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A Arte performática na moda

MARIA LUCINETI SIFUENTES SILVA*


PAULA PIVA LINKE**

Resumo
A arte performática, performance ou desfile são elementos que fazem parte do
mundo da moda. São manifestações direcionadas a um público específico e que
transmitem uma mensagem específica. A moda e o desfile utilizam-se do corpo
como veículo de informação. Nesse sentido, as reflexões perpassam as
possíveis apropriações e transformações que o desfile produz na apresentação
do corpo, nos diferentes momentos históricos, e que afetam a visibilidade, a
construção de identidade e de aparência, até sua relação com o processo de
transformação em mercadoria/objeto. Os desfiles vêm, assim, potencializar os
significados do vestir de cada contexto, seja pela sedução, manipulada pela
comercialização, seja pela possibilidade de escolhas identitárias individuais.
Palavras-chave: apresentação; desfile; corpo.

Abstract
The performance art, performance or parade are elements that are part of the
fashion world. They are events that target a specific audience and convey a
specific message. Fashion and the fashion show utilize the body as a vehicle for
information. In this sense, the reflections run through the possible
appropriations and transformations that the fashion show influence in the
presentation of the body, in different historical moments that affect visibility,
identity construction, and appearance to its relationship with the process of
commodification / object. Parades thus enhance the meanings of dress in each
context, whether by the seduction, manipulated by marketing, or by the
possibility of individual identity choices.
Key words: presentation; fashion show; body.

*
MARIA LUCINETI SIFUENTES SILVA é mestranda na Universidade Anhembi Morumbi e
professora titular do Centro Universitário de Maringá – CESUMAR.

**
PAULA PIVA LINKE é Mestranda do Programa de Pós-Graduação em História (PPH-UEM).
1. Introdução possibilidades de uma ação
mercadológica, pois atua num percurso
Esta pesquisa observa o desfile de moda
que envolve emocionalmente esse
a partir do resgate de situações
consumidor, criando efeitos de sentido
históricas que contribuam para a
no espectador/receptor, mobilizando
compreensão da relação corpo e
significados e provocando mudanças
performance como transmissores de
comportamentais.
significados culturais. A moda aqui é
tratada como um fenômeno social, 2. Moda e performance
principalmente a partir do século XIX,
porque é a partir desse momento que a Desta forma, observamos que é
autonomia parcial dos agentes sociais essencial a contribuição das idéias de
muda radicalmente em matéria de Frey (apud MIRANDA, 2008), quando
estética das aparências, em virtude de afirma que os desfiles - a partir de sua
um novo modo de produção que se estrutura, ou formatação, que incluem
instaura a partir da Revolução local, assentos, a primeira fila (sinal de
Industrial. A partir do século XIX, os importância), trilha sonora, modelos,
desfiles, como espetáculos cintilantes dentre outros fatores - criam “um virtual
oriundos da representação teatral, tão estocado e familiar quanto qualquer
contribuem para o consumo e a regra oficial [e] são deliberadamente
disseminação de novos teatro invertido: uma performance
comportamentos. Colaboram também artística de objetivo comercial onde as
para a mudança e a modificação do entradas são de graça, mas quase tudo
gosto pessoal, contribuindo assim para mais na passarela está à venda”
outro olhar sobre a moda, a mulher e a (MIRANDA, 2008). Sua visão permitiu
relação corpo/objeto/performance. observar como esse desfile atua não só
Nesse sentido, as reflexões perpassam no caminho de construir sentidos, mas
as possíveis apropriações e como ferramenta de comunicação
transformações que o desfile produz na publicitária, ao recriar modos de ser e
apresentação do corpo, nos diferentes estar na sociedade de consumo. Os
momentos históricos como visibilidade, elementos que conjugam a situação de
construção de identidade e de aparência, um desfile, onde destacamos as
até sua relação com o processo de performances em determinados
transformação em mercadoria/objeto de momentos, permitem a estetização do
desejo que, na contemporaneidade, eu, ao esculpir e propagar feições que
ganha múltiplas construções imagéticas imperam no mercado fetichizado da
precedentes à realidade corporal, moda e que são posteriormente
propondo questionamentos perceptivos reforçadas pela mídia (EVANS, 2002).
e novas interações de reconhecimento
Esses referenciais imagéticos
desse mesmo corpo.
construídos pelas performances no
O desfile seria, então, um reflexo dessa desfile contemporâneo ganham força
sociedade de consumo, que dramatiza e pela proliferação da mídia, num
espetaculariza a imagem do corpo com processo formador de exaltação da
formas criativas e sedutoras, aparência e pela busca desse ideal
convocando todos a participar deste narcísico (SANTAELLA, 2003). Neste
evento. Atiça valores e sonhos no sentido, a passarela passa a ser o
consumidor por meio de rituais espaço, no qual estes corpos cobiçados
performáticos que aumentam as são percebidos, reinventados, por meio
destas experiências estéticas que criam também “a imagem interna do eu”
sentidos e dialogam com o entorno. (SANTAELLA, 2003).
