PMERJ PM/3 NOTA DE INSTRUÇÃO Nº 014/91

EMG 30SET91

1. FINALIDADE Difundir assunto de interesse Policial Militar. 2. OBJETIVO Fornecer aos Comandos das OPM, subsídios que facilitem a melhor orientação da tropa. 3. ASSUNTO A DIVULGAR "LA PREVENCION DEL DELITO” de José Maria Rico Tradução: Maj PM Dílson Ferreira de Anaide 4.TEXTO TRADUZIDO A PREVENÇÃO DO DELITO

A PREVENÇÃO DO DELITO INTRODUÇÃO A busca incessante de um ideal – moral, religioso, político e social – caracteriza há muito a existência humana. Esta preocupação vem gerando o nascimento de determinadas crenças, algumas das quais, por seu caráter perene e pela distância que as separa da realidade observável, transformase, às vezes, em mitos de grande importância. Estes mitos dominam numerosos aspectos da vida social, sendo particularmente abundantes no setor da justiça penal. Um deles é o da prevenção da delinqüência. Existe um consenso generalizado em considerar que a prevenção do delito constitui um objetivo importante do sistema penal. Afirma-se, com bastante freqüência, que mais vale prevenir o crime que reprimi-lo. De forma mais concreta, quase todos os especialistas na matéria, julgam que a prevenção do delito representa se não a função principal, pelo menos uma das funções mais importantes e tradicionais da polícia. Ainda que alguns filósofos tenham se debruçado sobre o estudo deste tema, e em que pesa diversas instituições jurídicas terem respondido a inquietudes idênticas, a preocupação pela prevenção do delito continua sendo uma tendência atual. O direito clássico não podia dar-lhe apoio, na medida em que o legislador, visando aos efeitos, sobretudo da sanção penal, pretendia a

CONTINUAÇÃO

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reparação da ofensa à lei ou, simplesmente a expiação do dano causado pela infração. A noção moderna de prevenção aparece timidamente com a Escola Clássica, segundo a qual a pena exerce uma importante função de intimidação geral, porém tem sua verdadeira origem na Escola Positivista, no final do século XIX. Em épocas mais recentes, a preocupação pelo problema da prevenção vem se manifestando da maneira mais intensa, havendo se convertido em importante tema de estudo e em uma das prioridades dos governos em matéria de política criminal. Entre as principais razões, que puseram em relevo a necessidade de novas propostas sobre a prevenção, devem ser mencionados os seguintes: 1) O aumento da delinqüência grave e o aparecimento de novas formas de criminalidade; 2) As repercussões do delito na sociedade (lesões, impacto emocional, efeitos desfavoráveis sobre a qualidade de vida etc) e, em particular, sobre determinados grupos (idosos, deficientes físicos, mulheres, crianças etc); 3) O sentimento de insegurança cada vez maior dos cidadãos e suas conseqüências (inibição, desconfiança, angústia, mudança de comportamento, organização de sistemas coletivos de proteção, utilização com fins políticos e partidários deste sentimento de temor ao crime etc); 4) Os custos cada vez mais elevados do conjunto do sistema penal e, em particular, dos serviços policiais, assim como os custos indiretos do delito (sistemas de segurança, seguros etc); 5) A baixa percentagem de solução de delitos; 6) A escassa participação do público no funcionamento da justiça penal e a insatisfação generalizada da população, sobre o conjunto do sistema penal; 7) A ineficácia das penas clássicas, dos métodos tradicionais de tratamento dos delinqüentes, das medidas preventivas habituais e, em geral, do sistema penal; e 8) A ausência de linhas mestras para a articulação de uma política criminal moderna e progressista. Com respeito à prevenção, as principais carências são: 1) A imprecisão e inadequação do significado deste termo; 2) A falta de informações e de conhecimentos neste setor e, paradoxalmente, a proliferação de programas preventivos; 3) A ausência de continuidade nas ações empreendidas; 4) A falta de coordenação entre os organismos que dela se ocupam e a carência de responsabilidades precisas dos mesmos; 5) O escasso apoio profissional e material necessário para uma ação eficaz; e
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postos em prática pela polícia. e 7) Alguns dos programas não se prestam a uma avaliação fácil.doc . 2) Certa confusão sobre os objetivos policiais (prevenção. não há acordo quanto à definição do termo utilizado. “uma forma de intervenção destinada a adotar medidas para impedir a delinqüência ou diminuir o risco da ocorrência de delitos”. A. 5) São escassos os recursos humanos e materiais destinados à prevenção. A rigor. Finalmente. embora existam alguns elementos comuns nas definições expostas – a prevenção supõe antecipar ou evitar algo – o desencontro é considerável quando se trata de precisar o que se pretende evitar ou antecipar e de determinar as formas de ação necessárias à realização deste objetivo. suas formas.CONTINUAÇÃO Fl nº 3 6) A relativa aus6encia de participação da comunidade na prevenção do delito. Como se pode ver. Em um sentido amplo. /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. sua essência. devem ser assinaladas as seguintes lacunas: 1) A existência de diversas concepções sobre o que há de ser sua ação preventiva. Tal é o caso da ONU. ou que certas pessoas se convertam em vítimas da delinqüência. nem sequer se define o que se entende por prevenção. considera-se que a prevenção é “O conjunto de medidas que impedem o surgimento da delinqüência”. repressão. Se a preocupação pela prevenção existe há séculos e se esta noção está cada vez mais difundida na política criminal contemporânea. 6) São raras as avaliações sobre os programas deste tipo. sobretudo. DEFINIÇÃO Em primeiro lugar. 4) Numerosos programas são mal concebidos ou aplicados. em numerosos livros e organismos destinados a este tema. com um índice de marginalização juvenil. suas características próprias têm sido pouco estudadas. De maneira mais restrita. por um lado. por outro”. 3) São poucos os policiais que tenham recebido uma formação suficiente sobre as técnicas e os métodos preventivos. define-se prevenção como uma intervenção sócio-pedagógica confiada a educadores especializados e aplicada. sobre a prevenção policial. “um modo de intervenção social destinado a controlar as perdas das forças de trabalho” ou “o conjunto de ações que (a polícia) pode realizar com o espírito de preservação e assistência a fim de evitar que certas pessoas caiam ou prossigam na delinqüência. a fim de reduzi-la ou preveni-la. aos jovens inadaptados que vivem em zonas urbanas. diminuição dos delitos etc. Observam-se graves deficiências no que se refere a sua definição. seus meios e suas estratégias.). que convoca regularmente Congressos Mundiais precisamente sobre “A prevenção do delito e o tratamento do delinqüente”.

