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Relatório PIBIC-UFRJ de Iniciação Científica por Walter Alves (Graduando em

Letras – português-italiano) e orientando da Prof. Dra. Bruna Franchetto (PPGAS


– MUSEU NACIONAL\POSLING do Depertamento de Linguística da Faculdade
de Letras)

Resumo:

A língua Guató é uma língua ameríndia, outrora falada pelo povo de mesmo nome, no
ecossistema pantaneiro. São índios ainda existentes e que clamam pela revitalização de
sua finada língua. A partir dessa demanda desses índios de tradição canoeira, o projeto
“Línguas Indígenas Ameaçadas: Pesquisa e Teorias Linguísticas para a Revitalização”
(CNPq, Edital Universal 2014, Proc. 454950/2014-4), coordenado pela Prof. Dra. Bruna
Franchetto, busca estudar metodologias de Revitalização Linguística para tentar trazer de
volta o que for possível do Guató. É neste sentido que o presente trabalho de Iniciação
Científica se inscreve. Os resultados do projeto, que está por acabar, incluem oficinas de
Revitalização Linguística nas terras indígenas Guató, publicação de trabalhos acadêmicos
sobre seu desaparecimento e, surpreendemente, a coleta de novos dados linguísticos obtidos
com os dois últimos falantes dessa língua milenar: Vicente e Eufrásia Ferreira. O
consequente contato com os últimos falantes do Guató permitiu ao autor deste trabalho,
Walter Alves, estudar aspectos da gramática do Guató. Isto resultou em sua monografia de
conclusão de curso de graduação, onde Alves analisa a classe de palavras dos numerais e
seu sistema de quantificação.

Palavras-chave: Línguas Indígenas, Revitalização Linguística, Língua Guató,


Sistemas Numerais
1. Introdução: Objetivos de pesquisa.
A língua Guató foi classificada como pertencente ao tronco macro-jê (Rodrigues
1970, 1986), recentemente considerada uma língua isolada (Ribeiro e Voort 2010)
graças a pouca disponibilidade de dados linguísticos para que fosse possível compará-la
a outras línguas indígenas. De fato, há muito pouco sobre a gramática guató na literatura
linguístico-antropológica. Max Schdmit foi o primeiro a estudá-la, com as ferramentas
descritivas de que dispunha no início do século XX, oferecendo a seus leitores uma lista
de palavras e frases. Outras listas de palavras e, às vezes, frases, se seguiram: Rondon
(1938) e Wilson (1959). É, contudo, na tese de doutrado de Adair Pimentel Palácio
(1984), intitulada “Guató: a língua dos índios canoeiros do Rio Paraguai”, que a
fonologia, morfologia e sintaxe do Guató é explorada pela primeira vez. O estudo que
seguiu o de Palácio foi o de Adriana Postigo, em sua dissertação de mestrado intitulada
“Fonologia da Língua Guató”. A autora estudou os processos fonético-fonológicos
atuantes na língua, já encontrados em Palácio, como a assimilação e a epêntese, e tentou
dar uma descrição mínima do quadro tonal que faz parte do componente
suprassegmental da língua dos índios canoeiros.
Entretanto, tais esforços, embora consideráveis, não resultaram em atividades
que pudessem manter a vitalidade do Guató entre os membros de sua comunidade.
Conforme os falantes mais velhos foram morrendo no século XX, a língua caminhou
em direção ao mesmo destino deles. Neste sentido, a Prof. Dra. Bruna Franchetto
(Museu Nacional-UFRJ) decidiu adotar o Guató como parte do projeto “Línguas
Indígenas Ameaçadas: Pesquisa e Teorias Linguísticas para a Revitalização” (CNPq,
Edital Universal 2014, Proc. 454950/2014-4)”. O projeto, além de contemplar o Guató,
buscou propor metodologias de revitalização linguística para outras línguas ameríndias,
entre as quais o Yawanamá (família Pano) e o Patxohã (família Pataxó, atualmente
reconstructed language).
Ao mesmo tempo em que buscou-se propor metodologias de Revitalização
Linguística para as línguas elencadas, sendo a Revitalização Linguística o processo de
reestabelecimento de uso de uma língua que não é mais falada por sua comunidade ou a
reversão do processo de perda linguística dela (Hinton 1998), procurou-se também
aprofundar aspectos da gramática do Guató. Um dos temas da gramática do Guató que
mereceu aprofundamento por parte da equipe de pesquisa foi seu sistema dos numerais
registrado em Palácio (1984, 1996). A autora, através da consulta à diversos
informantes indígenas, montou uma tabela da classe de palavras dos numerais da língua
e descobriu que ele representa um sistema de base quinária até o numeral „vinte‟ e
decimal a partir deste. Além disso, o sistema faz uso de palavras para „mão‟ e „pé‟,
morfemas lexicais, para criar numerais maiores. Sendo assim, para dizer „seis‟, é
necessário dizer a expressão “um (dedo) com uma mão dele”. Ela é tʃéne kaéka i-ɾá (um
CONJ 3SG-mão). Após o uso das mãos, passa-se aos pés. Então „onze‟ é tʃéne i-bɔ
(um 3SG-pé), traduzível por “um (dedo do pé) dele (já incluídas as mãos)”. Tal recurso
à morfemas lexicais é muito comum entre as línguas indígenas, segundo Epps (2012,
2013).
Embora o registro de Palácio seja muito importante para o conhecimento dos
numerais do Guató, a autora não observou seu uso em sentenças, isto é, em sintagmas
que apresentam um verbo, núcleo de um acontecimento, e morfemas que localizam o
próprio acontecimento em termos de modalidade, tempo e aspecto. Neste sentido, o
aluno de iniciação científica, retador deste trabalho, registrou os numerais Guató em
sentenças. Para isso, ele viajou junto de Godoy e Balykova para Corumbá (MS), onde
visitou Eufrásia Ferreira, uma das últimas falantes do Guató. As viagens de campo
foram realizadas em Fevereiro, Julho e Agosto de 2017. Especialmente as de Julho e
Agosto envolveram não só a visita a Eufrásia, mas também a ida à Terra Indígena Baía
dos Guató (MT) para que fosse realizada uma oficina de Revitalização Linguística entre
os índios. A metodologia do estudo dos numerais e das oficinas é comentada na seção
seguinte e, seus resultados, em seção posterior.
2. Metolodogia: Teoria e Prática.
O trabalho de Revitalização Linguística iniciou-se com a tentativa de descobrir
quem ainda falava Guató. Franchetto e Godoy, em artigo publicado na Revista
LinguíStica (Programa de Pós-gradução em Linguística da UFRJ), em edição de 2017,
descobriram, em sua levantamento sociolinguístico, que o Guató conta com apenas dois
falantes “lembrantes” da língua: Vicente e Eufrásia Ferreira. São definidos como
falantes lembrantes aqueles que têm parcial competência linguística sobre sua L1, pois
já não a usam há muitos anos. Por exemplo, Eufrásia não falava sua língua, até a
chegada dos linguistas à sua casa, há mais de 40 anos, uma vez que todos os falantes
com quem tinha contato já haviam morrido.
Os pressupostos básicos da revitalização se sustentaram no trabalho de Hinton
(1998) e no “Guía de revitalización lingüistica: para una gestión formada e informada”
de Farfán e Hernandez (2012). Neste livro, os autores abordam o próprio conceito de
Revitalização Linguística, bem como o processo de identificação de falantes de uma
língua e o grau de ameaça ao qual ela possa estar submetido. No caso do Guató,
verificou-se que o grau de ameaça era altíssimo e ficou decidido que seria necessário
registrar o mais rápido possível o que ainda pudesse ser lembrado por Vicente e
Eufrásia, ambos de idade avançada.
O método da coleta de dados linguísticos foi o da elicitação. Neste método,
pergunta-se ao falante da língua como se diz uma palavra ou frase em sua L1 e ele dá a
resposta em seguida. Na elicitação com Eufrásia, Alves, Godoy e Balykova buscaram
pedir as sentenças em um contexto. Sendo assim, antes de requererem a resposta do
informante, ofereciam a ele uma situação, de modo a criar uma cena que lhes pudesse
ser conveniente na interpretação do dado obtido. Por exemplo, para elicitar a distinção
entre nomes contáveis e nomes massivos, usou-se um dos seguintes contextos:

