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Universidade Estadual Vale do Acaraú –UVA

Centro de Ciências Humanas – CCH


Curso: História
Disciplina: Estágio Supervionado IV- Prática Docente em História
Prof: Maria Antonia Veiga Adrião
Acadêmico (a): Maely Mesquita

RELATÓRIO DA EXPERIÊNCIA OBSERVACIONAL E REGENCIAL DAS AULAS


DE HISTÓRIA DA ESCOLA NA ESCOLA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL MONSENHOR EXPEDITO DA SILVEIRA DE SOUSA

SOBRAL
2018
MAELY ALVES DE MESQUITA

RELATÓRIO DA EXPERIÊNCIA OBSERVACIONAL E REGENCIAL DAS AULAS


DE HISTÓRIA DA ESCOLA NA ESCOLA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL MONSENHOR EXPEDITO DA SILVEIRA DE SOUSA

Relatório apresentado como requisito para a aprovação na


disciplina de Estágio Supervisionado IV, prática docente em
História, ministrada pela professora Maria Antonia Veiga
Adrião do curso de História da Universidade Estadual Vale
do Acaraú – UVA.

Camocim-CE
Março 2018
SUMÁRIO

PARTE I – 1. A INSTITUIÇÃO
1.1 Localização
1.2 Estrutura
1.3 Projeto Político Pedagógico
1.4 Considerações a partir da observação escolar.
PARTE II- 2. OBSERVAÇÃO
2.1 Relato sobre as turmas observadas
2.2 Avaliação docente
3. REGÊNCIAS
3.1 Plano de Aula
3.2 Relato da regência
PARTE III- 4. PROBLEMATICA: PROJETO HISTÓRICO-SOCIAL.
4.1 A Problemática e o Esquema do Projeto.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
6. REFERÊNCIAS
7. ANEXOS
INTRODUÇÃO

A disciplina de Estágio Supervisionado IV- Prática docente em História no Ensino


Médio possui grande importância dentro da grade curricular para os graduandos de licenciatura,
pois fornece aos alunos a experiências de estágio que possibilita a vivência no âmbito que o
universitário atuará após sua formação, favorecendo seu desenvolvimento profissional,
ampliando assim seu olhar crítico a partir da realidade educacional experimentada de perto.
Desse modo o aluno entende os desafios enfrentados pela classe docente na atual
realidade da educação brasileira, e pode ponderar se está preparado para lidar com os desafios
dentro do campo de atuação. Para o licenciando em História isso lhe proporciona um olhar mais
apurado de sua área através da própria dialética que a prática do estágio proporciona.
Respeitando a ementa e sua carga horária de 120 horas, distribuídas aulas teóricas e em
observação escolar, observação docente a regências, eventos e planejamento. O relatório aqui
desenvolvido é um registro crítico das observações e avalições dos documentos escolares que
estavam à disposição e da pratica docente.
A proposta diferencial desse relatório é apresentar um projeto de intervenção partindo
da problemática observada em sala ou na instituição, seja na sua relação escola-família ou na
relação instituição-sociedade/comunidade. O projeto aqui apresentado pode ser ou não
implementado pela escola, sujeito a reavaliações e adaptações. A proposta aqui é trabalhar
questões que precisam ser discutidas na escola e pela escola.
A partir das orientações em sala e atendendo os requisitos de carga horária da disciplina
de Estágio Supervisionado IV- Prática docente em História no Ensino Médio, tem como seu
objetivo a inserção dos discentes do curso de história no ambiente da escola pública, a escola
escolhida por mim para observação escolar, docente e prática regencial, foi a Escola de Ensino
Estadual De Educação Profissional Monsenhor Expedito Da Silveira De Sousa, na cidade de
Camocim-Ce durante o mês fevereiro e o mês de março.
De modo sucinto e organizado, o relatório conta com três partes, a primeira contém a
contextualização e descrição da instituição desde seus aspectos físicos, administrativos,
pedagógicos e uma avaliação pessoal da observação escolar a partir da contextualização onde
a escola está inserida, e a segunda parte se detém as relatar de modo mais pessoal a observação
docente realizada nas turmas de 1° e 3° ano no período da manhã e da tarde, seguido da regência
realizada. A última parte trata-se de uma proposta de projeto de intervenção com a temática:
Teoria e práxis: conhecendo a comunidade.
Este escrito não é apenas um relato cientifico acadêmico, mas também um relato
histórico-crítico de uma aluna de história. Afinal, todo relato de um fato é história.
PARTE I

