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FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA - UFMT


CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

“TOUCHDOWN!?”: O SURGIMENTO E OS SIGNIFICADOS DA


PRÁTICA DO FUTEBOL AMERICANO PARA MULHERES EM
CUIABÁ-MT

NYLZA BATISTA DA SILVA

CUIABÁ, MT
2

2009
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NYLZA BATISTA DA SILVA

“TOUCHDOWN!?”: O SURGIMENTO E OS SIGNIFICADOS DA


PRÁTICA DO FUTEBOL AMERICANO PARA MULHERES EM
CUIABÁ-MT

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Faculdade de Educação
Física - UFMT, como requisito parcial para
obtenção do grau de Licenciado em
Educação Física.

Orientador: Profº. Ms. Marcos Roberto


Godoi

CUIABÁ, MT
4

2009
5

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais, pelo


esforço, dedicação e compreensão, eles que sempre
estiveram presentes e acreditaram em meu
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potencial, me incentivando na busca de novas


realizações.
4

AGRADECIMENTOS

Acima de qualquer coisa, a Deus, o que seria de mim sem a fé que eu tenho
nele.
A minha família que, sempre ao meu lado, com muito apoio, não mediram
esforços para que eu chegasse até esta etapa de muita importância na minha vida.
Ao meu orientador Professor Ms. Marcos Roberto Godoi, pela paciência,
incentivo, auxílio, disponibilidade de tempo e material, sempre com simpatia para
que eu concluísse este trabalho.
A todos os professores, desde a primeira, que nunca esquecemos, a
Senhora Rosália, até os da graduação (Maria Maura Gonçalves, Edmur Carmona,
Gustavo Rogatto, Koiti Anzai, Profº. “Mané”), que tiveram a bondosa tarefa de
multiplicar seus conhecimentos.
Aos meus amigos, companheiros e colegas de curso: Viviane, Juliana,
Bruna, Rita de Cássia, Mônica, Fabiana, Pedrinho, Yara, Emanuele, Weyboll,
Deborah, Fábia, Chayene, Alessandra, que sem esses, minha vida não teria sentido
algum.
Aos participantes desta pesquisa que contribuíram para o desenvolvimento e
divulgação do Futebol Americano nesta cidade: a equipe “Cuiabá Angels” e aos
senhores Orlando Eustáquio Alves Ferreira Junior e Daniel Teixeira membros da
equipe “Cuiabá Arsenal”. Muitíssimo obrigada pela atenção!
Ao Cauê Gallo Vilela pela gentileza e colaboração nos últimos instantes.
A todos, caso tenha esquecido de mencionar, os meus sinceros
agradecimentos que de alguma forma doaram um pouco de si para que a conclusão
deste trabalho tornasse possível.
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RESUMO

SILVA, Nylza Batista da. “TOUCHDOWN!?”: O surgimento e os significados da


prática do Futebol Americano para mulheres em Cuiabá-MT. 2009. 58 folhas.
Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Educação Física, Faculdade de
Educação Física – UFMT, CUIABÁ, 2009.

O Futebol Americano (F.A.) surgiu nos Estados Unidos em 1867 no meio


universitário. No Brasil, ele surgiu em 1986, com algumas adaptações, nas praias de
Copacabana, Rio de Janeiro (AFAB, 2009). Em 2002, um grupo de amigos começou
a praticar esta modalidade em Cuiabá-MT, em 2006 organizaram o I Torneio Mato-
grossense de F.A., com a presença de quatro equipes. Em setembro de 2007, um
grupo de amigas que jogavam futsal na UFMT e acompanhavam os jogos de F.A.
masculino, tiveram a idéia de formar uma equipe feminina desta modalidade. Neste
sentido, o tema desta pesquisa baseia-se no surgimento e significados da prática do
futebol americano para mulheres em Cuiabá. Sendo assim, levantamos a seguinte
problemática: Qual o perfil das atletas que praticam esta modalidade? Quais os
motivos de adesão e permanência nesta modalidade? Quais significados e
sentimento elas atribuem esta modalidade? Quais são as principais dificuldades de
se jogar o F.A.? O objetivo geral do estudo foi compreender os significados sócio-
culturais da prática do futebol F.A. para as mulheres. Em relação à metodologia, a
pesquisa caracteriza-se por ser um estudo exploratório de campo. A amostra foi
constituída por 18 mulheres, 03 homens (o técnico da equipe masculina, ex-técnico
das mulheres e um árbitro de F.A.) e a atual técnica da equipe feminina. Utilizamos
dois instrumentos de coleta de dados, um questionário para as atletas e um roteiro
de entrevista para os técnicos. O referencial teórico para análise dos dados baseia-
se nos estudos de gênero e na história do esporte. A análise dos dados revelou que:
a) a média de idade é de 21,1 anos, são estudantes ou trabalhadoras, já praticaram
ou praticam outras modalidades esportivas; b) o convite para jogar foi por amigos, e
são estes seus maiores incentivadores; c) em relação aos sentimentos da prática,
elas relatam força, adrenalina, rapidez, prazer, garra, energia, liberdade, alívio do
estresse; d) os significados da prática são garra, não ter medo, união, saúde,
distração, diversão, estratégia, atenção, concentração; e) as principais dificuldades
da prática são: falta de equipamentos, de compromisso das atletas (rotatividade), de
técnico, de apoio (patrocínio); o esporte é pouco praticado, conhecido e divulgado no
Brasil; não relataram preconceito de gênero entre as dificuldades; f) os pais se
preocupam com os riscos (se machucar) e acham perigoso, mas no geral apóiam; d)
os amigos acham interessante, curioso e uma novidade, no geral apóiam, somente
dois relatos de preconceito de gênero. Além disto, elas destacam em depoimentos
que o F.A. não é tão violento quanto parece e nem exclusivamente masculino
(preconceito); é um jogo de estratégias complexas, além do desempenho físico,
desenvolve o intelecto; deve ser mais divulgado e apoiado. Sendo assim, podemos
concluir que: as mulheres valorizam muito a prática do F.A., relataram muitos
benefícios de sua prática; sentem ainda o preconceito de gênero, mas não dão tanta
importância; sofrem a falta de divulgação e apoio.

Palavras-chave: Futebol americano. Mulher. Gênero.


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NYLZA BATISTA DA SILVA

“TOUCHDOWN!?”: O SURGIMENTO E OS SIGNIFICADOS DA


PRÁTICA DO FUTEBOL AMERICANO PARA MULHERES EM
CUIABÁ-MT

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção


do grau de Licenciado em Educação Física, e aprovado em sua forma final pelo
professor (a) da Disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de
Educação Física – UFMT.

________________________________________
Professor Ms. Edmur Carmona

COMISSÃO EXAMINADORA

__________________________________________
Prof. Orientador Ms. Marcos Roberto Godoi - UFMT
__________________________________________
Membro: Prof. Ms. Tomires Campos Lopes - UFMT
______________________________________________
Membro: Prof. Dr. Francisco Xavier F. Rodrigues - UFMT

CUIABÁ, 30, JUNHO, 2009.


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LISTA DE ABREVEATURAS E SIGLAS

AFAB - Associação de Futebol Americano do Brasil

F.A. - Futebol Americano

NFL - National Football League (Liga Nacional de Futebol)

UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso

LISTA DE FIGURAS

Figura 01 – Campo de F.A ................................................................................ 18

Figura 02 – Formação defensiva ...................................................................... 18

Figura 03 – Equipe de F.A. Cuiabá Angels ...................................................... 25

Figura 04 – Início de jogo (snap) ...................................................................... 26

Figura 05 – Equipe feminina no Pantanal Bowl II ........................................... 26

Tabela 01 – Perfil das atletas de F.A. ............................................................... 35

Tabela 02 – Fatores que contribuem p/ permanência na prática do F.A. ..... 36


9

SUMÁRIO

Pg.

INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 12

Objetivos ............................................................................................................. 13

Justificativa ......................................................................................................... 13

Metodologia ......................................................................................................... 14

1. DA ORIGEM E DAS CARACTERÍSTICAS DO FUTEBOL AMERICANO...... 17

1.1 Das características da modalidade........................................................... 17

1.2 Origem do futebol americano no mundo e no Brasil.............................. 20

1.3 Surgimento do futebol americano em Cuiabá-MT................................... 21

2. MULHERES NO ESPORTE: ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS........28

2.1 Retrospectiva do corpo feminino no meio esportivo ............................. 28

2.2 Gênero: dos jogos infantis ao esporte .................................................... 30

3. AS MULHERES ENTRAM EM CAMPO: A PRÁTICA DE FUTEBOL


AMERICANO ENTRE ELAS................................................................................ 34

3.1 O perfil das atletas .................................................................................... 34

3.2 Os motivos da adesão, permanência e apoio ........................................ 36

3.3 Sentimentos e significados em relação em relação à modalidade....... 40

3.4 Dificuldades encontradas......................................................................... 44

CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................. 46
10

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 48

GLOSSÁRIO ........................................................................................................ 51

ANEXO 01 – questionário para as atletas

ANEXO 02 – roteiro de entrevista para os pioneiros

ANEXO 03 – Termo de consentimento livre e esclarecido


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“O esporte e a guerra implicam tipos de conflitos que


se entrelaçam sutilmente como formas de
interdependência, cooperação e formação de
grupos, possibilitando uma mescla de
comportamentos racionais e irracionais”.
Elias e Dunning (1995)

“Se o esporte se traduz como um importante


elemento de uma maior visibilidade no espaço
público e se, ao longo da história do esporte
nacional, houve a projeção de vários talentos
esportivos, vale registrar que essas conquistas
resultam muito mais do esforço individual e de
pequenos grupos de mulheres (e também de
homens), do que uma efetiva política nacional de
inclusão das mulheres no âmbito do esporte e das
atividades de lazer”.
12

Silvana V. Goellner

INTRODUÇÃO

Várias são as formas de conhecer e compreender um país, uma delas é


através de sua cultura. Para Tylor, citado por Verani (2009), cultura é o complexo no
qual estão incluídos conhecimentos, crenças, artes, moral, leis, costumes e
quaisquer outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da
sociedade.

Nesse sentido, cultura é o modo de vida de um povo, o ambiente que um


grupo de seres humanos, ocupando um território comum, criou na forma de idéias,
instituições, linguagem, instrumentos, serviços e sentimentos.