/var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. não existe. Enquanto a linguagem da repressão parece clara.doc . Ao examinar a dialética “repressão – prevenção”. de medidas de proteção. a ação preventiva se dirige. durante um período mais amplo. a atuação das forças policiais.CONTINUAÇÃO Fl nº 4 Desde tempos imemoriáveis. facilmente. à educação básica e à ética social. B. secundária e terciária. num plano primário. Para alguns autores. para evitar a reincidência – prevenção especial) e pela via administrativa (através da ação policial – patrulhamento. pelo contrário. avaliáveis. inclusive. que domina. tencionando limitar e incluindo suprimir o delito. ou. com sentidos diversos. não deixa antever como será possível contabilizar. registros etc – ou social). como se acabou de mostrar. Cubert assinala o seguinte: “A repressão utiliza meios conhecidos há muito tempo e que resultam. estritamente. destinadas a impedir que surjam determinadas situações – prevenção direta). para evitar o cometimento de delito (costuma ser aplicado pelos juízes de menores e por determinados serviços sociais). o conjunto do sistema penal e. há séculos. A avaliação da não – ocorrência é uma aproximação muito delicada”. o Estado enfrenta o delito por duas vias essenciais: a repressão e a prevenção. que se aplica conforme procedimentos muito restritos. a da prevenção aparece confusa e. pela via judiciária (graças à aplicação efetiva dos textos legais – prevenção geral – ou a individualização da pena. A prevenção secundária se destina às pessoas que se achem em situações perigosas e recorre a serviços capazes de restabelecer as oportunidades sociais. orientados para os aspectos criminógenos da estrutura e da organização social). sendo estes termos utilizados. Para a ONU. a significação que deve dar-se ao termo prevenção difere conforme se trate: de medidas relacionadas com o funcionamento do sistema penal (prevenção geral e especial). no que diz respeito a suas principais formas e estratégias. O objetivo da prevenção. o estado pode aplicar as medidas preventivas de três formas: pela via legislativa (mediante a ameaça da sanção penal – prevenção geral – ou a promulgação de leis especiais. de medidas de profilaxia criminal (os conhecidos “substitutos penais” de Feeri. Para outros. nenhum plano rígido. é difícil encontrar uma definição pacífica para “prevenção”. ajuda material e moral destinada aos menores. Diferente da repressão (o remédio). em matéria de prevenção. Também se costuma distinguir entre prevenção primária. controles. é uma noção mais imprecisa e com uma utilidade que aparece como menos imediata. a toda a população e diz respeito à saúde pública. os fatos cujas ocorrências foram evitadas. A prevenção terciária é individualizada e orientada àqueles que necessitem ajuda urgente e intensiva. nenhum método correto. mais recentemente. tampouco é fácil descobrir um acordo. às vezes. pode tornar-se inquietante. A prevenção. FORMAS E ESTRATÉGIAS Se.

nem quais são suas atribuições nesta matéria. distinguir entre prevenção “a priori”. inspeção de residências para determinar o grau de segurança das mesmas. dirigida ao conjunto da população. a neutralização dos delinqüentes. econômicos. ainda. destinada a grupos de pessoas isoladas. sobretudo. utilização de medidas administrativas (aplicação de regulamentos sobre armas. o conjunto de ações destinadas a impedir que o delito ocorra ou a reduzir a conduta delituosa a sua mínima expressão. Ou. permitiu estabelecer as modalidades da ação preventiva dos serviços policiais: Ação-repressão eficaz (descobrimento rápido das infrações e imediato estabelecimento da culpabilidade dos autores). “curativa” (destinada a conter o processo de desagregação dos jovens. a prevenção primária se aplica ao desajuste em geral. a prevenção primária engloba todos o métodos orientados a reforçar e proteger os alvos do delinqüente potencial ou a diminuir sua vulnerabilidade (programas de identificação de bens de valor. informação nos meios escolares etc). ou seja.doc . “defensivas”. Para Ferracuti. Mais recentemente. Lascoumes refere-se à prevenção “preventiva” (centrada no fócio e na ajuda pessoal às famílias). a terciária. No que diz respeito a Polícia. pretendem prevenir ou reduzir os riscos de vitamização e atenuar as possíveis conseqüências do selito. Costuma-se. e prevenção específica. os textos legais não costumam precisar em que consiste sua ação preventiva. e. vale dizer. Um estudo efetuado pela INTERPOL. tem-se considerado que a prevenção possa emanar do sistema de justiça penal ou da coletividade. tanto sobre a vítima como sobre o público em geral). entre os países membros desta instituição. no contexto norte americano. A prevenção terciária persegue. com vistas à reintegração social) e à prevenção da reincidência. então. têm o objetivo de modificar suas motivações e seu comportamento ou neutralizar sua ação) ou nas vítimas e ambiência (estas. presença policial nas vias públicas (patrulhamento). subdividindo-se estes dois enfoques em outras duas categorias. de informação as vítimas ou ao público etc). Ao contrário. conforme as medidas de prevenção se baseiem no infrator (neste caso. proteção de bairros por “patrulha de vizinhos”. sensibilização do público. A prevenção secundária pretende evitar que se manifestem situações ou comportamentos criminógenos (programas sociais. e “a posteriori”. Nos EUA também se faz alusão aos métodos de prevenção ativa ou positiva (os quais tendem a localizar e modificar as motivações. mediante o controle e a vigilância que exercem as forças policiais e a intervenção do sistema de justiça penal.CONTINUAÇÃO Fl nº 5 Certos autores europeus utilizam uma tipologia bastante similar. /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. a situações pré-criminais específicas. educativos e recreativos. entre prevenção geral. ao tratamento de jovens já envolvidos em condutas delituosas ou prédelituosas. os diversos mecanismos de tratamento orientados a evitar a reincidência. a secundária. o comportamento e as condições de vida dos infratores) e os meios defensivos (com os quais se pretende reduzir a oportunidade de se cometer delitos e aumentar os riscos de identificação e prisão dos autores).

