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INTRODUÇÃO

A Síndrome Pré-Menstrual (SPM), também conhecida como tensão pré-menstrual, é


uma queixa muito comum entre as mulheres, diferenciando-se de outros problemas médicos,
por não se restringir à relação do indivíduo consigo mesmo, mas por refletir também no
relacionamento interpessoal e complexo da sociedade, seja promovendo uma deterioração
transitória nos contatos familiares, seja predispondo ao número de incidência de delitos,
acidentes e baixa produtividade no trabalho. (APPROBATO et al, 2001).
Este termo refere-se a uma síndrome descrita pela primeira vez por Robert Frank
(1931) e caracterizada pela irritabilidade, fadiga, ansiedade, depressão, congestão da mama,
timpanismo abdominal, aumento de peso e edema que ocorrem durante alguns dias
precedendo cada período menstrual. Além dos sintomas físicos, possui sintomas
comportamentais no período pré-menstrual e com características de repetição a cada novo
ciclo, que freqüentemente comprometem a boa qualidade do desempenho profissional e dos
relacionamentos pessoais. (JOSIMOVICH, 1982)
É importante diferenciar SPM de outras doenças com sintomas similares. Pacientes
com disfunções psicológicas, como diferentes tipos de depressão, ansiedade e psicoses,
podem crer que estejam apenas sofrendo de SPM. Um fator diferencial é que pacientes que
sofrem de SPM têm desconfortos com os sintomas somente na fase lútea. (FERNANDES, et
al, 2004)
A utilização dos critérios do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders,
Forth Edition (DSM-IV) – publicado pela Associação Psiquiátrica Americana -, em
associação ao preenchimento de diários prospectivos por pelo menos dois ciclos menstruais
consecutivos, é atualmente reconhecido como o modo prático de confirmação diagnóstica.
(AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 1987 e FREEMAN, et al, 2006)
Sintomas psicóticos, atitudes anti-sociais e, até mesmo, suicídio, tem sido registrados,
com maior freqüência, na fase lútea do ciclo. Mulheres portadoras de acentuada labilidade
psíquicas apresentam esta síndrome com mais freqüência. (BASTOS, 1998)
As aberrações fisiológicas no equilíbrio hormonal cíclico podem, da mesma forma,
representar um papel importante. Desequilíbrio entre estrogênio e progesterona, excesso de
prolactina, deficiência de vitaminas B6 e E, atividade inapropriada de prostaglandina,
alterações na ação das endorfinas e serotonina excesso de estrogênio, de progesterona,
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proporções alteradas de estrogênio: progesterona são alguns dos fatores freqüentemente


relacionados à sua ocorrência. (JOSIMOVICH, 1982; FERNANDES, et al; 2004 e
MORTOLA, et al, 1990)
Não há tratamentos oficialmente padronizados para a TPM. O que se propõe são
formas de controle dos sintomas, que em alguns casos pode ser bastante eficaz. As
medicações mais usadas são os antidepressivos, a bromocriptina, espirolactona, progesterona
e estradiol. (BALLONE, 2003)
Os tratamentos feitos com hormônios extraídos de vegetais, principalmente da soja
possuem grande vantagem em relação aos sintéticos, pois não se acumulam no organismo.
Este acúmulo, que o fígado tem dificuldade em metabolizar, é que seria o responsável pelos
efeitos desagradáveis, que, muitas vezes levam algumas mulheres a abandonar a terapia logo
no início. (HERBARIO, 2007) (AMP, 2007)
O custo anual de um tratamento medicamentoso convencional, aliado à psicoterapia é
absurdo para a realidade sócio-econômica do país. Levando-se em consideração que os
medicamentos mais utilizados para o controle dos sintomas da SPM são antidepressivos a
base de fluoxetina e anfepramona, e que tais chegam a custar R$ 2,70 por pílula, é razoável
dizer que um tratamento torna-se abusivamente caro e ainda, estes não cobrem todos os
sintomas associados à SPM. Assim, qualquer alternativa que seja mais eficaz e provoque
menos efeitos colaterais, tais como dependência associadas ao uso dos antidepressivos
citados, são mais vantajosos para a população em geral, e para o país. (CORREIO
BRAZILIENSE, 2001; JORNAL DE BRASÌLIA, 2001 e REVISTA TPM, 2006)
Muitos médicos acreditam que o uso de Fitoterápicos pode reduzir à metade os gastos
da população com medicamentos e com os mesmos resultados dos alopáticos. (BIESKI, 2007)
A Fitoterapia tem sido uma das práticas mais discutidas na contemporaneidade,
buscando-se, tanto no país quanto em outros lugares do mundo, mecanismos de
regulamentação e implementação de políticas para a área, com o intuito de suprir tal carência
na atenção primária à saúde. (OLIVEIRA, 2005)
A OMS define fitoterápicos como substâncias ativas presentes na planta como um
todo, ou em parte dela, na forma de extrato total ou processado, que podem ser extraídos a
partir de processos diversificados e comercializados em estado líquido, sólido ou semi-sólido.
(OLIVEIRA, 2005)
Cerca de 700 fitoterápicos têm registro na ANVISA, ou seja, podem ser usados com
segurança – contanto que tenham indicação médica. Os cerca de 700 fitoterápicos registrados,
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são medicamentos cujos ensaios clínicos foram feitos no exterior, ou seja, já haviam sido
produzidos por outros países. (LIMA, 2007)
Dentre esses fitoterápicos temos a Cimicífuga racemosa, que possui propriedades
estrogênicas relevantes nos tratamentos de deficiência estrogênica, sendo um dos
fitohormônios mais estudados. Aliviam os calores, a atrofia e o ressecamento vaginal, a
palpitação e a ansiedade. Atua de modo semelhante ao estriol, um derivado do estrogênio
responsável pela lubrificação da vagina. (CAMPO, 2007)
A normatização do registro de medicamentos fitoterápicos está situada no âmbito do
Ministério da Saúde, por meio de resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA), a Resolução de Diretoria Colegiada n°. 17 (RDC n°. 17), de 24 de fevereiro de
2000. (OLIVEIRA, 2005)
A escolha das plantas está baseada em estudos que apontam a Cimicifuga racemosa, a
Salvia officinalis e a Morus nigra como reguladoras hormonais. As outras plantas envolvidas
colaboram na atenuação dos sintomas relacionados com a SPM, tais como edema,
irritabilidade, fadiga, insônia, cefaléia, câimbras, ansiedade, perda de memória entre outras.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que 80% da população mundial faz
uso de algum tipo de medicamento fitoterápico (à base de ervas ou plantas) para tratar
sintomatologias dolorosas ou desagradáveis. Desse total, pelo menos 30% já são usados por
indicação médica. (BARROSO, 2007)
Nesse sentido, o objetivo do trabalho é verificar os efeitos de fitoterápicos nos
sintomas da Síndrome Pré-Menstrual, avaliando os efeitos do uso de compostos fitoterápicos
de Lippia alba, Morus nigra, Cinchona calisaya, Cimicifuga racemosa, Salvia officinalis, sob
a forma de tintura, administrados durante 1 mês antes e durante a menstruação, em voluntárias
alunas da Universidade Anhembi Morumbi, com idades entre 19 e 24 anos, que relatem
sintomas associados à Síndrome Pré-Menstrual, através de questionário de sintomas pré-
menstruais.
Espera-se assim, regular o ciclo hormonal a fim de amenizar os sintomas da Síndrome
Pré-Menstrual com o uso do composto de tintura de Lippia alba, Morus nigra, Cinchona
calisaya, Cimicifuga racemosa, Salvia officinalis, esperando menor incidência de efeitos
colaterais e baixo custo.
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1 NATUROLOGIA: A Mudança de Paradigma

Recentes avanços tecnológicos, como também alguns progressos científicos, criaram


possibilidades novas de interferência na vida humana, que podem representar uma vantagem
ou, contrariamente, um risco ou mesmo um grave prejuízo. (DALLARI, 2007)
Pelo fato de que a vida é geralmente reconhecida como um valor humano ou social,
muitos sentiram a necessidade de refletir sobre essas inovações e seus efeitos, de prever ou,
pelo menos, tentar prever, suas conseqüências prováveis, benéficas ou maléficas e,
finalmente, de avaliar tais possibilidades à luz de considerações de ordem ética. A primeira
advertência formal sobre os riscos inerentes ao progresso científico e tecnológico foi feita pela
ONU, em 10 de novembro de 1975, quando proclamou a Declaração sobre a Utilização do
Progresso Científico e Tecnológico no Interesse da Paz e em Benefício da Humanidade.
(DALLARI, 2007)
Entre as considerações preliminares, esse documento contém o reconhecimento de que
o progresso científico e tecnológico, ao mesmo tempo em que cria possibilidades cada vez
maiores de melhorar as condições de vida dos povos e das nações, pode, em certos casos, dar
lugar a problemas sociais, bem como ameaçar os direitos humanos e as liberdades
fundamentais do indivíduo. O artigo 6º dessa Declaração é bem expressivo como advertência,
tendo a seguinte redação: "Todos os Estados adotarão medidas tendentes a estender a todos os
estratos da população os benefícios da ciência e da tecnologia e a protegê-los, tanto nos
aspectos sociais quanto materiais, das possíveis conseqüências negativas do uso indevido do
progresso científico e tecnológico, inclusive sua utilização indevida para infringir os direitos
do indivíduo ou do grupo, em particular relativamente ao respeito à vida privada e à proteção
da pessoa humana e de sua integridade física e intelectual". (DALLARI, 2007)
Outro sinal de alerta formal e solene, que também pode ser considerado um passo
importante no sentido da fixação de parâmetros para a aplicação de novos conhecimentos e
novas possibilidades nas áreas da biologia e da medicina, é a Convenção sobre Direitos
Humanos e Biomedicina, adotada em 19 de novembro de 1996 pelo Conselho de Ministros do
Conselho da Europa. Entre as considerações constantes do Preâmbulo, está a advertência de
que o mau uso da biologia e da medicina pode conduzir à prática de atos que ponham em
risco a dignidade humana. Isso sem deixar de reconhecer, em outro considerando, que o
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progresso na biologia e na medicina pode ser usado para o benefício da geração presente e das
futuras. (DALLARI, 2007)
São particularmente expressivos, para as questões aqui abordadas, o artigo 2º dessa
Convenção, onde firma-se que "os interesses e o bem estar do ser humano devem prevalecer
sobre o interesse isolado da sociedade ou da ciência". As práticas e os avanços nas áreas das
ciências biológicas e da medicina, que podem proporcionar grandes benefícios à humanidade,
têm riscos potenciais muito graves, o que exige permanente vigilância dos próprios agentes e
de toda a sociedade para que se mantenham dentro dos limites éticos impostos pelo respeito à
pessoa humana, à sua vida e à sua dignidade. Na prática, a verificação desses limites é
facilitada quando se levam em conta os direitos humanos, como têm sido enunciados e
clarificados em grande número de documentos básicos, incluindo a Declaração Universal dos
Direitos Humanos e os pactos, as convenções e todos os acordos internacionais, de caráter
amplo ou visando a objetivos específicos, que compõem o acervo normativo dos direitos
humanos. (DALLARI, 2007)
Hoje, o pensamento dominante é a epistemologia hegemônica aplicada no cotidiano da
atenção à saúde originada no paradigma mecanicista e analítico de René Descartes, aliado ao
empirismo de Francis Bacon, reforçado pelo positivismo de Augusto Comte, no qual o todo é
dado pela soma das partes e a noção de causalidade linear é prevalente, apesar das recentes
mudanças ocorridas nas teorias científicas, principalmente provindas da física. (AMORIM,
2007)
Ocorreu um processo de redução da enfermidade à doença; a atenção dos médicos
desviou-se do paciente como pessoa total. Enquanto a enfermidade é uma condição do ser
humano total, a doença é a condição determinada por parte do corpo e, em vez de tratarem os
pacientes que estão enfermos, os médicos concentram-se no tratamento das suas doenças.
Àqueles cabe descobrir a doença, classificá-la de acordo com a nosografia médica e então
administrar tratamento atual (em voga na ciência). (AMORIM, 2007)
As doenças, seus critérios diagnósticos e fatores de risco, de intersecção variável com
o adoecimento e a vida levada pelos doentes obscurecem um vislumbre sobre a evolução
global do paciente. Este está "esquartejado" epistemologicamente por síndromes e doenças de
aparelhos orgânicos (especialistas) bem separados por uma fisiologia e fisiopatologia
biomecânica que sabe muito de patologias, microorganismos, moléculas, órgãos, tecidos e
sistemas do corpo e pouco das ligações e inter-relações sutis e complexas entre tudo isso e a
vida vivida pelo doente. (AMORIM, 2007)
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Talvez a tarefa mais intensa para os profissionais da saúde e educação nos contatos
que desenvolvem com as classes populares é aceitarem o fato de que o saber também é
produzido por aquela classe, e isso se deve à formação escolarizada da classe média, aliada a
uma sociedade capitalista e consumista que procura deter em suas mãos os meios de
produção, inclusive do conhecimento. (AMORIM, 2007)
Não estamos defendendo que os técnicos/profissionais/cientistas devam abandonar
seus construtos e descobertas, mas que haja uma relação simbiótica entre os dois tipos de
conhecimento, o científico e o popular. Dessa maneira, a intersubjetividade humana poderia
ser mais bem compreendida, ou seja, sem a sobreposição de um saber sobre o outro, mas sim
reconhecendo às possibilidades e limitações de cada um, afinal, a cultura das classes
subalternas é uma tentativa de explicar este mundo em que se vive; no entanto, não dá conta
de tudo explicar, a ciência tampouco. (AMORIM, 2007)
A construção compartilhada do conhecimento é uma estratégia através da qual
podemos alcançar a promoção da saúde, definida como uma metodologia desenvolvida na
prática da Educação e Saúde que considera a experiência cotidiana dos atores envolvidos e
tem por finalidade a conquista, pelos indivíduos e grupos populacionais, de maior poder e
intervenção nas relações sociais que influenciam a qualidade de suas vidas, fruto da relação
entre senso comum e ciência. (AMORIM, 2007)
Não pretendemos fazer apologia ao senso comum e muito menos subestimar a
contribuição da ciência em benefício da Humanidade, mas apenas resgatar o valor do senso
comum no processo de produção e socialização do conhecimento, pois, se de um lado
consideramos aceitável a idéia de que quando se trata do mesmo ponto, é de se esperar, no
entanto, que a ciência seja mais segura, mais exata, mais refinada; não se pode afirmar,
porém, que tudo que seja científico seja mais preciso e mais certo do que tudo o que nos vem
do conhecimento vulgar; por outro, não podemos desconsiderar que o senso comum e a
ciência são expressões da mesma necessidade de compreender o mundo, a fim de viver
melhor e sobreviver. E para aqueles que teriam a tendência de achar que o senso comum é
inferior a ciência, é importante de lembrar que, por dezenas de milhares de anos, os homens
sobreviveram sem coisa alguma que se assemelhasse à nossa ciência. A ciência, curiosamente,
depois de cerca de quatro séculos, desde que ela surgiu com seus fundadores, está colocando
sérias ameaças à nossa sobrevivência. (AMORIM, 2007)
Epistemólogos continuístas, como Rubem Alves, defendem a tese de que a ciência
traduz-se num saber derivado da busca de superar problemas que emergem da esfera do senso
comum: a aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso
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comum. Só podemos ensinar e aprender partindo do senso comum de que o aprendiz dispõe.
Assim, não podemos ignorar e subjugar a "sabedoria popular". Essa reação acontece muito
claramente no campo da saúde e da educação. Os profissionais tornam-se detentores do saber
técnico e científico, inacessíveis à população; então, tornam-se "mestres" que ditam o certo e
o errado, bem como impõem comportamentos que julgam eficazes, no caso da saúde, para a
melhoria da qualidade de vida e da promoção da saúde. (AMORIM, 2007)
A proposta de unir o conhecimento científico ao do senso comum parece simples de
ser desenvolvida pela educação e a promoção da saúde no cotidiano das ações de saúde.
Entretanto, reconhecemos que esbarramos em dificuldades de várias ordens, em que
problemas de comunicação entre profissionais da saúde e comunidade constituem-se apenas
num sintoma. Na verdade, o problema fundamental é epistemológico e remete ao paradigma
dominante na ciência moderna, bem como no campo da saúde: o paradigma cartesiano.
(AMORIM, 2007)
A partir da segunda metade do século XX, inicia-se uma crise no modelo cartesiano-
positivista até então dominante na saúde. Os próprios profissionais da saúde identificam a
necessidade de mudança no sistema e começam a construir um novo paradigma. Segundo
Thomas Kuhn, o novo paradigma nasce num momento de crise estabelecida da ciência,
conduzida por teorias, pesquisas e escolas. O surgimento de um novo paradigma em qualquer
área do conhecimento é a condição básica para o progresso da ciência. (AMORIM, 2007)
A expressão "promoção da saúde" foi cunhada pela primeira vez em 1945, quando o
historiador e médico Henry Sigerist a mencionou como uma das tarefas da medicina. Sigerist
defendia uma ação integrada entre políticos, lideranças sindicais trabalhadoras e patronais,
educadores e médicos. Esta união de esforços objetivava implementar políticas e programas
de saúde, que são facilitados quando as necessidades básicas do indivíduo (emprego, saúde,
educação, vida social) são satisfeitas. (AMORIM, 2007)
Depois de Sigerist apontar o caminho e a direção desse novo modelo de atenção à
saúde, vários documentos e eventos importantes foram surgindo e ratificando as propostas
anteriores, bem como introduzindo outras. Neste sentido, destacam-se: o Informe Lalonde
(1974), a Declaração de Alma Ata (1978), o documento um Povo Saudável (1979), a Carta de
Otawa (1986), a Declaração de Adelaide (1988), a III Conferência Internacional sobre
Promoção da Saúde (1991) e a Declaração de Jacarta (1997). (AMORIM, 2007)
A promoção da saúde, como vem sendo entendida nos últimos 25 anos, representa
uma estratégia promissora para enfrentar os múltiplos problemas de saúde que afetam as
populações humanas atualmente. Partindo de uma concepção ampla do processo saúde-
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doença e de seus determinantes, esquecendo a máquina corporal e incorporando uma


abordagem holística, propõe a articulação de saberes técnicos e populares, e a mobilização de
recursos institucionais e comunitários, públicos e privados através de parcerias para seu
enfrentamento e resolução. Compreendemos que a educação em saúde é um componente
indispensável neste processo, focalizando suas intervenções primordialmente no indivíduo
pertencente a uma comunidade onde se dão as relações sociais, culturais, econômicas e
políticas, envolvendo todo o contexto e a realidade subjetiva e resgatando a cidadania e o
direito de "ser e sentir-se gente". (AMORIM, 2007)
O enfoque da promoção da saúde nos serviços de saúde implica o resgate da
perspectiva integral na abordagem da atenção. O cuidado implica na compreensão do ser
humano nos seus direitos, na sua especificidade, na sua integralidade. Orientar-se pelo
cuidado é romper com a lógica de formação excessivamente baseada na hegemonia
biomédica, no autoritarismo das relações, no poder construído a partir de um saber que
silenciam outros e coisifica os sujeitos. (OPAS, 2007)
Buscando uma maior equidade na conquista da saúde surgiram as Conferências
Internacionais sobre Cuidados Primários de Saúde e sobre Promoção de Saúde, organizadas
pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que geraram conceitos e incentivos à pesquisa e
prática de tratamentos tradicionais, considerando-se a cultura de determinadas comunidades,
tais como as indígenas. (OPAS, 1978 e 1988)
Os cuidados primários de saúde são cuidados essenciais de saúde baseados em
métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis,
colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da comunidade, mediante sua plena
participação e a um custo que a comunidade e o país possam manter em cada fase de seu
desenvolvimento, no espírito de autoconfiança e automedicação inegável. (OPAS, 1978)
Um princípio básico de justiça social é assegurar que a população tenha acesso aos
meios imprescindíveis para uma vida saudável e satisfatória. Ao mesmo tempo, isto
aumentará, de maneira geral, a produtividade da sociedade tanto em termos sociais como
econômicos. Políticas públicas voltadas à saúde e planejadas para curto prazo trarão
benefícios econômicos de longo prazo. (OPAS, 1988)
Mais de um milhão de pessoas no mundo têm acesso inadequado aos cuidados básicos
(essenciais) de saúde. Os sistemas de atenção à saúde, indubitavelmente, precisam ser
reforçados. As soluções estão além de um sistema de saúde nos moldes tradicionais. (OPAS,
1991)
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Da necessidade de uma alternativa no cuidado à saúde, surgem os sistemas


tradicionais, conhecidos por Medicinas Complementares (dentre tantas outras denominações),
que vêm encontrando cada vez mais espaço nos sistemas de saúde de países em
desenvolvimento, e até mesmo desenvolvidos. Segundo a OMS, o país que menos utiliza
essas práticas é a Bélgica, com 38% de pessoas que já utilizaram pelo menos uma vez alguma
técnica. Na África esse número chega a 80%. Em países em desenvolvimento, o amplo uso de
Medicina Tradicional é atribuído à sua acessibilidade e executabilidade; por muitas vezes é a
única fonte de atenção à saúde para populações pobres. (OMS, 2002)
É considerado Medicina Tradicional as práticas, enfoques, conhecimentos e crenças da
saúde diversas que incorporam medidas baseadas em plantas, animais e, ou minerais, terapias
espirituais, técnicas manuais e exercícios aplicados de forma individual ou em combinação
para manter o bem-estar, além de tratar, diagnosticar e prevenir as enfermidades,
desenvolvidas antes do que se considera medicina moderna. (WIKIPEDIA, 2006) (OMS,
2002)
As práticas das Medicinas Tradicionais têm por princípio momentos históricos onde o
homem ainda via que o ser era influenciado por umas série de componentes externo e interno,
tais como seu grau de espiritualidade, sendo guiado por sua crença no divino, suas emoções
(haja visto a teoria dos humores elaborada por Hipócrates), e o meio ambiente ativamente
influenciando seu estado de saúde ou doença. Hoje em dia isto é caracterizado como
abordagem holística, portanto, pode-se afirmar que a visão holística dentro da terapêutica está
para a Medicina Tradicional, assim como a Medicina Moderna está para a alopatia.
(WIKIPEDIA, 2006)
As preocupações a cerca dos efeitos colaterais de fármacos-químicos, as questões
associadas ao enfoque e suposições da medicina alopática, o maior acesso do público à
informações de saúde, as alterações nos custos e a reduzida tolerância ao paternalismo são
alguns dos fatores que contribuem para a crescente procura de tratamentos complementares à
medicina moderna, quando não tomados como reais alternativas. Algumas populações
simplesmente não podem se dar ao luxo de pagar por um fármaco-químico. A fitoterapia
nesses casos, não só é relativamente mais barata como pode-se pagar tanto em espécie e, ou
segundo o bem-estar proporcionado ao cliente. (OMS, 2002)
Ainda que os tratamentos e as tecnologias alopáticas sejam abundantes para doenças
crônicas que possam a vir desenvolver-se muitas vezes pela maior expectativa de vida
resultante dessa mesma tecnologia, alguns pacientes não se satisfazem com os resultados
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dessas intervenções. Os tratamentos e as tecnologias não têm sido suficientemente eficazes e


têm provocado efeitos colaterais. (OMS, 2002)
Em princípio a Medicina Tradicional profissional pode ser transformada em prática
profissional por vários mecanismos de legitimação social, exigindo um especialista e um
processo médico - sagrado (iniciático) de especialização, caracterizando-se por possuir
escolas, documentos, mestres e discípulos. É na tentativa de sistematizar e adaptar a formação
de profissionais nessas terapias que os países europeus, Estados Unidos e Canadá foram
pioneiros nesse campo de atuação com escolas superiores de Naturopatia. (WIKIPEDIA,
2006) (CARLI, 2007)
Aqui no Brasil essa é uma profissão recente e até pouco tempo não normatizada pelos
órgãos competentes. Hoje temos exemplos como os de São Paulo, onde encontra-se um dos
cursos superiores de Naturologia existentes no Brasil, cuja aprovação do diploma foi
regulamentada pela Portaria nº. 161 de 16 de fevereiro de 2007, para alunos formados até esse
ano. Tudo isso está de acordo com as recomendações da OMS e de acordo com a Política
Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares (PMNPC). (CARLI, 2007)
(MELO, 2007) (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005)
A Naturologia trata da aplicação de diversos recursos naturais na promoção,
manutenção e restabelecimento da saúde, utilizando-se de conceitos e técnicas em terapias
naturais que promovam o equilíbrio energético do indivíduo e do meio ambiente de forma
integral. A base são as Terapias Vibracionais (como colorterapia, florais, meditação,
reflexologia, entre outras), Orientais (chinesa e indiana) e Antroposófica. (UNIVERSIDADE
ANHEMBI MORUMBI, 2003)
Espera-se que cumprindo as determinações sobre a implantação de algumas dessas
práticas naturais no Sistema Único de Saúde (SUS), cada vez mais pessoas possam ser
beneficiadas pelas vantagens dessa nova medicina que surge não para substituir, e sim para se
aliar a tudo o que já existe criando um novo paradigma, de forma a unir aquilo que antes foi
relegado àquilo que já não demonstra mais uma compensação entre benefício-prejuízo à saúde
e bem estar de forma geral. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005) (OMS, 2002) (OPAS, 2007)
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2 FISIOLOGIA REPRODUTIVA FEMININA

