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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Escrito no Templo da Ordem
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Escrito no Templo da Ordem em
Anno IV: XV
Sol in Pisces, Luna in Aries
Dies Martis
20/03/2007 e.v.
Introdução
A Magia Bon-Po é um Sistema de Magia originário do Tibet. É uma
Tradição religiosa e filosófica, ou seja, muito mais do que uma simples
seita. Pouquíssimas Ordens e místicos beberam nas fontes de
Conhecimento Tradição Bon-Po. Mas o objetivo desse estudo é
demonstrar que a Doutrina Bön não é mais sinistra, nem mais perigosa do
que qualquer outro sistema mágicko ou filosófico existente no planeta.
Como qualquer sistema, ela tem dois lados numa mesma moeda.
Durante a era Nazista na Alemanha, acredita-se terem sido vistos
membros da seita Bon-Po freqüentando a cúpula do poder. Outro nome
pelo qual a seita Bon-Pa ou Bon-Po é conhecida como "A Fraternidade
Negra ou Secreta” numa tentativa de fazer uma associação a Ordem
Illuminati entre outras.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Sabemos que muitos chefes de
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Sabemos que muitos chefes de Estado, artistas famosos e pessoas
de destaque na sociedade de um modo em geral, são vinculados à
Sociedades Verdadeiramente Secretas tais como: a Skull and Bones
(Caveira e Ossos); a FOGC - Freemasonic Order of Golden Centurion (
Ordem Maçônica da Centúria Dourada); Ordo Illuminatti (antiga Ordem
dos Iluminados da Baviera), Nova Ordem do Século ou ainda Nova Era - e
que toda essas Ordens, seus membros são obrigados a juramentos,
através de "pactos" feitos com as Forças Telúricas. Vale notar que, na
Alemanha Nazista, as Ordens Herméticas foram perseguidas e proscritas,
ficando somente aquelas consideradas “secretas” tais como a Ordem de
Vril ou ainda a Ordem de Thule, ou mesmo as famigeradas FOGC, que
falaremos mais adiante. Na China, após a tomada do poder por Mao Tse
Tung, todas as seitas foram perseguidas e proscritas - exceto a Tradição
Bon-Po. Mas é fato, como dissemos, que inúmeros místicos e ocultistas
modernos e contemporâneos estudaram sua filosofia e sistema, dentre
eles, Mme. Blavatsky, Eckart, Crowley, Franz Bardon, Alan Bennet (mestre
de Crowley que depois se converteu ao budismo), onde muita coisa lhes
foi revelada sobre suas práticas.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po A Tradição Bon-Po A tradição
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A Tradição Bon-Po
A tradição espiritual mais antiga do Tibet é a Bön. De acordo com
as explicações Bon-Po, dezoito mestres iluminados aparecerão neste
aeon e Tönpa Shenrab, o fundador da religião Bön, é o mestre iluminado
desta era. Ele disse que nasceu na terra mística de Olmo Lung Ring, cuja
localidade permanece ainda um mistério. A terra é tradicionalmente
descrita como dominada pelo Monte Yung-drung Gu-tzeg (Edifício das
Nove Suásticas), que muitos identificam como o Monte Kailash a oeste do
Tibet. Devido à sacralidade de Olmo Lung Ring e da montanha, tanto a
suástica de sentido anti-horário quanto o número nove são de grande
significado na religião Bön.
Acredita-se que Tönpa Shenrab primeiro estudou a doutrina Bön no
céu, no final do qual ele rogou aos pés do deus da compaixão, Shenla
Okar, para guiar o povo deste mundo. Conseqüentemente, com a idade de
trinta e um anos ele renunciou ao mundo e tomou uma vida de
austeridades, disseminando a doutrina para ajudar os seres imersos em
um oceano de miséria e sofrimento. Neste esforço de espalhar a doutrina,
ele chegou ao Tibet, na região do Monte Kailash, que é conhecido como a
terra de Zhang Zhung, historicamente o assento principal de cultura e
doutrina Bön. Registros sobre a vida de Tönpa Shenrab podem ser
encontrados nas três principais fontes: mDo-'dus, gZer-migand gZi-brjid.
As duas primeiras são tidas como textos Tesouros (gTer-ma)
descobertos, de acordo com a história Bön, no século X ou XI. O terceiro
pertence à linhagem do sussurro (sNyan-brgyud) transmitida entre os
adeptos de boca ao ouvido.
As
doutrinas
ensinadas
por
Tonpa
Shenrab
são
geralmente
classificadas em dois tipos:
Primeiro, os Quatros Portais e um Cofre (sGo-bzhi mDzod-lizga),
onde as quatro primeiras são:
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po A doutrina Água Branca(Chabdkar) que
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A doutrina Água Branca(Chabdkar) que lida com assuntos
esotéricos;
-
A doutrina Água Negra (Chab-nag) que lida com narrativas,
magia, ritos funerais e ritos de resgate;
-
A doutrina da Terra de Phan ('Phanyul) que contém as regras
monásticas e exposições filosóficas;
-
-
A
doutrina
do
Mentor
Divino
(dPon-gasa)
contendo
exclusivamente os ensinamentos da grande perfeição; e finalmente,
O Cofre (mTho-thog) que engloba os aspectos essenciais de
todos os quatro portais.
-
A
segunda classificação, os Nove Caminhos do Bön (Bön theg-pa
rim-dgu) são:
O Caminho da Predição (Phyva-gshen Theg-pa), que descreve
sortilégio, astrologia, ritual e prognóstico;
-
O Caminho do Mundo Visual (sNang-shen theg-pa), que explica o
universo psicofísico;
-
O Caminho da Ilusão ('Phrul-gshen theg-pa), que dá detalhes de
ritos para se dispersar forças adversas;
-
O Caminho da Existência (Srid-gshen theg-pa), que explica os
rituais de funeral e morte;
-
-
O Caminho de um Seguidor de um Programa (dGe-bsnyen theg-
pa), que contém os dez princípios para uma atividade beneficiente;
- O Caminho de um Monge (Drnag-srnng theg-pa), no qual as regras
e regulamentações monásticas são colocadas;
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po - O Caminho do Som
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-
O Caminho do Som Primordial (Adkar theg-pa), que explica a
integração de um praticante exaltado numa mandala de iluminação
superior;
-
O Caminho do Shen Primordial (Ye-gshen theg-pa), que explica as
guias mestras para a procura de um verdadeiro mestre tântrico, e,
finalmente,
O Caminho de Suprema Doutrina (Bla-med theg-pa), que discute
somente a doutrina da grande perfeição.
-
Os Nove Caminhos foram depois sintetizados em três; os primeiros
quatro constituíram os Caminhos Causais (rGyui-theg-pa), os quatro
subseqüentes formaram os Caminhos Resultantes ('Brns-bu'i-theg-pa) e o
nono se tornou, o Caminho Insuperável ou o Caminho da Grande
Completude (Khyad-par chen-po'i-theg-pa or rDzogs-chen).
Tudo isto é encontrado no cânone Bön compilados em mais de 200
volumes classificados em quatro sessões: os sutras (mDa), a perfeição
dos ensinamentos de sabedoria ('Bum), os tantras (rGyud) e o
conhecimento (mDzod). Além deles, o cânone lida com outros assuntos
tais como os rituais, artes e trabalhos manuais, lógica, medicina, poesia e
narrativas. É interessante notar que na sessão do Conhecimento (mDzod)
concernente à cosmologia e cosmogonia é bem particular do Bön, apesar
de haver especulações acadêmicas de que exista uma forte afinidade com
certas doutrinas Nyingma.
A
história nos mostra que com o aumento do patrocínio real ao
Budismo, a doutrina Bön foi desencorajada, e foi também perseguida e
banida de muitos locais. Praticamente nada se sabe a respeito do Bön no
período que vai do século VIII ao século XI. Entretanto, com a implacável
devoção e esforço de verdadeiros seguidores como Drenpa Namkha
(século IX), Shenchen Kunga (século X) e muitos outros, a doutrina Bön, a
religião indígena de Tibet, foi resgatada do obscurantismo e re-
estabelecida ao lado do Budismo no Tibet.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Desde o século XI, com
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Desde o século XI, com o estabelecimento de mosteiros como Yeru
Ensakha, Kyikhar Rishing, Zangri e os últimos Menri eYungdrung Ling no
Tibet Central; e Nangleg Gon, Khyunglung Ngulkar e outros, mais de
trezentos mosteiros Bön foram estabelecidos no Tibet antes da ocupação
Chinesa. Destes, os mosteiros de Menri eYungdrung foram as principais
universidades para o estudo e prática da doutrina Bön.
Uma nova avaliação do Bön ocorreu no século XIX sob a
assistência de Sharza Tashi Gyeltsen, cuja obra escrita compreendia em
dezoito volumes que deram à tradição Bön um novo impulso. Seu
seguidor Kagya Khyungtrul Jigmey Namkha treinou muitos discípulos
não só na religião Bön, mas em todas as ciências Tibetanas. Entretanto,
com a invasão Chinesa no Tibet, como as outras tradições espirituais, o
Bönismo também sofreu irreparáveis perdas.
Pelos esforços do Abade Lungtok Tenpai Gyeltsen Rinpoche, do
Venerável Sangyey Tenzin e outros poucos monges mais velhos, uma
pequena parte da comunidade Bön se restabeleceu com sucesso no
mosteiro de Tashi Menri Ling em Dolanji nas colinas perto de Solan em
Himachal Pradesh, Índia, com o aval de Sua Santidade o Dalai Lama e do
Conselho para Assuntos Religiosos e Culturais. Por algum tempo este
mosteiro foi o único centro importante onde os monges mais jovens
podiam receber um treinamento completo dentro da filosofia Bön, mais
disciplinas monásticas, e rituais e danças religiosas. Completados ainda
com estudo de gramática, medicina, astrologia e poesia, os monges são
ainda orientados com uma educação moderna.
Ao se concluir com sucesso o curso completo de estudos, que é
acessado tanto por meios de exames escritos quanto dialéticos, um
monge conquista o Grau Geshey (Doutorado em Bönismo). Este passa
então a servir sua comunidade através de ensinamentos, de escritos e
assim por diante.
Além do Mingye Yungdrungling existe também o Tashi Thaten Ling
e outros quatorze mosteiros Bön na Índia e Nepal. Esforços têm sido feito
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po para se estabelecer um Instituto
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para se estabelecer um Instituto Internacional do Bön no Nepal para
fortalecer as atividades religiosas Bön e para apresentar sua doutrina
para o resto do mundo.
Atualmente o Bonismo, apesar de ter perdido sua posição
proeminente, possui muitos seguidores em muitas tribos Tibetanas e em
algumas áreas isoladas. Os rituais e as crenças do Bonismo formam uma
parte integral da cultura Tibetana. A tradição Bön tem recebido apoio de
Sua Santidade o Dalai Lama, que recentemente fez uma visita de dois dias
à Dolanji, onde ficou impressionado pelo grau de conquistas
educacionais. Além disto, ele fez uma declaração em 1988 na Conferência
Tulku em Sarnath onde enfatizava a importância de se preservar a
tradição Bön, como representante das fontes indígenas da cultura
Tibetana, e reconhecendo o papel importante que teve na construção da
identidade XEGAR.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po O mais antigo Mosteiro Sakya
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O mais antigo Mosteiro Sakya é principal dos mosteiros Bon-Po e o
mais importante do Tibet. O enorme mosteiro representa o antigo poder
da Seita Sakyapa fundada no século XI. Ele contém a mais valiosa
coleção de itens religiosos que ainda permanecem no Tibet.
Deus Darmapala
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Ordem Maçônica da Centúria Dourada
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Ordem Maçônica da Centúria
Dourada
Uma Ordem ou Loja de caráter puramente mágicka e mística foi
fundada em 1840 em Munich por alguns ricos industriais alemães e
cidadãos bem situados financeiramente. Segundo informações esta Loja
teria existido somente até 1933, mas outras fontes nos afirmam que ela
ainda exista em caráter secreto. Assim consideramos ainda a sua
existência e as informações que passaremos aqui, será até onde
pudemos chegar através de nossos contatos. Mas, para estabelecermos
um padrão lingüístico, consideremos as informações que este grupo
ainda exista. Esta Loja Secreta era formada somente por 99 pessoas que
poderia ser de ambos os sexos. Ao todo na Ordem somam 99 Lojas
espalhadas pelo mundo.
Esta Sociedade Secreta não tem realmente ligação com a
Maçonaria regular. Não existem graus, sendo que o membro possui
somente níveis reais de realização. O avanço do aprendiz ao peregrino e
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po do peregrino ao mestre é
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do peregrino ao mestre é somente de caráter simbólico. Todos os
segredos são passados durante a Iniciação. As outras “classificações”
não representam nenhum nível. Uma pedra negra é fornecida com um
número e um nome mágicko de identificação. A intenção da Ordem é
trabalhar com o domínio sobre forças elementais e demoníacas (vide:
Magia de Abramelin), onde os membros são orientados a efetivar uma
aliança com forças espirituais reinantes, para obter a influência, o poder e
fortuna pessoal. Um demônio de elevada grandeza (geralmente Bael,
Astaroth, Belial ou Asmodeus) era convidado a ocupar o centésimo lugar
na Loja e sua obrigação para com a Ordem era a proteção mágicka de
seus membros, a formação de um Egrégora para a proteção de seus
membros, além da concessão de favores materiais ou espirituais e de um
servo espiritual, um demônio de menor grandeza designado para cada
servir a cada membro.
Conta à lenda, que a cada cinco anos (caso nenhum membro da
Loja houvesse morrido) era feita uma votação para eleger o “candidato da
morte” que ocorria na noite (23 junho) antes do dia de São João. Este
candidato da morte serviria como o “sacrifício” para os serviços dos
poderes transcendentais em que a Loja acreditou. O candidato era
sorteado ao retirar uma esfera negra, numa caixa com 98 esferas brancas
e 1 negra. Aquele que extraísse a pedra ou esfera negra, de acordo com a
Constituição da Ordem, passaria ser de propriedade do suposto Demônio
da Loja, isto é, teria que consumir um veneno mortal durante a reunião de
Loja. Suas posses passariam a ser propriedade da Loja que se
encarregaria de cuidar e zelar pela família do falecido membro. Outros
estudos sugerem que a Ordem executaria magickamente um desafeto do
membro que fosse sorteado com a esfera negra. Todas essas
informações em verdade são duvidosas, e desprovidas de um senso de
maior lógica. Para efeitos, a Ordem cuida zela, de fato, da família de
qualquer membro que venha a faltar.
O Superior e fundador desta organização, cujo nome sempre foi
mantido em sigilo, só sendo conhecido pelos membros mais elevados e
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po antigos, balizou uma grande parte
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antigos, balizou uma grande parte dos estudos mágickos da Ordem junto
aos Monges Bon-Po, aos Sufis, aos Hindus e a Qabalah Hebraica. Sua
autoridade superava uma votação contrária de até três vezes se o “fato”
fosse contrário a sua vontade. Um percentual da fortuna e do capital do
membro vinha para a Tesouraria da Loja. Quando um dos noventa e nove
membros morria, deveria ser imediatamente substituído por um neófito
que passava por três classificações: aspirante, neófito e aprendiz-de-
mago, até que pudesse assumir de fato, a cadeira na Loja. Para conseguir
ocupar a cadeira, entretanto, o neófito deveria assimilar determinados
ensinamentos mágickos e domina-los na teoria e na prática. Cada novo
membro era obrigado a assumir juramentos assinados com sangue
ritualisticamente. Seu juramento de fiel compromisso com a Ordem e com
seus Irmãos era sagrado e caso ousasse a ir contra os preceitos da
Ordem ou ainda traísse qualquer irmão, este seria julgado e
eventualmente expulso ou até executado magickamente. Os rituais, os
mais importantes eram feitos através de trabalhos de magia cerimonial.
Instrumentos radiônicos e eletromagnéticos eram desenvolvidos e
usados para combates telepáticos. Um desses instrumentos era
conhecido como “Tepaphone”, capaz de destruir uma pessoa à distância
causando a extração do Prana, que levaria a pessoa a morrer como se o
seu corpo ficasse desidratado, ou ainda o “Luxferion” capaz de elevar a
temperatura corporal da vítima à distancia, causando morte por
combustão espontânea.
Conclusão: As Lojas da FOGC ainda existem nos dias de hoje. Mas
por uma razão especial eu assumi o compromisso de não revelar além
dos fatos enumerados abaixo. Isto se dá simplesmente porque qualquer
sociedade verdadeiramente secreta tem suas razões, de não quererem ser
notados, por motivos que são mais do que óbvios. Apesar de tudo,
podemos dizer que os 99 membros de qualquer Loja dessa Organização
deveriam ser políticos, e gente de finanças elevadas. Muitos de nós às
vezes supomos de como podem surgir do nada, políticos e “dinheiro
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po farto”. Nem sempre esse dinheiro
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farto”. Nem sempre esse dinheiro vem de meros apoios de empresários,
ou de vias tortas. Muitas vezes este recurso é advindo de alguma
Organização Mágicka. Uma sociedade como essa, não cabe na mente de
uma sociedade moderna e informatizada, formada por gente de cérebro
mecanizado, ou pela mídia ou pela grande massa de informações. “Tais
pessoas jamais pertenceriam a uma Loja ou Organização séria”. Por quê?
Porque a grande gama de Ordens e Organizações modernas se afastou
daquilo que consideramos como termos, propósitos e finalidades
mágickas e são incapazes de acenderem os reatores místicos.
