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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DA PARAÍBA

DIRETORIA DE ENSINO
CENTRO DE ENSINO
COORDENAÇÃO DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM
SEGURANÇA PÚBLICA

A UTILIZAÇÃO DA ARMA NÃO LETAL TASER PELA


POLÍCIA MILITAR DO ESTADO PARAÍBA: PARECER DO
CONSELHO ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DO
HOMEM E DO CIDADÃO

Glayson Jean Moreno Dantas


Fabiano Mendes de Medeiros

JOÃO PESSOA - PB
2006
Glayson Jean Moreno Dantas
Fabiano Mendes de Medeiros

A UTILIZAÇÃO DA ARMA NÃO LETAL TASER PELA POLÍCIA


MILITAR DO ESTADO PARAÍBA: PARECER DO CONSELHO
ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DO
HOMEM E DO CIDADÃO

Trabalho monográfico apresentado à


Coordenação do Curso de Especialização em
Segurança Pública, da Polícia Militar do Estado
da Paraíba, como requisito obrigatório para a
obtenção do título de especialista em
Segurança Pública.

ORIENTADOR: Prof. Ms. Josinaldo Malaquias

JOÃO PESSOA – PB
2006
ESTA FICHA CATALOGRÁFICA DEVE SER
IMPRESSA NO VERSO DA FOLHA DE ROSTO (APAGAR ESTA
OBSERVAÇÃO)

356.35:342.7
D21u Dantas, Glayson Jean Moreno.
A utilização da arma não letal TASER pela
Polícia Militar da Paraíba: Parecer do Conselho
Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do
Cidadão./ Glayson Jean Moreno Dantas; Fabiano
Mendes de Medeiros – João Pessoa:CE/PMPB, 2006.
56 p.
Monografia (Especialização em Segurança
Pública) – CE/PMPB.
1. Polícia Militar 2. Direitos Humanos 3. TASER
I. Medeiros, Fabiano Mendes de. II. Título.
Glayson Jean Moreno Dantas
Fabiano Mendes de Medeiros

A UTILIZAÇÃO DA ARMA NÃO LETAL TASER PELA POLÍCIA


MILITAR DO ESTADO PARAÍBA: PARECER DO CONSELHO
ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DO
HOMEM E DO CIDADÃO

Aprovada em ____/____/_____
Nota: _______ (________________)

__________________________________________
Presidente

__________________________________________
Membro

__________________________________________
Membro

JOÃO PESSOA – PB
2006
Aos nossos pais, filhos, esposas e aos
policiais que sacrificaram e sacrificam,
cotidianamente, suas vidas no
cumprimento do dever, protegendo e
servindo à sociedade.

Dedicamos.
AGRADECIMENTOS

Ao nosso Deus todo poderoso, que sempre está presente em todas as nossas
ações e iluminações intelectuais.

Aos nossos pais, filhos, irmãos e, em especial, esposas, que, sem dúvida
alguma, são nossas maiores companheiras nas durezas da vida, pelas expressivas
demonstrações de amor e compreensão diante de nossa ausência para elaboração
deste trabalho monográfico.

Ao governador do Estado da Paraíba, Exmº Sr. Cássio Cunha Lima, pela


oportunidade concedida ao Oficial paraibano para realização deste trabalho
acadêmico.

Ao governador do Estado do Acre, Exmº Sr. Jorge Ney Viana Macedo Neves,
pela oportunidade concedida ao Oficial acreano para realização desta pesquisa
monográfica.

Ao Secretário de Defesa e Proteção Social do Estado da Paraíba, Exmº Dr.


Harrison Targino, por ter contribuído de forma ímpar para a elaboração deste
trabalho monográfico.

Aos Comandantes das Polícias Militares dos Estados da Paraíba e do Acre,


que nos proporcionaram a possibilidade de elaborarmos esta monografia.

Ao Coronel Romário Célio Barbosa Gonçalves, Subcomandante Geral da


Policia Militar do Acre, pela dedicação demonstrada para com os Policiais Militares
do Acre.

Aos colegas Capitães alunos do CESP 2006, que demonstraram ao longo do


curso respeito e amizade para conosco.

Ao nosso orientador, Professor Mestre Josinaldo Malaquias, que nos doou seu
tempo e experiência para construção deste trabalho monográfico.

Ao Professor Doutor Pierre Normando, que não mediu esforços para que este
trabalho monográfico fosse construído.

Aos integrantes do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do


Cidadão do Estado da Paraíba, na pessoa de seu presidente, o Dr. Noaldo Belo
Meireles.

Ao Advogado e amigo Dr. Ruy Alberto Duarte, incansável defensor dos direitos
humanos e dos policiais acreanos.

Ao Cheif. Charles Akari Saba, que é o principal responsável por trazer e


divulgar no Brasil a tecnologia da arma não letal Taser, sendo ele um incansável
defensor do aprimoramento técnico e cientifico dos policiais no Brasil.
Aqueles que jamais subiram morros, favelas ou sequer conhecem de perto os antros
freqüentados por marginais, e que se enclausuram comodamente em seus
gabinetes sem que nunca houvessem participado de tiroteios em estrito
cumprimento do dever legal ou em legitima defesa, não se devem apegar com
antolhos ao texto gélido da lei, distante do calor dos acontecimentos e salvo de
gravíssimo risco, na busca do enfraquecimento ou do desestimulo das atividades da
Polícia, em toda sua plenitude legal.

Mario Portugal Fernandes Pinheiro


Procurador de Justiça
RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo apresentar a tecnologia da arma não letal
Taser aos gestores da Segurança Pública do Estado da Paraíba e ao Conselho
Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão - CEDDHC, solicitando
daquele órgão deliberativo parecer sobre a utilização dessa inovadora tecnologia
pela Polícia Militar do Estado da Paraíba. Realizamos uma pesquisa do tipo
descritiva, mediante pesquisa bibliográfica, com uma abordagem qualitativa. Foi
apresentado um seminário sobre o tema pesquisado a fim de subsidiar o CEDDHC
na emissão do parecer, que se apresentou totalmente favorável à implementação
dessa tecnologia pelos órgãos de Segurança Pública deste Estado. Constatou-se,
então, que a utilização da tecnologia não letal Taser pela Polícia Militar da Paraíba
consistirá em medida de extremo impacto positivo nos resultados do trabalho
policial, apresentando, como efeito direto e imediato, a diminuição da violência
policial e a conseqüente elevação dos níveis de satisfação da população em relação
ao desempenho da polícia.

Palavras-Chaves: Taser; Polícia; Não Letal; Direitos Humanos.


ABSTRACT

The aim of the present work was to introduce the Taser non-lethal Gun Technology
to the Public Security Managers of State of Paraíba and to the Human and Citizens
Rights State Defense Council – (HCRSDC), asking them an opinion about the use
of the technology by the State Military Police. We realized a descriptive
bibliographical research, with a qualitative approach. It was presented a seminar on
the searched theme in order to give to the HCRSDC the support to give their opinion.
They seemed totally favorable to the implementation of that technology in the Public
Security Sector of the State. It was realized that the use of the Taser non-lethal Gun
Technology will give a very positive effect on the results of the Police Work,
presenting as a direct and immediate effect, the decrease of the police violence and
hence the increase of population satisfaction with the Police performance.

KEY-WORDS: Taser; Police; Non-Lethal; Humans Rights.


LISTA DE FIGURAS

FIGURA 01 Representação gráfica das ondas T Waves da Taser...................22

FIGURA 02 Pontos efetivos para ação das armas nos indivíduos....................23

FIGURA 03 A arma Taser M26..........................................................................24

FIGURA 04 Retirada do carregador e pilhas da Taser M26..............................24

FIGURA 05 Taser M26 - vista interna dos dispositivos .....................................25

FIGURA 06 Policial fazendo aplicação da Taser em cidadão infrator...............25

FIGURA 07 Policial empunhando a Taser M26.................................................26

FIGURA 08 A arma Taser X26...........................................................................27

FIGURA 09 Dardos e micro confetes saindo do cartucho Taser.......................27

FIGURA 10 Cartucho Taser, micro confetes e numeração de série..................28

FIGURA 11 Cartucho Taser vermelho........................................................................29

FIGURA 12 Cartucho Taser verde............................................................................. 30

FIGURA 13 Cartucho Taser grafite............................................................................ 30

FIGURA 14 Cartucho Taser listrado.......................................................................... 31

FIGURA 15 Cartucho Taser amarelo........................................................................ 31

FIGURA 16 Cartucho Taser azul............................................................................... 32

FIGURA 17 Dardos Taser e indivíduo atingido com a Taser..................................... 32

FIGURA 18 Carregador com pilhas Taser M26......................................................... 33

FIGURA 19 Recarregador com o carregador Taser M26.......................................... 33

FIGURA 20 Carregador digital Taser X26.................................................................. 34

FIGURA 21 Dataport Taser M26 e X26...................................................................... 35

FIGURA 22 Palestra sobre a Taser no Centro de Ensino da PMPB..........................39


LISTA DAS ABREVIATURAS

ANL - Arma Não Letal


AML - Arma Menos Letal
BPM - Batalhão de Polícia Militar
CMT - Comandante
SUBCMT - Subcomandante
EUA - Estados Unidos da América
ONU - Organização das Nações Unidas
OAB - Ordem dos Advogados do Brasil
PM - Polícia Militar
PMAC - Polícia Militar do Estado do Acre
PMPB - Polícia Militar do Estado da Paraíba
SWAT - Special Weapons and Tactics (Armas e Táticas Especiais)
TV - Televisão
Cheif. - Chefe
CE - Centro de Ensino
APMCB - Academia de Policia Militar do Cabo Branco
CEDDHC - Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO..................................................................................................... 13
2 A TECNOLOGIA NÃO LETAL TASER................................................................ 18
2.1 CONCEITOS.......................................................................................................18
2.1.1 Armas menos letais..........................................................................................19
2.1.2 Armas não letais...............................................................................................19
2.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA TECNOLOGIA NÃO LETAL TASER.............. .....20
2.3 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DA TASER............................................. ...21
2.4 MODELOS DA TASER................................................................................. ......23
2.4.1 O modelo M26..................................................................................................23
2.4.2 O modelo X26............................................................................................ . .....26
2.5 SISTEMA DE MUNICIAMENTO DAS ARMAS TASER................................. . ....27
2.5.1 Micro confetes e número de série do cartucho Taser......................................28
2.5.2 Cartuchos Taser...............................................................................................29
2.5.3 Dardos do cartucho Taser............................................................................... 32
2.6 CARREGADORES E BATERIAS DAS ARMAS TASER M26 E X26..................33
2.6.1 Carregador e bateria da arma Taser M26........................................................33
2.6.2 Recarregador de bateria da arma Taser M26..................................................33
2.6.3 Carregador digital da arma Taser X26.............................................................34
2.7 DATAPORT E CABOS DA ARMA TASER M26 E X26.......................................34
2.8 ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS DA ARMA NÃO LETAL TASER M26..............35
2.9 AVALIAÇÃO DOS RISCOS À SAÚDE PELA APLICAÇÃO DA TASER............ 36
2.9.1 Estudo norte-americano do ano 2000..............................................................36
2.9.2 Parecer de cardiologista brasileiro do ano de 2004.........................................37
3 METODOLOGIA....................................................................................................38
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES...........................................................................40
4.1 SEÇÃO 1 - APRESENTAÇÃO............................................................................40
4.2 SEÇÃO 2 – AMPARO LEGAL.............................................................................42
4.3 SEÇÃO 3 – PLANO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS.........................
....................................................................................................................................44
4.4 SEÇÃO 4 – VIOLÊNCIA POLICIAL NO BRASIL.............................................
....................................................................................................................................46
4.5 SEÇÃO 5 – TECNOLOGIA NÃO LETAL TASER............................................
....................................................................................................................................48
4.6 SEÇÃO 6 - RECOMENDAÇÃO...........................................................................50
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................. 52
REFERÊNCIAS........................................................................................................ 55
ANEXOS................................................................................................................... 56
1 INTRODUÇÃO

