-PR.

FGv diReiTO RiO 35 . EM PRIMEIRA ANÁLISE.diReiTO AmbienTAl BIENTAL COMPULSÓRIA – DIPLOMA QUE. notas e Questões 1) O que é auditoria ambiental? 2) Qual a diferença entre auditoria ambiental mandatória e voluntária? 3) Qual ente da Federação está mais adepto ao uso da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente: União. Estados ou Municípios? Por quê? 4) Dentro de uma política do meio ambiente. COADUNA-SE COM O SISTEMA CONSTITUCIONAL DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE EQUILIBRADO – PLAUSIBILIDADE – AUSÊNCIA – GRANDE LAPSO TEMPORAL ENTRE A EDIÇÃO DO ATO E A PROPOSITURA DA AÇÃO – URGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA – INSURGÊNCIA MERAMENTE QUANTO A INTERESSES SUBJETIVOS DOS ASSOSSIADOS DA ENTIDADE AUTORA – CARÁTER OBJETIVO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ABSTRATO – CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO AFETAM O JULGAMENTO DA AÇÃO DIRETA – INDEFERIMENTO DA LIMINAR. qual a função desempenhada pela auditoria ambiental? 5) Quais as vantagens e desvantagens de utilização da auditoria ambiental como instrumento de política ambiental? 6) O que é o due diligence? 7) Como a auditoria ambiental diferencia-se e como se assemelha ao due diligence? 8) Quais os principais tópicos que preferencialmente devem constar da auditoria e do due diligence ambiental.

com ela. Estes eventos fizeram crescer mundialmente a pressão pela necessidade da realização de uma avaliação prévia a qualquer projeto dos eventuais impactos ambientais para atividades com potenciais poluidores significativos. Identificar as principais questões que devem ser inseridas no estudo e relatório de impacto ambiental. FGv diReiTO RiO 36 . refletindo nos ordenamentos jurídicos nacionais. o incremento dos níveis de informação e transparência na execução de projetos com potencial poluidor.diReiTO AmbienTAl aula 10: avaliação de imPaCto ambienta (aia). Desde rios pegando fogo. Por sua singular importância. para citar apenas alguns. ao meio ambiente. oBjetIvos Distinguir avaliação de impacto ambiental de estudo e relatório de impacto ambiental. Como princípio. na forma de princípio de direito ambiental. como momento da exigência. Examinar o papel do princípio da participação e informação no processo de avaliação de impacto ambiental. Entender o papel do CONAMA na determinação de atividades que atraiam a exigência do EIA/RIMA. elaboração e custeio. Este modelo de desenvolvimento que não internalizava as cuidados básicos com a gestão de recursos naturais renováveis ou não. a avaliação de impacto ambiental encontra-se atualmente consolidada no direito ambiental. por conseguinte. em tratados internacionais o que acaba. instruindo a ação de organismos internacionais e como parte integrante de diversos ordenamentos jurídicos nacionais. Analisar a exigibilidade do EIA/RIMA à luz da legislação vigente e interpretação jurisprudencial. Trabalhar os aspectos práticas da realização do EIA/RIMA. o aumento da participação popular e dos mecanismos de controle da ação do estado. Compreender a importância da avaliação de impacto ambiental como instrumento de política do meio ambiente. inexoravelmente. a avaliação de impacto ambiental exerce funções relevantes dentro do contexto do direito ambiental. a sociedade civil organizada e. A partir de então. porém limitados. por vezes irreversíveis. percebe-se de forma crescente a inserção da avaliação de impactos ambientais. estudo e relatório de imPaCto ambiental (eia/rima) Introdução O histórico menosprezo às externalidades ambientais ensejou inúmeros projetos ao redor do mundo sem qualquer observância aos eventuais impactos negativos. atraindo. Dentre elas. e os respectivos impactos ambientais acarretou inevitavelmente prejuízos catastróficos ao meio natural. vazamentos de óleo de gigantesca magnitude. até sérias contaminações radioativas. relevante ressaltar a de instrumento de política do meio ambiente instrumentalizando o próprio princípio da precaução.

2002. FGv diReiTO RiO 37 . da sua operação e. pp. Paulo de Bessa. corrigidos. DJ 10/Ago. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. do encerramento das atividades. pp. Julgamento 7/Jun. Celso Antonio Pacheco. 1. 3ª Edição. 354. inciso IV. mitigados e/ou compensados quando da sua instalação. 2006. Revista dos Tribunais. 2007. pp. doutrIna A implantação de qualquer atividade ou obra efetiva ou potencialmente degradadora deve submeter-se a uma análise e controle prévios. MACHADO. 16ª Edição. 67-74. Direito Ambiental Brasileiro. Lei 6. 11ª Edição. G. São Paulo: Método. BELTRÃO. 101-104. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. parágrafo 1º. artigo 6º./2001. 5ª edição. 2008. MORAES. Rio de Janeiro: Lumen Juris. pp. Direito do Ambiente.274/1990. pp. Luís Carlos Silva de. Tribunal Pleno. São Paulo: Atlas. 137-166. Manual de Direito Ambiental. inciso II e parágrafos 1º e 2º e artigo 9º. jurIsprudêncIa Requerente: Procurador-Geral da República vs. 354-403. 2007. Tal análise se faz necessária para se anteverem os riscos e eventuais impactos ambientais a serem prevenidos. (Édis Milaré. Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997.938/1981. em casos específicos. Decreto 99. São Paulo: Saraiva. 2ª Edição. 5ª edição. Direito do Ambiente. Paulo Affonso Leme. p. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. artigo 225. 2008. Requerido: Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Antônio F. artigo 7º. São Paulo: Malheiros. 253-306. FIORILLO.086-7. Direito Ambiental. Curso de Direito Ambiental.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) 2) 3) 4) Constituição Federal.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ./2001. 215-270. Édis. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2008. STF. pp. inciso III.

civis e penais. O empreendedor e os profissionais que subscrevem o Estudo de Impacto Ambiental são responsáveis pelas informações apresentadas. 1 FGv diReiTO RiO 38 . DA CARTA DA REPÚBLICA. O órgão ambiental competente. mas podem sê-lo por livre decisão do órgão licenciador. 225. e. G. ao dispensar a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental no caso de áreas de florestamento ou reflorestamento para fins empresariais. São em princípio exigíveis. b. cria exceção incompatível com o disposto no mencionado inciso IV. do § 1º do artigo 225 da Constituição Federal. d. apesar de verificar que a atividade ou o empreendimento não é potencialmente causador de significativa degradação am- As questões 5 a 11 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo constitucional catarinense sob enfoque. c. A norma impugnada. mas podem sê-lo pelo órgão licenciador se o impacto ambiental for significativo. Ação julgada procedente. Manual de Direito Ambiental. § 1º.diReiTO AmbienTAl ementa AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. 2008. pp. 192-199. São sempre exigíveis. Não são em princípio exigíveis. sujeitando-se às sanções administrativas. podendo ser dispensados pelo órgão licenciador se o impacto ambiental não for significativo. o estudo de impacto ambiental e seu respectivo relatório (EIA/RIMA)1 a. ARTIGO 182 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. São em princípio exigíveis. CONTRARIEDADE AO ART. editora método. notas e Questões 1) Qual a diferença entre Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e Estudo / Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)? 2) Qual a diferença entre Estudo e Relatório de Impacto Ambiental? 3) Qual a finalidade destes instrumentos (AIA / EIA / RIMA)? 4) (Procurador do Município Manaus 2006) No curso de processos de licenciamento ambiental. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL. podendo ser dispensados por livre decisão do órgão licenciador. IV. beltrão. Não são em princípio exigíveis. 5) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. b.

A afirmativa (b). Está(ao) correta(s) a. As afirmativas “a” e “b”. As afirmativas “a”. FGv diReiTO RiO 39 . A afirmativa (c). d.º 4.771/65. Apenas a afirmativa “a”. c. Compete ao IBAMA exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei Federal n. Durante o período de análise técnica. c. Está(ão) correta(s) apenas: a. c. “b” e “c”. b. É obrigatória a elaboração de Estudo de Impacto ambiental para: os distritos industriais. poderá mesmo assim exigir os estudos ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento. o RIMA deve estar disponível ao público no órgão ambiental estadual. e. As afirmativas “a” e “c”. A afirmativa “a”. As diretrizes a serem seguidas para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental são determinadas exclusivamente pelo órgão competente que realizar o licenciamento ambiental. é de competência do órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados em dois ou mais Estados. e os gasodutos. A afirmativa “b”. e. A afirmativa “c”. b. Compete ao órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conservação de domínio estadual. Está(ão) incorreta(s) apenas: a. c. As afirmativas (a) e (c). 6) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. d. d. Apenas as afirmativas “a” e “b”. As afirmativas (a) e (b). O RIMA é parte integrante do Estudo de Impacto Ambiental. e.diReiTO AmbienTAl biental. as estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento. os postos de abastecimento de combustível. b. Em regra. c. Apenas as afirmativas “a” e “c”. Apenas a afirmativa “c”. observado o sigilo industrial. A afirmativa (a). b. b. c. 7) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a.

Compete à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. A afirmativa “c”. c. As afirmativas “a” e “c”. Quanto aos aspectos de biossegurança de OGM e seus derivados. 9) (Procurador do Estado/PR – 2007) À luz da legislação ordinária vigente em nosso país. Está(ão) correta(s) apenas: a. b. Compete simultaneamente ao IBAMA. As afirmativas “b” e “c”. à ANVISA e à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. e. O Estudo de Impacto Ambiental deverá contemplar alternativas tecnológicas e locacionais. c. d. b. e. Licença prévia. 10) (Procurador do Estado/PR – 2007) Qual é o instrumento de controle do Poder Público destinado a atestar a viabilidade ambiental de um empreendimento ou atividade? a. a responsabilidade pelas despesas de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental é do Poder Público. Plano de manejo. Independentemente de quem seja o empreendedor. FGv diReiTO RiO 40 . Compete à ANVISA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. c. c. Relatório ambiental preliminar. Estudo prévio de impacto ambiental. Compete ao IBAMA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. d. assinale a alternativa correta: a. d. a decisão técnica do CONAMA vincula os demais órgãos e entidades da administração. e. bem como medidas mitigadoras apara a redução do impacto ambiental. Análise preliminar de risco. As afirmativas “a” e “b”. b. b. A afirmativa “a”.diReiTO AmbienTAl 8) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. O Estudo de Impacto Ambiental é exigível para todos os licenciamentos ambientais.

b. todos os casos em que a administração pública deve exigir do empreendedor a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental. o zoneamento ambiental. os casos em que a administração pública deve solicitar ao empreendedor estudo de impacto ambiental (EIA). FGv diReiTO RiO 41 . O EIA/RIMA é uma das fases do procedimento de licenciamento ambiental. ou não. São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. a avaliação de impactos ambientais e a criação de espaços territoriais especialmente protegidos. o qual nunca poderá ser dispensado pelo órgão ambiental. d. de acordo com tabela fixada pela administração pública. A exigência. em enumeração taxativa. A legislação brasileira estabelece. a. em áreas públicas ou particulares. A legislação brasileira estabelece.diReiTO AmbienTAl 11) (OAB/CESPE – 2007. do EIA está vinculada ao custo final do empreendimento proposto. em rol exemplificativo. assinale a opção correta. entre outros.II) Considerando aspectos relativos à proteção administrativa do meio ambiente. c. cabendo ao empreendedor recolher à administração pública o valor correspondente aos seus custos. devendo ser elaborado por equipe técnica multidisciplinar indicada pelo órgão ambiental competente.

as licenças ambientais são provisórias.diReiTO AmbienTAl aula 11: liCenCiamento ambiental Introdução A partir do momento em que as externalidades ambientais passam a ser reguladas pelos ordenamentos jurídicos nacionais. devendo ser renovadas periodicamente. desde que verificadas as melhores práticas ambientais. Esta mudança de paradigmas é emblemática. Analisar questões controvertidas quanto à competência em licenciamento ambiental. Após o levantamento e averiguação das externalidades negativas ambientais e como meio de controle do bem ambiental. a legislação brasileira impõe um sistema de licenciamento ambiental que se traduz em autorizações de planejamento prévio. instalação e operação. Aprofundar o embasamento jurídico da exigência de licenças ambientais. É o reconhecimento de que o desenvolvimento somente será admitido se sustentável for. suspensão ou cancelamento da licença ambiental. Examinar o direito à indenização de eventual prejudicado nos casos de modificação. debater sobre a natureza jurídica do instituto do licenciamento ambiental. suspensão ou cancelamento de licença. Resolver casos que envolvam modificação. aquelas que não violem os princípios consagrados pelo artigo 225 da Carta da República. tempo e modo. surge a necessidade de desenvolvimento e imposição de um sistema de controle administrado e gerido pelo Poder Público. Trabalhar os institutos do direito adquirido e ato jurídico perfeito em face de atividades pretéritas à vigência da legislação acerca do licenciamento ambiental. legIslação 1) Lei 6. Identificar atividades que exigem licenciamento ambiental especial.938/1981. FGv diReiTO RiO 42 . Para tanto. Como as melhores práticas ambientais estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. o Poder Público institui licenças ou autorizações concedidas e impostas precariamente à atividade econômica. a circunstâncias de fato. oBjetIvos À luz do direito administrativo. visando à consagração dos princípios de direito ambiental. Entender as diferentes etapas e prazos do licenciamento ambiental brasileiro. Articular o princípio da participação popular e o licenciamento ambiental. ou seja. Significa reconhecer que a atividade econômica já não mais se encontra livre para explorar os recursos naturais renováveis ou não. porém sempre limitados. A avaliação de impacto ambiental é um dos elementos deste sistema.