(1)

Contexto: Você foi ao açougue e comprou dois pedaços de carne e fritou. Como
você diz „eu fritei duas carnes„

ohe ma-gwa-dóki mani go-ɾɯ ma-gwa-gohɛ dúni go-ɾɯ


você IPFV-2SG-trazer esse DET-carne IPFV-2SG-fritar dois DET-carne
„você trouxe duas carnes e fritou duas carnes (dois pedaços de)„

Além da coleta de dados com os últimos falantes do Guató, foi preciso procurar
as fitas de gravação de elicitação de dados de Palácio para a construção de sua tese de
doutorado na década de 80. Esta tarefa não foi fácil, pois infelizmente suas fitas
desapareceram. Entretanto, o cineasta sul-matogrossense Joel Pizzini, que realizou um
filme sobre a retomada da identidade Guató no começo dos anos 2000, intitulado “500
Almas”, tinha em sua material de gravação algumas das fitas da linguista. Sem hesitar,
Pizzini forneceu a Prof. Dra. Bruna Franchetto tais fitas. Deste modo, o autor Alves
pôs-se a escutá-las, anotando em quais trechos de áudio haviam palavras e frases em
Guató. Também, Alves editou esses arquivos e realizou a transcrição fonológica de
alguns deles. Algumas de suas transcrições das fitas de Palácio seguem abaixo:

Arquivo 69:1
n-ógóg -jo
IND-beber.água-1SG
„eu bebi água‟

Arquivo 70:
na-kí-ga-jo g-otý go-dʒék
IND-pescar-PONT-1SG DET-piranha DET-rio
„eu pesquei piranha no rio‟