Os princípios fundamentais elencados no preâmbulo e no Título I da


Constituição Federal do Brasil, impõem a todos os órgãos do Estado e a todos os
seus agentes a rejeição de qualquer poder e de qualquer autoridade que sejam
exercidos de forma ilimitada, desproporcional e ilegítima, violando os parâmetros
fixados na lei.
O Brasil, sendo um Estado Democrático de Direito, tem seu ordenamento
jurídico subordinado à Constituição Federal e, desta forma, suas Instituições e seus
agentes - entre eles os policiais – devem se pautar no respeito aos direitos da
pessoa humana, como estabelecido na Carta Magna.
Estado e cidadãos buscam uma relação harmônica, os poderes de coerção
e os meios de constrição que a autoridade está legitimamente autorizada a exercer e
utilizar só se justificam se voltados para a garantia da paz social e do exercício dos
direitos e garantias fundamentais. Este poder está limitado pela Constituição e pela
lei e não deve, de maneira alguma, violar, agredir ou negar a dignidade da pessoa
humana.
A elaboração deste trabalho monográfico, sobre a utilização da arma não
letal Taser pela policia Militar do Estado da Paraíba, é de fundamental importância
para fomentar a discussão sobre a construção de alternativas disponibilizadas aos
policiais militares quando da necessidade do uso da força para manter a ordem
pública ou fazer cumprir a lei, preservando sua integridade física, a do indivíduo a
ser contido e a de outras pessoas que se encontrem presentes no local do evento.
O parecer do Conselho Estadual de Direitos Humanos servirá como respaldo
jurídico e social para a implementação desta tecnologia no seio da corporação
policial militar, levando-a a atuar com base numa cultura de paz social,
demonstrando assim preocupação e zelo para com a integridade física e psicológica
daqueles cidadãos que em algum momento de suas vidas venham a se envolver em
algum tipo de ocorrência policial.
A utilização da tecnologia da arma não letal Taser foi desenvolvida nos
Estados Unidos nos idos de 1960, sendo que somente foi aceita sua utilização pelos
departamentos de policia no final da década de 80.
A Taser é uma arma não letal desenvolvida com tecnologia que demandou
várias décadas de testes e estudos para sua real aplicação, sendo por tudo isso,
considerada uma ferramenta indispensável no cinturão dos policiais e sem duvida
alguma um equipamento eficaz na proteção da vida.

Essa arma foi inicialmente projetada em 1960, mas só foi aceita para
utilização pelo Departamento de Policia de Los Angeles em 1980.
( ALEXANDER, 2003. p. 97)

No Brasil, verifica-se a chegada da tecnologia da arma não letal Taser, a


partir de 2003, quando o ex-Xerife do Estado da Virginia nos EUA, Cheif. Charles
Saba, atual diretor presidente da United States Police Instructor Teams trouxe ao
Brasil o primeiro modelo Taser M26 e começou a fazer a divulgação da tecnologia
nos estados brasileiros do Acre, São Paulo e, posteriormente, em todos os outros
Estados da Federação.
O Brasil vem utilizando tecnologias consideradas, equivocadamente, como
não letais, a partir da década de sessenta, principalmente nos confrontos da polícia
com manifestantes que, em sua grande maioria, são pais e mães de família,
trabalhadores, operários, professores e estudantes, em busca da obtenção de
direitos sociais, agrários ou trabalhistas, e ainda observa-se a utilização dessa
tecnologia no controle de rebeliões prisionais.
Observou-se, ao longo dos anos, um grande número de vítimas nesses
confrontos, visto que a carga de letalidade nesses eventos críticos é muito alta, e as
seqüelas deixadas por esses tipos de artefatos, erroneamente considerados não
letais, são mais graves do que se possa imaginar, chegando em alguns casos a
lesões corporais gravíssimas e até mesmo ao óbito dos envolvidos.
Com isso, vislumbra-se a grande necessidade de aparelhar e equipar a
Polícia Militar com uma arma verdadeiramente não letal, objetivando-se com isso,
evitar a morte de pessoas envolvidas em ocorrências policiais, sejam elas de alta
complexidade ou consideradas rotineiras, e ainda minimizar o risco de eventuais
lesões graves resultantes desses confrontos.
O contexto social e político brasileiro, bem como os investimentos realizados
na área de tecnologia e segurança pública nas últimas décadas, demonstram
claramente um verdadeiro descaso com a vida e a integridade física dos cidadãos,
que por motivação psicológica, social ou pessoal, possam, em algum momento de
suas vidas, envolver-se em ocorrências policiais.
Esta realidade é uma clara demonstração da debilidade institucional do
Estado, e conseqüentemente, das corporações policiais, visto que tais instituições
não dispõem de um aparato tecnológico capaz de ser utilizado no atendimento de
ocorrências, de maneira a garantir a minimização de danos físicos ou psicológicos a
cidadãos envolvidos ou presentes em situações de confronto com a polícia. Da
mesma forma, essa garantia seria extensiva aos policiais e, conseqüentemente, ao
próprio Estado, que em várias ocasiões tem sua imagem desgastada perante a
sociedade pelo uso excessivo da força, além de ter que enfrentar as inúmeras ações
judiciais que cobram o pagamento de indenizações milionárias.
Hoje, o policial não dispõe de uma ferramenta não letal em seu menu de
opções para os atendimentos de ocorrências, ficando sempre obrigado a utilizar
aquelas que lhe são disponibilizadas pela Corporação, quais sejam: verbalização,
força física (técnicas de defesa pessoal com ou sem o auxílio de tonfa ou cacetete) e
a força letal (arma de fogo), sendo que muitas vezes, nenhuma dessas alternativas é
a mais apropriada e eficaz para a resolução do conflito em andamento.

Eles são a linha de frente da democracia. Para além de manter a ordem,


sua função é garantir nossa liberdade.Há coisas que consideramos certas,
como o ar que se respira, e que só valorizamos quando as perdemos:
como a saúde, a liberdade, a vida. É fácil criticá-los, são eles que morrem
por nós. Num fim de semana, trinta e cinco se foram. Dia das mães, dia do
enterro dos filhos. Policiais civis... Militares... Um bombeiro! O nome oficial
é agente do estado, mas desde crianças, aprendemos a chamá-lo de "seu
guarda". Guardam. Vivem e morrem, para nos guardar.Quem sabe esta
tragédia não seja a oportunidade que nos faltava para refletir sobre
esses homens e mulheres, que por tão pouco soldo, protegem algo muito
frágil, delicado: a construção do Brasil. Sua principal arma não é de fogo,
nem branca, é letra, palavra: o nome da lei. (BIAL, 2006)

Torna-se urgente a necessidade de recuperação psicossocial do conceito de


polícia em nosso país, visto que poucas instituições sociais têm tanta importância na
vida de cada um e de todos os cidadãos, como a polícia, que é uma instituição de
manutenção da ordem e da segurança social.
Uma polícia violenta, com alto índice de letalidade em suas ações, é prova
inconteste do despreparo de seus integrantes, bem como, do Estado que ela
representa. Todos nós sabemos que o cidadão infrator não precisa morrer para que
a polícia obtenha êxito e reconhecimento social em suas ações. A polícia precisa ser
antes de tudo confiável, eficiente e eficaz na resolução dos conflitos que a ela se
apresentam.
Destarte, conseguiremos reduzir ao máximo o evento morte nos
atendimentos de ocorrências policiais, resgatando em curto espaço de tempo, a
confiança e o respeito da sociedade Paraibana para com a sua Policia Militar.
O grande número de denúncias contra policiais que abusaram do poder ou
cometeram excessos no uso da força contra cidadãos, ou ainda utilizaram
desnecessariamente “armas letais” para a resolução conflitos, exige que se busque
uma tecnologia dotada de atributos capazes de minimizar os efeitos violentos e
letais nos atendimentos de ocorrências policiais, levando-nos a refletir: A utilização
da arma não letal Taser pela Polícia Militar da Paraíba seria uma medida
governamental recomendada pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos, capaz
de minimizar a violência policial no âmbito do Estado?
Desta forma, o objetivo do presente trabalho é apresentar a tecnologia da
arma não letal Taser aos gestores da Segurança Pública do Estado da Paraíba e ao
Conselho Estadual de Direitos Humanos, a fim de que este órgão deliberativo possa
após conhecer detalhadamente os princípios e mecanismos de funcionamento e
controle da Taser, bem como as possíveis repercussões no estado de saúde das
pessoas a eles submetidas, emitir parecer, recomendando ao Governo do Estado a
aquisição e utilização da arma não letal Taser pela Polícia Militar da Paraíba, com a
finalidade de gerar, a curto prazo, uma sensível diminuição da violência policial,
representada pelo número de óbitos e lesões físicas aos cidadãos envolvidos em
situação de conflito.
Este trabalho monográfico foi dividido em quatro capítulos. O primeiro
consiste na introdução, onde são apresentadas as justificativas, a problemática e os
objetivos do presente trabalho.
O segundo capítulo constitui a revisão da literatura, onde serão descritos os
conceitos e as definições da tecnologia da arma não letal Taser e suas
características técnicas, as diversas formas de aplicação e utilização, e ainda serão
apresentadas as figuras e ilustrações da arma Taser.
No capítulo terceiro será descrita a metodologia usada para confecção do
trabalho, a tipologia da pesquisa, sua natureza e as técnicas e instrumentos de
coleta de dados.
O capítulo quarto constará da análise dos dados, a técnica utilizada e os
resultados obtidos, bem como uma discussão onde será estabelecido um paralelo
entre esses resultados e a literatura consultada.
Por fim, será elaborada a conclusão, que constará de uma síntese do que
foi discutido no capítulo da análise dos dados, como resposta ao objetivo do
trabalho.
2 A TECNOLOGIA NÃO LETAL TASER

A utilização por parte de alguns estudiosos dos termos “ARMA NÃO LETAL”
(ANL) e “ARMA MENOS LETAL” (AML) causa dúvidas conceituais sobre a real
definição do que seja uma e outra, considerando-se que durante várias décadas
utilizou-se da nomenclatura “não letal” para identificar as munições e armas que
teriam uma carga de letalidade muito baixa, ou seja, que na verdade são “menos
letais”. No entanto, a tecnologia de “arma não letal” tem menos de duas décadas de
existência.

A evolução das armas não letais (ANL) e armas menos letais (AML) no
mundo segue uma trajetória histórica crescente, se pensarmos que há quase 2000
anos os chineses já se utilizavam de tecnologia de armas menos letais para
combater contra revoltosos em seus territórios, ou mesmo, que entre os anos de
1200 a 1500 DC, um grupo de mercenários, conhecido como os condottieri,
conduziu, na península italiana, o que tem sido considerado uma forma de guerra
menos letal. Eles eram contratados por diversas cidades-estados mercantis para
proteger interesses vitais. Muitos dos principais confrontos entre os condottieri,
nessas cidades-estados, foram marcados pela ausência de baixas.
No Brasil, como não existem políticas de integração tecnológica dos órgãos
de segurança pública com os centros de pesquisa das universidades, ou ainda, não
existem investimentos direcionados para a criação e desenvolvimento de novas
tecnologias “não letais”, a fim de serem utilizadas pelos órgãos de segurança
pública, percebe-se a enorme dificuldade de se efetivar a utilização, pela polícia, de
uma tecnologia “não letal” existente no mundo.

