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M∴ ∴L∴M∴E∴R∴G∴S∴
Fundada em 08 de janeiro de 1928

MANUAL DE INSTRUÇÕES DO RITO SCHRÖDER

GRAU DE MESTRE MAÇOM

EDIÇÃO 2011

Or∴ de Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil

1
INTRODUÇÃO

Mais uma etapa se cumpre.

O esforço desenvolvido pela Grande Comissão de Liturgia


do Rito Schröder, materializa mais um sonho: dotar os Ritos
desenvolvidos em nossa Grande Loja das instruções básicas e
indispensáveis para a aprendizagem dos maçons, fortalecimento
das Lojas e crescimento da Maçonaria Universal.

Parabéns a todos os Irmãos que motivados pelo Tempo


Novo que vive a nossa Grande Loja, com muito esforço estão
colaborando decisivamente para o engrandecimento de nossa
Instituição.

Porto Alegre, março de 2011.

2
MANIFESTAÇÃO DA GRANDE COMISSÃO
DE LITURGIA do RITO SCHRÖDER

A proposta desta Grande Comissão de Liturgia ao elaborar


esta primeira edição do Manual de Instruções para o Mestre
Maçom foi a de agregar, em uma só fonte de consulta, trabalhos
maçônicos realizados por Irmãos ao longo de suas vidas
maçônicas e que possam trazer, pelo seu teor, subsídios ao
aprimoramento dos Irmãos Mestres. Pretende-se com isso
motivar aqueles que buscam, através do esforço individual ou
coletivo de estudo e pesquisa, a produção de outros trabalhos
que resultarão na propagação de conhecimentos sobre o Rito.
O Rito Schröder, que carece de mais obras específicas
sobre a sua doutrina, exige a busca individual e a troca de
informações entre os seus Mestres como forma de estimular a
pesquisa e a produção de Peças de Arquitetura dignas da
docência que todos almejamos.
Pretendemos que a coletânea, ora apresentada, seja o
estímulo inicial para que os Mestres se dediquem a gerar um
efeito multiplicador nas Lojas do Rito na nossa Jurisdição, tendo
como retorno os virtuosos frutos do conhecimento sobre o Rito
Schröder e a Maçonaria em geral.

Ir. Friedrich Ludwig Schröder, P.G.M.

3
ATO Nº 917/2009-2012 - NOMINATA

4
ÍNDICE

TÍTULO PÁGINA

Considerações sobre o Rito Schröder 06

Estudo Dirigido do Ritual de Mestre Maçom 12


do Rito Schröder da M.R.G.L.M.E.R.G.S.,
edição 2008

O Grau de Mestre Maçom do Rito Schröder 13


A Filosofia do Terceiro Grau 18
O Perfil do Candidato à Maçonaria 21

O Rito de Schröder, entre a Ética e a Religião 27

Schröder, história de uma vida extraordinária 34

O Objetivo da Maçonaria e do Trabalho no 41


Templo

Conclusão 46

“O Mestre deve ser a Pedra Cúbica Perfeita que será por ele assentada no Templo da
Humanidade”.

5
CONSIDERAÇÕES SOBRE O RITO SCHRÖDER

A Maçonaria, após tornar-se uma instituição especulativa,


no início do Século XVIII, teve que se reorganizar em Lojas e
definir seus novos objetivos, mantendo-se, porém, fiel aos usos e
costumes das antigas corporações de ofício nas quais teve
origem. Herdou os símbolos operativos, diretamente associados
às ferramentas da Arte Real e a eles vinculou os valores morais e
as formas de buscar a verdade pela reflexão e desenvolvimento
espiritual.
A Maçonaria especulativa teve então uma grande ascensão
nos meios sociais da Inglaterra, França, Alemanha e outros
países da Europa e naturalmente sentiu a necessidade de
organizar o cerimonial de suas sessões ritualísticas e suas
reuniões. Com o avanço do número de Lojas e a grande
aceitação dos maçons nos meios sociais de então, começou a
haver uma natural diversificação nas formas de se trabalhar em
Loja, em função dos diferentes costumes, culturas, etnias e
influências religiosas e também de Ordens Iniciáticas que muitas
vezes encontraram no seio da Maçonaria o apoio, a segurança e
o prestígio social de que necessitavam. A Maçonaria
especulativa nasceu em pleno Iluminismo, o chamado Século
das Luzes, quando sofreu toda sorte de influência desta época,
com o avanço das Ciências e da Filosofia.
Muito embora a liturgia deste cerimonial fosse baseada no
simbolismo oriundo da arte operativa, era natural que os rituais e
as doutrinas a eles associadas começassem a se diversificar,
moldando-se aos grupos de maçons que se identificavam com
diferentes religiões, ordens iniciáticas ou correntes filosóficas.
Começava aí a criação dos ritos maçônicos e que ainda hoje
persiste na Maçonaria universal. Desta forma a Maçonaria
conseguiu conciliar a essência de sua doutrina com as diferentes
formas de pensamento, direcionando-as a um objetivo comum e
criando certo sincretismo doutrinário universal.
Na Alemanha de Friedrich Ludwig Schröder não foi diferente
e nos cabe aqui fazer breves considerações sobre algumas
características do Rito e, assim situá-lo no universo dos demais
ritos maçônicos, mormente no que tange às dúvidas geradas
6
pelas comparações, inevitavelmente presentes em nosso meio
maçônico. Sofremos as suas conseqüências, pois somos
confrontados com ritos de maior expressão numérica e, na
maioria das vezes, pelas aparências exteriores que atraem e
empolgam, sem a preocupação de se aprofundar em seus
fundamentos e na análise da relativa incongruência existente
entre certos ritos. Muitas vezes, motivados pela nossa
inexperiência maçônica, dirigimos a nossa observação apenas
aos apelos exteriores e proeminentes, pois somos também
movidos pela curiosidade ao inusitado e misterioso, em
detrimento do conteúdo proposto.
Por sermos um Rito aparentemente simples, estas
comparações trazem imediatamente à tona as diferenças que o
caracterizam. A preocupação do Rito com o despojamento e a
objetividade reflete-se no seu simbolismo, na sua liturgia e na
essência da sua filosofia humanista, que valoriza mais o
conteúdo em si do que a forma de buscá-lo. O seu pragmatismo
por vezes impede ao leigo neste Rito de ver que a sua aparente
simplicidade esconde um método de ensino que dá ao praticante
(livre pensador) ampla liberdade de pesquisa. Liberdade que
evita as peias dogmáticas que cerceiam o discernimento, mas
que, em contrapartida, impõe ao Mestre enorme encargo e
responsabilidade no trabalho de pesquisa e entendimento de
suas propostas, através de meios próprios de buscar o
conhecimento. Para alcançarmos estes meios a Maçonaria
concede as ferramentas apropriadas do seu simbolismo, que nos
capacita assimilar os seus grandes preceitos através das nossas
interpretações individuais. Todo maçom que busca o significado
do símbolo encontrará respostas, pois o simbolismo nivela a
todos.
Todas estas diferenças em relação a outros ritos geram
muitas vezes a idéia de que somos um Rito desprovido de
elementos motivadores e de apelos esotéricos. Evidentemente,
como já nos referimos, estas impressões são colhidas através de
comparações superficiais e inconseqüentes. A desmotivação
fatalmente ocorre pelo desconhecimento.
A docência do Rito Schröder possui peculiaridades que o
diferenciam de outros ritos, pois não se baseia intrinsecamente
7
em instruções pré-estabelecidas, mas principalmente na
pesquisa e interpretação do seu ritualismo, da sua liturgia e do
seu simbolismo.
Schröder procurou afastar-se de influências de outras
ordens iniciáticas que pouco ou nada acrescentavam ao seu
pensamento e manter-se eqüidistante dos credos religiosos.
Abominou o culto ao sobrenatural, o ocultismo, a magia, o
curandeirismo, as experiências teosóficas e o misticismo, que
grassavam no meio maçônico de então. O pensamento
Humanista não contemplava tais valores e, por conseqüência,
tornou-se um rito ágil e objetivo, mas que, aos olhos dos que
desconhecem os seus fundamentos, se apresenta como “rito
simples”.
Escrevendo sobre estas distorções ocorridas na Alemanha
daquela época, Hercule Spoladore (Loja de Pesquisas
Maçônicas Brasil – Londrina – PR – Revista “O Prumo” Nr. 134)
relata que “(...) Exemplo de coerência nos deu a Maçonaria da
Alemanha, quando o Rito da Estrita Observância que praticava o
ocultismo começou a perder terreno exatamente depois da
Convenção de Wilhelmsbad realizada em Hamburgo, em 1782, e
que foi decidido que se restauraria a verdadeira e antiga
Maçonaria, exatamente como foi trazida pelos seus
antecessores, e que se pesquisaria tão somente a Verdade”.
(...) “Não resta a menor dúvida, que esta medida deu um ultimato
ao festival de graus superiores que grassava por toda Alemanha,
bem como na atuação dos magos que infestavam suas lojas.
Esta decisão permitiu que fosse iniciado um movimento
restaurador da verdadeira Maçonaria. E entre Irmãos que
almejavam esta limpeza na Ordem estava Friedrich Ludwig
Schröder, que aproveitou para organizar um Ritual que, sem
dúvida nenhuma, é um dos mais puros e expurgado de enxertos,
do mundo, ou seja, o Ritual de Schröder ou Ritual Alemão”.
Sobre a influência do misticismo, José Castellani escreve:
“...Embora não seja, em sua atuação, uma Ordem mística, a
Maçonaria aproveitou muito o misticismo das antigas civilizações
e do período medieval, para armar a sua doutrina moral. Existem,
todavia, autores maçônicos que exacerbam esse misticismo,
como se ele fosse fundamental para uma Ordem que é
8
eminentemente racional. Lamentavelmente, sempre existiram,
em todas as épocas, pessoas sempre prontas a explorar a
credulidade alheia, em torno de tudo o que é misterioso. E a
Maçonaria não ficou livre desse tipo de charlatão espiritual, que,
de boa ou má fé, acaba retardando a evolução racional da
instituição Maçônica.”
O Humanismo e o racionalismo são ferramentas eficazes na
busca pelo autoconhecimento e pela valorização de si próprio,
colocando o indivíduo num nível superior, ciente de suas
potencialidades e de ser capaz de gerir-se, sem depender das
imponderáveis e misteriosas forças cósmicas que muitas vezes
impõem limitações a sua liberdade de pensar, por vias
dogmáticas de crendices sem fundamentos consistentes.
O conceito de igualdade exige coerência na postura do
maçom, pois não faz sentido ostentar e ser sensível aos apelos
vistosos e chamativos que atraem e acabam por contaminar o
ego vaidoso e ávido por afagos de toda sorte. A hierarquia
dentro da Maçonaria deve ocorrer pela evolução e pelo mérito,
sem jamais fomentar a desigualdade, a discriminação e o apego
ao poder. Ao se exaltar estes valores revelam-se as fraquezas
do espírito.
Diante destas características inerentes ao Rito, calcadas na
profunda pesquisa realizada por Schröder e pelo grupo de
intelectuais que o acompanhava, não podemos propor mudanças
ou acréscimos ao Rito simplesmente com a finalidade de
satisfazer necessidades pessoais ou de aproximá-lo dos ritos que
mais nos agradam. Ao tentar tais procedimentos estamos
demonstrando desconhecer o nosso próprio Rito e descumprindo
normas às quais estamos subordinados. As comparações com
outros ritos são deletérias e só revelam o nosso despreparo para
entendê-lo. O caminho é, pois, estudá-lo, conhecê-lo e sintonizar
o nosso espírito com a sua proposta humanista.
O Rito Schröder difere de outros ritos em muitos pontos e a
sua filosofia se direciona a maçons que se identifiquem
plenamente com esta forma de pensar.
A política da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio
Grande do Sul, no seu Plano de Docência definido no 1º Eixo de
Desenvolvimento, deixa bem clara a necessidade de manter
9
cada Rito fiel às suas origens e zelar pela sua uniformidade no
âmbito da Jurisdição, livre dos aditamentos e enxertos que às
vezes insistem em contaminá-los. As Grandes Comissões de
Liturgia de cada Rito são instadas a cumprir estas
determinações.
Embora tendo ainda proporções minoritárias em relação a
outros ritos, o Rito Schröder está em franca expansão e os
últimos anos testemunharam em nosso país um substancial
aumento de seus praticantes, que encontram nos seus preceitos
a realização dos anseios de Irmãos que percebem na sua linha
doutrinária o caminho para melhor sondar e desenvolver os seus
questionamentos morais e espirituais. Para termos uma idéia do
crescimento do Rito no Brasil, lembramos que em 1998 havia em
torno de 14 Lojas em atividade em todo o país e hoje chegamos
a mais de 100 Lojas! Este extraordinário crescimento se deve ao
trabalho de notáveis Irmãos que se identificaram com o Rito,
através do estudo e da pesquisa, e que empreenderam um
movimento de conscientização para que os obreiros pudessem
entendê-lo melhor. A Grande Comissão de Liturgia do Rito
Schröder passou a ter maior atenção por parte das
Administrações da Grande Loja, e o resultado foi uma atuação
mais produtiva, com a criação de eventos, através de simpósios
e assembléias e culminou com a criação do Colégio de Estudos
do Rito Schröder, supra-obediências, que passou a ter uma
colaboração mais direta da Loja Mãe Absalom Zu Den Drei
Nesseln, n.1, da Alemanha, tendo estabelecido com ela
permanentes contatos e consultas. O Colégio edita
periodicamente Boletins com artigos e notícias de interesse do
Rito e todas as Lojas do Brasil tem acesso a estas publicações.
Cabe ressaltar ainda que este Colégio tem prestado relevantes
serviços e dado suporte para as Lojas que a ele recorrem.
Um dos nossos grandes desafios é a mobilização de
Mestres para que assumam a condição de pesquisadores e
docentes e imprimam nas Lojas da Jurisdição um interesse cada
vez maior pelo entendimento da doutrina e procurem zelar pela
fidelidade do Rito às suas origens, atraindo para os nossos
quadros novos membros que realmente se identifiquem com a
nossa forma de pensar. Irmãos descontentes com o Rito,
10
eventualmente são Irmãos que não foram devidamente
orientados e que, por isso mesmo, podem estar desmotivados.
Sendo assim, aumenta a nossa responsabilidade de Mestres em
nos prepararmos para a correta orientação e instrução aos
nossos “afilhados” e para apoiarmos aos nossos Veneráveis
Mestres em seu mister de instrução dos membros das nossas
Lojas. Estamos convictos de que temos valorosos membros nas
Lojas da Jurisdição, com capacidade de promover um incremento
no nosso ensino. Basta que se disponham a dar a sua
contribuição e mostrar o que sabem.