A unidade funcional dos ovários é o folículo ovariano individual, que é formado por
uma célula germinativa, cercada por células endócrinas. Quando completamente
desenvolvido, o folículo ovariano desempenha diversas funções: (CONSTANZO, 1999)
• Fornecer nutrientes para o oócito em desenvolvimento
• Libera o oócito no tempo devido (ovulação)
• Prepara a vagina e as trompas de Falópio para ajudar na fertilização do óvulo por um
espermatozóide
• Prepara o revestimento interno do útero para a implantação do óvulo fecundado
• Mantém a produção de hormônios esteróides para o feto (no caso de ocorrer
fecundação), até que a placenta possa assumir essa função (CONSTANZO, 1999)

2.1 Síntese e Secreção de Estrogênio e Progesterona

Os hormônios esteróides ovarianos, progesterona e 17β-estradiol, são sintetizados


pelos folículos ovarianos, por meio das ações combinadas das células da granulosa e tecais.
(CONSTANZO, 1999)
O córtex adrenal produz todos os intermediários até o nível da androstenediona, mas
por não ter a enzima 17β-hidroxiesteróide desidrogenase, não pode produzir testosterona. De
igual modo, os testículos produzem todos os intermediários até o nível da testosterona, mas
não podem produzir estrogênio porque não possuem a enzima aromatase. Todas as etapas da
via biossintética estão presentes nos ovários, incluindo a aromatase, que converte a
testosterona em 17β-estradiol, o principal estrogênio ovariano. (CONSTANZO, 1999)
A progesterona e o 17β-estradiol são sintetizados da seguinte forma: as células das
tecas sintetizam e secretam a progesterona. As células tecais também sintetizam testosterona;
essa testosterona se difunde das células das tecas para as células da granulosa, a qual contém
aromatase. Nas células da granulosa, a testosterona é convertida em 17β-estradiol. O FSH
(Hormônio Folículo Estimulante)e o LH (Hormônio Luteinizante) têm, cada um, participação
no processo biossintético. O LH estimula a colesteroldesmolase, nas células tecais (a primeira
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etapa da via biossintética). O FSH estimula aromatase nas células da granulosa (a última etapa
da síntese do 17β-estradiol). (CONSTANZO, 1999)

2.2 Regulação da Função Ovariana

Como já citado, os ovários possuem duas funções: oogênese e a secreção dos


hormônios esteróides femininos. Essas duas funções são controladas pelo eixo hipotalâmico-
hipofisiário. Assim como nos testículos, o hormônio hipotalâmico é o GnRH (Hormônio
Liberador de Gonadotrofina), e os hormônios da hipófise anterior são os FSH e o LH.
(CONSTANZO, 1999)

2.2.1 GnRH

O funcionamento ovariano é regulado pela atividade pulsátil do eixo hipotalâmico-


hipoofisiário. O GnRH é levado diretamente para o lobo anterior da hipófise, em alta
concentração, onde vai estimular a secreção de FSH e de LH. Em seguida, o FSH e o LH
atuam sobre os ovários, para estimular o desenvolvimento folicular e a ovulação e para
estimular a síntese dos hormônios esteróides sexuais femininos. (CONSTANZO, 1999)

2.2.2 FSH e LH

Para compreender o controle hipotálamo-hipofisiário nos ovários, é importante saber


ter em mente seu comportamento cíclico. A cada 28 dias, é repetida a seqüência de
desenvolvimento folicular, ovulação e formação do corpo amarelo no ciclo menstrual.
(CONSTANZO, 1999)
Os primeiros 14 dias do ciclo envolvem o desenvolvimento folicular e são chamados
de fase folicular. Os últimos 14 dias do ciclo menstrual são dominados pelo corpo amarelo e
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são chamados de fase lútea. No ponto médio de cada ciclo, entre as fases foliculares e lúteas,
ocorre a ovulação. (CONSTANZO, 1999)
As ações do FSH e do LH, sobre o desenvolvimento folicular e sobre a ovulação são
explicadas do seguinte modo:
FSH - As células da granulosa são as únicas células ovarianas com receptores para o
FSH. As ações iniciais do FSH estimulam o crescimento das células da granulosa, nos
folículos primários, e estimulam a síntese de estradiol. O estradiol, produzido localmente,
sustenta o efeito do crescimento do FSH sobre as células foliculares. Dessa forma, os dois
efeitos do FSH sobre as células da granulosa são mutuamente reforçadores: mais células, mais
estradiol. (CONSTANZO, 1999)
LH - A ovulação é desencadeada pelo LH. Logo antes da ovulação, a concentração
sanguínea de LH aumenta acentuadamente e promove a ruptura do folículo dominante,
liberando o oócito. O LH também estimula a formação do corpo amarelo (luteinização), e
mantém a produção de hormônios esteróides pelo corpo amarelo, durante a fase lútea do ciclo
menstrual. (CONSTANZO, 1999)

2.3 Resposta Negativa e Positiva

Nas mulheres, o eixo hipotálamo-hipofisiário é controlado tanto por feedback negativo


como por feedback positivo, dependendo da fase do ciclo menstrual. (CONSTANZO, 1999)
Na fase folicular, o FSH e o LH estimulam a síntese e a secreção do estradiol, pelas
células foliculares. Uma das ações do estradiol é um feedback negativo sobre as células da
hipófise anterior, para inibir a secreção adicional de FSH e de LH. Dessa forma, a fase
folicular é dominada pelo estradiol e é regulada por feedback negativo. (CONSTANZO,
1999)
No meio do ciclo, o padrão se altera. Os níveis de estradiol aumentam
acentuadamente, como resultado da proliferação das células foliculares e pela estimulação da
síntese de estradiol, que ocorreu na fase folicular. Quando é atingido um nível crítico de
estradiol (de pelo menos 200 picogramas por mililitro de plasma), ele passa a exercer o efeito
de feedback positivo sobre a hipófise anterior, promovendo a secreção adicional de FSH e de
LH. Esse surto de secreção hormonal, pela hipófise anterior, chamado de surto ovulatório de
FSH e de LH, então, desencadeia a ovulação do oócito maturo. (CONSTANZO, 1999)
30

Na fase lútea, a principal secreção hormonal pelos ovários é a progesterona. Uma das
ações da progesterona é um feedback negativo sobre a hipófise anterior, para inibir a secreção
de FSH e de LH. (CONSTANZO, 1999)

2.4 Ações do Estrogênio e da Progesterona

Em geral, os dois hormônios esteróides ovarianos atuam de forma coordenada, para


manter a atividade reprodutiva da mulher; desenvolvimento dos óvulos, desenvolvimento e
manutenção do corpo amarelo, para manter o óvulo fertilizado, manutenção da gravidez e
preparação das mamas para a lactação. (CONSTANZO, 1999)
Usualmente o estrogênio e a progesterona complementam, ou aumentam as ações do
outro hormônio sobre o trato reprodutivo feminino. Ocasionalmente, antagonizam as ações do
outro. A secreção de estrogênio (pelos ovários) precede a de progesterona, preparando os
tecidos-alvo para responder à progesterona. (CONSTANZO, 1999)
Os dois hormônios ovarianos são responsáveis pelo desenvolvimento sexual da mulher
e pelo ciclo menstrual. Esses hormônios, como os hormônios adrenocorticais e o hormônio
masculino testosterona, são ambos compostos esteróides, formados principalmente do
colesterol. Os estrogênios são, realmente, vários hormônios diferentes chamados estradiol,
estriol e estrona, mas que têm funções idênticas e estruturas químicas muito semelhantes. Por
esse motivo, são considerados juntos, como um único hormônio. (VILELA, 2007)
O estrogênio induz as células de muitos locais do organismo a proliferar, isto é, a
aumentar em número. Por exemplo, a musculatura lisa do útero, aumenta tanto que o órgão,
após a puberdade, chega a duplicar ou, mesmo, a triplicar de tamanho. O estrogênio também
provoca o aumento da vagina e o desenvolvimento dos lábios que a circundam, faz o púbis se
cobrir de pêlos, os quadris se alargarem e o estreito pélvico assumir a forma ovóide, em vez
de afunilada como no homem; provoca o desenvolvimento das mamas e a proliferação dos
seus elementos glandulares, e, finalmente, leva o tecido adiposo a concentrar-se, na mulher,
em áreas como os quadris e coxas, dando-lhes o arredondamento típico do sexo. Em resumo,
todas as características que distinguem a mulher do homem são devido ao estrogênio e a razão
básica para o desenvolvimento dessas características é o estímulo à proliferação dos
elementos celulares em certas regiões do corpo. (VILELA, 2007)
31

A falta de estrogênio causa irritabilidade e a depressão em graus variados, por este


estar associado a sentimentos de auto-estima. O estrogênio também estimula o crescimento de
todos os ossos logo após a puberdade, mas promove rápida calcificação óssea, fazendo com
que as partes dos ossos que crescem se "extingam" dentro de poucos anos, de forma que o
crescimento, então, pára. A mulher, nessa fase, cresce mais rapidamente que o homem, mas
pára após os primeiros anos da puberdade; já o homem tem um crescimento menos rápido,
porém mais prolongado, de modo que ele assume uma estatura maior que a da mulher, e,
nesse ponto, também se diferencia os dois sexos. (VILELA, 2007)
A progesterona tem pouco a ver com o desenvolvimento dos caracteres sexuais
femininos; está principalmente relacionada com a preparação do útero para a aceitação do
embrião e à preparação das mamas para a secreção Láctea. Em geral, a progesterona aumenta
o grau da atividade secretora das glândulas mamárias e, também, das células que revestem a
parede uterina, acentuando o espessamento do endométrio e fazendo com que ele seja
intensamente invadido por vasos sangüíneos; determina, ainda, o surgimento de numerosas
glândulas produtoras de glicogênio. Finalmente, a progesterona inibe as contrações do útero e
impede a expulsão do embrião que se está implantando ou do feto em desenvolvimento.
(VILELA, 2007)

1 - Ciclo Menstrual Fonte: Vilela, 2007


32

2.5 Ciclo Menstrual

O ciclo menstrual é o período que se estende do primeiro dia do fluxo sangüíneo até o
ultimo dia do fluxo seguinte. (UNIFESP, 2007)
Durante o decorrer do ciclo menstrual, o estrogênio e a progesterona são responsáveis
pelas alterações que ocorrem no endométrio, no cérvix e na vagina. (CONSTANZO, 1999)
Com base em ciclo de 28 dias, a fase folicular do ciclo menstrual é o período de 14
dias que precede a ovulação. Essa fase, também chamada fase proliferativa, é dominada pelo
estrogênio.O 17ß- estradiol, cuja secreção aumenta acentuadamente durante essa fase, exerce
efeitos significativos sobre o revestimento endometrial do útero, preparando-o para a
possibilidade de aceitar um óvulo fertilizado. O estradiol faz com que o muco cervical fique
aquoso e elástico. Quando em esfregaço, na lâmina de vidro, o muco cervical da fase folicular
produz padrão conhecido como o de folha de samambaia. Essa característica do muco cervical
permite a formação de canais nesse muco aquoso, criando orifícios na cérvix, por onde os
espermatozóides podem ser propelidos. (CONSTANZO, 1999)
A fase lútea do ciclo menstrual é o período de 14 dias que se segue, imediatamente, à
ovulação. Essa fase também é chamada fase secretória e é dominada pela progesterona. A
proliferação do endométrio fica lentificada e sua espessura diminui. As glândulas uterinas
ficam mais tortuosas, acumulam glicogênio em vacúolos e aumentam suas secreções mucosas.
O estroma do endométrio dica edemaciado. A secreção de progesterona diminui a quantidade
de muco cervical, que se torna espesso e não-elástico, não-cristalizado no padrão folha de
samambaia. (CONSTANZO, 1999)

2.6 Eventos do Ciclo Menstrual

O ciclo menstrual se repete em intervalos de, aproximadamente, 28 dias, durante o


período reprodutivo da mulher (da puberdade à menopausa). Os eventos desse ciclo incluem o
desenvolvimento do folículo ovariano e de seu oócito, a ovulação, o preparo do trato
reprodutivo para receber o óvulo fertilizado e a descamação do revestimento endometrial, se
não ocorreu à fertilização. A duração do ciclo pode variar de 21 a 35 dias. A variabilidade da
duração do ciclo é atribuída à variabilidade da fase folicular; a fase lútea, porém, tem duração
33

constante. As alterações hormonais e os eventos de um ciclo de 28 dias são mostrados na


figura a seguir, e descritos nos seguintes estágios: (CONSTANZO, 1999)
A - Fase folicular ou proliferativa: Essa fase ocorre do dia 1 até o dia 14. Durante esse
período, um folículo primordial se desenvolve até um folículo de Graaf, enquanto os folículos
vizinhos se tornam atrésicos (degeneram ou regridem). Após a degeneração dos folículos
vizinhos, o folículo remanescente é chamado de folículo dominante. Precocemente, na fase
folicular, os receptores para FSH e LH são regulados para cima nas células da teca e da
granulosa foliculares e as gonadotropinas estimulam a síntese de estradiol. A fase folicular é
dominada pelo 17ß-estradiol, cujos níveis aumentam continuadamente. Os altos níveis de
estradiol promovem a proliferação do revestimento endometrial uterino e inibem a secreção
de FSH e de LH pela hipófise anterior, por meio de feedback negativo. (CONSTANZO, 1999)
B - Ovulação: A ovulação ocorre no dia 15 do ciclo menstrual de 28 dias.
Independentemente da duração do ciclo, a ovulação ocorre 14 dias antes de seu término. Por
exemplo, em ciclo de 35 dias, a ovulação ocorre dia 21, ou 14 dias antes da menstruação. A
ovulação se segue a surto de secreção de estradiol, no fim da fase folicular: tal surto exerce
efeito de feedback positivo sobre a secreção de FSH e de LH, pela hipófise anterior (chamado
de surto de FSH e de LH) O surto de FSH e de LH promove a ovulação do óvulo maturo. Na
ovulação, a quantidade de muco cervical aumenta, tornando-se aquoso e mais penetrável
pelos espermatozóides. Os níveis de estradiol diminuem imediatamente após a ovulação, mas
vai aumentar de novo durante a fase lútea. (CONSTANZO, 1999)
C - Fase lútea ou secretória: A fase lútea ocorre do dia 15 ao dia 28, terminando com
o início da menstruação. Durante a fase lútea, o corpo amarelo se desenvolve e começa a
sintetizar estradiol e progesterona. Os altos níveis de progesterona, durante essa fase,
estimulam a atividade secretora do endométrio e aumentam sua vascularização. Assim, na
fase folicular, o estradiol fez com que o endométrio proliferasse; na fase lútea, a progesterona
está preparando o endométrio para receber um óvulo fertilizado. A temperatura corporal basal
aumenta, na fase lútea, pois a progesterona eleva o ponto fixo hipotalâmico para a
temperatura. O muco cervical fica menos abundante e mais espesso, tornando a passagem de
espermatozóides para fertilizar o óvulo mais difícil. Tardiamente, na fase lútea, se não ocorreu
fertilização, o corpo amarelo regride. Com essa regressão, a fonte lútea de estradiol e de
progesterona é perdida e os níveis sanguíneos desses hormônios caem abruptamente.
(CONSTANZO, 1999)
D - Menstruação: A regressão do corpo amarelo e a perda abrupta de estradiol e de
progesterona fazem com que o revestimento endometrial, junto com o sangue, seja descamado
34

(menstruação ou sangramento menstrual). Tipicamente, a menstruação dura 4 dias,


correspondendo aos dias de 1 à 5 do ciclo menstrual seguinte. Durante esse período, os
folículos primordiais para o ciclo seguinte estão sendo recrutados e começando a se
desenvolver. (CONSTANZO, 1999)
35

3 SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL

As primeiras referências à Síndrome Pré-Menstrual (SPM) encontram-se nos relatos


de Hipócrates, que observou o aparecimento de cefaléia e agitação no período pré-menstrual.
Em 1931, Frank classificou estes e outros sintomas, que surgem na fase pós-ovulatória do
ciclo, com intensidade progressiva e cessando com o início do fluxo menstrual, como tensão
pré-menstrual (TPM). (FERNANDES, et al; 2004)
Os critérios diagnósticos SPM foram claramente definidos em 1983. Confirmar o
diagnóstico prospectivamente e excluir outras alterações foram os maiores avanços no manejo
da SPM. O critério de classificação em SPM e Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM)
nos permitem agora identificar as pacientes que precisam de intervenção terapêutica mais
específica. (COSTA, 2000)
Vários estudos permitiram observar que a tensão nervosa não estava sempre presente
neste complexo sintomatológico e que o único achado consistente era o fato de os sintomas se
apresentarem de forma cíclica, relacionados com a fase pré-menstrual. Assim sendo, Greene e
Dalton propuseram o termo “síndrome pré-menstrual”. (FERNANDES, et al; 2004)
Muitos estudos vêm pesquisando sobre as eventuais causas da TPM e, até agora, pode-
se afirmar simplesmente que sua causa principal se relaciona ao metabolismo próprio de cada
paciente, aliado às mudanças hormonais à que elas estão sujeitas; sendo assim considera-se
também que seja o resultado de uma complexa rede de eventos mediados pela serotonina e
desencadeada pela ovulação. Por consenso a SPM apresenta ser um distúrbio relacionado ao
desequilíbrio entre os dois principais hormônios femininos envolvidos na segunda fase do
ciclo menstrual, progesterona e estrogênio, que atuam após o período da ovulação e que
precede a menstruação. (BALLONE, 2003) (COSTA, 2000)
Atualmente, aproximadamente 40% das mulheres entre 15 e 45 anos de idade sofrem
de algum sintoma da síndrome pré-menstrual. Esse dado foi elaborado através de uma média
estabelecida segundo dados de diversos estudos relatando que 5% a 95% das mulheres em
idade reprodutiva sofrem de transtorno disfórico pré-mestrual, qualificado como um
transtorno mais severo do que a síndrome aqui relatada por englobar sintomas psicóticos aos
associados à SPM. (JOSIMOVICH, 1982 e FERNANDES, et al, 2004)
Porém, sabe-se que um total de 75% a 95% das mulheres em idade reprodutiva com
ciclo menstrual regular apresentam algum tipo de sintoma pré-menstrual de intensidade leve,
36

sem necessidade de intervenção médica ou psiquiátrica. Sua prevalência é estimada entre 10%
e 20% a partir de estudos populacionais feitos entre mulheres de 18 a 45 anos de idade que
procuram algum tipo de tratamento para seus sintomas. (VALADARES, 2006)
Modernamente, as primeiras descrições do problema sob a denominação de Tensão
Pré-menstrual (TPM) aparecem em 1931 com Frank. Também foi chamada de Síndrome Pré-
menstrual (SPM) numa reclassificação do manual diagnóstico e estatístico da Associação
Psiquiátrica Americana (DSM-III), onde os principais sintomas físicos seriam o dolorimento e
tumefação das mamas (mastalgia), cefaléia e alterações do humor, os quais acometeriam cerca
de 75% das mulheres durante 3 a 10 dias anteriores à menstruação. (FERNANDES, et al;
2004) (BALLONE, 2003)
A partir do DSM-IV este distúrbio passou a se chamar Transtorno Disfórico Pré-
menstrual (TDPM). Nesta classificação o TDPM está incluído em Transtornos Depressivo
sem outra Especificação. Apesar disso o termo Síndrome Pré-Menstrual ainda é aceito por
não ser excludente de qualquer sintoma com que essa possa se manifestar; não somente
físicos (TPM), nem apenas emocionais (Síndrome Disfórica). (FERNANDES, et al; 2004)
(BALLONE, 2003)
O diagnóstico baseia-se exclusivamente no quadro clínico. Testes em laboratórios não
são disponíveis para se fazer o diagnóstico da SPM. O diagnóstico é, portanto, feito por um
diário de sintomas e por eliminação de outras possíveis causas identificáveis responsáveis
pelo quadro clínico relatado. Dessa maneira, utiliza-se um questionário que contenha
desconfortos mais freqüentes ocorridos na fase lútea para se avaliar a eficácia, ou não, da
terapia aplicada. (BASTOS, 1998; FERNANDES, et al; 2004 e MORTOLA, et al, 1990)
É digno de nota que as mulheres anovulatórias não parecem sofrer de tensão pré-
menstrual propriamente dita. Entretanto tem sido difícil definir a natureza das anomalias
fisiológicas, que se dividem em muitas hipóteses. Da mesma forma, a presença de um
aumento de peso e edema cíclico constitui um enigma fisiopatológico. (JOSIMOVICH, 1982)
Embora a maioria das mulheres apresente diversos sintomas antes da menstruação,
poucas consideram isso anormal. As mulheres afetadas pela síndrome apresentam uma
incidência elevada de distúrbios psicológicos e neuroses. Este fato, juntamente com a falta de
achados orgânicos uniformes, fez com que alguns autores acreditassem em fatores
psicogênicos responsáveis por essa síndrome. (JOSIMOVICH, 1982)
Em alguns casos a SPM pode ser resultante de distúrbios orgânicos que interferem no
funcionamento dos ovários, das supra-renais ou de alterações no funcionamento cerebral.
Outras vezes parece tratar-se de uma conseqüência de alguma notável alteração emocional
37

