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ANALISTA DO TRT E TST

Direito Processual do Trabalho


Leone Pereira
Data: 03/05/2012
Aula 1
Módulo 2

RESUMO

SUMÁRIO

RECURSOS TRABALHISTAS
I) TEORIA GERAL
1. CONCEITO
2. NATUREZA JURÍDICA
3. FUNDAMENTOS DOS RECURSOS
4. PRINCÍPIOS QUE REGEM OS RECURSOS TRABALHISTAS
5. CARACTERÍSTICAS OU PECULIARIDADES DOS RECURSOS TRABALHISTAS

RECURSOS TRABALHISTAS

I) TEORIA GERAL

1. CONCEITO

Recurso é o meio processual idôneo colocado a disposição da parte vencida, do terceiro prejudicado e do
Ministério Público para que a decisão judicial impugnada seja submetida a um novo julgamento, objetivando a
respectiva reforma, modificação, invalidação ou esclarecimento do julgado.

2. NATUREZA JURÍDICA

Natureza jurídica envolve definição + classificação. Duas correntes:

1º corrente (majoritária) → trata-se de um prolongamento do exercício do direito de ação na mesma


relação jurídica processual.

2º corrente → cria uma nova relação jurídica processual, trata-se de uma ação de impugnação autônoma.

3. FUNDAMENTOS DOS RECURSOS

Por que os recursos foram criados?

1º. Inconformismo natural do ser humano.

2º. Falibilidade humana.

3º. Aprimoramento das decisões judiciais.

4º. Controle das decisões judiciais pelas instâncias superiores.

4. PRINCÍPIOS QUE REGEM OS RECURSOS TRABALHISTAS

ANALISTA DO TRT E TST – 2012


Anotador(a): Cecília Morais
Complexo Educacional Damásio de Jesus
4.1. Princípio da taxatividade ou da legalidade

Todos os recursos deverão estar previstos no ordenamento jurídico vigente de forma que as partes não
poderão criar recursos, a doutrina cita o artigo 22, I da Constituição Cidadã, compete a União Legislar sobre
direito processual.

Art. 22 – CF - Compete privativamente à União legislar sobre:


I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário,
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;

Quais seriam em tese os recursos trabalhistas tendo em vista o princípio da taxatividade ou da


legalidade?

1º. Embargos de declaração → artigo 897-A da CLT, os embargos de declaração gozam de natureza
recursal, é o entendimento que prevalece atualmente.

Art. 897-A – CLT - Caberão embargos de declaração da sentença


ou acórdão, no prazo de cinco dias, devendo seu julgamento
ocorrer na primeira audiência ou sessão subseqüente a sua
apresentação, registrado na certidão, admitido efeito modificativo
da decisão nos casos de omissão e contradição no julgado e
manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do
recurso.
Parágrafo único. Os erros materiais poderão ser corrigidos de
ofício ou a requerimento de qualquer das partes.

2º. Recurso ordinário → artigo 895 da CLT.

Art. 895 – CLT - Cabe recurso ordinário para a instância superior:


I - das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no
prazo de 8 (oito) dias; e
II - das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais
Regionais, em processos de sua competência originária, no prazo
de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, quer nos dissídios
coletivos.
§ 1º Nas reclamações sujeitas ao procedimento sumaríssimo, o
recurso ordinário:
I - (vetado)
II - será imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal,
devendo o relator liberá-lo no prazo máximo de dez dias, e a
Secretaria do Tribunal ou Turma colocá-lo imediatamente em
pauta para julgamento, sem revisor;
III - terá parecer oral do representante do Ministério Público
presente à sessão de julgamento, se este entender necessário o
parecer, com registro na certidão;
IV - terá acórdão consistente unicamente na certidão de
julgamento, com a indicação suficiente do processo e parte
dispositiva, e das razões de decidir do voto prevalente. Se a
sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a certidão
de julgamento, registrando tal circunstância, servirá de acórdão.

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§ 2º Os Tribunais Regionais, divididos em Turmas, poderão
designar Turma para o julgamento dos recursos ordinários
interpostos das sentenças prolatadas nas demandas sujeitas ao
procedimento sumaríssimo.

3º. Agravo de instrumento → artigo 897, “b” da CLT.

Art. 897 – CLT - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias:


b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição
de recursos.

4º. Agravo regimental ou interno → artigo 709, §1º da CLT e também nos regimentos internos dos
Tribunais trabalhistas, ex. artigo 235 do Regimento Interno do TST.

Art. 709 – CLT - Compete ao Corregedor, eleito dentre os Ministros


togados do Tribunal Superior do Trabalho:
§ 1º Das decisões proferidas pelo Corregedor, nos casos do artigo,
caberá o agravo regimental, para o Tribunal Pleno.

