A FORMAÇÃO DOS REINOS ABSOLUTISTAS

PROFESSOR JOSÉ E. M. KNUST

ROTEIRO DE ESTUDO PARA ESTA AULA
1.

A formação das Monarquias Medievais

2.

As Monarquias Absolutistas

A.

B.

O processo de concentração do poder Apoio dos grupos sociais ao Rei
I. II.

A. B.

O Estado Absolutista Estratégias de Centralização do Poder
I.

Burguesia em ascensão Nobreza em crise
II. III. IV. V.

C.

A Formação histórica dos Reinos medievais
I. II. III. IV.

Inglaterra França Espanha e Portugal Itália e Alemanha

A manutenção do equilíbrio de forças entre os grupos sociais O controle sobre a Religião O Mercantilismo Guerra e Diplomacia As teorias de justificação do poder real

1. A FORMAÇÃO DAS MONARQUIAS MEDIEVAIS (SÉCULOS XII-XV)

A) O PROCESSO DE CONCENTRAÇÃO DO PODER
´

´

´

Em um contexto de amplas disputas militares, alguns senhores feudais obtinham mais vitórias (e se fortaleciam) enquanto outros eram derrotados (e se enfraqueciam). Os senhores que se fortaleciam, aos poucos, concentravam cada vez mais poder. Isso aumentava sua capacidade de obter novas vitórias. Por outro lado, senhores enfraquecidos precisavam, cada vez mais, se aliar aos poderosos, cedendo prerrogativas senhoriais.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

O ³MECANISMO MONOPOLIZADOR´
´Inicialmente, as diferenças em poder eram contidas, mesmo nessa fase, dentro de um contexto que permitia que um número considerável de domínios territoriais feudais permanecesse na arena de luta. Mais tarde, após muitas vitórias e derrotas, alguns se tornavam mais fortes pela acumulação dos meios de poder, enquanto outros eram obrigados a desistir de lutar. Os poucos vitoriosos continuavam a lutar e o processo de eliminação se repetia até que, finalmente, a decisão ficava apenas entre dois domínios territoriais reforçados pela derrota e incorporação de outros.µ
Norbert Elias, O processo Civilizador, vol.2, p.93.
Questão 01

B) APOIO DOS GRUPOS SOCIAIS AO REI
´

´

´

Por que esses senhores vitoriosos não se viram obrigados a distribuir terras a vassalos, reproduzindo o sistema feudal? O segredo estava em criar formas de manter o controle direto sobre as regiões conquistadas, como uma burocracia e um exército real. Para entender isso, precisamos analisar o apoio de dois importantes grupos sociais ao processo de centralização do poder: a Burguesia em ascensão e a Nobreza em crise.

I) BURGUESIA EM ASCENSÃO
´

Nos séculos finais da Idade Média, a riqueza e o poder da burguesia estavam em crescimento, graças à expansão do comércio. Neste contexto, a alta burguesia passou a ver na aliança com o rei uma estratégia interessante, por vários motivos:

´

I) BURGUESIA EM ASCENSÃO
1.

A centralização do poder garantia a unificação tributária e alfandegária (diminuindo os impostos para os comerciantes) e também a unificação de pesos, medidas e moedas (facilitando as trocas comerciais).

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

LEI DO REI FRANCÊS DE 1439 PROIBINDO AS USURPAÇÕES DOS NOBRES SOBRE OS COMERCIANTES
´(...) o rei proíbe a todos os capitães e homens de guerra que ataquem mercadores, trabalhadores, gado ou cavalos ou bestas de carga, seja nos pastos ou em carroças, e não perturbem nem às carruagens, mercadorias e artigos que estiverem transportando, não exigindo deles resgate de qualquer forma; mas sim tolerando que trabalhem, andem de uma parte a outra e levem suas mercadorias e artigos em paz e segurança, sem nada lhes pedir, sem criar-lhes obstáculos ou perturbá-los de qualquer formaµ.
Em Leo Huberman, História da Riqueza do Homem, p.73
Questão 02

I) BURGUESIA EM ASCENSÃO
2.

A centralização do poder na mão do rei criava possibilidades de investimentos para a Burguesia. Financiar as campanhas (militares, administrativas, comerciais, etc.) do Rei tornava-se uma mais fonte importante de lucros para a Alta Burguesia.

I) BURGUESIA EM ASCENSÃO
3.

Os cargos criados na administração do reino e os títulos de nobreza concedidos pelo rei também garantiam status social, o que possibilitava ganhos políticos, econômicos e sociais.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

O INTERESSE DA BURGUESIA EM ³NOBILITAR-SE´
´O mais alto objetivo do burguês (...) [era] obter para si e sua família um título aristocrático, com os privilégios que o acompanhavam. (...) Não queriam acabar com a nobreza como tal, mas, no máximo, assumir-lhe o lugar como nova nobreza (...). O exemplo mais representativo e socialmente influente da burguesia nos séculos XVII e XVIII foi (...) o servidor, de classe média, dos príncipes ou reis, isto é, um homem cujos antepassados próximos ou distantes foram realmente artesãos ou mercadores, mas que, nesse momento, ocupava um cargo quase oficial na máquina do governo.µ
Questão 03

Norbert Elias, O processo Civilizador, vol.2, p.153.

