Vamos à descoberta do sapal e das dunas da praia do Barril.

Este percurso insere-se no sistema lagunar delimitado por Ilhas Barreira que integram o Parque Natural da Ria Formosa. Paragem 1– Sapal
Iniciamos com o Sapal. Juntamente com os corais, este é o ambiente mais produtivo da biosfera. O sapal é uma área de transição entre o continente e a água do mar. A salinidade destas águas varia entre os níveis da água do mar e da água doce que vem do continente. Por serem águas muito calmas e cheias de matéria orgânica, favorecem o desenvolvimento de fitoplancton, da vida animal e as desovas. Aqui vivem várias espécies de animais, como, por exemplo, moluscos, peixes, répteis, anfíbios, crustáceos, que encontram neste ambiente condições que tornam possível a sua reprodução, para além de um óptimo local de abrigo. Este ecossistema tem uma importância ecológica fundamental: o repovoamento da zona oceânica envolvente. No que diz respeito às plantas, podemos dizer que são muito resistentes e possuem características muito especiais que lhes permitem adaptar e sobreviver neste meio. Conseguem suportar muito tempo dentro de água, quando o Sapal está inundado, viver num ambiente de grande salinidade e ao mesmo tempo de secura. Vivem rodeadas de água e sobrevivem em secura. A água que está à sua disposição é demasiado salgada! Actividade 1—Partindo deste pequeno excerto do texto: “ (…) o vento foi ter com o mago e perguntou: - Ó mago das eras e do tempo, tu, que tudo sabes, que tudo já viveste, diz-me, por favor que calor estranho e reconfortante é este que sinto quando estou com Nuna. (…) Foi para o sapal e derramou tantas lágrimas que as plantas começaram a florir. Como as suas lágrimas eram de tristeza, podemos pôr uma folha de uma dessas plantas na boca e sentir o salgado das lágrimas do vento.” “´Lágrimas” de Duarte Barros - Descobre a planta que aparece na imagem e que está associada ao conto. - Explora-a, utilizando os teus cinco sentidos. - És capaz de identificar outras espécies? - Olhando à tua volta consegues ver uma mistura de cores entre o castanho e o verde? - Consegues sentir a brisa? E o cheiro a maresia?

Paragem 4 - Dunas
As dunas são corpos de areia móvel que se formam a partir da acção dos ventos, do mar e do clima. Elas são uma importante defesa, que atenuam tempestades e cheias e protegem a faixa terrestre e lagunar contra a erosão. (…) “ Dançaste com o vento, os teus grãos foram separados e espalhados pelos quatro continentes; comprimida e transformada, as ondas do teu corpo desaparecem para dar lugar a uma estrutura pesada, estrutura que não amas mas aceitas.” “As areias que pisamos” de Catarina Almeida Nas dunas distinguimos várias zonas:

As zonas viradas para o mar apresentam poucas plantas, mas estas são muito importantes para fixar as areias e consolidar a duna. Para sobreviver neste ambiente, precisam de diversas características que lhes permitem resistir e adaptar-se ao meio seco e ventoso que as rodeia, ao excesso de luz solar e às grandes diferenças de temperatura. Actividade 4– Plantas características das dunas - Observa as imagens, identifica/localiza estas plantas. Para te ajudar a encontrá-las, lê com atenção algumas características que estão associadas a cada uma delas.

A magia da vida começa aqui, o sapal é um berço da vida para muitos animais. Paragem 2 - Transição Sapal/Duna
Nesta paragem, a paisagem começa a modificar-se, passamos de um ambiente de sapal para um ambiente de duna, no qual o substrato passa a arenoso. Podemos aperceber-nos desta transição observando a mudança de cor, do substrato do solo, e a mudança a nível da vegetação.

Estorno, Ammophyla arenária
- Aparece no topo da duna e um pouco por todo o lado. Parece que esta planta agradece a areia, quanto mais soterrada de areia, mais rebentos forma e mais forte fica. As folhas desta planta enrolam para dentro para evitarem a perda excessiva de água. É uma das plantas mais importantes para as dunas. Com as suas raízes ajuda a fixar as areias, evitando que estas sejam levadas pelo vento e pelo mar.

Cordeirinho das areias, Othanthus maritimus
Actividade 2— Utilizando a Visão - Identifica o local da passagem de um ambiente para outro, através da mudança da cor do solo e da paisagem. - Observa a espécie do género Juncus a fazer parte dessa transição. Esta espécie adapta-se bem a solos arenosos, mas a sua presença mostra-nos disponibilidade de água doce. - Observa as imagens e identifica estas espécies na paisagem. - Encontramos esta planta na zona virada ao mar, anteduna. Costuma dizer-se que trouxe a camisola vestida para a praia, tem um forte revestimento de pêlos, com uma cor esbranquiçada, de forma a proteger-se da luminosidade intensa e da falta de água.

Cardo marítimo, Erygium maritimum
- Aqui nesta duna podemos encontrá-lo quer na anteduna, quer no topo da duna. A folhagem é espinhosa, de cor verde forte matizada de branco prateado. No Verão, é fácil identificá-lo com a sua flor lilás.

