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Questões para preparar o exame final de cristologia

FAJE 2014
Manuel Hurtado, SJ.

NB.- Você poderá escolher uma questão e o professor, no momento da prova, escolherá
outra. Você deverá redigir as suas respostas de maneira ordenada, arrazoada, clara e
completa. Você poderá usar a Bíblia e o Denzinger.

1. Refletindo teologicamente, comenta a seguinte afirmação: “A fé pascal desfigurou a verdadeira


imagem de Jesus de Nazaré, por isso é preciso chegar e recuperar o Jesus da história, afastando
assim tudo aquilo que significa construção teológica ou de fé nos evangelhos”.

2. Explicitar a relevância teológica dos dados pre-pascais abaixo elencados para compreender
como se insinua na missão de Jesus a sua condição de enviado definitivo de Deus: a) O Reino de
Deus como horizonte da mensagem e da vida de Jesus; b) a relação de Jesus com o Pai; c) os
“sinais poderosos” de Jesus e o seu ensinamento com “autoridade”; e) o fato de Jesus ensinar
em parábolas; f) o fato de Jesus chamar ao seguimento.

3. Mostre a significação teológica da ressurreição de Jesus para a vida de Jesus e para a elaboração
da cristologia.

4. Mostre os principais linguagens do Novo Testamento sobre a ressurreição. a) Analise em


concreto a linguagem dos relatos de aparição, b) a antropologia da ressurreição : mostrando a
relação entre o artigo do Credo “ressuscitou dentre os mortos”, a questão do “túmulo vazio” e a
expressão paulina de “corpo espiritual” (1 Cor 15,44).

5. Explicite a dimensão histórica e escatológica da ressurreição servindo-se de textos como: Ef 1,


3-14; Cl 1, 12-20; Fl 2, 6-11; 1 Cor 15.

6. Comenta teologicamente a seguinte afirmação: “O motivo da Encarnação está limitado só à


redenção dos pecados, pois se homem não tivesse pecado, não seria necessária a Encarnação”.

7. Depois de reflexionar teologicamente, comenta a seguinte afirmação: “A Encarnação não está só


em função da redenção dos pecados, i.e., ela visa algo maior. Nesse sentido, pode-se dizer que
visa à ‘humanização do homem’, à nossa recriação em Jesus Cristo e na graça de Deus”.

8. Explique a problemática cristológica do concílio de Éfeso (431). Leve em conta as


circunstâncias, os atores, os argumentos, as conclusões e uma possível atualização.

9. “A carne é o eixo da salvação”. Comente este adágio patrístico considerando a relação


humanidade-divindade em Jesus Cristo e sua importância para a nossa salvação.

10. O centro de nossa fé cristã é uma pessoa cujo nome é uma profissão de fé: Jesus [é o] Cristo. A
cristologia não é só o discurso sobre Jesus, mas o discurso sobre Jesus confessado como o
Cristo. A partir do percurso feito e da experiência de sua relação pessoal com Jesus Cristo,
explicite as contribuições que tal estudo lhe proporcionou e que contribuem para que a vivência
cristã seja pautada pela acolhida do amor gratuito de Deus junto uns com os outros, no mundo.

11. Explique a problemática cristológica fundamental do concílio de Niceia (325). Leve em conta as
circunstâncias, os atores, os argumentos e as conclusões. Para isso, pode ser útil o texto do
Símbolo niceno:
“[Versão grega] Cremos em um só Deus, Pai onipotente, artífice de todas as coisas visíveis e
invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado unigênito do Pai, isto é, da
substância do Pai, Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não
feito, consubstancial ao Pai, por meio do qual vieram a ser todas as coisas, tanto no céu como
na terra; o qual, por causa de nós homens e da nossa salvação, desceu e se encarnou, se en-
humanou, padeceu, e ressuscitou ao terceiro dia, [e] subiu aos céus, havendo de vir julgar os
vivos e os mortos; e no Espírito Santo.”

12. Na definição do Concílio Ecumênico de Calcedônia,


1. analise detalhadamente sua estrutura;
2. comente todos os erros que são combatidos nesta definição;
3. e assinale ao menos duas novidades desta definição.

