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A Estimulação Cognitiva de Pessoas com Transtorno Autista

através de Ambientes Virtuais

Ricardo Drummond1
Luis Alfredo V. de Carvalho1
Rosa Maria E. M. da Costa2
José Raimundo Facion3
Susana Engelhard Nogueira4
1 2 3 4
Universidade Federal do Universidade do Estado do Universidade do Estado Universidade do Estado do
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Abstract diferentes tipos de danos e distúrbios cerebrais. Desta


maneira, a RV pode ampliar as possibilidades
Virtual Reality technology offers opportunities to create terapêuticas das abordagens tradicionais, pois facilita o
new products, which could be applied to the treatment of acesso a exercícios que estimulam variadas habilidades,
persons with acquired brain injury or sejam cognitivas ou motoras, através de ambientes
neurological/psychiatric disorders. This article discusses virtuais que promovem associações mais diretas com as
issues related to this field and presents the main features tarefas da vida diária.
of a Virtual Environment for Cognitive Stimulation of No Brasil, um dos primeiros trabalhos nesta área foi
persons with autism. Finally, it describes the initial desenvolvido por Costa [1] que explorou o potencial
procedures for assessment with a sample. desta tecnologia para a reabilitação cognitiva, através de
um "Ambiente Virtual Integrado para Reabilitação
Cognitiva" (AVIRC). Este ambiente utiliza estratégias
terapêuticas que são aplicadas em diferentes tipos de
1. Introdução desordens cognitivas, com ênfase na esquizofrenia e
oferece significativas oportunidades aos pacientes perante
Nos últimos anos, a tecnologia de Realidade Virtual
situações do dia-a-dia. Contudo, a versatilidade deste
(RV) vem sendo amplamente utilizada nas mais
ambiente parece não se aplicar às particularidades do
diferentes áreas do conhecimento. Podemos verificar o
Transtorno Autista (TA).
substancial progresso observando as variadas
Os resultados obtidos com o AVIRC, adicionado a
conferências e publicações técnico-científicas,
outros relatos de uso de Realidade Virtual para Autistas,
particularmente as relacionas ao uso da RV nas ciências
constituem-se em fatores motivadores para o
da saúde e da educação.
desenvolvimento de um Ambiente Virtual (AV) que
Apesar desta tecnologia estar em seus estágios
contemple aspectos específicos deste transtorno.
iniciais de exploração prática devido, principalmente, aos
De acordo com Sohlberg e Matter [2], o termo
altos custos e à complexidade dos equipamentos
"Reabilitação Cognitiva" pode ser definido como sendo
envolvidos, vários resultados têm apontado na direção do
"o processo terapêutico de desenvolvimento ou melhoria
seu uso, ressaltando suas especificidades como fatores
da capacidade do indivíduo de processar e utilizar
motivadores para a reabilitação de pacientes com
informações recebidas, de forma a permitir o aumento de de distúrbios e transtornos mentais, em especial, com
sua desenvoltura perante situações da vida diária." pessoas com transtorno autista.
Considerando-se o aspecto extremamente
comportamentalista da definição acima, ainda muito 2.1. Experiências Correlatas
utilizada, propusemos para este ambiente a expressão De acordo com Rizzo [4], a tecnologia de Realidade
“Estimulação Cognitiva”, onde há uma menor Virtual vem se destacando como um instrumento
preocupação com os aspectos comportamentais, potencialmente viável para as aplicações nas áreas da
socialmente convencionados e maior ênfase nos processos clínica psicológica e da neuropsicologia, se mostrando
subjetivos do indivíduo autista. Esse aspecto, apesar do promissora em várias situações, inclusive no caso do
incremento no desafio desta pesquisa, constitui-se em autismo.