O esporte é uma herança cultural, é uma prática que se desenvolve no


cotidiano das cidades que desperta interesse, mobiliza paixões, evoca sentimentos,
cria representações de corpo e saúde, enfim, convoca nossa imediata participação.

Sabe-se que o esporte é uma criação do e para homem (SIMÕES, 2003).


Nesse contexto, este trabalho vem traçar a evolução e participação do corpo
feminino no esporte e a prática do Futebol Americano (F.A.), esporte de origem
norte-americana, em Cuiabá-MT. Para isso, foram divididos e abordados tais temas:
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Neste sentido, o tema desta pesquisa é no surgimento e significados da


prática do futebol americano para mulheres em Cuiabá. Sendo assim, levantamos a
seguinte problemática: Quais são as características do Futebol Americano? Qual o
perfil das atletas que praticam esta modalidade? Como foi o surgimento da prática
do Futebol Americano em Cuiabá-MT? Quais os motivos de adesão e permanência
nesta modalidade?

Quais significados e sentimento elas atribuem esta modalidade? Quais são


as dificuldades enfrentadas? Qual a percepção da família e de amigos sobre a
opção de praticar Futebol Americano? Qual a percepção do time masculino sobre o
time feminino?

Objetivos

Geral: Compreender os significados sócio-culturais da prática do Futebol


Americano feminino em Cuiabá-MT.

Específicos:

a) Descrever as características do Futebol Americano;


b) Identificar a origem do Futebol Americano no mundo, no Brasil e em
Cuiabá-MT,
c) Investigar os motivos da adesão e permanência das mulheres nesta
modalidade;
d) Traçar o perfil das jogadoras;
e) Analisar os significados e sentimentos que elas atribuem a esta
modalidade;
f) Investigar as dificuldades encontradas por elas (físicas, sociológicas ou
sociais).

No que se refere à justificativa, a importância do estudo de gênero neste


contexto (mulher e esporte) serve para esclarecer e desconstruir as diferenças
culturalmente adquiridas. Vale lembrar que os estudos de gênero não estão
envolvidos somente ao sexo, mas também envolve diversas categorias como: raça,
classe, etnia, economia e religião, que também influenciam a opressão feminina em
sociedade e no esporte (DEVIDE, 2005, p. 60).

De acordo com síntese elaborada por Meyer (2003), o conceito de gênero:


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Privilegia, exatamente, o exame dos processos de construção dessas


distinções – biológicas, comportamentais ou psíquicas – percebidas entre
homens e mulheres; por isso, ele nos afasta de abordagens que tendem a
focalizar apenas papéis e funções de mulheres e homens para aproximar-
nos de abordagens muito mais amplas, que nos levam a considerar que as
próprias instituições, os símbolos, as normas, os conhecimentos, as leis e
políticas de uma sociedade são constituídas e atravessadas por
representações e pressupostos de feminino e de masculino e, ao mesmo
tempo, produzem e/ou ressignificam essas representações.

Outro motivo de relevância deste estudo é o fato de ter poucas pesquisas


relacionadas ao tema aqui no Brasil. Além disto, o trabalho em questão poderá
contribuir para pesquisas acadêmicas futuras e também para a elaboração de
políticas públicas de esporte e lazer.

Metodologia

Para compreender melhor o surgimento e os significados da prática do


Futebol Americano para mulheres, este estudo caracteriza-se como estudo de
campo, exploratório e de caráter qualitativo.

Conforme Gil (2002, p. 53):

Tipicamente, o estudo de campo focaliza uma comunidade, que não é


necessariamente geográfica, já que pode ser uma comunidade de trabalho,
de estudo, de lazer ou voltada para qualquer outra atividade humana.
Basicamente a pesquisa é desenvolvida por meio das atividades do grupo
estudado e de entrevistas com informantes para captar suas explicações e
interpretações do que ocorre no grupo. Esses procedimentos são
geralmente conjugados com muitos outros, tais como a análise de
documentos, filmagem e fotografias.

Ainda segundo este mesmo autor, a pesquisa exploratória:

(...) têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema,


com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. Pode-se dizer
que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias
ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante
flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos
relativos ao fato estudado. (...). (p. 41).
15

A amostra desta pesquisa foi constituída por 18 mulheres de idades variadas


entre 16 e 34 anos, atletas, pertencentes à equipe de Futebol Americano “Cuiabá
Angels”, e também por 03 homens, sendo um pioneiro do esporte na cidade, atleta e
treinador da equipe masculina de F.A. “Cuiabá Arsenal”, o segundo, ex-técnico da
mesma equipe analisada e praticante da modalidade, e o último, árbitro de F.A. em
Cuiabá-MT. A atual técnica da equipe feminina também compôs a amostra desta
pesquisa.

Os instrumentos de pesquisa utilizados foram um questionário para as


atletas de F.A. (anexo 01), previamente testado em com atletas de futsal, e um
roteiro de entrevista (anexo 02) para o pioneiro da modalidade em Cuiabá e o ex-
técnico da equipe feminina. Os materiais utilizados na coleta de dados foram:
canetas, material impresso (questionário e roteiro de entrevista), prancheta,
gravador digital de voz.

Em relação aos procedimentos metodológicos, inicialmente, precedeu-se um


pré-teste com o questionário em atletas de outra modalidade para analisar se o
mesmo apresentava problemas ou não, depois de testado não houve necessidade
de fazer alterações. Após este procedimento, foi realizado o contato com as atletas e
explicado os objetivos da pesquisa, após assinar o termo de consentimento livre e
esclarecido (anexo 03), iniciou-se a aplicação do questionário com as jogadoras que
fazem parte da equipe de F.A. Feminina, “Cuiabá Angels”, equipe esta referência
desse estudo. Neste caso, foram utilizados dois dias para aplicá-lo, ou seja, um final
de semana, em dia de treinamento das mesmas. Algumas atletas responderam pela
internet, pois não tiveram tempo disponível.

Posteriormente, em outra situação, foi agendada uma entrevista no local de


trabalho, com o Senhor Orlando Eustáquio Alves Ferreira Junior, pioneiro dessa
modalidade, treinador e atleta da equipe masculina de Futebol Americano “Cuiabá
Arsenal”. Já a entrevista com o ex-técnico e também atleta, da equipe feminina, Sr.
Daniel Teixeira foi realizada através de e-mails e telefonema, já que este não havia
disponibilidade de tempo para dar a entrevista presencialmente. Por fim, a entrevista
com o árbitro, Sr. Cauê Gallo Vilela realizou-se no pátio da Universidade de Cuiabá
(Unic).
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No que tange ao local e período da pesquisa, ela ocorreu no campo de


futebol da Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT, localizada em Cuiabá-MT,
na Avenida Fernando Correa da Costa, s/ número. Local este de treinamento das
equipes de Futebol Americano de Cuiabá. As entrevistas e aplicações do
questionário foram realizadas nos dias: 16, 17, 23, 24 de maio de 2009.

Em relação à análise dos dados, as respostas das atletas e dos técnicos


foram transcritas ipicis literis (com todas as letras, como no original). Após a
realização de várias leituras, foram destacadas as palavras-chave mais significativas
em seus discursos e também, os depoimentos mais representativos, para ilustrar as
respostas das mesmas. O referencial teórico para análise dos dados foi baseado
nos estudos feministas e na história do esporte, mais especificamente, nos
seguintes autores: Brandão e Casal (2003), Devide (2005), Goellner (2009, 2005,
2004, 2003), Knijnik (2007), Simões (2003), Souza (2007), Verbena e Romero
(2003).

Esta monografia está estruturada da seguinte forma: no capítulo 1, foram


expostas a origem e as características do Futebol Americano; o capítulo 2 baseia-se
na história da mulher nos esportes e nos estudos de gênero; o capítulo 3, para
finalizar, é destinado à apresentação dos motivos, significados e dificuldades
encontradas com a prática dessa modalidade em Cuiabá-MT, ou seja, os resultados
da pesquisa.
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1. DA ORIGEM E DAS CARACTERÍSTICAS DO FUTEBOL AMERICANO

Este capítulo é baseado em uma breve revisão da literatura a respeito da


origem e das características do Futebol Americano, bem como da descrição do
surgimento do F.A. em Cuiabá-MT, e o início da prática pelas mulheres. Estas
informações sobre a realidade do esporte em Mato Grosso foram levantadas em um
artigo disponível no site time “Cuiabá Arsenal” e também através das entrevistas
com os pioneiros.

1.1 Das características da modalidade

De acordo com Bonsor (2009), o Futebol Americano é um esporte único. É


um jogo sobre ganhar território tanto como sobre marcar pontos. Nos Estados
Unidos é conhecido apenas como football (futebol em português). Além disso, o
Futebol Americano é um esporte competitivo e de extrema inteligência, jogo de
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contato e raciocínio rápido e algumas capacidades físicas são importantes para um


bom jogo, como por exemplo: velocidade, agilidade e força.

Conforme a NFL (2009), cada time possui duas equipes com 11 jogadores
em campo, sendo que uma equipe defende seu campo e a outra tenta invadir o
campo à sua frente (ataque), depois as equipes se revezam no ataque e na defesa.
As equipes também contam com jogadores reservas, e jogadores especialistas -
utilizados nas ocasiões de punt, field goal e extra-point. O número total de
jogadores chega perto de 50 nas principais ligas norte-americanas.

Basicamente, cada um quer ganhar terreno suficiente para que possa


marcar um "touchdown” (jogada de seis pontos em que a bola é conduzida até o
solo atrás da linha do gol do adversário) ou "field goal" (lance de três pontos no
qual a bola passa sobre a barra horizontal e entre os postes da trave, também
conhecido com “Y”).

De acordo com a NFL, a partida é divida em 4 quartos de tempo, de 15 min.


No início dos 1° e 3º quartos, uma das equipes chuta a bola sobre a linha de 35
jardas (cada jarda tem 0,91 centímetros e o campo possui 120 jardas, ou seja,
109,73 metros e 53 jardas e meia, 48,76 metros). O campo é dividido em 20 zonas
de 05 jardas de largura cada uma. A end zone (local em que se deve chegar para
marcar o ponto) possui 10 jardas de comprimento e está posicionada nas
extremidades do campo, é na end zone que se encontram os postes em formato de
“Y” com travessão a 3.05 metros de altura em relação ao solo e as traves verticais
distantes entre si, 5,64 metros.

Figura 01 – Campo de F.A. Figura 02 – Formação defensiva


19

Fonte: NFL (2009). Fonte: NFL (2009).

