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FACULDADES INTEGRADAS “ANTÔNIO EUFRÁSIO DE TOLEDO”

FACULDADE DE DIREITO DE PRESIDENTE PRUDENTE

TRANSAÇÃO PENAL NOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS

Karina Marqueze Trindade

Presidente Prudente/SP
2006

FACULDADES INTEGRADAS “ANTÔNIO EUFRÁSIO DE TOLEDO”
FACULDADE DE DIREITO DE PRESIDENTE PRUDENTE

TRANSAÇÃO PENAL NOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS

Karina Marqueze Trindade

Monografia apresentada como requisito parcial de Conclusão de Curso para obtenção do Grau de Bacharel em Direito, sob orientação do Prof. Rufino Eduardo Galindo Campos.

Presidente Prudente/SP
2006

TRANSAÇÃO PENAL NOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial para obtenção do Grau de Bacharel em Direito.

_____________________________________ Rufino Eduardo Galindo Campos

_____________________________________ Fernando Galindo Ortega

_____________________________________ Florestan Rodrigo do Prado

Presidente Prudente/SP, 28 de novembro de 2006.

Joamar Z. de sonhos. O futuro. expectativas. sempre devemos prosseguir lutando. doando o melhor de nós na busca dos objetivos e metas.O ser humano é feito. melhorias e conquistas.. apesar dos percalços e obstáculos do presente. entre outras coisas. ideais.. sempre se desenha com bons ventos. Nazareth . Por isso.

Agradeço. de agradecer ao Mestre Divino. pela paciência dispensada diante das minhas fraquezas. pois foram elas que me fortaleceram e certamente me fortalecerão na trilha futura. pelo incentivo constante e pelo apoio imprescindível à consecução desta obra. pela dedicação empregada na orientação deste trabalho. companheiros de jornada. Ao professor Rufino. sem os quais a história seria outra. Não poderia deixar de agradecer. ainda. à minha irmã Érica. Aos meus queridos e amados pais. Ao meu noivo Paulo Henrique.AGRADECIMENTOS Gostaria. Recebam meu abraço de eterna gratidão. com os quais aprendi minhas primeiras lições de amor e justiça. com quem sempre pude contar. Leonice e Orlando. que me brindou nesta vida com meus queridos familiares. igualmente. primeiramente. Às pedras do caminho. .

. Ainda. com os quais divergem a doutrina e a jurisprudência. buscando analisar diversos temas conflitantes sobre a transação penal.259/01. instituidora dos juizados no âmbito federal. buscando encontrar a solução mais adequada a propiciar o respeito às garantias individuais e processuais do autor da infração. bem como aos objetivos dos Juizados Especiais Criminais. a aplicação de medidas restritivas de direitos. Palavras-chave: Transação penal. que teve como principal objetivo a criação dos Juizados Especiais Criminais. Juizados Especiais Criminais. em especial na ação penal privada. com abordagem de recursos bibliográficos e jurisprudenciais sobre o instituto. A análise abrangeu as modificações trazidas pela Lei nº 10.099/95. O tema da pesquisa está inserido no campo do Direito Processual Penal. bem como os pressupostos a serem preenchidos pelo autor da infração penal. Foi utilizado o método dedutivo de pesquisa. para agilização da prestação jurisdicional.099. de 26 de setembro de 1995. com a abordagem da natureza jurídica da sentença homologatória da transação penal. sobretudo. a fim de que lhe seja proposto tal benefício. buscou-se descrever os possíveis efeitos do descumprimento da medida. especialmente no estudo dos ritos procedimentais. criado pela Lei nº 9. a definição dos crimes de menor potencial ofensivo e. bem como sua aplicação nas diversas espécies de ações penais.RESUMO O presente trabalho analisa o instituto da transação penal. Finalmente. o estudo envolveu a titularidade da proposta. Lei nº 9. já que o legislador se omitiu diante dessa hipótese.

The deductive method of research was used. . that the creation of the Criminal Special Courts had as main objective. so that such benefit is considered it. Still. of 26 of September of 1995. for agilização of the judgement. created for the Law nº 9. since the legislator if omitted ahead of this hypothesis. as well as its application in the diverse species of criminal actions. Law nº 9. with boarding of bibliographical and jurisprudence resources on the institute. The subject of the research is inserted in the field of the Criminal Procedural law. Criminal Special Courts. especially in the study of the procedural rites. Finally. over all. as well as the estimated ones to be filled for the author of the misdemeanor. with the boarding of the legal nature of the homologatory sentence of the criminal transaction. the definition of the crimes of potential minor offensive e. in special in the private criminal action. The analysis enclosed the modifications brought for the Law nº 10. searching to analyze diverse conflicting subjects on the criminal transaction. one searched to describe the possible effect of the descumprimento of the measure.ABSTRACT The present work analyzes the institute of the criminal transaction.099/95. as well as the objectives of the Criminal Special Courts.259/01. Word-key: Criminal transaction. with which the doctrine and the jurisprudence divergem. being searched to find the solution most adequate to propitiate the respect to the individual and procedural guarantees of the author of the infraction. institutor of the courts in the federal scope.099. the study it involved the title of the proposal. the application of restrictive measures of rights.

...........259/01...............................................1.........................................................................................52 5................3........................5 Possibilidade de aplicação de pena alternativa .......1 Direito subjetivo .4....28 2.....................1 Conversão imediata em pena privativa de liberdade ............3 Titularidade da proposta ............................................................................................57 5......16 1...............................40 3.................................40 3.................................................................................................................................................................................2 Ação penal pública condicionada à representação ...................30 2...................................2........................60 5................4 Sentença condenatória imprópria ........44 4......................2 Objetivos ..................2........2 Descumprimento ...............46 4...............................................................................................29 2...........................................21 1. 28 do Código de Processo Penal .....46 4...53 5..........38 3 TRANSAÇÃO PENAL NAS VÁRIAS ESPÉCIES DE AÇÕES ........................................2..................32 2.................................2...........................................1................................................2 Novo conceito trazido pela Lei nº 10..............................14 1.....4 Possibilidade de execução da pena ............................................4 Requisitos genéricos ...............28 2..............31 2...1 Cumprimento ...........3......6 Sentença homologatória com eficácia de título executivo ............1 Ação penal pública incondicionada ........................................................................................2 Poder discricionário do Ministério Público ..........5 Causas impeditivas .......................................................1 Conceito ...26 2 TRANSAÇÃO PENAL ..........................49 5 EFEITOS DA MEDIDA ...................3 Não homologação do acordo ..........................................................................................53 5...............................16 1................2.........................................2 Possibilidade de oferecimento da denúncia ..............................................3............2 Recurso cabível da sentença homologatória ................................56 5...3 Ação penal privada ..............64 ...4................3 Sentença condenatória ...............................................4 Aplicação analógica do art...................45 4........................1 Natureza jurídica .......................35 2..1....1 Da pena de multa .......................2 Da pena restritiva de direitos .......................41 4 SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA ....1 Sentença meramente declaratória ..........................................44 4...................1 Conceito .44 4.....................................................5 Competência ......2 Sentença declaratória constitutiva ........................099/95 ............1...........................................................................4 Infrações de menor potencial ofensivo ..............1.........51 5...2...................................................1..............................10 1....................1 Princípios norteadores .40 3.................................................45 4.....................3 Proposta e homologação pelo Magistrado ......34 2............................3 Previsão constitucional .............36 2..........................................................3..............................09 1 CONSIDERAÇÕES SOBRE A LEI Nº 9..62 5...........SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......63 5...2.....................................................................................47 4.......6 Aceitação ........................................................................................................13 1....2..............2 Objetivos ..............2......................................2............11 1........................................................30 2..............................5 Sentença meramente homologatória .................2....2....................

...313/06 .................................................................................................71 ...........................................................................66 CONCLUSÃO ...............6 LEI Nº 11.............................69 BIBLIOGRAFIA ...............................................................

traçando alguns comentários sobre a possibilidade de sua aplicação nas ações penais de alçada privada. bem como procurou definir as infrações de menor potencial ofensivo. ante as inúmeras discussões acerca da amplitude deste conceito com a edição da Lei nº 10. abordar as características e objetivos do instituto da transação penal. . Para obter o benefício. A transação penal. Adotando um modelo baseado na conciliação. como o da obrigatoriedade e indisponibilidade da ação penal. ainda. os Juizados Especiais Criminais vieram trazer a desburocratização da justiça. se praticado um delito de menor complexidade. bem como enfrentando a celeuma criada pela doutrina e jurisprudência acerca da natureza jurídica da sentença homologatória e os efeitos do descumprimento da sanção imposta. mediante a adoção de um sistema rápido e eficaz para a solução dos conflitos de menor potencial ofensivo. em especial a implantação de um modelo de justiça basicamente oral. instituidora dos Juizados Especiais Criminais. sem a instauração de uma ação penal. ante a omissão do legislador. em especial sobre sua incidência nas espécies de ações penais. a natureza jurídica da sentença que homologa a transação penal e as conseqüências no caso de descumprimento da medida aplicada.099. a instauração da persecução penal. inicialmente. Grandes discussões se travaram acerca deste instituto. assim. de 26 de setembro de 1995. criadora dos Juizados no âmbito federal. objeto deste estudo.099/95. evitando-se. mitigando alguns princípios básicos do nosso sistema processual.259/01. e a aplicação da pena se dará mediante um acordo realizado entre autor do fato e Ministério Público. conciliativo e desburocratizador. a serem analisados. está entre as principais modificações trazidas pelos Juizados. a apresentação da Lei nº 9. pois possibilita.9 INTRODUÇÃO A edição da Lei nº 9. o presente trabalho visou. a aplicação de uma pena não privativa de liberdade. Assim. trouxe grandes inovações no campo jurídico. Procurou. o autor do fato precisa preencher determinados requisitos.

preenchidos os requisitos legais. dando tratamento adequado às pequenas e médias infrações penais. haja vista que. a suspensão condicional do processo e a composição civil dos danos. propondo ao autor. podendo-se aplicar . obtinham a extinção da punibilidade pela prescrição. desburocratizador do sistema penalizador. a criação de Juizados Especiais Cíveis e Criminais era medida que se impunha à garantia da justiça. não raramente. objeto deste trabalho. político e econômico do país exigia providências no sentido de acelerar a prestação jurisdicional e garantir a punição de infratores que. Com os Juizados. Visando modificar a estrutura processualista penal vigente até então. Nesse contexto se inseriu a necessidade de preocupação com a vítima. superava a morosidade do Judiciário e o deixava desafogado para que pudesse se ater profundamente aos crimes de maior complexidade. Dessa forma. rápidos e econômicos. Finalmente. Ao estabelecer tais medidas. através de métodos simples. um procedimento sumariíssimo. basicamente oral. rápido e eficaz. com um procedimento conciliativo. posto que. a possibilidade de aplicação imediata de pena não privativa de liberdade rompeu o rígido princípio do “devido processo legal”. que previa aos delitos de menor potencial ofensivo ritos semelhantes aos daqueles crimes de maior complexidade.10 1 CONSIDERAÇÕES SOBRE A LEI Nº 9. a Lei nº 9. o Ministério Público pode deixar de ofertar a denúncia.099/95 mitigou o princípio da obrigatoriedade ou indisponibilidade da ação penal. uma pena restritiva de direitos ou multa. com a sua aquiescência. tais como a transação penal. propiciando a conciliação e a reparação dos danos. tendo em vista que em sua satisfação estão concentrados os anseios da sociedade. ao prever para as infrações penais de menor gravidade. a Lei nº 9.099/95 É cediço que o progresso social.099/95 inovou. foram introduzidas medidas despenalizadoras.

razão pela qual a forma escrita não é totalmente maculada. Preconiza a lei a adoção da forma oral. Não obstante a aplicação dos princípios da oralidade. como é o caso. p. a Lei nº 9. capaz de atingir a simplicidade e a economia processual necessária a atender os objetivos dos Juizados Especiais Criminais. quer estejam direcionados para a iniciativa da ação penal. ressalte-se a importância da sua aplicação simultânea e harmoniosa com os princípios gerais do processo. Segundo Julio Fabbrini Mirabete (2000. ambos originando. buscando.099/95 descreveu. da Lei nº 9. informalidade. simplicidade. quer sejam processuais. informalidade. portanto.1 Princípios norteadores Assim como o processo penal é regido por diversos princípios. sempre que possível. em seus artigos 2º1 e 622.099/95: O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos critérios da oralidade. tampouco da responsabilidade civil. a prestação jurisdicional torna-se mais célere e. 2 Art. a conciliação ou a transação. informalidade. a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade. Em outras palavras. economia processual e celeridade. por exemplo. deve haver a prevalência da formal oral sobre a escrita. da Lei nº 9. outros princípios complementares decorrem do princípio da oralidade. da Oportunidade. tais como os princípios da 1 Art. 2º. Adotando a oralidade. critérios pelos quais devam se basear os processos perante os Juizados Especiais. objetivando. previstos pela Lei dos Juizados Especiais Criminais. do Contraditório. 62. 1. da Ampla Defesa e da Igualdade entre as Partes. sempre que possível. do Juiz Natural. simplicidade. economia processual e celeridade. a documentação dos atos ocorridos no processo é imprescindível. 33).099/95: O processo orientar-se-á pelos critérios da oralidade. economia processual e celeridade. em detrimento da escrita. pois a aceitação da proposta não significa reconhecimento da culpa penal. . do Princípio da Obrigatoriedade. Todavia.11 uma pena sem antes discutir a culpabilidade. alguns deles acima especificados. fundamentando e orientando as ações penais.

desenvolvendo-se o procedimento sem burocracia. predominantemente oral. salvo se estiver convocado. 132. como se observa. ainda. providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários. É o sub-princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias. pois praticados próximos da decisão. os atos serão simples na medida que atendem causas não complexas ou que exijam maiores investigações. do Código de Processo Civil. o renomado doutrinador Mirabete (2000. Assim. promovido ou aposentado. caput4). que concluir a audiência julgará a lide. que.099/95: A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará diretamente ao Juizado. confirma-se o procedimento célere pela não paralisação dos atos. Evitando-se. razão pela qual se tornam os atos concentrados. uma vez que obterá informações acerca da motivação das partes e das suas características. da Lei nº 9. licenciado. do Código de Processo Civil: O juiz. ainda. Os atos processuais devem ser realizados em número mínimo de audiências. casos em que passará os autos ao seu sucessor. invariavelmente. do imediatismo. do qual o magistrado que acompanhou o procedimento desde o início deve julgar a lide. Pelo princípio da simplicidade. . ressalta sua aplicação em analogia ao disposto no artigo 1323. titular ou substituto. serão juntados aos autos apenas materiais essenciais à elucidação do fato. afastado por qualquer motivo. decida a causa. por exemplo. o recurso das decisões interlocutórias. Já o princípio do imediatismo dita que o juiz deverá colher pessoalmente as provas através do contato com os envolvidos. Embora não adotado pelo Código de Processo Penal. com o autor do fato e a vítima. 69. 4 Art. o princípio da identidade física do juiz. 69. da identidade física do juiz e da irrecorribilidade das decisões interlocutórias. proporcionando-lhe materiais que lhe servirão de instrumento para julgar a lide. pela dispensa do inquérito policial (art.12 concentração. p. Daí o sub-princípio da concentração. 33). por exemplo. pela dispensa do 3 Art. proclama a não dispersão das impressões e fatos registrados pelas partes e pelo juiz. Do citado princípio decorre. evitando-se que um magistrado que não teve contato com o procedimento.

da Lei nº 9.099/95: A sentença.099/95: Vide pág. dispensado o relatório. buscará a conciliação ou a transação. os Juizados Especiais Criminais visam a obtenção de um provimento judicial rápido. da Lei nº 9. evitando-se a impunidade. da Lei nº 9. da Lei nº 9. Noutras palavras. 81. a composição dos danos ocasionados pelo agente com a sua prática delitiva é imediata na 5 Art. § 1º. desafogando o Judiciário. o princípio da celeridade consubstancia-se pela exigência de uma rápida solução jurisdicional para o litígio. Dessa forma. 6 Art. nota de rodapé nº 1. a tranqüilidade social será alcançada pela agilização do procedimento. 1.099/95. Todavia. parte final. principalmente pelo advento da prescrição. § 3º. na medida em que se reduz o tempo entre a prática da infração penal e a solução do conflito. da Lei nº 9. Finalmente. Em razão disso.13 relatório na sentença (art. 66. 11. ainda.2 Objetivos O artigo 2º8. 65. é possível atingir uma prestação jurisdicional em curto lapso temporal. § 3º5) e pelo não reconhecimento da nulidade sem que haja demonstração do prejuízo (art. ou por mandado. Os Juizados Especiais Criminais. Não há necessidade de obediência a regras formais na condução do processo. 667). o Juiz deve se atentar ao mínimo de formalidade exigido pela lei para a prática de certos atos processuais. Embora não desprezando atos procedimentais legais. dispõe que o processo. consistente na escolha da forma que cause menos encargos às partes e ao Estado. na medida em que os atos processuais são aproveitados e dispensados os inúteis ou repetitivos. 2º.099/95: A citação será pessoal e far-se-á no próprio Juizado. 8 Art. sempre que possível. 65. Daí o princípio da informalidade. a pacificar a sociedade. 81. . bastando que ele apenas atinja a sua finalidade. mencionará os elementos de convicção do juiz. sempre que possível. prezam pela economia processual. como a citação pessoal do acusado (art. 7 Art.099/95: Não se pronunciará qualquer nulidade sem que tenha havido prejuízo. § 1º6).