Assim a força que motiva a existência de uma sociedade
verdadeiramente secreta, é atingir a maestria da vida se tornando um
paradoxo vivo. Eu não penso que pertencer a uma dessas organizações
seja um esnobismo. Os esnobes não entram em um território tão perigoso
conscientemente. O que quer seja a motivação para existência de uma
Sociedade como esta - não é mais tão importante na presente era
moderna cuja injustiça social seja uma realidade, além da criminalidade,
guerras e destruição em massa são manchetes corriqueiras. Tais
atrocidades da vida moderna sequer se nivelam a simples fórmulas de
Magia Branca ou Negra. Entretanto, as Sociedades Secretas nos dias de
hoje tem sua função, seus objetivos, alguns compreensíveis outros não,
aos olhos do vulgo.
O
que é permitido dizer sobre esta Ordem eu farei agora. As raízes
das “FOGC” não vão para muito longe no passado em termos de tradição
ritualística ou histórica. Na O.T.O. (Ordo Templi Orientis), na Golden
Dawn, na AMORC, e tantas outras ordens modernas, vemos alguns leves
traços característicos das FOGC ou outras sociedades antigas, mas que
diferem, entretanto, pois além de não poderem se considerar como
Ordens Secretas, nada exigem como pré-requisito para selecionar
membros e ministrar seus ensinamentos. A quantidade tomou conta da
qualidade.
O
número da Sociedade FOGC era 3 x 33, conseqüentemente 99,
isto é, eram 99 classes, e cada classe era assumida por um único
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po membro. O 100º lugar pertencia
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membro. O 100º lugar pertencia assim ao que é chamado de Egrégora de
Proteção da Loja, ou o demônio de elevada estirpe, com que cada
membro deve estar mentalmente ligado. O neófito assina o juramento sob
sua vontade, e doará parte de suas conquistas à Loja.
Não havia nenhuma classificação especial ou títulos, cada membro
tinha um número. O Mestre de Loja tinha o número um.
Do número 1 aos 33 representa os graus de aprendiz, dos 34 aos 66
os graus de peregrino ou companheiro-ofício e dos 67 aos 99 os graus
elevados e mestres.
O ornamento para os graus do aprendiz era: Uma túnica negra com
capuz e uma cinta azul, e uma corrente de ouro com um pentagrama
duplo, verso e inverso sobrepostos.
Do grau 34 aos 66 uma túnica negra com uma cinta vermelha, o
pentagrama acima descrito e um anel de ouro com inscrições cabalísticas
tendo nele incrustado uma turmalina negra.
As classes de 67 à 99, túnicas pretas e douradas, cinta vermelha,
com punhal ou espada na cinta, um anel dourado com um pentagrama,
sinais cabalísticos e um rubi incrustado. O Mestre tem uma túnica
dourada, com manto negro e sinais tais como um pentagrama e um
hexagrama sobreposto, mas os demais ornamentos. No aperto de mão se
toca o pulso, com o dedo indicador.
Todos os rituais têm como seu objetivo alcançar níveis elevados de
consciência espirituais, principalmente na iniciação, mas era sempre a
intenção dos membros obterem através destes ritos, obterem
magickamente a influência, o poder e o máximo de riqueza acumulada
possível. A observância fiel às regras era absolutamente exigida. A
estrutura hierárquica requeria o reconhecimento da palavra do mestre.
Exigia-se também que o neófito fosse preferencialmente influente na vida
pública, que fosse independente economicamente e que tivesse pelo
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po menos alguns amigos próximos influentes.
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menos alguns amigos próximos influentes. Como se pode ver que não era
fácil a entrada neste círculo.
Ao neófito era fornecido, após sua admissão real, um demônio
chamado de familiar. Como o objetivo era o enriquecimento e uma ajuda
real era destinada ao neófito, em termos de favorecimentos em negócios
e abertura de caminhos.
A primeira coisa que o neófito devia aprender era os rituais de
adoração ritualística aos deuses e suas prática evocatórias.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po A Difusão Mágicka Bon-Po E
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A Difusão Mágicka Bon-Po
E
apenas recentemente, nos tempos vitorianos, que a ciência
arqueológica estabeleceu o notável fato de que as origens mágickas da
Alta Ásia influenciaram comunidades do outro lado do globo. Existe
também uma fascinante história da migração ao Ocidente dos pré-
históricos acádios, povo turaniano que trouxe os meios asiáticos ao
Mediterrâneo, encontrando as civilizações assíria e babilônia. Muitos dos
assustadores ritos taumatúrgicos dos magos tibetanos durante o
desenvolvimento da era pré-semíta foram preservados nos tabletes Maqlu
("Ardentes") e na vasta biblioteca do rei Assurbanípal.
O
tipo de "curandeirismo" (xamanismo) praticado pelas tribos
tibetanas aliadas, tem suas raízes, na China, Mongólia e no Japão. Esses
rituais incluem fenômenos psíquicos familiares a médiuns ocidentais e
são repetidos novamente sob inspiração tibetano-mongólica entre os
finlandeses e lapões e mesmo pelos índios americanos das Américas do
Norte e do Sul. Naturalmente não existem provas históricas da migração
ao Ocidente desses povos. Penosas deduções foram feitas, dentro dos
limites de uma série de ciências, para estabelecer que haja muitas
probabilidades de que tais migrações realmente tenham acontecido.
No entanto, não eram apenas os povos de origem tibetana que
praticavam as artes mágicas de seus antepassados. Conforme nossos
estudos e deduções os escandinavos pré-históricos, por exemplo,
herdaram desses povos uma considerável tradição. Outro fator
importante na descoberta da comunicação pré-histórica entre povos
estava mais próxima do que em geral se supõe. É comum imaginar-se que
essas sociedades antigas eram mais ou menos independentes e se
desenvolviam isoladas umas das outras: algumas em remotas
montanhas, desertos e planícies, outras em cidades e vilas. Não é
normalmente conhecido o fato de que além do comércio, as relações
tanto intelectuais como sociais entre povos amplamente separados por
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po cultura, língua e distância eram
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cultura, língua e distância eram bastante consideráveis. A diferença entre
esse contato, e o relacionamento entre povos familiares em nossos dias
era simplesmente que os fatores geográficos tornavam a comunicação
mais lenta. As mesmas considerações são talvez responsáveis pela maior
simpatia entre os povos, pois parece que havia menos hostilidade
"inevitável" entre os diferentes grupos.
Durante séculos, talvez milhares de anos, a magia fluiu
vagarosamente, mas com força, através da raça humana. Em sua forma
ritualista, o fluxo era distintamente do Oriente para o Ocidente.
Em data alegadamente situada nos tempos do Velho Testamento,
depois das supostas migrações tibetanas, conta a lenda celta que as
migrações arianas da Ásia Central passaram pelo atual Oriente Médio e
Egito, absorvendo certamente a mitologia e a mágicka em seu curso.
Os antigos gregos e romanos desempenharam também seu papel
na adoção da tradição mágicka semita e egípcia, transmitindo-a a Europa.
A magia latina e grega, mais recente, era uma mistura de fórmulas e
encantamentos que podem quase sempre ser ligados a essas raízes.
A inter-relação da magia do Egito e a dos países circundantes são
menos claras. Pensa-se, entretanto (conforme se estudará mais adiante
neste material) que a África e mais tarde a Arábia do sul influenciaram os
magistas do vale do Nilo.
Com a ascensão de sistemas de pensamento comparativamente
recentes, tais como o budismo, cristianismo e islamismo, as crenças
mágicko-religiosas dos cultos mais antigos sofreram uma rebaixa agora
familiar: suas divindades tornaram-se espíritos inferiores e mesmo seu
sacerdotado assumiu caráter mais marcadamente mágicko e secreto:
Religião pode suceder a religião, mas a mudança apenas multiplica
os métodos pelos quais o homem procura suplementar sua impotência de
conseguir controle sobre as forças sobrenaturais e proteger sua fraqueza,
levantando o véu do futuro. Os ritos secretos da crença suplantada se
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po tornaram a magia proibida de
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tornaram a magia proibida de sua sucessora. Seus deuses se tornaram
maus espíritos, corno os Devas ou divindades de Beda se tornaram os
Devas ou demônios de Avesta, como o culto ao touro dos antigos
hebreus tornou-se idolatria debaixo dos profetas, como os deuses da
Grécia e de Roma eram diabos malignos para os padres cristãos.
Em alguns casos, processos superados permaneciam apenas como
ritos mágickos, tolerados e mesmo adaptados aos novos cultos. Seria
isso devido ao fato de, conforme alguns acreditam, existirem segredos
conhecidos pelos sistemas mais antigos que realmente comprovavam
algumas provas estranhas da força sobrenatural, que podia ser domada
pela humanidade para seu próprio uso? Ou, como supõe a posição
contrária, 'seria isso porque a magia se tornara tão supersticiosamente
enraizada na mente do homem que a única maneira de controlá-la seria
desviá-la para canais "legalizados"?
As religiões organizadas tendiam a absorver encantos e feitiços,
cuja crença era muito profundamente enraizada. Entre grupos africanos
ou descendentes, verificamos que o cristianismo foi adotado lado a lado
com a magia tradicional: só em raros casos suplantou os demônios e
forças do sobrenatural. Quase sempre, também, milagres atribuídos a
feiticeiras nativas mais antigas simplesmente foram atualizados e
acrescentados às novas crenças. Evidências dessa psicologia são
abundantes e têm sido exaustivamente estudadas em outras partes.
Queiramos ou não a magia e a religião em todo o mundo estão
ligadas como poucos outros fenômenos humanos. Se você acredita, por
exemplo, que curas podem ser efetuadas pelo toque, então você acredita
em magia, em suas definições mais amplas, e em algumas formas de
religião. Por outro lado, há um notável desenvolvimento do pensamento
ocultista, que pode apenas ser discernido atualmente em suas origens.
Essa é a terceira possibilidade. A magia é um campo em que o estudo
intenso e criativo pode demonstrar que muitos dos chamados poderes
sobrenaturais são de fato reflexos de forças até agora pouco
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po compreendidas, que poderão muito possivelmente
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
compreendidas, que poderão muito possivelmente ser controladas para
vantagem individual e coletiva.
Se existiam de fato certas verdades conhecidas daqueles que são
nebulosamente chamadas de "antigos", só existe uma maneira para
redescobri-las: o método científico. E o método científico requer a
seleção de todo fato, toda sugestão, toda pista, ao longo da cadeia de
transmissão. No contexto mágicko isso significa que devemos ter à nossa
disposição o material real do qual brota o ocultismo ocidental. Assim, um
rito que é encontrado, digamos, na versão latina da Chave de Salomão
pode vir a ser meramente a transcrição de algum encanto destinado a
combater, talvez, uma enchente na Assíria. Maiores investigações
poderão demonstrar que o encantamento se baseia em algo inteiramente
irrelevante, tal como invocar o nome de um suposto gênio cujas iniciais,
por alguma feliz coincidência, correspondem à palavra que quer dizer
"seca". E assim se começa de novo a busca. Portanto, seja você um
estudante em geral, antropólogo ou apenas interessado no oculto, aqui
estão alguns dos materiais. Eles em geral não estão disponíveis em
nenhum outro lugar.
Quanto mais fundo se vai ao estudo do sobrenatural e seus
devotos, mais claramente se percebe que diferentes tendências de
pensamento fizeram as mentes humanas trabalharem de maneira
semelhante - entre comunidades tão diversas, que poderiam mesmo
pertencer a mundos diferentes.
Segundo o prisma ocultista essa estranha identidade dos rituais e
crenças mágickas significa que existe apenas uma única ciência arcana,
revelada aos seus adeptos e doada a todos os povos. Os que advogam a
teoria do fluxo cultural dirão que o ocultismo é uma daquelas coisas cuja
difusão acompanhou as naturais relações entre povos.
Qualquer que seja a verdade, o estudo dos milagreiros em muitos
países constitui uma das mais fascinantes ocupações. No Tibet, viveu um
homem santo, que se acreditava ter poderes místicos. Ninguém passava
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po perto de sua cabana temendo
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
perto de sua cabana temendo que ele lançasse pragas sobre os invasores
-
acreditava-se em geral que ele era parente do próprio satã. Algumas
vezes, salteadores de fronteira, cujas depredações os levavam até
próximo de sua casa, chegaram a vê-lo. Para esses, ele se tornou alguém
cujos bons conselhos procuravam, para garantir seu sucesso no roubo.
A força de seu nome se tornou tamanha – que ele era chamado
diversamente de Espírito das Montanhas ou Espírito do Ar -, sendo que,
quando ele morreu, sua cova tornou-se um altar. O ninho do eremita me
foi mostrado quando passei por ali. Em comum com suas contrapartidas
ocidentais, ele colecionara estoques de serpentes secas, e uma pilha de
figuras de cera espetadas de alfinetes enchia um canto da caverna. Ainda
hoje devotos esperançosos oram ou expressam um desejo sobre um
trapo que é então amarrado a uma árvore solitária do lado de fora da casa
do santo. Enterrado de rosto para baixo a fim de que qualquer mal que
houvesse nele passasse diretamente para a terra, seu corpo jaz, segundo
o
costume tibetano, sepultado no lugar onde foi encontrado.
Mais ou menos ao mesmo tempo, na fronteira tibetana, vivia uma
notável bruxa, que poderia ter saído diretamente de Macbeth, florescia
como comerciante de encantos e mágicka em geral. Ela se tomava de
violentas e incontáveis antipatias por pessoas. Dizia se que ela sabia tudo
sobre a vida privada das pessoas - o que pode ou não ter determinado
suas predileções. Seu maior prazer, no entanto, era punir aqueles que
haviam causado infelicidade a outros e por essa razão ela era venerada
por muitos, como santa. Diziam dizia ter ela mais de 150 anos. O método
de convocar a bruxa era o seguinte: pessoas em dificuldades, maridos
dominados, esposas cujos maridos eram cruéis, os doentes e
necessitados iam ao teto de sua própria casa e chamavam o nome dela
três vezes. As corujas locais, funcionando como seus espíritos familiares,
levavam-lhe prontamente a mensagem. Na manhã seguinte o ofensor
seria tomado de fortes dores de cabeça. Ao mesmo tempo, um pouco de
boa sorte viria para aquele que a invocou. Aqui um relato:
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po “Quando cheguei à sua cabana
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
“Quando cheguei à sua cabana de gravetos, armado do bolo de
frutas que parecia ser sua paixão, ela pareceu pouco diferente de
qualquer velha normal daquela parte do mundo. Falou a maior parte do
tempo, e com bastante liberdade, do valioso trabalho que estava sempre
fazendo ao prevenir as jovens contra o mau caráter dos homens. Apesar
de parecer muito velha, seus olhos eram estranhamente claros. Em vez
dos ombros caídos e das faces cavadas da bruxa clássica, ela era
bastante mais alta que a média e movia-se com surpreendente agilidade.
Algo de seu monólogo franco, entretanto, parecia confuso e quando lhe
perguntavam de que maneira se conseguia efeitos sobrenaturais ela me
olhou como uma criança perversa e disse que eu nunca entenderia.
Muitas vezes é negado que o sucesso mágicko pudesse ser atribuído a
auto-sugestão por parte dos clientes, mas admitiu que isso era fenômeno
bastante conhecido. Dizia também ter recebido todos os seus
ensinamentos de sua mãe e ter repudiado livros do oculto e toda religião
formal como engodo fraudulento. Não se podia dizer que sua
personalidade fosse magnética ou atraente ou que tivesse qualquer das
estranhas características sentidas pelos meros mortais na presença do
poder oculto. A única coisa que impressionava as pessoas era o fato dela
ter descrito coisas que iriam acontecer com minúcias e essas coisas
realmente terem acontecido depois.
Mais de uma autoridade aceita que pode muito bem haver uma
continuidade de tradição oculta transmitida entre os povos tibetanos. As
práticas xamanísticas dos chineses, japoneses e outros magos do
Extremo Oriente, têm claros paralelos com os ritos dos esquimós e de
algumas tribos mongólicas de ameríndios: notável exemplo disso pode
ser visto, no estado de transe mediúnico que leva à profecia e à
clarividência, comum a todos. Na Índia, México e Egito antigo todos
tinham seu culto da serpente. A serpente é, de fato, um dos mais
importantes símbolos partilhados pela alta tradição esotérica do Velho, e
do Novo, Mundo - o que tem sido usado como um argumento para
sustentar a teoria da Atlântida.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Quetzalcóatl ou Kukulkan de Yaxchilan
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Quetzalcóatl ou Kukulkan de Yaxchilan
O deus-serpente mexicano Quetzalcóatl exigia não somente o
sacrifício da vida humana, mas também que se bebesse seu sangue.
Quando uma serpente jovem, selvagem, era capturada, não se tornava
divindade até que seis sacrifícios humanos tivessem sido celebrados em
seu nome e presença. O sangue do sacrifício tinha de ser bebido também
pela serpente, "potencializando-o" assim como um poder mágico. Na
Índia, atualmente, o culto à serpente é generalizado - os encantadores de
serpentes representam apenas uma faceta popularizada desse importante
culto. As serpentes trazem boa sorte, guardam as almas e os tesouros
escondidos, formam a via de escape para os desejos secretos. Tanto no
Uruguai - muito ao sul do México - como em Konia que está bem longe da
Índia - encontramos traços distintos de cultos à serpente. Como os
feiticeiros mexicanos, os xamãs-serpente do Tibet têm de se submeter a
um rígido treinamento antes de atingir o estágio em que podem manipular
e privar com cobras. Tanto no México como no Tibet, o mesmo critério é
aceito para testar se uma pessoa está suficientemente desenvolvida para
se tornar mestre do ritual da serpente: os olhos precisam estar muito
abertos, as pupilas contraídas em dois pontos minúsculos. É bastante
possível que esse culto ao réptil tenha viajado com alguma migração
humana da Índia e da África para a América Latina. Pode-se ainda
encontrar índios guaranis (ameríndios brasileiros) que ainda dão muita
importância à escultura de uma cobra pintada de vermelho. O simbolismo
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po do sangue e a nota
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
do sangue e a nota sacrifical, descendentes da inspiração mexicana são
muito óbvias para escapar à atenção.
