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LIVRO: PR.

RICK WARREN

ADAPTAÇÃO: PR. ROBERTO CASAS


PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA

Lendo esta obra você será desafiado a pensar grande, motivado a fazer algo
sério e duradouro na causa, não por vã banalidade, mas no Espírito de Cristo,
ancorado na Palavra, para a glória de Deus Pai. Aprenderá também a definir mais
claramente o propósito e a razão de ser da sua igreja.

A maioria das pessoas modernas não está interessada em VERDADES, mas em


ALÍVIO IMEDIATO. Não vamos comprometer a mensagem, mas é estratégico
mostrar que a Bíblia é relevante e fala de maneira clara, aliviando o coração
ansioso, deprimido, solitário.

Portanto, temos de tomar os valiosos princípios de Uma Igreja com Propósitos e


adaptarmos suas aplicações ao nosso contexto. Irmãos, nosso Brasil precisa de
igrejas com propósitos.

SURFANDO NAS ONDAS ESPIRITUAIS

Surfar é a arte de pegar as ondas criadas por Deus. Ele faz as ondas e os
surfistas somente as pegam. Nenhum surfista tenta criar ondas. Se não houver
ondas, eles simplesmente não podem surfar naquele dia! No entanto, quando o
mar está bom para o esporte, eles fazem de tudo para aproveitar, mesmo que
seja para surfar durante um temporal.

Muitos livros e conferências sobre o crescimento da igreja limitam-se à temática


“Como Criar Ondas”. Eles tentam fabricar a onda do Espírito de Deus, usando
artifícios, programas ou técnicas de marketing para gerar crescimento. Isso,
entretanto, não pode ser criado pelo homem! Só Deus pode soprar nova vida no
vale dos ossos secos. Somente Ele pode criar ondas, sejam elas de avivamento,
ou de crescimento ou de receptividade espiritual.

Paulo disse sobre a Igreja de Corinto: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o
crescimento” (1 Co 3:6). Note a parceria: Paulo e Apolo fizeram a parte deles,
mas Deus deu o crescimento. A soberania do Pai é um fator negligenciado em
quase todos os livros atuais que falam sobre crescimento de igreja.

Nosso trabalho como líderes, assim como os dos surfistas experientes, é o de


reconhecer a onda do Espírito de Deus e pegá-la. Não é nossa responsabilidade
criar ondas, mas sim, reconhecer como Deus está atuando no mundo e unir-se a
Ele nessa jornada.

Pegar uma onda de crescimento também não é tarefa fácil. Requer mais do que
desejo ou mesmo dedicação. É preciso discernimento, paciência, fé, habilidade e
do mais importante de tudo, equilíbrio. Pastorear uma igreja em crescimento, tal
como surfar, pode parecer fácil para o leigo, mas não é. Requer destreza e
competência.
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Na Igreja Saddleback nós nunca tentamos criar uma onda. Essa parte é feita por
Deus. Porém, temos tentado reconhecer as ondas que Ele coloca em nosso
caminho e temos aprendido a pegá-las. Estamos aprendendo a usar o
equipamento certo, bem como a importância do equilíbrio. Também aprendemos
a cair fora das ondas quando elas começam a morrer, o que ocorre tão logo
percebamos que Deus deseja fazer algo novo. O mais incrível é que, quanto mais
habilidosos nos tornamos em pegar as ondas de crescimento, mais ondas o Pai
nos envia.

Mais pessoas está se entregando a Cristo hoje do que em qualquer outra época.

Creio que Deus envia as ondas de crescimento onde quer que o seu povo esteja
preparado para pegá-las. Nunca, na história do cristianismo, existiram igrejas tão
grandes como algumas de hoje. Acredito que a maioria das igrejas ainda está
para ser construída. Talvez você seja a pessoa escolhida por Deus para fazer
isso.

O Espírito de Deus está se movendo poderosamente em todos os lugares. A


minha oração ao iniciar o dia é esta: “Pai, sei que hoje o Senhor irá realizar
coisas incríveis no mundo. Por favor, conceda-me o privilégio de tomar parte em
algumas dessas coisas”. Os líderes de igrejas deveriam parar de orar assim: “Pai,
ajude-me a fazer o que o Senhor está abençoando hoje”.

O problema de muitas igrejas é que começam com a pergunta errada. Elas


perguntam: “O que fará a nossa igreja crescer?”. E um mau começo. A certa é: “O
que está impedindo o crescimento de nossa igreja?”. Quais barreiras estão
bloqueando as ondas que Deus está colocando em nosso caminho? Quais os
obstáculos e empecilhos que não permitem que o crescimento aconteça?

Todas as coisas vivas crescem, não sendo necessário um trabalho especial para
fazer com que isso ocorra. É um processo natural em seres vivos saudáveis. Não
preciso mandar meus três filhos crescerem, por exemplo. Eles crescem
naturalmente. Desde que eu tire certos obstáculos, como má alimentação ou
ambientes inadequados, o crescimento deles será automático. Se minhas
crianças não crescerem, algo deve estar ocorrendo. A falta de crescimento
geralmente indica algo errado, possivelmente uma doença.

Da mesma maneira, sendo a igreja um organismo vivo, é natural que cresça, se


estiver saudável. A igreja é um corpo, não um negócio. É um organismo, não uma
organização. Está viva. Se uma igreja não está crescendo, está em processo de
morte.

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Quando o corpo humano está fora de seu equilíbrio normal, dizemos que ele está
doente. Se o Corpo de Cristo está desequilibrado, fica doente. A saúde
acontecerá quando o equilíbrio do corpo voltar ao normal.

A tarefa da liderança da igreja é descobrir e remover barreiras e doenças que


restringem o crescimento pára que haja um desenvolvimento natural e sadio.
Setenta anos atrás, Roland Allen, em um dos seus textos sobre missões, chamou
este tipo de crescimento de “crescimento espontâneo da igreja”. É o tipo relatado
em Atos dos Apóstolos. Sua igreja experimenta isso? Se não está acontecendo,
você deve perguntar o porquê.

A chave para a igreja no século 21 será a sua saúde espiritual, não o


crescimento. Esta é a verdadeira razão deste livro. Se nos concentrarmos
somente no crescimento estaremos nos desviando da verdadeira meta. Quando
congregações estão saudáveis, elas crescem como Deus determinou. Igrejas
saudáveis não necessitam de atrativos para crescerem; elas crescem
naturalmente.

Paulo explica: “E não se mantendo único à Cabeça, da qual todo o corpo, provido
e organizado pelas juntas e ligaduras, via crescendo com o aumento concedido
por Deus” (Cl 2:19). Note que Deus quer que a igreja cresça. Se sua igreja é
genuinamente saudável, você não precisa se preocupar com o crescimento.

VINTE ANOS DE OBSERVAÇÃO

Nos últimos vinte anos, tenho me dedicado ao estudo do crescimento da igreja,


independentemente de seu tamanho. Em minhas viagens como professor da
Palavra de Deus, evangelista e, mais tarde, como treinador de pastores, visitei
centenas de igrejas ao redor do mundo. Conversei com milhares de pastores e
entrevistei centenas de líderes e professores sobre o que eles observavam nas
igrejas. Há alguns anos, escrevi para as cem maiores igrejas dos Estados Unidos
e passei um ano pesquisando o ministério de cada uma. Já li quase todos os
livros publicados sobre o tema “crescimento da igreja”.

Passei muito tempo estudando o Novo Testamento. É o melhor livro já escrito


sobre o tema. Para as coisas que realmente são importantes, não há nada a ser
acrescentado. É o manual do proprietário para a igreja.

Aprecio também textos sobre a história da igreja. Fico surpreso como fato de
muitos conceitos atuais e considerados como “inovadores” ou “contemporâneos”
não contenham idéias novas. Muitos métodos que levantam a bandeira da
“mudança” têm sido usados de formas levemente diferenciadas. Alguns deles
funcionam e outros não. É uma verdade bem conhecida que, se desconhecemos
as lições do passado, fatalmente iremos repetir erros já cometidos.

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Minha maior fonte de aprendizado tem sido participar do que Deus tem feito na
igreja que eu pastoreio. Isso me ensinou o que nenhum livro, seminário ou
professor jamais poderia fazê-lo. Freqüentemente tenho sido humilhado pelo
poder divino que me mostra como Ele usa pessoas comuns de uma maneira
extraordinária.

Demorei vinte anos para escrever este livro porque não queria fazê-lo
prematuramente. Deixei que os conceitos tomassem forma, se desenvolvessem e
amadurecessem. Nada neste livro é teoria. A última coisa que precisamos é de
outra teoria sobre crescimento de igreja. Precisamos de respostas eficazes para
problemas reais enfrentados pelas comunidades.

Os princípios deste livro foram testados muitas vezes, não somente na Igreja
Saddleback, mas em muitas outras igrejas dirigidas por propósitos, de todos os
tamanhos, formas, localização e denominações. A maioria das ilustrações é da
Igreja Saddlaback porque estou mais familiarizado com a nossa comunidade.
Porém, todo o dia recebe uma carta de uma igreja que também adotou nossos
parâmetros e que tem sido capaz de pegar as ondas de crescimento que Deus
tem mandado.

AOS PASTORES COM AMOR

Este livro foi escrito para qualquer pessoa interessada em ajudar sua igreja a
crescer. Tenho um grande amor por pastores e adoro passar um tempo com eles.
Sofro quando eles sofrem. Creio que são os líderes mais menosprezados em
nossa sociedade.

A minha maior admiração é para com os milhares de pastores multivocacionados


que se sustentam a si mesmos com um trabalho secular e pastoreia igrejas
pequenas que não são capazes de pagar-lhes um salário integral.. Em minha
opinião, eles são heróis da fé e receberão grandes honras no céu. Tenho sido
abençoado em custear treinamentos e experiências que não estão disponíveis
para eles e sinto-me obrigado a compartilhar neste livro o que tenho aprendido
com eles.

Pastores são os principais agentes de mudança para lidar com os problemas


enfrentados atualmente pela sociedade.

William Bennett, na revista American Enterprise: “Os maiores problemas que


estão afetando a nossa sociedade hoje se manifestam de forma moral,
comportamental e espiritual. Sendo assim, são bastante resistentes aos remédios
do governo”. Não parece irônico que os políticos estejam dizendo que precisamos
de uma solução espiritual, enquanto muitos crentes acreditam que a solução seja
política? Não há dúvidas de que o declínio moral na nossa sociedade nos colocou
em um campo de batalha e, ao mesmo tempo, num incrível campo para missões.
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É um grande privilégio e uma tremenda responsabilidade ser pastor de uma igreja
local. Se eu não acreditasse que os pastores são um instrumento oportuno para
fazer diferença em nosso mundo, estaria fazendo outra coisa, porque não
pretendo jogar a minha fora. Hoje, o ministério pastoral é cem vezes mais
complexo do que era na geração passada. Até nas melhores circunstâncias, o
trabalho é extremamente difícil. Mas existem também vários recursos modernos e
temos de fazer uso deles. A chave é nunca parar de aprender.

Amo a Igreja de Jesus Cristo de todo o meu coração. Independentemente das


falhas (devido ao nosso lado pecaminoso) ainda assim é o mais magnífico
trabalho jamais criado. Tem sido um canal de bênçãos escolhido por Deus há dois
mil anos. Te, sobrevivido a persistentes abusos, perseguições terríveis e
negligência universal. Organizações para-eclesiásticos e outros grupos cristãos
vêm e vão, mas a igreja durará por toda a eternidade. Vale a pena darmos nossa
vida por ela, que merece o melhor de nós.

EU JÁ ESCUTEI ISSO ANTES!

Ensinei para mais de vinte e dois mil pastores nos últimos quinze anos. Além
disso, líderes de igrejas de 42 países e 60 diferentes denominações
encomendaram as fitas do seminário.

Na estante de meu escritório, tenho mais de uma dúzia de livros escritos por
pessoas que treinei e que colocaram minhas idéias em livros antes de mim. Isso
não importa. Estamos no mesmo time. Fico satisfeito que pastores estejam sendo
ajudados com isso. Honestamente, uma das razões pelas quais esperei vinte
anos para escrever este livro é que estava muito ocupado trabalhando com as
idéias contidas nele!

Mais de cem teses de doutorado foram escritas sobre o crescimento da


Saddleback. O que espero oferecer é a visão de quem está do lado de dentro. Os
que analisam de fora raramente indicam a real causa do crescimento.

Você já ouviu que “é sábio aprender pela experiência”. Porém, é mais sábio
aprender por meio das experiências dos outros. E menos doloroso! A vida é muito
curta para aprendermos tudo por experiências pessoais. Ficarei muito feliz se
puder poupar você da dor que experimentamos enquanto aprendíamos estes
princípios passando por provas e erros.

Quando um surfista é arremessado porque não pegou a onda corretamente, ele


não desiste de surfar. Ele nada de volta para o oceano e espera pela próxima
onda que Deus vai mandar. Uma coisa que observei sobre os surfistas que
alcançam o sucesso é que eles são persistentes.

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Talvez você tenha experimentado alguns “arremessos para fora da onda” em seu
ministério. Talvez você tenha perdido algumas chances. Isto não significa que
deve desistir. O oceano não secou. Ao contrário, Deus hoje tem criado no mundo
as melhores ondas que já vi.

Capítulo 1

A HISTÓRIA DA IGREJA DE SADDLEBACK

A HISTÓRIA POR TRÁS DOS MÉTODOS


Visão também é a habilidade de compreender com precisão as mudanças atuais
e fazer o melhor uso delas. Visão é estar alerta para as oportunidades.

A maior parte de nossos êxitos tem ocorrido como resultados de lutas e erros
muitas vezes as nossas descobertas foram puramente acidentais!

A verdade é que temos mais erros do que acertos. Nunca tivemos medo do
fracasso. Chamamos tudo de “experiência”. Poderia escrever outro livro sobre as
histórias dos nossos fracassos e chamá-lo de “Mil Maneiras de Evitar o
Crescimento da Igreja”.

MINHA BUSCA DE PRINCÍPIOS

1. O que as igrejas fazem hoje é realmente bíblico?


2. O que fazemos é puramente cultural?
3. Por que algumas igrejas nascem e outras morrem?
4. Quais as causas de uma igreja em crescimento parar de crescer, estacionar e
depois declinar?
5. Existem fatores comuns encontrados nas igrejas em crescimento?
6. Existem princípios que funcionam em todas as culturas?
7. Quais são as barreiras que impedem o crescimento?
8. Quais são as teorias que cercam uma igreja em ascensão, e que hoje não são
mais verdadeiras ou nunca foram?

Naquele dia, após a leitura do artigo de McGarvan, senti que Deus estava me
guiando para que investisse o resto de minha vida descobrindo os princípios
bíblicos, culturais e de liderança, que produzem igrejas crescentes e saudáveis.
Foi o começo de uma longa jornada de estudos.

Nossa missão nunca foi a de crescer em numero ou construir grandes templos, e


sim, formar muitos discípulos de Jesus Cristo.

Convencido de que meu sonho traria glorias a Deus, decidi nunca olhar para trás.

Capítulo 2
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OS MITOS SOBRE O CRESCIMENTO DE IGREJAS

Muitos mitos sobre crescimento de igreja estão circulando entre pastores e


líderes.
Se você realmente quer ver o crescimento de sua igreja, deve estar disposto a
reavaliar muitos dos mitos sobre as igrejas grandes e crescentes.

MITO 1 – A única coisa que importa para as grandes igrejas é o número de


freqüentadores

A verdade é que você não irá crescer se somente preocupar-se em ter uma igreja
grande. Durante toda a existência da nossa comunidade, só duas vezes tivemos
cultos com o alvo de alcançar um certo número de pessoas e ambos foram
realizados em nosso primeiro ano de existência. Não priorizamos a freqüência.
Nossa meta é alcançar e integrar o povo que Deus nos envia

Campanhas para aumentar a freqüência e a propaganda dirigida podem trazer o


povo para sua igreja uma vez. Mas eles não retornarão, se a sua igreja não olhe
der o que promete. Para manter um crescimento consistente é necessário
oferecer às pessoas algo que elas não possam conseguir em nenhum outro lugar.

Um crescimento sadio e duradouro é multidimensional. Minha definição de


crescimento genuíno possui cinco facetas. Toda igreja deve crescer mais calorosa
por meio do companheirismo, mais profunda por mio do discipulado, mais forte
por meio da adoração, mais abrangente por meio do ministério e mais numerosa
por meio do evangelismo.

Em Atos 2:42-47, estes cinco itens estão descritos na primeira igreja de


Jerusalém. Os primeiro cristãos se reuniam, edificavam uns aos outros,
adoravam, ministravam e evangelizavam. Como resultado disto, o versículo 47
diz: “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que iam sendo
salvos”.

O crescimento de uma igreja é o resultado natural de sua saúde. Uma igreja


somente pode ser sadia quando sua mensagem é bíblica e sua missão
equilibrada. Cada um dos cinco propósitos da igreja do Novo Testamento deve
estar em equilíbrio com os outros para que possa existir saúde. Isto não acontece
naturalmente. Na verdade, devemos trabalhar continuamente para corrigir os
desequilíbrios. É inerente à natureza humana enfatizar o aspecto da igreja que
mais gostamos. Desenvolver estratégias e uma estrutura de forma intencional
para nos forçar a dar atenção igual a cada um dos propósitos é o verdadeiro
significado de uma igreja com propósitos.

MITO 2 – Grandes igrejas crescem às custas de igrejas menores.


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A migração entre igrejas não foi o que Jesus tinha em mente quando nos deu a
Grande Comissão. Deus nos chamou para sermos pescadores de homens e não
para sermos trocadores de peixe de aquário. A igreja que cresce somente por
transferência não está experimentando um crescimento genuíno: está somente
reembaralhando as cartas.

MITO 3 – Você deve escolher entre qualidade e quantidade em sua igreja

Infelizmente, este é um mito bastante propagado em que também não é


verdadeiro. Parte do problema é que ninguém nunca conseguiu definir o que
significam os termos qualidade e quantidade. Permitam-me expor minhas
definições.
Qualidade refere-se ao tipo de discípulo que uma igreja produz. Será que o povo
está sendo genuinamente transformado para se assemelhar a Cristo? Os crentes
apresentam suas vidas fundamentadas na Palavra? Eles estão amadurecendo e
usando seus talentos no serviço e no ministério? Eles testemunham de sua fé
com os outros? Estas são apenas algumas maneiras pelas quais a qualidade da
igreja é medida.

Quantidade refere-se ao número de discípulos que uma igreja está produzindo.


Quantas pessoas estão sendo levadas a Cristo, conduzidas a um processo de
amadurecimento e sendo mobilizadas para o ministério e missões?

Uma vez que estes termos estão definidos, é óbvio que qualidade e quantidade
não se opõem. Elas não se anulam mutuamente. Você não precisa escolher entre
as duas. Todas igrejas devem desejar ambas. Na verdade, um enfoque exclusivo
em quantidade ou qualidade produzirá uma igreja sem saúde. Não se engane
pensando que uma é mais importante do que a outra.

Também é verdade que quantidade cria qualidade em algumas áreas da vida da


igreja. Por exemplo, quanto mais uma igreja cresce, melhor se torna a música.
Você preferiria cantar com onze pessoas ou com onze mil? Você preferiria fazer
parte de um programa de adultos solteiros em que participam duas pessoas ou
duzentas?

Uma igreja que não tem nenhum interesse em aumentar o seu número de
convertidos está, na verdade, falando para o resto do mundo: “vocês podem ir
para o inferno”.

MITO 4 – É necessário comprometer a mensagem e a missão da igreja para que


ela cresça
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Este dito popular quer dizer que os líderes das igrejas que crescem estão de
alguma forma “vendendo” o evangelho para que possam crescer. O pressuposto
é que se uma igreja está atraindo pessoas, ela deve ser superficial e sem
compromisso. Muitos crêem que a presença de muitas pessoas indicam uma
mensagem “água-com-açúcar”.

O Senhor Jesus atraiu grandes multidões e nunca comprometeu a verdade.


Ninguém o acusou de pregar uma mensagem “água-com-açúcar”.

Descobrimos que desafiar as pessoas a ter um compromisso sério acaba


atraindo mais pessoas em vez de afugentá-las. Quanto maior o compromisso que
requeremos, maior é a resposta. Muitos não-crentes estão enfadados e
chateados como que o mundo oferece. Eles estão procurando algo superior a
eles mesmos, algo que valha a pena a dedicação de suas vidas.

Pedir um grande empenho não afasta as pessoas. O que faz com que isto ocorra
é a forma como muitas igrejas pedem esta dedicação. Na maioria das vezes as
igrejas falham em explicar o propósito, o valor e os benefícios de uma vida
comprometida, e não possuem um processo pelo qual as pessoas possam dar
passos gradativos para aumentar sua dedicação.

SER CONTEMPORÂNEO SEM SE COMPROMETER

Algumas igrejas, por temerem infecções mundanas, isolam-se da cultura do


mundo atual. Ainda que a maioria das igrejas não se isole tanto quanto os
menonitas conservadores dos Estados Unidos, que se recusam até a andar de
carro, muitas igrejas americanas acham que os anos 50 foram à era dourada e
estão determinadas a manter suas congregações naquela época. O que eu
admiro nos menonitas é que pelo menos eles são honestos. Eles admitem
abertamente que escolheram preservar o estilo de vida do século 19. Por outro
lado, as igrejas que tentam perpetuar a cultura dos anos 50 negam que o fazem,
ou tentam provar com alguns versículos que estão fazendo o que era feito na
igreja neotestamentária.

Existem também aqueles que, com medo de estar fora de moda, infantilmente
imitam as últimas novidades e tendências. Na sua tentativa de se aproximar da
cultura atual, comprometem a mensagem e perdem o sentido de ser separados.
Na maioria das vezes, estas igrejas enfatizam os benefícios do evangelho
enquanto ignoram a responsabilidade e o custo envolvido no ato de seguir a
Cristo.

A solução é seguir o exemplo de Cristo em como ministrar ao povo. Jesus nunca


rebaixou os seus padrões, mas sempre começou de onde o povo estava. Ele era
contemporâneo sem comprometer a verdade.
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MITO 5 – Se você for bastante dedicado, sua igreja irá crescer.

Este é o mito mais promovido em conferências pastorais, em que os preletores


pregam com tal devoção que, se sua igreja não está crescendo o problema é a
sua falta de dedicação. Eles pregam: “Se você se purificar doutrinariamente,
pregar a Palavra, orar mais e se dedicar, sua igreja irá explodir”. Isto soa tão
simples e espiritual, mas não é verdade. Em vez dos pastores saírem destas
conferências encorajados, a maioria sai sentindo-se mais culpada e com uma
grande frustração.

Conheço centenas de pastores que são dedicados e suas igrejas não estão
crescendo. Eles são fiéis à Palavra de Deus, oram com sinceridade e freqüência,
e pregam mensagens sólidas. A dedicação deles é inquestionável, mas, ainda
assim, as igrejas pastoreadas por eles não crescem.

É necessário mais do que dedicação para guiar uma igreja ao crescimento.


Devemos usar a inteligência. Um de meus versículos favoritos é Eclesiastes
10:10: “Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se deve pôr
mais força, mas a habilidade trará o sucesso”. Note que Deus diz: a inteligência,
não só dedicação, trará sucesso. Tem-se madeira para lenha, vou obter um
melhor resultado se afiar meu machado primeiro. A questão é trabalhar bem e
não arduamente.

Reserve parte do tempo para aprender as habilidades necessárias para


desenvolver o seu ministério. Em longo prazo, você irá economizar tempo e será
mais bem-sucedido. Afie o seu machado ministerial lendo livros, indo a
conferências, escutando fitas e observando pessoas que trabalham bem. Você
nunca estará perdendo tempo ao afiar seu machado. A habilidade faz o sucesso.

Na Saddleback oferecemos anualmente uma conferência de treinamento básico


para líderes e pastores. Ainda que nossos funcionários sejam bastante
conhecedores da visão da igreja, das estratégias e estruturas, exijo que cada um
deles participe das atividades. Todos nós precisamos ter nossa visão revigorada e
nossas habilidades afiadas regularmente.

É claro que a oração é absolutamente essencial. Cada passo para o


desenvolvimento da nossa igreja foi banhado em oração. Na verdade tenho uma
equipe que ora por mim enquanto prego em cada um de nossos quatro cultos de
fim de semana. Um ministério sem oração é um ministério sem poder. Mas é
necessário muito mais que oração para fazer uma igreja crescer. É preciso uma
ação eficaz.

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Devemos sempre ser cautelosos para evitarmos duas posições extremistas no
ministério. Um extremo é assumir toda a responsabilidade pelo crescimento da
igreja. O outro é abdicar de toda e qualquer responsabilidade.

A Bíblia afirma claramente que Deus nos deu um papel crucial em relação à sua
vontade na Terra. O crescimento da igreja é uma parceria entre Deus e o homem.
Igrejas crescem pela atuação do poder de Deus, por meio dos esforços de
pessoas habilidosas. Ambos os elementos, o poder de Deus e o esforço humano
devem estar presentes. Não podemos fazer nada sem Deus, mas Ele não faz
nada sem nós! Deus usa pessoas para alcançar os seus propósitos.

Paulo ilustra esta parceria quando diz: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o
crescimento”.

MITO 6 – Existe uma chave secreta para o crescimento da igreja

Crescimento de igreja é assunto muito complexo. Geralmente ele não é causado


por um único fator. Se um pastor atribuir o crescimento de sua igreja a apenas um
motivo, está simplificando o que aconteceu ou talvez desconheça a verdadeira
razão desse crescimento.

Primeiro existe mais de uma maneira de fazer com que uma igreja cresça.
Poderia mostrar igrejas que estão crescendo, mesmo usando estratégias
totalmente opostas. Algumas igrejas crescem mediante suas Escolas Dominicais,
ou pequenas reuniões nos lares. Outras usam música contemporânea, ou ainda
música tradicional. Há igrejas em crescimento com um programa de visitação
organizado, e há as que nunca tiveram tal programa.

Segundo são necessários todos os tipos de igrejas para atingir todos os tipos de
pessoas. Graças a Deus não somos todos iguais! Deus ama a variedade. Se toda
igreja fosse igual à outra, alcançaríamos somente um pequeno segmento deste
mundo. Na área musical, por exemplo, imagine os estilos de música necessários
para alcançar os vários tipos de culturas. De vez em quando ouço alguém dizer
que todas as igrejas deveriam se reunir em uma só denominação, em que todos
fôssemos iguais. Discordo totalmente. Creio que a diversidade é um benefício e
não uma fraqueza. Deus usa estratégias diferentes para alcançar grupos
diferentes de pessoas.

Por fim, nunca devemos criticar o que Deus está abençoando, mesmo que seja
um estilo de ministério que faça com que alguns de nós não nos sintamos muito à
vontade. É surpreendente como Deus freqüentemente abençoa as pessoas das
quais discordo ou cujos métodos não entendo. Sendo assim, tomo a seguinte
atitude: se vidas estão sendo transformadas pelo poder de Jesus Cristo, então
gosto do que você está fazendo! Todos nós somos troféus da graça de Deus.

MITO 7 – A fidelidade é tudo o que Deus espera de nós


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Esta declaração é uma “meia verdade”. Deus espera de nós fidelidade e uma
vida frutífera. Dar frutos é um tema essencial no Novo Testamento. Observe o
seguinte:

Todos nós fomos chamados por Cristo para dar frutos. “Não fostes vós que me
escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, e vos designei para que vades e deis
frutos, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15:16).

Ser frutífero é a forma pela qual glorificamos a Deus. “Nisto é glorificado meu Pai,
em que deis muito fruto, e assim vos tornareis meus discípulos” (Jo 15:8). Um
ministério não traz glória a Deus, mas um ministério frutífero é verdadeira prova
de que somos verdadeiros discípulos de Cristo.

Deus quer que sua igreja seja tanto fiel como frutífera. Uma qualidade sem a
outra é como um avião com apenas uma asa. Resultados numéricos não são
uma justificativa para sua mensagem se tornar infiel, mas também não podemos
usar a fidelidade como uma desculpa para nos tornarmos ineficientes! Igrejas que
têm pouca ou nenhuma conversão geralmente tentam justificar a ineficiência
delas com a seguinte declaração: “Deus não nos chamou para sermos bem-
sucedidos. Ele nos chamou para sermos fiéis. Discordo totalmente, uma vez que
a Bíblia diz de forma clara que Deus espera tanto o sucesso como a fidelidade”.

A fidelidade é alcançada quando usamos o máximo possível dos talentos que


Deus nos deu. É por isso que comparar igrejas é uma forma ilegítima de se medir
sucesso. Sucesso não é tornar-se uma igreja maior do que outra, mas, sim,
produzir o maior número de frutos por meio de seus dons, oportunidades e
potencial.

Hoje, infelizmente, há muitas igrejas que não são completamente conservadoras


em suas crenças, mas são infiéis porque se recusam a modificar os seus
programas, métodos, estilos de adoração, prédios e até mesmo a localização de
seus templos para alcançar o mundo perdido para Cristo. Vance Havner
costumava dizer: “Uma igreja pode ser doutrinariamente tão reta como cano de
uma arma e ainda assim ser espiritualmente vazia”. Devemos estar dispostos a
dizer, sem nenhuma reserva, ao nosso Senhor e Salvador: “Faremos o que for
necessário para alcançar pessoas para ti”.

MITO 8 – Não há nada a aprender nas grandes igrejas

Todas as vezes que vejo um programa funcionando bem em outras igrejas eu


tento extrair o princípio que está por trás dele e aplicá-lo em nossa comunidade.

O que você não pode copiar

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A liderança de um programa é sempre mais importante do que o programa em si.
Passei quinze anos construindo um time que é mais eficiente do que qualquer um
de nós agindo separadamente. Individualmente somos pessoas bastante
comuns. Mas quando estamos juntos, de alguma forma a mistura de nossos
dons, personalidades e histórias, cria uma poderosa combinação que intriga
especialistas em administração e que nos permite realizar obras impressionantes.

Deus o fez para que você fosse você mesmo. Ele quer usar seus dons, seu amor,
suas habilidades naturais, sua personalidade e sua experiência para impressionar
parte do seu mundo. Todos nós somos originais. Infelizmente, muitos de nós nos
tornamos cópia de uma outra pessoa. Você não pode fazer uma igreja crescer
sendo clone de outro líder.

Deus tem um ministério feito por encomenda para cada comunidade. Sua igreja
tem uma impressão digital única que Deus deu. Mas você pode aprender de
outros modelos sem se tornar uma cópia. Aprendemos melhor e mais rápido
observando outros exemplos. Na verdade, a maior parte do que aprendemos na
vida foi por meio da observação de outros modelos. Nunca tenha vergonha de
reproduzir um modelo. Isto é um sinal de inteligência! O texto de Provérbios 18:15
diz: “O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido do sábio o
busca”. Na verdade, ele está sempre aberto a novas experiências.

Deixe-me alertá-lo: se você implementar a estratégia e as idéias deste livro em


sua igreja, alguém certamente vai dizer: “Você pegou essa idéia de Saddleback”.
Você então deve responder: “E daí? Eles pegaram essas idéias em centenas de
outras igrejas!”. Lembre-se bem, todos nós estamos no mesmo time.

Creio que as pessoas que não conseguem aprender de outros modelos têm um
problema com o seu ego. A Bíblia diz: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça
aos humildes” (Tg 4:6). Por que Deus faz isso? Uma das razões é porque quando
as pessoas estão cheias de orgulho, são incapazes de aprender. Elas sabem
tudo. Percebi que, quando as pessoas pensam que têm todas as respostas, na
maioria das vezes significa que elas não sabem todas as questões. Minha meta é
aprender o máximo possível, com o máximo possível de pessoas. Tento aprender
por meio do criticismo de pessoas das quais eu discorde e até mesmo com meus
próprios inimigos.

Este livro fala sobre processo e não sobre programas. Ele oferece um sistema
para o desenvolvimento de sua igreja e para o equilíbrio de sues propósitos.
Toda igreja usa algum tipo de metodologia, intencionalmente ou não. A questão
não é usá-la ou não. O problema é quais os tipos de métodos que você usa e se
eles são bíblicos e eficientes.

Capítulo 3
14
O QUE MOTIVA SUA IGREJA?
Toda igreja é dirigida ou motiva da por alguma coisa. Existe uma força que a guia,
uma convicção motivadora por trás de tudo o que acontece. Este direcionamento
pode não estar escrito em nenhum lugar. Ele pode ser desconhecido para a
maioria das pessoas da congregação. Provavelmente nunca houve uma votação
para aprovar tal direcionamento. Mas, ainda assim, ele existe e influencia cada
aspecto da força da igreja. Qual é a força que direciona e motiva sua igreja?

Igrejas dirigidas pela tradição

Nas igrejas dirigidas pela tradição, a frase perfeita é “Nós sempre fizemos isso
deste jeito”. O alvo da igreja dirigida por tradições é simplesmente perpetuar o
passado. Mudanças são quase sempre vistas de uma forma negativa e a
estagnação é interpretada como sinônimo de “estabilidade”.

Igrejas mais antigas têm a tendência de se agarrar a certas regras, regulamentos


e rituais, enquanto as mais jovens tendem a se unir a um propósito e uma
missão. Em algumas igrejas a tradição é tanta que qualquer outra coisa, inclusive
à vontade de Deus, se torna secundária. Ralph Neighbour disse que as sete
últimas palavras da igreja são: “nós nunca fizemos isso antes”.

Igrejas dirigidas por personalidades

Nesta igreja o fato mais importante é: “O que o líder da igreja quer?”. Se o pastor
está servindo na igreja por muito tempo, certamente é a personalidade que a
motiva. Mas se a igreja tem uma história de sempre mudar de pastor, um leigo de
destaque da igreja certamente é esta força polarizadora. Um dos problemas
comuns de uma igreja dirigida por personalidades é que o planejamento é
sempre determinado pelo passado, necessidades e insegurança do líder, e não
pela vontade de Deus e pela necessidade do povo.

Igrejas dirigidas pelas finanças

A questão que ronda a mente de cada pessoa numa igreja dirigida por finanças é:
“Quanto isso vai custar?”. Nada é tão importante quanto às finanças. O debate
mais quente nesta igreja é sempre sobre o orçamento. Mordomia e boa
arrecadação são elementos essenciais em uma igreja sadia, mas finanças nunca
podem ser um fator controlador. I item principal deve ser o que Deus quer que a
igreja faça. Igrejas não existem para produzir lucro. A razão da existência de uma
igreja não deve ser “quanto conseguimos economizar?”, mas, sim “quanto
conseguimos salvar?”. Tenho notado que muitas igrejas são dirigidas pela fé nos
seus primeiros anos, mas depois o dinheiro assume o controle.

15
Igrejas dirigidas por programas

A Escola Dominical, o programa feminino, o coral e o grupo de jovens são


exemplos de programas que muitas vezes são a força que motiva certas igrejas.
Numa igreja dirigida por programas, toda energia está concentrada em manter-se
o que foi planejado. A igreja dirigida por programas, em vez de desenvolver o
povo, trabalha somente no preenchimento de cargos. A comissão de nomeações
é o grupo mais importante da igreja. Se os resultados não os esperados, as
pessoas envolvidas culpam a si mesmas por não trabalhar o suficiente. Ninguém
jamais questiona se o programa ainda funciona ou não.

Igrejas dirigidas por construções

Winston Churchil disse uma vez: “Formamos os nossos prédios e depois os


prédios nos formam”. Muitas vezes uma congregação está tão ansiosamente por
ter um prédio bonito que os seus membros gastam mais dinheiro do que
possuem. O maio item do orçamento é o pagamento da manutenção das
instalações. Fundos necessários para operar ministérios têm de ser desviados
para pagar intermináveis prestações e assim o verdadeiro ministério da igreja
sofre. Para isso serve a expressão chinesa: “Em vez de o cachorro balançar o
rabo, o rabo balança o cachorro”. Para eles, permanecer num templo histórico,
embora inadequado, é mais importante do que alcançar a comunidade.

Igrejas dirigidas por eventos

Se você olhar o calendário de uma igreja dirigida por eventos, ficará com a
impressão de que a meta daquela igreja é manter o povo ocupado. Sempre tem
alguma coisa acontecendo, todos os dias da semana. Assim que um grande
evento é realizado, já começam a trabalhar o próximo. Existe muito trabalho em
igrejas como esta, mas não necessariamente produtividade. Uma igreja pode ser
ocupada sem entender qual o propósito de tanta ocupação. Alguém precisa
questionar: “Qual o propósito de cada uma de nossas atividades?”. Numa igreja
dirigida por eventos, o número de pessoas que freqüenta as programações é a
principal medida de fidelidade e maturidade. Devemos nos preocupar com a
tendência de permitir que reuniões substituam o ministério como a principal
atividade dos crentes.

Igrejas dirigidas por “sem-igrejas”

Os propósitos de Deus para a igreja incluem o evangelismo, mas isso não exclui
os outros propósitos. Atrair os “sem-igrejas” é o primeiro passo para se fazer
discípulos, mas não deve ser a força que controla a igreja.

A igreja deve ser sensível às almas famintas, mas não pode ser dirigida pelas
necessidades que elas têm.
16
Modelo bíblico: Uma igreja dirigida por propósitos

Este livro foi escrito para oferecer um novo modelo, como uma alternativa bíblica
e sadia para a forma tradicional na qual as igrejas estão organizadas e operam.

Existem dois elementos básicos neste modelo. Primeiro, ele requer uma nova
perspectiva. Você deve começar a olhar para tudo que o que sua igreja faz, por
meio da ótica dos cinco propósitos do Novo Testamento, e ver como Deus deseja
que ela seja equilibrada em todos eles.

Segundo este modelo requer um processo que cumpra o propósito da igreja.


Neste livro, eu explico o processo que usamos na Saddleback, o qual permitiu
que experimentássemos quinze anos de saúde e crescimento constante.

A importância de ser dirigido por propósitos

Nada precede o propósito. O ponto de partida de cada igreja deve ser a questão:
“Por que existimos?”. Até que saiba qual é a razão de existência de sua
comunidade, você não tem um alicerce, nem motivação e nem direção no
ministério. Se você está ajudando uma nova igreja a começar, sua primeira
missão deve ser definir os propósitos dela. É muito mais fácil colocar a base
correta quando se começa uma nova igreja, do que tentar endireitá-la depois que
ela existe há anos.

Win Arn, um consultor para igrejas, certa vez me falou sobre uma pesquisa que
fez. Ele pesquisou membros de quase mil igrejas fazendo a pergunta: “Por que a
igreja existe?”. Quais foram os resultados? Noventa e oito por cento das pessoas
disseram: “O propósito da igreja é tomar conta de minha família e de minhas
necessidades”. Para muitos o papel do pastor é simplesmente manter alegres as
ovelhas que já estão dentro do “pasto” e não perdê-las. “O propósito da igreja é
ganhar o mundo para Jesus Cristo” foi a resposta de 11% dos crentes!

Os pastores das mesmas igrejas foram questionados sobre os propósitos da


existência da igreja. O incrível é que os resultados foram exatamente opostos.
Dos pastores pesquisados, 90% disseram que o propósito da igreja era o de
ganhar o mundo e de 10% disseram que era tomar conta das necessidades de
seus membros. Não é de se admirar que haja esse conflito e estagnação em
muitas igrejas nos dias de hoje. Se o pastor e a congregação não conseguem
concordar na razão de existência da igreja, confusão e discórdia são inevitáveis.

Igrejas fortes não são construídas sobre programas, personalidades ou artifícios,


e sim sobre os propósitos eternos de Deus.

17
Capítulo 4

OS ALICERCES PARA UMA IGREJA SADIA

Os alicerces determinam o tamanho e a durabilidade de um prédio. Você nunca


pode construir mais do que eles podem agüentar. O mesmo é verdade nas
igrejas. Uma igreja construída sobre uma fundação inadequada nunca alcançará
a altura que Deus deseja. Ela vai desmoronar quando ir além do que suporta a
sua base.

Se você quiser construir uma igreja sadia, forte e que cresça, precisa gastar
tempo alicerçando uma fundação sólida. É necessário esclarecer na mente de
todos os envolvidos exatamente o porquê da existência da igreja e o que ela deve
fazer. Existe um poder incrível em ter uma “declaração de propósito” claramente
definida. Se for curto o suficiente para que todos possam se lembrar, ela
produzirá cinco grandes benefícios para sua igreja.

O propósito claro cria moral

Moral e missão sempre andam juntas. O texto de 1 Coríntios 1:10 diz: “que digais
todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que seja unido ao
mesmo sentido e no mesmo parecer”. Note bem que Paulo diz que a chave para
a harmonia na igreja é estar unida em um só propósito. Se sua missão não for
clara, seu moral será baixo.

A Saddleback tem um alto moral e uma atmosfera de harmonia. Pessoas


trabalhando juntas para alcançar um propósito maior não têm tempo de ficar
discutindo assuntos triviais. Quando você está ajudando a remar o barco, não
possui tempo para balançá-lo! Conseguimos manter uma comunhão calorosa a
despeito do enorme crescimento que nossa igreja tem experimentado. Isto ocorre
porque nossos membros estão comprometidos num propósito comum.

Um propósito claro reduz a frustração

Uma “declaração de propósitos” reduz a frustração porque permite que


esqueçamos coisas que na realidade não têm importância. A Bíblia diz em Isaías
26:3 que Deus “... conservará em paz aquele cuja mente está firme em ti, porque
ele confia em ti”. O propósito claro não somente define o que fazemos, mas
também o que não fazemos. Estou certo de que você vai concordar que a igreja
não tem tempo para fazer tudo. As boas novas são que Deus não espera que
você faça tudo. Além disso, há apenas algumas coisas que realmente vale a pena
fazer! O segredo de ser eficiente é saber e fazer o que realmente deve ser feito, e
não se preocupar como que não pode ser feito.

Sem uma “declaração de propósitos” é fácil ficar frustrado, mesmo com todas as
distrações que nos rodeiam.
18
Um propósito claro permite concentração

Uma luz bem focada tem uma tremenda força. Já uma luz difundida não tem
muito efeito. Por exemplo, se você enfocar a luz do sol através de lentes de
aumento, pode colocar fogo numa folha. Isto não será possível se a luz do sol
estiver fora de foco. Quando a luz é concentrada em níveis mais altos, como é o
caso do raio laser, ela pode até cortar placas de aço.

O princípio da concentração também funciona em outras áreas. Vidas e igrejas


enfocadas terão maior impacto do que as que estão fora de foco. Assim como um
raio laser, quanto mais bem focalizada a igreja se torna, mais impacto ela terá na
sociedade.

Em minha opinião, a maioria das igrejas tenta fazer muitas coisas ao mesmo
tempo. Isto é uma das barreiras que são ignoradas ao se construir uma igreja
sadia. Simplesmente cansamos o povo. Muitas vezes, igrejas pequenas se
envolvem em todos os tipos de atividades, eventos e programas, em vez de se
concentrar, como Paulo fez. Atiram em todas as direções, mas nunca acertam o
verdadeiro alvo.

Havíamos determinado que não iniciaríamos um novo ministério sem primeiro


termos alguém para liderá-lo. Se não tivéssemos um líder, esperaríamos até o
tempo de Deus, antes de começar esse ministério.

Um propósito claro atrai cooperação

As pessoas querem se unir a uma igreja que sabe para onde está indo. Quando
uma igreja deixa clara o seu destino, as pessoas ficam ansiosas para entrar a
bordo. Isto ocorre porque todos nós procuramos algo que nos preencha de
significado, propósito e direção. Quando Esdras disse ao povo o que Deus
esperava deles, o povo respondeu: “Levanta-te; a ti pertence este negócio. Nós
seremos contigo, portanto sê forte, e age” (Ed 10:4).

Se permitir que as pessoas se tornem membros de sua igreja sem entender o seu
propósito, você está procurando sarna para se coçar. Novos membros,
especialmente aqueles vindos de outras comunidades, geralmente têm interesses
pessoais e pressuposições sobre a igreja. Se você não souber lidar com eles de
uma forma clara e honesta, mais cedo ou mais tarde terá problemas e conflitos.

