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O Evangelho segundo João

O Evangelho segundo João

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A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.
A primeira edição da Bíblia King James foi publicada em Londres, em 1611 (temos uma réplica da página de apresentação original desta edição de 1611 no início do NTKJA), é justamente essa a edição sobre a qual estamos baseando o estilo: clássico, reverente e majestoso da nossa tradução em português. William Shakespeare foi o grande mentor da língua inglesa nessa época e influenciou sobremaneira o estilo da redação, o qual prevalece até nossos dias, ainda que, claro, com as devidas adaptações da linguagem que - de longe - se parece com a usada no Reino Unido do séc. XVII... Acesse http://www.bibliakingjames.com.br/.

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INTRODUÇÃO

O EVANGELHO SEGUNDO

JOÃO
Autoria e data O autor do quarto evangelho é João, discípulo por quem Jesus tinha especial carinho, amizade e respeito (13.23; 19.26; 20.2; 21.7; 20.24). Somente uma testemunha ocular dentre o círculo mais íntimo dos seguidores do Senhor, como João, poderia fornecer tantos detalhes particulares como os que são citados nesse livro (12.16; 13.29). Relatos especiais e algumas vezes indiretos da presença ou participação de João, são outros argumentos que comprovam sua autoria (1.37-40; 19.26; 20.2,4,8; 21.20,24). Os pais da Igreja – como Irineu e Tertuliano – declaram que João escreveu esse evangelho, e todas as demais evidências corroboram com essa declaração. O fragmento de uma antiga cópia (datada do segundo século), indica que o original é bem mais antigo e pertence seguramente ao período em que João vivia. Teólogos, biblistas e arqueólogos respeitáveis em todo o mundo concordam que a mais provável data de autoria do evangelho de João esteja entre o final dos anos 50 da era cristã e antes da terrível destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C. Propósitos Vários e mundialmente reconhecidos pensadores e estudiosos apresentam diferentes interpretações quanto aos objetivos de João ao escrever seu evangelho. Clemente de Alexandria chegou a declarar que João teria escrito para suplementar os relatos dos evangelhos sinóticos. Outros afirmam que João escreveu para pregar uma mensagem cristã que fosse atraente ao sistema de pensamento helênico. E, outros ainda, acreditam que João desejava complementar teologicamente as doutrinas apresentadas nos demais evangelhos, para combater as formas de heresia que começavam a florescer em seu tempo, bem como opor-se àqueles que ainda seguiam fanaticamente as orientações de João Batista. Contudo, o comitê internacional de tradução da Bíblia King James Atualizada, decidiu, simplesmente, dar evidência à própria palavra de João acerca do propósito que teve ao escrever seu evangelho: “Verdadeiramente Jesus realizou, na presença dos seus discípulos, muitos outros milagres, que não estão escritos neste livro. Estes, entretanto, foram escritos para que possais acreditar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais vida em Seu Nome” (Jo 20.30-31). Desde o prefácio do livro (1.1-18), com seu ponto alto: “Vimos a sua glória...” (v.14), até à confissão de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” (20.28), o leitor é constantemente motivado a render-se incondicionalmente em adoração sincera e absoluta a Deus. O Senhor Jesus Cristo surge como mais do que um simples homem sábio e poderoso, muito mais que uma representação da Divindade na terra. Jesus é o verdadeiro e único Deus, que se fez pessoa humana e habitou entre nós. Todavia, os judeus, esperando pelo seu Messias (Cristo), necessitavam de uma prova indiscutível sobre a reivindicação de Jesus de ser o prometido unigênito do Antigo Testamento. E João, preocupado que a ninguém faltasse essa convicção e a mensagem principal do Evangelho, apresenta essas provas em profusão. Milagres, ensinos e pregações selecionados dentre apenas cerca de vinte dias dos três anos de ministério público do Senhor são publicados com o objetivo de comprovar a posição de Jesus Cristo como Filho de Deus. Vários sinais milagrosos realizados pelo Senhor revelam não somente o Seu poder divino, mas igualmente atestam Sua glória como o único e verdadeiro “Eu Sou” (o nome de Deus em hebraico). A água transformada em vinho, comerciantes inescrupulosos e animais para sacrifícios expulsos do Templo; o filho do nobre curado à distância; o paralítico curado no sábado; as multiplicações de pães e peixes; o caminhar tranqüilo e onipotente sobre as águas revoltas; a vista restaurada ao cego de nascença; Lázaro chamado novamente à vida dentre os mortos: todos esses milagres e maravilhas revelam quem Jesus Cristo é e o que Ele faz. Passo a passo, João descreve Jesus como a fonte da nova vida, a água da vida, e o pão dessa nova e eterna vida. Até seus próprios inimigos batem em retirada e se rendem perante o “Eu Sou”, que seguiu confiante para Jerusalém, onde se ofereceu voluntariamente, em sacrifício eterno pela humanidade, por meio do seu sofrimento e crucificação (18.5,6). O Logos (a Palavra, em grego) eterno se fez carne (humanizou-se) e fez da terra sua habitação

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temporária com a finalidade de salvar o ser humano das amarras do pecado, da condenação eterna e restaurá-lo à comunhão original e ideal com Deus (1.14), bem como a uma vida de santidade (estilo de vida em que a expressão sincera de adoração a Deus e amor ao próximo ocupam lugar de prioridade absoluta). Por meio exclusivo de Sua Graça, homens fracos e corrompidos encontraram a necessária qualificação para serem habitados por Seu Espírito (14.20) e, finalmente, para terem acesso às “mansões eternas” (14.2,3). Em Sua própria pessoa, Jesus cumpre o sentido principal das grandes profecias bíblicas e todas as celebrações do Antigo Testamento. Jesus vence até mesmo a morte e a sepultura, e lega a todos os seus seguidores, de todos os tempos, uma notável herança para que Sua missão siga e seja completada até o final dos tempos, quando de Seu glorioso retorno. Estendendo-se de eternidade a eternidade, o quarto evangelho une o destino tanto de judeus como de gentios (todos os que não são judeus), como parte de toda a criação, à ressurreição do Cristo encarnado e crucificado. Nosso Logos Eterno. Esboço Geral de João 1. A Encarnação do Filho de Deus: (1.1-18) 2. A Apresentação do Filho de Deus: (1.19 – 4.54) A. Por João, o Batista: (1.19-34) B. Aos discípulos de João: (1.35-51) C. Em um casamento em Caná da Galiléia: (2.1-11) D. No Templo em Jerusalém: (2.12-25) E. A Nicodemos: (3.1-21) F. Por João, o Batista: (3.22-36) G. Para a mulher samaritana: (4.1-42) H. A um oficial em Cafarnaum: (4.43-54) 3. Os debates do Filho de Deus: (5.1 – 12.50) A. Em uma festa em Jerusalém: (5.1-47) 1. O sinal de Betesda: (5.1-9) 2. A reação de todos: (5.10-18) 3. A pregação: (5.19-47) B. Durante a Páscoa na Galiléia: (6.1-71) 1. O sinal da multiplicação dos pães e peixes: (6.1-21) 2. A pregação: (6.22-40) 3. As reações: (6.41-71) C. Na Festa dos Tabernáculos em Jerusalém: (7.1-10.21) 1. Primeira discussão – a pregação: (7.1-29) 2. As reações: (7.30-36) 3. Segunda discussão – a pregação: (7.37-39) 4. As reações: (7.40-53) 5. Terceiro debate – os discursos: (8.1-58) 6. A resposta: (8.59) 7. Quarta discussão: o sinal (milagre): (9.1-12) 8. As reações: (9.13-41) 9. Quinta discussão: sobre o Bom Pastor: (10.1-18) 10. As reações: (10.19-21) D. Na Festa da Dedicação em Jerusalém: (10.22-42) 1. O discurso: (10.22-30) 2. A rejeição: (10.31-42) E. Em Betânia: (11.1 – 12.11) 1. O sinal da ressurreição de Lázaro: (11.1-44) 2. As reações: (11.45-57) 3. A unção por Maria: (12.1-8) 4. As reações: (12.9-11) F. Em Jerusalém: (12.12-50) 1. A entrada triunfal: (12.12-19) 2. A doutrina de Jesus: (12.20-50)

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4. As orientações do Filho de Deus: (13.1 – 16.33) A. Quanto ao perdão: (13.1-20) B. Quanto à traição: (13.21-30) C. Quanto à sua partida: (13.31-38) D. Quanto ao céu: (14.1-14) E. Quanto ao Advogado: (14.15-26) F. Quanto à paz: (14.27-31) G. Quanto ao desenvolvimento espiritual: (15.1-17) H Quanto ao mundo: (15.18 – 16.6) I. Quanto ao Espírito Santo: (16.7-15) J. Quanto à sua segunda vinda: (16.16-33) 5. A oração do Filho de Deus: (17.1-26) 6. A crucificação do Filho de Deus: (18.1 – 19.42) A. A prisão: (18.1-11) B. Os inquéritos: (18.2 – 19.16) 1. Diante de Anás: (18.12-23) 2. Diante de Caifás: (18.24-27) 3. Diante de Pilatos: (18.28 – 19.16) C. A crucificação: (19.17-37) D. O sepultamento: (19.38-42) 7. A ressurreição do Filho de Deus: (20.1 – 21.25) A. O sepulcro vazio: (20.1-10) B. Os reaparecimentos de Jesus Cristo: (20.11 – 21.25) 1. A Maria Madalena: (20.11-18) 2. Aos discípulos: (20.19-25) 3. A Tomé: (20.26-31) 4. A sete discípulos: (21.1-14) 5. A Pedro e a João – o discípulo amado: (21.15-25)

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O EVANGELHO SEGUNDO

JOÃO
A Palavra se fez carne No princípio era a Palavra,1 e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. 2 Ele, a Palavra, estava no princípio com Deus.2 3 Todas as coisas foram feitas através3 dele, e, sem Ele, nada do que existe teria sido feito. 4 Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens;4 5 e a luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a venceram.5 6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. 7 Ele veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. 8 João não era a luz, mas foi enviado para testemunhar da luz. 9 A Palavra é a luz verdadeira que, vinda ao mundo, ilumina a toda a humanidade.6 10 Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito através dele, mas o mundo não o reconheceu.

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Ele veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. 12 Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, ou seja, aos que crêem no seu Nome; 13 os quais não nasceram do sangue,7 nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14 E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. Vimos a sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade.
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A proclamação de João Batista 15 João testemunha sobre Jesus e exclama, dizendo: “Este é Aquele de quem eu disse: Ele, o que vem depois de mim, tem a excelência,8 porquanto já existia antes de mim.” 16 E da sua plenitude todos nós temos recebido, graça sobre graça. 17 Porquanto a Lei foi dada por intermédio de Moisés; mas a graça e a verdade vieram através de Jesus Cristo. 18 Ninguém jamais viu a Deus; o Filho9

1 “Palavra” (em grego, logos). No AT, Jesus é a expressão criadora de Deus. No NT, Jesus é Deus encarnado. Jesus é a Palavra de Deus em ação. O Verbo Eterno (Sl 33.6; Sl 107.20; Is 55.11). 2 O evangelista deixa claro que a “Palavra”, o “Verbo Eterno” e a “Sabedoria” são a mesma Pessoa: Jesus Cristo; o qual sempre esteve com Deus (Gn 1.26; Pv 8.22-31; Is 44.24). 3 “Através” (em grego, dia) é a expressão criadora do Pai (Hb 2.10). Deus através do seu Filho, a Palavra (logos), criou tudo o que há ex-nihilo (do absolutamente nada). O termo egéneto, “feito” ou “fez-se”, não admite qualquer possibilidade de dualismo metafísico ou de gnosticismo (17.4). 4 Aqui a tradução literal é necessária. Deus é o Criador e sua Palavra, o Agente (Gn 1; Sl 33.6; Pv 3.19, 8.30; Sl 104.24; Cl 1.16s; Hb 1.2). Em Ap 3.14, o “Amém” é derivado da palavra hebraica âmôn (arquiteto), como em Pv 8.30. 5 “Venceram”: compreenderam, prevaleceram ou derrotaram. A luz de uma pequena vela pode dissipar a escuridão de uma grande sala. Luz e trevas são forças opostas, mas não de igual energia. A luz é mais poderosa (12.35; 1Jo 2.8). 6 Se alguém permanece nas trevas espirituais não é por falta de luz, mas porque, deliberadamente, prefere o mal (8.12; 9.5). Jesus é a luz que ilumina a todos os seres humanos (em grego: tôn anthrôpôn). 7 A expressão grega plural ex haimatõn “dos sangues” indica que o nascimento espiritual é um dom de Deus, concedido a cada crente, em especial, e não pode vir por descendência humana nem pelo cumprimento de qualquer ritual de iniciação à religião (3.4-6; 6.44). 8 “Excelência”: primazia, superioridade, prioridade, preferência. O Espírito de Deus habitou plenamente (em grego: skenoő “tabernaculou”) o corpo humano de Jesus, Deus encarnado (v.14;Rm 8.3; 1Jo 4.2,3). 9 “Filho”, assim como no original de King James (1611). No NTG (Novum Testamentum Graece): Deus Unigênito.

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unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. João Batista clama no deserto
Is 40.3; Mt 3.1-12; Mc 1.2-8; Lc 3.1-18

E este é o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para o interrogarem: “Quem és tu?”. 20 Ele confessou e não negou; mas declarou francamente: “Eu não sou o Cristo.”.10 21 E o questionaram: “Quem és, então? És q tu Elias?”. Ele disse: “Não o sou.” “És tu o Profeta?”. E João afirmou: “Não.”. 22 Então, perguntaram a ele: “Quem és tu? Dá-nos uma resposta, para que a levemos àqueles que nos enviaram; que dizes a respeito de ti mesmo?”. 23 E João lhes disse: “Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Fazei um caminho reto para o Senhor’, como disse o profeta Isaías”.11 24 Ora, os que haviam sido enviados faziam parte dos fariseus. 25 E perguntaram-lhe ainda: “Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?”. 26 João respondeu-lhes, dizendo: “Eu batizo com12 água; mas, no meio de vós, já está quem vós não conheceis. 27 Ele é aquele que vem depois de mim, cujas correias das sandálias não sou digno de desamarrar”. 28 Essas coisas aconteceram em Betânia,13 do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.
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Este é aquele do qual eu disse: ‘depois de mim vem um homem que tem a excelência, pois que já existia antes de mim’. 31 Eu não o conhecia, mas, a fim de que Ele fosse revelado a Israel, vim, por isso, batizando com água”.
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João batiza Jesus
Mt 3.13-17; Mc 1.9-11; Lc 3.21,22

E João testemunhou, dizendo: “Vi o Espírito descendo do céu como uma pomba e permaneceu sobre Ele. 33 Eu não o conhecia; Aquele, entretanto, que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires descer e permanecer o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo’. 34 E eu, de fato, vi e testifico que este é o Filho de Deus”.
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Os primeiros discípulos de Cristo
Mt 4.18-22; Mc 1.16-20; Lc 5.1-11

Jesus, o Cordeiro de Deus 29 No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha caminhando em sua direção, e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

No dia seguinte, João estava outra vez na companhia de dois dos seus discípulos 36 e, observando que Jesus passava, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!”. 37 Os dois discípulos ouviram o que ele falou, e se tornaram seguidores de Jesus. 38 Então Jesus, voltando-se e vendo que os dois o seguiam, disse-lhes: “Que estais procurando?”. Eles disseram: “Rabi (que quer dizer Mestre), onde estás hospedado?”. 39 E Jesus disse: “Vinde e vede”.14 Eles foram e viram onde Jesus estava morando; e ficaram com Ele aquele dia, sendo isso por volta da hora décima. 40 Um dos dois que ouviram João falar e seguiram a Jesus, era André, irmão de Simão Pedro. 41 Ele primeiro procurou seu próprio irmão, Simão, e lhe disse: “Encontramos o Messias (que quer dizer, o Cristo)”.15
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10 A palavra grega Cristo corresponde a Messias em hebraico. 11 Isaías 40.3. 12 Com, ou, em água. Também nos versículos 31 e 33. 13 “Betânia”, como no NTG, ou Bethabara, como na antiga KJ. 14 Este é o convite de Cristo a todo aquele que deseja verdadeiramente conhecer a Deus: “vem e vê”. João traduz o honroso

título aramaico: Rabi (literalmente, meu grande mestre), para seus leitores gregos. Durante o primeiro século, Rabii passou a ser um título conferido aos mestres ordenados nas escolas rabínicas. Hora décima: quatro horas da tarde pelo horário judaico. 15 Adjetivo verbal semita que aparece somente neste Evangelho. Aqui e em 4.25, é interpretado pelo equivalente grego christos.

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42 E o levou a Jesus. Quando Jesus olhou para ele, disse: “Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Rocha)”.16

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Jesus encontra outros discípulos 43 No dia seguinte, Jesus decidiu ir para a Galiléia. Quando encontrou a Filipe, disse-lhe: “Segue-me.” 44 Ora, Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. 45 Filipe encontrou a Natanael e disselhe: “Encontramos Aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei, e a respeito de quem também escreveram os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José”. 46 E Natanael disse-lhe: “Pode alguma coisa boa vir de Nazaré?”. Filipe respondeu-lhe: “Vem e vê”. 47 Jesus viu Natanael se aproximando e disse a seu respeito: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade!”. 48 Disse-lhe Natanael: “De onde me conheces?”. Respondeu-lhe Jesus: “Antes de Filipe te chamar, quando tu estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49 Natanael exclamou: “Mestre, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel!”. 50 Jesus lhe respondeu: “Porque Eu disse que te vi debaixo da figueira, crês? Pois tu verás coisas muito maiores do que estas”. 51 E disse-lhes Jesus: “Em verdade, em 7 verdade17 vos asseguro que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem”.

O primeiro milagre de Jesus No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava ali. 2 Jesus e seus discípulos também foram convidados. 3 Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4 Jesus lhe disse: “Mulher,1 em que essa tua preocupação tem a ver comigo? Ainda não é chegada a minha hora”. 5 Sua mãe disse aos serviçais: “Seja o que for que Ele vos pedir, fazei”.2 6 Estavam ali seis jarros de pedra, que os judeus usavam para as purificações, e cada um levava duas ou três metretas.3 7 Jesus disse aos serviçais: “Enchei os jarros com água”. E os encheram até à borda. 8 Então lhes disse: “Tirai agora, um pouco, e levai ao mestre-sala”.4 Eles assim o fizeram. 9 Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho, não sabendo donde viera, embora o soubessem os serviçais que tiraram a água, chamou o noivo 10 e lhe disse: “Todo homem serve primeiro o bom vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; tu, entretanto, guardaste o bom vinho até agora”. 11 Com esse, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele. 12 Depois disso, desceu Ele para Cafar-

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No AT, essa forma designava o rei de Israel (o ungido do Senhor, como em 1Sm 16.6), o sumo sacerdote (o sacerdote ungido – Lv 4.3) e, uma vez, no plural, os patriarcas em seu papel de profetas (meus ungidos – Sl 105.15). Jesus cumpriu a profecia messiânica, exercendo as três funções. 16 “Cefas” (como o apóstolo Paulo o chamava – 1Co 9.5; Gl 1.18): kepha, em aramaico ou keph, em hebraico – rocha (Jó 30.6; Jr 4.29), ou ainda petros, em grego. Portanto, Pedro significa pedra ou rocha (Is 51.1). Mas, como para o nome de um homem era necessário usar a forma masculina, permaneceu petros. 17 “Em verdade”, ou com toda a certeza, como em KJA (em grego: amen, de origem hebraica: munã), significa “fiel e digno de confiança”. Jesus usa essa frase sempre que reivindica sua autoridade messiânica. Capítulo 2 1 Mulher ou Senhora. Termo respeitoso em aramaico. 2 Gn 41.55. 3 “Duas ou três metretas”: em grego, de 80 a 120 litros no total. 4 Mestre-sala: gerente ou encarregado da festa.

