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Leitura para fruição e letramento literário

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Published by: Lucila Bonina Teixeira Simões on Mar 20, 2012
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ISSN: 1981-3031

LEITURA PARA FRUIÇÃO E LETRAMENTO LITERÁRIO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA FORMAÇÃO DE LEITORES

Antonieta Mírian de Oliveira Carneiro Silva(UFAL) 1 Maria Inez Matoso Silveira (PPGE-UFAL)2
Resumo: A leitura atende a fins diversos e, entre estes, a fruição. A leitura literária tem sido objeto de estudo e pesquisa na Educação. Entretanto, nas práticas pedagógicas, os gêneros literários têm exercido o papel de apêndice da gramática, do ensino e, quando não, vistos como passatempo ou associados ao mero prazer momentâneo, como se o texto não fosse uma produção social e cultural. Os alunos não leem porque não gostam, mas pelas condições que subjazem à relação leitor/texto que são, corriqueiramente, paralisantes e insignificantes. Nesse sentido, repensar e ressignificar as práticas pedagógicas com a leitura literária, necessariamente, implica na promoção do letramento literário uma discussão recente e que ainda não acontece com a devida importância. Neste ensaio, são abordados, à luz de autores como Bordini & Aguiar (1993), Cândido (1995), Cosson (2007), Zilberman (1989) dentre outros, o conceito, gênese e função social da literatura, bem como o letramento literário e seus postulados. Depois de apresentada uma proposta metodológica fundamentada no método recepcional, conclui-se o ensaio com um convite à reflexão sobre os desafios e as possibilidades da formação de leitores através da leitura literária na perspectiva do letramento. Palavras-chave: Leitura – Fruição - Letramento Literário- Formação de leitores

Introdução

Na sociedade hodierna, em que as informações circulam rapidamente e quase sempre associadas à imagem e à oralidade, tratar da leitura para fruição parece ser assunto anacrônico e paradoxal. Ledo engano! Esta é uma discussão imprescindível, visto que o homem interage no mundo porque é capaz de lê-lo de diferentes formas e com fins e sentidos diversos. Dentre as funções sociais da leitura que a escola deve contemplar em seus projetos e grades curriculares, está a função que diz respeito à fruição, ao deleite e à experiência estética da palavra. Há de se concordar com Silveira (2005, p.16) quando afirma que:

A leitura escolar deve contemplar o aspecto formativo de educando, estimulando-lhe a sensibilidade estética, a emoção, o sentimento [...] o texto literário tem muito a contribuir para o aprimoramento pessoal, para o

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Aluna especial da disciplina Leitura e Cognição do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFAL, período 2011/1. E-mail: amocsilva@hotmail.com. 2 Professora da disciplina Leitura e Cognição e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFAL. E-mail: mimatoso@uol.com.br.

Se somente a leitura para a fruição/literária. há que se repensar o seu conceito. A literatura precisa de um processo de “escolarização”. 2007. pela forma como a literatura lhe é retratada na escola. muitas vezes. para tanto. sem falar do constante desvelamento do mundo e da grande possibilidade que a leitura de determinada obra oferece. sobretudo. no que diz respeito à escola e. mas não de forma descaracterizada e negada sua função . que sua falta vai deixando um triste rastro. por ser tão sutil nos discursos dominantes. são contraditórios. a ausência da leitura literária em suas vidas dáse por falta de referências culturais. O leitor proficiente não nasce pronto. Para muitos excluídos literariamente. de características sensorial. o foco não é somente a aquisição de habilidades de ler gêneros literários. inexistente. por isso. pois ninguém nasce gostando ou não de ler. vistos como mero passatempo. nas práticas pedagógicas. tornar o ensino e a aprendizagem da literatura uma prática significativa é urgente e necessário. urge repensar concepções e redimensionar práticas vigentes quando se trata desse tipo de leitura. Na perspectiva do letramento literário. linear. o seu valor e a sua função social. através da motivação de quem ensina e de quem aprende. paralisantes e insignificantes. não basta para a formação do leitor proficiente. “Os defensores do mero prazer. como se prazer ou desprazer pela leitura não fosse uma produção social e cultural. à sala de aula. essencialmente. mas. como um bem inacessível e distante da realidade. É um silêncio estratificado numa sociedade “não” leitora literária ou de leitores superficiais. 29). dificilmente o sujeito apropriar-se-á de tal proficiência. A exclusão literária parece ser algo natural. sacralizado e distante do contexto sociocultural. criativa. tendo prazer ou não pela leitura. e isso acaba por revelar a condição elitizada dada à literatura pela classe dominante.2 autoconhecimento. p. e . mas pelas condições que subjazem à relação leitor/texto que são. os gêneros literários têm exercido o papel de apêndice da gramática e do ensino. mas o aprendizado da compreensão e da ressignificação desses textos. Nessa direção estudos recentes apontam para o letramento literário – uma configuração especial de letramento – em que a literatura é compreendida de forma mais ampla. mais especificamente no da sala de aula. tal condição é consequência da atmosfera leitora reinante no seu contexto social. pretexto para interpretações prontas e acabadas. Há também os sujeitos para quem à literatura é objeto de luxo. quando não. As pessoas não leem porque não gostam. ou talvez. Nesse imbróglio. principalmente. pois o único valor que atribuem à literatura é o reforço das habilidades linguísticas” (COSSON. No cotidiano da escola. mas é tão contundente nas políticas e nos programas de leitura e. sem ela. mormente. por vezes. Outro equívoco é associar a leitura literária ao mero prazer.