inovadora abordagem do problema. Strickland et al. [5] relatam um experimento no uso
Neste contexto, o objetivo deste artigo é discutir o de Realidade Virtual com autistas, cujo objetivo foi
potencial da tecnologia de RV neste domínio, apresentar determinar se crianças com essa característica seriam
as principais características de um ambiente virtual capazes de tolerar equipamentos de RV e de responder,
voltado para a estimulação cognitiva de pessoas com de alguma forma, aos estímulos apresentados pelo
transtorno autista e descrever os procedimentos adotados ambiente virtual. Os resultados ressaltam a aceitação dos
para a sua testagem. equipamentos imersivos pelas crianças, que foram
capazes de gerar respostas motoras de acordo com o
2. Justificativa estímulo apresentado pela cena. As crianças também
demonstraram aptidão ao acompanhar objetos em uma
Atualmente observa-se um considerável aumento do cena, verbalizando e identificando-os.
número de aplicações baseadas em métodos e técnicas de Outra interessante proposta de aplicação de RV para
Realidade Virtual nas áreas de entretenimento, autistas encontra-se no trabalho de Mayer e Burke [6],
engenharia e negócios, bem como educação e saúde, onde incluem-se questões relacionadas ao potencial das
entre outras que já se beneficiam do uso desta tecnologia. crianças autistas de sustentarem a interação com o
A Realidade Virtual é uma técnica avançada de ambiente virtual de trabalho. As crianças participantes
interface, onde o usuário pode realizar o processo de do evento tinham a idade variando entre quatro e onze
imersão, envolvimento e interação em um ambiente anos, com e sem habilidades verbais e apresentaram
sintético tridimensional gerado por computador, aceitação ao uso do capacete. Os resultados iniciais,
utilizando canais multi-sensoriais, conforme enfatiza apesar de demonstrarem algumas dificuldades de
Pinho [3]: utilização da RV por aquelas com um nível de
• imersão, onde a percepção desejada é a de que se comprometimento mais alto, apontam para a
está "dentro" do ambiente virtual; possibilidade de continuidade de pesquisa.
• interação, onde o sistema computacional (Ambiente Mais recentemente, Charitos et al. [7] discutiram o
Virtual) possui adaptabilidade instantânea aos uso de RV para a melhoria do comportamento de autistas
movimentos do usuário; e nas tarefas diárias. Apesar dos aspectos relevantes desse
• envolvimento, que está relacionado aos aspectos trabalho, a visão comportamentalista ainda se faz
sensoriais e motivacionais, intrínsecos ao usuário. marcante e prioritária.
Mesmo considerando que a RV baseia-se no uso de É praticamente consenso entre os trabalhos já
dispositivos imersivos e equipamentos especiais publicados de que mais pesquisas nessa área de
(capacetes, óculos apropriados e salas de projeção), é aplicação se fazem necessárias, especialmente no que se
importante ressaltar que o uso de monitores refere à possibilidade de se validar o aprendizado através
convencionais vem obtendo resultados bastante positivos. de situações de generalização para outros ambientes ou
Dentro deste largo espectro de aplicações, as funções situações.
educacionais e terapêuticas têm se destacado como de Neste sentido, Rizzo [4] destaca as possibilidades da
ampla aplicabilidade e aceitabilidade. RV para o autismo ao observar a tendência de se agregar
Paralelamente, os avanços atuais de outras áreas, algum tipo de representação humana nestes ambientes
como as neurociências, permitem o melhor entendimento através de avatares, enfatizando os aspectos de interação
de muitas das doenças neurológicas. social ainda não considerados nas experiências acima
Recentemente, estes conhecimentos vêm sendo citadas.
integrados visando estudar os impactos desta nova
tecnologia no tratamento de pessoas com diferentes tipos
3. O Transtorno Autista comportamento dos outros e tornar o mundo menos
ameaçador.