Ainda que tardiamente. Questão relevante surgiu acerca da competência para legislar sobre os Juizados Especiais. I. da CRFB: Compete à União. nas hipóteses previstas em lei. 22. 22. não raras vezes eram deixados de ser perseguidos pelas autoridades. 10 Art. competentes para a conciliação. penal. promulgou a Lei Estadual nº 1. a transação 9 Art. providos por juízes togados. . enquanto. aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: XI – procedimentos em matéria processual. preconizada pelo processo penal brasileiro. que ordenou a criação de Juizados Especiais Criminais que atendessem crimes de menor complexidade. eleitoral. aeronáutico. a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau. no Distrito Federal e nos Territórios. da CRFB11). onde definiu os delitos de menor potencial ofensivo e estabeleceu. e os Estados criarão: I – juizados especiais. que se mostravam preocupadas em dar tratamento àqueles crimes geradores de perplexidade social. da CRFB9. comercial.14 medida que se impõe a conciliação com a vítima ou a transação penal. agrário. foi sinalizada a possibilidade. da CRFB: Compete privativamente à União legislar sobre: I – direito civil. entre outras sanções substitutivas. o Distrito Federal e a União possuem competência concorrente (art. 98. o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo.099/95. caput e I. O Estado do Mato Grosso do Sul. 1. os Juizados Especiais vêm mitigar o princípio da obrigatoriedade ou indisponibilidade do processo.3 Previsão constitucional Há muito nosso ordenamento pátrio exigia a edição de lei regulamentadora do artigo 98. 24. 24. impondolhe pena não privativa de liberdade. cabe à União legislar sobre matéria penal e processual. ou togados e leigos. os Estados. Dessa forma. espacial e do trabalho. de 11 de julho de 1990. de efetivação da regra contida na Carta Magna. adiantando-se à lei federal. da Constituição Federal10. com a edição da Lei nº 9.071. XI. processual. além da busca da verdade real. Como se observa pelo art. aplicando ao autor da infração. por sua natureza. marítimo. 11 Art. permitidos. da CRFB: A União. uma pena restritiva de direitos ou multa. abrangendo os delitos que. mediante os procedimentos oral e sumariíssimo. para as normas procedimentais. antecipadamente.

15 penal. ser considerado como infração de menor relevância.176/93). com opinião diversa. não seria possível a aplicação de tal instituto. Sérgio Turra Sobrane (2001. Assim também procedeu o Estado da Paraíba (Lei Estadual nº 5. bem como normas de natureza penal e processual. enquanto noutro Estado. restando aos Estados criar seus Juizados Especiais.582-1-PB). Ressalte-se que as Leis Estaduais. Nada obstante. como ainda complementar a lei federal com regras procedimentais que atendessem às suas peculiaridades. 44) realça a possibilidade da ofensa ao princípio da isonomia. mediante regras de organização judiciária. com tratamento diferenciado entre os cidadãos. Contudo. pois um fato específico poderia. que firmou entendimento no sentido de que somente competia à União a instituição dos juizados especiais (HC nº 72. foram tidas como inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. temerária se mostraria a permissão de que os Estados definissem o âmbito de incidência dos Juizados Especiais Criminais e o conceito de crimes de menor potencial ofensivo.713-PB.466/91) e o Estado do Mato Grosso (Lei Estadual nº 6.930-4-MS. Dessa forma. e HC nº 72. promulgadas pelos Estados anteriormente à edição da Lei Federal. onde o conflito se resolveria pela transação penal. p. . em um Estado. o melhor entendimento seria o de que competiria à União delimitar regras gerais e básicas para a instituição dos Juizados Especiais Criminais. HC nº 71.

24. . coube à Lei nº 9. seria no cabimento dos termos da Lei dos Juizados Especiais Criminais apenas para os crimes ou contravenções cuja pena máxima não seja superior a um ano.1 Conceito Como já esposado. 61.099/95 definir o rol dos crimes de menor complexidade. merecem tratamento especial. Assim. independente da pena máxima cominada e do rito processual estabelecido. 98. para os termos da lei. 14. O primeiro deles.4. para os efeitos desta Lei. Todavia. pode-se caminhar por dois entendimentos.13 conceituou como sendo de menor gravidade as contravenções penais e os crimes cuja pena máxima não seja superior a um ano. Art.099/95: Consideram-se infrações de menor potencial ofensivo. pode-se concluir que estão compreendidas. 61. da CRFB: Vide pág. I. por sua menor gravidade. Pelo disposto no citado dispositivo. todas as contravenções. bem como os crimes com pena máxima não superior a um ano. 98. visto que sua menor gravidade não está relacionada ao 12 13 Art. Como se vê. A exceção referente ao rito especial somente seria aplicável a esses últimos. em seu art. ainda que especial. em um sentido literal. não estariam incluídas as contravenções dos arts. A mencionada lei. nota de rodapé nº 9. Por outro lado. da Lei nº 9. entre os quais seriam aplicadas as suas regras.4 Infrações de menor potencial ofensivo 1. as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 1 (um) ano. considerando aquelas infrações penais que. utilizou-se a lei da pena em abstrato cominada à infração para definir sua abrangência. em seu art.16 1. excetuados os casos em que a lei preveja procedimento especial. a Constituição Federal consagrou. I. Esta derradeira interpretação leva em conta a própria essência das contravenções penais. § 1º e 51 da Lei das Contravenções Penais.12 os delitos de menor potencial ofensivo. com exceção daqueles que possuam procedimento especial. 50.

possuem procedimento comum. com exceção daqueles em que se preveja um rito especial. que. tanto que a lei cominou penas mais brandas como a prisão simples e a multa. 519 a 523 do CPP). os crimes contra a honra de competência do Juiz singular (arts. estão excluídos da competência do Juizado Especial Criminal os delitos com procedimento especial. mas dos que possuem procedimento especial. levando-se em conta a pena máxima. os crimes de abuso de autoridade (Lei nº 4. apesar de serem definidos por lei extravagante.17 quantum da pena ou ao procedimento especial. o processo por contravenção penal. serviços ou interesse da União ou de suas entidades. Se a contravenção atingir bem. . são de competência do Juizado Especial. Mirabete (2000. embora com pena máxima não superior a um ano. etc. mas à sua natureza. Cumpre ressaltar a conclusão nº 8 da Comissão Nacional da Escola Nacional da Magistratura: “as contravenções penais são sempre de competência do Juizado Especial Criminal. além das infrações sujeitas à jurisdição especial. Tal entendimento foi delimitado pela Súmula nº 3814 do Superior Tribunal de Justiça. os crimes contra a propriedade imaterial (arts. não se excluem os delitos que tenham previsão em lei especial.250/67). estão excluídos da competência do Juizado. ainda que praticada em detrimento de bens.898/68). Dessa forma. Todos os crimes. os crimes de imprensa (Lei nº 5. 524 a 530 do CPP). 14 Súmula 38 do STJ: Compete à Justiça Estadual Comum. o processo ficará a cargo da Justiça Estadual Comum. mesmo que a infração seja submetida a procedimento especial”. p. 503 a 512 do CPP). interesse ou serviço da União e suas entidades. cuja competência seria da Justiça Federal. previstos tanto no Código de Processo Penal quanto em lei especial: Assim. 48) destaca que. na vigência da Constituição de 1988. tanto previstos no Código Penal quanto na legislação extravagante. Pode ser exemplificado o caso dos crimes previstos no Código de Defesa do Consumidor. como a eleitoral e a militar. os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos (arts.

695. 88. em artigo publicado no Boletim IBCCrim 69. TJRS. de embriaguez ao volante e participação em competição não autorizada. Denúncia 203.05. o Código de Trânsito prevê. Julg. 29115. apresenta três possibilidades a esta questão. 690. p. foram autorizadas pela Magna Carta. do Código de Trânsito Brasileiro. no parágrafo único do art. O autor critica esta posição. Ap. cuja competência seria do juízo comum. somente caberia a suspensão condicional do processo.053.533.12. p. DJU 24. parágrafo único.291. pelo legislador ordinário. da suspensão condicional do processo e a composição dos danos civis. 13-14 (apud Luiz Flávio Gomes. ago. 15 Art. parágrafo único.098. ressaltando que ela negaria vigência ao art. 1055-3-AM. 74. a aplicação dos institutos da transação penal.889. Inq. 1998. p. Todavia.099. 76 e 88 da Lei 9. aos crimes de lesão corporal culposa.1996. No sentido de aplicação da Lei nº 9.099/95 aos casos de competência originária dos Tribunais: STF. importante salientar que deve ser propiciado aos agentes detentores da prerrogativa de foro a possibilidade de composição civil dos danos e transação penal. 695.103. Em relação aos delitos de trânsito. TJSP 192/328. 19. do Código de Trânsito Brasileiro: Aplicam-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa. de embriaguez ao volante. 44-45).088078-2. 2002.412.1995. bem como que a aplicação da transação penal e da composição civil. embora tenham pena máxima superior a um ano. de 26 de setembro. é incontestável a aplicação da Lei nº 9. . Nereu José Giacomolli. Diante disso.476-3.099/95 “no que couber”. TJSP.18 No tocante aos crimes de competência originária dos Tribunais. e de participação em competição não autorizada o disposto nos arts. Inq. A primeira relata que o Código de Trânsito referiu-se à aplicação da Lei nº 9.099/95 sobre os crimes que se encaixem no conceito de menor potencial ofensivo. 291. criando uma desigualdade entre pessoas que cometeram semelhantes infrações. 17. Negar-lhes o benefício feriria o princípio da isonomia. 291. que exige pena mínima igual ou inferior a um ano. TJSC.

ampliou o rol dos delitos de menor potencial ofensivo. da Lei nº 9. por disposição expressa deste preceito. Para se estabelecer o máximo da sanção para o crime tentado. para os crimes continuados e em concurso formal. Em decorrência disso. pois se encaixam no conceito de menor potencial ofensivo. instituidora dos Juizados Federais. há de se considerar o máximo da pena cominada. não devem considerar o acréscimo. A terceira hipótese seria a de não considerar. sendo competente para processá-los os Juizados Especiais Criminais. do máximo da sanção cominada. todavia. Nos casos de tentativa. considerando como sendo aqueles crimes cuja pena máxima não exceda a dois anos (tal assunto será abordado no tópico seguinte). 291. 61. as penas. Tal discussão. deve ser retirado o mínimo de redução da tentativa (pois a lei estabelece redução de um a dois terços). do Código de Trânsito. será abordada em futura análise. dois dentre os três delitos descritos no parágrafo único. há de se ressaltar que. como de menor ofensividade. da transação penal e da suspensão condicional do processo. da composição civil e da suspensão condicional do processo. os delitos previstos no parágrafo único. a serem processados perante a Justiça Comum. do art.099/95. 2º. A controvérsia residiria apenas no delito de embriaguez ao volante. bem como as sanções dos delitos em concurso material . com a edição da Lei nº 10.259/01. Ponderando estes argumentos. mas. afrontando o disposto no art. seriam cabíveis os institutos da transação penal. Para uma primeira corrente. do art. há evidentes divergências doutrinárias e jurisprudenciais a respeito.19 A segunda possibilidade seria a de considerar estes três crimes de trânsito como sendo de menor potencialidade ofensiva. subtraída de um terço. passaram a ser da competência dos Juizados. deste diploma legal. 291. do Código de Trânsito. Havendo dois ou mais crimes em concurso formal ou material. aplicando-lhes os institutos da composição civil. é fortemente aceita pela doutrina e jurisprudência que o art. A crítica subsiste na hipótese de ampliação do conceito de menor potencial ofensivo.

20 não devem ser somadas. o limite de um ano não pode ser ultrapassado computando-se o acréscimo. 119. prevista no art. o processamento e julgamento das duas infrações caberá ao primeiro. Em consonância com a primeira corrente está. não serão da competência do Juizado. é preciso se ater à sanção máxima cominada. Se se tratar de causas de aumento de pena. com o acréscimo. do Código Penal: No caso de concurso de crimes. Havendo conexão entre um crime da competência do júri e outro da competência do Juizado. a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um. segue-se o mesmo raciocínio da tentativa. assim como o são nos casos de extinção da punibilidade. pacificou-se o entendimento no sentido de que não se deve computar eventual aumento ou diminuição da pena máxima. por exemplo. p. Com relação a circunstâncias agravantes e atenuantes. . Mirabete (2000. do Código Penal. que é o competente para julgar o crime mais grave. bem como o Enunciado 11 do IX Encontro dos Juízes dos Tribunais de Alçada e o Enunciado 14 do I Encontro de Coordenadores e Juízes das Turmas Recursais dos Juizados Especiais. 45) justifica seu entendimento no sentido de que “os institutos de composição e transação nada têm a ver com os prazos prescricionais”. Na hipótese de conexão entre um crime da competência do Juizado Especial Criminal e outro da competência da Justiça Comum. 34/219). deve prevalecer o foro comum. devendo ser vistas isoladamente. o Magistrado deverá remeter os autos para os 16 Art. Outro entendimento emana no sentido de que as penas máximas devem ser somadas ou verificado o máximo da reprimenda. Nas causas especiais de diminuição. 11916. Tratando-se de crimes qualificados. Se houver desclassificação de um crime da competência do júri para outro da competência dos Juizados. Caso ultrapassem um ano. a decisão do extinto Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo (RJDTACrim. isoladamente.