Também aprendi duas lições importantes sobre liderança: primeiro você não pode
deixar que pessoas negativas dirijam os departamentos da igreja. Aquela
experiência também me ensinou que a melhor hora para descobrir se alguém tem
um conflito com sua filosofia de ministério é antes de se juntar ao grupo. Explicar
o propósito da sua igreja para as pessoas antes que elas se unam a ela, não só
19
reduzirá conflitos e decepções, como também as ajudará a reconhecer que
devem se unir a uma igreja de acordo com sua filosofia a gosto pessoal.
Um propósito claro ajuda na avaliação

Paulo escreveu aos coríntios: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na


fé; provai-vos a vós mesmos” (2 Co 13:5). Como uma igreja se auto-avalia? Isso
é possível não somente por meio da comparação com outras igrejas, mas ela
deve se questionar: Estamos fazendo aquilo que Deus deseja que façamos?
Como é que estamos indo? Como Peter Drucker disse: “Qual é o nosso
negócio?”. Estas são as duas perguntas mais importantes na avaliação de sua
igreja. A “declaração de propósito” deve ser o padrão por meio do qual você mede
a saúde e o crescimento de sua comunidade.

Este processo leva algum tempo. Não acontece de uma hora para outra, nem
mesmo em algumas meses. Pode levar anos para que a transição seja feita. Se
você quer que sua igreja se torne uma igreja com propósitos, terá que liderá-la
por quatro fases críticas: primeiro você deve definir os propósitos. Segundo deve
comunicar constantemente estes propósitos para todos os membros da igreja.
Terceiro, precisa organizar sua igreja em função dos propósitos. Finalmente, deve
aplicar os propósitos em todos os aspectos de sua igreja.

Capítulo 5

DEFININDO SEUS PROPÓSITOS

A igreja era teologicamente sólida, mas não havia na da de relevância espiritual


acontecendo ali. Todos os prédios já haviam sido pagos e os líderes da igreja
haviam se tornados preguiçosos e litúrgicos. Eles estavam, como o profeta Amós
diria, relaxado em Sião”, e a doença do “relaxamento” deles estava lentamente
matando a igreja. Uma vez que haviam me contratado para ser seu médico, dei-
lhes a receita: resgatem o seu propósito.

Liderando a definição dos propósitos

Liderar a congregação por meio da descoberta dos propósitos do Novo


Testamento para a igreja é uma aventura emocionante. Não se apresse neste
processo. Tome o cuidado de não estragar a alegria da descoberta, simplesmente
dizendo em uma mensagem quais são os propósitos. Líderes sábios entendem
que o povo compreende mental e verbalmente as mensagens que lhe são
transmitidas, mas se eles mesmo chegarem a determinadas deduções, estas se
tornarão convicções. Você está construindo um alicerce para crescimento e
saúde longo prazo.

Emocionante ver membros apáticos se tornarem entusiastas quando


redescobrem como Deus deseja usá-los em suas igrejas. A seguir, explico os

20
quatro passos que devem ser dados ao liderar sua igreja na definição e
redefinição dos propósitos.

Atente ao que a Bíblia diz

Comece envolvendo a congregação num estudo de passagens sobre a igreja.


Antes de iniciar nossa comunidade, levei seis meses para fazer um estudo
intenso e pessoal sobre a Igreja.

Algumas das passagens que você pode incluir em seu estudo são:

Mateus 5:13-16; 9:35; 11:28-30; 16:15-19; 18:19, 20; 22:36-40; 24:14; 25:34-40; 28:18-20;
Marcos 10:43-45;
Lucas 4:18, 19; 4:43: 45;
João 4:23; 10:14: 18; 13:34, 35; 20:21;
Atos 1:8; 2:41-47; 4:32: 35; 5:42; 6:1-7;
Romanos 12:1-8; 15:1-7;
1 Coríntios 12:12: 31;
2 Coríntios 5:17; 6:1;
Gálatas 5:13-15; 6:1, 2;
Éfesios 1:22, 23; 2:19-22; 3:6; 3:14-21, 4:11-16; 5:23, 24;
Colossenses 1:24-28; 3:15, 16;
1 Tessalonicenses 1:3; 5:11;
Hebreus 10:24, 25; 13:7; 17;
1 Pedro 2:9, 10;
1 João 1:5-7; 4:7-21.

 Observe o ministério de Cristo aqui na Terra. O que Jesus fez durante o


período em que esteve aqui? O que quer que seja que Ele tenha feito,
devemos continuar. Os elementos diferenciados do ministério de Jesus devem
estar evidentes hoje em sua igreja. Ele quer que continuemos, por meio de seu
corpo espiritual, que é a igreja, a boa obra que realizou através de seu corpo
físico.
 Atente às imagens que há nos nomes de igreja. O Novo Testamento oferece
várias analogias: um corpo, uma noiva, uma família, um rebanho, uma
comunidade e um exército. Cada uma dessas imagens tem implicações
profundas sobre o que a igreja deve ser e sobre o que deve estar fazendo.
 Note os exemplos da igreja do Novo Testamento. O que as primeiras igrejas
fizeram? Existem vários modelos dados nas Escrituras. A igreja em Jerusalém
era bem diferente da igreja em Corinto, assim como a da Filipos tinha
características diversas da igreja de Tessalônica. Estude cada uma das
comunidades encontradas no Novo Testamento, incluindo as sete igrejas do
livro de Apocalipse.
 Examine os mandamentos de Cristo. O que Jesus nos mandou fazer? Em
Mateus 16:18, Ele disse: “Eu edificarei a minha igreja”. Certamente havia um
21
propósito específico na mente do Senhor. Não é nossa missão criar os
propósitos da igreja, mas, sim, descobrir quais são eles.

Lembre-se que a igreja é de Cristo, e não nossa. Ele fundou a igreja, morreu por
ela, enviou o seu Espírito Santo e um dia virá para buscá-la. Como proprietário da
igreja, Ele já estabeleceu os seus propósitos.
Também é nossa missão entender os propósitos de Cristo para a igreja e
implementá-los. Ainda que os programas mudem cada geração, os propósitos
não podem ser alterados. Podemos ser inovadores do estilo de ministério, mas
nunca podemos alterar sua essência.

BUSQUE RESPOSTAS PARA QUATRO PERGUNTAS

Enquanto você revê o que a Bíblia fala sobre a igreja, tente achar as respostas
para as perguntas seguintes. Ao formular as respostas, concentre-se na natureza
e na missão da igreja.
1. Por que a igreja existe?
2. O que devemos ser como igreja (Quem e o que somos?).
3. Qual é a nossa missão como igreja? (O que Deus quer que façamos no
mundo?).
4. Como vamos fazer isto?

RESUMA SUAS CONCLUSÕES NUMA FRASE

Retiramos da lista de impressões de nossos estudos bíblicos uma sentença que


resume o que acreditamos ser os propósitos bíblicos da igreja. Isto é o que você
também deve fazer. Faça um resumo do que descobriu sobre a igreja, agrupando
conceitos similares em temas principais como: evangelismo, adoração,
comunhão, maturidade espiritual e ministério. Depois, tente descrever todos
esses temas em um só parágrafo. Após fazer isso, edite-o, retirando palavras e
expressões desnecessárias, reduzindo o parágrafo a uma só frase.

O escritor francês Francis Bacon sempre dizia: “Ler faz com que o homem se
expanda, mas escrever faz com que seja exato”. Quando queremos comunicar os
propósitos da igreja, devemos ser os mais precisos possíveis.

O QUE FAZ EFICIENTE UMA DECLARAÇÃO DE PROPÓSITOS?

É bíblica
Uma declaração de propósitos eficiente expressa a doutrina da igreja do Novo
Testamento. Lembro mais uma vez que não decidimos quais são os propósitos da
igreja, somente os descobrimos. Cristo e o cabeça da igreja. Ele estabeleceu os
propósitos dela há muito tempo. Cabe agora a cada nova geração reafirmá-lo.

É específica

22
As declarações de propósitos devem ser simples e claras. O maior erro que a
igreja pode cometer quando desenvolve uma declaração de propósito é tentar
abordar nela todos os assuntos. A tentação é adicionar vários tipos de coisas
boas nas frases, porque existe o medo de se deixar alguma coisa importante fora.
No entanto, quanto mais coisas você adiciona em sua declaração, mais dispersa
e difícil de ser cumprida ela se torna.

Nada se torna dinâmico até que se torne específico.

Uma declaração de propósito específica o força a concentrar sua energia, não


permitindo que você seja desviado por assuntos periféricos. Questione-se: “O que
somente nossa igreja pode fazer?”.

É transferível
A declaração de propósito transferível é pequena o suficiente para ser lembrada e
passada para cada pessoa na igreja. Quanto mais curta ela for, melhor.

É mensurável
Você deve ser capaz de olhar para sua declaração de propósito e avaliar se sua
comunidade vai realizá-la ou não. Você é capaz de verificar se está sendo
cumprida no final de cada ano? A eficiência de sua igreja não pode ser medida,
se não puder avaliar sua missão.

Uma grande declaração de propósito vai lhe dar um padrão específico que o fará
revisar e melhorar tudo o que sua igreja faz. Se você não pode avaliar a sua
igreja pela sua declaração de propósito, comece tudo de novo a partir do zero.
Faça com que a declaração seja mensurável. Se não for assim, não passa de
frases sem conteúdo.

DUAS GRANDES PASSAGENS

Finalmente, concluímos que, apesar de muitas passagens descreverem o que a


igreja deve ser e fazer, duas declarações de Jesus resumem tudo isso: o Grande
Mandamento (Mt 22:37-40) e a Grande Comissão (Mt 28:19, 20).

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo
o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo
semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois
mandamentos depende toda a lei e os profetas”.

“Portanto, ide e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai


e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu
vos tenho mandado. E certamente estou convosco todos os dias, até à
consumação do século”.

23
Um compromisso com o Grande Mandamento e com a Grande Comissão
fará surgir uma grande igreja.

Acredito que cada igreja é definida pelo que se compromete a fazer e, pensando
nisto, criei esta frase: “Um compromisso com o Grande Mandamento e com a
Grande Comissão fará surgir uma grande igreja”. Esta frase tornou-se o lema de
nossa comunidade.

Estas duas passagens resumem tudo o que fazemos em nosso trabalho. Se uma
atividade ou evento cumpre um desses mandamentos, realizamos. Se ele não
cumpre, não executamos. Somos dirigidos pelo Grande Mandamento e pela
Grande Comissão. Juntos, eles nos dão os compromissos nos quais as igrejas
devem se concentrar até que Jesus Cristo retorne.
OS CINCO PROPÓSITOS DA IGREJA

1° Propósito – Amar a Deus com todo o coração

A palavra que descreve este propósito é adoração. A igreja existe para adorar a
Deus. Não importa se estivermos sós, com um grupo pequeno, ou com cem mil
pessoas. Quando expressamos o nosso amor por Deus, o adoramos.

A Bíblia diz: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4:10).
Observe que a palavra adorar vem antes de servir. Adorar a Deus é o primeiro
propósito da igreja. Algumas vezes, nos ocupamos trabalhando par Deus e não
temos tempo para adorá-lo.

2° Propósito – Ame ao seu próximo como a si mesmo

A palavra que usamos para descrever este propósito é ministério. A igreja existe
para ministrar ao povo. Ministério é demonstrar o amor de Deus aos outros,
atendendo suas necessidades e curando suas feridas, em nome de Jesus. Cada
vez que você está tocando a vida de alguém com amor, está ministrando a essa
pessoa. A igreja deve ministrar para todos os tipos de necessidades: espiritual,
emociona, física e de relacionamentos. Jesus disse que até mesmo um copo de
água fresca bebido em seu nome seria considerado um ato que não passaria
sem recompensa. A igreja deve preparar os santos para a obra do ministério (Ef
4:12).

Infelizmente, muito pouco do que acontece em muitas igrejas é ministério


genuíno. Ao contrário, muito tempo é gasto com reuniões. A fidelidade é quase
sempre medida pela freqüência e não por atividades. Muitos membros da igreja
acabam indo às reuniões só para esquentar o banco.

3° Propósito – Ir e fazer discípulos

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Chamamos este propósito de evangelismo. A igreja existe para comunicar a
Palavra de Deus. Somos embaixadores de Cristo e nossa missão é evangelizar o
mundo. A palavra ir à Grande Comissão, no original grego, deve ser lida como
“enquanto você está indo”. É responsabilidade de cada crente compartilhar as
boas novas em qualquer lugar que vá. Devemos falar para todo o mundo que
Cristo veio, morreu na cruz, ressuscitou e nos prometeu que voltaria. Um dia,
cada um de nós prestará contas a Deus sobre o nosso posicionamento diante
desta responsabilidade.

A missão do evangelismo é tão importante que Jesus nos deu cinco Grandes
Comissões (Mt 28:19, 20; Mc 16:15; Lc 24:47-49; Jo 20:21; At 1:8). Jesus nos
ordena a ir e falar para o mundo a mensagem da salvação.

Evangelismo é mais do que responsabilidade é um grande privilégio. Somos


convidados a participar, trazendo pessoas para a família eterna de Deus. Não
conheço uma causa mais importante à qual alguém possa dedicar a vida. A você
foi dado ao evangelho da vida eterna para ser propagado. Existe notícia melhor
que essa?

Enquanto houver uma pessoa no mundo que não conheça a Cristo, a igreja tem o
mandamento de continuar crescendo. O crescimento não é algo opcional, é uma
ordem de Jesus.

4° Propósito – Batizar

No texto grego da Grande Comissão, há três verbos no gerúndio: indo, batizando


e ensinado. Cada um deles é uma parte do mandamento de “fazer discípulos”.
Indo, batizando e ensinando são elementos essenciais no processo de se fazer
discípulos. À primeira vista, você pode ficar curioso em saber o porquê de a
Grande Comissão atribuir a mesma importância ao simples ato do batismo,
evangelismo e edificação. Obviamente, Jesus não mencionou o batismo por
acidente. Por que ele é tão importante para merecer ser incluído na Grande
Comissão? Creio que é por simbolizar um dos propósito da igreja, a comunhão e
identificação com o corpo de Cristo.

Como crentes, somos chamados para participar e não apenas acreditar. Não
somos feitos para viver como cavaleiros solitários; ao contrário, somos feitos para
pertencer à família de Cristo e ser membros de seu corpo. Batismo não é
somente um símbolo de salvação, é um símbolo de comunhão. Não significa
somente uma vida em Jesus, é a visualização da integração de uma pessoa
dentro do corpo de Cristo. Ele diz ao mundo: “Essa pessoa, de agora em diante,
é um de nós!”. Quando novos crentes são batizados, nós damos boas-vindas a
eles na comunhão da família de Deus. Não estamos sós. Somos o apoio uns dos
outros. Gosto muito do texto de Efésios 2:19: “Assim já não sois estrangeiro, nem

25
forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus”. A igreja existe
para proporcionar comunhão aos crentes.

5° Propósito – Ensinar a obediência

A palavra que geralmente usamos quando nos referimos a este propósito é


discipulado. A igreja existe para edificar ou educar o povo de Deus. Discipulado é
um processo de ajuda ao povo para que ele se torne mais parecido com Cristo
em pensamento, sentimento e ação. Este processo começa quando uma pessoa
nasce de novo e continua pelo resto de sua vida. Paulo diz em Colossenses 1:28:
“A ele anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando a todo homem em
toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”.

Como igreja, não somos somente chamados para alcançar pessoas, mas
também para ensiná-las. Depois de alguém se decidir por Cristo, deve tornar-se
discípulo. É responsabilidade da igreja desenvolver a maturidade espiritual das
pessoas. Esta é à vontade de Deus para cada crente. Paulo escreve: “Tendo em
vista o aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do ministério, para a
edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguem à unidade da fé e do pleno
conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da
plenitude de Cristo” (Ef 4:12, 13).

Se você examinar o ministério de Jesus, perceberá a evidente inclusão destes


cinco elementos em sua obra (veja João 17). O apóstolo Paulo não somente
cumpriu estes propósitos em seu ministério, como também os explicou na carta
aos Efésios (Ef 4:1-16). O exemplo mais claro dos cinco propósitos é a primeira
igreja em Jerusalém, conforme o relato do texto em Atos 2:1-47. Eles ensinavam
uns aos outros, comungavam juntos, adoravam, ministravam e evangelizavam.
Hoje, nossos propósitos permanecem os mesmos: a igreja existe para edificar,
encorajar, exaltar, equipar e evangelizar. Embora cada igreja tenha diferenças em
como cumprir estas missões, não deve haver, porém, discórdia em relação ao
que somos chamados a fazer.

A DECLARAÇÃO DE PROPÓSITO DA SADDLEBACK

Em nossa igreja, usamos cinco palavras-chave para resumir os cinco propósitos


de Cristo para a igreja.
1. Glorificar: celebramos a presença de Deus na adoração
2. Missão: comunicamos a Palavra de Deus por meio do evangelismo
3. Membresia: integramos a família de Deus em nossa comunhão
4. Maturidade: educamos o povo de Deus por meio do discipulado
5. Ministério: demonstramos o amor de Deus por meio do serviço

Estas palavras-chave representando nossos cinco propósitos, forma incorporados


em nossa declaração.

26
Existem três elementos distintos que desejo que você observe em nossa
declaração. Inicialmente, ela é feita em termos de resultados, e não de
atividades. Cinco resultados mensuráveis estão descritos. Na maioria das igreja
que possuem uma declaração de propósito, normalmente são mencionadas
atividades (“Nós edificamos, evangelizamos, adoramos” etc). Isso faz com que se
torne difícil avaliar e quantificar os resultados que esperamos quando cumprimos
cada um de nossos propósitos. Para cada resultado podemos fazer perguntas
como: “Quantos em relação ao ano passado? Quantos foram trazidos para
Cristo? Quantos novos membros temos? Quantos demonstram maturidade
espiritual? Quais são os sinais de maturidade que estamos procurando? Quantos
foram equipados e mobilizados para o ministério? Quantos estão cumprindo a
missão de sua vida no mundo?”. Estas perguntas dão a medida de nosso
sucesso e nos forçam a avaliar se realmente estamos cumprindo o Grande
Mandamento e a Grande Comissão.

Em segundo lugar, quero que você perceba que nossa declaração é propícia para
encorajar a participação dos membros. As pessoas devem ser capazes de ver
como podem contribuir para que os alvos da igreja sejam alcançados. A missão
deve ser declarada de maneira que cada um possa não somente crer nela, mas
também participar. Se a declaração não permitir uma participação individual,
muito pouco será feito.

Por último, a coisa mais importante a ser observada é que colocamos os cinco
propósitos de forma seqüencial. Isto é de suma importância. Para se tornar uma
igreja com propósitos, os objetivos devem fazer parte de um processo.

Esta é uma forma deles ocorrerem continuamente. Cada declaração de propósito


necessita ser cumprida, ou você simplesmente terá uma declaração teológica que
soa bem, mas não produz nada.

Em vez de tentar fazer com que uma igreja cresça por meio de programas,
concentre-se no crescimento de pessoas mediante o uso de um processo. Este
conceito é o coração de uma igreja com propósitos. A consistência em um
propósito é a chave do processo.

Nosso processo de implementar os propósitos de Deus envolve quatro passos:


trazemos pessoas, as edificamos, treinamos e as enviamos. Nós as trazemos
como membros, as edificamos para a maturidade, as treinamos para o ministério
e as enviamos para a missão, glorificando a Deus neste processo. É isso! Este é
o nosso enfoque da Saddleback. Não fazemos nada, além disso.

Sua igreja deve definir tanto os propósitos como o processo para alcançá-los.
Fazer menos que isso é menosprezar a grande responsabilidade que nos foi
dada por Jesus Cristo.

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Toda grande igreja tem seus propósitos definidos e depois busca uma forma de
atingi-los, por meio de um processo ou um sistema.

Não é somente um mero alvo para mirar, é definir a razão da existência de sua
congregação. Uma declaração de propósito clara propiciará direção, vitalidade,
limites e a força motivadora para tudo o que você faz. Igrejas com propósitos
serão as mais bem equipadas para o ministério durante todas as mudanças que
enfrentaremos no século 21.

Capítulo 6

COMUNICANDO SEUS PROPÓSITOS

Durante a reconstrução do muro de Jerusalém, segundo o relato de Neemias,


quando chegaram à metade do projeto, todos ficaram desencorajados e queriam
parar. Como muitas igrejas, perderam o rumo do propósito e foram consumidos
pelo cansaço, frustração e medo. Neemias convocou o povo para voltar a
trabalhar por mio da reorganização do projeto e remodelação da visão. Ele os
lembrou da importância do trabalho e assegurou que Deus os ajudaria a cumprir
os propósitos (Ne 4:6-15). O muro foi completado em 52 dias.

Mesmo que o muro tenha sido completado nesse prazo, o povo ficou
desencorajado na metade da missão: persistiram trabalhando no projeto somente
26 dias! Neemias precisou renovar a visão deles. Desta história conseguimos
retirar o que chamo de “Princípio de Neemias”: visão é propósito devem ser
redeclarados a cada 26 dias, para manter a igreja na direção certa. Em outras
palavras, você deve comunicar os seus propósitos pelo menos uma vez por mês.
É de se admirar como seres humanos, e também igrejas, perdem a visão tão
rapidamente.

Uma vez definidos os propósitos de sua igreja, você deve continuamente


esclarecê-los e comunicá-los a todas as pessoas da congregação. Não é uma
missão para ser feita somente uma vez e esquecer dela. Esta é a maior
responsabilidade da liderança. Se você falhar em transmitir sua “declaração de
propósito” aos membros, seria melhor que nunca tivesse estabelecido uma.

SEMPRE COMUNIQUE A VISÃO E O PROPÓSITO

Escrituras

Ensine a verdade bíblica e a respeito da igreja. Já mencionei que o maior livro


sobre crescimento de igreja é a Bíblia. Ensine a doutrina da igreja com paixão e
freqüência. Mostre como cada parte da visão de sua comunidade é baseada na
Palavra, por meio de versículos que explicam e ilustram o seu raciocínio.

Símbolos
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Os grandes líderes sempre entenderam e utilizaram o tremendo poder dos
símbolos. As pessoas precisam de representações visuais para ajudá-las a
entender conceitos. Símbolos podem ser poderosas ferramentas de
comunicação, pois produzem grandes emoções.

Continentes foram conquistados sob o sinal da cruz do cristianismo, comunistas


usam a fosse e o martelo e os mulçumanos, a lua crescente. Em nossa
comunidade, usamos dois símbolos: cinco círculos concêntricos e uma figura de
uma campo de basebol, que serve para ilustrar nossos propósitos.

Slogans

Slogans, temas e frases são lembrados muito depois das mensagens terem sido
esquecidas. Muitas empresas têm slogans reconhecidos internacionalmente:
“Sempre Coca-Cola” e “American Express, não saia de casa sem ele”. A história
tem provado que um simples slogan pode motivar pessoas a fazer coisas que
normalmente não fariam, como, por exemplo, dar as suas vidas num campo de
batalha.

Desenvolvemos e usamos dezenas de slogans na Saddleback para reforçar


nossa visão: “Cada membro é um ministro”, “Salvamos e servimos”, “Avaliar para
a excelência”, “Ganhar o perdido a qualquer custo” e muitos outros. Sempre
reservo um tempo para criar novas formas de comunicar velhas idéias, de
maneira sucinta e inovadora.

Histórias

Jesus usava histórias simples para ajudar o povo a entender e se relacionar com
a sua visão. No evangelho de Mateus 13:34, está escrito: “Tudo isto disse Jesus
por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas”.

Use histórias para dramatizar os propósitos de sua igreja. Quando falo sobre a
importância do evangelismo, por exemplo, conto o testemunho dos membros da
Saddleback que, recentemente, compartilharam sua fé com amigos e os
trouxeram para Cristo. Ao expor a importância da comunhão, leio cartas de
pessoas para as quais a solidão foi aliviada por meio de seu envolvimento com a
família de nossa igreja. Quando o assunto é discipulado, posso usar um
testemunho de como o crescimento espiritual de um casal salvou seu casamento,
ou como alguém resolveu problemas pessoais por meio da aplicação de
princípios bíblicos.

Na Saddleback temos alguns casos “lendários” que conto a toda hora. Isso ilustra
poderosamente o poder de nosso trabalho. Um de meus favoritos é o que relata
quando cinco leigos chegaram antes de mim numa visita hospitalar. Ao chegar lá,
29
a enfermeira não queria me deixar ver o paciente porque “muitos pastores já o
haviam visto!”. Tenho me orgulhado daqueles membros de minha comunidade. As
pessoas tendem a fazer algo quando são recompensadas. Assim, fazer com que
as pessoas dedicadas sejam heróis em sua igreja faz com que se dediquem mais
a ela.

Objetivos

Sempre dê passos de ação práticos, claros e concretos, que expliquem como sua
igreja pretende alcançar os propósitos. Apresente um plano detalhado para a
implementação deles. Planeje programas, agende eventos, construa prédios e
contrate pessoal para alcançar cada propósito. Estes são os objetivos que
realmente têm importância para o povo.

Lembre-se de que nada se torna dinâmico antes de se tornar objetivo. A forma


mais específica para comunicar os propósitos é aplicá-los pessoalmente à vida
de cada membro.

PERSONALIZE OS PROPÓSITOS

Ao comunicar os propósitos de sua igreja, é importante que você os personalize.


A maneira de se personalizar os propósitos é mostrar que existe tanto privilégio
como responsabilidade ligado a cada um deles. Existem responsabilidades e
privilégios em ser membro da família da igreja. Tento fazer isso enfatizando que
eles são nossa responsabilidade a cumprir e nosso privilégio a desfrutar.

Os propósitos da igreja podem ser personalizados como os cinco alvos de Deus


para cada crente. Estes alvos expressam o que Deus quer que cada um de nós
faça aqui na terra.

MINHAS RESPONSABILIDADES COMO CRENTE

 Deus quer que eu seja um membro de sua família este é o propósito de


comunhão colocado de uma forma pessoal. A Bíblia é bem clara ao dizer que
seguir a Jesus não é somente uma questão de crer. Seguir a Cristo também
inclui pertencer. Vida crista não é um ato isolado. Somos feitos para viver em
relacionamento uns com os outros. Deus nos deu a igreja como uma família
espiritual para o nosso próprio benefício.

 Deus quer que eu seja um modelo de seu caráter. Esta é a meta personalizada
para o discipulado. Deus deseja que todo crente cresça para se tornar
semelhante a Cristo. A definição bíblica para maturidade espiritual é “tornar-se
semelhante a Cristo”. Jesus estabeleceu um padrão para seguirmos. “Para isto
fostes chamados, porque também Cristo padeceu por vós, deixando-vos o
exemplo, para que sigais as suas pisadas (1 Pe 2:21)”.

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Em Timóteo 4:12, Paulo nos apresenta áreas específicas nas quais devemos
nos modelar ao caráter de Cristo: “Ninguém despreze a tua mocidade, mas sê
exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”.
Note que a maturidade não é medida pelo conhecimento que alguém possua,
mas, sim, pelo estilo de vida que apresenta. É possível ser um grande
conhecedor da Bíblia, mas ainda ser imaturo.

 Deus quer que eu seja um ministro de sua graça. A terceira responsabilidade


de cada crente é personalizar o propósito do serviço ou ministério. Deus
espera que usemos dons, talentos e oportunidades que Ele nos dá para
beneficiar a outros. Pedro escreveu em sua carta: “Servi uns aos outros
conforme o Dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da
multiforme graça de Deus” (1 Pe 4:10).

 Deus deseja que cada crente tenha um ministério. Em nossa comunidade,


somos bem francos em relação às nossas expectativas quando falamos de
Jesus para não-crentes. Não “enrolamos” ninguém. Dizemos ao não-crente
que “ao entregar sua vida para Cristo, você está se comprometendo a
ministrar o nome de Jesus para o resto da vida. Esta é a missão que Deus tem
para você”. “Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas
obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10).

 Deus quer que eu seja um mensageiro de seu amor. Este é o propósito da


igreja em relação ao evangelismo, colocado de uma forma pessoal. Uma vez
nascidos de novo, nos tornamos mensageiros das boas novas para outras
pessoas. Paulo diz: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto
que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor
Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20:24). Esta
é uma responsabilidade importante de cada crente. Em 2 Coríntios 5:19, ele
escreveu: Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não
imputando aos homens os seus pecados, e nos confiou a palavra de
reconciliação “. Devemos pregar aos não-crentes que recebam o amor de
Deus e que se reconciliem com Ele”.

Você já quis saber por que Deus nos deixa viver aqui na Terra com toda essa
dor, tristeza e pecado, após aceitarmos a Cristo? Por que Ele não nos
arrebata logo para o céu e nos poupa de todas essas coisas? Afinal de contas,
podemos adorar, comungar, orar, cantar, ouvir a Palavra de Deus e até nos
divertir lá no céu. Existem somente duas coisas que fazemos aqui na Terra e
não podemos praticar no céu: pecar e falar de Jesus aos não-crentes.
Pergunto aos membros da nossa igreja qual dessas duas coisas acham que
Cristo nos deixou aqui para fazer. Cada um de nós tem uma missão na Terra e
parte dela inclui falar de Jesus para os outros.

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 Deus quer que exaltemos o seu nome. O Salmo 99:9 diz: “Exaltai ao Senhor
nosso Deus, e adorai-o no seu santo monte, pois o Senhor nosso Deus é
santo”. Cada um de nós tem uma responsabilidade pessoal de adorar a Deus.
O primeiro mandamento diz: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex
20:3). Existe um desejo de adoração que nasce com cada pessoa. Se não
adorarmos a Deus, acharemos outra coisa para adorar. Pode ser o trabalho, a
família, o dinheiro os esportes ou até a nós mesmos!

Meus privilégios como cristão

Enquanto o cumprimento dos cinco propósitos da igreja é uma responsabilidade


de cada crente, eles também nos concedem benefícios espirituais, emocionais e
de relacionamento. A igreja dá às pessoas coisas que elas não podem achar em
nenhum lugar do mundo. A adoração ajuda as pessoas a se concentrar em Deus;
a comunhão as ajuda a enfrentar os problemas da vida; o discipulado ajuda a
fortificar a fé; o ministério ajuda a descobrir talentos e o evangelismo ajuda a
cumprir a missão.

DECLARE REPETIDAS VEZES

Não pense que apenas um sermão sobre os propósitos da igreja mudará


permanentemente a direção de sua comunidade. Não suponha que imprimindo
os propósitos no boletim fará com que as pessoas os conheçam ou mesmo os
leiam! Uma lei bastante conhecida pé que uma mensagem deve ser comunicada
sete vezes para que seja realmente absorvida.

Utilizamos todos os canais imagináveis para manter os propósitos na mente dos


nosso membros. Já mencionamos que nosso propósitos e visão são
comunicados mensalmente em cada classe de membresia. Uma vez por ano,
normalmente em janeiro, também prego uma mensagem sobre “O estado da
igreja”. É sempre uma revisão de nossos cinco propósitos. É a mesma
mensagem todas às vezes, apenas as ilustrações são atualizadas.

Muitos pastores não compreendem o poder do púlpito. Ele é como o leme num
barco, determinando qual a direção de uma igreja, de forma intencional ou não.
Se você é pastor, use o púlpito com um propósito! Onde é que você consegue,
semanalmente, a atenção de todos sem distrações? Onde quer que você pregue,
busque sempre uma oportunidade de dizer algo como “é por isso que a igreja
existe”. Não tenha medo de ser repetitivo, porque ninguém absorve a mensagem
na primeira vez. Eu repito as coisas constantemente, mas tento fazê-lo de
maneiras inovadoras. Chamo esse processo de “redundância criativa”.

Além de comunicar os nossos propósitos por meio da pregação do ensino,


usamos panfletos, bandeirinhas, artigos, cartas, boletins, vídeos, cassetes e até
mesmo compomos música. Na entrada do nosso Centro de Adoração, temos

32
nossos propósitos e versículos correspondentes gravados no vidro da frente, para
que todos possam ler quando entrarem.

Nosso objetivo é que cada membro possa explicar os propósitos para outras
pessoas. A visão de qualquer igreja acaba se desgastando com o tempo, a não
ser que seja reforçada. Isso acontece porque as pessoas tornam-se distraídas
com outras coisas. Declare os seus propósitos regularmente. Ensine-os repetidas
vezes. Utilize o máximo meios diferentes para comunicá-los ao povo. Se você
continuar abanando o fogo dos propósitos, poderá superar a tendência da sua
igreja de se tornar apática e desencorajada. Lembre-se do “Princípio de
Neemias”.

Capítulo 7

Aplicando seus propósitos

A adoração pode ser um testemunho

Agora chegamos à parte mais difícil no caminho de tornar-se uma igreja com
propósitos. Muitas congregações fizeram aquilo que tenho falado nos capítulos
anteriores. Definiram seus propósitos, comunicando-os regularmente aos
membros e desenvolveram uma declaração de propósitos. Algumas até
reorganizaram as estruturas ao redor de seus objetivos. Porém, uma igreja com
propósitos deve ir um passo além e rigorosamente aplica-los em cada parte da
igreja: programação, agenda, orçamento, pessoal, pregação e assim por diante.

Integrar seus propósitos com cada área e aspectos da vida de sua igreja é a fase
mais difícil. Saltar de uma declaração de propósito para ações dirigidas por
propósitos requer uma liderança que seja totalmente comprometida com este
processo. A aplicação de seus propósitos demandará meses e talvez anos, de
oração, planejamento, preparo e experimentação. Vá devagar. Concentre-se no
progresso, não na perfeição. O resultado final em sua igreja será bem diferente
do resultado de minha comunidade, ou de qualquer outra igreja com propósito.

Dez maneira de se tornar dirigido por propósitos

1. Conquiste novos membros com propósitos


Use os círculos de compromisso como estratégia para aproveitar as pessoas
dentro da vida de sua igreja. Comece por mover os “sem-igreja” da comunidade
para a multidão (para a adoração). Então, mova-os da multidão para a
congregação (para a comunhão). Da congregação, eles devem seguir para os
grupos dos comprometidos (para o discipulado), e daí para o núcleo (para o
ministério). Finalmente, mova o ministério de volta para a comunidade (para
evangelizar). Este processo cumpre todos os cinco propósitos da igreja.

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O que acontece com a maioria das igrejas pequenas é que são somente núcleo e
nada mais. As mesmas cinqüenta pessoas participam de tudo o que a igreja faz.
São crentes há tanto tempo que têm poucos, ou mesmo nenhum amigo não-
crente para testemunhar. Uma igreja com esse problema necessita aprender
como desenvolver os outros quatro círculos.

Hoje, com milhares de membros convidando amigos para nossa igreja, a


propaganda é desnecessária.

Mesmo que tenhamos ministros leigos em nossa igreja desde o princípio,


começamos a organiza-los melhor em um núcleo que podia ser facilmente
distinguido. Designei funcionários para me ajudar a liderar reuniões regulares de
treinamento e na supervisão dos líderes de nosso ministério de leigos.
Veja a progressão natural. Você constrói um ministério multidimensional,
conquistando novos membros de uma forma útil, concentrando-se num nível de
compromisso de cada vez. Não se sinta como se tivesse de fazer tudo
simultaneamente. Nem mesmo Jesus fez assim! Construa de fora para dentro. E,
uma vez que tenha todos os cinco grupos, você já está no caminho certo. Depois,
é só continuar dando importância igual a cada um deles.

Sempre vi a edificação de minha igreja como uma tarefa para toda a vida. Leva
tempo conquistar comprometimento, desenvolver qualidade e mover as pessoas
por meio do círculo de compromisso. Posso dizer para você como construir uma
igreja balanceada e sadia, mas não posso falar como fazer isso rapidamente.

Igrejas sólidas e estáveis não são construídas em um dia.

2. Programas ao redor de seus propósitos

Quando você escolhe ou desenvolve um programa para cumprir cada um dos


propósitos, lembre-se de que cada círculo de compromisso também corresponde
a um propósito da igreja. Se você usar os cinco como uma estratégia para suas
programações, vai identificar seus alvos (comunidade, multidão, congregação,
comprometidos e núcleo) e seu objetivo para cada um (evangelismo, adoração,
comunhão, discipulado e ministério).

Sempre deixe bem claro para a sua igreja o propósito de cada programa. Elimine
qualquer que não cumpra um propósito. Mude-o quando você achar outro que
desenvolva melhor seus objetivos. Programas devem sempre ser servos de seus
propósitos. Um culto na véspera de Natal para toda a comunidade; um culto de
Páscoa. Alguns de nosso eventos-pontes são essencialmente evangelísticos,
enquanto outros são considerados “pré-evangelísticos” e simplesmente fazem
com que os “sem-igreja” de nossa comunidade conheçam nossas atividades.

Culto para não-crentes. O maior programa para a multidão é o nosso culto de fim
de semana para os “sem-igreja”. Ele é planejado e desenvolvido para que os
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nossos membros possam trazer seus amigos não-salvos. O propósito desse culto
é ajudar, e não substituir, o evangelismo pessoal. Pesquisas têm demonstrado
que as pessoas se decidem por Cristo mais cedo quando existe um grupo de
apoio.

O programa principal para a congregação é a nossa rede de grupos pequenos.


Comunhão, cuidado pessoal e amizades são os benefícios que trazem. Dizemos
às pessoas: “Você não vai se sentir realmente parte da família desta igreja até
que se junte a um grupo pequeno”.

Instituto der Desenvolvimento de Vida. O programa principal para os


comprometidos é o nosso Instituto de Desenvolvimento de Vida. Esse instituto
oferece uma ampla variedade de oportunidade para crescimento espiritual:
estudos bíblicos, seminários, palestras, oportunidades de acompanhamento e
programas de estudos independentes. No final do curso os participantes recebem
um diploma. Nosso culto de meio de semana é uma parte vital do Instituto de
Desenvolvimento de Vida.

TLAIS. O programa principal para o núcleo é a nossa reunião mensal do TLAIS,


que significa: Treinamento de Liderança Avançada da Igreja de Saddleback.

A coisa mais importante em relação à programação da igreja é que não existe um


só programa, por mais eficiente que tenha sido no passado, que possa
adequadamente cumprir todos os propósitos. Da mesma forma, nenhum
programa por si só pode atender todo o povo que compõe cada um dos círculos.
É necessário uma variedade para atingir os cinco níveis de compromisso e
cumprir todos os objetivos.

3. Eduque seu povo com um propósito

O programa educacional cristão da nossa comunidade é dirigido por propósitos.


Nossa meta é ajudar as pessoas a desenvolver um estilo de vida que inclua
evangelismo, adoração, comunhão, discipulado e ministério. Queremos produzir
cumpridores da Palavra, não somente ouvintes. Desejamos transformar, não
apenas informar. Um de nossos slogans é: “Você só crê na parte da Bíblia que
pratica”.

Transformação não acontece por acaso. Temos de estabelecer um processo de


formar discípulos ou um sistema educacional que encoraje o povo agir em
relação ao que lhes foi ensinado e recompensá-los quando age assim.
Chamamos isso de “processo de desenvolvimento de vida”.

Usamos este diagrama simples de um campo de beisebol na forma de diamante


para visualizar e explicar o processo de educação e assimilação para os nossos

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membros. Cada retângulo representa uma classe completa e um nível mais
profundo de compromisso.

Queremos que eles completem as dezesseis horas de treinamento básico e se


comprometam a cumprir os pactos explicados em cada base. Existe um pacto
feito por escrito em cada uma que esperamos que as pessoas assinem e se
comprometam, antes de seguir em frente. Nenhum membro pode prosseguir para
a próxima etapa até que esteja comprometido com os requerimentos de cada
pacto.

O maior alvo da Saddleback é fazer com que os freqüentadores se tornem


soldados. Você não julga a força de um exército pela quantidade de soldados que
se sentam e comem no refeitório, mas, sim, como agem na linha de frente. Da
mesma maneira, a força da igreja não pode ser vista pelo número de pessoas
que freqüentam os cultos (a multidão), mas, sim, por quantas servem no núcleo.

Entendo que a igreja deve ser uma estação de envio de missionários. Contudo,
somente quando movemos os membros completamente ao redor das bases para
chegar no home-plate podemos cumprir a Grande Comissão.

4. Comece grupos pequenos com um propósito

Não espere que cada grupo pequeno faça as mesmas coisas. Permita que se
especializem.

Grupos de não-crentes. Nossos grupos de não-crentes são formados


exclusivamente para evangelismo. Eles proporcionam um ambiente de dar água
na boca para as pessoas, que podem fazer perguntas, expressar suas dúvidas e
investigar a doutrina cristã.

Grupos de apoio. Temos grupos de apoio com o propósito de cuidar da


congregação, comungar e adorar. Muitos deles são especializados em dar apoio
e companheirismo durante um estágio específico da vida, como por exemplo:
pais que acabaram de ter seus primeiro filhos, estudantes universitários ou pais
solteiros. Outros lidam com a cura de feridas daqueles que perderam o
companheiro por morte ou divórcio. Temo vários grupos de recuperação.

Grupos de serviço. Estes grupos são formados ao redor de ministérios


específicos, como: nosso orfanato no México, ministério nas prisões ou ministério
de recuperação de divórcios. Grupos como esses naturalmente propiciam
companheirismo por meio de uma tarefa, projeto ou ministério em comum.

Grupos de crescimento. São dedicados a nutrir, treinar discípulos e estudar


profundamente a Bíblia. Oferecemos cerca de cinqüenta cursos e alguns desses
grupos fazem estudos mais aprofundados sobre a mensagem da semana
anterior.
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Não esperamos que cada grupo pequeno preencha todos os propósitos da igreja,
mas queremos que cada um deles seja organizado ao redor de, pelo menos, um
desses propósitos.

5. Contrate funcionários com um propósito

Cada pessoa que contratamos para trabalhar na equipe de nossa igreja recebe
uma descrição de trabalho baseada em propósitos. Durante a entrevista, usamos
questões padronizadas, a fim de descobrir a qual dos propósitos da igreja o
candidato se sente mais propenso, e então o posicionamos de acordo com o
resultado. Não buscamos somente caráter e competência quando entrevistamos
um candidato; buscamos amor por um dos propósitos. Pessoas que sentem amor
por alguma coisa vão fazer o seu trabalho com mais motivação.

Se estivesse começando uma nova igreja hoje, recrutaria cinco voluntários para
posições na minha equipe: um diretor de música para ajudar a preparar os cultos
de adoração para a multidão; um diretor de membresia para ensinar a classe nº 1
e supervisionar os membros da congregação; um diretor de maturidade para
ensinar a classe nº 2 e supervisionar os programas de estudos bíblicos para os
comprometidos; um diretor de ministério para ensinar a classe nº 3, entrevistar
pessoas para o posicionamento ministerial e gerenciar os ministérios dos leigos
do núcleo, e por último, um para ensinar a classe nº 4 e administrar nosso
programa de evangelismo e missões na comunidade. Daria a essas pessoas um
salário parcial e, depois, quando a igreja crescesse, um salário integral. Com este
plano você pode ser dirigido por propósitos, independentemente do tamanho de
sua igreja.

6. Estruture com um propósito

Em vez de organizar departamentos tradicionais, organize-se ao redor de equipes


baseadas em propósitos. Na Saddleback, cada ministro leigo e cada membro de
nosso grupo é designado para uma coisa ou mais das nossas equipes baseadas
em propósitos. Cada equipe é liderada por um pastor, que é auxiliado por um
coordenador de equipe. Ela é composta por uma combinação de ministros
remunerados e ministros leigos voluntários. Juntos, lideram programas,
ministérios e eventos que cumprem um propósito da igreja em particular, que foi
designado para aquele time.

