Você está na página 1de 31

MANUAL

de
APOIO

Formação de Técnico Auxiliar de Saúde Nível 4


Cuidados na Saúde Mental
Formadora: Irundina Agante (dinagante@gmail.com)
UFCD 6579 de 2014
2

OBJETIVOS GERAIS

1. Identificar o conceito de saúde mental.


2. Identificar as principais alterações e perturbações mentais.
3. Identificar alterações do comportamento, pensamento, humor e comunicação.
4. Identificar as especificidade dos cuidados de alimentação, higiene, conforto e eliminação
em indivíduos com alteração da saúde mental.
5. Explicar que as tarefas que se integram no âmbito da intervenção do/a Técnico/a Auxiliar
de Saúde terão de ser sempre executadas com orientação e supervisão de um profissional
de saúde.
6. Identificar e explicar as tarefas que se integram no âmbito de intervenção do/a Técnico/a
Auxiliar de Saúde terão sempre de ser executadas com orientação e supervisão de um
profissional de saúde
7. Explicar as formas de estabelecer uma interacção com utentes que apresentam uma
alteração ou perturbação mental e após validação com o profissional de saúde.
8. Explicar o interesse de demonstrar interesse e disponibilidade na interacção com utentes.
9. Explicar a necessidade de manter autocontrole em situações criticas e de limite.
10. Explicar o dever de agir em função das orientações do profissional de saúde.
11. Explicar o impacto das suas acções na interacção e bem-estar dos utentes.
12. Explicar a importância da sua actividade para o trabalho de equipa multidisciplinar
13. Explicar a importância de assumir uma atitude pró-ativa na melhoria continua da qualidade,
no âmbito da sua acção profissional
14. Explicar a importância de cumprir as normas de segurança, higiene e segurança no
trabalho assim como preservar a sua apresentação pessoal
15. Explicar a importância de agir de acordo com normas e/ou procedimentos definidos no
âmbito das suas actividades
16. Explicar a importância de adequar a sua acção profissional a diferentes públicos e culturas
17. Explicar a importância de prever e antecipar riscos
18. Explicar a importância de demonstrar segurança durante a execução das suas tarefas
19. Explicar a importância de desenvolver as suas actividades promovendo a humanização do
serviço.
3

INDÍCE:

Objectivos Gerais 2
Introdução 4
Capitulo I: Doença Mental
Conceito e características 5
Anamnese 8
Exame Clinico Sistemático 9
Patologias mentais mais comuns 10
Principais Alterações Mentais:
Comportamento 12
Pensamento 13
Humor 13
Comunicação 16
Doenças especificas do desenvolvimentos humano:
Infância 18
Adolescência 19
Terceira Idade 20

Capitulo II: Cuidar em Saúde Mental


Alimentação 24
Eliminação 25
Higiene e Hidratação 26
Sono e Repouso 26
Manifestação de dôr e desconforto 27

Capitulo III: Tarefas a desempenhar pelo/a Técnico/a Auxiliar de Saúde 29

Referências Bibliográficas 31
4

INTRODUÇÃO

Este Manual de Apoio foi concebido para ser de fácil consulta, e um instrumento importante no
desempenho em pleno das funções dos formando.

Tratando-se de um tema tão delicado, pretendo transmitir aos formandos que o desempenho de
funções de “Técnico Auxiliar de Saúde” num local destinado a indivíduos com este tipo de
patologias, não é para qualquer pessoa, exige-se um perfil de “solidez psicológica” e “firmeza de
atitudes”, como constatarão no decorrer do módulo.

O uso de exemplos práticos reunidos para o efeito, e o recurso a filmes servirá para garantir
uma melhor assimilação de conceitos.

O conteúdo deste Manual está sujeito a “Direitos de Autos”, sendo da minha inteira
responsabilidade.
5

Capitulo I: Doença Mental


CONCEITO E CARACTERISTICAS

O conceito de doença mental é visto de muitas formas


diferentes, dependendo não só da formação académica
e cívica de cada pessoa, mas também da sua experiência
pessoal.
Daí ter sido muito importante a uniformização da sua
“definição” pela Organização Mundial de Saúde (O. M. S.).
Desta forma, em Portugal, na China ou nos EUA, falar de
Saúde Mental tem os mesmos pressupostos.

A Saúde, em geral, é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “um estado de
bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou dor”. Não se trata apenas
da ausência de doença, mas sim um bem-estar em que nos permite responder de forma positiva
às adversidades.
Assim, trata-se de um estado em que nos sentimos bem tanto connosco como na relação com os
demais.
Segundo a OMS, a saúde mental é definida como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo
realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma
produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere”.
A doença mental inclui perturbações e desequilíbrios mentais, disfuncionamentos associados à
angústia, sintomas e doenças mentais diagnosticáveis, como por exemplo, a esquizofrenia e a
depressão.

A Saúde Metal está relacionada à forma como as pessoas reagem às exigências da vida e ao
modo como harmonizam seus desejos, capacidades, ambições, ideais e emoções...

Quais são as diferenças entre saúde física e saúde mental?

O ser humano é constituído pelo corpo e mente, e cada uma destas componentes tem
necessidades próprias, que devem ser colmatadas para termos uma vida equilibrada e estabilizada.
O desequilíbrio de uma delas acarreta o mau funcionamento geral desse organismo.
A saúde física implica o bom funcionamento do nosso organismo e das funções vitais inerentes.
A saúde mental e a saúde física estão interligados e são interdependentes, tornando-se cada vez
mais evidente que a saúde mental é indispensável para o bem-estar geral dos indivíduos.
Uma boa qualidade de vida depende destes dois factores e é um processo contínuo e consciente
do indivíduo no sentido de procurar gratificação nas suas actividades, comportamentos e
pensamentos positivos. A saúde física e mental mantêm uma relação de reciprocidade, estão
interligados e são interdependentes. Ambas são de extrema importância.
6

“Mens sana in corpore sano”


Provérbio e famosa citação latina, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal, presume-se
entre 509 a.C. – 27 a.C.
A expressão “mente sã corpo são ” simboliza mente saudável e corpo saudável.
Significa bem-estar físico e mental
Este provérbio pretende chamar a atenção para a união e complementaridade existente (ou que
deve existir) entre o corpo e a mente.

Então, e como manter a mente sã?

Podemos desenvolver as nossas faculdades no sentido de observarmos e estarmos atentos às


nossas emoções, em vez de sermos definidos por elas.
Esta auto-observação ajuda-nos a evitar a auto justificação e a ficarmos presos a padrões de
comportamento que não funcionam para nós.
Temos de priorizar, nutrir relacionamentos, e permitir estarmos abertos ao esterior. Podemos nos
relacionar não como quem achamos que deveríamos ser, mas como quem realmente somos, e
assim dando a nós mesmo a possibilidade de criar laços com os outros.
Podemos buscar o “stresse bom” para manter as nossas mentes e corpos preparados para
qualquer adversidade.