Art. 235 – Regimento Interno TST -. Cabe agravo regimental, no


prazo de oito dias, para o Órgão Especial, Seções Especializadas e
Turmas, observada a competência dos respectivos órgãos, nas
seguintes hipóteses:
I - do despacho do Presidente do Tribunal que denegar seguimento
aos embargos infringentes;
II - do despacho do Presidente do Tribunal que suspender
execução de liminares ou de decisão concessiva de mandado de
segurança;
III - do despacho do Presidente do Tribunal que conceder ou negar
suspensão da execução de liminar, antecipação de tutela ou da
sentença em cautelar;
IV - do despacho do Presidente do Tribunal concessivo de liminar
em mandado de segurança ou em ação cautelar;
V - do despacho do Presidente do Tribunal proferido em pedido de
efeito suspensivo;
VI - das decisões e despachos proferidos pelo Corregedor-Geral da
Justiça do Trabalho;
VII - do despacho do Relator que negar prosseguimento a recurso,
ressalvada a hipótese do art. 239;
VIII - do despacho do Relator que indeferir inicial de ação de
competência originária do Tribunal; e
IX - do despacho ou da decisão do Presidente do Tribunal, de
Presidente de Turma, do Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho
ou Relator que causar prejuízo ao direito da parte, ressalvados
aqueles contra os quais haja recursos próprios previstos na
legislação ou neste Regimento.

5º. Recurso de revista → artigo 896 da CLT.

Art. 896 – CLT - Cabe recurso de revista para Turma do Tribunal


Superior do Trabalho das decisões proferidas em grau de recurso

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ordinário, em dissídio individual, pelos Tribunais Regionais do
Trabalho, quando:
a) derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa
da que lhe houver dado outro Tribunal Regional, no seu Pleno ou
Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do
Trabalho, ou a Súmula de Jurisprudência Uniforme desta Corte;
b) derem ao mesmo dispositivo de lei estadual, Convenção
Coletiva de Trabalho, Acordo Coletivo, sentença normativa ou
regulamento empresarial de observância obrigatória em área
territorial que exceda a jurisdição do Tribunal Regional prolator da
decisão recorrida, interpretação divergente na forma da alínea
"a"; e
c) proferidas com violação literal de disposição de lei federal ou
afronta direta e literal à Constituição Federal.
§ 1º O recurso de revista, dotado de efeito apenas devolutivo, será
apresentado ao Presidente do Tribunal recorrido, que poderá
recebê-lo ou denegá-lo, fundamentando, em qualquer caso, a
decisão.
§ 2º Das decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho
ou por suas Turmas, em execução de sentença, inclusive em
processo incidente de embargos de terceiro, não caberá recurso de
revista, salvo na hipótese de ofensa direta e literal de norma da
Constituição Federal.
§ 3º Os Tribunais Regionais do Trabalho procederão,
obrigatoriamente, à uniformização de sua jurisprudência, nos
termos do Livro I, Título IX, Capitulo I do CPC, não servindo a
súmula respectiva para ensejar a admissibilidade do recurso de
revista quando contrariar Súmula da Jurisprudência Uniforme do
Tribunal Superior do Trabalho.
§ 4º A divergência apta a ensejar o recurso de revista deve ser
atual, não se considerando como tal a ultrapassada por súmula ou
superada por iterativa e notória jurisprudência do Tribunal
Superior do Trabalho.
§ 5º Estando a decisão recorrida em consonância com enunciado
da Súmula da Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho,
poderá o Ministro Relator, indicando-o, negar seguimento ao
recurso de revista, aos Embargos, ou ao agravo de instrumento.
Será denegado seguimento ao recurso nas hipóteses de
intempestividade, deserção, falta de alçada e ilegitimidade de
representação, cabendo a interposição de agravo.
§ 6º Nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente
será admitido recurso de revista por contrariedade a súmula de
jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho e
violação direta da Constituição da República.

6º. Embargos no TST → artigo 894 da CLT.

Art. 894 – CLT - No Tribunal Superior do Trabalho cabem


embargos, no prazo de 8 (oito) dias:
I - de decisão não unânime de julgamento que:

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a) conciliar, julgar ou homologar conciliação em dissídios coletivos
que excedam a competência territorial dos Tribunais Regionais do
Trabalho e estender ou rever as sentenças normativas do Tribunal
Superior do Trabalho, nos casos previstos em lei; e
II - das decisões das Turmas que divergirem entre si, ou das
decisões proferidas pela Seção de Dissídios Individuais, salvo se a
decisão recorrida estiver em consonância com súmula ou
orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho ou do
Supremo Tribunal Federal.

7º. Recurso extraordinário → artigo 102, III da CF.