O ataque possui 04 chances de jogada para alcançar 10 jardas, e assim


ganhar mais 04 chances, até conseguir alcançar à end zone adversária, marcando
ponto, o touchdown: que vale 06 pontos. Quando se obtém esse ponto, a equipe
ainda tem a oportunidade para marcar o extra-point: que vale 01 ponto se a bola for
chutada com os pés ou 02 pontos, caso seja uma jogada com as mãos. O extra-
point é realizado na marcação de 10 jardas da equipe adversária.

Caso essa equipe não consiga avançar as 10 jardas em quatro tentativas,


ela perde a posse de bola, ou se o passe for interceptado pela outra equipe que é a
defensora, também perderá a posse de bola. Ou então, quando a equipe estiver na
ultima tentativa ela pode realizar o punt (chutar a bola) para se livrar da bola o mais
longe possível, ou se ela estiver próximo da end zone poderá efetuar o field goal
(que também é uma das formas de pontuação, valem 03 pontos).

Outra forma de pontuação é safety, que ocorre quando um atacante em


posse de bola é derrubado atrás de sua linha de gol. Neste caso, perde-se também
a posse de bola.
20

As posições de ataque são: center (passa a bola para o quarterback e


bloqueia), offensive guards, offensive tackles (protegem o lançador), tight-end
(receptor de passes e bloqueia), wide-receivers (receptores de passes),
quarterback (lançador), running backs (corredores), halfback (corredores) e fullback
(corredores).

Posições de defesa: defensive tackles e defensive ends (jogam na linha),


linebackers (fazem o tackle, fazem cobertura de passes curtos e tenta
derrubar/sacar o lançador), cornerbacks (marcam os wide-receivers), safeties
(fazem à cobertura no fim do campo).

Time especial: kicker e punter (chutadores), holder (aquele que segura a


bola para o chute), receptors ou returner (retornam a bola chutada e tentam
avançar para o campo adversário o máximo possível).

Apesar dos jogadores poderem derrubar os adversários, o esporte possui


regras e é bem rigoroso em relação a isso. Algumas delas são: derrubar por trás
aquele que está sem a bola, puxar pela máscara do capacete, derrubar o lançador
depois que ele tiver lançado a bola, bloquear abaixo da cintura, carrinho, chutes e
outros.

Preocupados com a saúde do atleta, a NFL tem um controle de dopping que


testa jogadores em busca de esteróides e os penalizam quando encontrados.
Também, há mudanças de regras para maior segurança desses indivíduos.

1.2 Origem do Futebol Americano no mundo e no Brasil

Segundo a Associação de Futebol Americano do Brasil (AFAB, 2009), o


Futebol Americano surgiu em 1867, através de três jogos entre Harvard e Yale, nos
Estados Unidos. Os atletas de Harvard gostaram da possibilidade de correr com a
bola na mão. A partir de 1875, essas universidades jogavam segundo as regras do
rugby com algumas diferenças.
21

Ao longo dos anos, o Futebol Americano passou por várias transformações


no modo organizacional e nas regras como: formaram a primeira Associação Inter-
Universitária (Intercollegiante Football Association), sistema de downs, redução de
números de jogadores em campo, melhora nas condições de segurança dos atletas
(pedido realizado pelo presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt) após
algumas mortes em jogos, alteração nas dimensões do campo, o valor do
touchdown foi aumentado até aos 06 pontos, e acrescentou-se um quarto down.

De acordo com Frontelmo e Ribeiro (2006), em 1986 iniciou a prática de


Futebol Americano no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro - RJ, na praia
de Copacabana (beach football, versão do Futebol Americano de praia). Mas foi em
janeiro de 1992, com um aumento considerável de praticantes que criaram o
primeiro time de F. A. do país, o “Rio Guardians”.

Anos depois, em 1994, aconteceu workshop de flag football - futebol de


bandeira – muito parecido com o Futebol Americano tradicional, porém, ao invés de
derrubar o jogador que está com a bola (atacante), o defensor deve retirar uma fita
(flag) que está presa na cintura desse jogador (atacante) para evitar com que ele
avance. O árbitro paralisa a jogada no local onde foi retirada a flag e naquele ponto
recomeça novamente o jogo (Bitencourt e Amorim, 2006, citado por Da Costa). O
Flag foi desenvolvido para minimizar lesões que o Football (Tackle) poderia trazer,
bem como baratear a prática do esporte, já que os equipamentos acabam sendo
caros. Com esse evento, a prática do Flag foi muito favorecida, conseguindo
abranger maiores públicos como em São Paulo e em outras praias do Rio de
Janeiro, dando-lhe assim, um significado peculiar de adaptação cultural.

O flag é possível ser realizada na escola, já que o custo é menor e não se


tem muito contato em relação ao Futebol Americano.

1.3 Surgimento do Futebol Americano em Cuiabá-MT

De viagem aos Estados Unidos (EUA), em setembro de 2002, o Sr. Orlando


Eustáquio Alves Ferreira Junior, 37 anos, administrador de empresa e um dos
pioneiros do Futebol Americano em Cuiabá-MT, relatou através de entrevista, que
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seu envolvimento com a modalidade partiu de sua vontade em assistir um evento


esportivo nesta viagem e sabia que um dos esportes mais popular era o Futebol
Americano e para não ficar “perdido” em relação ao jogo, acabou estudando as
regras dessa modalidade e descobriu grupos que praticavam Flag em São Paulo,
no Parque do Ibirapuera.

De volta ao Brasil, no mesmo mês, e com uma bola de F.A., iniciou a


prática em Cuiabá-MT com um pequeno grupo, mas somente em abril de
2006, quatro anos após o início da prática, que foi realizado o I Torneio Mato-
grossense de Futebol Americano, sendo a final disputada no dia 07 de maio de
2006. O torneio foi organizado por quatro jogadores (entre eles, ex-estudantes e
estudantes do bloco ICET – Instituto de Ciências Exatas e da Terra - da UFMT), os
líderes de cada equipe. Cada time jogou com apenas com 07 jogadores, e eles
jogaram sem equipamentos (capacete e shoulder pad = ombreira e protetor de
tórax). Os jogadores que participaram do torneio eram os mesmos que treinavam
nos finais de semana em Cuiabá-MT. Esses treinos variávam de local, algumas
vezes ocorriam no campo de futebol da Universidade Federal de Mato Grosso
(UFMT).

Para firmar a consolidação do Futebol Americano em Cuiabá-MT, foi


marcado um jogo amistoso em 2006 contra uma equipe de Brasília-DF, os
“Tubarões do Cerrado”, que também iniciava com a prática dessa atividade. E a
partir desse momento, as quatro equipes fundiram-se em uma e formaram o time
de Futebol Americano “Cuiabá Arsenal”. Em novembro de 2006, a equipe “Cuiabá
Arsenal” jogou amistosos na região Sul: Ponta Grossa, Curitiba e Jaraguá do Sul.

Segundo o Sr. Daniel Teixeira, há três anos em Cuiabá-MT acontece o


“Pantanal Bowl”, campeonato que faz parte da etapa do circuito brasileiro de F.A. e
que conta com o apoio da AFAB (Associação de Futebol Americano do Brasil).

A primeira edição do “Pantanal Bowl I” aconteceu em setembro de 2007, no


Estádio Eurico Gaspar Dutra, o “Dutrinha”, contou com quatro equipes, sendo uma
formada com atletas das cidades de: Brasília, Morrinhos, Manaus, São Paulo e Rio
de Janeiro; a equipe de Mato Grosso; de Minas Gerais e por fim, do Rio de Janeiro.
Nesta competição, a equipe de Cuiabá foi campeã. Segundo Ferreira Junior, a falta
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de entrosamento e o nível das outras equipes ainda inferior, favoreceram para que
isso viesse a ocorrer.

Já na segunda edição do “Pantanal Bowl”, no mesmo local, participaram


quatro equipes: Brasília, Cuiabá, São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse Pantanal Bowl
II teve pela primeira vez a participação de equipes femininas (Cuiabá e Rio de
Janeiro) em jogos amistosos. Porém, neste ano as equipes do Rio de Janeiro
venceram.

Por fim, o último Pantanal Bowl III, que aconteceu nos dias 11 a 13 de
junho desse ano, no estádio do “Dutrinha”. Diferentemente das outras edições, o
Sr. Ferreira Junior relata que,

“(..) a principal evolução do Pantanal Bowl I para o III, foi a questão dos
equipamentos. No I e no II nós não utilizava capacete, nem todo mundo
utilizava ombreiras – o shoulder - e hoje todo mundo utiliza. (...) Hoje a
gente pode falar que a gente joga Futebol Americano, não alguma coisa
parecida com o F.A. (...) houve também a evolução técnica de cada
jogador e as equipes foram atrás de novos jogadores, tem o crescimento
de experiência das equipes (...)”

A equipe “Cuiabá Arsenal” consagrou-se bicampeã, ganhando o título no


primeiro e neste campeonato e a equipe feminina, “Cuiabá Angels”, depois do
empate no primeiro jogo conseguiu assegurar o título com a vitória no segundo
jogo.

A equipe masculina “Cuiabá Arsenal” depois de seus ótimos resultados em


campeonatos enviou sete jogadores para compor a Seleção Brasileira de Futebol
Americano para um amistoso em setembro de 2007 em Montevidéu com a Seleção
Uruguaia. Nesse amistoso, o Sr. Orlando Ferreira Junior fez parte da Comissão
Técnica Brasileira, a Seleção do Uruguai acabou vencendo. No Brasil, ainda não
possui seleção feminina, mas com a crescente do esporte talvez torne possível em
breve.

O Sr. Orlando Ferreira Junior também destacou as principais dificuldades


das equipes de F.A. que são financeira, cultural e adesão dos equipamentos,

“a dificuldade maior é a financeira e sempre vai ser, porque o esporte


amador no Brasil ele precisa de dinheiro e ele não tem uma estrutura, uma
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estrutura cultura, uma estrutura política, uma estrutura de negócio que


gere uma renda para ele...”

“Outra dificuldade que é tão grande quanto, é o acesso aos equipamentos,


o “Arsenal” hoje já possui 60 equipamentos (...) não tem equipamentos á
venda no Brasil ou se tem são muito caros (...) que acaba limitando a
evolução do esporte.”