Direito do Ambiente. 2008. G. Luís Carlos Silva de. por exemplo. através dos quais possa ser verificada a possibilidade e regularidade de toda e qualquer intervenção projetada sobre o meio ambiente considerado. São Paulo: Malheiros. Revista dos Tribunais. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 85-101. Édis. 271-297. 404. Para tanto. Por ser de todos em geral e de ninguém em particular. FGv diReiTO RiO 43 . Antônio F. o meio ambiente é qualificado como patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido para uso da coletividade ou.274/1990. 2ª Edição. 2002. pp. 1999. pp. MACHADO. OLIVEIRA. MORAES. Antônio Inagê de Assis. doutrIna Segundo a lei brasileira. Curso de Direito Ambiental. Direito Ambiental Brasileiro. 11ª Edição. 16ª Edição. só pode legitimar-se mediante ato próprio de seu direto guardião – o Poder Público. São Paulo: Saraiva. O Licenciamento Ambiental. Assim. 3) Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. (Édis Milaré. que. 5ª edição. pp. Direito Ambiental. 5ª edição. 2006. 166-181. pp. 405-435. 141-180. essencial à sadia qualidade de vida. FIORILLO. Direito do Ambiente. à evidência. a fiscalização é meio de controle concomitante. São Paulo: Atlas. Manual de Direito Ambiental. 63-80. 2008. São Paulo: Revista dos Tribunais. São Paulo: Método. São Paulo: Iglu Editora. pp. pp.diReiTO AmbienTAl 2) Decreto 99. 2007. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. arma-o a lei de uma série de instrumentos de controle – prévios. as permissões. Celso Antonio Pacheco. concomitantes e sucessivos –. Paulo Affonso Leme. na linguagem do constituinte.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. autorizações e licenças pertencem à família dos atos administrativos de controle prévio. bem de uso comum do povo. e habite-se é forma de controle sucessivo. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. Paulo de Bessa. 3ª Edição. 2008. p. 2007. BELTRÃO. inexiste direito subjetivo à sua utilização.

sobre os mangues. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações.022-SC (2003/0159754-5). Julgamento 17/Fev. a FATMA. principalmente. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. 10-30. é supletiva. nesse caso./2004. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. bem como. enfim. 588. Recursos especiais improvidos. pode até haver duplicidade de licenciamento. sobre as praias. extrapolando os limites impostos pelo homem. sobre a orla litorânea. pp. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. é possível a modificação dos seus termos. A atividade do órgão estadual. STJ. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. DJ 5/Abr. notas e Questões 1) Durante a vigência de uma licença ambiental. suspensão e/ou cancelamento? Explique. 4. A natureza desconhece fronteiras políticas. pelo depósito dos detritos no mar. 2. INTERESSE NACIONAL. Em caso positivo. Recorrido: Ministério Público Federal. 5. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. 1ª Turma./2004.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa Recorrente: Superintendência do Porto de Itajaí vs. sobre o homem que vive e depende do rio. o mar territorial afetado. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. através dos órgãos ambientais públicos e privados. e. mas. Os bens ambientais são transnacionais. do mar e do mangue nessa região. LICENCIAMENTO. 3. COMPETÊNCIA DO IBAMA. 1. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. Recurso Especial n. quem deve arcar com os custos inerentes à adaptação da licença? FGv diReiTO RiO 44 . in casu. sobre as correntes marítimas.

d. a de instalação e a de operação. Os técnicos do órgão licenciador estadual constataram ainda que o resfriamento do aqüífero poderia trazer conseqüências não apenas ao município vizinho. Cinqüenta ou mais cidadãos. d. nas proximidades de um município. localizadas em unidade da federação confrontante. 4) (Defensor Público SP 2006) O licenciamento ambiental é feito em três etapas distintas. mas também porque cabe ao IBAMA o exercício do poder de polícia quando as questões FGv diReiTO RiO 45 . na qual existe uma situação de incerteza quanto à real efetivação dos danos ambientais. nem mesmo aludindo ao princípio da precaução. por meio do seu poder de política. criar novas restrições ambientais. Na hipótese aventada. e. b. c. suspensão e/ou cancelamento de licença ambiental vigente. conforme a outorga das seguintes licenças: a prévia. A licença de instalação NÃO poderá ultrapassar a. exceto quando o órgão competente para a concessão da licença julgar necessário ou quando sua realização for solicitada pelo Ministério Público ou requerido ao órgão ambiental por a. A ausência da participação do IBAMA no procedimento de concessão de licença de operação enseja uma irregularidade. julgue os itens que se seguem. cujo grande apelo turístico era a existência de um lençol freático de águas quentes. a. Pelo menos 1% de eleitores do município atingido. o órgão licenciador competente não pode. 6 anos. mas também a outras cidades.5% de cidadãos do município atingido. foi constatado que o funcionamento da usina poderia vir a causar o resfriamento de seu lençol aqüífero termal. cabe ao empreendedor ser indenizado pelos danos materiais e/ou morais decorrentes? Explique. b. 10 anos. já que seria necessária a participação dessa autarquia federal como órgão de proteção ambiental competente. c. Considerando o texto acima como referência inicial. (CESPE – Juiz Federal Substituto TRF 5ª Região) Em virtude da concessão de licença de operação a uma usina hidrelétrica. e. Pelo menos 0. 5. b. 3 anos. Mais de 1% dos cidadãos residentes no município atingido. tendo em vista não somente que a potencialidade lesiva abrange diretamente mais de um Estado federativo.diReiTO AmbienTAl 2) No caso de modificação. Mais de cem eleitores. 2 anos. 5 anos. 3) (Defensor Público SP 2006) A concessão de licença ambiental não prevê a obrigatoriedade de audiência pública.

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ambientais envolvam bens da União, como no caso em comento, haja vista que os recursos minerais do subsolo pertencem à União. 6) (Procurador do Estado/PR – 2007) Assinale a alternativa incorreta: a. Os estudos necessários ao processo de licenciamento ambiental deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor. b. O licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades de impacto ambiental local compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando couber. c. Compete ao órgão ambiental estadual o licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades localizados ou desenvolvidos ao longo de rios, ainda que de domínio federal. d. Compete ao IBAMA o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental localizadas em Estados que sejam limítrofes a outros países. e. Pode o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, modificar as condicionantes e as medidas de controle e adequação, bem como suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.

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aula 12: dano e resPonsabilidade ambiental
Introdução

Conforme reiteradamente exposto em tópicos anteriores, o bem ambiental é complexo, pois composto de diversos elementos naturais e, conforme o ordenamento jurídico, de elementos criados artificialmente pelo homem. Pelo fato desses elementos apresentarem intricada relação com a vida humana, estão constantemente sujeitos a serem alterados e/ou modificados. Acontece, porém, que a noção clássica de dano pressupõe uma ação negativa, ou seja, prejudicial ao estado em que se encontrava o bem antes do evento danoso. Em se tratando do bem ambiental e dos elementos que o compõem, a caracterização de um dano é ameaçada pelo alto grau de subjetividade no juízo de valor que, por sua vez, varia conforme o interesse em jogo. Por exemplo: o que seria um meio ambiente ecologicamente equilibrado? Quem define quais os critérios para se atingir um meio ambiente ecologicamente equilibrado? A ciência? Mas por vezes a própria ciência é contraditória. Conseqüentemente, a própria caracterização de um determinado dano ambiental não é matéria pacífica. Na mesma esteira, muitos danos ao meio ambiente são de longa maturação, não sendo sentidos, senão depois de transcorridos longos períodos de tempo. Em todas essas hipóteses, há, portanto, significativa dificuldade de estabelecimento de nexo causal, típico da relação entre o dano e a responsabilidade civil clássica. Por outro lado, quando efetivamente constatada a existência de um dano ao meio ambiente como, por exemplo, inequívoco derramamento de substância tóxica que afeta a saúde da população e os atributos ecológicos dos elementos diretamente afetados pelo vazamento, impõe-se a construção de uma responsabilidade especial que considere a complexidade anteriormente narrada do bem ambiental. Para tanto, a Constituição Federal de 1988 estabelece as linhas gerais para uma tríplice responsabilização: no campo penal, administrativo e reparatório, bem assim a legislação infraconstitucional, mais precisamente, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6,938/81) e a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998).

oBjetIvos

Entender a noção de dano ambiental à luz da complexidade do bem ambiental. Trabalhar as possibilidades reparatórias diante de um dano ambiental. Identificar as dificuldades da aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao meio ambiente. Examinar as conseqüências sancionatórias imputadas pelo ordenamento jurídico brasileiro ao responsável pelo dano ambiental. Conhecer as condutas lesivas ao meio ambiente que dão ensejo a responsabilidade penal. Analisar as possibilidades de atuação da administração pública na imposição de
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diReiTO AmbienTAl

sanções administrativas. Articular a aplicação das responsabilidades civil, penal e administrativa.

legIslação

1) Constituição Federal de 1988, artigo 225; 2) Lei 6.938/1981; 3) Lei 9.605/1998.

doutrIna A partir do momento em que as preocupações ambientais começaram a encontrar eco no mundo do Direito e em que surgiram normas jurídicas a tutelar o novo bem jurídico (que constitui também um direito fundamental), teriam obviamente de surgir também disposições legais a ocupar-se da violação das normas destinadas à tutela do ambiente, assim fazendo o seu aparecimento a categoria do ilícito ambiental. Para Postiglione (Ambiente: suo significato giuridico unitario, Rivista Trimestrale di Diritto Publico, anno XXXV (1985), p. 51), o “dano ambiental é o prejuízo trazido às pessoas, aos animais, às plantas e aos outros recursos naturais (água, ar e solo) e às coisas (...) que consiste numa ofensa do direito ao ambiente”, traduzindo-se também numa “violação em concreto dos ‘standards’ de aceitabilidade estabelecidos pelo legislador”. (...) A responsabilidade civil é um instituto cuja antiguidade remonta ao Direito Romano mas que tem vindo a evoluir ao longo dos tempos, adaptando-se às necessidades postas pelas sociedades modernas. Mesmo assim ele revela-se, em muitos casos, um meio inadequado de lidar com os atentados ao ambiente. Inadequado pelas dificuldades de prova dos seus rigorosos pressupostos, mesmo quando as razões de justiça permitam prescindir daquele cuja prova poder ser mais difícil: a culpa. A responsabilidade objectiva, pelo risco ou por factos lícitos, é, sem dúvida, um grande avanço no sentido da correspondência do instituto às necessidades da vida moderna, sem perda de justiça intrínseca. Porém, não é ainda suficiente para cobrir todas as situações de dano que, cada vez com mais frequência, ocorrem e que, por falta de prova de um ou outro pressuposto, ficam impunes e por indemnizar. A solução parece passar pela aposta em novos instrumentos jurídicos para a protecção do ambiente. (José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador), Introdução ao Direito do Ambiente, Universidade Aberta, 1998, p. 29 e 139.)

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05. quanto ao terceiro. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. DJ de 01. 16ª Edição.938/81. STJ. A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva.08./2007. 5ª edição. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. FIORILLO. Relator Ministro João Otávio de Noronha. Manual de Direito Ambiental. 745. RESP 263383/PR. § 1º. Relator Ministro Francisco Falcão. BIBlIograFIa coMpleMentar CANOTILHO.04. Antônio F. 2008. Direito do Ambiente. RECOMPOSIÇÃO.2003. determina que o poluidor seja obrigado a indenizar ou reparar os danos ao meio-ambiente e. 234-242 e 201-215. pp. pp. 14. BELTRÃO. TERRAS RURAIS. DJ de 17. 242-261. Recorrido: ADEAM Associação Brasileira de Defesa Ambiental. Paulo Affonso Leme.2005 e EDcl no AgRg no RESP 255170/SP. 321-337.2006. São Paulo: Revista dos Tribunais. pp. pp. DJ 18/Out. 3ª Edição. 29-33 e 139-134. FACULDADE DO ÓRGÃO JULGADOR. 809-957. 1ª Turma. São Paulo: Método.2004. DJ de 22. Universidade Aberta. desta relatoria. RESPONSANTE. A obrigação de reparação dos danos ambientais é proter rem. Rio de Janeiro: Lumen Juris. ART. que em seu art. máxime porque a referida norma referendou o próprio Código Florestal (Lei 4. 2002. G. Direito Ambiental Brasileiro. Julgamento 20/Set. Precedentes do STJ: RESP 826976/ PR. Paulo de Bessa. mesmo sem culpa. 341-368 e 696-731. São Paulo: Malheiros.diReiTO AmbienTAl leItura oBrIgatórIa ANTUNES. MILARÉ. 11ª Edição. São Paulo: Saraiva. 476 DO CPC. ante a ratio essendi da Lei 6. 1998. Recurso Especial n.771/65) que estaFGv diReiTO RiO 49 . 1. Édis. pp. 2008. MACHADO. DANOS AMBIETNAIS. pp.171/91 vigora para todos os proprietários rurais.09. DJ de 22./2007.363-PR (2005/0069112-7). Celso Antonio Pacheco. ementa PROCESSUAL CIVIL. Introdução ao Direito do Ambiente. ainda que não sejam eles os responsáveis por eventuais desmatamentos anteriores. jurIsprudêncIa Recorrente: Oswaldo Alfredo Cintra vs. Relator Ministro Castro Meira. Direito Ambiental. MATAS. 2008. por isso que a Lei 8. ADMINISTRATIVO. AgRg no REsp 504626/ PR. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 2007. 2. José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). preceitua que a obrigação persiste.

” Na conceituação do risco aplicam-se os princípios da precaução. A Constituição Federal consagra em seu art. 5. moral e constitucionalmente. em matéria ambiental . independentemente de culpa. nos casos especificados em lei. em prol do interesse coletivo. pois não há necessidade de que ela apresente risco ou seja perigosa.741/ PR.. dispõe: “Haverá obrigação de reparar o dano. § III. da Lei 6. que instituiu a responsabilidade sem culpa. está autorizado. Precedente do STJ: RESP 343.938/81). ressalta que “(. do CC de 2002. Quanto à primeira parte. pois não é justo prejudicar nem os outros e nem a si mesmo. em sua obra Direito Ambiental Brasileiro. 14. seguindo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei. Procura-se quem foi atingido e. pois. É contra Direito enriquecer-se ou ter lucro à custa da degradação do meio ambiente. Nenhum dos poderes da República. de no mínimo 20% de cada propriedade.938/81. ninguém. risco para os direitos de outrem”. É cediço em sede doutrinária que se reconhece ao órgão julgador da primazia da suscitação do incidente de uniformização discricionariedade no exame FGv diReiTO RiO 50 . Facilita-se a obtenção da prova da responsabilidade.10. quando nos defrontarmos com atividades de risco. obrigando os seus proprietários a instituírem áreas de reservas legais..)” in Direito Ambiental Brasileiro. caso a caso. Só depois é que se entrará na fase do estabelecimento do nexo de causalidade entre a ação ou omissão e o dano. parágrafo único. Presente. a imprudência e a negligência para serem protegidos bens de alto interesse de todos e cuja lesão ou destruição terá conseqüências não só para a geração presente. o binômio dano/ reparação. A responsabilidade sem culpa tem incidência na indenização ou na reparação dos “danos causados ao meio ambiente e aos terceiros afetados por sua atividade” (art..2002.. O artigo 927. 186 que a função social da propriedade rural é cumprida quando atende. “É a responsabilidade pelo risco da atividade. 12ª ed. inicia-se o processo lógico-jurídico da imputação civil objetiva ambiental!. como para a geração futura. Não se pergunta a razão da degradação para que haja o dever de indenizar e/ou reparar. também. Quanto à segunda parte. por um princípio de Direito Natural. 326327. p. cujo regime de responsabilidade não tenha sido especificado em lei. Malheiros Editores.diReiTO AmbienTAl belecia uma limitação administrativa às propriedades rurais. 2004.)A responsabilidade objetiva ambiental significa que quem danificar o ambiente tem o dever jurídico de repará-lo. sem se exigir a intenção. a requisitos certos. Relator Ministro Franciulli Netto. Paulo Affonso Leme Machado. ou o Poder Público fará a classificação dessas atividades. Não interessa que tipo de obra ou atividade seja exercida pelo que degrada. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. Repara-se por força do Direito Positivo e. 4. por sua natureza. DJ de 07. entre os quais o da “utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente”. da prevenção e da reparação. se for o meio ambiente e o homem. o juiz analisará. a concordar ou a praticar uma transação que acarrete a perda de chance de vida e de saúde das gerações (. já temos a Lei 6.. 3.

