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ANALISTA DO TRT E TST

Direito Processual do Trabalho


Leone Pereira
Data: 17/02/2012
Aula 02

RESUMO

SUMÁRIO

1) Continuação... COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA


ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO
1) INTRODUÇÃO
2) TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO
3) TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO
4) JUÍZES DO TRABALHO
JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO
1) INTRODUÇÃO
2) COMPETENCIA TERRITORIAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO

1. COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA (CCP) (continuação)

Ler artigos 625-A a 625-H da CLT incluídos pela lei nº 9.958/00:

Art. 625-A – CLT - As empresas e os sindicatos podem instituir


Comissões de Conciliação Prévia, de composição paritária, com
representantes dos empregados e dos empregadores, com a
atribuição de tentar conciliar os conflitos individuais do trabalho.
(título acrescido pela L-009.958-2000)
Parágrafo único. As Comissões referidas no caput deste artigo
poderão ser constituídas por grupos de empresas ou ter caráter
intersindical.

Arts. 625-B – CLT - A Comissão instituída no âmbito da empresa


será composta de, no mínimo, dois e, no máximo, dez membros, e
observará as seguintes normas:
I - a metade de seus membros será indicada pelo empregador e a
outra metade eleita pelos empregados, em escrutínio secreto,
fiscalizado pelo sindicato da categoria profissional;
II - haverá na Comissão tantos suplentes quantos forem os
representantes titulares;
III - o mandato dos seus membros, titulares e suplentes, é de um
ano, permitida uma recondução.
§ 1º É vedada a dispensa dos representantes dos empregados
membros da Comissão de Conciliação Prévia, titulares e suplentes,
até um ano após o final do mandato, salvo se cometerem falta
grave, nos termos da lei.
§ 2º O representante dos empregados desenvolverá seu trabalho
normal na empresa, afastando-se de suas atividades apenas
quando convocado para atuar como conciliador, sendo

ANALISTA DO TRT E TST – 2012


Anotador(a): Cecília Morais
Complexo Educacional Damásio de Jesus
computado como tempo de trabalho efetivo o despendido nessa
atividade.

Art. 625-C – CLT - A Comissão instituída no âmbito do sindicato


terá sua constituição e normas de funcionamento definidas em
convenção ou acordo coletivo.

Art. 625-D – CLT - Qualquer demanda de natureza trabalhista será


submetida à Comissão de Conciliação Prévia se, na localidade da
prestação de serviços, houver sido instituída a Comissão no âmbito
da empresa ou do sindicato da categoria.
§ 1º A demanda será formulada por escrito ou reduzida a termo
por qualquer dos membros da Comissão, sendo entregue cópia
datada e assinada pelo membro aos interessados.
§ 2º Não prosperando a conciliação, será fornecida ao empregado
e ao empregador declaração da tentativa conciliatória frustrada
com a descrição de seu objeto, firmada pelos membros da
Comissão, que deverá ser juntada à eventual reclamação
trabalhista.
§ 3º Em caso de motivo relevante que impossibilite a observância
do procedimento previsto no caput deste artigo, será a
circunstância declarada na petição inicial da ação intentada
perante a Justiça do Trabalho.
§ 4º Caso exista, na mesma localidade e para a mesma categoria,
Comissão de empresa e Comissão sindical, o interessado optará
por uma delas para submeter a sua demanda, sendo competente
aquela que primeiro conhecer do pedido.

Art. 625-E – CLT - Aceita a conciliação, será lavrado termo


assinado pelo empregado, pelo empregador ou seu preposto e
pelos membros da Comissão, fornecendo-se cópia às partes.
Parágrafo único. O termo de conciliação é título executivo
extrajudicial e terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às
parcelas expressamente ressalvadas.

Art. 625-F – CLT - As Comissões de Conciliação Prévia têm prazo de


dez dias para a realização da sessão de tentativa de conciliação a
partir da provocação do interessado.
Parágrafo único. Esgotado o prazo sem a realização da sessão,
será fornecida, no último dia do prazo, a declaração a que se
refere o § 2ºdo Art. 625-D.