Juncus

Seguindo o nosso percurso começamos a entrar numa zona onde podes observar árvores de grande porte e alguns arbustos, que nos dão uma agradável sombra no Verão. Mas, atenção! A nível ambiental, há algo que deves saber! Estas árvores não são naturais da nossa flora, foram plantadas pelo homem, chamam-se plantas exóticas, como a Casuarina, erradamente chamada de pinheiro, e a Acácia, plantas oriundas da Austrália e do Sudeste da Ásia. A sua presença poderá contribuir para baixar o nível freático, diminuindo a disponibilidade de água no solo. Este factor, entre outros, poderá ter levado à situação que temos hoje na vertente continental da duna (duna secundária), com um reduzido número de espécies sobreviventes, com uma flora muito pobre e monótona. Permanecem assim as mais resistentes a condições de secura ou com maior capacidade de enraizamento, como a perpétua das areias.

Feno das areias, Elymus fartus
- Surge na anteduna. Pode, por vezes, ser confundido com o estorno, mas neste caso as suas folhas não enrolam. É uma grande pioneira na colonização e fixação das dunas. Tem raízes profundas.

“ O levante sabia que, se uma duna não brincar, morre. (…) uma duna para ser duna tem de dançar bailes de areia e de vento!”
(Helena Tapadinhas, Contos do Mago, p. 150)

PARAGEM 5 - Fateixas
Casuarina

Paragem 3 - Duna Secundária
Avança um pouco mais no teu percurso. Entre a sombra das árvores e a paragem do comboio, à tua direita, vais encontrar a heroína deste espaço. Ela expande-se por toda a vertente continental da duna, com a sua presença marcante que apela aos sentidos. Uma das respostas das plantas para evitar perdas de água é a produção de óleos aromáticos. O aroma da perpétua das areias é resposta de sobrevivência à hostilidade deste ambiente. Actividade 3— Saudação à Perpétua das Areias! - Para homenagear a sua Coragem e a sua força de Vida, sugerimos que cries um gesto para acompanhar o verso e brindes a perpétua com uma saudação.

Dirigindo agora o nosso olhar para a praia, observamos as âncoras, que são memórias de tempos passados em que se praticava a armação do atum nesta praia. Estas eram utilizadas para fixar as redes do cerco do atum no fundo marinho, formando assim uma armadilha fixa que permitia aos pescadores cercar um maior número de peixes e capturá-los. As armações do atum eram montadas no princípio de Abril até Agosto, altura em que os atuns migravam do Atlântico para o Mediterrâneo para a desova. A população montava então o arraial, isto é, famílias iam viver na praia durante esta altura, para a pesca e preparo do atum. O desaparecimento das armações do atum deveu-se não só a questões económicas como também, possivelmente, a um desvio da rota de migração do atum que o terá afastado mais da costa algarvia.

“O teu esforço é aroma A aridez a força que te faz revelar. E a presença é marcada com uma coroa dourada.”

Solenemente inseridas na Duna, estas fateixas (âncoras) são seres mágicos! Nasceram da fusão da Duna Nuna da praia do Barril com as fateixas que ela acarinhava – são Nuteixos!

“ Se lhes encostarmos o ouvido, cantam canções de medusa. Se lhes dermos brilho, com algas vermelhas, contam-nos histórias de pescadores da faina do atum e de dunas e ventos enamorados.”
( Helena Tapadinhas, Contos do Mago, p. 150 )

Normas importantes a seguir para proteger as dunas: - NÃO PISOTEAR - NÃO ARRANCAR OU DESTRUIR A VEGETAÇÃO - NÃO DEPOSITAR RESÍDUOS,

Para consulta mais aprofundada: www.estbiblioblogue.blogspot.com, “Guia de campo da praia do Barril”

FICHA TÉCNICA: Projecto realizado no âmbito do PREAA (Programa Regional de Educação Ambiental pela Arte), Direcção Regional de Educação do Algarve. Elaborado pela Turma A3 do 11º Ano da Escola Secundária 3EB Dr. Jorge Correia - Tavira, ano lectivo 2009/10, a partir de Contos do Mago — narrativas e percursos geológicos, de Helena Tapadinhas. Inserido nas actividades da Disciplina de Biologia/Geologia, orientado pela Professora Augusta Carvalho em colaboração com Susana Rocha. Ilustrações de: Professor Reinaldo Barros da Escola Secundária 3EB Dr. Jorge Correia, Tavira) e Esmeralda da Silva (Turma 11º A3) Apoios e agradecimentos: Ao INRB, L-IPIMAR de Tavira, na pessoa da Teresa Drago, pelo fornecimento de dados do percurso pedestre (compilados no âmbito do projecto Ciência Viva PVI-290) Professora Jacinta Fernandes, Universidade do Algarve; João Vieira, do 11º Ano do Curso Profissional de Multimédia. Professora Cristina Matias, Coordenadora da Biblioteca da Escola Secundária 3EB Dr. Jorge CorreiaUm especial agradecimento à Susana Rocha, Coordenadora Regional para o Sotavento do PREAA, pela sua ajuda, sem a qual este trabalho não teria sido possível, pela sua inspiração e entusiasmo e pela sua capacidade de se deixar encantar.

Ponto de encontro – Introdução sobre a Ria Formosa e Ilhas Barreira: Importância do sapal. Paragem 1 – Observação e identificação de plantas e suas adaptações ao sapal; Paragem 2 - Observação da transição dos ambientes duna/sapal; Paragem 3 – Duna secundária; Paragem 4 - Importância das dunas; observação e identificação de plantas e suas adaptações; Paragem 5 – As fateixas e a faina do atum.

“ NASCEM NUTEIXOS”

PERCURSO PEDESTRE DE INTERPRETAÇÃO AMBIENTAL SAPAL E PRAIA DO BARRIL

SAPAL

Ponto de encontro

Paragem 1

Itinerário da saída de campo. Paragem 2

DUNAS
Paragem 3

Paragem 4

Paragem 5

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