P. 1
Direito_Ambiental

Direito_Ambiental

|Views: 1.349|Likes:
Publicado porDaniel Petersen

More info:

Published by: Daniel Petersen on Oct 08, 2010
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

03/12/2013

pdf

text

original

direito ambiental

AUTOR: RômUlO SilveiRA dA ROchA SAmpAiO

1ª edição

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Sumário

Direito Ambiental
BlOCO I. InTRODUçãO AO DIREITO AmBIEnTAl ................................................................................................................................3

Aula 1. O surgimento e a autonomia do Direito Ambiental ........................................................... 4 Aula 2. Direitos e Interesses Difusos e Coletivos............................................................................. 7 Aula 3. Princípios do Direito Ambiental ........................................................................................ 9 Aula 4. Direito Ambiental na Constituição Federal de 1988 ........................................................ 13 Aula 5. Competências constitucionais em matéria ambiental........................................................ 16 Aula 6. Política e Sistema Nacional do Meio Ambiente ................................................................ 19

BlOCO II. InSTRUmEnTOS DA POlíTICA nACIOnAl DO mEIO AmBIEnTE............................................................................................24

Aula 7. Padrões de Qualidade e Zoneamento Ambiental .............................................................. 25 Aula 8. Publicidade, Informação, Educação e Participação Ambiental .......................................... 29 Aula 9: Auditoria Ambiental e Due Diligence ......................................................................... 33 Aula 10: Avaliação de Impacto Ambienta (AIA), Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) ....36 Aula 11: Licenciamento Ambiental ............................................................................................. 42 Aula 12: Dano e Responsabilidade Ambiental .............................................................................. 47 Aula 13: Direito de Águas ............................................................................................................ 54 Aula 14: Tutela do Ar e da Atmosfera ........................................................................................... 57 Aula 15: Tutela da Fauna e da Flora.............................................................................................. 60 Aula 16: Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC)................................................ 63 Aula 17: Florestas Públicas (Lei N. 11.284/2006) e Bioma Mata Atlântica (Lei N. 11.428/2006) ......68 Aula 18: Proteção da Diversidade Biológica.................................................................................. 72 Aula 19: Biotecnologia e Biossegurança ........................................................................................ 75 Aula 20: Saneamento Básico e Meio Ambiente............................................................................. 78 Aula 21: Urbanismo e Meio Ambiente ......................................................................................... 85 Aula 22: Mineração e Meio Ambiente .......................................................................................... 90 Aula 23: Política Energética e Meio Ambiente .............................................................................. 94

BlOCO III: TUTElAS ESPECífICAS DO mEIO AmBIEnTE .....................................................................................................................53

diReiTO AmbienTAl

Bloco I. Introdução ao dIreIto amBIental
Introdução ao Bloco I

A Revolução Industrial é o marco desencadeador de uma sociedade fundada no consumo. Esta sociedade impõe uma pressão cada vez maior sobre os recursos naturais, fazendo crescer preocupações com o meio ambiente e, consequentemente, com a própria sobrevivência da vida no planeta. Diante das constantes agressões ao meio ambiente, comprovadas pela ciência e condenadas pela ética e moral, surge a necessidade de se repensar conceitos desenvolvimentistas clássicos. Neste sentido, se faz imperiosa a agregação de diversas áreas do conhecimento científico, técnico, jurídico e mesmo de saberes de comunidades tradicionais e locais em torno de uma nova teoria de desenvolvimento sustentável que permita a utilização presente dos recursos naturais existentes sem, contudo, esgotá-los, para que o mesmo direito possa ser garantido às futuras gerações. Dentro desse contexto se insere este novo ramo do direito, o direito ambiental. Por sua natureza interdisciplinar em sua gênese, o direito do ambiente acaba também evocando conceitos e, até certo ponto, se sobrepondo aos instrumentos de outras disciplinas clássicas: direito constitucional, administrativo, civil, penal e processual. Pelo fato das atividades poluidoras e de degradação do meio ambiente não conhecerem fronteiras, o direito ambiental evoca constantemente noções de direito internacional fazendo surgir também uma disciplina derivada, intitulada direito internacional ambiental.

FGv diReiTO RiO

3

FGv diReiTO RiO 4 . novas formas de tutela e proteção dos interesses e direitos que já não mais são individualizados. quebrando a divisão clássica do direito de tradição civilística entre público e privado. 2. o surgimento e a autonomia do direito ambiental Introdução A complexidade e evolução da sociedade moderna fizeram com que uma terceira geração de direitos se delineasse. Constituição Federal. Com isso. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). sob o prisma da dimensão fundamental. abrindo espaço para novas disciplinas jurídicas. 186 e 225. Proporcionar a precisa identificação e caracterização do bem ambiental. social e coletiva. 3. direitos como o do consumidor e o próprio ambiental. Artigos 184. Caracterizam-se pela coletividade da titularidade e complexidade do bem protegido e das intervenções estatais – por meio de regulação – em áreas antes estritamente privadas. Introdução ao Direito do Ambiente. dentre elas. Incluem-se dentro desta nova geração. passam a exigir uma re-estruturação da teoria clássica do direito. sua recente consolidação. legIslação 1. autonomia em relação às demais disciplinas clássicas do direito e interdisciplinaridade. 19-36. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972). oBjetIvos Entender os conceitos formadores do direito ambiental. Universidade Aberta (1998). o direito ambiental. doutrIna leitura obrigatória José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). Diferenciar as concepções antropocêntricas e ecocêntricas e os conceitos amplos e restritos do direito ambiental e como essas caracterizações afetam a tutela dos interesses e direitos relacionados na prática.diReiTO AmbienTAl aula 1. Pp.

é possível afirmar que o direito ao ambiente é hoje um (novo) direito fundamental dos cidadãos? 1 extraídas da obra introdução ao direito do Ambiente. Ementa: A QUESTÃO DO DIREITO AO MEIO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO – DIREITO DE TERCEIRA GERAÇÃO – PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE. p. Em que consiste a implicação ou referência sistêmico-social da noção de bem jurídico ambiental? 8. consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento. reais ou concretas – acentuam o princípio da igualdade. Quais as razões que tornam a proteção do ambiente uma das preocupações fundamentais dos cidadãos atualmente? 2. que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais. 37. Quais os principais problemas com que se defrontam os juristas na regulação jurídica dos problemas ambientais? 4. pp. os direitos de terceira geração. Pode-se considerar o ambiente como novo bem jurídico protegido pelo direito? Por quê? 7. Impetrado: presidente da república).diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa stF Ms 22. mas. negativas ou formais – realçam o princípio da liberdade e os direitos de segunda geração (direitos econômicos. Por que razão os juristas encaram as questões ambientais com base numa abordagem interdisciplinar? 3. 30/out. Em que consiste o conceito estrito de ambiente? Quais são as principais críticas que se lhe podem dirigir e quais as suas vantagens? 6. enquanto valores fundamentais indisponíveis.164-0-sp (Impetrante: antônio de andrade ribeiro junqueira. Enquanto os direitos de primeira geração (direitos civis e políticos) – que compreendem as liberdades clássicas. não ao indivíduo identificado em sua singularidade. dentro do processo de afirmação dos direitos humanos. refletindo. José Joaquim Gomes canotilho (coordenador) (1998). expansão e reconhecimento dos direitos humanos. 16-22./1995. pela nota de uma essencial inexauribilidade. caracterizados. O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração – constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva. à própria coletividade social. a expressão significativa de um poder atribuído. FGv diReiTO RiO 5 . Quais as pré-compreensões do Direito do Ambiente? Como se caracterizam? 5. notas e Questões1 1. num sentido verdadeiramente mais abrangente. sociais e culturais) – que se identificam com as liberdades positivas. Articulando os dispositivos constitucionais pertinentes.

ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? 11. Poderá considerar-se o Direito do Ambiente como nova disciplina jurídica autônoma? Qual o relevo prático desta problemática? FGv diReiTO RiO 6 . Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente.diReiTO AmbienTAl 9. Em que consiste a noção de dano ambiental? 10.

pp. podem operar contra a eficiente proteção do bem jurídico que se propõem a proteger. Beltrão. 1-22. 4. Editora Juarez de Oliveira (2006). Artigos 129. Identificar os critérios para legitimação da defesa do meio ambiente. portanto. coletivo ou individual homogêneo.347/1985. Artigo 25. Tutela dos Interesses Difusos e Coletivos. Editora Método (2008). Os problemas de aplicação desses conceitos. Artigo 1º. 225. recorrido: associação notre dame de educação e cultura). inciso IV. esmiuçados pela doutrina especializada. tipificados pelo direito positivo vigente no Brasil. legIslação 1. parágrafo único. 17-19. Lei 8. pp. Antônio F. 2. FGv diReiTO RiO 7 . acabam contaminando a prática e. Lei 8. Possibilitar a compreensão da indenização individual por dano coletivo. 3. jurIsprudêncIa stF re 163231-3/sp (recorrente: Ministério público do estado de são paulo. então. Constituição Federal. alínea “a” doutrIna leitura obrigatória Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida./97.078/1990. Manual de Direito Ambiental – série Concursos Públicos. desde a caracterização e classificação até aos imbróglios e divergências processuais. Artigo 81. direitos e interesses metaindividuais. direitos e interesses difusos e Coletivos Introdução Surgem.diReiTO AmbienTAl aula 2. G. 26/fev.625/1993. oBjetIvos Categorizar os interesses e direitos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (saudável) como difuso. incisos I a III. Lei 7. mas que ainda suscitam diversas questões práticas.

Quais são os interesses e direitos a serem tutelados? 2. composta por 100 pescadores. estava abastecendo seu cargueiro no porto do Rio de Janeiro. Por um período de 3 meses a associação de pescadores da Ilha do Governador. o petróleo vazou contaminando 80% da baía de Guanabara. após ter carregado a embarcação com petróleo. O vazamento causou ainda a morte de diversas espécies de pássaros. Outros 50 pescadores. peixes e foi responsável pela interdição de vários balneários. Como o exercício de um interesse específico pode afetar positiva ou negativamente o resultado final de outro interesse? FGv diReiTO RiO 8 . indaga-se: 1.diReiTO AmbienTAl notas e Questões Imagine a seguinte situação baseada em um acontecimento real: Uma grande companhia de óleo e gás. Como o direito e/ou interesse tutelado vinculam a resposta a ser dada pelo Poder Judiciário? 3. ficou impossibilitada de exercer a sua atividade econômica. Durante o processo de abastecimento. Como decorrência. um vazamento na mangueira de combustível ocasionou uma explosão de grande dimensão. por força da mesma proibição provisória imposta pela autoridade ambiental competente. Diante deste cenário. ficaram impossibilitados de exercer suas atividades econômicas e de auto-sustento. não associados a esta entidade.

portanto. 4. Diferenciar os conceitos de princípios similares para melhor articulação da aplicação prática. entender a existência desses princípios e justificar as suas aplicações práticas. como no plano nacional e que serviram também para auxiliar na interpretação de conceitos legislativos e sanarem lacunas desta. Esta aula. oBjetIvos Conhecer os princípios formadores do direito ambiental. FGv diReiTO RiO 9 . Possibilitar a identificação dos princípios explícitos e implícitos em textos normativos. A este novo projeto de desenvolvimento econômico. 5. Artigo 225. 2. Lei 6. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Declaração de Estocolmo de 1972).605/1998. até então recém nascida. Esta reconstrução passou a impor ao desenvolvimento econômico a racional utilização dos recursos naturais e fez com que os processos industriais passassem a internalizar as externalidades ambientais. Constituição Federal. Lei 9. PrinCíPios do direito ambiental Introdução A crescente preocupação social com as questões ambientais influenciou a comunidade internacional e as legislações constitucionais e infraconstitucionais de diversos países a enveredar para a elaboração de normas de proteção do meio ambiente.938/1981. A conscientização de que os recursos naturais renováveis ou não renováveis são limitados clamou por uma intervenção legislativa capaz de reconstruir modelos clássicos desenvolvimentistas. legIslação 1. 3.diReiTO AmbienTAl aula 3. resolveu-se incluir a noção de sustentável como única forma viável de evitar a degradação do meio ambiente a níveis que permitam a sadia qualidade de vida no planeta. pretende introduzir alguns dos mais importantes princípios do direito ambiental e trabalhar a aplicação dos conceitos a eles inerentes ao caso concreto. disciplina jurídica. diversos princípios surgiram tanto em âmbito internacional. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro de 1992). Para orientar esta atividade normativa.

• na sua capacidade de integração de lacunas2. DA RESOLUÇÃO CONAMA Nº 237/97 – INEXISTÊNCIA DE NORMA REGULAMENTADORA QUANTO À LIBERAÇÃO E DESCARTE. 3º. Introdução ao Direito do Ambiente. quando comparado com o conteúdo. de uma norma.00. CAPUTE E § 1º. finalmente. p. no exercício do poder geral de cautela. na ação cautelar. 43. § 1º. Direito Ambiental Brasileiro. NO MEIO AMBIENTE. tornando inconstitucionais ou ilegais as disposições legais ou regulamentares ou os actos administrativos que os contrariem. apelados: Instituto Brasileiro de defesa do consumidor [Idec] e associação civil greenpeace). pp. muito concreto. mesmo porque. jurIsprudêncIa trF 1ª região. § 4º. 57-72 e 74-108. DE OGM – PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E DA INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO CAUTELAR – PRESENÇA DO FUMUS BONI IURIS E DO PERICULUM IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO IN MORA – PODER GERAL DE CAUTELA DO MAGISTRADO – INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA – ART. SEM O PRÉVIO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – ART.938/81 E ARTS 1º. Editora Malheiros (2008). DO CPC – INTELIGÊNCIA. Ementa: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO CAUTELAR – LIBERAÇÃO DO PLANTIO E COMERCIALIZAÇÃO DE SOJA GENÉTICAMENTE MODIFICADA (SOJA ROUND UP READY). 4º E ANEXO I. IV. • no seu potencial como auxiliares da interpretação de outras normas jurídicas e. 8/ago. 8º.. Universidade Aberta [1998].) leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado.014661-1-dF (apelantes: união Federal e Monsanto do Brasil ltda./2000. DA CF/88 C/C ARTS. (José Joaquim Gomes Canotilho [coordenador].diReiTO AmbienTAl doutrIna utilidade dos princípios Apesar de terem um conteúdo relativamente vago. ac 2000. DA LEI Nº 6. 2º. 808. 9º E 10º. 225. pode o magistrado adotar 2 Uma lacuna é a não previsão de um caso na lei e a integração da lacuna consiste na criação da disciplina jurídica para aquele caso concreto. 16ª Edição.01. a utilidade dos princípios reside fundamentalmente: • em serem um padrão que permite aferir a validade das leis. III. I – Improcedência da alegação de julgamento extra petita. FGv diReiTO RiO 10 .

do Decreto nº 1. XVI. encontra-se demonstrada especialmente: a) pelas disposições dos arts. no meio ambiente. 1º. c) pela vedação contida no art. 3º. a regulamentação relativa à liberação e descarte. 4º e Anexo I da Resolução CONAMA nº 237/97. V – A existência do fumus boni iuris ou da probabilidade de tutela. juridicamente relevante é a tese de impossibilidade de autorizaFGv diReiTO RiO 11 . estudo prévio de impacto ambiental. para o plantio. de 31/08/81 – recepcionada pela CF/88 – e dos arts. a que se dará publicidade” (art. e a comercialização de sementes de soja geneticamente modificadas. § 1º. da CF/88). autorizando o plantio e a comercialização de soja transgênica. em face do veto presidencial à disposição constante do projeto da Lei nº 8. para assegurar a efetividade desse direito. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. no meio ambiente. que permite à CNTBio dispensar o prévio estudo de impacto ambiental – de competência do IBAMA – em se tratando de liberação de organismos geneticamente modificados. in DJU de 16/09/94. 225 da CF/88 erigiu o meio ambiente ecologicamente equilibrado “a bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. especialmente ante séria dúvida quanto à Constitucionalidade do art. IV – O art. III – Se os autores só reconhecem ao IBAMA a prerrogativa de licenciar atividades potencialmente carecedoras de degradação ambiental. 8º. que conserva a sua eficácia na pendência do processo principal – e não apenas até a sentença – mesmo porque os feitos cautelar e principal têm natureza e objetivos distintos. incumbindo ao poder Público.974/95. pelo que. IV. do direito invocado. tal como consta do Anexo I da aludida Resolução CONAMA nº 237/97. Precedente do STF (ADIN nº 1. Min. VI. Ilmar Galvão. sob pena de se tornarem ineficazes outras disposições daquele diploma legal. IV. que veiculava idêntica faculdade outorgada à CNTBio. 24. até o momento presente. necessário o estudo prévio de impacto ambiental. pág. no processo principal. previamente. para a qual. à luz das quais se infere que a definição de “obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente”.974/95. de organismos geneticamente modificados. a que se refere o art. Rel. possa tornar sem objeto a ação cautelar.§ 1º. Inteligência do art. por via de conseqüência.086-7/SC. à máquina de norma regulamentadoras a respeito do assunto.752/95. na qual os autores se insurgem. caput e § 1º. 225. “exigir. na forma da lei. § 4º.279).diReiTO AmbienTAl providência não requerida e que lhe pareça idônea para a conservação do estado de fato e de direito envolvido na lide. diante da qual se conclui que a CNTBio deve expedir. da Lei nº 6. 808. II – A sentença de procedência da ação principal não prejudica ou faz cessar a eficácia da ação cautelar. II.938. contra o aludido parecer. não há suporte à conclusão de que a mera expedição de parecer pela CNTBio. compreende “a introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas”. da Lei 8. da CF/88. 9º e 10º. 225. sem o prévio estudo de impacto ambiental. exatamente. 8º. em escala comercial. do CPC. 2º. 2º.

até a morte. IV – A existência de uma situação de perigo recomenda a tutela cautelar. da Lei nº 8. IDEC e Greenpeace? 3. tida como interposta.974/95. e 13. notas e Questões 1.974/95. pela utilização de engenharia genética no meio ambiente e em produtos alimentícios.diReiTO AmbienTAl ção de qualquer atividade relativa à introdução de OGM no meio ambiente. d) Pelas disposições dos arts. que sinalizam a potencialidade lesiva de atividade cujo descarte ou liberação de OGM. em face da superveniência da Medida Provisória nº 1. sem a adoção de rigorosos critérios de segurança. improvidas. sem a observância das devidas cautelas regulamentares. até o deslinde da ação principal. no intuito de se evitar – em homenagem aos princípios da precaução e da instrumentalidade do processo cautelar –. V. VI. desde incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias e lesão corporal grave. pode causar. tal como previsto no art. De que forma o princípio da precaução se aplica ao caso relatado no caso União Federal e Monsanto vs. VIII – Preliminares rejeitadas. de 01/06/2000.984-18. 8º. tipificando-se tais condutas como crimes e impondo-lhes severas penas. O que distingue os princípios da precaução e da prevenção? 2. no meio ambiente. O que se entende por princípio da participação? Qual é a sua importância e relevância prática? 4. lesão ao meio ambiente e lesão grave ao meio ambiente. Qual é a natureza jurídica e justificativa do princípio do poluidor-pagador? 5. da Lei nº 8. De que forma princípios gerais como o da razoabilidade e proporcionalidade se relacionam com a instrumentalização dos princípios de direito ambiental? FGv diReiTO RiO 12 . 13. o risco de dano irreversível e irreparável ao meio ambiente e à saúde pública. Apelações e remessa oficial. §§ 1º a 3º. VII – Homologação do pedido de desistência do IBAMA para figurar no pólo ativo da lide.

direito ambiental na Constituição federal de 1988 Introdução A Constituição Federal brasileira de 1988 é um marco na defesa dos direitos e interesses ambientais ao dispor em diferentes títulos e capítulos sobre a necessidade de preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. é a primeira vez em que a expressão “meio ambiente” aparece em uma Constituição brasileira. oBjetIvos Reconhecer a importância de disposições constitucionais específicas em matéria de defesa e proteção do meio ambiente. o de número “VI”. ampliando sobremaneira a importância da sociedade civil organizada e. também reforçando o seu título de “constituição cidadã”. Trabalhar a idéia de divisão de responsabilidades em ações de proteção e defesa do meio ambiente entre o Poder Público e a coletividade. Em capítulo específico. Constituição Federal. Identificar os instrumentos processuais constitucionais de defesa do meio ambiente. Além disso. com mais destaque a partir dos anos 60. traçar o conteúdo e os limites da ordem jurídica. XXIII. 129. bem se compreende que Constituições mais antigas. 170. Entender o papel do Judiciário na consolidação da proteção ambiental constitucional. É por isso que. legIslação 1. O texto constitucional inova ainda quando divide a responsabilidade pela defesa do meio ambiente entre o Poder Público e à coletividade. portanto. III e IV. Elaborar a noção do ambiente ecologicamente equilibrado como direito subjetivo de todos e dever fundamental do Estado. Tema candente. diversos são os conceitos e princípios inovadores trazidos pela Carta Magna que norteiam o direito ambiental brasileiro. não tenham cuidado FGv diReiTO RiO 13 . e que assumiu proporções inesperadas no século XX.diReiTO AmbienTAl aula 4. vamos localizar na norma constitucional os fundamentos da proteção do meio ambiente. doutrIna Meio ambiente: bem jurídico per se Cabe à Constituição. Artigos 5º. como lei fundamental. III e 225. a francesa e a italiana. como a norte-americana. direta ou indiretamente.

u. jurIsprudêncIa trF 4ª região. 2004. Direito do Ambiente.04. pp. o primeiro fundamento para a tutela ambiental. embora sem perder seus vínculos originais com a saúde humana. pp. 11ª Edição. isto é. (2007). ainda que sem previsão constitucional expressa. pp. historicamente. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. Nessa nova perspectiva. 122-152. Assim ocorria também no Brasil. Isso acontecia porque o legislador se baseava no poder geral que lhe cabia para proteger a “saúde humana”. a saúde humana. (2008).01049432-1/sc (agravante: união Federal. 16ª Edição. Editora Revista dos Tribunais [2005]. 180). Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar. nos regimes constitucionais anteriores a 1988. as questões envolvidas na lide. já que o ato presidencial não FGv diReiTO RiO 14 . Mas. a proteção do meio ambiente.diReiTO AmbienTAl especificamente da matéria. 57-76. tendo como pressuposto. Bibliografia complementar Édis Milaré. com autonomia em relação a outros bens protegidos pela ordem jurídica. como é o caso da saúde humana. o meio ambiente deixa de ser considerado um bem jurídico per accidens e é elevado à categoria de bem jurídico per se. a saúde ambiental. 142-192. 1. Direito Ambiental. Direito do Ambiente. 5ª Edição. (Édis Milaré. energética Barra grande s/a. Instituto Brasileiro do Meio ambiente e dos recursos naturais renováveis – IBaMa). d. porque é mais abrangente e compreensiva./2006. Ementa: AGRAVO. Paulo de Bessa Antunes. como o português (1976). explícito ou implícito. com profundidade. de 19/jul. p. ganha identidade própria. promulgaram (e promulgam) leis e regulamentos de proteção do meio ambiente. inclusive o nosso. ou seja. Nos regimes constitucionais modernos. Aí está. Editora Revista dos Tribunais. agravados: rede de organizações não-governamentais da Mata atlântica. o espanhol (1978) e o brasileiro (1988). LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. os diversos países. Editora Lumen Juris. 4ª Edição. Direito Ambiental Brasileiro. Editora Malheiros (2008). Aparece o ambientalismo como direito fundamental da pessoa humana.j. Federação das entidades ecologistas de santa catarina.