visando a uma maior adequação à realidade. assim como as severas críticas formuladas. sem provas. 34Este tema se afasta dos marcos tradicionais estabelecidos e utilizados pelo Direito Penal e pela Criminologia. às seguintes razões: 12O caráter ambíguo. resistências consideráveis entre os especialistas da política econômica. Conseqüentemente. já exposto. vigil6ancia sobre pessoas potencialmente perigosas identificadas (reincidentes e pré-delinqüentes).Referir-se. devendo /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954.Reexaminar o tema “clássico” da prevenção sob um enfoque moderno. esclarecimentos às possíveis vítimas. Unicamente desta maneira poder-se-á evitar que se siga afirmando. controle de fronteiras etc). a pesquisa científica constitui uma ferramenta indispensável para efetuar as reformas necessárias. em particular. da noção de prevenção. que a prevenção é como um remédio cujo efeito se desconhece ou como uma enfermidade cujas causas se ignoram. parecem dever-se fundamentalmente. incoerências e lacunas que enfrentam os estudiosos da prevenção. por se tratarem de países com ampla tradição em pesquisa criminológica. os quais encontram. por diversas correntes atuais do pensamento criminológico. identificação pessoal. os resultados da pesquisa científica. A este respeito. ocasionando sérias dúvidas sobre o valor científico das medidas que poderiam ser adotadas neste setor e. potencialização de medidas de autoproteção. fundalmentalmente para isto. fixando. sobre este tipo de enfoque. na experimentação de novas alternativas e na avaliação de seus resultados. e 5Costuma-se confiar a aplicação concreta de diversas medidas preventivas a órgãos “ad hoc”. deixando de lado qualquer abordagem intuitiva ou emocional. são: 1. 3. as dificuldades. a ausência e o esquecimento de pesquisadores e estudiosos. ação social e educativa sobre os jovens e sobre os egressos do sistema penitenciário.CONTINUAÇÃO Fl nº 6 explosivos. os objetivos deste capítulo. e. Entre os parâmetros que permitem mensurar o valor e a força das instituições sociais. figura a capacidade para submeter-se a críticas. cultural e social. Com esta perspectiva.doc . Em resumo. A prevenção – sobretudo a prevenção social – envoca a sombra da política. procurar-se-á destruir – ou pelo menos desmascarar – o mito da prevenção. o problema mais concretamente e optando por um enfoque científico do tema. 2. às experiências e estudos desenvolvidos nos EUA e Canadá. de início. amiúde. A ausência de investigações etiológicas sobre as causas da delinqüência que possam servir-lhes de base. ação dirigida à população em geral. em numerosos casos.Utilizar.

originariamente. consideradas como as principais causas da delinqüência. utilizando para este fim.Finalmente. e. seu contexto situacional. mediante a ressocialização do delinqüente condenado ou o emprego de medidas pré-delituosas. mostrando uma determinação de atuar sobre o ato. 4) MODELO COMUNITÁRIO – surgiu à época do anterior com o objetivo fundamental de conseguir a participação dos cidadãos na prevenção do delito. importantes fontes em matéria de política criminal. quaisquer que sejam os modelos que possam orientar a prevenção geral. graças a sua real aplicação pelo sistema de justiça penal. tenha adquirido ênfase na década de 60. Estes dois últimos modelos foram concebidos. propagando-se. seu “MODUS OPERANDI”. no contexto norte-americano. particularmente de prisão. São eles: 1) MODELO CLÁSSICO OU PUNITIVO – baseava-se no efeito intimidador da lei penal. Todos estes enfoques nasceram e se envolveram como conseqüência da incapacidade. privilegiar a ação preventiva da polícia. embora também sejam encontradas em etapas históricas posteriores e até na atualidade. Pugnava por uma rigorosa intervenção policial e pelo emprego de sentenças severas. Baseia-se na necessidade de se reformar profundamente as estruturas e organizações sociais. 2) MODELO MÉDICO-TERAPÊUTICO – teve sua origem na Escola Positivista do final do século passado e pretendia exercer uma ação preventiva específica. cultural e político próprio a cada país.CONTINUAÇÃO Fl nº 7 levar-se em conta o contexto sócio-econômico. 4. suas circunstâncias. a outras partes do mundo.doc . 3) MODELO SOCIAL – prevalece nos EUA desde os anos 30 embora. Os enfoques ou modelos utilizados nesta matéria têm sido numerosos e variados. 5) MODELO MECÂNICO – surgiu no princípio dos anos 70. manifestada pelos modelos /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. Cada um deles caracterizou determinada época. além das precauções que convém adotar-se quando se trata de propor aplicações possíveis de tais experiências em outros contextos. diversas técnicas de diagnóstico. particularmente. porém sem temer inspirar-se em modelos estrangeiros. prognóstico e tratamento da conduta perigosa. posteriormente.

tal como se a concebe atualmente. A. As teorias que perseguem a prevenção geral utilizam a pena com referência a coletividade. às atividades da polícia. por exemplo). em sua essência. e a sua execução se concebe como meio idôneo para evitar que o infrator da norma delinqüia de novo. considerados em seu conjunto. por um aumento dos efetivos policiais ou da freqüente utilização de longas penas privativas da liberdade. tem-se observado o seguinte: a) O conceito de intimidação. Tal análise far-se-á obedecendo à ordem cronológica de sua aparição. à lei pena e a sua aplicação e. Como todos subsistem na atualidade. tribunais e serviços penitenciários. a luza dos resultados provenientes da pesquisa criminológica.doc . nem no que se refere à intimidação geral. A Lei penal e sua aplicação Para a imensa maioria dos especialistas.MODELOS PUNITIVO E MÉDICO-TERAPEUTICO . a pena apareceu como uma função necessária de defesa social.CONTINUAÇÃO Fl nº 8 anteriores. totalmente tais hipóteses. nem no que diz respeito à intimidação especial. isto é. 1. A ameaça difusa do texto legal se concretiza em princípio. convém estuda-los minuciosamente. b) A dissuasão não pode exceder certos limites éticos (às vezes uma medida “eficaz” para solucionar um problema.Estes modelos se referem. Estas teorias se dividem. em um plano mais geral. sem o que seria impossível manter a ordem pública. A INTIMIDAÇÃO GERAL Quanto à intimidação geral. As teorias que pretendem alcançar a prevenção especial empregam a pena com referência única ao delinqüente que tenha cometido um fato punível. figuram as que atribuem à pena o fim de prevenir delitos futuros. dos indivíduos que a compõem. de prevenir. Entre as teorias propostas como fundamento do direito de castigar (TUS PUNIENDI). a pena deve impedir que os indivíduos. é ambíguo. por sua vez. dependendo do tipo de sociedade. pode ser injusta e constituir um custo social elevado ou inadmissível) e financeiros (em função do impacto no orçamento do Estado. Do modo como estes serviços apliquem a norma depôs lerá. através da ação dos diversos organismos que formam parte do sistema de justiça: polícia. conforme se pretenda a prevenção geral ou a especial. mediante a intimidação das sanções previstas em lei. a delinqüência. mais especificamente. eficazmente. cometam delitos. dos delitos objeto /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. c) Existem diferenças consideráveis na maneira de ver e apreciar a ameaça penal. I .

