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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO

PÚBLICA E GOVERNO

Catarina Duleba
Felipe Gonçalves
Lourivam de Souza

ECO 782, Estado Sociedade Civil e Movimentos Sociais

Campinas, 07 de Maio de 2018


Estado Social, programas de transferência de renda e renda básica

São inúmeros os fatores que influenciam na concepção de um tipo de


Estado: grau organização da sociedade civil; conjuntura política; hegemonia
ideológica de determinado grupo e/ou classe social; fatos históricos; e mais
uma infinidade de variáveis. No decorrer do Curso de Especialização em
Gestão Pública e Governo estudamos vários tipos de Estado, que, com ricos
detalhes, nossos professores enfatizaram suas diferenças, sobretudo no que
tange às políticas públicas e sua influência junto à sociedade. Conceitos como
Estado de Bem-Estar Social (ou Estado Social) versus Estado Liberal (ou
Estado Mínimo) foram amplamente debatidos e contextualizados no campo da
gestão de políticas públicas.

Em entrevista oferecida em fevereiro de 2018, Tatiana Roque


ressalta que o Estado Social compreende educação e saúde públicas,
Previdência e outras medidas de assistência social (Seguridade Social), que
por sua vez, são financiadas através de impostos. Nesse contexto, para que
haja expansiva oferta de políticas sociais é necessária uma fonte de
financiamento sustentável, justamente para assegurar a continuidade das
políticas públicas implementadas pelo Estado Social.

Roque (2018) aponta para as transformações contemporâneas no


mundo do trabalho, todavia pela revolução tecnológica que vem mudando a
natureza das relações laborais. A crescente substituição da mão de obra
humana por robôs indicam para um possível desaparecimento de postos de
trabalho intermediários, restando apenas trabalhos menos qualificados e mal
remunerados, num extremo, e no outro, trabalhos mais qualificados e bem
remunerados. Essa situação agrava ainda mais a desigualdade social e reflete
diretamente na queda do emprego formal, que, por sua vez, compromete a
garantia dos direitos fundamentais.

Num contexto de fragilização do trabalho é preciso repensar o


Estado Social. Nesse sentido, a proposta da Renda Básica surge como
alternativa de assegurar os direitos básicos dos indivíduos. Segundo Josué
Pereira da Silva (2010), a proposta da renda básica poderia ser impulsionada e
implementada caso fosse apropriada por movimentos sociais. Tal proposta tem
por objetivo reduzir os impactos de desigualdades sociais, econômicas,
culturais e políticas e, portanto, assegurar autonomia e dignidade humana,
partilhando a riqueza socialmente produzida.

Porém não tem por princípio resolver todas as desigualdades sociais,


mas sim, extinguir ou pelo menos diminuir os estigmas relacionados às
políticas de transferência de renda aos quais os beneficiários estão sujeitos. O
argumento de Silva é que com todas as pessoas dispondo de uma renda
básica, fica mais fácil lutar contra outras maneiras de desigualdade a partir daí.
Para o sociólogo, a renda básica asseguraria mais direitos que as políticas
focadas, condicionais e provisórias justamente pelo seu caráter universal,
incondicional e permanente, fora do jogo político. Para isso, a renda básica
deveria tornar-se uma política de Estado, ficando fora de disputas políticas e de
qualquer grupo ou partido que estiver no governo. A renda básica pode ser
encarada como uma política de esquerda, embora não seja a única e seja
também menos ambiciosa, conforme Silva define. A Lei no. 10.835, de 2005,
garante o direito de todos os brasileiros receberem este benefício, porém a
legislação não foi implementada na prática.

Exemplos de programas de transferência de renda:

BENEFÍCIOS SOCIAIS - PROGRAMA DESENVOLVIDO PELA


PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP.