1. PANORAMA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO

1.1 Localização

Nome: Escola Estadual de Educação Profissional Monsenhor Expedito da Silveira de Sousa


Endereço: Rua Kleber Pessoa Navarro Veras – Bairro: Cidade com Deus, Camocim – CE
CEP: 62400 – 000
CNPJ: 07.954.514/0391-70
Diretor: Paulo Sérgio Fontenele.

1.2 Estrutura
A Escola Estadual de Educação Profissional Monsenhor Expedito da Silveira de Sousa
possui uma boa infraestrutura, dentro dos padrões dos prédios de escolas técnicas do Ceará.
O prédio da escola está divido em dois andares: o térreo com secretaria, sala de
professores, coordenação, diretoria e biblioteca e o andar superior, dispõe de 12 salas de aula,
bebedouros e banheiros.
A escola também dispõe das seguintes estruturas:
Laboratório de Informática;
Laboratório de Línguas;
Laboratório de Física;
Laboratório de Biologia;
Laboratório de Química;
Laboratório de Matemática;
Laboratório dos Cursos Técnicos de Edificações e Eletromecânica;
Laboratório de Enfermagem;
Auditório;
Quadra Poliesportiva;
Cantina;
Banheiros femininos e masculinos distribuídos entre o térreo e o andar superior.
As escolas técnicas profissionalizantes oferecem tanto o ensino regular como um curso
técnico. Em Camocim a escola profissionalizante também oferece o ensino para jovens e
adultos (EJA) durante o turno da noite.
Em 2009 a Escola Estadual de Educação Profissional Monsenhor Expedito da Silveira
de Sousa foi fundada, sendo a primeira escola profissional da cidade. Os primeiros cursos
oferecidos pela escola em seus primeiros anos foram: Técnico em Rede de Computadores;
Técnico em Turismo; Técnico em Hospedagem; Técnico em Informática; Técnico em
Enfermagem; Técnico em Logística; Técnico em Comércio; Técnico em Eletromecânica;
Técnico em Edificações; Técnico em Administração; Técnico em Eventos; Técnico em
Finanças; Técnico em Contabilidade.
No ano presente (2018) durante o estágio aqui descrito são ofertados os seguintes cursos
técnicos. A tabela a seguir mostra o curso e o ano respectivo do 1° ao 3° ano do ensino médio.

Curso/Série 1° ANO 2°ANO 3ºANO


Enfermagem   
Finanças   
Edificações -  -
Eventos - - 
Eletromecânica - - 
Administração   -
Contabilidade  - -

 : cursos ofertados no ano de 2018.


- : cursos ofertados em anos anteriores, porém não ofertados em 2018.

