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N.

º฀115

Página฀1

B O L E T IM Q UADRIM E ST RAL

Assembleia Geral
Valadares

N.º฀115
Janeiro/Abril
2013

Nesta฀edição:
Pág.

Encontro฀em฀Cucujães฀
Assembleia฀Geral฀
Breves฀SMBN฀

26 de Maio de 2013

Um฀Sorriso฀para฀Ti฀

2฀

4฀e฀5
6
7฀a฀8

A฀ARM฀congratula-se฀com฀a฀eleição฀de฀Sua฀Santidade฀o฀Papa฀Francisco
O฀“verdadeiro฀poder”฀de฀um฀Papa฀é฀o฀“serviço฀
humilde฀ e฀ concreto”,฀ afirmou฀ o฀ Papa฀ Francisco฀
durante฀ a฀ missa฀ inaugural฀ do฀ seu฀ pontificado.฀
Na฀ Praça฀ de฀ São฀ Pedro,฀ o฀ primeiro฀ papa฀ das฀
Américas฀apelou฀aos฀religiosos฀para฀“não฀terem฀
medo฀da฀ternura”.
O฀novo฀Papa฀argentino฀considerou฀ainda฀que฀
o฀ líder฀ da฀ Igreja฀ Católica฀“deve฀ abrir฀ os฀ braços฀
para฀ receber฀ com฀ ternura฀ toda฀ a฀ humanidade,฀
especialmente฀ os฀ mais฀ fracos,฀ os฀ mais฀ pobres,฀
os฀mais฀pequenos”.฀“Não฀devemos฀ter฀medo฀da฀
bondade!”,฀exclamou฀o฀Papa฀Francisco฀durante฀a฀
sua฀homilia.฀(in฀DN)

Página฀2

Propriedade:
ARM฀Associação
Regina฀Mundi
Sede:
Rua฀da฀Bempostinha,฀30
1150-066฀Lisboa
Tel.฀218฀851฀546
Fax:฀218฀850฀258
NIPC฀n°฀503฀268฀372
NIB฀da฀conta฀da฀ARM:
003501210000130053098
Presidente฀da฀Direcção:
José฀Domingues฀dos฀Santos
Ponciano
Direcção,฀Redacção฀e
Administração:
Rua฀da฀Bempostinha,฀30
1150-066฀Lisboa
Telem.฀927฀651฀624
Tel.฀218฀851฀546
Fax:฀218฀850฀258
E-mail:฀geral@arm.org.pt
Site:฀฀www.arm.org.pt
Fotocomposição฀e฀impressão:
Escola฀Tipográfica฀das฀Missões
Cucujães
Tiragem฀desta฀Edição:
800฀exemplares
Colaboradores฀deste฀número:
Santos฀Ponciano
Pe.฀Martinho฀Castro฀e฀Silva
Pe.฀Libério
Armindo฀Henriques
Ribeiro฀Novo

Um฀Sorriso฀para฀Ti
Pemba,฀19฀de฀Abril฀de฀2013
Caros฀amigos,
Votos฀de฀óptima฀saúde฀para฀toda฀a฀família.฀Nós฀por฀cá฀vamos...฀tendo฀
Venho฀agradecer,฀em฀nome฀das฀CRIANÇAS฀das฀Escolinhas฀da฀Paróquia฀Maria฀Auxiliadora฀de฀Pemba,฀mais฀este฀sacrifício฀de฀
ajuda฀ à฀ Obra฀ Missionária฀ na฀ vertente฀ da฀฀
Misericórdia฀para฀com฀os฀mais฀pequeninos.฀
Os฀custos฀destas฀Escolinhas฀estão฀cada฀
vez฀mais฀agravados฀pela฀contínua฀subida฀
de฀preços฀(para฀dar฀um฀exemplo,฀um฀saco฀
de฀฀milho฀custava฀350,00฀mts฀e฀agora฀anda฀
pelos฀ 600!).฀ Aqui฀ em฀ Pemba฀ é฀ tudo฀ mais฀
caro.฀ Felizmente฀ que฀ as฀ Escolinhas฀ são฀
agora฀apenas฀3,฀porque฀duas,฀a฀de฀Mahate฀
e฀de฀Gingone,฀já฀estão฀emancipadas฀com฀
a฀ divisão฀ desta฀ Paróquia฀ em฀ mais฀ duas.฀
Estas฀3฀já฀nos฀dão฀muito฀trabalho฀e฀despesas.฀E,฀se฀não฀fossem฀essas฀ajudas,฀teríamos฀
que฀encerrar฀tudo,฀porque฀as฀famílias฀não฀
aguentariam฀ uma฀ subida฀ que฀ custeasse฀
todas฀as฀despesas฀(não฀só฀as฀comidas,฀mas฀
também฀ salários฀ das฀ educadoras,฀ transportes,฀água,฀reparações฀dos฀edifícios฀etc.฀
Há฀já฀três฀anos฀que฀temos฀saldo฀negativo.฀
Temos฀ feito฀ apelo฀ a฀ Organizações฀ e฀ Empresas฀ locais.฀ Algumas฀ deram฀ alimentos.฀
Vamos฀esperando฀que฀as฀migalhas฀façam฀
pão.฀
Estamos฀ a฀ fazer฀ uma฀ proposta:฀ começar฀a฀ajudar฀as฀Crianças฀ajudando฀a฀
Escolinha.฀
Em฀lugar฀de฀ajudar฀x฀crianças,฀ajudar-

-nos฀a฀que฀seja฀possível฀mantermos฀as฀Escolinhas฀ de฀ pé,฀ com฀ os฀ pais฀ das฀ Crianças฀
a฀contribuir,฀฀pelo฀menos,฀para฀a฀alimentação.฀ Nâo฀ vemos฀ outra฀ maneira฀ de฀ poder฀
subsistir.฀
฀ Este฀ trabalho฀ com฀ as฀ Escolinhas฀ está฀
a฀ ser฀ muito฀ árduo,฀ (p.e.฀ levar฀ água฀ todos฀

os฀ dias฀ a฀ Lioce)฀ sobretudo฀ depois฀ que฀ as฀
Irmãs฀deixaram฀de฀trabalhar฀como฀vinham฀
trabalhando.฀
฀Que฀DEUS฀nos฀vá฀dando,฀฀a฀nós฀forças฀
e฀ ânimo฀ para฀ levar฀ este฀ projecto฀ para฀ a฀
frente,฀e฀a฀vós฀saúde฀e฀generosidade฀para฀
nos฀ajudar.฀
A฀nossa฀internet฀está฀incapaz฀de฀anexar฀fotos.฀Depois฀tentarei,฀com฀o฀estagiário฀
Rui,฀ enviar฀ uma฀ reportagem฀ fotográfica,฀
quando฀tivermos฀melhor฀rede.
Desejando฀ a฀ todos฀ a฀ continuação฀ de฀
BOAS฀ FESTAS฀ PASCAIS...฀ cá฀ ficamos฀ ajudando฀estas฀฀“CRIANÇAS...฀O฀MELHOR฀DO฀
MUNDO”.
P.฀Libério

N.º฀115

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Um฀Sorriso฀para฀Ti
Pemba,฀Janeiro฀de฀2012
A฀ Escola฀ Comunitária฀ Maria฀ Auxiliadora฀ recebeu฀
do฀ Padre฀ José฀ Alexandre,฀ em฀ duas฀ prestações,฀ a฀ primeira฀no฀dia฀30฀de฀Outubro฀de฀2012฀uma฀no฀valor฀de฀
50.000,00฀correspondente฀a฀...฀Euros,฀e฀no฀dia฀29฀de฀Novembro฀de฀2012฀recebeu฀a฀segunda฀prestação฀no฀valor฀
de฀20.300,00฀totalizando฀um฀valor฀de฀70.300,00฀correspondente฀a฀1900฀Euros฀com฀o฀câmbio฀de฀37.000,00MT,฀
provenientes฀ da฀ Associação฀ Regina฀ Mundi,฀ destinado฀
ao฀ projecto฀ de฀ apadrinhamentos฀ "Um฀ sorriso฀ para฀ ti”,฀
para฀apoiar฀um฀grupo฀de฀20฀crianças,฀alunos฀da฀Escola฀
Maria฀Auxiliadora฀em฀situação฀familiar฀difícil,฀órfãos฀ou฀
que฀os฀pais฀não฀têm฀condições฀económicas฀e฀financeiras฀para฀poder฀comprar฀o฀uniforme฀escolar,฀o฀material฀
escolar,฀as฀matriculas,฀as฀mensalidades฀da฀escola,฀taxas฀
de฀exame฀e฀outros.
Deste฀valor฀recebido฀foi฀usado฀para฀compra฀de฀material฀para฀cada฀aluno฀que฀passo฀a฀mencionar:
฀ 1.฀Pagamento฀de฀toras฀para฀o฀boletim฀de฀passagem;
฀ 2.฀Levantamento฀de฀Certificados฀da฀5ª฀e฀da฀7ª฀Classes;
฀ 3.฀Pagamento฀das฀matriculas฀e฀das฀mensalidades;
฀ 4.฀Uniforme฀escolar;
฀ 5.฀Pasta฀escolar;
฀ 6.฀Todo฀ o฀ material฀ escolar฀ para฀ o฀ início฀ do฀ ano฀ e฀ ao
฀ ฀฀longo฀dos฀trimestre;
฀ 7.฀Estojo฀completo;
฀ 8.฀Calçado;
฀ 9.฀Alimentação;
10.฀E฀outras฀necessidades฀pessoais.
Para฀este฀ano,฀estas฀20฀crianças฀com฀apoio฀que฀sempre฀ tiveram฀ ficaram฀ motivadas฀ e฀ empenhadas฀ para฀
conseguirem฀um฀aproveitamento฀pedagógico฀positivo฀
e฀satisfatório฀no฀final฀deste฀ano฀e฀conseguiram฀também฀
obter฀uma฀melhor฀qualidade฀de฀vida,฀principalmente฀no฀
que฀diz฀respeito฀ao฀puderem฀ter฀todo฀o฀material฀necessário฀para฀a฀sua฀caminhada฀de฀aprendizagem฀escolar.
Por฀isso฀queremos฀manifestar฀o฀nosso฀muito฀obrigada฀pelo฀apoio฀que฀têm฀dado฀as฀estas฀crianças฀e฀famílias,฀
foram฀três฀anos฀de฀apoio฀e฀acompanhamento,฀isso฀obrigou฀o฀aluno฀e฀o฀seu฀encarregado฀a฀empenharem-se฀no฀
esforço฀para฀alcançar฀melhor฀aproveitamento.

