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Estudo sobre estresse ocupacional numa Escola de educação infantil Vanessa Spillari - Psicóloga, Licenciada em

Estudo sobre estresse ocupacional numa Escola de educação infantil

Vanessa Spillari - Psicóloga, Licenciada em Psicologia, Especialista em Psicoterapias Cognitivo Comportamentais e Psicologia Organizacional, Instituto de Desenvolvimento Global e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rua Conde de Porto Alegre, 430, Térreo, Floresta, Porto Alegre/RS, (51) 9144 7368, nessaspill@yahoo.com.br Apresentadora.

Livia Maria Bedin Tomasi – Psicóloga, Mestre em Psicologia, Doutoranda em Psicologia, Consultora em Psicologia Organizacional, Professora Orientadora no Curso de Especialização em Psicologia Organizacional, Instituto de Desenvolvimento Global – IDG, Av. Praia de Belas, 2266, Praia de Belas, Porto Alegre/RS, (51) 3232 6104, liviabedin@uol.com.br

Luciana Fernandes Marques – Psicóloga, Mestre em Psicologia Social e da Personalidade, Doutora em Psicologia, Pós Doutora pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Professora Adjunta e Orientadora, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, luciana.marques@ufrgs.br

Resumo

Estresse, do inglês Stress, é o “Conjunto das perturbações orgânicas e psíquicas provocadas por vários estímulos ou agentes agressores, como o frio, uma doença infecciosa, uma emoção, um choque cirúrgico, condições de vida muito ativas e trepidantes, etc.” (PRIBERAM, n. d.). O “estresse ocupacional refere-se ao processo geral em que demandas do trabalho têm impacto nos empregados.” (p.46). (JEX, 1998 citado em PASCHOAL e TAMAYO, 2004). É importante ressaltar que o stress, para se desenvolver, depende não só de agentes estressores externos como também de características da pessoa exposta a esses agentes (LIPP, 2003). Esse estudo teve por objetivo investigar os principais fatores ocupacionais envolvidos no aparecimento do estresse em professores de uma Escola de Educação Infantil do município de Porto Alegre (RS). Para tanto foi realizada uma pesquisa de natureza descritiva aplicando dois questionários a professores de uma escola de educação infantil particular. Os instrumentos foram um questionário sócio demográfico contendo algumas questões específicas da atividade profissional em questão e a Escala de Estresse no Trabalho que identifica o estressor e a resposta do indivíduo ao mesmo. Foram respeitados os procedimentos éticos de pesquisa com seres humanos. Os principais fatores encontrados no estudo foram distribuição de tarefas, ordens contraditórias, tempo insuficiente para a realização do trabalho proposto, deficiência na divulgação de decisões organizacionais, o tipo de controle exercido, pouca valorização do trabalho, desconfiança do supervisor, realização de tarefas além da capacidade da participante, trabalhar muitas horas seguidas, sentir-se isolada e falta de perspectiva de crescimento na área. Nos aspectos relacionados aos cuidados com as crianças surgiram os comentários sobre recreação e trabalhos pedagógicos. Esse trabalho conseguiu atingir seu objetivo de identificar os principais fatores ocupacionais, relatados como estressores nessa escola. Entretanto não se pode afirmar que serão os mesmo em outras escolas, para tanto seria necessário um estudo mais amplo.

Palavras-Chave: Estresse Ocupacional. Professores. Educação Infantil.

INTRODUÇÃO

É comum a maioria da população um corre-corre diário, falta tempo até para coisas mais essenciais, como o uma boa alimentação, e uma noite bem dormida. O resultado dessa aceleração é o estresse, que apesar de ser uma reação natural do corpo humano para voltar a seu equilíbrio, libera substâncias que caso esse equilíbrio não volto num período determinado começa a causar problemas. (MELEIRO, 2002).

Diversos autores alertam para que se reparem os sinais característicos do estresse e se pare a tempo da estafa não ocorrer por se tratar de uma reação natura do corpo, tudo o que se relaciona ao ser humano pode ser fator desencadeante. Entre tantos, esse trabalho destaca o estresse ocupacional, intimamente ligado as questões de pressão no trabalho, entre as que se destacam atualmente expedientes muito longos, atualização constante, falta de tempo para lazer. (MELEIRO, 2002).