259/01 A Lei nº 10.259/01 foi criada em obediência ao disposto no parágrafo único do artigo 98. em obediência ao disposto no art. 18 Art.259. Desde então. que criou os Juizados Especiais Criminais no âmbito federal. parágrafo único. foram criados em nosso ordenamento dois conceitos distintos e autônomos de delitos de menor potencialidade ofensiva. Segundo os minoritários defensores desta corrente. parágrafo único. prosseguindo-se. e não for o competente para julga-lo. Em qualquer caso. da Lei nº 9. quis o legislador criar dois Juizados distintos. 2º19. pela derrogação ou não do art.099/95. 41017.4. que o 17 Art. acrescentado pela Emenda Constitucional nº 22 de 1999. Para tanto. A principal controvérsia surgiu a respeito do novo conceito de delitos de menor complexidade. 2º. Tais disposições. muito tem se discutido sobre a aplicação deste preceito nos Juizados Estaduais. que sejam arroladas testemunhas já anteriormente ouvidas. portanto. 2º. . de 10 de julho de 2001. contido no art.259/01: Consideram-se infrações de menor potencial ofensivo. para os efeitos desta Lei. em discordância com a denúncia ou queixa. Não se admitirá.21 Juizados Especiais Criminais. surgiram dois sistemas defendidos pela doutrina. será reaberto ao acusado prazo para defesa e indicação de testemunhas. do Código de Processo Penal. quais sejam o sistema bipartido e o unitário. que protegessem bens jurídicos diferentes. parágrafo único. 499 e ss. de acordo com os arts. 410. da CRFB: Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça Federal. remeterá o processo ao juiz que o seja. ou multa.2 Novo conceito trazido pela lei nº 10. foram modificadas pela entrada em vigor da Lei nº 10. 61. da Lei nº 10. § 1º. 19 Art. No parágrafo único de seu art. todavia. Justificam. Para o bipartido. os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos. 74. 98. ainda. depois de encerrada a inquirição.259/01 é restritamente aplicável no âmbito federal por força do preceito “para os efeitos desta lei”. da existência de crime diverso dos referidos no art. bem como que a Lei nº 10. do Código de Processo Penal: Quando o juiz se convencer. mencionada lei conceituou os delitos de menor potencialidade ofensiva como sendo aqueles em que a pena máxima não ultrapasse dois anos. 1. da Constituição Federal18.

devem ter tratamento isonômico. os bens jurídicos não são distintos e. vedada a aplicação desta Lei no Juízo Estadual. 61. 2020. o sistema único defende a possibilidade de extensão do dito conceito aos delitos de competência dos Juizados Estaduais. p. não estaria derrogado. aos quais se aplica. . preleciona Luiz Flávio Gomes (2002. 4º da Lei 9. de 26 de setembro de 1995.099/95 aos Juizados Federais.259/01: Onde não houver Vara Federal. p. negou a aplicação de seus dispositivos aos Juizados Estaduais. 489) enfatiza: A parte do parágrafo único do art.259/01. os dois Juizados tiveram a mesma fonte normativa (lei federal).259/01 é inconstitucional. se cometido no âmbito da Justiça Estadual. portanto.259/01: São instituídos os Juizados Especiais Cíveis e Criminais da Justiça Federal. do mesmo diploma.. assim. e. nestes pontos. poderia ser beneficiado pela transação penal. 1º21 da Lei nº 10. 21 Art. da Lei nº 10.099.22 art. neste ponto. preconiza esta corrente que. da Lei nº 10. Fernando da Costa Tourinho Neto (2002. que veda a sua aplicação no Juizado Estadual. no que não conflitar com esta Lei. a Lei nº 10. 2º. pois fere os princípios da igualdade e da proporcionalidade. Neste sentido. ambos da Lei nº 10.259/01. da Constituição Federal. de 26 de setembro. Aqui. são inconstitucionais porque contrariam o art. se o indivíduo cometesse um crime de desacato de competência da Justiça Federal. 1º. que proclama: todos são iguais perante a lei. da Lei dos Juizados Estaduais. As ofensas nitidamente se verificariam ao tratar infrações semelhantes de maneira diversa. enquanto o mesmo delito. 20. a causa poderá ser proposta no Juizado Especial Federal mais próximo do foro definido no art. Assim. que diz “para os efeitos desta Lei” e a parte final do art. 22): 20 Art. sem distinção de qualquer natureza. Em razão disso. 5º. como fez no art.. Para esta majoritária corrente. se pretendesse o legislador criar sistemas de Juizados diferentes. não mandaria aplicar a Lei nº 9. o art. 20.099. No tocante à restrição de aplicação da nova lei aos Juizados Estaduais. não seria tratado como crime de menor potencialidade ofensiva. o disposto na Lei 9. Por sua vez.

12.º 6. houve derrogação tácita do art. da Lei nº 10. IV. Com o advento da Lei nº 10. Com isso. cujo rol foi ampliado. independentemente da pena máxima cominada. principalmente pela própria natureza dessas infrações e em virtude do . Como se vê. V. estendendo-se aos Juizados Especiais Criminais Estaduais o novo conceito de delito de menor complexidade. todas as infrações cujas penas máximas não excedam a dois anos. 61 da Lei nº 9. 61. da Lei 9. Recurso desprovido. III. parágrafo único. Min. grande celeuma tem se criado diante do alargamento ou não do conceito de menor potencial ofensivo. p.259/01.099/95.259/01 – que instituiu os juizados especiais cíveis e criminais no âmbito da Justiça Federal – foi fixada nova definição de delitos de menor potencial ofensivo. DJ 01. II. conforme a justiça competente para o caso. Não tendo a nova lei feito qualquer ressalva acerca dos delitos submetidos a procedimentos especiais. estaria derrogado pela Lei dos Juizados Federais. da Lei nº 9. 61. 06. portanto. cuja competência é dos Juizados Especiais. devido à alteração para dois anos do limite de pena máxima.23 O mesmo fato não pode ser valorado pelo legislador como de menor potencial ofensivo ou não. o art. 5ª Turma. Em outras palavras: o dado de ser competente essa ou aqueloutra justiça não é suficiente para justificar tratamento diferenciador.2005.099/95. considera-se como de menor potencial ofensivo todas as contravenções penais.02.368/76) deve ser realizado perante o Juizado Especial Criminal. Todavia. derrogou o art. Gilson Dipp. 603). O julgamento do delito de porte de entorpecente (art. 16. (REsp 764190/ES. 2º. Para esta corrente.099/95. j. Por aplicação do princípio constitucional da isonomia. da Lei n.2006. trazido pela Lei dos Juizados Especiais Criminais Federais. está pacificado o entendimento no sentido de que o art. Assim já decidiu o Superior Tribunal de Justiça: I. inclusive as de rito especial. passaram a integrar o rol dos delitos de menor potencial ofensivo.

099/95. permitindo a transação e a suspensão condicional do processo inclusive nas ações penais de competência da Justiça Eleitoral.504/97. da Lei nº 9. in casu.24 estabelecido no art. 22 Art. Aos delitos eleitorais. j. uma vez que apenas as contravenções penais possuem tal pena.º 9. Cumpre ressaltar que a Lei nº 10. Lei n. 109. da Lei nº 9. IV22. . pela derrogação do art. Aplica-se.099/95. por disposição expressa do art.º 9. no que cabível. devem ser aplicadas as regras previstas na Lei nº 9. IV. A Lei dos Juizados Especiais incide nos crimes sujeitos a procedimentos especiais. Em relação aos crimes apenados somente com multa. Logo. excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral. II. 09. não restam dúvidas acerca de sua integração no rol dos delitos de competência dos Juizados. da Constituição Federal. segundo orientação do Superior Tribunal de Justiça: I. 61.099/95. Todavia. p.04. 3ª Seção. 23 Art. que as exclui da competência federal. Min. 109. que se enquadram no conceito de menor potencial ofensivo.06. III. 90-A23. Os crimes militares. da CRFB: Aos juízes federais compete processar e julgar: IV – os crimes políticos e as infrações praticadas em detrimento de bens. (Conflito de Competência 37595/SC. Gilson Dipp. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo de Direito da 3ª Zona Eleitoral de Blumenau/SC. o processo e julgamento de tais delitos ficam a cargo da Justiça Eleitoral.099/95. 238). todavia. não estão por ela abarcados. eles estão abarcados pelos Juizados Especiais Criminais. 90-A. houve uma impropriedade do legislador. os institutos preconizados na Lei n. serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas. Os crimes cuja pena de prisão até dois anos seja aplicada cumulativamente com a de multa. DJ 23. desde que obedecidos os requisitos autorizadores. por se tratar de competência em razão da natureza da infração. A criação dos Juizados Especiais Criminais não afasta a competência da Justiça Eleitoral para processar e julgar os crimes elencados no Código Eleitoral e nas demais leis. o Suscitado.259/01 não ressalvou os delitos cujo procedimento seja especial.099/95: As disposições desta Lei não se aplicam no âmbito da Justiça Militar.2003.2003. da Lei nº 9.

por força do parágrafo único do art. Tem prevalecido o entendimento de que a quantidade máxima da pena foi o critério utilizado para definir as infrações de menor complexidade. continuados e com eventuais causas de aumento e diminuição de pena possam ser de competência dos Juizados. O primeiro residiria na disposição “no que couber”. O segundo motivo reside no fato de tal delito ter o Estado como vítima e. não compete ao Juizado Especial Criminal. somente lhe seria cabível a suspensão condicional do processo. Nesse sentido. Todavia.503/97. ainda. do Código de Trânsito. 61. Dessa forma. em concurso. mesmo não se tratando de delitos de menor potencial ofensivo. vários delitos entrariam no rol da competência dos Juizados. . prevista pelo art. Com esse novo conceito. 2004. com a edição da lei nº 11. desde que não ultrapassem o limite de dois anos. deve-se seguir o mesmo raciocínio exposto no tópico anterior. é incontroverso que a multa é mais branda que a prisão. p. para que os crimes qualificados. tentados. ou multa. nova redação foi dada ao art. A abordagem da nova lei será feita posteriormente. 306 da Lei nº 9. Existem.099/95. por isso. Se entendimento diverso fosse admitido.313/06. devendo esta prevalecer. passando a considerar como de menor potencial ofensivo as infrações cuja pena máxima não seja superior a dois anos. os defensores da aplicação dos institutos. o Enunciado 54 do Fórum Nacional dos Juizados Especiais (apud Marisa Ferreira dos Santos e Ricardo Cunha Chimenti. 291. cujo processamento se dará na Justiça Comum. e. estaria impossibilitada a composição dos danos civis.25 Questão controversa surge a respeito dos crimes apenados com prisão superior a dois anos. há quem defenda a não possibilidade da aplicação da transação penal e da composição civil dos danos. inclusive com procedimento especial. 291 da mesma Lei. conseqüentemente. da Lei nº 9. aplicáveis ao crime previsto no art. 276): O processamento de medidas despenalizadoras. Em relação à controvérsia surgida em torno do crime de embriaguez ao volante. portanto. em virtude de dois motivos.

O inverso não procede. que afetam infimamente o bem jurídico. parágrafo único25) ou se a complexidade e as circunstâncias do caso não permitirem a formulação imediata da denúncia ou da queixa (art. Segundo Ada Pellegrini Grinover et al (1999. tem competência para a conciliação. 66 desta Lei. isso ocorre quando o acusado não for encontrado para ser citado (art. Nesses casos. agora. § 3º.26 1. Isso ocorre. Pela análise do mencionado artigo. 27 Art.099/95: Se a complexidade ou circunstância do caso não permitirem a formulação da denúncia. aos Juizados cabem “a conciliação. como preceitua a Constituição Federal e a lei. delimitar a esfera de atuação dos Juizados frente a estes delitos. o Juiz encaminhará as peças existentes ao Juízo comum para adoção do procedimento previsto em lei. da Lei nº 9. provido por Juízes togados ou togados e leigos. Assim. 6024. 77. Com isso.099/95: O Juizado Especial Criminal. Os institutos da Lei nº 9.5 Competência Pelo que se depreende do art. não poderão ser objeto de apreciação dos Juizados outras infrações que não detenham tal característica. 64). preserva-se o princípio da isonomia. depreende-se que compete aos Juizados julgar aquelas infrações menos complexas. da Lei nº 9. Tal competência. 26 Art. Pois bem. 25 Art. se se tratarem de delitos de menor gravidade. o julgamento e a execução das infrações de menor potencial ofensivo”. 60. 66. 24 Art. os autos deverão ser remetidos ao Juízo Comum. Cabe-nos. 77. é absoluta. o Ministério Público poderá requerer ao juiz o encaminhamento das peças existentes. § 2º. da Lei nº 9. Essas infrações consideradas de menor complexidade podem ser apreciadas pelo Juízo Comum.099/95 também devem ser aplicados nos processos da competência de outros Juízos. o julgamento e a execução das infrações de menor potencial ofensivo. evitando que situações semelhantes recebam tratamento diferenciado. §§ 2º26 e 3º27).099/95. cabendo ao juiz verificar se a complexidade e as circunstâncias do caso determinam a adoção das providências previstas no parágrafo único do art. 66 desta Lei. por exemplo. parágrafo único. 66. estabelecida em razão da matéria. na forma do parágrafo único do art. da Lei nº 9. nos crimes praticados por um indivíduo que detenha prerrogativa de foro.099/95: Na ação penal de iniciativa do ofendido poderá ser oferecida queixa oral. p. da Lei nº 9. 77.099/95: Não encontrado o acusado para ser citado. Já estudamos o conceito de infrações de menor complexidade. .

proíbe a aplicação de seus dispositivos no âmbito da Justiça Militar. nota de rodapé nº 23. das penas de multa aplicadas na transação e no julgamento.099/95: Vide pág. Grande parte da doutrina defende a idéia da separação dos processos. 90-A. 24. veiculada pela satisfação da vítima.313.099/95. tampouco gozarão da celeridade e simplicidade manejada nos 28 Art.099/95. compete aos Juizados Especiais Criminais a homologação da composição dos danos civis. 84. prevista nos arts. Tal abordagem se fará futuramente. da Lei nº 9. em princípio. será amplamente abordada em futura análise sobre o assunto. os outros órgãos jurisdicionais não seguirão o procedimento sumariíssimo. os processos perante Juizados. da Lei nº 9. o art. da Lei nº 9.27 É evidente que. devido às particularidades apresentadas pelos Juizados.099/95. foi alterada. . Assim. 60.259/01. apesar do emprego desses institutos. da lei nº 10. Destarte. 90-A28. de 28 de junho de 2006. caberá ao órgão competente julgar o crime mais grave se este estiver conecto com uma infração de menor potencialidade ofensiva. excluídas as demais sanções. ao julgamento da transação penal e dos processos em que não for possível a sua incidência. cuja competência é fixada pela Constituição Federal. a redação do art. 85 e 86. subtraindo da competência dos Juizados as infrações de menor potencial ofensivo que estejam conexas com crimes da competência da Justiça Comum e do Tribunal do Júri. casos em que o Ministério Público ofertará a denúncia. da Lei nº 9. No tocante aos delitos militares. A execução. e do art. Com a edição da lei nº 11. bem como a execução. 2º.

Assim. . e este abdicará do direito de defender sua liberdade e inocência. Tal sanção consistirá num acordo realizado entre o membro do Parquet e o autor do fato. surge para o Estado o direito de puni-lo. pode ser assim conceituada: Assim. atendidos os requisitos legais. caput29. a transação penal pode ser definida como o ato jurídico através do qual o Ministério Público e o autor do fato. seguindo processo até final julgamento. da Lei nº 9. acordam em concessões recíprocas para prevenir ou extinguir o conflito instaurado pela prática do fato típico. o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa. Quando o indivíduo pratica um fato definido pela lei como crime. 76. preenchidos os requisitos do art. a ser especificada na proposta. Nos delitos de menor potencial ofensivo. mediante o cumprimento de uma pena consensualmente ajustada. da Lei nº 9. quando não for o caso de arquivamento. Este é o procedimento comum. nas palavras de Sérgio Turra Sobrane (2001. e na presença do magistrado. 29 Art. caput. a persecução penal será instaurada.1 Conceito A transação penal.099/95: Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada. aplicando ao autor do fato pena restritiva de direitos ou multa. 76.099/95. mediante a aplicação de uma pena. 75). o Ministério Público pode deixar de oferecer denúncia. mediante concessões recíprocas.28 2 TRANSAÇÃO PENAL 2. p. em que aquele disporá do direito subjetivo do Estado de punir. não sendo caso de arquivamento.