O método mais recente. Em troca. segundo os quais a elucidação de numerosos delitos e a possível prisão de seus autores dependem da colaboração tanto das testemunhas ou das vítimas.. Supostamente. condenação e enclausuramento. diminuem as taxas de delinqüência. convindo relaciona-las com os resultados obtidos por outros estudos. consiste em estudar a criminalidade posterior dos condenados. pode torna-lo menos sensível a seus efeitos. numerosos estudos demonstram a existência de correlação entre a certeza de pena e as taxas de delinqüência: na medida que crescem as probabilidades de detenção. da forma em que ela é transmitida e aplicada. sendo que este freio é menor na segunda detenção e continua diminuindo nas ocasiões subseqüentes. de sua severidade e de suas conseqüências. A INTIMIDAÇÃO GERAL Sobre a intimidação especial numerosa pesquisas indicam não ser possível afirmar que a experiência do castigo intimida o delinqüente condenado. O castigo produz um efeito duplo e paradoxal. a mudança de conduta que se espera do infrator castigo apenas constitui um dos fatores capazes de condicionar o comportamento humano. sem outras provas de exercer a pena um efeito intimidativo sobre o conjunto da população. aumenta no delinqüente condenado sua percepção da realidade. do conhecimento da aplicabilidade da pena. Entretanto. que não há correlação significativa entre a severidade da pena e a diminuição da criminalidade. que só pode avaliar e considerar se a abordagem se der desta maneira e nunca de forma simplista ou intuitiva. torna-se um argumento importante contra a hipótese geral dos que sustentam. a intimidação é um processo dinâmico e complexo. Assim. além do mais. por outro. utilizado para avaliar a eficácia das sanções penais. a impossibilidade de se conhecer os delitos que nunca se cometeram por causa da ameaça penal. Em resumo.CONTINUAÇÃO Fl nº 9 de ameaça. Estas conclusões são de grande importância para a determinação de uma política criminal policial de qualquer estado e para o estabelecimento de prioridades neste setor.doc . 2. ao destacar as dificuldades metodológicas próprias ao tema. os defensores da tese do efeito intimidativo da pena dispõem de um importante argumento de “senso comum”. Destas três probabilidades. Em que pese o valor de todas estas conclusões. a que oferece resultados mais positivos é a certeza de detenção pela polícia. o castigo ou o /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. Algumas pesquisas recentes chegam a demonstrar que a primeira detenção de um indivíduo provoca um freio em sua atividade criminal. como da comunidade em geral. da sua credibilidade. Além do mais. vale dizer. a pesquisa. A pesquisa indica. Por um lado.

Daí poder-se discutir ser a não-internação mais eficaz que o recolhimento do jovem a um instituto para este fim. Por isto. para se considerar a pena imposta eficaz: e. b) Que quanto mais constrangedora é a medida aplicada. sua evolução psicológica. verifica-se a reincidência é menor no segundo caso. sobretudo. Por outro lado. ademais. e. diversos estudos recentes utilizaram uma metodologia que permite evitar os principais inconvenientes anteriormente citados. Ao se examinar os dados existentes sobre reincidência. em relação a seu nível precedente. A partir. sendo uma /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. a reincidência não ocorre em função das penas impostas. que a maior punição costuma corresponder uma maior probabilidade de reincidência.CONTINUAÇÃO Fl nº 10 tratamento imposto obteve êxito se não houver reincidência. alguns autores propuseram uma interpretação diferente do fenômeno. quando se comparam os índices de reincidência entre os jovens recolhidos a um internato e os não-internados. sua adaptação social etc). Contudo. mas pelas características pessoais dos apenados (por exemplo. Em compensação. Todos testes resultados apresentam graves problemas de ordem metodológica. observa-se que. deste último problema (caráter heterogêneo dos delinqüentes) e de novas investigações sobre o tema. conforme os tipos de delitos e delinqüentes. que poderia ser formulado da seguinte maneira: Os indivíduos mais sancionados têm uma maior inclinação para o delito. observou-se: a) Que o número de delitos praticados após penalização rigorosa é bastante inferior ao dos cometidos. tanto maior é a diminuição da delinqüência.doc . o da determinação do período durante o qual o individuo não deve delinqüir. pesquisas demonstraram que os jovens submetidos à internação tornam-se mais vulneráveis que os beneficiários da outra medida. Fracassou caso o delinqüente cometa um novo delito. certos tipos de tratamento ou de sanções parecem eficazes quando se aplicam a grupos homogênicos de delinqüentes. entre os quais destacam-se: o dos critérios para definir o êxito ou o fracasso das medidas aplicadas (utiliza-se quase exclusivamente a reincidência conhecida e não outras variáveis como a conduta do delinqüente durante o tratamento. Uma medida tão “indulgente” como a não-internação não exerce praticamente nenhum efeito redutor da delinqüência de seu meio é mais eficaz. as taxas oscilam entre 30% a 60% os estudos clínicos indicam. Depois de haver analisado os delitos cometidos antes e depois de diversas intervenções de caráter penal. o do caráter heterogêneo dos delinqüentes examinados.

em particular. somente pode legitimar-se se respeita os valores fundamentais vividos pelos cidadãos. o principal problema das autoridades políticas e policiais dos países ocidentais foi. em 1974.em particular da delinqüência contra a propriedade – diversas governos reagiram contra entre crescimento. mas também para situá-la em sua justa perspectiva (respeito dos direitos fundamentais da pessoa. e. que a prevenção. Finalmente. embora também de crescimento da criminalidade . nesta matéria de nenhum substituto aceitável pela maioria da população. A ATIVIDADE POLICIAL Entre 1960 e 1975. As críticas ao trabalho de Martinson e a revisão que fez de seu próprio ponto de vista. é excessivamente baixa na maioria dos países ocidentais. Contudo. sem /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. B.doc . Assim. Em torno de 1975 quando apareceram as primeiras dificuldades financeiras. de certas infrações graves contra a propriedade. convém ter em conta: 1) Que a porcentagem de soluções de delitos e. a probabilidade de um jovem ser detido e condenado a uma medida privativa da liberdade e. Não se deve esquecer. como as demais medidas de política criminal. carências. Depois de analisar detidamente 231 avaliações de programas de tratamento. há que se reconhecer além do mais que apesar das dificuldades. surgiu a questão da produtividade da polícia. reservas e problemas suscitados pelas investigações cientificas. Em todo caso os ataques que sofreu a reabilitação serviram não apenas para determinar os numerosos erros nos métodos utilizados. indicam que não há programas intrinsicamente bons ou maus. em 1979. Finalmente na década de 80.CONTINUAÇÃO Fl nº 11 solução ainda melhor a que o coloca em sistema quase penitenciário. ainda subsistem dúvidas importantes acerca dos reais efeitos da intimidação em suas diversas formas (geral e especial). custos etc). não dispomos. sobretudo a uma pena severa é sumamente baixa. 2) Que devido à ideologia dominante no sistema de menores de não utilizar a internação. a célebre condenação dos métodos de tratamento feito por Martinson. utilização de medidas alternativas a ressocialização. foi revista por seu autor. esperando diminuí-lo proporcionalmente. época de grande prosperidade econômica na maioria dos países ocidentais. porém. aumentando os efetivos dos seus serviços policiais. Martinson chegou à conclusão de que a intervenção terapêutica ou preventiva não produzia resultados positivos regulares o que motivou um sério questionamento sobre o valor da readaptação como principal objetivo do sistema penal. salvo em última instância. Tudo depende do contexto e das condições de sua aplicação.

