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FACULDADE PADRE JOÃO BAGOZZI

MANOEL LUCAS JAVOROUSKI SILVIO ALEXANDRE BISCAIA

A HISTÓRIA DO ZOOLÓGICO MUNICIPAL DE CURITIBA

CURITIBA

2007

MANOEL LUCAS JAVOROUSKI SILVIO ALEXANDRE BISCAIA

A HISTÓRIA DO ZOOLÓGICO MUNICIPAL DE CURITIBA

Monografia apresentada ao curso de Pós-graduação lato sensu em História e Geografia do Paraná da Faculdade Padre João Bagozzi, como requisito para obtenção de título de Especialista

Orientador:

Prof°

Almir

Sandro

Rodrigues

CURITIBA

2007

AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha esposa Elizabete e à minha filha Sophia pela paciência por não estar presente em muitos momentos de nossas vidas.

Agradeço a colaboração prestada por muitos colegas de trabalho na tentativa de esclarecer muitas dúvidas que surgiram durante a execução desta pesquisa.

Agradeço a todos os colegas do Curso de Pós-Graduação em História e Geografia do Paraná, da Turma E (de “Especial”) pelas novas amizades que se formaram durante o período de aulas.

MANOEL LUCAS JAVOROUSKI

Agradeço a compreensão da minha esposa Ângela, ao carinho da minha família e a todos os funcionários do Departamento de Zoológico que fazem este departamento ser o que ele é: o melhor.

SILVIO ALEXANDRE BISCAIA

1982

1982

2007

2007

SUMÁRIO

RESUMO

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INTRODUÇÃO

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CAPÍTULO 1 – A HISTÓRIA DOS ZOOLÓGICOS

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1.1 – INTRODUÇÃO

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1.2 – FUNÇÕES DE UM ZOOLÓGICO

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1.3 – CONSERVAÇÃO IN-SITU E EX-SITU

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1.4 – BEM-ESTAR ANIMAL E REPRODUÇÃO EM CATIVEIRO

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CAPÍTULO 2 – O PARQUE REGIONAL DO IGUAÇU

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CAPÍTULO 3 – O ZOOLÓGICO DE CURITIBA

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CAPÍTULO 4 – IMAGENS DO TEMPO

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

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REFERÊNCIAS

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RESUMO

O Departamento de Zoológico da Prefeitura Municipal de Curitiba possui animais expostos em duas áreas distintas, sendo uma no centro da cidade, o Passeio Público, e outra na periferia, dentro do Parque Regional do Iguaçu,

conhecido como Zoológico de Curitiba. O Passeio Público foi fundado em Maio de

1886 sendo inicialmente apenas um parque cuja finalidade era drenar uma área

pantanosa. Posteriormente foram incorporados animais, tornando-se o primeiro zoológico da cidade de Curitiba. Com o crescimento do acervo e modernização do

conceito de zoológico, foi inaugurado o Zoológico de Curitiba, em 28 de Março de

1982 com a transferência dos grandes animais localizados no Passeio Público. O

Zôo de Curitiba está entre os maiores do Brasil, contando atualmente com cerca de 2.000 animais e bons índices de nascimento em cativeiro. Com um quarto de século de existência, o Zoológico de Curitiba apresenta-se historicamente como uma das mais respeitadas instituições zoológicas do Brasil. Porém sua memória está dispersa em alguns documentos, informações em jornais, e principalmente na lembrança dos muitos servidores que trabalharam neste local, não havendo uma reunião de todas essas informações. Esse trabalho teve como objetivo principal o resgate histórico do Zoológico Municipal de Curitiba. Como objetivos específicos propõe-se rever historicamente o papel do Zoológico de Curitiba na Conservação e Pesquisa de espécies ameaçadas; a participação do Zoológico nos aspectos de Educação ambiental, Lazer e Bem-estar animal; e a inter-relação entre os aspectos físicos, humanos e animais. É importante salientar que essa revisão é relativa apenas ao que aconteceu e ainda acontece na área do zoológico localizado dentro do Parque Regional do Iguaçu, não sendo considerados os fatos referentes ao Passeio Público, à Casa do Acantonamento e ao Museu de História Natural do Capão da Imbuia, apesar de todos fazerem parte do Departamento de Zoológico da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, da Prefeitura Municipal de Curitiba.

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INTRODUÇÃO

Em todo o mundo, inúmeras espécies entram em processo de extinção a cada dia. Alguns destes processos são naturais, decorrentes da própria evolução. Porém sabe-se que a atividade humana na Terra vem provocando alterações drásticas na natureza, de forma muito acelerada, impossibilitando a adaptação de espécies às modificações do meio. Nas últimas décadas, organizações não governamentais e outras entidades voltadas à preservação do ambiente têm procurado reverter esse quadro. A função dos zoológicos também mudou nesse período. Considerados até a segunda metade do século XX como simples depósitos de animais expostos ao público, passaram a ter a função de reprodução e perpetuação de espécies ameaçadas. Com a crescente destruição dos ecossistemas do país e conseqüentemente da vida selvagem, as populações em cativeiro tornaram-se uma importante estratégia para a conservação das espécies. De maneira geral, os parques e zoológicos vêm tendo uma crescente participação nos problemas ambientais, sendo muitas vezes considerados como alternativas viáveis em curto prazo para a manutenção de espécimes que chegam em número cada vez maior, oriundos de áreas endêmicas. Devido à ocupação de ambientes naturais pela população humana, estes animais são capturados, em áreas limítrofes de habitats relativamente conservados, obrigando à translocação ou à manutenção destes indivíduos em cativeiro. Esses últimos sofrem estímulos estressores ocasionados por alterações em seus hábitos, tais como a proximidade forçada em relação a suas presas e/ou predadores, superpopulação, dietas inadequadas, falta de privacidade ou grande proximidade com os humanos, entre outros. Esses agentes estressores podem afetar a qualidade reprodutiva de muitas espécies, levando a necessidade de auxílio técnico. Procedimentos utilizados para a manutenção de animais selvagens em cativeiro podem representar situações adicionais de estresse, sendo que uma estimulação intensa ou prolongada pode gerar danos severos ao paciente. Neste contexto, o bem-estar animal adquiriu grande importância nos últimos anos e a ausência de estresse crônico é um dos pré-requisitos para se atingir essa condição.

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Qualquer zoológico no mundo, independente de seu tamanho, possui muitas funções. Dentre as várias funções de um zôo, as que merecem maior atenção são Lazer, Conservação, Pesquisa e Educação Ambiental. Porém ao se analisar cada um desses fatores percebe-se que eles não são estanques e isolados, mas sobrepõem-se e se interagem. O mesmo ocorre com os aspectos físicos (recintos, equipamentos, etc), humanos (público visitante, técnicos, tratadores e equipes de manutenção) e os animais. Para cada função de um zoológico existem participações humanas, físicas e animais. Nenhum visitante (H) de zoológico vai até o parque para, exclusivamente, usar os sanitários (F) ou o playground (F). Seu principal objetivo é ver os animais (A). Da mesma forma, zoológico sem visitantes não é zoológico, é criadouro. Mas para que o animal esteja em bem-estar (A) é preciso que o recinto (F) onde esteja alojado seja confortável e propicie as condições mínimas de acomodação. Quem determina essas condições é a equipe técnica (H), com seus mais diversos profissionais (médicos veterinários, biólogos, zootecnistas, entre outros) que as repassa para a equipe de manutenção (H) para a construção do recinto. Outro profissional de suma importância dentro de qualquer zoológico é o tratador (H). É ele que está em contato mais próximo com os animais e consegue repassar para os técnicos qualquer alteração encontrada, tanto na área física do recinto quanto com o animal propriamente dito. Uma vez que esteja bem alojado, uma espécie animal pode se reproduzir (A) gerando atração para o zôo com aumento na visitação (H). Se essa espécie fizer parte de um programa de reprodução, poderá ocorrer a permuta (A) com outros zoológicos. Todo animal dentro de um zoológico é importante. Porém alguns, por serem mais chamativos (tamanho, aparência, comportamento) acabam sendo mais comentados pela população ou pela imprensa. Muitos têm nomes e são conhecidos por eles. A própria escolha do nome de um animal pode ser usada por um zôo como uma nova atração, como já feito algumas vezes no Zoológico de Curitiba. O Departamento de Zoológico da Prefeitura Municipal de Curitiba possui animais expostos duas áreas distintas, sendo uma no centro da cidade, o Passeio Público, e outra na periferia, dentro do Parque Regional do Iguaçu, conhecido como Zoológico de Curitiba. O Passeio Público foi fundado em Maio de 1886 sendo inicialmente apenas um parque cuja finalidade era drenar uma área pantanosa.

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Posteriormente foram incorporados animais, tornando-se o primeiro zoológico da cidade. Com o crescimento do acervo e modernização do conceito de bem-estar animal, foi inaugurado o zoológico do Parque Iguaçu, em 28 de Março de 1982 com a transferência dos grandes animais localizados no Passeio Público. O Zôo de Curitiba está entre os maiores do Brasil, contando atualmente com cerca de 2.000 animais e bons índices de nascimento em cativeiro. O Zoológico de Curitiba apresenta-se historicamente como uma das mais respeitadas instituições zoológicas do Brasil. Esse trabalho teve como objetivo principal o resgate histórico deste local. Cabe salientar que esse trabalho é relativo apenas ao que aconteceu e ainda acontece na área do zoológico localizado dentro do Parque Regional do Iguaçu, não sendo considerados os fatos referentes ao Passeio Público, apesar de ambos fazerem parte do Departamento de Zoológico da Secretaria Municipal do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Curitiba, juntamente com a Casa do Acantonamento e o Museu de História Natural do Capão da Imbuia e apresentarem atividades semelhantes e correlatas. O presente trabalho justifica-se pela ausência de uma compilação de relatos sobre as atividades realizadas no Zoológico de Curitiba. Como objetivos específicos propõe-se rever historicamente o papel do Zoológico de Curitiba na Conservação e Pesquisa de espécies ameaçadas; a participação do Zoológico nos aspectos de Educação ambiental, Lazer e Bem-estar animal; e a inter-relação entre os aspectos físicos, humanos e animais. Para este levantamento foram utilizadas informações obtidas a partir de revisão documental do acervo do Departamento, dados e notícias publicados nos diversos meios de comunicação além de levantamento histórico de imagens e comparação com a atualidade. Para complementação e elucidação de algumas dúvidas foram utilizados depoimentos de funcionários e ex-funcionários do Departamento de Zoológico.

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CAPÍTULO 1 – A HISTÓRIA DOS ZOOLÓGICOS

1.1 INTRODUÇÃO

Existem coleções de animais selvagens desde a Antigüidade, sendo que a primeira coleção de animais data de 1.490 A.C., ordenada pela rainha egípcia Hatshepsut. Em 300 A.C. Aristóteles instituiu o que se pode chamar de zôo experimental, privativo de sua observação. Alexandre, o Grande, estabeleceu no porto de Alexandria, no Egito, o que provavelmente foi o primeiro zôo público. No Zôo de Constantinopla, em 424 D.C., macacos, leões, elefantes, girafas e búfalos estavam entre as espécies expostas. No século XIII, Frederick II, rei da Sicília, estabeleceu grandes criadouros em Palermo e outras cidades. Na procura por Tenochtitlán, a capital asteca no México, o conquistador Cortêz descobriu um zôo jamais visto por europeus, com inúmeras aves coloridas, pumas e onças. O primeiro zoológico europeu foi desenvolvido em Viena, Áustria. Schönbrunn é o zoológico mais antigo do mundo. Sua história começa em 1452, quando o zôo era apenas um pequeno viveiro. Desde então o zoológico foi ampliado, e, em 1752, foram fundadas suas instalações atuais. Em 1828, o zôo trouxe para Viena a primeira girafa, fato que causou grande comoção entre os habitantes da cidade. Os vienenses criaram até mesmo uma expressão -"à la giraffe"- para designar o estilo que surgiu na época, inspirado nestes animais vindos da África.

O mais antigo zoológico da França fica em um recanto do Jardin des Plantes, um pequeno parque no centro de Paris. O zôo foi construído durante a Revolução Francesa (1789) para alojar os quatro animais sobreviventes do viveiro de Versailles — palácio onde viviam os reis da França antes de serem tirados do poder pelos revolucionários. Porém a história e evolução dos zoológicos modernos começou há cerca de apenas 200 anos, com a criação dos primeiros parques públicos. Além disso, a sociedade humana passaria por significativas alterações, tais como o aumento no tempo livre e de lazer além de uma melhoria no nível geral de educação. A modernização começou em 1826 com a Sociedade Zoológica de Londres fundando o Zôo do Regent’s Park. O propósito era expressamente o estudo de animais vivos para melhor entender a história natural dos animais selvagens. O Zoológico de

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Londres é uma das principais atrações turísticas da cidade e também um importante centro de pesquisas. No zôo vivem cerca de 8.000 animais de 650 espécies diferentes, como coalas, pandas-gigantes e zebras. O Zoológico de Londres desenvolve programas de preservação de espécies ameaçadas de extinção no próprio zôo e também em outras partes do mundo, como Etiópia, Nepal, Ruanda e Arábia Saudita, onde técnicos da instituição trabalham com espécies locais. O zoológico de Berlim foi inaugurado em 1844. Atualmente é o maior zôo do mundo em número de espécies (1.473) e animais (13.778). Foi neste zoológico que pela primeira vez se conseguiu manter gorilas em cativeiro. Em nenhum outro zoológico do mundo os animais se reproduzem com tanta facilidade. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Zoológico de Berlim foi bombardeado e destruído. A restauração completa do zoológico levou catorze anos para ser concluída e só foi terminada em 1959. Também na Alemanha, em 1910, Carl Hagenbeck, um caçador que capturava animais para zoológicos realizou seu sonho de ter seu próprio parque, e fundou em Hamburgo o primeiro zôo sem grades do mundo. Lá, pela primeira vez, os animais puderam ser vistos em grandes áreas abertas, separados por fossos, valas ou outras barreiras invisíveis, e não mais através de uma grade. Desde então, muitos zoológicos no mundo todo adotaram o sistema inventado e patenteado por Hagenbeck. Fundado em 1862, o Zoológico de Melbourne é o primeiro jardim zoológico da Austrália e um dos maiores e mais antigos do mundo. O zoológico distribui os animais de maneira inovadora, numa série de ambientes onde a temperatura e a vegetação reproduzem as condições que se podem encontrar nos habitats dos animais. No Brasil, o primeiro Jardim Zoológico foi o do Rio de Janeiro. Expor animais e tentar trazer para dentro da cidade um pouco da vida selvagem, começa em nosso país em 16 de janeiro de 1888, quando o Barão de Drumond funda no Bairro de Vila Isabel uma área com riachos, lagos artificiais e uma extensa coleção de animais. O passar dos anos entretanto, trouxe dificuldades financeiras, e manter os animais tornou-se muito difícil. Para solucionar a situação, o Barão criou o "jogo do bicho", atraindo a atenção de visitantes e moradores do bairro, e depois de outras partes da cidade, que faziam suas apostas pela manhã e retiravam o resultado a tarde. A idéia do Barão de Drumond acabou por transformar-se em uma marca no cotidiano da cidade, mas não foi suficiente para salvar o antigo Zôo, que terminou

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fechando suas portas na década de 40. Mas logo a cidade ganhou um novo Zoológico, inaugurado no Parque da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, em 18 de março de 1945.

1.2 – FUNÇÕES DE UM ZOOLÓGICO

Cientistas do Plano das Nações Unidas para o Meio Ambiente calculam que existam entre 10 e 100 milhões de espécies de seres vivos no planeta. Hoje, somente 1,4 milhões são conhecidos e 25% estão ameaçados de extinção. Todo dia, no mundo inteiro, desaparecem quase trezentas espécies animais e vegetais devido à destruição de seus habitats. O Brasil é um dos países com o maior nível de biodiversidade do planeta. Infelizmente, vários fatores têm contribuído para a destruição de grandes áreas dos ecossistemas mais ricos do país: Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e Cerrado. Dentre as atividades que ameaçam estes ecossistemas estão a agricultura e pecuária, a extração de madeira, a mineração e a indústria poluente. Em 1990, o IBAMA compilou uma lista de animais em extinção no Brasil. A maioria das espécies é oriunda da Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal. Entre eles estão: 57 mamíferos, 108 aves, 9 répteis e 32 invertebrados. Diante das diversas ameaças contra a natureza e a vida selvagem, o papel dos zoológicos foi se definindo cada vez mais e melhor. Em setembro de 1993 foi publicado The World Zoo Conservation Strategy, desenvolvido por profissionais de zoológicos e aquários de todo o mundo, definindo o papel a ser desempenhado por essas instituições para a conservação global da natureza. A primeira finalidade é contribuir para a conservação das espécies, habitats naturais e ecossistemas, surgindo os múltiplos aspectos da conservação nos zôos como complemento e não como substituto de outras atividades de conservação. É particularmente neste contexto que se situa o processo evolutivo dos zoológicos, ou seja, passando da mera exposição de animais confinados a preservação de material genético, principalmente das espécies ameaçadas de extinção.

A comunidade dos zoológicos se propõe a colaborar ativamente nos seguintes aspectos:

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Pesquisa, visando o aumento do conhecimento científico da natureza - dentro desse aspecto, os zoológicos oferecem, por meio de suas coleções de animais, condições favoráveis para o desenvolvimento de pesquisas que, associadas aos trabalhos de campo, geram uma importantíssima contribuição para a natureza. Assim, os zôos modernos deixaram de ser uma "vitrine de animais" para se transformar em centros de conservação. Lazer, com a sensibilização pública e política da necessidade da defesa e manutenção dos recursos naturais e de um novo equilíbrio entre o homem e a natureza - os zôos são espaços privilegiados e muito visitados (cerca de 10% da população mundial) devendo por essas razões assumir seu papel na educação, desenvolvendo no público a consciência do valor insubstituível da natureza. Populações moradoras de metrópoles têm demonstrado uma crescente necessidade de aproximação com a natureza. Esse comportamento pode ser notado pelo grande número de pessoas que visitam as áreas verdes existentes nos centros urbanos. No mundo inteiro, os zoológicos são locais muito procurados, sendo que o número de visitantes por ano varia de dez mil a sete milhões de pessoas, em diferentes parques, de diferentes países. Atualmente, os Zoológicos e similares são cada vez mais procurados, recebendo anualmente milhões de pessoas somente no Brasil, pois com o crescimento das cidades e a forte tendência de urbanização, estes locais se tornaram as únicas fontes de conhecimento e contato com a natureza. A educação ambiental que um zoológico pode oferecer combina conceitos de diferentes áreas, tais como zoologia, ecologia, botânica, fisiologia, etc. Num zôo, esse conhecimento pode ser adquirido por meio da vivência e do contato direto com componentes desses conceitos, o que faz do zoológico "uma sala de aula viva cujas experiências de aprendizado se tornam inesquecíveis". Conservação de espécies de animais ameaçados - a poluição, o crescimento demográfico, a destruição da diversidade biológica representam uma ameaça para a sobrevivência de milhares de espécies animais e vegetais. Os zôos representam para muitas dessas espécies uma reserva natural para o futuro.