Arquivo 71:
na-kí-o go-dʒék
IND-pescar-1SG DET-rio
„eu pesquei no rio‟

Arquivo 72:
na-k ni-o máké
IND-dormir-1SG ontem

na-k ni-ga-jo máké


IND-dormir-PONT-1SG ontem
„eu dormi ontem‟

Arquivo 73:
na-k ni-o gínɛ
IND-dormir-1SG aqui
„eu dormi aqui‟

Arquivo 74:
na-g -na-jo g-épago
IND-matar-?-1SG DET-bicho
„eu matei bicho‟

1
Abreviação para glosas: 1 – primeira pessoa; 2 – segunda pessoa; SG – singular; DET – determinante;
PONT – pontual; DESC – descritivo; EP – epêntese; INTR – intransitivizador.
da-m -gɨrɨ g-épago mah óvɨ-ru
DESC-ser.muito-INTS DET-bicho lá casa-1SG
„eu tenho muito bicho lá em casa‟

Arquivo 75:
na-g -ga-jo g-épago
IND-matar-PONT-1SG DET-bicho
„eu matei bicho‟

Arquivo 76:
na-g -jo go-gáre-dʒ-ajɛ
IND-matar-1SG DET-branco(não-índio)-EP-ave
„eu matei galinha (ave do branco, do não-índio)‟

Arquivo 77:
na-g -jo go-gáre-dʒ-ajɛ máké
IND-matar-1SG DET-branco(não-índio)-EP-ave
„eu matei galinha ontem‟

Arquivo 78:
dágwá nuni-g -rehe? (rehe pronunciado como rihe - fonética)
onde trabalhar-INTR-2SG
„onde você trabalha ‟

Arquivo 79:
dágwá nuni-g -rehe? (rehe pronunciado como rihe - fonética)
onde trabalhar-INTR-2SG
„onde você trabalhou ‟

Arquivo 80:
dágw(á) ógóg -rehe?
onde beber.água-2SG
„onde você bebe água ‟

Os arquivos das fitas de Palácio somaram 7CDs de um total de 28CDs de áudio


fornecidos por Pizzini. O restante dos CDs, que não faziam referência às gravações de
Palácio, também foram escutados por Alves. O aluno de iniciação científica verificou
que continham entrevistas a diversos personagens importantes da história da etnia
Guató. Alguns conteúdos das entrevistas encontradas nessas fitas seguem:

Entrevistado Conteúdo
Seu Domingos Conta sobre a história dos aterrados
Guató. e fala das constantes expulsões da
terra as quais sobreviveu (processo de
desterritorialização).
Seu Amâncio Conta sobre o uso de ervas medicinais
indígenas.
Sr. Rondon Conta sobre a época de sua vida
trabalhado em fazendas, realidade comum
de muitos índios Guató, e aproveita para
dar explicações sobre a “religião” desses
índios, já que Pizzini mostrou-se bastante
interessado em assuntos de caráter
“espiritual”.
Maria Rita (professora) Conta a sua longa relação de vida com os
Guató e o ensino de disciplinas escolares.
Dona Leonilza Relembra cantigas e rezas de infância (em
português).
Dona Maria Oferece um depoimento sobre o motivo de
os índios não falarem mais a língua, bem
como diz em Guató algumas palavras e
sentenças das quais se lembra.
Vicente (atualmente último falante de Diz algumas sentenças em Guató na
Guató) presença de Dona Maria.
Tabela 1. Entrevistados de Pizzini e resumo geral do conteúdo de suas entrevistas.

Posteriormente, no final do ano de 2016, Pizzini encontrou alguns outros


árquivos de áudios da época em que gravou seu filme. Estes foram dados à
coordenadora do projeto e escutados por Alves e Dayane Pontes, nova aluna de
iniciação científica de Franchetto. Abaixo, segue um pequeno resumo do conteúdo
desses áudios:

Entrevistado Conteúdo
Manoel de Barros (escritor) Leitura de poema e infância com os
Guató.
Adair Pimentel Palácio (linguista) Comentário sobre a gramática Guató.
Prof. Haas (na Alemanha) Leitura de trabalho do etnólogo Max
Schdmit e explicação sobre o conceito de
colecionismo (em espanhol).
Irma Ada (missionária) Fala da “descoberta” dos Guató e a morte
do militante indígena Celso
Dona Negrinha Conta o mito de formação das baías, fala
da relação dos Guató com a água e
animais (onça e cobra) e conta a história
do cachimbo e do feiticeiro. Também,
depõe sobre a época de trabalho escravo
na fazenda que frequentou.
Seu Amancio História de vida.
Seu Inocêncio História de vida. Diz que a mãe é “pura”
índia.
Seu Zequinha (não Guató) Fala de sua história de vida, ensina a fazer
viola e comenta a morte do militante
indígena Celso. Também depõe sobre a
posse da Ilha Ínsua e sobre ter aprendido
com os índios a fazer chicha.
Arqueólogo (provavelmente Jorge Fala de achados arqueológicos ligados ao
Eremites) Guató
Benedito Trata do esquecimento da língua
Cecília Conta seus sonhos e crenças
Sebastião Trata do esquecimento da língua
Veridiano (parente de Vicente, último Fala sobre o material da viola
falante da língua)
Zulmira Trata do esquecimentoda língua e conta a
história da piranha
Josefina (principal consultora do estudo Conta história de vida e fala sobre o
de Palácio) militante indígena Celso. Depõe sobre seu
aprendizado da língua, que foi com a avó.
Ressalta a importância de casar com índio
Severo (ex-cacique) Fala de hábitos alimentares do passado e
de agora e também da morte do militante
indígena Celso.
Dona Maria Trata do esquecimento da língua e de sua
história de família.
Filha de Dona Maria Fala de parentes que não conhece e
também instiga o filho a falar palavrinhas
em Guató.
Marçal (desconhecido?) Fala sobre a questão da terra indígena e a
indignação dos índios nessa questão..
Idelfonsa Conta a expulsão da Ilha Ínsua
Naelson Fala de seus sentimentos em relação à
morte do militante indígena Celso.
Sr. Rondon Fala de Dona Negrinha.
Tomas Fala da morte do militante indígena Celso.
Índio bororo (não nomeado) e índio Guató Falam sobre ser indígena e a identidade
(provavelmente Seu Domingos) Guató, ressaltando que cada grupo
indígena tem o seu idioma.
Eva Fala de vida após a morte
(espiritualidade).
Noemia Trata da visão de grupos evangélicos
sobre os índios e fala da autoestima
indígena.
Dona Dalva Maria (esposa do ex-cacique Fala sobre os Guató e a localização deles.
Severo e militante da causa Guató)
Benedito Fala sobre Dona Zulmira, dizendo que ela
se lembra de algumas coisas da língua.
Veridiano (parente de Vicente, último Fala sobre a caça de passarinho e sobre
falante Guató) pinturas rupestres.
Vicente (último falante Guató) Fala sobre trabalho na roça, sobre onça e
sobre sua parente Dona Julia
Armando Fala sobre a pesca e os tipos de pena e
ponta usados nela.
índio Guató (desconhecido) Fala do porquê não querer morar na Ilha
Ínsua.