Art. 102 – CF - Compete ao Supremo Tribunal Federal,


precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas
em única ou última instância, quando a decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face
desta Constituição.
d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

8º. Agravo de petição → artigo 897, “a” da CLT.

Art. 897 – CLT - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias:


a) de petição, das decisões do Juiz ou Presidente, nas execuções;

9º. Recurso ou pedido de revisão → artigo 2º da lei nº 5.584/70.

Art 2º - Lei nº 5.584/70 - Nos dissídios individuais, proposta a


conciliação, e não havendo acôrdo, o Presidente, da Junta ou o
Juiz, antes de passar à instrução da causa, fixar-lhe-á o valor para
a determinação da alçada, se êste fôr indeterminado no pedido.
§ 1º Em audiência, ao aduzir razões finais, poderá qualquer das
partes, impugnar o valor fixado e, se o Juiz o mantiver, pedir
revisão da decisão, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, ao
Presidente do Tribunal Regional.
§ 2º O pedido de revisão, que não terá efeito suspensivo deverá
ser instruído com a petição inicial e a Ata da Audiência, em cópia
autenticada pela Secretaria da Junta, e será julgado em 48
(quarenta e oito) horas, a partir do seu recebimento pelo
Presidente do Tribunal Regional.
§ 3º Quando o valor fixado para a causa, na forma dêste artigo,
não exceder de 2 (duas) vêzes o salário-mínimo vigente na sede do
Juízo, será dispensável o resumo dos depoimentos, devendo
constar da Ata a conclusão da Junta quanto à matéria de fato.
§ 4º Salvo se versarem sobre matéria constitucional, nenhum
recurso caberá das sentenças proferidas nos dissídios da alçada a
que se refere o parágrafo anterior, considerado, para esse fim, o
valor do salário mínimo à data do ajuizamento da ação.

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10º. Recurso adesivo → artigo 500 CPC e súmula nº 283 do TST.

Art. 500 – CPC - Cada parte interporá o recurso,


independentemente, no prazo e observadas as exigências legais.
Sendo, porém, vencidos autor e réu, ao recurso interposto por
qualquer deles poderá aderir a outra parte. O recurso adesivo fica
subordinado ao recurso principal e se rege pelas disposições
seguintes:
I - será interposto perante a autoridade competente para admitir
o recurso principal, no prazo de que a parte dispõe para
responder;
II - será admissível na apelação, nos embargos infringentes, no
recurso extraordinário e no recurso especial;
III - não será conhecido, se houver desistência do recurso principal,
ou se for ele declarado inadmissível ou deserto.
Parágrafo único - Ao recurso adesivo se aplicam as mesmas
regras do recurso independente, quanto às condições de
admissibilidade, preparo e julgamento no tribunal superior.

SÚMULA Nº 283 DO TST:

RECURSO ADESIVO. PERTINÊNCIA NO PROCESSO DO TRABALHO.


CORRELAÇÃO DE MATÉRIAS (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20
e 21.11.2003
O recurso adesivo é compatível com o processo do trabalho e
cabe, no prazo de 8 (oito) dias, nas hipóteses de interposição de
recurso ordinário, de agravo de petição, de revista e de embargos,
sendo desnecessário que a matéria nele veiculada esteja
relacionada com a do recurso interposto pela parte contrária.

4.2. Princípio do duplo grau de jurisdição

Este princípio defende a ideia do direito da parte recorrente de um novo julgamento da decisão
impugnada.

Questões polêmicas:

Esse princípio está previsto expressamente na CF ou decorre de uma interpretação literal?

Não. Esse princípio decorre de interpretação sistemática do ordenamento jurídico vigente. Com efeito,
compete as leis processuais infraconstitucionais a definição das regras processuais.

Obs. duplo grau de jurisdição obrigatória, também conhecido como reexame necessário, remessa
obrigatória ou recurso “ex officio” (de ofício); previsto no artigo 475 do CPC, aplicado subsidiariamente ao
processo do trabalho por força do artigo 769 da CLT. O TST entende que é aplicável ao processo do trabalho,
pela súmula nº 303 do TST.

Art. 475 - CPC - Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não


produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a
sentença:

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I - proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o
Município, e as respectivas autarquias e fundações de direito
público;
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à
execução de dívida ativa da Fazenda Pública (art. 585, VI).
III - que julgar improcedente a execução de dívida ativa da
Fazenda Pública (Art. 585, VI).
§ 1º - Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa
dos autos ao tribunal, haja ou não apelação; não o fazendo,
deverá o presidente do tribunal avocá-los.
§ 2º - Não se aplica o disposto neste artigo sempre que a
condenação, ou o direito controvertido, for de valor certo não
excedente a 60 (sessenta) salários mínimos, bem como no caso de
procedência dos embargos do devedor na execução de dívida ativa
do mesmo valor.
§ 3º - Também não se aplica o disposto neste artigo quando a
sentença estiver fundada em jurisprudência do plenário do
Supremo Tribunal Federal ou em súmula deste Tribunal ou do
tribunal superior competente.