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naum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias. Jesus purifica o templo 13 A Páscoa5 dos judeus estava se aproximando, e Jesus subiu para Jerusalém. 14 Encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e cambistas assentados negociando; 15 tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos cambistas e virou as mesas; 16 e disse aos que vendiam as pombas: “Tirai essas coisas daqui; não façais da casa de meu Pai, casa de comércio.”. 17 Então seus discípulos lembraram-se do que foi escrito: “O zelo pela tua Casa me consumirá.”.6 18 Os judeus o contestaram, dizendo: “Que sinal de autoridade nos mostras, para agires dessa maneira?”. 19 Jesus lhes respondeu: “Destruí este templo, e, em três dias, Eu o reconstruirei.”. 20 Replicaram os judeus: “Em quarenta e seis anos foi construído este templo, e tu afirmas que em três dias o levantarás?”. 21 Ele, porém, se referia ao templo do seu corpo. 22 Por essa razão, quando Jesus ressuscitou dentre os mortos, recordaram-se os seus discípulos de que Ele dissera isso; e creram na Escritura e na Palavra pregada por Jesus. Jesus conhece a índole humana 23 Estando Ele em Jerusalém, durante a festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que Ele fazia, creram em seu Nome; 24 mas Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. 25 E não necessitava que alguém lhe desse testemunho acerca do homem, pois Ele

bem conhecia o que havia na natureza humana. O novo nascimento Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, membro do supremo tribunal dos judeus. 2 Ele, de noite, procurou a Jesus e lhe disse: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer esses sinais que estás realizando, se Deus não estiver com ele.”. 3 Jesus respondeu-lhe, declarando: “Em verdade, em verdade te asseguro que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.”. 4 Nicodemos questionou-o: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, todavia, entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer novamente?”. 5 Arrazoou Jesus: “Em verdade, em verdade te asseguro: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. 6 O que é nascido da carne é carne; mas o que nasce do Espírito é espírito. 7 Não te surpreendas pelo fato de Eu te haver dito: ‘deveis nascer de novo.’. 8 O vento sopra onde quer, você escuta o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai; assim ocorre com todos os nascidos do Espírito.”. 9 Replicou-lhe Nicodemos: “Como pode acontecer isso?”. 10 Explicou-lhe Jesus1: “Tu és mestre em Israel e não compreendes essas verdades? 11 Em verdade, em verdade te asseguro que nós dizemos do que conhecemos e testemunhamos do que temos visto; contudo, não acolheis o nosso testemunho.2 12 Se, falando de assuntos da terra, não me credes, como crereis, se vos falar dos celestiais?

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5 Êx 12.1-27. 6 Sl 69.9.

Capítulo 3 1 Esta resposta conclusiva de Jesus vai até o versículo 21. 2 O freqüente uso da palavra testemunho e de expressões jurídicas confere a este Evangelho o caráter de um imenso processo.

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13 Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser Aquele que veio do céu: o Filho do homem que está no céu.3 14 Assim como Moisés levantou a serpente no deserto,4 desse mesmo modo é necessário que o Filho do homem seja levantado, 15 para que todo o que nele crê não pereça, mas5 tenha a vida eterna. 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 17 Portanto, Deus enviou o seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele. 18 Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no Nome do Filho unigênito de Deus. 19 E o julgamento é este: que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. 20 Pois todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam expostas. 21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se veja claramente que as suas obras são realizadas em Deus.”. 26

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João Batista exalta Jesus 22 Depois disso, Jesus e seus discípulos foram para a terra da Judéia; ali permaneceu com eles e batizava. 23 E João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e o povo vinha para ser batizado. 24 Porquanto João ainda não tinha sido aprisionado. 25 Então surgiu uma discussão, entre alguns discípulos de João e os judeus, sobre a purificação.

E se dirigiram a João e lhe disseram: “Rabi, aquele que estava contigo do outro lado do Jordão, de quem tens dado testemunho, está batizando, e todos estão indo ao encontro dele.” 27 Ao que João esclareceu: “Um homem não pode receber coisa alguma, a não ser que lhe tenha sido dada do céu. 28 Vós mesmos sois testemunhas do que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor. 29 O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que lhe serve e o ouve, alegra-se grandemente por causa da voz do noivo. Portanto, essa satisfação já se cumpriu em mim. 30 É necessário que Ele cresça e que eu diminua. 31 Quem vem das alturas está acima de todos; aquele que vem da terra é terrestre e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos. 32 Ele testifica o que tem visto e ouvido; mas ninguém aceita o seu testemunho. 33 Aquele que aceita o seu testemunho, certifica que Deus é verdadeiro. 34 Pois o enviado de Deus fala as palavras de Deus, porque Deus não dá o Espírito com limitações. 35 O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou em suas mãos. 36 Quem crê no Filho tem a vida eterna; aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.”. A samaritana encontra o Messias Por isso, quando o Senhor soube que os fariseus ouviram que Ele, Jesus, fazia e batizava mais discípulos que João, 2 embora Jesus mesmo não batizasse, mas, sim, os seus discípulos, 3 deixou a Judéia e partiu uma vez mais para a Galiléia. 4 Entretanto, era-lhe necessário atravessar por Samaria.

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3 O NTG omite “que está no céu”. 4 Nm 21.9. 5 O NTG omite “não pereça, mas”.

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Assim, chegou a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José.1 6 Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, todavia, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Isso aconteceu por volta da hora sexta.2 7 Nisso, uma mulher de Samaria veio tirar água. Pediu-lhe Jesus: “Dá-me um pouco de água para beber.”. 8 Pois seus discípulos haviam ido à cidade comprar alimentos. 9 Então lhe respondeu a mulher de Samaria: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, uma mulher samaritana?”. (Pois os judeus não se relacionam bem com os samaritanos.)3 10 Jesus respondeu a ela: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que te pede: ‘dá-me de beber’, tu lhe pedirias, e Ele te daria água viva.”. 11 Indagou-lhe a mulher: “Senhor, tu não tens com que pegar água, e o poço é fundo; onde tu podes conseguir essa água viva? 12 Acaso tu és maior do que nosso pai Jacó que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu e, bem assim, seus filhos e seu gado?”. 13 Jesus afirmou-lhe: “Quem beber dessa água terá sede outra vez; 14 aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna.”. 15 A mulher lhe pediu: “Senhor! Dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise voltar aqui para tirar água.”. 16 Pediu-lhe Jesus: “Vai, chama teu marido e volta aqui.”. 17 Confessou-lhe a mulher: “Não tenho marido.”. Replicou-lhe Jesus: “Respondeste acertadamente, ao dizer que não tens marido;
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pois cinco maridos já tiveste, e esse homem com quem tu agora vives não é teu marido; quanto a isso falaste a verdade.” 19 Reconheceu a mulher: “Senhor, eu percebo que tu és um profeta! 20 Nossos pais adoravam sobre este monte, mas vós, judeus, dizeis que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.” 21 Declarou Jesus a ela: “Mulher, podes crer-me, está próxima a hora quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23 Mas a hora está chegando, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai, em espírito e em verdade; pois são esses que o Pai procura para seus adoradores. 24 Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.”. 25 A mulher disse a Jesus: “Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando Ele vier, Ele nos esclarecerá sobre tudo.”. 26 Assegurou-lhe Jesus: “Eu, que te falo, sou o Messias.”.
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A grande colheita 27 Neste ponto, chegaram os seus discípulos e se admiraram de que estivesse conversando com uma mulher; todavia, ninguém lhe perguntou: “Que queres saber?”. Ou: “Por que falas com ela?”. 28 A mulher, então, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse aos homens: 29 “Vinde e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Não seria esse o Cristo?”. 30 Saíram, pois, da cidade e foram para onde Jesus estava. 31 Enquanto isso, os discípulos insistiam com Ele: “Mestre, come!”.

1 Gn 33.19 e Js 24.32. 2 “Hora sexta”: por volta do meio dia. 3 Ou, literalmente, no original hebraico: não usam pratos que os samaritanos já usaram alguma vez (2 Rs 17.24-41; Ed 4.1-5; z

Ne 4.1,2).

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32 Mas Ele lhes disse: “Tenho um alimen45

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to para comer que vós não conheceis.”. 33 Então os discípulos disseram uns aos outros: “Será que alguém lhe teria trazido algo para comer?”. 34 Explicou-lhes Jesus: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra. 35 Não dizeis vós: ‘Ainda há quatro meses até a colheita?’. Eu, porém, vos afirmo: erguei os olhos e vede os campos, pois já estão brancos para a colheita. 36 Aquele que ceifa recebe o seu salário e colhe fruto para a vida eterna, e assim se alegram juntos o semeador e o ceifeiro. 37 Dessa forma, é verdadeiro o ditado: ‘Um semeia, e o outro colhe.’. 38 Eu vos enviei para ceifar o que não plantaste. Outros realizaram o cultivo, e vós usufruístes do labor deles.”. O salvador do mundo Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude da palavra daquela mulher que testemunhara: “Ele me disse tudo quanto tenho feito.”. 40 Assim, quando os samaritanos se encontraram com Jesus, insistiram em que se hospedasse com eles, e Ele ficou dois dias. 41 E muitos outros creram, por causa da sua Palavra. 42 Então disseram à mulher: “Agora cremos, não somente por causa do que tu falaste, mas porque nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo,4 o Salvador do mundo.”.
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Assim, quando chegou à Galiléia, os galileus o receberam bem, porque viram todas as coisas que Ele fizera em Jerusalém, por ocasião da festa à qual eles também tinham comparecido. A cura do filho de um oficial 46 Então Jesus voltou mais uma vez a Caná da Galiléia, onde transformara água em vinho. E ali havia um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. 47 Quando ele ouviu que Jesus havia chegado à Galiléia, vindo da Judéia, dirigiu-se até Ele e lhe implorou que descesse para curar seu filho, que estava a ponto de morrer. 48 E Jesus lhe disse: “A menos que vejais os sinais e maravilhas, nunca crereis.”. 49 O oficial do rei disse a Jesus: “Senhor, desce, antes que o meu menino morra!”. 50 Assegurou-lhe Jesus: “Pode seguir, o teu filho vive.”. O homem acreditou na palavra de Jesus e partiu. 51 E, quando estava descendo, a caminho, seus servos vieram ao seu encontro e lhe deram a notícia: “Teu filho vive!”. 52 Então, inquiriu deles a hora em que o menino havia melhorado, e eles lhe disseram: “Ontem, à hora sétima5, a febre o deixou.”. 53 Assim, o pai reconheceu ser aquela a mesma hora em que Jesus lhe dissera: “O teu filho vive.”. E creu ele e todos os que viviam em sua casa. 54 Esse foi o segundo sinal6 realizado por Jesus, depois que veio da Judéia para a Galiléia. A cura do homem de Betesda Algum tempo depois, havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu para Jerusalém. 2 Existe em Jerusalém, perto da Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda,1 tendo cinco pavilhões.

Jesus é bem recebido na Galiléia 43 Depois daqueles dois dias, Ele partiu dali para a Galiléia. 44 O próprio Jesus havia testemunhado que um profeta não tem honra em sua própria terra.

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4 O NTG omite “o Cristo”. 5 “À hora sétima”: à uma hora da tarde. 6 “Sinal”: milagre ou sinal miraculoso.

Capítulo 5 1 Em alguns originais: Betzata ou Betsaida. A forma correta é Betesda (em hebraico: bêth ‘eshdâh – “lugar do derramamento”).

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Nestes, ficava grande multidão de enfermos, cegos, mancos e paralíticos, esperando pelo movimento nas águas.2 4 De certo em certo tempo, descia um anjo do Senhor e agitava as águas. O primeiro que entrasse no tanque, depois de agitadas as águas, era curado de qualquer doença que tivesse. 5 Estava ali um certo homem, enfermo havia trinta e oito anos. 6 Quando Jesus o viu deitado, e sabendo que estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: “Queres ser curado?” 7 O homem enfermo queixou-se: “Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto estou indo, desce outro antes de mim.” 8 Ordenou-lhe Jesus: “Levanta-te, apanha o teu leito3 e anda.”. 9 Imediatamente o homem ficou curado, pegou seu leito e andou. E aquele dia era sábado.4 10 Por isso, disseram os judeus ao q j que fora curado: “É sábado e não te é permitido carregar o leito.” 11 O homem respondeu a eles: “Aquele que me curou ordenou-me: ‘Apanha o teu leito e anda’!” 12 Então lhe perguntaram: “Quem é o homem que te disse: ‘Apanha o teu leito e anda’?”. 13 Mas o homem que havia sido curado não sabia quem era; pois Jesus tinha se retirado, sendo que havia uma multidão naquele lugar. 14 Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: “Veja que já estás curado; não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior.”.5
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O homem partiu e disse aos judeus que fora Jesus quem o havia curado.
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Honra o Pai e o Filho 16 Por essa razão, os judeus perseguiam a Jesus e tentavam matá-lo,6 pois Ele estava fazendo essas coisas durante o sábado. 17 Mas Jesus respondeu a eles: “Meu Pai continua trabalhando até agora, e Eu também estou trabalhando.”. 18 Por isso, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu Pai, fazendo a si próprio igual a Deus. 19 Retomando a palavra, explanou Jesus: “Em verdade, em verdade vos asseguro, que o Filho nada pode fazer de si mesmo, mas somente pode fazer o que vê o Pai fazer, pois o que este fizer, o Filho semelhantemente o faz. 20 Porque o Pai ama o Filho, e lhe mostra todas as coisas que realiza. E maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vos maravilheis. 21 Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, assim também o Filho dá a vida a quem Ele desejar. 22 Assim, o Pai a ninguém julga, mas confiou todo o julgamento ao Filho, 23 a fim de que todos honrem o Filho exatamente como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho não honra o Pai que o enviou. 24 Em verdade, em verdade vos asseguro: quem ouve a minha Palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

João se refere a “festas dos judeus” com o desejo de informar os gentios (não judeus) sobre as tradições judaicas. Os capítulos centrais deste Evangelho são cronologicamente relacionados com as diversas festas do ano judaico. Páscoa (6.4), Tabernáculos (7.2), Dedicação (10.2). A festa aqui se refere ao Ano Novo (Trombetas – Lv 23.23-25). Os pavilhões são cinco arcadas com grandes colunas em torno de um tanque duplo. 2 O NTG omite essa última frase do texto e todo o versículo 4. 3 Uma espécie de maca ou esteira. Em grego krabattos, como em Mc 2.9-12. 4 Sabbath em KJ. O dia do descanso conforme a Lei (Gn 2.2; Êx 20.8-11; Gl 4.1-10; Hb 4.4-11). 5 Jesus sabia que a causa da enfermidade daquele homem fora seu pecado, entretanto não quis revelá-la ao público; mas advertiu o homem de que a repetição ou permanência no pecado poderia levá-lo a coisa pior: a morte eterna. 6 O NTG omite a frase: “e tentavam matá-lo”, mantida nas revisões de KJ.

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Mais uma vez, verdadeiramente vos afirmo: vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. 26 Pois, assim como o Pai tem a vida em si mesmo, igualmente outorgou ao Filho ter vida em si mesmo. 27 E também lhe deu autoridade para executar julgamento, porque é o Filho do homem. 28 Não vos admireis quanto a isso, pois está chegando a hora em que todos os que repousam nos túmulos ouvirão a sua voz 29 e sairão; os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e aqueles que tiverem praticado o mal, para a ressurreição da condenação.7 30 Por mim mesmo, nada posso fazer; conforme ouço, assim julgo; e o meu julgamento é justo, porque não busco agradar a meu próprio desejo, mas satisfazer a vontade do Pai que me enviou. 31 Se Eu der testemunho acerca de mim mesmo, o meu testemunho não será válido.8 32 Há outro que testemunha a meu favor, e Eu sei que o seu testemunho acerca de mim é verdadeiro. 33 Vós enviastes representantes a João, e ele deu testemunho da verdade. 34 Eu, entretanto, não busco o testemunho dos homens, mas digo essas verdades para que sejais salvos. 35 Ele era uma candeia que queimava e iluminava, e vós quisestes, por um momento, rejubilar-vos na sua luz. 36 Todavia Eu tenho um testemunho maior do que o de João; a própria obra que o Pai me deu para consumar, e que estou realizando, testemunha que o Pai me enviou. 37 E o Pai que me enviou, Ele mesmo testemunhou sobre mim. Jamais ouvistes a sua voz, nem contemplastes a sua face.
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Igualmente não tendes a sua Palavra habitando em vós, porque não credes naquele a quem Ele enviou. 39 Vós examinais criteriosamente as Escrituras,9 porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testemunham acerca de mim. 40 Todavia, vós não quereis vir a mim para terdes a vida. 41 Eu não aceito honra que procede dos homens. 42 Mas Eu vos conheço bem e sei que não tendes em vós o amor de Deus. 43 Eu vim em Nome de meu Pai, e vós não me recebeis. Se outro vier em seu próprio nome, declaro-vos que o recebereis. 44 Como podeis crer, vós que recebeis honra uns dos outros, mas não buscais a glória que vem do Deus único? 45 Não penseis que Eu vos acusarei diante do Pai. Quem vos acusa é Moisés, em quem tendes depositado a vossa esperança. 46 Todavia, se de fato crêsseis em Moisés, de igual modo haveríeis de crer em mim, pois foi a meu respeito que ele escreveu. 47 Mas, se não credes em seus escritos, como crereis em minhas palavras?”.
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A multiplicação dos pães e peixes
Mt 14.13-21; Mc 6.30-44; Lc 9.10-17

Passado algum tempo, Jesus foi para a outra margem do mar da Galiléia, que é o mar de Tiberíades. 2 Então, uma grande multidão o seguia, porque tinham visto os sinais que Ele realizava nos enfermos. 3 E Jesus subiu ao monte, e sentou-se ali com seus discípulos. 4 Ora, a Páscoa, uma festa dos judeus, estava próxima. 5 Jesus ergueu os olhos e, vendo uma grande multidão que vinha em sua direção, disse a Filipe: “Onde compraremos pães para lhes dar a comer?”

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7 As almas dos que morreram, repousam ou dormem (Dn 12.2). A decisão judicial suprema é tomada em vida: os que tiverem feito o bem são os que vieram à Luz; esses já estão vivendo a vida eterna como salvos. Os que tiverem praticado o mal são os que “amaram mais as trevas do que a Luz” (3.19-21). Essas pessoas, a não ser que, em vida, se arrependam e recebam a Jesus em seus corações, já estão condenadas para sempre (3.18). Não há bem maior do que entregar a vida aos cuidados de Cristo (Ef 2.8-10). 8 A lei judaica exigia mais de um testemunho para validar uma declaração. 9 Graphe em grego. A carta de Deus. Todo o AT e o NT (2 Pe 3.16).

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18 O mar agitava-se devido ao forte vento

Mas disse isso apenas para o provar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. 7 Filipe lhe respondeu: “Duzentos denários1 não seriam suficientes para que cada um recebesse um pequeno pedaço de pão.”. 8 Um de seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse a Jesus: 9 “Há aqui um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixes pequenos; mas de que servem no meio de tanta gente?”. 10 Então Jesus disse: “Fazei que o povo se assente”; pois havia muita grama naquele lugar. Assim, assentaram-se os homens em número de quase cinco mil.2 11 Jesus pegou os pães e, tendo dado graças, repartiu-os entre os discípulos,3 e para os que estavam assentados; e da mesma maneira se fez com os peixes, tanto quanto desejaram. 12 E quando estavam fartos, disse Jesus aos seus discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.”. 13 Assim sendo, eles os ajuntaram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada, deixados por aqueles que haviam comido. 14 Então, vendo aqueles homens o sinal que Jesus havia realizado, disseram: “Este é, verdadeiramente, o Profeta que devia vir ao mundo.”.
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que soprava. 19 Quando eles haviam remado uns vinte e cinco a trinta estádios,4 viram Jesus aproximando-se do barco, andando sobre o mar, e ficaram amedrontados. 20 Mas Ele tranqüilizou-os dizendo: “Sou eu! Não temais.”. 21 Então, eles, de boa vontade, o receberam no barco, e imediatamente chegaram à praia para a qual se dirigiam. Jesus é o pão do céu 22 No dia seguinte, as pessoas que ficaram do outro lado do mar viram que ali não havia senão um barco e Jesus não havia entrado nele com seus discípulos, mas que eles tinham partido sós. 23 Entretanto, outros barcos chegaram de Tiberíades, próximo do lugar onde o povo havia comido o pão, após o Senhor haver dado graças. 24 Quando as pessoas da multidão perceberam que Jesus não estava ali nem seus discípulos, entraram em seus barcos e partiram para Cafarnaum à procura de Jesus. 25 E, tendo-o encontrado do outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Mestre, quando chegaste aqui?” 26 Jesus respondeu a eles assim: “Em verdade, em verdade vos afirmo: vós me buscais não porque vistes os sinais, mas porque comestes os pães e vos fartastes. 27 Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pela comida que permanece para a vida eterna, alimento que o Filho do homem vos dará; pois Deus, o Pai, colocou o seu selo5 sobre Ele.” 28 Então, eles questionaram a Jesus: “O que faremos para realizar as obras de Deus?” 29 Jesus lhes asseverou: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por Ele foi enviado.”

