Você está na página 1de 16

Perfil

Mário Sérgio Cortella

P erfil Mário Sérgio Cortella Mário Sérgio Cortella é natural de Londrina. É filósofo e escritor,

Mário Sérgio Cortella

é natural de Londrina.

É filósofo e escritor,

especialista nos estudos de gestão administrativa, com mestrado e doutorado em Educação, professor-titular da PUC-SP, com docência e pesquisa na Pós-Graduação em Educação e no Departamento de Teologia

e Ciências da Religião. É

professor-convidado da Fundação Dom Cabral e foi secretário municipal de Educação de São Paulo. É nacionalmente reconhecido pela autoria de obras com os temas teologia, educação, ambiente corporativo e filosofia, entre outros. Publicou, entre outros livros, “A Escola e o Conhecimento”, “Não Espere Pelo Epitáfio:

Provocações Filosóficas”,

“Não Nascemos Prontos! Provocações Filosóficas”, “O que a vida me ensinou – viver em paz para morrer em paz”.

Entrevista

E ntrevista Em entrevista concedida via e-mail à Fundação Feira do Livro, Mário Sér- gio Cortella

Em entrevista concedida via e-mail à Fundação Feira do Livro, Mário Sér- gio Cortella fala sobre suas obras, revela como a relação com o educador Paulo Freire influenciou suas produções e defende a ideia de que a internet pode ser uma ferramenta positiva para a escrita. Confira a seguir a entre- vista completa.

Entrevista

E ntrevista 4

Em sua juventude, o senhor viveu em um convento, se dedicando à

vida religiosa. Quando e de onde surgiu esse desejo? E o que essa experiência acrescentou em sua vida tanto pessoal quanto profis-

sional?

Por ser originário de uma família com tradição no catolicismo, e eu mesmo tendo participado de movimentos como a Cruzada Eucarística em Londrina (onde nasci) e outros engajamentos ligados ao trabalho leigo missionário, ao final da juventude quis fazer uma experiência religiosa mais densa, para ver se a vida sacerdotal seria meu caminho ou a religiosidade que acolhia (e acolho) teria outra trilha. Após entrar na universidade para cursar Filoso- fia, ingressei na Ordem Carmelitana Descalça (Província Romana) em São Paulo e com eles estive em vida conventual por três anos (1973/1975). Ao final desse período, percebi um aprofundamento da religiosidade que pra- tico, mas sem que a sequência fosse (como não o foi) na estrutura clerical, deixando, então, esse caminho e procurando a partir daí a rota da docência, pesquisa e escrita, como faço há quatro décadas. O período conventual foi especialmente propício à prática da meditação, do silêncio, da vivência do trabalho manual e, acima de tudo, para a disciplina intelectual.

O senhor tem diversas obras publicadas e é reconhecido nacional-

mente por elas. Seus livros enfocam teologia, educação, ambiente corporativo, filosofia e educação. Como o senhor sente a recepção dos leitores a suas obras? Dos 18 livros que até agora publiquei (sete deles em co-autoria), alguns têm uma acolhida extensa se avaliarmos pelo quantitativo; por exemplo, o livro “Qual é a tua obra?” foi lançado em 2007 e já está na vigésima edi- ção, com mais de 250.000 exemplares adquiridos. Outras obras são usadas como bibliografia obrigatória em cursos de graduação e pós-graduação, ou até em concursos públicos, o que sempre me honra por ser sinal de acolhida positiva.

O senhor teve o contato com o educador brasileiro Paulo Freire, que

foi seu orientador. De que maneira, essa vivência contribuiu para seu crescimento como filósofo? Um dos meus livros, “A Escola e o Conhecimento: fundamentos epistemo- lógicos e políticos”, resulta da minha tese de doutorado orientada por Paulo Freire. A ele dediquei a obra escrevendo “Ao Sagrado na Vida, e a Paulo Frei- re, uma de suas manifestações amorosas”. Por aí se aquilata a importância

Entrevista

dele na minha formação. Pude fruir da convivência por 17 anos, desde a volta dele do exílio, no final de 1979, até o falecimento, em 1997. Além das orientações, tivemos convivência de amizade, em partido político e fui seu adjunto na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Todo esse tem- po serviu para polir três virtudes dele emanadas com força: esperança ativa, humildade intelectual e generosidade mental.

Em que momento e por que o senhor se viu instigado a abordar os temas que permeiam suas obras? Aprecio demais o pensamento freireano “a prática de pensar a prática é a única maneira de pensar certo”. Por isso, as temáticas sobre as quais escre- vo, sem que percam conexão com a História, estão muito ligadas ao coti- diano das pessoas e, claro, do meu. Entendo ser necessário que a tradição ilumine nosso presente, sem nos ancorarmos no passado, e sem abando- narmos as raízes; por isso, cada temática tem um viés que está no agora e, ao mesmo tempo, encontra interfaces com o que nos antecedeu, de modo a evitarmos uma vida robótica ou automática, sem reflexão e consciência deliberada.

