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Módulo II

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Sumário Unidade 3 – Tipos de Terapia 3 3.1 – Individual 4 3.2 – Grupo

Sumário

Unidade 3 – Tipos de Terapia

3

3.1 – Individual

4

3.2 – Grupo

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3.3 – Casal

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3.4 – Família

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3.5 – Terapia sexual

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Unidade 4 – Psicopatologias e Aplicações Clínicas

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4.1 – Transtornos de ansiedade

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4.2 – Trantornos de humor

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Conclusão do Módulo II

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Bibliografia

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de ansiedade 47 4.2 – Trantornos de humor 60 Conclusão do Módulo II 65 Bibliografia 66
Unidade 3 – Tipos de Terapia “O primeiro passo para a cura é saber qual

Unidade 3 – Tipos de Terapia

“O primeiro passo para a cura é saber qual é a doença.” Provérbio latino

para a cura é saber qual é a doença.” Provérbio latino Assim como a linha de

Assim como a linha de atendimento escolhida pelo profissional, não existe nenhuma regulamentação que garanta qual tipo de terapia é a mais indicada para tratarmos de determinada pessoa. As conjunturas particulares e individuais darão o contorno necessário a essa questão. Como um leque aberto, cabe ao paciente aquela configuração mais confortável aos seus ideais, ainda que também possa ser papel do terapeuta indicar qual seria a melhor configuração ao seu entender.

Uma pessoa que seja, por exemplo, tímida, pode ter sucesso terapêutico em atendimentos individuais ou trabalhando as suas questões em uma terapia de grupo. Um homem que tenha disfunção erétil, por exemplo, pode ser atendido com a(o) parceira(o) ou sozinho.

Porém, devemos salientar que o atendimento a determinados públicos nos pede diferentes formas de abordagens para que possamos viabilizar o nosso trabalho adequadamente. Assim é importante que busquemos por cursos e especializações nas áreas com as quais mais nos identifiquemos.

Alguns tipos de psicoterapia conforme as necessidades e a configuração dos problemas encontram-se listadas abaixo:

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Alguns tipos de psicoterapia conforme as necessidades e a configuração dos problemas encontram-se listadas abaixo: 3
3.1 – Individual A duração de uma sessão de atendimento individual é de 50 minutos

3.1 – Individual

3.1 – Individual A duração de uma sessão de atendimento individual é de 50 minutos e

A duração de uma sessão de atendimento individual é de 50 minutos e normalmente ocorre semanalmente, sempre no mesmo dia de semana e horário. Caso haja necessidade e/ou desejo, é possível aumentar a frequência dos encontros, o que vai depender da avaliação psicológica e dos interesses do paciente. As sessões têm duração a contar do horário previamente combinado entre o terapeuta e o paciente. Dessa forma, atrasos reduzem o tempo destinado para a sessão.

Criança e adolescente

As crianças e os adolescentes suportam muitas alterações. Estão sempre passando por novas experiências, seja em relação às situações da vida, seja em relação às mudanças corporais. Não é de se estranhar a necessidade de um facilitador, a fim de certificar o adequado andamento do desenvolvimento em determinada etapa de vida.

A psicoterapia voltada a este público tem como objetivo ajudar tanto as crianças e os adolescentes quanto os seus pais, na identificação dos problemas, isto é, naquilo que eles têm feito e em como modificar tais comportamentos, para que consigam melhorar as suas relações interpessoais.

Psicoterapia com criança

Muitos creem que as crianças não sofrem. Porém, elas também encaram dificuldades próprias da existência humana. Atualmente, por exemplo, elas são muito exigidas pelo mundo, com muitas atividades a cumprir, sobrando até mesmo pouco tempo para serem, de fato, crianças. Assim, algumas, ao tentarem dar conta de situações

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sobrando até mesmo pouco tempo para serem, de fato, crianças. Assim, algumas, ao tentarem dar conta
para as quais ainda não estão preparadas, apresentam certas condutas consideradas ‘inadequadas’, como uma forma

para as quais ainda não estão preparadas, apresentam certas condutas consideradas ‘inadequadas’, como uma forma de tentar resistir ao desencontro consigo.

No momento em que os pais dão o primeiro telefonema, pedindo ajuda, em geral, a situação já se tornou muito difícil, se não mesmo intolerável, seja para os próprios pais ou para a criança. Até mesmo se os pais não são diretamente afetados pelo comportamento do filho, chegaram a tal grau de desconforto, ansiedade ou preocupação que se sentem impelidos a tomar alguma atitude. (OAKLANDER, 1980, p.206)

Normalmente, a primeira sessão é feita com os pais ou os cuidadores, longe da presença da criança. São eles que podem nos dar informações sobre a evolução do menor, fornecendo elementos importantes para o diagnóstico ou a compreensão deste. Objetivamos, com esse enquadre, conhecer as dificuldades trazidas pelos responsáveis. Assim, esse também é um bom momento para termos a nossa atenção voltada àquilo que não está sendo dito. Por exemplo, de quem é essa queixa e por qual motivo a criança apresenta tal reclamação? Ou seja, é preciso que conheçamos não só a criança, como a família, suas crenças e motivações. Somente após essa sessão, ou sessões, entramos em contato com a criança e, nesse momento, podemos checar com ela, se há o entendimento sobre a queixa que nos foi apresentada.

Para este tipo de atendimento, nos valemos da utilização de algumas técnicas e do brincar. Fazemos uso de recursos, como jogos, brincadeiras, livros ou desenhos, que nos permitem tornar a terapia um espaço acessível a elas. Além disso, observando a forma como a criança interage com os brinquedos, como os escolhem, joga com o profissional ou mesmo desenha, o terapeuta tem acesso à sua subjetividade, ou seja, ao seu mundo interno. Torna-se possível, dessa forma, ajudá-la a enfrentar dificuldades, buscando uma integração mais positiva com a família, com a escola e com a sociedade em geral.

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enfrentar dificuldades, buscando uma integração mais positiva com a família, com a escola e com a
No ‘faz de conta’, a criança alcança um domínio pleno da situação, vivendo e convivendo

No ‘faz de conta’, a criança alcança um domínio pleno da situação, vivendo e convivendo com a fantasia e com a realidade, capaz de instantânea e facilmente passar de uma situação à outra, criando, assim, a possibilidade de elaboração de seus anseios e fantasias. Essa fascinante capacidade de alternar sonho e realidade de maneira absoluta e totalmente convicta e convincente, faz com que se desenvolva a capacidade de dar respostas rápidas às situações novas e respostas novas às situações já conhecidas. Na verdade, as crianças conseguem tais feitos por terem ainda, bem forte, o senso de espontaneidade, que vai se sofisticando e diluindo na medida em que a pessoa se desenvolve. A essência do jogo, da capacidade de se revestir dos papéis e das situações imaginárias, está exatamente nessa elevada espontaneidade, que estimula a liberdade e permite aos jogadores “viajar” no mundo da imaginação. Através dessa “viagem”, pode-se recriar e descobrir novas formas de atuação. (VITIELLO, 1997, p. 20 e 21)

A psicoterapia deve contar com a participação da família em frequência e acordos variáveis. Por exemplo, em um determinado momento pode-se chamar só o pai e a mãe, em outro só os irmãos ou o pai e os avós. Tudo vai depender do que o terapeuta pretende observar com essa solicitação.

Psicoterapia com adolescente

A adolescência, período marcado por crises, é uma fase caracterizada por mudanças biológicas, fisiológicas, psicológicas e sociais. É nesta fase que ocorre a consolidação da personalidade e as alterações hormonais.

Todos nós sabemos que o adolescente precisa habituar-se à sua sensação de onipotência e de fragilidade, independência dos pais e grande dependência do grupo, euforia e desânimo, medo e audácia. Assim, não é de se admirar que esta fase seja

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e grande dependência do grupo, euforia e desânimo, medo e audácia. Assim, não é de se
marcada por grande instabilidade, oscilação de humor, sentimentos de fragilidade, agressividade e medo 1 .

marcada por grande instabilidade, oscilação de humor, sentimentos de fragilidade, agressividade e medo 1 .

Tal como o adulto que quase é, ele introjetou muitas mensagens errôneas que afetam seus sentimentos em relação a si próprio. Ele tem muitos sentimentos, lembranças e fantasias do passado que interrompem o seu fluxo natural. Ele tem uma profundidade de sentimento que acha difícil compartilhar com sua família. Ele precisa de assistência para expressar seus sentimentos de ansiedade, solidão, frustração, autodepreciação, confusão sexual e medo. Ele precisa ver como pode assumir responsabilidade pela sua própria vida, o máximo possível, e também como interrompe o seu próprio fluxo organísmico. (OAKLANDER, 1980, p.321)

Um dos objetivos da terapia é levar o adolescente ao entendimento da situação das mudanças físico-emocionais pelas quais ele passa. Dessa forma, a finalidade maior é que ele possa se conhecer e se compreender melhor, além de se sentir mais seguro nos relacionamentos com a família e com a sociedade como um todo.

É preciso que o terapeuta, para a aquisição de tal propósito, busque criar um espaço que seja acolhedor, visando à facilitação da elaboração dos processos apresentados pelo adolescente. Ao favorecer a reflexão das mudanças pelas quais ele está passando, possibilitamos o autoconhecimento e uma gestão mais adequada dos conflitos vividos.

Ainda assim, são muitos os terapeutas que se recusam a atender o adolescente ou mesmo a criança separados do seu ambiente familiar. Outros, por sua vez, ao atender

1 Precisamos tomar cuidado pra não caracterizarmos o comportamento do adolescente como patológico, visto que essa fase é bastante singular e inclui características próprias, não só esperados como adequadas a tal fase.

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que essa fase é bastante singular e inclui características próprias, não só esperados como adequadas a
este público, incluem os pais nos processo terapêutico, seja orientando-os em sessões individuais ou na

este público, incluem os pais nos processo terapêutico, seja orientando-os em sessões individuais ou na presença da criança ou do adolescente.

Psicoterapia com adultos

As exigências atuais estão dispostas de maneira que, muitas vezes, nos tiram o tempo de reflexão sobre os caminhos que estamos trilhando e sobre nós mesmos. Ao deixarmos de olhar para si e para as relações que são estabelecidas com o mundo que nos cerca, nossa rotina nos leva a inúmeros sintomas e formas de adoecer psiquicamente.

Assim, de maneira geral, o trabalho psicoterápico, nesta fase, tem como objetivo examinar a composição e a dinâmica da personalidade, com a finalidade de identificar e abarcar dificuldades, estimular potencialidades, aptidões e interesses, superando, com maior facilidade as situações-problemas. Dessa forma, o trabalho psicoterapêutico reflete diretamente na autoestima, aperfeiçoando múltiplos aspectos do relacionamento interpessoal do paciente.

O contrato terapêutico

Alguns terapeutas sinalizam aos seus pacientes sobre a necessidade do enquadre, não só durante o primeiro contato com eles, como também através de uma folha de papel. Esse contrato, por exemplo, pode até mesmo ser feito em duas vias, uma do terapeuta e a outra do paciente.

Para aqueles que se sentem mais confortáveis com um contrato formal, abaixo, apresentamos um exemplo de contrato para atendimento individual:

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mais confortáveis com um contrato formal, abaixo, apresentamos um exemplo de contrato para atendimento individual: 8
CONTRATO DE ATENDIMENTO São contratados os seguintes itens, a saber, por ambas as partes: Horário

CONTRATO DE ATENDIMENTO

São contratados os seguintes itens, a saber, por ambas as partes:

Horário

O atendimento tem a duração de 50 minutos, sendo realizado em horário

combinado com antecedência, estando o terapeuta à disposição do cliente naquele período.

Por trabalhar com hora marcada, a pontualidade é fundamental, não sendo possível estender o horário para além dos 50 minutos previstos, mesmo em caso de atraso do cliente.

Em caso de atraso do terapeuta, na medida do possível, ocorrerá a compensação para além do horário acordado ou em sessão subsequente (combinação a ser feita oportunamente).

Honorários

 

O

valor

da

sessão

e

de R$

(

e o pagamento será feito sempre (semanalmente/ mensalmente)

)

 

O

pagamento

será

realizado

diretamente

ao

terapeuta/secretária

nas

datas

combinadas e no dia da primeira entrevista.

Qualquer alteração ou reajuste deverá ser estudado oportunamente.

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datas combinadas e no dia da primeira entrevista. Qualquer alteração ou reajuste deverá ser estudado oportunamente.
Faltas Sessões em que o cliente faltar sem desmarcar com antecedência de 24 horas são

Faltas

Sessões em que o cliente faltar sem desmarcar com antecedência de 24 horas são cobradas, normalmente, independente de qualquer justificativa.