Equipe de missões. A equipe de missões é designada com o propósito de


evangelismo. Seu alvo é a comunidade. Seu trabalho é planejar, promover e
supervisionar todos os eventos-pontes da igreja: grupos de não-crentes,
treinamento de evangelismo (incluindo a classe nº 4), programas e atividades
evangelísticas e projetos missionários. Ela deve organizar o que é necessário
para alcançarmos nossa comunidade e nosso mundo para Cristo.
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A igreja está no negócio de enviar pessoas. Nossa meta é que 25% dos nossos
membros estejam envolvidos em algum tipo de trabalho missionário a cada ano.

Equipe de exaltação. Essa equipe é designada para o propósito de adoração.


Sua meta é a multidão, e deve planejar nossos cultos de fim de semana para
não-crentes, músicas especiais, eventos e providenciar cânticos de adoração
para o restante da igreja.

Equipe de membresia. Seu propósito é a comunhão do rebanho. É responsável


por nossa classe mensal de candidatos a membresia (classe nº 1). Supervisiona
todos os grupos de apoio, casamentos, funerais, cuidado pastoral, visitação em
hospitais e obras de cunho social dentro da congregação. Opera também um
centro de aconselhamento e é responsável por todos os principais eventos de
comunhão na família de nossa igreja.

Equipe de maturidade. A equipe de maturidade é designada com o propósito de


discipular. Ela deve trabalhar com os comprometidos, visando leva-los a um
compromisso espiritual mais profundo, e ajudando-os a desenvolver sua
maturidade espiritual. Esta equipe opera a nossa classe mensal (classe nº 2) e é
responsável pelo Instituto de Desenvolvimento de Vida, o culto de adoração do
meio da semana, todos os estudos bíblicos, grupos de crescimento nos lares e
campanhas especiais de crescimento espiritual para toda a igreja. Produzem
também guias devocionais para a família, currículos de estudos bíblicos e outros
materiais auxiliares para ajudar os membros a crescer.
Equipe de ministério. Esta equipe é designada com o propósito do ministério. Sua
meta é o núcleo e deve trabalhar para tornar membros em ministros, fazendo
com que descubram o seu ministério. Esta equipe opera o Centro de
Desenvolvimento de Ministério e é responsável por todos os grupos de serviço,
pelas reuniões mensais da classe nº 3 e pelas reuniões do TLAIS. Eles também
auxiliam, treinam e supervisionam os ministros leigos de nossa igreja. O alvo
desta equipe é ajudar cada membro da igreja a encontrar uma atividade em que
possam expressar seus dons e habilidades.

7. Pregue com um propósito

Para produzir crentes equilibrados e sadios, você precisa planejar sua agenda de
mensagens de modo que inclua temas relacionados aos cinco propósitos da
igreja. Nossa série baseada em cada um dos propósitos da igreja levaria somente
26 semanas. Ainda sobraria mais de meio ano para pregar sobre outros assuntos.

Planejar sua pregação ao redor dos propósitos da igreja não significa que você
deva sempre pregar sobre a igreja. Personalize seus propósitos! Pregue sermões
com o tema dos cincos propósitos de Deus para cada crente. Por exemplo, aqui
estão alguns títulos de séries que preguei, nas quais apliquei os propósitos de
maneira personalizada: “Você está em forma para viver?”, uma série para
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mobilizar as pessoas para o ministério; “Os seis estágios da fé”, sobre as
circunstâncias que deus usa para amadurecer os crentes; “Aprendendo a ouvir a
voz de Deus”, sobre adoração; “Respondendo as perguntas mais difíceis da
vida”, baseada em Eclesiastes, para preparar as pessoas para evangelizar;
“Construindo grandes relacionamentos”, sobre I Coríntios 13, desenvolvida para
aprofundar os relacionamentos em nossa igreja. Quando você usa os cinco
propósitos como um guia para planejar sua agenda de mensagens, está
pregando com um propósito.

8. Faça um orçamento com um propósito

Categorizamos cada item do orçamento de nossa comunidade pelo propósito da


igreja que ele dá suporte ao qual está relacionado. A forma mais rápida para se
descobrir às prioridades de uma igreja é olhar para o seu orçamento e o seu
calendário. A forma como gastamos nosso tempo e o nosso dinheiro mostra o
que é realmente importante para nós, não importando o que dizemos acreditar.
Se sua igreja diz que o evangelismo é uma prioridade, você deve ser capaz de
provar pela parte de seu orçamento destinada a esse item. De outra maneira,
você só está fazendo coisa “para inglês ver”.

9. Uma agenda com propósitos

Separe dois meses de cada ano para trabalhar melhor em cada propósito.
Depois, dê a cada equipe (composta por funcionários ou voluntários) a missão de
enfatiza-lo durante este período.

Por exemplo, janeiro e junho podem ser os meses da maturidade. Durante o mês
da maturidade espiritual, você pode ler o Novo Testamento para a congregação,
memorizar versículos a cada semana, ou ter conferência ou estudo bíblico com
toda a igreja.

Fevereiro e julho podem ser os meses do ministério. Durante esse tempo você
pode ter feiras ministeriais para recrutar pessoas para o ministério. O pastor pode
pregar uma série de mensagens sobre o serviço ministerial. As pessoas também
podem ser encorajadas a se juntar a um grupo de serviço.
Março e agosto podem ser os meses dedicados a missões, com atividades como:
treinamento pessoal para evangelismo, uma conferência missionária e um projeto
missionário para todos os membros da igreja.
Abril e setembro podem ser os meses da membresia. Esses meses seriam bons
especialmente para recrutar freqüentadores para tornarem-se membros. Você
poderia planejar uma série de eventos para comunhão de toda a igreja tais como:
piqueniques, concertos e festivais.
Maio e outubro poderiam ser meses da exaltação, período com ênfase na
adoração pessoal e da congregação.

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Separando esses meses do ano para cada um dos cinco propósitos, você ainda
terá dois meses livres. Neste caso, novembro e dezembro foram deixados de fora
para os preparativos do Natal.
Não se engane. Se voe não agendar os propósitos no calendário, eles não serão
enfatizados.

10. Avaliando seus propósitos

A fim de permanecer eficiente como igreja, num mundo de constantes mudanças,


é preciso estar continuamente avaliando o que se faz. Seus processos devem ser
construídos e revisados. Avalie para alcançar a excelência. Numa igreja com
propósitos, a eficiência deve ser medida pelo padrão dos propósitos.

Ter um propósito sem possuir nenhuma prática de avaliar os resultados seria


como se a NASA (agência espacial americana) planejasse mandar um foguete À
Lua sem um sistema de navegação. Provavelmente não haveria como corrigir o
curso e o alvo não seria alcançado. Em nossa igreja, desenvolvemos um sistema
de navegação que chamamos “Retrato da Saddlebak ”. Nossos pastores revisam-
no a cada mês. O retrato é um resumo d seis páginas de nosso processo de
desenvolvimento de círculos. Ele identifica quem está em cada uma das bases de
nosso processo de desenvolvimento de vida (campo de beisebol). Indica também
quantas pessoas estão naquele momento em cada um dos círculos de
compromisso e mede a saúde da igreja.
O retrato nos força a ter uma visão crítica e honesta de como a igreja está indo.
Fica fácil detectar falhas no sistema. Por exemplo, se o nosso público nos cultos
de adoração aumenta em 35% no ano, mas a membresia e freqüência nos
pequenos grupos cresce somente 20%, é sinal de que temos de consertar
alguma falha. Estatísticas como essa nos ajudam em nosso processo de
avaliação e determinam áreas que devemos enfatizar. Como mencionei no
capítulo anterior, devemos constantemente nos perguntas: Qual é e como vai
nosso negócio?

Crescendo mais forte

Na busca de aplicar os propósitos em cada área de sua igreja, você vai notar que
ela está ficando cada vez mais forte. Ao contrário de estar constantemente
buscando novos programas para manter as pessoas animadas e motivadas, você
poderá se concentrar apenas nos pontos essenciais. A aprendizagem se faz
pelos erros e pelos acertos. Se propósitos imutáveis guiam sua igreja, a cada ano
você poderá melhora-los. Quanto mais membros entenderem e se
comprometerem a cumprir os propósitos, mais forte sua igreja irá se tornar.

Capítulo 8

Quem é seu alvo?


40
Uma vez vi em um desenho do Snoopy algo que descreveria a estratégia
evangelística de muitas igrejas. Charlie Brown estava praticando arco e flecha em
seu quintal. Em vez de mirar, ele atirava as flechas no muro de madeira e
desenhava um alvo onde a flecha tinha atingido. Lucy foi até ele e disse: “Por que
você está fazendo isso?”. Ele respondeu, sem nenhuma vergonha: “Desta
maneira, nunca erro!”.

Infelizmente, a mesma lógica é usada por muitas congregações em seus esforços


de alcance evangelístico. Lançamos flechas de boas novas para a nossa
comunidade e, se por acaso atingir alguém, dizemos: “Este era o alvo que
tínhamos em mente!”. Existe pouco planejamento se estratégia por trás de
nossos esforços e não miramos num alvo específico. Somente desenhamos um
alvo ao redor da flecha e nos contentamos com isso. É um método patético.
Trazer pessoas para Cristo é uma missão muito importante para tratarmos de
maneira casual.

Muitas congregações são “ingênuas” quando o assunto é evangelismo. Se você


perguntar aos membros: “Qual é o alvo de sua igreja?”, a resposta provavelmente
será: “Estamos tentando alcançar o mundo para Jesus Cristo”. Claro que este é o
alvo da Grande Comissão e deve ser a meta de cada igreja, mas, na prática, não
existe nenhuma igreja que possa alcançar todo mundo sozinha.

Seres humanos são bem diferentes uns dos outros. Nenhuma igreja pode
alcançar a todos. Vários tipos de igreja são necessários. Juntos, podemos
conseguir o que nenhuma congregação, estratégia ou estilo, pode alcançar por si
só.

Sempre me recuso a debater sobre qual é o método de evangelismo mais


eficiente. Depende de quem você está tentando alcançar. Diferentes tipos de
iscas são usados para pescar diferentes tipos de peixes. Sou favor de qualquer
método que alcance pelo menos uma pessoa para Cristo, contanto que seja
ético. Acredito que será bastante vergonhoso quando os críticos de um método
em particular de evangelismo forem para o céu e descobrirem o tanto de gente
que está lá, graças àquele método combatido! Não devemos criticar o que Deus
está abençoando.

Para nossa igreja, o método mais efetivo para evangelismo depende de nosso
alvo. Descubra quais os tipos de pessoas que vivem em sua área, decida qual o
grupo que sua igreja está mais bem equipada para alcançar e, depois, descubra
qual dos estilos de evangelismo melhor se encaixa com seu público-alvo.

Imagine o que aconteceria com uma estação de rádio que tentasse atingir o gosto
musical de todas as pessoas. Uma igreja que alternasse sua programação entre

41
clássico, heavy metal, sertanejo, rap, reggae e samba acabaria desagradando a
todos. Ninguém iria querer sintonizar.

Rádios bem-sucedidas selecionam o público, pesquisam sua área de


transmissão, buscam saber quais os segmentos da população não alcançados
por outras estações e assim escolhem qual o formato que alcança o objetivo
traçado.

Definir o alvo evangelístico foi o segundo fator mais importante para o


crescimento da Saddleback. Depois de descobrir quem nossa igreja estava
melhor capacitada a alcançar para Cristo, intencionalmente fomos atrás dessas
pessoas. Quando planejamos uma missão evangelística, sempre temo um alvo
específico em mente. A Bíblia determina nossa mensagem, mas o nosso alvo é
determinado quando, onde e como comunicamos o evangelho.

Mirar para evangelizar é bíblico

A prática de focar tipos específicos de pessoas para serem evangelizadas é um


princípio bíblico tão antigo quanto a Novo Testamento. Jesus fazia isso. Quando a
mulher Cananéia pediu para que ele ministrasse à sua filha possuída pelo
demônio, ele publicamente declarou que o Pai lhe disse para se concentrar nas
“ovelhas perdidas de Israel” (Mt 15:22-28). Mesmo que Jesus tenha curado a filha
da mulher Cananéia por causa de sua fé, identificou claramente o seu ministério
como direcionado para os judeus. Estava Jesus sendo injusto ou preconceituoso?
Claro que não! Ele direcionava o seu ministério para que fosse efetivo, e não
exclusivo.

Antes disso, Ele havia instruído os discípulos para também focar onde deveriam
ministrar. O evangelho de Mateus 10: 5, 6, diz: “Jesus enviou estes doze. E lhes
ordenou: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidades de
samaritanos. Ide antes às ovelhas perdidas na casa de Israel”. Paulo mirava o
seu ministério para os gentios e Pedro para os judeus (Gl. 2:7). Ambos os
ministérios eram necessários, importantes e efetivos.
Até mesmo os evangelhos foram escritos para atingir públicos específicos. Você
já se perguntou por que Deus usou quatro escritores e quatros livros para
comunicar a vida de Cristo? Afinal, quase todas as passagens e ensinamentos no
evangelho de Marcos, são cobertas no evangelho de Mateus. Por que
precisamos dos dois livros? Por que o evangelho de Mateus é direcionado aos
leitores hebreus e o de Marcos aos gentios. A mensagem é a mesma, porém,
como foram escritas para públicos distintos, o estilo de comunicação é diferente.
Especificar seu alvo para evangelizar é um método inventado por Deus! Ele
espera que testemunhemos de maneira personalizada.

O conceito de alvos evangelísticos está implícito na Grande Comissão.


Precisamos fazer discípulos em “todas as nações”. A palavra grega é ta ethne, de
onde tiramos a palavra étnico, que se refere literalmente a “todos os grupos de
42
pessoas”. Cada um desses grupos é único e necessita de uma estratégia
evangelística que comunique o evangelho da forma que os alcance.
A prática do evangelismo com um foco definido é especialmente importante em
igrejas pequenas. Nelas, os recursos são limitados e é vital que você faça o
máximo com o que tem. Concentre seus recursos para alcançar pessoas que sua
igreja tenha mais facilidade em se comunicar.

Igrejas pequenas também devem tomar decisões difíceis em certos assuntos.


Como é impossível agradar a preferência musical de todas as pessoas em um só
culto e as igrejas não podem oferecer vários cultos, devem fazer uma opção.
Mudar estilos semanalmente vai produzir o mesmo efeito da estação de rádio
com programação mista. A maioria ficará insatisfeita.

Uma das vantagens de ser igreja grande é que se tem recursos para atingir
vários públicos. Quando nosso trabalho começou, nos concentramos em apenas
um público: jovens, “sem-igrejas” e casais de classe média. Nos concentramos
neles porque eram o maior grupo no bairro e eram as pessoas com as quais eu
me relacionava com maior facilidade. Quando nossa igreja cresceu, pudemos
adicionar ministérios para alcançar jovens, adultos, adultos solteiros, prisioneiros,
anciãos, pais com crianças excepcionais, latinos, vietnamitas e coreanos, bem
como muitos outros grupos.

Como definir seu alvo

Para que você mire sua comunidade a fim de evangeliza-la, você deve descobrir
tudo que puder sobre ela. A igreja necessita definir seu alvo nos aspectos
geográfico, demográfico, cultural e espiritual.

Em minhas aulas de hermenêutica e pregação no seminário, fui ensinado que a


mensagem do Novo Testamento precisava ser entendida dentro dos aspectos
geográficos e culturais do povo que viveu naquela época. Desta maneira, poderia
extrair a verdade eterna de Deus de um certo contexto. Este processo é chamado
de “exegese”. Todo pregador o usa.

Infelizmente, nenhuma das aulas ensinou-me que, antes de comunicar a verdade


eterna para o povo de hoje, preciso fazer uma “exegese” da minha própria
comunidade! Se quiser transmitir com fidelidade a Palavra de Deus, devo estar
atento à geografia, hábitos, cultura e história religiosa da minha comunidade,
tanto quanto conhecer os povos da Bíblia.

Defina o seu alvo

Em seu ministério, mirar um alvo geográfico simplesmente significa que você irá
identificar o lugar onde moram as pessoas que deseja alcançar. Pegue um mapa
de sua cidade e marque onde sua igreja está localizada. Estime o tempo gasto no
43
trajeto de sua igreja até uma determinada localização e demarque as fronteira de
sua área ministerial. Este é o seu “lago de pesca evangelística”. Tente se informar
junto às agências de censo populacional sobre o número aproximado de pessoas
que moram a uma distância que propicie fácil acesso até sua igreja.

Segundo; as pessoas escolhem uma igreja por causa de relacionamentos e


programas, e não por causa da localização. Só porque sua igreja é a mais
próxima, não significa que você pode, automaticamente, alcançá-los. Sua igreja
pode não cair no gosto deles. Existem pessoas que pegam um ônibus ou que
dirigem, passando por mais de quinze igrejas, para freqüentar a sua, se vier ao
encontro de suas necessidades.

Em terceiro lugar, quanto mais sua igreja cresce, maior território ela alcança.
Temos pessoas que dirigem mais de uma hora para freqüentar nossa igreja
porque oferecemos um programa ou um grupo de apoio que elas não podem
encontrar em nenhum lugar mais próximo. Como regra, as pessoas estão
dispostas s a se deslocar para mais longe para participar de uma igreja maior que
tenha um ministério diversificado do que se deslocar para uma igreja menor com
um ministério limitado.

Outra maneira de mapear sua área-alvo de ministério é desenhar um círculo ao


redor da igreja, representando cerca de 8 km. Depois, descubra quantas pessoas
moram naquele círculo. Esta é sua área inicial de ministério.

Uma vez definido o alvo geográfico, você saberá quantas pessoas estão em seu
lago de pesca. Isto é muito importante, uma vez que a população em sua área é
um fator crucial para determinar qual a estratégia a ser utilizada para trazê-la à
igreja.

Não é sábio ignorar o papel da população em relação ao quanto à igreja pode


crescer.

Defina seu algo geográfico

Você não precisa somente saber quantas pessoas vivem na sua área, deve
também saber que tipo de pessoa vive lá.

Há somente alguns dados demográficos importantes que você deve saber sobre
as pessoas que vivem em sua área. Considero que os fatores mias importantes
quando se mira para uma comunidade a ser evangelizada são os seguintes:

 Idade: quantos existem em cada faixa etária?


 Estado civil: quanto são solteiros? E casados?
 Renda: qual é a renda média de cada família/
 Ocupação: que tipo de profissão as pessoas exercem?

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Cada um desses fatores vai influenciar o modo de ministrar para as pessoas e
como comunicar as boas novas.

Jovens, por exemplo, têm diferentes esperanças e temores comparados a


aposentados. Uma apresentação do evangelho que enfatiza a segurança de se ir
para o Céu como um dos benefícios da salvação, provavelmente será ineficiente
para se ministrar aos jovens, que têm uma vida toda pela frente. Eles não estão
interessados na vida eterna. Estão preocupados somente em saber se existe um
significado para esta vida. Uma pesquisa nacional feita nos Estados Unidos
demonstrou que menos de 1% dos americanos estão interessados em responder
à pergunta: “Como vou para o céu?”.

Uma forma mais eficiente de testemunhar aos jovens seria mostrar para eles que
fomos feitos para Ter comunhão com Deus agora, por meio de Cristo. Por outro
lado, muitos anciãos têm um grande interesse em estar preparados para a
eternidade, porque sabem que o tempo deles aqui na Terra pode acabar a
qualquer momento.

Jovens casados possuem outros interesses, comparados aos dos outros jovens.
Os pobres enfrentam problemas diferentes dos que as pessoas de classe média.
Os ricos têm suas preocupações próprias. Os universitários tendem a ver o
mundo diferente, quando comparados com estudantes secundários. É importante
conhecer a perspectiva daqueles que você está buscando ganhar para Cristo.

Se você deseja que a sua igreja tenha impacto, torne-se um especialista em sua
comunidade. Pastores devem saber mais sobre ela do que qualquer outra
pessoa.

Defina seu alvo cultural

Compreender a demografia da sua comunidade é importante, mas compreender


a cultura da sua comunidade é imprescindível. Isto é uma coisa que você não vai
encontrar nas estatísticas do censo. Uso a palavra cultura para me referir ao
estilo de vida e a forma de pensar daqueles que vivem ao redor da sua igreja.
Isso se refere aos valores, interesses, ansiedades e temores do povo.

Não devemos concordar com determinados aspectos de nossa cultura, mas


precisamos entendê-la.

É provável que existam dentro da comunidade muitas subculturas ou subgrupos.


Para alcançar cada um desses grupos você precisa descobrir com pensam.
Quais são os interesses deles? Quais são os valores? Quais são os anseios?
Quais são os temores? Quais são os aspectos mais importantes na vida deles?

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Quais são as estações de rádio mais populares. Quanto mais você souber acerca
dessas pessoas, mais fácil será alcançá-las.
Um olho bem treinado é capaz de perceber distinções importantes entre as
pessoas que vivem na área de sua igreja.

A melhor maneira de se conhecer a cultura, pensamento e estilo de vida das


pessoas é conversar com cada uma pessoalmente. Nenhum livro ou pesquisa
demográfica pode substituir uma conversa pessoal. Você precisa passar tempo
com as pessoas, sentindo pulso da sua comunidade por meio de ma interação
individual. Creio que não existe substituto para isso.

Defina seu alvo espiritualmente

Depois de definir seu alvo sob o aspecto cultural, você necessita descobrir a
história espiritual do povo de sua comunidade. Determine o que as pessoas na
sua área já sabem sobre o evangelho.

Para determinar o clima espiritual da comunidade, você pode entrevistar outros


pastores da região. Ministro que servem há vários anos na região devem estar
bastante familiarizados com os assuntos locais e as tendências espirituais da
área.

O termo “sem-igreja” não se refere comente a pessoas que nunca estiveram


dentro de uma. Ele inclui aqueles que possuem uma história na igreja, mas não
têm um relacionamento pessoal com Cristo e também aqueles que não vão à
igreja há algum tempo, geralmente vários anos.

Sempre que testemunho a alguém que não tem relacionamento com Cristo, tento
descobrir algo que possa Ter em comum comigo, em relação à vida espiritual. Por
exemplo, quando estou conversando com um católico, sei que ele aceita a Bíblia,
mas provavelmente nunca a leu, aceita a trindade, o nascimento virginal e Jesus
Cristo como o Filho de Deus. Meu trabalho será o de comunicar as diferenças
entre uma religião baseada em obras e outra, baseada num relacionamento com
Cristo, por meio da graça.

Definir o alvo de evangelismo da igreja leva tempo e demanda um estudo sério.


Mas, uma vez que tenha completado sua pesquisa, você compreenderá porque
alguns métodos evangelísticos funcionam em sua área e outros não. As
pesquisas podem ajudá-lo a economizar esforços e dinheiro em estratégias que
não funcionam.

Uma vez coletada todas as informações sobre sua comunidade, quero encorajá-
lo a criar um perfil do típico “sem-igreja” que sua comunidade deseja alcançar.
Combinar as características de residentes em sua área em uma única pessoa
“faz-de-conta” fará com que os membros da sua igreja possam entender quem é

46
o alvo. Se o trabalho de coletar dados for bem feito, os membros devem
reconhecer este personagem como um de seus vizinhos.

Em nossa igreja batizamos o nosso personagem de “Saddleback Sam”. A maioria


dos nossos membros não teria nenhuma dificuldade para descrevê-lo. Falamos
sobre ele com detalhes em cada uma das nossas classes de membresia.

Saddleback Sam é o típico homem “sem-igreja” que vive em nossa área. Ele tem
cerca de quarenta anos e possui um ou mais diplomas universitários. (O Vale
Saddleback tem um dos maiores níveis de educação na América). É casado com
a “Saddleback Samantha” e tem dois filhos, “Steve e Selly”.

Outra característica importante de Sam é ser cético em relação ao que ele chama
de religião “organizada”. Ele provavelmente diz: “Eu acredito em Jesus. Só não
gosto da religião organizada”. Encaramos essa declaração com humor e
dizemos: “Então você vai gostar de nossa comunidade. Somos uma religião
desorganizada!”.
Sam prefere reuniões informais, uma vez que é do Sul da Califórnia. Gosta de se
vestir a vontade por causa do clima temperado. Levamos isso em conta quando
planejamos cultos para atraí-lo. Nunca uso terno e gravata quando prego nos
cultos da igreja. Intencionalmente me visto para combinar com a mentalidade
daqueles que estou tentando alcançar. Sigo a estratégia de Paulo dada em I
Coríntios 9:20: “Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus...”. Em
minha situação, creio que Paulo diria: “Quando estou no sul da Califórnia, me
torno como um californiano do sul para ganhar os californianos!”. Não acho que a
forma de as pessoas se vestirem preocupava a Jesus. Preferimos ter um pagão
vindo de tênis e shorts do que não ter ninguém vindo porque não possui um
terno.

Por que gastamos tanto tempo em definir a pessoa típica que estamos tentando
alcançar? Porque quanto mais entendemos alguém, mais fácil é se comunicar
com ela.
Uma vez que você definiu e batizou o alvo de evangelismo na sua igreja, faça-me
um favor: envie-me uma cópia. Tenho o hobby de colecionar perfis evangelísticos
de igrejas.
Você pode imaginar um fotógrafo tirando fotos de algo sem ajustar o foco? Um
caçador se posicionaria no topo de um morro e começaria a atirar para todas as
direções sem mirar em nada? Sem um alvo, nossos esforços para o evangelismo
não passam de pensamento positivo. É claro que leva tempo para focalizar e
mirar, mas a recompensa é segura. Quanto mais seu alvo estiver focalizado, mais
chances você terá de atirar na mosca.

Capítulo 9

Organizando seus propósitos


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Os dois pregadores mais importantes do século 18 foram George Whitefield e
John Wesley. Mesmo tendo vivido na mesma época e ambos terem sido
poderosamente usados por Deus, havia significativas diferenças teológicas entre
eles, bem como na organização de seus ministérios.

Apesar disso, os biógrafos apontam que Whitefield geralmente deixava


seus convertidos sem nenhuma organização, fazendo com que o seu
trabalho tivesse curta duração. Hoje, poucos crentes conhecem o nome
de George Whitefield.

Por outro lado, o nome de John Wesley ainda é reconhecido por milhões de
crentes. Por quê? Ele era um pregador itinerante. Assim como Whitefield fazia
grandes cruzadas evangelísticas ao ar livre. Mas Wesley também era um
organizador.

Para que qualquer renovação numa igreja seja douradora, é necessário que haja
uma estrutura para nutri-la e apóia-la. É insuficiente simplesmente comunicar sua
“declaração de propósito”. Você deve organizar a igreja em função dos
propósitos. Lembre-se de que o equilíbrio é a chave para uma igreja sadia.

A maioria das igrejas evangélicas já usa os cinco propósitos, de uma forma ou de


outra, mas não os utiliza forma equilibrada. Uma igreja pode ser forte na
adoração, mas fraca no discipulado. Outra pode ser forte no evangelismo, porém
fraca no ministério. Por que isso ocorre? Sem sistema e estrutura para equilibrar
os cinco propósitos, a igreja irá enfatizar o propósito que melhor expressa os
dons e afinidades de seu pastor.

É uma tendência natural dos líderes enfatizar o que acham ser importante e
negligenciar coisas que não aprovam. Por todo o mundo, você pode encontrar
igrejas que se tornaram uma extensão dos talentos do pastor. A não ser que você
desenvolva os cinco propósitos, sua igreja terá a tendência de enfatizar o
propósito que melhor expressa os dons e afinidade do pastor.

Cinco tipos de igreja


 A igreja que ganha almas. Se um pastor tem o evangelismo como objetivo
principal, então a igreja se torna uma “ganhadora de almas”. Se o alvo
principal da igreja é este, ela está sempre alcançando os perdidos. As
palavras que você provavelmente vai escutar nestas igrejas são:
testemunhar, evangelizar, salvar, decisões para Cristo, batismo, visitação,
apelo e cruzadas. Numa igreja que ganha almas, qualquer coisa que não
seja evangelismo é considerada secundária.
 A igreja que desfruta de Deus. Quando um pastor tem dons e gosta da área
de adoração, ele instintivamente leva a igreja a se tornar uma igreja que
experimenta a presença de Deus. O enfoque este me se deleitar no Senhor
por meio da adoração. A terminologia básica nessa igreja é: louvor, oração,
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adoração, música, dons espirituais, espírito, poder e reavivamento. Neste
tipo de igreja, o culto tem mais adoração do qualquer outra coisa. Tenho
observado igrejas pentecostais e tradicionais que são igrejas que desfrutam
bastante da presença de Deus.
 A igreja da reunião familiar. Uma igreja em que o enfoque principal é a
comunhão, é o que chamo de “igreja da reunião familiar”. Ela é moldada por
um pastor que tem facilidade em relacionar-se, ama as pessoas e gata
maior parte do tempo cuidando dos membros. Ele trabalha mais como
capelão do que qualquer outra coisa. As palavras mais usadas são: amor,
comunhão, cuidado, relações, encontros, grupos e lazer. Na igreja de
reunião familiar, a comunhão é mais importante do que os objetivos. Uma
igreja de reunião familiar pode não alcançar muitas metas, mas é quase
indestrutível. Os relacionamentos são a cola que mantém os fiéis unidos à
igreja.
 A igreja sala de aula. Uma igreja “sala de aula” se desenvolve quando o
pastor vê o seu papel principal como professor. Se o ensino é o dom que
tem, ele vai enfatizar a pregação e o ensinamento e descartar as outras
missões da igreja. O pastor serve como um especialista em instrução e os
membros vão ao templo com blocos de anotações, fazem seus
apontamentos das coisas e vão para casa. A terminologia básica de uma
igreja sala de aula é: pregação, expositiva, estudo bíblico, grego e hebraico,
doutrina, conhecimento, verdade e discipulado. Essas igrejas são, na
maioria das vezes, conhecidas como “igrejas bíblicas”.
 A igreja da consciência social. O social da igreja da “consciência social” vê
o seu papel como o de um profeta e reformador. Este tipo de comunidade
existe para mudar o grupo social. Está cheia de ativistas que são
“cumpridores da palavra” e podem ser igrejas liberais ou conservadoras. As
igrejas tendem a enfocar a injustiça em nossa sociedade, enquanto as
conservadoras tendem a enfocar o declínio moral. Tanto uma como a outra
crê que a igreja deve ser participante do processo político e que os
membros devem sempre estar envolvidos em algum movimento. As
expressões usuais nestas igrejas são: necessidade, serviço, compartilhar,
ministrar, tomar posição e fazer alguma coisa.

Mantendo a igreja equilibrada

É muito simplista e incorreto sugerir que apenas um fator é o segredo para o


crescimento.

Não existe apenas uma chave para uma igreja sadia e crescente. Existem
várias. A igreja não é chamada para fazer uma coisa só, ela é chamada para
fazer muitas coisas. É por isso que o equilíbrio é tão importante. Costumo
dizer ao meu time de colaboradores que a nona bem-aventurança é
“abençoados sois vós os equilibrados, pois durarão mais do que os outros”.

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Paulo indica claramente em I Coríntios 12 que o Corpo de Cristo tem muitas
partes. Não é somente uma mão, uma boca ou um olho; é um sistema de
partes integradas e órgãos. Um corpo é composto de sistemas diferentes:
respiratório, circulatório, nervoso, digestivo etc. Quando todos estão
balanceados uns com os outros, a conseqüência é chamada de “saúde”. Falta
de equilíbrio é doença. Da mesma forma, equilibrar os propósitos do Novo
Testamento traz saúde espiritual ao corpo de Cristo, a igreja.

Nossa igreja é organizada ao redor de dois conceitos simples para assegurar


equilíbrio. Nós os chamamos de “círculos de compromissos” e “processo de
desenvolvimento de vida”. Estas duas caracterizações simbolizam como
aplicamos os cinco propósitos na Saddleback. O “processo de
desenvolvimento de vida”, em forma de diamante de um campo de beisebol,
ilustra o que fazemos na igreja. Os “círculos de compromisso” (cinco círculos
concêntricos) ilustram com quem fazemos.

Os círculos concêntricos representam uma forma de compreender os


diferentes níveis de compromisso e maturidade em sua igreja. O campo de
beisebol na forma de diamante representa o processo de mover as pessoas de
pouco ou nenhum compromisso para níveis mais profundos de compromisso e
maturidade.

Olhe sua igreja sob uma nova perspectiva. Todos os membros estão
igualmente comprometidos com Cristo? Estão no mesmo nível de maturidade
espiritual? Nestes dois grupos existem pessoas em vários estágios de
crescimento espiritual. Na igreja com propósitos, identificamos cinco níveis de
compromisso. Eles estão relacionados com os propósitos da igreja.

No gráfico dos círculos concêntricos, cada um representa um nível diferente de


compromisso. Começando de “muito pouco compromisso” (pessoas que vão
aos cultos ocasionalmente) até o nível de “compromisso maduro” (gente
comprometida em usar os seus dons espirituais para ministrar a outras
pessoas). A partir de minha descrição destes diferentes grupos, você irá
reconhecer que eles também existem em sua igreja.

50
Os círculos de compromisso

A comunidade

A comunidade é o nosso ponto de partida. É um ajuntamento de pessoas


perdidas que vivem numa certa distância da igreja, e que não têm nenhum
compromisso com Jesus Cristo ou com sua igreja. São os “sem-igreja” que
você quer alcançar. Sua comunidade é onde o propósito do evangelismo
acontece. Este círculo é o maior porque contém o maior número de pessoas.
Se você visitar por quatro vezes nossa igreja e se identificar no cartão de
registro ou no envelope de ofertas, seu nome vai para o banco de dados.
Estes nomes são os que podem eventualmente se converter e se tornar
membros de nossa igreja. Na época em que escrevi este livro, tínhamos mais
de 31.000 nomes de freqüentadores ocasionais. Isto representa cerca de
100% de nossa área. A nossa meta final é ter uma penetração total em nossa
comunidade, dando a cada pessoa uma chance de ouvir falar de Cristo.

A multidão

O próximo círculo menor representa o grupo de pessoas que chamamos de


“multidão”, e inclui todos que freqüentam os cultos de domingo. São os nossos
freqüentadores regulares. A multidão é composta tanto de crente como de não-
crentes. Todos têm em comum o compromisso de assistir regularmente ao
nosso culto de adoração. Este não é um grande compromisso, mas, pelo
menos, é um bom avanço, você alcançou um grande progresso na vida dessa
pessoa. Atualmente temos cerca de dez mil na “multidão”, participando dos
cultos a cada semana. Mesmo que m não-crente não adore verdadeiramente,
ele assiste à adoração de outros. Estou convencido de que a adoração
genuína é uma poderosa testemunha para tocas os não-crentes, se é feita
num estilo que possa tocá-los. Vou explicar isso em detalhes adiante. Se um
não-crente compromete-se a participar regularmente de nossa igreja, acredito
que é apenas uma questão de tempo até que ele aceite a Cristo. Uma vez que
esta pessoa recebe a Cristo, nosso alvo é movê-la para o próximo nível de
compromisso, a “congregação”.

A congregação

A congregação é o grupo oficial de membros de nossa igreja. Eles foram


batizados, assumiram e fizeram o compromisso de participar da família de
nossa igreja. Agora são mais que meros freqüentadores são comprometidos
com o propósito da comunhão. Este é um compromisso de suma importância.
O estilo de vida cristã não é só uma questão de crença; inclui também
pertencer À família. Quando faz um compromisso com Cristo, é preciso haver
encorajamento para um próximo passo, o envolvimento com o corpo de Cristo.
51
Em nossa comunidade somente aqueles que receberam a Cristo, foram
batizados, participaram da classe da membresia e assinaram o compromisso
de membro são considerados parte da congregação.

Sempre tomamos providências para que não haja membros inativos em nosso
rol, resultando na remoção de centenas de nomes a cada ano. Não estamos
interessados numa grande lista, mas sim num rol verdadeiro, com pessoas
genuinamente ativas e envolvidas.

Ter mais freqüentadores do que membros significa que sua igreja está sendo
eficiente em atrair os “sem-igreja” e compilar uma lista de pessoas a serem
evangelizadas. Um bom indicador da eficiência do evangelismo da igreja é
quando tem pelo menos 25% de pessoas freqüentado como parte da multidão,
além dos membros da comunidade. Por exemplo, se você tem 200 membros,
deve ter 250 pessoas em média, de freqüência. Se o número for menor,
significa que ninguém está convidando não-crentes para vir com eles à
congregação. Hoje, em nossa comunidade, a multidão é 100% maior que a
congregação. Nossos cinco mil membros estão trazendo seus amigos não-
salvos; sendo assim, estamos com uma freqüência de aproximadamente dez
mil pessoas.

Os comprometidos

Há pessoas consagradas em sua igreja, que estão crescendo e que levam a


sério sua fé, mas que, por alguma razão, não estão engajadas em alguma
área? Chamamos essas pessoas de “comprometidos”. Eles oram, contribuem
e são dedicadas ao discipulado, mas ainda não se envolveram no ministério.

Em nossa congregação, consideramos parte deste grupo aqueles que fizeram


nosso curso e assinaram o cartão do “pacto de maturidade”. O cartão indica
um compromisso com três hábitos espirituais: ter um momento a sós com
Deus diariamente, dizimar e ser ativo num grupo pequeno. Estes três hábitos
são essenciais para o crescimento espiritual. Temos cerca de 3.500 pessoas
em nosso grupo de “comprometidos”.

O núcleo

O “núcleo” é o menor grupo, por representar o nível de compromisso mais


profundo. É formado por uma maioria de trabalhadores e líderes dedicados,
comprometidos com o ministério e com os demais membros. É o povo que
lidera e seve em vários ministérios de nossa igreja, como: professores de
Escola Dominical, diáconos, músicos, líder de jovens etc. Sem essas pessoas,
nossa igreja estaria estática. Os trabalhadores do núcleo formam o coração da
comunidade.

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Temos uma estratégia para ajudar as pessoas a descobrir qual o ministério em
que melhor se encaixam. Isto inclui fazer o curso “Descobrindo meu
ministério”, preencher os requisitos de qualidade espiritual, uma entrevista
sobre ministério pessoal, ser escalado como ministro leigo da igreja e
freqüentar a reunião mensal de treinamento para o núcleo. Atualmente, temos
cerca de 1.500 pessoas neste grupo. Faço qualquer coisa por essas pessoas,
pois são o segredo de nossa força. Se eu morresse agora, a minha igreja
continuaria a crescer, por causa da base formada por este ministros.
O que acontece às pessoas quando chegam ao núcleo? Nós as mandamos de
volta À “comunidade” para trabalhar!

Jesus reconheceu os diferentes níveis de compromisso

O Senhor reconheceu que cada pessoa está num nível de compromisso


espiritual. Sempre fico fascinado quando leio a conversa que ele teve com um
peregrino espiritual. “Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente,
disse-lhe: Não está longe do reino de Deus” (Mc 12: 34). Não está longe? Isso
significa que Jesus reconhecia etapas de compreensão e compromisso
espiritual, mesmo entre e não-crentes.

O ministério de Jesus incluía ministrar para a comunidade, alimentar a


multidão, ajuntar a congregação, desafiar os comprometidos e disciplinar o
núcleo. Todas essas cinco tarefas são evidentes no evangelho. Devemos
seguir o exemplo do Senhor! Jesus agia partindo do nível de compromisso de
cada um. Geralmente, capturava o interesse deles e despertava um desejo de
conhecer mais. Assim, enquanto o povo o seguia, Jesus ia lenta e gentilmente
esclarecendo sobre o reino de Deus e requerendo um nível de compromisso
mais profundo. Mas fazia isso somente quando seus seguidores haviam
alcançado um estágio mais elevado de compreensão.

A mesma idéia está por trás dos círculos de compromisso. É uma estratégia
simples, que reconhece a ministração para pessoas em diferentes níveis. As
pessoas não são iguais. Elas têm diferentes necessidades, interesses e
problemas, dependendo de onde se encontram em sua jornada espiritual. Não
podemos confundir a função que exercemos em relação à comunidade,
multidão e o núcleo. Cada grupo requer um tratamento diferenciado. A
multidão não é uma igreja, mas pode vir a ser.

Capítulo 10

Planejando um culto sensível aos não-crentes

“Portanto, se toda se congregar em um lugar, e todos falarem em línguas, e


entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão que estais loucos?”.

53
I Coríntios 14:23

“Andai em sabedoria para com os que estão de fora, aproveitando bem cada
oportunidade”.
Colossenses 4:5

A maioria das igrejas raramente atrai não-crentes para o culto porque os


membros não ficam á vontade em trazê-los para a igreja. Não importa o quanto o
pastor encoraje os membros para trazer seus amigos, ou quantos programas de
visitação a já fez, os resultados são os mesmos: a maioria dos crentes nunca traz
um amigo perdido para a igreja.

Porque? Existem três razões importantes. Primeiro, como já mencionei antes,


alvo das mensagens é imprevisível. Os membros não sabem se o pastor vai
pregar uma mensagem de evangelismo ou de edificação. Segundo, os cultos não
são desenvolvidos para ao não-crentes. Muitos do que acontece não é
compreendido por um amigo sem igreja. Terceiro, os membros ficam
envergonhados com a qualidade dos cultos oferecidos pela congregação.

Se você pegar um membro típico, que seja completamente honesto sobre sua
igreja, ele provavelmente irá dizer: “Eu amo a minha igreja. Amo o meu pastor.
Sou abençoado por tudo o que acontece em nosso cultos”.

Eles vão ao encontro de minhas necessidades, mas eu não convidaria um amigo


do meu trabalho porque o culto não faria nenhum sentido para ele.

As mensagens são para mim, as músicas são para mim, as orações são feitas
com palavras que eu entendo a até mesmo os avisos são para mim. Meus
amigos não entenderiam muito do nosso culto “. Ele se sente culpado de não
convidar os amigos, mas ainda assim não os convidas”.

Aumentar o tamanho de sua igreja não requer a inteligência de um cientista


nuclear. Tudo o que você tem a fazer é atrair mais visitantes!

Ninguém se torna membro de uma igreja sem primeiro ser um visitante.

Se você tem somente alguns cada ano, você terá ainda menos membros
adicionais ao rol. Uma multidão não é uma igreja, mas a igreja necessita de uma
multidão para crescer.

Qual é a forma mais natural para o aumentar o número de visitantes em sua


igreja?

A resposta é bem simples criar um culto que seja intencionalmente planejado


para que os membros tragam os amigos. Faça esse culto tão atraente e relevante
para os “sem –igreja”,
54
Começou a ser usado para descrever esse tipo de reunião. Criando um culto em
que crentes queiram trazer seus amigos não – crentes, não será necessário criar
concursos, campanhas ou provocar culpa para aumentar freqüência. Os
membros vão convidar seus amigos não-crentes todas as semanas e sua igreja
vai experimentar um fluxo constante de visitantes.

Planeje os cultos com o seu alvo em mente á cada semana, relembramos que
estamos tentando alcançar: Saddleback Sam e sua esposa Samantha. Uma
vez que você conheça o seu alvo, ele vai determinar os vários componentes
de seu culto: o estilo de música, o tema das mensagens, testemunhos,
expressões artísticas e muito mais.
Faça possível para facilitar a freqüência

As pessoas estão condicionadas a esperar que as coisas sejam fáceis e


convenientes.Sua meta deve ser remover o máximo de barreiras possíveis, de tal
maneiras que os “sem -igreja” não tenham desculpas para não freqüentar a
igreja.

Ofereça opções de horários. Isso dá mais oportunidade para as pessoas. Nossa


igreja há anos oferece quatro cultos idênticos por semana: Sábado ás 18h,
Domingo ás 8h, 9h30 e 11h 15. Geralmente, temos não-crentes visitando nossos
cultos, os quais, quando chegam em casa, chamam outro amigo não – crentes
para voltar á igreja no mesmo dia para ouvir a mesma mensagem.

Ofereça transporte fácil. Na América, é necessário que a igreja tenha


estacionamento para alcançar as pessoas. Uma das coisas que o visitantes
notam é o estacionamento e o controle de trânsito. Uma vez pedi para vários
pastores das maiores igrejas da Califórnia me dissesse qual o maior erro que
cometeram na construção de seus templos. Todos deram a mesma resposta:
“Não fizemos estacionamento suficiente para todo mundo“. Quando as pessoas
vêm para a igreja na América, gostam de vir de carro! Se não tiverem lugar para
estacionar seus carros, você não tem lugar para eles. Não importa quão grande
seja o seu prédio, você não pode enchê-lo se não tiver estacionamento.