O professor, seja de qual nível for, está exposto a esse estresse também, muitas

vezes em níveis mais elevados. Romão (2007) apresenta uma face preocupante do trabalho do professor, em seu trabalho ela aponta “que este profissional não se abala pelo trabalho árduo pelo qual responde na qualidade de educador, mas ressente-se das pressões em servir a uma ordem que combate; pelas condições precárias de trabalho e pela ausência de uma política de valorização de ação e prática pedagógicas emancipatórias.” (p.16).

Para Wagner (2004) as características do estresse estão ligadas, em especial, a profissionais que lidam com o público, entre eles o professor. A autora cita alguns autores que trabalharam a questão relacionada à Síndrome de Burnout em professores, pode-se admitir que presentemente esse número cresceu um pouco. Já em relação ao estresse os estudos são mais vastos, todavia não foi encontrada nenhuma produção que faça a relação estresse ocupacional e professor de educação infantil. Em geral os estudos encontrados dizem respeito a professores a partir do Ensino Fundamental, e apenas um faz referência direta ao estresse ocupacional. (RODRIGUES, PEREIRA, et al., 2005).

O interesse por estudar essa lacuna científica partiu de dos estudos realizados para

um trabalho de Prevenção ao Estresse em Professores, espera-se acrescentar um novo conhecimento aqueles já existentes, e ter um melhor aproveitamento para o trabalho futuro.

O objetivo desse estudo é identificar os principais fatores ocupacionais envolvidos no

aparecimento do estresse em professores de uma escola de educação infantil.

METODOLOGIA

CARACTERIZAÇÃO DO PÚBLICO ALVO

Essa pesquisa foi realizada em uma Escola de Educação infantil de cunho familiar, há 10 anos funcionando num bairro central do município de Porto Alegre-RS, com seis participantes, entre elas professoras, auxiliares e coordenação pedagógica.

A escola é dirigida por um casal com formação na área da educação. As famílias

possuem perfis socioeconômicos de classe média. São quatro turmas com a seguinte

estrutura:

Berçário, possui 10 alunos com faixa etária entre zero e dois anos de idade, cuidados por uma professora e duas auxiliares.

Maternal, possui 11 alunos com faixa etária entre dois e três anos de idade, cuidados por uma professora e uma auxiliar.

Jardim A, possui 10 alunos com idades entre três e quatro anos, cuidados por uma professora.

Jardim B, possui 10 alunos com idades entre quatro e cinco anos, cuidados por uma professora.

Além das sete professoras e auxiliares a escola possui outros nove funcionários, uma coordenadora pedagógica e três parcerias. Uma estrutura que comporta as 41 crianças de forma cômoda. O horário de funcionamento entre às 07h e às 19h.

O tipo de trabalho das professoras consiste em trabalhar os projetos, anotar as

informações diárias nas agendas e realizar as avaliações constantes. As auxiliares do

berçário e do maternal contribuem ajudando as professoras nos projetos e realizando a higiene das crianças.

INSTRUMENTOS

Essa pesquisa contou com o auxílio de um questionário sóciodemográfico elaborado

a partir do questionário utilizado por Wagner (2004), adaptado ao estudo em questão.

Segundo a autora, ela utilizou para sua confecção questionários de Fensterseifer de 1999, e

o Protocolo para Investigação de Condições de Trabalho, Confederação Nacional dos

Trabalhadores em Educação e Laboratório de Psicologia de Trabalho da Universidade de Brasília.

Para o levantamento de estresse ocupacional foi utilizada a Escala de Estresse no Trabalho – EET de Paschoal e Tamayo (2004) que é um instrumento que prevê utilização

em diversas áreas ocupacionais, é de fácil aplicação e possui 23 itens, sendo que cada item

aborda um estressor e uma reação. É utilizada para pontuação “uma escala de concordância de cinco pontos: 1 (discordo totalmente), 2 (discordo), 3 (concordo em parte), 4 (concordo) e 5 (concordo totalmente).” De acordo com os autores passa a ter importância uma média a partir 2,5 pontos.

PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS

Após a aprovação do projeto pela Comissão de Ética do Instituto de Desenvolvimento Global, a pesquisadora entrou em contato com a escola e marcou com a

direção e orientação pedagógica a coleta de dados que foi realizada, a pedido da escola, sem o contato direto com as participantes. Os questionários foram entregues para a pedagoga que encaminhou para as professoras, um conjunto contendo consentimento livre

e esclarecido com explicações sobre os objetivos do trabalho, o questionário

sociodemográfico e a escala de estresse no trabalho e um envelope preparado para ser

lacrado pelas participantes. A escola alegou que dessa forma as professoras poderiam responder no momento que tivessem um tempo. Os questionários preenchidos foram entregues a pesquisadora lacrados no dia seguinte.

PROCEDIMENTO DE ANÁLISE DE DADOS

O presente trabalho possui uma natureza descritiva, que segundo Rampazzo (2004)

“Trata-se do estudo e da descrição das características, propriedades e relações existentes

na comunidade, grupo ou realidade pesquisada.” (p.54)

A técnica utilizada foi o questionário que segundo Castilho, Borges e Pereira (2011) “é uma técnica de coleta de dados através de uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito, sem a presença do entrevistador. As perguntas são encaminhadas aos informantes em formulários próprios contendo como anexo uma carta explicando o objetivo, a natureza e a importância da pesquisa. Quanto à forma, o questionário poderá ter perguntas nas categorias: abertas (dissertativas) e fechadas (de múltipla escolha)”.

MARCO TEÓRICO

ESTRESSE

Estresse, do inglês Stress, é o “Conjunto das perturbações orgânicas e psíquicas provocadas por vários estímulos ou agentes agressores, como o frio, uma doença infecciosa, uma emoção, um choque cirúrgico, condições de vida muito ativa e trepidante, etc.” (PRIBERAM, [2000]).

O termo passou a ser utilizado com esse significado a partir da década de 1950 quando Hans Selye, conhecido como o pai do stress passou a publicar seus achados. Selye iniciou seus estudos em 1925, pesquisando reações inespecíficas do organismo, o que chamou de “sídrome do estar doente” (ARANTES e VIEIRA, 2002, p.19). Seus estudos prolongaram-se ao longo de sua vida e de sua carreira médica, em 1936 publicou um artigo no qual denominava de “Síndrome Geral da Adaptação” o “conjunto de respostas não- específicas provocada por um agente físico” (ARANTES e VIEIRA, 2002, p. 20).

Selye conseguiu uma configuração para sua Síndrome, ela consiste em três fases, a primeira denominada reação ou alarme, na qual o organismo procura lutar contra o agente estressor; a segunda fase só acontece se o organismo não consegue vencer essa luta, é a fase da resistência na qual o indivíduo procura se adaptar ao estressor podendo gerar desgaste e cansaço; a terceira fase, da exaustão é quando doenças sérias começam a aparecer. (LIPP, 2003).

Lipp (2003) apresenta uma configuração de quatro fases para o estresse, acrescentando uma fase, de quase exaustão, entre a segunda e a terceira fases de Selye. A autora acredita que essa é a fase

quando as defesas do organismo começam a ceder e ele Já não consegue resistir às tensões e restabelecer a homeostase interior. Há momentos em que ele consegue resistir e se sente razoavelmente bem e outros em que ele não consegue mais. É comum nessa fase a pessoa sentir que oscila entre momentos de bem-estar e tranquilidade e momentos de desconforto, cansaço e ansiedade. Algumas doenças começam a surgir demonstrando que a resistência já não está tão eficaz. (LIPP, 2003, p. 19).

É importante ressaltar que o stress para se desenvolver depende não só de agentes estressores externos como doenças, temperatura, um evento, etc., ele também depende de características da pessoa exposta a esses agentes. (LIPP, 2003).