sempre que anteriormente adotada já não corresponda às necessidades cambiantes do convívio social. por vezes suscitado com intuito protelatório.2006 e EDcl no AgRg nos EDcl no CC 34001/ES. in Comentários ao Código de Processo Civil. notas e Questões 1) Em que consiste a noção de dano ambiental? 2) Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente. têm os órgãos judiciais de aplicar aos casos concretos as regras de direito. O pedido de uniformização de jurisprudência revela caráter eminentemente preventivo e. 04-05. especialmente porque o instituto sub examine não é servil à apreciação do caso concreto. Não se trata.. 10.08.(. Recurso especial desprovido. pura e simplesmente. na medida do possível. objetivando a pacificação da jurisprudência interna de determinado Tribunal.05. V.11.diReiTO AmbienTAl da necessidade do incidente porquanto. para tanto. Cumpre-lhes. ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? FGv diReiTO RiO 51 .2006. Forense. interpretar essas regras. Relator Ministro Francisco Falcão. 7. consoante cediço. Deveras. DJ de 29. e somente neles. que lhes tolhesse o movimento em direção a novas maneiras de entender as regras jurídicas. Sob esse ângulo.. ao revés. 476 do CPC. 9. determinar o seu sentido e alcance. o mencionado incidente não ostenta natureza recursal. não vincula o órgão julgador. Sobre o thema leciona José Carlos Barbosa Moreira. ante o óbice erigido pela Súmula 07. Relator Ministro Jorge Scartezzini.2004. EDcl nos EDcl no RMS 20101/ES.) Nesses limites. cumpre destacar. a severidade do incidente é tema interditado ao STJ. consoante a ratio essendi do art. Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 620276/RS. litteris: “No exercício da função jurisdicional.. é que se põe o problema da uniformização da jurisprudência. ao qual a iniciativa do incidente é mera faculdade. revela meio hábil à discussão de teses jurídicas antagônicas.)” p. 8. 6. de evitar. DJ de 01. Relator Ministro Castro Meira. de impor aos órgãos judicantes uma camisa-de-força. que a sorte dos litigantes e afinal a própria unidade do sistema jurídico vigente fiquem na dependência exclusiva da distribuição do feito ou do recurso a este ou àquele órgão (. razão pela qual não se admite a sua promíscua utilização com nítida feição recursal. Vol. nem seria concebível que se tratasse. DJ de 30. a cuja luz hão de apreciar-se as hipóteses variadíssimas que a vida oferece à consideração dos julgadores.. Assim se fixam as teses jurídicas. isto é. Trata-se.

Dentro de unidade de conservação. b. Fazer o funcionário público afirmação falsa em procedimento de autorização de licenciamento ambiental. p. 263. ou à noite. Abusando de licença que lhe tenha sido regularmente concedida. G.605/98. e. ter o agente cometido o crime a. d. Manual de Direito Ambiental. c. Deixar. 5) Qual é a intenção implícita na responsabilização penal de condutas lesivas ao meio ambiente? 6) Podem as pessoas coletivas ser punidas pela prática de crimes ecológicos? 7) De que forma a imposição de sanções administrativas pode ser instrumento eficaz na prevenção de ações lesivas ao meio ambiente? 8) Qual(is) a(s) distinção(ões) fundamental(is) entre responsabilidade civil e sanção administrativa? 9) (Procurador do MP do TCE/MG 2007) Dentre os crimes ambientais. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que possam resultar em danos à saúde humana. b. Conceder a funcionário público licença em desacordo com as normas ambientais para obra cuja realização dependa de ato autorizativo do Poder Público. de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental. Em razão de sua baixa instrução ou escolaridade. tal como definido pela Lei n. e. Destruir bem especialmente protegido por lei. aquele que tiver o dever contratual de fazê-lo. editora método. c. beltrão. 2 As questões 9 e 10 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F.diReiTO AmbienTAl 3) Como está configurada a responsabilidade civil na Lei 6.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente)? 4) Dê exemplos de dificuldades na aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao ambiente. FGv diReiTO RiO 52 . Em domingos e feriados. NÃO admite a modalidade culposa o de2 a. 2008. d. Para obter vantagem pecuniária.º 9. 10) (Procurador Município Manaus 2006) NÃO é circunstância agravante da pena pela prática de crime ambiental.

o bem ambiental é complexo. FGv diReiTO RiO 53 . a intervenção na flora quase sempre refletirá na fauna. água e ar. o tratamento legal dispensado a um determinado bem ambiental deve sempre considerar o conjunto dos demais que compõe o todo meio ambiente. a especificidade dos elementos que compõem o meio ambiente atrai a necessidade do desenvolvimento de tutelas específicas. Como decorrência da impossibilidade do isolamento prático do conjunto de bens ambientais que. Esta necessidade impõe o desenvolvimento de uma intrincada rede normativa nas três esferas da federação. flora. por outro. no campo da natureza e da ecologia. basicamente em uma das seguintes categorias: fauna. diante da competência concorrente prevista pela Constituição Federal para a tutela do meio ambiente. Por outro lado. a tutela específica deve sempre ser aplicada e interpretada à luz dos princípios constitucionais e preceitos legislativos federais gerais. Se por um lado o direito ambiental apresenta princípios formadores e específicos. compreendidos. O ordenamento jurídico ao diferenciar o tratamento dispensado ao bem ambiental conforme a sua natureza. consegue proporcionar mais eficácia no cumprimento dos objetivos propostos em cada tipo de legislação. assim como a intervenção no ar pode refletir na água. Isto porque. por exemplo. peculiaridades em relação à forma de responsabilização de eventual dano em face da própria complexidade do bem a que se propõe tutelar. pois que é composto por diversos elementos.diReiTO AmbienTAl bloCo iii: tutelas esPeCífiCas do meio ambiente Introdução Conforme relatado nos blocos anteriores. fora do campo meramente legislativo ou didático. e assim sucessivamente.

Conhecer a legislação aplicável e instituições responsáveis pela gestão das águas. Entender o regime de competências legislativa e material. Decreto-lei 221/1967 (Código de Pesca). Decreto-lei 852/1938. quanto vital. com o crescimento demográfico acelerado. porém limitado. Trabalhar a aplicação da doutrina a casos concretos envolvendo conflitos sobre direito de uso da água. legIslação 1) 2) 3) 4) 5) 6) Constituição Federal. Esta mudança é refletida por uma tendência atual de maior intervenção do Estado. Lei 9. oBjetIvos Entender a evolução histórico-legislativa do tratamento dos recursos hídricos no Brasil. Analisar a racionalidade da cobrança da água. por meio do exercício cada vez maior do seu poder regulatório. Artigos 20. Contudo. classificação das águas e do uso da água. a. b e c. O tratamento da água como um recurso ilimitado e passível de ser apropriado gratuitamente. III. a água foi considerada um recurso natural renovável e ilimitado. Distinguir políticas de alocação de políticas para evitar poluição das águas. Distinguir a cobrança pelo uso da água da cobrança pelo serviço de distribuição da água. XIX. tornaram-se fonte de extrema preocupação. Decreto 24. Como decorrência. V e VI. A partir do momento em que água passa a ser encarada como um recurso renovável.433/1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos e Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos). I.771/65. no Brasil. houve a necessidade de reconstrução dos ordenamentos jurídicos para adequarem e harmonizarem noções econômicas e preservacionistas.643/1934 (Código de Águas). vital à própria vida no planeta. Código Florestal. IV.diReiTO AmbienTAl aula 13: direito de Águas Introdução Historicamente. 21. o surgimento de novas fontes de poluição e políticas públicas insustentáveis. FGv diReiTO RiO 54 . 22. acabou por influenciar inúmeros sistemas legais ao redor do mundo. as pressões sobre este recurso natural. 26. Lei 4. Artigo 2º. surge um intricado sistema legal e institucional responsável pela gestão dos recursos hídricos e que passa a ser tratado como matéria inerente ao Direito de Águas. contribuindo para políticas públicas desastrosas na gestão deste recurso natural tão precioso.

Recurso Especial n. de acordo com as necessidades e possibilidades que se apresentam. Direito do Ambiente. São Paulo: Revista dos Tribunais. Revista dos Tribunais. que desconhece limites no seu percurso. 463-499. DJ 06/2/2006. De início.. em geleiras ou atmosféricas – . ou até para agravá-los. 35 e 39. São Paulo: Malheiros. 2006. pp. Édis. que acabam recebendo a participação do homem para amenizá-los. Suas fontes são a legislação. 2008. Cid Tomanik. (. Rio de Janeiro: Lumen Juris. eliminá-los ou redirecioná-los. Direito de Águas no Brasil. aproveitamento. 16ª Edição.. Paulo de Bessa. Direito Ambiental Brasileiro. pp. São Paulo: Revista dos Tribunais. a jurisprudência e o costume. a doutrina. Recorrido: Henrique Hessel Roschel e Outros (3).diReiTO AmbienTAl doutrIna Em suas mais variadas formas e localizações – doces. Julgamento 13/12/2005. Direito Ambiental. pp. STJ. 2006.056-SP (2001/0087209-0). FGv diReiTO RiO 55 . pp. 441-529. pp. A estreita vinculação das normas jurídicas relativas às águas com o ciclo hidrológico. a conservação e preservação das águas. denominava-se direito hidráulico. As mudanças de local. salobras. uso. 2007. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. 11ª Edição. 2ª Turma. 699-735. salgadas.) O direito de águas pode ser conceituado como conjunto de princípios e normas jurídicas que disciplinam. Paulo Affonso Leme. jurIsprudêncIa Recorrente: Ministério Público do Estado de São Paulo vs. 333. faz com que o direito de águas contenha normas tradicionalmente colocadas no campo do direito privado e no do direito público. 2008. Direito de Águas no Brasil. superficiais ou subterrâneas. MACHADO. 5ª edição. (Cid Tomanik Pompeu. assim como a defesa contra suas danosas conseqüências.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. a água na Terra é praticamente a mesma durante os últimos milhões de anos. 35 e 39. qualidade e estado decorrem de fatores naturais e/ou humanos os mais diversos. POMPEU.

notas e Questões 1) Qual é a racionalidade na imposição de cobrança pelo uso da água? 2) Qual é o regime de propriedade aplicável aos recursos hídricos no Brasil? 3) De qual ente da Federação é a competência legislativa e administrativa sobre águas? Explique. Recurso especial provido. 13 da Lei nº 6. repressiva ou preventivamente. 3. FGv diReiTO RiO 56 . Da interpretação sistemática dos arts.766/99 consistem num dever-poder do Município. extrai-se a necessidade de o Estado interferir. RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO E DO ESTADO. quando o loteamento for edificado em áreas tidas como de interesse especial. 1. VIII. compete-lhe “promover. LOTEAMENTO IRREGULAR.766/79 e 225 da CF. ARTS. da Constituição da República. 6.diReiTO AmbienTAl ementa ADMINISTRATIVO. 2. ÁREA DE MANANCIAIS. mediante planejamento e controle do uso. pois consoante dispõe o art. 30.766/79. 40 da Lei 6. As determinações contidas no art. no que couber. 13 E 40 DA LEI N. adequado ordenamento territorial. PODER-DEVER. tais como as de proteção aos mananciais. do parcelamento e da ocupação do solo urbano”. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.

VI. Em alguns centros metropolitanos. Sua utilização se dá pela forma de “despejo” de substâncias químicas poluentes. além do biológico ou ecológico. à evaporação à transpiração. caput. Porém. A sua contaminação causa efeitos nocivos imediatos e impactos significativos na saúde dos seres humanos. oBjetIvos Entender as funções e relações da qualidade do ar com a saúde da população e sadio funcionamento de sistemas ecológicos diversos. a difícil tarefa de estabelecimento de relações de causa e efeito. 30. 24. Compreender o tratamento da matéria pelo ordenamento jurídico brasileiro. sua capacidade de absorção é limitada e de rápida contaminação.diReiTO AmbienTAl aula 14: tutela do ar e da atmosfera Introdução Juntamente com a água. 2) Resoluções CONAMA 005/1989. Porém. é o recurso que mais rapidamente se contaFGv diReiTO RiO 57 . Identificar os principais gases responsáveis pela poluição atmosférica. artigos 23. II. 225. Analisar a importância da definição de padrões de qualidade do ar nacionais em um contexto internacional. Além dos prejuízos diretos à saúde da população. bem assim. 003/1990 e 008/1990. Examinar as instituições responsáveis pela execução de políticas de qualidade do ar e legislação aplicável. Enquanto corpo receptor de impactos. o ar dos recursos naturais mais importantes para a sobrevivência da vida humana no planeta. a atmosfera – tem um significado econômico. à oxidação e aos fenômenos climáticos e meteorológicos. o recurso ar – mais amplamente. IV. Não é incomum a população dos grandes centros utilizarem máscaras para circular nas ruas. que não pode ser devidamente avaliado. Trabalhar problemas práticos. legIslação 1) Constituição Federal. a qualidade do ar está intimamente ligada ao sadio funcionamento de outros sistemas ecológicos. doutrIna Ligado estreitamente aos processos vitais de respiração e fotossíntese. interesses econômicos na utilização deste precioso recurso contribuem para as imperfeições legislativas e executivas no combate à poluição atmosférica. a poluição atmosférica chega a ser visível.

Recurso Especial n.355-SP (2001/0196898-0).diReiTO AmbienTAl mina e mais rapidamente se recupera – dependendo.938/81. notas e Questões 1) Como pode ser feita a compatibilização entre o desejo de grandes centros de atrair um parque industrial que gere empregos e movimente a economia local com os objetivos de preservação da sadia qualidade do ar? FGv diReiTO RiO 58 . pp. Direito do Ambiente. STJ.) leItura oBrIgatórIa: MILARÉ. 1ª Turma. incidiu em ilegalidade. 2007. ementa ADMINISTRATIVO – DIREITO AMBIENTAL – REGULAMENTO – PADRÔES DE QUALIDADE AMBIENTAL – ADOÇÃO DE CRITÉRIOS INSEGUROS – DECRETO 8. Direito Ambiental Brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais. Paulo Affonso Leme. jurIsprudêncIa Recorrente: Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS vs. BIBlIograFIa coMpleMentar: MACHADO. quando adotou como padrões de medida de poluição ambiental. Édis. DJ 15/Dez. O Decreto 8.468/76 do Estado de São Paulo. a extensão da propriedade e o olfato de pessoas credenciadas. Julgamento 11/ Nov. São Paulo: Malheiros.938/81. Revista dos Tribunais. (Édis Milaré.468/76 – DO ESTADO DE SÃO PAULO – ILEGALIDADE – LEI 6. 2008. de condições favoráveis. 5ª edição./2003. p. contrariando o sistema erigido na Lei Federal 6./2003. evidentemente. 5ª edição. pp. 2007. 204-214. 399. Recorrido: Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo DAEE. Direito do Ambiente. 16ª Edição. 534-561. 204.

como o ar e atmosfera são tutelados? Quais os pontos negativos e positivos desta estrutura. 3) Existe alguma espécie de compromisso internacional que obrigue o Brasil a adotar medidas de controle contra a poluição do ar? Caso positivo. FGv diReiTO RiO 59 .diReiTO AmbienTAl 2) Do ponto de vista do arcabouço legal e institucional brasileiro. identifique 3 deles fundamentando a resposta.