As armas não-letais são aquelas projetadas para degradar a capacidade do


pessoal ou do material e, simultaneamente, evitar baixas não desejadas.
( ALEXANDER, 1999, p.35)

2.1 CONCEITOS

Trataremos de definir agora o que são armas “não letais” e armas “menos
letais” no âmbito da ação policial, considerando que existem definições sobre as
tecnologias não letais de cunho militares (Forças Armadas) e que são confundidas
com as terminologias não letais utilizadas pela polícia.
2.1.1 Armas menos letais

Entende-se por armas menos letais, aqueles engenhos criados e baseados


nos desenhos e projetos de engenharia letal. A exemplo disso, temos as munições
de borracha que são utilizadas em controle de distúrbios civis, que tiveram sua
criação e engenharia de construção baseadas em modelos de uma munição letal.
Ressalte-se ainda, que se faz necessária, ao operador deste artefato, a observância
de uma série de procedimentos para que a utilização seja eficaz e não cause
letalidade aos alvos, sendo que qualquer quebra dos procedimentos padronizados
pelo fabricante destas armas menos letais, pode causar lesão grave ou óbito
naquele que for alvejado por tal artefato. Por isso, algumas organizações
governamentais preferem o termo “menos letal” para definir lançadores de projéteis
de borracha, granadas de efeito moral (luz e som) e de gás lacrimogêneo. "Em
quantidade suficiente, se apropriadamente utilizado e aplicado, marshmallow pode
matar". (COOK III, FIELY, McGOWAN, 1992 p. 50).

2.1.2 Armas não letais

As armas não letais são definidas como sendo um engenho elétrico,


mecânico, biológico, químico, físico, acústico e com tecnologia de informática, que
não tem em sua engenharia de criação e construção, um modelo baseado em armas
letais ou menos letais, e ainda que os efeitos da aplicação de tais armamentos
sejam totalmente reversíveis, minimizando ou até mesmo anulando o efeito morte. A
exemplo disso, tem-se a Taser, que possui uma tecnologia inovadora, fundamentada
em bases, físicas, médicas e científicas, direcionada para não violar a integridade
física das pessoas atingidas, objetivando a simples paralisação do indivíduo a ser
contido, não existindo a possibilidade de causar o efeito morte na pessoa alvejada,
mesmo que haja imperícia, imprudência ou negligência por parte do operador.
Desta forma, pode-se afirmar que por mais que o policial continue a acionar
a arma não letal Taser, o indivíduo alvejado não irá a óbito em conseqüência dos
disparos, mesmo que eles sejam efetivados a curta distância e em repetições
sucessivas.
Após séculos de experiências sobre o conhecimento de armas menos letais,
chegou-se finalmente à possibilidade de se fabricar e utilizar uma arma não letal,
com uso de tecnologia de ponta, resultado de pesquisas desenvolvidas através de
avançados estudos médicos e científicos.

2.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA TECNOLOGIA NÃO LETAL TASER

A tecnologia da arma não letal Taser foi desenvolvida na década de sessenta,


nos Estados Unidos da América, pela empresa norte americana Taser international,
sendo que somente em 1996, a referida tecnologia passou a ser utilizada pelos
departamentos de polícia americanos, e a partir daí, vem sendo utilizada em mais de
100 países, chegando ao Brasil no ano de 2002 , trazida pelo ex-Xerife do Estado
da Virginia – EUA, Cheif. Charles Saba, que vem fazendo um trabalho de divulgação
da tecnologia não letal Taser em todos os departamentos de policia do Brasil.
Observando os avanços tecnológicos e a velocidade da informação,
atualmente não se pode conceber uma policia desaparelhada e desqualificada, em
meio à gama de equipamentos e armamentos existentes, capazes de proporcionar
uma maior qualidade nos atendimentos das ocorrências.
Dessa forma, é o aparelho policial a instituição estatal mais próxima da
população, sendo o guardião e orientador do convívio social. Nesse contexto, tem a
polícia a missão de fazer o melhor possível para preservar as vidas e ainda
resguardar a integridade física dos cidadãos.
A tecnologia da arma não letal Taser é a mais apropriada para compor o
menu de opções de reação dos policiais nos atendimentos de ocorrências,
garantindo, assim, que cada vez menos policiais e cidadãos sejam feridos
gravemente em nossas cidades e conseqüentemente que este nível de violência
minimizado seja uma constância em nossa sociedade.

Em Seatle, em 2003, pela primeira vez em 15 anos, ninguém foi ferido ou


morto pela polícia.
Em Miami, cidade de longa história de tiroteios policiais, não houve
nenhum no ano passado. É a primeira vez em 14 anos.
Em Phoenix, a diminuição dos tiroteios em 2003 foi tão expressiva que
atingiu o menor índice em 14 anos.
Nestas, e em várias outras cidades os departamentos de polícia adotaram
uma nova arma: o Taser. Uma pistola que não mata, apenas paralisa o
alvo com um choque elétrico. (NEW YORK TIMES / julho 2004).

A Taser constitui uma tecnologia disponível capaz de produzir uma


diminuição significativa, em curto prazo, das ações violentas cometidas pelos
policiais militares durante o atendimento das ocorrências, ações essas, motivadas
pela falta de uma alternativa não letal para que esses policiais possam fazer a
escolha menos danosa durante suas intervenções.
A tecnologia da arma não letal Taser é, na atualidade, o melhor dispositivo
de preservação da integridade física para policiais, cidadãos infratores e outros
indivíduos que possam estar presentes em locais de conflitos, onde haja a
necessidade de contenção de pessoas para a resolução da situação estabelecida.

Polícia diz que choques da TASER estão substituindo tiros mortais. Muitas
agências de manutenção da lei estão creditando isso ao uso de TASERS,
armas que usam energia elétrica no lugar de balas para deter um suspeito.
A arma contribui na redução do número de disparos fatais efetuados pela
polícia. ( USA TODAY, junho 2004 ).

A Taser é armamento de uso exclusivo das Forças Armadas, Órgãos de


Segurança Pública e Guardas Municipais, conforme determinação legal do
Departamento de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército Brasileiro,
sendo considerada uma tecnologia de preço acessível para os governos. Um kit
Taser que é composto da arma Taser e cinco cartuchos, tem um custo aproximado
de U$ 1.500,00 (Hum mil e quinhentos dólares norte-americanos), um baixo custo se
observarmos a durabilidade do produto e os benefícios gerados pela possibilidade
de salvar vidas humanas.

2.3 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DA TASER


A arma Taser tem como principio de funcionamento o acionamento de uma corrente
eletromagnética gerada por força elétrica proveniente da energia das baterias da
arma, onde, através dos sistemas eletrônicos da arma, são gerados mais de 50 mil
volts de carga eletromagnética, que é transmitida através do contado direto da arma
com o indivíduo ou através do lançamento de dois dardos similares a anzóis retos e
presos a um fio muito fino, semelhante a uma linha de pesca. Esses dardos estão
armazenados em uma cápsula de nitrogênio não inflamável, a uma pressão de
1.800 PSI, e quando lançados, fixam-se no corpo ou nas vestes do indivíduo
alvejado, causando perda instantânea dos movimentos. Isto porque a descarga
eletromagnética gera ondas T, idênticas às ondas cerebrais responsáveis pelos
movimentos, porém, com comando diverso daquele emitido pelo sistema nervoso,
ou seja, determinando bloqueio total e imediato do sistema motor e sensorial
humano, contudo, mantendo o estado de consciência totalmente preservado, sem
nenhum comprometimento da capacidade auditiva e visual. O efeito paralisante da
Taser permanece enquanto o gatilho estiver sendo acionado, gerando uma janela de
tempo que permita que o indivíduo seja então algemado. Cessado o acionamento do
gatilho, a capacidade motora retorna imediatamente, acompanhada de uma
sensação de cansaço físico. Tendo os dardos atingido o corpo da pessoa alvejada,
esta deverá ser levada a um hospital para extração dos mesmos, mediante um
procedimento médico de baixíssima complexidade, uma vez que o poder de
perfuração dos dados é extremamente superficial, atingindo tão somente a pele.

Sinal Nervoso - Ondas do Cérebro Ondas TASER - T Waves

Figura 01 Representação gráfica das ondas T Waves da Taser


fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

Na figura acima, podemos ver a representação gráfica dessas duas


freqüências de ondas. Quando o corpo recebe uma emissão de Ondas T de uma
fonte externa, esta se sobrepõe às Ondas T emitidas pelo cérebro humano, havendo
então uma interrupção momentânea da comunicação do cérebro com o corpo, o que
causa a perda total e imediata da capacidade motora daquela pessoa.
GÁS SPRAY ARMA DE FOGO

Figura 02 Pontos efetivos para ação das armas nos indivíduos


fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)
2.4 MODELOS DA TASER

As outras armas menos letais, tais como os gases pimenta, lacrimonigênico


causam efeitos de incapacitação momentânea na visão e até mesmo na parte
pulmonar, mas isso não impede que o individuo atingido possa reagir violentamente
contra os agentes da lei, até mesmo o conhecido bastão policial ( cassetete) tem sua
utilização limitada e ainda, pode gerar seqüelas ou mesmo a morte dos indivíduos
atingidos pelos golpes desta arma considerada menos letal pela polícia.

2.4.1 O modelo M26

A Taser M26 foi o primeiro modelo desenvolvido. É fabricada


exclusivamente para a polícia, sendo, sem sombra de dúvidas, um modelo muito
resistente, confeccionado em polímero plástico de alta resistência e adequado ao
perfil policial. O modelo M26 possui um dispositivo muito prático para o tiro, com o
sistema de pontaria, alça e maça de mira, idênticos aos de uma arma de fogo
convencional, e o sistema de mira laser integrado que auxiliam o operador na hora
do disparo, além disso, o modelo M26 possui uma aparência muito familiar aos
profissionais de segurança, pois sua forma lembra é a de uma pistola .

Figura 03 A arma Taser M26


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

A Taser dispõe, ainda, de um carregador que necessita de oito pilhas tipo


AA para funcionar, o que facilita sua recarga, uma vez que elas podem ser
facilmente encontradas nos mais diversos estabelecimentos comerciais do país,
sendo por isso, considerada um modelo adequado ao policial brasileiro, que opera,
na maioria das vezes, em condições precárias e com o mínimo de recursos
disponíveis.

Figura 04 Retirada do carregador e pilhas da Taser M26


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

A Taser M26 é o modelo mais adequado a este profissional de segurança,


sendo altamente resistente e de fácil operação, demandando um baixo custo
operacional para as instituições policiais brasileiras, e ainda, trazendo a curto prazo
uma diminuição significativa dos disparos de armas de fogo, efetuados por policiai
em serviço, e ainda significativa diminuição no número de policiais feridos por
necessidade de uso de força física em ocorrências Policiais.

Figura 05 Taser M26 - vista interna dos dispositivos


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

A facilidade de operação da Taser M26 e seu desenho estrutural, levou o


modelo M26 a ser o preferido de 7 (sete), em cada 10 (dez) policiais no mundo,
dando ao modelo alta confiabilidade e excelência comprovada pelos seus
operadores.