Jesus caminha sobre o mar
Mt 14.22-33; Mc 6.45-52

estavam prestes a vir e levá-lo à força para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte. 16 Ao anoitecer, seus discípulos desceram para o mar. 17 Entraram num barco e passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já estava escuro, e Jesus ainda não havia chegado até eles.

15 Percebendo, então, Jesus, que

1 Denário: moeda romana de prata, equivalente a um dia de trabalho braçal. 2 Era um costume judaico contar apenas os homens. 3 O NTG omite “entre os discípulos, e para os”. 4 Entre cinco e seis quilômetros. 5 Selar (esphragisen em grego). O Pai abençoa o Filho com seu Espírito: a Trindade em plena ação na pessoa de Jesus.

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30 Por esse motivo o desafiaram: “Que sinal poderás realizar para que o vejamos e creiamos em ti? Que obra farás? 31 Nossos pais comeram o maná no deserto; como está escrito: ‘Ele lhes deu a comer pão do céu’.”.6 32 Respondeu-lhes, então, Jesus: “Em verdade, em verdade vos asseguro: não foi Moisés quem vos deu o Pão do céu; mas é meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do céu. 33 Pois o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo.” 34 Então, eles pediram a Jesus: “Senhor, dá-nos sempre desse pão.” 35 Diante disso, Jesus ministrou-lhes: “Eu sou o Pão da Vida; aquele que vem a mim jamais terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede. 36 Todavia, como Eu vos disse, embora me tenhais visto, ainda não credes. 37 Todo aquele que o Pai me der, esse virá a mim; e o que vem a mim, de maneira alguma o excluirei.7 38 Pois Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E esta é a vontade do Pai, o qual me enviou: que Eu não perca nenhum de todos os que Ele me deu, mas que Eu os ressuscite no último dia.8 40 De fato, esta é a vontade daquele que me enviou: que todo aquele que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia.”.

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Jesus não é compreendido
41 Então, os judeus começaram a se quei-

xar dele, porque dissera: “Eu sou o pão que desceu do céu.”. 42 E comentavam: “Não é este Jesus, o filho de José? Cujo pai e mãe nós conhe-

cemos? Como pode então Ele dizer: ‘Eu desci do céu’?”. 43 Por essa razão Jesus assim respondeulhes: “Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a mim a menos que o Pai, o qual me enviou, o atrair; e Eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos Profetas: ‘E serão todos ensinados por Deus’.9 Sendo assim, todo aquele que ouve o Pai e dele aprende, vem a mim. 46 Não que alguém tenha visto o Pai, a não ser Aquele que vem de Deus. Só Ele viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos asseguro: aquele que crê em mim10 tem a vida eterna. 48 Eu sou o Pão da Vida.11 49 Vossos pais comeram o maná no deserto e estão mortos. 50 Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não morra. 51 Eu sou o Pão Vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que deverei dar pela vida do mundo é a minha carne.”. 52 Houve, então, grande discussão entre os judeus e esbravejavam uns com os outros: “Como pode este homem dar-nos a comer a sua própria carne?”. 53 Então Jesus os advertiu: “Em verdade, em verdade vos afirmo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida dentro de vós. 54 Todo aquele que comer a minha carne e beber o meu sangue tem vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. 55 Pois a minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida. 56 Aquele que come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e Eu nele.

6 Maná: Pão do céu; a Torá (Lei de Moisés). Veja: Êx 16.4; Ne 9.15; Sl 78.24,25. 7 Excluir, lançar fora ou rejeitar, como em KJ. Veja: Jo 17.6-12. 8 Todo o que crê em Jesus recebe o Selo da Redenção Eterna: o Espírito Santo (2Co 1.21-22; Ef 1.13; Ef 4.30). 9 Veja: Is 54.13; Jr 31.31-34; Hb 8.6-18. Cristo é a redenção de Israel e de todos os povos. 10 O NTG omite “em mim”. Entretanto, já havia ficado claro que só aquele que crê em Jesus está salvo: agora e para sempre. 11 “Eu sou.” A expressão em grego egô eimi evoca o nome de Deus (Êx 3.14), transliterado Jeová Yahweh, e Jesus a repete i

sete vezes. O “Eu sou” é o próprio “Pão da Vida” (Pv 9.5). Jesus é Deus!

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57 Assim como o Pai, que vive, me enviou

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68 Mas Simão Pedro respondeu a Ele: “Senhor14, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. 69 Sendo assim, nós temos crido e reconhecido que Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo.”.15 70 Então Jesus acrescentou: “Não vos escolhi, Eu, aos doze? Todavia, um dentre vós é um diabo.”.16 71 Falava de Judas, o filho de Simão Is7 cariotes.17 Este, ainda que fosse um dos doze, mais tarde o haveria de trair.

e Eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa. 58 Este é o pão que desceu do céu. De modo algum comparável ao maná comido por vossos pais, que agora estão mortos. Aquele que comer deste Pão viverá para sempre.”. 59 Essas verdades disse Jesus, enquanto ensinava na sinagoga em Cafarnaum. Muitos discípulos deixam Jesus Portanto, muitos dos seus discípulos, ao ouvirem isso, disseram: “Dura é essa declaração.Quempoderácompreendê-la?”. 61 Quando Jesus percebeu, em seu íntimo, que seus discípulos estavam murmurando por causa de suas palavras, inquiriu-os: “Isso vos escandaliza?12 62 O que acontecerá quando virdes o Filho do homem ascender13 para o lugar onde estava antes? 63 É o Espírito quem dá vida; a carne em nada se aproveita; as palavras que Eu vos tenho dito são Espírito e são vida. 64 Entretanto, existem alguns de vós que não crêem.”. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o iria trair. q 65 E continuou: “É por isso que Eu vos tenho dito que ninguém pode vir a mim, a não ser que isso lhe seja concedido por meu Pai.”. 66 Daquele momento em diante, muitos dos seus discípulos recuaram e não mais andaram com Ele. 67 Então Jesus interpelou os doze: “Vós também desejais ir embora?”.
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A falta de fé dos irmãos de Jesus Depois desses fatos, Jesus andou pela Galiléia, porque não queria passar pela Judéia, pois os judeus1 procuravam matá-lo. 2 Nessa ocasião, a festa judaica dos Tabernáculos estava próxima. 3 Sendo assim, os irmãos de Jesus lhe disseram: “Parte deste lugar e vai para a Judéia, para que os teus discípulos, semelhantemente, vejam as obras que fazes. 4 Porque ninguém age às ocultas enquanto procura ser publicamente reconhecido. Se realizas estas obras, manifesta-te ao mundo.”. 5 Pois nem mesmo seus irmãos acreditavam nele. 6 Então Jesus lhes afirmou: “O meu tempo ainda não chegou; para vós, porém, qualquer hora é correta. 7 O mundo não pode odiar-vos, mas odeia a mim, pois Eu dou testemunho de que suas obras são más. 8 Podeis vós subir à festa. Eu, neste momento, não subo para essa festa, porque

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12 A palavra escandalizar (ofender, como em KJ) é derivada de um vocábulo grego skadalizei que significa “fazer tropeçar”. Assim, Cristo serviu de “pedra de tropeço” para Israel como fora profetizado (Is 8.14,15). 13 “Ascender” (voltar à fonte ou origem) como em KJ. A ascensão de Cristo (3.13). 14 Senhor (kurios em grego). Na Septuaginta, a autoridade e o poder de Deus (Yahweh). 15 O NTG traz: “Tu és o Santo de Deus.” A KJ acompanha, neste caso, o Textus Receptus como está em Mt 16.16. 16 Diabo; em grego, diabolos: difamador, caluniador ou falso acusador. Aqui é provável que Jesus tenha usado o termo hebraico/aramaico, um servo (demônio) de Satanás: sattan (adversário). 17 Jesus e sua Igreja sofrem com os traidores (6.64; 13.27). Iscariotes (em hebraico‘îsh qe riyyôth) significa simplesmente “o homem de Queriote”, uma localidade da Judéia (Js 15.25), de onde Judas e seu pai Simão vieram. Capítulo 7 1 Judeus aqui se refere aos habitantes da Judéia (ioudaioi). As autoridades governantes.

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o meu tempo apropriado ainda2 não chea gou por completo.”. 9 E tendo dito essas palavras a eles, permaneceu na Galiléia. O Mestre celeste 10 Mas, após seus irmãos terem subido, então, Ele também subiu para a festa, não abertamente, mas em segredo. 11 Então, os judeus o procuravam na festa e especulavam: “Onde estará Ele?” 12 E havia grande murmuração entre o povo a respeito dele. Alguns comentavam: “Ele é bom.”. E outros: “Não, ao contrário, Ele ilude o povo.”. 13 Todavia, ninguém falava dele em público, por medo dos judeus. 14 Assim, próximo ao meio da festa, Jesus subiu ao templo e ensinava. 15 E os judeus, maravilhados, diziam: “Como sabe este homem letras,3 sem nunca ter estudado?” 16 Respondeu-lhes Jesus: “A minha doutrina4 não é minha, e sim, daquele que me enviou. 17 Se alguém desejar fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela vem de Deus ou se Eu falo por minha própria autoridade.5 18 Aquele que fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça.6 19 Não foi Moisés quem vos deu a Lei? Entretanto, nenhum de vós pratica a Lei. Por que procurais matar-me?” 20 Contestou o povo: “Tu estás com um

demônio! Quem está procurando matar-te?” 21 Jesus respondeu a eles, dizendo: “Realizei só uma obra,7 e todos vos assombrais. 22 Por causa de Moisés vos haver dado a circuncisão (embora ela não tenha vindo de Moisés, mas sim, dos patriarcas), vós circuncidais um homem no sábado. 23 E, se um homem8 pode receber a circuncisão no sábado, para que a Lei de Moisés não seja quebrada, por que vos irais contra mim por Eu ter curado completamente um homem no sábado? 24 Não julgueis de acordo com a aparência, mas decidi com justos julgamentos.” Jesus é o Messias! 25 Então, alguns de Jerusalém diziam: “Não é este aquele a quem procuram matar? 26 Mas observai! Ele fala atrevidamente, e eles não lhe dizem nada. Será que as autoridades reconhecem que Ele é verdadeiramente9 o Messias? 27 Entretanto, nós sabemos de onde é este homem; quando o Cristo vier, ninguém saberá de onde Ele é.” 28 Então Jesus, enquanto ensinava no templo, proclamou: “Vós não somente me conheceis, como também sabeis de onde Eu Sou; e não vim porque Eu, de mim mesmo, o desejasse, mas Aquele que me enviou é verdadeiro; Aquele a quem vós não conheceis. 29 Mas10 Eu o conheço, porque venho dele e por Ele fui enviado.”. 30 Por isso, procuravam prendê-lo; mas

2 O NTG omite a palavra “ainda”. A expressão “meu tempo apropriado” deriva da expressão grega kairos (literalmente, “oportunidade” – o momentum, certo e predeterminado de Deus). 3 Jesus não estudou em escola rabínica, mas conhecia bem “as letras” (grammala, em grego) ou “escritos”, como em 5.47. 4 Mais que “ensino”. A doutrina de Jesus é o conjunto de princípios básicos do sistema filosófico e religioso de todo o Cristianismo. 5 Os profetas de Deus falavam: “Assim diz o Senhor”; enquanto Jesus, exercendo a autoridade do Pai, dizia: “Eu vos digo” (3.34; 5.36). A vontade de Deus só é perfeitamente conhecida através do “desejar fazer” (thelei, verbo no presente contínuo em grego). 6 Adikia (em grego: o oposto a certo, justo e verdadeiro). O mundo tenta relativizar a moral e a justiça. Em Jesus não há qualquer falsidade. Ele é a verdade (14.6). 7 Obra (ou milagre), como em KJ e nos melhores textos em grego. Refere-se ao milagre de 5.8-10. 8 Homem como em KJ, ou “menino”. Os rabinos acreditavam que o rito da circuncisão podia curar uma parte do corpo do homem e melhorar sua capacidade reprodutora. 9 O NTG omite a palavra: “verdadeiramente”. Cristo é a tradução grega da palavra hebraica Messias. 10 O NTG omite a palavra: “mas”.

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ninguém lhe pôs a mão, pois ainda não era chegada a sua hora. 31 E muitos que estavam na multidão, acreditaram nele e afirmaram: “Quando o Cristo vier, fará, porventura, mais sinais do que esses feitos por este homem?”. Jesus e os líderes religiosos 32 Os fariseus ouviram a multidão fomentando esses comentários a respeito dele. Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus11 enviaram guardas do templo para o prenderem. 33 Exclamou, então, Jesus: “Eu ainda estarei convosco por pouco tempo e logo irei para Aquele que me enviou. 34 Vós procurareis por mim, mas não me encontrareis; e onde Eu estou vós não podeis chegar.” 35 Então os judeus comentaram entre si: “Para onde Ele pretende ir, que não o possamos encontrar? Planeja ir para a Dispersão12 entre os gregos, para ensinar a eles? 36 Qual é o significado do que Ele disse: ‘Vós procurareis por mim, mas não me encontrareis; e onde Eu estou vós não podeis chegar’?”. A promessa do Espírito Santo 37 No último dia, o mais solene dia da festa, Jesus colocou-se em pé e clamou em pranto: “Se alguém tem sede, deixaio vir a mim para que beba.13 38 Aquele que crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”. 39 Mas Ele se referiu ao Espírito que, mais tarde, receberiam os que nele cressem;14

pois o Espírito Santo15 até aquele momento não fora concedido, porque Jesus não havia sido ainda glorificado. Quem é Jesus Cristo? 40 Então, muitos16 dentre a multidão, quando ouviram essas palavras, disseram: “Verdadeiramente este é o Profeta.” 41 Outros concluíram: “Este é o Messias.” Mas, alguns divergiram: “Como pode o Cristo vir da Galiléia? 42 Não diz a Escritura que o Cristo virá da 7 semente17 de Davi, da cidade de Belém, de onde era Davi?”. 43 Assim houve uma divisão entre o povo por causa dele. 44 E alguns dentre o povo quiseram prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos. Rejeitado pelas autoridades 45 Então, os guardas do templo voltaram aos chefes dos sacerdotes e aos fariseus, os quais lhes inquiriram: “Por que não o trouxestes?”. 46 Os guardas explicaram: “Nenhum homem jamais falou como este Homem!”.18 47 Replicaram-lhes os fariseus: “Será possível que fostes vós também iludidos? 48 Porventura, acreditou nele alguém das autoridades ou dos fariseus? 49 E, quanto a esse povo comum, que nada sabe da Lei, são uns malditos!”. 50 Nicodemos, sendo um dos sacerdotes, o qual estivera com Jesus à noite,19 questionou-os: 51 “Acaso a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele está fazendo?”.

11 Os chefes dos sacerdotes (em grego: archiereis) faziam parte das famílias sacerdotais mais ricas e poderosas e formavam o Sinédrio. Os fariseus pertenciam a uma seita política radical na observância da Lei, e eram inimigos dos saduceus (sacerdotes). 12 Dispersão: regiões a norte e oeste da Judéia onde havia colônias judaicas em terras gregas. 13 O último dia era o oitavo dia da festa dos Tabernáculos e era sagrado como um sábado. Em todo o tempo da festa, um jarro de ouro com água do tanque de Siloé era derramado, como libação, sobre o altar do sacrifício matinal. Cristo se apresenta como a Rocha da qual flui água salvadora (Nm 20.2-13; 1Co 10.4). Uma profecia sobre sua morte expiatória (19.34). 14 O TM (Texto Majoritário) traz: “que creram”. 15 O NTG omite “Santo”, como está em KJ. 16 O NTG traz: “alguns”. 17 “Semente”, como nos originais e em KJ, ou “descendência”, como em algumas traduções. 18 “Homem!”: ênfase ao ser humano especial que os guardas viram em Jesus; como aparece nas novas versões de KJ. 19 “À noite” como em KJ, ou “antes” como no NTG.

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Eles responderam-lhe: “És igualmente tu um galileu? Procura e verás que nenhum profeta se levantou20 na Galiléia.”. 53 Depois disso, cada um foi para a sua casa.21
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Uma adúltera encontra a Luz Entretanto, Jesus seguiu para o monte das Oliveiras. 2 Ao amanhecer, Ele voltou ao templo, e todo o povo achegava-se ao seu redor. Então, Ele se assentou e lhes ensinava. 3 Os escribas1 e fariseus trouxeram até Ele uma mulher surpreendida em adultério. Forçaram-na a ficar em pé no meio de todos, 4 e disseram a Ele: “Mestre, esta mulher foi apanhada2 em flagrante ato de adultério. a 5 Assim sendo, Moisés, na Lei,3 nos mandou que tais mulheres sejam apedrejadas. Todavia, tu, que dizes a este respeito?”. 6 Eles falavam assim para prová-lo e terem alguma coisa de que o acusar.4 Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo, como se não tivesse ouvido.5 7 Porque insistiram na pergunta, Ele se levantou6 e lhes disse: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.”. 8 E, novamente, inclinou-se e escrevia na terra. 9 Então, aqueles que ouviram isso, sendo convencidos por suas consciências,7 foram se retirando um por um, começando pelos mais velhos até o último. Jesus foi deixado só, e a mulher ficou em pé onde estava.

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Quando Jesus se ergueu, não vendo a ninguém mais, além da mulher, disse a ela: “Mulher, onde estão aqueles teus8 acusadores? Ninguém te condenou?”. 11 Disse ela: “Ninguém,9 Senhor.” E assim lhe disse Jesus: “Nem Eu te condeno; podes ir e não peques mais.”.10
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Jesus defende seu testemunho 12 Falando novamente ao povo, disse Jesus: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não andará em trevas, mas terá a luz da vida.”. 13 Os fariseus, todavia, lhe indagaram: “Tu dás testemunho a respeito de ti mesmo; logo o teu testemunho não é válido.”. 14 Respondeu Jesus, assegurando-lhes: “Ainda que Eu testifique de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, pois sei de onde vim e para onde vou. Todavia, vós não sabeis de onde venho e para onde vou. 15 Vós julgais de acordo com a carne; Eu a ninguém julgo. 16 E mesmo que Eu julgue, o meu julgamento é verdadeiro, pois não estou só, mas Eu estou com o Pai, que me enviou. 17 Está igualmente escrito na vossa lei que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. 18 Eu testemunho sobre mim mesmo; e o Pai, que me enviou, testemunha a meu favor.”. 19 Então, eles perguntaram a Ele: “Onde está o teu pai?”. Respondeu-lhes Jesus:

20 Levantar, aparecer ou, como no NTG, surgir. 21 Muitos manuscritos não trazem Jo 7.53 a 8.11. Todavia, mais de 900 manuscritos apresentam todo o texto como em KJ.

Capítulo 8 1 Escriba: doutor da Lei entre os judeus, com a responsabilidade de copiar os originais bíblicos sem erros ou alterações. 2 “Apanhada”: como em KJ; ou como no TM: “encontrada”, ou ainda, “surpreendida”. 3 A MDT traz: “em nossa Lei”. 4 Se Jesus discordasse, estaria contra Moisés; concordando, seria um subversivo, pois só Roma poderia condenar alguém à pena de morte. Além disso, Jesus afirmara que viera para a salvação dos pecadores. 5 “Como se não tivesse ouvido” em KJ, mas não consta do NTG e no TM 6 A MDT traz: “Ele olhou para cima.” Em KJ aparece como no NTG. 7 O NTG e o TM omitem: “sendo convencidos por suas consciências”. 8 O NTG omite: “não vendo a ninguém mais” e “teus”. 9 Não houve condenação por falta de acusadores sem culpa. Como Jesus nunca pecou (8.46), tomou os pecados dela sobre si e a perdoou (Rm 8.1-3). 10 O TM acrescenta: “de agora em diante”.