Nos casos justificáveis, se houver condições e horários disponíveis na agenda do terapeuta, o horário poderá ser reposto na mesma semana em que houver a falta do cliente.

Não serão permitidas 3 (três) faltas consecutivas. Na terceira falta, avisada ou não, o atendimento será considerado interrompido e o cliente perderá a vaga.

Desmarcações ou mudança de horário

As desmarcações e mudanças de horário só podem ser feitas com até 24 horas de antecedência, não recaindo nenhum ônus ao cliente. Caso o aviso da impossibilidade de comparecimento se dê com menos de 24 horas de antecedência será considerada falta, sendo, então, cobrada a sessão.

A sessão poderá ser reposta na mesma semana, caso o cliente não possa comparecer e a desmarque com a antecedência necessária.

As mudanças de horário só serão possíveis quando haja disponibilidade do terapeuta.

Não serão permitidas 3 (três) desmarcações de atendimento consecutivas. Na terceira desmarcação, o atendimento será considerado interrompido e o cliente perderá a vaga.

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consecutivas. Na terceira desmarcação, o atendimento será considerado interrompido e o cliente perderá a vaga. 10
Férias As férias tiradas pelo cliente devem ser pagas normalmente. Reposições serão feitas de acordo

Férias

As férias tiradas pelo cliente devem ser pagas normalmente. Reposições serão feitas de acordo com a disponibilidade da agenda do terapeuta, no prazo de um mês na sequência das férias.

Nas férias do terapeuta, as sessões deverão ser pagas e as reposições serão feitas da mesma forma, conforme a disponibilidade da agenda do terapeuta.

Término

O tratamento somente será considerado terminado quando, em comum acordo, o cliente e o terapeuta concordarem com sua finalização.

Nos casos de desistência da terapia, o terapeuta não pode se responsabilizar pela não remissão de sintomas buscada pelo cliente.

O presente contrato não implica promessas de cura, mas a aplicação de métodos científicos que tendem a resolver a maioria dos casos e de problemas psicológicos; a remissão de sintomas estará na dependência dos esforços do cliente no seguimento das orientações do terapeuta e de características individuais.

Obs. Não há previsão para o final do tratamento.

Nome do Cliente:

Assinatura:

Data:

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/

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individuais. Obs. Não há previsão para o final do tratamento. Nome do Cliente: Assinatura: Data: /
3.2 – Grupo características e dinâmicas de funcionamento. Um grupo não se traduz por uma

3.2 – Grupo

3.2 – Grupo características e dinâmicas de funcionamento. Um grupo não se traduz por uma junção

características e dinâmicas de funcionamento.

Um grupo não se traduz por uma junção de pessoas. Técnicas diferentes são utilizadas em uma terapia de grupo. Dessa forma, para que o profissional possa se utilizar dessa abordagem, é necessário que ele possua conhecimento sobre grupos, suas definições,

Porém, da mesma forma que ocorre na psicoterapia individual, a terapia de grupo também conta com um enquadre no que diz respeito às questões práticas que visam conservar a organização necessária. É preciso definir a duração destinada àquele grupo, frequência (baseada nos objetivos do grupo em questão), assuntos como férias do terapeuta e dos pacientes, quantidade de membros que podem participar e sobre a saída ou a entrada de novos membros 2 , entre outros quesitos.

Os grupos podem ser divididos entre os abertos e os fechados. De acordo com Ballarin (2003), os grupos abertos permitem que os pacientes sejam substituídos no caso de desistência de algum membro, variando sistematicamente o sistema grupal. O mesmo autor ainda nos lembra de que no grupo fechado, não ocorre o ingresso de novos participantes, mesmo que haja desistência de algum membro.

Por conta deste fato, de acordo com Zimerman e Osorio (1997), um grupo fechado pode ter duração limitada, diferentemente de um grupo aberto, que, por sempre renovar seus membros, pode contar com uma duração ilimitada.

2 A entrada de um novo membro deve sofrer autorização dos pacientes, assim como a saída ou o desligamento de um membro deve ser trabalhada durante a sessão.

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autorização dos pacientes, assim como a saída ou o desligamento de um membro deve ser trabalhada
Em relação à quantidade de pessoas, Liebmann (2000) assegura que não precisamos fixar um número

Em relação à quantidade de pessoas, Liebmann (2000) assegura que não precisamos fixar um número único de participantes em todo e qualquer grupo; apenas devemos ter a consciência de que todos eles precisam manter um contato verbal e visual entre ambos, e que cada membro possua um tempo dedicado para si (ressaltemos, porém, que os clientes têm ritmos diferentes e, de tal forma, devemos tomar cuidado com a necessidade de algum tipo de padronização por parte, tanto do terapeuta quanto dos membros do grupo) e que o número de pessoas não ultrapasse a necessidade de interação e o fluxo livre de ideias.

Os grupos são capazes de modificar o funcionamento pessoal e social dos seus integrantes. Ainda quando não haja uma doença específica ou um foco determinado a ser tratado, o trabalho terapêutico estará permitindo a ampliação da espontaneidade, da autoconfiança, da percepção pessoal em fazer e experenciar ideias, expressar sentimentos e conflitos na presença de outros, além do terapeuta.

Assim, este tipo de psicoterapia, ao permitir que a pessoa entre em contato e se perceba na relação com os membros do grupo, favorece o próprio paciente como agente de sua mudança. Conforme levantado por Bechelli e Santos (2002):

Nesse sentido, a força para a mudança provém dos membros do grupo. Um paciente altamente motivado fortalece a disposição do outro para engajar-se de forma mais efetiva na busca de transformações. O apoio mútuo consolida a união do grupo em torno de um objetivo comum. Por outro lado, isso não quer dizer que o terapeuta tenha função secundária; na verdade ele atua como regente da sessão: sua sabedoria e habilidade são essenciais para estabelecer e manter a cultura do grupo (normas e valores), mobilizar as dinâmicas (coesão, regras e compromisso de mudança) e as forças intrínsecas do grupo (fatores terapêuticos), assegurando o andamento apropriado.

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de mudança) e as forças intrínsecas do grupo (fatores terapêuticos), assegurando o andamento apropriado. (p.389) 13
Em uma terapia de grupo, o terapeuta assume um lugar de observador do grupo, muitas

Em uma terapia de grupo, o terapeuta assume um lugar de observador do grupo, muitas vezes, intervindo menos, se comparado aos atendimentos individuais. Apesar disso, é frequente que os fenômenos transferênciais (sentimentos do cliente dirigidos à figura do terapeuta) apareçam de forma intensa, uma vez que ele ocupa a única posição de autoridade.

Os membros se utilizam da capacidade de alargarem seu próprio funcionamento no grupo, pela forma como se comunicam e partilham seus questionamentos e experiências, ou seja, os grupos geram o encontro de si mesmos por meio dos outros participantes. Os integrantes experimentam, apoiam e reforçam novos papéis, percebendo a reação dos membros diante de determinados comportamentos. Assim, a interação entre os participantes é particularmente reforçada entre eles próprios.

O grupo permite ao paciente observar como os demais se

comportam e o resultado decorrente dessa determinada ação.

Mesmo na condição de observador, estando em silêncio, olhando e escutando com atenção, o cliente pode obter benefício

da experiência da psicoterapia de grupo, sentindo-se aceito, à

medida que determinada situação em andamento tenha um significado particular (efeito espectador). A oportunidade de observar pode gerar aprendizado interior e estimular o paciente a

testar novo comportamento. (BECHELLI e SANTOS, 2005,

p.121)

Acontece também que, ao reconhecer histórias de vidas semelhantes, a pessoa percebe que não está sozinha, o que pode abreviar o processo da cura. Além disso, ao escutar o outro relatando uma situação parecida com aquela vivida, a pessoa se capacita a se distanciar do seu problema e, assim, descobrir uma saída criativa para o que está vivendo.

Ao iniciar a psicoterapia de grupo, o paciente confronta-se, não

só com situações de sua vida real, mas também com as dos

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a psicoterapia de grupo, o paciente confronta-se, não só com situações de sua vida real, mas
outros membros. Dependendo da composição, o grupo pode ter um participante que tenha um significado

outros membros. Dependendo da composição, o grupo pode ter um participante que tenha um significado especial ou particular para outro membro, que lhe traga recordações de experiências passadas ou de situações atuais ou que evoque seus conflitos. Neste caso, o paciente pode passar a assumir certos riscos que normalmente evitaria: tentar novos comportamentos, compartilhar experiências e vivenciar sentimentos que normalmente procura manter à distância. (BECHELLI e SANTOS, 2005, p.121)

É de fundamental importância que as trocas feitas dentro do grupo permaneçam entre os participantes. Assim, a manutenção do sigilo dentro do grupo é um tema que deve ser bem trabalhado entre todos os membros, uma vez que, com mais pessoas envolvidas no processo terapêutico, podemos nos deparar com certa dificuldade sobre a questão da confiança entre os participantes.

Alguns analisam cuidadosamente os riscos a que estão sujeitos com a autoexposição, para não se sentirem melindrados ou agredidos como no passado. Se as condições são seguras, se encontram coerência nas ideias e nos comportamentos, consideração, respeito, sinceridade e empatia da parte dos integrantes do grupo, passam, de forma progressiva, a revelar suas intimidades e seus sentimentos positivos, negativos ou ambivalentes. (BECHELLI e SANTOS, 2005, p.121)

Gostaríamos, ainda, de ressaltar aquilo que foi levantado por Pisani et. al. (1990), ao citarem Olmsted (1970). Tais autores afirmaram que o grupo deve ser percebido como uma pluralidade de indivíduos que se relacionam uns com os outros, que se consideram reciprocamente e que estão conscientes de que têm algo significativamente importante em comum.

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que se consideram reciprocamente e que estão conscientes de que têm algo significativamente importante em comum.
Por sua vez, Maximino (2001) entende o grupo como um recorte menor de pessoas que

Por sua vez, Maximino (2001) entende o grupo como um recorte menor de pessoas que devem estar incluídas por características específicas. Apesar disso, vale ressaltar que um grupo terapêutico não é um grupo social, primeiramente por seu objetivo (tratamento dos membros) e pela presença do terapeuta (necessária para que se efetive o tratamento).

É dever do terapeuta de grupo não permitir que os participantes saiam das sessões com problemas ou questões inacabadas, que possam interferir no seu funcionamento fora do consultório. Tais questões devem ser lidadas no momento do grupo, e, caso não seja possível, em última instância, logo após a sessão.

Também não podemos descartar a possibilidade da ocorrência de sessões de atendimento individuais dentro do processo terapêutico. Esses atendimentos não devem ser marcados pela constância, mas, também, não precisam ser descartados.

terapêutico. Esses atendimentos não devem ser marcados pela constância, mas, também, não precisam ser descartados. 16
terapêutico. Esses atendimentos não devem ser marcados pela constância, mas, também, não precisam ser descartados. 16
terapêutico. Esses atendimentos não devem ser marcados pela constância, mas, também, não precisam ser descartados. 16
terapêutico. Esses atendimentos não devem ser marcados pela constância, mas, também, não precisam ser descartados. 16

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terapêutico. Esses atendimentos não devem ser marcados pela constância, mas, também, não precisam ser descartados. 16
A seleção de pacientes Selecionar os participantes do grupo depende muito da finalidade do encontro.

A seleção de pacientes

Selecionar os participantes do grupo depende muito da finalidade do encontro. Qual é o objetivo terapêutico que se pretende alcançar? O terapeuta quer montar um grupo temático ou não pensa em fechar nenhum tema? Será um grupo misto em relação ao gênero ou destinado a um único sexo?

Ao nos questionarmos e ao respondermos tais perguntas, vamos dando uma forma e diferenciando, além de delimitando os aspectos necessários para a formação de um determinado grupo. Dessa maneira, podemos dizer que os objetivos terapêuticos devem ser traçados antes de se montar o grupo propriamente dito.

Assim, na visão com Ballarin (2003), os grupos terapêuticos podem e devem ser classificados de acordo com a sua estrutura. Este autor, ao dividir os tipos de grupos existentes, nos marca a existência dos heterogêneos, que são constituídos por membros com diferentes questões. Para a elaboração desses grupos, o terapeuta pode levar em consideração desde a personalidade até o diagnóstico formal do paciente na seleção da sua participação.

Não podemos nos esquecer, por outro lado, da existência dos grupos temáticos. Esses grupos são focados em um determinado assunto ou questão que se pretende trabalhar desde o início até o final do tratamento.