Quais são os argumentos constitucionais que poderiam ter influenciado o julgado de forma diversa do decidido? FGv diReiTO RiO 15 . Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta. Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica e outros ao meio ambiente? 3. sim. saúde. a sua potencialidade de lesão à ordem. Qual é a importância dada pela decisão União Federal vs. vale dizer. Quais são os conceitos fundamentais medidos e sopesados pelo julgado supra citado para fundamentar a decisão final? 4. 2. segurança e economia públicas. notas e Questões 1. Qual é a importância da Constituição trazer previsões de direitos e deveres de defesa e proteção do meio ambiente? 2. não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender.diReiTO AmbienTAl se reveste de caráter revisional. mas.

24. para florestas. bem como para a preservação das florestas. dos Estados e do Distrito Federal. Trabalhar e aplicar o sistema de competências na prática. Estados. 22. doutrIna Competência Comum: o art. 25. da Constituição da República estabelece a competência comum da União. a Carta Magna estabelece um complexo sistema de repartição de competências legislativas e executivas. Artigos 1º. legIslação 1. 18. a Carta Federal expressamente dispõe nos parágrafos do art. VI e VII. pesca. a conseqüência nefasta de um sistema de competências confuso pode acarretar em irreparável dano ao meio ambiente. oBjetIvos Identificar e diferenciar as diferentes competências em matéria ambiental. 170 e 182. constituindo-se muitas vezes em obstáculos de difícil transposição no campo processual.diReiTO AmbienTAl aula 5. da Carta de 1988 estabelece a competência legislativa concorrente da União. conservação da natureza. aparentemente descentralizador. Infelizmente. 23. Constituição Federal. Distrito Federal e Municípios para a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer das suas formas. Competência legislativa: o art. estadual e municipal. da fauna e da flora. 24. 30. 24 que a União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. ComPetênCias ConstituCionais em matéria ambiental Introdução A Constituição Federal de 1988 cria uma federação com três níveis de governo: federal. Trata-se da competência material ou administrativa. como responsabilidade por dano ao meio ambiente. De acordo com o princípio da predominância do interesse. se sobrepõem e geram incertezas práticas. cabendo aos Estados a competência supleFGv diReiTO RiO 16 . 23. É justamente neste particular que reside uma das questões mais conflitantes do direito ambiental: a divisão de competências entre os diferentes entes da federação em matéria de legislação e execução de políticas ambientais. defesa do solo e dos recursos naturais. caça. excluindo os Municípios. VI e VIII. concorrente e suplementar ao mesmo tempo em que são elucidados pelo texto constitucional. fauna. Dentro deste modelo. Preceitos de competência privativa.

18 e 5º. II e LIV. V. Beltrão. eventual lei estadual oriunda desta competência legislativa plena terá sua eficácia suspensa. Manual de Direito Ambiental. Ementa Ação Direta de Inconstitucionalidade. 5ª Edição. G. caso posteriormente seja editada lei federal sobre normas gerais. Editora Malheiros. Luís Carlos Silva de Moraes. 170. Antônio F. (2008). Direito Ambiental Brasileiro. [2008]. pp. 25. Direito do Ambiente. Qual é a diferença entre competência administrativa e competência legislativa? Quais são os dispositivos constitucionais específicos que fundamentam esta repartição de competências? FGv diReiTO RiO 17 . Manual de Direito Ambiental. artigo 24. 11ª Edição. pp. requeridos: assembléia legislativa do estado do Mato grosso do sul e governador do estado do Mato grosso do sul). p. pp.º 2. Editora Revista dos Tribunais (2008). G. 77-92. VI e XII e §§ 1º e 2º da Constituição Federal. (2008). Inexistindo lei federal sobre normas gerais. (2006). pp.179-183. do Estado do Mato Grosso do Sul. (2008).diReiTO AmbienTAl mentar. Direito Ambiental. Editora Método. Curso de Direito Ambiental. os Estados excepcionalmente exercerão a competência legislativa plena. 105). Bibliografia complementar Paulo de Bessa Antunes. pp.396-9 (requerente: governador do estado de goiás. caput. § 1º. Editora Método. 22. 2ª Edição. jurIsprudêncIa stF adin 2. caput. leitura obrigatória Paulo Affonso Leme Machado. notas e Questões 1. II e IV. Édis Milaré. Editora Lumen Júris. Lei n. 16ª Edição. (Antônio F. Ofensa aos arts. à proteção do meio ambiente e controle da poluição e à proteção e defesa da saúde. 111-115.210/01. Afronta à competência legislativa concorrente da União para editar normas gerais referentes à produção e consumo. 66-70. Editora Atlas. Beltrão. I e XII. 55-71. Inexistência.

na ausência de legislação específica da União. FGv diReiTO RiO 18 . é de competência exclusiva dos Estados-membros a preservação das florestas. (Procurador da República 20º Concurso) Assinale a alternativa correta:3 a) o combate à poluição. 3 Questão extraída da obra: Antônio F. é de competência exclusiva da União. em qualquer de suas formas. Em matéria de competência suplementar dos Estados. Podem os Estados legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 4. d) nenhuma das alternativas está correta. editora método.diReiTO AmbienTAl 2. manual de direito Ambiental. Podem os municípios legislar sobre defesa e proteção do meio ambiente? Em quais situações? 5. 109. de que forma esta competência da União é exercida? 3. pode o Estado ocupar o espaço com legislação estadual em matéria de defesa e proteção do meio ambiente? E o município? 6. p. beltrão. b) situa-se no âmbito da legislação concorrente a competência para legislar sobre proteção do meio ambiente. (2008). A União é competente para legislar em matéria que verse sobre proteção e defesa do meio ambiente? Em caso afirmativo. c) tendo em vista o princípio da descentralização administrativa. G.

Dentro deste contexto. ferir direitos até então internacionalmente reconhecidos. legIslação 1. assume especial relevância a organização e o mapeamento institucional.735/1989. Compreender e aplicar na prática a divisão de competências dos órgãos integrantes do SISNAMA. constitui-se em um marco ao conceber a necessidade de uma gestão qualificada.797/1989. surge a necessidade de criação e desenvolvimento de diretrizes e ações coordenadas para instrumentalizar o objetivo maior perseguido. Lei 7. Conceitualizar e compreender o Sistema Nacional do Meio Ambiente. Lei 6. impulsionada pelo movimento ambientalista da década de 70. instaurou-se um conflito de interesses entre países em desenvolvimento e desenvolvidos acerca do direito ao desenvolvimento econômico. 2. Lei 7. mas mantendo preservada a compatibilização destes objetivos com o direito ao desenvolvimento econômico e social. oBjetIvo Entender e contextualizar a concepção da Política Nacional do Meio Ambiente e sua respectiva instrumentalização. contudo. como a soberania e o próprio direito das nações ao desenvolvimento econômico. a comunidade internacional passou a trabalhar a noção de desenvolvimento sustentável. Nesta esteira. A legislação brasileira. bem como a elaboração de um atualizado quadro legal e regulatório que pudesse recepcionar e se adequar aos preceitos internacionalmente reconhecidos.diReiTO AmbienTAl aula 6. preservando os aspectos econômicos. Portanto. sociais e ambientais. é precursora na adoção de uma política nacional e quadro institucional sistematizado para efetivar a finalidade máxima de defesa e proteção do meio ambiente ecologicamente sadio à qualidade de vida. 3. FGv diReiTO RiO 19 . Com a concepção da Declaração de Estocolmo de 1972. a Declaração do Rio de 1992 consolidou o conceito de gestão ambiental como instrumento indispensável ao cumprimento de objetivos preservacionistas e de defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado.938/1981. Visando mitigar este conflito sem. PolítiCa e sistema naCional do meio ambiente Introdução Diante da complexidade do bem ambiental e dos meios para efetivação da sua defesa e proteção. Identificar e distinguir o organograma institucional do SISNAMA.

Direito Ambiental Brasileiro. 11ª Edição. 16ª Edição. 285-298 / 307-321. 93-124. jurIsprudêncIa stj recurso especial 588. estadual e municipal. são encarregados da proteção ao meio ambiente. conforme definido em lei. Decreto 1.022-sc (2003/0159754-5) (recorrentes: superintendência do porto de Itajaí. muitas outras instituições nacionais têm importantes atribuições no que se refere à proteção do meio ambiente. (Paulo de Bessa Antunes. 6. 7. leitura obrigatória Édis Milaré. 153-175. cuja estruturação é feita com base na lei da PNMA [Política Nacional do Meio Ambiente]. nos níveis federal. Lei 10. Antônio F.650/2003. (2008). Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. Além do SISNAMA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Decreto 964/1993. Editora Lumen Juris. (2008). Direito Ambiental. LICENCIAMENTO. pp. pp. Editora Lumen Juris. Paulo de Bessa Antunes. Ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. Direito do Ambiente. 5ª Edição. 11ª Edição. (2008). DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. G. doutrIna O SISNAMA [Sistema Nacional de Meio Ambiente] é o conjunto de órgãos e instituições vinculadas ao Poder Executivo que.diReiTO AmbienTAl 4. COMPETÊNCIA DO IBAMA. pp. 113-121. Editora Malheiros. 5. Fundação do Meio ambiente [FatMa]. Manual de Direito Ambiental. recorridos: Ministério público Federal. 93). Beltrão.696/1995. Lei 10. Direito Ambiental. p. pp.683/2003. (2008). Editora Revista dos Tribunais (2007). Interessado: Instituto Brasileiro do Meio ambiente e recursos naturais renováveis [IBaMa]). Editora Método. FGv diReiTO RiO 20 . INTERESSE NACIONAL.

O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. 2. como bem de uso comum de todos. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. do mar e do mangue nessa região. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio. 4. sobre a orla litorânea. in casu. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. De que forma o desenvolvimento econômico é tratado pela Política Nacional do Meio Ambiente? 5. bem como. 5. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. principalmente. A natureza desconhece fronteiras políticas. através dos órgãos ambientais públicos e privados. Qual é a importância e o fundamento legal de inclusão do princípio da informação ao SISNAMA? 7. e. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. A atividade do órgão estadual. extrapolando os limites impostos pelo homem. nesse caso. é patrimônio do Poder Público que. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. pelo depósito dos detritos no mar. O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. É possível afirmar que o meio ambiente. 8. O que é o CONAMA e quais são as suas funções? FGv diReiTO RiO 21 . mas. Qual a finalidade de se instituir uma Política Nacional do Meio Ambiente? 3. notas e Questões 1. deve zelar e administrá-lo em prol da coletividade para as gerações presentes e futuras? Justifique. nesta condição. sobre as praias. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. sobre o homem que vive e depende do rio. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. O que é o SISNAMA e qual a sua utilidade dentro da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. enfim.diReiTO AmbienTAl 1. Os bens ambientais são transnacionais. Quais são os órgãos integrantes do SISNAMA? 9. a FATMA. é supletiva. sobre os mangues. Qual é a função que o Conselho de Governo vem desenvolvendo na prática? Explique. pode até haver duplicidade de licenciamento. O que é a Política Nacional do Meio Ambiente? 2. Recursos especiais improvidos. 3. 4. o mar territorial afetado. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. sobre as correntes marítimas.

12. não obstante já possuir órgão ambiental na esfera estadual. aeronaves e embarcações. (Procurador Município Manaus 2006) As competências atribuídas legalmente ao Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA dão-lhe a prerrogativa de:4 a) fixar as políticas de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável em nível nacional. em grau de recurso. G. 192. b. (Juiz de Direito – TJMT 2004) A respeito da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e da normatização constitucional e infraconstitucional relativa ao meio ambiente. (2008). o Grupo Executivo do Setor Pesqueiro (GESPE). beltrão. melhoria ou recuperação de qualidade ambiental que visem a elevação da qualidade de vida da população. cons- 4 Questão extraída da obra: Antônio F. 11. diminuição ou alteração de área de preservação permanente e de reserva legal. apresentou projeto de lei. as decisões relativas à outorga de licenciamento ambiental proferidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. versando sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição das águas. b) O Fundo Nacional de Meio Ambiente objetiva o desenvolvimento de projetos que visem o uso racional e sustentável de recursos naturais. p. dos Estados. a Câmara de Políticas dos Recursos Naturais.6 a.diReiTO AmbienTAl 10. 5 6 Id. manual de direito Ambiental. o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). pois é de competência comum da União. p. Um vereador de determinado município. do DF e dos Municípios legislar sobre a matéria mencionada. após a expedição de parecer técnico conclusivo favorável pelos órgãos competentes. incluindo manutenção. (Procurador do Estado AP 2006) Quanto ao Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). Considere a seguinte situação hipotética. julgue os próximos itens. o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). tal projeto pode ser considerado compatível. 192-193. Considere a seguinte situação hipotética. dados os constantes episódios de degradação de recursos hídricos naquela unidade da federação. b) rever. Id. e) estabelecer normas e padrões relativos à emissão de poluição por veículos automotores. julgue os próximos itens. d) autorizar a supressão. o Conselho Nacional da Amazônia Legal e o Conselho Nacional da Mata Atlântica. aproveitando-se da legitimidade democrática decorrente de sua composição ampliada. c) autorizar a exploração comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs). pp. Determinado Estado da Federação. FGv diReiTO RiO 22 . editora método. Nessa situação. 195. sob o ponto de vista constitucional.5 a) Compõem o SISNAMA: o Conselho de Governo.

diReiTO AmbienTAl tituiu uma fundação responsável pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. FGv diReiTO RiO 23 . ela não compõe o Sistema nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). Nessa situação. apesar de tal fundação destinar-se aos mencionados fins. pois ele só é integrado pelos órgãos ambientais da União. ainda que instituídas pelo poder público para propósitos ambientais. do DF e dos Municípios e não por fundações. dos Estados.

FGv diReiTO RiO 24 . obrigando-se o Poder Público a produzi-las. IX – as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não-cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental.diReiTO AmbienTAl Bloco II. outros ainda carecem de elucidação regulamentar específica. servidão ambiental. VI – a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal. XIII – instrumentos econômicos.938/1981: São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: I – o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental. Este capítulo irá abordar sucintamente alguns destes instrumentos e aprofundar em maiores detalhes aqueles que visam o uso equilibrado dos recursos naturais. VII – o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente. São eles os meios para a efetiva defesa e proteção do meio ambiente. da Lei 6. IV – o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras. II – o zoneamento ambiental. III – a avaliação de impactos ambientais. voltados para a melhoria da qualidade ambiental.938/81 apresenta um rol de onze incisos elencando os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. da Lei 6. Artigo 9º. Alguns se encontram exaustivamente regulados. estadual e municipal. quando inexistentes. tais como áreas de proteção ambiental. X – a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente. VIII – o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental. XII – o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ ou utilizadoras dos recursos ambientais. de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas. seguro ambiental e outros. Instrumentos da PolítIca nacIonal do meIo amBIente Introdução ao Bloco O artigo 9º. V – os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia. como concessão florestal. a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. XI – a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente.

inc. o marco regulatório é justamente a Lei 6. é ele também mecanismo de convergência de objetivos preservacionistas e econômicos. preservação ambiental e/ou mista. 9º. em relação aos padrões de qualidade. atualizada e séria articulação dos meios para atingir as metas previamente traçadas. é imprescindível uma democrática. A sua composição e diversidade democrática (governo. No tocante ao zoneamento ecológico-econômico (ZEE). efluentes e ruídos (atualmente instituídos). previsto pelo art. classe empresarial e científica) é capaz de identificar e definir os padrões aceitáveis de emissão de poluentes. ou como incentivo à monocultura. oBjetIvo Entender o conceito e a importância da definição de padrões de qualidade ambiental e critérios coerentes de zoneamento ambiental. Distinguir as diferentes atribuições da União.938/81 e o órgão deliberativo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). No Brasil.938/81. Reconhecendo-se a necessidade do avanço nas áreas econômica e social sem.diReiTO AmbienTAl aula 7. porém dotados de mecanismos flexíveis de deliberação que possam acompanhar o desenvolvimento técnico-científico e os diferentes anseios da sociedade. Como o próprio nome sugere. Padrões de Qualidade e Zoneamento ambiental Introdução A fixação de padrões de qualidade e o zoneamento ambiental são dois instrumentos de extrema importância para a consecução das premissas inerentes ao desenvolvimento sustentável. contudo. é necessária uma previsão legal sólida dos instrumentos de política do meio ambiente. este instrumento assume especial relevância. Portanto. sociedade civil. da Lei 6. realça a importância do correto planejamento do território que será destinado à indústria. olvidar da defesa e proteção do meio ambiente. Estados e Municípios em matéria de zoneamento ambiental. o zoneamento ambiental constitui-se como outro instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente. num país de dimensões continentais como o Brasil. II. Dentro deste contexto e somando-se à complexidade e rapidez cada vez maior da evolução do conhecimento e avanço tecnológico da sociedade moderna. Compreender e resolver as tensões entre os poderes públicos e iniciativa privada em matérias de padrões de qualidade ambiental e zoneamento ecológico-econômico. FGv diReiTO RiO 25 . bem como de congregar e resolver eventuais conflitos de interesses dos diferentes setores representados. agricultura. O atual debate acerca dos biocombustíveis como vilões da agricultura voltada para a produção de alimentos.

Curso de Direito Ambiental. Editora Malheiros. (Antônio F. (2008). pp. Direito Ambiental Brasileiro. (2006). Constituição Federal. o exercício de outras atividades. Editora Malheiros. Bibliografia complementar Paulo Affonso Leme Machado. 181-199. 2ª Edição. a solução de todos os problemas ambientais é um significativo passo. seu grau de dispersão. Editora Revista dos Tribunais (2007). (2008).diReiTO AmbienTAl legIslação 1. 165. Direito do Ambiente. 3. 4. 321-353. (2008). Ainda que o zoneamento não constitua. 188-214.297/02. 191). Editora Método. por si só. F Bertoldi empreendimentos Imobiliários ltda e arrimo empreendimentos Imobiliários ltda). 91. [2008]. 16ª Edição. Direito Ambiental Brasileiro. Manual de Direito Ambiental.938/81. Variam conforme a toxicidade do poluente. 2. 72-84. Lei 8. 5ª Edição. 182. Decreto 4. O zoneamento consiste em dividir o território em parcelas nas quais se autorizam determinadas atividades ou interdita-se. Editora Atlas. Beltrão. 16ª Edição. p. 25. G. artigos 21. (Paulo Affonso Leme Machado. pp. Paulo de Bessa Antunes. o uso preponderante do bem ambiental receptor.171/91 doutrIna Os padrões de qualidade ambiental consistem em parâmetros fixados pela legislação para regular o lançamento/emissão de poluentes visando assegurar a saúde humana e a qualidade do ambiente. pp. 11ª Edição. 43. leitura obrigatória Édis Milaré. FGv diReiTO RiO 26 . jurIsprudêncIa stj ação rescisória 756 – pr (1998/0025286-0) (autor: estado do paraná. Lei 6. pp. Editora Lumen Juris. réus: Município de guaratuba. p. vazão da corrente de água (em caso do ambiente receptor ser água) etc. 122). Luís Carlos Silva de Moraes. Direito Ambiental. de modo absoluto ou relativo. 186 e 225.

3. aos Municípios. VIOLAÇÃO.. 1ª T. bem como de garantir a validade dos atos administrativos correspondentes.629/PR. mas tão somente legislar em circunstâncias remanescentes. 1ª T.389/80. Min. Entendida a questão sob esse enfoque. que instituiu diretrizes para o zoneamento e uso do solo no Município de Guaratuba.2000. Precedente: RMS 9. ao prescrever condições para proteção de áreas de interesse especial. como as referentes à proteção das paisagens naturais notáveis e ao meio ambiente.11. 7. destinado a preservar a autonomia municipal. da CF/88). I. de 09 de março de 1983. De que forma os padrões de qualidade ambiental são desenvolvimentos e instituídos no Brasil? FGv diReiTO RiO 27 . Francisco Falcão.274. Precedentes: RMS 9.. 1. 5. Min. não podendo contrariá-las.diReiTO AmbienTAl Ementa: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. revogá-la. Ação rescisória procedente. DJ de 03. 2ª T. DJ de 28. está em desacordo com as limitações urbanísticas impostas pelas legislações estaduais então em vigor e fora dos parâmetros autorizados pelo Conselho do Litoral. Min. DJ de 9. RMS 13. ainda que tais benefícios sejam diretamente dirigidos às construtoras que receiam o embargo de suas edificações. 4.. 25 da Constituição do Estado do Paraná. o que enseja a imposição de medidas administrativas coercitivas prescritas pelo Decreto Estadual n. 30. EDIFICAÇÃO LITORÂNEA. DJ de 01.02. A teor dos disposto nos arts. CONCESSÃO DE ALVARÁ MUNICIPAL. LEGITIMIDADE DO MUNICÍPIO PARA ATUAR NA DEFESA DE SUA COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A atuação do Município. 6. Francisco Falcão.252/PR. como a expedição de alvará para construção.279/PR. notas e Questões 1. 24 e 30 da Constituição Federal. LEI PARANAENSE N. A Lei n. 05/89. no mandado de segurança no qual se discute a possibilidade de embargo de construção de prédios situados dentro de seus limites territoriais. COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR. A Lei Municipal n. Demócrito Reinaldo. no âmbito do exercício da competência legislativa. é de se admitir a legitimidade do município impetrante. Francisco Peçanha Martins.2003.02.1999.380/80 do Estado do Paraná. NORMAS DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE. se dá em defesa de seu próprio direito subjetivo de preservar sua competência para legislar sobre matérias de interesse local (art. AÇÃO RESCISÓRIA. possibilitando a expedição de alvará de licença municipal para a construção de edifícios com gabarito acima do permitido para o local. daí resultando a impossibilidade do art. 2. estabeleceu medidas destinadas à execução das atribuições conferidas pelas legislações constitucional e federal. 7.279/PR. cumpre a observância das normas editadas pela União e pelos Estados. Min.