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“Vós não conheceis nem a mim nem a meu Pai. Se conhecêsseis a mim, da mesma forma conheceríeis a meu Pai.”. 20 Essas palavras Jesus proclamou no lugar do gazofilácio,11 enquanto ainda ensinava no templo; e ninguém o prendeu, pois ainda não era chegada a sua hora. Jesus anuncia a sua partida 21 Uma vez mais, disse-lhes Jesus: “Estou partindo, e vós procurareis por mim, mas morrereis em vossos pecados; para onde Eu vou, vós não podeis ir.” 22 Então, os judeus comentaram: “Terá Ele a intenção de se matar? E, por isso diz: ‘Para onde Eu vou, vós não podeis ir’?”. 23 Mas Ele seguiu dizendo-lhes: “Vós sois daqui de baixo; Eu Sou lá de cima. Vós sois deste mundo; Eu deste mundo não sou. 24 Por isso, Eu vos afirmei que morrereis em vossos pecados. Se vós não crerdes que Eu Sou, certamente morrereis em vossos pecados.”. 25 Então, indagaram-lhe: “Quem és tu?” E Jesus lhes afirmou: “Exatamente o mesmo que vos tenho dito desde o princípio. 26 Eu tenho muito mais a declarar e julgar a respeito de vós. Pois Aquele que me enviou é digno de toda a confiança, assim, transmito ao mundo as palavras que dele ouvi.”. 27 Os judeus, contudo, não entenderam que lhes falava acerca do Pai. 28 Então Jesus preveniu-os: “Quando tiverdes elevado o Filho do homem, então sabereis que Eu Sou, e que nada faço de mim mesmo, mas transmito tudo conforme o meu Pai me ensinou. 29 E Aquele que me enviou está comigo. O Pai não me deixou só, pois Eu sempre

cumpro a sua vontade como lhe agrada.”.
30 Tendo proferido essas palavras, muitos

creram nele. A verdade que liberta 31 Então, disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis12 meus discípulos. 32 E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” 33 Eles responderam-lhe: “Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de ninguém. Como podes tu afirmar que seremos libertos?” 34 Jesus explicou-lhes: “Em verdade, em verdade vos asseguro: todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado. 35 O escravo não fica em casa para sempre, mas o filho permanece para sempre.13 36 Assim sendo, se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. A semente de Abraão e de Satanás 37 Eu sei que sois a descendência de Abraão, entretanto, procurais matar-me, porque a minha Palavra não tem lugar dentro de vós. 38 Eu falo do que tenho visto com meu Pai, e vós fazeis o que ouvistes14 de vosso pai.” 39 Eles contestaram a Jesus, dizendo: “Abraão é nosso pai.”. Mas Jesus os corrigiu: “Se fôsseis filhos de Abraão, vós faríeis as obras de Abraão. 40 Mas, ao contrário, agora procurais matar a mim, um homem que vos tem declarado a verdade, a qual ouviu de Deus. Abraão não procedeu assim.15 41 Vós fazeis as obras de vosso pai.”. Então lhe asseveraram: “Nós não nascemos de fornicação;16 nós temos um só Pai, Deus.”.

11 “Lugar do gazofilácio” ou “tesouro”, como em KJ: ficava no pátio das mulheres, onde havia treze recipientes em forma de trombeta para receber as ofertas; seis deles para ofertas voluntárias. Onde Jesus viu a viúva depositar suas moedas (Mc 12.41-44). 12 “Sois”, como em KJ. Só os verdadeiros discípulos permanecem em Jesus, e vivem a fé cristã como estilo de vida. 13 O escravo não tem ligação de sangue com a família, mas o filho pertence a ela para sempre. 14 Embora apareça “visto” em KJ, o mais correto é como no NTG: “ouvistes de”. 15 Abraão é exemplo de obediência a Deus (Gn 26.5; Hb 11.8-12). 16 No NTG: “não nascemos de pornéia”, ou seja, de ato sexual ilícito; “não somos bastardos”.

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53 És tu maior do que o nosso pai Abraão,

Replicou-lhes Jesus: “Se Deus fosse vosso Pai, vós me amaríeis, pois Eu procedo de Deus e estou aqui. Eu não vim por mim mesmo, mas Ele me enviou. 43 Por que vós não p q podeis entender minha linguagem? É porque vós sois incapazes de ouvir a minha Palavra. 44 Vós pertenceis ao vosso pai, o Diabo; e quereis realizar os desejos de vosso pai. Ele foi assassino desde o princípio, e jamais se apoiou na verdade, porque não existe verdade alguma nele. Quando ele profere uma mentira, fala do que lhe é próprio, pois é um mentiroso e pai da mentira. 45 Mas, porque Eu digo a verdade, vós não credes em mim. 46 Quem de vós pode me condenar por algum pecado? E, se Eu estou dizendo a verdade, por que vós não credes em mim? 47 Aquele que é de Deus, ouve as palavras de Deus. Entretanto, vós não ouvis; porque não sois de Deus.”.
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Antes de Abraão, Eu Sou 48 Então os judeus, em resposta, lhe disseram: “Não dissemos acertadamente que tu és samaritano e tens um demônio?”. 49 Replicou-lhes Jesus: “Eu não tenho um demônio; ao contrário, Eu honro a meu Pai, e vós me desonrais. 50 E além do mais, Eu não estou buscando minha própria glória; existe Um que a busca por mim e a tudo julga.17 51 Em verdade, em verdade vos asseguro: se alguém obedecer a minha Palavra, jamais experimentará a morte.”. 52 Ao ouvirem isso, exclamaram os judeus: “Agora estamos certos de que tens um demônio. Abraão morreu, e também os profetas, e tu afirmas: ‘se alguém obedecer à minha palavra, jamais experimentará a morte’.

que morreu? Da mesma forma, os profetas morreram. Quem pretendes ser?”. 54 Jesus declarou-lhes: “Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso18 Deus. 55 Todavia, vós ainda não o tendes conhecido, mas Eu o conheço. E se Eu disser que não o conheço, Eu serei um mentiroso, assim como vós. No entanto, Eu verdadeiramente o conheço e obedeço a sua Palavra. 56 Vosso pai Abraão muito se alegrou, pois veria o meu dia; e ele o viu e ficou feliz.”. 57 Então os judeus disseram a Jesus: “Tu ainda não tens cinqüenta anos, e viste a Abraão?”. 58 Respondeu-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade vos asseguro: antes que Abraão existisse, Eu Sou.”. 59 Então, pegaram pedras para apedrejálo, mas Jesus esquivou-se e, passando por entre eles,19 saiu do templo. Jesus cura um homem cego Ao caminhar, Jesus viu um cego de nascença. 2 E seus discípulos lhe perguntaram: “Rabi,1 quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?”. 3 Jesus lhes respondeu: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que as obras de Deus fossem reveladas na vida dele. 4 Eu2 devo fazer as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. 5 Durante o tempo em que estiver no mundo, sou a luz do mundo.”. 6 Então, tendo dito essas palavras, cuspiu no chão e fez barro com saliva; em segui-

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17 Jesus não temia o julgamento dos homens. Ele sabia que o Pai o glorificaria. 18 O NTG e o TM trazem: “nosso”. 19 O NTG omite: “passando por entre eles”.

Capítulo 9 1 “Rabi”, como em KJ, significa “Mestre”. 2 Os originais registram “Eu faço”, como em KJ.

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da ungiu3 os olhos do cego com aquela mistura. 7 E ordenou ao homem: “Vai, lava-te no tanque de Siloé”4 (que significa: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou vendo. 8 Portanto, os vizinhos e aqueles que o conheciam como cego, diziam: “Não é este o mesmo homem que costuma ficar sentado, mendigando?”. g 9 Alguns afirmavam: “É ele mesmo.” Outros comentavam: “Apenas se parece com ele.”5 Ele mesmo, entretanto, asseguravalhes: “Sou eu o homem.”. 10 Por esse motivo, indagaram-lhe: “Como te foram abertos os olhos?”. 11 Ele respondeu: “Um homem chamado Jesus misturou terra com saliva, ungiu meus olhos e disse-me: ‘vai, lava-te no tanque de Siloé.’ Então eu fui, lavei-me, e recebi a visão.”. 12 Em seguida lhe perguntaram: “Onde está Ele?” Ao que respondeu: “Não sei.”. O homem curado é expulso Então, levaram o homem que fora cego à presença dos fariseus. 14 E era sábado, quando Jesus fez aquela mistura de barro e abriu os olhos do homem cego. 15 Então, os fariseus também lhe inquiriram como recebera a visão. E o homem tornou a explicar: “Ele aplicou barro aos meus olhos, lavei-me e vejo.”. 16 Por esse motivo, alguns dos fariseus alegavam: “Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado.” Outros murmuravam: “Como pode um homem, sendo pecador, realizar milagres como esses?”. E, novamente, houve divisão entre eles.
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Uma vez mais, perguntaram ao homem que fora cego: “Que dizes tu a respeito dele, pelo fato de que abriu os teus olhos?”. O homem asseverou-lhes: “Ele é um profeta.”. 18 Contudo, os judeus não acreditaram que ele fosse cego e havia recebido a visão, até que fossem chamados os pais daquele que recebera a visão. q q 19 Então os interrogaram: “É este o vosso filho, o qual vós dizeis que nasceu cego? Como, então, ele pode ver agora?”. 20 Os pais lhes responderam: “Sabemos6 que ele é nosso filho e que nasceu cego. 21 Mas não sabemos o significado de ele estar vendo agora, e também não sabemos quem lhe abriu os olhos. Perguntai a ele, já tem idade.7 Ele falará de si mesmo.”. 22 Seus pais responderam dessa maneira porque estavam com medo dos judeus; pois estes já haviam acordado que, se alguém confessasse que Jesus era o Cristo, seria expulso da sinagoga. 23 Foi por isso que seus pais disseram: “Perguntai a ele, já tem idade.”. 24 Então, eles chamaram de novo o homem que fora cego e lhe ordenaram: “Dá glória a Deus!8 Pois nós sabemos que esse homem é pecador.”. 25 Ao que ele retorquiu: “Se ele é um pecador ou não, eu não sei. Todavia, uma verdade eu sei: eu era cego; agora vejo.”. 26 E, novamente lhe indagaram: “O que Ele te fez? Como abriu teus olhos?”. 27 O homem lhes respondeu: “Eu já o disse, mas vós não credes. Por que desejais ouvir tudo uma vez mais? Acaso também quereis tornar-vos discípulo dele?”. 28 Por isso, o insultaram e disseram: “Tu,
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3 “Ungir”: passar, friccionar, aplicar, investir de autoridade, purificar, curar. Deus criou o homem do barro (Gn 2.4; 3.19), portanto, pode curá-lo de todos os males. 4 “Siloé” (em hebraico shilôah “águas enviadas”, expressão derivada do verbo shâlah “enviar” e se refere a Jesus, o enviado; (em grego, apestalmenos). Assim como os judeus rejeitaram as águas de Siloé, estavam rejeitando o Messias (Is 8.6,7). 5 O NTG traz: “Não, mas se parece com ele.” 6 “Sabemos” (em grego: oidamen) é usado 11 vezes neste capítulo; numa evidência de quanto os judeus estavam longe de reconhecerem Jesus como Deus (4.22,32). 7 Uma pessoa era aceita como testemunha num tribunal somente após os treze anos de idade. 8 Esta expressão pode ser usada em dois sentidos. Como agradecimento (Lc 17.15-18), e como uma intimação a que se “diga a verdade” (Js 7.19).

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sim, és um discípulo dele; mas nós somos discípulos de Moisés. 29 Sabemos que Deus falou a Moisés; mas quanto a esse sujeito, nem sabemos de onde vem.”. 30 O homem questionou: “Ora, isso é surpreendente! Vós não sabeis de onde Ele vem, e mesmo assim, abriu-me os olhos! 31 É sabido que Deus não ouve pecadores; mas a todo adorador9 de Deus, e a todo que faz a sua vontade, a esse Ele atende. 32 Desde o início do mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. 33 Se esse homem não viesse de Deus, não poderia fazer obra alguma.”. 34 Então, concluíram: “Tu que nasceste repleto de pecados, pretendes nos ensinar?”. E o excluíram.10 Os cegos receberão a visão 35 Jesus ouviu que o haviam expulsado, e, quando o encontrou, lhe disse: “Acreditas tu no Filho de Deus?”.11 36 O homem respondeu: “Quem é Ele, Senhor, para que eu possa nele crer?”. 37 E Jesus lhe assegurou: “Tu o estás g vendo. É este que te fala.”. 38 Então, declarou o homem: “Senhor, eu creio!”. E prostrando-se diante de Jesus, o adorou. 39 Então revelou Jesus: “Eu vim a este mundo para julgamento, a fim de que os cegos vejam e os que vêem se tornem cegos.”.

Alguns fariseus que estavam com Ele, ao ouvirem essas palavras, perguntaram a Jesus: “Porventura, nós também somos cegos?”. 41 Afirmou-lhes Jesus: “Se vós fôsseis cegos, não seríeis culpados; mas uma vez que alegais: ‘Nós vemos!’, por essa razão, o pecado persiste dentro de vós.
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Eu Sou o bom pastor Em verdade, em verdade vos asseguro: aquele que não entra no aprisco das ovelhas1 pela porta, mas sobe o muro à procura de outra passagem, esse é ladrão e assaltante. 2 Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3 Para esse, o porteiro2 abre a porta do aprisco, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama cada uma das suas ovelhas pelo nome, e as guia3 para fora. 4 E depois de conduzir para fora todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque reconhecem a sua voz. 5 Todavia, de modo algum seguirão a um estranho; ao contrário, fugirão dele, porque não conhecem a voz de estranhos.”. 6 Jesus falou de forma proverbial,4 mas eles não compreenderam o significado do que lhes havia falado. 7 Sendo assim, Jesus lhes disse de novo: “Em verdade, em verdade vos asseguro: Eu Sou a porta das ovelhas. 8 Todos quantos vieram antes5 de mim são ladrões e assaltantes; porém as ovelhas não os ouviram. 9 Eu Sou a porta. Qualquer pessoa que en-

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9 “Adorador”: crente ou devoto sincero, piedoso. 10 Excluir, excomungar, anatematizar, amaldiçoar. Expulso do rol de membros da sinagoga, passaria a ser considerado um

(servo do Diabo), inimigo de Deus. 11 O NTG traz o título messiânico de Jesus: “O Filho do homem” (Dn 7.13). Capítulo 10 1 A ligação entre os capítulos 9 e 10 está na exclusão do homem que fora curado da cegueira (9.34). Jesus, entretanto, o abriga, como ovelha (10.3,4,14), em um novo rebanho: a sua Igreja (10.16; Mt 16.18). O aprisco ou curral era, normalmente, um cercado com muros de pedra, com uma entrada guardada por um porteiro. 2 João Batista foi o precursor dos guias verdadeiros (1Pe 5.1-4). Os crentes são convidados a deixar o judaísmo e qualquer outra religião para seguir unicamente a Cristo: o Supremo Pastor (Hb 10). 3 Jesus cumpre a figura de Josué (Nm 27.16-17) e a profecia em Ez 34.23, onde Cristo é o Messias da linhagem de Davi. 4 Provérbio (em grego, paroimia) ou enigma (2Pe 2.22). O termo “parábola” (em grego, parabole) designa o tipo de ilustração usada por Jesus nos Sinóticos. 5 A MDT omite “antes de mim”. Consta, entretanto, em outros bons originais.

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trar por mim, será salva. Entrará e sairá; e encontrará pastagem.6 10 O ladrão não vem, senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida, e vida em plenitude. 11 Eu Sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. 12 O mercenário, que não é o pastor a quem as ovelhas pertencem, vê a aproximação do lobo, abandona as ovelhas e foge. Então, o lobo as apanha e dispersa o rebanho. 13 O mercenário foge, porque é um mercenário e não tem zelo pelas ovelhas. 14 Eu Sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e sou conhecido por elas; 15 assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e entrego minha vida pelas ovelhas. 16 Ainda tenho outras7 ovelhas que não são deste aprisco,8 as quais devo da mesma maneira trazer; elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17 Por esse motivo o Pai me ama; porque Eu entrego a minha vida para retomá-la. 18 Ninguém a tira de mim; antes Eu a entrego de espontânea vontade. Tenho poder9 para entregá-la, e poder para retomá-la. Esse é o mandamento que recebi de meu Pai.”. Mais uma divisão entre os judeus
19 Por causa dessas palavras, houve nova-

não são de alguém que tem um demônio. Pode, porventura, um demônio abrir os olhos dos cegos?”. O pastor conhece suas ovelhas 22 Naquela ocasião, celebrava-se a Festa da Dedicação em Jerusalém, e era inverno. 23 E Jesus caminhava dentro do templo, pelo Pórtico de Salomão. 24 Então, os judeus rodearam a Jesus para indagar-lhe: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se és o Cristo, dize-nos claramente.”. 25 Respondeu-lhes Jesus: “Eu já vo-lo disse, e vós não acreditais. As obras que realizo em Nome de meu Pai testemunham a meu favor. 26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas, como já vos afirmei.10 27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; Eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna, e elas nunca perecerão; tampouco ninguém as poderá arrancar da minha mão. 29 Meu Pai, que as deu a mim, é maior do que todos,11 ninguém é capaz de arrancálas da mão de meu Pai. 30 Eu e o Pai somos um.”. 31 E por isso, uma vez mais, os judeus pegaram pedras para apedrejá-lo. 32 Mas Jesus os interpelou: “Eu tenho vos revelado muitas obras boas da parte do meu Pai. Por qual dessas obras vós quereis lapidar-me?12. 33 Os judeus responderam-lhe assim: “Por nenhuma boa obra nós te lapidaremos,

mente divisão entre os judeus. 20 E muitos deles murmuravam: “Ele tem um demônio e enlouqueceu. Por que vós o escutais?”. 21 Outros ponderavam: “Essas palavras

6 Em aramaico (a língua que Jesus falava), tem o sentido de “permanecer em segurança”. A proteção de Deus (Sl 23; Sl 91). 7 “Outras ovelhas”: (em grego alla – outras da mesma espécie). Refere-se aos crentes gentios, em todo o mundo, que se unirão

a Cristo e formarão o novo e verdadeiro Israel. 8 As ovelhas judias precisavam ser tiradas do primeiro aprisco (em grego aule), antes de serem reunidas às outras e formarem ) um novo e único rebanho (em grego poimnê). 9 “Poder” como em KJ ou “autoridade”. É pela autoridade do Pai que o Filho age com independência (5.19-30); um paradoxo próprio do relacionamento único entre Deus-Pai e Deus-Filho. 10 O TM (Texto Majoritário) omite “como já vos afirmei”. 11 O Texto Bizantino, com o apoio do antigo Papiro 66, reforça essa melhor tradução, como em KJ. 12 “Lapidar”, açoitar ou matar por apedrejamento, em função de condenação sumária por pecados considerados hediondos, como blasfêmia, violação do sábado ou adultério. É interessante notar que a expressão “obras boas” (em grego, erga kala) significa literalmente: “obras belas ou lindas”.

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4 Ao saber do ocorrido, disse Jesus: “Essa enfermidade não terminará em morte; mas sim, para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela.”. 5 E Jesus amava Marta, a irmã dela, e a Lázaro. 6 Contudo, quando soube que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias no lugar onde estava. 7 Depois disso, falou a seus discípulos: “Vamos voltar para a Judéia.”. 8 Ao que lhe advertiram os discípulos: “Rabi, há pouco os judeus tentaram apedrejar-te, e mesmo assim estás indo para lá outra vez?”. 9 Jesus lhes respondeu: “Não são doze as horas do dia? Se alguém caminhar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; 10 mas, se caminhar na noite, tropeça, porque a luz não está nele.”. 11 Tendo dito essas palavras, prosseguiu explicando-lhes: “Nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou até lá para despertá-lo.”. 12 Então seus discípulos lhe disseram: “Senhor, se ele está dormindo, vai ficar melhor.”. 13 Entretanto, Jesus lhes havia falado da morte de Lázaro; mas os discípulos pensaram que Jesus estivesse se referindo ao repouso do sono. 14 Ao que Jesus lhes disse claramente: “Lázaro morreu; 15 e, para o vosso bem, estou alegre por não ter estado lá; para que agora possais crer. Sendo assim, vamos ter com ele.”. 16 Então Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus companheiros discípulos: “Vamos também nós para morrermos com ele!”.2

mas sim por blasfêmia, e porque, sendo tu um simples homem, te fazes passar por Deus.”. 34 Jesus lhes contestou: “Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: sois deuses?’13 35 Se Ele chamou ‘deuses’ àqueles a quem veio a Palavra de Deus (e a Escritura não pode ser quebrada), 36 como vós dizeis daquele a quem o Pai santificou e enviou a esse mundo: ‘Tu blasfemas!’, porque vos declarei: ‘Eu Sou o Filho de Deus?’ 37 Se não faço as obras de meu Pai, não acreditais em mim. 38 Mas se as faço, mesmo que não acreditais em mim, crede nas obras, para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e Eu estou no Pai.”. 39 Contudo, uma vez mais tentaram prendê-lo, mas Ele se livrou das mãos deles. Os crentes além do Jordão 40 Sendo assim, novamente Jesus atravessou o Jordão e foi para o lugar onde João batizava no início do seu ministério, e ali ficou. 41 Então, muitos vinham até Jesus, exaltando: “João não realizou nenhum sinal; todavia, tudo quanto falou a respeito deste Homem era verdade.”. 42 E, naquele povoado, muitos creram em Jesus. A morte do amigo Lázaro Um certo homem chamado Lázaro, de Betânia, da aldeia de Maria e de sua irmã Marta, estava doente. 2 Esta Maria, cujo irmão Lázaro estava doente, era a mesma que ungiu com óleo perfumado1 o Senhor e lhe enxugou os pés com os próprios cabelos. 3 Assim sendo, as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: “Senhor! Eis que aquele a quem amas está enfermo.”.