Art. 769 – CLT - Nos casos omissos, o direito processual comum


será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto
naquilo em que for incompatível com as normas deste Título.

SÚMULA Nº 303 DO TST:

FAZENDA PÚBLICA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO (incorporadas


as Orientações Jurisprudenciais nºs 71, 72 e 73 da SBDI-1) - Res.
129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005
I - Em dissídio individual, está sujeita ao duplo grau de jurisdição,
mesmo na vigência da CF/1988, decisão contrária à Fazenda
Pública, salvo:
a) quando a condenação não ultrapassar o valor correspondente a
60 (sessenta) salários mínimos;
b) quando a decisão estiver em consonância com decisão plenária
do Supremo Tribunal Federal ou com súmula ou orientação
jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho. (ex-Súmula nº
303 - alterada pela Res. 121/2003, DJ 21.11.2003 - Lei nº 10.352,
de 26.12.2001)
II - Em ação rescisória, a decisão proferida pelo juízo de primeiro
grau está sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório quando
desfavorável ao ente público, exceto nas hipóteses das alíneas "a"
e "b" do inciso anterior. (ex-OJ nº 71 da SBDI-1 - inserida em
03.06.1996)
III - Em mandado de segurança, somente cabe remessa "ex officio"
se, na relação processual, figurar pessoa jurídica de direito público
como parte prejudicada pela concessão da ordem. Tal situação
não ocorre na hipótese de figurar no feito como impetrante e
terceiro interessado pessoa de direito privado, ressalvada a

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hipótese de matéria administrativa. (ex-OJs nºs 72 e 73 da SBDI-1
– inseridas, respectivamente, em 25.11.1996 e 03.06.1996)

Aplica-se o duplo grau de jurisdição quando tivermos decisões contrárias a Fazenda Pública, trata-se de
mais uma prerrogativa processual conferida a Fazenda Pública, encontramos também no artigo 1º, V do
Decreto-lei nº 779/69.

Art. 1º - Decreto-lei nº 779/69 - Nos processos perante a Justiça


do Trabalho, constituem privilégio da União, dos Estados, do
Distrito Federal, dos Municípios e das autarquias ou fundações de
direito público federais, estaduais ou municipais que não explorem
atividade econômica:
V - o recurso ordinário "ex officio" das decisões que lhe sejam total
ou parcialmente contrárias;

Diante dessas decisões os autos serão encaminhados ao Tribunal havendo ou não recurso. Dessa forma, a
decisão somente produzirá efeitos depois de confirmada pelo Tribunal.

Se os autos não forem encaminhados, o Presidente do Tribunal os avocará. Avocar significa chamar para si.

Qual é a sua natureza jurídica?

Prevalece o entendimento de que não se trata de um recurso, mas de uma condição de eficácia da
sentença.

O duplo grau de jurisdição obrigatória não é absoluto, comporta duas exceções (quando não teremos o
duplo grau de jurisdição obrigatória):

1º. Quando a condenação não superar 60 salários mínimos.

2º. Quando a decisão estiver em consonância com decisão plenária do STF ou súmula/OJ do TST.

4.3. Princípio da fungibilidade ou da conversibilidade recursal

É a possibilidade do conhecimento de um recurso erroneamente interposto como se fosse o recurso


cabível.

Isso é a manifestação do princípio da instrumentalidade das formas ou da finalidade, artigos 154 e 244 do
CPC, no confronto entre a forma do ato x a finalidade do ato, temos que dar mais importância a finalidade do
ato.

Art. 154 – CPC - Os atos e termos processuais não dependem de


forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir,
reputando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe
preencham a finalidade essencial.
§ 2º Todos os atos e termos do processo podem ser produzidos,
transmitidos, armazenados e assinados por meio eletrônico, na
forma da lei.

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Art. 244 – CPC - Quando a lei prescrever determinada forma, sem
cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se,
realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade.

Para aplicarmos o princípio da fungibilidade a doutrina e a jurisprudência exige a aplicação de requisitos


cumulativos:

1º. Inexistência de erro grosseiro ou de má-fé.

2º. Existência de dúvida objetiva.

A dúvida objetiva é a dúvida na doutrina e na jurisprudência. O que não se admite é a dúvida subjetiva.

3º. É a observância do prazo do recurso correto.