Com efeito. Ambos os países se caracterizam também pelo aumento de comissões de pesquisa. às vezes. O pessoal com esta função goza sempre de grande prestígio. A mais importante e minuciosa foi a realizada pela Rand Co. todos estes esforços. assegurada pelo policiamento. já algum tempo. não apenas sobre o que se deve fazer matéria de prevenção. mas também sobre certas soluções que parecem ser mais promissoras que as atualmente vigentes. saber como manter. /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954.CONTINUAÇÃO Fl nº 12 dúvida. Tradicionalmente se considerava que a presença policial na via pública.doc . plenamente satisfatória. aos trabalhos policiais relacionados com a prevenção. mediante a descoberta dos delitos e a investigação. as considerações a seguir refere-se. Não obstante. os quais dedicam uma parte considerável do tempo disponível a revisar informes. diversos estudos realizados nos últimos quinze anos justificam a dúvida sobre a eficácia das atividades dos “detetives”. grupos mistos de patrulheiros e detetives) não exercem nenhuma influência sensível sobre a taxa de flagrantes ou de solução de casos. na conjuntura existente. generalistas. de material tecnológico altamente sofisticado. A INVESTIGAÇÃO CRIMINAL Na América do Norte. realizada de forma concreta. criminal. 3EM/PMERJ). particularmente com a tarefa preventiva da polícia. estes estudas fornecem diversas alternativas. Contudo. fornecendo dados para uma reorientação de ambas as funções policiais. as investigações criminais monopolizam uma porcentagem importante das atividades policiais (entre 10% e 25%). b) Mais da metade dos delitos que chegam ao conhecimento da polícia só são investigados superficialmente pelos detetives. de qualidade medíocre ou nula. tentaram dar uma resposta. as investigações são escassas. experiências e estudos sobre a polícia. representava em si mesma uma importante modalidade de prevenção. principalmente. o nível de proteção oferecido aos cidadãos. completar expedientes e entrar em contato ou interrogar as vítimas de casos cujas probabilidades de solução são quase nulas. Também se afirmava rotineiramente que a ação repressiva. os serviços policiais das grandes cidades dispõem. pouco convincentes e. em vão. Nos EUA e Canadá. Em que pese tais deficiências. a diversas questões relacionadas com as funções policiais e. A pesquisa científica tem revelado a relativa falsidade destas duas hipóteses. formação. Como este tema já foi visto antes (vide NI nº 008/91. 1. atribuição de tarefas e organização (trabalho em equipe especialistas. sobretudo perante os patrulheiros e demais policiais. constituía a principal tarefa preventiva da Polícia. cujos principais resultados foram: a) Os diversos métodos do recrutamento.

da 3EM/PMERJ). f) As vítimas dos delitos desejam saber. quanto aos casos resolvidos. e) São raros os serviços policiais norte-americanos de investigação criminal que recolham os principais elementos de prova capazes de oferecer. O Estudo de La Rand Co provocou numerosos protestos e críticas. que atualmente constituem a maioria dos assuntos resolvidos. oficialmente.doc . se a polícia solucionou ou não o caso que lhes afeta. e para cumprir com as formalidades que decorrem da detenção efetuada pelo patrulhamento. ao Ministério Público.CONTINUAÇÃO Fl nº 13 Quando se trata de casos nos quais se identificou um suspeito. na prática. nas negociações com a defesa. Estas observações demonstram ser muito mais provável aumentar o número de detenções graças a um patrulhamento mais alerta e à cooperação da população. desde que se ocupem das atividades para as quais são competentes. o suspeito não poderá ser identificado depois na maioria dos casos. Os autores da pesquisa concluíram do seguinte modo: “A investigação judicial não perderia sua eficácia se eliminasse quase a metade dos esforços rotineiros. Talvez esta insuficiência de provas haja contribuído para o crescimento de casos arquivados sem acusação e para o enfraquecimento da posição do promotor. os detetives repetem as ações já feitas pelos patrulheiros. quase todos o são como conseqüência de investigações rotineiras. Os pesquisadores foram acusados de não compreenderem a verdadeira significação da /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. costumam desviar-se de tais objetivos. bem como a fase em que se encontra o processo contra o presumível infrator. ou se lhes desse uma orientação mais frutífera. g) As equipes de detetives dispõem dos meios necessários para fazer crescer a porcentagem de detenções. d) A maioria dos serviços policial recolhe mais provas materiais do que se pode examinar utilmente. O restante dos detetives deveria bastar para ocupar-se dos casos comuns. probabilidades sérias de conseguir uma condenação. em certos delitos difíceis de serem descobertos. sem que ocorra a identificação do suspeito desde o princípio. Contudo. do que mediante um refinamento suplementar do trabalho de investigação”. Quando se alocam efetivos superiores para estes tipos de atividades obtendo-se identificações mais freqüentes que as realizadas mediante a utilização de outros métodos de investigação. c) O fator mais importante para solucionar um delito é a informação que a vítima ou as testemunhas transmitem ao policial que atendem imediatamente a uma solicitação (Daí a importância da “Investigação Preliminar” NI nº 010/91. Se a informação que permite a identificação precisa do infrator não se transmite no momento em que se detecta o delito. e.

trabalho em dados oriundos de um número insuficiente de serviços policiais. não apenas confirmam. Esta crença generalizada na eficácia preventiva do patrulhamento policial. comparecimento do queixoso à delegacia. os resultados da pesquisa de La Rand Co não podem ser considerados conclusivos. O PATRULHAMENTO PREVENTIVO Sempre se considerou o patrulhamento o meio mais idôneo e amplo de prevenção policial. não corresponde. desde então. permite escolher os métodos de intervenção mais eficazes e econômicos. rapidamente. mas também demonstram a eficácia de diversos métodos concebidos para melhorar a produtividade dos detetives. pode ser detectada que 60% do tempo destinado a esta missão são gastos com atividades não específicas. ao menos no tocante ao continente norte-americano. Finalmente. a utilização de equipes especiais supõe um maior número de detenções e de soluções para certos delitos. deixando de lado aqueles que a experiência indica que não haverá solução. Quando se sabe que a ação do patrulhamento tem lugar essencialmente na via pública e nos locais de fácil acesso. a aplicação de um “modelo de decisão”. à vigilância dos patrulhamentos. grandes imóveis e partes subterrâneas das novas aglomerações urbanas escapam. geralmente. divididas em quatro categorias de quase igual importância: /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. contudo. unicamente. parece óbvio que os delitos cometidos dentro de edifícios. aos resultados obtidos por pesquisas científicas. como conseqüência de demandas específicas. sobre o patrulhamento policial foi a realizada em Kansas. A pesquisa mais conhecida.CONTINUAÇÃO Fl nº 14 apuração policial e de haverem baseado obtidos. 2. propriedades privadas protegidas por muros ou grades. Graças a ela. chegando a conclusões não justificadas pelos dados Ainda que algumas destas críticas não careçam de fundamento. reforçada nas últimas décadas pelo acesso às mais recentes invenções tecnológicas. como os roubos qualificados. os quais intervêm em tais lugares. correio. Por exemplo. Em geral. estima-se que entre 60% a 80% dos efetivos policiais são alocados para esta missão. Sua presença permanente. sua intervenção em caso de acidentes e seu freqüente contato com a população converteramno num instrumento pouco questionado de prevenção da delinqüência. Outros trabalhos realizados. sua observação atenta sobre pessoas e coisas. e já citada. encaminhamento a outros órgãos etc). para ajudar a Policia no estabelecimento da diferença entre as chamadas que requeiram uma intervenção imediata do policial fardado e as que possam ser tratadas por outros meios (telefone.doc . os assuntos que apresentam probabilidades de solução. A seleção do expediente permite que os responsáveis pelos serviços policiais determinem.