Ofereça Escola Dominical para as crianças durante todos os cultos. As pessoas


”sem – igreja” não querem ser perturbadas com crianças fazendo barulho durante
os cultos, mesmo sendo suas próprias crianças. Nossa congregação oferece
Escola Dominical e berçário durante todos os cultos.

Coloque um mapa de sua igreja em todas as propagandas. Nada é mais


frustrante do que tentar achar um lugar sem um mapa. A Saddleback tem sua
própria estrada de quatro pista de um quilômetro entrando em nossa propriedade.
É chamada “avenida Saddleback”. Ela é única igreja nessa rua e, mesmo assim,
as pessoas se perdem.
55
Acelere o passo e o dinamismo do culto

Quase todas as igreja precisam acertar o passo de seus cultos. A televisão tem,
permanentemente, encurtado o período de atenção dos americanos.

Por outro lado, a maioria dos cultos da igreja se movimenta a passo de tartaruga.
Existe muita ”hora morta” entre os diferentes elementos da reunião. Quando um
ministro de música termina o louvor, ele anda e senta. Quinze segundos depois o
pastor começa a pensar em levantar-se. Finalmente, vai lentamente até o púlpito
e dá as boas – vindas ao povo. Enquanto isso os não-crentes já caíram no sono.
Trabalhe bastante para minimizar os tempos de transição. Assim que um período
do culto acabar, outro de começar imediatamente.

Procure sempre economizar tempo. Normalmente damos um tempo específico


para duração de cada período da reunião: oração, músicas, avisos, mensagens,
o encerramento e as transições entre cada um dos períodos. Depois
perguntamos a nós mesmos: “O que demorou muito e que necessita de mais
tempo?”.

Nossos cultos duram cerca de 70 minutos em média. É possível fazer muita coisa
nesse tempo você usá-lo com sabedoria. Exemplo, sua hora da oferta pode ser
pela metade, duplicando o número de pessoas que a recolhem.

Faça orações durante os cultos curtas para os não-crentes. Não é hora de


interceder pela cura da unha da irmã Maria! O sem – igreja não agüenta orações
longas. Suas mentes começam a divagar ou eles caem no sono. Os pastores
devem estar conscientes de que não podem usar a oração pastoral para pôr em
dia suas intercessões atrasadas!
Além de acelerar o culto, trabalhe também para que ele possa fluir mais
facilmente. A diferença entre um culto mediano e um culto excepcional é sua
dinâmica.

Em nossa igreja nós usamos a palavra IMPACT para nos lembrar de como
queremos que flua nossa música: Inspirado movimento: isso é o que queremos
na canção inicial. Usando uma música rápida para que você se levante, bata o
seu pé ou pelo menos de um sorriso. Queremos relaxar os músculos dos
visitantes, que geralmente entram bastante tensos. Quando o corpo está
relaxado, a atitude é menos defensiva.

Para começar nosso culto, acordamos o corpo de Cristo, acordamos nossos


próprios corpos. Quando as pessoas entram para o culto da manhã, geralmente
se sentem rígidas, adormecidas e reservadas. Depois de nossos “Inspirados
Movimentos”, a atmosfera sempre muda, tornando-se mais alegre. A diferença
que a primeira música faz é absolutamente incrível.

56
Faça com que os visitantes se sintam á vontade

Os visitantes já formaram uma opinião sobre a sua igreja nos primeiros dez
minutos de após a chegada. Como mencionei no capitulo 12, eles decidem se
vão voltar antes do pastor pregar. A primeira impressão e muito difícil de ser
mudada. Você deve, então, pensar em qual será a primeira impressão que você
quer que os visitantes tenham. Como diz o velho ditado: “A primeira impressão é
a que fica”.

Quando você estiver tratando com visitantes, é importante que entenda que a
primeira resposta emocional que eles têm é o medo. Se forem “sem- igreja”de
verdade, estão se perguntando: “ O que irá acontecer comigo aqui ?”. Eles
possuem os mesmos sentimentos e medos que você teria se lhe convidasse para
ir a uma mesquita pela primeira vez: “ Vão trancar as portas?”; “Eu vou ter de
falar alguma coisa?”; “Vão me deixar constrangidos?”.

Na maioria das igreja que possuem uma declaração de propósito, normalmente


são mencionadas atividades (“Nós edificamos, evangelizamos, adoramos” etc).
Isso faz com que se torne difícil avaliar e quantificar os resultados que esperamos
quando cumprimos cada um de nossos propósitos.

Na maioria das igreja que possuem uma declaração de propósito, normalmente


são mencionadas atividades (“Nós edificamos, evangelizamos, adoramos” etc).
Isso faz com que se torne difícil avaliar e quantificar os resultados que esperamos
quando cumprimos cada um de nossos propósitos.

Atraindo as multidões

Jesus começou a mensagem compartilhando oito segredos para a felicidade


genuína. Depois, falou sobre um estilo de vida exemplar, como controlar o
temperamento, restaurar relacionamentos e evitar adultério e divórcio. Ainda falou
sobre manter promessas e praticar o bem, mesmo quando se recebe o mal.
Depois disso, foi para outros assuntos de aplicações práticas na vida como: Dar
com a atitude correta, oração, acumular tesouros no céu e como superar as
preocupações. Disse que não se deve julga os outros, recomendou a persistência
em pedir a Deus para a satisfação de necessidades e alertou contra os falsos
mestres. Jesus concluiu com uma história simples, que mostrava a importância
de agir como Ele ensinou.

Esse é o tipo de pregação que necessitamos na igreja. A mensagem verdadeira


não somente atrai multidões, ela transforma vidas! Não é suficiente, para nós,
simplesmente proclamarmos que “Cristo é a resposta”. É necessário mostrar para
os “sem-igreja” como Credito é a resposta. Sermões que exortam as pessoas a
mudar, sem ensinar os passos práticos de como seguir isso acabam produzindo
mais culpa e frustração.
57
Muitos sermões não proporcionam nada de concreto para o povo. Neles só se
reclama de nossa sociedade e há julgamento sobre as pessoas. Prolongam-se no
diagnóstico, mas nada falam sobre o remédio. Esse tipo de pregação pode fazer
com que os crentes se sintam superiores aos “lá de fora”, mas raramente mudam
alguma coisa. Ao invés de trazer a luz, somente amaldiçoam as trevas.

Quando vou ao médico, não quero apenas ouvir o que está errado comigo, quero
que ele me dê alguns passos específicos para a minha melhora. O que as
pessoas precisam hoje são menos sermões “deve ser” e mais sermões “como
ser”.

O tipo mais profundo de ensinamento é aquele que faz a diferença no dia-a-dia


das pessoas. Como D.L.Moody disse certa vez: “A Bíblia não nos foi dada para
aumentar nosso conhecimento, mas para mudar nossas vidas”. Nossa meta é ter
um caráter moldado à semelhança do de Cristo.

Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida...” (Jo 10:10). Ele não disse: “Eu vim
para que tenham religião”. O cristianismo é vida e não meramente doutrina. Jesus
era um pregador de aplicação de vida. Quando terminava o seu ensinamento
para a multidão, sempre queria que eles “fossem e fizessem o mesmo”.

Uma pregação na semelhança de Cristo é relacionada com o cotidiano e produz


mudanças no estilo de vida. Muda pessoas porque a Palavra é aplicada onde às
pessoas realmente vivem. Sermões que ensinam as pessoas como viver nunca
ficam sem platéia.

Para mim, é desafiador e divertido ensinar teologia para os não-crentes sem dizer
a eles que estão aprendendo, fazendo isso sem usar termos teológicos.

Você não deve transformar a mensagem da Bíblia, mas deve traduzi-la em


termos que os “sem-igreja” possam entender.

Jesus falou a multidões num estilo interessante

A multidão gostava de ouvir a Jesus. O texto do evangelho de Marcos 12:37 diz:


“...A grande multidão o ouvia com prazer”. As pessoas ouvem com prazer suas
mensagens?

Uma pesquisa do Gallup feita há alguns anos declarou que, de acordo com não
crentes, a igreja é o lugar mais chato para se estar.

Se você olhar a palavra entretenimento no divórcio, vai achar uma definição


semelhante à “capturar e manter a tenção por um período de tempo extensivo”.
Não conheço nenhum pregador que não queria fazer isso. Não podemos ter
58
medo de sermos interessantes. Um sermão não precisa ser seco para ser
espiritual.

Para os “sem-igreja”, uma pregação chata é imperdoável. A verdade é que a


mensagem é ignorada quando pregada de maneira pobre. Por outro lado, vão
ouvir a besteira mais absurda, se for dita de forma interessante, Para provar isso,
ligue sua televisão durante as madrugadas e você vai ver todo tipo de psicóticos,
doidos e malucos que dominam este horário.

Mencionei que fico admirado de como alguns pregadores têm a capacidade de


transformar o livro mais emocionante do mundo e entediar as pessoas com ele. É
um pecado chatear as pessoas com a Bíblia. Quando a Palavra de Deus é
ensinada de forma desinteressante, as pessoas não somente acham o pregador
chato; elas pensam que Deus é chato! Diminuiremos o caráter de Deus se
pregarmos com um estilo inadequado ou sem inspiração. A mensagem é muito
importante para ser compartilhada com uma atitude de “pegar ou largar”

Jesus cativava o interesse das grandes multidões com técnicas que você e eu
podemos usar. Ele contava histórias para ser compreendido. O Senhor era um
mestre na arte de contar histórias. Ele dizia? “Hei, você já ouviu aquela do...” e
contava uma parábola para ensinar certa verdade. A Bíblia mostra que esta era a
técnica preferida de Jesus quando se dirigia à multidão, e nada lhes falava sem
parábolas (Mt 13:14). Por alguma razão, os pregadores se esqueceram de que a
Bíblia é essencialmente um livro de histórias. Essa é a maneira pala qual Deus
escolheu comunicar a sua Palavra aos seres humanos.

Se você quiser mudar vidas deve preparar uma mensagem para empacar e não
para informar.

Jesus falava com uma linguagem simples, não usava jargões técnicos ou
teológicos. Ele pregava com palavras que as pessoas comuns podiam entender.
É importante lembrar que Jesus não usou a língua grega clássica de um
intelectual. Ele falou em aramaico, a linguagem usada nas ruas naquela época.
Suas mensagens eram recheadas de pássaros, flores, moedas perdidas e de
outros objetos do dia-a-dia que todas as pessoas conheciam.

Ao mesmo tempo em que Jesus ensinava verdades profundas de um jeito


simples, muitos pastores hoje fazem exatamente o posto: ensinam verdades
simples de maneira profunda. Pegam um texto direto e claro e fazem algo bem
complicado. Acham que estão sendo “profundos”, mas, na realidade, estão
somente sendo “chatos”. É mais importante ser claro do que ser profundo quando
se ensina e quando se prega.

Alguns pastores gostam de mostrar seu conhecimento de palavras em grego e


termos acadêmicos durante suas pregações. Todos os domingos falam em
59
línguas estranhas sem serem pentecostais! Os pastores precisam reconhecer
que ninguém se importa com o grego como eles se importam. Chuck Swindoll
uma vez me disse que crê que o excesso de estudo de palavras no grego e no
hebraico na pregação desencoraja a confiança no texto da língua que a pessoa ta
usando. Eu concordo com isso.

Jack Hayford, Chuck Smith, Chuck Swindoll e eu, certa vez, ensinamos em um
curso de doutorado para pastores, a maneira como cada um de nós
preparávamos e pregávamos nossos sermões. No final do curso, os estudantes
mencionaram que nós quatro, sem combinarmos previamente, havíamos
enfatizado a mesma coisa: Faça com que seja simples! É muito fácil complicar o
evangelho e é claro que Satanás adora quando fazemos isso. O apóstolo Paulo
disse: “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com sua astúcia,
assim também sejam de alguma sorte corrompido os vossos entendimentos, e se
apartem da simplicidade que há em Cristo”. É necessário muita meditação e
preparação para se comunicar verdades profundas de forma simples. Einstein
disse uma vez: “Você realmente não consegue entender alguma coisa, a não ser
que a comunique de uma forma simples”. Você pode ser brilhante, mas se não
conseguir compartilhar os seus pensamentos de um amaneira simples, eles não
terão muito valor. Acho que quanto mais simplicidade prego a mensagem, mais
Deus abençoa. Considero um elogio quando me chamam de um “simples”
pregador. Estou interessado em ver almas mudarem e não em impressionar
pessoas com meus conhecimentos.

“Venha e Diga” ou “Venha e veja”

Alguns líderes de igreja negam que a atração é um método legítimo de


evangelismo. Já ouvi pastores dizerem: “A Bíblia não fala para que o mundo
venha para a igreja. Ela fala para que a igreja vá ao mundo”. Essa declaração é
inexata, porque só conta metade da história.

Respondendo à cultura: imitação, isolamento ou infiltração?

Outro debate constante que afeta o evangelismo é como a igreja deve responder
à cultura. Existem duas posições extremadas:? Imitação e isolamento. Aqueles
que estão no campo da “imitação” defendem que a igreja deve tornar-se como a
nossa sociedade para poder ministrar a ela. As igrejas desse grupo sacrificam a
mensagem bíblica e a missão da igreja para serem assimiladas pela cultura.
Estão dispostas a apoiar os valores culturais da atualidade, como a adoração ao
sucesso e saúde, individualismo exacerbado, feminismo radical, padrões liberais
de sexualidade e até mesmo o homossexualismo. Em sua tentativa de serem
relevantes, sacrificam a teologia bíblica, distintivos doutrinários e o evangelho de
Cristo. A chamada para o arrependimento e o compromisso é diluída para atrair o
povo. O sincretismo destrói esse tipo de igreja.

60
O outros extremos é o campo de “isolamento”. Esse grupo insiste que devemos
evitar qualquer adaptação à cultura, a fim de preservar a pureza da igreja. Ele
não consegue ver a distinção entre os valores pecaminosos de nossa cultura e
costumes não-pecaminosos, estilos e preferências que cada geração desenvolve.
Rejeita novas traduções da Bíblia, estilos de música atuais e qualquer tentativa d
mudar as tradições feitas pelo homem, tais como os horários e ordem dos cultos
de adoração com que estão acostumados. Os defensores do isolamento algumas
vezes têm códigos de vestimenta e listas do que é e do que não é permitido, a
respeito de assuntos aos quais a Bíblia não se refere (é natural à raça humana
erguer muros teológicos para defender as suas preferências pessoais).

As igrejas desse grupo confundem suas tradições culturais com ortodoxia. Não
reconhecem que os costumes, estilos e métodos, nos quais seus líderes se
sentem à vontade, um dia forma tachados como “modernos, mundanos e
heréticos” pela geração anterior de crentes.

É preciso escolher entre liberalismo e legalismo? Existe uma terceira alternativa


para imitação e isolamento? Estou convencido que sim, A estratégia de Jesus é o
antídoto para ambos os extremos: infiltração!

Assim como o peixe de água salgada existe por toda a vida dentro do oceano
sem se tornar saturado com o sal, Jesus ministrou dentro do mundo sem se
tornar do mundo sem se tornar do mundo. Ele “...habitou entre nós” (Jô 1:14), e
foi tentado da mesma forma que somos, “...mas sem pecado” (Hb 4:15). Andou
entre o povo, falou sua língua, observou seus costumes, cantou suas canções,
participou de suas festas e usou seus eventos (veja Lc 13:1-15) para chamar a
tenção para que ele ensinava. Porém, fez tudo isto sem comprometer sua
missão.

O ministério de Jesus era sensível ao pecado e fez com que a religião


estabelecida ficasse indignada. Os líderes criticavam ferozmente. Eles até
atribuíam o seu ministério a Satanás! (Mc 3:22). Os fariseus, em especial
odiavam a forma que Jesus usava para que os não-crentes se sentissem à
vontade em sua presença e maneira como colocava as necessidades dos
pecadores acima das tradições religiosas. Maldiziam o Senhor, chamando-o de
“amigo dos coletores de impostos e pecadores”. Tal título era a maior das
ofensas, mas Jesus usava-o como uma medalha de honra. Sua resposta era: “Os
sãos não necessitam de médicos, mas sim, os doentes. Eu não vim chamar
justos, mas sim os pecadores” (Mc 2:17).

Nos dias de Jesus, os fariseus usavam a desculpa da “pureza” para evitar todo
contato com os não-judeus. Hoje, ainda temos fariseus na igreja mais
preocupados com a pureza do que com as pessoas. Se sua igreja leva a sério a
Grande Comissão, você nunca vai ter uma igreja completamente pura porque
61
você vai estar sempre atraindo não-crentes - com os seus estilos de vida
questionáveis – para os cultos. Para evangelizar, às vezes é necessário lidar com
a imaturidade delas.Sendo assim, você nunca terá uma igreja completamente
pura.

Existem pagãos não-arrependidos misturados na multidão de dez mil pessoas da


minha igreja? Sem dúvida alguma! Quando você pesca com uma rede grande,
pega todos os tipos de peixes. Mas está tudo bem. Jesus disse em uma parábola
para não arrancar o joio. “Não, para que ao colher o joio não arranqueis também
o trigo com ele. Deixai ambos crescer juntos até a ceifa, direi aos ceifeiros?
Colhei primeiro o joio, atai-o em molhos para o queimar, então colhei o trigo e
recolhei-o no meu celeiro” (Mt 13:29,30). Devemos deixar a separação para
Jesus, porque só ele sabe quem é o verdadeiro joio.

Jesus reservou suas palavras mais severas para os rígidos tradicionalistas


religiosos. Quando os fariseus perguntaram: “Por que quebram os teus discípulos
a tradição dos anciãos?”, Jesus respondeu: “Por que quebrais vós também o
mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? (Mt 15:2,3). Cumprir o
propósito de Deus sempre deve ter prioridade sobre a preservação das tradições.

Se você leva a sério o ato de ministrar as pessoas da forma como Jesus o fez,
não se surpreenda se algum dia alguém o acusar de vender o evangelho para a
cultura ou de quebrar tradições. Você será criticado! Alguns defensores do
isolamento têm sido extremamente críticos em seus livros e artigos sobre as
igrejas que são sensíveis às necessidades dos pecadores. As maiorias dessas
críticas são caracterizações injustas, feitas pela ignorância e não representa o
que na verdade ocorre dentro de igrejas sensíveis aos pecadores.

Desbravadores de trilhas sempre têm flechas apontadas para eles. A tradução da


verdade em termos contemporâneos é um negócio perigoso. Lembre-se de que
queimaram Wycliffe por isso. Mas as críticas de outros crentes não devem nos
afastar de modelo que Jesus ministrou. Ele deve ser a nossa maior referência de
ministério e mais ninguém.

Capítulo 12

Como Jesus atraía

As multidões

Uma das características mais impressionantes era a capacidade de atrair


multidões, enormes. A multidão que Jesus atraía era tão grande que o apertava
(Lc 8:42). As pessoas gostavam de ouvir Jesus e sempre o seguiam, mesmo que
fosse necessário percorrer uma longa distância.
62
Um ministério semelhante ao de Cristo ainda atrai multidões. Você não precisa
usar artifícios ou comprometer a essência da Palavra para reunir um grande
número de pessoas. Não é necessário pregar uma mensagem “água-com-
açúcar”. Descobri que você nem precisa do prédio de uma igreja para juntar uma
multidão! Mas você deve ministrar para as pessoas da mesma maneira que
Jesus o fez.

O que atraía grandes multidões para o ministério de Jesus? Ele fazia três coisas
coma as pessoas: as amava (Mt 9:36), ia de encontro às necessidades delas (Mt
15:30; Lc 6:17,18; Jô 6:2) e ensinava de uma forma interessante e prática (Mt
13:34; Mc 10:1, 12:37). Estes mesmos três ingredientes podem atrais muita gente
hoje.

Jesus atraía as multidões amando os perdidos as pessoas sentiam que Jesus


amava estar com elas. Até mesmo as crianças pequenas queriam ficar ao redor
dele, o que já diz muito sobre que tipo de pessoa ele era. As crianças,
instintivamente, buscam pessoas que as aceitem e as amem.

Amando os não crentes como Jesus amou

Amar os não-crentes como o Senhor amou é a chave mais ignorada para o


crescimento da igreja. Sem paixão pelos perdidos não termos disposição para
fazer os sacrifícios necessários para alcança-los.

O mandamento de amar é o mais repetido no Novo Testamento. Aparece pelo


menos 25 vezes. Se não amamos as pessoas, nada disso importa. “Aquele que
não ama conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4:18). Quando pergunto aos
novos convertidos que batizo o que os atraiu para nossa igreja, nunca os ouvi
respondi: “Foi o prédio bonito” ou “Foi à agenda da igreja, cheia de
programações”. A resposta méis comum é: “Fui atraído por um incrível ambiente
de amor”.

Note o enfoque desta declaração. O amor dos nossos membros está centrado
nos visitantes e não nos outros irmãos. Conheço muitas igrejas onde os membro
amam uns aos outros e têm ema grande comunhão, mas estas igrejas estão
morrendo porque todo amor está voltado para eles mesmos. A comunhão se
tornou tão fechada que os visitantes são incapazes de entrar no grupo. Estas
igrejas não atraem não-crentes porque não os amam.
Toda congregação pensa que é uma igreja cheia de amor. AS pessoas que não
freqüentam a igreja, contudo, não pensam assim! Pergunte para qualquer
membro e ele dirá: “Nossa igreja é muito amigável e Kuroda”.O que ele está
realmente falando é : “Amamos uns aos outros, somos amigáveis e nos damos
bem com as pessoas que já estão aqui”. Amam as pessoas com quem se sentem

63
à vontade, mas essa comunhão calorosa não se estende aos não-crentes e
visitantes.

Algumas igrejas apontam para a sua falta de crescimento como prova de que são
bíblicas, ortodoxas ou cheias do Espírito. Dizem que o seu tamanho pequeno é a
prova de que são uma igreja pura e que não comprometem as suas crenças. Isto
pode significar, na verdade, que não amam as pessoas perdidas o suficiente para
saírem das quatro paredes e alcançá-las.As igrejas que crescem são aquelas que
tem crenças conservadoras e amam os não-crentes. Grandes igrejas são
construídas com amor a Deus, uns pelos outros e pelos não-crentes.

Uma das principais razões do crescimento de nossa comunidade é que amamos


as novas pessoas que chegam. Amamos os visitantes e temos compaixão pelos
perdidos.

A razão pela qual algumas igrejas permanecem pequenas é porque não estão
amando. O amor aproxima as pessoas como um imã poderoso. A falta de amor
faz com que elas se afastem.

Criando uma atmosfera de aceitação

As plantas precisam do clima certo para crescer, e as igrejas também. O clima


certo para o crescimento da igreja é uma atmosfera de aceitação e amor. As
igrejas que crescem amam, crescem. Para que sua igreja cresça, voe precisa ser
amável comas pessoas que vêm visitá-la!

A segunda queixa mais comum que detectei na pesquisa que fiz antes de
começar nossa igreja era que “os membros da igreja não são amigáveis com os
visitantes. Não nos sentimos bem vindos”. Muitos antes de o pastor pregar, os
visitantes já decidiram se vão voltar ou não. Eles estão perguntando a si mesmos:
“somos bem vindos aqui?”

Em nossa igreja, envidamos todos os esforços para diminuir este problema.


Temos pensado em como desenvolver uma estratégia para criar um clima de
amor e aceitação, a fim de que nossos visitantes possam se sentir bem.
Monitoramos nossa eficiência semanalmente, pedindo aos visitantes que vieram
pela primeira vez para dar sua opinião franca e anônima sobre nossa igreja.

Quando enviamos pelo correio a todos os visitantes uma “carta de


agradecimento” por ser nosso convidado, incluímos um cartão já selado, pedindo
a opinião de cada um sobre nossa igreja. O cartão diz: “Nossa igreja quer servi-lo
melhor, você nos daria sua opinião?”; “O que gostou mais”; “O que não gostou?”.
Já recebemos milhares de cartões e 90% das respostas à primeira pergunta é
mais ou menos assim: “Notei que as pessoas são calorosas e amigáveis”. Esta
resposta não é por acidente. É o resultado de uma estratégia intencional de

64
expressar nosso amor para com os visitantes de uma forma que eles possam
compreender.

O pastor deve ser amoroso

A atitude do pastor define a atmosfera de sua igreja. SE você é pastor e quer


saber se sua igreja esta com febre, ponha o termômetro em sua própria boca. Já
visitei comunidades onde a falta de amor do pastor é a principal razão de a igreja
não estar crescendo. Alguns líderes, com sua pose e falta de calor humano,
virtualmente garantem que os visitantes não voltem. Em outras igrejas maiores,
tive a impressão de que o pastor adora o público, mas não ama as pessoas.

Você ama as pessoas para quem prega? Esse é o assunto mais importante. A
Bíblia diz: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não
tivesse amor,seria como o metal que soa, ou como o sino que tine” (1Co 13:1).
Sob o ponto de vista divino, uma pregação sem amor não passa de barulho.

Todas as vezes que falo num culto direcionamento para a multidão repito para
mim mesmo:

“Pai, eu te amo e tu me amas. Amo essas pessoas e tu as ama também.


Que o Senhor possa amá-las por meio de mim.
Essa não é uma platéia que deve ser temida, mas, sim, uma família que
deve ser amada.
Não existe medo no amor. O amor perfeito expulsa todo temor”.

Roger Ailes, consultor de comunicação dos ex-presidentes Reagan e Bush,


acredita que o fator mais importante quando se fala em público é a
“agradabilidade”. SE as pessoas gostam de você, vão ouvi-lo. Se não gostam de
você, vão ignora-lo e descartar sua mensagem. Como você se torna agradável?
É simples: ame as pessoas. Quando as pessoas sabem que você as ama, elas
as ouvem.

Deixe-me sugerir algumas maneiras práticas pelas quais em pastor pode


demonstrar amos pela multidão.

Memorize nomes. A memorização de nomes mostra que você tem interesse pelas
pessoas. Nada soa tão bem para um visitante que volta pela segunda vez do que
ouvir você chamando-o pelo nome. Ainda que particularmente eu não tenha uma
boa memória, trabalho duro para me lembrar de nomes. Eu sabia o nome de
todas as pessoas de nossa igreja até chegar a 3.000 membros.

Cumprimente as pessoas antes e depois dos cultos. Seja acessível, não se


esconda em seu escritório. Nos primeiros três anos de nossa igreja, nos
reuníamos em uma escola cercada por grades e todas as pessoas tinham de sair
65
pelo mesmo portão. A cada semana, eu pessoalmente cumprimentava cada um
que vinha para a nossa igreja. Não havia como sair sem passar por mim!

Uma das melhores maneiras de esquentar a multidão é encontrar o máximo de


pessoas antes de você falar para elas. Vá até a multidão e converse com as
pessoas. Isto mostra que você está interessado nelas.

Muitos pastores gostam de se reunir antes do culto com a sua equipe e com os
líderes da igreja em uma sala para orar, enquanto as pessoas estão chegando.
Pessoalmente, acho que você deve orar pelo culto em outra hora. Não perca a
oportunidade de estar com o povo sempre que você tem uma chance.

Possuo uma equipe de oração composta por pessoas leigas que oram durante
cada uma de nossas reuniões. Também passo bastante tempo durante a semana
orando pelos nossos cultos. Nossa equipe também ora junto. Não temos,
contudo, reunião de oração antes dos cultos. Temos apenas uma chance por
semana de contatar muitas pessoas. Então, quando elas vêm, quero que cada
um dos membros da minha equipe e cada líder da igreja tenha contato direto com
elas.

Toque as pessoas: Se você estudar o ministério de Jesus, vai ver o efeito


poderoso de ações como: olhar o povo, falar ao povo e tocar o povo. Em nossa
igreja acreditamos em um ministério de “altos contatos”. Damos muitos abraços,
apertos de mão e tapinhas nas costas. Nosso mundo está cheio de pessoas
sozinhas que estão famintas por compreensão e um toque de amor. Muitos
indivíduos que moram sozinhos já me disseram que o único contato físico que
têm é na igreja. Quando abraço alguém no domingo de manhã, às vezes me
pergunto por quanto tempo o efeito daquele abraço vai durar.

Nos finais de semana, quando alguma outra pessoa de nossa equipe de pastores
vai pregar, normalmente passo todo o tempo dando uma olhada, conversando e
tocando em centenas de pessoas. Você nunca sabe como uma palavra mansa e
um toque de carinho podem fazer toda a diferença do mundo para alguém. Atrás
de cada sorriso existe uma ferida escondida, que uma simples expressão de
amor pode curar.

Uma das decisões mais importantes que o pastor deve tomar a cada semana é
se ele quer impressionar as pessoas ou influenciá-las. Você pode impressionar as
pessoas à distância, mas precisa se aproximar para amá-las e influenciá-las. A
proximidade determina o impacto. Creio que a razão de alguns pastores ficarem
distantes do povo é porque, de perto, eles não impressionam nem um pouco.

Se uma igreja quer atrair uma multidão o pastor e os membros precisam agir de
maneira amorosa para com os de fora. Você deve demonstrar a seguinte atitude:
“Se vier aqui, vamos amar você. Você será amado neste lugar”.

66
Aceitar sem aprovar

Para que os não-crentes sejam amados incondicionalmente, s pessoas precisam


entender a diferença entre aceitação e aprovação. Como cristãos, somos
chamados a amar os não-crentes, sem aprovar o estilo de vida pecaminoso
deles. Jesus fez isso quando mostrou aceitação e amor para com a mulher
samaritana no poço, sem, contudo, aprovar sua forma de vida ilícita. Ele também
comeu com Zaqueu, sem aprovar sua desonestidade. O Senhor publicamente
defendeu a dignidade da mulher flagrada em adultério, sem minimizar o pecado
que ela havia cometido.

Como todo bom pescador sabe, de vez em quando, pra trazer um peixe no
molinete, especialmente um que luta até o fim, você precisa dar um pouco de
linha. Se você puxar duro e sem parar, provavelmente o peixe vai quebrar a linha
ou até mesmo a vara de pescar, Você deve trabalhar com o peixe, deixando que
ele faça o que quer fazer. O mesmo acontece quando pescamos pessoas. De vez
em quando, você precisa dar alguma linha aos não-crentes para traze-los para
dentro do barco. Não os torture recriminando-os em relação ao que estão
fazendo de errado.

Muitos pecados serão abandonados depois que vierem para Cristo.

Não podemos esperar que não-crentes ajam como crentes que sejam
transformados, o livro de Romanos ensina que é impossível para não-crentes
agirem como pessoas convertidas, porque neles não habita o Espírito Santo.

As multidões que vinham a Jesus eram uma mistura de crentes e não-crentes.


Alguns eram seguidores dedicados, outros estavam em busca da verdade e
outros eram céticos. Isso não incomodava a Jesus, pois Ele amava a todos.

Em nossa igreja, sabemos que muitos que freqüentam os nossos cultos têm
estilos de vida questionáveis, hábitos pecaminosos e até mesmo má reputação
pública. Isso não nos incomoda. Fazemos uma distinção entre multidão
(freqüentadores não-comprometidos) e a congregação (nossos membros). A
congregação, e não a multidão, é a igreja. O culto da multidão é aquele no qual
os membros podem trazer seus amigos não-crentes, para quem eles têm
testificando pessoalmente.

Aplicamos diferentes padrões de conduta para membros freqüentadores. Dos


membros de nossa igreja esperamos que sejam seguidas as normas de vida do
nosso pacto de membresia. Aqueles que se engajam em atividades imorais estão
sujeitos à disciplina da igreja. Os não-crentes da multidão não estão sujeitos à
disciplina porque não fazem parte da família de nossa igreja. Paulo fez essa
distinção bem clara em 1Coríntios 5:9-12:

67
“Já por carta escrevi que não vos associásseis com os que se prostituem. Com
isso não quero dizer propriamente com impuros deste mundo, ou com avarentos,
ou com os roubadores, ou com os idólatras. Nesse caso vos seria necessário sair
do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos associeis com aquele que,
dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou
beberrão, ou roubador. Com, o tal nem ainda comais. Que me importa de julgar
os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro?”.

Não esperamos que freqüentadores não-crentes coloquem sob controle os


seus hábitos pecaminosos ou que mudem seus estilos de vida para poder
participar de nossas reuniões. Ao contrário, eles são encorajados a vir “do jeito
que estão”. A igreja é um hospital de pecadores. Preferimos que um pagão do
sul da Califórnia freqüente o nosso culto da multidão de shorts e com uma
camiseta de Budweiser a ficar em casa ou ir à praia. Se conseguirmos que ele
ouça o evangelho e veja algumas vidas transformadas, acreditamos que será
apenas uma questão de tempo até que abra o coração para Cristo.

Jesus não disse: “Dê um jeito na sua vida e depois eu vou salva-lo”. Ele o amou,
mesmo antes de você mudar. Ele espera que você faça o mesmo com outras
pessoas.

Não existe método, em programa ou tecnologia que possa substituir o amor pelos
não-crentes. Nosso amor por Deus e pelas almas perdidas é o que motivou a
Saddleback a continuar crescendo. Isto também é o que me tem motivado a
pregar em quatro cultos a cada final de semana, por vários anos, por mais que
isso seja desgastante. O amor é o fator de motivação. O amor não me deixa
escolha.

Foi o amor, e não os pregos, que seguraram Jesus na cruz. Quando os crentes
amarem as pessoas com esta intensidade, a igreja deles vai atrair milhares de
pessoas.

Jesus atraía multidões indo ao encontro


das necessidades pessoais

As pessoas se aglomeravam ao redor de Jesus porque ele ia ao encontro das


necessidades físicas, emocionais, espirituais, pessoais e financeiras de cada
uma. Ele não julgava algumas necessidades como sendo “mais legítimas” do que
outras, e não fazia com que se sentissem culpadas por terem necessidade.
Tratava a todos com dignidade e respeito.

Jesus geralmente atingia uma necessidade a fim de construir uma ponte para
evangelizar a pessoa. Já mencionei anteriormente que Ele, muitas vezes,
perguntava às pessoas: “O que quer que eu faça por você?. Deus usa todos os
tipos de necessidade humanas para chamar a atenção das pessoas. Quem
68
somos nos para julgar o interesse de uma pessoa em Cristo é por uma razão
certa ou errada? Não imposta o motivo pelo qual as pessoas inicialmente e
busquem a Jesus, o que importa é que o procurem.

Duvido que qualquer pessoa tenha pedido a cristo para salva-la de forma altruísta
e sem interesses pessoais. Todos nós viemos a Cristo quando sentimos que ele
poderia satisfazer uma necessidade que tínhamos.

Tenho uma profunda convicção de que qualquer pessoas pode ser ganha para
Jesus se você descobrir a chave para abrir o coração dela Esta chave é aluna
para cada um e algumas vezes é difícil a encontrarmos. Pode levar algum tempo
para que seja identificada, mas o local mais provável em que pode ser achada é
onde as necessidades das pessoas estão. Esta era a formula que Jesus usava.

Chamando a atenção das pessoas

Uma igreja pode ficar próxima a uma estrada com cem mil carros passando na
frente dela por dia e, assim, ser ignorada. Os pastores são vistos na televisão
como criminosos aproveitadores ou pervertidos. Os programas da igreja
competem com tudo o que é oferecido por nossa cultura, obcecada por
entretenimento. A única maneira de a igreja capturar a atenção dos “sem-igreja” é
oferecer alguma coisa que as pessoas não podem conseguir em nenhum outro
lugar.

Em nossa comunidade, levamos a sério à missão de ir ao encontro das


necessidades das pessoas, em nome de Jesus. A primeira linha da nossa
declaração de visão diz: “É o sonho de um lugar onde os feridos, os sem-
esperança, os desencorajados, os deprimidos, os frustrados e os confusos
podem achar amor, aceitação, direção e encorajamento.

Está escrito em nosso estatuto: “Esta igreja existe para beneficiar os moradores
do Vale Saddleback, atendendo às suas necessidades espirituais, físicas,
emocionais, intelectuais e sociais. Nosso objetivo é ministrar para a pessoa como
um todo. Não limitamos nosso ministério ao que é conhecido como
“necessidades espirituais”. Acreditamos que Deus se importa com todos os
aspectos da vida das pessoas. Eles não podem ser compartimentalizados.

As necessidades que têm vazam de uma área da vida para outra.

Observe bem as igrejas que estão crescendo e você vai encontrar um


denominador comum: elas descobriram uma forma de atenderás necessidades
das pessoas. Se a sua igreja estiver genuinamente procedendo desta forma, a
freqüência será o menos dos problemas. Provavelmente será preciso trancar as
portas para que o povo não entre!

69
Quais são as necessidades dos “sem-igreja” de sua comunidade? Não posso
responder a essa pergunta por você. Deve-se pesquisar, porque cada área tem
as suas necessidades próprias. Conheço uma igreja que descobriu, depois de
consultar a população, que havia a necessidade de se treinar as crianças a irem
no banheiro na hora certa! A área foi repleta por jovens casais que queriam ajudar
no treinamento fisiológico das crianças. Ao invés d ignorar essa necessidade
“não-espiritual”, a congregação usou o problema para evangelizar.

Ao se usar as necessidades como um porta aberta,para evangelismo as


possibilidades são ilimitadas. Possuímos mais de 70 ministérios-alvo para
alcançar a multidão e a comunidade, cada um planejado com uma necessidade
específica em mente. Temos um grupo de apoio chamado “Braços Vazios”, para
casais que perderam seus filhos. Os “Construtores da Paz” são um grupo que
congrega pessoas que trabalham com segurança publica. O grupo “Esperança
Para os Separados” ministra para pessoas que estão tentando salvar seus
casamentos, depois que um dos parceiros se afastou. Os “Guias de vida” buscam
ir ao encontro das necessidades de adolescentes problemáticos. O grupo
“Celebrando a Recuperação” ministra para mais de quinhentas pessoas que
lutam contra o alcoolismo, dependência de drogas e outros tipos de vícios. E a
lista continua.

Existem necessidades universais entre os “Sem igreja”? Acredito que sim. Não
importa por onde eu tenha viajado, percebo que as pessoas têm, carências
similares. Estas incluem a necessidade de amor, aceitação, perdão, significado,
auto-expressão e propósito de vida. AS pessoas também estão procurando a
libertação do medo, culpa, preocupação, ressentimento, desencorajamento e
solidão. Se sua igreja estiver indo ao encontro desses tipos de necessidades,
você não deve se preocupar em fazer propaganda dos cultos. Vidas
transformadas são a maior propaganda de sua igreja.

Se há um lugar onde as necessidades estejam sendo satisfeitas e vidas sendo


transformadas, a noticia rapidamente se espalha para a comunidade.

Cada vez que sua igreja atende às necessidades de alguém, um bom comentário
sobre sua congregação começa a se espalhar em sua cidade. Quando uma
quantidade suficiente de bons comentários é espalhada, sua igreja irá atrair
pessoas que nenhum programa de visitação jamais poderia alcançar.

Jesus atraía as multidões ensinando de uma


maneira prática e interessante

A Bíblia nos dia que Jesus tinha o costume de ensinar às multidões (Mc 10:1). Ela
também nos esclarece sobre as reações da multidão:
 As pessoas ficavam maravilhadas com os seus ensinamentos (Mt
7:28)
 As pessoas ficavam profundamente interessadas (Mt 22:33)
70
 As multidões gostavam de ouvir Jesus (Mc 12:37).

As multidões nunca tinham ouvido ninguém falar a elas de forma que Jesus falou
e estavam “maravilhadas com o seu ensino” (Mc 11:18). Nunca houve um
comunicador maior do que ele.

Para chamar a tenção dos não-crentes como Jesus fez, devemos comunicar a
verdade espiritual da forma que ele comunicou. Jesus – nenhum outro – deve ser
o nosso modelo de pregação. Infelizmente, alguns livros de homilética dão mais
atenção aos métodos de Aristóteles e à retórica grega do que aos ensinamentos
de Cristo.

Em João 12:49, Jesus admitiu: “Pois eu não falei de mi mesmo, mas o Pai, que
me enviou, me prescreveu o que dizer e de que falar”. Note que tanto o conteúdo
como o estilo de Jesus forma ensinados pelo Pai.

Existe muita coisa que podemos aprender do estilo de comunicação de Jesus.


Porém, neste capítulo, quero identificar somente três atributos que ele possuía
quando ensinava quando ensinava à multidão.
Jesus começava pela necessidade, feridas e interesse das pessoas

O Senhor normalmente ensinava respondendo a uma questão ou se reportando a


um problema de alguém na multidão. Ele coçava onde as pessoas sentiam
coceira. Sua pregação tinha um caráter imediato. Ele sempre era relevante e
enfocava a situação do momento.

Quando Jesus pregou seu primeiro sermão em Nazaré, leu um texto de Isaías,
para anunciar qual seria a sua agenda de pregação: “O Espírito do Senhor está
sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres. Enviou-me para
apregoar liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, pôr em liberdade os
oprimidos, e anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4:18,19).

Note a ênfase em atender às necessidades e curar feridas. Jesus tinha boas


notícias para compartilhar e o povo queria ouvi-las. Sua mensagem oferecia
benefícios práticos para aqueles que a ouviam. A sua verdade era “libertar o
povo” e trazer todos os tipos de bênçãos para a vida.

Não precisamos tornar a Bíblia relevante. Ela já é! Devemos mostrar a relevância


da Palavra pela aplicação de sua mensagem pessoalmente na vida de cada um.

É necessário aprendermos a compartilhar o evangelho e sempre mostrar que ele


é tanto “bom” como “novo”. Se não é boas novas, não é evangelho. O evangelho
fala sobre o que Deus tem feito por nós e o que podemos nos tornar em Cristo.
Fala sobre um relacionamento pessoal com o Senhor como sendo a resposta
para as nossas necessidades mais profundas. As boas novas oferecem às
71
pessoas perdidas o que estão freneticamente buscando: perdão, liberdade,
segurança, propósito, amor, aceitação e força. O evangelho acerta o nosso
passado, assegura nosso futuro e nos dá significado pára o presente. É a melhor
notícia de toda a história mundial.!

As multidões sempre se aglomeram para ouvir boas novas, já existem más


notícias em demais no mundo. A última coisa que as pessoas querem ouvir
quando vêm para a igreja são mais notícias ruins. Estou buscando qualquer
pessoas que possa dar a elas esperança, ajuda e encorajamento. Jesus
entendeu isso e sentia compaixão pelas multidões. Ele sabia que estavam
“...cansadas e abatidas como ovelhas que não tem têm pastor”. (Mt 9:36).

Começando por onde estão as necessidades das pessoas quando prega ou


ensina, você imediatamente ganha a tenção da audiência. Todo bom
comunicador entende e usa este principio. Um bom professor sabe começar por
onde está o interesse dos estudantes e então os levar para a lição a ser
estudada. Um bom vendedor sabe que sempre deve iniciar falando a
necessidade do consumidor e não a respeito do produto. Você começa por onde
o povo está e o leva para onde quer que ele esteja.

O que chama a sua atenção? Existem três maneiras de passar pelo seu sistema
reticular de ativação: coisas que você dá valor, coisas que são diferentes e coisas
que lhe ameaçam. Este fato tem implicações profundas para aqueles que pregam
e ensinam. Se você quiser chamar a atenção da multidão desinteressada, deve
atar sua mensagem a um desses três fatores.

Mesmo que compartilhar o evangelho de uma maneira diferenciou ameaçadora


possa chamar a atenção dos “sem-igreja” , acredito que mostrar seu valor para as
pessoas é a forma mais consistente com os ensinamentos de Cristo. Jesus
ensinou de uma maneira que as pessoas entendiam o valor e benefícios do que
estava falando. Ele não tentou levar os “sem-igreja” ao reino de Deus usando o
medo. Na verdade, dirigiu suas únicas ameaças às pessoas religiosas! Ele
confortava os aflitos e afligia os confortáveis!.