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Eu Sou a ressurreição e a vida 17 Ao chegar, encontrou Lázaro já sepultado havia quatro dias.

13 Sl 82.6. Deus se refere aos homens como “deuses” ou juízes (em hebraico ‘elohim).

Capítulo 11 1 O mesmo que bálsamo (Mc 14.3; Lc 10.38-42). 2 Tomé (em aramaico t’ômâ) significa gêmeo (o mesmo que Dídimo em grego). Tomé expressa lealdade a ponto de oferecer sua vida por Cristo; e prenuncia a morte de Jesus na Judéia.

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18 Ora, Betânia ficava próxima de Jerusa-

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lém, cerca de quinze estádios.3 19 E muitos, dentre os judeus, tinham vindo juntar-se ao grupo de mulheres que procuravam confortar Marta e Maria, pela morte do irmão. 20 Assim que Marta ouviu que Jesus estava a caminho, saiu ao seu encontro; Maria, no entanto, ficou sentada em casa. 21 Disse Marta a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 22 Mas sei que, mesmo agora, seja o que for que pedires a Deus, Ele te dará.” 23 Jesus então assegurou-lhe: “O teu irmão ressuscitará!” 24 E Marta lhe disse: “Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia.” 25 Esclareceu-lhe Jesus: “Eu Sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, mesmo que morra, viverá; 26 e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Tu crês nisso?” 27 Ela lhe afirmou: “Sim, Senhor, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.”. Jesus vence a morte 28 Depois de dizer essas palavras, Marta seguiu seu caminho e chamou Maria, sua irmã, e lhe disse em particular: “O Mestre chegou, e chama por ti.”. 29 Assim que Maria ouviu isso, levantou-se apressadamente e foi ao encontro dele. 30 Jesus ainda não havia entrado no povoado, mas estava4 onde Marta o encontrara. 31 Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo que ela se levantou apressadamente e saiu, seguiram-na, julgando que ela fosse ao sepulcro para ali chorar. 32 Então, quando Maria chegou ao lugar

onde Jesus estava, vendo-o, prostrou-se aos seus pés e desabafou: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.”. 33 Sendo assim, ao ver Maria chorando, bem como os judeus que vieram com ela, Jesus indignou-se no espírito5 e compadeceu-se. 34 Perguntou-lhes Jesus: “Onde o colocastes?”. E eles indicaram-lhe: “Senhor, vem e vê!”. 35 Jesus chorou. 36 Então os judeus comentaram: “Vede como Ele o amava!”. 37 Mas alguns deles questionaram: “Não poderia este homem, que abriu os olhos do cego, ter evitado que seu amigo morresse?”. Jesus ressuscita seu amigo 38 Então, novamente Jesus se indigna em seu espírito, e comovido dirige-se ao sepulcro. Era uma gruta na rocha com uma pedra fechando a entrada. 39 Determinou Jesus: “Tirai a pedra!” Preveniu-lhe Marta, irmã do falecido: “Senhor, ele já cheira mal, pois já se passaram quatro dias.”.6 40 Encorajou-a Jesus: “Eu não te falei que, se creres, verás a glória de Deus?”. 41 Então, tiraram a pedra da entrada do lugar onde o homem morto estava deitado.7 E Jesus, levantando seus olhos aos céus, agradeceu:8 “Pai, dou-te graças porque me ouviste. 42 Eu sei que sempre me ouves, mas disse isso por causa da multidão que está ao meu redor, para que creiam que Tu me enviaste.”. 43 E, tendo dito essas palavras, clamou em alta voz: “Lázaro, vem para fora!”. 44 Então, o homem que havia morrido, saiu da gruta, tendo os pés e as mãos ata-

3 Cerca de três quilômetros. Em grego, um estádio equivalia a 185 metros. 4 O NTG traz “continuava”. 5 O verbo grego embrimaomai significa, literalmente, “bufou de indignação”. Condoeu-se, conturbou-se, comoveu-se. 6 Havia uma crença entre os judeus de que a alma deixa o corpo três dias após a morte. 7 O NTG omite “do lugar onde o homem morto estava deitado”. 8 Jesus já havia orado; mas ora novamente em voz alta para que o povo creia que Ele e o Pai são a mesma pessoa (17.21).

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dos com faixas de linho e o rosto envolto com um pano. E Jesus orientou-os: “Retirai as faixas dele e deixai-o seguir.”. A trama para matar Jesus 45 Assim, muitos dentre os judeus, que tinham vindo consolar Maria, vendo o que Jesus fizera, creram nele. 46 Mas alguns deles foram até os fariseus e os informaram de tudo quanto Jesus havia feito. 47 Então, os chefes dos sacerdotes e os fariseus convocaram uma reunião do Sinédrio.9 E disseram: “O que poderemos fazer? Pois esse homem realiza muitos sinais. 48 Se o deixarmos seguir livre, todos acreditarão nele, e então virão os romanos e tomarão tanto o nosso lugar,10 como a nossa nação.”. 49 Entretanto, um dentre eles, chamado Caifás, que naquele ano era o sumo sacerdote, disse a eles: “Vós falais do que não compreendeis. 50 Nem considerais que é do vosso interesse que morra um só homem pelo povo,11 e não pereça toda a nação.”. 51 Por outro lado, ele não revelou isso de si mesmo, mas sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou12 que Jesus morreria pela nação judaica. 52 E não somente por aquela nação, mas também para congregar em um só povo os filhos de Deus que andam espalhados pelo mundo. 53 Assim, daquele dia em diante, pactuaram em tirar a vida de Jesus. 54 Por isso, Ele já não andava livremente entre os judeus. Em vez disso, retirou-se

para o interior, próximo ao deserto, chegando a uma cidade chamada Efraim; e ali permaneceu com os seus discípulos. 55 A Páscoa dos judeus estava próxima, e muitos daquela região do interior subiram para Jerusalém, a fim de participarem das cerimônias de purificação antes da Páscoa. 56 Então, procuravam Jesus, e comentavam uns com os outros, dentro do templo: “Que pensais? Virá Ele à festa?”. 57 Por outro lado, os chefes dos sacerdotes e os fariseus haviam dado ordem para que, se alguém soubesse onde Ele estava, o denunciasse, a fim de poderem prendê-lo. Jesus ungido para a Páscoa
Mt 26.6-13; Mc 14.3-9

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi para Betânia, onde estava Lázaro, que havia morrido e fora ressuscitado dentre os mortos. 2 Então, ofereceram-lhe um jantar; Marta servia,1 enquanto Lázaro era um dos convidados,2 sentado à mesa com Jesus. 3 Maria pegou uma libra3 de bálsamo de nardo puro, um óleo perfumado muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. E a casa encheu-se com a fragrância daquele bálsamo. 4 Mas um de seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, que mais tarde iria traí-lo, objetou: 5 “Por que este bálsamo perfumado não foi vendido por trezentos denários4 e dado aos pobres?”. 6 Ele não disse isso por se importar com os pobres, mas porque era ladrão; sen-

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9 Sinédrio, ou Conselho, era a corte suprema da nação judaica: composto de 75 pessoas, presidido pelo sumo sacerdote. 10 O “nosso lugar” era o templo; o “lugar santo” (At 6.13-28). 11 Caifás pertencia ao partido dos saduceus, conhecidos por sua rudez mesmo entre eles próprios. Ele aconselha o Sinédrio a

oferecer um homem por toda a nação; como “bode expiatório” (Lv 9.3; 16.22). 12 Tradicionalmente o sumo sacerdote deveria ser o portador da voz de Deus. Uma vez por ano fazia a expiação (sacrifícios com sangue de animais) pela nação, no Santo dos Santos (Hb 9). Sem perceber, anunciou o sacrifício expiatório de Jesus pelo mundo. Capítulo 12 1 Marta dedicava-se mais ao serviço e Maria, à adoração (Lc 10.38-42). 2 O jantar ou ceia celebrava a nova vida de Lázaro, sendo, ele e Jesus, convidados de honra. 3 A libra (em grego litra) equivale a pouco mais de 300 gramas. 4 Um denário era uma moeda de prata equivalente a um dia de trabalho braçal.

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do responsável pela bolsa de dinheiro,5 freqüentemente tirava o que nela era depositado. 7 Mas Jesus respondeu: “Deixa-a em paz; pois para o dia da minha sepultura foi que ela guardou isso. 8 Quanto aos pobres, vós sempre os tereis convosco, mas a mim vós nem sempre tereis.”. A trama para matar Lázaro 9 Por outro lado, uma grande multidão de judeus, assim que soube que Jesus estava ali, veio, não somente por causa de Jesus, mas igualmente para ver Lázaro, a quem Ele ressuscitara dos mortos. 10 Mas os chefes dos sacerdotes tramaram matar Lázaro também. 11 Pois, por causa do que ocorrera com ele, muitos estavam se afastando e crendo em Jesus. A entrada profetizada
Mt 21.1-9; Mc 11.1-10; Lc 19.28-38
12 No dia seguinte, a grande multidão que tinha vindo para a festa, assim que ouviu que Jesus estava chegando a Jerusalém, 13 pegou ramos de palmeiras e saiu ao seu encontro, exultando: “Hosana!6 Bendito o que vem em o Nome do Senhor!7 Bendito o Rei de Israel!”. 14 E Jesus, tendo conseguido um jumentinho, montou-o, conforme está escrito: 15 “Não tenha medo, ó filha8 de Sião; eis que o seu Rei está chegando, montado em um jumentinho.”.9 16 Naquele momento, seus discípulos não entenderam o que estava acontecendo. Só depois que Jesus foi glorificado, eles se lembraram de que esses fatos estavam

escritos a respeito dele e também de que isso lhe fizeram. 17 Assim sendo, a multidão que estava com Ele, quando mandara Lázaro sair do sepulcro e o ressuscitara dos mortos, continuou a testemunhar o ocorrido. 18 Por essa razão, um grande número de pessoas saiu ao encontro de Jesus, pois ouviu que Ele realizara esse milagre. 19 Todavia, os fariseus comentavam uns com os outros: “Vós percebestes como nossos esforços são inúteis. Atentai! Eis que o mundo10 todo vai após Ele!”. Jesus veio para todos os povos 20 Entre os que subiram para adorar a Deus durante a festa da Páscoa estavam alguns gregos. 21 Eles se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: “Senhor! Nós desejamos ver Jesus.” 22 Filipe foi e contou a André, e André e Filipe comunicaram o pedido a Jesus. 23 Jesus lhes respondeu: “Chegou a hora em que o Filho do homem será glorificado. 24 Em verdade, em verdade vos asseguro que se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanecerá ele só; mas se morrer produzirá muito fruto. 25 Aquele que ama a sua vida, a perderá; entretanto, aquele que odeia sua vida neste mundo, a preservará para a vida eterna. 26 Se alguém me serve, precisa seguirme; e onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve será honrado por meu Pai. Jesus profetiza sua morte na cruz 27 Agora minha alma está perturbada, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não!

5 A bolsa (em grego glôssokomon) era onde se guardava o dinheiro oferecido a Jesus e aos discípulos por pessoas que queriam ajudá-los (Lc 8.2,3). 6 “Hosana” (em hebraico hôshi ah-nnâ) quer dizer: “dá salvação agora” ou “dá a vitória agora”; tornou-se uma expressão de louvor e gratidão. 7 “Bendito o que vem” (em hebraico barûkh habbâ) é uma expressão judaica de boas-vindas (Sl 118.25-27). 8 “Filha” (em grego) ou “Cidade”. 9 Jesus cumpre a promessa divina (Zc 9.9). 10 Com a expressão “o mundo” (em grego kosmos), os fariseus queriam dizer “todas as pessoas de Jerusalém”. João, contudo, ressalta a obra salvadora de Cristo por toda a humanidade (3.16,17).

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Eu vim precisamente com esse propósito e para esta hora.11 28 Pai, glorifica o teu Nome!”. Então, veio uma voz dos céus,12 dizendo: “Eu já o glorifiquei e o glorificarei uma vez mais.”.13 29 Todavia, a multidão que estava ali, tendo ouvido a voz, dizia ter trovejado. Outrosgarantiam:“UmanjofaloucomEle.”. 30 Jesus lhes esclareceu: “Essa voz não veio por minha causa, e sim para vosso benefício. 31 Chegou a hora de este mundo ser julgado, e agora o príncipe deste mundo será expulso. 32 Mas Eu, quando for levantado da terra, atrairei todas as pessoas para mim.”. 33 Ele disse isso para expressar o tipo de morte que haveria de sofrer. 34 O povo lhe replicou: “Nós temos ouvido da Lei que o Cristo permanecerá para sempre, como podes afirmar: ‘o Filho do homem precisa ser levantado’? Quem é afinal esse Filho do homem?”. 35 Então Jesus lhes explicou: “Ainda por mais um pouco de tempo a luz estará entre vós. Caminhai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos surpreendam, pois aquele que anda nas trevas não sabe para onde vai. 36 Enquanto vós tendes a luz, crede na luz, para vos tornardes filhos da luz.”. E, terminando de falar, partiu e ocultou-se deles. Nem todos creram nos milagres 37 Mas, embora tivesse realizado tantos milagres diante deles, não creram em Jesus, 38 para cumprir a palavra do profeta Isaías, que disse: “Senhor, quem creu em nossa mensa-

gem, e a quem foi revelado o braço do Senhor?”.14 39 Contudo, não podiam crer, porque como reafirmou Isaías: 40 “Cegou-lhes os olhos e endureceulhes o coração, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, nem se convertam e Eu os cure.”.15 41 Isso disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu respeito. Caminhando na luz 42 Apesar disso, muitos dentre as próprias autoridades acreditaram nele, mas devido aos fariseus, não declaravam sua fé, para não serem excluídos da sinagoga; 43 pois amaram mais a honra dos homens do que a glória de Deus.16 44 Então Jesus exclamou: “Quem acredita em mim, não crê somente em mim, mas naquele que me enviou. 45 Quem vê a mim, vê Aquele que me enviou. 46 Eu vim como luz para o mundo; a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47 Se alguém ouvir as minhas palavras e não obedecer a elas, Eu não o julgo; porque Eu não vim para julgar o mundo, mas sim, para salvá-lo. 48 Aquele que me rejeita e não acolhe as minhas palavras tem quem o julgue; a Palavra que proclamei, essa o julgará no último dia. 49 Pois Eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me deu ordens sobre o que Eu deveria dizer e o que proclamar. 50 Eu sei que o seu mandamento é a vida eterna. Sendo assim, tudo o que Eu falo,

11 A hora (em grego kairós). O tempo oportuno (certo, escolhido) de Deus para seus filhos. 12 Pela terceira vez (batismo, transfiguração e nesta passagem) Deus glorifica seu nome, em Jesus, perante o mundo. Esse

fenômeno (em grego bath gôll ou “eco de Deus”) era conhecido dos rabinos. Jesus podia ouvir perfeitamente a voz de Deus, mas as demais pessoas apenas ouviam um som estrondoso, como o de trovões. 13 O nome de Deus é glorificado ou santificado quando se faz a sua vontade. 14 Is 53.1. 15 Is 6.10. 16 A “glória de Deus”, neste caso, é a aprovação do Pai para aqueles que, uma vez crendo em Jesus, agem diante dos homens como verdadeiros (cristãos) discípulos.

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como o Pai me mandou dizer, assim falo.”. Os pés dos discípulos são lavados Assim, pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo de Deus, em que partiria deste mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.1 2 Durante o final da ceia, quando já o Diabo incutira no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que deveria trair a Jesus,2 3 e, sabendo Jesus que o Pai lhe outorgara poder sobre tudo o que existe, e que viera de Deus e estava retornando a Deus, 4 levantou-se da mesa, tirou a capa e colocou uma toalha em volta da cintura. 5 Em seguida, derramou água em uma bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha que estava em sua cintura. 6 Aproximou-se de Simão Pedro, que lhe disse: “Senhor, vais me lavar os pés?”. 7 Respondeu-lhe Jesus: “O que faço agora, não podes compreender, todavia o compreenderás mais tarde.”. 8 Disse-lhe Pedro: “Senhor, jamais me lavarás os pés!”. Ao que Jesus lhe advertiu: “Se Eu não lavar os teus pés, tu não terás parte comigo.”.3 9 Rogou-lhe Simão Pedro: “Senhor, lava não somente meus pés, mas também, as minhas mãos e a minha cabeça!”. 10 Explicou-lhe Jesus: “Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; o seu corpo já está completamente limpo. Vós também estais limpos, mas nem todos.”.

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Pois Jesus sabia quem iria traí-lo, e por isso disse: “Nem todos vós estais limpos.”. 12 Após haver lavado os pés dos seus discípulos, tornou a vestir sua capa, voltou a sentar-se à mesa e lhes indagou: “Compreendeis o que vos fiz? 13 Vós me chamais ‘Mestre’ e ‘Senhor’ e , estais certos, pois Eu, de fato, o sou. 14 Dessa maneira, se de vós Eu Sou Senhor e Mestre e ainda assim vos lavei os pés, igualmente vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15 Dei-vos um exemplo para que, como Eu vos fiz, também vós o façais. 16 Em verdade, em verdade vos afirmo que nenhum escravo é maior do que seu senhor, como também nenhum enviado4 é maior do que aquele que o enviou. 17 Portanto, se vós compreenderdes esse ensinamento e o praticardes, abençoados5 sereis.
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Jesus revela seu traidor
Mt 26.17-30; Mc 14.12-26; Lc 22.7-23

Eu não estou falando a respeito de todos vós, pois conheço aqueles que escolhi; mas é necessário que isso ocorra para que se cumpra a Escritura: ‘Aquele que partilhava do meu pão levantou-se contra mim’.6 19 Estou vos revelando esses fatos antes que aconteçam, para que, quando acontecerem, vós possais crer que Eu Sou.7 20 Em verdade, em verdade vos asseguro: Quem receber aquele que Eu enviar, estará me recebendo e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.”.
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1 Amou os seus de maneira extrema e completa, até às últimas conseqüências. “Amou-os até o fim” (em grego eis telos). Uma frase muito rica, que reúne os sentidos de “até o fim” e “de modo absoluto” (3.16). Os discípulos tiveram o privilégio de experimentar, de forma concentrada, o grande amor que Deus tem pela humanidade. 2 O plano da morte de Cristo (Deus) foi concebido no coração do Diabo. Judas Iscariotes foi um agente, manipulado e influenciado pelas forças satânicas. O Diabo tenta a todos com suas inúmeras propostas mentirosas, cujo fim é sempre a morte. Cabe ao discípulo de Cristo seguir o comando do Espírito Santo, abraçar a Palavra e fugir das paixões da carne. 3 Ter comunhão com Jesus ou vida em Cristo. 4 Mensageiro ou apóstolo (em grego apostellõ). 5 Bem-aventurados ou felizes (Mt 7.24; Lc 6.47s; Mc 3.35; Mc 8.31). 6 Sl 41. 7 “Eu Sou” é mais uma alusão ao sentido oculto do nome inefável de Deus (Êx 3.14; Is 41.4). Ou, em grego, egô eimi

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21 Após haver dito essas palavras, perturbou-se Jesus em espírito e declarou: “Em verdade, em verdade vos afirmo que um dentre vós me trairá.”. 22 Os discípulos olharam uns para os outros, perplexos sobre a quem Ele se referia. 23 Enquanto isso, um deles, o discípulo a quem Jesus amava, estava reclinado ao seu lado. 24 Simão Pedro fez alguns sinais a esse, como querendo dizer: “Pergunta a quem Ele se refere.”. 25 Então, aquele discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, q quem é?” 26 Respondeu-lhe Jesus: “É aquele a quem Eu der este pedaço de pão molhado no prato.”. E tendo molhado o pedaço de pão, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão. 27 Assim que Judas comeu o pão, Satanás entrou nele. Então disse-lhe Jesus: “O que tens para fazer, faze-o logo.”. 28 Todavia, nenhum dos que estavam à mesa entendeu por qual razão Jesus lhe disse isso. 29 Considerando que Judas era responsável pelo dinheiro, alguns pensaram que Jesus havia dito: “Compra o necessário para a festa.”. Ou que desse algo aos pobres. 30 Judas, assim que comeu o pedaço de pão, saiu apressadamente. E era noite.

