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Eterno retorno

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O Ouroboros é um signo para a eternidade

Eterno retorno é um conceito filosófico formulado por Friedrich Nietzsche. Em alemão o
termo é Ewige Wiederkunft. Uma síntese dessa teoria é encontrada em A Gaia Ciência:

2"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária
solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste,
terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada
de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de
indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na
mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as
árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da
existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não
te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te
falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe
responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse
pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e
talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda
uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu
agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para
não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

Conceituação
O Eterno Retorno é um conceito não acabado em vida pelo próprio Nietzsche, trabalhado em
vários de seus textos (Em "Assim falou Zaratustra"; aforismo 341 de "A gaia ciência"; aforismo
56 de "Além do bem e do mal"; e trechos dos fragmentos póstumos, que podem ser encontrados
no livro "Nietzsche" da coleção "Os Pensadores", da Abril Cultural). Ele mesmo considerava
como seu pensamento mais profundo e amedrontador, que lhe veio à mente durante uma
caminhada, ao contemplar uma formação rochosa.
Um dos aspectos do Eterno Retorno diz respeito aos ciclos repetitivos da vida: estamos sempre
presos a um número limitado de fatos, fatos estes que se repetiram no passado, ocorrem no
presente e se repetirão no futuro, como por exemplo, guerras, epidemias, etc.

considerando-se o tempo infinito e as combinações de forças em conflito que formam cada instante finitas. na necessidade de um questionamento. Assim. mas em reconhecimento do estado irreparável de cada segundo vivido do particular ao mundo. mas única—realidade.instâncias que se alternam eternamente. sobretudo. acima transcrito. mas de faces complementares de uma mesma—múltipla. então. pelo bem. . a moral do indivíduo pelo indivíduo. fruto da inelutável repetição de uma eterna chancela sobre cado ato.Quando no texto. de A Gaia Ciência. a consequência do conceito de eternidade de cada ato implica. vemos sempre os mesmos fatos retornarem indefinidamente. ele não afirmou que aquilo seria exatamente o Eterno Retorno. são instâncias complementares da realidade . Levanta-se. o filósofo sugere a aparição do demônio portador da revelação do ciclo inexorável de repetições. Logo. a cada mínimo instante. pelo mal ou pela angústia dados ou negados a si e aos outros. não em ode a um hedonismo. Além do questionamento da ordem das coisas. Como a realidade não tem objetivo. o código moral do indivíduo haveria. sobre a validade dos atos intencionados. em algum momento futuro tudo se repetirá infinitas vezes. Outras observações importantes a respeito do Eterno Retorno são suas relações com o Amor fati e a vontade de potência. Indica um mundo não feito de pólos opostos e inconciliáveis. seja pelo prazer. Nos textos de Nietzsche sobre a História. a alternância nunca finda. ou finalidade (pois se tivesse já a teria alcançado). Ou seja. Com o Eterno Retorno Nietzsche questiona a ordem das coisas. de partir de um consciente juízo sobre o querer — "quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" — e sobre o pesar. bem emal. portanto. vemos que sua noção do Tempo não é cíclica. angústia e prazer.