30 Art. a questão se torna incontroversa. A transação penal pode ser proposta em duas oportunidades: na audiência preliminar. 73. proceder-se-á nos termos dos arts. 72. que se daria pelo oferecimento da denúncia. teve como propósito a extinção da ação penal. Ao estabelecer formas alternativas de composição dos conflitos. será marcada uma audiência preliminar para a proposta de transação. perante o Magistrado.099/95. o Ministério Público dispõe do direito de instaurar a persecução penal. Nesta audiência. . pelo autor da infração. uma vez cumprido o acordo. pois. que resultará na aplicação de uma pena restritiva de direitos ou multa. Ministério Público e autor do fato realizarão um acordo.2 Objetivos Quando da prática de um fato típico. num aspecto prático. A transação. Na hipótese de não ter sido oferecida a proposta nesta oportunidade. a transação penal veio mitigar o princípio da obrigatoriedade da ação penal. caso preenchidos. ao fazer a proposta.29 2. ou. Finalmente. Assim. da Lei nº 9. Todavia.099/95: No dia e hora designados para a audiência de instrução e julgamento. como medida despenalizadora. a pretensão punitiva é instaurada pelo oferecimento da denúncia. a busca da pacificação social pela conciliação. na audiência de instrução e julgamento. da Lei nº 9. Além disso. a transação teve por escopo a prevenção da formação do litígio. antes do oferecimento da denúncia. se esta já foi oferecida. os requisitos impostos pela lei. a transação visa impedir nova discussão acerca do mesmo fato. pelo que se denota no art. 79. passou-se a acelerar a prestação jurisdicional e a satisfazer o senso de justiça da sociedade. objetiva a transação penal. nova tentativa se dará na audiência de instrução e julgamento. neste caso. 7930. se na fase preliminar não tiver havido possibilidade de tentativa de conciliação e de oferecimento de proposta pelo Ministério Público. pois. Praticado um delito de menor gravidade. 74 e 75 desta Lei.

surgindo para o autor do fato um direito a ser necessariamente satisfeito. se ficasse relegada à discrição do Promotor. ferindo-se o princípio da isonomia ao oportunizar os efeitos da transação para alguns. E esse deverá é da Instituição. o Ministério Público “deverá” oferecer a transação penal. . de ofício. 28. a proposta. ou. na omissão do membro do Parquet. como a não reincidência.3. Com efeito. O Promotor não tem a liberdade de optar entre ofertar a denúncia e propor simples multa ou pena restritiva de direitos. Nada obstante. aplicar analogicamente o disposto no art. à vontade. a proposta. aquele poderá converte-se em deverá. caput. p. pois a lei lhe faculta o direito de oferecer a proposta. 28. 76. Não se trata de discricionariedade. satisfeitas as condições exigidas pela lei. o entendimento de Fernando da Costa Tourinho Filho (2000. da Lei nº 9. diz que o Ministério Público “poderá” formular a proposta de aplicação de pena restritiva de direitos ou multa.30 2.3 Titularidade da proposta Muitas são as discussões acerca da titularidade da proposta de transação penal. ainda. enquanto outros a encaram como poder discricionário do Ministério Público. efetuar. do Código de Processo Penal. Nem teria sentido que a proposta ficasse subordinada ao bel-prazer. Há ainda outros que defendem poder o Juiz. Formular ou não a proposta não fica à sua discrição.099/95: Vide pág. Nestes termos. 2. às vezes caprichosa e frívola. 31 Art. do Ministério Público. Parte da doutrina entende que. alguns defendem ser um direito subjetivo do autor do fato. pois esta não pode ficar à discricionariedade do titular da ação penal.1 Direito subjetivo O art. caput31. 76. Ele é obrigado a formulá-la. 92): Uma vez satisfeitas as condições objetivas e subjetivas para que se faça a transação. poderia levar a situações de desigualdade. nota de rodapé nº 29.

p. pois ele. fazendo com que se beneficie com a limitação dos efeitos da sentença. Nesse sentido o entendimento jurisprudencial do Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo (RT 742/647). para que o Promotor se manifeste sobre a sua aceitação. 129. 32 Art. tal discricionariedade permite “uma margem de escolha ao Ministério Público. a proposta consiste num poder-dever do Ministério Público. 140). Sendo um direito seu.099/95. 120). do acusado a formulação da transação. como titular da ação penal. . pode dispor do direito subjetivo de punir do Estado. destarte. I.32 da Constituição Federal.2 Poder discricionário do Ministério Público A corrente doutrinária contraposta defende a idéia de que. quando presentes os requisitos legais e havendo a sua concordância. que poderá deixar de exigir a prestação jurisdicional para a concretização do ius puniendi do Estado”. pois. apesar de haver recebido do Estado o direito de ação penal. ainda que o Ministério Público oponha-se a tal solução favorável. pelo princípio da oportunidade da ação penal. não pode submeter o infrator a tratamento mais rigoroso do que o previsto em lei (RJDTACRIM 31/199). é direito do réu.3. prevista no art. lhe conferido pelo art. Para Julio Fabbrini Mirabete (2000. privativamente. na forma da lei. a recusa injustificada do Ministério Público possibilitaria a inversão da proposta. a ação penal pública.31 negando-se este benefício a outros. A jurisprudência também já se manifestou nesse sentido. para aplicar pena não privativa de liberdade. 76 da Lei nº 9. “a ser exercido pelo acusador em todas as hipóteses em que não se configurem as condições do § 2º do dispositivo”. da CRFB: São funções institucionais do Ministério Público: I – promover. 2. Para Ada Pellegrini Grinover et al (1999. conforme entendimento do extinto Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo: A aplicação antecipada da pena. I. 129. p. partindo. cabe ao Ministério Público a atuação discricionária de fazer a proposta.

no sentido de não propor a transação penal. nada impediria que o Juiz lhe fizesse a proposta de uma aplicação de pena restritiva de direitos ou multa. que não se trata de movimentação ex officio. ainda. ou regulada. e estando presentes os requisitos exigidos pela lei.3. Defendem. no caso da transação. está impedido de exercer o direito de ação. diante da recusa injustificada do Promotor de Justiça em formular a proposta. Até mesmo o autor do fato. deve fazê-la justificadamente. já que o instituto é baseado na conciliação. com a assistência de seu defensor. Com isso. Sendo assim. no entanto. assim justificando por tratar-se de direito subjetivo do investigado. . ainda não há ação penal. O Promotor de Justiça. Ada Pellegrini Grinover et al (1999. ou regrada. coaduna com o princípio da isonomia e com a informalidade adotada pelo legislador na audiência preliminar. o Juiz deve efetuá-la para impedir a violação de um direito do autor do fato. como titular desse direito subjetivo. O acusado pode. haja vista que o Promotor.32 Frise-se que se trata de uma faculdade limitada. mas somente. 139). com ou sem a sua provocação. p. deve ser sempre fundamentada”. Assim já concluiu a Confederação Nacional do Ministério Público: “a manifestação do Promotor de Justiça. 2. não caracteriza constrangimento ilegal. A recusa. 96). para deixar de apresentar a proposta. sustenta que a possibilidade da iniciativa da proposta pelo acusado. uma “previsão de condições legais para que ela não seja proposta”. pois. há defensores que argumentam a possibilidade de oferecimento da proposta pelo Magistrado. contudo. diante do preenchimento das condições legais. p. opor uma sugestão ao Ministério Público quanto à sanção a ser aplicada. pode exigi-lo perante o Magistrado. nas palavras de Fernando da Costa Tourinho Filho (2000.3 Proposta e homologação pelo Magistrado Diante da inércia do Ministério Público em oferecer a proposta de transação. Nesse sentido.

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Em sentido contrário, os defensores da tese de discricionariedade do Ministério Público argumentam que, por ser ele o titular da ação penal, assim lhe conferido pela Magna Carta, tem a conveniência de escolher entre dois caminhos (a proposta ou a denúncia), segundo a necessidade de repressão ao crime praticado. Para eles, a transação, que se trata de um acordo entre a acusação e a defesa, não pode ser concedida e aceita unilateralmente. O Juiz estaria, com isso, extrapolando o seu âmbito de atuação, descendo da condição de imparcial e ocupando o lugar de parte. Isso consistiria na usurpação da função exclusiva do Ministério Público. Atentando-se ao disposto no art. 7933, da Lei nº 9.099/95, na audiência de instrução e julgamento deve ser oportunizada ao acusado a transação penal, se esta não lhe foi proposta na audiência preliminar. Com isso, um terceiro posicionamento surgiu a respeito da possibilidade da sua formulação pelo Juiz, na fase do citado dispositivo. Assim, apesar do Promotor não efetuar a proposta na audiência preliminar e optar por oferecer a denúncia, na audiência de instrução e julgamento poderá o Julgador fazê-lo. Nesse sentido a décima terceira conclusão da Comissão Nacional da Escola Superior da Magistratura (apud Ada Pellegrini Grinover et al, 1999, p. 141): “se o Ministério Público não oferecer proposta de transação penal e suspensão do processo nos termos dos arts. 79 e 89, poderá o Juiz fazê-lo”. Todavia, mencionada doutrinadora assevera que, mesmo nesta hipótese, se o Magistrado formular a proposta contra a vontade do Promotor, estará retirando deste o exercício do direito de ação, que lhe é exclusivo, segundo mandamento constitucional.

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Art. 79, da Lei nº 9.099/95: Vide pág. 29, nota de rodapé nº 30.

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2.3.4 Aplicação analógica do art. 28 do Código de Processo Penal

Visando solucionar este conflito, doutrina e jurisprudência se dividem sobre a possibilidade de aplicação analógica do art. 2834, do Código de Processo Penal. Nesse caso, se o Promotor deixasse de oferecer, injustificadamente, a transação penal, o Magistrado poderia remeter os autos ao Procurador-Geral, e este poderia formulá-la, designar outro Promotor para oferecê-la, ou insistir na não formulação. Para alguns, que sustentam ser a transação uma discricionariedade do Ministério Público, seria inadmissível esta aplicação analógica em virtude de não haver lacuna na lei, já que esta prevê expressamente a iniciativa exclusiva do Promotor. Ainda, asseveram que o art. 28, do Código de Processo Penal, é aplicado por pretender o Ministério Público arquivar indevidamente o processo, deixando de exercer a titularidade da persecução penal. Ao deixar de oferecer a transação penal, não quer o Promotor o arquivamento do feito, mas, em sentido contrário, pretende exercer o seu direito de ação. Há, pois, quem defenda a inaplicabilidade do mencionado dispositivo em virtude de que, por ser um direito subjetivo do autor do fato, o membro do Parquet estaria proibido de oferecer a denúncia. Assim, como essa proibição se estende a toda a Instituição, seria inócua a remessa ao Procurador-Geral porque este também estaria impedido de ofertar a inicial acusatória. Nesses casos, quem deveria elaborar a proposta seria o Magistrado.

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Art. 28, do Código de Processo Penal: Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.

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2.4 Requisitos genéricos

A transação, como já dito anteriormente, trata-se de uma conciliação entre o autor do fato e o membro do Ministério Público, em virtude da prática um fato ilícito praticado por aquele, que gera ao Estado o direito de puni-lo. Pois bem. A transação possui dois requisitos genéricos, sem os quais ela não pode existir. Trata-se da incerteza do direito ou da pretensão e a reciprocidade de concessões. Praticado o fato ilícito, ao Estado cumpre o dever de punir o seu autor. Obedecendo ao procedimento comum, será ofertada a denúncia e, após a instrução, sobrevirá a sentença. Note-se que nas infrações de menor gravidade em que seja possível a proposta de transação, há uma probabilidade da instauração da persecução penal, contudo, nem o Ministério Público pode antever a condenação, tampouco o acusado tem certeza da absolvição. Quando é feita a proposta, o membro do Parquet se conduz apenas pela necessidade da aplicação de uma sanção, fazendo um juízo de probabilidade de culpabilidade, levando em conta apenas os elementos que possui no momento. Em virtude dos frágeis elementos probatórios, o direito torna-se duvidoso no sentido de não se poder indicar, exatamente, se o delito foi cometido por aquele a quem se imputa, ou se as provas são suficientes para demonstrar a sua responsabilidade. Pelos mesmos motivos, a pretensão da condenação ou absolvição se mostra incerta. Por isso, as partes recorrem à transação, visando prevenir ou extinguir a lide penal. A transação também é caracterizada pela mútua concessão. O Ministério Público renuncia ao seu direito de ação, enquanto o autor do fato abre mão de garantias processuais, como o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, sujeitando-se a uma sanção convencionada.

ela ainda não transitou em julgado. a transação penal possui pressupostos específicos. renuncia aos efeitos decorrentes de um provimento jurisdicional condenatório. eventual condenação à prática de contravenção não impede seja a proposta formulada. o Ministério Público não poderá oferecê-la. nos termos deste artigo. II – ter sido o agente beneficiado anteriormente.099/95: Não se admitirá a proposta se ficar comprovado: I – ter sido o autor da infração condenado. impedindo a caracterização da reincidência e de efeitos civis. caracterizados como causas impeditivas da sua propositura. 37 Art. que não importará em reincidência. Ademais. da Lei nº 9. em virtude de referirse apenas à pena privativa de liberdade. além disso. ainda que com efeito devolutivo. à pena privativa de liberdade. o juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou multa. 36 Art. cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível. LVII. pela prática de crime. salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo.099/95. A primeira delas está consubstanciada na inadmissibilidade da proposta em razão de condenação anterior definitiva. por sentença definitiva. 35 Art. da Lei nº 9. com a sua ocorrência. pois o mencionado dispositivo somente faz alusão à condenação por “crime”. 5º.099/95.099/95: A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de antecedentes criminais. ser necessária e suficiente a adoção da medida. pela aplicação de pena restritiva de direitos ou multa. II e III. do art. por disposição expressa dos §§ 4º35 e 6º36. da Constituição Federal. do art. . a conduta social e a personalidade do agente. objetivos e subjetivos.5 Causas impeditivas Além dos mencionados requisitos genéricos. pela prática de crime. § 2º. 7637. bem como os motivos e as circunstâncias.36 O Estado. 76. 2. 76. 76. da Lei nº 9. haja vista que. 76. § 4º. da Lei nº 9. à pena privativa de liberdade. Por sentença definitiva deve-se entender como aquela transitada em julgado. da Lei nº 9. § 6º. sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de 5 (cinco) anos. Se a condenação estiver pendente de recurso. de igual sorte será permitida a transação. no prazo de 5 (cinco) anos. e não terá efeitos civis. ordinário ou extraordinário.099/95: Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração. Se imposta na condenação por crime pena restritiva de direitos ou multa. do § 2º. III – não indicarem os antecedentes. sob pena de violar o art. Essas hipóteses estão previstas nos incisos I. que preceitua “que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”.