Felizmente, Adriana Postigo, que publicou sua dissertação de mestrado sobre a


Fonologia do Guató em 2009, também tinha salvo suas próprias gravações de áudio
com falantes vivos da língua na época. Estes falantes foram Francolina Rondon,
Josefina e Veridiano. Os áudios referentes a suas falas foram enviados à coordenadora
do projeto e começaram a ser escutados por Alves e Pontes, embora a confusão da
organização desses áudios mereça ainda melhor tratamento.
Outro passo da metodologia de Revitalização Linguística foi o da criação de
oficinas de aprendizado do Guató nas próprias comunidades da etnia. Desta forma, a
Primeira Oficina de Revitalização Linguística aconteceu de 20 a 29 de Agosto de 2016
na Terra Indíngena Baía dos Guatós (MT). Foi realizada pela coordenadora do projeto e
seu aluno de doutorado em Antropologia Social Gustavo Godoy. Nela, os pesquisadores
buscaram ensinar aos alunos indígenas palavras da língua, visto que na TI Baía dos
Guatós (MT) os indígenas pouco sabem sobre sua língua e já se esqueceram muito de
seu passado cultural.
Sabendo posteriormente que na Aldeia Uberaba, na Terra Indígena Guató (MS),
havia interesse dos Guató em revitalizar a sua língua, a equipe buscou, nos meses de
Julho e Agosto de 2017, realizar uma nova Oficina de Revitalização Linguística. Esta
contemplou os índios do mesmo local da primeira, isto é, a TI Baía dos Guatós (MT),
mas também aqueles dessa segunda Terra Indígena. Infelizmente, da Aldeia Uberaba só
participaram os professores indígenas, o que fez com que Alves, Godoy e Balykova,
desta vez responsáveis pela oficina, mudassem seu plano de ação. A Oficina de Mato
Grosso do Sul teve o objetivo, então, de capacitar os professores indígenas sobre
aspectos da gramática do Guató desenvolvidos em Palácio (1984). Os temas ensinados a
eles foram: pronomes pessoais; marcadores possessivos e léxico para partes do corpo;
léxico para relações de parentesco; verbos descritivos, transitivos e intransitivos; a
morfologia do aumentativo e diminutivo dos nomes; composição de palavras; partículas
temporais; termos para cores.
O resultado das duas oficinas constitui passo importante no processo de
Revitalização Linguística. Além de articular a comunidade indígena em prol do
interesse por recuperar sua língua, permite que sejam criados materiais de ensino úteis
aos professores das aldeias. A produção de material didático foi, portanto, parte da
metodologia de Revitalização para o Guató. Foram produzidas duas cartilhas de ensino
da língua, logo após as oficinas. As cartilhas são todas ilustradas com desenhos feitos
pelos próprios indígenas das aldeias contempladas e podem ser encontradas no site do
Nupeli-Gela (Núcleo de Pesquisas Linguísticas-Grupo de Estudos em Linguística e
Antropologia): http://nupeli-gela.weebly.com/revitalizaccedilatildeo.html
Abaixo, seguem algumas fotos das oficinas realizadas, bem como de trechos das
cartilhas de ensino:

Imagem 1. Primeira Oficina de Revitalização Linguística. Terra Indígena Baía dos


Guató (MT).

Imagem 2. Segunda Oficina de Revitalização Linguística. Terra Indígena Baía dos


Guatós (MT)
Imagem 3. Primeira Cartilha de Revitalização da Língua Guató. Palavras para onça.

Imagem 4. Primeira Cartilha de Revitalização da Língua Guató. Cumprimentos.


Imagem 5. Segunda Cartilha de Revitalização da Língua Guató. Menino apresenta a
melancia „gogwajekã‟. Diz que é muito boa.