Figura 06 Policial fazendo aplicação da Taser em cidadão infrator


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

A Taser M26 é o armamento não letal mais eficiente e indispensável para os


policiais. Ele é, sem dúvida alguma, um suporte de grande valia nos atendimentos
de ocorrências.
Figura 07 Policial empunhando a Taser M26
Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

2.4.2 O modelo X26

A Taser X26 é o modelo recentemente lançado. Desenvolvido com


tecnologia digital, é uma arma muito eficiente e moderna, que apresenta algumas
inovações tecnológicas em relação à Taser M26. Este modelo apresenta um visor
digital que mostra a quantidade de disparos que faltam para encerrar a carga do
carregador, que é de cerca de 225 disparos. No entanto, este carregador não é
recarregável como na M26. Exaurida a carga, o carregador deve ser enviado à
fábrica da Taser International para que seja reciclado, o que dá a este modelo, custo
elevado de manutenção, gerando restrições para sua utilização no Brasil. Outro
aspecto a ser observado deve ser a sensibilidade do sistema digital, que precisa ser
cuidadosamente operado, pois se sofrer impactos ou imersões em meio líquido,
pode ocorrer perda de dados ou até pane no equipamento. A X26 ainda tem um
sistema acoplado de mira laser e lanterna, que permite sua utilização em operações
noturnas.
Mesmo sendo a arma não letal mais avançada na atualidade, a X26
necessita ser exaustivamente testada em diversos tipos de climas e terrenos, para
que sejam eliminados alguns inconvenientes existentes nesse modelo, sendo o mais
crítico deles já detectado, a pane que pode acontecer se o operador acionar o
gatilho e ao mesmo tempo retirar o carregador, isso provoca uma pane no sistema
de iluminação da arma, na mira laser e na contagem dos disparos do carregador
digital, que só poderá ser consertada na fábrica.

Figura 08 A arma Taser X26


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

2.5 SISTEMA DE MUNICIAMENTO DAS ARMAS TASER

As munições da arma Taser são as mesmas para os modelos M26 e X26. O


sistema de propulsão do cartucho do TASER consiste de uma cápsula com
nitrogênio comprimido (1.800 PSI - não inflamável).

Figura 09 Dardos e micro confetes saindo do cartucho Taser


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)
Acionado o gatilho, os dardos são lançados a uma velocidade de 160 metros
por segundo, e os confetes com o número serial da munição são liberados no local
do disparo, sendo que a quantidade de confetes por cartucho é, propositadamente,
indeterminada, sempre superior a trinta. Estes cartuchos têm diversos alcances de
utilização, que variam de 4,6 a 10,4 metros, sendo especificados conforme a
coloração dos mesmos e a necessidade do operador.

Eu posso dizer para vocês que o condado de Orange, em Los Angeles,


tivemos no ano de 2000, 06 (seis) armas Taser em teste avaliativo,
desde então, nos compramos mais 500 (quinhentas) Taser, e as coisas
ficaram bem no orçamento [...] desde que colocamos as Taser nas ruas
nós reduzimos o número de Policiais feridos em 80% [...] Vocês devem
se assegurar que essas ferramentas sejam devidamente colocadas em
uso pelas forças Policiais, para que nossos policiais não dependam
somente do uso da força letal. ( BEARY, 2002)

2.5.1 Micro confetes e número de série do cartucho Taser

A arma Taser tem diversos dispositivos de identificação para impedir que ela
seja usada de forma indevida e ou indiscriminada, buscando com isso, estar em
sintonia com as legislações de proteção à vida e à integridade física da pessoa
humana, conforme normas e resoluções dos órgãos de direitos humanos nacionais e
internacionais.

Figura 10 Cartucho Taser, micro confetes e numeração de série


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)
2.5.2 Cartuchos Taser

A arma Taser possui inúmeros tipos de cartuchos a serem utilizados nas mais
diversas situações, variando tanto no alcance quanto no poder de perfuração dos
dardos, além de cartuchos específicos para treinamento.
Em seu interior, além dos dardos, há também uma quantidade indeterminada
de confetes marcados com o número serial da munição. Ao contrário das munições
das armas letais, a munição do TASER permite a imediata identificação do autor do
disparo. Todos os cartuchos do TASER são PRODUTOS CONTROLADOS, estando
listados na R-105 (Legislação Brasileira de Produtos Controlados) do Ministério da
Defesa.

Figura 11 Cartucho Taser vermelho


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

Ao contrário de todos os outros (ver modelos abaixo), neste cartucho há


uma marcação indicando a parte de cima, ou seja, não pode ser usado "de cabeça
para baixo". Com alcance de 10,6 metros, esta é a munição de mais longo alcance
da Taser, a ser utilizado em situações onde a pessoa a ser imobilizada está mais
distante do policial e seu uso requer maior precisão no disparo.
Figura 12 Cartucho Taser verde
Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

Com alcance de 7,6 metros, este cartucho é considerado de alcance


intermediário, sendo indicado em situações onde a pessoa a ser imobilizada se
encontra dentro do seu raio de atuação. Por ser de menor alcance, possui custo
inferior ao cartucho de longo alcance acima apresentado.

Figura 13 Cartucho Taser


grafite
Fonte: (Imagens:
www.taser.com 2006)

Com alcance de 6,4


metros, este cartucho é a munição de menor alcance da Taser para utilização em
situação real, sendo indicado para ocorrências onde a pessoa a ser imobilizada está
mais próximo do policial. Pela curta distância, permite ao operador da Taser efetuar
um disparo com mais facilidade e segurança.
Figura 14 Cartucho Taser listrado
Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

Nas cores amarela e preta, também com alcance de 6,4 metros, este
cartucho apresenta uma característica especial. Com dardos mais longos, possui
maior poder de penetração, sendo indicado em situações onde a pessoa a ser
imobilizada, além de estar próxima do policial, encontra-se vestida com roupas
espessas, típicas daquelas utilizadas nos países de clima mais frio.

Figura 15 Cartucho Taser amarelo


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

Com apenas 4,5 metros de alcance, este cartucho é utilizado para


treinamento nas Corporações policiais que possuem e utilizam a tecnologia Taser.
Seu limitado alcance o torna inadequado para uso em situação real, pois poderia
comprometer a segurança do policial, obrigando-o a se aproximar muito da pessoa a
ser imobilizada.
Figura 16 Cartucho Taser azul
Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

Com alcance de 6,4 metros, este cartucho é utilizado exclusivamente para


prática de tiro durante os treinos de utilização da Taser. Possui dardos não
condutores das ondas T, portanto, não apresenta nenhum efeito imobilizador na
pessoa alvejada. Destina-se a aprimorar a precisão de tiro dos policiais operadores
da Taser, garantindo assim, segurança para o policial e para a própria pessoa a ser
imobilizada.

2.5.3 Dardos do cartucho Taser

Figura 15 Dardos Taser e indivíduo atingido com a Taser


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

2.6 CARREGADORES E BATERIAS DAS ARMAS TASER M26 E X26

2.6.1 Carregador e bateria da arma Taser M26


O carregador de energia da Taser M26 é composto de um corpo plástico
onde são depositadas oito baterias tipo pilhas AA, que podem ser recarregáveis ou
não, facilitando a recarga ou mesmo a reposição em uma eventual emergência, por
ser de fácil aquisição.

Figura 16 Carregador com pilhas Taser M26


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

2.6.2 Recarregador de bateria da arma Taser M26

Este modelo ainda vem com um recarregador de baterias, o que dá uma


autonomia maior à arma.

Figura 17 Recarregador com o carregador Taser M26


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

2.6.3 Carregador digital da arma Taser X26


Já o carregador de energia da Taser X26 é constituído de um dispositivo
digital que tem uma blindagem e não é recarregável, e ainda não é vendido no
comércio local, elevando o custo e dificultando a manutenção do equipamento,
tornando inadequada sua utilização pelos departamentos de polícia do Brasil .

Figura 18 Carregador digital Taser X26


Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

2.7 DATAPORT E CABOS DA ARMA TASER M26 E X26

O dataport é um sistema que vem dar suporte e segurança à utilização das


armas não letais M26 e X26, pois é responsável por transferir os dados
armazenados nas armas não letais Taser, através de um cabo de rede, para o
dataport e, conseqüentemente, para os computadores dos departamentos de polícia
que as utilizam. Esses dados dizem quando a arma foi utilizada, quantas disparos
efetuou e qual a duração desses disparos, proporcionando assim, total controle do
departamento sobre a forma de utilização da Taser, o que certamente torna muito
mais seguro e confiável o seu emprego.
Figura 19 Dataport Taser M26 e X26
Fonte: (Imagens: www.taser.com 2006)

2.8 ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS DA ARMA NÃO LETAL TASER M26

Modelo: M26 TASER AVANÇADO


Referência: 44000
Geração: 50,000 Vol (est.; 26 Watts; 162mA (lrms) e 1,76 Joules por pulso
Consumo: 12 VDC: 4-6 A, 15 pulsos por Segundo.
8 pilhas AA Hidrato de Metal de Niquel (NiMH) 1.2-Volt
Fonte de energia recarregáveis ou pilhas alcalinas de alta potência 1,5-Volt,
contidos em uma bandeja de polytenio.
Fixo frente a alça de mira, otimizado para 4,5 metros de
Mecanismo de Mira
distância
Ótico: Onda de 650 Nm, mira laser diurna, otimizada para 4,5 metros.
Dimensão: 16,5cm X 3,6cm X 14,9cm
Material: T 85 MN 901510 (Mistura PC/ABS).
Trava de segurança: Trava Ambidestro
Lente Laser : Policarbonato ótico transparente.
Chip Memória: Chip EEPROM registra 585 disparos, data e hora.
LED vermelho de alta visibilidade calibrado para pilhas
Indicador de Bateria:
alcalinas.
Lados direito e esquerdo com decalque amarelo para distinguir
Kit Cor Amarela:
a categoria menos que letal.
6,40 metros e 4,5 metros, capsulas intercambiáveis feito de
plástico policarbonato. Usa nitrogênio comprimido a 1800 P.S.I.
Capsulas de Ar:
Fio, proprietário, é feito de aço coberto com cobre e isolado.
Lança dardos dotados de anzois retos.
Eficacia: 100% incapacitante
Efeitos Colaterais: Nenhum.
Alcance: Atravessa 5 cm de vestimenta ou tecido .
Tempo: Mantém o sujeito controlado enquanto conectado.
Peso: 540 gramas carregado com uma capsula.
Quadro 01 Especificações técnicas da Taser M26
Fonte: (ABILITY BR 2006)

2.9 AVALIAÇÃO DOS RISCOS À SAÚDE PELA APLICAÇÃO DA TASER

2.9.1 Estudo norte americano do ano 2000


Este estudo foi realizado nos Estados Unidos da América, no ano de 2000, e
subscrito pelos Professores Phd Robert Stratbucker e Wayne McDaniel. Foram
utilizados protocolos de testes aprovados pela Universidade de Missouri Animal
Care e Use Comittee. O objetivo do estudo foi avaliar o risco de induzir fibrilação
ventricular por aplicação externa da TASER.
Foram testadas 192 descargas da ADVANCED TASER M26 em cachorros
anestesiados, que serviram de cobaias, e não ocorreu nenhum episódio de fibrilação
cardíaca. Os dardos foram colocados em três modos: contato direto (embaixo da
pele); contato de arco (a 1 cm da pele) e em situação extrema (contato direto com o
músculo cardíaco). Ainda foram testados os efeitos da TASER em cobaias sob
influência de drogas de adrenalina e nenhuma combinação da droga ou dose foi
associada à indução da vibrilação ventricular via aplicação externa da TASER.
A pesquisa obedeceu aos rígidos protocolos científicos internacionais e
concluiu que o risco de induzir uma fibrilação ventricular pela aplicação da Taser a
um ser humano é mínimo.
O relatório do presente estudo está contido no Anexo 4.