II) NOBREZA EM CRISE
´

´

A Nobreza, que formava a elite da sociedade medieval, estava em dificuldades por causa da Crise do Século XIV A centralização do poder nas mãos do Rei se fazia as custas do poder dos nobres locais. Porém, isso não impediu que muitos nobres o apoiassem por diversos motivos:

II) NOBREZA EM CRISE
1.

Vivia-se uma época de intensas revoltas camponesas. A concentração do poder permitia a formação de poderosos exércitos reais que auxiliavam os nobres na repressão dessas revoltas.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

CRISE DA NOBREZA E CENTRALIZAÇÃO DO PODER
´

´As alterações nas formas de exploração feudal sobrevindas no final da época medieval estavam, naturalmente, longe de serem insignificantes. Na realidade, foram precisamente essas mudanças que mudaram as formas do Estado. Essencialmente, o absolutismo era apenas isto: um aparelho de dominação feudal alargado e reforçado, destinado a fixar as massas camponesas na sua posição tradicional, a despeito e contra os benefícios que elas tinham conquistado com a comutação alargada das suas obrigações. (...) [O Estado Absolutista] era a nova carapaça política de uma nobreza atemorizada.µ
Perry Anderson, Linhagens do Estado Absolutista, p.16-17

Questão 04

II) NOBREZA EM CRISE
2.

Vivia-se, também, um contexto de crise econômica da nobreza. Os cargos criados na administração do reino serviam não apenas para manter o status de muitos nobres mas para garantir a estes novas formas de se sustentar.

II) NOBREZA EM CRISE
3.

No mesmo sentido, e muitas vezes de maneira conjunta com a concessão de cargos, a formação de grandes Cortes reais, onde viviam nobres e aliados do rei, também serviu como atrativo para nobres em crise a apoiar o Rei.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

IMPOSTOS REAIS E A NOBREZA
Quase por toda a parte, o peso opressivo do fisco recaía sobre os pobres. Não existia a concepção jurídica de ´cidadãoµ sujeito ao fisco pelo simples fato de pertencer à nação. A classe senhorial, na prática, estava em toda a parte efetivamente isenta da tributação direta. Porshnev designou corretamente os novos impostos criados pelos Estados absolutistas por ´renda feudal centralizadaµ, por oposição às prestações senhoriais, que constituíam uma ´renda feudal localµ.
Perry Anderson, Linhagens do Estado Absolutista, p.36-37.
Questão 05

Questão 06 e 07

Rei francês Felipe Augusto

Esquema-Resumo

NOBREZA
´

BURGUESIA
´ ´

´

´

Apoio do exército real para a repressão de Revoltas Camponesas. Interesse em cargos na estrutura estatal, que garantissem renda e manutenção de status. Vida na Corte, que garantia concessão de rendas e garantia de status social.

´

Superação de barreiras ao desenvolvimento do comércio. Alianças e apoio real para atividades comerciais e outras oportunidades de investimento. Interesse em cargos, honrarias e títulos de nobreza concedidos pelo rei que garantissem renda e ascensão social (aumento do status)

INTERESSES DOS GRUPOS SOCIAIS NA CENTRALIZAÇÃO DO PODER

C) A FORMAÇÃO HISTÓRICA DOS REINOS MEDIEVAIS
´

Cada região da Europa possuía particularidades bastante específicas, que determinaram a história da formação dos reinos ou até mesmo impediram que reinos centralizados se formassem.

I) INGLATERRA
´

A Centralização precoce
« Ainda

no século XI, o duque da Normandia (região no norte da França) Guilherme, o Conquistador, invadiu a ilha e tornou-se rei, centralizando o poder.
Representação medieval de Guilherme, o Conquistador

I) INGLATERRA
´

A Magna Carta
« Com

o tempo, o poder real foi limitado pelo poder da nobreza. Em 1215, foi imposto ao rei João Sem Terra a Magna Carta, um conjunto de normas que limitava os poderes reais. « Pouco depois surgiu o Parlamento, que tinha o poder de aprovar ou não as determinações reais.
Representação medieval de João Sem Terra

FOLHA DE UMA CÓPIA MEDIEVAL DA MAGNA CARTA

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

TRECHO DA MAGNA CARTA QUE LIMITA O PODER DO REI SOBRE A NOBREZA
´Se alguém foi desalojado ou desapropriado por nós, sem o julgamento legítimo dos seus pares, das suas terras, castelos, liberdades ou direitos, imediatamente os devolveremos a ele; e se surgir uma discórdia a este respeito, então será esclarecida pelo veredito dos vinte e cinco barões, cuja menção é feita abaixo na cláusula para a garantia da paz.µ
Artigo 52 da Magna Carta
Questão 08

´

I) INGLATERRA
´

Guerra das Duas Rosas
«O

poder real se fortaleceu a partir da Guerra das Duas Rosas (disputa pela sucessão da Coroa entre importantes famílias nobres inglesas). « A nova dinastia teve sucesso na centralização dos poderes ao longo do século XVI, submetendo o Parlamento ao seu controle.
Representação medieval da Batalha de Tewkesbury

II) FRANÇA
´

Formação da Burocracia e do Exército Real
« Criando

uma burocracia que garantia a cobrança de impostos, os reis franceses puderam criar um exército poderoso, e, assim, concentraram poder.
Coroação do Rei Felipe Augusto em 1179
Este foi o rei que iniciou o processo de centralização do poder.