1.3 – CONSERVAÇÃO IN-SITU E EX-SITU

A gestão das populações animais em zoológicos é organizada em programas de reprodução regionais. Existem programas para diversas espécies

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ameaçadas e a sobrevivência de algumas delas vai depender da cooperação e coordenação entre os pesquisadores que trabalham para a conservação in-situ (no habitat de origem) e ex-situ (fora do habitat). As populações de espécies ameaçadas reproduzidas em cativeiro podem servir diretamente a sua sobrevivência na natureza, como nos casos de relocação. Neste trabalho é necessário considerar as qualidades genéticas e comportamentais dos animais, evitar a introdução de agentes patogênicos e a mistura de subespécies. Estima-se atualmente que sejam necessários entre 250 e 500 indivíduos de uma espécie para se manter a variabilidade genética suficiente para um período de 100 anos.

1.4 – BEM-ESTAR ANIMAL E REPRODUÇÃO EM CATIVEIRO

A filosofia de manutenção de animais em cativeiro tem evoluído desde os anos 60. Do papel passivo de "mostra de animais", os zoológicos passaram a desempenhar papel ativo na proteção e reprodução de espécies, pois tornava-se claro que um animal "feliz no zôo" era aquele suficientemente fácil de reproduzir. Dentro do novo papel dos zôos está a preparação dos recintos voltados para as necessidades dos animais, para os tratadores e para os visitantes. Dessa forma, muitas foram as alterações ocorridas nos zoológicos de todo o mundo. Foram substituídos os recintos com barras de ferro por recintos em forma de ilhas, bem como o aumento da área de exposição e manejo, de forma a melhorar a qualidade de vida dos animais e minimizar o estresse de cativeiro. Esses cuidados acabam resultando num melhor índice reprodutivo. Da mesma forma, as alterações nos recintos propiciou uma maior segurança para a equipe de tratadores, diminuindo o contato direto com os animais residentes. Esta relação do pessoal com os animais procura interferir o menos possível nos hábitos destes. Porém algumas espécies, devido às suas características, exigem uma relação mais próxima com os tratadores, embora todos os animais necessitem de privacidade e de segurança, sem proximidades que os assustem ou incomodem. Muitos são os casos de animais salvos por interferência dos zoológicos, como o mico-leão-dourado (Leonthopithecus rosalia). Os lêmures estão se reproduzindo nos zoológicos americanos (Carolina do Sul) para que um dia possam voltar a Madagáscar, passado o desastre ecológico provocado pelo ditador Raziraki,

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deposto quando a URSS começou a enfraquecer. O raríssimo ayé-ayé, representado no mundo por apenas 50 exemplares, está se reproduzindo no Zoológico de Paris para garantir a sobrevivência da espécie. O mesmo está acontecendo ao raro peixe-boi, em Manaus e Miami. Existem oito mil tigres em liberdade e 35 mil em zoológicos, para garantir o futuro da espécie. Existem cerca de 1500 leopardos-das-neves-da-mongólia (Uncia uncia) em liberdade e 400 em zoológicos, com a impressionante taxa de aumento populacional de 10% ao ano; uma das mais elevadas do reino animal. Graças aos zoológicos, essa espécie está fora de perigo, esperando o dia no qual os parques nacionais da Mongólia e da China dispuserem de eficaz proteção. Dez porcento da população de pandas-gigantes (Ailiropoda melanoleuca) vive em zoológicos e começa a se reproduzir, garantindo a sobrevivência do animal mais adorado do mundo, símbolo da China.

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CAPÍTULO 2 – O PARQUE REGIONAL DO IGUAÇU

Iguaçu é "água grande" na linguagem dos primeiros habitantes dessas

terras, os índios. O rio Iguaçu nasce na Região Metropolitana de Curitiba e, cortando

o Estado, deságua no Rio Paraná, na cidade de Foz do Iguaçu. Em sua porção

inicial encontra-se altamente afetado, principalmente pela poluição doméstica.

Em 1976 é criado o Parque Regional do Iguaçu, a partir de uma idéia que

já estava no papel desde 1970. Havia um grave problema de saneamento nas áreas

mais baixas do vale do Iguaçu. As enchentes se repetiam a cada ano e cada vez mais violentas. O Rio Iguaçu, em cada chuva mais forte, extravasava e atingias os bairros mais próximos. Além disso, Curitiba tinha pouca área verde e pouca verba para desapropriações. Ao mesmo tempo o Passeio Público estava saturado, não conseguindo mais ser o pulmão verde da cidade e alojar adequadamente os animais de grande porte (CRUZ, 1986) 1 . Situado às margens do Rio Iguaçu, o parque contaria, pelo menos em seu projeto inicial, com uma série de equipamentos e locais para lazer da população. Devido à impossibilidade de se expandir futuramente, a construção do novo zoológico no Parque da Barreirinha foi alterada para o Parque Regional do Iguaçu. Entre esses novos serviços estariam, além do zoológico, os Pomares Públicos, o Parque Náutico e a Cidade Hortigranjeira.

No total, o Parque Iguaçu terá 20 milhões de metros quadrados dentro do município de Curitiba, aos quais será dado uma ocupação racional e adequada, retomando-se desta forma a vida natural e selvagem dos vales do Rio Iguaçu e seus afluentes. Contendo a ocupação urbana, oferecendo um vasto equipamento de uso comunitário, recuperando áreas e solucionando problemas de cheias e poluição, o Parque Regional do Iguaçu será o maior parque urbano do país (Diário do Paraná, 29 de Junho de 1977) 2 .

Cada equipamento teria vida própria, desenvolvendo-se de maneira isolada, mas tendo em alguns momentos inter-relação com os outros. Assim, muitos textos e informações referem-se ou ao Parque Regional do Iguaçu, ou ao Zoológico, ou muitas vezes a ambos. Em relação ao Parque Regional do Iguaçu, Antonia Eliana Chagas comenta no jornal Estado do Paraná de 20 de Setembro de 1977:

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Subtraindo-se a costumeira demagogia daqueles que pretendem colher os frutos das árvores antes mesmo de plantá-las, ninguém pode negar que é uma grande idéia. O Parque Regional do Iguaçu, uma imensa área coberta de árvores frutíferas, bosques, gramados, lagos e animais soltos deverá ser, se efetivado, um importante marco em matéria de planejamento urbano, colocando Curitiba em destaque, como pioneira no setor. Mas, se os outros saberão por ouvir dizer, o curitibano terá a disposição algo único como pomares públicos, lagoas artificiais para a prática de esportes, zoológico aberto e um imenso cinturão verde a protegê-lo dos males do mundo moderno. Além disso, o projeto deverá ser iniciado pela recuperação de dois rios, hoje transformados em cloacas: o Iguaçu e o Belém (CHAGAS, 1977) 3 .

Em 1978 o prefeito Saul Raiz dá início às obras de implantação dos Pomares Públicos. A primeira etapa de implantação dos Pomares Públicos, já com 606 mil metros quadrados de área desapropriada (incluindo parte do Zoológico Aberto) contaria com cinco mil árvores frutíferas, como macieiras, pereiras, pessegueiros, nectarina, ameixa, etc. enquanto seria estimulado o plantio de frutas silvestres como pitanga, maracujá, jabuticaba, entre outras, estas sempre em áreas sombreadas, pois em nenhuma hipótese o prefeito permitiria a derrubada dos bosques nativos para a plantação das fruteiras, devendo ser ocupados única e exclusivamente os espaços abertos existentes nos intervalos das matas Os pomares foram implantados em área próxima ao Rio Iguaçu, nas proximidades da Linha Transmissora da COPEL, na região do Boqueirão, com acesso natural pela rua João Miqueleto (CORREIO DE NOTÍCIAS, 06/ABR/1978) 4 . Além dos Pomares e do Zoológico, havia a previsão de manter-se uma área com acesso proibido ao público com a finalidade de ser um santuário para a preservação da flora e fauna local. Quanto ao Parque Regional do Iguaçu, Walter Angel Bernal, Diretor do Departamento de Parques, Praças e Preservação Ambiental comentou:

O projeto é altamente de baixo custo. Não são obras faraônicas ou impostas ao meio ambiente, mas seguindo as tendências do microclima. A arquitetura será cada vez melhor na medida que desapareça e apóie o ecossistema existente, complementando-o (BENETTA, 1981) 5 .

O maior desafio a ser vencido para a execução do Parque Regional do Iguaçu era impedir que o Rio Iguaçu invadisse e inundasse a área. Para tal foi construído um dique paralelo ao parque e ao rio, o que solucionou em parte o

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problema. Outra característica do local era que grande parte da área era uma enorme jazida de areia, explorada e extraída por diversas empresas. Nos buracos deixados formaram-se as Cavas do Boqueirão, responsáveis por muitas mortes por afogamento. Ao se interligarem as cavas, durante a execução do parque, foi criado um canal ligando o Parque Náutico ao Zoológico, sete quilômetros abaixo. Um dique de cerca de oito quilômetros foi construído a medida que as cavas eram ligadas, formando um local para navegação entre os dois locais. Todo o projeto hídrico foi idealizado pelo Engenheiro Nicolau Klupperl, assessor técnico do Departamento de Urbanismo da Prefeitura Municipal de Curitiba. O canal possuía em torno de 25 metros de largura por um de profundidade, sendo dois metros mais alto que o Iguaçu (DIÁRIO DO PARANÁ, 25/MAR/1982) 6 . A maior área urbana de lazer foi totalmente entregue a população em 28 de Março de 1982. A primeira cerimônia dentro da programação foi o descerramento de uma placa em homenagem ao engenheiro Nicolau Kluppel, idealizador do canal Inter-cavas. Devido ao intenso tráfego no dia e local, ele chegou logo após o descerramento (Gazeta do Povo, 29/MAR/1982) 7 . O prefeito Jaime Lerner destacou o sentido social de todas as obras no parque, pois além de regularizar a situação das cheias melhorava a conservação de uma das maiores áreas verdes da cidade (Gazeta do Povo, 25/MAR/1982) 8 . “Ela não trará lazer apenas aos curitibanos, mas tem um caráter social muito grande, pois com a abertura dessas cavas, estaremos evitando enchente no Alto Boqueirão e bairros vizinhos”. Durante os três anos de construção, foram gastos 60 milhões de cruzeiros. Pouco, se considerado o tamanho da obra: catorze quilômetros de extensão e oito milhões de metros quadrados, sendo uma área equivalente a cinco Aterros do Flamengo e seis vezes maior que o Parque Barigui, até então a área verde mais visitada (GAZETA DO POVO, 25/MAR/1982) 8 . Dois barcos circulavam pelo Canal Inter-cavas. O “Serelepe” era um barco com capacidade para 35 pessoas e fazia o trecho entre o Parque Náutico e o Zoológico em cerca de 35 minutos, com partidas de hora em hora. Já a “Arca do Iguaçu” era um barco maior, de 19 metros de comprimento por seis de largura e com capacidade para até 300 pessoas. Mais lento que o “Serelepe”, possuía um restaurante e um bar e funcionava durante a semana no Parque Náutico, fazendo o percurso até o zoológico apenas aos domingos (DIÁRIO DO PARANÁ, 25/MAR/1982) 6 .

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Em Abril de 1982, na revista mensal Panorama 9 , está citada a possibilidade de ser reativada, pelo prefeito Jaime Lerner, uma locomotiva “Maria Fumaça” para fazer a ligação entre o Parque Náutico e o Zoológico, fato que acabou nunca ocorrendo. Apesar de anunciado como a solução para as enchentes que assolavam a região, as fortes chuvas de Maio de 1983 mostraram que somente a criação do parque não seria suficiente. O então prefeito Maurício Fruet solicitou ao Governo Federal liberação de recursos para realizar a dragagem do Rio Iguaçu em toda a extensão do município, cerca de dez quilômetros (GAZETA DO POVO, 13/JUN/83) 10 . Na disputa eleitoral para prefeito em 1985, entre Jaime Lerner e Roberto Requião, o Parque Iguaçu teve uma participação importante. Ambos os candidatos discutiram os erros e acertos do maior parque urbano do país. O principal acerto foi a própria criação do parque já que a visitação sempre foi grande, mesmo durante um período em que ficou abandonado. Porém a “Arca do Iguaçu”, apesar de bonita e representar uma idéia muito boa, foi condenada pela Marinha devido à falta de segurança. Era um equipamento muito alto mas de pouco calado. As discussões na eleição foram basicamente devido ao custo desse equipamento à Prefeitura e que acabou sendo abandonado (CRUZ, 1986) 1 . O Pomar Público também se mostrou inadequado e distante da finalidade a que se destinava. Algumas mudas como pereiras não se adaptaram à região enquanto outras árvores tinham frutos apenas durante alguns meses do ano (CRUZ, 1986) 1 .

Em 1986 o “Serelepe”, antes utilizado para o transporte de passageiros, era utilizado apenas para a remoção dos aguapés que tomavam todos os lagos do parque (CRUZ, 1986) 1 . Em 24 de Março de 1987 foi inaugurado o Pomar Didático, pelo Secretario de Meio Ambiente Elias Abraão, representando o Prefeito Roberto Requião, como parte das comemorações pelos 294 anos de Curitiba. O pomar serviria para orientação de escolares e integrantes de associações de bairro quanto a plantio, condução e colheita de espécies frutíferas. As 1500 árvores foram escolhidas para que houvesse produção durante todo o ano: nectarina, pêssego, maçã, ameixa, figo, limão e caqui (GAZETA DO POVO, 25/MAR/1987) 11 .

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Em 1990, com Jaime Lerner novamente como prefeito, a “Arca do Iguaçu”, que serviu de restaurante por algum tempo e esteve desativada por cerca de seis anos, foi devolvida a população. Devido a iniciativa e participação do Parque de Diversões Alvorada, o barco foi restaurado e transformado em um centro de exposições sobre o Rio Iguaçu, com cartazes e aquários. O andar superior da

embarcação possuía um auditório onde eram realizadas palestras. Em contrapartida

o Parque Alvorada pôde explorar uma lanchonete no interior da Arca. O trabalho de

Milton França, que liderou a equipe do Alvorada na restauração, levou cerca de cinco meses (GAZETA DO POVO, 05/JAN/1990 12 ; GAZETA DO POVO, 05/FEV/1990 13 ). Como não podia mais circular devido à segurança, o barco foi fixado às margens do Canal Inter-cavas, no local onde se encontrava o porto. Neste mesmo momento, foi reativado o transporte de passageiros com o barco “Serelepe” entre o Parque Náutico e o Zoológico. O barco circulou por algum tempo mas teve de ser novamente desativado pois ao passar por baixo do viaduto da Marechal Floriano era alvo de pedras e tijolos lançados do alto por desocupados.

Em agosto de 1991, conforme reportagem do jornal Gazeta do Povo (04/AGO/1991) 14 , previa-se para o mês seguinte o início das obras de implantação do Mini-pantanal, entre a Av. Marechal Floriano e o Zoológico. Nesta área seriam colocadas espécies animais e vegetais típicas do Pantanal. Esta atração já havia sido prevista em um projeto de 1977 e voltado à tona em 1987, mas sem execução. Mesmo desta vez não seria realizado. Em 2007, o Parque Regional do Iguaçu ainda mantém sua estrutura básica, possuindo além do Zoológico e da Casa do Acantonamento, os setores náutico, com área aproximada de 2.300.000 m2, destinados a esportes náuticos não poluentes (remo, vela e canoagem), dotado de sede administrativa, cais/ancoradouro, garagem de barcos, sanitários, lanchonete, mirante, raias, arquibancada lateral, torre de cronometragem para canoagem e canal inter-cavas, e

o setor esportivo, com área aproximada de 126.000m2 constituído pelo Parque

Peladeiro contendo equipamentos como canchas de futebol, futebol de areia e vôlei, vestiários, sanitários, playground e um estádio destinado à prática de beisebol com

arquibancadas, iluminação, estacionamento e lanchonete. O Parque Regional do Iguaçu caracteriza-se por ser, além de um dos maiores parques urbanos do país, inédito no que se refere à existência de seus

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diversos setores onde, acima de tudo, está colocada a preservação da natureza em

toda a sua essência.

REFERÊNCIAS

1 CRUZ, A.A., Iguaçu, um parque que valeu votos. Gazeta do Povo, 05 de fevereiro de 1986.

2 DIARIO DO PARANÁ, Opção: pomar público. Diário do Paraná, 29 de Junho de

1977.

3 CHAGAS, A.E. O Éden no primeiro planalto. O Estado do Paraná, 20 de setembro de 1977.

4 CORREIO DE NOTÍCIAS, Pomar de 5 mil árvores – Infra-estrutura urbana/lazer. Correio de Notícias, 06 de abril de 1978.

5 BENETTA, C.B. No parque Iguaçu, o lazer vai das frutas à pescaria. Diário do Paraná, 29 de outubro de 1981.

6 DIÁRIO DO PARANÁ, População vai ganhar no domingo área de lazer e jardim zoológico. Diário do Paraná, 25 de março de 1982.

7 GAZETA DO POVO, Curitiba recebe Parque Zoológico, maior área de lazer urbana do país. Gazeta do Povo, 29 de março de 1982. 36 ª. Página.

8 GAZETA DO POVO, Objetivo do parque é social, diz prefeito. Gazeta do Povo, 25 de março de 1982.

9 PANORAMA, Iguaçu, o maior parque urbano do Brasil – Pulmão Verde e Parque Náutico. Panorama, Abril de 1982, ano 31, n° 315. p. 14-17.

10 GAZETA DO POVO, Chuvas isolam cidades no Paraná. Gazeta do Povo, 13 de junho de 1983.

11 GAZETA DO POVO, Nos festejos de Curitiba, aberto o “Pomar Didático”. Gazeta do Povo, 25 de março de 1987.

12 GAZETA DO POVO, Mau tempo atrapalha retorno do barco “Serelepe” à ativa. Gazeta do Povo, 05 de Janeiro de 1990.

13 GAZETA DO POVO, Parque Iguaçu ganha 2 novos equipamentos para a ecologia. Gazeta do Povo, 05 de fevereiro de 1990.

14 GAZETA DO POVO, Parque Iguaçu receberá um mIni-pantanal, com animais diferentes. Gazeta do Povo, 04 de agosto de 1991.

