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Guerra espiritual no plano familiar

A família tem sido alvo de guerras constantes: moral, cultural, religiosa, de valores. Cada um, dentro da sua
própria casa, decidiu andar pelo seu próprio caminho, pelo seu próprio coração, por aquilo que lhe era
agradável e parecia muito belo, harmonioso, lucrativo aos seus próprios olhos (Gênesis 13:11-20).

Quando saímos da cobertura familiar, abrimos legalidade no plano espiritual para que o inimigo venha agir.
Quando andamos no caminho do Senhor, Ele se responsabiliza por nós. Quando andamos pelo nosso próprio
caminho, somos responsáveis pelo que venha a acontecer conosco.

Não foi Deus quem criou os problemas que enfrentamos. Nós mesmos é que entramos no nosso próprio
caminho, andando segundo a nossa própria carne. A escolha pela carne nos tira da proteção, leva-nos a ter
perdas gradativas, à destruição e a colher os frutos dessa escolha.

Os pastores de Ló criavam guerras e desentendimentos constantes com os pastores de Abraão. Assim, apesar
de serem parentes, Abraão teve que mandar o sobrinho escolher um lugar e ir embora. Embora Pedro
identifique Ló como sendo justo e aflito de alma pelos pecados de Sodoma (II Pedro 2:7), Ló escolheu uma
rota de colisão e ambicionou um lugar de pecado.

Abraão escolheu ficar no lugar oposto ao dele. Ló fez uma escolha segundo os seus olhos, porque viu que as
campinas do Jordão pareciam férteis, prósperas, e estendeu suas tendas desde as campinas do Jordão até
Sodoma e Gomorra, a terra da perdição. As de Abraão se estenderam de Manre, em Hebrom, por toda
Canaã, a terra que Deus lhe prometeu.

Vejam que diferença! A rota de Ló leva ao pecado; a de Abraão, à santidade. Assim como a escolha de Ló
parecia ser próspera e acabou levando-o a uma cidade que não muito tempo depois foi destruída por causa
do pecado, o fruto da nossa escolha pode nos levar à destruição.

Sodoma significa, literalmente, sede do pecado. Era o lugar da idolatria, da feitiçaria, da imoralidade. O
lugar que Ló escolheu para morar com a família foi o mais tenebroso que existia na Terra. E até para sair de
lá com a família, sob uma ordem divina, eles demoraram (Gênesis 19:16).

Os anjos tiveram que puxar Ló e sua família para fora da cidade. Quando saíram, a esposa olhou para trás,
para o passado, e virou uma estátua de sal. As filhas embebedaram o pai para terem relações sexuais com
ele, dando origem aos moabitas e amonitas, inimigos de Israel.

A última menção, no Antigo Testamento, sobre Ló, diz que sua moradia era uma caverna e sua geração foi
fruto de um incesto. Abraão, ao contrário, aumentava em prosperidade e levantou gerações de prosperidade.

Anule toda síndrome de Ló da sua vida, e abrace a herança de Abraão. Corte agora mesmo as ramificações
de Ló, desvie-se da rota de Sodoma, do pecado, da destruição e guie-se pelo caminho do pai da fé. Estenda
seu acampamento para a terra que Deus lhe prometeu, para a santidade, para a adoração ao Senhor.

Para onde você quer estender sua tenda?

Corremos o risco de gerar inimigos dentro de nossa própria casa, mediante os territórios por onde nossos
filhos andam e mediante o testemunho que eles veem em nós. Geralmente, estamos escolhendo lugares
tenebrosos para os nossos filhos, usando mecanismos deste século para negociar a nossa ausência no lar:

1) A babá eletrônica, televisão, que poderia ser um veículo de bênção, é mais usada como um canal de
maldição. Muitas propagandas, filmes e desenhos animados têm uma regência maligna que estão
influenciando nossos filhos, e com a nossa permissão!
2) Deixar nossos filhos com pessoas que não servem a Deus é expô-los ao perigo. Se não servem a Deus,
não servem para cuidar de nossos filhos. A pessoa que vai estar na sua casa, cuidando deles deve conhecer a
Palavra, conhecer princípios espirituais e ser uma pessoa santa, para que, na sua ausência, não macule a
santidade do seu filho.

3) A escola onde nossos filhos estudam, que decide a formação e informação que eles terão para o resto da
vida, é a sede da influência para se formar o caráter. A escola de seu filho precisa ser um lugar onde há o
registro da glória de Deus, debaixo de princípios bíblicos. E a melhor escola se chama lar: libertação, amor e
restauração.

Somos responsáveis pela formação dos nossos filhos e por apresentá-los a Deus, porque eles não são nossos,
são herança e galardão do Senhor (Salmos 127:3). Deus nos entregou essa responsabilidade tremenda e
temos que pagar o preço por eles.