No México os ritos da serpente tinham suas próprias peculiaridades
particulares. Era tão grande a competição pela honra de vir a ser um
sacrifício à serpente, que se tinha a maior dificuldade em evitar que as
filhas provocassem as serpentes a picá-las.
Certamente não faltavam vítimas aos sacerdotes. Em muitos casos
famílias que tinham assim perdido mais de uma filha compravam
encantos contra serpentes das próprias bruxas. Como os adoradores de
serpente indianos, os seguidores mexicanos do rito costumavam fazer
um guisado da carne desse réptil e comê-lo. Em ambas as comunidades
acreditava-se que a ingestão da carne sagrada conferia todos os tipos de
bênçãos. O tabu e os ritos propiciatórios pode ser a origem de muitas
superstições que ainda hoje existem entre nós, no Oriente e Ocidente.
Nos antigos templos egípcios e gregos havia sempre um ponto que era
proibido de ser tocado ou pisado. Era dedicado aos deuses - e em
especial aos deuses maus (demônios?) - em troca de sua concordância
implícita de não assolar províncias onde poderiam molestar os homens. A
mesma idéia existe em partes da Escócia. Pedaços de terra eram
deixados não cultivados e chamados de sitio dos bons seguindo um
costume celta de chamar de bons àqueles que eram temidos. Folcloristas
têm tratado extensivamente a questão de que as fadas, ou "gente boa",
eram, na verdade, muito mais o oposto, sendo meramente espíritos maus,
homenageados.
A instância da Igreja, muitos desses lugares foram arados na
Escócia, Irlanda e Gales. Diz à tradição que tempestades e má sorte seria
a conseqüência desse distúrbio e conta-se que a lavra teve de ser
protegida por poderes ocultos. Os objetos de magia são conhecidos da
maioria das pessoas: por certo, pelo menos daqueles que estudam de
alguma forma o assunto. Os rituais também estão em muitas obras,
descritos por "adeptos" ou criticados por seus oponentes. Já mencionei a
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po possível importância histórica e etnológica
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
possível importância histórica e etnológica de um estudo das raízes das
práticas ocultas. Haverá ainda certo número de pessoas que não estará
interessado no fluxo cultural, mas quererá saber: "Há alguma verdade na
magia?". A resposta a isso é que, muito possivelmente, há bastante
"verdade" na magia. Qual é e aonde pode levar, fica, no entanto para os
pesquisadores demonstrarem.
O
que existia na alquimia foi aproveitado pela química moderna;
apesar de não ser de minha competência dizer o que sobrou. A hipnose,
atualmente não apenas fato aceito, mas uma técnica muito valiosa vem
diretamente da magia. O que existe no moderno espiritismo, descendente
do xamanismo tibetano, também não compete a mim dizer. Uma coisa, no
entanto é certa: que a magia enquanto tal, na mera repetição dos rituais
disponíveis ao leitor comum, é de muito pouca valia para quem quer que
seja. Segundo os ocultistas hindus, conforme é descrito nestas páginas,
muitas formas de magia e, portanto certos supostos e bem
documentados milagres são atribuídos à existência de uma força não-
descoberta (akasa) que parece ter alguma conexão com o magnetismo.
Autores arábico-islâmicos (que deram ao mundo a ciência moderna)
também suspeitam a presença dessa força. Se ela existe, é tarefa de nós
experimentadores descobri-Ia.
O
homem é um "animal inventor de símbolos". Esse fato levou
antropólogos a concluir que a estranha similaridade entre ritos arcanos
de comunidades aparentemente sem nenhum contato social recíproco é
coincidente. O homem - argumentam eles, - é limitado por sua própria
definição. Seu âmbito de experiências, suas esperanças e temores,
desejos e ódios variam muito pouco aonde quer que se vá. Não
significaria isso que ele pode chegar a conclusões similares a respeito de
assuntos sobrenaturais, independentemente do que se chama de
inspiração ou comunicação oculta?
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po O objetivo deste trabalho não
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
O objetivo deste trabalho não é procurar provar que toda magia tem
suas raízes em alguma revelação única e original. Na verdade, é duvidoso
que se possa provar algum dia essa suposição. Porém, sepultada no
folclore oriental, em manuscritos e lendas não traduzidos, há uma enorme
quantidade de informação que lança uma luz considerável nas origens da
magia que floresceu na Europa até o começo do século 19.
A
prática real da magia ainda existe, tanto na Europa quanto na
Ásia. Não é meu objetivo investigar quão difundida é a prática. Ao mesmo
tempo, é amplamente aceito que o estudo da magia é de considerável
interesse histórico, cultural e etnológico.
A
magia é parte da História humana. Ela desempenhou algumas
vezes um papel decisivo, como no caso de Moisés diante da corte do
faraó. Mais freqüentemente ela tem sido de menor importância, apesar de
ainda grande. Em ambos os casos, não pode ser ignorada.
Muitíssimas das características da magia contidas em manuais
ocidentais foram atribuídas por autoridades como tendo origem em
fontes orientais e particularmente mediterrâneas. O círculo mágicko,
recurso pelo qual o mago pode invocar espíritos, foi atribuído à Assíria e
as mandalas (círculos de proteção artisticamente desenhados em tapetes)
aos Tibetanos e Hindus, sendo importante em quase todas as operações
ritualistas dessa natureza no Extremo Oriente. Saber o nome dos
espíritos e a possessão de palavras mágicas, conhecidas até mesmo
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po pelos leitores juvenis de histórias
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
pelos leitores juvenis de histórias de fadas, é igualmente, senão mais,
difundido e tido em alta conta. As palavras mágicas pelas quais os DJins
ou gênios eram invocados por Salomão formam parte importante do
antigo ensinamento egípcio.
Mandala Tibetana do Despertar
A difusão do estilo de maldição da imagem de cera é tão grande
quanto à de qualquer outro encantamento. Está em uso ainda hoje, e é
importante em quase todas as operações ritualísticas dessa natureza no
Extremo Oriente. Exemplo muito antigo é preservado numa encantação
do tablete bilíngüe de Assurbanípal, de origem Acádia e provavelmente
derivado dos ritos das tribos tibetanas e mongólicas da Ásia Central.
Esse tablete, do palácio real de Ninive, contém 28 encantos e
mesmo em 700 a.C. era considerado como perpetuador de ritos
extremamente antigos. Parte dele é assim:
“Aquele que forja imagens, aquele que enfeitiça o aspecto malévolo, o
olho mau, A boca malévola, a língua má, o lábio malévolo, a bruxaria mais
fina, Espíritos dos céus, conjurai-o! Espírito da Terra, conjurai-os!”
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Todos esses termos proibidos ainda
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Todos esses termos proibidos ainda são constituintes básicos de
processos mágickos.
A magia partilha com a religião mais aspectos do que se dão ao
trabalho discutir. O inevitável conflito baseado na suposição de que os
extremos se tocam é mais marcado nas campanhas organizadas contra a
bruxaria, levadas a efeito por entidades tais como os tribunais da
Inquisição na Espanha. Talvez devido a isso, talvez por ter a Igreja
insistido em que os magos eram servos do diabo, a magia na Europa
assumiu uma característica de mal, que não é tão marcada em outros
lugares. Os teólogos cristãos assumiram a posição de que a servidão a
qualquer espírito ou deus, implicava uma automática redução da crença
que deveria ser reservada apenas a Deus. A partir dessa tese e de certas
referências bíblicas, tomou-se por certo que magia significava adoração
do diabo. Nessa atitude geral, o catolicismo seguiu o precedente rabino
em relação ao crescimento das atividades mágicas entre os judeus.
O segundo grande instrumento que, conscientemente ou não,
estimulou o estudo da magia no Ocidente foi a Igreja Católica.
Compelidos por referências no Velho e Novo Testamento a reconhecer a
realidade dos fenômenos sobrenaturais, inclusive o poder de bruxas e
feiticeiras, os teólogos católicos romanos tomaram posição contra a
bruxaria ("A feiticeira, não deixará que vivas") - Êxodo XXII, 18, o que fez
que o assunto fosse considerado digno de investigação. A atitude
referente às ciências ocultas continua, naquela Igreja, de forma muito
pouco alterada em relação à que existia no tempo da Santa Inquisição.
Segundo a Enciclopédia Católica, a bruxaria definitivamente existe, sendo
o fato provado pela Bíblia. Muitos dos códices da magia judaica e
salomônica que foram preservados até hoje em exemplos Iatinos e
franceses mostram traços distintos de interpolação cristã. Muitos dos
ritos da Chave de Salomão, por exemplo, foram "cristianizados" - quase
que seguramente por mãos de padres - para dar a impressão que
resultados taumatúrgicos podem ser conseguidos através deles com as
adições cristãs.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Entre os muçulmanos e outras
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Entre os muçulmanos e outras grandes religiões do Oriente, um
compromisso trouxe à baila a teoria da divisão da magia em permitida e
proibida, ligeiramente paralela à distinção ocidental entre magia branca e
negra.
A magia, entretanto permaneceu, e ainda permanece, algo que a
religião organizada nem absorveu efetivamente, nem destruiu. Como a
religião, tem base sobrenatural: o apelo a uma força maior que o homem.
Da crença nessa força decorre o desejo de proteção, seguido da positiva
demanda de maior poder sobre os outros homens, sobre os elementos,
sobre o próprio destino. Em comum com as religiões está a parafernália
da magia: os instrumentos de arte, os mantos e vestimentas, as
fumigações e repetições de palavras, frases e preces. Depois da fé na
realidade do poder sobrenatural vem o desejo de estabelecer relações
contratuais com o poder; daí o pacto. Há um contrato entre homem e
Deus, entre homem e espírito. Teólogos da Idade Média e posteriores
gostavam de reclamar que os livros mágickos imitavam os ritos da Igreja;
que eles procuravam fazer tratados com o diabo, da mesma maneira que
Deus compactuava com os homens. Quando é tudo precisamente o
contrário. A Igreja imita a liturgia pagã. O sacrifício de sangue, o
exorcismo, etc. Pesquisas mais recentes demonstraram que o elemento
contratual da magia é pelo menos tão velho quanto a própria magia e
data, portanto, de antes de muitas das grandes religiões organizadas que
sobrevivem atualmente. Mesmo quanto ao local sagrado de
funcionamento, a magia e a religião operam paralelamente.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po A influência Bon-Po na Magia
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
A influência Bon-Po na Magia
dos Faquires
O homem perfeito ganha seu poder através do desenvolvimento da força
mística inerente a seu corpo. Isso se centraliza nos cinco órgãos
secretos: o Lataif. São eles: o centro do coração, o centro do espírito, o
centro secreto, o centro oculto, o centro mais misterioso
- Xeque
Ahmed El-Abbassi: Segredos do Poder Sufi, desenvolvimento do livro do
Shah Muhammad Gwath, Segredos do Caminho Místico (Asrar-ut-Tariqat,
da Ordem Naqshbandíyya).
O Ocidente, que se orgulha com alguma razão de ter salvo do
esquecimento muitos aspectos da cultura e do conhecimento orientais,
foi profundamente influenciado pelo Tasawwuf a doutrina dos faquires.
No entanto, quantas pessoas além de um punhado de orientalistas são
capazes de dizer o que é isso? Ioga, Shinto, budismo, taoísmo e
confucionismo, todos têm seus devotos na Europa e na América. O
sufismo, no entanto - última das sanções místicas dos árabes, persas,
turcos e do resto do mundo muçulmano - permanece como o último livro
fechado do Oriente misterioso.
É o sufismo uma religião? Um culto oculto? Um modo de vida? É,
em parte, todas essas coisas e em parte nenhuma delas. Dentre os 400
milhões de seguidores do islamismo, o tasawwuf detém um poder que
nenhum credo político, social ou econômico conhece ali ou em qualquer
outra parte. Suas origens ancestrais e similaridades a Religião Bön são
mais do que evidentes. Os transes nas danças circulares Dervixes são
idênticos às danças circulares dos monges Bon-po. Muito do seu
conteúdo filosófico se assemelha com a doutrina sufi.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Organizada de maneira semimonástica e
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Organizada de maneira semimonástica e semimilitar essa incrível
filosofia era partilhada por elementos tão distintos quanto os antigos
alquimistas árabes - os irmãos da pureza - os guerreiros Mahdist do
Sudão e os grandes poetas clássicos da Pérsia. Sob o nome de faquir
(literalmente: humilde) os dervixes do Império Turco assolaram Viena.
Estimulados pela poesia mística sufi (e, diz-se, por seu poder
sobrenatural), os afegãos conquistaram a Índia.
E,
no
reverso
da
moeda,
a
literatura
e
cultura
sufis
foram
responsáveis por parte da notável arquitetura e arte da Ásia.
Quais são as origens desse estranho culto que mesmo os
pesquisadores modernos reconhecem ser a maior força individual do
Oriente Médio atualmente? A despeito do fato de existir considerável
quantidade de obras em línguas orientais, se sabe com absoluta certeza
que os primeiros passos do culto surgiram por influência dos Bon-Po.
Historiadores sufis atribuem sua fundação ao próprio Maomé, mas
já se disse que esse culto esotérico data das primeiras tentativas do
homem para liberar seu ego das coisas materiais. Esse é, de fato, o
objetivo principal do movimento. O sufismo é um modo de vida distinto e
muito completo, tendo como alvo a realização do suposto papel do
homem (e da mulher) na vida.
O homem, dizem os santos sufis, é parte do todo eterno, do qual
derivam todas as coisas e ao qual retornaremos. Sua missão é preparar-
se para esse retorno. Isso só pode ser obtido através da purificação.
Quando a alma humana é corretamente ligada ao corpo e obtém completo
controle sobre ele, então o homem parece em sua forma perfeita: o
homem perfeito emerge, de fato, muito semelhante ao super-homem,
possuindo poderes notáveis, que figuram tanto nas aspirações do
ocultismo oriental quanto nas do ocidental.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po São estes os passos pelos
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
São estes os passos pelos quais um devoto progride em direção a
seu fim. Organizado em ordens que lembram as ordens monásticas da
Idade Média (que segundo alguns foram moldadas no sufismo), a primeira
condição para aceitação do aspirante é que ele esteja "no mundo, mas
não seja do mundo". Esse é o primeiro aspecto importante em que o culto
difere de quase todas as outras filosofias místicas. Pois é fundamental
que cada sufi devote sua vida a alguma ocupação útil. Sendo seu objetivo
tornar-se um membro ideal da sociedade, conclui-se naturalmente que ele
não pode isolar-se do mundo. Na palavra de uma autoridade:
“O Homem se destina a viver uma vida social. Seu papel é estar
com outros homens. Ao servir ao sufismo ele está servindo ao infinito,
servindo a si mesmo e servindo à sociedade. Não pode se desligar de
nenhuma dessas obrigações e continuar ou vir a ser um sufi. A única
disciplina que vale a pena é aquela que é obtida em meio à tentação. Um
homem que, como a anacoreta, abandona o mundo e se afasta das
tentações e distrações não pode chegar ao poder. Pois o poder é aquilo
que é extraído do meio da fraqueza e da incerteza. O asceta vivendo uma
vida monástica está se iludindo!
Apesar de a palavra faquir ter vindo a ser usada no Ocidente para
indicar um acrobata ou mágico itinerante, seu sentido real é meramente
"humilde". A humildade do que busca é o primeiro requisito. Ele deve
renunciar à sua luta por objetivos meramente mundanos até que tenha
sua razão de viver na perspectiva correta. Isso, na verdade, não é
contraditório. Pois um homem pode legitimamente gozar as coisas do
mundo, desde que tenha aprendido a humildade em sua aplicação.
O que deu aos sufis - em seus papéis de faquires e dervixes - esse
elo de invulnerabilidade, infalibilidade e superioridade é a aplicação dessa
doutrina. Não há dúvidas de que a concentração mental conseguida pelos
sufis é responsável pelo que se poderia classificar como manifestações
realmente sobrenaturais. Há exemplos, registrados com tanta precisão
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po histórica quanto seria de esperar-se
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
histórica quanto seria de esperar-se do estranho poder de alguns desses
homens. Abordando a questão de maneira tão científica quanto possível,
são muitos os exemplos de mistificadores sufis que brincam com a
ingenuidade das massas. Por outro lado, dezenas de milhares de pessoas
não predispostas estão convencidas do fato de que o tasawwuf pode dar
um grau inusitado de poder a alguns de seus seguidores.
É necessário apontar aqui, assim como em outras partes deste
material de estudo, que tais manifestações podem ser verdadeiras, ser a
mera aplicação de segredos da natureza que ainda são imperfeitamente
compreendidos pela ciência ortodoxa.
Quais são os milagres e poderes atribuídos aos santos sufis? Se
bem que quase não haja fenômenos taumatúrgicos que não tenham sido
reivindicados por alguma autoridade como já realizados pelos dervixes,
alguns milagres são mais característicos do culto que outros. O primeiro
(conforme a crença de que o tempo não existe) é a anulação do tempo
convencional. As histórias sobre esse fenômeno - algumas das quais
narradas por autoridades históricas meticulosamente acuradas - são
muitas e variadas.