1.3 Projeto Político Pedagógico.


O Projeto Político Pedagógico (PPP) é a base teórica e social para sustentar as ideias
que a própria escola se propõe a realizar mediante a educação influenciando não somente alunos
e famílias, mas a sociedade em que ela está inserida.
Assim, o Projeto Político Pedagógico é um importante documento que define os
objetivos, as ações e o método de todo o processo educacional a ser implementado na escola e
pela escola, considerando todas as exigências legais e normativas do sistema de ensino
brasileiro. É nesse documento que a escola expõe suas problemáticas sociais e educacionais, e
quais são seus métodos e objetivos para se construir uma relação entre comunidade e escola.
O PPP da Escola Monsenhor Expedito da Silveira de Sousa é dividido nas seguintes partes:
a Missão, Visão, Valores, Marco Teórico, Marco Operacional, Marco Situacional. Entre os
valores propostos no PPP da escola estão: ética, respeito, qualidade, autonomia, equidade,
comprometimento, transparência e sustentabilidade. Sua visão de Futuro está na capacitação e
na formação de jovens empreendedores para tornarem-se atuantes no mercado de trabalho com
uma visão e ação transformação da sociedade. A sua missão é promover uma educação
empreendedora e humanística.
O Marco teórico apresenta tópicos que estão relacionados com os desafios da educação
dos jovens enquanto o Marco Operacional apresenta algumas formas de planejamento escolar,
bem como a os encontros semanais em dia especifico para cada área do conhecimento que vai
desde a área de Linguagens e Códigos a área de Matemática e Suas Tecnologias. O dia proposto
para a área de Ciências Humanas é durante a quinta-feira.
Também ocorre ao fim de cada mês uma reunião com funcionários, docentes e o núcleo
gestor com a intenção de aprimorar a educação e os resultados dessa através de discussões dos
pontos necessários em questões. Discussões sobre a gestão pedagógica, disciplinar, os cursos
técnicos e os dados mensais a serem alcançados.
A grade curricular é diferenciada das demais escolas estaduais de ensino médio, as
disciplinas são presentadas e integradas a projetos, que utilizam as dependências que a escola
oferece, bem como o laboratório de física, laboratório de química, laboratório de biologia,
laboratório de matemática, criando espações e horários definidos como: projetos
interdisciplinares, projeto de vida, mundo do trabalho, formação para cidadania horário de
estudo e projetos que são característicos da formação profissional com orientação específica
para cada curso.
A avaliação do rendimento escolar dos alunos é feita a partir de seus aproveitamentos
mediante as observações diária do professor, as avaliações, resolução de exercícios, tarefas
práticas; planejamento, execução e apresentação de experiências ou projetos, relatórios, entre
outros métodos utilizados pelos professores.
O marco situacional é o que se pode chamar de regimento administrativo escolar que
abrange a gestão administrativa, coordenação pedagógica, o corpo docente e secretariado, com
foco nas relações econômicas, instrucional e também social da escola.
A escola tem aproximadamente 521 alunos, matriculados que são moradores da zona
urbana e também da rural do município de Camocim e municípios vizinhos. Assim, a escola
para alcançar melhor desempenho, tendo em vista a pluralidade de seu corpo discente, a
instituição desenvolve ações de caráter pedagógico educacional que otimizam o aprendizado e
a integração educacional.
Um dos projetos que faz parte dessa estratégia é o Projeto Círculo de Leitura que é
desenvolvido e financiado pelo Instituto Braudel em parceira com a SEDUC/CE (Secretária
Estadual de Educação), que tem como objetivo promover a aproximação dos alunos através da
leitura de obras literárias e das reflexões em grupo sobre o contexto lido e vivido pelos alunos.
Esses projetos fazem com que a escola tenha melhores resultados com relação aos
números de alunos matriculados. Os projetos trabalham a partir da perspectiva de valores
universais, assim, escola confirma seu compromisso com a educação.
O Projeto círculo de Leitura faz parte dos projetos que a escola desenvolve, são eles:
Mundo do Trabalho que aborda o conhecimento acerca do universo do trabalhador aliando as
disciplinas ao mundo do empreendedorismo com o objetivo de formar o jovem para mundo do
trabalho. O Projeto de Vida: com caráter mais humanístico, esse projeto proporciona o
alinhamento dos aspectos emocionais e cognitivos dos estudantes.
O projeto de Formação para cidadania são aulas semanais ministrada pelo professor
diretor de turma em que se aborda os temas ligados a formação profissional. A grade curricular
busca atender as necessidades especificas de cada turma. A participação da família nessa
construção do conhecimento e no desenvolvimento dos valores acabam por estreitar a relação
que a própria escola propõe entre instituição-família.