O contrato terapêutico

Alguns terapeutas sinalizam aos seus pacientes sobre a necessidade do enquadre, não só durante o primeiro contato com o paciente, como, também, através de uma folha de papel. Esse contrato, por exemplo, pode até mesmo ser feito em duas vias, uma do terapeuta e a outra do paciente.

Para aqueles que se sentem mais confortáveis com um contrato formal, abaixo, apresentamos um exemplo de contrato para atendimento de grupo:

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mais confortáveis com um contrato formal, abaixo, apresentamos um exemplo de contrato para atendimento de grupo:
CONTRATO DE ATENDIMENTO São contratados os seguintes itens, a saber, por ambas as partes: Horário

CONTRATO DE ATENDIMENTO

São contratados os seguintes itens, a saber, por ambas as partes:

Horário

O atendimento tem duração de 90 minutos (1 hora e trinta minutos), sendo

realizado em horário marcado com antecedência, estando o(s) terapeuta(s) à disposição do grupo naquele período.

A pontualidade é fundamental, não sendo possível estender o horário para além dos 90 minutos previstos, mesmo em caso de atraso do cliente. Em caso de atraso do(s) terapeuta(s), na medida do possível, ocorrerá a compensação para além do horário acordado ou em sessão subsequente (combinação a ser feita oportunamente).

Qualquer mudança de horário só se faz possível com a concordância de todos os membros do grupo e do(s) terapeuta(s)

Honorários

 

O

valor

da

sessão

e

de

R$

(

)

e

o

pagamento

será

feito

sempre

 

(semanalmente/ mensalmente).

 
 

O

pagamento será realizado diretamente aos(s) terapeuta(s)/secretária nas datas

combinadas no dia da primeira entrevista.

Qualquer alteração ou reajuste deverá ser estudado oportunamente.

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datas combinadas no dia da primeira entrevista. Qualquer alteração ou reajuste deverá ser estudado oportunamente. 18
Faltas   Sessões em que o cliente não comparecer são cobradas, normalmente,

Faltas

 

Sessões

em

que

o

cliente

não

comparecer

são

cobradas,

normalmente,

independente de qualquer justificativa.

Desmarcações

No atendimento em grupo não existe a possibilidade de desmarcação de sessão.

Sigilo

Em nenhuma hipótese, o que acontece em um atendimento psicoterapêutico em grupo, deve ser relatado no exterior do espaço terapêutico.

Sessões individuais em terapia de grupo

A qualquer tempo por solicitação de cliente ou do(s) terapeutas(s), poderá ser marcada uma sessão individual.

Entrada e saída de clientes

A entrada de clientes se dá após a comunicação e concordância dos demais membros do grupo.

Em caso de interrupção da psicoterapia, o membro do grupo deve notificar pessoalmente aos outros integrantes, colocando da forma mais clara possível os motivos que o levaram a tomar tal decisão.

Duração

Os grupos têm 12 (doze) meses de duração.

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clara possível os motivos que o levaram a tomar tal decisão. Duração Os grupos têm 12
Nome do Cliente: Assinatura: / Terapeuta: Data: / 3.3 – Casal Muita expectativa é posta

Nome do Cliente:

Assinatura:

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Terapeuta:

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3.3 – Casal

do Cliente: Assinatura: / Terapeuta: Data: / 3.3 – Casal Muita expectativa é posta hoje em

Muita expectativa é posta hoje em um relacionamento a dois. Porém, conforme levantado por Lamanno (1994), a ideia do “casaram-se e foram felizes para sempre” é um sonho conduzido de geração a geração por meio da literatura. Como a situação é bem diferente, essa é uma representação abreviada e alterada da realidade que, ainda assim, e, talvez por isso, fascina até mesmo os estudiosos da área.

Há quem diga que está mais difícil sermos um casal hoje do que antigamente. A concorrência interna e externa é grande e, com isso, se antes investirmos mais nas relações, hoje percebemos uma descartabilidade constante de relacionamentos. Vários autores já chegaram a estudar um evento denominado por eles de “monogamia seriada”.

De acordo com Wili (1995), “a patologia nasce quando os parceiros não conseguem satisfazer reciprocamente essas necessidades, ou então, quando têm, um em relação ao outro, expectativas imaturas que não são atendidas.” (p.39)

Somos seres que nos (re)fazemos no processo de interação com o outro, influenciando-nos reciprocamente. Assim, como resultado do contato implícito e da comunicação que estabelecemos, nossas interações com os outros provocam

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como resultado do contato implícito e da comunicação que estabelecemos, nossas interações com os outros provocam
modificações no comportamento dos indivíduos com quem nos relacionamos. Estamos sempre nos comunicando ainda quando

modificações no comportamento dos indivíduos com quem nos relacionamos. Estamos sempre nos comunicando ainda quando nada esteja sendo dito verbalmente.

Qualquer coisa que uma pessoa faz, requer que a outra responda, e essa resposta modela aquela pessoa. Paralelamente, a resposta do outro modela seu próprio eu. Essa sequência, repetida, dá origem a um modelo que se traduz em normas para a relação. Isso, por sua vez, estabelece os parâmetros da relação, limita e expande a vida de cada um dos membros do casal. A terapia de casal é conduzida somente com o par 3 , a fim de se (re)conhecerem, analisarem a relação, escutarem e serem compreendidos. Para isso, é preciso que os códigos, expectativas, sentimentos e a própria falha de identidade de cada parceiro sejam revistos através da participação ativa dos dois. (SATIR, 1995, p.29)

Ainda assim, temos que ter em mente que ao nos propormos em atender um casal, não estamos recebendo apenas duas pessoas, mas, sim, universos diferentes, que carregam um somatório de experiências e crenças, trazidas da família e das vivências pessoais de cada membro do casal. Assim, o enquadre destinado à terapia de casal é diferente do atendimento individual. É função desse trabalho, tratar a comunicação entre as partes, identificar o que contamina esse relacionamento, encontrar novas ações e permitir novos contratos entre os parceiros. Desta forma, esse não será o lugar para cada um tratar de questões que não envolvam o relacionamento, a não ser quando interferem diretamente na relação.

Levando em consideração as necessidades, os desejos e os planos individuais e do casal, o terapeuta é capaz de identificar a maneira como ambos se incluem e se excluem, permitindo um relacionamento de forma mais madura ao se obter um maior conhecimento tanto de si quanto do outro.

3 Para alguns terapeutas é viável o pedido de, algumas vezes, solicitar um membro do casal que compareça sozinho a alguma sessão combinada anteriormente.

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pedido de, algumas vezes, solicitar um membro do casal que compareça sozinho a alguma sessão combinada
Neste tipo de atendimento um dos objetivos é ampliar a consciência sobre a forma de

Neste tipo de atendimento um dos objetivos é ampliar a consciência sobre a forma de funcionamento dos membros na relação com o outro, muitas vezes cristalizada. Ao facilitar a superação do impasse apresentado, através da ampliação da consciência em relação a tais estruturas, possibilitam-se novos recursos para a resolução dos conflitos. O objetivo principal de tal terapia é o de aumentar a habilidade de comunicação, demonstração de sentimentos e de disposição de comprometer-se com a relação.

Ambos influenciam, ambos são influenciados. Algo ocorre entre eles, algo ocorre dentro deles. Importa o presente, importam também o passado e o futuro. Deixa-se de lado o linear, o causal. Abandona-se a ideia de caça aos culpados. Em lugar disso, introduz-se a visão de uma complexidade existente, da qual ambos podem estar se tornando prisioneiros. Por essa razão, a tendência é que casais ou famílias em psicoterapia sintam-se aliviados ao poderem examinar, por novos ângulos, a problemática vivida. Esse alívio, em vez de reforçar acomodamentos, representa e instiga mudanças. (ANTON, 2009, p. 148)

Dessa forma, a terapia de casal é indicada quando o relacionamento está passando por um momento que exige a mediação de um profissional, com o intuito de possibilitar a ponderação da desordem em uma atmosfera livre de interferências e interesses.

Mais do que desabafar, encontrar apoio e proteção, analisar e compreender, a terapia de casal, é uma bela oportunidade para que se experimentem novos tipos de interação, na qual diferenças e divergências são toleradas, bem-vindas e potencialmente enriquecedoras. (ANTON, 2009, p. 81)

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na qual diferenças e divergências são toleradas, bem-vindas e potencialmente enriquecedoras. (ANTON, 2009, p. 81) 22
Ainda que muitos pensem que a terapia de casal serve para evitar a separação, este
Ainda que muitos pensem que a terapia de casal serve para evitar a separação, este

Ainda que muitos pensem que a terapia de casal serve para evitar a separação, este não é o seu propósito. O casamento pode ser preservado quando este é o objetivo de ambos. Por outro lado, por vezes, o motivo de se buscar pela terapia de casal é perceber se há sentimento suficientemente capaz de renovar a relação.

Porém, como a terapia de casal pretende uma melhor qualidade da relação, nós, terapeutas, precisamos estar atentos, visto que tal objetivo pode significar, inclusive, a separação. Apesar disso, ao se dar este fato, não se pode dizer que a terapia tenha falhado, visto que, ainda que os dois resolvam pelo divórcio, possivelmente ele ocorrerá de forma menos traumática ao poderem ter passado por um momento terapêutico de reflexão, onde expressaram suas emoções produtivamente.

De acordo com LaPerrière (1995), podemos sistematizar as dificuldades referentes aos casais utilizando um esquema simples, ao qual podem ser acrescidos diversos níveis de complexidade:

O casal que tem dificuldades para se fazer casal;

O casal que tem dificuldades para achar um modus vivendi reconfortante como casal;

O casal que não sabe se quer permanecer junto ou não;

O casal que precisa de ajuda pra se afastar;

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casal; • O casal que não sabe se quer permanecer junto ou não; • O casal
• O casal que precisa achar um jeito de se adaptar a mais de uma

O casal que precisa achar um jeito de se adaptar a mais de uma relação de casal, geralmente devido à existência de filhos de um casamento ou de uma relação anterior.

 

De acordo com Cordioli (1998) examinado por Anton (2009), são indicações de terapia de casal:

 

De acordo com Cordioli (1998) examinado por Anton (2009), são restrições de terapia de casal:

Conflitos importantes nas relações interpessoais que se agravam com o tempo;

Situações nas quais um ou ambos os cônjuges não podem ser honestos, mentem, têm segredos (infidelidade, homossexualidade, desonestidade nos negócios) que, se revelados, determinariam imediata ruptura da família;

Padrões de interação destrutiva, que podem levar à violência ou à quebra da relação;

Quando

um

dos

cônjuges

tem

Dificuldades

na intimidade,

transtorno grave

de

caráter,

envolvendo a comunicação de afetos e

especialmente

se

for

conduta

sentimentos, companheirismo, planejamento da vida em comum, troca de papéis;

antissocial ou desvio sexual;

Disfunções que surgem em função de mudanças de um dos parceiros:

Quando a individuação de um ou mais membros ficaria comprometida caso a terapia fosse levada a diante.

 

mudança profissional (ascensão ou perda de emprego), mudança de características de personalidade pelo próprio crescimento pessoal ou em consequência de terapia;

 

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de características de personalidade pelo próprio crescimento pessoal ou em consequência de terapia;   24
Disfunções sexuais: vaginismo, anorgasmia, ejaculação precoce, desejo diminuído ou insatisfação com o desempenho do

Disfunções sexuais: vaginismo, anorgasmia, ejaculação precoce, desejo diminuído ou insatisfação com o desempenho do companheiro, que não se resolve com o passar do tempo.

precoce, desejo diminuído ou insatisfação com o desempenho do companheiro, que não se resolve com o

O contrato terapêutico

Alguns terapeutas sinalizam aos seus pacientes sobre a necessidade do enquadre não só durante o primeiro contato com o paciente, como também através de uma folha de papel. Esse contrato, por exemplo, pode até mesmo ser feito em duas vias, uma do terapeuta e a outra do paciente.

Para aqueles que se sentem mais confortáveis com um contrato formal, abaixo, apresentamos um exemplo de contrato para atendimento de casal:

CONTRATO DE ATENDIMENTO

São contratados os seguintes itens, a saber, por ambas as partes:

Horário

O atendimento tem duração de 90 minutos (1 hora e 30 minutos), realizado em horário combinado com antecedência. Por trabalhar com hora marcada, a pontualidade é fundamental, não sendo possível estender o horário para além do previsto, mesmo em caso de atraso do cliente.

Em caso de atraso do terapeuta, ocorrerá a compensação do tempo, para além do horário acordado ou em sessão subsequente (combinação a ser feita oportunamente).

