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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRATICA REGISTRADO(A) SOB N°

ACÓRDÃO

'01251784'

PRKSKNTtS OS RtQUSMOS LKGAIS,

CONCt-Dh-SK

r u m A

AN I FXIPAÇÃO

DL

Vistos, relatados e discutidos estes autos de AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 481.278-4/1, da Comarca de SÃO PAULO, em que é agravante CARLOS ROBERTO DELLA LIBERA FILHO e aeravada COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS

DESAOPAULO:

ACORDAM, em Nona Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por votação unânime, dar provimento ao recurso.

Autor

de

ação

cominatóna

não

se

conforma

com

r

decisão interlocutória que lhe indeferiu pedido de antecipação de tutela para pronta entrega das chaves de imóvel ^Jaíjeto de/clação em

pagamento.

CR 4 VO DL AVS TRU\ 1ENTO V" 4SI 2 ~S

SJOP-il/f-O-

\'OTO\''*(Ki-ti\\

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Diz que o contrato estabelece que a dação do imóvel é livre de quaisquer ônus e garante a entrega da posse na mesma ocasião da entrega aos demais cooperados. Entende absurda, diante da natureza do contrato, a justificativa para a recusa da entrega (existência de saldo devedor) Comprovou, com novos documentos, que adquirentes de diversas unidades já receberam as chaves. Comprovou, igualmente, que a agravada lhe deu ciência da possibilidade de retirar as chaves. Por fim, afirma que, diante dessa notícia, firmou contrato de cessão de direitos com terceiros, que estão em precária situação, vivendo da casa e da caridade de parentes, com os móveis se deteriorando. Informa que o agravado demorou a cumprir a ordem

liminar.

Recebido o recurso, vieram contra-razões e informações. Esse o relatório. O instrumento de promessa de dação em pagamento é

claro ao dispor na cláusula

II que

o objeto

do contrato é um

"imóvel,

livre e desembaraçado

de ônus, dívidas,

litígios, impostos, taxas

e

tributos em atraso de qualq

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Verossímil

a alegação

do agravante de que

retenção

indevida das chaves, pois no objeto do contrato não há nenhuma referência a saldo devedor.

E mais, Caio em pagamento:

Mário da Silva

Pereira ensina que a dação

 

"tanto pode

consistir

na entrega

de uma

coisa

em

lugar

de dinheiro

-

rem pro pecunia

-

como ainda de uma coisa poi

outra

-

rem pro ic - ou de uma coisa pela prestação

de um fato

-

rem pro

facto"

(Instituições de Direito Civil, vol. II, Ed. Forense,

1990, tis.

54).

Assim, muito improvável que houvesse saldo devedor decorrente da dação de que se cuida A cláusula V do contrato dispõe também que a posse do imóvel será transmitida "na mesma ocasião em que for transmitida a posse para os cooperados da Bancoop" (fls. 25). A prova até aqui coligida revela que o agravante^récebeu

da Bancoop informação de que asi

o

imóvel

estariam

à

AGRA IO DE INSTRUMENTO V' 4X1

SAO IjAÜLO-

VOTO \" 5004 /u

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disposição dele em 22 de agosto de 2006 (tis. 31). Revela ainda que outros cooperados já receberam as chaves (fls. 52). Parece igualmente que a demora está a causar prejuízos ao agravante e a terceiros. Para afastar desde já a probabilidade desses danos, é que se deve conceder a antecipação de tutela. Não houve demora no descumpnmento da decisão liminar (fls. 67/67v), pois foi a agravada intimada em 21 de dezembro (fls. 94) e entrou em férias coletivas no dia seguinte, quando ainda ia começar o prazo. O cumprimento da decisão ocorreu logo após o retorno das atividades.

Pelas razões expostas, dou provimento ao recurso.

O julgamento

teve a participação

dos

Desembargadores

SÉRGIO GOMES (Presidente, sem voto), JOSÉ LUIZ GAVIÃO DE

ALMEIDA e GRAVA BRAZIL São Paulo, 13 de março de20Q6—

Des. Antonio_\-U^nilson

  • C . ÚK4VO DL

_

INSTRUMENTO N"4X1 27S-4/I

- SÃO PAULO-

VOTO N" 5004