Os temas de seus livros provocam nos leitores as mais diversas re- flexões. Como se dá o processo de criação suas obras? Não há modo único. Certos livros foram resultados de pesquisas acadêmi- cas e ganharam uma forma mais palatável para poderem ser melhor difun- didas; outros se originam de diálogos com pessoas relevantes para se pen- sar sobre Moral, Política, Liderança, Carreira, Esperança etc. Outros, ainda, são frutos da junção ordenada e editada de colunas e pensatas publicadas em veículos diversos e que são agregadas tematicamente. Em qualquer des- ses modos, vale demais ser metódico e paciente (sem lerdeza) para não ser leviano; é também relevante que algum leitor especializado (e sempre peço isso) possa examinar com acuidade o que escrevi para ver deslizes, omis- sões, repetições inúteis e eventuais carências de sentido.

Diversos estudiosos e literários evidenciam a diminuição no núme- ro de leitores em nosso país. O senhor concorda com esse cenário? De forma alguma; ao contrário. O mercado editorial com a plataforma “livro” cresceu muito no triênio mais recente, seja pela inclusão de novas camadas sociais em patamares econômicos mais elevados, seja pela maior expansão da escolarização. O que talvez tenha recluído seja a margem de

7

Entrevista

E ntrevista 8

lucratividade de publicadoras, pois a concorrência cresceu e grupos inter- nacionais chegaram ao Brasil exatamente pela expansão que temos. Tais grupos, se retração houvesse, teriam se desviado

É

cada vez maior o número de escritores nascidos na internet. Como

o

senhor enxerga esse fenômeno?

Há muitas plataformas na história para a criação, registro e divulgação das ideais ficcionais ou não; as mais recentes, digitais, ainda estão nos seus iní- cios, mas já trouxeram maior soltura de concepções, menor exclusividade de autorias, maior nível de superficialidade, menor restrição de criativida- de, maior capacidade de partilha, menor polimento literário. Aos poucos, essa plataforma ganhará maior precisão e seletividade positiva, e o benefí- cio ultrapassará as precariedades.

Podemos encontrar diversos vídeos do senhor na internet, expla-

nando sobre as mais diversas temáticas. O senhor acredita que essa

é uma ferramenta que desperta interesse no público e auxilia na

conquista de novos leitores? Cada dia encontro mais pessoas que me contam ter conhecido minha pro- dução pelos vídeos na internet e, por isso, ao se interessarem, procuraram livros de minha autoria. Cada vez que uma palestra ou programa de tele- visão no qual participo é “postada”, o livro que eventualmente seja men-

cionado ou esteja mais perto da temática do vídeo, tem um crescimento expressivo de procura.

Para o senhor, a internet colabora de forma positiva ou negativa para o hábito da leitura? Ambas as situações são possíveis, mas, não tenho dúvida, a internet tem mais positividade para a iniciação e consolidação do hábito da leitura. Re- memoremos: a geração dos meus pais, jovem e adulta nos anos 1940 e 1950, escrevia bastante, dado que a comunicação telefônica era rara e cara; isso os levava a ler mais, para escreverem melhor e encontrarem inspiração e cita- ções que encantassem o destinatário. A minha geração, jovem e adulta nos anos 1960 e 1970, diminuiu a comunicação escrita (e a leitura), pois a tele- fonia ficou mais acessível, embora ainda com custo elevado, o que nos fazia mesclar meios. A geração de meus filhos, jovem e adulta nos anos 1980 e 1990, teve acesso bastante facilitado à comunicação oral à distância, dis- pensando boa parte da escrita até para “namorar”. A geração atual, criança e

Entrevista

jovem a partir dos anos 2000, voltou a escrever! Com as redes sociais, seja o agora antigo Orkut, seja no Facebook ou Twitter, a escrita ganhou destaque,

a ponto de nem o celular servir para falar e sim para escrever mensagens,

em uma inusitada “ressurreição” do telégrafo”. Ora, quem escreve, tem seus blogs, posts e mensagens, começa a ler mais para fazer melhor, ainda com carências gramaticais e sintáticas, e paulatinamente com incrementos para não se envergonhar. Diriam alguns: mas eles escrevem vc em vez de você! Há 300 anos seria Vossa Mercê; há 200 anos vosmecê; há 100 anos passou

a ser você; pode ser que se incorpore ao padrão culto do idioma, ou não

Em entrevista publicada, o senhor diz acreditar que a educação mostra saídas para problemas da sociedade. Afirma também que as famílias têm responsabilidade no processo educativo. De quem é a responsabilidade pela educação: da família ou da escola? Não se confunda Educação com Escolarização! Escolarização é uma parte da Educação, e não toda ela. A responsabilidade pela Educação dos filhos é da Família, de modo original, e do Poder Público, de modo subsidiário. Escola

pela Educação dos filhos é da Família, de modo original, e do Poder Público, de modo
11

Entrevista

E ntrevista 12
faz Escolarização e a Família com ela conta na Educação dos filhos; contudo, a Escola

faz Escolarização e a Família com ela conta na Educação dos filhos; contudo,

a Escola não pode desconsiderar que a Família tem dificuldades nessa tarefa

e, aí, só uma parceria, um mutirão entre ambas, poderá apoiar uma forma- ção mais decente e socialmente relevante das novas gerações. Paulo Freire bem lembrava: “não é a Escola por si que fará a mudança social, mas, sem a Escola esta mudança não será feita”.