Os conceitos de autismo e psicose na criança foram De acordo com Frith [15], a falta de uma teoria da
elaborados e continuamente revistos por diferentes mente na criança autista estaria relacionada a um déficit
autores ao longo do tempo. de funções cerebrais ligadas a meta-representações, o que
Em 1943, o psiquiatra Leo Kanner [1971] descreveu conduziria a mudança nos padrões básicos da interação
um grupo de onze crianças que apresentavam um quadro social. Por não conseguirem atingir meta-representações
clínico considerado raro, onde a desordem fundamental sobre conceitos e crenças a respeito de estados mentais
era a incapacidade para relacionamento com pessoas e dos outros (desejos, necessidades, sentimentos e emoções
situações. Apesar de todas as deficiências percebidas, alheias) a possibilidade de previsão de comportamento
Kanner observou que esse grupo ainda mostrava indícios dos mesmos seria muito reduzida.
de bom potencial intelectual. Para este autor, essas
crianças estariam apresentando uma incapacidade inata 3.1. Caracterização do Transtorno Autista
para fazer contato afetivo normal com pessoas em geral e
os critérios considerados para diagnóstico do autismo Atualmente, as definições de autismo mais
infantil se resumiriam a isolamento extremo da criança a comumente utilizadas para nortear um trabalho de
ponto de evitar estabelecer contatos afetivos e forte diagnóstico partem do entendimento de que esta é uma
insistência obsessiva na preservação da mesmice. síndrome de etiologia puramente orgânica. Segundo
Com o passar dos anos, muitos foram os autores que, Gauderer [8], existem três tipos de definições: a da ASA
ao estudarem crianças com manifestações patológicas (American Society for Autism), a da Organização
semelhantes, dedicaram-se a formular diferentes Mundial de Saúde, contida na CID-10 (10° Classificação
hipóteses e posições teóricas sobre o autismo detendo-se Internacional de Doenças, de 1991)[16] e a do DSM-IV
em aspectos bastante específicos do mesmo. (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders,
A partir dos anos 70 e 80 muitos autores começaram 1995) [17] da Associação Americana de Psiquiatria.
a deixar de conceber o autismo como um tipo específico Neste trabalho está sendo considerada a conjunção do
de psicose, dente eles, o psiquiatra Christian Gauderer DSM IV coligada à definição contida também no Código
[8], que considera a possibilidade da ocorrência deste Internacional de Doenças (CID 10).
transtorno ser gerada por múltiplas falhas profundas de De acordo com a 10° Classificação Internacional de
integração sensório-motora, agravadas por distúrbios de Doenças (CID-10) de 1991, o autismo é considerado
linguagem, cognição e relacionamento. Ritvo [9] e Rutter como um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, onde
[10] enfatizaram a possibilidade de existência de déficits estaria presente um padrão de desenvolvimento anormal
cognitivos no autismo. e/ou comprometimento, manifestos antes dos 3 anos de
Em 1979, Wing e Gould [11] realizaram um estudo idade. O funcionamento anormal das habilidades da
de natureza epidemiológica o qual revelou que criança estaria relacionado a três áreas: interação social,
características consideradas típicas do autismo formavam comunicação e comportamento restrito e repetitivo.
uma tríade: severo prejuízo social; severas dificuldades O DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of
nas comunicações tanto verbais quanto não-verbais e Mental Disorders), por sua vez, apresenta um critério
ausência de atividades imaginativas, incluindo o brincar mais detalhado para diagnóstico do autismo, o qual exige
de faz-de-conta, substituídas pelos comportamentos as seguintes condições:
repetitivos.
♦ Para que uma criança seja diagnosticada como
Os anos 80-90, por sua vez, foram marcados por
autista é necessário que a mesma apresente sintomas
alguns questionamentos científicos importantes os quais
que se enquadrem em pelo menos seis (ou mais
buscaram esclarecer se o autismo estaria relacionado
itens) que avaliam comprometimentos qualitativos
apenas a déficit cognitivos ou implicaria também na
nas áreas de interação social, comunicação e padrões
presença de déficit afetivo-sociais [12].