2.9.2 Parecer de cardiologista brasileiro do ano de 2004

Este documento consiste num pareceu do Professor Dr. Fernando Antonio


Lucchese, cirurgião cardíaco CRM 4855 RS, datado de 15 de abril de 2004, onde o
médico especialista analisa o princípio de funcionamento da Taser e os riscos desse
equipamento induzir fibrilação ventricular ou interferir no funcionamento do
marcapasso. Ele explica que indivíduos atingidos por correntes elétricas de alta
voltagem e baixa amperagem sofrem contratura muscular e perda da coordenação
motora. Relata ainda que a TASER utiliza cargas elétricas de 50.000 volts com baixa
amperagem (0,0021mA) suficientes para promover perda total do controle muscular
e conseqüente queda ao solo do indivíduo. Segundo suas considerações, a
potência desenvolvida pela TASER (14 Watts) é insuficiente para causar danos
musculares definitivos, e as corrente elétricas envolvidas não são suficientes para
estimular o coração e faze-lo contrair-se, o que poderia representar risco para o
indivíduo. A fibrilação ventricular, mais grave arritmia cardíaca, só começa a ser
induzida com cargas pelo menos 10 vezes maiores dos que as propostas pela
TASER, afirma o renomado especialista.
O estímulo elétrico gerado pela TASER não dispõe de largura e amplitude
de pulso suficientes para inibir ou alterar o funcionamento do marcapasso. Por isso,
empresas como a Medtronic (EUA) e Biotronic (Alemanha) não reconhecem risco
significativo no uso destas armas em pacientes portadores de marcapassos.
Como conclusão, o estudo apresenta que não lhe parece significativa a
possibilidade de dano definitivo à saúde causada por este tipo de arma.
Cópia do referido parecer consta no anexo 5.
3 METODOLOGIA

Após estudo minucioso e atento dos métodos e técnicas disponíveis, e


discussão entre os autores, sob a esclarecedora orientação do corpo docente, com
vistas a definir qual a metodologia mais apropriada para elaboração do presente
trabalho, optamos por realizar uma pesquisa do tipo descritiva, procurando
descrever as características técnicas da arma não letal Taser, e sua correlação com
os efeitos sociais, políticos e econômicos decorrentes do emprego dessa tecnologia.
Apesar da extrema escassez de fontes, realizamos uma pesquisa
bibliográfica, onde foram recolhidas as contribuições teóricas existentes, que foram
analisadas e interpretadas de maneira a esclarecer ao máximo o tema selecionado.
Quanto à natureza da pesquisa, fizemos uma abordagem qualitativa, não
tendo os dados estatísticos como linha central para análise do problema. Assim
sendo, buscamos apresentar de forma clara e objetiva a opção de utilização da
tecnologia não letal Taser e seus prováveis efeitos, com base na análise das
situações vivenciadas por departamentos de polícia que já a empregam.
Utilizamos, extraordinariamente, como técnica de coleta de dados, a
apresentação de um seminário sobre o tema pesquisado. Tivemos algumas
reuniões com o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem
e do Cidadão, Dr. Noaldo Meireles, onde os objetivos propostos por nosso trabalho
lhe foram apresentados, bem como foi discutida a idéia de emissão de um parecer
por parte daquele Conselho, recomendando a aquisição e utilização da tecnologia
não letal Taser pela Polícia Militar do Estado da Paraíba. Tal parecer se basearia no
ordenamento jurídico vigente, no projeto de pesquisa apresentado e nas
informações que seriam passadas no seminário, ficando então definidos data, hora e
local da apresentação.

No dia 22 de agosto do ano em curso, no auditório do Centro de Ensino da


Polícia Militar, fizeram-se presentes alguns dos gestores da Segurança Pública do
Estado da Paraíba, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do
Cidadão, além de outros convidados. O objetivo do seminário foi apresentar a
tecnologia não letal Taser ao Comando da Polícia Militar do Estado da Paraíba, e,
ao mesmo tempo, subsidiar de informações o citado Conselho, para que este, na
pessoa do seu presidente, Dr. Noaldo Meireles, emitisse um parecer recomendando
às autoridades governamentais responsáveis pela promoção da Segurança Pública
na Paraíba, a aquisição e utilização desta tecnologia, com base no impacto positivo
que tal medida traria à atividade policial no âmbito do Estado da Paraíba.

Figura 20 Palestra sobre a Taser no Centro de Ensino da PMPB


Fonte (imagem cedida pela Direção do CE)

Sendo assim, durante aproximadamente uma hora, o palestrante convidado


pelos autores, Eduardo Terra, Instrutor da Taser no Brasil, apresentou a tecnologia
não letal Taser aos ouvintes, com o auxílio de modernos recursos audiovisuais como
projetor multimídia, vídeos e demonstrações práticas de utilização da Taser em
voluntários da platéia.
Finalmente, para análise dos dados, foi utilizada a técnica de análise do
conteúdo, onde buscamos de forma objetiva e sistemática analisar o parecer Nº
001/2006 do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão,
datado de 28 de julho do corrente ano.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

A forma escolhida para apresentar os resultados da nossa pesquisa foi a


seguinte: dividimos o parecer em seis seções, agrupando os tópicos por correlação
e afinidade entre si. Então passamos a transcrever trecho a trecho o conteúdo do
parecer, e analisar cada um desses trechos de maneira a se ter uma avaliação
pormenorizada dos resultados obtidos, e assim relacioná-los com os objetivos
propostos pelo trabalho, a fim de que pudesse ser mensurado o grau de sucesso no
atingimento desses objetivos.

4.1 SEÇÃO 1 – APRESENTAÇÃO

EMENTA: Emite parecer quanto às


expectativas do Conselho sobre o
uso de tecnologia não letal (TASER)
pelos órgãos de segurança do
Estado da Paraíba e adota outras
providências.

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão do


Estado da Paraíba – CEDDHC-PB recebe, com pedido de emissão de Parecer por
parte do Conselho, o projeto de monografia “A UTILIZAÇÃO DA ARMA NÃO LETAL
TASER PELA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO PARAÍBA: PARECER DO
CONSELHO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANANOS”, dos alunos Glayson Jean
Moreno Dantas e Fabiano Mendes de Medeiros.
O projeto monográfico “A UTILIZAÇÃO DA ARMA NÃO LETAL TASER
PELA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO PARAÍBA: PARECER DO CONSELHO
ESTADUAL DE DIREITOS HUMANANOS” foi apresentado à Coordenação do Curso
de Especialização em Segurança Pública do Centro de Ensino da Polícia Militar do
Estado da Paraíba como requisito obrigatório para a conclusão do citado curso de
Especialização.

Acontece que, como o Conselho é eleito para um período de dois anos, nos
termos do art. 2º, § 3º da Lei nº 5.551/92, o mandato dos membros do Conselho
termina no 01 de agosto de 2006, e não haverá mais reuniões do Pleno do
Conselho, neste mandato.
Considerando que o processo de formação dos membros do Conselho é lento
e, às vezes, dura meses, pois depende de que as Entidades que compõem o
Conselho façam a indicação dos seus representantes e, assim, seja formada a lista
que será enviada ao Governador do Estado para publicação no diário oficial do
estado.
Desta forma, se formos esperar a eleição da nova composição do Conselho,
os alunos teriam que elaborar uma outra proposta de projeto monográfico, devido
aos prazos estabelecidos.
Considerando, principalmente, a relevância do tema, diante dos dispositivos
constitucionais e legais a seguir referidos, o Presidente do Conselho resolve emitir o
presente parecer, devendo ele, posteriormente, ser referendado pelo Pleno do
Conselho, nos termos do art. do Regimento Interno.
Caso o presente parecer seja ratificado ou referendado pelo Pleno do
Conselho, tornar-se-á uma Recomendação ao Governo do Estado da Paraíba e aos
seus órgãos de segurança.

Análise da Seção 1

A ementa apresenta a razão a que se destina o referido parecer, utilizando o


termo expectativas, onde podemos deduzir que o Conselho expõe, ao longo do
documento, o que espera este órgão deliberativo de resultados positivos para a
atividade policial a partir do emprego dessa inovadora tecnologia não letal
denominada Taser, no âmbito do Estado da Paraíba.
Nos dois parágrafos seguintes, é apresentado o projeto de pesquisa, com
título e autores, e descrito o procedimento inicial de solicitação que culminou na
emissão do presente parecer.
Adiante temos um trecho do parecer, composto por cinco parágrafos, que é
dedicado a explicar o processo de formação, nomeação e posse dos membros do
Conselho para um mandato, e o período de tempo que essas ações demandam.
Coincidentemente, a solicitação do parecer ocorreu no período de transição de
mandato, com término no dia 1º de agosto de 2006, quando o novo Conselho ainda
estava em processo de composição. Em razão disso, o atual presidente, Dr. Noaldo
Meireles, motivado pela relevância do tema e necessidade de agilidade na presente
ação, emitiu o parecer, ressaltando que o mesmo deverá ser referendado pelo Pleno
do novo Conselho, assim que este tomasse posse, para que, a partir de então, o
referido parecer torne-se uma recomendação ao Governo do Estado e, por
conseguinte, aos órgãos responsáveis pela Segurança Pública da Paraíba.
A burocracia e o rito administrativo têm seu custo, representado muitas
vezes pela demora na implementação das ações governamentais. Com isto,
percebe-se que algumas atividades sofrem solução de continuidade, como pudemos
constatar no caso do Conselho. Quando expirado o mandato, o novo conselho ainda
não havia sequer sido nomeado, nem tampouco, tomado posse, obrigando o
presidente que terminava seu mandato a executar uma ação administrativa que
precisa ser ratificada pelo próximo Conselho, o que, sem sombra de dúvidas, causa
transtornos e retardo na implementação de algumas medidas, como no nosso caso,
de recomendação da utilização da tecnologia não letal Taser pela Polícia Militar, o
que pode custar algumas vidas, posto que, quando não dispõe de uma ferramenta
não letal, o policial terá que fazer uso de uma letal, a arma de fogo.