É a partir dos anos 1990, que se montou Esses efeitos de representação sobre o
“o cenário para a nova arte corpo se dão por meio das novas
performática” (EVANS, 2002), os configurações/transformações
desfiles de moda. É a partir deste tecnológicas de comunicação
momento que os aparatos que envolvem publicitária que, ao longo do século XX,
a performance no desfile de moda “nos leva[ra]m a imaginar, a diagramar,
contemporâneo, passam a ser uma ação a fantasiar determinadas existências
criadora e discursiva que procura corporais, nas formas de sonhar e de
despertar possibilidades interativas no desejar que propõem”. Estas imagens de
espaço cênico onde se dá essa ação, um corpo modelo difundido pela mídia
propondo a aproximação do espectador, privilegiam não só o culto ao corpo,
desestruturando, assim, padrões mas também tendências de
anteriormente consolidados e atuando comportamento que afetam a autoestima
no desenvolvimento criativo de e o poder pessoal.
mecanismos que experimentem um
envolvimento maior do Logo, a aparência do corpo como objeto
consumidor/receptor por meio de outras de intervenções da contemporaneidade
propostas sensoriais. (aqui entendida, também, como
desencadeadora de sentidos), num
Assim, as performances que apresentam
momento fugaz que caracteriza o desfile
novos modos de presentificacão da
de moda e que resulta em informação
aparência nos desfiles de moda
midiática, capaz de difundir e
constituem não apenas modos de ser e
estabelecer novos comportamentos
parecer, mas de perceber, interagir e
sociais.
reinventar-se na condição efêmera da
contemporaneidade. A moda, em seu sentido original,
Ver, perceber e sentir, estão desse etimológico, traz a ideia de um fazer,
modo, relacionados a valores do uma ação, um modo ou maneira de ser e
consumo, imperativos nos dias atuais, relacionar-se (BARNARD, 2003).
nos quais o que é visível, conduz, de Entender moda é, portanto, entender a
forma estratégica e invasiva, nossas relação entre objetos (trajes, adornos e
ações e nosso modo de ser e viver. “As indumentária) e indivíduos, e o modo
pessoas passam a ser visíveis pelo que como esses fatores interagem
consomem” (BAITELLO 2006); de fato socialmente. Para o autor, as roupas
a compreensão desse discurso se constituem-se em “hieróglifos sociais”,
estabelece na relação que comunicam significados e definem
corpo/roupa/desfile (performance) que as relações dentro de uma determinada
se dá a partir das imagens que esse sociedade. Sob esse prisma, tanto a
encadeamento proporciona, seja na moda como a indumentária
apreensão ao vivo, ou por meio de
são fenômenos culturais, no sentido
outras mídias de produção e transmissão
de que a cultura pode ser ela
de imagens que dão suporte à própria entendida como um sistema
preservação da ideia de um corpo objeto de significados, como formas pelas
e, difundindo tendências quais as experiências, os valores e
comportamentais e moldando não só “a as crenças de uma sociedade se
configuração externa do corpo”, como comunicam através de atividades,
artefatos e instituições está voltada ao período compreendido a
(BARNARD, 2003, p. 49). partir do século XIX, no qual o caráter
efêmero das mudanças interfere nos
A moda é um fenômeno social, que só
desfiles de moda.