Talvez a mais famosa seja o caso do xeque Shahab-el-Din. Diz-se
que ele podia induzir a aparição de frutas, pessoas e objetos
absolutamente segundo a sua vontade. Conta-se que uma vez ele pediu
ao sultão do Egito que mergulhasse a cabeça num recipiente com água.
Instantaneamente o sultão se viu transformado num marinheiro de um
navio naufragado, jogado à praia de alguma terra inteiramente
desconhecida.
Ele foi recolhido por lenhadores, levado à cidade mais próxima
(jurando vingança contra o xeque, cuja magia o havia colocado nessa
situação), e começou a trabalhar como escravo. Depois de alguns anos
ganhou sua liberdade, começou um negócio, casou-se e se estabeleceu.
Mais tarde veio a empobrecer outra vez e tornou-se carregador autônomo,
na tentativa de sustentar sua esposa e sete filhos.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Um dia, acontecendo estar na
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Um dia, acontecendo estar na praia de novo, mergulhou na água
para banhar-se. Imediatamente encontrou-se de novo em seu palácio no
Cairo, novamente rei, rodeado de cortesãos, com um xeque muito grave à
sua frente. A experiência toda, que lhe pareceu ter durado anos, tinha
levado apenas alguns segundos. Essa aplicação da doutrina de que "o
tempo não é sentido para os sufis" é refletida no famoso exemplo da vida
de Maomé. Conta-se que o profeta, quando se preparava para sua
milagrosa "marcha noturna", foi levado ao céu, ao inferno e a Jerusalém
pelo anjo Gabriel. Depois de quatro vintenas e dez conferências com
Deus, retornou à terra: a tempo de agarrar um copo de água que tinha
sido derrubado quando o anjo o levou.
Além da inexistência do tempo, o espaço quase não importa ao
adepto sufi que quer viajar. O transporte metafísico de muitos dos mais
famosos professores sufis é tido como fato corriqueiro. Sufis já foram
vistos ao mesmo tempo em lugares separados por muitos milhares de
quilômetros. O xeque Abdul-Qadir Gelani, um dos mais celebrados santos
do sufismo, era capaz de viajar milhares de quilômetros num piscar de
olhos, a fim de estar presente ao funeral de algum amigo adepto.
Caminhar sobre a superfície das águas e voar enormes distâncias à
vista das pessoas no solo são outras que se diz serem regularmente
feitas pelos iniciados.
Milagres, enquanto tais são tidos como possíveis apenas para
profetas. Mas sustenta-se que as maravilhas (karâmát) são possíveis a
grande número de sufis. As atividades dos mágicos - que são geralmente
uma forma de engodo para a ingenuidade das pessoas - são classificadas
como istidraai, que quer dizer meros truques e trabalhos furtivos. A magia
propriamente dita, que significa taumaturgia através do auxílio de
espíritos, é um ramo inteiramente diferente da ciência oculta.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Organização das Ordens Ordens mágickas
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Organização das Ordens
Ordens mágickas desse tipo determinam rígidas regras de um dado
padrão para os aspirantes ao poder sufi. À parte aqueles que buscam
apenas o culto, todos os novos recrutas devem ser aceitos segundo uma
fórmula de um pir, ou professor. Os filhos seguem os passos de seu pai
para entrar na ordem à qual pertenciam seus pais, e só aqueles que foram
recomendados por certos patrocinadores podem ser aceitos como
discípulos no primeiro grau do salik, "buscador".
As ordens, que são batizadas em nome de seu fundador
(Naqshbandíyya, Chishtíyya, Oádriyya etc.), são organizadas em grupos,
que estudam com mestres reconhecidos. A promoção de um grau para o
outro se dá através de uma patente ou declaração do mestre do grupo a
que o acólito pertence. A fim de estudar um ramo particular da arte, os
estudantes podem viajar do Marrocos a Java ou até mesmo do Tibet à
Líbia, para se juntar ao haIka (círculo) de um professor famoso. Depois,
se esse último concordar, o candidato será colocado em prova por alguns
meses. Vivendo com pobreza, vestindo apenas os mantos amarelos e
fazendo tarefas domésticas o "buscador" deve, durante o período de seus
estudos, ficar ligado ao seu mestre com uma devoção que excede, em
muito, mesmo a mais rigorosa disciplina de qualquer força militar.
Deve participar de recitações rituais de certos textos santos e
secretos, deve observar as cinco preces e abluções rituais, o mês anual
de jejum da manhã até o pôr do sol e ler as obras dos mestres.
As Ordens
São conhecidas várias ordens ou tariqat (caminhos) distintas no
sufismo. Todas têm sua origem no próprio Maomé e também em seus
companheiros. Afirma-se que elas são originárias de uma fraternidade
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po mística dos seguidores imediatos do
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
mística dos seguidores imediatos do Profeta - a AshábUs-Safá, ou
companheiros de banco. Esses homens, 'sobre os quais pouco se sabe
com certeza, mergulhavam em boas obras, contemplação, jejum e oração.
As teorias mais difundidas rezam que eles foram batizados por causa de
suas roupas de lã (souf, lã, em árabe) ou por causa da safá, pureza.
As principais ordens hoje em dia são a Naqshbandíyya, Chishtiyya,
Qádriyya e Suharwardíyya. São completas em si mesmas: nenhuma é
inimiga da outra. Os santos e práticas são às vezes tidos em comum; os
objetivos da humanidade e particularmente dos sufis são quase idênticos
em cada uma delas.
Há grande número de outras ordens, espalhadas do Marrocos a
Java, através da Índia, Tibet e do Afeganistão - na verdade, em toda parte
por onde se espalhou o islamismo. Em todos os casos, os ritos e escritos
são altamente simbólicos.
Em todos os casos a admissão a uma ordem depende de patrocínio
e iniciação.
Os sufis tradicionalmente ocupam lugar importante, apesar de
indefinido, tanto na sociedade como na História. Os dervixes do Sudão
eram - e ainda são - de uma ordem sufi, organizados como uma sociedade
militante e atualmente filantrópica. Nos dias do Império otomano, as mui
temidas tropas janizaras eram uma fraternidade militar sufi, ligada ao que
atualmente é conhecido como a Naqshbandíyya. O atual rei da Líbia é
chefe de uma ordem sufi e a maioria, senão todos de seus súditos se
consideram sufi. O faquir de lpi - essa Marca de Fogo da Fronteira
Nordeste da Índia" - é um líder sufi. Esses breves fatos podem dar a
impressão de que outros aspectos do culto são menos conhecidos no
Ocidente, mas a referência a eles fora de contexto serviria apenas para
confundir o leitor.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Objetivos do Sufismo A teoria
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Objetivos do Sufismo
A
teoria do sufismo é de que o homem, em seu estado normal,
parte animal, parte espírito, é incompleto. Toda a doutrina e ritual sufis se
dedicam a purificar aquele que busca e transformá-lo, portanto em Insáni-
Kámil - homem perfeito ou homem completo. Considera-se que uma
pessoa pode estar apta a atingir esse estado de contemplação por si
mesmo ou mesmo através de outros meios que não o sufismo. Porém
está implícito que o sufismo é o caminho estabelecido, com seu método
prescrito e a orientação dos mestres que já trilharam o caminho.
Quando o aspirante atingiu o estado de integridade, que é o
objetivo do culto, está então com o infinito; e os conflitos e incertezas,
aos quais ele como mero mortal estava sujeito, já não mais existem. Esse
último estágio de desenvolvimento é conhecido como wasl - união.
A
vida monástica, no entanto, é profundamente evitada por todos
os pensadores sufis. Seus motivos são que, se um homem priva a
sociedade de seus serviços e atividade, está sendo anti-social. Sendo
anti-social, ele está indo contra o plano divino. Deve, portanto, nas
palavras do primeiro princípio do sufismo "estar no mundo, mas não ser
do mundo!" (Dar dunya básh: az dunya mabásh!).
A
hierarquia dos santos sufis muçulmanos é, portanto, conhecida
por suas ocupações assim como por seus títulos. Assim, um (Attár) era
químico, outro (Hadrat Baháuddin Naqshband) era pintor, e assim por
diante. Certos reis da Índia e da Pérsia ao se tornarem sufis assumiram
outras ocupações extras para pagar por sua manutenção, permanecendo
como governantes e não tomando nada do tesouro por sua própria conta.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po O Governo Invisível do Sufismo
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
O Governo Invisível do Sufismo
O chefe de todo o sistema sufi é o Qutub: ele é o mais iluminado de
todos os sufis, atingiu o grau de wasl ("união com o infinito") e, segundo
alguns, detém o poder sobre todo o organismo sufi. Outros afirmam que o
Qutub tem também considerável poder político ou temporal. De qualquer
forma, sua identidade é conhecida de muito poucos. Ele se comunica
apenas com os lideres das ordens. As conferências são feitas
telepaticamente ou então através da anulação do "tempo e espaço". Diz-
se que o último fenômeno significa que os sufis do grau de wasl podem
transportar-se a qualquer parte instantaneamente, fisicamente, pelo
processo de desmaterialização corpórea.
O Qutub é servido por quatro deputados, os awtád, ou pilares,
cujas funções são de manter o controle e o poder sobre os quatro cantos
da Terra e relatar-lhe constantemente o estado de coisas em cada país.
Abaixo dos awtád estão os 40 abdal (aqueles que se transformaram
espiritualmente), e abaixo deles 70 nobres, que por sua vez comandam
300 senhores. Os santos sufis que não ocupam um posto determinado
nessa hierarquia são chamados santo: walí.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Evocação dos Espíritos com a
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Evocação dos Espíritos com a
influência da cultura Bön
A
crença na existência de espíritos e outras forças formidáveis está
há apenas um passo do desejo de chamá-los, obrigá-los e fazê-los efetuar
as ligaduras astrais do feiticeiro.
É
costume - pelo menos entre os velhos autores - dividir essa forma
de espiritualismo em grupos ou assuntos para fins de estudo. Pode-se
dizer que os espíritos podem ser distinguidos em bons e maus, em almas
humanas e aqueles que nunca tiveram uma forma corpórea (elementais,
demônios e anjos). E também alguns espíritos aparecem com forma
humana, outros com forma animal e outros com formas mais alarmantes.
Mas esse método de examinar os espíritos, se bem considerado, pouco
contribui para o real conhecimento da arte.
Interessante é que a evocação em si – tibetana, cristã, budista,
árabe, egípcia ou caIdéia - está contida em limites aceitos de método e
idéias. Há a consagração do operador, seus instrumentos (se os há) e,
geralmente, o círculo mágicko ou mandala mágicka. Há a invocação em si
e a evocação. Quando o espírito aparece, segue-se a fase de comando ou
inquisição. Finalmente vem a inevitável licença para partir, sem a qual o
operador poderá ser prejudicado pela aparição. Duas coisas são
consideradas indispensáveis: alguma conexão com a morte ou os
mortos, e a possessão de palavras mágickas ou mantras.
Muito da importância e interesse da invocação de espíritos, em
nossa opinião, é devido ao fato de grande parte de toda a magia depender
de ajuda espiritual: seja ela maldição, cura ou meramente poder mágicko
acima e além do que é tido por outros. Pode-se mesmo definir magia
como a suposta arte de obter poder através de forças sobrenaturais
(espíritas). Portanto os espíritos - ou alguma outra força não identificada,
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po convenientemente chamada assim - formam
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
convenientemente chamada assim - formam o próprio coração da magia
cerimonial, popular ou supersticiosa.
Geralmente se subestima o fato de que o espiritismo - evocação do
espírito dos mortos - conforme é conhecido na Europa e na América
contemporâneas, é apenas um ramo da magia, um ramo que é
tradicionalmente exercido pelos feiticeiros da África, ameríndios tribais e
operadores xamanísticos na China, Tibet e Japão para não mencionar
grande número de outras comunidades.
Considera-se que a invocação de espíritos, especialmente os de
parentes mortos, requer muita dedicação e preparação. Apesar de se
aceitar quase sempre que há algumas pessoas (como os médiuns
modernos) para as quais esses poderes vêm facilmente, é algumas vezes
esquecido o fato de que os livros ou grimórios trazem relatos detalhados
dos procederes que podem assim ser seguidos por pessoas comuns.
Às vezes se considerava necessário, em processos atribuídos aos
caldeus, saber a data de nascimento da pessoa a ser evocada. Se
pudesse ter um horóscopo, tanto melhor. Isso queria dizer que o espírito
poderia ser chamado em nome dos planetas que presidiram seu
nascimento e na hora exata e em que se deu o nascimento.
Em seguida o invocador meditava em completa reclusão por um
período de até 48 horas. Escolhia-se um dia claro e luminoso. Então, em
algum lugar determinado pela prática da magia (o mago geralmente usava
seu próprio quarto ou alguma caverna ou lugar santo em ruínas), era
descrito o círculo mágico. Dentro de seu diâmetro de seis pés estava o
espaço-tabu que protegia o mágico e que nenhum gênio do mal poderia
cruzar. No círculo, quase sempre dentro de um anel concêntrico, era
escrito com giz, no solo, o nome de Deus.
Talvez o registro mais antigo de fórmula para consagrar um círculo
ou uma mandala seja o tirado da série de tábuas Tibetanas Bon-Po:
“Guarde! Guarde! Barreira que ninguém pode passar,
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Barreira dos deuses que ninguém
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Barreira dos deuses que ninguém pode quebrar,
Barreira do céu e da Terra, que ninguém pode mudar,
Que nenhum deus pode anular,
Nem deus ou homem pode relaxar,
Armadilha sem saída, armada para o mal,
Rede que ninguém atirar, espalhada para o mal.
Seja mau espírito, ou mau demônio, ou mau fantasma,
Ou diabo mau, ou deus mau, ou gênio mau,
Ou demônio, ou vampiro, ou duende-ladrão,
Ou fantasma, ou espectro da noite, ou criada do fantasma,
Ou praga má, ou moléstia da febre, ou suja doença,
Que tenham atacado as águas brilhantes de Ea,
Possa a armadilha de Ea apanhar;
Ou que tenham assolado a comida de Nisaba,
Possa a rede de Nisaba prender;
Ou que tenham rompido a barreira, Não permita a barreira dos deuses, A
barreira do céu e da Terra, que sigam livres; Ou que não reverenciam os
grandes deuses, Que os grandes deuses prendam, Que os grandes
deuses amaldiçoem; Ou que atacam a casa, Que num quarto fechado
entrem; Ou que circulam ao léu, Que a um lugar sem saída sejam levados;
Ou que vigiam à porta da casa, A uma casa sem saída sejam levados a
entrar; Ou que passam a porta e G ferrolho, Com porta e ferrolho, uma
tranca imóvel, possam ser fechados; Ou que sopram o limiar e a
dobradiça, Ou que forçam o caminho contra a tranca e a aldrava, Que
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po como água sejam vertidos, Como
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como água sejam vertidos, Como uma taça se partam em pedaços, Como
um ladrilho se quebrem; Ou que pulam o muro, Suas asas sejam
cortadas; Ou que jazem num quarto, Suas gargantas sejam cortadas; Ou
que se trancam num quarto lateral, Suas faces possa-se esbofetear; Ou
que resmungam numa câmara, Suas bocas possa-se fechar; Ou que
vagam num quarto superior, Com um "bason" sem abertura possa-se
cobri-los; Ou que escurecem ao amanhecer, Ao amanhecer sejam levados
a
um lugar ensolarado.
E
se nenhum espírito aparece mesmo depois de repetida
concentração? A maioria dos livros não prevê essa possibilidade. Um
deles, no entanto, nos diz que o fracasso significa que algum erro ou
omissão tem de ser remediada. A experiência pode ser repetida vezes e
vezes, até o sucesso. Os egípcios dinásticos (e provavelmente pré-
dinásticos), os babilônios e assírios acreditavam que a alma podia
retornar à Terra. Sob certas circunstâncias ela podia também re-habitar o
corpo. Elaboradas cerimônias mágicas eram praticadas para que a alma
fosse feliz e não precisasse voltar, tornando-se assim um espírito
inquieto. Esses espíritos eram invocados e considerava-se que podiam
ser usados em rituais mágickos.
De
maneira semelhante, os espíritos de curandeiros reverenciados
e
falecidos eram conjurados para aconselhar suas tribos em tempos de
privação em muitas partes da África, especialmente a parte central do
continente. Seus ossos são preservados e embebidos no sangue de
recém-falecidos, misturados com mel, leite e perfumes. Supõe-se que
isso faça que a alma retorne Terra. Assim como as cerimônias dos
espíritos eram realizadas no Egito nos sepulcros das pirâmides, outros
lugares, cemitérios, pátios de igrejas ou o local onde a morte teve forma
violenta, são sítios especialmente bem vistos para esse tipo de
exorcismo.
Espíritos que não os dos mortos podem também ser invocados de
maneira semelhante. A seguinte consagração cristianizada do círculo é
típica dos ritos caldeu-semíticos.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Depois de feito o círculo
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Depois de feito o círculo o invocador entoa:
“Em nome da santa, abençoada e gloriosa Trindade, procedemos
ao nosso trabalho neste mistério para conseguir aquilo que desejamos:
nós, portanto, em nome dos acima ditos, consagramos este pedaço de
solo para nossa defesa, de forma que espírito de nenhuma espécie possa
atravessar estas fronteiras, nem causar injúria ou detrimento a qualquer
dos aqui reunidos”.
(Era
costume
dos
magos
estarem
acompanhados
de
um
ou
dois
ajudantes.)