Imagem 6. Segunda Cartilha de Ensino da Língua Guató. Menino pergunta ao outro


quantos pedaços de melancia ele comeu „dép gwaro gogwajekã . O segundo menino
responde “uma melancia” „xéne gogwajekã‟.
3. Resultados obtidos.
Claramente, o próprio processo de Revitalização Linguística em si descrito é um
resultado, pois ele compreende etapas que fazem com que se conheça sobre o objeto
científico a ser estudado – a língua Guató. Estas etapas, elencadas a partir da seção
anterior, foram: (1) levantamento sociolinguístico da comunidade Guató; (2) realização
de arquivamento de gravações de dados linguísticos com os falantes remanescentes e
procura de dados linguísticos já arquivados por pessoas de fora da equipe de pesquisa
(Palácio, Pizzini, etc); (3) Criação de materiais didáticos envolvendo a participação da
comunidade Guató.
Como todo esse processo permitiu o aprofundamento de questões da gramática
do Guató, o autor deste trabalho estudou as classes dos numerais. Seu estudo resultou
em sua monografia de conclusão de graduação, bem como na participação em eventos
onde pôde apresentar sua pesquisa em andamento.
Em relação à sua monografia de conclusão de curso, Alves descobriu, através da
elicitação de dados com Eufrásia, que os numerais do Guató se ligam tanto a nomes
massivos quanto contáveis sem o auxílio de classificadores, como acontece na língua
Palikur (Green 1994 [2002]) ou na língua Kadiwéu (cf. Sandalo 2016). Quando os
numerais se ligam a nomes massivos, a leitura da expressão é de porções. Então, é
possível dizer em Guató “eu vi três vômitos” para significar “eu vi três poças de
vômito”. A sentença é:

(2)

ʃ - -ɾu mani go-k nia

três 1SG-ver-1SG esse DET-vômito

„eu vi três vômitos (poças de)‟

Além disso, verificou-se que em Guató o significado para o numeral „dois‟ é


representado por duas expressões: dúni e dúníhi. Esta última é usada para denotar a
palavra para „irmão‟. A possibilidade de um numeral denotar tanto uma palavra para
valor cardinal quanto para parentesco é comentada por Epps (2012, 2013), que chama
esta estratégia de Estratégia Relacional. É muito comum com os termos que significam
„quatro‟, como mostra a autora para termos das línguas da família Nadahup (Epps
213:346):

(3)
(b) Hup:
(hi-) b b’-ni
(FACT-)acompanhar/irmão-existe
„irmãos existem/acompanhado/4‟

(b) Dialeto hup “rio acima”:


b b’-pã
irmão-NEG
„sem irmão/3‟

(c) Yuhup:
b b - - wǎp
companheiro-ser-quantidade/acompanhar-quantidade
„irmão-existe quantidade/acompanhar quantidade /4‟

(d) Dâw:
’ ’
um irmão
„um irmão existe/4, 6, 8, 10‟

’ ’ ’ h
um irmão NEG
„um não tem irmão /5, 7, 9‟

Como se observa nos exemplos da autora, a estratégia nessas línguas valoriza a


noção de par e ímpar. Sendo assim, em Dâw, ter o irmão „um irmão existe‟, significa os
valores „quatro‟, „seis‟, „oito‟ e „dez”. Já a ausência do irmão „um não tem irmão‟, na
mesma língua, significa os valores ímpares „cinco‟, „sete‟ e „nove‟. Da mesma forma,
em Hup, estar acompanho pelo irmão é o valor par „quatro‟, enquanto no dialeto Hup
“rio acima” não estar acompanhado pelo irmão é o valor „três‟.

Alves ainda observou os quantificadores presentes em Guató. Percebeu que os


quantificadores usados tanto para nomes massivos quanto para nomes contáveis são os
mesmos, isto é, para dizer „poucas capivaras‟ ou „pouco mate‟, usa-se o mesmo
quantificador aɾ ʃúmu „ser pouco‟, diferentemente do inglês que para „capivaras‟
faria uso do quantificador para nomes contáveis many e para „mate‟ faria uso do
quantificador para nomes massivos much. Os exemplos do Guató são os seguintes:

(4)

(a)

aɾ - ʃúmu mani go-


DESC-ser.pouco esse DET-capivara
Lit: as capivaras são poucas
„tem poucas capivaras‟

(b)

aɾio-d ʃúmu mani go-ɾodit -ʃ

DESC-ser.pouco esse DET-mate esse DET-copo


Lit: o mate no copo é pouco
„tem pouco mate no copo‟

Interessante dizer, Alves percebeu que o quantificador para „pouco‟ é formado


pela raiz do numeral „três‟ ʃúmu. O autor deixa em aberto por que, de todos os
elementos de uma lista de contagem, o Guató teria escolhido o valor de „três‟ para
formar o verbo „ser pouco‟, quando a própria lista de contagem da língua fornece
valores igualmente baixos como „um‟ ʃéne ou „dois‟ dúni entre as opções de escolha.
Isto se vê pela ausência das expressões „ser pouco‟ no Guató como *aɾ ʃéne ou
*aɾiodúni. Curiosamente, o quantificador para „ser muito‟ p não faz uso de nenhum
numeral em sua raiz. Alguns exemplos com este quantificador, contemplando nomes
contáveis e nomes massivos, seguem:

(5)
(a)

ɾ -p - w - -p
DESC-muito esse DET-jacaré deitado-PER lá DET-calor
Lit: „os jacarés são muitos, eles estão deitados no calor‟
„tem muitos jacarés e eles estão deitados no calor (sol)‟

(b)
ɾ -p -g - -
DESC-muito esse DET-água DET-AUM-rio
Lit: „a água é muita no rio grande‟
„tem muita água no rio grande‟

O autor deste trabalho também comparou o sistema numeral usado na ilha Ínsua,
Aldeia Uberaba (MS), com aquele registrado por Palácio (1984, 1996) a fim de verificar
se os sistemas eram muito diferentes, já que na Ilha Ínsua, por uma iniciativa própria
dos Guató, a sua finada língua é ensinada em fragmentos (palavras e algumas frases
soltas). Alves chegou à conclusão de que o sistema registrado por Palácio e aquele
usado na Aldeia não diferem muito um do outro, somente apresentado diferenças em
termos de ganhos ou perdas fônicas de alguns segmentos nas palavras numéricas.

Em relação às fontes do material analisado por Alves para que soubesse o uso de
numerais em Ínsua, estas vieram de materiais de ensino do Guató fornecidos a Alves
pela ex-professora da aldeia Alice e por Dalva Maria, esposa do ex-cacique Severo, que
por anos anotou em cadernos seus frases e palavras em Guató que obteve dos últimos
falantes da língua – Dalva cuidara de muitos deles durante a doença trazida pela velhice.
A grande semelhança entre os sistemas, porém, permite concluir que os Guató de Ínsua
reproduziram o sistema registrado por Palácio.
Imagem 7. Caderno de Dalva Maria com anotações de palavras e frases em Guató.

Felizmente, Alves, ao conversar com os indígenas de Ínsua, na época de sua


viagem ancorados no porto de Corumbá (MS), descobriu que os numerais são fonte de
autoestima para toda a comunidade. Deste modo, são um dos assuntos mais valorizados
para o ensino de Guató na escola, pois esses indíos, ao ficarem sabendo que são um dos
poucos grupos indígenas que possui expressões numéricas para valores muito altos, se
tornaram muito orgulhosos do assunto. O professor Zaqueo, por exemplo, chegou até a
criar exercícios matemáticos envolvendo os numerais.

Abaixo, algumas fotos de exercícios criados por Zaqueo:

Imagem. 8. Exercício de ligar palavras.


Imagem 9. Exercício de dar em Guató a quantidade de objetos desenhos.
A estima dos Guató por seu sistema numérico é tão grande que Dalva Maria
chegou mesmo a inventar valores numéricos para a língua, valores que não tinham sido
registrados por Palácio (1984, 1996). Dalva, para realizar tal ato, juntou numerais
registrados pela autora a fim de criar somas que encabeçassem dezenas novas. Os novos
numerais são, na ortografia de Dalva: a) dycerokuá kynuyrá „sessenta‟, soma entre as
palavras para 50 dycerokuá e 10 kynuyrá; b) dycerokuá kuayimbó „setenta‟, soma entre
as palavras para 50 dycerokuá e 20 kuayimbó; c) dycerokuá kuayimbó kydjera „oitenta‟,
soma entre as palavras para 50 dycerokuá e 30 kuayimbó kydjera; d) dycerokuá
dunykedakuáybó „noventa‟, soma entre as palavras para 50 dycerokuá e 40
dunykedakuáybó.
O importante da criação de Dalva é ressaltar um tópico da teoria linguística
muitas vezes deixado de lado pelos estudiosos da área, que é o da criação linguística.
Nas palavras de Hurford (1987:12), “inventar é um ato criativo de rearranjar dois
elementos existentes (que podem ser físicos ou não) de uma nova maneira”. Isto foi o
que Dalva Maria fez. Hurford (1987) defende, ainda, que as invenções, quando aceitas
por uma comunidade discursiva, se tornam novas “peças” na língua, que podem ser
passadas para futuras gerações, constituindo ganhos diacrônicos para um sistema.
Caberá aos Guató, se tiverem posse dessas novas “peças‟ inventadas, usá-las ou não na
escola indígena.

Imagem 10. Dalva Maria em entrevista fornecida a Alves, Godoy e Balykova em sua
casa no bairro do Cristo, Corumbá (MS). Dalva conta sobre as dificuldades de ser
liderança indígena e o processo de retomada da identidade étnico-política dos Guató.
4. Conclusão.