que o principal fator para a solução de um delito é a informação que a vítima ou testemunha transmite ao policial que primeiro atende a chamada. ou bem não possuam nenhum laço específico com as tarefas estritamente policiais. estacionado etc. ao invés de percorrer as ruas nas viaturas. Uma das mais significativas consiste em utilizar melhor a patrulha parada. O Estudo de La Rand Co assinalava. Como se pode observar. bem como o melhor conhecimento da área de policiamento. relacionados com os obtidos por La Rand Co. Também provou a existência de uma relação significativa entre o tempo de resposta a uma chamada e as probabilidades de deter o autor de um fato delituoso no local no qual o cometeu. é bom lembrar. Funções não relacionadas com as atividades policiais.doc . A investigação realizada em Kansas City demonstrou que as patrulhas motorizadas rotineiras não exercem nenhum efeito a criminalidade. Convém. Esta constatação científica provocou a utilização de equipes mistas (Team Policing) em mais de 60 atividades policiais americanas. devido à presença física da polícia nestes locais e a sua disponibilidade para atender rapidamente às chamadas ou às solicitações da comunidade. os patrulheiros trabalharem na investigação criminal de certos casos que lhes chegam diretamente ou tomam conhecimento. Funções estáticas de espécie idêntica. sobretudo. destacar que unicamente a quarta parte do tempo se destina a funções móveis. além de se obter importante economia (de até 25% em combustível e manutenção) e redução do número de acidentes e feridos oriundos da vitimização dos patrulheiros na condução de viaturas. nem sobre o número de prisões. Estes resultados parecem indicar que a presença policial pode fazer-se mais patente e econômica – e quiçá mais eficaz-se se recorre a outras estratégias. Com esta medida se pode conseguir um maior efeito preventivo.CONTINUAÇÃO Fl nº 15 a) b) c) d) Funções móveis relacionadas com tarefas policiais. vale dizer. a metade do tempo dos patrulheiros é gasto em funções que. Estes resultados. nem sobre o sentimento de temor que o público experimenta ante o delito. indicam que parte do tempo destinado normalmente ao patrulhamento preventivo pode ser empregado. se. O incremento ou a diminuição de seus efetivos não incide nem sobre a taxa de delinqüência. Tempo residual passado nas delegacias. com maior utilidade. o trabalho em equipe favorece o intercâmbio de informações sobre os diversos aspectos das funções atribuídas a Polícia. às funções próprias da patrulha. o estabelecimento de /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. ou bem não supõem uma mobilização efetiva com os fins do patrulhamento. colocando certa porcentagem das viaturas nos principais cruzamentos das vias.

/var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. d) Aumento do tempo dedicado às atuações em demandas. e) Diminuição sensível da taxa de delitos graves. por se constituir em uma ameaça aos interesses de grupos já estabelecidos que. apenas.doc . diversas experiências têm produzido bons resultados. depois das chamadas ou queixas do público. Demonstrou-se. do qual é parte. encarregado da prevenção graças às rondas efetuadas em zonas pré-estabelecidas. patrulhamento experiência deu os seguintes resultados: a) Aumento de 20. além de uma diminuição da criminalidade nas regiões em que este programa foi implantado. Contudo. Apesar disso. 15% dos patrulheiros. uma experiência realizada em Wilmington (Delaware) provou a existência de valiosas soluções alternativas ao emprego tradicional da patrulha. gerando satisfação tanto no público quanto na polícia. de uma das experiências mais promissoras implementadas nos últimos anos. Também provou-se que a eficácia e a satisfação dos patrulheiros são mais altas nos serviços policiais cuja organização se baseia na utilização de generalistas e não de especialistas. não raro. as quais podem contribuir para o aumento da eficácia tanto da própria patrulha como do serviço policial. em Wilmington. também. o que faz surgir a questão de como determinar as diferenças existentes entre policiais eficazes e os que não o são. Em geral. portanto. que a metade das prisões que permitem uma posterior acusação pelo promotor é devida a.CONTINUAÇÃO Fl nº 16 contatos mais freqüentes e positivos entre a polícia e a população do setor e maior familiarização e recursos da comunidade. Também permite o reconhecimento do caráter múltiplo e complexo das funções policiais e a obtenção de uma formação a um só tempo genérica e especializada para os agentes. as investigações criminais são efetuadas por policiais uniformizados das patrulhas. Trata-se. foram divididos em dois grupos: patrulhamento estruturado (STRUCTURED PATROL FORCE). o trabalho em equipe suscitou alguns problemas. Os efetivos policiais das patrulhas. e. c) Redução do tempo de atendimento a pedidos de ajuda individuais. b) Diminuição do número de intervenções excessivas ou insuficientes. com vistas a poder recrutar os homens que apresentam a características dos primeiros.6% da “produtividade” (número de prisões e condenações) de cada agente da patrulha. Outros estudos demonstraram que os serviços de patrulha com apenas um homem são menos dispendiosos. possuem uma influência considerável no serviço. Por outro lado. mais eficazes e apresentam menor risco para o policial do que a constituída por dois patrulheiros. sendo que o principal foi à descentralização decorrente.

