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HISTÓRIA E TEORIA
DA ARQUITETURA E
DA CIDADE I
MÓDULO 4
TÓPICO 3

PROFESSORA MESTRA MARTA MARIA BURNIER


GANIMI
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INTRODUÇÃO

As grandes transformações culturais, econômicas e sociais dos séculos XV e XVI


afetaram também a filosofia, que, de monopólio até então quase exclusivo da classe
universitária ("escolástica" é o mesmo que "escolar") passou a interessar a uma outra
camada de intelectuais, sem vínculo com a universidade e mais ligados à aristocracia e à
cultura dos palácios. O resultado foi a ruptura dos vínculos com a teologia e um crescente
processo de secularização da filosofia. Entre muitos dos novos intelectuais, o interesse
primordial já não era pelos temas sacros (divinae litterae, "letras divinas") e sim pela
literatura secular (humanae litterae), daí seu nome de "humanistas". As preocupações dos
filósofos renascentistas, que seriam desenvolvidas nos séculos posteriores, giraram em
torno de três grandes temas: o homem, a sociedade e a natureza.
Foram os humanistas que se encarregaram da reflexão sobre o primeiro desses
temas. A nova organização do pensamento renascentista fez prevalecer Platão sobre
Aristóteles, a retórica sobre a dialética medieval, os diálogos literários sobre as disputas
lógicas escolásticas. Com a recuperação da literatura clássica, manifestaram-se também
as influências das filosofias do último período da antiguidade, como o atomismo, o
ceticismo e o estoicismo.
No pensamento social, sobressaiu a figura de Nicolau Maquiavel, que defendeu
em O príncipe (1513) a aplicação da "razão de estado" sobre as normas morais. No
século XVII destacaram-se no pensamento político as figuras do inglês Thomas Hobbes e
do holandês Hugo Grotius. O primeiro defendeu a existência de um estado forte como
condição da ordem social; Grotius apelou para a lei natural como salvaguarda contra a
arbitrariedade do poder político.
Se os filósofos medievais haviam concebido a natureza como um todo orgânico,
hierarquizado segundo uma ordem estabelecida por Deus, os renascentistas
conceberam-na como uma pluralidade regida pelas leis da mecânica e presidida pela
ordem matemática. Seu método consistia numa fusão da experiência com a matemática,
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ora enfatizando esta (Galileu), ora aquela (Bacon). A atitude científica do Renascimento
se manifestou sobretudo nas obras de Nicolau Copérnico e de Galileu Galilei, e encontrou
seu apogeu na figura de Isaac Newton, que publicou em 1687 sua fundamental
Philosophiae naturalis, principia mathematica (Princípios matemáticos da filosofia natural).
A natureza e a matemática, a observação e a especulação racionalista, unidas em
princípio, acabaram separando-se em duas correntes distintas, o empirismo e o
racionalismo. Ambos os sistemas filosóficos se desenvolveram fora das universidades,
onde se continuou a ensinar um aristotelismo cada vez mais diluído.
O racionalismo, em cuja base se encontra a confiança na capacidade absoluta da
razão para alcançar o conhecimento, serviu-se do método dedutivo para suas
elaborações teóricas. Seu principal representante foi René Descartes, iniciador do
subjetivismo moderno. O pensamento de Descartes, desenvolvido sobretudo em seu
Discurso sobre o método (1637), fundamenta-se numa primeira evidência -- "penso, logo
existo" -- a partir da qual já era possível a aquisição de novas idéias. A garantia da
certeza dessas últimas se produzia quando cumpriam a condição de serem claras,
distintas e não contraditórias. Importantes adeptos dessa corrente filosófica foram
também Spinoza e Leibniz.
O empirismo, que foi em suas origens apenas um método de investigação
científica, acabou por se transformar, com o tempo, em uma corrente filosófica de suma
importância para o pensamento e a ciência posteriores. Seu primeiro representante foi o
inglês Francis Bacon, que propôs tal método em seu Novum organum (1620), cujo título
era um claro convite à renovação do organum, ou seja a metodologia lógica de
Aristóteles. Bacon postulava como elementos fundamentais da investigação científica a
observação, a experimentação e a indução.
Figuras fundamentais do empirismo, além de Hobbes e Newton, foram também
John Locke e David Hume, que, na segunda metade do século XVII e na primeira do
XVIII, estabeleceram a formulação definitiva dessa corrente filosófica.
As grandes transformações culturais, econômicas e sociais dos séculos XV e XVI
afetaram também a filosofia, que, de monopólio até então quase exclusivo da classe
universitária ("escolástica" é o mesmo que "escolar") passou a interessar a uma outra
camada de intelectuais, sem vínculo com a universidade e mais ligados à aristocracia e à
cultura dos palácios. O resultado foi a ruptura dos vínculos com a teologia e um crescente
processo de secularização da filosofia. Entre muitos dos novos intelectuais, o interesse
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primordial já não era pelos temas sacros (divinae litterae, "letras divinas") e sim pela
literatura secular (humanae litterae), daí seu nome de "humanistas". As preocupações dos
filósofos renascentistas, que seriam desenvolvidas nos séculos posteriores, giraram em
torno de três grandes temas: o homem, a sociedade e a natureza.
Foram os humanistas que se encarregaram da reflexão sobre o primeiro desses
temas. No terreno da filosofia social e política destacaram-se Jean-Jacques Rousseau e o
barão de Montesquieu, que defenderam a liberdade e a igualdade entre todos os
cidadãos. Montesquieu propôs em L'Esprit des lois (1748; O espírito das leis) a divisão
dos poderes como garantia da liberdade política. Rousseau, por sua vez, em Du contrat
social (1762; O contrato social), reconheceu como depositário do poder o povo, que o
cede aos governantes mediante uma delegação revogável segundo sua vontade. No
campo da filosofia especulativa, o século XVIII viu nascer um pensamento materialista e
ateu, cujo principal representante foi Diderot.
O romantismo foi um movimento artístico ocorrido na Europa por volta de 1800,
que representa as mudanças no plano individual, destacando a personalidade,
sensibilidade, emoção e os valores interiores. Atingiu primeiro a literatura e a filosofia,
para depois se expressar através das artes plásticas. A literatura romântica, abarcando a
épica e a lírica, do teatro ao romance, foi um movimento de vaguarda e que teve grande
repercussão na formação da sociedade da época, ao contrário das artes plásticas, que
desempenharam um papel menos vanguardista.
A arte romântica se opôs ao racionalismo da época da Revoluçao Francesa e de
seus ideais, propondo a elevação dos sentimentos acima do pensamento. Curiosamente,
não se pode falar de uma estética tipicamente romântica, visto que nenhum dos artistas
se afastou completamente do academicismo, mas sim de uma homogeneidade conceitual
pela temática das obras. A podução artística romântica reforçou o individualismo na
medidade em que baseou-se em valores emocionais subjetivos emuitas vezes
imaginários, tomando como modelo os dramas amorosos e as lendas heróicas medievais,
a partir dos quais revalorizou os conceitos de pátria e república. Papel especial
desempenharam a morte heróica na guerra e o suicídio por amor.
A arquitetura do romantismo foi marcada por elementos contraditórios, fazendo
dessa forma de expressão algo menos expressivo. O final do século XVIII e inicio do XIX
forma marcados por um conjunto de transformações, envolvendo a industrilaização,
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valorizando e rearranjando a vida urbana. A arquitetura da época reflete essas mudanças;


novos materiais foram utilizados como o ferro e depois o aço.
Ao mesmo tempo, as igrejas e os castelos fora dos limites urbanos, conservaram
algumas característica de outros períodos, como o gótico e o clássico. Esse
reaparecimento de estilos mais antigos teve relação com a recuperação da identidade
nacional.
A urbanização na Europa determinou a construção de edifícios públicos e de
edifícios de aluguel para a média e alta burguesia, sem exigências estéticas, preocupadas
apenas com com o maior rendimento da exploração, e portanto esqueceu-se do fim último
da arquitetura, abandonando as classes menos favorecidas em bairros cujas condições
eram calamitosas.
Entre os arquitetos mais reconhecidos desse período historicista ou eclético,
deve-se mencionar Garnier, responsável pelo teatro da Ópera de Paris; Barry e Puguin,
que reconstruíram o Parlamento de Londres; e Waesemann, na Alemanha, responsável
pelo distrito neogótico de Berlim. Na Espanha deu-se um renascimento curioso da “arte
mudéjar”1 na construção de conventos e igrejas, e na Inglaterra surgiu o chamado
neogótico hindu. Este último, em alguns casos, revelou mais mau gosto do que arte.