O esforço de documentar qualquer língua requer que ele seja traduzido nas
novas mídias digitais que permitem aos linguistas registrarem a memória de seus
falantes. Por isso, todo o material de estudo, bibliográfico ou audiovisual, está para ser
armazenado em um acervo digital no Museu do Índio (Funai-RJ). Em um cenário em
que somente 12% das línguas indígenas brasileiras possuem uma descrição avançada
(Moore et al 2008), estudá-las e registrá-las em acervos digitais é um passo importante
para a sua manutenção ou, em outros termos, sua revitalização, objetivo do projeto
coordenado por Franchetto.
Os Guató anseiam por novos projetos linguísticos em seu território. Em algum
sentido, isto já vêm sendo providenciado por Francisca Navantino Paresi (Chikinha),
que trabalha na SEDUC de Mato Grosso pois, na ocasião da Segunda Oficina de
Revitalização Linguística, Chikinha conversou com os Guató da Terra Indígena Baía
dos Guató (MT) sobre a possibilidade da criação de uma escola indígena lá. A escola
indígena é uma esperança para esses índios, que a desejam, embora seja ainda
necessário realizar com eles uma discussão a respeitode um conceito chamado de “plano
político-pedagógico”. Este plano-conceito é fundamental às escolas e define os
objetivos da comunidade para a escola. Em outras palavras, o que a comunidade quer da
“educação” fornecida pela instituição escolar? A possibilidade de aprender a ler e
escrever? O ingresso de seus futuros alunos em universidades? Enfim, um plano que
trace metas e objetivos imediatos e a longo prazo, comum às escolas.
Todo o trabalho com Eufrásia Ferreira mostrou também que é necessário
continuar a visitá-la para coletar dados linguísticos do Guató. Apesar de Eufrásia ser
uma lembrante da própria língua, ela se mostra muito interessada em ajudar os
linguistas a registrarem o que for possível de suas lembranças. Inclusive, topou ir com
Godoy e Balykova, em Janeiro de 2018, à sua ex-casa Ilha Ínsua, onde visitou parentes
e até mesmo Vicente, o outro falante da língua. Tal registro de encontro foi gravadopor
Godoy e Balykova. O autor deste trabalho não participou desta viagem. Cabe agora,
então, continuar, se possível, com o projeto.
5. Relatório de atividades do bolsista.

- Escuta de áudios de elicitação de dados de Palácio (1984) e das gravações do filme


“500 Almas” de Pizzini (2000);
- Transcrição fonológica de arquivos de áudio de elicitação de Palácio (1984);
- Trabalho de campo para coleta de dados linguísticos com Eufrásia Ferreira. A
primeira viagem foi em Fevereiro de 2017 e a segunda em Julho e Agosto do mesmo
ano;
- Transcrição fonológica dos arquivos de áudio de elicitação obtidos com Eufrásia
Ferreira nas viagens mencionadas;
- Realização da Segunda Oficina de Revitalização Linguística do Guató, junto de
Gustavo Godoy e Kristina Balykova, na TI Baía dos Guató (MT) e na cidade de
Corumbá (MS). A Oficina foi realizada na segunda viagem de campo empreendida
(Julho e Agosto de 2017) e, por consequência, houve a preparação de suas aulas;
- Realização de relatórios científicos sobre as viagens de campo realizadas;
- Organização e edição da primeira e da segunda Cartilha de Ensino da língua Guató;
- Análise morfológica da lista de palavras e frases de Schmidt (1905) para a nova
tradução de capítulo sobre os Guató em sua obra “Indianerstudien in Zentralbrasilien.
Erlebnisse und etnologische Ergebnisse einer Reise in den Jahre 1900-1901” feita por
Balykova;
- Estudo de bibliografia sobre sistemas numéricos, com destaque para os textos de Epps
(2012, 2013) e a polêmica entorno dos numerais do Pirahã (Gordon 2004; Everett
2005; Frank et al 2008; Everett e Madora 2012). Foi essencial, também, a leitura do
livro “Language and Number: The Emergence of a Cognitive System” de Hurford
(1987) para a obtenção dos conceitos principais da pesquisa sobre numerais.

6. Participação em cursos e eventos científicos.


(2017)

Em Outubro:
- Revitalizando uma língua: O caso do Guató, com Dayane Pontes (UFRJ) (39° Jornada
Giulio Massarani de Iniciação Científica, Tecnológica, Artística e Cultural, organizado
por: UFRJ);
Em Agosto:
- Aspectos do sistema numeral Guató (39° Jornada Giulio Massarani de Iniciação
Científica, Tecnológica, Artística e Cultural, organizado por: UFRJ);
- A distinção massivo/contável em Guató, com Gustavo Godoy (UFRJ) (Workshop “A
typology of count, mass and number in Brazilian languages”, organizado por: Suzi
Lima (Uoft-UFRJ) e Susan Rothstein (Bar-Ilan University) no Museu do Índio (Funai-
RJ).
- Um, dois, três, quatro: Numerais Guató (Workshop of undergraduate research on
Brazilian languages, organizado por: Suzi Lima (Uoft-UFRJ) no Museu da República.

Cursos:

Em Março:
A Avaliação da Competência Linguística: Pesquisa e Aplicações, organizado por: Luiz.
A. Amaral (University of Massachusetts Amherst) no Congresso da Abralin
(Associação Brasileira de Linguística) – edição UFF.

Viagens de campo:

Em Fevereiro:
Cidade de Corumbá (MS) para visita à consultante Eufrásia Ferreira.

Em Julho e Agosto:
Terra Indígena Baía dos Guató (MT) e cidade de Corumbá (MS) para realização de
Oficinas de Revitalização Linguística e visita à consultante Eufrásia Ferreira. Pequena
estadia em Cuiabá na casa da colaboradora Francisca Navantino Paresi (Chikinha).