Da mesma forma. positivos e negativos.diReiTO AmbienTAl aula 15: tutela da fauna e da flora Introdução Dentre os elementos que compõem a biosfera. 225. 3) Decreto-lei 221/1967 (Código da Pesca). pois as políticas públicas planejadas para a proteção da fauna somente alcançarão os objetivos para os quais foram pensadas se levarem em consideração os possíveis impactos. 5) Decreto Federal 97. II.197/1967 (Código de Caça). legIslação 1) Constituição Federal. VI.633/1989. Identificar o regime jurídico aplicável à fauna e à flora. o equilíbrio ecológico passa pela proteção da fauna. oBjetIvos Trabalhar a relação entre fauna e flora. o direito ambiental desempenha importante função no controle de atividades que coloquem em risco o equilíbrio da fauna e da flora. Entender a terminologia e respectivos conceitos dos elementos que compõem a flora. com a situação inversa. na flora. fauna e flora são os que se apresentam mais intimamente ligados entre si. FGv diReiTO RiO 60 . a imprescindibilidade da preservação da flora. 2) Lei 4. Os impactos também podem ser sentidos na perda da biodiversidade. 4) Lei 5. etc. se faz sentir nas funções ecológicas auxiliares indispensáveis à sadia qualidade de vida: manutenção da qualidade da água. Compreender a importância ecológica desempenhada pela flora e pela fauna. caput e § 1º. regulação climática. No mesmo sentido. conhecidas ou ainda não conhecidas pelo homem. VII e § 4º. expressão máxima da intrínseca relação entre fauna e flora. Esta constatação preliminar é imprescindível. 30. Muito além do patrimônio paisagístico.771/1965 (Código Florestal). O mundo vive uma acelerada perda da flora e os resultados estão sendo sentidos no crescente número de espécies em extinção ou já extintas. como indispensável à própria preservação da flora. Examinar a racionalidade da proteção de determinadas áreas e a regulação de algumas atividades econômicas e recreativas que representem risco à integridade da fauna. Por tudo isso. 24. artigos 23. controle de erosão. por exemplo. VII.

325-546. OBRIGAÇÃO DE FAZER. principalmente se pensarmos em termos de hábitats. ASSOREAMENTO DA REPRESA. jurIsprudêncIa Recorrentes: Alberto Srur e Município de São Bernardo do Campo vs. protegem ou defendem a biota devem fundamentar-se em dados científicos: não podem desconhecer as leis naturais que regulam as espécies vivas.. haja necessidade de se remover famílias instaladas no local FGv diReiTO RiO 61 . ainda que. são cúmplices entre si.190SP (2001/0125125-0). STJ. 2008. Direito do Ambiente. p. Por isso. Tal fato vale para a economia e uma infinidade de outras atividades. 403. Julgamento 27/6/2006. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE. LOTEAMENTO CLANDESTINO. Decorre daí que as “relações formais” dos indivíduos e da sociedade humana com o meio ambiente precisam ser pautadas pelas “relações naturais” que se desenvolvem no seio dos ecossistemas. Direito do Ambiente. (Édis Milaré. DJ 14/8/2006. 11ª Edição. São Paulo: Revista dos Tribunais.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. 2ª Turma. provocando assoreamentos. somados à destruição da Mata Atlântica. Édis. 5ª edição. MATA ATLÂNTICA. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 5ª edição. Recorrido: Ministério Público do Estado de São Paulo. impõe a condenação dos responsáveis. pp. 236-251. Revista dos Tribunais. Direito Ambiental. REPARAÇÃO AMBIENTAL. Paulo de Bessa. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES.diReiTO AmbienTAl doutrIna (. Recurso Especial n. nichos ecológicos e cadeia trófica. 1. 237. 2007. pp. as leis humanas que preservam. 2007.) Flora e fauna são extremamente solidárias – poderíamos dizer.. ementa AÇÃO CIVIL PÚBLICA. A destruição ambiental verificada nos limites do Reservatório Billings – que serve de água grande parte da cidade de São Paulo –. de modo que a espécie humana evite toda e qualquer forma de prepotência e crueldade para com o mundo natural. RESERVATÓRIO BILLINGS. para tanto.

771/1965. p. Com relação a esse assunto. julga procedente a ação nos exatos termos do pedido formulado na peça vestibular. Recursos especiais de Alberto Srur e do Município de São Bernardo do Campo parcialmente conhecidos e. b. A questão 1 foi extraída da seguinte obra: Antônio F. provavelmente deixaram-se enganar pelos idealizadores de loteamentos irregulares na ânsia de obterem moradias mais dignas. reformando a sentença. Não fere as disposições do art. que.diReiTO AmbienTAl de forma clandestina. pois as matas particulares não estão sujeitas a ingerências administrativas. 2. 2008. Manual de Direito Ambiental. notas e Questões 1) (CESPE – AGU 2006) A preservação das florestas é uma das questões fundamentais para a sobrevivência da humanidade e de todas as formas de vida. G. O regime jurídico da propriedade florestal é puramente civil. Ele também contempla a proteção das demais formas de vegetação reconhecidas de utilidade para as terras que revestem. As florestas públicas são consideradas bens de interesse dominial do Estado. 3. nessa parte. beltrão.3 A matéria florestal. igualmente evidentes são as relações entre a destruição das florestas e a pobreza. julgue os itens que se seguem. O Código Florestal não está voltado apenas para a proteção das florestas. no Brasil. No conflito entre o interesse público e o particular há de prevalecer aquele em detrimento deste quando impossível a conciliação de ambos. As relações entre a necessidade de desenvolvimento econômico e a destruição das áreas florestais é bastante evidente. desprezando pedido alternativo constante das razões da apelação. 3 FGv diReiTO RiO 62 . 4. está contemplada na Lei n. que beneficia um número muito maior de pessoas do que as residentes na área de preservação. 230 e 231. 515 do Código de Processo Civil acórdão que. Não se trata tão-somente de restauração de matas em prejuízo de famílias carentes de recursos financeiros. improvidos. 4. c. mas de preservação de reservatório de abastecimento urbano. editora método. Tanto é assim que o Banco Mundial aponta que a área ocupada por florestas nos países em desenvolvimento foi reduzida à metade em aproximadamente um século. a. em decorrência de loteamento irregular implementado na região.

985/2000. incs. INTRODUÇÃO Após analisado os aspectos gerais da proteção da flora e da fauna.985/2000. III e VII sobre obrigações gerais de defesa e proteção da fauna e da flora.428/2006. n. pela natureza de normas gerais.DIREITO AMBIENTAL AULA 16: SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC). garantindo-lhes assim a necessária eficácia. dentre eles. I. São eles. da fauna brasileira. instituído pela Lei n. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. 11. sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos FGV DIREITO RIO 63 .985/2000. a Lei das Florestas Públicas. as Unidades de Proteção Integral (cujo objetivo básico é preservar a natureza. DOUTRINA As unidades de conservação. Porém. Foi então que em 2000. 9. a saber. os referidos dispositivos constitucionais não prescindiam de específica regulamentação. o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. 11. Em relação ao SNUC. OBJETIVOS Identificar as diferentes formas de proteção das florestas divididas em Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. é que o SNUC toma forma pela Lei n. 2) Lei n. 9. criadas por ato do Poder Público. n. três importantes diplomas legais completam o regime jurídico estrutural de proteção da flora e. é importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 dispõe em seu artigo 225.428/2006 e Lei do Bioma Mata Atlântica. conseqüentemente. de número 2. 9. incluindo os principais dispositivos do Código Florestal. Divididas em dois grupos.985/2000. II. as áreas de preservação permanente e de reserva legal.892. artigo 225. fruto de longos anos de discussões e debates sobre um projeto de lei de 1992. 9. fazem parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza — SNUC e são constituídas pelo conjunto de unidades de conservação federais e estaduais e municipais de acordo com o disposto na referida Lei n. Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos do SNUC. § 1º.

DECRETO ESTADUAL N. 24. (2008). 4. (2008). RMS n. ART. NOS TERMOS DO ART. 652-690. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. Ementa DIREITO AMBIENTAL. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA — SNUC.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. pp. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. pp. JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Hermes Wilmar Storch vs. (2008). (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. 9. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA. Direito Ambiental. 20281-MT (2005/0105652-0). RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. Recorrido: Estado de Mato Grosso. DJ 29/ Jun. DA CF/1988. 5.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. FGV DIREITO RIO 64 . 2) Paulo Affonso Leme Machado. 109-110.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. DECRETO ESTADUAL N. Editora Malheiros./2007. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. 547-626. STJ. 5ª edição. Editora Lumen Juris. (2007). 11ª Edição.795/1997. NÃO— PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. Direito do Ambiente. a ter composição bem delimitada com objetivos fixados pela norma.340/2002. 9ª edição. 811-850. pp. § 1°. 16ª Edição. Editora Revista dos Tribunais. 1ª Turma./2007. Julgamento 12/Jun. Editora Saraiva. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. 1. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL.DIREITO AMBIENTAL naturais salvo exceções previstas na própria lei ora mencionada) e as Unidades de Uso Sustentável (cujo objetivo básico é compartilhar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcelas integrantes do SNUC) passaram. por força de lei.

há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. obscuridade ou contradição a ser suprida. 9.DIREITO AMBIENTAL 1. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. § 2°. Trata-se de mandado de segurança. 24. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. os §§ 1° e 2° do art. 2. estaria o estado-membro autorizado a legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. o estatuído no § 1º. Em sede de recurso ordinário. de 22 de agosto de 2002. 4°. quando for o caso. consubstanciado na edição do Decreto n. 4. foram estes rejeitados.985/2000. em se tratando de matéria ambiental. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação. em seu art. 22. segundo. alcança o objetivo perseguido pelo art. a qual. 9. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. O Decreto n. com pedido liminar. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. por maioria. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. 3°. Governador do Estado do Mato Grosso. Aliás. bem como determinou. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. de 12. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. da CF/1988). c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. nos termos da legislação estadual (MT) e federal.985/2002. respeitando. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. possibilitar seja identificada a “localização. qual seja. 3. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. 9. evidentemente. 24. da Lei n. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental.340. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. da CF/1988.985/2000. 5. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de FGV DIREITO RIO 65 . a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. que regulamentou a Lei n. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico.438/2002. prevista no art. 5.2002.11. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu.438. § 4º. primeiro. embora sucinta. b) nos casos de competência legislativa concorrente. do art. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente — FEMA. como ocorreu no caso. § 1°. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. denegou a ação mandamental. 22. O Decreto Estadual n. da Lei n. em seu art. ao prescrever. no Estado do Mato Grosso.

5. Estação Ecológica. tendo em conta as necessidades da população local. do Código Ambiental (Lei Complementar n. NOTAS E QUESTÕES1 1) (Defensor Público SP 2006) O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza estabelece dois grupos de unidades de conservação. no entanto.DIREITO AMBIENTAL conservação a ser criada. A União. Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. 1 As questões 1-3 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. qual seja. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. § 2°. Beltrão. da CFRB). 22. b. No caso dos autos. Reserva Biológica. incisos V e VII.985/2000. Parque Nacional. p. não prevalece disposição de lei federal. os Estados-membros e o Distrito Federal. quer pela falta de previsão na legislação estadual. FGV DIREITO RIO 66 . O ato governamental (Decreto n. Área de Proteção Ambiental. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. 227 e 229. Refúgio da Vida Silvestre e Reserva Extrativista. caça. 4. À norma de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da Federação. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso. Editora Método. Manual de Direito Ambiental. Parque Nacional. Reserva da Fauna. Recurso ordinário não-provido. conservação da natureza. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. na esteira do art. G. mormente as presentes nos arts. (2008). O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. Reserva Extrativista. defesa do solo e dos recursos naturais. pesca. Área de Proteção Ambiental. da Carta Maior. Floresta Nacional e Reserva Extrativista. sendo-lhe. Floresta Nacional. as de Proteção Integral e as de Uso Sustentável. Reserva Extrativista. d. da Lei n. fauna. Assim sendo. 170. Floresta Nacional. a regra do art. Reserva Biológica. Monumento Natural de Refúgio da Vida Silvestre. que exige a realização de prévia consulta pública. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. 24. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. VI. 38/1995). Área de Proteção Ambiental. 6. VI. Refúgio da Vida Silvestre. Estação Ecológica. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. 5. São Unidades de Proteção Integral: a. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da Federação brasileira (art. c. e. Reserva Biológica e Estação Ecológica. 9.

d. tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. e. . emanado do poder público b. sendo públicos a posse e o domínio de sua área. Podem ser definidas em caráter geral pela lei. enquanto as unidades de conservação podem ser definidas tanto por lei quanto por ato do Poder Executivo. enquanto as unidades de conservação sempre visam à proteção integral dos ecossistemas compreendidos em sua área. Restauração. Em se tratando de unidade de conservação deve ser elaborado um Plano de Manejo que abranja a área correspondente à unidade de conservação. enquanto as unidades de conservação podem ser suprimidas por ato do Poder Executivo. de acordo com o que dispõe a lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação — SNUC: a. porque as áreas de preservação permanente a. Monumento Natural. O objetivo básico das Unidades de Conservação de Proteção Integral é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais. segundo a definição estabelecida na lei citada. Apenas podem ser definidas pela lei. Áreas de Relevante Interesse Ecológico e Área de Proteção Ambiental. ao passo que as unidades de conservação devem ser necessariamente declaradas por ato concreto. Reserva Biológica. e. c. diferente de sua condição original. 3) (Promotor de Justiça MG — XLVI Concurso) Assinale a alternativa CORRETA. é a restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada. a título gratuito. A Estação Ecológica. ao Poder Público.DIREITO AMBIENTAL 2) (Procurador Município Manaus 2006) O regime jurídico das áreas de preservação permanente difere. Têm por objetivo exclusivo a preservação da vegetação. essencialmente. Têm sua utilização sujeita ao licenciamento ambiental a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA. Havendo áreas particulares incluídas em seus limites deverão ser cedidas. d. Parque Nacional. como Unidade de Conservação de Proteção Integral. incluindo medidas com o fim de promover sua integração econômica e social das comunidades vizinhas. sendo esta uma das restrições legais ao direito de propriedade. daquele aplicável às unidades de conservação. c. sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos. ao passo que as unidades de conservação sujeitam-se aos órgãos seccionais integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente — SISNAMA. Integram o grupo de Unidades de Proteção Integral as seguintes categorias de unidades de conservação: Estação Ecológica. Têm sua supressão condicionada à autorização legislativa. FGV DIREITO RIO 67 b.