Ir. Alcir Esteves de Almeida

As Três Grandes Luzes da Maçonaria no Grau de Mestre Maçom.

11
Estudo Dirigido do Ritual de Mestre Maçom do Rito Schröder
da MRGLMERGS, edição 2008

1. Qual a origem do significado simbólico dos Sinais dos


Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom? (Pág.
27).

2. Qual o significado simbólico da Viagem durante a


Elevação? (Pág. 33).

3. Quais as pronúncias e qual o significado simbólico da


Palavra do Mestre? (Páginas 29, 31 e 38).

4. Qual o significado simbólico do Toque Perfeito do


Mestre? (Pág. 38).

5. Qual o significado simbólico da “Batida e dos Passos


do Mestre”? (Pág. 39).

6. Qual o significado simbólico da “Prancheta”? (Pág. 39).

7. Como um Mestre deve se destacar dos Companheiros


e Aprendizes? (Pág. 39).

Elaborado pela Comissão de Liturgia e Docência da Loja


“Concordia et Humanitas” Nr. 56.

12
O Grau de Mestre Maçom do Rito Schröder

Após tratar dos Graus de Aprendiz e Companheiro Maçom


do Rito Schröder nos trabalhos que abrem esta série (vide os
Manuais de Instruções para os dois Graus citados), cabe-me
agora abordar o Grau de Mestre Maçom, segundo Friedrich
Ludwig Schröder, iniciando por estabelecer quando surgiram os
três Graus simbólicos e, para isto, vou me socorrer da obra do
Irm. Nicola Aslan (4):

“O Historiador e Ex-V.M. da Loja Quatuor Coronati, Irm.


Lionel Vibert, afirma: “os termos Aprendiz, Companheiro e
Mestre-Maçom são escoceses e foram empregados pela primeira
vez pela Maçonaria Inglesa em 1723.” - Sobre o mesmo assunto
escreve R. Le Forrestier: A inovação mais notável (da G. L. de
Londres) foi a criação dos Graus denominados Especulativos ou
Simbólicos. Os talhadores de pedra só tinham uma classe, a dos
Companheiros, já que os Aprendizes não faziam parte da
Corporação, cujos membros só possuíam os sinais de
reconhecimento mantidos, ciumenta e zelosamente, secretos. O
único ato solene de recepção era, portanto, o da admissão entre
os Companheiros. Na Freemasonry (Franco-Maçonaria)
Especulativa, ao contrário, onde a antiga aprendizagem
profissional não tinha mais razão de ser, os candidatos eram
admitidos diretamente na associação e a primeira Cerimônia
Ritualística era agora a recepção ao Grau de Aprendiz. A razão
pela qual o termo de Mestre serviu, a partir de 1725, para
designar não mais uma função mas uma dignidade e tornou-se a
denominação de um terceiro Grau, parece ter sido o desejo de
fazer uma escolha entre os membros cada vez mais numerosos
da associação e de constituir um “High Order of Masonry” (uma
“Alta Ordem da Maçonaria”), como o Grau de Mestre foi algumas
vezes denominado.”

Após esta consideração inicial, destaca-se que, atualmente


existe entre os modernos historiógrafos da Maçonaria, o
consenso de que a separação das instruções em três Graus não
era utilizada nas antigas Lojas operativas. Isto nos leva a concluir
13
com segurança, que a divisão da Maçonaria Especulativa
(modernamente denominada Simbólica) em três Graus: Aprendiz,
Companheiro e Mestre Maçom, que já era utilizada pela
Maçonaria Escocesa desde o Século XVII, ocorreu na Grande
Loja de Londres somente entre 1717 e 1725. E, desta forma,
pode-se afirmar que, quando Schröder foi Iniciado em 1774, os
três Graus já estavam consolidados e eram aceitos como
universais por todos os Sistemas de Ensino Maçônicos (Ritos).

Embora adotado como Grau pela Maçonaria Escocesa desde o


Século XVII, foi somente no final da terceira década do Século
XVIII (1738), já em plena Maçonaria Especulativa ou Simbólica,
que o Grau de Mestre Maçom foi oficialmente instituído pela
Grande Loja de Londres, reorganizando-se os ensinamentos do
Primeiro e Segundo Graus.

O Grau de Mestre Maçom

Consagrado à busca incessante da perfeição e ao cumprimento


inflexível dos seus deveres, o Grau de Mestre Maçom é o ápice
da Maçonaria Simbólica, de São João ou Azul. O Companheiro,
para ser elevado a Mestre, simbolicamente morre com seus
vícios e defeitos para renascer um homem puro, íntegro e
perfeito, o Mestre Hiram Abiff que, após assassinado passa a ser
substituído pelo novo Mestre, agora seu filho simbólico. A
importância do Grau de Mestre também se manifesta quando
muitos autores defendem ser a Elevação a verdadeira Iniciação,
e que somente o Mestre deve ser considerado como um Maçom
Completo.