3.diReiTO AmbienTAl 2. FGv diReiTO RiO 28 . ajuíza ação com pedido de relocalização da indústria. Por volta de 1990. A população no entorno da fábrica. É possível afirmar que a definição de padrões de qualidade ambiental está restrita ao Poder Legislativo? Justifique. temendo os riscos à saúde impostos pelas atividades industriais. Com base na legislação brasileira vigente. como o caso deve ser resolvido? 5. Por ser questão de interesse local é possível afirmar que o Município detém liberdade plena para definir o zoneamento ecológico-econômico? Justifique. Qual a participação do Conselho de Defesa Nacional no zoneamento ambiental? 4. A corporação. Considere a seguinte situação: uma indústria foi instalada em uma determinada região em 1980. esta área passa a ser ocupada por conjuntos habitacionais. por sua vez. contra-argumenta baseando-se em direito adquirido de pré-ocupação do solo.

4. informação. Lei 10. Constituição Federal.795/99. como a ação popular e a ação civil pública. eduCação e PartiCiPação ambiental Introdução Três importantes princípios de direito ambiental são regulamentados e tomam forma no direito brasileiro como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. oBjetIvos Entender a importância da publicidade. quando aplicados ao direito ambiental. Neste campo. artigos 5. emprestam muitos dos conceitos e forma do direito administrativo. portanto. é possível visualizar com clareza a relação do direito ambiental com o direito administrativo. Lei 6. Compreender a importância e relação entre informação. 5. 6. informação e educação ambiental para permitir a efetiva participação da sociedade civil organizada e de indivíduos na implementação e execução da política ambiental.938/81.051/95. 2. FGv diReiTO RiO 29 . 3. Por serem institutos ligados à atividade da administração pública. São também imprescindíveis para a instrumentalização dos mecanismos processuais de defesa do meio ambiente. informação e educação ambiental como instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. 225.diReiTO AmbienTAl aula 8. legIslação 1. Identificar os principais pontos da política de educação ambiental e articular formas de aplicação e efetivação prática.650/03 Lei 9. Convenção de Aarhus. Tanto o Direito Internacional como o Direito Estrangeiro (comparado) sedimentaram a necessidade de publicidade. Distinguir as diferenças entre publicidade e informação ambiental. XXXIII. publicidade e educação ambiental com participação popular qualificada nos processos decisórios. PubliCidade. Lei 9.

que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação. obscuridade ou contradição a ser suprida.438. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – SNUC. DECRETO ESTADUAL N. estaria o estado-membro autorizado a FGv diReiTO RiO 30 . 1.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL.2002. 5. primeiro.diReiTO AmbienTAl doutrIna leitura obrigatória Paulo de Bessa Antunes. NÃO-PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. foram estes rejeitados. 178-187. Direito Ambiental. DECRETO ESTADUAL N. Édis Milaré. 24. 11ª edição. em seu art. com pedido liminar. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. denegou a ação mandamental. 444-447. Direito do Ambiente. de 12.11. § 1°. Em sede de recurso ordinário. 3°. bem como determinou. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. Direito Ambiental Brasileiro. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. (2008). Governador do Estado do Mato Grosso. (2008). NOS TERMOS DO ART. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. 5ª edição. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. Editora Revista dos Tribunais.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N.340/2002. 5. ART. 1. Paulo Affonso Leme Machado. 9. 243-250. Trata-se de mandado de segurança. segundo. em se tratando de matéria ambiental.795/1997. Editora Lumen Juris. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. (2007). alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA. Editora Malheiros. DA CF/1988. 16ª Edição. por maioria. jurIsprudêncIa Ementa DIREITO AMBIENTAL. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. consubstanciado na edição do Decreto n. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. 4.

O Decreto n. No caso dos autos. 24. de 22 de agosto de 2002. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. nos termos da legislação estadual (MT) e federal. que regulamentou a Lei n.985/2000. como ocorreu no caso. § 1°. 24. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso. 9. defesa do solo e dos recursos naturais. da Carta Maior.438/2002. O Decreto Estadual n. conservação da natureza.340. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental.diReiTO AmbienTAl legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. 5. no Estado do Mato Grosso. À norma FGv diReiTO RiO 31 . qual seja. 170. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. 22. quer pela falta de previsão na legislação estadual. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. § 2°. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. respeitando. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. 9. b) nos casos de competência legislativa concorrente. VI. Assim sendo. 22. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de conservação a ser criada. que exige a realização de prévia consulta pública. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art. 4. A União. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. da CF/1988. 2. 9. fauna. pesca.985/2000. 22.985/2000. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. da Lei n. tendo em conta as necessidades da população local. em seu art. evidentemente.985/2002. quando for o caso. embora sucinta. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas. 9. a regra do art. prevista no art. VI. da CF/1988). não prevalece disposição de lei federal. a qual. possibilitar seja identificada a “localização. 4°. da CFRB). A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da federação brasileira (art. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. os Estados-membros e o Distrito Federal. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. do art. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA. 3. 24. na esteira do art. da Lei n. 4. qual seja. Aliás. § 4º. ao prescrever. caça. alcança o objetivo perseguido pelo art. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. da Lei n. § 2°. o estatuído no § 1º. os §§ 1° e 2° do art.

mormente as presentes nos arts. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. Como a participação nos processos decisórios pode ser importante instrumento de política ambiental? 4. 6. Por que o direito à informação ambiental é importante instrumento de política do meio ambiente? 2. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. quem é legítimo para solicitar informações ao Poder Público? 3. notas e Questões 1. 5.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual.diReiTO AmbienTAl de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da federação. No direito ambiental brasileiro. Quais são os pontos positivos e as principais críticas à política de educação ambiental brasileira? 5. vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. O ato governamental (Decreto n. sendo-lhe. 5. Pode a educação ambiental ser considerada instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente? 6. do Código Ambiental (Lei Complementar n. O que é e como está estruturado o Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente – SINIMA? FGv diReiTO RiO 32 . incisos V e VII. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. Recurso ordinário não-provido. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. no entanto. 38/1995).

due diligence ambiental. qual seja. FGv diReiTO RiO 33 . Diferenciar auditoria ambiental mandatória e voluntária e estas do due diligence. da precisão dos dados apresentados pela auditoria ambiental privada. fica reservada a função de fiscalização. não exclui a possibilidade da realização de auditorias voluntárias. o de instruir decisões corporativas estratégicas como instrumento de gestão e responsabilidade sócio-ambiental e também o de orientar processos de fusões e incorporações. oBjetIvos Entender a importância da auditoria ambiental. ante o crescente aumento das responsabilidades criminais. Está intimamente ligada aos mecanismos de aplicação dos padrões de qualidade ambiental estipulados por legislação específica. por amostragem. Compreender a importância e significado da due diligence ambiental. Identificar e trabalhar os principais tópicos que devem ser inseridos na auditoria e due diligence ambiental. Este instrumento possui uma característica peculiar no desempenho da função fiscalizadora da aplicação das normas ambientais. Neste último caso. civis e administrativas.diReiTO AmbienTAl aula 9: auditoria ambiental e due dIlIgence Introdução A auditoria ambiental é um importante instrumento de política do meio ambiente. Identificar as vantagens e desvantagens de um sistema fortemente dependente da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente. tomam conhecimento de eventuais passivos ambientais. por vezes. ou mesmo em simples transações de compra-e-venda entre pessoas físicas. É através do due diligence que a corporação que compra ou incorpora outra pessoa jurídica. ainda que não absoluta. a inversão. do ônus na busca da informação e monitoramento dos processos produtivos. A auditoria ambiental mandatória (imposta por lei). dentre eles. custoso e deveras complexo. A auditoria ambiental transfere do poder público para a iniciativa privada o dever de informar a conformidade dos processos produtivos com a legislação vigente. Desta natureza preventiva emerge a importância de um completo processo de due diligence ambiental. a auditoria ambiental voluntária assemelha-se em muito ao processo conhecido pela sua terminologia em inglês. o de desonerar a administração pública de conduzir este processo. Os benefícios são inúmeros. Cada vez mais exigido em grandes fusões e incorporações. o due diligence ambiental faz parte da rotina do advogado e consultor de direito ambiental. Esta inversão apresenta alguns pontos positivos. dentre eles. Ao poder público.

590-594. “Regulatory Compliance Through Environmental Auditing”. p. de 26/11/1991. artigos. 1.br/processo2.gov.htm. São Paulo: Malheiros. n. 298-314.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) Constituição do Estado do Rio de Janeiro. 16ª Edição.alerj. Stephen H. 16ª Edição.gov. Direito Ambiental Brasileiro. TJ-PR. Malheiros.alerj. Paulo Affonso Leme.br/processo6. 2008.898. 2) Lei Ordinária do Estado do Rio de Janeiro. Direito Ambiental Brasileiro. 5. vol. doutrIna Auditoria ambiental é o procedimento de exame e avaliação periódica ou ocasional do comportamento de uma empresa em relação ao meio ambiente. Julgamento 06/Nov.htm. 2008.jstor. disponível em: http://www. jurIsprudêncIa Autora: ALCOPAR – Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná vs.rj. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. Interessada: Assembléia Legislativa do Estado do Paraná. em indeferir a liminar requerida na presente Ação Direta de Inconstitucionalidade. n. por unanimidade de votos.rj. EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – MEDIDA LIMINAR – LEI ESTADUAL QUE INSTITUIU AUDITORIA AMFGv diReiTO RiO 34 . disponível em http://www. 3.org/ stable/3323264. pp. leItura oBrIgatórIa MACHADO. Órgão Especial. ementa: DECISÃO: ACORDAM os desembargadores integrantes do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. 261-282. 376102-0. 191). pp. (spring 1986). (Paulo Affonso Leme Machado. Journal of Policy Analysis and Management. DJ: 7254. BIBlIograFIa coMpleMentar LINDER./2006. disponível em http://www.

FGv diReiTO RiO 35 . Estados ou Municípios? Por quê? 4) Dentro de uma política do meio ambiente. EM PRIMEIRA ANÁLISE. notas e Questões 1) O que é auditoria ambiental? 2) Qual a diferença entre auditoria ambiental mandatória e voluntária? 3) Qual ente da Federação está mais adepto ao uso da auditoria ambiental como instrumento de política do meio ambiente: União.diReiTO AmbienTAl BIENTAL COMPULSÓRIA – DIPLOMA QUE. qual a função desempenhada pela auditoria ambiental? 5) Quais as vantagens e desvantagens de utilização da auditoria ambiental como instrumento de política ambiental? 6) O que é o due diligence? 7) Como a auditoria ambiental diferencia-se e como se assemelha ao due diligence? 8) Quais os principais tópicos que preferencialmente devem constar da auditoria e do due diligence ambiental. COADUNA-SE COM O SISTEMA CONSTITUCIONAL DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE EQUILIBRADO – PLAUSIBILIDADE – AUSÊNCIA – GRANDE LAPSO TEMPORAL ENTRE A EDIÇÃO DO ATO E A PROPOSITURA DA AÇÃO – URGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA – INSURGÊNCIA MERAMENTE QUANTO A INTERESSES SUBJETIVOS DOS ASSOSSIADOS DA ENTIDADE AUTORA – CARÁTER OBJETIVO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ABSTRATO – CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO AFETAM O JULGAMENTO DA AÇÃO DIRETA – INDEFERIMENTO DA LIMINAR.

vazamentos de óleo de gigantesca magnitude. percebe-se de forma crescente a inserção da avaliação de impactos ambientais. Identificar as principais questões que devem ser inseridas no estudo e relatório de impacto ambiental. atraindo. estudo e relatório de imPaCto ambiental (eia/rima) Introdução O histórico menosprezo às externalidades ambientais ensejou inúmeros projetos ao redor do mundo sem qualquer observância aos eventuais impactos negativos. A partir de então. oBjetIvos Distinguir avaliação de impacto ambiental de estudo e relatório de impacto ambiental. por conseguinte. Entender o papel do CONAMA na determinação de atividades que atraiam a exigência do EIA/RIMA. FGv diReiTO RiO 36 . Analisar a exigibilidade do EIA/RIMA à luz da legislação vigente e interpretação jurisprudencial. em tratados internacionais o que acaba. inexoravelmente. até sérias contaminações radioativas. Desde rios pegando fogo. para citar apenas alguns. Compreender a importância da avaliação de impacto ambiental como instrumento de política do meio ambiente. Trabalhar os aspectos práticas da realização do EIA/RIMA. Por sua singular importância. a sociedade civil organizada e. com ela. Estes eventos fizeram crescer mundialmente a pressão pela necessidade da realização de uma avaliação prévia a qualquer projeto dos eventuais impactos ambientais para atividades com potenciais poluidores significativos. na forma de princípio de direito ambiental. como momento da exigência.diReiTO AmbienTAl aula 10: avaliação de imPaCto ambienta (aia). Examinar o papel do princípio da participação e informação no processo de avaliação de impacto ambiental. e os respectivos impactos ambientais acarretou inevitavelmente prejuízos catastróficos ao meio natural. Dentre elas. ao meio ambiente. refletindo nos ordenamentos jurídicos nacionais. relevante ressaltar a de instrumento de política do meio ambiente instrumentalizando o próprio princípio da precaução. Este modelo de desenvolvimento que não internalizava as cuidados básicos com a gestão de recursos naturais renováveis ou não. instruindo a ação de organismos internacionais e como parte integrante de diversos ordenamentos jurídicos nacionais. o aumento da participação popular e dos mecanismos de controle da ação do estado. Como princípio. porém limitados. a avaliação de impacto ambiental exerce funções relevantes dentro do contexto do direito ambiental. a avaliação de impacto ambiental encontra-se atualmente consolidada no direito ambiental. por vezes irreversíveis. elaboração e custeio. o incremento dos níveis de informação e transparência na execução de projetos com potencial poluidor.

São Paulo: Saraiva.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. 137-166. 354. 5ª edição. 67-74.diReiTO AmbienTAl legIslação 1) 2) 3) 4) Constituição Federal. São Paulo: Atlas. inciso IV./2001. Direito do Ambiente. 2008. parágrafo 1º. FIORILLO. Luís Carlos Silva de. inciso III. 11ª Edição. do encerramento das atividades. pp. pp. artigo 225. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. pp. em casos específicos. 2007. 2008. doutrIna A implantação de qualquer atividade ou obra efetiva ou potencialmente degradadora deve submeter-se a uma análise e controle prévios. MORAES. São Paulo: Revista dos Tribunais. Tribunal Pleno. Paulo Affonso Leme. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. 1. G. pp. Tal análise se faz necessária para se anteverem os riscos e eventuais impactos ambientais a serem prevenidos. p. Édis. Lei 6.086-7. inciso II e parágrafos 1º e 2º e artigo 9º. Antônio F. Requerido: Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. São Paulo: Método. BELTRÃO. STF. 215-270. da sua operação e. 16ª Edição. Direito Ambiental. 253-306. Celso Antonio Pacheco. 2ª Edição. artigo 6º. Decreto 99. 2007. Manual de Direito Ambiental. 2006. mitigados e/ou compensados quando da sua instalação. (Édis Milaré. 101-104.274/1990. 5ª edição. Julgamento 7/Jun. corrigidos. 354-403. DJ 10/Ago. jurIsprudêncIa Requerente: Procurador-Geral da República vs. pp.938/1981. pp. 2008. Revista dos Tribunais. Direito Ambiental Brasileiro./2001. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. São Paulo: Malheiros. Paulo de Bessa. Curso de Direito Ambiental. Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. 2002. MACHADO. FGv diReiTO RiO 37 . artigo 7º. Direito do Ambiente. 3ª Edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris.

podendo ser dispensados pelo órgão licenciador se o impacto ambiental não for significativo. DA CARTA DA REPÚBLICA. mas podem sê-lo pelo órgão licenciador se o impacto ambiental for significativo. mas podem sê-lo por livre decisão do órgão licenciador. São em princípio exigíveis. civis e penais. Manual de Direito Ambiental. notas e Questões 1) Qual a diferença entre Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e Estudo / Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)? 2) Qual a diferença entre Estudo e Relatório de Impacto Ambiental? 3) Qual a finalidade destes instrumentos (AIA / EIA / RIMA)? 4) (Procurador do Município Manaus 2006) No curso de processos de licenciamento ambiental. para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo constitucional catarinense sob enfoque. 5) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. o estudo de impacto ambiental e seu respectivo relatório (EIA/RIMA)1 a. ao dispensar a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental no caso de áreas de florestamento ou reflorestamento para fins empresariais. IV. 2008. ARTIGO 182 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE SANTA CATARINA. CONTRARIEDADE AO ART. beltrão. O empreendedor e os profissionais que subscrevem o Estudo de Impacto Ambiental são responsáveis pelas informações apresentadas. 1 FGv diReiTO RiO 38 . sujeitando-se às sanções administrativas. 192-199. 225. editora método. São sempre exigíveis. Não são em princípio exigíveis. O órgão ambiental competente. podendo ser dispensados por livre decisão do órgão licenciador. Ação julgada procedente. apesar de verificar que a atividade ou o empreendimento não é potencialmente causador de significativa degradação am- As questões 5 a 11 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. b. A norma impugnada. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL. do § 1º do artigo 225 da Constituição Federal. d. cria exceção incompatível com o disposto no mencionado inciso IV. c. pp. § 1º. e. b. G. São em princípio exigíveis. Não são em princípio exigíveis.diReiTO AmbienTAl ementa AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.

c. O RIMA é parte integrante do Estudo de Impacto Ambiental. observado o sigilo industrial. As afirmativas (a) e (b). b. c. Apenas a afirmativa “a”.diReiTO AmbienTAl biental. 7) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. c. As diretrizes a serem seguidas para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental são determinadas exclusivamente pelo órgão competente que realizar o licenciamento ambiental. os postos de abastecimento de combustível. d. FGv diReiTO RiO 39 . e. c. Compete ao órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conservação de domínio estadual. e os gasodutos. o RIMA deve estar disponível ao público no órgão ambiental estadual. c. Compete ao IBAMA exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei Federal n. A afirmativa (a). As afirmativas “a” e “c”. A afirmativa “b”. e. As afirmativas (a) e (c). Apenas as afirmativas “a” e “c”. Apenas as afirmativas “a” e “b”. b. As afirmativas “a”. Durante o período de análise técnica. Está(ão) correta(s) apenas: a. b. É obrigatória a elaboração de Estudo de Impacto ambiental para: os distritos industriais. “b” e “c”. As afirmativas “a” e “b”. d. 6) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. b. d. e. A afirmativa “c”. A afirmativa (c). Apenas a afirmativa “c”. é de competência do órgão ambiental estadual exigir Estudo de Impacto Ambiental dos empreendimentos e atividades localizados em dois ou mais Estados. b. Está(ao) correta(s) a. A afirmativa (b). Em regra.º 4. poderá mesmo assim exigir os estudos ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento. as estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento. c. Está(ão) incorreta(s) apenas: a.771/65. A afirmativa “a”.

Licença prévia. b. bem como medidas mitigadoras apara a redução do impacto ambiental. d. Relatório ambiental preliminar. As afirmativas “a” e “c”. a responsabilidade pelas despesas de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental é do Poder Público. assinale a alternativa correta: a. A afirmativa “a”. e. c. As afirmativas “a” e “b”. 9) (Procurador do Estado/PR – 2007) À luz da legislação ordinária vigente em nosso país. e. FGv diReiTO RiO 40 . b. c. Compete à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. Compete à ANVISA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. 10) (Procurador do Estado/PR – 2007) Qual é o instrumento de controle do Poder Público destinado a atestar a viabilidade ambiental de um empreendimento ou atividade? a. Independentemente de quem seja o empreendedor. Quanto aos aspectos de biossegurança de OGM e seus derivados. Plano de manejo. à ANVISA e à CTNBIO exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. d. O Estudo de Impacto Ambiental é exigível para todos os licenciamentos ambientais. Compete ao IBAMA exigir a realização de estudo prévio de impacto ambiental de atividades de pesquisas com organismos geneticamente modificados ou seus derivados. As afirmativas “b” e “c”. A afirmativa “c”. Compete simultaneamente ao IBAMA. e. O Estudo de Impacto Ambiental deverá contemplar alternativas tecnológicas e locacionais. a decisão técnica do CONAMA vincula os demais órgãos e entidades da administração. c. c. d.diReiTO AmbienTAl 8) (Analista Ambiental CPRH/PE 2006) Leia as afirmativas que seguem: a. Estudo prévio de impacto ambiental. Está(ão) correta(s) apenas: a. b. Análise preliminar de risco. b.

b. de acordo com tabela fixada pela administração pública. A legislação brasileira estabelece. do EIA está vinculada ao custo final do empreendimento proposto. o qual nunca poderá ser dispensado pelo órgão ambiental. d. assinale a opção correta. o zoneamento ambiental.II) Considerando aspectos relativos à proteção administrativa do meio ambiente. em áreas públicas ou particulares. A exigência. FGv diReiTO RiO 41 . todos os casos em que a administração pública deve exigir do empreendedor a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental. A legislação brasileira estabelece. c. em rol exemplificativo. a avaliação de impactos ambientais e a criação de espaços territoriais especialmente protegidos. ou não. em enumeração taxativa. a. O EIA/RIMA é uma das fases do procedimento de licenciamento ambiental. os casos em que a administração pública deve solicitar ao empreendedor estudo de impacto ambiental (EIA).diReiTO AmbienTAl 11) (OAB/CESPE – 2007. devendo ser elaborado por equipe técnica multidisciplinar indicada pelo órgão ambiental competente. São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. entre outros. cabendo ao empreendedor recolher à administração pública o valor correspondente aos seus custos.

desde que verificadas as melhores práticas ambientais. instalação e operação. A avaliação de impacto ambiental é um dos elementos deste sistema. FGv diReiTO RiO 42 . Analisar questões controvertidas quanto à competência em licenciamento ambiental. suspensão ou cancelamento da licença ambiental. Examinar o direito à indenização de eventual prejudicado nos casos de modificação. Significa reconhecer que a atividade econômica já não mais se encontra livre para explorar os recursos naturais renováveis ou não. Esta mudança de paradigmas é emblemática. o Poder Público institui licenças ou autorizações concedidas e impostas precariamente à atividade econômica. as licenças ambientais são provisórias. a legislação brasileira impõe um sistema de licenciamento ambiental que se traduz em autorizações de planejamento prévio.diReiTO AmbienTAl aula 11: liCenCiamento ambiental Introdução A partir do momento em que as externalidades ambientais passam a ser reguladas pelos ordenamentos jurídicos nacionais. Trabalhar os institutos do direito adquirido e ato jurídico perfeito em face de atividades pretéritas à vigência da legislação acerca do licenciamento ambiental. porém sempre limitados. Identificar atividades que exigem licenciamento ambiental especial. tempo e modo. Resolver casos que envolvam modificação. Para tanto. É o reconhecimento de que o desenvolvimento somente será admitido se sustentável for. Entender as diferentes etapas e prazos do licenciamento ambiental brasileiro. aquelas que não violem os princípios consagrados pelo artigo 225 da Carta da República. oBjetIvos À luz do direito administrativo. debater sobre a natureza jurídica do instituto do licenciamento ambiental. ou seja. legIslação 1) Lei 6. visando à consagração dos princípios de direito ambiental. suspensão ou cancelamento de licença.938/1981. Após o levantamento e averiguação das externalidades negativas ambientais e como meio de controle do bem ambiental. Como as melhores práticas ambientais estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. surge a necessidade de desenvolvimento e imposição de um sistema de controle administrado e gerido pelo Poder Público. Articular o princípio da participação popular e o licenciamento ambiental. Aprofundar o embasamento jurídico da exigência de licenças ambientais. a circunstâncias de fato. devendo ser renovadas periodicamente.