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do tempo, para além do horário acordado ou em sessão subsequente (combinação a ser feita oportunamente).
Honorários O pagamento será realizado diretamente combinadas no dia da primeira entrevista. ao terapeuta/secretária nas

Honorários

O pagamento

será

realizado

diretamente

combinadas no dia da primeira entrevista.

ao

terapeuta/secretária

nas

datas

Qualquer alteração ou reajuste deverá ser estudado oportunamente.

Faltas

Falta sem desmarcar com antecedência de 24 horas são cobradas, normalmente, independente de qualquer justificativa. Nos casos justificáveis, se houver condições e horários disponíveis na agenda do terapeuta, o horário deverá ser reposto na mesma semana em que houver a falta do casal.

Não serão permitidas 3 (três) faltas consecutivas. Na terceira falta, avisada ou não, o atendimento será considerado interrompido e o casal perderá a vaga.

Desmarcações ou mudança de horário

Deverão ser feitas com até 24 horas de antecedência, não recaindo nenhum ônus ao casal. Caso o aviso da impossibilidade de comparecimento se dê com menos de 24 horas de antecedência, considerar-se-á como falta, sendo então cobrada a sessão.

A sessão poderá ser reposta na mesma semana, caso o cliente não possa

comparecer e a desmarque com a antecedência necessária.

Férias

As férias tiradas pelo casal devem ser pagas normalmente. Reposições serão feitas de acordo com a disponibilidade da agenda do terapeuta, no prazo de um mês na sequência das férias.

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serão feitas de acordo com a disponibilidade da agenda do terapeuta, no prazo de um mês
Nas férias do terapeuta, as sessões deverão ser pagas e as reposições serão feitas da

Nas férias do terapeuta, as sessões deverão ser pagas e as reposições serão feitas da mesma forma, conforme a disponibilidade da agenda do terapeuta.

Término

O tratamento somente será considerado terminado quando, em comum acordo, o casal e o terapeuta concordarem em sua finalização.

Nos casos de desistência da terapia, o terapeuta não pode se responsabilizar pela não remissão de sintomas buscada pelo casal.

O presente contrato não implica promessas de cura, mas a aplicação de métodos científicos que tendem a resolver a maioria dos casos e de problemas psicológicos; a remissão de sintomas estará na dependência dos esforços do casal no seguimento das orientações do terapeuta e de características individuais.

Observação: Não há previsão para o final do tratamento.

Nomes:

Assinaturas:

Data:

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individuais. Observação: Não há previsão para o final do tratamento. Nomes: Assinaturas: Data: / / 27
3.4 – Família A terapia familiar é um método de tratamento que engloba as relações

3.4 – Família

3.4 – Família A terapia familiar é um método de tratamento que engloba as relações familiares

A terapia familiar é um método de tratamento que engloba as relações familiares ou aquelas em que os membros possuem algum nível de relacionamento. O trabalho terapêutico com a família envolve todos os seus integrantes e, em determinados casos, são convidados, a critério dos membros da família ou do terapeuta, outros indivíduos que possam auxiliar no processo.

Nesta convivência tão próxima e íntima, absorvemos, queiramos ou não, no relacionamento com as pessoas de nossa família, seja aquela na qual nascemos, seja com as famílias das quais nossos pais vieram, ou com os ditos agregados (empregados, parentes por afinidade), os hábitos, costumes, gestos, leis, comportamentos, enfim, a cultura daquela família. (GROISMAN, 2006, p.11)

Esse tipo de terapia visa a percepção de como as partes desse sistema enfrentam as crises existentes, buscando compreender e melhorar a maneira como cada membro interage entre em família e como podem resolver os conflitos existentes, favorecendo, assim, uma variedade maior de estratégias de funcionamento.

Assim, podemos dizer que a terapia familiar é um método de tratamento do indivíduo, das relações familiares, do grupo familiar como um todo e do vínculo entre seus membros. Dessa forma, o objetivo do terapeuta familiar é orientar seu foco de intervenção para os padrões de interação existentes, que são capazes de sustentarem os problemas apresentados.

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de intervenção para os padrões de interação existentes, que são capazes de sustentarem os problemas apresentados.
No momento que buscam por terapia, todo o sistema familiar está paralisado. A patologia em

No momento que buscam por terapia, todo o sistema familiar está paralisado. A patologia em um dos membros revela que ele está tentando manter aquele equilíbrio que nem sempre é justo ou adequado. Chamamos de paciente identificado aquela pessoa que demarca o sinal de que a família apresenta um problema.

De acordo com Groisman (2006), os membros da família são parte de um sistema e de uma engrenagem, onde cada um, em um papel definido no jogo familiar, é influenciado pelo tempo presente e recebe, ao mesmo tempo, a carga histórica do passado. É como se fosse um movimento de vaivém, como a roda de um moinho que circula no presente, mergulha no passado e se projeta para o futuro. “Há uma interligação constante entre os tempos em que o passado se reflete no presente onde está sendo preparado o futuro.” (p.40)

Assim, os percussores da terapia sistêmica acreditam que se não tratarmos de todo o conjunto afetado pela dificuldade apresentada naquele momento, não estaremos conseguindo atingir o real problema. Posto isso, podemos perceber que para tal abordagem, uma questão individual está ligada ao conjunto das relações (que por ser deficitária, afeta a todos os membros) desenvolvidas por aquela família. Desta forma, aquilo que ocorre em um indivíduo não provém somente de suas próprias condições, mas também das influências do contexto mais amplo, ou seja, no qual ele está inserido. Isso ocorre visto que o sujeito recebe o impacto vindo desse ambiente e atua sobre ele, influenciando-o também. Assim, a terapia familiar se converte em um excelente aliado, ainda que de forma indireta ao tratamento individual.

Salientemos que em todas as famílias encontramos tendências para a saúde e para a doença. A diferença se faz pela forma como cada uma enfrenta as situações de crise e como se permite afetar e ser afetada pelos seus membros.

O contrato terapêutico

Alguns terapeutas sinalizam aos seus pacientes sobre a necessidade do enquadre não só durante o primeiro contato com o paciente, como também através de uma folha

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sobre a necessidade do enquadre não só durante o primeiro contato com o paciente, como também
de papel. Esse contrato, por exemplo, pode até mesmo ser feito em duas vias, uma

de papel. Esse contrato, por exemplo, pode até mesmo ser feito em duas vias, uma do terapeuta e a outra do paciente.

Para aqueles que se sentem mais confortáveis com um contrato formal, abaixo, apresentamos um exemplo de contrato para atendimento de família.

CONTRATO DE ATENDIMENTO

São contratados os seguintes itens, a saber, pelas as partes:

Horário

O atendimento tem duração de 90 minutos (1 hora e 30 minutos), realizado em horário combinado com antecedência. Por trabalhar com hora marcada, a pontualidade é fundamental, não sendo possível estender o horário para além do previsto, mesmo em caso de atraso da família.

Em caso de atraso do terapeuta, ocorrerá a compensação do tempo para além do horário acordado ou em sessão subsequente (combinação a ser feita oportunamente).

Honorários

O pagamento será realizado diretamente ao terapeuta/secretária, combinadas no dia da primeira entrevista.

nas datas

Qualquer alteração ou reajuste deverá ser estudado oportunamente.

Faltas

Falta sem desmarcar com antecedência de 24 horas são cobradas, normalmente, independente de qualquer justificativa. Nos casos justificáveis, se houver condições e

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são cobradas, normalmente, independente de qualquer justificativa. Nos casos justificáveis, se houver condições e 30
horários disponíveis na agenda do terapeuta, o horário deverá ser reposto na mesma semana em

horários disponíveis na agenda do terapeuta, o horário deverá ser reposto na mesma semana em que houver a falta da família.

Não serão permitidas 3 (três) faltas consecutivas. Na terceira falta, avisada ou não, o atendimento será considerado interrompido e a família perderá a vaga.

Férias

As férias tiradas pela família devem ser pagas normalmente. Reposições serão feitas de acordo com a disponibilidade da agenda do terapeuta, no prazo de um mês na sequência das férias.

Nas férias do terapeuta, as sessões deverão ser pagas e as reposições serão feitas da mesma forma, conforme a disponibilidade da agenda do terapeuta.

Desmarcações ou mudança de horário

Deverão ser feitas com até 24 horas de antecedência, não recaindo nenhum ônus à família. Caso o aviso da impossibilidade de comparecimento se dê com menos de 24 horas de antecedência, considerar-se-á como falta, sendo, então, cobrada a sessão.

A sessão poderá ser reposta na mesma semana, caso a família não possa comparecer e a desmarque com a antecedência necessária.

Presença dos membros familiares

As sessões só poderão ocorrer caso todos os membros envolvidos estejam presentes. Caso algum membro desista do tratamento, ele precisa ser desligado durante uma sessão. Caso contrário, a família não poderá continuar no processo sem a sua presença.

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ser desligado durante uma sessão. Caso contrário, a família não poderá continuar no processo sem a
Término O tratamento somente será considerado terminado quando, em comum acordo, família e terapeuta concordarem

Término

O tratamento somente será considerado terminado quando, em comum acordo, família e terapeuta concordarem em sua finalização; nos casos de desistência da terapia, o terapeuta não pode se responsabilizar pela não remissão de sintomas buscada pela família.

O presente contrato não implica promessas de cura, mas a aplicação de métodos científicos que tendem a resolver a maioria dos casos e de problemas psicológicos; a remissão de sintomas estará na dependência dos esforços da família no seguimento das orientações do terapeuta e de características individuais.

Observação: Não há previsão para o final do tratamento.

Nomes dos Clientes:

Assinatura:

Data:

/

/

3.5 – Terapia sexual

dos Clientes: Assinatura: Data: / / 3.5 – Terapia sexual A terapia sexual é uma ciência

A terapia sexual é uma ciência relativamente nova, surgida na década de 60, com a pesquisa de um casal americano, William Masters (1915-2001) e Virgínia Johnson (1925-2013), que juntos participaram de um estudo pioneiro, onde desenvolveram algumas técnicas com a finalidade de superar as disfunções sexuais femininas e masculinas. Hoje, muito mais do que doenças, as disfunções são

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de superar as disfunções sexuais femininas e masculinas. Hoje, muito mais do que doenças, as disfunções
entendidas como representações de múltiplas influências, sejam culturais ou emocionais.

entendidas

como

representações

de

múltiplas

influências,

sejam

culturais

ou

emocionais.

Podemos dizer que terapia sexual é o procedimento realizado por um profissional especialista em distúrbios sexuais. No Brasil, somente médicos e psicólogos clínicos estão habilitados para tais atendimentos. Porém, diferentemente do médico, o psicólogo especialista em sexualidade humana é o profissional encarregado de tratar das disfunções cuja causa não é orgânica 4 .

A formação do psicoterapeuta sexual deve abranger a formação em psicoterapia, incluindo o desenvolvimento da abordagem técnica, além do estudo de aspectos cognitivos quanto à fisiologia sexual, o treino em psicoterapia sexual sob supervisão de um terapeuta que seja mais experiente, aliado a constante atualização profissional. (JÚNIOR, 1995)

“Mais do que isso, o profissional, para ser uma pessoa terapêutica, deve estar satisfeito com a sua sexualidade. Só assim será para os clientes um agente confiável, fomentador de mudanças sexuais construtivas.” (CAVALCANTI e CAVALCANTI, 2006, p. 107)

Sobre o processo em si, podemos dizer que a terapia sexual, assim como a psicoterapia que não esteja focada na questão sexual, tem início em uma primeira entrevista. Esse encontro pode ser realizado de forma individual, somente com a pessoa que traz a queixa principal e pode, quando possível, ser realizado em conjunto com o(a) parceiro(a). Nesse momento, alguns mitos sobre o processo e o tratamento em si são esclarecidos, além de serem traçados os objetivos do tratamento, ressaltando o quanto importante será a implicação do paciente durante o processo terapêutico.

4 É importante ressaltar que antes de admitir um diagnóstico emocional de disfunção sexual, é necessário afastar a possibilidade de um problema orgânico, através de exames físicos e complementares que confirmem ou esclareçam alguma doença.

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de um problema orgânico, através de exames físicos e complementares que confirmem ou esclareçam alguma doença.
De maneira geral, o objetivo do terapeuta sexual é combater a ansiedade existente, não só

De maneira geral, o objetivo do terapeuta sexual é combater a ansiedade existente, não só desmistificando as crenças falsas, como também trabalhando os aspectos psicológicos que não permitem um completo funcionamento corporal. Para tanto, é necessário que o profissional leve em conta os aspectos psicossociais, compreendendo a construção da sexualidade para aquela pessoa, aprimorando, a partir daí, a saúde sexual do seu paciente. Com isso, dependendo da história individual do paciente, a psicoterapia pode estar baseada em uma terapia individual, de casal ou, ainda, no conjunto dos dois processos.

