ISSN: 1981-3031

LEITURA PARA FRUIÇÃO E LETRAMENTO LITERÁRIO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA FORMAÇÃO DE LEITORES

Antonieta Mírian de Oliveira Carneiro Silva(UFAL) 1 Maria Inez Matoso Silveira (PPGE-UFAL)2
Resumo: A leitura atende a fins diversos e, entre estes, a fruição. A leitura literária tem sido objeto de estudo e pesquisa na Educação. Entretanto, nas práticas pedagógicas, os gêneros literários têm exercido o papel de apêndice da gramática, do ensino e, quando não, vistos como passatempo ou associados ao mero prazer momentâneo, como se o texto não fosse uma produção social e cultural. Os alunos não leem porque não gostam, mas pelas condições que subjazem à relação leitor/texto que são, corriqueiramente, paralisantes e insignificantes. Nesse sentido, repensar e ressignificar as práticas pedagógicas com a leitura literária, necessariamente, implica na promoção do letramento literário uma discussão recente e que ainda não acontece com a devida importância. Neste ensaio, são abordados, à luz de autores como Bordini & Aguiar (1993), Cândido (1995), Cosson (2007), Zilberman (1989) dentre outros, o conceito, gênese e função social da literatura, bem como o letramento literário e seus postulados. Depois de apresentada uma proposta metodológica fundamentada no método recepcional, conclui-se o ensaio com um convite à reflexão sobre os desafios e as possibilidades da formação de leitores através da leitura literária na perspectiva do letramento. Palavras-chave: Leitura – Fruição - Letramento Literário- Formação de leitores

Introdução

Na sociedade hodierna, em que as informações circulam rapidamente e quase sempre associadas à imagem e à oralidade, tratar da leitura para fruição parece ser assunto anacrônico e paradoxal. Ledo engano! Esta é uma discussão imprescindível, visto que o homem interage no mundo porque é capaz de lê-lo de diferentes formas e com fins e sentidos diversos. Dentre as funções sociais da leitura que a escola deve contemplar em seus projetos e grades curriculares, está a função que diz respeito à fruição, ao deleite e à experiência estética da palavra. Há de se concordar com Silveira (2005, p.16) quando afirma que:

A leitura escolar deve contemplar o aspecto formativo de educando, estimulando-lhe a sensibilidade estética, a emoção, o sentimento [...] o texto literário tem muito a contribuir para o aprimoramento pessoal, para o

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Aluna especial da disciplina Leitura e Cognição do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFAL, período 2011/1. E-mail: amocsilva@hotmail.com. 2 Professora da disciplina Leitura e Cognição e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFAL. E-mail: mimatoso@uol.com.br.

nas práticas pedagógicas. linear. por ser tão sutil nos discursos dominantes. tal condição é consequência da atmosfera leitora reinante no seu contexto social. “Os defensores do mero prazer. e isso acaba por revelar a condição elitizada dada à literatura pela classe dominante. o seu valor e a sua função social. e . sem ela. pretexto para interpretações prontas e acabadas. mas é tão contundente nas políticas e nos programas de leitura e. 29). para tanto. No cotidiano da escola. à sala de aula. sacralizado e distante do contexto sociocultural. mormente. Há também os sujeitos para quem à literatura é objeto de luxo. Para muitos excluídos literariamente. A exclusão literária parece ser algo natural. p. não basta para a formação do leitor proficiente. como um bem inacessível e distante da realidade. pela forma como a literatura lhe é retratada na escola. paralisantes e insignificantes. por vezes. dificilmente o sujeito apropriar-se-á de tal proficiência. urge repensar concepções e redimensionar práticas vigentes quando se trata desse tipo de leitura. Na perspectiva do letramento literário. tornar o ensino e a aprendizagem da literatura uma prática significativa é urgente e necessário. vistos como mero passatempo. quando não. É um silêncio estratificado numa sociedade “não” leitora literária ou de leitores superficiais. A literatura precisa de um processo de “escolarização”. mas o aprendizado da compreensão e da ressignificação desses textos. são contraditórios. de características sensorial. a ausência da leitura literária em suas vidas dáse por falta de referências culturais. As pessoas não leem porque não gostam. os gêneros literários têm exercido o papel de apêndice da gramática e do ensino. Outro equívoco é associar a leitura literária ao mero prazer. Se somente a leitura para a fruição/literária. ou talvez. mais especificamente no da sala de aula. pois o único valor que atribuem à literatura é o reforço das habilidades linguísticas” (COSSON. O leitor proficiente não nasce pronto. por isso. essencialmente. há que se repensar o seu conceito. no que diz respeito à escola e. que sua falta vai deixando um triste rastro. inexistente. sem falar do constante desvelamento do mundo e da grande possibilidade que a leitura de determinada obra oferece. mas não de forma descaracterizada e negada sua função . 2007. principalmente. tendo prazer ou não pela leitura. o foco não é somente a aquisição de habilidades de ler gêneros literários. criativa. pois ninguém nasce gostando ou não de ler. mas. Nesse imbróglio. sobretudo. através da motivação de quem ensina e de quem aprende. Nessa direção estudos recentes apontam para o letramento literário – uma configuração especial de letramento – em que a literatura é compreendida de forma mais ampla.2 autoconhecimento. como se prazer ou desprazer pela leitura não fosse uma produção social e cultural. muitas vezes. mas pelas condições que subjazem à relação leitor/texto que são.