4.2 SEÇÃO 2 - AMPARO LEGAL

A Lei estadual nº 5.551/92 que criou o Conselho Estadual de Defesa dos


Direitos do Homem e do Cidadão do Estado da Paraíba – CEDDHC-PB e
estabeleceu como competência do Conselho, dentre outras, conforme art. 5º da
citada Lei, que:
“Art. art. 5º - Compete ao Conselho:
II – propor as diretrizes para o poder público estadual atuar nas questões de
direitos do homem e do cidadão;
III – auxiliar o poder público estadual a desenvolver suas atividades dentro
do respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana;
IV – propor mecanismos legais que permitam a institucionalização da
promoção e defesa dos direitos do homem e do cidadão, como missão
primordial do poder público estadual;”
A Constituição Federal consagrou o princípio da dignidade da pessoa
humana como fundamento da República Federativa do Brasil, nos termos do art. 1º,
inciso III.
A Constituição Federal instituiu como direito fundamental de todos e todas “a
igualdade perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à segurança”, conforme caput do art. 5º.
A Constituição Federal, também, inscreveu como direito fundamental de
todos e todas, respectivamente nos incisos XLIX e LVII, que “é assegurado aos
presos o respeito à integridade física e moral” e que “ninguém será considerado
culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
O art. 144, caput, da Constituição Federal estabelece que a segurança
pública é exercida para a preservação da incolumidade das pessoas:

“Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade


de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio”;

O § 6º do art. 144 da Constituição Federal estabelece que a polícia militar,


responsável pela polícia ostensiva e pela preservação da ordem pública, e a
polícia civil, responsável pelas funções de polícia judiciária e a apuração de
infrações penais, estão subordinadas aos Governadores dos Estados;

Análise da Seção 2

Nessa parte, o parecer cita a Lei que cria o Conselho e transcreve


parcialmente o artigo que estabelece suas competências. Nos três itens citados, fica
evidenciada a responsabilidade e competência do Conselho em elaborar propostas,
apontando alternativas viáveis ao poder público, de maneira a garantir uma gestão
governamental balizada pelo respeito aos direitos do homem e do cidadão.
Fica então estabelecido que o Conselho deve ser um parceiro das
autoridades governamentais, para auxiliá-las no exercício de suas funções públicas,
estabelecendo metas para uma ação sistemática de promoção da cidadania e dos
direitos humanos.
A próxima parte destina-se a identificar o embasamento jurídico previsto na
Constituição Federal para o presente parecer, trazendo à luz alguns princípios
constitucionais estabelecidos como fundamento da República Federativa do Brasil,
que representam direitos e garantias fundamentais a todas as pessoas que vivem
em solo brasileiro.
Sendo assim, foi citado o princípio da dignidade da pessoa humana, onde o
Estado brasileiro garante dignidade a todos, e proíbe, expressamente, tratamento
desumano ou degradante a qualquer pessoa que esteja em nosso território.
São elencados também os princípios da igualdade de todos perante a lei e
da inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança e à integridade física
das pessoas. Esses dispositivos constitucionais denotam o grau de maturidade
política, ideológica e democrática da nossa Carta Magna, posto que tais garantias
representam significativo avanço para implementação de políticas públicas de
promoção da cidadania e direitos humanos no âmbito do Estado brasileiro.
Ainda é citado o artigo constitucional que define a segurança pública como
dever do Estado e direito e responsabilidade de todos, rateando, desta forma, entre
todos os cidadãos brasileiros, a responsabilidade de pensar e agir no intuito de
estabelecer uma sensação de segurança no seio da sociedade brasileira.
Vale ressaltar que este dispositivo constitucional estabelece ainda que a
segurança pública deve ser exercida pelo Estado, principalmente, através das
Polícias Militar e Civil, que têm a finalidade de manter a ordem pública e garantir a
incolumidade das pessoas e do patrimônio público. Isto quer dizer que a ação
policial deve estar voltada para uma atuação menos danosa possível à integridade
física das pessoas, aí entrando a necessidade de utilização de uma ferramenta não
letal, como a Taser, para o policial melhor exercer sua atividade de Segurança
Pública.

4.3 SEÇÃO 3 – PLANO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS

A Primeira Conferência Estadual de Direitos Humanos, realizada nos dias 15


e 16 de março de 2002, aprovou o Plano Estadual de Direitos Humanos.
A Segunda Conferência Estadual de Direitos Humanos, realizada nos dias
22 e 23 de maio de 2004, atualizou o Plano Estadual de Direitos Humanos.
O Plano Estadual de Direitos Humanos estabeleceu como diretrizes para a
temática dos Direitos Humanos, Segurança e Justiça, dentre outras questões,
conforme itens a seguir transcritos:
“21. Aperfeiçoar critérios para seleção e promoção de policiais, de forma a
valorizar e incentivar o respeito à lei, ao uso limitado da força, a defesa dos
direitos dos cidadãos e da dignidade humana no exercício da atividade
policial.
36. Apoiar programas de aperfeiçoamento profissional de policiais militares
e civis por meio da concessão de bolsas de estudo e intercâmbio com
polícias de outros estados e países, para fortalecer estratégias de
policiamento condizentes com o respeito à lei, uso limitado da força, defesa
dos direitos dos cidadãos e da dignidade humana.
57. Incentivar programas de capacitação das polícias, com a necessária e
urgente renovação e modernização dos equipamentos de prestação da
segurança pública.
87. Proibir o uso de armas de fogo e de animais, por parte das Polícias Civil
e Militar no enfrentamento dos movimentos sociais.”

Análise da Seção 3

Esse trecho do parecer cita as duas Conferências Estaduais de Direitos


Humanos realizadas na Paraíba. A primeira em 2002, que aprova o Plano Estadual
de Direitos Humanos, e a segunda em 2004, que o atualiza. São então transcritas
quatro das diretrizes estabelecidas no respectivo plano.
A primeira refere-se ao desenvolvimento de estratégias que viabilizem uma
atuação policial pautada no uso limitado da força e no respeito à dignidade e aos
direitos da pessoa humana. Desta forma, fica estabelecido que o poder público
estadual deve empenhar-se na busca desses objetivos e a sociedade civil como um
todo, deve colaborar e cobrar uma gestão administrativa voltada para esses fins. O
uso limitado da força significa que o policial deve usá-la de modo proporcional e sem
excessos, a fim de que a ordem pública seja restaurada. Voltamos a afirmar que
nem sempre o policial dispõe de uma ferramenta adequada que garanta sua
segurança e a integridade física da pessoa que deve ser contida, tendo que lançar
mão dos recursos de que dispõe, mesmo que desproporcionais, por total falta de
alternativas.
A segunda diretriz citada segue no mesmo desiderato, acrescentando-se a
questão da necessidade de uma política de capacitação profissional dos policiais,
visto que não basta o apoio logístico, também se faz indispensável o treinamento
técnico para operação de qualquer ferramenta disponibilizada, e, sobretudo, um
processo de conscientização de que a polícia deve e precisa agir segundo princípios
de respeito à cidadania e aos direitos humanos, sob pena de sofrer grandes revezes
institucionais e individuais, na pessoa de seus integrantes.
A terceira diretriz também segue no mesmo fio condutor das duas primeiras,
treinamento, ressaltando a necessidade urgente de modernização dos
equipamentos a serem empregados na Segurança Pública, encaixando-se
perfeitamente, na questão abordada por este trabalho, que é o de oferecer uma
inovação tecnológica capaz de otimizar os resultados da ação policial.
Por fim, é trazida a questão de proibir o uso de armas de fogo pelos policiais
quando do enfrentamento de movimentos sociais. Ora, entendemos ser esta uma
medida extremamente apropriada, desde que sejam oferecidas alternativas que
garantam a incolumidade dos policiais, visto que um grupo quase sempre reduzido
de policiais, conter uma multidão enfurecida e desorganizada, apenas com o uso da
força física, parece-nos uma medida um tanto quanto perigosa para os policiais.
Pode até parecer viável para quem está de longe, dentro de seus gabinetes
climatizados, discutindo sobre situações que nunca vivenciou, sem a mínima
capacidade de transpor essas barreiras institucionais, mesmo que em pensamento,
e colocar-se no lugar do policial, no calor e barulho desnorteantes de uma ação de
controle de distúrbios civis.

4.4 SEÇÃO 4 – VIOLÊNCIA POLICIAL NO BRASIL

A polícia no Brasil mata e fere, anualmente, centenas ou milhares de


pessoas, sendo conhecida como uma das mais violentas do mundo.

“Uma polícia violenta, com alto índice de letalidade em suas ações, é prova
inconteste do despreparo de seus integrantes, bem como, do Estado que
esta representa, pois todos sabem que o cidadão infrator não precisa morrer
para que a polícia possa obter êxito e reconhecimento social em suas
ações.”

O despreparo (imperícia, negligência ou imprudência), abuso de autoridade,


erro nas operações e a falta de instrumentos apropriados são os responsáveis pelo
alto grau de letalidade das polícias no Brasil.

Na maioria das operações das polícias o instrumento empregado é a arma


de fogo e, normalmente, armas de grosso calibre, com altíssimo poder de letalidade.

Conforme registram os alunos no projeto monográfico:


“O contexto social e político brasileiro, bem como os investimentos
realizados na área de tecnologia e segurança pública, demonstram
claramente um verdadeiro descaso com a integridade física ou mesmo com
a vida dos cidadãos que por motivação psicológica, social ou pessoal,
possam, em algum momento de suas vidas, envolver-se em ocorrências
policiais.”

O uso de arma de fogo em episódios envolvendo multidão, reféns, tentativas


de suicídio, etc., são na maioria dos casos desastrosos, com vítimas, quase sempre
fatais.

Análise da Seção 4

Nessa parte, o parecer traz à reflexão algumas considerações acerca do


grau de violência da polícia brasileira. São citados como fatores principais dessa
alta taxa de letalidade nas ações policiais a falta de capacitação do corpo policial,
como já discutimos na análise do trecho anterior, o abuso de autoridade, fruto de
uma falta de conscientização social, política e econômica daqueles que integram a
linha de frente na promoção da Segurança Pública, e, por fim, a falta de
instrumentos apropriados para uma ação não letal por parte da Polícia, questão
também já exaustivamente debatida nos itens anteriores.
A seguir, o presidente do Conselho extrai do projeto monográfico elaborado
por esses autores, argumentos que justificam uma indicação positiva quanto ao uso
da tecnologia não letal Taser pela Polícia Militar da Paraíba.
É então transcrito parágrafo de nossa autoria, onde analisamos o contexto
social, político e econômico brasileiro em que está inserida a questão da Segurança
Pública no nosso país. Os limitados investimentos nessa área tão importante para a
qualidade de vida do povo brasileiro denotam como a Segurança Pública em nosso
país está relegada a segundo plano, quiçá terceiro, tornando-se apenas mero objeto
de promessas eleitoreiras. Sendo assim, a criminalidade cresce assustadoramente,
obrigando os cidadãos de bem a manterem-se “encarcerados” em suas residências,
enquanto o crime organizado ostenta cada vez mais seu poder, desafiando
cotidianamente a autoridade dos poderes constituídos.

4.5 SEÇÃO 5 – TECNOLOGIA NÃO LETAL TASER

A partir da leitura do material teórico disponível, mas, sobretudo, após


assistir a vídeos e a uma apresentação do emprego da tecnologia TASER, armas
não-letais, podemos concluir que o seu uso pelos órgãos de segurança do Estado
da Paraíba representará um grande salto de qualidade no trabalho das polícias,
evitando mortes e feridos, tanto de inocentes quanto de pessoas envolvidas em atos
infracionais.
A tecnologia não letal TASER já vem sendo utilizada em vários países,
inclusive no Brasil, pela segurança do Senado Federal, e implicou numa redução
quase a zero dos eventos morte.
Registre-se que, como o sistema de saúde no Brasil é público, as despesas
decorrentes dessas lesões, fatais ou não fatais, representam um alto custo para o
Estado.
Não podemos esquecer, ainda apenas na questão de despesas, as ações
de indenizações, pensões, etc.
A tecnologia não letal TASER está direcionada para não violar a integridade
física das vítimas atingidas, “objetivando a simples paralisação da vítima, sendo que
não existem possibilidades de causar o efeito morte nos indivíduos, mesmo que haja
imperícia, imprudência ou negligência por parte do operador”.
Outra grande vantagem, se não fosse suficiente a não ocorrência de mortes,
é no combate aos casos de abuso de autoridade e desvios de conduta por parte de
policiais.
É que os modelos de arma não letal TASER dispõem de dispositivo (chip) de
memória que registra os disparos, data e hora.
Além disso, os cartuchos quando deflagrados espalham pequenos pedaços
de papel com um número de série que identifica a arma utilizada.

