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UFRJ – Fac. de Medicina – “RESUMÃO DO CORUJÃO” (M1, 2014.

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Como um pequeno incentivo à solidariedade entre o colegas na família Fundão... Saudações do Dinno

Apontamentos de Embriologia
GAMETOGÊNESE FEMININA (OVOGÊNESE) + OVULAÇÃO

1) Introdução: anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


- Canal vaginal independente do uretral
--- O meio ácido da vagina protege o sistema reprodutor contra infecções, mas também se torna inóspito aos
gametas masculinos.

- Cérvix uterino envolto em muco espesso – outra barreira à penetração de gametas.

- Tubas uterinas compostas, cada uma, por uma porção estreita (isto) e uma larga (ampola), no epitélio das quais
as células apresentam cílios que promovem a locomoção do gameta feminino.

- A porção terminal das tubas é constituída de fímbrias e se abre para a cavidade peritoneal, onde os ovários
estão suspensos por ligamentos.
--- À ovulação, um mecanismo deve assegurar que o ovócito “não se perca” no abdome, mas seja captado pela
tuba uterina e migre em direção ao lúmen do útero.
--- Esse mecanismo envolve a sinalização de moléculas como as prostaglandinas produzidas no ovário, que
promovem a aproximação das fímbrias do ovário.
* Casos em que esse mecanismo falha podem ocasionar gravidez ectópica na parede abdominal (ainda mais rara
do que a ectopia tubária)

2) O ciclo menstrual
- Os hormônios que controlam o ciclo (LH, FSH, estrógeno e progesterona) influenciam:
--- No desenvolvimento do folículo ovariano – maturação do ovócito e do folículo como um todo
--- Na ovulação – eclosão do folículo e formação de uma estrutura endócrina: o corpo lúteo
--- Nas modificações uterinas – da proliferação à descamação do endométrio

- As fases do ciclo menstrual são:


--- Fase menstrual – começa no 1º dia da menstruação e inicia o ciclo. O endométrio que não recebeu um
embrião no ciclo anterior descama e o rompimento das arteríolas espiraladas causa hemorragia.
--- Fase proliferativa – começa mais ou menos a partir do 5º dia. É quando o endométrio volta a responder ao
estrógeno e se prepara novamente para a possibilidade de implantação dum embrião.
--- Fase secretória – começa a partir do 14º dia (meio do ciclo), quando ocorre a ovulação. A partir de então, os
hormônios estrógeno e progesterona secretados no ovário se encarregarão de manter o endométrio espesso e
eventualmente preparar o embrião para o seu desenvolvimento.

- Eventos das fases proliferativa e secretória:

(1) Aumento progressivo da secreção de FSH


--- O GnRH hipotalâmico estimula a hipófise, que produz sobretudo FSH (embora também LH).
--- Alguns folículos são estimulados a amadurecer no ovário – Células que envolvem o ovócito quiescente se
multiplicam e diferenciam.
(2) Produção acelerada de estrogênio e queda do FSH
--- Em resposta ao FSH, células do folículo ovariano convertem andrógenos produzidos localmente em estrogênio,
que age no útero induzindo o desenvolvimento do endométrio.
--- O estrogênio, assim como o hormônio “inibina” produzido no folículo, promove feedback negativo na hipófise
– queda na secreção de FSH.

(3) Pico de liberação do LH


--- Baixas concentrações de FSH combinadas com altas concentrações de estrogênio induzem à dramática
liberação de LH pela hipófise.
--- Esse é o sinal para a ovulação: o LH leva à produção de progesterona pelo folículo, que ativa o ovócito – o
gameta deixa enfim o seu estado de quiescência – e o libera.
* Por isso, a função da maioria das pílulas anticoncepcionais é inibir esse pico de LH – mantendo altos os níveis de
estrógeno e progesterona, a produção de gonadotrofinas pela hipófise é inibida, cortando o sinal para o
amadurecimento de novos folículos e a ovulação.

(4) Intensa atividade secretória do corpo lúteo


--- A progesterona e mais estrógeno produzidos pelas células luteínicas mantêm o endométrio viável, espesso.
--- Ao mesmo tempo, os hormônios ovarianos promovem feedback negativo na hipófise, inibindo o LH.

(5) Degeneração final do corpo lúteo e fim do ciclo


--- Sem LH suficiente, o corpo lúteo naturalmente degenera após alguns dias.
--- Consequentemente, a queda hormonal induz a descamação do endométrio.
--- Por fim, cortada a inibição ovariana da hipófise e do hipotálamo, o ciclo se reinicia – nova produção de FSH.

3) A meiose e a maturação dos ovócitos


- As ovogônias são células que derivam diretamente das CGPs (células germinativas primordiais) e se multiplicam
por mitose apenas durante o desenvolvimento embrionário (até a 12ª semana)
--- Ao nascimento, todas as ovogônias entraram em meiose e estacionaram na prófase I, transformando-se em
ovócitos primários – essas células, ainda diploides, permanecerão quiescentes ao longo da infância da mulher.

