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ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ

ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3 a VARA DA FAZENDA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE CAMPINA GRANDE - PB

Processo: 0008267-80.2013.815.0011 Ação Ordinária de Cobrança de verbas rescisórias c/c tutela antecipada Promovente: Evandro Alexandre da Silva

Promovido: Município de Campina Grande OBJETO: CONTESTAÇÃO

O MUNICÍPIO DE CAMPINA GRANDE, pessoa jurídica de direito público interno, devidamente representado por seu Procurador Municipal infra-assinado, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência apresentar

CONTESTAÇÃO

em face de Reclamação Trabalhista contra si interposta EVANDRO ALEXANDRE DA SILVA, já qualificado na peça exordial, cujo feito tramita nesse r. Juízo, através das razões de defesa a seguir aduzidas para ao final requerer:

1. DA PETIÇÃO INICIAL

ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO O promovente ajuizou a

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O promovente ajuizou a presente ação de cobrança de verbas rescisórias c/c pedido de tutela antecipada para pleitear FGTS ( 02 de julho de 2012 a dezembro de 2012), salário de novembro de 2012, décimo terceiro (6/12) de 2012, férias proporcionais + 1/3 (6/12), dois dias de dezembro de 2012, liberação das guias do seguro desemprego.

As fls. 14, foi determinada a emenda à inicial com a adaptação do presente feito ao rito ordinário e adequação dos pedidos ao regime jurídico estatutário.

As fls. 16/18, foi emendada a petição inicial para retirar a multa de 40% sobre o FGTS e as verbas rescisórias, esclarecendo o autor que FOI CONTRATADO COMO PRESTADOR DE SERVIÇOS, CONFORME CONTRATATO COLACIONADO AS FLS. 09/10, SEM ANOTAÇÃO EM CARTEIRA DE TRABALHO. PLEITEOU A APLICAÇÃO DA SÚMULA 363 DO TST.

Foi mantido o pedido de FGTS (02 de julho de 2012 a dezembro de 2012), salário de novembro de 2012 e dois dias de dezembro de 2012, liberação das guias do seguro desemprego.

Finalmente, Atribui-se à causa o valor de R$ 1.144,53 (um mil, cento e quarenta e quatro reais e cinquenta e três centavos).

Eis o escorço fático.

2. DA TEMPESTIVIDADE

ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO Consta nos autos a

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Consta nos autos a juntada do mandado de citação em 06/06/2013, de modo que o termo ad quem é o dia 05/08/2013 (segunda-feira), que foi feriado estadual, prorrogando-se até o próximo dia útil. Assim, tempestiva a contestação protocolizada em 6/08/2013.

3. PRELIMINARMENTE

3.1Da Impossibilidade Jurídica de parte do Pedido

De acordo com a inicial, a contratação do promovente ocorreu com fulcro no art. 37, IX da CF e lei municipal nº 4.038/2002, conforme cópia do contrato juntado aos autos as fls. 11/12.

Não houve anotação de contrato em carteira de trabalho.

Na cláusula nona do referido contrato há expressa previsão no sentido de que “o presente contrato não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, estando o mesmo submetido ao regime jurídico administrativo.

Assim, os pedidos de natureza exclusivamente celetista, como FGTS e seguro desemprego são pedidos juridicamente impossíveis de serem pleiteados e deferidos diante da incompatibilidade da contratação.

Dessa forma, cita-se a CARÊNCIA DO PEDIDO preliminarmente, com base na SUA impossibilidade jurídica.

ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO Por estas razões, inexistindo

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Por estas razões, inexistindo possibilidade jurídica do pedido de FGTS e seguro desemprego, requer a Vossa Excelência a extinção do processo sem resolução do mérito, com fulcro no art. 267, VI do Código de Processo Civil.

4. DO MÉRITO

  • 4.1 Do período em que houve prestação de serviços

O promovente prestou seus serviços perante a este Município até 14 de novembro de 2012, conforme sua folha de presença individual colacionada as fls. 12. Não foi prestado qualquer serviço no mês de dezembro de 2012, não havendo o que deferir nesse período.

  • 4.2 Dos pleitos de salário de novembro de 2012 e dois dias de dezembro de 2012

Em contato com o setor de RH desta Administração, foi alegado que não houve prestação de serviços pelo promovente nos meses de novembro e dezembro de

2012.

O

documento

colacionado

as

fls.

12

(folha

de

ponto

individual)

foi

produzido de forma unilateral, sem qualquer chancela de um servidor desta

Administração. Assim, não tem qualquer validade.