afetiva, pois, diversas evidências falam a favor de uma associação entre a TPM e os
transtornos depressivos, levando à sugestão de que um tipo específico de alteração pré-
menstrual, caracterizada por modificações de humor, poderia representar um subtipo de algum
Transtorno Depressivo, o qual se manifestaria ciclicamente (ROY-BYRNE et al, 1987).
E, de fato, a TPM apresenta-se de forma bastante semelhante à descrita para a
depressão atípica, ou seja, com humor deprimido, reações excessivas à alterações do
ambiente, hipersonia (muito sono), aumento do apetite com predileção por carboidratos,
fadiga, sensibilidade à rejeição, ansiedade e irritabilidade. Além disso, outra evidência a favor
da associação entre TPM e transtornos depressivos é o fato de que um dos tratamentos mais
efetivos para controle dos sintomas pré-menstruais é o uso de antidepressivos inibidores
seletivos da recaptação de serotonina (FREEMAN, 2001).
Concluindo, os sintomas podem ser divididos em 2 grupos: somáticos e psíquicos.
Entre os sintomas somáticos mais comuns estão os estados congestivos que afetam
principalmente as mamas, abdome e pelve, a retenção hídrica e outras manifestações como a
enxaqueca, o aumento da secreção vaginal, dores vagas generalizadas, anorexia, aumento do
apetite, diarréia, constipação, sudorese, acne, herpes, insônia, crises asmáticas, aumento de
peso temporário, dores lombares e ciáticas, distúrbios alérgicos, crises cíclicas de hipertrofia
da tiróide, aerofagia, estados hipoglicêmicos e crises convulsivas. (JOSIMOVICH, 1982)
Entre os sintomas psíquicos com maior freqüência estão a incapacidade de
concentração, labilidade afetiva, perturbações no sono, agressividade, irritabilidade, tensão
nervosa, humor variável, depressão, ansiedade, crises de choro e desânimo. Na SPM pode
ocorrer a predominância de alguns sintomas, o que levou Abraham a classificá-la em quatro
subgrupos: SPM A, H, C e D. (JOSIMOVICH, 1982)
A SPM-A é o quadro mais comum, no qual predomina a sintomatologia emocional
com intensa ansiedade, irritabilidade e tensão nervosa, levando a padrões de comportamento
alterado. A teoria mais aceita preceitua ser este quadro desencadeado por preponderância de
ação estrogênica, por hiperestrogenemia ou hipoprogesteronemia. (JOSIMOVICH, 1982)
A SPM-H é a segunda mais freqüente e se caracteriza por alterações do metabolismo
hídrico, manifestada por edema, dores abdominais e ganho de peso. A retenção de sódio e
água que predomina nesses casos tem sua etiologia explicada principalmente pela elevação da
aldosterona sérica, devido ao aumento do ACTH em face do estresse e a altos níveis de
serotonina cerebral e da angiotensina II. (JOSIMOVICH, 1982)
A SPM-C tem como sintoma preponderante a cefaléia, habitualmente acompanhada
de aumento do apetite, desejo incontrolável de ingerir alimentos doces, fadiga, palpitações e
38

tremores. Têm sido encontrados nesses casos uma diminuição do magnésio nas hemácias e
um aumento de tolerância aos carboidratos, resultante de um aumento da resposta insulínica à
glicose. A deficiência de PGE-1 no pâncreas e sistema nervoso central (SNC) está associada a
esta sintomatologia. (JOSIMOVICH, 1982)
A SPM-D manifesta-se por intensa depressão, acompanhada de insônia, choro fácil,
esquecimento e confusão. Também neste subgrupo tem sido acusada a deficiência de
magnésio, como fator etiológico, por meio de dois mecanismos: no primeiro deles, essa
deficiência aumentaria a sensibilidade ao estresse, favorecendo a secreção de androgênios
mediados pelo ACTH, deprimindo o SNC. O segundo mecanismo seria mediante aumento da
absorção intestinal do chumbo. A depressão está usualmente associada com baixos níveis de
aminas biogênicas nas vesículas sinápticas do SNC. (JOSIMOVICH, 1982)
A SPM pode ser tratada em diferentes níveis, de acordo com as necessidades da
paciente. Primeiro, a paciente deve entender o processo pelo qual está passando. Em segundo
lugar, conforme os sinais e sintomas predominantes, algumas medidas gerais podem ser úteis
para aliviar os quadros mais leves, como a atividade física e a prática de esportes e de
atividades relaxantes. Devem-se usar roupas adequadas, ter repouso suficiente, alimentação
leve e variada, menor ingestão de sódio e água, visando a reduzir a retenção hidrossalina.
(JOSIMOVICH, 1982)
Podem ser tratadas, como primeira escolha, com os Inibidores da Recaptaçäo da
Serotonina, sendo segunda escolha a clomipramina e bloqueadores da ovulaçäo, como os
análogos do GnRH associados aos estrógenos e progestágenos. (COSTA, 2000)
Algumas mulheres relataram alívio dos sintomas pré-menstruais com ervas, mas
poucos estudos científicos comprovam seus efeitos: Cimicífuga racemosa indicada para dores
articulares, cefaléias e depressão; Zingiber officinalis, indicado no combate a náuseas; folha
raspada de Morus nigra, indicada para cólicas, casca de árvore de uva (da variedade Vitis
labrusca – bordô) indicada para ansiedade, insônia e variações de humor ou óleo de prímula
para cólicas e mastalgia. (FERNANDES, 2004)
39

4 FITOTERAPIA

Perpassando diferenças sociais, econômicas, espaciais e culturais, pode-se verificar


que a Fitoterapia é uma prática milenar, que inclui o aproveitamento da flora brasileira,
contando o seu acervo com literatura científica especializada (compêndios), e sendo
largamente recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Além disso, sua
aplicação terapêutica tem demonstrado alta eficácia em algumas patologias mais comuns da
saúde pública e têm uso sabidamente secular no Brasil, sendo uma possibilidade para baratear
custos para os cofres públicos, implicando em uma maior auto-suficiência e menor
necessidade de importação de matéria-prima. (INSTITUTO BRASILEIRO DE PLANTAS
MEDICINAIS, 2007) (OLIVEIRA, 2005)
Segundo definição da ANVISA, os fitoterápicos são medicamentos obtidos a partir de
plantas medicinais, empregando-se exclusivamente derivados de droga vegetal (extrato,
tintura, óleo, cera, exsudato, suco, e outros). Por sua vez, estes seguem os mesmos padrões de
exigência de qualquer outro medicamento para serem registrados. Só podem ter como
substância ativa plantas. Na composição, o produto poderá até conter um solvente, corante ou
adoçante, mas nunca poderá estar misturado com princípios ativos sintéticos. Tem de ser
comprovado que o efeito terapêutico tem origem numa planta, extrato, suco ou óleo dela. (Di
STASI, 1996) (ANVISA, 2000)
Não são considerados fitoterápicos os chás (que são enquadrados como alimentos),
homeopatias (por terem processo de produção diferenciado) e partes de plantas medicinais
(por ser considerado apenas a matéria-prima dos fitoterápicos). (ANVISA, 2002)
A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem recomendado constantemente, em suas
reuniões, a adoção de plantas medicinais nos programas de atenção primária de saúde sob os
lemas “Saúde para todos no ano 2000” e “Salvem as plantas, elas salvam vidas” como forma
de diminuir os custos dos programas de saúde pública e ampliar o número de beneficiados,
principalmente nos países subdesenvolvidos e naqueles em desenvolvimento, onde persistem
os grandes bolsões de pobreza. (OPAS, 2007)
Porém, é preciso ter cautela ao utilizar a fitoterapia, uma vez que um produto natural
não significa necessariamente que seja livre de efeitos colaterais. Todos os medicamentos,
inclusive os fitoterápicos, devem ser usados com orientação médica. Apesar de ser
erroneamentente considerada por muitos como uma terapia alternativa, não é uma
40

especialidade médica e faz parte do arsenal terapêutico habitualmente utilizado. (Di STASI,
1996)
A Constituição Brasileira de 1988 conceitua a saúde como direito de todos e dever do
Estado, definindo-se, assim, o princípio da universalidade para o serviço de saúde. A
Constituição Federal de 1988 instituiu o Sistema Único de Saúde, objetivando a ampliação do
acesso, a unificação das estruturas existentes, a descentralização, o financiamento e o controle
social. Apesar dos avanços decorridos a partir de então, a eqüidade no acesso à saúde ainda
está longe de se tornar uma realidade, a despeito da real viabilização progressiva do SUS no
país. O mesmo se aplica ao acesso da população ao medicamento. (OLIVEIRA, 2005)
O estímulo ao uso de fitoterápicos tem como objetivo: prevenir, curar ou minimizar os
sintomas das doenças, com um custo mais acessível à população e aos serviços públicos de
saúde, comparativamente àqueles obtidos por síntese química, que são, em geral,mais caros,
devido às patentes tecnológicas envolvidas. (MIGUEL, 1999)
Nesse sentido, foi criada a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos,
com o objetivo de garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas
medicinais e fitoterápicos (Decreto Federal nº 5813 de 23 junho de 2006, seção 1), seguindo a
resolução que regula a implantação da prática de Fitoterapia nos serviços de saúde (Resolução
CIPLAN nº8 de 8 de março de 1988). (INSTITUTO BRASILEIRO DE PLANTAS
MEDICINAIS, 2007)
Estes produtos naturais podem ser tão eficientes quanto os produzidos pela síntese
química, contudo a transformação de uma planta em um medicamento deve visar à
preservação da integridade química e farmacológica do vegetal, garantindo a constância de
sua ação biológica e a sua segurança de utilização, além de valorizar seu potencial
terapêutico. (MIGUEL, 1999)
Busca-se aliar o conhecimento científico à aplicação destes no desenvolvimento de
fototerápicos. Entretanto, tem-se que transpassar inúmeros limites, os quais permeiam a
produção do fitoterápico enquanto medicamento. Para que se viabilize a inserção da
fitoterapia nos pequenos centros de produção, bem como nas farmácias de manipulação, deve
haver investimentos na elaboração de documentos oficiais para tal fim. (HENRIQUES, 2007)
Para atingir esses objetivos, a produção de fitoterápicos requer, necessariamente,
estudos prévios relativos a aspectos botânicos, agronômicos, fotoquímicos, farmacológicos,
toxicológicos, de desenvolvimento de metodologias analíticas e tecnológicas. Assim como
regulamenta as Resoluções da Anvisa nº 90 de 16 de março de 2004 (RE 90 - Guia para a
Realização de Estudos de Toxicidade Pré-clínica de Fitoterápicos) e a Resolução nº 48 de 16
41

de março de 2004 (RDC 48 - que dispõe sobre o registro de medicament6os fitoterápicos.


(MIGUEL, 1999) (ANVISA, 2003)
Um grande fator limitante é que a maioria das plantas em uso não se encontra descrita
em Códigos oficiais (formulários e farmacopéias), não havendo inclusive estudos sobre as
mesmas. Pode-se citar que dentre as inúmeras espécies de plantas, apenas 324 estão descritas
na Farmacopéia Alemã, 60 na Cooperativa Européia Científica de Fitoterapia, 13 na
Farmacopéia Americana, 60 na Organização Mundial da Saúde e 34 na Farmacopéia
Brasileira. (EVANS, 2002)
A legislação em vigor, ainda incipiente, visa regulamentar e oficializar o
desenvolvimento e o uso de fitoterápicos, de modo a contrapor a expressão que comumente se
ouve tanto dos usuários quanto dos profissionais da saúde que, no momento da prescrição e
dispensação, referem a “...o que é natural não possui efeitos colaterais...”. Tal afirmação é
enganosa e remete a inúmeros riscos à saúde da população. Diversos autores têm demonstrado
que os fitoterápicos possuem efeitos indesejáveis e muitas vezes tóxicos e consideram-se
ainda as Resoluções da ANVISA, RE 90 e RDC 48. Também a polêmica lei de patentes (Lei
no 9.279, de 14 de maio de 1996), onde infelizmente as comunidades nativas possuem seu
conhecimento explorado e discutido, mas não possuem direito ao lucro obtido dele.
(HENRIQUES, 2007)
A indústria nacional de fitoterápicos possui inúmeras drogas comercializadas ao longo
de décadas com base somente no uso popular, sendo atualmente alvo de interesse da indústria.
Remete esforços na busca e isolamento de marcadores e estudos farmacológicos, pré-clínicos
e clínicos, como o caso do xarope de guaco (Mikania glomerata), xarope de agrião
(Nasturtium officinale) e tintura de agoniada Plumeria lancifolia, entre inúmeros outros, cujo
uso pela população pode ser considerado quase secular. (HENRIQUES, 2007)

4.1 As Interfaces da Fitoterapia

O desenvolvimento de fitoterápicos inclui várias etapas e envolve um processo


interdisciplinar, multidisciplinar e interinstitucional. As áreas de conhecimento envolvidas
vão desde a antropologia botânica, botânica, agronomia, ecologia, química, fitoquímica,
farmacologia, toxicologia, biotecnologia, química orgânica até a tecnologia farmacêutica.
(CAMARGO, 1998)
42

A pesquisa tem início pelo levantamento em literatura científica e catálogos


internacionais nas áreas específicas do referido conhecimento, seguindo em paralelo a
pesquisa etnobotânica, a qual trata da observação do uso popular de plantas nas diferentes
culturas. (CAMARGO, 1998)
Pode-se também selecionar uma planta por meio de pesquisa quimiotaxonômica (onde
o aspecto morfológico pode revelar a presença de determinados grupos químicos que tenham
atividade farmacológica). Seqüencialmente, coleta-se um espécime da planta, prepara-se uma
exsicata e faz-se a identificação botânica e o registro em um museu ou herbário. (Di STASI,
1996)
A seguir remete-se o vegetal aos estudos botânicos, que têm como objetivo a
identificação clara de uma espécie vegetal, por meio da análise de características anatômicas,
procurando destacar aquelas consideradas peculiares de uma determinada espécie e que, em
última instância, estejam presentes na matéria-prima vegetal. Da mesma forma, é importante o
estabelecimento de características botânicas comparativas que permitam detectar, no controle
de qualidade, a presença de uma ou mais espécies adulterantes. (CAMARGO, 1998)
A avaliação da atividade biológica inclui a investigação da atividade farmacológica e
toxicológica das substâncias isoladas, de frações obtidas ou extratos totais da droga vegetal. A
necessidade de constatar e verificar a atividade biológica de uma planta e dos produtos
derivados pode ser abordada sob dois pontos de vista. O primeiro é investigar uma seqüência
de aspectos, iniciando pela seleção das ações farmacológicas atribuídas à planta. Seleciona-se
a atividade farmacológica específica a ser explorada, identificando-se o farmacógeno, e quais
respectivas substâncias podem apresentar a atividade farmacológica propriamente dita.
Seqüencialmente identifica-se a concentração e potência da substância ativa em questão,
buscando inclusive a presença ou não de substâncias tóxicas na fração de interesse. O segundo
diz respeito ao estabelecimento de estratégias de desenvolvimento tecnológico, no qual sua
validação exige a conservação da composição química e, sobretudo, da atividade
farmacológica a se explorada. (MIGUEL, 1999)
O conhecimento dos aspectos de atividade biológica do vegetal é requisito essencial
para transformação da planta medicinal no produto fitoterápico, havendo também interesse
em estudos de desenvolvimento de metodologias analíticas. (CAMARGO, 1998)
Esses métodos permitem a avaliação da qualidade do produto fitoterápico, promovem
a garantia da constância da ação terapêutica, a segurança de utilização, sendo a eles atribuídas
funções diferenciadas. (CAMARGO, 1998)
43

Nesta ótica destaca-se a avaliação do teor de substância ou grupo de substâncias ativas


e do perfil qualitativo dos constituintes químicos de interesse, presentes na matéria-prima
vegetal, produtos intermediários e produto final; por meio de métodos espectrofotométricos,
cromatográficos, físicos, físicoquímicos ou químicos, devendo possuir especificidade,
exatidão, precisão e tempo de rotina analítica, viabilizando-se que o mesmo possa ser
utilizado em estudos de estabilidade, permitindo, inclusive, a detecção de produtos oriundos
da degradação das substâncias ativas ou dos marcadores químicos. (CAMARGO, 1998)
Inclui-se a avaliação das características físicas e físico-químicas dos produtos
tecnologicamente transformados, em razão de que estas características podem interferir sobre
o perfil biofarmacêutico do produto fitoterápicos. Além disso, a utilização de métodos
analíticos visando à quantificação de substâncias ativas ou de referência bem como de
aspectos relativos à forma farmacêutica são essenciais para a obtenção da homogeneidade dos
lotes de produção. (CAMARGO, 1998)

4.2 Produção e Controle de Qualidade de Fitoterápicos

A produção de fitoterápicos pressupõe que estudos de desenvolvimento tenham sido


realizados anteriormente, estando os procedimentos e etapas de processamento devidamente
estabelecidos. Cumprindo esse quesito, a obtenção de produtos fitoterápicos, quer seja em
escala oficial, hospitalar ou industrial, requer conhecimentos e habilidades específicas dos três
pontos do ciclo de produção de medicamentos. (HENRIQUES, 2007)
Tais conhecimentos e habilidades devem relacionar-se, objetivando a produção de
produtos farmacêuticos adequados, de acordo com os conceitos atuais de qualidade, que são o
nível de satisfação do produtor e usuário do medicamento e o cumprimento de requisitos pré-
fixados que conduzam à sua total adequabilidade ao fim a que se destinam. Portanto, o
conhecimento do que se pretende fazer deve ser aliado às normas que permitam alcançar o
objetivo traçado, para alcançar a qualidade total. (HENRIQUES, 2007)
As técnicas de produção e de controle de qualidade devem ser precedidas de
parâmetros para que as operações ocorram sob completo domínio. Na produção de produtos
fitoterápicos, grande atenção deve ser dada no planejamento das áreas à preservação da
qualidade físico-química e microbiológica, quer da matéria-prima ativa, quer dos produtos
intermediários e final. (HENRIQUES, 2007)
44

A validação dos equipamentos, aqui entendida como o conjunto das ações que
procuram verificar o correto funcionamento dos mesmos, e a manutenção preventiva
complementam as atitudes necessárias de conformidade às boas práticas de produção. Nesta
perspectiva se estabelece a montagem do Procedimento Operacional Padrão (POP), o qual
deve fixar os parâmetros de operação a serem mantidos e determinar as técnicas de controle
de qualidade a serem executadas. (HENRIQUES, 2007)
Dependendo da disponibilidade de mercado, a matéria-prima pode ser um extrato ou
produto derivado, contendo adjuvantes farmacêuticos ou não. Este requer uma série de
operações de transformação. A transformação do material vegetal para um produto
tecnicamente elaborado, que pode ser intermediário ou acabado, implica a utilização de
operações de transformação tecnológica. (HENRIQUES, 2007)
A garantia de qualidade do material vegetal a ser processado é fundamental na
preparação de fitoterápicos, devendo considerar-se aspectos botânicos, químicos,
farmacológicos e de pureza. Por esse motivo, além do teor de substância ativa e intensidade
das atividades farmacológica e toxicológica, outros aspectos de qualidade a serem avaliados
são a carga microbiana, contaminação química por metais pesados, pesticidas e outros
defensivos agrícolas, e presença de matéria estranha, como terra, areia, partes vegetais, insetos
e pequenos vertebrados ou de produtos oriundos destes. (HENRIQUES, 2007)

4.3 Formas Farmacêuticas

A administração de agentes terapêuticos necessita da sua incorporação em uma forma


farmacêutica, caracterizada normalmente pelo estado físico de apresentação, constituída de
componentes farmacologicamenteativos e de adjuvantes farmacêuticos. (MIGUEL, 1999)
A escolha da forma farmacêutica mais apropriada para um produto fitoterápico deve
considerar a eficácia e a segurança do componente ativo e assegurar sua qualidade; facilitar a
aplicação do medicamento, por meio da via de administração mais apropriada; permitir a
administração de dose efetiva do componente ativo, com precisão adequada ao seu emprego
seguro e sua adequação a casos específicos; Quanto às formas farmacêuticas líquidas, têm-se
resinas, óleos e o sumo das partes frescas do vegetal, os quais são utilizados para uma ampla
variedade de preparações fitoterápicas aquosas obtidas por diversos métodos. (MIGUEL,
1999)
45

As tinturas, soluções extrativas alcoólicas ou hidroalcoólicas, são preparadas com base


em drogas vegetais ou, ainda, com extratos de plantas, preparadas com etanol, misturas
hidroalcoólicas em várias concentrações, éter ou misturas destes, de tal modo que uma parte
da droga é extraída com mais duas partes, mas menos de dez partes de líquido extrator, isto é
10 mL de tintura devem corresponder aos componentes solúveis de 1g de droga. (MIGUEL,
1999)
A nova regulamentação abre possibilidade para dois tipos de registro de fitoterápicos.
Um deles, o tradicional, poderá obter registro apresentando documentação que tenha como
base estudos e literatura que comprove seu uso e eficácia ao longo de pelo menos 30 anos.
Estes terão no rótulo a palavra "tradicional". Quando o produto não se enquadrar na categoria
de tradicional terá que apresentar testes clínicos e toxicológicos que atestem sua segurança e
eficácia. Os pedidos de registro serão analisados pela Sub-Comissão Nacional de
Assessoramento em Fitoterapia (Conafit) da ANVISA. (ANVISA, 2000)
Em países da Europa, como França, Alemanha e Inglaterra, o uso tradicional por si só
é suficiente para o registro de um remédio como fitoterápico. Considera-se como tradicional o
produto que é usado há pelo menos 30 anos. (ANVISA, 2000)
No Brasil, desde março de 2004, a ANVISA estabeleceu regulamentação para garantia
da qualidade dos medicamentos fitoterápicos para o consumidor. Para isso, exige a
reprodutibilidade dos fitoterápicos fabricados com os lotes desses medicamentos produzidos
com a mesma quantidade de um conjunto de moléculas denominado marcador. Outro critério
obrigatório é a comprovação da eficácia e segurança dos medicamentos fitoterápicos.
(ANVISA, 2000)
Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, os fitoterápicos apresentam uma
diferenciação comparado às plantas medicinais. As plantas medicinais são aquelas capazes de
aliviar ou curar enfermidades e têm tradição de uso como remédio em uma população ou
comunidade. Para usá-las, é preciso conhecer a planta e saber onde colher e como prepará-la.
(ANVISA,2002)
Quando a planta medicinal é industrializada para se obter um medicamento, tem-se
como resultado o fitoterápico. O processo de industrialização evita contaminações por
microorganismos, agrotóxicos e substâncias estranhas, além de padronizar a quantidade e a
forma certa que deve ser usada, permitindo uma maior segurança de uso. (ANVISA, 2002)
Para se utilizar de um fitoterápico, é preciso tomar sempre algumas precauções como:
• Buscar informações com os profissionais de saúde;
46

• Informar ao seu médico qualquer reação desagradável que aconteça enquanto estiver
usando plantas medicinais ou fitoterápicos;
• Observar cuidados especiais com gestantes, mulheres amamentando, crianças e idosos;
• Informar ao seu médico se está utilizando plantas medicinais ou fitoterápicos,
principalmente antes de cirurgias;
• Adquirir fitoterápicos apenas em farmácias e drogarias autorizadas pela Vigilância
Sanitária;
• Seguir as orientações da bula e rotulagem;
• Observar a data de validade – Nunca tomar medicamentos vencidos;
• Seguir corretamente os cuidados de armazenamento;
• Desconfiar de produtos que prometem curas milagrosas.