Para o senhor, como será participar da 13ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto?

É minha segunda participação direta nessa Feira e sempre me animo com a

possibilidade de fruir da presença de homens e mulheres, como autores ou leitores, que encontram no Livro uma das trilhas do encontro humano, da vitalidade das imaginações e da produção coletiva de ferramentas que nos agregam.

Para o senhor, qual é a importância de eventos como feiras literá- rias? O senhor acredita que seja possível atrair pessoas para a leitu- ra com esses eventos? Todas as cidades com pessoas que se dispuseram a edificar uma Feira do Livro sabem que os eventos começam mais como acontecimento episódico e, quando persistem, encontram terreno fértil para que a comunidade se aproprie da Feira, a insira no calendário coletivo e, como ápice, passe a ter orgulho de tê-la; tudo isso influencia para que a leitura ganhe robustez en- tre as variadas gentes.

Principais Obras

P rincipais Obras A ESCOLA E O CONHECIMENTO - FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS E POLÍTICOS O QUE A

A ESCOLA E O CONHECIMENTO -

FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS

E POLÍTICOS

E O CONHECIMENTO - FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS E POLÍTICOS O QUE A VIDA ME ENSINOU QUAL A

O QUE A VIDA ME ENSINOU

EPISTEMOLÓGICOS E POLÍTICOS O QUE A VIDA ME ENSINOU QUAL A TUA OBRA? NÃO ESPERE PELO

QUAL A TUA OBRA?

NÃO ESPERE PELO NÃO NASCEMOS EPITÁFIO PRONTOS O QUE É A PERGUNTA POLÍTICA PARA NÃO
NÃO ESPERE PELO NÃO NASCEMOS EPITÁFIO PRONTOS O QUE É A PERGUNTA POLÍTICA PARA NÃO

NÃO ESPERE PELO

NÃO NASCEMOS

EPITÁFIO

PRONTOS

NÃO ESPERE PELO NÃO NASCEMOS EPITÁFIO PRONTOS O QUE É A PERGUNTA POLÍTICA PARA NÃO SER
NÃO ESPERE PELO NÃO NASCEMOS EPITÁFIO PRONTOS O QUE É A PERGUNTA POLÍTICA PARA NÃO SER

O QUE É A PERGUNTA

POLÍTICA PARA NÃO SER IDIOTA

Fundação Feira do Livro

A Fundação Feira do Livro, entidade sem fins lucrativos, foi

criada em fevereiro de 2004 com o compromisso de formar leitores por meio da promoção e valorização da cultura, da educação, do livro e da leitura. Anualmente, a Fundação

reforça esse compromisso com a realização da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, que chega a sua 13ª edição.

A diretoria da Fundação, que tem como presidente Isabel de

Farias e como vice-presidentes Heliana da Silva Palocci e Edgard de Castro,

faz um trabalho voluntário de formação de público leitor e de valorização do livro e dos autores nacionais e locais.

A Feira já tem seu “Vale Cultura”: alunos de escolas municipais e estaduais

da região recebem todos os anos um cheque para comprar livros de sua preferência. Neste ano, o benefício se modernizou e cresceu: em vez do

cheque, pelo menos 99 mil estudantes receberão um Cartão-Livro, como os de crédito.

A Feira deste ano será no estilo 3 em 1, ou seja, serão ocupados três espaços:

o Theatro Pedro II, o Parque Maurílio Biagi e os Estúdios Kaiser de Cinema. Durante a Feira será lançada uma campanha de valorização do educador, personagem fundamental na condução do aprendizado. Muito mais do que uma grandiosa oportunidade de vender livros no interior de São Paulo, a Feira Nacional do Livro de Ribeirão impulsiona a economia da cidade e da região com a movimentação do comércio e de prestadores de serviços, como hotéis, bares, restaurantes e shoppings centers. É um evento que projeta a cidade nacionalmente com a realização de mais de 650 atrações culturais gratuitas para todas as idades.

de 650 atrações culturais gratuitas para todas as idades. Presidente Núcleo de Programação Assessoria

Presidente

Núcleo de Programação

Assessoria

Isabel de Farias

Laura Abbad

de Imprensa

Guaracyama Schiavinoto

Eliane Silva

Vices-Presidentes

Yasmine Machado

Fernanda Marx

Edgard de Castro

Wagner Silva Campos

Renata Canales

Heliana Silva Palocci

Kadidja Toure

 

Núcleo Administrativo

Analidia Ferri

Superintendência

e Financeiro

Viviane Mendonça

André Luiz de Castro

Entre em contato com a Fundação Feira do Livro de Ribeirão Preto

R. Mariana Junqueira, 33 Centro - CEP 14051-010 Ribeirão Preto/SP Tel.: 16 3911.1050.