foi constituído com as transformações
ocorridas ao longo dos séculos no No espírito burguês do século XIX,
Ocidente. Segundo Lipovetsky (1989), encontram-se a mudança, a
em sua obra “O império do efêmero”, é racionalidade, o desenvolvimento e o
só a partir do século XIV que a moda se progresso, terreno fértil para o
constitui como um sistema, no qual a crescimento da moda, tal como é
fantasia, os artifícios, os exageros e as conhecida atualmente. Mesmo não
metamorfoses incessantes (inerentes a correspondendo ao pensamento
ela) tornam-se regra permanente com o positivista e racional da época, a moda
passar das fases históricas pontuadas emerge, naquele momento, por sua
pelo autor. capacidade inovadora, sua
artificialidade, sua maneira de aparecer
Não há sistema da moda, se não houver
e capacidade de oferecer a autonomia na
uma nova ordem, novos modelos e a
mudança e na modificação do gosto
depreciação daquilo que é passado,
pessoal, rompendo assim com o
como reporta Lipovetsky (1989), ao
domínio de leis e normas estéticas de
afirmar que a moda possui uma
uso do passado.
formação social-histórica imposta pelos
ritmos de mudanças ocorridas no século 3. Desfile de moda
XIX, que trouxeram novas concepções
estéticas na maneira de vestir, e em Entende-se como desfile de moda uma
todas as esferas da representação. Uma apresentação performática realizada por
nova temporalidade breve, efêmera, tão modelos, em que roupas e acessórios
inerente à moda, atinge também outros são mostrados a um público, com local,
setores, como as artes, por exemplo, que data e hora pré-fixados (duração média
sofrem transformações e afetam a vida de trinta minutos). Fazem parte de sua
em sociedade. “Até os séculos XIX e estrutura básica: assentos, passarela,
XX, não há dúvida de que foi a iluminação e, geralmente, é animado
indumentária a encarnar mais por uma trilha sonora gravada, ou ao
ostensivamente o processo de moda, foi vivo, como afirma Garcia (2007, p. 91).
ela o teatro das inovações formais mais Nele é apresentada uma coleção de
aceleradas, mais caprichosas, mais roupas criadas por um designer, para
espetaculares”, então “será necessário compradores, espectadores e jornalistas;
que se reconheçam não só o poder dos caracteriza-se por uma mostra única,
homens para modificarem a organização que jamais poderá ser repetida em sua
do seu mundo, mas também, mais forma exclusiva, pois, para a autora
tardiamente, a autonomia parcial dos (GARCIA, 2007), “ao entrar no espaço
agentes sociais em matéria de estética de um desfile, podemos afirmar que o
das aparências” (LIPOVETSKY 1989, observador participa de um ritual da
p. 33-37). moda, pois nele a coleção é apresentada
por uma sequência de programas
Não cabe aqui elencar os pormenores narrativos que determinam seu começo,
dos diferentes modos de vestir ou a ápice e fim”. Esta apresentação tem por
extravagância das aparências ocorridas objetivo um discurso publicitário que
desde o início do que se entende como estabelece relações e vínculos entre o
moda, no século XIV. A atenção maior que está sendo mostrado, o produto
ofertado e o observador, por meio do questionar o fato de que, assim como a
consumo. roupa nos oferece possíveis construções
discursivas, o desfile também pode - a
A performance, a partir das
partir de sua configuração (mediante a
considerações de Glusberg (2009), é
combinação de diferentes elementos,
uma ação, uma comunicação corporal,
como modelo, espaço, cenografia,
produtora de sentidos e significações,
música, entre outros) - produzir um
concebida em um determinado
discurso estruturado nas diferentes
contexto, que sempre esteve presente
realidades sociais em que se apresenta.
nas apresentações dos desfiles, desde
sua origem. Ao entender que ela
envolve qualquer processo da expressão Desfile é um modo de exibição, um
corporal (entendendo-se também que modo de ostentar, com alarde,
toda manifestação do corpo é fonte de determinadas coisas. Nesse sentido,
mensagens - seja através de seus gestos, podemos afirmar que o desfile de moda
movimentos e ações), pode-se afirmar, é uma forma por meio da qual são
juntamente com o autor, que “os transmitidas mensagens, que tem o
movimentos e expressões, mesmo efeito de interação social, e é construtor
quando amorfos, significam mais do de sentidos dentro de uma determinada
que mil frases” (GLUSBERG, 2009, p. sociedade. Segundo Fiske (1990 apud
117). Barnard, 2003, p. 54), a interação social
é “aquilo que constitui o indivíduo
Desde sua origem no início do século como membro de uma cultura ou
XX, o desfile teve como referência as sociedade específica”, na qual há
performances teatrais e musicais, como produção e troca de significados, por
afirma Caroline Evans (2002), em seu meio dos objetos consumidos. Os
artigo “O espetáculo encantado”. desfiles sempre desempenharam um
Mesquita (2008, p. 34), por sua vez, papel importante, tanto nessa interação
define performance como uma ação que social, como no desenvolvimento da
“incorpora elementos do teatro, está indústria da moda, das marcas, e
visceralmente ligada ao corpo e ao também como forma de comunicação e
movimento, pode prescindir de objetos marketing na sociedade do consumo.