Como modelo de perfeição, calcado em Hiram Abiff, o Mestre


deve conhecer o melhor possível os três Graus simbólicos, os
Usos e Costumes da Fraternidade, as Leis da sua Potência e da
sua Loja, bem como as obrigações inerentes a cada cargo, sejam
elas ritualísticas ou administrativas. Prepara-se assim para
instruir os Aprendizes e Companheiros e para assumir, quando
convocado, como um dos Oficiais da sua Loja. Aos Mestres

14
cabe, por dever e direito, decidir em assembléia os destinos da
sua Oficina e eleger um dentre eles para presidi-la.

O Venerável Mestre recebe por delegação de seus iguais (ele é o


"primo inter pares") a autoridade e o poder para dirigir os
trabalhos por um determinado período. Ao fim do qual, passará o
cargo para outro Mestre, legalmente eleito e devidamente
instalado, de acordo com os costumes de cada Rito e da Grande
Loja.

Para o Rito Schröder, o Grau de Mestre Maçom é o mais elevado


da Maçonaria, sendo também dedicado à pesquisa filosófica e ao
sentido da existência. Todo o trabalho em Loja procura educar o
maçom, visando preparar o Mestre, pois ele é o responsável pela
construção do Templo da Humanidade. Do ponto de vista
filosófico, este Grau lembra a morte, companheira inevitável e
que representa mais um passo na evolução natural, devendo ser
encarada de quatro maneiras principais:

a) alegórica ou simbólica: a Lenda do 3° Grau, sign ificando o


cumprimento do dever a custa da própria vida - exemplo legado
pelo Mestre Hiram Abiff;
b) o eterno ciclo da natureza, onde um novo homem renasce
para substituir aquele que partiu ("Ele vive no filho!") – aqui
também podemos depreender a importância do legado do
maçom, pois ao partir ele deixa para a Sociedade/Humanidade
tudo o que realizou de “bom, belo e verdadeiro“;
c) a crença na imortalidade da Alma (ou do Espírito), que parte
para o Oriente Eterno e lá nos aguarda para o derradeiro
reencontro;
d) a certeza de que a morte virá e que devemos nos preparar
através do cumprimento das nossas obrigações, pois podemos
ser levados por ela a qualquer momento.

O Mestre Maçom deve encarar a morte como algo natural, como


parte inevitável da própria vida e, não, com temor ou com horror.
O Mestre Maçom sabe que devemos viver com intensidade, pois

15
nossa passagem por este plano pode ser bruscamente
interrompida.

Para que possamos refletir sobre a real importância do Grau de


Mestre no Rito Schröder, incluo trecho escrito originalmente pelo
Irm. Friedrich Ludwig Schröder: "A Maçonaria é uma
Fraternidade, uma Irmandade e, como tal, adotou os
instrumentos de trabalho do maçom, e por isso não pode possuir
mais do que os três Graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre.
Assim era ela em todos os países onde existiam Corporações.
Com o Grau de Mestre fechava-se o círculo. Àquele que anseia
alguma coisa mais além não é Mestre, ou seja, não compreende
que são seus deveres e suas habilidades que o tornarão um
Verdadeiro Mestre. ... Foram os rituais falsificados em vigor,
pouco satisfatórios, repletos de lacunas e defeitos (além de
outras causas funestas), que deram motivo para que a Teosofia,
as Ordens de Cavalaria, a Alquimia e a Magia procurassem
guarida na Maçonaria. Nada pôde ser mais nefasto do que
quando se passou a confundir a Maçonaria com uma Ordem. A
Maçonaria é uma Irmandade voltada ao Trabalho, uma
Construção, uma Obra que, com seus estatutos, provas de
admissão e habilidade, procura ressaltar as virtudes do Mestre.
Eis o que de mais elevado pode alcançar a Natureza Humana."
(3)

Conclusão:

Ser mestre não significa ser sábio, mas significa trilhar


zelosamente a senda da Sabedoria. Significa ser mestre de si
mesmo, trabalhando com ininterrupta força de vontade no seu
próprio aperfeiçoamento. A Maestria pode ser comparada com a
idade adulta do Homem, quando assumimos plenamente nossas
responsabilidades perante a vida.

Para o Irm. F. L. Schröder, o Mestre podia estudar qualquer


assunto, tema ou Grau maçônico ou profano. Porém, devia
aguardar três anos, uma espécie de maturação do mestrado,

16
antes de expor seus pontos de vista sobre o que havia estudado
e concluído.

Meus Irmãos, pela importância do Grau de Mestre tomamos a


liberdade de repetir as palavras finais do nosso trabalho sobre o
Grau de Aprendiz Maçom: “Aprender, para poder praticar e
ensinar, o conjunto de princípios e práticas do Rito no qual foi
Iniciado ou no qual sua Loja trabalha, é dever de todo o maçom.
Conhecer os demais Ritos, respeitando suas origens, princípios e
práticas, demonstra seu interesse na procura do auto-
aperfeiçoamento. A Maçonaria exige de cada um de nós, a busca
constante do conhecimento, da perfeição e da Verdade e,
freqüentar a Loja, é fundamental, mas não é o suficiente. São
necessários também, o estudo constante dos rituais e muita
reflexão para podermos formar nossas próprias convicções sobre
tudo o que vemos, ouvimos, vivenciamos, estudamos e
aprendemos.”

Trabalho do Ir. Rui Jung Neto, extraído do trabalho (do mesmo autor)
publicado no opúsculo Edições “UNIVERSUM” n° 22, no vembro de 2004,
da Loja Maçônica de Estudos e Pesquisas “UNIVERSUM”, N° 147, da
M.R.G.L.M.E.R.G.S.

Bibliografia:
1. Rituais dos Graus de A. M., C. M., e M. M. do Rito Schröder do G.O.B. e
da MRGLMERGS.
2. Trabalho “Origem e Fontes do Ritual Schröder” - Ir. Hans Heinrich Solf,
membro da Loja de Pesquisas "QUATUOR CORONATI", n° 2076, da Grande
Loja Unida da Inglaterra.
3. Texto original do Ir. Friedrich Ludwig Schröder, traduzido pelo Ir. Ricardo
Vidal, M. M. da A. R. L. S. "APÓSTOLOS DO HUMANISMO", n° 567 - Rito
Schröder - GLESP.
4. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia - Editora “A
Trolha” - Ir. Nicola Aslan.

17
A FILOSOFIA DO TERCEIRO GRAU

Para muitos povos de origem germânica, o mito de Hiram


representa a ressurreição do corpo e/ou a doutrina espiritualista
da sobrevivência do espírito após a morte do corpo.
Não nos adianta discutir e conhecer somente a reprodução
histórica da lenda de Hiram, se não examinarmos a verdadeira
significação do ritual e suas grandes mensagens dramáticas.
Hiram, para os maçons, não deve ser somente o Arquiteto
do Templo, morto por três malvados companheiros e que havia
ressuscitado pela virtude mágica de certas fórmulas (Os Cinco
Pontos da Mestria). Deve, isto sim, representar o justo que
triunfa contra a morte e a corrupção. A grande odisséia de Hiram
transformou-se no símbolo do destino reservado ao Maçom, que
respeita suas obrigações e cumpre com seus deveres. O
simbolismo do Grande Herói Maçom que ressuscita, chega a ser
em sua primeira fase, a renovação da vida individual sobre a
morte aparente.
Hiram é, então, a natureza em suas transformações
periódicas. É o astro do dia que a cada tarde se perde no
horizonte e submerge, deixando o mundo nas trevas – imagem
da tumba – mas que, no fim do seu curso aparente por todo o
globo terrestre reaparece a cada manhã para inundar de luz e
calor a terra e o céu. Hiram é a abóboda celeste que aparece
por detrás das nuvens ou após cada tormenta, para resplandecer
novamente mais pura e limpa, quando passa e vem a bonança.
Hiram é o homem que, em qualquer idade, vê chegar a
morte e chora ante o desconhecido, mas que se consola
sonhando que nada pode morrer na natureza, seja qual for a
interpretação – material ou espiritual – sobre esta enigmática
sobrevivência do espírito. A Lenda inspira, também, a força
desconhecida que para nós somente é sentida em seus ritmos
harmoniosos.
Fundamentalmente, no entanto, Hiram é o símbolo moral,
transportado para nossos dias. É o homem perseguido, o filósofo
vilipendiado, o criador de idéias desprestigiado. É Jesus na sua
cruz, DeMolay na sua fogueira, são os filósofos e intelectuais
desterrados porque uma vez sonharam com a Igualdade entre
18
todos os Irmãos. É todo aquele que sofre por uma causa justa e
todo o libertador que sucumbe pela Humanidade.
Hiram não representa somente o justo, mas é a própria
Justiça. É a Liberdade violada, é a Civilização aprisionada pelos
que desprestigiam a liberdade. É a Luz Cultural que ilumina o
analfabeto. É a Cultura intelectual e moral de um povo minado
pela superstição e fanatismo.
Hiram deve inspirar a Liberdade e a Justiça, a Cultura e o
Progresso, este em todas as formas, pois todos – Hiram, a
Liberdade, a Justiça, a Cultura e o Progresso – são indestrutíveis
forças da Humanidade que, momentaneamente, podem sofrer
um eclipse, mas persistem debaixo do Compasso e do Esquadro
e, num dia sagrado, verão chegar a ressurreição. Que grande
consolo para aqueles – homens e países – que vivem nas trevas:
os verdadeiros seres de alma altiva não se inclinarão diante da
tirania das idéias ou das massas e algum dia ressurgirão para
recomeçar a luta contra o aprisionamento da Cultura, da
Liberdade, da Justiça e do Progresso. Assim também foi Hiram,
que triunfou sob a Luz da Liberdade e da Justiça.
Sabemos que dentro da Fraternidade Maçônica estão os
últimos resquícios de uma chama que saberá arder no momento
adequado. Se olharmos a História da Humanidade, veremos que
tudo se repete sejam os tiranos ou os libertadores, mas a
verdadeira lição que está contida em Hiram jamais morrerá,
ressurgindo de tempos em tempos. Que todos nós estejamos
preparados para este momento que, cremos, está chegando,
haja vista a impossibilidade de cairmos mais profundamente no
poço da ignorância, da imoralidade, da corrupção.
Como na Lenda de Hiram, a carne se desprende do corpo,
mas mesmo assim, o Mestre ensinará como ressurgir. Os maus
companheiros podem, esporadicamente, difundir o rumor de que
Hiram morreu. Porém, não! Hiram não morreu, porque Hiram
não pode estar morto, porque Hiram é eterno, como eterno são
os conceitos que erigimos da Moral, da Liberdade, da Justiça, da
Cultura. O maçom tem a obrigação de mantê-lo vivo em sua
memória nas 24 horas do dia, especialmente como modelo a ser
apresentado para os Aprendizes e Companheiros que vem ao
seu encontro no Terceiro Grau.
19
Não somos bons Mestres porque jamais entendemos o que
representa Hiram. Sabemos a Lenda de cor e salteado, mais
jamais o que significa, qual a filosofia que segue, o que
representa no mundo de hoje, como transportarmos o seu
ensinamento para fora de nossos Templos. Estamos no vértice
da pirâmide em que a base são os Aprendizes, o centro os
Companheiros. E o que fizemos para merecer este lugar? O
que conhecemos do Espírito do Grau que alcança a Plenitude
Maçônica? Devemos conhecer o Ritual e retirar dele o
ensinamento que a Filosofia Imortal do Mestre Hiram nos deixou.
Repito e encerro: Hiram é o símbolo da Liberdade e da
Justiça, da Cultura intelectual e do Progresso em todas as suas
formas e todos são indestrutíveis no tempo. Basta olhar para
trás e veremos o quanto estamos errando, mas, com a proteção
do G. A. D. U. saberemos fazer ressurgir, como na Lenda, os
mais legítimos fundamentos da Humanidade, os mais sagrados
sentimentos de Amor e Fraternidade para com o próximo.