de maneira mais ampla possível. a creditada a Cândido (1995) atende aos objetivos dessa discussão: Chamarei de literatura. de qualquer credo. até as formas mais complexas e difíceis de produção das grandes civilizações (CÂNDIDO. 242). Mesmo sendo uma das tantas definições que existem. lenda. as crianças crescem. ficcional ou dramático. Portanto.Literatura: gênese. em outras palavras. p. o letramento literário e seus postulados. . 1 . é o uso social da literatura. dentro e fora do contexto escolar. mas humaniza em sentido profundo. em qualquer parte do mundo.3 social. ao contrário. de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. em todos os níveis de uma sociedade. p. todas as criações de toque poético. uma definição de literatura não é nada simples. porque faz viver com todas as contradições e vicissitudes que a vida oferece. “negar a fruição da literatura é mutilar nossa humanidade” (CÂNDIDO. fortalecimento e ampliação da educação literária oferecida aos alunos a fim de torná-los leitores proficientes. Diante de tal lugar na vida do homem. 235). com base em leituras e compilações bibliográficas e enfocará conceito. instiga a outras leituras e pesquisas. Nessa discussão apresentam-se algumas questões pertinentes: qual o papel do professor na formação do leitor? O que está subjacente à falácia “os alunos não gostam de ler”? Qual tem sido a função da leitura literária na escola? Como uma proposta de letramento literário pode contribuir na formação de leitores? Estas questões terão seus desdobramentos no decorrer deste ensaio. e os sentidos que têm a palavra literária são tantos quantos são os sentidos e os silêncios da vida. Salientamos que as discussões aqui postas não esgotam a temática. 1995. conceito e função Desde que o mundo é mundo. e as pessoas envelhecem. o letramento literário é uma estratégia metodológica no direcionamento. Nesse sentido. Impossível e insuportável seria a vida sem as possibilidades de transcendência que a literatura proporciona. desde o que chamamos folclore. havendo sempre a necessidade de todos os povos. por se tratar de arte feita de palavras. em todos os tipos de cultura. A literatura não faz o homem melhor e nem pior. gênese e função social da literatura. A conclusão é um convite à reflexão sobre os desafios e as possibilidades da leitura literária na formação de leitores na perspectiva do letramento. 1995.

4 Ainda de acordo com Cândido (op. podemos ser outros. 243). a literatura possibilita ao homem viver seus problemas de forma dialética. A linguagem literária não se contenta em fotografar os objetos. pois confirma o homem na sua humanidade. p. podemos romper os limites do tempo e do espaço de nossa experiência e.cit. a literatura como força humanizadora exerce três funções na expressão e formação do homem. e isso se dá porque a literatura é uma experiência a ser realizada. inclusive porque atua em grande parte no subconsciente e no inconsciente" (CÂNDIDO. Segundo a teoria estética da recepção. ao mesmo . 18). Por ter a função maior de tornar o mundo compreensível. pois a literatura é uma forma de representação de uma dada realidade social e humana. propor e denunciar. Segundo Campos (2003. p. Nesse sentido. tornando-se um "bem incompressível”. o texto literário tem função diversa da exercida pela linguagem verbal ao longo das rotinas cotidianas. No entanto. 1995. E. a terceira função que é a de conhecimento do mundo e do ser. E nesse sentido. sabores e formas intensamente humanas é que a literatura tem e precisa manter um lugar especial nas escolas (COSSON. p. podemos viver como os outros. 17). pois uma leitura literária nunca será a mesma: o leitor sempre terá algo a ressignificar. 2007. A primeira é a função psicológica e está ligada à necessidade de ficção e fantasia do ser humano e à capacidade de se reelaborar o real através da ficção. A prática da literatura consiste exatamente numa exploração das potencialidades da linguagem.13). No exercício da literatura. o texto literário é transformado num empobrecido sistema moralizante primário”.). odores. Ela diz o que somos e nos incentiva a desejar e a expressar o mundo por nós mesmos. como faz a própria vida. p. apoiar e combater. 2003. sermos nós mesmos. da palavra e da escrita. Desprovido da sua essência. É por isso que interiorizamos com mais intensidade as “verdades” dadas pela poesia e pela ficção. A segunda função é a formativa e se dá através de inculcamentos não maniqueístas. mas busca revelar o mundo em suas relações. a humanização é possível porque Ao confirmar e negar. “conhecimento e prazer fundem-se no texto literário. Ela adquire sua inteira dimensão quando o leitor lhe atribui sentido e a percebe enquanto objeto estético e não mais como mero artefato (Campos. transformando sua materialidade em palavras de cores. a discussão e a promoção do letramento literário são oportunidades e. ainda sim. dentro do currículo escolar tornam-se dicotômicos. por fim.