Os fitoterápicos são medicamentos alopáticos, possuindo compostos químicos que


podem interagir com outros medicamentos. As plantas medicinais também possuem
compostos químicos ativos que podem promover este tipo de interação. Assim, deve-se ter
cuidado ao associar medicamentos, ou medicamentos com plantas medicinais, o que pode
promover a diminuição dos efeitos ou provocar reações indesejadas. (ANVISA, 2002)
A indicação de fitoterapia em oposição à alopatia é feita no sentido de, além de ser
uma terapia barata e de fácil acesso - em relação aos medicamentos usuais -, quando
utilizados de maneira segura, os fitoterápicos apresentam efeitos terapêuticos como às vezes
superiores aos dos medicamentos convencionais e com efeitos colaterais minimizados.
(SILVA; et al, 2006, ALBUQUERQUE e ANDRADE, 2006)
47

5 Cimicifuga racemosa

Uma planta de origem na América do Norte, que está começando a ser usada pelas
brasileiras para aliviar os sintomas da menopausa, como as célebres ondas de calor. Faz pelo
menos 40 anos que muitas alemãs trocaram a tradicional terapia de reposição hormonal por
cápsulas dessa planta. E se deram bem. Isso porque ela pertence a um grupo de vegetais, que
inclui a soja e o inhame selvagem mexicano, dotado de fitormônios, moléculas de ação
similar ao estrógeno e a progesterona das mulheres. Atinge de 1 a 3m de altura e possui flores
brancas. A raiz e o caule são usados como princípios terapêuticos. Ela age exatamente como o
estrógeno, que anda em falta no corpo das mulheres na menopausa. Estudos indicam que essa
planta não causa câncer. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

5.1 Composição Química

Alcalóides quinolizidínicos: N-metilcitizina, e outros sem identificação ainda.


Glicosídeos triterpênicos: acteol, acetillacteol, 26-desoxiacteol, cimigenol, acteína, 12-
acetilactenína, 26-desoxiacteína, 19-ciclolanostano, cimicifugósido, cimiracematos A-D,
cimicifugina (15 a 20%). (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Outros: tanino, compostos ácidos (acético, butílico, cafeico, ferúlico, fómico, gálico,
isoferúlico, oléico, palmítico, salicílico), princípios amargos, metilcafiato, resina (acteína de
complexo misto), gliceril-palmitato, fitoesteróides, óleo essencial e derivados de ácido cafeico
(ácido cimicifúgicos A e B e ácidos dehidrocimicífugos A e B). (ALONSO, 2004; SIGRIST,
2007 e GREAT PLAINS, 2007)

5.2 Ação Farmacológica

A cimicífuga apresenta três atividades importantes do ponto de vista farmacológico:


reguladora hormonal no climatério (agonista a receptores estrogênicos = SERM, sem
48

promover efeitos estrogênicos no útero e mama), hipotensora arterial e antiinflamatória. Dos


estudos efetuados com extratos padronizados da cimicífuga, surgiram evidência concretas de
atividades anti-estrogênicas. Para uma melhor compreensão dividiram-se em ensaios
biológicos realizados de acordo com a atividade terapêutica proposta. (ALONSO, 2004;
SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

5.3 Atividade Hormonal

Devemos recordar que durante a menopausa existe normalmente uma redução da


produção de estrógeno e um aumento da secreção de hormônio luteinizante (LH) e folículo-
estimulante (FSH). Essas alterações hormonais seriam responsáveis pela aparição de sintomas
como os fogachos (divididos fundamentalmente a picos de liberação de LH), insônia e
depressão, principalmente, os quais são tratados comumente com estrógenos. Em vista de
alguns relatos de efeitos adversos e como algumas mulheres não têm tolerância ao uso de
estrógeno, surge a necessidade de poder administrar um tratamento sem os mesmos efeitos
colaterais dos mesmos. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Os primeiros estudos com bases científicas foram realizados no final da década de 50,
demonstrando então que a administração de extratos alcoólicos de rizoma da cimicífuga
induzia a liberação de estrógeno nos animais (de maneira dose-dependente) com aumento do
peso do útero e sem alterações histológicas nos ovários. Na década de 60 foram realizados
quase 30 estudos clínicos que resultarem em 1738 pacientes nos quais foram ministrados
extrato de cimicífuga V.O. tanto em pacientes na menopausa como em pré-menopausa e
jovens com distúrbios hormonais, observando resultado satisfatório nos casos de
oligomenorréia, dismenorréia, síndrome pré-menstrual, sintomas neurovegetativos associados,
metrorragias, e estados depressivos. A maioria dos casos quase não houve efeitos colaterais.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
No começo da década de 80 começou-se a elucidar o mecanismo de ação dessa
espécie, já que então os resultados eram satisfatórios, seu modus operandis já transpareciam
algumas dúvidas. Em um primeiro estudo realizado em animais, pode-se demonstrar que o
extrato metanólico elaborado a partir do rizoma de cimicífuga, exercia um efeito redutor da
concentração de LH em gatas ovarizectomizadas, observando por sua vez uma afinidade por
receptores estrogênicos nos úteros isolados desses animais. Essa atividade se viu reduzida
49

pela hidrólise enzimática dos compostos glicosídicos presentes. Entre os compostos por
atividade endócrina, se pode isolar uma substância (fomononetina) que demonstrou exercer
um efeito competitivo em receptores estrogênicos modificando os níveis de hormônio
luteinizantes no sangue. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
De fato, estudos cromatográficos resultantes de análise de treze espécies de cimicífuga
coletadas em diferentes locais nos Estados Unidos (extratos matanólicos a 80% de raízes) não
apresentaram fomononetina ou mesmo ononina (formononetina-7-glucósido). Assim mesmo a
avaliação cromatográfica por HPLC de dois representantes comerciais norte-americanos de
extrato seco de raiz de cimicífuga (Remifemim® e Cimipure®) não evidenciaram a presença
de formonetina. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Em 1982 foi realizado um estudo aberto multicêntrico onde 704 pacientes na
menopausa apresentando sintomatologias clássicas, receberam 40 gotas de um preparado
comercial (Remiferin®) duas vezes ao dia com observação de 4, 6 e 8 semanas de tratamento.
Entre a 6ª e 8ª semana, 80% dos casos avaliados demonstraram melhoria clinicamente
significativa (diminuição de rubor, palpitação, zumbido, nervosismo, insônia e estado
depressivo). Do total avaliado 204 pacientes haviam recebido previamente tratamentos
hormonais. Dessas voluntárias 72% experimentaram melhoras sintomatológicas com
cimicífuga, no entanto somente 7% apresentaram transtornos estomacais como principais
efeitos adversos. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Resultados similares foram observados em outros estudos realizados com 86 mulheres
com sintomas menopáusicos que se recusavam a seguir o tratamento hormonal ou onde o
mesmo estava contra indicado. Também resultaram positivos estudos abertos e controlados
sobre 60 pacientes divididas em 3 grupos: um com extrato de cimicífuga; o segundo com
estrógenos associados e o terceiro, com diazepan. Tanto o extrato de cimicífuga, como o
tratamento hormonal, demonstraram estimular o nível citológico da mucosa vaginal de
maneira similar. Em todos os casos, foram tomados como parâmetro das provas clinicas o I.
M. K (Índice Menopausico de Kuperman), a I.G.C. (Impressão Global Clinica), o Profile
Mood State (Perfil de Estado Emotivo) e outros. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT
PLAINS, 2007)
Um estudo clínico envolvendo 70 mulheres que previamente estavam sob tratamento
hormonal injetável e que substituíram os mesmos por extratos padronizados de cimicífuga (80
mg diários) demonstrou que, em 82% dos casos, o extrato herbal constituía uma excelente
substituição e 56% não utilizou o tratamento injetável complementar. Em outro estudo clinico
randomizado, duplo cego, administração do extrato etanolico do rizoma de cimicífuga a um
50

grupo de mulheres menopáusicas, permitiu observar uma redução de sintomas climatérios, em


especial os relacionados com calores e estados depressivos. Com efeito, depois de oito
semanas de tratamento constatou-se uma redução dos níveis de LH, porém, sem constatar
alterações nos níveis de FSH ou prolactina. Estudos posteriores puderam determinar que as
partes responsáveis provocaram as mesmas alterações observadas nos estudos cegos em ratas
ovariectomizadas, encontrando-se uma competição com o 17-beta-estradiol pelo receptor
estrogenico. O exame histológico revelou as mesmas modificações que se observam em
pacientes usuárias de estrógenos sintéticos. Estudos cromatográficos determinaram que
existiriam na cimicífuga três tipos de compostos com atividades endócrinas. O primeiro deles
não teria afinidade pelo receptor estrogênico, porém diminuía de todos os modos, a
concentração de LH, atuando sobre a glândula ptuitária. O segundo apresenta afinidade pelo
receptor e também diminui os níveis de LH. Finalmente o terceiro demonstrou afinidade pelo
receptor porem não alteraria concentração de LH. Tudo isso nos leva a pensar que existiria
um mecanismo sinergistico entre os três tipos de componente o que explicaria o efeito redutor
sobre o LH. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
No entanto o tão discutido efeito redutor de LH se encontra atualmente em debate.
Segundo o estudo em animais, não pode ser confirmado o efeito estrogenico direto
relacionado com uma diminuição de uma concentração plasmática de LH. Por exemplo, nos
preparados etanólicos e isopropanolicos de cimicífuga não contém formononetina, kaempferol
ou gemisterina, com o qual não promoveriam supressão de LH nem efeitos estrogenicos. Um
estudo efetuado in vitro com o extrato metanolico de cimicífuga, não demonstrou afinidade
por receptores alfa e beta-estrogenicos, nem efeitos estrogênicos em culturas de células
endometriais. Assim mesmo, não induziu atividade de fosfatase alcalina nas culturas, nem
induziu estimulação no RNAm dos genes indutores de estrógeno como o p52 (preselina-2) em
cultivos de câncer de mama S-30. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS,
2007)
No entanto, um ensaio recente em ratas ovariectomizadas que receberam estrógeno
(um grupo) e extrato padronizado de cimicífuga (outro grupo) evidenciou a existência de um
efeito estrogênico de cimicífuga unicamente em ossos (particularmente os osteoblastos), sem
afetar os receptores de útero e ovário. O efeito estrogênico em ossos demonstrou produzir os
níveis de osteocalcina e a perda de massa mineral óssea de maneira similar ao estrógeno.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Um recente trabalho in vitro empregando cultura de células de adenocarcinoma
humano (MCF-7) demonstrou que o extrato isopropanólico de cimicífuga não produz
51

estimulo proliferativo das tais células (medido por incorporação de timidina marcada com
isótopo radioativo). Inclusive quando as culturas foram expostas à indução estrogênica, o
extrato continuou inibindo a proliferação celular. Por sua vez, o extrato demonstrou um efeito
sinérgico com tamoxifeno em contra partida ao efeito antiproliferativo. Desses estudos se
desprende uma eventual segurança da administração de extrato isopropanolico de cimicífuga
em pacientes com antecedentes de câncer mamário hormônio-dependentes. Prova disso, o
extrato padronizado de C. racemosa demonstrou reduzir os calores e a falta de ar derivada da
terapia com tamoxifena em pacientes pré menopausicas mastectomizadas no período de 12
meses de tratamento na forma de terapia combinada, sem demonstrar efeitos adversos ou
tóxicos. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Tão pouco foi observado in vitro, um efeito estimulante ou indutor proliferativo sobre
o gene de expressão do tumor mamário MCF-7, com doses de 100 a 1000 µg/ml do extrato
isopropanólico. Por sua vez, e numa mesma linha de investigação, o extrato isopropanolico de
cimicífuga não produziu (como no grupo placebo) proliferação tumoral em ratas com câncer
de mama induzido por 7,11-dimetilbenzantracema, que foram ovariectomizadas entre 5 e 9
semanas depois de injetado o estimulante tumoral. Tanto o extrato de cimicífuga, como o
mestranol e o placebo, foram administrados continuamente após a ovariectomia. Não foram
observadas alterações hormonais (FSH, PROL, LH) nem citológicas no endométrio dos
grupos de estudo e placebo. A alteração, no grupo de ratas que recebeu o estrogênio mestranol
produziu proliferação tumoral de células endometriais. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e
GREAT PLAINS, 2007)
De acordo com experiências realizadas em ratas, pode-se comprovar que a
administração de 50-100mg/k de extratos padronizados de C. racemosa (Menofem®) produz
efeitos antidepressivos equivalentes a 30mg/k de imipramina, os quais contribuíram também
com a redução sintomatológica dos rubores e fogachos. No começo existiam compostos
dopaminérgicos ainda não identificados que contribuem com os efeitos sintomatológicos
benéficos observados nos extratos de cimicífuga. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e
GREAT PLAINS, 2007)
Um relatório que avaliou o uso clínico de extratos de cimicífuga nos últimos 10 anos
revelou que seu emprego é apropriado como terapia de reposição hormonal durante o
climatério. Outra revisão sobre quatro estudos clínicos randomizados, duplo-cego encontrou
falhas metodológicas nos mesmos. Não havendo encontrado um mecanismo de ação definida
segundo referência dos autores dessa revisão, sugere-se aprofundar mais os ensaios clínicos e
52

estudos farmacológicos para se obter conclusões mais definidas. (ALONSO, 2004; SIGRIST,
2007 e GREAT PLAINS, 2007)

5.4 Atividade Antiinflamatória

A mesma foi demonstrada com extratos crus de rizomas de espécies asiáticas


Cimicífuga dahurica e C. heracleifolia em modelos de edema plantar em ratas sob indução de
carragenina. O mecanismo de ação estaria relacionado com a inibição de interleucina-8 e a
redução significativa dos níveis de neutrófilos. A respeito dos componentes ativos
responsáveis seriam os ácidos ferúlicos e isoferúlicos presentes em C. racemosa. (ALONSO,
2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

5.5 Atividade Hipotensora Arterial

A ateína em dose de 1mg/kg demonstrado em gatos e coelhos anestesiados atividade


hipotensora por atuar ao nível de centros vasomotores centrais, alcançando com 10mg/kg seu
efeito máximo. Estudos comparativos efetuados pelos mesmos investigadores em pacientes
com comprometimento da circulação arterial periférica demonstraram que 500mg/Kg de
acteína provocaram uma ação vasodilatadora em um maior fluxo sanguíneo a nível periférico,
sem afetar significativamente a pressão arterial. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT
PLAINS, 2007)

5.6 Outras Atividades

Investigações realizadas com extratos de rizoma de C. dahurica demonstraram possuir


atividade antibacteriana frente a culturas de bacilos subtilis, Mycobacterium smegmatis,
Estafilococos aureus, Shigella flexneri, Shigella sonnei e Escherichia coli. Os glicosídeos
triterpênicos demonstraram uma atividade hipocolesterolêmica in vivo sobre ratas, no entanto
53

o conteúdo em ácido salicílico exerceria um papel analgésico e os taninos sua conhecida


atividade adstringente. O racemósido tem demonstrado em ratas efeitos antiulcerosos
gástricos, no entanto, em cimicifugosido administrado também às ratas pode afetar o
funcionamento do sistema hipotálamo-hipofisário provocando alterações no sistema
reprodutivo e nervoso dos animais. Dos estudos de glicosídeos cicloartanicos do rizoma de
cimicífuga foi possível comprovar efeitos citotóxicos em cultivo de carcinoma de células
escamosas orais humanas, como também em fibroblastos da gengiva humana normais.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Um recente estudo in vitro demonstrou que o extrato etanólico de rizoma de
cimicífuga produz atividade antioxidante frente ao dano do DNA celular induzido por
menadioma. Em um ensaio clínico multicentrico, duplo-cego controlado com placebo
realizado dom 62 paciente posmenopausicas pode-se constatar um papel protetor ósseo do
extrato seco de cimicífuga (40mg/dia) no período de três meses de tratamento. Os resultados
foram comprovados com a administração de 0,6 mg de estrógeno conjugado. A comprovada
atividade protetora óssea de extratos padronizados de cimicífuga (demonstrada também em
ratas), soma-se ao efeito benéfico sobre o metabolismo lipídico determinado por um menor
depósito gorduroso na região tibial e significativa redução dos níveis de leptina plasmática.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

5.7 Efeitos Adversos ou Tóxicos

Os extratos de cimicífuga são geralmente bem tolerados. Na revisão de 2800 pacientes


tratados com extratos padronizados de C. racemosa revelaram uma baixa incidência (5,4%)
de efeitos adversos. Os mesmos correspondem mais frequentemente a males estomacais e
intestinais. Vem sido demonstrado que doses excessivas (5gr da droga e 12g do extrato)
podem provocar sintomas tais como náuseas, vômitos, vertigens, bradisfigmia, transtornos
visuais e nervosos. Muitos dos sintomas correspondem a situações do ciclo passado referentes
ao emprego de cimicífuga em forma homeopática segundo uma revisão relativamente recente
(BEUSCHER, 1996).
Há relato na Austrália de um caso de hepatite fulminante (requerendo transplante) em
um paciente que havia tomado extrato de cimicífuga. No entanto, uma revisão posterior do
54

caso não pode provar facilmente que tenha sido o uso do extrato que tenha desencadeado a
hepatite. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Nos estudos de mutagenicidade do extrato alcoólico isopropilico (40%) sobre
salmonela typhimurium TA-98 e TA-100 com os de carcinogenicidade (efetuados com
‘cimicífuga china’) há resultados negativos. Estudos de toxidade crônica durante seis meses
com administração contínua em ratas demonstraram efeitos tóxicos com doses equivalentes a
90 vezes a doses humanas. Dada a baixa estatística de toxicidade em longo prazo com
cimicífuga, fica a critério do médico por tempo superior a seis meses. (ALONSO, 2004;
SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

5.8 Contra-indicações

Doses altas têm provocado, em ratas prenhas, nascimentos prematuros, por tal motivo
não se recomenda seu emprego durante esse período, e nem durante a lactação. Assim mesmo,
estudos prévios realizados em úteros isolados de ratas têm sugerido uma afinidade pelos
extratos de cimicífuga por receptores estrôgenicos. No entanto um informe recente
determinou que o extrato aquoso isopropanólico de rizoma de cimicífuga não estimula a
proliferação de receptores estrogênicos positivos para células de câncer de mama. (ALONSO,
2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
O extrato isopropanólico de cimicífuga demonstrou de maneira dose-dependente,
inibir a síntese de DNA antagonizando as atividades estrogênicas de estradiol. Da mesma
maneira, houve evidência do aumento da atividade antiproliferativa de tamoxifeno. Tudo isso
sugere que não existiriam contra-indicações para o uso de preparados comerciais de
cimicífuga para serem empregados em pacientes com antecedentes de historia de câncer de
mama. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

5.9 Status Legal

O rizoma de cimicífuga encontra-se registrada por farmacopéia da Alemanha,


Inglaterra e Rússia. A FDA Norte-Americana tem como erva de segurança indefinida embora
55

aprovada como suplemento diário. A Comissão <E> de monografias da A Alemanha a


recomenda para transtornos relacionados à menopausa (dismenorréia, fenômenos
neurovegetativos) e em Síndrome Pré-Menstruais. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e
GREAT PLAINS, 2007)

5.10 Usos Medicinais

Podem ser indicados como terapia de reposição hormonal em forma optativa pelos
profissionais ou em casos em que esta é contra-indicada podendo ser administrada sem perigo
durante 3 a seis meses contínuos segundo a experiência clínica realizada cm mais de 1700
pacientes. Por outro lado a cimicífuga tem se mostrado efetiva na redução de sintomas
menopáusicos tais como rubores, palpitações, insônia, depressão, dismenorréia e ansiedade.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

5.11 Usos Etnomedicinais

Entre os usos populares a C. racemosa encabeça seu emprego como antirreumática,


antiespasmodica, reguladora do ciclo menstrual, ansiolitica. Por outro lado a cimicifuga é
muito empregada dentro do sistema de tratamento homeopático em doses infinitesimais para
trata moléstias durante a gravidez, dores no parto, cefaléias e estados depressivos.

5.12 Tintura

A relação para o preparo da tintura é de 1:10 em 60% de álcool recomendando-se 2 a 4


ml de água. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
56

6 Salvia officinalis

A droga está concentrada por todas as folhas, apesar de algumas farmacopéias


considerarem também a assumidade florida. As folhas devem ser colhidas pouco antes da
floração já que esse é o momento em que apresenta mais concentração de óleo essencial. O
rendimento por destilação com vapor de água se da em torno de 1,6%. A droga apresenta odor
aromático e balsâmico, no entanto o sabor é amargo e um pouco adstringente. (ALONSO,
2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

6.1 Ações Farmacológicas

A salvia é uma espécie que apresenta varias propriedades a nível farmacológico,


destacando-se sua atividade digestiva, antesudorífica e antimicrobiana. Para uma melhor
compreensão dividiu-se os estudos biológicos realizados de acordo com a atividade
terapêutica proposta. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

6.2 Atividade Digestiva – Antiespamódica

O princípio amargo (em especial a Picrosalvina), exerceriam uma atividade aperiente –


heupéptica, no entanto os ácidos fenólicos junto ao óleo essencial e aos flavonóides
demonstraram exercera a atividade coleretica in vivo em animais, em concordância com seus
usos populares. Estudos realizados com extratos totais de salvia sobre músculo liso separado
de ratas têm demonstrado uma atividade inibitória de 60 a 80% nas concentrações induzidas
por histamina, acetilcolina, serotonina e cloreto de bário. O óleo essencial de salvia (em
especial o acetato de bornilo e o alfa-pineno) tem demonstrado atividade antiespasmódica in
vivo, após sua administração intravenosa em cobaias observando-se uma inibição da
concentração do esfíncter de Oddi posterior a uma dose endovenosa de morfina. (ALONSO,
2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
57

6.3 Atividade Antimicrobiana

Tem-se reportado atividade inibitória in vitro do óleo essencial frente às germes Gram
negativos (escherichia coli, klebsiella ufanai, shigella sonnei e salmonella sp.), Gram
positivos (bacillus subtilis, micrococcus luteus) e fungos (torulopsis glabrata e cryptococcus
neoformans). Nas alterações não foi relatada atividade inibitória do óleo frente à
pseudomonas aeroginosa nem sobre estaphylococcus aureus. Sobre candida albicans os
resultados obtidos até o momento são contraditórios. Extrato de salvia também demonstrou
sua eficácia frente à ação colagenolítica de porphyromunas gingivalis, agente produtor de
periodontopatias. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
A tintura das folhas ao contrario do óleo essencial demonstrou atividade antibacteriana
contra estaphylococcus aureus e s.pyogens. A atividade antimocrobiana estaria fundamentada
pelo conteúdo de tuionas do óleo essencial e em menor medida por outros componentes do
azeite como pinenos, cânfora, 1,8-cineol, borneol, cariofileno, e seu princípio amargo
pricrosalvina. Novas investigações dão conta da importância do acido rosmarinico na
atividade antimicrobiana. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
A respeito de outras partes da planta, o extrato éter-petrolico da raiz de S. officinalis
demonstrou atividade inibitória in vitro frente a sp aureus sendo responsável pela atividade
dos compostos diterpeno-cquinolicos conhecidos como royleanonas. Por sua parte o extrato
aquoso demonstrou atividade antierpética (HVS-2) com inibição do efeito citopatico em
cultura de células HeLa, no entanto o extrato etanólico se mostrou inativo frente a HSV-1 em
cultura de células Vero. A porção diterpênica seria responsável pelo efeito antiviral. Por
ultimo o extrato aquoso demonstrou atividade inseticida e repelente (pela presença de tuionas)
frente a pieres brasicae, p.napi e p. rupae. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT
PLAINS, 2007)

6.4 Atividade Antisecretora – Antisudorípara

As tuionas, por via externa teriam atividade antihidrótica ao bloquear as terminações


nervosas das glândulas sudoríparas, uma vez que atuam a nível bulbar sobre o centro
termorregulador, o que as faz apropriadas no tratamento de “bromhidrosis”. Um estudo
58

clínico aberto envolvendo 80 pacientes acometidos de bromhidrosis idiopática, demonstrou os


benefícios do extrato de sálvia como agente antisecretor. Em um ensaio clínico com 30
mulheres menopáusicas, a administração de folhas de sálvia e alfafa (Medicago sativa),
demonstraram reduzir os rubores e suores noturnos em 20 delas. A princípio, se postula uma
ação antidopaminérgica central responsável por essa atividade. (ALONSO, 2004; SIGRIST,
2007 e GREAT PLAINS, 2007)