A Saúde Metal está relacionada à forma como as pessoas reagem às exigências da


vida e ao modo como harmonizam seus desejos, capacidades, ambições, ideais e
emoções...

Todos nós temos momentos na vida em que nos podemos sentir em baixo, andar angustiados,
stressados pelas mais diversas razões. :

- Resultados escolares que não nos satisfazem.

- Relações com quem nos está próximo se deterioram e há conflitos.

- Fase da vida em que as mais pequenas coisas nos parecem problemáticas.

…......

Estas são respostas normais face aos problemas da vida:

- para a maioria das pessoas estes sentimentos passam ao fim de algum tempo,

- para outras pessoas tal não …. podendo vir a transformar-se num problema mais ou menos
grave.

E pode acontecer a qualquer pessoa!


7

DOENÇAS MENTAIS
8

São situações patológicas, diagnosticadas apenas por profissionais de saúde especializados,


algumas necessitam de intervenções diferenciadas.

Existe uma alteração da nossa organização mental, que leva a que a pessoa não consiga exercer
ou exerça com dificuldade os seus papéis sociais (familiares, relacionais, ou actividades do
quotidiano), incapacitando-as e podendo existir sofrimento.

As Doenças Mentais são identificados e diagnosticados basicamente através de dois métodos


clínicos :

- Entrevista cuidadosa entrevista (anamnese)

- Exame um exame clínico sistemático (estado mental Versus funções orgânicas).

Anamnese
O termo vem do grego ana (remontar) e mnesis (memória). Para nós, a anamnese é a evocação
voluntária do passado feita pelo paciente, sob a orientação do médico ou do terapeuta.
O objectivo dessa técnica é o de organizar e sistematizar os dados do paciente, de forma tal que
seja permitida a orientação de determinada ação terapêutica com a respectiva avaliação de sua
eficácia; o fornecimento de subsídios para previsão do prognóstico; o auxílio no melhor
atendimento ao paciente, pelo confronto de registros situações futuras.

Não podemos deixar de lado o fato de que essa técnica advém de uma relação interpessoal, na
qual ao terapeuta cabe, na medida do possível, não cortar o fluxo da comunicação com seu
paciente, assim como, paralelamente, não deixar de ter sob sua mira aquilo que deseja saber.

Um equilíbrio entre neutralidade, respeito e solidariedade ao paciente deve ser mantido. O


paciente deve perceber o interesse do entrevistador e não o seu envolvimento emocional com a
sua situação.

Muitas vezes, não se consegue ter todo o material em uma única entrevista, principalmente em
instituições em que o número de pacientes e a exiguidade do tempo de atendimento tornam-se
factores preponderantes.

É aconselhável que a entrevista seja conduzida de uma maneira informal, descontraída, com
termos acessíveis à compreensão do paciente, porém bem estruturada.
Em anamnese, acaba-se por fazer dois cortes na vida do paciente: um longitudinal ou biográfico
e outro transversal ou do momento.

No corte longitudinal, podemos localizar os registos das histórias pessoal, familiar e patológica.

No corte transversal, enquadraríamos a queixa principal do sujeito, a história da sua doença


actual e o exame psíquico que dele é feito.
9

O roteiro para sua execução pode sofrer algumas poucas variações, em função daquilo a que se
propõe, porém a estrutura básica que aqui será colocada é aquela da anamnese médica clássica.
Nele constam:
- identificação do paciente;
- o motivo da consulta ou queixa que o traz ao médico ou terapeuta; a história da doença
actual;
- a história pessoal;
- a história familiar (estas duas poderão vir sob o mesmo título – “História Pessoal e
Familiar”);
- a história patológica;
- um exame psíquico;
- uma súmula psicopatológica;
- uma hipótese de diagnóstico nosológico.

Exame Clinico Sistemático


10
11

Estamos então em condições de tirar algumas conclusões:

- Torna-se importante distinguir sofrimentos emocionais comuns de uma doença depressiva.

- Não é qualquer tristeza que é depressão.

- No caso da doença, há uma tristeza profunda, o indivíduo tem um grande grau de sofrimento,
desânimo acentuado e há a perda da vontade e da capacidade de realizar tarefas.

- A família geralmente fica mobilizada e o indivíduo fica inactivo, improdutivo.

- As doenças psiquiátricas mais comuns são a depressão e os transtornos de ansiedade.

- Estudos revelam que aproximadamente 10% das mulheres e 6% dos homens vão ter
um episódio depressivo ao longo da vida.

"Hoje a depressão é o segundo maior problema de saúde pública no mundo, de acordo


com dados da OMS [Organização Mundial da Saúde]. É É importante a população saber
que transtornos depressivos e ansiosos são comuns e causam grande impacto".

- Como não há uma única entidade patológica, não existe uma só causa.

- Hoje em dia, sabe-se que há alterações biológicas no cérebro das pessoas, mas que também
existem factores genéticos que podem contribuir para a manifestação de perturbações mentais,
bem como determinantes psicológicos, tóxicos, físicos e sociais. or ex.: uma pessoa pode
desenvolver uma demência por exposição a químicos industriais; pode ter alterações dramáticas
de comportamento após um acidente que tenha provocado traumatismo craniano; pode sofrer de
depressão profunda depois da perda de uma pessoa importante.

As alterações mentais poderão ser visíveis ao nível do:


- Comportamento
- Pensamento
- Humor
- Comunicação

E podem surgir em épocas especificas do desenvolvimentos humano:


- Infância
- Adolescência
- Adulto
- 3ª Idade
12

Sinais de alarme, que embora não cheguem para estabelecer a presença de


doença, já indiciam fortes suspeitas:
 MARCADA ALTERAÇÃO NA PERSONALIDADE (maneira de ser)
 PERDA DA HABILIDADE PARA LIDAR COM OS PROBLEMAS E ACTIVIDADES DO DIA A DIA
 IDEIAS ESTRANHAS
 ANSIEDADE EXCESSIVA
 TRISTEZA PROLONGADA OU APATIA
 ALTERAÇÃO EVIDENTE NOS HÁBITOS (sono, alimentação)
 PENSAR OU FALAR EM SUICIDIO
 “ALTOS E BAIXOS” EXTREMADOS
 ABUSO DE ALCOOL OU TÓXICOS
 DEMASIADA IRRITABILIDADE, HOSTILIDADE OU MESMO COMPORTAMENTO VIOLENTO
American Psychiatric Association

ALTERAÇÕES DO COMPORTAMENTO

Atitude – É uma maneira organizada e coerente de pensar, sentir e reagir em relação a pessoas
e acontecimentos ocorridos em nosso meio circundante.
Comportamento – É o conjunto organizado das operações seleccionadas em função das
informações recebidas do ambiente através das quais o indivíduo integra as suas tendências.
As perturbações mentais e do comportamento originam comportamentos que impedem ou
dificultam o desempenham das funções pessoais e sociais do indivíduo, de forma sustentada ou
recorrente.
Ex.: Doença de Alzheimer
Estes tipo de alterações , do comportamento, são visíveis em todos os estádios do
desenvolvimento humano (Infância, adolescência, adulto e velhice), com sintomatologia e
consequências diferentes para o indivíduo e para com quem eles priva.