para prevenir a delinqüência e favorecer o desenvolvimento harmônico da personalidade. mais ou menos. em matéria de prevenção do delito. Os jovens destinados ao tratamento cometeram. as experiências de prevenção sociais da delinqüência têm-se desenvolvido. consiste em considerar este objetivo como uma responsabilidade comum do público e da polícia. de Nova York). tendo sido iniciada antes da segunda grande guerra mundial. que o jovem possua a seu lado um “amigo” adulto. sobretudo nos Estados Unidos. Se alguns indivíduos se beneficiaram do programa.doc .CONTINUAÇÃO Fl nº 17 Finalmente. Estes métodos partem da hipótese de que a sociedade condiciona o indivíduo de tal modo que os defeitos da organização social é que criam a delinqüência. concebido em 1935 pelo psiquiatra e filantropo R. A /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. os mesmos delitos que os outros. destacam-se as que. Como se verá adiante. deduz-se que a estratégia mais promissora. Este programa visava a confirmar a hipótese de ser indispensável. II – O MODELO SOCIAL Os métodos de prevenção sociais da delinqüência têm-se desenvolvidos quase paralelamente às medidas médico-psicológicas. no tocante tanto a repressão como a prevenção d criminalidade. se descrevem e avaliam superficialmente. Historicamente. o grupo em geral não o fez. ainda que o público manifeste um alto grau de satisfação com respeito ao policiamento a pé. Foram objeto da experiência 650 jovens. não existem provas evidentes sobre a eficácia deste tipo de patrulha. Conseqüentemente. sendo metade submetido a diversos tipos de tratamento e a outra metade sem nenhuma supervisão particular. o programa-piloto de prevenção social foi o CAMBRIDGE SOMERVILLE YOUTH STUDY. orientadas para o diagnóstico da periculosidade e o tratamento do delinqüente. Entre a mais importante. a utilização dos recursos comunitários constitui o método menos dispendioso e mais eficaz que se pode imaginar neste campo. os estudos de avaliação realizados até agora são escassos ou de pouca qualidade. Quanto às patrulhas especializadas na luta contra determinados delitos e delinqüentes (por exemplo. De todo o exposto. abaixo. avaliadores da experiência. normalmente dados pelos pais. Embora também existam em outros países. a hipótese inicial não pode ser comprovada. a “STREET CRIME UNIT”. Segundo Powers e Witmer. tão somente se efetuar mudanças nela é que se poderá esperar uma influência benéfica sobre as condutas individuais ou coletivas. Cabot. na célebre Escola de Sociologia de Chicago. que o ajude no decorrer de todas as provas e lhe ofereça alternativas e conselhos morais.

durou de 1961 e 1969 e custou mais de 5 milhões de dólares. Quase durante o mesmo período. de MANHATTAN). Os resultados demonstraram a ausência de diferenças significativas entre os artigos programas e o novo. este programa visava a criar meios para escapar à miséria. “dando aos jovens. segundo estes autores. Finalmente.doc impedindo uma avaliação científica do programa. sociais da ilha de Manhattam. Entre 1962 e 1968 gastou-se mais de 30 milhões de dólares. possibilidades para integrar-se dentro do ordenamento vigente” e neutralizar. o UNIFIED Delinquency Intervention Service. considerando-se os diversos contextos de sua aplicação e as variadas categorias de delinqüentes destinatários do projeto. Sob o impulso direto do Presidente Kennedy. utilizou métodos alternativos de tratamento comunitário. mas unicamente como parte dos serviços . uma diminuição importante da reincidência nos jovens /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. o Community Treatment Project. procedente de fundos públicos e privados. Contudo. Os autores consideraram que a intervenção comunitária apresentou melhores resultados que os demais métodos de tratamento. na teoria de CLOWARD e OHLIN. do Condado de Cook (Chicago). com a finalidade de saber qual o programa de tratamento era o mais eficaz. a participação na vida política e social da comunidade. a educação. na Califórnia. não a um grupo determinado de pessoas. em grande parte.CONTINUAÇÃO Fl nº 18 principal razão deste fracasso residiu. segundo a qual a delinqüência é o resultado de uma falta de possibilidades. a família. em numerosos programas relacionados com o trabalho. com um orçamento anual de mais de 2 milhões de dólares. Observou-se. na impossibilidade de se aplicar a teoria ou o método numa multiplicidade tão ampla de “casos problemas”. A experiência. Os resultados porém foram bastante xxx teoria das oportunidades diferenciadas implantou-se em termos tão gerais que as diversas variáveis independentes neutralizaram-se mutuamente. mas a toda uma comunidade (LOWER EAST SIDE. das chamadas inferiores da sociedade. a princípio. iniciado em 1974. assim. o programa continua a ser aplicado. por isto a única maneira de preveni-la é oferecer oportunidades aos jovens desamparados. a vida. Esperava-se uma redução considerável da delinqüência nas zonas cobertas pelo projeto. Baseado. antes de tudo. “os comportamentos autodestrutivos”. aplicou-se. ante a perspectiva de uma mudança geral na orientação dos programas destinados aos jovens delinqüentes. Atualmente. como no caso anterior. o projeto novayorkino MOBILIZATIONS FOR YOUTH aplicou-se. o Instituto Nacional de Saúde Mental ordenou que se fizesse uma avaliação rigorosa do projeto. recorrendo a outros recursos preventivos que não foram desenvolvidos pelas instituições oficiais. como os que apareceram no grupo com pessoas muito diferentes e classificadas como “delinqüente”. abarcando mais de mil jovens.

começou a ganhar valor a tese segundo a qual os métodos baseados em uma análise rigorosa dos delitos cometidos em um país ou em regiões. nos corpos policiais das grandes cidades. também aqui. que em 1970 se elevaram. antes de tudo ao fato de havê-los apresentados e aplicados como panacéia universal. Mediante este fórmula se passa do enfoque social para o comunitário e mecânico. Ainda sobre este modelo. Sem contar. sobretudo. Não existe nenhuma teoria capaz de explicar. existem ou podem existir numerosas influências dificilmente identificáveis e controláveis. o valor e o alcance de qualquer medida a ser implantada. quando a delinqüência não se constituiu em um elemento isolado da vida social. assim como ao desejo de se desembaraçar dos mesmos. e das características imediatas relacionadas com sua execução (comportamento do delinqüente e da vítima. apesar de alguns benefícios indiretos para a coletividade. tampouco. pode afirmar-se que o fracasso de todos estes programas de prevenção comunitária se deve. por ser um organismo social particularmente qualificado para enfrentar determinados problemas relacionados com a delinqüência juvenil. têm-se criado. que não se pode resolver com soluções únicas. sobretudo no caso dos delinqüentes acusados de delitos graves de violência. que não havia diferenças significativas na reincidência entre os resultados oferecidos pelo conjunto dos serviços institucionais do Estado de Ilinois e os do programa do Condado de Cook.doc . em qualquer coletividade. nos EUA. por si mesmo. mas um fenômeno complexo. o fenômeno da delinqüência ou permitir a elaboração de um plano adequado e completo de prevenção. Ainda assim. grupos destinados a atuar com os jovens e a melhorar os contatos da polícia com a comunidade.500 milhões de dólares. Com este fim.CONTINUAÇÃO Fl nº 19 atingidos pelo programa. o fato de que estes programas foram aplicados a milhares de pessoas e que. uma avaliação procedida em 1979 apontou. além de um custo inferior ao ocasionado pelas instituições fechadas. mediante a aplicação de fórmulas apressadas. a 11. os custos excessivos de tais programas. devido à impaciência manifestada pelo público ou pelos políticos – ainda que também pelos especialistas em ciências sociais – ante certos problemas comunitários imitantes. quando em períodos de restrições orçamentárias. para poder estabelecer. Como conclusão. por certo. com rigor e precisão. sobretudo nos EUA. III – OS MODELOS MECÂNICO E COMUNITÁRIO Como conseqüência das críticas dirigidas contra os enfoques anteriores e de diversas pesquisas realizadas a partir de 1970. Estes custos são altamente questionados. o trabalho policial consiste. características dos /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. na participação dos programas mencionados. E sem se esquecer. Os membros de tais grupos costumam receber uma formação especializada em ciências humanas e sociais.

