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Universidade Federal de Santa Catarina

Programa de Pós-graduação em

Engenharia de Produção

ANÁLISE ERGONÔMICA DO POSTO DE TRABALHO DO

ARMADOR DE FERRO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Dissertação de Mestrado

Walney Gomes da Silva

Florianópolis

2001

ANÁLISE ERGONÔMICA DO POSTO DE TRABALHO DO

ARMADOR DE FERRO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Universidade Federal de Santa Catarina

Programa de Pós-graduação em

Engenharia de Produção

ANÁLISE ERGONÔMICA DO POSTO DE TRABALHO DO

ARMADOR DE FERRO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Walney Gomes da Silva

Dissertação apresentada ao Programa de

Pós-Graduação em Engenharia de Produção da

Universidade Federal de Santa Catarina como

requisito parcial para obtenção do Título de

Mestre em Engenharia de Produção.

Florianópolis

2001

Walney Gomes da Silva

ANÁLISE ERGONÔMICA DO POSTO DE TRABALHO DO

ARMADOR DE FERRO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Esta dissertação foi aprovada para a obtenção do título

de Mestre em Engenharia de Produção no Programa de Pós-

Graduação em Engenharia de Produção da Universidade de

Santa Catarina

Florianópolis, 25 de Setembro de 2001.

Prof. Ricardo Miranda Barcia, Ph. D. Coordenador do Curso

Prof. Neri dos Santos, Dr. Ing.

BANCA EXAMINADORA

Orientador

Profª. Ana Regina Aguiar Dutra. Dr.ª Eng.

Profª. Eliete de Medeiros Franco, Dr.ª Eng.

A minha esposa, Renata ao meu filho, Anderson que souberam aceitar as minhas ausências durante este período. Aos meus pais, Severino José e Maria das Neves Por todo amor, carinho e incentivo durante toda vida.

1 Primeiramente a Deus.

Agradecimentos

A Universidade Federal de Santa Catarina.

Ao Prof. Neri dos Santos pelo apoio e estimulo na

orientação. A Profª. Eliete de Medeiros Franco pela grande ajuda no desenvolvimento do trabalho.

A Profª. Ana Regina Aguiar Dutra pelas sugestões feitas a melhoria do trabalho.

A todos os professores do curso, pelos

conhecimentos passados. Ao meu grande Amigo Gilson Garcia da Silva, pela grande ajuda que foi dada , e também a meu Amigo Roberto José por sua ajuda na fase final. Aos vinte nove companheiros de curso, na qual tive o prazer de conviver durante este período de aprendizagem, especialmente aos colegas do Cefet / Mossoró, Aleksandro, Francisco de Assis, Manoel Dias, Sérgio Pedrosa.

Aos meus irmãos Gerlane, Wesley e Girlene e meu

sobrinho Gabriel, pelo carinho e incentivo.

À empresa pesquisada por fornecer todas as informações solicitadas , a seu Engenheiro Isoares

de Oliveira Martins, e aos trabalhadores que

contribuíram para a realização deste trabalho.

A todos que direta ou indiretamente ajudaram para a

realização deste trabalho de dissertação.

SUMÁRIO

Listas de Figuras e Gráficos

p.

viii

Listas de Quadros

p.

x

Listas de Reduções

p.

xii

Resumo

p.

xiii

Abstract

p.

xiv

1 CAPITULO 1

p.

1

1.1

Apresentação

p.

1

1.2

Objetivos do Trabalho

p.

3

1.2.1

Objetivo Geral

p.

3

1.2.2

Objetivos Específicos

p.

3

1.3

Questões de Pesquisa a Investigar

p.

4

1.4

Justificativa

p.

4

1.5

Estrutura do Trabalho

p.

5

1.6

Limitações do Trabalho

p.

5

2

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-EMPÍRICO

p.

6

2.1

Introdução

p.

6

2.2

Ergonomia

p.

7

2.2.1

Abordagens em Ergonomia

p.

9

2.2.2

Fases da Análise Ergonômica do Trabalho

p.10

2.2.3

Postura

p.

15

2.3

Caracterização do Setor da Construção Civil

p.17

2.3.1

Subsetor da Construção Civil – Edificações

p.23

2.3.2

Construção Civil no Nordeste do País

p.25

2.4

Ergonomia no Setor da Construção Civil no Brasil

 

p.29

3 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

p.32

3.1

Introdução

p.32

3.2

Análise Ergonômica do Posto de Trabalho do Armador de Ferro da Construção Civil

p.32

3.2.1

Análise da Demanda

p.33

3.2.1.1 Objetivos da Demanda

p.34

3.2.1.2 Hipótese Formulada à Partir da Demanda

p.34

3.2.2

Análise da Tarefa

p.35

3.2.2.1

Descrição dos Componentes do Sistema

Homens-Tarefa

 
 

p.35

3.2.2.2

Características da População – Dados Referente

ao Armador

p.36

3.2.2.3 Ambiente Organizacional

p.39

3.2.2.4 Ambiente Físico

p.40

3.2.2.5 Descrição da Tarefa do Armador de Ferro

3.2.3 Análises das Atividades

p.40

p.42

3.2.3.1 Descrição das Atividades de Trabalho

p.43

3.2.3.2 Aspectos Físicos Ambientais

p.46

3.2.3.3 Aspectos Organizacionais

p.46

3.2.4

Análise da Postura de Trabalho

p.47

3.2.4.1 Método OWAS

p.47

3.2.4.2 Resultado da Análise das Posturas

Assumidas com o Método OWAS p.62

3.2.4.3 Seqüência de Fotos com o Método OWAS

4 RECOMENDAÇÕES

p.85

p.65

5

CONCLUSÕES

p.88

6

BIBLIOGRAFIA

p.89

7

ANEXOS

p.92

7.1

Questionário para Levantamento de Dados para Estudo Ergonômico

p.93

Tabulação dos Dados com Base na Entrevista e Observações Feitas no Local de Trabalho

7.2

p.95

7.3 Fotos do Posto do Armador de Ferro

p.96

7.4 Relatório do WinOwas

p.100

Listas de Figuras e Gráficos

Figura 1: Índice de Empregados na Construção Civil

de 1998 a 2000

 

p.

24

Figura 2: Trabalhador Processando Corte

p.

54

Figura 3: Tela Inicial do Programa WinOwas

p.

55

Figura 4: Tela Menu Observação do WinOwas

p.

56

Figura 5: Fases do Trabalho da ser Analisado

p.

57

Figura 6: Informações do Estudo

p.

58

Figura 7: Dados Iniciais da Análise do Método Owas Figura 8: Tela de Recomendações da Ação Conforme

p.

59

Categoria do Método Owas Figura 9: Categoria das Ações das Partes

p.

60

2

Analisadas da Postura

p.

61

Figura 10 : Máquina Desenroladeira e Cortadora de Ferro para Estribos

p.

66

3 Figura

11:

Máquina

p. 67

Policorte

Figura 12: Posição para Início do Corte de Ferro

p.

68

Figura 13: Posição de Corte de Ferro pelo Operário

p.

69

Figura 14: Posição de Dobragem de Estribo – 1

p.

70

Figura 15: Posição de Dobragem de Estribo – 2

p.

71

Figura 16: Posição de Dobragem de Estribo – 3

p.

72

Figura 17: Posição de Dobragem de Estribo – 4

p.