como a anterior.37 Questão controversa surge a respeito do princípio da temporariedade da reincidência. Outra hipótese de inadmissibilidade que. p. se . retornando o condenado à condição de primário. previsto pelo art. sendo o lapso de cinco anos contado da efetivação da transação anterior e a data da audiência preliminar. A homologação da transação penal será registrada justamente para garantir esse preceito. 105) leciona: Do contrário. Essa apreciação subjetiva ficará a cargo do Ministério Público. o lapso superior a cinco anos faz com que a condenação perca sua eficácia para efeitos de reincidência. pois mesmo que o agente ainda não tenha sofrido condenação. se o autor do fato tiver sido beneficiado com a suspensão condicional do processo. seja porque sua conduta social ou sua personalidade a tornariam inócua. o Ministério Público pode deixar de oferecer a proposta caso verifique que a aplicação de uma pena restritiva de direitos ou multa não será suficiente para reprimir o acusado. expressamente. seus antecedentes desfavoráveis podem impedir a concessão do benefício. Da mesma forma. 89. continuaria como um anátema cruel. Parte da doutrina entende que. Para outros. também é objetiva. Assim. nada impediria a transação penal. A terceira causa impeditiva da transação vem disposta no inciso III. deixando-o. Fernando da Costa Tourinho Filho (2000. como se fez no inciso II. praticamente. da Lei nº 9. para não gerar a sensação de impunidade. Assim justificam porque o legislador não estabeleceu. estigmatizando o homem. descrita no inciso II. refere-se ao fato de que a mesma pessoa não pode ser beneficiada duas vezes com a transação dentro do prazo de cinco anos. prevalece a inadmissibilidade da proposta de transação. Absurdo. essa possibilidade. Nesse sentido. cuja pena foi cumprida ou extinta há mais de vinte anos. seja devido a seus antecedentes ou motivações. embora passados cinco anos entre o trânsito em julgado da sentença condenatória anterior e a audiência preliminar. à margem da sociedade. aquela condenação. pressupondo circunstâncias de caráter subjetivo.099/95.

podendo melhor analisar a possibilidade de absolvição ou condenação. 76 desta Lei. ela será submetida à apreciação do Juiz. . como dispõe o § 3º. Também não será homologado o acordo diante da ausência do defensor constituído ou nomeado. então. Aceita a proposta. tal benefício lhe poderia ser negado. Alguns doutrinadores entendem que se deve levar em consideração a palavra do envolvido. quando não houver aplicação de pena. Se houver conflito entre a vontade do autor da infração e de seu advogado.099/95: Na ação penal de iniciativa pública. discussão sobre a possibilidade de modificação do acordo pelo Magistrado. o Ministério Público oferecerá ao juiz. p. pela ausência do autor do fato. é preciso que o autor do fato e seu defensor a aceitem. devendo seguir o processo com a denúncia do Promotor. Segundo essa orientação. da Lei nº 9. o Ministério Público poderá ofertar a denúncia oral nessa audiência. ou pela não ocorrência da hipótese prevista no art. Outro posicionamento emana da doutrina. denúncia oral.099/95. do art. § 3º. bastando o preenchimento de apenas uma delas para impossibilitar a transação. Urge. 77. pelo que emerge do art.38 baseada nas circunstâncias objetivas. há entendimento no sentido de que a vontade do advogado deve prevalecer. pois ele é quem se sujeitará às conseqüências da sanção. “se a assistência do advogado é indispensável. Importante salientar que essas causas impeditivas não precisam concorrer.099/95: Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor. várias são as opiniões a respeito. 7638. será submetida à apreciação do juiz.099/95. em análise desse requisito subjetivo. havendo discordância de um deles. em especial de Julio Fabbrini Mirabete (2000. 138). 7739. Por outro lado. da Lei nº 9. 39 Art. se não houver necessidade de diligências imprescindíveis. ou se o acusado não comparecer na audiência preliminar. Contudo. 2. pois ele é quem conhece o direito. obrigatória é também sua concordância com a transação”. será impossível a homologação da proposta. da Lei nº 9. de imediato. 38 Art. da Lei nº 9. 76. Se não for aceita a proposta. no sentido de que.6 Aceitação Para que o acordo seja homologado pelo Juiz.

se o Juiz verificar que a multa é excessivamente gravosa. mediante um controle judicial. buscando sempre o interesse social. Nesse sentido o entendimento jurisprudencial do extinto Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo (RJDTACRIM 42/178. do art. . 76. se pena for a de restritiva de direitos. 42/181. o juiz poderá reduzi-la até a metade. poderá diminui-la. § 1º. 41/214-215). da Lei nº 9. pois o titular da proposta é exclusivamente o Ministério Público. há quem defenda a impossibilidade de mudança do acordo. da Lei nº 9. por violação ao princípio da imparcialidade. o Juiz poderá reduzir até a metade se a pena imposta for unicamente a de multa. visando atender os fins a que se destina a pena. Atuando no interesse da pacificação social. 40 Art. Em sentido contrário. 42/180. há os defensores da tese de que o Juiz pode modificar o acordo.39 Conforme preceitua o § 1º. 7640. 42/184. cabendo ao Juiz apenas a verificação da sua legalidade. Todavia.099/95: Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável.099/95.

da Lei nº 9.605/98: Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo. 76 da Lei 9. tratando-se de crime ambiental. Nada obstante. da Lei nº 9. realizada nos moldes do art.099/95: Na audiência preliminar. Tal preceito vem estabelecido no art. 76. 43 Art. 27. a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa. o juiz esclarecerá sobre a possibilidade da composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata de pena não privativa de liberdade.2 Ação penal pública condicionada à representação A aplicação de uma pena restritiva de direitos ou multa somente poderá ser formulada caso o ofendido manifeste o interesse de representar contra o seu ofensor. o Ministério Público poderá formular a proposta de transação ao autor do fato. salvo em caso de comprovada impossibilidade. nota de rodapé nº 29. 27. de que trata o art. 28. A proposta deverá ser elaborada pelo membro do Parquet de forma clara e precisa. caso seja a ele imputado um delito cuja ação penal seja pública incondicionada.099. prevista no art. não será possível a elaboração da proposta caso não tenha havido a prévia composição do dano ambiental. o autor do fato e a vítima e. da Lei nº 9.1 Ação penal pública incondicionada Independentemente da ocorrência de composição civil entre as partes. indicando a espécie e duração da pena restritiva de direitos e suas conseqüências.40 3 TRANSAÇÃO PENAL NAS VÁRIAS ESPÉCIES DE AÇÕES 3. 42 Art.099/95. 76. o responsável civil. presente o representante do Ministério Público. acompanhados por seus advogados.605/9842. 7241. somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental.099/9543. bem como o valor da multa. da Lei nº 9. 41 Art. 74 da mesma Lei. de 26 de setembro de 1995.099/95: Vide pág. se possível. como dispõe o art. ressalvadas as hipóteses de impossibilidade deste acordo. 3. da Lei nº 9. se se tratar de pena pecuniária. parte final. da Lei nº 9. . 72.

74. parágrafo único. da Lei nº 9. Se. ao final do processo. 55). “podendo ocorrer a qualquer tempo o perdão do ofendido. 137): 44 Art. preconiza a doutrina que se a vítima pode oferecer a queixa ao restar infrutífera a conciliação. 76. o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação. Assim leciona Ada Pellegrini Grinover et al (1999. o abandono. previsto pelo art. a desistência da ação. caso tenha restado frutífera a composição dos danos civis. tal implica na renúncia ao direito de representação. A imposição de uma sanção. que é inerente ao poder estatal. impossibilita a proposta.099/95. poderá exercê-lo dentro do prazo decadencial de seis meses. A Lei nº 9. 3. da Lei nº 9. na ação penal privada vigora o princípio da oportunidade. incompatível com o presente instituto”. .condicionada ou incondicionada – sem. p. 38. no caput do art. por disposição expressa do parágrafo único do art.3 Ação penal privada Muita discussão se travou na doutrina e na jurisprudência acerca da possibilidade de transação penal na ação penal de iniciativa privada. do Código de Processo Penal. que é a formulação da transação penal. se reduziria à aplicação de uma pena restritiva de direitos ou multa. por apenas possuir interesse na reparação dos danos causados pelo autor do fato. sendo que este objetivo já seria atingido pela transação penal.099/95. não pode proporlhe uma sanção penal. tornando perempta a ação e. p. restringindo-a apenas aos delitos cuja persecução penal é pública . mencionar a hipótese dos crimes de ação penal privada. poderá o menos. apesar da não obtenção da composição civil. contudo. 7444. Para Marino Pazzaglini Filho et al (1996. o ofendido não representar o autor do fato por ocasião da audiência preliminar. Em outro sentido. Por este motivo. portanto. entendeu-se que a vítima.41 Insta salientar que.099/95: Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação.

como o faz por analogia ao art. remeter os autos ao Procurador-Geral de Justiça? Em recente artigo publicado na Rede Mundial de Computadores <http://jus2. se aceita pelo autuado. p. 21.uol. Recurso provido para anular o feito desde o recebimento da queixa-crime. em sua décima primeira conclusão. mais viável se torna a transação penal.42 Talvez sua satisfação. Questão interessante surge a respeito da titularidade da formulação da proposta. o que fará o Juiz se não pode.com. que “o disposto no art. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já decidiu: A Lei nº 9. desde que obedecidos os requisitos autorizadores. pois esta implica na renúncia da vítima ao direito de ação.099/95 (RHC 8. Rel.br/doutrina/texto. Todavia.1999. 164). v. 76 abrange os casos de ação penal privada”. uma vez que o princípio da oportunidade rege a ação penal privada”. j. Juiz de Direito no Distrito Federal e professor da Faculdade de Direito do . do Código de Processo Penal. no âmbito penal se reduza à imposição imediata de uma pena restritiva de direitos ou multa. porque entendeu ser isto óbvio.480-SP. inclusive por iniciativa do querelante”. se couber à vítima a proposta de pena restritiva de direitos ou multa. 603). Luis Martius Holanda Bezerra Júnior. p. 5ª Turma. e não se vêem razões válidas para obstar-se-lhe a via da transação que. Min.11. permitindo a transação e a suspensão condicional do processo nas ações penais de iniciativa exclusivamente privada. 28.099/95 aplica-se aos crimes sujeitos a procedimentos especiais. será mais benéfica também para este.asp?id=3702>. Existem entendimentos no sentido de que. Já decidiu o Enunciado 49 do Fórum Permanente dos Coordenadores dos Juizados Especiais: “na ação de iniciativa privada cabe a transação penal e a suspensão condicional do processo. Gilson Dipp. A Comissão Nacional da Magistratura manifestou.u.10. a fim de que seja observado o procedimento da Lei nº 9. Para Fernando da Costa Tourinho Neto e Joel Dias Figueira Júnior (2002. por vigorar na ação privada o princípio da disponibilidade e oportunidade. e esta opinar por não oferecê-la. DJU de 22.1999. “a lei não previu expressamente que o querelante pudesse fazer a proposta..

resta infrutífera a tentativa de conciliação. o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já decidiu que caberá ao Ministério Público. estabelece penalidades que se tornam desproporcionais em relação ao delito praticado. o ofendido se recusa a ofertar qualquer proposta que venha a amenizar a situação do acusado. pois.43 Centro Universitário de Brasília. DJ de 21. Min. na mesma oportunidade. Fernando Gonçalves. pois na vítima existe um sentimento de mágoa e revanche.1999. . é definitiva e irretratável (6ª Turma. em 16. na condição de fiscal da lei e de Órgão constitucionalmente incumbido da defesa da ordem Jurídica e essencial à função jurisdicional do Estado (este último único e verdadeiro titular do jus puniendi). assevera que. j. RHC nº 8. para inviabilizar a sua concessão. uma vez encerrada a fase conciliatória que antecede o recebimento da proemial. que a anima em ver seu ofensor na condição de réu. validamente. caso venha a ser aceita pelo querelado. será objeto de apreciação e conseqüente homologação pelo Juízo competente. atuando como fiscal da lei e titular do jus puniendi. Pelo mesmo motivo. Rel. já determinasse fosse colhida.04.06. ou. formular proposta de transação que. não raras vezes. uma vez aceita pelo querelado e homologada pelo Juiz. a formulação da proposta de transação penal. desde que não haja formal oposição do querelante. a formulação da proposta de transação: Na ação penal de iniciativa privada. que o Juiz.123/AP. o Ministério Público poderá. p. 202). cabendo ao Ministério Público. dispõe em seu artigo que: Melhor seria. Em vista disso. a manifestação do Promotor com assento natural perante aquele Juízo. coadunando com a realidade apresentada nas Varas Criminais. se não houver oposição do querelante.1999. Não obstante as diversas correntes. verificando que o querelado preenche todos os requisitos legais para a transação penal. que.

pgj. .gov. Cuida-se de medida judicial sem conseqüência penal. ao analisar a natureza jurídica da transação. discutindo acerca da natureza jurídica da sentença homologatória da transação penal. considera-se a natureza jurídica da sentença homologatória da transação penal como declaratória do acordo realizado entre o Ministério Público e o autor do fato. Na realidade não há processo penal em seu sentido estrito.1 Natureza jurídica Vários posicionamentos se firmaram na doutrina e na jurisprudência. disse que a aceitação da proposta de aplicação de pena menos grave constitui forma de despenalização. e este se submete à pena convencionada. Diante da celeuma. 4.1. da 17ª Unidade do Juizado Especial.htm>. Não há observância do “due process of law” e menor garantia dos princípios constitucionais.44 4 SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA 4. Conseqüentemente não há pena a ser aplicada.ce. visto que. no site <http://www. sustentou ser a sentença homologatória de caráter meramente declaratório.1 Sentença meramente declaratória Por este entendimento.br/secretarias/secje/artigos/artigo1. ou seja. Em recente artigo publicado na Internet. dependendo da natureza adotada. não se trata de sanção penal propriamente dita. em que aquele renuncia ao direito de propor a ação penal. o Promotor de Justiça Francisco Edson de Sousa Landim. por não ter sido instaurada a persecução penal e por não gerar a decisão os efeitos típicos da condenação: Tanto é verdade que. necessária se faz a abordagem sobre as diversas correntes. os efeitos do descumprimento da medida serão diversos.

2000. DJU 23. além de declarar a existência de um acordo. p. ou seja. DJU 17.3 Sentença condenatória Segundo outra corrente doutrinária. HC 11111-SP. 6ª Turma.12.2000).2 Sentença declaratória constitutiva Os defensores desta corrente. que deve ser executada. torna certo o que era incerto. cria uma situação nova para as partes envolvidas.1. nos moldes acima especificados. outra característica: a de ser também constitutiva. Primeiramente. declara a situação do autor do fato. a sentença homologatória da transação penal é condenatória porque impõe ao autor do fato uma pena. 107). p. Nesse diapasão. impedindo oferecimento de denúncia contra o autor do fato. DJU 25.2001. sustentam que a decisão que homologa a transação penal é declaratória. .1. RHC 10369SP. a sentença homologatória da transação penal constitui uma situação de impedir a concessão da medida em lapso inferior a cinco anos. pois uma das partes renuncia ao direito de punir do Estado. E ainda impõe uma sanção penal ao autor do fato. todavia.2000. Acrescentam. Resp 205739-SP. Nesse sentido leciona Marino Pazzaglini Filho et al (1996. em especial Cezar Roberto Bitencourt (1997. o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: A sentença homologatória da transação penal tem natureza condenatória e gera eficácia de coisa julgada material e formal. Mas além de declarar.09. cria uma situação jurídica que até então não existia. 53). 4.10. se descumprido o acordo homologado (5ª Turma.09. e outra se submete à sanção alternativa. Assim.45 4. Resp 190194-SP. DJU 18.