2ª Edição. Revista dos Tribunais. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. 271-297.diReiTO AmbienTAl 2) Decreto 99. 2008. na linguagem do constituinte. FIORILLO. Direito Ambiental. a fiscalização é meio de controle concomitante. Por ser de todos em geral e de ninguém em particular. autorizações e licenças pertencem à família dos atos administrativos de controle prévio. 2008. Curso de Direito Ambiental. 2008. Paulo de Bessa. o meio ambiente é qualificado como patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido para uso da coletividade ou. 5ª edição. através dos quais possa ser verificada a possibilidade e regularidade de toda e qualquer intervenção projetada sobre o meio ambiente considerado. só pode legitimar-se mediante ato próprio de seu direto guardião – o Poder Público. 141-180. pp. (Édis Milaré. BELTRÃO. Luís Carlos Silva de. inexiste direito subjetivo à sua utilização. essencial à sadia qualidade de vida. 11ª Edição. MORAES. 404. Assim. MACHADO. Édis. Direito do Ambiente. Celso Antonio Pacheco. 405-435. São Paulo: Revista dos Tribunais. 16ª Edição. pp. Direito do Ambiente. O Licenciamento Ambiental. e habite-se é forma de controle sucessivo. 3) Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. pp. 85-101. São Paulo: Método. arma-o a lei de uma série de instrumentos de controle – prévios. São Paulo: Iglu Editora. as permissões. pp. Paulo Affonso Leme.274/1990. 5ª edição. 1999. FGv diReiTO RiO 43 . 63-80. concomitantes e sucessivos –. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. Para tanto. 2006. 3ª Edição. doutrIna Segundo a lei brasileira. Manual de Direito Ambiental. Direito Ambiental Brasileiro. G. Rio de Janeiro: Lumen Juris. que. São Paulo: Atlas. 166-181. pp. p. bem de uso comum do povo. 2007. pp. São Paulo: Malheiros. 2002.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. Antônio F. São Paulo: Saraiva. à evidência. OLIVEIRA. 2007. Antônio Inagê de Assis. por exemplo.

1ª Turma. quem deve arcar com os custos inerentes à adaptação da licença? FGv diReiTO RiO 44 . O confronto entre o direito ao desenvolvimento e os princípios do direito ambiental deve receber solução em prol do último. do mar e do mangue nessa região. 3. Somente o estudo e o acompanhamento aprofundado da questão. é supletiva. poderá aferir quais os contornos do impacto causado pelas dragagens no rio.022-SC (2003/0159754-5)./2004. extrapolando os limites impostos pelo homem. pode até haver duplicidade de licenciamento. o qual receberá milhões de toneladas de detritos. Os bens ambientais são transnacionais. LICENCIAMENTO. bem como. A natureza desconhece fronteiras políticas. A atividade do órgão estadual. é possível a modificação dos seus termos. 1. ementa ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. pp. DJ 5/Abr. A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou referências históricas. sobre as praias. COMPETÊNCIA DO IBAMA. 2. Recorrido: Ministério Público Federal. e. haja vista a finalidade que este tem de preservar a qualidade da vida humana na face da terra. Não merece relevo a discussão sobre ser o Rio Itajaí-Açu estadual ou federal. mas. Existem atividades e obras que terão importância ao mesmo tempo para a Nação e para os Estados e. Em caso positivo. in casu. sobre o homem que vive e depende do rio. DESASSOREAMENTO DO RIO ITAJAÍ-AÇU. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. sobre a orla litorânea.diReiTO AmbienTAl jurIsprudêncIa Recorrente: Superintendência do Porto de Itajaí vs. 10-30. a FATMA. pelo depósito dos detritos no mar. 5. através dos órgãos ambientais públicos e privados. sobre os mangues. impondo-se a participação do IBAMA e a necessidade de prévios EIA/RIMA. nesse caso. o mar territorial afetado. O seu objetivo central é proteger patrimônio pertencente às presentes e futuras gerações. INTERESSE NACIONAL. 588. Julgamento 17/Fev./2004. Recurso Especial n. suspensão e/ou cancelamento? Explique. Está diretamente afetada pelas obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu toda a zona costeira e o mar territorial. A preocupação que motiva a presente causa não é unicamente o rio. enfim. 4. Recursos especiais improvidos. sobre as correntes marítimas. notas e Questões 1) Durante a vigência de uma licença ambiental. O impacto será considerável sobre o ecossistema marinho. principalmente. STJ.

já que seria necessária a participação dessa autarquia federal como órgão de proteção ambiental competente. suspensão e/ou cancelamento de licença ambiental vigente. e. localizadas em unidade da federação confrontante. a. exceto quando o órgão competente para a concessão da licença julgar necessário ou quando sua realização for solicitada pelo Ministério Público ou requerido ao órgão ambiental por a. julgue os itens que se seguem. cujo grande apelo turístico era a existência de um lençol freático de águas quentes. d. Mais de cem eleitores. por meio do seu poder de política. d. Mais de 1% dos cidadãos residentes no município atingido. 5. cabe ao empreendedor ser indenizado pelos danos materiais e/ou morais decorrentes? Explique. Os técnicos do órgão licenciador estadual constataram ainda que o resfriamento do aqüífero poderia trazer conseqüências não apenas ao município vizinho. conforme a outorga das seguintes licenças: a prévia. 6 anos. tendo em vista não somente que a potencialidade lesiva abrange diretamente mais de um Estado federativo. c.5% de cidadãos do município atingido. (CESPE – Juiz Federal Substituto TRF 5ª Região) Em virtude da concessão de licença de operação a uma usina hidrelétrica. nem mesmo aludindo ao princípio da precaução. Na hipótese aventada. foi constatado que o funcionamento da usina poderia vir a causar o resfriamento de seu lençol aqüífero termal. na qual existe uma situação de incerteza quanto à real efetivação dos danos ambientais. mas também porque cabe ao IBAMA o exercício do poder de polícia quando as questões FGv diReiTO RiO 45 . e.diReiTO AmbienTAl 2) No caso de modificação. b. mas também a outras cidades. 10 anos. Pelo menos 0. Pelo menos 1% de eleitores do município atingido. nas proximidades de um município. c. b. o órgão licenciador competente não pode. A ausência da participação do IBAMA no procedimento de concessão de licença de operação enseja uma irregularidade. b. criar novas restrições ambientais. 3) (Defensor Público SP 2006) A concessão de licença ambiental não prevê a obrigatoriedade de audiência pública. 5 anos. 3 anos. 4) (Defensor Público SP 2006) O licenciamento ambiental é feito em três etapas distintas. Considerando o texto acima como referência inicial. a de instalação e a de operação. Cinqüenta ou mais cidadãos. 2 anos. A licença de instalação NÃO poderá ultrapassar a.

diReiTO AmbienTAl

ambientais envolvam bens da União, como no caso em comento, haja vista que os recursos minerais do subsolo pertencem à União. 6) (Procurador do Estado/PR – 2007) Assinale a alternativa incorreta: a. Os estudos necessários ao processo de licenciamento ambiental deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor. b. O licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades de impacto ambiental local compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos Estados e do Distrito Federal, quando couber. c. Compete ao órgão ambiental estadual o licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades localizados ou desenvolvidos ao longo de rios, ainda que de domínio federal. d. Compete ao IBAMA o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental localizadas em Estados que sejam limítrofes a outros países. e. Pode o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, modificar as condicionantes e as medidas de controle e adequação, bem como suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.

FGv diReiTO RiO 46

diReiTO AmbienTAl

aula 12: dano e resPonsabilidade ambiental
Introdução

Conforme reiteradamente exposto em tópicos anteriores, o bem ambiental é complexo, pois composto de diversos elementos naturais e, conforme o ordenamento jurídico, de elementos criados artificialmente pelo homem. Pelo fato desses elementos apresentarem intricada relação com a vida humana, estão constantemente sujeitos a serem alterados e/ou modificados. Acontece, porém, que a noção clássica de dano pressupõe uma ação negativa, ou seja, prejudicial ao estado em que se encontrava o bem antes do evento danoso. Em se tratando do bem ambiental e dos elementos que o compõem, a caracterização de um dano é ameaçada pelo alto grau de subjetividade no juízo de valor que, por sua vez, varia conforme o interesse em jogo. Por exemplo: o que seria um meio ambiente ecologicamente equilibrado? Quem define quais os critérios para se atingir um meio ambiente ecologicamente equilibrado? A ciência? Mas por vezes a própria ciência é contraditória. Conseqüentemente, a própria caracterização de um determinado dano ambiental não é matéria pacífica. Na mesma esteira, muitos danos ao meio ambiente são de longa maturação, não sendo sentidos, senão depois de transcorridos longos períodos de tempo. Em todas essas hipóteses, há, portanto, significativa dificuldade de estabelecimento de nexo causal, típico da relação entre o dano e a responsabilidade civil clássica. Por outro lado, quando efetivamente constatada a existência de um dano ao meio ambiente como, por exemplo, inequívoco derramamento de substância tóxica que afeta a saúde da população e os atributos ecológicos dos elementos diretamente afetados pelo vazamento, impõe-se a construção de uma responsabilidade especial que considere a complexidade anteriormente narrada do bem ambiental. Para tanto, a Constituição Federal de 1988 estabelece as linhas gerais para uma tríplice responsabilização: no campo penal, administrativo e reparatório, bem assim a legislação infraconstitucional, mais precisamente, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6,938/81) e a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998).

oBjetIvos

Entender a noção de dano ambiental à luz da complexidade do bem ambiental. Trabalhar as possibilidades reparatórias diante de um dano ambiental. Identificar as dificuldades da aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao meio ambiente. Examinar as conseqüências sancionatórias imputadas pelo ordenamento jurídico brasileiro ao responsável pelo dano ambiental. Conhecer as condutas lesivas ao meio ambiente que dão ensejo a responsabilidade penal. Analisar as possibilidades de atuação da administração pública na imposição de
FGv diReiTO RiO 47

diReiTO AmbienTAl

sanções administrativas. Articular a aplicação das responsabilidades civil, penal e administrativa.

legIslação

1) Constituição Federal de 1988, artigo 225; 2) Lei 6.938/1981; 3) Lei 9.605/1998.

doutrIna A partir do momento em que as preocupações ambientais começaram a encontrar eco no mundo do Direito e em que surgiram normas jurídicas a tutelar o novo bem jurídico (que constitui também um direito fundamental), teriam obviamente de surgir também disposições legais a ocupar-se da violação das normas destinadas à tutela do ambiente, assim fazendo o seu aparecimento a categoria do ilícito ambiental. Para Postiglione (Ambiente: suo significato giuridico unitario, Rivista Trimestrale di Diritto Publico, anno XXXV (1985), p. 51), o “dano ambiental é o prejuízo trazido às pessoas, aos animais, às plantas e aos outros recursos naturais (água, ar e solo) e às coisas (...) que consiste numa ofensa do direito ao ambiente”, traduzindo-se também numa “violação em concreto dos ‘standards’ de aceitabilidade estabelecidos pelo legislador”. (...) A responsabilidade civil é um instituto cuja antiguidade remonta ao Direito Romano mas que tem vindo a evoluir ao longo dos tempos, adaptando-se às necessidades postas pelas sociedades modernas. Mesmo assim ele revela-se, em muitos casos, um meio inadequado de lidar com os atentados ao ambiente. Inadequado pelas dificuldades de prova dos seus rigorosos pressupostos, mesmo quando as razões de justiça permitam prescindir daquele cuja prova poder ser mais difícil: a culpa. A responsabilidade objectiva, pelo risco ou por factos lícitos, é, sem dúvida, um grande avanço no sentido da correspondência do instituto às necessidades da vida moderna, sem perda de justiça intrínseca. Porém, não é ainda suficiente para cobrir todas as situações de dano que, cada vez com mais frequência, ocorrem e que, por falta de prova de um ou outro pressuposto, ficam impunes e por indemnizar. A solução parece passar pela aposta em novos instrumentos jurídicos para a protecção do ambiente. (José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador), Introdução ao Direito do Ambiente, Universidade Aberta, 1998, p. 29 e 139.)

FGv diReiTO RiO 48

pp. 745. São Paulo: Método. quanto ao terceiro. FACULDADE DO ÓRGÃO JULGADOR. 2008.04. máxime porque a referida norma referendou o próprio Código Florestal (Lei 4. 5ª edição. 14.2006.2003. A obrigação de reparação dos danos ambientais é proter rem. 321-337. 341-368 e 696-731. FIORILLO. 1ª Turma.771/65) que estaFGv diReiTO RiO 49 .938/81. ementa PROCESSUAL CIVIL. RESP 263383/PR. jurIsprudêncIa Recorrente: Oswaldo Alfredo Cintra vs.2004. pp. 2008. Precedentes do STJ: RESP 826976/ PR. Édis. 2. ante a ratio essendi da Lei 6.363-PR (2005/0069112-7). mesmo sem culpa. Universidade Aberta. pp. 2008. AgRg no REsp 504626/ PR. MATAS. RESPONSANTE. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. ADMINISTRATIVO. 16ª Edição. DJ de 17. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. pp. Relator Ministro Castro Meira. ART. BELTRÃO. 2007. TERRAS RURAIS. desta relatoria. A responsabilidade pelo dano ambiental é objetiva. 29-33 e 139-134. Relator Ministro Francisco Falcão. Recurso Especial n. G. pp. 1. Direito Ambiental.08. 2002. RECOMPOSIÇÃO.2005 e EDcl no AgRg no RESP 255170/SP. Celso Antonio Pacheco. DANOS AMBIETNAIS. DJ de 22. Paulo de Bessa. § 1º. Recorrido: ADEAM Associação Brasileira de Defesa Ambiental. 809-957. Direito Ambiental Brasileiro. Relator Ministro João Otávio de Noronha. Introdução ao Direito do Ambiente. que em seu art. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Malheiros. Direito do Ambiente. preceitua que a obrigação persiste. ainda que não sejam eles os responsáveis por eventuais desmatamentos anteriores.09./2007. STJ. Paulo Affonso Leme. Antônio F. São Paulo: Revista dos Tribunais./2007. por isso que a Lei 8. 1998. determina que o poluidor seja obrigado a indenizar ou reparar os danos ao meio-ambiente e.diReiTO AmbienTAl leItura oBrIgatórIa ANTUNES. José Joaquim Gomes Canotilho (coordenador). 11ª Edição. DJ de 22. MILARÉ. 234-242 e 201-215.05. DJ 18/Out. Manual de Direito Ambiental. MACHADO.171/91 vigora para todos os proprietários rurais. DJ de 01. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Julgamento 20/Set. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 476 DO CPC. BIBlIograFIa coMpleMentar CANOTILHO. 242-261. 3ª Edição. pp.

. da Lei 6. Facilita-se a obtenção da prova da responsabilidade. inicia-se o processo lógico-jurídico da imputação civil objetiva ambiental!. pois não há necessidade de que ela apresente risco ou seja perigosa. p. em sua obra Direito Ambiental Brasileiro. 3. caso a caso. 326327.)” in Direito Ambiental Brasileiro. também. a imprudência e a negligência para serem protegidos bens de alto interesse de todos e cuja lesão ou destruição terá conseqüências não só para a geração presente. sem se exigir a intenção. Presente. entre os quais o da “utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente”. quando nos defrontarmos com atividades de risco. O artigo 927. Repara-se por força do Direito Positivo e. É contra Direito enriquecer-se ou ter lucro à custa da degradação do meio ambiente. se for o meio ambiente e o homem. DJ de 07. a requisitos certos. Relator Ministro Franciulli Netto. independentemente de culpa. está autorizado. 4. 186 que a função social da propriedade rural é cumprida quando atende. Paulo Affonso Leme Machado. ninguém. Quanto à segunda parte. ou o Poder Público fará a classificação dessas atividades.2002.10. pois. § III.741/ PR. como para a geração futura.)A responsabilidade objetiva ambiental significa que quem danificar o ambiente tem o dever jurídico de repará-lo. a concordar ou a praticar uma transação que acarrete a perda de chance de vida e de saúde das gerações (. Precedente do STJ: RESP 343. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. já temos a Lei 6. parágrafo único. Nenhum dos poderes da República. Procura-se quem foi atingido e. ressalta que “(. “É a responsabilidade pelo risco da atividade. 14. A responsabilidade sem culpa tem incidência na indenização ou na reparação dos “danos causados ao meio ambiente e aos terceiros afetados por sua atividade” (art. É cediço em sede doutrinária que se reconhece ao órgão julgador da primazia da suscitação do incidente de uniformização discricionariedade no exame FGv diReiTO RiO 50 . Não se pergunta a razão da degradação para que haja o dever de indenizar e/ou reparar. Quanto à primeira parte. de no mínimo 20% de cada propriedade. o juiz analisará. em matéria ambiental . que instituiu a responsabilidade sem culpa.938/81. por um princípio de Direito Natural. nos casos especificados em lei. do CC de 2002. Malheiros Editores. 5. A Constituição Federal consagra em seu art. Só depois é que se entrará na fase do estabelecimento do nexo de causalidade entre a ação ou omissão e o dano. da prevenção e da reparação.” Na conceituação do risco aplicam-se os princípios da precaução. em prol do interesse coletivo.. obrigando os seus proprietários a instituírem áreas de reservas legais. risco para os direitos de outrem”. 12ª ed. dispõe: “Haverá obrigação de reparar o dano.. por sua natureza.. moral e constitucionalmente. Não interessa que tipo de obra ou atividade seja exercida pelo que degrada.. o binômio dano/ reparação.938/81). pois não é justo prejudicar nem os outros e nem a si mesmo.diReiTO AmbienTAl belecia uma limitação administrativa às propriedades rurais. 2004. cujo regime de responsabilidade não tenha sido especificado em lei. seguindo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei.

Sobre o thema leciona José Carlos Barbosa Moreira. objetivando a pacificação da jurisprudência interna de determinado Tribunal. razão pela qual não se admite a sua promíscua utilização com nítida feição recursal. Trata-se. de evitar.)” p. que a sorte dos litigantes e afinal a própria unidade do sistema jurídico vigente fiquem na dependência exclusiva da distribuição do feito ou do recurso a este ou àquele órgão (. pura e simplesmente. Forense.. Relator Ministro Castro Meira. nem seria concebível que se tratasse. por vezes suscitado com intuito protelatório. têm os órgãos judiciais de aplicar aos casos concretos as regras de direito. de impor aos órgãos judicantes uma camisa-de-força.08. para tanto.2006 e EDcl no AgRg nos EDcl no CC 34001/ES.2006. especialmente porque o instituto sub examine não é servil à apreciação do caso concreto. cumpre destacar. consoante a ratio essendi do art.diReiTO AmbienTAl da necessidade do incidente porquanto... Assim se fixam as teses jurídicas. 6.(. 9. consoante cediço. Vol. V. ao revés. determinar o seu sentido e alcance. Relator Ministro Jorge Scartezzini. 10. ante o óbice erigido pela Súmula 07. que lhes tolhesse o movimento em direção a novas maneiras de entender as regras jurídicas. a cuja luz hão de apreciar-se as hipóteses variadíssimas que a vida oferece à consideração dos julgadores. não vincula o órgão julgador. é que se põe o problema da uniformização da jurisprudência. Cumpre-lhes. ao qual a iniciativa do incidente é mera faculdade. Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 620276/RS. in Comentários ao Código de Processo Civil.11.) Nesses limites. 8.05.2004. DJ de 01. 04-05. notas e Questões 1) Em que consiste a noção de dano ambiental? 2) Será que só o Estado é titular do direito à indenização por danos ao ambiente. Deveras.. 476 do CPC. sempre que anteriormente adotada já não corresponda às necessidades cambiantes do convívio social. DJ de 29. Relator Ministro Francisco Falcão. ou também os cidadãos (individualmente considerados ou associados) poderão ser titulares de tal direito? FGv diReiTO RiO 51 . Sob esse ângulo. o mencionado incidente não ostenta natureza recursal. na medida do possível. EDcl nos EDcl no RMS 20101/ES. e somente neles. interpretar essas regras. Não se trata. DJ de 30. O pedido de uniformização de jurisprudência revela caráter eminentemente preventivo e. Recurso especial desprovido. litteris: “No exercício da função jurisdicional. 7. a severidade do incidente é tema interditado ao STJ. revela meio hábil à discussão de teses jurídicas antagônicas. isto é.

Em razão de sua baixa instrução ou escolaridade. e. b. Destruir bem especialmente protegido por lei. Em domingos e feriados. de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental. Dentro de unidade de conservação. b. FGv diReiTO RiO 52 . c. Abusando de licença que lhe tenha sido regularmente concedida. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que possam resultar em danos à saúde humana. 2 As questões 9 e 10 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F.diReiTO AmbienTAl 3) Como está configurada a responsabilidade civil na Lei 6. p. c. aquele que tiver o dever contratual de fazê-lo. beltrão. G. Manual de Direito Ambiental.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente)? 4) Dê exemplos de dificuldades na aplicação da responsabilidade civil aos danos causados ao ambiente. Fazer o funcionário público afirmação falsa em procedimento de autorização de licenciamento ambiental. NÃO admite a modalidade culposa o de2 a. 10) (Procurador Município Manaus 2006) NÃO é circunstância agravante da pena pela prática de crime ambiental.º 9. d. 2008. ter o agente cometido o crime a.605/98. ou à noite. Conceder a funcionário público licença em desacordo com as normas ambientais para obra cuja realização dependa de ato autorizativo do Poder Público. Para obter vantagem pecuniária. e. tal como definido pela Lei n. 263. Deixar. d. editora método. 5) Qual é a intenção implícita na responsabilização penal de condutas lesivas ao meio ambiente? 6) Podem as pessoas coletivas ser punidas pela prática de crimes ecológicos? 7) De que forma a imposição de sanções administrativas pode ser instrumento eficaz na prevenção de ações lesivas ao meio ambiente? 8) Qual(is) a(s) distinção(ões) fundamental(is) entre responsabilidade civil e sanção administrativa? 9) (Procurador do MP do TCE/MG 2007) Dentre os crimes ambientais.