Segue฀a฀lista฀das฀crianças฀inseridas฀no฀Projecto฀"Um฀
sorriso฀para฀ti”:
01.฀Aissa฀Banana฀Amade฀
03.฀Salimo฀Salimo฀

05.฀Raul฀Afonso฀฀

07.฀Nelton฀André฀

09.฀Aristenia฀André฀António฀
11.฀Letícia฀Mussa฀

13.฀Teresa฀Joaquim฀

15.฀Cássimo฀Victor฀

17.฀Ana฀Fernando฀Pinto฀฀
19.฀Awa฀António฀

02.฀Júnior฀da฀Brígida
04.฀Filomora฀Augusto
06.฀Mussa฀AndÍé
08.฀Gúlherme฀Almeida
10.฀Hermínia฀Armando
12.฀Presébio฀Jorge
14.฀Franquina฀Pihale
16.฀Honorata฀Fúiâo
18.฀Mobina฀Sefo
20.฀Raul฀Manuel

Mais฀uma฀vez฀a฀Escola฀Comunitária฀de฀Maria฀Auxiliadora฀ e฀ em฀ meu฀ nome฀ pessoal฀ queremos฀ manifestar฀ a฀
nossa฀gratidão฀pela฀ajuda฀que฀fomos฀recebendo฀ao฀longo฀destes฀três฀anos฀através฀do฀projecto฀“Um฀sorriso฀para฀
ti”,฀porque฀assim฀podemos฀fazer฀com฀que฀muitas฀crianças฀
possam฀sorrir฀e฀possam฀crescer฀projectando฀o฀seu฀futuro.
Aproveito฀comunicar฀que฀a฀partir฀do฀dia฀29฀de฀Dezembro฀ a฀ Escola฀ Comunitária฀ Completa฀ Maria฀ Auxiliadora฀deixou฀de฀existir,฀uma฀vez฀que฀as฀instalações฀onde฀
funcionava฀ a฀ escola฀ pertenciam฀ a฀ uma฀ Força฀ militar฀
e฀ neste฀ momento฀ estão฀ a฀ precisar฀ das฀ mesmas,฀ dado฀
que฀será฀difícil฀talvez฀para฀dar฀continuidade฀em฀acompanhar฀estas฀crianças฀uma฀vez฀que฀os฀pais฀escolheram฀
uma฀escola฀para฀colocar฀seus฀filhos฀e฀alguns฀transferidos฀para฀os฀distritos฀ou฀fora฀da฀província.฀Pessoalmente฀
aproveito฀também฀esta฀ocasião฀para฀agradecer฀por฀este฀
tempo฀que฀convosco฀trabalhei,฀dizer฀que฀vou฀transferida฀para฀uma฀nova฀Missão,฀onde฀também฀continuarei฀a฀
dar฀o฀meu฀contributo฀no฀campo฀da฀educação฀na฀Escola฀
e฀no฀internato.฀Agradeço฀mais฀uma฀vez฀esta฀colaboração,฀que฀o฀Senhor฀vos฀recompense฀por฀este฀trabalho฀de฀
apoiar฀a฀quem฀necessita”.
Ir.฀Amelia฀Savane฀-฀FMA

RUA ENGENHEIRO CANTO RESENDE, 3 — 1050-104 LISBOA
TELEF. 213 540 609
FAX 213 531 987

Página฀4

Assembleia฀Geral
26฀de฀Maio฀de฀2013฀—฀Valadares

Assembleia
Geral฀
Convocatória
Nos฀ termos฀ do฀ Art.º฀ 6º฀ dos฀

PROGRAMA
฀ 9h30฀–฀Chegada฀ao฀Seminário
10h00฀–฀Início฀da฀Assembleia฀Geral
12h00฀–฀Missa฀-฀Igreja฀do฀Seminário

Estatutos฀ da฀ ARM฀ -฀ Associação฀ 13h00฀–฀Almoço฀no฀refeitório
dos฀ Antigos฀ Alunos฀ da฀ Socie-

14h30฀–฀Continuação฀dos฀trabalhos

dade฀ Missionária฀ Portuguesa,฀ 17h00฀–฀Fim฀do฀encontro
convoco฀ todos฀ os฀ Armistas,฀ no฀
pleno฀ gozo฀ dos฀ seus฀ direitos,฀

Preço฀almoço:฀8,50€฀por฀pessoa

para฀ a฀ ASSEMBLEIA฀ GERAL฀
ORDINÁRIA฀ a฀ realizar-se฀ no฀ Podem฀fazer฀as฀vossas฀inscrições:฀฀฀฀฀
Seminário฀de฀Valadares,฀no฀pró-

por฀e-mail฀para:฀geral@arm.org.pt

ximo฀dia฀26฀de฀Maio,฀Domingo,฀ ou,฀telefone฀para:
pelas฀ 10,00h,฀ com฀ a฀ seguinte฀ 966924794฀–฀Santos฀Ponciano
ordem฀de฀trabalhos:

966447955฀–฀Armindo฀Henriques

1.฀ Informações

Nota:฀ -฀ Quem฀ quiser฀ ir฀ de฀ véspera฀ e฀
pernoitar฀no฀seminário฀deve฀contactar฀o฀Senhor฀Reitor
Pe.฀Zacarias฀–฀965฀489฀786.

2.฀ Apreciação,฀ discussão฀ e฀ aprovação฀das฀contas฀de฀2012฀e฀do฀
parecer฀do฀Conselho฀Fiscal
3.฀ Outros฀ assuntos฀ de฀ interesse฀
para฀a฀Associação.
Lisboa,฀31฀de฀Março฀de฀2013
O฀Presidente฀da฀Mesa฀da
Assembleia฀Geral
José฀Maria฀Ribeiro฀Novo

Porquê฀1฀dia?
Ao฀longo฀dos฀últimos฀anos฀o฀Encontro฀
Nacional฀da฀ARM฀tem฀tido฀a฀duração฀
de฀2฀dias,฀sendo฀que฀o฀primeiro฀dia฀era฀
preenchido฀ por฀ eventos฀ de฀ âmbito฀
cultural฀ –฀ normalmente฀ era฀ escolhido฀ um฀ tema฀ ou฀ uma฀ personalidade฀
–฀e฀eram฀convidados฀alguns฀Armistas฀
para฀฀oradores.
Cernache฀ do฀ Bonjardim฀ é฀ parco฀ em฀
alojamento฀e฀mesmo฀o฀que฀há฀é฀dispendioso฀e฀tendo฀o฀encontro฀a฀duração฀de฀2฀dias฀implica,฀na฀maioria฀dos฀
casos,฀a฀deslocação฀da฀família.
A฀Direcção฀atenta฀às฀dificuldades฀das฀
famílias,฀na฀sociedade฀portuguesa฀em฀
geral,฀e฀na฀ARM฀em฀particular,฀decidiu฀
que฀neste฀ano฀de฀2013,฀à฀semelhança฀
do฀ano฀transacto,฀a฀Assembleia฀Geral฀
decorrerá฀em฀apenas฀1฀dia฀por฀forma฀
a฀minimizar฀os฀custos฀de฀cada฀participante.฀
Esperamos฀que฀nos฀anos฀futuros฀possamos฀ retomar฀ os฀ encontros฀ mais฀
alargados,฀ pois฀ reconhecemos฀ que฀
para฀ além฀ da฀ componente฀ cultural฀
dos฀mesmos,฀haverá฀muito฀mais฀tempo฀para฀o฀convívio฀entre฀nós.

N.º฀115

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Demonstração฀de฀Resultados฀a฀31.03.2013
฀ ฀ ฀ ฀ ฀ Receita฀

฀ ฀ ฀ ฀ ฀ ฀ Despesa฀

Saldos฀Ano฀anterior:
Saldo฀D.O.฀.............................................................. 3.561,11฀€฀฀ Boletins฀................................................................... 1.969,27฀€฀
Fundo฀Projectos฀................................................. 5.440,00฀€฀฀ Papelaria฀...................................................................122,45฀฀€฀฀
Conta฀Projectos฀.................................................. 1.987,31฀€฀฀ Coroa฀de฀flores฀...........................................................75,00฀€฀
Um฀Sorriso฀para฀Ti฀............................................ 10.445,00฀€฀฀ Assembleia฀Geral฀................................................ 1.300,00฀€฀
Encontros฀................................................................... 178,00฀€฀ Um฀Sorriso฀para฀Ti฀............................................16.000,00฀€
Venda฀de฀Livros฀....................................................... 452,50฀€
Publicidade฀............................................................... 200,00฀€
Quotas฀......................................................................1.166,65฀€฀ Saldo฀D.O.฀..............................................................3.095,54฀€
Donativos฀.................................................................. 250,00฀€฀ Fundo฀Projectos฀.................................................1.840,00฀€฀฀
Encontro฀Cernache฀.............................................1.354,00฀€฀ Conta฀Projectos฀......................................................632,31฀€
Totais฀.................................................... 25.034,57฀€฀ ฀.............................................................. 25.034,57฀€
Notas:
1฀–฀Para฀cumprir฀os฀compromissos฀assumidos฀perante฀o฀Projecto฀Um฀Sorriso฀para฀Ti,฀houve฀necessidade฀de฀recorrer฀à฀
฀฀฀฀฀฀฀฀transferência฀de฀4.000,00฀€฀da฀conta฀Fundo฀de฀Projectos.
2฀–฀Assistiu-se฀a฀uma฀forte฀degradação฀no฀pagamento฀das฀quotas฀(cerca฀de฀50%)
3฀–฀A฀contribuição฀para฀o฀Projecto฀Um฀Sorriso฀para฀Ti฀continuou,฀à฀semelhança฀do฀ano฀anterior,฀reduziu฀em฀20%.

PARECER฀DO฀CONSELHO฀FISCAL
CAROS฀CONSÓCIOS
No฀ cumprimento฀ das฀ disposições฀legais฀e฀estatutárias,฀e฀nos฀termos฀do฀mandato฀que฀nos฀foi฀conferido฀ pela฀ AG,฀ vimos฀ apresentar-vos฀

R I B E I R O N OVO
ADVOGADO

Rua Marquês de Fronteira, 117, 2.º Esq.
Telefs. 213 879 258 - 213 858 671

o฀nosso฀parecer฀sobre฀os฀documentos฀de฀prestação฀de฀contas฀da฀Direcção฀relativos฀ao฀ano฀findo.
Analisados฀ esses฀ documentos,฀
constatou฀o฀Conselho฀Fiscal฀que฀os฀
mesmos฀reflectem฀a฀actividade฀desenvolvida฀ pela฀
ARM฀bem฀como฀a฀
sua฀ situação฀ patrimonial.
O฀ saldo฀ positivo฀ apresentado฀
nas฀contas฀gerais฀
da฀ ARM฀ foi฀ apreciado฀ positiva1070-292 LISBOA
mente฀ pelo฀ Con-

selho฀Fiscal.฀Não฀temos฀dúvidas,฀por฀
isso,฀em฀dar฀o฀nosso฀parecer฀favorável฀às฀contas฀apresentadas฀e฀propomos฀que฀na฀AG฀seja฀deliberado:
a)฀ Aprovação฀do฀relatório฀da฀Direcção฀e฀das฀contas฀apresentadas;
b)฀ Aprovação฀ da฀ proposta฀ da฀ aplicação฀ de฀ resultados฀ apresentada฀pela฀Direcção;
c)฀ Um฀ voto฀ de฀ pesar฀ por฀ todos฀ os฀
associados฀falecidos.
Lisboa,฀31฀de฀Março฀de฀2013
O฀Presidente฀do฀Conselho฀Fiscal
Armindo฀Alberto฀Henriques

Página฀6

NOTÍCIAS฀BREVES฀DA฀SMBN

Art.º฀24฀dos฀Estatutos฀da฀ARM:

De:฀Missionários฀Boa฀Nova
Enviada:฀
15฀de฀Abril฀de฀2013฀09:53
Para:฀ARM฀
Assunto:฀ Da฀ Secret฀ Geral฀ da฀
SMBN฀-฀MISAL

São฀deveres฀dos฀associados
e)฀ Assinar฀ a฀ revista฀ Boa฀ Nova฀ aproveitada฀
como฀veículo฀noticioso฀da฀ARM

Encontro฀dos฀Familiares฀dos฀
Membros฀da฀SMBN
25฀de฀Abril฀de฀2012
Na฀nossa฀caminhada฀comunitária฀sempre฀ mantemos฀ um฀ lugar฀ especial฀ para฀
todos฀ os฀ familiares฀ dos฀ nossos฀ membros.฀Prova฀disso฀é฀a฀nossa฀oração฀diária฀
pela฀qual฀damos฀graças฀a฀Deus฀e฀rogamos฀ as฀ bênçãos฀ para฀ todos฀ os฀ membros฀da฀família.฀Contudo,฀este฀encontro฀
tem฀um฀sabor฀especial,฀pois฀nos฀encontramos฀face฀a฀face฀e,฀assim,฀partilhamos฀
um฀ pouco฀ a฀ alegria฀ do฀ dom฀ da฀ vida฀
missionária.฀É,฀pois,฀entre฀agradecimento฀e฀informações฀que฀queremos฀festejar฀
convosco฀este฀dia฀tão฀especial.