REFERÊNCIAS
Filosofia: Da Idade Media à Contemporânea. Disponível em:
http://www.estudantedefilosofia.com.br/conceitos/daidademediaacontemporanea.php.
Acesso em: 06/09/2016.
FREITAS, E. A influência do pensamento moderno sobre a arte: Rococó,
Neoclassicismo e Romantismo. Monografia apresentada no curso de História na
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. PUC/RS. 2011.
ARGAN, G. C. Clássico e Romântico. Arte moderna. São Paulo: Cia. Das Letras,1993.
GOMBRICH, E. H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=404

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Arte mudéjar é o estilo artístico que se desenvolveu entre os séculos XII e XVI nos reinos cristãos da
península Ibérica, que incorpora influências, elementos ou materiais de estilo ibero-muçulmano.
Trata-se de um fenómeno exclusivamente ibérico que combina e reinterpreta estilos artísticos cristãos
(românico, gótico e renascentista) com a arte islâmica.
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MÓDULO IV – BARROCO, ROCOCÓ E NOVAS


CORRENTES DE PENSAMENTO
Tópico 3 – Novas Correntes de Pensamento

Sob a expressão “Idade Média”, alinham-se, em relação à Europa Ocidental,


realidades culturais muito diversas, resultantes de quase mil anos de evolução histórica
(séc. V ao séc. XV). Segundo SOARES, do ponto de vista das instituições econômicas,
sociais e políticas, podemos distinguir, na Idade Média, pelo menos três fases:
Do século V ao séc. IX – período das monarquias bárbaras centralizadas.
Baseava-se numa economia diversificada, prolongamento da economia dos fins do
Império Romano, e numa sociedade onde já era acentuada a servidão e que, apesar da
presença dos germanos, repetia a estrutura da sociedade da decadência romana. A partir
do século VII, com a ocupação do Mediterrâneo pelos árabes e o isolamento econômico
disso resultante, a Europa Ocidental para sobreviver teve que voltar, praticamente, ao
ruralismo primitivo. A vida urbana entrou em decadência e a moeda quase desapareceu.
O comércio restringiu-se a um mínimo de trocas “in natura” e as atividades fabris
circunscreveram-se à produção doméstica do estritamente indispensável.
Do século X ao século XII – época da afirmação e apogeu do Estado Feudal,
originado da insegurança reinante com as invasões de húngaros e normandos,
caracterizado pelo poder político do elemento que controlava a terra. As bases da
organização político do elemento que controlava a terra. As bases da organização política
descansavam, pelo menos a princípio, sobre uma economia agrícola de subsistência e
sobre uma sociedade rigidamente hierarquizada, em que a maioria dos membros era
constituída de servos.
Do século XIII ao século XV – fase de decadência do Estado Feudal e da
reafirmação da vida urbana. O ressurgimento do comércio e da indústria artesanal afirmou
a vida mercantil e urbana. Razoável parte da população se concentrou nas cidades,
fugindo ao domínio feudal.
A partir de fins do século XIII, a burguesia, como classe social, já era bastante
forte para ajudar o rei na retomada de seus poderes e na liquidação do feudalismo.
A Idade Moderna, inaugurada como o Renascimento, época ainda de transição
entre o "novo" e o "velho", se estabelece de fato nos séculos XVII e XVIII. Os dois
grandes movimentos filosóficos dos séculos XVII e XVIII são o Racionalismo, corrente
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vinculada ao pensamento francês, e o Empirismo, tendência positiva e prática, expressa


pela cultura anglo-saxônica. Ainda que a "razão" seja um componente básico de todas as
manifestações da filosofia ocidental, no pensamento moderno adquire característica e
importância inusitadas. Enquanto na Antiguidade é considerada propriedade inteligível da
Natureza e, na Idade Média, uma luz cedida por Deus ao homem para que bem a utilize,
na filosofia moderna a "razão" é determinada como uma faculdade autônoma, que possui
finalidade própria. (SOUZA)
Em outras palavras, torna-se, por excelência, veículo de análise e de
entendimento do real, que caracteriza, de modo específico, o ser ou a substância racional,
isto é, o homem. E, se por um lado se afirma veículo cognitivo do real, por outro, se
estabelece como órgão experimental da mesma realidade. Quer dizer, as construções
racionais (Racionalismo) se aliam aos dados da experiência (Empirismo). De Descartes
aos empiristas ingleses até Kant, inclusive, a "razão" será sempre compreendida de
acordo com um espaço subjetivista. Ou seja, como o vetor que observa e examina os
meios e condições do conhecimento. Será a estrutura do "subjetivo", configurando as
formas do saber humano. Ao caráter naturalista que apresenta "a razão" no
Renascimento, é acrescentado, assim, um antropologismo. Por tais motivos podemos
afirmar que a filosofia antiga e a medieval preocupam-se mais com o Ser, enquanto a
filosofia moderna com o conhecer. (SOUZA)
Desse modo, constatamos que Racionalismo e Empirismo expressam em comum
uma preocupação fundamental para com o problema do conhecimento, ponto de
referência básico da filosofia moderna. Não obstante essa conformidade, Racionalismo e
Empirismo constroem teorias do conhecimento diversas: intelectualista e sensitista,
respectivamente. Ambos os movimentos possuem ligações com as ciências naturais e
exatas, que alcançam um grande desenvolvimento naquelas duas centúrias: física,
astronomia, mecânica, matemática. Mas, enquanto o Racionalismo utiliza de preferência o
a priori dedutivo da matemática, o Empirismo opta pelo a posteriori indutivo da
experimentação. (SOUZA)
Outro ponto em comum entre as duas correntes é o Fenomenismo, porquanto o
sujeito conhece, não as coisas, mas as suas representações. Dentro do critério
subjetivista, os conhecimentos adquiridos são impressões que as coisas exercem sobre o
sujeito cognoscente, sobre o intelecto, afirma o Racionalismo; sobre os sentidos, afirma o
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Empirismo. O conhecido é sempre considerado uma representação, uma cópia, um