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CAPÍTULO 3 – O ZOOLÓGICO DE CURITIBA

As primeiras menções da construção de um novo zoológico são de março de 1975. O então prefeito Jaime Lerner assina o Decreto n° 164/75 desapropriando uma área de mais de 150 mil metros quadrados, anexa ao Parque Municipal da Barreirinha. Com o terreno dasapropriado o parque passaria a ter 450 mil metros quadrados de área verde (GAZETA DO POVO, 09/MAR/1975 15 ; DIÁRIO DO PARANÁ, 12/MAR/1975 16 ). Na área desapropriada seriam desenvolvidos serviços visando montar o novo habitat dos animais dentro das mais modernas técnicas e em curto espaço de tempo, já que o Passeio Público abrigava os animais em condições deficientes. Sempre houve preocupação com a situação de mau alojamento dos animais no Passeio Público além de maus tratos, tais como alimentá-los com comidas estranhas ou jogar cigarros para os macacos, entre outros casos. Para o novo zoológico seriam transferidos todos os mamíferos existentes no Passeio Público, além de garças e flamingos. Uma preocupação citada na época era a diminuição dos freqüentadores do Passeio, principalmente aos finais de semana, devido à mudança dos animais. Os vendedores de doces e pipoca temiam a queda no faturamento. Em 1977, após a criação do Parque Regional do Iguaçu, por solicitação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) é apresentada uma extensa proposta pela empresa Desenvolvimento Agroindustrial Ltda para implantação de um zoológico aberto (RITTES et al.) 17 , sem a presença de grades e com o uso de carros fechados para a visitação. A idéia era semelhante ao Simba Safári, parque existente em São Paulo. O novo zôo seria implantado próximo aos Pomares Públicos e contaria com uma área superior a 50 hectares. Além de oferecer uma nova atração para a cidade seria também uma oportunidade de recuperação da fauna local, prejudicada pelos avanços urbanos. Em uma nota de divulgação do Departamento de Parques e Praças, de 23 de novembro de 1978 18 , previa-se para o início de 1979 a transferência dos animais de grande porte do Passeio Público para o novo zoológico, ficando no centro da cidade apenas os animais de menor porte, como as aves. O então administrador do Passeio Público, Luiz Carlos Costa Reis, torcia para que o parque ficasse pronto logo para que os animais fossem transferidos rapidamente e parassem de ser molestados: “A gente tem que fazer grades para proteger os irracionais dos

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racionais, porque neuróticos são os visitantes, que não deixam os bichos em paz” (TORTATO, 1979) 19 . Em outubro, uma matéria destacava a nova visão para os zôos modernos, com a utilização de barreiras diferentes das grades. Houve nesta reportagem uma nova cobrança pela construção do novo zoológico no Parque Iguaçu (GAZETA DO POVO, 19/OUT/1979) 20 . Porém, imagens do acervo fotográfico da Secretaria Municipal do Meio Ambiente demonstram que apenas entre maio e junho de 1980 começam as obras de terraplenagem nas cavas de areia na margem do Rio Iguaçu para a implantação dos primeiros recintos do zoológico (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 01 E 02). Dessa forma, a transferência dos primeiros animais para o zoológico começou apenas em junho de 1981, quando foram levadas as aves aquáticas, além de três veados e uma anta. Em dezembro mais recintos estavam em condições de receber outros animais transferidos do Passeio Público, entre eles os grupos de leões. Em um documento interno do Departamento de Parques, Praças e Preservação Ambiental 21 são citados os animais já transferidos na primeira etapa de conclusão do zoológico: 17 leões (alojados em 5 recintos), tamanduás (bandeira e mirim), paca, capivara, avestruz, anta, cutia, ema, veado-campeiro e veado-bororó. A serem transferidos ainda faltavam: cervo-nobre (4 animais), cervo-dama (2), cervo-sambar (4), além de catetos, javalis e porcos-do- mato (queixada?). Antes da inauguração, os últimos animais a serem levados foram as Harpias, no dia 25 de março de 1982, conforme noticiado no jornal Diário do Paraná (25/MAR/1982) 6 . Em 25 de março de 1982, os jornais O Estado do Paraná 22 e Diário do Paraná 6 anunciavam, como ponto alto das comemorações pelos 289 anos da cidade, a inauguração do Zoológico de Curitiba. Para as festividades de aniversário, muitas atividades culturais foram realizadas durante 14 dias (18 a 31 de março). Seria entregue a população o último item do Parque Regional do Iguaçu. O Parque Náutico havia sido entregue há pouco mais de um ano e já era bastante utilizado pela população. À medida que o Zoológico era construído, essa outra parte do projeto também era realizada, para que fossem entregues ao mesmo tempo e se complementassem. Segundo Walter Angel Bernal, Diretor do Departamento de Parques, Praças e Preservação Ambiental, o novo zoológico deveria funcionar todos os dias, exceto nas segundas-feiras, como o Passeio Público, e teria entrada franca (GAZETA DO POVO, 26/MAR/1982) 8 . Previa-se a posterior cobrança simbólica de

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20 ou 30 cruzeiros, como na maioria dos estabelecimentos do gênero,

estimulando-se dessa forma a preservação dos equipamentos do parque. Esta

cobrança nunca chegou a acontecer.

Mesmo antes do início das atividades, já havia a preocupação com a

questão da Educação Ambiental. Um documento do Departamento de Parques,

Praças e Preservação Ambiental indicava as funções do recanto que surgia:

preservação dos animais; pesquisa (comportamento, alimentação,

desenvolvimento); educação ambiental e recreação 23 . Além disso, o mesmo

documento indicava os cuidados básicos que o visitante deveria ter quando fosse ao

zoológico: não perturbar os animais; não jogar objetos dentro dos recintos; não dar

comida aos animais; respeitar as cercas de segurança; proteger as árvores e

canteiros do bosque e, finalmente, manter o parque limpo.

Os preparativos para a Inauguração

No domingo, dia 28 de março ocorreu a inauguração do Zoológico de

Curitiba, com a seguinte programação, conforme cartazes que eram afixados nos

principais pontos da cidade (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 03) além de notas nos

jornais (GAZETA DO POVO, 28/MAR/1982) 24 :

9:00 horas – Largada do Passeio Ciclístico, do Passeio Público ao Iguaçu. 9:15 horas – Batismo do Barco “Serelepe” que faria a linha Boqueirão-Zôo, pelo Canal Intercavas. 9:15 horas – Largada da Corrida Rústica pelas margens do Iguaçu, do Boqueirão até o Zôo. 9:30 horas – Saída dos barcos enfeitados, do cais do Boqueirão, em passeio pelo Canal do Iguaçu até o zoológico. 9:30 horas – Início das operações das linhas de ônibus para o zoológico, nos terminais do Pinheirinho e Boqueirão. 11:00 horas – Desembarque dos bichos da “Arca do Iguaçu” no zoológico, ao som das músicas da “Arca de Noé” de Vinícius de Morais. Revoada de pássaros do convés superior da arca para os bosques do Iguaçu. Benção do zoológico e do Parque por Frei Miguel Botaccin, Frei Fernando do Bom Jesus e Padre João Rocha, seguidores de São Francisco de Assis. Consagração do zoológico a São Francisco de Assis nos 800 anos do padroeiro dos animais, da ecologia e dos poetas. 15:00 horas – Regata Cidade de Curitiba na área náutica.

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Um outro cronograma, de circulação interna apenas 25 , indicava os passos

a serem executados pelos integrantes oficiais (prefeito Jaime Lerner, governador

Ney Braga e demais autoridades):

10:00 horas – Embarque no “Serelepe”, no porto Boqueirão (Parque Náutico) e travessia pelo Canal. 10:35 horas – Chegada ao Zoológico. Para os carros da comitiva indicava- se o caminho pelas ruas Isaac Ferreira da Cruz, Eduardo Pinto da Rocha e estrada dos pomares ou então pela estrada de terra que beirava o canal inter-cavas. 10:40 horas – Desembarque no Zôo. Início do show com a “Arca do Iguaçu”. Retreta flutuante. 10:50 horas – Chegada da arca ao porto do zoológico. 10:55 horas – Batismo da “Arca do Iguaçu” por D. Nice Braga e D. Fanny Lerner. 11:00 horas – Visita à maquete do Parque Regional do Iguaçu. 11:05 horas – Consagração do zôo e do Parque à memória de São Francisco de Assis por Frei Miguel, Frei Fernando e Padre João Rocha. 11:10 horas – Descerramento da fita e da placa. 11:15 horas – Visita ao zoológico em micro-ônibus. 11:20 horas – Benção dos animais do mirante dos Pomares Públicos, debruçado sobre o zôo e os canais do parque.

Previa-se também um outro roteiro, com a chegada do governador

diretamente ao zoológico, seguindo-se o roteiro anterior a partir daí.

Entre os convidados de outros estados que haviam confirmado a presença

estavam, além de vários diretores de outros zoológicos, o ecologista gaúcho José

Lutzemberger, que alguns anos depois seria Ministro do Meio Ambiente 26 .

Para se chegar ao zoológico, além dos barcos pelo canal Inter-cavas, os

visitantes contavam também com o acesso terrestre feita por carros particulares ou

pelos ônibus alimentadores que partiam dos terminais do Pinheirinho, Capão Raso e

Boqueirão (GAZETA DO POVO, 27/MAR/1982) 27 . Essas novas linhas da Rede

Integrada de Transporte foram entregues à população no dia da inauguração do zôo.

Para serem distinguidos dos demais ônibus, os que faziam a linha

Boqueirão-Zoológico eram decorados com desenhos de animais em toda sua volta

(DIÁRIO DO PARANÁ, 27/MAR/1982) 28 . Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 04.

Em sua coluna Tempos Modernos, no jornal Voz do Paraná, Rafael Greca

de Macedo, expõe outros atrativos além da “Arca do Iguaçu” e do “Serelepe”, tais

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Apesar do aniversário de Curitiba ser dia 29 de março, a inauguração do zoológico ocorreu no dia 28, para facilitar a participação popular. Mais de vinte mil pessoas prestigiaram o evento (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 05 e 06). Somente entre os ciclistas, foram entre sete mil (GAZETA DO POVO, 29/MAR/1982) 7 e dez mil participantes (DIÁRIO DO PARANÁ, 29/MAR/1982) 30 . No Passeio Público, antes da largada, estavam inscritos 6.500, mas muitos aderiram o passeio durante o trajeto, tais como o outro grupo que partiu da frente da Loja Hermes Macedo, na Rua Marechal Deodoro (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 07). Entre os ciclistas participantes foi realizado sorteio de brindes, entre eles três bicicletas. Devido ao intenso tráfego, o governador Ney Braga chegou atrasado, apanhou o “Serelepe” em companhia do prefeito e demais autoridades e dirigiu-se ao zoológico (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 08). D. Nice Braga, esposa do governador, batizou a “Arca do Iguaçu” e D. Fanny Lerner, primeira-dama municipal, o “Serelepe” (GAZETA DO POVO, 29/MAR/1982 7 ; NASSAR, 1982) 31 . Durante a cerimônia de benção do parque, dois animais receberam benção privilegiada das mãos de frei Miguel: um filhote de macaco, recém-nascido, e um filhote de leão, nascido no parque em dezembro e que recebeu o nome de Júnior (SANSONE, 1982) 32 . Na final de semana seguinte à inauguração, entravam em atividade o restaurante e o bar na “Arca do Iguaçu” (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 09). O direito de exploração foi concedido a Sergio Bittencourt Martins e a partir do momento em que o barco estivesse com meia lotação, seria iniciado o passeio. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, em 04 de abril de 1982, Sérgio previa que no final do ano o movimento aumentaria, já que a abertura do zoológico ocorreu no outono, e a temperatura começava a cair (GAZETA DO POVO, 04/ABR/1982) 33 . Porém, nesse mesmo final de semana, começavam a surgir os primeiros problemas para os visitantes do novo zoológico. Falta de esclarecimento às pessoas quanto ao horário de funcionamento do zôo, insuficiência de placas indicativas para o local e falta de policiais controlando o trânsito. O tráfego esteve congestionado por quase nove quilômetros da entrada do parque, além de faltarem vagas no estacionamento. Cerca de cinco mil veículos estiveram no local, o que gerou engarrafamento da entrada do parque até o Terminal do Boqueirão. Segundo informações, o movimento foi três vezes maior que o registrado no dia da inauguração (GAZETA DO POVO,

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06/ABR/1982) 34 . O horário de funcionamento adotado era de terça-feira a domingo, das 9:00 às 17:00h. Na segunda-feira o zoológico permaneceria fechado. Uma semana depois, outro problema relatado foi o acesso ao parque que era muito estreito e perigoso, oferecendo risco de queda no canal inter-cavas (GAZETA DO POVO, 12/ABR/1982) 35 . Outra reclamação noticiada referia-se ao restaurante Portozingaro, instalado na “Arca do Iguaçu”. Nesta reportagem está citado o nome de Marcos Vinícius Agulham como proprietário do restaurante. Segundo ele:

A aceitação desta nova forma de restaurante pelos curitibanos está sendo ótima, faltando apenas esclarecimentos no sentido de que não

estamos aqui para explorar ninguém.(

de conhecer a barca, justamente pelo preço, que está sendo baseado nos custos elevados pois ela funciona a diesel.

Muitas pessoas tem receio

)

Uma contradição nessa notícia é quanto ao horário de funcionamento do restaurante: de domingo a terça-feira, das seis (sic) até a uma hora da madrugada. Nesse caso, existem horários em que o zoológico estaria fechado. Em 19 de abril de 1982 o diretor do Zoológico, Médico Veterinário Renato Afonso Glaser, encaminha um relatório ao diretor do Departamento de Parques, Praças e Preservação Ambiental, Angel Walter Bernal, onde são apontadas as falhas verificadas nos primeiros quinze dias de funcionamento do zôo (GLASER,1982) 36 . Entre as principais estão a insuficiência de sanitários, bebedouros, vagas no estacionamento e policiamento. Como obras complementares foi sugerida a construção de recintos para muitos outros animais, entre eles ursos, onças e mamíferos variados. Como outras sugestões foram citadas a desativação do “Serelepe”, em razão da sua capacidade reduzida e frustração que causava entre os visitantes. Da mesma forma foi sugerido o cancelamento do trenzinho que circulava no interior do zoológico, por não ser seguro, principalmente para as crianças. Foi solicitada a instalação de iluminação interna e de uma sirene para avisar o horário de fechamento do zôo. Outra solicitação era a confecção de placas de orientação quanto ao horário, o não fornecimento de comida aos animais e a inconveniência da presença de cães ou outros animais domésticos durante a visitação. O relatório é concluído da seguinte forma:

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As reivindicações, sugestões e opiniões apontadas no bojo do presente relatório, representam o impulso da nossa consciência do dever. Outras medidas que resultem em melhorias no zôo e bem- estar aos seus visitantes serão providenciadas tão logo façam-se impor.

Em 11 de julho de 1982, em entrevista ao jornal O Estado do Paraná 37 , a bióloga Rosemarie Rotthen comentou a adaptação dos animais transferidos ao seu novo ambiente: “Eles se adaptaram rapidamente porque no novo zoológico há mais espaço e o número de abrigos é bem maior em relação ao Passeio Público”. Em cerca de seis meses nos novos alojamentos, nasceram diversos animais, entre eles seis leões. Além dos nascimentos, outros animais ainda continuavam sendo

transferidos do Passeio Público ou de outros zoológicos. No mesmo jornal, o médico veterinário Renato Glaser explicou que a transferência deveria ser executada com cautela e somente quando os abrigos estivessem prontos, oferecendo condições de receber os animais. A vinda da primeira girafa, com negociação a partir de julho de 1982, oriunda do Zoológico de Sapucaia do Sul (RS), foi motivo de preocupação por parte

da equipe técnica e diretoria do Departamento de Parques, Praças e Preservação

Ambiental. Em razão de seu longo pescoço, qualquer traumatismo poderia causar uma fratura cervical e conseqüente óbito. Considerando-se o valor do animal, tanto financeira quanto biologicamente, pensou-se num seguro de vida. Percebendo a promoção que geraria este ato, os bancos Noroeste, Nacional e Bamerindus ofereceram-se como seguradores do animal. A própria vinda da girafa ocorreu em resposta à campanha lançada pelo prefeito Jaime Lerner: “Empresário, adote um animal”. Ricardo Pussoli, empreiteiro responsável por inúmeras obras na cidade sensibilizou-se com o apelo e fez a doação no valor do animal para a Fundação Sapucaia. Surgia também a possibilidade de concurso entre as crianças (e entre adultos também) para a escolha de nomes para os animais que mais chamariam a atenção (MILLARCH, 1982) 38 . O seguro foi feito pelo conglomerado Bamerindus, com o valor de quinze mil dólares (GAZETA DO POVO, 14/AGO/1982) 39 . A girafa de nove meses chegou em setembro, após 30 horas de viagem. No dia 02 de outubro,

o então prefeito Jaime Lerner, acompanhado de representantes do Grupo

Bamerindus, funcionários do Passeio Público e do candidato ao governo, Saul Raiz, visitaram os novos moradores do zoológico. Além da girafa haviam chegado ao parque um casal de camelos, um dromedário, um casal de jacarés, dois aoudades e

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duas alpacas (O ESTADO DO PARANÁ, 03/OUT/1982 40 ; GAZETA DO POVO, 03/OUT/1982 41 ). Após a campanha o nome escolhido para a girafinha foi Amanda (mais conhecida por todos como Mandinha). Em pouco tempo passou a ser a principal atração do zoológico (GAZETA DO POVO, 08/MAIO/1983) 42 . Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 10.

À medida que o novo zoológico se consolidava, falhas no planejamento

começavam a ser descobertas. Uma delas referia-se aos cabos de alta tensão que passavam por cima dos recintos dos leões e eram sustentados por antigas torres de madeira, sujeitas a quebras no caso de um vento mais forte. Previa-se a queda da fiação e posterior derretimento das telas de proteção, o que possibilitaria a fuga dos animais. O problema já havia sido levado ao conhecimento da COPEL, não tendo sido tomada nenhuma providência por este órgão até aquele momento (GAZETA DO POVO, 15/AGO/1982) 43 .