Mas que eles sejam convencidos a ficar diante do círculo e
responder sinceramente nossas demandas, se isso agradar a Ele, que
viveu para todo o sempre e que diz: "Eu sou alfa e Ômega, o começo e o
fim, que é, foi e será, o todo-poderoso. Eu sou o primeiro e o último, o que
está vivo e foi morto; e eis que vivo para todo e sempre; e tenho as
chaves da morte e do inferno. Abençoai, ó Senhor! Esta criatura da terra
em que
" (A terra, como todos os outros elementos, tem seu
próprio espírito referido como a criatura da Terra.)
Confirmai, ó Deus, vossa força em nós, para que nenhum
adversário e nenhuma coisa má possam nos fazer fracassar, pelos
méritos de Cristo. Amém.
Um certo número de informações tem de estar à disposição do mago,
além das invocações e das palavras mágickas. De início há os nomes das
horas. Estas, conforme dadas por um texto mágico ocidental formam uma
estranha mistura de nomes arábicos, semitas e egípcios junto com alguns
gregos. São os seguintes e é provável que sejam de fato os nomes dos
espíritos das horas:
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Nomes das Horas Dia Hora
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Nomes das Horas
Dia
Hora
Noite
Yain
1
Beron
Janor
2
Barol
Nasina
3
Thami
Salla
4
Athar
Sadedali
5
Methon
Thamur
6
Rana
Ourer
7
Netos
Thamie
8
Tafrae
Neron
9
Sassur
Jayon
10
Agle
Abai
11
Calerva
Natalon
12
Salam
Esses nomes são memorizados e o apropriado é inscrito no mais
externo círculo concêntrico da evocação, junto com as palavras mágicas,
o nome da estação e o nome do arcanjo da hora. Considera-se que os
nomes das estações são equivalentes aos nomes dos anjos das
estações: primavera (caracasa), com Core, Amatiel, Commissoros. O
verão vem sob Gargatel, Tariel e Gariel. Dois anjos regulam o outono:
Tarquam e Guabarel. O inverno completa o ciclo com Anabael e o anjo
Cetatari.
A evocação será feita na primavera? Então, o signo da primavera
deve ser incluído no círculo e nas invocações; assim como o nome da
Terra na primavera e os nomes do Sol e da Lua nessa estação. Quatro
conjuntos de informação adicionais são agora necessários:
• nome do signo da primavera: Spugliguel
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po • nome da Terra na
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• nome da Terra na primavera: Amadai
• nome do Sol na primavera: Abraym
• nome da Lua na primavera: Agusita
no verão.
no outono
no inverno
Nome da Terra:
Festativi
Rabirmana
Geremiah
Nome do Sol:
Athenay
Abragini
Com-mutoff
Nome da Lua:
Armatus
Mastasignais
Affaterin
Signo do verão: Tubiel
Signo do outono: Torquaret
Signo do inverno: Attarib
Uma vez dominados esses importantes nomes, o mago purifica-se
com esta prece:
Vós me purificareis com Hyssop, ó senhor, e serei limpo: vós me
lavareis e serei mais branco que a neve.
O
círculo será então borrifado com o perfume correto (que será
descrito mais adiante) e o exorcista se enrola numa capa de linho branco
amarrada na frente e atrás. Enquanto se veste, diz:
“Ansor, Amacon, Amides, Theodonias, Aniton: pelos méritos dos
anjos, ó senhor, eu vestirei o paramento da salvação; que aquilo que eu
desejo eu consiga realizar, por vosso intermédio, mais santo Adonai, cujo
reino dura para todo o sempre. Amém”.
O
texto cristianizado que estamos seguindo, apesar de reter a
maioria das marcações ritualistas do sistema semita e outros, acrescenta
a admoestação de que aqueles que desejam riqueza e poder ou qualquer
coisa de material para si mesmos não conseguirão atrair espíritos. Essa
não é, no entanto, uma posição estabelecida. "Primeiro o coração e a
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po mente devem ser limpos, de
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
mente devem ser limpos, de desejos e, se a habilidade for em qualquer
tempo usada para fins pessoais e egoístas, o poder é então renunciado.
Só aqueles com a habilidade de tocar as alturas sabem disso."
Na necromancia encontramos o círculo mágicko e as palavras
mágicas ainda em uso. Os procederes são exatamente os mesmos em
ambos os tipos de processo. Quando o feiticeiro Tibetano Chiancungi e
sua irmã bruxa Napala invocaram maus espíritos, ordenaram a Bokim que
aparecesse e lhes desse sua ajuda infernal. Cobriram de preto uma
profunda caverna e depois desenharam o círculo, com sete tronos e
número igual de planetas inscritos nele. Mesmo para esses notórios
feiticeiros passaram meses antes que Bokim aparecesse de verdade.
Quando o fez, garantiu-lhes 155 anos de vida extra e muitos outros
favores mais. Como a teoria de "vender a alma" não é tão conhecida no
Oriente, a única penalidade que os feiticeiros tinham de pagar era servir o
demônio naquele período. Em seu trabalho, assim como na maioria dos
encantos de invocação, eles faziam livre uso de perfumes e outras
fumigações.
Quando o planeta em questão era Saturno (isto é, quando a
operação era na hora ou dia de Saturno), o perfume utilizado no
defumador era pimenta, com almíscar e incenso. Enquanto isso
queimava, podiam-se ver espíritos em forma de gatos e lobos. Júpiter
requeria oferendas de plumas de pavão, uma andorinha e um pedaço de
lápis-lazúli. Suas cinzas eram então misturadas ao sangue de uma
cegonha. Os espíritos de Júpiter tinham a aparência de reis,
acompanhados de trombeteiros. Sob Marte o fogo era alimentado com
goma aromática, sândalo e incenso, mirra e o sangue de um gato preto.
Para o Sol, almíscar, incenso, mirra, açafrão, trevos, louros e canela eram
misturados ao cérebro de uma águia e ao sangue de um galo branco
informados em bolas e colocados nas chamas. Os espíritos que surgiam
sob a égide de Vênus pediam espermacete, rosas, coral, aloés,
misturados com o cérebro e sangue de um pombo branco. Pode-se ver
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po que muitos dos itens citados
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
que muitos dos itens citados acima são familiares a várias práticas
ocultas.
Mercúrio pedia incenso misturado com o cérebro de uma raposa.
Os fogos deviam ser feitos Ionge das habitações dos homens. Os
espíritos da Lua eram tidos como os mais difíceis de propiciar. Eles
apareciam como fantasmas envoltos em tecidos muito finos, com rostos
pálidos e luminosos. Para eles o fogo precisava de sementes de papoula,
sapos secos, cânfora, incenso e olhos de touro misturados com sangue.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Influência Bon-Po na Tradição Védica
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Influência Bon-Po na Tradição
Védica
Uma praga com mil olhos vem rolando: e ela procura aquele que me
amaldiçoa como um lobo procura a morada do dono dos carneiros
Golpeia aquele que me amaldiçoa, maldição!
A ele rogo a morte! - Veda
IV, 6:37. (Tharva Veda dos brâmanes - a obra secreta).
O mais importante é notar que o Tharva Veda não é visto como uma
obra de bruxaria e feitiçaria. Entre as fórmulas nele incluídas encontram-
se várias que na verdade amaldiçoam os feiticeiros e outras que
procuram munir o sacerdote brâmane com eficazes defesas contra a
magia de outros. Assim, do ponto de vista brâmane, o Veda é magia
branca, ou legítima. A diferença usual entre as fórmulas originalmente
memorizadas pelos sacerdotes brâmanes e devendo ser usadas só
depois dos ritos de purificação e dedicação, as fórmulas do mui mágicko
Alharva Veda eram tidas como eficazes por milhões de hindus. Chamado
originalmente de Brahma Veda (Livro para Brâmanes), seu "status"
segundo a teologia hindu era inferior ao dos Três Vedas; por isso o título
de Quarto Veda se aplica a ele algumas vezes, duas é sempre considerada
em termos do grau de mal que é encorajado, mas o Atharva Veda toca a
raiz do problema mágico. Se um encantamento pode fazer bem ou mal,
dependendo do propósito para o qual é usado, ele se constitui em magia
branca ou magia negra?
Segundo as crenças dos compiladores dos Vedas, a magia não só é
verdadeira como legal quando aplicada pelos puros de coração. Essa é a
principal razão por que durante séculos o Atharva Veda foi lido apenas
por seletos iniciados.
Os seguintes extratos formam um estudo interessante do âmbito e
propósito das práticas mágickas entre os vedas brâmanes.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Encanto para a vída eterna:
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Encanto para a vída eterna:
“Que a imortalidade esteja com ele! Ele partilha a vida eterna do Sol.
Indra e Agni o abençoaram e o levaram à sua imortalidade. Bhaga e Soma
estão com ele, elevando-o para prolongar os seus dias”.
Não
haverá perigo de morte:
“Este mundo te manterá, para sempre, eia! O Sol, o vento, a chuva, todos
estão contigo! Teu corpo será forte e imune a qualquer doença. A vida
será tua, eu prometo; entra nessa carruagem Imorredoura e muito
antiga
Teu coração será forte, não te apartes dos outros. Esquece aqueles que
morreram, não são mais para ti. Os multicoloridos cães gêmeos de Yama,
guardas da estrada, não te seguirão (para tomar tua vida). Segue o
caminho, que o fogo te guiará, a chama purificadora, e ela não te
molestará, esse calor celestial”!
Se todas as esferas da ambição humana. Nos escritos secretos,
entretanto, seu uso é geralmente limitado à proteção, fecundidade,
virilidade, prosperidade e defesa contra bruxaria. Quando completado, o
talismã é atado ao braço direito. O hino dirigido ao encanto em si varia
segundo o efeito desejado, apesar de a simples possessão do talismã
garantir muitos dos poderes associados com suas virtudes tradicionais.
Esta é a fórmula de proteção usada em conjunto com o talismã.
Fórmula de proteção do encanto sraktya tibetano:
“Atado ao proprietário, este encanto é todo-poderoso. Faz o
possuidor forte e valente, mata inimigos, traz a fortuna ao que o tem. É
potente, também, contra toda magia. Este encanto foi usado por Indra
para matar Vritra. Ele arrasou os Asuras e tornou-se senhor do céu e da
Terra e com sua ajuda superou as quatro esferas do espaço. Sim, este
talismã é agressivo e vitorioso. Destruirá o inimigo e nos protegerá dele.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Isso é o que Agni
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Isso é o que Agni e Soma disseram, Indra, Brihaspati e Savitar, todos
concorrem por ele. Aqueles que me atacarem serão repelidos e a mesma
força que usarem recairá sobre eles: pela força deste talismã! O céu, a
Terra, o Sol, os sábios, todos estarão entre mim e o inimigo. Sua força
recairá sobre eles: pela força deste talismã! Este talismã é para mim e
outros que o usam como uma armadura todo-poderosa. Ascende às
esferas como o Sol subindo no céu, destrói toda mágica contra mim. É
força potente e os Rashas tombarão diante dele! Indra, Vishnu, Savitar,
Rudra, Agni, Prajapati, Parameshthin, Viraj, Vaysvanara, todos eles, os
espíritos poderosos, estarão por trás do amuleto que é ligado ao clima,
como uma poderosa armadura. Ó mais poderosa das árvores, potente
como um líder entre feras, vós sois meu guardião e meu socorro, pois o
que precisei encontrei. E eu, usando este amuleto como um tigre, como
um touro, como um leão, nada pode tocar-me, portador deste
encantamento. Aquele que o usa pode tudo comandar e ser seu
dominador. Feito e produzido por Kassyapa, usado por Indra em suas
batalhas, ele era sem dúvida um vencedor. É o poder dos espíritos que
faz este amuleto ter seu poder multiplicado mil vezes. Ó Indra, com um
chicote de cem raios e relâmpagos, golpeai aquele que quer me golpear,
por virtude deste encantamento! Que este grande e poderoso talismã leve
à
vitória sempre que usado. Produz crianças, fecundidade, segurança,
fortuna! Aqueles que são contra nós no Norte, no Sul, no Oeste, no Leste,
prostrai-os, ó Indra! Minha proteção, como uma armadura é o Sol, o dia e
noite, os céus e a Terra. Minha proteção é Indra e Agni. Dhatar me dará
essa proteção! Todos os espíritos que existem não conseguem
a
atravessar as defesas de Indra e Agni: é essa a força que tenho entre mim
e
meu inimigo. ó espíritos! Deixai-me envelhecer e não ter cortada minha
juventude!”
Nada pode acontecer ao portador deste amuleto. Ele é o talismã da
invulnerabilidade!
Se o talismã estiver sendo dado a alguém por um feiticeiro, o
mestre terminará sua fala com as palavras:
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po “Este é o talismã todo-poderoso!
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
“Este é o talismã todo-poderoso! Ó Indra, doador da prosperidade,
matador de Vritra, senhor supremo dos inimigos, conquistador,
salvaguarda em todos os perigos, protegei este homem e dai-lhe sua
ajuda, dia e noite!”
Algumas vezes é feita uma oferenda de manteiga. Se o amuleto é
desejado para ser usado na guerra, acende-se um fogo de flechas
partidas diante dele para simbolizar a destruição do inimigo""
Medicina Oculta dos Vedas
Segundo o Atharva Veda a maioria das doenças pode ser curada
com encantamentos.
Encantos contra dores:
A dor no pescoço (ou qualquer que seja a dor) desaparecerá. São
estas as 55 dores e as 77 dores e as 99 dores: todas elas desaparecerão!
Enquanto continua a repetição - que deve ser feita 70 vezes - 55 folhas da
planta parasu são acesas com alguns pedaços de madeira em brasa. A
seiva que sai das folhas é então coletada, na medida do possível, em uma
vasilha e aplicada às dores.
Mas talvez mais atraente ao público em geral que gosta de
encantamentos seja o seguinte, destinado a combater todos os males, a
banir todas as doenças de qualquer origem:
Encanto contra todos os males:
“Livre-me, força má; por favor, 'livre-me, vítima infeliz de sua
malícia! Deixe-me escapar dessa coisa má e ser feliz outra vez! Se não me
libertar, então a abandonarei no próximo cruzamento, e você seguirá e
tomará um outro! Vá, siga outro: tome o homem que é meu inimigo,
ataque-o!
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po A manufatura desse encanto é
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
A manufatura desse encanto é complicada pelo ritual que
suplementa as recitações. Elas são repetidas à noite, enquanto milho
seco é peneirado e depois desprezado. No dia seguinte o invocador atira
três oferendas de comida em água corrente, como sacrifício ao espírito
dos mil olhos. Numa encruzilhada ele então espalha três porções de arroz
cozido como isca para que entre o mal, antes de ir morar no corpo do
inimigo a quem se destina.
Venenos, diz o Veda, podem ser combatidos por meio deste ritual.
Primeiro é recitado o encanto, em voz baixa, reverenciando um ídolo que
representa o deus-serpente Takshaka. Enquanto isso, o paciente toma
uma pequena quantidade de água, enquanto água é também borrifada
sobre ele. Essa água deve ter sido especialmente preparada
mergulhando-se nela um pedaço da árvore krimuka. Em seguida, uma
peça de roupa velha é aquecida e mergulhada em outro recipiente com
água que o paciente tem de beber também. Alguns misturam as duas
bebidas com manteiga clarificada e mexem a poção com lâminas de
flechas envenenadas. Talvez não surpreenda o fato de se esperar que o
paciente fique doente depois dessas cerimônias. Este é o encantamento a
ser recitado:
“Brahmana, bebida do sagrado Soma, o de dez cabeças e dez
bocas, deixava os venenos sem efeito. Eu anunciei, por toda a amplidão
dos céus e da Terra, por todo o espaço, a força deste encanto.
Garutamant, a águia, bebeu o veneno: mas não teve efeitos contra ela. Da
mesma forma eu desviei a força do veneno, come uma flecha é desviada.
Ó flecha, tua ponta e teu veneno não têm poder: igualmente, todos
aqueles envolvidos na fabricação e uso deste veneno, eu deixei também
impotentes. Mesmo os penhascos onde crescem as plantas do veneno
tornaram-se sem poder diante de mim. Tudo deste veneno é negativo.
Veneno, teu poder se foi!”
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Encantos contra doença e demônios
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Encantos contra doença e demônios
O mago do Atharva tem de proteger contra doenças e demônios: as
primeiras em função de seus clientes - muitas vezes reis antigos e suas
famílias - os últimos porque podem afetar adversamente sua magia. O
seguinte encantamento é tido como eficaz contra ambos os tipos de
ameaça e também contra doenças causadas por espíritos malignos.
Primeiro é feito um amuleto de madeira da árvore gângida e sobre ele é
entoado o encantamento:
“Os videntes, falando em nome de Indra, deram Gângida aos
homens. Ela foi feita remédio pelos deuses, desde o princípio, e
destruidora de Vishkandha. Protegei-nos, Gângida, pois cuidamos de
vossos tesouros; na verdade os deuses e os brâmanes fizeram-na
proteção que anula as forças do mal! Eu me aproximei do mau-olhado do
inimigo; Ó Mil Olhos, destruí todos eles! Gângida, sois nosso refúgio.
Gângida me protegerá dos céus, da Terra, das plantas, do ar, do passado
e
do futuro. Devo ser protegido em todas as direções! Possa a todo-
poderosa, protetora Gângida, deixar toda a magia dos deuses e dos
homens fraca e impotente!