É um grande erro se pensarmos que os não-crentes vão correr para a igreja se


simplesmente dissermos “Temos a verdade”. A reação será: “É, todo mundo tema
a verdade”. Os proclamadores de verdade não chamam muita atenção numa
sociedade que a desvaloriza. Para que isso possa ser superado, alguns
pregadores tentam “gritar” para a sociedade, mas pregar falando mais alto não é
a solução.

Ainda que a maioria dos não-crentes não esteja procurando a verdade, estão
procurando alívio. Isso nos dá a oportunidade de faze-lo interessados na
verdade. Descobri que, quando prego algo que alivia a dor ou soluciona
problemas, os não-crentes dizem: “Obrigado! O que mais há de verdade neste

72
livro?”. Compartilhar os princípios bíblicos que atendem a uma necessidade cria
uma maneira de se introduzir mais princípios da Palavra.

Poucas pessoas que vieram para Cristo estavam buscando a verdade. Buscavam
alívio. Jesus ia ao encontro das necessidades delas, quaisquer que fossem:
lepra, cegueira, ou problemas de coluna. Depois que suas necessidades eram
solucionadas, sempre ficavam ansiosas por conhecer a verdade sobre este
homem que as ajudou em um problema que ninguém podia resolver.

O texto de Efésios 4:29 diz “ Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe,
mas só a que for boa para promover a edificação, conforme a necessidade, para
que beneficie aos que a ouvem”. Note que o que pregamos deve ser determinado
pela necessidade das pessoas para que estamos falando. Devemos falar
somente o que as beneficia. Se esta e é à vontade de Deus para as nossas
conversas, certamente deve ser à vontade dele para os nossos sermões.
Infelizmente muitos pastores determinam o conteúdo de suas mensagens mais
pelo que sentem que precisam falar, do que pelo que as pessoas precisam ouvir.

Uma das razões da dificuldade enfrentada por muitos pastores em estudar para
pregar é porque fazem a pergunta errada. Em vez de perguntar: “O que devo
pregar no próximo domingo?”, deveriam estar perguntando: “Para quem vou estar
pregando:” Pensar sobre a necessidade da audiência vai ajudar a determinar a
vontade de Deus para a sua mensagem.

Uma vez que Deus, em sua onisciência, já sabe quem vai estar assistindo ao
culto no domingo, por que lhe daria uma mensagem irrelevante para as
necessidades daqueles que Ele tem intenção de trazer? Por que Ele lhe daria
algo para pregar sobre um assunto que não serve de ajuda para aqueles que
precisam ouvir? As necessidades imediatas das pessoas são uma chave que
Deus usa para você começar a pregar em uma ocasião.

A multidão não determina se você vai ou não falar a verdade. A verdade não é
opcional, mas sua audiência determina quais as verdades que você deve
escolher para compartilhar. Para os não-crentes algumas verdades são mais
relevantes do que outras.

Alguma coisa pode ser verdade e irrelevante ao mesmo tempo? Com certeza. Se
você se envolvesse num acidente de carro e estivesse numa sala cirúrgica com
hemorragia, como se sentiria se o médico quisesse falar sobre a origem da
palavra no hospital ou se quisesse lhe contar a historia do estetoscópio? A
informação que ele passaria seria verdadeira, mas seria irrelevante porque não
poderia curar o seu ferimento. Você ia querer um medico que aliviasse a sua dor.

Sua audiência também determina como você começa a mensagem. Se você


tivesse falando para os“sem-igreja” e passa a primeira parte de sua mensagem
73
apresentando o contexto histórico do texto, quando chegar na aplicação pessoal,
já terá perdido a tenção deles. Quando você falar para os “sem-igreja”, deve
começar por onde seus sermões normalmente terminam.

O tipo mais profundo de ensinamento é aquele que faz a diferença no dia-a-


dia das pessoas.

Jesus relacionava a verdade com a vida

Gosto da praticidade e da simplicidade dos ensinamentos de Jesus. São claros,


relevantes e aplicáveis. Ele enfatizava a aplicação, porque o seu alvo era
transformar pessoas, não meramente informa-las de alguma coisa.
Consideramos o Sermão da Montanha a maior pregação feita até hoje.

Capítulo 13

A adoração pode ser um testemunho

Neste final de semana, milhões de pessoas vão freqüentar um culto evangélico. A


coisa que me impressiona é que a maioria dessas pessoas não sabe dizer qual o
propósito deste culto. Podem ter uma idéia vaga, mas seria difícil colocá-la em
palavras.

Nos próximos capítulos, vou explicar como planejamos o formato de nosso culto
que alcançou milhares de não-crentes para Cristo. Mas, primeiro, creio que seja
necessário esclarecer algumas razões teológicas e práticas. Tudo o que fazemos
em nossos cultos de final de semana é baseado em doze convicções profundas
que temos.

Doze convicções sobre adoração

1. Somente os crentes podem verdadeiramente adorar a Deus. A direção da


adoração é dos crentes para Deus. Glorificamos o nome de Deus na adoração,
expressando nosso amor e compromisso para com Ele. Os não-crentes
simplesmente não podem fazer isso. Em nossa comunidade, “adoração é
expressar o nosso amor por Deus, por quem Ele é, pelo que Ele disse e pelo que
Ele está fazendo”.

Acreditamos que existem muitas formas apropriadas para expressarmos o nosso


amor a Deus. Entre outras, a oração, canções, agradecimento, ouvir, dar,
testificar e confiar, obedecer a suas palavras etc. Deus, e não o homem, é o foco
e o centro de nossa adoração.

74
2. Não precisamos de um prédio para adorar a Deus. O texto de Atos 17:24 diz:
“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do Céu e da
terra, não habita em templos feitos por mãos de homens”. Você provavelmente
espera uma ênfase como essa vinda de uma igreja que existe há quinze anos e
possui uma freqüência de mais de dez mil pessoas por Domingo, sem um prédio.
Acho que não preciso falar mais nada sobre isso.

Infelizmente, muitas igrejas são obcecadas com a construção de prédios.


Nenhum prédio (ou a falta de um) deve controlar, limitar ou distrair o povo da
adoração a Deus. Não existe nada de ruim em relação a prédios, a não ser que
você os adore no lugar do Criador. Jesus disse: “Pois onde estiverem dois ou três
reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18:20).

3. Não existe um “estilo de adoração” que seja correto. Jesus somente fez dois
requerimentos para uma adoração legítima: “Deus é Espírito, e importa que os
que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:24). Deus não fica
ofendido, ou mesmo aborrecido, pelos diferentes estilos de adoração, contanto
que sejam feitos “em espírito” e “em verdade”. Estou certo que Deus ama a
variedade! Lembre-se, foi idéia dele nos fazer diferentes uns dos outros.

O estilo de adoração em que você se sente mais à vontade tem a ver muito mais
com sua cultura do que com sua teologia. Os debates sobre os estilos de
adoração são quase sempre sociológicos e pessoais, embrulhados em termos
teológicos.

Toda igreja gosta de acreditar que o seu estilo de adoração é o mais bíblico. A
verdade é que não existe um estilo bíblico de adoração. A cada domingo, crentes
verdadeiros ao redor do mundo dão glórias a Jesus Cristo, usando milhares de
expressões e estilos igualmente válidos. Não importa o estilo, a adoração
verdadeira usa tanto o lado direito do cérebro como o lado esquerdo. Ela utiliza
tanto emoção como intelecto, seu coração e sua ente. É imprescindível adorar
em espírito e em verdade.

4. Os não-crentes podem observar os crentes adorando. Os não-crentes podem


observar a alegria que sentimos. Podem ver como valorizamos a Palavra de
Deus, como respondemos a ela e como a Bíblia responde aos problemas e
questões de nossa vida. Podem notar como a adoração encoraja, fortalece e nos
transforma. É até possível, para eles, sentirem como Deus se move
sobrenaturalmente num culto, mesmo que não sejam capazes de explicar isto.

5. A adoração é uma poderosa testemunha para os não-crentes se a presença de


Deus é sentida e se a mensagem é compreensível. Em Atos 2, no dia de
Pentecostes, a presença de Deus era tão evidente no culto de adoração dos
discípulos que atraiu a atenção dos não-crentes de toda a cidade. O texto de Atos

75
2:6 diz “...ajuntou-se uma multidão...”. Sabemos que deve ter sido uma grande
multidão, porque quase três mil pessoas foram salvas naquele dia.

Por que aquelas pessoas se converteram? Porque sentiram a presença de Deus


e entenderam a mensagem. Esses elementos são essenciais na ordem de
adoração para ser uma testemunha. A presença de Deus deve ser perceptível em
cada culto. Mais pessoas são ganhas para Cristo por sentirem a presença de
Deus do que por todos os argumentos apologéticos juntos. Poucas pessoas se
houver alguma, são convertidas a Cristo por razões puramente intelectuais. Sentir
a presença de Deus derrete corações e destrói barreiras mentais.

Existe uma conexão íntima entre adoração e evangelismo. A meta do


evangelismo é produzir adoradores para Deus. A Bíblia nos diz que: “...pois o Pai
procura a tais que assim o adorem” (Jo 4:23). Então, o evangelismo é a missão
de recrutar adoradores para Deus.

Ao mesmo tempo, é a adoração que dá a motivação para o evangelismo. Ela


produz em nós um desejo de falar de Cristo para os outros. O resultado da
poderosa experiência de Isaías (Is 6:1-8) foi dizer: “Eis-me aqui. Envia-me a
mim”. A verdadeira adoração nos faz testemunhas verdadeiras.

Na adoração genuína a presença de Deus é sentida, o perdão de Deus é


oferecido, os propósitos de Deus são revelados e o poder de Deus é mostrado.
Isso me parece o contexto ideal para o evangelismo! Tenho notado que quando
não-crentes observam os crentes se relacionando com Deus de uma maneira
inteligente e sincera, isso cria neles um desejo de conhecer a Deus também.

6. Deus espera que sejamos sensíveis aos temores, dificuldades e necessidades


dos não-crentes quando estão presentes em nossos cultos de adoração. Este
princípio foi ensinado por Paulo em 1 Coríntios 14. No versículo 23, Paulo
mandou que o uso de línguas fosse limitado em adorações públicas. Qual é a
razão disso? Falar em línguas parece loucura para os não-crentes. Paulo não
disse que as línguas eram loucura, somente que pareciam loucura para os não-
crentes. “Portanto, se toda a igreja se congregar em um lugar, e todos falarem em
línguas e entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão que estais loucos?” (1 Co
14:23).

Acredito que existe um princípio maior por trás deste conselho para a igreja de
Corinto. O que Paulo está querendo dizer é que devemos estar dispostos a
ajustar nossas práticas de adoração quando não-crentes estão presentes. Deus
nos diz para sermos sensíveis às dificuldades deles em nossos cultos. Fazer um
culto sensível aos que não conhecem a Deus é um mandamento bíblico.

Mesmo que Paulo nunca tenha usado o termo “sensível aos não-crentes”, foi o
pioneiro desta idéia porque estava bastante preocupado em não colocar
nenhuma pedra de tropeço na frente dessas pessoas. Ele falou à igreja em
76
Corinto: “Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios,
nem para a igreja de Deus” (1 Cor 10:32). Ele também aconselhou à igreja de
Colossos: “Andai em sabedoria para com os que estão de fora, aproveitando bem
cada oportunidade” (Cl 4:5).

Quando você tem convidados em sua casa para jantar, sua família age diferente
de quando vocês estão sozinhos? É claro que sim ! você presta atenção às
necessidades dos seus convidados, assegurando-se de que sejam servidos
primeiro. A comida pode ser a mesma, mas você usa pratos diferentes. A
conversa na mesa é geralmente mais amena e polida. Será que isso é ser
hipócrita? Não! Fazendo essas coisas, você está sendo sensível e mostrando
respeito para com os convidados. Da mesma maneira, a comida espiritual
permanece a mesma num culto sensível aos não-crentes, mas a apresentação é
mais elaborada, considerando a presença dos nossos convidados.

7. O culto de adoração não precisa ser superficial para ser sensível aos não-
crentes. A mensagem não deve ser comprometida, só compreensível. Fazer um
culto “ à vontade” para os sem-igreja não significa mudar a teologia. Significa
mudar o ambiente do culto. Mudar o ambiente pode ser feito por meio da maneira
com que você cumprimenta os visitantes, o estilo de música que é tocado, a
tradução da Bíblica que você usa para pregar e os tipos de avisos que são dados
no culto.

A mensagem não é sempre confortável, às vezes a verdade de Deus é muito


incômoda! Ainda assim, devemos ensinar a Palavra de Deus. Ser sensível aos
não-crentes não limita o que você diz, mas, sim, como você fala.

Como já mencionei, os “sem-igreja” não estão pedindo para que diluamos a


mensagem. Eles esperam ouvir a Bíblia quando vêm para a igreja. o que
realmente querem é ouvir como a Bíblia se relaciona com sua vida, usando uma
terminologia compreensível e um tom que demonstre respeito e carinho por eles.
Estão buscando soluções e não repreensões.

Os não-crentes lutam com as mesmas questões profundas que incomodam os


crentes: Quem sou eu? De onde vim? Para onde estou indo? Qual o sentido da
vida? Por que existe sofrimento e mal no mundo? Qual é o propósito de minha
vida? Como posso aprender a me relacionar com as pessoas? Estes assuntos
certamente não são superficiais.

8. Muitas vezes, as necessidades dos crentes e dos não-crentes são similares.


Elas são muito diferentes em algumas áreas, mas também muito parecidas em
outras. Os cultos sensíveis aos “sem-igreja” se concentram em necessidades
comuns tanto para crentes como para não-crentes. Por exemplo: crentes e não
crentes necessitam saber porque e como podem perdoar aos outros, carecem de
ajuda para fortalecer os seus casamentos e famílias, devem aprender como lidar
77
com sofrimento, tristeza e dor e têm de saber porque o materialismo é tão
destrutivo. Os cristãos não deixam de ter necessidades quando são salvos.

9. A especialização de cultos de acordo com o seu propósito é a melhor maneira


de se alcançar bons resultados. A maioria das igrejas tenta evangelizar os
perdidos e edificar os crentes num mesmo culto. Quando você envia sinais
misturados, vai receber resultados misturados. Tentar mirar em dois alvos com
uma só arma resulta em frustração.

Desenvolva um culto de adoração para edificar os crentes e outro culto para


evangelizar os “sem-igreja” trazidos pelos seus membros. Em nossa comunidade,
o culto de crentes é realizado nas noites de quartas-feiras e os cultos para não-
crentes acontecem no Sábado à noite e no domingo de manhã. Desta forma,
podemos usar diferentes estilos de pregação, música, orações e outros
elementos apropriados para cada alvo.

10. Um culto direcionado aos não-crentes é feito para completar o evangelismo


pessoal, não para substituí-lo. As pessoas geralmente acham mais fácil tomar
uma decisão por Cristo quando estão envolvidas em relacionamentos múltiplos
para apoiar essa decisão. Os cultos para os “sem-igreja” dão um testemunho em
grupo que melhora e confirma o testemunho pessoal dos membros da igreja.
quando um não-crente freqüenta este culto comum amigo que tem lhe falado de
Jesus, vê as pessoas da igreja e pensa: “Opa! Aqui tem muitas outras pessoas
que acreditam nisso. Isso tem muito a ver”.

Existe um poder de persuasão incrível no testemunho de uma multidão de


crentes untos em adoração. Por esta razão, quanto mais freqüente for o seu culto
para não-crentes, melhor será a ferramenta evangelística que ele vai se tornar.

11. Não existe um padrão de desenvolvimento para este tipo de culto. Isso
acontece porque os não-crentes não são todos iguais! Alguns querem um culto
que faça com que se sintam uma parte integrante dele, outros querem se sentar
passivamente e assistir. Alguns gostam do silêncio, da meditação, outros gostam
de cultos com muita energia. O estilo que melhor funciona no sul da Califórnia,
provavelmente não funciona na Nova Inglaterra, ou vice-versa. São necessários
todos os tipos de culto par alcançar todos os tipos de pessoas.

Porém, existem três elementos que não podem ser comprometidos nesta reunião:
(1) tratar os não-crentes com amor e respeito; (2) relacionar o culto com as
necessidades deles; e (3) compartilhar a mensagem de uma maneira prática e
compreensível. Todos os outros elementos são secundários e a igreja não deve
se prender a eles.

A coisa que realmente atrai um grande número de não-crentes para a igreja são
vidas mudadas, muitas vidas mudadas. As pessoas querem ir a um lugar onde

78
haja transformação de vidas, onde haja cura para as feridas e onde a esperança
possa ser restaurada.

Nosso posicionamento tem forçado uma reavaliação das tradições de muitas


igrejas em relação aos não-crentes, por causa da conversão de milhares de
“sem-igreja” para Cristo, a despeito das circunstâncias mais improváveis e
difíceis.

Em cada culto, pedimos às pessoas para preencher um cartão de registro e


cantar algumas canções de louvor. Tiramos a oferta e damos um esboço da
mensagem com os versículos escritos. Em seguida, fazemos um apelo para que
as pessoas se comprometam com Deus. Apesar de ter ouvido algumas pessoas
dizerem que não conseguem alcançar os “sem-igreja” se fizerem essas coisas,
mais de 7.000 não-crentes já registraram um compromisso com Cristo.

Não trate estas sugestões como se fossem os Dez Mandamentos. Eu não faria
tudo o que fizemos na Saddleback se estivesse em outra parte dos Estados
Unidos ou em outro lugar. Você precisa descobrir o que funciona melhor para
alcançar os “sem-igreja” dentro do seu contexto local.

12. É necessário crentes altruístas e maduros para que se possa oferecer um


culto sensível aos não-crentes. Em 1 Coríntios 14:19, 20 Paulo diz que quando
pensamos somente em nossas próprias necessidades na adoração, estamos
agindo como crianças imaturas. Os membros demonstram uma incrível
maturidade espiritual quando levam em consideração as necessidades, temores
e dificuldades dos não-crentes, e estão dispostos a colocar estas necessidades
antes das suas, durante o período de culto.

Em toda igreja existe uma tensão constante entre os conceitos de “serviço” e


“sirva-nos”. A maioria acaba cedendo às necessidades dos membros porque são
eles que pagam as contas. Oferecer um culto aos “sem-igreja” significa
intencionalmente priorizar na direção oposta. São necessários crentes que
estejam disposto a criar um ambiente propício para os não-crentes, às custas de
suas próprias preferências e tradições. Isso requer uma enorme maturidade
espiritual para voluntariamente se deslocar na zona de conforto.

Jesus disse: “tal como o filho do homem não veio para ser servido, mas para
servir, e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20:28). Antes que uma atitude
de servo sem egoísmo penetre nas mentes e corações de sues membros, sua
igreja não estará pronta para começar um culto que priorize os de fora.

Capítulo 15

SELECIONANDO SUA MÚSICA

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Constantemente, pergunto o que faria de diferente se tivesse de começar a igreja
de novo. Minha resposta é essa: “Desde o primeiro dia eu colocaria mais energia
e dinheiro no ministério de música”. Nos primeiros anos de nossa igreja, errei ao
subestimar o poder da música e a parte musical dos cultos. Hoje, arrependo-me
do equívoco que cometi.

A música é uma parte importante de nossas vidas. Comemos com ela, dirigimos
com ela, compramos com ela, relaxamos com ela e alguns evangélicos até
dançam com ela! O maior passatempo da América não é o beisebol, é a música.

Muitas vezes, uma canção pode tocar pessoas de uma forma que um sermão
não consegue. A música pode ultrapassar as barreiras intelectuais e levar a
mensagem diretamente para o coração. É uma ferramenta forte do evangelismo.
No Salmo 40:3, Davi diz: “Pôs um novo cântico na minha boca, um hino de louvor
ao nosso Deus. Muitos o verão, e temerão...”. Note a clara conexão entre a
música e o evangelismo: ...”e confiarão no Senhor”.

A música é a principal comunicadora de valores para as gerações mais novas. Se


não usarmos a música contemporânea para espalharmos as valores de Deus,
Satanás vai ter acesso ilimitado a uma geração inteira. A música possui uma
força que não pode ser ignorada.

É impossível agradar o gosto musical de todas as pessoas. A música é um


assunto que divide, separa gerações, regiões do país, tipos de personalidades e
até mesmo membros da mesma família. Assim, não devemos nos surpreender
quando as opiniões diferem em relação à música. Você deve decidir quem está
tentando alcançar, identificar o estilo musical adequado e ficar com ele. Você está
perdendo tempo se busca um gênero de música que agrade todos de sua igreja.

Escolhendo o tipo de música

O estilo de música que você escolhe para o culto vai ser uma das decisões mais
críticas e controvertidas tomadas na vida da igreja. também pode ser o fator mais
influente em determinar quem sua igreja vai alcançar para Cristo e se ela
crescerá ou não. Você deve combinar sua música com o tipo de pessoas que
Deus quer que você alcance.

A música utilizada posiciona sua igreja em sua comunidade. Ela determina quem
você é. Uma vez decidido o estilo de música que será usado no período de
adoração, você já direcionou sua igreja de uma forma mais significativa do que
você pode pensar. Ela vai determinar o tipo de pessoa que será atraído, o tipo de
pessoa que você vai manter e o tipo de pessoas que você irá perder.

Insistir que toda “boa” música foi escrita na Europa, há duzentos anos, é puro
elitismo cultural. Não existe nenhuma base bíblica para esse ponto de vista.

80
Dependendo de onde cresceu, você gosta de música country, jazz, blues, pop ou
rock. Nenhum desses estilos é “melhor” do que outros.

As igrejas também precisam admitir que não existe um estilo de música em


particular que é “sagrado”. O que faz uma música sagrada é a sua mensagem. A
música não é nada mais do que um arranjo de notas e ritmos. São as palavras
que fazem uma música espiritual. Não existe música cristã, mas, sim, letras
cristãs. Se fosse tocada uma música sem palavras, você não saberia se é cristã
ou não.

A mensagem sagrada de uma música pode ser comunicada em uma grande


variedade de estilos musicais. Por dois mil anos, o Espírito tem usado todos os
tipos de músicas para dar glória a Deus. É necessário todo o tipo de igrejas,
usando todos os tipos de estilos musicais, para alcançar todos os tipos de
pessoas. Insistir que um estilo de música em particular é sagrado é idolatria.

Me divirto toda vez que escuto um crente que resiste à música contemporânea
dizer: “Precisamos voltar às raízes musicais”. Fico me perguntando quanto tempo
para trás ele quer ir. Voltar para o canto gregoriano? Voltar as melodias da igreja
de Jerusalém? Normalmente eles só querem voltar 50 ou 100 anos.

Lemos nos Salmos que na adoração bíblica usavam tambores, címbalos,


trombetas, tamborins e instrumentos de corda. Isso me parece música
contemporânea!

Cante um cântico novo

Por toda a história da igreja, os grandes teólogos têm colocado a verdade de


Deus no estilo musical de seus dias. A música de “Castelo Forte”, hino composto
por Martinho Lutero, é emprestada de uma canção popular cantada nos bares de
sua época (hoje, Lutero provavelmente estaria usando músicas de um Karaokê).
Charles Wesley usava as canções populares das tavernas e das casas de ópera
da Inglaterra. John Calvino contratou dois músicos seculares para colocar sua
teologia em música. A rainha da Inglaterra estava tão aborrecida com essas
“canções vulgares” que se referia agressivamente a elas como as “cantarolas de
Genebra” de Calvino!

As canções que consideramos clássicos-sagradas já foram criticadas, assim


como a música cristã contemporânea. Quando “Noite Feliz” foi publicada, George
Weber, diretor musical da Catedral de Mainz, a chamou de vulgar, vazia de
religiosidade e de sentimentos cristãos. Charles Spurgeon, o grande pastor
inglês, detestava as canções contemporâneas de sues duas, as mesmas que
hoje reverenciamos.

81
Mesmo a consagrada tradição de cantar hinos, em outros tempos foi considerada
“mundana” em igrejas batistas. Benjamin Keach, um pastor batista do século 17,
é visto como o introdutor de hinos nas igrejas batistas inglesas. Ele começou a
ensinar as crianças a cantar o que gostavam. Os pais, por outro lado, não
gostavam de cantar os hinos. Estavam convencidos de que aquelas canções
eram “estranhas à adoração evangélica”.

Uma grande controvérsia aconteceu quando o pastor Keach tentou introduzir


canções para toda a congregação em sua igreja, na cidade de Horsley Down. Em
1673, finalmente, ele conseguiu que concordassem em cantar um hino depois da
Ceia do Senhor, usando um texto inspirado em Marcos 14:26. Ainda assim, keach
permitia que aqueles Que aqueles que se opunham saíssem antes do hino em
“dias de ação de graças”.

Mais catorze anos se passaram antes de a igreja concordar que cantar hinos era
apropriado para adoração. A controvérsia custou caro. Ela fez com que 22
membros da igreja de Benjamin Keach saíssem e se juntassem a uma “igreja
não-cantante”. Mesmo assim, a moda de se cantar hinos pegou em outras igrejas
e as “igrejas não-cantantes” logo começaram a chamar somente pastores que
gostavam de cantar. Como as coisas mudam! Você pode retardar o processo e
perder com isso, mas você não pode pará-lo.

A coisa mais impressionante para mim, nesse incidente com o pastor Keach, é a
sua incrível paciência. Ele levou 22 anos para mudar o estilo de adoração de sua
igreja. em uma igreja normal, é mais fácil mudar a teologia do que a ordem de
culto.

O debate sobre qual estilo de música deve ser usado na adoração vai ser um dos
maiores pontos de conflitos nas igrejas nos próximos anos. Toda igreja vai, mais
cedo ou mais tarde, enfrentar este assunto. Esteja preparado para uma discórdia
calorosa. James Dobson certa vez admitiu em seu programas Focus on the
Family [Foco na família] o seguinte: “De todos os temas que já cobrimos em
nosso programa de rádio, do aborto até a pornografia, o mais controverso foi
quando falamos sobre música. Você pode fazer com que as pessoas se
aborreçam quando discute o seu gosto musical, mais do que qualquer outro
assunto”. O debate sobre os estilos de música tem dividido e polarizado muitas
igrejas. Acho que é por isso que Spurgeon chamava o seu ministério de música
como o “Departamento de Guerra!”

Por que as pessoas levam tão a sério quando discordam sobre os estilos de
louvor? Isso ocorre porque a maneira que você adora está intimamente ligada
com a forma que Deus lhe fez. A adoração é a sua expressão pessoal de amor a
Deus quando alguém critica a forma que você adora, isto naturalmente é
encarado como uma ofensa pessoal.

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A Saddleback é, sem dever desculpas a ninguém, uma igreja com música
contemporânea. Muitas vezes a imprensa se refere a nós como “o rebanho que
gosta de rock”. Usamos o estilo de música que a maioria das pessoas de nossa
igreja ouve no rádio.

Descobri que 96% do nosso do nosso do nosso povo escutava música


contemporânea. A maioria das pessoas com menos de 40 anos gosta de
qualquer música escrita depois de 1965. Para eles, Elvis é um clássico! Gostam
de música agitada e alegre, com cadência forte. Seus ouvidos estão
acostumados com músicas bem ritmadas.

O rock é o principal estilo musical que escolhemos para usar em nossa igreja.

Admito que perdi centenas de membros em potencial devido ao estilo de música


que adotamos. Por outro lado, atraímos milhares por causa de nossa música.

AS REGRAS NA SELEÇÃO DE UM ESTILO DE MÚSICA

Revise toda a música utilizada

Quando você revisa a música que pretende usar, considere tanto a letra como o
ritmo. Pergunte se as letras são doutrinariamente corretas, se são
compreensíveis para os “sem-igreja” e se a canção usa termos ou metáforas que
eles conseguem entender. Sempre identifique o propósito da canção. Ela é para
edificação, louvor, comunhão ou evangelismo?

Em nossa igreja, caracterizamos as músicas de acordo com o nosso alvo.

Pergunte a você mesmo: “Como esse ritmo me afeta?”. A música exerce uma
grande influência nas emoções humanas. O tipo errado de música pode
prejudicar a atmosfera e o ambiente do culto. Todo pastor sabe muito bem a
agonia de tentar ressuscitar o culto depois de um número musical ter deixado
todo mundo deprimido. Decida qual o ambiente que você quer em seu culto e use
o estilo de música que crie tal ambiente. Em nossa congregação, acreditamos
que o louvor deve ser uma celebração, então usamos um estilo para cima,
ritmado e alegre. raramente cantamos uma canção lenta.

Até quando convidamos cantores cristãos para se apresentar na igreja, insistimos


em olhar previamente cada música que vão cantar.

Acelere o tempo

Como já mencionei, a Bíblia diz que devemos servir “...ao Senhor com alegria” (Sl
100:2), mas muitos cultos de adoração soam mais como um funeral do que como
uma festa! John Bisagno, pastor da Primeira Igreja Batista de Houston, Texas,
83
com 15.000 membros, diz: “Músicas que parecem ter sido compostas para um
funeral e ministros de música que mais parecem estátuas vão matar uma igreja
mais rápido do que qualquer outra coisa no mundo!”.

É impossível cair no sono quando nossa igreja canta. Queremos que nossa
música tenha um impacto emocional e espiritual nas pessoas. Os “I”, “M”, “P” e
“T” de IMPACT de que falei no último capítulo são todas canções rápidas. As
canções “A” e “C” são mais lentas e inspiram à meditação. Os não-crentes
normalmente preferem músicas de celebração à de contemplação, porque ainda
não têm um relacionamento com Cristo.

Atualize as letras

Alguns membros vão insistir que existe boa teologia nos velhos hinos. Concordo.
Mas por que não substituir os termos arcaicos e colocar as músicas em um ritmo
contemporâneo?

A propósito, alguns louvores contemporâneos são tão confusos como os hinos,


quando se usa um vocabulário incompreensível para os de fora. Os não-crentes
não têm a mínima idéia de quem é Jeová Jireh.

Encoraje os membros a compor novas canções

Cada igreja deve ser encorajada a compor canções de adoração. Se você


estudar a história da igreja, vai descobri que cada reavivamento genuíno sempre
foi acompanhado por músicas novas. As novas canções têm a dizer: “Deus está
fazendo alguma coisa aqui e agora, e não cem anos atrás”. Toda congregação
necessita de novas músicas para expressar sua fé.

O versículo 1 do Salmo 96, diz: “Cantai ao Senhor um cântico novo”. É muito


triste que a maioria das igrejas ainda esteja cantando as mesmas velhas
músicas. A companhia Columbia Records uma vez fez um estudo e descobriu
que depois de uma canção ser executada mais de 50 vezes, as pessoas não
pensam mais no significado da letra e cantam sem perceber o que estão falando.

Gostamos das canções antigas porque nos trazem lembranças emocionais que
mexem conosco.

Muitas igrejas fazem uso abusivo de certas canções devido à preferência pessoal
do pastor ou do ministro de música. O repertório musical está nas mãos do líder.
O que quer que o ministro de música ou o pastor gostem, não deve ser o fator
determinante no estilo de música que você usa. Ao contrário, use seu alvo para
determinar o estilo.

A preferência pessoal tem matado os cultos de adoração mais do que qualquer


outra coisa.
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Muitas canções da primeira metade do século têm a tendência de glorificar a
experiência cristã e não a Cristo. Por outro lado, a maioria das canções de
adoração efetivas é composta de músicas cantadas diretamente para Deus. Esta
e a adoração bíblica. A força de muitas canções de adoração contemporâneas é
que são centralizadas em Deus, em vez de serem centralizadas no homem.

TROQUE O ÓRGÃO POR UM SINTETIZADOR

Com a tecnologia atual, qualquer igreja pode ter a mesma qualidade de som
disponível nos melhores estúdios. Tudo o que você necessita é um bom teclado
eletrônico com alguns acessórios. A beleza de se usar um teclado é que ele pode
ser usado para “preencher as brechas”, caso você não tenha muitos músicos. Por
exemplo, se você tem uma pessoa que toca teclado, trompete e um guitarrista,
mas não tem um baixista, ou um baterista, tudo o que tem a fazer é adicionar o
baixo e a bateria na programação do teclado. Se ninguém em sua igreja está
familiarizado com esta tecnologia, você pode receber instruções em qualquer boa
loja de instrumentos musicais.

Convidamos os “sem-igreja” para vir e sentar em cadeiras do século 17 (as quais


nós chamamos de bancos), cantar músicas do século 18 (as quais nós
chamamos de hinos) e ouvir um instrumento do século 19 (um órgão), e depois,
nos surpreendemos por eles nos acharem cafonas! Temo que vamos estar no
meio do século 21 até que algumas igrejas comecem a usar instrumentos do
século 20.

Devemos decidir se a igreja vai ser um conservatório musical para a elite ou será
um lugar onde as pessoas comuns podem trazer seus amigos não-crentes para
ouvir uma música que compreendam e gostam.

COLOQUE A MÚSICA NO DEVIDO LUGAR

Ainda que a música seja normalmente o elemento mais controverso em um culto


para não-crentes, é um elemento crítico que não pode ser ignorado. Precisamos
compreender o incrível poder que ela possui e usar este poder, deixando de lado
nossas preferências pessoas, para trazer os “sem-igreja” para Cristo.

Capítulo 16

Uma vez vi em um desenho do Snoopy algo que descreveria a estratégia


evangelística de muitas igrejas. Charlie Brown estava praticando arco e flecha em
seu quintal. Em vez de mirar, ele atirava as flechas no muro de madeira e
desenhava um alvo onde a flecha tinha atingido. Lucy foi até ele e disse: “Por que
você está fazendo isso?”. Ele respondeu, sem nenhuma vergonha: “Desta
maneira, nunca erro!”.
85
Infelizmente, a mesma lógica é usada por muitas congregações em seus esforços
de alcance evangelístico. Lançamos flechas de boas novas para a nossa
comunidade e, se por acaso atingir alguém, dizemos: “Este era o alvo que
tínhamos em mente!”. Existe pouco planejamento se estratégia por trás de
nossos esforços e não miramos num alvo específico. Somente desenhamos um
alvo ao redor da flecha e nos contentamos com isso. É um método patético.
Trazer pessoas para Cristo é uma missão muito importante para tratarmos de
maneira casual.

Muitas congregações são “ingênuas” quando o assunto é evangelismo. Se você


perguntar aos membros: “Qual é o alvo de sua igreja?”, a resposta provavelmente
será: “Estamos tentando alcançar o mundo para Jesus Cristo”. Claro que este é o
alvo da Grande Comissão e deve ser a meta de cada igreja, mas, na prática, não
existe nenhuma igreja que possa alcançar todo mundo sozinha.

Seres humanos são bem diferentes uns dos outros. Nenhuma igreja pode
alcançar a todos. Vários tipos de igreja são necessários. Juntos, podemos
conseguir o que nenhuma congregação, estratégia ou estilo, pode alcançar por si
só.

Sempre me recuso a debater sobre qual é o método de evangelismo mais


eficiente. Depende de quem você está tentando alcançar. Diferentes tipos de
iscas são usados para pescar diferentes tipos de peixes. Sou favor de qualquer
método que alcance pelo menos uma pessoa para Cristo, contanto que seja
ético. Acredito que será bastante vergonhoso quando os críticos de um método
em particular de evangelismo forem para o céu e descobrirem o tanto de gente
que está lá, graças àquele método combatido! Não devemos criticar o que Deus
está abençoando.

Para nossa igreja, o método mais efetivo para evangelismo depende de nosso
alvo. Descubra quais os tipos de pessoas que vivem em sua área, decida qual o
grupo que sua igreja está melhor equipada para alcançar e, depois, descubra
qual dos estilos de evangelismo melhor se encaixa com seu público-alvo.

Imagine o que aconteceria com uma estação de rádio que tentasse atingir o gosto
musical de todas as pessoas.

Rádios bem-sucedidas selecionam o público, pesquisam sua área de


transmissão, buscam saber quais os segmentos da população não alcançados
por outras estações e assim escolhem qual o formato que alcança o objetivo
traçado.

Definir o alvo evangelístico foi o segundo fator mais importante para o


crescimento da Saddleback. Depois de descobrir quem nossa igreja estava
melhor capacitada a alcançar para Cristo, intencionalmente fomos atrás dessas
86
pessoas. Quando planejamos uma missão evangelística, sempre temo um alvo
específico em mente. A Bíblia determina nossa mensagem, mas o nosso alvo é
determinado quando, onde e como comunicamos o evangelho.

Mirar para evangelizar é bíblico

A prática de focar tipos específicos de pessoas para serem evangelizadas é um


princípio bíblico tão antigo quanto a Novo Testamento. Jesus fazia isso. Quando a
mulher Cananéia pediu para que ele ministrasse à sua filha possuída pelo
demônio, ele publicamente declarou que o Pai lhe disse para se concentrar nas
“ovelhas perdidas de Israel” (Mt 15:22-28). Mesmo que Jesus tenha curado a filha
da mulher Cananéia por causa de sua fé, identificou claramente o seu ministério
como direcionado para os judeus. Estava Jesus sendo injusto ou preconceituoso?
Claro que não! Ele direcionava o seu ministério para que fosse efetivo, e não
exclusivo.

Antes disso, Ele havia instruído os discípulos para também focar onde deveriam
ministrar. O evangelho de Mateus 10: 5,6, diz: “Jesus enviou estes doze. E lhes
ordenou: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidades de
samaritanos. Ide antes às ovelhas perdidas na casa de Israel”. Paulo mirava o
seu ministério para os gentios e Pedro para os judeus (Gl.2:7). Ambos os
ministérios eram necessários, importantes e efetivos.
Até mesmo os evangelhos foram escritos para atingir públicos específicos. Você
já se perguntou por que Deus usou quatro escritores e quatros livros para
comunicar a vida de Cristo? Afinal, quase todas as passagens e ensinamentos no
evangelho de Marcos, são cobertas no evangelho de Mateus. Por que
precisamos dos dois livros? Por que o evangelho de Mateus é direcionado aos
leitores hebreus e o de Marcos aos gentios. A mensagem é a mesma, porém,
como foram escritas para públicos distintos, o estilo de comunicação é diferente.
Especificar seu alvo para evangelizar é um método inventado por Deus! Ele
espera que testemunhemos de maneira personalizada.

O conceito de alvos evangelísticos está implícito na Grande Comissão.


Precisamos fazer discípulos em “todas as nações”. A palavra grega é ta ethne, de
onde tiramos a palavra étnico, que se refere literalmente a “todos os grupos de
pessoas”. Cada um desses grupos é único e necessita de uma estratégia
evangelística que comunique o evangelho da forma que os alcance.

A prática do evangelismo com um foco definido é especialmente importante em


igrejas pequenas. Nelas, os recursos são limitados e é vital que você faça o
máximo com o que tem. Concentre seus recursos para alcançar pessoas que sua
igreja tenha mais facilidade em se comunicar.

Igrejas pequenas também devem tomar decisões difíceis em certos assuntos.


Como é impossível agradar a preferência musical de todas as pessoas em um só
87
culto e as igrejas não podem oferecer vários cultos, devem fazer uma opção.
Mudar estilos semanalmente vai produzir o mesmo efeito da estação de rádio
com programação mista. A maioria ficará insatisfeita.

Uma das vantagens de ser igreja grande é que se tem recursos para atingir
vários públicos. Quando nosso trabalho começou, nos concentramos em apenas
um público: jovens, “sem-igrejas” e casais de classe média. Nos concentramos
neles porque eram o maior grupo no bairro e eram as pessoas com as quais eu
me relacionava com maior facilidade. Quando nossa igreja cresceu, pudemos
adicionar ministérios para alcançar jovens, adultos, adultos solteiros, prisioneiros,
anciãos, pais com crianças excepcionais, latinos, vietnamitas e coreanos, bem
como muitos outros grupos.

Como definir seu alvo

Para que você mire sua comunidade a fim de evangeliza-la, você deve descobrir
tudo que puder sobre ela. A igreja necessita definir seu alvo nos aspectos
geográfico, demográfico, cultural e espiritual.

Em minhas aulas de hermenêutica e pregação no seminário, fui ensinado que a


mensagem do Novo Testamento precisava ser entendida dentro dos aspectos
geográficos e culturais do povo que viveu naquela época. Desta maneira, poderia
extrair a verdade eterna de Deus de um certo contexto. Este processo é chamado
de “exegese”. Todo pregador o usa.
Infelizmente, nenhuma das aulas ensinou-me que, antes de comunicar a verdade
eterna para o povo de hoje, preciso fazer uma “exegese” da minha própria
comunidade! Se quiser transmitir com fidelidade a Palavra de Deus, devo estar
atento à geografia, hábitos, cultura e história religiosa da minha comunidade,
tanto quanto conhecer os povos da Bíblia.

Defina o seu alvo

Em seu ministério, mirar um alvo geográfico simplesmente significa que você irá
identificar o lugar onde moram as pessoas que deseja alcançar. Pegue um mapa
de sua cidade e marque onde sua igreja está localizada. Estime o tempo gasto no
trajeto de sua igreja até uma determinada localização e demarque as fronteira de
sua área ministerial. Este é o seu “lago de pesca evangelística”. Tente se informar
junto às agências de censo populacional sobre o número aproximado de pessoas
que moram a uma distância que propicie fácil acesso até sua igreja.

Segundo; as pessoas escolhem uma igreja por causa de relacionamentos e


programas, e não por causa da localização. Só porque sua igreja é a mais
próxima, não significa que você pode, automaticamente, alcançá-los. Sua igreja
pode não cair no gosto deles. Existem pessoas que pegam um ônibus ou que
dirigem, passando por mais de quinze igrejas, para freqüentar a sua, se vier ao
encontro de suas necessidades.
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Em terceiro lugar, quanto mais sua igreja cresce, maior território ela alcança.
Temos pessoas que dirigem mais de uma hora para freqüentar nossa igreja
porque oferecemos um programa ou um grupo de apoio que elas não podem
encontrar em nenhum lugar mais próximo. Como regra, as pessoas estão
dispostas s a se deslocar para mais longe para participar de uma igreja maior que
tenha um ministério diversificado do que se deslocar para uma igreja menor com
um ministério limitado.

Outra maneira de mapear sua área-alvo de ministério é desenhar um círculo ao


redor da igreja, representando cerca de 8 km. Depois, descubra quantas pessoas
moram naquele círculo. Esta é sua área inicial de ministério.

Uma vez definido o alvo geográfico, você saberá quantas pessoas estão em seu
lago de pesca. Isto é muito importante, uma vez que a população em sua área é
um fator crucial para determinar qual a estratégia a ser utilizada para trazê-la à
igreja.

Não é sábio ignorar o papel da população em relação ao quanto à igreja pode


crescer.

Defina seu algo geográfico

Você não precisa somente saber quantas pessoas vivem na sua área, deve
também saber que tipo de pessoa vive lá.

Há somente alguns dados demográficos importantes que você deve saber sobre
as pessoas que vivem em sua área. Considero que os fatores mias importantes
quando se mira para uma comunidade a ser evangelizada são os seguintes:
 Idade: quantos existem em cada faixa etária?
 Estado civil: quanto são solteiros? E casados?
 Renda: qual é a renda média de cada família/
 Ocupação: que tipo de profissão as pessoas exercem?

Cada um desses fatores vai influenciar o modo de ministrar para as pessoas e


como comunicar as boas novas.

Jovens, por exemplo, têm diferentes esperanças e temores comparados a


aposentados. Uma apresentação do evangelho que enfatiza a segurança de se ir
para o Céu como um dos benefícios da salvação, provavelmente será ineficiente
para se ministrar aos jovens, que têm uma vida toda pela frente. Eles não estão
interessados na vida eterna. Estão preocupados somente em saber se existe um
significado para esta vida. Uma pesquisa nacional feita nos Estados Unidos
demonstrou que menos de 1% dos americanos estão interessados em responder
à pergunta: “Como vou para o céu?”
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Uma forma mais eficiente de testemunhar aos jovens seria mostrar para eles que
fomos feitos para Ter comunhão com Deus agora, por meio de Cristo. Por outro
lado, muitos anciãos têm um grande interesse em estar preparados para a
eternidade, porque sabem que o tempo deles aqui na Terra pode acabar a
qualquer momento.