- Na puberdade, cada folículo que amadurece completamente (em resposta à liberação lenta de FSH e ao pico de
LH) permite ao seu ovócito completar a meiose I e entrar na meiose II – surgem os ovócitos secundários.
* 5 a 12 folículos começam a amadurecer a cada ciclo menstrual até o fim da vida fértil da mulher, mas apenas 1
completa essa maturação e ativa o seu ovócito, ao passo que os demais degeneram.

- Ao fim da meiose I, os ovócitos primários se subdividem de forma assimétrica.


--- Uma das células-filhas (haploides) será funcional – será um ovócito secundário propriamente dito
--- A outra célula-filha terá uma quantidade mínima de citoplasma – será um ovócito disfuncional, chamado
primeiro corpúsculo polar.

- A ovulação não leva ao término da meiose II do ovócito secundário.


--- O ovócito liberado é haploide, mas seu genoma ainda está duplicado (falta a divisão meiótica equacional).
--- Isso só será resolvido no caso de haver fecundação – a sinalização celular da fusão dos gametas é o que
desencadeia a formação de um pronucleo feminino definitivo (com 23 cromossomos não duplicados).
--- Aí então o material genético em excesso do ovócito é eliminado sob a forma de um segundo corpúsculo polar.

4) O desenvolvimento do folículo
- O “folículo primordial”, na gônada em desenvolvimento, é formado por uma célula germinativa envolta por
células achatadas do estroma: as células foliculares primitivas.
--- Esse aspecto aplainado das células foliculares é temporário -> ao nascimento, elas já são predominantemente
cúbicas, formando o chamado “folículo primário”.

- No entorno das células foliculares existem as chamadas células da teca.


--- A camada da "teca interna" é produtora de hormônios andrógenos (testosterona e androstenediona,
rapidamente convertidos a estrogênio pelas células foliculares, que têm a enzima aromatase)
--- Enquanto isso, a "teca externa" se comporta mais como uma cápsula fibrosa do folículo.

- Os primeiros folículos primários se desenvolvem durante a puberdade.


--- Em folículos primários estimulados por FSH, as células foliculares se multiplicam, formando duas ou mais
camadas – essas camadas constituem a granulosa.
--- Além disso, esses folículos produzem a zona pelúcida – camada glicoproteica entre o ovócito e as células
foliculares, atravessada por junções comunicantes que permanecem intactas até bem perto da ovulação.

- Depois, surge uma cavidade intrafolicular preenchida por líquido com grande concentração de hormônios
(sobretudo estrogênio): o antro, que divide as células da granulosa em um folheto mais interno (que reveste o
ovócito) e um mais externo (que reveste todo o folículo)
--- Nesse momento, está formado o “folículo secundário” (ou “folículo antral”)
--- Ali, um pedículo de células foliculares continua ligando o ovócito e suas células de revestimento ao resto do
folículo: o "cumulus oophorus"

- Horas antes da ovulação, apenas, o folículo é considerado maduro, sendo então denominado “folículo de Graaf”
(ou “folículo terciário”).
--- Esse folículo faz uma saliência na superfície do ovário (o “estigma”), e desaparecem as junções comunicantes
entre as células foliculares e o ovócito (que se torna secundário pelo término da meiose I).

* Enquanto 5-12 folículos começam a amadurecer por ciclo menstrual, em geral apenas um cresce rápido,
produzindo grande quantidade de estrogênio.
--- O estrogênio inibe a liberação de FSH pela hipófise, causando a involução dos demais folículos (processo
denominado atresia) -> “folículos atrésicos".
--- Enquanto isso, o folículo "selecionado" continua crescendo por feedback positivo intrínseco.
5) Ovulação e luteinização
- Reação folicular e ovulação.
--- Após o pico de LH, o ovócito e suas células envolventes se separam do cumulos oophorus e ficam "soltos" no
antro.
--- Depois, compostos que induzem a inflamação e enzimas líticas provocam o rompimento do folículo.
--- As células foliculares que são liberadas junto ao ovócito passam a ser chamadas em conjunto de corona
radiata.

- A formação do corpo lúteo


(*lúteo = “amarelado”, devido à alta concentração local de hormônios esteroides)
--- O folículo já secretava estrógeno desde o início do ciclo, e progesterona a partir do pico de LH. Porém, sua
função agora será exclusivamente secretória até a degeneração – sobretudo a secreção de progesterona.
--- Sua estrutura é assim mantida funcional por um tempo que depende da ocorrência ou não de fecundação.
--- Na mulher não fecundada -> corpo lúteo degenera por autólise dentro de alguns dias (10 a 14), tornando-se
uma cicatriz esbranquiçada (o “corpo albicans”)
--- Na mulher com embrião implantado -> produção de gonadotrofina coriônica humana (hCG) pelos
sinciciotrofoblastos do córion inibe a degeneração precoce do corpo lúteo, que cresce e produz progesterona até
que a placenta amadureça e pouco a pouco assuma essa função – ele só degenera por completo lá pelo 5º ou 6º
mês da gestação.