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conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros.”. Pedro nega a Jesus por três vezes 36 Simão Pedro pergunta a Jesus: “Senhor, para onde vais?”. Jesus respondeu-lhe: “Para onde Eu vou não podes seguir-me agora; entretanto, me seguirás mais tarde.”. 37 Inquiriu-lhe Pedro: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Pois eu darei a minha vida por ti!”. 38 Jesus adverte-o: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te afirmo que antes que o galo cante, tu me negarás três vezes! Jesus, o único caminho Não permitais que o vosso coração se preocupe. Credes em Deus, crede também em mim. 2 Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, Eu o teria dito a vós. Portanto, vou para preparar-vos lugar. 3 E, quando Eu me for e vos tiver preparado um lugar, virei de novo e vos levarei para mim, a fim de que, onde Eu estiver, estejais vós também. 4 Vós sabeis para onde Eu vou, e conheceis o caminho.”. 5 Indagou-lhe Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais; e como poderemos conhecer o caminho?”. 6 Assegurou-lhes Jesus: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. 7 Se vós, de fato, tivésseis me conhecido, teríeis conhecido também a meu Pai; e desde agora vós o conheceis e o vistes.”. 8 Solicitou-lhe Filipe: “Senhor, mostranos o Pai, e isso é suficiente para nós.”. 9 Então Jesus ministrou-lhes: “Há tanto tempo estou convosco, e tu não me tens conhecido, Filipe? Aquele que vê a mim, vê o Pai; como podes dizer: ‘mostra-nos o Pai’? 10 Não crês que Eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que Eu vos digo não as digo em minha própria autoridade; mas o Pai, que habita em mim, realiza as suas obras. 11 Crede-me quando digo que estou no

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Os discípulos devem se amar 31 Quando ele saiu, Jesus disse: “Agora o Filho do homem é glorificado, e Deus é glorificado nele. 32 Sendo Deus glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e o glorificará muito em breve. 33 Filhinhos, Eu ainda permanecerei convosco por pouco tempo. Vós me procurareis, mas como Eu disse aos judeus, agora vos digo: ‘para onde Eu vou, vós não podeis ir’. 34 Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei; que dessa mesma maneira tenhais amor uns para com os outros. 35 Através deste testemunho todos re-

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Pai e que o Pai está em mim; crede-o, ao menos por causa das mesmas obras. 12 Em verdade, em verdade vos asseguro que aquele que crê em mim fará também as obras que Eu faço e outras maiores fará, pois eu vou para o meu Pai. 13 E assim, seja o que for que vós pedirdes em meu Nome,1 isso Eu farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14 Se vós pedirdes algo em meu Nome, Eu o farei. 15 Se vós me amais, obedecereis aos meus mandamentos. Jesus promete o Espírito Santo E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Advogado,2 a fim de que esteja para sempre convosco, 17 o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque Ele vive convosco e estará dentro de vós. 18 Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós. 19 Dentro de pouco tempo o mundo não me verá mais; entretanto, vós me vereis. Porque Eu vivo, e vós da mesma forma vivereis. 20 E naquele dia, entendereis que Eu estou no meu Pai, e vós, em mim, e Eu, em vós. 21 Aquele que tem os meus mandamentos e obedece a eles, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e Eu também o amarei e me revelarei a ele.”. 22 Então, perguntou-lhe Judas (não o
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Iscariotes): “Senhor, mas por que te revelarás a nós e não ao mundo?”. 23 Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, obedecerá à minha Palavra; e meu Pai o amará, e nós viremos até ele e faremos nele nosso lar.3 24 Quem não me ama não obedece às minhas palavras; e a Palavra que vós estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou. O dom da paz de Cristo 25 Esses ensinamentos vos tenho ministrado enquanto ainda estou presente entre vós. 26 Mas o Advogado, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu Nome, esse vos ensinará todas as verdades e vos fará lembrar tudo o que Eu vos disse. 27 Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não permitais que vosso coração se preocupe, nem vos deixeis amedrontar. 28 Vós ouvistes o que Eu disse: ‘vou, mas retorno para vós.’ Se me amásseis, ficaríeis alegres com o fato de que Eu vou para o Pai, pois o Pai é maior do que Eu. 29 Eu vo-lo disse agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais. 30 Eu não vou continuar a falar muito mais convosco, pois o príncipe deste mundo está chegando. Ele não tem direito e nada pode sobre mim;4 31 ainda assim, é vital que o mundo saiba que Eu amo o Pai, e cumpro as ordens que o Pai me deu. Levantai-vos e partamos daqui!

1 O cristão tem a mesma autoridade de Cristo para orar a Deus Pai. Por isso, deve eliminar toda petição egoísta e que não traga glória ao Senhor (Mt 6.10; Mc 14.36). 2 A palavra “Advogado” vem do latim advocatus, que é o equivalente exato do adjetivo verbal passivo grego parakletos (1Jo 2.1), formado pelas palavras gregas para (ao lado de) e kletos (chamado). Usado de forma única por João para se referir ao Espírito Santo, e cujo amplo significado inclui: Conselheiro, Ajudador, Consolador, Encorajador. Quando Jesus se refere a outro (em grego allos – outro da mesma espécie e tipo), quer dizer que o outro Advogado é igual a Ele em tudo, mas viverá dentro dos crentes para orientá-los e defendê-los para sempre. Na edição King James de 1611, base desta edição em português, parakletos foi traduzido para o inglês como “Comforter” (Confortador ou Consolador). Nas edições KJ modernas aparece como “Helper” (Ajudador). O comitê de tradução da KJ para a língua portuguesa entendeu que o termo “Advogado” é o que mais se aproxima do sentido bíblico e original da palavra. 3 Lar ou morada (em grego mone conforme 14.2; que deriva-se de menõ “permanecer”). O Deus Triúno habita no crente. Quando a Trindade vive no crente; e, portanto, na Igreja, torna ambos templos santificados (1Co 3.16; 6.19). 4 Os discípulos de Cristo têm os privilégios do Reino de Deus, mas são odiados pelo Diabo e o mundo. O príncipe deste mundo não pode acusar Jesus de nada. Por isso, onde Jesus está, o pecado e o Diabo não podem permanecer.

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A videira verdadeira e seus ramos Eu Sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor.1 2 Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, Ele retira; e todo que dá fruto, Ele limpa,2 para que dê mais fruto ainda. 3 Vós já estais limpos, pela Palavra que Eu vos tenho transmitido. 4 Permanecei em mim, e Eu permanecerei em vós. Nenhum ramo pode produzir fruto por si mesmo, se não estiver ligado à videira. Vós igualmente não podeis dar fruto por vós mesmos, se não permanecerdes unidos a mim. 5 Eu Sou a videira, vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e Eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim não podeis realizar obra alguma. 6 Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Então, esses ramos são juntados, lançados ao fogo e queimados.3 7 Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras4 permanecerem em vós, pedireis o que desejardes, e vos será concedido. 8 O que glorifica meu Pai é que deis fruto5 em abundância; e assim sereis verdadeiramente meus discípulos.

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como Eu tenho obedecido às ordens do meu Pai e permaneço em seu amor. 11 Tenho-vos dito essas palavras para que a minha alegria permaneça em vós e a vossa felicidade6 seja completa. 12 E o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei. 13 Não existe maior amor do que este: de alguém dar a própria vida por causa dos seus amigos. 14 Vós sois meus amigos, se praticais o que Eu vos mando. 15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco. 16 Não fostes vós que me escolhestes; ao contrário, Eu vos escolhi a vós e vos designei7 para irdes e dardes fruto, e fruto que permaneça. Sendo assim, seja o que for que pedirdes ao Pai em meu Nome, Ele o concederá a vós. 17 Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros. O mundo odeia os discípulos 18 Se o mundo8 vos odeia, sabei que, antes de vós, odiou a mim. 19 Se fôsseis do mundo, ele vos amaria como se pertencêsseis a ele. Entretanto, não sois propriedade do mundo; mas Eu vos escolhi e vos libertei do mundo; por essa razão, o mundo vos odeia.

A alegria dos discípulos 9 Assim como o Pai me amou, Eu da mesma forma vos amei. Permanecei no meu amor. 10 Se obedecerdes aos meus mandamentos, permanecereis no meu amor, exatamente

1 “Agricultor” ou, mais propriamente, vinicultor. A videira é usada no AT como ilustração do povo de Israel (Sl 80.8-19). Cristo e os filhos de Deus são o verdadeiro Israel (1.12). 2 Jesus faz um jogo de palavras. Em grego, kathairei (limpa) pode ser também a poda, que tem o sentido de “puros” ou i “limpos” (katharoi). 3 Os ramos da videira nada produzem, só servem para dar e sustentar as uvas. Sua madeira seca para nada é útil, a não ser para queimar (Ez 15.1-8). 4 Em grego, logos é o ensino completo de Cristo e rhêmata são seus pronunciamentos individuais que compõem o todo. O verdadeiro discípulo tem suas orações atendidas e o Pai é glorificado (14.13). 5 O “fruto” é viver à semelhança de Jesus (Gl 5.22). 6 A felicidade ou alegria eram consideradas no AT como características do tempo da salvação e da paz escatológica (Is 9.2; 35.10; 55.12; 65.18; Sf 3.14; Sl 126.3-5). Os discípulos de Cristo vivem a alegria da salvação e da nova vida, mesmo sob as ondas de sofrimento deste mundo (16.20-24; 14.28). 7 O verbo grego tithenai (designar) exprime o estabelecimento de alguém em um cargo, assegurando-lhe todos os meios de i o exercer eficazmente. 8 O mundo é o sistema econômico, político, cultural, tecnológico e religioso que determina o estilo de vida dos povos. Os crentes são como Jesus: estrangeiros em sua própria terra.

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20 Recordai-vos das palavras que Eu vos disse: ‘nenhum escravo é maior do que o seu senhor’.9 Se me perseguiram, também vos perseguirão. Se obedeceram à minha Palavra, igualmente obedecerão à vossa orientação. 21 Contudo, o mundo vos tratará mal por causa do meu Nome, pois eles não conhecem Aquele que me enviou. 22 Se Eu não tivesse vindo e falado ao mundo, eles não seriam culpados. Mas, agora, eles não têm qualquer desculpa pelos pecados que cometeram. 23 Aquele que me odeia, da mesma forma odeia a meu Pai. 24 Se Eu não tivesse realizado entre eles obras que ninguém jamais fez, eles não seriam culpados de pecado. Mas agora eles viram e presenciaram tudo, e mesmo assim odiaram a mim e a meu Pai. 25 Mas isso aconteceu para se cumprir o que está escrito na Lei deles: ‘odiaramme sem razão’.10 26 Quando, porém, vier o Advogado que Eu enviarei para vós da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, Ele testemunhará a meu respeito. 27 E vós, também, dareis testemunho, pois estais comigo desde o princípio.

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mais: chegará o tempo quando quem vos matar pensará que está prestando um culto a Deus. 3 Cometerão essas atrocidades porque não conhecem o Pai, tampouco a mim. 4 Entretanto, tudo isso vos tenho dito para que, quando o momento chegar, vos lembreis de que Eu vos adverti. Não vos disse isso desde o começo, porque Eu estava convosco. A obra do Espírito Santo 5 Agora, porém, Eu vou para junto daquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’ 6 Sei que, ao dizer-vos sobre o que ocorrerá, o vosso coração foi tomado de tristeza. 7 Todavia, Eu vos asseguro que é para o vosso bem que Eu parta. Se Eu não for, o Advogado não poderá vir para vós; mas se Eu for, Eu o enviarei. 8 Quando, então, Ele vier, convencerá2 o mundo do seu pecado, da justiça e do juízo. 9 Do pecado, porque a humanidade não crê em mim; 10 da justiça, porque vou para o Pai e vós não me vereis mais;3 11 e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está condenado.4 12 Eu ainda tenho muitas verdades que desejo vos dizer, mas seria demais para o vosso entendimento neste momento. 13 No entanto, quando o Espírito da ver-

Jesus prediz perseguições Eu vos tenho prevenido sobre estes acontecimentos para que não vacileis na fé.1 2 Eles vos expulsarão das sinagogas; e

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9 Escravo ou servo (em grego douloi), como em 13.16. O mundo reagirá contra Cristo, seus discípulos e sua Igreja com ódio, desconfiança, alienação, insensibilidade, perseguição, sordidez e crueldade. 10 O mundo já tinha a Palavra de Deus, mas não obedeceu a ela (Sl 35.19; 69.4). Capítulo 16 1 “Vacileis na fé”, “vos escandalizeis”. O termo grego skandalon designava uma cilada e, mais amplamente, tudo o que faz alguém cair ou vacilar em suas convicções. Na linguagem bíblica, tem a ver com colocar a fé em risco. O verbo grego skandalizõ foi usado em 6.61 em relação à atitude de revolta dos habitantes de Cafarnaum com o discurso de Jesus. 2 O Espírito Santo vem como Advogado (em grego clássico e, depois, neotestamentário parakletos) para orientar e defender os crentes; mas age como promotor, condenando os ímpios. O verbo grego elencho significa, no contexto, convencer de culpa, expor, refutar ou condenar. 3 A ressurreição de Jesus é a evidência da sua retidão e vitória, da justiça de Deus (17.25) e da justificação dos crentes (Rm 4.25). A presença física de Jesus é substituída por sua presença através do Espírito Santo, nosso Advogado. 4 Manipulando os acusadores de Jesus, estava o príncipe deste mundo. A vinda do Espírito é o sinal de que, na Suprema Corte de Justiça de Deus, todo o processo e julgamento resultaram favoráveis a Jesus Cristo, contra o mundo e o espírito que governa a humanidade, cuja sentença é condenatória (12.31; 14.30).

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dade vier, Ele vos guiará em toda a verdade;5 porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos revelará tudo o que está por vir. 14 O Espírito me glorificará, porque receberá do que é meu e vos anunciará. 15 Tudo quanto o Pai tem, pertence a mim. Por isso é que Eu disse que o Espírito receberá do que é meu e o revelará a vós. O sofrimento se tornará em alegria 16 Mais algum tempo e já não me vereis mais; momentos depois, e me vereis de novo.”. 17 Então, alguns dos discípulos comentaram entre si: “O que Ele quer dizer com isto: ‘mais algum tempo e já não me vereis mais’ e ‘momentos depois, e me vereis de novo’ e ‘porque vou para o Pai’?”. 18 E se questionavam: “Que significa ‘algum tempo’? Não compreendemos o que Ele quer dizer.”. 19 Mas Jesus sabia o que desejavam perguntar e lhes disse: “Vós vos questionais sobre o que Eu quis dizer quando declarei: ‘mais algum tempo e já não me vereis mais; momentos depois, e me vereis de novo’? 20 Em verdade, em verdade Eu vos afirmo que chorarão e se lamentarão, enquanto o mundo se alegrará. Vós vos entristecereis, porém a vossa tristeza se transformará em grande alegria. 21 A mulher que está dando à luz sofre dores e tem medo, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela já não mais se lembra da angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo seu filho. 22 Também vós agora estais tristes e apreensivos; este é um momento de sofrimento, mas Eu vos verei de novo, e

então muito vos alegrareis; e mais, ninguém tirará a vossa alegria. 23 E naquele dia não me pedireis6 mais nada. Pois Eu verdadeiramente vos asseguro que, tudo o que pedirdes ao Pai, Ele o concederá a vós, em meu Nome. 24 Até agora nada pedistes em meu Nome. Pedi e recebereis, para que a vossa felicidade seja completa. A paz de Cristo vence as aflições verdades Eu vos tenho dito através de uma linguagem figurada; mas o momento está chegando em que Eu não mais falarei de forma enigmática, mas vos direi claramente a respeito de meu Pai. 26 Nesse dia, pedireis em meu Nome. E não digo que orarei ao Pai por vós, 27 pois o próprio Pai vos ama,7 porque me amastes e crestes que Eu vim de Deus. 28 Eu vim do Pai e entrei no mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai.”. 29 Então os discípulos de Jesus observaram-lhe: “Eis que agora falas claramente, e não através de uma linguagem enigmática. 30 Agora temos certeza de que tens pleno conhecimento de tudo, pois nem é necessário que verbalizemos as perguntas que nos inquietam; por isso cremos que, verdadeiramente, vieste de Deus.”. 31 Mas Jesus lhes respondeu: “Credes agora? 32 Pois, chegará o momento, e realmente, a hora é esta, quando sereis espalhados cada um para sua família.8 Vós me deixareis sozinho. Mas Eu não estou desamparado, pois meu Pai está comigo. 33 Eu vos preveni sobre esses acontecimentos para que em mim tenhais paz.
25 Essas

5 Jesus é a personificação da verdade (14.6). O Espírito orienta os crentes a entenderem e obedecerem à Verdade (Jesus). O Advogado revelará (em grego anangelei – anunciar tudo), aos povos de todas as culturas e gerações, os aspectos mais profundos da mensagem do Messias. 6 Embora o verbo grego erotao signifique “fazer uma pergunta”, no NT ele é usado diversas vezes, como aqui, no sentido de “pedir algo a alguém”. É o início de uma nova ordem, em que o crente ora diretamente a Deus, em Nome de Jesus, sob a orientação do Espírito Santo (Mt 6.9; 7.7-11;Lc 11.2-13). 7 O Pai ama (em grego, philei – ter afeição, ser amigo) a todos que amam o Filho, assim como o Filho ama àqueles que amam a seus discípulos (Mt 25.31ss). 8 “Cada um para sua casa” (em grego, eis ta idia), ou “para seu lado”. É o cumprimento da profecia registrada em Zc 13.7.

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Neste mundo sofrereis tribulações;9 mas tende fé e coragem! Eu venci o mundo.”. Jesus clama ao Pai por sua hora Tendo dito essas palavras aos seus discípulos, Jesus levantou seus olhos para o céu e orou: “Pai, é chegada a hora. Glorifica1 o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique, 2 assim como lhe outorgaste autoridade sobre toda a carne, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. 3 E a vida eterna é esta: que te conheçam q ç a Ti, o Único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. 4 Eu te glorifiquei na terra, finalizando a obra que me entregaste para realizar. 5 E agora, Pai, glorifica-me junto a Ti, com a glória que Eu tinha contigo antes que o mundo existisse.

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Jesus ora ao Pai pelos discípulos 6 Eu revelei o teu Nome àqueles2 que do mundo me deste. Eles eram teus; Tu os confiaste a mim, e eles têm obedecido à tua Palavra. 7 Agora, eles entendem que tudo o que me deste vem de Ti. 8 Pois Eu compartilhei com eles as palavras que me deste, e eles as aceitaram. Eles reconheceram, de fato, que vim de Ti e creram que me enviaste. 9 Eu rogo por eles. Não estou orando pelo

mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus. 10 Tudo o que tenho é teu, e tudo o que tens é meu; e neles Eu Sou glorificado. 11 Agora, não ficarei muito mais no mundo, mas estes ainda estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, protege-os em Teu Nome,3 o Nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um. 12 Enquanto Eu estava com eles, protegi-os e os defendi em teu Nome. E nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição,4 para que se cumprisse a Escritura. 13 Mas, agora, vou para Ti. Digo dessa forma, enquanto ainda estou no mundo, para que eles recebam a minha plena felicidade em seus corações. 14 Eu lhes tenho transmitido a tua Palavra, e o mundo os odiou, porque eles não pertencem ao mundo, como Eu não sou do mundo. 15 Não oro para que os tires do mundo, mas sim, para que os protejas do príncipe deste mundo.5 16 Eles não são do mundo, como também Eu não sou. 17 Santifica-os pela tua verdade; a tua Palavra é a verdade. 18 Da mesma maneira como me enviaste ao mundo, Eu os enviei6 ao mundo. 19 Em benefício deles Eu me consagro,7 para que igualmente eles sejam consagrados pela verdade.