Essa citação, além de seu interesse como típico encanto de
proteção hindu, revela que tal é o poder da árvore gângida que mesmo
encantos lançados pelos deuses não têm efeito contra ela. Notamos aqui
a magia surgindo com um poder quase próprio, força que parece existir à
parte dás meramente "emprestadas" de deuses e homens. Esse é um
ponto, penso eu, que tem sido insuficientemente notado por muitos
cronistas da prática mágica. Já se disse que o feiticeiro típico primeiro
apela para os deuses, depois repudia-os ou os ameaça se o
encantamento não funciona. Isso ocorre também em conjurações dos
judeus. Será isso certamente uma extensão da idéia de que o deus ou ser
a
que se dirige não é o mais alto poder invocado? Em códices mais
recentes em que as fórmulas cristãs foram submetidas às mais primitivas,
isso é muito claro. Igualmente, também, se poderia sustentar que ás
deuses ou espíritos pagãos invocados para servir o feiticeiro agem
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po meramente como intermediários ou agentes
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
meramente como intermediários ou agentes do poder por cujo mandato a
magia é exercida. Qual é esse poder maior? Pode ou não se referir ao
desejo unitário subconsciente do homem? Isso levanta questões
teológicas, mas pode resultar um campo de estudos fértil, se pelo menos
os ocultistas ou mesmo os antropólogos se aventurassem além das
trilhas conhecidas; isto é, se eles parassem de se contentar com
meramente catalogar as observações de outros.
Em última análise deve-se notar que encantos e fórmulas sozinhos
nem sempre são suficientes para efetuar uma cura. Isso explica por que
vários encantamentos para o mesmo fim são prescritos nos registros
mágickos. Se, portanto, um encanto não funciona, outro é experimentado
e assim por diante até que se encontre a cura? Fizemos essa pergunta a
um sacerdote brâmane sobre códigos mágickos do hinduísmo. Ele
respondeu que esse era um método ocidental, empírico, de colocar o
carro na frente dos bois. Segundo posições estabelecidas a cura não só é
possível, mas certa. Pode ser, entretanto, que certas influências
planetárias sejam apropriadas a um tipo de encantamento e não a outro.
Ou pode ser que um tipo de demônio cause uma doença e outro tipo,
outra. Esses fatos deveriam ser conhecidos de todos os praticantes da
medicina oculta.
Daí a variedade de encantos e amuletos empregados em várias
circunstâncias. Esse praticante citou então a seguinte alternativa de
exorcismo para a doença:
Exorcismo da árvore varana
Esta doença deve ser cortada pela divina força da árvore Varana;
assim também os deuses terminarão esta doença! Estou curando esta
doença a comando de Indra, a comando de Mitra, e por Varuna e todos os
deuses. Assim como Vritra suspendeu o fluxo destas torrentes eteinas,
assim encerro esta doença nesta pessoa, com o poder de Agni
Vaisvanara.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Certas plantas, assim como a
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Certas plantas, assim como a água e a cevada, são adjuntos
importantes ao poder dos encantamentos e amuletos. A fim de expor o
poder latente desses objetos, eles têm de ser consagrados e
"sensibilizados".
O próprio fato de o mago ter em sua casa esses elementos mágicos
atrairá o poder oculto, que aumentará de intensidade dia a dia. Esta é a
oração geral feita diante de água fresca e cevada:
“Esta cevada foi arada com força e foi usada em ramos de oito e de
seis. Doenças serão curadas com ela. Assim como os ventos sopram
para baixo, o Sol brilha para baixo, para baixo sai o leite da vaca, que se
vá assim à doença (que pode ser curada com isto)! A água cura; a água
leva a doença; a água cura todos os males; estas águas farão uma cura
para vós!
Hino às plantas:
Quando plantas mágicas são colhidas frescas com propósitos
curativos este hino é entoado sobre elas:
“Invocamos as plantas marrons, brancas, pintadas, coloridas e
pretas; elas devem proteger esta pessoa dos males mandados pelos
deuses: seu pai é o céu, sua mãe, a Terra, raízes e oceano. Plantas
celestiais expelem doenças pecaminosas. As plantas que se espalham,
plantas que crescem em arbustos, algumas de uma só vagem, e aquelas
que são trepadeiras; essas invoco. Chamo as plantas que têm brotos,
plantas que têm caules, aquelas que dividem seus membros, as que
foram feitas pelos deuses, as fortes, que dão vida ao homem. Com a força
que é sua, ó poderosas, com o poder e a força que são seus, com isso, ó
plantas, livrem este homem de sua má saúde! Agora estou fazendo um
remédio. As plantas gívala, naghrisha, givanti e a planta arundhati, que
curam (doenças), estão florindo e eu as chamo para ajudá-lo. As plantas
sábias devem vir aqui, elas entendem o que estou dizendo e podemos
nos juntar para em segurança levar este homem à boa saúde. São os
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po bens do fogo, as filhas
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bens do fogo, as filhas da água, elas crescem e recrescem, fortes,
curativas, plantas curadoras, com mil nomes, todas trazidas aqui. Plantas
espinhosas, expulsem o mal. Plantas que agem contra a bruxaria deverão
vir aqui, plantas que foram compradas, que protegem animais e homens,
elas virão. Os topos, os fins, os meios de todas essas plantas são
embebidos de mel e todas elas devem, mesmo aos milhares, ajudar
contra a morte e o sofrimento. O talismã feito de plantas é como um tigre;
protegerá contra a hostilidade, curará todas as doenças. Doenças
correrão com os rios
Essas invocações continuam por muitas linhas. Invocando todos
os tipos de deuses e poderes, falando de exemplos clássicos da mitologia
indiana, onde grandes batalhas foram vencidas e perdidas, a trovejante
voz do mago prossegue implacavelmente em seu esforço de juntar todos
os poderes que pode invocar. Ao oscilar levando os quadris para frente e
para trás, o brâmane tem de marcar com a cabeça o ritmo da recitação e
deve sentir o poder derivado das plantas crescerem perceptivelmente no
interior de seu corpo. Isso me foi descrito como uma sensação física real.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po A Magia Bon-Po Seus Ritos
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
A Magia Bon-Po
Seus Ritos
promoção no outro mundo
“Dedico-me a obter o poder e o conhecimento neste mundo e a
- Rito da Invocação da Árvore Asuvata.
Apesar da pouca pesquisa comparativa sobre os fundamentos da
tradição oculta oriental e ocidental que tem sido feita por estudiosos
imparciais, certos princípios importantes a esse estudo já foram
estabelecidos. Talvez o mais surpreendente deles seja a estranha
similaridade entre a escola grega antiga, os ritos dos cabalistas judeus e
os discípulos arcanos do veda na Índia e os Códices Tibetanos.
Resultantes de uma abordagem mística às maravilhas conseguidas
por meio da magia, todas essas escolas abarcaram em comum os ritos de
purificação, vestimentas cerimoniais, encantamentos e ascetismo. A
santidade do nome divino, cuja simples enunciação era reservada para
ocasiões especiais, e três graus de iniciação constituem outra pedra de
toque de sua prática oculta.
Que são as escolas mágickas orientais e como atingem seus
objetivos? Em primeiro lugar, a Índia, China, Tibet, como qualquer outro
país, está cheia de charlatães cujo principal objetivo na vida é meramente
sobreviver através de prestidigitação ou truques, alguns dos quais
extremamente engenhosos. Mas grande parte da população se dá à
crença, senão à própria prática, da magia. Aqueles cuja única ocupação é
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po o estudo e a tentativa
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
o
estudo e a tentativa de utilizar a ciência oculta - como os sadhus e os
faquires - se preparam com uma das mais rígidas e austeras disciplinas
da história humana.
Ao mesmo tempo, seus "milagres" - que eu mesmo presenciei e
tentei testar como cientificamente possíveis - parecem superar em
âmbito, todo o resto.
Em resumo, a ciência oculta hindu repousa na crença de que o
poder sobre toda e qualquer coisa da Terra pode ser obtido por meio de
espíritos benignos. Assim como com os chineses, tais seres podem ser
as almas dos falecidos ou simplesmente entidades sem corpo sob cuja
supervisão estão as leis da natureza. Se, por exemplo, se deseja interferir
com a lei da gravidade, o espírito que guarda essa lei deve ser invocado e
pedida a sua ajuda. Esse tipo de experiência é considerado dos mais
elementares; tão surpreendentes são os resultados obtidos por esses
sadhus que sou quase levado à conclusão de que deve haver alguma lei
natural ainda não descoberta no Ocidente, a qual permite que aparentes
milagres sejam realizados por aqueles que sintonizam suas mentes nesta
faixa.
Eis um caso interessante: nosso instrutor, um mago, iria
demonstrar alguns truques a um grupo de pessoas do nosso círculo de
estudos. Vestindo um traje comum, camiseta e jeans e trazendo apenas
um bastão com sete anéis - o emblema ou varinha mágica dos ocultistas.
Foram feitos vários testes. Primeiro foi pedido que fizesse uma cadeira
levitar e flutuar no espaço. Franzindo as sobrancelhas em profunda
concentração, ele fechou os olhos e estendeu ambas as mãos na direção
da maior cadeira da varanda. Em dez segundos - marcados num
cronômetro - a cadeira pareceu subir e, oscilando ligeiramente, flutuar
realmente no espaço, a uma altura de cinco pés. Pessoas se aproximaram
e
a puxaram pelas pernas. Ela desceu para o chão; mas assim que
soltaram subiu de novo. Perguntei se ele podia fazer-me flutuar com a
cadeira. Ele assentiu com a cabeça. Puxando-a para baixo de novo - e a
coisa agora parecia ter vida própria - sentei-me na cadeira e flutuei no ar.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Convencido de que havia alguma
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Convencido de que havia alguma espécie de hipnose por trás disso, fiz
com que ele elevasse toda a mobília do lugar. Depois lhe pedi que
trouxesse flores de um jardim próximo - e elas apareceram. Não tínhamos
uma câmara fotográfica, senão essa teria sido uma oportunidade de testar
o assunto de uma vez por todas. Mas eu não podia acreditar que a
hipnose, tal como nós a conhecemos, pudesse existir ali. Em primeiro
lugar, a indução ao estado hipnótico teria sido incrivelmente rápida; em
segundo lugar, mesmo enquanto os fenômenos estavam ocorrendo, eu
não podia me fazer acreditar que eles fossem genuínos. Eu não parecia
estar de forma alguma “en rapport” com o mago, pois podia facilmente
voltar à minha lista prévia de fenômenos e pedir-lhe que me fizesse mais
alguns. Mas o que finalmente dissipou minha suspeita de que a hipnose
enquanto tal estivesse sendo usada foi o seguinte: pedi que me
descrevesse o conteúdo das próximas duas cartas que eu recebesse e ele
o
fez corretamente. Em seguida, pedi-lhe que me trouxesse
imediatamente um objeto pertencente a minha namorada, uma corrente
com um símbolo egípcio do olho de Horus. E o objeto apareceu. Na
manhã seguinte, enquanto eu tomava o café da manhã, ela me ligou me
contando sobre sua perda, no que imediatamente eu disse que não se
preocupasse porque estava comigo. Ela estava um pouco confusa. Disse
ele
ter sonhado comigo na noite anterior que me tinha emprestado a
corrente. Que pensar? Meu instrutor veio, conforme disse, "para
demonstrar os poderes que vêm a um homem que segue genuinamente o
caminho da virtude". Hipnose, materialização e vidência.
Essa experiência é representativa de grande número de
experimentos que eu e vários outros estudiosos da tradição oculta
realizamos durante um período de quase 8 anos. Alguns traços gerais da
minha prática mágicka surgiram desse estudo.
Em primeiro lugar, parece possível, se não provável, que certo
número de magos pode induzir de fato fenômenos que seriam
classificados como sobrenaturais. Qual a natureza de seu poder, qual a
sua fonte? Em conjunto com vários investigadores ocidentais, fui forçado
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po à conclusão de que temos
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
à conclusão de que temos de conceber a existência de alguns princípios
cujo controle se torna possível através das disciplinas dos sacerdotes
magos orientais em geral. Pode ser oculto, desde que qualquer coisa não
compreendida pode ser chamada de oculto: é muito mais provável que
sejam forças, talvez afins ao magnetismo ou eletricidade, ou formas
disso, cujas funções ainda não é compreendida pela ciência. Afinal
sabemos muito pouco sobre a natureza da eletricidade ou do
magnetismo, ainda hoje. Sabemos como usar essas forças e sabemos o
que elas podem fazer. No entanto, foram conhecidas durante séculos
antes de serem controladas. O que coloca essa "força oculta" numa
posição ligeiramente diversa é o aparente fato de que seu uso é feito
através de controle mental.
Notem que na minha narrativa existem três tipos de fenômenos
mágickos em ação. É possível que houvesse uma espécie de hipnose de
estalar os dedos e que isso pudesse ser induzido em questão de
segundos ou minutos, à vontade do operador. Entre uma e outra (isto é,
quando liberado pelo mago) se sente bastante normal, como eu. Em
segundo lugar, a previsão quanto ao conteúdo das cartas. Isso é difícil de
avaliar mas não é faculdade desconhecida - suspeito que apenas não
reconhecida. Depois há o problema de "projeção da matéria": quando a
corrente foi aparentemente trazido duma distância sob circunstâncias
misteriosas e por meio de um poder desconhecido. É interessante
também que minha namorada parecia estar sob a impressão de que eu o
emprestara.
Por outro lado, pode muito bem ser que um dia se inventem
máquinas capazes de controlar esse estranho poder ou força. De minhas
observações pessoais dos estados de transe dos praticantes, concluo
que a maior barreira para o estudo objetivo desse poder é a carência de
cientistas dispostos a se submeter ao rigoroso treinamento necessário
aos adeptos.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po É verdade que os sadhus
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
É verdade que os sadhus dizem que seu poder vem diretamente
dos espíritos, que eles não possuem em seu íntimo nenhuma habilidade
especial, exceto a de concentração. Ao mesmo tempo um homem pode
acreditar que o fogo seja um espírito e mesmo assim ser capaz de usá-lo
a seu bel-prazer. Isso parece indicar a possibilidade real de algum
principio ou força, cuja natureza não é inteiramente compreendida, usado
por parte dos magos hindus.
Seja qual for à verdade desses fenômenos, a seguinte dissertação
dá detalhes da iniciação e disciplina do sacerdotado Bon-Po, segundo o
seu tratado mágicko.
Ritos e invocações, segundo o
Bön theg-pa-rim-dgu
A primeira parte desse tratado secreto das ciências ocultas
tibetanas trata dos ritos que devem ser observados pelos pais de uma
criança, desde o nascimento, até que tenha idade suficiente para receber
o grau inicial de noviciado. O treinamento nos poderes mágicos não se
inicia, porém, antes da terceira parte do trabalho, cujo estudo começa na
idade de cerca de 20 anos, quando o jovem tibetano abandona seu guru
(mestre) e se lança ao que poderia ser chamado de estudo individual.
Portando agora o titulo de bongrihasta, o jovem mágico começa
uma austera vida de rituais e tabus, de invocações e jejum, de orações, e
sacrifícios. Para sua tranqüilidade, todos os detalhes de sua vida futura
são meticulosamente planejados pelo livro, e qualquer omissão da menor
observância que seja é punida co m o atraso de seu desenvolvimento
espiritual.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Dormindo no chão, sobre uma
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Dormindo no chão, sobre uma simples esteira, ele tem de se
levantar antes do amanhecer. Assim que está de pé deve falar o nome de
Dorje Naljorma – o deus da sabedoria, invocando aquela divindade para
ajuda e bênção. Segue-se então a fórmula suprema, em voz baixa:
“Dorje Naljorma, vós, e o Espírito dos espíritos das sete esferas:
Invoco a todos pedindo que o dia nasça. A isso se segue a invocação a
Bön: “Bön, vem a mim, entra em mim, é Bön, a tranqüilidade e as bênçãos
estejam comigo
calmo.
Tsho-gyalma (deus da felicidade) está comigo, estou
Srid-pa-chags-po-lha-dgu
Conjuração de Dorje Naljorma:
Isto é dito imediatamente depois da prece a Srid-pa-chags-po-lha-dgu –
Criador dos nove deuses:
“Senhor, maior de todos, base de tudo e poder além de tudo,
Senhor do universo, iniciador de toda a vida: vós me instruístes, vós me
comandastes, para que me levante e tome meu rumo nisto, minha vida
cotidiana.”
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Segue-se então um período de
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Segue-se então um período de contemplação, Uma hora devotada
exclusivamente a pensar o bem; e ao planejamento da amabilidade e de
atos piedosos que devem ser feitos durante o dia. Depois que a mente
está assim assentada e calma, "diga então o nome de Dorje Naljorma, mil
vezes".
Isso leva o mago às suas abluções rituais, que são feitas num
recipiente de cobre ou bronze, com a mente concentrada em Dorje
Naljorma,
Terminado o banho, ele gira lentamente, nove vezes, repetindo os
nomes: Dorje Naljorma, depois mais nove vezes e depois três vezes.
A parte seguinte do ritual é a invocação ao Sol:
“Sois o Sol! Sois o olho de Srid-pa-chags-po-lha-dgu, o olho de
Dorje Naljorma: de manhã, ao meio-dia e à noite. Mais precioso que tudo,
sois a jóia das jóias, vigilante sem preço sobre todas as coisas, suspenso
no céu'. Esse é vosso poder: fertilizador da vida, vara do próprio tempo -
de dias, noites, semanas, anos, estações - todo o tempo. Dos planetas
sois o líder, o mais alto. Destruidor das trevas, poder que se estende por
incontáveis milhões de milhas, carro dourado do universo, aceitai minha
oração!
Rito da árvore
Os ritos continuam com uma invocação diária à árvore – uma
figueira. O mago se senta à sua sombra, repetindo as seguintes palavras:
“Ó vós, yar-lha-sham-po (deus do espaço infinito), rei das selvas,
representação dos espíritos! Em vossas raízes vejo luz, em vosso tronco,
energia, vossos ramos são dedicados a força. Isso significa que sois em
vós mesma a trindade dos deuses!
