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PORTUGUÊS 12.

O ANO – TESTE DE
AVALIAÇÃO N.O 3

ESCOLA________________________________________________ D ATA ___/ ___/ 20__

NOME________________________________________________ N. O____ TURMA_____

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia as estâncias seguintes.

52
De longe a Ilha viram, fresca e bela,
Que Vénus pelas ondas lha levava
(Bem como o vento leva branca vela)
Pera onde a forte armada se enxergava;
Que, por que não passassem, sem que nela
Tomassem porto, como desejava,
Pera onde as naus navegam a movia
A Acidália1, que tudo, enfim, podia.
53
Mas firme a fez2 e imóbil, como3 viu
Que era dos Nautas vista e demandada,
Qual ficou Delos, tanto que4 pariu
Latona5 Febo6 e a Deusa à caça usada7.
Pera lá logo a proa o mar abriu,
Onde a costa fazia ũa enseada
Curva e quieta, cuja branca areia
Pintou8 de ruivas conchas Citereia9.
54
Três fermosos outeiros se mostravam, 1
Vénus
2
tornou
Erguidos com soberba graciosa, 3
quando
Que de gramíneo esmalte se adornavam, 4
logo que
5
Na fermosa Ilha, alegre e deleitosa. mãe de Apolo
6
Apolo
Claras fontes e límpidas manavam 7
Diana
Do cume, que a verdura tem viçosa; 8
Enfeitou
9
Vénus (que teria nascido
Por entre pedras alvas se deriva
junto da ilha de Citera)
A sonorosa linfa fugitiva.

Fixação de texto: Luís de Camões, Os Lusíadas (leitura, prefácio e notas de A. Costa Pimpão),
Canto IX, 4.a ed., Lisboa, Instituto Camões – Ministério dos Negócios Estrangeiros, 2000, p. 447.
Notas: Luís de Camões, Os Lusíadas (edição organizada por Emanuel Paulo Ramos) Porto, Porto Editora, 1997 .

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AVALIAÇÃO N.O 3

1. Explicite o caráter excecional que assume o aparecimento inicial da Ilha.


2. Refira a progressão patente na descrição em termos dos planos adotados.
3. Identifique e exemplifique as sensações convocadas na descrição da Ilha.

Leia o excerto.

HORIZONTE VAZIO

Horizonte vazio em que nada resta


Dessa fabulosa festa
Que um dia te iluminou.

As tuas linhas outrora foram fundas e vastas,


5 Mas hoje estão vazias e gastas
E foi o meu desejo que as gastou.

Era do pinhal verde que descia


A noite bailando em silenciosos passos,
E naquele pedaço de mar ao longe ardia
10 O chamamento infinito dos espaços.

Nos areais cantava a claridade,


E cada pinheiro continha
No irreprimível subir da sua linha
A explicação de toda a heroicidade.

15 Horizonte vazio, esqueleto do meu sonho.


Árvore morta sem fruto,
Em teu redor deponho
A solidão, o caos e o luto.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra poética I, 4.a ed., Lisboa, Caminho, 1998.

4. Descreva o espaço representado.


5. Justifique o recurso a vocabulário relativo a “festa”.

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AVALIAÇÃO N.O 3

GRUPO II

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o seguinte texto.

A imagem que os portugueses têm do mar já passou por vários sentidos privilegiados e diferentes
equilíbrios. A generalidade dos países que contam com fronteira marítima terá passado por um
processo semelhante, mas em poucos deles esta relação tem um tão profundo significado histórico.
Ainda antes do alvor da nossa nacionalidade, e nos séculos que imediatamente se lhe seguiram, os
5 povos ibéricos teriam com o mar uma relação de desconfiança, de medo, uma provável noção de fim

do Mundo que também lhes despertaria sentimentos místicos; contudo, a proximidade do