e esgotar-se ao fim de uma Dessa forma, pode-se afirmar, ainda,
apresentação”. Nesse sentido, tais que os desfiles, por meio da inserção
apresentações, mesmo em seu início são dos significados presentes nessas
performáticas, por apresentarem um performances, são ferramentas
veículo comunicador, o corpo das publicitárias tanto da marca, como do
modelos vestidas, e um receptor, os designer e do produto.
espectadores/compradores que
compartilham um código cultural capaz
Os primeiros desfiles eram exibições
de mobilizar significados em todo seu
discurso gestual. enfadonhas que duravam horas, como
afirma Evans (2002, p. 43), mas logo
Parte-se das concepções de que a moda ganhariam música orquestrada, chá com
– conjunto dos elementos usados, trajes, bolinhos e cenários elaborados, sendo,
indumentária, acessórios e ornamentos então, realizados nas grandes Maisons.
– compõe-se um discurso articulado Com o surgimento das lojas de
com o corpo, responsável por dar forma departamentos, esses eventos deixam de
e significados que marcam o papel ser exclusividade da aristocracia e
social do indivíduo. Pode-se, então, passam a ser refletidos como
acontecimentos sociais, aos quais a Boberg, seu sócio, mas, a partir 1871,
massa tem acesso. dirige a casa sozinho e importa a tática
promocional da loja de Gagelin para sua
Os desfiles não eram organizados como
Maison. Evans (2002) afirma que Marie
hoje, e só aparecem, segundo
Vernet, além de esposa e vendedora, foi
Lipovetsky (1989, p. 98), a partir de
também chefe das manequins, durante
“1908 e 1910, para se tornarem
os primeiros treze anos da casa Worth.
verdadeiros espetáculos apresentados à
hora fixa, à tarde, nos salões das Nesse sentido, Evans (2002) - ao relatar
grandes casas”. as origens do desfile e citar eventos nos
quais o costureiro mandava as modelos
Os desfiles de forma mais organizada, deixarem a privacidade dos salões para
com horários pré-fixados, têm início a desfilarem as novidades em situações
partir do século XX e, como afirma sociais - descreve os desfiles como
Garcia (2007), estão ligados a dois “audaciosos”, situações que “causavam
modistas ingleses importantes do furor”, “provocantes”, “ultrajantes”.
período, Charles Fréderic Worth (1825- Esse é um vocabulário pertencente a
1895) e a figurinista Lucy Sutherland uma prática artística que rompe com o
(1863-1935), esta mais conhecida como convencional (a performance), na qual o
Lady Duff Gordon, ou Lucile (EVANS, corpo é a matéria-prima, além de
2002). Para Garcia (2007, p. 36), incorporar outros aspectos e elementos,
“ambos tinham de garantir, aos seus tanto sociais como individuais.
diferentes públicos - notadamente
membros da realeza e celebridades do Ainda com relação à origem dos
meio artístico - que suas criações desfiles, vale destacar os desfiles nas
serviriam perfeitamente aos corpos que lojas de departamentos no início do
pretendiam vestir”. século XX. Diferentemente dos desfiles
dirigidos à aristocracia e à burguesia da
Worth, considerado o pai da Alta época, estes se caracterizaram por serem
Costura, aos 20 anos inicia sua carreira apresentados a uma clientela mais
como vendedor em uma loja de tecidos comum, visto que as modelos ou
em Paris, de propriedade do manequins misturavam-se às clientes,
comerciante parisiense, Gagelin, que nos diversos ambientes das lojas, dando
atendia condessas e duquesas. É nesse a ideia de um acontecimento social. Ao
momento, segundo Evans (2002, p. 33), contrário dos desfiles teatrais
que o comerciante “contratava apresentados pelas grandes Maisons,
manequins de ateliês para desfilar por estes recriavam ambientes com os quais
seu estabelecimento, envergando xales”, a massa identificava-se. As manequins
e Worth era o encarregado de “enaltecer desfilavam entre os clientes, lembrando,
o produto”, por meio das manequins como afirma Evans (2002, p. 43), “os
que desfilavam pela loja. Esse trabalho passeios ociosos, os conhecidos
era feito juntamente com a vendedora flâneuses, do povo, nas lojas no século
Marie Vernet que, posteriormente, seria XIX”.