1.4 Considerações a partir da observação escolar.


Apesar da escola está inserida em um bairro considerado de baixa renda dentro da
cidade, a instituição dá conta de alunos advindos da escola pública e de instituições particulares
de ensino. A escola atende sem distinção a todas as classes sociais, mas nota-se que maioria
dos matriculados são de escola pública e de classe média-alta.
O fator disciplinar está presente nas aulas e no modo como a escola funciona, apesar de
mais adiante observar-se aulas dinâmicas e soltas (que serão tratadas na parte II desse relatório).
Durante os dias observados não se notou nenhuma inteiração da instituição com a comunidade.
Bem ao lado da escola está situado um polo do IFCE, o Instituto Federal do Ceará que trabalha
com projetos voltados para crianças da comunidade do Jardim das Oliveiras, que é conhecida
dentro do município pelo seu alto índice de violência e carência econômica. Em comparação a
isso a escola nos dias em que se foi realizado o estágio não apresentou nenhum projeto voltado
a comunidade ou a trabalhos que abordassem temáticas recorrentes a essa questão, apesar de
estar proposto em seu PPP. Quanto as questões abstratas e teóricas a escola abre-se ao debate.
Suas práxis estão intrinsicamente voltadas a formação ao mercado de trabalho, Enem e
vestibulares.
Aqui já se nota uma problemática que deve ser observada e aprofundada através de um
projeto sócio educacional e debatida em sala com a supervisão e orientação dos professores da
área de ciências humanas, levantando questões e incentivando a ação dos alunos e do próprio
corpo docente.

PARTE II
2. OBSERVAÇÃO

2.1 Relato sobre as turmas observadas

TURMA 1
Data: 23.02.18 Turma : 3° Eletrônica
2h/aula Quant. Alunos: 31 alunos
Professor : Anandrey Cunha (Maioria Masculina )
Temática da aula: Imperialismo e neocolonialismo (Sec. XIX).

Em primeiro contato a turma estava calma e atenta. Recebeu a mim e a meu parceiro de
estagio muito bem, não se incomodaram nem se empolgaram com nossa presença. Foi tudo
muito tranquilo.
O professor começou a aula falando sobre o rendimento dos alunos e bordando questões
que foram levantadas em uma reunião do núcleo gestor e do corpo doente da área de humanas
sobre aulas preparatórias para o ENEM e comparação de dados entre o ano anterior e metas a
serem alcançadas no ano presente.
Passada a discussão sobre o Enem e a importância das disciplinas de ciências humanas
no exame, o professor passou ao conteúdo do livro que era a continuidade da aula anterior:
Imperialismo e Neocolonialismo. Ele escreveu no quadro um esquema que desse aos alunos um
mapa mental e um resumo sobre o tema proposto com datas e conceitos que desengatilhassem
a compreensão do conteúdo. Fez uma breve contextualização da época em questão (1870-1885),
explicando os pensamentos e o processo social do recorte temporal. A turma já havia estudado
o conceito de Etnocentrismo e capitalismo nas aulas anteriores.
Para uma maior compreensão foi debatido e apresentado pelo professor Anandrey a
definição de Estado e ocidente e oriente. Os alunos participam e intervém com comentários e
não se prendem somente ao livro didático. A aula no decorrer do tempo se desenrola com leveza
e perspicácia, tanto dos alunos quanto do próprio professor. A aula terminou com o professor
pedindo que lessem o texto para a aula da semana seguinte.
Quanto aos aspectos da sala de aula como cartazes e organização, na sala há uma
distribuição de carteiras padrão, em fileiras e todos obedecem ao mapa de sala. Há poucos
cartazes espalhados pela sala, e isso não seria um ponto negativo.
TURMA 2
Data: 05.03.18 Turma : 1° Enfermagem
2h/aula Quant. Alunos: 40 Alunos
Professor : Anandrey Cunha ( Maioria Feminina )
Temática: Revisão /Os primeiros passos da humanidade.