Os sinais mais comuns da alterações do comportamento são:

Agitação - movimentação excessiva e despropositada,q ue pode variar desde uma leve


inquietude até acções violentas e agressivas.
Confusão - estado de comprometimento mental levando a redução da compreensão, coerência e
da capacidade de raciocínio.
Delírio - é um estado agudo de confusão com comprometimento cognitivo desencadeado por
afecção neurológica ou clínica, de carácter grave, com duração de horas a dias.
13

ALTERAÇÕES DO PENSAMENTO
Os elementos constitutivos do pensamento são:

Conceito: formam-se a partir das representações.


Ao contrário das percepções, o conceito não possui elementos sensoriais, não sendo possível
contemplá-lo nem imaginá-lo.
Não é possível visualizar um conceito, ouvi-lo ou senti-lo.
O conceito é o elemento estrutural básico do pensamento. , e que depois permitirá que se
expresse por palavras o juízo e o raciocino.
Juízo o processo que conduz ao estabelecimento dessas relações significativas entre conceitos e,
julgar é, nesse caso, estabelecer uma relação entre conceitos. A função que relaciona os juízos,
uns com os outros, recebe a denominação de raciocínio. Em seu sentido lógico, o raciocínio não é
nem verdadeiro nem falso, ele será sim, correcto ou incorrecto.
Pensamento - operação mental que nos permite aproveitar os conhecimentos adquiridos na da
vida social e cultural, combiná-los logicamente e alcançar uma outra nova forma de conhecimento.
Todo esse processo começa com a sensação e termina com o raciocínio dalético, onde uma ideia
se associa a outra e, desta união de ideias nasce uma t terceira. O pensamento lógico consiste em
seleccionar e orientar esses conceitos, tendo como objetivo alcançar uma integração significativa,
que possibilite uma atitude racional ante as necessidades do momento. Ex: Esquizofrenia

Portanto, o raciocínio para ser correcto deve ser lógico e, em Psicologia, o termo
raciocínio tem o mesmo sentido de pensamento.

Manias: mania do grego mania (loucura) – é, para a Psiquiatria, o distúrbio mental caracterizado
pela alteração de pensamento, dirigido, em geral, para uma determinada ideia fixa e com
síndrome de quadro psicótico grave e agudo, característico, embora não exclusivo (mania
secundária), do Transtorno ou Distúrbio Bipolar e se caracteriza por grande grande agitação,
loquacidade, euforia, insónia, perda do senso crítico, grandiosidade, prodigalidade, exaltação da
sexualidade e agressividade.
Estas alterações de pensamento tem como consequencia alterações do Humor.

ALTERAÇÕES DO HUMOR

O humor é naturalmente variável durante o dia em todas as pessoas.


Se tivermos muitos momentos stressantes e desgastantes num único dia é natural que, quando
esse dia chegue ao fim, estejamos sem energia, cansados e tristes.
Não devemos, contudo, confundir tristeza com depressão. A tristeza é um sentimento que pode
aparecer por algum motivo qualquer e depois de algum tempo ela passa.

As patologias mais marcadas por alterações de humor são:

Depressão: os episódios típicos de cada um dos três graus de depressão (leve, moderado ou
grave), o paciente apresenta um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da
actividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse,
diminuição da capacidade de concentração associadas em geral à fadiga, mesmo após um esforço
mínimo. Observa-se em geral problemas do sono e diminuição do apetite. Existe quase sempre
uma diminuição da autoestima e da autoconfiança, e frequentemente ideias de culpabilidade e ou
de indignidade, mesmo nas formas leves.
14

Distimia: característica essencial está no humor crónicamente deprimido, que ocorre na maior
parte do dia por pelo menos dois anos. Os indivíduos descrevem seu humor como triste ou “na
fossa”. Em crianças, o humor pode ser irritável ao invés de deprimido, e a duração mínima exigida
é de apenas um ano.

Durante os períodos de humor deprimido, pelo menos dois dos seguintes sintomas adicionais estão
presentes:
 apetite diminuído ou hiperfagia
 insônia ou Hipersonia
 baixa energia ou fadiga
 baixa autoestima
 fraca concentração ou dificuldade em tomar decisões
 sentimentos de desesperança

Os indivíduos podem notar a presença proeminente de baixo interesse e de autocrítica,


frequentemente vendo a si mesmos como desinteressantes ou incapazes. Como estes sintomas
tornam-se uma parte tão presente na experiência cotidiana do indivíduo (por ex., "Sempre fui
deste jeito", "É assim que sou"), eles em geral não são relatados, a menos que diretamente
investigados pelo entrevistador.
Hipomania: transtorno caracterizado pela presença de uma elevação ligeira e persistente do
humor, da energia e da atividade associada em geral a um sentimento intenso de bem-estar e de
eficácia física e psíquica.
Existe frequentemente um aumento da sociabilidade, do desejo de falar, da familiaridade e da
energia sexual e uma redução da necessidade de sono. Esses sintomas não são, entretanto tão
graves de modo a entravar o funcionamento profissional ou levar a uma rejeição social. A euforia e
a sociabilidade são por vezes substituídas por irritabilidade, atitude pretensiosa ou comportamento
grosseiro.
As perturbações do humor e do comportamento não são acompanhadas de alucinações ou de
ideias delirantes.

Mania sem sintomas psicóticos: presença de uma elevação do humor fora de proporção,
podendo variar de uma jovialidade descuidada a uma agitação praticamente incontrolável.
Esta elação se acompanha de um aumento da energia, levando à hiperatividade, um desejo de
falar e uma redução da necessidade de sono. A atenção não pode ser mantida, e existe
frequentemente uma grande distracção.
O sujeito apresenta frequentemente um aumento da autoestima com ideias de grandeza e super-
estimativa de suas capacidades. A perda das inibições sociais pode levar a condutas imprudentes,
inapropriadas ou deslocadas.

Mania com sintomas psicóticos: presença dos mesmos sintomas do quadro clínico descrito em
Mania sem sintomas psicóticos, porém com ideias delirantes (em geral de grandeza), de
alucinações (em geral do tipo de voz que fala directamente ao sujeito) ou de agitação; de
atividade motora excessiva e de fuga de ideias de uma gravidade tal que o sujeito se torna
incompreensível ou inacessível a toda comunicação normal.
15

Transtorno Bipolar: a alternância de longos períodos depressivos com manias é a tônica dessa
patologia. Os indivíduos com esse transtorno apresentam durante algumas ocasiões uma elevação
do humor e aumento da energia e da actividade (hipomania ou mania), e em outras, um
rebaixamento do humor e de redução da energia e da actividade (depressão).

Transtorno Depressivo Recorrente: transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios


depressivos (Depressão), com episódios independentes de exaltação de humor e de aumento de
energia (mania). O transtorno pode contudo, comportar breves episódios caracterizados por um
ligeiro aumento de humor e da actividade (hipomania), sucedendo imediatamente a um episódio
depressivo.