142). a reincidência. 91 e 92. por exemplo. como. da lei penal. No mesmo sentido o entendimento de Jayme Walmer de Freitas.1. formando a coisa julgada formal e material. como fato jurídico: não constitui título executório no juízo cível. a mencionada decisão não pode ser considerada como absolutória. E. p. asseveram não ser possível considerá-la como absolutória. 4. Com isso.46 4.bu. não se pode falar em sentença condenatória pura.ufsc.pdf>. bem como não produz os demais efeitos de uma sentença condenatória comum. p.br/VisaoAbreviadaLei9099. ainda. mas que não produz os efeitos típicos de uma sentença condenatória. visto que aplica . Acrescentam Weber Martins Batista e Luiz Fux (1997. há quem defenda a natureza meramente homologatória da sentença de transação penal. apesar de ter efeitos processuais e materiais. visto que “impossível absolver alguém impondo-lhe uma ou mais das penas previstas no Código Penal”. não gera reincidência etc. no caso da imposição pelo juiz de pena não privativa de direito.4 Sentença condenatória imprópria Para Julio Fabbrini Mirabete (2000. pois.1. extraído do site <http://www. criando uma situação jurídica ainda não existente. a não ser no que diz respeito à execução da pena imposta. previstos no art. não gera essa decisão qualquer dos efeitos da sentença condenatória. Assim. acordada em transação realizada entre o Ministério Público e o autor do fato.5 Sentença meramente homologatória Nada obstante os posicionamentos acima. impedindo a instauração da persecução penal. Juiz Criminal em Sorocaba e Juiz Diretor da Turma Recursal Criminal de Sorocaba. a sentença que homologa a transação penal tem caráter condenatório impróprio porque impõe ao autor do fato uma sanção penal. 317) que: Ora. apresenta como um de seus aspectos principais o não reconhecimento da culpa do autor do fato.

099/95. inexistiria homologação ou sentença semelhante. tem caráter meramente homologatório. constitucionalmente aceita pelo art. haja vista terem o firmado com base na vontade. convencionando sobre os termos a serem impostos a cada uma das partes. sustenta que. não faria coisa julgada e não formaria título executivo. tampouco pode ser tida como condenatória. ainda que verse matéria não posta em juízo. Corroborando com tal entendimento.6 Sentença homologatória com eficácia de título executivo Essa visão considera a sentença de natureza homologatória. p. III45. “pois é uma medida especial. constituindo um título executivo com a formação da coisa julgada material. sem acusação formal. §4º. a medida aplicada tem caráter de sanção penal. 45 Art. visto que sem a existência da transação. Como sentença homologatória. a posição do Promotor de Justiça Divino Marcos de Melo Amorim. da Lei nº 9. motivo único da aplicação de pena restritiva de direitos ou multa.1. 584. ainda. Assim. tendo em vista que dá força judicial à transação penal efetuada entre o Parquet e o autor do fato. pois não houve acusação e a aceitação da transação não traz as conseqüências comuns de uma sentença de condenação. 98. por ser a medida aplicada uma “sanção consentida”. do Código de Processo Civil. 584.47 uma sanção de natureza penal. aplicando-se analogicamente o art. data maxima venia. que aplica a pena. Em virtude disso. do Código de Processo Civil: São títulos executivos judiciais: III – a sentença homologatória de conciliação ou de transação. 106). 4. não pode ser vista de acordo com a sentença comum. O doutrinador Nereu José Giacomolli (1997. . de cunho eminentemente pedagógico. em recente publicação na Internet: Ocorre que. inciso I. cujo descumprimento da obrigação acarreta a possibilidade de execução. a sentença teria natureza homologatória por chancelar o acordo celebrado entre o membro do Ministério Público e o autor do fato. a sentença que trata o artigo 76. da Carta Magna pátria. sem dilação probatória”.

do CPC). Se o autor do fato não cumpre a pena restritiva de direitos. rel. 76 da Lei dos Juizados Especiais Criminais não é nem condenatória e nem absolutória. III.. caberá apenas a execução da medida. que não indica acolhimento nem desacolhimento do pedido do autor (que sequer foi formulado). em face do consenso dos interessados. como a prestação de serviços à comunidade. São os próprios envolvidos no conflito a ditar a solução para sua pendência. a decisão do Supremo Tribunal Federal (HC 79. 584. Min. constituindo título executivo judicial. não é absolutória nem condenatória. . Em consonância com tal entendimento. da ilicitude ou da culpabilidade”. Marco Aurélio): 1. 2. 4. por faltar o exame dos elementos da infração.48 Assim..572. p. observados os parâmetros da lei. A sentença que aplica pena no caso do art. não tendo o autor do fato cumprido a obrigação que lhe foi imposta. conclui: (. Tem eficácia de título executivo judicial.) a sentença que aplica a pena. 3. como ocorre na esfera civil (art. iniciando-se a persecução penal. Diante disso. Em conseqüência. os autos devem ser remetidos ao Ministério Público para que requeira a instauração de inquérito policial ou ofereça denúncia. da prova. É homologatória da transação penal. Ada Pellegrini Grinover et al (2005. o efeito é a desconstituição do acordo penal. Trata-se simplesmente de sentença homologatória de transação. pois não é possível o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público. mas que compõe a controvérsia de acordo com a vontade dos partícipes. 167/168) leciona que “na sentença que aplica a medida alternativa não há qualquer juízo condenatório.

só sendo admissível tal hipótese quando verificada a ocorrência de nulidade insanável.099/95: Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. Art. § 2º O recorrido será intimado para oferecer resposta escrita no prazo de 10 (dez) dias. em seu art. da qual constarão as razões e o pedido recorrente. com vistas à absolvição (RJTRTJSC 8/162).099/95. que caberá o recurso de apelação previsto no art. 76. notadamente se o intento é questionar o mérito da acusação. A transação prevista no art. § 5º Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos. também não é cabível a apelação. ou ainda. pois sequer foi instaurada a ação penal. por petição escrita. Não é possível. contados da ciência da sentença pelo Ministério Público. 82 desta Lei. aceita a proposta pelo Ministério Público. 147): É incabível a interposição de recurso contra a homologação de transação penal. Assim. a súmula do julgamento servirá de acórdão. 46 . e homologada por sentença do juiz. prevista na Lei nº 9. p. 65 desta Lei. Se o acordo foi homologado nos termos propostos pelo Ministério Público e aceitos pelo autor do fato.099/95. dispõe a Lei nº 9.099/95: Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação. 47 Art. 76. § 5º46. § 5º. em virtude de faltarlhes interesse de agir. 8247. 76 da Lei nº 9. aplicação de pena diversa da aceita pela parte (RJDTACRIM 33/189). pelo réu e seu defensor. do mesmo diploma legal. reunidos na sede do Juizado. uma vez que não houve julgamento de mérito. se feita com a concordância do réu assistido por seu advogado. § 3º As partes poderão requerer a transcrição da gravação da fita magnética a que alude o § 3º do art.2 Recurso cabível da sentença homologatória Após a homologação do acordo celebrado entre as partes. § 4º As partes serão intimadas da data da sessão de julgamento pela imprensa. não tem o transator interesse recursal. 82. Nesse sentido vêm entendendo nossos Tribunais (apud Julio Fabbrini Mirabete. que poderá ser julgada por turma composta de 3 (três) juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição. da Lei nº 9.49 4. 76 da Lei nº 9. 2000.099/95 – Homologação – Apelação criminal – Não-conhecimento. Transação penal – Art. a interposição do aludido recurso caso a parte tenha interesse em discutir questão de mérito. § 1º A apelação será interposta no prazo de 10 (dez) dias. contudo.099/95 não tem caráter de sanção penal e nem implica na admissão de culpa. da Lei nº 9.

DJU de 7-8-98). assim decidiu: Proposta transação penal de ofício pelo Juiz. todavia. O Supremo Tribunal Federal já se pronunciou acerca da legitimidade do Ministério Público em apelar da sentença homologatória. “pois não teria sentido a execução de pena em desacordo com a transação efetuada entre as partes ou quando se alegasse nulidade do feito”. atuando como fiscal da lei. por flagrante nulidade da decisão. ou contra manifestação expressa do Promotor de Justiça em sentido contrário. não for acolhida pelo Juiz. a apelação pode ser interposta. ante a ausência de previsão legal. ou quando esta. mas outro membro do Ministério Público. o recurso deve ser recebido em seu efeito devolutivo. mas seu advogado não concordou. HC 77. a homologação referir-se à medida não acordada entre as partes. 145). A Confederação Nacional do Ministério Público. outro defensor pode interpor a apelação. JSTF 240/338. apesar de apresentada pelo Promotor e aceita pelo acusado. Quando a proposta de aplicação de pena restritiva de direitos ou multa foi aceita pelo agente. caso a transação tenha sido aceita pelo advogado do autor. Para Julio Fabbrini Mirabete (2000. A contrário senso.041-3-MG. Se a transação tiver sido proposta de ofício pelo Juiz e aceita pelo autor do fato. pode ele recorrer da decisão. p. também é cabível o recurso. O mesmo ocorre nos casos em que o autor da infração alegar que a transação não foi por ele aceita.50 Se. posto que violadora dos princípios constitucionais da inércia e da imparcialidade da jurisdição e da privatividade do exercício da ação penal pelo Ministério Público. é possível que o Ministério Público interponha o recurso. em sua conclusão nº 8. O mesmo pode ser entendido nos casos em que o membro do Parquet manifeste-se expressamente contrário à proposta. discordar da proposta. . Se for homologada a transação penal. admitindo seu recurso em virtude de atuar como custos legis e possuir independência funcional (RT 757/487. se aceita pelo réu e homologada pelo Juiz cabe recurso. mas este com ela não consentiu.

A parte. visando evitar a instauração de um processo criminal. da ilicitude ou da culpabilidade). evitando-se que contra ela seja instaurada a persecução penal. . nem sequer investigação fática. Para Julio Fabbrini Mirabete (2000. há mera homologação de vontade. não há ofensa ao princípio do nulla poena sine culpa. mediante um juízo de conveniência. p. por imposição de pena sem acusação formal. segundo a Magna Carta. não há sentença condenatória com trânsito em julgado. Cezar Roberto Bitencourt (1997. 109): No caso de aceitação da medida alternativa. não se verifica o reconhecimento da culpa pelo autor do fato. neste ponto. pois o agente pode optar pelo prosseguimento do processo. das partes e do advogado. não há exame dos elementos da infração. Por isso. a aceitação da proposta constitui uma técnica de defesa. 98. O que se verifica é apenas um acordo feito por ele e pelo Ministério Público. da prova. “cedendo quando houver prova em contrário. como ocorre com a aquiescência do autor do fato. LVII. se submete voluntariamente a uma sanção penal.51 5 EFEITOS DA MEDIDA A aceitação da medida alternativa pelo autor do fato não significa o reconhecimento de sua culpabilidade penal e responsabilidade civil. Enfatiza Nereu José Giacomolli (1997. Portanto. estará obedecido o devido processo legal. do Ministério Público. 5º. como a presença do Juiz. somente após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória é que alguém será considerado culpado. Prevalece entendimento doutrinário e jurisprudencial no sentido de que a transação é mandamento constitucional (art. p. I) e. atendidos os requisitos previstos pela lei na audiência preliminar. com delimitação da medida. Critica-se a transação penal. 107) preconiza que a presunção de inocência é relativa. Importante salientar que. Não há juízo condenatório na sentença que aplica a medida (não há sentir do Juiz. nos termos do art. p. na transação penal”. 143). segundo julgar mais vantajoso.

exceto para fins de requisição judicial. exceto quando for requisitado judicialmente a fim de instruir outros processos. da Lei nº 9. 76. determinando que a condenação não fique constando dos registros criminais. Cezar Roberto Bitencourt (1997. A transação também não constará de certidão de antecedentes criminais e não gerará reincidência. nota de rodapé nº 36. Parágrafo único Efetuado o pagamento.099/95. § 4º. 5. cujo comprovante será entregue no Juizado. a inexistência de efeitos civis. assim como não se incluirá o nome do autor do fato no rol dos culpados.099/95: Vide pág. 7648. valendo-se do disposto no § 4º. 48 49 Art. da Lei nº 9. Assim. da Lei nº 9. uma condenação. Art. 8450. 84. 145) sugere uma interpretação no sentido de que seja “comprovado o pagamento” na Secretaria do Juizado. . nota de rodapé nº 35. não constando dos registros. p. Isso se justifica porque não houve. seu cumprimento far-se-á mediante pagamento na Secretaria do Juizado. ainda. 7649. da Lei nº 9. 35. Cumpre ressaltar que o pagamento da multa. do art. a multa poderá ser paga no estabelecimento bancário. o juiz declarará extinta a punibilidade. do art. 76. vez que este não possui aparato suficiente a propiciar sejam os pagamentos ali efetuados. obedecendo ao que dispõe o art. 50 Art. propriamente. Ocorre que tal medida é impraticável no atual sistema judiciário. se fará na Secretaria do Juizado. da Lei dos Juizados Especiais Criminais. cabendo ao interessado a propositura da ação de conhecimento no juízo cível para a devida reparação do dano. extingue a punibilidade do autor do fato. Desta feita. por disposição expressa do § 6º.099/95: Vide pág. Segundo ele.1 Cumprimento O pagamento da pena de multa. da Lei nº 9.099/95: Aplicada exclusivamente pena de multa.52 A sentença de homologação da transação será registrada apenas para impedir o benefício dentro do prazo de cinco anos. quando aplicada isoladamente. Verifica-se.099/95. 35. não haverá responsabilidade civil do autor do fato. § 6º.

foi pacificado que. caberá à Fazenda Pública propor ação de execução contra o autor do fato. a punibilidade do autor do fato. na hipótese de cumprimento da pena restritiva de direitos. 85.268/96. ou restritiva de direitos. ela deve ser executada como dívida de valor. Segundo a maioria da doutrina e da jurisprudência. . Desta feita. Vejamos o entendimento jurisprudencial a respeito: Homologada a transação penal realizada nos termos do art. como nenhuma lei trata dessa conversão. que conferiu nova redação ao art. como dispõe o art. foram superadas as discussões a respeito da possibilidade da conversão da multa em restritiva de direitos ou privativa de liberdade. Todavia. com efeito de coisa julgada. o mencionado art. caso não haja pagamento da multa aplicada. 5151.099/95. procedendo-se nos termos da execução fiscal. dada pela Lei nº 9. 5.268/96. será feita a conversão em pena privativa da liberdade. 52 Art. nos termos previstos em lei. a inadimplência não permite a conversão em pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos. segundo disposição da Lei nº 9. 51 do CP (RJDTACRIM 51/216). e não o prosseguimento do feito. do art. inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. 51 Art. aplicada a pena de multa. 85 cuida da conversão da multa em pena restritiva de direitos. da Lei nº 9.099/95: Não efetuado o pagamento de multa. que será registrada apenas para impedir novo benefício em lapso inferior a cinco anos.2 Descumprimento 5.2. igualmente.53 Será extinta. 76 da Lei nº 9. Com isso. do Código Penal: Transitada em julgado a sentença condenatória. 8552.1 Da pena de multa Com a nova redação. a multa será considerada dívida de valor. da Lei dos Juizados Especiais Criminais. uma vez que. do Código Penal. o não-recolhimento da multa imposta possibilita apenas a sua execução. ela é impossível. “nos termos da lei”. aplicando-se-lhe as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública. 51.