(2016)

Em Novembro:
Curso de capacitação informal sobre o uso dos programas de armazenamento e
transcrição de dados FLEX e ELAN, organizado por: Nathalie Vicek.
7. Avaliação do bolsista sobre a pesquisa.

Em termos ganhos pessoais, considero que a iniciação científica permitiu-me


abrir os olhos para a grande diversidade linguística que o Brasil posui. Comumente se
escuta dizer nas mídias que no Brasil só se fala português, reflexo de um Estado que
reforçou o uso dessa língua em uma tentativa de homogeneização do falar dito
brasileiro; mas, na verdade, a realidade empírica revela que o falar brasileiro é
composto por cerca de 160 línguas indígenas. Línguas que devem ser respeitadas e
merecem políticas línguísticas de salvaguarda, no momento ausentes no país.
Em termos também pessoais, foi importante o meu aprendizado de descrição de
dados linguísticos. Aprender lidar com as classes de palavras de uma língua que
desconheço foi uma novidade. Jamais eu imaginaria que um numeral poderia ser um
verbo ou então que um termo de parentesco poderia servir para denotar um valor
cardinal. Acredito, então, que a pesquisa contribuiu para alimentar minha curiosidade
sobre Ciência.
Fico muito grato pela possibilidade de ter conhecido o Pantanal brasileiro nas
viagens de campo e, especialmente, a comunidade indígena do Guató. Percebi que
trata-se de uma comunidade que ainda precisa de muita ajuda dos órgãos
governamentais. Por exemplo, na TI Baía dos Guatós (MT) falta a escola, internet
(querendo ou não, ela é fundamental nos dias de hoje), dentre outros. Além disso,
conhecer Eufrásia, uma das últimas falantes no mundo de uma língua milentar, toca no
coração. Foi um prazer fazer parte disto.
Por fim, termino esta parte da minha vida satisfeito do esforço que fiz, mesmo
que passasse, durante esse período, por atribulações pessoais, tais como a luta contra a
depressão e o transtorno de ansiedade, comuns (?) no meio acadêmico. Pelo meu
esforço em viver e em conhecer os Guató, fico orgulhoso de meu trabalho.
8. Referências:

EPPS, P; BOWERN, C; A HANSEN, C; H HILL, J; ZENTZ, J. 2012. On numeral


complexity in hunter-gatherer languages. Linguistic Typology, v.16, issue 1, may.2012.
41-109

EPPS, P. 2013. Inheritance, calquing, or independent innovation? Reconstructing


morphological complexity in Amazonian numerals. Journal of Language Contact, v. 6,
issue 2. 329-357

FRANCHETTO, B e GODOY, G. 2017 (no prelo). Primeiros passos da revitalização da


língua Guató: uma etnografia. Revista LinguíStica, v.13, n.1, jan.2017. Rio de Janeiro:
Programa de Pós-graduação em Linguística, UFRJ.

GREEN, D. 1994 [2002]. O sistema numérico da língua Palikúr. In: FERREIRA, M. L.


(org.). Idéias matemáticas de povos culturalmente distintos. 1° ed. São Paulo: Global.
119-165

HINTON, L. 1998. Language revitalization: An overview. In: HINTON, L. and HALE,


K. (eds). The Green Book of Language Revitalization in Practice. New York: Academic
Press. 3-18

HURFORD, J. R. 1987. Language and number: The Emergence of a Cognitive System.


Oxford: Blackwell

MOORE, D; GALUCIO, A.V; GABAS, N. 2008. O desafio de documentar e


preservar línguas. Scientific American, n.3, set.2008. 36-43

PALÁCIO, A. 1984. Guató: A língua dos índios canoeiros do Rio Paraguai.


Tese de doutorado. UNICAMP.

PALÁCIO, A. 1996. Sistema numeral em Guató. In: Boletim da Associação


Brasileira de Linguística. n.19. 51-56

POSTIGO, A. 2009. Fonologia da língua guató. Dissertação de mestrado. UFMS.


RIBEIRO, E; VOORT, H van der. 2010. Nimuendajú was right: the
inclusion of the Jabuti language family in the Macro-Jê stock. International
Journal of American Linguistics, v.76, n.4. oct.2010. 517-570

RODRIGUES, Aryon D. 1970. Línguas ameríndias. In: Grande Enciclopédia Delta-


Larousse. Rio de Janeiro: Editora Delta. 4034-4036p

RODRIGUES, Aryon D. 1986. Línguas brasileiras: Para o conhecimento das línguas


indígenas. São Paulo: Edições Loyola.

RONDON, F. 1938. Na Rondônia Ocidental. Brasiliana CXXX.São


Paulo.257-267

SANDALO, F; MICHELIOUDAKIS, D. 2016. Classifiers and plurality:


Evidence from a Deictic Classifier Language. The Baltic International
Yearbook of Cognition, Logic and Communication. v.11. Number:
Cognitive, Semantic and Crosslinguistic Approaches. 1-40

SCHMIDT, M 1905 [1942]. Estudos de etnologia brasileira: peripécias de


uma viagem entre 1900 e 1901, seus resultados etnológicos. Trad. Catharina
Baratz Cannabrava. Biblioteca Pedagógica Brasileira, Série 5° Brasiliana.

WILSON, J. 1959. Guató word list. Summer Institute of Linguistics (SIL). Brasília-DF.