ALTERAÇÕES DA COMUNICAÇÃO

Comunicação é um mecanismo através do qual existem e se desenvolvem as relações


humanas, capacidade de comunicar e de se relacionar com os outros,

Comunicar é significar através de qualquer meio, é colocar em comum, é partilhar, e em geral


faz-se através da linguagem (e não confundir com língua ou idioma).
Linguagem é função cerebral que permite a qualquer ser humanolíngua. adquirir e utilizar uma.
Pode ser linguagem verbal, de sinais, de programação....
Ex: Autismo, Síndrome de Asperger

A comunicação humana, faz-se de forma verbal e não verbal, tanto em crianças como em
adultos.

“A fala representa a expressão do pensamento”

Um aspecto muito importante a ter em conta nos doentes com perturbações mentais é a
alteração da sua capacidade de comunicação, o que pode tornar a comunicação com estes
doentes um desafio. Perante esta situação geralmente os profissionais de saúde e/ou familiares
ficam impacientes. É assim importante que estes se informarem sobre quais os problemas de
comunicação mais comuns com estes doentes, dependendo também do tipo de doença mental por
forma a ter uma melhor ideia de como lidar com estas alterações.

Existem vários tipos de perturbações mentais, e só através da análise da doença específica é que o
técnico necessita direcionar a sua forma de comunicar, tendo em conta a especificidade da
alteração mental. Foquemo-nos nos problemas de comunicação mais comuns causados pela
Doença de Alzheimer:
- Dificuldades em encontrar a palavra certa durante uma conversa;
- Dificuldades em compreender o significado das palavras;
- Dificuldades em manter a atenção durante longas conversas;
- Perda do raciocínio durante uma conversa;
- Dificuldades em referir passos de actividades comuns como cozinhar, vestir, etc.;
- Problemas em abstrair-se de barulhos de fundo como os da televisão, rádio, outras
conversas, etc.;
- Frustração quando não conseguem comunicar;
- Ser muito sensível ao toque, ao tom e volume da voz.
16

É portanto difícil compreendê-los mas também estes se fazerem compreender. Assim é


essencial que os familiares e/ou profissionais de saúde “aprendam” a comunicar e a lidar
com estes doentes, de forma a tornar o dia-a-dia menos stressante e a melhorar a sua
relação com o doente.
Para uma eficaz comunicação é essencial criar um ambiente positivo para a interação
como doente, sendo importante tratá-lo de forma amável e, acima de tudo, com respeito.
Muitas vezes a atitude e a linguagem corporal são mais importantes que as próprias
palavras, podendo então utilizar por exemplo, expressões faciais e contato físico, para auxiliar
a transmissão da sua mensagem e a demonstrar os seus sentimentos e afetos.

As seguintes sugestões podem facilitar a comunicação com o doente:

- Tentar optar sempre por palavras simples e frases curtas, falar calma e pausadamente, bem
como utilizar um tom de voz baixo e suave. Nunca deve falar com estes doentes como se
tratassem de bebés, ou falar destes como se não estivessem presentes.
- Limitar as distracções e o barulho (exemplos: desligar o rádio e a televisão, fechar as
cortinas, etc.) de modo a focar a atenção do doente no que lhe está a dizer. Estabelecer contacto
visual e chamar o doente pelo nome, garantindo que antes de falar com este tem a sua atenção.
- Como estes doentes apresentam dificuldades em reconhecer familiares e amigos, pode
começar a conversa apresentando-se, ou seja, relembrando-o de quem é.
- Simplificar as questões colocadas ao doente. Fazer uma pergunta de cada vez, optar por
questões cuja resposta é “sim” ou “não”, ou então fazer a pergunta de forma a limitar as opções
de resposta.
- Ser paciente e permitir que o doente tenha tempo para responder às questões, ouvindo-o
atentamente. Acima de tudo não o interromper mesmo que saiba aquilo que ele está a tentar
dizer.
- Se o doente estiver com dificuldades em encontrar a palavra correcta ou a comunicar um
pensamento, auxiliar gentilmente a expressar-se fornecendo-lhe as palavras que ele está à
procura, isto se o doente parecer estar aberto à ajuda.
- Quando o doente começar a ficar perturbado, tentar mudar o assunto de conversa ou o
ambiente.
- Muitas vezes estes doentes sentem-se confusos e ansiosos o que os pode levar a recordar
de coisas que nunca ocorreram. Aqui é importante tentar não os convencer de que estão errados,
mas sim confortá-los e apoiá-los, caso o assunto não seja de risco.
- Se o doente parecer triste, encorajar a expressão dos seus sentimentos, e mostrar que é
compreendido.
- Usar o humor sempre que possível, já que pode ajudar a libertar a tensão e ser uma boa
terapia! Ter para com estes doentes uma atitude carinhosa e tranquilizadora.
- Estar sempre atento a possíveis problemas de audição e visão do doente que possam
afectar a comunicação.
17

Os estudos mostram que à períodos da vida dais propícios ao aparecimento de


alterações mentais:

INFÂNCIA
A saúde mental de uma criança, é um processo constante de adaptação às suas próprias
transformações biológicas.

O pensar, a capacidade de utilizar uma linguagem escrita, falada ou ainda de experimentar


sentimentos não nascem com a criança, estando profundamente relacionados a seu
desenvolvimento.

1) Os transtornos da aprendizagem são os mais comuns e referem-se a dificuldades na


leitura, na capacidade matemática ou nas habilidades de escrita, medidas por testes padrões que
estão substancialmente abaixo do esperado, considerando-se a idade da criança, seu quociente de
inteligência (QI ) e grau de escolaridade.

As crianças que não têm acesso aos seus direitos fundamentais são prejudicadas em
todos os níveis, especialmente no desenvolvimento do senso de cidadania, pertença
social e da sua personalidade.

FATORES QUE INFLUENCIAM NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL:


(Pesquisa na Grã-Bretanha, 2007)

- Família amorosa
- Amigos
- Visão positiva de mundo
- Boa escola
- Boa saúde mental
- Recursos materiais suficientes

Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 10% das crianças e dos


adolescentes apresentam algum tipo de Transtorno Mental.

2) Transtorno das habilidades motoras, o desempenho em actividades diárias que exigem


coordenação motora está abaixo do esperado para a idade, como por exemplo atraso para sentar,
engatinhar, caminhar, deixar cair coisas, fraco desempenho nos esportes ou caligrafia insatisfatória.
Muitas vezes essa criança é vista como desajeitada, tropeçando com frequência ou inábil para
abotoar suas roupas ou amarrar os atacadores do sapato.
3) Transtorno da Comunicação, pode manifestar-se por sintomas que incluem um vocabulário
limitado, erros grosseiros na conjugação de verbos, dificuldade para evocar palavras ou produzir
frases condizentes com sua idade cronológica. Os problemas de linguagem também podem ser
causados por perturbações na capacidade de articular sons ou palavras.
4) Transtorno do déficit de atenção – hiperatividade -, prestam atenção a vários
estímulos, não conseguindo se concentrar em uma tarefa única. Têm dificuldade para organizar
tarefas, evitando, antipatizando ou relutando em envolver-se em tarefas que exijam esforço
mental constante. Costumam perder facilmente objetos de uso pessoal.
Esquecem facilmente atividades diárias.
18

5) Transtornos Depressivos na Infância, ocorrem tanto em meninos quanto em meninas.