Mediterrâneo proporcionou o ambiente seguro que cedo lhes facultou a aprendizagem das técnicas
de navegação, as quais, depois de juntas a uma enorme coragem e espírito de aventura, os
empurraram para arrojados projetos transatlânticos. A imagem do mar medonho, obstáculo,
10 começava a transformar-se numa referência de esperança e ambição.
Na medida em que as grandes viagens marítimas foram abrindo «novos mundos», o oceano passou
sobretudo a ser percebido como o meio útil que, devidamente controlado, possibilitava a expansão
económica e religiosa do país. Com um pequeno território e escassa população, Portugal abria uma
janela grandiosa.
15
A importância das riquezas, que o mar tinha e fez gerar, rapidamente despoletou a vontade de o
controlar, não já apenas no sentido estrito das técnicas de navegação mas também no domínio
militar das principais rotas de navegação e portos comerciais. Da primitiva pirataria aos modernos
navios, aviões de combate e sistemas de telecomunicações, esta «vontade» foi mudando de
instrumentos e vencedores, mas nunca mais desapareceu. A imagem utilitária do mar ganhou novos
20
contornos, cada vez mais ligados à sua importância estratégica na geopolítica mundial.
O mais recente enfoque da imagem do mar atingiu rapidamente uma grande relevância no nosso
país: a sua perceção como elemento privilegiado de qualidade ambiental e bem-estar, associado a
padrões muito elevados da função residencial e a várias atividades de recreio e lazer.

http://run.unl.pt/bitstream/10362/7428/1/RFCSH11_327_335.pdf (acedido em janeiro de 2016)


Jorge Umbelino e João Figueira de Sousa, “Os Portugueses e o Mar: roteiro de imagens e usos”,
Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, n.0 11, Lisboa, Edições Colibri, 1998.

1. No primeiro parágrafo destaca-se


(A) a similitude de atitudes dos portugueses e dos outros países com fronteira marítima.
(B) a vocação marítima dos povos peninsulares e a sua relação histórica com o mar.
(C) o significado histórico do mar como marca distintiva dos portugueses.
(D) a imagem que o mar tem para todos os povos com fronteiras marítimas.

2. A relação dos povos ibéricos com o mar


(A) tem-se mantido inalterada.
(B) foi-se alterando com o passar do tempo.
(C) esteve sempre envolta em desconfiança e medo.

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(D) continua a despertar sentimentos místicos.

3. No contexto em que surge, o vocábulo “alvor” ( l. 4) é sinónimo de


(A) início.
(B) apogeu.
(C) culminar.
(D) fim.

4. O primeiro período do texto integra


(A) uma frase complexa por recurso à coordenação copulativa.
(B) uma frase simples mas com grupos nominais coordenados.
(C) uma frase complexa que integra uma oração coordenada adversativa.
(D) uma frase complexa com recurso à subordinação.

5. A oração “que contam com fronteira marítima” (l. 2) é subordinada


(A) adverbial consecutiva.
(B) adjetiva relativa restritiva.
(C) substantiva completiva.
(D) substantiva relativa.

6. O referente do pronome pessoal “lhes” (l. 6) é


(A) “os povos ibéricos”.
(B) “(n)os séculos”.
(C) “sentimentos místicos”.
(D) “(d)as técnicas de navegação”.

7. O grupo preposicional “do mar medonho” (l. 9) desempenha a função sintática de


(A) modificador restritivo do nome.
(B) complemento oblíquo.
(C) modificador apositivo do nome.
(D) complemento do nome.

Responda aos itens seguintes.

8. Indique a função sintática do constituinte “numa referência de esperança e ambição” ( l. 10).

9. Classifique a oração “que, devidamente controlado, possibilitava a expansão económica


e religiosa do país.” (ll. 12-13).

10. Identifique o processo de formação do vocábulo “geopolítica” ( l. 20).

GRUPO III

O mar é espaço de lazer mas também de trabalho e de luta constantes.

Escreva uma reflexão de 200 a 300 palavras sobre a importância do mar na história e na vida do
ser humano.

Fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um
deles com, pelo menos, um exemplo significativo.

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MATRIZ DO TESTE

GRUPOS

I II III

Domínios LEITURA LEITURA EXPRESSÃO


e Conteúdos e ESCRITA
COMPREENSÃO
GRAMÁTICA
Cotações
Frase simples/complexa
Os Lusíadas, Luís de Camões
Classificação de orações Texto
+ Funções sintáticas argumentativo

Poetas do século XX Processos de formação


de palavras.
Sophia de Mello Breyner
Referentes
Tipologia de itens Andresen

Escolha múltipla
1 a 7 (7 itens x 5 pontos) 35

Resposta curta
8, 9 e 10 (3 itens x 5 pontos) 15

Item A

1 a 3 (3 itens x 20 pontos) 60

Resposta restrita

Item B 40

4 e 5 (2 itens x 20 pontos)

