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Mário PC

  • Biografia

Músico e escritor, Mário PC nasceu em Belo Horizonte (MG). Lá, iniciou seus estudos de música na Fundação Clóvis Salgado. Autor do livro “O Saxofone Pop dos Anos 80”, Mário PC graduou-se em Licenciatura em Música pela UNIRIO, no Rio de Janeiro (RJ), onde reside desde 1985. Como músico, já dividiu palcos e estúdios com grandes artistas, entre eles Lulu Santos, Marina Lima, Ed Motta, Paralamas do Sucesso e Midnight Blues Band.

“O Saxofone Pop dos Anos 80”

(Editora Multifoco/Sonoro) Lançado em 30 de agosto de 2012.

Mário PC  Biografia Músico e escritor, Mário PC nasceu em Belo Horizonte (MG). Lá, iniciou
  • Sinopse:

“Sou saxofonista, e minha experiência profissional de mais de 30 anos me trouxe a esta pesquisa no intuito de estudar o uso do saxofone – sua ascensão e declínio – no estilo pop-rock na década de 1980. As implicações deste fenômeno, relevantes à pedagogia no ensino da música, são também tratadas nesta pesquisa, visando à cognição das

novas exigências do mercado de trabalho e suas variáveis no a prendizado da música. O presente estudo de aspectos relativos às oportunidades de emprego para quaisquer instrumentistas no mercado de trabalho da música popular brasileira mostra-se relevante na medida em que instiga uma reflexão mais aprofundada acerca da formação do instrumentista e de sua eficiência diante das possibilidades de atuação profissional no Brasil contemporâneo. Falar de saxofone não é mais apenas se ater ao fenômeno do jazz dos Anos 1940 – A Era do Bebop – quando o saxofone se revelou como solista proeminente, tampouco do rock dos Anos 1960 – A Era do Rock’n roll – , quando o saxofone começou a dividir o espaço de solista na cena musical com a guitarra elétrica. A década de 1980, por meio da cena musical do pop-rock, inseriu o saxofone em o utro contexto. A década de 1990 retirou o instrumento da cena artística, dado o desgaste promovido pela divulgação excessiva da utilização deste instrumento musical com a finalidade de promoções comerciais, e por seu uso excessivo em uma linguagem musical considerada equivocada por alguns. Não foi pouco o uso que se fez da imagem e do som deste instrumento como mecanismo para promover vendas. O saxofone esteve presente em filmes, vendendo hábitos; em comerciais, vendendo os mais diversos produtos; num ema ranhado de questões e definições subjetivas ao instrumento e à própria música. Também não foi pouca a exploração promocional que se fez, aliada ao erotismo em prol do saxofone, no intuito de perpetuar a sua projeção na mídia na qualidade de instrumento supostamente dotado de requinte, sensualidade, e sublimação. Tendo a música estadunidense pop- rock como veículo, o saxofone se propagou na década de 1980 pelo Brasil e pelo mundo como uma mania. O “rock nacional”, movimento musical que ocorreu no país na década de 1980, deu ao saxofone o suporte restante necessário para a sua sustentação junto à cena musical nacional. Embora solos de saxofone fossem marca registrada de muitos cantores, compositores, e grupos musicais em seus registros fonográficos, da mesma fo rma que surgiram, se foram, gerando desemprego para saxofonistas. Na apuração de fatos e especulações, enfatizam-se pontos prováveis que teriam levado o saxofone à ascensão e ao declínio, calcados não só na música, mas na psicologia do comportamento e das motivações humanas.”

  • Texto das orelhas:

Mário PC

Assistindo ao DVD “My Name is Maceo”, tento medir há quanto tempo o sax é uma voz central na música pop. O primeiro “hit” da minha história pessoal, o R&B “Let's twist again”, de Chubby Checker, tinha intro ou solo de sax. Os petardos dançantes de Wilson Pickett, Otis Redding e Archie Bell, que incendiavam as pistas das domingueiras dos '60, inevitavelmente traziam arranjos de metais. Nos '70, a gravação de “Brown Sugar”, dos Stones, tinha um solo de sax por Bobby Keys. Ainda nos '70, o período de dominação da Disco music – originalmente, uma vertente legítima de R&B – continha seu coeficiente regular de sax, incluindo os sucessos de King Curtis. Isto tudo sem sequer mencionar James Brown e os JB's. Ainda assim, é fútil e desnecessário tentar refutar a tese de PC de que os anos oitenta deram forma e foco ao instrumento, sua sonoridade e influência na música pop. Por isto, nem tento. Em minha própria história musical, o sax foi inevitável. Não chega a aparec er no primeiro disco, “Tempos Modernos”, mas assim que, com a carreira fortalecida por alguma medida de reconhecimento e sucesso, pude fazer minhas próprias escolhas e opções, o solo de sax surge em “Advinha o que”. Passa a ser quase impossível configurar alguma representação do meu “som” que não inclua alguma forma de sopro. Não coincidentemente, em gravações e na formação atual do nosso espetáculo itinerante, o importante posto vem sendo devidamente ocupado pelo autor do livro que você tem em mãos. São palavras de um especialista.

  • Prefácio

Lulu Santos

– Professor, você poderia me orientar no TCC1? – E sobre o que você quer escrever? – Sobre o saxofone, meu instrumento. – OK, mas qual a tua questão, o teu ponto de vista? – Com franqueza, quero mesmo é entender porque nosso mercado de trabalho varia tanto. Há épocas em que se trabalha muito, mas em outras, como agora, ficamos muitas semanas, e até meses, sem oportunidade de tocar.

A curiosidade demonstrada na conversa acima é a tônica deste livro. Desconfortável com a situação de sua atividade pro fissional, um instrumentista brasileiro procura compreender seu trabalho por uma ótica diferente daquela de caráter técnico ou estético, comumente encontrada na literatura sobre a música instrumental. Indaga-se sobre as possibilidades de trabalho do músico, sempre atento aos fatores extramusicais que determi nam seus lugares de atuação no contexto social contemporâneo. A decisão de ser músico é difícil. Envolve não somente O talento, mas também coragem e ousadia – que músico não ouviu expressões de “preocupação” entre familiares e amigos quando souberam dessa escolha profissional? Contudo, uma vez começando a atuar no mercado de trabalho, o músico se percebe num ambiente fechado e conservador (e já superlota do), raramente questionado. É este exatamente o assunto aqui tratado: como é o mercado de trabalho para o saxofonista? Foi sempre assim? Quais os fatores determinantes dessa conjuntura? O texto também traz à baila a velocidade com que podem mudar os modelos da atividade musical. O uso do saxofone em diversas formações e estilos musicais, desde sua inven ção, no Séc. XIX, é um bom exemplo desse processo. Mesmo sem cadeira cativa na orquestra sinfônica, onde é utilizado esporadicamente, o saxofone transita com propriedade por bandas de música, orquestras de jazz, combos instrumen tais, naipes de metais, e grupos de MPB. Por esse prisma, a questão geradora deste texto pode ser percebida como mais um capítulo da longa história de reinvenções do saxofone. A demanda pelo instrumentista vive um longo processo de constante mudança. Urge que este músico seja sensível às novas possibilidades que se descortinam. As fontes utilizadas nesse trabalho também são dignas de nota. Olhares alternativos sobre o objeto music al exigem um horizonte mais alargado de referências: artigos jornalísticos, autores nas áreas de sociologia, psicologia e estudos culturais, e sítios da internet (cada vez mais presentes na pesquisa de assuntos contemporâneos), além de entrevistas com artistas que participaram ativamente dos processos aqui observados, e que são interlocutores frequentes do autor pelos caminhos da vida musical brasileira. O diálogo com essa gama de auto res faz deste um texto de leitura agradabilíssima. Ao pesquisar muito a lém das possibilidades de notas, de dilhados, embocaduras e sonoridades, Mario PC convida o leitor a pensar no trabalho do músico no contexto da socie dade que o sustenta. A busca, aqui, é entender “por que fa zer?”, em vez de “como fazer?”, uma reflexão

imprescindível aos músicos na atualidade. Como lembra Saul Kaplan, “te - mos que nos reinventar diversas vezes no decorrer de nossas vidas e carreiras”. Tal reinvenção só é possível com inconfor mismo e curiosidade, qualidades que perpassam este o livro da primeira à última página.

Professor Doutor Eduardo Lakschevitz

Chefe do Departamento de Composição e Regência da UNIRIO.