Ir. Carlos Alberto Bencke, ex-V. M. da Loja Concordia et Humanitas nr. 56

20
O PERFIL DO CANDIDATO À MAÇONARIA

Meus Irmãos,
Acreditamos que o tema proposto é um dos assuntos mais
delicados e polêmicos que existem na Maçonaria. Trata-se da
porta de entrada da Fraternidade:
- Que tipo de pessoas vamos trazer ou aceitar para o nosso
convívio?
- Que expectativas geramos sobre essas pessoas e até onde o
comportamento delas na vida profana poderá intervir positiva ou
negativamente dentro da Fraternidade Maçônica?
- Podemos cobrar expectativas baseadas no nosso perfil
comportamental sem nenhuma combinação prévia? E, nesse
caso, será que nós atendemos as expectativas da Fraternidade?
- Qual o perfil ideal? Ele sempre foi o mesmo e permanece
imutável?

São perguntas para as quais certamente não temos uma


resposta definitiva mas a elas tentaremos buscar alternativas
mais adequadas.

Primeiramente devemos levar em conta que, mesmo sendo a


Maçonaria uma Fraternidade conservadora, alicerçada em usos
e costumes, se faz necessário que ela acompanhe a evolução
da Humanidade e procure também modernizar seus conceitos,
não só quanto a suas ações, mas também quanto ao perfil
daqueles que a compõem.

Entendemos que a maior mudança pela qual passou o perfil do


candidato à Maçonaria data do ano de 1717, quando
(oficialmente) passou de Operativa para Especulativa.

A Maçonaria Operativa, cujo nome vem do Latim “opera”, que


significa trabalho, era uma corporação de pedreiros que
percorriam diversos países imbuídos na construção de grandes
edificações, geralmente a serviço de monarcas ou autoridades
eclesiásticas. O perfil para ingressar nessa corporação era o de
ser conhecedor da arte de construir. Por esse motivo também era
21
conhecida como Maçonaria Profissional. Com o início da reforma
de Lutero em 1517, a Igreja Católica se divide e enfraquece,
perdendo seu poderio econômico, seguindo-se das guerras
religiosas que inibem sobremaneira a prática de erguer grandes
construções para homenagear o Criador. Esta nova situação que
atingiu as corporações de pedreiros livres, fez com que os Irmãos
da Maçonaria Operativa se reunissem para avaliar o rigorismo do
perfil daqueles que quisessem entrar na Fraternidade Maçônica.

Surge então a Maçonaria Especulativa, cuja raiz deste termo


“spec” significa mirar, espelho. Daí temos que a Maçonaria
Operativa, com perfil de quem operava, fazia obras materiais,
enquanto que o novo perfil na Maçonaria Especulativa, mirava,
contemplava, pensava, erguia obras espirituais.

Outra grande mudança de perfil refere-se ao cidadão fisicamente


incapacitado. Até pouco tempo, o 18º Landmark de Mackey era
rigorosamente cumprido, barrando o acesso à Fraternidade de
qualquer candidato que possuísse defeito físico. Hoje, sabe-se
que a busca da perfeição moral é para nós muito mais importante
do que a perfeição física.

Atualmente, acreditamos que as Lojas devam estar preparadas


para buscar na sociedade elementos que preencham requisitos
dentro de valores, levando em conta princípios como moral e
ética, considerando as mudanças econômicas e sociais. A
tecnologia e o fácil acesso a informações permitem que o
cidadão possa se qualificar, requisito que vemos como
indispensável para quem quer pertencer a uma Fraternidade
atuante.

Dito isto, pergunta-se:


- Existe uma fórmula para traçar o perfil ideal do candidato?
Que ele seja “livre e de bons costumes” ou “de boa reputação”.
- Mas que costumes?
- Será que o que é bom para ele, será também para nós, ou vice-
versa?

22
Acreditamos que poucos contatos, quer em sindicância, quer em
eventual encontro, são insuficientes para avaliar o perfil de um
candidato. Existem pessoas que sabem se vender muito bem,
quando, na realidade, não são tudo aquilo que ostentam. Em
nossa atividade profana, podemos constatar inúmeras vezes
esse fato, porém, na Maçonaria não existe o estágio probatório.
Uma vez Iniciado, o Neófito ingressa na Fraternidade e acerca-se
dos seus mistérios e ritualística.

No nosso entendimento a mais fidedigna informação sobre o


candidato deve partir do relato do seu proponente. Este irmão
“nunca deverá propor a Loja uma pessoa de cuja probidade não
tenha certeza absoluta”. Ele será seu Garante, padrinho e fiador,
sendo que, uma vez aceito o candidato, o padrinho deverá
monitorar toda a sua caminhada maçônica até o afilhado se
tornar Mestre Maçom. Seu compromisso com a Loja é tão grande
que em alguns Ritos – citamos o Schröder – na Iniciação, ainda
com o candidato no lado de fora do Templo, o Venerável Mestre
pergunta: “Quem se responsabiliza por ele?” e a resposta deve
ser confirmada pelo Garante (padrinho) dentro do Templo, só aí é
dado ingresso ao candidato. Em algumas Lojas na Alemanha
antiga se alguém indicasse um candidato que não
correspondesse às expectativas da Loja, esse irmão sofria
severas sanções.

Sem dúvida o apresentador (Garante) é quem mais conhece a


respeito do candidato. Ele deve estar ciente que a Maçonaria não
foi criada apenas para amigos se encontrarem. Deve saber que o
indicado tem que possuir afinidade com a Fraternidade
Maçônica, possuir capacidade de colaborar com a Fraternidade,
integrar-se e submeter-se a um conjunto de normas que se
obrigará a respeitar. O proponente conhece a Fraternidade,
conhece sua Loja e conhece seu candidato, deve avaliar se a
sua Loja é a mais adequada para seu apresentado. Não deve
deixar que parcerias profanas, por mais agradáveis que sejam,
influenciem em sua decisão.

23
Discordamos de algumas opiniões que sustentam o fato de que
algumas Lojas já possuem excesso de Irmãos de determinadas
profissões e que isso venha a atrapalhar. É perfeitamente normal
que as pessoas procurem seus pares para seu convívio. O que
deve ficar bem claro é que o convite é para ingressar na
Maçonaria e não em um clube social. O proponente, em seu
convívio com o candidato - que não deve ser recente - deve
avaliar o grau de compromisso dessa pessoa e se o mesmo tem
capacidade moral, econômica e intelectual para freqüentar nossa
Fraternidade.

Em contrapartida, nossas Lojas têm a obrigação de preparar


nossos Mestres para que os mesmos possam avaliar o perfil dos
candidatos que eles venham a convidar. Somente com
maturidade maçônica se pode saber se um indivíduo se identifica
com a Fraternidade ou não. Passa por essa maturidade também
o fato de, em não aceito seu indicado por justificados motivos,
nenhuma mágoa deve permanecer com relação aos Irmãos do
Quadro. Nesse particular, embora aceita pela Fraternidade
Maçônica, vemos com cuidado a possibilidade de um Irmão
Aprendiz indicar um candidato através de um Irmão Mestre.
Cremos que o Aprendiz ou Companheiro ainda não possui a
maturidade maçônica que preconizamos anteriormente. Se um
Irmão Mestre for procurado para ser o substituto de Garante
Aprendiz ou Companheiro, deve estar ciente do compromisso
que assumirá e ter em mente que será o responsável pelo
ingresso e a formação do novo membro da Loja. Para aceitar
esta missão, o Irmão Mestre deve se acercar de todas as
informações possíveis sobre o candidato e, em uma conversa
franca, selar o compromisso de que ambos estarão ligados como
Garante e Afilhado até que este atinja o Grau de Mestre.

O exemplo deve partir de cima. Devemos abolir definitivamente a


“caça” a candidatos ou competições de padrinhos, quer seja para
criar status, quer para reforçar o caixa da Loja.