todas as criações de toque poético. 242). instiga a outras leituras e pesquisas. o letramento literário é uma estratégia metodológica no direcionamento. 1 . . 1995. gênese e função social da literatura. p. fortalecimento e ampliação da educação literária oferecida aos alunos a fim de torná-los leitores proficientes. de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. 1995. A conclusão é um convite à reflexão sobre os desafios e as possibilidades da leitura literária na formação de leitores na perspectiva do letramento. em qualquer parte do mundo. Salientamos que as discussões aqui postas não esgotam a temática. porque faz viver com todas as contradições e vicissitudes que a vida oferece.3 social. de maneira mais ampla possível. e as pessoas envelhecem. ficcional ou dramático. em todos os níveis de uma sociedade. por se tratar de arte feita de palavras. e os sentidos que têm a palavra literária são tantos quantos são os sentidos e os silêncios da vida. dentro e fora do contexto escolar. em outras palavras. 235). o letramento literário e seus postulados. as crianças crescem. Diante de tal lugar na vida do homem. Mesmo sendo uma das tantas definições que existem. é o uso social da literatura. a creditada a Cândido (1995) atende aos objetivos dessa discussão: Chamarei de literatura. Nessa discussão apresentam-se algumas questões pertinentes: qual o papel do professor na formação do leitor? O que está subjacente à falácia “os alunos não gostam de ler”? Qual tem sido a função da leitura literária na escola? Como uma proposta de letramento literário pode contribuir na formação de leitores? Estas questões terão seus desdobramentos no decorrer deste ensaio. de qualquer credo.Literatura: gênese. A literatura não faz o homem melhor e nem pior. lenda. em todos os tipos de cultura. havendo sempre a necessidade de todos os povos. “negar a fruição da literatura é mutilar nossa humanidade” (CÂNDIDO. p. conceito e função Desde que o mundo é mundo. mas humaniza em sentido profundo. ao contrário. Portanto. até as formas mais complexas e difíceis de produção das grandes civilizações (CÂNDIDO. com base em leituras e compilações bibliográficas e enfocará conceito. desde o que chamamos folclore. uma definição de literatura não é nada simples. Impossível e insuportável seria a vida sem as possibilidades de transcendência que a literatura proporciona. Nesse sentido.