A terapia individual 5 objetiva criar condições para ampliar o autoconhecimento a partir de um aprendizado sobre como é construído determinado sintoma, ou seja, o que a disfunção tem a contar sobre a pessoa, a sua forma de funcionar na relação e no meio. Por sua vez, a terapia realizada com o casal objetiva facilitar a comunicação do mesmo, além de mediar um conhecimento maior sobre como ambos funcionam na relação, ajudando a descobrir, entre outros fatores, de que forma eles se distanciam e como isto se reflete na dinâmica sexual.

Como aliado ao tratamento, o terapeuta sexual utiliza de alguns exercícios sexuais realizados em casa ou quando possível dentro do espaço terapêutico. Algumas técnicas específicas em terapia sexual são: exercício de Kegel, autofocagem, dessensibilização sistemática, dilatação vaginal, pornografia, focagem das sensações, treinamento de fantasia, partilha de fantasia, recondicionamento orgásmico, stop-start, squeeze, desbloqueio ejaculatório, estimulação repetida, coito não exigente, manobra de ponte.

Porém, conforme lembrado por Cavalcanti e Cavalcanti (2006), a técnica é somente uma das ferramentas nas mãos do terapeuta. O diferencial mesmo é a personalidade do profissional que maneja a técnica. Fazer terapia sexual não é utilizar-

5 Ainda que tenha sido elegido o processo individual, dependendo do caso e do tratamento proposto, é de suma importância que o(a) parceiro(a) seja incluído no tratamento visto que toda disfunção lhe repercute em maior ou menor grau.

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que o(a) parceiro(a) seja incluído no tratamento visto que toda disfunção lhe repercute em maior ou
se, de modo aleatório, de procedimentos padronizados, em uma perigosa e seguramente iatrogênica insensatez. Como

se, de modo aleatório, de procedimentos padronizados, em uma perigosa e seguramente iatrogênica insensatez.

Como a terapia é focada na questão sexual, na maioria dos casos, este é um tratamento mais rápido do que a terapia convencional e bastante eficaz, onde, normalmente, o processo é muito prazeroso e de intensas descobertas, tanto para o homem quanto para a mulher.

Entretanto, precisamos levantar aquilo que já foi salientado por Cavalcanti e Cavalcanti (2006): uma das variáveis significativas para se alcançar sucesso terapêutico é formar com o cliente um vínculo de co-responsabilidade quanto ao sucesso ou fracasso da terapia. Ainda assim, os autores destacam que, por mais simples que possa nos parecer um caso clínico, o resultado terapêutico pode ser lento.

Além disso, também nos é impraticável a garantia de que determinada questão sexual seja suficientemente superada, pois, na verdade, tanto a sua resolução quanto o tempo gasto no processo terapêutico estão sujeitos mais ao cliente do que ao terapeuta. Ambos os autores nos deram uma ideia de como abordar essa situação em nosso dia a dia na clínica:

Não posso fixar data para sua cura nem sequer garanti-la. Tudo vai depender de como você vai reagir. O que eu posso lhe assegurar é que colocarei todo o meu interesse e todo o meu conhecimento a seu serviço. Essa é a minha parte. A sua deve ser o desejo e o empenho de mudar. Todo o sucesso da terapia depende de nossa ação solidária. Se você me negar sua colaboração eu não conseguirei nada, mas aí você será o responsável pelo nosso fracasso. Eu não vou negar a minha ajuda; procurarei apontar o caminho, mas a caminhada é sua.

(p.110)

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pelo nosso fracasso. Eu não vou negar a minha ajuda; procurarei apontar o caminho, mas a
A terapia sexual, além de combater a queixa da disfunção, é um aprendizado que dura

A terapia sexual, além de combater a queixa da disfunção, é um aprendizado que dura para a vida toda. Seus efeitos são percebidos na promoção de um ajustamento intra e interpessoal, ou seja, o tratamento não é um fim, mas um meio. O compromisso dos terapeutas sexuais vai além dos órgãos sexuais, mas com as pessoas.

sexuais vai além dos órgãos sexuais, mas com as pessoas. Primeira entrevista de terapia sexual Falar

Primeira entrevista de terapia sexual

Falar sobre sexo ainda é uma situação que não permite que muitos relaxem. O sexo ainda é visto como um tema considerado tabu, muitas vezes recheado de preconceitos. Se estar em um consultório psicoterapêutico, pela primeira vez, para muitos é uma situação delicada, devemos ter especial atenção quando a pessoa se queixa da sua sexualidade. Ela está revelando talvez como nunca antes sua intimidade sexual, aquela que, para muitos, não deveria ser dita a ninguém. Dessa forma, admitir uma disfunção 6 em um mundo atual tão ‘funcional’, não é das tarefas mais fáceis.

6 É preciso prestar atenção se o cliente está fazendo papel de ‘paciente identificado’. Por exemplo, uma mulher que chega ao consultório se queixando de falta de orgasmo, mas ao mesmo tempo relata que o seu parceiro não dá muita atenção às suas necessidades sexuais ou ejacula rapidamente, não deve ser categorizada como anorgásmica já que ela não está sendo estimulada corretamente.

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ejacula rapidamente, não deve ser categorizada como anorgásmica já que ela não está sendo estimulada corretamente.
Fora isso, sabemos que os profissionais não estão qualificados para trabalhar a sexualidade em seus

Fora isso, sabemos que os profissionais não estão qualificados para trabalhar a sexualidade em seus ambientes de trabalho. A consequência disso é coroada com a graduação que não nos oferece um arsenal teórico suficientemente seguro para o cotidiano na prática clínica. Estudantes não são instruídos, muitas das vezes, nem como matéria eletiva, com uma disciplina capaz de dar o respaldo necessário e uma segurança fundamental para se falar sobre tal assunto.

Por outro lado, temos uma pessoa conosco que, normalmente, sofre por anos de uma questão sexual pouco revelada ou com pouco espaço para ser falada (ou entendida) até então, ou seja, normalmente, o cliente chega ao consultório desconfiado ou sedento por informações. É preciso ter cuidado para separar o tempo que temos desse primeiro contato para acolhê-lo e mostrar como pretendemos trabalhar de acordo com a questão apresentada.

Assim, nesse primeiro momento, muito mais do que apresentar um questionário fechado, preocupados em saber como foram, por exemplo, as atitudes parentais, sentimentos referentes à menstruação ou à polução noturna, é tentar acolher a pessoa que nos procura 7 . É preferível e mais sadio que o cliente possa chegar até onde ele se sente confortável e confiante na relação estabelecida até aquele momento. Da mesma forma, é fundamental clarificar que naquele espaço não há julgamentos, ou seja, não estaremos categorizando atitudes como certas ou erradas.

Normalmente deixando isso bem claro, a pessoa se sente mais tranquila e acaba relatando, sem pressão, com maior disponibilidade e aceitação, mesmo que para isso não utilize a comunicação clara e direta. Assim, em alguns momentos e com alguns pacientes, também é preciso que o profissional seja capaz de traduzir o que está sendo dito, checando sempre se está entendo de maneira correta.

É interessante perguntar sobre a disponibilidade do(a) parceiro(a) (ou se há algum), se ele sabe e se cooperaria com o tratamento. Às vezes, a pessoa pode se

7 Apesar disso, no final desse tópico, apresentaremos um questionário para aqueles profissionais que precisam de algum tipo de referência.

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desse tópico, apresentaremos um questionário para aqueles profissionais que precisam de algum tipo de referência. 37
recusar a contar para alguém sobre o tratamento que está fazendo. Este é um direito

recusar a contar para alguém sobre o tratamento que está fazendo. Este é um direito assegurado por alguns profissionais e uma postura que o cliente deverá se responsabilizar.

Também, devemos nos atentar que o(a) parceiro(a) pode tentar boicotar o tratamento. Por exemplo: uma mulher que, durantes anos, se relacionou com um parceiro com disfunção erétil, pode preferir tê-lo assim do que ‘experimentando’ a sua virilidade com outras mulheres.

‘experimentando’ a sua virilidade com outras mulheres. Roteiro de Entrevista Individual Data: / / Nome:

Roteiro de Entrevista Individual

Data:

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Parceiro(a):

 

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Motivo da Consulta

Você tem alguma dificuldade no relacionamento sexual?

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Idade: Parceiro(a):   Idade: Motivo da Consulta Você tem alguma dificuldade no relacionamento sexual? 38
Queixa principal/ Outras queixas. Início, causas percebidas e condições de evolução. Tem notado alguma dificuldade

Queixa principal/ Outras queixas.

Início, causas percebidas e condições de evolução.

Tem notado alguma dificuldade sexual na(o) parceira(o)? Qual? Desde quando?

Dados Pessoais

Infância

Adolescência

Doenças e/ou cirurgias

Medicamentos em uso

Histórico Familiar

Relacionamento dos pais e tipo de criação.

Doença na família

Histórico Sexual

Como e quando teve sua primeira relação sexual? Você participou ativamente? Foi a primeira relação do(a) seu(sua) parceiro(a)? Houve satisfação de ambos? Descreva as sensações físicas.

Já houve alguma experiência de falha de ereção e/ou ejaculação? Quais foram as circunstâncias e a reação de cada um?

Frequência de relações no início da vida sexual e agora?

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Quais foram as circunstâncias e a reação de cada um? Frequência de relações no início da
(M) Com que frequência atingia o orgasmo no início? (H) Já houve falha de ereção

(M) Com que frequência atingia o orgasmo no início?

(H) Já houve falha de ereção e/ou ejaculação?

Alguma experiência sexual traumática? Qual? Consequências?

Relacionamento Sexual

Tem desejo sexual pelo(a) parceiro(a)? E por outras pessoas?

Atração física atual e na época anteriormente com esse(a) parceiro(a)

Satisfação com o próprio corpo e com o do(a) parceiro(a)

Participa ativamente das relações?

Quem inicia a atividade sexual e como acontece?

Comunicam um ao outro o que mais agrada e o que desagrada sexualmente?

Satisfação com a participação sexual do(a) parceiro(a)?

O que mais gosta em uma relação sexual? O que não gosta ou não permite que o(a) parceiro(a) faça?

Pensa em alguma coisa na hora da relação sexual? Em que?

Com que frequência se masturba? Faz uso de alguma fantasia?

Atividades extraconjugais? Comparação com o relacionamento atual?

Qual o nível de satisfação com os tipos de caricias usadas pelo(a) parceiro(a)?

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com o relacionamento atual? Qual o nível de satisfação com os tipos de caricias usadas pelo(a)
Como foi a primeira relação sexual do casal? Houve satisfação para ambos? Possuem reações sexuais

Como foi a primeira relação sexual do casal? Houve satisfação para ambos?

Possuem reações sexuais automáticas? (ereção/lubrificação)

Relacionamento Conjugal

Cronologia das histórias conjugais passadas e motivos das separações.

Quais as razões para a escolha do(a) parceiro(a) atual? Está satisfeito(a) com a escolha?

O relacionamento corresponde às suas expectativas? O que esperava dele?

Como gostaria que o seu(sua) parceiro(a) fosse?

O

que gostaria de mudar em você mesma(o)?

O

que mantêm o relacionamento atual?

Você se acha interessado(a) no tratamento? E seu(sua) parceiro(a)?

O que agrada e o que não agrada nessa relação?

Qual é o estado atual do relacionamento?

Quais são as áreas de compatibilidade e incompatibilidade?

Informação Sexual

Quais eram as atitudes da família perante esse assunto?

Quando e como foram os primeiros conhecimentos sobre sexo?

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Quais eram as atitudes da família perante esse assunto? Quando e como foram os primeiros conhecimentos
Você possui algum conhecimento em termos de funcionamento dos órgãos sexuais femininos e masculinos? O

Você possui algum conhecimento em termos de funcionamento dos órgãos sexuais femininos e masculinos?

O contrato terapêutico

Alguns terapeutas sinalizam aos seus pacientes sobre a necessidade do enquadre, não só durante o primeiro contato com o paciente, como também através de uma folha de papel. Esse contrato, por exemplo, pode até mesmo ser feito em duas vias, uma do terapeuta e a outra do paciente.

Para aqueles que se sentem mais confortáveis com um contrato formal, abaixo, apresentamos um exemplo de contrato para atendimento de terapia sexual:

CONTRATO DE ATENDIMENTO

São contratados os seguintes itens, a saber, por ambas as partes:

Horário

O atendimento tem duração de 50 minutos, realizado em horário combinado com

antecedência. Por trabalhar com hora marcada, a pontualidade é fundamental, não sendo possível estender o horário para além do previsto, mesmo em caso de atraso do cliente.