1º O ASVT – Auxílio por Situação de Vulnerabilidade Temporária,


benefício com base na Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS (lei
8.742/93).
Esses benefícios destinam-se aos indivíduos com impossibilidade de
arcar por conta própria com situações causadas por contingências sociais, cuja
ocorrência provoca risco e fragiliza a manutenção das pessoas ou da unidade
da família e a sobrevivência de seus membros.
Trata-se da transferência de um valor ou serviço provisório prestados
aos cidadãos e as famílias em virtude de nascimento, morte, vulnerabilidade
temporária, desastre e/calamidade pública.

QUEM TEM AO DIREITO AO BENEFÍCIO


- Renda familiar per capita ou renda individual de até meio salário
mínimo;
- Residir no Município de São José dos Campos por no mínimo um (1)
ano;

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS
- Comprovante de residência no Município de no mínimo um(1) ano;
- Certidão de nascimento ou documento de identidade de todos os
membros da
família;
- Termo de guarda ou tutela dos menores de 16 anos, ou termo de
curatela (curador- uma pessoa encarregada de administrar bens) da
pessoa com deficiência que estejam sob sua responsabilidade legal;
- documento de comprovação de renda de todos os membros do grupo
da família;

AUXÍLIO NATALIDADE
O auxílio natalidade será concedido em pecúnia em parcela única no
valor de $ 200.00 (duzentos reais), destinado a auxiliar nas despesas
decorrentes das necessidades básicas do nascituro.

AUXÍLIO POR MORTE


É concedido pelo serviço funerário municipal, através de prestação de
serviços funerários custeados pela SDS (Secretaria de Desenvolvimento
Social).

SITUAÇÃO DE VULNERABLIDADE TEMPORÁRIA


- Riscos ameaças de sérios procedimentos “integridade física proteção
ex. violência contra a mulher;
- Perdas privação de bens materiais ex. casa, pequenos negócios que
era a base econômica da família;
- Danos agravos sociais e ofensas;

VALOR DO ASVT- Auxílio por Situação de Vulnerabilidade


Temporária
Será concedida por 6 mêses para as seguintes faixas de renda;
a) Família com até quatro membros e com renda mensal per
capita de até R$77.00, ou indivíduos com renda mensal de igual valor,
receberá auxílio financeiro de R$70.00 mensais.
b) Família com mais de quatro membros e com renda mensal
per capita de até R$ 77.00, receberá auxílio financeiro de R$ 100.00 mensais.
c) Família com renda mensal per capita entre R$ 200.00 até
R$ 394.00 ou individual com renda mensal de igual valor, receberá auxilio de
R$ 50.00 mensais.

COMPROMISSO DAS FAMÍLIAS


- As famílias serão orientadas a encaminhar seus filhos ou dependentes
em unidade escolar para a rede de ensino e ao serviço de saúde do município.
- Os centros de referências da Assistência Social – CRAS realizarão
processo de avaliação periodicamente em conjunto com as famílias.

2º RENDA CIDADÃ
É um programa de transferência de renda com condicionalidade de
concessão temporária.

OBJETIVO
a) Repassar apoio financeiro temporário, visando melhorias das
condições das famílias com ações socioeducativas e de geração de renda;
b) Criação em 2002;

FORMA DE ACESSO
Disponível para família com renda de até um quarto do salário mínimo
(R$ 238,00), cadastrado no CadÚnico(Cadastro dos Programas Sociais que
identifica e coleta dados e informações das famílias de baixa renda existente
no país, deve ser cadastradas famílias com renda de até meio salário mínimo.

BENEFÍCIO
-Repasse mensal de benefício financeiro no valor de R$ 80.00
- Participação em curso de capacitação qualificação profissional ou
geração de renda

EXIGÊNCIAS
- Participação nas ações socioassistenciais do programa;
- Participação nos cursos de qualificação profissional ou geração de
renda;

CRITÉRIOS
-Ter renda per capita de até R$ 100.00;
- Residir em território de alta vulnerabilidade identificado pelo IPVS
“Índice Paulista de vulnerabilidade Social”;
- Se a família for beneficiária do Bolsa Família, o somatório não dos
benefícios não pode ultrapassar R$ 95.00;

PRIORIDADE
Família chefiada por mulher.