73

Figura 18: Início da Dobragem, Pegar a Chave

p.

74

Figura 19: Movimento para Dobragem com a Ferramenta

p.

75

Figura 20: Movimento Final para Dobragem

com a Ferramenta

p.

76

Figura 21: Colocação d os Estribos com os Vergalhões Figura 22: Colocação dos Estribos com os Vergalhões

p.

77

Para Vigas – 1 Figura 23: Colocação dos Estribos com os Vergalhões

p.

78

Para Vigas – 2 Figura 24: Colocação dos Estribos com os Vergalhões

p.

79

Para Vigas – 3

p.

80

Figura 25: Colocação da Ferragem na Laje

p.

81

Figura 26: Amarração da Ferragem com arame para Laje Figura 27: Colocação das Cocadas para Garantir

p.

82

o Cobrimento para Laje

p.

83

Figura 28: Amarração da Ferragem com Arame Figura 29: Local de Armazenamento da Ferragem

p.

84

Separada por Diâmetro

p.

97

Figura 30: Ferragem Dobradas Separadas para Uso

p.

97

Figura 31: Bancada de Dobragem de Ferro

p.

98

Figura 32: Chave Utilizada para Dobrar Ferro até 16 mm

p.99

Figura 33: Chave Utilizada para Dobrar Ferro apartir de 25 mm

p.99

Listas de Quadros

Quadro 1: Esquema metodológico da análise ergonômica do trabalho

p.12

Quadro 2: Características segundo os sub-setores

p.18

Quadro 3: Demonstrativo do PIB da indústria da Construção Civil

p.20

Quadro 4: Número dos Empregados para Subsetor

p.

21

Quadro 5: Taxa média anual de crescimento do PIB real do Brasil e Região Nordeste 1960 a 1997 Quadro 6: Taxa média anual de crescimento do PIB real, segundo as principais atividades econômicas

p.25

1990

a 1997

p.26

Quadro 7: Variação do produto interno bruto real, segundo

a

atividade econômica

p.27

Quadro 8: Listagens de Trabalhos de Ergonomia na Construção Civil Realizados no Brasil p.29

Quadro 9: Composição do Código do Método Owas

p.48

Quadro 10: Classe das postura do método Owas

p.50

Quadro 11: Determinação da Classe de Constrangimento da Postura instantânea

p.51

Quadro 12: Determinação da Classe de Constrangimento da Seqüência de Postura no Tempo Quadro 13: Relação entre Postura impróprias

p.52

e os problemas de saúde apresentados nas situações Analisadas

p.86

Quadro 14: Comparação entre as Medidas Reais e as Recomendadas

p.95

Listas de Reduções

Abreviaturas

Freq. = Freqüência

Siglas

ABPA – Associação Brasileira de Psicologia

BNH – Banco Nacional de Habitação

CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados

CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção

FGV – Fundação Getúlio Vargas

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

ISSO

9002

International

Organization

for

Management System

Isop/FGV

Instituto

Superior

Standardization

de

estudos

e

Psicossociais da Fundação Getúlio Vargas

Quality

Pesquisa

OWAS – Ovaco Working Posture Analysing System

PIB – Produto Interno Bruto

PBQP-H – Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat

Rais – Relação Anual de Informações Sociais

SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste

Resumo

DE

CIVIL.

Florianópolis, 2001. 134 f. Dissertação ( mestrado em engenharia de produção ) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, 2001.

SILVA,

TRABALHO

Walney

DO

Gomes.

ANÁLISE

DE

ERGONÔMICA

NA

DO

POSTO

ARMADOR

FERRO

CONSTRUÇÃO

A tarefa do armador de ferro é uma das mais importantes na construção civil, principalmente no subsetor edificações, por se tratar de uma atividade que é realizada em todas as obras que possuem concreto armado. Este profissional é responsável pelo corte, montagem e colocação da ferragem nas peças estruturais a serem futuramente concretadas. O presente trabalho pretende mostrar que a atividade exercida pelo armador de ferro apresenta posturas inadequadas e gestos repetitivos, causando grande esforço físico para realização do seu serviço diário. Baseado na metodologia da Análise Ergonômica do Trabalho (AET), com a utilização do método de análise postural OWAS. Visitas sistemáticas foram realizadas, sendo aplicada as técnicas de observações armadas (registros fotográficos) e entrevistas feitas no local de trabalho para a análise do posto. O tratamento dos dados referentes as posturas foram obtido pelo programa WinOwas. E com base no diagnóstico foram elaboradas as recomendações ergonômicas para melhoria das condições de trabalho e produtividade deste operário no processo construtivo do subsetor de edificações.

Palavras-chaves: Ergonomia, Construção Civil, Armador de Ferro, Owas;

Abstract

SILVA,

Walney

Gomes.

ANÁLISE

ERGONÔMICA

DO

POSTO

DE

TRABALHO

DO

ARMADOR

DE

FERRO

NA

CONSTRUÇÃO

CIVIL.

Florianópolis,

2001.

134

f.

Dissertação

( mestrado em engenharia de

produção ) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção,

UFSC, 2001.

The task of metalworker is one of the most important in the civil construction,

mainly in the subsetor edifications, for being

all the works that possess armed concrete. This professional is responsible for the court, assembly and placement of the ironwork in the structural pieces to be after concreted. The present work intends to show that the activity exercised by the metalworker presents inadequate postures and repetitive gestures, causing great physical effort for accomplishment of his daily service. Based on the methodology of the Ergonomic Analysis of the Work, with the use of the method of postural analysis OWAS. Systematic visits were accomplished, being applied the techniques of assembled observations (photographic registrations) and interviews done in the work place for the analysis of the position. The treatment of the referring data the postures were obtained by the program WinOwas. And with base in the diagnosis the ergonomic recommendations were elaborated for improvement of the work conditions and this worker's productivity in the constructive process of the subsetor of edifications.

an activity that is accomplished in

Key-Words : Ergonomics, Civil Construction, Metalworker, Owas;

4

CAPÍTULO 1

1.1 Apresentação

No

contexto

de

um

mundo

globalizado,

as

empresas

estão

constantemente buscando novas tecnologias, visando a melhoria dos produtos

e dos

serviços

prestados,

e

com

isto

garantir

a

sua

sobrevivência.

As

inovações acontecem tanto no processo produtivo como também na gestão da

organização

das

empresas.

Mas,

alguns

problemas

aparecem

durante

a

implantação destas modificações, em sua maioria no aspecto humano, onde o

homem tem que se adaptar a todas estas mudanças no processo de produção,

e estas

mudanças

muitas

vezes

não

se

adequa

ao

homem,

que

está

diretamente ligado ao processo produtivo. E a Ergonomia é exatamente esta

ferramenta de ligação entre homem–máquina ou seja é o estudo da adaptação

do

trabalho ao homem (Iida, 1990).

 
 

A Ergonomia tem como principais objetivos segurança, satisfação

e

o

bem-estar

dos

trabalhadores

no

seu

relacionamento

com

sistemas

produtivos. Ela surgiu com grande impacto durante a II Guerra mundial, onde

necessitou-se de uma adaptação das novas tecnologias ao homem para

melhorar o seu desempenho, e também na utilização destas para os processos

de

produção.

As

mudanças

feitas

nos

layout

de

produção,

reprojeto

de

ferramentas

e

várias

melhorias

das

condições

do

local

de

trabalho,

e

modificações nos movimentos biomecânicos tiveram de ser realizadas durante

o processo de produção para facilitar o trabalho do ser humano.