Art.625-G – CLT - O prazo prescricional será suspenso a partir da


provocação da Comissão de Conciliação Prévia, recomeçando a
fluir, pelo que lhe resta, a partir da tentativa frustrada de
conciliação ou do esgotamento do prazo previsto no Art. 625-F.

Art. 625-H – CLT - Aplicam-se aos Núcleos Intersindicais de


Conciliação Trabalhista em funcionamento ou que vierem a ser
criados, no que couber, as disposições previstas neste Título, desde

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que observados os princípios da paridade e da negociação coletiva
na sua constituição.

Outras regras importantes da Comissão de Conciliação Prévia (CCP):

a) Em relação aos membros da CCP representantes dos empregados→ temos hipóteses de interrupção
do contrato de trabalho;

Esse empregado desenvolverá suas atividades normais na empresa afastando-se apenas quando
convocado para atuar como conciliador sendo que este período será computado como tempo de serviço.

b) Quando tivermos provocação da CCP que pode ser por escrito ou reduzida a termo (quando oral);

Será aberto um prazo de 10 dias para a designação da sessão de tentativa de conciliação. Têm-se dois
caminhos:

1º caminho: em sendo realizado o acordo, ler o artigo 625-E, parágrafo único da CLT:

Art. 625-E – CLT - Aceita a conciliação, será lavrado termo


assinado pelo empregado, pelo empregador ou seu preposto e
pelos membros da Comissão, fornecendo-se cópia às partes.
Parágrafo único. O termo de conciliação é título executivo
extrajudicial e terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às
parcelas expressamente ressalvadas.

Em sendo lavrado o acordo temos o chamado termo de conciliação que consubstancia um título executivo
extrajudicial.

Este título traz eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas, conhecida
também como quitação geral ao extinto contrato de trabalho.

2º caminho: não havendo acordo, será fornecido ao empregado a Declaração de Tentativa Conciliatória
Frustrada (DTCF) ou carta de malogro (malogro no dicionário significa fracasso).

Este documento será acostado na reclamação trabalhista.

Obs.: também deverá ser oferecida a carta de malogro se esgotado o prazo de dez dias e não for realizada
a sessão de tentativa de conciliação.

A provocação da CCP leva a suspensão do prazo prescricional.

Dica para decorar:


Suspensão é diferente de Interrupção
o n
b t
r e
o parou i zero
u r
o

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ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

1. INTRODUÇÃO

A Justiça do Trabalho é uma Justiça Especial ou Especializada.

Dica: TEM (TRABALHO, ELEITORAL E MILITAR) são as justiças especializadas no Brasil.

As normas de organização estão entre os artigos 111 a 116 da CF:

Art. 111 – CF - São órgãos da Justiça do Trabalho:


I - o Tribunal Superior do Trabalho;
II - os Tribunais Regionais do Trabalho;
III - Juízes do Trabalho.
Art. 111-A – CF - O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de
vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de
trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, nomeados pelo
Presidente da República após aprovação pela maioria absoluta do
Senado Federal, sendo:
I - um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva
atividade profissional e membros do Ministério Público do
Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o
disposto no art. 94;
II - os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho,
oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo próprio
Tribunal Superior.
§ 1º A lei disporá sobre a competência do Tribunal Superior do
Trabalho.
§ 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho:
I - a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de
Magistrados do Trabalho, cabendo-lhe, dentre outras funções,
regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na
carreira;
II - o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo-lhe
exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa,
orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de
primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema, cujas
decisões terão efeito vinculante.
Art. 112 - CF - A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo,
nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos
juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional
do Trabalho.
Art. 113 – CF - A lei disporá sobre a constituição, investidura,
jurisdição, competência, garantia e condições de Exercício dos
órgãos da Justiça do Trabalho
Art. 114 – CF - Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:
I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes
de direito público externo e da administração pública direta e
indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios;
II - as ações que envolvam exercício do direito de greve;