9 “Tribulação” (em g g thlipsis – aflição, opressão, adversidades). O cristão fiel está em Cristo e, p ç ( grego, p ç p ) portanto, desfruta da mesma paz que há em Jesus. É capaz de se alegrar em meio às provações (Rm 8.17; Fp 1.28) e de ter bom ânimo para vencer o mundo, como Jesus venceu. Capítulo 17 1 A temática dos discursos do cenáculo é concluída nesta “oração sacerdotal”, pois é neste momento que Jesus se consagra para o sacrifício em que Ele é, simultaneamente, sacerdote e vítima. Jesus sabe que só o Pai pode glorificá-lo e a cruz será o instrumento dessa glorificação. 2 Jesus é o revelador do Pai aos discípulos, um grupo escolhido de pessoas (em grego anthrôpo) que comprovaram serem de Jesus, crendo e obedecendo à Palavra de Deus em Cristo. 3 No AT, o nome de Deus denota o seu caráter, poder e majestade (Sl 20.1; Sl 54.1; Pv 18.10). Deus guarda os seus, aqueles nos quais o Pai colocou seu selo (Cristo, nosso Salvador e Advogado). 4 Sl 41.9-12; 109.4-13. “O filho da perdição ou destruição” era Judas Iscariotes; esse mesmo título será dado ao anticristo (2Ts 2.3). 5 Todo o poder do mal, que ameaça a humanidade, é personalizado no “príncipe deste mundo” ou “maligno” (12.31; 14.30; 16.11; Mt 6.13; 13.19,38; 2Ts 3.3; Ef 6.16; 1Jo 2.13,14; 3.12; 5.18,19). 6 Jesus fala do futuro próximo (20.21). A graça eletiva de Deus não é dada de modo a fazer perder os “não eleitos”, mas com o propósito de que, através dos eleitos, aqueles recebam a bênção salvadora de Deus em Cristo, assim como Abraão foi escolhido para abençoar o mundo (Gn 12.2,3; Gl 3.6-9,14; Is 42.1; 53.11,12). 7 Para que os discípulos pudessem ser devidamente separados para o ministério, Jesus, o Justo, precisava sacrificar-se voluntariamente (Hb 10.1-14). Jesus é a perfeita revelação da verdade.

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Jesus ora ao Pai pelos cristãos 20 Não oro somente por estes discípulos, mas igualmente por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da mensagem8 deles, 21 para que todos sejam um, Pai, como Tu estás em mim e Eu em Ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste. 22 Eu lhes tenho transferido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos: 23 Eu neles e Tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados9 na unidade, para que o mundo conheça que Tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. 24 Pai, Eu desejo que os que me deste estejam comigo onde Eu estou e contemplem10 a minha glória, a glória que me outorgaste porque me amaste antes da criação do mundo. 25 Pai justo, o mundo não te tem conhecido; Eu, porém, te conheci, assim como estes entenderam que Tu me enviaste. 26 Eu lhes dei a conhecer11 o teu Nome e ainda continuarei a revelá-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e Eu neles esteja.”. Jesus é traído e preso
Mt 26.47-56; Mc 14.43-50; Lc 22.47-53

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Tendo Jesus partilhado essas palavras, saiu acompanhado por seus

discípulos e atravessou o vale de Quidrom.1 Do outro lado havia um olival, onde entrou com eles. 2 E Judas, o traidor, também conhecia aquele lugar, pois freqüentemente Jesus se reunia ali2 com seus discípulos. 3 Então, tendo Judas guiado um destacamento3 de soldados romanos e alguns guardas enviados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus, chegou a esse lugar com lanternas, tochas e armas. 4 Entretanto, tendo Jesus pleno conhecimento de tudo o que viria sobre Ele, saiu ao encontro deles e lhes perguntou: “A quem procurais?”. 5 Responderam-lhe: “A Jesus de Nazaré!”. Ao que lhes respondeu Jesus: “Eu Sou4 Jesus.”. E Judas, aquele que o traiu, estava com eles. 6 Assim que Jesus lhes disse: “Eu Sou Jesus”, eles recuaram atônitos e caíram no chão. 7 Então Jesus lhes perguntou de novo: “A quem procurais?”. E eles disseram: “A Jesus de Nazaré.”. 8 Jesus lhes exclamou: “Eu já vos disse que Eu Sou Jesus. Por isso, se é a mim que buscais, deixai estes homens seguirem seus caminhos.”. 9 Isso aconteceu para que se cumprissem as palavras que Ele dissera: “Não perdi nenhum de todos os que me deste.”.5 10 Nesse momento, Simão Pedro, que portava uma espada, puxou-a da bainha e feriu o servo do sumo sacerdote, de-

8 O amor e a unidade entre os discípulos por causa de Cristo, em torno da verdade, confirmariam publicamente o relacionamento deles com Jesus e deste com o Pai, evangelizando o mundo (13.35; 1Jo 4.14). 9 Esta é uma das obras do Espírito Santo no crente (1Jo 4.13). 10 Os discípulos e a Igreja glorificada, unidos completamente a Cristo no futuro, contemplarão a glória do Senhor (At 7.55,66; 2Co 4.18; 1Co 13.12). 11 Tem a ver com proclamação e ensino da verdade (Sl 22.22; Hb 2.12). Capítulo 18 1 “Quidrom” (Cedrom, em outras versões), é a exata expressão hebraica, cuja raiz significa “escuro”, da qual vem o nome de uma comunidade árabe, chamada “Quedar”, por suas tendas negras (Ct 1.5). 2 Marcos (14.32) e Mateus (26.36) chamam este lugar de Getsêmani, “o lugar da prensa de azeite”, onde, durante a Semana Santa (Páscoa), Jesus se encontrou com seus discípulos (Lc 21.37). 3 Um destacamento ou pelotão era composto, em geral, por 760 homens da infantaria e 260 da cavalaria para justificar a presença de um oficial comandante (18.12; At 21.31). Os judeus esperavam resistência armada, por isso pediram ajuda aos romanos. 4 Jesus apresenta-se com seu nome divino egô eimi, o nome do Pai (Êx 3.13,14). 5 Embora a profecia sobre a dispersão dos discípulos (16.32) também estivesse sendo cumprida, João destaca a profecia sobre a proteção espiritual que acompanhará seus discípulos para sempre (17.12).

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cepando-lhe a orelha direita.6 E o nome daquele servo era Malco.7 11 Então Jesus ordenou a Pedro: “Embainha a tua espada! Acaso não haverei de beber o cálice8 que o Pai me deu?”. Jesus diante das autoridades 12 Assim, o destacamento de soldados com o seu comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. 13 E o conduziram primeiramente a Anás;9 pois era sogro de Caifás, sumo sacerdote naquele ano. 14 Ora, Caifás era quem havia sugerido aos judeus ser conveniente morrer um homem pelo povo. Pedro nega ser discípulo de Cristo
Mt 26.69-75; Mc 14.66-72; Lc22.54-62

Simão Pedro e outro discípulo estavam seguindo Jesus. Por ser conhecido do sumo sacerdote,10 este discípulo entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote. 16 Entretanto, Pedro teve de ficar esperando do lado de fora da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, voltou, falou com a criada encarregada da porta e levou Pedro para dentro. 17 Então, a jovem criada, encarregada da porta, perguntou a Pedro: “Não és, tu também, um dos discípulos deste homem?” Pedro respondeu: “Eu não sou.”. 18 Fazia frio, e os servos e os guardas estavam ali; tendo acendido uma fogueira, esquentavam-se. E Pedro estava em pé entre eles, aquecendo-se também.
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Jesus sobre seus discípulos e sua doutrina. 20 Declarou-lhe Jesus: “Eu tenho falado francamente ao mundo; ensinei freqüentemente nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em segredo. 21 Por que me interrogas? Pergunta àqueles que me ouviram o que lhes falei; eles bem sabem o que Eu disse.”. 22 Assim que Jesus disse isso, um dos guardas que ali estavam bateu-lhe fortemente no rosto, com a palma da mão, dizendo: “Isso é maneira de responder ao sumo sacerdote?” 23 E Jesus respondeu ao guarda: “Se Eu disse algo de mal, revela o mal. Mas se disse a verdade por que me agrediste?”. 24 Sendo assim, Anás mandou Jesus, de mãos amarradas, a Caifás, o sumo sacerdote. Cristo é negado pela terceira vez
Mt 26.71-75; Mc 14.69-72; Lc 22.58-62
25 Enquanto isso, Pedro estava em pé, se aquecendo, quando alguém lhe perguntou: “Não és, tu também, um dos discípulos dele?”. Pedro nega dizendo: “Não, eu não sou!”. 26 Um dos criados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro havia decepado a orelha, perguntou: “Não te vi no olival com Ele?”. 27 Mais uma vez Pedro negou, e naquele exato momento, um galo cantou.

Jesus diante da corte de Pilatos
Mt 27.1,2; Mc 15.1; Lc 23.1
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Jesus diante do sumo sacerdote 19 Então, o sumo sacerdote interrogou a

Então os judeus levaram Jesus da casa de Caifás para o Pretório.11 E já estava amanhecendo. Mas eles não entraram

6 Lucas informa-nos que Jesus ainda curou Malco (Lc 22.49,50) e evitou que os demais discípulos puxassem suas espadas. 7 João tinha grande familiaridade com o sumo sacerdote e sua criadagem (18.16), por isso conhecia Malco. 8 Jesus estava convicto quanto a fazer a vontade do Pai e cumprir sua missão até às últimas conseqüências (Mt 26.37-39). 9 Anás tinha sido sumo sacerdote de 6 a 15 a.C, porém mesmo como ex-sumo sacerdote ostentava grande poder, além dos

seus cinco filhos também terem sido sacerdotes. 10 O sumo sacerdote aqui é o próprio Anás, que tinha esse título no sentido emérito (Lc 3.2). Quanto ao “outro”, parece ser um discípulo de Jerusalém com algum parentesco com o sumo sacerdote; devido ao uso da palavra grega gnôstos (conhecido íntimo, parente). 11 O Pretório era o quartel-general (quando em acampamento) do governador militar romano, ou, como neste caso, uma de suas residências (18.33).

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no Pretório, para evitar a contaminação cerimonial,12 pois desejavam comer a Páscoa. 29 Assim, Pilatos saiu para falar com eles e perguntou-lhes: “Que acusação trazeis contra este homem?”. 30 Responderam-lhe: “Se Ele não fosse um malfeitor, não o teríamos entregado a ti.”. 31 Entretanto, replicou-lhes Pilatos: “Levai-o vós mesmos e julgai-o conforme a vossa Lei.” Ao que lhe contestaram os judeus: “Mas nós não somos autorizados a matar ninguém.”. 32 Isso ocorreu para que se cumprissem as palavras que Jesus havia dito, revelando o tipo de morte que estava para sofrer. 33 Então Pilatos entrou novamente no Pretório, chamou a Jesus e interrogoulhe: “És tu o rei dos judeus?”.13 34 Jesus lhe respondeu: “Essa questão é tua, ou outros te falaram a meu respeito?”. 35 Replicou-lhe Pilatos: “Porventura sou judeu? A tua própria gente e os chefes dos sacerdotes é que te entregaram a mim. Que fizeste?”. 36 Ao que lhe afirmou Jesus: “Meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas, agora, meu Reino não é daqui.”. 37 Contudo, Pilatos lhe inquiriu: “Então, tu és rei?”. Ao que lhe respondeu Jesus: “Tu dizes acertadamente que sou rei.

Por esta causa Eu nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade. Todos os que pertencem à verdade ouvem a minha voz.”. 38 Então Pilatos questionou a Jesus: “Que é a verdade?”. E assim que disse isso, saiu de novo para onde estavam reunidos os judeus, e disse-lhes: “Não encontrei qualquer falta neste homem. Jesus no lugar de um bandido 39 Entretanto, sei que é tradição14, entre vós, que devo dar liberdade a um prisioneiro por ocasião da Páscoa. Sendo assim, quereis que eu vos liberte o Rei dos Judeus?”. 40 Então os judeus exclamaram outra vez, dizendo: “Não! Esse homem não, mas sim Barrabás!”. Ora, Barrabás era um conhecido bandido.15 Jesus é humilhado e espancado Sendo assim, Pilatos tomou a Jesus e o mandou flagelar. 2 Os soldados trançaram uma coroa de espinhos e a puseram na cabeça de Jesus; e ainda vestiram-no com uma capa de púrpura.1 3 Aproximavam-se dele e diziam: “Salve, rei dos judeus!”. E esbofeteavam2 seu rosto. 4 Mais uma vez, Pilatos saiu e afirmou aos judeus: “Vede! Eu o trago à vossa presença, para saberdes que não encontro neste homem motivo algum que o possa condenar.”.

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12 Os cordeiros pascais tinham de ser sacrificados no templo, à tarde do mesmo dia em que haviam nascido. Seriam comidos pelas pessoas que se mantivessem cerimonialmente puras, logo após o pôr-do-sol. O contato com a presença de fermento na casa de um gentio poderia excluir um judeu da Páscoa (Êx 12.19; 13.7). João contrasta esse zelo dos judeus com o que estão fazendo ao Filho de Deus. 13 Com a morte de Herodes em 4 a.C., a Judéia viveu um clima político de anarquia, em que qualquer rebelde podia se autoproclamar rei. Se Jesus fosse um rei desse tipo, teria havido uma batalha sangrenta, quando os soldados vieram prendê-lo no olival. 14 Uma passagem na Mishna (lei escrita dos judeus) indica que o cordeiro pascal podia ser sacrificado em favor de pessoas que não teriam condições de comê-lo. A lista incluía um prisioneiro gentio. 15 “Bandido” ou “salteador” (em grego lestes, assaltante de estrada). O termo significa “um rebelde zelote”. O mesmo termo é usado em Mc 15.27 e Mt 27.38 para identificar os dois homens crucificados com Jesus. Barrabás era líder de bandidos (em grego archilestes) Mc 15.7; e muito conhecido (em grego episêmos) Mt 27.16. Capítulo 19 1 Para ridicularizar a Jesus, os soldados o vestiram com uma capa do exército, à guisa de manto real. Teceram uma coroa de ramos de tamareira, cujos espinhos causavam dores terríveis.

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Pilatos cede ao clamor dos judeus 5 Então, assim que Jesus veio para fora, usando a coroa de espinhos e a capa de púrpura, disse Pilatos ao povo: “Eis o homem!”. 6 Ao verem-no, os chefes dos sacerdotes e os guardas gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Mas Pilatos contestou-os dizendo: “Levai-o vós outros e crucificai-o. Pois eu não encontro nele culpa alguma.”. 7 Responderam-lhe os judeus: “Nós temos uma Lei e, conforme essa Lei, Ele deve morrer, pela blasfêmia de se declarar Filho de Deus.”. 8 Entretanto, ao ouvir essa alegação, Pilatos ficou ainda mais atemorizado, 9 e, voltando para dentro do Pretório, interrogou a Jesus: “De onde vens tu?”. Todavia, Jesus não lhe deu qualquer resposta. 10 Então Pilatos o advertiu: “Tu te negas a responder-me? Não sabes que eu tenho autoridade para te libertar e poder para te crucificar?”. 11 Ao que Jesus lhe afirmou: “Não terias qualquer poder sobre mim, se não te fosse dado de cima. Por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado ainda maior.”.3 12 Desse momento em diante, Pilatos procurou libertar Jesus, mas os judeus

o ameaçaram exclamando: “Se deixares esse homem em liberdade, não és amigo de César; pois todo aquele que se faz rei é contra César.”. 13 Quando Pilatos ouviu esse clamor dos judeus, trouxe Jesus para fora, no tribunal, e sentou-se no trono do juiz,4 em um lugar conhecido como Pavimento de Pedra, mas em aramaico é Gábata. 14 E esse era o Dia da Preparação, a sextafeira da semana da Páscoa, por volta da hora sexta,5 quando, então, Pilatos declarou aos judeus: “Eis aqui o vosso rei!”. j q 15 Eles porém, exclamavam: “À morte! À morte! Crucifica-o!”. Então, Pilatos lhes perguntou: “Devo crucificar o vosso rei?” E os chefes dos sacerdotes lhe responderam: “Não temos rei, senão César!”.6 16 Diante disso, Pilatos entregou Jesus para ser crucificado. Em seguida os carrascos se apoderaram de Jesus e o levaram para fora. A crucificação de Cristo
Mt 27.32-44; Mc 15.21-32; Lc 23.26-43

E assim, carregando sua própria cruz, Jesus saiu para um lugar chamado Calvário,7 Gólgota em aramaico, 18 onde o crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no centro. 19 Então Pilatos mandou escrever uma
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2 Os soldados se perfilavam e cada um, zombando, o agredia com um violento tapa no rosto (em grego rhapisma). 3 Pilatos percebe em Jesus o que os romanos chamavam de theios anêr (homem com qualidades divinas) e tenta camuflar sua r

insegurança com autoritarismo. Todo poder tem procedência divina (em grego anothen – de cima) Pv 8.15. O verbo “entregar” (em grego paradidomi) foi usado para descrever o ato traidor de Judas, e agora, de Caifás, que recebera de Deus, privilégios e responsabilidades de um sumo sacerdócio. 4 O tribunal era uma plataforma mais alta (em grego bêma) com uma cadeira vistosa em que o magistrado romano se sentava quando exercia suas funções judiciais. Pilatos teria presidido todo o julgamento desse local, não fosse a insistência dos religiosos judeus para não entrarem no Pretório a fim de evitarem a contaminação. 5 Próximo ao meio-dia. Na época, romanos, gregos e judeus, calculavam as horas a partir do nascer do sol. Parasceve (em grego judaico, paraskevê) recebeu o significado de “véspera do sábado”; sexta-feira. 6 Pilatos conseguiu fazer os judeus mais religiosos exclamarem que não tinham outro rei, senão o imperador romano César. Mas João enfatiza que coube ao próprio Pilatos proclamar para a História que Jesus é o Rei. Além disso, João vê um profundo significado nas muitas coincidências ocorridas; por exemplo, na época e hora do julgamento, condenação e execução de Jesus. Segundo a Mishna (lei codificada e escrita dos judeus), quando a Páscoa caía na véspera de um sábado, o holocausto da tarde era realizado às 12h30 e oferecido às 13h30 (duas horas antes do tradicional); depois disso, era sacrificado o cordeiro pascal. 7 “Calvário” vem do latim calvaria e significa caveira, o uso desse termo procede da Vulgata. No original, a expressão é aramaica gulgotta, mas em hebraico é gulgoleth. Os “pais da Igreja” viram, no ato de Isaque carregando a lenha para o holocausto (Gn 22.6), o antítipo (tipo ou figura) de Jesus carregando sua cruz. Ao afirmar que o próprio Jesus carregou sua cruz, João não contradiz os demais Evangelhos (Sinóticos), ao contrário, ele enfatiza que Jesus foi senhor da situação, o tempo todo. Embora conduzido para o local da execução, Ele caminha com seus carrascos como quem está cumprindo uma missão e não como vítima relutante.

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placa8 e pregá-la no alto da cruz, com os seguintes dizeres:
JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.
20 Muitos dos judeus leram a placa de Jesus, pois o lugar em que Ele foi crucificado ficava próximo da cidade, e a placa estava escrita em aramaico, latim e grego. 21 Os chefes dos sacerdotes dos judeus discordaram de Pilatos, dizendo: “Não escrevas: ‘O Rei dos Judeus’, mas sim que esse homem se dizia rei dos judeus.”. 22 Todavia Pilatos lhes asseverou: “O que escrevi, escrevi.”.9 23 Após haver crucificado Jesus, os soldados tomaram-lhe as vestes e as dividiram em quatro partes, uma para cada um deles, sobrando a túnica. Esta, entretanto, era sem costura, tecida numa única peça, de alto a baixo. 24 Comentaram, assim, uns com os outros: “Não convém rasgá-la, mas vamos decidir, por sorteio, quem ficará com ela.”. Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura ao declarar: “Dividiram as minhas vestes entre si, e tiraram sortes pela minha túnica.”.10 E assim procederam os soldados.

mãe, a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. 26 Quando Jesus, contudo, viu sua mãe e junto a ela o discípulo a quem Ele amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho!”.11 27 Em seguida, disse Jesus ao seu discípulo: “Eis aí a tua mãe!”. E daquele momento em diante, o discípulo amado a recebeu como parte de sua família.12 Está tudo consumado
Mt 27.45-56; Mc 15.33-37; Lc 23.44-46

Mais tarde, sabendo Jesus que tudo já estava concluído, para que a Escritura se cumprisse, disse: “Tenho sede!”13 29 Próximo havia um cântaro cheio de vinagre; então embeberam uma esponja com vinagre, a colocaram na ponta de uma vara de hissopo,14 e a ergueram até à boca de Jesus. 30 Então, assim que experimentou o vinagre, exclamou Jesus: “Está consumado!”. E, inclinando a cabeça, entregou seu espírito.15
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A mãe e os amigos junto à cruz 25 Próximo à cruz de Jesus estavam sua

Jesus foi traspassado 31 E, porque era o Dia da Preparação da Páscoa, véspera de um Sábado especialmente sagrado,16 os judeus não admitiam que os corpos ficassem na cruz durante

8 Era costume escrever numa placa o crime do qual o condenado fora culpado e afixá-la sobre a cabeça ou prendê-la ao redor do pescoço. “Placa” em latim é titulus. Pilatos pensou em uma frase que irritasse os sacerdotes judeus, e ordenou a confecção da placa de Jesus nas principais línguas do mundo na época: o hebraico (ou aramaico), língua comum dos judeus da Palestina; o latim, língua do poder militar romano; e o grego, língua de comunicação cultural entre as províncias orientais do Império Romano e o restante do mundo. 9 João ressalta o caráter simbólico da inscrição na placa: é pela cruz que Jesus se torna o Rei Messiânico, e esse fato deve ser anunciado ao mundo. Os sumo sacerdotes judeus não conseguiram compreender o que estava ocorrendo, e Pilatos transformouse em “profeta inconsciente” ao reafirmar majestosamente: “O que escrevi, escrevi” (o que disse, está dito para sempre). 10 (Sl 22.18). A túnica sem costura (em grego chitôn) tem sido interpretada de maneira alegórica, desde Josefo e Fílon, como uma referência à unidade dos homens em Cristo. João admira-se da riqueza de acontecimentos relacionados ao que Jesus havia predito e às profecias registradas nas Escrituras. 11 O vocativo grego gynai usado por Jesus ao dirigir-se à sua mãe é de difícil tradução. Entretanto, como em 2.4, é claro o amor i e respeito de Jesus por sua mãe. 12 A tradição da Igreja indica que o “discípulo amado” foi João, o autor deste Evangelho; e que José, marido de Maria, já havia morrido. 13 Jesus tinha consciência de que estava cumprindo mais uma profecia (Sl 69.21; Sl 22.15). 14 “Vara de hissopo”: p p planta de folhas aveludadas, q crescem em varas com cerca de um metro, identificada com a manjedoura e que j usada nas aspersões rituais (Lv 14.4; Sl 51.9). É mais um simbolismo litúrgico-pascal, que João faz questão de destacar (Êx 12.22). 15 Jesus “entregou” seu espírito, morrendo voluntariamente (10.18). Não como apenas mais um mártir da História, mas como sacrifício aceitável a Deus (Is 53.10). 16 Era a coincidência do sábado da semana com o dia da Páscoa, que ainda ocorre no calendário judaico, de tempos em tempos. Segundo a Lei dos judeus, um corpo não poderia ficar exposto em um poste depois do pôr-do-sol (Dt 21.22ss).