A Ergonomia melhora as condições de trabalho aumentando a

eficiência, reduzindo o desconforto físico e os custos humanos, aumentando

com isso a produção. Estes conflitos aparecem na forma de custo humano para

os trabalhadores na forma de fadiga, doenças profissionais, lesões temporárias

ou permanentes, mutilações, mortes, incidentes, erros excessivos, paradas não

controladas, lentidão e outros problemas de desempenho. Gerando acréscimo

nos custo da produção, desperdício de matérias-primas, baixa qualidade dos

produtos executados (Moraes, 2000).

Para se obter uma produção desejada tem que haver uma grande

interação entre o homem, sistema produtivo e a organização. Esta interação é

muito difícil de ser alcançada pois as empresas tem limitações quanto aos

problemas organizacionais, com áreas inadequadas para o desenvolvimento

das tarefas, bem como ferramentas e equipamentos, que quando utilizados são

feito de forma inadequada. Estas empresas em sua grande maioria não

utilizam os conhecimentos da ergonomia para alcançar estes objetivos.

A

construção civil

ergonomia

é

ainda

hoje

pouco

aplicada

na

indústria

da

e principalmente no subsetor

edificações, onde os operários

são mais exigidos do que em outros setores da indústria , sendo na maioria das

vezes

o

processo

manualmente,

sendo

de

trabalho

é

com

base

manufatureira,

executando

utilizado

ferramentas

pequenas

e

rudimentares

no

desenvolvimento de suas tarefas. Estes operários, não são treinados para

melhorar suas posturas no levantamento de peso, utilização de ferramentas ou

simplesmente

nos

movimentos

feitos

durante

o

desenvolvimento

do

seu

trabalho.

1.2

Objetivos do Trabalho

1.2.1 Objetivo Geral

O objetivo geral do trabalho é analisar o posto de trabalho do

armador de ferro, com os conhecimentos da ergonomia, visando melhorar as

condições de trabalho no processo construtivo da construção civil.

1.2. 2 Objetivos Específicos

Como objetivo específicos, busca-se :

- Levantar

referencial

teórico

Ergonomia,

caracterização

do

sobre

setor

os

na

seguintes

temas:

construção

civil,

ergonomia no setor da construção civil, método OWAS.

- Realizar uma análise ergonômica do trabalho

armador de ferro.

no posto do

- Identificar

as

posturas

e

gestos

constrangedores

para

o

armador de ferro, a partir do método OWAS.

 

- Elaborar

recomendações

ergonômicas

para

melhorar

as

condições de trabalho do armador de ferro, visando a redução

da carga física.

1.3

Questão de Pesquisa a Investigar

A análise ergonômica do trabalho no posto do armador de ferro no

subsetor edificações, contribui para melhorar as condições de trabalho e

consequentemente

reduzir

a

carga

física

gerada

pelas

posturas

constrangedoras no desenvolvimento de suas atividades, avaliadas à partir do

método OWAS.

1.4 Justificativa

O setor da construção civil constitui um vasto campo de atuação

para

a

econômica

e

para

o

desenvolvimento

do

país,

conforme

dados

estatísticos que serão apresentados na caracterização do setor da construção

civil.

Com

aplicação

da

ergonomia

na

construção

civil

podemos

verificar : Os vários fatores que causam danos a saúde dos operários. Os

fatores que interferem no melhor desenvolvimento da atividade produtiva dos

trabalhadores, elevando sua produção, sem prejuízo a sua capacidade de

trabalho.

Esta

pesquisa

mostra

as

vantagens

da

aplicação

dos

conhecimentos em ergonomia como importante ferramenta na análise do posto

de trabalho e o método Owas para verificação das condições de trabalho deste

posto de trabalho.

1.5 Estrutura do Trabalho

Esta dissertação esta dividida em quatro capítulos. O primeiro é

composto

pela

introdução

do

trabalho

,objetivos,

pergunta

de

pesquisa,

relevância, estrutura e limitações do trabalho.

No Capítulo 2 é apresentado a revisão bibliográfica sobre:

Ergonomia, a caracterização do setor da Construção Civil, o posto do armador

de ferro, Ergonomia e o setor da Construção Civil.

No Capítulo 3 é apresentado a análise ergonômica do trabalho do

armador de ferro na construção civil no subsetor edificações, mostrando todos

os

pontos

importante

para

um

melhor

aproveitamento

das

condições

de

trabalho e fazendo modificações no posto observado.

No Capítulo 4 é apresentado as conclusões e as recomendações

para trabalhos futuros.

1.6 Limitações do Trabalho

A análise ergonômica, desenvolvida neste trabalho, não

leva em

consideração os aspectos cognitivos e sim os aspectos posturais do ferreiro na

realização de sua atividade no canteiro de obras, e também os resultados

obtidos não podem ser generalizados, por se tratar de um estudo qualitativo.

2

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO - EMPÍRICO

2.1

Introdução

Neste

capítulo

será

feito

uma

fundamentação

teórica

dos

seguintes itens : Ergonomia, Setor da Construção Civil , Posto do Armador de

Ferro e a Ergonomia no Setor da Construção Civil.

A construção civil constitui um setor com grande campo de

atuação e de grande importância econômica para o desenvolvimento da

sociedade. Este setor possui diferenças, tanto no que se diz respeito aos

serviços desenvolvidos por elas, como também em função do porte das

empresas que atuam neste importante setor econômico.

A construção civil é dividida em áreas de atuação: construção

pesada, construção predial e prestadoras de serviços nos diversos segmentos

de obras. As empresas que atuam neste setor também são divididas em:

empresas de grande porte, médio porte, microempresas.

O subsetor edificações caracteriza-se por ser um dos segmentos

que envolve um maior número de empresas atuante no setor da indústria da

construção.

O estudo de caso realizado nesta pesquisa será no subsetor

edificações enfocando a análise ergonômica do trabalho do posto do armador

de

ferro,

que

é

um dos principais funções da fase de estrutura para as

construção de edificações, devido ao grande volume de concreto armado

utilizado nas construções.

2.2

Ergonomia

A ergonomia desenvolveu-se durante a II Guerra Mundial quando,

pela primeira vez, houve uma conjugação sistemática de esforços entre a

tecnologia e as ciências humanas. Fisiologistas, Psicólogos, Antropólogos,

Médicos

e

Engenheiros

trabalharam

juntos

para

resolver

os

problemas

causados pela operação de equipamentos militares complexos. Os resultados

desse esforço interdisciplinar foram tão gratificantes que foram aproveitados

pela indústria, no pós-guerra (Dul & Weerdmeester,1995).

O termo ergonomia é formado dos termos gregos ergo, que

significa trabalho e nomos, que significa regras, leis naturais. Este termos já

tinha sido anteriormente usado

pelo polonês Woitej Yastembowsky (1857) que

publicou um artigo intitulado “Ensaios de ergonomia ou ciência do trabalho,

baseada nas leis objetivas da ciência sobre a natureza”, mas foi só a partir da

fundação, no início da década de 50, da Ergonomics Research Society, na

Inglaterra, que a ergonomia se expandiu no mundo industrializado (Iida,1993).