sua esposa. Worth, como afirma a
autora, pôde perceber e estudar o efeito Os desfiles em lojas de departamentos
do tecido em movimento sobre as precedem, em sua formatação, os
manequins e “aprimorar a lábia de desfiles contemporâneos, pois foram os
vendedor”. Anos depois, em 1858, primeiros a apresentar uma plataforma
funda sua Maison, na Rue de la Paix (passarela) elevada, na qual as
(SEELING, 2000), com o sueco manequins desfilavam, e assentos ao
redor dessa plataforma. Eram eventos como afirma Castilho (2005, p. 132),
muito comuns, voltados à classe média, que “tal possibilidade de construção e
em que, evidentemente, reconstituíam- elaboração do discurso do corpo, por
se as formas de socialização e intermédio do uso de trajes e acessórios,
comportamento de uma classe ávida por entende-se como uma operação
copiar as ideias da Alta Costura. Nas manipuladora individual pela qual cada
palavras de Evans (2002, p. 44), “ao sujeito construirá a relação pessoal e
longo da primeira metade do século identitária de seu corpo” e, podemos
XX, grandes lojas de departamentos, em acrescentar, com o seu entorno –, os
muitas cidades, promoveriam desfiles desfiles, como ferramentas estratégicas,
de moda, muitas vezes em restaurantes, comunicam as múltiplas manifestações
onde tais eventos, nos horários de entre o sujeito e a conjunção do traje na
almoço e chá, foram onipresentes até a sociedade.
década de 1960”.
Essa lógica da diversificação, Referencias
formatação e das diferentes BAITELLO JUNIOR, Norval. A era da
possibilidades de apresentação dos iconofagia: ensaios de comunicação e cultura.
desfiles, visivelmente construída desde São Paulo: Hacker Editores, 2006.
seu início, adentra a BARNARD, Malcolm. Moda e comunicação.
contemporaneidade, abre espaço às Rio de Janeiro: Rocco, 2003.
diferenças, ao mesmo tempo em que
EVANS, Caroline. O espetáculo encantado. In:
determina um poder decretado pelas STEELE, V. Fashion Theory: a revista da
“tendências”, mas um poder aberto e moda, corpo e cultura. São Paulo: Anhembi
flexível, dado pelas escolhas. Sempre Morumbi, Jun. 2002, v. 1, n. 2.
paradoxal e ambígua, a moda, assim CASTILHO, Kathia; MARTINS, Marcelo M.
como o desfile, com seus mecanismos Discursos da moda: semiótica, design e
de controle, ao diversificar, segrega. corpo. São Paulo: Editora Anhembi Morumbi,
2005.
4. Considerações finais GARCIA, Carol. Moda é comunicação:
experiências, memórias, vínculos. São Paulo:
A moda como fenômeno social Editora Anhembi Morumbi, 2007.
demonstra as particularidades culturais
a que o indivíduo está sujeito. O GLUSBERG, Jorge. A arte da performance.
São Paulo: Perspectiva, 2009.
fenômeno moda é mais do que
simplesmente indumentária, acessórios LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero:
a moda e o seu destino nas sociedades
e ornamentos. É um conjunto de
modernas. Lisboa: Publicações Dom Quixote,
elementos que são divulgados através 1989.
de eventos performáticos que utilizam o
MESQUITA, Cristiane. Moda contemporânea:
corpo como suporte. O desfile de moda, quatro ou cinco conexões possíveis. São Paulo:
é assim, uma ferramenta fundamental Editora Anhembi Morumbi, 2004.
para divulgar e consolidar a moda.
MIRANDA, Ana Paula. Consumo de moda: a
Os desfiles vêm, assim, potencializar os relação pessoa-objeto. São Paulo: Estação das
Letras e Cores, 2008.
significados do vestir de cada contexto,
seja pela sedução, manipulada pela SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-
comercialização, seja pela possibilidade moderno: da cultura das mídias à
cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.
de escolhas identitárias individuais. Se
as roupas dão uma concepção de SEELING, Charlotte. Moda: o século dos
estilistas. Portugal: Konemann, 2000.
posição do sujeito na sociedade – e,