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Como Descobrir a Verdade Sobre

Religião e Não Ser Mais Enganado


Revista Cristã Última Chamada
- Especial -
__________________________________

Como chegar corretamente a verdade dos fatos


e não ser mais enganado pela falsa religião

Técnicas para investigar religião e doutrina


Como pensar usando a lógica

Existe o Verdadeiro Deus?

A Bíblia é Digna de Confiança?

Quem é Jesus Cristo?

O que é Seita e Heresia?


____________________________________

2
Autor/Editor
César Francisco Raymundo Editorial
Capa e Editoração Eletrônica
Um Livro-Revista Especial
César F. Raymundo

Periódico Revista Cristã Última É com imenso prazer que damos


Chamada, publicada com a início a este livro-revista. A Revista
devida autorização e com todos Cristã Última Chamada possui uma
os direitos reservados no proposta diferente. Em vez de
Escritório de Direitos Autorais lançarmos revistas com vários
da Biblioteca Nacional do Rio assuntos, resolvemos fazê-la em
de Janeiro sob nº 236.908.
formato de livro com único tema. E
Contato com o autor: assim cada revista será uma Edição
Especial. Cremos que através desta
E-mail: proposta de trabalho poderemos tratar
ultimachamada@bol.com.br cada tema da Palavra de Deus com
Fone: (0xx43) 8408-2738 detalhes mais profundos do que se
fosse em uma edição com temas
Colaboração variados. Desta maneira começamos
Josiane Ferreira
falando a respeito de um tema
importante que é a religião verdadeira.
É proibida a reprodução total Através desta edição vamos tratar das
ou parcial sem a permissão várias facetas que envolvem a religião.
escrita do autor. Sua estrutura, enganos e desvios da
Palavra de Deus, bem como identificar
Ano 2007 o caminho certo a percorrer. Que o
leitor, possa desfrutar deste trabalho
que, inclusive, foi árduo desde o
Londrina – Paraná
primeiro momento de sua composição.
Com seriedade e muita pesquisa,
cremos que estaremos ajudando a
responder a cada dúvida de nossos
leitores.

O Editor.

Índice
3
Introdução.....................................................................................................................
7
Aviso Importante..........................................................................................................8
Como Descobrir a Verdade Sobre Religião Usando os Capítulos Deste
Livro..............................................................................................................................8
Capítulo 1 – A Verdade! O Que é a Verdade?..........................................................11

• Como Descobrir Corretamente a


Verdade...........................................................14
• Fatores que nos Impedem de ver a
Verdade.......................................................15
1. Crenças e Preconceitos ..........................................................................................15
2. Falta de Conhecimento ...........................................................................................15
3. Dependência ...........................................................................................................16
4. Sentimentos e Emoções .........................................................................................16
5. Desonestidade Intelectual .......................................................................................16
6. Ensinamentos Errados ............................................................................................17

• Usando a Lógica para se Chegar a Verdade dos Fatos - Aprenda Pensar


Logicamente! .......................................................................................................1
8
A Natureza e Psicologia da Mentira ....................................................................19
Capítulo 2 - A Existência de Deus............................................................................23

• O Anti-Sobrenaturalismo – É Possível Crer em Milagres?..................................24


• A Bíblia é a Palavra de Deus?.............................................................................26
• Existe Diferença Entre a Bíblia Católica e a Protestante?...................................27
• A Simples Leitura Particular da Bíblia é a Única e Eficaz Arma Contra a
Mentira!................................................................................................................28
• A Interpretação Correta da Bíblia e às Entrelinhas..............................................30
• Exegese e Eisegese............................................................................................31
• Desculpas Intelectuais - Porque Muitos Recusam-se Crer na Bíblia?................32
• A Bíblia é
Única!...................................................................................................33
• O Cristianismo Não é Uma Fé Cega! O Benefício da
Dúvida..............................34
Capítulo 3 – A Verdadeira Religião...........................................................................37

• Quem é Jesus
Cristo?..........................................................................................38
• Jesus é Deus!......................................................................................................39
• Que Significa Jesus Ser o 'Filho de Deus'?.........................................................39
• Jesus Se Fazia Igual a Deus...............................................................................40

4
• Jesus é o Grande ‘Eu Sou’ do Antigo Testamento..............................................40
• Jesus Foi Adorado Como Deus...........................................................................41
• A Bíblia Afirma que só Deus Pode Salvar o Homem, e Cristo é o Salvador!......42
• Cristo é Eterno, Onisciente, Onipotente e Onipresente.......................................42
• Outros Textos Bíblicos Que Provam a Divindade de Cristo................................44
• Objeções Feitas Contra a Divindade de Cristo....................................................46
• Qual é a Verdadeira Igreja?.................................................................................47
• Porque Devo Abandonar Minha Religião?...........................................................49
• O Ladrão Que Estava ao Lado de Jesus na Cruz não Foi Salvo Porque Praticou
Uma
Religião........................................................................................................50
• Apologética – Defenda Somente a Fé Cristã.......................................................51
• Os Mandamentos de Deus Não São Pesados....................................................51
Capítulo 4 - O Que é Seita e Heresia? O Procedimento das Seitas......................53

• Lavagem
Cerebral ...............................................................................................54
• Crenças, Superstições, Práticas e
Doutrinas ......................................................54
• Mal uso de literaturas cristãs (citações fora de contexto e sem número de
páginas) ..............................................................................................................55
• Contradições nos Ensinamentos ........................................................................56
• Palavras Que Não Estão na
Bíblia ......................................................................57
• Jogos Emocionais ...............................................................................................58
• A Questão do Paganismo para Tentar Desacreditar o Cristianismo
Bíblico .......59
• O Sistema Único e Centralizador Não é Bíblico .................................................60
• Falsas Tradições Religiosas................................................................................61
• Declarações Diretas e Indiretas – O Significado das Palavras Dentro das
Seitas ......................................................................................................................
.......62
• Síndrome de Gamaliel.........................................................................................63
• Cuidado Com o Caminho Do Oriente!.................................................................63
• O Quebra-cabeça Final........................................................................................64
• Mensagens de Discos Voadores.........................................................................65
• A Rainha dos Céus e o Culto à Maria..................................................................65
• O Conhecimento Pode Ser Traiçoeiro!................................................................66
Capítulo 5 - Como se Deve Tratar os Líderes Religiosos......................................69

• O tratamento que Jesus deu aos religiosos de sua época .................................69


• O Procedimento do Verdadeiro Líder Cristão......................................................72

5
• É Anti-ético Citar os Nomes dos Falsos Mestres?...............................................74
• Submissão aos Líderes Religiosos .....................................................................75
Capítulo 6 - Julgando Todas às Coisas!..................................................................77

• O Direito de Julgar Todas as Coisas é Seu! .......................................................77


• Não julgueis para que não sejais
julgados ..........................................................77
• Não Toqueis nos Meus Ungidos! ........................................................................78
• Grande Exemplo dos Crentes Bereanos ............................................................78
• Discernimento Espiritual .....................................................................................79
• Testai os Espíritos ..............................................................................................80
• Crítica Construtiva ..............................................................................................80
• Efeito Papagaio e Pensamento Coletivo.............................................................81
• Saul e a Médium de En-Dor................................................................................82
• Argumento Sobre o Texto Bíblico........................................................................83
• Argumento Gramatical.........................................................................................83
• Argumento Exegético...........................................................................................83
• Argumento Ontológico.........................................................................................84
• Argumento Escatológico......................................................................................84
• Argumento Doutrinário........................................................................................84
• Argumento Profético............................................................................................84
• Conclusão: Quem Respondeu a Saul?...............................................................85
Capítulo 7 - Como Julgar..........................................................................................87

• Como Julgar Literaturas .....................................................................................87


• Como Julgar Doutrinas ......................................................................................88
• Como Julgar Pregações ....................................................................................89
• Como Julgar Testemunhos Pessoais ................................................................90
• Como Julgar Revelações ...................................................................................91
• Como Julgar Profecias .......................................................................................93
• Como Julgar Milagres ........................................................................................94
• Como Saber se Alguém Realmente Está Falando em Línguas.........................96
• Como Saber se Uma Oração foi Feita Corretamente e Aprovada por Deus.....97
Capítulo 8 - Os Cuidados do Cristão – Discernir é Preciso!................................99

• Os Cuidados na Música Cristã ..........................................................................99


• Na Educação Teológica .....................................................................................99
• Nas Livrarias Cristãs..........................................................................................100
• Ao Escolher Uma Igreja ....................................................................................100

6
• Como saber se uma igreja tem o potencial para se tornar uma
seita? .............102
• As Atitudes de Alguns Líderes Religiosos são as Mesmas do Fariseu Contra o
Publicano...........................................................................................................103

Capítulo 9 - Análise de Reportagens de Revistas Que Tentam Desacreditar a


Bíblia e o Cristianismo............................................................................................105

• São Paulo Traiu Jesus? ....................................................................................106


• Confusão Entre Cristianismo e Falso Cristianismo............................................108

Capítulo 10 - Teorias Humanas...............................................................................109

• Teoria da Evolução............................................................................................109
• Pensamentos Humanos.....................................................................................111

Quatro Leis Espirituais............................................................................................113


Obras Importantes Para Pesquisa..........................................................................119
Biografia do Autor....................................................................................................120

Introdução

Como Descobrir a Verdade Sobre Religião e Não Ser Mais Enganado, sem
sombra de dúvida é um título que chama atenção de todos nós. Não temos por
objetivo falar mal da religião alheia, mas precisamos entender que existe o falso e o
verdadeiro também em matéria de religião. A falsa religião destrói, corrompe, rouba,
faz lavagem cerebral no ser humano e por fim o leva a perdição eterna. Deus deu ao
homem o livre-arbítrio, liberdade de escolha (Josué 24.15). O homem tem o direito e
a liberdade de seguir a religião que quiser, mas ele é um ser moral e responsável
diante de Deus. Com certeza é a Ele que ele vai prestar contas de seus atos

7
(Eclesiastes 12.13, 14). Aqui no Brasil, vivemos um regime democrático. Diz o
artigo XVIII da Declaração Universal dos Direitos do Homem: “Todo homem tem
direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a
liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião
ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou
coletivamente, em público ou em particular”. Se o homem tem o direito de mudar
de religião, tem também direito de saber a verdade sobre os fatos. Uma religião que
ocupa uma posição muitíssimo significativa, e afirma ser o caminho da salvação,
deve estar disposta a ser esmiuçada e criticada. Também devemos levar em
consideração que todos que criticam têm a obrigação de ser verdadeiros na
apresentação dos fatos, justos e objetivos na avaliação dos mesmos. Qualquer
religião que assume tal prerrogativa de ser o caminho da salvação e possuir a
verdade, deve estar sempre aberta à crítica e a ser examinada. Portanto, devemos
considerar que, não é forma de perseguição religiosa alguém mostrar e dizer que a
religião de outrem é falsa. Jamais é perseguição religiosa uma pessoa bem informada
expor publicamente uma religião falsa. Também, precisamos urgentemente
examinar não só o que nós mesmos temos crido, mas também o que é ensinado pela
religião com que talvez nos associemos. Estes princípios devem ser aplicados a nós
mesmos se realmente estamos sendo honestos com a verdade. Qual será sua reação
se lhe apresentarem prova de que aquilo em que você crê está errado? Você ficará
agressivo, não aceitará? Irá defender uma mentira que te ensinaram talvez desde
criança? É de valor inestimável saber das verdadeiras intenções de alguém. Isso
sempre vai nos poupar tempo, dinheiro e dores de cabeça. Os enganadores estão pelo
mundo afora, enganando e sendo enganados e você pode estar sendo uma vítima em
potencial de algum falso líder religioso. Já parou para pensar nisso? Não é só a
religião dos outros que pode estar errada, mas já parou para pensar o quanto já foi
enganado em sua própria religião? Os erros doutrinários das falsas religiões têm se
mantido firme através do séculos. Seja, numa versão moderna, o erro doutrinário
sempre é o mesmo e a intenção diabólica é sempre desviar o ser humano da verdade
de Deus. As pessoas têm o costume de analisar minuciosamente coisas terrenas e
temporárias, como por exemplo, a compra de um carro afim de que possam fazer
uma boa compra sem serem enganadas. Com isto analisam documentos, lataria,
motor e etc. Mas, quando se trata de valores eternos que terão efeitos bons ou ruins
pela eternidade, geralmente é difícil ver alguém analisar minuciosamente os
ensinamentos religiosos. Conhecer a verdade pode doer, mas traz paz e liberdade se
estivermos dispostos a aceitá-la. Para finalizar esta introdução, lembre-se do que
disse Jesus sobre como descobrir a verdade: “Se alguém quiser fazer a vontade dele,
conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo”
(João 7:17).

Aviso Importante
É importante ressaltar que tenho respeito por todas as pessoas que têm as mais
variadas religiões e crenças. Só que entendo que ter respeito não é o mesmo que
concordar com religiões, crenças e costumes. Cada um é livre para seguir o caminho

8
que quiser e crer no que bem entender. Mas, é direito de todas as pessoas saberem a
verdade dos fatos, doa a quem doer. Quando se trata de refutar alguma doutrina
falsa, resolvi não colocar o nome de nenhuma religião. Evitamos ao máximo ter que
citar nome de religiões. Algumas vezes isto não foi possível. A proposta deste livro
não é o de expor o nome de nenhuma religião, mas o de ensinar técnicas baseadas na
Palavra de Deus, para que o leitor possa ficar mais esclarecido com relação ao que a
religião é capaz de fazer. Não podemos negar que a religião tem sido um fator
destruidor na vida de muitos. Quando o assunto é falsas religiões, não me refiro a
simplesmente uma instituição religiosa organizada. A falsa religião pode estar em
cada um. O fato de procurar servir a Deus de maneira errada, mesmo estando fora de
uma religião organizada, é uma forma de religiosidade falsa também. Tudo quanto
foi escrito neste livro é resultado de quinze anos de pesquisas e envolvimento com o
mundo religioso. Todos os assuntos foram muito bem documentados e estudados ao
longo destes anos.

Como Descobrir a Verdade Sobre Religião


Usando os Capítulos Deste Livro
Para usar este livro para aprender a descobrir a verdade sobre religião, o leitor
terá que entender a finalidade de cada capítulo. O capítulo um é dedicado as técnicas
de como se pode descobrir a verdade. Há um aprendizado sobre a origem da palavra
“verdade”, e seu significado real através dos séculos e o que nos impede de
descobri-la. Tem também ensinamentos sobre a mentira, sobre a arte do engano e
como detectar ensinamentos que passam despercebidos. O capítulo dois é dedicado
ao sobrenatural. Há análises sobre a existência de Deus (a crença base de toda
religião), bem como ensinamentos sobre a questão dos milagres e suas
possibilidades. É analisado também as verdades e mentiras ditas sobre a Bíblia, e se
ela realmente pode ser considerada como Palavra de Deus. O capítulo três é
dedicado a busca pela religião e igreja verdadeira. Neste capítulo, o leitor poderá
aprender como identificar a religião e a igreja verdadeira. O capítulo quatro é
dedicado às seitas e heresias. Nele o leitor poderá aprender técnicas sobre como
identificar uma seita e doutrina falsa. O restante do capítulo quatro é dedicado ao
estudo do procedimento das seitas, ou seja, o que as seitas fazem e o que são capazes
de fazer. O capítulo cinco nos ensina sobre como identificar um verdadeiro líder
religioso que é compromissado com Deus. Há também ensinamentos e técnicas de
como devemos tratá-los e à atuação deles. O capítulo seis é a respeito do direito de
se julgar todas às coisas em matéria de religião. São analisadas também as possíveis
barreiras usadas pelos falsos líderes religiosos, para impedir às pessoas de julgar
suas doutrinas e crenças. Após estar bem preparado com os estudos dos capítulos
anteriores, o leitor poderá aprender no capítulo sete, técnicas de como julgar
literaturas, doutrinas, profecias e etc. O capítulo oito é dedicado aos cuidados que o
cristão deve ter em vários setores do cristianismo. Desde os perigos existentes na
música cristã, até como escolher uma igreja correta para freqüentar. O capítulo nove
é dedicado às famosas reportagens de revistas que tentam denegrir a imagem do
cristianismo. O capítulo dez é uma refutação as teorias humanas. O leitor aprenderá

9
detalhes sobre a teoria da evolução e suas contradições. No final, temos as quatro
leis espirituais para que o leitor possa conhecer como se achegar ao Verdadeiro
Caminho.

10
Capítulo 1
A Verdade!
O Que é a Verdade?
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. João 8.32

11
Como descobrir a verdade a respeito das coisas se muitas das vezes nem sabemos
o que é a verdade? Muitos chegam até negar a verdade. Outros por sua vez fogem
dela. Quando Jesus foi interrogado por Pôncio Pilatos, este perguntou-lhe: “Que é a
verdade?” João 18.38. Em seguida no mesmo versículo diz: “Tendo dito isto, voltou
aos judeus...”. Assim como muitos, Pilatos não esperou Jesus lhe responder a
respeito do que é a verdade. A verdade traz liberdade, paz, mas também é nua e crua
e não satisfaz aos nossos interesses. A verdade é transparente e embora muitas vezes
sufocada pela mentira ela é triunfante sempre e sempre. O filósofo alemão Arthur
Schopenhauer (1788-1860), disse: “Toda a verdade atravessa três fases: Primeira,
é ridicularizada; Segunda, é violentamente contrariada; Terceira, é aceita como a
própria prova.” Na tentativa de fugir da verdade, muitos pensadores desenvolveram
as mais absurdas teorias e filosofias em relação a verdade. Muitos filósofos
chegaram à afirmar que a verdade não existe, mas apenas existe na mente humana e
que tudo pode ter dois sentidos dependendo do conceito que a mente lhes der.
Outros afirmaram também que não existe verdade absoluta. Todos estes falsos
conceitos a respeito da verdade são mais uma prova da desonestidade intelectual do
ser humano. Tais conceitos falsos a respeito da verdade têm valor somente enquanto
podem satisfazer aos seus próprios interesses pessoais. Se qualquer um desses
pensadores tivessem sido lesados por alguém, com toda a certeza a teoria que
desenvolveram em torno da verdade cairia por terra. E, obviamente, diante de um
tribunal iriam querer provar a verdade de que foram lesados custe o que custar. Se a
verdade não existe, mas existe somente na mente humana, se não existe verdade
absoluta, então, qualquer advogado poderá afirmar em um tribunal que um
criminoso não é culpado por seus crimes (por mais que se tenha provas
incontestáveis contra ele). O advogado poderá defender o réu e afirmar que tudo é
questão de interpretação e vai depender do conceito que a mente humana der, quer
seja contra ou a favor. É óbvio que qualquer um que tenha sido lesado por tal
criminoso não aceitará tal defesa e muito menos os pensadores que distorceram o
significado da palavra verdade. Pessoas que vivem uma vida moral não adequada,
com toda certeza gostariam de aplicar esses falsos conceitos a respeito da verdade
contra a Bíblia. O relativismo com relação a verdade também é condenável. Em seu
ensaio com o título “E se o Relativismo fosse verdade - Uma ilustração”, Matthew
J. Slick nos faz a seguinte explanação sobre o relativismo: “Relativismo é a
posição em que todos os pontos-de-vista são tão válidos quanto quaisquer outros e
em que o indivíduo é a medida do que é verdade para si.
Eu vejo um grande problema nisso. A seguir está uma ilustração para
demonstrar por quê.
O contexto: Um ladrão está sondando uma joalheria a fim de roubá-la. Ele entra
para checar se há algum alarme visível, fechaduras, o espaço, etc. Neste processo
ele inesperadamente se vê envolvido em uma discussão com o proprietário da
joalheria, cujo passatempo é o estudo de filosofia e que acredita que a verdade e a
moral são relativas.
- Então – diz o proprietário – Tudo é relativo. É por isso que eu acredito que
toda a moral não é absoluta é que certo e errado é algo que o indivíduo deve
determinar dentro dos limites da sociedade. Mas não há um certo e errado
absoluto.

12
- É uma perspectiva muito interessante – diz o ladrão. - Eu entrei acreditando
que existia um Deus e que existia certo e errado. Mas eu abandonei tudo isso e
concordo com você que não existe um certo e errado absoluto e que nós somos
livres para fazer o que queremos.
O ladrão deixa a loja e volta à tarde para assaltar. Ele desarma todos os
alarmes e travas e está no processo de roubar a loja. Neste momento entra o
proprietário por uma porta lateral. O ladrão saca uma arma. O proprietário não
pode ver a face do ladrão porque este usa uma máscara de ski.
- Não atire em mim – diz o proprietário. – Por favor, pegue o que quiser e me
deixe me paz.
- É exatamente isso que eu pretento fazer. – Diz o ladrão.
- Espere um pouco. Eu conheço você. Você é o homem que estava na loja hoje
cedo. Eu reconheço sua voz.
- Isso é muito ruim para você – diz o ladrão. - Porque agora você também sabe
como eu sou. E como eu não quero ir para a cadeia eu vou ter que matar você.
- Você não pode fazer isso – diz o proprietário.
- Por que não?
- Porque não é certo. – implora o homem desesperado.
- Mas você não me disse hoje cedo que não há um certo e errado?
- Sim, mas eu tenho uma família, filhos que precisam de mim e uma esposa.
- E daí? Eu tenho certeza que você tem seguro e eles vão faturar um bom
dinheiro. Mas como não há certo ou errado não faz diferença se eu mato ou não
você. E já que se eu deixá-lo vivo você irá me delatar e eu irei para a prisão.
Lamento, mas isso não vai acontecer.
- Mas é um crime contra a sociedade me matar.
- Isso é errado porque a sociedade diz que é. Como você pode ver, eu não
reconheço o direito da sociedade impor moralidade sobre mim. Tudo é relativo.
Lembra-se?
- Por favor, não atire em mim. Eu lhe imploro. Eu prometo não contar para
ninguém como você é. Eu juro!
- Eu não acredito em você e não posso arriscar.
- Mas é verdade! Eu juro que não conto para ninguém.
- Desculpe, mas isso não pode ser verdade, porque não há verdade absoluta, não
há certo nem errado, nem erro, lembra-se? Se eu deixar você viver e sair você vai
quebrar sua promessa porque isso tudo é relativo. Nâo há chance de confiar em
você. Nossa conversa esta manhã convenceu-me que você acredita que tudo é
relativo. Por causa disso eu não posso crer que você irá conservar sua palavra. Eu
não posso confiar em você.
- Mas é errado me matar. Não está certo!
- Para mim não é nem certo nem errado matar você. Uma vez que a verdade é
relativa ao indivíduo, se eu matar você, esta é a minha verdade. E é obviamente
verdadeiro que se eu deixá-lo vivo eu irei para a prisão. Lamento, mas você mesmo
se matou.
- Não! Por favor, não atire em mim. Eu lhe imploro.
- Implorar não faz diferença.

13
(Bang!)

Se o relativismo é verdadeiro, então qual o problema em puxar o gatilho?


Talvez alguém possa dizer que é errado tirar a vida de outra pessoa sem
necessidade. Mas porque seria errado se não há um padrão de certo e errado?
Outros podem dizer que é um crime contra a sociedade. Mas, e daí? Se o que é
verdade para você é simplesmente verdade, então qual é o erro em matar alguém
para se proteger depois de roubá-lo? Se o que é verdade para você que para se
proteger você deve matar, então quem se importa com o que a sociedade diz? Por
que alguém seria obrigado a se conformar com normas sociais? Agir assim é uma
decisão pessoal.
Embora nem todos os relativistas ajam de maneira não-ética, eu vejo o
relativismo como um contribuidor para a anarquia geral. Por quê? Porque é uma
justificação para fazer o que você quiser.”1 O dicionário nos dá o seguinte conceito
do que é a verdade: “Qualidade pela qual as coisas se apresentam como realmente
são; conformidade com a realidade; veracidade; autenticidade; exatidão;
representação fiel; sinceridade; boa fé...”. Nossa idéia a respeito da verdade foi
construída ao longo dos séculos e vem de três concepções diferentes: a da língua
grega, latina e hebraica. Em grego verdade é aletheia e significa: não oculto, não
escondido. Neste caso, a verdade é a própria realidade e está nas próprias coisas. O
verdadeiro é o que está plenamente visível aos olhos do corpo e do espírito. É o
oposto do falso (pseudos no grego) que está encoberto, escondido, o que parece ser,
mas não é. No latim verdade é veritas, refere-se a narrativa de fatos que
aconteceram. Neste caso a verdade depende da memória de quem conta um fato
ocorrido, depende da narrativa verídica de quem conta. Na língua hebraica verdade é
emunah e desta vez é Deus e os homens que são considerados verdadeiros. Refere-se
ao tempo futuro. Um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são aqueles que
cumprem o que prometem. São fiéis a palavra dada. Como vimos, a verdade é por si
só a verdade. Ela é em primeiro lugar a realidade sobre algo, em segundo lugar
depende de alguém contar a respeito desta realidade e em terceiro pode referir-se a
alguma promessa verdadeira feita a alguém, seja por Deus ou por um amigo. Muitos
pensam que negando a verdade, conseguirão ter algum êxito. A verdade não
depende que creiamos nela ou não. Negá-la ou não, não mudará em nada a realidade.
Foi por isto que o apóstolo Paulo sabiamente escreveu: “Porque nada podemos
contra a verdade, senão em favor da própria verdade.” (2º Coríntios 13.8). Uma
pessoa é honesta quando admite a verdade dos fatos. Só existe uma verdade, não há
várias verdades, mas apenas uma. Existe uma verdade para cada questão e
acontecimento. Há a verdade da matemática, da língua portuguesa, da ciência, dos
crimes acontecidos, da religião e etc. A verdade é sempre única para cada questão.
Assim, podemos concluir que só existe uma verdade, relativa (em relação a si
mesma) e absoluta (em relação a outras possíveis verdades). Podemos concluir que
em matéria de religião só existe uma religião verdadeira. E nesta religião verdadeira
há um conjunto de doutrinas verdadeiras que fazem parte dessa única religião. Todos
os caminhos não podem nos levar a Deus, pois todos eles são contraditórios entre si
nos mais variados assuntos. Afinal, “Deus não é de confusão” (1ª Coríntios 14.33).
É bom levar em conta que não pode haver duas verdades dentro de um mesmo

14
assunto, uma que contradiga a outra. Não podem haver várias verdades sobre um
mesmo assunto. Assim, como existe uma verdade para cada questão, assim também
quando o assunto é religião, só existe uma verdade.

Como Descobrir
Corretamente a Verdade
Fatores que nos Impedem de ver a Verdade
“A verdade é a mesma de todos os ângulos.
Uma mentira sempre precisa ser previamente elaborada.”
David J. Lieberman

Muitas pessoas acham uma tarefa muito difícil encontrar a verdade. Em meio a
tantas religiões, crenças, filosofias e doutrinas, muitos ficam sem saber por onde
começar essa busca. As pessoas sentem-se totalmente confusas. Afinal, tantas idéias,
filosofias e doutrinas só poderiam gerar confusão mesmo. Certa vez um leitor
escreveu para a Revista das Religiões na seção Epístolas relatando que há 63 anos
busca a verdade.2 Na verdade 63 anos é um tempo considerável. Assim, como esse
leitor, muitos passam a vida inteira buscando pela verdade. Devemos entender que o
nosso maior inimigo na hora de buscar pela verdade em matéria de religião, somos
nós mesmos. Destacamos aqui seis coisas que podem nos cegar com relação a busca
pela verdade:

1. Crenças e Preconceitos
2. Falta de Conhecimento
3. Dependência
4. Sentimentos e Emoções
5. Desonestidade Intelectual
6. Ensinamentos Errados

1. Crenças e Preconceitos
As crenças e preconceitos pessoais são grandes barreiras na hora de analisar
qualquer fato. Por exemplo, se uma pessoa crê que todos os policiais são corruptos,
dificilmente acreditará num policial que esteja realmente falando a verdade, por
mais que ele consiga prová-la. O preconceito é outra barreira terrível. Se por causa
do ensinamento rígido de sua igreja, você é do tipo que acha que é pecado um
cristão tomar um lanche em uma lanchonete, obviamente não estará apto para
discernir se isto é ou não é errado. É uma forma de preconceito que o impede de ver
a verdade e é preciso se despir disso na hora de fazer um julgamento. Se porventura
alguém foi educado para respeitar e reverenciar uma autoridade e ensinado a nunca
questionar uma pessoa que a represente, certamente essa “crença” inibirá tal pessoa
na sua habilidade de ser objetivo sobre uma informação que vem de alguém que

15
esteja em tal posição. Um exemplo disso: se você sempre teve o costume de
respeitar e reverenciar um padre ou pastor como mensageiros de Deus, certamente
será muito difícil para você julgar se eles estão ou não falando a verdade sobre
qualquer assunto.

2. Falta de Conhecimento
A falta de conhecimento também constitui uma barreira na hora de se chegar à
verdade. Muitas pessoas querem chegar à verdade dos fatos tão somente através de
boatos. Mas é preciso que a investigação seja pessoal e que a pessoa procure
conhecer o assunto a fundo. Nunca deixe ninguém procurar ou mostrar o
conhecimento por você. Lembre-se do que diz a Palavra de Deus: “O meu povo está
sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Oséias 4.6). Em uma certa
ocasião Jesus falou: “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João
8.32). Sem dúvida o conhecimento traz libertação. E quando se trata de religião,
saiba que o conhecimento bíblico é importante na hora de analisar se os fatos são
verdadeiros ou falsos.

3. Dependência
Muitas pessoas infelizmente dependem dos outros para chegar a uma conclusão.
Isto não ajuda na hora de buscar a verdade. O próprio Senhor Jesus disse:
“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas
que testificam de mim.” (João 5.39). A busca pelo que é verdadeiro é em primeiro
lugar algo pessoal, principalmente em se falando em religião. Não podemos
acreditar simplesmente em um líder religioso, por mais que ele seja honesto e
sincero. Devemos lembrar que ele pode estar enganado também. Sinceridade apenas
não basta, pois muitas pessoas estão enganadas em suas religiões e dependentes de
lideranças que também estão sinceramente enganadas. É por isto que Jesus disse que
há “cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no
barranco” (Mateus 15.14). Por isso, a investigação tem que ser pessoal e não
podemos seguir guias que podem estar cegos. Quem sabe que não vê, reconhecendo
sua necessidade espiritual, poderá ser curado e encontrar a verdade (1ª João 1.9).
Quem nega seu pecado dizendo que “vê” permanecerá em seus pecados (João
9.40,41).

4. Sentimentos e Emoções
Os sentimentos e emoções são um dos piores inimigos do ser humano na hora de
buscar pela verdade. A maioria das pessoas ficam presas a sentimentos e falsas
emoções. Sentir que uma coisa é verdade, por mais forte que seja o sentimento, não
a faz verdade de maneira alguma! Nesta hora é que se deve ter o máximo de cuidado
possível. Os sentimentos e emoções são terrivelmente enganosos e uma pessoa que
vive sob o domínio deles não consegue chegar a verdade dos fatos. Sentir paz,

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alegria e outras emoções quer sejam boas ou ruins, não faz com que uma coisa seja
verdadeira ou falsa. Certa vez André Maurois afirmou que “tudo o que concorda
com os nossos desejos pessoais nos parece verdadeiro. Tudo o que não concorda,
enche-nos de raiva.” Temos de conservar as nossas emoções separadas de nossos
pensamentos. A verdade é justamente aquilo que não gostamos de ouvir. Nesta
perspectiva de sentimentos e emoções algumas religiões têm explorado muito bem.
Há uma determinada religião que ensina que para termos certeza de que o livro
“sagrado” deles é verdadeiro, a pessoa deve orar a Deus e sentir a experiência de
arder no peito. Se acontecer um ardor no peito é porque o livro sagrado deles é
verdadeiro e confirmado por Deus. Este jamais é um critério válido! Lembre-se do
que diz o profeta Jeremias acerca do coração: “Enganoso é o coração, mais do que
todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá? (Jeremias 17.9).
Como confiar em um coração corrupto como o do ser humano? Inconstante nas
emoções e com sombra de variação? E pior ainda, como ser dependente e delegar a
terceiros a busca pela verdade? Pois o mesmo profeta diz também: “Assim diz o
Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço, e
aparta o seu coração do Senhor! Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja
esperança é o Senhor.” (Jeremias 17.5, 7).

5. Desonestidade Intelectual
A desonestidade intelectual é um aspecto muito perigoso quando se procura pela
verdade. O desonesto intelectualmente observa, estuda os fatos, mas só pega aquilo
que lhe interessa. Muitas vezes ele precisa esconder sua condição moral que jamais
quer abandonar, e com isto precisa ser desonesto na hora de analisar os fatos.
Lembre-se que quem pratica o mal não se aproxima da luz, para que suas obras não
sejam argüidas (João 3.20), e deliberadamente o ‘desonesto intelectual’ rejeita a
verdade (Romanos 1.18,19,20). A ira de Deus não é tanto pelo que rejeita
ignorantemente, mas pelo que rejeita consciente.