Caríssimos,
Saúde฀e฀Paz฀em฀Jesus฀e฀฀Maria!
Hoje,฀ em฀ Valadares,฀ começa฀ a฀ reunião฀
anual฀ dos฀ Superiores฀ Maiores฀ das฀ Sociedades฀Missionárias฀de฀Vida฀Apostólica฀ (MISAL)฀ da฀ Europa฀ (participa฀ também฀ a฀ Sociedade฀ Missionária฀ de฀ São฀
Paulo,฀da฀Nigéria).
Este฀ano฀é฀a฀nossa฀Sociedade฀Missionária฀que฀acolhe฀as฀suas฀“irmãs”.
Como฀sabeis,฀este฀grupo฀europeu฀reúne-se฀de฀dois฀em฀dois฀anos.฀Nos฀outros฀
anos,฀é฀a฀reunião฀geral฀de฀todas฀as฀Sociedades฀Missionárias฀de฀Vida฀Apostólica.
Vamos฀pedir฀ao฀Senhor฀Jesus฀e฀a฀Nossa฀
Senhora฀da฀Boa฀Nova฀que฀este฀Encontro฀nos฀ajude฀a฀todos฀a฀vivermos฀cada฀
vez฀ mais฀ a฀ nossa฀ Consagração฀ Missionária.
A฀reunião฀terminará฀em฀20฀pf.
Saudações฀muito฀amigas,฀do
P.฀฀Martinho

De:฀Missionários฀Boa฀Nova
Enviada:
20฀de฀Fevereiro฀de฀2013
Para:฀ARM฀
Assunto:฀Da฀Secretaria฀Geral฀da฀
SMBN฀-฀Abertura฀Ano฀Formação฀
2013
Caríssimos,
Saúde฀e฀Paz฀em฀Jesus฀e฀Maria!
A฀pedido฀do฀Senhor฀P.฀Albino,฀informamos฀todos฀os฀membros฀e฀comunidades฀
da฀SMBN฀que฀no฀próximo฀dia฀25฀de฀Fevereiro฀decorrerá฀a฀cerimónia฀de฀abertura฀ oficial฀ do฀ Ano฀ de฀ Formação.฀ Este฀
ano฀formativo฀será฀composto฀pelos฀seguintes฀elementos:
Director:฀P.฀Manuel฀Castro฀Afonso
Vice฀Director:฀P.฀Raimundo฀Ambrósio฀฀

฀฀฀฀฀฀฀฀฀฀฀฀da฀Fonseca฀Inteta
Alunos:
Angola:
฀ Daniel฀Ndungula
฀ Pedro฀Katchoco฀Alfredo
Brasil:
฀ José฀António฀Lima฀da฀Silva
Moçambique:
฀ Alfredo฀Tumbo฀Júnior
฀ Francisco฀Raimundo
฀ Tiago฀da฀Conceição฀Estêvão฀Tomás
Pedimos฀a฀todos฀a฀comunhão฀na฀fé.
Saudações฀muito฀amigas.
P.฀Martinho

António Gomes da Costa & Ca., Lda.
FÁBRICA DE FERRAGENS PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL

Telef. 256 374 083 / 84 – Fax 256 374 082 – Apart. 407
4524-907 RIO MEÃO – PORTUGAL

N.º฀115

Página฀7

Um฀Sorriso฀para฀Ti
(carta฀enviada฀aos฀padrinhos฀do฀Projecto)
É฀com฀estima฀e฀com฀um฀coração฀
profundamente฀grato฀que฀em฀nome฀
da฀ ARM฀ /฀ SMBN฀ vos฀ dirigimos฀ esta฀
carta฀em฀forma฀de฀partilha฀e฀teste-

munho฀pelo฀andamento฀do฀projeto฀
de฀Apadrinhamento.
São฀ vários฀ os฀ testemunhos฀ que฀
vamos฀ recebendo฀ acerca฀
da฀ implementação฀ positiva฀ do฀ projeto฀ tendo฀
em฀ conta฀ os฀ objetivos฀
traçados฀inicialmente.฀Basicamente฀ pretendia-se฀
agregar฀a฀criança฀africana฀
numa฀estrutura฀educativa฀
capaz฀ de฀ a฀ incluir฀ socialmente฀e฀de฀valorizá-la฀pedagogicamente฀ através฀
do฀ processo฀ curricular.฀
Para฀ isso฀ foram฀ identificados฀ um฀
vasto฀de฀grupo฀de฀crianças,฀desprovidas฀ de฀ meios฀ de฀ subsistência,฀ e฀

que฀deste฀modo฀terão฀diante฀de฀si฀
um฀futuro฀melhor฀através฀do฀apoio฀
prestado.
O฀ apoio฀ disponibilizado฀ para฀
cada฀ afilhado฀ permitiu฀
que฀ fossem฀ cobertos฀ vários฀ tipos฀ de฀ necessidade,฀ mormente฀ do฀ campo฀
da฀ indumentária฀ escolar,฀
apoio฀ pedagógico฀ e฀ didático฀e,฀em฀muitos฀casos,฀
apoio฀alimentar.฀Esta฀larga฀
ação฀ só฀ é฀ possível฀ devido฀
à฀ pronta฀ e฀ alegre฀ colaboração฀ das฀ equipas฀ missionárias฀da฀SMBN฀que฀deste฀modo฀se฀
tornam฀parceiros฀nesta฀obra฀humanitária.฀Por฀isso,฀o฀projeto฀está฀muito฀

150฀Anos฀
em฀Missão

******************************

Fotos฀antigas

grato฀ ao฀ apoio฀ imprescindível฀ dos฀
missionários฀da฀Boa฀Nova.
Os฀ relatórios฀ que฀ nos฀ têm฀ sido฀
remetidos,฀
juntamente฀
com฀ várias฀ fotos,฀ e฀ o฀ testemunho฀ de฀ muitos฀ missionários฀da฀SMBN฀levamnos฀a฀crer฀que฀este฀projeto,฀
sonhado฀a฀partir฀da฀ARM฀e฀
vivido฀por฀uma฀rede฀vasta฀
de฀ padrinhos,฀ se฀ encontra฀
fiel฀ à฀ sua฀ matriz฀ com฀ que฀
foi฀ concebido,฀ abrindo฀
mais฀uma฀janela฀missionária฀à฀própria฀ARM.฀
฀(continua฀na฀pág.8)

No฀ site฀ e฀ no฀ blogue฀ da฀ ARM฀ estão฀
neste฀momento฀disponíveis฀mais฀de฀
1.500฀ fotografias฀ que฀ abrangem฀ ฀ a฀
vida฀ da฀ associação฀ (desde฀ a฀ nossa฀
entrada฀nos฀seminários)฀desde฀1927฀
até฀2011.
Se฀ derem฀ por฀ lá฀ uma฀ vista฀ de฀ olhos฀
vão฀ ficar฀ muito฀ surpreendidos.฀ Haverá฀ sempre฀ uma฀ qualquer฀ em฀ que฀
nós,฀ meninos฀ ou฀ mais฀ crescidinhos,฀
aparecemos.฀
É฀ interessante฀ observar฀ nos฀ encontros฀ em฀ que฀ as฀ mesmas฀ são฀ projectadas,฀ a฀ curiosidade,฀ o฀ encanto฀ e฀ as฀
recordações฀ que฀ tais฀ imagens฀ nos฀
despertam.฀
A฀todos฀que฀connosco฀colaboraram฀e฀
nos฀confiaram฀as฀“suas”฀fotos,฀o฀nosso฀bem฀haja.
A฀ quem฀ tiver,฀ e฀ que฀ ainda฀ não฀ estejam฀ publicadas,฀ pedimos฀ o฀ favor฀ de฀
que฀ as฀ enviem฀ digitalizadas฀ para฀ o฀
e-mail฀ da฀ ARM฀ ou฀ as฀ mandem฀ por฀
correio฀que฀nós฀digitalizamo-las฀e฀na฀
volta฀do฀correio฀serão฀devolvidas.
Site:฀www.arm.org.pt฀฀฀฀฀฀฀ou:
http://arm-smbn.blogspot.com/

Página฀8

O฀Boletim฀Trimestral฀da฀ARM฀tem,฀
incontestavelmente,฀ grande฀ relevância฀ como฀ meio฀ de฀ comunicação฀entre฀os฀seus฀associados.
É฀também฀a฀grande฀despesa,฀quer฀
pela฀impressão,฀quer฀pela฀expedição,฀a฀grande฀despesa฀na฀conta฀de฀
demonstração฀ de฀ resultados฀ da฀
Associação.
A฀Direcção฀desejaria฀que฀a฀publicação฀ fosse฀ auto-suficiente.฀ Para฀
tal฀tomou฀2฀medidas:
1.฀ Formalizou฀ com฀ os฀ CTT฀ protocolo฀ para฀ o฀ envio฀ em฀ correio฀
editorial;
2.฀ Aumentou฀ a฀ sua฀ paginação฀ e฀
distribuição฀por฀forma฀a฀ganhar฀
espaço฀para฀a฀publicidade.
Apelamos,฀ pois,฀ aos฀ empresários,฀
ENI’s฀ e฀ profissionais฀ liberais฀ para฀
que฀colaborem฀connosco.฀

Um฀Sorriso฀para฀Ti
(continuação฀da฀pág.฀7)

No฀ fundo,฀ ARM,฀ enquanto฀associação฀de฀antigos฀alunos฀que฀estudaram฀
na฀ SMBN;฀ prevê฀ nos฀ seus฀
estatutos฀ esta฀ forma฀ de฀
ação฀e฀afirmação฀do฀carisma฀missionário,฀neste฀caso฀
de฀num฀projeto฀âmbito฀social฀de฀grande฀mérito.
Escolhemos฀ como฀ título฀ do฀ projeto฀ de฀ apadrinhamento฀
“Um฀ sorriso฀ para฀ Ti”.฀ Providencial฀
título.฀ Que฀ bom฀ é฀ saber฀ que฀ da฀
sua฀ partilha฀ generosa฀ no฀ rosto฀ de฀
alguém฀ um฀ sorriso฀ nasceu,฀ nesse฀
sorriso฀uma฀esperança฀germinou฀e฀
nessa฀esperança฀um฀desejo฀de฀viver฀
cresceu.฀Obrigado฀a฀todos.
Unidos฀em฀Cristo฀e฀na฀amizade.
Lisboa,฀฀31฀de฀Dezembro฀de฀2012
(Santos฀Ponciano)฀฀฀฀฀
Presidente฀da฀Direcção฀da฀ARM฀

(Pe.฀Albino฀dos฀Anjos)
Superior-Geral฀da฀SMBN
As฀ fotos฀ são฀ das฀ escolas฀ de฀ Pemba,฀ Nametil,฀Malema,฀Nataleia฀e฀Chibuto.