II) FRANÇA
´

A luta contra os poderes locais
«A

expansão do poder do rei francês sofreu resistência de senhores feudais poderosos e mesmo de reis estrangeiros que tinham feudos na região da França.
Felipe Augusto vence a Batalha de Bouvines

CONQUISTAS TERRITORIAS DE FELIPE AUGUSTO

Azul: Domínio Real Verde: Feudos Franceses Amarelo: Feudos Eclesiásticos Vermelho: Feudos Ingleses

II) FRANÇA
´

A Guerra dos Cem Anos
«A

disputa entre os reis da França e da Inglaterra pelo controle de terras na região francesa deu origem à Guerra dos Cem Anos.
Guerra dos Cem Anos: Verde: terras do Rei Inglês Laranja: terras do Rei Francês

II) FRANÇA
´

A Guerra dos Cem Anos
« Após

um início favorável aos ingleses, a parte final do conflito foi marcada pela expansão do poder do rei francês e da consolidação do controle deste sobre a região da França.

Joana d·Arc: heroína francesa na guerra dos cem anos e símbolo da unificação do reino Francês

´

Mapa da França no Final da Idade Média ² escanear do livro didático

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

GUERRA DOS CEM ANOS E UNIFICAÇÃO DA FRANÇA
Embora diversos fatores contribuíssem para a formação de um sólido Estado centralizado, a Guerra dos Cem Anos suspendeu o fortalecimento do poder monárquico no país, ainda que temporariamente. Em meio aos efeitos do confronto e necessidade da nobreza para ampliar seu exército, a monarquia francesa teve que fazer certas concessões aos nobres e passou por um relativo enfraquecimento. A insatisfação da burguesia com as derrotas, a fome generalizada e a peste negra dificultaram a situação. Somente no início do século XV os franceses obtiveram vitórias decisivas, por ocasião de um grande levante popular contra os ingleses, tendo à frente a figura de Joana D·Arc. A guerra continuou até 1453, quando os franceses expulsaram os ingleses de seu território.
Questão 09

Vicentino e Dorigo, História Geral e do Brasil, v. 1, p.229

III) ESPANHA E PORTUGAL
´

A Reconquista
«A

partir do século XI, teve início a ´Reconquistaµ da península Ibérica pelos cristãos (conquistando os territórios controlados por governantes muçulmanos na região).

III) ESPANHA E PORTUGAL
´

A Reconquista
«A

Reconquista foi acompanhada pela criação de condados e reinos, que logo entraram em um processo de conflitos, alianças e anexações.

III) ESPANHA E PORTUGAL
´

Castela e o Reino da Espanha
« Castela

foi o reino mais poderoso da região. « Aos poucos incorporou boa parte da península, criando o reino da Espanha:
Reino de Leão: incorporado em 1230. ² Reino de Aragão: unificado pelo casamento dos reis católicos em1469. ² Reino Mouro de Granada: conquistado em 1492. ² Reino de Navarra: conquistado em 1512.
²

OS REIS CATÓLICOS, FERNANDO II DE ARAGÃO E ISABELLA I DE CASTELA

ENTRADA DOS REIS ESPANHÓIS EM GRANADA

Questão 10

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

DIVERSIDADE E UNIDADE NA ESPANHA
No século XV, a Espanha era um conjunto de reinos independentes que se haviam formado ao longo da guerra de Reconquista cristã. As diferenças entre os reinos eram enormes: língua, costumes, instituições, moedas, entre outras. E embora a maior parte da população fosse cristã, havia forte presença de muçulmanos e judeus em todos os reinos. O passo mais importante para a formação de um estado unificado na região foi o casamento do rei Fernando de Aragão com a rainha Isabel de Castela, em 1469. A monarquia tentou unificar, na medida do possível, as instituições do reino, pesos e medidas, leis e códigos, esbarrando frequentemente nas tradições de autonomia das cidades e nos privilégios da nobreza.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

Mas, com o apoio da Igreja e com um forte exército profissional, a Coroa foi derrubando essas barreiras, embora tenha mantido os privilégios da nobreza e a sujeição dos camponeses às grandes casas aristocráticas. A unificação espanhola não deixou de ser, em boa medida, uma imposição de Castela sobre os demais reinos e províncias da península. A própria língua castelhana se sobrepôs às demais línguas peninsulares, como o catalão ou o galego, embora a Coroa não as tenha suprimido.
Vainfas, Faria, Ferreira e Santos, História, v.1, p 270-271

Questão 11

III) ESPANHA E PORTUGAL
´

Portugal
« Apenas

uma região da Península Ibérica resistiu à dominação Castelhana: Portugal. « No século XI, tornou-se um reino independente, evitando o controle de Castela. « No século XIV, uma nova tentativa de controle castelhano foi rechaçada com a Revolução de Avis.

AFONSO HENRIQUES
PRIMEIRO REI DE PORTUGAL

Liderou a revolta contra os Nobres da Galícia e contra o Rei de Castela para tornar o Condado Portucalense um reino Independente.