Estresse Ocupacional

Segundo Canova e Porto (2010) há grande probabilidade de que todas as pessoas já experimentaram ou irão passar, no mínimo, pelas duas primeiras fases do estresse em diversas ocasiões ao longo da vida. Rodrigues, Pereira, et al. (2005) acrescentam que “A origem do estresse pode estar em diversas áreas da vida do indivíduo e , o exercício da profissão pode ser uma poderosa fonte de patologia.” (p.40) As autoras completam acrescentando situações próprias da atualidade, longas jornadar de trabalho, atualização constante, avanço tecnológico, dificuldades com sono e alimentação.

O constructo estresse ocupacional vem sendo discutido por inúmeros pesquisadores,

Jex (1998 apud PASCHOAL e TAMAYO, 2004) acredita que a definição pode ter três aspectos: o dos estressores, nesse caso “estresse ocupacional refere-se aos estímulos do ambiente de trabalho que exigem respostas adaptativas por parte do empregado e que excedem a sua habilidade de enfrentamento” (p. 45); o de resposta, assim “estresse ocupacional refere-se às respostas (psicológicas, fisiológicas e comportamentais) que os indivíduos emitem quando expostos a fatores do trabalho que excedem sua habilidade de

enfrentamento” (p.45); e por último, o de estressor-resposta que se define por “estresse ocupacional refere-se ao processo geral em que demandas do trabalho têm impacto nos empregados.” (p.46).

O que se percebe é que tem havido um consenso entre os estudiosos na utilização

da terceira definição, por conseguir englobar não apenas fatores que podem causar o estresse no ambiente de trabalho, mas abrange as respostas do indivíduo ao estímulo estressor. “O estresse ocupacional pode ser definido, portanto, como um processo em que o indivíduo percebe demandas do trabalho como estressores, os quais, ao exceder sua habilidade de enfrentamento, provocam no sujeito reações negativas.” (PASCHOAL e TAMAYO, 2004, p. 46).

Estresse em Professores

Os profissionais da área da educação, assim como os profissionais que lidam diretamente com pessoas são os mais atingidos pelo estresse de acordo com alguns estudos. Sabe-se também que os professores possuem atividades diferenciadas dos colaboradores de empresas, além de dar as aulas, o professor também prepara-las, geralmente fora do horário de expediente, precisam cuidar das turmas, dos alunos, lidar com indisciplinas, com pais. Sem contar as questões organizacionais, dissabores com a direção e colegas de trabalho, muitos ainda competem para saber quem é o mais querido da turma. Pode-se adicionar as questões tecnológicas. Assim, sem tempo para o aperfeiçoamento, lidando com diversos estressores no local e trabalho, tendo em vista a contínua desvalorização da profissão, o educador começa a perder o gosto pelo seu trabalho abrindo as portas ao estresse, e posteriormente ao Burnout. (MELEIRO, 2002)

A figura I apresenta alguns aspectos envolvidos no estresse do professor, como

pode-se perceber a maior parte das fontes de estresse aparecem no meio acadêmico. Caso haja uma gestão mais opressora ou algum problema mais grave com os alunos, as consequências mais óbvias são a mudança do rendimento das aulas, o professor pode deixar de se interessar, não passar mais o conteúdo com o mesmo entusiasmo e o rendimento da turma passa a cair também (WITTER, 2002).

Fonte: Figura copiada de Witter (2002, p. 129). O quadro I apresenta algumas condições que

Fonte: Figura copiada de Witter (2002, p. 129).

O quadro I apresenta algumas condições que facilitam o surgimento estresse em escolas e outras que ajudam a reduzi-lo. Há uma grande preocupação em relação a proteger o professor dos fatores estressantes para que ele possa render melhor. Se o professor tiver na escola o apoio necessário para realizar seu trabalho, os níveis de estresse diminuem, possibilitando que a motivação e o interesse do docente contagie seus alunos. (WITTER, 2002)

Fonte: Quadro copiado de Witter (2002, p. 130). A Escola de Educação Infantil deve possuir

Fonte: Quadro copiado de Witter (2002, p. 130).

A Escola de Educação Infantil deve possuir uma estrutura e uma forma diferenciada de trabalhar com as crianças. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no artigo 29º “A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.” (BRASIL, 1996).