BOLETIM฀N.º฀115
Janeiro/Abril฀de฀2013
ARM฀–฀Associação฀Regina
Mundi฀dos฀Antigos฀Alunos
da฀Sociedade฀Missionária
Portuguesa

Em฀ 10/4/2013฀ foi฀ entregue฀ ao฀ Senhor฀Pe.฀Albino฀dos฀Anjos,฀Superior-Geral฀da฀SMBN,฀o฀valor฀de฀10.000,00€,฀para฀
o฀projecto฀de฀alfabetização฀e฀solidariedade฀"Um฀Sorriso฀para฀Ti."
Terminada฀que฀foi฀a฀primeira฀fase฀de฀
3฀anos,฀com฀resultados฀muito฀positivos,฀
e฀tendo฀sido฀decidido฀na฀última฀AG฀dar฀
continuidade฀aos฀apoios,฀mesmo฀nesta฀
situação฀de฀dificuldade฀que฀todos฀nós฀
atravessamos,฀serão฀apoiadas:
Pemba฀-฀30฀crianças:฀3.000€฀/฀Sr.฀Pe.฀Libério
Malema฀-฀30฀crianças:฀3.000€฀/฀Sr.฀฀Pe.฀Jerónimo
Chibuto฀-฀20฀crianças:฀2.000€฀/฀Sr.฀Pe.฀Adauto
Gabela฀-฀20฀crianças:฀2.000€฀/฀Sr.฀Pe.฀Kusseta
Esperamos฀ter฀na฀AG฀os฀relatos฀e฀fotos฀do฀desenvolvimento฀do฀Projecto.
Agradecemos฀ a฀ todos฀ os฀ que฀ acreditaram฀ e฀ apoiaram฀ e฀ a฀ todos฀ aqueles฀
que฀não฀podendo฀nos฀deram฀coragem฀
para฀podermos฀continuar.

N.º 116

Página 1

BOLETIM QUADRIMESTRAL
N.º 116
Julho/Dezembro
2013

Nesta edição:
Pág.

Ano de 1958

2

Encontros Regionais

4

Ano de 1961

6

Caçarelhos:
Lugar de encontro

A Direcção da ARM - Associação Regina Mundi,
deseja a todos os Armistas, Famílias e Amigos
um Santo Natal de 2013 e um Feliz Ano Novo

8 a 11

Encontros Regionais

12

SMBN

14

Mensagem Natal

16

Problemas de ordem técnica, humanos e de logística estiveram presentes no
atraso verificado no envio
desta edição. Pela primeira
vez, e para minimizar este
inconveniente, do qual pedimos desculpa, o boletim
vai ser enviado também
por correio electrónico. Estará disponível na net durante 7 dias.

Página 2

Propriedade:
ARM Associação
Regina Mundi

Curso de 1958

Sede:
Rua da Bempostinha, 30
1150-066 Lisboa
Tel. 218 851 546
Fax: 218 850 258
NIPC n° 503 268 372
NIB da conta da ARM:
003501210000130053098
Presidente da Direcção:
José Domingues dos Santos
Ponciano
Direcção, Redacção e
Administração:
Rua da Bempostinha, 30
1150-066 Lisboa
Telem. 927 651 624
Tel. 218 851 546
Fax: 218 850 258
E-mail: geral@arm.org.pt
Site: www.arm.org.pt
Fotocomposição e impressão:
Escola Tipográfica das Missões
Cucujães
Tiragem desta Edição:
800 exemplares
Colaboradores deste número:
Domingos Fernandes
Marinho Borges
Santos Ponciano
Aires Nascimento
José Campinho
Moutinha Rodrigues
Martinho Castro e Silva

Curso de 1958
Convento de Cristo – Tomar
Encontro comemorativo do 55º
aniversário do inicio do curso, realizado no Convento de Cristo em Tomar em 13 de Outubro de 2013.
Após alguns dias de chuva, foi
um sol radioso que nesta manhã de
Outono deu as boas-vindas aos trinta presentes, entre antigos alunos
do Curso de 1958 e alguns familiares
que se concentraram à porta da Charola do majestoso convento. Beijos,
abraços, palmadas nas costas, uma
lágrima furtiva, uniram todos aqueles que há 55 anos, tímidos e envergonhados, chegaram sobretudo
do Norte e Centro do País, à cidade
grande de Tomar, do famoso rio Nabão e do imponente Convento de
Cristo, a partir daí nossa casa durante dois anos. Alguns de nós, pasme-se, nunca tínhamos visto o comboio. Vimo-lo uns meses mais tarde,
espreitando do cimo de um monte,
na sua marcha para o Norte. Dos meninos de antanho somos hoje venerandos anciãos, com muito caminho
percorrido, orgulhosos dos nossos

filhos e avós babados. Infelizmente,
daqueles que se apresentaram na
linha de partida no longínquo ano
de 1958 apenas alguns respondem
hoje à chamada e comparecem. Mas
adiante que o tempo urge.
O Prof. Luís Graça, catedrático em
história, antigo director do Convento
de Cristo e antigo Governador Civil
de Setúbal, guiou-nos numa viagem
no tempo a partir da Charola, percorrendo alguns séculos de história
tão marcantes e tão vivos naquelas
colunas, naqueles claustros, na janela do Capítulo, nas cisternas, nos Pegões, nos grandes corredores…
A área do Convento outrora ocupada pelas instalações do nosso seminário contem a magia de transformar aquele grupo de senhores
respeitáveis em autênticos meninos
de coro, actores a dar de novo vida
àqueles grandes corredores, salas
de aula, de estudo, camaratas, capela, refeitório, campo de futebol e
pátios circundantes. Obrigado Prof.
Luís Graça. Com a sua magistral lição
de história, fomos de novo crianças,
alunos aplicados, viajando no tempo
no nosso baú de recordações.
Na Santa missa celebrada na nos-

N.º 116

Página 3

Convento de Cristo – Tomar
sa antiga capela, hoje sala museu, presidida pelo Padre
Domingos Carvalho , acolitado pelo diácono António Silva Pereira, vivemos uma hora de recolhimento e acção
de graças, embalados pelos acordes do órgão e pelas vozes magnificas do casal Adelino Cristóvão Serafim e sua
esposa Dª Luísa que nos contagiaram a todos.
Na sua homilia, o Padre Domingos Carvalho teceu algumas considerações sobre as leituras mas focou sobretudo a sua atenção no Evangelho de Nosso Senhor Jesus
Cristo segundo S.Lucas (Lc17,11-9 ) e na seguinte passagem « Não foram dez os leprosos que ficaram curados?
Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem vol-

tasse para dar glória de Deus senão este estrangeiro?» E
disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho ; a
tua fé te salvou».
Quantos de nós, ao longo da nossa vida não vivemos
já as duas vertentes. Não soubemos agradecer e sentimos a falta de gratidão dos outros para connosco. Mas
convém pensar na atitude que, dia a dia, como cristão
eu assumo diante de Deus: se é uma atitude de auto-suficiência, ou se é uma atitude de adesão humilde e de
gratidão.
No restaurante “Pato Bravo” nos arredores de Tomar,
foi-nos servido o almoço. Mais do que as iguarias servidas foi importante para todos nós as horas de convívio
em que desfolhámos mil recordações.
Na hora dos brindes o autor destas linhas, saudou os
presentes, lembrou os ausentes e apresentou algumas
propostas que tiveram aprovação unânime:
“Este encontro deve continuar a realizar-se todos os
anos no 2º Domingo de Outubro.”
“Em 2014 , comemoração do 56º aniversário do curso
de 1958, o encontro realizar-se-á de novo no Convento
de Cristo em Tomar, em 12 de Outubro.”
“É importante que todos continuem a estabelecer

contactos para que outros se juntem a nós.”
O Presidente da ARM (Associação Regina Mundi) Santos Ponciano, congratulou-se pelo encontro anual dos
alunos do curso de 1958. Relembrou alguns projectos
em curso. Lembrou a eleição do novo Presidente da ARM
em 2014.
O Fernando Augusto Machado, um dos nossos catedráticos da Universidade do Minho, enalteceu o espirito
sadio reinante no grupo, o elo afectivo e a alegria esfusiante que a todos abarca e contagia, a necessidade
de em cada ano trazer mais colegas para o convívio e a
obrigatoriedade de todos vivenciarmos a palavra solidariedade.
Após o cantar dos “parabéns a você” apagou as 55 velas comemorativas do nosso aniversário o Padre Domingos Carvalho, que aos 89 anos de idade, é para nós uma
figura respeitada, prestigiada e muito querido entre nós.
Com um pedaço de bolo numa mão e um cálice de
vinho do Porto na outra, o colega Aurélio de Bastos Go-

mes, que se juntou a nós pela 1º vez, expressou a sua
alegria pelo reencontro e desejou a todos as maiores felicidades num colectivo e uníssono tilintar de copos.
A despedida representou para todos o acordar para a
realidade. Estávamos em viagem. Cada um tinha de continuar a percorrer o seu caminho.
Para aqueles que proporcionaram este encontro, o
nosso muito obrigado.
Até 12 de Outubro de 2014 em Tomar.
Um grande abraço
Domingos Cardoso Fernandes
e-mail – d.cardosofernandes@hotmail.com

Página 4

Encontro Regional de Coimbra

Como as instituições, tal como as pessoas, precisam de hábitos, a data do encontro regional da ARM
de Coimbra tem sido fixada na véspera do encontro de
Valadares. Assim, o nosso convívio realizou-se no dia 9
de Novembro, tendo neste ano um aliciante especial,
pois integrou uma componente cultural, com a visita
guiada ao Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Convém re-

ferir que este monumento nacional foi objecto, nos últimos anos, de uma profunda intervenção arqueológica
e de uma operação de resgate às águas do Mondego,
cujo espaço foi valorizado por um centro interpretativo,
inaugurado em 2009.

António Gomes da Costa & Ca., Lda.
FÁBRICA DE FERRAGENS PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL

Telef. 256 374 083 / 84 – Fax 256 374 082 – Apart. 407
4524-907 RIO MEÃO – PORTUGAL

A visita começou às 11h15. Foram cerca de noventa
minutos de um mergulho em 700 anos de história de
um Mosteiro associado de uma forma incontornável
à figura tão acarinhada da Rainha Santa Isabel. Além
dos aspectos arquitectónicos, foram muitas as facetas
curiosas com que fomos confrontados a partir de testemunhos arqueológicos, desde os hábitos alimentares

e doenças das monjas clarissas, peças valiosas de que
eram portadoras, causas mais frequentes de morte…
até às implicações da proximidade do rio na saúde das
irmãs e na estabilidade do Mosteiro.
Cerca das 13h00, foi dado início ao repasto no restaurante “Alfredo”, que se prolongou por três horas,
tempo suficiente para pôr a conversa em dia, sobretudo em relação à gente “nova” que esteve presente
pela primeira vez. No final, realizou-se uma pequena
reunião, onde o presidente da ARM, Santos Ponciano,
informou os presentes sobre o projecto "Um Sorriso
para Ti" e apresentou as últimas notícias relativas à Sociedade Missionária. Participaram neste encontro 16
armistas e alguns familiares.
Marinho Borges

N.º 116

Página 5

Encontro em Valadares
Em 10 de Novembro de 2013, no Seminário de
Valadares realizou-se o tradicional Encontro Regional do Porto. Compareceu um bom número de armistas e alguns convidados.

Relativamente a este colóquio o Padre Anselmo
prometeu-nos a publicação dum livro durante o
próximo ano. Ficamos a aguardar.
Sobre este colóquio podem também ler o exceRealizou-se uma pequena assembleia num dos
salões do Seminário para fazer o ponto da situação
da vida missionária em Moçambique, onde as coisas não estão muito bem.

lente trabalho do armista, Padre Manuel Vilas Boas,
nas páginas da TSF: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=3521957.