6.5 Atividade Sobre o Sistema Nervoso Central

Em teste com ratos anestesiados, pode-se observar uma ação depressora do SNC e
uma prolongação de sonhos barbitúricos. Em um ensaio realizado com 96 pacientes
acometidos de astenia psicofísica, a administração de uma infusão de sálvia, 3 vezes ao dia,
durante uma semana, proporcionou uma melhora qualificada como excelente em 54% dos
casos, boa (33%), regular (5%) e nula (3%). Varias experiências realizadas com 15 espécies
reconhecidas em estudos preliminares como ativadoras da memória e inibidoras de enzima de
colinesterase, destacaram o óleo de sálvia como uma das espécies mais promissoras, o que
abre as portas para futuros estudos em pacientes com Alzheimer. (ALONSO, 2004; SIGRIST,
2007 e GREAT PLAINS, 2007)

6.6 Atividade Hipoglicemiante

Estudos in vivo realizados em animais diabéticos aloxanizados e em animais


normoglicêmicos, demonstraram a ação hipoglicemiante de preparados herbais contendo
espécies distintas de sálvia (entre elas S. officinalis), sem produzir alterações nos níveis de
insulina. Nesse sentido, em recente trabalho realizado em ratas normoglicêmicas determinou
que o extrato etanólico de salvia administrado intraperitonealmente produziu um declínio da
glicemia de 15,7% em 120 minutos, alcançando seu pico máximo (30,2%) aos 240 minutos.
Nas alterações em ratas com diabetes induzida por estreptozotocina resultou em um declínio
moderado (22,7%) aos 240 minutos. Os pesquisadores consideraram que o mecanismo de
59

ação do extrato utilizado estaria envolvido com a insulina. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007
e GREAT PLAINS, 2007)
Entre as variedades de salvia com melhor performance hipoglicemiante, destaca-se a
Salvia lavandulifolia, a qual demonstrou in vivo, em animais, um aumento do consumo
periférico de glicose, hiperplasia de células beta-pancreáticas com aumento na produção de
insulina e diminuição da absorção intestinal de glicose. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e
GREAT PLAINS, 2007)

6.7 Outras Atividades

A presença de substâncias do tipo estrogênicas na sálvia, somada à presença de tuionas


no óleo essencial, lhe confere as propriedades reguladoras do ciclo menstrual. Por outro lado,
as substâncias do tipo estrogênicas junto ao ácido rosmarínico, explicaria a atividade
estimulante sobre o crescimento de couro cabeludo, em concordância com um dos empregos
populares desta espécie. Em testes com gatos anestesiados, o extrato hidroalcóolico da sálvia
tem demonstrado exercer uma atividade hipotensora arterial. Nas alterações, não produziu
alterações da pressão em ratas hipertensas conscientes, alimentadas com dieta hipersódica.
Esse extrato, por sua vez, demonstrou em ratas com a mesma dieta, aumentar a diurese de
maneira significativa a partir dos 30 minutos. Em nível respiratório, o óleo essencial tem
demonstrado atividade mucolítica (sinergizada pela presença de 1,8-cineol), no entanto os
taninos apresentam ação adstringente e cicatrizante nas feridas externas. (ALONSO, 2004)
Extratos de S. officinalis evidenciaram atividade antioxidante in vitro através dos
métodos de fotoquimioluminescência e lipoperoxidação, o qual demonstrou ser superior à
evidenciada por Matricaria chamomilla e menos no que diz respeito à Hypericum perforatum,
Potentilla erecta e Ledum palustre. Essa atividade está relacionada com a presença de ácido
rosmarínico e derivados hidroxicinâmicos. Tem-se mencionado também a utilidade da tintura
de salvia para reduzir a salivação, em pacientes com mal de Parkinson. Finalmente, os
extratos hexânicos e clorofórmico da sálvia, aplicados topicamente, demonstraram inibir o
edema induzido pelo óleo de cróton em ratas (não pelo extrato metanólico). Desses, o extrato
clorofórmico resultou ser mais ativo, sendo o ácido ursólico o principal componente
relacionado com a atividade antiinflamatória. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT
PLAINS, 2007)
60

6.8 Efeitos Adversos ou Tóxicos

Nas doses recomendadas é uma erva segura. O óleo essencial, de maneira isolada, tem
provocado quadros convulsivantes (em especial pelo uso prolongado) tanto em animais
quanto em humanos, devido à presença de tuionas e cânforas. Após um período de latência, é
possível observar hipersalivação e vômitos, os quais precedem as convulsões tônico-clônicas.
Entre cada convulsão, o intoxicado apresenta um quadro de confusão acompanhado de
náuseas e letargia. Pode-se observar no eletroencefalograma de ratas, nas quais foram
administradas um extrato aquoso de sálvia nas doses de 1,6-4 mg/kg por via intrapéritoneal, a
aparição de descargas em picos repetidos (do tipo cortical), acompanhadas de mioclonias em
massa em cada uma delas, provocando espasmos violentos nos animais. (ALONSO, 2004;
SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
De acordo com os primeiros estudos de Walkmuller (1949), de Ionescu (1958) e Van
Rudolff (1963), pode-se constatar que a configuração espacial desempenha um papel
importante na graduação de toxicidade. No caso da tuiona, a forma beta demonstrou ser mais
tóxica que a forma alfa. Na S. officinalis, a alfa-tuiona encontra-se em maior concentração que
a beta-tuiona, já que tem-se observado uma grande variação entre a composição química de
óleos essenciais provenientes de regiões distintas. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e
GREAT PLAINS, 2007)
Nas ratas, as doses subclínicas, clínicas e letais para uma dose convulsivante forma
estimadas em 0,3, 0,5 e 3,2 g/kg, respectivamente. Em ratas, a DL50 do óleo essencial de
salvia de Dalmácia (muito similar a S. officinalis) por via oral foi calculada em 2,6 g/kg,
enquanto que por via intradérmica, chegou a 5 g/kg. Neste sentido, a aplicação tópica do óleo
essencial em humanos deve ser feita com muita cautela, já que há relatos de ser irritante para
a pele. Os extratos aquosos e etanólicos das folhas não demonstraram mutagenicidade nos
testes em Salmonella typhimurium TA-98 e TA-102, sendo a CL50 > 1000 µg/ml. Seu uso oral
em aromaterapia é desaconselhado por ser limítrofe a margem terapêutica. (ALONSO, 2004;
SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
61

6.9 Contra-indicações

Recomenda-se não empregar o óleo essencial puro por via interna, devido ao conteúdo
de tuionas, salvo prescrição facultativa. Nem mesmo administrar durante a gestação, lactação
ou crianças. No caso de Salvia lavandulifolia (salvia espanhola), não há problemas de
consumo durante a gravidez e lactação já que praticamente inexistem tuionas nessa espécie, o
que a faz apta para esses casos porém ineficaz como antiséptica. As pessoas com tumores
estrógeno-dependentes, ou que estejam sob terapia estrogênica (incluindo contraceptivos)
deverão abster-se do consumo dos extratos dessa espécie. Também não é recomendável em
casos de insuficiência renal e labilidade neurovegetativa. No entanto, a ingestão de infusões
isoladas ou como condimento alimentício, não produz grandes inconvenientes. (ALONSO,
2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

6.10 Interações Medicamentosas

A salvia pode interferir na ingestão concomitante de agentes hipoglicemeiantes e


anticonvulsivantes. Pode potencializar os efeitos sedativos de barbitúricos e
benzodiazepínicos. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
O Council of Europe tem catalogado a S. officinalis como produto natural para o uso
ou suplementação alimentar, na categoria N2. Nessa categoria, há referência expressa que o
conteúdo com alfa e beta-tuionas do produto final não deve exceder 0,5 mg/kg, exceto como
ingrediente de bebidas alcoólicas, onde pode chegar aos 10 mg/kg. O limite de tuionas para
bebidas amargas é de 35 mg/kg; agregado a alimentos: 25 mg/kg e em compotas: 250 mg/kg.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
A Comissão “E” de Monografias da Alemanha aprovou o uso interno de salvia como
eupeptico e para tratar sudorese excessiva. No entanto, por vias externas, aprovam o uso para
tratar mucosas inflamadas da oro-faringe. Os Ministérios da Saúde da Colômbia, Cuba,
Espanha, México e Venezuela aceitaram o uso medicinal da S. officinalis. (ALONSO, 2004;
SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
62

6.11 Usos Etnomedicinais

A salvia é empregada na medicina popular em casos de ansiedade, irritabilidade,


dispepsia, como aperiente, em disquinesias hepatobiliares, transtornos menopáusicos (rubores
e fogachos), como redutora da lactação, em casos de sudorese profusa das extremidades e
diabetes. Em geral se prescreve infusões, salvo no caso de transpiração das extremidades,
onde é preferível o uso de tinturas. Com sálvia comum e salvia roxa pode-se fazer gargarejos,
duchas vaginais (para leucorréia) ou adicionar à água do banho para tratar processos
dermatológicos. Também é aplicada externamente sobre feridas infectadas, aftas e úlceras
tópicas. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

6.12 Tintura

Relação de 1:10 em etanos 70%. Administrar 25 a 30 gotas, 3 vezes ao dia.


(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
63

7 Lippia alba

Droga presente por todas as folhas. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT
PLAINS, 2007)

7.1 Ações Farmacológicas

As principais virtudes desta espécie estão na atividade antiespasmódica e


antimicrobiana dos componentes de seu óleo essencial. Apesar disso, essas atividades podem
variar devido aos quimiotipos distintos extraídos das diferentes regiões da América. Para uma
melhor compreensão descreveu-se as atividades biológicas realizadas de acordo com a
atividade terapêutica proposta. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

7.2 Atividade Digestiva

Estudos em humanos revelaram o efeito antiespasmódico do decocto da planta fresca


em doses de 120-240 ml/dia, proveniente de uma preparação com base a 12-20 g/l. Estudos
em ratas demonstraram que a administração por via oral durante cinco dias consecutivos de
12,5 g/Kg de folhas secas, não produzem irritação na mucosa gástrica. Ainda, a sua
administração em ratas revelou-se ser efetiva na prevenção de úlceras gástricas induzidas por
indomicina (50mg/kg via oral), tanto em períodos curtos (24 horas) quanto a longo prazo (5
dias). (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

7.3 Atividade Antimicrobiana

O óleo essencial demonstrou atividade inibitória in vitro frente a fungos


Trichopphyton mentagrophytes, Absidia ramosa, Microsporum gypseum e Candida albicans,
64

enquanto que o extrato etanólico também se mostrou eficaz com Neurospora crassa. Extratos
elaborados com as folhas evidenciaram atividade inseticida (sobre agentes contaminantes de
grão armazenados) e antimicótica frente à fitopatógenos tais como Dreschlea oryzae e
Fusarium moniliforme. A maceração hidroalcóolica das folhas de Lippia alba demonstrou
atividade inibitória in vitro frente à Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae,
Streptococcus pyogens e Salmonella typhi, a maioria dos agentes envolvidos no processo
infeccioso do trato respiratório. Em alterações, a atividade frente a Pseudomonas aeruginosa,
Escherichia coli e Bacillus subtilis foi considerada nula. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e
GREAT PLAINS, 2007)

7.4 Atividade no Sistema Nervosa Central

Componentes do óleo essencial evidenciaram exercer um efeito anticonvulsivante


significativo em ratas tratadas com pentineletetrazol, o qual foi constatada através de um
período maior de latência entre cada convulsão e uma maior sobrevida em animais tratados
junto ao um grupo controle. A infusão aquosa das folhas não demonstrou que a porção não
volátil (rica em flavonóides) extraída em etanol 80% (v/v) das folhas de L. alba apresenta
efeito sedativo e miorrelaxante. Os componentes do óleo essencial pertencentes à quimiotipos
ricos em citral, beta-mirceno e limoneno demonstraram efeitos sedantes e miorrelaxantes,
logo após sua administração intra-peritoneal (i.p). em ratos, em doses de 100-200 mg/kg.
Somente em muitas altas doses se pode verificar uma indução de sonho barbitúrico.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

7.5 Outros Atividades

O extrato hidroalcóolico das folhas frescas demonstrou atividade analgésica (provas de


contorção e sopros da cauda) quando foi administrado a ratos por via intragástrica em doses
de 1 g/kg por via oral. Tal atividade justifica um papel importante do óleo essencial. Em doses
de 750 e 1000 mg/kg o extrato aquoso da folha demonstrou em ratos e ratas, efeito analgésico
a nível central e periférico. O extrato etanólico das folhas resultou inativo em culturas de
65

células CA-9KB em doses de 20 µg/ml.Esse mesmo extrato em alterações produz hipotensão


arterial em cães em doses de 50 mg/kg. Por outro lado, a administração do extrato etanólico
de folhas de L. alba em doses de 20 mg/kg via intravenosa, não produz efeitos
antihipertensivos em ratas. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Os componentes do óleo essencial pertencentes à quimitipos ricos em citral, beta-
mirceno e limoneno demonstrou diminuir a temperatura retal de ratas em doses de 100-200
mg/kg via intraperitonial. Finalmente, extratos das folhas de L. alba demonstraram efeitos
antioxidantes in vitro (IC50 < 30µg/ml) reduzindo a peroxidação lipídica (IC50 < 32µg/ml) e a
atividade de radicais livres 1,1-difeni-2-picrilhidrazilo. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e
GREAT PLAINS, 2007)

7.6 Efeitos Adversos ou Tóxicos

A administração da infusão das folhas a humanos em doses até 720 ml/dia não produz
sintomas de intolerância digestiva nem efeitos tóxicos. A DL50 do extrato etanólico
administrado a ratos por via intraperitonial foi de 1 g/kg. Estudos de toxicidade aguda em
ratos, indicaram que a infusão das folhas e flores não produz mortes até doses de 67 g/kg.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

7.7 Contra-indicações

Ante a falta de dados confiáveis de inocuidade, não se recomenda seu emprego


durante a gestação e lactação. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

7.8 Interações Medicamentosas

Há relatos da possibilidade de hepatotoxicidade entre infusões de L. alba e


acetaminofen (paracetamol) em coelhos. Tem-se postulado que os metabólitos desta planta
66

utilizam o sistema enzimático do citocromo P450 para sua biotransformação, de maneira


similar aos descritos para o paracetamol. O que significa uma diminuição nas reservas de
glucagón e facilita assim os efeitos tóxicos dessa droga a nível hepático. (ALONSO, 2004;
SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

7.9 Usos Etnomedicinais

A infusão das folhas se recomenda no geral como antiespasmódica, digestivo e


sedante. Além disso, se emprega com antitussígeno, contra resfriados, como sudorífico,
expectorante e emenagogo. Por via externa se aplica a tintura em forma de fricções peitorais
para o tratamento de resfriados. A infusão das plantas é indicada como antidiabético,
analgésico, sudorífero e emenagogo; como expectorante, abortivo, para secar o leite e
antihemorroidal; como antiasmático, antireumático, hipnosedante, dermatites e eczemas,
odontalgias e regulação do fluxo menstrual. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT
PLAINS, 2007)
Em vários países da América Central se empregam as ramas frescas por sua
característica adstringente e antiséptica para acelerar a recuperação pós-parto. Na Martinica e
Trinidad emprega-se a decocção da folha como antitérmica. Os índios Ticuna do Peru
utilizam as folhas trituradas em água, aplicando-as em forma de compressas na presença de
neuralgias. Em casos de diarréia, mistura-se suas folhas com menta, ingerindo a infusão por
via interna 2-3 vezes por dia. Os índios de Chiapas, México, empregam suas folhas em
infusão para o tratamento de enfermidades renais. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e
GREAT PLAINS, 2007)

7.10 Tintura

Prepara com 200g de erva seca em um litro de álcool de 70°. Deixar repousar sete dias
agitando diariamente. Tomar 25-30 gotas depois das principais refeições com um copo de
água. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
67

8 Cinchona calisaya

8.1 Parte Utilizada

Casca seca dos talos. Em alguns países é também utilizada a casa da raiz. A droga
apresenta odor fraco característico, com sabor intensamente amargo e ligeiramente
adstringente. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

8.2 Ações Farmacológicas

As ações estão concentradas nas propriedades antimaláricas e antiarrítmicas de seus


principais alcalóides quinina e quinidina. Para uma melhor compreensão, dividiu-se estudos
biológicos realizados de acordo com a atividade terapêutica proposta. (ALONSO, 2004;
SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

8.3 Atividade Antimalárica

Os alcalóides da quina foram durante muitos anos os fármacos de preferência para o


tratamento da malária. Com a introdução das drogas sintéticas, esta prática foi caindo em
desuso; no entanto nos paises em via de desenvolvimento continuaram constituindo uma
medicina eficaz contra o Plasmodium falciparum, sobre tudo nas formas assexuadas entra
glomerulares cloroquino-resistente combiando-se com pirimetamina e sulfadoxina; ou
também com treta ciclina ou clindamicina. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT
PLAINS, 2007)
A quinina apresenta ação esquisonticida, com escassa atividade sobre os esporócitos
ou sobre as formas pré eritrocíticas dos parasitos da malária gametócita somente para
Plasmódium malarie e P. vivax, sendo comparativamente mais tóxica e menos efetiva que a
68

cloroquina. Sendo administrada como preventivo ou entre acessos de febre malárica.


(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Seu mecanismo de ação não está muito claro ate agora, visto que, existem evidencias
que a quinina atuaria por intercalação da parte quinólica dentro do DNA do parasita. Ainda,
atua inserindo moléculas policíclicas planares e rígidas entre os pares de bases adjacentes da
dupla da hélice do DNA. Dessa maneira estende o ácido nucléico dificultando sua replicação
e transcrição. Um ensaio clínico efetuado em crianças com encéfalopatia com P. falsiparum,
determinou a utilidade da via retal para administração de alcalóides da quina (quinimax ®)
associado com cloroquina por via oral demonstrando uma boa tolerância e ausência de
irritabilidade local. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

8.4 Atividade Antiarritmica

A quinidina representa uma droga muito importante na abordagem de quadros de


fibrilação auricular. Obtém-se também de outras fontes vegetais pertencentes a esta mesma
família, como remijia purdienda e R. pedunculata. A atividade malárica antiarritmica foi
descoberta casualmente, em pacientes com malária que melhorara seus quadros fibrilatórios
subjacentes depois de receber quinidina. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT
PLAINS, 2007)
A quinidina atua através de uma redução na entrada de sódio na célula, o que provoca
um aumento do potencial de ação, uma diminuição na velocidade de despolarização celular e
um aumento do período refratário. Desta maneira, diminui a freqüência cardíaca e a
excitabilidade, evitando-se os fenômenos de Hiperautomatismo. No entanto, aquinidina
indiretamente pode aumentar a freqüência cardíaca por bloqueio colinérgico ou por aumento
reflexo da atividade simpática. A quinina também apresenta propriedades depressora cardíaca,
porem sua atividade é 50% menor que a quinidina. Em doses antimaláricas, a quinina
apresenta a nível cardiovascular um efeito estimulante contrátil do músculo cardíaco, do que
de menor intensidade que o produzido por quinidina. Entre as indicações da quinidina estão:
extrasistole auricular, átrioventricular e ventricular, taquicardia auricular e ventricular,
vibração auricular e fibrilação auricular. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT
PLAINS, 2007)
69

8.5 Atividade Digestiva

As características amargas dos preparados elaborados com casca de quina geram um


efeito eupéptico e orexígeno, favorecendo a secreção dos sucos gástricos, dos quais são
aproveitados na industria alimentícia de bebidas amargas e tônicas, admitindo um máximo
para a quinina de 83 ppm. No caso de bebidas alcoólicas o máximo permitido é de 278 ppm.
Quanto aos taninos, os mesmos justificam seu conhecido efeito adstringente útil em processos
inflamatórios das mucosas, ou como regulador intestinal. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e
GREAT PLAINS, 2007)
Administração intraperitonial de quinina a ratos demonstrou inibir o peristaltismo
intestinal produzidas por agentes estimulantes da motilidade. Esta atividade foi antagonizada
por naloxona, o qual somado a um efeito sinergistico com morfina, demonstra um mecanismo
de atividade inibitória que capturaria as substâncias opióides endógenas. (ALONSO, 2004;
SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

8.6 Outras Atividades

Estudo in vitro tem determinado efeito citostático de alguns metabólitos secundários


dos alcalóides da quina através do estimulo dos leucócitos polimorfonucleares. O derivado
semi-sintético, Hidrocloroquina, tem estudado com bons resultados no controle sintomático e
inflamatório de pacientes com artrite reumatóide. Emprego da união de todos os alcalóides da
quina (totaquina), demonstrou sua utilidade in vitro, como amebicida. Entre outras ações, a
quinidina demonstrou diante de seu uso antiarritmico, aumentar o ritmo respiratório. Também
demonstrou o efeito curarisante fraco sobre o músculo estriado; ação miorelaxante (aumenta a
fase refratária do músculo esquelético atuando diretamente sobre a fibra muscular e alterando
a distribuição de cálcio na fibra). Atividades oxitóxicas (com doses antimaláricas e durante o
trabalho de parto e ação antitérmica, ao provocar inibição sobre o centro termoregulador
bulbar). A quinina atenua a excitabilidade da placa motrix, ao reduzir as reações induzidas por
estimulação nervosa repetida ou por acetilcolina. A atividade miorelaxante foi comprovada
útil em casos de câimbras em membros inferiores. A cinchonina demonstrou in vitro atividade
antiagregante plaquetaria mediada por bloqueio do influxo do íon cálcio e inibição de proteína
70

quinase C. Por ultimo o extrato aquoso da casca de quina exibiu in vitro propriedades
antioxidantes, não se tendo até o momento identificação dos compostos ativos responsáveis.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

8.7 Farmacocinética

A malária esta associada a uma redução no clearance sistêmico e no volume de


distribuição dos alcalóides da quina. Essa redução é proporcional à severidade do quadro. A
quinina é facilmente absorvida pelo intestino delgado quando se administra por via oral,
inclusive em casos de diarréia. A concentração plasmática máxima se alcança entre uma a três
horas de sua administração oral sendo transportada em 70% pelas proteínas plasmáticas. A
quinina atravessa a barreira placentária e chega ao feto. A degradação principal ocorre no
fígado (80%) e ao redor dele e 5% se elimina por via renal. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007
e GREAT PLAINS, 2007)
O sulfato de quinidina administrado por via oral é absorvido rapidamente, alcançando
concentrações plasmáticas máximas entre os 60 e 90 minutos. Por volta de 90% da quinidina
plasmática está unida ao alfa-1-acido para lucoproteina e albumina penetrando nos eritrócitos
e unindo-se a princípio com a hemoglobina. Salvo no cérebro se distribui em quase todos os
tecidos sendo metabolizada pelo fígado (65%) e excretada pelos rins, calculando-se umas 6
horas de tempo médio de eliminação. A eliminação da quinidina se da 80% através do
metabolismo hepático e 20% por via urinária quando se administra por via oral a quinidina
(em forma de sal de gluconato e poligacturonato) Apresenta níveis céricos máximos abaixo da
forma de sal de sulfato. (ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)