3. a instituição de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal e a criação do Cadastro Nacional de Florestas Públicas. encontram-se a confirmação da delimitação geográfica do bioma e disposições de proteção da vegetação primária e secundária. § 4º. 11. esta nos diferentes estados de regeneração. os desafios em se alcançar um denominador comum entre os diferentes interesses foram extremos. Finalmente. INTRODUÇÃO O Código Florestal e o SNUC ainda se mostravam insuficientes para lidar com uma questão crucial para o desenvolvimento nacional: as atividades de exploração de florestas públicas. artigo 225. FGV DIREITO RIO 68 .428/2006 que disciplinou o bioma Mata Atlântica.DIREITO AMBIENTAL AULA 17: FLORESTAS PÚBLICAS (LEI N. Após os debates em torno do Projeto de Lei 4.428/2006). 11.776/2006. com diversidade biológica proporcionalmente superior à da própria Amazônia. dentre outros igualmente importantes e detalhados pelo diploma legal. 284/2006.750/93.284/2006. as controvérsias em relação a um efetivo instrumento de proteção foram quase que insuperáveis.428/2006.11. por ter um histórico de ocupação extrativista e ser o primeiro bioma a receber os primeiros colonizadores. Diversas foram as inovações deste diploma legal. Em território de tamanha riqueza florestal e dimensões continentais. passando pelo Projeto de Lei n. por abrigar as regiões mais industrializadas do país. principalmente na Amazônia e quase sempre à margem do sistema legal vigente. Por abrigar mais de 60% da população brasileira.285/1992 e Decreto n. Analisar os conceitos. 11. Dentre os seus principais dispositivos.284/2006) E BIOMA MATA ATLÂNTICA (LEI N. 3) Lei n. foram quase duas décadas até a Lei n. Compreender a importância de um instrumento legal específico para a proteção da Mata Atlântica. OBJETIVOS Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos da Lei de Gestão de Florestas Públicas. este esperado instituto disciplinador foi concretizado com o advento da Lei 11. em relação ao bioma Mata Atlântica. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. objetivos e instrumentos de proteção da Mata Atlântica. 11. 2) Lei n. da CF/88). torna-se praticamente impossível uma efetiva gestão sem um instrumento disciplinador das atividades exploratórias. 225. Desde o dispositivo constitucional declarando a região como sendo parte do patrimônio nacional (art. conhecido como a Lei de Gestão de Florestas Públicas. dentre as quais se destacam: a concepção do Serviço Florestal Brasileiro.

JUROS COMPENSATÓRIOS.. (2007). 15% do território brasileiro era coberto pelas diferentes formações florestais do bioma. Direito do Ambiente. DIFERENÇA ENTRE 80% DO FGV DIREITO RIO 69 .) Acredita-se que quando os portugueses chegaram ao Brasil. (2007). pp. (2008).) Leitura obrigatória 1) Paulo Affonso Leme Machado. de 2 de março de 2006. (. INVIABILIDADE. Bibliografia complementar 1) Édis Milaré. COBERTURA FLORÍSTICA. 284. tais como Sistema de Unidades de Conservação (SNUC). 5ª edição./2008. 638-650 e 707-725. em verdade. Recorrido: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Editora Revista dos Tribunais./2008.. Editora Malheiros. (. Hoje. licenciamento ambiental. mas. Direito do Ambiente. licitações e conhecimentos tradicionais. criou todo um sistema de gestão sustentável de florestas. o que quer dizer que esse recurso natural teve 93% de sua área original devastada. Julgamento 07/Fev. 905783-SC (2006/0249674-9).DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA A Lei 11. Editora Revista dos Tribunais. ou seja. pp.) não teve tão-somente o condão de proceder a algumas alterações no Código Florestal. CÁLCULO EM SEPARADO. JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Leme Comércio Importação Exportação Empreendimentos e Participação Ltda vs. 2ª Turma. a extensão da Mata Atlântica está reduzida a aproximadamente 100. Ementa ADMINISTRATIVO. há cerca de 500 anos. DESAPROPRIAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE EXPLORAÇÃO ECONÔMICA. 638-639 e 707. REFORMA AGRÁRIA. STJ. pp. tangendo ainda diversos outros assuntos correlatos. BASE DE CÁLCULO. REsp n.. (Édis Milaré.768-779 e 849-850.. 5ª edição.000 km2 de Mata Atlântica. Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE). o País tinha 1. DJ 27/Mai. 16ª Edição.300.000 km2.

os juros compensatórios são de 6% (seis por cento) ao ano. 6. 12 da Lei 8. corresponda ao montante anteriormente depositado pelo expropriante. passam a ser calculados em 12% (doze por cento) ao ano. quando juridicamente possível. Min. sem prejuízo do dever de reparar o dano causado. do Código Florestal) e a vegetação da Mata Atlântica. Tendo a imissão na posse ocorrido após o advento da MP 1. as de Reserva Legal sem Plano de Manejo aprovado pelo órgão ambiental competente. 4. Precedente: REsp 437. JUSTA INDENIZAÇÃO. A indenização da cobertura florística depende da efetiva comprovação de que o proprietário esteja explorando econômica e licitamente os recursos vegetais.938/81. adequadamente fundamentado. Precedente: REsp 711.577/97.8. 6º. ao contrário. de forma objetiva. dentre outros casos. Primeira Seção.332/DF (13. ART. 2° e 3° do Código Florestal).629/93). Na análise do potencial econômico madeireiro.605/98). fixado na sentença.2007. Segunda Turma. 2.2006. SUCUMBÊNCIA DO EXPROPRIADO. Rel. sujeito a sanções administrativas e penais. excluindo-se da base de cálculo as Áreas de Preservação Permanente (arts. nos termos da Lei 6. de que são exemplos as árvores imune a corte (art. não podem ser exploradas por conta da vedação de supressão para fins comerciais. Ainda que o valor da indenização.577/SP. caracteriza ilícito ambiental (Lei 9. 3.02. da Lei Complementar 76/1993). INEXISTÊNCIA. deve-se levar em consideração as restrições legais e administrativas à utilização da propriedade. DEPÓSITO INICIAL CONFIRMADO PELO JUDICIÁRIO. incidem juros compensatórios sobre a parcela cujo levantamento não foi autorizado judicialmente (20% do depósito. 14. Francisco Peçanha Martins. 19 DA LC 76/93. 1. primária ou secundária em estágio avançado de regeneração. 08. a exploração de florestas. se ocorrer.332/DF). bem como as que. 7. ART. Não se conhece da suposta violação de dispositivos legais não ventilados no acórdão recorrido sequer implicitamente (Súmula 211/STJ). A partir dessa data. até a publicação da liminar concedida na ADIN 2. Na falta de autorização ou licença ambiental e de Plano de Manejo.593/MA. nos termos da Súmula 618/ STF. 5. que fixa seu montante atendendo aos critérios legais (art. não é um direito ou interesse indenizável. alínea b. em regra. § 1º.2001).DIREITO AMBIENTAL DEPÓSITO E O VALOR FIXADO NO ACÓRDÃO. Atende ao postulado da justa indenização o acórdão. nos termos e limites de autorização expedida de maneira regular. PREQUESTIONAMENTO. na moldura da Lei 11. por suas características naturais ou por obediência a estatuto jurídico próprio. conforme art. j. 437 DO CPC. DJ 3.324/RN.03. p/ acórdão Min. João Otávio de Noronha. Rel. nos termos da jurisprudência do egrégio STF (ADI-MC 2. DJ 06. Precedente: REsp 608.2006.428/2006. Ministro Castro Meira.09. Rel. FGV DIREITO RIO 70 .

se dá provimento. Recurso Especial do INCRA de que parcialmente se conhece e a que. nos estritos termos do art. da LC 76/93. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância da elaboração de um diploma legal específico para tratar da gestão das Florestas Públicas? 2) Quais os princípios que instruem a gestão de Florestas Públicas e como eles se relacionam com os princípios gerais de direito ambiental? 3) Para efeitos de proteção do bioma Mata Atlântica. 9. como se dá a divisão entre os diferentes estágios de regeneração e qual a exceção prevista para comunidades tradicionais e pequenos proprietários rurais? FGV DIREITO RIO 71 .DIREITO AMBIENTAL 8. nessa parte. Recurso Especial do particular parcialmente provido. que acabou endossado pelo Judiciário. 19. Tendo o particular contestado o depósito inicial. caput. configura-se a sucumbência do expropriado.

junto com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática e Convenção sobre o Combate a Desertificação. OBJETIVOS Entender a importância da existência de um regime jurídico especial para tutela da biodiversidade. este movimento internacional por um regime jurídico supranacional para tutelar a diversidade biológica do planeta exigiu ações domésticas que. em 2001. Foi quando. Diante da exploração predatória das florestas tropicais. locais onde se concentram a maior parte da diversidade biológica do planeta. Pelo contrário. é possível a análise e exame dos objetivos. Diante da dificuldade em se transformar em lei ordinária.DIREITO AMBIENTAL AULA 18: PROTEÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA INTRODUÇÃO A proteção da diversidade biológica está intrinsecamente conectada à tutela da fauna e flora. a Convenção sobre Diversidade Biológica é incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. de 23 de agosto de 2001. a comunidade internacional. visando possibilitar traçar paralelos com outras tutelas específicas do direito ambiental. surgiu a necessidade de um regime jurídico específico que pudesse orientar e incentivar ações domésticas visando a tutela da diversidade biológica do planeta. Porém. Como não poderia ser diferente. espalharam-se por diversos países. então. Trabalhar os objetivos.339/2002. 4. progressivamente. não conhece fronteiras políticas e. princípios e diretrizes gerais que orientam a tutela da biodiversidade no Brasil. por possuir a mais rica biodiversidade do planeta. foi instituída a Política Nacional de Biodiversidade. Compreender a evolução legislativa tanto na esfera internacional. No Brasil não foi diferente. que embasou esta preocupação internacional foi o de que a diversidade biológica. justifica-se a sua tutela na esfera supranacional. 2. que em 1998. em 1992 diversos países assinaram a Convenção sobre Diversidade Biológica que.519. FGV DIREITO RIO 72 . assim como o meio ambiente como um todo. como também na nacional. 2. Deste limitado quadro legal. compôs o grupo das chamadas Convenções do Rio. portanto. princípios e diretrizes gerais da Política Nacional de Biodiversidade. portanto. O fundamento maior. o país foi e é constantemente alvo de pressões internacionais visando impor padrões de proteção cada vez mais rigorosos. É assim. pelo Decreto n. Alguns anos mais tarde. por meio do Decreto n. dispôs sobre o acesso à diversidade biológica no Brasil. a Medida Provisória n. entendeu por acordar sobre um regime jurídico próprio à tutela da diversidade biológica no planeta.186-16. diante da dificuldade inerente à regulação das florestas na esfera supranacional.

DIREITO AMBIENTAL LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. Pesquisas arqueológicas demonstram que mesmo comunidades pré-históricas poderiam ter levado inúmeros animais à extinção. (2007). Há suspeitas de que a aparição do Homem no continente americano pode ter contribuído fortemente para a extinção de pelo menos duas espécies de mamíferos. 389-428. FGV DIREITO RIO 73 . pp. acidamente. 2. acompanha a vida do Ser Humano sobre o Planeta Terra. eminentemente. DOUTRINA A percepção de que certos elementos do mundo natural estão desaparecendo em função da atividade humana é um fenômeno social muito antigo e que. artigo 225. 2) Convenção sobre Diversidade Biológica.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. pp. em função de caça intensiva e da destruição de vegetação. 11ª Edição. promoveram a extinção de cerca de 13 espécies de Moa (pássaro sem asas). no qual ele lamenta. (Paulo de Bessa Antunes. 4. 11ª Edição. Direito Ambiental. Editora Lumen Juris. 547-569. pp. (2008). praticamente. (2008).000 anos de presença na Nova Zelândia. semelhante à luta pela sobrevivência e evolução natural que se verifica entre todas as espécies. Para o pensamento ocidental. 4) Decreto n.186-16/2001. a primeira constatação de mudanças negativas no meio natural que cerca o Homem foi feita por Platão em seu célebre diálogo Crito. 5ª edição. Direito do Ambiente. Não seria exagerado dizer que a convivência “natural” do Ser Humano com outros animais é. 3) Medida Provisória n. Ehrlich demonstra que os Maori. o estado de degradação ambiental do mundo que lhe era contemporâneo. Editora Lumen Juris.339/2002. Mesmo sociedades tidas como “primitivas” e paradisíacas foram responsáveis pela extinção de espécies. Paul R. 325. Direito Ambiental. em menos de 1. Leitura complementar 1) Édis Milaré. Editora Revista dos Tribunais.

DJ-SP 11/Set. Suzano Papel e Celulose e Estado de São Paulo. Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga. AI n./2008. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “diversidade biológica”? 2) Quais são princípios que instruíram a Convenção sobre Biodiversidade Biológica de 1992? 3) Quais são os principais riscos à biodiversidade nos âmbitos global e regional? 4) Quais são os instrumentos legais brasileiros que auxiliam na tutela da diversidade biológica? Por quê? 5) Quais os princípios da Política Nacional da Biodiversidade? 6) Qual a controvérsia acerca da legalidade do Plano Nacional da Biodiversidade? FGV DIREITO RIO 74 . Agravados: Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Câmara Especial do Meio Ambiente.347/85.A.399-5/8. VCP Votorantin Celulose e Papel S.DIREITO AMBIENTAL JURISPRUDÊNCIA Agravante: Ministério Público vs. artigo 5º. TJ-SP./2008. Julgamento 28/Ago. 759. Ementa AGRAVO DE INSTRUMENTO — Ação civil pública — grandes plantações de eucalipto e devastação ambiental — Decisão que indeferiu a liminar e não acolheu o pedido de extinção da ação — Legitimidade da Defensoria Pública Estadual para propor ação civil pública (Lei 7. II) — Recurso desprovido.

o próprio homem. [2007].974/1995. p.” (Direito do Ambiente. faz surgir a noção em torno do que a Convenção sobre Diversidade Biológica de 1992 chamou de “Biossegurança”. Editora Revista dos Tribunais. não podem ser marginalizadas. não apenas nos seres humanos. Contudo. A preocupação em torno dos possíveis impactos à biodiversidade e ao próprio ser humano. podem surgir casos intrigantes. incluindo aí. OBJETIVOS Compreender o significado e importância do disciplinamento legal de questões envolvendo a biotecnologia. Contextualizar a noção de Biossegurança. 5ª edição. mas no meio ambiente dentro de uma visão ecocêntrica de direito ambiental. 2. e combinado com a euforia em torno da maximização dos lucros como decorrência da manipulação genética. 2) Lei n. No amplo quadro das experiências. artigo 225. Devido à ausência de certeza em relação aos impactos da aplicação desta nova tecnologia.814/2003. II e III. 582). “[b]iodiversidade e biossegurança estão freqüentemente enlaçadas. Analisar os aspectos referentes à incerteza dos possíveis impactos. § 1º. 4) Lei n. como o dever de precaução. nas palavras de Édis Milaré. FGV DIREITO RIO 75 . Neste sentido. regras de conduta normatizadas pelo ordenamento jurídico pátrio. Identificar os principais elementos da Política de Desenvolvimento da Biotecnologia. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal.191-9/2001. de um lado. Trata-se de tecnologia de ponta que busca controlar a informação genética de plantas e animais. com intuito de servir aos anseios e necessidades do próprio ser humano. que conjugam biotecnologia e biossegurança com os requisitos da Biodiversidade. vêm sendo relegadas a um segundo plano. 8. 3) Medida Provisória n. Examinar a relação entre Biotecnologia e Biossegurança. 10. consumidor final de muitos destes produtos alterados geneticamente.DIREITO AMBIENTAL AULA 19: BIOTECNOLOGIA E BIOSSEGURANÇA INTRODUÇÃO A biotecnologia é fruto do acelerado desenvolvimento técnico-científico observado na segunda metade do Século XX. de outro. difíceis de enquadrar. questões de ordem Ética e também de Direito.