FGv diReiTO RiO 53 . a intervenção na flora quase sempre refletirá na fauna. e assim sucessivamente. assim como a intervenção no ar pode refletir na água. Como decorrência da impossibilidade do isolamento prático do conjunto de bens ambientais que. diante da competência concorrente prevista pela Constituição Federal para a tutela do meio ambiente. consegue proporcionar mais eficácia no cumprimento dos objetivos propostos em cada tipo de legislação. a especificidade dos elementos que compõem o meio ambiente atrai a necessidade do desenvolvimento de tutelas específicas. fora do campo meramente legislativo ou didático. por outro. a tutela específica deve sempre ser aplicada e interpretada à luz dos princípios constitucionais e preceitos legislativos federais gerais. água e ar. por exemplo.diReiTO AmbienTAl bloCo iii: tutelas esPeCífiCas do meio ambiente Introdução Conforme relatado nos blocos anteriores. flora. o bem ambiental é complexo. Esta necessidade impõe o desenvolvimento de uma intrincada rede normativa nas três esferas da federação. Se por um lado o direito ambiental apresenta princípios formadores e específicos. no campo da natureza e da ecologia. basicamente em uma das seguintes categorias: fauna. o tratamento legal dispensado a um determinado bem ambiental deve sempre considerar o conjunto dos demais que compõe o todo meio ambiente. Por outro lado. pois que é composto por diversos elementos. peculiaridades em relação à forma de responsabilização de eventual dano em face da própria complexidade do bem a que se propõe tutelar. Isto porque. O ordenamento jurídico ao diferenciar o tratamento dispensado ao bem ambiental conforme a sua natureza. compreendidos.

IV. contribuindo para políticas públicas desastrosas na gestão deste recurso natural tão precioso. porém limitado. a. vital à própria vida no planeta. acabou por influenciar inúmeros sistemas legais ao redor do mundo. Artigo 2º. Esta mudança é refletida por uma tendência atual de maior intervenção do Estado. no Brasil. b e c. Conhecer a legislação aplicável e instituições responsáveis pela gestão das águas. I. classificação das águas e do uso da água. Decreto-lei 221/1967 (Código de Pesca).771/65.433/1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos e Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos). Distinguir a cobrança pelo uso da água da cobrança pelo serviço de distribuição da água. Como decorrência. Contudo. Artigos 20. A partir do momento em que água passa a ser encarada como um recurso renovável. 22. Analisar a racionalidade da cobrança da água. Distinguir políticas de alocação de políticas para evitar poluição das águas. Código Florestal. surge um intricado sistema legal e institucional responsável pela gestão dos recursos hídricos e que passa a ser tratado como matéria inerente ao Direito de Águas. Decreto-lei 852/1938. Lei 4. Decreto 24. O tratamento da água como um recurso ilimitado e passível de ser apropriado gratuitamente. quanto vital. Lei 9. as pressões sobre este recurso natural. V e VI. oBjetIvos Entender a evolução histórico-legislativa do tratamento dos recursos hídricos no Brasil. o surgimento de novas fontes de poluição e políticas públicas insustentáveis.643/1934 (Código de Águas). XIX. a água foi considerada um recurso natural renovável e ilimitado. houve a necessidade de reconstrução dos ordenamentos jurídicos para adequarem e harmonizarem noções econômicas e preservacionistas. com o crescimento demográfico acelerado. III. por meio do exercício cada vez maior do seu poder regulatório. tornaram-se fonte de extrema preocupação. Entender o regime de competências legislativa e material. 26. legIslação 1) 2) 3) 4) 5) 6) Constituição Federal. 21. Trabalhar a aplicação da doutrina a casos concretos envolvendo conflitos sobre direito de uso da água.diReiTO AmbienTAl aula 13: direito de Águas Introdução Historicamente. FGv diReiTO RiO 54 .

pp. de acordo com as necessidades e possibilidades que se apresentam. 463-499. faz com que o direito de águas contenha normas tradicionalmente colocadas no campo do direito privado e no do direito público. Direito de Águas no Brasil. De início. 333.) O direito de águas pode ser conceituado como conjunto de princípios e normas jurídicas que disciplinam.. a doutrina. Direito do Ambiente. DJ 06/2/2006. Direito de Águas no Brasil. 2006. qualidade e estado decorrem de fatores naturais e/ou humanos os mais diversos. FGv diReiTO RiO 55 .diReiTO AmbienTAl doutrIna Em suas mais variadas formas e localizações – doces. em geleiras ou atmosféricas – . a conservação e preservação das águas. a água na Terra é praticamente a mesma durante os últimos milhões de anos. As mudanças de local. São Paulo: Malheiros. STJ. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. São Paulo: Revista dos Tribunais. aproveitamento. POMPEU. pp. 699-735. Recorrido: Henrique Hessel Roschel e Outros (3). pp. 2007. Rio de Janeiro: Lumen Juris. que desconhece limites no seu percurso. 2006. Julgamento 13/12/2005. 2ª Turma. pp. Direito Ambiental Brasileiro. A estreita vinculação das normas jurídicas relativas às águas com o ciclo hidrológico.056-SP (2001/0087209-0). que acabam recebendo a participação do homem para amenizá-los. São Paulo: Revista dos Tribunais. (Cid Tomanik Pompeu. MACHADO. assim como a defesa contra suas danosas conseqüências. Paulo de Bessa. denominava-se direito hidráulico. Édis. 5ª edição. Recurso Especial n. pp. 11ª Edição.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. 35 e 39. ou até para agravá-los. eliminá-los ou redirecioná-los. Revista dos Tribunais. superficiais ou subterrâneas. salobras. Cid Tomanik. 16ª Edição. uso. jurIsprudêncIa Recorrente: Ministério Público do Estado de São Paulo vs.. 35 e 39. Paulo Affonso Leme. (. salgadas. 441-529. 2008. a jurisprudência e o costume. Direito Ambiental. 2008. Suas fontes são a legislação.

2. VIII. tais como as de proteção aos mananciais. pois consoante dispõe o art. extrai-se a necessidade de o Estado interferir. adequado ordenamento territorial.diReiTO AmbienTAl ementa ADMINISTRATIVO. 3. da Constituição da República. notas e Questões 1) Qual é a racionalidade na imposição de cobrança pelo uso da água? 2) Qual é o regime de propriedade aplicável aos recursos hídricos no Brasil? 3) De qual ente da Federação é a competência legislativa e administrativa sobre águas? Explique. FGv diReiTO RiO 56 . RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO E DO ESTADO. Recurso especial provido. As determinações contidas no art. ARTS. 13 da Lei nº 6.766/79. 6. Da interpretação sistemática dos arts. mediante planejamento e controle do uso. 13 E 40 DA LEI N. 1. repressiva ou preventivamente.766/79 e 225 da CF. compete-lhe “promover. no que couber. PODER-DEVER. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.766/99 consistem num dever-poder do Município. 40 da Lei 6. do parcelamento e da ocupação do solo urbano”. 30. LOTEAMENTO IRREGULAR. quando o loteamento for edificado em áreas tidas como de interesse especial. ÁREA DE MANANCIAIS.

interesses econômicos na utilização deste precioso recurso contribuem para as imperfeições legislativas e executivas no combate à poluição atmosférica. caput. bem assim. à evaporação à transpiração. que não pode ser devidamente avaliado. A sua contaminação causa efeitos nocivos imediatos e impactos significativos na saúde dos seres humanos. Analisar a importância da definição de padrões de qualidade do ar nacionais em um contexto internacional. a qualidade do ar está intimamente ligada ao sadio funcionamento de outros sistemas ecológicos. oBjetIvos Entender as funções e relações da qualidade do ar com a saúde da população e sadio funcionamento de sistemas ecológicos diversos. o ar dos recursos naturais mais importantes para a sobrevivência da vida humana no planeta. Em alguns centros metropolitanos. é o recurso que mais rapidamente se contaFGv diReiTO RiO 57 . doutrIna Ligado estreitamente aos processos vitais de respiração e fotossíntese. Examinar as instituições responsáveis pela execução de políticas de qualidade do ar e legislação aplicável. à oxidação e aos fenômenos climáticos e meteorológicos. Sua utilização se dá pela forma de “despejo” de substâncias químicas poluentes. a atmosfera – tem um significado econômico. 2) Resoluções CONAMA 005/1989. 003/1990 e 008/1990.diReiTO AmbienTAl aula 14: tutela do ar e da atmosfera Introdução Juntamente com a água. Enquanto corpo receptor de impactos. 24. o recurso ar – mais amplamente. Porém. além do biológico ou ecológico. Além dos prejuízos diretos à saúde da população. VI. IV. sua capacidade de absorção é limitada e de rápida contaminação. 30. a poluição atmosférica chega a ser visível. legIslação 1) Constituição Federal. a difícil tarefa de estabelecimento de relações de causa e efeito. Compreender o tratamento da matéria pelo ordenamento jurídico brasileiro. Trabalhar problemas práticos. Não é incomum a população dos grandes centros utilizarem máscaras para circular nas ruas. Porém. artigos 23. II. 225. Identificar os principais gases responsáveis pela poluição atmosférica.

contrariando o sistema erigido na Lei Federal 6. quando adotou como padrões de medida de poluição ambiental. pp./2003.diReiTO AmbienTAl mina e mais rapidamente se recupera – dependendo. Recurso Especial n. ementa ADMINISTRATIVO – DIREITO AMBIENTAL – REGULAMENTO – PADRÔES DE QUALIDADE AMBIENTAL – ADOÇÃO DE CRITÉRIOS INSEGUROS – DECRETO 8. pp. incidiu em ilegalidade. de condições favoráveis.355-SP (2001/0196898-0).938/81. 1ª Turma. a extensão da propriedade e o olfato de pessoas credenciadas. 204. BIBlIograFIa coMpleMentar: MACHADO.468/76 do Estado de São Paulo.) leItura oBrIgatórIa: MILARÉ. evidentemente. Direito Ambiental Brasileiro. Direito do Ambiente. 5ª edição. jurIsprudêncIa Recorrente: Petróleo Brasileiro S/A – PETROBRÁS vs. O Decreto 8. Julgamento 11/ Nov. DJ 15/Dez. 399. Revista dos Tribunais. 2007./2003. São Paulo: Malheiros. 534-561. STJ.938/81. 2007. 16ª Edição. Paulo Affonso Leme. (Édis Milaré. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. Édis. notas e Questões 1) Como pode ser feita a compatibilização entre o desejo de grandes centros de atrair um parque industrial que gere empregos e movimente a economia local com os objetivos de preservação da sadia qualidade do ar? FGv diReiTO RiO 58 . Direito do Ambiente.468/76 – DO ESTADO DE SÃO PAULO – ILEGALIDADE – LEI 6. 204-214. 5ª edição. 2008. Recorrido: Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo DAEE.

identifique 3 deles fundamentando a resposta. 3) Existe alguma espécie de compromisso internacional que obrigue o Brasil a adotar medidas de controle contra a poluição do ar? Caso positivo. como o ar e atmosfera são tutelados? Quais os pontos negativos e positivos desta estrutura.diReiTO AmbienTAl 2) Do ponto de vista do arcabouço legal e institucional brasileiro. FGv diReiTO RiO 59 .

como indispensável à própria preservação da flora. 2) Lei 4. VII. caput e § 1º. 4) Lei 5. expressão máxima da intrínseca relação entre fauna e flora.771/1965 (Código Florestal). o direito ambiental desempenha importante função no controle de atividades que coloquem em risco o equilíbrio da fauna e da flora. O mundo vive uma acelerada perda da flora e os resultados estão sendo sentidos no crescente número de espécies em extinção ou já extintas. VI. Esta constatação preliminar é imprescindível. Identificar o regime jurídico aplicável à fauna e à flora. o equilíbrio ecológico passa pela proteção da fauna. a imprescindibilidade da preservação da flora. legIslação 1) Constituição Federal. 5) Decreto Federal 97.diReiTO AmbienTAl aula 15: tutela da fauna e da flora Introdução Dentre os elementos que compõem a biosfera. VII e § 4º. FGv diReiTO RiO 60 . oBjetIvos Trabalhar a relação entre fauna e flora. Por tudo isso. conhecidas ou ainda não conhecidas pelo homem. por exemplo. se faz sentir nas funções ecológicas auxiliares indispensáveis à sadia qualidade de vida: manutenção da qualidade da água. 225.633/1989. positivos e negativos. Examinar a racionalidade da proteção de determinadas áreas e a regulação de algumas atividades econômicas e recreativas que representem risco à integridade da fauna. artigos 23. com a situação inversa. Da mesma forma. fauna e flora são os que se apresentam mais intimamente ligados entre si. na flora. 3) Decreto-lei 221/1967 (Código da Pesca). Compreender a importância ecológica desempenhada pela flora e pela fauna. pois as políticas públicas planejadas para a proteção da fauna somente alcançarão os objetivos para os quais foram pensadas se levarem em consideração os possíveis impactos.197/1967 (Código de Caça). etc. Entender a terminologia e respectivos conceitos dos elementos que compõem a flora. 30. Muito além do patrimônio paisagístico. 24. regulação climática. controle de erosão. II. Os impactos também podem ser sentidos na perda da biodiversidade. No mesmo sentido.

Direito do Ambiente. Por isso.diReiTO AmbienTAl doutrIna (. 11ª Edição. pp. 2007. DJ 14/8/2006. haja necessidade de se remover famílias instaladas no local FGv diReiTO RiO 61 . STJ. 2ª Turma. ementa AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Édis. MATA ATLÂNTICA. protegem ou defendem a biota devem fundamentar-se em dados científicos: não podem desconhecer as leis naturais que regulam as espécies vivas. Recurso Especial n. impõe a condenação dos responsáveis. (Édis Milaré. nichos ecológicos e cadeia trófica. 2007... Revista dos Tribunais. PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE. jurIsprudêncIa Recorrentes: Alberto Srur e Município de São Bernardo do Campo vs. BIBlIograFIa coMpleMentar ANTUNES. Julgamento 27/6/2006. 236-251. para tanto. Recorrido: Ministério Público do Estado de São Paulo. São Paulo: Revista dos Tribunais. LOTEAMENTO CLANDESTINO.) leItura oBrIgatórIa MILARÉ. 1. Decorre daí que as “relações formais” dos indivíduos e da sociedade humana com o meio ambiente precisam ser pautadas pelas “relações naturais” que se desenvolvem no seio dos ecossistemas. Rio de Janeiro: Lumen Juris. são cúmplices entre si. pp. 5ª edição. p. de modo que a espécie humana evite toda e qualquer forma de prepotência e crueldade para com o mundo natural. REPARAÇÃO AMBIENTAL. A destruição ambiental verificada nos limites do Reservatório Billings – que serve de água grande parte da cidade de São Paulo –. 325-546. as leis humanas que preservam. somados à destruição da Mata Atlântica. Direito do Ambiente. Paulo de Bessa. OBRIGAÇÃO DE FAZER. ASSOREAMENTO DA REPRESA. ainda que.) Flora e fauna são extremamente solidárias – poderíamos dizer. 403. 237.190SP (2001/0125125-0). principalmente se pensarmos em termos de hábitats. provocando assoreamentos. Direito Ambiental. 2008. Tal fato vale para a economia e uma infinidade de outras atividades. RESERVATÓRIO BILLINGS. 5ª edição.

A questão 1 foi extraída da seguinte obra: Antônio F. O regime jurídico da propriedade florestal é puramente civil. Com relação a esse assunto. em decorrência de loteamento irregular implementado na região. Tanto é assim que o Banco Mundial aponta que a área ocupada por florestas nos países em desenvolvimento foi reduzida à metade em aproximadamente um século.771/1965. Ele também contempla a proteção das demais formas de vegetação reconhecidas de utilidade para as terras que revestem. mas de preservação de reservatório de abastecimento urbano. pois as matas particulares não estão sujeitas a ingerências administrativas. As florestas públicas são consideradas bens de interesse dominial do Estado. a. está contemplada na Lei n. que. As relações entre a necessidade de desenvolvimento econômico e a destruição das áreas florestais é bastante evidente. provavelmente deixaram-se enganar pelos idealizadores de loteamentos irregulares na ânsia de obterem moradias mais dignas. improvidos. beltrão. no Brasil. julgue os itens que se seguem. 515 do Código de Processo Civil acórdão que. c. nessa parte. editora método. igualmente evidentes são as relações entre a destruição das florestas e a pobreza. G.3 A matéria florestal. 230 e 231. Manual de Direito Ambiental. reformando a sentença. Não se trata tão-somente de restauração de matas em prejuízo de famílias carentes de recursos financeiros. 2008. 4. 3. b. p. julga procedente a ação nos exatos termos do pedido formulado na peça vestibular. Recursos especiais de Alberto Srur e do Município de São Bernardo do Campo parcialmente conhecidos e. No conflito entre o interesse público e o particular há de prevalecer aquele em detrimento deste quando impossível a conciliação de ambos. Não fere as disposições do art. 2. notas e Questões 1) (CESPE – AGU 2006) A preservação das florestas é uma das questões fundamentais para a sobrevivência da humanidade e de todas as formas de vida. 3 FGv diReiTO RiO 62 . desprezando pedido alternativo constante das razões da apelação.diReiTO AmbienTAl de forma clandestina. O Código Florestal não está voltado apenas para a proteção das florestas. 4. que beneficia um número muito maior de pessoas do que as residentes na área de preservação.

428/2006. § 1º. 9. incs. DOUTRINA As unidades de conservação. 11.985/2000. criadas por ato do Poder Público. é que o SNUC toma forma pela Lei n. 2) Lei n. n. conseqüentemente. garantindo-lhes assim a necessária eficácia.985/2000. é importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 dispõe em seu artigo 225. Divididas em dois grupos. III e VII sobre obrigações gerais de defesa e proteção da fauna e da flora. Porém. INTRODUÇÃO Após analisado os aspectos gerais da proteção da flora e da fauna. três importantes diplomas legais completam o regime jurídico estrutural de proteção da flora e. as Unidades de Proteção Integral (cujo objetivo básico é preservar a natureza. as áreas de preservação permanente e de reserva legal. 9. OBJETIVOS Identificar as diferentes formas de proteção das florestas divididas em Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. dentre eles. fruto de longos anos de discussões e debates sobre um projeto de lei de 1992.892. instituído pela Lei n. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. os referidos dispositivos constitucionais não prescindiam de específica regulamentação. o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. n. I. artigo 225. da fauna brasileira. sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos FGV DIREITO RIO 63 . São eles.428/2006 e Lei do Bioma Mata Atlântica. 9. II. 11. de número 2. fazem parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza — SNUC e são constituídas pelo conjunto de unidades de conservação federais e estaduais e municipais de acordo com o disposto na referida Lei n. pela natureza de normas gerais. Foi então que em 2000.985/2000. Em relação ao SNUC. a Lei das Florestas Públicas. 9.DIREITO AMBIENTAL AULA 16: SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC). incluindo os principais dispositivos do Código Florestal. Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos do SNUC. a saber.985/2000.

DA CF/1988. (2008). 16ª Edição. Editora Lumen Juris.340/2002. 9ª edição. STJ. 1. RMS n.DIREITO AMBIENTAL naturais salvo exceções previstas na própria lei ora mencionada) e as Unidades de Uso Sustentável (cujo objetivo básico é compartilhar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcelas integrantes do SNUC) passaram.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. DECRETO ESTADUAL N. Editora Revista dos Tribunais. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DO ESTADO DO MATO GROSSO. ART. por força de lei. SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA — SNUC. Editora Malheiros. 811-850. 20281-MT (2005/0105652-0). 9. CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PRECEDIDAS DE PRÉVIO ESTUDO TÉCNICO-CIENTÍFICO E CONSULTA PÚBLICA. 24. 225 DA CF/1988 REGULAMENTADO PELA LEI N. NOS TERMOS DO ART. Curso de Direito Ambiental Brasileiro.438/2002 QUE CRIOU O PARQUE ESTADUAL IGARAPÉS DO JURUENA NO ESTADO DO MATO-GROSSO. DECRETO ESTADUAL N. 547-626. DJ 29/ Jun. (2008). JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Hermes Wilmar Storch vs. 5. (2007). Editora Saraiva./2007. 1ª Turma. Direito do Ambiente. Ementa DIREITO AMBIENTAL. § 1°. Direito Ambiental. PRESCINDIBILIDADE DE PRÉVIA CONSULTA À POPULAÇÃO. NÃO— PROVIMENTO DO RECURSO ORDINÁRIO. pp. 109-110./2007. FGV DIREITO RIO 64 . ÁREA DE PROTEÇÃO INTEGRAL. 652-690. pp. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo.985/2000 E PELO DECRETO-LEI N. pp. a ter composição bem delimitada com objetivos fixados pela norma.795/1997. Julgamento 12/Jun. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. 5ª edição. 2) Paulo Affonso Leme Machado. 4. Recorrido: Estado de Mato Grosso. (2008). 11ª Edição.