Ao meio dia, tivemos a Missa comunitária seguida de almoço de confraternização, onde conviveram Padres, Alunos e Armistas. Pelas 15 horas, a
convite da Direcção da ARM, o senhor Padre Anselmo Borges fez um resumo especial sobre o tema
abordado no Colóquio Internacional de 12/13 de
Outubro último: Deus ainda tem futuro?

Página 6

A Turma de 1961 voltou a Cernache

Em 2011, aquando do 50.º aniversário da entrada no
Seminário de Tomar, os Armistas aí presentes resolveram vir a repetir a “proeza” da comemoração da efeméride daí a dois anos a propósito da entrada no Seminário de Cernache do Bonjardim. O responsável pela sua
realização ficou a cargo do José Abílio Raposo Quina, a
quem estamos gratos pelos esforços para a congregação da malta. Em boa hora, pois compareceu um bom
número de Armistas, irmanados pela mesma data de
entrada nos Seminários de Tomar e Cernache. Testemunho disso foi a presença do João dos Santos Gonçalves,
que se deslocou de Coelhoso/Bragança, acompanhado
da mulher, filha e neto. Foi também com grande alegria
que pudemos abraçar o Carlos Bernardo. Ambos compareceram pela primeira vez a um evento da ARM. A
entrada no seminário de Cernache ocorreu no longínquo dia 5 Outubro de 1963, tendo a efeméride sido co-

memorada a 6 de Outubro, para a fazer
coincidir com um domingo.
O momento alto foi a celebração
da Eucaristia na bonita igreja do Seminário, presidida pelo Padre Francisco
Godinho, coadjuvado pelo Diácono
José Joaquim Angélico, nossos antigos
colegas e fonte de orgulho para todos
nós. A cerimónia foi abrilhantada pelo
coro, dirigido pelo José Abílio Quina
(com muitas músicas da sua autoria),
que teve o acompanhamento no órgão a cargo do Dr. Francisco Santos e
a participação de Hélder Silva em oboé
e do Zé Quina em oboé e flauta, cujas
actuações nos proporcionaram momentos de rara beleza.
Após a alimentação espiritual, seguiu-se o almoço
no mesmo refeitório, onde tantas vezes para aí rumámos em duas filas, para depois nos sentarmos nas longas mesas sob o olhar atento dos Padres Castro Afonso

e Orlando Martins, respectivamente nosso vice-reitor e
prefeito, e com a cumplicidade de António Costa, nosso
vice-prefeito.
Para nos inteirarmos da vida uns dos outros, teve
lugar, durante a tarde, um momento de partilha, onde
cada um teve oportunidade de discorrer sobre o seu
percurso pessoal e profissional. Numa coisa todos estiveram de acordo: a educação do Seminário foi fundamental na organização e orientação das respectivas
vidas e continua a ser um património de que se orgulham.
Marinho Borges

N.º 116

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Encontro em Lisboa
O dia 19 de Outubro presenteou-nos um belo Encontro Regional, a sul.
Após uma semana de
anúncio e incentivos, um
grupo razoável de 47 presenças revelou o como é bom a
partilha do convívio e o reviver de tanta coisa!
Mais uma vez a celebração Eucarística aconteceu
na Igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique, com a participação do
Pe. Albino dos Anjos e do
diácono António Silva Pereira, também eles antigos
alunos. Ao órgão esteve o
José Quina e na maestria o
Pisco da Cruz.
Com toda esta vivência só podia resultar um alto
momento de espiritualidade.
Terminada a celebração seguiu-se a fotografia na escadaria.
O espaço envolvente do Museu do Teatro, ao Lumiar,
foi o belo cenário para o nosso almoço. Tudo aqui foi
inspiração para tirar o melhor partido deste encontro.
Não faltou lugar para a palavra, cujo tema natural ver-

sou a situação da Sociedade Missionária e a da vida da
ARM.
Muito positivo foi constatar a presença de alguns
ainda jovens, antigos alunos, contemporâneos do Pe.
Albino e em quem apostamos na próxima Direcção. É
que o nosso actual presidente, Santos Ponciano, com
tempo e dedicação inigualáveis, merecendo por isso
toda a nossa admiração, definitivamente está resolvido a passar o testemunho na
próxima primavera. Uma boa
maneira de gratidão passa
também por, desde já, aceitarmos a sua resignação e
criando condições para a sua
continuidade. É que a ARM
está viva e nós também.
Termino com uma palavra
amiga e de grande apreço
pela dedicação inexcedível
de Armindo Henriques em
eventos desta natureza.
Uma abraço amigo para
todos
António Moutinha Rodrigues

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Caçarelhos: lugar de encontro
Também lá estive em 17 de Agosto de
2013: mesmo que não esteja na fotografia
oficial (atraso de quem se demora, para
um olhar mais alargado que outros dispensaram…). Lá estive; podia escrever, como
N. Poussin, In Arcadia ego, mas de pintor
apenas o que guardo na memória. Que Caçarelhos seja zona de encantos já Camilo
Castelo Branco o celebrou para aí colocar o
seu herói da Queda de um anjo, Calisto Elói,
nome retumbante que simplifico, mas que
ficou para não deixar fugir um inimigo, de
seu nome A. Aires de Gouveia. Lembram-se? Um bom amigo, que sabe de letras, a
meu lado à mesa do almoço, puxou de uma
edição dessa obra para zurzir a responsável
e eu atalhei pedindo benevolência: Maria
de Santa Cruz nasceu em terras distantes,
em Moçambique, eu tive-a como colega na
Faculdade de Letras de Lisboa, mas, descuidadamente escreveu que Caçarelhos era
produto de imaginação…; leia-se, antes,
que subiu a local literário quando serviu a
Camilo para colocar um seu inimigo de estimação nos confins do mundo, a vociferar
nas arribas do Douro, treinando a voz, que
se tornara temível no Parlamento, embora
oca de conteúdos…
Fui pela segunda vez a Caçarelhos, para
corresponder a convite de amigos e sobretudo por insistência do Armindo e da São,
que programaram a viagem e tudo fizeram
para que às 10,00 horas em ponto, nesse
sábado de 17 de Agosto de 2013, depois
de um percurso longo, estivéssemos na
Praça da Feira: o nome recente não pode
esquecer o antigo que era o de Terreiro da
Feira de outros tempos. Também os nomes
vão mudando, mas há que recuperá-los na
sua genuinidade, porque ali chegavam homens das vizinhanças com as suas mercadorias para fazerem trocas e experimentar
qualidades de produtos… Em algum lado
encontrei que o nome de Caçarelhos significa lugar em que se fala sem obrigação de
dizer muita coisa, mas isso era lá para outros
sítios: aqui ninguém gostaria de ser conhecido por isso, mas, se é para tagarelar, não
seja para perder tempo, antes para ir construindo a vida, pois na palavra o coração do
homem se manifesta, transfigurando-se, se
necessário, quando há algo que se vive e se
partilha. Os habitantes preferem explicar o
nome da sua terra como formado de Casa +
relhos, que significaria “povoado de peque-

nas casas, sem grande préstimo”: isto de etimologias em toponímia é complexo, mas a
sabedoria popular sabe tirar do fundo das
memórias coisas novas e velhas…, enquanto outros contrapõem que o nome se explicaria pela negação que os vizinhos teriam
dito aos enviados do rei para os obrigar a
pagar em coelhos o tributo: se é para isso,
fossem eles caçá-los (caçar – ellos). Duas
formas de olhar para a vida (uma revendo
o que há em torno de nós, outra lançando
uma ironia a quem chega para nos tirar a
pele). Seja como for, estamos em terras de
Miranda e há resquícios de falares locais,
pois de tempos idos subsiste uma cunha
dialectal de língua leonesa; embora recentemente tenha eu apresentado a público a
tradução mirandesa dos Evangelhos feita
por Amadeu Ferreira, não me sinto à vontade para entrar pelos segredos da língua
e da sua história: confio-me à ciência de J.
G. Herculano de Carvalho, que, no seu saber de dialectos, me garante que o linguajar daquela zona se deve a influências dos
mosteiros de León, em especial Moreruela
e Castanheda / Castanheira – num tempo
em que os bispos de Braga deixavam a
outros as responsabilidades de catequese
e de assistência pastoral, para uma vez ou
outra se aproximarem do planalto mirandês – quem seja capaz de ler a Vita S. Geraldi, em latim, anote como nem por estarem
longe, o santo arcebispo de Braga esquecia
aquelas gentes (para o dialecto mirandês,
não deixe de consultar J. H. Herculano de
Carvalho, Estudos Linguísticos, Lisboa, Verbo, 1964, mas alargar conhecimentos pelo
que escreveu J. Leite Vasconcelos, pois por
aí há que começar).
Era uma manhã de sol estival; a viagem
deu direito a passar por Palhais, em casa de
minha irmã, e a tomar descanso em Balsamão – onde conversámos com António
Marcos, que acabara de ter mais uma sessão
de hemodiálise e tinha obrigação de descansar, pelo que não nos poderia acompanhar. Fomos dos primeiros a chegar: certos
como os ponteiros do relógio, não tocámos
o sino porque não nos pertencia acordar
quem estava e nós não éramos convidados
para interromper-lhes o sossego. Deambulámos por ali à espera de outros; já com o
Superior Geral da SM, entrámos na “terra dos vivos” que foram “à nossa frente” e
procuramos alguém mais conhecido. Hoje

ninguém parece vizinho de ninguém e por
isso, quando (após as saudações rituais na
Casa de Caçarelhos) viemos à igreja, os que
lá estavam a desmontar o andor principal,
que servira na procissão da Senhora de
Agosto, desapareceram depressa, sabendo
que vínhamos de fora.
A missa era nossa? Não teriam os outros
direito a perguntar pelas nossas razões de
fé para entrarmos em local que era deles?
Não quiseram inquietar-nos: a licença estava concedida certamente por autoridade
competente, mas teríamos ficado todos
mais ricos com algum outro gesto de intercâmbio, já que levávamos na alma rostos
de pessoas que dali haviam partido e nos
haviam falado muitas vezes daquele lugar… Ou andarão esquecidos?
Não era a primeira vez que eu chegava
a Caçarelhos: há três anos ali fora, fugindo
à vigilância solícita das autoridades que dirigiam a concentração em Vimioso; esgueirara-me eu, com a mesma companhia de
agora, pois, estando em terras cujos nomes
eu conhecia de há muito tempo, não podia
deixar de andar pelos terrenos de quem era
vivo para mim: Caçarelhos, Genísio, São Joanico, Vilar Seco, Campo de Víboras, Pinelo,
Carção… tantos nomes que eu trazia comigo e por toda a parte me pareciam animados por alguém que se cruzara no meu
caminho.
Não sei quando o nome de Caçarelhos
soou aos meus ouvidos pela primeira vez:
o Agostinho (Rodrigues) ia uns anos à minha frente, mas a sua voz enchia uma casa
que tivesse coração e haveria de ser para
mim um arrimo em horas mais adiantadas;
os dois irmãos eram mais próximos: o Raul
(Moreno e também Rodrigues) levava-me
dois anos de curso; o Alfredo, o terceiro irmão, haveria de ajudar ao reconhecimento, logo que eu ganhasse dimensão para
o descobrir dois anos atrás de mim. O Fernando Eiras, que ia também adiante e viera
das terras angolanas, mas ali tinha família,
haveria de ser bom companheiro de trabalho, em Tomar, quando ali preparámos as
duas primeiras levas de alunos que iriam
mostrar ao liceu oficial que nos Seminários também se estudava a sério (isto em
1963-64 e 1964-65). O Justino haveria de
ficar um tanto longe de mim, mas agora
marquei-lhe falta na reunião (foi por bem,
certamente, pois não esquece obrigações