Análise da Seção 5

Nessa parte, o parecer encarrega-se de demonstrar que é fruto de uma


análise minuciosa do projeto da presente pesquisa, bem como das informações e
demonstrações trazidas durante o seminário promovido, o que leva o presidente do
Conselho a acreditar que a implementação da tecnologia não letal Taser pelo
Sistema de Segurança Pública estadual “representará um grande salto de qualidade
no trabalho das polícias”. Isto porque sua utilização reduzirá significativamente o
índice de letalidade e lesão corporal daqueles que necessitam ser contidos em uma
ação policial.
Ainda é ressaltada a questão econômica decorrente da implementação
desta tecnologia, visto que o Estado teria grande redução de custos com tratamento
de saúde dos feridos em confronto com a polícia e pagamento de indenizações a
vítimas de erros ou abusos cometidos por policiais em atividade.
Na etapa seguinte, o parecer destina-se a ressaltar o resultado não letal e
não lesivo da utilização da tecnologia Taser, posto que o único efeito provocado na
vítima do disparo é tão somente o de paralisação momentânea, não oferecendo
riscos a doentes cardíacos, mesmo aqueles que utilizam marca-passo, conforme
estudos realizados nos Estados Unidos e no Brasil.
Ainda é ressaltada a questão do controle do uso abusivo dessa tecnologia,
mediante dispositivos que permitem total monitoração de sua utilização, como micro
confetes e gravação de dados em chip de memória. Esses mecanismos garantem
a utilização dessa tecnologia de maneira oportuna e apropriada, sob pena de
responsabilidade daqueles que assim não o fizerem.

4.6 SEÇÃO 6 – RECOMENDAÇÃO SOBRE UTILIZAÇÃO DA TASER


Desta forma, diante dos dispositivos constitucionais e legais acima
transcritos, e pelos motivos expostos o Conselho Estadual dos Direitos do Homem e
do Cidadão é plenamente favorável ao uso da tecnologia não letal TASER pelos
órgãos de segurança do Estado da Paraíba, recomendando que o seu uso seja
empregado o mais rápido possível e assim possamos substituir os disparos mortais
de armas de fogo por disparos de choques sem nenhuma lesão para a vítima,
implementando, no seio das polícias, uma nova mentalidade de direitos humanos,
ao mesmo tempo que colocamos ao seu dispor uma tecnologia, instrumento de
trabalho, já existente e que tornará suas ações mais eficientes, menos dispendiosas
para o Estado, menos danosa para as vítimas e menos violentas.

Salvo melhor juízo.


João Pessoa, 28 de julho de 2006.

Noaldo Belo de Meireles


Presidente do Conselho Estadual dos
Direitos do Homem e do Cidadão do Estado da Paraíba

Análise da Seção 6

Essa á a parte conclusiva do parecer, onde o Conselho, através do seu


presidente, reconhece como legítima e eficaz a utilização da tecnologia não letal
Taser por parte da Polícia Militar do Estado da Paraíba, e pelos demais órgãos que
compõem o Sistema Estadual de Segurança Pública, posicionando-se
favoravelmente à sua implementação imediata. Mais que uma mera opinião, o
parecer constitui-se numa recomendação, com todo o embasamento legal que a
situação requer, de maneira que a aquisição e utilização da tecnologia proposta
dependem agora tão somente de medidas administrativas do Governo do Estado,
através dos órgãos de gestão da Segurança Pública da Paraíba.
O parecer é determinante e conclusivo: a tecnologia não letal Taser dará
início a uma nova forma de relação entre a Polícia e a sociedade paraibana, onde os
policiais terão a seu dispor uma alternativa viável e proporcional para a contenção
de pessoas em confronto com a força policial, garantindo sua segurança e a
integridade física daqueles envolvidos ou presentes em ocorrências policiais.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após ampla discussão acerca do tema selecionado como objeto de estudo


da presente pesquisa científica, que foi a utilização da arma não letal Taser pela
Polícia Militar do Estado da Paraíba - Parecer do Conselho Estadual de Direitos
Humanos - buscamos de forma clara e objetiva apresentar essa inovação
tecnológica como uma alternativa viável ao emprego de arma de fogo em um grande
número de situações de confronto entre a Polícia Militar e os cidadãos, infratores ou
não.
Desta feita, foram trazidos e analisados os dados disponíveis nas fontes
consultadas com vistas a subsidiar o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do
Homem e do Cidadão, representado na pessoa do seu presidente, Dr. Noaldo
Meireles, para emissão de um parecer recomendando às autoridades
administrativas estaduais, responsáveis diretas pela promoção da Segurança
Pública no âmbito do Estado da Paraíba, a aquisição e utilização imediata dessa
ferramenta tecnológica, objeto de análise do presente trabalho acadêmico.
Sendo assim, o seminário de apresentação da tecnologia não letal Taser
aos gestores da área de Segurança Pública estadual e ao já mencionado Conselho
destinou-se a complementar as informações constantes no Projeto de Pesquisa
repassado às mãos do seu presidente. Após minuciosa análise desse projeto e
atenta observação das informações e demonstrações realizadas durante o
seminário, o Conselho, através de seu presidente, emitiu parecer conclusivo acerca
da utilização da arma não letal Taser pela Polícia Militar e demais órgãos que
compõem o Sistema Estadual de Defesa Social. Esse parecer, que foi
minuciosamente analisado no capítulo anterior, reconhece como legítima e eficaz a
utilização dessa tecnologia nas ações de Segurança Pública. É determinante
quando afirma expressamente que o parecer constitui-se numa recomendação ao
Governo do Estado, enquanto responsável maior pela promoção da Segurança
Pública no âmbito estadual.
Necessária se faz ressaltar a competência legal do Conselho Estadual de
Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão para propor e recomendar estratégias
desse tipo, com embasamento em diversos dispositivos constitucionais, citados no
parecer e analisados no capítulo anterior. Além desses dispositivos da Constituição
Federal, ainda podemos citar a Lei estadual que cria e estabelece as competências
do Conselho, e o Plano Estadual de Direitos Humanos, construído a partir de duas
Conferências Estaduais de Direitos Humanos realizadas no nosso Estado.
Desta forma, fica mais que evidenciada a responsabilidade e competência
legal do Conselho em efetuar ações dessa natureza, posto que este órgão
deliberativo deve atuar em parceria com o poder público estadual para uma
promoção e garantia cada vez mais ampla e irrestrita da cidadania e dos direitos
humanos. O parecer aborda de maneira clara e objetiva o resultado positivo que a
implementação da tecnologia não letal Taser trará para o trabalho policial, visto que
reduzirá significativamente o índice de letalidade e lesão física das ações policiais.
Ressalta também, como ponto positivo, a questão do controle total de sua utilização
através dos mecanismos de controle existentes no equipamento, que permitem um
total monitoramento de seu emprego e a capacidade de submeter qualquer abuso a
penas de responsabilidade. Ainda traz à reflexão a questão econômica decorrente
da implementação dessa tecnologia, uma vez que o Estado teria considerável
redução de custos com tratamento de feridos em ação policial e/ou pagamento de
indenizações a vítimas de erros ou abusos policiais.
Por tudo isso, concluímos que a utilização da tecnologia não letal Taser pela
Polícia Militar da Paraíba consistirá em medida de extremo impacto positivo nos
resultados do trabalho policial, apresentando como efeito direto e imediato, a
diminuição da violência policial na mesma proporção de elevação dos índices de
satisfação da sociedade para com a atuação da polícia, dando início a uma nova era
na relação entre Estado, polícia e sociedade, muito mais confiável e harmônica.
Finalmente, apresentamos, abaixo, algumas sugestões de como poderia ser
viabilizada a utilização da arma não letal Taser pela Polícia Militar da Paraíba.
• Treinamento: a aquisição dos kits Taser, inclui, sem nenhum custo adicional,
curso de capacitação para manuseio e operação do equipamento destinado
àqueles policiais que irão utilizá-lo. Ainda dois ou três integrantes desta
Corporação deveriam ser formados instrutores Taser, a fim de que esses
policiais pudessem capacitar outros integrantes da PMPB, sem a necessidade de
contratação de pessoal da empresa fabricante do equipamento, gerando assim
economia de recursos públicos e facilidade de capacitação de novos operadores
Taser.
• Quantidade e distribuição: poderia ser adquirido um lote experimental de 10
kits Taser, sendo destinado um para cada Batalhão, contemplando assim todas
as Unidades da Corporação, inclusive as do interior. Os outros quatro kits
deveriam ser, um para o Grupo de Ações Táticas Especiais, por se tratar de
grupamento especializado destinado a atender ocorrências de alta complexidade,
e os outros três, um para cada subunidade isolada do 1º Batalhão - 1ª Cia em
Santa Rita, 3ª Cia em Bayeux e 4ª Cia em Cabedelo, abrangendo assim toda a
região metropolitana de João Pessoa.
• Pessoal: Inicialmente, em razão da quantidade restrita e de ser um
equipamento de alta tecnologia, que requer grande atenção e cuidado no seu
manuseio e operação, essas armas deveriam ser utilizadas por Oficiais, sendo
eles os Oficiais Coordenadores de Policiamento das Unidades e Subunidades
contempladas e pelo Oficial de Operações do GATE.
• Perspectivas futuras: Após dois anos de utilização, com a devida
comprovação, na prática, dos resultados positivos teoricamente apresentados
neste trabalho, poderiam ser adquiridos novos lotes, de acordo com a
capacidade de investimentos do Governo do Estado, inclusive em parceria
com o Governo Federal, através da Secretaria Nacional de Segurança
Pública, de maneira a contemplar as Subunidades e Pelotões isolados do
Interior, além de estender a utilização da Taser às guarnições de Rádio
Patrulhamento, que são as frações de tropa que cotidianamente se deparam
com ocorrências de toda natureza, muitas delas com a necessidade de
utilização desta importante ferramenta tecnológica, a Taser.
• Exemplo nacional: a Paraíba tem a possibilidade de ser pioneira no Brasil,
enquanto Polícia Militar, na utilização dessa inovadora tecnologia, podendo
servir de exemplo positivo para todas as outras Corporações brasileiras,
inclusive aquelas de porte estrutural muito superior a nossa pequena grande
Polícia Militar do Estado da Paraíba.
REFERÊNCIAS

BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.


Brasília, DF: Senado, 1988.

KOKOSKY, R. Non-lethal Weapons. A Case Study of New Technology


Developments, 1994

BITTNER, Egon. Aspectos do trabalho policial. São Paulo. EDUSP, 2003.

SKOLNICK, Jerome. BAYLEY, David. Nova Polícia. São Paulo. EDUSP, 2002.

TASER INTERNATIONAL. United States of América. Disponível em


www.taser.com, acessado em 06 de maio de 2006.

ROOS, Francis Gomes. O emprego de armas não letais em operações de


garantia da lei e da ordem. Resende: AMAN, 2004.

CLANCY, Tom. ALEXANDER, John. Armas não letais. São Paulo: Ática, 2002.

COUTO, Márcio S. H. Munições Não Letais. Revista Magnum, São Paulo, ano 13,
n. 79, p. 54-61, Jun/Jul 2002.

HERBERT, Dennis B. Armas Não Letais: das Aplicações Táticas às


Estratégicas. Military Review Brazilian. Kansas, EUA, v. 81, p. 47-53,
Set/Out/Nov/Dez, 2001.