Alguns usam a falta de tempo como desculpa para não cuidar da família. Crie esse tempo. Na visão da Igreja
em Células, família é a célula principal mesmo, isso não é só discurso. Nenhuma agenda cheia deve anular
seu tempo com a família. O nosso tempo foi criado por Deus para ser investido na família.

Se existem mecanismos nocivos influenciando nossos filhos, também existem mecanismos benéficos que
superam toda malignidade:

3.1 Santidade

Se em casa não houver santidade nos pais, tudo que nossos filhos recebem do discipulador, de seus Pastores,
dos professores, destrói-se, por mais santos que sejam.

3.2 Amor

Nada substitui o amor. Ele é o vínculo da perfeição, está presente em tudo: nos dons, nos ministérios, no
fruto do Espírito.

3.3 Carinho

Fazer carinho nos filhos, no cônjuge, é uma forma de restauração. Busquem ser um pai e uma mãe
carinhosos. Seus filhos precisam encontrar carinho em casa para não serem persuadidos na rua.

3.4 Audição

Sabe por que você possui dois ouvidos e uma boca? Para falar menos e ouvir mais. Precisamos ouvir nossos
filhos, saber o que andam fazendo, e não pensarmos que eles não erram, não pecam e que só vivem
pensando no céu e em Jesus. Temos que ouvi-los sem espanto e instruí-los.

3.5 Confiança

Nossos filhos precisam confessar suas culpas e seus pecados, mas precisam acreditar nos seus pais. Não há
discipulador melhor do que os pais. Os pais devem ser a melhor referência para eles. Não existe professor,
líder de rede, líder de célula que substitua os pais. Dê segurança ao seu filho, mostrando que ele pode confiar
em você.

Não é o caminho da Célula, da Rede, da Igreja ou dos 12, que irá instruir o caminho no qual nossos filhos
devem andar; é o caminho do Senhor. E ele deve aprender esse caminho em casa. Na Igreja, ele só deve
reforçar o que aprendeu com os pais.

Em Malaquias 4:6, Deus promete que converterá os corações dentro de casa. Precisamos deixar Deus fazer
essa obra em nosso coração, para que a cura brote em nossa casa. Estamos em guerra, mas numa certeza de
que a bandeira da vitória já foi arvorada em nosso favor e somos vitoriosos. Ainda que um membro da sua
família não esteja tão correto, você precisa acreditar e fazer guerra para libertá-lo. O vício, as drogas e o
álcool não são maiores do que a promessa de Deus. A escravidão do pecado não é maior do que a promessa
de Deus.

Se estivermos andando rigorosamente na Palavra e se entrarmos numa guerra espiritual pela nossa família,
não haverá demônio que resista a um guerreiro de Deus. Você é esse guerreiro, chamado vencedor. O
Grande Guibor está à sua frente, guerreando as suas guerras e as suas batalhas, e você não será
envergonhado neste processo. Temos a vitória na autoridade do Senhor Jesus Cristo.

Abraão, um estrategista familiar

Abraão e Ló estavam distantes, mas Abraão sabia que tinham o mesmo sangue e uma ligação familiar.
Estavam separados no sentido físico, e ainda que Ló estivesse longe, corria nas suas veias a fé do Patriarca.

Ainda que um membro da nossa família não esteja no caminho do Senhor, devemos orar e fazer guerra
espiritual para que ele entre nesse caminho. Mas, se já está no caminho e é totalmente apático, vamos fazer
uma guerra profunda para que ele se transforme em alguém consagrado e cheio do Espírito Santo. E, se já é
consagrado, a guerra não acabou. Entramos em guerra para que se torne cada dia mais santo, mais cheio do
poder, da autoridade do Senhor Jesus Cristo. A guerra começou, mas não tem fim. Até o dia de Cristo de
Jesus, vamos guerrear pelo caráter da família.

Devemos orar e guerrear em todo o tempo. Não existe nenhuma promessa de restauração de coração na
Bíblia que não envolva o coração da família. Gênesis 12:3, Gênesis 35:2, Êxodo 1:1, Levítico 25:10,
Deuteronômio 29:18, Ezequiel 36:38, Jeremias 31:1 e muitas outras passagens têm uma promessa para a
família.

Malaquias 4:6 é o último versículo do Antigo Testamento e o Senhor diz: "e ele converterá o coração dos
pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição". É
uma promessa para a família e para uma nação. Isto mostra Deus Se importando com a família, para que a
terra seja curada.

Deus mesmo dará um coração novo para a família, porque, se a família vai bem, nada vai mal; se a família
vai mal, nada vai bem. Como vai a sua família? Se estiver bem, vai ficar melhor. Se estiver mal, vai ficar
bem. O diabo não vai roubar sua herança. Não fique omisso, nada é maior do que a promessa de Deus. Entre
em guerra. É preciso haver um acréscimo de mudança para um degrau a mais.