Quanto à sindicância, deve sim ser feita, mas nunca com o


objetivo de confrontar informações já trazidas pelo Irmão que
24
indicou o candidato. Ressalta-se a importância da conversa com
a esposa do candidato para saber de sua concordância e se está
ciente que, se aceito, seu marido terá que se ausentar quando
houver trabalhos maçônicos.

Muito se tem questionado se o candidato deve saber que será


investigado e quais as informações que deve receber sobre
Maçonaria.

Mais uma vez louvamos o sistema adotado pelo Rito Schröder


que possui nos seus Usos e Costumes originais uma Sessão
Pública Especial a campo, chamada de “A Noite dos
Convidados”.

No mínimo uma vez por ano em um local predeterminado,


geralmente na ante-sala do Templo ou no Salão de Ágapes, são
recebidos prováveis candidatos convidados por Irmãos do quadro
ou de outras Lojas. Após uma invocação ao G.A.D.U., o
Venerável se apresenta como Presidente da Loja e saúda os
visitantes. Passa então a palavra aos presentes que farão uma
breve apresentação pessoal. Com o início dos trabalhos, é lido
um texto previamente preparado sobre “O Que é a Maçonaria”,
em seguida os convidados são estimulados a fazer perguntas. O
Venerável Mestre coordena quem dará a resposta a cada
questão, evitando contradições e corrigindo eventuais respostas
ambíguas. Também se esclarece aos visitantes sobre a parte
administrativa da Loja, quanto custa ser maçom, sobre as
sindicâncias, e outras informações que se fizerem necessárias.
Após, os visitantes são convidados para o Ágape, onde os
Irmãos mais experientes procuram acercar-se dos mesmos
sempre com o intuito de colher mais informações.

Este costume original consta no Ritual do Rito Schröder


homologado pela M.R.G.L.M.E.R.G.S., sendo aplicado por Lojas
Schröder da Jurisdição e de todo o Brasil.

Finalizamos afirmando que é fundamental saber quem trazemos


para a Fraternidade. Tenham em mente, meus Irmãos, que
25
aqueles que hoje são aceitos para “Ver a Luz”, serão nossos
Irmãos não só para conviver conosco, mas também poderão vir a
ser os dirigentes da nossa Fraternidade no futuro.

Com Um Fraterno Aperto de Mão.

Ir. Álvaro Germani

BIBLIOGRAFIA:
- Uma Visão Introdutória da Maçonaria Operativa e da Maçonaria
Especulativa, Iniciática, Moderna ou Simbólica. – Ir. Augusto Nibaldo da
Silva Triviños, M.M.
- A Iniciação – Ir. Guido Bakos, ex-V.M.
- Fisicamente Incapacitado – Ir. Kurt Max Hauser, P.G.M.
- Pedra Bruta Sim, Porém Escolhida – Ir. Hans Adolf Ruy Sailer, ex-V.M.
- O Que é a Noite de Convidados do Rito Schröder, Ir. Rui Jung Neto, ex-
V.M.
- A Importância do Padrinho no Rito Schröder – Ir. Rui Jung Neto,
ex-V.M.
- O Que é a Maçonaria – Tradução e Adaptação Ir. Kurt Max Hauser,
P.G.M.
- Ritual do Grau de Aprendiz Maçom do Rito Schröder – G.L.M.E.R.G.S
- Depoimentos pessoais – Ir. Kurt Max Hauser, P.G.M.
- Mensagens de Irmãos dos Grupos Mestre/Maestro e Colégio do Rito
Schröder.

“O Mestre deve ser a Pedra Cúbica Perfeita que será por ele assentada no Templo da
Humanidade”.

26
O RITO DE SCHRÖDER, ENTRE A ÉTICA E A RELIGIÃO

Friedrich Ludwig Schröder, quando Venerável Mestre de sua


Loja-mãe “Emanuel Zur Maiemblume”, Oriente de Hamburgo,
Alemanha, dedicava-se ao estudo e à pesquisa da História da
Maçonaria, seus usos e costumes, liturgia e procedimentos
formais, dando início ao trabalho de revisão das “novidades”
acrescentadas na segunda metade do século XVIII, no Antigo
Ritual Inglês.
Entre 1790 e 1800, Schröder intensificou os estudos de
depuração de cerca de trinta rituais conhecidos na época,
incluindo-se alguns dos chamados “graus superiores”. Para
melhor realizar as comparações entre os diversos exemplares e
selecionar a liturgia mais próxima do catecismo simbólico “antigo”
convidou Irmãos de diversas Lojas para se integrarem no projeto,
dentre eles os Irmãos Herder e Goethe da Loja “Amália” de
Weimar, o Irmão Wesselhöft, proprietário de uma tipografia em
Rudolfstadt que publicava livros e, portanto, poderia imprimir os
novos rituais pretendidos. O Rito precursor, o Antigo Ritual
Inglês, foi o mais praticado na Alemanha durante boa parte do
século XVIII e seu prestígio se apoiou na representatividade que
alcançou como espelho do caráter da Franco-Maçonaria inglesa.
Gradualmente o rito perdeu sua identidade de origem, quando o
Rito da Estrita Observância Templaria passou a ser praticado
com alterações que se multiplicaram por influência de valores
místicos, ocultistas, filosóficos e de culturas forjadas pelos
conceitos de nobreza das cortes européias. Parcela da
Maçonaria alemã, principalmente em Berlim e Hamburgo,
desenvolveu um sentimento de inconformismo com aquilo que
considerou uma deturpação de idéia tradicional e original da
irmandade.
Schröder, por outro lado, ainda como Grão Mestre Adjunto,
instituiu nas Lojas filiadas à Grande Loja de Hamburgo uma
modalidade de trabalho, excedente ao das sessões tradicionais
de instrução, visando o estudo histórico dos diversos rituais
colecionados por ele.
Todos os aspectos, sistemas, graus e costumes da
Maçonaria desde o final do século XVII receberam a análise dos
27
mestres, e apenas desses, das muitas Lojas alemãs que
aderiram ao movimento de reestruturação. Constituíram-se
grupos de estudos que receberam a denominação de Engbunds,
um de cada Loja, e todos sob a coordenação de Mutterbund,
sediado em Hamburgo, vinculado à Grande Loja Provincial.
Nesses fóruns todos os graus superiores conhecidos foram
reproduzidos, dissecados e interpretados, mas nenhum admitido.
Na opinião de alguns historiadores maçônicos os Engbunds
se transformaram em um grau maçônico separado do
simbolismo. Friedrich Ludwig Schröder reconheceu que muitos
Irmãos, ao mesmo tempo em que concordaram com a
restauração dos tradicionais graus simbólicos, ficaram
contrariados com a supressão dos graus superiores. Assim, o
Engbund não deixou de ser um grau superior híbrido, porquanto
não foi formalmente classificado como grau, mas previa até
mesmo um discreto ritual de admissão para todos os mestres
que dele quisesse participar.
Biógrafos maçônicos entendem que o Engbund se
transformou em um Grau Independente. Para Schröder, foi
apenas uma espécie de academia ou ateneu de estudos
maçônicos.

O Novo Rito

O levantamento minucioso da credibilidade do material


quanto à origem, efetuado pelos Irmãos integrados no trabalho
liderado por Friedrich Ludwig Schröder elegeu o “The Three
Distinct Knocks” (Três Batidas Diferentes - TDK) como o
catecismo mais antigo e original adotado pelas velhas Lojas
inglesas na Grã-Bretanha, publicado pela primeira vez em 1760.
O TDK traz uma informação importante quanto às Colunas do
Primeiro e Segundo Vigilantes, que representam as colunas que
sustentam o pórtico do Templo de Salomão. Ao contrário do que
consta na Bíblia no Primeiro Livro dos Reis, cap. VII, a
publicação diz que a coluna do Primeiro Vigilante se chama Boaz
(Força), ao passo que a coluna do Segundo Vigilante se chama
Jaquim (Estabelecer).

28
Schröder baseou a elaboração de um ritual único e simples
para a Maçonaria alemã no texto do “Three Distinct Knocks”, com
a ressalva de que adaptou termos e diálogos à cultura e á
religião da sociedade alemã no final do século XVIII. O termo
simples é empregado como uma das prerrogativas do ritual em
formação em atendimento à intenção de Schröder, Fessler,
Wilhelm Meyer, Johann Herder e outros, de suprimirem a maioria
dos conceitos ou idéias de cunho ocultista, místico, esotérico,
filosófico-iluminista e cavalheiresco, forte e variadamente
presentes na Maçonaria européia do período.

O Painel do Rito

O Painel do Rito de Schröder é representado por um Tapete


estendido no piso do Templo e ostentando desenhos. Esse
Tapete, que possui várias figuras referentes aos três graus
simbólicos, é a planta do Templo do Rei Salomão. Sua forma é a
de um quadrilátero oblongo, como o Templo. Os lados
representam os quatro pontos cardeais. Na orla do Tapete vêem-
se três Portas, simbolizando as três Luzes da Loja e na face que
fica para cima estão representadas diversas ferramentas de
pedreiro, transferidas para o trabalho maçônico especulativo com
a responsabilidade de marcarem o caráter construtivo da obra
pessoal.