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III - as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre
sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores;
IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data,
quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua
jurisdição;
V - os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição
trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o";
VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial,
decorrentes da relação de trabalho;
VII - as ações relativas às penalidades administrativas impostas
aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de
trabalho;
VIII - a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no
art. 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das
sentenças que proferir;
IX - outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na
forma da lei.
§ 1º - Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger
árbitros.
§ 2º - Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou
à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar
dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do
Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas
legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas
anteriormente.
§ 3º - Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade
de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho
poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho
decidir o conflito.
Art. 115 – CF - Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se
de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na
respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República
dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco
anos, sendo.
I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva
atividade profissional e membros do Ministério Público do
Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o
disposto no art. 94;
II os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por
antigüidade e merecimento, alternadamente.
§ 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça
itinerante, com a realização de audiências e demais funções de
atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva
jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.
§ 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar
descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de
assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as
fases do processo.
Art. 116 – CF - Nas Varas do Trabalho a jurisdição será exercida
por juiz singular.

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Destaques:

a) Artigo 111 da CF fala quais são os órgãos da Justiça do Trabalho.

3º grau - TST

2º grau – TRTs (24)

1º grau – Juízes do Trabalho

Os juízes do Trabalho são considerados órgãos da Justiça do Trabalho.

2. TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO

É órgão de cúpula da justiça do Trabalho, tem sede em Brasília.

2.1. Regras sobre o TST

O artigo 111-A da CF traz diversas regras sobre o TST tem que saber todas elas:

a) Temos 27 Ministros no TST;

Antes da Emenda 45 eram 17 Ministros.

Dica: TST: trinta sem três.

b) Dentre brasileiros natos ou naturalizados;

c) Mais de 35 anos e menos de 65 anos;

Dica: TST: é cinco.

d) Nomeados pelo Presidente da República;

e) Temos a sabatina: após a aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal;

f) Existem duas formas de chegar ao TST:

1º. Lembrar da regra do quinto constitucional que está prevista no artigo 94 da CF:

Art. 94 – CF - Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais


Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e
Territórios será composto de membros, do Ministério
Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados
de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de
dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista

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sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas
classes.
Parágrafo único - Recebidas as indicações, o tribunal
formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que,
nos vinte dias subseqüentes, escolherá um de seus
integrantes para nomeação.

1/5 dos lugares é ocupado para advogados e membros do MPT, são necessários três requisitos em relação
aos advogados:

 Mais de 10 anos de efetiva atividade profissional;


 Notório saber jurídico;
 Reputação ilibada (sem mancha).

Em relação aos membros do MPT:

 Mais de 10 anos de efetivo exercício.

Questão: mas quantos advogados e membros do MPT?

Pega os 27 Ministros e divide por 5 que o resultado é 5,4. O STF decidiu que quando o número for
quebrado arredonda pra cima, isto se transforma em 6, portanto divido em 3 advogados e 3 membros do
MPT.

2º. Dentre juízes do TRT oriundos da magistratura da carreira indicados pelo próprio TST:

2.2. Novidades da Emenda Constitucional nº 45/04 (a reforma do judiciário):

1º. EMANAT: Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho:

Questão: qual a função constitucional da ENAMAT?

Pela CF esta escola tem duas funções: supervisionar e promover os cursos oficiais para ingresso e
promoção na carreira.

2º. CSLT: Conselho Superior da Justiça do Trabalho:

Esse Conselho Superior é responsável por quatro supervisões:

 Supervisão administrativa;
 Supervisão orçamentária;
 Supervisão financeira;
 Supervisão patrimonial da Justiça do Trabalho.

Isto envolve a Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus como órgão central do sistema cuja as decisões terão
efeito vinculante (no que concerne a parte administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial).