Tribunal Pleno. Direito Ambiental. IV e V do § 1º do art. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. que “regulamenta os incisos II. 570-602. de 24 de março de 2005. 6) Decreto n. e a Medida Provisória no 10. JURISPRUDÊNCIA Requerente: Procurador-Geral da República vs. em especial. 225 da Constituição Federal.974. de 24 de março de 2005. Dispositivo Legal Questionado Art.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança — CTNBio. estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados — OGM e seus derivados.591. por normas da Comissão Técnica nacional de Biossegurança — CTNBio. de 15 de dezembro de 2003.041/2007. 11. Editora Lumen Juris. Direito do Ambiente. pp. de 24 de março de 2005. DOUTRINA A produção e utilização dos organismos geneticamente modificados no Brasil. p. revoga a Lei no 8.814.105. ADI n. Julgamento 29/ Mai. 5ª edição. Editora Lumen Juris. e dá outras providências”. Requeridos: Presidente da República e Congresso Nacional./2008. (2007).510. Direito Ambiental. 11ª Edição. Lei nº 11105. 371-387. (2008). Editora Revista dos Tribunais. encontra-se regida pela Lei no 11. FGV DIREITO RIO 76 . cria o Conselho Nacional de Biossegurança — CNBS. 6. STF. de 5 de janeiro de 1995.105/2005. (2008). 005º e parágrafos. 3. pp.DIREITO AMBIENTAL 5) Lei n. 11ª Edição. Tal lei foi regulamentada pelo Decreto no 5. da Lei nº 11105. de 22 de novembro de 2005 e por muitos outros atos normativos e. 371. (Paulo de Bessa Antunes. dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança — PNB.

depois de completarem 3 (três) anos. 015 da Lei nº 9434. ou que. para fins de pesquisa e terapia. contados a partir da data de congelamento. de 04 de fevereiro de 1997. a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento. § 003º — É verdade a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no art. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “Biotecnologia”? 2) O que se entende por “Biossegurança”? 3) Qual a relação entre “Biotecnologia” e “Biossegurança”? 4) Qual é o papel do Direito na intervenção em questões envolvendo biotecnologia? 5) Quais os principais pontos positivos e negativos do tratamento jurídico brasileiro às matérias de biotecnologia e biossegurança? FGV DIREITO RIO 77 .DIREITO AMBIENTAL Art. § 001º — Em qualquer caso. § 002º — Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisas ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética e pesquisa. na data de publicação desta Lei. é necessário o consentimento dos genitores. 005º — É permitida. ou 0II — sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais. atendidas as seguintes condições: 00I — sejam embriões inviáveis. já congelados na data da publicação desta Lei.

Sim. Na verdade. trata-se de um novo período de esperanças sólidas.445. a delegação brasileira já alardeava que a pobreza é a pior forma de degradação ambiental. É certo que o contexto era diverso. Este problema está intimamente ligado à garantia constitucional do princípio do direito à sadia qualidade de vida. ou seja. DOUTRINA A mais nova das grandes políticas de âmbito nacional teve a sua “certidão de nascimento” estampada na Lei 11. 11. mas. os investimentos em saneamento básico. discussões. o de manifestar o temor em imposição internacional de restrições ambientais que poderiam inibir o desenvolvimento econômico. mas a posição brasileira serve para ilustrar um dos grandes problemas ambientais dos países em desenvolvimento: a falta de saneamento básico em grande parte da população menos favorecida. fundamentalmente. com mensagem de Ano Novo. a Lei n. veio à luz. No Brasil. Trata-se de uma efeméride que coroou esforços. fluxos e refluxos de uma tramitação tempestuosa. Analisar os princípios fundamentais da lei de saneamento básico. OBJETIVOS Entender a evolução histórica da questão do saneamento básico no Brasil. apontando caminhos para a solução de uma velha problemática nacional ligada visceralmente às perspectivas de desenvolvimento com sustentabilidade. essa solução — ao mesmo tempo nova e antiga —. Portanto. LEGISLAÇÃO 1) Lei n. no dia 5 de janeiro de 2007. Compreender a importância e examinar a relação entre políticas de investimento em saneamento básico e defesa e proteção do meio ambiente. 11. constituem-se em importante instrumento da própria gestão ambiental e sanitária. à defesa e proteção da saúde da população. Enfim. à defesa e proteção do meio ambiente.DIREITO AMBIENTAL AULA 20: SANEAMENTO BÁSICO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO Nos debates acerca da Declaração de Estocolmo de 1972.445/2007. Esta Lei do Saneamento Básico é uma pedra FGV DIREITO RIO 78 .445/2007 encerra longos anos de debate em torno de um projeto de lei acerca da concepção e elaboração de um Plano Nacional de Saneamento Básico. passando previamente pela saúde ambiental. volta-se para a saúde pública. Identificar as diretrizes nacionais do saneamento básico.

INVASÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. BEM PÚBLICO FEDERAL. (Édis Milaré. PARCIAL PROVIMENTO. FGV DIREITO RIO 79 . VI. Agravo Regimental em Suspensão de Liminar 20050500004825202. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. MP Nº 2. 23. ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL.437/92. DA PREVENÇÃO E DA PRECAUÇÃO. COMPETÊNCIA MUNICIPAL. DA COMPESA. DILATAÇÃO E NÃO SUSPENSÃO. 603. 603-617. CONSTITUCIONAL. FALTA DE TRATAMENTO DO ESGOTO SANITÁRIO DA CIDADE DE PETROLINA/PE. DESOBRIGAÇÃO. INOCORRÊNCIA./2005. APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO DEFINIDO PARA A RECUPERAÇÃO DAS INSTALAÇÕES. LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. NESSE PONTO. JURISPRUDÊNCIA 1) TRF-5ª Região. Editora Revista dos Tribunais.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. LEI Nº 8. INEXISTÊNCIA. p. 5ª edição. Editora Revista dos Tribunais. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO. 5ª edição. Ementa PROCESSUAL CIVIL. ESPECIFICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA COMPESA SEGUNDO O TÍTULO JURÍDICO. EXCLUSIVIDADE DETIDA PELA COMPESA. pp. E 225. (2007). ESCASSEZ DO PRAZO. DETERMINAÇÃO À COMPESA DE SUSPENSÃO DA ATIVIDADE POLUIDORA POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO (DE RECONSIDERAÇÃO) INDEFERITÓRIA DE PEDIDO SUSPENSIVO DOS EFEITOS DA LIMINAR CONCEDIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. COBERTURA DAS DESPESAS A PARTIR DAS TARIFAS COBRADAS PELA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.DIREITO AMBIENTAL infra-estrutural na construção de um bem-estar mais completo e sadio para a comunidade nacional. DJ 3/Out. ARTS. Direito do Ambiente. DA CF/88. Direito do Ambiente.180-35/2001. CONTRATO DE CONCESSÃO. (2007). PRINCÍPIOS DO POLUIDOR-PAGADOR. FIXAÇÃO DE MULTA DIÁRIA PARA O CASO DE NÃO ADOÇÃO DAS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS. DESPEJO NO RIO SÃO FRANCISCO.

COM A PERSCRUTAÇÃO DA URGÊNCIA DA PROVIDÊNCIA REQUESTADA. COM AS ALTERAÇÕES DA MP Nº 2. INDEFERIU O PEDIDO DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA LIMINAR. SAÚDE PÚBLICA. NO INSTRUMENTO. É COMPETENTE A JUSTIÇA FEDERAL IN CASU.2004). EM JUÍZO DE RECONSIDERAÇÃO. SEGURANÇA PÚBLICA E ECONOMIA PÚBLICA). AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA QUE. PARTICULARIZADOS ESSES REQUISITOS. NO ÂMBITO DA QUAL NÃO SE EFETUA EXAME DE MÉRITO EM RELAÇÃO À LIDE ORIGINÁRIA. POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO ADEQUADAS DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. EM DJ DE 06.09.2004. A LEGITIFGV DIREITO RIO 80 .2004. DE PROCEDIMENTO SUMÁRIO E DE COGNIÇÃO INCOMPLETA. CC Nº 33987. EM SÍNTESE. EM 10.180-35/2001. TENDO EM CONTA QUE A PRETENSÃO EM LITÍGIO ENVOLVE BEM PÚBLICO PERTENCENTE À UNIÃO: O RIO SÃO FRANCISCO (STJ. JUSTIFICADA PELA SERIEDADE DAS CONSEQÜÊNCIAS DERIVADAS. PUBL. QUE DEVEM ESTAR PRESENTES PARA A CONCESSÃO DAS LIMINARES” (TRECHO DO VOTO DO MINISTRO EDSON VIDIGAL. QUE. 3.07.2004). AINDA MAIS. CABENDO AO ENTE POSTULANTE A DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA DESSAS CONDIÇÕES. À SAÚDE. ALÉM DE OUTRAS PROVIDÊNCIAS. 2.12. ASSOCIADA À VERIFICAÇÃO DA POSSIBILIDADE LESIVA DAS ESFERAS SIGNIFICATIVAS ENUMERADAS NA NORMA JURÍDICA LEGAL (ORDEM PÚBLICA. NO AGRG NA SUSPENSÃO DE LIMINAR Nº 57/DF. OUTROSSIM. MIN.11. REL. DESTARTE. À SEGURANÇA E À ECONOMIA PÚBLICAS. 4O. J. CONSISTENTE NO DESPEJO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO SÃO FRANCISCO.DIREITO AMBIENTAL 1. ARNALDO ESTEVES LIMA. CONCEDIDA EM SEDE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA. TRATA-SE DE MEDIDA EXCEPCIONAL. SOBRETUDO POR SER MEDIDA DE CONTRACAUTELA. MAS APENAS UMA AFERIÇÃO DA PLAUSIBILIDADE DAS RAZÕES DEDUZIDAS PELO REQUERENTE. CONTUDO. PUBL.437/92. NOS TERMOS DO ART. VINCULADA AOS PRESSUPOSTOS DE PLAUSIBILIDADE JURÍDICA E DO PERIGO DA DEMORA. PELA DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO A SER CONSIDERADO DIANTE DA MÁCULA EXPRESSIVA A SER OBSTADA. EM DJ DE 17. A CONCESSÃO DE SUSPENSÃO DE LIMINAR OU DE SENTENÇA. TERCEIRA SEÇÃO. APENAS É ADMITIDA EM CASO DE MANIFESTO INTERESSE PÚBLICO OU DE FLAGRANTE ILEGITIMIDADE E PARA IMPEDIR GRAVE LESÃO À ORDEM. A SUSPENSÃO DE SUA ATIVIDADE POLUIDORA. “ESSA ORIENTAÇÃO. DA LEI Nº 8. J. DEVE-SE LANÇAR OLHOS AO PERFAZIMENTO DOS PRESSUPOSTOS ESPECÍFICOS — O FUMUS BONI JURIS E O PERICULUM IN MORA —. NÃO DEIXA DE ADMITIR UM EXERCÍCIO MÍNIMO DE DELIBERAÇÃO DO MÉRITO. EM 01. DETERMINOU À COMPESA.

ESSENCIALMENTE. IMPÕE-SE A “AÇÃO ANTECIPADA DIANTE DO RISCO OU DO PERIGO”. DENTRE OUTROS. 4. MAIS QUE ISSO. VI. “A CONSAGRAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO ESTABELECEU FGV DIREITO RIO 81 . DITO DE OUTRO MODO. COM O CONSEQÜENTE AFASTAMENTO DE UMA POSTURA MAIS LEGALISTA. EX VI DA LEI Nº 7. NESSE CAMPO. SERIAM CONCREÇÃO DOS PRINCÍPIOS). SENDO AMBOS NORMAS JURÍDICAS (PROCESSO DE JURIDICIZAÇÃO). O DESENVOLVIMENTO DESSE CUIDADO DEU ENSEJO AO DIREITO AMBIENTAL. DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO (VORSORGEPRINZIP). O POLUIDOR-PAGADOR. E 225). À SOCIEDADE. ENCONTRA GUARIDA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. PORTANTO. A DISTINÇÃO ENTRE REGRAS JURÍDICAS E PRINCÍPIOS JURÍDICOS. MAS A PREVENÇÃO. ENFATIZA-SE. DA APLICAÇÃO E DA INTEGRAÇÃO NORMATIVA. POR ASSIM DIZER.DIREITO AMBIENTAL MIDADE DOS MINISTÉRIOS PÚBLICOS ESTADUAL E FEDERAL E O INSTRUMENTO POR ELES MANEJADO (AÇÃO CIVIL PÚBLICA) GUARDAM COMPATIBILIDADE COM OS DIREITOS A PROTEGER. OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS QUE INSPIRAM O SISTEMA JURÍDICO E QUE. PARA O FATO DE QUE OS PRINCÍPIOS JURÍDICOS — ESCRITOS OU IMPLÍCITOS — REPRESENTAM AS BASES SOBRE AS QUAIS O DIREITO SE CONSTRÓI E DAS QUAIS ELE DERIVA (AS REGRAS JURÍDICAS. OUTROSSIM. SEJA NO PRELÚDIO. E NÃO MERAMENTE COMO DIRETRIZES HERMENÊUTICAS. INCLUSIVE. A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE. ATRAVÉS. REPUTADO BEM DE USO COMUM DO POVO. REALÇANDO-SE. OS PRINCÍPIOS TÊM AVULTADO COMO VERDADEIRAS NORMAS DE CONDUTA. SOBRELEVANDO A PREOCUPAÇÃO COM A ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A TODOS OS ENTES DA FEDERAÇÃO E. 5. COMO NOVO RAMO JURÍDICO. AO DIREITO À VIDA. HODIERNAMENTE. DEVEM FUNCIONAR COMO ORIENTADORES PREFERENCIAIS DA INTERPRETAÇÃO. 6. CORRESPONDENDO. REPRESENTATIVO DE DIREITO SUBJETIVO E VINCULADO. O PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO. OU. “CONTRARIA A MORALIDADE E A LEGALIDADE ADMINISTRATIVA O ADIAMENTO DE MEDIDAS DE PRECAUÇÃO QUE DEVAM SER TOMADAS IMEDIATAMENTE” (PAULO AFONSO LEME MACHADO). SUSTENTADO EM SÓLIDA BASE DE PRINCÍPIOS. PELO PRINCÍPIO DO PREDADOR-PAGADOR. DESPERTOU-SE. NÃO A ATIVIDADE REPARATÓRIA. COM A REFERÊNCIA A BEM-ESTAR. O DA PREVENÇÃO E O DA PRECAUÇÃO. SEJA NO CORPO PROPRIAMENTE DITO DO TEXTO CONSTITUCIONAL (ARTS. SÃO PRINCÍPIOS DE DIREITO AMBIENTAL. AO DEVER JURÍDICO DE IMPEDIR A REALIZAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS. 23. ESTÁ O POLUIDOR OBRIGADO A PAGAR PELA POLUIÇÃO CAUSADA OU POTENCIALMENTE OCASIONÁVEL.347/85.