6. Ensinamentos Errados
O Senhor Jesus Cristo disse em certa ocasião que o erro de muitos era por não
conhecer as Escrituras e nem o poder de Deus (Mateus 22.29). Muitos passam a vida
inteira sob ensinamentos errados. Não conhecem mais nada além daquilo a que
foram ensinados. O conhecimento é luz, e conhecer a palavra de Deus traz
iluminação (Salmo 119.105). Os falsos ensinamentos cegam a pessoa. No livro de
Provérbios 16.25 está escrito: “Há caminho, que parece direito ao homem, mas
afinal são caminhos de morte.” O caminho dos ensinamentos errados pode parecer
lógico, racional e coerente, mas pode ser uma armadilha fatal. É mais fácil uma
pessoa mudar de conduta moral do que abandonar uma idéia. O mundo das idéias é
mais embriagador que o vinho.

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Do mais, a neutralidade e a imparcialidade devem estar sempre presentes quando
se trata de buscar a verdade sobre questões religiosas ou sobre qualquer outro
assunto. Só depois que realmente descobrirmos a verdade é que poderemos deixar a
imparcialidade e a neutralidade de lado para tomarmos uma posição, quer a favor, ou
contra. Vale lembrar mais uma vez o que disse Jesus com relação a busca pela
verdade: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina,
se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo” (João 7:17) Isto Jesus falou para os
de sua época, para dar-lhes a certeza de que se alguém tem realmente a intenção de
fazer a Sua vontade, Deus não permitirá que fique às escuras. O centurião Cornélio é
um grande exemplo disso. No livro de Atos dos Apóstolos capítulo 10 temos a
história desse centurião na qual diz que era um homem “piedoso e temente a Deus
com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a
Deus.” (Atos 10.2). E o que aconteceu a este homem devido a sua sinceridade diante
de Deus? A última parte do versículo 4 do capítulo 10 responde: “As tuas orações e
as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus.” O Senhor Deus vê a
sinceridade de cada um e responde. Outro caso foi o do carcereiro que perguntou a
Paulo e Silas o que deveria fazer para ser salvo. Logo, a resposta do apóstolo Paulo
foi: “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa.” (Atos 16.31).
Uma mulher chamada Lídia temente a Deus, escutava a pregação de Paulo e “o
Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (Atos 16.14).
Quando Saulo ia caminho para Damasco afim de prender e matar os discípulos do
Senhor Jesus, ao chegar perto daquela cidade “uma luz do céu brilhou ao seu redor,
e, caindo, por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me
persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a
quem tu persegues...” (Atos 9.3,4). Durante três dias Saulo esteve cego, e nada
comeu nem bebeu. No versículo 17,18,19 do capítulo 9 de Atos podemos ver a
conversão deste que foi o terrível perseguidor da igreja cristã e se tornou o apóstolo
Paulo. Creio que durante aqueles três dias, cego e sem comer e beber, muitas coisas
passaram sobre sua cabeça, mas no final das contas não resistiu e se entregou ao
Senhor Jesus. Muitos precisam levar um grande susto para se achegarem ao
Caminho da Verdade. E foi justamente isto que aconteceu com Saulo. Ele não
questionou mais a autenticidade da fé em Jesus, mas simplesmente creu ao ponto de
poder dizer: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, a Cristo Jesus nosso
Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim que noutro
tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na
ignorância, na incredulidade.” (1ª Timóteo 1.12,13). O próprio Senhor Jesus
afirmou que muitos não queriam vir até Ele para ter a vida eterna (João 5.40), sendo
assim, fica provado que para saber a verdade sobre Deus e a salvação, basta querer
somente.

Use a Lógica para Chegar a Verdade dos Fatos


Aprenda Pensar Logicamente!
A lógica poderá ser usada como forma para se chegar a verdade dos fatos. Desta
forma poderá ser usada para julgar uma questão doutrinária ou prática. Sobre esta

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questão de discernimento espiritual e lógica, o pastor Paulo Romeiro escreveu algo
interessante e de grande proveito: “Aprenda a pensar de forma lógica e sensível.
Pensar logicamente significa pensar de tal forma que se evitem falsas conclusões a
partir de premissas verdadeiras. O propósito do estudo da lógica é administrar a
arte de pensar claramente. É possível ter todos os fatos e chegar a conclusões
falsas, se a maneira de interpretar aqueles fatos for incorreta. O raciocínio pobre é
um grande problema no campo do discernimento doutrinário hoje. Todos nós
precisamos aprimorar a nossa habilidade de raciocínio o mais que pudermos
quando buscamos discernir questões doutrinárias.”3 O objetivo da lógica consiste
no estudo das formas de argumentação válida. A lógica nos dias atuais deixou de ser
uma disciplina auxiliar da filosofia, passando a ser um ramo de estudo independente.
Podemos definir lógica como um método para se ‘pensar corretamente’. É de suma
importância para a análise da validade de argumentos. O Senhor Deus nos deu
capacidade para pensar, raciocinar e discernir. Somos, então um ser pensante, e
como ser pensante, o ser humano deve raciocinar diante de argumentos e situações
(principalmente argumentos religiosos e contra-religiosos). Quem exercita o
raciocínio lógico, consegue evitar falsas idéias. É extremamente interessante como
uma falsa idéia consegue se passar pela própria verdade. Não é toa que milhões de
pessoas são arrebanhadas por muitos falsos profetas e líderes religiosos. Por isso,
por mais fascinante, emocionante que seja uma idéia, devemos ter a prudência para
analisar os fatos friamente. Analisar os fatos é um direito de todas as pessoas!
Veja, um exemplo claro de como pensar logicamente. Todos nós conhecemos
igrejas que defendem a idéia de que o cristão não pode assistir televisão, sob o
argumento de estar pecando contra Deus. E para sustentarem tais idéias muitos
pregadores usam das mais variadas argumentações usando até mesmo versículos
bíblicos. Estas mesmas igrejas permitem o uso da Internet e até mesmo possuem
home pages. Todavia sabemos que a Internet não possui censura e é muitas vezes
mais imoral e prejudicial do que a televisão. Mas, para quem pensa logicamente, o
raciocínio seria este: “Se tal igreja proíbe seus membros de assistirem televisão por
ser pecado, porque permitem o uso da Internet que é muitas vezes mais imoral e
prejudicial? Porque permitem o uso da Internet que nem possui censura? O pecado
não seria o mesmo de assistir televisão?” Quando procedemos assim, os
pensamentos e idéias vão tomando forma. Veja, um outro exemplo de como pensar
logicamente. Certa vez vi em um caminhão a frase: “Você reclama que sua vida é
pesada? Pergunte a Jesus o peso da cruz.” Este tipo de frase impactante e com
aparência de sabedoria é comum na falsa religião. Neste caso poderíamos raciocinar:
“Não foi Jesus que disse haver pessoas que estão sobrecarregadas? Não foi Ele que
ordenou que elas viessem até Ele para ter o peso aliviado (Mateus 11.28 a 30)?”
Assim baseados nestes pensamentos podemos concluir que existem pessoas
sobrecarregadas que precisam de alívio, e que a frase acima nada mais é que um cala
boca que a religião impõe sobre as pessoas. Alguns religiosos têm feito oposição ao
uso e pesquisa das células troncos. Dizem eles que aqueles embriões que estão nas
geladeiras dos laboratórios, não podem ser usados para pesquisa de células troncos e
muitos menos para salvar vidas como resultado dessas pesquisas. Afirmam também
que usar esses embriões é como fazer aborto, pois tais embriões seriam vidas
humanas que seriam assassinadas. Parece ser uma argumentação lógica, mas tal

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argumentação deixa em haver outras questões. Se não podemos usar aqueles
embriões para pesquisas por serem vidas humanas, também não podemos deixá-los
nas geladeiras dos laboratórios, pois a vida também tem direito de nascer. Assim
vemos, o quão defeituoso são certos argumentos. Para pensar logicamente sobre esta
questão, devemos perguntar também: “Qual o interesse de proibir as pesquisas com
embriões? Porque alguns religiosos batem tanto na mesma tecla? Estão
obedecendo a Lei de Deus ou estão inventando idéias para proveito próprio?”
Quando pensar usando a lógica, o leitor deve também procurar se puder, saber o
histórico de alguns religiosos. Os mesmos que hoje são contra o uso de embriões
para pesquisa de células troncos, são os mesmos que no passado condenaram
pessoas a morte por causa de questões científicas. Com tantos teólogos, filosofias e
livros a disposição, tais religiosos erraram naquela época quando o assunto era sobre
questões científicas, e não estariam errando hoje? Precisamos deixar de ser
ingênuos, não podemos simplesmente aceitar tudo o que é falado. Todos aqueles que
defendem suas idéias devem sustentá-las com bons argumentos. O que é um
argumento? Um argumento é um conjunto de proposições que utilizamos para
justificar (provar, dar razão, suportar) algo. O que defendemos é o que queremos
justificar. Para defender um argumento é necessário fazer uma lista de razões para
validá-lo. Todo argumento só possui dois caminhos: ou são válidos ou inválidos. Ao
estar diante de uma idéia, devemos analisar a lista de razões de tal idéia. Por
exemplo, se alguém afirma que os cristãos não deveriam celebrar o Natal em 25 de
dezembro por ser este de origem pagã, deve apresentar razões que justifiquem tal
argumento. A função do crítico é investigar, analisar os fatos olhando
principalmente para os dois lados da moeda. Deste modo, descobrimos assim o quão
é defeituosa uma falsa idéia.

A Natureza e Psicologia da Mentira


Diz um certo ditado popular que mentira tem pernas curtas. Os defensores da
mentira precisam arranjar artifícios, explicações para conseguir manter suas
doutrinas, crenças e idéias. Assim agem as seitas e religiões falsas. Suas doutrinas
demonstram imperfeições e não subsistem diante de uma análise profunda e sem
preconceitos. As seitas costumam se contradizer no que ensinam. O que uma seita
ensina hoje em suas literaturas, muito provavelmente já foi ensinado de maneira
diferente nos tempos passados. O problema do engano é porque as pessoas se
deixam enganar. Muitas vezes vemos advogados, juizes, médicos e pessoas de um
nível intelectual elevado envolvidas com as religiões mais terríveis e enganadoras.
Mas porque estão ali sendo enganados? Por que o mesmo critério que essas pessoas
usam em suas profissões no que se refere a exames minuciosos, julgamentos e etc,
não são usados também em suas religiões. A pessoa fica como se estivesse
“estacionada” num eterno comodismo sendo enganada. Muitos até sabem que estão
num mau caminho, mas não dão o braço a torcer. Outros estão comprometidos
financeiramente ou com famílias e etc. Mas existem aqueles que estão dispostos e
querem romper com os laços da falsa religião. Quando uma pessoa é enganada e tem
a oportunidade de conhecer a verdade, mas a rejeita, tal pessoa, segundo a Bíblia, é

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entregue ao engano. Na carta aos Tessalonicenses, o apóstolo Paulo deixou bem
claro que aqueles que não acolhem o amor da verdade para serem salvos, serão
enganados (2ª Tessalonicenses 2.10,11). No versículo 11 diz que para tais pessoas
“Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito a mentira, a fim de
serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário,
deleitaram-se com a injustiça.”
Praticamente a Bíblia inteira nos dá informações a respeito da mentira. O principal
poder que Satanás possui é o de enganar. Aliás, ele é o pai da mentira (João 8.44).
Esta é a sua arte e as pessoas nem se dão conta de como a mentira é poderosa e
inimaginável. Quando Jesus foi tentado pelo diabo no deserto, este não usou a
mentira para tentar Jesus, mas usou a verdade de maneira distorcida. O diabo disse:
“Se é Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.” (Mateus
4.3). Não havia como Jesus fugir da realidade de que Ele era Filho de Deus, isto era
e é verdade, e também há poucos dias atrás em seu batismo, Jesus ouviu a
confirmação do Pai: “Este é o meu Filho amado...” (Mateus 3.17). Mas, Jesus
respondeu ao diabo com outra verdade da Palavra de Deus: “Não só de pão viverá
o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mateus 4.4). Mas, o
engano não para por aí, e o diabo continuou e tentou Jesus com outra verdade: “Se
és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a
teu respeito; que te aguardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não
tropeçares nalguma pedra.” Esta foi uma citação do Salmo 91.11,12. Mas, na
verdade, este salmo foi citado de maneira distorcida. O salmo é assim: “Porque aos
seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus
caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.”

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Note, que o diabo citou o versículo 11 do Salmo 91 assim: “Aos seus anjos
ordenará a teu respeito; que te aguardem” sendo que o Salmo na
realidade diz do seguinte modo: “Porque aos seus anjos dará ordens
a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos”
(Bíblia: tradução de João Ferreira de Almeida – Edição Revista e
Atualizada no Brasil). O diabo estava tentando a Jesus para que este se
jogasse do pináculo do templo, dando-lhe uma falsa garantia de que os
anjos de Deus iriam ‘aguardá-lo’ para que não morresse. Ele trocou a
palavra ‘guardem’ por ‘aguardem’. Veja, como o engano é inteligente
e pode passar despercebido. O Salmo 91.11,12 apenas promete a
proteção divina de ser guardado por Deus e não há proteção para quem
o tente. Dessa forma, Jesus responde usando a palavra ‘também’
afirmando: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.”
(Mateus 4.7) Se o enganador usa a verdade para enganar, quem
conhece a Palavra de Deus deve usar outra verdade.
Por fim, o diabo faz a última tentativa contra Jesus. No versículo 8 de Mateus
capítulo 4 diz que o diabo o levou a um monte muito alto, mostrou-lhe
todos os reinos do mundo e a glória deles. É justamente neste
versículo que alguns religiosos tropeçam, porque afirmam que Jesus
não foi tentado pelo diabo por que dizem que ele não existe, e que esta
tentação descrita aqui em Mateus capítulo 4 seria meramente
ilustrativa. Dizem eles: “Que monte é tão alto que se possa ver todos
os reinos do mundo e a glória deles?” É fácil observar como este
argumento é falso. Primeiro lugar Jesus é uma pessoa real que jejuou
quarenta dias e quarenta noites e pelo Espírito Santo foi levado ao
deserto. A Bíblia afirma que nesta ocasião Ele foi tentado de várias
formas pelo diabo (Lucas 4.13). Há nesta tentação um diálogo real, de
uma pessoa real (Jesus) com um ser espiritual (diabo). Sabemos pela
Bíblia que o diabo possui poderes especiais e autoridade sobre a terra,
pois já foi um anjo e pode fazer sinais e prodígios da mentira
(Apocalipse 13.13). Não seria nada espantoso que o próprio diabo
mostrasse a Jesus, numa visão espiritual, todos os reinos do mundo e a
glória deles. Na carta de Paulo aos Coríntios há uma clara declaração
que Satanás também se disfarça de anjo de luz: “E não é admirar;
porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.” (2ª Coríntios
11.14). Muitas vezes na Bíblia, luz é a metáfora que se refere a
natureza divina. Satanás apela para as consciências de suas vítimas,
iludindo-as a respeito da justiça. Muitos estão servindo a Satanás sem
saber. Pensando estar em uma boa religião que conduz a salvação.
Uma religião dirigida pelos ministros de Satanás não irá ensinar a seus
adeptos a roubarem, matarem e destruírem. Ensinarão coisas boas,
mas com toda certeza haverá doutrinas destruidoras que negam ao
Senhor Jesus Cristo (2ª Pedro 2.1). Poderão até falar e ensinar a
respeito de Jesus, mas na verdade é outro Jesus que o apóstolo Paulo
advertiu haver (2ª Coríntios 11.4).

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Numa ilustração, certa vez um pastor disse que o diabo possui vários escritórios
neste mundo para enganar as pessoas. É a pura verdade! Há o
escritório do ateísmo, das religiões e teorias falsas. Veja, no livro de
Atos dos Apóstolos como o engano é inteligente em suas ações:
“Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao
encontro uma jovem possessa de espírito adivinhador, a qual,
adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Seguindo a Paulo
e a nós, clamava, dizendo: Estes homens são servos do Deus
Altíssimo, e vos anunciam o caminho da salvação. Isto se repetia por
muitos dias. Então Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito:
Em nome de Jesus Cristo eu te mando: Retira-te dela. E ele na mesma
hora saiu.” (Atos 16.16,17,18). O que o espírito do demônio disse de
errado nesta passagem? É claro que nada. Apenas afirmou uma grande
verdade que Paulo e os outros que estavam com ele anunciavam o
caminho da salvação e eram servos do Deus Altíssimo. Observe que
grande estratégia de engano do demônio. Se Paulo tivesse ficado
calado e não expulsado o demônio, o povo entenderia que tanto seguir
o que Paulo pregava como o espírito adivinhador seria a mesma coisa.
Embora, o engano seja sutil e habilidoso, tudo não passa de mentiras
antigas. No livro de Eclesiastes 1.9 lemos: “O que foi, é o que há de
ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer: nada há, pois, de novo
debaixo do sol.” E, justamente, em matéria de doutrina não há nada de
novo. Os que negam hoje que Jesus é Deus, nada mais estão crendo na
doutrina inventada pelo bispo Ário no ano 325 d.C. Ele afirmava que
Jesus não era Deus e que era inferior ao Pai. A mesma coisa é
afirmada por algumas religiões em nosso dias. No que se diz respeito
ao modalismo ensinado por Sabélio, no século III, ainda hoje existem
adeptos. Para evitar a noção de três deuses, Sabélio ensinava que o
Filho e o Espírito Santo eram emanações ou atributos, ou modos
aparentes de Deus Pai. Ou seja, para ele Deus era uma só Pessoa que
se manifestava de três modos. Em nossos dias as seitas unitárias são as
que pregam tal doutrina. Quando Jesus esteve na terra, ele foi
perseguido também por causa da doutrina do Sábado. Diziam os
judeus que ele violava o Sábado (João 5.18). O mesmo acontece em
nossos dias. Existem religiões em que a bandeira principal é o Sábado.
Embora, pareçam peritos em argumentações e versículos bíblicos,
nada mais possuem do que uma falsa interpretação da Bíblia. Do mais,
tudo o que se pensar em matéria de religião e doutrina, já o foram nos
dias e séculos passados. Basta pegar os livros de história que o leitor
chegará a esta conclusão.

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______________________________________

BIBLIOGRAFIA

1. CHRISTIAN APOLOGETICS & RESEARCH MINISTRY - www.carm.org - E


se o Relativismo fosse verdade - Uma ilustração - Matthew J. Slick
(www.carm.org) - Translated into Portuguese by Hamilton B. Furtado

2. Revista das Religiões p. 5 - Abril de 2004.

3. Livro Evangélicos em Crise, página 206 – Paulo Romeiro – Editora Mundo


Cristão.

Capítulo 2
A Existência de Deus
“Não reproves a verdade antes de a teres examinado.” (Extraído do livro apócrifo
de Eclesiástico 11.7)

Desde os primórdios da humanidade, existe uma crença universal em um Ser


Supremo, ou seja, não existe nenhuma raça humana que não tenha alguma noção de
um ser supremo, um deus, de quem, através das suas religiões, procuram aproximar
para agradá-lo, comunicando-se com ele por sacrifícios, até de sangue. Muitas vezes
é realmente um “deus desconhecido” e na sua cegueira estão tateando para achá-lo
(At 17:23,27). “...O que se pode conhecer, neles se manifesta... (Romanos 1:19).
Todo homem é um ser religioso, e cultua algo que crê existir acima de si. Embora os
comunistas e muitos outros ateus tenham tentado negar a existência de Deus, esta
crença vem atravessando todos os séculos com força e pelo visto não deixará de
existir jamais. Negar a existência de Deus é insensatez e abre o caminho para os
mais terríveis erros. Assim disse o salmista: “Diz o insensato no seu coração: Não

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há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem”
(Salmo 14.1). O escritor russo Dostoiévski escreveu, certa feita, o seguinte: “Se
Deus não existe, então tudo é permitido.” Quem nega a existência de Deus é
insensato e Deus não se agrada daqueles que crêem que Ele não exista: “De fato,
sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se
aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o
buscam.” (Hebreus 11.6). Um pouco mais atrás, no mesmo livro de Hebreus lemos
o significado exato e mais fiel da palavra fé: “Ora, fé é a certeza de coisas que se
esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hebreus 11.1). Mas, além da fé,
como podemos ter certeza de que Deus existe? Se Deus é o Criador e ama a
humanidade, teria Ele deixado pistas de sua existência? A própria Bíblia responde:
“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas
mãos” (Salmo 19.1). Os céus, ou seja, o Universo físico e visível, são uma prova
visível da sabedoria, do poder, da glória e das leis de Deus. Todas as coisas têm uma
causa. Logo, tem de haver algo que seja a causa de tudo. Este argumento é usado em
particular para defender a existência de Deus. De fato e de verdade tudo é uma
questão de lógica: se toda a casa precisa de um construtor e projetista, logo o
Universo com sua complexidade teve de ter alguém que o projetou e o fez. Se
alguém lhe disser que uma casa surgiu por acaso e assim evoluiu, obviamente você
achará que tal pessoa esteja louca. Observe a complexidade da natureza. Negar a
Deus é tolice. É a mesma coisa que negar a existência do sol, porque não o vê,
porque está encoberto por nuvens. No Salmo 10:4 está escrito: “Por causa do seu
orgulho, o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus”. No
íntimo do homem há uma sentença moral sobre os seus atos praticados, sejam bons
ou maus. Fala da existência de uma origem superior que no homem fez registrar os
princípios da lei divina: “Porque quando os gentios, que não tem lei, fazem
naturalmente as coisas que são da lei. Os quais mostram a obra da lei escrita em
seus corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos,
quer acusando-os, quer defendendo-os” (Romanos 2.14,15). Até mesmo a
eternidade Deus pôs no coração do homem (Eclesiastes 3.11). A Bíblia, a revelação
divina escrita revela claramente a existência de Deus. Na Bíblia temos um
documento autenticado, que nos faz conhecer a Deus através de Sua própria
revelação. Como alguém procura conhecer a história, ciências ou mais, procura
estudar a literatura adequada para conseguir o conhecimento desejado, assim
também aquele que verdadeiramente quer fazer a vontade de Deus, ele conhecerá se
essa doutrina é de Deus ou não (João 7:17). Por fim, Jesus o Filho de Deus veio
revelar Deus aos homens (Lucas 10:22), e o fazer conhecer (João 1:18). Jesus disse:
“...Quem vê a mim, vê o Pai...” (João 14:9). O único caminho para conhecer a Deus
é aceitar a Jesus como seu Salvador, porque Ele é o caminho para Deus (João 14:6).
Assim, podemos crer que Deus existe e agora que estamos nos tempos finais, temos
mais e mais provas de sua existência através das profecias bíblicas cumpridas à
risca.

O Anti-Sobrenaturalismo

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É Possível Crer em Milagres?
O sobrenatural é uma área mal compreendida por muitos. Dos assuntos em que
existem profunda grande ignorância, esse é um deles. As conclusões do anti-
sobrenaturalismo resultam de uma perspectiva mundial subjetiva. Muitos
historiadores, arqueólogos, cientistas e ateus afirmam que não existem milagres, e
que Deus nunca agiu na história humana quer curando ou salvando. Estas afirmações
estão baseadas em pressuposições. Um pressuposto é algo que é idealizado ou
suposto com antecedência. Uma boa definição seria: “requerer ou envolver
necessariamente como uma condição antecedente.” Podemos afirmar que pressupor
é chegar à conclusão sobre algo antes de se dar início às investigações a respeito. Os
sinônimos dessa palavra é “julgar de antemão, acatar como se fosse verdadeiro,
preconceito, juízo antecedente, opinião preconcebida, conclusão previamente
fixada, noção preconcebida, lançar-se precipitadamente a uma conclusão.” Quando
se trata de anti-sobrenaturalismo, o pressuposto tem sido grande. Muitas pessoas não
conseguem aceitar a possibilidade dos milagres. O anti-sobrenaturalismo é a
descrença na existência de Deus ou em Sua intervenção na ordem natural do
Universo. Nos primeiros cinco livros da Bíblia que são de autoria de Moisés é
afirmado duzentas e trinta e cinco vezes, que ou Deus falou a Moisés ou Deus
ordenou a Moisés que fizesse alguma coisa (de acordo com um exame no Strong´s
Exhaustive Concordance of the Bible).1 Quando alguém afirma que milagres não
existem, é porque tal pessoa afirma ter uma concepção fechada na qual não aceita a
existência de Deus e, por conseguinte sua intervenção na história humana. Ter tal
concepção não elimina a existência de Deus e Sua atuação entre os homens. Nesse
sistema fechado em que há em nosso mundo, encontramos muitos historiadores,
humanistas, arqueólogos e cientistas. Eles não aceitam certas passagens bíblicas,
porque estas relatam a intervenção de Deus entre os homens. Mas, há fatos que
realmente aconteceram devido a intervenção de Deus entre os homens e tais fatos
são incontestáveis devido a sua comprovação histórica. Um ateu, por exemplo, não
rejeita as intervenções de Deus entre os homens porque possui fatos para tal
rejeição. Mas, ele rejeita pelo fato de ter essa concepção fechada a respeito do
mundo, em que Deus não existe e por conseguinte milagres também não.
Infelizmente, um ‘erudito científico’, mostra-se tão dogmático na rejeição dos
milagres descritos na Bíblia quanto o estudioso conservador mostra-se ao aceitar e
defender esses milagres. O erudito científico erra ao tentar insistentemente ajustar os
fatos de acordo com suas idéias naturalistas que rejeita o sobrenaturalismo. Todas as
pessoas precisam estar cônscias de suas idéias e suposições. Você deve se perguntar:
“Há evidências claras e suficiente em apoio a meu pressuposto?” Meu pressuposto
coincide com a realidade? O escritor Josh McDowell escreveu um resumo do que
pensam os defensores do anti-sobrenaturalismo:2

1. Vivemos em um sistema fechado (cada causa tem seus efeitos naturais);


2. Deus não existe. (no caso de muitos críticos, seria mais próprio dizer que eles
afirmam que “para todos os propósitos práticos, Deus não existe.”);
3. Não existe o sobrenatural;

26
4. Milagres não são possíveis.

No mesmo livro, Josh McDowell nos conta algo interessante ocorrido com um
grupo de estudantes: “Um grupo de estudantes deu meu primeiro livro a um
professor, o qual também dirigia o departamento de história de uma grande
universidade. Pediram-lhe que lesse Evidência que Exige Um Veredito e, então,
emitisse sua opinião. Meses mais tarde, um dos alunos retornou ao escritório do
professor para indagar sobre o seu progresso. O mestre retrucou que havia
terminado a leitura do livro. E continuou dizendo que a obra “continha alguns dos
mais persuasivos argumentos que ele já lera, e que não sabia como alguém poderia
refutá-los.” Mas então acrescentou: “Porém, não aceito as conclusões do Sr.
McDowell.” O estudante, algo perplexo, perguntou: “Por que?” O diretor do
departamento de história respondeu: “Por causa de minha visão global!” A
rejeição final dele não estava alicerçada sobre provas, mas a despeito delas. O
fator motivador da recusa em reconhecer as provas era o seu pressuposto acerca do
sobrenatural, e não uma investigação da história.”3 Realmente o preconceito ainda
permeia nos meios acadêmicos, mas a verdade não depende de nossos preconceitos e
crenças. Se o sobrenatural existe, quer creiamos ou não, ele existe. Não depende de
nossa fé para existir. Podemos concluir que tudo é uma questão de lógica e, assim
podemos afirmar que para existir o sobrenatural, Deus deve de existir. Se Deus
existe e age entre os homens, logo, os milagres são possíveis e as provas ficam
gravadas na história (para um complemento maior sobre anti-sobrenaturalismo, leia
nas páginas seguintes o tópico Como Julgar Milagres).

A Bíblia é a Palavra de Deus?


É de extrema responsabilidade alguém afirmar que um livro é revelação de Deus,
e que todos devem moldar suas vidas sob seus ensinamentos. É algo extremamente
perigoso fazer tal afirmação se a pessoa estiver enganada sobre a mesma. Pois, bem,
a Bíblia é a revelação autenticada pelo próprio Deus. A Bíblia é um livro único. Ela
está acima de qualquer outro livro já escrito e produzido no mundo, e nenhum livro
se assemelha a ela. Na própria Escritura Sagrada encontramos declaração de que ela
é a infalível Palavra de Deus (Isaías 40.8; 1ª Pedro 1.25; 2ª Pedro 1.20-21; 2ª
Timóteo 3.16-17; Isaías 34.16). Ela é o único livro que se apresenta como a
revelação escrita do Deus Único e Verdadeiro com o seguinte propósito definido: a
redenção da humanidade. A Bíblia do princípio ao fim julga o homem. O ser
humano é por natureza falho, imperfeito e limitado e não está apto para julgar a
Bíblia, pois para isto teria que ter um juízo crítico perfeito, do qual sabemos que não
existe. Sendo assim, nenhum homem, igreja ou sistema religioso está autorizado ou
apto para julgar às Escrituras Sagradas. A Bíblia não contém erros, pois Deus não
revelou sua verdade misturada com o erro. A hipótese de erro na Bíblia é totalmente
infundada. Deus sendo perfeito, fiel, bondoso e Todo-Poderoso conservou sua
revelação intacta e isenta de qualquer erro. É tolice não crer nisto. Não se pode
duvidar da inspiração, autenticidade e inerrância das Escrituras Sagradas. O
cumprimento das profecias bíblicas, seus conselhos para o dia a dia, elimina

27
qualquer dúvida sobre a inspiração e a inerrância da Bíblia. A Bíblia é a única regra
de fé e prática do cristão, este foi e creio que sempre será o lema cristão. Nossas
doutrinas devem estar apoiadas totalmente nela, porque assim também foram os
ensinos e pregações de Jesus Cristo, seus apóstolos e dos profetas. Em oposição a
Bíblia, estão às religiões. Muitas das vezes a Bíblia é ultrajada por causa do proceder
errado das religiões. Muitas pessoas desinformadas acusam a Bíblia por causa do
proceder torpe de algumas religiões.
Às religiões têm o costume de escravizar as pessoas com ensinamentos que são
doutrinas e preceitos de homens, e muitos pensam que estes ensinamentos são das
Escrituras. Veja o que Jesus disse para os religiosos de sua época: “E em vão me
adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.” (Mateus 15.9). Os
falsos religiosos dizem adorar a Deus, mas escravizam as pessoas com doutrinas que
são preceitos de homens. A religião proíbe a pessoa de receber transfusão de sangue,
de comer carne, de assistir televisão e tantas outras coisas que não vamos enumerá-
las todas agora. E tudo isto sem base bíblica alguma! Também a religião condenou
pessoas a morte por afirmarem que a terra é redonda, sendo que a Bíblia muito a
frente de seu tempo já afirmava que: “Ele é o que está assentado sobre a redondeza
da terra...” (Isaías 40.22). A rejeição do conhecimento bíblico é a causa de tanta
gente estar escravizada pela religião.

Existe Diferença Entre a Bíblia Católica


e a Protestante?
A única diferença que existe entre a Bíblia editada por uma editora protestante, e
a Bíblia editada por uma editora católica, é com relação aos chamados livros
apócrifos. Ou seja, a Bíblia católica possui sete livros a mais. Esta é a única
diferença, e as demais palavras das Escrituras são as mesmas. A palavra apócrifo
significa obra ou fato sem autenticidade ou cuja autenticidade não se provou.
Também possui o significado de “oculto”. Hoje, os apócrifos são considerados não
autênticos. Não podemos dizer que são livros canônicos, mas podemos afirmar que
são úteis para estudo histórico. Esses livros foram produzidos entre o 3º e 1º século
AC, com o cânon já definido. Em grego, menos Eclesiástico, Tobias e I Macabeus.
A cultura gentia os assimilou (o cânon de Alexandria). O fato é que o historiador
Josefo, os judeus e a Igreja cristã rejeitaram esses livros apócrifos. A LXX
(Septuaginta) os incluiu como adendo (seguindo o cânon alexandrino). No Concílio
de Cártago, em 397 DC: foram considerados próprios para a leitura. O Concílio
Geral de Calcedônia, 451 DC, negou esses livros. Foram colocados no cânon em
08/04/1546, numa sessão com apenas 5 cardeais e 48 bispos (e não foi por
unanimidade). O que temos como cânon do Velho Testamento foi aceito por longo
tempo pela cristandade como um todo. A Bíblia editada pelos protestantes segue

28
exatamente o cânon judaico. Afinal, “...aos judeus foram confiados os oráculos de
Deus” (Romanos 3.2).
Não podemos afirmar que é a Bíblia protestante que tem menos livros. A verdade
é que a Bíblia católica tem livros a mais. Foi o catolicismo quem os acrescentou.
Seguindo a tradução da Vulgata que traduziu da LXX (Septuaginta), o catolicismo
incorporou os apócrifos após a Reforma. Quando a Vulgata os inseriu, distinguiu-os
dos outros, que chamou de canônicos. Aos apócrifos chamou de eclesiásticos. Ao
todo são 12 livros ou enxertos, são eles na Vulgata: I Esdras, II Esdras, Tobias,
Judite, Adição a Ester, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Adições a Daniel (Cântico
dos 3 Moços, História de Suzana e Bel e o Dragão), Oração de Manassés, I
Macabeus, II Macabeus. Na Bíblia católica: Tobias, Sabedoria, Eclesiástico, Judite,
Baruque, I Macabeus, II Macabeus e adições ou acréscimos a Ester e a Daniel. Nos
livros apócrifos existem alguns erros e aberrações que fazem com que sejam obras
não inspiradas. No livro de Tobias o anjo Rafael mente e engana as pessoas. Abaixo
colocamos algumas razões para se rejeitar os livros apócrifos:

1. Filo, o filosofo judeu de Alexandria (20 AC - 40 AD) jamais citou os apócrifos


como sendo inspirados;
2. O historiador judeu Flávio Josefo (30-100 AD) exclui claramente os livros
apócrifos;
3. Jesus e seus discípulos fizeram centenas de citações e referências de quase
todos os livros do Antigo Testamento, mas jamais fizeram referências aos
livros apócrifos;
4. Nenhuma deliberação ou concílio da igreja cristã, nos primeiros quatro séculos
de cristianismo, jamais reconheceu os livros apócrifos como sendo inspirados;
5. Os eruditos judeus reunidos em Jâmnia (90 AD) não reconheceram os
apócrifos;
6. Os grandes primeiros cristãos da igreja atacaram pesadamente os apócrifos.
Entre eles citamos Orígenes, Cirilo de Jerusalém e Atanásio;
7. Jerônimo (340-420) que foi o grande erudito e tradutor da Vulgata rejeitou os
apócrifos. Depois de sua morte os livros apócrifos foram incorporados à
Vulgata de Jerônimo;
8. Durante o período da reforma protestante muitos estudiosos católicos
rejeitaram os apócrifos;
9. Martin Lutero e os grandes reformadores protestantes rejeitaram os apócrifos;
10. A postura cristã deve ser: a Bíblia produziu a Igreja. Não podemos compactuar
com a postura católica que diz: a Igreja produziu a Bíblia, e também a
Tradição. Infelizmente a igreja católica usa a Bíblia e a Tradição, e é por isso,
que pode acrescentar e tirar.