8.8 Efeitos Adversos ou Tóxicos

A quinina em altas doses é depressora do sistema nervoso central, considerando-se 8g


a dose para produzir a morte de um ser humano. Administrado por via oral pode geral quadros
de epigastralgia, náuseas e vômitos. Durante o uso prolongado ou em doses superiores a
10mg/ml, pode originar uma síndrome conhecida como Cinchonismo, caracterizada por
71

fotofobia e perda dos reflexos da acomodação, retinopatia, vertigens, enxaqueca, erupções


cutâneas, transtornos gastrointestinais e cardiovasculares. Em casos de intoxicação aguda,
predominam esses últimos sintomas dos quais desaparecem sobre a supervisão do tratamento.
(ALONSO, 2004; SIGRIST, 2007 e GREAT PLAINS, 2007)
Em indivíduos hipersensíveis pode provocar asma e extraordinariamente danos renais
com anuria e uremia. Tem-se relatados poucos casos de uma variedade de lúpus conhecido
como lúpus anticoagulante em pacientes submetidos a tratamento com quinidina e quinina.
Em muitas ocasiões pode produzir hipoglicemia, hepatite, e coagulação intravascular. Na
forma injetável, tanto subcutânea como intramuscular é muito dolorosa e pode causar
irritabilidade local e abscessos estéreis. A quinidina ocasionalmente pode originar efeitos
imunoalérgicos que podem desencadear um bloqueio auriculo-ventricular. A quinina e seus
derivados sintéticos podem geral fotossensibilidade cutânea. (ALONSO, 2004; SIGRIST,
2007 e GREAT PLAINS, 2007)
72

9 Morus nigra

9.1 Composição química

Vitamina C, bioflavonóides em larga escala, rica em fibras, folatos, vitamina E,


pequena quantidade de ferro, cálcio, ácido elágico, salicilatos naturais. (FERRO, 2006)

9.2 Atividade Antioxidante

Estudo sobre o efeito antioxidante de três extrações diferentes da fruta da Morus nigra
(suco da fruta, extrato hidroalcóolico1 e polifenólico2) na glicosilação da hemoglobina, os
danos oxidativos aos eritrocitos humanos, os hepatocitos do fígado dos ratos e a LDL
demonstraram resultados favoráveis. Os resultados mostram que todos os três extratos
inibiram a glicosilação da hemoglobina induzida pela glicose em diferentes graus. A hemólise
dos eritrócitos humanos induzidos pelo peróxido de hidrogênio foi inibida também. A
produção do malondialdeído durante os danos oxidativos às membranas do plasma dos
hepatocitos isolados do rato induzidos pelo tert-butil-hidroperoxido foi inibida também. A
inibição da oxidação do lipídeo de LDL induzido pelo íon de cobre foi conseguida durante o
estudo. Os resultados sugerem que a fruta da M. nigra tem uma ação protetora em relação aos
danos oxidativos nas membranas celulares e a nível molecular. (NADERI, 2004)

9.3 Atividade Analgésica


1
O extrato hidroalcóolico é manufaturado a partir do vegetal seco em forma de pó adicionado a uma proporção
de 3:1 em solução hidroalcóolica a 70%. (BRANCO NETO, 2006)

2
O termo fenólico ou polifenólico pode ser definido como sendo uma substância que tem um ou mais núcleos
aromáticos, contendo substituintes hidroxilados e,ou derivados funcionais, como ésteres, glicosídeos e outros.
(BATISTA, 2005)
73

Os efeitos antinociceptivos do M. nigra, indicado pela presença de prenilflavonóide


nas cascas da raiz da planta foram investigados em modelos clássicos de dor nos ratos. Os
resultados mostraram que a M. nigra exibe um perfil antinociceptive ou analgésico promissor
por via intraperitoneal, sendo mais potente do que algumas drogas padrão usadas como
referência. O mecanismo pelo qual a M. nigra exerce a atividade antinociceptive ainda
permanece indeterminado, mas os resultados sugerem fortemente que envolve a participação
do sistema opióide. (de SOUZA, 2000)

9.4 Atividade Antiglicemiante

Os efeitos do tempo de fervura no índice do peso seco e no componente ativo inibidor


do alfa-glicosidase liberados do chá da Morus alba foram estudados e revelaram um
importante efeito antiglicemiante. Os diferentes produtos extraídos do chá mostraram
diferenças significativas na atividade inibitória de sacarídeos e maltose. A inibição mais
eficaz da enzima foi observada quando o tempo mínimo de fervura, de 3 a 5 minutos, foi
aplicado na preparação do chá. O chá reduziu os índices de liberação da glicose, em uma
experiência de cultura de células Caco-2 com lados apical e basal dos monócitos da célula.
Pode-se concluir que o extrato da água quente das folhas da amora tem efeito inibitório em
enzimas de alfa-glicosidases, dos sacarídeos e da maltose, e tem um potencial para ser
consumido como o chá anti-diabético. (HANSAWASDI, 2006)

9.5 Atividade Hormonal

Considerado um fitoestrogênico leve, daí seu uso na terapia de reposição hormonal, de


maneira natural, nos casos de menopausa sintomática. Também tem seu uso como
equilibrador das taxas hormonais, sendo utilizado por esse motivo também no tratamento da
tensão pré-menstrual. Esse uso não possui estudos definidos delimitando seu exato modo de
74

ação, mas há estudos que apontam a afinidade dos receptores estrogênicos com extratos de M.
nigra. (UFMS, 2007; FERRO, 2006 e FRANZOTTI, 2004)

9.6 Outras Atividades

Atividades diurética e laxativa relacionada aos frutos, sendo utilizada como


coadjuvante nos casos de litíase renal. Já as folhas são consideradas antidiarréicas, e a raiz é
utilizada para verminoses. (FERRO, 2006 e UFMS, 2007)
Possui propriedades calmantes e sedativas, usada em banhos locais nos casos de
vulvovaginites e também considerado imunoestimulante, aumentando a atividade linfocitária.
Por esse motivo há referências da atividade antiinflamatória dessa espécie. (FERRO, 2006)

9.7 Contra-indicações

Reações de hipersensibilidade à ingestão de M. nigra são consideradas incomuns e não


há relatos que tenham ocorrido no mesmo paciente mais de uma vez. (CAIAFFA, 2003)
75

MATERIAIS

− Cartazes contendo a proposta do estudo, critérios de inclusão e exclusão, data limite para
inscrição, telefones das pesquisadoras e aval do orientador e coorientador (Apêndice E).
− Ficha de Informação à Voluntária (Apêndice C).
− Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice D).
− Relatório de Sintomas Diários (Apêndice A).
− “Questionário de Sintomas Pré-Menstruais”, elaborado a partir dos sintomas descritos no
DSM-IV para Síndrome Pré Menstrual (Apêndice B).
− 340 mL do composto de tinturas, contendo 68 mL de cada planta (Lippia alba, Morus nigra,
Cinchona calisaya, Cimicifuga racemosa, Salvia officinalis), disponibilizados em 17 frascos
de vidro âmbar com conta-gotas contendo 20 mL cada.

MÉTODOS
76

Após aprovação com recomendação na 42ª reunião do Comitê de Ética em Pesquisa da


Universidade Anhembi Morumbi, no dia 13/02/2007 (Anexo I), a pesquisa foi divulgada com
a colaboração do coorientador Professor André Hinsberger, para alunas de Naturologia, junto
a cartazes expostos no campus centro da própria instituição (Apêndice E).
A pesquisa foi realizada não só através de material de bibliográfico disposto no acervo
da Universidade Anhembi Morumbi, mas também em bancos de dados científicos PubMed,
Bireme e EBSCO.

1 Voluntárias

Foram cadastradas 17 mulheres, universitárias de 19 a 24 anos, para um estudo


experimental com intervenção de fitoterápico na forma de um composto de tinturas de Lippia
alba, Morus nigra, Cinchona calisaya e Salvia Officinalis, com avaliação dos efeitos através
de questionário (Apêndice B). Elas não deveriam estar fazendo uso de anticoncepcional
medicamentoso ou sob uso contínuo de paracetamol, barbitúricos, benzodiazepínicos,
antiácidos, digoxina e anticoagulantes.
Consideramos o número das voluntárias adequado, uma vez que, exigiu-se
disponibilidade das pesquisadoras para o acompanhamento individual e semanal, além do
custo, e, devido aos critérios de exclusão; que diminuem a possibilidade de uma amostra que
se encaixe no protocolo.
Os critérios para inclusão são:
− Apresentar durante pelo menos dois ciclos consecutivos, cinco ou mais dos 11
sintomas relatados no questionário, sendo que um deles obrigatoriamente deve ser um dos
quatro primeiros sintomas (Apêndice B).
− Avaliação diferencial positiva para Síndrome Pré-Menstrual, através do relatório de
sintomas diários (Apêndice A).
− Ter entre 19 e 24 anos.
− Ter ciclo regular (menor que 35 dias e maior que 25 dias).
Os critérios para exclusão são:
− Estar sob uso contínuo e regular de anticoncepcionais medicamentoso.
77

− Gravidez e ou amamentação.
− Ter ciclo irregular (maior de 35 dias ou menor de 25 dias).

1.1 Sobre estudo experimental

Não consideramos correto privar as voluntárias de um tratamento que possivelmente


alivie seu sofrimento e que, quando administrado dentro das doses recomendadas, utilizadas
nessa pesquisa, não provoca efeitos colaterais, segundo estudos disponíveis. Além disso,
devido ao tempo hábil, ao número de pesquisadoras e a significativa falta de amostra
homogênea, devido ao rigor dos critérios de inclusão e exclusão o número de amostra é
apropriado. Devido à sazonalidade e particularidade do ciclo menstrual de cada voluntária,
será necessário um acompanhamento individual e pessoal com cada uma e o número de
pesquisadoras só permite o acompanhamento dedicado de 17 voluntárias.

1.2 Descrições do recrutamento de voluntárias

As interessadas procurarão as pesquisadoras, quando da divulgação da pesquisa,


informando-se a respeito das contra-indicações da parte experimental da pesquisa. Não se
enquadrando nas contra-indicações, as voluntárias foram cadastradas conforme adequação aos
pré-requisitos estabelecidos no item 1.
Após cadastramento, leram e tiraram dúvidas sobre a Ficha de Informação à
Voluntária (Apêndice C) e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(Apêndice D). Em seguida preencheram relatório de sintomas diários (Apêndice A) durante
um ciclo, por mais ou menos dois meses consecutivos.

1.3 Relatórios de sintomas diários


78

Atualmente a utilização dos critérios do DSM-IV, em associação ao preenchimento de


diários prospectivos, como o relatório de sintomas diários (Apêndice A) por pelo menos dois
ciclos menstruais consecutivos é reconhecido como o modo prático da confirmação
diagnóstica da SPM. (AMERICAN PSCHYATRIC ASSOCIATION, 2006 e FREEMAN, et
al; 1996)
O relatório de sintomas diários consiste em 17 sintomas comuns da SPM, incluindo 11
sintomas dos critérios diagnóstico do DSM-IV para SPM. Os pacientes avaliam cada sintoma
em uma escala de cinco pontos - de zero (nenhum) a quatro (severo). A escala fornece a
orientação marcando a severidade de cada sintoma e pode ser usada em clínica no auxilio dos
cuidados preliminares para o diagnóstico e a avaliação de SPM. A pontuação do relatório
diário pré-menstrual é a soma dos pontos dos 6 dias anteriores à próxima menstruação e a
pontuação pós-menstrual é a soma dos pontos dos dias 5 a 10 (sendo o dia 1 o primeiro dia da
menstruação) usado como forma de eliminação de sintomas de SPM. (SUBHASH, 2002)
Este relatório foi adaptado com permissão de Freeman e DeRubeis, e sua
confiabilidade foi testada por Rickels, sendo um diário de sintomas para SPM válido.
(FREEMAN, et al; 1996)

2 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Após o recrutamento das interessadas, estas passaram a ser denominadas ‘voluntárias’.


As pesquisadoras entregaram pessoalmente a Ficha de Informação à Voluntária (Apêndice C)
a qual foi lida pela voluntária e esclarecida à mesma que em seguida assinou o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice D). Esse processo ocorreu individualmente e
pessoalmente. Em seguida, as voluntárias passaram a preencher o relatório de sintomas
diários durante um ciclo menstrual.

3 Composto de Tinturas Fitoterápicas


79

3.1 Preparações do composto

Foram necessários 68 mL da tintura a 15% de cada planta: Lippia alba, Morus nigra,
Cinchona calisaya, Cimicifuga racemosa, Salvia officinalis, misturados e perfazendo um total
de 340 mL do composto; sendo subdivididos em 17 frascos contendo 20 mL cada.
Os fitoterápicos utilizados foram adquiridos no laboratório Panizza e laboratório
Phylip de Lyon.

3.2 Posologia

O conteúdo do frasco deveria ser utilizado da seguinte maneira: tomar 30 gotas


diluídas em um copo de água, 3 vezes ao dia após as principais refeições durante 7 dias
consecutivos, iniciando no quarto dia anterior ao primeiro dia previsto do início da
menstruação e continuando durante a mesma.

3.3 Controles de ingestão do composto

Após o sétimo dia as voluntárias do grupo deveriam relatar se tomaram o conteúdo do


frasco conforme a indicação ou não. Se não houvesse ingestão regular, um relatório livre seria
gerado pelas pesquisadoras através de consulta à voluntária, como forma de comparar a
eficácia do tratamento na fase conclusiva do estudo.

4 Coleta e Análise de Dados


80

4.1 Coletas dos dados

Encontros quinzenais individuais foram conduzidos dentro da Universidade Anhembi


Morumbi, campus centro, em sala disponível.
A Ficha de Informação à Voluntária (Apêndice C) e o Termo de Consentimento Livre
e Esclarecido (Apêndice D) foram preenchidos e no mesmo dia foi orientado o preenchimento
do relatório de sintomas diários (Apêndice A), o qual foi devolvido ao final do primeiro ciclo
da parte prática. Uma breve avaliação foi feita para identificar as voluntárias com sintomas
positivos para SPM e à estas foi entregue o composto de tintura junto com o Questionário de
Sintomas Pré-Menstruais (Apêndice B), uma semana antes do início do segundo ciclo da parte
prática. O segundo questionário foi preenchido ao final da pesquisa, quando solicitado pelas
pesquisadoras.

4.2 Análises estatísticas

Os dados coletados foram analisados através do programa Microsoft Excel, através do


teste T de Student “pareado”, gerando tabelas e gráficos que desenharam o estudo com somas,
médias, desvio padrão e valor de significância, ou não, dos resultados.

4.3 Questionário de Sintomas Pré-Menstruais

Em virtude da etiologia da SPM ainda não ser conhecida, aguarda-se por métodos
diagnósticos mais precisos. Os sintomas relatados pelas pacientes podem permitir que o
profissional da área da saúde construa um tratamento específico para cada caso. É importante
que se tenha uma compreensão clara dos sintomas dessas pacientes antes de iniciar qualquer
terapia. (FERNANDES, et al; 2004)
81

Os questionários mencionados por outros estudos não se encontram disponíveis,


porém há um padrão a ser seguido. Usualmente, pode-se estabelecer um questionário a partir
das definições do DSM-IV para SPM. Dessa maneira têm-se quatro critérios (A, B, C e D),
sendo que o critério A define as características, o padrão de recorrência e a lista de sintomas
(Apêndice B) que podem estar presentes no período pré-menstrual. (SUBHASH, 2002 e
VIEIRA FILHO, 1998)
Para se completar o diagnóstico, a paciente deve apresentar cinco ou mais sintomas
descritos no critério A, sendo que um deles, obrigatoriamente, deve ser um dos primeiros
quatro itens, apresentando esses sintomas, na maioria dos ciclos do último ano, durante a fase
lútea (do 17º dia ao 28º), com remissão após alguns dias do início da fase folicular e ausência
nas semanas pós-menstruais. (SUBHASH, 2002, VIEIRA FILHO, 1998 e AMERICAN
PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 1987)
O critério B diz que os sintomas devem interferir ou trazer prejuízo no trabalho, na
escola, nas atividades cotidianas ou nos relacionamentos; o critério C trata da delimitação dos
sintomas como exclusivos para SPM, sendo que tais não devem ser apenas exacerbações de
outras doenças. O critério D diz que os critérios A, B, e C devem ser confirmados por
anotações prospectivas em diário durante pelo menos dois ciclos consecutivos. (VIEIRA
FILHO, 1998 e AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 1987)
82

10 RESULTADOS

10.1 Relatório de Sintomas Diários

Pontuação Individual do Total Diário da Intensidade dos Sintomas do ‘Relatório de


sintomas diários’

Classificação Dia Ciclo V1 V2 V3 V4 V5 V6 V7 V8 V9 V10 V11 V12 V13 V14 V15 V16 V17
19 1 5 18 4 5 3 12 5 12 50 27 41 9 5 34 33 24
20 1 0 12 4 4 8 15 2 19 37 27 43 10 3 40 26 20
21 1 0 13 3 18 3 14 3 27 36 27 42 13 3 26 33 16
TPM 22 1 1 14 10 19 0 11 3 33 49 26 44 19 4 27 26 13
TPM 23 1 3 21 17 9 2 9 3 41 32 17 43 32 19 26 36 26
TPM 24 1 3 22 27 15 1 12 3 41 26 24 44 34 12 26 28 26
TPM 25 1 5 20 32 1 4 10 3 38 16 19 44 30 19 27 34 23
TPM 26 1 12 21 37 2 4 13 22 38 28 29 44 26 15 32 29 21
TPM 27 1 33 23 40 8 7 3 17 39 34 29 44 30 24 28 20 18
TPM 28 1 26 42 42 8 34 7 17 55 32 34 49 36 25 34 19 17
TPM 29 1 32 37 40 14 31 14 9 46 22 32 53 30 22 46 13 17
MENSTRUAÇÃO 1 1 28 36 38 15 7 38 10 40 8 21 37 30 25 46 32 16
TPM 2 1 12 26 23 10 15 33 7 39 5 18 36 8 24 19 27 21
TPM 3 1 18 18 20 7 6 40 13 30 1 23 20 12 14 4 32 22
TPM 4 1 11 7 15 4 9 36 0 27 2 27 31 11 15 5 28 12
5 1 9 6 9 2 12 28 0 18 8 23 22 11 4 4 35 9
6 1 4 7 6 1 14 19 11 13 7 25 24 11 3 10 29 7
7 1 9 9 3 3 8 20 11 8 5 14 26 11 3 16 25 24
8 1 2 10 3 5 6 27 8 8 13 7 20 11 7 14 23 7
9 1 12 8 2 2 8 30 6 14 16 7 5 13 7 16 22 7
10 1 3 12 3 7 2 25 7 13 22 5 5 14 3 16 21 6
11 1 3 7 3 6 1 15 7 10 24 1 8 14 5 5 12 6
12 1 5 10 1 2 7 13 0 8 27 1 6 11 5 16 9 10
OVULAÇÃO 13 1 10 17 0 3 21 11 5 10 29 2 4 16 11 15 9 13
OVULAÇÃO 14 1 5 11 1 1 13 25 9 10 31 6 12 15 26 15 6 10
OVULAÇÃO 15 1 8 7 1 3 8 17 4 9 41 5 8 20 9 18 10 21
OVULAÇÃO 16 1 8 6 0 2 4 21 6 10 45 2 14 23 4 18 12 15
OVULAÇÃO 17 1 0 8 1 2 3 20 8 8 35 8 37 17 12 17 21 18
18 1 5 14 2 5 2 13 3 8 43 13 41 9 17 19 9 5

Tabela 1 Fonte: O Autor (2007)


83

10.2 Intensidade Individual dos Sintomas do ‘Relatório de sintomas diários’

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

200
180
160 184
140
120
Soma período SPM
100
80 Soma outros dias do
88 ciclo
60
40
20
0
VOLUNTÁRIA 1

Gráfico 1 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 1, 24 anos, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados de
sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
184, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 88 pontos.
84

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

350

300

250 287
200 Soma período SPM

150
165 Soma outros dias do
ciclo
100

50

0
VOLUNTÁRIA 2

Gráfico 2 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 2, 22 anos, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados de
sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
287, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 165 pontos.
85

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

400
350
300 341
250
Soma período SPM
200
Soma outros dias do
150 ciclo
100
50
46
0
VOLUNTÁRIA 3

Gráfico 3 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 3, 24 anos, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados de
sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
341, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 46 pontos.
86

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

120

100 112

80
Soma período SPM
60 71
Soma outros dias do
40 ciclo

20

0
VOLUNTÁRIA 4

Gráfico 4 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 4, 24 anos, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados de
sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
112, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 71 pontos.
87

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

123,5
123
122,5 123
122
121,5
Soma período SPM
121
120,5 Soma outros dias do
ciclo
120
119,5 120
119
118,5
VOLUNTÁRIA 5 - EXCLUIDA

Gráfico 5 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 5, 20 anos, foi excluída da pesquisa por apresentar índices mais elevados
de sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 4º dia ao 20º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual podem representar outro tipo de
distúrbio que não a SPM. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de 120,
enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 123 pontos.
88

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

1
0,9
0,8
0,7
0,6
Soma período SPM
0,5
0,4 Soma outros dias do
0,3 ciclo
0,2
0,1
0
VOLUNTÁRIA 6

Gráfico 6 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 6, 20 anos, foi excluída por não apresentar o relatório de sintomas diários
no tempo programado da pesquisa, embora tenha assinado o TCLE (Apêndice A). Além
disso, iniciou tratamento medicamentoso na metade do período da parte prática, onde não
poderia tomar outro medicamento, como o fitoterápico.
89

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

350

300 325
250

200 226 Soma período SPM

150 Soma outros dias do


ciclo
100

50

0
VOLUNTÁRIA 7 - EXCLUIDA

Gráfico 7 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 7, 22 anos, foi excluída da pesquisa por apresentar índices mais elevados
de sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 4º dia ao 20º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual podem representar outro tipo de
distúrbio que não a SPM. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de 226,
enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 325 pontos.
90

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

108
106
107
104
102
100
Soma período SPM
98
96 Soma outros dias do
ciclo
94
95
92
90
88
VOLUNTÁRIA 8

Gráfico 8 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 8, 23 anos, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados de
sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
107, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 95 pontos.
91

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

500
450
467
400
350
300 Soma período SPM
250
200 Soma outros dias do
ciclo
150 195
100
50
0
VOLUNTÁRIA 9

Gráfico 9 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 9, 21 anos, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados de
sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios . No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
467, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 195 pontos.
92

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

500
450
469
400
350
300 Soma período SPM
250
200 255 Soma outros dias do
150 ciclo
100
50
0
VOLUNTÁRIA 10 - EXCLUIDA

Gráfico 10 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 10, 19 anos, foi excluída da pesquisa por apresentar índices mais elevados
de sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 4º dia ao 20º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual podem representar outro tipo de
distúrbio que não a SPM. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de 255,
enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 469 pontos.
93

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

350

300
299
250

200 Soma período SPM


200
150 Soma outros dias do
ciclo
100

50

0
VOLUNTÁRIA 11

Gráfico 11 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 11, 20 anos., foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados
de sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
299, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 200 pontos.
94

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

600

500
489
400
Soma período SPM
300 358
Soma outros dias do
200 ciclo

100

0
VOLUNTÁRIA 12

Gráfico 12 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 12, 18 anos, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados
de sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
489, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 358 pontos.
95

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

350

300
298
250

200 228 Soma período SPM

150 Soma outros dias do


ciclo
100

50

0
VOLUNTÁRIA 13

Gráfico 13 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 13, 19 anos, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados
de sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
298, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 228 pontos.
96

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

250

200 218

150 Soma período SPM

100 127 Soma outros dias do


ciclo

50

0
VOLUNTÁRIA 14

Gráfico 14 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 14, 21 anos, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados
de sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
218, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 127 pontos.
97

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

325
320
320
315
310
Soma período SPM
305
300 Soma outros dias do
ciclo
295 299
290
285
VOLUNTÁRIA 15

Gráfico 15 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 15, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados de
sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
320, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 299 pontos.
98

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

336
334 335
332
330
328 Soma período SPM
326
Soma outros dias do
324 ciclo
322 324
320
318
VOLUNTÁRIA 16 - EXCLUIDA

Gráfico 16 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 16, 20 anos, foi excluída da pesquisa por apresentar índices mais elevados
de sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 4º dia ao 20º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual podem representar outro tipo de
distúrbio que não a SPM. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de 324,
enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 335pontos.
99

INTENSIDADE DOS SINTOMAS

235

230 232

225
Soma período SPM

220 Soma outros dias do


ciclo
218
215

210
VOLUNTÁRIA 17

Gráfico 17 Fonte: O Autor (2007)

Voluntária 17, foi incluída na pesquisa por apresentar índices mais elevados de
sintomas diários relacionados à SPM, no período avaliado do seu 21º dia ao 3º dia do ciclo.
Os sintomas mais elevados nesses dias do ciclo menstrual caracterizam a presença de SPM
em relação à outros distúrbios. No período caracterizado pela SPM a soma dos pontos foi de
232, enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 218 pontos.
100

SOMA DOS SINTOMAS DAS VOLUNTÁRIAS INTENSIDADE SPM

INTENSIDADE OUTROS DIAS DO CICLO


600
INTENSIDADE DA SPM

500 469 489


467

400
341 358
325 320 324335
287 299 298 299
300 255
226 228 218 232218
184 165 195 200
200

88 112 120 123 107


127
100 71 95
46
00
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17

VOLUNTÁRIAS

Gráfico 18 Fonte: O Autor (2007)

Visualização e comparação dos resultados expostos nos gráficos 1 à 17, relacionando


as voluntárias incluídas e excluídas em relação à intensidade dos sintomas no período
observado da TPM e dos outros dias do ciclo.
101

10.3 Média da Intensidade dos Sintomas do ‘Relatório de sintomas diários’

MÉDIA DA INTENSIDADE DOS SINTOMAS

300,00

250,00 279,50

200,00
Soma período SPM
150,00 174,17 Soma outros dias do ciclo

100,00

50,00

0,00
M ÉDIA DAS VOLUNTÁRIAS INCLUIDAS

Gráfico 19 Fonte: O Autor (2007)

A média da intensidade dos sintomas de voluntárias incluídas no período caracterizado


pela SPM soma 279,50 enquanto que no período fora da SPM a soma foi de 174,17.
102

INTENSIDADE SPM
DESVIO PADRÃO DOS SINTOMAS -
INTENSIDADE OUTROS DIAS DO CICLO
VOLUNTÁRIAS INCLUÍDAS
700

600
INTENSIDADE DA SPM

500 467 489

400
341 358
298 320 299
287 299
300
228218 232 218
184 195 200
200 165
112 107 127
88 71 95
100
46
0
V1 V2 V3 V4 V8 V9 V11 V12 V13 V14 V15 V17

VOLUNTÁRIAS

Gráfico 20 Fonte: O Autor (2007)

Comparação individual das médias da intensidade dos sintomas das voluntárias


incluídas na pesquisa com desvio padrão de ±119,93 na intensidade dos sintomas nos dias
caracterizados pela SPM e ±94,56 na intensidade dos sintomas dos outros dias do ciclo.
103

MÉDIA DA INTENSIDADE DOS SINTOMAS

350

300
313
250

200 231,25 Soma período SPM

150 Soma outros dias do ciclo

100

50

0
MÉDIA DAS VOLUNTÁRIAS EXCLUIDAS

Gráfico 21 Fonte: O Autor (2007)

A média da intensidade dos sintomas de voluntárias excluídas no período


caracterizado pela SPM soma 231,25 enquanto que no período fora da SPM a soma foi de
313.