Resposta extensa
30 + 20 pontos 50

COTAÇÃO 100 50 50 200 pontos

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PROPOSTA DE COTAÇÃO

GRUPO I
A.
1. ……………………………………………….……………….. 20 pontos
Conteúdo: (12 pontos) + Forma: (8 pontos)
2. …………………………………………………….............. 20 pontos
Conteúdo: (12 pontos) + Forma: (8 pontos)
3. …………………………………………………………….…… 20 pontos
Conteúdo: (12 pontos) + Forma: (8 pontos)

B.
4. …………………………………………………………........ 20 pontos
Conteúdo: (12 pontos) + Forma: (8 pontos)
5. ………………………………………………………………… 20 pontos
Conteúdo: (12 pontos) + Forma: (8 pontos)
100 pontos

GRUPO II

1-10 10 itens x 5 pontos cada

50 pontos

GRUPO III

Estruturação temática e discursiva ………………………… 30 pontos


Correção linguística ……………………………………………….. 20 pontos
50 pontos

TOTAL ………................................................................................................... 200 pontos

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PROPOSTA DE CORREÇÃO

GRUPO I
A.
1. O caráter excecional que assume o aparecimento da Ilha deve-se ao facto de esta ser colocada frente aos
navegadores, como se emergisse do mar e os impedisse de continuar a sua viagem de regresso. Além disso,
afirma-se que “a movia / A Acidália, que tudo, enfim, podia.” “Pera onde as naus navegam”, comprovando-se,
deste modo, a intervenção de Vénus neste momento da viagem, de modo a presentear os portugueses antes da
sua chegada à Pátria.

2. A descrição da Ilha passa de um plano geral para um plano particular. Como se pode ver na primeira estância
selecionada, a Ilha, no seu todo, surge em frente das naus e de seguida imobiliza-se, o que vai fazer com que a
atenção recaia naquilo que esta contém. Assim, perceciona-se primeiro a enseada (“Onde a costa fazia ũa
enseada”) e só depois a branca areia que a “banhava” e as conchas que a “povoavam”. Na estância 54
prossegue a descrição mais detalhada, centrando-se agora nos outeiros e só depois nas fontes que daí
brotavam e cujas águas se detinham num lago, comprovando-se deste modo a passagem do genérico para o
singular.

3. Na descrição da Ilha, o poeta serve-se de diferentes sensações, ainda que a visual seja predominante tanto
na estância 53 como na 54, tal como se pode ver na referência à enseada, à areia branca, às “ruivas conchas”, à
cor verde do “gramíneo”, às “Claras fontes e límpidas [que] manavam”. Contudo, outros órgãos sensoriais são
ativados, nomeadamente a audição em “A sonorosa linfa fugitiva”, destacando o som produzido pelas águas
que brotavam do cume dos outeiros.

B
4. O espaço representado é o “Horizonte”, caracterizado como uma paisagem à beira-mar (“pinhal verde”,
“naquele pedaço de mar”, “areais”). É um espaço associado a dois tempos: o presente, captado pelos sentidos,
e o passado, evocado pela memória; surge descrito como vazio, local de finitude e de esterilidade (“Horizonte
vazio”, “linhas vazias… e gastas”, “Árvore morta sem fruto”), traços estes que marcam esse lugar no presente.
Porém, no passado, foi cenário de festa e de sonho, mas esse tempo e esse espaço estão irremediavelmente
perdidos.

5. Nas terceira e quarta estrofes destaca-se a “fabulosa festa” de que o “Horizonte” foi palco e, por isso, todo o
léxico o confirma, nomeadamente palavras como “bailando”, “passos” de baile, “cantava”; é o espaço onde a
noite e a claridade encenam uma festa de luz e de movimento, de silêncios e de canto, onde a plenitude
“naquele pedaço de mar ao longe” se alcança, onde “ardia / O chamamento infinito dos espaços.”. Deste modo,
esta evocação confere ao passado a dimensão de um tempo eufórico para o “eu”, justificando-se, por isso, a
utilização de vocabulário com valor semântico positivo.

GRUPO II

1. (C); 2. (B); 3. (A); 4. (D); 5. (B); 6. (A); 7. (D)


8. Complemento oblíquo.
9. Subordinada adjetiva relativa restritiva.
10. Composição morfológica.

GRUPO III

Resposta de caráter pessoal, mas que deverá ser classificada de acordo com os critérios de correção dos exames
nacionais.

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