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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO


COMARCA DE SÃO PAULO
26ª VARA CRIMINAL
Rua Abrahão Ribeiro, 313, Barra Funda, São Paulo - 01133-020 - SP

TERMO DE AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO, DEBATES E JULGAMENTO

Este documento foi liberado nos autos em 26/11/2015 às 11:04, é cópia do original assinado digitalmente por ERICA APARECIDA RIBEIRO LOPES E NAVARRO RODRIGUES.
Processo nº: 0097622-41.2014.8.26.0050 controle 1861/14
Classe - Assunto Inquérito Policial - Roubo
Documento de Origem: CF, IP-Flagr. - 6576/2014 - 2º Distrito Policial - Bom Retiro, 1134/2014 - 2º
Distrito Policial - Bom Retiro
Autor: Justiça Pública
Réu: PIEDRO ROBERTO MARINELLI

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/esaj, informe o processo 0097622-41.2014.8.26.0050 e código 1E0000007UIDF.
Aos 25 de novembro de 2015, às 15:30h, na sala de audiências da 26ª Vara
Criminal do Foro Central Criminal Barra Funda, Comarca DE SÃO PAULO, Estado de
São Paulo, sob a presidência da MM. Juíza de Direito Dra. ÉRICA APARECIDA
RIBEIRO LOPES E NAVARRO RODRIGUES, comigo Escrevente ao final
nomeado(a), foi aberta a audiência de instrução, debates e julgamento, lavrando-se o
presente termo com disposto no artigo 405 do CPP, na redação dada pela Lei 11719/08.

Presentes:
Promotor(a) de Justiça: MARIA LETÍCIA ROCHA FERREIRA DE
MENDONÇA DO AMARAL SOUZA
Defensor: MARCOS JOSÉ LEME OAB/SP 215.865
Réu: PIEDRO ROBERTO MARINELLI
Testemunha de defesa presente: GIOVANA DELANDRA CORREIA

Instrução

Iniciados os trabalhos, foi ouvida a testemunha de defesa e realizado o


interrogatório do réu, em audiovisual.

Pela MM. Juíza foi dito que: Não havendo mais provas a serem
produzidas declaro encerrada a instrução passando aos debates orais.

Debates

Pelo(a) Dr(a). Promotor(a) de Justiça foi dito que: MM. Juíza, Piedro
Roberto Marinelli foi denunciado e está sendo processado por infração ao artigo 157,
“caput”, c.c. art. 14, inciso II, ambos do Código Penal. O feito teve regular
prosseguimento. Durante a instrução, foram ouvidas duas testemunhas de acusação e uma
testemunha de defesa. O réu foi interrogado. É o breve relatório do necessário. Passo a
manifestar-me sobre o mérito da pretensão acusatória. A presente ação penal deve ser
julgada totalmente procedente. A autoria e a materialidade do crime restaram
comprovadas. O policial Sidney contou que a viatura estava parada quando viram o réu
correndo e abordaram. Em seguida, a vítima chegou e comunicou o roubo. Asseverou que
o celular da vítima estava em poder do acusado e que ela falou que o réu ameaçou, não
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Rua Abrahão Ribeiro, 313, Barra Funda, São Paulo - 01133-020 - SP

quis entregar o celular e ele pagou à força. Disse que uma amiga da vítima foi

Este documento foi liberado nos autos em 26/11/2015 às 11:04, é cópia do original assinado digitalmente por ERICA APARECIDA RIBEIRO LOPES E NAVARRO RODRIGUES.
testemunha. O policial André confirmou que viram o réu correndo, abordaram e
encontraram o celular subtraído em poder dele. Afirmou que a vítima chegou e
comunicou que o réu tomou o celular, mas não lembra se ela mencionou ameaça. Na
delegacia a vítima disse que o réu ameaçou. A testemunha de defesa Giovana nada sabe
sobre os fatos. Abonou a conduta do réu, dizendo que ele é trabalhador e honesto.
Interrogado judicialmente, o réu falou que queria usar cocaína, viu a vítima com o celular
na mão, distraída, e tomou o celular. Disse que não houve ameaça. Confessou a
subtração, mas não a ameaça. Alegou que não ordenou a entrega do celular. O relato
judicial de Sidney e as alegações extrajudiciais da vítima confirmam a ameaça. No caso
em exame, temos provas de enorme valia: confissão judicial do réu, ainda que parcial,