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Dedico-me a conseguir o poder
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Dedico-me a conseguir o poder e o conhecimento neste mundo e a
promoção no outro mundo. Todos os que honram a vós, circulando em
torno de vós, conseguirão esses objetivos!
Começando com o número sagrado, sete, o mago gira então em
torno da figueira sagrada com voltas somando sempre um múltiplo de
sete. Deve fazer isso pelo menos 84 vezes.
Isso conclui a cerimônia da árvore e é seguido do vestir de roupas
limpas, mais um período de meditação e dedicação ao sacrifício que o
operador realizará então.
Ritos de sacrifício do mago
O quarto que foi especialmente separado para o rito, ou
especialmente limpo em preparação, é então escurecido. Um vaso de
água e uma pequena tigela contendo arroz cozido são colocados na
mesa, que serve de altar. Acima disso, uma lâmpada pendurada queima
incenso e um pouco de pigmento amarelo, geralmente açafrão ou
sândalo.
O operador então bate palmas ou estala os dedos diante das portas
janelas, "selando-as" contra maus espíritos. Um círculo imaginário é
também desenhado diante da porta.
e
Duas pequenas imagens - uma do mágico, outra para abrigar os
espíritos do sacrifício em sua aparição - são então feitas de lama e água,
e
colocadas um pouco diante de uma chama. Elas compreendem assim
os elementos fogo, terra, água e ar.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Evocação do espírito O mago
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Evocação do espírito
O
mago se senta no chão diante do altar em que colocou as figuras.
Cruza as pernas e passa alguns minutos em reflexão. Com o polegar
direito ele tapa a narina direita. A palavra mágicka “yoom” (inhóm) é
então pronunciada em voz alta 16 vezes. A cada repetição da palavra, o
invocador deve se concentrar no espírito que se quer invocar. Deve inalar
profundamente pela narina esquerda, imaginando também que seu corpo
está desintegrando e que ele está se tornando tão puro e incorpóreo
como um espírito. Quando 16 ou mais repetições da palavra se
completaram ele fecha ambas as narinas com o polegar e indicador da
mão direita. Segurando a respiração tanto quanto possível ele entoa a
sílaba mágica “room” seis vezes. Teoricamente ele deverá ter atingido o
estágio em que não lhe é necessário respirar. Na verdade, "o espírito
aparece mesmo que se respire".
O
próximo passo é a pronúncia da palavra todo poderosa “loom” 32
vezes. "Sua alma deixará então o corpo. Ela se fundirá ao espírito lunar e
depois retornará ao corpo. Ao recobrar sua consciência, você descobrirá
que o espírito invocado apareceu e se localizou em sua morada
temporária na figura de barro preparada para ele."
Cuidando de não fazer nenhum erro no ritual sai o mágicko do
transe, repetindo três vezes “oom” e nove vezes “yoom”. Olhando a
fumaça do incenso o estudante invoca o espírito:
“Ó poderoso espírito de Darmapala! Grande e nobre! Eu vos
invoquei e vós aparecestes! Eu providenciei um corpo para vós - um
corpo feito de meu próprio corpo. Estais aí? Vinde, manifestai-vos nessa
fumaça; partilhai daquilo que ofereci como sacrifício por vós!
O
livro prossegue contando como aparecerá a forma do espírito na
fumaça e tomará um pouco da oferenda de arroz. Ele trará então qualquer
espírito que se queira, inclusive o de antepassados. Darão conselhos e
responderá qualquer pergunta que lhes seja feita.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Quando "respostas devidas sobre assuntos
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Quando "respostas devidas sobre assuntos naturais e
sobrenaturais" já foram recebidas, o mago apaga a lâmpada. Os espíritos,
continua o livro, ficarão ainda um pouco, conversando entre si, e muita
sabedoria se pode aprender de sua conversação. Depois de partirem, o
operador pode reacender a lâmpada e levantar-se.
Ele então removerá as cobertas das portas e janelas e informará os
maus espíritos (que foram obrigados a permanecer nos círculos mágicos)
que estão livres de novo. Só depois disso ele pode comer.
Depois de terminar sua refeição o sábio lava as mãos, gargareja 12
ou mais vezes e come nove folhas de hortelã. Depois disso é preciso
praticar uma ação piedosa. E isso assume geralmente a forma de ser
caridoso com os pobres.
O
mestre, entre os monges Bon-Po tibetanos é tido como possuidor
- por meio de observâncias como essas - de poderes supremos e
surpreendentes.
Para ele não existem deuses: pois todos os deuses e espíritos
estão abaixo dele. Ele recebe seu poder do Ser Supremo. Ele pode,
usando apenas sua voz, mudar o curso de rios, transformar cordilheiras
de montanhas em desfiladeiros, produzir granizo, fogo, chuva e
tempestades. Seu poder está em seu bastão: o bastão com sete anéis (ou
nós). Ele comanda todos os espíritos do mal do mundo para dentro do
círculo mágico, por meio de seu bastão. Até as estrelas estão sob seu
comando.
O
círculo mágicko do mestre - que pode ser desenhado na areia ou
simplesmente descrito no ar com seu bastão - é um duplo círculo. Entre
os
dois há uma sucessão de triângulos entrelaçados.
A
estranha e desconhecida doutrina hindu do akasa (espírito da
vida ou espírito do poder) está na base de todos os fenômenos ocultos
descritos ou tentados pela escola tibetana.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Em resumo - se é
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Em resumo - se é possível resumir-se tal assunto - akasa significa a
força de que todos os espíritos fazem parte. É também fonte de todo
poder. Existe, segundo afirmam os iogues, apenas uma substância da
qual derivam todas as coisas. Leis naturais, tais como a gravidade ou o
processo vital do homem ou vegetal, obedecem a certais leis. Essas leis
não 'são fenômenos distintos ou diferentes: são apenas fases do akasa.
Um mago oriental sustentaria que matéria e energia são a mesma coisa:
apenas aspectos diferentes de akasa, que é o princípio de que são ambas
compostas. Pesquisas recentes confirmaram essa convicção. Akasa num
estado origina a vida animal. Em outro determina o movimento dos
planetas. Uma forma ou estado dele pode ser transformado em outro.
Assim para anular a força da gravidade basta carrega-lo com uma forma
mais leve de akasa. Se você quer levantar uma carga de dez toneladas é
necessário mudar o tipo de akasa presente na carga. Se as dez toneladas
são de aço, você terá de transformar "akasa aço" em alguma outra coisa.
A ciência moderna admite com a teoria atômica que toda matéria é
composta da mesma matéria-prima - eletricidade. Onde esta teoria
oriental difere da ciência ocidental é no ponto em que os orientais
afirmam que essa matéria-prima - akasa - pode ser mudada por meio da
mente e não por métodos mecânicos. Incidentalmente, muito semelhante
é o argumento filosófico árabe sobre a transformação dos metais.
Sustentavam os alquimistas árabes que o ouro só podia ser feito pela
concentração de um intelecto místico maduro e apropriado. Podia ser
feito de qualquer coisa, mas transformar um metal em outro era mais fácil
do que, digamos, tirar ouro da madeira.
Magia do Amor
Um dos ramos mais populares da magia no Tibet é o da magia
venérea. Esse termo (conhecido como anyesrmachen) cobre todas as
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po formas conhecidas de associação com
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
formas conhecidas de associação com o sexo oposto. Os homens vão
aos práticos para obter o amor de uma mulher que pretendem desposar;
as mulheres que querem filhos compram amuleto com essa finalidade;
aqueles que já são casados invocam os espíritos para apascentar
discórdias ou garantir -a reconciliação.
Rito para conquistar o amor apaixonado de uma mulher:
Esta fórmula é repetida tantas vezes quantas possível, durante o
crescente da Lua e é tido como universalmente funcional:
“Com a flecha todo-poderosa do amor, penetro seu coração, ó
mulher! Amor, amor que perturba, surgirá em ti, amor por mim!
Essa flecha, voando reta e certeira, lhe fará arder de desejo. Tem a ponta
do meu amor, sua lâmina é minha determinação em possuir-te!Sim, teu
coração está ferido. A flecha chegou certo. Por estas artes subjuguei tua
relutância, estás mudada! Vem a mim, submissa, sem orgulho, como eu
não tenho orgulho, mas apenas querer! Tua mãe não terá forças para
impedir tua vinda, nem teu pai conseguirá deter-te. Estás completamente
em meu poder. Ó Bstanma-bcu-gnhyis – deusa rainha das nove deusas -
despi-a de sua força de vontade! Eu, apenas eu, tenho poder sobre o
coração e a mente de minha amada!”
Essa fórmula é acompanhada da manufatura e manuseio de uma
flecha que é a contrapartida física da flecha imaginária mencionada no
texto. Assim como com outros encantos desse tipo, o rito pode ser
realizado pelo amante ou por uma feiticeira contratada por ele.
Fórmula para conquistar a paixão de um homem:
Existe grande número destes encantos. Em geral, eles seguem
padrão similar aos empregados pelo sexo oposto. A maior diferença
parece residir no fato de que eles devem ser praticados pelo menos sete
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po vezes e as mulheres são
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
vezes e as mulheres são sempre aconselhadas, por alguma razão, a não
confiar suas atividades mágicas a outras mulheres. Estou possuída do
abrasador amor por esse homem e esse amor me vem de Bstanma-bcu-
gnhyis, que vence sempre. Que o homem pense em mim, que me deseje,
que seu desejo queime por mim! Que esse amor venha do espírito e o
envolva! Que ele me deseje como nunca antes! Eu o amo, quero-o: ele
tem de sentir o mesmo desejo por mim! Que ele se encha de amor; ó
espírito do ar, enche-o de amor; que ele arda em amor por mim!
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po O Mago Bon-Po, seus atributos
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
O Mago Bon-Po, seus
atributos e seus Poderes.
O
Tibet, mais do que qualquer outra parte do mundo, sofreu uma
onda de deturpações, distorções e deslavadas invenções na literatura
ocidental quase sem paralelo em qualquer época. Ao ler as supostas
viagens de escritores que nunca saíram da cadeira, as estranhas lendas
de magia, mistério e maravilhas espirituais que se supõe formarem a vida
tibetana, a gente se lembra dos caprichosos mapas, dos antigos
geógrafos. Quando não estavam seguros dos contornos de um ou outro
lugar eles enchiam o espaço com lendas tais como "aqui vivem dragões".
Na verdade, o Tibet é um dos últimos países onde floresceu o
budismo sem muita interferência de estrangeiros. Sua história budista,
entretanto, demonstra que em desenvolvimento cultural ele está bastante
atrasado em relação a lugares como Bamiyan no Afeganistão, onde, antes
que o islamismo o substituísse, muito do desenvolvimento extra-indiano
da arte e teologia budista teve lugar. E também o Tibet certamente não é
impenetrável. É muito mais fácil entrar e ganhar a confiança dos lamas do
que entrar em Meca ou tirar fotografias do túmulo de Mahdi no Sudão.
O
segundo ponto a se lembrar a respeito do Tibet é seu tamanho.
Os ocidentais que lá estiveram, em quase todos os casos, passaram a
maior parte de seu tempo em Lhasa ou na parte que os tibetanos
chamariam de "acessível". Vieram da Índia, Nepal e China. Alguns
chegaram pela rota de Kashmir. Muito poucos, talvez nenhum, foram às
áreas leste e nordeste, ao Turquestão Oriental e Mongólia. No entanto,
são nessas partes que prevalecem os aspectos mais importantes do
lamaísmo e bonismo.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po O budismo é uma importação
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
O budismo é uma importação relativamente recente no Tibet.
Existem, na verdade, mosteiros grandes e ricamente dotados, milhões de
devotos. Nas partes ocidentais do país, diz-se que uma de cada oito
pessoas é monge, freira ou acólito da jóia do Iótus. Essa parte da
população foi profundamente afetada pelas idéias religiosas através da
propaganda budista durante os mil e quinhentos e poucos anos da
chegada da religião da Índia e desde então seu número cresceu com a
migração de monges afegãos durante e depois da conquista muçulmana
do Afeganistão.
Todavia, apesar de o Tibet ser chamado de "o país mais religioso
do mundo", isso é também um exagero. Duma posição meramente
antropológica o país está longe de ser urna unidade. Em primeiro lugar,
existe a luta constante entre três elementos da parte budista: os budistas
puros, que constituem o sacerdotado estabelecido, o público leigo e os
tantras, que têm ganhado poder nos últimos 30 anos.
A
Igreja budista estabelecida, tanto aqui como em todos os países
que professam essa fé, não tem tempo para a taumaturgia mágicka e
sobrenatural. A vida é dedicada à contemplação e ao aperfeiçoamento da
alma como pré-requisito para a reencarnação. Não há atalhos para o
Nirvana e as ambições deste mundo não são para o devoto budista
ortodoxo. Por que então deveria ele se permitir a magia? Pelo contrário, a
magia em todas as suas formas não só é mal vista entre o clero
estabelecido do Tibete, como também claramente proibida. E o verdadeiro
budista leva muito a sério sua religião. É por isso que se deve descontar
resolutamente todas as alegadas histórias de maravilhas dos lamas de fé
budista do Tibete.
O
laicado, por outro lado, ainda está permeado até certo ponto de
crenças derivadas em parte do animismo pré-budista do país (bonismo) e
em parte da forma tantra de lamaísmo, afluente do rito ortodoxo.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Os lamas, de qualquer tendência,
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
Os lamas, de qualquer tendência, se inclinam a olhar com
superioridade os não-iniciados, deixando-os seguir as práticas mágickas
contidas nos poucos livros disponíveis. O acesso a livros de aprendizado
mais eleva do e significado mais esotérico é, restrito não apenas por sua
escassez, mas pelo obtuso de seu sentido.
Provavelmente, a maior parte do país está dominada grandemente
pelo ministério "espiritual" do Iamaísmo não-ortodoxo e particularmente
do bonismo. Pode-se dizer que o bonismo, se parece intimamente com a
religião taoísta e xamanísticas que foi tratada neste livro. Acreditando na
possibilidade de atrair demônios, nos poderes das trevas e no bem, na
importância das palavras mágickas e nos poderes sobrenaturais de seus
sacerdotes, o bonismo é talvez o culto mágicko mais bem organizado do
mundo. Iguais aos budistas, contra os quais se empenham numa guerra
física e psicológica, os bonistas têm seus próprios grandes lamas, seus
exércitos e seus templos.
Muitos de seus lugares santos, seus mosteiros e palácios são
embelezados com um luxo que faria até o próprio palácio do dalai lama
parecer comum. Ao contrário dos budistas, eles repetem o credo (Om
Mani padme hum) de trás para a frente: Muh-em-padmi-mo! E também
diferentes de seus vizinhos eles acreditam na invocação da alma e desde
tempos imemoriais praticaram isso e o sacrifício humano em seus ritos
propiciatórios. Seu sacerdotado emite talismãs contra a doença e
demônios, e até mesmo para fazer a colheita aumentar ou minguar, para
provocar ou anular o amor, para tornar o portador invencível e rico. Estes,
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po como com os outros povos
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
como com os outros povos selvagens da Alta Ásia, são quase sempre
pedaços consagrados de ossos, cabelo, dente e metais comuns. A
adivinhação e augúrio são amplamente praticados, tanto pelos iniciados
como pelos leigos. Há uma estranha semelhança entre seus ritos de
propiciação ao espírito do Hades (Yama) e culto do dragão com os ritos
da missa negra da bruxaria européia.
Num ritual típico dos sacerdotes Bön, o chefe se senta numa
clareira solitária, cercado de seus associados menores. No centro do
local, cercado de pequenas vasilhas de incenso queimando, levanta-se o
altar, oferecendo-se carne, lã e pele de iaque ao espírito que se quer
invocar. A corneta de osso é tocada três vezes. A congregação canta a
invocação ao demônio e seus companheiros, chefiada por seu alto
sacerdote: Yamantaka! - repetida três vezes e depois mais tres. Todos
devem se concentrar na imagem da divindade que pode geralmente ser
vista em estátuas enormes e assustadoras nos templos bön: um monstro
com cabeça de touro, presas e chifres, pisando corpos humanos, com
ornatos de crânios e cabeças humanas, cercado de línguas de fogo.
Acreditam os bonistas que a divindade aparecerá e partilhará do
alimento, o que é sinal de que aceitou sua homenagem. O chefe então
dirige uma prece ao espírito, contando-lhe os desejos de sua gente, e
esses serão realizados. Aqueles que não dão o máximo de si para
contribuir com sua parte individual de força espiritual para a reunião,
sofrerão dores terríveis e poderão até mesmo perder a visão ou alguma
outra faculdade.
O bonismo, assim como o lamaísmo e o budismo, em geral não
procura converter. Se alguém não é dos iniciados, não importa a mínima.
Existe um interessante relato de uma reunião bön original do século 6 da
era cristã, que é típico daqueles ritos negros:
Os oficiais (tibetanos) se reúnem uma vez por ano para os votos
menores de fidelidade. 'Eles sacrificam carneiros, cães e macacos,
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po primeiro quebrando suas pernas e
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
primeiro quebrando suas pernas e depois os matando
Tendo sido
convocados feiticeiros eles invocam os deuses do Céu e da Terra, rios e
montanhas, o Sol, a Lua, as estrelas e planetas
Com a enorme pressão desse tipo de propiciação ao diabo,
corrente por quase todo o país, o budismo comum, devoto, do tipo de
Lhasa, está cercado pelos ritos tântrícos e mágickos. Tem havido várias
tentativas de combater essa ameaça, que começou, segundo se diz, com
Asanga, durante o século 6 e está condensada num livro muito lido,
Yogachara Bhumi Sastra. Diabos e deuses menores dos céus inferiores
são invocados e adaptados do budismo ortodoxo para servir como
gênios dos tantras. A reencarnação, conforme entendida pelo devoto e
inculto leigo do Tibete budista, está quase sempre muito longe do ideal
de seus seguidores ocidentais. Encontra-se freqüentemente com alguma
pessoa em vias de agir hostilmente (e, portanto contra a lei) contra a
outra, baseada em sua crença de que não teria tido esse pensamento
pouco caridoso se o outro indivíduo não o tivesse ofendido de alguma
maneira na vida anterior.