Antes de entrar em sala já se nota a agitação na hora da troca de professores, a turma é


bastante agitada e barulhenta, demorou-se alguns minutos para que a aula realmente começasse.
O professor me apresentou a turma e então iniciou a aula.
Nas paredes da sala há alguns cartazes de sociologia e um cartaz com as regras de
convivência. A distribuição das cadeiras segue a ordem de fileiras, mas muito bem organizada,
apesar de ser uma turma grande. A faixa etária nessa turma é mais flexível, dentre os
adolescentes de 14-15 anos vê-se algumas alunas de 17 e 18 anos.
O professor Anandrey começou sua aula retomando o capitulo da aula anterior, que
tratava das fontes históricas e dentre elas a oralidade e os temas como: tradição, cultura,
memória e história viva.
Após a leitura de um texto no livro didático e discussões sobre oralidade e tradição, o
professor apressou o conteúdo para que pudessem dar início ao conteúdo seguinte pois já
estavam atrasados no conteúdo, portanto encerraram com a leitura e uma breve consideração
do professor sobre o tema e algumas dicas para a prova.
Ao contrário da turma antes observada, essa turma tem um comportamento mais agitado
e tornando difícil a fala do professor. Por se tratar de um 1° ano nota-se que a turma ainda não
possui a maturidade observada na anterior. Eles não levam a sério as abordagens do professor
e quando perguntam algo logo se desconcentram perdendo o foco da aula. O professor por vezes
pediu silêncio durante todo o tempo observado.
Apesar da inquietação a aula foi bastante proveitosa, os alunos perguntavam bastantes
e participavam mesmo que fugindo por vezes da temática da aula. Todos possuíam o livro
didático, mas poucos estavam notava-se alguns sem interesse pelas leituras e discussões da aula.
A aula em questão tratou de temas como a origem do homem, pré-história, evolução,
criacionismo e design inteligente. Surgiram muitas perguntas que levavam a discussões
profundas sobre religião e as suas próprias interpretações sobre a origem da vida. O professor
fez intervenções e trabalhou bem os conceitos científicos sobre os temas, mesmo que por vezes
algumas perguntas acabaram o deixando em saia justa. Foi nesse momento que se notou uma
maior participação da turma na aula e um maior interesse no tema.
A aula em questão acabou dez minutos mais cedo por conta do horário de avaliações
que viria a seguir. Ao toque da sirene todos se retiraram.

2.2 Avaliação docente

Formado em História Pela Universidade Estadual Vale Do Acaraú, o professor


Anandrey Cunha mostrou em suas aulas uma linha político-social em seu s modo de expor os
conteúdos, contextualizando com os acontecimentos do presente.
Durante aas aulas percebe-se que a relação das turmas com o professor é boa e bem
próxima, ele dá abertura para ser tratado como um facilitador do conhecimento, dando liberdade
para que os alunos se expressem, perguntem e participem da aula com comentários e
observações. Saviani (2003), defende uma pedagogia crítico-social dos conteúdos onde e os
alunos se encontram numa relação social específica – que é a relação de ensino - com o objetivo
de estudar os conhecimentos acumulados historicamente em uma construção mútua do
conhecimento1.
Além da sua postura de mediador do conhecimento, também se pode pontuar a tentativa
do professor de seguir as propostas da escola sem deixar de lado o conhecimento crítico do
aluno. Há desafios que a docência nos coloca, e uma delas é de dialogar com a instituição e
suas metas e o conhecimento critico, aliando uma ao outro para que de fato ocorra uma
construção de saberes dentro de sala.
Pode-se pontuar aqui também a necessidade de se ir além da teoria, e portanto aqui nos
cabe uma crítica não ao professor mas a postura da instituição, tendo em mente que é necessário
transcender a teoria.