Conclusão: a Bíblia não é monopólio de nenhuma religião, e não temos o direito de


acrescentar ou tirar dela. Se o leitor, possui uma Bíblia de edição Católica, não há
problema nenhum em fazer diariamente a leitura dela. Só tome cuidado com os
comentários de rodapé que não fazem parte do texto Sagrado. Esses são comentários
feitos com idéias de teólogos do Vaticano. Somente a Bíblia como palavra de Deus
deve ser nossa regra de fé e pratica diária.

29
A Simples Leitura Particular da Bíblia é a Única
e Eficaz Arma Contra a Mentira!
Se algum sistema religioso põe obstáculos ao livre estudo da Bíblia, o tal quer
ensinar algo que não está de acordo com a verdade do evangelho de Cristo. A leitura
particular da Bíblia é a única arma contra as falsas religiões. O povo deve ser
incentivado a ler e a estudar a Bíblia sozinhos. A falta de conhecimento traz
destruição ao povo: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o
conhecimento” (Oséias 4:6). Todas às pessoas que amam e estudam a Bíblia, sejam
elas de qualquer parte do mundo, com muita ou pouca instrução escolar, seja do
nível social que for, desde que estudem e levem a sério os ensinamentos bíblicos,
todas elas concordam nas mesmas coisas escritas na Bíblia. Todas elas seja de
qualquer parte do mundo irão concordar que:

1. Jesus é o único que pode salvar o mais vil pecador;


2. Que todos os que crêem em Jesus terão o seu lugar garantido no céu;
3. Sabem também que um dia Jesus voltará para buscar os seus, ou seja, a sua igreja;
4. Reconhecem que existe uma condenação no inferno para aqueles que recusam o
amor de Deus para crer em Cristo;
5. Crêem que o Espírito Santo é Deus e que conforta e consola os que o buscam;
6. Também sabem que o pecado engana e destrói e que todo homem precisa de Jesus
em sua vida para se livrar das armadilhas do pecado.

Todas essas pessoas que são sinceras e leais para com a Palavra de Deus, sabem
de tudo isto e muito mais pela simples e pura leitura da Bíblia, sem o auxílio de
organizações religiosas que fazem lavagem cerebral nos seus adeptos e que os
induzem a acomodar a mente com meia dúzia de palavras decoradas. É por isto que
muitas religiões não admitem o livre estudo e leitura da Bíblia. Eis o que essas
religiões ensinam:

1. A Bíblia não pode ser entendida sem o auxílio de suas literaturas.


Pode ser que algumas religiões afirmem que seus ensinamentos vêm somente da
Bíblia, mas na prática não é assim. Muito pelo contrário, dão muito mais valor a
suas próprias literaturas como se fossem obras inspiradas por Deus. Por isso, usam e
abusam de suas próprias literaturas para ensinar as pessoas.

2. Para entender a Bíblia a pessoa precisa de um intérprete, alguém mais instruído


que possa ajudá-la.
Com isto a pessoa fica neutralizada para ler e entender a Bíblia por si só. Fica
então dependente de alguém que se julga superior a ela. Não é errado uma pessoa
receber explicações e ensinamentos em sua igreja, mas o problema é quando se
proíbe a leitura livre da Bíblia e dizem que ela não pode ser entendida sem ajuda de
terceiros.

30
3. Dizem que há pontos difíceis na Bíblia, e por isso, fica difícil uma pessoa comum
entende-la.
Sendo assim, o caminho fica aberto para que a pessoa receba doutrinas que são
preceitos de homens.

4. Somente pessoas “ungidas,” ou seja, uma “classe especial” tem a verdadeira


interpretação da Bíblia.
Se uma “classe especial” de pessoas “ungidas” têm a verdadeira interpretação da
Bíblia, fica difícil para uma pessoa comum questionar ou mesmo refutar alguma
idéia falsa.

Estas são algumas características daqueles que se opõe a Bíblia como única regra
de fé e prática do cristão. São artimanhas para enganar as pessoas e expor seus
ensinos falsos. Ninguém que lê a Bíblia sinceramente como já vimos, irá chegar ao
extremo absurdo e dizer por exemplo, que não existe um inferno de fogo, que Jesus
não é o único que pode salvar o pecador e etc. Talvez o leitor pergunte: “E os
pontos difíceis de entender da Bíblia que o apóstolo Pedro escreveu (2ª Pedro
3.16)?” Sim, há alguns pontos difíceis de entender nas Escrituras. Mas estes pontos
difíceis de entender são questões secundárias da fé cristã. Qualquer um poderá
aprendê-los estudando a Bíblia e freqüentando uma igreja séria que tem
compromisso com a Palavra de Deus. Um etíope eunuco, alto oficial da rainha
Candace (rainha dos etíopes), se confrontou com um ponto difícil da Escritura
Sagrada (Atos 8.27, 28, 30, 31). Ele estava lendo o trecho de Isaías 52.13; 53.12 e
não conseguia entender o que estava escrito. Apenas deduzia que o profeta poderia
estar falando de si mesmo ou de outra pessoa. Ele quase acertou, pois o texto
profético fala a respeito de Jesus. De fato esse texto de Isaías “é quase
incompreensível para os que desconhecem a história de Cristo” segundo o
comentário de rodapé da Bíblia Vida Nova.4 Esse eunuco tinha ido adorar em
Jerusalém e deveria ser um leitor sincero das Escrituras Sagradas (Atos 8.27,28).
Felipe foi enviado por Deus até aonde estava o eunuco (Atos 8.26, 27, 29) e
perguntou: “Compreendes o que vens lendo? Ele respondeu: Como poderei
entender, se alguém não me explicar?” (Atos 8.30,31). O eunuco ouviu a explicação
de Filipe e entendeu que a passagem de Isaías 52.13 e 53.12 se referia a Jesus Cristo.
Com isto aceitou ser batizado e reconheceu ser Jesus o Filho de Deus (Atos 8.35 a
40). Desta forma o eunuco voltou para sua casa glorificando a Deus. Ireneu (180
d.c.) nos dá informação de que este eunuco se tornou em missionário entre os
etíopes. Como vimos, ninguém fica sem saber as verdades eternas de Deus. Neste
caso o eunuco precisou que alguém lhe desse informação sobre o texto. No geral a
Bíblia é fácil de se entender e não precisa necessariamente de explicações de
terceiros. Não é a Bíblia que é complicada, são os religiosos que a complicam. Certa
vez William Tyndale afirmou que “um jovem lavrador com a Bíblia sabe mais a
respeito de Deus do que o mais culto religioso que a ignore.” O mais simples bóia-
fria tem mais resultado de compartilhar o evangelho do que um renomado professor
universitário. Pode notar que as mais terríveis e falsas interpretações da Bíblia não
são feitas pelas pessoas mais simples. Os grandes erros nascem nas grandes
religiões. Tudo que o homem precisa saber de imediato, ou seja, vamos dizer que

31
noventa e nove por cento da Bíblia, está de maneira clara e objetiva para que
qualquer um possa entender independente de seu nível cultural e social. Questões
primordiais sobre como podemos nos salvar, quem é Deus, quem é Jesus e muitas
outras, jamais poderiam estar de maneira obscura na Bíblia e nas mãos de uma
“classe especial de ungidos”.

A Interpretação Correta da Bíblia


e às Entrelinhas
O Espírito Santo é o mesmo que inspirou os escritores da Bíblia (2ª Pedro 1.20-
21). Por isso, o Espírito de Deus é o intérprete das Escrituras Sagradas (1ª Coríntios
2.10). Tudo o que o homem precisar para suprir suas necessidades, poderá encontrar
na Bíblia (2ª Timóteo 3.15-17; Salmos 119.7; Provérbios 1.7). Ela tem tudo para
suprir às necessidades humanas. Qualquer sistema religioso que não sustenta esse
principio não tem parte com Cristo, antes o contraria. Veja o que o salmista diz
sobre as palavras de Deus: “A exposição das tuas palavras dá luz, dá entendimento
aos simplices” (Salmos 119.130). Ao ser exposta para o ser humano,
independentemente de suas capacidades intelectuais, seja ele sábio ou ignorante, a
Palavra de Deus dá luz e entendimento. Deus jamais deixa de agir quando alguém o
procura com sinceridade. Veja o exemplo de uma mulher chamada Lídia: “Certa
mulher chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a
Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às cousas que Paulo
dizia” (Atos 16.14). É interessante observar a frase “o Senhor lhe abriu o coração
para atender às cousas que Paulo dizia.” O próprio Deus age na pregação e leitura
da Bíblia. Ninguém fica na escuridão, pois a Palavra de Deus é luz e dá
entendimento. Já vi pessoas falarem a respeito das entrelinhas na Palavra de Deus.
Dizem que existem entrelinhas nas palavras de Jesus e que o sentido pode não ser
aquele que todos entendem. Ou seja, dizem que há um sentido oculto nas Escrituras
Sagradas. A própria Bíblia responde a isto no Salmo 119.105: “Lâmpada para meus
pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos”. A palavra de Deus é considerada
luz, ela é transparente e dá entendimento. Este é o ensino de toda a Bíblia! Dizer que
há entrelinhas na Bíblia é o mesmo que dizer que há nela ensinamentos ocultos. Isto
nos leva mais para o caminho das coisas ocultas e secretas do que para o caminho do
Deus que é luz e amor. Que Deus é este que é luz e entendimento que permitiria que
sua Palavra fosse algo oculto? Como ficaria as pessoas que são simplices de coração
que não conseguiriam decifrar sua Palavra? E mais: esta espécie de entrelinhas que
alguns defendem é mais uma artimanha para defender ensinamentos falsos. Portanto,
não existem entrelinhas e muito menos ensinamentos ocultos nas Escrituras.

Exegese e Eisegese
Exegese e Eisegese são duas palavras gregas com significados distintos. Exegese
significa “de dentro para fora”. É o contrário de Eisegese que significa “de fora
para dentro”. Quando alguém lê a Bíblia e concorda com seus ensinamentos, está

32
na verdade praticando uma exegese correta, deixando a Palavra falar “de dentro
para fora”. Ir além do texto bíblico, acrescentando ensinamentos que não condizem
com a Bíblia, é praticar a eisegese colocando idéias preconcebidas “de fora para
dentro” da Bíblia. Por isso, que o apóstolo Pedro diz: “Se alguém fala, fale de
acordo com os oráculos de Deus...” (1ª Pedro 4:11). Não podemos fazer acréscimos
na Palavra de Deus: “Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele
confiam. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas
achado mentiroso.” (Provérbios 30.5,6). Quando falo sobre acréscimos na Palavra
de Deus, não me refiro ao fato de apenas acrescentar palavras dentro do livro
Sagrado, mas o de inventar doutrinas que não estão nela. Fazer acréscimos ao texto
da Bíblia também é pecado. Em Apocalipse há afirmação de que se “alguém lhes
fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escrito neste livro; e se
alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua
parte da árvore da vida, da cidade santa, e das coisas que se acham escritas neste
livro” (Apocalipse 22.18, 19). Certa vez um líder religioso disse: “Onde a Bíblia se
cala eu também me calo”. Mas, muitos não agem assim! Um exemplo de onde a
Bíblia se cala, é com relação a adolescência de Jesus. A Bíblia não fala nada sobre a
juventude de Jesus. Existe somente uma passagem sobre Jesus quando tinha doze
anos de idade (Lucas 2.41 a 52). Infelizmente, muitos se aproveitam desse silêncio
sobre a adolescência e juventude de Jesus, para pregar que Ele teria ido para Índia
para receber ensinamentos de gurus. O fato é que a Bíblia diz que Jesus era
submisso aos seus pais e viveu com eles em Nazaré, onde fora criado, até o dia do
começo de seu ministério (Lucas 2.51,52 e 4.16). Não foi a adolescência e juventude
de Jesus que transformou e causou impacto no mundo, mas foi sua pregação e obra
que duraram apenas três anos. Para se interpretar a Bíblia falsamente, muitos
“pegam um texto fora de contexto para arranjar um pretexto.” Ou seja, para
defender uma falsa idéia dentro da Bíblia é preciso tirar um texto sem analisar o
contexto (o que vem antes do versículo ou o capítulo inteiro) e com isto arranjar
uma falsa conclusão. Não se pode usar um versículo da Bíblia para fazer uma
doutrina. É preciso levar em consideração a Bíblia como um todo e crer que toda ela
é inspirada e útil (2ª Timóteo 3.16). Muitos repetem as palavras de Jesus ao dizer
que “a carne é fraca.” Mas se esquecem de citar a frase inteira: “Vigiai e orai, para
que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é
fraca.” (Mateus 26.41). Usar este versículo bíblico de maneira incompleta é mais
uma artimanha para dizer que se a carne é fraca, logo o caminho fica aberto para se
pecar a vontade. E o fato do espírito estar pronto e o dever de orar e vigiar? Poucos
observam isto! Essa é mais uma interpretação falsa da Bíblia. É praticar a eisegese.
Outro exemplo de como muitos interpretam falsamente a Bíblia, é com relação ao
dinheiro. Muitos afirmam que está na Bíblia que o dinheiro é “a raiz de todos os
males”. Mas isto não está na Bíblia. O que está escrito na Bíblia é que o amor ao
dinheiro é a raiz de todos os males (1ª Timóteo 6.10; Hebreus 13.5). Não é o
dinheiro em si que é mau, mas o amor a ele. Por outro lado, a Bíblia ensina que o
dinheiro protege assim como a sabedoria protege (Eclesiastes 7.12). Um outro
exemplo claro de má interpretação da Bíblia é com relação àqueles que defendem a
doutrina da reencarnação. Dizem eles que Jesus ensinou a reencarnação em João 3.3
ao dizer que o homem “precisa nascer de novo”. O contexto geral deste texto de

33
João capítulo 3 nos mostra que nascer de novo não é reencarnação, pois no versículo
6 está escrito: “O que é nascido da carne, é carne: e o que é nascido do Espírito, é
espírito.” Todos nascem da carne, mas o segundo nascimento é espiritual gerado
pelo Espírito de Deus quando o homem se converte. E com isto, os
reencarnacionistas deixam para trás também Hebreus 9.27 que diz: “E, assim como
aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo...” Vivemos
e morremos uma só vez nesta terra. Esta é a lei para todos. Assim, vemos que a
Bíblia é uma harmonia, um versículo complementa outro e como um todo ela nos dá
o ensino exato dos desígnios de Deus. Outro exemplo de uma falsa exegese é com
relação àqueles que defendem que Jesus não é Deus. Eles usam o texto em que Jesus
fala que o Pai era maior do que Ele (João 14.28). Só que se esquecem que Jesus foi
feito menor que os anjos durante o tempo em que esteve na terra (Hebreus 2.9). E
mais: se esquecem do texto que diz que Jesus sendo Deus se esvaziou a si mesmo
para vir a terra e morrer pelos homens (Filipenses 2.6,7,8). Esses foram apenas
alguns exemplos de como se extraem doutrinas falsas. Não entraremos com mais
detalhes sobre cada um desses exemplos, mas há bons livros cristãos para estudos
adicionais (Ver tópico Obras Importantes Para Pesquisa). O estudo da Sagrada
Escritura deve ser completo e não apenas com pequenas porções do texto Sagrado.

Desculpas Intelectuais Porque Muitos Recusam-


se Crer na Bíblia?
Muitas pessoas se recusam crer na Bíblia e no Senhor Jesus Cristo e para isto,
usam as mais variadas desculpas. Freqüentemente a rejeição de Cristo e da Bíblia
não se dá tanto em questão de não ter provas a favor. A questão gira mais em torno
da “vontade.” Portanto, não é tanto aquela questão de “não consigo porque não
tenho provas suficientes para crer”, mas de “não quero”. Poucas pessoas possuem
dúvidas e não conseguem crer. A maioria mesmo é por vontade própria, porque não
querem crer. A maioria das pessoas rejeitam Cristo e a Bíblia Sagrada por pelo
menos uma das seguintes razões:
1. Ignorância — Romanos 1:18, 23 (freqüentemente por vontade própria), Mateus
22:29;
2. Orgulho — João 5:40-44;
3. Problema moral — João 3:19,20.
Estas coisas acontecem porque o ser humano é desonesto intelectualmente e
precisa esconder seus pecados. As provas a favor da Bíblia estão a disposição de
todos. Se não vemos a verdade, é porque não vamos atrás dela ou não a queremos. A
Bíblia não é monopólio de nenhuma religião como já vimos. Por isso, não há razão
para rejeitá-la e podemos buscá-la com tranqüilidade.

A Bíblia é Única!

34
A Bíblia é única em sua coerência. É um livro diferente de todos os demais. Ela
foi escrita durante um período de 1.500 anos, durante mais de 40 gerações. Foi
escrita por mais de 40 autores, envolvidos em diferentes atividades, tais como:
camponeses, filósofos, reis, poetas, pescadores, estadistas e etc. Pedro foi um
pescador, Amós boiadeiro, Daniel primeiro ministro da Babilônia, Mateus coletor de
impostos, Moisés líder político que estudou nas universidades do Egito e o apóstolo
Paulo, um rabino. Os escritos bíblicos foram escritos em diferentes lugares, tais
como: desertos, palácios, colinas, masmorras e em campanha militar. Em tempos de
guerra e em tempos de paz. Os escritos bíblicos foram escritos sob diferentes
circunstâncias: na alegria e na tristeza. A Bíblia foi escrita em três diferentes
idiomas: hebraico, aramaico e grego (a língua do Novo Testamento). O grego foi o
idioma de uso internacional na época de Cristo. Foi também escrita em três
diferentes continentes: Ásia, África e Europa. Em toda a Bíblia uma única história
vai se revelando: a redenção da humanidade através da obra de Jesus Cristo. De
Gênesis a Apocalipse Deus sempre procura o homem. Em Gênesis vemos o paraíso
perdido pelo homem, e em Apocalipse vemos o paraíso restaurado por Deus. A
Bíblia trata de centenas de temas com harmonia e coerência. A Bíblia é única em
circulação batendo os recordes de tiragem. É o livro publicado em mais línguas. A
Bíblia tem sido traduzida, retraduzida, parafraseada, comentários foram feitos sobre
ela, poemas, hinos e etc.
A Bíblia tem sido o único livro que sobreviveu as mais duras e terríveis
perseguições por parte dos homens. Imperadores, papas, reis, ateus tentaram proibi-
la, torná-la ilegal e queimá-la. Se tem um livro em que foram utilizados todos os
esforços possíveis para sua destruição, este livro é a Bíblia. Também não podemos
nos esquecer que a Bíblia tem sobrevivido a críticas pesadas. Incrédulos e religiosos
têm a atacado e refutado, mas no entanto, ela se mantém firme através da história. A
Bíblia também é única em suas histórias, ensinos, profecias e pessoas descritas.
Exerceu grande influência na literatura e um número interminável de comentários,
livros, devocionários, enciclopédias e muitas obras têm sido inspirados pela Bíblia.
De todos os livros da antigüidade, a Bíblia é o livro que mais possui manuscritos
antigos. São um total de 24.633 manuscritos. Em segundo lugar vem a Ilíada de
Homero com apenas 643 manuscritos. Por isso, a Bíblia foi o livro mais copiado e
recopiado desde a época antes de Cristo. Esses 24.633 manuscritos encontrados em
diferentes lugares e escritos em diferentes épocas, provam que nenhuma parte sequer
da Bíblia foi alterada. Todos esses manuscritos demonstram que a Bíblia chegou até
nós tal como foi escrita. É um número de manuscritos grandiosamente considerável.
Se tivesse alguma alteração na Bíblia através dos tempos, pelo número alto de
manuscritos disponíveis a Bíblia já estaria desacreditada. Desses 24.633
manuscritos, 5.309 são manuscritos gregos. Depois temos as versões da Vulgata
Latina, Etiópico, Eslavônico, Armênio, Versão Siríaca (Peshita), Copta, Árabe,
Versão Velha Latina, Anglo-Saxônico, Sogdiano, Siríaco Antigo, Medo-Persa e
Frâncico.
Não podemos nos esquecer que a partir do começo do segundo século depois de
Cristo, temos os escritos dos primeiros cristãos. Desses cristãos primitivos
destacamos: Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes, Tertuliano, Hipólito e
Eusébio. As referências que eles fizeram da Bíblia em seus livros são um total de

35
36.289 citações. Se todos os manuscritos da Bíblia fossem destruídos, só com as
citações dos primeiros cristãos seria possível reconstruí-la inteira. Se rejeitarmos a
Bíblia alegando não poder confiar nela, somos obrigados rejeitar quase toda a
literatura da antigüidade. Portanto, para quem busca a verdade sobre religião, deve
considerar um livro como a Bíblia que possui as credenciais descritas até agora.
(Esses dados sobre a Bíblia extraídos podem ser melhor pesquisados no livro
Evidência Que Exige Um Veredito de Josh McDowell páginas 20 a 29 e 50 . Ver
referências sobre este livro no tópico Obras Importantes Para Pesquisa).

O Cristianismo Não é Uma Fé Cega! O


Benefício da Dúvida
Para crer no cristianismo é uma questão de fé. Mas, esta não é uma fé cega como
em muitas religiões. A fé bíblica tem suportes, alicerces, profecias cumpridas,
provas arqueológicas e históricas. Basta procurar em livrarias seculares e cristãs por
livros que revelam estas coisas. A Bíblia fala de homens reais, que foram profetas e
servos de Deus, que viveram no tempo e no espaço, com seus defeitos e falhas.
Todos eles eram sujeitos a sentimentos e em nada diferentes de nós (Tiago 5.17).
Todos eles morreram, choraram, sentiram fraquezas, alguns adulteraram com a
mulher do próximo e outros duvidaram de Deus (Deuteronômio 32.50,51). Compare
o que a Bíblia diz sobre seus personagens com o que é escrito hoje em dia nas
biografias. Sobre isto, “Lewis S. Chafer, que fundou e dirigiu o Seminário Teológico
de Dallas, nos Estados Unidos, assim se expressa a respeito: “A Bíblia não é o tipo
do livro que um homem escreveria caso pudesse, nem que poderia escrever, caso
quisesse. A Bíblia trata com muita franqueza a respeito dos pecados de suas
personagens. Leia as biografias escritas hoje em dia e repare como elas tentam
esconder, deixar de lado ou ignorar o lado pouco recomendável das pessoas. Veja
os maiores gênios da literatura: em sua maioria são descritos como santos. A Bíblia
não procede dessa maneira. Ela simplesmente conta a verdade. Denunciando os
pecados do povo (Deuteronômio 9.24) e os pecados dos patriarcas (Gênesis 12.11-
13; 49.5-7) os evangelistas descrevem suas próprias faltas e as dos apóstolos
(Mateus 8.10-26; 26.31-56; Marcos 6.52; 8.18; Lucas 8.24, 25; 9.40-45; João 10.6;
16.32) e a desordem nas igrejas (1ª Coríntios 1.11;15.12; 2ª Coríntios 2.4; etc.).
Muitos indagarão: “Por que tinham que colocar aquele capítulo sobre Davi e Bate-
Seba?” Bem, a Bíblia tem o costume de contar a verdade.”5
O que a Bíblia fala, é diferente do que é falado dos deuses da Grécia antiga e das
lendas de outros povos. Na Grécia e em outros povos haviam muitas lendas
fantasiosas de deuses e personagens fictícios. A Bíblia não é um livro de lendas
fantasiosas, mas é um livro que fala de fatos comprovados por testemunhas oculares.
Sobre isto o apóstolo Pedro falou em uma de suas cartas: “Porque não vos demos a
conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas
engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua
majestade...” (2ª Pedro 1.16). O apóstolo João também fala em seus escritos sobre o
testemunho histórico acerca de Jesus Cristo (João 21.24 ;1ª João 1.1,2 e 3). Muitas
outras partes da Bíblia não citadas aqui também dão testemunho a respeito da

36
historicidade dos acontecimentos bíblicos. Todos os fatos foram testemunhados por
testemunhas oculares. Portanto, não há motivos para dizer que o cristianismo seja
uma fé cega. Diria um ateu, que não aceita provas de testemunhas. Ora, dizendo isto,
caso fosse ele coerente, deveria pedir o fechamento de todos os tribunais do mundo.
Ele também não poderia saber nem onde e quando nasceu, pois a única prova que se
tem do local de nascimento é o testemunho de nossos pais. Nem poderia ele
acreditar na História, cujas provas são, freqüentemente, testemunhais. Sir Frederic
Kenyon, foi um estudioso e administrador britânico, foi depositário-assistente de
manuscritos do Museu Britânico (1898-1909). Tornou-se diretor do museu, cargo
que ocupou até 1930. Ao falar sobre a credibilidade da Bíblia, ele disse a respeito do
testemunho do Velho Testamento: “...as provas arqueológicas têm restabelecido a
autoridade do Antigo Testamento e, mais, têm aumentado o seu valor ao torná-lo
mais inteligível através de um conhecimento mais completo de seu contexto e
ambiente. A arqueologia ainda não se pronunciou definitivamente a respeito, mas
os resultados já alcançados confirmam aquilo que a fé sugere, que a Bíblia só tem a
ganhar com o aprofundar do conhecimento.”6
Talvez, muitos achem fantasioso o fato de Eva ter sido feita a partir da costela de
Adão conforme o relato de Gênesis 2.21,22. Mas, o que há de fantasioso nisso?
Seria o mesmo que um médico de nosso tempo pudesse viajar no tempo, e fosse a
pelo menos cinco mil anos atrás, e pudesse dizer ao povo daquela época que é
possível tirar o coração de um morto e transplantá-lo em uma outra pessoa. O povo
daquela época não iria duvidar também? Segundo o relato de Gênesis 2.21,22, Deus
fez cair “pesado sono” sobre o homem para que pudesse através de uma “operação”
tirar uma de suas costelas e criar Eva. E o que os médicos de hoje fazem não é algo
semelhante? Não usam anestesia para que o paciente possa dormir profundamente e
assim fazem verdadeiros milagres através de uma operação? E o que dizer do fato de
Jesus ter nascido de uma virgem? Muitos acham esta história bíblica um absurdo.
Mas, pare para pensar no que a ciência é capaz de fazer com embriões, inseminação
artificial e células troncos. Se o homem com sua mente finita chegou a grandes
descobertas, porque o Pai de toda ciência com sua mente infinita não poderia nascer
de uma virgem para habitar entre nós? Quanto mais a ciência avança, mais somos
indesculpáveis se trilharmos o caminho da incredulidade. O homem de hoje está
vendo tantas transformações e tantos avanços científicos que se eles fossem
relatados para quem viveu a pelo menos cem anos atrás, as pessoas duvidariam e
zombariam. Portanto, não há motivo para se duvidar daquilo que é obra feita por
Deus. O problema não está se os relatos bíblicos são possíveis ou não. O problema
está em quem duvida cega e obstinadamente sem fazer uma análise honesta dos
fatos. Por outro lado a Bíblia também fala do que é transcendental, daquilo que é
espiritual, fala da existência dos demônios e dos anjos, fala da intervenção
sobrenatural de Deus entre os homens. A dúvida é também um benefício. Tomé teve
dúvidas com relação a ressurreição de Jesus (João 20.25). Mas, o fato é que Tomé
embora com dúvidas, quis ver o Senhor ressurreto, quis saber a verdade dos fatos.
Desde que a dúvida não seja desonesta e vingativa, podemos ter dúvidas e expressá-
las diante de todos. Tomé é o exemplo do crente autentico que não escondia suas
dúvidas. Ele procurou saber a verdade dos fatos. Se o leitor tem dificuldade de
acreditar em Deus, de acreditar na existência dos anjos e tantas outras coisas que a

37
Bíblia diz, deve expressar essas dúvidas e procurar auxílio. Não fique com elas, mas
procure orientação na Bíblia através da oração. O Senhor Jesus mandou examinar às
Escrituras e prometeu que aquele que realmente for sincero saberá da verdade dos
fatos (João 5.39; 7:17).

____________________________________________

BIBLIOGRAFIA

1. Strong´s Exhaustive Concordance of the Bible - (Extraído do livro Evidência Que


Exige Um Veredito – volume 2, pg. 25 – Editora Candeia).

2. Evidência Que Exige Um Veredito – volume 2, pg. 26 – Editora Candeia.

3. Evidência Que Exige Um Veredito – volume 2, pg. 26 – Editora Candeia.

4. Bíblia Vida Nova – 17ª edição 1993 – pg. 152 (do Novo Testamento), ver
comentário de Atos 8.31 (no rodapé).

5. Evidência Que Exige Um Veredito – volume 1, pg. 29 – Editora Candeia (citação


sobre Lewis S. Chafer).

6. Kenyon, Frederic G. The Bible and Archaeology (A Bíblia e a Arqueologia). Nova


Iorque: Harper & Row, 1940.

Capítulo 3
A Verdadeira Religião

Religião vem do latim e significa “religar”. No caso a religião tenta religar o


homem com Deus, pois o homem está desligado de Deus devido à queda no pecado.
Somente a verdadeira religião pode fazer isto! Quando se fala em religião, cada um
dá suas explicações e conceitos sobre Deus. Encontramos diariamente mais e mais
grupos dizendo-se detentores da verdade de Deus, com muitos seguidores, pessoas
sinceras que guardam doutrinas, ensinamentos, costumes e regras. Essas pessoas não
questionam a origem de suas religiões e a idoneidade de seus fundadores e líderes.
Acreditam cegamente em suas lideranças. E qual seria a verdadeira religião que
poderia restaurar o ser humano de tal maneira, que ele viesse a ser uma nova
criatura? Que religião magnífica seria esta? Qual seria este abençoado Único e

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Verdadeiro Caminho da Salvação? A resposta está em João 14:6: “Respondeu-lhe
Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por
mim.” Este sim, é o verdadeiro e único Caminho que pode nos religar com Deus – o
Senhor Jesus Cristo! Com esta declaração caem por terra toda e qualquer placa de
religião ou denominação religiosa. Se eu estivesse aqui defendendo que a religião
verdadeira seria esta ou aquela denominação religiosa, o leitor com toda razão
poderia suspeitar de minhas declarações. Mas, estou dizendo que é o Senhor Jesus
Cristo, o verdadeiro Caminho que pode salvar o homem. Ele é o Caminho por onde
devemos andar, a Verdade que devemos seguir e a Vida que devemos viver. Por
isso, que o apóstolo Paulo escreveu: “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive
em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que
me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2.20). A Bíblia inteira deixa
claro que o Caminho Verdadeiro é o Senhor Jesus Cristo. Nenhuma religião pode ou
poderá salvar o homem, pois a religião escraviza. Certa vez alguém disse: “Religião
é sistema político regido por homens que manipulam homens”. O Senhor Jesus
Cristo é o único que não decepciona. Seus ensinamentos atravessaram os tempos e
continuam sendo atuais. Ele é o mesmo ontem, hoje e será eternamente (Hebreus
13.8). As religiões mudam e se contradizem em seus ensinamentos. Se observarmos
a trajetória de muitas religiões, veremos o quão ela foi sanguinária e imoral diante de
Deus. Muitas pessoas foram e continuam sendo escravizadas pela religião. Diante
disto, nenhuma religião no mundo pode dizer que é capaz de dar paz interior e salvar
quem quer que seja. Ter um relacionamento pessoal com Cristo como seu Salvador,
é andar pelo Verdadeiro Caminho. É estar ligado diretamente com Deus sem
necessidades de intermediários. Por isso, creia em Cristo e tenha paz interior.