A contribuição do budismo ortodoxo à magia oriental na medida em
que afeta nosso estudo é bastante mais filosófica do que os ritos
familiares de pensamento mágico de outras partes do Oriente - com
exceção do sufismo. Já de início, a dedicação é tida tanto pelos budistas
tibetanos quanto pelos ocultistas como essencial para se conseguir a
concentração mental que todos desejam. Como outros pensadores
sobrenaturais os tibetanos enfatizam a higiene mental.
O buscador deve sempre se purificar antes de assumir qualquer
operação mágica. Algumas vezes ele tem de se assegurar de que esse
passo seja dado até mesmo por seus empregados. Às vezes é por nove
dias que inclui o tabu de contato com mulheres e a abstinência de peixe e
veado.
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po A mente deve ser sempre
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
A mente deve ser sempre purificada até que possa receber as
impressões que lhe permitirão tornar-se cada vez mais própria para a
eventual absorção ao Nirvana ou absorção pelo espírito do Todo. De onde
vem esse poder? Parte vem de dentro, daquela enjaulada pecinha de
força psíquica da misteriosa "estação sem fios" de alguma montanha
distante, à qual devem retornar todos os espíritos e da qual eles estão
destinados a reencarnar, na forma de seres encarnados, até que o
processo de purificação se complete e então o Nirvana perpétuo é a
recompensa.
Essas vibrações que devem guiar o anacoreta são perceptíveis em
todo o mundo. Elas guiam o iniciado, deixando o ignorante em sua
ignorância. Não é realmente papel do homem dedicado espalhar essa
doutrina ou mesmo reforçá-la, a menos que sua posição na vida seja tal
que assim o exija.
Os que atingem a quase-perfeição recebem dos lamas um anel de
alta graduação - doutores do budismo. Eles não devem pensar, no
entanto que atingirão a perfeição em apenas uma vida: isso só aconteceu
no caso do próprio Gautama. Nesse ponto é possível solicitar dispensa
da vida monástica a fim de se desenvolver para conquistar o mérito que
contrabalança o pecado.
Geralmente ele é avisado antes de deixar o mosteiro que
certamente retornará triste e alquebrado, para reaprender muito do que
perdeu no contato com os simples mortais. Aqui a filosofia esotérica do
lamaísmo difere radicalmente do sufismo apesar de orientalistas
superficiais se deliciarem em afirmar a íntima identidade entre os dois
sistemas.
Quando ele "retorna da vida de perfeição para a vida de
imperfeição" são retiradas duas Pedras de seu anel pelo mentor. A
primeira significa a perda que ele sofrerá, conforme já relatado, a segunda
porque ele "duvidou do conselho dado" para que permaneça no
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po lamastério. Quando a lição foi
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
lamastério. Quando a lição foi aprendida e o monge retorna, as pedras
são recolocadas e depois nunca mais são tiradas do dedo - "mesmo no
fogo da cremação".
Se, no entanto, o lama chega a tal perfeição que é embalsamado e
preservado, colocado por trás de uma veneziana para todo o sempre, o
anel é colocado acima dele. E então "todos os que olham os gloriosos
restos mortais e principalmente o anel, têm de piedosamente baixar a
cabeça diante de tal poder e tal grandeza e dizer uma prece que gira a
roda da oração para que a alma possa continuar tendo aquilo que
conseguiu tão penosa e lentamente no mais cruel de todos os mundos,
comparados ao qual os primeiros 12 anos de estudo monástico foram
leves como uma pena".
Existe mais do que uma mera insinuação da idéia de um
sacerdotado secreto mundial na explicação do caminho dos grandes
mestres que foi transcrito por Morag Murray Abdullah de um original
tibetano que se encontra num convento visitado por ela e que cito aqui:
“Os mestres de poderes místicos que escolhem viver afastados do
mundo podem ajudar, através da contemplação, os negócios de outros
povos distantes. Enquanto que aqueles que retornaram como
missionários e falharam, por qualquer razão, e retornaram assim à fonte
de todo conhecimento terreno, são quase sempre impedidos de continuar
auxiliando o mundo. Para eles só existe o ouvido. E eles se contentam,
devem se contentar com as inconsistências do mundo. Tendo trilhado
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po com sucesso o caminhe do
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
com sucesso o caminhe do esquecimento, que pode levar muitos anos, o
viajante pode ver todo o mundo colocado à sua frente. Ele poderá
enxergar aquilo que se desenvolverão em terremotos, guerras, fomes e
pode começar adiantadamente a mitigar com seus pensamentos os
sofrimentos humanos assim engendrados
Parte do treinamento para esse tipo de diagnóstico espiritual dos
males do paciente consiste em ficar ao relento na encosta de uma
montanha, dia e noite, durante uma semana - exposto na montanha,
durante o inverno. Três vezes ao dia o aprendiz é obrigado a mergulhar
um lençol em água gelada e envolver-se nele. Até que ele seque pelo
"calor interno gerado por suas concentrações". Se o lençol não seca ou o
lama sente frio, é porque sua concentração foi falha e o processo tem de
ser repetido. Os rigores desse treinamento não são do tipo que atrairia
nossos impacientes magos ou mesmo filósofos de cultos mais
ocidentalizados. Nos lugares onde reina essa paciência e rigidez, por seu
lado, não há espaço para os rituais mais breves que se destinam a
produzir o poder rapidamente, o treinamento tem como resultado urna
criatura doce e muito diferente do feroz feiticeiro que pode estar
escondido a algumas milhas de distância.”
"Os verdadeiros lamas do Tibete contam entre eles com alguns dos
últimos seguidores reais dós ensinamentos de seu mestre." Seria de se
esperar que eles não aceitassem estrangeiros e se encerrassem nas suas
reclusas montanhas, insensíveis a gestos cordiais. Ao contrário, eu os
achei semelhantes a crianças amigáveis, crédulos e desejosos de ouvir o
que eu tinha a dizer sobre o mundo de além. A princípio, originário do
Ocidente, onde a diplomacia não se confina apenas ao serviço
diplomático, duvida-se de sua sinceridade; eles parecem ao mesmo
tempo confiantes demais, como se a polidez superficial escondesse
alguma coisa menos recomendável por baixo. Isso, evidentemente, era
uma opinião pessoal, até que descobri que no íntimo assim como no
exterior eles pareciam não ter nenhum pensamento desairoso a respeito
de ninguém. Refiro-me a monges com uma década de serviços. Ao
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po ouvirem falar das maravilhas de
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
ouvirem falar das maravilhas de nosso mundo, que nunca verão, não
demonstram sinais de inveja, ou mesmo descrença: apesar de terem,
como vim a saber, idéias muito definitivas a respeito do Ocidente. Em
minha experiência pessoal eles nunca pensariam em quebrar uma
promessa ou em serem pouco hospitaleiros - atitude que é mantida quase
como uma religião, como entre os afegãos e árabes.”
"Os lamas tibetanos acreditam que podem, pelo simples poder da
oração, afastar uma invasão, seja espiritual ou material: é o poder das
palavras mágicas Om Mani Padme Hum." Quando lhes falei de guerra eles
disseram que só os espíritos infelizes vão para a guerra e que, portanto
eles a merecem e é algo que lhes está destinado sofrer: "Se nós que
temos tão pouco conseguimos o pouco que conseguimos, vocês, povos
de além-mar, que têm todas as coisas materiais, como você diz, sem
dúvida podem criar a beleza".
Uma das coisas mais absorventes das maravilhas tibetanas, do
ponto de vista mágicko, é sem dúvida o rito de caminhar sobre o fogo. A
aparente habilidade de caminhar sobre carvões em brasa é demonstrada
na Índia, Polinésia e outras partes do Extremo Oriente. Mas desde que
minha experiência pessoal se limita ao ocultismo em geral, e não só aos
tibetanos comentarei apenas.
Tanto o sacerdotado bonista quanto o
lamaísta encaram o caminhar sobre fogo como importante parte de seus
ritos. - Porque essa atividade figura nos círculos budistas onde a magia
não é encorajada? Porque ela tenta demonstrar as alturas de
autodisciplina que os iniciados podem atingir. Já disseram que caminhar
sobre brasas deixa espaços de ar, bolhas de ar, tal como, se
passássemos a mão na vela. Entretanto, se você mantém a mão no fogo
queima, e se você para em meio às brasas queimaria também. Um homem
capaz de superar suas limitações naturais a ponto de pisar carvões em
brasa comprova claramente que conseguiu estabelecer o domínio da
mente sobre a matéria. A teoria - senão a prática - bonista é muito
diferente. Em primeiro lugar e antes de mais nada, caminhar sobre o fogo
é uma cerimônia propiciatória. É feita porque o deus do fogo exige
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po homenagem em troca da qual
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
homenagem em troca da qual ele concede o poder de suportar o calor
para aqueles que acreditam nele.
Em ambos os casos é provável que algum tipo de dissociação
mental afim com a hipnose seja induzida, apesar de parecer a mim que há
algum outro fator em questão. Uma pessoa hipnotizada da maneira
convencional poderia, talvez, suportar a dor do fogo, independente do
ferimento físico real. Nenhum sacerdote lama ou bonista que caminhou
sobre o fogo sob minhas vistas pareceu sofrer qualquer dor ou ferimento.
Isso só deixa a possibilidade de hipnose de massa, da qual muito se ouve
falar, mas pouco se prova - como no caso do truque da corda, na índia.
Num ritual bonista, além dos sacerdotes passarem por entre as
chamas, vários candidatos às "ordens sagradas" foram levados através
do fogo sem qualquer dano físico. Evidentemente, pode haver algum
truque pelo qual se consiga isso. Comum aos ritos paralelos de outros
lugares isso significa um teste aos candidatos à ordenação: uma forma
de tese de exame.
Outro pequeno fato que pode ser de interesse aqui é que se contam
inúmeros casos de que quem caminha sobre o fogo fica com as mãos,
rosto e cabelos chamuscados - más sem nenhuma marca nas solas dos
pés. Um outro caso da mesma pessoa que citei acima:
“O experimento a que eu assisti foi realizado numa grande clareira,
com uma vala de três pés de profundidade por 30 pés de comprimento e
cerca de dez de largura, Pedras redondas e lisas foram colocadas ali e
depois grande quantidade de madeira e galhos empilhada em cima, acesa
e queimada por cerca de seis horas. Depois o carvão foi amontoado e a
superfície varrida e alisada. Havia uma multidão de cerca de duzentas
pessoas assistindo à demonstração. Um sacerdote bonista, seco, cheio
de amuletos pendurados e caracterizado principalmente pelos trapos que
usava e a aparente sujeira de seu rosto, mãos e capa de pele de ovelha,
deu um passo à frente. Sob as peles, que ele despiu, usava sua tanga
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po amarrada na cintura e entre
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
amarrada na cintura e entre as pernas. Na mão levava um bastão, uma
vara de cerca de 15 centímetros, que terminava num tufo de penas
pequenas. Ele caminhou em volta do fogo, primeiro três vezes no sentido
horário, depois cinco vezes na direção oposta, enquanto levantava e
baixava as mãos sobre as brasas que ainda estavam muito quentes.
Resmungando preces ou encantamentos ele começou a golpear as
pernas, primeiro uma, depois a outra, com o bastão. Ao sinal de uma
buzina de osso, dez homens avançaram lentamente por entre a multidão e
se alinharam em frente do mago. À medida que cada um se curvava era
tocado, primeiro num ombro, depois no outro, com a varinha. Não se
ouviu um ruído. Parecia quase haver algo de sobrenatural no ar. O calar
da fogueira e do sol era destruidor. Várias pessoas da platéia, vencidas
pelo calor ou pela emoção, caíam ao chão. Ninguém dava maior atenção a
isso e todos os olhos estavam presos na sinistra figura do sacerdote. Em
fila simples, enquanto o feiticeiro entoava um agudo canto nasal, os
homens cruzaram a brilhante massa ardente, pisando no outro lado numa
pequena bacia de água ao terminar sua marcha. Depois o feiticeiro
continuou e efetuou uma dança no centro da vala. Depois chamou
pessoas, não iniciadas, que quisessem participar do rito, enumerando os
vários e numerosos grandes poderes que eram conferidos pelo deus Sol
a esse ato de devoção. Apenas três homens e duas mulheres aceitaram o
desafio, sendo um de cada sexo de feições bem mais claramente indianas
que mongólicas. A mesma cerimônia de correr em torno do fogo, as
mesmas saudações e gestos de mãos, os encantamentos e dessa vez os
primeiros dez homens juntavam sua voz à do feiticeiro. Liderados pelas
duas mulheres, que foram quase empurradas pelo feiticeiro, os cinco
cruzaram o fogo sem danos. Notei que seus rostos estavam cobertos de
suor e que pareciam mortalmente amedrontados. Ao saírem da trilha
examinei seus pés: não havia como não fazê-lo, pois eles os mostravam a
todos e tal era seu alívio que chegava a ser tocante. Não havia sinais de
queimaduras nem em seus pés nem em nenhuma parte de suas roupas de
algodão ou de pele de iaque.”
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Outra pessoa, que viu o
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Outra pessoa, que viu o ritual ser celebrado de maneira semelhante
num Estado indiano, onde quatro britânicos participaram, escreveu:
“Um quarteto de britânicos - um escocês, dois irlandeses e um
inglês - mostrou seus pés aos outros hóspedes durante muitos dias. Eles
suplicaram ao velho que lhes contasse o segredo e eu me juntei às
súplicas. Ele não aceitou nem quinhentas libras esterlinas pelo
ensinamento, mas disse que se os quatro se ligassem a seu templo ele
lhes ensinaria
Nenhum dos quatro teve coragem de aceitar. A
única coisa que o velho lhes confiou foi que somente, aqueles com poder
psíquico desenvolvido poderiam fazer a experiência sem se ferir a si
mesmos. Esse poder era, algo que “você" aceitaria um dia como natural,
apesar de esperar que seu coração não venha a ser obrigado a fazê-lo.
Esse poder era praticamente desconhecido na maioria dos lugares
especialmente na ''Índia materialista" como ele dizia devido a uma falta de
fé real, em oposição à hipocrisia. Encantamentos e talismãs podiam, dizia
ele, ser dados àqueles que não tinham poder e esses lhes permitiriam
caminhar sobre o fogo e fazer muitas outras coisas: mas para que tê-los
se não beneficiam a alma?”
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po Evidentemente esse sacerdote em especial
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Evidentemente esse sacerdote em especial pertencia ao culto
budista estabelecido do Tibete. Com esses talismãs os ignorantes, sendo
então capazes de concentrar suas mentes inferiores em algo tangível,
porque não podiam se absorver realmente em coisas espirituais, podiam
conseguir poder dos símbolos e segredos (dos talismãs porque havia
algumas espécies de espíritos que os ajudaria). Interrogado sobre 'o
poder "real" que não necessita desses talismãs, essa autoridade disse:
“A concentração e meditação podiam, a seu tempo, conseguir tudo
que era necessário. A mente primeiro tem de ser ensinada a não pensar
em nada. Essa é outra maneira de dizer que não deve haver nenhum
pensamento consciente. Essa é a parte mais difícil. Quando era
conseguida, vinha o auxilio ao estudioso. Muitas pessoas nesse estágio
tinham impressões mentais, que nada mais eram que fantasias de suas
mentes tentando restabelecer o processo de pensamento. Se essas não
fossem identificadas e afastadas, permaneceriam para sempre com a
pessoa e matariam seu espírito. Pareceriam também dar mensagens e
essas poderiam até ser de maus demônios.
Quando interrogado sobre como se sabe que se está iluminado ele
respondeu que isso se vê e se sente e que assim o mundo invisível se
torna algo que é de fato realidade, apenas uma realidade diferente
daquela em que vivem os leigos: mas tem substância e grande número de
analogias.
Contrário à idéia corrente em alguns círculos no Ocidente, não
existe no Tibete prática paralela ao "espiritismo". Existe, é verdade, uma
forma de xamanismo (curandeiros) entre os bons ou propiciadores
animistas de quem já falei. Suas sessões são semelhantes em alguns
aspectos às taoístas e de fato se dedicam a invocar espíritos. Mas o
conteúdo das revelações espíritas é geralmente inteiramente diverso
daquelas que se produzem no Ocidente. Há muito menos materialização
dos mortos e mais contato com as chamadas "entidades espirituais" que
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E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po aparentemente nunca tiveram forma encarnada.
E.I.E. Caminhos da Tradição – A Tradição Mágicka dos Bon-Po
aparentemente nunca tiveram forma encarnada. E também a comunicação
com espíritos é usada com finalidades diferentes: para a melhoria de
colheitas e expulsão de demônios da doença tais como a peste; para a
realização de ambições mundanas e para conselho sobre o que fazer na
carreira. Não há nunca nenhuma sugestão do tipo de bons votos e
saudações geralmente insignificantes que são trocadas no Ocidente por
parentes e aqueles que "já partiram". Uma razão para isso é que a crença
na reencarnação e transmigração é tão universal que se acredita que os
parentes mortos já estão provavelmente num processo de outra vida na
Terra e fora de contato por meios espirituais.
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