Sair dos princípios de Deus é entrar numa guerra espiritual sem condições de vitórias. A escolha pessoal
pelos atrativos dos sentidos naturais nos leva para o centro da guerra e, consequentemente, fora dos
princípios, ficamos escravos. Ló se separou de Abrão e foi para Sodoma. Aconteceu uma guerra de cinco
reis contra quatro. Ló estava no meio daqueles povos em guerra e, como consequência, ficou escravo.

Quando rompemos com os princípios espirituais e entramos na questão da escolha do nosso coração, que a
Bíblia chama de concupiscência dos olhos, concupiscência da carne e soberba da vida (I João 2:16) e somos
seduzidos pelo que é efêmero, natural, físico, sofreremos as consequências.

Ló vivia apenas no físico. Abraão era esperto, não perdia a visão do físico, mas estava no plano espiritual.
Conquistava primeiro no plano espiritual.

Em Gênesis 14:12-13, Ló foi apanhado e preso; os reis levaram-no cativo e ele ficou atado debaixo da
autoridade daqueles reinos. A palavra que aparece ali é "potestades", "organizações de autoridade".

Não eram principados de demônios; era como se fossem reis, organizações maiores que prenderam Ló, que
era uma semente de Abraão solto nas proximidades daquela terra, sem direito de entrar nela. E, como Deus
não isolou Ló do coração de Abraão, porque Abraão tinha aliança com Deus, no capítulo 14, Abraão cresce
mais ainda com Deus, e vemos que ele tem uma experiência profunda com o Senhor. Porém, no capítulo 13,
acontece a guerra de cinco reinos contra quatro. Não há detalhes da guerra, mas se memoriza Ló. E a notícia
chegou aos arraiais de Abraão: Ló, o teu irmão, foi preso. Ló havia crescido no conceito de Abraão. Ele
agora era tido como seu irmão.

Todos nós somos criaturas de sentimentos, e os pastores de Ló causaram um grande problema para Abraão,
que poderia muito bem dizer: É, Ló está preso. Problema dele, quem planta colhe. Mas os emissários que
escaparam da guerra correram até Abraão e disseram que o irmão dele estava nas mãos dos inimigos.
Abraão cuidou de montar uma estratégia para libertá-lo.

O Senhor nos chamou para organizar uma estratégia de libertação específica para cada pessoa, porque cada
pessoa tem o sentimento diferente. Precisamos organizar uma estratégia de libertação para vencer a
imoralidade, o roubo, a idolatria, a feitiçaria, o paganismo. Abraão poderia deixar Ló cativo, sem se importar
se o sobrinho estava preso ou não. Mas, ele teve compaixão para sarar o seu irmão e se apressou para libertá-
lo. Gênesis 14:14 diz que os servos nascidos na casa de Abraão foram convocados para a guerra, 318 deles.

Vamos chamar para a guerra as pessoas que têm o mesmo sentimento, as nascidas na nossa casa. Todos os
que foram guerrear a favor de Ló, para resgatá-lo da mão do inimigo, eram conhecidos dele. Lendo os
capítulos 13 e 14, vemos que foi organizada uma estratégia espetacular. Eles despojaram o inimigo de tal
forma que no fim Abraão ficou ainda mais rico! E Ló estava liberto, para glória de Deus Pai.

Quantos membros da nossa família estão na mão do diabo e nós ficamos relaxados? E quantas pessoas
caminham no Reino, mas ficam totalmente descompromissadas com Deus, só porque ficaram decepcionadas
com alguém da Igreja, e acabam generalizando, estendendo a decepção para todos os crentes que conhece.

Restaurando a alma com compaixão e responsabilidade

O que precisamos é restaurar nossa alma. Algumas pessoas, com mais exemplos bons do que ruins, por
causa de um único acontecimento passado ou de uma interferência maligna, não deslancham na fé, porque
Satanás encontrou uma brecha de sensibilidade e fica amarrando essas pessoas.

Lance qualquer argumento desse tipo para longe de você e deixe que o sentimento da glória de Deus, o
sentimento de filhos de adoção, pelo qual pudemos chamar "Papaizinho", entre no seu coração e faça você
andar em novidade de vida.

Muitos dos nossos irmãos são "Lós", e devemos guerrear pela causa deles. Duas coisas devem estar casadas
no nosso coração por eles: compaixão e responsabilidade. A unção que estava sobre Abraão deve vir sobre
você, para resgatar seus irmãos.

Jesus disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos.” (Jo. 8:31).
Jesus é da semente de Abrão, e quem está em Jesus está na semente de Abraão.

A semente de Abraão, o pai da fé, está dentro de você. Vamos libertar nossa família debaixo da unção da fé.
Deus nos chamou para tirarmos nosso irmão das mãos do inimigo. Somos responsáveis por isso.