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Conhecimento do Professor.

Uma reflexão síntese.

Daniel Fernando Sanchez.

A racionalidade Técnica foi bastante criticada em todos os aspetos do mundo


moderno, a racionalidade técnica do fazer sem pensar, de executar sem refletir, de se
identificar como um aparelho dentro de uma grande Industria que seria o mundo. Om
professor dentro dessa lógica é simplesmente um corpo sem personalidade, um ator sem
dialogo, ele iria fazer o que está posto, o que já foi marcado no livro de texto, nas políticas
públicas, o que dizem os expertos, as recomendações dos pais e até as demandas dos
estudantes. A racionalidade técnica obteve resultados tão afastados dos objetivos teóricos
da educação que foi muito difícil, como restituir se algum dia existiu, o melhor como criar
um estatuto profissional para os trabalhadores da educação. um estatuto profissional é o
reflexo da confiança que deposita a sociedade sobre um conjunto de pessoas para atingir
a uma necessidade particular a ser atendida, neste caso a humanização das crianças, a
formação cidadã, o acesso de todas ciência ao conhecimento.

Então, o que é o professor?

O professor é uma identidade social contraditória, é familiar, todos alguma vez


tiveram contato com um professor, mas a familiaridade se perde no momento de definir
ele, o que é? o que ele faz? como que ele consegue fazer aquilo? Diante essas questões se
estabelece uma série de conceptos que se repetem em múltiplas pesquisas que dão uma
ordem ao debate e permitem pensar o professor como uma figura profissional capaz de
agir autonomamente. Conceitos como, conhecimento, identidade profissional, formação
inicial e continuada e pesquisa, são chaves ao momento de pensar o professor.

Desde os anos 80 vem se desenvolvendo um consenso ao respeito do ideal do


professor, é sem dúvida, a ideia de professor pesquisador, ele se encaixa aos objetivos
educativos internacionais e o contexto de reformas dos sistemas educativos,
principalmente nos Estados Unidos. Se fala de consenso por que todo mundo chegou
nessa conclusão, precisamos um profissional autônomo, bem formado, capaz de resolver
seus próprios problemas, o que não teve foi consenso sobre o que era esse professor
pesquisador, é claro, a pesquisa é o elemento mais complexo da ciência, e desde essa
consideração básica as definições diferentes começaram a se espalhar, que tipo de
pesquisa?, pesquisar o que?, pesquisar para que?, pesquisar como?, pode ensinar e
pesquisar?

Em torno desses questionamentos se formaram duas tradições, por um lado a


tradição do professor reflexivo e no outro, a epistemologia da pratica. Dois enfoques
distintos que respondem a esse grupo de perguntas e estabelecem um novo horizonte do
que é um professor, quer dizer, que tem consequência tanto na pratica pedagógica como
na formação inicial e continuada de professores desde as universidades e as instituições,
principalmente as escolas.

O professor reflexivo é una proposta feita desde a alta academia, uma proposta
que mesmo sendo criada fora do circulo de professores, pensa em como dar autonomia
para eles, basicamente recolhe elementos das ciências da educação e junta numa proposta
de profissional da educação que possa refletir sobre sua pratica, desenvolve assim um
aprofundamento em metodologias de pesquisa próprias da sociologia e da antropologia,
principalmente a pesquisa ação.

A epistemologia da pratica se desenvolveu quase no sentido contrário, ela quer


dar voz ao conhecimento que o professor tem, o que ele esta fazendo na escola tem muito
para dizer, pode constituir por si só, segundo esta perspectiva, uma base epistemológica
para pensar o profissional da educação que é preciso formar.

O professor reflexivo teve como maior desafio unificar a comunidade acadêmica


com o coletivo de professores, uma linguagem que permitisse se encontrar, mas também
um lugar, um ponto de encontro que tivesse por norma o respeito a outro e a tarefa de
construção conjunta para pensar a educação sempre tentando unir teoria e pratica.

A epistemologia da pratica foi construída na base de uma pesquisa etnográfica do


que acontece nos espaços educativos, com as pesquisas fizeram uma tipologia de
conhecimentos que o professor tem que ter ao momento de ensinar, tipologias cada vez
mais completas, cada vez mais densas, entre estas se localizam: analisar situações
complexas, ter um referencial teórico amplo, criar estratégias, saber usar técnicas e
ferramentas entre muitas outras. Mas obter da pratica esses elementos construtivos do
professor deixava um grande mistério, de onde vem, em que estavam sustentadas essas
práticas, não se estava fechando ao professor em um círculo do eterno retorno, onde entra
o pensamento numa esfera fechada.
As duas tradições têm bastantes problemas, mas são sem dúvida um diagnóstico
muito aprofundado do ideal do professor, dos enigmas do trabalho do professor. Mas as
duas só enxergam os problemas e suas respectivas soluções desde as transformações no
professor, o que deixa fora todas as mudanças que tem ser feitas no groso da sociedade,
a justa repartição da responsabilidade pela educação, além de todas as mudanças que se
precisam em termos salariais e laborais para que os professores possam se quer atender
sues próprios processos formativos sem perder seu lugar na frente do ensino. No entanto
se a formação de professores que de de cara com estes desafios, com certeza usara como
referentes estas duas tradições de pesquisa sobre o conhecimento do professor