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mas que comprova autoria, bem como apreensão do bem subtraído em poder do acusado
logo depois do crime. No que tange à pena, deverá ser considerado que o acusado é
reincidente. Assim, na segunda fase, a pena deverá ser aumentada em razão da agravante
da reincidência. Pelo mesmo motivo, que demonstra personalidade desvirtuada do réu,
deve ser fixado regime severo para o início de cumprimento da pena. Diante do exposto,
deve a presente ação penal ser julgada TOTALMENTE PROCEDENTE, condenando o
réu nos exatos termos da exordial acusatória.

Pelo Dr. Defensor foi dito que: MM. Juíza, em que pese os belos
argumentos da douta Promotora de Justiça, deverá ser outro o deslinde do caso em
testilha. Durante a instrução criminal temos apenas o depoimento dos policiais, no qual
hoje devemos abandonar os jargões "a palavra dos policiais militares tem fé pública",
diante dos acontecimentos em sociedade. A vítima não compareceu em juízo para dar a
sua versão dos fatos, bem como reconhecê-lo, apenas o fez em fase inquisitória, sabendo-
se lá como foi feito este reconhecimento. O processo penal é uma engrenagem que deve
estar alinhada para o seu devido funcionamento, buscando a verdade real dos fatos. O
acusado compareceu em todos os atos processuais e hoje vem perante Vossa Excelência
demonstrar a sua versão sobre os fatos, que me parece bem plausível. Relata que no dia
dos fatos simplesmente se aproveitou de um momento de distração da vítima para
surrupiar seu celular e sair correndo. Demonstra, também, seu arrependimento e hoje leva
um outro tipo de vida. O crime é um fato típico, antijurídico e culpável. Dentro desta
definição, o fato típico se desdobra na conduta do agente que, no caso em testilha, ficou
bem demonstrado que o réu só teve a intenção de subtrair o celular sem violência e grave
ameaça. A ação, propriamente dita, corrobora com o resultado que seria tipificado no
artigo 155, do Código Penal Brasileiro, havendo perfeito nexo de causalidade entre a
conduta do agente e o resultado. Não há, judicialmente, nenhuma contraprova de que o
réu tenha praticado o delito com violência ou grave ameaça, mesmo porque a vítima não
veio relatar isso em juízo. Ante o exposto, requer a Vossa Excelência a absolvição do
acusado ou, salvo melhor juízo, caso Vossa Excelência entenda por bem proferir um édito
condenatório, que seja desclassificado o delito tipificado na exordial acusatória (artigo
157, do C.P.) para o delito de furto (artigo 155, do C.P.) e que seja respeitada a atenuante
da confissão espontânea do réu em juízo, bem como todas as condições do artigo 59, do
C.P. no momento da dosimetria da pena, por ser medida da mais lídima Justiça.

Pela MM. Juíza foi dito que: Segue sentença em separado. Os presentes
saem cientes e intimados.
Réu:
Defensor:
Promotor(a) de Justiça:
TOMAZ ROLIM, digitei.
26ª VARA CRIMINAL
COMARCA DE SÃO PAULO

Rua Abrahão Ribeiro, 313, Barra Funda, São Paulo - 01133-020 - SP


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Lido e achado conforme vai devidamente assinado. Eu, ______ VINICIUS


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Este documento foi liberado nos autos em 26/11/2015 às 11:04, é cópia do original assinado digitalmente por ERICA APARECIDA RIBEIRO LOPES E NAVARRO RODRIGUES.
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