Jovens casados possuem outros interesses, comparados aos dos outros jovens.
Os pobres enfrentam problemas diferentes dos que as pessoas de classe média.
Os ricos têm suas preocupações próprias. Os universitários tendem a ver o
mundo diferente, quando comparados com estudantes secundários. É importante
conhecer a perspectiva daqueles que você está buscando ganhar para Cristo.

Se você deseja que a sua igreja tenha impacto, torne-se um especialista em sua
comunidade. Pastores devem saber mais sobre ela do que qualquer outra
pessoa.

Defina seu alvo cultural

Compreender a demografia da sua comunidade é importante, mas compreender


a cultura da sua comunidade é imprescindível. Isto é uma coisa que você não vai
encontrar nas estatísticas do censo. Uso a palavra cultura para me referir ao
estilo de vida e a forma de pensar daqueles que vivem ao redor da sua igreja.
Isso se refere aos valores, interesses, ansiedades e temores do povo.

Não devemos concordar com determinados aspectos de nossa cultura, mas


precisamos entendê-la.

É provável que existam dentro da comunidade muitas subculturas ou subgrupos.


Para alcançar cada um desses grupos você precisa descobrir com pensam.
Quais são os interesses deles? Quais são os valores? Quais são os anseios?
Quais são os temores? Quais são os aspectos mais importantes na vida deles?
Quais são as estações de rádio mais populares. Quanto mais você souber acerca
dessas pessoas, mais fácil será alcançá-las.
Um olho bem treinado é capaz de perceber distinções importantes entre as
pessoas que vivem na área de sua igreja.

A melhor maneira de se conhecer a cultura, pensamento e estilo de vida das


pessoas é conversar com cada uma pessoalmente. Nenhum livro ou pesquisa
demográfica pode substituir uma conversa pessoal. Você precisa passar tempo
com as pessoas, sentindo pulso da sua comunidade por meio de ma interação
individual. Creio que não existe substituto para isso.

Defina seu alvo espiritualmente

90
Depois de definir seu alvo sob o aspecto cultural, você necessita descobrir a
história espiritual do povo de sua comunidade. Determine o que as pessoas na
sua área já sabem sobre o evangelho.

Para determinar o clima espiritual da comunidade, você pode entrevistar outros


pastores da região. Ministro que servem há vários anos na região devem estar
bastante familiarizados com os assuntos locais e as tendências espirituais da
área.

O termo “sem-igreja” não se refere comente a pessoas que nunca estiveram


dentro de uma. Ele inclui aqueles que possuem uma história na igreja, mas não
têm um relacionamento pessoal com Cristo e também aqueles que não vão à
igreja há algum tempo, geralmente vários anos.

Sempre que testemunho a alguém que não tem relacionamento com Cristo, tento
descobrir algo que possa Ter em comum comigo, em relação à vida espiritual. Por
exemplo, quando estou conversando com um católico, sei que ele aceita a Bíblia,
mas provavelmente nunca a leu, aceita a trindade, o nascimento virginal e Jesus
Cristo como o Filho de Deus. Meu trabalho será o de comunicar as diferenças
entre uma religião baseada em obras e outra, baseada num relacionamento com
Cristo, por meio da graça.

Definir o alvo de evangelismo da igreja leva tempo e demanda um estudo sério.


Mas, uma vez que tenha completado sua pesquisa, você compreenderá porque
alguns métodos evangelísticos funcionam em sua área e outros não. As
pesquisas podem ajudá-lo a economizar esforços e dinheiro em estratégias que
não funcionam.

Uma vez coletada todas as informações sobre sua comunidade, quero encorajá-
lo a criar um perfil do típico “sem-igreja” que sua comunidade deseja alcançar.
Combinar as características de residentes em sua área em uma única pessoa
“faz-de-conta” fará com que os membros da sua igreja possam entender quem é
o alvo. Se o trabalho de coletar dados for bem feito, os membros devem
reconhecer este personagem como um de seus vizinhos.

Em nossa igreja batizamos o nosso personagem de “Saddleback Sam”. A maioria


dos nossos membros não teria nenhuma dificuldade para descrevê-lo. Falamos
sobre ele com detalhes em cada uma das nossas classes de membresia.

Saddleback Sam é o típico homem “sem-igreja” que vive em nossa área. Ele tem
cerca de quarenta anos e possui um ou mais diplomas universitários. (O Vale
Saddleback tem um dos maiores níveis de educação na América). É casado com
a “Saddleback Samantha” e tem dois filhos, “Steve e Selly”.

91
Outra característica importante de Sam é ser cético em relação ao que ele chama
de religião “organizada”. Ele provavelmente diz: “Eu acredito em Jesus. Só não
gosto da religião organizada”. Encaramos essa declaração com humor e
dizemos: “Então você vai gostar de nossa comunidade. Somos uma religião
desorganizada!”

Sam prefere reuniões informais, uma vez que é do Sul da Califórnia. Gosta de se
vestir a vontade por causa do clima temperado. Levamos isso em conta quando
planejamos cultos para atraí-lo. Nunca uso terno e gravata quando prego nos
cultos da igreja. Intencionalmente me visto para combinar com a mentalidade
daqueles que estou tentando alcançar. Sigo a estratégia de Paulo dada em I
Coríntios 9:20: “Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus...”. Em
minha situação, creio que Paulo diria: “Quando estou no sul da Califórnia, me
torno como um californiano do sul para ganhar os californianos!”. Não acho que a
forma de as pessoas se vestirem preocupava a Jesus. Preferimos ter um pagão
vindo de tênis e shorts do que não ter ninguém vindo porque não possui um
terno.

Por que gastamos tanto tempo em definir a pessoa típica que estamos tentando
alcançar? Porque quanto mais entendemos alguém, mais fácil é se comunicar
com ela.
Uma vez que você definiu e batizou o alvo de evangelismo na sua igreja, faça-me
um favor: envie-me uma cópia. Tenho o hobby de colecionar perfis evangelísticos
de igrejas.
Você pode imaginar um fotógrafo tirando fotos de algo sem ajustar o foco? Um
caçador se posicionaria no topo de um morro e começaria a atirar para todas as
direções sem mirar em nada? Sem um alvo, nossos esforços para o evangelismo
não passam de pensamento positivo. É claro que leva tempo para focalizar e
mirar, mas a recompensa é segura. Quanto mais seu alvo estiver focalizado, mais
chances você terá de atirar na mosca.

Capítulo 17

TRANSFORMANDO
FREQÜENTADORES EM MEMBROS

Uma vez formada uma multidão de freqüentadores, você precisa começar a


importante missão de transformá-los em uma congregação de membros. A
multidão deve tornar-se uma igreja. em nosso diagrama do processo de
desenvolvimento de vida, chamamos esta etapa de “levando as pessoas para a
primeira base”. Fazemos isso por meio do processo de assimilação. A
assimilação é o processo de se levar às pessoas do conhecimento da existência
de sua igreja para depois freqüentá-la e, finalmente, tornar-se um membro ativo
dela. A comunidade fala sobre aquela igreja. os membros têm um sentido de
propriedade. São contribuintes e não somente consumidores.
92
Em qualquer lugar do mundo, ser crente é sinônimo de ser ligado a uma igreja
local. Você raramente acha um crente solitário em outros países. Muitos crentes
americanos, porém, pulam de uma igreja para outra sem nenhuma identidade,
responsabilidade ou compromisso. Essa é uma expressão direta do
descontrolado individualismo americano. Não foram ensinados que a vida cristã
envolve mais do que somente crer, envolve também participar. Nós crescemos
em Cristo estando em relacionamento com outros cristãos.

Paulo tinha uma imagem do que é membresia. Para ele, ser um membro de igreja
não se referia a uma fria entrada para uma instituição, mas, sim, tornar-se um
membro vital do corpo de Cristo (Rm 12:4,5; 1Co 6:15, 12:12-27). Precisamos
recuperar essa imagem. Qualquer órgão que é retirado do corpo não apenas vai
fazer falta, deixando de cumprir a finalidade que lhe foi destinada, mas também
vai definhar e morrer rapidamente. O mesmo acontece com os crentes que não
têm compromisso com uma igreja local.

A integração de novos membros dentro da comunhão de sua igreja não acontece


automaticamente. Se você não tiver um sistema e uma estrutura para integrar e
manter as pessoas que alcança, elas não irão permanecer. Você vai ter tantas
pessoas saindo quanto entrando.

Muitas igrejas agem erroneamente dizendo que, uma vez que as pessoas
receberam a Cristo, a venda foi consumada e agora é problema do novo crente
seguir em seu compromisso e se juntar à igreja. Isto não faz sentido! Os nenês
na fé não sabem o que precisam! É responsabilidade da igreja tomar a iniciativa
em integrar as novas pessoas à congregação.

Acredito que, quando Deus quer integrar um número de “nenês-crentes”, procura


a incubadora mais apropriada que pode encontrar. Igrejas que fazem da
integração de novos membros uma prioridade e têm um plano para desenvolver
isso são abençoadas com o crescimento. Por outro lado, igrejas que não cuidam
de seus novos membros, ou são descuidadas nesse item, simplesmente não
crescem.

Desenvolva um plano para integrar novos membros

Uma vez que nossa igreja tem uma história, cultura e taxa de crescimento
diferente, você precisa fazer algumas perguntas importantes. As respostas vão
determinar o plano de integração que é melhor para a sua comunidade. O texto
de Provérbios 20:18 anuncia: “Os projetos se firmam pelos conselhos...” Aqui
estão as doze perguntas:

1. O que Deus espera dos membros de nossa igreja?


2. O que esperamos de nossos membros neste momento?
93
3. O que pensam as pessoas sobre nossa congregação?
4. Como serão as mudanças nos próximos cinco a dez anos?
5. Quais são nossos valores?
6. Quais as necessidades mais importantes de nossos novos membros?
7. Quais as maiores necessidades de nossos membros mais antigos?
8. Como podemos tornar a membresia mais importante?
9. Como podemos assegurar que os membros se sintam amados e
queridos?
10. O que devemos aos nossos membros?
11. Quais os recursos e serviços que podemos oferecer aos nossos
membros?
12. Como podemos melhorar o que já oferecemos?

Depois, você precisa reconhecer que os membros têm suas próprias perguntas a
fazer. Essas perguntas também vão influenciar como desenvolver seu plano de
integração. Antes de as pessoas se comprometerem a unir-se à sua igreja,
querem saber a respostas para as seguintes perguntas:

Eu me encaixo aqui? Esta é uma questão de aceitação. A melhor resposta para


ela é estabelecer grupos de afinidade dentro de sua igreja. Daí as pessoas com
idades, interesses, problemas ou histórias similares podem se relacionar umas
com as outras. Todos nós necessitamos de aconchego de grupos pequenos. Eles
possuem o papel crucial de atender a essas necessidades. Você deve mostrar às
pessoas que há um lugar para elas.

Alguém aqui se interessa em me conhecer? Esta é uma questão de amizade.


Você pode responder à pergunta criando oportunidades para as pessoas
desenvolverem relacionamentos dentro de sua congregação. Existem maneiras
ilimitadas de como você pode fazer isso, mas é necessário planejamento.
Lembre-se: as pessoas não estão procurando uma igreja amigável, procuram
amigos. O tratamento deve ser individual.

Precisam de mim aqui? Esta é uma questão de valor. As pessoas querem


contribuir com suas vidas, querem sentir que têm importância. Quando você
mostra às pessoas que podem, com seus dons e talentos, acrescentar algo à
igreja, elas vão querer se evolver. Coloque sua comunidade como um lugar
criativo, que necessita da expressão de todos os tipos de talentos e habilidades,
não somente cantores, introdutores e professores descolam dominicais.

Qual a vantagem de me unir à igreja? esta é uma questão de benefício. Você


precisa ser capaz de explicar clara e concisamente as razões e os benefícios de
tornar-se um membro de sua igreja. Explique as razões bíblicas, práticas e
pessoais para se tomar esta atitude.

O que esperam de mim como membro? Esta é uma questão de expectativa. Você
deve saber explicar as responsabilidades de tornar-se um membro tão
94
claramente como coloca os benefícios. As pessoas têm o direito de saber o que é
esperado delas antes que se envolvam na congregação.

Comunique o valor da membresia

Na verdade, George Gallup descobriu que a grande maioria dos americanos


acredita que é possível ser um “bom crente” sem se unir (ou até sem freqüentar)
uma igreja local.

Ao contrário, tornar-se um membro de igreja hoje é um ato de compromisso. A


forma de você motivar as pessoas para se juntarem à sua igreja é mostrar-lhes
os benefícios que receberão pelo compromisso assumido.

Existem muitos benefícios em tornar-se um membro:

1. Isso identifica uma pessoa como um crente verdadeiro (Ef 2:19; Rm


12:15).
2. Dá ao crente uma família espiritual para apoiá-lo e encorajá-lo em seu
caminhar com Cristo (Gl 6:1, 2; Hb 10:24, 25).
3. Oferece um lugar para descobrir os dons em seu ministério (1 Co 12:4-
27).
4. Coloca o novo membro sob a proteção espiritual de líderes que seguem
a Deus (Hb 13:17; At 20:28, 29).
5. Concede a consciência da necessidade de crescer (Ef 5:21).

No capítulo 6, sugeri que você personalizasse os propósitos da igreja. isso é


muito importante quando você convence os freqüentadores a fazer parte de sua
congregação. Você precisa enfatizar o fato de que a igreja dá a eles benefícios
que não podem achar em nenhum outro lugar do mundo:

 A adoração ajuda a se concentrar em Deus. Ela prepara as pessoas espirituais


e emocionalmente para a semana que está se iniciando.
 A comunhão ajuda você a enfrentar os problemas, por meio do apoio e
encorajamento de outros crentes.
 O discipulado ajuda você a fortalecer a sua fé, com o aprendizado da Palavra
de Deus e a possibilidade de aplicar os princípios bíblicos ao seu estilo de
vida.
 O ministério ajuda você a descobrir e desenvolver talentos e usá-los para
servir a outros.
 O evangelismo ajuda você a cumprir sua missão de alcançar os seus amigos e
a sua família para Cristo.

Estabeleça uma classe de membresia obrigatória

95
Uma série de estudos tem mostrado que a forma como as pessoas se unem a
uma organização influencia grandemente sua atuação dentro dela, depois que se
tornam membros. Isso também acontece coma igreja. A maneira pela qual as
pessoas se unem à congregação vai determinar a eficiência como membros por
muitos anos.

Acredito que a classe mais importante em uma igreja é a de membresia, [porque


dará o rumo e o nível] de expectativa de tudo o que virá a ocorrer. A melhor hora
de solicitar um forte compromisso dos membros é no momento em que se unem
à igreja. Se você requer pouco para que uma pessoa se torne membro, muito
pouco será esperado dela mais tarde.

A força de uma classe de membresia é determinada pelo conteúdo e pelo apelo


ao compromisso e não por sua duração.

Por uma série de razões, acredito que o pastor da igreja deve ensinar a essa
classe, total ou pelo menos parcialmente. A oportunidade de conhecer a visão do
pastor para a igreja, sentir o amor dele pelos membros e ouvir o seu
compromisso em cuidar, alimentar e liderar, é muito importante para os novos
membros.
O curso de membresia deve responder às seguintes perguntas:

 O que é uma igreja?


 Qual é o propósito de uma igreja?
 Quais os benefícios de ser membro?
 O que é requerido de um membro?
 Quais são as responsabilidades de um membro?
 Como a igreja é organizada?
 Como posso me envolver no ministério?
 O que faço agora, que sou membro?

Se sua igreja tem como alvo os “sem-igreja”, você precisa incluir uma explicação
clara da salvação em sua classe de membresia, pois você pode ter muitas
pessoas que querem se unir à igreja e que ainda não são crentes! Nós sempre
explicamos que confiar em Cristo é o primeiro passo para tornar-se um membro.
Em todas as turmas temos pessoas que entregam suas vidas a Cristo!

Existem muitos elementos que você pode usar em sua classe de membresia para
que seja interessante e interativa: vídeo, currículos para serem preenchidos,
interação em grupos pequenos e boa comida, é claro. Não se esqueça de incluir
várias histórias que personalizem a trajetória, valores e direção de sua
comunidade. Em nossa igreja, fazemos até uma prova no final da turma, testando
os possíveis membros para verificar se aprenderam os propósitos e outros
conceitos importantes de nossa igreja.

96
Participar da classe de membresia é item obrigatório para tornar-se membro da
Saddleback. As pessoas que não estão interessadas em aprender os propósitos
e estratégias da igreja não estão aptas para o tipo de compromisso que
requeremos. Se elas não se importam em entender as responsabilidades, não
poderão cumpri-las depois de se unir à igreja. Existem muitas outras
congregações às quais eles podem se juntar, em que nenhuma responsabilidade
é exigida.

É importante também levar em consideração os diferentes grupos de idade


quando você ensina numa classe de membresia. Oferecemos três versões: uma
para crianças (a cargo de nosso pastor de crianças); uma versão para
adolescentes (ensinada pelo nosso pastor de jovens) e uma para adultos.

Desenvolva um pacto de membresia

Por que as igrejas possuem tantas pessoas em seu rol de membros que
apresentam pouca ou nenhuma evidência de compromisso com Cristo ou até
mesmo de conversão? Por que muitas igrejas acham difícil motivar os membros a
dar, servir, orar e compartilhar sua fé? A resposta é que a igreja permite que os
membros se juntem a ela sem manifestar nenhuma expectativa em relação a
eles. Você tem o que pediu.

Paulo menciona dois tipos diferentes de compromisso em 2 Coríntios 8:5: “E não


somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmo se deram
primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus”. Na
Saddleback, chamamos isso de compromisso de primeira base. Você se
compromete com Cristo para a salvação e depois se compromete com outros
cristãos para se tornar membro da família da igreja. Nós definimos koinonia
(comunhão) como “ser comprometido uns com os outros, assim como temos um
compromisso com Jesus Cristo”.

O Senhor disse que o nosso amor uns pelos outros era a marca do discipulado
(veja João 13:34, 35). É lamentável que a maioria dos crentes tenha memorizado
João 3:16, mas nem saibam que 1 João 3:16 existe: “Nisto conhecemos o amor:
que Cristo deu sua vida por nós. E devemos dar a nossa vida pelos irmãos”.
Qual foi a última vez que você ouviu um sermão sobre este versículo? A maioria
das igrejas está silenciosos sobres o desenvolvimento deste nível de
compromisso de uns para com os outros.

A expressão “uns aos outros” e similares é usada mais de cinqüenta vezes no


Novo Testamento. Somos ordenados a amar uns aos outros, orar uns pelos
outros, encorajar uns aos outros, admoestar uns aos outros, saudar uns aos
outros, servir uns aos outros, ensinar uns aos outros, aceitar uns aos outros,
honrar uns aos outros, suportar os fardos uns dois outros, perdoar uns aos
outros, cantar uns aos outros, submeter-nos uns aos outros e nos devotar uns
97
aos outros. Todos estes mandamentos mostram o que significa ser membro de
um corpo local de crentes. Eles são as responsabilidades da membresia. Na
Saddleback, esperamos de nossos membros somente o que a Bíblia claramente
espera de todos os crentes. Resumimos estas expectativas em nosso pacto de
membresia.

A parte mais importante da cerimônia de casamento é quando o homem e a


mulher trocam os votos, fazendo promessas um para o outro perante as
testemunhas e diante de Deus. Este pacto entre eles é a essência do casamento.
Da mesma forma, a essência de ser membro da igreja está contida na disposição
de fazer o nosso pacto de membresia.

Por toda a história da Bíblia e da igreja, os pactos espirituais foram feitos entre
pessoas para edificação e responsabilidade mútua. Na Saddleback, temos quatro
requisitos para tornar-se membro:

1. Uma confissão pessoal de Cristo como Senhor e Salvador;


2. Batismo por imersão como símbolo público de fé;
3. Cursar a classe de membresia;
4. Assinar um compromisso de permanecer fiel ao pacto de membresia da
Saddleback.

Encorajo você a preparar e adotar um pacto semelhante em sua congregação,


caso ainda não tenha um. Isto pode revolucionar sua igreja. Você pode ficar
preocupado com o fato de que se você adotá-lo, alguns podem sair por causa
dele. Você está certo. Sempre alguns vão sair. Mas as pessoas irão sair de sua
igreja, não importa o que você faça. Não fique com medo das pessoas saírem. As
pessoas deixaram até Jesus. Quando sua congregação adota um pacto de
membresia, pelo menos você pode escolher com que tipo de pessoas vai ficar.

Faça com que seus membros se sintam especiais

Ao completar a classe de membresia, as pessoas vão se sentir automaticamente


como parte do corpo. Quando se unem à igreja, elas precisam se sentir bem-
vindas e queridas. Elas precisam ser reconhecidas, aceitas e festejadas pela
congregação. Elas precisam se sentir especiais. Uma igreja pequena pode ser
capaz de fazer isso informalmente, mas, à medida que a igreja cresce, você
precisa criar algum ritual de iniciação que represente publicamente: “agora você
faz parte de nós!”.

O batismo de novos crentes é um evento que obviamente se encaixa em outra


categoria. Nossos batismos mensais são sempre grandes celebrações. Há muitos
sorrisos, aplausos e gritos de alegria. Temos um fotógrafo profissional que
fotografa cada pessoa, antes de ser batizada. Depois, presenteamos àqueles que
foram batizados com uma foto do batismo e com o certificado, dentro de uma
linda moldura de couro, que as pessoas gostam de mostrar para todo mundo.
98
Por muitos anos, minha esposa e eu oferecemos um café informal em nossa casa
no quarto Domingo de cada mês. Chamávamos isso de “Papo com o pastor”. Era
uma oportunidade de encontro com os novos membros e visitantes dos últimos
meses, para que eles pudessem fazer as perguntas que tinham. Uma lista ficava
na entrada do templo, onde as pessoas podiam se inscrever se quisessem nos
visitar. O papo ia das 19 às 22h. Este simples ato de hospitalidade trouxe
centenas de novos membros e estabeleceu muitos relacionamentos pessoais. A
hospitalidade faz com que a igreja cresça sadia.

Existem muitas outras formas de seus membros se sentirem especiais, como


enviar cartas nos aniversários, escrever para eles no seu primeiro aniversário
como membros da igreja, escrever em outras ocasiões (nascimento, casamentos,
aniversários, graduações, coisas importantes em geral), ter um testemunho a
cada culto, ter reuniões com a equipe e depois mandar uma carta dizendo: “Nós
oramos por você”, respondendo a um pedido de oração. O principal disto tudo é
que as pessoas necessitam mais do que um aperto de mão ao final do culto para
se sentirem parte do grupo.

Crie oportunidades para construir relacionamentos

Ajudar os membros a desenvolverem amizades dentro da igreja é absolutamente


imprescindível. Os relacionamentos são a cola que mantém a igreja unida.
Amizades são a chave para manter os membros na igreja.

Um amigo me contou sobre uma pesquisa que fez. Ele perguntou: “Por que você
se juntou a essa igreja?”. Dos membros, 93% disseram: “Viemos para cá por
causa do pastor”. “E se o pastor sair da igreja, você sai também? Noventa e três
por cento das pessoas responderam:”Não”. Quando perguntou: “Por que você
não sairia?”, eles responderam: “Porque temos amigos aqui!”. Note a mudança
de aliança feita. Isto é normal e saudável.

Lyle Schaller realiza uma extensa pesquisa que mostra que quanto mais amigos
uma pessoa tem numa congregação, menores são as possibilidades dele ou dela
se tornarem inativos ou saírem da igreja. Por outro lado, vi em uma pesquisa que
perguntou a quatrocentas pessoas que haviam deixado as suas igrejas: “Por que
você deixou sua igreja?”. Mais de 75% responderam: “Ninguém se importava se
estávamos lá ou não”.

Não passa de mito que você precisa conhecer todo mundo na igreja para que se
sinta parte dela. O membro da igreja conhece, em média, 67 pessoas numa
congregação típica dos Estados Unidos, não importando se a igreja tem duzentas
ou duas mil pessoas freqüentando. Um membro não deve conhecer todo mundo
para que sinta que aquela igreja é dele, mas é necessário que ele conheça
algumas pessoas.
99
Enquanto alguns relacionamentos se desenvolvem espontaneamente, o fator
amizade é muito importante para ser deixado ao acaso. Você não deve esperar
que os membros façam amigos em sua igreja, você deve encorajar e planejar
atividades para facilitar isso.

Pense em relacionamentos. Crie o máximo de oportunidades possíveis para que


as pessoas possam se encontrar e conhecer umas às outras. Muitas reuniões da
igreja consistem somente de preleções. Os membros podem muito bem entrar e
sair da igreja por um ano sem desenvolver nenhuma amizade. Tente incluir algum
tipo de atividade em cada reunião congregacional. É simples como dizer: “Vire-se
e apresente-se a uma pessoa e descubra algo interessante sobre ela”.

Mesmo que tenhamos usado todos os tipos de eventos para construir


relacionamentos dentro da família de nossa igreja (jantares, esportes, jogos,
piqueniques etc), os nossos retiros de final de semana têm sido a ferramenta
mais eficiente para cultivar novas amizades. Considere isso: o tempo total que
uma pessoa passa com os outros membros em um único retiro de 48 horas é
maior do que vai passar nos domingos do ano inteiro. Se você é um plantador de
igrejas e quer desenvolver relacionamentos rapidamente em sua comunidade,
leve todo mundo para um retiro.

A maioria das pessoas tem dificuldades em se lembrar de nomes, especialmente


em uma igreja grande. Use etiquetas com os nomes das pessoas sempre que
possível. Nada envergonha mais do que não saber o nome de uma pessoa que
você tem visto na igreja há anos.

Encoraje todos os membros da igreja a se juntarem a um grupo pequeno

Um dos maiores medos que os membros têm em relação ao crescimento é como


manter um sentimento de “igreja pequena” e comunhão quando a igreja cresce.
Um antídoto para esse medo é desenvolver grupos pequenos dentro da
comunidade. Os grupos de afinidade proporcionam um cuidado pessoal e
atenção que cada membro merece, não importando o quanto à igreja cresça.

Desenvolva uma rede de grupos pequenos criados para atender a diferentes


propósitos, interesses, faixas etárias, geografia ou qualquer outra coisa. Para ser
honesto, não importa muito que tipo de raciocínio você usa para começar novos
grupos. Apenas continue criando. É improvável que os novos membros se juntem
a grupos pequenos já existentes. Eles se encaixarão melhor dentro de novos
grupos. Você pode começar novos grupos até mesmo dos que estão saindo de
uma classe de membresia. Os novos membros têm uma “novidade” em comum.

Um dos ditados que uso para a nossa equipe e nossos ministros leigos é: “Nossa
igreja precisa crescer e diminuir ao mesmo tempo”. O que eu quero dizer com

100
isso é que temos de equilibrar o grande grupo das celebrações e os pequenos
grupos de células. Ambos são importantes para a saúde da igreja.

A celebração em grandes grupos dá às pessoas um sentimento de que elas são


parte de algo importante. As reuniões de celebração são impressionantes para os
não-crentes e encorajadoras para os membros. Porém, você não pode
compartilhar um pedido pessoal de oração no meio de bastante gente. Os grupos
pequenos de afinidade, por outro lado, são perfeitos para se criar um sentimento
de intimidade e comunhão. É lá que todo mundo sabe o seu nome e sua
ausência é notada.

Como nossa igreja existimos por muitos anos em um prédio próprio, nós
dependíamos bastante dos grupos pequenos para educação e comunhão.
Mesmo agora, com nossa área de três mil metros quadrados, continuamos
usando os lares para essas reuniões. Existem quatro benefícios em se usar lares:

 São indefinidamente expansíveis (as casas estão por todos os lados).


 São ilimitados geograficamente (você pode ministrar em uma área maior).
 São umas boas demonstrações de mordomia (você usa um local que foi
comprado com dinheiro de outras pessoas, tendo mais dinheiro disponível
para o ministério).
 Facilitam relacionamentos (as pessoas ficam mais à vontade num ambiente
familiar).

Quanto mais a igreja cresce, mais importantes se tornam os grupos pequenos em


sua função do cuidado pastoral. Eles dão um toque de intimidade que todo
mundo necessita, especialmente em momentos de crise. Em nossa comunidade,
gostamos de dizer que a igreja toda é como se fosse um grande barco e os
grupos pequenos são os botes salva-vidas.

Não tenho espaço para dar uma explicação detalhada de nossa estratégia para
grupos pequenos e a estrutura deles. Direi somente isso: Grupos pequenos são a
forma mais eficiente de se trancar a porta da sua igreja. Nunca nos preocupamos
em perder as pessoas que estão conectadas a grupos pequenos. Sabemos que
já foram efetivamente integradas.

Mantenha as linhas de comunicação abertas

É vital que as linhas de comunicação abertas sejam estabelecidas em sua igreja.


As pessoas não participam se elas não são informadas. Os membros informados
são eficientes, enquanto os membros desinformados, não importando o talento
que tenham, não podem fazer muita coisa. Desenvolva um sistema de
comunicação redundante, utilizando vários canais para disseminar informações
para a congregação.

101
Em nossa igreja, usamos tudo o que é possível para comunicar mensagens
importantes para a congregação: fax, vídeo, cartas, cassetes, correntes de
oração, artigos no jornal, cartões de visita e até mesmo a internet
(www.saddleback.com)!

A informação congregação-liderança é tão importante quanto à informação


liderança-congregação. Ela deve fluir para ambos os lados. O texto de Provérbios
27:23 diz: “Procura conhecer o estado das tuas ovelhas, e cuida bem dos teus
rebanhos”. O mais importante rebanho é o rebanho de Deus; prestamos uma
atenção especial para o que está acontecendo com ele. Usamos os cartões de
boas-vindas, ligações telefônicas e relatório dos pastores leigos pares monitorar
as batiam do coração das famílias de nossa igreja.

O cartão de boas-vindas. Já expliquei como usamos este cartão em nosso culto


para os não-crentes. É uma ferramenta de comunicação incrível, considerando-se
sua simplicidade. Qualquer pessoa pode lhe escrever uma nota a qualquer hora.
Nossos membros sabem que leio esses cartões e os levo muito a sério. Eles são
um fluxo contínuo de informação. Eu preciso de duas secretárias de tempo
integral e uma equipe de uma dúzia de voluntários para processar todos os
cartões que recebemos, permitindo que os pastores e a nossa equipe estejam
“próximas ao consumidor”.

Telefonemas do CARE. A palavra CARE (cuidar), significa: “Contatar, Assistir,


Relacionar e Encorajar”. Este ministério leigo liga sistematicamente para a
relação de participantes da igreja a fim de saber o que está acontecendo na vida
dos nossos membros. Eles fazem as ligações no princípio da noite e perguntam
três coisas: (1) Como vai você? (2) Tem algum pedido de ração? (3) Há alguma
coisa que você gostaria que disséssemos ao pastor Rick ou alguma pessoa da
equipe? Cada uma das telefonistas do CARE anota as ligações em um
formulário, para assegurar que uma informação precisa é registrada. Depois,
falam para as pessoas uma forma de se manter em contato com os membros e
dizer: “Nos importamos com você”.

Relatórios dos pastores leigos. Estes relatórios são feitos pelos pastores leigos,
responsáveis pelos grupos pequenos. Eles nos posicionam sobre a saúde do
grupo e nos falam sobre o que está acontecendo na vida de cada um dos
participantes.

Estamos juntos nessa

Na conclusão deste capítulo sobre membresia, quero ressaltar a importância de


continuamente enfatizar para os membros a natureza corporativa da vida cristã.
Pregue, ensine e fale sobre isso. Pertencemos uns aos outros e precisamos uns
dos outros. Estamos conectados juntos, como parte de um só corpo. Somos uma
família.

102
Quase todos os dias, recebem cartas de pessoas que se juntaram à nossa igreja
e que têm experimentado o poder curativo da koinonia. Esta é uma das que
recebi recentemente:

Caro pastor Rick,

Eu tenho carregado a dor do abuso físico em silêncio por muito tempo. Há um


ano, depois de uma grande perda, me mudei aqui para o sul da Califórnia. Não
tinha nenhum contato e estava muito só. Chorei sem parar durante três semanas.

Finalmente, decidi que deveria tentar ir a uma igreja. Desde o momento em que
assisti o primeiro culto da Igreja Saddleback, me senti como se fosse o meu lugar.

Para encurtar a minha história: Cristo se fez real para mim. Eu me uni à igreja e
agora estou servindo num ministério que é muito significativo para mim. Eu gosto
de fazer parte de tudo isso! Sei que a dor de todas as pessoas é diferente, mas
todos nós precisamos de Deus. Minha dor era quase insuportável sem uma igreja
familiar. Quando eu participei da classe de membresia, eu tinha de segurar as
minhas lágrimas de alegria quando você falou sobre a Saddleback como uma
família. Isto ela realmente é! Eu estou muito agradecida aos meus irmãos e irmãs
daqui e por esta igreja, a qual eu posso chamar de lar!

Capítulo 18

Desenvolvendo Membros Maduros

O Novo Testamento deixa bem claro que Deus deseja que todo crente seja
espiritualmente maduro. Ele quer que cresçamos. Paulo disse em Efésios 4:14:
“... para que não sejamos mais meninos, inconstantes, levados ao redor por todo
vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia induzem ao erro”.

O alvo maior do crescimento espiritual é se tornar como Cristo. O plano de Deus


desde o princípio tem sido que sejamos como o Senhor: “Pois os que dantes
conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho,
a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29). Deus quer
que todo crente desenvolva um caráter como de Cristo.

A grande pergunta é: “Como o crescimento espiritual acontece?” Ou “como posso


me tornar maduro em Cristo?”.

MITOS SOBRE A MATURIDADE ESPIRITUAL

Mito n° 1: O crescimento espiritual é automático após você nascer de novo

103
Muitas igrejas não possuem uma estratégia ampla para desenvolver a maturidade
dos crentes. Elas deixam tudo ao acaso, achando que os cristãos vão,
automaticamente, crescer e amadurecer se freqüentarem os cultos da
comunidade. Pensam que tudo que têm a fazer é encorajar as pessoas a
participar das reuniões e que o trabalho será feito.

Isto não é verdade. O crescimento espiritual não acontece após você ser salvo,
mesmo que freqüentes todos os cultos regularmente. As igrejas estão cheias de
pessoas que assistem aos cultos durante toda a vida e, ainda assim, são nenês
espirituais. Um membro integrado não é o mesmo que um membro maduro. Em
nosso diagrama do “processo de desenvolvimento de vida”. A missão de equipar
as pessoas com os hábitos necessários para a maturidade espiritual é chamado
de “Levando as pessoas para a Segunda base”.

O crescimento espiritual não é automático com o decorrer do tempo. O escritor de


Hebreus tristemente notou que “Com efeito, devendo já ser mestres, por causa
do tempo decorrido, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios
elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que necessitais de
leite, e não de alimento sólido” (Hb 5:12). Milhares de cristãos têm envelhecido
sem ter crescido.

A verdade é esta: o crescimento espiritual é provocado. Requer compromisso e


esforço. Uma pessoa deve querer crescer, decidir crescer e fazer um esforço
para crescer. O discipulado começa com uma decisão, não necessariamente
complexa, mas deve ser sincera. Os discípulos não entendiam todas as
implicações da decisão que tomaram quando decidiram seguir a Cristo;
simplesmente expressaram o desejo de segui-lo. Jesus pegou essa decisão
simples, mas sincera, e trabalhou nela.

Os versículos 12 e 13 de Filipenses 2, dizem: “... assim também efetuai a vossa


salvação com temor e tremor, pois Deus é o que opera em vós tanto o querer
como o efetuar, segundo a sua boa vontade”. Note que ele quer que
“desenvolvamos” nossa salvação. Não existe nada que possamos adicionar ao
que Cristo já fez por nossa salvação. Paulo está falando nestes versículos sobre
o crescimento espiritual das pessoas que já são salvas. O importante é que Deus
tem uma parte em nosso crescimento e nós também.

Tornar-se como Cristo é o resultado de compromissos que assumimos. Nós nos


tornamos o que nos comprometemos a ser! Assim como um compromisso com o
Grande Mandamento e a Grande Comissão fará crescer uma grande igreja,
também fará crescer um grande crente. Sem o compromisso de crescer, qualquer
crescimento que ocorra será circunstancial, e não intencional. O crescimento
espiritual é muito importante para ser conduzido pelas circunstâncias.

Mito n° 2: O crescimento espiritual é místico e a maturidade é alcançada


somente por poucos
104
Infelizmente, muitos crentes sentem que a maturidade espiritual é algo muito
longe de seu alcance, e sequer pensam em alcançá-la. Possuem esta imagem
mística e idealizada de como um crente maduro parece. A maturidade, eles
crêem, é somente para os “supersantos”. Alguns biógrafos do cristianismo têm
sido parcialmente responsáveis por estas lendas, ao minimizar a humanidade de
pessoas que viveram para Deus e dando a impressão de que se você não ora
dez horas diárias, anda sobre a água e planeja morrer como mártir, pode
esquecer sua aspiração de ser maduro. Isso é bastante desencorajador para o
crente mediano, o qual sente que deve se contentar em ser um crente de
“Segunda classe”.

A verdade é que o crescimento espiritual é bastante prático. Qualquer crente


pode crescer e alcançar a maturidade se ele desenvolver os hábitos necessários.

Qualquer um pode ter uma boa forma física se fizer regularmente certos
exercícios e possuir bons hábitos alimentares. Da mesma maneira, a forma
espiritual é simplesmente uma questão de aprender alguns exercícios espirituais
e ser disciplinado em fazê-los, até que eles se tornem hábitos. O nosso caráter é
formado por hábitos que desenvolvemos.

Em nossa comunidade, damos bastante ênfase ao desenvolvimento de hábitos


espirituais. Temos visto um crescimento incrível ocorrendo nas pessoas quando
reconhecem que o crescimento espiritual pode ser alcançado por meio de ações
práticas e hábitos do cotidiano.

Mito n° 3: A maturidade espiritual pode ocorrer imediatamente se você achar


a “chave” certa

Aprenda isso: o crescimento espiritual é um processo que leva tempo. Assim


como Deus permitiu a Josué e aos israelitas possuírem a terra “pouco a pouco”
(Dt 7:22), ele usa um processo gradual de mudança para nos desenvolver a
imagem de Cristo. Não existem atalhos para a maturidade. O trecho de Efésios
4:13 diz: “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do
Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de
Cristo”. Isto significa que a maturidade é um destino aonde nós chegamos, ou
seja, uma jornada. Mesmo com o desejo de acelerar o processo, o crescimento
espiritual e uma jornada que dura toda a vida.

O trecho de Efésios 4:13 diz: “até que todos cheguemos à perfeita varonilidade, à
medida da estatura da plenitude de Cristo”. Isto significa que a maturidade é um
destino aonde nós chegamos, ou seja, uma jornada. Mesmo com o desejo de
acelerar o processo, o crescimento espiritual é uma jornada que dura toda a vida.

105
Tenho passado muito tempo tentando entender os componente deste processo e
achar uma maneira de comunicá-los de uma forma simples e que nossos
membros possam compreender e se lembrar. Tenho convicção de que os crentes
vão crescer mais rápidos se você der uma trilha na qual possam crescer. O
resultado é a nossa filosofia de edificação, que chamamos de processo de
desenvolvimento de vidas.

Por esta razão, temos designado um pastor-auxiliar para cada uma das bases:
membresia, maturidade, ministério e missões. Cada pastor serve como um
“técnico de base”, alguém que ajuda os corredores a se deslocarem para a
próxima base.

Se você levar as pessoas a se comprometer a crescer espiritualmente, se lhes


ensinar alguns hábitos básicos e as liderar enquanto progridem de uma base
para outra, você pode esperar que elas cresçam. Isto tem acontecido em nossa
igreja.

Mito n° 4: A maturidade espiritual é medida pelo que você sabe

Muitas igrejas avaliam a maturidade espiritual somente na base do quanto você


sabe e se é capaz de identificar os personagens bíblicos, interpretar passagens,
ter memorizado trechos da Palavra e explicar um pouco de teologia. A habilidade
para discutir doutrinas é considerada por alguns a maior prova de espiritualidade.
O conhecimento bíblico é imprescindível para a maturidade espiritual, porém não
é a única forma de medi-la.

A maturidade espiritual é demonstrada mais por atitudes do que por crenças. A


vida cristã não é somente uma questão de crenças e convicções, ela inclui
conduta e caráter. As crenças devem estar apoiadas em atitudes. Nosso
comportamento deve ser compatível com aquilo que cremos.

O Novo Testamento repetidamente nos ensina que nossas ações e atitudes


revelam nossa maturidade mais do que nossas afirmações. O texto de Tiago 2:18
deixa isso bem claro: “Tu tens fé; eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem as tuas
obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras”. Tiago também diz:
“Quem entre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as
suas obras em mansidão de sabedoria” (Tg 3:13). Se sua fé não mudou o seu
estilo de vida, ela não vale muito.

Paulo acredita na conexão entre crença e atitude. Em cada uma de suas cartas,
enfatizou a importância de se praticar o que cremos. O versículo 8 de Efésios 5,
diz: “Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos
da luz”.

Jesus resumiu isso desta maneira: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:16).
Pelos frutos, e não pelo conhecimento, é demonstrada a maturidade de uma
106
pessoa. Se você não colocar em prática o que sabe, você é um tolo, “que
construiu sua casa na areia” (veja Mateus 7:24-27).

Como mencionei anteriormente, o conhecimento bíblico é somente uma medida


de crescimento espiritual. Além disso, podemos medir a maturidade por meio de
nossa perspectiva, convicção, habilidade e caráter. Estes “cinco níveis de
aprendizado” são os blocos de construção de crescimento espiritual que usamos
em nosso trabalho. Vou compartilhar com você como buscamos desenvolver
discípulos que são fortes em todas estas cinco áreas.

Um perigo real de se ter conhecimento sem os outros quatro componentes, é que


isto produz orgulho. Em 1 Coríntios 8:10 está escrito que o conhecimento incha,
mas o amor constrói. O conhecimento deve ser temperado pelo caráter. Alguns
dos cristãos mais carnais que já conheci eram verdadeiros depósitos de
conhecimento bíblico. Eles podem explicar qualquer passagem e defender
qualquer doutrina, mas não têm amor, são orgulhosos e gostam de julgar os
outros. É impossível ter maturidade espiritual e orgulho ao mesmo tempo.

Qualquer estratégia para que sua igreja promova o amadurecimento dos crentes,
deve ensiná-los a não apenas aprender a Palavra, mas também a amarem,
praticando e vivendo os preceitos nelas contidos.

Mito n° 5: O crescimento espiritual é uma questão pessoal e privada

A maioria dos ensinamentos sobre a formação espiritual tende a ser centralizada


na própria pessoa e sem nenhuma referência sobre o relacionamento com os
outros cristãos. Isto é completamente antibíblico e ignora muitos dos princípios
neotestamentários.

Os cristãos necessitam de relacionamentos para crescer. Não crescemos


isolados uns dos outros, nos desenvolvemos dentro de um ambiente de
comunhão. Constantemente encontramos este conceito no Novo Testamento. O
texto de Hebreus 10:24, 25 diz: “Consideremo-nos uns aos outros, para nos
estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixando de congregar-nos, como é
costume de alguns, mas admoestemo-nos uns aos outros, e tanto mais quanto
vedes que se vai aproximando aquele dia”. Deus quer que cresçamos em família.

Mas os relacionamentos têm um papel ainda mais importante em levar as


pessoas à maturidade. Eles são absolutamente essenciais para o crescimento
espiritual. A Bíblia ensina que a comunhão não é uma coisa opcional para os
crentes, é um mandamento. Os crentes que não estão conectados em um
relacionamento de amor com os outros estão desobedecendo à Palavra.

107
João nos diz que a prova de que estamos andando na luz é que temos
“comunhão uns com os outros” (1 Jo 1:7). Se você não está tendo um
relacionamento regular com outros crentes, deveria considerar seriamente se
está realmente andando na luz.