INDUSTRIALMENTE. A SUSPENSÃO DA LIMINAR. REALCE-SE QUE O DESPEJAMENTO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO. 7. O DIREITO DE IMPLANTAR.DIREITO AMBIENTAL VERDADEIRA REGRA DE JULGAMENTO NA ATIVIDADE JUDICIAL. NÃO É NEGADO PELA COMPANHIA REQUERENTE. DETENDO. QUE NÃO FOREM CONTRARIADOS PELO DEGRADADOR” (RODOLFO DE CAMARGO MANCUSO). 8. SE O TEMPO JUDICIALMENTE CONCEDIDO SE MOSTRAVA DIMINUTO. DIANTE DA DIMENSÃO DAS MEDIDAS A SEREM IMPLEMENTADAS. FRENTE AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO (EQUILÍBRIO) DE PODERES. AMENIZAR OS PREJUÍZOS AO MEIO AMBIENTE NÃO PODE SER CONFUNDIDA COM INVIABILIDADE DE EFETIVAÇÃO DESSAS PROVIDÊNCIAS. OS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. AMPLIAR. 9. PELA COMPESA. DESTARTE. AO INVÉS DE RESGUARDAR. COMPROVADA A ADOÇÃO DAS PRESTAÇÕES INICIAIS. CONSOANTE DESTACADO PELA POSTULANTE. COM EXCLUSIVIDADE. EM RELAÇÃO ÀS QUAIS O PODER JUDICIÁRIO NÃO PODE EFETUAR INSERÇÕES ATINENTES À CONVENIÊNCIA E À OPORTUNIDADE. NO SENTIDO DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO COLETIVA EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE. CABE AO PODER JUDICIÁRIO REALIZAR O CONTROLE DE LEGALIDADE E DE LEGITIMIDADE DOS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DEMAIS DISSO. ENTRETANTO. JUSTIFICAR-SE-IA PEDIDO DE DILATAÇÃO DE PRAZO. É CERTO QUE ÀS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS INCUMBE DEFINIR AS POLÍTICAS DE SANEAMENTO BÁSICO DA CIDADE. EXATAMENTE A COMPESA. AMPARADOS CIENTIFICAMENTE E DEMONSTRADOS. OFENDERIA A ORDEM PÚBLICA E A SAÚDE PÚBLICA. FGV DIREITO RIO 82 . DIANTE DE ELEMENTOS INDICIÁRIOS QUANTO À OCORRÊNCIA EFETIVA OU POTENCIAL DE DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS. PELO MENOS. E NUNCA DE SUSPENSÃO DE EXECUÇÃO. ESPECIFICAMENTE NO QUE TANGE ÀS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO ESGOTO. CONSTATOU-SE O EFETIVO LANÇAMENTO DE DEJETOS (ESGOTO NÃO TRATADO) NO RIO SÃO FRANCISCO. COMO É O CASO DO MEIO AMBIENTE. DESDE 1975. DE OUTRO LADO. NÃO SE PODE OLVIDAR A INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE ADMINISTRATIVA FRENTE A DIREITOS CONSTITUCIONALMENTE CONSAGRADOS E PROTEGIDOS. COM DANOS AO MEIO AMBIENTE. A ESCASSEZ DE PRAZO PARA REALIZAÇÃO DAS OBRAS E DOS SERVIÇOS IMPRESCINDÍVEIS A AFASTAR OU. EM RAZÃO DO ESTADO FALENCIAL DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. ADMINISTRAR E EXPLORAR.

NÃO É CORRETO AFIRMAR QUE O PROVIMENTO JUDICIAL VERGASTADO IMPUTOU À COMPESA TODA A RESPONSABILIDADE PELA POLUIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO. NÃO HÁ COMO EXIGI-LAS DA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA ESTADUAL. MERECE PROVIMENTO O AGRAVO TÃO-SOMENTE PARA AFASTAR AS DETERMINAÇÕES SECUNDÁRIAS FEITAS PELO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU À COMPESA. PORTANTO. especificamente. PORQUANTO AS MEDIDAS CUJA IMPLEMENTAÇÃO FOI DETERMINADA ESTÃO ABRANGIDAS PELO OBJETO CONTRATUAL. POR ISSO MESMO. 12. AJUSTE QUE PREVÊ A FONTE DOS RECURSOS FINANCEIROS QUE DEVERÃO CUSTEÁ-LAS. “PARA EXPLORAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTOS SANITÁRIOS”. NO QUAL ESTÃO INCLUÍDAS AS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. COM A LIMINAR. NÃO SE PODE AFIRMAR QUE A LIMINAR OCASIONA. EM 1975. ESPECIFICOU-SE A ATIVIDADE ILÍCITA PERPETRADA — SEGUNDO INDÍCIOS ROBUSTOS.DIREITO AMBIENTAL 10. INCLUSIVE DIANTE DA FALTA DE NEGATIVA DA COMPANHIA — PELA COMPESA. SE MANTIDA. A SABER. o saneamento básico se relaciona com a defesa e proteção do meio ambiente? FGV DIREITO RIO 83 . NO QUE TANGE À LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E À FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. 13. TAIS TAREFAS. NÃO TEM FORÇA A ALEGAÇÃO DE INSUSTENTATIBILIDADE DA LIMINAR DEFERIDA PORQUE A COMPESA TERIA PASSADO A TRABALHAR NA RECUPERAÇÃO DAS ESTRUTURAS. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO DE CONCESSÃO. PELO PARCIAL PROVIMENTO DO AGRAVO. DE COMPETÊNCIA MUNICIPAL. O QUE SE FEZ FOI EXIGIR A CORRETA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONCEDIDOS. AS MEDIDAS QUE LHE FORAM DETERMINADAS GUARDAM COMPATIBILIDADE COM O TÍTULO JURÍDICO QUE VINCULA A REFERIDA PESSOA JURÍDICA AO CASO EM COMENTO. 11. O CONTRATO DE CONCESSÃO FIRMADO ENTRE A COMPESA E O MUNICÍPIO DE PETROLINA. OS RECURSOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DO SISTEMA. ADVÊM DAS TARIFAS COBRADAS PELA COMPESA PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OUTROSSIM. EM SENDO. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância do saneamento básico para o Direito Ambiental? 2) De que forma. ALGUMAS DAS QUAIS JÁ COM LICENÇA DE FUNCIONAMENTO. NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM DEPENDÊNCIA DE RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS.

DIREITO AMBIENTAL 3) Como o saneamento básico pode instrumentalizar o princípio do direito à sadia qualidade de vida? 4) Quais são os princípios fundamentais da Lei n.445/2007 que consagram conceitos de proteção ambiental? 5) De que forma a política de saneamento básico pode refletir uma concepção antropocêntrica e/ou ecocêntrica do direito ambiental? FGV DIREITO RIO 84 . 11.

justificando uma análise mais aprofundada da questão à luz do direito ambiental. assim como o Sistema Financeiro Nacional. Considerando que os últimos dados sugerem uma população mundial em torno de 6 (seis) bilhões. os processos de concepção. o legislador situou-a ao lado da Política Fundiária e da Reforma Agrária. artigos 182 e 183. 5ª edição. elaboração e monitoramento das políticas urbanas não podem se render aos cobiçados investimentos econômicos em detrimento da proteção e da defesa do meio ambiente. 10. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. Direito do Ambiente. contemplou a Política Urbana. assim. Examinar o fundamento da função social da propriedade à luz de conceitos e normas de direito ambiental. É possível. art. Ao tratar da questão urbana no contexto da ordem econômica. Trabalhar os principais fundamentos e diretrizes do Estatuto da Cidade. que integra a ordem social (Título VIII. dirigido à ordem econômica e financeira.257/2001.) FGV DIREITO RIO 85 . 514. Capítulo VI. Portanto. vislumbrar a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. (Édis Milaré. E este número está crescendo. as políticas urbanas possuem papel de destaque na defesa e proteção do meio ambiente. é fácil imaginar os possíveis impactos ambientais desta situação. a Constituição de 1988. É de observar que a Política Urbana está inserida na ordem econômica.DIREITO AMBIENTAL AULA 21: URBANISMO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO As questões ambientais inerentes ao meio ambiente urbano vêm assumindo cada vez mais papel de destaque no estudo do direito ambiental. Analisar o tratamento constitucional da política urbana. Compreender a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. 225). Estima-se que 80% da população mundial habitará áreas urbanas em um futuro próximo. DOUTRINA No amplo leque das estruturas da vida nacional. 2) Lei n. p. no Capítulo II do Título VII. diversamente do que ocorre com o Meio Ambiente. OBJETIVOS Contextualizar o meio ambiente urbano no estudo do direito ambiental. Logo. (2007). Editora Revista dos Tribunais.

URBANIZAÇÃO E SANEAMENTO. ALTERAÇÃO AMBIENTAL QUE ATINGIU APENAS PARTE DA BACIA. INEXISTÊNCIA. o Tribunal local analisou a questão sub examine — ocorrência de dano ambiental decorrente do aterramento de parte do Lago Guapó II situado no Município de Londrina — à luz do contexto fático-probatório engendrado nos autos.) No âmbito substancial. após. SÚMULA 07/STJ. DETERMINAÇÃO DE ATERRAMENTO PARCIAL.. ADMINISTRATIVO. CONJUNTURA DE FATO. 514-545. a respeitável sentença recorrida deve ser inteiramente preservada. revolvendo cuidadosamente a prova produzida. 5ª edição. OFENSA AO ART. recobrir o local com uma camada de 30 centímetros de terra. bem como a condenação dos responsáveis nas despesas decorrentes das providências indicadas no laudo. NECESSIDADE IMPOSTA PELA OCUPAÇÃO HUMANA. Julgado 20/set. 2. PREVALÊNCIA DAQUELES VALORES. (2007). Seu digno e culto prolator realizou uma análise aprofundada e sensata da séria questão em tela. além da compensação pelos danos não passíveis de reparação. depois de ter determinado a instalação de drenos no Lago Igapó 2. em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ./2007. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. OPÇÃO ADMINISTRATIVA. objetivando a realização de estudo técnico para reparação ou mitigação do impacto ambiental. DJ 8/out. Editora Revista dos Tribunais. Direito do Ambiente. o estreitamento do leito normal do Ribeirão Cambé. FGV DIREITO RIO 86 . Ementa PROCESSUAL CIVIL. LAGO ARTIFICIAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL PERMANENTE. BACIA HIDROGRÁFICA ENVOLVIDA PELO DESENVOLVIMENTO URBANO. providenciando. Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual em face de exprefeito. transformando o local num depósito de lixo a céu aberto.. 535. litteris: “(. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. no ano de 1985. ao fundamento de que o réu. 2. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. ainda. autorizou que particulares despejassem toda a espécie de resíduos em parte alagadiça. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. mandando. MEDIDA DE PROTEÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO. 1ª Turma. consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado. PROVA. In casu. pp. 840011/PR — 2006/0059704-6. 1. DANO AO MEIO AMBIENTE. quando prefeito.DIREITO AMBIENTAL Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. para recolher as águas das nascentes. REsp. DO CPC./2007.

supervenientemente. atualmente conduzidas ao canal norte do aterro. a partir da formação artificial do Lago Igapó. o que se tentou por cerca de 3 anos. Ainda que se trate de uma importante bacia. porém sem sucesso. Assim. que acarretou a formação da remanescente área de brejo aqui referida. mas a lâmina ficou muito rasa gerando decomposição da vegetação existente. devido à exploração minerária e outros impactos. em uma reunião na Prefeitura. a primitiva e extensa bacia do Ribeirão Cambé e outras nascentes já havia sofrido relevante alteração. Porém o material retirado. tendo perdido suas características naturais. trazendo sérias complicações e desconforto à população residente. Segundo informações de antigo funcionário da prefeitura (Sr. Délio César.) FGV DIREITO RIO 87 . por tratar-se de solo instável. Tempos depois o nível da água foi elevado. Convém deixar bem enfatizado. já na década de 50. desde que. retomava ao fundo do lago quando ocorriam chuvas. Teophilo Paranaense Coutinho Gomes) houve a tentativa de retirada do material ali existente para aprofundar o fundo lago. Nela foram bem exaltados e sopesados os elementos da instrução que amparam o convencimento de que aquela obra tomou-se inevitável. caracterizada por nascentes. Na ocasião houve debate com diversos arquitetos da UEL e. 337/337. de que apesar do aterro as nascentes foram preservadas e. como perdurasse o problema do mau cheiro e proliferação de mosquitos. como opção administrativa.. que o aterro feito pelo apelado WILSON MOREIRA desponta como uma obra complementar e que. Foi também definido que a área deveria ser gramada e arborizada com eucaliptos e destinada a práticas esportivas. já era bem antiga. Com a construção de casas na Rua Prol Joaquim de Matos Barreto houve o corte da base da encosta o que provocou o afloramento de algumas nascentes. o que provocou mau cheiro e a proliferação de mosquitos.DIREITO AMBIENTAL para concluir. portanto. (grifo nosso) A influência degradatória da presença do homem. O trabalho dá conta. nos seus demais recantos. Teophilo. No mesmo trabalho. procurou-se alternativas para resolver o problema.. ainda. revelou-se necessária. própria à sedimentação biológica (. a bacia mantém suas características primitivas. acertadamente. Wilson Moreira. em razão das conseqüências do represamento realizado em administração anterior. em gestão administrativa anterior da Prefeitura. dentro do limite da razoabilidade. foram gastos muitos recursos e esforços. inclusive com áreas de retenção de curso. foi decidido que a melhor alternativa seria o aterramento do local. Ainda de acordo com o Sr. pois. quando era prefeito o Sr. que: “Com o passar do tempo. que a administração pública nada mais fez do que exercer seus poder discricionário. em decorrência do represamento das águas. o relatório elaborado pelo Instituto Ambiental do Paraná registrou às fls. a realização do aterro. a área foi alterada e degradada pelo uso. em substituição ao Dr. colhe-se mais adiante: Quando a represa do Lago Igapó 2 foi construída. ao determinar. a lâmina d’água não cobria o trecho da planície hoje aterrada.

o magistrado não está obrigado a rebater. sendo inconcludente em tal sentido. I resultou na formação do brejo.(.. quando foi instituído o Parque Ecológico Linear do Ribeirão Cambé. os argumentos trazidos pela parte. quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. 4. que concluiu pela improcedência do pleito deduzido nesta ação civil pública por danos ao meio ambiente. o acervo instrutório.938/81. publicado no DJ de 09. 18. Há toda uma conjuntura em que perdeu atualidade e objetividade a discussão sobre o argumento contido na inicial.DIREITO AMBIENTAL Ora. I e II. o que traz à consideração as notórias dificuldades do poder público em conter práticas dessa natureza. que estava em progressivo processo de poluição. que se localiza entre os dois lagos (Igapó— I e Igapó— II). 369/95.859/RS. concorria para estimular a Administração à alternativa de aterrar a área pantanosa. desprovido.05. Precedente desta Corte: RESP 658. o aterro já estava implantado. largamente freqüentada. (. CPC.. da qual já havia decorrido o impacto ambiental que” tudo faz crer. 535. um a um.2005.. e as conseqüências da ocupação humana dos setores marginais. como também a Lei n. desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.. nesta parte. o Código Florestal. era por iniciativa de pessoas desinformadas ou desatentas. porque irretocável. no contexto do caso. aos quais se somam os aqui expendidos. em que a Administração Municipal estava às voltas com o prosseguimento de um projeto cuja execução fora iniciada anteriormente com a criação artificial do Lago Igapó. a respeitável sentença recorrida. Inexiste ofensa ao art. para proteger a população. assim. Este mais convence que. deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos. O local foi transformado em extenso parque verde.) Em suma. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que o meio ambiente urbano é matéria de especial relevância para o direito ambiental? 2) Qual a distinção que a Constituição Federal de 1988 faz entre direito urbanístico e direito ambiental? FGV DIREITO RIO 88 . como área de preservação permanente. com todas as suas repercussões negativas. de que o réu WILSON MOREIRA teria autorizado a população a fazer da área a ser aterrada um local de despejo de lixo e toda a espécie de detritos. preparado pela Administração Municipal como área pública de lazer. esta já vigente à época dos fatos. como alternativa de saneamento. se tal ocorria. 6. cujo decisum revela-se devidamente fundamentado. Recurso Especial parcialmente conhecido e. devem ter sua interpretação contemporizada. carentes de educação ou consciência ecológica.” 3. Ademais.) Assim. Fato que. pelo Decreto n. notadamente seu art.