de comportamento, interesse ou atividades
É neste contexto que começaram a ser desenvolvidas
estereotipadas;
as primeiras teorias cognitivas para o autismo, as quais
inicialmente foram propostas por Frith [13] e Baron- ♦ É preciso que seja identificado um atraso ou
Cohen e colaboradores [14]. Segundo estes autores, as funcionamento anormal nas áreas de interação
crianças autistas apresentariam uma incapacidade de social, linguagem com fins de comunicação social e
atribuir estados intencionais aos outros, ao apresentarem jogos simbólicos antes dos três anos de idade;
um déficit específico na sua Teoria da Mente. Tal déficit
comprometeria a capacidade da criança para predizer o ♦ Apesar de ser reconhecido que o autismo pode
ocorrer isoladamente ou em associação com outros
distúrbios que afetam o funcionamento cerebral, tais generalização, de uma forma incremental, mas
como a Síndrome de Down ou a epilepsia, é suficientemente lenta para evitar a rejeição por
necessário que o mesmo não se enquadre na parte do usuário;
Síndrome de Rett ou no Distúrbio Desintegrativo da • a possibilidade de apresentação de situações seguras
Infância. de aprendizado, de forma a minimizar os riscos de
acidentes;
4. Objetivos da Pesquisa • o tratamento individualizado, considerando também
a grande adaptabilidade desses ambientes; e
Esta pesquisa tem como objetivo central definir, • a preferência pela interação com os computadores, o
projetar e desenvolver um ambiente virtual, que integre que está de acordo com a tendência de apego a
abordagens terapêuticas e de desenvolvimento funcional, objetos, com aversão ao relacionamento humano.
para diferentes níveis de Transtorno Autista, visando a Os aspectos acima considerados são de extrema
investigação do nível da capacidade de navegação e relevância na construção deste ambiente.
interação, no referido ambiente, por parte dos indivíduos
com este transtorno. 5.2. O Ambiente Virtual
A partir dos resultados obtidos, pretende-se uma
investigação mais aprofundada da capacidade de A princípio, neste ambiente estão sendo construídas
interação e níveis de resposta ao ambiente virtual, sejam as seguintes áreas de trabalho (Figura 1):
espontâneas ou mesmo estimuladas, verificando a • banco de espera, ponto inicial da cena;
possibilidade do uso terapêutico dos ambientes virtuais, • mesa de jogos, onde atividades lúdicas serão
para diferentes níveis de Transtorno Autista, visando o desenvolvidas, conforme a habilidade e o interesse
aumento da funcionalidade e a estimulação cognitiva do usuário;
dessas pessoas. • viveiro aberto, onde se busca observar algum tipo
de afiliação e atenção por parte do usuário, com
futuros exercícios de generalização; e
5. Características do Ambiente Virtual para • viveiro fechado, que servirá de ponto de
Estimulação Cognitiva do Transtorno comparação comportamental em relação ao
viveiro aberto.
Autista
A cena apresentada na Figura 1 ilustra estes
requisitos iniciais, explorando as possibilidades da
5.1. Aspectos técnicos específicos linguagem VRML (Virtual Reality Modeling Language ).

Strickland [18] enfatiza que o autismo envolve


respostas anormais aos estímulos do mundo externo e
declara que a RV oferece o potencial para desenvolver e
adequar um ambiente virtual que melhor relacione as
expectativas com as necessidades desses indivíduos. Essa
afirmativa é baseada nas características dos ambientes
virtuais, nos quais se destacam:
• a capacidade de controle da entrada de estímulos,
onde os ambientes podem ser simplificados ao
máximo, minimizando-se distratores indesejáveis, o
que contempla uma melhor possibilidade de
interação perante a natural dificuldade do autista
diante de mudanças ambientais;
• a possibilidade de construção de um ambiente
baseado em estímulos visuais ou auditivos
Figura 1. Cena da Praça
controlados, em consonância com as habilidades e
as peculiaridades apresentadas pelos portadores
deste transtorno;
• a capacidade de modificação e adequação do
ambiente, permitindo o estímulo e a busca da
A introdução de avatares, ou representações humanas Estes dados quantitativos serão tratados
do usuário, permitirá a ampliação dos estudos, estatisticamente o que poderá possibilitar um melhor
explorando características comuns ao distúrbio: entendimento de diferentes formas de reações aos
estímulos gerados pelo ambiente virtual.