Ritual Religioso

Schröder, por convicções pessoais, encarou a Maçonaria


como uma atitude do espírito humano. No entanto, diante da
realidade constatada no quotidiano da Fraternidade, sua
religiosidade não estava à vontade em meio a um ocultismo
dominante e eclético.
Filhos do protestantismo, os Irmãos do grupo de Schröder
não assimilaram o excesso de dogmas ritualísticos no culto da
Maçonaria do seu tempo e a hierarquia de graus a obedecer.
A reforma empreendida por Schröder teve a participação
desse sentimento religioso, que acompanhou muitos dos
idealizadores da obra.
29
Sabemos que a Maçonaria administra sacramentos quando
desenvolve a liturgia das sessões de Iniciação, com a finalidade
de conferir os benefícios espirituais que comportam. Tal ato
determina a presença da graça divina, mediante um
procedimento mágico.
É o máximo que a tolerância saxônica aceita. A magia
onipresente no ritual não é apanágio valorizado. O estilo
preferencial do caráter germânico é o da objetividade com
simplicidade.
Não há dúvidas que a atitude da consciência do maçom,
muitas vezes se confunde com sua experiência pessoal sobre o
mistério da participação do Ser Supremo na sua vida. Cícero,
em “De Inventione Rhetorica II”, observa muito apropriadamente:
“Religio est, quae superioris cuiusdam naturae (quam divinam
vocant) curam caeremoniamque affert”; (“Religião é aquilo que
nos incute zelo e um sentimento de reverência por uma certa
natureza de ordem superior que chamamos divina”). E a
Maçonaria, embora não considerada uma religião, também cabe
no conceito acima. A definição, mencionada sobre religião bem
pode descrever uma atitude espiritual maçônica, onde se
exercita, sob aspectos, a idéia mais genérica de uma essência
religiosa. Não a confissão como profissão de fé, mas, a
experiência do Superior diferenciado, misterioso, que age
promovendo mudanças no conhecimento difuso sobre
fenomenologia existencial. Esse enfoque também cultivado pela
comunidade alemã, com inspiração luterana, foi invadido por
valores de outros cultos, via ritual maçônico, contrariando o
pensamento conceitual alemão. Schröder e colaboradores
reconheceram o desconforto e providenciaram o tratamento
mediante a feitura de um ritual que manifesta, por excelência, o
relativismo consciente protestante.

A Sutileza Esotérica

Os estudiosos criadores dos Rituais de Schröder deram


ênfase à intenção de suprimirem o que denominaram de
“aditamentos inseridos no final do século XVIII, que adulteraram
os ensinamentos puros do Rito dos maçons ingleses”. Assim está
30
reproduzido na edição moderna do Ritual (1960) seguido pela
Loja Absalom zu den drei Nesseln (Absalão das Três Urtigas) de
Hamburgo, fundada em 1737, o mesmo que é adotado pelas
Grandes Lojas Brasileiras. Essa preocupação deu ensejo para
que descrições sobre características do Rito o rotulem como
despido de conteúdo esotérico. Trata-se de uma dispensável
deturpação.
Os ritos maçônicos praticados na etapa da Maçonaria
considerada especulativa possuem todos um componente
esotérico. Não há como conceber uma liturgia maçônica moderna
sem esoterismo, apenas como ciência como pretendeu Fessler.
Numa instituição hoje apenas simbólica os mitos, as lendas e os
símbolos visam a atingir o interior do maçom. Uma comprovação
do perfil esotérico mantido por Schröder encontra-se nas três
portas desenhadas no painel do Rito (o Tapete), entre outros
símbolos de inspiração não operária, que continuaram válidas
após a reforma da Maçonaria alemã. Eles referendam a
manutenção do sentimento místico, que o Tapete revela no
centro do Templo de Salomão. As portas, as janelas, o próprio
Templo são heranças do misticismo hebraico presentes nos
diversos painéis maçônicos de Ritos tradicionais.
Na explicação literal esses portões estão dispostos
conforme as localizações dos três Oficiais que dirigem uma Loja.
As três Grandes Luzes guardam vínculos com as três principais
posições do Sol – Oriente, Sul e Ocidente – durante sua trajetória
física como parte da Natureza que o Templo simboliza.
A analogia entre o Sol como materialização do Divino, a
Natureza como Obra do Deus Criador e as Luzes que
representam os dirigentes de Loja, como mensageiros iluminados
do processo de transformação do profano em Iniciado, se torna
verdadeira através de lendas e parábolas. As lendas e parábolas
precisam do cimento formado pela racionalidade e pelo sopro da
curiosidade sobre o místico, o Deus não revelado que pode vir a
sê-lo e a influência capaz de exercer sobre o homem. As
aberturas representadas no Tapete do Ritual de Schröder
admitem, portanto, interpretações de inspiração bíblica e de
inspiração religiosa do Rito Solar, respeitado pelos povos e pelos
sacerdotes do antigo Egito.
31
O Rito de Schröder tem na sua liturgia predominâncias de
valores religiosos cristão-racionalistas e pouca presença de
conceitos e estilos ocultistas e mágicos. O ritual exercita uma
espiritualidade mais revelada, com poucos labirintos de
complexidade mística. Condições que não devem ser
confundidas com uma idéia ingênua de Rito despojado de
esoterismo. Isto posto, o que cabe destacar é o alvo principal do
grande trabalho de Friedrich Ludwig Schröder e equipe; a
compilação do Ritual em referência, visou sua pesquisa:

a) - restringir a confusão gerada pelas dezenas de ritos


maçônicos que proliferaram na Alemanha no curso do século
XVIII, ritos com pouca densidade de participação coletiva, criados
para atender interesses e vaidades, às vezes de uma única
pessoa. É o exemplo dado pelo teosofista sueco Swedemborg
que deu origem pessoalmente, ou por intermédio de seus
discípulos, a quatro ritos particulares. As dissidências religiosas
também contribuíram muito para a idealização de ritos maçônicos
variados e múltiplos.
b) - sintetizar os ensinamentos maçônicos em três graus
simbólicos e com isso limitar as alegações de ordem cultural,
para a criação de infindáveis cadeias de graus.
Diante do exposto, é mister se reconhecer o Rito de
Schröder como um rito maçônico com essência religiosa definida,
resgate merecido do espírito que embalou a mente e o coração
de seu criador.

Ir. Ailton Pinto Trindade Branco – ex-V.M. da Loja Maçônica de Estudos e


Pesquisas “Universum” nº 147 - GLMERGS

BILIOGRAFIA:
ABRINES, Frau e ARDERIU, Arús. Diccionario Enciclopédico de la
Masoneria. Ed. Kier, 1962.
CÍCERO, Marcus Tullius. De Inventione Rhetorica. 1588.
DYER, Colin S. W. Symbolism In Craft Freemasons. Lewis Masonic
Publisher Limited. London, 1983.
GRANDE Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul. Rituais dos
Graus Simbólicos do Rito Schröder.

32
HAUSER, Kurt Max. A Verdade Sobre o Rito de Schröder e seu Fundador.
Edições Universum, nº 147. Porto Alegre, 1997.
HORNE, Alex. O Templo do Rei Salomão na Tradição Maçônica. Ed.
Pensamento. 1972.
LEWIS, A. Perfect Cerimonies of Craft. London, 1896.
MACKEY, Albert Gallatin. Enciclopédia de la Francmasonería. Ed.
Gribaldo, 1993.
MACNULTY, W. Kirk. Maçonaria – Mitos. Deuses. Mistérios. Fernando
Chinaglia Distribuidora S.A. Rio de Janeiro, 1996.

33
SCHRÖDER - HISTÓRIA DE UMA VIDA EXTRAORDINÁRIA

Friedrich Ludwig Schröder nasceu em Schwerin em 2 ou 3 de


novembro de 1744, em berço humilde. Seu pai, que era organista
em Berlim, faleceu antes do seu nascimento. Sua mãe dirigia um
atelier de bordado, mas abandonou-o para dedicar-se ao Teatro.
Com seu filho, ela foi para Dantzig, onde foi contratada pelo
teatro da cidade. Depois foi para São Petersburgo e em seguida,
para Moscou, onde Schröder recebeu os primeiros ensinamentos
escolares.
Em 1749, sua mãe casou-se com o ator Ackermann, os quais
organizaram uma companhia de teatro, passando a se
apresentar pela Curlandia, que é hoje uma região da Letônia a
oeste do rio Duna. Foi povoada no século XIII pela ordem Cristã
Alemã. Esteve sob o Governo da Polônia em 1561. Pertenceu a
Rússia de 1795 até 1918. Depois da primeira guerra mundial foi
incorporada à Letônia.
A Companhia se estabeleceu em Königsberg que era antiga
cidade fortificada, capital da Prússia Oriental, que fora fundada
em 1255 pelos Cavaleiros da Ordem Teutônica, em 1365 uniu-se
à Liga Hanseática e sendo fortificada em 1626. Era um
importante centro ferroviário e comercial.
Nesta temporada Schröder conquistou seus primeiros
aplausos na interpretação de peças infantis. Terminada a
temporada foram para Varsóvia, onde Schröder pode prosseguir
os seus estudos num Colégio Jesuíta.
Aos dez anos ele foi matriculado no Colégio Frederico de
Königsberg. Contudo, ele não completou seus estudos neste
Colégio, pois em 1756 a guerra dos sete anos o separou de seus
pais. Foi acolhido por um vizinho, que era sapateiro, passando a
morar em uma antiga escola. Mais tarde, passou a fazer parte de
um grupo de coreógrafos que arrendaram o teatro. Os Estuand,
como eram conhecidos, exerceram uma enorme influência sobre
Schröder, dando-lhe conhecimentos sobre música e canto, assim
como, conhecimentos da língua francesa e inglesa.