A Escola de Educação Infantil vem cuidando de crianças, ou seja, na escola a criança passa o tempo que os pais estão no trabalho, necessitando de cuidados de higiene, alimentação, de sono, entre outros, que a criança teria caso pudesse ficar em casa. Assim o cuidar e o ato educativo acabam se fundindo. O que não ocorre a partir do início do Ensino Fundamental. (BUJES, 2001).

RESULTADOS

Os resultados foram agrupados em seis categorias, Descrição Sóciodemigráfica, Escolaridade, Exercício Profissional na Instituição, Trabalho Diário, Fatores que Contribuem para o Estresse Ocupacional, e Distribuição de Frequência da Escala de Estresse no Trabalho.

Na categoria Descrição Sóciodemigráfica, todas as participantes são do sexo feminino, sendo quatro com idade na faixa dos 30 anos e casadas, uma na faixa dos 20 anos e uma com 19 anos, uma delas em união estável e outra solteira. Na questão sobre profissão duas apresentam-se como professoras, uma como educadora, duas como

auxiliares e uma como pedagoga e administradora. Três participantes tem seu salário como renda de toda a família, uma a metade da renda familiar, uma a maior parte da renda familiar e uma trabalha para as próprias despesas. Em relação ao tempo de profissão, duas estão na profissão há 12 anos, duas entre 9 meses e um ano, e duas não responderam.

Na categoria Escolaridade, duas participantes possuem superior incompleto, uma aperfeiçoamento, duas têm ensino médio incompleto e uma tem ensino médio completo. Duas participantes continuam estudando, uma Pedagogia e outra Neuropsicopedagogia e Desenvolvimento Humano.

Em relação ao Exercício Profissional na Instituição, três participantes não responderam qual cargo ocupam na instituição, uma respondeu “auxiliar as professoras” (sic), uma “auxiliar no desenvolvimento infantil” (sic) e uma “orientadora e supervisora pedagógica” (sic), sendo a única que colocou especialidade como supervisora, as outras participantes não responderam ao questionamento. Quanto ao tempo de profissão na instituição, uma estava há um mês quando os questionários foram entregues, uma há 9 meses, uma a 3 anos e 5 meses, uma há 12 anos e duas não responderam. Em relação a carga horária três fazem 40 horas semanais, uma mais de 40 horas e duas não responderam. Em relação ao setor que trabalha duas trabalham no maternal, uma no pedagógico e três não responderam. Sobre trabalhar em outra instituição cinco só trabalham na escola e uma não respondeu.

Duas participantes trabalham com as turmas de maternal tendo em média 11 alunos em cada turma, as duas relatam ter auxiliar. Em relação as atividades diárias uma diz “auxilio as professoras e brinco com as crianças” (sic) e outra “alimentação, higienização, realizo atividades pedagógicas e recreativas.” (sic). Essas respostas fazem parte da categoria Descrição do Trabalho. As duas participantes que trabalham com o Jardim relatam não ter auxiliar, e tem 12 alunos por turma. Suas atividades consistem em “diversas atividades que envolvam escrita, colagem, desenho livre com a turma.” (sic) e “Atividades com as crianças, orientando-as e cuidando” (sic). Uma das entrevistadas não respondeu as questões sobre turma, número de alunos e se tem auxiliar, trabalha com todas as turmas e suas atividades consistem em “coordenação pedagógica e supervisão” (sic). Uma participante trabalha com 6 crianças no berçário, não possuindo auxiliar, ela trabalha com “higiene das crianças, alimentação, distração, atividades pedagógicas e recreativas.

As questões relacionadas aos fatores de estresse possuíam perguntas sobre tratar de assuntos relacionados ao trabalho fora do horário regular, afastamentos por motivos de saúde, tempo de lazer, atividade física regular, atividades consideradas estressantes, aspectos do ambiente de trabalho não contemplado nas questões anteriores e na EET, interesse em trabalhos voltados para combate e prevenção o estresse na escola. Quatro participantes relatam não tratar de assuntos relacionados ao trabalho fora do horário regular, das duas que relatam tratar de assuntos profissionais uma descree que suas atividades são “rotina com as crianças, higienização, alimentação, recreação e pedagógico” (sic), a outra não respondeu a questão sobre a atividade desenvolvida nesses horários. Metade das participantes já se afastou do trabalho por motivo de saúde, e apenas duas praticam atividade física regularmente.