Os sintomas podem ser : isolamento, calma excessiva, agitação, condutas auto e hetero-
agressivas, intensa busca afectiva, alternando atitudes prestativas com recusas de relacionamento.
A socialização está geralmente perturbada: pode haver recusa em brincar com outras crianças e
dificuldade para aquisição de habilidades. As queixas somáticas são frequentes: dificuldade do
sono (despertar noturno, sonolência diurna), alteração do padrão alimentar, queixas de falta de ar,
dores de cabeça e no estômago, problemas intestinais e suor frio também são frequentes.

6) Transtornos Globais do Desenvolvimento (Autismo Infantil), caracterizado por severas


anormalidades nas interacções sociais recíprocas, nos padrões de comunicação estereotipados e
repetitivos, além de um estreitamento nos interesses e actividades da criança. Costumam- se
manifestar até aos 3 anos de vida não havendo em geral um período prévio de desenvolvimento
inequivocamente normal.
As crianças com transtorno autista podem ter alto ou baixo nível de funcionamento, dependendo
do QI, da capacidade de comunicação e do grau de severidade.

7) Transtornos da Excreção, inclui a enurese e a encoprese .


A enurese é caracterizada por eliminação de urina de dia e/ou a noite, a qual é anormal em
relação à idade da criança e não decorrente de nenhuma patologia orgânica. Pode estar presente
desde o nascimento ou pode surgir seguindo-se a um período de controle vesical adquirido.
A encoprese é a evacuação repetida de fezes em locais inadequados (roupas ou chão), involuntária
ou intencional.

8) Transtorno da Separação surge em cerca de 4% das crianças, em que o facto de se


separarem dos seus cuidadores cria uma ansiedade e um medo de que algo lhes aconteça
deixando a criança sozinha.

9) Nesta fase de crescimento começam também a observar-se os primeiros sinais de transtorno


da personalidade, começando a formar-se tendências suícidas e fobias sociais.

ADOLESCÊNCIA
A adolescência é um período de grandes transformações na vida mental do indivíduo, o que, por
si só, leva a diversas manifestações de comportamento que podem ser interpretadas como sendo
doença.

Na puberdade, geralmente, a fase inicial das mudanças no aspecto físico é contrária aos
modelos de estética ideais, e essa distonia entre o corpo e a aspiração pode desencadear sérias
dificuldades de adaptação baixa auto-estima, uma falta de aceitação pessoal,
resultando em problemas depressivos dos quais saliento a anorexia, obsessivo-compulsivos.

Os transtornos mais comuns na adolescência são:


Depressão (Transtorno de Humor) – ANOREXIA e BULÍMIA
Esquizofrenia (Transtorno Psicótico)
Transtorno Bipolar de Humor (Transtorno de Humor)
Transtorno Obsessivo Compulsivo (Transtorno Neurótico)
Síndrome do Pânico (Transtorno de Ansiedade)

Metade das pessoas que sofrem de uma perturbação mental tiveram a primeira manifestação
antes dos 18 anos.
19

TERCEIRA IDADE

Caracteriza-se por uma deterioração progressiva dos vários tecidos e de todo o organismo, o
que costuma provocar a diminuição da capacidade cardio-respiratória, da força muscular, da
resistência dos ossos e da flexibilidade das articulações.

Trata-se, portanto, de uma nova fase da vida, um período normal do ciclo vital com algumas
mudanças físicas, mentais e psicológicas que não significam necessariamente a existência de
doença.
No entanto, com o processo de envelhecimento chega a diminuição das faculdades - físicas e
mentais - que facilita o aparecimento de transtornos mentais, muitos deles evitáveis, aliviados ou
mesmo revertidos.

Para além dos factores biológicos inerentes a este processo, existem outros que predispõem os
idosos a transtornos mentais. Como sejam, a perda de autonomia, a morte de amigos e/ou
parentes, isolamento social, restrições financeiras, agravamento do estado geral de saúde com
especial relevância para o funcionamento cognitivo (capacidade de compreender e pensar de uma
forma lógica, com prejuízo na memória)
20

Transtornos psiquiátricos mais comuns

1) DEMÊNCIA: provocada por lesões nas áreas cortical e subcortical do cérebro, onde residem
as funções intelectuais superiores, como a consciência, a elaboração da linguagem, a
automatização dos movimentos, a memória e a aprendizagem.

As manifestações são bastante diferentes, pois dependem da localização das lesões. A


manifestação inicial mais frequente é a perda de memória.
A dificuldade em realizar movimentos automatizados - pentear-se, barbear-se, limpar-se, vestir-
se ou comer - para além de alguma instabilidade emocional e alterações progressivas da
linguagem, são muito geralmente as seguintes.

2) Alzheimer: demência mais comum, mais frequente nas mulheres do que nos homens.
Caracteriza-se por um início gradual e pelo declínio progressivo das funções cognitivas. A
memória é a função cognitiva mais afectada, mas a linguagem e noção de orientação do indivíduo
também são afectadas.
As alterações do comportamento envolvem depressão, obsessão e desconfianças, surtos de raiva
com risco de actos violentos. A desorientação leva a pessoa a andar sem rumo
podendo ser encontrada longe de casa em uma condição de total confusão. Aparecem também
alterações neurológicas como problemas na marcha, na fala, no desempenhar uma função motora
e na compreensão do que lhe é falado.

3) Demência vascular
É o segundo tipo mais comum de demência. Apresenta as mesmas características da demência
tipo Alzheimer mas com um início abrupto e um curso gradualmente deteriorante.
Pode ser prevenida através da redução de factores de risco como hipertensão, diabetes,
tabagismo e arritmias.

4) Transtornos depressivos
Os transtornos depressivos têm alta prevalência entre a população idosa e estão associados a
um impacto negativo no seu estado de saúde e qualidade de vida.
As alterações sociais - diminuição da actividade, perda de entes próximos, etc. - que ocorrem
nesta fase da vida estão associados ao desenvolvimento de depressão, cujos sintomas incluem
diminuição da concentração e memória, problemas de sono,
diminuição do apetite, perda de peso e queixas somáticas (como dores pelo corpo).