JOÃO I, MESTRE DE AVIS
LÍDER DA REVOLUÇÃO DE AVIS E PRIMEIRO REI DA NOVA DINASTIA

Liderou a revolta da Pequena Nobreza portuguesa e da Burguesia de Lisboa contra a tentativa de Castela de anexar Portugal, inaugurando uma nova Dinastia.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

A REVOLUÇÃO DE AVIS
Parte da nobreza defendia a entrega da coroa portuguesa ao Rei de Castela, representante de uma política eminentemente feudal. Entretanto, os comerciantes, aliados a setores populares, conseguiram impor o nome de D. João, mestre de Avis, ao trono. Foi a chamada Revolução de Avis. Em 1385, na Batalha de Albujarrota, a derrota das tropas castelhanas garantiu a ascensão de D. João ao trono. A nova dinastia caracterizou-se pela aproximação entre os interesses da monarquia e os do setor mercantil: os comerciantes pretendiam ampliar seus mercados e o rei desejava se fortalecer por meio da cobrança de imposto sobre o florescente comércio.
Questão 12

Vicentino e Dorigo, História Geral e do Brasil, v.1, p.232

IV) ITÁLIA E ALEMANHA
´

Essas duas importantes e ricas regiões da Europa não passaram pela formação de grandes Reinos. Permaneceram fragmentadas em diversos reinos, ducados, principados e cidades-Estado.
Papa Alexandre VI: a força do papado era uma das muitas forças a impedir a unificação da Itália

´

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

O PODER DAS CIDADES INDEPENDENTES NA ITÁLIA E NA ALEMANHA
´Não foi tarefa pequena reduzir os privilégios monopolistas de cidades poderosas. Nos países em que elas eram realmente fortes, como na Alemanha e na Itália, somente séculos depois se estabelecia uma autoridade central com poder bastante para controlar tais monopólios. É essa uma das razões pelas quais as comunidades mais poderosas e ricas da Idade Média foram as últimas a tingir a unificação (...)µ
Leo Huberman, História da riqueza do Homem, p.75.

IV) ITÁLIA E ALEMANHA
´

O Sacro-Império
« Foi

Sacro-Império Romano em 1648

uma tentativa de estabelecer um poder unificador na região alemã. « A nobreza e o clero das diversas regiões sob jurisdição imperial mostraram-se poderosas demais para serem subjugadas pelos imperadores ² sem falar das poderosas cidades autônomas.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

AS ³FORÇAS CENTRÍFUGAS´ NA ALEMANHA
´[Não só a Alemanha] era bem maior em território que as duas outras [Inglaterra e França], como também eram muito maiores as suas divergências sociais e geográficas internas. (...) A casa governante teria necessitado de uma área territorial e poder mais extensos do que na França ou na Inglaterra para dominar as forças centrífugas [na região da Alemanha] (...) O que havia, por conseguinte, era uma formação política em escala inteiramente diferente e, em conseqüência, fértil em tensões e conflitos de interesses muito superiores aos da área franca do Ocidente (...)µ
Questão 13

Norbert Elias, O Processo Civilizador, p.91

IV) ITÁLIA E ALEMANHA
´

Península Italiana
«O

confronto entre diferentes e poderosas forças, como o próprio Império, o Papa e as ricas cidades italianas, impediu que um poder centralizador único se estabelecesse.

A EUROPA NO INÍCIO DO SÉCULO XVI

2. AS MONARQUIAS ABSOLUTISTAS (SÉCULOS XVI-XVIII)

A) O ESTADO ABSOLUTISTA
´

A Soberania Real
«O

Estado Absolutista era personificado na figura do Rei. A partir disso, estabeleceu-se a idéia de Soberania, isto é, que dentro de um reino seu Rei era soberano, sobrepondo-se a todos os outros poderes. « A relação entre o Estado e os governantes é uma relação de fidelidade dos súditos para com seu rei. Não existia o princípio de cidadania, os súditos devem obediência ao rei e seus representantes. As vontades reais justificam as medidas tomadas pelo Estado por si só.

REPRESENTAÇÃO DE LUÍS XIV, O REI-SOL

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

A SOBERANIA REAL E A OBEDIÊNCIA DOS SÚDITOS
´A tranqüilidade dos súditos só se encontra na obediência. (...) Sempre é menos ruim para o público suportar do que controlar incluso o mau governo dos reis, do qual Deus é o único juiz. Aquilo que os reis parecem fazer contra a lei comum funda-se, geralmente, na razão de Estado, que é a primeira das leis, por consentimento de todo mundo, mas que é, no entanto, a mais desconhecida e a mais obscura para todos aqueles que não governam.µ
Questão 14

Luís XIV, Rei da França, Memórias.

NICOLAU MAQUIAVEL, AUTOR DE O PRÍNCIPE

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

CONTROLE DO PODER PELO REI COMO RAZÃO DE ESTADO ACIMA DO BEM E DO MAL
´E há de se entender o seguinte: que um príncipe, e especialmente um príncipe novo, não pode observar todas as coisas a que são obrigados os homens considerados bons, sendo freqüentemente forçado, para manter o governo, a agir contra a caridade, a fé, a humanidade, a religião. É necessário, por isso, que possua ânimo disposto a voltar-se para a direção a que os ventos e as variações da sorte o impelirem, e, como disse mais acima, não partir do bem, mas, podendo, saber entrar para o mal, se a isso estiver obrigado.µ
Questão 15

Maquiavel, O Príncipe.

