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O ESTADO

ABSOLUTISTA E A
CONSTRUÇÃO DO
ESTADO-NAÇÃO
MODERNO
A quem interessava a centralização europeia na Idade
Moderna? E na atualidade, quais dados você apontaria
para justificar os Estados Unidos como centro da dinâmica
mundial?
O Estado foi definido pelo pensador alemão Max
Weber como um conjunto de instituições que
detém o monopólio do uso legítimo da força
dentro de determinado território. Na Idade
Média, esse monopólio estava dividido entre o rei,
a Igreja e os senhores feudais, que governavam
seus feudos de forma autônoma. O poder político
encontrava-se, assim, fragmentado.
Características da monarquia no início da Idade Moderna:
1. Cargos
2. Arrendamentos
3. Uso dos funcionários assalariados
4. Domínio da técnica conectados à Monarquia Clássica
5. Armas de fogo
6. Formação de exército mercenário a serviço do Estado
7. Mídias
8. Importações de metal precioso: ouro e prata
A crise do feudalismo e a centralização do poder
O desenvolvimento comercial e urbano da Europa encontrou sérios
obstáculos em algumas estruturas feudais. a diversidade regional e política,
típica do feudalismo, com os vários feudos e seus poderes locais, constituía
um estorvo ao comércio, às leis, à moeda e aos pesos e medidas.

O processo de formação das monarquias centralizadas no final da Idade


Média ocorreu em grande parte pela aproximação entre monarcas e
burguesia, na busca da superação dos entraves políticos e econômicos
derivados de antigas estruturas feudais.
O REINO FRANCÊS
● A dinastia capetíngia (987-1328)

● Felipe Augusto (1180-1223) - combate os ingleses, montagem de um


exército, início da monarquia feudal;

● Luis IX (1226-1270) - cria uma rede de tribunais reais, instituiu uma


moeda de circulação nacional;

● Felipe IV, o Belo (1285-1314) - cria a assembleia dos Estados Gerais, taxa
os bens da Igreja, transferiu a sede da Igreja de Roma para a cidade de
Avignon (Cativeiro de Avignon) culminando no cisma do Ocidente.
A Guerra dos Cem Anos (1337-1453)
A causa política da guerra foi a disputa pelo trono francês: Eduardo III, rei
da Inglaterra, era neto de Filipe, o BeIo, e reivindicava o direito a coroa
francesa. Por isso, em 1337, ele iniciou a invasão do território francês. Do
ponto de vista econômico, o motivo foi a disputa entre franceses e ingleses
pela hegemonia de Flandres, rica produtora de tecidos de Ia.
Joana D’Arc em 1429, comandando um
pequeno exército enviado por Carlos VII, da
França, libertou Orléans, sitiada pelos ingleses.
Seguiram-se outras vitórias, até que os franceses
reconquistaram Reims.

Preocupados com a reação dos franceses,


reavivada por joana d'Arc, os ingleses planejaram
matá-Ia. Capturada por forças do duque de
Borgonha, joana foi entregue aos ingleses e
julgada por urn tribunal da Igreja sob a acusação
de heresia e bruxaria. Condenada, foi queimada
viva em Rouen, em 1431.
Ilustração para um manuscrito do século XV.
● No governo de Carlos IX (1560-1574), intensificaram-se as lutas, envolvendo
basicamente a burguesia calvinista (chamada de huguenote, na França) e a
nobreza católica. O ponto máximo foi a Noite de São Bartolomeu.

● Durante o governo de Henrique III, prosseguiram os conflitos que culminaram na


vitória dos partidários protestantes, apoiados pela burguesia calvinista, que assim
garantiu o acesso ao trono e inaugurou a dinastia Bourbon.

● Com Henrique IV, houve a pacificação do país após converter-se ao catolicismo e


ter decretado a Liberdade de culto aos protestantes por meio do Edito de Nantes.

● Luis XIV, que governou de 1643 a 1715, representou o ponto culminante do


absolutismo francês: L'Etat c'est moi (em francês, 'O Estado sou eu').

● Os governos de seus sucessores, Luis XV (de 1715 a 1774) e Luis XVI (1774-1792),
presenciaram o início do declínio da França e a ascensão da Inglaterra como
potência europeia.
Inglaterra, tempo de mudanças
• A centralização política na Inglaterra da Baixa Idade Média foi frustrada
pela Magna Carta de 1215, que limitava o poder real, submetendo-o ao
controle do Parlamento.
• Guerra das Duas Rosas 1455 a 1485
Entre as famílias de nobres York (Branca) e Lancaster (Vermelha)
Resultando nos “Tudor” Com Elizabeth (1558-1603)
• O desenvolvimento burguês continuou existindo, bem como a busca por
um Estado centralizado.
• Cercamento de terras agrícolas. Criação de ovelhas para lã.
• Política mercantilista forte, frente a marinha Espanhola.
• Assim, terras comunais usadas coletivamente pela população rural, na
antiga tradição feudal, passaram a ser exploradas em benefício de um só
proprietário (nobre);
• Expulsão dos camponeses das terras/ excedente demográfico nas cidades;
• A concentração de riquezas desses nobres enfraqueceu o poder do rei;