fenômeno. (SOUZA)
Segundo SOUZA, O Racionalismo dos séculos XVII e XVIII é a doutrina que
afirma ser a razão o único órgão adequado e completo do saber, de modo que todo
conhecimento verdadeiro tem origem racional. Por tal motivo, essa corrente filosófica é
chamada de Racionalismo "gnoseológico" ou "epistemológico". A importância conferida à
razão por Descartes e pelos cartesianos seus seguidores é um modo de racionalizar a
Realidade, um lastro "metafísico" de cunho racional. Descartes (1596-1650) afirmava que,
para conhecer a verdade, é preciso, de início, colocar todos os nossos conhecimentos em
dúvida (Racionalismo Cartesiano). Aplicação metódica da dúvida: Cogito Ergo Sun. É
preciso colocar em dúvida a existência de tudo que constitui a realidade e o próprio
conteúdo dos pensamentos. A única verdade livre das dúvidas: penso, logo existo. Do
Cogito é possível extrair o pensamento (consciência), é algo mais certo que a própria
matéria corporal. Valorização do sujeito em detrimento ao objeto, idealismo. Tendência a
ressaltar a consciência subjetiva sobre o ser objetivo, e “a considerar a matéria como algo
apenas conhecível, se é que o é, por dedução do que se sabe da mente”. O “eu”
cartesiano é puro pensamento (res cogitans), um ser pensante, já que, no caminho da
dúvida, a realidade do corpo (res extensa), coisa externa, foi colocada em questão. A
partir da intuição primeira (penso, logo existo, Descartes distingue o universo das idéias
duvidosas do universo das idéias claras e distintas. As idéias claras e distintas são as
idéias inatas, verdadeiras, não sujeitas ao erro, pois não vêm de fora, mas do próprio
sujeito pensante.
No discurso do método, Descartes enumera quatro regras básicas capazes de
conduzir o espírito na busca da verdade: Regras de evidência: só aceitar algo como
verdadeiro desde que seja evidente (idéias claras e distintas) – Idéias Inatas; regras de
análise: dividir as dificuldades em quantas partes forem necessárias à resolução do
problema; regras de síntese: ordenar o raciocínio (problemas mais simples aos mais
complexos); regras de enumeração: realizar verificações completas e gerais para garantir
de que nenhum aspecto do problema foi omitido. (SOUZA)
Em termos gerais, o Empirismo é a doutrina filosófica segundo a qual o
conhecimento se determina pela "experiência" (empeiría). Neste sentido, o Empirismo é
usualmente contraposto ao Racionalismo que prescreve um conhecimento fundado na
"razão" (ratio). Ainda que o termo "empirismo" tenha sido atribuído a um grande número
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de posições filosóficas, a tradição prefere aceitar como "empiristas" aqueles pensadores


que afirmam ser o conhecimento derivado exclusivamente da "experiência" dos sentidos,
da "sensação" ou da "emperia". De acordo com a teoria de que o espírito, a mente, seja
uma tabula rasa, uma superfície maleável às impressões da experiência externa, o
Empirismo pode ser estimado sob um prisma psicológico e outro gnoseológico. À medida
que a fonte do conhecimento não é a "razão" ou o pensamento, mas a "experiência", a
origem temporal de conhecer é concebida como resultado da experiência externa e
interna - aspecto psicológico -, e, por conseguinte, só o conhecimento "empírico" é válido
- o aspecto gnoseológico. Do ponto de vista gnoseológico, o Empirismo rechaça o
inatismo (doutrina que se entrelaça com o Racionalismo), que admite a existência de um
sujeito cognoscente (a mente, o espírito) dotado de "idéias inatas", isentas de qualquer
dado da "experiência". Ora, o Empirismo, ao contrário, afirma que o sujeito cognoscente é
uma espécie de tabula rasa, onde são gravadas as impressões decorrentes da
"experiência" com o mundo exterior. (SOUZA)
Segundo SOUZA, o Empirismo, paralelamente ao Racionalismo continental,
desenvolve-se na Inglaterra, com suas características próprias, do século XVI ao XVIII. Ao
contrário do Racionalismo, a corrente inglesa apresenta uma preocupação menor pelas
questões rigorosamente metafísicas, voltando-se bem mais para os problemas do
conhecimento (que não deixam de incluir uma metafísica). Seu método a posteriori,
utilizando as ciências positivas, estabelece uma psicologia e uma gnoseologia sensista,
baseadas essencialmente nos "sentidos", na "sensação" (sensus). Do ponto de vista
político e ideológico tais pensadores ingleses lançam as raízes das idéias que, talvez,
mais profundamente vão influir na transformação da sociedade européia e vão
determinar, assim, a estrutura da Europa dos séculos XVIII e XIX. A psicologia e
gnoseologia sensistas, a crítica ao dogmatismo racionalista, os princípios liberais, o
deísmo ou "religião natural", a moral utilitária e o pragmatismo da filosofia do "senso
comum" ou common sense (reação prática ao ceticismo metafísico), e os ideais do
Iluminismo são elementos que possuem sua origem e fundamento nas doutrinas e nos
sistemas daqueles pensadores ingleses dos séculos XVII e XVIII, repercutindo no
processo histórico-cultural da Europa vindoura (principalmente na França e na Alemanha).
Segundo SOARES, Nas artes, as realizações artísticas da Idade Média foram
bastante modestas, até o século X. A partir de então, observou-se uma fase de grande
desenvolvimento das artes, intensificada, mais tarde, com a generalização da vida
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urbana. Na arquitetura, dois estilos se desenvolveram na arquitetura da Idade Média


Ocidental: o românico e o gótico. O românico caracterizava-se por planta baixa em
formato de cruz latina; paredes maciças e com poucas aberturas, interiores escuros. Ex.
na Itália, a Catedral de Pisa; em Portugal, a Sé Velha de Coimbra. O estilo gótico
desenvolveu-se depois do século XII, com os seguintes elementos básicos: formas
agudas, em linhas verticais, arco em ogiva, abóboda angulosa, etc. Ex. a catedral de
Notre-Dame de Paris, a Catedral de Cantuária, na Inglaterra. Na música, ao lado da
música erudita, essencialmente religiosa, cumpre lembrar a música profana, em suas
duas formas: a aristocrática (mais cuidada; executada nos castelos pelos menestréis e
segréis) e a popular. Nas Universidades, a educação escolar assumiu, na Idade Média
Ocidental, variadas formas. Suas instituições mais características foram, no entanto, as
escolas mantidas pelos mosteiros e pelas catedrais, bem como as universidades. As
escolas dos mosteiros e das catedrais ministravam ensino básico para os estudos
superiores de Filosofia e Teologia dos clérigos. Tal ensino, aberto também aos leigos,
tinha por disciplina as “Sete Artes Liberais”, divididas, conforme o costume romano, em
dois conjuntos, o “trivium”, composto de Gramática, retórica e o “quadrivium”, em que
apareciam: a Aritmética, A Geometria, a Astronomia e a Música.

As Críticas à Idade Média


Com o Renascimento, iniciou-se, entre os intelectuais, uma tradição de combate à
Idade Média. Os humanistas, empolgados pela cultura greco-latina, revalorizada com o
Renascimento, fazem-nos voltar-se contra a época procedente, conceituada por eles
como uma fase de obscurantismo e atraso cultural – a noite de mil anos. Os pensadores
dos séculos XVII e XVIII intensificaram o sentido pejorativo do conceito de Idade Média.
Parecia-lhes não só uma época de estagnação cultural, mas ainda um período de hábitos
grosseiros, de opressão política, fanatismo religioso, tirania da Igreja e privilégios
absurdos. (SOARES)
Durante o século XIX, no entanto, a Idade Média começou a ser estudada com
alguma simpatia. Iniciou-se a reabilitação da literatura medieval e da arte gótica; tudo,
porém, dentro das coordenadas do romantismo literário. Era uma Idade Média em grande
parte recriada pela fantasia. Deu-se, contudo, um primeiro passo para a superação do
sentido pejorativo que se lhe dava. Hoje, depois do amplo trabalho de teóricos como Karl
Marx, de economistas com o Wener Sombart e historiadores como Henri Pirenne, não há
por que não superar, em definitivo, o anacronismo de atacar a Idade Média. De fato se a
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Idade Média apresentou altos e baixos em suas criações culturais, não deixou de ser uma
fase criadora. O Mediterrâneo manteve-se como centro decisivo para a vida do Ocidente,
pelo ressurgimento do comércio e sua interiorização na Europa Ocidental, depois do
século XII. Civilizaram-se os bárbaros e a cultura clássica foi resguardada e difundida, o
mesmo acontecendo com os valores do cristianismo. Lançaram-se as bases da economia
capitalista, com as atividades dos mercadores e dos banqueiros. Surgiu a burguesia,
classe em torno da qual se desenvolverá a vida das idades posteriores. Observa-se, pois,
que os principais padrões de comportamento vigentes no Ocidente tiveram sua origem na
Idade Média, considerada a infância da Cultura Ocidental. (SOARES)