A) O ESTADO ABSOLUTISTA
´

A centralização do Poder
« Como

poder soberano, o Rei não divide as atribuições do poder com qualquer outra instituição. « A centralização do poder passava pela criação de instituições que unificassem em todo o reino as prerrogativas do poder real.
² Assim

foram criados o exército real, a burocracia administrativa, corpos de leis e tribunais unificados e um sistema tributário para o reino.

LUÍS XIV, REI DA FRANÇA, REUNIDO COM SEUS SECRETÁRIOS E CONSELHEIROS

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

A INDIVISÃO DOS PODERES REAIS
´

´É somente na minha pessoa que reside o poder do soberano (...) é somente de mim que os meus tribunais recebem a sua existência e sua autoridade; a plenitude desta autoridade, que eles não exercem senão em meu nome, permanece sempre em mim voltado; é unicamente a mim que pertence o poder legislativo, sem dependência e sem partilha (...) toda a ordem pública emana de mim, e os direitos e interesses da nação, de que se pretende ousar fazer um corpo separado do monarca, estão necessariamente unidos com os meus e repousam nas minhas mãosµ
Pronunciamento do Rei Luís XV, da França, em 1766.

Questão 16

A) O ESTADO ABSOLUTISTA
´

Poder Absoluto?
«O

Rei nunca tinha de fato um poder absoluto. « Por um lado, ele tinha limitações estipuladas pelo direito costumeiro, que estabelecia limites e obrigações aos Reis ² que descumpridas levavam a mobilizações contra o Rei. « Por outro lado, o Rei precisava manter o apoio da nobreza e da burguesia, o que o obrigava a tomar medidas favoráveis a eles e de tomar medidas que os prejudicassem. « Além disso, o poder real variou bastante de reino para reino e ao longo do tempo.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

OS LIMITES DO ABSOLUTISMO
´Nenhuma monarquia ocidental gozara jamais de poder absoluto sobre os seus súditos (...) Todas estavam limitadas, mesmo no máximo das suas prerrogativas, pelo complexo de concepções designado por direito divino ou natural. (...) Nenhum Estado Absolutista poderia alguma vez dispor à vontade da liberdade ou da propriedade fundiária da própria nobreza, ou da burguesia, à maneira das tiranias asiáticas coevas.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

OS LIMITES DO ABSOLUTISMO

Nem tampouco realizaram nunca uma centralização jurídica completas; os particularismos corporativos e as heterogeneidades regionais herdados da época medieval marcaram os Ancien Régimes até à sua destruição final. A monarquia absoluta no Ocidente esteve sempre, de fato, duplamente limitada: pela persistência de corpos políticos tradicionais abaixo dela e pela presença de um direito arqui-moral acima dela.µ
Perry Anderson, Linhagens do Estado Absolutista, p.54-55.
Questão 17

França Séc. XVI Séc. XVII Séc. XVIII
Estabelecimento de um poder concentrado mais concentrado nas mãos do rei.

Espanha
Processo de unificação dos reinos sob o poder de uma única casa real. Período do apogeu do Império Espanhol. Crise econômica do Império Espanhol, que diminuiu a influência dos Reis espanhóis mas não abalou a centralização do poder. Tentativas de reformas do governo para aumentar o poder real, mas que não evitaram a decadência do Absolutismo.

Inglaterra
Período de maior concentração de poder dos Reis Ingleses.

Período e reino clássico do Absolutismo, momento de maior concentração do poder nas mãos do Rei. Início da crise do Absolutismo, os reis passam a sofrer críticas e ataques de diversos setores.

Época das Revoluções Inglesas, que impuseram limites ao poder real e fortaleceram o Parlamento. Período de grande poder do Império Britânico, mas o poder do Rei era dividido com o Parlamento.

REIS DA FRANÇA
Henrique IV (1589-1610):
inaugurou a Dinastia Bourbon e centralizou bastante o poder nas mãos da casa real.

Luís XV (1715-1774):
Envolveu a França em derrotas militares e crise financeira, enfraquecendo o poder real.

Luís XIV (1643-1715):
o Rei-Sol, símbolo maior do Absolutismo. Concentrou poderes como nenhum outro rei da época

REIS DA ESPANHA
Carlos II ( 1665-1700):
Governou a Espanha em um período de perda de importância no contexto internacional

Carlos III (1759-1788): Felipe II ( 1556-1598):
Apesar de algumas derrotas militares importantes, o Império Espanhol atingiu seu apogeu. Implementou as Reformas Bourbônicas, conjunto de reformas administrativas com objetivo de centralizar o poder.

REIS DA INGLATERRA
Carlos I (1625-1649):
Enfrentou a resistência do Parlamento em suas tentativas de centralização do poder. Acabou executado por uma Revolução

Jorge III (1760-1820): Elizabeth I (1558-1603):
Organizou a Igreja Anglicana, suprimiu revoltas internas e combateu tentativas de invasão estrangeira. Rei inglês no período de expansão do poder do Império, porém seu poder já era compartilhado com o Parlamento

B) ESTRATÉGIAS DE CENTRALIZAÇÃO DO PODER
´

A manutenção do poder forte e centralizado nas mãos dos reis não se dava naturalmente. O poder absolutista dos reis dependia de estratégias para o fortalecimento do poder real.