N.º 116

Página 9

Caçarelhos: lugar de encontro
maiores). Houve outros, mas a idade e as
ocupações distanciaram-nos, até que uma
boa causa nos juntou ali, neste verão tórrido de 2013.
Em algum momento, o Fernando Eiras
me contou que os três da família Moreno,
que eu conhecera, tinham recebido uma
educação esmerada, pois a mãe deles era
professora primária – competentíssima;
depois disseram-me outros companheiros
que eles tinham um tio, muito prendado
para coisas de língua portuguesa e por isso
não era de admirar que eles, que saíam aos
seus, fossem dados à escrita, às vezes à poesia… De facto, alguém (já não sei onde)
mostrou-me um dia o “Dicionário Complementar da Língua Portuguesa” de Augusto
Moreno, de capa azul, como o céu: alargava
assim os meus conhecimentos e coloquei-o então no elenco da área da lexicologia /
lexicografia, pois antes apenas me ficava à
mão o “Dicionário de Português” de Francisco Torrinha (que me tinha chegado em
constelação, pois o Dicionário de Latim-Português fazia parte da minha mobília
desde os 10 anos, no 1º ano, em Tomar, e o
Dicionário de Português-Latim chegaria no
3º ano, em Cernache do Bonjardim); algumas vezes lá voltarei ao Moreno e ao Torrinha, quando as obrigações na Academia
das Ciências de Lisboa me chamarem a discutir e a rever, com alterações, o polémico e
discutidíssimo Dicionário da Academia das
Ciências (terá de ser, por dever de ofício…).
Augusto Moreno (sei-o hoje) nascera longe,
em Lagoaça, para os lados de Freixo-de-Espada-à-Cinta; talvez nunca tenha vivido
em Caçarelhos, mas os deveres de ofício
das mudanças de terra por parte dos professores primários, levou seu irmão, com a
família até ao planalto mirandês.
Menina tocando gaita de foles
Alguns dos possíveis habitantes, que
ainda restam numa terra que os foi perdendo, havíamos de encontrá-los, horas
mais tarde, quando na “Taberna Mourisca”
se abrissem as mesas e se ouvisse a gaita-de-foles, em plano superior ao da piscina,
onde apetecia dar um mergulho. Mas, nesse momento, já eu me atrasara, quase irremediavelmente e, sem reparar que entrava
em territórios de outrem, com direitos familiares adquiridos, corri o risco de abusar da
gentileza de quem me servia um copo de

água e me dava uma cadeira para me sentar
e insistentemente me convidava a entrar na
posta mirandesa de que todos estavam já
servidos – não entendera eu que me quedava fora do lugar dos comensais do Grupo da ARM; aí ficaria (com uma bonomia
familiar que não esquecerei) se não fosse
o Gabriel vir lembrar-me que as ovelhas do
redil se tinham refugiado na sombra amiga
do grande casarão da Casa de Caçarelhos.
Este fora alugado para parecer um vasto
salão de Seminário, com mesas redondas,
à volta das quais as cadeiras convidavam
ao convívio e ao repasto de todos os que
chegaram de longe (eu incluído, por amável deferência dos organizadores).
O tempo em Caçarelhos fora curto na
primeira visita, pois às 11,00 horas havia missa marcada em Vimioso para um leque de
gente da ARM que não quisera faltar à chamada da companhia; acabaria eu por ficar
com a responsabilidade de presidir à eucaristia, quando o lugar devia pertencer ao P.e
Firmino João ou ao Cónego Amado, que recusaram o que lhes pertencia por mérito…
Foi escasso o tempo também desta vez,
mas andei com passo mais lento, para rever
o que da primeira vez me ficara só na retina
de uma igreja onde quase só retivera uma
conversa breve com uma senhora que preparava o andor para a festa da freguesia…
Agora, dava-se a situação inversa: quando
entrei na igreja, os mordomos (eles e elas)
acabavam de desmontar o andor da festa
que andara pelo Terreiro da Feira nos dias
anteriores, para festejar a Senhora de Agosto. Ainda ficava armado o andor da Senhora de Fátima, mas para mim (habituado a
olhar na distância do tempo) interessava-me buscar o que fosse mais característico
do que fora cultivado em terras mirandesas.
Sim, sabia, de há muito, que também Caçarelhos ficava no aro da língua mirandesa,
mas a eficiência da escola primária tornara
a língua comum bem centro das atenções
e as diferenças até serviam para avivar o
culto dessa língua de todos. De leituras esparsas (o documento, se me não engano,
foi aproveitado pela Historia da Igreja de
Fortunato de Almeida), constava-me que
em 1320, ao tempo de D. Dinis, havia aqui
uma freguesia (conjunto de filigreses – filii
ecclesiae), com capacidade de sustentar
um abade, que era de apresentação episcopal do bispo de Miranda, mas a terra tinha

alguma autonomia, pois gozava de uma
“justiça” que zelava pela ordem entre os vizinhos: a população chegou a atingir umas
800 almas, mas a miragem de terras mais
propícias levara muita gente para longe,
até ao Brasil, no séc. XIX – hoje as casas vão-se inclinando, os telhados ficam abaulados
e só alguns mais afortunados se resolvem
a impor a sua vontade à natureza para que
não seja a única a vigorar: 270 vizinhos, se
são verdadeiras as estatísticas, é, apesar de
tudo, um número de algum vulto na escassez da paisagem humana portuguesa que
só de vez em quando se anima para reviver
memórias a fim que elas se não percam.
Entrei na igreja e fui caminhando lentamente, pois poucos eram os que comigo se
tinham adiantado: as dimensões pareciam-me agora maiores que da primeira vez,
sentia mais luz no interior e as imagens acenavam-me com maior afecto – pelo menos
assim me parecia, pois agora despertavam-me memórias e levavam-me a buscar-lhes
identidade.
Depois da eucaristia (rezada em tempo
contado e sem outra melodia que a do tom
normal), senti-me obrigado a alguma demora: por premência do tempo (como o de
qualquer turista – que eu não queria ser),
não o teria feito, se o Firmino Falcão (ou foi
o Padrão? – não importa, foi um deles e o
Almendra andava por perto) não me puxasse atrás e não me retivesse com algumas
questões. Quase fui apanhado de surpresa,
mas não podia deixar sem uma tentativa
de resposta quem amavelmente em meu
favor presumia de algum saber – vanitas
vanitatum, já lamentava o sábio das Escrituras, mas a um juiz tem de responder-se
(era o caso)…
Foi assim que me detive na contemplação da igreja de Caçarelhos e das imagens
que a adornam. Três anos antes, tinha eu
ido à procura dos “santos” que ali tinham
começado a viver: e tenho bem na memória as palavras que uma senhora, cujo
nome não recordo, me disse a respeito do
P.e Agostinho Rodrigues: foram palavras
de veneração e respeito que me puseram
os olhos em lágrimas e não as escrevo senão toldado no rosto; sabendo da doença
que o minava, ele quis levar ali uma pequena estampa religiosa de despedida e
fizera questão de a entregar pessoalmente
a cada uma das pessoas da sua terra, antes

Página 10

Caçarelhos: lugar de encontro
de partir para o Brasil, onde iria também ter
com a irmã, que foi a última a acompanhá-lo quando a peregrinação na terra terminara. Agora, eu quereria ficar ali sozinho,
a ouvir os ecos das últimas palavras do P.e
Agostinho, mas fui levado para as imagens
que ele por certo admirou e sobre as quais
nunca tivemos ocasião de dialogar…
Serviu-me agora de interlocutor o Falcão: terei de pedir a alguém uma fotografia
individual de cada uma dessas imagens,
espalhadas pelos diversos altares para
melhor voltar a elas – aos poucos, vou
passando dos livros às imagens e já quase me habituei a ultrapassar o texto, de
formato rectangular, para o marcar com
imagens que interpelam de imediato (alguém me fez reparo de assim ter procedido no livro Nuno de Santa Maria, mas
parece-me que já não tenho emenda…).
S. Pedro de Caçarelhos
No topo do altar-mor, a imagem de S.
Pedro, padroeiro da terra – São Pedro de
Caçarelhos, a replicar o padroeiro de Miranda: o emblema da tiara pontifícia, mais
acima, não enganava; na imagem, as cores
são vivas e deixam transparecer o cuidado de limpeza, mas teria apreciado que
alguém me dissesse a data da introdução
da pequena estátua (pequena, para quem
a olha na distância); a data fixada na entrada da igreja leva-me ao séc. XVI, 1577;
as pedras das paredes confirmam a idade,
mas parecem-me bem perfiladas, sem precisarem de ser endireitadas nos arranjos
que recentemente deram à igreja (julgo
que em 2012); por outra parte, reparei em
algumas inscrições, avivadas a tinta, para
testemunhar que os párocos, apresentados
pelo bispo para haver quem se ocupasse
da assistência espiritual em terra regalenga, foram solícitos em garantir os seus serviços e demonstraram que cumpriam com
zelo a sua missão. Chamou-me a atenção
a imagem de S. Pedro com os seus atributos: as chaves (do reino dos céus, por certo) estão na mão esquerda, o olhar sobe
ao céu, mas aos pés, no lado direito, está
um galo, de goela levantada, lançando
para o ar a alvorada; mas não é a angústia
do santo que se deduz da imagem, pois
julgo descortinar felicidade que prefere
celebrar a felicidade de estar com Cristo
(que o resgatou da angústia do remorso –

fui à procura de outras representações: os
pintores preferiram a dor do apóstolo; ora,
há a alegria do Ressuscitado a anunciar
e Pedro, que andara com as redes, não ficou enredado nelas nem em si mesmo).
Menino Jesus
Desci o olhar. Do lado mais nobre do altar, que agora parece ser o da (nossa) direita (quando antes era o da nossa esquerda,
por ser aí o lado do Evangelho), está um
Menino Jesus: numa vara erguida na mão
esquerda, uma pomba! Primeira interrogação: representação do Espírito Santo? Fiz
uma pausa e recuei: a primeira expressão
física do Espírito Santo apenas acontece
quando Jesus, prestes a iniciar a sua vida
pública, se aproxima de João Baptista, que
estava a pregar no Jordão; andaria Ele, pelos trinta anos e por isso a correlação não
é apropriada para a imagem que se me
deparava. Num repente, vem-me à mente
um passo dos Evangelhos Apócrifos da Infância de Jesus – que quase desprezara em
tempos (aprendi com o tempo a ter formas
de leitura mais abrangente). Não o tinha à
mão nenhuma edição, mas recuperei facilmente o texto, depois de buscar a fonte:
era Jesus ainda criança, por volta dos cinco anos, e andava a brincar junto de um
ribeiro; fez correr um pouco de água para
uma poça, juntou-lhe barro, modelou-o
em forma de passarinho e pô-lo a voar;
foram dizer a José que era inconcebível o
que acontecera: estavam em dia de sábado e era proibido trabalhar nesse dia, mas
Jesus parecia divertir-se em trabalhos de
barro; José, homem justo, sentiu-se obrigado a intervir para pôr termo ao que não
era mais que um divertimento. Noutro
passo, que vem na Vida de Jesus em árabe,
parágrafo 24, a cena repete-se e alarga-se:
“Tinha Jesus sete anos; certo dia andava
com crianças da mesma idade, todos eles
entretidos a fazerem bonecos de barro,
moldando burros, bois, pássaros e coisas
do mesmo jaez; cada um defendia a sua
obra, procurando encarecer o seu trabalho; então Jesus voltou-se para os outros
meninos e confessou: quanto a mim seria
capaz de dizer às figuras que moldei que
ganhassem andamento. As crianças, surpreendidas, perguntaram-lhe se Ele era filho do Criador. Sem mais, Jesus deu ordem
aos bonecos para se porem em andamen-