ALEXANDER, John B. Armas Não Letais: alternativas para os conflitos do


século XXI. Rio de Janeiro. Welser-Itage: Condor, 2003.

BEARY, Kevin. Sheriff do condado de Orange – LA – CD divulgação da Taser.


Discurso realizado em 2002.
ANEXOS
ANEXO 1
TERMO DE CONSENTIMENTO PARA PUBLICAÇÃO DO PARECER
DO CONSELHO ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DO
HOMEM E DO CIDADÃO DO ESTADO DA PARAÍBA
TERMO DE CONSENTIMENTO

CONSELHO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS DO ESTADO DA PARAÍBA

Título: A UTILIZAÇÃO DA ARMA NÃO LETAL TESER PELA POLICIA MILITAR DA


PARAIBA: PARECER DO CONSELHO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS.
Pesquisadores: CAP PMAC DANTAS e CAP PMPB FABIANO
Forma de Contato: (83) 9127 0986 – 3228 0281
Local de Estudo: Academia de Polícia Militar do Cabo Branco – João Pessoa/PB

Autorizo, a publicação do inteiro teor do parecer exarado pelo Conselho


Estadual de Direitos Humanos da Paraíba, que vai servir, como fundamentação
teórica para a confecção do trabalho monográfico do Curso de Especialização em
Segurança Pública – CESP/2006. Declaro ainda, concordar com a total
utilização, sabendo ademais, a respeito que: I) O trabalho será coordenado pelos
pesquisadores; II) Está garantido o esclarecimento em qualquer momento no que
julgar necessário; III) O trabalho monográfico servira de base para buscar a
proteção da vida dos cidadãos.

________________________, PB, _____ de julho de 2006.

_______________________________________________
Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos
ANEXO 2
PARECER DO CONSELHO ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS
DO HOMEM E DO CIDADÃO DO ESTADO DA PARAÍBA
Estado da Paraíba
Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão
CEDDHC - Lei nº 5.551/92

PARECER Nº 001/2006

EMENTA: Emite parecer sobre as


expectativas do Conselho sobre o
uso de tecnologia não letal (TASER)
pelos órgãos de segurança do
Estado da Paraíba e adota outras
providências.

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão do


Estado da Paraíba – CEDDHC-PB recebe, com pedido de emissão de Parecer por
parte do Conselho, o projeto de monografia “A UTILIZAÇÃO DA ARMA NÃO LETAL
TASER PELA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO PARAÍBA: PARECER DO
CONSELHO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANANOS”, dos estudantes Glayson
Jean Moreno Dantas e Fabiano Mendes de Medeiros.

O projeto monográfico “A UTILIZAÇÃO DA ARMA NÃO LETAL TASER


PELA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO PARAÍBA: PARECER DO CONSELHO
ESTADUAL DE DIREITOS HUMANANOS” foi apresentado à Coordenação do Curso
de Especialização em Segurança Pública do Centro de Ensino da Polícia Militar do
Estado da Paraíba como requisito obrigatório para a conclusão do citado curso de
Especialização.

Acontece que, como o mandato do Conselho é de dois anos, nos termos do


art. 2º, § 3º da Lei nº 5.551/92, o mandato dos membros do Conselho termina no 01
de agosto de 2006, e não haverá mais reuniões do Pleno do Conselho, neste
mandato.

Considerando que o processo de formação dos membros do Conselho é


lento e, às vezes, dura meses, pois depende que as Entidades que compõem o
Conselho façam a indicação dos seus representantes e, assim, seja formada a lista
que será enviada ao Governador do Estado para publicação no diário oficial do
estado.

Desta forma, se formos esperar a formação nova composição do Conselho,


os estudantes teriam que elaborar uma outra proposta de projeto monográfico,
devido aos prazos estabelecidos;
Considerando, principalmente, a relevância do tema, diante dos dispositivos
constitucionais e legais a seguir referidos, o Presidente do Conselho resolve emitir o
presente parecer, devendo o mesmo, posteriormente, ser referendado pelo Pleno do
Conselho, nos termos do art. do Regimento Interno.

Caso o presente parecer seja ratificado ou referendo pelo Pleno do


Conselho tornar-se-á uma Recomendação ao Governo do Estado da Paraíba e aos
seus órgãos de segurança.

A Lei estadual nº 5.551/92 que criou o Conselho Estadual de Defesa


dos Direitos do Homem e do Cidadão do Estado da Paraíba – CEDDHC-PB e
estabeleceu como competência do Conselho, dentre outras, conforme art. 5º da
citada Lei, que:

“Art. art. 5º - Compete ao Conselho:

II – propor as diretrizes para o poder público estadual atuar nas


questões de direitos do homem e do cidadão;
III – auxiliar o poder público estadual a desenvolver suas atividades
dentro do respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana;
IV – propor mecanismos legais que permitam a institucionalização da
promoção e defesa dos direitos do homem e do cidadão, como missão
primordial do poder público estadual;”

A Constituição Federal consagrou o princípio da dignidade da pessoa


humana como fundamento da República Federativa do Brasil, nos termos do art. 1º,
inciso III.

A Constituição Federal instituiu como direito fundamental de todos e


todas “a igualdade perante à lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à segurança”, conforme caput do art. 5º.

A Constituição Federal, também, inscreveu como direito fundamental


de todos e todas, respectivamente nos incisos XLIX e LVII, que “é assegurado aos
presos o respeito à integridade física e moral” e que “ninguém será considerado
culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

O art. 144, caput, da Constituição Federal estabelece que a segurança


pública é exercida para a preservação da incolumidade das pessoas:

“Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e


responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”;

O § 6º do art. 144 da Constituição Federal estabelece que a polícia


militar, responsável pela polícia ostensiva e pela preservação da ordem pública, e a
polícia civil, responsável pelas funções de polícia judiciária e a apuração de
infrações penais, estão subordinadas aos Governadores dos Estados;
A Primeira Conferência Estadual de Direitos Humanos, realizada nos
dias 15 e 16 de março de 2002, aprovou o Plano Estadual de Direitos Humanos.
A Segunda Conferência Estadual de Direitos Humanos, realizada nos
dias 22 e 23 de maio de 2004, atualizou o Plano Estadual de Direitos Humanos;

O Plano Estadual de Direitos Humanos estabeleceu como diretrizes


para a temática dos Direitos Humanos, Segurança e Justiça, dentre outras questões,
que:

“21. Aperfeiçoar critérios para seleção e promoção de policiais, de


forma a valorizar e incentivar o respeito à lei, ao uso limitado da força,
a defesa dos direitos dos cidadãos e da dignidade humana no
exercício da atividade policial.
36. Apoiar programas de aperfeiçoamento profissional de policiais
militares e civis por meio da concessão de bolsas de estudo e
intercâmbio com polícias de outros estados e países, para fortalecer
estratégias de policiamento condizentes com o respeito à lei, uso
limitado da força, defesa dos direitos dos cidadãos e da dignidade
humana.
57. Incentivar programas de capacitação das polícias, com a
necessária e urgente renovação e modernização dos equipamentos de
prestação da segurança pública.
87. Proibir o uso de armas de fogo e de animais, por parte das Polícias
Civil e Militar no enfrentamento dos movimentos sociais.”

As polícias no Brasil matam e ferem, anualmente, centenas ou milhares


de pessoas, sendo conhecida como uma das mais violentas do mundo.

“Uma polícia violenta, com alto índice de letalidade em suas ações, é


prova inconteste do despreparo de seus integrantes, bem como, do
Estado que esta representa, pois todos sabem que o cidadão infrator
não precisa morrer para que a polícia possa obter êxito e
reconhecimento social em suas ações.”

O despreparo (imperícia, negligência ou imprudência), abuso de


autoridade, erro nas operações e a falta de instrumentos apropriados são os
responsáveis pelo alto grau de letalidade das polícias no Brasil.

Na maioria das operações das polícias o instrumento empregado é a


arma de fogo e, normalmente, armas de grosso calibre, com altíssimo poder de
letalidade.

Conforme registram os estudantes no projeto monográfico:

“O contexto social e político brasileiro, bem como os investimentos


realizados na área de tecnologia e segurança pública, demonstram
claramente um verdadeiro descaso com a integridade física ou mesmo
com a vida dos cidadãos que por motivação psicológica, social ou
pessoal, possam, em algum momento de suas vidas, envolver-se em
ocorrências policiais.”

O uso de arma de fogo em episódios envolvendo multidão, reféns,


tentativas de suicídio, etc., são na maioria dos casos desastrosos, com vítimas,
quase sempre fatais.

A partir da leitura do material teórico disponível, mas, sobretudo, após


assistir a vídeos e a uma apresentação do emprego da tecnologia TASER, armas
não-letais, podemos concluir que o seu uso pelos órgãos de segurança do Estado
da Paraíba representará um grande salto de qualidade no trabalho das polícias,
evitando mortes e feridos, tanto de inocentes quanto de pessoas envolvidas em atos
infracionais.

A tecnologia não letal TASER já vem sendo utilizada em vários países,


inclusive no Brasil, pela segurança do Senado Federal, e implicou numa redução
quase a zero dos eventos morte.

Registre-se que, como o sistema de saúde no Brasil é público, as


despesas decorrentes dessas lesões, fatais ou não fatais, representam um alto
custo para o Estado.

Não podemos esquecer, ainda apenas na questão de despesas, as


ações de indenizações, pensões, etc.

A tecnologia não letal TASER está direcionada para não violar a


integridade física das vítimas atingidas, “objetivando a simples paralisação da vítima,
sendo que não existem possibilidades de causar o efeito morte nos indivíduos,
mesmo que haja imperícia, imprudência ou negligência por parte do operador”.

Outra grande vantagem, se não fosse suficiente a não ocorrência de


mortes, é no combate aos casos de abuso de autoridade e desvios de conduta por
parte de policiais.

É que os modelos de arma não letal TASER dispõem de dispositivo


(chip) de memória que registra os disparos, data e hora.

Além disso, os cartuchos quando deflagrados espalham pequenos


pedaços de papel com um número de série que identifica a arma utilizada.

Desta forma, diante dos dispositivos constitucionais e legais acima


transcritos, e pelos motivos expostos o Conselho Estadual dos Direitos do Homem e
do Cidadão é plenamente favorável ao uso da tecnologia não letal TASER pelos
órgãos de segurança do Estado da Paraíba, recomendando que o seu uso seja
empregado o mais rápido possível e, assim possamos substituir os disparos mortais
de armas de fogo por disparos de choques sem nenhuma lesão para a vítima,
implementando, no seio das polícias, uma nova mentalidade de direitos humanos,
ao mesmo tempo que colocamos ao seu dispor uma tecnologia, instrumento de
trabalho, já existente e que tornará suas ações mais eficientes, menos dispendiosas
para o Estado, menos danosa para as vítimas e menos violentas.
Salvo melhor juízo.

João Pessoa, 28 de julho de 2006.

Noaldo Belo de Meireles


Presidente do Conselho Estadual
dos Direitos do Homem e do Cidadão do Estado da Paraíba
ANEXO 3
PORTARIA DO EXÉRCITO CONSIDERANDO A TASER ARMA DE
USO RESTRITO
ANEXO 4
ESTUDO NORTE AMERICANO SOBRE OS RISCOS DE INDUZIR
VIBRILAÇÃO VENTRICULAR POR APLICAÇÃO EXTERNA DA
TASER
ANEXO 5
PARECER DE CARDIOLOGISTA BRASILEIRO SOBRE POSSÍVEIS
DANOS À SAÚDE CAUSADOS PELO USO DA TASER