Quanto as atividades consideradas estressantes uma das participantes relata “trabalhar com crianças às vezes é estressante, mas nada que fuja ao controle.” (sic), outra aponta atividades “recreativas e pedagógicas” como estressantes, uma terceira acrescenta “faço o que eu gosto por esse motivo não considero estressante, mas sim às vezes cansativo” (sic), uma acredita que “supervisão pedagógica” (sic) é estressante, uma não aponta “nenhuma” (sic) atividade como estressante e a última relata “ter que destrair eles e a parte das atividades pedagógicas não tenho muita paciência para ensinar crianças de 0 a 2 anos.” (sic). duas pessoas responderam não haver aspectos do ambiente de trabalho que

não tenham sido abordados e quatro não responderam a questão. Apenas uma pessoa não tem interesse em trabalhos sobre combate e prevenção de estresse na escola.

A

Tabela apresenta a distribuição das frequências de respostas a EET, como levantado anteriormente pelos índices individuais grande parte das respostas encontram-se nas casas 1 e 2 da tabela que correspondem respectivamente as resposta discordo totalmente e discordo, entretanto houve oito afirmações que distribuídas entre as casas 3, 4 e 5, correspondentes as respostas concordo em parte, concordo e concordo totalmente, que por serem discordantes do padrão precisam ser melhor analisadas. As participantes tiveram médias entre 1 e 2, considerado fora de risco de estresse ocupacional pelos autores da escala, apenas uma chegou a 2,48, sendo bastante próximo ao ponto de corte para preocupações com estresse de acordo com os parâmetros da escala.

Como a EET combina afirmativas com procedimentos organizacionais e sentimentos relacionados aos mesmos, encontramos em relação ao nervosismo que 17% das participantes concorda em parte que a distribuição de tarefas a deixa nervosa, outras 17% concorda com a sentença. 17% das participantes fica nervosa ao receber ordens contraditórias de supervisor. 17% concorda ficar nervosa por não ter tempo suficiente para realizar o trabalho que lhe é conferido e 17% concorda em parte com a afirmação.

Outra questão levantado na escala é a irritação, no qual 17% das participantes concorda que se sente irritada com deficiências na divulgação de decisões organizacionais. 33% participantes concordam em parte que o tipo de controle existente no trabalho as irrita. 17% concorda em parte irritar-se por ser pouco valorizada pelos superiores.

O sentimento de incomodação apresenta-se em 33% participantes as quais concordam que a desconfiança do supervisor em seu trabalho as incomoda. 33% concorda em parte sentir-se incomodada por ter que realizar tarefas além de sua capacidade.

O mau humor também foi um sentimento assinalado por 17% das participantes concorda em parte ficar de mau humor trabalhando muitas horas seguidas e 17% concorda totalmente com a sentença. 17% concorda em parte ficar de mau humor por sentir-se isolada na escola.

A angústia apareceu em 17% das participantes que concordam totalmente sentir-se angustiada por falta de perspectivas de crescimento na carreira.

Tabela 1: Distribuição de Frequências da EET

 

1

2

3

4

5

A

forma como as tarefas são distribuídas em minha área

         

tem me deixado nervoso

50%

17%

17%

17%

0%

O tipo de controle existente em meu trabalho me irrita

50%

17%

33%

0%

0%

A falta de autonomia na execução do meu trabalho tem

         

sido desgastante

67%

17%

0%

0%

0%

Tenho me sentido incomodado com a falta de confiança de meu superior sobre o meu trabalho

50%

17%

0%

33%

0%

Sinto-me irritado com a deficiência na divulgação de informações sobre decisões organizacionais