´

I) A MANUTENÇÃO DO EQUILÍBRIO DE FORÇAS ENTRE OS GRUPOS SOCIAIS
´

O Estado absolutista se consolidou em um momento histórico de enfraquecimento da nobreza e ascensão da burguesia. É este equilíbrio de forças sociais que permite a formação de um poder tão centralizado, que administra os interesses e os conflitos de ambos os grupos para conseguir manter seu apoio ² sem, por outro lado, fortalecê-lo a ponto de perder o controle do Estado para tal grupo.

´

Esquema-Resumo

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

O ESTADO ABSOLUTISTA ENTRE A BURGUESIA E A NOBREZA
´Esse tipo de Estado assegura à aristocracia a manutenção de sua hegemonia. (...) [Mas também é verdade que] a burguesia mercantil encontrou na aliança com os príncipes um instrumento capaz de favorecer seus próprios interesses econômicos e políticos. (...) Mas, afinal, esse Estado é feudal ou capitalista? Na verdade, diríamos que ele é as duas coisas e, por isso mesmo, não é exatamente nem uma, nem outra. (...) O Estado absolutista tende a expressar a busca de um equilíbrio precário, a longo prazo impossível, entre classes (...) cujos interesses são em parte complementares e em parte antagônicosµ.
Francisco Falcon, Mercantilismo e transição. p. 32-36.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

O ³MECANISMO RÉGIO´ ´A antítese entre os dois grupos principais era demasiado grande para tornar provável uma solução conciliatória decisiva entre eles; e a distribuição de poder, juntamente com a estreita interdependência de ambos, impedia a luta final ou clara predominância de um sobre o outro. Assim, incapazes de unirem-se, incapazes de lutarem com toda a sua força e vencerem, tiveram todos que deixar ao suserano as decisões que eles mesmos não podiam tomar.µ
Norbert Elias, O Processo Civilizador, vol.2, p.155.
Questão 18

II) O CONTROLE SOBRE A RELIGIÃO
´

´

´

Os conflitos religiosos entre Católicos e Protestantes abriram grandes possibilidades para a centralização do poder dos reis. Em países protestantes, os reis usaram a ruptura com a Igreja Católica para acabar com a interferência estrangeira do Papa. Nos países católicos, os reis usaram a aliança com o Papa para controlar a Igreja em seu reino e perseguir grupos dissidentes.

INQUISIÇÃO ESPANHOLA
´

Os Reis Católicos instituíram um Tribunal Inquisitorial sob seu controle com autorização papal. Com isso, a estrutura eclesiástico passou a fortalecer o poder real.

EXPULSÃO DE JUDEUS E MUÇULMANOS PELOS REIS CATÓLICOS DA ESPANHA

´

Decreto de Alhambra (1492), que determinava a expulsão dos judeus da Espanha. No mesmo ano foi determinada a expulsão dos Muçulmanos.

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

RELIGIÃO E ESTADO NA INQUISIÇÃO ESPANHOLA
´Esse poder [de nomear os inquisidores] concedido aos príncipes era um acontecimento inédito: até então, a nomeação dos inquisidores, cuja jurisdição se sobrepunha à jurisdição tradicional dos bispos em matéria de perseguição das heresias, estava reservado ao papa. (...) Tratava-se de uma verdadeira transferência de competências (...) a ruptura com a tradição medieval (...) era flagrante: pela primeira vez, assistia-se ao estabelecimento de uma ligação formal entre a jurisdição eclesiástica e a jurisdição civil, pois a intervenção do príncipe no processo de nomeação dos inquisidores alterava as relações de fidelidade desses agentes.µ
Francisco Bethencourt, História das Inquisições, p.17-18

REFORMA LUTERANA E OS PRÍNCIPES ALEMÃES CONTRA O PAPA
Martinho Lutero ao romper com a Igreja Católica e lançar as bases da Reforma Protestante foi protegido por Príncipes alemães que pretendiam diminuir a influência do Papa na Alemanha ² e também confiscar bens da Igreja.

HENRIQUE VIII E A IGREJA ANGLICANA
Para diminuir a influência do Papa na Inglaterra e concentrar riquezas e poderes em suas mãos, rei inglês Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e fundou uma nova Igreja, cujo chefe era ele próprio.

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

ATO DE SUPREMACIA DO REI INGLÊS
´O rei é o chefe supremo da Igreja na Inglaterra (...) Nesta qualidade, o rei tem todo o poder de examinar, reprimir, corrigir tais erros, heresias, abusos, ofensas e irregularidade que sejam ou possam ser reformados legalmente por autoridade (...) espiritual (...) a fim de conservar a paz, a unidade e a tranqüilidade do reino, não obstante todos os usos, costumes e leis estrangeiras, toda autoridade estrangeira.µ
Ato de Supremacia de 1534

Questão 19

III) O MERCANTILISMO
´

Importância das finanças para o Poder Real
« Os

reis precisavam de recursos financeiros para manter seu poder forte e centralizado. « Para isso, desenvolveram políticas econômicas com objetivo de manter uma balança comercial favorável. « Neste contexto também entravam os interesses da alta burguesia, que via no financiamento e nas vantagens garantidas por essas políticas uma oportunidade de grandes lucros.

