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Práticas e modelos Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares

DREN Turma 8

3ª Sessão Online – Tarefa 2:


A Auto-Avaliação da BE/CRE e a Escola.
Que Realidade?

Formando:
Hugo Miguel da Cunha Fernandes
A Auto-Avaliação da BE/CRE e a Escola. Que Realidade? 2

“Existir, para um ser


consciente, consiste em mudar,
mudar para amadurecer,
amadurecer para se criar
indefinidamente.”

Bergson, Henri

Hugo Fernandes
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NOTA INTRODUTÓRIA

A Biblioteca Escolar tem vindo a assumir um papel preponderante no


processo Ensino-Aprendizagem. É encarada como núcleo de trabalho e
aprendizagem ao serviço da Escola. A ligação BE / Escola / Sucesso Educativo
é essencial e fundamental nos dias de hoje. Há países já com uma experiência
muito vasta nesta área. Em Portugal, esta cultura está a ser, a pouco e pouco,
implementada, sendo esta, o principal desafio das BEs nos dias de hoje.

A REALIDADE DE REVELHE

A Biblioteca Escolar da EBI/JI Padre Joaquim Flores encontra-se


integrada na Rede de Bibliotecas Escolares desde Novembro de 2008 (data da
inauguração). No ano lectivo anterior, o trabalho foi assegurado por uma
equipa permanente de 4 docentes e uma funcionária. A coordenadora desta
equipa tinha 11 horas dedicadas à BE, pelo que consideramos que esse ano
lectivo foi dedicado à “instalação” da BE. Assim sendo, o modelo de auto-
avaliação não foi implementado, apesar de ter sido elaborado um relatório no
final do ano, onde se fazia uma auto-avaliação “ligeira” do funcionamento da
BE nesse ano escolar, havendo, nesse sentido, alguns elementos de
referência.
Embora não ligada à RBE, a Biblioteca da escola já existe há largos
anos nesta escola. O seu funcionamento, contudo, não era o mais correcto
nem o mais adequado às necessidades da escola.
Verificava-se na altura que quase 60% do fundo documental existente
consistia em manuais escolares. O restante estava também desadequado ao
nível alunos da escola, pelo que pouco ficou do fundo anterior.
Ao nível do seu funcionamento, este consistia em utilizar o espaço para
aulas de substituição, que dada a falta de condições começou a ser encarado
pelos alunos como espaço de “castigo”. Além do mais, sempre que um
professor expulsava um aluno da aula, este teria obrigatoriamente que se dirigir
à BE para realizar uma tarefa, vincando muito mais a ideia de “castigo”.
Como na altura existiam no espaço da BE 12 computadores, o espaço
era, por vezes, reservado para aulas no sentido dos alunos poderem fazer
pesquisas.
É esta realidade que tentamos diariamente mudar, transformar, para
que o conceito da BE nesta escola mude. Já muitos passos foram dados no
ano lectivo anterior, mas muitos ainda estão por dar. É neste sentido que
estamos a trabalhar, para que a nossa BE seja um espaço preponderante e
activo no processo ensino-aprendizagem, e que seja considerado como factor
de sucesso.

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REVELHE E O PROCESSO DE AUTO-AVALIAÇÃO DA BE


CAPACIDADE DE RESPOSTA

Sabendo que o modelo de auto-avaliação vai ser implementado pela


primeira vez neste ano lectivo, é difícil saber qual a capacidade de resposta da
comunidade educativa. Mas, logicamente, há alguns aspectos que nos levam a
pensar que a comunidade educativa se mostrará receptiva a este processo,
tais como
 A BE tem sofrido alterações positivas desde a entrada na RBE;
 A equipa tem-se mostrado bastante dinâmica e empenhada no
trabalho e tem tido uma postura de mudança e de reflexão;
 Os níveis de frequência da BE têm vindo a subir, assim como a
reserva da BE como espaço alternativo à aula;
 A BE tem tido um importante apoio do órgão de gestão em todas
as actividades e iniciativas que contribuam, para valorizar o
papel da BE na escola/agrupamento e perante a comunidade
educativa;
 A equipa tem desenvolvido um conjunto de actividades em
articulação com os departamentos, o 1º ciclo e o pré-escolar;
 Está presente no nosso projecto educativo que a BE como espaço
de aprendizagem tem que ser valorizado.