DH 301-302
[Definição] Seguindo, pois, os santos Padres, com unanimidade ensinamos que se confesse que
um só e mesmo Filho, o Senhor nosso Jesus Cristo, perfeito na sua divindade e perfeito na sua
humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem <composto> de alma racional e de corpo,
consubstancial ao Pai segundo a divindade e consubstancial a nós segundo a humanidade,
semelhante em tudo a nós, menos no pecado [cf. Hb 4,15], gerado do Pai antes dos séculos
segundo a divindade e, nestes últimos dias, em prol de nós e de nossa salvação, <gerado> de
Maria, a virgem, a Deípara (Theotókos), segundo a humanidade; um só e o mesmo Cristo,
Filho, Senhor, unigênito, reconhecido em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem
divisão, sem separação, não sendo de modo algum anulada a diferença das naturezas por
causa da sua união, mas, pelo contrário, salvaguardada a propriedade de cada uma das
naturezas e concorrendo numa só pessoa e numa só hipóstase; não dividido ou separado em
duas pessoas, mas um único e o mesmo Filho, unigênito, Deus Verbo, o Senhor Jesus Cristo,
como anteriormente nos ensinaram a respeito dele os Profetas, e também o mesmo Jesus
Cristo, e como nos transmitiu o Símbolo dos Padres.

13. Explique qual é o fundamento cristológico do título Theotókos dado a , e explique também qual
é a objeção apresentada por Nestório.

14. Tendo presentes os conceitos de “memória”, “comunidade viva”, “recordação”, “tradição”,


“história da Igreja”, etc., explique amplamente e comente teologicamente a seguinte afirmação:
“não há cristianismo sem Jesus, mas também não há Jesus sem cristãos”.

15. A teologia atual insiste até à saciedade em que a ressurreição de Jesus não é um fato histórico,
equivalente aos fatos históricos enquadrados no espaço e tempo, mas um fato meta-histórico,
teológico, escatológico. O que se quer dizer com esta mudança de adjetivos?

16. A fé da Igreja afirma que Jesus Cristo é o Único Mediador da salvação entre Deus e os homens.
Levando em conta a pluralidade das religiões no mundo, argumenta teologicamente a
pertinência desta afirmação.

17. Comenta teologicamente a seguinte afirmação: “O Senhor não ressuscitou porque os discípulos
acreditam, mas os discípulos acreditam porque Jesus ressuscitou”.

18. Ao perceber as incompatibilidades entre ressurreição e reencarnação, como o homem é


percebido nestas duas crenças? É possível uma identidade pessoal tanto em uma como em
outra? Qual é a concepção de história que se tira de uma e outra?

19. Diante da paixão de seu Filho o Pai silencia, parece não reagir. Jesus experimenta o abandono.
Em Marcos, o texto do salmo 22,2 inicia-se com um clamor, um grito de um homem que se
sente abandonado por seu Deus. Entretanto, o texto termina com um louvor a Deus, na mesma
linha do texto de Lucas que apresenta o salmo 31,6. Neste sentido, ao recitar o salmo, Jesus que

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certamente experimenta uma situação de abandono, é apresentado confiando e rezando ao Pai.
Levando em consideração a relação Jesus com o Pai, como podemos conciliar a fé com a
experiência de abandono? Como conceber a fé no meio das trevas?

20. Como é possível conciliar Deus e o sofrimento humano? Deus sofre ou somente assiste o nosso
sofrimento? Deus é impassível diante do sofrimento? Existe alguma maneira de pensar Deus
afetado pelo sofrimento dos seres humanos? Ou estamos obrigados a afirmar que Deus é um
Deus sádico? E se afirmarmos um Deus afetado pelo sofrimento, não estaríamos caindo na
heresia patripassionista?

21. Levando em consideração que cruz e ressurreição se relacionam, podemos dizer que o
sofrimento é necessário na vida humana? E mais, todo sofrimento pode ser resignificado à luz
da ressurreição?

22. “O Ressuscitado é o mesmo que o crucificado”. Explicite qual é a importância e a centralidade


desse equilíbrio cristológico. Mostre também os perigos e as consequências de não manter esse
equilíbrio que tem a ver com o âmago do mistério pascal.

23. Mostre a incompatibilidade entre o Theos apathés (Deus impassível) dos antigos com o pathos
de Deus (paixão de Deus) da Bíblia. Explique também como para os cristãos por meio do
Crucificado se abre uma relação dialógica, “patético-simpatética” com Deus. Finalmente,
mostre qual é a relação entre a teologia da cruz e a teologia trinitária, i.e., entre cristologia e
teologia.

24. Explica amplamente porquê a cristologia não pode se separar da soteriologia nem a soteriologia
da cristologia.

AMDG