A linguagem literária não se contenta em fotografar os objetos. p. Por ter a função maior de tornar o mundo compreensível. como faz a própria vida. Nesse sentido. inclusive porque atua em grande parte no subconsciente e no inconsciente" (CÂNDIDO. A prática da literatura consiste exatamente numa exploração das potencialidades da linguagem. e isso se dá porque a literatura é uma experiência a ser realizada.4 Ainda de acordo com Cândido (op. podemos ser outros. Ela adquire sua inteira dimensão quando o leitor lhe atribui sentido e a percebe enquanto objeto estético e não mais como mero artefato (Campos.cit. No entanto. a literatura como força humanizadora exerce três funções na expressão e formação do homem. podemos romper os limites do tempo e do espaço de nossa experiência e. Segundo a teoria estética da recepção. o texto literário é transformado num empobrecido sistema moralizante primário”. A primeira é a função psicológica e está ligada à necessidade de ficção e fantasia do ser humano e à capacidade de se reelaborar o real através da ficção. pois a literatura é uma forma de representação de uma dada realidade social e humana. A segunda função é a formativa e se dá através de inculcamentos não maniqueístas. Ela diz o que somos e nos incentiva a desejar e a expressar o mundo por nós mesmos. 2003. dentro do currículo escolar tornam-se dicotômicos. o texto literário tem função diversa da exercida pela linguagem verbal ao longo das rotinas cotidianas. No exercício da literatura. ainda sim. Desprovido da sua essência. 17). por fim. sermos nós mesmos. p. odores. tornando-se um "bem incompressível”. “conhecimento e prazer fundem-se no texto literário. apoiar e combater. transformando sua materialidade em palavras de cores.13). p. p. a discussão e a promoção do letramento literário são oportunidades e. a literatura possibilita ao homem viver seus problemas de forma dialética. E nesse sentido. 243). Segundo Campos (2003. 2007. ao mesmo . a humanização é possível porque Ao confirmar e negar. 18).). pois confirma o homem na sua humanidade. 1995. E. da palavra e da escrita. podemos viver como os outros. sabores e formas intensamente humanas é que a literatura tem e precisa manter um lugar especial nas escolas (COSSON. mas busca revelar o mundo em suas relações. a terceira função que é a de conhecimento do mundo e do ser. propor e denunciar. É por isso que interiorizamos com mais intensidade as “verdades” dadas pela poesia e pela ficção. pois uma leitura literária nunca será a mesma: o leitor sempre terá algo a ressignificar.

e. por outro. o saber literário associado à função humanizadora da literatura. visual. algumas abordagens compiladas. pois há uma relação tátil. pois há uma preocupação exacerbada com questões meramente teóricas e. O letramento literário seria visto. filosóficos. apresenta também estratégia metodológica a partir de práticas observadas em suas pesquisas. sociais. os sentimentos e a intimidade. então. c) A aprendizagem por meio da literatura . desafios no efetivo ensino e aprendizagem da literatura na perspectiva da humanização. prevalência dos didatismos nos currículos escolares. 2 – Letramento Literário: conceito e abordagens de seleção No Brasil. saindo da condição de mero expectador para a de leitor literário. Os itens “a” e “c” são imprescindíveis na formação do leitor literário .dá-se através da experiência estética do mundo por meio da palavra e instiga os sentidos.envolve os conhecimentos de história.cit). emocional do leitor com o texto. a) A aprendizagem da literatura . teoria e crítica. dentre outros. a linguagem literária compreende três tipos de aprendizagem. sensorial. mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita e a leitura”. a literatura tem sido a grande vítima dos desgostos e dos fastios literários dos alunos. No campo das produções teóricas brasileiras sobre o tema. como estado ou condição de quem não apenas é capaz de ler texto em verso e prosa.está relacionada aos saberes e às habilidades proporcionados aos usuários pela prática da literatura: ampliação do universo cultural do leitor através dos tantos temas humanos. entretanto.5 tempo. ideológicos. O letramento literário precisa acompanhar. as Orientações Curriculares definem letramento como “estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever. decifração do código e interpretação. . em seus estudos. políticos. com isso. destacam-se as contribuições do professor e pesquisador Rildo Cosson (2007) que. são as oportunidades de aprendizagens mais negadas nas práticas docentes. Segundo Cosson (op. por um lado. as três etapas básicas do processo de leitura . tratados nos gêneros literários. mas dele se apropria efetivamente por meio da experiência estética.antecipação. b) A aprendizagem sobre a literatura . além do aparato teórico. As discussões sobre o letramento literário nesse artigo estão fundamentadas e.

o que seja mais determinante é o cabedal de leituras literárias do professor.O letramento literário e seus postulados Para a promoção do letramento literário. 3 . incluindo a cultura nacional. tais como os ditames dos programas que determinam a seleção de textos de acordo com os fins educacionais: simples fluência da leitura nas séries iniciais. pois é nele que encontrará a herança cultural. que vão desde a escassez de acervo até a ausência de bibliotecas ou mesmo de salas de leitura. . é necessário ir além da simples leitura do texto literário e superar sofismas sobre leitura e literatura que ainda pert encem ao senso comum. o novo e o velho. o simples e o complexo. E o letramento literário do professor? Pensemos nisso. Também não pode se apoiar apenas na contemporaneidade dos textos. como os relatados abaixo. o trivial e o estético e toda miríade de textos que faz da leitura literária uma atividade de prazer e de conhecimentos singulares. Consideremos também as condições limitadas e precárias oferecidas para a leitura literária nas escolas. A seleção de textos literários pelas escolas e pelos professores parece que não tem contribuído significativamente para a ampliação do repertório de leitura dos alunos.6 O prazer pela leitura literária passa pela interação significativa entre leitor e texto e esta.. por sua vez. o conhecido e o desconhecido. Mas. é necessário que o professor selecione os gêneros a partir de alguns critérios. para além da simples diferença entre os textos. Como será a seleção de livros e de leituras numa proposta que visa o letramento literário? O letramento literário trabalhará sempre com o atual. como: a) Não desprezar a cânone. onde tem lugar na escola. talvez. A realidade da leitura literária nas escolas e nas práticas pedagógicas ainda aponta para muitos equívocos que travam o desenvolvimento do letramento literário dos alunos. ratificação de determinados valores. É essa atualidade que gera a facilidade e o interesse de leitura dos alunos. mas sim em sua atualidade.. precisa aplicar o princípio da diversidade entendido. seja ele contemporâneo ou não. passa pelas condições de leitura oferecidas. Para a efetivação do letramento literário. pois existem alguns agravantes. b) Do mesmo modo. no ensino médio.