Em caso de atraso do terapeuta, ocorrerá a compensação do tempo para além do horário acordado ou em sessão subsequente (combinação a ser feita oportunamente).

Honorários

O pagamento será realizado diretamente ao terapeuta nas datas combinadas e no

dia da primeira entrevista.

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Honorários O pagamento será realizado diretamente ao terapeuta nas datas combinadas e no dia da primeira
Qualquer alteração ou reajuste deverá ser estudado oportunamente. Faltas Falta sem desmarcar com antecedência de

Qualquer alteração ou reajuste deverá ser estudado oportunamente.

Faltas

Falta sem desmarcar com antecedência de 24 horas são cobradas, normalmente, independente de qualquer justificativa. Nos casos justificáveis, se houver condições e horários disponíveis na agenda do terapeuta, o horário deverá ser reposto na mesma semana em que houver a falta do cliente.

Não serão permitidas 3 (três) faltas consecutivas. Na terceira falta, avisada ou não, o atendimento será considerado interrompido e o cliente perderá a vaga.

Desmarcações ou mudança de horário

Deverão ser feitas com até 24 horas de antecedência, não recaindo nenhum ônus ao cliente. Caso o aviso da impossibilidade de comparecimento se dê com menos de 24 horas de antecedência, considerar-se-á como falta, sendo então cobrada a sessão.

A sessão poderá ser reposta, na mesma semana, caso o cliente não possa comparecer e a desmarque com a antecedência necessária.

Término

O tratamento somente será considerado terminado quando, em comum acordo, cliente e terapeuta concordarem em sua finalização; nos casos de desistência da terapia, o terapeuta não pode se responsabilizar pela não remissão de sintomas buscada pelo cliente.

O presente contrato não implica promessas de cura, mas a aplicação de métodos científicos que tendem a resolver a maioria dos casos e de problemas psicológicos; a

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mas a aplicação de métodos científicos que tendem a resolver a maioria dos casos e de
remissão de sintomas estará na dependência dos esforços do cliente no seguimento das orientações do

remissão de sintomas estará na dependência dos esforços do cliente no seguimento das orientações do terapeuta e de características individuais.

Observação: Não há previsão para o final do tratamento.

Nome do Cliente:

Assinatura:

Data:

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individuais. Observação: Não há previsão para o final do tratamento. Nome do Cliente: Assinatura: Data: /
Unidade 4 – Psicopatologias e Aplicações Clínicas “Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos

Unidade 4 – Psicopatologias e Aplicações Clínicas

“Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons”. Freud

muito melhores se não quiséssemos ser tão bons”. Freud A psicopatologia pode ser definida como o

A psicopatologia pode ser definida como o ramo da psicologia de enfoque clínico. Nascida à sombra da psiquiatria, a psicopatologia estuda os fenômenos patológicos ou os distúrbios mentais, estabelecendo uma diferença entre o normal e o patológico. Este campo do saber está submerso em um conjunto de variados métodos, objetivos e disciplinas. Por um lado, encontramos a biologia e a neurociência, do outro encontramos os saberes oriundos da psicanálise, sociologia, filosofia, entre outras ciências.

Freud foi somente um dos muitos que se dedicaram à elaboração de uma nosografia do psicopatológico, isto é, a busca por uma classificação das doenças mentais. Desde esse estudo, podemos perceber a dificuldade em traçar um caminho único ou linear no estabelecimento daquilo que é considerado normal. Essa impossibilidade sempre estará presente em nosso campo de atuação, visto que o que é normal ou patológico varia de acordo com o tempo, com a cultura em que estamos inseridos e com a maneira de encarar a vida.

Não podemos deixar de salientar aquilo que nos foi lembrado por Bastos (2008):

“A severidade e a persistência do trauma mental não estão diretamente relacionadas

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foi lembrado por Bastos (2008): “A severidade e a persistência do trauma mental não estão diretamente
com a magnitude da catástrofe ou mesmo da experiência traumática, mas com a forma com

com a magnitude da catástrofe ou mesmo da experiência traumática, mas com a forma com que ocupam a mente e com os papéis que nela representam.” (p. 199)

O exercício da prática clínica não é das tarefas mais fáceis. Ao contrário, consiste em um trabalho árduo e de singular complexidade, visto que o ser humano está submerso em inúmeras variáveis, as quais o profissional deve se atentar e avaliar cuidadosamente. Assim, em cada caso, estamos trabalhando com peculiaridades individuais, eventos importantes e indispensáveis para a construção e a elaboração do nosso raciocínio clínico.

Precisamos, dito isso, ter em mente que o desenvolvimento da psicopatologia e das suas diferentes correntes e definições relacionadas ao seu contexto, seja médico ou psicológico, proporcionou aplicações e conceituações bastante diversas, propondo variadas formas de enxergar a patologia e os indivíduos que dela sofrem.

Conhecidos manuais são consultados e dominam o discurso dos profissionais da área da saúde. Seja o DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana, atualmente em sua 4ª edição) ou o CID (Classificação Internacional de Doenças, atualmente em sua 10ª revisão), os profissionais se utilizam de instrumentos técnicos que nos contam sobre a necessidade de padronizarmos a codificação das doenças, facilitando os demais profissionais nas queixas e nas investigações necessárias.

Salientaremos, aqui, algumas patologias que julgamos de suma importância na preparação profissional dos atendimentos clínicos psicológicos. Também, da mesma forma, nos cabe levantar que nossa ideia não é resumir todas as patologias em tão pouco espaço. Contamos sempre com a esperança para que a pesquisa profissional não termine nessas poucas linhas.

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pouco espaço. Contamos sempre com a esperança para que a pesquisa profissional não termine nessas poucas
4.1 – Transtornos de ansiedade Como o próprio nome diz, os transtornos de ansiedade têm

4.1 – Transtornos de ansiedade

4.1 – Transtornos de ansiedade Como o próprio nome diz, os transtornos de ansiedade têm como

Como o próprio nome diz, os transtornos de ansiedade têm como manifestação principal um alto nível ansiogênico. Os principais transtornos de ansiedade são: transtorno do estresse pós-traumático, síndrome do pânico, as fobias (fobias específicas e fobia social) e o transtorno obsessivo-compulsivo. Para cada um deles existe uma intervenção própria como base de tratamento que visa maximizar os resultados do trabalho psicoterapêutico, ou seja,

trazer qualidade de vida para o indivíduo, através de comportamentos mais adaptativos

e pensamentos mais racionais.

Ressaltemos que a ansiedade é um mecanismo normal e até mesmo esperado em determinadas situações, que nos deixa alerta para enfrentarmos as dificuldades (sejam elas reais ou imaginárias), podendo até mesmo ser caracterizada como uma força que

nos ajuda a decidir e agir. Porém, ao tomar grandes proporções, tornando-se prolongada

e profunda, esta reação acaba por prejudicar o indivíduo, trazendo sofrimento a este.

A ansiedade é um padrão de resposta incondicionado, com um conjunto de reações fisiológicas referentes à emissão de comportamentos de luta ou fuga frente a situações perigosas. Sob a ótica darwiniana, são respostas adaptativas que evitam o não- reconhecimento e a exposição do organismo a situações potencialmente perigosas. A ansiedade, portanto, está a serviço da preservação da vida. (KNAPP e CAMINHA, 2003, p. 32)

É comum nos quadros de ansiedade a existência de comorbidade (diagnóstico duplo), isto é, o indivíduo pode apresentar mais de um tipo de transtorno ansioso ao

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de comorbidade (diagnóstico duplo), isto é, o indivíduo pode apresentar mais de um tipo de transtorno
mesmo tempo. Além disso, a ansiedade pode desencadear a somatização, ou seja, quando o organismo

mesmo tempo. Além disso, a ansiedade pode desencadear a somatização, ou seja,

quando o organismo converte a ansiedade em problemas físicos, como, por exemplo:

dores de cabeça, dores no corpo, tensão muscular e problema de estômago.

O objetivo do tratamento psicoterápico, voltado para a ansiedade, é permitir que

o cliente identifique, avalie e modifique o seu modo de funcionamento e os

comportamentos que são capazes de manter tal quadro. Como apoio, pode ser indicado

o uso de fármacos, dentre os quais ansiolíticos e antidepressivos são os mais utilizados.

Esses remédios são controlados e só podem ser prescritos por um médico.

são controlados e só podem ser prescritos por um médico. Estresse Seja para enfatizar uma ação

Estresse

Seja para enfatizar uma ação ou como sinônimo de cansaço, as pessoas se

habituaram a usar a palavra estresse. Porém, o cansaço nem sempre é algo ruim. Mas,

muitas pressões, em união com outras, podem provocar um desgaste desnecessário.

Na verdade, a palavra estresse, de origem inglesa, foi usada pela primeira vez

pela física para determinar o grau de deformidade sofrido por um material ao ser

submetido a um esforço ou determinada tensão. Este termo foi emprestado para a

medicina e para a biologia com a finalidade de caracterizar o esforço da adaptação de

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termo foi emprestado para a medicina e para a biologia com a finalidade de caracterizar o
um organismo ao enfrentar situações consideradas ameaçadoras à sua vida ou ao seu equilíbrio interno.

um organismo ao enfrentar situações consideradas ameaçadoras à sua vida ou ao seu equilíbrio interno.

Assim, o estresse, em princípio, não é uma doença. É apenas uma preparação do organismo para lidar com algumas situações 8 , ou seja, é uma reação a um determinado estímulo, a qual varia de pessoa para pessoa. Porém, o prolongamento de uma situação particular, de acordo com as características individuais, pode gerar alterações indesejáveis ao indivíduo.

O processo de estresse acontece primeiramente por uma fase denominada “fase de alarme”. Ela é desencadeada quando o nosso cérebro percebe algo ameaçador. O indivíduo se depara com um estímulo estressor, positivo ou negativo: falta de tempo ou uma nova paixão, por exemplo.

Diante desse estímulo, o organismo, então, entra em estado de alerta para se proteger do perigo, dando prioridade aos órgãos de defesa, de ataque e de fuga. As reações corporais são desenvolvidas nesta fase, visto que a noradrenalina, produzida nas glândulas suprarrenais, acelera os batimentos cardíacos e provoca uma alta da pressão arterial (o que permite uma melhor circulação do oxigênio). Além disso, entre outras reações, que não enxergamos, o fígado também libera o açúcar armazenado para que este seja usado pelos músculos.

Além dessas, pode ocorrer a sensação de “boca seca”, a respiração ficar mais intensa, as pupilas se dilatarem, os batimentos acelerarem, ou seja, de forma resumida, podemos dizer que ocorre uma bateria de reações refletidas no organismo.

Porém, se o indivíduo aprende a lidar com o estresse, o organismo volta à sua condição anterior de equilíbrio interno. Mas se o estímulo estressor persiste, o indivíduo entra na fase denominada “resistência ou esgotamento” ou, ainda, “estresse contínuo”, onde persiste o desgaste necessário à manutenção do estado de alerta, acumulando-se a

8 O estresse também pode ser desencadeado por algo excitante que faça a pessoa muito feliz, pois como o organismo não julga a natureza da ameaça, nem sempre o estímulo disparador é um acontecimento ruim.

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pois como o organismo não julga a natureza da ameaça, nem sempre o estímulo disparador é
tensão. Toda essa mobilização gera consequências como a redução da resistência do organismo e a

tensão. Toda essa mobilização gera consequências como a redução da resistência do organismo e a sensação de desgaste, o que é capaz de provocar cansaço e lapsos de memória, entre outros.

A terceira fase é denominada de fase de “exaustão ou esgotamento”, e é o momento onde há uma queda acentuada dos nossos mecanismos de defesa. De acordo com Knapp e Caminha (2003), ao citarem os autores Perry e Pollard (1997), se o estresse é severo, prolongado ou recorrente, os mecanismos compensatórios podem ser excedidos, esgotados ou incapazes de restaurarem a homeostase.

Assim, na persistência de tais estímulos, há uma diminuição da imunidade e o surgimento de algumas doenças, como: gastrite, dores vagas, taquicardia, fobias, ansiedade, herpes, depressão e bruxismo.

Precisamos levar em consideração que a vulnerabilidade individual, assim como

a capacidade de adaptação são importantes, não só na ocorrência, como na gravidade

das reações ao estresse. Assim, o desenvolvimento desta patologia irá depender tanto da

personalidade quanto do estado de saúde do indivíduo (mental e orgânico).

Vale ressaltar que o estresse não é ruim por si só. Em doses adequadas, pode ser considerado um fator de motivação. Quando está abaixo de certos níveis, provoca tédio

e dispersão, quando está acima, ansiedade e cansaço.