Quem é Jesus Cristo?


A falsas doutrinas abrangem todos os aspectos da doutrina cristã, “mas nenhuma
doutrina tornou-se tão controvertida e alvo de tantos ataques quanto a
cristológica”, segundo o livro do escritor Esequias Soares da Silva. 1 Uma vez que
vimos no tópico anterior que o verdadeiro Caminho é Jesus Cristo, o Único que
pode Salvar o ser humano, devemos estar atentos, pois o apóstolo Paulo advertiu que
há outro Jesus e outro evangelho que não devemos crer (2ª Coríntios 11.4). O Jesus
verdadeiro é o da Bíblia! Os religiosos afirmam que Jesus foi apenas um grande
mestre, outros dizem um grande pensador e outros afirmam ser Ele apenas uma
criatura de Deus Pai. Este Jesus da religião não pode salvar! O próprio Senhor Jesus
afirmou que ter conhecimento a respeito do Verdadeiro Deus e de seu Filho é uma
questão de vida ou morte eterna (João 17.3). Certa vez Jesus perguntou: “Quem
dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mateus 16.13). Ninguém acertou a
resposta: “Uns João Batista, outro Elias, e outros Jeremias ou um dos profetas”
(Mateus 16.14). Somente Pedro acertou, mas Jesus esclareceu que isso só foi
possível em virtude da revelação de Deus, e isso mostra que ninguém pode conhecer
a Jesus se não for pelo Espírito Santo. “...e ninguém pode dizer que Jesus é o
Senhor, senão pelo Espírito Santo” (1ª Coríntios 12.3). Foi em torno da doutrina que

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estuda a Pessoa e a natureza de Jesus Cristo (cristologia), que muitos falsos mestres
manifestaram suas falsas doutrinas. O Senhor Jesus é o centro das Escrituras, Ele era
esperado pelo povo de Israel, pois Deus havia prometido sua vinda para redimir a
humanidade (Lucas 24.44-47). Ele é a alegria dos homens, o Desejado de todas as
nações, a nossa glória e esperança (Ageu 2.7). A Bíblia afirma claramente que Jesus
é o eterno e verdadeiro Deus e ao mesmo tempo homem. Ele tornou-se homem para
suprir a necessidade da humanidade. Assim, como o pecado entrou por um só
homem (Adão) e a morte e o juízo se espalhou a todos, assim também através de
outro homem, Jesus, veio a graça, a vida e a justificação (Romanos 5.12,18, 19).
Quando esteve na terra, Jesus foi um homem, pois:

1. Nasceu de uma mulher, gerado pela ação sobrenatural do Espírito Santo.


Seu nascimento, o parto, foi normal e comum como o de qualquer ser
humano (Lucas 2.6-7).

2. Cresceu em estatura e sabedoria (Lucas 2.52).

3. Ele sentiu sono, fome, sede e cansaço (Mateus 8.24; João 19.28; 4.6).

4. Sofreu, chorou e sentiu angústia (Hebreus 13.12; Lucas 19.41; Mateus


26.37).

5. Teve irmãos e irmãs e mãe humana (Mateus 12.47; 13.55-56).

6. Morreu, assim como os homens morrem, passou pelo ardor da morte e


ressuscitou ao terceiro dia (1ª Coríntios 15.3-4).

7. Deu provas materiais de possuir corpo humano (1ª João 1.1; Lucas 24.39-
41).

8. Em tudo foi semelhante aos homens, mas sem pecado (Hebreus 2.17;
4.15).

Jesus é Deus!
A Bíblia ensina explicita e implicitamente que Jesus Cristo é Deus. Isto podemos
notar ao ler às referências sobre o Senhor Jesus no Velho e Novo Testamentos. O
Senhor Jesus seguramente não se encaixa dentro do molde de outros líderes
religiosos. Nenhum dos grandes líderes religiosos, como Moisés, o apóstolo Paulo,
Buda, Maomé, Confúcio, e outros, alguma vez afirmaram que eram Deus. O Senhor
Jesus Cristo é o único líder religioso que declarou que era Deus e o único indivíduo
que convenceu uma grande parte do mundo dessa realidade. Ao analisar seus
ensinamentos nos evangelhos, podemos ver que seus ensinamentos foram finais,
absolutos (acima de qualquer outro profeta). Jamais o Senhor reconsiderou ou
revisou algo que disse, jamais se retratou e jamais mudou. Jamais usou a palavra

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‘acho’, ou declarou alguma coisa com dose de incerteza. Essas coisas são totalmente
contrárias aos mestres e ensinos humanos. Ele viveu como filho de um simples
carpinteiro. Viveu no meio da serragem da oficina de seu pai, mas era na realidade o
Deus encarnado! Abaixo veremos análises detalhadas de vários textos da Bíblia que
afirmam que Jesus Cristo é Deus.

O Que Significa Jesus Ser o 'Filho de Deus'?


Os judeus se diziam ‘filhos de Deus’ confome lemos em João 8.41: “Vós fazeis
as obras de vosso pai. Disseram-lhe eles: Nós não somos bastardos; temos um pai
que é Deus.” Esta era a crença de todo o judeu. Mas, quando o Senhor Jesus Cristo
se dizia ‘Filho de Deus’, o significado era outro. Isto os judeus entendiam muito
bem e nunca tiveram dúvida desse significado. Em Marcos 14:61-64 lemos: “Ele,
porém, guardou silêncio, e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo
sacerdote, e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? Jesus respondeu:
Eu sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-poderoso vindo com
as nuvens do céu. Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: Que mais
necessidade temos de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos
o julgaram réu de morte”. Com relação a este julgamento de Jesus relatado no
evangelho de Marcos, podemos notar que a única acusação feita contra Jesus perante
o Sinédrio foi a de blasfêmia. A blasfêmia era de que Jesus se fazia Deus a si
mesmo. Essa blasfêmia foi o de reconhecer que Ele era o Messias, o Filho do
homem e o Filho de Deus. Assim, podemos concluir que Jesus foi crucificado por
ser quem Ele realmente era, por ser o Filho de Deus. No evangelho de João lemos:
“Por isso pois os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só
quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era o seu próprio Pai, fazendo-
se igual a Deus” (João 5.18). Este é outro texto que revela claramente que o fato de
Jesus ser ‘Filho de Deus’ significa que Ele é o próprio Deus. Os judeus entendiam
isto muito bem e por causa disso queriam matá-lo. Devemos nos lembrar de que os
judeus não eram uma tribo de selvagens ignorantes, mas um povo de elevado nível
cultural e de intensa vida religiosa. Em nenhum momento o Senhor Jesus Cristo
tentou pedir desculpas e corrigir o que disse. O que os judeus entenderam a seu
respeito era de fato verdade. Então, podemos concluir que o fato de Jesus ser
chamado de ‘Filho de Deus’ significa que Ele é Deus. É digno de nota que quando
Jesus se referia a Deus como ‘Pai’, Ele o fazia diferente dos judeus. Os judeus não
se referiam a Deus como “meu Pai” e quando faziam acrescentavam a afirmação
“que está no céu”. Jesus não procede assim. Jesus falava “meu Pai” e não “nosso
Pai”. Significa que sua filiação com Deus Pai era diferente. Significa clara e
incontestavelmente que Ele era Deus.

Jesus se Fazia Igual a Deus


Na passagem de João 10:30-33, o Senhor Jesus disse: “Eu e o Pai somo um.
Novamente os judeus pegaram as pedras para lhe atirar. Disse-lhes Jesus: Tenho-
vos mostrado muitas obras boas da parte do Pai; por qual delas me apedrejais?

41
Responderam- lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e, sim, por
causa da blasfêmia, pois sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”. Quando Jesus
disse que “Eu e o Pai somos um” encontramos no grego do Novo Testamento a
palavra “hen” para dizer “um”. Esta palavra é do gênero neutro, e não masculina
(que seria, então, heis). Isso significa que não são uma só pessoa, mas uma só
essência ou natureza. Significa que Jesus e o Pai, eram duas pessoas distintas e
separadas que ao mesmo tempo formavam um só Deus. Tal declaração de Jesus
desperta uma ira incontrolável por parte dos fariseus. Fica, portanto, bem claro que,
na mente daqueles que ouviram essa afirmação, não havia qualquer dúvida de que
Jesus tivesse dito perante eles que Ele era Deus.

Jesus é o Grande 'Eu Sou' do Antigo Testamento


João 8:58: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: Antes
que Abraão existisse, eu sou.” Ao dizer “Em verdade, em verdade eu vos digo...”,
Jesus estava fazendo um duplo Amém — a fórmula mais incisiva de juramento — o
nosso Senhor reivindica o nome incomunicável do Ser Divino. Os judeus
reconhecem o que Jesus quis dizer e, horrorizados, buscam apedrejá-lo. A expressão
“Eu Sou” designa o absoluto e atemporal. Se analisarmos as passagens do Antigo
Testamento, podemos descobrir o significado de “EU SOU” (Êxodo 3:14,
Deuteronômio 32:29 e Isaías 43:10). “EU SOU” significa Jeová (ou Javé) do Antigo
Testamento, ou seja, é Aquele que é eternamente existente. Se os judeus tivessem se
enganado, com toda certeza o Senhor Jesus teria se defendido. Portanto, o Senhor
Jesus leva sobre si o Nome Divino – Javé.

Jesus Foi Adorado Como Deus


A Bíblia ensina que devemos adorar somente a Deus (João 4:24; Mateus 4:10;
Lucas 4:8), no entanto ela afirma que Jesus foi adorado como Deus. Veja isto ao ler
João 5.23: “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra
o Filho, não honra o Pai que o enviou.” Como o Pai é honrado? Com adoração,
glória e louvores. O Filho Jesus Cristo é honrado da mesma forma (Apocalipse
5.13). A palavra adoração no grego é proskinéo e aparece 15 vezes com referência a
Cristo (Mateus 8.2; 9.18; 15.25; 14.33; 28.9, 17; João 9.38). O Senhor Jesus pediu e
aceitou a adoração devida a Deus, e se Ele não fosse Deus seria errado adorá-lo.
Prostrar-se em atitude de reverência é o maior ato de adoração e culto que se pode
prestar a Deus (João 4:20-22; Atos 8:27), mas Jesus recebeu esta adoração conforme
veremos nas seguintes passagens:

• “E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o...” (Mateus 8:2).

• “O homem que nascera cego, depois de ser curado, “prostra-se aos Seus pés e
O adora” (João 9:35-39).

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• Seus discípulos “o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus”
(Mateus 14:33).

• Tomé o adorou ao chamá-lo de seu Senhor e Deus: “E logo disse a Tomé: Põe
aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no
meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e
Deus meu! Disse-lhe Jesus: Por que me viste, creste: Bem-aventurados os que
não viram, e creram” (João 20:27-29). O Senhor Jesus repreende Tomé por sua
incredulidade, não por sua adoração.

A Bíblia proíbe prostrar-se ante outros deuses. Se Jesus não é Deus, então, as
mulheres são culpadas de idolatria por terem se prostrado diante dEle (Mateus 28.9).
Os que negam a Divindade de Jesus Cristo, usam como referência o antigo hábito
oriental de prostrar-se perante outra pessoa, e assim afirmam que quando algumas
pessoas se prostraram perante Jesus, nada mais estavam fazendo do que praticando
esse antigo hábito oriental. E assim concluem que Jesus não foi adorado. O antigo
hábito oriental de prostrar-se perante outra pessoa em sinal de respeito, podemos ver
ao ler 1º Reis 1.16,23 quando Natã e Bate Saba se prostraram ante Salomão. Só que
séculos mais tarde, nos tempos do Novo Testamento, esse hábito não estava mais em
uso para não se confundir com adoração. Isto veremos nas explicações das seguintes
passagens bíblicas:

• O centurião Cornélio cai aos pés de Pedro e o adora. Pedro reprova-o, dizendo:
“Ergue-te, que eu também sou homem” (Atos 10:25, 26).

• Diante do anjo do Apocalipse, João caiu aos “seus pés para adorá-lo”, e o anjo
lhe falou que era um “conservo” de João, o qual devia adorar “a Deus”
(Apocalipse 19:10 e 22.8,9).

A Bíblia também diz que Jesus foi adorado pelos anjos (Hebreus 1.6). Conforme
vimos neste tópico, o Senhor Jesus realmente foi adorado como Deus. Longe de
dizer que todos lhe prestaram simplesmente homenagem, mas foi de fato adoração
que é devida somente a Deus. Após sua ressurreição e ascensão aos céus, o Senhor
recebeu novamente sua Glória e Majestade e é adorado nos céus conforme vemos a
seguir: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está
acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na
terra e debaixo da terra.” (Filipenses 2.9,11).

A Bíblia Afirma que só Deus Pode Salvar o


Homem, e Cristo é o Salvador!
Em Isaías 43.11 há a seguinte declaração feita por Deus: “Eu, eu sou o Senhor, e
fora de mim não há salvador.” Conforme esta declaração feita por Deus, podemos
concluir que em todo o Universo, o Único que é capaz de salvar o ser humano é

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Deus. Mais ninguém tem esta capacidade, nem anjos e nem qualquer outra criatura
tem essa capacidade. No entanto, no texto de Lucas 2.11 (ao falar sobre o
nascimento de Jesus Cristo), encontramos a seguinte declaração: “...é que hoje vos
nasceu na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” Se Jesus não fosse
Deus, teríamos dois salvadores. Uma vez que sabemos que só Deus pode salvar o
homem, e que Cristo é o Salvador, então fica mais uma vez provado pela Bíblia que
Jesus Cristo é Deus.

Cristo é Eterno, Onisciente,


Onipotente e Onipresente
1. Jesus é Eterno

A Bíblia ensina que só Deus é eterno, ou seja, Deus nunca teve princípio de dias
e não terá fim de existência. No entanto, a Bíblia afirma que Jesus é eterno. Em
Isaías 9.6 podemos ver claramente que Jesus é chamado de “Pai da Eternidade” ou
“Pai Eterno” conforme algumas traduções. No livro do profeta Miquéias capítulo 5 e
versículo 2 lemos uma profecia a respeito do Messias, o Senhor Jesus. Nesta
profecia é dito a respeito de Suas origens. No final do versículo 2 há a declaração de
que a origem do Messias é “desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.”
Quem é desde os dias da eternidade senão Deus? E Jesus desde sempre é o
verdadeiro Deus!

2. Jesus é Onisciente

A Bíblia ensina que só Deus é onisciente. Só Ele sabe infinitamente de todas as


coisas e só Ele conhece o coração humano. No livro de 1º Reis 8.39, podemos ler
que só Deus conhece o coração humano, veja: “...porque tu, só tu, és conhecedor do
coração de todos os filhos dos homens.” Este mesmo atributo da Divindade é
atribuído a Cristo: “...mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os
conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito
da natureza humana” (João 2.24,25). Os próprios discípulos reconheceram que
Jesus “sabe todas as coisas” (João 16.30 e 21.17). No mesmo evangelho de João
encontramos Jesus revelando algo a respeito de Natanael. O Senhor disse que
Natanael era “um verdadeiro israelita em quem não há dolo!” (João 1.47,48). Com
isto Natanael ficou maravilhado (João 1.49,50). Em outra ocasião Jesus mandou
Pedro pescar um peixe, pois sabia que dentro do peixe havia dinheiro suficiente para
pagar o chamado imposto das duas dracmas (Mateus 17.26,27). Por fim, em
Colossenses 2.2,3 está escrito que em Cristo estão oculto “todos os tesouros da
sabedoria e do conhecimento.” Quem possui todos os tesouros da sabedoria e do
conhecimento senão Deus? E Jesus Cristo possui esses tesouros!

3. Jesus é Onipotente

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A Bíblia afirma que só Deus é o Todo-Poderoso, no entanto, afirma também que
Jesus é Todo-Poderoso, veja: “Para que os seus corações sejam consolados e
estejam unidos em caridade, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para
conhecimento do mistério de Deus - Cristo” “Porque nele habita corporalmente
toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2.2,9). Cristo é o mistério de Deus, e o
fato de habitar corporalmente nEle toda a plenitude da Divindade mostra que Ele é o
Todo-Poderoso. Em outro texto, Jesus fala que “toda a autoridade” foi lhe dada no
céu e na terra (Mateus 28.18). Quem tem toda a autoridade no céu e na terra senão
Deus? Logo, esta é mais uma prova de que Jesus é Deus! Em Efésios 1.20,21,22 está
escrito que Jesus está acima de todas as coisas existentes no Universo. Somente
quem possa se chamar Deus é que tem essa autoridade. Em Apocalipse 1.7-8 está
escrito: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que
traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém. Eu
sou o Alfa e o Ômega, o principio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há
de vir, o Todo-Poderoso.” Quem virá com as nuvens segundo a Bíblia? É claro
que é o Senhor Jesus Cristo. Logo em seguida no versículo 8 há a declaração: “Eu
sou o Alfa e o Ômega, o principio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há
de vir, o Todo-Poderoso.” Se esta frase não se refere a Jesus, temos aqui uma
mudança brusca no sujeito da frase. Na verdade isto não ocorre neste texto, e
portanto, fica evidente mais uma vez que Jesus é o Deus Todo-Poderoso.

4. Jesus é Onipresente

A Bíblia afirma claramente que só Deus é onipresente (Salmo 139.7,8, 9, 10). Ele
está em todos os pontos do Universo ao mesmo tempo. Este mesmo atributo
exclusivo da divindade é atribuído a Cristo. Veja isto ao ler a promessa de Jesus aos
seus discípulos após a ressurreição: “E eis que estou convosco todos os dias até à
consumação do século (Mateus 28.20). Somente alguém onipresente poderá estar
com todos os seus discípulos todos os dias. E isto Jesus faz nos dias de hoje estando
com nós através de sua presença. Em outra ocasião Jesus disse: “Porque onde
estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus
18.20). Quantos milhões de pessoas estão neste momento reunidos em Nome de
Jesus ao redor do mundo. E Jesus prometeu que estaria com eles. Fica mais uma vez
claro e evidente que Jesus é Deus.

Outros Textos Bíblicos Que Provam


a Divindade de Cristo
Vamos ver mais textos bíblicos que provam claramente que Jesus é Deus, e
abaixo de cada texto há um comentário breve:

“Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chama-lo-ão pelo nome de
EMANUEL, que traduzido é: DEUS CONOSCO” (Mateus 1.23 comp. Isaías 7.14).

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Temos aqui a prova de que Jesus é Deus. Ele é o Deus que como homem habitou
entre nós. É o Deus conosco. Se assim não fosse, seria errado adorá-lo como muitos
fizeram. Então, servir a Cristo seria o mesmo que servir outros deuses. O fato é que
Jesus é Deus e deve ser adorado.

“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e,
sendo rei, reinará e prosperará, e praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus
dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro: e este será o seu nome, com que o
nomearão: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA (JAVE TSIDKENU em hebraico —
Jeremias 23.5-6).
Esta profecia do Antigo Testamento revela que Jesus é Deus, pois Ele leva o
Nome Divino sobre si – Javé Tsidkenu.

“E fugireis pelo vale dos meus montes (porque o vale dos montes chegará até Asel),
e fugireis assim como fugistes do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá: então
virá o Senhor meu Deus, e todos os santos contigo, ó Senhor” (Zacarias 14.5).
Nesta outra profecia sobre a Segunda Vinda de Jesus sobre a Terra, é dito que Ele
é o Senhor Deus que virá com todos os seus santos.

“No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele
estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada
do que foi feito se fez” (João 1.1-3).
Este texto de João revela a pré-existência de Cristo, revela também que Ele
estava com o Pai e o Espírito Santo (mostrando a distinção das Pessoas da Trindade)
e por fim revela que Ele também é Deus.

“Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos,
Deus bendito eternamente. Amém” (Romanos 9.5).
Este reconhecimento por parte do apóstolo Paulo prova a Divindade de Cristo.
Ele é chamado aqui de Deus bendito.

“Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando
os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2ª Coríntios 5.19).
Quando Jesus estava reconciliando o mundo consigo, Deus estava nEle. Isto é um
claro sinal de Sua Divindade e união com o Pai.

“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus”
(Filipenses 2.6).
Este texto de Filipenses mostra claramente que Jesus na sua pré-existência era
Deus, e se esvaziou de Sua glória para salvar o homem.
“E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Deus e Pai, que nos amou, e em
graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança” (2ª Tessalonicenses 2.16).
“Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória de nosso grande
Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tito 2.13 - Versão Atualizada).
Estes dois textos do apóstolo Paulo mostra que Jesus é o grande Deus, Pai e
Salvador. Não há como negar a Divindade dEle.

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“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé
igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (2ª Pedro
1.1). “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para
conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu
Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5.20).
“Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo
juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a
Deus, único Dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” (Judas 4). Finalmente, com
todas as provas vistas até agora, podemos crer que realmente Jesus Cristo é Deus!
Quem assim não crer morrerá em seus pecados (João 8.24). Quem lê o Novo
Testamento é incapaz de não perceber que Cristo reivindica ser mais do que um
homem. Para um complemento maior sobre a Divindade de Cristo, temos no final
deste livro o tópico Obras Importantes Para Pesquisa recomendações de livros
cristãos e comentários sobre os mesmos.

Objeções Feitas Contra a Divindade de Cristo


Até agora vimos provas incontestáveis acerca da Divindade de Cristo. Mas,
existem algumas objeções feitas para dizer que Jesus não é Deus. São
textos bíblicos interpretados fora de contexto com idéias pré-concebidas.
Vamos analisar agora cada deles:

• Jesus não é Deus porque Ele não sabe o dia e a hora de Sua Segunda Vinda
conforme Mateus 24.36 que diz: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém
sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai.”
RESPOSTA: Jesus não sabia o dia e a hora de sua Segunda Vinda por causa de sua
natureza humana. Em Filipenses 2.5 a 8 está escrito: “Tende em vós o mesmo
sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de
Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou,
assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e,
reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou , tornando-se obediente até
à morte, e morte de cruz.” Segundo o texto, o Senhor Jesus antes de vir ao mundo
existia em forma de Deus, ou seja, Ele era Deus. Por amor aos homens, Ele veio ao
mundo e para isto se esvaziou, ocultou toda sua glória e veio como um simples
homem, veio como um servo para morrer na cruz. A passagem de Jesus na terra é
um grande mistério. Como homem Ele estava limitado pelo tempo e espaço. Por

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isso, não podia saber o dia e hora de sua Segunda Vinda devido a sua natureza
humana. Após sua ressurreição Ele recebeu de volta toda a sua glória e hoje Ele sabe
quando virá novamente (Filipenses 2.9,10).

• Jesus não é Deus porque Ele chamou o Pai de seu Deus. Assim, Ele acreditava
que havia um Deus acima de si conforme João 20.17: “Subo para meu Pai e
vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.”
RESPOSTA: Da mesma forma que Jesus chama o Pai de Deus, o Pai também
reconhece que o Filho é Deus conforme podemos ler em Hebreus 1.8: “Ainda,
quanto aos anjos, diz: Aquele que a seus anjos faz ventos, e a seus ministros,
labareda de fogo; mas, acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o
sempre...” Aqui vemos uma comparação do que Deus diz a respeito de seus anjos e
a respeito de seu Filho: “O teu trono, ó Deus.” É um claro reconhecimento por parte
do Pai a respeito da Divindade de Cristo. Por isso, Jesus também reconhece que o
Pai é Deus assim como o Pai reconhece que o Filho é Deus. Ambos também
reconhecem que o Espírito Santo é Deus (Atos 5.3-4; 7.51 compare com Salmos
78.18, 19). Este é o claro ensino da Trindade ensinado em toda a Bíblia. Neste livro
não entraremos em detalhes sobre este assunto, mas há excelentes livros para quem
deseja saber sobre a Trindade com mais profundidade.

• Jesus não é Deus porque a Bíblia o chama de “primogênito da criação de


Deus” (Colossenses 1.15), significando que ele foi a primeira criação de Deus
antes dos anjos.
RESPOSTA: A palavra “primogênito” no grego é “prototokos”, e significa
“preeminência ou o primeiro numa série”. Se o apóstolo Paulo em Colossenses 1.15
quisesse dizer que Jesus seria a primeira criação de Deus Pai, ele teria usado outra
palavra grega, no caso, “protoctisis” que significa “primeira criatura”. O fato de
Jesus ser o primogênito da criação de Deus, significa que ele é o alvo da criação e
que por meio dEle tudo o mais veio a existir. Deus também chamou Israel de seu
“primogênito” (Êxodo 4.22). Todavia sabemos que Israel não foi a primeira nação
da terra. Antes, já havia os sumérios, os acádios, os amorreus, os egípcios e outros
povos. A palavra primogênito no grego como já vimos traz consigo esses dois
significados: o primeiro numa série, e o preeminente, o que tem primazia e domínio.
Portanto, não há base teológica para dizer que Jesus foi a primeira criação de Deus
Pai.

Qual é a Verdadeira Igreja?


A palavra “igreja” no grego é ’ε κ κ λ η σ ι α (ekklesia). Vem de ek, uma
preposição grega que significa “de” “dentre”, “de dentro de”, e klesia vem de
κλη σ ι ς (klesis) que significa “chamada, convocação”; portanto a palavra
ekklesia significa por si “os chamados para fora”. A igreja de Cristo não é apenas
um ajuntamento de pessoas, mas um grupo de pessoas chamadas por Cristo para
servi-lo e deixarem o mundo. A palavra igreja está mais ligada a pessoas do que a
uma organização religiosa ou a uma simples construção. Essa é a verdadeira igreja
que Cristo virá buscar por ocasião de sua Segunda Vinda – às pessoas que o amam e

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o servem. Ele não virá buscar placas de igrejas e denominações religiosas.
Chamamos esta igreja que são as pessoas que servem a Cristo, de igreja invisível da
qual os apóstolos e profetas também fazem parte. É a universal assembléia dos
santos, dos primogênitos arrolados nos céus (Hebreus12.22,23). O corpo físico dos
que são de Cristo é chamado de templo do Espírito Santo (1ª Coríntios 3.16). Talvez
o leitor pergunte: “Se os que são de Cristo são a sua igreja verdadeira, então, não
devemos ter uma igreja para freqüentar?” Como já vimos que a igreja verdadeira
são os que são de Cristo, sendo assim a chamada igreja invisível, pois só Deus sabe
quem lhe pertence ou não, a igreja como denominação religiosa ou ajuntamento de
pessoas seria a igreja visível. Freqüentar ou fazer parte como membro de uma igreja
ou denominação religiosa não faz de ninguém um salvo em Cristo e nem a igreja é o
caminho da verdade. A igreja apenas pode ensinar o caminho da verdade, mas não
salva ninguém. E é nesta igreja visível organizada pelos homens que pode morar o
problema. Existe a igreja que realmente ensina a Palavra de Deus, e existe aquela
que não tem respeito nem por Deus e nem por sua Palavra. Este é o intuito principal
deste livro, também ensinar como identificar uma igreja séria e honesta para que o
leitor possa freqüentar e não ser enganado. É necessário que nos associemos com
uma igreja para freqüentar e se alimentar da Palavra ensinada, pois isto é fruto do
novo nascimento realizado pelo Espírito Santo. Em Hebreus 10.25 vemos esta
verdade: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes,
façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.” A igreja
dos hebreus estava com um grave problema, pois alguns estavam deixando de
congregar. A Bíblia ensina a necessidade de congregar. Isto vemos no Salmo 133.1
que está escrito: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” O
próprio Senhor Jesus ensinou a respeito da existência da igreja visível: “Se teu
irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu
irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que,
pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele
não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o
como gentio e publicano” (Mateus 18.15, 16 e 17). No mesmo texto mais a frente no
versículo 20 o Senhor diz: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu
nome, ali estou no meio deles.” Esta é a reunião da igreja visível, dois ou três
falando o Nome do Senhor. Isto também pode acontecer em qualquer lugar. O
apóstolo João diz em uma de suas epístolas que: “Se, porém, andarmos na luz, como
ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu
Filho, nos purifica de todo pecado” (1ª João 1.7). Manter comunhão uns com os
outros é também freqüentar uma igreja. Em Efésios 4.11 o apóstolo Paulo ensina
que Deus conferiu para sua igreja apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e
mestres. Fica assim provado pela Bíblia que temos que ter um lugar para cultuar a
Deus e receber ensino e que essa igreja possui apóstolos, evangelistas e profetas.
Esta é a maneira visível do povo de Deus se manter na unidade. Muitos se
perguntam: “Para que tantas placas de igrejas? Porque não fazer uma igreja só?”
Na verdade este não é o modelo da Bíblia. As igrejas descritas na Bíblia são umas
diferentes das outras. Não há sequer uma igreja igual a outra nas Escrituras. A igreja
estabelecida na Galácia, a de Tessalônica, a de Éfeso, a de Coríntios são todas
diferentes uma das outras. A única coisa que permanece igual em todas são as

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doutrinas bíblicas fundamentais e a fé em Jesus Cristo. As igrejas da época dos
apóstolos não eram perfeitas como muitos pensam. Muitos atualmente usam
desculpas e dizem que a igreja de hoje tem problemas graves e que há desavenças,
divisões, acepção de pessoas e etc. A igreja da era apostólica também tinha seus
problemas. Leia Atos 15.39 e veja que houve grande desavença entre o apóstolo
Paulo e Barnabé por causa de Marcos e que eles vieram até mesmo se separar. Leia
na íntegra este texto de Atos 15.36 a 39. Em Tiago capítulo 2 e versículo de 1 a 13,
lemos que alguns estavam fazendo acepção de pessoas numa determinada
comunidade cristã. Eles estavam fazendo os pobres ficarem de pé nos cultos e os
ricos e bem vestidos com anéis de ouro tinham um privilégio melhor. O apóstolo
reprova tal procedimento, e portanto fica evidente que não existe igreja humana que
seja perfeita e que também isto não é motivo para deixarmos de freqüentar qualquer
comunidade. Veja o caso de Judas Iscariotes que traiu Jesus. Ele participava do
ministério terreno de Jesus, evangelizava, expulsa demônios, mas a Bíblia o chama
de diabo e ladrão e diz também que Satanás se apossou dele: "Replicou-lhes Jesus:
Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo um de vós é diabo. Referia-se ele
a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era quem estava para traí-lo, sendo um
dos doze” (João 6:70 e 71). “Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele
que o havia de trair disse: Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos
denários e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isto, não porque tivesse cuidado
dos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, subtraía o que nela se
lançava” (João 12:4, 5 e 6). “Entrou então Satanás em Judas, que tinha por
sobrenome Iscariotes, que era um dos doze; e foi ele tratar com os principais
sacerdotes e com os capitães de como lho entregaria” (Lucas 22:3-4). Nem por tudo
isso que Judas fez, podemos desmoralizar o ministério de Jesus. As igrejas de hoje
também refletem os mesmos problemas da época dos apóstolos. Se observarmos
qualquer igreja ou denominação religiosa, veremos que existem as mais variadas
pessoas que freqüentam tais instituições. Existem os bons e os ruins em tais
organizações religiosas. O principal erro que faz com que uma igreja seja
desclassificada, é o erro doutrinário, e não o fato de uma ou outra pessoa estar dando
mau testemunho. Se observarmos, a maioria esmagadora das religiões possuem bons
ensinamentos com relação a vida moral, sexual e etc. Mas, o problema é com relação
as doutrinas destruidoras que negam o Nosso Único e Soberano Senhor. Não adianta
ensinar somente fazer o bem, e negar o Senhor Jesus Cristo. O ser humano precisa
ser salvo e passar pela experiência do novo nascimento para ser justificado diante de
Deus; isto uma religião humana não pode fazer. Muitos estão pregando o
ecumenismo, ou seja, a união de todas às igrejas e religiões em uma só. Concordo
que às religiões possam se unir promovendo a paz e o bem de uma nação, cobrando
às autoridades constituídas. Mas, quando se trata de doutrinas, não pode haver união.
A ligação entre às religiões não é o modo de Deus, pois às falsas doutrinas
contaminam (Mateus 16.6, 12; Gálatas 5.9). Há uma ordem na Bíblia na qual diz que
devemos nos separar e fugir da falsa religião (2ª Timóteo 3.5; 2ª Coríntios 6.14-17;
Apocalipse 18.4). Outra razão porque não pode haver união espiritual entre as
religiões, é o fato de que muitos têm zelo religioso, mas não segundo Deus
(Romanos 10.2,3). Devemos nos lembrar também que os falsos mestres trazem
destruição (2ª Pedro 2.1; Mateus 15.14), e a adoração verdadeira a Deus, exige

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devoção exclusiva (Deuteronômio 6.5, 14, 15). A Bíblia afirma que há uma só fé,
um só Senhor, um só Deus e um só batismo (Efésios 4.4, 5 e 6) e esse Senhor é
Jesus Cristo, o Filho de Deus. O cristianismo possui várias igrejas com nomes
diferentes espalhadas pelo mundo. Essas igrejas pregam o verdadeiro cristianismo
deixado pelo Senhor Jesus. Os cristãos que freqüentam essas igrejas estão unidos
pela fé em Jesus Cristo. Este é o verdadeiro ecumenismo, a união pela fé em Jesus.
Esta união é invisível, e se constitui numa união de pessoas que adoram e servem ao
Senhor. Ela é superior a união visível e terrena. Saiba mais sobre as diferentes
igrejas, leia no Capítulo 4 o tópico: “O Sistema Único e Centralizador Não é
Bíblico.”