O termo ergonomia foi adotado nos principais países europeus,

onde se fundou a Associação Internacional de Ergonomia (IEA), que realizou o

seu primeiro congresso em Estocolmo, em 1961. Nos Estados Unidos foi criada

a Human Factors Society em 1957 e até hoje o termo mais usual naquele país

continua sendo Human Factors (Fatores Humanos), embora ergonomia já seja

aceito como sinônimo (Iida,1993).

Atualmente a IEA representa as associações de ergonomia de

quarenta diferentes países, com um total de quinze mil sócios. (No Brasil, a

Associação

Brasileira

de

Ergonomia

foi

fundada

em

filiada à IEA) (Dul & Weerdmeester,1995).

1983

e

também

é

O primeiro seminário brasileiro sobre ergonomia foi realizado no

Rio de Janeiro, promovido pela ABPA (Associação Brasileira de Psicologia

Aplicada) e pelo Isop/FGV.

A principal

finalidade

da

Ergonomia

é

projetar

máquinas,

equipamentos e ambientes adequados ao uso humano, reduzir a fadiga e os

desconfortos

físicos

do

ausências

no

trabalho

trabalhador,

(Vieira

&

diminuindo

o

Pinheiro,1989).

índice

Com

de

acidentes

e

este

destaque

percebemos que a finalidade principal da ergonomia é melhorar as condições

de

trabalho

e

aumentar

o

rendimento,

com

a

diminuição

dos

custos

(Vieira & Pinheiro,1989).

 
 

A

ergonomia

tenta

atingir

estas

finalidades

aumentando

o

desempenho de cada trabalhador sem que lhe cause dano aos aspectos físico

e psicológico destes trabalhadores.

As condições da ergonomia à melhoria da condições de trabalho

têm

ocorrido

no

nível

físico,

através

do

reprojeto

de

ferramentas,

de

modificações do layout do local de trabalho, das melhorias do ambiente físico

(iluminação, vibração e ruído)

e dos aspectos antropométricos e biomecânicos

da atividade. Este tem sido, sem dúvida, o maior impacto causado pela

ergonomia,

principalmente

Franco,1995).

nos

países

de

terceiro

mundo

(Hogi

apud

Já o segundo estágio de atuação da ergonomia, surge à partir dos

anos 60, com mudanças de ênfase dos aspectos físicos e perceptuais do

trabalho para a sua natureza cognitiva (Nagamachi & Imada apud Franco,

1995), isso em função das inovações tecnológicos.

O terceiro estágio de atuação da ergonomia, começou com a

preocupação

com

a

melhoria

de

segurança

e

saúde

no

trabalho

nas

organizações e foi chamada de “ergonomia nas organizações “.

Logo depois surgiu a Macroergonomia, produz resultados a nível

de

negócios:

Ou

seja

busca

inserir

as

necessidades

de

mudanças

estabelecidas numa perspectiva mais da estratégia e da organização da

empresa. Engenharia simultânea de produto, de processo e de gestão da

produção em torno das atividades de trabalho.

Hoje em dia também, é estudado a antropotecnologia, que busca

compreender a natureza das contingência de uma dada organização em

processos de modernização e inovação tecnológica.

Todos estes estágios da ergonomia, foram criados exatamente

para melhorar e ampliar a atuação da ergonomia, em todos os aspectos que

influenciam o desenvolvimento do trabalho para uma melhor adaptação do

trabalhador.

2.2.1 Abordagens em Ergonomia

 

As

abordagens

ergonômicas

visam

identificar,

através

de

observações

no

local

de

trabalho,

quais

os

fatores

que

interferem

nas

condições de trabalho. Pode-se classificar estas abordagens em dois tipos :

Análise de Sistemas e Análise dos Postos de Trabalho.

Wisner (1994) descreve como é feito esta abordagem, “ Não se

trata mais de fazer com que a tarefa seja descrita pela direção, e sim de

analisar as atividades de trabalho

e também complementa com a seguinte

descrição, “ Todas as atividades devem ser observadas, sejam elas prescritas,

imprevistas ou até inconscientes por parte dos trabalhadores.”

A Análise de Sistemas é a preocupação com o funcionamento

global de uma equipe de trabalho utilizando uma ou mais máquinas (Iida,1993).

Já a Análise dos postos de trabalho é a abordagem ergonômica ao nível do

posto de trabalho , priorizando as análises da tarefa e da atividade, com as

posturas e os movimentos realizados, como também suas exigências físicas e

psicológicas do trabalhador (Iida,1993).

Logo

na

análise

ergonômica

do

trabalho

é

estudado

detalhadamente todos os aspectos importantes relacionado ao trabalho, desde

os aspectos físicos, ambientais e organizacionais do trabalho, como seus

componentes no desenvolvimento de sua atividade.

2.2.2 Fases da Análise Ergonômica do Trabalho

A

análise

ergonômica

do

trabalho

visa

conhecer

o

que

é

realmente feito na prática, e mostrando a diferença entre o trabalho real e a

tarefa prescrita (o que deve ser feito) comparando-os, e quais as causas destas

diferenças.

E conforme Souza (apud Barcelos,1997) :

“através da análise do trabalho é possível entender a atividade dos trabalhadores (incluindo, por exemplo, posturas, esforços, busca de informação, tomada de decisão, comunicações) como resposta pessoal a uma série de determinantes, algumas das quais relacionadas à empresa (projeto da estação de trabalho, organização do trabalho

formal, restrição de tempo, etc

(idade, características antropométricas, experiências, etc )”

)

e outras relacionadas ao operador

Então o objetivo da análise ergonômica do trabalho é a análise

das exigências e das condições da tarefa e também a análise das atividades

realizadas pelos trabalhadores para realizarem sua função (Barcelos,1997).

Segundo Santos (1999), a análise ergonômica exige :

“conhecimentos científicos sobre o homem em atividade; Discussão dos objetivos do estudo com o conjunto das pessoas envolvidas; Aceitação dos trabalhadores que ocupam o posto a ser estudado; Esclarecimento, quanto ao desenvolvimento do estudo e da utilização dos resultados; Resultados : Orientar modificações nos pontos críticos evidenciados;”

Podemos verificar a seguir, um esquema da análise ergonômica

do trabalho, a ser desenvolvida durante o estudo do posto de trabalho.

Quadro 1 : Esquema metodológico da análise ergonômica do

trabalho.

Quadro 1 : Esquema metodológico da análise ergonômica do trabalho. Fonte : Santos e Fialho (1995).

Fonte : Santos e Fialho (1995).

Portanto esta fase da análise se divide em : análise da demanda,

análise da tarefa , análise das atividades, diagnósticos e recomendações. Com

suas recomendações, este levantamento serve para melhorar o conhecimento

da situação de trabalho em estudo.

A análise da demanda, segundo Santos (1999), é a definição do

problema

a

ser analisado, a partir do entendimento das diversas partes

envolvidas, ou seja dos trabalhadores ou da direção das empresas onde

sugiram o problema. Segundo Franco (1995) nesta fase procura-se também

avaliar se a demanda é consistente e está de acordo com os princípios

ergonômicos.

A análise da tarefa segundo Santos (1999), considera o que o

trabalhador deve realizar e as condições ambientais, técnicas e organizacionais

para esta realização. Já para Iida (1993), a análise da tarefa deve ser realizada

em duas partes, a primeira chamada de descrição da tarefa, em um nível mais

global e a segunda de descrição das ações, num nível mais detalhado.

