ARTE, HISTÓRIA E CONHECIMENTO

Aula 2 - Delineamento do fenômeno artístico

Objetivos: * Conceito “universalista/ essencialista” da arte
* Conceito “contextual/pragmático” da arte
* Compreensão da arte como fenômeno cultural, com contexto e
significado variantes

* Etimologia da palavra.
Wiki: Arte (do latim ars, significando técnica e/ou habilidade)
 definição de arte é uma construção cultural variável e sem significado constante.
 muito do que hoje chamamos de arte não era ou não é considerado como tal pelas
culturas, diferentes da nossa, que a produziram, e o inverso também é verdadeiro: certas
culturas podem produzir objetos artísticos que nós não reconhecemos como tais.
 O conceito atual de arte só começou a se delinear no ocidente no século XVIII, e o
campo artístico como campo autônomo se consolidou apenas no século XIX.
 Alguns autores apontam como elemento definidor do que é arte o caráter/valor
estético [do grego αισθητική ou aisthésis: percepção, sensação. Ex. FRANCH
 Outros autores apontam a preeminência dos dispositivos sociais de consagração
como delimitadores do que compreendemos como arte, muito mais do que qualquer
característica essencial . EX. COLI

FRANCH
* [apresentar o autor]
Argumentos:
 Arte como fenômeno de caráter universal: a arte seria uma atividade
distintiva da humanidade. Assim, ele se coloca contra aqueles que consideram as “belas
artes”, produzidas por indivíduos “geniais”, como essencialmente distintas das
“artesanias” dos seres humanos “vulgares”
 Características disntintivas da arte: esforço estético, como afirma o
antropólogo Meville J Herskovitz: “el arte tiene que ser considerado como todo
embellecimiento de la vida ordinaria logrado com destreza y que tiene uma forma
que se puede describir”
 Franch vê na “busca da beleza” a centralidade da definição do que é arte

museus.emergente. mas de atribuições feitas por instrumentos de nossa cultura. e produz uma falsa sensação de compreensão da obra  A própria ideia de arte é específica de um contexto cultural limitado no tempo e no espaço . e portanto influenciam no significado que as obras de arte têm [e sua compreensão não prescinde do significado] COLI “que o estatuto da arte não parte de uma definição abstrata. baseando-se em seleções arbitrárias. título de patrimônio. não é uma imanência. acaba limitando a compreensão da diversidade da produção artística.. atitudes consideradas adequadas – admiração. do conceito. como dito. utilidade da arte “em si” como resposta à necessidade universal de beleza + sobreposição da utilidade estética a outras utilidades  Busca um corpo teórico de análise que não recorra à distinção entre ‘arte pura’ e ‘arte aplicada’ Obs.  Arte não se opõe à utilidade: “hay muy poco arte [. no século XVIII .: Ao mesmo tempo.” Dispositivos sociais de consagração da arte: discurso de especialistas. é uma projeção” . dignificando os objetos sobre os quais ela recai. ao qual nos referimos.] que no esté asociado com algún objeto que tenga utilidad” [Herskovitz].tombamento. que fazem parte da percepção do fenômeno artístico em alguns conceitos. lógica ou teórica.e pretende abarcar uma pluralidade de manifestações sob uma pretensa universalidade: “o ‘em si’ da obra de arte. galerias. salas de concerto. locais – cinema de arte. observação silenciosa[Jorge COLI]  Os dispositivos sociais criam hierarquias das obras de arte.. instituições legais . essas são categorias ‘nativas’. baseadas em julgamentos de critérios pouco rigorosos  O conceito de estilo emerge como uma ferramenta na busca pelo rigor na análise e avaliação das obras de arte.

as obras de arte “materializam uma forma de viver.GEERTZ  Parte de uma concepção de arte como fenômeno presente. de formas variadas. para o estudioso ocidental. e através destes. audíveis e . às emoções. portanto. tornando-o visível” “Se é que existe algo em comum. que podem ser contidas em formas que permitem aos sentidos. que é atribuído localmente e. porém apenas no Ocidente moderno surgiu a ideia de que a discussão em termos técnicos seria suficiente para compreender a arte  a arte sempre possui um significado cultural. é que em qualquer lugar do mundo certas atividades parecem estar especificamente destinadas a demonstrar que as ideias são visíveis. não pode ser reduzido a universais. discursos “sobre a vida”. os “discursos sobre a arte” muitas vezes parecem.  a produção artística materializa sentimentos do indivíduo e da coletividade.será preciso inventar uma palavra . comunicar-se com elas de uma maneira reflexiva. porque a arte não é compreendida em outros contextos como esfera separada do resto da ‘vida’. e trazem um modelo específico de pensar para o mundo dos objetos.” . em todas as culturas  constatação: irredutibilidade da arte ao discurso x profusão de discursos sobre a arte  discursos formais / estéticos sobre a arte são amplamente difundido entre as culturas.tactíveis. que se expressam também em outras esferas da vida cultural.

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