ou na modificação das estruturas existentes. zonas e inclusive imóveis que constituiam-se em risco elevado de ocorrência criminal. A psicologia do ambiente. portanto previsível. A – O MODELO MECÂNICO Cronologicamente. ou. evidentes para muitos e. ampliou-se este enfoque a qualquer tentativa “defensiva” destinada: a reduzir as ocasiões que. a aumentar as possibilidades d prisão do infrator potencial tais tentativas podem ser aplicadas em espaços relativamente amplos ou delimitados. para a polícia – como base da elaboração de novas estratégias de prevenção do delito. imóveis e conjuntos residenciais. primeiro se pensou na possibilidade de utilizar o meio físico. contudo. rotineiramente. Mais tarde. Contudo a novidade do enfoque consistiu em utilizar estes dados. conduzem ao crime. mesmo quando não tomam consciência do meio em que vivem. o comportamento humano e o ambiente físico onde um e outro ocorrem. reproduzidas abaixo de forma sintética: 1) O meio físico exerce uma influência considerável sobre o comportamento dos indivíduos. transformando-o para reduzir determinadas atividades criminosas. /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. à redução da delinqüência. Os fundamentos teóricos destas estratégias são as teorias relativamente recentes sobre as relações diretas existentes entre o delito. em particular. entre a conduta humana e o contexto físico onde ela se manifesta. Partindo do postulado segundo o qual existe uma relação constante e. Estas estratégias consistiam em inovações no desenho das estruturas físicas particulares quando da construção de novas cidades.doc . razão pela qual foram ignorados os laços existentes entre ambos. um dos psicólogos mais conhecidos neste setor elaborou certo número de hipóteses sobre a natureza de tais relações. 2) Quando se transforma o meio físico. demonstra que o meio físico e a conduta humana formam parte de um processo dinâmico e que o primeiro pode exercer uma influência considerável sobre a segunda. tais como: áreas comerciais. zonas. Durante muito tempo considerou-se o ambiente como um elemento relativamente estável da experiência humana. este costumam deslocar-se para outro local. para faze-lo menos propício a certos comportamentos. e que existiam bairros. sistema de transporte etc. escolas. Já se sabia que certos locais são mais propícios que outros para o cometimento de determinados delitos.CONTINUAÇÃO Fl nº 20 objetivos perseguidos pelo infrator potencial e do contexto físico e social) se prestavam mais a uma intervenção (individual ou de grupo) eficaz e por conseqüência. bairros.

daqueles elementos que contribuem para a criação e o desenvolvimento de uma verdadeira comunidade. 4) Se se modifica um dos elementos do meio físico. parece evidente que quanto mais complexa seja a ambiência.CONTINUAÇÃO Fl nº 21 3) O comportamento depende das estruturas físicas. as taxas de criminalidades são bastante elevadas. No que diz respeito mais concretamente à prevenção do delito. tanto mais difícil será a identificação das influências que possa exercer sobre a conduta. um estudo efetuado pela New York City Housing Anthority. Trata-se. naturalmente. em particular o caráter impessoal dos imóveis. sobre os delitos graves cometidos nas propriedades submetidas a sua jurisdição. comércio. Outras pesquisas indicam: que o roubos em determinadas zonas comerciais ocorrem nos estabelecimentos situados em um /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. além de construírem requisito indispensável tanto para o exercício dos controles sociais extraoficiais. suas bases teóricas são as seguintes: 1) Uma hipótese que afirma que o aumento da delinqüência se deve. as quais são essenciais para a criação de um espírito comunitário. assim como a tendência para prever ambientes físicos carentes de possibilidades de trabalho. que. de simples hipóteses sobre a natureza das relações existentes entre o meio físico e a conduta humana. considerado globalmente. elevadores e estradas dos imóveis de aluguel. sociais e administrativas do meio no qual se manifesta. sendo tais taxas tanto mais altas quanto maiores são os edifícios em questão. O meio urbano atual não é propício para o estabelecimento de relações harmoniosas entre os cidadãos. 2) Os dados fornecidos pelas estatísticas criminais segundo os quais existe uma relação constante entre certos ambientes físicos e determinados delitos. limitou as formas possíveis de conduta consideradas. sendo possível e administrativas do meio no qual se manifesta. Vale dizer. o que. provoca-se mudanças nos demais. Conseqüentemente. manifestamente. Esta hipótese foi defendida por Jane Jacobs. sendo possível modifica-lo mediante a transformação de alguns dos elementos ambientais. com numerosos andares e apartamentos. demonstrou que nos corredores. os quais impedem que surja e se desenvolva um sentimento de posse comunitária. e. Por exemplo. principalmente. diversões etc. depois de haver criticado severamente os métodos atuais em matéria urbanística. ao desaparecimento dos controles sociais tradicionais. baseadas em estudos de casos em que o ambiente mostrou-se relativamente estável. o que poderá ocasionar uma modificação dos meios de conduta associada ao dito meio físico. mediante a transformação do meio físico. como para a eficácia dos controles sociais oficiais.doc . denunciou.

enquanto que. que os autores de roubos nos setores residenciais costumam escolher apartamentos situados na planta baixa. assim como as salas destinadas à lavanderia etc. com efeito. decidindo. anúncios publicitários ou por veículos estacionados diante do estabelecimento. nos grandes imóveis. estando em geral escondido por estantes.doc . que o interior das lojas comerciais mais vitimizadas não costuma ser visível da rua. A pesquisa criminológica demonstra. então. Isto costuma ocorrer quando não há. que suas probabilidades de êxito são elevadas.CONTINUAÇÃO Fl nº 22 cruzamento de ruas ou nas suas proximidades. que certos delitos são devidos a localização de um objetivo fácil pelo delinqüente potencial. os lugares mais perigosos são os pontos afastados e pouco visíveis da rua. nas imediações /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954. sob o impulso do momento. 3) Uma hipótese que afirma existir uma relação direta entre o delito e as ocasiões favoráveis que se oferecem ao delinqüente potencial. que os roubos são cometidos sobretudo a noite e nos locais menos freqüentados pelos pedestres. pela facilidade de fuga do delinqüente.

CONTINUAÇÃO Fl nº 23 /var/www/apps/conversion/tmp/scratch_3/134896954.doc .