a linguagem literária compreende três tipos de aprendizagem. então. b) A aprendizagem sobre a literatura . emocional do leitor com o texto. c) A aprendizagem por meio da literatura . em seus estudos. pois há uma preocupação exacerbada com questões meramente teóricas e. por um lado. apresenta também estratégia metodológica a partir de práticas observadas em suas pesquisas. . mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita e a leitura”. No campo das produções teóricas brasileiras sobre o tema. decifração do código e interpretação. entretanto. sensorial. além do aparato teórico. destacam-se as contribuições do professor e pesquisador Rildo Cosson (2007) que. teoria e crítica.está relacionada aos saberes e às habilidades proporcionados aos usuários pela prática da literatura: ampliação do universo cultural do leitor através dos tantos temas humanos. sociais. visual. As discussões sobre o letramento literário nesse artigo estão fundamentadas e. prevalência dos didatismos nos currículos escolares. 2 – Letramento Literário: conceito e abordagens de seleção No Brasil. saindo da condição de mero expectador para a de leitor literário. as três etapas básicas do processo de leitura . tratados nos gêneros literários. mas dele se apropria efetivamente por meio da experiência estética. o saber literário associado à função humanizadora da literatura.cit).envolve os conhecimentos de história. com isso. pois há uma relação tátil.e. O letramento literário precisa acompanhar. filosóficos. O letramento literário seria visto. a literatura tem sido a grande vítima dos desgostos e dos fastios literários dos alunos. os sentimentos e a intimidade. dentre outros. a) A aprendizagem da literatura . Os itens “a” e “c” são imprescindíveis na formação do leitor literário .dá-se através da experiência estética do mundo por meio da palavra e instiga os sentidos. políticos. as Orientações Curriculares definem letramento como “estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever. Segundo Cosson (op. algumas abordagens compiladas.antecipação. são as oportunidades de aprendizagens mais negadas nas práticas docentes. como estado ou condição de quem não apenas é capaz de ler texto em verso e prosa. ideológicos.5 tempo. por outro. desafios no efetivo ensino e aprendizagem da literatura na perspectiva da humanização.

passa pelas condições de leitura oferecidas. o que seja mais determinante é o cabedal de leituras literárias do professor. tais como os ditames dos programas que determinam a seleção de textos de acordo com os fins educacionais: simples fluência da leitura nas séries iniciais. para além da simples diferença entre os textos. no ensino médio. pois existem alguns agravantes. como: a) Não desprezar a cânone. pois é nele que encontrará a herança cultural. talvez. 3 . Também não pode se apoiar apenas na contemporaneidade dos textos. precisa aplicar o princípio da diversidade entendido. E o letramento literário do professor? Pensemos nisso.. Como será a seleção de livros e de leituras numa proposta que visa o letramento literário? O letramento literário trabalhará sempre com o atual. A realidade da leitura literária nas escolas e nas práticas pedagógicas ainda aponta para muitos equívocos que travam o desenvolvimento do letramento literário dos alunos. Consideremos também as condições limitadas e precárias oferecidas para a leitura literária nas escolas. mas sim em sua atualidade. É essa atualidade que gera a facilidade e o interesse de leitura dos alunos. ratificação de determinados valores. onde tem lugar na escola. como os relatados abaixo. o trivial e o estético e toda miríade de textos que faz da leitura literária uma atividade de prazer e de conhecimentos singulares. Mas..O letramento literário e seus postulados Para a promoção do letramento literário. que vão desde a escassez de acervo até a ausência de bibliotecas ou mesmo de salas de leitura. o novo e o velho. seja ele contemporâneo ou não. é necessário que o professor selecione os gêneros a partir de alguns critérios. . é necessário ir além da simples leitura do texto literário e superar sofismas sobre leitura e literatura que ainda pert encem ao senso comum. b) Do mesmo modo. A seleção de textos literários pelas escolas e pelos professores parece que não tem contribuído significativamente para a ampliação do repertório de leitura dos alunos. o simples e o complexo. Para a efetivação do letramento literário. por sua vez.6 O prazer pela leitura literária passa pela interação significativa entre leitor e texto e esta. o conhecido e o desconhecido. incluindo a cultura nacional.