Min. 2ª Câm.200-8/SP. pois a disposição do art. 51. rolo-flash 1102/046. 72 da Lei 9. Há entendimento jurisprudencial (apud Ada Pellegrini Grinover et al. caso não satisfeito o débito. p. roloflash 1089/504. Para Julio Fabbrini Mirabete (2000. com o advento da Lei nº 9. da lei penal. 220). poderá ser convertida apenas em restritiva de direitos.12. bem como do Juízo competente para o seu processamento. possibilitando a sua conversão em restritiva de direitos no caso de expressa previsão no acordo de que o não pagamento da pena pecuniária autoriza a conversão em pena restritiva de direitos. somente é aplicável nos casos de sentença condenatória. 10. Nereu José Giacomolli (1997. rolo-flash 1078/401. No mais.830/80). Proc. Inviabilidade. p.. ainda.03. seguindo o rito estabelecido pela lei que regula a execução da dívida ativa da Fazenda Pública (Lei nº 6. por ausência de critério legal aplicável. 1061237.1999).54 Paciente condenado à pena de multa. prevalece o entendimento de que a multa deverá ser considerada como dívida de valor.268/96. Em sentido contrário. p. 7ª Câm. sob o pretexto de que a Lei nº 9. Proc. para cobrança judicial (STF.1996. como resultado da transação prevista no art. devendo ser executada de acordo com as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública. o Ministério Público deverá providenciar sua execução. rel. 1054295. j. DJ 09. que se limitou a promover a inserção da dívida. Ada Pellegrini Grinover et al (2005. Agravo 1032297. no próprio Juizado Especial Criminal. de conversão da pena pecuniária na de restrição de direito. 217) apresenta interessante solução a dar maior eficácia à pena de multa. para restabelecer a decisão de primeiro grau. rolo-flash 1128/488). Cabe. rolo-flash 1081/249. 218) admitindo a conversão em pena restritiva de direitos.. Existem posicionamentos em diversos sentidos.. 13ª Câm. Octavio Gallotti. p. Nesse contexto.. 1043497. discussão acerca da legitimidade para propor a execução da pena de multa. Proc. 1036129/7. HC 78. Habeas Corpus deferido.268/96 somente eliminou a possibilidade de conversão em pena privativa de liberdade (TACrimSP. 14ª Câm. 133) preconiza que a multa oriunda da transação penal. o entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo: . 2005.099/95. Proc.

Argumenta-se que. porquanto teríamos um procedimento híbrido: observância do art. devendo ela ser intentada pela Fazenda Pública. pois a nova Lei não retirou o caráter penal da sanção pecuniária.55 A inserção da pena de multa como dívida de valor a obedecer o rito procedimental da execução fiscal. 164 da LEP e do art.268/96. 142-143): Quer-nos parecer que a execução deve ficar a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional. após a modificação trazida pela Lei nº 9. para a execução da pena. contudo. por força da nova redação dada ao art. (. a multa não perde sua natureza de sanção penal. embora se tenha dado tratamento igualitário à dívida ativa da Fazenda Pública. não retirou a legitimidade do Ministério Público para propor a execução da reprimenda pecuniária (RT 760/652). entendendo que o Órgão Ministerial é parte ilegítima para a propositura da ação de execução. doutrinadores em sentido inverso. E. 174 do CTN aliada à Lei nº 6. 51 do CP pela Lei nº 9.). O extinto Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo já decidiu de acordo com esta orientação: Pena de multa – Legitimidade ativa da Fazenda Pública e competência da Vara das Execuções Fiscais. após a Lei nº 9. no Juízo Cível.. Mesmo para os que consideram ser o Ministério Público parte legítima. mas . deve ser executada pela Fazenda Pública. Assim entende Fernando da Costa Tourinho Filho (2000. há divergência sobre o Juízo competente: cível ou criminal. sendo o Juízo competente para esta execução o da Vara das Execuções Fiscais. não deve a cobrança ser feita no Juízo das Execuções.830/80. tratando-se de multa decorrente de sentença penal condenatória. perante o Juízo das Execuções Fiscais.268/96. e da Procuradoria do Estado. razão pela qual deve a execução ser promovida pelo Ministério Público.268/96 – Ocorrência: A pena de multa. a nosso juízo. ainda: Pena Pecuniária – Execução – Competência do Juízo das Execuções Criminais – Legitimidade ativa do Ministério Público para a sua promoção e acompanhamento – Agravo provido (JTJ 213/334). na hipótese de transação.. Se assim é. p. Há.

170).99. 16. Min.2000. p. neste sentido. 2ª Turma. do Código Penal. 43. p. Sendo a multa imposta em sentença penal condenatória considerada dívida de valor. 10. 54 Art. impõe-se a sua inscrição em dívida ativa e será reclamada via execução fiscal movida pela Fazenda Pública. 8. Francisco Peçanha Martins. p. V – interdição temporária de direitos. o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (apud Perseu Gentil Negrão. j. Rel. j. feriria o intuito do Juizado. 53 Art. 108). da CRFB: Não há crime sem lei anterior que o defina. II – perda de bens e valores. p. DJU de 13.98.3. 5. do Código Penal: As penas restritivas de direitos são: I – prestação pecuniária.2 Da pena restritiva de direitos Fora das hipóteses previstas pelo art. que prima pela não privação da liberdade. IV – prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas.4. da Constituição Federal. continua o mesmo caráter punitivo (RJDTACRIM 35/63-64).5.2. de 1996 a legitimidade para propor a execução da pena de multa. imposta em processo criminal é da Fazenda Pública e. há de se considerar a disposição expressa do art. . 2001. XXXIX. a limitação de fim de semana somente será possível nas Comarcas que possuam Casa do Albergado. É torrencial. DJU de 27. DJU de 10. Atualmente. j. Segundo Fernando da Costa Tourinho Filho (2000. 5º. Assim justifica porque a possibilidade de se recolher a uma cela da cadeia pública. Min. 2ª Turma. 5º.3. não do Ministério Público. de tal forma que. 99). na falta da Casa do Albergado.99. embora ao arrepio da lei se tenha aplicado outras medidas.3.2. Rel.98. Recurso não conhecido (Resp nº 151. Rel.56 apenas passou a considera-la como dívida ativa para fins de execução. Ari Pargendler.307 – SP. 1ª Turma.714 – SP. nem pena sem prévia cominação legal. III – (Vetado). XXXIX54.2000.268. esta última prevista pelo art. para outras finalidades. Resp 158. 137. José Delgado. 55): Após o advento da Lei nº 9.533 – SP. p. VI – limitação de fim de semana. 5º. referindo-se a prestação de serviços à comunidade ou prestação social alternativa. Min. segundo o qual não haverá pena sem prévia cominação legal. muito se tem usado a entrega de cestas básicas à entidades de assistência social da Comarca. 4353. No mesmo sentido: Resp nº 172.

Todavia. 169): Mas é inquestionável que a homologação da transação configure sentença. Por isso. XLVI. em seu art. d) prestação social alternativa. por considerá-la ofensiva ao princípio da reserva legal.57 XLVI55. em seu art. p. o descumprimento da pena restritiva de direitos imposta ao autor do fato é assunto. 5º. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade. Dessa forma. A Lei nº 9. nos termos da lei. da Lei de Execução Penal: A pena restritiva de direitos será convertida em privativa de liberdade nas hipóteses e na forma do art. se descumprida a pena restritiva de direitos imposta na transação penal. aplicar-se-á a Lei de Execução Penal (Lei nº 7. entre outras.099/95: A execução das penas privativas de liberdade e restritivas de direitos. da CRFB: A lei regulará a individualização da pena e adotará.099/95. 56 Art. polêmico do instituto da transação penal. 45. 57 Art. 8656. b) perda de bens. 5. pois aplica uma sanção penal. conforme passaremos a analisar. tampouco pode ser considerada como condenatória. da Constituição Federal.2. ou de multa cumulada com estas. que. deve ser ela convertida imediatamente em privativa de liberdade. da Lei nº 9. nada se poderá fazer. uma vez 55 Art. Portanto.1 Conversão imediata em pena privativa de liberdade Obedecendo os ensinamentos dos seguidores desta corrente. se não houver cumprimento da obrigação assumida pelo autor do fato. e) suspensão ou interdição de direitos. expressamente autoriza a conversão. a decisão não pode ser tida como absolutória. passível de fazer coisa julgada material. Essa é a visão de alguns doutrinadores que consideram a sentença homologatória da transação com eficácia de título executivo. a não ser executá-la. No mais. existem críticas a essa modalidade de pena restritiva de direitos. na forma do art.2. 86. dela derivando o título executivo penal. será processada perante o órgão competente. previu a possibilidade de execução das penas restritivas de direitos “nos termos da lei”. visto que não produz os efeitos típicos da sentença de condenação. 45 e seus incisos do Código Penal. c) multa. 181. 18157. nos expressos termos da lei. . se não o mais. entre eles Ada Pellegrini Grinover et al (2005. Para eles. do Código Penal.210/84).

584. nota de rodapé nº 45. e não sendo interposto recurso. A decisão homologatória é definitiva. p.58 homologado o acordo. do Código de Processo Civil. contudo. garantindo a eficácia da medida: “a finalidade da conversão. III58.br/index. III.php?section=artigos&id=58>. 58 Art. Sendo um título executivo judicial. a decisão constitui um título executivo judicial. 47. forma-se a coisa julgada. como visto acima. tem sofrido duras críticas da doutrina e da jurisprudência. Em recente publicação na Rede Mundial de Computadores (Internet) <http://www. Este posicionamento. e do art. tornando o ato jurídico perfeito e acabado. deve ser executado na forma do art. Alberto Vilas Boas ensina: O sacrifício da liberdade somente se torna legítimo mediante a edição de provimento condenatório. é garantir o êxito das penas alternativas – preventivamente com a ameaça da pena privativa de liberdade e. . 584. 115). do Código de Processo Civil: Vide pág. em outras palavras. por constituir ofensa ao ordenamento pátrio a aplicação de uma pena privativa de liberdade sem obediência ao contraditório e a ampla defesa. pelo qual a pena alternativa necessita de uma força coercitiva. 181. p. e.praetorium. com a devida tramitação de uma processo. da Lei dos Juizados Especiais Criminais. 86. No mesmo caminho o entendimento de Cezar Roberto Bitencourt (1997. Formada a coisa julgada. com a efetiva conversão no caso concreto”. não admite a sua desconstituição para eventual oferecimento da denúncia: Não se pode admitir que se ofereça denúncia para a instauração da ação penal. desconstituindo-se a decisão homologatória transitada em julgado. sendo certo que a manifestação judicial de cunho homologatório não possui o suporte constitucional hábil a permitir medida desta ordem.com. aplicando-se por analogia o art. assim. 152) considera definitiva a decisão homologatória da transação. repressivamente. da Lei de Execução Penal. Julio Fabbrini Mirabete (2000.

13. Assim. É absolutamente abominável a decisão judicial que impõe prisão nos juizados: são duas entidades inconciliáveis. a conversão é possível. 36) enfatiza: A conversão de qualquer pena alternativa (consensuada) em prisão viola (de fato) inúmeros princípios constitucionais: ampla defesa. 109) também nega a possibilidade de conversão. desde que observado o devido processo legal durante a execução. . que prevê seja a pena restritiva de direitos convertida em privativa de liberdade. fez referência à Lei das Execuções Penais. Recurso não conhecido (Recurso Extraordinário n. a conversão não ofende o princípio do devido processo legal. em seu art. Para isso é que foram adotados vários processos despenalizadores. não substituindo a pena privativa de liberdade. ou de não ser privado da vida.099/95. Com efeito. oportunizando ao autor do fato a realização de prova que evite a conversão. caracteriza situação que não é permitida em nosso ordenamento constitucional. Por serem diferentes. visto que o art.59 A Suprema Corte. DJU de 27. 169). 268. sem o devido processo legal e sem defesa. Nereu José Giacomolli (1997.2000). j.6. 43 do CP) em privativa de liberdade. Ilmar Galvão.319. decidiu da seguinte maneira: A conversão da pena restritiva de direito (art. segundo a forma estabelecida em lei. ressaltando que a pena restritiva imposta na transação penal é autônoma. Igualmente. 98. nesse ponto. como geralmente ocorre nas sentenças condenatórias. não fere o princípio da legalidade. ao final de um processo. Luiz Flávio Gomes (2002. Min. contraditório etc. Por sua vez. pois a própria Constituição Federal. que assegura a qualquer cidadão a defesa em juízo. p. 1ª Turma. em recente julgado. sem a garantia da tramitação de um processo. I. liberdade ou propriedade. jamais podem ser confundidas. p.10. Os juizados nasceram justamente para evitar a pena de prisão. admitiu a transação. Para Ada Pellegrini Grinover et al (2005. 86.2000. o colendo STF. da Lei nº 9. (que pertencem ao devido processo legal clássico fundado na pena de prisão). p. Correto. É justamente por este motivo que a transação foi criada. é preciso observar que os Juizados primam pela não aplicação da pena de prisão. Rel.

Impõe-se. ofertando a denúncia. Apesar de entender que a sentença homologatória da transação penal é homologatória com eficácia de título executivo. Ada Pellegrini Grinover et al (2005. com o oferecimento da denúncia: A transformação automática de pena restritiva de direitos. 29.2 Possibilidade de oferecimento da denúncia Diante da forte oposição da solução retro descrita. prevendo a necessidade de envio dos autos ao Ministério Público. outro entendimento surgiu no sentido de possibilitar ao Ministério Público. Marco Aurélio de Mello.60 Nada obstante as críticas. dando-se oportunidade ao Ministério Público de vir a requerer a instauração de inquérito ou propor a ação penal. que possa basear a conversão.2. retornando-se ao estado anterior. uma vez descumprido o termo de transação. j.03.04. 13. o Superior Tribunal de Justiça já decidiu (apud Ada Pellegrini Grinover et al. decorrente de transação. Apesar de defender a possibilidade de aplicação dessa solução.2001). o oferecimento da denúncia contra o autor do fato. por privativa de liberdade (HC 14.2000).099/95). Por ser autônoma a pena restritiva imposta na transação penal.2. não existe quantidade de pena privativa anteriormente aplicada.2001.666-SP. em privativa do exercício da liberdade discrepa da garantia constitucional do devido processo legal. HC 79. a fim de que este instaure a persecução penal. 220): Não fere o devido processo legal a conversão de pena restritiva de direitos. 76 da Lei 9. o Supremo Tribunal Federal posicionou-se nesse sentido (2ª Câmara. a declaração de insubsistência deste último.2. 2005. quando descumprida a pena restritiva imposta na transação penal. justamente por faltar parâmetros ao Juiz ao converter a sanção.572/GO. 220) admite a dificuldade em adotá-la. Min. rel. p. j. 5. . p. imposta no bojo de transação penal (art. DJU 02.

920). Finalmente. desse modo. essa solução fere a coisa julgada ao desconstituir um título judicial. Evaristo dos Santos. exauriu-se a prestação jurisdicional. 2000.1999. na Ap. dando-se prosseguimento ao procedimento.098. 36): Entendemos que a orientação da Suprema Corte não encontra amparo legal: inexiste dispositivo permitindo essa providência. O acórdão criou um caminho desconhecido do legislador (Boletim IBCCrim 91. 77. 2005.127. 170). e. se o caso. 7). p. ainda na hipótese de não cumprimento da sanção resultante do consenso entre as partes (Boletim AASP. como bem considera a Suprema Corte. fará coisa julgada material. ainda. apud Luiz Flávio Gomes. 2. o acordo torna-se sem efeito perante o descumprimento da pena consentida. Uma vez preclusas as vias de impugnação. Contudo. ano 8. Não constituindo coisa julgada formal e material. Nesse sentido. que essa orientação não está prevista pela lei. 1. requisitar a abertura de inquérito policial ou requerer diligências. podendo o Órgão Ministerial oferecer denúncia ou. p.099/95.03. nos termos do art. impedindo que se volte a discutir o caso./01.645/9. . da Lei nº 9. não cabe ao intérprete legislar. retomar o andamento do processo findo. rel. p. 2002. p. enfatiza: Aperfeiçoada a transação penal. jun. Importante ressaltar. tampouco formando título executivo. ago. 15-21. a orientação do extinto Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo (apud Ada Pellegrini Grinover et al. descabido. portanto. a posição de Damásio Evangelista de Jesus (Phoenix 24.61 São também adeptos dessa corrente os doutrinadores que consideram meramente homologatória a sentença de transação penal.