Idade Moderna: Revolução Comercial e Mercantilismo


A economia da Idade Moderna teve por centro um comércio intenso, mundial e de
caráter capitalista, perante o qual se demonstra a incipiência e o empirismo das atividades
mercantis medievais. Esse comércio teve, como ponto de partida, a Revolução Comercial.
Costuma-se chamar Revolução Comercial ao conjunto dos fatos que deram origem ao
comércio da Idade Moderna e às suas principais características abrangidas pelo período
que transcorreu entre meados do século XV e o final do século XVI. (SOARES)
O mercantilismo nascido com a Revolução Comercial, de cuja realidade é
consequência, definir-se-á como sendo o conjunto de práticas e idéias econômicas que
presidiram à economia da Idade Moderna.

A Revolução Intelectual Da Idade Moderna


Segundo SOARES, o papel, a gravura e a imprensa: Nos princípios do século XII,
na Europa Ocidental, os documentos e os livros, em geral, escritos sobre pergaminho. A
partir das fábricas criadas pelos árabes, na Espanha, durante o século XII, generalizou-se
a produção européia de papel, favorecendo grandemente a produção e circulação de
obras científicas e literárias. Atribui-se a Gutenberg, na primeira metade do século XV, a
publicação dos primeiros textos produzidos com a utilização de pranchas formadas de
caracteres móveis, fundidos em metal aplicados com o auxílio da prensa. A imprensa,
assim surgida, constitui um dos elementos capitais do Renascimento científico, artístico e
literário, bem como da efervescência cultural que caracteriza os séculos XVII e XVIII na
Europa.
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O Renascimento Científico
Até os fins da Idade Média, não se fazia diferença nítida entre Ciência e Filosofia.
Uma e outra usavam quase exclusivamente o método dedutivo e se subordinavam
igualmente ao espírito religioso da época. Os problemas humanos e técnicos surgidos
com a afirmação da burguesia comercial, mais tarde, com os Grandes Descobrimentos,
levaram à superação do pensamento filosófico-científico-medieval, aguçaram a
curiosidade geral e iniciaram a definição dos campos específicos da Teologia, da Filosofia
e da Ciência. Duas tendências principais marcaram o pensamento científico, no
Renascimento: a adoção do método indutivo nas Ciências da Natureza, caracterizado
pela observação e pela experimentação, e a busca de soluções naturais para os
problemas científicos, deixando de lado as explicações de ordem religiosa. (SOARES)

A Reforma
O iniciador da Reforma Protestante era frade. Martinho Lutero, era agostiniano e
professor na Universidade de Erfurt, sua terra natal, sendo conhecido por suas doutrinas
pessimistas, muito orientadas, aliás, para a tendência mística que marcou o pensamento
cristão medieval. Na linguagem dos estudos históricos e religiosos, a palavra Reforma
designou, durante muito tempo, o conjunto dos movimentos de que se originou o
protestantismo. Hoje, sob essa denominação, encontram-se, de um lado, o surgimento
das primitivas Igrejas Protestantes e, de outro, o esforço auto reformista desenvolvido
pela Igreja Católica Romana. A unidade do cristianismo não fora coisa tranquila na Idade
Média, pois surgiram numerosos movimentos heréticos. (SOARES)

O Romantismo na Arquitetura
O termo romântico foi empregue pela primeira vez em 1750, Inglaterra para definir
o tema das novelas pastoris e de cavalaria que existiam nessa época. Romântico
significava pitoresco: expressão de uma emoção que é indefinida e que foi provocada
pela visão de uma paisagem. O termo romântico passou depois a ser adotado no
movimento artísticofilosófico Romantismo, que seguiu as ideias políticas e filosóficas do
século das luzes (liberdade de expressão e afirmação dos direitos dos indivíduos) e
também as ideias de um movimento alemão chamado – Strürm und Drang (que tinha
como principais elementos o sentimento e a natureza). (PINHEIRO)
As características principais são o cultivo da emoção, a fantasia, o sonho, a
originalidade, evasão para mundos exóticos onde se podia fantasiar e imaginar. Exaltação
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da Natureza. Gosto pela Idade Média (porque tinha sido o tempo de formação das
nações). Defesa dos ideais nacionalistas (liberdade individual, liberdade do povo).
Panteísmo (doutrina segundo a qual Deus não é um ser pessoal distinto do mundo: Deus
e o mundo seriam uma só substância). Outras características são, o Individualismo: a
visão de mundo centrada no indivíduo. A individualidade, muitas vezes é definida por
emoções e sentimentos. Subjetivismo: o romântico trata dos assuntos de forma pessoal,
de acordo com sua opinião sobre o mundo. Idealização: o autor idealiza temas,
exagerando em algumas das suas características (ex. a mulher é vista como uma virgem
frágil; a noção de pátria também é idealizada). (PINHEIRO)
Temas em comum, o regresso à Natureza (vista como universo natural e
imaginário); Florestas melancólicas; Ruínas; Paisagens selvagens, com uma neblina
misteriosa; Regiões desertas; Tempestades marítimas; Ambientes exóticos com temas
orientalizantes e históricos, que relatam tradições e crenças populares. Tem sua origem
na Alemanha. É na Alemanha que se manifesta pela primeira vez a estética da
interioridade, que considera a arte como um instrumento para se atingir o cerne da
criação, para se entrar em contacto com a natureza infinita, através do sentimento
sublime. É o início da pintura moderna de paisagem, capaz de exprimir, melhor do que
qualquer outro, certos aspetos da sensibilidade do homem oitocentista. (PINHEIRO)
No século XIX gera-se um movimento de reação que procura os fundamentos da
arte nas antigas realidades nacionais. O gosto pela Arqueologia torna-se extensivo à
Idade Média e redescobre-se o românico e o gótico, que os artistas tentam fazer reviver
nas suas obras. Dedicam-se à redescoberta das técnicas construtivas desses dois estilos,
chegando à conclusão que as soluções técnicas da Idade Média eram tão racionais como
as clássicas greco-romanas. O romantismo procura elementos rústicos e entrega-se às
realizações espontâneas, o que dá origem à incorporação, na nossa cultura, de vários
conhecimentos acumulados pelos povos primitivos ou que se desenvolveram longe da
Europa civilizada. Isto leva ao estudo também, da arte chinesa e japonesa, assim como
indiana e africana. (PINHEIRO)
Com o regresso à Idade Média, o romantismo vai recusar as regras impostas
pelas academias neoclássicas, pois estas eram inspiradas nos valores clássicos (ordem,
proporção, simetria, harmonia). Os arquitetos românticos vão preferir: irregularidades nas
estruturas espaciais e volumétricas, preferência pelas geometrias mais complexas e pelas
formas curvas, efeitos de luz, movimento dos planos, pitoresco da decoração (tudo o que
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pode ser pintado ou representado em imagem). Recuperação de formas artísticas