7 Primeiramente. Então. o leitor deve vivenciar esquemas de textos que o levem a ampliar seus horizontes de expectativas e suas habilidades com a leitura literária. por exemplo – que tende a ser um ato transitivo. 26). 2007. adoração e sacralidade.cit). por que a escola precisa se ocupar de tal forma da leitura literária? O contraponto a este sofisma é que a nossa leitura fora da escola está fortemente condicionada pela maneira como ela nos ensinou a ler. Nessa perspectiva. e grande parte deles são aprendidos na escola” (COSSON. A obra literária vista como objeto de contemplação. triviais e estéticos. No sentido de que lemos apenas com os olhos . pois a verbalização do que foi sentido ou compreendido apenas empobrece o diálogo íntimo entre o leitor e o texto. de fato. Nesse caso. . mas o significado nunca deixa de ser solidário. Bordini & Aguiar (1993) fizeram uma pesquisa acerca dos métodos de ensino de literatura e desenvolveram o Método Recepcional. Outro sofisma do senso comum é que é impossível expressar os sentimentos despertados através da leitura literária. o ato físico de ler pode até ser solitário. afasta ainda mais os neófitos leitores. jamais falam por si mesmos. novos e antigos. acha-se que os livros falam por si mesmo ao leitor – afinal. E não pode haver negação de outras formas de leitura – a oral.a leitura é. uma vez que implica interação e diálogo.Proposta metodológica . um ato solitário. a leitura literária é tratada como uma experiência mística. simples e complexos. como os fatos.a decodificação . que consiste em colocar o aluno em contato com textos literários conhecidos e desconhecidos. uma epifania. Outra pressuposição do senso comum é que ler é apenas um ato solitário. Os livros. p. se lemos as obras literárias fora da escola com prazer sem que nos sejam dadas instruções especiais. Tal alegação desconsidera que até as experiências místicas são de alguma maneira transmitidas por aqueles que a experienciam. mas a interpretação é um ato solidário (op. “O que os fazem falar são os mecanismos de interpretação que usamos. 4 . Para Zilberman (1989). sempre discutindo os textos a partir das leituras e do interesse do grupo.Método recepcional A teoria da Estética da Recepção considera o sentido um efeito experimentado pelo leitor. já que o texto lhe causa estranhamento e o faz construir sentidos.

os valores. Explorar ao máximo as potencialidades desse tipo de texto propicia condições para que o encontro do aluno com a literatura seja uma busca plena de sentido para ele e para a sociedade em que todos nós estamos inseridos. aprende-se! Como também. nem as fichas de leitura meramente classificatórias. b) Atendimento do horizonte de expectativas – etapa em que serão proporcionadas à classe experiências com textos literários a partir do desejo dos alunos. ampliadas no tocante a temas e composição mais complexos. o estilo de vida. verificará os interesses dos alunos. assim. através de conversas informais. a simples leitura não garante fruição/prazer. d) Questionamento do horizonte de expectativas – fase em que serão comparados os dois momentos anteriores.cognitivos. agora. estéticos e sociais. . as ações pedagógicas devem ser planejadas de forma que ampliem a consciência dos alunos em relação à literatura e à vida. muitas vezes. mas.8 O método recepcional valoriza o papel do leitor em todas as suas cinco etapas. verificando quais conhecimentos os alunos apropriaram-se. c) Ruptura do horizonte de expectativas – momento em que serão introduzidos textos que abalem as certezas dos alunos. Este método em espiral parte do pressuposto que a formação leitora é processual. mais cerceiam do que ampliam os horizontes do leitor. partem para a busca de novos textos que atendam às suas expectativas. quais sejam: a) Determinação do horizonte de expectativas – etapa em que o professor. e) Ampliação do horizonte de expectativas – etapa em que os alunos. afetivos. Buscam-se textos literários e atividades que sejam prazerosas e atendam aos interesses imediatos. A continuidade a etapa anterior se assemelhará no aspecto temático. conscientes de suas novas possibilidades e com mais autonomia. Arrematando ideias A leitura literária é um processo de comunicação que demanda respostas do leitor. Este pode penetrar no texto de diferentes maneiras e explorá-lo sob os mais variados aspectos . os resumos. O segredo maior da literatura é justamente o envolvimento único que ela nos proporciona num mundo feito de palavras. as preferências. na estrutura ou linguagem. Ninguém nasce sabendo ou gostando de literatura. a fim de pensar em estratégias de ruptura e de ampliação. para que o aluno sinta-se seguro e motivado para continuar participando.