Entendimentos consolidados do TST sobre esse princípio:

I) Aplicável o princípio

Recurso ordinário

TRT Agravo regimental

Mandado de segurança/ o relator dá um despacho monocrático indeferitório


Ação rescisória da petição inicial

Vara do Trabalho

Sempre que tivermos decisões monocráticas dos Tribunais teremos agravo regimental ou interno. E
também o recurso ordinário, artigo 895, II da CLT, que o TST entende: se foi impetrado recurso ordinário está
errado, mas aceitam como agravo regimental ou interno, OJ nº 69 da SDI-2 do TST.

ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL Nº 69 DA SDI-2 DO TST:

69. FUNGIBILIDADE RECURSAL. INDEFERIMENTO LIMINAR DE


AÇÃO RESCISÓRIA OU MANDADO DE SEGURANÇA. RECURSO
PARA O TST. RECEBIMENTO COMO AGRAVO REGIMENTAL E
DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRT (inserida em 20.09.2000)
Recurso ordinário interposto contra despacho monocrático
indeferitório da petição inicial de ação rescisória ou de mandado
de segurança pode, pelo princípio de fungibilidade recursal, ser
recebido como agravo regimental. Hipótese de não conhecimento
do recurso pelo TST e devolução dos autos ao TRT, para que
aprecie o apelo como agravo regimental.

II) Artigo 557 CPC → ampliação dos poderes do relator (cai muito nas provas)

Art. 557 - CPC - O relator negará seguimento a recurso


manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em
confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do

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respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal
Superior.
§ 1º-A - Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto
com súmula ou com jurisprudência dominante do Supremo
Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar
provimento ao recurso.
§ 1º - Da decisão caberá agravo, no prazo de cinco dias, ao órgão
competente para o julgamento do recurso, e, se não houver
retratação, o relator apresentará o processo em mesa, proferindo
voto; provido o agravo, o recurso terá seguimento.
§ 2º - Quando manifestamente inadmissível ou infundado o
agravo, o tribunal condenará o agravante a pagar ao agravado
multa entre um a dez por cento do valor corrigido da causa,
ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao
depósito do respectivo valor.

O relator dá uma decisão monocrática de conteúdo decisório definitivo e conclusivo da lide de provimento
ou denegação do recurso.

Qual recurso é cabível?

Depende, se meu objetivo for:

 Sanar omissão → embargos de declaração e teremos uma decisão monocrática do relator.

 Reformar a decisão → agravo do artigo 557 do CPC, chamado de “agravinho” ou “agravo inominado”.
Se entrar com embargos declaratórios com efeito modificativo ou infringente errou, mas poderão ser
conhecidos como agravo inominado, isso está previsto na súmula nº 421 do TST.

SÚMULA Nº 421 DO TST:

EMBARGOS DECLARATÓRIOS CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA


DO RELATOR CALCADA NO ART. 557 DO CPC. CABIMENTO
(conversão da Orientação Jurisprudencial nº 74 da SBDI-2) - Res.
137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005
I - Tendo a decisão monocrática de provimento ou denegação de
recurso, prevista no art. 557 do CPC, conteúdo decisório definitivo
e conclusivo da lide, comporta ser esclarecida pela via dos
embargos de declaração, em decisão aclaratória, também
monocrática, quando se pretende tão-somente suprir omissão e
não, modificação do julgado.
II - Postulando o embargante efeito modificativo, os embargos
declaratórios deverão ser submetidos ao pronunciamento do
Colegiado, convertidos em agravo, em face dos princípios da
fungibilidade e celeridade processual. (ex-OJ nº 74 da SBDI-2 -
inserida em 08.11.2000)

Quando que o TST sustenta o erro crasso?

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TST

Recurso ordinário (artigo 895,II, CLT)

Ação Rescisória/ TRT Acórdão (decisão colegiada)


Mandado de segurança

Vara do Trabalho

Recurso de revista fundamentado no artigo 896 da CLT é o erro crasso, pois só cabe recurso de revista se o
processo começou na vara. Isso está na OJ nº 152 da SDI-2 do TST.

ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL Nº 152 DA SDI-2:

152. AÇÃO RESCISÓRIA E MANDADO DE SEGURANÇA. RECURSO


DE REVISTA DE ACÓRDÃO REGIONAL QUE JULGA AÇÃO
RESCISÓRIA OU MANDADO DE SEGURANÇA. PRINCÍPIO DA
FUNGIBILIDADE. INAPLICABILIDADE. ERRO GROSSEIRO NA
INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. (DEJT divulgado em 03, 04 e
05.12.2008)
A interposição de recurso de revista de decisão definitiva de
Tribunal Regional do Trabalho em ação rescisória ou em mandado
de segurança, com fundamento em violação legal e divergência
jurisprudencial e remissão expressa ao art. 896 da CLT, configura
erro grosseiro, insuscetível de autorizar o seu recebimento como
recurso ordinário, em face do disposto no art. 895, “b”, da CLT.