3º PROGRAMA DE TRANSFERENCIA DE RENDA


O programa regulamentado pela lei 6.428 de 28-11-03, denominado de
Consolidações das Leis Sociais.
OBJETIVO
Concedido como uma ação de enfrentamento à pobreza, mediante
transferência temporária de renda, desenvolvimento de ações
socioassistenciais e capacitação de geração de renda.
CRITÉRIOS
-Residir no município há pelo menos dois anos, contados da data do
cadastro;
- Ter dependentes com idade inferior a 16 anos ou pessoa com
deficiência impossibilitada para o exercício de atividade remunerada (somente
para a família);
-Ter renda per capita inferior a metade do menor piso salarial estadual
vigente (1.108,38);
- Estar cadastrado no sistema de informação da Assistência Social;
- Não estar inserido ou ter membro inserido em um programa de
transferência de renda desenvolvia pela prefeitura;
- Não ter sido atendido pelo programa nos últimos 2 anos.
ACESSO
- Os interessados devem procurar as medidas de atendimento social
(públicas ou privadas), mantidas pela prefeitura para avaliação social e
indicação para o cadastramento no programa;
- Avaliação e indicação também pode ser feita por assistente social
responsável pelo acompanhamento da família ou pessoa atendida por serviços,
programas ou projetos de entidades sociais conveniadas com a prefeitura ou
Fundhas “Fundação Helio Augusto de Souza).
SELEÇÃO
- As famílias ou pessoas serão cadastradas em bancos de dados de
dados de desenvolvimento especialmente para gestão do programa. A
classificação será de acordo com os fatores de vulnerabilidade estabelecidos
no decreto regulamentador. A solução dá-se por meio eletrônico, respeitando a
classificação obtida e o numero de vagas disponíveis.
BENEFÍCIO
- A família ou pessoa inserida no programa receberá mensalmente apoio
financeiro, cujo valor será calculado de acordo com a renda per capita e
composição do grupo familiar.
EXIGÊNCIAS
Renda Mínima Familiar
-Participação nas ações socioassistenciais desenvolvidas pelo
programa;
- Participar em curso de capacitação, qualificação profissional ou
geração de renda;
- Acompanhamento das situações de saúde de todos os membros do
grupo da família, especialmente crianças e gestantes;
- Acompanhamento escolar dos dependentes com menos de 15 anos
(frequência escolar);
- Aplicação do recuso financeiro em prol da melhoria de qualidade de
vida da família;
Renda Mínima Individual
- Participação nas ações socioassistenciais desenvolvidas pelo
programa;
- Participação em curso de qualificação e capacitação profissional ou
geração de renda;
-Aplicação do recurso financeiro em prol da melhoria da qualidade de
vida do indivíduo.

Obs. Os dados são fontes da época de suas publicações o pode haver


possíveis alterações.
Referências Bibliográficas:

KERSTENETZKY, C. L. 22% da população brasileira vive na pobreza de renda.


Políticas sociais não podem ser afetadas pela crise, ihu, rs, 2017.
[http://www.ihu.unisinos.br/573590-politicas-estrategicas-nao-podem-ser-
afetadas-pela-conjuntura-de-crise-entrevista-especial-com-celia-lessa-
kerstenetzky]

ROQUE, T. A revolução tecnológica exige novo Estado Social. Unisinos, IHU,


RS, 2018. [http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/576177-revolucao-
tecnologica-exige-novo-estado-social-escreve-professora]

SILVA, J. P. Renda básica: uma proposta que permite desfrutar da igualdade,


IHU, RS, 2014. [http://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/532017-
renda-minima-uma-proposta-que-permite-desfrutar-da-igualdade-basica-
entrevista-especial-com-josue-pereira-da-silva]

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS. Benefícios Sociais,


2017. [https://www.sjc.sp.gov.br/servicos/apoio-social-ao-cidadao/beneficios-
sociais/]