DESVIO PADRÃO DOS SINTOMAS - INTENSIDADE SPM


VOLUNTÁRIAS EXCLUIDAS INTENSIDADE OUTROS DIAS DO CICLO
700

600
INTENSIDADE DA

469
500
SPM

400
325 324 335
300
226 255
200
120 123
100

0
V5 V7 V10 V16
VOLUNTÁRIAS

Gráfico 22 Fonte: O Autor (2007)

Comparação individual das médias da intensidade dos sintomas das voluntárias


excluídas da pesquisa com desvio padrão de ±84,79 na intensidade dos sintomas dos dias
caracterizados pela SPM e ±142,66 na intensidade dos sintomas dos outros dias do ciclo.
104

10.4 Avaliação da Folha 1 do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais

Questões Gerais da Folha 1 do “Questionário de Sintomas Pré-Menstruais”


Filhos Menarca Fumante Doenças Anti-
(anos) pregressas concepcional
Voluntá
ria
1 N 11 N Asma, alergia N
2 N 10 N Alergia, N
pressão baixa
3 N 15 S Asma, alergia N
4 N 11 N Alergia, criese N
nervosa,
pressão baixa
8 N 15 N Alergia N
9 N 14 N Crise nervosa N
11 N 12 N Asma, alergia N
12 N 12 N Alergia, N
pressão baixa
13 N 12 N Pressão baixa N
14 N 11 S Pressão baixa N
15 N 14 N Alergia N
17 N 15/16 N Asma, alergia N
Tabela 2 Fonte: O Autor (2007)

Questões Específicas da Folha 1 do “Questionários de Sintomas Pré-Menstruais”


Regularidade do Sintomas em todos Dias antes da Desaparecem quando?
ciclo menstrual os ciclos? menstruação
Ciclo 2 Ciclo 3 Ciclo2 Ciclo3 Ciclo 2 Ciclo 3 Ciclo 2 Ciclo 3
Volun
tária
1 Norm Normal As As Mais de 1 3 dias 3º dia
al vezes vezes 1 semana
semana
2 Intens Intensa S S 1 1 1º dia 1º dia
a semana semana
3 Fraca Fraca S S 1 1 2º dia 2º dia
semana semana
4 Norm Normal As As 1a2 1a2 2º dia 2º dia
al vezes vezes dias dias
8 Norm Normal S S Mais de 1 1º dia 2º dia
al 1 semana
semana
9 Norm Normal As As 2a3 2a3 3º dia 3º dia
al vezes vezes dias dias
11 Norm Normal S S 3a4 3a4 3º dia 3º dia
al dias dias
12 Fraca Fraca As As 1 1 3º dia 3º dia
vezes vezes semana semana
13 Intens Intensa S S 1 1 5º dia 3º dia
a semana semana
14 Fraca Fraca As As 3a4 1 2º dia 3º dia
vezes vezes dias semana
15 Fraca Fraca S S 1 1 4º dia 2º dia
semana semana
17 Fraca Fraca As As 1 3a4 1 a 2 dias 1 a 2 dias
105

vezes vezes semana dias


Tabela 3 Fonte: O Autor (2007)

10.5 Intensidade dos Sintomas do “Questionário de Sintomas Pré-Menstruais”

Voluntária 1: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

4,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA

3,5

2,5 CICLO 2 ANTES


SPM

2 CICLO 3 DEPOIS

1,5

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

QUESTÕES

Gráfico 23 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 1 apresentou
melhora de um ponto nas questões 1, 3, 9 e 10 do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais
(Apêndice B), representando uma melhora de 36,36%. Tais sintomas relacionam-se ao
marcante humor depressivo, sentimentos de desesperança e auto-depreciativo (questão 1);
instabilidade afetiva (questão 3); alterações do sono (questão 9) e sensação de opressão ou
perda do controle emocional (questão 10).
106

VOLUNTÁRIA 2: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

4,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA SPM

3,5

2,5 CICLO 2 ANTES

2 CICLO 3 DEPOIS

1,5

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
QUESTÕES

Gráfico 24 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 2 apresentou
melhora de um ponto nas questões 2, 3, 7 e 10 do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais
(Apêndice B), representando uma melhora de 36,36%. Tais sintomas relacionam-se ao
marcante ansiedade, tensão, sensação de estar “no limite” (questão 2); instabilidade afetiva
(questão 3); cansaço fadiga e perda de energia (questão 7) e sensação de opressão ou perda do
controle emocional (questão 10).
107

VOLUNTÁRIA 3: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

4,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA SPM

3,5

2,5 CICLO 2 ANTES


2 CICLO 3 DEPOIS

1,5

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
QUESTÕES

Gráfico 25 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 3 apresentou
melhora de quatro pontos na questão 8, três pontos nas questões 1, 9 e 11, de dois pontos nas
questões 2, 3, 7 e 10 e de um ponto nas questões 4, 5 e 6 do Questionário de Sintomas Pré-
Menstruais (Apêndice B), representando uma melhora de 100%. Tais sintomas relacionam-se
a todo o quadro da Síndrome Pré-Menstrual, relatado na folha 2 do Questionário de Sintomas
Pré-Menstruais (Apendice A).
108

VOLUNTÁRIA 4: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

2,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA

1,5
CICLO 2 ANTES
SPM

CICLO 3 DEPOIS
1

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

QUESTÕES

Gráfico 26 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 4 apresentou
melhora de dois pontos nas questões 1, 2, e 3 e de um ponto nas questões 4, 5, 8, 9, 10 e 11 do
Questionário de Sintomas Pré-Menstruais (Apêndice B), representando uma melhora de
81,81%. Tais sintomas relacionam-se ao marcante humor depressivo, sentimentos de
desesperança e auto-depreciativo (questão 1); ansiedade, tensão, sensação de estar “no limite”
(questão 2); instabilidade afetiva (questão 3); irritabilidade e, ou agressividade marcantes ou
dificuldades de relacionamento pessoal (questão 4); diminuição do interesse pela atividades
usuais (questão 5); alterações do apetite e, ou compulsão por determinados alimentos (questão
8); alterações do sono (questão 9); sensação de opressão ou perda do controle emocional
(questão 10) e sintomas físicos (questão 11).
109

VOLUNTÁRIA 8: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

3,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS

2,5
DA SPM

2 CICLO 2 ANTES

1,5 CICLO 3 DEPOIS

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

QUESTÕES

Gráfico 27 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 8 apresentou
melhora de três pontos na questão 10, dois pontos na questão 2 e um ponto nas questões 3, 4 e
11 do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais (Apêndice B), representando uma melhora de
45,45%. Porém, houve piora de um ponto na questão 8 (9,09% do total de sintomas). Isso
significa que houve uma melhora real de 36,36%.
Os sintomas relacionam-se respectivamente à marcante ansiedade, tensão, sensação de
estar “no limite” (questão 2); instabilidade afetiva (questão 3); irritabilidade e, ou
agressividade marcantes ou dificuldades de relacionamento pessoal (questão 4); sensação de
opressão ou perda do controle emocional (questão 10); sintomas físicos (questão 11) e
alterações do apetite e, ou compulsão por determinados alimentos (questão 8).
110

VOLUNTÁRIA 9: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

3,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS

2,5
DA SPM

2 CICLO 2 ANTES

1,5 CICLO 3 DEPOIS

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

QUESTÕES

Gráfico 28 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 9 apresentou
melhora de três pontos na questão 2, dois pontos nas questões 1, 5 e 9 e um ponto nas
questões 3, 6, 7, 8, 10 e 11 do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais (Apêndice B),
representando uma melhora de 90,90%.
Os sintomas relacionam-se ao marcante humor depressivo, sentimentos de
desesperança e auto-depreciativo (questão 1); ansiedade, tensão, sensação de estar “no limite”
(questão 2); instabilidade afetiva (questão 3); diminuição do interesse pela atividades usuais
(questão 5); dificuldade do pensamento, memória e concentração (questão 6); cansaço, fadiga
e perda de energia (questão 7); alterações do apetite e, ou compulsão por determinados
alimentos (questão 8); alterações do sono (questão 9) e sensação de opressão ou perda do
controle emocional (questão 10) e sintomas físicos (questão 11).
111

VOLUNTÁRIA 11: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

2,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA

1,5
CICLO 2 ANTES
SPM

CICLO 3 DEPOIS
1

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

QUESTÕES

Gráfico 29 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 11 apresentou
melhora de dois pontos na questão 2 e um ponto nas questões 1, 7 e 10 do Questionário de
Sintomas Pré-Menstruais (Apêndice B), representando uma melhora de 36,36%. Porém,
houve piora nas questões 3, 4 e 11 (27,27% do total de sintomas). Isso representa uma
melhora real de 9,09%.
Os sintomas relacionam-se respectivamente ao marcante humor depressivo,
sentimentos de desesperança e auto-depreciativo (questão 1); ansiedade, tensão, sensação de
estar “no limite” (questão 2); cansaço, fadiga e perda de energia (questão 7); sensação de
opressão ou perda do controle emocional (questão 10) e instabilidade afetiva (questão 3);
irritabilidade e, ou agressividade marcantes ou dificuldades de relacionamento pessoal
(questão 4); sintomas físicos (questão 11).
112

VOLUNTÁRIA 12: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

3,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA

2,5

2 CICLO 2 ANTES
SPM

1,5 CICLO 3 DEPOIS

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

QUESTÕES

Gráfico 30 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 12 apresentou
melhora de um ponto nas questões 2 e 10 do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais
(Apêndice B), representando uma melhora de 18,18%. Porém, houve piora nas questões 5, 6 e
9 (27,27% do total de sintomas). Isso representa uma piora real de 9,09%.
Essa voluntária não tomou o fitoterápico de maneira aceitável para verificação dos
efeitos do composto de tinturas fitoterápicas. Relatou ingerir o composto apenas por dois dias
durante o ciclo avaliado. Isso contribui para uma alteração negativa maior do que o saldo de
benefícios do composto.
113

VOLUNTÁRIA 13: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

4,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA

3,5
3

2,5 CICLO 2 ANTES


SPM

2 CICLO 3 DEPOIS

1,5
1

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
QUESTÕES

Gráfico 31 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 13 apresentou
melhora de um ponto nas questões 3, 6, 8, 9 e 10 do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais
(Apêndice B), representando uma melhora de 45,45%. Porém, houve piora na questão 11
(9,09% do total de sintomas). Isso representa uma melhora real de 36,36%.
Os sintomas relacionam-se respectivamente à instabilidade afetiva (questão 3);
dificuldade do pensamento, memória e concentração (questão 6); alterações do apetite e, ou
compulsão por determinados alimentos (questão 8); alterações do sono (questão 9) e sensação
de opressão ou perda do controle emocional (questão 10) e sintomas físicos (questão 11).
114

VOLUNTÁRIA 14: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

4,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA

3,5

2,5 CICLO 2 ANTES


SPM

2 CICLO 3 DEPOIS

1,5

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
QUESTÕES

Gráfico 32 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 14 apresentou
melhora de três pontos na questão 10, dois pontos nas questões 7 e 9 e um ponto na questão 6
do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais (Apêndice B), representando uma melhora de
36,36%. Porém houve piora na questão 2 e 8 (18,18% do total de sintomas). Isso representa
ums melhora real de 18,18%.
Os sintomas relacionam-se respectivamente ao cansaço, fadiga e perda de energia
(questão 7); alterações do sono (questão 9); sensação de opressão ou perda do controle
emocional (questão 10) e ansiedade, tensão, sensação de estar “no limite” (questão 2);
alterações do apetite e, ou compulsão por determinados alimentos (questão 8).
115

VOLUNTÁRIA 15: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

4,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA

3,5

2,5 CICLO 2 ANTES


SPM

2 CICLO 3 DEPOIS

1,5

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
QUESTÕES

Gráfico 33 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 15 apresentou
melhora de quatro pontos na questão 11, dois pontos nas questões 1 e 4 e um ponto na questão
2, 3, 5, 7, 8 e 10 do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais (Apêndice B), representando
uma melhora de 81,81%. Porém houve piora na questão 9 (9,09% do toral de sintomas). Isso
representa uma melhora real de 72,72%.
Os sintomas relacionam-se respectivamente ao marcante humor depressivo,
sentimentos de desesperança e auto-depreciativo (questão 1); ansiedade, tensão, sensação de
estar “no limite” (questão 2); instabilidade afetiva (questão 3); irritabilidade e, ou
agressividade marcantes ou dificuldades de relacionamento pessoal (questão 4); diminuição
do interesse pela atividades usuais (questão 5); cansaço, fadiga e perda de energia (questão 7);
alterações do apetite e, ou compulsão por determinados alimentos (questão 8); sintomas
físicos (questão 11) e alterações do sono (questão 9).
116

VOLUNTÁRIA 17: ANTES E DEPOIS DA TINTURA

4,5
INTENSIDADE DOS SINTOMAS DA

3,5

2,5 CICLO 2 ANTES


SPM

2 CICLO 3 DEPOIS

1,5

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
QUESTÕES

Gráfico 34 Fonte: O Autor (2007)

Após o preenchimento do relatório de sintomas diários e intervenção com o composto


de tinturas fitoterápicas no segundo ciclo durante a pesquisa, a voluntária 17 apresentou
melhora de dois pontos nas questões 3 e 4 e um ponto nas questões 7, 10 e 11 do Questionário
de Sintomas Pré-Menstruais (Apêndice B), representando uma melhora de 45,45%. Porém,
houve piora nas questões 2, 6 e 8 (27,27% do total de sintomas). Isso representa uma melhora
real de 18,18%.
Os sintomas relacionam-se à instabilidade afetiva (questão 3); irritabilidade e, ou
agressividade marcantes ou dificuldades de relacionamento pessoal (questão 4); cansaço,
fadiga e perda de energia (questão 7); sensação de opressão ou perda do controle emocional
(questão 10); sintomas físicos (questão 11) e ansiedade, tensão, sensação de estar “no limite”
(questão 2); dificuldade do pensamento, memória e concentração (questão 6); alterações do
apetite e, ou compulsão por determinados alimentos (questão 8);
117

10.6 Soma e Média da Soma das Questões dos “Questionário de Sintomas Pré-
Menstruais”

Soma Individual das Questões do “Questionário de Sintomas Diários”: Ciclo 2 e 3


Voluntária Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Q6 Q7 Q8 Q9 Q10 Q11 Ciclo TOTAL
4 3 4 3 3 4 2 2 2 3 3 2 33
1 3 3 3 3 3 4 2 2 1 2 2 3 28
3 4 4 2 2 0 2 2 0 2 3 2 24
2 1 1 1 1 0 0 0 1 0 0 1 3 6
3 2 3 1 1 1 3 4 3 2 4 2 27
3 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 3 3
2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 2 2 15
4 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 3 3
0 3 2 2 0 0 1 1 0 3 3 2 15
8 0 1 1 1 0 0 1 2 0 0 2 3 8
3 3 3 2 2 2 3 3 3 1 1 2 26
9 1 0 2 2 0 1 2 2 1 0 0 3 11
2 2 1 0 0 0 1 1 0 1 0 2 8
11 1 0 2 1 0 0 0 1 0 0 1 3 6
2 3 3 3 2 2 3 2 1 3 3 2 27
12 2 2 3 3 3 3 3 2 2 2 3 3 28
2 3 2 4 3 2 3 3 3 2 3 2 30
13 2 3 1 4 3 1 3 2 2 1 4 3 26
1 1 2 1 1 3 3 3 2 3 1 2 21
14 1 3 2 1 1 2 1 4 0 0 1 3 16
2 3 3 2 1 0 2 1 0 2 4 2 20
15 0 2 2 0 0 0 1 0 3 1 0 3 9
1 1 4 2 2 0 2 0 2 2 2 2 18
17 1 2 2 0 2 1 1 2 2 1 1 3 15
Tabela 4 Fonte: O Autor (2007)

Soma das Questões do “Questionário de Sintomas Pré-Menstruais”: Todas as


Voluntárias
118

Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Q6 Q7 Q8 Q9 Q10 Q11
Soma Questões Ciclo 2 23 27 30 20 16 13 23 21 16 22 26
Soma Questões Ciclo 3 10 15 17 13 9 10 13 16 9 5 14
Tabela 5 Fonte: O Autor (2007)

Gráfico 35 Fonte: O Autor (2007)

A somatória da intensidade dos sintomas do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais


(Apêndice B) demonstra a diminuição geral dos sintomas após o uso do composto de tinturas
fitoterápicas. As diminuições foram respectivamente de 56,52% (sintoma 1); 44,44%
(sintoma 2); 43,33% (sintoma 3); 35% (sintoma 4); 43,75% (sintoma 5); 23,07% (sintoma 6);
43,47% (sintoma 7); 23,8% (sintoma 8); 43,75% (sintoma 9); 77, 27% (sintoma 10) e 46,15%
(sintoma 11).

Média da Soma das Questões do “Questionário de Sintomas Pré-Menstruais”: Todas as


Voluntárias
Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Q6 Q7 Q8 Q9 Q10 Q11
Média Questões Ciclo 2 2,09 2,45 2,73 1,82 1,45 1,18 2,09 1,91 1,45 2,00 2,36
119

Média Questões Ciclo 3 0,91 1,36 1,55 1,18 0,82 0,91 1,18 1,45 0,82 0,45 1,27
Tabela 6 Fonte: O Autor (2007)

Gráfico 36 Fonte: O Autor (2007)

A média referente a soma das questões do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais


(Apêndice B) demonstra uma média de 2 pontos no primeiro sintoma do questionário, antes
da utilização do composto de tinturas fitoterápicas. Esta média caiu para 0,9 pontos após a
utilização do composto.
O segundo sintoma teve média de 2,5 pontos antes da utilização do composto sendo
suprimida a uma média de 1,4 pontos.
O terceiro sintoma teve média anterior de 2,7 pontos que decresceu para 1,5 após o a
administração do composto.
O quarto sintoma apresentou média de 1,8 pontos antes da ingestão do composto e de
1,2 após o uso do mesmo.
O quinto sintoma apresentou média de 1,5 pontos antes do uso do composto e caiu
para 0,8 após a ingestão deste.
O sexto sintoma teve média de 1,2 pontos antes do composto e 0,9 pontos após o
composto.
O sétimo sintoma obteve média de 2,1 pontos antes do composto e 1,2 pontos após o
uso do mesmo.
O oitavo sintoma obteve média de 1,9 pontos antes da administração do composto e
1,5 pontos após o uso deste.
120

O nono sintoma obteve média de 1,5 pontos caindo para 0,8 pontos após o composto.
O décimo sintoma apresentou média de 2 pontos antes da administração, caindo para
0,5 pontos após o uso do composto e o décimo primeiro sintoma apresentou média de 2,4
pontos antes e 1,3 depois da administração do composto.