5) Transtorno bipolar
Doença do foro psíquico que tem cada vez mais expressão na população em geral. Caracteriza-
se por desequilíbrios no humor, uma entidade maleável que se modifica de acordo com os
acontecimentos da vida. Quando ocorre um transtorno do humor significa que a pessoa está a
reagir de modo incompatível ou exagerado a determinada situação. Esse desequilíbrio no humor
tanto pode ser positivo (estado maníaco) como negativo (estado depressivo).
Os sintomas deste transtorno nos idosos são semelhantes aos dos adultos mais jovens: euforia,
humor expansivo e irritável, necessidade de sono diminuída, fácil distracção, impulsividade e,
frequentemente, consumo excessivo de álcool.
Pode ainda haver um comportamento hostil e desconfiado.
uando um primeiro episódio de comportamento maníaco ocorre após os 65 anos, deve-se alertar
para uma causa orgânica associada.
21

6) Esquizofrenias e e outras Psicoses


Apesar de estas doenças ocorrerem com mais frequência no final da adolescência ou idade
adulta jovem, elas persistem para toda a vida.
Os sintomas incluem isolamento social, comportamento excêntrico, pensamento ilógico,
alucinações e afecto rígido.

7) Transtorno delirante
Transtorno onde as ideias surgem com convicção absoluta em si mesmas, sem qualquer
derivação da cultura, das crenças e das convicções do indivíduo.
Os sintomas mais comuns são alterações do pensamento de natureza persecutória (os doentes
acreditam que estão a ser seguidos), e em relação ao corpo, como acreditar que tem uma doença
fatal (hipocondria). Os doentes podem ainda tornar-se violentos e isolarem-se socialmente.

8) Transtornos de Ansiedade
A ansiedade é um sentimento incomodativo, disperso e indefinido, que pode ser acompanhado
de sensações como um frio no estômago, aperto no peito, tremores e até falta de ar.
A ansiedade, nesta faixa etária, por vezes transforma-se num medo irracional excessivo, pânico
e desenvolvimento de fobias. Passa rapidamente de patológica a um transtorno incapacitante,
conhecido como transtorno de ansiedade. Nos idosos a fragilidade do sistema nervoso autónomo
pode explicar o desenvolvimento deste tipo de transtorno.
Os principais sintomas são a dificuldade de concentração, desorientação e perda de memória,
dores musculares, dores de cabeça e falta de ar, transpiração excessiva,fadiga, irritabilidade e
tensão muscular, insónia e perturbações no sono.
22

Capitulo II: Cuidar em Saúde Mental


23

“Sem saúde mental não há saúde. É a saúde mental que abre aos cidadãos as portas
da realização intelectual e emocional, bem como da integração na escola, no trabalho
e na sociedade. É ela que contribui para a prosperidade, solidariedade e justiça social
das nossas sociedades. Em contrapartida, a doença mental impõe múltiplos custos,
perdas e sobrecargas aos cidadãos e aos sistemas sociais”.
(Livro Verde, Comissão das Comunidade Europeias, 2005)

É hoje um dado consensual a importância que a saúde mental tem na vida de cada um, na
família, na sociedade e em termos globais. Se, por um lado, a saúde mental permite o
desenvolvimento individual e social, por outro lado problemas de saúde mental podem representar
um complexo desafio individual com repercussões a todos os níveis.
No entanto, um dos maiores obstáculos à promoção da saúde mental, à procura de ajuda quando
na presença de um problema de saúde mental, é o facto de ainda ser comum a dificuldade de
aceitar dificuldades desta natureza da mesma forma que se aceita uma doença física.

Nos nossos dias, sabemos que as doenças mentais são como qualquer outra doença: podem ter
múltiplas causas, umas mais conhecidas do que outras; existem diferentes formas de tratar, umas
mais eficazes do que outras; algumas podem ser crónicas e outras de tratamento fácil. E, como
em qualquer problema de saúde, quanto mais cedo se intervir, melhor.
É urgente aprender a cuidar da saúde como um todo, compreendendo que engloba uma
componente física e outra mental, que devem ser olhadas de forma idêntica uma vez que sabemos
que, tanto uma como outra, poderão apresentar problemas em qualquer momento da nossa vida.
Esta aceitação, ainda tão difícil para a maior parte das pessoas, é um dos maiores desafios para
a promoção da saúde mental.
Está nas mãos de cada um dar este passo que poderá fazer toda a diferença. Quer no
reconhecimento de um problema pessoal, quer na aceitação dos outros quando confrontados com
um problema desta natureza.
Não há saúde sem saúde mental.

ALIMENTAÇÃO
O hábito alimentar pode estar alterado em vários transtornos.
Um dos sintomas mais frequentes na depressão é a falta de apetite, acompanhada da perda de
peso. Mas pode ocorrer que o apetite esteja aumentado e a pessoa ganhe peso, o que é chamado
de depressão atípica.
O comer descontrolado está presente em vários transtornos e mesmo em pessoa normais, que
em momentos de maior ansiedade podem “descontar” a frustração em chocolates ou outros
alimentos. Se a ansiedade está em um nível que pode ser considerado uma doença, é capaz de o
sinal de alerta para os pacientes procurarem o psiquiatra seja o aumento de peso fruto da
comilança.
Para o dependente de álcool, a ingestão da bebida passa a ser a coisa mais importante que há e
é aquilo que dirige a sua rotina. Nos casos mais graves, o dependente adquire todas as calorias
que precisa através do álcool que bebe diariamente, mas é uma caloria sem qualidade, pois lhe
faltam os nutrientes, as vitaminas. Por exemplo, é comum que nos casos graves de dependência a
pessoa tenha deficiência das vitaminas do complexo B, o que pode levar a problemas neurológicos
graves e permanentes, culminando até com a morte.
24

Os manuais diagnósticos de psiquiatria têm um capítulo à parte para os transtornos em que o


hábito alimentar é a patologia principal.

Anorexia nervosa, existe uma preocupação exagerada com o peso, com a possibilidade de
ficar obeso, há um comportamento obstinado para a perda de peso, seja através de dietas, de
exercícios físicos extenuantes. A pessoa que sofre desse transtorno tem padrões peculiares de
manejo de alimentos (escondem alimentos pela casa, carregam grandes quantidades de balas em
bolsas ou mochilas, cortam os pedaços de carne em partes muito pequenas e passam muito
tempo rearranjando as porções no prato) e tem,sobretudo, uma alteração na imagem corporal.
isso quer dizer que por mais magra que a pessoa pode estar, ela sempre vai olhar para si e se
achar gorda, obesa.

Bulimia, a pessoa tem compulsão alimentar, quer dizer, ela ingere uma quantidade maior de
alimentos do que outras pessoas em uma situação e em um período de tempo semelhante fariam,
com uma forte sensação de perda de controle e consequente sentimento de culpa, de auto-
acusação. Para evitar o ganho de peso frente a essas situações, a pessoa costuma se engajar em
atitudes para evitar o ganho de calorias e de peso, daí vindo os comportamentos purgatórios,
como os vômitos provocados, a ingestão de laxantes e diuréticos e os exercícios físicos excessivos.

Hoje em dia, há prescrição indiscriminada de antidepressivos. Estes, dependendo do seu


principio activo podem induzir a alteração do peso quer reduzindo-o ou aumentado-o.