Esquema-Resumo

Práticas Mercantilistas
Apoio às atividades dos Burgueses

Balança Comercial Favorável Enriquecimento do Tesouro Nacional

Aliança com Burgueses Poderosos

Fortalecimento do Poder Real

III) O MERCANTILISMO
´

Práticas mercantilistas:
« Estímulo

ao comércio de longa distância de produtos com alta taxa de lucro (comércio de especiarias do oriente ou o comércio colonial no Atlântico). « Estímulo a produção de produtos com alta taxa de lucratividade (no próprio reino ou em colônias) para a venda no mercado europeu. « Exploração de minas de metais preciosos nas colônias.

COMÉRCIO E GRANDES NAVEGAÇÕES
Burgueses e reis se associaram em expedições marítimas que visavam estabelecer novas rotas comerciais e conquistar territórios. Portugal e Espanha tiveram a primazia nessas navegações, mas logo foram seguidas por Inglaterra, França e Holanda.

MINERAÇÃO NA AMÉRICA

Ao encontrar minas de metais preciosos em suas colônias americanas, Espanha e Portugal incentivaram a mineração para garantir o afluxo de riquezas para seus reinos.

PLANTAÇÕES NAS COLÔNIAS
Produtos tropicais (que não podiam ser produzidos na Europa) eram cultivados nas colônias para serem comercializados no mercado europeu. O açúcar na América Portuguesa, que depois se espalhou por colônias holandesas, francesas e inglesas foi um dos principais produtos.

COMÉRCIO COLONIAL
Cada reino europeu tentava expandir os negócios de seus comerciantes e impedir que os outros reinos estabelecessem relações comerciais com regiões de suas colônias. Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda participaram do comércio de diversas mercadorias, como produtos agrícolas coloniais e escravos

COLBERTISMO

Colbert, ministro de Luís XIV, criou um conjunto de medidas (em especial o protecionismo alfandegário) para estimular a produção de manufaturas de luxo na França voltadas para exportação.

Questão 20

III) MERCANTILISMO
´

Unificação do Mercado do Reino
« Com

a concentração do poder nas mãos do rei, este passou a combater os particularismo das normas estabelecidas pelas corporações de ofício. « Aos poucos, estas corporações perderam o poder de estabelecer estas normas, sendo submetidas às prerrogativas reais. « Com isso, os mercados fragmentados existentes na realidade social das corporações de ofício de cada cidade foram aos poucos sendo unificados em um mercado único sob as regulamentações reais.

´Considerando que os mestres, responsáveis e membros das corporações, fraternidades e outras associações (...) se avocam muitos regulamentos ilegais e absurdos (...) cujo conhecimento, execução e correção pertencem exclusivamente ao rei. (...) O mesmo rei nosso senhor, a conselho e com permissão dos conselheiros espirituais e temporais e a pedido dos mencionados comuns, ordena, pela autoridade do mesmo Parlamento, que os mestres, responsáveis e membros de todas as corporações, fraternidades ou companhias (...) apresentem (...) todas as suas cartas patentes e estatutos para serem registrados perante os juízes de paz (...) e ainda ordena e proíbe, pela autoridade acima mencionada, que doravante tais mestres, responsáveis ou membros façam uso de regulamentos que não tenham sido primeiramente discutidos e aprovados como bons e justos pelos juízes de paz.µ
Em Leo Huberman, História da riqueza do Homem, p.74.

CONTROLE REAL SOBRE AS NORMAS DAS CORPORAÇÕES

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

PROIBIÇÃO ÀS CORPORAÇÕES EM PARIS
´Carlos, pela graça de Deus rei da França (...) depois de demorada deliberação de nosso grande conselho (...) ordena que em nossa dita cidade de Paris não haverá, doravante, mestres de ofício ou comunidades de qualquer tipo. (...) Mas desejamos e ordenamos que em todo ofício serão escolhidos pelo nosso preboste (...) certos elementos antigos do dito ofício (....) e que portanto estão proibidos de realizar qualquer reunião como associação de oficiais ou outras (...) a menos que tenham o nosso consentimento, permissão e licença, ou consentimento de nosso preboste (...) sob pena de serem tratados como rebeldes e desobedientes de nós e de nossa coroa da França e de perda de direitos e possessõesµ
Em Leo Huberman, História da riqueza do Homem, p.74.
Questão 21

IV) GUERRA E DIPLOMACIA
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As guerras foram importante no processo de formação dos reinos absolutistas e continuaram importantes depois de seu estabelecimento. A conquista de territórios e de mercados eram fundamentais para o aumento do poder dos reis. Além disso, as disputas religiosas também alimentaram muitos conflitos. Como forma de criar alianças importantes para tais guerras, desenvolveram-se importantes mecanismos diplomáticos, como alianças matrimoniais e envio de embaixadores para as cortes de reis e príncipes estrangeiros.