Relação Entre as Médias Obtidas Antes e Depois do Uso do Fitoterápico

Questões Media antes e DP Media depois e DP Teste t P


1 2,083 ± 1,084 1,000 ± 0,953 0,016 0,05 Significativo
2 2,500 ± 0,905 1,417 ± 1,240 0,023 0,05 Significativo
3 2,750 ± 0,965 1,667 ± 0,888 0,009 0,05 Significativo
4 1,917 ± 1,084 1,333 ± 1,371 0,260 0,05 Insatisfatório
5 1,500 ± 1,000 1,000 ± 1,348 0,313 0,05 Insatisfatório
6 1,250 ± 1,357 1,083 ± 1,311 0,763 0,05 Insatisfatório
7 2,167 ± 0,835 1,333 ± 0,985 0,036 0,05 Significativo
8 1,917 ± 1,165 1,500 ± 1,168 0,391 0,05 Insatisfatório
9 1,417 ± 1,240 0,917 ± 1,084 0,304 0,05 Insatisfatório
10 2,083 ± 0,793 0,583 ± 0,793 0,000 0,05 Significativo
11 2,417 ± 1,240 1,417 ± 1,165 0,054 0,05 Satisfatório

Resultados significativo: menores que 0,05


Resultados satisfatórios: até 0,10
Resultados insatisfatórios: maiores que 0,10
Tabela 7 Fonte: O Autor (2007)

11 DISCUSSÃO
121

Para iniciar a pesquisa, recrutamos 17 voluntárias durante o mês de fevereiro. Elas


assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice D) após lerem a Ficha
de Informação à Voluntária (Apêndice C).
Como parte dos critérios de inclusão elas preencheram um relatório de sintomas
diários (Apêndice A) relacionados à Sindrome Pré-Menstrual (SPM). Segundo a pesquisa, a
SPM é caracterizada pela exacerbação desses sintomas no período que antecede de 3 a 10 dias
ao primeiro dia da menstruação e pode perdurar por até cinco dias após o início da mesma.
Como padrão, adotamos o limite de 7 dias anteriores ao início do ciclo para o aparecimento da
exacerbação desses sintomas e de três dias para o desaparecimento deles, totalizando 12 dias
de tensão pré-menstrual (TPM) durante um ciclo menstrual.
Este ciclo pode variar de 25 a 35 dias. Dessa maneira, fizemos a comparação do total
da pontuação diária dos 12 dias de TPM com os outros dias do ciclo das voluntárias que
variaram, portanto, de 13 à 23 dias. Apenas as voluntárias que tiveram a pontuação diária total
dos 12 dias relacionados à SPM maior do que os dias do restante do ciclo puderam prosseguir
junto a pesquisa, ingerindo o composto de tinturas fitoterápicas.
Logo de início, as voluntárias 5, 7, 10 e 16 (grafico 18) foram excluídas da pesquisa
por apresentarem maior intensidade de sintomas nos outros dias do ciclo do que naqueles
caracterizados pela SPM. O aumento dos outros dias em em relação aos dias de de TPM foi
de respectivamente 2,43% (gráfico 5), 30,46% (gráfico 7), 45,62% (gráfico 10) e 3,28%
(gráfico 16). A voluntária 6 (gráfico 6) não apresentou o relatório de sintomas diários durante
o desenvolvimento do trabalho e se desligou por iniciar tratamento medicamentoso, o qual
não poderia estar fazendo uso do fitoterápico, não dando outras satisfações.
Das voluntárias incluídas (gráfico 20), a porcentagem da intensidade dos sintomas no
período de TPM foram maior 52,17% na voluntária 1 (gráfico 1); 42,5% na voluntária 2
(gráfico 2); 86,51% na voluntária 3 (gráfico 3); 36,6% na voluntária 4 (gráfico 4); 11,21% na
voluntária 8 (gráfico 8); 58,24% na voluntária 9 (gráfico 9); 33,11% na voluntária 11 (gráfico
11); 26,78% na voluntária 12 (gráfico 12); 23,48% na voluntária 13 (gráfico 13); 41,74% na
voluntária 14 (gráfico 14); 6,56% na voluntária 15 (gráfico 15) e 6,03% na voluntária 17
(gráfico 17). Apesar do desvio padrão calculado (gráfico 20 e 22), utilizamos números
absolutos para inclusão e exclusão nessa fase da pesquisa, pois não há orientação na
referência pesquisada.
A média da intensidade dos sintomas das voluntária incluídas demonstra uma
porcentagem 37,68% maior nos dias de TPM do que nos outros dias do ciclo; enquanto que
122

nas voluntárias excluídas, a porcentagem é 26,11% maior nos outros dias do ciclo em relação
aos dias de TPM.
Pode-se observar que dentre os sintomas do Questionário de Sintomas Pré-Menstruais
(folha 2, Apêndice B) o mais marcante é o relacionado à instabilidade afetiva (terceiro
sintoma) com 30 pontos alcançados na soma da intensidade deste sintoma entre todas as
voluntárias incluídas (gráfico 35). Porém, também é possível observar que houve grande
melhora neste sintomas (77,27%). Também houve melhora superior a 50% no sintoma
relacionado a marcante humor depressivo, sentimento de desesperança ou auto-depreciativo,
com melhora de 56,52%. Isso se deve ao uso das plantas que possuem indicação como
calmante (Morus nigra), sedativa (Lippia alba e M. nigra), ansiolítica (Salvia officinalis) e
antidepressiva (Cimicifuga racemosa), atuando no SNC; exceto a Cinchona calisaya, que
possue outras indicações.
O menor índice de melhora foi observado, neste mesmo gráfico, no sintoma referente
à dificuldade de pensamento, memória e concentração, com 23,07%, alterações do apetite e,
ou compulsão por determinado alimento, com 23,8% e irritabilidade e, ou agressividade
marcantes ou dificuldades de relacionamento pessoal, com 35%. Isso pode ser explicado
devido a essas condições poderem fazer parte da personalidade das voluntárias, que não
teriam esse traço ‘apagado’ através da ingestão do composto. Também, pelo curto período de
observação do uso das tinturas, pois L. alba, S. officinalis e C. racemosa são indicadas por
atuarem diretamente no SNC, e no eixo hipotálamo-hipofisário, tendo o poder de inibir
hormônios relativos à ativação do sistema límbico, associado à esses sintomas. Os outros
sintomas apresentaram, em média, uma melhora de 44,14%, com desvio de ±0,81%.
Os resultados da Tabela 5, mostram que o fitoterápico foi eficaz no tratamento de
quatro sintomas relacionados à SPM, entre eles, os três primeiros sintomas do Questionário de
Sintomas Pré-Menstruais (Apêndice B), que também são critério de avaliação positiva para
SPM em detrimento de outras síndromes. Tais sintomas tratam do marcante humor
depressivo, sentimentos de desesperança ou auto-depreciativos, ansiedade, tensão, sensação
de estar “no limite” e instabilidade afetiva. Novamente percebemos aí uma rápida atuação da
C. racemosa no caso de depressão e ansiedade, bem como a L. alba, S. officinalis e M. nigra.
Os outros resultados significativos tratam de sintomas de cansaço, fadiga e perda de
energia e sensação de opressão ou perda do controle emocional. Ainda pode-se considerar o
resultado sobre os sintomas físicos satisfatório. Devido à maioria dos sintomas físicos serem
causados pelo aumento da retenção de líquidos, que causa edema e aumento da irrigação em
locais como as mamas, e à indicação de S. officinalis no combate ao edema, associada à C.
123

racemosa como adstringente, era esperado a melhora de sintomas associados ao inchaço que
acomete as mulheres nos dias que sucedem o início do ciclo de maneira geral.
Outros sintomas não foram tão fortemente afetados, embora tenham apresentado
melhora, no geral.
Embora a proposta fosse regular o ciclo hormonal, a Tabela 3 extraída de dados
colhidos através do “Questionário de Sintomas Pré-Menstruais” não identifica que isso foi
possível. Pode ser possível que as voluntárias tenham sido displicentes em relação ao
preenchimento do segundo questionário no ciclo 3, devido à preocupação apenas com os
sintomas relatados. Se for verdade, pode refletir uma falta de orientação mais firme por parte
das pesquisadoras.
A outra possibilidade, mais aventável, é de que seriam necessários pelo menos três
ciclos de uso do composto das tinturas fitoterápicas para que isso pudesse ser avaliado, já que
o corpo deveria assimilar a informação farmacológica dos mesmos e para então poder
funcionar de maneira mais regulada. Nesses sentido, todas as plantas utilizadas teriam essa
função e mesmo sendo usadas em conjunto, não foi possível perceber uma potencialização
desse efeito em apenas um ciclo.
É importante é que se entenda que a SPM não é uma doença mas sim uma alteração
fisiológica do ciclo menstrual e que pode ser resolvida com medidas simples, de baixo custo
sem que haja necessidades drásticas de mudanças. O objetivo inovador da utilização de um só
complexo de tinturas é justamente simplificar pois atingimos uma melhora nos desconfortos
físicos e emocionais originados pela síndrome. Diante da carência financeira, não há dúvida
que a fitoterapia é uma alternativa viável para a maioria dos brasileiros.
Através da experimentação e da observação produzimos um saber importantíssimo
sobre a propriedade das plantas escolhidas e como as elites brasileiras não demonstram, nem
nunca demonstraram preocupação com a saúde da população em geral e nem procuram
impedir o patenteamento estrangeiro de plantas nativas, é a própria população que deve
procurar encontrar o melhor caminho para solucionar seus problemas de saúde e impedir o
assalto de nossas riquezas medicinais. Se houver uma aliança entre os praticantes da medicina
popular, os agentes de saúde, que possuem noções básicas de atendimento à saúde e
pesquisadores da área da botânica, farmácia, antropologia e medicina, poderemos criar em
cada comunidade um novo modelo de atendimento à saúde que poderá promover, caso haja
mobilização em torno da proposta, o fortalecimento definitivo da fitoterapia no Brasil, tal
como aconteceu em países como a China e a Índia, que possuem atualmente uma fitoterapia
avançada graças a um secular processo de mobilização popular.
124

12 CONCLUSÃO
125

No geral o composto de tinturas apresentou mudanças significativas, havendo melhora


em 6 dos 11 sintomas avaliados, do ponto de vista da significância e da satisfatoriedade dos
resultados. Porém, numa análise superficial, todos os sintomas melhoraram com o uso do
composto. Considerando-se as pesquisas já realizadas, sendo que esse tipo de composto nunca
havia sido administrado antes, ou mesmo os usos etnobotânicos das plantas utilizadas, os
objetivos foram alcançados.
Devido ao número abaixo do esperado de adesão à pesquisa, ao pouco tempo de
divulgação e a dificuldade de encontrar voluntárias que se encaixassem nos critérios de
inclusão (como não fazer uso de anticoncepcionais medicamentosos), restringiu-se o universo
da pesquisa, que não pode ser considerada parâmetro para o uso dessa indicação de
fitoterápicos.
Seria necessário uma amostra maior para assegurar os reais efeitos e alcance do
espectro de ação dessas tinturas combinadas. Porém, os resultados foram satisfatórios dentro
do esperado. Obtivemos uma devolutiva positiva das voluntárias a respeito do complexo de
tinturas fitoterápicas por proporcionar menor incidência de efeitos colaterais, desaparecimento
e controle parcial dos sintomas.
Próximos estudos poderiam levar em consideração, não só se a utilização do composto
dinamiza o tempo de resposta do organismo aos fitoterápicos, como também averiguar a
anulação de alguns efeitos e mesmo potencialização de outros.

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126

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ANEXOS
135

Anexo I – FOLHA DE APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA


136

Anexo II – LAUDO TÉCNICO Lippia alba


137

Anexo III – LAUDO TÉCNICO Morus nigra


138

Anexo IV – LAUDO TÉCNICO Salvia officinalis


139

Anexo V – LAUDO TÉCNICO Cinchona calisaya


140

Anxo VI – LAUDO TÉCNICO Cimicifuga racemosa


141

APÊNDICES
142

Apêndice A - RELATÓRIO DE SINTOMAS DIÁRIOS

Mudanças de humor

Sensibilidade nas mamas

salgada)Desejo por comida (doce ou


Ansiedade
Irritabilidade

Tensão nervosa

Perda da coordenação motora

Insônia/Hipersônia

Emotividade

Suor

Pontuação Total Diária


Depressão

Cansaço

Dores
Descontrole emocional

Dor de cabeça
sintom

Cólica
Confusão
as

dias

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
1

0 = ausente;
1 = mínimo ("apenas levemente aparente para você");
2 = moderado (o sintoma é perceptível, mas não altera a rotina diária);
3 = muito (continuamente incomodada pelo sintoma e/ou o sintoma interfere na atividade
diária);
4 = grave (o sintoma é maior do que se pode controlar/suportar e/ou impossibilita o
prosseguimento da atividade diária).
143

Apêndice B - QUESTIONÁRIO DE SINTOMAS PRÉ-MENSTRUAIS (folha 1)

NÚMERO DA VOLUNTÁRIA: DATA: / /

FILHOS: Sim ( ) Não ( ) 1ª MENSTRUAÇÃO: _____anos

TABAGISMO: Não ( ) Sim ( ). Quantidade: _______________ cigarros por dia

VOCÊ TEM OU JÁ TEVE:


Asma ( ) Alergia ( ) Pedra nos rins ( ) Crise nervosa ( ) Depressão ( )
Pressão alta ( ) Pressão baixa ( ) Não ( ) Outros:____________________________

REGULARIDADE DO CICLO MENSTRUAL: Regular [28 dias] ( )


Irregular [>35 ou <25] ( )

INTENSIDADE DO FLUXO: Fraca [2 a 4 dias]( ) Normal[5 a 6 dias]( ) Intensa[7 dias ou mais]( )

MÉTODO ANTICONCEPCIONAL: Não ( ) Sim ( )

OS SINTOMAS APARECEM EM TODOS OS CICLOS?: Sim ( ) Às vezes ( ) Não ( )

QUANTOS DIAS ANTES DA MENSTRUAÇÃO?:


1-2 dias ( ) 3-4 dias ( ) 1 semana ( ) Mais de 1 semana ( )

ESSES SINTOMAS DESAPARECEM QUANDO?:


No 1° dia da menstruação ( ) 2° dia ( ) 3° dia ( ) Outro ( ) ____________

FAZ USO DE ALGUM TRATAMENTO MEDICAMENTOSO: Não ( ) Sim ( )


Qual: ______________________________________________________________________

ASSINALE OS SINTOMAS APRESENTADOS DURANTE O PERÍODO, E A INTENSIDADE :

0 = ausente; 3 = muito (continuamente incomodada pelo


1 = mínimo ("apenas levemente aparente para sintoma e/ou o sintoma interfere na atividade
você"); diária);
2 = moderado (o sintoma é perceptível, mas 4 = grave (o sintoma é maior do que se pode
não altera a rotina diária); controlar/suportar e/ou impossibilita o
prosseguimento da atividade diária).
QUESTIONÁRIO DE SINTOMAS PRÉ-MENSTRUAIS (folha 2)

SINTOMAS 0 1 2 3 4
1. Marcante humor depressivo, sentimentos
de desesperança ou auto-depreciativos

2. Marcante ansiedade, tensão, sensação de


estar “no limite”

3. Marcante instabilidade afetiva (choro


fácil, mudanças de humor repentinas)

4. Irritabilidade e/ou agressividade


marcantes ou dificuldades de
relacionamento pessoal

5. Diminuição do interesse para atividades


usuais

6. Dificuldades de pensamento, memória e


concentração

7. Cansaço, fadiga e perda de energia

8. Alterações do apetite e/ou compulsão


por determinados alimentos

9. Alterações do sono (insônia ou


hipersônia)

10. Sensação de opressão ou perda do


controle emocional

11. Sintomas físicos: inchaço ou aumento


da sensibilidade das mamas, cefaléia, dores
musculares (dor abdominal), dor nas
articulações ou sensação de frouxidão (dor
nas costas), inchaço, aumento de peso, dor
abdominal, dor nas costas, náusea ou
vômitos
Apêndice C - “AVALIAÇÃO DOS EFEITOS DE FITOTERÁPICOS SOBRE MULHERES
COM SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL (S.P.M.)”

FICHA DE INFORMAÇÃO À VOLUNTÁRIA


JUSTIFICATIVA o preenchimento de um formulário para conhecer as razões do
abandono, de forma a podermos evitar outras incidências em
Você está sendo convidada a participar de uma pesquisa que tem trabalhos futuros.
como objetivo avaliar os efeitos dos fitoterápicos Lippia alba,
Morus nigra, Cinchona calisaya, Cimicifuga racemosa e Salvia CONFIDENCIALIDADE DOS DADOS
officinalis em sintomas emocionais e físicos da S.P.M.
Participando você estará contribuindo para o enriquecimento Em hipótese alguma você terá sua identidade divulgada para outras
científico da sua universidade. pessoas ou entidades além daquelas que participam efetivamente do
Antes de tomar uma decisão, é importante que você compreenda acompanhamento deste estudo. A confidencialidade dos seus dados
porque esta pesquisa está sendo realizada e o que ela envolverá. será mantida. Você será identificado somente por um número.
Leia com atenção este documento, faça as perguntas que desejar e Também será mantido em sigilo todas as informações obtidas e que
pense bem antes de concordar. É importante que você saiba que estejam relacionadas com a sua privacidade.
têm direitos e deveres a cumprir. Sinta-se à vontade para
perguntar sobre quaisquer dúvidas ou para pedir maiores ACESSO AS INFORMAÇÕES OBTIDAS
informações ao investigador responsável antes de tomar uma
decisão sobre sua participação. Ao assinar esse termo, você autoriza a Universidade Anhembi
Se, após a leitura destas informações, você não concordar em Morumbi, o Comitê de Ética que autorizou a realização do estudo a as
participar do estudo, não haverá qualquer prejuízo quanto ao seu autoridades competentes a ter acesso às suas informações
atendimento nesta instituição. (prontuário), lembrando que sua identidade será preservada como
Se você escolher participar, poderá retirar seu consentimento a descrito no item anterior. Os investigadores, assim como o Comitê de
qualquer momento e deixar de participar do estudo, sem que haja Ética que o aprovou, comprometem-se a lhe oferecer todas as
qualquer prejuízo, devendo apenas informar ao responsável o informações obtidas durante o estudo, se você desejar.
motivo que o levou a se retirar do estudo.
RESPONSABILIDADES DO VOLUNTÁRIO
OBJETIVO DA PESQUISA
Como participante da pesquisa, você deverá seguir estritamente as
Avaliar os efeitos dos fitoterápicos Lippia alba, Morus nigra, orientações, assim como fornecer todas as informações relevantes, e
Cinchona calisaya, Cimicifuga racemosa e Salvia officinalis em comparecer a todas as práticas. Lembre-se, sem a sua colaboração, a
sintomas emocionais e físicos da S.P.M., em voluntárias da conclusão da pesquisa não será completa. Portanto, assinando esse
Universidade Anhembi Morumbi. termo, você nos permite contar com sua presença para concluirmos o
estudo.
INFORMAÇÕES SOBRE O ESTUDO E PROCEDIMENTOS
GRAVIDEZ AMAMENTAÇÃO
Assim como você, vinte voluntárias irão participar desse estudo.
Os critérios de inclusão para o estudo são: apresentar durante pelo Você não poderá estar grávida ou amamentando. Se suspeitar de
menos dois ciclos consecutivos, cinco ou mais dos 11 sintomas gravidez a qualquer momento durante o estudo, deverá informar a
relatados no “Questionário de Sintomas Pré-Menstrual”, sendo equipe de estudo.
que um deles obrigatoriamente deve ser um dos quatro primeiros
sintomas – informe-se com as pesquisadoras -; obter avaliação
diferencial positiva para SPM, com sintomas exarcebados de
SPM do 17° ao 28° dia do relatório de sintomas diários; ter entre
19 e 24 anos e ter ciclo regular (menor de 35 dias e maior de 25
dias). Não poderá estar sob uso contínuo de qualquer
anticoncepcional; ter ciclo irregular (maior de 35 dias ou menor
de 25 dias). Todas as voluntárias deverão preencher o respectivo
TCLE, além do relatório de sintomas diários e o questionário.
Trata-se de um estudo com somente um grupo experimental onde
o mesmo sofrerá intervenção de fitoterápicos na forma de um
composto de tinturas de Lippia alba, Morus nigra, Cinchona
calisaya, Cimicifuga racemosa e Salvia officinalis, ministrado 30
gotas diluídas em um copo de água, três vezes ao dia por sete dias
consecutivos, começando no 4° dia anterior à data prevista do
início da menstruação, e continuando durante a mesma.

RISCOS

As técnicas de aplicação empregadas somente apresentam riscos


se usadas acima dos limites clínicos estabelecidos para cada
fitoterápico não havendo referências na literatura de que as
plantas utilizadas na forma de tintura dentro da dosagem
estabelecida apresentem efeitos colaterais e riscos. É contra-
indicado estar sob uso contínuo e regular de anticoncepcionais de
qualquer tipo. Estar utilizando continuamente: paracetamol,
barbitúricos, benzodiazepínicos, antiácidos, digoxina e
anticoagulantes.

INTERRUPÇÃO DA PESQUISA

Você poderá retirar seu consentimento a qualquer momento e


deixar de participar do estudo, sem que haja qualquer prejuízo,
devendo comunicar aos investigadores. Neste caso, solicitaremos
Apêndice D - “USO DA FITOTERAPIA NA SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL”

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO


Eu, .........................................................................................................., portadora do RG
n° .......................................com.............anos de idade, RA.........................., curso................................
semestre....................... concordo em participar deste estudo, após ter sido adequadamente esclarecido
através das informações contidas na Ficha de Informação à Voluntária e pelas explicações dadas pela
equipe, e seguirei com rigor às recomendações feitas.
Dou permissão de acesso às informações de minhas avaliações aos representantes do Comitê de Ética
da Universidade Anhembi Morumbi e às Autoridades Regulatórias.
Fui informada que meus dados pertencem ao estudo e que eu não poderei retirá-los do mesmo. Os
pesquisadores se comprometem em utilizar os dados e o material coletado somente para esta
pesquisa.Fui informada, também, que a minha participação é voluntária e que posso me retirar do
estudo, em qualquer momento, apenas devendo comunicar minha retirada aos investigadores
responsáveis, sem sofrer qualquer prejuízo quanto aos meus direitos legais. Neste caso, será solicitado
o preenchimento de um formulário para conhecer as razões do abandono.
Estou ciente que não há despesas pessoais para mim em qualquer fase do estudo, incluindo exames e
consultas. Também não há compensação financeira relacionada à minha participação. Se existir
qualquer despesa adicional, ela será absorvida pelo orçamento da pesquisa.
Em caso de dano pessoal, diretamente causado pelos procedimentos ou tratamentos propostos neste
estudo (nexo causal comprovado), terei direito a tratamento médico na Instituição, bem como as
indenizações legalmente estabelecidas.

Em qualquer etapa do estudo, terei acesso aos investigadores responsáveis pela pesquisa para
esclarecimento de eventuais duvidas. O investigador principal é a universitária Tathiana Cruz
Spigolon, que pode ser encontrada no endereço R. Dr. Almeida Lima, 1134. Telefone (11) 9957-9657.
Se você tiver alguma consideração ou duvida sobre a ética da pesquisa, entre em contato com Comitê
de Ética em Pesquisa (CEP) – R. Casa do Ator, 200 – fone (11) 3847-3162 – e-mail:
mabrandao@anhembi.br

Eu discuti com a universitária Tathiana Cruz Spigolon sobre a minha decisão em participar nesse
estudo. Ficaram claros para mim quais são os propósitos do estudo, os procedimentos a serem
realizados, seus desconfortos e riscos, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos
permanentes. Ficou claro também que minha participação é isenta de despesas e que tenho garantia de
acesso a tratamento hospitalar se necessário. Concordo voluntariamente em participar deste estudo e
poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem penalidade,
prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu possa ter adquirido, ou no meu atendimento neste
Serviço.
Declaro ter recebido uma cópia do presente termo de consentimento.

_____________________________________ ___________________
Assinatura da voluntária Data

_____________________________________ ___________________
Assinatura do investigador Data

VOLUNTÁRIO No. DATAS:


VOLUNTÁRIO No. DATAS:

Apêndice E – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO

CURSO DE NATUROLOGIA (8º


SEMESTRE) CONVIDA VOLUNTÁRIAS
PARA PESQUISA CIENTÍFICA
COM O OBJETIVO DE AMENIZAR
OS SINTOMAS DA SÍNDROME PRÉ-
MENSTRUAL (TPM) ATRAVÉS DO
USO DE TINTURAS
FITOTERÁPICAS, contra-
indicadas nos casos de GRAVIDEZ,
LACTAÇÃO e USO DE ANTICONCEPCIONAIS
(VIA ORAL, INJETÁVEL E IMPLANTE)

AS INTERESSADAS PODERÃO ENTRAR


EM CONTATO COM

TATHIANA 9957-9657
HELENA 9325-5530
FERNANDA 7619-6325
OU SALA 24 NO PERÍODO DA
MANHÃ