porque nos fornece. Na escola. em grande parte. a simples leitura. e também ao professor. pois no ambiente escolar. a ler melhor a si mesmo. visto que os horizontes propostos pela literatura são ilimitados e suas interpretações. pois o aluno lê da maneira como lhe fo i ensinado e a competência leitora depende. compreende menos e mais se distancia da leitura literária.9 A ausência da leitura literária. as ferramentas necessárias para conhecer e interagir com proficiência com o mundo linguagem a partir do território da subjetividade.relações com outros textos) e texto-mundo (relações estabelecidas entre o texto lido e os acontecimentos globais). nesse caso. sobretudo na sala de aula. em que a interação/interpretação/ressignificação dá-se entre leitor e texto. segundo COSSON. . aos outros a ao mundo através das conexões texto-leitor (relações com as experiências de vida do aluno/leitor). os leitores ganham consciência de que são membros de uma coletividade e de que essa coletividade fortalece e amplia seus horizontes de leitura. dada a natureza polissêmica da palavra literária. p. como nenhuma outra leitura. Mas a condição de leitor autônomo está associada às estratégias aprendidas durante as vivências escolares. Nesse sentido. infinitas. E não pode ser atribuída somente ao aluno a responsabilidade por tal distanciamento. (2007. é preciso compartilhar a interpretação e ampliar os sentidos construídos individualmente. Mas. na perspectiva do letramento. ou as leituras à deriva. texto-texto (intertextualidade . a contribuição da leitura literária na formação de leitores passa pela efetivação de práticas pedagógicas que tenham o letramento literário como eixo norteador. lê menos. tem deixado lacunas e sequelas na formação do leitor. este cada vez mais. A leitura para fruição é importante não só porque contribui na formação do leitor criativo e autônomo. não basta apenas o aluno ser “ledor”. externa toda sua emoção e até convence a outras a pessoas a lerem. do modo de ensinar e de aprender na escola. A leitura literária.” Por isto. numa proposta de letramento. A razão disso é que. o uso dos textos literários tem sido ineficaz e ineficiente. tem a função de ajudar ao aluno . sobretudo.66). muito pouco contribui. O letramento literário na escola se diferencia da leitura literária que fazemos independente da escola. “por meio do compartilhamento de suas interpretações. pois está limitado a questões puramente pragmáticas e de ensinamentos didáticos e desconsidera as principais características e função social deste tipo de gênero. a leitura literária tem um caráter mais individual. Quando o leitor lê um livro e fica embevecido pelas palavras e estas aninhadas em sua memória. enquanto objeto de ensino com propósito de fomentar o exercício de reflexão e de formação de consciência crítica.

. Vera Teixeira de. Porto Alegre: Mercado Aberto. Antônio. São Paulo: Ática. Ensinar o prazer de ler. Maria da Glória. Letramento Literário: teoria e prática. ed. Estética da recepção e história literária. Rildo. ZILBERMAN. São Paulo: Contexto. Maria Inês Batista. CÂNDIDO. Modelos Teóricos e estratégias de leitura de leitura: suas implicações no ensino. 1995. AGUIAR. Literatura: a formação do leitor: alternativas metodológicas. 2007. Maceió: EDUFAL. O Direito à Literatura. 2005. São Paulo: Duas Cidades. CAMPOS. 1ª Edição. 3ª Edição. São Paulo: Olho d’água.10 Referências BORDINI. Regina. 1989. 2. 1993. Vários Escritos. 3ª Edição. 2003. Maria Inez Matoso. SILVEIRA. COSSON.

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