340. porque precedido de estudo técnico e científico justificador da implantação da reserva ambiental. O Decreto n. No que diz respeito à necessidade de prévio estudo técnico. Aliás.438. alcança o objetivo perseguido pelo art. b) nos casos de competência legislativa concorrente.985/2000. que regulamentou a Lei n. d) a justificativa contida no decreto estadual é incompatível com a conceituação de “parque nacional”. da Lei n.11. bem como determinou. haja vista legislação federal preponderar sobre a estadual. 22. ao prescrever. O Decreto Estadual n. obscuridade ou contradição a ser suprida. do art. não sendo suficiente a simples justificativa técnica. denegou a ação mandamental.2002. a criação do Parque vem lastreada em justificativa técnica elaborada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente — FEMA. qual seja. 24. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. § 2°. em se tratando de matéria ambiental. Em sede de recurso ordinário. consubstanciado na edição do Decreto n. quando for o caso. que “compete ao órgão executor proponente de nova unidade de conservação elaborar os estudos técnicos preliminares e realizar. § 4º. evidentemente. esclarece que o requisito pertinente à consulta pública não se faz imprescindível em todas as hipóteses indistintamente. embora sucinta. 5° do citado decreto indicam que o desiderato da consulta pública é definir a localização mais adequada da unidade de FGV DIREITO RIO 65 . 9. respeitando. que criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena. possibilitar seja identificada a “localização. 9. da CF/1988). estaria o estado-membro autorizado a legislar no âmbito da sua competência territorial de forma distinta e contrária à norma de caráter geral editada pela União. com pedido liminar. nos municípios de Colniza e Cotriguaçu. e) é obrigatória a realização de consulta pública para criação de unidade de conservação ambiental. 3°. 2. Apresentados embargos declaratórios pelo impetrante. dimensão e limites mais adequados para a unidade”. 3. 5. a consulta pública e os demais procedimentos administrativos necessários à criação da unidade”. da CF/1988.DIREITO AMBIENTAL 1. por maioria. 24. 22. à consideração de que inexiste no aresto embargado omissão. 5. como ocorreu no caso. Governador do Estado do Mato Grosso. reveste-se de todas as formalidades legais exigíveis para a implementação de unidade de conservação ambiental. que as terras e benfeitorias sitas nos limites do mencionado Parque são de utilidade pública para fins de desapropriação.438/2002. de 12. concluindo pela legalidade do citado decreto estadual. § 1°. no Estado do Mato Grosso. da Lei n. primeiro. prevista no art. o estatuído no § 1º. alega-se que: a) o acórdão recorrido se baseou em premissa equivocada ao entender que. c) é obrigatória a realização de prévio estudo técnico-científico e sócioeconômico para a criação de área de preservação ambiental. Trata-se de mandado de segurança. nos termos da legislação estadual (MT) e federal. 9. segundo. os §§ 1° e 2° do art. 4°. a qual. O Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso. 4.985/2000. foram estes rejeitados. impetrado por Hermes Wilmar Storch e outro contra ato do Sr. em seu art. de 22 de agosto de 2002.985/2002. em seu art. pelo fato de a legislação estadual não exigir prévia consulta à população como requisito para criação de unidades de conservação ambiental. há de prevalecer a competência da União para a criação de normas gerais (art.

vedado invadir o campo das peculiaridades regionais ou estaduais. No caso dos autos. d. Beltrão.DIREITO AMBIENTAL conservação a ser criada. 6. tampouco dispor sobre assunto de interesse exclusivamente local. 9. na esteira do art. FGV DIREITO RIO 66 . Floresta Nacional. Refúgio da Vida Silvestre. defesa do solo e dos recursos naturais. NOTAS E QUESTÕES1 1) (Defensor Público SP 2006) O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza estabelece dois grupos de unidades de conservação. Assim sendo. que exige a realização de prévia consulta pública. 1 As questões 1-3 foram extraídas da seguinte obra: Antônio F. Área de Proteção Ambiental. Editora Método. A implantação de áreas de preservação ambiental é dever de todos os entes da Federação brasileira (art. Manual de Direito Ambiental. VI. pesca. tendo em conta as necessidades da população local. São Unidades de Proteção Integral: a. Área de Proteção Ambiental. 227 e 229. VI. G. da Carta Maior. detém competência legislativa concorrente para legislar sobre “florestas.438/2002) satisfaz rigorosamente todas as exigências estabelecidas pela legislação estadual. Estação Ecológica. conservação da natureza. motivo por que não subsiste direito líquido e certo a ser amparado pelo presente writ. do Código Ambiental (Lei Complementar n. Reserva Biológica. 24. b. os Estados-membros e o Distrito Federal. reputa-se despicienda a exigência de prévia consulta. a regra do art. Estação Ecológica. qual seja. mormente as presentes nos arts. 5. Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. sendo-lhe. Recurso ordinário não-provido. Área de Proteção Ambiental. e. Reserva Biológica e Estação Ecológica. 263 Constituição Estadual do Mato Grosso e 6°. A União. c. Floresta Nacional e Reserva Extrativista. 5. quer pelo fato de a legislação federal não considerá-la pressuposto essencial a todas as hipóteses de criação de unidades de preservação ambiental. O § 2° da referida norma constitucional estabelece que “a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados”. quer pela falta de previsão na legislação estadual. Refúgio da Vida Silvestre e Reserva Extrativista. À norma de caráter geral compete precipuamente traçar diretrizes para todas as unidades da Federação. tratando-se o Parque Estadual Igarapés do Juruena de área de peculiar interesse do Estado do Mato Grosso. no entanto. Reserva Extrativista. Parque Nacional.985/2000. incisos V e VII. da CFRB). fauna. O ato governamental (Decreto n. § 2°. as de Proteção Integral e as de Uso Sustentável. proteção do meio ambiente e controle da poluição”. Reserva da Fauna. Reserva Extrativista. 38/1995). 4. da Lei n. Reserva Biológica. Floresta Nacional. não prevalece disposição de lei federal. caça. Monumento Natural de Refúgio da Vida Silvestre. sob pena de incorrer em flagrante inconstitucionalidade. Parque Nacional. p. 22. (2008). 170.

ao passo que as unidades de conservação devem ser necessariamente declaradas por ato concreto. Integram o grupo de Unidades de Proteção Integral as seguintes categorias de unidades de conservação: Estação Ecológica. Têm por objetivo exclusivo a preservação da vegetação. a título gratuito. e. 3) (Promotor de Justiça MG — XLVI Concurso) Assinale a alternativa CORRETA. c. Têm sua supressão condicionada à autorização legislativa. segundo a definição estabelecida na lei citada. enquanto as unidades de conservação sempre visam à proteção integral dos ecossistemas compreendidos em sua área. Podem ser definidas em caráter geral pela lei. Têm sua utilização sujeita ao licenciamento ambiental a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA. Havendo áreas particulares incluídas em seus limites deverão ser cedidas. A Estação Ecológica. Monumento Natural. sendo públicos a posse e o domínio de sua área. O objetivo básico das Unidades de Conservação de Proteção Integral é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais. ao Poder Público. daquele aplicável às unidades de conservação. enquanto as unidades de conservação podem ser definidas tanto por lei quanto por ato do Poder Executivo. Áreas de Relevante Interesse Ecológico e Área de Proteção Ambiental. é a restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada. c. . enquanto as unidades de conservação podem ser suprimidas por ato do Poder Executivo. de acordo com o que dispõe a lei que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação — SNUC: a. d. incluindo medidas com o fim de promover sua integração econômica e social das comunidades vizinhas. essencialmente. sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos. tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. Parque Nacional. Em se tratando de unidade de conservação deve ser elaborado um Plano de Manejo que abranja a área correspondente à unidade de conservação.DIREITO AMBIENTAL 2) (Procurador Município Manaus 2006) O regime jurídico das áreas de preservação permanente difere. como Unidade de Conservação de Proteção Integral. Restauração. diferente de sua condição original. ao passo que as unidades de conservação sujeitam-se aos órgãos seccionais integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente — SISNAMA. Apenas podem ser definidas pela lei. e. d. porque as áreas de preservação permanente a. emanado do poder público b. FGV DIREITO RIO 67 b. sendo esta uma das restrições legais ao direito de propriedade. Reserva Biológica.

Em território de tamanha riqueza florestal e dimensões continentais. objetivos e instrumentos de proteção da Mata Atlântica. as controvérsias em relação a um efetivo instrumento de proteção foram quase que insuperáveis.11. a instituição de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal e a criação do Cadastro Nacional de Florestas Públicas. foram quase duas décadas até a Lei n. 11. Finalmente.776/2006. por abrigar as regiões mais industrializadas do país. encontram-se a confirmação da delimitação geográfica do bioma e disposições de proteção da vegetação primária e secundária. 284/2006.428/2006). Compreender a importância de um instrumento legal específico para a proteção da Mata Atlântica.DIREITO AMBIENTAL AULA 17: FLORESTAS PÚBLICAS (LEI N. 225.285/1992 e Decreto n.284/2006.428/2006 que disciplinou o bioma Mata Atlântica. Dentre os seus principais dispositivos.428/2006. 11. FGV DIREITO RIO 68 . em relação ao bioma Mata Atlântica. Diversas foram as inovações deste diploma legal. este esperado instituto disciplinador foi concretizado com o advento da Lei 11. § 4º. Após os debates em torno do Projeto de Lei 4. conhecido como a Lei de Gestão de Florestas Públicas. 11. torna-se praticamente impossível uma efetiva gestão sem um instrumento disciplinador das atividades exploratórias. os desafios em se alcançar um denominador comum entre os diferentes interesses foram extremos. 3) Lei n. dentre as quais se destacam: a concepção do Serviço Florestal Brasileiro. 11. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. com diversidade biológica proporcionalmente superior à da própria Amazônia. 2) Lei n. Analisar os conceitos. 3. INTRODUÇÃO O Código Florestal e o SNUC ainda se mostravam insuficientes para lidar com uma questão crucial para o desenvolvimento nacional: as atividades de exploração de florestas públicas. Desde o dispositivo constitucional declarando a região como sendo parte do patrimônio nacional (art. Por abrigar mais de 60% da população brasileira. por ter um histórico de ocupação extrativista e ser o primeiro bioma a receber os primeiros colonizadores. da CF/88). artigo 225. principalmente na Amazônia e quase sempre à margem do sistema legal vigente.750/93. passando pelo Projeto de Lei n. OBJETIVOS Trabalhar os fundamentos e principais instrumentos da Lei de Gestão de Florestas Públicas.284/2006) E BIOMA MATA ATLÂNTICA (LEI N. dentre outros igualmente importantes e detalhados pelo diploma legal. esta nos diferentes estados de regeneração.

(Édis Milaré. o que quer dizer que esse recurso natural teve 93% de sua área original devastada. Editora Revista dos Tribunais. Direito do Ambiente. licitações e conhecimentos tradicionais. 5ª edição.768-779 e 849-850. CÁLCULO EM SEPARADO.000 km2 de Mata Atlântica. DESAPROPRIAÇÃO. DJ 27/Mai. tais como Sistema de Unidades de Conservação (SNUC). INVIABILIDADE.. o País tinha 1. há cerca de 500 anos. BASE DE CÁLCULO./2008.300.. ou seja. pp. de 2 de março de 2006.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA A Lei 11./2008.. tangendo ainda diversos outros assuntos correlatos. 284. Recorrido: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Editora Revista dos Tribunais..) não teve tão-somente o condão de proceder a algumas alterações no Código Florestal.000 km2. DIFERENÇA ENTRE 80% DO FGV DIREITO RIO 69 . REFORMA AGRÁRIA. pp. STJ. em verdade. Bibliografia complementar 1) Édis Milaré. (. COBERTURA FLORÍSTICA. Editora Malheiros. REsp n. 15% do território brasileiro era coberto pelas diferentes formações florestais do bioma. mas.) Acredita-se que quando os portugueses chegaram ao Brasil. 5ª edição. 2ª Turma. 16ª Edição. Julgamento 07/Fev. (2007). 905783-SC (2006/0249674-9). 638-650 e 707-725. Hoje. Ementa ADMINISTRATIVO. licenciamento ambiental. INEXISTÊNCIA DE EXPLORAÇÃO ECONÔMICA. JURISPRUDÊNCIA Recorrente: Leme Comércio Importação Exportação Empreendimentos e Participação Ltda vs. JUROS COMPENSATÓRIOS. (2007). (.) Leitura obrigatória 1) Paulo Affonso Leme Machado. 638-639 e 707. Direito do Ambiente. pp. (2008). criou todo um sistema de gestão sustentável de florestas. a extensão da Mata Atlântica está reduzida a aproximadamente 100. Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE).

A indenização da cobertura florística depende da efetiva comprovação de que o proprietário esteja explorando econômica e licitamente os recursos vegetais. 6º.332/DF (13. conforme art.605/98). 7. Primeira Seção. nos termos e limites de autorização expedida de maneira regular. excluindo-se da base de cálculo as Áreas de Preservação Permanente (arts. incidem juros compensatórios sobre a parcela cujo levantamento não foi autorizado judicialmente (20% do depósito. 1. 19 DA LC 76/93.02. Na análise do potencial econômico madeireiro. sem prejuízo do dever de reparar o dano causado.8. Rel. corresponda ao montante anteriormente depositado pelo expropriante. ART.2001). nos termos da Súmula 618/ STF. não podem ser exploradas por conta da vedação de supressão para fins comerciais. a exploração de florestas. dentre outros casos.629/93). na moldura da Lei 11. que fixa seu montante atendendo aos critérios legais (art. Ainda que o valor da indenização. fixado na sentença. DEPÓSITO INICIAL CONFIRMADO PELO JUDICIÁRIO.03. Precedente: REsp 437. as de Reserva Legal sem Plano de Manejo aprovado pelo órgão ambiental competente.428/2006.2006. Precedente: REsp 711. JUSTA INDENIZAÇÃO. 437 DO CPC. de forma objetiva. por suas características naturais ou por obediência a estatuto jurídico próprio.577/97. SUCUMBÊNCIA DO EXPROPRIADO. Tendo a imissão na posse ocorrido após o advento da MP 1. 2° e 3° do Código Florestal). adequadamente fundamentado. bem como as que.DIREITO AMBIENTAL DEPÓSITO E O VALOR FIXADO NO ACÓRDÃO.2006. até a publicação da liminar concedida na ADIN 2. ao contrário. Francisco Peçanha Martins. sujeito a sanções administrativas e penais.2007. deve-se levar em consideração as restrições legais e administrativas à utilização da propriedade. 08. nos termos da jurisprudência do egrégio STF (ADI-MC 2. A partir dessa data. Atende ao postulado da justa indenização o acórdão. Rel. primária ou secundária em estágio avançado de regeneração. 12 da Lei 8. Rel. quando juridicamente possível.324/RN. 3. INEXISTÊNCIA. DJ 3. 4. caracteriza ilícito ambiental (Lei 9. da Lei Complementar 76/1993). 6. Min. se ocorrer. Não se conhece da suposta violação de dispositivos legais não ventilados no acórdão recorrido sequer implicitamente (Súmula 211/STJ). Na falta de autorização ou licença ambiental e de Plano de Manejo. 14. 2. FGV DIREITO RIO 70 . 5. João Otávio de Noronha. passam a ser calculados em 12% (doze por cento) ao ano. PREQUESTIONAMENTO.593/MA. os juros compensatórios são de 6% (seis por cento) ao ano. Ministro Castro Meira. nos termos da Lei 6. § 1º. alínea b.938/81. ART. DJ 06. Segunda Turma. não é um direito ou interesse indenizável. Precedente: REsp 608. do Código Florestal) e a vegetação da Mata Atlântica. de que são exemplos as árvores imune a corte (art. j.09.577/SP. em regra.332/DF). p/ acórdão Min.

se dá provimento. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância da elaboração de um diploma legal específico para tratar da gestão das Florestas Públicas? 2) Quais os princípios que instruem a gestão de Florestas Públicas e como eles se relacionam com os princípios gerais de direito ambiental? 3) Para efeitos de proteção do bioma Mata Atlântica. configura-se a sucumbência do expropriado.DIREITO AMBIENTAL 8. da LC 76/93. 9. nessa parte. como se dá a divisão entre os diferentes estágios de regeneração e qual a exceção prevista para comunidades tradicionais e pequenos proprietários rurais? FGV DIREITO RIO 71 . Recurso Especial do INCRA de que parcialmente se conhece e a que. que acabou endossado pelo Judiciário. nos estritos termos do art. 19. caput. Recurso Especial do particular parcialmente provido. Tendo o particular contestado o depósito inicial.

progressivamente. então. pelo Decreto n. Alguns anos mais tarde. de 23 de agosto de 2001. assim como o meio ambiente como um todo. este movimento internacional por um regime jurídico supranacional para tutelar a diversidade biológica do planeta exigiu ações domésticas que.339/2002. O fundamento maior. locais onde se concentram a maior parte da diversidade biológica do planeta. 2. Compreender a evolução legislativa tanto na esfera internacional.519. Diante da dificuldade em se transformar em lei ordinária.DIREITO AMBIENTAL AULA 18: PROTEÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA INTRODUÇÃO A proteção da diversidade biológica está intrinsecamente conectada à tutela da fauna e flora. É assim. espalharam-se por diversos países. em 1992 diversos países assinaram a Convenção sobre Diversidade Biológica que. o país foi e é constantemente alvo de pressões internacionais visando impor padrões de proteção cada vez mais rigorosos. dispôs sobre o acesso à diversidade biológica no Brasil. a Medida Provisória n. como também na nacional. Diante da exploração predatória das florestas tropicais. 2. No Brasil não foi diferente. Como não poderia ser diferente. por meio do Decreto n. Deste limitado quadro legal. diante da dificuldade inerente à regulação das florestas na esfera supranacional. entendeu por acordar sobre um regime jurídico próprio à tutela da diversidade biológica no planeta. a comunidade internacional. Pelo contrário.186-16. 4. compôs o grupo das chamadas Convenções do Rio. princípios e diretrizes gerais que orientam a tutela da biodiversidade no Brasil. FGV DIREITO RIO 72 . surgiu a necessidade de um regime jurídico específico que pudesse orientar e incentivar ações domésticas visando a tutela da diversidade biológica do planeta. portanto. que em 1998. foi instituída a Política Nacional de Biodiversidade. a Convenção sobre Diversidade Biológica é incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro. junto com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática e Convenção sobre o Combate a Desertificação. é possível a análise e exame dos objetivos. portanto. Foi quando. visando possibilitar traçar paralelos com outras tutelas específicas do direito ambiental. Porém. em 2001. justifica-se a sua tutela na esfera supranacional. não conhece fronteiras políticas e. que embasou esta preocupação internacional foi o de que a diversidade biológica. por possuir a mais rica biodiversidade do planeta. princípios e diretrizes gerais da Política Nacional de Biodiversidade. OBJETIVOS Entender a importância da existência de um regime jurídico especial para tutela da biodiversidade. Trabalhar os objetivos.

Editora Lumen Juris. artigo 225.000 anos de presença na Nova Zelândia. Direito Ambiental.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes.186-16/2001. Pesquisas arqueológicas demonstram que mesmo comunidades pré-históricas poderiam ter levado inúmeros animais à extinção. Há suspeitas de que a aparição do Homem no continente americano pode ter contribuído fortemente para a extinção de pelo menos duas espécies de mamíferos.339/2002. praticamente. pp. Paul R. Não seria exagerado dizer que a convivência “natural” do Ser Humano com outros animais é. pp. (Paulo de Bessa Antunes. a primeira constatação de mudanças negativas no meio natural que cerca o Homem foi feita por Platão em seu célebre diálogo Crito. 2) Convenção sobre Diversidade Biológica. DOUTRINA A percepção de que certos elementos do mundo natural estão desaparecendo em função da atividade humana é um fenômeno social muito antigo e que. 547-569. (2007). 4) Decreto n.DIREITO AMBIENTAL LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. 3) Medida Provisória n. 5ª edição. promoveram a extinção de cerca de 13 espécies de Moa (pássaro sem asas). no qual ele lamenta. 389-428. o estado de degradação ambiental do mundo que lhe era contemporâneo. acompanha a vida do Ser Humano sobre o Planeta Terra. Direito do Ambiente. 11ª Edição. em função de caça intensiva e da destruição de vegetação. (2008). em menos de 1. Leitura complementar 1) Édis Milaré. Ehrlich demonstra que os Maori. 11ª Edição. 4. eminentemente. Editora Lumen Juris. semelhante à luta pela sobrevivência e evolução natural que se verifica entre todas as espécies. FGV DIREITO RIO 73 . Para o pensamento ocidental. 2. (2008). 325. Mesmo sociedades tidas como “primitivas” e paradisíacas foram responsáveis pela extinção de espécies. acidamente. Direito Ambiental. Editora Revista dos Tribunais. pp.

399-5/8./2008. Suzano Papel e Celulose e Estado de São Paulo. AI n. Câmara Especial do Meio Ambiente. Ementa AGRAVO DE INSTRUMENTO — Ação civil pública — grandes plantações de eucalipto e devastação ambiental — Decisão que indeferiu a liminar e não acolheu o pedido de extinção da ação — Legitimidade da Defensoria Pública Estadual para propor ação civil pública (Lei 7. VCP Votorantin Celulose e Papel S. 759. Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga. II) — Recurso desprovido./2008. artigo 5º. TJ-SP.DIREITO AMBIENTAL JURISPRUDÊNCIA Agravante: Ministério Público vs. Julgamento 28/Ago. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “diversidade biológica”? 2) Quais são princípios que instruíram a Convenção sobre Biodiversidade Biológica de 1992? 3) Quais são os principais riscos à biodiversidade nos âmbitos global e regional? 4) Quais são os instrumentos legais brasileiros que auxiliam na tutela da diversidade biológica? Por quê? 5) Quais os princípios da Política Nacional da Biodiversidade? 6) Qual a controvérsia acerca da legalidade do Plano Nacional da Biodiversidade? FGV DIREITO RIO 74 .347/85.A. Agravados: Defensoria Pública do Estado de São Paulo. DJ-SP 11/Set.

nas palavras de Édis Milaré. [2007]. § 1º. 2) Lei n. o próprio homem.191-9/2001.” (Direito do Ambiente.974/1995. difíceis de enquadrar. regras de conduta normatizadas pelo ordenamento jurídico pátrio. Trata-se de tecnologia de ponta que busca controlar a informação genética de plantas e animais. p. mas no meio ambiente dentro de uma visão ecocêntrica de direito ambiental. 4) Lei n. 5ª edição. questões de ordem Ética e também de Direito. “[b]iodiversidade e biossegurança estão freqüentemente enlaçadas. 582). não apenas nos seres humanos. Neste sentido. A preocupação em torno dos possíveis impactos à biodiversidade e ao próprio ser humano. FGV DIREITO RIO 75 .DIREITO AMBIENTAL AULA 19: BIOTECNOLOGIA E BIOSSEGURANÇA INTRODUÇÃO A biotecnologia é fruto do acelerado desenvolvimento técnico-científico observado na segunda metade do Século XX. II e III. 8. como o dever de precaução. OBJETIVOS Compreender o significado e importância do disciplinamento legal de questões envolvendo a biotecnologia. 3) Medida Provisória n. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. não podem ser marginalizadas. de outro. Devido à ausência de certeza em relação aos impactos da aplicação desta nova tecnologia. podem surgir casos intrigantes. Analisar os aspectos referentes à incerteza dos possíveis impactos. incluindo aí. faz surgir a noção em torno do que a Convenção sobre Diversidade Biológica de 1992 chamou de “Biossegurança”.814/2003. No amplo quadro das experiências. vêm sendo relegadas a um segundo plano. Contudo. com intuito de servir aos anseios e necessidades do próprio ser humano. consumidor final de muitos destes produtos alterados geneticamente. Contextualizar a noção de Biossegurança. 2. de um lado. artigo 225. e combinado com a euforia em torno da maximização dos lucros como decorrência da manipulação genética. Editora Revista dos Tribunais. 10. Identificar os principais elementos da Política de Desenvolvimento da Biotecnologia. Examinar a relação entre Biotecnologia e Biossegurança. que conjugam biotecnologia e biossegurança com os requisitos da Biodiversidade.

dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança — PNB. 3. de 15 de dezembro de 2003. da Lei nº 11105. que “regulamenta os incisos II. Direito Ambiental. e a Medida Provisória no 10.105. p. cria o Conselho Nacional de Biossegurança — CNBS. Tribunal Pleno. FGV DIREITO RIO 76 . Direito do Ambiente.974.105/2005. Lei nº 11105. de 5 de janeiro de 1995. ADI n. 371-387. Bibliografia complementar 1) Paulo de Bessa Antunes. IV e V do § 1º do art. 005º e parágrafos. 225 da Constituição Federal. (Paulo de Bessa Antunes. revoga a Lei no 8. 11ª Edição. reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança — CTNBio. estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados — OGM e seus derivados. (2008). Dispositivo Legal Questionado Art. Editora Revista dos Tribunais. de 24 de março de 2005. de 24 de março de 2005. pp. e dá outras providências”. (2007). (2008). Julgamento 29/ Mai. Direito Ambiental. 570-602. Requeridos: Presidente da República e Congresso Nacional. pp.DIREITO AMBIENTAL 5) Lei n. STF. Editora Lumen Juris. 5ª edição.591. Editora Lumen Juris. DOUTRINA A produção e utilização dos organismos geneticamente modificados no Brasil. JURISPRUDÊNCIA Requerente: Procurador-Geral da República vs.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré.814. de 22 de novembro de 2005 e por muitos outros atos normativos e. 11ª Edição. de 24 de março de 2005. 371. 6) Decreto n.510. encontra-se regida pela Lei no 11.041/2007. 11./2008. Tal lei foi regulamentada pelo Decreto no 5. em especial. 6. por normas da Comissão Técnica nacional de Biossegurança — CTNBio.

na data de publicação desta Lei. já congelados na data da publicação desta Lei. é necessário o consentimento dos genitores. ou 0II — sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais. 015 da Lei nº 9434. NOTAS E QUESTÕES 1) O que se entende por “Biotecnologia”? 2) O que se entende por “Biossegurança”? 3) Qual a relação entre “Biotecnologia” e “Biossegurança”? 4) Qual é o papel do Direito na intervenção em questões envolvendo biotecnologia? 5) Quais os principais pontos positivos e negativos do tratamento jurídico brasileiro às matérias de biotecnologia e biossegurança? FGV DIREITO RIO 77 .DIREITO AMBIENTAL Art. § 001º — Em qualquer caso. de 04 de fevereiro de 1997. contados a partir da data de congelamento. § 003º — É verdade a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no art. ou que. 005º — É permitida. a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento. § 002º — Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisas ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética e pesquisa. depois de completarem 3 (três) anos. para fins de pesquisa e terapia. atendidas as seguintes condições: 00I — sejam embriões inviáveis.

discussões. volta-se para a saúde pública. mas a posição brasileira serve para ilustrar um dos grandes problemas ambientais dos países em desenvolvimento: a falta de saneamento básico em grande parte da população menos favorecida. OBJETIVOS Entender a evolução histórica da questão do saneamento básico no Brasil. apontando caminhos para a solução de uma velha problemática nacional ligada visceralmente às perspectivas de desenvolvimento com sustentabilidade. trata-se de um novo período de esperanças sólidas. os investimentos em saneamento básico. ou seja. com mensagem de Ano Novo. 11. Na verdade. à defesa e proteção do meio ambiente. a delegação brasileira já alardeava que a pobreza é a pior forma de degradação ambiental. 11. É certo que o contexto era diverso. Sim. Identificar as diretrizes nacionais do saneamento básico. à defesa e proteção da saúde da população.445. a Lei n. DOUTRINA A mais nova das grandes políticas de âmbito nacional teve a sua “certidão de nascimento” estampada na Lei 11. No Brasil.445/2007 encerra longos anos de debate em torno de um projeto de lei acerca da concepção e elaboração de um Plano Nacional de Saneamento Básico.445/2007. Analisar os princípios fundamentais da lei de saneamento básico. passando previamente pela saúde ambiental. constituem-se em importante instrumento da própria gestão ambiental e sanitária. Enfim. veio à luz. Portanto. Este problema está intimamente ligado à garantia constitucional do princípio do direito à sadia qualidade de vida. fluxos e refluxos de uma tramitação tempestuosa. LEGISLAÇÃO 1) Lei n. essa solução — ao mesmo tempo nova e antiga —. Esta Lei do Saneamento Básico é uma pedra FGV DIREITO RIO 78 . fundamentalmente. mas. no dia 5 de janeiro de 2007.DIREITO AMBIENTAL AULA 20: SANEAMENTO BÁSICO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO Nos debates acerca da Declaração de Estocolmo de 1972. Trata-se de uma efeméride que coroou esforços. Compreender a importância e examinar a relação entre políticas de investimento em saneamento básico e defesa e proteção do meio ambiente. o de manifestar o temor em imposição internacional de restrições ambientais que poderiam inibir o desenvolvimento econômico.

CONTRATO DE CONCESSÃO. LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. DJ 3/Out.180-35/2001. VI. Agravo Regimental em Suspensão de Liminar 20050500004825202. DESOBRIGAÇÃO. (2007). INOCORRÊNCIA. p. CONSTITUCIONAL. FIXAÇÃO DE MULTA DIÁRIA PARA O CASO DE NÃO ADOÇÃO DAS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. PRINCÍPIOS DO POLUIDOR-PAGADOR. DA CF/88. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO. 5ª edição. DESPEJO NO RIO SÃO FRANCISCO. DA COMPESA. DETERMINAÇÃO À COMPESA DE SUSPENSÃO DA ATIVIDADE POLUIDORA POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. COMPETÊNCIA MUNICIPAL. E 225. 5ª edição. ESCASSEZ DO PRAZO. NESSE PONTO. JURISPRUDÊNCIA 1) TRF-5ª Região. APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO DEFINIDO PARA A RECUPERAÇÃO DAS INSTALAÇÕES. Editora Revista dos Tribunais. ARTS. Editora Revista dos Tribunais. 603. ESPECIFICAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA COMPESA SEGUNDO O TÍTULO JURÍDICO. 23. LEI Nº 8.DIREITO AMBIENTAL infra-estrutural na construção de um bem-estar mais completo e sadio para a comunidade nacional. Direito do Ambiente. EXCLUSIVIDADE DETIDA PELA COMPESA. DILATAÇÃO E NÃO SUSPENSÃO. FALTA DE TRATAMENTO DO ESGOTO SANITÁRIO DA CIDADE DE PETROLINA/PE. BEM PÚBLICO FEDERAL.) Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. pp. 603-617. MP Nº 2. ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL.437/92. INVASÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. COBERTURA DAS DESPESAS A PARTIR DAS TARIFAS COBRADAS PELA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO (DE RECONSIDERAÇÃO) INDEFERITÓRIA DE PEDIDO SUSPENSIVO DOS EFEITOS DA LIMINAR CONCEDIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA./2005. (2007). FGV DIREITO RIO 79 . Direito do Ambiente. DA PREVENÇÃO E DA PRECAUÇÃO. Ementa PROCESSUAL CIVIL. (Édis Milaré. INEXISTÊNCIA. PARCIAL PROVIMENTO.

AINDA MAIS. 2.2004. DETERMINOU À COMPESA.2004.2004). MIN. EM 01. DEVE-SE LANÇAR OLHOS AO PERFAZIMENTO DOS PRESSUPOSTOS ESPECÍFICOS — O FUMUS BONI JURIS E O PERICULUM IN MORA —. EM SÍNTESE. ALÉM DE OUTRAS PROVIDÊNCIAS. COM A PERSCRUTAÇÃO DA URGÊNCIA DA PROVIDÊNCIA REQUESTADA. NO INSTRUMENTO.180-35/2001. QUE. OUTROSSIM. VINCULADA AOS PRESSUPOSTOS DE PLAUSIBILIDADE JURÍDICA E DO PERIGO DA DEMORA. NÃO DEIXA DE ADMITIR UM EXERCÍCIO MÍNIMO DE DELIBERAÇÃO DO MÉRITO.12. À SEGURANÇA E À ECONOMIA PÚBLICAS. QUE DEVEM ESTAR PRESENTES PARA A CONCESSÃO DAS LIMINARES” (TRECHO DO VOTO DO MINISTRO EDSON VIDIGAL. ARNALDO ESTEVES LIMA. A SUSPENSÃO DE SUA ATIVIDADE POLUIDORA. TENDO EM CONTA QUE A PRETENSÃO EM LITÍGIO ENVOLVE BEM PÚBLICO PERTENCENTE À UNIÃO: O RIO SÃO FRANCISCO (STJ. J. A CONCESSÃO DE SUSPENSÃO DE LIMINAR OU DE SENTENÇA. A LEGITIFGV DIREITO RIO 80 . CONSISTENTE NO DESPEJO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO SÃO FRANCISCO. PUBL.09. EM DJ DE 17. APENAS É ADMITIDA EM CASO DE MANIFESTO INTERESSE PÚBLICO OU DE FLAGRANTE ILEGITIMIDADE E PARA IMPEDIR GRAVE LESÃO À ORDEM. CABENDO AO ENTE POSTULANTE A DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA DESSAS CONDIÇÕES. 4O. JUSTIFICADA PELA SERIEDADE DAS CONSEQÜÊNCIAS DERIVADAS. INDEFERIU O PEDIDO DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA LIMINAR. SOBRETUDO POR SER MEDIDA DE CONTRACAUTELA. PUBL. PARTICULARIZADOS ESSES REQUISITOS. REL. À SAÚDE.07.437/92. AGRAVO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA QUE. TERCEIRA SEÇÃO. DE PROCEDIMENTO SUMÁRIO E DE COGNIÇÃO INCOMPLETA. NO ÂMBITO DA QUAL NÃO SE EFETUA EXAME DE MÉRITO EM RELAÇÃO À LIDE ORIGINÁRIA. SEGURANÇA PÚBLICA E ECONOMIA PÚBLICA). MAS APENAS UMA AFERIÇÃO DA PLAUSIBILIDADE DAS RAZÕES DEDUZIDAS PELO REQUERENTE. SAÚDE PÚBLICA. PELA DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO A SER CONSIDERADO DIANTE DA MÁCULA EXPRESSIVA A SER OBSTADA. NOS TERMOS DO ART. J. DA LEI Nº 8. ASSOCIADA À VERIFICAÇÃO DA POSSIBILIDADE LESIVA DAS ESFERAS SIGNIFICATIVAS ENUMERADAS NA NORMA JURÍDICA LEGAL (ORDEM PÚBLICA.2004). TRATA-SE DE MEDIDA EXCEPCIONAL. CONTUDO. EM 10.DIREITO AMBIENTAL 1. CONCEDIDA EM SEDE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA.11. DESTARTE. POR MEIO DA RESTAURAÇÃO E DA MANUTENÇÃO ADEQUADAS DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. COM AS ALTERAÇÕES DA MP Nº 2. “ESSA ORIENTAÇÃO. NO AGRG NA SUSPENSÃO DE LIMINAR Nº 57/DF. CC Nº 33987. 3. É COMPETENTE A JUSTIÇA FEDERAL IN CASU. EM JUÍZO DE RECONSIDERAÇÃO. EM DJ DE 06.

SEJA NO PRELÚDIO. INCLUSIVE. E 225). OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS QUE INSPIRAM O SISTEMA JURÍDICO E QUE. PELO PRINCÍPIO DO PREDADOR-PAGADOR. COM A REFERÊNCIA A BEM-ESTAR. SEJA NO CORPO PROPRIAMENTE DITO DO TEXTO CONSTITUCIONAL (ARTS. REPRESENTATIVO DE DIREITO SUBJETIVO E VINCULADO. REALÇANDO-SE. HODIERNAMENTE. REPUTADO BEM DE USO COMUM DO POVO. O POLUIDOR-PAGADOR. 4. ENFATIZA-SE. A DISTINÇÃO ENTRE REGRAS JURÍDICAS E PRINCÍPIOS JURÍDICOS. SENDO AMBOS NORMAS JURÍDICAS (PROCESSO DE JURIDICIZAÇÃO). 23. DA APLICAÇÃO E DA INTEGRAÇÃO NORMATIVA. DEVEM FUNCIONAR COMO ORIENTADORES PREFERENCIAIS DA INTERPRETAÇÃO.DIREITO AMBIENTAL MIDADE DOS MINISTÉRIOS PÚBLICOS ESTADUAL E FEDERAL E O INSTRUMENTO POR ELES MANEJADO (AÇÃO CIVIL PÚBLICA) GUARDAM COMPATIBILIDADE COM OS DIREITOS A PROTEGER. O PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO. OU. IMPÕE-SE A “AÇÃO ANTECIPADA DIANTE DO RISCO OU DO PERIGO”. DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO (VORSORGEPRINZIP). NÃO A ATIVIDADE REPARATÓRIA.347/85. PORTANTO. O DA PREVENÇÃO E O DA PRECAUÇÃO. MAS A PREVENÇÃO. PARA O FATO DE QUE OS PRINCÍPIOS JURÍDICOS — ESCRITOS OU IMPLÍCITOS — REPRESENTAM AS BASES SOBRE AS QUAIS O DIREITO SE CONSTRÓI E DAS QUAIS ELE DERIVA (AS REGRAS JURÍDICAS. ATRAVÉS. DENTRE OUTROS. 5. SERIAM CONCREÇÃO DOS PRINCÍPIOS). COM O CONSEQÜENTE AFASTAMENTO DE UMA POSTURA MAIS LEGALISTA. CORRESPONDENDO. SÃO PRINCÍPIOS DE DIREITO AMBIENTAL. EX VI DA LEI Nº 7. 6. AO DEVER JURÍDICO DE IMPEDIR A REALIZAÇÃO DE DANOS AMBIENTAIS. MAIS QUE ISSO. AO DIREITO À VIDA. NESSE CAMPO. ESTÁ O POLUIDOR OBRIGADO A PAGAR PELA POLUIÇÃO CAUSADA OU POTENCIALMENTE OCASIONÁVEL. E NÃO MERAMENTE COMO DIRETRIZES HERMENÊUTICAS. POR ASSIM DIZER. A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE. DITO DE OUTRO MODO. DESPERTOU-SE. VI. À SOCIEDADE. “CONTRARIA A MORALIDADE E A LEGALIDADE ADMINISTRATIVA O ADIAMENTO DE MEDIDAS DE PRECAUÇÃO QUE DEVAM SER TOMADAS IMEDIATAMENTE” (PAULO AFONSO LEME MACHADO). SOBRELEVANDO A PREOCUPAÇÃO COM A ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A TODOS OS ENTES DA FEDERAÇÃO E. COMO NOVO RAMO JURÍDICO. OS PRINCÍPIOS TÊM AVULTADO COMO VERDADEIRAS NORMAS DE CONDUTA. “A CONSAGRAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO ESTABELECEU FGV DIREITO RIO 81 . ESSENCIALMENTE. ENCONTRA GUARIDA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. SUSTENTADO EM SÓLIDA BASE DE PRINCÍPIOS. O DESENVOLVIMENTO DESSE CUIDADO DEU ENSEJO AO DIREITO AMBIENTAL. OUTROSSIM.

AMPARADOS CIENTIFICAMENTE E DEMONSTRADOS. DETENDO.DIREITO AMBIENTAL VERDADEIRA REGRA DE JULGAMENTO NA ATIVIDADE JUDICIAL. ENTRETANTO. ADMINISTRAR E EXPLORAR. DIANTE DE ELEMENTOS INDICIÁRIOS QUANTO À OCORRÊNCIA EFETIVA OU POTENCIAL DE DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS. JUSTIFICAR-SE-IA PEDIDO DE DILATAÇÃO DE PRAZO. DEMAIS DISSO. FGV DIREITO RIO 82 . NO SENTIDO DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO COLETIVA EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE. INDUSTRIALMENTE. E NUNCA DE SUSPENSÃO DE EXECUÇÃO. A ESCASSEZ DE PRAZO PARA REALIZAÇÃO DAS OBRAS E DOS SERVIÇOS IMPRESCINDÍVEIS A AFASTAR OU. CABE AO PODER JUDICIÁRIO REALIZAR O CONTROLE DE LEGALIDADE E DE LEGITIMIDADE DOS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SE O TEMPO JUDICIALMENTE CONCEDIDO SE MOSTRAVA DIMINUTO. 7. DESDE 1975. DESTARTE. COMPROVADA A ADOÇÃO DAS PRESTAÇÕES INICIAIS. OFENDERIA A ORDEM PÚBLICA E A SAÚDE PÚBLICA. EM RELAÇÃO ÀS QUAIS O PODER JUDICIÁRIO NÃO PODE EFETUAR INSERÇÕES ATINENTES À CONVENIÊNCIA E À OPORTUNIDADE. CONSOANTE DESTACADO PELA POSTULANTE. AO INVÉS DE RESGUARDAR. CONSTATOU-SE O EFETIVO LANÇAMENTO DE DEJETOS (ESGOTO NÃO TRATADO) NO RIO SÃO FRANCISCO. EM RAZÃO DO ESTADO FALENCIAL DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. REALCE-SE QUE O DESPEJAMENTO DE ESGOTO NÃO TRATADO NO RIO. NÃO É NEGADO PELA COMPANHIA REQUERENTE. EXATAMENTE A COMPESA. COM EXCLUSIVIDADE. AMPLIAR. COMO É O CASO DO MEIO AMBIENTE. 8. COM DANOS AO MEIO AMBIENTE. PELO MENOS. NÃO SE PODE OLVIDAR A INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE ADMINISTRATIVA FRENTE A DIREITOS CONSTITUCIONALMENTE CONSAGRADOS E PROTEGIDOS. O DIREITO DE IMPLANTAR. PELA COMPESA. QUE NÃO FOREM CONTRARIADOS PELO DEGRADADOR” (RODOLFO DE CAMARGO MANCUSO). 9. DIANTE DA DIMENSÃO DAS MEDIDAS A SEREM IMPLEMENTADAS. FRENTE AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO (EQUILÍBRIO) DE PODERES. OS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO DO MUNICÍPIO DE PETROLINA. ESPECIFICAMENTE NO QUE TANGE ÀS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DO ESGOTO. A SUSPENSÃO DA LIMINAR. DE OUTRO LADO. AMENIZAR OS PREJUÍZOS AO MEIO AMBIENTE NÃO PODE SER CONFUNDIDA COM INVIABILIDADE DE EFETIVAÇÃO DESSAS PROVIDÊNCIAS. É CERTO QUE ÀS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS INCUMBE DEFINIR AS POLÍTICAS DE SANEAMENTO BÁSICO DA CIDADE.

OS RECURSOS NECESSÁRIOS À MANUTENÇÃO DO SISTEMA. NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM DEPENDÊNCIA DE RECURSOS ORÇAMENTÁRIOS. COM A LIMINAR. SE MANTIDA.DIREITO AMBIENTAL 10. PORQUANTO AS MEDIDAS CUJA IMPLEMENTAÇÃO FOI DETERMINADA ESTÃO ABRANGIDAS PELO OBJETO CONTRATUAL. o saneamento básico se relaciona com a defesa e proteção do meio ambiente? FGV DIREITO RIO 83 . especificamente. AJUSTE QUE PREVÊ A FONTE DOS RECURSOS FINANCEIROS QUE DEVERÃO CUSTEÁ-LAS. NÃO TEM FORÇA A ALEGAÇÃO DE INSUSTENTATIBILIDADE DA LIMINAR DEFERIDA PORQUE A COMPESA TERIA PASSADO A TRABALHAR NA RECUPERAÇÃO DAS ESTRUTURAS. O QUE SE FEZ FOI EXIGIR A CORRETA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONCEDIDOS. AS MEDIDAS QUE LHE FORAM DETERMINADAS GUARDAM COMPATIBILIDADE COM O TÍTULO JURÍDICO QUE VINCULA A REFERIDA PESSOA JURÍDICA AO CASO EM COMENTO. NO QUAL ESTÃO INCLUÍDAS AS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO. “PARA EXPLORAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTOS SANITÁRIOS”. NÃO SE PODE AFIRMAR QUE A LIMINAR OCASIONA. NO QUE TANGE À LIMPEZA DAS PLANTAS INVASORAS DAS PRAIAS FLUVIAIS MUNICIPAIS E À FIXAÇÃO DE PLACAS DE ADVERTÊNCIA SOBRE A BALNEABILIDADE. 13. PORTANTO. A SABER. TAIS TAREFAS. NÃO É CORRETO AFIRMAR QUE O PROVIMENTO JUDICIAL VERGASTADO IMPUTOU À COMPESA TODA A RESPONSABILIDADE PELA POLUIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO. NÃO HÁ COMO EXIGI-LAS DA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA ESTADUAL. ALGUMAS DAS QUAIS JÁ COM LICENÇA DE FUNCIONAMENTO. DE COMPETÊNCIA MUNICIPAL. 12. POR ISSO MESMO. EM SENDO. O CONTRATO DE CONCESSÃO FIRMADO ENTRE A COMPESA E O MUNICÍPIO DE PETROLINA. DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO DE CONCESSÃO. OUTROSSIM. EM 1975. INCLUSIVE DIANTE DA FALTA DE NEGATIVA DA COMPANHIA — PELA COMPESA. PELO PARCIAL PROVIMENTO DO AGRAVO. MERECE PROVIMENTO O AGRAVO TÃO-SOMENTE PARA AFASTAR AS DETERMINAÇÕES SECUNDÁRIAS FEITAS PELO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU À COMPESA. ADVÊM DAS TARIFAS COBRADAS PELA COMPESA PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. ESPECIFICOU-SE A ATIVIDADE ILÍCITA PERPETRADA — SEGUNDO INDÍCIOS ROBUSTOS. NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a importância do saneamento básico para o Direito Ambiental? 2) De que forma. 11.