Outra reclamação apresentada em janeiro de 1983 era quanto ao número de ônibus disponíveis e o valor da passagem. Para quem vinha do centro da cidade era preciso pagar dois ônibus, o que encarecia demasiadamente o passeio no caso de uma família (GAZETA DO POVO, 24/JAN/1983) 44 . Quase um ano após a abertura do zoológico, em 13 de março de 1983, foi inaugurado pelo Prefeito Jaime Lerner o novo acesso ao zôo, a partir da avenida Marechal Floriano (GAZETA DO POVO, 14/MAR/1983) 45 . A estrada até então era de leito natural, o que gerava reclamações por parte dos usuários: lama nos dias chuvosos e poeira intensa nos dias secos. Para possibilitar a pavimentação das estradas, o zoológico permaneceu fechado por algum tempo, sendo reaberto apenas no dia 06 de março de 1983. A solenidade de inauguração aconteceu às 11:00 h e teve a participação de muitas pessoas. Em 14 de abril de 1983 assume a Diretoria de Zoológico e Defesa da Fauna o médico veterinário José Gomes da Silva.

A mudança dos animais do Passeio Público para o zoológico trouxe

muitas vantagens, tantos para os visitantes quanto para os próprios animais. O público não se cansava de elogiar a iniciativa de prefeitura em criar o parque, entretanto reclamavam do fato de terem de caminhar bastante, para apreciarem um pequeno número de animais expostos (GAZETA DO POVO, 03/MAIO/1983) 46 . Porém um fato que hoje passaria despercebido foi citado na Gazeta do Povo em 13 de abril e foi motivo de reportagem em 17 de maio de 1983. Os cervos

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do zoológico estavam infestados por bernes 47 , 48 . O tratamento para eliminar esses parasitos é realizado atualmente por meio de medicamentos injetáveis aplicados com dardos de zarabatana. É uma operação relativamente simples e rápida, desde que planejada com antecipação. Porém em 1983 existiam apenas medicamentos tópicos aplicados através de banhos de imersão. Havia dessa forma, preocupação por parte dos veterinários quanto aos procedimentos de captura ou quanto ao efeito tóxico do produto, já que o mesmo era desenvolvido para uso em bovinos domésticos e não em animais selvagens. O protocolo então usado era esperar o ciclo evolutivo do parasita e eliminação natural. Porém, um fato de grande importância ou repercussão no ano de 1983 foram as enchentes que afetaram todo o Paraná, além de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A chuva começou do dia 19 de maio e se estendeu por vários dias, deixando desabrigadas milhares de pessoas. Em 01 de junho de 1983, a Gazeta do Povo trazia a notícia do fechamento do zoológico devido à inundação 49 . As cheias provocaram destruição de recintos dos animais, ilhando alguns deles (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 11 e 12). Muitos precisaram ser transferidos para outros locais dentro do zôo até que a situação normalizasse. Estava previsto para o zoológico reabrir após uma ou duas semanas, porém o mesmo jornal noticiava em 13 de junho que as visitas continuariam suspensas (GAZETA DO POVO, 13/JUN/1983) 10 . Em julho, mais precisamente na noite do dia 26 e madrugada de 27, uma matilha de cães invadiu o zoológico, matando dez animais e ferindo outros três, um dos quais morreu depois. Os cães cavaram três buracos por baixo das telas para alcançar os animais, sem que dois policiais da Guarda Florestal escutassem qualquer barulho. Os animais mortos foram um casal de cervo-dama, cinco cabras- da-argélia, três aoudades e um mouflon. No relatório do diretor José Gomes da Silva encaminhado ao Diretor do Departamento de Parques, Praças e Preservação Ambiental, Renato Afonso Glaser, há um relato de Pedro Lourenço Machado, morador da vizinhança, que teria ouvido os cães e inclusive ido até o local:

Por volta das onze horas da noite, eu e minha mulher ouvimos o latido de cachorros na direção do zoológico. O tempo foi passando e o barulho aumentava: não podíamos dormir. Depois ouvimos berros de bichos misturados com o latido. Já de madrugada, vendo que o barulho não parava, resolvi ir ver o que estava acontecendo. Foi aí que ao chegar no lugar onde estavam os bichos vi três cachorros

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grandes, de cor escura, preta certamente, que corriam desesperadamente perseguindo os animais. Um estava bem junto da tela, morto; outros não podiam mais correr e eram acossados pelos cachorros. Sem outra coisa poder fazer, gritei com eles e joguei pedras. Eles se acalmaram um pouco e eu então voltei para casa. De manhã quando os funcionários chegaram eu fui até o local e me dei conta de que os cachorros mataram quase todos os bichos. 50

A notícia do ataque foi apresentada nos jornais O Estado do Paraná 51 , Tribuna do Paraná 52 , Gazeta do Povo 53 e Folha de Curitiba 54 . O caso teve repercussão por mais alguns dias, com as investigações das causas do incidente. Segundo as avaliações a responsabilidade seria dos policiais que estavam de guarda naquela noite e não ouviram o barulho, apesar de um morador próximo ter ouvido e tomado providências (GAZETA DO POVO, 29/JUL/1983; GAZETA DO POVO, 31/JUL/1983) 55 , 56 . Em agosto, atendendo um apelo do diretor José Gomes, a Banestado Reflorestadora S/A, do conglomerado Banestado realizou a doação de um casal de veados-campeiros, como forma de repor os animais mortos (GAZETA DO POVO, 08/AGO/1983) 57 . Já em novembro, alguns animais novos foram trazidos do Zoológico de São Paulo, para enriquecer o acervo. Além de um macho de girafa, vieram outras espécies até então inexistentes no zôo: um casal de Eland e outro de Waterbuck, duas espécies de grandes antílopes africanos (JORNAL DO ESTADO, 04/DEZ/1983 58 ; GAZETA DO POVO, 04/DEZ/1983 59 ). O zoológico somente é reaberto para visitação em 04 de dezembro, depois de seis meses fechado para reconstrução do que havia sido destruído pela enchente. Quanto às reformas, segundo os administradores, cerca de 80% das obras não eram percebíveis, dando a impressão de que nada havia sido feito, tais como conserto de telas, desentupimento de bueiros e reparos no encanamento. De acordo com Ademir Evaldo Melchert, responsável pela equipe do zoológico, um ponto importante das reformas foi a colocação de torres metálicas para sustentação dos fios de alta tensão no lugar dos troncos de madeira, além da elevação dos fios e isolamento das cercas (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 13). Quanto às providências contra enchentes, o dique de contenção foi elevado cerca de dois metros em relação ao existente, bem como instaladas novas comportas mais eficazes. Os recintos atingidos pelas águas receberam nova pintura além de baldrames para evitar a

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entrada de invasores (JORNAL DO ESTADO, 04/DEZ/1983 58 ; GAZETA DO POVO, 04/DEZ/1983 59 ). No dia da reabertura do zoológico começou mais um concurso, agora para escolher o nome do macho de girafa que faria companhia à gaúcha Mandinha. Durante algumas semanas uma urna permaneceu no zoológico recebendo sugestões de nomes. A escolha não foi fácil, tanto pela quantidade de nomes propostos quanto pelo inusitado de alguns deles, como o do então ministro Delfim Neto (GAZETA DO POVO, 19/JAN/1984) 60 , além de “Inflação”, “Dólar”, “Juruna”, “Figueiredo”, “Mussum”, ”Didi”, “Dedé” e esportistas como “Zico”, “Sócrates”, ou “Bernard” (TRIBUNA DO PARANÁ, 21/JAN/1984) 61 . No dia 20 de janeiro de 1984, uma comissão escolhida pela administração do zôo avaliou os nomes sugeridos. O concurso foi considerado como um sucesso, pois 1.300 sugestões foram colocadas na urna. O nome escolhido para o macho de girafa foi Pacheco, sugestão da menina Inajara Kalil. Como prêmio, a menina recebeu um crachá e o título de “madrinha” do animal.

No Passeio Público é desativado o terrário onde estavam alojadas as cobras e aranhas. Conforme reportado na Gazeta do Povo de 19 de janeiro de 1984, estudava-se a possibilidade de construir-se uma instalação subterrânea para acomodar os répteis existentes no Passeio Público. O projeto foi idealizado, mas não chegou a ser executado. Em maio de 1985, devido ao trabalho de pesquisa e acompanhamento pelos técnicos e demais funcionários, nasceram três filhotes de lobo-guará. Os filhotes foram criados pela mãe, não necessitando de cuidados extras. Como estavam no recinto de exposição, mas ficavam escondidos dos visitantes, passaram a ser vistos apenas partir de agosto (GAZETA DO POVO, 23/AGO/1985) 62 . Entre os dias 28 de setembro e 02 de outubro de 1987 aconteceu o Curso de “Animais Silvestres”, como parte do XIII Ciclo de Atualização em Ciências Agrárias promovido pelo curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná. Os técnicos do Departamento de Zoológico ministraram as aulas teóricas nas dependências do Hospital Veterinário da UFPR, enquanto que, cumprindo com sua função de pesquisa e treinamento de profissionais, as aulas práticas ocorreram no zoológico. Em setembro de 1988 foi realizado outro curso com o tema “Animais Silvestres”, agora fazendo parte do XIV Ciclo de Atualização em Ciências Agrárias

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promovido pelo curso de Medicina Veterinária da UFPR. Além de nova participação dos técnicos, ocorreu visita técnica no zoológico pelos futuros profissionais. Três desses alunos viriam a ser veterinários do departamento alguns anos depois. Durante o segundo semestre de 1988 foi construído o setor de Grandes Felinos (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 14). Na primeira semana de 1989, dentro do programa de transferência de animais de grande porte do Passeio Público para o zoológico, foram levados as onças-pintadas, os pumas e os tigres (GAZETA DO POVO, 08/JAN/1989) 63 . Entre os nascimentos em 1989, além de outros animais, nasceram dois filhotes de lobo-guará e que quase morreram de frio e precisaram ser tratados artificialmente. Em 24 de novembro chegam ao zôo diversos animais provenientes de uma apreensão realizada em Paranaguá, em um criadouro clandestino. Foram um casal de tigres, cinco onças, quatro leões, além de vários outros de tamanho menor (JORNAL DO ESTADO, 25/NOV/1989) 64 . Um dos tigres matou um rapaz que trabalhava como tratador no criadouro, em 21 de novembro de 1989. Em 04 de fevereiro de 1990, Jaime Lerner, novamente prefeito, entrega à população dois novos equipamentos direcionados à Educação Ambiental no Parque Regional do Iguaçu, mais precisamente no Zoológico: A “Arca do Iguaçu” e a Casa de Educação Ambiental. A entrega desses equipamentos estava prevista para o dia 07 de janeiro (O ESTADO DO PARANÁ, 03/JAN/1990) 65 , mas teve de ser adiada até

o

mês seguinte devido às chuvas (GAZETA DO POVO, 05/JAN/1990) 12 . A “Arca do Iguaçu”, que estava desativada há alguns anos, foi restaurada

e

transformada em um setor de educação ambiental, tendo exposições com temas

sobre o Rio Iguaçu, exibindo cartazes e aquários (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 15 e 16). O andar superior da embarcação possuía um auditório onde eram realizadas palestras. Em contrapartida o Parque Alvorada, responsável pela restauração, pôde explorar uma lanchonete no interior da Arca. O trabalho de Milton França, que liderou a equipe do Alvorada na reforma, levou cerca de cinco meses. A partir desse momento a “Arca do Iguaçu” ficaria atracada no final do Canal Inter-cavas, na entrada do Zoológico, servindo para as pessoas melhor conhecerem o Rio Iguaçu e

o parque (GAZETA DO POVO, 05/FEV/1990) 13 . Já a Casa de Educação Ambiental foi entregue oficialmente neste dia, pois já estava em funcionamento desde outubro de 1989. Sua principal função era orientar o público visitante quanto a melhor forma de se visitar o zoológico, além de

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apresentar animais típicos da região incluindo seus hábitos e alimentação (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 17 e 18). Outras atividades incluíam recreação e educação para preservação da natureza. Casas semelhantes já existiam nos Parques da Barreirinha, Reinhard Maack e Gutierrez. Lá podiam ser vistos animais taxidermizados, ovos e bicos de aves, exposição de slides e filmes além de uma sala onde as crianças faziam seus desenhos após a visita ao zôo (O ESTADO DO PARANÁ, 03/JAN/1990) 65 . Além da Casa de Educação Ambiental e da “Arca do Iguaçu” também voltou à ativa o pequeno barco “Serelepe”, novamente circulando entre o Parque Náutico e o Zoológico, sempre aos Sábados e Domingos. A Prefeitura de Curitiba investiu na recuperação dos dois barcos que estavam desativados há cerca de seis anos.

No ano de 1991 foi construído o recinto para hipopótamos, com lagos e casas de manejo. Este novo recinto foi construído onde antes ficavam os camelos e dromedários (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 19 a 22). Na área ao lado do zôo, onde havia sido o Pomar didático, começou a construção de um alojamento para crianças que participavam dos programas de Educação Ambiental da Prefeitura. Este local seria posteriormente denominado “Casa do Acantonamento” (JORNAL DO ESTADO, 30/JAN/1991) 66 . Segundo o tratador José de Paula, em entrevista ao Jornal do Estado (01/SET/1991) 67 , entre as atrações animais, as mais procuradas eram as quatro girafas: Pacheco, Mandinha, Pandinha e Candinha (as duas últimas já eram filhotes nascidos no zôo, do primeiro casal). Além disso, Mandinha estava em gestação. Como resultado de permutas com os zoológicos de São Paulo e Porto Alegre, chegaram ao zoológico de Curitiba, em agosto de 1991, um casal de leopardos- africanos, duas fêmeas de lobo-guará e dois machos de órix-do-cabo. Os leopardos foram os que apresentaram a adaptação mais difícil e demorada. As fêmeas de lobo- guará vieram para pareamento com os machos já existentes no zôo. No final deste mesmo ano nasceu o filhote da Mandinha. Além disso nasceram também filhotes de gnu, anta e cervo-nobre. O acervo então contava com 1350 animais. Entre eles estava o primeiro exemplar de bisão-europeu e um casal de cachorro-do-mato-vinagre, espécies ameaçadas de extinção (JORNAL DO ESTADO, 22/DEZ/1991) 68 .

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Além dos acessos pela Avenida Marechal Floriano ou pelo Jardim Paranaense, nessa época havia também uma linha direta de ônibus ligando o Passeio Público e o Zoológico (Pró-parque). Em 1992 o acervo contava com 1392 animais. Os mais procurados pelas crianças continuavam sendo as girafas, por não terem medo dos visitantes e as lontras, por brincarem o dia inteiro. A girafa Candinha foi transferida para o Zoológico do Rio de Janeiro (Fundação Riozoo). O hipopótamo, por ser nascido em 17 de outubro, recebeu o nome de Trotski em homenagem a um dos líderes da Revolução Russa. Em 02 de outubro, o jornal Estado do Paraná 69 noticiava o nascimento de um nilgai, uma espécie de antílope indiano, que já começava a ser atração no zôo. Nesta época o zoológico tinha três veterinários e uma das preocupações era com as doenças de verão que surgiriam, tais como os bernes nos leões. O primeiro registro de nascimento de lontra em cativeiro ocorreu em 1992, no Zoológico de Curitiba (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 23). Por duas ninhadas consecutivas os filhotes morreram, sendo então adotadas alterações no manejo. O sucesso reprodutivo conseguido posteriormente deve-se principalmente à qualidade do recinto, à separação do macho após o nascimento e ao manejo adequado dos animais (CUBAS et al, 1993) 70 . Não houve contato dos filhotes com pessoas até o 25° dia de vida, para se evitar rejeição pela mãe. Aos 32 dias os filhotes abriram os olhos, aos 57 foram vistos fora do abrigo e aos 65 se alimentavam sozinhos (CUBAS, 1993) 71 . Em 19 de junho de 1993 nasceram dois filhotes de lobo-guará, que precisaram ser tratados manualmente, pois enfrentaram uma das mais baixas temperaturas do ano e a mãe não conseguia tratá-los adequadamente (NASSAR, 1993) 72 .

Em julho de 1993 foi realizado mais um concurso para a escolha de nomes para filhotes de girafa. Desta vez foram dois machos, um nascido em 22 de abril e outro em 03 de junho, filhos das fêmeas Mandinha e Pandinha (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 24). As sugestões foram depositadas entre os dias 14 de junho e 14 de julho, em urnas colocadas na administração do Passeio Público, administração do Zoológico, Jardim Botânico e Cicles Romeo (NASSAR, 1993 73 ; GREIN-NETO, 1993 74 ). O concurso foi citado até mesmo em um jornal de fora do Estado (FOLHA DE SÃO PAULO, 17/JUL/1993) 75 . Em dezembro chegam ao zoológico um macho de harpia e uma fêmea de cachorro-do-mato-vinagre, ambos ameaçados de extinção e que eram encontrados

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no estado do Paraná antes da destruição de seu habitat. Os dois animais vieram para o zôo para pareamento e tentativa de reprodução com os ali existentes (GAZETA DO POVO, 18/DEZ/1993 76 ; GAZETA DO POVO, 19/DEZ/1993 77 ). O repórter Márcio Varella, da Folha de Londrina, lista, em 25 de fevereiro de 1994, os animais em vias de reprodução no Zoológico de Curitiba. Em gestação estavam a tamanduá-bandeira Clotilde, a lontra Beth, a girafa Pandinha, entre outras. Em acasalamento ou cuidando dos filhotes estavam os veados-pardos, cervos-nobres e nilgais. Mas ainda em processo de aproximação e tentativa de reprodução estavam os cachorros-do-mato-vinagre, as harpias e os lobos-guarás. Porém, para outras espécies, a superpopulação pode ser um problema e algumas práticas podem ser necessárias tais como a vasectomia nos leões (VARELLA, 1994) 78 . Em abril foi noticiado o nascimento de jaguatiricas e uma anta (GAZETA DO POVO, 05/ABR/1994) 79 . Em 06 de janeiro de 1995 a Gazeta do Povo anunciava como diversão para as férias a visita ao zoológico, porém no dia 08 desse mês começou uma nova seqüência de chuvas que causaram muitos estragos em todo o Paraná, como já havia ocorrido em 1983. Somente em Curitiba, nos primeiros dias de janeiro, choveu mais que toda a média até então registrada. Até o dia 19 havia chovido 424,3 mm, enquanto que a média era de 165 mm (GAZETA DO POVO, 22/JAN/95) 80 . Conforme o meteorologista Oswaldo Iwamoto, da UFPR, as chuvas foram em conseqüência do efeito El Nino, o mesmo que havia provocado a enchente de 1983. Porém os índices daquele ano foram de 330,7 mm em maio, 227,0 mm em junho e 264,6 mm em julho. Assim como na enchente de 1983, em 1995 muitas cidades da Região Sul foram afetadas, inclusive com algumas mortes entre a população. Também o Zoológico de Curitiba foi afetado pelas chuvas. Inicialmente previa-se um fechamento de 30 dias (GAZETA DO POVO, 28/JAN/1995) 81 , porém o zôo permaneceu fechado durante a maior parte do ano devido à destruição causada pelas enchentes (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 25 e 26). Um fato que chamou a atenção da população, apesar do zoológico não ter visitação, foi a morte do Pacheco, o primeiro macho de girafa. O óbito ocorreu de maneira súbita, no dia 11 de março. A causa-mortis citada na época foi uma verminose que não respondeu aos vários medicamentos utilizados. O médico veterinário e diretor do zoológico, Mário Edson Fischer, garantiu que Pacheco recebia acompanhamento médico constante: “Fiquei surpreso com a sua morte