Segundo Wisner (1997)

“Sejam quais forem as modalidades da

análise do trabalho que foram empregadas, é indispensável validar o trabalho

de análise através de discussões com os trabalhadores,

” , ou seja deve-se

sempre verificar com os trabalhadores se os dados levantados foram todos

eles lembrados e se algum não foi desprezado ou tenha sua importância sido

diminuído durante estas observações.

A descrição da tarefa engloba os aspectos gerais da tarefa,

como:

objetivo,

operador,

características

técnicas,

aplicações,

condições

operacionais, condições ambientais, com isso tornando esta descrição bastante

detalhada.

A descrição das ações segundo Iida (1993) é “

se

concentra

mais nas características que influem no projeto da interface homem – máquina

e se classificam em informações no nível sensorial do homem e, os controles,

no nível motor ou das atividades musculares.” , ou seja são observados em

detalhes todos os movimentos empregados pelo trabalhador tanto a nível

sensorial (as informações recebidas pelos sensores ou diplays) ,como a nível

muscular (os controles, os membros e instrumentos movimentados durante a

realização da tarefa). A análise das ações é também chamada de análise das

atividades. Segundo Santos (1999) considera o que o trabalhador efetivamente

realiza para executar a tarefa. Os dados são coletados momentaneamente

durante o processo de observação, onde a principal atividade do trabalhador é

de controlar todas as ações. Com isso podemos observar que a atividade

mental prepara e controla toda atividade física do trabalhador (Franco,1995).

Na

elaboração

do

diagnósticos

são

analisados

o

sistema

homem-tarefa

a

nível

fisiológicos

e

psicológicos,

os

dados

que

foram

levantados são analisados, e obtidos os sintomas gerados durante o trabalho, é

feito com base na ergonomia um diagnóstico para o posto de trabalho.

Já as recomendações ergonômicas é a etapa mais importante da

análise ergonômica do trabalho para que o estudo faça efeito no posto de

trabalho, pois serão mostrados as medidas que devem ser tomadas para

diminuir ou eliminar os problemas que surgiram durante o trabalho, e com estas

recomendações

poder

melhorar

os

aspectos

desenvolvimento do trabalho.

2.2.3 Postura

importantes

para

o

bom

A postura é objeto de estudo desde muito tempo, e pode ser

conceituada como o arranjo característico que cada indivíduo encontra para

sustentar o seu corpo e utilizá-lo na vida diária (Kendall apud Moser,2000).

Segundo Cury apud Moser (2000) a postura é a posição que o

indivíduo assume no espaço, em função de um equilíbrio estático ou dinâmico,

usando para isso seu arcabouço ostcomusculoesquelético no desempenho de

sua função.

Os músculos estáticos são responsáveis por executarem trabalho

com maior exigência energética, enquanto o músculo dinâmico são mais

sensíveis a fadiga, quando o corpo assume uma postura constrangedora ela

ocasionará demandas energética bem acima de sua capacidade muscular,

quando a coluna apresenta algum desvio na postura maior força será utilizada

para realizar este equilíbrio do corpo, pois um número de fibras musculares é

exigido em intervalos mais freqüentes e a fadiga é gerada mais rapidamente

(Kisner apud Moser, 2000).

Durante o trabalho, o homem assume duas posições básicas que

é em pé, sentado ou alterando entre estas duas posições. A posição sentada

exige atividade muscular do dorso e do ventre para manter esta posição, e é

menos cansativa que a posição em pé, além de liberar os braços e pés, que

permite grande mobilidade destes membros (Iida,1995).

Já a posição em pé é mais recomendado para os casos em que

há freqüente deslocamento no local de trabalho ou quando é necessário ser

aplicado grandes forças para executar tarefa (Dul & Weerdmeester,1998).

A posição em pé parada é altamente fadigante porque é exigido

bastante da musculatura para manter esta posição. Segundo Iida (1995) “ As

pessoas que executam trabalhos dinâmicos em pé, geralmente apresentam

menos

fadiga

que

movimentação.”

aqueles

que

permanecem

estáticas

ou

com

pouca

Na jornada de trabalho, o operário poderá assumir inúmeras

combinações de posturas, onde em cada tipo de postura, um diferente conjunto

de músculos é acionado (Iida.1995),

então estes operários podem assumir

posturas erradas e durante esta jornada causar vários transtornos, logo era

preciso observar e analisar cada postura assumida por estes operário.

Mas, maiores dificuldades de analisar e corrigir as posturas

erradas é na identificação e no registro destas posturas, assim foram criados

vários métodos de análise de postura, entre eles o método OWAS.

2.3

Caracterização do Setor da Construção Civil

A construção civil é um importante setor industrial, por servir de

equilíbrio social e de desenvolvimento para o país. A sua grande capacidade

de geração de emprego, com a absorção de um grande contingente de

mão-de-obra, com pouca ou nenhuma qualificação formal. Principalmente de

operários vindos de locais mais desfavoráveis da sociedade, que são as

periferias das grandes cidades ou de áreas rurais.

A indústria da construção civil é constituída em sua maioria por

empresas nacionais, que utiliza matéria-prima (material de consumo) e serviços

(empresas ou pessoas , que prestam serviços terceirizados)

em grande parte

da própria região onde esta atuando. Ela melhora a infra-estrutura da cidade,

conseqüentemente a qualidade de vida da população, por construir habitações,

escolas e hospitais, até rodovias e adutoras entre outras. E também é um

grande contribuinte de impostos governamentais.

Outra importante característica da indústria da construção civil é

por utilizar subprodutos em sua maioria regionais (janelas, peças sanitárias),

poucos produtos são importados, contribuindo muito com isso, para um bom

equilíbrio

da

produtoras.

balança

comercial

do

país,

diferente

de

outras

indústrias

O setor da construção civil é composto, em sua maior parte de

micro

e

pequenas

empresas,

que

atuam

em

três

segmentos

principais,

segundo a definição do IBGE: os subsetores de: edificações; construção

pesada e de infra-estrutura e por último o de montagem industrial;

Podemos

verificar

no

Quadro

2

as

principais

características

segundo os subsetores : Minas Gerais (Apud Costa, 1991, p. A.2-3) :

Quadro 2 : Características segundo subsetor

 

EDIFICAÇÕES

CONSTRUÇÃO PESADA

MONTAGEM INDUSTRIAL

 

Construção

 

de

Obras

de

infra-estrutura

Montagem

de

estruturas

edifícios

 

viária(inclusive

 

(mecânicas, elétricas,

(residenciais,

 

estruturas

 

eletrônicas,

comerciais,

 

complementares

que

hidromecânica

etc )

institucionais,

 

requerem

tecnologia

sistemas ligados aos segmentos de energia, telecomunicações e

etc

)

e serviços

especial),

 

de

auxiliares

 

e

saneamento

e

para

complementares

produção de energia.

exploração

de recursos

a

estes.

   

minerais.

Interna Atividade PrincipaisOrganização

-Heterogêneo

 

- Menos

heterogêneo

- Mais

homogêneo,

(empresas de grande porte até microunidades);

 

que

o

subsetor de

formado por empresas de grande e médio

em número

porte,

edificações, com uma presença significativa

Maior quantida- de de empresas

-

de empresas de porte gigantesco, e

reduzido. - O tamanho médio das

do

setor

e

as

-

Alto

grau

de

empresas

um

pouco

maiores

 

concentração

com

maior

que

em

apresentam

 

um

“edificações”.