to e os animais imediatamente se foram e,
quando lhes deu ordem de voltar, eles voltaram; fez também figuras de passarinhos:
quando lhes dava ordem de voar, voavam,
e pousavam quando ele assim ordenava;
se lhes apresentava de comer e de beber,
comiam e bebiam. As crianças foram contar estas coisas aos pais, mas eles assustaram-se e diziam-lhes: «cuidado, meninos;
nada de andar com ele, pois faz bruxarias; fugir dele e andar longe; de agora
em diante, não brinqueis mais com ele»”.
A imagem de Caçarelhos tem aqui plena correspondência. Quem trouxe para
ali aquela imagem? Alguém que sabia
ensinar às crianças a simplicidade do
Menino que amava a natureza… Talvez
por ali passasse o catecismo, simples
e ingénuo. Quem nunca gostou de ter
uma avezinha na mão e lançá-la a voar?
Logo a seguir deparo com outra imagem
do Menino Deus, senhor do Mundo: não é
o Menino Jesus de Praga (esse, talvez de
origem espanhola - dizem), que em Miranda, na catedral, é o Menino Jesus da
cartolinha (Niño Jesus de la Cartolica, na
linguagem da terra), vestido de general ou
de oficial da Guarda Republicana (o Dr. Rui
Pereira, ministro, para ali trouxe mais essa
novidade); mais simples e sem adornos, o
Senhor do Mundo de Caçarelhos empunha uma cruz (simbólica), que o identifica como Salvador, na figuração de uma
criança, em vestido de azul-celeste, sustentando o mundo que levanta com graciosidade. Não me demorei ali, mas o Menino da cartolinha tem traços franceses,
que chegaram em iconografia do tempo
do rei D. João V: há nele traços barrocos,
com aproximação ao quotidiano burguês
e festivo que até nas aldeias se apreciava
– acabo de ver em Vilar de Frades, junto
a Barcelos, uma Sagrada Família que tem
um Menino levado pela mão de Maria; não
dispensam cada uma das três personagens o seu chapéu de festa… Fizeram-no
soldado em Miranda? Coisas de se ajustar
à defesa da terra, quando os franceses bateram à porta, respondendo-lhes com disfarce que eles eram capazes de interpretar.
De figuração parecida é uma Menina que
fica quase em frente, ainda na capela-mor, antes do arco do cruzeiro; detive-me nela: não havia que enganar, pois,
vestida de azul, até aos pés, estes calcam

N.º 116

Página 11

Caçarelhos: lugar de encontro
uma serpente; é a Virgem Maria, ainda
Menina, na sua qualidade de Imaculada
Conceição, aquela que, porque destinada
a Mãe de Deus, desde a sua concepção
foi imaculada e livre de pecado. Porque
haveríamos de nos fixar na Imaculada
de Murillo, mulher feita e olhando para
o Alto, ou na Mulher forte, como a que
está na igreja de Cernache de Bonjardim?
Quero entender que quem traçou o projecto iconográfico da igreja de Caçarelhos
tinha afeição às crianças e sabia cativá-las
com as pequenas imagens que foi colocando nas paredes da igreja.
Voltei atrás para identificar na esquerda
do altar-mor (antigo lado do Evangelho) a
imagem do bispo que aí se encontra: tem
mitra, os outros traços não são claros; diz-me o meu ajudante-interlocutor que é
conhecida por Santo Amaro… Não me
acudiram reparos de maior, mas mesmo
ajudado pela prevenção que me adiantou
o nome, senti-me indeciso em identificar o
santo, pois a iconografia e os atributos são
incertos: é dado por uns como companheiro de S. Bento, mas confundem-no outros,
dizendo alguns que, como rezam legendas
hispânicas (que eu publiquei), andou em
busca do lugar do Paraíso na Terra; na contaminação dos atributos, dizem-no eremita
(a ele dedicando capelas que alternavam
com a de Santo Antão), mas outros fazem-no protector dos aleijados (que precisam
de muletas para se deslocar); à distância em
que me ficava a imagem, não soube classificar o tipo de mitra nem perceber se os
braços estavam amputados (para significar
a protecção que lhe caberia garantir) ou se
era simples fingimento para evitar que no
transporte da imagem elas fossem molestadas.
Porque o tempo urgia, descemos para
o corpo da igreja e aí outras imagens me
vinham ao encontro. Do lado direito de
que estava voltado para o altar, era fácil
identificar Santa Bárbara, no esplendor da
sua força para garantir protecção contra
os trovões – um emblema na base do seu
altar deixava entender que a santa está ali
de origem; em algum momento terá ficado
acompanhada de S. Sebastião, cravejado
de setas: o medo das trovoadas (de que
Santa Bárbara protegia) deve ter-se misturado com o pavor das pestes (de que se
encarregava S. Sebastião).

N. Senhora, de roca
Do lado oposto, um outro altar é dedicada a uma Senhora, de roca, a quem
alguém, à falta de melhor entendimento,
colocou um terço branco nas mãos; ora, a
posição dos braços, afastados em atitude
de acolhimento, levar-me-ia a interpretar
de outra maneira: não tem características
de Senhora da Saúde ou de Senhora da
Ajuda, mas poderia ser a Senhora da Confiança (bem gostaria eu de saber como a invocavam os vizinhos de Caçarelhos)… No
corpo da igreja, o altar do Coração de Jesus
apresenta uma imagem vigorosa; o matiz
dourado aponta para idade relativamente
antiga: não pude deixar de voltar os olhos
para a porta do sacrário para me certificar
que o coração ali gravado remetia para essa
imagem ou que uma era reflexo de outra
e concluía, em reflexão pessoal, que esta
imagem se reportava ao sacramento eucarístico, onde o coração tudo explica.
Havia mais altares: um era o do Calvário,
em que se mantém a imagem da Virgem
Dolorosa; fiquei com a impressão que faltava a imagem de João Evangelista para que
o conjunto tradicional ficasse completo.
Logo alguém, muito solícito, me lembrou
que talvez tivesse desaparecido por algum
desacato; outro dos meus companheiros
reclamava contra o descaso de pequenas
outras imagens estarem expostas à mesma
situação, mas logo o meu interlocutor mais
directo atalhou que a igreja não estava ao
desamparo e havia quem dela cuidasse
com esmero e vigilância…
Sem grandes prevenções nem certezas, mas com alguma curiosidade, fixei-me
num fresco que tinha deixado para trás,
perante o apagamento de alguns traços: a
custo, julgo ter divisado as linhas de um painel central e de um elenco de quadros da
vida de Cristo na bordadura: no painel central, julgo ter razões para identificar a aleitação (mística) de S. Bernardo na aparição de
Nossa Senhora acompanhada do Menino;
o esguicho identificador apagou-se, mas
o êxtase do santo (de hábito cisterciense e
quase a cair para o lado) não oferece dúvida e a orientação do olhar também estava
à vista: só falta verificar se por ali ficou algum traço da oração do santo – monstra
te esse matremdo Ave Maris stella, cuja
melodia nos deliciava em tempos, diante
da gruta de Nossa Senhora, e daria gosto

repetir ali (oh se dava…). O elenco dos pequenos quadros pode ser o dos mistérios
do rosário (haveria que confirmá-lo), mas
acompanha bem o versículo que mereceu ao santo a demonstração maternal de
Maria (assim se crê que Maria correspondeu ao repto com monstra te esse filium).
Aquele quadro deveria ter paralelo na
parede oposta (junto ao altar de Santa
Bárbara), mas os traços estão de tal modo
sumidos que não tive coragem de arriscar
qualquer hipótese que ali servisse de ajuda
a quem ali voltar; não excluiria, no entanto,
que o fresco mal divisado mereceria restauro, se fosse ainda possível fazê-lo…
Enfim, foi rápida a visita e o meu ritmo
não tinha que ser o dos outros: teria gostado que fosse mais intenso o meu olhar e
que os afectos que ali me levavam fossem
aprofundados na recordação de antigos
dias partilhados com alguém que dali partira e ficara indelevelmente ligado a mim e
a outros.
Também para isso serve a ARM: descobrirmos as riquezas que há espalhadas
pelas nossas terras e que muitas vezes não
vieram à mesa comum – nesta serviam-se saberes e sabores mais elaborados,
certamente; na tarde da vida, vale a pena
acolhermo-nos à sombra das igrejas que
serviram de berço na fé a muitos daqueles
que encontrámos em vida comum, na Sociedade Missionária. Todos teremos algum
pouco a partilhar e muito a aprender.
Lisboa, a 19 de Agosto de 2013.
Aires A. Nascimento

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Encontro de Barcelos
Em 7 de Setembro de 2013 realizou-se em Barcelos a confraternização
regional dos Armistas que, como já é habitual, foi muito participada.
Após o almoço fomos conhecer a história e as estórias do Convento
Beneditino de Vilar de Areias, os Homens Bons de Vilar.
É no século XV que chegam a Braga os fundadores da ordem secular
de S. João Evangelista. Ricos e generosos, depressa o povo os tratou de
bons homens de Vilar. Dedicados à pregação, vão erguer uma igreja e
um convento, marcados pelo estilo manuelino. Após quatrocentos anos de
permanência em Vilar, os cegos de Lóios,
também eram assim
chamados, foram expulsos pelos liberais,
em 1834. Com apoio
da União Europeia, os

edifícios foram salvos da ruína em que caíram nos
últimos anos do século XX. Vale bem a pena uma
visita. Agendem.
O José Campinho, através do seu vídeo comentário que abaixo publicamos, encheu-se de
brio e coragem, subiu a fasquia da exigência e
transformou este encontro numa maravilhosa visita cultural, turística e artística, arrastando todos
os participantes a ver alguns lugares e aspectos
muito característicos da região de Barcelos. Este
trabalho parece mesmo dum profissional em
crescendo, que promete mais e melhor num futuro próximo.
Vale a pena ver e ouvir a narrativa deste evento.
http://arm-smbn.blogspot.pt/p/encontros-regionais.html

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Encontro de Caçarelhos

Com cerca de 6 dezenas de convivas realizou-se no dia 17
de Agosto o Encontro Regional de Trás-os-Montes, este ano
em Caçarelhos, Vimioso.
Cedo começaram a chegar e a conviver numa animação e
entusiasmo inusitado pois as saudades eram muitas de quem
não se via há mais de 30 ou 40 anos. O calor apertava mas
a excelente recepção na Casa Rural da terra refrescou-nos o
corpo com algumas bebidas frescas servidas junto à piscina,
sob tendas de lona (quase parecia um casamento…!!!) antes
da celebração da Missa. Momento
aproveitado para as apresentações,
algumas palavras do Senhor Pe. Albino sobre o momento da SMBN, uma
resenha da ARM a cargo do Santos
Ponciano e um grande testemunho
do Sr. Pe. Farias, missionário em Angola.
Após a missa, a foto de família e o
frugal almoço com franco e são convívio fazendo jus aos ensinamentos
do seminário.
Encontro muito participado com
muitos armistas novos, em idade e
nestes eventos, a que não é alheio
o grande esforço feito pelo António
Padrão que com o seu jeito peculiar os convenceu a participar. Muito
Bom.