A teoria em si [...] não transforma o mundo. Pode contribuir para sua


transformação, mas para isso tem que sair de si mesma, e, em primeiro lugar
tem que ser assimilada pelos que vão ocasionar, com seus atos reais, efetivos,
tal transformação. Entre a teoria e a atividade prática transformadora se insere
um trabalho de educação das consciências, de organização dos meios
materiais e planos concretos de ação; tudo isso como passagem indispensável
para desenvolver ações reais, efetivas. Nesse sentido, uma teoria é prática na
medida em que materializa, através de uma série de mediações, o que antes só

1
SAVIANI, D. Escola e Democracia. 36. ed. Campinas: Autores Associados, 2003.
existia idealmente, como conhecimento da realidade ou antecipação ideal de
sua transformação. (VÁZQUEZ apud SAVIANI, 2003, p. 73)

É justamente, pela formação de sujeitos autônomos e produtivos que a educação deve


ser de se colocar professores e alunos em uma relação reciproca de aprendizado, de modo que
assim ambos possam inserir-se criticamente em seu processo histórico e na sociedade.

O professor Anandrey mostrou-se muito disposto a conciliar em suas aulas essa


dualidade do ensino. Suas aulas demonstram essa tentativa e se justificam pelo modo como os
alunos recebem e participam de suas aulas. Uma construção da aula em que todos participam e
enriquecem o conteúdo dado.

3. REGÊNCIA
31. Plano de aula

PLANO DE AULA DE HISTÓRIA.

ESTAGIÁRIO (a): Maely Alves de Mesquita.

PROFESSOR: Anandrey Cunha

DIA: 12/04/2016. SÉRIE: 1ºAno DISCIPLINA: História.

CAPÍTULO-TEMA-CONTEÚDO: Capitulo 3- Mesopotâmia.

OBJETIVOS GERAIS: Conhecer e identificar o legado cultural das civilizações


mesopotâmicas e suas contribuições para a história.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Identificar cada um dos povos que habitaram a região durante
a idade antiga e conhecer suas formas econômicas, políticas e religiosas.

CONTEÚDO:

 Abertura- Apagando o passado.


 Terra entre rios.
 Povos da Mesopotâmia.
 Sociedade mesopotâmica
 Economia.
 Religião.
 Conhecimento mesopotâmico.

DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO: Apresentação do tema proposto pelo livro e


ligação com o tema anterior. Será explorado o conteúdo através de leitura e debate, também
será contextualizado com os ideais estudadas anteriormente através de perguntas e leitura.

RECURSOS DIDÁTICOS: Livro didático, caderno, pincel e quadro em acrílico.

FONTE HISTÓRICO-ESCOLARES: Livro didático –.

AVALIAÇÃO: Atividades de leitura direcionada do livro didático, atividade do livro didático


e localização das repostas nos textos.

BIBLIIOGRAFIA
BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio-
4.Ed - São Paulo: Moderna, v. 1, 2016.

3.2 Relato da Regência

Comecei aula um pouco apreensiva e nervosa, mas logo após me apresentar já me senti
mais confiante pois reconheci alguns rostos. O conteúdo por ser de fácil compreensão não foi
algo difícil para mim. Pedi que abrissem os livros e copiassem o esquema que faria no quadro
( essa também é uma pratica do professor deles que funciona muito bem e reutilizei para não
quebrar seus métodos e a linha de raciocínio dos alunos). A turma se mostrou receptiva e atenta,
não houve interrupções ou indisciplina durante a utilização do quadro.
Após o esquema apresentado no quadro comecei a explicação do conteúdo tentado
conectar ao conteúdo repassado na aula anterior, a origem do homem e a formação de
sociedades e da urbanidade.
Assim que comecei a explicar percebi alguns recorrendo ao livro para verem se o que
eu estava falando estava correto, e interviam me testando com perguntas, ao meu ver me sai
bem, pois tinha domínio do conteúdo. Após ter saciado algumas curiosidades de alguns alunos
eles passaram a interagir na aula com pontuações e duvidas reais sobre o assunto.
Contextualizei as questões de cultura e apropriação cultural que houve no passado com
os povos acadianos e os sumérios, assim como ocorreu na miscigenação do Brasil, mas sempre
evidenciando as diferenças entre as duas.
Os conceitos de formação de cidade-estado, o que é autonomia e Estado hoje e a divisão
de classes durante o I Império Babilônico através das leis do Código de Hamurabi. Alguns ainda
não compreendiam porque deviam estar aprendendo sobre essas civilizações, então lhes
expliquei a importância de se compreender como vivemos em sociedade e construímos a nossa
sociedade através de leis e cultura e portanto, o que deixaremos como legado hoje para os que
nos precederão.
Eles participaram ativamente da aula, que o tempo fluiu e a atividade proposta que
aconteceria em sala ficou para casa. Terminei a aula e recebi o carinho de alguns, foi um
momento prazeroso.
PARTE III
4.PROBLEMÁTICA E PROJETO HISTÓRICO-SOCIAL