• Guerra Civil
Stuart, apoiava a igreja para fortalecer a monarquia;
A Burguesia apoiou calvinistas;
Revolução Gloriosa: substituindo o rei e dando força ao Parlamento;
• Autonomia do judiciário, a liberdade de imprensa, a proteção da
propriedade particular, liberdade religiosa a todos os protestantes.
Reforma da Igreja
• A Reforma na Inglaterra
• A Reforma protestante foi desencadeada na Inglaterra pelo rei Henrique VIII,
(1509-547), que obteve vantagens políticas. - Rompimento com o Papa.
Dando origem a Igreja anglicana;
• Ato de Supremacia: tornava oficial uma nova doutrina religiosa na
Inglaterra, o anglicanismo. 1534;
• Calvinismo na Suíça: As ideias de Calvino fundamentava-se no princípio da
predestinação absoluta, O que se aproximava dos valores burgueses;
• Luteranismo na Alemanha: O princípio da salvação pela fé, livre leitura da
Bíblia, submissão da Igreja ao Estado, a utilização do alemão, em lugar do
latim, nos cultos religiosos; a supressão clero regular. Do celibato clerical e
das imagens religiosas;
• Lutero atraiu a simpatia da nobreza Alemã.
Espanha de Felipe II, 1556 a 1598.
• Retomada das terras invadidas pelos Mouros (Mulçumanos) em 711;
• Organização dos Reinos de Leão, Castela, Navarra, e Aragão
• A reconquista da Espanha se dá através do casamentos dos “Reis
Católicos”, e da tomada de Granada, último reduto árabe em 1492;
• Isabel de Castela e Felipe de Aragão;
• Ações contra os protestantismos, luterano, calvinismo e anglicano,
dentro e fora da Espanha. Sua intolerância religiosa era tamanha que
chegou a expulsar judeus e muçulmanos do pais.
• Ao mesmo tempo, promovia e impulsionava o catolicismo e a
Inquisição;
A formação do Império Português
• A reconquista de Portugal advém de doações feitas pelo Rei Afonso
VI de Leão a Henrique de Borgonha na Guerra de Reconquista, pois as
tropas deste haviam sofrido baixas e precisava ser recompensado;
• A dinastia Borgonha continuou expulsando os árabes para o sul;
• Evitou-se a formação de uma classe de nobres;
• Revolução de Avis: Após a morte de Fernando I, ultimo rei Borgonha,
o trono foi para disputa entre Espanha e Dom João, mestre de Avis que
ascendeu apoiado pelos comerciantes;
• De um lado ele favorecia o mercantilismo do outro lucrava com
imposto;
• Desencadeou a expansão marítima portuguesa do século XV;
• Busca e conquista de novos entrepostos comerciais.
Evolução do território português
Para onde expandir agora?
Rotas Marítimas
Motivações:
• Necessidade de novos mercados;
• Falta de metais preciosos;
• Interesse dos Estados nacionais;
• Propagação da fé cristã;
• Ambição material;
• Progresso tecnológico;
• Necessidade de novas rotas com o
fechamento da passagem do
Mediterrâneo pelos Turcos.
Expansão Marítima

• Centralização
administrativa;
• Mercantilismo;
• Ausência de
guerras;
• Posição
geográfica.
Disputas Marítimas
Itália, O berço do Renascimento
• Inspirado na cultura greco-romana, rejeitava os valores
feudais a ponto de considerar o período medieval a "Idade
das Trevas".
• Apoiou-se na ascensão da burguesia em busca de prestígio,
mecenas.
• Humanismo: valorização do ser humano, como criação
privilegiada de Deus.
• Antropocentrismo renascentista: a ideia de que a
humanidade é o centro do Universo.
• Racionalismo: Por meio da razão, o ser humano
podia investigar, criar e distinguir-se dos animais,
refletir sobre o ser, o tempo, e se aprimorar.

• Hedonismo: o corpo como fonte de prazer e de


beleza.

• Individualismo: Percepção do ser humano para


além da coletividade, em algumas áreas, como na
economia, nas artes, na filosofia, nas ciências etc.

Michelangelo: David, 1504. Galleria dell’Accademia


Renascimento Científico
• Teoria heliocêntrica: a Terra e os demais planetas se
moviam em torno do Sol.(Nicolau Copérnico)

• Avanços cartográficos que permitiram as navegações irem


mais longe e com mais segurança.