Atualização de fevereiro de 2012 → OJ nº 412 da SDI-1 do TST, Agravo inominado ou agravo regimental.
Interposição em face de decisão colegiada. Não cabimento. Erro grosseiro. Inaplicabilidade do princípio.

ORIENTAÇÃO JURIPRUDENCIAL Nº 412 DA SDI-1 DO TST:

412. AGRAVO INOMINADO OU AGRAVO REGIMENTAL.


INTERPOSIÇÃO EM FACE DE DECISÃO COLEGIADA. NÃO
CABIMENTO. ERRO GROSSEIRO. INAPLICABILIDADE DO
PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. (DEJT divulgado em
14, 15 e 16.02.2012)
É incabível agravo inominado (art. 557, §1º, do CPC) ou agravo
regimental (art. 235 do RITST) contra decisão proferida por Órgão
colegiado. Tais recursos destinam-se, exclusivamente, a impugnar
decisão monocrática nas hipóteses expressamente previstas.
Inaplicável, no caso, o princípio da fungibilidade ante a
configuração de erro grosseiro.

4.4. Princípio da variabilidade recursal

É a possibilidade da parte recorrente variar de recurso dentro do prazo legal, fundamentos:

1º. “Jus postulandi” → artigo 791 da CLT e súmula nº 425 do TST.

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Art. 791 – CLT - Os empregados e os empregadores poderão
reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e
acompanhar as suas reclamações até o final.
§ 1º Nos dissídios individuais os empregados e empregadores
poderão fazer-se representar por intermédio do sindicato,
advogado, solicitador, ou provisionado, inscrito na Ordem dos
Advogados do Brasil.
§ 2º Nos dissídios coletivos é facultada aos interessados a
assistência por advogado.
§ 3º A constituição de procurador com poderes para o foro em
geral poderá ser efetivada, mediante simples registro em ata de
audiência, a requerimento verbal do advogado interessado, com
anuência da parte representada.

SÚMULA Nº 425 DA CLT:

JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO. ALCANCE. Res.


165/2010, DEJT divulgado em 30.04.2010 e 03 e 04.05.2010
O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT,
limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do
Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o
mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal
Superior do Trabalho.

2º. Princípios da informalidade e da simplicidade.

Todavia, atualmente, prevalece o entendimento na doutrina e na jurisprudência da inaplicabilidade desse


princípio com base na ideia da preclusão, tendo em vista a preclusão consumativa (praticou o ato, consumou o
ato).

Temos um histórico em relação a isso: o princípio da variabilidade recursal era previsto no CPC de 1939,
mas ele não foi reiterado de 1973 (este é outro argumento para a inaplicabilidade deste princípio).

4.5. Princípio da unirrecorribilidade, singularidade ou unicidade recursal

Este princípio defende a ideia do cabimento de um único recurso para cada decisão proferida. Parcela da
doutrina entende que esse princípio comporta exceções:

1º. Embargos de declaração e recurso principal.

2º. Recurso especial e recurso extraordinário.

4.6. Princípio da “non reformatio in pejus”

Também chamado de princípio da proibição da “reformatio in pejus”.

A parte recorrente não poderá ter a sua situação agravada no julgamento de um recurso por ela
interposto. A explicação desse princípio está no artigo 512 do CPC, é o que chamamos de efeitos substitutivo
dos recursos.

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Art. 512 - CPC - O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a
sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de
recurso.

A ideia do efeito substitutivo dos recursos é que o julgamento de um recurso substituirá a decisão
recorrida na parte que foi objeto de impugnação.

Imagine que o reclamante faz três pedidos, pede A, B e C; A foi julgado procedente e B e C improcedentes,
o reclamante interpõe o recurso ordinário pedindo a reforma de B e C, em relação a A houve o trânsito em
julgado, o acórdão substitui a sentença naquilo que foi objeto do recurso e o que não foi objeto de recurso
transitou em julgado. Por isso que hoje defende-se a ideia de coisa julgada parcial ou progressiva, para cada
coisa julgada começa a correr um prazo decadencial de dois anos para a interposição da ação rescisória,
súmula nº 100, II do TST.

SÚMULA Nº 100, II DO TST:

AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA (incorporadas as Orientações


Jurisprudenciais nºs 13, 16, 79, 102, 104, 122 e 145 da SBDI-2) -
Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005
II - Havendo recurso parcial no processo principal, o trânsito em
julgado dá-se em momentos e em tribunais diferentes, contando-
se o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em
julgado de cada decisão, salvo se o recurso tratar de preliminar ou
prejudicial que possa tornar insubsistente a decisão recorrida,
hipótese em que flui a decadência a partir do trânsito em julgado
da decisão que julgar o recurso parcial. (ex-Súmula nº 100 -
alterada pela Res. 109/2001, DJ 20.04.2001)

Atualmente prevalece o entendimento de que esse princípio não é absoluto, comporta exceções que
seriam as matérias de ordem pública, também chamadas de objeções processuais.