4.1 A problemática e o esquema do Projeto


PROBLEMÁTICA E JUSTIFICATIVA
Como já citado em algumas partes desse relatório, percebeu-se uma deficiência na
relação entre instituição e comunidade. Assim caberia, neste momento, a identificação dos
principais problemas postos pela ausência de prática social. Assim como Saviani (2003) chama
de problematização, através da qual se detectam questões que carecem de ser resolvidas no
âmbito da prática social. Percebe-se então, a importância do enfoque nas práxis sociais da
aprendizagem dos jovens. É através da problematização dessas práxis sociais que o
conhecimento começa a ser construído individualmente e socializado através da mediação do
professor.

Assim recorremos a uma metodologia que une teoria e prática no âmbito da


historiografia, a história oral, que coloca o aluno não somente como pesquisador mas como um
agente conhecedor de seu cotidiano dentro da comunidade e de seus dilemas, pois sabemos que
A memória de um pode ser a memória de muitos, possibilitando a evidência dos fatos coletivos
(THOMPSON, 1992, p. 17).

Conhecer e se reconhecer dentro de uma comunidade onde a escola pode ter efeito
positivo e transformador a partir de um contado histórico e social é o que se propõe nesse
projeto.

Tema: Teoria e práxis: conhecendo a comunidade.

Objetivo geral: Conhecer a história da comunidade e seus dilemas através do contato com o
sujeito histórico, indo além das quatro paredes da sala de aula.
Meta: Desenvolver outros projetos voltados para a comunidade a partir das entrevistas e das
histórias coletadas durante esse projeto.
Metodologia:
1- Trabalhar uma turma por vez
2- Trabalhar os conceitos que abrangem a história oral;
2- Dividir a turma em equipes de 5 componentes;
Cronograma:
I- Duração de 20 dias para as pesquisas em campo e entrevistas
II- 10 dias para a elaboração de um projeto histórico-social na comunidade.

Recursos:
Aparelhos que gravem áudio ou vídeo ( a critério dos alunos);
caderno de anotação pessoal para cada equipe;
Monitoramento :
Para que o presente projeto tenha êxito é necessário que haja uma relação interdisciplinar com
a área do conhecimento social, ou seja uma junção interdisciplinar de história e sociologia.
Assim, ambas as disciplinas trabalhariam os conceitos de sociedade, comunidade, memória
social, cultura, entre outros.
Pelo menos uma vez por semana será necessário um encontro para se debater esses conceitos
através dos dados coletados por cada equipe.
Avaliação final: Apresentação oral das esquipes e das entrevistas e da entrega dos projetos
por escrito.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao final da experiência no campo de estágio após cada observação e regência, foi


possível perceber os desafios da educação brasileira no ensino médio regular, pois nem sempre
os conteúdos estudados e as questões levantadas em sala satisfazem ou condizem com a
realidade da instituição Escola, e foge às necessidades e a relação com a comunidade inserida.
Assim as teorias e ideologias propostas tanto na universidade como na escola acabam sendo
utópicas.