2.3. Órgãos que compõem o TST

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1º. Tribunal Pleno;

Seriam todos os Ministros reunidos.

2º. TST também tem Órgão Especial (o órgão especial faz o lugar do Pleno);

Quando o Tribunal tiver mais de 25 julgadores pode ter um órgão especial com no mínimo 11 e máximo
14 ministros.

3º. Seção de Dissídios Coletivos (SDC);

4º. Seção de Dissídios Individuais (SDI);

Ela é dividida em duas, temos a Subseção 1 e a Subseção 2.

Questão: qual a diferença de SDI 1 e SDI 2?

A SDI-1 cuida das causas em geral, enquanto a SDI-2 cuida das ações de procedimento especial, ex.
mandado de segurança, Habeas Corpus, habeas data, ação rescisória, etc.

5º. Temos 8 Turmas;

Cada turma são três Ministros.

6º. Comissões permanentes;

 De Regimento Interno;
 De jurisprudência e precedentes normativos;
 De documentação.

3. TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO (TRTs)

3.1. Regras sobre os TRTs

As regras estão no artigo 115 da CF com a redação da EC 45/04:

Art. 115 – CF - Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se


de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na
respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República
dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco
anos, sendo.
I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva
atividade profissional e membros do Ministério Público do
Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o
disposto no art. 94;
II os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por
antigüidade e merecimento, alternadamente.
§ 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça
itinerante, com a realização de audiências e demais funções de
atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva
jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.

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§ 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar
descentralizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de
assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as
fases do processo.

A CF chama os integrantes dos TRTs de juízes.

a) No mínimo sete juízes;

Obs.: na praxe forense eles são denominados Desembargadores (eles se auto denominam, mas a CF fala
em juízes).

b) Recrutados, quando possível, na respectiva região;

c) Dentre brasileiros natos ou naturalizados;

d) Mais de 30 e menos de 65 anos;

Dica: TRinTa

e) Nomeados pelo Presidente da República;

Não há sabatina.

Questão: como se tornar um Desembargador do TRT?

1º regra: regra do quinto constitucional, artigo 94 da CF:

Art. 94 – CF - Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais


Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e
Territórios será composto de membros, do Ministério
Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados
de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de
dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista
sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas
classes.
Parágrafo único - Recebidas as indicações, o tribunal
formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que,
nos vinte dias subseqüentes, escolherá um de seus
integrantes para nomeação.

2º regra: dentre juízes do trabalho, sendo utilizado o critério da promoção por antiguidade e merecimento
alternadamente.

3.2. Novidades da EC/45:

1º. Os TRTs instalarão a Justiça itinerante que também é chamada de Justiça Móvel;

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O verbo é instalarão traz a idéia de obrigatoriedade.

A função é a realização de audiências e demais funções da atividade jurisdicional nos limites territoriais da
respectiva jurisdição servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.

2º. Os TRTs poderão funcionar descentralizadamente constituindo as Câmaras Regionais;

Poderão funcionar nos dá a idéia de facultatividade.

A função é a promoção do pleno acesso do jurisdicionado a Justiça em todos os graus de jurisdição e em


todas as fases no processo.

4. JUÍZES DO TRABALHO

Emenda Constitucional nº 24/99 significou a extinção da representação classista da Justiça do Trabalho


em todos os graus de jurisdição.

Artigo 116 da CF fala da questão das varas do trabalho, lá temos a figura do juiz monocrático ou singular:

Art. 116 – CF - Nas Varas do Trabalho a jurisdição será exercida


por juiz singular.

Hoje não temos mais as antigas juntas de conciliação e julgamento (JCJs).

O artigo 112 da CF traz a figura dos juízes de direito investidos em matéria trabalhista, a CF autoriza a
figura de um juiz federal ou estadual que integra a justiça Comum que poderá julgar matéria trabalhista.

Art. 112 - CF - A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo,


nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos
juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional
do Trabalho.