33%

50%

0%

17%

0%

Sinto-me incomodado com a falta de informações sobre minhas tarefas no trabalho

83%

0%

0%

0%

0%

A

falta de comunicação entre mim e meus colegas de

         

trabalho deixa-me irritado

67%

33%

0%

0%

0%

Sinto-me incomodado por meu superior tratar-me mal na frente de colegas de trabalho

83%

17%

0%

0%

0%

Sinto-me incomodado por ter que realizar tarefas que estão além de minha capacidade

67%

0%

33%

0%

0%

Fico de mau humor por ter que trabalhar durante muitas horas seguidas

67%

0%

17%

0%

17%

Sinto-me incomodado com a comunicação existente entre mim e meu superior

100%

0%

0%

0%

0%

Fico irritado com discriminação/favoritismo no meu ambiente de trabalho

83%

17%

0%

0%

0%

Tenho me sentido incomodado com a deficiência nos treinamentos para capacitação profissional

33%

67%

0%

0%

0%

Fico de mau humor por me sentir isolado na organização

83%

0%

17%

0%

0%

Fico irritado por ser pouco valorizado por meus superiores

50%

33%

17%

0%

0%

As poucas perspectivas de crescimento na carreira tem me deixado angustiado

33%

50%

0%

0%

17%

Tenho me sentido incomodado por trabalhar em tarefas abaixo do meu nível de habilidade

83%

17%

0%

0%

0%

A

competição no meu ambiente de trabalho tem me

         

deixado de mau humor

100%

0%

0%

0%

0%

A

falta de compreensão sobre quais são minhas

         

responsabilidades neste trabalho tem causado irritação

50%

50%

0%

0%

0%

Tenho estado nervoso por meu superior me dar ordens

         

contraditórias

67%

17%

0%

17%

0%

Sinto-me irritado por meu superior encobrir meu trabalho bem feito diante de outras pessoas

83%

17%

0%

0%

0%

O

tempo insuficiente para realizar meu volume de trabalho

         

deixa-me nervoso

50%

17%

17%

17%

0%

Fico incomodado por meu superior evitar me incumbir de responsabilidades importantes

83%

17%

0%

0%

0%

Fonte: Escala de Estresse no Trabalho e Dados de Pesquisa 2012.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os fatores ocupacionais encontrados que respondem a esse estudo ficaram explicitados nas respostas ao EET como distribuição de tarefas, ordens contraditórias, tempo insuficiente para a realização do trabalho proposto, deficiência na divulgação de decisões organizacionais, o tipo de controle exercido, pouca valorização do trabalho, desconfiança do supervisor, realização de tarefas além da capacidade da participante, trabalhar muitas horas seguidas, sentir-se isolada e falta de perspectiva de crescimento na área.

de

recreação e pedagógicos.

Questões

específicas

de

trabalho

com

educação

infantil

descaram-se

os

Um dado interessante levando-se em consideração as médias das participantes na EET terem ficado abaixo de 2,5 pontos, foi o interesse em de 5 das 6 participantes em ter alguma atividade relacionada ao Combate e Prevenção do estresse na escola.

Esse trabalho conseguiu atingir seu objetivo de identificar os principais fatores ocupacionais, relatados como estressores nessa escola. Entretanto não se pode afirmar que serão os mesmo em outras escolas. Para se ter uma noção mais aproximada da veracidade dos dados na Educação Infantil do município seria preciso um estudo mais extenso.

Outro fator relevante é que a escala parece ser um pouco restritiva no caso da educação, não apresentando questões relacionadas ao trabalho do professor como a pesquisa de Rodrigues, Pereira, et al. (2005), que apresentou estressores específicos para esse público como por exemplo interesse da família pelos estudos da criança, indisciplina, desníveis de classes, entre outros.

Entende-se que apesar dos baixos níveis de estresse nessa população, os estressores encontram-se presentes, e há um pedido para que esse público seja visto com olhos mais profissionais, e seja atendido em suas demandas bastantes particulares.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-73722008000400023&script=sci_arttext>.

Acesso em 17 de julho de 2012.

LIPP, Marilda Emmanuel Novaes. Mecanismos Neuropsicofiológicos do Stress:

teoria e aplicações clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

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<http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2005/anaisEvento/documentos/com/T

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