ELIMINAÇÃO

Os disturbios de eliminação mais comuns são os de:

Encoprese é a evacuação repetida de fezes em locais inadequados (por ex., roupas ou chão).
Com maior frequência, trata-se de um ato involuntário, mas ocasionalmente pode ser intencional.
A incontinência fecal não deve ser devido exclusivamente aos efeitos fisiológicos directos de uma
substância (por ex., laxantes) ou a uma condição médica geral, excepto através de um mecanismo
envolvendo obstipação (Critério D). Quando a evacuação é involuntária, ao invés de intencional,
ela frequentemente está relacionada à obstipação, impactação e retenção de fezes com hiperfluxo
subsequente. A primeira obstipação pode desenvolver-se por razões psicológicas (por ex.,
ansiedade acerca de defecar em determinado local ou um padrão mais geral de comportamento
ansioso ou de oposição), levando a evitar a defecação.
As predisposições fisiológicas à obstipação incluem desidratação associada com doença febril,
hipotiroidismo ou efeito colateral de um medicamento. Uma vez que a obstipação se desenvolva,
ela pode ser complicada por uma fissura anal, defecação dolorosa e retenção fecal adicional. A
consistência das fezes pode variar: em alguns indivíduos, a consistência pode ser normal ou
próxima ao normal, mas podem ser líquidas em indivíduos com incontinência por hiperfluxo
secundária à retenção fecal.
Mis comum em crianças até aos 5 anos.

Enurese é a micção repetida, diurna ou nocturna, na cama ou na roupa . Ocorre com maior
frequência de forma involuntária, mas ocasionalmente pode ser intencional. Para corresponder a
um diagnóstico de Enurese, a micção deve ocorrer no mínimo duas vezes por semana por pelo
menos 3 meses, ou então deve causar um sofrimento ou prejuízo significativo no funcionamento
social, ocupacional ou outras áreas importantes na vida do indivíduo.
Este deve ter alcançado uma idade na qual a continência é esperada (isto é, a idade cronológica
da criança deve ser de no mínimo 5 anos, ou, para crianças com atrasos do desenvolvimento, uma
idade mental de no mínimo 5 anos). A incontinência urinária não se deve exclusivamente aos
efeitos fisiológicos directos de uma substância (por ex., diuréticos) ou a uma condição médica
geral (por ex., diabete, espinha bífida, transtorno convulsivo).
25

HIGIENE
A falta de asseio está muitas vezes associada à falta de autoestima, e a um transtorno mental.

A higiene deve ser feita com relação ao corpo e ao meio ambiente, e mantida nas melhores
condições, sendo, até mesmo, importante para a parte emocional do ser humano.
A higiene foi definida como sendo:
Individual: compreende o estudo das diversas fases da evolução do indivíduo. Ocupa-se dos
cuidados que ele deve ter com o corpo, vestuário, alimentação,trabalho, tanto físico como mental.
Colectiva: abrange o estudo do meio em que o homem vive, com os recursos da
salubridade para a vida coletiva, considerada esta sob os seus diferentes
aspectos a vida urbana, vida rural, vida militar e etc

SONO E REPOUSO
Repouso e higiene são necessidades básicas do corpo, essenciais para a saúde. O repouso
adequado contribui para recuperar o organismo do desgaste natural do dia-a-dia, e das perdas
excessivas, provocadas pela correria dos tempos modernos.

Além de repousar, é necessário que cada pessoa faça uma análise de seu estilo de vida, para
identificar e evitar o desgaste excessivo, que pode ser devido a factores pessoais, como por
exemplo:

- Não saber dizer "não" e aceitar sobrecargas de trabalho.


- Não admitir seus próprios limites.
- Querer fazer o trabalho de todas as pessoas por achar que ninguém é capaz.
- Excesso de ambição para conquistar coisas materiais, etc.

ORGANIZE SUA VIDA E EVITE DESGASTES EXCESSIVOS


O desgaste pode ser do corpo e da mente, um afetando o outro, uma vez que o organismo é
uma unidade.
É importante ter hábitos de vida que fortaleçam o corpo e a mente, para evitar
que sofram problemas.

Quais os Hábitos que fortalecem o corpo?


Manter o corpo bem oxigenado (actividade física, bom ar ambiente e respiração profunda), bem
hidratado (2 a 4 litros de água por dia), bem nutrido (uso de bastante vegetais), desintoxicado
(isento de substâncias artificiais), exercitado (caminhada rotineira).

Quais os Hábitos que fortalecem a mente?


Ter uma distracção, uma higiene mental, ter amigos, conversar sobre assuntos agradáveis,
evitando os desagradáveis, sorrir, distrair-se, estar alegre, orar e ter fé em Deus, confiar e
entregar-se a Ele. Servir ao próximo, dentro de suas possibilidades, é uma condição que gera
muita satisfação e bem estar. Estas práticas fortalecem a pessoa e a tornam mais resistente aos
problemas.
26

O repouso físico:

O repouso pode ser físico e mental e ambos devem ser observados. Observe o repouso
adequado para o seu corpo. Deus, em sua sabedoria e perfeição, criou a noite e o fim de semana,
especialmente destinados para o repouso, a recuperação, uma vez que ele conhece nossas
limitações e os desgastes impostos por essa vida difícil, diferente daquele planejou. Após o
almoço: É muito bom para a sua saúde que você faça um pequeno repouso depois do almoço. Vai
descansar o corpo, recuperar os desgastes da manhã, e preparar o corpo para mais um período de
trabalho. Vai melhorar o rendimento no trabalho e até melhora o relacionamento entre as pessoas,
diminui os acidentes, melhora a qualidade da produção.

A Noite é para descansar e dormir. Jante cedo e coma pouco no jantar. Evite fazer trabalhos, ver
filmes ou fazer leituras stressantes à noite. Prepare-se para dormir mantendo-se relaxado, sem
estímulos que lhe deixem agitado. Vá para a cama somente na hora de dormir. Um banho morno
ajuda a relaxar. O Fim de Semana têm uma importância muito grande, serve também como um
repouso para nossa mente. As férias, também devem ser usadas para recuperar o organismo dos
desgastes da vida. Tire férias que sirvam para relaxar e descansar e não para cansar mais ainda.