Outro ponto importante levantado pelo Sr. Ferreira Junior seriam as


maneiras de resoluções desses problemas,

“a entidade que nos representa a AFAB, tem esse papel, e que deve estar
tentando ação nesse tipo deve baratear os custos desses equipamentos,
isso pode ser feito de duas maneiras: na primeira é se negociar preço,
negociar alternativas de equipamentos mais baratos. Estamos falando em
comprar em grande volume dos EUA ou comprar equipamentos
recondicionados num preço mais barato. E a segunda linha, fazer gestão
junto com o Ministério dos Esportes e junto com o Ministério da Fazenda
para que esses itens que são para esporte e não tem similar no Brasil que
sejam isentos nos impostos de importação para que a gente possa ter uma
redução nesse preço final do atleta.”

De acordo com informações da atual técnica, fundadora e capitã da equipe


feminina, Srta. Neuza Cristina Gomes da Costa, depois da consolidação masculina,
foi a vez das mulheres a invadirem o esporte. Em setembro de 2007, um grupo de
mulheres que praticavam futsal nas quadras da UFMT teve a idéia de montar um
time de Futebol Americano feminino, mas esse interesse surgiu após o
envolvimento com a equipe masculina, “Cuiabá Arsenal”, sendo que elas iam
acompanhar os treinos e torcer pela equipe masculina no torneio “I Pantanal Bowl”.

Neuza nasceu em 05 de agosto de 1982, é enfermeira e professora, além


de atleta, é a atual técnica da equipe feminina, segundo ela, a idéia de formar uma
equipe feminina:

“deu-se quando eu (Neuza) e a Rúbia conversávamos com o Daniel e ele


comentou que havia futebol americano feminino. O primeiro Pantanal Bowl
estava prestes a acontecer, fomos aos jogos, gostamos e então decidimos
montar um time feminino.”
25

Daniel Teixeira Cassis, ex-técnico da equipe feminina confirma a versão de


Neuza, e diz que o Pantanal Bowl, foi um fator importante para o conhecimento da
modalidade pelas mulheres que iriam formar o futuro time do “Cuiabá Angels”:

“Todos os anos temos aqui na cidade de Cuiabá um evento chamado


Pantanal Bowl, que é uma etapa do circuito brasileiro de futebol americano.
No primeiro Pantanal Bowl, a Neuza Cristina, (amiga dos jogadores do
Cuiabá Arsenal) teve seu primeiro contato com o esporte e apaixonou-se.
Foi aí que ela teve a idéia de montar um time feminino.”

A treinadora Neuza diz ainda que a experiência de comandar uma equipe


feminina de F.A.:

“É gratificante, somos o primeiro time de futebol feminino do centro-oeste e


temos nosso reconhecimento, mas o fato de ser o único às vezes traz
momentos difíceis, pois não temos contra quem jogar e às vezes isso
desmotiva, mas com esforço estamos criando estratégias para manter a
motivação. Comandar a equipe não é fácil, tem que ter paciência, pois 90%
das meninas a priori não entendem do jogo e sempre tem que ter tempo
para explicações.”

De acordo com a atual técnica, as principais dificuldades encontradas para


praticar o Futebol Americano em Cuiabá são: a falta de apoio financeiro, o fato de
ser o único time feminino no Centro-Oeste, e também o preconceito de algumas
pessoas com este esporte. Aponta como perspectivas o fato de que o Futebol
Americano está crescendo no país, a cada momento surge um novo time, e em
Cuiabá-MT o esporte está cada vez mais conhecido, o “Pantanal Bowl” ajudou
bastante na divulgação, bem como no investimento pela mídia esportiva, tanto no
masculino quanto no feminino. A tendência é de que cada vez mais a sociedade
cuiabana o reconheça, assim, as pessoas que têm curiosidade e interesse possam
praticar e quem sabe pode haver algum apoio de empresas ou outras instituições
para o esporte.

As questões de termos em inglês dificultam um pouco o entendimento do


jogo, afinal, são várias as colocações. Como forma de contribuição para a
popularização do esporte poderia traduzir esses termos para universalizá-lo, já que o
futebol de campo no início tinha-se também termos em inglês (futebol é de origem
26

inglesa) e que foram traduzidos. Há exemplos também de outras modalidades, como


os esportes radicais: rafting, mountain bike, bungee jumping e outros.

O fato do adjetivo Futebol Americano também é um fator que causa certa


dificuldade de assimilação cultural e se comparar com outras modalidades
esportivas não existem, por exemplo: caratê japonês, futebol inglês, handebol
sueco, vôlei italiano e etc.

Neuza acredita que “o conhecimento do esporte é fundamental para o


crescimento e consolidação no Brasil e em Cuiabá, pesquisa como esta é
importante para isto”.

Referente ao primeiro treino da equipe feminina aconteceu em 16 de


setembro de 2007, no campo de futebol da UFMT, essa idéia espalhou-se e assim
a suposta brincadeira tornou-se algo sério e importante na vida dessas atletas,
explicou Neuza Cristina Gomes da Costa, técnica da “Cuiabá Angels”.

Depois de quatro meses e meio de treinamento, a equipe feminina que


atualmente é a única da região Centro-Oeste, participou do seu primeiro torneio no
Rio de Janeiro - RJ, em Copacabana, ficando em quarto lugar e trazendo muita
admiração e confiança para seguir a diante. Esse torneio, o Flackle, é uma versão
adaptada para praia, na qual jogam sete jogadoras, não possui kickoff (chute
inicial), o quarterback não pode correr e o center não pode receber o passe,
também não possui o “Y” e o campo de jogo é inferior ao de campo de grama.

Figura 03 – Equipe de F.A. Cuiabá Angels – Rio de Janeiro, fevereiro de 2008.


27

Fonte: acervo pessoal

Figura 04 – Início de jogo (snap) do Torneio Carioca de Flackle – 22 e


23/02/2008.

Fonte: acervo pessoal

Figura 05 – Equipe feminina no Pantanal Bowl II – 22, 23 e 24/05/2008.


28

Fonte: acervo pessoal

Percorrendo os bastidores do F.A. em Cuiabá, nos últimos dias 30 e 31 de


maio de 2009 aconteceu um curso para árbitros de Futebol Americano. Esses
recentes árbitros atuaram no Pantanal Bowl III e um deles, o jovem acadêmico de
educação física, Cauê Gallo Vilela, de 22 anos relatou que as mulheres praticantes
da modalidade no campeonato, não utilizavam equipamentos (capacete e shoulder)
e que mesmo sem eles, as mulheres fizeram um grande trabalho. Realçou também
que houve bastante incentivo por parte dos atletas masculinos.
29
30

2. MULHERES NO ESPORTE: ASPECTOS HISTÓRICOS E CULTURAIS

Com o intuito de resgatar a trajetória da participação das mulheres nos


espaços esportivos e analisar alguns aspectos do corpo feminino ao longo da
história na perspectiva dos estudos de gênero, este capítulo busca descrever essa
significativa luta para a ruptura dos padrões impostos pela sociedade1.

2.1 Retrospectiva do corpo feminino no meio esportivo

O corpo feminino foi alvo de muita contestação desde a Antiguidade, a


exibição desse corpo era motivo de desmoralização até mesmo dentro do próprio
espaço familiar, pois a imagem da mulher estava automaticamente associada aos
afazeres domésticos e a maternidade. A mulher era alvo de submissão e
inferiorização. E essa, vem rompendo vários paradigmas, buscando destacar-se
em vários âmbitos, e conquistando assim, novos espaços da sociedade, e o
esporte é um deles.

A participação feminina no esporte sempre foi alvo de muitas


controvérsias. Há algumas décadas, as mulheres eram
interditadas de participar de qualquer atividade esportiva, sob
diversas alegações, desde sua fragilidade física, passando
pela sua condição materna, e até mesmo pelo fato da arena
esportiva fortalecer o espírito do guerreiro masculino sendo,
apontado como o único local no qual a supremacia masculina
seria incontestável (Hult citado por Goellner, 2009. p. 04).

A participação da mulher no esporte não é tão recente, no Egito, China,


Grécia, Índia foram encontrados indícios como estátuas e afrescos que evidenciam
a prática de ginásticas, lutas, jogos com as mãos e pés, bolas, dança, etc. (Földes,
1964; Bandy, 2000, apud, Devide, 2005, p. 83). Na Grécia há registros que podem
afirmar a participação das mulheres até mesmo competindo com homens, de
acordo com Devide (2005).

1
A cultura ocidental está baseada no princípio de que as mulheres são diferentes dos homens,
inferiores e dependentes. (Ferrando, 1999, citado por Simões, 2003).
31

Já em Esparta, prevaleceu a igualdade, no qual o treinamento físico das


mulheres mediante corridas, lutas, arremessos de disco e dardo. As mulheres
espartanas foram estimuladas a participar de diversas tarefas com certo grau de
independência. (Rubio; Simões, 1999 e 2003, apud Devide, 2005, p. 83). As
mulheres tinham maior liberdade que as demais mulheres da sociedade grega.
Elas praticavam exercícios com homens e a educação física era com fins militares.

Diferentemente de Esparta, na Idade Média, nota-se que a mulher se


afasta desse meio esportivo e a prática limita-se somente à dança e ao jogo da
corte, o xadrez. Adiante, esse declínio é interrompido na era moderna, já que a
industrialização e as guerras fazem com que as mulheres tomem posse de postos
até então masculinos, deixando de ser uma “do lar” e ingressando nas atividades
esportivas (Macedo e Simões 2003, p. 217).

Diante disso, a busca da mulher na prática esportiva vem confrontar com a


realidade, a masculinização e o preconceito sociocultural, pois o esporte até então,
era praticado somente por homens. A luta para inserção feminina nesse âmbito foi
cada vez mais difícil e um dos fatores reais para isso, era o mito da maternidade e
o papel de reprodutora, ou seja, a mulher nasceu para procriar. A questão da
fragilidade, feminilidade contribuiu ainda mais para sua exclusão. Idéias como
essas eram pregadas pelo francês Barão Pierre Coubertin (criador dos Jogos
Olímpicos Modernos) que colaborou ainda mais para o afastamento das mulheres
no esporte e que ignorava qualquer capacidade física e intelectual,

(...) além de se embasar em pressupostos médicos da época,


que preconizavam que a atividade física poderia comprometer
funções maternas, como o descolamento do útero, a
dificuldade no parto, a amamentação, afetar a aparência
física, a graça e a beleza femininas, o que auxiliava na
manutenção da exclusão das mulheres dos Jogos (Diem,
1964; Lekarska, 1973; Rail 1990; Corbett, 1997 apud Devide).

