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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DE DA ___ª VARA DA COMARCA DE ARARIPINA-PE

MARIA ALDENIR DE SOUSA, brasileira, inscrita no CPF sob o nº 028.179.734-02 portadora do


RG nº 34235960, residente e domiciliada à Rua Carmelita Maria do Carmo, nº 159, Bairro São
Geraldo, Trindade-PE, CEP: 56250-000, sem endereço eletrônico, vem por intermédio de sua
advogada infra-assinado, com endereço profissional localizado na Rua Joaquim Alexandre
Arraes, 43, mui respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fundamento na Lei 11.945 de
04 de junho de 2009 propor a presente:

AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL POST MORTEM

Em face de RISALVA MARIA SILVA ANDRADE, brasileira, viúva, residente e domiciliada em


local incerto e desconhecido.

Em razão do falecimento de ANTÔNIO BRANDO DE ANDRADE, até então portador do RG nº


5966341 e inscrito do CPF sob o nº 772.819.774-68, falecido em 11 de Dezembro de 2015,
conforme certidão de óbito anexa.
1. DOS FATOS

ANTÔNIO BRANDO DE ANDRADE foi casado com a parte requerida por aproximadamente 16
anos, havendo sido rompida a relação de fato em 2005, porém não houve divórcio judicial, o que
fez com que o falecido permanecesse oficialmente casado com a ré até a data da sua morte,
quando a requerente, ao tomar conhecimento da situação, passou a pleitear a presente ação.

A requerente e o falecido conviveram em união estável por cerca de 10 anos, sendo a referida
convivência pública e contínua, estabelecida com objetivo de constituição de família, conhecida
por parentes e amigos, o que se pode constatar pelas fotos inclusas neste tópico.

Essa união persistiu até o falecimento do já citado de cujus, em 11 de Dezembro de dois mil e
quinze, durante a constância da união estável, sobreveio um filho, ANTÔNIO BRANDO DE
ANDRADE FILHO, menor impúbere.

A autora possui documentos e fotografias que comprovam a relação alegada, não restando
dúvidas quanto à natureza de união estável que existiu entre a requerente e o de cujus.
2. DO DIREITO

O reconhecimento e regulamentação das relações familiares informais, conhecidas como “união


estável”, constitui um grande avanço no Direito de Família pátrio. Conforme progridem os
costumes de uma sociedade, marcadamente a sociedade brasileira, conhecida por sua
informalidade, faz-se mister um avanço nas normas jurídicas a fim de regulamentar as inovações
fáticas, no sentido de proteger o interesse dos particulares e, também, o interesse público
inerente a essas relações. Preceitua o art. 226, §3º da Carta Magna e o art. 1.723 do Código
Civil, in verbis:

“§3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável


entre homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar
a sua conversão em casamento.”

“Art. 1.723: É reconhecida como entidade familiar a união estável entre


o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e
duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”.

Conforme já salientado alhures, os companheiros conviveram juntos


em situação análoga à matrimonial ao longo de mais de onze anos, o
que é incontestavelmente suficiente para satisfazer a exigência legal
que, embora não estabeleça prazo para configurá-la, exige que a
mesma tenha perdurado por período duradouro, o que aconteceu, de
fato.

Cumpre, portanto, ressaltar quein casu estão presentes todos os requisitos para que a união seja
alçada à condição de entidade familiar, portanto, valorizada e em várias situações equiparada ao
casamento, a saber; convivência duradoura, pública, contínua, e finalmente, o objetivo de
constituir família.
3. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer:

a) Que se digne Vossa Excelência, depois de ouvir o douto representante do Ministério Público,
julgar procedente a presente ação, sendo declarado o reconhecimento da união estável para que
produza seus efeitos jurídicos e legais.

b) A intimação do ilustre representante do Ministério Público para que acompanhe o feito;

c) A citação da parte ré para responder a presente ação, no prazo legal;

d) A condenação da parte ré nas custas e despesas processuais, bem como em honorários de


sucumbência;

e) Finalmente, requer a concessão dos benefícios da justiça gratuita, vez que a autora se declara
hipossuficiente, conforme declaração anexa.

Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente pela produção
de prova documental e testemunhal, a saber:_________, RG nº _________, endereço.

Não obstante inestimável, dá-se ao pleito o valor de R$ 956,00 (novecentos e cinquenta e seis
reais) para fins fiscais.
ARARIPINA-PE, 2 de Abril de 2018

MARCELA PABLY BATISTA ARRAES

OAB-PE nº 41.941

GEAZI NATAN CARLOS DE MACEDO

Estagiário