“edificações”.

tamanho

menor

- Apresenta

 

uma

- Alto

grau

de

do

que

as

 

Quantidade

de

concentração,

num

“médias”

 

da

empresas

mais

ou

valor igual ou maior que o subsetor anterior.

Const. Pesada;

menos,

cinco

vezes

 

- Baixo grau

de

menor

do

que

 

concentração,

“edificações”.

se

comparado

 

com os outros subsetores.

Fonte: Minas Gerais (apud Costa, 1991, p. A.2-3) :

Quadro 2 : Características segundo subsetor (continuação)

   

EDIFICAÇÕES

   

CONSTRUÇÃO PESADA

MONTAGEM

   

INDUSTRIAL

 

- Leve

tendência

de segmentação,

-A especialização parece não seguir um critério definido, mas pode-se dizer que quanto maior a empresa, maior a sua

- construção pesada.

Idem

ao subsetor

da

 

mais

pelo porte

 

da obra

do que

Especialização Interna

pelo tipo.

 
   

amplitude de atuação

- Recentemen-te, uma

leve

chegando

a

obras

de

 

inclinação

à

grande complexidade tecnológica.

especializa-ção

na

produção

de

 

obras

de

edificações

industriais

e

construção

 

modulares.

 

- A demanda básica

-

A

demanda

pública

-

A

demanda

divide-se

 

é

a privada,

onde

constitui-se

 

em

em

pública ( energia e

o

Estado

atua

mercado

único.

As

telecomunicações)

e

como gerenciador

atividades

ligadas

à

privada

(Inst.

de

unid.

da maior parte via

infra-estrutura

industrial

De produção industrial).

SFH.

O

próprio

demandada

 

por

no mercado

Estado ainda atua como demandante

agentes

privados,

 

são

- A atuação exterior

ainda

é

insignificantes.

 

incipiente.

das

suas

obras,

-

A

demanda

externa

-

Os

clientes

típicos

Demanda e Clientes

que

são

menos

considerável

 

para

ainda são as empresas

expressivas que a

algumas

empresas

 

do

ind.

Priv.

ou

órgãos

primeira.

A

setor.

 

estatais

ligados

os

parcela

que

-

O

cliente

típico

é

o

Segmentos

de

energia

representa

a

Estado

em

todas

as

e telecomunicações.

demanda

do

suas instâncias.

 

exterior

ainda

é

 

pouco

representati-va

 

-

Os

Clientes

   

típicos

são

pessoas

físicas

e empresas.

 

Fonte: Minas Gerais (apud Costa, 1991, p. A.2-3) :

Formas de Construção

Quadro 2 : Características Segundo subsetor (continuação)

EDIFICAÇÕES

CONSTRUÇÃO PESADA

MONTAGEM

INDUSTRIAL

- Formas

variadas

empreitadas, subempreita-das, administra-ção, iniciativa própria.

- Empreitada e subem- preitada.

- Empreitada e subem- preitada

Fonte: Minas Gerais (apud Costa, 1991, p. A.2-3) :

A indústria da construção civil participa do PIB com valores

bastantes significativos, mas é uma indústria que depende e muito da situação

econômica do país e também de investimentos governamentais, que é a mola

propulsora para o surgimento de obras. Ela também favorecer o crescimento

econômico com o aquecimento do comércio local, com a compra de materiais e

contratação de pessoal e serviços na região.

Quadro 3 : Demonstrativo do PIB da Indústria durante o de 90 a 98

período

Setor de

                 

Atividade

1990

1991

1992

1993

1994

1995

1996

1997

1998

Construção

7,76

7,12

7,63

8,26

9,15

9,22

9,52

10,00

10,26

Total

                 

Indústria

38,69

36,19

38,7

41,61

40,0

36,67

34,7

34,84

33,96

Fonte: IBGE /2000

Segundo o IBGE em junho/2000 1.097.296 pessoas estavam

empregadas neste setor, é o setor que mais emprega indiretamente tanto na

produção de bens, como no setor de serviços, ou seja, a cada 100 empregos

diretos é gerado 285 indiretos, onde as pessoas que estão empregadas não

precisão de muita qualificação para trabalhar.

o

número

de

empregados

na

atividade

da

indústria

da

construção civil no anos de 1988 e1991, mostra que não houve um aumento no

número

de

emprego

nesta

atividade

durante

toda

a

década

de

90,

principalmente comparando com os dados de junho/2000.

Quadro 4 : Número de Empregados por subsetor

   

Número de Empregados

 

Subsetor

Ano de 1988

Ano de 1991

Edificações

850.063

67,1 %

723.981

68,3 %

Construção Pesada

155.661

12,3 %

128.100

12,1 %

Montagem Industrial

12.921

1,0 %

27.810

2,6 %

Empreiteiros e Locadores de mão-de-obra

247.765

19,6 %

179.800

17,0 %

Total

1.266.410

100,0 %

1.059.691

100,0 %

Fonte : Rais 1988/1991 apud Senai (1995).

Podemos

observar

com

o

quadro

acima

que,

o

subsetor

edificações representa mais do que os outros subsetores somados em número

de empregados. O subsetor edificações, é uma área de atuação para os

armadores,

pois

o

concreto

armado

é

utilizado

em

grande

escala

nas

estruturas, necessitando dos serviços destes operários.

Já observando o estudo setorial da construção civil, Senai (1995),

o setor é marcado por 3 características principais :

1- Heterogeneidade inter a intra-setores, segundo tamanho dos

estabelecimentos,

patamares

tecnológicos;

capacidade

de

investimento; características de mercado e especialização em

tipos de obras;

2- Desequilíbrio acentuado no número de estabelecimentos setor

a setor, observando-se que diferentes taxas de natalidade e

mortalidade

de

empresas

subgêneros (Subsetor) .

diferenciam

igualmente

os

3- Um diferencial significativo do volume de empregos entre os

subgêneros, quer levando em conta apenas as estatísticas

oficiais quer considerando os trabalhadores sem registro em

carteira.

Com estas características marcantes podemos comentar que, o

setor da

construção civil possui área de atuação para todos os tipos e

tamanhos de empresas, com diferenças, que mostram como as empresas que

atuam neste setor podem ter características bem diferentes, tanto no que diz

respeito a parte tecnológica, capacidade de investimento, especialidade nos

serviços, sem falar na rotatividade das empresas, e também pela diferença no

número de empregados dos subsetores .

Além disso, podemos levar em conta também o desempenho

social deste setor, que não foi alterado ao longo das últimas décadas. O estudo

setorial da construção civil Senai (1995), destaca a não evolução no sentido da

melhoria da escolaridade, ou da redução da rotatividade da mão-de-obra e nem

o aumento médio de salários dos trabalhadores.

A nível de empregos o setor da construção civil estimula, em

grande maioria, os setores produtivos: como a indústria do cimento, do aço,

tijolo, tintas e etc

,

que são indústria que oferecem matéria-prima para este

setor, como destaca (Pastore apud CBIC 1998, p.13): “

são

responsáveis

pelos ganhos de produtividade dos diferentes setores”. E contribuindo bastante

para o combate das grandes taxas de desemprego das últimas décadas.