Porque Devo Abandonar Minha Religião?


Muitos afirmam: “Nasci nessa religião e vou morrer nela.” Outros dizem: “Não
mudo, já tenho religião! Não preciso de mais nada! Religião, cada tem a sua!”
Estas frases são pronunciadas por diversas pessoas em todo o mundo. São frases que
refletem o partidarismo das pessoas. Devemos nos perguntar antes de sermos
partidaristas de alguma religião: “Minha religião prega a verdade? Vale a pena
segui-la?” É direito de cada um fazer isto. Não podemos fazer imposições e proibir
as pessoas de seguir seus próprios caminhos. A única coisa que podemos fazer é
alertar e instruir com mansidão e amor. Não identificamos aqui o nome de religiões
falsas, porque entendemos que a pessoa por si mesma deve descobrir se o caminho
que ela segue, é certo ou errado. Afinal, vivemos numa democracia! Mas, porque
uma pessoa deveria abandonar sua religião? Qual o critério para tal ato? A própria
Bíblia nos mostra que é essencial sair da religião quando for provado erro. Os
israelitas e outros fizeram isto ao deixar culto anterior (Josué 24.15; 2º Reis 5.17).
Não é porque nossos pais nos passaram um determinado ensinamento religioso, que
significa que esteja certo. A Bíblia diz que nossos pais nos educaram “segundo
melhor lhes parecia” (Hebreus 12.10). Talvez, eles estiveram enganados também. O
engano passa de geração para geração, e a verdade também pode passar de geração
para geração. A responsabilidade é pessoal, e o pai não levará o pecado do filho, e
nem o filho levará o pecado do pai (Ezequiel 18.2, 3, 4, 14, 17). Fazer boas obras em
uma religião falsa, não faz com que sejamos aprovados por Deus, veja: “Nem todo o
que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a
vontade de meu Pai que está no céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor,
Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não
expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi
explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a
iniquidade” (Mateus 7.21, 22, 23). Fazer grandes obras e milagres não é sinal de
favor divino. Podemos estar numa religião iníqua usando o nome de Deus. A Bíblia
diz que o diabo é o “sedutor de todo o mundo” (Apocalipse 12.9), por isso seu
engano está por toda a parte. Baseados nisso, devemos transformar pela renovação
da mente: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela
renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e
perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2). Para experimentar a boa e perfeita

51
vontade de Deus devemos ser renovados. Não podemos ficar com o que é falso e
antiquado. A Babilônia é o símbolo da falsa religião. O próprio Deus advertiu para
que saiamos dela: “Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu,
para não serdes cúmplices em seus pecados, e para não participardes de seus
flagelos...” (Apocalipse 18.4). O apóstolo Paulo também adverte para que testemos
se realmente estamos no caminho da fé: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente
estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em
vós? Se não é que já estais reprovados.” (2ª Coríntios 13.5). Você está na fé? O
caminho que você percorre te dá paz e alegria? Só você poderá responder para si
mesmo.

O Ladrão Que Estava ao Lado de Jesus na Cruz


Não Foi Salvo Porque Praticou Uma Religião
Quando o Senhor Jesus foi crucificado, ao seu lado foi crucificado dois ladrões.
Um deles reconheceu seus pecados e pediu que Jesus se lembrasse dele no seu
Reino. E Jesus lhe prometeu: “hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23.43). Esse
malfeitor aproveitou a oportunidade de estar ao lado de Jesus, e o recebeu como seu
Salvador. Ele não precisou passar por rituais, fazer boas obras, fazer isto ou aquilo.
Ele simplesmente recebeu a Jesus em seu coração. Ele foi um pecador a vida inteira
que foi salvo sem o auxílio de religiões e boas obras. Este é o grande ensinamento
bíblico! O apóstolo Paulo disse em uma de suas cartas: “Porque pela graça sois
salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é Dom de Deus; não de obras, para
que ninguém se glorie” (Efésios 2.8,9). Talvez o leitor pergunte: “E as obras como
ficam?” No mesmo texto Paulo responde: “Pois somos feitura dele, criados em
Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que
andássemos nelas” (Efésios 2.10). Somos salvos pela graça mediante a fé, e as obras
são conseqüência. Deus as preparou para que andássemos nelas. Ninguém poderá se
glorificar diante de Deus e dizer que comprou sua salvação. A salvação é gratuita!
Se você crê que a salvação é pelas obras, então te pergunto: “Quantas obras você
precisa fazer para ser salvo? Qual a sua cota?” Não existem quantidades de obras a
serem feitas. Ninguém é capaz de receber a salvação por meio das obras, pois
salvação dos homens é caríssima (Marcos 8.36,37).

Apologética: Defenda Somente a Fé Cristã


A Bíblia nos manda defender a fé cristã conforme está escrito em Judas 3:
“...exortando-vos a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi
entregue aos santos.” Ninguém deve defender religião alguma. A fé cristã é uma
pérola de grande valor, é exatamente ela que devemos defender. Talvez pergunte:
“Defender do que?” A fé deve ser defendida contra as mentiras da falsa religião,
das falsas teorias científicas, contra praticas que vão contra a Palavra de Deus.
Todos os cristãos devem saber responder aqueles que têm dúvidas com relação a fé
cristã. Isto lemos em 1ª Pedro 3.15: “Santificai a Cristo, como Senhor, em vossos

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corações, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir
razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor.” A
palavra traduzida acima por “responder” neste texto é, no grego, apologia (ou seja:
“defesa”). Essa palavra sugere a idéia de “procedimento ou defesa da conduta”. Em
outras palavras é “uma defesa verbal, uma palavra de defesa daquilo que alguém
fez” “uma palavra da verdade que alguém crê..” Ao defender a palavra de Deus,
estamos praticando a apologética. A apologia não é um pedido de desculpa, ou a
tentativa de atenuar um erro ou de corrigir um prejuízo causado. Podemos fazer
apologia a fé cristã citando argumentos em favor dela, com argumentos verdadeiros
e completos e não como fazem muitos religiosos, que ignorantemente defendem
aquilo que não conhecem bem.

Os Mandamentos de Deus Não São Pesados


Muitas pessoas pensam que os mandamentos de Deus são pesados. Através
desses pensamentos muitos se afastam de Deus achando que serví-lo é algo difícil. A
própria Bíblia afirma o contrário: “Porque este é o amor de Deus que guardemos os
seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos...” (1ª João 5.3).
Mas talvez o leitor poderá perguntar: “A porta que conduz a salvação não é estreita,
apertada? O caminho da perdição não é espaçoso, mais fácil do que o caminho de
Deus?” Realmente, o Senhor Jesus disse que a porta e o caminho da salvação é
estreito, enquanto o caminho ou porta que conduz a perdição é espaçoso (Mateus
7.13,14). A porta ou caminho da salvação não é estreito “porque Deus tivesse falta
de generosidade de querer salvar a todos (2ª Pedro 3.9), mas porque na prática
muito poucas pessoas renunciam ao eu-próprio para procurar a Deus.”2 Essa porta
e caminho estreito é o Senhor Jesus Cristo (João 10.9 e 14.6). Para chegar até Jesus,
reconhecê-lo, e aceitá-lo, é como passar por uma porta estreita para muitos. É difícil
para a maioria das pessoas renunciar o “ego” para ver a verdade. Por isso, que somos
nós mesmos os nossos maiores inimigos na hora de buscar pela verdade. O Senhor
mesmo prometeu que quem passar por Ele, será salvo, sairá e achará pastagem. É
por isto que os mandamentos de Deus não são penosos para aqueles que já aceitaram
a Jesus Cristo. Esses terão vida abundante aqui na terra (João 10.9,10). Como
poderia ser penoso os mandamentos de Deus para aquele que tem prazer na Lei do
Senhor, e é feliz por meditar nela dia e noite: “Bem-aventurado o homem que não
anda no conselho dos ímpios... Antes seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei
medita de dia e de noite” (Salmo 1.1,2). É óbvio que existem momentos de tentação,
momentos que não são fáceis de viver. Nem tudo é mar de rosas. Mas, os que são de
Cristo vencem o pecado e são felizes (Gálatas 5.22, 24; 1ª João 3.6 e 5.4). Talvez
alguém poderá dizer que estou ensinando sobre um caminho muito fácil. Caminho
fácil é aquele que permite tudo! Sabemos da existência do pecado e devemos nos
precaver contra às tentações da carne. Quem tem prazer nas coisas de Deus vive bem
e melhor do que aqueles que estão andando pelo caminho espaçoso. Quem vive
debaixo do legalismo religioso é escravo da religião. Este carrega peso e pensa estar
no caminho certo, quando na verdade não está.

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BIBLIOGRAFIA

1. Como Responder as Testemunhas de Jeová, comentário exegético e


explicativo pg. 30 - Editora Candeia.

Bíblia Vida Nova – 17ª edição - 1993 – pg. 12 (do Novo Testamento), ver
comentário de Mateus 7.13,14 (no rodapé).

Capítulo 4
O Que é Seita e Heresia?
O Procedimento das Seitas

As seitas são exclusivistas, só elas possuem a verdade, somente suas


organizações são o único e verdadeiro caminho para a salvação. Este é o conceito
que às seitas colocam na mente das pessoas. Todas às seitas possuem uma origem
em comum, seus fundadores sempre afirmam possuir revelações especiais ou terem
visões de um ser de luz revelando algo especial. É assim que a maioria das seitas se
originaram. Neste capítulo vamos estudar cada detalhe de como procedem às seitas e
religiões modernas. A palavra grega ‘  (hairesis) é traduzida por

54
“seita” nos seguintes textos bíblicos: Atos 5.17; 15.5; 24.5; 26.5; 28.22; e por
“heresias” em 1ª Coríntios 11.19; Gálatas 5.20; e II Pedro 2.1. O significado da
palavra hairesis é complexo. Primariamente esta palavra significava o ato de
“tomar” (comumente usada para tomar uma cidade). Depois foi usada pelos autores
do grego clássico, e até mesmo na Septuaginta como “escolha” ou “eleição”, no
sentido de uma inclinação ou preferência filosófica ou uma escola de pensamento,
ou o tomar para si mesmo uma escolha. No Novo Testamento o vocábulo hairésis
aparece com o sentido de “partido, espírito sectário”, e nem sempre representa uma
ruptura com o sistema convencional de determinada comunidade. Os saduceus e os
fariseus (Atos 5.17; 15.5; 26.5) formavam seitas e facções dentro do próprio
judaísmo. O apóstolo Paulo ensina para que não haja na igreja divisões (haíresis) e
condena as inovações doutrinárias que venham dividir a igreja (1ª Coríntios 11.19;
Gálatas 5.20). O próprio cristianismo foi também chamado de “seita”, mas do ponto
de vista de pessoas que estavam do lado de fora, por pessoas que se opunham e
ignoravam as verdades do evangelho (Atos 24.5, 14; 28.22). Em 2ª Pedro 2.1
encontramos a primeira referência ao termo “heresia” com o sentido moderno de
erro doutrinário, aplicado aos que abandonaram a fé cristã para seguir grupos
sectaristas. São chamados de hereges os que teimam em seguir seus próprios
pensamentos, contrariando os princípios fundamentais da fé cristã, e a essas pessoas
o apóstolo Paulo recomenda evitá-las (Tito 3.10). Podemos então dizer que seitas
são hoje grupos isolados (muitas vezes radicais) que expõem ensinamentos errados.
A esses ensinamentos contrários a Bíblia chamamos de heresias. Estes movimentos
religiosos são exclusivistas e acreditam possuir o monopólio da salvação. Para os
adeptos destes movimentos somente o seu grupo está certo e somente eles praticam a
vontade de Deus. Em suas mentes só têm a salvação ou só hão de adquiri-la os que
pertencem ao seu grupo. A maioria das seitas não crê na doutrina bíblica da
salvação. Nos dias de Cristo o número das seitas era 28. Na metade do segundo
século do cristianismo esse número se elevou para 128. Em nosso tempo, somente
em uma das grandes cidades do mundo, é possível que chegue ou ultrapasse esse
número.

Lavagem Cerebral
O processo de lavagem cerebral foi muito usado pelos comunistas quando
estavam no apogeu. Mussolini disse que uma mentira repetida 20 vezes torna-se
verdade para aquela pessoa. As seitas são especialistas em formularem argumentos
mentirosos e fazerem com que seus adeptos sejam meros papagaios de tais
argumentos. Poderíamos chamar os adeptos das seitas de “cabeças feitas”. Os líderes
das seitas pensam e raciocinam por seus adeptos. Ao adepto só é permitido aprender,
decorar e obedecer. Nada mais do que isto. Questionar algum ensino? Jamais! Para
isto já existem grandes ameaças desde a exclusão até a ameaça do fogo do inferno.
Podemos considerar os adeptos de seitas como vítimas manipuladas por seus líderes.
Ao ser manipulado por um líder de seita, o adepto perde o senso crítico e passa
acreditar cega e obstinadamente em tudo que seus líderes dizem. No evangelho de
Mateus 23.15 está escrito que os fariseus rodeavam o mar e a terra para fazer um

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prosélito, e, uma vez feito, ele se tornava duas vezes filho do inferno mais do que os
fariseus. E, isto, acontece em nossos dias. Os mestres das seitas correm as casas, a
terra e o mar com suas literaturas e palestras, e quando ganham um discípulo, este
pela lavagem cerebral fica duas pior que o seu mestre.

Crenças, Superstições, Práticas e Doutrinas


Ao julgar e discernir sobre questões da fé, devemos ter em mente também as
crenças, superstições e práticas. É muito comum ver pessoas que deixam a Bíblia
aberta em um determinado Salmo com um copo de água ao lado. O que isto trará de
paz, felicidade e salvação para a pessoa? Ou o que dizer daqueles líderes religiosos
que ao fazerem uma oração mandam as pessoas colocarem um copo de água em
cima do rádio ou televisão, para que a água seja abençoada e assim possam bebê-la.
Isso são crenças e superstições sem fundamento na Palavra de Deus. É necessário
que toda crença e pratica tenha fundamento na Palavra de Deus. E o que dizer do sal
grosso, enxofre, água do rio Jordão, fitinhas azuis ou vermelhas usadas em algumas
denominações religiosas? A tudo isto podemos chamar de “brinquedinhos” que os
líderes religiosos impõe as pessoas. É verdade que em certa ocasião alguns levaram
lenços e aventais de uso pessoal dos enfermos, e assim Deus fazia milagres pelas
mãos de Paulo (Atos 19.11,12). Só que estas coisas não se tornaram mandamentos
para os cristãos em geral e aconteceram isoladamente. No campo das falsas crenças
vemos também a imagem de Deus como um Deus carrancudo que não dá um sorriso
sequer. E contra estas crenças a Bíblia diz que Deus também ri: “Ri-se aquele que
habita nos céus; o Senhor zomba deles.” (Salmos 2.4)
É incrível como as pessoas desenvolvem crenças e superstições por não
conhecerem a Bíblia e por obedecerem a falsos mestres. Repetem, repetem, repetem
tudo o que o seu líder religioso diz como se fosse verdade. E a análise crítica, o
julgamento e discernimento espiritual como fica? Embora, a Bíblia seja o livro mais
vendido do mundo, parece também que é o menos lido. Quem tem intimidade com a
Bíblia e está livre de conceitos de homens, pode entender o que estou dizendo.
Precisamos dar Bíblia ao povo, incentivar seu livre exame e leitura. Certa vez, eu
estava observando um folheto de uma igreja que anunciava uma campanha ou
corrente da família. Neste folheto a pessoa poderia marcar com um “X” qual o
problema que mais lhe afligia. Havia problemas familiares, financeiros, casamento e
etc, todos problemas de ordem material, mas não havia o tópico para a salvação da
alma. Parece que atualmente, a busca pelo que é material, se tornou algo de muito
mais valor do que a busca pela salvação. Certa vez alguém disse que essas correntes
praticadas em igrejas, só servem para acorrentar as pessoas. Concordo plenamente,
pois as pessoas nunca saem instruídas com uma teologia adequada baseada na
Palavra de Deus, quando freqüentam essas chamadas correntes. Mas, o leitor, poderá
dizer que já viu muitas pessoas receberem curas e serem abençoadas por Deus
fazendo correntes de libertação nessas igrejas. Deus pode trazer bênçãos a pessoa
pela fé. Só que precisamos entender que as pessoas não podem ser instruídas a
passar dias e dias nas igrejas atrás das bênçãos materiais. É preciso dar ensino ao
povo, para que este possa entender os desígnios de Deus. Precisamos falar mais a

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respeito da salvação da alma. Deus não é contra ninguém ser rico, morar em uma
mansão e ter saúde a todo instante. Mas, precisamos entender que a vida aqui na
terra não é um mar de rosas, e que o próprio Senhor Jesus disse que passaríamos
também por aflições (João 16.33). O Senhor Jesus disse que precisamos em primeiro
lugar buscar o reino de Deus e a sua justiça, e as demais coisas serão acrescentadas
(Mateus 6.33).

Mal uso de literaturas cristãs (citações fora de


contexto e sem números de páginas)
As seitas são capazes de tudo. Há seitas que usam citações de literaturas de outras
religiões de maneira desonesta para manter suas doutrinas. Este é o caso de uma
determinada seita. Tal seita usou citações de literaturas cristãs (literaturas que
defendem a doutrina da trindade) para dizer que a doutrina da Trindade é falsa.
Nestas citações de literaturas de outras religiões, eles evitam citar número de página,
editora e ano de publicação, para dificultar e embaraçar os que querem confirmar as
citações que na maioria são suspeitas. Tal seita afirma que todas às denominações
cristãs são apóstatas e as rotulam como obras do demônio. Neste caso se utilizaram
das próprias obras desses “apóstatas” para dizer que a Trindade é falsa. Veja duas
citações:
Citação do Novo Dicionário da Bíblia:
“A palavra ‘trindade’ não pode ser encontrada na Bíblia... não encontrou lugar
formal na teologia da igreja senão já no quarto século.”

O Novo Dicionário da Bíblia é das Edições Vida Nova, mas tal seita omitiu o
seguinte na citação:
“A palavra ‘trindade’ não pode ser encontrada na Bíblia e, embora tivesse sido
empregada por Tertuliano, na última década do segundo século de nossa era, não
encontrou lugar formal na teologia da igreja senão já no quarto século.” (ver
verbete “Trindade” nesse dicionário. Grifo nosso). Qual a diferença da primeira
citação com a segunda? A diferença está que a primeira induz a pensar que a palavra
Trindade e a doutrina, apareceram só no quarto século da era cristã. A segunda
citação de maneira completa nos mostra que foi Tertuliano que empregou o uso da
palavra Trindade e, prova assim que a doutrina não foi inventada no Concílio de
Nicéia em 325 d.C. como ensina tal seita.
Um outro exemplo é com relação aos pais pré-nicenos. Os pais eclesiásticos são
lembrados como os que trabalharam e fizeram muito pela igreja dos primeiros sécu-
los do cristianismo. Eles eram principalmente apologistas e filósofos e se destacaram
muito em virtude dessas atividades. O que há, todavia, de comum em todos os pais
da igreja é justamente o fato de crer na doutrina da Trindade. Contudo tem uma seita
que procura provar que os primeiros pais da igreja eram contra a doutrina da
Trindade. Um dos primeiros pais da igreja foi Justino, o Mártir, era filósofo antes de
sua conversão. Ele se destacou por suas duas grandes obras apologéticas em defesa

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da igreja: Diálogo com Trífon uma defesa da igreja perante os judeus; Apologia uma
defesa da igreja perante o imperador romano. Tal seita que nega a Trindade ao citar
Justino usou suas palavras em fragmentos alternados. Dizem que ao falar sobre
Jesus, Justino teria escrito o seguinte:
[Jesus] “não é o mesmo que Deus, que fez todas as coisas”,
[e] “nunca fez nada exceto o que o Criador.., queria que ele fizesse e dissesse”.
Essa determinada seita fez uma citação suspeita e não indicou de maneira
completa a fonte, e ainda mais quando ela omite algumas coisas em reticências. Tal
citação foi feita fora de contexto, pois Justino ensina em muitos lugares, em seus
livros, a Trindade e a Divindade de Jesus. Disse Justino:
“O Pai do Universo tem um Filho, sendo o Primogênito Verbo de Deus, e também
Deus. Ele já havia aparecido na forma de fogo e na semelhança de um anjo a
Moisés e aos outros profetas...” (Primeira Apologia, LXIII)1
“Cristo é chamado ambos Deus e Senhor dos Exércitos” (Diálogo com Trtfo,
XXXVI)2
Ao ler citações em livros tenha cuidado em ver números de páginas, editora, ano
de publicação e até mesmo se puder pesquise a fonte citada.

Contradições nos Ensinamentos


Uma característica comum das grandes religiões é a contradição em seus
ensinamentos. Não vamos citar aqui o nome da religião, mas existe uma religião que
através dos anos sempre se contradiz em seus ensinamentos. Só para citar um
pequeno exemplo, essa determinada religião há muito tempo atrás, ensinou que os
habitantes de Sodoma e Gomorra que foram mortos na destruição mandada por
Deus, jamais iriam ressuscitar. Abaixo colocamos, as publicações de determinada
religião e suas contradições através dos tempos:
3
Os habitantes de Sodoma e Gomorra vão ressuscitar?
NÃO - A Sentinela, 01/06/1988, p. 31.
SIM - Poderá Viver ..., edição de 1983, p. 179, § 9.
NAO - Revelação Seu Grandioso Climax Está Próximo!, p. 273, § 5.
SIM - Insight on the Scriptures (Estudo Perspicaz...), p. 985 (Vol. 2 em inglês).
NÃO - Poderá Viver ..., edição de 1989, p. 179, § 9.
SIM - A Sentinela, 15/09/1965, p. 555.
NÃO - Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, p. 236.

Qual a resposta que os mestres desta religião dão em face das contradições em
seus ensinos? Eles costumam citar Provérbios 4.18 que diz: “Mas a vereda dos
justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”.
Esta resposta é usada como válvula de escape. Qualquer um sabe que o caminho dos
justos vai brilhando até ser dia perfeito é a vida espiritual de cada um. Mudanças

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constantes de doutrinas não são “iluminação progressiva”. E como fica a fé
daqueles que crêem nessas coisas e de repente se deparam com mudanças? Parece
que às pessoas são brinquedos nas mãos dos religiosos?
Outro exemplo de contradição nos ensinamentos é com relação a prática do
espiritismo. Tem uma determinada religião que proíbe o espiritismo, a comunicação
com os mortos, mas na prática não é bem assim. Essa religião incentiva as pessoas a
rezarem para santos falecidos para conseguir graças e respostas dos mesmos. Isto é
uma forma de espiritismo. É uma forma de se comunicar com alguém que já morreu.
É uma espécie de espiritismo camuflado. Como podem proibir o espiritismo se o
praticam? A Bíblia proíbe a comunicação com os mortos em todas as suas formas
(Isaías 8.19; Levítico 19.31). Portanto, devemos estar atentos com relação a religião
que freqüentamos.

Palavras Que Não Estão na Bíblia


Os membros e adeptos das falsas religiões costumam acusar os cristãos, porque
estes usam palavras que não estão na Bíblia. Um exemplo claro disso é com relação
a palavra Trindade. Dizem tais líderes religiosos: “A Trindade não é uma doutrina
bíblica. Trindade não está na Bíblia!” É verdade que a palavra Trindade não está na
Bíblia, mas isto não anula esta verdade bíblica. Deus é Um só manifestado em três
Pessoas distintas e separadas. O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é
Deus, mas no entanto só existe um Deus. Sendo esta a verdade bíblica como fica o
fato da palavra Trindade não aparecer na Bíblia? A palavra Trindade é um termo
teológico para definir o que a Divindade é. Poderíamos usar Triunidade também. As
coisas só recebem termos técnicos quando já estão estabelecidas. A Bíblia dá as
bases da doutrina e a teologia coloca termos técnicos. O mesmo acontece com a
expressão livre-arbítrio. Todos nós cremos que o ser humano tem o livre-arbítrio e a
própria Bíblia ensina isto (Josué 24.15). No entanto, a expressão livre-arbítrio não
aparece na Bíblia. Nem por isso a doutrina do livre-arbítrio deixa de existir. Em
Apocalipse 20.6 fala daqueles que reinarão com Cristo durante mil anos. A esta
doutrina chamamos de Milênio. Embora, não se encontre na Bíblia a palavra
milênio, podemos dizer claramente que reinar mil anos com Cristo é um reino
milenar (ou milênio). Essas expressões ou termos que não se encontram na Bíblia,
não ferem as doutrinas bíblicas. Os mesmos que acusam os cristãos de usarem a
palavra Trindade, chamam seu lugar de oração de salão do reino em vez de igreja.
Salão do reino está na Bíblia? É claro que não! Mas, alguém poderá argumentar que
se podemos usar algumas palavras e termos, mesmos que eles não estejam na Bíblia,
podemos então chamar Maria, mãe de Jesus pelo título de ‘Maria de Mãe de Deus’.
Acontece, que este título não tem base bíblica. Ele é diferente do caso da palavra
Trindade, livre-arbítrio e milênio. Chamar Maria de mãe de Deus é muito pesado e
herético, pois é dizer que Deus tem mãe, sendo que Ele é um Ser incriado, eterno. O
certo e bíblico para Maria é chamá-la de mãe de Jesus, pois ela foi mãe de Jesus
somente na carne (João 2.12).

Jogos Emocionais
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Um outro fator muito usado pelas seitas é com relação a emoção das pessoas. Os
falsos mestres usam apelos emocionais para tentar convencer à pessoa a se associar a
sua religião. Neste caso, quando uma família perde um ente querido, ou quando uma
mãe perde seu filho e etc, geralmente as pessoas não estão preparadas para possíveis
perdas, e é na dor e na aflição de espírito das pessoas que entram as seitas. Na hora
de maior dor e aflição de uma família, as seitas aparecem com respostas
aparentemente confortadoras e extraordinárias. Por isso, quem tem fé em Jesus e crê
na Bíblia Sagrada, tem o dever de estar fortalecido e bem alicerçado racionalmente
na Palavra de Deus para que não caia nas armadilhas das emoções num momento de
perda. A Bíblia diz em Provérbios 4.23: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda
o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Tenha seu coração
guardado para que você seja firme na rocha que é Jesus. Do contrário se tornará
vulnerável diante de uma situação sem saber o que fazer. Uma outra questão em
torno dos jogos emocionais provocados por falsos líderes da religião, é com relação
a apelos emocionais. Muitas vezes numa determinada reunião religiosa, o líder
religioso faz apelos emocionais para que a pessoa venha se associar a sua religião.
Sem contar aquelas vezes que muitos ameaçam com o fogo do inferno e a
condenação para amedrontar os que estão desprevenidos. Nestes casos, as pessoas se
entregam de corpo e alma a uma religião e doutrina, pois tudo de início é bonito, a
pessoa é bem recebida e etc. Mas, com o tempo a coisa muda. A religião que no
começo era bonita se torna escravizadora e cheia de imposições. Por fim, a pessoa é
mutilada psicologicamente em uma religião deste tipo sendo feita nela uma lavagem
cerebral terrível. E se ela errar em algum pecado, é expulsa sem misericórdia. Por
isso, não se deixe jamais levar pelas emoções, pois esta é uma forte arma do
inimigo.

A Questão do Paganismo para Tentar


Desacreditar o Cristianismo Bíblico
Muitos líderes religiosos das seitas usam a questão do paganismo para tentar
desacreditar o cristianismo bíblico, ou muitas vezes para por em descrédito a própria
Bíblia. Afirmam tais líderes, que algumas doutrinas cristãs possuem suas origens no
paganismo, e que com isto tais doutrinas são ensinos de demônios. Esta é uma
estratégia prática para tentar por em descrédito os ensinamentos bíblicos. Para que o
leitor possa entender como se dá a questão do paganismo, veja por exemplo, os
argumentos dos defensores da guarda do Sábado. Dizem eles que o Domingo como
dia de descanso e adoração ao Senhor foi instituído pelo Imperador romano
Constantino, no ano de 325 no Concílio de Nicéia. Pelo fato desse Imperador ter
sido um homem pagão e adorar ao deus Sol e guardar o dia desse deus que era o
Domingo, afirmam os defensores da guarda do Sábado (ou sabatistas), que a guarda
do Domingo é de origem pagã e coisa do diabo para desobedecer o mandamento de
Deus. O mesmo se dá com a comemoração do Natal. Alguns afirmam que é errado
comemorar o Natal por ser de origem pagã. Essas questões concernentes ao
paganismo se dão com outras doutrinas também. Há seitas que afirmam que a

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doutrina da Trindade não é bíblica porque no paganismo os pagãos adoravam tríades
de deuses em grupo de três. Também têm afirmado os líderes de seitas que o inferno
de fogo não pode ser verdade porque os pagãos da antigüidade também tinham esta
crença. O mesmo se dá com a doutrina da imortalidade da alma. Dizem que ela é de
origem pagã porque os povos pagãos acreditavam nela. E, assim, estas
argumentações são usadas e muitos abraçam elas acreditando até mesmo ser
revelação de Deus e verdade. Como se explica o fato de muitas doutrinas bíblicas
serem parecidas com doutrinas pagãs? O fato de os pagãos terem crenças parecidas
não significa que os hebreus e cristãos copiaram deles. O zoroastrismo pregava a
vinda de um Messias, mas os hebreus não copiaram de Zoroastro a esperança
messiânica. O dilúvio era uma tradição nas principais nações pagãs da antigüidade.
Mas, nem por isso podemos crer que o dilúvio teve sua origem no paganismo. A
religião babilônica ensinava que Ninrode (Marduque, deus principal dos caldeus)
casou-se com Semiramis e que desse casamento nasceu Tamuz (também chamado
Adônis). As gerações posteriores ensinavam que Semiramis, além de virgem, assim
permaneceu, mesmo depois do parto. Mas, nem por isso podemos anular a doutrina
do nascimento virginal de Jesus Cristo e dizer que teve sua origem no paganismo.
Não há uma doutrina sequer que não tenha semelhança no paganismo. Essa
semelhança acontece porque existe uma verdade: todos os povos antigos vieram de
um só Deus e de uma só religião. Cada um desses povos trouxeram consigo
fragmentos da antiga religião monoteísta. Há uma teologia natural no homem, ou
seja, verdades naturais, de que o homem, pela sua própria consciência, tem
conhecimento. A Bíblia não selecionou o “melhor” deles, mas esses povos antigos
copiaram dos hebreus e foram adaptando as doutrinas conforme as suas
comunidades. Não há como não haver uma certa semelhança entre o que ensinam as
religiões. O importante, é que a Bíblia possui a revelação verdadeira do Deus
verdadeiro. E sua revelação é completa e autenticada pelo próprio Deus. As
doutrinas bíblicas embora parecidas com algumas doutrinas pagãs, são completas e
longe de serem lendas devido a sua verdade e exatidão. Fica então provado que não
se pode usar o paganismo como argumentação para desmentir uma doutrina bíblica.