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porque, até sexta-feira (10), ele estava se alimentando normalmente e não apresentava problemas”. Amostras de alimento foram encaminhadas para a Universidade Federal do Paraná, para análises. Restaram no zoológico apenas três fêmeas: a Mandinha, a Pandinha e uma ainda filhote, nascida em novembro de 1994 (TRIBUNA DO PARANÁ, 14/MAR/1995 82 ; O ESTADO DO PARANÁ, 14/MAR/1995 83 ; TRIBUNA DO PARANÁ, 15/MAR/1995 84 ; O ESTADO DO PARANÁ, 15/MAR/1995 85 ; JORNAL DO ESTADO, 15/MAR/1995 86 ; FOLHA DE LONDRINA, 16/MAR/1995 87 ). Mesmo com a perda do Pacheco, as obras para a recuperação de recintos, replantio da grama, recolocação de cercas e paisagismo nos viveiros e as atividades internas continuaram acontecendo. Entre muitos fatos interessantes, destaca-se o nascimento, em maio, do primeiro bisão-europeu em Curitiba. Com cerca de três mil animais em todo o mundo, todo nascimento desta espécie é importante. Seguindo um protocolo para a espécie, com sede na Polônia, os nomes escolhidos para os bisões-europeus devem começar sempre com duas letras específicas para cada zoológico ou criadouro em qualquer lugar do mundo. As iniciais para Curitiba são TY, e a fêmea que nasceu recebeu o nome de Tyrina. Como uma grande área foi destruída pela enchente, foram construídos novos alojamentos na parte mais baixa do zôo. Um aterro de oito mil metros cúbicos, sobre uma área alagada, permitiu a instalação de novos recintos. Foi criada uma bateria para abrigar uma coleção de roedores: capivara, cutia, cutiara e paca (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 27). As antas receberam um novo recinto, com uma casa para manejo dos animais. Uma parte do antigo local desses animais foi reestruturada para abrigar as aves aquáticas e semi-aquáticas, como gansos, marrecos e os jaburus. Com a diminuição do número de leões, seus antigos recintos foram destinados para outros animais. Um deles foi recortado e transformado em ilha, para posteriormente alojar os macacos-aranha. Neste mesmo local foi escavado um istmo para alojar o casal de chimpanzés que estavam no Passeio Público. O casal foi transferido poucos dias antes da re-inauguração oficial. Com as novas obras os visitantes encontraram, além de mais conforto, novos moradores. Entre as atrações estavam ainda as ariranhas, um casal de mouflon (semelhante a um carneiro montês) e o filhote de bisão nascido em maio (O ESTADO DO PARANÁ, 07/JUL/1995 88 ; GAZETA DO POVO, 16/JUL/1995 89 ).

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A reabertura do zoológico ocorreu em 21 de outubro de 1995. Contou com a participação do prefeito Rafael Greca, além de outras autoridades e o discurso foi realizado em frente ao recinto das harpias (GAZETA DO POVO, 22/OUT/1995) 90 . Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 28.

Segundo o prefeito:

Temos que devolver os animais para junto da natureza. Já trouxemos o casal de chimpanzés que vivia há mais de 25 anos no Passeio Público e agora estão num amplo espaço, dotado inclusive de uma ilha.

Para se ter uma idéia da mudança que isto representou para os animais, apenas a casa de manejo onde passam a noite é maior que o recinto inteiro no Passeio Público. Este local possuía uma grande área gramada, com alguns brinquedos construídos para que os animais tivessem distração (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 29). Além dos novos ambientes foram ainda asfaltados oito mil metros de vias de circulação. O replantio de grama cobriu uma área de 22.000 m 2 . As obras incluíram ainda os novos sanitários, próximos ao mirante, em substituição aos que existiam, em número insuficiente, no Centro de Educação Ambiental (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 30). Em agosto de 1996 chegou à Curitiba um grupo de animais vindos por transferência de zoológicos da Europa. Foram doze camelos, doze avestruzes, doze emus e dois machos de girafa. Por terem vindo da Polônia, as girafas receberam o nome dos jogadores poloneses que naquela época jogavam no Clube Atlético Paranaense: Novak e Piekarski.Todos os animais foram alojados em diferentes recintos e paulatinamente destinados a outros zoológicos do Brasil. Devido à morte do Pacheco, ocorrida em 1995, o Piekarski ficou no zôo, enquanto o Novak foi transferido para Uberaba, em Minas Gerais, junto com a fêmea nascida em 1994, ainda sem nome. Também em 1996 ocorreu no Zoológico de Curitiba o primeiro nascimento no mundo de jaguatirica através da técnica de inseminação artificial por laparoscopia (SWANSON et al., 1996 91 ; MORAES et al., 1997 92 ). Foram seis filhotes, que a mãe acabou matando ao nascer, mas que provaram que a técnica poderia ser utilizada

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como uma ferramenta de preservação. A pesquisa foi uma cooperação entre o zôo,

a Universidade Federal do Paraná e o Instituto Smithsonian (E.U.A). Em abril de 1997, ao se referir aos nascimentos ocorridos no zoológico, foi

publicado na Gazeta do Povo: “O êxito alcançado pelo Zoológico de Curitiba se deve

a uma metodologia que mistura conhecimentos teóricos com a prática do dia-a-dia”

(GAZETA DO POVO, 21/ABR/1997) 93 . O biólogo e então diretor Luis Roberto Francisco disse: “É um trabalho profissional desenvolvido por uma equipe técnica que planeja as áreas e abrigo, alimentação e o manejo dos animais”. Em maio nasceu o primeiro filhote de camelo, uma fêmea que recebeu o nome de Camila. Ela

foi rejeitada pela mãe e precisou ser tratada manualmente pelos funcionários, que retiravam o leite por ordenha e administravam por mamadeira. Nos primeiros meses de 1998 ocorrem nascimentos importantes, tais como: macaco-aranha, cutiara, jacu-de-cara-azul e bisão-europeu (GAZETA DO POVO, 07/FEV/1998) 94 . O casal de macacos-aranha havia sido transferido do Passeio Público há pouco mais de dois anos, onde nunca tinham reproduzido. As cutiaras, pequenos roedores semelhantes à cutia, eram provenientes de um resgate de fauna das áreas que foram inundadas com a construção da Represa Hidrelétrica de Balbina, na Amazônia. O jacu-de-cara-azul foi descrito cientificamente pela primeira vez no início dos anos 1990 e conforme depoimento de Luiz Roberto

Francisco:

Pelo que sabemos é o primeiro filhote de jacu-de-cara-azul a nascer

A reprodução em cativeiro de um animal como

esse, muito pouco conhecido pela ciência, é importante para que se possa estudar a espécie e preservá-la.

num zoológico. (

)

Como parte das comemorações pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, em 05 de junho de 1998 foi inaugurada a “Calçada da Fauna”. A obra composta por

placas de concreto dispostas ao longo de 28,6 metros e construída em parceria com

a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, numa alusão à Calçada da Fama,

foi uma das formas de se chamar atenção para a preservação dos animais ameaçados de extinção. As “estrelas” são 46 espécies de animais da fauna brasileira, muitos ameaçados ou em fase de extinção (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 31). A calçada do zôo foi a quinta instalada no país (BLASKIEVICZ, 1998) 95 .

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Também como parte das comemorações, ocorreu uma exposição de materiais predatórios e armadilhas, apreendidos pelo Batalhão de Polícia Florestal (BPFlo). Em 14 de julho de 1998, o jornal O Estado do Paraná destaca a construção dos recintos para cracídeos (jacus, jacutingas e mutuns) e ursos (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 32). Outro tema desta mesma reportagem, e que já havia sido citada em outras ocasiões, era quanto aos procedimentos realizados contra o frio do inverno (O ESTADO DO PARANÁ, 14/JUL/1998) 96 . Os nascimentos voltaram a ser destaque em 1998, agora em setembro. Três filhotes de lobo-guará e um de lontra passaram a serem expostos ao público visitante. Conforme declaração da bióloga Maria Lúcia Faria Gomes, a reprodução bem sucedida confirma a boa adaptação dos animais ao ambiente do zôo, com índices de sobrevivência de 90% (INDUSTRIA E COMÉRCIO, 01/SET/1998 97 ; JORNAL DO ESTADO, 01/SET/1998 98 ). Em 15 de outubro e 08 de novembro nasceram mais dois filhotes de camelo. A fêmea, nascida antes, por ser originária da mãe da Camila, também foi rejeitada e precisou receber cuidados dos funcionários. Durante um mês ela recebeu mamadeira com o leite que era ordenhado da sua mãe. Depois desse período passou a receber leite bovino. Para nascer, o filhote precisou ser auxiliado pelos veterinários, o que pode ter influenciado na rejeição. O fato de receber atenção especial originou o nome Gerbinha, em homenagem a um dos funcionários. O macho, Camilo, nasceu sem auxílio e foi tratado pela mãe (GAZETA DO POVO, 08/DEZ/1998) 99 . Os nascimentos ocorridos em 1998 colocaram o Zoológico de Curitiba entre os mais importantes do Brasil, na área de reprodução em cativeiro. O diretor Luiz Roberto destacou:

A reprodução desses animais ressalta a importância do zoológico na preservação de espécies ameaçadas. O nascimento dos filhotes indica que estamos conseguindo oferecer aos animais um ambiente adequado e condições propícias para seu desenvolvimento.

Ao longo do ano foram 180 nascimentos, sendo 65 mamíferos e 115 aves (O ESTADO DO PARANÁ, 06/JAN/1999) 100 . Como atração em julho de 1999, o jornal O Estado do Paraná (31/JUL/1999) 101 destacava os primeiros vôos dos filhotes de ararajuba nascidos dois meses antes.

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Depois de seis anos de tentativas, em 2000, nasceram dois filhotes de jacutinga, ave presente na lista de animais ameaçados de extinção. Segundo o diretor Luiz Roberto Francisco,

Foi uma reprodução muito difícil, já que há poucos exemplares disponíveis para o manejo. A reprodução em cativeiro é importante para a preservação da espécie e o intercâmbio com outras instituições. (AGENDA LOCAL, 18/MAIO/2000) 102 .

O inverno em 2000 foi rigoroso e em 17 de julho (exatos 25 anos depois da neve em Curitiba) os procedimentos contra o frio eram novamente matéria de reportagem. Lâmpadas incandescentes, cortinas plásticas e cobertores foram mais uma vez citados como forma de minimizar o estresse térmico (KANDA, 2000) 103 . Mas a melhor forma de se proteger um animal contra os rigores do clima é a construção de recintos adequados, usando-se o sistema in-door, onde existe uma

antecâmara entre a área de exposição e o corredor de manejo. Neste local a temperatura mantém-se relativamente constante, sem correntes de ar nem excessos de umidade. No dia anterior, porém, ocorreu um fato que passaria a ter relação com o Departamento de Zoológico como um todo, influenciando tardiamente também sobre

o zoológico: o derramamento de quatro milhões de litros de petróleo da Refinaria

Getúlio Vargas, da Petrobrás, no Rio Iguaçu, no município de Araucária (PR), afetando a flora e fauna local. Os animais petrolizados foram recolhidos por voluntários de diversas ONGs, encaminhados para um pequeno posto de atendimento, na margem do rio, para os primeiros cuidados e depois transferidos

para o hospital veterinário instalado no Passeio Público, onde ficavam internados até

a alta clínica. Para auxiliar nos procedimentos de despetrolização, uma equipe de

veterinários vinda do Rio de Janeiro prestou auxílio no resgate e tratamento dos animais afetados. Um outro derramamento havia ocorrido no início daquele ano na Baía de Guanabara e os cuidados inicialmente realizados seriam semelhantes. Os trabalhos de atendimento aos animais atingidos foi extensamente mostrado em diversos jornais locais e até mesmo no jornal argentino Clarin (GIUBELLINO, 2000) 104 .

No derramamento ocorrido no Rio de Janeiro, o número de aves foi muito grande e os animais que receberam alta precisaram passar por um período de

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treinamento ou readaptação antes de serem soltos. Foram então construídos recintos especialmente para esta finalidade. Previu-se, dessa forma, o mesmo tipo de recinto para o restabelecimento das aves resgatadas no Iguaçu, a ser construído em uma área interna do zoológico, sem contato com o público visitante. Porém muitos pontos no derramamento no Paraná foram diferentes do acontecido no Rio de Janeiro. A época do ano (inverno) fez com que muitas aves não estivessem no Iguaçu quando do derrame, pois já haviam migrado. A existência das cavas de areia em grande parte da margem do rio possibilitava o pouso dos animais em águas limpas. Além disso, as aves afetadas, por terem suas penas comprometidas, perdiam a capacidade de manter sua temperatura e o frio daquele inverno fez com que muitos dos animais morressem antes mesmo de serem resgatados. Para piorar ainda mais, devido ao tipo de óleo derramado, mais fino e mais tóxico que o da Baía de Guanabara, muitas aves resgatadas morreram durante

o internamento em razão da intoxicação. Como o número de aves resgatadas e recuperadas foi baixo, não se

justificava a construção de um recinto para reabilitação em área isolada da visitação

e optou-se por construir um recinto mais elaborado na área de exposição. Detalhes

quanto a forma de patrocínio atrasaram a construção e até o momento o recinto não

foi construído.

A partir de janeiro de 2001, assume a diretoria do departamento de Zoológico a Médica Veterinária Ana Sílvia Passerino, que até então era chefe da Divisão de Assistência Veterinária. Em 10 de junho deste ano a Gazeta do Povo publica uma extensa matéria, de uma página inteira, contando um pouco dos

bastidores do zoológico, com depoimentos dos tratadores Antonio Marcílio Medeiros,

no zôo desde sua inauguração (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 33) e José Francisco de

Jesus, do cozinheiro Marcio Vieira da Silva, dos veterinários Manoel Lucas Javorouski e Oneida Lacerda, da bióloga Maria Lúcia Faria Gomes e do ornitólogo Pedro Scherer Neto (KLENK, 2001) 105 .

Em novembro o assunto publicado nos jornais Tribuna do Paraná 106 , Jornal do Estado 107 , Folha de Londrina 108 , O Estado do Paraná 109 , Diário Popular 110

e Gazeta do Povo 111 , além da página eletrônica da Prefeitura Municipal de Curitiba 112 foi o procedimento de reprodução assistida em felídeos selvagens nativos. O protocolo realizado foi a colheita de sêmen por eletroejaculação, avaliação e diluição in-vitro (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 34). Ao mesmo tempo as

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fêmeas foram submetidas a videolaparoscopia para possibilitar a inseminação artificial, com a aplicação do sêmen diluído diretamente dentro do corno uterino (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 35). Para este trabalho foram utilizados exemplares de gato-do-mato-pequeno, gato-maracajá, jaguatirica, puma e onça-pintada. Estes procedimentos faziam parte da pesquisa de Mestrado do médico veterinário Manoel Lucas Javorouski (JAVOROUSKI, 2003) 113 . Neste trabalho de pesquisa participaram, além dos técnicos do Zoológico, professores e alunos da Universidade Federal do Paraná e Pontifícia Universidade Católica do Paraná. A técnica de inseminação artificial apresenta-se como uma das ferramentas a serem utilizadas para a preservação e conservação de espécies ameaçadas de extinção. Apesar dos procedimentos realizados, não houve nascimento em nenhuma das espécies trabalhadas, mas este é um problema que se repete em vários outros zoológicos em todo o mundo. Após o sucesso em jaguatiricas ocorrido em 1996, outro só se repetiu nos Estados Unidos, alguns anos depois, com a mesma equipe que participou do projeto em Curitiba. Em 06 de junho de 2003, dia mundial do Meio Ambiente, foi inaugurada uma bateria de recintos destinada à reprodução em cativeiro do papagaio-de-cara-roxa, sendo a primeira experiência deste tipo com essa espécie no Brasil (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 36). A área de ocupação desta ave é apenas na faixa litorânea que se estende do sul de São Paulo ao norte de Santa Catarina, mas a maior concentração está no litoral do Paraná. Dos cerca de quatro mil animais da natureza, aproximadamente três mil estão na Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba. A bateria com os sete recintos foi construída numa área isolada do público, em parceria com a ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS (ALMEIDA, 2003) 114 . A questão dos maus tratos contra animais provocados por visitantes foi motivo de reportagem da Gazeta do Povo em agosto de 2003. A diretora Ana Sílvia citou os exemplos das onças e jacarés que são alvos de pedradas para que se movimentem enquanto o médico veterinário Manoel Lucas comentou que as imagens mostradas em documentários de televisão podem levar muitos meses até serem finalizados e que os animais geralmente não se movimentam como na TV (MARTINS, 2003) 115 . Os mesmos profissionais frisaram neste mesmo dia, que animais aparentemente calmos também podem morder ou bicar, muitas vezes com gravidade.

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Em 10 de fevereiro de 2004 é publicada a notícia dos cuidados prestados ao filhote de tamanduá-bandeira nascido no final de dezembro de 2003 (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 37). Nos outros nascimentos recentes desta espécie, o filhote acabava morrendo no primeiro ou segundo dia após o parto, seja por falta de atenção da mãe, seja por traumatismos causados pelo pai. Desta vez, por precaução, os técnicos optaram pela alimentação artificial através de mamadeira. “Caso tivesse ficado com a mãe a chance de sobrevivência dele seria muito baixa” comentou o médico veterinário Manoel Lucas (GAZETA DO POVO, 10/FEV/2004) 116 . Com os cuidados prestados em um zoológico, a tendência é que os animais tenham em cativeiro uma longevidade maior que a encontrada na natureza. Isto ocorre porque quando um animal fica doente, estando num zoológico será medicado rapidamente. Se estiver livre, não terá o mesmo tratamento e estará sujeito à disputa territorial ou predação. Mas, mesmo com todos os cuidados, o curso normal da vida é que um dia este animal morra. Como o Zoológico de Curitiba possui um grupo importante de exemplares, muitos deles conhecidos por seu comportamento e reconhecidos pelo público visitante, em 20 de junho de 2004 a Gazeta do Povo apresentou uma longa reportagem sobre os animais idosos do acervo (KÜNZEL, 2004) 117 . O motivo principal desta reportagem era preparar o público para, quando um óbito viesse a acontecer, perceber que este animal havia sido tratado dignamente e com todos os cuidados possíveis, principalmente se estivesse em tratamento. Segundo depoimento do veterinário Manoel Lucas:

Considerando que o zoológico tem um acervo de 2300 animais, são poucos os com idade avançada. Mas boa parte dos nossos principais exemplares está velha e vai chamar a atenção quando morrer.