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NOTÍCIAS BREVES DA SMBN
28/11/2013 13:33
Chegou, fulminante, a notícia: acaba de falecer o
P. José Marques Gonçalves. Encontrado morto no quarto
de banho. Ataque cardíaco.
Mais um que regressou ao convívio com o PAI e todos
os Seus… ao convívio dos nossos irmãos que já partiram
para lá.
P. José Marques Gonçalves nasceu na freguesia da
Orca, concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, diocese da Guarda, em 21 de Fevereiro de 1932.

Em Dezembro de 1978, residência forçada em Pemba,
juntamente com todos os Missionários. Mas, em Setembro
de 1979, é admitido como Professor na Escola Secundária
e Comercial (Pemba).Em 25.01.1981, em férias em Portugal, é gravemente atropelado em Valadares. Ficou em Portugal, em recuperação.
Em Julho de 1982 regressa a Pemba. Em Setembro de
1983 é nomeado Pároco de Ocua e encarregado das paróquias do Chiúre e Metoro, residindo na sacristia da nova
igreja do Chiúre.
Em 04 de Maio de 2010 chega a Portugal, bastante debilitado. Seminário de Cucujães. Em 30 de Setembro de
2011 é nomeado para a Região de Portugal (com residência no Seminário de Cucujães).
Ultimamente residia no nosso Lar de Santa Teresinha,
com problemas cardíacos.
Esperamos que o Senhor Jesus e a Boa Mãe o tenham
recebido na Sua morada.
*********************
15/10/2013

Entrou para os nossos Seminários (Tomar) em 28 de
Setembro de 1943. Fez o seu Probandato em 1952-1953.
O seu primeiro Juramento foi em 08 de Setembro de 1953.
Seminário de Cucujães.
Fez o seu Juramento Perpétuo em 28 de Junho de
1956. Ordenado Diácono em 09 de Setembro do mesmo
ano. Seminário de Cucujães.
Ordenado sacerdote em 15 de Junho de 1957, na Orca,
juntamente com PP. Manuel Marques Gonçalves e Manuel
Ramos dos Santos.
De 1957 a 1962: Prefeito e Professor em Cernache do
Bonjardim. De 1962 a 1964: Reitor e Professor no Seminário de Tomar.
Em Outubro de 1964 para as Missões (diocese de Porto Amélia, hoje Pemba, Moçambique). Colocado no Seminário do Mariri, como Formador e Professor). Em 1965,
Reitor do mesmo.
Em 1969 foi para a Missão do Chiúre. Pouco depois,
Superior da Missão de Ocua.
Depois de umas férias em Portugal, volta novamente
ao Seminário do Mariri (Setembro 1973). Em 1975 volta a
Ocua.

19:01

É com muita dor que comunicamos que acaba de regressar à Casa do Pai o Sr. Padre António Maria Lopes.
Como tinha sido comunicado antes, estava internado
no Hospital de Oliveira de Azeméis.

O P. António Maria Lopes nasceu em 09 de Novembro
de 1925, em Monsanto, concelho de Idanha-a-Nova, Diocese de Portalegre-Castelo Branco.
Entrou no nosso Seminário de Cucujães no dia 01 de
Outubro de 1942. Vinha já com o 5º ano, feito no Seminário diocesano de Alcains.

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NOTÍCIAS BREVES DA SMBN
Fez o seu Probandato no ano lectivo de 1945/1946, no
fim do qual fez o seu primeiro Juramento – 15 de Setembro de 1946 (Seminário de Cucujães).
Juramento Perpétuo em 24 de Setembro de 1949,
também no Seminário de Cucujães. No mesmo Seminário,
recebeu o Diaconado no dia 06 de Janeiro de 1950.
No dia 08 de Abril de 1950 foi ordenado Presbítero na
Capela do Seminário Maior do Porto.
Em 1946/47 foi Vice-Prefeito do Probandato e Professor no Seminário Cucujães. Em 1947/1950, Vice-Prefeito e
Professor em Cernache.
No dia 29 de Outubro parte para as Missões (diocese
de Nampula).
Em 1952 regressa a Portugal por doença. Passou por
Cucujães e Cernache (1952-1953). No ano seguinte, Professor e Prefeito. 1954/1955: Vice-Prefeito e Professor em
Tomar.
Em 11 de Outubro de 1955 regressa a Nampula, indo
trabalhar para a Missão de Mutuáli.
Ilha de Moçambique, desde 1959, como Coadjutor. A
partir de 1974 é o Pároco da Ilha.
Enquanto esteve na Ilha conseguiu um ambiente de
muita amizade entre a comunidade católica e a muçulmana.
Em 11 de Outubro de 1998, na cidade de Maputo, foi
condecorado pelo 1º Ministro Português de então (condecoração sem título). De facto, P. Tó, como era tratado, era
uma REFERÊNCIA na Ilha de Moçambique. Disse-se que a
Frelimo o reenviou para a Ilha, aquando da concentração
dos missionários nas cidades, no princípio da revolução/independência, devido exactamente a ele ser uma referência
para todos, em especial para os turistas.
Em Abril de 2007, e devido à idade
e ao facto de estar quase completamente surdo, deixa a Paróquia e Ilha de
Moçambique e vai residir em Nampula.
Em 27 de Novembro, chega a Portugal. Depois de uns meses em Lisboa,
vai para Cucujães. Sempre bem disposto. Mas foi-se apagando pouco-a-pouco.
Deus chamou-o nesta tarde, 15
de Outubro. Esperemos que Deus e a
Boa Mãe o tenham recebido de braços
abertos, sem precisarem de escrever
num papel as Boas Vindas, como tínhamos de fazer, enquanto ele esteve entre nós nos últimos anos.

12/09/2013 13:51
O Sr. P. António Vieira Mendes acaba de falecer, para se
encontrar com o Pai… E com Maria, nossa Mãe, de quem ele
tanto amava.
P. Vieira nasceu em Freixo, Marco de Canaveses, Diocese
do Porto, no dia 23 de Maio de 1923.
Entrou no nosso Seminário de Tomar em 29 de Setembro
de 1936.
Fez o seu Juramento, após o seu Probandato, no dia 15
de Setembro de 1945, no Seminário de Cucujães. O Juramento Perpétuo foi em 27 de Novembro de 1948, em Cernache.
Foi ordenado sacerdote em 08 de Maio de 1949, em
Cucujães. Devido a problema grave num rim (que lhe foi extraído), a sua ordenação sacerdotal foi antecipada, esperando-se o pior da operação.
Depois de passagem pelos nossos seminários como Vice-Prefeito, Prefeito e Professor quer dos alunos quer dos Irmãos, partiu para a diocese de Nampula (Moçambique) em
12 de Novembro de 1954.
Diversas vezes veio a Portugal, algumas delas por motivos graves de saúde.
Regressou de Moçambique em 01 de Junho de 2007, ficando a residir em Portugal.
Em 10.09.2008 foi nomeado oficialmente para a Região
de Portugal, com residência no Seminário de Valadares.
Aqui, o Deus-Pai marcou o seu último encontro neste
mundo.
Paz à sua alma!

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O Boletim Quadrimestral da
ARM tem, incontestavelmente,
grande relevância como meio
de comunicação entre os seus
associados.
É também a grande despesa,
quer pela impressão, quer pela
expedição, a grande despesa na
conta de demonstração de resultados da Associação.
A Direcção desejaria que a publicação fosse auto-suficiente.
Para atingir este objectivo era
necessário reduzir os custos e
aumentar as receitas. Tomámos
as seguintes medidas:
1. Formalizou com os CTT protocolo para o envio em correio editorial;
2. Fez um apelo especial e particular aos Armistas empresários, ENI’S e profissionais
liberais para que fizessem
publicidade;
A tiragem de cada edição aumentou de 500 para 800, Chegando cada vez mais longe e a
um maior número de antigos
alunos.
Reiteramos, pois, o nosso apelo
para que colaborem connosco.
BOLETIM N.º 116
Julho/Dezembro de 2013
ARM – Associação Regina
Mundi dos Antigos Alunos
da Sociedade Missionária
Portuguesa

Papa deixa mensagem de
«ternura e esperança»
“O Natal fala de ternura e de esperança. Deus, ao encontrar-se connosco, diz-nos duas coisas. A primeira é: tenham esperança. Deus abre sempre as portas,
nunca as fecha, é o pai que nos abre as portas. A segunda: não tenham medo da
ternura”, afirma.
Segundo Francisco, quando a Igreja se esquece da ternura e da esperança
torna-se “fria” e enreda-se em “ideologias”.
O Papa lembra os cristãos que passam por “dificuldades” na terra onde Jesus
nasceu e confirma que está a preparar uma viagem à Terra Santa para se encontrar com o seu “irmão Bartolomeu, patriarca de Constantinopla” (Igreja Ortodoxa), nos 50 anos de um encontro idêntico, entre Jerusalém, então entre o Papa
Paulo VI e o patriarca Atenágoras.
Jorge Mario Bergoglio, eleito como sucessor de Bento XVI a 13 de março, vai
celebrar o seu primeiro Natal no Vaticano num mundo “afetado pelas guerras” e
pela fome, preocupações presentes nas suas últimas intervenções, que lhe valeram acusações de “marxismo” por parte de setores conservadores dos Estados
Unidos da América.
“A ideologia marxista está errada, mas conheci durante a minha vida muitos
marxistas que eram boas pessoas e por isso não me sinto ofendido”, observa.
O Papa mostra-se “surpreendido” com as críticas recebidas após a publicação da exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ (a alegria do Evangelho), a respeito da passagem em que se pronuncia contra uma “economia que mata”.
Francisco diz ter apresentado a “Doutrina Social da Igreja” numa “fotografia”
sobre a situação atual, o que “não significa ser marxista”, e reafirma que não falou
“desde o ponto de vista técnico”.
“Prometia-se que quando o copo estivesse cheio, transbordaria e os pobres
beneficiariam com isso. O que acontece, pelo contrário, é que quando está cheio,
o copo cresce, por artes mágicas, e nunca sai nada para os pobres”, explicou.
O Papa renova os seus apelos à luta contra a fome e o desperdício de alimentos, pedindo que todos se unam para “dar de comer” a quem precisa.
“Que a esperança e a ternura do Natal do Senhor nos sacudam da indiferença”, apela.
Francisco admite, por outro lado, que não sabe de onde surgiu a notícia de
que iria criar mulheres cardeais, algo que descarta.
“As mulheres na Igreja devem ser valorizadas, não clericalizadas. Os que
pensam em mulheres cardeais sofrem um pouco de clericalismo”, afirma.
A entrevista alude aos esforços de renovação financeira na Santa Sé, frisando que “as comissões de supervisão estão a trabalhar bem”, mas deixa em aberto o futuro do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o chamado ‘banco’ do
Vaticano.
Relativamente à reforma da Cúria Romana, que tem sido discutida com a
nova Comissão de Cardeais, o Papa adianta que as primeiras “sugestões concretas” vão ser entregues em fevereiro e que, durante as reuniões, se limita a
escutar.
“A reforma começa sempre por iniciativas espirituais e pastorais, mais do
que com mudanças estruturais”, declarou.
Francisco diz que considera “prioritário” o diálogo ecuménico e destaca, a
este respeito, o “ecumenismo de sangue”: “Nalguns países, matam cristãos por
levarem consigo uma cruz ou por terem uma bíblia, e antes de os matarem ninguém lhes pergunta se são anglicanos, luteranos, católicos ou ortodoxos”.