Nas Olimpíadas em Atenas, 1896, a presença da mulher esteve restrita às


arquibancadas. Após quatros anos, em Paris, esboçava-se, uma história da
conquista por um lugar entre os competidores. Com o desenvolvimento industrial
propiciou uma maior disponibilidade de tempo livre e consumo, maior possibilidade
de escolha e preocupação com a saúde favorecendo assim, a procura crescente
32

pela atividade física, independente do sexo. As mulheres começaram a integrar o


meio de trabalho que antes era somente destinado ao homem e politizaram a sua
inserção nos Jogos Olímpicos (Simões, 2003, p.182).

Depois de muitas discussões, somente no período de 1900 a 1920 foi


marcado pela quebra de tabus convencionais e o ingresso das mulheres nos Jogos
Olímpicos Modernos no qual, participaram 11 mulheres em somente duas
modalidades mesmo a contra gosto do “pai” dos Jogos Olímpicos Modernos (Simri,
1981, apud Simões e Macedo). Porém, a consolidação feminina chegou somente
em 1925, por meio de mandato do COI (Comitê Olímpico Internacional), aprovando
a participação das mulheres, com algumas restringindo provas: boxe, judô, pentatlo
moderno, futebol, pólo aquático, levantamento de peso esporte de muito contato
que enfatiza ainda a agressividade, não poderia ser nada tão viril (Devide, 2005).

A presença feminina na participação das Olimpíadas oscilou muito, devido


ao preconceito. O esporte sempre esteve inserido nesse contexto machista, e
nesse sentido, é através dele que a mulher atleta pode-se projetar e possibilitar
uma maior visibilidade em vários espaços e provar que nessa luta elas podem ser
iguais ou até melhores que os próprios homens.

2.2 Gênero: dos jogos infantis ao esporte

Ainda hoje estão presentes as desigualdades entre homens e mulheres em


vários espaços. Apesar da aparente igualdade, se for analisado a participação de
ambos os sexos no dia-a-dia, logo são encontradas algumas diferenças.

Antes de tecer sobre essas distinções é preciso contextualizar o significado


de gênero. Para Nicholson (2000) citado por Souza e Knijnik,

a palavra gênero pode ser usada de duas maneiras distintas e até mesmo
contraditórias. Por um lado, “gênero”, que descreve o que é socialmente
construído, é usado em oposição a “sexo”, que descreve o que é
biologicamente dado. Por outro lado, “gênero” pode ser utilizado como
referência a qualquer construção social que tenha a ver com distinção entre
masculino/feminino, inclusive as construções que separam corpos
“femininos” de “masculinos”.
33

Antes do nascimento da criança já existe toda uma construção de gênero.


Na infância, a construção de gênero pode ser percebida através de ações
comportamentais em atividades esportivas, jogos e no manuseio de brinquedos
exercidos pelas crianças, e que essas podem ou não ser impostos por adultos. As
práticas esportivas competitivas na infância também poderiam ser vistas como
indicadores da inserção feminina no esporte (Giuliano, 2000, apud Simões et. al.).
Influências recebidas por parentes, irmãos, professoras, técnicos e colegas
exercem também papel de inclusão da mulher no contexto esportivo.

Outro estudo importante é de Vieira apontado por Verbena (2003) que


meninos e meninas construíram, socialmente, diferentes visões do esporte. Foi
demonstrado um esporte “pra valer”, praticado pelos meninos, o qual possui
características de competitividade, seriedade para com a vitória e habilidade física.
Outro tipo de esporte evidenciado foi denominado de “jogo de mulher”, considerado
um jogo chato, desmotivante, que não impera a habilidade física e visto com uma
“brincadeira”. Tais representações denotam que na prática, o esporte é organizado
de forma diferente para ambos os sexos, ou seja, futebol para meninos e boneca
para as meninas.

Ainda relacionando questões ligadas ao esporte, que é uma construção


histórica e social, a participação das mulheres iniciou tardiamente. Apesar de hoje a
mulher ter uma grande participação esportiva, historicamente a opressão foi
gritante.

Os homens dominavam grande parte dos espaços públicos e o político e


nele se inserem princípios de força, racionalidade, atividade, objetividade.
O domínio do feminino é o privado, o doméstico ao qual se conjugam
fragilidade, emoção, passividade, subjetividade. Essa distinção é
acentuada com a naturalização dos seres humanos. Os homens seriam,
“por natureza” mais corajosos, mais violentos, mais racionais; já as
mulheres,” por natureza”, estariam mais propensas ao choro, à histeria, ao
amor. E assim, baseados em critérios “naturais”, nasceram as atividades
ligadas ao sexo: esportes masculinos e esportes femininos (Gonçalves,
1998, apud Souza e Knijnik).

Outro exemplo claro eram as idéias de Coubertin que não aceitava a


atividade física para as mulheres, pois poderiam comprometer suas funções
maternas e a masculinização do corpo e isso até certo tempo afetou a introdução
delas ao esporte. Discussões sobre essas questões é impossível descartar
34

questões sobre o corpo, pois as desigualdades biológicas sempre vão existir


(Devide, 2005).

A mídia tem um papel importante, a imagem da mulher no esporte se


tornou o oposto da imagem masculina na mídia esportiva. Enquanto os homens
são descritos em relação às suas conquistas, competitividade, força física e
psicológica, e a coragem em jogar mesmo quando seriamente machucados; as
mulheres são descritas em relação a sua aparência física, sua feminilidade, seu
comportamento não-competitivo e seus relacionamentos (Kolnes, 1995, apud
Souza e Knijnik).

Questionando os avanços em matéria de igualdade no esporte, os


estereótipos de gênero ainda sobrevivem. Algumas modalidades esportivas seriam
mais apropriadas para um gênero que para o outro, por exemplo, mulheres na
dança e homens no futebol.

Referente à participação das mulheres nos Jogos Olímpicos nota-se que


teve um aumento gritante, no princípio eram 11 atletas e em Sydney (2000) eram
45% dos participantes, segundo a Revista Veja (2000) citado por Simões (2003),
“Elas venceram – as mulheres superam o preconceito, cultivam músculos robustos,
corpos bem definidos e ameaçam a supremacia dos homens no esporte”.

No Brasil existiam leis que proibiam a participação das mulheres em alguns


esportes, os de muito contato físico, por exemplo, o futebol de campo. “Em 1941,
General Newton Cavalcanti apresentou um documento que oficializou a interdição
das mulheres a algumas modalidades como: boxe, lutas, etc.,” colocado por
Goellner. E também, segundo Pereira (1984) citado por Simões (2003) “O
Conselho Nacional de Desporto (CND) proibia o futebol feminino no Brasil, veto
este que foi extinto, apenas em 1979.”

A masculinidade e a feminilidade ainda são estereótipos resistentes da


cultura. Mesmo hoje, com o poder de escolha e deixando de lado as questões das
capacidades físicas e motoras, a mulher possui liberdade para optar por aquilo que
lhe convém, o que não significa que não enfrentam barreiras - e aderem esportes
35

com caráter participativo2 e performance3, como é o caso das mulheres em Cuiabá-


MT, ao praticarem Futebol Americano no país do futebol que se joga com os pés.

2
O esporte participação é a dimensão social referenciado com o princípio do prazer lúdico, e que tem
como finalidade o bem-estar social dos seus praticantes. Tem relação com o lazer e o tempo livre,
ocorre em espaços não comprometidos com o tempo e fora das obrigações da vida diária (Tubino,
2001).
3
Esporte performance traz consigo os propósitos de novos êxitos esportivo, a vitória sobre
adversários e é exercidos sobre regras preestabelecidas pelos organismos internacionais de cada
modalidade. Uma série de possibilidades sociais positivas e negativas pode acontecer (Tubino, 2001).
36

3. AS MULHERES ENTRAM EM CAMPO: A PRÁTICA DE FUTEBOL


AMERICANO ENTRE ELAS

Neste capítulo será apresentada a análise dos dados, lembrando que as


respostas das atletas e dos técnicos foram transcritas ipicis literis (com todas as
letras, como no original). Após a realização de várias leituras, foram destacadas as
palavras-chave mais significativas em seus discursos e também, os depoimentos
mais representativos, para ilustrar as respostas das mesmas. Também foi utilizado
referencial teórico para dar suporte para as análises. Este capítulo está subdividido
em: o perfil das atletas; os motivos da adesão, permanência e apoio; sentimentos e
significados em relação à modalidade e as dificuldades encontradas.

3.1 O perfil das atletas

Em relação ao perfil das atletas, elas têm entre 16 e 34 anos, a média de


idade é de 21,1 anos. A metade delas são estudantes, tanto do Ensino Médio,
quanto do Ensino Superior. Em relação às profissões, três são professoras de
37

Educação Física e uma é advogada, as outras ocupam postos de trabalho na área


administrativa, de atendimento ou de secretariado.

No que se refere ao nível de escolaridade, metade tem o Ensino Médio


completo e quatro estão cursando este nível. Três delas têm o Ensino Superior
completo, e três estão cursando. Sobre a prática de outras modalidades esportivas
antes de praticar o F.A., treze mulheres já praticaram e cinco não. Muitas delas já
praticaram mais de uma modalidade, às vezes duas e até três modalidades
diferentes. É possível perceber que os esportes praticados por elas, envolvem
contato físico, como é o caso do futsal, futebol de campo, basquetebol, handebol,
karatê e jiu-jitsu.

Tabela 01 – Perfil das atletas de F.A.

Atleta Idade Profissão Escolaridade Praticou outras modalidades

A1 19 Estudante Ens. Médio Vôlei, basquete e futebol

A2 25 Prof. EF Ens. Sup. Nada

A3 26 Prof. EF Ens. Sup. Futsal

A4 24 Agente administrativa Ens. Sup. Musculação, atletismo e futsal


e advogada

A5 22 Atendente de Ens. Médio Nada


conveniência

A6 18 Aux.de faturamento Ens. Médio Handebol, karatê e jiu-jitsu

A7 34 Personal training Ens. Sup. Inc. Capoeira, musculação e atletismo

A8 18 Auxiliar de Ens. Médio Handebol, karatê e jiu-jitsu


faturamento

A9 17 Estudante Ens. Médio inc. Futsal e handebol

A10 16 Estudante Ens. Médio inc. Nada

A11 21 Universitária Ens. Sup. Inc. Karatê, basquete e futsal

A12 16 Estudante Ens. Médio inc. Voleibol

A13 25 Universitária e Ens. Sup. Inc. Futsal e futebol de campo


servidora pública

A14 19 Estudante de Ens. Médio Basquete e futebol de campo


38

cursinho

A15 19 Aux. de escritório Ens. Médio Voleibol

A16 24 Aux. de escritório Ens. Médio Nada

A17 21 Estudante de Ens. Médio Futebol de campo


cursinho

A18 17 Estudante Ens. Médio inc. Nada

Fonte: elaboração própria

Em relação ao que elas conheciam do F.A. antes de praticá-lo, elas destacam que
sabiam que era uma modalidade pouco praticada no Brasil, e originada e muita
praticada nos Estados Unidos da América. Que era um esporte violento e de
contato, dinâmico, mas difícil de compreender. Que tinha que derrubar outros
jogadores e correr com a bola. Um esporte de contato, muito diferente do futebol de
campo.