CONSTRANGIMENTOS

Do mesmo modo que nos foi difícil apontar aspectos positivos na


implementação do processo, apontar constrangimentos vai ser como que um
“exercício de futurologia”. Assim, apontamos:
 Inexistência de uma cultura de auto-avaliação;
 Falta de formação dos elementos da equipa na área de avaliação;
 A tensão provocada por uma avaliação externa (primeira vez que
vai ser feita neste agrupamento)
 O catálogo ainda não se encontra informatizado, visto ainda não
termos o software;
 Resistência à mudança por parte de alguns elementos da
comunidade educativa;
 Ausência de práticas estruturadas de auto-avaliação baseadas
em evidências;
 Carga burocrática excessiva atribuída aos professores;
 Ser a primeira vez que este processo vai ser implementado na BE
do agrupamento.

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Apesar de acharmos que nos vamos depreender com estes


constrangimentos, toda a equipa da BE tem um bom entendimento e vontade
de implementar este processo, pois entendemos de auto-avaliar é reflectir, é
mudar, é criar, é melhorar.

PLANO DE ACÇÃO

Já é sabido que o processo de auto-avaliação das Bibliotecas


Escolares “deve enquadrar-se no contexto da escola e ter em conta as
diferentes estruturas com as quais é necessário interagir1”. Assim, o plano
delineado envolve os seguintes intervenientes/estruturas:
- Equipa da BE:
- Os Professores Bibliotecários funcionarão como
elementos de ligação com o intuito de sensibilizar os
restantes elementos da equipa para o processo de auto-
avaliação;
- Implementação do processo.
- Direcção:
- Diálogo permanente entre o coordenador da BE e a
Directora para a tornar parte de todo o processo;
- Monitorização do processo.
- Conselho Pedagógico:
- Apresentação do modelo de auto-avaliação da BE;
- Tomada de decisões respeitantes à BE e ao processo.
- Divulgação periódica do trabalho desenvolvido pela
equipa da BE: selecção do domínio a avaliar; evidências
recolhidas e resultados; auto-avaliação final.
- Departamentos Curriculares, Conselho de Docentes do 1º ciclo e
Pré-Escolar:
- Organização de sessões de workshop para promover a
colaboração de todo o corpo docente;
- Desenvolvimento de actividades em articulação com
todos estes intervenientes, a fim de estimular o trabalho
colaborativo.
Equipa de Avaliação Interna:
- Trabalho colaborativo no sentido de incluir a avaliação da
BE na avaliação interna da escola.
Alunos:
- Continuação do incentivo frequência autónoma da BE;

1
Cf. Texto da Sessão, p. 4.

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- Recolha de evidências: opiniões pessoais; painéis com


alunos; caixa de sugestões; avaliação individual no final
das actividades.
- Organização de algumas actividades em parceria com a
Associação de Estudantes e alunos em geral.
O sucesso destas medidas está, em grande parte, dependente do
Professor Bibliotecário, pois tem que ter capacidade de acção, de liderança e,
acima de tudo tem que comunicar e parcerizar com todos os intervenientes
neste processo. Esta liderança tem que ter um carácter interventivo e
transformativo e tem que estar associada ao exercício de uma visão estratégica
que vai ser determinante no desenvolvimento e no sucesso do processo de
auto-avaliação.

CONCLUSÃO

O processo de auto-avaliação das Bibliotecas Escolares não é simples,


muito pelo contrário. Se assim fosse, não seriam necessários tantos
intervenientes. Auto-avalia-se para tomar conhecimento, toma-se
conhecimento para se poder reflectir, reflecte-se para amadurecer, amadurece-
se para mudar, muda-se para melhorar…
Este processo não pode ser visto como solitário, mas sim como
processo colaborativo e interventivo e com a sua implementação torna-se
possível identificar as lacunas existentes e extrair responsabilidades colectivas
face aos resultados obtidos.

Agrupamento de Escolas Padre Joaquim Flores


16/11/2009

Hugo Fernandes