34
Em 1759 recebeu uma carta de seus pais que comunicava
que estavam se mudando de Berna para Lubek. Mas, ele
somente se reuniu a Companhia que seu padrasto dirigia em
Solothurn. Com eles, iniciou sua carreira artística como mímico-
coreógrafo, sendo muito aplaudido em sua apresentação em
Hamburgo. Dedicou-se também a comédia, mas cobriu-se de
glória com a tragédia.
Com a morte de seu padrasto, Schröder assumiu a direção
da Companhia de Teatro dedicou-se com perseverança ao bem
estar e aperfeiçoamento moral e intelectual dos membros de sua
Companhia.
Em 1773, contraiu matrimônio com Anna Christina Hart, com
quem não teve filhos, mas com quem viveu satisfeito e feliz até a
sua morte.
Em 1780, empreendeu com a sua companhia, uma viagem
artística a Viena, onde permaneceu por uma temporada de cinco
anos, voltando depois para Hamburgo.
Em 1798, deixou a vida artística e os seus negócios,
retirando-se para sua propriedade em Bellinzen, próxima de
Hamburgo, dedicando-se aos estudos históricos e iconográficos.
Porém, em 1811, teve que retornar a direção de seu teatro
para evitar a sua ruína e satisfazer a exigência do público que
reclamavam por sua própria presença.
Nele permaneceu até próximo de sua morte.
A notícia de sua morte foi sentida por toda Alemanha, pois
durante toda sua carreira soube demonstrar um modo peculiar e
honroso de conduzir a sua vida.
Com a sua morte a arte dramática perdeu um de seus mais
brilhantes interpretes e a Humanidade um de seu mais nobre
membro e possuidor de sólidas virtudes.
Se como profano, Schröder foi exemplo de honradez e de
labor, que transformou num exemplo a ser seguido, como
maçom, ele se dedicou com perseverança ao trabalho que lhe
rendeu o mérito de “Reformador da Maçonaria Alemã”.

35
Apresentado por seu amigo Bode na Loja “Emanuel da Flor
de Maio” do Oriente de Hamburgo foi admitido no Grau de
Aprendiz em 08 de setembro de 1774. Nesta época as Lojas de
Hamburgo adotavam o rito da Estrita Observância, mas já existia
um movimento para voltar ao antigo ritual inglês.
Schröder desde logo manifestou seu caráter ativo e
empreendedor dentro da Maçonaria fundando uma Loja com o
Título distintivo de “Luísa ao Coração Ardente”, composta em sua
maioria de membros do Rito Zinnendorf.
Este Rito foi criado em 1766, consistia nos seguintes graus:
1. Aprendiz, 2. Companheiro, 3. Mestre de Maçonaria, 4.
Aprendiz Escocês e Companheiro Escocês, 5. Mestre Escocês
da Maçonaria Vermelha, 6 - Favorito de São João e 7. Capítulo
dos Eleitos ou Irmão eleito como Maçonaria Capitular. Este rito
era adotado pela Grande Loja Nacional de todos os Alemães.
Schröder foi eleito Venerável Mestre da Loja “Luisa”, mas
manteve o primeiro malhete por pouco tempo, pois viajou com a
sua Companhia de Teatro para Viena, onde ficou até 1785. Ao
seu regresso a Hamburgo voltou a trabalhar na Loja “Emanuel”,
sendo eleito Venerável Mestre. Ficou neste cargo por mais de 15
anos consecutivos.
Ao receber o cargo Schröder comprometeu-se a empregar
todas as suas faculdades, bem como, todas as suas forças em
prol dos interesses da Maçonaria. Dedicou-se com afinco ao
estudo da instituição, analisando todos os sistemas existentes,
concluindo que a Maçonaria genuína era a de São João, trazida
da Inglaterra para Alemanha. Afirmou que as Constituições de
Anderson e o antigo ritual inglês eram os únicos documentos
legais e mais importantes da Fraternidade, que continham e
definiam a natureza e a finalidade da Instituição.
Firme nestas convicções, ao passar a fazer parte da
Comissão para revisar o ritual da Grande Loja de Hamburgo,
iniciou seu trabalho visando eliminar todos os erros e vícios
arraigados que desfiguravam a Maçonaria. Esta Comissão
concluiu pela eliminação do Sistema das Lojas Escocesas e o
retorno ao Sistema de Três Graus de São João. O projeto não
36
correspondeu às convicções do Grão-Mestre von Exter, que tinha
idéias próprias sobre o Sistema adotado.
Em 1799, depois da morte do Ir. von Exter, o Ir. Johann
Philipp Beckmann o sucedeu, sendo Schröder proclamado Grão-
Mestre Adjunto, passando assim a dedicar-se ao novo ritual, que
foi adotado no Congresso de Hamburgo de 29 de junho de 1801.
Com estas reformas a Grande Loja adquiriu uma grande
respeitabilidade e recebeu inúmeros pedidos de filiação,
aumentando consideravelmente a sua Jurisdição, estendendo-se
por toda a Alemanha.
Schröder prosseguiu sua tarefa redigindo uma Constituição
da Grande Loja Provincial de Hamburgo e da Baixa Saxônia e
instituiu “Engbund”, uma idéia que Fessler já havia instituído em
sua Grande Loja, cujo objetivo era dedicar-se ao estudo e
pesquisa sobre os altos graus e demais ritos da Maçonaria.
Cada Loja constituiu seu grupo de estudo que receberam a
denominação de Engbund, todos sob a coordenação da
“Mutterbund” (Matriz), sediada em Hamburgo, vinculada à
Grande Loja Provincial. Nesses fóruns todos os graus superiores
conhecidos foram reproduzidos, dissecados e interpretados, mas
nenhum admitido. Na opinião de alguns historiadores maçônicos
o Engbund se transformou em um grau maçônico separado do
simbolismo. Schröder reconheceu que muitos Irmãos, ao mesmo
tempo em que concordaram com a restauração dos tradicionais
graus simbólicos, ficaram contrariados com a supressão dos
graus superiores, assim o Engbund não deixou de ser um grau
superior híbrido, porquanto não foi formalmente classificado
como grau, mas previa até mesmo um discreto ritual de
admissão para todos os Mestres que dele quisessem participar.
O “Engbund” nada tinha a ver com a direção e tão pouco com a
administração das Lojas, mas os problemas de ingerência em
sua direção e administração sempre ocorriam, causando muitos
desentendimentos entre ele e as Lojas, sendo então extinto na
metade do Século 19.
Em 1811, participou de maneira efetiva na independência da
Grande Loja de Hamburgo, sendo proclamado Grão-Mestre em
1814 com a morte de Beckmann. Empunhou o 1o malhete até 3
37
de setembro de 1816, quando faleceu em Rellingen, perto de
Hamburgo, sendo sepultado no Cemitério de Ohlsdorf, onde se
encontra até hoje no setor reservado às Grandes Personalidades
da Cidade.
Na sua lápide, antiga e exposta ao tempo, estão gravados os
seguintes símbolos e expressões: - (desenho do Timbre
Maçônico) - O Reformador da Maçonaria Alemã - Co-fundador do
Hospital Maçônico - Friedrich Ulrich Ludwig Schröder - e sua
esposa - Ana Christina Schröder, nascida Hart - (desenho das
três rosas) - O Reformador do Teatro Alemão (vide foto no final
deste trabalho).
Com a sua morte a arte dramática perdeu uma de suas mais
brilhantes jóias e a Humanidade um de seus membros de grande
nobreza e com sólidas virtudes. Seu pensamento se mantém
atual, servindo de caminho seguro na busca incessante da
verdade e no trabalho para conquista de dias melhores para
Humanidade.

Ir. Antonio Gouveia Medeiros, P.G.M.

Na foto abaixo, os Irmãos Gert Odebrecht e Karl Franzke (fotógrafo) do


Colégio de Estudos, e o Ir. Thomas (da Loja Absalom) visitam
o Túmulo de Schröder em Hamburgo:

38
F. L. SCHRÖDER - DATAS SIGNIFICATIVAS

1744 – 3 de novembro – Nascimento em Schwerin de


Friedrich Ulrich Ludwig Schröder, nascido de uma
viúva, pois seu pai já havia falecido.
1753 – Estréia no Teatro em Hamburgo.
1765 A Grande Loja Provincial de Hamburgo adota o Rito da
Estrita Observância e abandona a sua antiga ligação
com a Grande Loja de Londres (de 1717).
1771 – Dirigiu o Teatro de Ackermannschen,
1774 – Iniciação na Loja "Emanuel zur Maienblume” –
“Emanuel da Flor de Maio” - de Hamburgo, proposto
por seu amigo Johann Christoph Bode (um dos mais
proeminentes maçons de seu tempo).
1775 – Elevado ao Grau de Mestre.
1781/85 – Ator no Castelo da Corte de Viena,
1782 – Realiza-se o Congresso de Wilhelmsbad, destinado a
reformar o Rito da Estrita Observância Templária.
1783 – Foi constituída uma Comissão para reerguer a
Maçonaria Inglesa original.
1786/98 – Diretor do Teatro de Hamburgo, dramaturgo e
escritor.
1787 – Eleito Venerável Mestre da Loja “Emanuel”.
1788 – Schröder passou a ser membro da Comissão de
Ritualística. Iniciou seu trabalho reunindo rituais
antigos e fez contato com o Ir. Ignaz Aurelius Fessler,
em Berlim, que estava empenhado na tarefa de
ressecrever os Rituais (os rituais de ambos têm a
mesma estrutura, mas não são iguais).
1791 – Não foi aceita a revisão feita por uma comissão em
que Schröder era membro. O projeto não correspondeu
as convicções do Grão-Mestre von Exter, que tinha
idéias próprias sobre o desenvolvimento do Sistema de
39
Ensino Maçônico, ligado ao Rito da Estrita
Observância.
1792/93 – Membro da Loja "Einigkeit und Toleranz",
1794 – Eleito Grão-Mestre Adjunto na Grande Loja Provincial
Inglesa de Hamburgo e Baixa-Saxônia.
1798 – Deixou o Teatro para se dedicar aos estudos da
História da iconografia.
1799 – 12 de abril – falecimento de von Exter, Grão-Mestre.
1810 – Retorna à Direção do Teatro em Hamburgo.
1811 – Participação decisiva na independência da Grande
Loja de Hamburgo.
1814/16 – Grão-Mestre da Grande-Loja de Hamburgo.
1816 – 3 de setembro – Passagem para o Or. Eterno.

Ir. Antonio Gouveia Medeiros, P.G.M.

40
O OBJETIVO DA MAÇONARIA E DO TRABALHO NO TEMPLO

Ir. Bernhard Jürgens, ex-V.M.