2.3.1 Subsetor da Construção Civil - Edificações

O subsetor de edificações possui uma grande diferenças entre as

empresas, no que diz respeito ao tamanho e a capacidade tecnológica, além

da sua especialidade de trabalho neste setor. Uma das características que

chamam a atenção é : “ É no subsetor de edificações que se concentra o maior

número de empresas – em torno de 57%

do total dos estabelecimentos no

Brasil, que somam aproximadamente 205 mil empresas de construção civil.”

(Teixeira, 1998).

Neste setor podemos notar que o uso elevado de mão-de-obra, é

acentuado,

pois

são

pouco

utilizados

máquinas

e

equipamentos

no

desenvolvimento das tarefas. A mão-de-obra empregada é de baixo nível de

escolaridade, baixos salários e com idade na faixa dos 30 a 35 anos, vindos em

sua maioria da região rural do país.

O subsetor edificações foi perdendo força a partir de 1985,

quando houve a extinção do sistema financeiro habitacional viabilizado pelo

BNH (Banco Nacional de Habitação), ocasionado a recessão que vivenciou o

setor, isto em função da crise econômica do país. A diminuição considerável do

número de habitação gerou um déficit muito grande no mercado habitacional,

que para suprir esta necessidade, precisou-se de grandes investimentos para o

setor.

Podemos ver como se comportou este setor com o desempenho

da utilização de mão-de-obra, que é uns dos termômetros para medir o

aquecimento no números de construções, se está aumentando ou não em

relação a outros períodos anteriores. O gráfico mostra o comportamento da

mão-de-obra no Brasil, na região Nordeste e no Estado do Rio Grande do

Norte.

Figura 1: Índice de emprego na construção civil de 1998 a 2000.

Índice de Emprego na Construção Civil 130 120 110 100 90 80 Meses Brasil Nordeste
Índice de Emprego na Construção Civil
130
120
110
100
90
80
Meses
Brasil
Nordeste
Rio Grande do Norte
100 = Dez 97
Jan/98
Fev/98
Mar/98
Abr/98
Mai/98
Jun/98
Jul/98
Ago/98
Set/98
Out/98
Nov/98
Dez/98
Jan/99
Fev/99
Mar/99
Abr/99
Mai/99
Jun/99
Jul/99
Ago/99
Set/99
Out/99
Nov/99
Dez/99
Jan/00
Fev/00
Mar/00
Abr/00
Mai/00
Jun/00
Jul/00
Ago/00
Set/00

Fonte : CAGED /2000.

Podemos observar que o estado do Rio Grande do Norte teve um

crescimento acima do Brasil e da Região Nordeste no período de Janeiro/98 a

Agosto/99, isso ao grandes investimentos feitos pelo governo do estado, tanto

na construção de adutoras, como na construção e recuperação de rodovias e

obras de saneamento neste período. Mas o subsetor edificações, também teve

no estado uma grande força direcionado a execução de residências, lojas

comerciais e também com a prestação de serviços (Aguiar, 1999).

2.3.2

Construção Civil no Nordeste do País

Segundo dados da SUDENE :” A região Nordeste ocupa uma

área de 1.561.177,8 Km², o que eqüivale a 18,3% do território brasileiro,

abrangendo um total de 1.187 municípios, distribuídos por nove Estados

acordo com o IBGE a população é de 44,8 milhões de habitantes

”.

De

A construção civil no nordeste vem a partir dos anos 70 com um

grande crescimento, principalmente com as obras de infra-estruturas feitas

durante o milagre brasileiro (1970 a 1980), onde foram realizadas obras de

grande

porte.

O

PIB

(Produto

Interno

Bruto)

da

região

apresentou

um

crescimento maior que a média do país durante este período. Na década de

80,

em

virtude

da

crise

externa,

e

a

moratória

decretada

em

1987,

o

crescimento do PIB da região que foi de 3,3%, sendo ainda maior que a média

do país, na ordem de 1,6 %.

Quadro 5 : Taxa Média Anual de Crescimento do PIB Real do Brasil e Região Nordeste – 1960 –1997

PERÍODO

NORDESTE

BRASIL

TAXA (%)

TAXA (%)

1960

– 1970

3,5

6,1

1970

– 1980

8,7

8,6

1980

– 1990

3,3

1,6

1990

– 1997

3,2

3,1

Fontes: FGV/IBRE/DCS; IBGE/DPE/DECNA – Brasil/2000. SUDENE/DPO/Contas Regionais – Nordeste. (1) Dados Preliminares para os anos de 1996 e 1997.

Avaliando a participação da região Nordeste no PIB do Brasil,

referente as últimas décadas, temos um aumento de 13,2% em 1960 para

16,0% em 1997. (IBGE/DPE/DECNA

– Brasil – Nordeste). Enquanto que a

participação do setor da construção civil na região teve bom crescimento de 7%

em relação ao PIB, enquanto que o crescimento do foi de 2,34%, como mostra

o quadro abaixo:

Quadro 6 : Taxa Média Anual de Crescimento do Produto Interno Bruto Real, Segundo as Principais Atividades Econômicas – 1990 -1997

 

Brasil

Nordeste

ATIVIDADE

Taxa Média Acumulada

ECONÔMICA

1990 – 1997

1990 – 1997

Construção Civil

2,34 %

7,00 %

Fonte : IBGE/DPE/DECNA; SUDENE/DPO/EPR/Contas Regionais/2000

E

na região a taxa de crescimento acumulada do setor da

construção civil no período de 1990 a 1997 foi de 60,8% (SUDENE / DPO /

EPR / Contas Regionais). Apesar dos investimentos governamentais terem

diminuído bastante, houve um aumento substancial feito pelo setor privado,

principalmente em instalações de indústrias na região. E também a grande

parte ao controle da inflação possibilitando a construção e ampliação de

moradias por parte da população, melhorando o desempenho deste setor na

região durante esta década.

A taxa de variação do produto interno bruto real, na construção

civil de 1965 a 1998 é mostrada no quadro 7.

Quadro 7 : Variação do produto interno bruto real, segundo a atividade econômica.

Nordeste do Brasil Variação do Produto Interno Bruto Real, Segundo a Atividade Econômica – 1965 a 1998.

   

Anos

Atividade Econômica

65

66

67

68

69

70

 

71

 

-

20,3

-0,4

25,1

7,9

44,5

40,7

 

Anos

72

73

74

75

76

77

 

78

5,4

12,6

29

8,2

37,4

-0,6

 

13,3

 

Anos

Construção Civil

79

80

81

82

83

84

85

6,6

-10

6,2

13,2

7

-11,4

-0,7

 

Anos

86

87

88

89

90

91

 

92

11,8

6,7

10,4

-0,9

-8,7

13,5

 

-3,3

 

Anos

   

93

94

95

96

97

98

3,5

1,8

2,4

6,7

27,2

16,7

Fonte: SUDENE/2000

Com estes dados, podemos dividir o período de 33 anos em sete

partes que são:

1. Período de 1965 a 1968: Foi marcado pelos ajustes feitos pela

nova

estrutura

de

desenvolvimento

e

pela

intervenção

do

governo na economia, o que proporcionou este crescimento foi

a

criação

do

Banco

Nacional

de

Habitação

(BNH)

(Mello,1995), além do grande investimento em obras de infra-

estrutura,

estes

foram

a

principal

influência

para

o

desenvolvimento da construção civil.

2. Período de 1968 a 1973: Houve um grande investimento por

parte do governo, a indústria da construção civil foi bastante

estimulada. Este período foi chamado de milagre brasileiro.