uma vez que implica interação e diálogo.7 Primeiramente. um ato solitário. Nesse caso. o ato físico de ler pode até ser solitário. Então. Bordini & Aguiar (1993) fizeram uma pesquisa acerca dos métodos de ensino de literatura e desenvolveram o Método Recepcional. 26). e grande parte deles são aprendidos na escola” (COSSON. a leitura literária é tratada como uma experiência mística. como os fatos. afasta ainda mais os neófitos leitores. se lemos as obras literárias fora da escola com prazer sem que nos sejam dadas instruções especiais. E não pode haver negação de outras formas de leitura – a oral. No sentido de que lemos apenas com os olhos . Outra pressuposição do senso comum é que ler é apenas um ato solitário. que consiste em colocar o aluno em contato com textos literários conhecidos e desconhecidos. A obra literária vista como objeto de contemplação. adoração e sacralidade.Método recepcional A teoria da Estética da Recepção considera o sentido um efeito experimentado pelo leitor. mas a interpretação é um ato solidário (op.a leitura é. p. 4 .cit). Os livros. Nessa perspectiva. o leitor deve vivenciar esquemas de textos que o levem a ampliar seus horizontes de expectativas e suas habilidades com a leitura literária. mas o significado nunca deixa de ser solidário. simples e complexos. já que o texto lhe causa estranhamento e o faz construir sentidos.Proposta metodológica .a decodificação . pois a verbalização do que foi sentido ou compreendido apenas empobrece o diálogo íntimo entre o leitor e o texto. por que a escola precisa se ocupar de tal forma da leitura literária? O contraponto a este sofisma é que a nossa leitura fora da escola está fortemente condicionada pela maneira como ela nos ensinou a ler. Outro sofisma do senso comum é que é impossível expressar os sentimentos despertados através da leitura literária. por exemplo – que tende a ser um ato transitivo. jamais falam por si mesmos. uma epifania. acha-se que os livros falam por si mesmo ao leitor – afinal. de fato. triviais e estéticos. Tal alegação desconsidera que até as experiências místicas são de alguma maneira transmitidas por aqueles que a experienciam. . sempre discutindo os textos a partir das leituras e do interesse do grupo. novos e antigos. Para Zilberman (1989). “O que os fazem falar são os mecanismos de interpretação que usamos. 2007.

Este método em espiral parte do pressuposto que a formação leitora é processual. muitas vezes. O segredo maior da literatura é justamente o envolvimento único que ela nos proporciona num mundo feito de palavras.cognitivos. b) Atendimento do horizonte de expectativas – etapa em que serão proporcionadas à classe experiências com textos literários a partir do desejo dos alunos. as preferências. a fim de pensar em estratégias de ruptura e de ampliação. Ninguém nasce sabendo ou gostando de literatura. verificará os interesses dos alunos. agora. as ações pedagógicas devem ser planejadas de forma que ampliem a consciência dos alunos em relação à literatura e à vida. para que o aluno sinta-se seguro e motivado para continuar participando. assim. o estilo de vida. através de conversas informais. quais sejam: a) Determinação do horizonte de expectativas – etapa em que o professor. d) Questionamento do horizonte de expectativas – fase em que serão comparados os dois momentos anteriores. mais cerceiam do que ampliam os horizontes do leitor. Buscam-se textos literários e atividades que sejam prazerosas e atendam aos interesses imediatos. afetivos. Explorar ao máximo as potencialidades desse tipo de texto propicia condições para que o encontro do aluno com a literatura seja uma busca plena de sentido para ele e para a sociedade em que todos nós estamos inseridos. os resumos. os valores. verificando quais conhecimentos os alunos apropriaram-se. Este pode penetrar no texto de diferentes maneiras e explorá-lo sob os mais variados aspectos . A continuidade a etapa anterior se assemelhará no aspecto temático. partem para a busca de novos textos que atendam às suas expectativas. na estrutura ou linguagem. a simples leitura não garante fruição/prazer. estéticos e sociais. conscientes de suas novas possibilidades e com mais autonomia. e) Ampliação do horizonte de expectativas – etapa em que os alunos.8 O método recepcional valoriza o papel do leitor em todas as suas cinco etapas. nem as fichas de leitura meramente classificatórias. aprende-se! Como também. c) Ruptura do horizonte de expectativas – momento em que serão introduzidos textos que abalem as certezas dos alunos. mas. ampliadas no tocante a temas e composição mais complexos. . Arrematando ideias A leitura literária é um processo de comunicação que demanda respostas do leitor.