Matéria de ordem pública são aquelas que devem ser conhecidas de ofício pelo juiz e que podem ser
alegadas em qualquer tempo e grau de jurisdição. Exemplos de matéria de ordem pública que representariam
exceções ao princípio da “non reformatio in pejus”:

 Ausência de condições da ação ou de pressupostos processuais;

 Prescrição ou decadência.

5. CARACTERÍSTICAS OU PECULIARIDADES DOS RECURSOS TRABALHISTAS

O que diferenciam os recursos trabalhistas dos demais recursos?

5.1. Prazos recursais uniformes

Prazo de oito dias para razões e contrarrazões, artigo 6º da lei nº 5.584/70 e artigo 900 da CLT.

Art 6º - Lei nº 5.584/70 - Será de 8 (oito) dias o prazo para


interpor e contra-arrazoar qualquer recurso (CLT, art. 893).

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Art. 900 - CLT - Interposto o recurso, será notificado o recorrido
para oferecer as suas razões, em prazo igual ao que tiver o
recorrente.

Quais são os recursos trabalhistas que observam o prazo de oito dias?

 Recurso ordinário;

 Agravo de instrumento;

 Recurso de revista;

 Embargos no TST;

 Agravo de petição.

Exceções:

1º. Embargos de declaração → prazo de cinco dias, artigo 897-A da CLT.

Há contrarrazões em embargos declaratórios?

Em regra não, mas a OJ nº 142 da SDI-1 do TST cuida do efeito modificativo ou infringente dos embargos
declaratórios: em havendo esse pedido o magistrado é obrigado a intimar a parte contrária para se manifestar
sob pena de nulidade do julgado. O prazo será de cinco dias dessa manifestação.

ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL Nº 142 DA SDI-1 DO TST:

142. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. VISTA


À PARTE CONTRÁRIA. (inserido o item II à redação) – Res.
178/2012, DEJT divulgado em 13, 14 e 15.02.2012
I - É passível de nulidade decisão que acolhe embargos de
declaração com efeito modificativo sem que seja concedida
oportunidade de manifestação prévia à parte contrária.
II - Em decorrência do efeito devolutivo amplo confeeM REGRArido
ao recurso ordinário, o item I não se aplica às hipóteses em que
não se concede vista à parte contrária para se manifestar sobre os
embargos de declaração opostos contra sentença.

2º. Recurso extraordinário → prazo de 15 dias, artigo 508 do CPC.

Art. 508 - CPC - Na apelação, nos embargos infringentes, no


recurso ordinário, no recurso especial, no recurso extraordinário e
nos embargos de divergência, o prazo para interpor e para
responder é de 15 (quinze) dias.
Parágrafo único - No procedimento sumaríssimo, o prazo para
interpor recurso, ou para responder a ele, será sempre de cinco (5)
dias, correndo em cartório.

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3º. Agravo regimental ou agravo interno → o prazo está previsto nos Regimentos Internos a depender do
Tribunal. Em regra os TRTs fixaram o prazo em cinco dias. Mas o TST fixou o prazo em oito dias no seu
Regimento Interno.

4º. Pedido de revisão ou recurso de revisão → prazo de 48 horas, previsto no artigo 2º da lei nº 5.584/70.

5º. Fazenda Pública e MPT → prazo em dobro para recorrer, o prazo do recurso ordinário, por exemplo,
será de 16 dias, artigos 1º. III do Decreto-lei nº 779/69 e artigo 188 CPC.

Art. 1º - Decreto-lei nº 779/69 - Nos processos perante a Justiça


do Trabalho, constituem privilégio da União, dos Estados, do
Distrito Federal, dos Municípios e das autarquias ou fundações de
direito público federais, estaduais ou municipais que não explorem
atividade econômica:
III - o prazo em dôbro para recurso;

Art. 188 - CPC - Computar-se-á em quádruplo o prazo para


contestar e em dobro para recorrer quando a parte for a Fazenda
Pública ou o Ministério Público.

Prevalece o entendimento de que o prazo é simples para contrarrazões.

Obs. final: OJ nº 310 da SDI-1 do TST (cai muito nas provas), o TST entende que o artigo 191 do CPC (prazo
em dobro) na hipótese de litisconsorte com diferentes procuradores é inaplicável ao processo do trabalho, por
incompatibilidade com o princípio da celeridade trabalhista.

ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL Nº 310 DA SDI-1 DO TST:

310. LITISCONSORTES. PROCURADORES DISTINTOS. PRAZO EM


DOBRO. ART. 191 DO CPC. INAPLICÁVEL AO PROCESSO DO
TRABALHO ( DJ 11.08.2003)
A regra contida no art. 191 do CPC é inaplicável ao processo do
trabalho, em face da sua incompatibilidade com o princípio da
celeridade inerente ao processo trabalhista.

Art. 191 - CPC - Quando os litisconsortes tiverem diferentes


procuradores, ser-lhes-ão contados em dobro os prazos para
contestar, para recorrer e, de modo geral, para falar nos autos.

Atenção para aplicar regra do CPC: 1º tenho que verificar a omissão, 2º havendo a omissão se há uma
compatibilidade de princípios e regras. Estudar o artigo 769 da CLT.

Ex. A entra com uma ação trabalhista em face de B (prestadora de serviços) e C (tomadora de serviços), B
contrata o advogado 1 e C contra o advogado 2, é um caso envolvendo terceirização com base na súmula nº
331 do TST. Temos uma sentença condenando as empresas, o prazo será de oito dias e não de 16 dias.

SÚMULA Nº 331 DO TST:

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova


redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) - Res.
174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011

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I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal,
formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços,
salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de
03.01.1974).
II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa
interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da
Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II,
da CF/1988).
III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação
de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de
conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados
ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a
pessoalidade e a subordinação direta.
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do
empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador
dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja
participado da relação processual e conste também do título
executivo judicial.
V - Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta
respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV,
caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das
obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na
fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais
da prestadora de serviço como empregadora. A aludida
responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das
obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente
contratada.
VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços
abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao
período da prestação laboral.

5.2. Os recursos trabalhistas são dotados apenas de efeito devolutivo

Artigo 899, “caput”, CLT:

Art. 899 – CLT - Os recurso serão interpostos por simples petição e


terão efeito meramente devolutivo, salvo as exceções previstas
neste Titulo, permitida a execução provisória até a penhora.

É possível a extração da carta de sentença e o início da execução provisória, que no processo do trabalho,
vai até a penhora.

O TST entende que a ação cautelar é o meio próprio para a obtenção do efeito suspensivo. Súmula nº 414,
I, parte final do TST.

SÚMULA Nº 414, I, DO TST:

MANDADO DE SEGURANÇA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA (OU


LIMINAR) CONCEDIDA ANTES OU NA SENTENÇA (conversão das
Orientações Jurisprudenciais nºs 50, 51, 58, 86 e 139 da SBDI-2) -
Res. 137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005

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I - A antecipação da tutela concedida na sentença não comporta
impugnação pela via do mandado de segurança, por ser
impugnável mediante recurso ordinário. A ação cautelar é o meio
próprio para se obter efeito suspensivo a recurso. (ex-OJ nº 51 da
SBDI-2 - inserida em 20.09.2000)

5.3. Os recursos trabalhistas serão interpostos por simples petição

Artigo 899, “caput”, CLT. De acordo com isso temos a desnecessidade de fundamentação x súmula nº 422
do TST, defende a necessidade de fundamentação nos recursos trabalhistas (posição majoritária). O que
fundamenta a necessidade de fundamentação são os princípios do contraditório e da ampla defesa.

Essa necessidade de fundamentação o prof. Nelson Nery chama de princípio da dialeticidade ou


discursividade.

SÚMULA Nº 422 DO TST:

RECURSO. APELO QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DA


DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. ART. 514, II, do CPC
(conversão da Orientação Jurisprudencial nº 90 da SBDI-2) - Res.
137/2005, DJ 22, 23 e 24.08.2005
Não se conhece de recurso para o TST, pela ausência do requisito
de admissibilidade inscrito no art. 514, II, do CPC, quando as
razões do recorrente não impugnam os fundamentos da decisão
recorrida, nos termos em que fora proposta. (ex-OJ nº 90 da SBDI-
2 - inserida em 27.05.2002)

5.4. Não cabimento de recursos no procedimento sumário ou dissídio de alçada

Procedimento sumário → artigo 2º, §§ 3º e 4º da lei nº 5.584/70, são ações com valor da causa de até dois
salários mínimos.

Em regra não é cabível a interposição de recursos, salvo se a sentença envolver matéria constitucional.
Parcela da doutrina entende que cabe recurso ordinário e parte entende que cabe recurso extraordinário. Mas
nesse caso, prevalece o entendimento pelo cabimento do recurso extraordinário, fundamentação é que
caberia o recurso extraordinário com base no artigo 102, III da CF que cabe recurso extraordinário nas causas
decididas em única ou última instancia.

Próxima aula: 5.5. Irrecorribilidade imediata ou direta das decisões interlocutórias

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