445/2007 que consagram conceitos de proteção ambiental? 5) De que forma a política de saneamento básico pode refletir uma concepção antropocêntrica e/ou ecocêntrica do direito ambiental? FGV DIREITO RIO 84 .DIREITO AMBIENTAL 3) Como o saneamento básico pode instrumentalizar o princípio do direito à sadia qualidade de vida? 4) Quais são os princípios fundamentais da Lei n. 11.

assim como o Sistema Financeiro Nacional. Trabalhar os principais fundamentos e diretrizes do Estatuto da Cidade. artigos 182 e 183. Editora Revista dos Tribunais. Considerando que os últimos dados sugerem uma população mundial em torno de 6 (seis) bilhões. os processos de concepção. elaboração e monitoramento das políticas urbanas não podem se render aos cobiçados investimentos econômicos em detrimento da proteção e da defesa do meio ambiente. assim. dirigido à ordem econômica e financeira. Compreender a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. Logo. DOUTRINA No amplo leque das estruturas da vida nacional. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal.DIREITO AMBIENTAL AULA 21: URBANISMO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO As questões ambientais inerentes ao meio ambiente urbano vêm assumindo cada vez mais papel de destaque no estudo do direito ambiental. vislumbrar a íntima relação entre urbanismo e meio ambiente. Direito do Ambiente. o legislador situou-a ao lado da Política Fundiária e da Reforma Agrária. as políticas urbanas possuem papel de destaque na defesa e proteção do meio ambiente. É de observar que a Política Urbana está inserida na ordem econômica. Ao tratar da questão urbana no contexto da ordem econômica. Portanto. OBJETIVOS Contextualizar o meio ambiente urbano no estudo do direito ambiental. que integra a ordem social (Título VIII. p. E este número está crescendo. 10. a Constituição de 1988. 225). justificando uma análise mais aprofundada da questão à luz do direito ambiental. Analisar o tratamento constitucional da política urbana.) FGV DIREITO RIO 85 . diversamente do que ocorre com o Meio Ambiente. (2007). Capítulo VI. Examinar o fundamento da função social da propriedade à luz de conceitos e normas de direito ambiental. É possível. art. 514. 5ª edição.257/2001. (Édis Milaré. 2) Lei n. no Capítulo II do Título VII. contemplou a Política Urbana. Estima-se que 80% da população mundial habitará áreas urbanas em um futuro próximo. é fácil imaginar os possíveis impactos ambientais desta situação.

revolvendo cuidadosamente a prova produzida. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. além da compensação pelos danos não passíveis de reparação. PROVA. litteris: “(. NECESSIDADE IMPOSTA PELA OCUPAÇÃO HUMANA. OFENSA AO ART. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. mandando.. REsp. o estreitamento do leito normal do Ribeirão Cambé. ao fundamento de que o réu. pp. depois de ter determinado a instalação de drenos no Lago Igapó 2. ainda. a respeitável sentença recorrida deve ser inteiramente preservada. CONJUNTURA DE FATO. no ano de 1985./2007. INEXISTÊNCIA. quando prefeito. Direito do Ambiente. autorizou que particulares despejassem toda a espécie de resíduos em parte alagadiça. LAGO ARTIFICIAL. DJ 8/out. FGV DIREITO RIO 86 . consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. bem como a condenação dos responsáveis nas despesas decorrentes das providências indicadas no laudo.. PREVALÊNCIA DAQUELES VALORES. objetivando a realização de estudo técnico para reparação ou mitigação do impacto ambiental. providenciando. ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL PERMANENTE. 535. após. transformando o local num depósito de lixo a céu aberto. DETERMINAÇÃO DE ATERRAMENTO PARCIAL. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. Julgado 20/set. para recolher as águas das nascentes. 1. In casu. SÚMULA 07/STJ. recobrir o local com uma camada de 30 centímetros de terra. o Tribunal local analisou a questão sub examine — ocorrência de dano ambiental decorrente do aterramento de parte do Lago Guapó II situado no Município de Londrina — à luz do contexto fático-probatório engendrado nos autos. ALTERAÇÃO AMBIENTAL QUE ATINGIU APENAS PARTE DA BACIA. 840011/PR — 2006/0059704-6. Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual em face de exprefeito.) No âmbito substancial. 2. 2. Editora Revista dos Tribunais. Ementa PROCESSUAL CIVIL./2007. OPÇÃO ADMINISTRATIVA. MEDIDA DE PROTEÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO. URBANIZAÇÃO E SANEAMENTO. BACIA HIDROGRÁFICA ENVOLVIDA PELO DESENVOLVIMENTO URBANO. 514-545. 5ª edição. DANO AO MEIO AMBIENTE. ADMINISTRATIVO. (2007). 1ª Turma.DIREITO AMBIENTAL Leitura obrigatória 1) Édis Milaré. DO CPC. em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. Seu digno e culto prolator realizou uma análise aprofundada e sensata da séria questão em tela.

Segundo informações de antigo funcionário da prefeitura (Sr.. mas a lâmina ficou muito rasa gerando decomposição da vegetação existente. Ainda que se trate de uma importante bacia. nos seus demais recantos. por tratar-se de solo instável. dentro do limite da razoabilidade.DIREITO AMBIENTAL para concluir. já na década de 50. como opção administrativa. Teophilo. Com a construção de casas na Rua Prol Joaquim de Matos Barreto houve o corte da base da encosta o que provocou o afloramento de algumas nascentes. No mesmo trabalho. Wilson Moreira. em decorrência do represamento das águas. a bacia mantém suas características primitivas. a lâmina d’água não cobria o trecho da planície hoje aterrada. foi decidido que a melhor alternativa seria o aterramento do local. colhe-se mais adiante: Quando a represa do Lago Igapó 2 foi construída. Nela foram bem exaltados e sopesados os elementos da instrução que amparam o convencimento de que aquela obra tomou-se inevitável. que a administração pública nada mais fez do que exercer seus poder discricionário. foram gastos muitos recursos e esforços. (grifo nosso) A influência degradatória da presença do homem. a realização do aterro. Tempos depois o nível da água foi elevado. ainda. o que provocou mau cheiro e a proliferação de mosquitos. acertadamente. caracterizada por nascentes. já era bem antiga. que o aterro feito pelo apelado WILSON MOREIRA desponta como uma obra complementar e que. que acarretou a formação da remanescente área de brejo aqui referida. revelou-se necessária. pois. quando era prefeito o Sr. própria à sedimentação biológica (. desde que. como perdurasse o problema do mau cheiro e proliferação de mosquitos. portanto. a área foi alterada e degradada pelo uso. em uma reunião na Prefeitura. atualmente conduzidas ao canal norte do aterro. tendo perdido suas características naturais. o que se tentou por cerca de 3 anos.. Porém o material retirado. Teophilo Paranaense Coutinho Gomes) houve a tentativa de retirada do material ali existente para aprofundar o fundo lago. Foi também definido que a área deveria ser gramada e arborizada com eucaliptos e destinada a práticas esportivas. de que apesar do aterro as nascentes foram preservadas e. Assim. a primitiva e extensa bacia do Ribeirão Cambé e outras nascentes já havia sofrido relevante alteração. em razão das conseqüências do represamento realizado em administração anterior. a partir da formação artificial do Lago Igapó. ao determinar. em substituição ao Dr. O trabalho dá conta. 337/337. Délio César. trazendo sérias complicações e desconforto à população residente.) FGV DIREITO RIO 87 . Na ocasião houve debate com diversos arquitetos da UEL e. devido à exploração minerária e outros impactos. o relatório elaborado pelo Instituto Ambiental do Paraná registrou às fls. inclusive com áreas de retenção de curso. em gestão administrativa anterior da Prefeitura. porém sem sucesso. procurou-se alternativas para resolver o problema. Convém deixar bem enfatizado. supervenientemente. que: “Com o passar do tempo. Ainda de acordo com o Sr. retomava ao fundo do lago quando ocorriam chuvas.

” 3. Este mais convence que. desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.859/RS. aos quais se somam os aqui expendidos. esta já vigente à época dos fatos. 535. porque irretocável. deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos. 4. carentes de educação ou consciência ecológica. de que o réu WILSON MOREIRA teria autorizado a população a fazer da área a ser aterrada um local de despejo de lixo e toda a espécie de detritos. o aterro já estava implantado. largamente freqüentada. o magistrado não está obrigado a rebater. que concluiu pela improcedência do pleito deduzido nesta ação civil pública por danos ao meio ambiente. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que o meio ambiente urbano é matéria de especial relevância para o direito ambiental? 2) Qual a distinção que a Constituição Federal de 1988 faz entre direito urbanístico e direito ambiental? FGV DIREITO RIO 88 . quando foi instituído o Parque Ecológico Linear do Ribeirão Cambé. Inexiste ofensa ao art. concorria para estimular a Administração à alternativa de aterrar a área pantanosa. pelo Decreto n. Recurso Especial parcialmente conhecido e.2005. se tal ocorria. notadamente seu art.) Em suma. desprovido. como área de preservação permanente. I e II.. nesta parte. assim. com todas as suas repercussões negativas. 369/95. o que traz à consideração as notórias dificuldades do poder público em conter práticas dessa natureza. os argumentos trazidos pela parte. o acervo instrutório. no contexto do caso. como alternativa de saneamento. e as conseqüências da ocupação humana dos setores marginais. O local foi transformado em extenso parque verde.938/81.) Assim. em que a Administração Municipal estava às voltas com o prosseguimento de um projeto cuja execução fora iniciada anteriormente com a criação artificial do Lago Igapó. que se localiza entre os dois lagos (Igapó— I e Igapó— II). cujo decisum revela-se devidamente fundamentado. quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos.(.. 18.05. Precedente desta Corte: RESP 658. CPC. Fato que. a respeitável sentença recorrida. 6. Há toda uma conjuntura em que perdeu atualidade e objetividade a discussão sobre o argumento contido na inicial.. publicado no DJ de 09. devem ter sua interpretação contemporizada.DIREITO AMBIENTAL Ora. um a um. como também a Lei n. sendo inconcludente em tal sentido. para proteger a população. era por iniciativa de pessoas desinformadas ou desatentas. o Código Florestal.. da qual já havia decorrido o impacto ambiental que” tudo faz crer. que estava em progressivo processo de poluição. preparado pela Administração Municipal como área pública de lazer. I resultou na formação do brejo. (. Ademais.

10. consoante previsão da Lei n.257/2001 e quais os limites constitucionais da atuação municipal nesta esfera? FGV DIREITO RIO 89 .257/2001? 5) Qual é o papel do zoneamento ambiental na política urbana. 10.DIREITO AMBIENTAL 3) De que forma ações e decisões urbanísticas podem afetar ou violar normas de direito ambiental? Como esta relação está refletida no caso gerador? 4) De que forma a preocupação com as normas e princípios que orientam o direito ambiental está retratada na Lei n.

São diversos os dispositivos constitucionais que regulam direta e indiretamente a mineração. 225. 5) Lei n. FGV DIREITO RIO 90 . III. há uma especial preocupação do direito ambiental em regulamentar a mineração à luz dos princípios constitucionais que orientam a matéria. 7. inc. é importante frisar que o tratamento constitucional dispensado à atividade minerária é amplo. OBJETIVOS Entender a importância da atividade de mineração para o desenvolvimento nacional. Trabalhar a relação entre mineração e direito ambiental. da CF/88. a atividade minerária se torna imprescindível às necessidades da população em geral. constituindo-se. 225. o principal diploma legal é o Código de Minas. 176 e §§ 1º. no art. o papel da mineração assume papel de destaque no Brasil. 91. 2º e 3º.314/1996. § 1º. Como decorrência do avanço tecnológico e científico da sociedade pós-moderna.DIREITO AMBIENTAL AULA 22: MINERAÇÃO E MEIO AMBIENTE INTRODUÇÃO A história da exploração de recursos minerais no Brasil remonta ao período da colonização. 174. juntamente com o pau-brasil. XXV. LEGISLAÇÃO 1) Constituição Federal. Examinar os principais elementos da legislação infraconstitucional à luz das normas de direito ambiental. artigos 43 e 44. Na esfera infraconstitucional. XII. a cana-de-açúcar e o café. Analisar os principais aspectos da Constituição Federal que tratam da atividade de mineração e normas ambientais. 227/1967 com as alterações promovidas pela Lei n. 9. 227/1997. § 2º. 22. 3) Decreto-Lei n.314/1996. artigos 20. 231 e § 3º. por ser uma atividade com grande potencial degradador e por explorar recursos naturais limitados.805/1989 e Lei n. 21. mais precisamente. Por outro lado. em um dos mais importantes ciclos econômicos do período colonial. 4) Lei n. § 3º. Aliás. instituído pelo Decreto-Lei n.805/1989. 9. 7. 2) ADCT. Por possuir dimensões continentais e riqueza mineral invejável no contexto internacional. IX.

de forma que elas sejam equalizadas à conservação ambiental. Curso de Direito Ambiental Brasileiro.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes. (2008). Curso de Direito Ambiental Brasileiro. Editora Lumen Juris. 647493/SC — 2004/0032785-4. pp. POLUIÇÃO AMBIENTAL. A União tem o dever de fiscalizar as atividades concernentes à extração mineral. como materiais fornecidos pelo ambiente a serem utilizados pelos brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil dentro de uma concepção técnica que situa a existência de massas individualizadas de substâncias minerais ou fósseis encontradas na superfície ou no interior da terra. FGV DIREITO RIO 91 . Julgado 22/mai. 9ª edição. JURISPRUDÊNCIA 1) Recorrente: Ministério Público do Estado do Paraná. §§ 1º. A responsabilidade civil do Estado por omissão é subjetiva. ESTADO DE SANTA CATARINA. Direito Ambiental. 349. devem ser tutelados juridicamente como bens. EMPRESAS MINERADORAS. 2ª Turma. 2º e 3º da Carta Magna./2007. uma vez que a ilicitude no comportamento omissivo é aferida sob a perspectiva de que deveria o Estado ter agido conforme estabelece a lei. RESPONSABILIDADE DO ESTADO POR OMISSÃO. Ementa RECURSO ESPECIAL. REPARAÇÃO. 9ª edição. pp. Editora Saraiva. 2. Editora Saraiva. DJ 22/out. encontrando-se inscrita no artigo 225. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. levando-se em consideração sua elevada representatividade econômica.DIREITO AMBIENTAL DOUTRINA Os recursos minerais em nosso país. (Celso Antonio Pacheco Fiorillo. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. 737-755. Recorrido: Wilson Rodrigues Moreira. (2008). Bibliografia complementar 1) Celso Antonio Pacheco Fiorillo. REsp. mesmo em se tratando de responsabilidade por dano ao meio ambiente. (2008). p. 1. 349-357./2007. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 11ª edição. CARVÃO MINERAL. seu grande significado estratégico e sua notória relevância em face do próprio controle ambiental. Esta obrigatoriedade foi alçada à categoria constitucional.

na forma do art. Recursos de Companhia Siderúrgica Nacional. Companhia Carbonífera Catarinense. os sócios/administradores respondem pelo cumprimento da obrigação de reparação ambiental na qualidade de responsáveis em nome próprio. Condenada a União a reparação de danos ambientais. Companhia Carbonífera Urussanga providos em parte. da Lei n. Havendo mais de um causador de um mesmo dano ambiental. Recursos de Coque Catarinense Ltda. 5. A desconsideração da pessoa jurídica consiste na possibilidade de se ignorar a personalidade jurídica autônoma da entidade moral para chamar à responsabilidade seus sócios ou administradores. como se fora auto-indenização. Carbonífera Palermo Ltda.DIREITO AMBIENTAL 3. quando utilizam-na com objetivos fraudulentos ou diversos daqueles para os quais foi constituída. todos respondem solidariamente pela reparação. 4. não há como atribuir-se a responsabilidade solidária adotando-se apenas o critério geográfico. 7. Ibramil — Ibracoque Mineração Ltda. (ii) não se constituindo a personalização social obstáculo ao cumprimento da obrigação de reparação ambiental. Carbonífera Criciúma S/A. 8. Portanto. 6. Segundo o que dispõe o art. § 1º. 6. Carbonífera Metropolitana S/A. na última hipótese. A responsabilidade será solidária com os entes administrados. Recurso da União provido em parte. ainda que contíguos. A ação de reparação/recuperação ambiental é imprescritível. c/c o art. se diversos forem os causadores da degradação ocorrida em diferentes locais. NOTAS E QUESTÕES 1) Por que a atividade de mineração se constitui como de especial interesse para o direito ambiental? 2) Como se dá a atividade minerária em terras indígenas? FGV DIREITO RIO 92 . não-conhecidos. De outro lado. 3º. 942 do Código Civil. IV. por falta de nexo causal entre o dano ocorrido em um determinado lugar por atividade poluidora realizada em outro local. (i) na falta do elemento “abuso de direito”. 14. Recurso do Ministério Público provido em parte. uma vez que a atividade industrial responsável pela degradação ambiental — por gerar divisas para o país e contribuir com percentual significativo de geração de energia. obstáculo ao cumprimento da obrigação.938/81. Companhia Brasileira Carbonífera de Ararangua (massa falida). Esse desiderato apresenta-se consentâneo com o princípio da eqüidade. na modalidade subsidiária. Carbonífera Barro Branco S/A. é certo que a sociedade imediatamente estará arcando com os custos de tal reparação.. a aplicação da disregard doctrine não tem lugar e pode constituir. e (iii) nem comprovando-se que os sócios ou administradores têm maior poder de solvência que as sociedades.. como ocorre com a atividade extrativa mineral — a toda a sociedade beneficia.

FGV DIREITO RIO 93 .DIREITO AMBIENTAL 3) Como os impactos das atividades de mineração são tratados pelo ordenamento jurídico ambiental brasileiro? 4) Como as questões referentes à defesa e proteção do meio ambiente são tratadas pelo Código de Minas? 5) É possível afirmar que os recursos minerais são bens ambientais? Explique.

DIREITO AMBIENTAL

AULA 23: POLÍTICA ENERGÉTICA E MEIO AMBIENTE

INTRODUÇÃO Talvez não tenha um tema que atualmente esteja tão relacionado com a questão ambiental do que a crescente demanda mundial por energia e suas formas de geração. São as matrizes energéticas responsáveis por grande parte dos problemas ambientais que assolam a sociedade moderna. A emissão de dióxido de carbono por usinas termoelétricas que se utilizam do carvão mineral, constitui-se como a principal das causas para o aquecimento global. A utilização cada vez em maior escala das usinas hidrelétricas é responsável por danos, muitas vezes irreparáveis, à fauna e à flora de determinados ecossistemas. As próprias tecnologias mais limpas de produção de energia, também não são livres de significativos impactos ambientais ou de difíceis escolhas éticas. É, por exemplo, o caso dos biocombustíveis (etanol e biodiesel) que transformam plantações inteiras destinadas à produção de alimentos em monoculturas visando a produção de energia (i.e. cana-de-açúcar, soja, mamona, etc.). Ou, por outro lado, o investimento em energia eólica que demanda grandes estruturas que representam um dano ao valor paisagístico de determinadas regiões e podem ter implicações, por exemplo, em correntes migratórias de diversas espécies de pássaros. E mais, os próprios investimentos em painéis solares que, por sua vez, demanda de substâncias derivadas do petróleo no processo de fabricação. Há ainda questões referentes ao investimento em energia nuclear, debate bastante atual no Brasil e no mundo, mas que vêm acompanhadas das preocupações com os resíduos nucleares e o receio de acidentes como o de Chernobyl. Também não são isentos de possíveis impactos ambientais, a promissora tecnologia que permite que o automóvel seja movido à energia elétrica, pois que não resolveria os problemas referentes à matriz energética utilizada. Estes são apenas alguns exemplos e que não incluem outras formas, ainda pouco debatidas no direito brasileiro, como o hidrogênio, produção de energia pela variação de marés, ou geotermais, para citar alguns. Diante deste complexo cenário, ganha em importância a Política Energética Nacional. Entendê-la e contextualizá-la dentro do direito ambiental como, aliás, vem sendo feito por organismos internacionais e por diversos países, é de fundamental importância para a efetiva proteção do meio ambiente. No Brasil, este debate é ainda mais relevante, pois é constantemente citado como exemplo mundial de investidor em tecnologias energéticas mais limpas, como também para inserir na euforia das recentes descobertas de enormes reservas petrolíferas a questão ambiental.

OBJETIVOS Entender a relação entre política energética e meio ambiente. Compreender a estrutura legal e institucional da Política Energética Nacional. Contextualizar a Política Energética Nacional no direito ambiental. Entender a relação entre produção energética, consumo racional e proteção ambiental.
FGV DIREITO RIO 94

DIREITO AMBIENTAL

LEGISLAÇÃO 1) Lei n. 9.478/1997.

DOUTRINA O ano de 2001 marcou uma importantíssima alteração nos hábitos de consumo de energia dos brasileiros, pois nele ocorreu o fenômeno que ficou conhecido como apagão. O apagão foi o nome popular de um grave problema de abastecimento de energia elétrica que foi conseqüência de vários e diferenciados fatores políticos, sociais, econômicos e climatológicos. (...) A produção e o consumo de energia são das questões ambientais mais relevantes e, qualquer que seja a configuração da matriz energética de um país, as suas repercussões sobre o meio ambiente serão sempre importantes e significativas. (Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), p. 787.) Leitura obrigatória 1) Paulo de Bessa Antunes, Direito Ambiental, 11ª Edição, Editora Lumen Juris, (2008), pp. 787-811;

JURISPRUDÊNCIA 1) TRF 4ª Região, 2004.04.01049432-1/SC (Agravante: União Federal, Agravados: Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica, Federação das Entidades Ecologistas de Santa Catarina, Energética Barra Grande S/A, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA), D.J.U. de 19/jul./2006. Ementa AGRAVO. HIDRELÉTRICA DE BARRA GRANDE. LESÃO À ORDEM E À ECONOMIA PÚBLICAS. 1. Na via estreita da suspensão de segurança afigura-se incabível examinar, com profundidade, as questões envolvidas na lide, já que o ato presidencial não se reveste de caráter revisional, vale dizer, não se prende ao exame da correção ou equívoco da medida que se visa suspender, mas, sim, a sua potencialidade de lesão à ordem, saúde, segurança e economia públicas. 2. Hipótese em que a grave lesão à ordem e à economia públicas consistem na obstrução da finalização de hidrelétrica cujo funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento do país e que já implicou gastos públicos de grande monta.
FGV DIREITO RIO 95

DIREITO AMBIENTAL

NOTAS E QUESTÕES 1) Qual é a relação entre produção e consumo energético e proteção ao meio ambiente? 2) Quais são as matrizes energéticas priorizadas pela Política Energética Nacional? 3) De que forma a preocupação com a defesa e proteção do meio ambiente está inserida na Política Energética Nacional? 4) De que forma a relação entre política energética e proteção do meio ambiente está refletida no caso gerador desta aula? 5) Como fazer a conciliação entre os interesses e a necessidade energética, como pilares do desenvolvimento nacional, com a defesa e proteção do meio ambiente?

FGV DIREITO RIO

96

Nova Iorque. Membro do Grupo de Especialistas da Comissão em Energia e Mudança Climática da Academia de Direito Ambiental da União para Conservação da Natureza (International Union for the Conservation of Nature — IUCN). Autor de artigos publicados em revistas e jornais norte-americanos sobre mudança climática e biocombustíveis (Fordham International Law Journal e Proceedings of the 30th Aniversary of Environmental Law Programs at Pace). Mestre em Direito Econômico e Social pela PUCPR. EUA. Advogado e consultor externo associado ao Escritório Marinoni. FGV DIREITO RIO 97 . Co-editor do compêndio de leis mundiais sobre aplicação e execução de leis ambientais (environmental enforcement & compliance) a ser publicado pela Cambridge University Press. Professor convidado dos programas de pós-graduação em direito ambiental da PUC-SP e PUC-RJ. direito internacional ambiental e direito climático. Sampaio & Furtado Sociedade de Advogados. Mestre e Doutorando em Direito Ambiental e Recursos Naturais pela Pace University School of Law.DIREITO AMBIENTAL RÔMULO SILVEIRA DA ROCHA SAMPAIO Professor e Pesquisador da FGV Direito Rio. Professor adjunto da Pace University School of Law. Palestrante em eventos no Brasil e nos EUA sobre os temas de direito ambiental brasileiro e norte-americano.

DIREITO AMBIENTAL FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes de Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 98 .

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->