3.2 Os motivos da adesão, permanência e apoio

Quem as convidou para praticar o F.A. foram os amigos/as (n= 11), o


técnico (n=1) e através de divulgação impressa e na televisão (n=5), e através dos
pais (n=1).

Quem mais as incentiva a jogarem são os amigos (n=13), o treinador (n=5),


a família (n=4), e o/a namorado/a (n=3).

Sobre os fatores que mais contribuem para a permanência na prática


desta modalidade, os mais apontados foram: o desestresse e aliviar tensões, por
ser um momento de lazer e diversão, o prazer da atividade física e os amigos/as,
as amizades. Como podemos observar no quadro abaixo:

Tabela 02 – Fatores que contribuem para a permanência na prática do F.A.

Fatores Muito Pouco Nada


39

a) família e parentes 4 8 6

b) amigos/amizades 12 6 0

c) técnico/treinador 14 2 2

d) prazer da atividade 17 1 0

e) sair para jogos (viagens) 6 10 2

f) modelagem corpo/estética 5 9 4

g) manutenção da saúde 12 5 1

h)desestresse/aliviar tensões 18 0 0

i)momento de lazer 18 0 0

Fonte: elaboração própria

No que tange à opinião da família sobre elas jogarem F.A. é dividida, uma
parte apóia, mesmo achando um pouco violento e perigoso, mas compreendem os
benefícios da prática esportiva. Como no exemplo das respostas abaixo:

A1: “Meus pais apóiam. A única coisa que eles sempre ficam falando é para
eu tomar cuidado! Tem medo de me machucar. Fora isso apóia e acha
legal...”

A2: “Acham interessantes e gostam.”

A4: “Meus pais são totalmente a favor da prática de esportes, porém, com
esta falta de incentivo e o desconhecimento do esporte, acabam não sendo
tão a favor.”

A6: “Acham um pouco estranho, mas apóiam.”

A11: “Graças a Deus minha família me apóia em tudo o que desejo praticar
(a todos os esportes).”

Para outro grupo de mulheres, suas famílias não gostam que pratiquem F.A.,
pois acha muito perigoso e violento, chegam a desencorajar a prática desta
modalidade, e até mesmo a proibir.
40

A3: “Acham um pouco perigoso”

A5: “Não gostam e pedem para eu parar com isso sempre que vou treinar
ou jogar. Acham muito violento.”

A7: “Que é violento e posso machucar.”

A8: “Não proíbem, mas também não dão força, principalmente quando
chego machucada.”

A10: “Acham perigoso e não gostam muito disso, mas deixam porque... pois
o esporte é único pelo qual me interessei.”

A12: “Não aprova.”

A13: “Para eles é um esporte muito violento e que não tem futuro aqui no
Brasil, em especial Cuiabá.”

De acordo com Simões et al. (2003, p. 109), alguns estudos demonstram


que a família encoraja os meninos, diferentemente das meninas. Greendorf e
Brundage citados por Simões e colaboradores, afirmaram que a família acredita que
o desenvolvimento de habilidades motoras e aquisição de capacidades atléticas
seriam mais apropriados para os meninos do que para as meninas. Muitas famílias
incentivam os meninos para a prática de jogos manipulativos ativos e as meninas
para jogos sociais e expressivos.

Sobre a opinião dos amigos/as sobre elas jogarem Futebol Americano,


pode-se perceber que uma parte deles/as ainda apresentam restrições, espanto e
preconceitos, como é o caso destes depoimentos:

A1: “Meus amigos homens ficam brincando e falando para eu virar mulher.
(risos). Mas acham legal!”.

A2: “Sempre são surpreendidos quando falo”.

A11: “Falam que não é um esporte para mulheres, mas no final sempre dão
aquele apoio”.

A13: “Que eu sou louca.”

Conforme Brandão e Casal (2003), apesar dos avanços em matéria de


igualdade sexual no esporte, os estereótipos de gênero ainda subsistem neste
campo. As atividades esportivas são “gênero-estereotipadas”, isto é, algumas
41

modalidades esportivas seriam mais apropriadas para um gênero que para o outro.
Segundo Metheny, citado por Brandão e Casal, os esportes aceitáveis para
mulheres seriam, por exemplo, ginástica e natação, que enfatizam as qualidades
estéticas em contraste com a competição. Kany e Snyder (apud. Brandão e Casal),
confirmaram que o aspecto central da estereotipação de gênero são as
características do físico. Neste sentido, esportes que envolvem contato corporal e
grande esforço físico são caracterizados como sendo masculinos por natureza,
enquanto modalidades como balé são femininas.

Todavia, elas relatam que alguns de seus amigos acham legal elas
praticarem este esporte, mesmo achando perigoso e outros ainda, acreditam que
elas não devem praticar como nos depoimentos abaixo:

A3: “Alguns acham legal, diferente. Muitos acham perigoso”.

A5: “Alguns gostam, se interessam para assistir e entender o jogo, outros se


interessam também para jogar, e outros não gostam”.

A7: “Uns acham legal e outros que eu não devo praticar”.

Geralmente, o esporte tem sido considerado de domínio masculino,


monopolizado pelos homens e pela masculinidade.

A educação tradicional favorece os homens na preparação para a


competição esportiva, uma vez que eles estão mais expostos a uma
orientação competitiva de vida que as mulheres. E exatamente por isto,
acreditava-se que as mulheres não se adaptavam ao esporte competitivo,
porque esta prática conduzia a uma atitude agonística agressiva. Portanto,
quando expostas ao ambiente competitivo, deveriam assumir
comportamentos característicos do universo masculino (Swain e Jones,
apud. Brandão e Casal, 2003).

Mesmo sendo o esporte dominado pelo masculino, o apoio desse público é


de extrema importância para o desenvolvimento das mulheres nesse âmbito.

A4: “Adoram. Acha (sic.) o máximo, principalmente os que acompanham


este esporte, que cada dia esta sendo mais conhecido pelos brasileiros”.
42

A8: “Alguns no começo estranham um pouco, mas se sentem interessados


e até vão nos treinos”.

A9: “Acham uma novidade na cidade, ficam curiosos para conhecer”.

A16: ”Eles adoram, até me ajudam a mentir para os meus pais para eu
poder jogar...”

Sobre a opinião dos jogadores de F.A. da equipe masculina, sobre as


mulheres jogarem F.A., tem-se as seguintes respostas:

A1: “Acho que na maioria acham bacana ter um time feminino”.

A4: “Acredito que boa, pois sempre nos ajudam, treinam”.

A7: “Que é legal ter mais adeptos”.

A13: “No início ficaram meio “ressabiados”, não gostaram muito... ou não
acharam que a gente ia dar conta, apesar de que muitos nos apoiaram.
Com o tempo o time feminino ganhou o respeito e a amizade deles. No
fundo eles ficam felizes porque é mais gente jogando futebol americano e é
mais um time divulgando o esporte, tornando-o mais popular.”

A5: “A maioria acha que é besteira, que mulher não serve para esse tipo de
esporte, que estamos só brincando e não nos levam a sério. Mas alguns
apóiam, ajudam, dão idéias, treinos, exercícios e acreditam no nosso time”.

A9: “Que somos inexperientes e não nos leva (sic) muito a sério”.

A11: “Apesar de nos ajudar, sinto que eles ainda duvidam do potencial
feminino na prática desse esporte”.

As perspectivas sob as quais se rotulava o esporte como masculino ou


feminino vêm se modificando ao longo das décadas (Souza e Altmann, 1999,
colocado por Devide, 2005). McNeiel (1994) divulga a aceitação de novas formas
de atividade física feminina, como fisiculturismo, que implica na imagem feminina.
No caso do Futebol Americano praticado em Cuiabá-MT, a introdução da mulher
neste esporte não foi tão lenta como se comparado a outros, o futebol por exemplo.

3.3 Sentimentos e significados em relação à modalidade

No que se referem aos sentimentos e significados em relação em relação à


modalidade,
43

A1: “Me sinto como se estivesse liberando alguma coisa não ruim, mais nem
boa dentro de mim... é uma coisa inexplicável!! Ao mesmo tempo bate uma
adrenalina, bate uma coragem.. parece que a gente é a pessoa mais rápida
ou forte do mundo (risos) Sem sentir medo do que pode acontecer... e é
bom sentir isso!”

A4: “Sinto muito prazer, como todos os outros os esportes que pratico e já
pratiquei, mas, ainda melhor, pois a todo o momento mudamos de
estratégia e analisamos os adversários.”

A5: “Com vontade de atingir o objetivo da minha posição no time, com garra,
energia e também com muito bom humor, para me divertir com as amigas.”

A14: “Sinto-me forte, ágil adoro derrubar e isso me motiva.”

A 13: “Mais relaxada, feliz, satisfeita, uma pessoa melhor de corpo e alma”.

A12: “Alem de estar jogando eu estou me divertindo.”

A16: “Sinto-me motivada, feliz, longe dos problemas e das preocupações do


dia-a-dia”

A diversão, de acordo com Simões et. al., um dos motivos mais importantes
que cercam a participação de meninos e meninas no cenário dos esportes. A
melhoria das habilidades motoras e a excitação pela prática fariam parte de valores
e motivações masculinos, enquanto praticar exercícios para melhorar as habilidades
faz parte dos valores do mundo feminino – afora dos desafios das competições.

A1: “Significa não ter medo do que pode vir á frente... Significa Garra, força,
união com o time!”

A5: “Uma distração, um alívio, uma responsabilidade e uma vontade de


extravasar e me divertir.”