66). pois no ambiente escolar. “por meio do compartilhamento de suas interpretações. sobretudo. Mas. lê menos.9 A ausência da leitura literária. na perspectiva do letramento. nesse caso.relações com outros textos) e texto-mundo (relações estabelecidas entre o texto lido e os acontecimentos globais). (2007. e também ao professor. é preciso compartilhar a interpretação e ampliar os sentidos construídos individualmente. p. visto que os horizontes propostos pela literatura são ilimitados e suas interpretações. em grande parte. texto-texto (intertextualidade . o uso dos textos literários tem sido ineficaz e ineficiente. O letramento literário na escola se diferencia da leitura literária que fazemos independente da escola. numa proposta de letramento. porque nos fornece. a simples leitura. dada a natureza polissêmica da palavra literária. A leitura literária. ou as leituras à deriva. tem a função de ajudar ao aluno . segundo COSSON. Mas a condição de leitor autônomo está associada às estratégias aprendidas durante as vivências escolares. a contribuição da leitura literária na formação de leitores passa pela efetivação de práticas pedagógicas que tenham o letramento literário como eixo norteador. a leitura literária tem um caráter mais individual. aos outros a ao mundo através das conexões texto-leitor (relações com as experiências de vida do aluno/leitor). a ler melhor a si mesmo. compreende menos e mais se distancia da leitura literária. enquanto objeto de ensino com propósito de fomentar o exercício de reflexão e de formação de consciência crítica. Na escola. externa toda sua emoção e até convence a outras a pessoas a lerem. E não pode ser atribuída somente ao aluno a responsabilidade por tal distanciamento. A razão disso é que. infinitas. muito pouco contribui. pois está limitado a questões puramente pragmáticas e de ensinamentos didáticos e desconsidera as principais características e função social deste tipo de gênero. Nesse sentido. sobretudo na sala de aula. em que a interação/interpretação/ressignificação dá-se entre leitor e texto. do modo de ensinar e de aprender na escola. A leitura para fruição é importante não só porque contribui na formação do leitor criativo e autônomo. este cada vez mais. . não basta apenas o aluno ser “ledor”. as ferramentas necessárias para conhecer e interagir com proficiência com o mundo linguagem a partir do território da subjetividade.” Por isto. tem deixado lacunas e sequelas na formação do leitor. pois o aluno lê da maneira como lhe fo i ensinado e a competência leitora depende. como nenhuma outra leitura. Quando o leitor lê um livro e fica embevecido pelas palavras e estas aninhadas em sua memória. os leitores ganham consciência de que são membros de uma coletividade e de que essa coletividade fortalece e amplia seus horizontes de leitura.

São Paulo: Contexto. 3ª Edição. Maria Inês Batista. ed. 1989. 2. Maceió: EDUFAL.10 Referências BORDINI. 2005. Antônio. Estética da recepção e história literária. . SILVEIRA. São Paulo: Olho d’água. CÂNDIDO. Letramento Literário: teoria e prática. Porto Alegre: Mercado Aberto. Modelos Teóricos e estratégias de leitura de leitura: suas implicações no ensino. Vera Teixeira de. 1995. Vários Escritos. 1ª Edição. Maria Inez Matoso. COSSON. Rildo. Ensinar o prazer de ler. 1993. 2003. ZILBERMAN. O Direito à Literatura. 3ª Edição. Literatura: a formação do leitor: alternativas metodológicas. Regina. São Paulo: Ática. AGUIAR. São Paulo: Duas Cidades. Maria da Glória. CAMPOS. 2007.

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