O Sistema Único e Centralizador Não é Bíblico


A maioria das seitas possuem em comum o sistema único e centralizador, ou seja,
cada organização religiosa das seitas, possui uma sede mundial em alguma parte do
mundo. Desta sede mundial saem as decisões com relação a doutrinas, costumes e
praticas. Neste caso, uma seita com uma sede mundial própria, terá um sistema
padronizado de costumes, crenças e praticas, que são praticados por seus adeptos em
qualquer parte do mundo. Por este motivo os adeptos das seitas olham com desprezo
para as demais igrejas cristãs, pelo fato de existirem várias igrejas com nomes e
costumes diferentes. Tais adeptos das seitas se sentem numa posição espiritual
superior, porque suas denominações religiosas possuem um sistema de cultos,
costumes, crenças que são comandados por uma sede mundial. Tal sistema é
parecido com as grandes ditaduras absolutistas da história, e são uma característica
do império do anticristo. Acontece, que esse sistema único e centralizador não é

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bíblico. As igrejas cristãs da era apostólica não eram comandadas por um sistema
centralizador. As seitas não podem provar pela história e nem pela Bíblia que as
igrejas do primeiro século eram controladas por uma sede mundial. Uma vez que
acreditam que seu movimento é único, também acreditam que só eles fazem a
vontade de Deus.
Os adeptos das seitas acreditam que tudo aquilo que não for produzido em suas
organizações religiosas, não é de Deus e nem verdade. Esta barreira sectarista havia
também no apóstolo João, e Jesus a desmantelou, veja: “E João lhe respondeu,
dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos
segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho
proibais; porque ninguém há que faça milagres em meu nome e possa logo falar
mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós” (Marcos 9.38-40). O homem
citado nessa narrativa estava realizando um excelente trabalho na obra de Deus:
“expulsava demônios” em nome de Jesus, mas parecia não estar disposto a unir-se
ao grupo dos doze apóstolos e por isso para João, ele era suspeito. Mas, Jesus
desmantelou tal idéia do apóstolo João, pois sua palavra é clara quando diz: “Todo
aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2.21; Romanos 10.13). É
apenas necessário que a pessoa esteja de acordo com a Palavra de Deus. Esta é a
única regra, e não a regra inventada pelos homens na qual diz que a pessoa deve
pertencer a uma determinada organização religiosa controlada por uma sede
mundial. É verdade que quem é salvo ao crer em Jesus Cristo, passa a pertencer a
uma denominação religiosa que chamamos de igreja visível, onde também passa a
ter comunhão com os irmãos, recebendo o batismo, mas isso é em decorrência do
novo nascimento. As várias igrejas cristãs existentes embora com pequenos pontos
de vista diferentes, sustentam a bandeira da fé em Jesus Cristo. Todos os membros
das igrejas cristãs estão unidos pela fé em Jesus Cristo, e crêem nas mesmas
doutrinas fundamentais do cristianismo. Todos crêem que Jesus Cristo é Deus,
crêem também que Jesus morreu pelos pecados de toda a humanidade e sabem que
só Jesus pode salvar o mais terrível pecador. Todos os cristãos, independentemente
de sua denominação cristã, acreditam que o Espírito Santo é Deus e que é uma
pessoa que atua em suas vidas. Sabem também que Jesus em breve vem buscar os
seus para levar ao céu. Os verdadeiros cristãos sabem de tudo isso sem submeter-se
a lavagem cerebral, sem serem obrigados a digerir qualquer alimento fabricado por
organização humana, mas simplesmente pela leitura da Bíblia. Todos os cristãos
autênticos, embora membros de igrejas diferentes, pertencem a Jesus Cristo, e
conhecem as doutrinas bíblicas simplesmente pela leitura da Bíblia. Temos aqui um
fenômeno que nem uma seita ou religião pode explicar. As seitas possuem o método
de acomodar a mente a determinada doutrina por imposições e repetições. No
cristianismo bíblico as pessoas vêm a Cristo simplesmente pela leitura livre da
Palavra de Deus! Este sim, é o verdadeiro sistema que encontramos no Novo
Testamento. O sistema de fazer adeptos através de lavagem cerebral não existe no
Novo Testamento e Velho Testamento.
Também não podemos nos esquecer, que não existe uma igreja cristã sequer que
fosse igual a outra nos tempo bíblicos. Todas tinham defeitos e eram diferentes uma
das outras. Veja isto no livro do Apocalipse. Encontramos no livro de Apocalipse o
Senhor Jesus no meio dos sete castiçais: “As sete estrelas são os anjos das sete

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igrejas, e os sete castiçais que viste, são as sete igrejas” (Apocalipse 1.20). O
Senhor Jesus estava no meio das sete igrejas da Ásia, embora fossem diferentes
umas das outras. Nenhuma dessas igrejas estava subjugada por um sistema de
comando único e centralizador, nenhuma delas era igual à outra. Uma seguia a
doutrina de Balaão e dos nicolaítas, outra tolerava Jezabel, a outra havia perdido seu
primeiro amor, outra não tinha nada que se aproveitasse (que é o caso da igreja de
Laodicéia). E mesmo com essa diversificação entre elas, Jesus se apresenta no meio
delas convidando todas para o arrependimento, inclusive a igreja de Laodicéia.
Algumas igrejas foram parcialmente censuradas, outras elogiadas; não havia uma
igreja sequer igual à outra, todas possuíam defeitos, mas no entanto, as seitas
querem que todas as igrejas sejam padronizadas num sistema centralizador para
serem verdadeiras. O apóstolo João em uma de suas cartas faz queixas de um certo
Diótrefes, líder de uma determinada igreja local. Pelo que parece, este líder não era
leal aos propósitos do Senhor Jesus, tinha um espírito de superioridade. O apóstolo
João apenas recomendou que tal pastor não fosse imitado, e nem por isso aquela
comunidade de pessoas deixou de ser de Cristo. Temos aqui uma prova de que esta
igreja não era ligada a um sistema intransigente, universal de governo centralizador
(3ª João 9-11).

Falsas Tradições Religiosas


Um problema grave no seio das falsas religiões é a questão da ‘tradição’. Há
religiões que afirmam acreditar na Bíblia como Palavra inspirada de Deus, mas
paralelamente praticam doutrinas e coisas que não estão nela. Mas são pura tradição
eclesiástica e popular apenas. Isto é um grave mal e perigo. A tradição invalida a
palavra e os mandamentos de Deus (Mateus 15.6): “E assim invalidastes a palavra
de Deus, por causa da vossa tradição.” A questão da tradição foi um problema que
Jesus enfrentou diante dos fariseus e escribas. Eles costumavam lavar as mãos antes
de comer como purificação ritual, para afastar a mínima possibilidade de a pessoa
ter sido contaminada pela poeira advinda de um pagão. Eles não percebiam que
certas interpretações haviam violado a verdadeira Lei. Através de métodos e práticas
religiosas podemos invalidar a palavra de Deus pelo:
1. Esquecimento
2. Reinterpretação
3. Racionalização
4. Ignorância
5. Simples desobediência
Temos que ter cuidado com qualquer pratica antiga que algumas igrejas
observam. Certas praticas antibíblicas foram acrescentadas em Concílios e reuniões
de homens que em vão adoram ao Senhor ensinando preceitos que são doutrinas de
homens (Mateus 15.9). Para maior esclarecimento sobre as falsas tradições leia na
íntegra Mateus 15.1 a 20 e Marcos 7.1 a 23).

Declarações Diretas e Indiretas


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O Significado das Palavras Dentro das Seitas
Muitas pessoas adeptas de seitas costumam se gabar do fato de que na Bíblia não
existem certas declarações diretas. Certa vez uma pessoa adepta de uma seita que é
contra o dízimo, pediu para que eu provasse pela Bíblia que dízimo era dez por
cento da renda de uma pessoa. Mostrei-lhe o texto de Malaquias 3.10 que diz:
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha
casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos exércitos...”. Mesmo assim tal pessoa não
concordou e queria que eu mostrasse onde dízimo era dez por cento da renda. Aí
descobri que tal pessoa queria ver uma declaração direta e por extenso na Bíblia na
qual falasse que dízimo era “dez por cento da renda”. Então lhe disse que a palavra
dízimo no dicionário significa “a décima parte” e, a décima parte da renda de
alguém nada mais é do que dez por cento. Mesmo assim ela não concordou, pois
queria ver escrito na Bíblia de maneira explicita, clara e objetiva. Não queria ver a
palavra dízimo apenas. Querer declarações diretas é desonestidade intelectual. No
caso da palavra “dízimo” está explicito que dar a décima parte ou dez por cento da
renda é dar o dízimo. Basta saber o que significa a palavra dízimo para chegar a esta
conclusão. Se usarmos de desonestidade para atender nossos interesses pessoais,
podemos afirmar que fumar não é pecado. A Bíblia em nenhum momento diz: “Não
fumarás!” Mas, diz que nosso corpo é santuário ou templo do Espírito Santo e que
se alguém destruir este templo, Deus o destruirá (1ª Coríntios 3.16). E o que o
cigarro faz com o corpo humano? É claro que destrói, e por isso fumar é pecado,
pois prejudica o ser humano. Os mestres religiosos que guardam o Sábado já me
perguntaram diversas vezes onde está escrito que Deus aboliu o Sábado após a morte
de Cristo. É óbvio que está declaração não está explicita na Bíblia, mas está
implícita. Através do estudo a respeito do Sábado poderemos chegar a conclusão
óbvia que Jesus aboliu o Sábado. As seitas e religiões que assim agem são
desonestas intelectualmente.

Síndrome de Gamaliel
“Agora vos digo: Daí de mão a estes homens, deixai-os; porque se este conselho ou
esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los,
para que não sejais, porventura, achados lutando contra o próprio Deus, e
concordaram com ele” (Atos 5.38, 39). Estas foram as palavras do sábio Gamaliel,
membro do sinédrio, que era fariseu mestre da lei e acatado por todo o povo. Muitos
usam estes argumentos de Gamaliel para deixar as seitas e os falsos líderes como
estão. Isto se trata de comodismo. Vamos analisar algumas considerações sobre o
que Gamaliel disse:
1. As palavras que Gamaliel disse vieram dele e não de Deus.
2. Deus usou as palavras de Gamaliel para salvar a vida dos discípulos.
3. Por outro lado, o Novo Testamento nos encoraja a combater os falsos mestres e as
falsas heresias e pregar o evangelho a toda a criatura.

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Podemos concluir que o critério usado por Gamaliel foi única e exclusivamente
para salvar a vida dos discípulos. Se os fariseus quisessem continuar lutando contra
os discípulos, eles perderiam a guerra, pois estariam lutando contra o próprio Deus.

Cuidado Com o Caminho do Oriente!


Quando Adão e Eva pecaram comendo o fruto proibido, Deus enviou querubins
para proteger o caminho da árvore da vida (Gênesis 3.24). Se o homem comesse
também da árvore da vida, viveria eternamente debaixo do pecado sem a
possibilidade de redenção (Gênesis 3.22). O interessante é que essa árvore da vida
ficava ao oriente do jardim do Éden (Gênesis 3.24). Trazendo para nossos dias,
veremos que o perigo é o mesmo, pois uma onda poderosíssima de religiosidade do
oriente está invadindo o mundo inteiro. Nunca às religiões orientais ganharam tanto
espaço como atualmente com suas técnicas de yoga, meditação transcendental,
meditação dinâmica, mantras, esoterismo e etc. Na mídia, no cinema tem havido
muito espaço para às religiões orientais. Os ensinamentos ocultos da nova era são
uma preparação do que está por vir em nosso mundo. A idéia de que o homem é um
“deus” é a mesma que Satanás usou para tentar Adão e Eva. Ele disse para Eva que
ela e seu marido seriam “como Deus, ...conhecedores do bem e do mal” (Gênesis
3.5). Esta tentação tem atravessado os séculos e muitos têm afirmado que o homem
possui um “deus” interior, ou é um “deus”. Desde a queda no pecado no jardim do
Éden, o homem tem sido um fracasso moral e espiritual. As atuais idéias orientais de
uma força interior, de um deus impessoal, se contradizem com a Bíblia Sagrada.
Deus é um ser Pessoal, e o homem não é Deus. O Senhor Deus executa ações que só
uma pessoa é capaz de realizar:

1. Deus ama (João 16.27);


2. Deus ouve (Êxodo 2.24);
3. Deus cria (Gênesis 1.1);
4. Deus vê (Gênesis 1.4);
5. Deus conhece as pessoas (2 Timóteo 2.19);

Portanto, essa chamada “força interior” ou esse “deus interior” é algo iníquo, e
contribui para nos afastar do verdadeiro Deus. Existe uma grande diferença entre a
meditação esotérica e a meditação cristã. A meditação cristã não aceita esvaziar a
mente (cessação do pensamento). Uma mente vazia é alvo fácil para a possessão de
demônios. Como diz um certo ditado: “Mente vazia, oficina do diabo”. O próprio
Senhor Jesus afirmou que quando um demônio sai do homem, e ao retornar para o
mesmo, algum tempo depois, o encontra vazio espiritualmente, e o estado dele fica
pior que o primeiro (Mateus 12.43 a 45). Portanto, mente vazia é local privilegiado
do satanismo. A meditação cristã é sempre em direção a Deus, às Suas obras
grandiosas e aos seus preceitos. No caso da meditação esotérica, ela é em direção a
uma contemplação vazia de algum aspecto da natureza. Tal meditação caracteriza-se
exacerbação da intuição em detrimento da razão. Ela faz com que a pessoa seja mais
egocêntrica do que cristocêntrica, mais niilista e menos cristianizada. A meditação

65
da palavra de Deus é pura e preenche a mente: "Quanto amo a tua lei! Nela medito
o dia todo” (Salmos 119.97); "Na minha cama, lembro-me de ti; medito em ti nas
vigílias da noite" (Salmos 63.6); "Tenho mais entendimento do que todos os meus
mestres, pois medito nos teus estatutos" (Salmos 119.99); "Lembro-me dos dias
antigos; medito em todos os teus feitos e considero a obra das tuas mãos” (Salmos
143.5). Por isso, devemos fugir de toda forma de religiosidade oriental, para que
tenhamos a mente livre do controle total por parte de forças ocultas. Vivamos na luz
do Senhor Jesus, e reconheçamos que somos dependentes, limitados e precisamos do
Deus verdadeiro para termos um relacionamento amoroso. Escolher a opção pelos
ensinos orientais da Nova Era é satisfazer-se com ilusões. É cair na sedução oriental
(esotérica) é andar por caminhos movediços que conduzem à morte espiritual.
Meditemos na Palavra de Deus todos os dias e que Ele feche o caminho para o
oriente assim como fez no jardim do Éden.

O Quebra-cabeça Final
Se observarmos a mensagem de todas as religiões, veremos que elas possuem
algo em comum com relação aos seus fundadores. Todas elas esperam o encontro ou
a vinda de seus fundadores. Por exemplo, os cristãos esperam a volta de Cristo a
terra, e cada religião também espera pela volta ou o encontro com seus mestres e
fundadores ou messias. O Senhor Jesus voltará com poder e grande glória, esta é a
verdadeira volta de Cristo a terra, pois ele virá sobre às nuvens. O palco a muito
tempo tem sido armado para o aparecimento do anticristo. O anticristo suprirá a
espera de todos os religiosos. Em uma só pessoa, ele será o messias e o líder
esperado por todos. Este é o terrível engano que acontecerá brevemente em nosso
mundo. É por isto que a Bíblia diz que ele virá sobre o poder de Satanás, trazendo os
mais terríveis enganos (2ª Tessalonicenses 2.8,9). Nesta época haverá uma só
religião mundial (Apocalipse 13.1 ao 18), e o engano será muito forte. Como
Satanás gosta de copiar tudo o que é de Deus, haverá também a trindade satânica
conforme Apocalipse 13.4,11 ao 14. O dragão será o anti-Deus Pai, a besta o
anticristo e o falso profeta o anti-Espírito Santo. Desta forma as nações serão
terrivelmente enganadas. Esteja com Jesus para ser arrebatado e não estar aqui nesta
época (1ª Tessalonicenses 4.16,17).

Mensagens de Discos Voadores


As supostas mensagens de discos voadores atualmente, parecem estar mais
ligadas aos enganos da falsa religião do que a estudos científicos. Pessoas que
afirmam ter passeado dentro de naves, contam relatos parecidos com os da idade
média. Na idade média as pessoas afirmavam terem tido encontros com demônios, e
esses seres pelas características descritas naquela época, se parecem com os relatos
de hoje. O que sabemos de ciência séria em matéria de discos voadores? Pelo que
sei, absolutamente nada. A Bíblia afirma que no final dos tempos haveriam sinais e
prodígios no céu (Apocalipse 13.13,14). Creio que essa questão de discos voadores é

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mais um engano de Satanás para preparar o palco do final dos tempos. Por isto,
estejamos atentos.

A Rainha dos Céus e o Culto à Maria


A Bíblia fala a respeito de Ninrode (Gênesis 10.8 ao 10). Ele foi um homem
poderoso na terra e valente caçador diante do Senhor. O princípio de seu reino foi
Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinear. Babel é considerado um dos
maiores centros pagão da história antiga. Dali que surgiu a cidade de Babilônia
(atual Iraque), que inclusive é o símbolo de toda religião falsa. Ninrode casou-se
com uma mulher chamada Semiramis e tiveram um filho a quem deram o nome de
Tamuz, e Semiramis tornou-se a Suma Sacerdotisa desta nova religião. Diz a
história babilônica que quando Tamuz estava nas matas caçando, foi morto por um
porco selvagem, e Semiramis a Sacerdotisa mor reuniu todas as mulheres que
serviam com ela no templo, e se dedicaram a um tempo de jejum. Segundo a
tradição religiosa babilônica, depois de 40 dias de jejum, Tamuz foi trazido de volta
a vida, isso era uma demonstração de poder de sua mãe (note que ela tomou para si o
título de rainha dos céus), tornando-se assim um meio de acesso a Deus, e o símbolo
dessa religião era uma mulher segurando uma criança no colo, chamado também de
culto de adoração da mãe e a criança. Através de um calendário anual eles tinham
cerimônias especiais a observar, e observavam religiosamente cada ano o
nascimento de Tamuz que se dava no final de dezembro de modo assim a honrar a
rainha dos céus. Separavam aqueles 40 dias do suposto dia da restauração de Tamuz
e eram trocados ovos, estes ovos se tomaram símbolos da vida. A partir da morte de
Tamuz, essa religião acabou por se tornar uma religião mundial se espalhando desde
Babilônia até os outros países. Os nomes foram mudados, mas ainda era a adoração
a rainha dos céus. Até mesmo entre os israelitas houve adoração a rainha dos céus
(Jeremias 44.17, 18 e 19). Na Fenícia adoravam a Astarot e Baal, mas era a mesma
religião da mãe e do filho, de lá passaram para o Egito, a Grécia e eventualmente
para Roma. Quando o cristianismo se tornou religião oficial do império romano, o
imperador Constantino trouxe consigo a adoração da rainha dos céus. Desta vez
mudaram o rótulo, decidiram mudar o nome da mãe e do filho, e os nomes se
tornaram Maria e Jesus. Atualmente vemos Maria sendo adorada como rainha dos
céus, e mediadora entre Deus e os homens. É difícil para muita gente aceitar isto,
mas estamos diante de um ensinamento pagão com rótulo cristão. Esse desvio que
começou há mais de quatro mil anos na Babilônia tem se perpetuado até hoje. A
Bíblia diz que todos pecaram contra Deus (Romanos 3.23), todos nasceram
desviados da vontade de Deus, e Maria se inclui nisso. Ela mesma afirmou que
precisava de um Salvador (Lucas 1.47). Por crer Naquele que foi gerado em seu
ventre, ela foi salva. Como todos os homens e mulheres, Maria precisou crer em
Cristo também. Todos os verdadeiros cristãos amam Maria, ela é nossa irmã em
Cristo, mas não é uma deusa e nem mediadora entre Deus e os homens. O único
mediador é Jesus Cristo (1ª Timóteo 2.5). Os que assim não crêem, não podem ser
considerados cristãos.

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O Conhecimento Pode Ser Traiçoeiro!
“O saber ensoberbece, mas o amor edifica” (1ª Coríntios 8.1).

Para resumir este capítulo, de tudo que se viu, devemos considerar que a situação
espiritual de um adepto de seita é pior que a de um drogado, alcoólatra, ladrão e etc.
Uma pessoa nessas situações embora até saibam que estejam fazendo coisas erradas,
possuem um certo medo de Deus (às vezes respeito pelo Nome dEle), medo da
condenação. É claro que são medos e respeitos que não produzem arrependimento. E
essas pessoas que geralmente são humildes financeiramente e com pouco
conhecimento, são as que mais têm facilidade de aceitar o evangelho de Cristo.
Diferentemente dessas pessoas, os adeptos das seitas passaram por lavagem cerebral,
e com isto, são pessoas que se acham abastadas de conhecimento. Têm uma
explicação lógica para todas as coisas e por isso são soberbos, arrogantes e duros de
coração. E muita das vezes não têm respeito por Deus e sua Palavra. O
conhecimento realmente deixa a pessoa soberba. É por isto que as pessoas ditas mais
“sábias” deste mundo não aceitam ao Senhor Jesus Cristo (1ª Coríntios 2.6,7,8). O
caminho do conhecimento pode ser traiçoeiro. É por isto que Salomão disse que “na
muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência, aumenta tristeza”
(Eclesiastes 1.18). Quem aumenta seu conhecimento, também aumenta sua tristeza.
A pessoa tem a obrigação de adquirir e aumentar seu conhecimento, mas deve fazer
isto da maneira divina, sempre reconhecendo que nada sabe e que precisa aprender
mais (1ª Coríntios 8.2). Devemos ser pessoas inteligentes e humildes, e isto não é
errado. O conhecimento faz com que as pessoas sejam arrogantes e soberbas, porque
elas pensam que já sabem tudo. Quando encontram uma idéia filosófica ou doutrina,
se sentem bem alimentadas em seu espírito. A mentira é uma idéia que parece ser
coerente, lógica e racional. Muitas vezes é fantástica e as pessoas se sentem
emocionadas diante de uma idéia. Muitos dizem: “Eu nunca ouvi falar sobre isto!
Como esse conhecimento é maravilhoso!” É justamente por isto, que o
conhecimento falso é traiçoeiro e enganador.
Para um adepto de seita abandonar suas idéias, é uma tarefa extremamente difícil,
mas não impossível. Muitos adeptos de seitas em todo o mundo abandonaram suas
doutrinas e pensamentos para seguir a Jesus Cristo. Enquanto existe vida, existe
esperança, porque “mais vale um cão vivo do que um leão morto” (Eclesiastes 9.4).
Se a árvore cair para o norte, ou para o sul, no lugar em que cair aí ficará
(Eclesiastes 11.3). Todo o ser humano é como uma árvore, na morte, a situação em
que morrer é a que decidirá o destino eterno. Por isso, estejamos livres dos laços das
falsas doutrinas, e estejamos com o Senhor Jesus Cristo, tanto aqui como na vida
eterna.

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___________________________________

BIBLIOGRAFIA

1. ROBERTS, Alexander, D.D. & DONALSON, LL.D. Ante-Nicene Fathers, vol. 1,


Hendrickson Publishers, Massachussetts, USA, 1994, p. 184.

2. ROBERTS, Alexander, D.D. & DONALSON, LL.D. Op. cit. p. 212.

3. Como Responder às Testemunhas de Jeová – Comentário Exegético e


Explicativo Vol. 1 – p. 63 - Ezequias Soares da Silva – Editora Candeia

69
Capítulo 5
Como se Deve Tratar
os Líderes Religiosos

Infelizmente, muitos (senão a maioria das pessoas), têm medo de questionar os


mestres da religião. Dizer que um pastor, padre ou qualquer líder de igreja está
errado (por mais que se saiba que esteja), muitas pessoas têm medo de questionar. O
medo gira em torno do medo de Deus, medo de estar blasfemando, enfim, um medo
que foi colocado por imposição na mente das pessoas. O medo do castigo divino
impede que muitas pessoas se libertem dos falsos mestres da religião. Pessoas que já

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estão comprometidas com uma séria lavagem cerebral têm pavor de questionar ou
abandonar os ensinos de sua comunidade religiosa. O medo de lideranças religiosas
causa espanto e terror nas pessoas. Afinal, os maus líderes religiosos por mais que
estejam enganados também, são verdadeiros agentes do terror e do medo em nosso
mundo. A ameaça constante produz uma geração de pessoas medrosas que têm
medo do diabo e de Deus. Não é a toa que muitos caem em depressão ou em
desgraça total após se desassociar de uma religião. Muitos até mesmo ficam loucos,
caem na miséria e viram mendigos. O sentimento de medo com relação a líderes
religiosos não é um proceder cristão. O cristão verdadeiro pode e deve possuir a
coragem de defender a verdade da Palavra de Deus e contrariar as mentiras ditas por
falsos líderes religiosos. A Bíblia nos manda ter cautela com relação aos falsos
mestres e profetas (Mateus 7.15; 2ª Pedro 2.1). Também nos exorta para que não
demos crédito a qualquer espírito (1ª João 4.1), antes devemos provar tudo para ver
se vem de Deus ou não.

O tratamento que Jesus deu aos


religiosos de sua época
Os falsos religiosos de hoje em nada se diferenciam dos religiosos da época de
Jesus. O Senhor Jesus foi duro ao tratar com eles. No capítulo 16 de Mateus nos
versículos 5 até o 12, o Senhor compara a doutrina dos Fariseus e Saduceus com o
fermento. O fermento é comparado com o desenvolvimento do Reino de Deus
(Mateus 13.33), mas aqui em Mateus 16 é comparado com a hipocrisia e
perversidades crescentes desses religiosos. É da doutrina deles que devemos nos
acautelar (16.6 e 12). No capítulo 23 de Mateus, o Senhor Jesus censura os escribas
e fariseus. Nesta ocasião, o Senhor aconselha a não imitar as más obras dos maus
religiosos. Eles colocam fardos pesados e difíceis de carregar sobre os homens, mas
eles mesmos não querem com o dedo movê-los (Mateus 23.4). Isto acontece em
nossos dias. Muitos religiosos proíbem seus rebanhos de assistirem televisão, de
usarem certos tipos de roupas, às mulheres de cortar o cabelo e etc. Enfim, os maus
religiosos gostam de ser saudados nas ruas e praças, gostam de exercer influência
política e fazem de tudo para ganhar novos adeptos. Antes, de se associar a uma
igreja, não se entregue pela emoção, mas use a razão para analisar a existência de
jugo pesado em tal comunidade religiosa. Como pode existir jugo numa igreja uma
vez que a Bíblia diz “...e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade” (2ª
Coríntios 3.17). Sobre os maus líderes religiosos leia mais em Mateus capítulo 23 do
versículo 1 ao versículo 36. Abaixo, veremos detalhadamente o procedimento dos
falsos religiosos:
1. Em Jeremias 23.11,14 lemos que os maus líderes estão contaminados de
maldades (Jeremias 23.11, 14): “Pois estão contaminados, assim o profeta
como o sacerdote; até na minha casa achei maldade, diz o Senhor. Mas nos
profetas de Jerusalém vejo cousa horrenda: cometem adultérios, andam com
falsidade, e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se convertam
cada um da sua maldade; todos eles se tornaram para mim como Sodoma...”

71
Embora esteja falando sobre os profetas de Israel, temos aqui um retrato fiel do
falso profeta também em nosso tempo.
2. Os maus mestres ou falsos mestres apascentam a si mesmos e negam
conhecimento ao povo de Deus (Ezequiel 34.2): “Filho do homem, profetiza
contra os pastores de Israel; profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus:
Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os
pastores as ovelhas?” “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o
conhecimento” (Oséias 4.6). O versículo 6 continua dizendo que a falta de
conhecimento do povo é culpa do sacerdote e não simplesmente do povo de
Deus, veja: “Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu, te
rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste
da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.”
3. Os falsos profetas são lobos roubadores disfarçados de ovelhas (Mateus
7.15 a 23): “Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam
disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.” Segundo o
comentário da Bíblia Vida Nova, “não devemos nos impressionar com as
vestes (praticas religiosas) dos falsos profetas, nem com aquilo que dizem, nem
com aquilo que fazem” (Mateus 15,21,22).1 O Senhor Jesus disse que pelos
frutos deles podemos conhecê-los (Mateus 7.16,20). Os falsos profetas e
mestres falsos são árvores que produzem maus frutos. Eles não produzem os
frutos do Espírito Santo (Gálatas 5.22,23). Poderão até simular que produzem
os frutos do amor, que são cheios de paz, mansos, mas não são assim. Na
verdade eles produzem as obras da carne descritas em Gálatas capítulo 5 e
versículos 19,20 e 21. Das obras da carne descritas em Gálatas, vamos destacar
duas, são elas: idolatria e feitiçaria. Para detectar um falso mestre e profeta,
veja os detalhes das obras da carne que eles praticam:

• Idolatria – os falsos mestres e profetas são idólatras. Reverenciam e adoram os


fundadores de suas religiões, e também fazem imagens de esculturas para culto
e uso, condenadas por Deus (Êxodo 20.4,5).
• Feitiçaria – praticam também a feitiçaria, a comunicação com os mortos
através da mediunidade, ambas praticas condenadas por Deus (Isaías 8.19;
Levítico 19.31).
4. Os falsos mestres fecham as portas do reino dos céus diante dos homens
(Mateus 23.13): “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fechais o
reino dos céus diante dos homens; pois, vós não entrais, nem deixais entrar os
que estão entrando.” É comum ver os falsos mestres escondendo o
conhecimento do povo. Através disso, eles podem cegar as pessoas e fecham o
reino dos céus diante delas. É a falta de incentivo da leitura da Bíblia que faz
com que às pessoas fiquem cegas.
5. Os falsos mestres são chamados de falsos irmãos e escravizam as pessoas
(Gálatas 2.4): “E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o
fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, e reduzir-nos à

72
escravidão...” Mesmo estando em uma igreja cristã séria, sempre nos rodeará,
seja fora ou dentro dela, algumas pessoas mal intencionadas com o intuito de
reduzir-nos a escravidão. São aquelas conversas mansas de que você deve
guardar o Sábado, que não pode tocar nisto ou naquilo por ser impuro, ou seja,
são ordenanças que tiram nossa liberdade em Cristo (Colossenses 2.16,17, 20
ao 23). Estas coisas têm aparência de sabedoria, são imposições e rituais, mas
não tem valor algum contra o pecado.
6. Os falsos mestres e maus obreiros são chamados de cães (Filipenses 3.2):
“Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da
falsa circuncisão!”

7. Os falsos mestres aparecem no meio do povo de Deus (2ª Pedro 2.1):


“Assim como no meio do povo surgiram falsos profetas, assim também haverá
entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias
destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou,
trazendo sobre si mesmos repentina destruição.” Leia na íntegra o capítulo 2
de 2ª Pedro, pois há mais detalhes sobre os falsos mestres.

8. Os falsos mestres usam as pessoas para seus crimes e maus interesses, e


depois às abandonam: “Então Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora
condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos
principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente.
Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo” (Mateus 27.3,
4). Em nossos dias, muitos religiosos poderão usar pessoas para seus interesses
perversos, mas quem sempre sai lesado e ferido é o membro e não o líder
religioso. Há algum tempo atrás, fiquei sabendo a respeito de uma mulher, que
havia perdido tudo que possuía para uma determinada igreja. E após perder
tudo, os líderes dessa igreja a expulsaram e ainda disseram que ela estava
possuída pelo espírito de Maria mulambo. Este é o retrato de como as ovelhas
sempre saem lesadas. Por isso, antes de se associar a uma religião, lembre-se:
você é quem está numa posição inferior. Você é quem está carente de Deus e
não está forte espiritualmente para enfrentar os líderes religiosos. Você precisa
de Jesus e não de religião!

9. Enfim, os falsos mestres e maus religiosos, deixam passar grandes erros,


mas fazem conta de erros pequenos: “Guias cegos! Que coais o mosquito e
engolis o camelo” (Mateus 23.24). Já vi lideranças religiosas que condenam as
pessoas por coisas tão pequenas, mas eles mesmos com suas politicagens fazem
as piores sujeiras.

O Procedimento do Verdadeiro Líder Cristão


O verdadeiro líder de igreja que tem sobre si a responsabilidade de pastorear um
rebanho, possui várias qualidades. A Bíblia nos dá detalhadamente estas qualidades.
Baseado em 1ª Timóteo 3.2 a 7, o líder de igreja tem que ser:

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1. Irrepreensível – que não merece repreensão, correto. Esta é uma das
qualidades do verdadeiro pastor. Ele tem uma conduta correta perante todos.
Esta qualidade falta nos falsos líderes. Cuidado! Há falsos líderes de igrejas que
dão aparência de uma boa conduta perante o povo.
2. Esposo de uma só mulher – Um líder religioso não pode ter várias mulheres,
mas deve ser esposo de uma só mulher. O verdadeiro líder não é adepto do
celibato, mas pode escolher o caminho do celibato se caso quiser.
3. Temperante – qualidade daquele que é moderado nas paixões, nos apetites,
etc. A temperança é um dos frutos do Espírito Santo manifestado na vida do
cristão (Gálatas 5:22).
4. Sóbrio – qualidade daquele que é moderado no uso de bebidas alcoólicas. O
fato de um líder religioso ser sóbrio não se diz respeito tão somente ao uso de
bebidas alcoólicas. A sobriedade é também com relação a doutrinas. Há líderes
de igrejas que estão terrivelmente embriagados com falsas doutrinas. No livro
de Hebreus lemos uma recomendação com relação a doutrinas estranhas: “Não
vos deixeis envolver por doutrinas várias e estranhas, porquanto o que vale é
estar o coração confirmado com graça...” (Hebreus 13.9).
5. Modesto - simples, sem vaidade, moderado nos desejos ou aspirações. Temos
visto atualmente uma geração de líderes religiosos gananciosos pelo dinheiro e
pelo luxo. Não estamos dizendo que o pastor não possa ter um carro do ano e
etc. Mas, o líder de igreja deve tomar cuidado, pois está numa posição muito
delicada. O verdadeiro pastor procurará ser simples e sem muitas vaidades.
6. Hospitaleiro – aquele que dá hospedagem por bondade ou caridade, acolhedor.
O pastor verdadeiro deve ser hospitaleiro.
7. Apto para ensinar – capaz, habilitado. Para uma pessoa estar a frente do
rebanho de Deus, deve estar habilitada para tal. Tem que saber os desígnios de
Deus para poder ensinar aos outros. Há muitos líderes que são fracos no
conhecimento e nem mesmo fizeram um curso de teologia. Um líder sem
conhecimento não consegue fazer com que seu rebanho seja forte e maduro
espiritualmente.
8. Não dado ao vinho – o alcoolismo não pode fazer parte da vida de um
verdadeiro pastor e muito menos de qualquer membro da igreja de Cristo.
9. Não violento – uma das características do falso pastor é a violência. Os falsos
mestres possuem a característica de serem agressivos e violentos contra aqueles
que se opõem as suas doutrinas. O verdadeiro líder cristão não pode ser
violento, mas deve ser manso e humilde assim como o Senhor Jesus Cristo.
10. Cordato - que se põe de acordo. Sensato. Os maus pastores não são cordatos.
Com eles não há acordo e muito menos sensatez.