A3: “Uma forma de cuidar da minha saúde e me divertir ao mesmo tempo”

Goellner (2004) citado por Souza e Knijnik (2007), o esporte arrebata as


pessoas, seja na condição de participante, mas, sobretudo naquela de espectador,
sendo uma prática de tal forma envolvente que mobiliza paixões e sentimentos, (...)
convocando a nossa imediata participação.

A6: “Uma paixão.”


44

A11: “Tudo é um momento só meu, onde me desligo das responsabilidades


rotineiras, onde me sinto “hiper” feliz e ainda posso melhorar através desse
esporte minha atenção e concentração, aprimorando minha ética pessoal e
profissional.”

O esporte com seus poderes simbólicos e mitos, revela às mulheres uma


aura de paixão por aquilo que até pouco tempo atrás era de domínio masculino. Não
existem dados empíricos para demonstrar que o interesse pessoal motive o
comportamento desportivo, que em muitos casos é julgado emocionalmente em
razão de situações decorrentes de resultados negativos. O fenômeno social e
psicológico faz parte desse cenário com modelo existencial (Lucato, 2000, citado por
Simões, 2003, p. 104).

No que diz respeito aos benefícios da prática do F.A., grande parte das
respostas estão voltadas a saúde física, mesmo sendo um esporte considerado
violento, às questões mentais e sociais segundo elas descrevem abaixo:

A3: ”Melhora do condicionamento físico, aumento de força e tônus


muscular, manutenção do peso.”

A5: “Fôlego, resistência, força nas pernas e braços, poder de explosão,


estratégia, técnica e o poder de ludibriar o adversário.”

A10: “Ajuda muita na minha saúde porque era sedentária.”

Segundo Simões et al., as atividades físicas são essenciais para o bem-


estar físico e mental das mulheres, o que melhoraria as relações tanto no âmbito
familiar quanto no profissional. A integração entre o indivíduo e a capacidade de
rendimento dá perspectiva exata para alcançar aquele desejo profundo de auto-
realização. Aspectos psíquicos e sociais manifestados no cenário dos esportes
produzem resultados com reflexo de exigências físicas, técnicas e táticas e com
isso, contribui para que alcancem a ascensão da modalidade.

Simões (2003) afirma também que a vida sedentária aumenta a


vulnerabilidade da mulher às doenças cardiovasculares, e os exercícios físicos, além
dos benefícios fisiológicos já comprovados, ajudam a restabelecer e manter a
condição psicológica, social e profissional.
45

A1: “Além de fazer novas amizades, contribui para o desenvolvimento físico


do corpo.. nos da mais energia, massa muscular. Além de praticar exercício
físico se divertindo.”

A2: “Relação interpessoal, desestressar, promoção de saúde, habilidades e


capacidades técnicas e físicas e manter o condicionamento físico.”

A13: “Saúde, disposição, prazer, lazer, novas amizades, se aprende a ter


espírito de equipe, dentre outros fatores”

A7: “Melhora a concentração, explosão muscular, a velocidade, raciocínio, a


autoconfiança.”

A11: “Aprimorar nos jogadores a atenção, concentração, lógica, objetivo e


meta.”

Em relação ao que elas mais gostam na prática, o grupo se encontra bem


dividido. Algumas relataram que as características do próprio jogo é a parte mais
prazerosa em praticar.

A2: “Do jogo, das estratégias.”

A3: “A parte estratégica das jogadas (enganar o adversário) e a


necessidade de correr o mais rápido possível”

A5: Ter que enganar o adversário para conseguir fazer ponto, e também
conseguir decifrar qual a próxima jogada, para conseguir defender o time. A
estratégia do jogo.

A8: “As estratégias”

A4: “No Futebol Americano, acho que o maior diferencial esta na


versatilidade das posições, cada atleta tem um perfil diferente, e este
esporte se adéqüe a todos, fortes, magros, gordos, lentos, rápidos.”

O esporte se caracteriza, por parte dos indivíduos, como uma ação de jogo,
que visa à interação com algo e/ou consigo mesmo. Nesse contexto oferece
inúmeras possibilidades para os indivíduos em relação ao prazer, como também
envolve competição, estratégia, tática e destreza física. As representações dos
acontecimentos sociais, principalmente os de tipo competitivo, estão sujeitas a
regras bem definidas e à limitação espaço-temporal. As provas mais significativas
estão ligadas com a superação de grandes obstáculos, o reconhecimento do mérito
46

por parte do público e a condição de só poder haver um vencedor (Macedo, 1996,


apud Simões).

Reforçam também fatores psicológicos como: união, integração,


possibilidade de novas amizades.

A6: “A união exigida no jogo para com o time”

A7: ”A interação, nunca pratiquei esporte de equipe.”

A9: ”Gosto da amizade entre as pessoas.”

Por outro lado, elas também apontam o que menos gostam quando estão
praticando o F.A. Os motivos apontados foram à falta de compromisso por parte de
algumas atletas nos treinos (ausência de atletas); o preconceito de pessoas que
desconhecem o esporte por ter características masculinas e, por fim, o grande medo
de se machucarem, afinal, o F.A. é um esporte de muito contato físico.

A17: ”Quando chego ao treino não tem o número suficiente de atletas para
treinar.”

A6: “O preconceito das pessoas que não conhecem o esporte.”

A7: “Se machucar”

3.4 Dificuldades encontradas

Vários pontos são levantados quanto às dificuldades encontradas. Os


principais são: a falta de patrocínio para compra de equipamentos; rotatividade de
treinadores e atletas, disponibilidade de tempo e falta de compromisso por parte de
algumas em relação aos treinos; preconceito por ser um esporte de outra cultura e
também, por ser um esporte considerado violento até demais para ser praticado por
mulheres.

A1: “Além de ser um time feminino, não ter os equipamentos necessários


para o jogo. Essa é a maior dificuldade.. pra gente ( Cuiabá Angels) hoje!”
47

A4: “É um esporte que exige muitos equipamentos, treinadores, viagens e


ate mesmo o conhecimento da população”

A11: “A falta de patrocínio. Apoio e reconhecimento do “nosso povo”, a falta


e dificuldade para obter os equipamentos de proteção para a prática e
treinos do esporte”.

A2: “(...) falta de técnico, falta de conhecimento sobre o esporte, a


renovação de meninas novas constantemente e ausência das antigas”.

A3: “1º Falta de compromisso por parte das atletas, falta de interesse e de
esforço para ir aos treinos; 2º Falta de técnico e 3º Falta de patrocínio”.

A7: “Ter poucas equipes, o esporte ser pouco divulgado e os integrantes ter
pouca disponibilidade de tempo para treinar”.

Para compor uma equipe esportiva coletiva não é só estar nela, a todo o
momento tem de provar suas competências e disputar uma posição, convivendo de
maneira harmoniosa com outro, a fim de manter adequadamente as relações
interpessoais, realça Simões e Macedo (2003).

Sendo a mídia um grande veículo de divulgação de grandes e importantes


acontecimentos do mundo, Souza e Knijnik (2004) reforçam a idéia da importância
do esporte na sociedade contemporânea, e da potencialização de suas imagens em
função de seu entrelaçamento com a mídia. A difusão das imagens esportivas em
nível global nas diferentes formas de mídia acaba por possuir um enorme peso
nesta construção de identidades pessoais e mesmo sociais. Desta forma, percebe-
se o quanto à imbricação entre esporte e a mídia é clara e poderosa. Os meios de
comunicação, em suas diversas modalidades, acompanham de perto tudo que
acontece no mundo dos esportes, levando essas informações para um grande
número de pessoas (Vargas, 1995, apud Souza e Knijnik, 2004).

A6: “A falta de incentivo por parte das autoridades, para tornar o time cada
vez mais forte e o esporte mais divulgado”.

A5: “Não é um esporte conhecido no país, muito menos no estado. São


poucas as pessoas que dão credibilidade para as atletas”.
48

A13: “Falta de apoio (amigos e família), falta de patrocínio e falta de respeito


pela comunidade (que acha que o futebol americano é coisa de americano,
que é muito violento e que não cabe para mulheres).”.

A17: “A mulher é bem prejudicada no sentido de preconceito, porque o


esporte é bem violento e isso faz com que a nossa imagem seja motivo de
chacotas pelos mal informados (sic).”.

Mesmo com essas dificuldades, ao longo do tempo, a equipe masculina de


Futebol Americano, “Cuiabá Arsenal”, conseguiu alcançar um status na cidade.
Através de uma política organizada, divulgação e de projetos bem elaborados. Para
eles, hoje, é muito mais fácil conseguir patrocínios do que no início da prática, pois
eles possuem um “nome feito”, ou seja, conhecido. A equipe feminina também pode
alcançá-los seguindo o mesmo esquema.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o objetivo de compreender os significados sócio-culturais da prática do


Futebol Americano feminino em Cuiabá-MT, este trabalho buscou descrever as
características e o surgimento do Futebol Americano no mundo e em Cuiabá-MT e
temas como a trajetória da participação das mulheres no contexto do esporte.
Tendo-o como aliado importante para a humanização das pessoas, ele também
abrange questões como as de gênero nas quais as mulheres conquistaram seu
49

espaço, que era extremamente delimitado aos homens, vencendo o preconceito


imposto pela sociedade machista.
Referente aos resultados pode-se perceber que as atletas, em seu perfil,
são na maioria estudantes e muitas já praticaram outros esportes de contato. Com
relação ao conhecimento do esporte, elas sabiam que é de outra cultura,
considerado violento e difícil de compreender por haverem vários termos em inglês.
O principal fator de permanência a modalidade é o apoio do treinador/a, amigos e a
atividade é um momento de lazer, desestressante, sentem prazer e contribui para
manutenção da saúde. A família apóia em parte, pois acham o esporte violento. Elas
sentem ainda o preconceito de gênero, mas não dão tanta importância. E contam
com a ajuda da equipe masculina para formação/treino.
Em relação os sentimentos pela prática, fatores psicológicos, a socialização
e integração são pontos levantados por algumas atletas e também sentem paixão e
felicidade. Relatam também, que gostam das estratégias elaboradas durante o jogo
(as características do próprio esporte).
Outro fator importante são as dificuldades encontradas na prática desse
esporte. Elas sofrem com a falta de apoio tanto familiar/amigos e financeiro para
compra de equipamentos, já que o esporte não faz parte da cultura brasileira; a
rotatividade de treinador e de atletas também é constada como ponto negativo, já
que assim as prejudicam na questão do próprio aprendizado.
Por fim, este trabalho vem desmistificar estudos sobre gênero, mulher e
esporte, e esclarecer as diferenças culturalmente adquiridas, como a masculinização
dos corpos femininos até a fragilidade imposta no passado. Traça também os
prazeres da modalidade como um grande fator para a permanência e adesão deste.
50

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51

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54

GLOSSÁRIO

Center: jogador do time de ataque passa a bola para o quarterback e bloqueia.