Ademais, é sabido que a Administração pode rescindir de forma antecipada essas contratações temporárias, de acordo com sua oportunidade e conveniência:

Dados

Gerais,

Processo:

AgRg

no

RMS

33227

PA

2010/0197751-2, Relator(a): Ministro FRANCISCO FALCÃO,

ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO Julgamento: 22/11/2011, Órgão Julgador:37 , IX , DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL .PRECARIEDADE. PRETENSÃO DE ESTABILIDADE NO SERVIÇO PÚBLICO. AUSÊNCIADE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. I. A rescisão unilateral e prematura do contrato de trabalho temporário, firmado com o Poder Público, longe de configurar ato arbitrário, caracteriza ato discricionário, podendo ser rescindido sempre que perecer o interesse público na contratação, estrito à conveniência e à oportunidade na sua permanência. II - In casu, como se extrai do ato impugnado, que dispensou os recorrentes da função temporária que exerciam no Estado do Pará, a manutenção das contratações deixou de ser conveniente ao Poder Público. III - Precedente s : RMS nº 18.329/MG , Rel. Ministro FELIX FISCHER,QUINTA TURMA, DJ de 16/10/2006, p. 386; AgRg n o RMS nº 19.415/MG , Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, DJ de 12/06/2006, e RMS nº 8.827/PA , Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, SEXTA TURMA, DJ de04/08/2003. IV - Agravo regimental improvido. Dessa forma, não tendo validade o documento colacionado aos autos as fls. 12 (folha de ponto individual), posto que produzido de forma unilateral, não há comprovação nos autos do efetivo labor em novembro e dezembro de 2012. 4.3 Dos pleitos de natureza exclusivamente celetista: FGTS e seguro desemprego Foi requerido na inicial seguro desemprego e FGTS . Veremos as razões por que não procedem os pedidos. Primeiramente, a contratação do autor ocorreu sob a forma administrativa e temporária para atender excepcional interesse público, que a depender do chefe do Executivo municipal poderia ser extinto a qualquer momento diante de sua conveniência, não gozando o autor de qualquer efetividade, estabilidade no serviço. 5 " id="pdf-obj-4-2" src="pdf-obj-4-2.jpg">

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Julgamento: 22/11/2011, Órgão Julgador: T1 - PRIMEIRA TURMA, Publicação: DJe 06/12/2011

Ementa

CONTRATO

TEMPORÁRIO.

ART.

37,

IX,

DA

CONSTITUIÇÃO FEDERAL.PRECARIEDADE. PRETENSÃO DE ESTABILIDADE NO SERVIÇO PÚBLICO.

AUSÊNCIADE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. I. A rescisão unilateral e prematura do contrato de trabalho temporário, firmado com o Poder Público, longe de configurar ato arbitrário, caracteriza ato discricionário, podendo ser rescindido sempre que perecer o interesse público na contratação, estrito à conveniência e à oportunidade na sua permanência.

II - In casu, como se extrai do ato impugnado, que dispensou os

recorrentes da função temporária que exerciam no Estado do Pará, a manutenção das contratações deixou de ser conveniente ao Poder Público. III - Precedentes: RMS nº 18.329/MG, Rel. Ministro FELIX FISCHER,QUINTA TURMA, DJ de 16/10/2006, p. 386; AgRg no RMS nº 19.415/MG,Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, DJ de 12/06/2006, e RMS nº 8.827/PA, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, SEXTA TURMA, DJ

de04/08/2003.

IV - Agravo regimental improvido.

Dessa forma, não tendo validade o documento colacionado aos autos as fls. 12 (folha de ponto individual), posto que produzido de forma unilateral, não há comprovação nos autos do efetivo labor em novembro e dezembro de 2012.

4.3 Dos pleitos de natureza exclusivamente celetista: FGTS e seguro desemprego

Foi requerido na inicial seguro desemprego e FGTS. Veremos as razões por que não procedem os pedidos.

Primeiramente, a contratação do autor ocorreu sob a forma administrativa e temporária para atender excepcional interesse público, que a depender do chefe do Executivo municipal poderia ser extinto a qualquer momento diante de sua conveniência, não gozando o autor de qualquer efetividade, estabilidade no serviço.

ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO Assim, os pleitos celetistas37 , IX , da CF/1988 ) terá sempre caráter jurídico- administrativo (segue o regime jurídico único do município contratante), ainda que seja prorrogado de maneira irregular. A prolongação feita nesses moldes não transmuda o vínculo inicialmente estabelecido entre as partes para um liame celetista, tal como antes se entendia. Assim, deve ser afastada a competência da Justiça do Trabalho para fixar a do juízo de Direito. Precedentes citados do STF: RE 573.202-AM , DJe 5/12/2008; do STJ: CC 100.271-PE , DJe 6/4/2009. CC 106.748-MG, Rel. Min. Jorge 23/9/2009 (grifo nosso) Mussi, julgado em O STF manifestou entendimento n o RE-573202 de q ue as prorrogações não alteram a natureza jurídica do vínculo, transformando sua natureza tipicamente administrativa, num vínculo trabalhista. Dessa forma, as repetidas mudanças do prazo de vigência do contrato, de temporário para indeterminado, pode até ensejar nulidade ou caracterizar ato de improbidade, com todas as conseqüências que isso acarreta, mas não altera a natureza do vínculo contratual e muito menos a competência da justiça. 6 " id="pdf-obj-5-2" src="pdf-obj-5-2.jpg">