• os mais velhos podem ter interesse por amizades,
É importante ressaltar que, considerando os
mas não compreendem as convenções da interação
resultados obtidos durante a navegação e interação com o
social;
ambiente na primeira fase, o ambiente deverá sofrer
• pode ocorrer uma falta de busca espontânea pelo adaptações específicas de acordo com as características
prazer compartilhado, interesses ou realizações particulares de cada um dos participantes, visando
com outras pessoas (por exemplo, não mostrar, estimular a navegação e interação com o ambiente
trazer ou apontar para objetos que consideram virtual. Para a definição dos aspectos a serem alterados
interessantes); no ambiente, serão utilizadas as análises dos
comportamentos nas sessões de navegação que indiquem
• de forma freqüente, a conscientização da estas diferentes formas de interação, bem como as
existência dos outros pelo indivíduo encontra-se informações obtidas com as famílias e os profissionais
bastante prejudicada. responsáveis.
A comparação do desempenho destas pessoas
6. Avaliação de resultados durante a primeira e a segunda etapa, poderá fornecer
meios de se verificar a capacidade de aceitação dos
Para a realização das sessões de navegação no equipamentos computacionais e do interesse em interagir
ambiente virtual estão sendo selecionadas jovens com o ambiente virtual.
portadores do transtorno autista, com idade entre 8 e 18 Espera-se poder identificar de que maneira se
anos. Algumas destas pessoas são da AMES/RJ e outras realizam as interações, para que estas características
são de outra instituição, visando uma melhor possam ser exploradas em um próximo projeto visando
caracterização da amostra em estudo. As pessoas que atuar na melhoria das funções cognitivas e de interação
fazem parte da amostra possuem relativo grau de social destas pessoas.
funcionalidade que permite o desenvolvimento do
experimento.
7. Considerações Finais
• Estudo Qualitativo (Primeira fase)
Concordando com a posição de Alexandrino e
Em uma primeira fase serão realizadas 6 sessões de Ambrosi [19], consideramos incorreta a idéia de que o
navegação em um ambiente virtual bastante simples, Transtorno Autista é intratável, apesar de se constituir de
que serão registradas em vídeo. A análise dos resultados uma grave desordem, com conseqüente alteração no
desta fase integrará os dados provenientes da observação comportamento. Mesmo considerando a impossibilidade
direta no momento da sessão e aqueles levantados a atual de garantir a plena recuperação destas pessoas,
partir do estudo dos vídeos. O objetivo desta etapa é procuraremos, explorando a capacidade plástica
identificar os aspectos relevantes presentes no processo apresentada pelo cérebro, buscar mecanismos de estudo e
de interação e utilização dos ambientes virtuais por parte terapêutica para esta patologia, visando alcançar uma
dos portadores do transtorno autista, principalmente melhoria na compreensão do problema e na busca do real
relativos ao contato visual e a interação com o referido bem estar destas pessoas.
ambiente. Neste contexto, a exploração da realidade virtual na
estimulação cognitiva dos portadores deste transtorno se
• Estudo Quantitativo (Segunda fase) configura como de altíssima relevância. O aspecto
inovador de se agregar algum tipo de representação
Na segunda fase do trabalho serão realizadas 5 humana e animal nestes ambientes poderá abrir novas
sessões de navegação no ambiente com cada um dos perspectivas com relação à compreensão da precária
componentes da amostra. A freqüência de atividades ou interação social desenvolvida pelos indivíduos autistas.
respostas e o tempo de reação a estímulos dirigidos Este aspecto constitui-se em uma das principais questões
(sonoros e/ou visuais) serão quantificados nestas sessões. desta pesquisa, que visa ainda, o aprofundamento na
Os resultados obtidos na primeira fase irão fornecer compreensão do processo de desenvolvimento da
subsídios para a definição de uma lista de itens que serão subjetividade por parte dos autistas.
avaliados nesta etapa.
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