EFETIVOS MILITARES NA EUROPA Espanha
1470 1550 1590 1630 1650 1690 1710 1760 1789 20.000 150.000 200.000 300.000 100.000 Sem dados Sem dados Sem dados Sem dados

França
40.000 50.000 80.000 150.000 100.000 400.000 350.000 330.000 180.000

Inglaterra
25.000 20.000 30.000 Sem dados 70.000 70.000 75.000 200.000 40.000

Fonte: Paul Kennedy, Ascensão e queda das grandes potências, p.62

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

OS HORRORES DA GUERRA PARA OS CAMPONESES
´[os homens de guerra] viviam às custas das populações. Violavam as mulheres. Extorquiam dos habitantes, por meio do terror, a confissão do esconderijo de seu dinheiro, amarrando os homens, arrancando-lhes a barba, empurrando-os no fogo da lareira, atando-os a um poste para golpeá-los. Saqueavam as casas onde não encontravam bastante dinheiro, estripavam as barricas, estropiavam os animais domésticos, massacravam as aves de criação. Ao deixar um alojamento, levavam mobílias e roupas, louças e cobertas. Ora, os oficiais não faziam nada para deter as pilhagens, que eram o melhor chamariz para o recrutamento.µ
Yves-Marie Bercé, em Jean Delumeau, História do medo no Ocidente, p.168.
Questão 22

V) AS TEORIAS DE JUSTIFICAÇÃO DO PODER REAL
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Com o desenvolvimento do Absolutismo, vários pensadores tentaram explicar e justificar sua existência. Duas linhas de argumentação básica foram defendidas:
Direito Divino dos Reis: O poder dos reis emanava de Deus, eles eram representantes divinos na Terra. « Principais autores: Jacques Bossuet e Jean Bodin. « Necessidade de Ordem: O poder dos reis era necessário para estabelecer a harmonia na sociedade. « Principais autores: Tomas Hobbes e Hugo Grotius .
«

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

PODER REAL JUSTIFICADO PELO DIREITO DIVINO
"Quando Nosso Senhor Deus fez as criaturas, não quis que todas fossem iguais, mas estabeleceu e ordenou a cada um a sua virtude. Quanto aos reis, estes foram postos na terra para reger e governar o povo, de acordo com o exemplo de Deus, dando e distribuindo não a todos indiscriminadamente, mas a cada um separadamente, segundo o grau e o estado a que pertencerem".
Adaptado das Ordenações Afonsinas II, 48

JEAN BODIN

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

PODER REAL JUSTIFICADO PELO DIREITO DIVINO
´Nada havendo maior poder sobre a terra, depois de Deus, que os príncipes soberanos, e sendo por Ele estabelecidos, como seus representantes para governarem os outros homens, é necessário lembrar-se de sua qualidade, a fim de respeitar-lhes e reverenciar-lhes toda a majestade com toda a obediência, a fim de sentir e falar deles com toda a honra, pois quem despreza seu príncipe soberano, despreza a Deus, de quem ele é a imagem na terra.µ ´A marca principal da majestade soberana e do poder absoluto é essencialmente o direito de impor leis aos súditos sem o consentimento destes (...) A lei não é senão o mando do soberano no exercício do seu poderµ.
Jean Bodin (1530-1596)
Questão 23

JACQUES BOSSUET

´Três razões fazem ver que este governo é o melhor. A primeira é que é o mais natural e se perpetua por si próprio (...) A segunda razão (...) é que esse governo é o que interessa mais na conservação do Estado e dos poderes que o constituem: o príncipe, que trabalha para seu Estado, trabalha para seus filhos, e o amor que tem pelo seu reino, confundido com o que tem pela sua família, torna-se-lhe natural. (...) A terceira razão tira-se da dignidade das casas reais. (...) A inveja que se tem naturalmente daqueles que estão acima de nós, torna-se aqui em amor e respeito; os próprios grandes obedecem sem repugnância a uma família que sempre viram como superior e à qual se não conhece outra que a possa igualar (...). O trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus.
Questão 24

PODER REAL JUSTIFICADO PELO DIREITO DIVINO, PELA TRADIÇÃO E PELO PATERNALISMO

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

Jacques Bossuet, A política tirada da Sagrada Escritura.

THOMAS HOBBES

Textos escritos na época (fontes primárias) ² Fonte

PODER REAL JUSTIFICADO COMO NECESSÁRIO PARA IMPEDIR OS CONFLITOS ENTRE AS PESSOAS
´O principal objetivo dos homens (que amam naturalmente a liberdade e o domínio sobre os outros), ao introduzir proibições sobre si mesmos sob as quais vivemos nos Estados, é a vontade de cuidar da sua própria sobrevivência e ter uma vida mais satisfeita. Quer dizer, o desejo de sair daquela condição miserável de guerra que é a conseqüência inevitável das paixões naturais dos homens, quando não há um poder capaz de os manter em respeito, forçando-os por meio do castigo, ao cumprimento de seus pactos e ao respeito àquelas leis de natureza (...)µ
Thomas Hobbes

Análise de Historiadores sobre esta época ² Análise

HOBBES E O TEMOR DA GUERRA CIVIL
´Hobbes desenvolveu sua teoria do Estado a partir da situação histórica provocada pelas guerras civis religiosas. Para ele, que testemunhou a formação do Estado absolutista na França (...) não havia outro objetivo a não ser evitar a guerra civil (que lhe parecia iminente na Inglaterra) ou, se ela fosse deflagrada, encontrar meios de terminá-la.(...) Observava que não havia nada mais instrutivo em matéria de lealdade e justiçado que a recordação da guerra civil. Em meio às agitações revolucionárias, procurava um fundamento sobre o qual se pudesse construir um Estado que garantisse paz e segurança.µ
Questão 25

Reinhart Koselleck, Crítica e Crise, p.26.

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