A lei criará as varas da Justiça do Trabalho podendo nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição
atribuí-la aos juízes de direito.

Podendo traduz uma idéia de faculdade.

Comarca 1 Comarca 2
JDI (juiz de direito investido) Vara trabalhista
Sentença aqui

Questão: o que cabe? Apelação ou Recurso Ordinário?

Cabe Recurso Ordinário para o TRT, artigo 895, I da CLT:


Art. 895 – CLT - Cabe recurso ordinário para a instância superior:

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I - das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no
prazo de 8 (oito) dias; e

Vai chegar o momento que vai ser criada a 1º vara do trabalho na comarca 1? O que acontecem com os
autos que tramitam perante o juiz de direito investido?

A súmula 10 do STJ responde:

SÚMULA Nº 10 DO STJ:

"INSTALADA A JUNTA DE CONCILIAÇÃO E JULGAMENTO, CESSA A


COMPETENCIA DO JUIZ DE DIREITO EM MATERIA TRABALHISTA,
INCLUSIVE PARA A EXECUÇÃO DAS SENTENÇAS POR ELE
PROFERIDAS" (SUMULA N. 10-STJ).
CONFLITO CONHECIDO, DECLARADO COMPETENTE A SUSCITANTE.
(CC 13.867/MT, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, SEGUNDA
SECAO, 21/06/1995, DJ 02/10/1995 p. 32309)

Instalada a vara do trabalho cessa a competência do juiz de direito em matéria trabalhista, ainda que o
processo esteja em fase de execução.

Existem 5 correntes sobre o tema, mas a que importa é esta súmula 10, diz que instalada a vara do
trabalho temos a remessa automática dos autos a justiça do trabalho, a fundamentação disto é o artigo 87 do
CC que traz o principio da “perpetuatio jurisdictionis” (perpetuação da jurisdição, mas tecnicamente estaria
errado porque a jurisdição é una e indivisível, na verdade o que temos aqui é a perpetuação da competência).

Art. 87 – CC - Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem


alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou
prejuízo do uso a que se destinam.

O artigo 87 diz que determina-se a competência no momento em que a ação é proposta, logo a partir da
proposta a competência é fixada da competência. Sendo irrelevantes as alterações supervenientes no estado
de fato ou de direito. No âmbito fático ou jurídico a competência já estava fixada, não pode então alterar.

Porém essa regra tem exceções, são duas:

a) Supressão de órgão do pode judiciário;

b) Alteração da competência em razão da matéria ou da hierarquia (competência absoluta);

Se eu tiver alteração de competência absoluta remete os autos.

Obs.: final do tema: princípio da identidade física do juiz previsto no artigo 132 do CPC:

Art. 132 - CPC - O juiz, titular ou substituto, que concluir a


audiência julgará a lide, salvo se estiver convocado, licenciado,
afastado por qualquer motivo, promovido ou aposentado, casos
em que passará os autos ao seu sucessor.
Parágrafo único - Em qualquer hipótese, o juiz que proferir a
sentença, se entender necessário, poderá mandar repetir as
provas já produzidas.

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Conceito deste princípio: o juiz que concluir a audiência julgará a lide. Este princípio da identidade física
do juiz é aplicável ao processo do trabalho?

Se faz sentido no processo civil com mais razão fará no processo do trabalho, mas este nosso
entendimento não vale e sim o do TST:

O TST editou a súmula 136, ela fala que o principio da identidade física do juiz é inaplicável as varas do
trabalho, a época da edição da súmula tínhamos as juntas de conciliação e julgamento e fazia sentido não ter
identidade física porque tínhamos uma alta rotatividade de classistas, mas os classistas foram extintos de
1999, mas mesmo assim o TST mantém ainda este entendimento.

SÚMULA Nº 136 DO TST:

JUIZ. IDENTIDADE FÍSICA (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e


21.11.2003
Não se aplica às Varas do Trabalho o princípio da identidade física
do juiz (ex-Prejulgado nº 7).

Ele mantém esta súmula ainda porque é bom para a vazão de processos e o juiz não se vincula ao
processo.

JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

1. INTRODUÇÃO

Análise etimológica da palavra vem da idéia de origem, e a origem da palavra jurisdição vem do latim “juris
dictio” (juris é direito e dictio dizer).

Jurisdição é o poder, dever, função, atividade do Estado de, imparcialmente, substituindo as vontades das
partes, aplicar o direito ao caso concreto para resolver a lide.

Lide (conceito clássico de Francesco Car Menuchi) que é o conflito de interesses qualificado por uma
pretensão resistida.

Não podemos confundir jurisdição e competência.

A doutrina conceitua competência como a medida, o limite, o fracionamento da jurisdição. Mas este
conceito não é tecnicamente perfeito, pois jurisdição é uma função estatal, portanto ela é uma e indivisível,
como posso dividir algo que não divide? Visando isto temos outro conceito mais técnico:

Competência é a divisão dos trabalhos perante os órgãos encarregados do exercício da função


jurisdicional.

Todo juiz é investido de jurisdição, mas somente um será competente para julgar a causa.

2. COMPETÊNCIA TERRITORIAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO

A competência territorial também é chamada em razão do lugar e “ex ratione loci”.

É uma competência relativa.

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Artigo 651 da CLT tem um “caput” e três parágrafos, o caput traz a regra e os parágrafos trazem as
exceções:

Art. 651 – CLT - A competência das Juntas de Conciliação e


Julgamento é determinada pela localidade onde o empregado,
reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda
que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro.
§ 1º Quando for parte no dissídio agente ou viajante comercial, a
competência será da Junta da localidade em que a empresa tenha
agência ou filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na
falta, será competente a Junta da localização em que o
empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima.
(alterado pela L-009.851-1999)
§ 2º A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento,
estabelecida neste artigo, estende-se aos dissídios ocorridos em
agência ou filial no estrangeiro, desde que o empregado seja
brasileiro e não haja convenção internacional disposto em
contrário.
§ 3º Em se tratado de empregador que promove realização de
atividades fora do lugar do controle de trabalho, é assegurado ao
empregado apresentar reclamação no foro da celebração do
contrato ou no da prestação dos respectivos serviços.

a) Regra: “caput”

A ação trabalhista deverá ser ajuizada no local de prestação dos serviços, independentemente do local da
contratação, sendo o empregado reclamante ou reclamado.

Quais os fundamentos que justificam o local da prestação de serviços:

 Princípio da primazia da realidade;

 Isto facilita o acesso do trabalhador ao judiciário trabalhista;

 Isto facilita a produção de provas;

 Traz uma redução de custos com locomoção.

Empregado reclamante ou reclamada a CLT diz que normalmente é o empregado que esta no pólo ativo,
mas existem situações excepcionais que ela esta no pólo passivo, exemplos: inquérito judicial para apuração
de falta grave (ação movida pelo empregador contra o empregado para a apuração de falta grave), ação de
consignação em pagamento (quando o devedor quer pagar e o credor não quer receber – a empresa fica
chamando o funcionário para receber e ele não aparece para receber).

Obs.: se o empregado prestar serviços em mais de um lugar, a ação trabalhista deverá ser ajuizada
aonde?

A CLT é omissa e, portanto temos duas correntes:

1º corrente: representa a posição majoritária, do último local de prestação dos serviços.

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A B C
transferido
Local contratação prestou serviço prestou serviço

2º corrente: posição moderna que defende o empregado poderá escolher qualquer lugar de prestação
dos serviços e será competente o juiz prevento, ela defende escolha do reclamante defende o critério da
prevenção.

b) 1º Exceção §1º do artigo 651 da CLT: Empregado agente ou viajante comercial (empregado viajante)

A CLT traz no §1º nos mostra que temos uma ordem a ser observada:

1º. A reclamação trabalhista deve ser ajuizada no local que a empresa tenha agência ou filial e a esta o
empregado esteja subordinado.