O Objetivo da Maçonaria são as pessoas ilibadas, ponderadas,


livres de preconceitos, que promovem o Bem de forma ativa
neste mundo, graças ao seu amor humanitário e seu gênio
pacífico, que vivem exemplarmente, vencem conflitos e
constroem pontes em direção às outras pessoas.

Com a Iniciação nos transformamos em membros da Loja,


passamos a ser chamados de maçons, mas não devemos
apenas nos chamar maçons, temos também que nos tornar
maçons. Por isso, o nosso objetivo é tornarmo-nos um legítimo
maçom em nosso intimo. E é com esta definição do objetivo que
iniciamos uma longa caminhada. Esta caminhada consiste, no
início, em um processo de aprendizado e de formação, que terá
que ser enfrentado com firme vontade e persistência.

Trata-se de um período, no qual, como Aprendiz e Companheiro,


nos esforçaremos em adquirir o máximo possível dos
conhecimentos sobre a construção do edifício maçônico e dos
seus mistérios, que encontraremos no Trabalho de Templo.
Devemos refletir sobre tudo que for colocado ao nosso alcance e
estarmos abertos para receber novas experiências e vivências.

Nos dias de hoje, em decorrência do mundo profissionalizado em


que vivemos, tudo nos conduz a nos tornamos cada vez mais
materialistas, correndo o risco de que os nossos sentimentos
definhem. Também a nossa Sociedade está no caminho de
perder-se cada vez mais em comunicação através dos
computadores, internet e televisão.

Cada vez mais pessoas desenvolvem o receio de se manifestar,


pois não é mais um processo normal externar os seus
pensamentos em uma reunião social. Na vida profissional as
pessoas, muitas vezes, precisam ser cautelosas em se abrir,
pois, em alguns momentos, alguém pode usar isso contra elas.
41
Isto é bem diferente na Maçonaria. Aqui nós podemos nos
expressar totalmente como pessoa, pois não corremos o risco de
que as nossas opiniões sejam usadas contra nós, conquanto
observarmos as regras maçônicas. Podemos até expressar
pensamentos imaturos, sem que nos tornemos ridículos, pois
estamos entre Irmãos e os Irmãos estão sempre se auxiliando e
se apoiando.

Como Aprendizes e Companheiros também nos é permitido


perguntar, perguntar e perguntar. Pois, não existem perguntas
tolas. O que podem existir são respostas tolas. Por isso deve-se
indagar sobre tudo que não estiver esclarecido e esta é uma das
tarefas do Aprendiz e do Companheiro.

Justamente os primeiros anos têm significado decisivo para a


formação do espírito e da mentalidade do Maçom, de modo que
o valor da Maçonaria não seja somente conhecido, mas que
forme um direcionamento para a vida e para o comportamento.

Porém também precisamos estar dispostos a deixar que nos


corrijam, quando nossos pensamentos forem por caminhos
errados. Esta correção, cada um de nós terá que aceitar sempre,
pois este é o sentido correto do auxílio ao próximo no âmbito
espiritual.

Cada um de nós trás consigo algo de próprio, de seu modo de


ser, que não temos que aprender, que já nos é compreensível ou
que já nos é evidente. Porém, na Maçonaria, vamos entrar em
contato com pensamentos, indicações, experiências e símbolos
que, inicialmente nos são estranhos e, quem sabe, talvez até nos
provoquem contradições.

Mas justamente essas partes nos serão de grande importância.


O esforço para o reconhecimento, a ocupação justamente com
isso, é que nos levará avante. Pois, é justamente aqui que nós
somos obrigados a examinar o nosso julgamento. E assim
analisarmos se nós não estamos sendo impedidos devido ao
nosso preconceito a reconhecer ou vir a aprender algo de muita
42
importância para nós, que nos levará mais adiante. Se nós,
apesar de todos os esforços, não conseguimos compreender ou
vivenciar o espírito da Maçonaria, não devemos ficar
apreensivos, pois seremos sempre acalentados com respeito e
tolerância.

Um exemplo simples, porém muitas vezes encontrado para uma


situação assim é a avaliação diferenciada pessoal da tarefa da
Maçonaria. Existem aqueles, que vêem na Maçonaria
principalmente o bom senso, decência, confiança, estímulo,
espiritual, irmandade. E existem aqueles, que vêem nesta uma
união de mistérios, que nos levará ao esoterismo.

Entre estes dois posicionamentos, muitas vezes, existem


tensões, totalmente desnecessárias. Pois ambas estão certas.
Só não se pode entender que somente um dos dois
direcionamentos está correto. Pois o Homem faz parte, de
qualquer forma, de ambos os direcionamentos. Só que,
geralmente, cada um destes direcionamentos está impregnado
na pessoa de forma mais forte. Porém isto não significa, de forma
alguma, que somente um destes seja o certo. Aqui se apresenta
uma oportunidade em que somos levados a nos ocupar com
visões totalmente diferentes do mundo. E se fizermos de modo
correto, teremos muito proveito.

A Maçonaria está direcionada em sua estrutura total ao interior


humano. Ela tem como propósito à pessoa individual, pois é esta
que deverá se transformar de tal modo que se torne um membro
melhor da Sociedade e que seja um exemplo de pessoa pelo seu
novo posicionamento.

Portanto, a idéia fundamental da Maçonaria é totalmente oposta


a todo dogmatismo, ideologismo e outros “ismos”. Ela constrói
tendo como base a assertiva de que a pessoa pode modificar a
ordem básica deste mundo através do seu autoconhecimento.

Somente quando tivermos chegado ao reconhecimento de que,


no mundo inteiro, o macrocosmo, assim como o microcosmo, se
43
encontram em uma ordem de legitimidade admirável, que ambos
existem sem a nossa interferência, e a partir da qual nós próprios
existimos, e nós nos colocarmos espontaneamente ao serviço
desta ordem. A partir deste reconhecimento receberemos o
posicionamento moral e espiritual, que efetuará a modificação.

Então se tornará clara a compreensão do conceito “O Grande


Arquiteto do Universo”, mesmo que cada um tenha a sua própria
religião, que cada um tenha a sua própria fé particular, pois é um
conceito venerável, tanto ao racionalista como ao religioso,
conquanto tenha se ocupado com as questões acima citadas no
que se refere à ordem e a legitimidade dentro do Universo. Por
isso todos nós podemos aceitar este conceito simbólico.

Meus Irmãos, o simbolismo também se encontra no Templo. Lá


estão reunidos todos os símbolos que necessitamos. Porém,
símbolos são indicadores de caminhos que, somente através do
bom senso se abrem em parte relativamente pequena.

Alguns símbolos representam somente um meio didático de


aprendizado. Outros são mais específicos e contêm
conhecimentos e experiências que só se abrem àquele que
esteja disposto a se abrir a eles de modo contemplativo. Também
se abrem de maneira vagarosa e sem possibilidade de transmitir
esta experiência, pois ela não pode ser expressa através de
palavras. Por isso, é importante, receber estímulos através dos
diversos símbolos para um caminho à meditação.

A realização do Trabalho em Templo é realmente importante,


pois, é através dele que a nossa alma e os nossos sentimentos
são atingidos. Então, deixamos o Templo diferentes de como
éramos ao entrar.

O Ir. Bernhard Jürgens é ex-V.M., membro ativo da Loja Absalom zu den


drei Nesseln, n°1, do Or. de Hamburgo, e Mestre Ins trutor do Distrito de
Hamburgo – Alemanha - GLAFAM.

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Este texto foi traduzido pelos IIr. Antonio Gouveia Medeiros e Friedrich
Carl Franzke, e revisado e editado pelo Ir. Rui Jung Neto, todos do
Colegiado Diretor do Colégio de Estudos do Rito Schröder.

“O Mestre deve ser a Pedra Cúbica Perfeita que será por ele assentada no Templo da
Humanidade”.

45
CONCLUSÃO

Os objetivos que nortearam a elaboração deste trabalho


nasceram da determinação do Plano de Metas proposto pelo
Respeitabilíssimo Irmão Gilberto Moreira Mussi, Sereníssimo
Grão-Mestre da Muito Respeitável Grande Loja Maçônica do
Estado do Rio Grande do Sul e sua Grande Administração,
definido na conceituação dos Cinco Eixos de Desenvolvimento e
tendo como prioridade a Docência Maçônica. Tem como valores
fundamentais a Uniformização Ritualística, o Planejamento da
Didática e Avaliação de Resultados, a Restauração dos Antigos
Princípios da Fraternidade e a busca da Unidade dentro da
Heterogeneidade.
O conteúdo deste Manual de Instruções para o Mestre
Maçom evidentemente não encerra o tema. Como já delineamos
em nossa manifestação inicial, ele é o começo de um trabalho
que foca o longo prazo. Esta primeira edição é uma obra de
consulta e de estímulo à pesquisa individual a que deve se
dedicar o Mestre Maçom. Ao maturar os conhecimentos
assimilados, o Mestre deve se tornar cada vez mais exigente e
ávido por fontes mais profundas, as quais ele mesmo deve
buscar. Exige-se, portanto, daquele que alcançou a Maestria a
tomada de consciência para exercitar com plenitude a proposta
Filosófica, Humanista e Humanitária do Rito Schröder, e isso
somente será possível à medida que entendermos o Rito
amplamente.
Ao encerrarmos com esta edição os Manuais dos três
Graus, o nosso reconhecimento ao Sereníssimo Grão-Mestre,
Respeitab. Ir. Gilberto Moreira Mussi, pela idéia pioneira de
promover e difundir o conhecimento, a uniformização ritualística e
o planejamento da Docência Maçônica por intermédio de
publicações emanadas das Grandes Comissões de Liturgia dos
três Ritos adotados na M.R.G.L.M.E.R.G.S. Aos Respeitáveis
Irmãos Rui Eduardo Vidal Falcão, Gr. Orador, e Mauri Machado
Antunes, Gr. Orador Adj., responsáveis pela coordenação dos
trabalhos das Grandes Comissões de Liturgia, também o nosso
agradecimento.
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