Foram citados os casos da chimpanzé Imperatriz, da girafa Pandinha e das duas fêmeas de onça-pintada. Antonio Perini, um dos funcionários mais antigos do zoológico, trabalhando no local desde sua inauguração, comentou que é difícil, depois de tantos anos de convivência, saber que esses animais poderiam morrer em breve: “Lembro quando morreu o Pacheco, o macho de girafa. Ficamos muito tristes” (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 38). Dos animais citados na reportagem, apenas as duas onças morreram, mesmo assim depois de algum tempo.

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Em janeiro de 2005 toma posse o novo prefeito, Beto Richa, bem como o novo diretor do Departamento de Zoológico, o zootecnista Marcos Elias Traad da Silva.

A partir do dia 23 de janeiro, as tarifas de ônibus aos domingos passaram

de R$ 1,80 para R$ 1,00. Este fato aumentou consideravelmente o movimento de passageiros, principalmente em visita aos parques. A redução foi anunciada no dia 21 pelo prefeito Beto Richa, em seu início de gestão. No terminal do Boqueirão houve necessidade de ônibus extra para poder atender a demanda de passageiros com destino ao zoológico (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 23/JAN/2005) 118 . Para o período de Carnaval, quando a cidade, ao contrário do resto do país, diminui seu movimento, um programa indicado pela Prefeitura foi o passeio pelos parques, inclusive o zôo. Ao contrário de outros dias, o zoológico permaneceu aberto na segunda-feira de Carnaval (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 03/FEV/2005) 119 . O roteiro de visita indicava quais animais deveriam ser vistos, tais como as harpias, os chimpanzés, as ariranhas e os vários filhotes nascidos naquela época, como os de cervicapra, queixada, veado-pardo e lhama (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 03/FEV/2005) 120 . Novamente houve necessidade de carros-extras no Terminal do Boqueirão com destino ao zoológico (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 16/FEV/2005) 121 . Nos domingos de fevereiro de 2005, o número de visitantes foi 38% maior que o registrado em 2004. Em março foi 17% maior que o ano anterior (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 29/MAR/2005) 122 . Em 03 de abril o zoológico comemorou seus 23 anos com diversas atividades culturais realizadas no Centro de educação Ambiental (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 01/ABR/2005) 123 .

A partir de julho de 2005, com a assinatura de um Termo de Ajustamento

de Conduta, com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o zôo pôde voltar a fazer permutas de animais com outros zoológicos do país, receber animais para ampliar o seu acervo e realizar pesquisas. O embargo havia sido imposto em agosto de 2003. No segundo semestre de 2005 o zôo recebeu várias aves, como tucanos, corujas e um grupo de araras. Para que o Termo pudesse ser assinado, o zoológico de Curitiba se enquadrou às normas técnicas exigidas pelo Ibama. A assinatura do Termo marcou também o início de uma integração maior entre a Prefeitura de Curitiba e o Ibama. O superintendente do

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Ibama, Marino Elígio Gonçalves, ao receber o secretário municipal de Meio Ambiente, Domingos Caporrino Neto, e o diretor do zôo, Marcos Elias Traad, disse:

O TAC levanta o embargo que impusemos ao zôo de Curitiba há quase dois anos, medida que foi muito cara ao Ibama, mas necessária para que os ajustes fossem feitos. Esperamos que a relação entre o Ibama e a Prefeitura seja a mais próxima possível.

Já o Secretário Caporrino Neto disse:

Por determinação do prefeito Beto Richa temos nos pautado pelo princípio da transparência em todas as nossas ações. Quem ganha com medidas como esta do zôo de Curitiba é o cidadão de todo o Paraná e do sul do país, que conta com um dos melhores zoológicos. A integração com o Ibama é fundamental.

Entre as medidas adotadas pelo zoológico para que o Termo pudesse ser assinado estava o cadastramento e a colocação de micro-chips em todos os 2.800 animais do zoológico e do Passeio Público. As plantas das instalações do zoológico e o licenciamento ambiental também foram encaminhados ao Ibama (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 08/JUL/2005) 124 . Em outubro foi criada pelo prefeito Beto Richa a Ciclo Patrulha, uma nova modalidade de patrulhamento da Guarda Municipal, presente nos parques São Lourenço, Jardim Botânico, Barigui, Zoológico e Bacacheri. Os guardas da “Ciclo Patrulha” usam uniforme especialmente confeccionado com a inscrição "GUARDA MUNICIPAL" refletiva, para ser vista de longe, além de tênis e capacete padrão de ciclismo. Os equipamentos também são específicos para este tipo de patrulhamento. O bastão é retrátil (um pouco mais curto que o normal e com uma parte embutida), podendo receber acessórios, como espelho (para vistorias em locais de difícil acesso) e gancho (para retirada de objetos). O coldre da arma foi adaptado para facilitar o porte. Os guardas foram treinados para usar a bicicleta em situações de defesa, abordagem e interceptação. Foram preparados também para pedalar rapidamente e em lugares íngremes (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 06/JUL/2006) 125 . Nascimentos importantes foram destaques de reportagem em 20 de outubro de 2005. Nos dois meses anteriores haviam nascido 43 animais. O fato mais importante foi o nascimento do primeiro filhote de bisão-europeu genuinamente

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curitibano, ou seja, filho de Tytan e Tyla, pais já nascidos em Curitiba. Seguindo o preconizado pelo Studbook do Bisão-europeu, o filhote recebeu o nome de Tyrannus (TRIBUNA DO PARANÁ, 20/OUT/2005) 126 . O assunto nascimento foi relatado também pelo jornal O Estado do Paraná em sua página “O Estado Animal”. Além do Tyrannus, foram citados os audades e os gansos-do-orinoco, nascidos em novembro. Os papagaios-de-cara-roxa, os chimpanzés e as girafas, apesar de ainda não terem se reproduzido, também foram comentados nesta reportagem (VÉGAS, 2005) 127 .

O ano de 2006 começa com a chegada de um casal de onças-pintadas originárias de uma apreensão realizada pelo IBAMA de Manaus. Os dois animais eram criados de maneira irregular há treze anos por um proprietário particular. Apolo e Angélica, nomes que já possuíam, chegaram ao zoológico em 16 de janeiro, mas somente foram disponibilizados para a imprensa em 27 de janeiro, enquanto que para o público visitante isto ocorreria apenas alguns dias depois (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 39). Durante esse tempo os animais ficaram numa área de isolamento, sendo acompanhados quanto à adaptação ao novo local (GAZETA DO POVO, 18/JAN/2006 128 ; AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 27/JAN/2006 129 ). Também em janeiro de 2006, estavam em fase final de implantação os guarda-corpos em diversos recintos (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 40). Este sistema de proteção atendia a uma das exigências do Ibama citadas no Termo de Ajustamento de Conduta que permitiu o desembargo do zoológico. Foram implantados guarda-corpos externos no recinto das corujas e em torno do bloco central, onde estavam os camelos, os nilgais, os cervicapras e os aoudades. Nos recintos do cervo nobre, lhama e anta, também foram implantados guarda-corpos, mas na área interna. Em todos estes casos o sistema garante segurança aos animais e aos visitantes. Também começou a construção dos novos banheiros para os visitantes (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 41). O sanitário já existente e localizado bem no meio do zoológico havia sido reformado. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente trabalhou a todo vapor para concluir as obras de melhoria do zoológico. A idéia era concluir os trabalhos até março, quando a cidade receberia milhares de visitantes que estariam em Curitiba para participar das reuniões das Nações Unidas sobre biodiversidade e biossegurança (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 27/JAN/2006) 130 .

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A entrada principal do Zoológico foi interditada por 40 dias para a construção dos sanitários e reforma do portal (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 42). A obra começou no dia 20 de fevereiro e durante o período das reformas houve uma entrada alternativa, a 100 metros do acesso principal (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 14/FEV/2006) 131 . Os três hipopótamos do zoológico, Dino, Penélope e Charlene, foram motivo de uma extensa reportagem em 03 de março de 2006, apresentando curiosidades sobre o casal e seu filhote e sobre a espécie na natureza (VÉGAS, 2006) 132 .

No final de março, depois de dois meses de adaptação, as onças-pintadas vindas de Manaus (AM), foram expostas à visitação pública. Os animais foram alojados no Setor dos Grandes Felinos. A transferência dos animais da área de isolamento para o recinto de visitação foi feita sem a necessidade de anestesia. Conforme depoimento do veterinário Manoel Lucas Javorouski:

O processo foi muito tranqüilo. Os animais estão saudáveis e adaptados à nova casa e não foi preciso usar medicamentos para que as onças fossem transferidas (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 30/MAR/2006) 133 .

Em abril, 21 papagaios-chauá foram trazidos do Espírito Santo para Curitiba para integrar um projeto de reprodução em cativeiro desta espécie de ave brasileira ameaçada de extinção. Os recintos foram construídos contíguos à bateria de papagaios-de-cara-roxa, formando dessa forma um bloco único para abrigar os casais de papagaios (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 43). Este projeto é uma parceria do Zoológico de Curitiba com a organização não-governamental Idéia Ambiental, que desenvolve projetos de conservação e pesquisa com espécies ameaçadas em Curitiba e Cuiabá (MT). Como em outros anos, as medidas adotadas para minimizar os efeitos do frio foram novamente destacadas (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 22/MAIO/2006) 134 . A partir do dia 03 de junho o zoológico passaria a funcionar nos finais de semana apenas até às 17:00h, como ocorria nos outros dias. O fechamento do zoológico 30 minutos mais cedo aos sábados e domingos foi necessário por causa da redução da luz e das temperaturas mais baixas no outono e inverno. Neste

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período, os animais costumam se recolher antes porque fica escuro mais cedo (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 30/MAIO/2006) 135 . Em 15 de julho de 2006 foram entregues pelo vice-prefeito Luciano Ducci as obras da primeira fase de revitalização e melhorias no zoológico. A Prefeitura investiu nesta etapa R$ 300 mil para construção de um portal com guarita equipado com quatro catracas de controle de entrada, o que reduziria os congestionamentos na porta do Zôo. Na guarita, os funcionários passaram a ter uma área adequada e o espaço conta ainda com copa e banheiro. Dois novos conjuntos de sanitários para uso do público foram construídos, um próximo ao portal de entrada (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 45) e outro ao lado da administração do parque. Os novos sanitários estão adaptados a portadores de deficiência física contando com banheiros especiais e rampa de acesso. Conforme depoimento do diretor Marcos Traad:

Antes tínhamos apenas um bloco para atender a todos os visitantes, o que causava transtornos. Agora os três blocos estão em pontos estratégicos do parque.

Outra reivindicação dos visitantes atendida pela Prefeitura foi a instalação de um fraldário:

O número de famílias com crianças que visitam o Zôo nos fins de semana é alto, além das creches e escolas infantis que agendam visitas, portanto o fraldário será de grande utilidade a este público (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 13/JUL/2006) 136 .

O prédio que abrigava o antigo centro de educação ambiental, ao lado da entrada principal do Zoológico, foi reformado e transformado em Centro de Apoio ao Visitante. No local, o público passou a receber dos funcionários orientações sobre os roteiros de visitação. Além desse local os visitantes contam ainda com duas casas, localizadas no centro do zôo, onde há exposição de animais taxidermizados, além de patas, bicos e crânios que podem ser observados pelo público e ainda exposições fotográficas e atividades lúdicas (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 13/JUL/2006) 136 . Todo o conjunto de melhorias foi bem recebido pela população (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 13/JUL/2006) 137 . Em 27 de julho de 2006, cumprindo novamente com sua função de pesquisa, foi realizada a defesa de Mestrado pela médica veterinária Lucyenne

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Giselle Popp Brasil Queiroz. O trabalho foi feito com o grupo de papagaios-de-cara- roxa alojado na bateria de recintos construída em 2003 (QUEIROZ, 2006) 138 . Em outubro, o período de reprodução no Zoológico de Curitiba começou com o nascimento de aves. Entre os novos moradores, os mais comemorados foram três filhotes de ganso-australiano, nascidos no início do mês. Pela primeira vez, depois de quatro anos, o único casal da espécie obteve sucesso na reprodução. Além dos gansos-australianos, nasceram dois filhotes de Ganso-do-orinoco. Todos os ovos colocados pelas aves nos ninhos eclodiram durante o período de reprodução, mas o cuidado dispensado pelos funcionários nos primeiros dias de vida dos filhotes foi fundamental para que as crias sobrevivessem. O diretor Marcos Traad comentou:

O Zôo de Curitiba está cumprindo a função de conservação e reprodução. O aumento do plantel possibilita permutas de animais com outros zoológicos para assegurar o enriquecimento genético das espécies (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 24/OUT/2006) 139 .

Ainda em outubro, mas agora no dia 23, nasceram três filhotes de leão, filhos do casal Simba e Diana. Esta foi a segunda gestação da leoa Diana. Na primeira, o filhote nasceu morto. O nascimento dos animais foi muito comemorado pelos funcionários do Zôo. "O manejo feito antes do parto foi fundamental para o sucesso da reprodução", disse Marcos Traad (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 15/DEZ/2006) 140 . Cerca de 15 dias antes do nascimento, o macho foi afastado para evitar o estresse da mãe. Os biólogos e veterinários reproduziram o comportamento dos animais na natureza. "No habitat natural, a leoa se afasta do macho para proteger as crias", disse o veterinário Manoel Lucas Javorouski (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 15/DEZ/2006) 140 . Como já havia acontecido em outras ocasiões, mas há muito tempo não ocorria, foi realizada em dezembro uma campanha para a escolha dos nomes dos filhotes. Desta vez a empreitada foi feita em parceira com a Rede Paranaense de Televisão. "A proposta foi aproximar o público das atividades do Zoológico", comentou o diretor Traad. O público fez sugestões pelo portal de voz e pela Internet. As votações foram feitas em duas etapas. Na primeira fase qualquer nome poderia ser sugerido, enquanto que na segunda a escolha se resumiu aos cinco nomes mais votados. Os nomes escolhidos no final da campanha foram Léo, Nala e Leona (Ver

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CAPÍTULO 4 – FIGURA 46). Durante os quatro dias de votação foram dez mil participações. Em 16 de dezembro de 2006 o prefeito Beto Richa, acompanhado do secretário municipal do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, esteve no zoológico para entregar oficialmente a segunda parte das reformas realizadas durante o ano e assinou os certificados de nascimento dos três leõezinhos – Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 47 e 48 (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 16/DEZ/2006) 141 . O Zôo ganhou uma nova cozinha para preparo das refeições dos 2.300 animais e novos recintos do projeto de reprodução dos papagaios-chauá. "São investimentos direcionados ao resgate de ícones turísticos da cidade e importantes centros de pesquisa da fauna silvestre", destacou o prefeito. A nova cozinha, onde são manipulados os alimentos que são servidos aos animais do zoológico, foi reconstruída do piso ao teto (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 49 e 50). O antigo espaço foi inteiramente revestido com material cerâmico. O forro de madeira foi substituído por placas de policloreto de vinila (PVC). Bancadas, pias e um sistema de escoamento de água também foram refeitos. Dentro do espaço foi incorporada a câmara fria, onde são armazenadas as carnes. Antes, a câmara fria ficava numa parte externa e colocava em risco a qualidade dos produtos. A cozinha também ganhou geladeiras, congeladores, moedores de carne e balança nova para pesar com mais precisão a quantidade de alimentos. Os antigos armários de madeira, onde eram estocados os produtos, foram substituídos por estruturas metálicas, mais higiênicas (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 14/DEZ/2006) 142 . Em 19 de dezembro chegaram ao zôo dois ursos-de-óculos, provenientes do Zoológico de São Carlos (SP). Os dois são irmãos e têm o nome de End e Guaxu. Há três anos o zôo de Curitiba não possuía essa espécie (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 21/DEZ/2006) 143 . Até dezembro deste ano o Zoológico de Curitiba registrou o nascimento de 111 animais: 58 mamíferos e 53 aves. Alguns deles ameaçados de extinção, como a jacutinga e o papagio-de-peito-roxo (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 27/DEZ/2006) 144 . Para melhor atender a população, com o início do horário de verão, em dezembro de 2006, o zoológico passou a fechar uma hora mais tarde nos finais de semana, ou seja, às 18:00 horas (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 03/JAN/2007) 145 ,

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retornando ao seu horário normal apenas em março de 2007 (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 02/MAR/2007) 146 .

Com todas as melhorias realizadas e as novas atrações, principalmente os filhotes de leão, o número de visitantes em dezembro no Zoológico de Curitiba aumentou 16% quando comparado com o mesmo período do ano anterior. Em dezembro de 2006, passaram pelo parque 58.636 pessoas, número que no mesmo mês de 2005 ficou em 50.183. (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 11/JAN/2007) 147 . Em janeiro de 2007 entraram no parque 72.889 pessoas (vinte mil apenas nos primeiros 10 dias de 2007). No mesmo mês de 2004, 2005 e 2006, respectivamente, foram 55.500, 59.751 e 66.617. "O crescimento é resultado dos investimentos feitos pela Prefeitura na revitalização do Zoológico", afirmou o secretário municipal do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 13/FEV/2007) 148 .

Continuando as reformas previstas para a comemoração dos 25 anos do zoológico, novas obras tiveram início em 2007. O prefeito Beto Richa comentou:

O Zoológico de Curitiba é um local que proporciona agradáveis momentos de lazer para a população, por isso tem recebido uma atenção especial da Prefeitura. Também estamos melhorando bastante a infra-estrutura para a educação ambiental, uma atividade muito importante feita no Zoológico e que colabora para o fortalecimento da consciência ecológica de nossas crianças.

Além das obras direcionadas para a Educação Ambiental, executadas na área da Casa do Acantonamento, outra obra em andamento era o novo recinto dos macacos-pregos, uma ilha no meio do parque, ambientada para acomodar melhor os animais. A obra corrige um antigo problema de erosão na ilha, dando mais conforto e segurança aos animais e aos funcionários. Além de conter a erosão, a ilha terá uma área especial para manejo dos animais. Brinquedos de madeira e corda foram previstos para estimular os bichos e combater o estresse (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 12/ABR/2007) 149 .