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11. Inimigo de contendas – o servo de Deus é inimigo de contendas: “Ora, é
necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e, sim, deve ser brando
para com todos, apto para instruir, paciente...” (2ª Timóteo 2.24).
12. Não avarento – a Bíblia diz que a avareza é idolatria. Este pecado não pode
haver na vida de um verdadeiro pastor.
13. Tem que governar bem sua própria casa – se um líder religioso não
consegue governar sua própria casa, ele não está apto para governar o rebanho
de Deus.
14. Não pode ser neófito – neófito seria alguém novo na fé, um recém convertido.
Uma pessoa nesta situação jamais pode estar à frente para ser um pastor,
mesmo porque o neófito também não possui a maturidade e conhecimento
suficiente para ser um líder. Ele pode se ensoberbecer e cair na condenação do
diabo (1ª Timóteo 3.6).
15. Tem que ter bom testemunho dos de fora – esta também é uma das partes
mais importante para uma liderança de igreja. O dever de ter bom testemunho
dos de fora. Conheço pessoas que odeiam os cristãos por causa de maus líderes
religiosos que dão cheques sem fundos e dão um terrível mau testemunho.
De tudo o que se viu, não se trata aqui de uma pessoa perfeita, mas de um servo
de Deus que deve possuir estas qualidades para pastorear o rebanho de Deus. Temos
aqui o retrato fiel do verdadeiro pastor que deve estar a frente de uma igreja. Graças
a Deus que existem em nosso tempo milhares de homens e mulheres que possuem
estas características. Fica o alerta para esses fiéis servos de Deus, para que tomem
certos cuidados. Na maioria das vezes, o maligno coloca seus ensinos falsos através
das lideranças da igreja. Às vezes pode acontecer de você acabar de conhecer um
determinado líder de outra igreja, e imediatamente colocá-lo para pregar em sua
comunidade. É através disso que pode morar o perigo. Ele poderá divulgar seus
ensinos falsos e livros para sua comunidade. Há líderes de igrejas que convidam
missionários de uma determinada religião para palestrar em sua igreja, pensando ser
eles missionários americanos. Cuidado com esses missionários que usam roupas
sociais e vão de casa em casa. Eles são americanos, mas não são missionários de
Cristo, antes, possuem um livro que dizem ser o outro evangelho de Cristo.

É Anti-ético Citar os Nomes dos Falsos Mestres?


Seria anti-ético citar nomes dos falsos mestres e de pessoas que dão ensinamentos
controvertidos? Muitos vivem uma falsa ética, se negam a falar os nomes daqueles
que pregam de modo controvertido. A Bíblia ensina claramente que podemos citar
os nomes dessas pessoas. Inclusive, esta era a prática do apóstolo Paulo e dos
apóstolos, veja:

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“Além disso a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem
Himeneu e Fileto. Estes se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição
já se realizou, e estão pervertendo a fé a alguns.” 2ª Timóteo 2.17-18
“Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo
as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas
palavras.” 2ª Timóteo 4.14-15
“E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à
verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé...” 2ª
Timóteo 3.8
“Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para
Tessalônica...” 2ª Timóteo 4.10
“Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia
entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras
que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com
estas cousas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-
los, e os expulsa da igreja. Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom.
Aquele que pratica o bem procede de Deus, aquele que pratica o mal jamais viu a
Deus.” 3ª João 1.9, 10 e 11
“Quanto a Demétrio, todos lhe dão testemunho, até a própria verdade, e nós
também damos testemunho; e sabes que o nosso testemunho é verdadeiro.” 3ª João
1.12
As pessoas precisam saber os nomes do falsos mestres para se precaverem. Isto é
bíblico e justo. Em alguns momentos poderão ser omitidos os nomes dos falsos
mestres e profetas, como no caso descrito em Gálatas 2.4 que fala dos falsos irmãos
sem citar nomes. Às vezes depende da ocasião para omitir ou citar nomes. Para citar
nomes, temos que ter provas!

Submissão aos Líderes Religiosos


Como sabemos, é importante que o cristão tenha uma igreja para freqüentar. A
igreja ajuda a preservar a unidade do povo de Deus e a comunhão dos santos, e ajuda
também no sentido de instruir em toda a verdade. A Bíblia ensina que quem
freqüenta uma determinada igreja, deve ser submisso e obediente ao seu líder
espiritual: “Obedecei aos vossos guias, e sede submissos para com eles; pois velam
por vossas almas, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria
e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” (Hebreus 13.17). Esta
submissão e obediência é voluntária e deve ser feita de um modo correto de acordo
com a Palavra de Deus. O autor de Hebreus não está defendendo aqui que o cristão
tem que usar cabresto. O cristão tem total direito de questionar dentro da Palavra de

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Deus, qualquer doutrina ou pratica estranha que seu líder espiritual venha impor a
igreja. Lembre-se que no referido texto de Hebreus a submissão deve ser com
alegria e não gemendo. Deve ser de livre e expontânea vontade. No versículo 7 do
mesmo capítulo 13 de Hebreus, lemos que devemos imitar nossos líderes. Se um
líder de igreja é bom e zeloso para com as coisas de Deus, devemos imitar suas boas
obras, mas se ensina alguma doutrina antibíblica, o cristão tem total direito de se
desligar de determinada igreja ou comunidade se quiser. Mesmo que o líder venha
ameaçar ou não queira dar a benção para que a pessoa possa ir para outra
comunidade, o cristão pode e deve se desligar de tal igreja. Ser submisso e obediente
ao seu líder, não é praticar obediência cega. Somos livres no Senhor Jesus Cristo
para freqüentarmos a igreja com a qual nos identificamos melhor. Não podemos ser
rebeldes, truculentos e insubmissos, mas podemos amar os nossos mestres que
cuidam de nosso ensinamento perante Deus. Mas também temos a obrigação de
procurar compreender cada vez mais os desígnios de Deus, estudando a sua Palavra
dia após dia e não ficar tão somente dependente do líder religioso.

______________________________________________

BIBLIOGRAFIA

1. Bíblia Vida Nova – 17ª edição 1993 – pg. 12 (do Novo Testamento), ver comentário
de Mateus 7.15 (no rodapé).

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78
Capítulo 6
Julgando Todas às Coisas!

O objetivo deste capítulo é o de analisar o direito do cristão, sobre a questão de


poder julgar todas as coisas em matéria de religião e doutrina. Também é analisado
as possíveis barreiras, que alguns líderes religiosos usam para impedir que suas
doutrinas e praticas sejam julgadas.

O Direito de Julgar Todas as Coisas é Seu!


Poucos param para pensar sobre isto, mas é direito de cada cristão julgar todas as
coisas. A própria Bíblia incentiva este julgamento: “Julgai todas as coisas, retende
o que é bom” (1ª Tessalonicenses 5.21). Não estamos falando sobre julgar pessoas.
A Bíblia não nos conferiu tal autoridade, pois somente o Senhor é o Juiz (Tiago
4.11-12). Mas, o que está escrito em 1ª Tessalonicenses 5.21, é o julgamento da qual
podemos fazer, pois o contexto desse mesmo texto nos fala no versículo 20: “Não
desprezeis profecias” e logo em seguida somos incentivados a julgar todas as coisas.
Isto quer dizer que profecias, revelações, doutrinas e etc, estão sob nosso poder de
julgamento. Leia I Coríntios 14.29 e veja que podemos julgar profetas. Quem julga
se torna juiz, e logo somos juizes de todas estas coisas. Mas porque julgar doutrinas,
profecias e etc? Porque, como sabemos para tudo existe o falso e o verdadeiro. E os
falsos profetas estão saindo pelo mundo afora e principalmente trazendo confusão no
meio do povo de Deus. Eles saem justamente de nosso meio (2ª Pedro 2.1 e 1ª João
2.18-19). Nunca houve uma época tão fantástica como a nossa quando se trata de
falsas doutrinas. O meio religioso se tornou um vasto celeiro para que os falsos
profetas atuem com eficácia. Por isso, devemos ter consciência de que temos o
direito de julgar tudo quanto ouvimos e aprendemos em nossas igrejas.

Não julgueis para que não sejais julgados


Para poderem sustentar seus ensinamentos falsos, alguns se defendem e usam o
que Jesus disse no sermão do monte: “Não julgueis, para que não sejais julgados”
(Mateus 7.1). Este é um texto usado fora de seu contexto como um escudo contra
qualquer tipo de questionamento. O que Jesus censura nesta passagem é o
julgamento hipócrita, algo que ele deixa bem claro nos versículo 3 e 5. A Bíblia não
proíbe que segmentos religiosos e líderes de igrejas venham ser questionados, pelo
contrário, ela encoraja-nos para que questionemos práticas e doutrinas estranhas.

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Muitas das vezes nos deparamos com lideranças que não gostam de serem
questionadas. Cuidado! Qualquer um que não admite ser questionado em hipótese
nenhuma, possui atitude suspeita. O verdadeiro líder religioso não se sente
pressionado ao ser questionado.

Não Toqueis nos Meus Ungidos!


Quando algum pregador, ministério ou seita são questionados em suas práticas e
ensinamentos, logo em seguida os simpatizantes de tal ministério, pregador ou seita
(e muitas das vezes o próprio pregador), usam a expressão “não toqueis nos meus
ungidos!”. Esta é uma forma de ameaçar aqueles que se opõem ou questionam
alguma doutrina ou ensino seus. Ou seja, o cristão ou adepto de alguma seita dentro
de sua comunidade não pode questionar absolutamente nada sob a ameaça de estar
tocando em um ungido de Deus. E sob estas ameaças tais pregadores falam as coisas
mais terríveis e absurdas deste mundo. Ameaçam com o fogo do inferno, dizem que
a pessoa vai perder a salvação ou que Deus vai castigar e etc. Certa vez alguém
falando sobre falsos mestres escreveu na Internet: “...o absolutismo pastoral é o que
mais me deixa irritado, os pastores podem tudo, se alguém discordar, está com o
diabo, se alguém questionar, está com o diabo, se alguém denunciar é o diabo que
está querendo derrubar o pastor, é assim que funciona, o diabo é culpado de tudo, e
o pastor é um semideus que em hipótese alguma pode ser questionado...”.
Infelizmente, este é o retrato de alguns líderes! Quando ocorrem estas coisas, a
pessoa fica com medo de ser castigada e perder a salvação. Sobre a expressão “não
toqueis nos meus ungidos!”, a Bíblia ensina claramente que isto se refere a
integridade física do profeta de Deus. Esta expressão aparece duas vezes na Bíblia:
em I Crônicas 16.22 e em Salmos 105:15; ambas as referências são a respeito dos
patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó. Estas duas passagens não se referem a um
questionamento ético ou doutrinário do líder, mas a algum perigo a integridade
física de um ungido de Deus. Por outro lado, o Novo Testamento ensina que
ninguém possui uma unção especial, mas a unção de Deus é privilégio de todos: “E
vós possuís unção que vem do Santo, e todos tendes conhecimento” (1ª João 2.20).
João continua em sua epístola: “Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes
permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como
a sua unção vos ensina a respeito de todas as cousas, e é verdadeira, e não é falsa,
permanecei nele, como também ela vos ensinou” (1ª João 2.27). Com isto podemos
concluir que ao questionar algum ensino controvertido de algum mestre da religião,
não estamos tocando em um ungido de Deus.

Grande Exemplo dos Crentes Bereanos


Os crentes bereanos servem de exemplo para nós sobre a questão do
discernimento doutrinário. Mas, afinal, quem foram os Bereanos? Os bereanos
viviam numa cidade chamada Beréia situada a 80 km para o oeste de Tessalônica.
Sobre eles a Bíblia diz: “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de
Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as

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Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim” (Atos 17.11).
Quando o apóstolo Paulo chegou a esta cidade de Beréia, teve seus ensinos
avaliados à luz das Escrituras conforme vimos neste texto de Atos. Embora, Paulo
tivesse recebido uma grande revelação do Senhor Jesus Cristo a caminho de
Damasco, e era possuidor de um grande currículo sendo discípulo de Gamaliel (que
era respeitado por todo o povo judeu), mesmo assim os bereanos não olharam para
estas credenciais e examinaram “as Escrituras todos os dias para ver se as cousas
eram de fato assim.” (Atos 17.11). Esta foi de fato uma atitude ousada dos bereanos.
Ao invés de serem repreendidos por Paulo, e ao invés de serem chamados de carnais
como muitos líderes fazem hoje, vemos que os Bereanos foram considerados mais
nobres que os crentes de Tessalônica. Podemos assim classificar como age pessoas
nobres e prudentes em relação a religião:
1. Não olha para as credenciais de um líder religioso, sua unção e obra diante de
Deus;
2. Recebe a Palavra de Deus com avidez;
3. Examina as Escrituras sem demora;
4. Verifica a verdade de toda doutrina Bíblica.
É exatamente isto que deveríamos fazer em nossos dias. Não importa o quão
credenciado seja um pastor ou líder de igreja, não importa o tanto de revelações que
diz ter recebido de Deus, o que importa em primeiro lugar é a Palavra de Deus. O
direito de analisar e questionar é essencial! Ninguém tem o direito de impedir uma
pessoa de fazer isto!

Discernimento Espiritual
O discernimento é um dever na vida do cristão, e não uma opção (1ª
Tessalonicenses 5.21; Hebreus 5.13, 14). Nunca uma geração foi tão bombardeada
com informações como a nossa. O avanço nas telecomunicações, na Internet e na
televisão, nunca houve uma época em que a informação nos tem chegado em
questão de segundos. Por um lado aí mora o mal, a informação chega rápido, mas a
leitura crítica, o discernimento é um processo lento que a maioria nem pensa em
fazer. É espantoso ver como as religiões têm invadido a Internet e como têm
colocado suas idéias e pensamentos. O verbo “discernir” assim como o substantivo
“discernimento” ocorrem apenas quatro vezes no Novo Testamento. Três destes
termos estão baseados no verbo grego krino (kritikós, anakríno, diakríno), que
basicamente significam “peneirar” ou “distinguir”, ou “selecionar” ou “separar”,
recebendo também o significado comum de decidir ou julgar. Como cristãos
devemos distinguir, selecionar, separar, julgar e decidir qualquer tipo de doutrina
ou pratica. Os ensinamentos controvertidos estão aí pelo mundo afora, e as pessoas
precisam tomar cada vez mais consciência de que não se pode ter pressa em dar
crédito a qualquer coisa. Por isto, estejamos atentos quanto ao discernimento,
julgando e separando aquilo que é verdade e mentira. Fazendo isto estaremos cada

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vez mais amadurecidos, crescendo espiritualmente e estaremos protegendo tanto a
nós como a nossos familiares da falsa religiosidade.

Testai os Espíritos
“Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes, provai os espíritos se
procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto
reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em
carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus;
pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que
vem, e presentemente já está no mundo” (1ª João 4.1, 2 e 3). Confessar que Jesus
Cristo veio em carne não é o simples reconhecimento de quem é Jesus. Isto os
demônios fazem: “Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-
nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus o repreendeu: Cala-te, e sai
desse homem” (Marcos 1.24-25). Confessar que Jesus veio em carne é uma
confissão em sujeição a Ele com o propósito de glorificá-lo (João 17.4,5 e 6). Muitas
religiões afirmam acreditar em Jesus, afirmam que foi um grande homem sábio que
passou pela terra. Mas, quando se trata de honrá-lo como Deus e reconhecer ser Ele
o único e suficiente Salvador de todos os homens, às religiões não se sujeitam a Ele.
Por aí, sabemos que confessar que Jesus veio em carne é muito mais do que
simplesmente confessar. Este texto de 1ª João 4.1, 2 e 3 foi escrito para combater o
gnosticismo. O gnosticismo afirmava que Jesus não possuiu um corpo humano real e
que seu corpo seria mera aparência, que chamavam de corpo docético. O período
áureo desta doutrina foi entre 135-160 A.D, mas o gnosticismo já dava trabalho às
igrejas da época dos apóstolos. O apóstolo João enfatiza que “o Verbo se fez carne”
para combater o gnosticismo (João 1.14).

Crítica Construtiva
A palavra crítica denota, primariamente, um juízo, um ato de julgamento; sua
derivação vem do verbo grego krino que significa discernir, testar, julgar,
determinar. Toda critica contra qualquer denominação religiosa, pastores e líderes
de igrejas, deve ser feita de maneira construtiva de acordo com a Palavra de Deus.
Jamais podemos dar margem a crítica vingativa. Devemos discernir, testar e julgar
um seguimento religioso afim de podermos descobrir se os seus ensinos estão de
acordo com a verdade ou não. Nessa função de criticar devemos ser imparciais e
justos. Devemos estar abertos também para receber críticas quando escrevemos,
pregamos ou fazemos qualquer obra no reino de Deus. Quem não aceita crítica e
nem revisa seus conceitos ao ser criticado precisa avaliar suas intenções para com
Deus. Se queremos fazer realmente a vontade de Deus, não podemos ficar furiosos
quando alguém demonstrar através de uma critica que estamos errados. Devemos
analisar com humildade e mansidão onde erramos e se estamos no caminho errado
devemos ter a humildade de corrigir nossos conceitos e condutas.

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Efeito Papagaio e Pensamento Coletivo
Efeito papagaio é o nome pelo qual damos a atitude daquelas pessoas que
repetem tudo o que o seus líderes dizem, sem ao menos terem o mínimo cuidado de
fazerem uma análise antes. Basta algum líder religioso dizer algo ou conceito que
imediatamente as multidões repetem sem o mínimo cuidado como se aquilo fosse
verdade bíblica. Um exemplo claro disso que estamos falando, foi quando a música
gospel invadiu as igrejas brasileiras. Muitas vozes de pastores se levantaram
acusando que o “diabo é o pai do rock” e jamais poderíamos permitir que os jovens
cristãos ouvissem o chamado rock evangélico. Por isso, classificaram a música
gospel como algo do coisa ruim. Mas, para aqueles que fazem uma análise critica e
detalhada dos fatos, a pergunta seria: “Quem foi que disse que o diabo é o pai do
rock? Isto está escrito na Bíblia?” A resposta dessas mesmas pessoas prudentes
seria: “A Bíblia apenas diz que o diabo é o pai da mentira e o pai de todos os
ímpios pecadores (João 8.44; I João 3.10).” E diriam mais também: “Dizer que o
diabo é o pai do rock é dar informações extra-bíblicas e isto vai contra a Palavra
de Deus.” E mais ainda, poderíamos dizer também que quem disse que o diabo é o
pai do rock, foi nada mais nada menos que o cantor Raul Seixas aqui no Brasil. Ele é
quem inventou este conceito. Mais ninguém inventou tal conceito pelo que temos
conhecimento. Mas também alguns poderiam argumentar: “Se o diabo não é o pai
do rock, podemos dizer que foram os pecadores que inventaram o rock, e por isso
tal estilo de música não vem de Deus.” Mas também poderia haver a seguinte
resposta a tal objeção: “Nem tudo o que os pecadores produzem são coisas ruins e o
rock nada mais é do que um estilo de música e o que pesa é a letra da música, se ela
incentiva adorar a Deus ou ao diabo.” Mas outros poderiam argumentar também:
“Os que se envolvem com o rock geralmente usam drogas e adoram ao diabo.”
Novamente, poderíamos aplicar uma palavra coerente: “O estilo de vida que cada
um procura não é por influência do rock ou qualquer que seja o estilo de música. A
influência vem de seguir os astros da música. Há muita gente que canta louvor na
igreja e tem a vida mais suja que a de qualquer roqueiro.”
Por aí vemos que quando aplicamos uma crítica e análise detalhada ao que
ouvimos, chegamos a conclusões verdadeiras destituídas de qualquer preconceito.
Estes assuntos mencionados podem cobrir horas de discussão e análise. O que
importa é estarmos abertos a objeções e aptos para analisar qualquer questão. Não se
deve ter pressa em repetir o que os outros ensinam. Outro exemplo claro de
pensamento coletivo é com relação a música “Eu Nasci a Dez Mil Anos Atrás” de
Raul Seixas. Freqüentemente, vejo pessoas dizerem que quem nasceu a dez mil anos
atrás foi o diabo, e por isso esta música é do coisa ruim e também o Raul Seixas era
servo de Satanás. Considero que o cantor Raul Seixas não foi um exemplo para
nenhum jovem e que também zombava de Deus, mas as coisas precisam de análises
corretas, pois contra fatos não há argumentos. Veja a análise da referida música de
Raul:

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1. A Bíblia jamais disse que o diabo nasceu a dez mil anos atrás. Portanto, isto não
passa de uma informação extra-bíblica. Temos que ter cuidado com as chamadas
informações extra-bíblicas.
2. A música “Eu nasci a dez mil anos atrás” que Raul Seixas canta, fala de alguns
eventos históricos e bíblicos. Seria o fato de o diabo, o pai da mentira, pela primeira
vez estar contando a verdade em uma música? Pode ser que sim, pois a arte do
engano por parte do diabo é incrível, mas não vejo maldade alguma nessa música.
3. Dizem que não foi o cantor Raul Seixas que escreveu essa música. O autor dessa
música é desconhecido e por isso ela é de domínio popular. O primeiro que a cantou
foi Elvis Presley e assim Raul Seixas e Paulo Coelho resolveram gravá-la para
homenagea-lo. Se assim foi, logo o coisa ruim não inspirou Raul Seixas para
escrever esta música como muitos dizem. O cantor Raul Seixas não tinha uma vida
adequada dentro dos propósitos de Deus, mas não podemos inventar idéias falsas
sobre algumas coisas.
Conclusão: Estes exemplos citados acima, foram apenas dois em face da multidão de
conceitos e crenças que as pessoas freqüentemente inventam e repetem. É necessário
que tenhamos cuidado com os nossos conceitos e crenças. Para falar sobre
determinadas coisas, como é o caso da referida música de Raul Seixas, precisamos
ajuntar documentações que provem nossos argumentos. Antes de sair falando é
também necessário que analisemos os que são pró e contra determinado assunto.
Nunca fale nada sem apresentar provas e documentações.

Saul e a Médium de En-Dor


Todos aqueles que querem defender seus falsos argumentos não perdem tempo.
Para isto, usam até mesmo versículos da Bíblia fora de contexto para sustentar suas
idéias e convicções. Este é o caso da doutrina da comunicação com os mortos
(necromancia). Um dos relatos bíblicos mais usados para defender a comunicação
com os mortos, é aquele que diz respeito à consulta que o rei Saul fez a uma médium
na cidade de En-Dor. Nesta época o profeta Samuel já era morto, e quem lê o texto
de 1º Samuel capítulo 28 e versículos do 1 até o 25, terá a impressão que o rei Saul
conseguiu se comunicar com o falecido profeta Samuel através da mediunidade. Em
certas partes, o texto diz claramente que o falecido Samuel falou com Saul através
da médium (1º Samuel 28.15). Com isto, os defensores da comunicação com os
mortos, afirmam que se a Bíblia é inspirada por Deus, logo temos aqui uma prova
bíblica da possibilidade de se comunicar com os mortos. E mais: se Deus proibiu a
comunicação com os mortos, é por que ela é verdadeira. Na verdade, temos aqui
mais uma falsa interpretação da Bíblia fora de contexto, e sem uma análise detalhada
dos fatos. Há sete argumentos que provam definitivamente que o rei Saul não falou
com o falecido Samuel através da mediunidade, são eles:
1. Argumento Sobre o Texto Bíblico
2. Argumento Gramatical;
3. Argumento Exegético;

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4. Argumento Ontológico;
5. Argumento Escatológico;
6. Argumento Doutrinário;
7. Argumento Profético.
Antes de iniciarmos o estudo dos argumentos, devemos ter em mente que quando
Deus proibiu a comunicação com os mortos, Ele não proibiu porque ela é
verdadeira. O Senhor proibiu por dois motivos:
1º - Não é possível se comunicar com os mortos, por isso tal prática é falsa;
2º - Devemos consultar somente a Deus, a favor dos vivos não se deve consultar os
mortos.

Argumento Sobre o Texto Bíblico


O profeta Samuel já era morto (1º Samuel 25.1), e como a Bíblia ensina, a
mediunidade é pecado gravíssimo diante de Deus condenado em toda a Bíblia (ver
Levítico 20.27; Deuteronômio 18.10-12; Atos 16.18; Apocalipse 21.8). Dizer que
Samuel apareceu numa sessão de mediunidade é o mesmo que dizer que Deus abriu
uma exceção a regra indo contra sua própria Palavra. O texto de 1º Samuel 28.7 a 25
que relata a sessão mediunica foi escrito por uma testemunha ocular, provavelmente
um dos servos de Saul que o levara a necromante (1º Samuel 28.7-8). Pelo que
sabemos estes servos do rei eram geralmente estrangeiros (1º Samuel 21.7; 26.6; 2º
Samuel 23.25,39) e quase sempre eram pessoas supersticiosas. Essa crônica de 1º
Samuel 28 faz parte da história de Israel e por determinação divina entrou no livro
Sagrado. Da mesma forma que a narrativa bíblica fala dos pecados cometidos por
Davi e outros personagens, esse relato também foi contado em detalhes. Não
podemos negar a sinceridade da médium no texto, que também estava sendo
enganada. A palavra médium no grego é engastrimuthos, e significa, ventríloquo
(um de fala diferente). Esta palavra indica a espécie de pessoa usada por um espírito.

Argumento Gramatical
Se observarmos o texto de 1º Samuel 28.6, veremos que o rei Saul consultou o
Senhor Deus, mas Ele “não lhe respondeu”. O verbo hebraico nesta passagem é
completo e categórico. Deus nunca mais iria responder a Saul. Pelo fato de Deus não
ter respondido a Saul, ele foi consultar uma médium. O que aconteceu na sessão de
mediunidade não foi obra e resposta de Deus para Saul.

Argumento Exegético;
Havia três formas de Deus falar com Saul, são elas: Urim – revelação sacerdotal;
Sonhos – revelação pessoal; Profetas – revelação inspiracional da parte de Deus.
Como Samuel era profeta, ele poderia falar com Saul através da revelação

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inspiracional (profetas). Mas, como vimos, Samuel já estava morto e também Deus
não queria responder mais a Saul. Logo, o que aconteceu na sessão mediunica não
foi obra de Deus e nem o espirito de Samuel se manifestou naquela sessão
mediunica.

Argumento Ontológico;
A Bíblia ensina que o Senhor é Deus de vivos (Mateus 22.32). Portanto, após a
morte a pessoa não perde sua personalidade, a alma é imortal. Durante toda a sua
vida Samuel foi fiel a Deus e combateu a comunicação com os mortos e outros
pecados (1º Samuel 15.23). É impossível imaginar que Samuel após a morte voltasse
indo contra aquilo que pregara a vida inteira.

Argumento Escatológico;
Samuel nunca desobedeceu a Deus enquanto estava vivo. Jamais poderíamos
aceitar a hipótese de ele voltar do além para se comunicar com o mundo dos vivos,
para trazer mensagens de Deus. Isto seria desobediência da parte de Samuel. O texto
de Lucas 16.27,31 diz que nem o fato de alguém ressuscitar dentre os mortos
garantiria que as pessoas dessem ouvidos a palavra de Deus. A idéia de toda a Bíblia
é que devemos apenas consultar Deus através das Escrituras Sagradas, e não aos
mortos.

Argumento Doutrinário;
Se Deus permitisse a comunicação com os mortos, Ele teria regulamentado a
matéria, mas como os espíritos presentes em sessões mediunicas não são dos mortos,
Deus proibiu tal pratica.

Argumento Profético
O pseudo-Samuel deu algumas profecias para Saul através da médium (1º
Samuel 28.19). Ele disse que Deus entregaria Israel, Saul e seus filhos nas mãos dos
filisteus no dia seguinte, e tanto Saul como seus filhos morreriam e estariam no além
com Samuel. Tais profecias não se cumpriram conforme veremos a seguir:
1º - Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus;
2º - A profecia do pseudo-Samuel dizia que Saul seria morto pelos filisteus, mas
acontece que Saul se suicidou conforme se pode ler em 1º Samuel 31.4.
3º - Não morreram todos os filhos de Saul como insinua tal profecia. Apenas três
filhos de Saul morreram conforme se pode ver nas seguintes passagens: 1º Samuel
31.2,6 e 1º Crônicas 10.2,6.

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4º - Saul não morreu no dia seguinte conforme profetizou o pseudo-Samuel. Saul se
suicidou dezoito dias depois.
5º - O pseudo-Samuel disse que Saul e seus filhos estaria com ele (1º Samuel 28.19).
Ora, Samuel foi um verdadeiro profeta e servo de Deus e estava no paraíso junto dos
salvos. Como poderia ele afirmar que o desobediente Saul estaria com ele mesmo
após ter transgredido a Lei do Senhor consultando uma médium? Impossível, pois
Saul desobedeceu a Deus e não poderia estar com Samuel no Paraíso.

Conclusão: Quem Respondeu a Saul?


Quem teria respondido a Saul na sessão mediunica? Da mesma forma que a
Bíblia ensina que existem anjos de Deus que acampam ao nosso redor e nos
guardam (Salmo 34.7), também ensina que existem os anjos maus, os chamados
demônios. A Bíblia dá detalhes acerca desses espíritos malignos, sua natureza e
poder de engano (Êxodo 7.11,22; 8.7; Atos 16.16-18; 2ª Coríntios 11.14,15; Efésios
6.12). Tais espíritos não são de pessoas que morreram, mas são aqueles que
participaram da rebelião de Satanás nos céus e convivem com os seres humanos dia
a dia. Sabem tudo sobre a pessoa e a acompanham durante toda a vida. É justamente
por isto que tais espíritos se manifestam em sessões mediunicas assumindo a
identidade de pessoas falecidas, contando acerca de certos detalhes que só os
familiares do morto conheciam. Com isto conseguem enganar as pessoas que
consultam os mortos. É por isto que Deus proibiu tal pratica conforme já vimos.
Esses espíritos de demônios são enganadores e tentam os seres humanos durante
toda a vida. Eles são milhares de milhares e estão espalhados pelo mundo inteiro. O
apóstolo Paulo disse que nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra esses
espíritos que são “as forças espirituais do mal” (Efésios 6.12). Por isso, quando
perdemos algum ente querido, devemos consultar somente a Deus (Isaías 8.19,20).
Ao sermos de alguma forma tentados por um espirito maligno, devemos expulsá-lo
em Nome de Jesus. Assim, podemos ver que o estudo bíblico é algo profundo, e não
podemos dar crédito a quem simplesmente usa textos bíblicos fora de contexto. Os
que defendem a comunicação com os mortos, falham terrivelmente quando analisam
esse episódio da vida de Saul.

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88
Capítulo 7
Como Julgar...

Chegou o momento de você aprender como poderá julgar todas as coisas. Abaixo
há uma seqüência de técnicas de como poderá fazer julgamentos.

Como Julgar Literaturas


As literaturas tem sido um dos campos mais negligenciados em nossos dias.
Quando entramos em uma livraria secular, podemos estar pisando em um campo
minado. Há em nossas livrarias, livros com as mais terríveis heresias e há livros que
contém ensinamentos falsos de maneira sutil e camuflada. Veja abaixo algumas
regras para julgar uma literatura:
1. Antes de ler qualquer livro ore a Deus pedindo discernimento espiritual.
2. Leia com um espírito crítico. Você não é obrigado em concordar com nada escrito
em um livro, mas deve ter uma postura crítica.
3. Ao ler um livro não observe as credenciais de quem o escreveu. Não importa o
quão famoso seja o escritor e o que ele tem feito na obra de Deus. Também não
importa quem esteja recomendando a leitura do livro. Por mais famoso que o líder
seja no meio cristão, devemos lembrar que homens cometem erros.
4. Se puder observe os pontos contraditórios da obra.
5. Cuidado com mensagens sutis.
6. Se o livro possuir falsas doutrinas não o recomende a outros.
7. Retenha somente o que é bom. O fato de reter somente o que é bom não pode
fazer com que você divulgue o livro para outros se este possuir ensinamentos
estranhos.
8. Lembre-se que nenhum livro é inspirado pelo Espírito Santo. Somente a Bíblia
possui inspiração. Os demais livros são obras de homens e estão sujeitos a
julgamentos e críticas.
9. Não tenha pressa em abraçar alguma idéia contida em um livro. Lembre-se a
pressa é inimiga da perfeição.
Do mais, tenha sempre a mão às Escrituras Sagradas pois esta é a única literatura
que o leitor pode ler tranqüilamente. Não é errado escrever livros (Eclesiastes

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12.12), mas toda literatura deve estar sujeita a críticas e julgamentos. Até mesmo
este livro que você lê agora tem de estar sobre análise crítica. Há bons e excelentes
livros que ajudam a estudar a Bíblia. Mas ao ler estes livros, a Bíblia deve sempre
ter a palavra final sobre qualquer questão. Como alguns dizem: “Antes de qualquer
coisa fique com a Bíblia!”. Os melhores livros para fazer estudos profundos da
Bíblia, são: comentários bíblicos, dicionários bíblicos, livros que ensinam o
hebraico (Velho Testamento) e o grego do Novo Testamento, Bíblias de estudo,
livros sobre arqueologia e história bíblica, chave bíblica e etc. Muitas pessoas
afirmam que fulano ou cicrano se desviaram da fé ao ler determinado livro, e por
isto, tal livro não é aconselhável para leitura. Este não é um critério correto para
julgamento de literaturas. Por exemplo, há pessoas que se desviam fazendo uma má
interpretação da Bíblia. E nem por isso a Bíblia deixa de ser a Palavra de Deus! O
mesmo se aplica a qualquer tipo de literatura. Uma literatura não pode ser julgada
como um mau livro simplesmente pelo fato de alguém ter se desviado da fé ao lê-la
ou não. É preciso haver coerência em nossos julgamentos. Também não se pode
negar o fato de que há livros que podem destruir a fé das pessoas.