Dois requisitos cumulativos: agência ou filial com uma certa subordinação em relação a esta filial ou a
agência.

Na falta de subordinação ou na falta de agência ou filial caio no 2º critério que a reclamação deve ser
ajuizada no local do domicílio do empregado ou localidade mais próxima. (cuidado: só caio no 2º critério na
falta do 1º).

c) 2º exceção é o §3º do artigo 651 da CLT: no caso de empresa que promove a realização de atividades
fora do lugar da contratação

É a empresa viajante, ex. circos, feira de negócios, empresas de entretenimento.

O §3º traz uma faculdade, uma opção ao empregado.

A reclamação trabalhista pode ser ajuizada ou no local da contratação ou no local de prestação dos
serviços. O empregado que escolhe.

Isto está na OJ 149 da SDI-2/TST:

ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL 149 DA SDI-2 DO TST:

149. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. INCOMPETÊNCIA


TERRITORIAL. HIPÓTESE DO ART. 651, § 3º, DA CLT.
IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DE
INCOMPETÊNCIA RELATIVA. (DEJT divulgado em 03, 04 e
05.12.2008)
Não cabe declaração de ofício de incompetência territorial no caso
do uso, pelo trabalhador, da faculdade prevista no art. 651, § 3º,
da CLT. Nessa hipótese, resolve-se o conflito pelo reconhecimento
da competência do juízo do local onde a ação foi proposta.

d) 3º exceção é a do §2º do artigo 651 da CLT: temos o que a doutrina chama de competência
internacional da justiça do trabalho

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A Justiça do Trabalho tem competência para julgar as ações envolvendo lides ocorridas em agência ou filial
no estrangeiro, desde que não haja convenção internacional em sentido contrário

Caso prático: a contratação ocorreu no Brasil, para prestar serviços no Uruguai, lá o empregado sofreu
lesões trabalhistas e voltou para o Brasil e ajuizou ação trabalhista aqui no Brasil.

A justiça do trabalho é competente para julgar, §2 º do artigo 651 é o fundamento.

Qual é o direito processual aplicável a este caso? Brasileiro ou uruguaio?

Aplicaremos o direito processual brasileiro. Já que a ação vai tramitar aqui no Brasil.

Qual é o direito material que aplicaremos? Ou seja, quais os direitos trabalhistas que o empregado faz
jus?

O TST editou a súmula nº 207 para resolver, esta súmula procurou resolver este conflito de leis
trabalhistas no espaço.

SÚMULA Nº 207 DO TST:

CONFLITOS DE LEIS TRABALHISTAS NO ESPAÇO. PRINCÍPIO DA


"LEX LOCI EXECUTIONIS" (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e
21.11.2003
A relação jurídica trabalhista é regida pelas leis vigentes no país
da prestação de serviço e não por aquelas do local da contratação.

E para resolver o TST foi buscar o princípio da “lex loc executionis”. Lex é lei, loc é local, executionis é
execução do contrato ao pé da letra.

TST: a relação jurídica trabalhista será regida pelas leis do país da execução do contrato. Ou seja, neste
caso o trabalhador fará jus aos direitos trabalhistas uruguaios.

Obs. artigo 3º, II da lei nº 7.064/82 que é a adoção da teoria do conglobamento mitigado orgânico ou por
instituto(não é majoritário porque a súmula nº 207 continua em vigor).

Art. 3º - Lei nº 7.064/82 - A empresa responsável pelo contrato de


trabalho do empregado transferido assegurar-lhe-á,
independentemente da observância da legislação do local da
execução dos serviços:
II - a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho,
naquilo que não for incompatível com o disposto nesta Lei, quando
mais favorável do que a legislação territorial, no conjunto de
normas e em relação a cada matéria.

Próxima aula: competência material da justiça do trabalho.

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