Quando faltavam alguns dias para que o Zoológico de Curitiba completasse 25 anos, ocorreu um fato importante, pelo ponto de vista da conservação. O casal de onças-pintadas que havia chegado em janeiro de 2006 e

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que, segundo as informações fornecidas quando da sua vinda, nunca havia reproduzido, gerou dois filhotes (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURA 51). Como medida preventiva para evitar o estresse na mãe e nos filhotes, a notícia de seu nascimento só foi divulgada em abril de 2007.

Para a comemoração do Jubileu de Prata, diversas atividades foram realizadas, no dia 31 de março. Da mesma forma que na inauguração, as atividades aconteceram num final de semana, neste caso em um sábado, para que mais pessoas pudessem aproveitar o evento. Uma dessas atividades foi um Passeio Ciclístico, organizado pela Secretaria Municipal do Esporte e Lazer, com saída às 14:00h, de dois pontos: das Ruas da Cidadania do Bairro Novo e do Boqueirão (BONDENEWS, 30/MAR/2007 150 ; AGÊNCIA DE NOTÍCIAS PMC, 30/MAR/2007 151 ; JORNAL DO ÔNIBUS, 02/ABR/2007 152 ). "O Zoológico de Curitiba foi inaugurado com um passeio ciclístico. Vamos repetir a atividade para comemorar os 25 anos", disse o diretor do Zôo, Marcos Traad. Os dois grupos se reuniram no Jardim Paranaense, já próximo ao zôo. A participação não foi muito grande, possivelmente por ser um horário de sol forte, mas cumpriu com o seu objetivo (Ver CAPÍTULO 4 – FIGURAS 52 a 54).

Na casa de Educação Ambiental, agora transformada em Centro de Apoio ao Visitante, foi montada uma exposição de aquários com espécies como bagre e lambari, típicos da bacia do rio Iguaçu e um com água poluída. A exposição faz parte de um projeto de reprodução de peixes para repovoar o rio Iguaçu, desenvolvido pelo Museu de História Natural de Curitiba em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). "É uma oportunidade para as pessoas conhecerem um pouco das espécies de peixes nativas que temos nos nossos rios", disse o diretor Traad.

Com essas atividades o Zoológico de Curitiba fecha um ciclo. Apesar de ter completado um quarto de século, quando comparado com outras instituições nacionais ou internacionais, ainda tem muito para crescer. Alguns projetos já estão em andamento enquanto outros estão em estudo, aguardando possibilidade de execução.

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CAPÍTULO 4 – IMAGENS DO TEMPO

Neste capítulo estão mostradas algumas das inúmeras imagens referentes ao Zoológico de Curitiba, durante seus 25 anos de existência. A seleção dessas imagens baseou-se em expor alguns dos mais importantes momentos do zôo, como a inauguração, as enchentes e os nascimentos. Muitas fotos, com certeza, não puderam ser utilizadas para este trabalho por mera falta de espaço. Somente a análise desse material já constituiria uma nova monografia. Algumas imagens, por serem antigas, não apresentam uma boa qualidade de cor, mas optamos por não fazer a correção por meios eletrônicos para não descaracterizar a História. O mesmo se aplica às citações de jornais, cuja apresentação é mais importante que a imagem propriamente dita. As imagens a seguir permitem ao leitor uma breve viagem pelos 25 anos do Zoológico de Curitiba.

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FIGURA 01 – As obras para a construção do novo zoológico de Curitiba começaram em 1980. Para se obter uma imagem ampliada, foi feita uma verdadeira “foto- montagem”, com duas fotografias coladas com fita adesiva. Nesta foto tem-se uma visão geral da área mais baixa do zôo. As áreas de bosque mais alto, em primeiro plano, foram posteriormente transformadas no recinto dos leões. Maio de 1980. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

Maio de 1980. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente. FIGURA 02 – O lago foi ampliado

FIGURA 02 – O lago foi ampliado para receber as aves aquáticas e as torres de alta tensão ainda eram de troncos de eucalipto. Maio de 1980. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

torres de alta tensão ainda eram de troncos de eucalipto . Maio de 1980. Ac ervo

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FIGURA 03 – Cartaz distribuído em diversos pontos da cidade com a programação das festividades do 289° aniversário de Curitiba. No detalhe eventos no Parque e Zoológico do Iguaçu. Março de 1982. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

o de 1982. Acervo Secretar ia Municipal do Meio Ambiente. FIGURA 04 – Ônibus alimentador que

FIGURA 04 – Ônibus alimentador que fazia a linha Terminal Boqueirão-Zoológico durante os primeiros anos de funcionamento do parque. Fonte: Diário do Paraná, 27 de março de 1982.

durante os primeiros anos de funcionamento do parque. F onte: Diário do Paraná, 27 de março

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FIGURA 05 – Vista aérea da Av. Marechal Floriano Peixoto, na entrada para o Parque Náutico (parte inferior) e trecho Inter-cavas (parte superior). Dia 28 de Março de 1982. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

de 1982. Acervo Secretaria M unicipal do Meio Ambiente. FIGURA 06 – Vista aérea da entrada

FIGURA 06 – Vista aérea da entrada do Zoológico, com a Arca do Iguaçu atracada no cais. Dia 28 de Março de 1982. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

ico, com a Arca do Iguaçu atracada no cais. Dia 28 de Março de 1982. Acervo

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FIGURA 07 – Foto do jornal Diário do Paraná, de 29 de março de 1982, mostrando os ciclistas que participaram do evento de inauguração do zoológico.

que participaram do ev ento de inauguração do zoológico. FIGURA 08 – Inauguração do zoológico. Presença

FIGURA 08 – Inauguração do zoológico. Presença do governador Ney Braga, do prefeito Jaime Lerner, do ex-prefeito Saul Raiz, Frei Miguel e Rafael Greca. Dia 28 de Março de 1982. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

Saul Ra iz, Frei Miguel e Rafael Greca. Dia 28 de Março de 1982. Acervo Secretar

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FIGURA 09 – Arca do Iguaçu, em detalhe do Jornal Diário do Paraná, de 25 de março de 1982.

do Jornal Diário do Paraná, de 25 de março de 1982. FIGURA 10 – Mandinha, primeira

FIGURA 10 – Mandinha, primeira girafa do Zoológico de Curitiba, chegada em setembro de 1982. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

primeira gira fa do Zoológico de Curitiba, chegada em setembro de 1982. Acervo Secretar ia Municipal

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FIGURA 11 – Zoológico afetado pela enchente de maio e junho de 1983, visto na área do mirante. Em primeiro plano as casas de manejo dos leões. Ao fundo, o lago do recinto Santuário. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

Santuário. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente. FIGURA 12 – Resgate de animais que esta vam

FIGURA 12 – Resgate de animais que estavam alojados na parte mais baixa do zoológico durante a enchente de maio e junho de 1983. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

mais baixa do zoológico durante a enchente de maio e ju nho de 1983. Acervo Se

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FIGURA 13 – Após a enchente de 1983 foram trocadas as torres de alta-tensão feitas de troncos de madeira por outras de metal, além de aterramento das cercas. Abril de 1984. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

de 1984. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente. FIGURA 14 – Bateria de recintos para Gr

FIGURA 14 – Bateria de recintos para Grandes Felinos, em construção em agosto de 1988. Em janeiro de 1989 seriam transportados esses animais do Passeio Público para o zoológico. Acervo da Séc. Municipal do Meio Ambiente.

89 seriam transportados esses animais do Passeio Público para o zoológico. Acervo da Séc. Municipal do

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FIGURA 15 – “Arca do Iguaçu” desativada e atracada no Parque Náutico, em 26 de agosto de 1987. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

de 1987. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente. FIGURA 16 – “Arca do Iguaçu” reform ada

FIGURA 16 – “Arca do Iguaçu” reformada e destinada à Educação Ambiental, em 04 de fevereiro de 1990. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

reform ada e destinada à Educação Ambiental, em 04 de fevereiro de 1990. Acervo Secretaria Municipal

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FIGURA 17 – Cerimônia oficial de inauguração da Casa de Educação Ambiental, localizada na entrada do Zoológico. O evento contou com a participação do prefeito Jaime Lerner e do Secretário Municipal do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura. Dia 04 de fevereiro de 1990. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

de 1990. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente. FIGURA 18 – Casa de Educação Ambiental, localizada

FIGURA 18 – Casa de Educação Ambiental, localizada na entrada do Zoológico, vista a partir do andar superior da “Arca do Iguaçu”. Dia 04 de fevereiro de 1990. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

do andar superior da “Arca do Iguaçu”. Dia 04 de fevereiro de 1990. Acervo Secretaria Municipal

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FIGURA 19 – Recinto de dromedário e camelos, localizado ao lado do recinto da girafa. Abril de 1984. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

de 1984. Acervo Secret aria Municipal do Meio Ambiente. FIGURA 20 – Construção da piscina em

FIGURA 20 – Construção da piscina em concreto no recinto para hipopótamos, localizado onde antes ficavam os camelos e dromedários. Fevereiro de 1991. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

onde antes ficavam os camelos e dromedários. Fevereiro de 1991. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

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FIGURA 21 – Construção da área de manejo no recinto para hipopótamos e ajardinamento na área destinada à visitação. Início de março de 1991. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

de 1991. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente. FIGURA 22 – Finalização do recinto para hipopótamos

FIGURA 22 – Finalização do recinto para hipopótamos e acabamento do jardim na área destinada à visitação. Final de março de 1991. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

do jardim na área destinada à visitação. Final de março de 1991. Acervo Secretaria Municipal do

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FIGURA 23 – Misael de Lara, funcionário do zoológico, com o filhote de lontra nascido em cativeiro em 1992. Acervo Departamento de Zoológico.

em cativeiro em 1992. Acervo Departamento de Zoológico. Figura 24 – Ficha de inscrição para par

Figura 24 – Ficha de inscrição para participação no concurso para escolha dos nomes dos dois filhotes de girafa nascidos em abril e junho de 1993. Acervo Departamento de Zoológico.

escolha dos nomes dos dois filhotes de girafa nascidos em abril e junho de 1993. Acervo

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FIGURA 25 – Zoológico, afetado pela enchente de janeiro de 1995, visto do mirante. Em primeiro plano as casas de manejo dos leões. Ao fundo, o lago do recinto Santuário. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

Santuário. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente. FIGURA 26 – Zoológico, afetado pela enchente de janeiro

FIGURA 26 – Zoológico, afetado pela enchente de janeiro de 1995. Do lado esquerdo fica o recinto dos jacarés. Com a destruição causada pelas chuvas, as cercas de madeira ou tela foram trocadas por muretas de tijolos. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

as cercas de madeira ou tela foram trocadas por muretas de tijolos. Acervo Secretaria Municipal do

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FIGURA 27 – Construção da bateria de recintos para roedores (capivara, cutia, cutiara e paca) em 30 de junho de 1995. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

de 1995. Ac ervo Secretaria M unicipal do Meio Ambiente. FIGURA 28 – Discurso do prefeito

FIGURA 28 – Discurso do prefeito Rafael Greca durante a cerimônia de reinauguração do zoológico, em 21 de outubro de 1995. A cerimônia foi realizada em frente aos recintos da harpia, cervo-nobre e araras. Acervo Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

a foi realizada em frente aos recintos da harpia, cervo-nobre e araras. Acervo Secretaria Municipal do

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FIGURA 29 – Recinto dos Chimpanzés no Zoológico, em outubro de 1995, o manejo ao fundo é maior que o recinto todo que existia no Passeio Público. Acervo Departamento de Zoológico.

no Passeio Público. Acervo Departamento de Zoológico. FIGURA 30 – Novos sanitários, instalados próximo ao

FIGURA 30 – Novos sanitários, instalados próximo ao Mirante, durante a construção. Estas instalações foram inauguradas juntamente com os recintos em 21 de outubro de 1995. Acervo Departamento de Zoológico.

instalações foram inauguradas juntam ente com os recintos em 21 de outubro de 1995. Acervo Departam

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FIGURA 31 – “Calçada da Fauna” inaugurada em 05 de junho de 1998, como parte das comemorações pelo Dia do Meio Ambiente. Fonte Gazeta do Povo 06/06/1998.

pelo Dia do Meio Ambi ente. Fonte Gazeta do Povo 06/06/1998. FIGURA 32 – Construção do

FIGURA 32 – Construção do recinto para ursos, em dezembro de 1998. Foto Manoel Lucas Javorouski.

Povo 06/06/1998. FIGURA 32 – Construção do recinto para ursos, em dezembro de 1998. Foto Manoel

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FIGURA 33 – Antônio Marcílio Medeiros, tratador de animais, responsável pelo Setor Felinos, trabalha no Zoológico de Curitiba desde sua inauguração. Foto Jonathan Campos.

de Curi tiba desde sua inauguração. Foto Jonathan Campos. FIGURA 34 – Procedimento de eletro-eja culação

FIGURA 34 – Procedimento de eletro-ejaculação em um exemplar de jaguatirica pertencente ao Zoológico de Curitiba, com a participação dos professores Rosana Nogueira de Moraes (esquerda) e Ricardo Villani (direita). Novembro de 2001. Foto César Brustolin, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

e Ricardo Villani (direita). Novembro de 2001. Foto César Brustolin, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

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FIGURA 35 – Procedimento de vídeo-laparoscopia em fêmea de jaguatirica para realização de inseminação artificial. Novembro de 2001. Foto César Brustolin, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

Brustolin, Secretaria Municipal de Comunicação Social. FIGURA 36 – Construção da bateria de re cintos para

FIGURA 36 – Construção da bateria de recintos para papagaios-de-cara-roxa, em parceria com a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS, em área isolada do público. Primeiro semestre de 2003. Foto Manoel Lucas Javorouski.

e Educação Ambiental – SPVS, em área isolada do público. Primeiro semestre de 2003. Foto Manoel

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FIGURA 37 - Em 10 de fevereiro de 2004 é publicada a notícia dos cuidados prestados ao filhote de tamanduá-bandeira nascido no final de dezembro de 2003. Fonte Gazeta do Povo.

nascido no final de dezembro de 2003. Fonte Gazeta do Povo. FIGURA 38 – Antonio Perini,

FIGURA 38 – Antonio Perini, funcionário do Zoológico de Curitiba desde sua inauguração. Foto Jonathan Campos.

Povo. FIGURA 38 – Antonio Perini, funcionár io do Zoológico de Curitiba desde sua inauguração. Foto

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FIGURA 39 – Casal de onça-pintada, Apolo e Angélica, originário de uma apreensão realizada pelo IBAMA de Manaus. Os dois animais eram criados de maneira irregular há treze anos por um proprietário particular e chegaram ao zoológico em 16 de janeiro de 2006. Foto Orlando Kissner, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

Kissner, Secret aria Municipal de Comunicação Social. FIGURA 40 – Implantação dos guarda-corpos no recinto dos

FIGURA 40 – Implantação dos guarda-corpos no recinto dos cervos-nobres. Este sistema de proteção atendia a uma das exigências do Ibama. Janeiro de 2006. Foto Orlando Kissner, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

a uma das exigências do Ibama. Janeiro de 2006. Foto Orlando Kissner, Secretaria Muni cipal de

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FIGURA 41 – Construção do sanitário localizado em frente à administração do zoológico. Março de 2006. Foto Oneida Lacerda.

do zoológico. Março de 2006. Foto Oneida Lacerda. FIGURA 42 – Construção da guarita e reforma

FIGURA 42 – Construção da guarita e reforma do portal de entrada do zoológico. Abril de 2006. Foto Oneida Lacerda.

FIGURA 42 – Construção da guarita e reforma do porta l de entrada do zoológico. Abril

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FIGURA 43 – Construção da bateria de recintos para papagaios-chauá, trazidos do Espírito Santo para integrar um projeto de reprodução em cativeiro. Os recintos foram construídos contíguos à bateria de papagaios-de-cara-roxa. Este projeto é uma parceria do Zoológico de Curitiba com a organização não-governamental Idéia Ambiental. Abril de 2006. Foto Oneida Lacerda.

Idéia Ambiental. Abril de 2006. Foto Oneida Lacerda. FIGURA 44 – Vice-prefeito Luciano Ducci (esquerda), José

FIGURA 44 – Vice-prefeito Luciano Ducci (esquerda), José Antonio Andreguetto, Secretário Municipal do Meio Ambiente (ao fundo) e Marcos Traad, diretor do Departamento de Zoológico (ao centro), durante a entrega das obras da primeira fase de revitalização e melhorias no zoológico. 15 de julho de 2006. Foto César Brustolin Séc. Municipal de Comunicação Social.

e melhorias no zoológico. 15 de julho de 2006. Foto César Brustolin Séc. Municipal de Comunicação

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FIGURA 45 – Sanitário localizado na entrada do zoológico, próximo à guarita. Julho de 2006. Foto Ivan Bueno, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

Ivan Bueno, Secretaria Municipal de Comunicação Social. FIGURA 46 – Léo, Nala e Leona, filhotes de

FIGURA 46 – Léo, Nala e Leona, filhotes de leão nascidos no zoológico em 23 de outubro de 2006. Os nomes foram escolhidos em um concurso promovido pela Rede Paranaense de Comunicação em dezembro de 2006. Foto Michel Willan, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

Rede Paranaense de Comunicação em dezembro de 2006. Foto Michel Willan, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

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FIGURA 47 – Cerimônia de inauguração da nova cozinha do zoológico, com a presença do prefeito Beto Richa, do Secretário Municipal do Meio Ambiente José Antonio Andreguetto, do diretor do Departamento de Zoológico Marcos Traad e do Superintendente Mário Sérgio Rasera. Dezembro de 2006. Foto Ricardo Almeida, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

Almeida, Secretaria Municipal de Comunicação Social. FIGURA 47 – Assinatura dos certific ados de nascimento dos

FIGURA 47 – Assinatura dos certificados de nascimento dos leões Léo, Nala e Leona pelo prefeito Beto Richa, e pelo Secretário Municipal do Meio Ambiente José Antonio Andreguetto, Dezembro de 2006. Foto Ricardo Almeida, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

Ambiente José Antonio Andreguetto, Dezembro de 2006. Foto Ricardo Almeida, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

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FIGURA 49 – Início das obras de reforma da cozinha do zoológico. A área de acesso à câmara fria, que era aberta, foi fechada e transformada em local de preparação de alimentação para os animais. Início de 2006. Foto Oneida Lacerda.

para os animais. Início de 2006. Foto Oneida Lacerda. FIGURA 50 – Cozinha reformada, em dezembro

FIGURA 50 – Cozinha reformada, em dezembro de 2006, mostrando a rotina de preparo da alimentação dos animais. Foto César Brustolin, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

a rotina de preparo da alimentação dos animais. Foto Césa r Brustolin, Secretaria Municipal de Comunicação

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FIGURA 51 – Filhotes de onça-pintada nascidos em Curitiba, a partir do casal Apolo e Angélica, vindo em janeiro de 2006. Março de 2007. Foto Orlando Kissner, Secretaria Municipal de Comunicação Social.