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o sábado. Pediram, então, a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e retirar seus corpos. 32 Sendo assim, vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e em seguida do outro homem que com Jesus haviam sido crucificados. 33 Mas quando se aproximaram de Jesus e viram que Ele já estava morto, não lhe quebraram as pernas. 34 Contudo, um dos soldados perfurou o lado de Jesus com uma lança, e imediatamente brotou sangue e água.17 35 E aquele que a isso presenciou, disso deu seu testemunho; e o seu depoimento é verdadeiro. Pois ele está consciente de que está relatando a verdade para que também vós creiais.18 36 E todas essas coisas ocorreram para que se cumprisse a Escritura: “Nenhum dos seus ossos será quebrado.”19 37 E mais ainda, como diz a Escritura em outra passagem: “Olharão para Aquele a quem traspassaram.”.20 Jesus é sepultado
Mt 27.57-60; Mc 15.42-46; Lc 23.50-54

Jesus. E Pilatos concedeu a ele permissão. Então José de Arimatéia veio e retirou o corpo de Jesus. 39 Nicodemos, aquele que havia dialogado com Jesus durante a noite, veio também, trazendo cerca de cem libras21 de uma mistura de mirra e aloés. 40 Assim, pegaram o corpo de Jesus e o envolveram em faixas de linho, juntando as especiarias, conforme a tradição judaica22 de sepultamento. 41 No lugar onde Jesus fora crucificado, havia um jardim, e no jardim, um sepulcro novo, onde ninguém jamais havia sido colocado. 42 E assim, sepultaram Jesus ali, por ser o Dia da Preparação dos judeus, e considerando que o sepulcro ficava próximo.23 Jesus não está no sepulcro
Mt 28.1-10; Mc 16.1-8; Lc 24.1-12

Algum tempo mais tarde, José de Arimatéia, que era um discípulo de Jesus, ainda que secretamente, por causa do medo que tinha dos judeus, rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de
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Ao amanhecer o primeiro dia da semana,1 estando ainda meio escuro, Maria Madalena foi ao sepulcro e viu que a pedra que fechava a entrada havia sido removida. 2 Então saiu correndo em busca de Simão Pedro e do outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: “Eles tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!”. 3 Imediatamente Pedro saiu em direção

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17 Essa é uma das evidências da completa humanidade de Jesus e que, simbolicamente, aponta para a água batismal e o vinho-sangue da Ceia (1Jo 1.7; 5.6-8). 18 Conforme a tradição judaica, João poderia ter considerado o aval de uma segunda testemunha, para reconhecer a total veracidade dos fatos narrados. É possível que Tiago, irmão de João, martirizado por Herodes Agripa em 44 a.D. (At 12.2), tenha sido co-autor desse testemunho. 19 Êx 12.46; Nm 9.12; Sl 34.20. 20 Assim como percebe o cumprimento de uma profecia no fato de as pernas de Jesus não terem sido quebradas, João cita o texto profético de Zc 12.10, ao ver os soldados perfurarem o lado de Jesus. Leia Zc 9 a 14 e note a alternância dos pronomes “eu” e “ele”. 21 Ou cerca de 34 quilos. A libra (em grego litra) equivale a pouco mais de 300 gramas. Tanto José de Arimatéia como Nicodemos eram ricos, fariseus e membros do supremo tribunal dos judeus. 22 Os romanos só entregavam o corpo de um executado aos parentes mais próximos, entretanto, jamais quando a condenação fosse por sedição, como no caso de Jesus. Por outro lado, mesmo que essas especiarias não fossem tão caras quanto o “nardo puro” usado por Maria de Betânia (12.3-5), uma quantidade tão grande só era vista em sepultamentos da realeza. 23 O tempo urgia, foi preciso fazer o sepultamento de Jesus muito rápido, pois o pôr-do-sol daria início ao sábado. Constantino descobriu esse túmulo em 325 a.D. e o chamou de “edícula”, que significa “caverna”. Capítulo 20 1 O domingo, “dia do Senhor” (Ap 1.10), pois Cristo ressuscitou nesse dia (At 20.7; 1Co 16.1,2). Maria Madalena ou Magdala, por ser dessa cidade, localizada no lado ocidental do lago da Galiléia; mulher de posses, tornou-se uma discípula líder desde que foi salva por Jesus (Lc 8.2; 23.49,55; 24.10).

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ao sepulcro, acompanhado pelo outro discípulo. 4 Ambos corriam juntos, entretanto, o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5 E inclinando-se, viu as faixas de linho ali, mas não entrou. 6 Em seguida, chegou Simão Pedro, que vinha logo atrás dele. Pedro entrou no sepulcro e também viu as faixas de linho, 7 bem como o lenço2 que estivera em volta da cabeça de Jesus, e que não estava com as faixas de linho, mas dobrado à parte. 8 Então o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, também entrou. Este viu e creu. 9 Contudo, eles ainda não haviam entendido que, de acordo com a Escritura,3 era necessário que Jesus ressuscitasse dos mortos. 10 E assim foram os discípulos outra vez para suas casas.4 Jesus ressuscitou e vive! 11 Por outro lado, Maria continuava do lado de fora do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se, para olhar dentro do sepulcro, 12 e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13 Então os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?”. Ela lhes respondeu:

“Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o colocaram.”. 14 Assim que disse isso, olhou para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Ele. 15 E Jesus perguntou-lhe: “Mulher,5 por que estás chorando? A quem procuras?”. Maria, imaginando que fosse o jardineiro, rogou-lhe: “Se tu o tiraste daqui, dizeme onde o colocaste, e eu o levarei.”. 16 Então Jesus a chamou: “Mariâm!” Ela, voltando-se, exclamou também em aramaico: “Rabôni!” (que quer dizer Mestre).6 17 Recomendou-lhe Jesus: “Não me segures, pois ainda não voltei para o Pai. Mas vai, e ao encontrar meus irmãos, dize-lhes assim: ‘estou ascendendo ao meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus’.”. 18 E assim foi Maria Madalena e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”. E contou-lhes tudo o que o Senhor lhe dissera. Cristo abençoa com seu Espírito
Lc 24.36-49

Então, ao entardecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos a portas trancadas, por medo das autoridades judaicas. Jesus apareceu, pôs-se no meio deles e disse: “A paz seja convosco!”.7 20 Enquanto falava aos discípulos, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos ficaram muito alegres ao verem o Senhor.
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2 A palavra grega traduzida por “lenço” (soudarion) é um estrangeirismo procedente do latim (sudarium) e identifica uma peça de pano usada para enxugar o suor (Lc 19.20; At 19.12) do rosto e envolver a cabeça dos mortos, como ocorreu com Lázaro (11.44). 3 A Escritura (em grego, graphê). 4 “Para casa” (em grego, pros autous – “para eles”), praticamente sinônimo de eis ta idia (19.27). 5 “Mulher” (em grego gynai, vocativo de gynê) era uma forma gentil e respeitosa de se dirigir a uma jovem senhora; algo como “cara senhora” ou “madame”. 6 Maria (em aramaico Mariâm). Ela o saúda em aramaico (Rabôni – Mestre), uma forma mais enfática e honrosa do que o i tradicional “rabino”. O mesmo título dado por Bartimeu a Jesus em Mc 10.51. A atitude de Maria em cuidar, logo ao alvorecer, para que o corpo de Jesus recebesse um lugar digno de descanso, mostra que ela era uma mulher de iniciativa e posses (como sugere Lc 8.2s); ela estava disposta a pagar pelo trabalho e outras despesas necessárias. 7 “A paz seja convosco” (em hebraico, Shâlôm âleikhem; e em árabe, Salaam ‘alaikum). Uma saudação comum entre amigos, mas que agora fazia todo o sentido, e fez que os discípulos recordassem as promessas de Jesus (14.27; 16.22; Lc 24.36ss). O novo corpo de Jesus lhe permitia atravessar a matéria sem ser um fantasma. Jesus preocupou-se em demonstrar aos discípulos que eles não estavam sofrendo uma alucinação coletiva.

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E Jesus lhes disse mais uma vez: “A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, Eu também vos envio.”. 22 E, tendo dito isso, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. 23 Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais mantiverdes ser-lhes-ão mantidos.”.8
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Creia em Jesus, o Filho de Deus 30 Verdadeiramente Jesus realizou, na presença dos seus discípulos, muitos outros milagres, que não estão escritos neste livro. 31 Estes, entretanto, foram escritos para que possais acreditar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu Nome.10 Jesus aparece na praia e ensina Algum tempo depois, Jesus apareceu de novo aos seus discípulos, à margem do mar de Tiberíades.1 2 Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e mais dois dos seus discípulos, estavam juntos. 3 Simão Pedro disse-lhes: “Vou pescar.”. E eles o encorajaram: “Nós vamos contigo também.”. Saíram, e logo entraram no barco, mas naquela noite nada pegaram. 4 Entretanto, ao clarear da manhã, estava Jesus na praia; mas os discípulos não perceberam que era Ele. 5 E Jesus lhes perguntou: “Moços!2 tendes aí alguma coisa para comer?”. E eles lhe responderam: “Não!”. 6 Então Jesus orientou-os: “Lançai a rede do lado direito do barco e encontrareis.”. Assim eles o fizeram, e logo não conseguiam recolher a rede, por causa da abundância de peixes. 7 Diante disso, o discípulo a quem Jesus p q amava disse a Pedro: “É o Senhor!”. Assim

Felizes os que não viram e creram 24 Contudo, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando Jesus apareceu. 25 Os outros discípulos, no entanto, anunciaram-lhe: “Nós vimos o Senhor!”. Mas ele respondeu-lhes: “Se eu não vir as marcas dos pregos nas suas mãos, não colocar o meu dedo onde estavam os pregos e não puser a minha mão no seu lado, não acreditarei.”. 26 Após oito dias, os discípulos estavam reunidos ali outra vez, e Tomé estava com eles. As portas estavam trancadas; quando Jesus apareceu, pôs-se no meio deles e disse: “A paz seja convosco!”. 27 Então dirigiu-se a Tomé, dizendo: “Coloca o teu dedo aqui; vê as minhas mãos. Estende tua mão e coloca-a no meu lado. Agora não sejas um incrédulo, mas crente.”. 28 E Tomé confessou a Jesus: “Meu Senhor e meu Deus!”.9 29 Ao que Jesus lhe afirmou: “Tomé, porque me viste, acreditaste? Bem-aventurados os que não viram e creram!”.

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8 João usa o verbo grego apostellõ, indicando que os discípulos, agora, são efetivamente apóstolos, no sentido de “enviados” (17.18). A missão do Filho é confiada a eles, pois Jesus está retornando ao Pai. A plenitude do Espírito de Cristo para o desempenho da missão agora é entregue a eles através do “sopro” (em grego, emphysaô) de Jesus. É o mesmo verbo usado quando Deus soprou o fôlego da vida no homem (Gn 2.7) e também na ordem dada ao Espírito (em grego, pneuma) em Ez 37.9. Essa não foi uma antecipação do Pentecostes (At 2.1-21), mas uma dádiva real do Espírito Santo com o objetivo de capacitar os discípulos, para o ministério a seguir. Quanto aos pecados, estes serão mantidos (ou retidos), se as pessoas que ouvirem a proclamação do Evangelho não se arrependerem e não receberem o Espírito Santo. 9 Expressão de convicção absoluta. O Homem da Palavra era Deus! O mesmo clímax de Mc 15.39. 10 João foi testemunha ocular da vida e obra de Jesus de Nazaré, o Cristo (o Messias), Filho de Deus. A paixão e missão de João foi ver o mundo compreendendo essa verdade e vivendo, com fé em Jesus, pelo poder do Espírito Santo, nosso Advogado (3.36; 14.15-21). Capítulo 21 1 Somente neste Evangelho, o lago conhecido como mar da Galiléia é chamado de Tiberíades. João entregou este epílogo à Igreja como seu magnum opus. 2 “Moços” (em grego, paidia), uma expressão coloquial de companheirismo, assim como “filhos”, “jovens” ou “rapazes”.

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16 Outra vez Jesus lhe perguntou: “Simão,

que Simão Pedro ouviu que era o Senhor, vestiu sua túnica,3 pois a havia tirado, e lançou-se ao mar. 8 Mas os outros discípulos vieram no pequeno barco, arrastando a rede com os peixes; pois não estavam longe da praia, senão uns duzentos côvados.4 9 Então, assim que saltaram em terra viram ali uma fogueira, peixe sobre brasas, e um pouco de pão. 10 E Jesus lhes pediu: “Trazei alguns dos peixes que acabastes de pegar.”. 11 Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a terra. Ela estava cheia, com cento e cinqüenta e três grandes peixes. E mesmo com tantos peixes, a rede não se rompeu. 12 Então Jesus os convidou: “Vinde e tomai vosso desjejum.”.5 E nenhum dos discípulos tinha coragem de indagar-lhe: “Quem és tu?”, pois sabiam que era o Senhor. 13 Jesus aproximou-se, pegou o pão e o deu a eles, tomou um peixe e fez o mesmo. 14 E essa foi a terceira vez que Jesus apareceu aos seus discípulos, depois de haver ressuscitado dos mortos. Pedro é restaurado por Jesus 15 Assim, após tomarem o desjejum, Jesus questionou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes outros?”6 Respondeu ele: “Sim, Senhor, Tu sabes que te amo.” Jesus o encarregou: “Cuida dos meus cordeiros.”.

filho de João, tu me amas?”. Ele afirmou: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.” Jesus lhe confiou: “Pastoreia as minhas ovelhas.”. 17 Pela terceira vez Jesus perguntou: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Pedro ficou angustiado por Jesus haver-lhe perguntado pela terceira vez “tu me amas”, e assegurou-lhe: “Senhor, Tu conheces todas as coisas e sabes que eu Te amo!”. Comissionou-o Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas. 18 Em verdade, em verdade Eu te afirmo: quando eras mais jovem, tu te vestias a ti mesmo e ias para onde desejavas; mas quando chegares à velhice, estenderás as mãos e outra pessoa te vestirá e te conduzirá para onde tu não queres ir.”. 19 Isso falou Jesus, significando o tipo de morte7 com a qual Pedro iria glorificar a Deus. E assim que terminou de proferir essas palavras, acrescentou: “Segue-me!”. O discípulo amado e este livro 20 Pedro voltou-se e viu que o discípulo a quem Jesus amava os acompanhava. (Este era o que estivera ao lado de Jesus durante a ceia e perguntara: “Senhor, quem te irá trair?”). 21 Assim que Pedro o viu, perguntou a Jesus: “Senhor, mas quanto a este homem?”.8 22 Então Jesus lhe respondeu: “Se Eu de-

3 Pedro havia tirado sua capa externa; uma espécie de casaco de linho, típico dos pescadores da região naquele tempo, usado por cima das vestes internas. 4 O côvado era uma medida linear equivalente a 45 cm. Portanto, o barco estava a menos de 100 metros da praia. 5 A palavra grega ariston (desjejum) indica que os discípulos ainda não haviam tomado uma refeição. Jesus alimenta seus discípulos da mesma maneira como alimentara a multidão à beira desse lago (6.8-10). Diz a tradição que as letras da palavra grega ICHTHYS (peixe) eram consideradas um acróstico para a expressão Iesous CHristos Theou HYos Sõter, “Jesus Cristo, de Deus o Filho, Salvador”. 6 A pergunta de Jesus é reflexiva: “Tu me amas mais do que estes outros me amam?” A resposta lógica seria “não”, pois como Pedro poderia saber o quanto os outros discípulos amavam a Jesus? Entretanto, Pedro havia pensado, no cenáculo, diante da perplexidade dos demais, que amava a Jesus mais do que todos, e havia assegurado que daria a própria vida por Jesus. Mas depois se acovardou; e ressentia-se profundamente disso. Jesus o perdoa, ensina-o a ser um “subpastor” por amor ao Supremo Pastor e ao rebanho (Igreja) de Cristo (1Pe 2.23; 5.2-4) e o reconduz ao ministério. 7 Pedro seguiria Jesus até na maneira como glorificaria o Pai (12.33). De fato, Clemente de Roma (96 d.C.) afirma que Pedro foi martirizado. Tertuliano (212 a.D.) acrescenta que, quando Pedro estava para ser amarrado na cruz, fora vestido por outra pessoa; e Eusébio escreve que Pedro insistira em que não era digno de ser crucificado do mesmo modo que Jesus e pedira que o fosse de cabeça para baixo. Enfim, Pedro conseguiu cumprir sua atestação em 13.37. 8 Agora, espiritualmente restaurado e com uma nova missão, Pedro olha para trás e preocupa-se com o futuro do seu amigo.

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sejar que ele fique vivo até que Eu volte,9 o que te importa? Entretanto, quanto a ti, segue-me!”. 23 Por esse motivo, tornou-se conhecido entre os irmãos o rumor de que aquele discípulo não passaria pela morte. Ora, Jesus não disse que ele não morreria, mas sim: “Se Eu desejar que ele fique vivo até que Eu volte, o que te importa?”.10

Este é o discípulo que testemunha a respeito desses acontecimentos e que os escreveu; e sabemos que o seu testemunho é conforme a verdade.11 25 Jesus realizou ainda muitas outras maravilhas. Se todas elas fossem escritas uma por uma, acredito eu que nem mesmo o mundo inteiro seria capaz de conter os livros que se escreveriam.12
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9 Jesus não prometeu que João permaneceria com vida até sua “volta” (em grego, parousia – a Segunda Vinda); mas sim, que se essa fosse a sua vontade, ou se Ele prolongasse os anos de vida de João na terra, isso não deveria ser do conhecimento de João, muito menos de Pedro. Por sua vez, Jesus ensinou os discípulos e a Igreja a se prepararem para a parousia, que pode ocorrer a qualquer momento (1Ts 4.13-18; 1Jo 3.3). 10 Por volta de 95 d.C., João foi exilado pelo imperador Domiciano na Ilha de Patmos, onde escreveu o livro de Apocalipse (Ap 1.9). Morreu em idade avançada e foi sepultado em Éfeso. 11 A comunidade que recebeu o escrito testemunha e afiança a vida e a obra do autor deste Evangelho: João, o discípulo a quem Jesus amava. 12 A intenção do evangelista é levar seus leitores para muito além das letras e dos registros históricos, a fim de que reconheçam em Jesus o Verbo (Palavra) de Deus, feito pessoa humana, para a salvação eterna de todo aquele que nele crer (1.14; 3.16; Ap 12.10).

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