• Anatomia, através da Dissecação de cadáveres,


aprendendo sobre o funcionamento do corpo.
Renascimento Cultural
• Uma nova percepção de tempo, como algo para ser usado,
aproveitado, para se aperfeiçoar, conhecer, experimentar e
inclusive, para enriquecer ou ser vendido.

• Desenvolvimento da prensa de Gutemberg, ampliando a


publicação e livros, a bíblia e folhetins uma velocidade
inédita, possibilitando a troca de ideias complexas
• Figura do Mecenas;
• Desvinculando do
monopólio da igreja;
• Pintar cenas do cotidiano;
• Remeter ao passado
histórico;
• Valorização do homem e da
natureza como centro do
interesse.

Mona Lisa (1503), do artista italiano Leonardo da Vinci. >


Renascimento Artístico
Simonetta Vespúcio • Mural da Roma Antiga, em Pompeia.

O Nascimento de Vênus – Botticelli.


O homem vitruviano de Leonardo da Vinci >

Desenhos dos cadernos de Leonardo da Vinci


retratando a anatomia humana.
Michelangelo:
A criação de Adão, 1508-1512. Capela Sistina
Rafael:
A Escola de Atenas,
1509. Vaticano
PARA EVENTUAIS CONSULTAS
LINHA DO TEMPO
● 1325 - Centralização monárquica em Portugal, não se constituindo ainda governos
absolutistas.

● 1481 - D. João II assume o trono português, investindo fortemente na centralização do


poder nas mãos do rei.

● 1485 - Início da dinastia Tudor na Inglaterra: centralização monárquica sob o governo de


Henrique VII.

● 1469 - União dos Reinas de Castela e Aragão por meio do casamento de Isabel 1 (de Castela)
e Fernando II (de Aragão).

● 1492 - Centralização monárquica na Espanha: expulsão dos mouros de Granada. Chegada


de Colombo à América.

● 1495 - D. Manuel torna-se rei de Portugal.

● 1498 - Vasco da Gama descobre um novo caminho para as Índias.

● 1500 - Pedro Álvares Cabral chega às terras que viriam a ser chamadas de Brasil.
LINHA DO TEMPO
Período de florescimento das monarquias nacionais na Europa. Intensificação do
processo de "caça às bruxas" na Europa a partir de meados do século. Práticas
mercantilistas, das quais alguns princípios já estavam formulados desde a segunda
metade do século XV.

● 1509-1547 - Reinado de Henrique VIII na Inglaterra.

● 1513-1516 - O filósofo florentino Nicolau Maquiavel escreve O príncipe.

● 1514 - Francisco I torna-se rei da França, criando o Estado absolutista francês.

● 1515-1547 - Processo de centralização monárquica na França - dinastia Valois.

● 1517 - Início da Reforma Luterana tia Alemanha: criação da religião protestante em


oposição ao catolicismo, iniciando-se, então, vários conflitos religiosos na Europa.

● 1519 Carlos V torna-se rei da Espanha.


LINHA DO TEMPO

● 1536 O rei D. João III institui a Inquisição em Portugal. Até 1684 foram
queimadas 1379 pessoas, muitas acusadas de feitiçaria.

● 1541 Início da Reforma Calvinista na Suíça sob a liderança de João


Calvino.

● 1545-1563 Concílio de Trento: Contrarreforma Católica. 1556 Filipe II


torna-se rei da Espanha.

● 1580 Início da União Ibérica.

● 1589 -. Henrique IV torna-se rei da França.


LINHA DO TEMPO
Começa o período de maior força do absolutismo na França (até o século XVIII).

● 1603 Morte da rainha Elizabeth na Inglaterra, pondo fim à dinastia Tudor. Jaime I
assume o trono iniciando a dinastia Stuart.

● 1610 Luís XIII torna-se rei da França.

● 1621 Filipe IV torna-se rei da Espanha.

● 1625 Carlos I assume o trono inglês.

● 1640 - Fim da União Ibérica. D. João IV torna-se rei de Portugal. Início da Revolução
Puritana na Inglaterra, a primeira revolução burguesa da Europa.

● 1643 - Luis XIV torna-se rei da França.

● 1649 - Deposição e execução do rei Carlos I. Criação do regime republicano na


Inglaterra, sob a liderança parlamentar de Oliver Cromwell.

● 1651 Publicação de Leviatã, do filósofo inglês Thomas Hobbes.


Referências bibliográficas
VICENTINO, Cláudio. DORIGO, Gianpaolo. História geral e do Brasil. São Paulo:
Scipione, 2010. vol. 1.

ARRUDA, José Jobson de A. PILETTI, Nelson. História: das sociedades antigas à


medieval. 1 ed. São Paulo: Ática, 2005. vol. 1.