3. Período

de

1973

a

1980:

Foi

marcado

pelo

grande

endividamento do país devido a grande crise do petróleo,

porém o governo manteve o nível de atividade do setor, mas

com níveis bem menores que no período anterior (Mello,1995).

4. Período de 1980 a 1984: Foi marcado pela segunda crise do

petróleo em 1979 e a alta das taxas de juros externos no início

da década, provocando a dívida que ocasionou uma crise com

estagnação econômica e a explosão inflacionaria durante esta

década (Baer apud Mello,1995).

5. Período de 1984 a 1986: Foi marcado pela implantação de um

plano de estabilização, para controlar a inflação e o fim do

BNH no de 1986.

6. Período de 1986 a 1993: Após vários planos econômicos

lançados, ele foi marcado pela volta da inflação, diminuição

nos investimentos em infra-estrutura, também com o confisco

da poupança em 1990, houve uma grande falta de dinheiro em

circulação

afetou

em

muito

o

setor.

O

ano

de

1990

foi

considerado como o pior ano desde 1983 (Mello,1995).

7. Período de 1993 a 1998: Foi marcado pelo controle em níveis

aceitáveis de inflação e construção de obras de infra-estrutura

através de recursos das privatizações.

2.4 Ergonomia no Setor da Construção Civil no Brasil

A preocupação em melhorar a maneira de realizar o trabalho na

construção civil foi iniciada com os precursores da ergonomia, Frank B.

Gilbreth, ainda no início do século em seus estudos de movimentos sobre o

assentamento de tijolos pelos pedreiros de alvenaria (Franco,1995). Alguns

trabalhos

realizados

que

dão

abordagem

as

posturas

e

gestos

dos

trabalhadores na construção civil como no quadro 8 abaixo:

Quadro 8 : Listagem de Trabalhos de Ergonomia na Construção Civil Realizados no Brasil

Autor / Ano de publicação

 

Tema do Trabalho

 

Bodely et al. / 1998

-

Guincheiro

na

Construção

Civil

:

Projeto de Ergonomia

 

Moraes, Anamaria / 1998

-

Ergonomia do Posto de Trabalho do

Pedreiro de Alvenaria Dificuldade Óbvia

de Edificações: A

Barreira / 1989

-

Um

Enfoque

Ergonômico

para

as

Posturas de Trabalho

 

Vieira et al. / 1989

-

Riscos

Ergonômicos

na

Construção

Civil

 

Schaly et al. / 1992

-

Ergonomia Humanizando a Construção

de Edifícios

:

Um

Estudo de Caso do

Posto de Trabalho de Armadura de Laje

 

Cartaxo / 1997

-

Educação e Treinamento : Medidas

Ergonômicas no Posto de Trabalho do Armador de Laje

Krüger et al. / 2000

-

A Melhoria das Condições de Trabalho

do Pedreiro Assentador de Alvenaria de Tijolos Cerâmicos por meio de um Estudo Ergonômico Simplificado

Portanto esta dissertação se propõe a analisar o posto de trabalho

do armador de ferro utilizando a análise ergonômica do trabalho e o método

OWAS, com o programa WinOwas, observando em detalhes os movimentos

deste operário, onde será mostrado no capítulo 3.

2.4.1 Posto do Armador de Ferro

O

armador

de

ferro

está

incluído

em

umas

das

etapas

construtivas mais utilizadas do subsetor edificações, que é a estrutura de

concreto armado. Seu trabalho é utilizado nas fundações, pilares, vigas e lajes,

onde

estes

atividades.

operários

Eles

são

são

bastante

exigidos

para

responsáveis

pelo

transporte,

desenvolver

suas

corte,

montagem

e

colocação das armaduras nos locais onde será feita a concretagem das peças

da estrutura (Cartaxo,1997).

Alguns trabalhos de ergonomia foram desenvolvidos no posto de

trabalho do armador no Brasil, entre eles :

1) Ergonomia humanizando a construção de edifícios: Um estudo

de caso do posto de trabalho de armadura de laje. De Ivan

Paulo Schaly et. al. em 1992, onde foi confirmada o caráter

prejudicial desta operação para a saúde do trabalhador.

2) Educação e treinamento: medidas ergonômicas no posto de

trabalho do armador de laje. De

Cristina Cartaxo, em 1997,

onde foi verificada os riscos ergonômicos a que o operário fica

exposto,

e

os

problemas

de

saúde

provocada

por

esta

atividade.

3) Aspectos ergonômicos da chave de dobrar aço. Proposta de

um novo modelo. De Norival Agnelli et. al. em 1999, onde foi

verificada os aspectos ergonômicos da ferramenta e a forma

em que ela é utilizada pelo armador.

O estudo pretende realizar uma pesquisa mais detalhada sobre as

posturas assumidas pelos trabalhadores, utilizando como ferramenta o OWAS.

3

PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

3.1 Introdução

Procurou-se fazer neste capítulo a análise ergonômica do posto

de

trabalho

do

armador,

com

base

no

procedimento

metodológico

fundamentado na análise ergonômica do trabalho, e utilizando para analisar e

avaliar as posturas assumidas pelo operário o método OWAS. Através do

software de computador WinOwas, foram feitas análises das posturas tomadas

pelo

operário

recomendações

durante

sua

ergonômicas

qualidade de vida dos operários.

jornada

de

trabalho,

e

finalmente,

fez-se

para

melhorar

as

condições

de

trabalho

e

3.2 ANÁLISE ERGONÔMICA DO POSTO DE TRABALHO DO

ARMADOR DE FERRO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

A metodologia utilizada no estudo do posto de trabalho foi a

análise ergonômica do trabalho, segundo as fases descritas no capítulo 2, de

acordo com as análise da demanda, análise da tarefa e análise das atividades.

Durante

as

primeiras

visitas,

foram

realizadas

observações

abertas e entrevistas informais com as pessoas diretamente envolvidas com o

posto de trabalho (os armadores), o chefe encarregado dos armadores e o

mestre de obras, com a finalidade de melhor caracterizar a situação real de

trabalho.

Como segunda etapa, foi realizada observações com a utilização

de máquina fotográfica, para capturar as posturas assumidas pelos operários e

aplicar o método OWAS, além de entrevista estruturada para uma melhor

caracterização da população de operários envolvida no ambiente de trabalho.

Quanto ao ambiente físico foi feito observação segundo a visão

do analista, de forma a avaliar a sua situação real.

3.2.1 Análise da Demanda

A demanda do estudo do posto de trabalho foi originada pela

importância do armador no processo construtivo, pois em sua maioria, as obras

de edificações utiliza bastante o concreto armado nas confecções de pilares,

vigas

e

fundações,

onde

este

profissional

tem

grande

atuação,

sendo

encarregado de cortar, armar e colocar o aço em seu local de aplicação

seguindo

o

projeto

estrutural

da

obra

a

ser

executada.

Com

isso,

eles

assumem

diversas

posições

inconvenientes

no

desenvolvimento

de

suas

atividades.

O presente estudo foi feito em uma empresa de construção civil

com cerca de 10 anos de atuação em todo o estado e composta por 85

funcionários,

com

várias

obras

estão

sendo

executadas

na

cidade

de

Mossoró/RN,

e

utilizando

bastante

esta

mão-de-obra

específica,

para