medievais (românico, o gótico), acompanhada do gosto pelo exótico contido nas culturas
orientais (bizantina, chinesa, árabe). Revivalismo, ecletismo, historicismo e exotismo são
palavras que marcam o estilo. Os conceitos principais são: Revivalismo: movimento
artístico que reproduz técnicas e cânones estéticos de correntes artísticas anteriores.
Ecletismo: combinação de influências provenientes de várias épocas e estilos num
mesmo edifício. Historicismo: valorização dos estilos das épocas passadas pelo seu valor
simbólico. Exotismo: tendência que se desenvolveu pelo gosto do que é estranho
(diferente ou estrangeiro) à cultura ocidental e que desenvolveu a imaginação e os
sentidos pelo desconhecido e misterioso. (PINHEIRO)
Na Inglaterra, um grande exemplo são as construções Neogóticas: o novo edifício
do parlamento – que tomou o lugar do antigo Palácio de Westminster, destruído por um
incêndio em 1834 – é um testemunho do revivalismo gótico e do entusiasmo dos ingleses
por este estilo.

INGLATERRA Palácio do Parlamento (Palácio de Westminster) 1840-88, Charles Barry e A.W.Pugin,


Londres. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura
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Construções Neogóticas INGLATERRA Palácio do Parlamento (Palácio de Westminster) 1840-88, Charles


Barry e A.W.Pugin, Londres. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-
pintura

O gótico é conseguido através de um revestimento decorativo. Retomou-se o


estilo perpendicular (a forma especial que o gótico tardio tomou em Inglaterra) aplicaram-
se os elementos decorativos verticais, as superfícies foram subdivididas por uma retícula
(rede pequena). A impressão é de que foi aplicado um folheado sobre o edifício.
(PINHEIRO)
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Palácio do Parlamento (Palácio de Westminster) 1840-88, Charles Barry e A.W.Pugin, Londres. Fonte:
http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Na Inglaterra, a torre da vitória, quando foi erguida, esta torre era a mais alta do
mundo com 102m. É à prova de fogo, construída em pedra sobre arcos de aço e tijolo, é
suportada no interior por colunas de ferro fundido. A Torre Central ventila o interior,
produzindo uma coluna móvel de ar que melhora a circulação natural. A Torre do Relógio
tem o famoso carrilhão Principal, o Big Ben, e 4 outros mais pequenos. (PINHEIRO)
17

Palácio do Parlamento (Palácio de Westminster) 1840-88, Charles Barry e A.W.Pugin, Londres.


INGLATERRA PEQUENAS TORRES ANGULARES Acentuam a verticalidade e a silhueta. Fonte:
http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Palácio do Parlamento (Palácio de Westminster) 1840-88, Charles Barry e A.W.Pugin, Londres


INGLATERRA FACHADA A fachada de 3 andares tem 244 metros de comprimento. Fonte:
http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura
18

Construções Neogóticas FRANÇA Igreja de Santa Clotilde (Paris, 184656). F. C. Blau e Thérodore Ballu.
Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

No seu interior esta Igreja tem uma planta em cruz latina e as naves são
abobadadas. Na sua construção foram utilizados materiais modernos, exemplo disso é a
abóbada central construída com vigas de ferro e aço.

FRANÇA Igreja de Notre-Dame de Paris, Restauro de Viollet-le-Duc – séc. XIX 19. Fonte:
http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura
19

Outro exemplo forte é o Castelo de Neuschwanstein – 1870, Baviera, Alemanha.


Foi inspirado na obra do grande amigo e protegido de Luís II da Baviera, Richard Wagner,
compositor. Foi desenhado por um desenhador de cenários teatrais e não por um
arquiteto. É de aspeto medieval e de construção neogótica. Tem 6000 metros quadrados,
4 andares e 80 metros de altura.

Castelo de Neuschwanstein – 1870, Baviera. Luís II da Baviera ALEMANHA. Fonte:


http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Recorreu a estruturas modernas como por exemplo: engenhos a vapor e elétricos,


ventilação moderna e canalizações de aquecimento. A decoração de algumas salas é
inspirada nas obras de Wagner, uma delas reproduz uma gruta com muitas estalactites e
estalagmites e, no reinado de Luís II, tinha uma cascata.
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ALEMANHA Castelo de Neuschwanstein – 1870, Baviera. Luís II da Baviera. Fonte:


http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

EUA Catedral de S. Patrício James Renwick, Nova Iorque 25. Fonte; http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-
romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura
21

França Muralhas da Cidadela de Carcassonne – restauro de Viollet-le-Duc, séc. XIX. Fonte:


http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

A ocupação desta cidade remonta a Celtas, Galo-romanos e Visigodos. No final


do século XIX foi redescoberta por turistas ingleses, já em ruínas. Foi encomendado o
restauro a um arquiteto, Viollet-le-Duc. Acima a figura mostra as Muralhas da Cidadela de
Carcassonne – restauro de Viollet-le-Duc, séc. XIX.
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França Igreja original do século XII. Igreja de Santa Madalena de Vézelay Restauro de Violle-le-Duc, séc.
XIX. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Ópera de Paris – 1862, Charle França. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-


arquitetura-e-na-pintura
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Todo o edifício parece sobrecarregado e de uma vulgaridade luxuosa. Reflete o


gosto da classe criada pela Revolução Industrial, novos--ricos que se viam a si próprios
como herdeiros da velha aristocracia e assim achavam os estilos pré--revolucionários
mais atraentes que o Clássico ou o Gótico.

Castelo de Pierrefonds – restauro de Viollet-le-Duc, séc. XI. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-


romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Construções Neomedievais (ecletismo) França O castelo é original do século XII.


No século XVII foi sitiado e invadido pelas tropas de Richelieu e chegou ao séc. XIX em
ruínas. Em 1810 foi comprado por Napoleão Bonaparte por 3000 francos. Ao longo do
séc. XIX, quando há uma redescoberta da Idade Média, torna-se “ruína romântica”. Em
1857, o Imperador Napoleão III manda o arquiteto Eugène Viollet-le--Duc, empreender o
seu restauro. O homem desta época desenvolveu o gosto pelas viagens, dando azo ao
seu espírito romântico, irrequieto, sonhador e sempre insatisfeito. Utilizou a literatura e a
música para visualizar (através da descrição dos mesmos) terras e ambientes
desconhecidos. Havia o hábito de colecionar estampas japonesas e coisas vindas do
Oriente, através do comércio intercontinental que começava a chegar ao Ocidente. A
sociedade desta época alimentou o gosto pelo exótico e raro, pois a alta burguesia
apoiava-se no seu dinheiro para cultivar a sua excentricidade, demonstrada pelas viagens
e pelo “consumo” da arte. Esta nova tendência utiliza a arquitetura para recriar ambientes
e cenários de outras culturas. (PINHEIRO)
24

Assimetrias deliberadas e composições pitorescas permitiram aos arquitetos a


introdução de novos efeitos visuais, a demonstrar diferentes relações com a Natureza e
originar sensações aprazíveis. Os arquitetos depararam-se com uma diversidade formal
que lhes permitia construir estruturas mais elaboradas e com efeitos visuais
completamente novos que originam uma nova tendência o Exotismo.
Havia também as construções no estilo Neoárabes (Exotismo). Na Inglaterra,
ocorriam as cúpulas em forma de cebola. Esta cúpula central, deriva da arquitetura
mongol, é uma metáfora exótica que representa o Império Britânico. Agumas
características comuns eram irregularidades dos volumes, cúpulas bulbosas, ou em forma
de “cebola”, espalhadas por vários sítios e de diferentes dimensões e alturas, como no
Pavilhão Real – Brighton – 1752-1825 – John Nash. As chaminés são disfarçadas de
minaretes2 (estrutura neoárabe). Há também a grade trabalhada, onde o engradado em
ferradura deriva do jali indiano (um biombo, ou grade) que protege o interior da luz direta
do sol. No telhado em forma de tenda, o telhado cobre a sala de banquetes e a sala de
música.

Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

2
Minarete é a torre de uma mesquita, local do qual o almuadem anuncia as cinco chamadas diárias à
oração. Os minaretes, que também recebem o nome de almádena, são normalmente bastante altos se
comparados às estruturas que o circundam. O objetivo do minarete é fazer com que a voz do almuadem, a
pessoa que faz o chamado à oração (adhan), possa ser ouvida a grandes distâncias.
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Construções Neoárabes (Exotismo) Inglaterra Casa Sezincote – Gloucestershire, Samuel Pepys Cockerell,
1805. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Construções Neo-orientais (Exotismo). Jardins de Kew – Pagode Chinês, William Chambers (1757-
62)Inglaterra. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura
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O telhado pontiagudo rodeia cada andar, imitando o estilo chinês. Originalmente


as telhas eram vermelhas e era adornado por grandes dragões brancos. Este edifício
possui 10 andares octogonais com um diâmetro de 15 metros, e tem 50 metros de altura.

Construções Neo-orientais (Exotismo). Suécia. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-


na-arquitetura-e-na-pintura

Acima a figura mostra uma residência particular da família Real Sueca, começou
a ser construído no século XVI. Muitas vezes encontram-se formas orientais ao lado de
ruínas simuladas em jardins e parques dos Palácios.
Em Portugal a arquitetura romântica chegou pela mão de um estrangeiro casado
com a Rainha de Portugal D. Maria II. Fernando de Saxe-CoburgoGotha, um príncipe
alemão amigo do Barão de Eschwege, um arquiteto que trabalhava há muito para a
família real e que o ajudou na grande obra que em Portugal marca a entrada deste novo
estilo artístico: o Palácio da Pena.
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Palácio da Pena, 1838/68, vários arquitetos e artistas. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-


romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Construções Neomanuelino Palácio do Buçaco – 1888/1907, Luigi Manini e outros Portugal. Fonte:
http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura
28

Este Palácio é um revivalismo de duas construções portuguesas que simbolizam


o Manuelino: Torre de Belém e Mosteiro dos Jerónimos. O corpo central é uma réplica da
Torre de Belém e a arcada do claustro é uma réplica do Mosteiro dos Jerónimos. No
decurso do Palácio existem ainda várias alusões decorativas ao Convento de Cristo em
Tomar.

Construções Neomanuelino Portugal Estação do Rossio – 1886/90, José Luís Monteiro. Fonte:
http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura
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Construções ecléticas. Palácio da Regaleira – 1904/10, Luigi Manini. Portugal. Fonte:


http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Esta construção possuia quatro hectares e incluía o palácio, jardins, lagos, grutas
e algumas construções enigmáticas. É uma construção eclética pois utiliza revivalismos
góticos, manuelinos, renascentistas e românicos.
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Construções ecléticas. Palácio da Regaleira. Portugal. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-


romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

A propriedade foi comprada em 1892 aos Barões da Regaleira por António


Augusto Carvalho Monteiro que mandou, em 1904, construir o Palácio, o que durou mais
ou menos até 1910. Em 1942, foi vendido a um estrangeiro Waldemar d’Orey, que
empreendeu o seu restauro, mantendo a traça original. Em 1987 foi comprado por uma
empresa japonesa, foi fechado e entregue a caseiros. Em 1997, o imóvel foi adquirido
pela Câmara Municipal de Sintra e aberto ao público. Construção com revivalismo de
vários estilos neo-românico, neobizantino e neogótico.
31

Construções ecléticas Portugal. Palácio da Regaleira. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-


romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Construções exóticas Portugal.Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-


na-pintura
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Construções ecléticas. Basílica de Santa Luzia, 1903-43, Miguel Ventura Terra. Portugal. Fonte:
http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Palácio da Bolsa, Porto. Salão Árabe. Portugal. Fonte: http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-


na-arquitetura-e-na-pintura
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Praça de Touros do Campo Pequeno, 1892, António José Dias da Silva. Portugal. Fonte:
http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura

Construções ecléticas Portugal Palácio de Monserrate, 1887, James Knowles. Fonte:


http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura
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Conceitos, Ideias e Noções (SOARES)


 CARTESIANO: relativo ao pensamento de Descartes. Cartesius era o nome latino
de Descartes.
 CETICISMO: doutrina segundo a qual o espírito humano nada pode conhecer com
certeza; conclui pela suspensão do juízo e pela dúvida permanente.
 COGNITIVO: referente ao conhecimento.
 CONCEITO: idéia abstrata e geral; representação intelectual, apreensão abstrata
do objeto.
 COSMOLOGIA: (logos, “estudo”, “razão”) parte da filosofia que estuda o mundo, a
natureza; parte da metafísica que se ocupa da essência da matéria.
 DIALÈTICA: no sentido amplo, arte de discutir, tensão entre os opostos. Em
Heggel, significa a marcha do pensamento que procede por contradição, passando
por três fases-tese, antítese e síntese – e reproduz o próprio movimento do Ser
absoluto, ou Ideia.
 DOGMA: ponto de doutrina religiosa aceito como indiscutível: verdade de fé, aceita
sem prova.
 DOUTRINA: conjunto de princípios, de ideias, que servem de base a um sistema
religioso, político, filosófico ou científico.
 EMPIRÌSMO: doutrina filosófica moderna (séc. XVII) segundo a qual o
conhecimento procede principalmente da experiência.
 EPISTEMOLOGIA: estudo do conhecimento científico do ponto de vista crítico, isto
é, do seu valor, teoria do conhecimento.
 ESCOLÀSTICA: escola filosófica da Idade Média cujo principal representante é
Santo Tomás de Aquino.
 ESSÊNCIA: o que se faz com que uma coisa seja o que é, e que outra coisa:
conjunto de determinações que definem um objeto de pensamento, conjunto dos
constitui básicos.
 IDEOLOGIA: no sentido amplo, é o conjunto de doutrinas e ideias ou o conjunto de
conhecimentos destinados a orientar a ação. Do ponto de vista político, é o
conjunto de ideias da classe dominante estendido à classe dominada e que visa à
manutenção da dominação.
35

 ILUMINISMO: movimento racionalista do século XVIII (Kant e os enciclopedistas


franceses) que consiste na crença no poder da razão de reorganizar o mundo
humano.
 MARXISMO: Doutrina econômica e filosófica iniciada por Marx e Engels (séc. XIX)
contrapõe-se ao liberalismo; faz a crítica do Estado burguês. A teoria marxista tem
como fundamento o materialismo histórico e dialético.
 METAFÌSICA: parte da filosofia que estuda o “ser enquanto ser, isto é, o ser
independentemente de suas determinações particulares; estudo do ser absoluto e
dos primeiros princípios.
 ONTOLOGIA: parte mais geral da metafísica, que trata do “ser enquanto ser”, às
vezes, o conceito de ontologia é usado como sinônimo de metafísica.
 POSITIVISMO: filosofia de Augusto Comte que considera o estado positivo o último
e mais perfeito estado abrangido pela humanidade. Valoriza a ciência como a
forma mais adequada de conhecimento, donde deriva o cientificismo.
 RACIONALISMO: doutrina filosófica moderna (séc. XVII) que admite a razão como
única forma de conhecimento válido; superestima o poder da razão. Principais
representantes: Descartes, Leibniz.
 SENSO COMUM: chamamos senso comum ao conhecimento adquirido por
tradição, herdado dos antepassados e ao qual deve-se acrescentar os resultados
de experiência vivida na coletividade a que pertencemos.
 SILOGISMO: tipo de raciocínio dedutivo que, de uma proposição geral, conclui
outra proposição geral ou particular.
 SOCIALISMO: nome genérico das doutrinas que pretendem substituir o
capitalismo por um sistema econômico planificado que conduza a resultados mais
equitativos e mais favoráveis ao pleno desenvolvimento do ser humano.
 TEOLOGIA: estudo da existência, da natureza e dos atributos de Deus, assim
como de sua relação com o mundo.

