Incrustação em Ambiente Off Shore

Fabiana Janeiro de 2013

Estes problemas estão associados à formação de incrustações resultantes da incompatibilidade química entre a água do mar e a água de formação. Os reservatórios. perda de produtividade e custos com intervenção. ou até mesmo de acumulações de água. tentam interferir nas características do reservatório que favorecem a retenção de óleo. de uma maneira geral. variação de pressão e temperatura. Esta água injetada mistura-se à água de formação constituindo-se em outro tipo de água produzida. Os principais problemas ocasionados por incrustações são obstruções (figura 1) em válvulas e equipamentos. Outro tipo de incrustação bastante comum é proveniente da precipitação de sais de carbonato.INTRODUÇÃO Um problema comum na indústria de petróleo está relacionado à produção de água associada ao óleo e ao gás natural. telas de contenção de areia (gravel pack). composição química da água de formação e da rocha reservatório. tendo como finalidade manter a pressão e maximizar a recuperação de óleo. presença de CO2. A água produzida pode ser proveniente da rocha reservatório (água da formação). podendo ocasionar sérios problemas à produção de petróleo. a água do mar é utilizada como água de injeção. colunas e linhas de produção. cujos mecanismos de fluxo de óleo são pouco eficientes e que por consequência. na região próxima aos poços produtores e aos injetores. Na recuperação de reservatórios em sistemas marinhos. tais como. Um dos métodos clássicos de recuperação baseia-se na injeção de água nos reservatórios. que em condições termodinâmicas específicas favorecem a precipitação de sais de sulfato. retêm grandes quantidades de hidrocarbonetos após a exaustão da sua energia natural. . que estão relacionados a condições inerentes ao meio. Esses processos são chamados de Métodos de Recuperação Secundária que. são candidatos ao emprego de processos que visam à obtenção de uma recuperação de óleo adicional. denominadas aquíferos.

Os inibidores de incrustação são substâncias com a função de inibir ou evitar a deposição de material inorgânico ou orgânico e consequente formação da incrustação. . causando dissolução de incrustações nucleadas e/ou interferindo no processo de aumento do cristal. • Sulfato de estrôncio (SrSO4). gasosa e orgânica (óleo). • Sulfato de bário (BaSO4). No processo de produção. como consequência do aumento da temperatura e/ou queda de pressão. Este efeito é provocado pelo aumento do pH da água causado pela liberação do dióxido de carbono e pode ser representado pela seguinte reação.se em equilíbrio nas fases aquosa. B – coluna de produção e C – linha de chegada na estação de tratamento do óleo. Precipitações de carbonato de cálcio podem ocorrer nos campos de petróleo. O método mais prático e econômico para prevenir o problema de incrustações consiste na utilização de inibidores químicos de incrustação. Atuam na estabilidade termodinâmica da maturação dos núcleos. resultando no bloqueio dos sítios de crescimento. Dióxido de carbono está presente nos campos de óleo e gás e encontra. TIPOS DE INCRUSTAÇÃO As precipitações comumente observadas nos campos de petróleo são: • Carbonato de cálcio (CaCO3). CARBONATO DE CÁLCIO Os reservatórios de petróleo são constituídos de rochas (arenito. • Sulfato de cálcio (CaSO4). calcáreo ou dolomita) que podem ser cimentadas por carbonato de cálcio. a diminuição da pressão perturba esse equilíbrio e o dióxido de carbono dissolvido na água é deslocado para as fases do óleo e do gás.Figura 1: Exemplos de incrustações no sistema de produção de petróleo: A – tela de gravel pack. O ácido carbônico é formado pela ação das bactérias sobre as fontes de matéria orgânica presentes no reservatório que por sua vez dissolve o carbonato de cálcio das rochas para formar bicarbonato de cálcio solúvel.

. normalmente. Os inibidores pertencem a diversas classes químicas (fosfonato. entre outros) e. tais como cálcio. PRINCIPAIS INIBIDORES DE INCRUSTAÇÃO Atualmente. estas incrustações ocorrem nos campos submetidos à recuperação por injeção de água do mar. poliacrilato. policarboxilato. forma os primeiros cristais que poderão originar a incrustação. existem vários produtos que são aplicados na inibição de incrustações inorgânicas na indústria do petróleo. • Biodegradabilidade. DE ESTRÔNCIO E DE CÁLCIO Em geral. consequentemente. pode ocorrer precipitação e cristalização. quando se torna supersaturada em relação a determinado composto. • Comportamento de adsorção/ desorção e partição nas fases água e óleo. A águam do mar contém alta concentração de sulfato (~2900 mg/L) enquanto a água de formação contém quantidades significativas de cátions divalentes. Dentre esses sais. • Compatibilidade com cálcio. • Variação de pH. • Eficiência de inibição da formação de incrustações. sulfonato. com consequente formação de incrustação. o sulfato de bário apresenta a menor solubilidade atingindo a supersaturação mais rápido e. são compostos hidrófilos e apresentam massa molecular variável. bário e estrôncio.SULFATOS DE BÁRIO. A mistura da água do mar com a água de formação varia ao longo do processo de produção do campo e. magnésio. Suas propriedades variam em termos de: • Estabilidade térmica. ácidos correspondentes.