Cornerbacks: jogadores de defesa que marcam os wide-receivers

Defensive ends: jogadores de defesa que se posicionam nas pontas na linha de


defesa.

Defensive tackles: jogadores de defesa que se posicionam no meio da linha de


defesa.

Dopping: administração ilícita de uma droga estimulante ou estupefaciente com


vistas a suprimir temporariamente a fadiga, aumentar ou diminuir a velocidade,
melhorar ou piorar a atuação de um animal ou esportista.

Downs: seriam tentativas que a equipe que está com a posse de bola (atacante)
tem para avançar no campo adversário. Num primeiro down à equipe com a posse
de bola são dados quatro downs (tentativas) para tentar ganhar 10 jardas (têm um
"first and ten", o que significa que têm um primeiro down e que precisam de dez
55

jardas para conseguir outro primeiro down). O down começa com o snap (passe
entre as pernas do center ao quarterback) e termina quando a bola fica “morta” por
qualquer razão ou o passe é interceptado. Caso ela não consiga avançar as 10

End jardas em 04 downs, ela pode devolve a bola através de um punt.zone: área
encontrada nas extremidades do campo, local em que se deve chegar para marcar o
ponto.

Extra-point: após o touchdown, a equipe pode-se decidir marcar 01 ponto extra


(com o chute) ou uma conversão de 02 pontos (uma jogada de passe).

Field goal: valem 03 pontos, é conquistado colocando a bola no chão e a


acertando entre as traves verticais amarelas de gol atrás da end zone.

Flackle: é uma versão adaptada para praia, na qual jogam sete jogadoras, não
possui kickoff (chute inicial), o quarterback não pode correr e o center não pode
receber o passe, também não possui o “Y” e o campo de jogo é inferior ao de
campo de grama.

Flag football: é uma versão do F.A. com regras semelhantes, sendo que em vez
de atacar jogadores para o terreno, derrubar, a equipe defensiva deve remover
uma bandeira ou fita da correia do transportador da bola.

Football: nos Estados Unidos da América é o Futebol Americano (que se joga com
as mãos) já no Brasil se traduz como futebol (que se joga com os pés).

Fullback: jogadores de ataque que tem como objetivo correr com a bola e bloquear
para o quarterback.

Halfback: jogadores de ataque que tem como objetivo correr com a bola e
bloqueiam também.
56

Holder: jogador que segura a bola para o kickoff (o chute).

Kicker e punter: jogadores que fazem parte da equipe especial são chutadores de
punt e kickoff.

Kickoff: jogada especial usada para iniciar cada meio jogo e também para reiniciar
o jogo depois de cada Field goal ou uma tentativa de conversão depois de um
touchdown.

Linebackers: jogam logo atrás da linha de defesa, avançam para fazer tackles e às
vezes fazem cobertura em passes curtos.

Offensive guards: jogam junto do center, e têm a missão de bloquear os


defensores, para proteger o quarterback (o lançador).

Offensive tackles: ficam na linha de ataque, mas são os que jogam nas pontas da
mesma. Sua função é proteger o quarterback (o lançador).

Punt: é o ato de pontapear a bola a fim de ganhar uma melhor posição em campo.
Quando a equipe utiliza todos os seus quatro downs sem ganhar o número de
jardas necessárias para obter um primeiro down (são 10, inicialmente) a posse de
bola é transferida para a outra equipe.
57

Quarterback: o cérebro do time, responsável pela organização das jogadas


ofensivas, é ele quem faz os passes (lançador).

Receptors ou returner : jogadores retornam a bola.

Rugby: desporto coletivo de origem inglesa, disputado por duas equipes de quinze
jogadores, numa partida de duas partes de quarenta minutos contínuos, o relógio
só pára quando algum jogador necessita de cuidados médicos. O objetivo do jogo é
marcar o maior número de pontos. É marcado quando um jogador consegue apoiar
a bola com uma das mãos no chão (toque-no-solo) dentro da "área de validação"
adversária, que corresponde a área após a linha dos postes.

Running backs: correm ao receberem a bola atrás da linha de ataque.

Safeties: jogadores de defesa que fazem à cobertura no fim do campo.

Safety: ocorre quando um jogador é derrubado ou sai pela sua própria zona final
(ou endzone) e, portanto, concede dois pontos à outra equipe. Valem 02 pontos.

Shoulder pad: protetor de ombros e tórax.

Tight-end: jogador que bloqueia e também recebe passes, joga fora da linha
ofensiva. Pode ser jogador de ataque ou defesa.
58

Touchdown: conquistado quando um jogador tem a posse legal da bola dentro da


zona de finalização (end zone, uma parte de 10 jardas colorida no final de campo)
do adversário. Conquistar um touchdown é o principal objetivo da equipe que ataca.
Valem 06 pontos.

Wide-receivers: jogam abertos e se movimentam muito para receber um passe do


quarterback.
59

ANEXO 01 – questionário para as atletas

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO


FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA
QUESTIONÁRIO ATLETAS DE FUTEBOL AMERICANO

DADOS DE IDENTIFICAÇÃO
1. Nome: ______________________________________________________
2. Data de nascimento: _____/_____/______.
3. Qual é sua profissão ou ocupação profissional atual? ______________________
4. Qual seu nível de escolaridade?
5. Ensino Fundamental (1º grau): ( ) completo; ( ) incompleto;
6. Ensino Médio (2º grau): ( ) completo; ( ) incompleto;
7. Ensino Superior ( ) completo: ( ) incompleto;
Qual área: ___________________________________________
8. Tem especialização: ( ) sim; ( ) não;
9. Tem mestrado: ( ) sim; ( ) não.
10. Já praticou outras modalidades esportivas?
( ) não;
( ) sim, anteriormente: Qual/ais____________________________
( ) sim, ainda pratico: Qual/ais_____________________________
11. Antes de praticar o futebol americano, o que você sabia sobre esta modalidade?
___________________________________________________________________
12. Quem te convidou para praticar futebol americano?
( ) pais ou familiares; ( ) namorado/a;
( ) amigos/as; ( ) professor ou técnico;
( ) outros: _________________________________________________
13. Quem mais te incentiva a jogar futebol americano?
( ) pais ou familiares; ( ) amigos/as;
60

( ) namorado/a; ( ) professor ou técnico;


61

( ) outros: ___________________________________
14. Assinale com um (x) em que medida os fatores abaixo relacionados, contribuem
para a sua permanência na prática do futebol americano:

Fatores Muito Pouco Nada

Família e parentes

Amigos/amizades

Técnico/treinador

Prazer da atividade física

Sair para jogos fora/viagens

Modelagem do corpo/estética

Contribui para a manutenção da saúde

Desestressa/alivia tensões

É um momento de lazer e diversão

Outro:

15. Como você se sente quando está jogando futebol americano?


___________________________________________________________________
16. O que significa jogar futebol americano para você?
___________________________________________________________________
17. Em sua opinião, quais são os benefícios de jogar futebol americano?
___________________________________________________________________
18. O que você mais gosta na prática do futebol americano?
___________________________________________________________________
19. O que você menos gosta na prática do futebol americano?
__________________________________________________________________
20. Qual a opinião da sua família, sobre você jogar futebol americano?
___________________________________________________________________
21. Qual a opinião dos seus amigos/as sobre você jogar futebol americano?
___________________________________________________________________
22. Qual a opinião dos jogadores do time masculino de futebol americano?
_______________________________________________
62

23. Quais as principais dificuldades de se jogar futebol americano em sua opinião?


_____________________________________________________________
24.Você gostaria de dizer mais alguma coisa sobre o futebol americano e que não
perguntamos?_________________________________________________
OBRIGADA POR SUA PARTICIPAÇÃO E COLABORAÇÃO!!!

ANEXO 02 – roteiro de entrevista para os pioneiros

ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA O TÉCNICO

Nome?

Data de nascimento?

Profissão?

Nível de escolaridade?

1. Como começou seu envolvimento com o futebol americano?

2. De quem foi a idéia de trazer o futebol americano para Cuiabá? Como foi isto?

3. Como surgiu a idéia de formar um time de futebol americano feminino? Como


aconteceu isto?

4. Como tem sido a experiência de comandar uma equipe de futebol americano


feminino em Cuiabá?

5. Quais são as principais dificuldades encontradas para praticar o futebol americano


em Cuiabá?

6. Quais são as perspectivas de futuro para a prática do futebol americano em


Cuiabá?

7. Você gostaria de dizer mais alguma coisa sobre o futebol americano em Cuiabá e
que não perguntamos, ou deixar alguma mensagem final para nós?

MUITO OBRIGADA POR SUA PARTICIPAÇÃO E COLABORAÇÃO!

ANEXO 03 – Termo de consentimento livre e esclarecido


63

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

PESQUISA: “TOUCHDOWN!?”: O SURGIMENTO E OS SIGNIFICADOS DA


PRÁTICA DO FUTEBOL AMERICANO PARA MULHERES EM CUIABÁ-MT

PESQUISADORES: Grad. Nylza Batista da Silva

Profº. Ms. Marcos Roberto Godoi

OBJETIVO PRINCIPAL: Compreender os significados sócio-culturais da prática do


Futebol Americano feminino em Cuiabá-MT.

Fomos informados dos objetivos, procedimentos, riscos e benefícios desta pesquisa,


descritos acima. Entendo que terei garantia de confidencialidade, ou seja, que
apenas dados consolidados serão divulgados e ninguém além dos pesquisadores
terá acesso aos nomes dos participantes desta pesquisa. Entendo também, que
tenho direito de receber informações adicionais sobre o estudo a qualquer momento,
mantendo contato com o pesquisador principal. Fui informado ainda, que a minha
participação é voluntária e que se eu preferir não participar ou deixar de participar
deste estudo em qualquer momento, isso NÃO me acarretará qualquer tipo de
penalidade. Compreendo tudo o que me foi explicado sobre o estudo a que se refere
este documento, concordamos assim, em participar do mesmo.

_________________________________________

Assinatura do pesquisador (a) principal

Assinaturas dos participantes:


___________________________________
___________________________________
___________________________________
___________________________________
___________________________________