257/2001? 5) Qual é o papel do zoneamento ambiental na política urbana. 10.DIREITO AMBIENTAL 3) De que forma ações e decisões urbanísticas podem afetar ou violar normas de direito ambiental? Como esta relação está refletida no caso gerador? 4) De que forma a preocupação com as normas e princípios que orientam o direito ambiental está retratada na Lei n. consoante previsão da Lei n.257/2001 e quais os limites constitucionais da atuação municipal nesta esfera? FGV DIREITO RIO 89 . 10.

9. São diversos os dispositivos constitucionais que regulam direta e indiretamente a mineração. 5) Lei n. 227/1967 com as alterações promovidas pela Lei n.805/1989 e Lei n. FGV DIREITO RIO 90 .314/1996. o papel da mineração assume papel de destaque no Brasil. a cana-de-açúcar e o café. Por possuir dimensões continentais e riqueza mineral invejável no contexto internacional. 227/1997. mais precisamente. no art. 231 e § 3º. 21. 225. § 3º. 174. OBJETIVOS Entender a importância da atividade de mineração para o desenvolvimento nacional. 2º e 3º.314/1996. IX. é importante frisar que o tratamento constitucional dispensado à atividade minerária é amplo. 7. III. 22. 3) Decreto-Lei n. 91. Analisar os principais aspectos da Constituição Federal que tratam da atividade de mineração e normas ambientais. artigos 43 e 44. Na esfera infraconstitucional. Por outro lado. Aliás. em um dos mais importantes ciclos econômicos do período colonial. 4) Lei n. § 2º. inc. Trabalhar a relação entre mineração e direito ambiental. artigos 20. 225. 9. Como decorrência do avanço tecnológico e científico da sociedade pós-moderna. por ser uma atividade com grande potencial degradador e por explorar recursos naturais limitados. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. da CF/88. XII.805/1989. constituindo-se. 7. há uma especial preocupação do direito ambiental em regulamentar a mineração à luz dos princípios constitucionais que orientam a matéria. instituído pelo Decreto-Lei n. o principal diploma legal é o Código de Minas.DIREITO AMBIENTAL AULA 22: MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO A história da exploração de recursos minerais no Brasil remonta ao período da colonização. § 1º. juntamente com o pau-brasil. XXV. 2) ADCT. a atividade minerária se torna imprescindível às necessidades da população em geral. Examinar os principais elementos da legislação infraconstitucional à luz das normas de direito ambiental. 176 e §§ 1º.

§§ 1º. POLUIÇÃO AMBIENTAL. 737-755. levando-se em consideração sua elevada representatividade econômica. ESTADO DE SANTA CATARINA. 1. mesmo em se tratando de responsabilidade por dano ao meio ambiente. 349. Editora Saraiva. Bibliografia complementar 1) Celso Antonio Pacheco Fiorillo. como materiais fornecidos pelo ambiente a serem utilizados pelos brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil dentro de uma concepção técnica que situa a existência de massas individualizadas de substâncias minerais ou fósseis encontradas na superfície ou no interior da terra. encontrando-se inscrita no artigo 225. 11ª edição. Editora Lumen Juris.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA Os recursos minerais em nosso país. A responsabilidade civil do Estado por omissão é subjetiva. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. (2008). devem ser tutelados juridicamente como bens. 2º e 3º da Carta Magna. p./2007. 9ª edição. DJ 22/out. pp. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. pp. uma vez que a ilicitude no comportamento omissivo é aferida sob a perspectiva de que deveria o Estado ter agido conforme estabelece a lei. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. RESPONSABILIDADE DO ESTADO POR OMISSÃO./2007. A União tem o dever de fiscalizar as atividades concernentes à extração mineral. seu grande significado estratégico e sua notória relevância em face do próprio controle ambiental. FGV DIREITO RIO 91 . 9ª edição. Julgado 22/mai. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 2.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. Editora Saraiva. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. 647493/SC — 2004/0032785-4. (2008). Direito Ambiental. EMPRESAS MINERADORAS. Ementa RECURSO ESPECIAL. Esta obrigatoriedade foi alçada à categoria constitucional. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. de forma que elas sejam equalizadas à conservação ambiental. 349-357. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. REPARAÇÃO. (2008). REsp. CARVÃO MINERAL. 2ª Turma.

3º. Condenada a União a reparação de danos ambientais. a aplicação da disregard doctrine não tem lugar e pode constituir. c/c o art. e (iii) nem comprovando-se que os sócios ou administradores têm maior poder de solvência que as sociedades. obstáculo ao cumprimento da obrigação. por falta de nexo causal entre o dano ocorrido em um determinado lugar por atividade poluidora realizada em outro local. Carbonífera Metropolitana S/A. § 1º. Recursos de Coque Catarinense Ltda. Portanto. 8. na forma do art. Companhia Carbonífera Catarinense. Companhia Brasileira Carbonífera de Ararangua (massa falida). Esse desiderato apresenta-se consentâneo com o princípio da eqüidade. da Lei n. se diversos forem os causadores da degradação ocorrida em diferentes locais. como se fora auto-indenização. A desconsideração da pessoa jurídica consiste na possibilidade de se ignorar a personalidade jurídica autônoma da entidade moral para chamar à responsabilidade seus sócios ou administradores. 942 do Código Civil. Havendo mais de um causador de um mesmo dano ambiental. é certo que a sociedade imediatamente estará arcando com os custos de tal reparação. na modalidade subsidiária. Recurso da União provido em parte. 6. não há como atribuir-se a responsabilidade solidária adotando-se apenas o critério geográfico. na última hipótese. 4. 5.938/81. os sócios/administradores respondem pelo cumprimento da obrigação de reparação ambiental na qualidade de responsáveis em nome próprio. Carbonífera Barro Branco S/A. De outro lado. Recursos de Companhia Siderúrgica Nacional. ainda que contíguos. (ii) não se constituindo a personalização social obstáculo ao cumprimento da obrigação de reparação ambiental.. Recurso do Ministério Público provido em parte. 14. 7. uma vez que a atividade industrial responsável pela degradação ambiental — por gerar divisas para o país e contribuir com percentual significativo de geração de energia. A ação de reparação/recuperação ambiental é imprescritível. quando utilizam-na com objetivos fraudulentos ou diversos daqueles para os quais foi constituída. como ocorre com a atividade extrativa mineral — a toda a sociedade beneficia. todos respondem solidariamente pela reparação. Ibramil — Ibracoque Mineração Ltda. 6. Companhia Carbonífera Urussanga providos em parte. (i) na falta do elemento “abuso de direito”. A responsabilidade será solidária com os entes administrados.. Carbonífera Criciúma S/A. Carbonífera Palermo Ltda. Segundo o que dispõe o art. IV. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que a atividade de mineração se constitui como de especial interesse para o direito ambiental? 2) Como se dá a atividade minerária em terras indígenas? FGV DIREITO RIO 92 . não-conhecidos.DIREITO AMBIENTAL 3.

DIREITO AMBIENTAL 3) Como os impactos das atividades de mineração são tratados pelo ordenamento jurídico ambiental brasileiro? 4) Como as questões referentes à defesa e proteção do meio ambiente são tratadas pelo Código de Minas? 5) É possível afirmar que os recursos minerais são bens ambientais? Explique. FGV DIREITO RIO 93 .

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AULA 23: POLÍTICA ENERGÉTICA E MEIO AMBIENTE

INTRODUÇÃO Talvez não tenha um tema que atualmente esteja tão relacionado com a questão ambiental do que a crescente demanda mundial por energia e suas formas de geração. São as matrizes energéticas responsáveis por grande parte dos problemas ambientais que assolam a sociedade moderna. A emissão de dióxido de carbono por usinas termoelétricas que se utilizam do carvão mineral, constitui-se como a principal das causas para o aquecimento global. A utilização cada vez em maior escala das usinas hidrelétricas é responsável por danos, muitas vezes irreparáveis, à fauna e à flora de determinados ecossistemas. As próprias tecnologias mais limpas de produção de energia, também não são livres de significativos impactos ambientais ou de difíceis escolhas éticas. É, por exemplo, o caso dos biocombustíveis (etanol e biodiesel) que transformam plantações inteiras destinadas à produção de alimentos em monoculturas visando a produção de energia (i.e. cana-de-açúcar, soja, mamona, etc.). Ou, por outro lado, o investimento em energia eólica que demanda grandes estruturas que representam um dano ao valor paisagístico de determinadas regiões e podem ter implicações, por exemplo, em correntes migratórias de diversas espécies de pássaros. E mais, os próprios investimentos em painéis solares que, por sua vez, demanda de substâncias derivadas do petróleo no processo de fabricação. Há ainda questões referentes ao investimento em energia nuclear, debate bastante atual no Brasil e no mundo, mas que vêm acompanhadas das preocupações com os resíduos nucleares e o receio de acidentes como o de Chernobyl. Também não são isentos de possíveis impactos ambientais, a promissora tecnologia que permite que o automóvel seja movido à energia elétrica, pois que não resolveria os problemas referentes à matriz energética utilizada. Estes são apenas alguns exemplos e que não incluem outras formas, ainda pouco debatidas no direito brasileiro, como o hidrogênio, produção de energia pela variação de marés, ou geotermais, para citar alguns. Diante deste complexo cenário, ganha em importância a Política Energética Nacional. Entendê-la e contextualizá-la dentro do direito ambiental como, aliás, vem sendo feito por organismos internacionais e por diversos países, é de fundamental importância para a efetiva proteção do meio ambiente. No Brasil, este debate é ainda mais relevante, pois é constantemente citado como exemplo mundial de investidor em tecnologias energéticas mais limpas, como também para inserir na euforia das recentes descobertas de enormes reservas petrolíferas a questão ambiental.

OBJETIVOS Entender a relação entre política energética e meio ambiente. Compreender a estrutura legal e institucional da Política Energética Nacional. Contextualizar a Política Energética Nacional no direito ambiental. Entender a relação entre produção energética, consumo racional e proteção ambiental.
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LEGISLAÇÃO 1) Lei n. 9.478/1997.

DOUTRINA O ano de 2001 marcou uma importantíssima alteração nos hábitos de consumo de energia dos brasileiros, pois nele ocorreu o fenômeno que ficou conhecido como apagão. O apagão foi o nome popular de um grave problema de abastecimento de energia elétrica que foi conseqüência de vários e diferenciados fatores políticos, sociais, econômicos e climatológicos. (...) A produção e o consumo de energia são das questões ambientais mais relevantes e, qualquer que seja a configuração da matriz energética de um país, as suas repercussões sobre o meio ambiente serão sempre importantes e significativas. (Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), p. 787.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), pp. 787-811;

JURISPRUDÊNCIA 1) TRF 4ª Região, 2004.04.01049432-1/SC (Agravante: União Federal, Agravados: Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica, Federação das Entidades Ecologistas de Santa Catarina, Energética Barra Grande S/A, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA), D.J.U. de 19/jul./2006. Ementa AGRAVO. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. 1. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar, com profundidade, as questões envolvidas na lide, já que o ato presidencial não se reveste de caráter revisional, vale dizer, não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender, mas, sim, a sua potencialidade de lesão à ordem, saúde, segurança e economia públicas. 2. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta.
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NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a relação entre produção e consumo energético e proteção ao meio ambiente? 2) Quais são as matrizes energéticas priorizadas pela Política Energética Nacional? 3) De que forma a preocupação com a defesa e proteção do meio ambiente está inserida na Política Energética Nacional? 4) De que forma a relação entre política energética e proteção do meio ambiente está refletida no caso gerador desta aula? 5) Como fazer a conciliação entre os interesses e a necessidade energética, como pilares do desenvolvimento nacional, com a defesa e proteção do meio ambiente?

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Advogado e consultor externo associado ao Escritório Marinoni. Membro do Grupo de Especialistas da Comissão em Energia e Mudança Climática da Academia de Direito Ambiental da União para Conservação da Natureza (International Union for the Conservation of Nature — IUCN). EUA. Sampaio & Furtado Sociedade de Advogados. Professor adjunto da Pace University School of Law. Mestre e Doutorando em Direito Ambiental e Recursos Naturais pela Pace University School of Law. Co-editor do compêndio de leis mundiais sobre aplicação e execução de leis ambientais (environmental enforcement & compliance) a ser publicado pela Cambridge University Press. Professor convidado dos programas de pós-graduação em direito ambiental da PUC-SP e PUC-RJ. Palestrante em eventos no Brasil e nos EUA sobre os temas de direito ambiental brasileiro e norte-americano. Mestre em Direito Econômico e Social pela PUCPR.DIREITO AMBIENTAL RÔMULO SILVEIRA DA ROCHA SAMPAIO Professor e Pesquisador da FGV Direito Rio. direito internacional ambiental e direito climático. Nova Iorque. Autor de artigos publicados em revistas e jornais norte-americanos sobre mudança climática e biocombustíveis (Fordham International Law Journal e Proceedings of the 30th Aniversary of Environmental Law Programs at Pace). FGV DIREITO RIO 97 .

DIREITO AMBIENTAL FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes de Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 98 .

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