A terapia voltada a este transtorno visa que a pessoa possa aprender com os sintomas que ela carrega consigo para que, dessa forma, eles sejam superados. Através desse conhecimento, busca-se modificar o contexto presente ou aprender a conviver com este, ou seja, pretende-se conseguir um ajuste criativo às situações vividas.

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presente ou aprender a conviver com este, ou seja, pretende-se conseguir um ajuste criativo às situações
Transtorno de estresse pós-traumático Desde o estudo iniciado por Freud com seus pacientes que sofriam
Transtorno de estresse pós-traumático Desde o estudo iniciado por Freud com seus pacientes que sofriam

Transtorno de estresse pós-traumático

Desde o estudo iniciado por Freud com seus pacientes que sofriam de histeria,

que se busca por conexões psicológicas entre os eventos traumáticos vividos e os

sintomas apresentados pelos pacientes. Seja através da história pessoal ou do

reconhecimento de estressores traumáticos, o estudo de tal distúrbio foi-se ampliando e

aquilo que antes era entendido como neurose de guerra, hoje, menos inespecificamente,

denominamos transtorno de estresse pós-traumático. Este conceito avalia o quão

ameaçador foi determinado evento para o indivíduo e os sintomas desenvolvidos pela

presença de considerável sofrimento.

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma

psicopatologia que se desenvolve como resposta a um estressor

traumático, real ou imaginário, de significado emocional

suficiente para desencadear uma cascata de eventos psicológicos

e neurobiológicos relacionados. O indivíduo envolvido ( )

perde

físico e psicológico da situação,

o

controle

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e neurobiológicos relacionados. O indivíduo envolvido ( ) perde físico e psicológico da situação, o controle
experimentando níveis elevados de ansiedade, alterando os padrões normais da neuroquímica, e, por conseguinte, das

experimentando níveis elevados de ansiedade, alterando os padrões normais da neuroquímica, e, por conseguinte, das cognições, dos afetos e dos comportamentos. (KNAPP e CAMINHA, 2003, p. 31)

Não é raro que os indivíduos que apresentem este transtorno, façam de tudo para evitar os estímulos associados com o trauma, afastando-se de qualquer reação que possa desencadear algum ciclo de lembrança traumática: sejam conversas ou mesmo atividades associadas ao trauma. Também, como consequência desse comportamento, é possível que a pessoa apresente um distanciamento emocional, acompanhado de um isolamento social. Insônia, irritabilidade, dificuldade para se concentrar, hipervigilância e sobressaltos também podem estar presentes.

As possibilidades de tratamento vão desde o individual ao tratamento grupal. Algumas situações devem ser tratadas individualmente, conforme a experiência vivida pelo paciente, no entanto, há vantagens no tratamento em grupo para vítima de TEPT, tais como: diminuir a sensação de isolamento; fornecer apoio social; ajudar a confirmar e normalizar sentimentos em relação ao trauma; compartilhar técnicas de manejo e enfrentamento; proporcionar um ambiente seguro para o desenvolvimento de vinculação afetiva; e poder ajudar aos participantes a atribuir significado diferente ao evento traumático. Ito e Roso apontam, ainda como vantagens de se trabalhar em grupoterapia, a reintegração social, a substituição da atitude passiva, de vitimização, para uma atitude ativa, de sobrevivente, facilitando o modo de lidar com o problema. (KNAPP e CAMINHA, 2003, p. 36)

Conforme

consideração

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(2003),

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que levantado por nem todos os Soares e Lima (2003), indivíduos submetidos 52 a precisamos levar
apresentam este transtorno, o que pode estar relacionado a uma resposta particular ao estressor ou

apresentam este transtorno, o que pode estar relacionado a uma resposta particular ao estressor ou a uma predisposição singular daquele indivíduo.

Apesar disso, Davidson citado por Quevedo et al. (2003) nos lembra que, segundo a última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM IV, a declaração do diagnóstico para esta patologia ocorre quando: a pessoa vivenciou, assistiu ou foi confrontada com um ou mais acontecimentos que envolveram morte ou ferimento grave, reais ou ameaçados, ou uma ameaça à integridade física, própria ou de outros. Além disso, o evento traumático deve ser constantemente revivenciado na forma de imagens, pensamentos, percepções, sonhos ou recordações angustiantes.

Claro que reatividade psicológica ou fisiológica podem estar presentes à lembrança do evento, além da esquiva persistente de estímulos associados com o trauma. Para tanto, também é necessário que a duração seja de, pelo menos, quatro semanas e a perturbação seja capaz de causar sofrimentos clinicamente significativos no funcionamento social ou ocupacional.

Síndrome do pânico

A síndrome do pânico, também conhecida por transtorno do pânico ou simplesmente pânico, trata-se de um transtorno de ansiedade que tem como característica principal pelo menos dois ataques recorrentes, inesperados e seguidos, constante preocupação acerca de um novo ataque, preocupação sobre as possíveis implicações ou consequências deles e a dificuldade em retornar a lugares parecidos com aquele em que a pessoa se encontrava no momento da crise.

Os ataques de pânico não podem ocorrer devido a efeitos fisiológicos diretos de substância como, por exemplo, intoxicação por cafeína. Também não podem estar combinados a nenhuma condição médica geral nem ser mais bem explicados por algum outro transtorno mental, como no caso da fobia específica.

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médica geral nem ser mais bem explicados por algum outro transtorno mental, como no caso da
A síndrome do pânico pode vir acompanhada de agorafobia, isto é, quando as crises ocorrem

A síndrome do pânico pode vir acompanhada de agorafobia, isto é, quando as crises ocorrem fora da “zona de conforto” do indivíduo, permitindo uma sensação de que ele vai precisar de algo e não terá como obter ajuda.

De acordo com os modelos cognitivo-comportamentais, os ataques de pânico aparecem a partir de interpretações distorcidas e catastróficas dos sintomas corporais. Tontura e palpitações cardíacas podem ser interpretadas, por exemplo, como um ataque cardíaco ou infarto iminente. Tais interpretações aumentam a excitação e intensificam as sensações corporais, confirmando, desta forma, um senso de "perigo" iminente e gerando mais interpretações catastróficas e ansiedade em uma rápida espiral. (MANFRO et al., 2008, p. 81)

Normalmente, a síndrome do pânico tem boa resposta ao ser tratada baseada na terapia cognitivo-comportamental, aliada aos medicamentos antidepressivos. O tratamento psicoterapêutico baseia-se em corrigir os pensamentos sobre os sintomas ansiosos e em aprender como lidar com eles, controlando novas ocorrências, de modo que seja possível evitar um novo episódio. Para isso, é preciso que se tenha trabalhado os sintomas principais, amenizando-os primeiro, para então trabalhar os aspectos emocionais paralisantes.

Ainda assim, é preciso que tenhamos em mente que por se tratar de uma doença crônica, ou seja, mesmo após um tratamento bem sucedido, os ataques podem voltar. Desta forma, é indicado que haja um acompanhamento, mesmo depois da melhora da pessoa, com a finalidade de evitar recaídas.

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forma, é indicado que haja um acompanhamento, mesmo depois da melhora da pessoa, com a finalidade
Fobia O medo não é só um sentimento inerente do ser humano. Ele é como
Fobia O medo não é só um sentimento inerente do ser humano. Ele é como

Fobia

O medo não é só um sentimento inerente do ser humano. Ele é como um mecanismo de proteção capaz de fazer soar o “alarme interno” de que algo ruim pode acontecer. Porém, quando esse medo é vivenciado de forma excessiva, persistente ou irracional em relação a determinado tipo de objeto, animal, atividade ou situação que represente pouco ou nenhum perigo, chamamos de fobia. Faz parte do comportamento fóbico, a evitação aos objetos causadores da fobia, o que, por sua vez, pode interferir no trabalho ou mesmo nas interações sociais do indivíduo.

Uma das técnicas empregadas no tratamento de fobias é a dessensibilização sistemática, onde o cliente, acompanhado pelo profissional, é exposto gradativamente ao estímulo ameaçador, iniciando com situações que provocam menos ansiedade, avançando para outras de maior ansiedade, à medida que for superando as fases anteriores. Desta forma, este trabalho é realizado, respeitando as questões menos assustadoras aos estímulos fóbicos para aquele determinado paciente.

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é realizado, respeitando as questões menos assustadoras aos estímulos fóbicos para aquele determinado paciente. 55
O tratamento da fobia, além da terapia, deve contar com a ajuda medicamentosa, onde a

O tratamento da fobia, além da terapia, deve contar com a ajuda medicamentosa, onde a intervenção de um psiquiatra é necessária para saber qual é a medicação melhor indicada para o caso em questão.

é a medicação melhor indicada para o caso em questão. Fobia específica A fobia específica é

Fobia específica

A fobia específica é o medo persistente e recorrente a um determinado objeto ou circunstância especial, que desencadeia uma forte reação de ansiedade, medo ou mal estar provocados tanto pela presença como pela antecipação do objeto específico ou da situação.

Vale lembrar que este tipo de fobia, normalmente, não impede que as pessoas realizem suas tarefas cotidianas, uma vez que o objeto fóbico não faça parte da rotina da pessoa. Assim, podemos dizer que a seriedade do dano resultante desta fobia depende de quão fácil é para o paciente evitar a circunstância fóbica.

Os objetos fóbicos mais comumente encontrados são fobias a animais, como:

cães, aranhas, lesmas e cobras. Outras fobias comuns são: sangue, injeção, relâmpagos, tempestades, altura, elevador, avião, espaços pequenos ou escuros.

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comuns são: sangue, injeção, relâmpagos, tempestades, altura, elevador, avião, espaços pequenos ou escuros. 56
Fobia social A fobia social ou o transtorno ansioso social é uma desordem de manifestações

Fobia social

A fobia social ou o transtorno ansioso social é uma desordem de manifestações de tensão nervosa e medo, frequentemente confundida com excesso de timidez e/ou traços de personalidade. Porém, este transtorno é desencadeado pela exposição à avaliação social, ou seja, quando a pessoa precisa interagir com o meio externo, realizar atividades sob observação ou participar de alguma atividade social.

Esta é uma resposta inadequada a determinado estímulo, em virtude de sua intensidade, duração e sintomas. Diferentemente da ansiedade social normal, a patológica paralisa o indivíduo, traz prejuízo ao seu bem-estar e ao seu desempenho e não permite que ele se prepare e enfrente as situações ameaçadoras. (NARDI, 1999, p. 249)

O comportamento do sujeito que apresenta fobia social não se encontra dentro do limite do saudável e sim, delimitado pela dificuldade que o indivíduo apresenta ao se expor emocionalmente, ao tomar decisões ou ao exigir seus direitos. Seus comportamentos são utilizados, muitas das vezes, automaticamente, com a única finalidade de evitar a exposição, o julgamento ou a reprovação ao qual ele se sente submetido. Desta forma, é comum ceder aos desejos alheios, visto que não consegue estabelecer limites, formatando e participando de relações desconfortáveis.

Ainda que perceba que seus medos são excessivos ou mesmo irracionais, este transtorno interfere na maneira de viver do portador, que experimenta uma enorme ansiedade e apreensão ao confrontar situações socialmente temidas. Normalmente, a pessoa faz o possível para evitá-las e, com isso, tende ao isolamento como forma de defesa aos ataques e julgamentos que supõe sofrer, sofrendo em silêncio com seus problemas. Este comportamento termina por contaminar as novas relações sociais, como: amizades, relacionamentos amorosos, formação de uma família ou mesmo de crescimento profissional.

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sociais, como: amizades, relacionamentos amorosos, formação de uma família ou mesmo de crescimento profissional. 57
Levantamos que essa esquiva ocorre em conjunto com uma sensação de alívio e com o

Levantamos que essa esquiva ocorre em conjunto com uma sensação de alívio e com o sentimento de culpa ou de fracasso por não conseguir fazer diferente. Porém, as situações sociais temidas e a intensidade da reação fóbica para estas situações variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo.

O objetivo do tratamento da pessoa com fobia social, é permitir que ela tenha uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, a terapia, normalmente de base cognitiva, pretende criar estratégias de enfrentamento direto das situações temidas. Realizada de forma gradual, o terapeuta deve criar junto ao cliente uma escala, partindo do estímulo que provoca menor desconforto para a de maior debilidade.

Assim, é preciso que se identifique as situações geradoras dos esquemas disfuncionais, que levam a pessoa a se sentir cada vez mais ansiosa, além dos pensamentos automáticos negativos que, ao serem gerados pelo esquema, influenciam fortemente as reações e os comportamentos do indivíduo.