Kissner, Secretaria Municipal de Comunicação Social. FIGURA 52 – Antonio Jorge Dias, Manoel Lucas Javorouski,

FIGURA 52 – Antonio Jorge Dias, Manoel Lucas Javorouski, Marcelo Hruschka e Sílvio Alexandre Biscaia, em 31 de março de 2007, no início do Passeio Ciclístico de comemoração dos 25 anos do Zoológico de Curitiba.

em 31 de março de 2007, no início do Passeio Ciclístico de comemoração dos 25 anos

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FIGURA 53 – Ponto de encontro entre os dois grupos de ciclistas que participaram da comemoração dos 25 anos do Zoológico de Curitiba, em 31 de março de 2007. Foto Sílvio Alexandre Biscaia.

em 31 de março de 2007. Foto Sílvio Alexandre Biscaia. FIGURA 54 – Antonio Jorge Dias,

FIGURA 54 – Antonio Jorge Dias, Wilson Gerber, Adilson Santana, Sílvio Alexandre Biscaia, Manoel Lucas Javorouski, Juarez P. Andrade, Tammi R. Santos e Sérgio Sagaz, funcionários do Departamento de Zoológico e da Câmara Municipal de Curitiba em 31 de março de 2007, durante o Passeio Ciclístico de comemoração dos 25 anos do Zoológico de Curitiba.

Curitiba em 31 de março de 2007, durante o Passeio Ciclístico de comemoração dos 25 anos

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao se analisar os fatos citados nos Capítulo 2, 3 e 4, podemos perceber a atuação do Zoológico de Curitiba em todas as funções de um zoológico moderno. Sob o ponto de vista de LAZER, a participação do público sempre foi intensa. A inauguração em 28 de março de 1982 teve cerca de vinte mil visitantes, sendo que dez mil eram ciclistas. Sempre que houve a necessidade do zoológico fechar por uma temporada, a participação era muito grande no momento da reabertura. Nesses 25 anos foram muitos os atrativos que fizeram com que uma pessoa se deslocasse, em alguns casos, muitos quilômetros para visitar o zôo. O numero de visitantes aumentou a cada ano, chegando a quase 73 mil pessoas apenas no mês de janeiro de 2007. A cada nova atração anunciada, maior era o volume de visitantes, principalmente quando da chegada de animais novos ou principalmente o nascimento de espécies importantes ou chamativas. Um ponto a ser considerado neste caso é a grande participação dos visitantes na escolha dos nomes dos filhotes, principalmente entre as crianças. Isto pode ser percebido tanto na escolha do nome da “Mandinha”, a primeira girafa (em 1982), quanto nos filhotes de leão (em 2006). Os meios de votação evoluíram com o tempo, desde as cédulas de papel até o voto pela Internet, mas o que mais importa é a vontade do público em participar dos eventos. O Zoológico de Curitiba teve uma participação importante no contexto de PRESERVAÇÃO DE ESPÉCIES. A instituição é reconhecida nacionalmente como uma das que apresenta os maiores índices de nascimento em cativeiro. Em alguns casos foi o primeiro zôo a ter este nascimento, como no caso da lontra em 1992. Algumas espécies possuem um registro internacional de movimentação e todo nascimento é comunicado a esse órgão. Como exemplo temos o bisão-europeu, o lobo-guará e o tamanduá-bandeira, entre outros. Os programas de reprodução em cativeiro podem ter a participação de organizações não governamentais, como no caso dos papagaios (chauás e cara-roxa ). Quando são analisadas as participações de técnicos em atividades de PESQUISA, podemos perceber a importância das coleções zoológicas como um todo. No Zoológico de Curitiba foram feitas pesquisas de graduação e pós- graduação, seja como especialização, mestrado ou doutorado. Entre esses

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podemos citar os trabalhos com dosagens de hormônios por meios não invasivos em felídeos nativos e em papagaios-de-cara-roxa. Diversos foram os estagiários de graduação que passaram pelo departamento, principalmente dos cursos de medicina veterinária, biologia, zootecnia, entre outros. Muitos desses profissionais são hoje destaques nacionalmente dentro da área de animais selvagens e de zoológico.

A EDUCAÇÃO AMBIENTAL sempre foi uma preocupação, sendo citada

desde antes da inauguração do parque, com a confecção de folhetos informativos a respeito dos cuidados com os animais e o bom comportamento quando de uma visita. Atividades lúdicas voltadas principalmente às crianças possibilitam que estas

desenvolvam posturas diferenciadas em relação ao respeito aos seres vivos de maneira geral.

A preocupação com o BEM-ESTAR ANIMAL pode ser percebida desde o

início do zôo, quer seja pelo próprio motivo da sua criação: a transferência dos grandes animais que estavam mal alojados no Passeio Público. Com a mudança para o Parque Iguaçu, algumas espécies que ainda não haviam reproduzido apresentaram nascimentos. A reformulação de recintos e a adequação desses às necessidades dos animais foi um grande passo para a melhoria na qualidade de vida dos animais do acervo. A valorização dos servidores pode ser percebida pelos cursos de capacitação realizados periodicamente, ou mesmo com a participação dos mesmos em eventos, palestras externas ou depoimentos a jornais. Este é um trabalho de resgate da História do Zoológico de Curitiba. Constitui-se no primeiro grande levantamento, mas mesmo com o grande número de citações, está longe de ser o mais completo. Todas as funções do zoológico poderiam gerar uma monografia em separado, pois foram abordadas neste trabalho de maneira apenas superficial. O mesmo se aplica às imagens, que gerariam uma grande coletânea se devidamente estudadas. Isto abre a possibilidade de novas pesquisas a serem executadas no futuro.

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REFERÊNCIAS

1 CRUZ, A.A., Iguaçu, um parque que valeu votos. Gazeta do Povo, 05 de fevereiro de 1986.

2 DIARIO DO PARANÁ, Opção: pomar público. Diário do Paraná, 29 de Junho de

1977.

3 CHAGAS, A.E. O Éden no primeiro planalto. O Estado do Paraná, 20 de setembro de 1977.

4 CORREIO DE NOTÍCIAS, Pomar de 5 mil árvores – Infra-estrutura urbana/lazer. Correio de Notícias, 06 de abril de 1978.

5 BENETTA, C.B. No parque Iguaçu, o lazer vai das frutas à pescaria. Diário do Paraná, 29 de outubro de 1981.

6 DIÁRIO DO PARANÁ, População vai ganhar no domingo área de lazer e jardim zoológico. Diário do Paraná, 25 de março de 1982.

7 GAZETA DO POVO, Curitiba recebe Parque Zoológico, maior área de lazer urbana do país. Gazeta do Povo, 29 de março de 1982. 36 ª. Página.

8 GAZETA DO POVO, Objetivo do parque é social, diz prefeito. Gazeta do Povo, 25 de março de 1982.

9 PANORAMA, Iguaçu, o maior parque urbano do Brasil – Pulmão Verde e Parque Náutico. Panorama, Abril de 1982, ano 31, n° 315. p. 14-17.

10 GAZETA DO POVO, Chuvas isolam cidades no Paraná. Gazeta do Povo, 13 de junho de 1983.

11 GAZETA DO POVO, Nos festejos de Curitiba, aberto o “Pomar Didático”. Gazeta do Povo, 25 de março de 1987.

12 GAZETA DO POVO, Mau tempo atrapalha retorno do barco “Serelepe” à ativa. Gazeta do Povo, 05 de Janeiro de 1990.

13 GAZETA DO POVO, Parque Iguaçu ganha 2 novos equipamentos para a ecologia. Gazeta do Povo, 05 de fevereiro de 1990.

14 GAZETA DO POVO, Parque Iguaçu receberá um mIni-pantanal, com animais diferentes. Gazeta do Povo, 04 de agosto de 1991.

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15 GAZETA DO POVO, Decreto amplia a área do novo Zôo. Gazeta do Povo, 09 de março de 1975.

16 DIÁRIO DO PARANÁ, Um novo Zôo está nascendo. Diário do Paraná, 12 de março de 1975.

17 RITTES, J.A.; SANTOS, D.M.; OLIVEIRA, A.I.A.; AZAMBUJA, D.X.; MAEDA,K.; DEUTSCH, L.A.; AUTUORI, M.P.; VECCHI, N.O. Parque Regional do Iguaçu – Parque Zoológico Aberto – Projeto Executivo. Curitiba, DART Desenvolvimento Agroindustrial Ltda., 1977. 237 p.

18 DEPARTAMENTO DE PARQUES E PRAÇAS, Novo Zoológico de Curitiba e Mini-jardim Botânico. Nota de Divulgação, 23 de outubro de 1978. Documento interno, Acervo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Prefeitura Municipal de Curitiba.

19 TORTATO,M. A neurose dos animais. Correio de Notícias, 08 de março de 1979.

20 GAZETA DO POVO, Nova mentalidade para zoológicos, Gazeta do Povo, 19 de outubro de 1979.

21 DEPARTAMENTO DE PARQUES, PRAÇAS E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, Parque Regional do Iguaçu, Zoológico 1ª. Etapa Animais transferidos e a serem transferidos. Dezembro de 1981. Documento interno, Acervo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Prefeitura Municipal de Curitiba.

22 O ESTADO DO PARANÁ, O Estado do Paraná, 25 de março de 1982.

23 DEPARTAMENTO DE PARQUES, PRAÇAS E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, Zoológico da Cidade de Curitiba, Parque Iguaçu. Educação Ambiental. Documento interno, Acervo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Prefeitura Municipal de Curitiba.

24 GAZETA DO POVO, De inauguração a maratona, tudo é festa. Gazeta do Povo, 28 de março de 1982, 16ª. Página.

25 PREFEITURA MUNCIPAL DE CURITIBA, Inauguração do zôo e canal inter-cavas do Parque Iguaçu. Documento interno, Acervo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Prefeitura Municipal de Curitiba.

26 DEPARTAMENTO DE PARQUES, PRAÇAS E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, Convidados de outros estados que confirmaram suas presenças na inauguração do Zoológico da Cidade de Curitiba (28.03.82). Documento interno, Acervo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Prefeitura Municipal de Curitiba.

27 GAZETA DO POVO, Muitas festividades marcam 289° aniversário de Curitiba. Gazeta do Povo, 27 de Março de 1982.

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28 DIÁRIO DO PARANÁ, Ônibus do Zôo começa a rodar neste domingo. Diário do Paraná, 27 de março de 1982, 1ª. Página.

29 RAFAEL GRECA DE MACEDO, O velho Iguaçu, rio que nasce onde nascemos, e seu parque regional. Tempos Modernos, Voz do Paraná, Março de 1982.

30 DIÁRIO DO PARANÁ, Aniversário com ciclismo. Diário do Paraná, 29 de março de 1982.

31 NASSAR, S. Curitibano descobre nova área de lazer. Tribuna do Paraná, 29 de Março de 1982. 2ª. Página.

32 MARGARITA SANSONE, O convívio com a natureza: as árvores, as águas, os animais. Gazeta do Povo, 05 de abril de 1982.

33 GAZETA DO POVO, Lancha-restaurante já opera no trajeto parque-zoológico. Gazeta do Povo, 04 de Abril de 1982.

34 GAZETA DO POVO, Confusão na visita ao parque zoológico. Gazeta do Povo, 06 de Abril de 1982.

35 GAZETA DO POVO, No zoológico, as mesmas confusões. Gazeta do Povo, 12 de Abril de 1982

36 GLASER, R.A. Ofício 31/82, Diretoria de Zoológico e Defesa da Fauna. Curitiba, 19 de Abril de 1982.

37 O ESTADO DO PARANÁ, Novo zoológico facilita a procriação dos animais. O Estado do Paraná, 11 de julho de 1982.

38 ARAMIS MILLARCH, Um seguro e um nome para a girafa da verde cidade. Tablóide, O Estado do Paraná, 18 de julho de 1982.

39 GAZETA DO POVO, Novas atrações para o Passeio. Gazeta do Povo, 14 de Agosto de 1982. 5ª. Página.

40 O ESTADO DO PARANÁ, Novos bichos do zôo podem ser visitados. O Estado do Paraná, 03 de outubro de 1982.

41 GAZETA DO POVO, Girafa, dromedário e camelos, as novas atrações do zôo do Iguaçu. Gazeta do Povo, 03 de outubro de 1982.

42 GAZETA DO POVO, Girafa, a grande atração do “zôo”. Gazeta do Povo, 08 de maio de 1983. 4ª. Página.

43 GAZETA DO POVO, Um alerta sobre o novo zoológico. Gazeta do Povo, 15 de agosto de 1982.

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44 GAZETA DO POVO, Locomoção, problema no zoológico. Gazeta do Povo, 24 de janeiro de 1983.

45 GAZETA DO POVO, Novo acesso para Zoológico tem asfalto desde Marechal. Gazeta do Povo, 14 de março de 1983.

46 GAZETA DO POVO, Entrelinhas, Gazeta do Povo, 03 de maio de 1983.

47 GAZETA DO POVO, Entrelinhas. Gazeta do Povo, 13 de Abril de 1983.

48 GAZETA DO POVO, Bernes estão infestando cervos no zoológico do Parque Iguaçu. Gazeta do Povo, 17 de maio de 1983.

49 GAZETA DO POVO, Zoológico é afetado. Gazeta do Povo, 01 de junho de 1983.

50 SILVA, J.G. Relatório. Da Diretoria de Zoológico e Defesa da Fauna para o Departamento de Parques, Praças e Preservação Ambiental. 28 de Julho de 1983.

51 O ESTADO DO PARANÁ, Cães invadem o Zôo e matam 10 animais. O Estado do Paraná, 28 de julho de 1983. 11ª. Página.

52 TRIBUNA DO PARANÁ, Cães matam dez valiosos animais e ferem outros três. Tribuna do Paraná, 28 de julho de 1983. 5ª. Página.

53 GAZETA DO POVO, Cachorros invadem o Zôo e matam dez animais. Gazeta do Povo, 28 de julho de 1983. 3ª. Página.

54 FOLHA DE CURITIBA, Cães matam animais do Zôo. Folha de Curitiba, 28 de julho de 1983. 8ª. Página.

55 GAZETA DO POVO, Morte de animais no zoológico do Iguaçu ainda é lamentada. Gazeta do Povo, 29 de julho de 1983

56 GAZETA DO POVO, Ecologistas lamentam a ocorrência no zôo. Gazeta do Povo, 31 de julho de 1983. 15ª. Página.

57 GAZETA DO POVO, Banco do Estado fará doação para zoológico. Gazeta do Povo, 08 de agosto de 1983. 3ª. Página.

58 JORNAL DO ESTADO, Animais vivem em paz no zoológico. Jornal do Estado, 04 de Dezembro de 1983.

59 GAZETA DO POVO, Hoje, a reabertura do “zôo”. Gazeta do Povo, 04 de dezembro de 1983.

60 GAZETA DO POVO, Girafa está para ganhar seu nome. Gazeta do Povo, 19 de janeiro de 1984.

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61 TRIBUNA DO PARANÁ, Macho da girafa já tem nome: “Pacheco”. Tribuna do Paraná, 21 de janeiro de 1984.

62 GAZETA DO POVO, Zoológico já está com novas atrações. Gazeta do Povo, 23 de Agosto de 1985.

63 GAZETA DO POVO, Parque Iguaçu, opção para as férias. Gazeta do Povo, 08 de janeiro de 1989. 18ª. Página.

64 JORNAL DO ESTADO, Tigres que mataram rapaz em Paranaguá já estão no Parque. Jornal do Estado, 25 de novembro de 1989.

65 O ESTADO DO PARANÁ, Lerner inaugura no domingo a casa de educação ambiental. O Estado do Paraná, 03 de Janeiro de 1990.

66 JORNAL DO ESTADO, Prefeitura realiza obras no Parque Iguaçu. Jornal do Estado, 30 de Janeiro de 1991.

67 JORNAL DO ESTADO, Novos moradores do Zoológico estão adaptados ao cativeiro. Jornal do Estado, 01 de Setembro de 1991.

68 JORNAL DO ESTADO, Zoológico de Curitiba é o maior criadouro do país. Jornal do Estado, 22 de Dezembro de 1991.

69 O ESTADO DO PARANÁ, Zoológico tem novos moradores. O Estado do Paraná, 02 de Outubro de 1992.

70 CUBAS, Z.S.; FRANCISCO, L.R.; GOMES, M.L.F.; HOERNER, P.G.; LEITE, M.R.P.; RUTZ JR, A.; SILVA, A.S.F.; SILVA, M.E.P.F.; SUTIL, I.M. Criação de lontra (Lutra longicaudis) no Zoológico de Curitiba. In XVII CONGRESSO BRASILEIRO E I ENCONTRO INTERNACIONAL DA SOCIEDADE DE ZOOLÓGICOS DO BRASIL, 1993. Goiânia. Anais XVII Congresso Brasileiro e I Encontro Internacional da Sociedade de Zoológicos do Brasil, 1993, p. 105.

71 CUBAS, Z.S. Notas preliminares sobre o desenvolvimento de filhotes de lontra (Lutra longIcaudis) em cativeiro. In XVII CONGRESSO BRASILEIRO E I ENCONTRO INTERNACIONAL DA SOCIEDADE DE ZOOLÓGICOS DO BRASIL, 1993. Goiânia. Anais XVII Congresso Brasileiro e I Encontro Internacional da Sociedade de Zoológicos do Brasil, 1993, p. 107.

72 NASSAR, S. Animais do zôo sofrem com o inverno. Folha de Londrina, 04 de julho de 1993. 11ª. Página.

73 NASSAR, S. Nome e padrinhos para as girafinhas. Folha de Londrina, 04 de julho de 1993. 11ª. Página.

74 GREIN-NETO, V. Zoológicos de Curitiba: uma festa ambiental. Parques & Ciclovias, n° 3, abril/maio de 1993.

89

75 FOLHA DE SÃO PAULO, Paraná. Folha de São Paulo, 17 de julho de 1993.

76 GAZETA DO POVO, Animais em extinção são hóspedes do Zôo/Curitiba. Gazeta do Povo, 18 de dezembro de 1993.

77 GAZETA DO POVO, Cachorro vinagre, a nova atração do zôo curitibano. Gazeta do Povo, 19 de dezembro de 1993. 22ª. Página.

78 VARELLA, M. Procriação – Tempo de fertilidade no zôo de Curitiba. Folha de Londrina, 25 de Fevereiro de 1994, 48ª. Página.

79 GAZETA DO POVO, Passeio Público e zoológico do Iguaçu com novas atrações. Gazeta do Povo, 05 de Abril de 1994. 4ª. Página.