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Assim, os pleitos celetistas são incompatíveis com a natureza temporária e emergencial da contratação, principalmente o seguro desemprego que, segundo a legislação celetista, somente é devido nos casos das contratações por prazo indeterminado e regidas pela CLT; no presente caso a contratação é por prazo determinado e regida por contrato administrativo.

Vale dizer que, na cláusula nona do referido contrato há expressa previsão no sentido de que “o presente contrato não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, estando o mesmo submetido ao regime jurídico administrativo.

Ademais, mesmo que a contratação fosse prorrogada por diversas vezes, o que não é o caso dos autos, o contrato continuaria com sua natureza administrativa, independentemente da anotação em CTPS (STF):

O contrato de prestação de serviço temporário (art. 37, IX, da CF/1988) terá sempre caráter jurídico- administrativo (segue o regime jurídico único do município contratante), ainda que seja prorrogado de

maneira irregular. A prolongação feita nesses moldes não transmuda o vínculo inicialmente estabelecido entre as partes para um liame celetista, tal como antes se entendia. Assim, deve ser afastada a competência da Justiça do Trabalho para fixar a do juízo de Direito. Precedentes citados do STF: RE 573.202-AM, DJe 5/12/2008; do STJ: CC 100.271-PE , DJe 6/4/2009. CC

106.748-MG, Rel. Min. Jorge 23/9/2009 (grifo nosso)

Mussi,

julgado

em

O STF manifestou entendimento no RE-573202 de que as prorrogações não alteram a natureza jurídica do vínculo, transformando sua natureza tipicamente administrativa, num vínculo trabalhista. Dessa forma, as repetidas mudanças do prazo de vigência do contrato, de temporário para indeterminado, pode até ensejar nulidade ou caracterizar ato de improbidade, com todas as conseqüências que isso acarreta, mas não altera a natureza do vínculo contratual e muito menos a competência da justiça.

ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO Entendeu-se que a relação

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Entendeu-se que a relação jurídica travada entre os servidores temporários e o Poder Público, apesar de não ser genuinamente estatutária ostenta caráter administrativo, eis que sua contratação é regulada por Lei que disciplinará entre as partes um contrato de Direito Administrativo, logo a relação não pode ser considerada geradora de direitos trabalhistas.

Pelo contrário, é um contrato de natureza temporária, até que perdure a situação excepcional e se esta terminar antes do prazo inicialmente convencionado entre as partes, existe a discricionariedade do ente público em rescindi-lo, o que se demonstra razoável diante da situação excepcional que se verifica em contraposição à regra do concurso público.

Com

propriedade

observa

o

Prof.

Hely Lopes Meirelles (Direito

Administrativo Brasileiro, 2007, 33ª ed., pág. 440) que a lei ao estabelecer esses casos de contratação deverá "atender aos princípios da razoabilidade e da moralidade. Não podem, prever hipóteses abrangentes e genéricas, nem deixar sem definição, ou em aberto, os casos de contratação. Esta, à evidência, somente poderá ser feita sem processo seletivo quando o interesse público assim o permitir".

Em segundo lugar, os pleitos refogem a competência material desta Justiça, somente podendo ser analisados pelo juízo trabalhista e por meio de ação reclamatória trabalhista, o que atrai sua extinção sem resolução de mérito (preliminar).

5. DO PEDIDO

Assim sendo e por todo exposto, requer:

  • a) A este juízo a quo, preliminarmente, a extinção sem resolução de mérito dos pleitos de natureza exclusivamente celetista (seguro desemprego e FGTS), dada a impossibilidade jurídica do pedido, com fulcro no art. 267, VI do CPC,

ESTADO DA PARAÍBA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINA GRANDE PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO salientando que há expresso

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salientando que há expresso afastamento no contrato (cláusula nona) da formação de vínculo empregatício entre as partes; com relação aos pleitos de salários de novembro de 2012 (integral) e dois dias de dezembro de 2012, requer sejam julgados improcedentes, diante da ausência de prestação de serviços nesse período.

Agindo desta forma este Juízo estará indo Justiça.

ao encontro da mais

salutar

Requer provar por todos os meios em direito admitidos.

Nestes termos,

Pede Deferimento.

Campina Grande, 06 de agosto de 2013.

Bel. Jaime Clementino de Araújo

Procurador municipal