Ele sugere ainda que devemos questionar se realmente somos salvos. Se não
amamos outros crentes. “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida,
porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1 Jo 3:14). Se
o relacionamento com outros crentes é tão importante, por que as igrejas não dão
mais ênfase a isso?

A qualidade do seu relacionamento com Cristo pode ser vista por meio da
qualidade de seu relacionamento com outros irmãos. “Se alguém disser: Eu amo
a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso. Pois aquele que não ama a seu irmão,
a quem viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (1 Jo 4:20). Note que
João me diz é impossível amar a Deus se você não ama os filhos que ele tem.

Jesus também ensinou que, se estivermos sem comunhão com o irmão, nossa
adoração é vã (veja Mateus 5:23, 24). Um cristão não pode estar em comunhão
com Deus e, ao mesmo tempo, sem comunhão com os crentes.

Uma das razões que muitos cristãos nunca falam de Jesus para ninguém é por
não saberem se relacionar com as pessoas. Como nunca estiveram em um grupo
pequeno ou desenvolveram amizades, têm pouca habilidade para desenvolver
relacionamentos. Eles não podem se relacionar com não-crentes porque não
conseguem se relacionar nem mesmo com os crentes. As pessoas devem ser
ensinadas a cativar amizades. Mesmo que isso pareça óbvio, poucas igrejas
despendem o tempo necessário para ensinar os membros a se relacionarem uns
com os outros.

Mito n° 6: Você precisa de estudos bíblico para crescer

A maturidade espiritual genuína inclui ter um coração que adora e louva a Deus,
constrói e desfruta de relacionamentos com amor, usa os seus dons e talentos a
serviço de outros e compartilha sua fé com as pessoas perdidas. Qualquer
estratégia da igreja para levar as pessoas à maturidade espiritual deve incluir
todas essas experiências: adoração, comunhão, estudo bíblico, evangelismo e
ministério. Em outras palavras, o crescimento espiritual ocorre com a participação
de todos os cinco propósitos da igreja. um cristão maduro faz mais do que
somente estudar a vida cristã, ele a experimenta.

Alguns cristãos têm erroneamente superenfatizado experiências emocionais,


negligenciando a sã doutrina. Por isso muitas igrejas evangélicas têm deixado de
lado o papel da experiência pessoal no crescimento. Elas reagem à glorificação
da experiência feita por outros grupos com a remoção de qualquer ênfase neste
item, vendo toda experiência com suspeita, especialmente se ela traz emoções.
108
Infelizmente, isto nega o fato de que Deus criou os seres humanos com emoções,
não só com mentes. Ele nos deu sentimentos com um propósito definido. A
remoção de toda experiência do processo de crescimento cristão deixa você com
apenas um credo estéril e intelectual, o qual pode ser objeto de estudo, mas não
desfrutado ou praticado no transcurso da vida.

A experiência é uma grande professora. Existem algumas lições que você só


pode aprender por meio dela. O estudo bíblico por si só não produz
espiritualidade. Se ele não for praticado produzirá somente carnalidade. O estudo
sem serviço produz cristãos que gostam de julgar, com uma indisfarçável soberba
espiritual.

Se o cristianismo fosse uma filosofia, a atividade principal deveria ser o estudo.


Mas o cristianismo é relacionamento, vida. As palavras geralmente usadas para
definir a vida cristã são: amor, dar, crer e servir. Jesus não disse: “Eu vim para
que possais ter estudo”. Na verdade, a palavra “estudo” aparece somente
algumas vezes no Novo Testamento. Contudo, se você observar as atividades de
muitas igrejas, terá a impressão de que freqüentar estudos bíblicos é a única
obrigação dos crentes.

Eles já sabem muitos além do que praticam. O que eles precisam é de


experiência no ministério e no evangelismo, aplicando o que precisam é de
experiência no ministério e no evangelismo, aplicando o que já sabem: lidar com
o relacionamento humano, em grupos pequenos, em que pode ser responsável
pelo que já sabem e conduzir a adoração com significado, podendo expressar a
gratidão a Deus pelo que sabem.

Tiago avisou aos primeiros cristãos: “E sede cumpridores da palavra, e não


somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1:22). Existe uma
ilustração de um lago que se torna estagnado por receber água, mas não escoá-
la para nenhum lugar. Quando a vida de um cristão se resume a freqüentar
estudos bíblicos, sem provocar oportunidades de “escoar” os ensinamentos
recebidos, seu crescimento espiritual fica estagnado. Com o perdão de tanta
rima, a impressão sem expressão leva à depressão.

As igrejas prestam um grande desserviço a seus membros ocupando-os


excessivamente com estudos bíblicos que acabam não sendo aplicados por falta
de tempo. As pessoas arquivam as lições e acabam se esquecendo delas antes
de terem tempo para materializá-las e colocá-las em prática. Enquanto isso
pensam que crescem à medida que os seus cadernos de anotações ficam cheios.
Isto é tolice!

O que quero dizer é que é um erro dizer que o estudo bíblico sozinho vai produzir
maturidade. Ele é apenas um dos componentes do processo de amadurecimento.
109
As pessoas também precisam de experiências para crescer na vida cristã. As
igrejas necessitam de uma estratégia equilibrada para o desenvolvimento de
discípulos.

PLANEJANDO SUA ESTRATÉGIA

O desenvolvimento de discípulos é baseado em seis verdades que identifiquei,


em oposição a cada um dos mitos mencionados anteriormente. Acreditamos que
o crescimento espiritual começa com o compromisso, é um processo gradual,
envolve o desenvolvimento de hábitos, é mensurável por cinco fatores, é
estimulado por relacionamentos e requer a participação em todos os cinco
propósitos da igreja.

Eleve o seu nível de compromisso

Sempre gostei do nome que Elton Trubeblood dava para a igreja: “uma
companhia de comprometidos”. Seria maravilhoso se todas as igrejas fossem
conhecidas pelo compromisso de seus membros. Infelizmente as igrejas são
unidas por grupos avulsos, não por comprometidos.

Uma maneira de descobrir se sua igreja está amadurecendo espiritualmente, é


verificar se os padrões da liderança ficam mais rígidos com o decorrer do tempo,
requerendo um nível de compromisso mais profundo e um constante crescimento
espiritual.

Todas as vezes que você eleva os padrões para a liderança, acaba elevando um
pouco os padrões para todos os membros. Como diz o ditado popular, “a maré
alta também eleva os barcos”. Concentre-se em elevar o nível de compromisso
da liderança. Você irá descobrir que, ao fazer isso, também elevará as
expectativas de todos.

Como fazer com que as pessoas se comprometam com o processo de


crescimento espiritual?

Você deve pedir às pessoas que tenham compromisso. Se não pedir às pessoas
para que se comprometam, você não vai obter compromisso nenhum. Se você
não pedir isso aos membros, esteja certo de que outros grupos vão fazê-lo:
clubes, partidos político ou ministérios paraeclesiásticos. A questão não é se as
pessoas voam se comprometer ou não, mas, sim, quem vai receber este
compromisso delas. Se a sua igreja não pedir e não esperar compromisso dos
membros, elas concluirão que o que a igreja está fazendo não é tão importante
quanto às outras atividades que eles têm.

Sempre me impressiono com o fato de que muitas organizações na comunidade


requerem mais de seus participantes do que as igrejas locais. Se o seu filho
participa de um esporte, você sabe que quando ele tem um jogo você precisa
110
assumir uma série de compromissos como lanches, transporte, materiais
esportivos e até festinhas, quando o time é vitorioso. Além disso, você deve
freqüentar os jogos. Não há nada voluntário em sua participação!

Uma das coisas mais correta que uma igreja pode fazer para as pessoas é
esclarecer qual são os compromissos que devem ser feitos e quais os
compromisso que devem ser desfeitos. A razão de termos tantos cristãos fracos é
porque estão parcialmente comprometidos com outras causas, esquecendo-se do
que realmente é importante. Uma barreira para o crescimento espiritual de muitas
pessoas não é a falta de compromisso, e sim, um compromisso exagerado com
coisas erradas. As pessoas devem ser ensinadas a assumir compromissos de
maneira sábia.

Peça um grande compromisso confidencialmente. Jesus sempre pedia


compromisso de uma forma clara e confidencial. Ele nunca relutou em pedir a um
homem ou uma mulher para deixar tudo e segui-lo. Um fenômeno interessante é
que, geralmente, quanto maior o compromisso que você pede, maior é a resposta
que tem.

As pessoas querem estar comprometidas com alguma coisa que dê significado


às suas vidas. Elas respondem a responsabilidades significativas e são atraídas
por terem uma visão desafiadora. Por outro lado, as pessoas geralmente não se
motivam com apelos fracos e pedidos que imploram sua colaboração. Jesus
sabia disso quando disse em Lucas 14:33: “Da mesma forma, qualquer de vós
que não renuncia a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo”. Ele estava
pedindo um compromisso total.

Em certo Domingo, no final da mensagem, passei um cartão especial de


compromisso de vidas que pedia às pessoas para comprometerem totalmente
suas vidas a Jesus Cristo: o tempo, o dinheiro, ambições, hábitos,
relacionamentos, carreiras, casa e energia. A coisa mais impressionante, para
mim, não foi que recebemos de volta milhares de cartões, mas que 177 daqueles
cartões foram assinadas por pessoas que sequer haviam preenchido o cartão de
registro normal, eles, porém indicaram que estavam freqüentando a igreja há
anos! Eles nunca pensaram que preencher o cartão valesse a pena. Às vezes é
mais difícil solicitar um grande compromisso do que um pequeno.

Alguns pastores têm medo de pedir um grande compromisso, temendo que isto
faça com que as pessoas saiam da igreja. As pessoas não se ofendem por serem
requisitadas a assumir um grande compromisso, se existir um grande propósito
por trás dele. Uma distinção a ser lembrada é que as pessoas respondem a uma
visão apaixonante e não a uma necessidade. Esta é a razão pela quais muitas
campanhas de mordomia não funcionam: são concentradas nas necessidades da
igreja, e não na visão da igreja.

111
Seja específico quando pedir compromisso. Uma outra chave para o
desenvolvimento de compromissos é ser específica. Diga às pessoas exatamente
o que você espera delas. Em nosso trabalho não dizemos: “Seja comprometido
com Cristo”. Explicamos exatamente o que isto envolve. Pedimos às pessoas
para se comprometerem com Ele, depois se batizarem, depois se tornarem
membros, depois terem hábitos de maturidade, depois ministrarem e, finalmente,
cumprirem a missão de suas vidas. Como disse antes, desenvolvemos quatro
tipos de pactos que explicam exatamente o que cada um desses compromissos
significa.

Explique cada um dos benefícios do compromisso. Outra chave para estimular o


compromisso das pessoas e identificar os seus benefícios. Deus faz isso
constantemente na Bíblia. Muitos dos mandamentos têm promessas
maravilhosas relacionadas a eles. Sempre somos abençoados quando somos
obedientes.

Tenha certeza de que você está explicando os benefícios pessoas, os familiares,


os benefícios para o corpo de Cristo e para a sociedade em geral e os benefícios
eternos envolvidos no compromisso de crescer espiritualmente.

As pessoas sentem realmente um desejo inato de aprender, crescer e melhorar,


mas, às vezes, você precisa despertar este desejo, declarando os alvos do
aprendizado e objetivos do crescimento em relação ao seu valor e benefício.

De vez em quando me impressiono com a maneira como os publicitários fazem


produtos tão comuns como desodorante, detergentes e sabão em pó, soarem
como se fossem dar a nossa vida um novo significado e alegria. Eles são mestres
na arte do “empacotamento”. É irônico que a igreja tenha o segredo verdadeiro
para o propósito, significado e satisfação de vidas, mas sempre apresente isso de
uma forma desinteressante e não atraente. Compare a qualidade da propaganda
de sua igreja com a publicidade de alguma outra coisa e você verá a diferença
instantaneamente.

No começo das classes 1, 2, 3 e 4, declaramos os valores e benefícios para os


participantes, dizendo: “Aqui está o que essa classe via fazer por você”. Também
explicamos claramente os benefícios de se comprometer com cada um de nossos
quatro pactos.

Construindo “sobre” um compromisso, e não, “para” um compromisso. Mesmo


que você diga às pessoas para onde você as está levando (desafiando-as com
um grande compromisso), é importante começar com um compromisso que
esteja disposto a assumir, não importando quão fraco ele pareça.

Desafiando as pessoas a assumir compromissos e depois crescer neles. É como


decidir ser pai. Poucos pais se sentem prontos para criar seus filhos até que eles
tenham o primeiro. Mas, de alguma forma, depois que a decisão é tomada e o
112
primeiro nenê nasce, o casal começa a amadurecer dentro do papel da
paternidade.

Também não é ruim dividir um grande compromisso em pequenos passos e


liderar as pessoas gradualmente. Como já foi visto, esta é a idéia do “processo de
desenvolvimento de vidas” (o campo de beisebol). Não esperamos que as
pessoas cresçam de novos convertidos a um nível de compromisso como o de
Billy Graham, da noite para o dia. Deixamos que dêem passos de nenê. Usando
o campo de beisebol como uma ilustração visual do processo de maturidade, as
pessoas podem ver o quanto já caminhou e o quanto ainda têm pela frente.

É importante festejar cada vez que alguém se compromete em ir para a próxima


base. Assumir e manter compromissos são um sinal de maturidade que as
pessoas merecem que seja reconhecido e recompensado. Crie eventos de
celebração, como rituais de passagem, nos quais você poderá publicamente
reconhecer aquele crescimento. Temos uma festa no fim de cada ano, em que
parabenizamos todos que assinaram o pacto de maturidade e que renovaram os
seus compromisso por mais um ano.

Os eventos de celebração dão às pessoas um sentido de missão cumprida e as


motivam a continuar fazendo progressos. Certo dia, um homem comentou
comigo: “Freqüento a Escola Bíblica Dominical há mais de 30 anos. Eu nunca vou
me formar?”. Nos eventos de celebração, permita que as pessoas compartilhem
sues testemunhos de como a ampliação de compromissos abençoou suas vidas.
Tenho lido uma série de artigos e livros que dizem que as últimas gerações não
se comprometem com nada. Isto simplesmente não é verdade! O que acontece é
que elas esperam receber um valor correspondente pelo seu comprometimento.
Elas são mais reservadas em assumir compromisso porque existem muitas
opções disponíveis hoje. As últimas gerações estão buscando desesperadamente
algo de valor em que possam investir suas vidas.

Ajude as pessoas a desenvolver hábitos de crescimento espiritual

A forma mais prática e poderosa para fazer com que os crentes sigam em direção
à maturidade é ajudá-los a estabelecer hábitos que promovam o crescimento
espiritual, geralmente chamado de disciplinas espirituais. Usamos o termo hábito
porque ele é menos ameaçador para os novos crentes. Ao mesmo tempo em que
ensinamos que ser um discípulo requer disciplina, acreditamos que estes hábitos
devem ser desfrutados, e não suportados. Não queremos que as pessoas
estejam com medo dos exercícios espirituais que vão fortalecê-las e conduzi-las
à maturidade.

Dostoievski disse certa vez: “A Segunda parte da vida de um homem é feita por
hábitos que ele adquiriu na primeira parte”. Pascal disse que “A força da virtude
de um homem é medida pelas suas ações habituais”. Os seres humanos são
113
criados por hábitos. Se você não desenvolve bons hábitos, irá desenvolver maus
hábitos.

Existem dúzias de bons hábitos que precisamos desenvolver para crescermos


espiritualmente. Quando planejei a classe n° 2, passei muito tempo pensando
sobre os hábitos fundamentais que devem ser aprendidos primeiramente, para
que haja crescimento. Quais são os pré-requisitos mínimos? Quais são os
principais hábitos que fazem nascer todos os outros? Enquanto estudava, sempre
me voltava para os hábitos que influenciam nosso tempo, nosso dinheiro e
nossos relacionamentos. Se Cristo for o Senhor destas três áreas de nossas
vidas, então Ele realmente estará no controle.

A classe n° 2 – “Descobrindo a Maturidade Espiritual” – se concentra em como


estabelecer quatro hábitos básicos de disciplina: passar tempo com a Palavra de
Deus, a oração, ato de dizimar e a comunhão. Estes são baseados em
declarações feitas por Jesus que definem o discipulado. Um discípulo segue a
Palavra de Deus (Jo 8:31, 32), ora e dá frutos (Jo 15:7, 8), não é possuído por
seus bens (Lc 14:33) e expressa o seu amor para outros crentes (Jo 13:34, 35).

Depois de ensinar o “que”, o porquê, o “quando” e o “como” destes quatro itens, o


curso aborda os passos práticos para se começar e manter outros hábitos. O
trecho de Neemias 9:38 revela que todos da nação fizeram um pacto espiritual, o
colocaram por escrito e depois pediram para que sues líderes o assinassem
como testemunhas. No fim da classe n° 2, terminamos com todos assinando um
pacto de maturidade. Os cartões de compromisso assinados são coletados e eu
os assino como testemunha. Nós os plastificamos e depois devolvemos para que
as pessoas os carreguem dentro de suas carteiras. Todos os anos renovam os
compromissos e emitimos novos cartões. Descobrimos que uma ênfase anual em
se comprometer ajuda as pessoas que ficaram desencorajadas ou deixaram de
lado seus hábitos a começar tudo de novo.

As pessoas saem da classe n° 2 como crentes maduros? É claro que não! É por
isso que clamamos o curso de “Descobrindo a maturidade espiritual”. O propósito
é fazer com que as pessoas iniciem a jornada. Elas saem da classe
comprometida com o processo e com os hábitos necessários para o crescimento.
Ainda que tenham dificuldades no caminho, as pessoas saem dessa etapa
mudada permanentemente. É sempre muito emocionante quando as pessoas
fazem um compromisso de seu tempo, dinheiro e relacionamento com Cristo. As
suas faces estão cheias de esperança e expectativa de que vão crescer. E
crescem mesmo!

Construa um plano equilibrado de educação

Mencionei antes que acredito que existem cinco medidas para o crescimento
espiritual: conhecimento, perspectiva, convicção, habilidades e caráter. Estes
quatro níveis de aprendizado são os blocos que constroem a maturidade.
114
Nosso programa de educação cristã é construído ao redor destes níveis de
aprendizado. Não existe espaço para falar sobre todos os treinamentos
oferecidos pelo nosso Instituto e Desenvolvimento de Vidas, mas quero explicar
como implementamos um programa-chave para facilitar cada nível de
aprendizado.

Conhecimento da Palavra. Para começar a construir um currículo de crescimento


espiritual, você precisa fazer duas perguntas: “O que as pessoas já sabem?” e “O
que precisam saber?”. Você não pode presumir que seus novos membros saibam
alguma coisa sobre a Bíblia. Você deve começar do zero.

Recentemente batizamos 63 novos crentes, incluindo ex-budistas, ex-mórmons,


judeus e uma ex-freira católica. Quando você adiciona ex-adeptos da nova era e
outros pagãos, você tem uma grande mistura para ser trabalhada. O
analfabetismo bíblico quase universal entre os não-crentes. Eles sequer
conhecem as histórias e personalidades mais proeminentes da Bíblia.

A igreja precisa oferecer regularmente estudos bíblicos para os “novos crentes”,


apresentando o Velho e o Novo Testamento. Certa vez utilizamos 27 noites de
quarta-feira para cobrir cada um dos 27 livros do Novo Testamento. Existe uma
série de livros de estudos bíblicos disponíveis.

O maior programa da Saddleback para o desenvolvimento do conhecimento da


Palavra é um curso de estudos bíblicos com duração de nove meses, escrito e
ensinado por nossos professores leigos. Cada seção inclui deveres de casa,
lições e separação de grupos para discussão dos temas. Este estudo é oferecido
duas vezes por semana para as mulheres e uma vez por semana aos homens.

Ainda que todos os livros da Bíblia sejam importantes, na Saddleback queremos


que nossos membros estudem os cinco principais, antes que comecem outros
estudos. Esses livros são: Gênesis, João, Romanos, Efésios e Tiago.

Perspectiva. Significa a compreensão de algo que você vê de maneira ampliada.


É a habilidade de perceber como as coisas são interligadas e depois julgar
comparativamente sua importância. Em um sentido espiritual, isso significa ver a
vida do ponto de vista de Deus. Na Bíblia, as palavras entender, sabedoria e
discernimento têm a ver com perspectiva. O oposto de perspectiva é dureza de
coração, cegueira e mediocridade.

A passagem do Salmo 103:7 diz: “Fez notórios os seus caminhos a Moisés, e os


seus feitos aos filhos de Israel”. As pessoas de Israel viram o que Deus fez, mas
Moisés entendeu porque Deus o fez. Esta é a diferença entre conhecimento e
perspectiva. O conhecimento é aprender o que Deus disse e fez. A perspectiva é

115
compreender porque Deus disse e porque fez. A perspectiva responde o porquê
das perguntas que temos na vida.

No texto de Hebreus 3:14 encontramos: “Mas o alimento sólido é para os adultos,


para aqueles que, pela prática, têm as faculdades exercitadas para discernir tanto
o bem como o mal”. Existem muitos benefícios em que se aprender a ver tudo
sob a perspectiva de Deus. Vou mencionar somente quatro deles.

Primeiro. A perspectiva faz com que amemos a Deus ainda mais. Quando melhor
entendemos a natureza e os caminhos de Deus, mais o amamos. Paulo orou: “...
possais perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura e o
comprimento, e a altura, e a profundidade de...” (Ef 3:18).

Segundo. A perspectiva nos ajuda a resistir às tentações. Quando olhamos para


uma situação do ponto de vista de Deus, reconhecemos que as conseqüências
do pecado em longo prazo são maiores do que qualquer prazer que pode
proporcionar. Sem perspectiva, seguimos nossas próprias inclinações naturais.
“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte”
(Pv 14:12).

Terceiro. A perspectiva nos ajuda a lidar com as tribulações. Quando temos a


perspectiva de Deus em nossas vidas, reconhecemos que “... todas as coisas
concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados
segundo o seu propósito” (Rm 8:28), e que “... sabendo que a prova da vossa fé
desenvolve a perseverança” (Tg 1:3). A perspectiva foi uma das razões pela qual
Jesus foi capaz de suportar a cruz (Hb 12:2). Ele olhou além da dor, para a
alegria que estava perante Ele.

Quarto. A perspectiva nos protege do erro. Se já houve um tempo em que os


cristãos precisavam ser fundamentados na verdade, certamente é hoje. Vivemos
numa sociedade que rejeita a verdade absoluta e que aceita qualquer opinião
como se tivesse o mesmo valor. O pluralismo criou uma cultura muito confusa. O
problema não é que nossa cultura não crê em nada, mas que crê em tudo. O
sincretismo, e não o ceticismo, é o nosso maior inimigo.

É importante termos perspectiva, “para que não sejamos mais meninos,


inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pelo engano dos
homens que com astúcia, induzem ao erro” (Ef 4:14). A perspectiva é que produz
estabilidade na vida das pessoas.

O programa da Saddleback para ensinar perspectiva é chamado “Perspectivas da


vida”. É essencialmente um curso de teologia sistemática. Ele abrange doze
doutrinas cristãs essenciais e é ensinado duas vezes por semana, durante 27
semanas. O formato é uma combinação de lições se discussões em grupo.

116
Convicção. Os dicionários normalmente definem a palavra convicção como “uma
crença firma e forte”, mas é mais que isso. Suas convicções incluem seus
valores, compromissos e motivações. Gosto da definição que uma vez ouvi de
Howard Hendricks: “Uma crença é algo que você defende. Uma convicção é algo
pelo qual você entrega sua vida”. Saber o que fazer (conhecimento), porque fazer
(perspectiva) e como fazer (habilidades), não tem valor nenhum se você não tem
uma convicção para motivá-lo!

Porém, quando você cresce, precisa eventualmente desenvolver suas próprias


razões para fazer o que está fazendo. Estas razões são as convicções. As
convicções bíblicas são essenciais para o crescimento e a maturidade espiritual.

“Um homem sem convicção é uma porta fraca, segurada somente por um
ferrolho”.

Uma pessoa sem convicção está à mercê das circunstâncias. Se você não
determinar o que é importante e como vai viver, outras pessoas vão determinar
isso para você. Pessoas sem convicção geralmente seguem a multidão sem
pensar. Acredito que Paulo estava falando sobre convicção quando disse em
Romanos 12:2: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos
pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus”.

O que é mais irônico é que as pessoas geralmente possuem fortes convicções


sobre questões fracas (esportes, moda etc.), enquanto têm convicções fracas
sobre questões importantes (o que é certo e o que é errado).

A convicção nos ajuda a ser diligentes no processo de crescimento espiritual. O


crescimento requer tempo e esforço. Sem convicção sobre crescimento, as
pessoas se desanimam e acabam deixando tudo de lado. Ninguém permanece
em uma missão difícil a não ser que esteja convencido de que existe uma boa
razão para fazê-lo. Uma igreja pode ensinar às pessoas como orar, estudar a
Bíblia e falar de Jesus, mas, a não ser que ela transmita as convicções
correspondentes, essas pessoas não vão aprender.

As pessoas que causaram um maior impacto neste mundo, para o bem e para o
mal, não foram necessariamente as mais inteligentes, as mais ricas ou as mais
cultas. Foram pessoas com convicções mais fortes e mais profundas.

A vida de Jesus foi dominada por sua convicção de que fora enviado para fazer a
vontade do Pai. Esta convicção produziu uma consciência profunda do propósito
de sua vida e fez com que o Senhor não se distraísse com outros assuntos. Para
ganhar uma visão das convicções que Jesus tinha, estude todas as vezes que
Jesus a frase: ”Tenho de...”. Quando as pessoas desenvolvem convicções
semelhantes às de Cristo, desenvolvem também um propósito de vida.
117
Perspectivas de Vida 1

Doutrina Perspectiva principal.

Deus Deus é maior e melhor do que eu posso imaginar.

Jesus Jesus é Deus revelado a nós.

Espírito Santo Deus dentro e por meio de mim agora.

Revelação A Bíblia é o guia inerrante de Deus para minha vida.

Criação Nada acontece por si só.

Salvação Graça é a única forma de se relacionar com Deus.

Santificação A vontade de Deus para que cresçamos


semelhantes a Cristo

Bem e mal Deus tem permitido uma visão capaz de nos dar
opções. Boas novas podem ser extraídas de uma visão.

Após a vida A morte não é o fim, mas o começo. O céu e o inferno são lugares
reais.

A Igreja A única “superpotência mundial ” é a Igreja. ela durará para sempre.

Oração A oração pode fazer qualquer coisa que Deus pode fazer.

Segunda vinda Jesus está voltando para julgar o muno e para reunir os filhos de
Deus.

Precisamos estar com a chama da convicção acesa de que o reino de Deus é a


maior causa do mundo.

As convicções também são percebidas no dia-a-dia; elas se espalham melhor por


meio de relacionamentos. A convicção é contagiosa, as pessoas a pegam,
estando ao redor das pessoas que a tem. Esta é uma das principais razões pelas
quais enfatizamos os grupos pequenos como uma parte de nosso processo de
desenvolvimento de vidas. Uma associação próxima com pessoas de convicção
geralmente produz influência maior do que simplesmente ouvir uma mensagem
sobre o tema.

Habilidades. Significa o poder de fazer alguma coisa com facilidade e precisão.


Você desenvolve uma habilidade não por ouvir uma lição, mas pela prática e
118
experiência. Na vida cristã existem certas habilidades que você precisa
desenvolver para ser maduro: habilidades no estudo bíblico, habilidades
ministeriais, habilidade no testemunho, habilidade na administração do tempo e
muitas outras.

As habilidades são o “passo-a-passo” do crescimento espiritual. O conhecimento


e a perspectiva dizem respeito ao saber. A convicção e o caráter dizem respeito
ao ser. As habilidades estão relacionadas ao fazer. Devemos ser “...não somente
ouvintes...” (Tg 1:22). Nossas ações provam que somos parte da família de Deus.
Jesus disse: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de
Deus e a executam” (Lc 8:21).

Muitos crentes hoje estão frustrados porque sabem o que fazer, mas nunca foram
ensinados como fazer. Eles já ouviram várias mensagens sobre a importância de
estudar a Bíblia, mas ninguém mostra como fazê-lo. Sentem-se culpados por não
possuírem uma vida de oração, mas ninguém reserva tempo para explicar como
eles podem fazer uma lista de oração, como louvar o caráter de Deus usando os
seus, nomes, ou como interceder por outros. A exortação sem explicação leva à
frustração. Quando exortamos as pessoas a fazer algo, somos responsáveis em
explicar exatamente como fazê-lo.

Se você quer que sua igreja produza cristãos eficientes, deve ensinar as
habilidades necessárias para a vida e o ministério cristão. A habilidade é o
segredo da eficiência. Lembre-se do versículo que compartilhei no capítulo 2: “Se
estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se deve pôr mais força,
mas a habilidade trará sucesso” (Ec 10:10).

O programa da Saddleback para o desenvolvimento de habilidades é chamado


de Seminário de habilidades de vida. Dura de quatro a oito horas e geralmente é
ensinado no mesmo dia. Descobrimos que as pessoas acham mais fácil passar
um período longo em apenas um dia do que vir por uma hora, durante seis
semanas. Às vezes, porém, esticamos o seminário por um período do algumas
semanas, pois há muito material para ser estudado em apenas um dia.

Cada seminário se concentra em uma habilidade específica: como estudar a


Bíblia, como orar com mais eficiência, como resistir à tentação, como administrar
o tempo para servir ao ministério e como se relacionar com outras pessoas.
Identificamos nove habilidades básicas que todos os crentes necessitam e
também oferecemos seminários em outras áreas quando percebemos que existe
uma necessidade particular em nossa igreja.

Caráter. Um caráter semelhante ao de Cristo é o alvo maior de toda a educação


cristã. Acomodar-se com qualquer outra coisa é perder o sentido do significado
do crescimento cristão. Nosso alvo é que “...todos cheguemos à unidade da fé e

119
do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da
estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13).

Desenvolver o caráter de Cristo é a missão mais importante da vida, pois é a


única coisa que vamos levar para a eternidade. Jesus deixou isso bem claro no
Sermão da Montanha, ao dizer que as recompensas no céu serão proporcionais
ao caráter que demonstramos aqui na terra.

Isso significa que o objetivo de todo o nosso ensinamento deve ser a mudança de
vidas e não somente o ato de compartilhar informações. Paulo disse a Timóteo
que o propósito de sue ensinamento era desenvolver o caráter daqueles a quem
ensinava: “ora, o intuito deste mandamento é o amor que procede de um coração
puro, de uma boa consciência, de fé não fingida” (1 Tm 1:5).

O caráter nunca é construído em uma sala de aula, mas, sim, nas circunstâncias
da vida. Uma sala de aula onde a Bíblia é estudada é simplesmente um local
para se identificar às qualidades do caráter e aprender como ele pode ser
desenvolvido. Precisamos entender como Deus usa as circunstâncias para
desenvolver o caráter. Podemos responder corretamente quando Deus nos
coloca em situações construtivas. O desenvolvimento do caráter sempre envolve
uma escolha. Quando fazemos a escolha certa, nosso caráter é aprimorado e se
torna mais semelhante ao de Cristo.

Todas as vezes que escolhemos responder a uma situação da maneira de Deus,


e não seguimos nossa inclinação natural, desenvolvemos nosso caráter.

Se você quer saber como se parece o caráter semelhante ao de Cristo, um bom


lugar para começar é a lista de nove qualidades de caráter que Paulo enumera
em Gálatas 5:22, 23: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade,
benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra essas
coisas não há lei”. O fruto do Espírito é uma foto perfeita de Cristo. Ele
personifica todas estas nove qualidades. Se você quer possuir um caráter
semelhante ao de Jesus, também deve apresentar estas qualidades em sua vida.

Como Deus produz o fruto do Espírito em nossas vidas? Colocando-nos em


circunstâncias opostas, provocando-nos a tomar uma decisão. Deus nos ensina
como realmente amar, colocando ao nosso redor pessoas não-amáveis (não é
necessário ter qualquer caráter para amar pessoas que são amáveis), a ter
felicidade nas horas de tristeza (a felicidade está no interior). A alegria depende
do que está acontecendo, mas a felicidade independe das circunstâncias. Ele
desenvolve paz em nós, colocando-nos no meio do caos, para que possamos
aprender a confiar nele (não é preciso ter caráter para estar em paz quando tudo
está bem).

Deus está muito mais preocupado com o nosso caráter do que com o nosso
conforto. Seu plano é nos aperfeiçoar, não nos mimar. Por esta razão, permite
120
todos os tipos de circunstâncias que elevam o nosso caráter: conflitos,
desapontamentos, dificuldades, tentações, tempos de seca e atrasos. Uma das
maiores responsabilidades do programa de educação de sua igreja é preparar
pessoas com conhecimento, perspectiva, convicções e habilidades necessárias
para suportar essas situações. Se você fizer isso, o caráter de cada uma será
aprimorado.

Há um século, Samuel Smiles fez a seguinte observação:

Plante um pensamento e você colherá um ato;


Plante um ato e você colherá um hábito;
Plante um hábito e você colherá um caráter;
Plante um caráter e você colherá um destino.

Existe uma ordem lógica para a construção de conhecimento, perspectiva,


convicção, habilidades e caráter. Você deve começar com a fundação do
conhecimento. Como o conhecimento espiritual é baseado na Palavra de Deus, o
primeiro nível de aprendizado é adquirir conhecimento bíblico. As perspectivas e
convicções devem ser baseadas na Bíblia.

Sobre o conhecimento da Palavra, adicione a perspectiva. Quanto melhor você


conhece a Palavra de Deus, mais começa a ver a vida do ponto de vista divino. A
convicção cresce naturalmente da perspectiva.

Uma vez que começar a enxergar as coisas da perspectiva de Deus, você


começa a desenvolver convicções bíblicas. Uma compreensão do propósito e do
plano de Deus muda suas motivações.

As convicções lhe dão a motivação para manter hábitos espirituais.


Eventualmente, por meio da repetição, esses hábitos se transformam em
habilidades.

Quando você coloca o conhecimento da Palavra, perspectiva, convicção e


habilidades correspondentes juntas, o resultado é o caráter! Primeiro você sabe,
depois entende, depois crê de todo o coração e depois faz.

Aqui estão quatro perguntas que você deve fazer sobre o seu programa de
educação cristã:

 As pessoas aprendem o conteúdo e o significado da Bíblia?


 Estão vendo a si mesmas da perspectiva de Deus?
 Estão tendo seus valores alinhados com os valores divinos?
 Estão se tornando mais habilidosas para servir a Deus?
 Estão se tornando como Cristo?

121
Estes são os objetivos pelos quais trabalhamos continuamente. Paulo diz em
Colossenses 1:28: “A ele anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando
a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito
em Cristo”.

Nossa visão para a maturidade espiritual é dar glórias a Deus formando o


máximo de discípulos semelhantes a Cristo, antes de sua volta.

A visão da Saddleback para uma igreja madura no ano 2020

Sonhamos com 15.000 membros que tenham compromisso com o pacto de


maturidade: tendo um tempo diário com Deus, dando o dízimo e participando de
um grupo pequeno.
Queremos possuir uma rede de 1.000 grupos pequenos dentro de nossa igreja,
dando apoio, encorajamento e responsabilidade aos nossos membros, enquanto
crescem na semelhança de Cristo. Estes grupos vão ser continuamente liderados
por pastores leigos treinados e líderes que, com amor, dirigem, alimentam e
cuidam dessas pessoas.

Desejamos que o nosso Instituto de Desenvolvimento de Vidas ofereça programa


de estudos bíblicos equilibrado, classes, seminários e conferências anuais para a
construção de conhecimento, perspectiva, convicção, habilidades e caráter.
Esperamos que 7.500 membros recebem o diploma do curso até o ano de 2020.

Temos o alvo de ter, em nossos cultos de meio de semana 5.000 adultos,


crianças e jovens que não estão envolvidos na comunhão dos grupos pequenos.

Trabalhamos para formar um colegiado de 250 professores leigos talentosos,


equipados com a visão, caráter, conhecimento e experiência para alimentar o
rebanho. Desejamos possuir um programa de treinamento de professores que
produza especialistas em cada um dos livros da Bíblia, doutrina, apologética e
crescimento cristão. Sonhamos com o dia em que poderemos dizer: “Os
melhores professores do país são os professores leigos da Saddleback”.

Estamos nos esforçando para estabelecer um processo de desenvolvimento de


vida para cada idade, que possa levar nossas crianças e jovens a amar a Jesus e
sua igreja, crescerem espiritualmente, descobrir seu ministério e entender sua
missão de vida no mundo.

Anelamos por implantar mais efetivamente um modelo de educação cristã que se


concentre em mudança de vidas e não somente em conhecimento. Pretendemos
disponibilizar recursos, ferramentas e treinamento para milhares de outras igrejas
com propósitos.

Temos o sonho de trabalhar com seminários para pastores que estabeleçam um


programa de treinamento de igreja. temos a meta de treinar líderes para as
122
igrejas do século 21, ensinando-os como começar e desenvolver modelos
similares aos nossos.

A meta desta visão é dar glórias a Deus formando o máximo de discípulos


semelhantes a Cristo, antes de sua volta! (Cl 1:28).

Capítulo 19

Transformando membros em ministros

Certa vez, Napoleão apontou para um mapa da China e disse: “Ali repousa um
gigante adormecido. Se um dia acordar, nada poderá detê-lo”. Acredito que a
igreja é um gigante adormecido. A cada Domingo, os bancos da igreja estão
cheios de membros que não estão fazendo nada com sua fé, a não ser mantê-la.”

A designação de membro “ativo” na maioria das igrejas indica aquelas que a


freqüentam regularmente e contribuem com ofertas e dízimos. Nada mais do que
isso é esperado. Porém, Deus tem expectativas muitos maiores para cristãos. Ele
espera que cada um use seus dons e talentos no ministério. Se conseguirmos
despertar e utilizar a massa de talentos, recursos, criatividade e energia que se
encontra adormecida em uma igreja típica, o cristianismo vai explodir com um
crescimento em taxas sem precedentes.

A maior necessidade das igrejas evangélicas é que os membros se tornem


ministros. Uma pesquisa do Gallup descobriu que somente 10% dos membros
das igrejas americanas são ativos em algum tipo de ministério, e que 50% de
todos os membros não têm interesse em servir em nenhum tipo de atividade.
Pense bem nisso! Não importa quanto à igreja promova o envolvimento de
ministros leigos, pelo menos metade dos membros continua como meros
expectadores.

As boas novas são que a pesquisa do Gallup descobriu que 40% de todos os
membros têm expressado um interesse me se envolver em um ministério,mas
nunca foram convocados ou simplesmente não sabem como fazê-lo. Este grupo
é uma mina de ouro inexplorada! Se você puder mobilizar esses 40% e adicionar
os 10% que já estão servindo, sua igreja pode ter 50% de membros ativos em
algum tipo de atividade. Você não ficaria feliz se metade de sua igreja fosse
formada de ministros leigos? A maioria dos pastores pensaria que eles morreram
e forma para o céu se isso acontecesse.

Mesmo que as grandes igrejas tenham muitas vantagens sobre as pequenas,


uma coisa que realmente não gosto nelas é que é fácil para um talento se
esconder na multidão. A não ser que eles tomem a iniciativa em revelar os seus
dons e especialidades, membros talentosos podem estar sentados na multidão a
cada semana você não tem nenhuma idéia do que são capazes de fazer. Isso me
123
preocupa e perturba, pois um talento que fica na prateleira apodrece, se não for
usado. É como um músculo: se não utilizado, definhará.

Certa vez conversava com algumas pessoas no pátio da igreja depois do culto, e
mencionei que estava precisando de alguém para criar um vídeo multimídia para
um evento. Uma das pessoas disse: “Por que você não pede a ela”. E apontou
para uma mulher a poucos metros de distância. Fui até aquela mulher, perguntei
o seu nome e o que fazia. Ela disse: “Sou diretora de produção da Walt Disney”.
Ela estava freqüentando a igreja havia um ano.

Outra vez, mencionei que precisava de uma florista para decorar nossa tenda
para o dia das Mães. Alguém me indicou uma pessoa na multidão e disse: “Ele é
quem desenha muitos dos carros que ganham os prêmios na Parada das Rosas”.
Fico assustado ao saber que um talento como esse pode ficar sem uso por causa
da minha ignorância.

A sua igreja nunca será mais forte do que seu núcleo de ministros leigos, que
executam as várias atividades da igreja. toda congregação precisa de um sistema
bem-planejado para descobrir, mobilizar e apoiar os dons de seus membros.
Você deve desenvolver um processo para levar as pessoas a um compromisso
mais profundo e ao serviço do reino. Este processo vai levar seus membros do
círculo dos comprometidos para dentro do núcleo de ministros leigos. Em nosso
diagrama do processo de desenvolvimento de vidas, chamamos isso de “levar as
pessoas para a terceira base”.

A maioria das igrejas evangélicas acredita no conceito de que cada membro é um


ministro. Muitas até dão grande ênfase neste assunto em suas pregações e
ensinamentos. Ainda assim, a maioria dos membros não faz nada além de
freqüentar as reuniões e contribuir. O que é necessário para transformar uma
audiência em um exército? Como você transforma espectadores em
participantes? Neste capítulo, explico o sistema que desenvolvemos para equipar,
fortalecer e preparar nosso membros para o ministério.

Ensine a base bíblica sobre “cada membro é um ministro”

Tenho tentado enfatizar, neste livro, a importância de se colocar fundamentação


bíblica em cada coisa que você faz. As pessoas sempre precisam saber o
“porquê” antes de você ensiná-las “como”. Invista tempo ensinando aos seus
membros bases bíblicas para o ministério leigo. Ensine isso em classes,
sermões, seminários, estudos bíblicos nos lares e de qualquer outra forma que
possa usar para enfatizar isso. Você nunca deve parar de ensinar a importância
de que cada membro possua um ministério.

Resumimos o que acreditamos sobre o ministério em uma “Declaração de missão


ministerial”. Com base em Romanos 12:18, acreditamos que a igreja é construída
sobre quatro pilares de ministério leigo. Sempre ensinamos as verdades sobre
124
estes quatro pilares, para que fiquem profundamente enraizados no coração de
nossos membros.

Pilar n° 1: Cada membro é um ministro

Não são todos os crentes que são pastores, mas todos são chamados ao
ministério. Deus chama todos para o ministério no mundo e na igreja. o serviço
no corpo não é opcional. No exército de Deus não existem voluntários.

Ser um cristão é ser como Jesus. Ele disse: “Pois o Filho do homem não veio
para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc
10:45). Servir e dar são características definitivas de um estilo de vida
semelhante ao de Cristo.

Em nossa igreja ensinamos que cada cristão é criado para o ministério (Ef 2:10),
salvo para o ministério (2 Tm 1:9), chamado para o ministério (1 Pe 4:10),
autorizado para o ministério (Mt 28:18-20), comandado para o ministério (Mt
20:26-28), preparado para o ministério (Ef 4:11, 12), necessário para o ministério
(1 Co 12:27), responsável pelo ministério, e será recompensado por seu
ministério (Cl 3:23, 24).

Pilar n° 2: Cada ministério é importante

Não existem pessoas “pequenas” no corpo de Cristo, assim como não existem
ministérios “insignificantes”. Cada ministério é importante.

“Mas Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos
fossem um só membro, onde estaria o corpo? Pois há muitos membros, mas um
só corpo. O olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti! Nem ainda
a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós! Antes, os membros do corpo
que parecem ser mais fracos, são necessários...” (1 Co 12:18-22).

Alguns ministérios são visíveis, outros ficam por trás das cortinas, mas todos são
igualmente valiosos. Em nossas reuniões mensais de treinamento de ministérios
(TLAIS), enfatizamos e reconhecemos todos os ministérios de uma forma igual.