REFERÊNCIAS
SOUZA, C. Racionalismo x Empirismo – Filosofia. DISPONÍVEL EM:
http://pt.slideshare.net/skarson60/racionalismo-x-empirismo-filosofia. Acesso em:
04/08/2014.
36

MAYOS, G. O Iluminismo frente ao Romantismo. Departament Història de la Filosofia,


Estètica i Filosofia de la Cultura de la Universitat de Barcelona. Disponível em:
http://www.ub.edu/histofilosofia/gmayos_old/PDF/IluminismoFrenteRomantPort.pdf.
Acesso em: 06/11/2016.
SOARES, M.A. Conhecimento: a passagem para a modernidade. Revista Nucleus, v.1,
n.1, out../abr. 2003. Disponível em:
http://www.nucleus.feituverava.com.br/index.php/nucleus/article/viewFile/236/436 . Acesso
em: 15/09/2015.
PINHEIRO, C. História da Cultura e das Artes: O Romantismo. Disponível em:
http://pt.slideshare.net/ladonordeste/o-romantismo-na-arquitetura-e-na-pintura. Acesso
em: 10/11/2016.

Atividades Resolvidas

1 – quanto às novas correntes de pensamento seria correto afirmar:


I) As grandes transformações culturais, econômicas e sociais dos séculos XV e XVI
afetaram também a filosofia, que, de monopólio até então quase exclusivo da classe
universitária ("escolástica" é o mesmo que "escolar") passou a interessar a uma outra
camada de intelectuais, sem vínculo com a universidade e mais ligados à aristocracia e à
cultura dos palácios.
II) O resultado foi a ruptura dos vínculos com a teologia e um crescente processo de
secularização da filosofia. Entre muitos dos novos intelectuais, o interesse primordial já
não era pelos temas sacros (divinae litterae, "letras divinas") e sim pela literatura secular
(humanae litterae), daí seu nome de "humanistas".
III) As preocupações dos filósofos renascentistas, que seriam desenvolvidas nos séculos
posteriores, giraram em torno de três grandes temas: o homem, a sociedade e a natureza.
A) I e II estão corretas
B) Somente II está correta
C) Nenhuma está correta
37

D) Todas estão corretas


E) I e III estão corretas
Resposta: D – todas estão corretas

2 – Sobre o Humanismo é correto afirmar que:


I) As grandes transformações culturais, econômicas e sociais dos séculos XV e XVI
afetaram também a filosofia, que, de monopólio até então quase exclusivo da classe
universitária passou a interessar a uma outra camada de intelectuais, sem vínculo com a
universidade e mais ligados à aristocracia e à cultura dos palácios. O resultado foi a
ruptura dos vínculos com a teologia e um crescente processo de secularização da
filosofia.
II) Entre muitos dos novos intelectuais, o interesse primordial já não era pelos temas
sacros (divinae litterae, "letras divinas") e sim pela literatura secular (humanae litterae),
daí seu nome de "humanistas". As preocupações dos filósofos renascentistas, giraram em
torno de três grandes temas: o homem, a sociedade e a natureza.
III) O humanismo, que foi em suas origens apenas um método de investigação científica,
acabou por se transformar, com o tempo, em uma corrente filosófica de suma importância
para o pensamento e a ciência posteriores. Seu primeiro representante foi o inglês
Francis Bacon, que propôs tal método em seu Novum organum (1620), cujo título era um
claro convite à renovação do organum, ou seja a metodologia lógica de Aristóteles.
A) Estão corretas I e III
B) Somente a I está correta
C) Estão corretas II e III
D) Somente a II está correta
E) I e II estão corretas
Resposta: E
Comentário: O correto é: O empirismo, que foi em suas origens apenas um método de
investigação científica, acabou por se transformar, com o tempo, em uma corrente
filosófica de suma importância para o pensamento e a ciência posteriores. Seu primeiro
representante foi o inglês Francis Bacon, que propôs tal método em seu Novum organum
(1620), cujo título era um claro convite à renovação do organum, ou seja a metodologia
lógica de Aristóteles.
38

3 – As construções racionais (Racionalismo) se aliam aos dados da experiência


(Empirismo). O veículo de análise e de entendimento do real, que caracteriza, o ser ou a
substância racional é o homem. Por um lado se afirma veículo cognitivo do real, por outro,
se estabelece como órgão experimental da mesma realidade. Sobre o Racionalismo e
Empirismo, as afirmações corretas são:
I) Ao caráter naturalista que apresenta "a razão" no Renascimento, é acrescentado,
assim, um antropologismo. Por tais motivos podemos afirmar que a filosofia antiga e a
medieval preocupam-se mais com o Ser, enquanto a filosofia moderna com o conhecer.
II) Racionalismo e Empirismo expressam em comum uma preocupação fundamental para
com o problema do conhecimento, ponto de referência básico da filosofia moderna.
III) Racionalismo e Empirismo constroem teorias do conhecimento diversas:
intelectualista e sensitista, respectivamente. Ambos os movimentos possuem ligações
com as ciências naturais e exatas, que alcançam um grande desenvolvimento naquelas
duas centúrias: física, astronomia, mecânica, matemática.
IV) Enquanto o Empirismo utiliza de preferência o Racionalismo a priori dedutivo da
matemática, o opta pelo a posteriori indutivo da experimentação.
A) Estão corretas I, II e III
B) Estão corretas II,III,IV
C) Somente II e III estão corretas
D) Todas estão corretas
E) Nenhuma está correta
Resposta: A
Comentário: Seria o correto: Enquanto o Racionalismo utiliza de preferência o a priori
dedutivo da matemática, o Empirismo opta pelo a posteriori indutivo da experimentação.