Figura 2: Estrutura dos inibidores de incrustação: (a) ácido dietilenotriaminpenta (metilenofosfônico). MECANISMOS DE ATUAÇÃO DOS INIBIDORES DE INCRUSTAÇÃO Na figura 3 é apresentado um esquema geral do mecanismo de deposição de incrustação e são destacados os parâmetros de controle mais importantes em cada estágio. (c) ácido polivinilsulfônico. (d) Copolímero de ácido poliacrílico sulfonatado e (e) ácido poliacrílico.Na figura 2 são apresentadas as estruturas moleculares dos inibidores de incrustação mais utilizados na indústria de petróleo. . (b) ácido fosfinopolicarboxílico.

resultaria num aumento da barreira energética para o crescimento do cristal. consequentemente. A deposição de incrustação requer três fatores simultâneos: • Supersaturação.Figura 3: Esquema genérico do mecanismo de deposição de incrustações. há teoria de que a força primária que rege a adsorção é simplesmente a repulsão hidrófoba da molécula do inibidor pela solução. . • Nucleação. • Tempo de contato. Dependendo do estágio de formação da incrustação o inibidor poderá atuar de modo distinto: evitando a formação de núcleos ou impedindo o crescimento dos cristais. Um mecanismo proposto para esta inibição seria a de que a adsorção do inibidor aumentaria a energia livre do núcleo e. A inibição durante a nucleação envolve uma adsorção endotérmica do inibidor provocando a dissolução dos núcleos embrionários do precipitado. Entretanto.

Dentre os fatores que influenciam a eficiência de atuação do inibidor destacamse pH.O mecanismo de inibição durante o crescimento de cristais consiste na absorção. A unidade de remoção de sulfato (figura 4) tem como objetivo tratar a água de injeção (água do mar). o inibidor ainda poderá coibir a extensão da incrustação através dos efeitos de distorção e dispersão do cristal. Os grupos funcionais aniônicos do inibidor são responsáveis pela aproximação inicial à superfície do cristal. massa molecular e. também conhecido como nanofiltração. estabilidade química e térmica. ocorrentes nos processos que envolvem produção de petróleo. e a presença de vários grupos proporciona uma alta densidade de carga negativa. principalmente. A interação eletrostática. De acordo com o local em que se deseja prevenir a incrustação. presença de agentes quelantes. desde o reservatório até as facilidades de superfície. A remoção dos íons sulfato da água do mar (processo de dessulfatação) é realizada de forma seletiva com o uso de nanomembranas. evitando a formação de incrustações de sulfatos. Grupos funcionais adicionais com capacidade de formar complexos com cátions do cristal complementam a ação do inibidor. seguindo um princípio semelhante ao da osmose reversa. Essas membranas . faz-se necessário um estudo de avaliação do potencial de precipitação ao longo do processo produtivo do campo. funciona a uma pressão que varia entre 5 e 25 atm. É importante ressaltar que a utilização de inibidores de incrustação é uma atividade de caráter essencialmente preventivo. irreversível do inibidor sobre uma superfície ativa do cristal do precipitado. compatibilidade com cálcio. Sendo assim. que resulta numa forte interação eletrostática com a superfície. O processo de separação por membranas. idealmente. diferentes estratégias de aplicação do inibidor serão adotadas. Uma alternativa eficaz na prevenção de incrustações de sulfato é a unidade de remoção de sulfato (URS). Figura 4: Unidade de remoção de sulfato. força de ligação e configuração serão aspectos fundamentais neste processo. Caso o cristal já tenha se formado.

e outra. Rio de Janeiro. uma denominada “concentrado”. rica em sulfato... com alto potencial de precipitação (CaSO4). ou seja. Comunicação Técnica CT DIGER. A figura 5 representa um sistema de filtração por membranas.atuam como barreira que separam duas fases. No processo são geradas duas correntes. Brasil N. I. Figura 5: Representação esquemática do processo de separação com membrana. PETROBRAS/CENPES. S. A concentração de sulfato na água após a dessulfatação é reduzida para teores entre 100 e 20 mg/L É válido ressaltar que o concentrado obtido é um fluido rico em sulfato. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Bret-Rouzaut N. Neste caso a separação ocorre por exclusão. Rio de Janeiro: Interciência. .. “Mecanismo de formação. J. 2011. E. (org. Araújo M. Thomas. “Fundamentos de Engenharia de Petróleo”. “Processamento de Petróleo e Gás”. com baixa concentração de sulfato. Editora LTC. Editora Synergia. em função do tamanho das partículas ou solutos presentes no sistema a purificar. Rio de Janeiro. restringindo a passagem total ou parcial dos íons sulfato. C. e Souza E. prevenção e remoção de incrustações em campos de petróleo”. Favennec J. chamada “permeado”. “Petróleo e Gás Natural. A. e por este fato é recomendado o uso de inibidores de incrustações nas URS.P. 2001.). M. Como Produzir e a que Custo”. 2011.

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