Outro objetivo da terapia focada em tais pacientes é o de permitir que a pessoa desenvolva técnicas de assertividade, se posicionando e se afirmando perante os outros, como sujeito ciente de suas vontades.

O uso de fármacos como os ansiolíticos também podem ser indicados, desde que orientados por um psiquiatra. Porém, eles são coadjuvantes da terapia, ou seja, não são capazes de sozinhos tratarem a fobia. Desta forma, não é indicado seu uso isolado, pois poderá mascarar as reações desagradáveis oriundas do transtorno.

forma, não é indicado seu uso isolado, pois poderá mascarar as reações desagradáveis oriundas do transtorno.

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forma, não é indicado seu uso isolado, pois poderá mascarar as reações desagradáveis oriundas do transtorno.
Transtorno obsessivo-compulsivo O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade que possui como

Transtorno obsessivo-compulsivo

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade que possui como forte característica os pensamentos obsessivos e compulsivos, no qual o indivíduo tem comportamentos considerados estranhos para a sociedade ou para si mesmo. Normalmente, esses pensamentos são relacionados às ideias exageradas e irracionais sobre saúde, higiene, simetria, entre outros. Também são comuns as obsessões destacadas por Gonzalez (1999), como a preocupação com sujeira ou secreções corporais, medo de que algo terrível possa acontecer a si mesmo ou a alguém querido.

Vale ressaltar que tais obsessões e compulsões são persistentes e fazem com que a pessoa perca tempo, sofra ou tenha sua vida prejudicada por elas, visto que interferem significativamente na rotina normal do indivíduo, no seu trabalho, em atividades sociais ou nos relacionamentos com amigos e familiares.

De acordo com Gonzalez (1999), obsessões não podem ser consideradas apenas preocupações excessivas em relação a problemas cotidianos. As obsessões são pensamentos invasivos, inúteis de serem controlados, suprimidos ou neutralizados por outro pensamento ou ação, ainda que sejam percebidos como algo sem sentido e que o indivíduo reconheça que seu comportamento como irracional.

Por sua vez, as compulsões 9 , isto é, os comportamentos conscientes e repetitivos, têm como objetivo reduzir a ansiedade gerada pela obsessão. São bem variadas, ainda que possamos citar entre as mais frequentes, como os rituais de limpeza, de repetição, de contagem e de verificação. Gonzalez (1999) destacou como as principais, a lavagem de mãos, verificação de portas, ordenação e arrumação, contagem e colecionismo. Ressaltemos, porém, que alguns exemplos tornam-se difíceis de serem identificados, uma vez que são rituais mentais, isto é, atos que ocorrem internamente.

9 Esclaremos que para que tais comportamentos sejam categorizados como compulsão, eles precisam ocorrer em frequência bem acima da necessária ou do habitual.

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sejam categorizados como compulsão, eles precisam ocorrer em frequência bem acima da necessária ou do habitual.
De acordo com o DSM-IV (1995), para se fazer um diagnóstico de TOC é necessário

De acordo com o DSM-IV (1995), para se fazer um diagnóstico de TOC é necessário que o nível da sintomatologia interfira no funcionamento social, interpessoal, ocupacional ou acadêmico do indivíduo e que os sintomas tomem mais de uma hora por dia do indivíduo.

O tratamento do transtorno obsessivo compulsivo se faz associado ao tratamento farmacológico, indicado e acompanhado por um psiquiatra.

4.2 – Transtornos de humor

acompanhado por um psiquiatra. 4.2 – Transtornos de humor Transtornos do humor são aqueles que têm

Transtornos do humor são aqueles que têm como característica predominante uma perturbação no humor do indivíduo. Este transtorno afeta diversas áreas da vida do indivíduo, tendendo a ser recorrente e acompanhado de uma modificação no nível global de atividade pessoal. Porém, devemos levar em consideração que, quando a alteração do humor é causada por alguma doença ou pelo uso de medicamentos, esta classificação não pode ser usada, visto que é somente um sintoma.

Existem alguns tipos de transtornos do humor, que podem ter frequência, gravidade e duração variáveis. No nosso curso, iremos destacar a depressão, a distimia e o transtorno bipolar.

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gravidade e duração variáveis. No nosso curso, iremos destacar a depressão, a distimia e o transtorno
Depressão Frequente distúrbio atual, que acomete pessoas de diversas classes sociais, níveis culturais ou

Depressão

Frequente distúrbio atual, que acomete pessoas de diversas classes sociais, níveis culturais ou profissionais. Normalmente, estamos falando de indivíduos que, por diferentes motivos, ao longo da vida, aprendem a não perceber seus próprios limites. Assim, ao se perderem em suas introjeções, não conseguem obter do mundo um equilíbrio entre o gasto de energia desprendido e a sua própria satisfação.

A depressão é a mais profunda impotência funcional perante a vida, pois a maneira de pensar daqueles que sofrem deste distúrbio torna-se distorcida. Assim, este quadro não pode ser entendido como sendo uma simples tristeza. É uma doença mental,

caracterizada por sintomas físicos (perda de sono e apetite), cognitivos (concentração debilitada, indecisão etc), motivacionais (perda de interesse, inércia etc), comportamentais (níveis relaxados de atividade e retraimento) e emocionais (ansiedade

e culpa). Este distúrbio caracteriza-se pela sensação de impotência, incapacidade de

buscar satisfação no meio ambiente e busca de isolamento 10 em relação a esse meio.

Há pesquisas que buscam encontrar determinantes em termos de herança

genética para que uma pessoa manifeste a depressão. O que se tem notado através delas

é que, mesmo que exista uma pré-disposição genética, isto por si só não determina a

ocorrência da crise depressiva. A história do indivíduo está ligada à forma como ele se

constitui e desenvolve sua maneira de ser. Assim, diferentes formas de tratamentos estão disponíveis para aqueles que são acometidos pela depressão. Essa diversidade se dá pelos diferentes entendimentos que existem em relação à origem da mesma.

Os sintomas da depressão podem ser rapidamente aliviados com tratamento psicológico, medicamentos, ou uma combinação das duas coisas. Ao psicólogo cabe acompanhar o cliente em sua busca, aliviando a angústia emocional, além de facilitar a sua autopercepção. Para o paciente, alguns exercícios corporais são propostos, muitas

10 Devemos salientar que a vivência de sintomas depressivos após uma perda, muitas das vezes, faz parte do processo de elaboração do luto.

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a vivência de sintomas depressivos após uma perda, muitas das vezes, faz parte do processo de
vezes, para que se consiga ampliar sua percepção a respeito de si em busca de

vezes, para que se consiga ampliar sua percepção a respeito de si em busca de seu equilíbrio.

Entretanto, algumas vezes, se faz necessária uma intervenção multidisciplinar com um médico especializado, isto é, um psiquiatra. A intervenção farmacológica permite a restauração do equilíbrio químico no cérebro. Porém, leva tempo para que os antidepressivos comecem a funcionar e, às vezes, a dosagem precisa de ajuste.

Precisamos levar em conta que ainda que a síndrome depressiva não tenha valor patognomônico, ou seja, não indique, por si só, um diagnóstico definitivo, sua presença pode alterar a evolução de várias doenças e mesmo confundi-las. Assim, os exames complementares visam afastar possíveis causas orgânicas que originem ou estejam agravando o processo depressivo.

Além disso, a saída de um quadro depressivo dá-se gradativamente, muitas vezes, com altos e baixos. É importante que o indivíduo tenha conhecimento deste fato, que é comum e esperado que se tenha algumas recaídas, para que não abandone o tratamento.

Sintomas comuns

Causas comuns

Alterações psicomotoras no apetite e no sono; Falta de prazer; Auto-reprovação e culpa; Pensamentos ligados a morte ou a suicidas; Perda de energia e desânimo; Dificuldade em entrar em contato e de expressar os sentimentos; Queda imunológica; Sensação de vazio e de fracasso;

Predisposição genética; Predisposição da própria personalidade; Situações desgastantes e frustrantes; Perda de pessoa querida, dinheiro, posição social ou profissional; Parto; Uso de certos medicamentos (como a anfetamina e a cortisona); Dores crônicas; Doenças físicas.

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Parto; Uso de certos medicamentos (como a anfetamina e a cortisona); Dores crônicas; Doenças físicas. 62
Respiração superficial; Perda de interesse em diferentes atividades (incluindo a sexualidade). Distimia O transtorno

Respiração superficial; Perda de interesse em diferentes atividades (incluindo a sexualidade).

Respiração superficial; Perda de interesse em diferentes atividades (incluindo a sexualidade).

Distimia

O transtorno distímico é caracterizado, para os adultos, por pelo menos dois anos de um humor deprimido mais leve e contínuo do que na depressão. Diferentemente desta faixa etária, para as crianças, basta um ano para que o diagnóstico seja realizado, sendo que, para elas, o humor pode ser irritável ao invés de deprimido, desde que esteja presente em maior parte do tempo.

Este tipo de transtorno é caracterizado pela falta de prazer ou de divertimento na vida ou pelo constante sentimento de negatividade, onde a irritabilidade e a impaciência são sintomas característicos que incomodam até mesmo a própria pessoa. Esse fato, somado ao baixo interesse em várias áreas da vida, pode levar ao isolamento social, com poucos relacionamentos sociais, o que inclui as relações familiares e profissionais.

Como é difícil precisar o momento inicial deste quadro, muitas vezes, o diagnóstico preciso só pode ser feito depois que o quadro está instalado. Além disso, não é raro que a pessoa sofra de distimia e acredite que o seu problema é constitucional, isto é, que faz parte do seu ser, ou seja, da sua personalidade.

Assim, ao haver uma perda da autocrítica quanto à doença, há uma dificuldade em procurar por profissional qualificado. Porém, como esta doença comumente está associada a outras, como a depressão, o pânico, o abuso de drogas ou álcool, ao procurar ajuda para tais questões, descobre-se também a distimia.

O tratamento deste distúrbio do humor está baseado na aliança da psicoterapia com o tratamento medicamentoso, envolvendo geralmente antidepressivos. Nos casos onde há comorbidade, os tratamentos das doenças associadas também se fazem necessários.

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antidepressivos. Nos casos onde há comorbidade, os tratamentos das doenças associadas também se fazem necessários. 63
Vale salientar que, além da terapia individual, a psicoterapia familiar pode ser indicada, uma vez

Vale salientar que, além da terapia individual, a psicoterapia familiar pode ser indicada, uma vez que os integrantes conviveram por muitos anos com um padrão disfuncional de comportamento e de relacionamento entre eles.

Transtorno bipolar

O transtorno bipolar, também nomeado de psicose maníaco-depressiva, é

caracterizado por alternâncias cíclicas de humor, ou seja, a pessoa oscila entre períodos de bom humor, de aumento de energia e de atividade (mania ou hipomania) e outros momentos de rebaixamento do humor, de diminuição de energia e de atividade (depressão).

de diminuição de energia e de atividade (depressão). É uma doença de grande impacto na vida
de diminuição de energia e de atividade (depressão). É uma doença de grande impacto na vida

É uma doença de grande impacto na vida daquele que sofre, de sua família e da sociedade, causando diversos prejuízos, além do sofrimento psicológico.

O diagnostico é feito através da intervenção psiquiátrica que se baseia nos

sintomas relatados. Não há exames laboratoriais que auxiliem no diagnóstico. Além do acompanhamento psiquiátrico, o tratamento funcional precisa ocorrer em conjunto com a psicoterapia.

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Além do acompanhamento psiquiátrico, o tratamento funcional precisa ocorrer em conjunto com a psicoterapia. 64
Conclusão do Módulo II Olá, aluno(a)! Chegamos ao fim do nosso Curso de Psicoterapia, com

Conclusão do Módulo II

Olá, aluno(a)!

Chegamos ao fim do nosso Curso de Psicoterapia, com a certeza de que

conseguimos transmitir as noções básicas sobre este tema tão relevante.

Neste módulo, pudemos falar sobre as características de algumas terapias e de

alguns distúrbios, que merecem toda a nossa atenção.

Esperamos que, caso você tenha se interessado pelo assunto, que este Curso

possa lhe auxiliar no desenvolvimento de seus conhecimentos sobre o tema.

A próxima e última etapa do nosso curso e a avaliação do Módulo II, que se

encontra em sua sala virtual. Faça a avaliação quando se sentir seguro e preparado para

realizá-la.

Boa sorte e sucesso!

Curso produzido pela psicóloga e sexóloga: Ana Paula Veiga Site: http://www.wix.com/ana_paula_veiga/atendimento

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Curso produzido pela psicóloga e sexóloga: Ana Paula Veiga Site: http://www.wix.com/ana_paula_veiga/atendimento 65
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