4 - Um ponto em comum entre as algumas correntes é o Fenomenismo, porquanto o


sujeito conhece, não as coisas, mas as suas representações. Dentro do critério
subjetivista, os conhecimentos adquiridos são impressões que as coisas exercem sobre o
sujeito cognoscente, sobre o intelecto ou sobre os sentidos. O conhecido é sempre
considerado uma representação, uma cópia, um fenômeno. Quais seriam estas
correntes?
A) Iluminismo e Humanismo
B) Racionalismo e Empirismo
39

C) Humanismo e Empirismo
D) Empirismo e Iluminismo
E) Iluminismo e Racionalismo
Resposta: B

5 – Em termos gerais, o Empirismo é a doutrina filosófica segundo a qual o conhecimento


se determina pela "experiência" (empeiría). Neste sentido, qual afirmativa não está
correta?
A) O Empirismo é usualmente contraposto ao Racionalismo que prescreve um
conhecimento fundado na "razão" (ratio).
B) Ainda que o termo "empirismo" tenha sido atribuído a um grande número de posições
filosóficas, a tradição prefere aceitar como "empiristas" aqueles pensadores que afirmam
ser o conhecimento derivado exclusivamente da "experiência" dos sentidos, da
"sensação" ou da "emperia".
C) De acordo com a teoria de que o espírito, a mente, seja uma tabula rasa, uma
superfície maleável às impressões da experiência externa, o Empirismo pode ser
estimado sob um prisma psicológico e outro gnoseológico.
D) À medida que a fonte do conhecimento não é a "razão" ou o pensamento, mas a
"experiência", a origem temporal de conhecer é concebida como resultado da experiência
externa e interna - aspecto psicológico -, e, por conseguinte, só o conhecimento
"empírico" é válido - o aspecto gnoseológico. Do ponto de vista gnoseológico, o
Empirismo rechaça o inatismo (doutrina que se entrelaça com o Racionalismo), que
admite a existência de um sujeito cognoscente (a mente, o espírito) dotado de "idéias
inatas", isentas de qualquer dado da "experiência".
E) O Racionalismo, ao contrário, afirma que o sujeito cognoscente é uma espécie de
tabula rasa, onde são gravadas as impressões decorrentes da "experiência" com o mundo
exterior.
Resposta: E
Comentário: O correto seria: O Empirismo, ao contrário, afirma que o sujeito cognoscente
é uma espécie de tabula rasa, onde são gravadas as impressões decorrentes da
"experiência" com o mundo exterior.
40

Pesquisa

As Diferenças Fundamentais Do Racionalismo E Do Empirismo


O texto a seguir de Edjar Dias de Vasconcelos3 que faz uma comparação entre
racionalismo e empirismo. Vale a pena buscar outros tipos de comparações entre
pensamentos. Disponível em:
http://institutoparthenon.com.br/clubedeescritores/author/edjar/

Diversas teorias procuram explicar não apenas a origem, mas também o


fundamento, as limitações do saber do homem. Essas concepções incorporam numa
determinada Filosofia a qual é conhecida como epistemologia. A etimologia epistemologia
nasceu de duas palavras gregas: episteme = conhecimento e logia= estudo. O que
significa na prática o estudo do conhecimento. Na verdade a epistemologia em referência
a origem do saber é hoje conhecida em três ramos distintos: empirismo, racionalismo e
interacionismo. Vamos compreender especificamente cada um desses campos. O que é o
empirismo, a Filosofia que valoriza a empiria o fundamento da experiência que a criança
tem com o seu meio. Os empiristas têm a certeza que toda forma de conhecimento vem
de algo externo, fora da própria razão por intermédio dos sentidos. De acordo com esse
entendimento, as ideias formuladas chegam pelos sentidos e começam a fazer parte da
mente que antes era um espaço vazio. Com o acúmulo de informações a razão vai
sistematizando algumas dessas ideias que se fixam na inteligência. A teoria dos
empiristas, a criança não sabe nada a priori, todo conhecimento é a posteriori, passa
existir com a existência associada à experiência. Tudo que a criança aprende resulta do
saber do professor. Que nasce pelo processo de síntese resultado do mundo empírico. O
papel do professor é transmitir a criança o saber, o que realiza pelo mecanismo da
passividade.
O que é o racionalismo, uma teoria do conhecimento, cujo fundamento é tido
como apriorismo ou inatismo. De acordo o racionalismo, as fontes do saber estão na

3
Bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção - Arquidiocese
de São Paulo com graduação máxima no Exame De Universa Theologia. Licenciado em Filosofia, História e
Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC-MG.
41

razão, e não na experiência, os sentidos são sempre fontes de erros, com efeito, não
pode fornecer o saber correto. Os teóricos que defendem essa epistemologia
compreendem que o ser humano já traz na razão características essências quando
nascem que desenvolvem com os processos de sínteses por meio da maturação. Os
racionalistas defendem, portanto, que o ambiente, o lugar epistemológico em que a
criança experimenta a sua existência, não modifica em nada ao processo de
aprendizagem. Os grandes pensadores dessa epistemologia, podemos citar: Thomas
Hobbes, Chomsky e Carl Rogers.
Alguns epistemólogos não acreditam nas duas teorias citadas, acha que elas não
dão conta da realidade isoladamente, para poder entender o mecanismo do entendimento
a construção da cultura. Esses pensadores são denominados de interacionistas. De
acordo com os interacionistas, o conhecimento não se dá nos objetos ao que se refere ao
empirismo muito menos no fundamento hereditário racionalismo. Os interacionistas não
aceitam plenamente as ideias inatas, pelo fato de menosprezar a experiência como
fundamento, em razão de não considerar o meio, o objeto como fundamento da
experiência.
Por outro lado, os empíricos porque os mesmos abandonam os fatores racionais
como mecanismos maturacionais. Segundo a epistemologia interacionista entende o
conhecimento por meio da interação entre o objeto e o meio, e a racionalidade objetiva
dos fatos, ou seja, o conhecimento que a pessoa tem. Os principais pensadores dessa
teoria podem destacar-se entre eles: Vygotsky, Piaget. A concepção epistemológica do
saber, aquele que ensina, quando empirista, ele seguirá certo caminho nas orientações
pedagógicas. Partindo da ideia que a criança é como uma folha de papel em branco, a
função fundamental do professor é transmitir o conhecimento para a criança. Compete a
ela apenas a memorização, fazendo uso da experiência, o professor ensina e a criança
aprende. A respeito da outra teoria, a que refere a ideia fundamental do racionalismo, a
teoria básica, não valorizar muito o papel do professor a respeito da teoria do
conhecimento. Essa teoria sustenta que desenvolvimento do conhecimento da criança
acontecerá com o tempo por meio da maturação. Como resultado dessa nova visão de
concepção educacional na defesa da teoria da interação, a preocupação fundamental
está em desafiar as estruturas da cognição da razão, para possibilitar novas formas de
conhecimento que serão elaborados por um mecanismo de junção das duas primeiras
teorias. O professor tem que entender a sua prática pedagógica da qual é sujeito pelo
42

menos em parte, a partir de então desvincular das práticas conservadoras e apontar


novos caminhos na linha do futuro e desse modo deve agir a serviço das Ciências.
A concepção da Ciência do nosso tempo, a epistemologia de certo modo faz a
defesa do método hipotético-dedutivo, o que ajuda na criação das teorias de acordo com
o entendimento dos problemas encontrados. O que significa deixa de ser um acúmulo de
verdades na formulação das atitudes críticas na identificação dos problemas, na
formulação das hipóteses e construções das respostas. O que desencadeia, portanto,
numa permanente verificação a contínua reconstrução das teorias, como meios para
solucionar os grandes problemas, desse modo acontece também no mecanismo da
educação. No entanto, o outro método fundamentadas nas ideologias epistemológicas
aplicadas as Ciências da natureza, trata se especificamente do método indutivo, aplicação
da empiria pura, cujos paradigmas são mais duradouros.

Passeio virtual – As novas correntes de pensamento


VIDEO 1_ Documentário sobre o Renascimento e o Iluminismo
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=rS8iKbcnMbw

VIDEO 2_ ILUMINISMO
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=dcW64fNwNl8
Este vídeo mostra o contexto histórico.

VIDEO 3_ Filosofia 11 Origem do Conhecimento - Racionalismo vs


Empirismo
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=Cg_AUcxqFI4

VIDEO 4_ História da Igreja 47/56 - Iluminismo e Romantismo


Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=G1DKcmLrEBo

VÍDEO 5 - Características gerais do Romantismo


Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=ET6KQHmIeV0

VÍDEO 6 - ARQUITETURA (Estilo Romantico)


Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=vQZhokGRocw