Portanto, vejo a disciplina de estágio como um exame e o relatório como o diagnóstico


que contribui para uma dialética entre universitário e docência, bem como a dialética entre
ensino acadêmico e realidade educacional brasileira. Percebi ao longo do estágio que a
academia precisa se renovar em teorias e ideologias e acima de tudo reconhecer a própria
realidade. Por isso sempre ouvia alguns colegas dizendo que a realidade do estágio mudava a
perspectiva do olhar sobre a educação e o magistério. Tais questões faz-nos perguntar a respeito
do próprio ensino superior no Brasil. Estamos realmente sendo críticos e tocando a realidade
ou estamos militando por nossas ideias que não transformam a sociedade, apenas repetindo
como robores ou papagaios que só discursam o que lhes é dito e ensinado, ou realmente
problematizando a realidade e a sociedade que nos cerca?

Algumas das aulas da disciplina de estágio suscitou-nos algumas inquietações, como a


postura do professor dentro do âmbito educacional, abrangendo a relação com o núcleo gestor
e com os alunos, bem como sua relação com a sociedade. Apesar de discussões proveitosas,
fica a ressoar sempre uma questão mais delicada: por que nunca se toca a realidade e ficamos
no campo abstrato da educação fingindo sermos transformadores, mas na realidade somos
repetidores de padrões ideológicos?

De todo modo essa experiência promove o entrosamento do licenciando com sua futura
profissão de professor, onde irá atuar numa realidade totalmente diferente. Realidade essa
observada durante o período do estágio, onde ainda para o professor a utilização do instrumento
metodológico indispensável é livro didático e o conhecimento acadêmico acaba por se tornar
raso e ineficaz.

As aulas observadas, entretanto, apresentaram debates e críticas, mostrando que os


alunos estão sendo instigados, provocados e que já se sentem apoiados a dizer o que pensam de
um assunto, mesmo que se apresentem com dificuldades.
A problemática da escola em questão ressalta mais uma deficiência na educação do pais,
a muita teoria separada da prática, o muito falar e o pouco fazer. Mas este presente relatório
não se faz todo de crítica, sugere também uma reflexão para promover a partir do
entrelaçamento dos saberes a identificação com o cotidiano e a contextualização da
aprendizagem que acontece através da prática do próprio aluno em se fazer e conhecer a
história, essa que foge as quatro paredes da sala e das teorias e ideologias levadas pelo professor.
As experiências dos alunos devem ser aproveitadas e problematizadas em sala de aula, e
trabalhar este saber cotidiano é um desafio para todos.

Os alunos querem apenas que nós professores de história respondam uma pergunta e
todas as outras serão respondidas. A pergunta é: “Porque eu preciso aprender história? ”

Cabe a nós futuros professores e aqueles que já atuam no magistério, vencer e superar a
prática de uma História como disciplina estática que infelizmente foi e continua sendo
trabalhada nas escolas desta maneira. É preciso estimular a curiosidade e a criatividade do
aluno, o envolvendo com a comunidade que ele vive ou que ele está relativamente inserido,
sendo o suficiente para que ele se sinta parte da história, porque ele é verdadeiramente o próprio
sujeito histórico.
Referências bibliográficas

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Educação e Cultura, Lisboa, v. 3, n. 1, p. 53-72, 1999.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros


curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. 3. ed. Brasília, 2001.

ESTRELA, Maria. Tereza. Relação pedagógica, disciplina e indisciplina na aula. 3. ed. Porto:
Porto, 1992.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 30. ed. São Paulo:
Paz e Terra, 1996.

MARQUES, Rui. Saber educar: guia do professor. Lisboa: Presença, 2001.

OLIVEIRA, Rosimary Lima Guilherme. As atitudes dos professores relacionadas à indisciplina


escolar. 2004. 189 f. Dissertação (Mestrado em Educação). Faculdades de Ciências Humanas.

SAVIANI, D. Escola e Democracia. 36. ed. Campinas: Autores Associados, 2003

THOMPSON, P. A voz do passado. São Paulo: Paz e Terra, 1992.


ANEXOS