099/95. deverá o membro do Ministério Público definir como um dos requisitos da proposta de transação penal o seu efetivo cumprimento. quando descumprido acordo de transação penal. O simples acordo entre o Ministério Público e o réu não constitui sentença homologatória. visto que não se operou a coisa julgada. p. RJTACrim.3 Não homologação do acordo Outra solução adotada por alguns doutrinadores tem sido a de condicionar a homologação do acordo celebrado entre membro do Parquet e autor do fato ao cumprimento da pena consentida. j. para evitar-se a total ineficácia dos Juizados Especiais Criminais. segundo o qual. o Juiz deixará de homologar o acordo.2.2.398/SP. após a aceitação da 59 Art. que leciona: Entendemos que. 7659. 57/269). conseqüentemente. . Rel. Todavia. 35. é possível o oferecimento da denúncia. da Lei nº 9. do art. sendo cabível ao Magistrado efetivar a homologação da transação somente quando cumpridas as determinações do acordo. Na hipótese de descumprimento da pena restritiva de direitos. p. esta corrente sofre resistência em virtude da disposição expressa do § 4º. Recurso desprovido (RO em HC 11.099/95: Vide pág. nota de rodapé nº 35. Os doutrinadores Marisa Ferreira dos Santos e Ricardo Cunha Chimenti (2004. após a apresentação da proposta pelo Ministério Público e a aceitação pelo autor do fato e seu defensor. 5ª Turma. e. José Arnaldo da Fonseca. uma vez aceita pelo autor da infração. 76. da Lei nº 9. Essa corrente é defendida por Marino Pazzaglini Filho et al (1996. aguardando prévio cumprimento da sanção imposta. § 4º. em 2-10-2001. ao prévio cumprimento da sanção imposta.). Assim.62 5. cuja homologação estava condicionada ao efetivo cumprimento do avençado. reforçando-o com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: É possível o oferecimento da denúncia por parte do órgão Ministerial. deverá o magistrado condicionar a homologação da transação penal. 300/301) também são adeptos deste posicionamento.

aplicando ao autor do fato a pena consentida.2. portanto. a execução da pena restritiva de direitos se daria mediante a aplicação das regras constantes no art. 76 da Lei 9. em virtude da formação da coisa julgada.739-SP.099/95 e o art. Por este posicionamento. gera eficácia de coisa julgada formal e material: I. No caso de descumprimento da pena de multa.099/95. Seguindo a orientação do Superior Tribunal de Justiça (REsp 205. como tal. II. A sentença homologatória da transação penal. III. do Código de Processo Civil. 5. no caso de descumprimento. conjuga-se o art. 85 da Lei 9. . prevista no art. 161). 632 e seguintes. o autor do fato poderia recusar-se a cumprir a pena. que trata da execução da obrigação de fazer. obstando a instauração de ação penal contra o autor do fato. Também inexiste a possibilidade.10. o Juiz homologará o acordo. p.2000.63 proposta do Ministério Público pelo acusado. é preciso a prévia formação de um título executivo. assim como as demais. tem natureza condenatória e gera eficácia de coisa julgada material e formal. que a sentença homologatória possui caráter condenatório e. também não está prevista pela lei. por esta corrente.2.286/96. obsta o prosseguimento da ação penal. da conversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade. DJU de 23. Essa medida. 51 do CP com a nova redação dada pela Lei 9. registrando-a apenas para impedir a concessão do benefício no lapso inferior a cinco anos. se descumprido o acordo homologado. por falta de expressa previsão legal e por afronta ao princípio do devido processo legal. por ofensa à garantia constitucional da presunção da inocência. com a inscrição da pena não paga e dívida ativa da União para ser executada. por possuir natureza condenatória e. para que se possa executar a medida. o acordo homologado obsta o oferecimento da denúncia. Gilson Dipp. Sem este. Ademais. Recurso conhecido e desprovido.4 Possibilidade de execução da pena Entende-se.

5. conforme anotamos. Fernando da Costa Tourinho Filho (2000. impõe-se fazer tudo quanto for possível . explicitado o quantum. que será adotada na hipótese de descumprimento da sanção imposta na transação penal. O autor do fato pode consensuar tanto penas restritivas quanto multa. deve o Promotor. 102) preconiza: Por enquanto. na proposta de medida restritiva. bem como não pode se resolver em perdas e danos. a nosso ver. pela falta de previsão legal. p. não é possível a realização da obrigação à custa do autor do fato. por falta de amparo da lei. Luiz Flávio Gomes (2002. nada obsta que as partes também acordem sobre a medida a ser adotada no caso de descumprimento. para a hipótese de descumprimento da pena alternativa “principal”. Assim. explica: No momento do acordo (da transação) já deve ser prevista uma pena alternativa “de reserva”. É possível prever no acordo a conversão de uma e outra (reciprocamente) ou de uma restritiva em outra restritiva.2.2. acrescenta: E se o agente não cumpre nem sequer a pena alternativa “reserva”? Nos termos da jurisprudência do STJ. 38). p. é difícil imaginar a possibilidade de compelir o autor do fato a cumprir determinada pena alternativa. alguns doutrinadores vêm defendendo a possibilidade de ser prevista uma pena alternativa. também adepto desta corrente. no acordo entre o autor do fato e o Ministério Público. ainda. Igualmente. pois a obrigação é personalíssima. E. como a transação visa a imposição de uma pena consensuada. Trata-se de uma alternativa à sanção alternativa.64 Todavia. deixar bem claro que seu descumprimento implicará a imposição de multa.5 Possibilidade de aplicação de pena alternativa Apesar de também não encontrar respaldo legal.

quando da criação do instituto da transação penal. a realidade forense exige que o Magistrado. Nesse momento são de grande valia as Varas Especializadas ou Centrais de Execução de Penas Alternativas. não descreveu as conseqüências advindas do não cumprimento da pena imposta. com mais acerto. Um juiz especializado poderá. encontrar solução concreta para essas situações excepcionalíssimas. . tome providências diante do descumprimento da sanção consensuada. mesmo que em afronta a certas disposições legais. seguindo o seu melhor entendimento. Apesar da omissão legislativa.65 para executar o julgado. o legislador. Como se denota.

observar-se-ão os institutos da transação penal e da composição dos danos civis. decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência. foi editada a Lei nº 11. o legislador excluiu da competência dos Juizados Especiais Criminais as hipóteses de conexão e continência entre uma infração de menor potencial ofensivo e outra de competência do Juízo Comum ou do Tribunal . Art. visando dirimir algumas questões controvertidas nos Juizados Especiais Criminais Estaduais e Federais. Na reunião de processos. da Lei nº 10. perante o juízo comum ou o tribunal do júri. tem competência para a conciliação. bem como o art. 61 Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo. 60 e 61. da Lei nº 9. cumulada ou não com multa. perante o juízo comum ou o tribunal do júri.313. Parágrafo único.66 6 LEI Nº 11. as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos. dando-lhes nova redação. Referida lei alterou os arts. o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo.259/01.099/95. A modificação consiste em delimitar o âmbito da competência dos Juizados Especiais Criminais Estaduais e Federais: Art. Art. Como se denota. Parágrafo único. 60 O Juizado Especial Criminal. provido por juízes togados ou togados e leigos. 2º. respeitadas as regras de conexão e continência. de 28 de junho de 2006. observar-se-ão os institutos da transação penal e da composição dos danos civis. para os efeitos desta Lei. respeitadas as regras de conexão e continência. Na reunião de processos.313/06 Nada obstante as discussões travadas acerca do instituto da transação penal. 2º Compete ao Juizado Especial Federal Criminal processar e julgar os feitos de competência da Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo. decorrente da aplicação das regras de conexão e continência.

Diverso não é o entendimento de Elmir Duclerc Ramalho Júnior.. permite a separação de processos mesmo sendo o caso de conexão ou continência. quando. ainda que a separação não fosse ditada pelo art.uol. . como a simplicidade e a oralidade. da competência dos Juizados Especiais as infrações penais conexas a outros crimes. e discriminando indevidamente pessoas acusadas por delitos semelhantes. em seu art. nota de rodapé nº 09. Segundo a nova redação. a competência dos Juizados Especiais Criminais é definida pela Constituição Federal. além de inconstitucional. isonomia. não cabe à lei infraconstitucional delimitar a matéria de forma diferente. que. usurpando delas o direito a um procedimento oral. “o juiz reputar conveniente a separação por motivo relevante”. Diante disso. mais simples e menos demorado. e conduzido por profissionais em tese mais bem preparados para essa função. concluindo que: disposição. 80 do Código. e. Grande parte da doutrina admite. mesmo em nome de uma pretendida e duvidosa uniformização dos julgados. o julgamento da infração de menor potencial ofensivo caberá ao órgão competente para julgar a infração mais grave. a separação dos processos. no art. deste trabalho. Assim. I. por ser conveniente a separação..html>. apesar da junção dos 60 Art. ferindo o princípio do Juiz Natural. pois o rito nos Juizados Especiais Criminais é completamente diferente (e mesmo inconciliável) com o rito ordinário (e com outros especiais). I60. Logo. poderia sêlo por força do art. Para Rômulo de Andrade Moreira. 14. há forte entendimento doutrinário a considerar como inconstitucional mencionado dispositivo.5. afronta o princípio do Juiz Natural e a (. em virtude das particularidades apresentadas pelos Juizados Especiais. Ademais. 98.juspodivm.) pretender subtrair.br/artigos/artigos_1099. portanto. em sua publicação na Rede Mundial de acrescenta Computadores que essa <http://jus2. através de norma infraconstitucional.com.. significa violar a Constituição Federal. por exemplo. como já esposado no item 1. a alteração impõe que o órgão competente observe a aplicação da transação penal e da composição civil dos danos. da CRFB: Vide pág. 98.asp?id=8663>.) o próprio CPP. Acrescentou.67 do Júri. I da Constituição.. 80.com. ainda: (. 98.br/doutrina/texto. em artigo publicado no site <http://www.

da Lei nº 9. Outra alteração diz respeito ao art. independentemente de sua cumulação com a pena de multa. Nos casos de concurso material e formal. desde a edição da Lei nº 10.259/01. da Lei nº 9. será inevitável o desmembramento do feito. aquelas infrações cuja pena máxima não ultrapassasse dois anos.099/95. que já considerava. que passa a considerar.099/95. como fez na antiga redação do art.313/06 veio apenas confirmar alguns pontos então pacificados na doutrina e jurisprudência. pois o legislador não ressalvou esta hipótese. bem como oferecer a denúncia. dos crimes com procedimento especial. haja vista que as infrações devem ser tidas isoladamente. cuja abordagem foi feita no item 1. Neste caso. que. para o crime mais grave. Pelo que se depreende da nova redação.4 desta obra. 61. 61.68 processos. pelos Juizados. . com a nova redação. deve ser considerada a pena máxima em abstrato cominada à infração. como de menor potencial ofensivo. conquanto criou grande polêmica acerca da subtração da competência dos Juizados Especiais Criminais. Também foi dirimida a questão acerca da abrangência. em relação à infração de menor gravidade. o Ministério Público deverá ofertar a proposta de transação penal ou tentar a composição dos danos. a somatória das penas não deve ser considerada para a formulação da proposta. pelo que já vem sofrendo duras críticas. passaram a integrar o rol das infrações de menor gravidade. as infrações cuja pena máxima não exceda a dois anos. Como se observa. Tal disposição vem confirmar o então pacífico entendimento doutrinário e jurisprudencial. a Lei nº 11.

passaram. então. antes que a ação penal seja intentada contra aquele. considerando aqueles em que a pena máxima não supere dois anos. depois da concordância da vítima. Tais inovações no sistema processual vigente. acordam sobre uma sanção a ser imposta. mas a proposta deve partir do membro do Parquet. inclusive com procedimento especial. é preciso que o autor do fato preencha determinados requisitos. sendo. Uma das mais acirradas discussões travou-se acerca do instituto da transação penal. da Lei nº 9. pois. em que autor do fato e Ministério Público. tais infrações. A discussão foi sepultada com a edição da Lei nº 11. A referida lei procurou definir as infrações que seriam por ela abarcadas. deve ser oportunizado o acordo entre o Órgão Ministerial e o autor do fato. aquelas cuja pena máxima não exceda a um ano. I).69 CONCLUSÃO Pela abordagem do presente trabalho.099/95. em tais delitos. § 2º. instituidora dos Juizados Especiais Criminais no âmbito federal. 61.259/01. são aquelas cuja pena máxima não exceda a dois anos.099/95. da Lei nº 9. que. . Para isso.313. a provocar inúmeras discussões na doutrina e na jurisprudência.099/95 trouxe consideráveis alterações no âmbito das infrações de menor potencial ofensivo. com a edição da Lei nº 10. é possível observar que a Lei nº 9. assim consideradas pela nova lei. é severamente criticada a possibilidade de aplicação da transação penal nos delitos de alçada privada. de 28 de junho de 2006. Entendemos que. tanto na doutrina quanto na jurisprudência. que alterou a disposição do art. objetivos e subjetivos. cuja criação era exigida por mandamento constitucional (art. Embora seja tranqüilo o exame da possibilidade de aplicação da transação penal nos delitos de ação penal pública. principalmente pela criação de uma justiça despenalizadora. previstos no art. que pode tanto ser de multa quanto de pena restritiva de direitos. 98. foi pacificado. Contudo. 76.

ou condicionar a homologação do acordo ao cumprimento da pena. É preciso. Em virtude disso. o descumprimento ocorre pela incoerência da medida. Ficamos com o entendimento de que o acordo celebrado entre as partes deve conter. entendendo que se deve converter a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade. Outro ponto de grandes discussões. pois titular do direito de punir do Estado e. não encontramos obstáculos que impeçam as partes de também convencionarem uma sanção alternativa em face do não cumprimento do acordo. pois o não cumprimento da pena é situação habitual na realidade forense. não raras vezes. Parece-nos que a questão está longe de ser pacificada. ou a fariam em desproporcionalidade com o delito praticado. foi a de determinar as conseqüências advindas do descumprimento da sanção imposta. Estes. movidos pelo sentimento de vingança. ante a omissão do legislador.70 Não vislumbramos a hipótese de que o ofendido ou seu representante possam oferecer a proposta. é cioso ressaltar que o legislador não trouxe qualquer resolução para o caso. fixar uma medida alternativa que seja compatível com o autor do fato. Ao individualizar a pena. melhor saberia aplicar a justiça. estamos com a posição do Superior Tribunal de Justiça. Apesar da omissão. ou possibilitar o oferecimento da denúncia. ou a executando. Muitos entendimentos surgiram. em que a proposta de transação penal cabe ao Ministério Público. em seu bojo. a medida que se tomará face ao descumprimento da sanção consensualmente imposta. é preciso que o intérprete apresente uma solução. Apesar da falta de previsão legal para a adoção da medida. todos de valor considerável. não raramente se negariam a ofertá-la. antes de tudo. inúmeros casos de descumprimento seriam evitados. pois. . atuando como fiscal da lei. Como o instituto é baseado no consenso.

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