Os ministérios pequenos geralmente fazem uma grande diferença. A luz mais


importante em minha casa não é a de uma luminária grande e cara na sala de
jantar, mas, sim, a pequena luz do corredor que nos ajuda a caminhar por ele à
noite. É pequena, porém, mais útil do que a luminária da sala de jantar, que
quase não usamos (minha esposa sempre diz que a minha luz favorita é que
acende quando abro a porta da geladeira).

Pilar n° 3: Dependemos uns dos outros

125
Não somente cada ministério é importante, cada ministro está também interligado
a todos os outros. Nenhum ministério é independente. Uma vez que nenhum
ministério sozinho pode realizar tudo o que a igreja é chamada a fazer, devemos
depender e nos juntar uns aos outros. É como um quebra-cabeças, sendo cada
pedaço necessário para completar o quadro. A primeira coisa que você nota é a
peça que está faltando.

Quando uma parte do corpo não funciona bem, as outras partes também não
funcionam. Um dos componentes que falta à igreja contemporânea é a
compreensão da interdependência. Devemos trabalhar juntos. A preocupação de
nossa cultura com o individualismo e a independência deve ser substituída pelos
conceitos bíblicos de interdependência e cooperação.

Pilar n° 4: O ministério é uma expressão da minha boa forma espiritual

Isto é um distintivo do ensinamento da Saddleback sobre o ministério.


Desenvolvi, há algum tempo, cinco elementos- dons espirituais, coração,
habilidades, personalidade e experiências – os quais determinam qual ministério
cada pessoa deve ter.

Quando Deus criou os animais, deu a cada um deles uma certa especialidade.
Alguns animais correm, outros pulam, outros nadam, outros se enterram e outros
voam. Cada um desempenha um papel em particular, baseado na forma pela
qual foram criados por Deus. A mesma coisa é verdade em relação aos homens.
Cada um de nós foi projetado de uma forma única ou moldado por Deus para
fazer certas coisas.

Uma mordomia sábia de sua vida começa pelo entendimento de seus dons
espirituais, de seu coração, de suas habilidades, de sua personalidade e de suas
experiências. Você é um ser único, maravilhosamente complexo, composto de
muitos fatores. Deus o formou de acordo com o que Ele quer que você faça. Seu
ministério é determinado por sua formação.

Se você não entende seus dons espirituais, coração, habilidades, personalidade


e experiências, acaba fazendo coisas que Deus nunca quis nem planejou para
que você fizesse. Quando seus dons não combinam com o papel que
desempenha na vida, isso o faz sentir-se como um quadrado tentando se
encaixar num círculo. Isso frustra tanto você como os outros. Não somente os
resultados são limitados, mas isso também é uma grande perda de talento, mas
isso também é uma grande perda de talento, tempo e energia.

Deus é consistente em seu plano para nossas vidas. Ele não nos daria
habilidades inatas, temperamentos, talentos, dons espirituais e experiências de
vida para não serem usados! Por meio da identificação e do entendimento destes
fatores, podemos descobrir a vontade dele para as nossas vidas, a única forma
pela qual Ele pretende que o sirvamos.
126
Deus o moldou para o ministério desde que você nasceu. Ou melhor, Ele
começou a formá-lo antes de você nascer.

Dons espirituais. A Bíblia ensina claramente que Deus dá a cada crente certos
dons espirituais para serem usados no ministério (veja 1 Coríntios 12; Romanos
8; Efésios 4). São, contudo, apenas parte do todo. Geralmente os dons espirituais
são superenfatizados em detrimento de outros talentos igualmente importantes.
As habilidades naturais com as quais já nascemos, também vêm de Deus, bem
como nossas experiências. Os dons espirituais revelam uma parte da vontade
divina para o nosso ministério, mas isso não é tudo.

A maioria das igrejas diz: “Descubra seu Dom espiritual e então saberá que tipo
de ministério deve possuir”. Isto é um atraso. Creio de um jeito oposto: comece
experimentar trabalhar em diferentes ministérios e depois descobrirá os seus
dons! Até que comece realmente a se envolver no serviço, não vai saber em que
você é bom. Mesmo lendo todos os livros já publicados você ainda pode ficar
confuso sobre o que é dotado para fazer.

Não coloco muita fé em certas “listas de dons espirituais”, ou outros testes


disponíveis para a descoberta de dons. Para começar, listas e testes requerem
uma padronização, o que nega a forma única com que Deus trabalha em cada
vida. Aqueles que têm o Dom de evangelismo em sua igreja podem expressá-lo
de uma forma bem diferente da que é manifestada na vida de Billy Graham.
Tampouco existem definições para a maioria dos dons espirituais citados no Novo
Testamento, portanto as definições atuais são arbitrárias, altamente
especulativas, e geralmente, representam preferências denominacionais.

Outro problema é que, quanto mais maduro um crente se torna, mais é capaz de
manifestar características de uma série de dons. Ele pode demonstrar um
coração de servo, mas isso pode não ser um Dom, e sim manifestação de
maturidade espiritual.

Só depois que comecei a aceitar convites para fala e vi os resultados, recebi


confirmação de outros e reconheci: “Deus me dotou para isso”.

Coração. A Bíblia usa o termo coração para representar o centro de suas


motivações, desejos, interesses e inclinações. Seu coração determina a forma de
você se expressar (Mt 12:34), a maneira de sentir (Sl 37:4), e o modo como age
(Pv 4:23).

Fisiologicamente falando, cada coração bate de maneira única. A batida do


coração de cada pessoa tem um padrão ligeiramente diferente. Da mesma
maneira, Deus deu a cada um de nós uma “batida de coração” emocionalmente
única, que acelera única, que acelera quando vemos atividades, assuntos ou
127
circunstâncias que nos interessam. Instintivamente, temos sentimentos mais
profundos sobre alguma coisa. Outra palavra para coração ó paixão. Existem
certos assuntos pelos quais nos sentimos apaixonados e outros que não temos
nenhum interesse. Esta é uma expressão de seu coração.

Sua motivação dada por Deus serve como um sistema direcional interno para a
sua vida. Ela determina quais são seus interesses e o que lhe traz mais
satisfação. Ela também o motiva a ir a busca de certas atividades, assuntos e
ambientes. Não ignore seus interesses naturais. As pessoas raramente obtêm
êxito em trabalhos que não gostam de fazer. As que alcançam seus objetivos são
geralmente pessoas que gostam de fazer o que fazem.

Deus tem um propósito em dar a você interesses inatos. Sua batida emocional de
coração revela uma chave importante no entendimento das intenções do Senhor
em relação a você. Deus lhe deu um coração, mas é escolha sua usá-lo para o
bem ou para o mal, para razões egoístas ou para servir a Deus e os outros. A
Palavra nos recomenda: “...mas servi ao Senhor de todo o vosso coração” (1 Sm
12:20).

Habilidades. As habilidades são talentos naturais com os quais você já nasceu.


Algumas pessoas possuem habilidade natural com as palavras; parece que já
nasceram falando! Outras têm habilidades esportivas, se superam em atividades
físicas (os melhores técnicos de basquetebol do mundo nunca vão poder fazer
que você tenha o mesmo talento que Michael Jordan). Algumas pessoas são
naturalmente hábeis com números, pensam matematicamente e não conseguem
entender porque os outros não compreendem cálculo!
É muito interessante para mim, que o talento musical não está na lista de “dons
espirituais”, mas certamente é uma habilidade natural que Deus usa na adoração.
Outra habilidade é a sabedoria para auferir recursos. “Antes te lembrarás de que
o Senhor teu Deus é que te dá força para adquirires riquezas...” (Dt 8:18).

Uma das desculpas mais comuns utilizadas para não se envolver no ministério é
a de não possuir nenhum talento para oferecer. Nada pode estar mais longe da
verdade. Muitos estudos na América provam que a pessoa, em média, possui de
quinhentas a setecentas habilidades diferentes! O problema verdadeiro é que:
primeiro, as pessoas precisam de algum processo para identificar suas
habilidades. A maioria está usando habilidades que não estão conscientes de
possuir. Segundo precisam de um processo para ajudá-las a combinar suas
habilidades com o ministério certo.

Existem pessoas na sua igreja que possuem diversos tipos de habilidades e que
não estão sendo colocadas em uso: recrutar, pesquisar, escrever, entrevistar,
promover, decorar, planejar, entreter, consertar, desenhar e até mesmo cozinhar.
Nada deve ser jogado fora. “Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o
mesmo” (1 Co 12:5).

128
Personalidade. É óbvio que Deus não usa uma fôrma para criar as pessoas. Ele
ama a variedade. Criou introvertidos extrovertidos. Ele fez pessoas que amam a
rotina e amam a variedade; alguns “pensadores” e outros “sentimentais”; pessoas
que trabalham melhor sozinhas e outras que produzem melhor em equipe.

Não existe um temperamento “certo” ou “errado” para o ministério. Tudo o que


precisamos são personalidades para equilibrar a igreja e temperá-la. O mundo
seria um lugar muito chato de todos nós tivéssemos o mesmo sabor. Felizmente,
as pessoas e os sorvetes têm centenas de sabores diferentes!

Sua personalidade vai afetar como e onde você usa seus dons espirituais e suas
habilidades. Por exemplo: duas pessoas podem ter o mesmo Dom de
evangelismo, mas uma é introvertida e outra é extrovertida. Este Dom será
expresso de maneiras diferentes.

Esta e a razão porque imitar o ministério de alguém nunca funciona, pois você
não tem a personalidade de quem está imitando. Deus o fez para que você seja
você mesmo!. Você pode aprender com os exemplos dos outros, mas precisa
filtrar as lições que aprende para que se encaixem com sua personalidade.

Quando você ministra de uma maneira que é consistente com a personalidade


que Deus lhe deu, vai experimentar plenitude, satisfação e produção de frutos.
Fazer exatamente o que Deus quer que você faça dá um incrível sentimento de
realização.

Experiências. Deus nunca joga experiências fora. Está escrito em Romanos 8:28:
“Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a
Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

Em nosso trabalho, ajudamos as pessoas a considerar cinco áreas de


experiência que vão influenciar escolha do tipo de ministério ao qual se adaptam
melhor: (1) Experiências educacionais: quais eram suas matérias favoritas na
escola? (2) Experiências vocacionais: quais os trabalhos que você mais gostou e
em quais alcançou melhores resultados? (3) Experiências espirituais: quais foram
às horas que Deus tocou em sua vida de uma forma mais clara? (4) Experiências
ministeriais: como você serviu a Deus no passado? (5) Experiências dolorosas:
quais foram às feridas e tribulações das quais você aprendeu mais?

Quando você usar os seus dons espirituais e habilidades na área onde o seu
coração deseja e da forma que sua personalidade e experiências se expressam
melhor, você vai ser mais eficiente e feliz em seu ministério. O resultado de um
trabalho na área correta são bons frutos.

Simplifique sua estrutura organizacional

129
O próximo passo na construção de um ministério para leigos, depois de ensinar
as bases bíblicas para eles, é simplificar sua estrutura organizacional. Uma das
principais razões de muitos membros de igreja não serem ativos é porque estão
tão ocupados freqüentando reuniões, que não têm tempo para o ministério
propriamente dito. Sempre me pergunto o que aconteceria com o cristianismo se
acabássemos com todas as reuniões. Afinal, Jesus não disse: “Eu vim para que
tenhais reuniões”. Mas se você perguntar a uma pessoa que não vai à igreja o
que ele mais nota sobre o estilo de vida de seus vizinhos crentes, ele
provavelmente ira dizer: “Eles saem toda hora para ir à igreja”. Será que é assim
que queremos ser conhecidos?

Minha impressão é que uma igreja típica seria mais sadia se eliminasse metade
das reuniões, dando mais tempo para o ministério e para o evangelismo pessoal.
Uma das razões dos membros de sua igreja não falarem de Jesus para os
vizinhos é porque não os conhecem. Eles estão sempre nas reuniões da igreja.

O bem de maior valor que as pessoas podem dar para sua igreja é o tempo. Uma
vez que tenham menos tempo livre, é melhor que tenhamos certeza que o estão
usando da melhor maneira. Se uma pessoa leiga se dirige a mim e diz: “Pastor,
tenho quatro horas por semana para dar ao ministério da igreja”, a última coisa
que faria seria colocá-la em alguma comissão. Quero envolvê-la num ministério e
não na manutenção da igreja.

Ensine às pessoas a diferença entre manutenção e ministério. Manutenção é o


trabalho de igreja: orçamentos, construções, questões organizacionais etc.
ministério é o “trabalho da igreja”. quanto mais pessoas estão envolvidas em
decisões sobre manutenção, mais você gasta o tempo delas, evitando que se
engajem no ministério e criando oportunidades para conflitos. O trabalho de
manutenção também condiciona as pessoas a pensar que suas
responsabilidades já estão cumpridas quando simplesmente votam sobre os
negócios da igreja.

Um erro comum cometido por muitas igrejas é pegar as melhores e mais


inteligentes pessoas e torná-las burocratas, dando a elas reuniões para
freqüentarem. Você pode drenar a vida que as pessoas têm, agendando
constantes reuniões. Não instituímos comissões na Saddleback. Temos, porém,
79 tipos diferentes de ministérios leigos.

Qual é a diferença entre uma comissão e um ministério de leigos? As comissões


discutem, os ministérios fazem as comissões debate, os ministérios agem. As
comissões administram. Os ministérios ministram. As comissões conversam e
consideram, os ministérios servem e protegem. As comissões falam sobre
necessidades, os ministérios vão ao encontro delas.

As comissões também tomam decisões que eles esperam que outras pessoas
venham a implementar. Em nossa comunidade, os implementadores são os
130
“tomadores de decisões”. As pessoas que trabalham nos ministérios têm
oportunidade de tomar suas próprias decisões sobre aquele ministério. Não
separamos autoridade de responsabilidade, confiamos ambas às pessoas. Isso
faz com que as comissões sejam irrelevantes. Não delegamos autoridade para se
tomar decisões àqueles que não ministram.

Quem, então, faz a manutenção de nossa igreja? os funcionários fazem isso. Não
jogamos fora o valioso tempo de nosso membros. As pessoas realmente
apreciam o fato de que o tempo que dão para a igreja é direcionado para um
ministério de verdade.

Estou certo de que você está achando que este método é bastante radical. A
Saddleback é estruturada de uma forma exatamente oposta à maioria das igrejas.
Em uma igreja típica, os membros tomam conta da manutenção (administração)
da igreja e o pastor, supostamente, faz todo o ministério. Não é de se admirar que
a igreja não cresça! Não existe possibilidade de um homem atender a todas as
necessidades da igreja. mais cedo ou mais tarde, ele acabará se queimando e
terá de mudar para uma outra igreja em busca de alívio.

A razão deste livro não é compartilhar todas as minhas convicções sobre uma
estrutura de igreja bíblica, mas permita-me pedir a você para considerar esta
questão: “O que as palavras comissões, eleições, maioria, juntas, membros das
juntas, procedimentos parlamentares, votação e voto tem em comum?”.
Nenhuma destas palavras são encontradas no Novo Testamento. Impomos uma
forma americanizada de governo na igreja e, como resultado, a maioria delas
está cheia de burocracia, assim como o governo americano. Demora muito tempo
para alguma coisa ser feita. As estruturas organizacionais criadas pelo homem
têm prejudicado mais o crescimento sadio da igreja do que qualquer um de nós
pode imaginar.

Mesmo que o tipo de estrutura que uma igreja possua não faça com que ela
cresça, infelizmente controla o ritmo e o tamanho do crescimento. Cada igreja
deve, mais cedo ou mais tarde, decidir se vai ser estruturada para controlar ou
para crescer. Esta é uma das principais decisões que sua igreja precisa tomar.
Para que ela cresça, o pastor e as pessoas devem renunciar ao controle. Os
membros devem renunciar ao controle da liderança e o pastor precisa renunciar
ao controle do ministério.

Uma vez que uma igreja cresça acima de 500 membros, nenhuma pessoa ou
junta pode saber tudo o que está acontecendo nela. Há anos eu não sei o que
está acontecendo na minha igreja. não preciso saber sobre tudo o que acontece!
Você pode perguntar: “Então, como você a controla?”. Minha resposta é: “Eu não
controlo”. “Não é meu trabalho controlar a igreja. meu trabalho é liderá-la”. Existe
uma grande diferença entre liderar e controlar. Nossos pastores e nossa equipe
são responsáveis por manter a igreja doutrinariamente sadia e direcionada no
131
caminho certo, mas as decisões do dia-a-dia são feitas por pessoas que estão
trabalhando nos ministérios da igreja.

Se você leva a sério à mobilização de seus membros para o ministério, deve


simplificar a estrutura par maximizar o ministério e simplificar a manutenção.
Quanto mais máquina organizacional sua igreja possui, mais tempo, energia e
dinheiro são necessários para mantê-la; tempo precioso energia e dinheiro que
poderiam ser investidos em ministrar para pessoas.

Se você libera pessoas para o ministério e as alivia da manutenção, cria uma


situação muito mais feliz, harmoniosa e elevada. A plenitude vem por intermédio
do ministério e não da manutenção.

Em uma guerra, você sempre acha o melhor relacionamento e senso de


camaradagem entre aqueles que servem na linha de frente. Não há tempo para
discutir e reclamar quando está se esquivando das balas. Quinze quilômetros
atrás da linha, onde não há combate, os soldados reclamam da comida, dos
chuveiros e da falta de diversão. As condições não são más como as daqueles
que estão na linha de frente, mas as pessoas são mais críticas porque não estão
na batalha. Quando encontro cristãos que só sabem reclamar e criticar,
normalmente descubro que não estão envolvidos no ministério. Em geral, as
pessoas que mais murmuram e reclamam em qualquer igreja são os membros
das comissões que não têm nada para fazer.

Nas poucas horas que você realmente precisa de uma comissão de pessoas para
estudar algo, crie um grupo com objetivos específicos, com começo e fim
previstos. Dê um tempo limitado para a equipe ser desfeita. A maioria das
comissões permanentes gasta uma quantidade enorme de tempo agendando
reuniões desnecessárias.

Não vote em posições ministeriais

Existe uma série de razões pelas quais a Saddleback nunca vota em aprovar
pessoas em posições no ministérios leigos.

Evite contenda pessoal. Se você votar em aprovar qualquer pessoa que serve em
um ministério, exclui todas as outras que têm medo de rejeição. Aqueles que são
tímidos, ou que têm falta de confiança, nunca vão se candidatar para servir, com
medo de que sejam rejeitados pela comunidade ou por uma comissão.

Novos ministério geralmente necessitam ser desenvolvidos lentamente. Se você


colocar muita atenção do público sobre um ministério em seus primeiros dias, ele
pode morrer. Muitas vezes, é necessário apenas uma palavra negativa para
arrancar a raiz de uma idéia de ministério, antes que ele tenha tempo de se
firmar.

132
Novos membros podem se envolver mais rapidamente. A votação coloca novos
membros em desvantagem. Um novo membro pode ser melhor qualificado para
servir do que um membro mais antigo, mas pode ser desconhecido para as
comissões que controlam o processo de indicação. Tenho visto pessoas
capacitadas deixadas fora do ministério por anos porque não faziam parte do
círculo fechado de decisão controlado pelos mais antigos da igreja.

Evite atrair pessoas que estão apenas interessadas em uma posição, poder ou
privilégio. Quando se elimina a votação, você atrai pessoas que estão
genuinamente interessadas em servir, em vez daquelas que só querem um título.
Certa vez, um homem reclamou para mim: “Estou deixando a igreja porque eu
quero ser presidente de uma comissão e aqui não há comissões!”. Pelo menos,
ele foi honesto. Acabou encontrando uma igreja menor, onde podia ter um título
que impressionasse e ser um peixe grande num lago pequeno. Ele não tinha
nenhum interesse no ministério, estava somente interessado no poder.

Se houver falhas a remoção seja fácil. Se você eleger pessoas publicamente,


deve removê-las publicamente, se elas se tornarem incompetentes ou se
falharem no aspecto moral. No mundo de hoje, este tipo de remoção pública pode
ser uma “batata quente”, do ponto de vista político, humano e legal. Algumas
pessoas carnais preferem dividir uma igreja a renunciar a suas posições,
podendo até se organizar para fechar uma igreja. Se você não vota em posições
ministeriais, as falhas podem ser tratadas com mais privacidade.

Você pode responder mais rapidamente à liderança do Espírito Santo. Quando


qualquer membro aparece com uma grande idéia ministerial, a igreja não deve
esperar a próxima reunião de planejamento. Em nossa comunidade, um
ministério foi formado imediatamente depois do culto, devido a algo dito por mim
durante a mensagem. As pessoas interessadas se reuniram no pátio e o trabalho
começou naquele momento.

Certa ocasião, uma mulher veio até mim e disse: “Precisamos de um ministério
de oração”. “Concordo! Você é este ministério!”, respondi. Surpresa, ela me
perguntou: “Não preciso ser eleita ou passar por um processo de aprovação?”.
Ela havia imaginado que deveria passar por todos os tipos de situações políticas.
“É claro que não!”, concluí. Tudo o que precisa fazer é anunciar a formação da
reunião no boletim e começar.

Quando qualquer pessoa expressa um desejo de ministrar, imediatamente


começamos a desenvolver o processo de colocação.

Estabelecendo um processo de colocação

133
Levar membros para o ministério deve ser um processo constante, não uma
ênfase especial. Existem três partes essenciais no Centro de Desenvolvimento
Ministerial da Saddleback.

Uma classe mensal. A cada mês, oferecemos a classe n° 3, “Descobrindo meu


ministério” – uma aula de quatro horas que expõe as bases bíblicas para o
ministério e as variações de oportunidades ministeriais em nossa igreja. ela é
ensinada no segundo Domingo de cada mês, no período da tarde, das 16 às
20h30, e inclui uma refeição gratuita. Simultaneamente lecionamos a classe n° 1
(membresia), e a classe n° 2 (maturidade). Damos bastante atenção e promoção
a estes cursos.

Um processo de colocação. Nosso processo de colocação envolve seis passos:


(1) atender a classe n° 3, (2) se comprometer a servir em um ministério e assinar
o pacto de ministério da Saddleback, (3) completar o perfil de dons espirituais,
coração, habilidades, personalidades e experiências, (4) ter uma entrevista com
um consultor ministerial para identificar três ou quatro possíveis áreas no
ministério, (5) encontrar-se com uma pessoa da equipe ou um dos líderes leigos
que supervisiona o ministério desejado e (6) ser comissionado publicamente na
reunião do TLAIS.

O processo de colocação deve se concentrar em fortalecer pessoas e não


preencher vagas. Você tem muito mais sucesso cm aqueles que coloca no
ministério se se concentrar no indivíduo e não nas necessidades da instituição.
Lembre-se: o ministério é para pessoas e não para programas.

Trabalhe de maneira personalizada na administração do processo. As pessoas


necessitam de atenção individual e liderança quando estão em processo de
descoberta do ministério com o qual se identificam. Simplesmente completar uma
classe não vai alcançar seu objetivo. Cada membro merece uma atenção pessoa.

O Centro de Desenvolvimento Ministerial da Saddleback é liderado por nosso


pastor de ministérios e por voluntários que servem em sua equipe. Eles fazem
entrevistas com os membros que completaram o perfil de dons espirituais,
coração, habilidades, personalidades e experiências, ajudando-os a encontrar o
melhor lugar onde servir. Ajudam também os membros que querem iniciar novos
ministérios. Se eu estivesse começando uma nova igreja hoje, uma das primeiras
coisas que iria fazer seria encontrar um voluntário que soubesse entrevistar e
treiná-los para ajudar os membros interessados nesta missão vital.

Providencie treinamento no local de trabalho

Uma vez que pessoas comecem a servir no ministério, precisam de treinamento


no local de trabalho. Isso é muito mais importante e eficiente do que um
treinamento antes do trabalho em si. Sempre solicitamos apenas um treinamento

134
mínimo antes do início do ministério, porque sentimos que as pessoas nem
mesmo sabem as questões corretas antes de estar realmente envolvidas.

Outra razão de não usarmos o treinamento antes do início do trabalho, é que


queremos envolver as pessoas o mais rápido possível com o ministério
propriamente dito. Um treinamento longo e arrastado antes do início do trabalho
faz com que as pessoas pecam o entusiasmo inicial. Isso as desgasta antes de
começarem a trabalhar! Descobrimos que as pessoas que estão dispostas a
participar de um treinamento de 52 semanas antes do começo do trabalho,
geralmente não são eficientes quando começam a servir. A tendência é se
tornarem estudantes profissionais, que gostam mais de aprender sobre o
ministério do que exercê-lo. Queremos que as pessoas mergulhem na água e se
molhem o mais rápid9 possível, pois somente assim elas estarão motivadas a
aprender a nadar corretamente.

O ponto centrai em nosso programa de treinamento de ministérios leigos é o


TLAIS. É uma reunião de duas horas que realizamos nas noites do primeiro
Domingo de cada mês para o “núcleo” de nossa igreja. a programação das
reuniões do TLAIS inclui um extenso período de adoração, reconhecimento de
todos os ministérios, testemunhos do campo, o comissionamento de novos
ministros leigos, oração em grupos, notícias da igreja, treinamento para o
ministério e uma mensagem minha sobre nossos valores, nossa visão e as
qualidades e habilidades de caráter necessárias para o ministério. Essas
pregações mensais para nossos líderes leigos são chamadas de “Encorajamento
para liderança”, e são gravadas para que qualquer pessoa que perder a reunião
possa ouvi-la depois. Fazemos também com que estas mensagens estejam
disponíveis para outras igrejas por meio do nosso ministérios de fitas
Encouraging Word. Na reunião do TLAIS, damos um prêmio de “Exterminador de
Gigantes” para o ministro leigo que enfrentou o maior problema no mês anterior.

Além dessas reuniões, oferecemos uma variedade de treinamentos para


ministérios específicos, por meio de nosso Instituto de Desenvolvimento de Vidas.
A classes n° 3 ensina diferentes habilidades ministeriais e equipa pessoas para
servirem em vários ministérios de nossa igreja. por exemplo. A classe n° 3 é
chamada: “Você quer ser um líder de grupos pequenos”. Existem outros
treinamentos para o ministério e jovens, de crianças, de música, de
aconselhamento e pastores leigos, além de muitos outros.

Nunca comece um ministério sem um ministro

Nunca criamos uma vaga ministerial para depois tentar preenchê-la. Isso não
funciona. O fator mais importante em um novo ministério não é a idéia, e sim a
liderança. cada ministério se ergue ou cai por sua liderança. sem o líder certo, um
ministério fica somente capengando, com a possibilidade de fazer mais mal do
que bem.
135
Confie no tempo de Deus. A equipe da Saddleback nunca inicia novos
ministérios. Podemos sugerir uma idéia, mas a deixamos no ar, até que Deus nos
dê a pessoa certa para realizá-la.

É importante nunca empurrar as pessoas para dentro do ministério. Se você fizer


isso, via estar preso a um problema de motivação por toda a vida daquele
trabalho. A maioria das igrejas pequenas se apressa e tenta fazer muito mais do
que são capazes. Ore e espere para que Deus traga a pessoa que tenha a
melhor personalidade para liderar o ministério específico. É importante que os
líderes da igreja tenham uma perspectiva em longo prazo a respeito do
desenvolvimento da igreja. um crescimento sólido leva tempo.

Estude o livro de Atos e você vai descobrir que qualquer tipo de organização
sempre seguia o que o Espírito Santo estava fazendo. Nenhuma vez no livro de
Atos você vê pessoas organizando um ministério e depois orando: “Agora, Deus,
por favor, abençoe nossa idéia”. Deus começava a mover o coração das pessoas
e um ministério começava espontaneamente a desabrochar e, quando crescia, os
cristãos colocava alguma estrutura par apoiá-lo.

O ministério de mulheres, por exemplo, começou com um estudo bíblico que Kay
ministrava em nossa casa. Ele começou a crescer e a se expandir até que
alguma estrutura e, mais tarde, funcionários, foram colocados para dar suporte.
Este padrão tem se repetido continuamente.

Estabeleça padrões e diretrizes mínimas

É importante decidir certos padrões mínimos para um ministério, porque as


melhores intenções não são suficientes quando se trabalha com seres humanos.
Na Saddleback temos uma descrição de trabalho para cada posição nos
ministérios, que esclarece questões como o tipo de compromisso necessário,
quis os recursos que serão providenciados, quaisquer restrições a serem
adotadas, linhas de autoridade e comunicação e os tipos de resultados que
esperamos.

Diretriz n° 1: Não espere que a equipe trabalhe em seu lugar. Ajude as pessoas a
reconhecer que elas são igreja.

Diretriz n° 2: O ministério deve ser compatível com as crenças, valores e filosofia


de ministério da igreja. se você permitir que comecem ministérios que não
estejam indo à mesma direção que sua igreja, está procurando confusão. Ao
contrário de ajudar, tais ministérios vão inibir o que você está querendo fazer e
podem até prejudicar o testemunho de sua congregação.

Diretriz n° 3: Não é permitido levantar fundos. Se você permitir que cada


ministério corra atrás de recursos, o pátio de sua igreja vai virar um bazar. Vão
136
vender comida e artesanato por todo lado. A competição por dinheiro se tornará
intensa e os membros vão começar a se ressentir com todas as cartas de apelo
por contribuições. Um orçamento unificado é essencial para ter uma igreja
unificada. Os líderes de cada ministério devem submeter as suas necessidades
financeiras para serem consideradas no orçamento total da igreja.

Permita que as pessoas renunciem ou mudem de ministério

Para renunciar a um ministério em algumas igrejas, você precisa morrer ou deixar


a igreja, ou estar disposto a viver com uma culpa intensa. Devemos permitir que
as pessoas tirem “férias” ou mudem de ministério, sem se sentirem culpadas.
Algumas vezes, pessoas se tornam estagnadas em uma atividade ou sentem
necessidade de uma mudança de ritmo ou, talvez, simplesmente necessitam de
um tempo. Qualquer que seja a razão é necessário Ter substitutos prontos para
preencher as vagas.

Nunca algemamos as pessoas ao ministério. Uma decisão para servir em um


ministério em particular não é um documento gravado em uma pedra. Se alguém
não gosta ou não se adapta a um ministério, é encorajado a mudar para outro,
sem nenhuma vergonha.

Dê às pessoas liberdade de experimentar. Permita que sirvam em locais


alternados. Como disse antes, acreditamos que a experiência em diferentes
ministérios é a melhor forma para descobrir os seus dons. Apesar de
normalmente pedirmos um compromisso de um ano em cada área, nunca
forçamos o membro a isso. Se as pessoas reconhecerem que não combinam,
com o ministério, não provocamos um sentimento de culpa se renunciarem.
Chamamos isso de “experiência”. Caso a pessoa falhe, a encorajamos a tentar
outra coisa. Todos os anos, durante o nosso “mês de ministério leigo”, as pessoas
são motivadas a tentar um novo ministério se não estiverem satisfeitas com o
lugar onde estão servindo no momento.

Confie nas pessoas: delegue autoridade com responsabilidade

O segredo de motivar as pessoas a servir por um longo período de tempo é dar-


lhes um sentimento de propriedade. Quero repetir isso: você deve permitir que as
pessoas que estão liderando o ministério tomem as próprias decisões sem a
interferência de alguma junta governante ou comissão. Permita, por exemplo, que
as pessoas do ministério do berçário decidam como as salas vão ser decoradas,
que tipo de berços vão ser usados, quantos serão comprados e qual sistema será
usado para a verificação de entrada e saída de crianças. As pessoas que estão
envolvidas no dia-a-dia de um ministério tomarão decisões mais corretas do que
uma junta geral que está tentando controlar tudo à distância.

137
As pessoas respondem quando recebem autonomia para gerenciar. Elas
prosperam e crescem quando você confia nelas. Contudo, se você tratá-las como
crianças incompetentes, terá de trocar as fraldas e alimentá-las pelo resto de sua
vida. Quando você delegar autoridade com responsabilidade, ficará maravilhado
com a criatividade dos membros. O limite da criatividade das pessoas está na
estrutura em que você as coloca. Em nossa congregação cada um dos
ministérios leigos tem um supervisor designado que faz parte da equipe, mas, na
maioria das vezes, deixamos que os líderes tomem suas próprias decisões.

Se você é pastor, deixe que outros cometam seus próprios erros! Não insista em
cometê-los todos sozinho. Você gera o melhor que está dentro das pessoas
quando lhes dá um desafio, dando a elas controle e, principalmente, crédito.

No culto do meio da semana, confessei para a congregação que estava tão


exausto que não podia mais continuar liderando a igreja e estar envolvido em
todos os ministérios ao mesmo tempo. Continuei, dizendo que Deus não
esperava que eu participasse de todas as atividades. A Bíblia era bem clara em
dizer que o trabalho do pastor era equipar os membros para os ministérios. Eu
disse: “Vou propor um acordo a vocês. Se concordarem em participar de todos os
ministérios dessa igreja, asseguro que serão alimentados!”. As pessoas gostaram
do acordo e naquela noite assinaram um pacto de que, daquele dia em diante, se
envolveriam no ministério e eu os alimentaria e as lideraria. Depois dessa
decisão, a Saddleback explodiu em crescimento.

Mas o objetivo deve ser “desmamar” a igreja da dependência do pastor o mais


rápido possível. Enquanto nossa igreja crescia, comecei a delegar uma
responsabilidade após a outra para os ministros leigos e para os membros da
nossa equipe. Hoje, tenho só duas responsabilidades: liderar e alimentar e
mesmo essas responsabilidades agora são compartilhadas com outros seis
pastores. Nossa equipe de administração pastoral me ajuda a liderar a igreja e
nossa equipe de pregação compartilha as responsabilidades das preleções. Por
quê? Porque creio profundamente que a igreja não foi planejada para ser o
cenário do show de um homem que acaba se tornando um superstar!

Todos nós já vimos quando um ministério importante é construído ao redor de um


só indivíduo. Se a pessoa morre, se muda ou falha moralmente, o ministério entra
em colapso. Se eu morresse hoje, a Saddleback continuaria crescendo, porque é
uma igreja com propósitos e não dirigida por uma personalidade.

Providencie o apoio necessário

Não espere que as pessoas tenham sucesso sem apoio. Cada ministério
necessita de algum tipo de investimento.

Providencie apoio material. Os ministros leigos necessitam Ter acesso a


máquinas copiadoras, papel, vários outros materiais e recursos, telefone e,
138
provavelmente, um espaço para se reunir. Em um dos prédios que estamos
construindo, planejamos ter uma grande sala onde teremos as nossas
“incubadoras de ministérios”; divisórias pequenas e privativas para os
coordenadores de ministérios leigos, que estão equipadas com uma mesa,
telefone, computador e fax para os seus ministérios. Quando você dá um lugar
para as pessoas, este ato comunica a seguinte mensagem: “O que você está
fazendo é importante”.

Providencie um apoio de comunicação. Desenvolva formas para que você esteja


em contato com seus ministros leigos. As mesmas ferramentas que usamos para
estar em contato com nossos membros (cartão de boas vindas, telefonemas do
CARE e relatório dos pastores leigos), também são úteis.

Providencie apoio promocional. É importante manter os ministérios da sua igreja


visíveis para a população. Existem incontáveis maneiras para promover os
trabalhos desenvolvidos. Aqui estão algumas sugestões:

 Permita que os ministérios tenham uma mesa fora do auditório cada


Domingo, para que as pessoas tenham a oportunidade de ver o que está
acontecendo em cada área. Se o espaço for um problema, faça uma
rotatividade entre os ministérios a cada fim de semana.
 Dê a cada um dos ministros leigos uma etiqueta com o nome
impresso, para que os membros possam saber quem está envolvido e qual
ministério.
 Faça uma feira ministerial. Pelo menos duas vezes por ano, temos
uma feira ministerial, em que cada ministério faz propaganda de seus
enfoques, programas e eventos.
 Faça um panfleto sobre cada ministério e publique artigos dos
diferentes ministérios nas cartas que você envia aos membros.
 Faça referência aos ministérios em suas mensagens. Use os
testemunhos que falam como um ministério em particular tem feito diferença
na vida dos participantes.

Providencie apoio moral. Expresse continuamente sua apreciação, tanto em


público como pessoalmente, às pessoas que servem em sua igreja. Planeje
eventos como jantares especiais ou retiros da liderança para recompensar o seu
grupo central de ministros. Dê um prêmio mensal de “Exterminador de Gigantes”
para aqueles que fizeram um trabalho excepcional.
Não existem pessoas legai numa igreja bíblica. Aos olhos de Deus não existe
diferença entre ministros voluntários e ministros remunerados.

Renove sua visão regularmente

Sempre mantenha a visão do ministério perante o povo. Comunique a


importância dos ministérios. Quando você recrutar um ministro, sempre enfatize o
139
significado eterno de ministrar em nome de Jesus. Nunca use culpa ou pressão
para motivar as pessoas ao trabalho. É a visão que motiva. A culpa e a pressão
somente desencorajam o povo. Ajude as pessoas a verem que não existe
nenhuma causa maior do que o reino de Deus.

“Princípio de Neemias”. Ele declara que a visão deve ser renovada a cada 26
dias, que basicamente é uma vez por mês. É por isso que a reunião mensal do
TLAIS para o nosso “núcleo” é tão importante. É onde os nossos ministros leigos
necessitam ouvir sobre a visão e os valores são continuamente restaurados.
Está-se doente, não hesito em deixar de falar para a multidão de dez mil, mas é
preciso estar morrendo para deixar de estar com o “núcleo” na reunião do TLAIS.
É minha oportunidade de enfatizar o privilégio de servir a Cristo.

Se eu conhecesse uma forma mais significativa de investir minha vida fora do


serviço de Jesus Cristo, eu o faria. Não existe nada mais importante. Assim, não
peço desculpas a ninguém quando falo para as pessoas que a coisa mais
importante que podem fazer em suas vidas é se unirem à igreja, se envolverem
num ministério e servirem a Cristo, servindo aos outros. O efeito do ministério
para Cristo vai durar muito mais do que as carreiras, hobbies ou qualquer coisa
que elas possam fazer.

O segredo mais bem guardado da igreja é que as pessoas estão morrendo de


vontade de fazer uma contribuição com suas vidas. Fomos feitos para o
ministério. A igreja que entende isso e faz o possível para que cada membro
expresse os seus dons e habilidades no ministério vai experimentar uma
vitalidade impressionante, saúde e crescimento. O gigante adormecido será
acordado. E o mais importante: será indestrutível.

Capítulo 20

O propósito de Deus para sua igreja

Duas igrejas nunca vão crescer de maneira idêntica. Deus quer que a igreja em
que você ministra seja única.

De todos os padrões de crescimento que já observei como jardineiro, o


crescimento do bambu chinês é o mais impressionante para mim. O bambu cria
raízes na terra e, por quatro ou cinco anos (às vezes até mais tempo), nada
acontece! Você põe água e fertilizante, põe água e fertilizante e põe água e
fertilizante, mas não vê nenhuma evidência visível de que algo esteja
acontecendo. Absolutamente nada! Mas, cerca de cinco anos depois, as coisas
começam a acontecer rapidamente. Num período de seis semanas o bambu
chinês cresce trinta metros!

Não se preocupe demasiadamente com o crescimento de sua igreja. Concentre-


se em realizar os propósitos que ela possui. Continue aguando, fertilizando,
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cultivando e podando. Deus fará com que sua igreja cresça do tamanho que Ele
quiser e na velocidade que melhor combinar com sua situação.

O Senhor pode permitir que você trabalhe por vários anos com poucos resultados
visíveis. Não se desencoraje! Debaixo da superfície existem coisas que estão
acontecendo que você não pode ver. As raízes estão crescendo, se preparando
para o que está por vir. Mesmo quando ainda não pode compreender o que Deus
está fazendo, você deve confiar nele. Aprenda a viver com a segurança de que
Ele sabe o que está fazendo.

Se você está construindo um ministério no propósito eterno de Deus, não vai


falhar. Ele prevalecerá. Continue fazendo o que você sabe estar certo, mesmo
que se sinta desencorajado. “E não nos cansemos de fazer o bem, pois há seu
tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gl 6:9). Assim como o bambu,
quando a hora chegar, Deus vai mudar as coisas da noite para o dia. A coisa mais
importante é que você se mantenha fiel aos grandes propósitos divinos.

Seja uma pessoa com propósitos

As igrejas com propósitos são lideradas por líderes com propósitos. Atos 13:36,
um dos meus versículos favoritos, nos revela que Davi era dirigido por propósitos:
“Pois tendo Davi no seu tempo servido conforme a vontade de Deus, dormiu...”.
“Ele serviu ao propósito de Deus em sua própria geração”.

Ele serviu ao propósito de Deus

A principal meta destas páginas foi definir os propósitos divinos para a igreja e
identificar as aplicações práticas destes propósitos. Os propósitos de Deus para a
igreja são também os propósitos de Deus para cada cristão. Como seguidores de
Cristo devemos usar nossas vidas em adoração, ministério, evangelismo,
discipulado e comunhão. A igreja permite que façamos isso juntos. Não estamos
sós.

Espero que você tenha percebido minha paixão pela igreja, enquanto leu minhas
experiências. Eu amo a igreja de todo o meu coração. É o conceito mais brilhante
jamais criado. Pretendem-se ser como Jesus, temos de amar a igreja como Ele
amou e devemos ensinar outros a amá-la também. “...como também Cristo amou
a igreja, e a si mesmo se entregou por ela (...) Afinal de contas, nunca ninguém
odiou a sua própria carne, antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à
igreja; pois somos membros do seu corpo” (Ef 5:25,29,30). Muitos cristãos são
servidos pela igreja, mas não a amam.

O melhor discernimento possível que tenho da vontade de Deus me dá somente


duas aspirações em meu ministério: ser pastor de u7ma igreja local por toda a
minha vida e encorajar outros pastores. Pastorear uma congregação de
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seguidores de Cristo é a maior responsabilidade, o maior privilégio e a maior
honra que posso imaginar. Já escrevi que se soubesse de alguma forma mais
estratégica de investir minha vida eu o faria, porque não quero gasta-la à toa. A
missão de trazer pessoas a Cristo para se tornarem membros de sua família,
para desenvolver a maturidade nestes discípulos, fortalecê-los e equipá-los para
o ministério pessoal e enviá-los para cumprir a missão de suas vidas é o maior
propósito sobre a face da Terra. Não tenho dúvidas de que vale a pena viver e
morrer por isso.

Em sua geração

Ser contemporâneo sem comprometera verdade tem sido nosso objetivo desde o
princípio. A cada nova geração, as regras mudam um pouco. Se você fizer as
coisas da maneira que foram feitas no passado, vai estar onde sempre esteve. O
passado está atrás de nós. Podemos somente viver o hoje e nos prepararmos
para o amanhã.

Medindo o sucesso

Como você mede o sucesso no ministério? Minha definição de sucesso no


ministério: “edificar a igreja nos propósitos de Deus e no poder do Espírito Santo
e esperar os resultado divinos”.

Nós acreditamos no Deus que faz grandes milagres e esperamos que Ele nos
use, por sua graça, por meio da fé. Esta é nossa escolha. Esta deve ser a sua
escolha também.

Algumas vezes a situação numa igreja pode parecer sem esperança do ponto de
vista humano, mas estou firmemente convencido de que, como a experiência de
Ezequiel (Ez 37) provou, não importa quão seco os ossos estejam, Deus pode
soprar nova vida neles. Qualquer igreja pode ter vida se permitirmos que o
Espírito Santo implante em nós um novo sentido do seu propósito. Esta é a razão
de ser uma igreja com propósitos.

Minha esperança é que este livro tenha fortalecido sua fé, aumentando sua visão
e aprofundando o seu amor por Cristo e sua igreja. Espero que você o
compartilhe com aqueles que você ama em sua congregação. Aceite o desafio de
tornar sua comunidade uma igreja com propósitos! As maiores igrejas da história
ainda não foram erguidas. Você está disposto a aceitar esta missão? Oro para
que Deus o use para cumprir os seus propósitos nesta geração. Não existe
melhor uso para nossa vida na Terra!

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