O repouso mental: Descansar das preocupações, dos problemas, não pensar neles nos
momentos de repouso. Não adianta alimentar os problemas pensando neles às 24 horas do dia. Ao
contrário, isso vai alterar o equilíbrio da pessoa e criar ainda mais dificuldades para encontrar
soluções. A correria, a pressa. Uma prática que determina muito desgaste para o corpo e a mente
é o fazer as coisas com pressa. A pressa faz com que hormonas sejam libertadas no organismo,
especialmente adrenalina, determinando um estado de tensão muito desgastante.
Para evitar a pressa:
1- NÃO SE ATRASE PARA OS COMPROMISSOS.
2- NÃO ASSUMA EXCESSO DE COMPROMISSOS.
3- PROGRAME SEUS COMPROMISSOS. FAÇA UMA COISA DE CADA VEZ

DÔR E DESCONFORTO
A dôr e o desconforto estão muito associados a disturbios mentais, especialmente os associados a
estados de stress e ansiedade.
Os mais comuns são:
- Hiperventilação (respiração ráoida e ofegantes);
- Sensação de falta de ar;
– Taquicardia (batimentos acelerados do coração);
– Suores intensos;
– Náuseas e vómitos;
– Tonturas;
– Sensação de formigueiro nas extremidades das mãos e pés;
– Medo de perder o controlo;
– Dificuldade de concentração;
– Impaciência;
– Tensão muscular;
– Fadiga fácil e perda de energia;
– Taquicardia (batimentos acelerados do coração);
– Dificuldade de concentração;
– Alterações gastrointestinais;
– Modificação do padrão de apetite (falta ou excesso de apetite);
– Dificuldade em adormecer (insónia).
27

Capitulo III: Tarefas a desempenhar pelo/a


Técnico/a Auxiliar de Saúde
28

O Técnico(a) Auxiliar de Saúde é o profissional que auxilia na prestação de cuidados de


saúde aos utentes.
Faz parte das suas competências:

1- Auxiliar na prestação de cuidados aos utentes, de acordo com as orientações do


enfermeiro:

- Ajudar o utente nas necessidades de eliminação e nos cuidados de higiene e conforto de acordo
com orientações do enfermeiro;
- Auxiliar o enfermeiro na prestação de cuidados de eliminação, nos cuidados de higiene e conforto
ao utente e na realização de tratamentos a feridas e úlceras;
- Auxiliar o enfermeiro na prestação de cuidados ao utente que vai fazer, ou fez, uma intervenção
cirúrgica;
- Auxiliar nas tarefas de alimentação e hidratação do utente, nomeadamente na preparação de
refeições ligeiras ou suplementos alimentares e no acompanhamento durante as refeições;
- Executar tarefas que exijam uma intervenção imediata e simultânea ao alerta do profissional de
saúde;
- Auxiliar na transferência, posicionamento e transporte do utente, que necessita de ajuda total ou
parcial, de acordo com orientações do profissional de saúde.

2 - Assegurar a limpeza, higienização sob a orientação de profissional de saúde:


- Recolha e transporte de amostras biológicas, na limpeza;
- Higienização e transporte de roupas, materiais e equipamentos;
- Na limpeza e higienização dos espaços;
- No apoio logístico;
- Apoio administrativo das diferentes unidades de saúde.

Além da orientação, também merece destaque a actividade de observação, por meio da qual
esses trabalhadores são capazes de perceber aspectos das necessidades de saúde que usualmente
escapam aos demais profissionais da equipa.

As atividades principais a desempenhar por este técnico são:

- Colaborar, sob supervisão técnica, na prestação de cuidados de higiene e conforto aos doentes;

- Proceder ao acompanhamento e transporte de doentes em camas, macas, cadeiras de rodas ou


a pé, dentro e fora do estabelecimento;

- Auxiliar nas tarefas de alimentação no sector respectivo, nomeadamente preparar refeições


ligeiras e distribuir dietas, do regime geral e terapêuticas;

- Preparar o material para a esterilização;

- Ajudar nas tarefas de recolha de material para análise;

- Preparar e lavar o material dos serviços técnicos;


29

- Transportar e distribuir as balas de oxigénio e os materiais esterilizados pelos serviços de acção


médica;

- Velar pela manutenção do material utilizado nos cuidados prestados aos doentes;
Proceder à recepção, arrumação e distribuição de roupas lavadas e à recolha de roupas sujas e
suas entregas;

- Assegurar o serviço externo e interno de transporte de medicamentos e produtos de consumo


corrente, necessários ao funcionamento dos serviços;

- Colaborar com os respectivos serviços na realização dos trâmites administrativos relacionados


com as suas actividades;

- Proceder à limpeza das macas nos respectivos locais de trabalho;

- Assegurar a manutenção das condições de higiene nos respectivos locais de trabalho;

- Proceder ao transporte, distribuição e entrega de documentos, materiais e equipamentos, dentro


ou fora dos serviços;

- Proceder à carga, descarga e arrumação de materiais e equipamentos;

- Realizar pequenos serviços de manutenção e reparação do material, bens e haveres.


30

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) Relatório Mundial da Saúde 2001. Saúde Mental: Nova Compreen- são, Nova Esperança. Ed.
Ministério da Saúde, 2001.
(2) U.S. Department of Health and Human Services. Mental Health: A Report of the Surgeon
General. Rockville, MD: U.S. Department of Health and Human Services, Substance Abuse and
Mental Health Services Ad- ministration, Center for Mental Health Services, National Institutes of
Health, National Institute of Mental Health, 1999.
(3) Turk J Graham, Ph., Verhulst FC (Ed.). Child Psychiatry – a Develop- mental Approach, 4.
Edition. Oxford Universitary Press, USA, 2007.
(4) Kaye, D. L., Montgomery M. & Munson S. W. (Eds.). Child and Ado- lescent Mental Health.
Lippincott Williams and Wilkins, Philadelphia, 2002.
(5) AACAP (American Academy of Child and Adolescent Psychiatry). Be- ing prepared, Know When
to Seek Help for Your Child, “Facts for Fami- lies,” No. 24, 9/99.
(6) World Health Organization. The ICD-10 classification of mental and behavioural disorders:
Clinical descriptions and diagnostic guidelines. Geneva: World Health Organization, 1992.
(7) Hughes, T., Garralda M. E. & Tylee A. Child Mental Health Problems – A Booklet on Child
Psychiatry Problems for General Practicioners. ST. Mary’s C A P, London, 1995.
(8) American Psychiatric Association. DSM-IV. Diagnostic and Statisti- cal Manual of Mental
Disorders. 4th. Edition. Washington, DC: American Psychiatric Association Press, 1994.
(9) AACAP (American Academy of Child and Adolescent Psychiatry). The anxious child, “Facts for
Families”, no47, 2000.
(10) AACAP (American Academy of Child and Adolescent Psychiatry). The depressed child, “Facts
for Families”, no 8, 1998.
(11) AACAP (American Academy of Child and Adolescent Psychiatry). Enuresis, “Facts for Families”,
no 18, 2002.
(12) AACAP (American Academy of Child and Adolescent Psychiatry). Problems with soiling and
bowel control, “Facts for Families”, no 48, 2000.
(13) Collière, Marie – Françoise – Promover a vida: da prática das mulheres de virtude aos
cuidados de enfermagem. 3a edição. Lidel: Paris, 1999;

(14)Cordo, Mardarida – Reabilitação de pessoas com doença mental: das famílias para a instituição
e da instituição para a família. 1a edição. Climepsi Editores: Lisboa, 2003;

(15) Moreira, Paulo; Melo, Ana – Saúde Mental: do tratamento à prevenção. Porto Editora: Porto
2005;
31

(16) Taylor, Cecília Monat – Fundamentos de enfermagem psiquiátrica. 13a edição. Artes
Médicas: Porto Alegre, 1992;
(17) Townsend, Mary C. – Enfermagem psiquiátrica: conceitos de cuidados.3a edição. Rio
de Janeiro: Guanabora Koogon, cop., 2002.