Como Julgar Doutrinas


Quando uma pessoa agarra uma idéia, não há quem seja capaz de tirar da cabeça
dela tal idéia. Doutrinas são como a embriaguez do vinho. Uma pessoa doutrinada
com lavagem cerebral é como alguém embriagado. Somente a misericórdia de Deus
para salvar tal pessoa. O campo das idéias e doutrinas é um terreno minado. Alguns
estudiosos afirmam que, quando uma pessoa se desvia de alguma igreja cristã,
freqüentemente (na maioria das vezes) ela volta arrependida, mas quando a pessoa
abraça uma doutrina, dificilmente ela volta. Veremos agora quais os critérios
necessários para julgar doutrinas:
1. Não tenha pressa em abraçar uma idéia. Por mais interessante que seja uma
doutrina, conceito ou prática e por mais espiritual e conceituado que seja o líder que
esteja ensinando tal doutrina, conceito e prática, saiba que homens cometem erros e
que nada é tão empolgante e maravilhoso que não possa ser mentira.
2. Quando aparecer uma novidade doutrinária ou uma determinada prática pergunte
a si mesmo:
a) Jesus e os apóstolos se preocuparam em ensinar estas coisas?
b) Os apóstolos aderiram tal prática?
3. Tenha o costume de analisar o contexto das passagens bíblicas fornecidas para
defender uma doutrina.
4. Veja se o líder que ensina uma determinada doutrina ou novidade, está querendo
promover a si mesmo ou a glória de Deus.
5. Cuidado com doutrinas que dizem que foram reveladas por anjos: “Mas, ainda
que nós, ou mesmo um anjo vindo céu vos pregue evangelho que vá além do que vos
temos pregado, seja anátema. Assim como já dissemos, e agora repito, se alguém

90
vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.” (Gálatas
1.8,9). Muitos fundadores de religiões afirmam ter recebido revelações de anjos. E
estas revelações vão contra o evangelho de Cristo. Visões, revelações, tudo isto é
muito perigoso (Colossenses 2.16 a 19) e devemos ficar somente com aquilo que
está escrito na Bíblia.
6. Muitos ultrapassam a doutrina de Cristo: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina
de Cristo e nela não permanece, não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse
tem assim o Pai, como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta
doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele
que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2ª João 1.9, 10,11). Há
membros de uma determinada religião que vão de casa em casa pregando suas
doutrinas. Eles vendem suas literaturas, livros, revistas e fazem seguidores por toda
a parte. São estes mesmos que ultrapassam a doutrina de Cristo, que negam a
Divindade de Cristo, negam a existência da vida após a morte, proíbem a transfusão
de sangue. Suas mensagens giram em torno de que a terra se tornará um paraíso e
quando chegam nas casas não pregam que o pecador deve se arrepender de seus
pecados e aceitar a Jesus. Não os receba em sua casa. Não se faça cúmplice de usas
obras más. Existe uma outra determinada religião que vende livros sobre saúde, e os
vendem de casa em casa também. Esta religião costuma através disso chegar de
mansinho para ganhar novos adeptos. São os mesmos que afirmam ser obrigatório
guardar o Sábado como dia de descanso e adoração ao Senhor, negam a imortalidade
da alma e afirmam que Jesus Cristo é o arcanjo Miguel. Esses também ultrapassam a
doutrina de Cristo.
7. Lembre-se: toda a moeda tem dois lados, e somente ouvindo um lado por mais
interessante e fascinante que seja você não chegará a verdade dos fatos.

Como Julgar Pregações


A pregação feita por um líder em um culto cristão, é algo que exige muita
responsabilidade por parte de quem prega. Geralmente, usa-se um versículo para
fazer a pregação e em cima daquele versículo o líder cristão fica uma ou duas horas,
explanando, explicando e fazendo ilustrações. Há líderes cristãos que usam vários
versículos da Bíblia. Mas, para ficar atento contra algum absurdo numa pregação,
siga as seguintes dicas:
1. Ore a Deus para que possa abrir sua mente na hora da pregação.
2. Observe o tom de agressividade do pregador. Há pregadores que são
extremamente agressivos na hora de pregar. Usam a voz para manipular e colocar
medo nas pessoas. Geralmente este tipo de pregador não possui um conteúdo bom
em sua pregação.
3. Se no dia da ceia o pregador transforma a igreja num clima de medo e costuma
pregar pesado, tome cuidado, este pregador pode ser prejudicial para sua saúde
espiritual.

91
4. Observe o quanto o pregador usa o púlpito para falar em dinheiro. Se não
consegue falar em outra coisa a não ser em dinheiro, tome cuidado com tal pregador.
5. Não repita “amém” e nem qualquer outra frase que o pregador pedir para a igreja
repetir. Repita frases somente quando quiser, pois você não é obrigado. É muito
perigosa esta pratica dentro da igreja, pois este tipo de prática pode induzir você a
concordar com ensinamentos errados.
6. Cuidado com pregações de programas religiosos que passam na televisão. Fique
atento! Às vezes é melhor assistir qualquer outro tipo de programa na TV, do que
assistir a certos programas religiosos que prometem vida fácil.
7. O pregador que costuma insistir muito em organizar correntes e campanhas
quando está pregando, demonstra possuir ensinamento fraco em sua pregação. Este
não é o tipo de pregação que edifica a pessoa.
8. Cuidado com pregadores que usam a Bíblia como se fosse uma carta de baralhos.
Há pregadores que abrem a Bíblia aleatoriamente na hora do culto, dizendo que
onde abrir a Bíblia é revelação de Deus. E daí fazem pregações em versículos fora
de contexto. Nestes casos podem acontecer as mais variadas coisas, inclusive
pregações que não são fáceis de digerir.
9. Observe aqueles pregadores que incitam o povo a levar vantagem em tudo.
Infelizmente, tem havido uma geração de “cristãos” que gostam de levar vantagem
em tudo porque foram vítimas de pregações desse tipo.
10. Cuidado com líderes religiosos que gostam de dar shows nos altares. Há muitos
líderes que são verdadeiros artistas, conseguem cativar as pessoas, mas podem ser
verdadeiros enganadores.
11. Do mais, retenha somente o que é bom.

Como Julgar Testemunhos Pessoais


Tem gente que está disposta a tudo. Não podem ouvir um testemunho
excepcional que já dão crédito. Por mais interessante que seja uma história contada
em um testemunho pessoal, não devemos nos mover pela emoção e dizer amém logo
em seguida. Devemos analisar e julgar todas as coisas e reter o que é bom.
1. Ao ouvir um testemunho tenha um espírito crítico. Você não é obrigado em
concordar com idéia alguma por mais espiritual que a pessoa possa parecer.
2. Fique atento com aqueles testemunhos fantasiosos de pessoas que foram
arrebatadas até o céu e o inferno. Neste tipo de testemunho, se quiser poderá
procurar pelos pontos contraditórios e fantasias para poder refutá-lo. Ninguém
precisa ir para o inferno e depois voltar para poder exortar o povo, basta à verdade
da Palavra de Deus, veja: “Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os profetas;
ouçam –nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter
com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés

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e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre
os mortos” (Lucas 16.29,30 e 31).
3. Observe testemunhos de pessoas que levam vantagem nos negócios. Já vi irmãos
darem testemunho em que Deus dá vantagem financeira só para eles em detrimento
da perda dos outros.
4. Ao julgar um testemunho, tenha cautela, discernimento e responsabilidade. Se o
testemunho for questionável jamais o divulgue a outros.
5. Enfim, saiba que por mais fantástica que seja uma história em um testemunho,
seja ele de conversão ou de arrebatamento, prosperidade etc, o que vale em primeiro
lugar é a Escritura Sagrada.

Como Julgar Revelações


O dom da revelação (1ª Coríntios 14.30) é um dom muito negligenciado também.
Muitos se utilizam deste dom do Espírito para manipular as pessoas menos
desavizadas. Certa vez uma mulher perguntou para um líder religioso se ele
acreditava em revelação. Ele respondeu que a única revelação que acreditava era a
Bíblia Sagrada. Concordo plenamente, a Bíblia é a única revelação que devemos
buscar e moldar nossas vidas através de seus conselhos. Mas não podemos negar que
existem pessoas que Deus usa para nos revelar alguma coisa, e também não
podemos desprezar profecias (1ª Tessalonicences 5.20,21). Não podemos também
ficar dia e noite atrás de revelações. Qualquer revelação que ultrapasse aquilo que
está escrito na Bíblia é falsa, e não devemos dar crédito. Aqui vai algumas dicas para
saber se uma revelação vem de Deus ou não:
1. Ao receber uma revelação em um culto, tenha um espírito crítico. Analise,
verifique corretamente o que foi revelado. Veja, por exemplo, se você já comentou
com alguém da igreja sobre sua vida ou atual condição de saúde e situação
financeira. Muitas vezes os manipuladores já sabem o que você está passando em
sua vida e usam este artifício para dizer que Deus está revelando você.
2. Se algum pregador apontar para você e dizer que o Espírito de Deus está
revelando algo sobre você, veja se a informação da revelação bate com a realidade
de sua vida. Qualquer informação incorreta sobre você faz com que a revelação seja
suspeita.
3. Observe, o conteúdo doutrinário de uma revelação. Já vi um pregador afirmar
para uma mulher que Deus estava revelando que os filhos dela queriam por televisão
dentro de casa, mas Deus iria dar a vitória para não por este mal dentro de sua casa.
O fato é que a igreja de tal pregador proíbe o cristão de ter televisão ao ponto de
excluir o mesmo da igreja. É óbvio que este tipo de revelação é suspeito e não vem
de Deus. Pois, se Deus revela que alguém não pode ter televisão em casa porque é
pecado, Ele o revelaria para todo o corpo de Cristo. Portanto, cuidado!
4. Existe também às revelações especiais, como por exemplo, de pessoas que dizem
ser arrebatadas pelo Espírito e vão até o céu ou ao inferno, e dizem coisas fantásticas

93
que viram Jesus e etc. Acontece, que às supostas revelações espirituais de nossos
dias se contradizem com aquelas que os profetas tiveram. Tanto pelo conteúdo
doutrinário como pelas coisas que acontecem durante a revelação. Muitos afirmam
ter falado com Jesus e ido ao céu, mas nos dá impressão que conversaram com um
Jesus comum e nada aconteceu em suas vidas. Quando os profetas na Bíblia
recebiam revelações vindas de Deus através de visões e sonhos, algumas coisas
acompanhavam a revelação. Veja, como eram as revelações no Antigo e Novo
Testamento:
• A revelação de Jacó (Gênesis 32.22 ao 32):
Quando Jacó se encontrou com o Anjo do Senhor, lutou com ele até ao romper
do dia. Após este encontro nunca mais Jacó foi o mesmo, pois não somente teve seu
nome mudado por Deus, como também ao amanhecer manquejava de uma coxa
(Gênesis 32.28,30,31). Todo o encontro com Deus produz uma profunda mudança.
• O profeta Daniel (Daniel 10.1 ao 11):
O profeta Daniel ao receber uma visão de Deus, ficou sem força alguma, seu
rosto mudou de cor, ficou desfigurado e caiu sem sentido em terra. Quão grande e
diferente são as visões e revelações de nossos dias! Muitos passeiam pelo céu e o
inferno como belos bailarinos cósmicos, e nada de transformador acontece a eles.
• O profeta Isaías (Isaías 6.1 a 13):
O profeta Isaías teve uma grandiosa visão. Ele viu a glória do verdadeiro Deus. A
visão foi tão chocante que ele disse: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem
de lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios, e os meus olhos
viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Isaías 6.5). Hoje em dia nas revelações
espirituais, muitos conversam com Jesus como se estivessem conversando com um
homem comum. Nada de glorioso e grandioso acontece. A glória de Deus é
tremenda e homem algum pode suportá-la se Deus não o ajudar.
• O apóstolo Paulo (2ª Coríntios 12.1 ao 10):
O apóstolo Paulo teve uma visão tão grandiosa do paraíso, que para não glorificar
a si mesmo, evitou falar diretamente que foi ele que a teve, mas disse que
“Conhecia um certo homem em Cristo que, há quatorze anos foi arrebatado até ao
terceiro céu, se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe.” (2ª Coríntios
12.2). E para que realmente Paulo não se glorificasse pela grandeza da revelação, ele
disse que foi lhe posto um espinho na carne afim de que não se glorificasse (2ª
Coríntios 12.7,8,9).
• O apóstolo João (Apocalipse 1.9 ao 20):
O apóstolo João ao ter a visão de Jesus glorificado, desmaiou ante seus pés como
morto (Apocalipse 1.17).
Os mestres do engano são espertos e poderão dizer que passaram por todas essas
experiências dos profetas e apóstolos. Mas, como a mentira não é completa, neste
caso será o conteúdo da revelação, a doutrina e o estilo de vida que desclassificará o
falso mestre e profeta.

94
Como Julgar Profecias
As profecias constituem um campo um tanto perigoso. Um falso profeta pode
trazer danos espirituais terríveis na vida das pessoas. Já vi casamentos serem feitos a
base de profecias e depois de um tempo houve separação. Portanto, profecias são
uma coisa séria! A Bíblia também nos ordena julgar profecias (1ª Coríntios 14.29).
Assim, como em outros assuntos deste capítulo, abaixo colocamos alguns pontos
que julgamos necessários sobre a questão de julgar profecias, e para começar, vamos
ler primeiro o texto de Deuteronômio 18.21-22: “Se disseres no teu coração: Como
conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Sabe que quando esse profeta falar,
em nome do Senhor, e a palavra dele não se cumprir nem suceder, como profetizou,
esta é a palavra que o Senhor não disse; com soberba a falou o tal profeta: não
tenhais temor dele.” De acordo com este versículo, o critério bíblico para conhecer a
palavra que Deus não falou é o fato da profecia do falso profeta não se cumprir.
Quando se diz, não tenhais temor dele, podemos concluir que não devemos ter
respeito por tal profeta. Mas, também pode ocorrer da profecia de um falso profeta
se cumprir. Para isto Deus nos deu outro critério para saber se o profeta é falso ou
não, veja: “Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti, e te anunciar um
sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, e
disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás
as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova,
para saber se amais o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, e de toda a
vossa alma.” (Deuteronômio 13.1 a 3). Veja, a palavra de Deus é clara, o falso
profeta pode até acertar sobre o acontecimento, mas, neste caso é a falsa doutrina
que classifica esse profeta como falso. Isto vemos quando se diz: “Vamos após
outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los”. A astrologia, por exemplo, tem
uma certa margem de acerto, mas o ensinamento da astrologia não é bíblico e é
condenado por Deus. Há no meio cristão muitos que fazem profecias e muitas das
vezes tais profecias são cumpridas. Mas, esses profetas estão carregados de
doutrinas e ensinamentos controvertidos. Veja, abaixo alguns outros critérios para se
defender dos falsos profetas:
1. O tempo é pior inimigo dos falsos profetas. Não tenha pressa em acreditar em um
profeta, apenas espere pelo tempo para ver se a profecia do profeta vem de Deus ou
não.
2. Tenha sua fé alicerçada em Jesus Cristo apenas. Infelizmente, muitos cristãos
vivem correndo atrás de profecias e revelação como se a igreja fosse um lugar
místico para previsões de futuro e acertos na vida amorosa. Creia no que o Senhor
Jesus disse na Bíblia. Se Ele quiser te revelar alguma coisa, Ele o fará!
3. Quando um pastor diz ter uma profecia, mas ele costuma agir em tom ameaçador
contra aqueles que fazem perguntas ou questionam a profecia, tenha cuidado com tal
líder. Um verdadeiro profeta de Deus não pode agir com ameaças contra aqueles que
questionam corretamente sua profecia.

95
4. Jesus deixou bem claro que os falsos profetas são lobos roubadores (Mateus 7.15
a 23), que roubam a paz, o dinheiro, e as propriedades daqueles que são por eles
enganados.

Como Julgar Milagres


Os milagres tem sido outra área extremamente negligenciada em nossos dias.
Muitos milagres supostamente têm acontecido e temos ouvido muitos testemunhos
com afirmações de que Deus curou quando na verdade nada aconteceu. Veja alguns
critérios para saber se um milagre vem de Deus:
1. O milagre fez bem para a pessoa?
2. Foi feito em Nome de Jesus?
3. Deus foi glorificado com a realização do milagre?
4. A doutrina em volta do milagre está de acordo com a Bíblia?1
Ou seja, a pessoa que recebeu o milagre está numa comunidade que realmente
ensina as Escrituras corretamente? Há milagres que podem ocorrer dentro de seitas
com a afirmação de que Jesus curou e com isto a pessoa acaba se entregando a falsas
doutrinas. Neste caso não podemos afirmar que tal milagre foi operação de Deus.
Pode acontecer de uma pessoa sincera não entender o que um falso mestre esteja
dizendo e receber um milagre de Deus em Nome de Jesus. O que vale neste caso é a
fé da pessoa e com certeza Deus não permitirá que a pessoa siga tal mestre. Nem
sempre vamos ter o discernimento correto se um milagre foi realizado por Deus ou
não. No caso de uma pessoa afirmar que recebeu um milagre de Deus, e com isto
glorificar algum ídolo ou líder humano por causa do milagre, podemos afirmar que
tal milagre não foi realizado por Deus. Muitos milagres são questionáveis, e, não é
porque a pessoa disse que foi curada que podemos aceitar que foi realmente. Tudo
também pode ser provado por um exame médico antes e depois. Todos os milagres
de Jesus eram provados. Pessoas que conheciam cegos, paralíticos e leprosos e que
puderam ver os milagres de Jesus na vida dessas pessoas problemáticas, puderam
comprovar de perto a autenticidade dos milagres do Senhor. Portanto, os milagres de
Jesus eram provados com provas incontestáveis. Só para citar dois exemplos,
quando Jesus curou um cego de nascença, muitos chegaram a dizer: “Então os
vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam: Não é
este o que estava assentado pedindo esmolas? Uns diziam: É ele. Outros: Não, mas
se parece com ele. Ele mesmo, porém, dizia: Sou eu.” (João 9.8,9).
Outro exemplo, é a cura que Pedro fez em Nome de Jesus em um coxo de
nascença que pedia esmolas no Templo. As pessoas no Templo viram ele ser curado
e reconheceram ser ele mesmo que pedia esmolas (Atos 3.1 ao 10). Hoje em dia,
vemos muitos líderes religiosos fazendo propaganda afirmando que muitos são
curados em suas igrejas quando na verdade a história não é bem assim. É preciso ter
cautela para que não caiamos em falsas promessas. Eis a questão: “Milagres
realmente acontecem?” Para se crer em milagres vai depender de sua visão de
mundo. Se você tem uma concepção natural do mundo que tudo acontece de modo

96
natural e que Deus não existe, obviamente estará impedido de crer em milagres. Se a
pessoa crê que Deus existe e que intervém em nosso mundo, obviamente poderá
acreditar que milagres são possíveis. Crendo ou não que milagres são possíveis, não
faz diferença com relação a verdade sobre milagres. A Bíblia afirma expressamente
que milagres são possíveis. Mas aí surgem outras questões: “Se Deus realmente
cura as pessoas, porque existem tanta gente nos hospitais necessitando de cura?
Deus sendo amor porque não cura a todos?” Os milagres dependem de duas coisas
para acontecer: Fé e Soberania de Deus. O Senhor Jesus quando esteve na terra não
curou a todos. Quando Jesus curou um paralítico no tanque de Betesda (João 5.1 ao
13), podemos notar nesta narrativa que pela multidão que havia ali, só aquele
paralítico foi curado (João 5.3). Quando Elias era profeta em Israel, o céu se fechou
por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra. E das muitas
viúvas que havia em Israel naquela época, Deus enviou Elias somente para uma que
morava em Sarepta de Sidom (Lucas 4.25, 26). Também havia muitos leprosos em
Israel nos dias do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi curado senão Naamã, o siro
(Lucas 4.27). Quando foi posto um espinho na carne de Paulo, ele pediu três vezes
ao Senhor pela cura, mas Deus não o respondeu (2ª Coríntios 12.7,8). Este espinho
foi posto na carne de Paulo para que ele não se ensoberbecesse devido a grandeza
das revelações recebidas (2ª Coríntios 12.7). Não há um consenso entre os
estudiosos sobre o que seria este espinho na carne de Paulo. Mas pode ter sido uma
doença. O fato é que Deus muitas vezes não cura uma pessoa devido a sua
Soberania. Imagine o que teria acontecido com o ministério de Paulo, se não tivesse
sido posto esse espinho na sua carne? Ele se ensoberbeceria com as grandezas das
revelações de Deus, e a trajetória de Paulo na vida cristã teria sido um fracasso.
Deus sabe o que faz e que fim terá todas as coisas. Assim como o aluno não pode
ensinar o mestre por achar que o método dele seja incorreto, também não podemos
ensinar a Deus e entender Sua ação misteriosa. Mas, tudo tem um propósito nesta
terra. Quem somos nós para discutir com Deus e dizer que Ele está errado? “Quem
és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura pode o objeto perguntar a
quem o fez: Por que me fizeste assim?”(Romanos 9.20). O que queremos nem
sempre é o certo, pois os caminhos de Deus não são os nossos: “Porque os meus
pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus
caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra,
assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus
pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55.8,9).
Podemos e devemos clamar e orar pela cura. Devemos orar pelos enfermos e ungi-
los com óleo: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e
estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. E a oração
da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados,
ser-lhe-ão perdoados”(Tiago 5.14,15). O primeiro milagre que Jesus fez foi o de
transformar a água em vinho (João 2.11). Ele transforma a vida do pecador da água
para o vinho. Este é o principal milagre que todos devem buscar. É o milagre que
dura para a vida eterna. E o segundo fator que impede a pessoa de ser curada é a
falta de fé. Muitos não são curados porque não querem exercer a sua fé (Hebreus
11.6), pois sem fé é impossível agradar a Deus. Os milagres também são usados por
Satanás para enganar às pessoas. O Senhor Jesus afirmou que muitos viriam em seu

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Nome e fariam muitos milagres, grandes sinais e prodígios que se fosse possível,
enganaria até mesmos os escolhidos de Deus (Mateus 24.5,11,23,24).
Quando o anticristo se manifestar na terra, ele virá segundo a eficácia de Satanás,
“com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano...”(2ª
Tessalonicenses 2.9,10). É por isso que na Bíblia Satanás é chamado de “sedutor”
(Apocalipse 20.10). Ele seduz as pessoas do mundo inteiro com seus enganos. As
pessoas não se dão conta do tamanho desses enganos e são enganadas diariamente. É
justamente por isso que a Bíblia diz que o mundo inteiro está nas mãos do maligno
(1ª João 5.19). Os milagres feitos pelo enganador são parecidos com os milagres
feitos por Deus. Quando Moisés e Arão estiveram perante Faraó, Arão lançou sua
vara diante de Faraó e seus oficiais, e ela se tornou em serpente. O mesmo fizeram
os sábios e encantadores do Egito com suas ciências ocultas. Mas, havia uma
diferença entre o milagre de Deus e dos sábios do Egito: a vara de Arão devorou as
serpentes deles (Êxodo 7.10,11,12). Há muita gente que diz receber espíritos de
médicos falecidos para efetuar operações espirituais, e ao mesmo tempo usam a
Bíblia, falam de Jesus, rezam o Pai nosso, mas não são verdadeiros cristãos. Eles
fazem suas operações espirituais sem fins lucrativos, muitas vezes ajudam os pobres,
mas tudo isto faz parte do engano de Satanás para cegar as pessoas. As supostas
curas espirituais não são reais, não trazem uma transformação de vida pela fé em
Jesus Cristo, não produzem a salvação eterna e muito menos a pessoa glorifica e
adora a Jesus Cristo como Deus. Observe a atitude dos canais de televisão. Quando
mostram as supostas curas e operações espirituais, eles não costumam colocar a
opinião daqueles que realmente se opõem a essas coisas. Mostrar só um lado da
moeda é costume de muitos jornalistas. Gostam de criar polêmica e com isto
ganham muita audiência. Para muitos a audiência está em primeiro lugar. O engano
é poderoso, e precisamos estar atentos diante do que assistimos na televisão.
Tenhamos discernimento e espírito crítico.

Como Saber se Alguém Realmente


Está Falando em Línguas
O dom de línguas (1ª Coríntios 12.10) é uma questão individual. Não podemos
saber se realmente uma pessoa está ou não falando em línguas. Mas, muitos se
perguntam: “Fulano ou cicrano fala em línguas ao orar dentro da igreja, e sua vida
não é compatível com esse dom.” Ou como muitos dizem: “Já vi pastores que
falavam em línguas, mas depois caíram de tal maneira que abandonaram a fé.”
Falar em línguas falsamente, qualquer um pode falar encima dos altares das igrejas,
e assim poderá levar às platéias ao delírio, por acharem que este ou aquele líder é
espiritual e Deus está com ele. Por exemplo, se eu subir em um altar de igreja e
pegar o microfone e dizer: “orikan-dalabaia”. Muitos irão pensar que estou falando
em línguas, e muitos poderão até mesmo se emocionar e chorar por acharem que
Deus está agindo, quando na verdade não está. Assim também a manipulação pode
acontecer em uma igreja. Um líder extremamente carismático consegue tirar choros
e gritos ao falar encima de um altar. Muitos afirmam que a unção de Deus está sendo
derramada em uma reunião e que Deus está ali. Deus não está presente em uma

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reunião por causa dos gritos, pulos e pessoas falando em línguas. Ele está presente
porque prometeu que “...onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali
estou no meio deles” (Mateus 18.20). É claro que a presença de Deus traz alegria,
mas nunca confunda uma platéia empolgada com unção de Deus. É difícil ter um
certo discernimento sobre quando uma platéia está realmente entusiasmada por
causa da presença de Deus. É necessário apenas que não nos preocupemos se este ou
aquele está realmente falando em línguas ou não. Se você sente ou não a presença de
Deus em culto cristão, também não é importante, porque devemos andar pela fé, e
não pelo que sentimos ou vemos.

Como Saber se Uma Oração foi Feita


Corretamente e Aprovada por Deus
“... não sabemos o que havemos de pedir como convém...” (Romanos 8.26,27).
Ninguém sabe orar como convém, mas como poderemos ter a certeza de que um
líder religioso está orando corretamente? Como ter certeza de que a oração dele é
aceita por Deus? A Bíblia nos ensina que devemos pedir diretamente a Deus em
Nome de Jesus (João 14.13,14). Jesus é o único mediador entre Deus e os homens
(1ª Timóteo 2.5). Portanto, não podemos fazer pedidos de oração para supostos
intercessores, como santos falecidos. O mediador e intercessor é somente o Senhor
Jesus Cristo (1ª João 2.1 e 5.14, 15). Nas orações feitas por líderes religiosos,
existem também as vãs repetições: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os
gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos” (Mateus 6.7).
Um exemplo atual de vãs repetições é o famoso “rogai por nós, rogai por nós,” que
são repetidos várias vezes. Essas são orações que Deus não ouve.

___________________________________________

BIBLIOGRAFIA

1. Apostilas da Agir – Agência de Informações Religiosas (sem data).

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100
Capítulo 8
- Os Cuidados do Cristão -
- Discernir é Preciso! -

Neste capítulo, vamos estudar sobre alguns cuidados que o cristão deve ter em
diferentes setores do cristianismo.

Os Cuidados na Música Cristã


Infelizmente, também existem problemas na música cristã atual. Grupos musicais
com ensinos controvertidos têm conseguido conquistar com sucesso o coração de
boa parte dos cristãos. Um determinado grupo musical cuja sua igreja nega a
doutrina da Trindade, está conquistando o coração de muitas pessoas em nosso país
devido as suas músicas que geram impacto profundo e grandes emoções. Devido as
emoções fortes causadas pela música, muitos são arrebanhados por esses grupos
musicais.

Na Educação Teológica
Infelizmente, não está havendo atualmente uma formação teológica adequada! O
fator que tem contribuído para isto é o grande número de escolas e institutos bíblicos
despreparados, por toda a parte. Desta forma, continuaremos vendo a pratica de um
cristianismo mais propenso aos sentimentos do que a pensar e refletir. Tudo
acontece por causa de um anti-intelectualismo que permeia grande parte de várias
igrejas cristãs. Hoje em dia é muito fácil se tornar um líder, missionário e etc. Parece
não existir mais critérios de seleção para alguém ingressar em uma escola de
teologia. Há alguns anos atrás era necessário a pessoa estar filiada a uma igreja, ter
um chamado para poder ingressar em uma escola teológica. Não sou contra que
todas as pessoas possam ter acesso a uma escola de teologia, mas o problema é que
tem surgido muitas fábricas de diplomas. Muitas faculdades estão dando diplomas
de bacharel em teologia para pessoas que apenas estudaram um ano do curso.
Muitos se tornam líderes com apenas um ano de curso, com aprendizado
extremamente reduzido. Outro problema que aborrece muito os cristãos verdadeiros,
é que muitas escolas de teologia em vez de estarem compromissadas com a Palavra
de Deus, estão na verdade sendo um verdadeiro centro de ensinamentos
questionáveis. Se caso uma pessoa quiser ingressar em uma faculdade de teologia
séria, existem alguns critérios que deverá seguir:

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1. Examine o conteúdo que será ensinado no curso. É necessário que o curso tenha
teologia sistemática, hermenêutica, línguas bíblicas (grego e hebraico), exegese,
história da igreja, ética cristã e outras matérias que são importantes para o ensino
cristão.
2. Procure pessoalmente a escola de teologia.
3. Verifique se a posição doutrinária da escola não vai entrar em conflito com a
posição de sua igreja. Há escolas que criam problemas para os alunos mesmo
quando se trata de questões secundárias do cristianismo.
4. Converse com ex-alunos e com líderes que tem conhecimento sobre determinada
escola para saber suas opiniões sobre ela.
5. Verifique a duração do curso.
Dentro de nossas limitações, estes foram alguns critérios que julgamos
necessários para quem quiser ingressar em uma faculdade teológica séria. Muitos
afirmam ignorantemente que um líder não precisa estudar teologia, mas precisa sim
de “joelhologia” (orar de joelhos dia e noite), porque a letra mata, e quem estuda
teologia é carnal e é Jesus quem faz um líder de verdade. Por causa deste anti-
intelectualismo que permeia em muitas igrejas, é que existem tantos falsos mestres e
ensinos controvertidos. Creio que é Jesus quem faz um líder de verdade, mas é a
própria Palavra de Deus que diz que às Escrituras devem ser estudadas.

Nas Livrarias Cristãs


Muitas livrarias cristãs (não todas) se tornaram um campo minado para o cristão.
Algumas estão vendendo Bíblias das Edições Paulinas. Qual seria o problema disso?
O problema não é a Bíblia em si, mas o conteúdo das explicações de rodapé que as
Bíblias das Edições Paulinas possuem. São explicações e comentários de passagens
bíblicas feitos por teólogos do clero do Vaticano. Assim, por exemplo, o cristão
recém convertido, entra em uma livraria cristã compra uma dessas Bíblias e terá a
oportunidade de ler muitos comentários com idéias do Vaticano sobre às Escrituras.
É preciso que estejamos atentos a isto! Também não podemos fechar os olhos para o
fato de que muitos livros e fitas de pregações de seitas têm tido espaço nas livrarias
cristãs. Muitas das seitas estão tendo sucesso com suas literaturas no meio dos
cristãos.

Ao Escolher Uma Igreja


Certa vez um pregador disse que iria chegar uma época tão difícil para o mundo
cristão que o lugar mais perigoso seria sentar em um banco de igreja. E esta época
chegou! Nunca esteve tão perigoso o envolvimento com o mundo religioso. Devido
ao grande número de igrejas e denominações que têm surgido, os cristãos devem
discernir no momento de escolher o seu local de cultuar a Deus. Existem milhares de
igrejas e denominações sérias espalhadas pelo mundo. Vamos estudar agora alguns

102
critérios para que você possa saber como escolher uma igreja séria e ter um bom
desempenho espiritual:
1. Nunca freqüente igrejas que dão muita ênfase ao dinheiro. Existem ministérios
que não sabem falar em outra coisa a não ser em dinheiro.
2. Ao escolher uma igreja dê preferência para aquelas igrejas mais conhecidas no
meio tradicional ou pentecostal tradicional. Não é porque uma denominação seja
nova que ali não seja o local correto para você freqüentar e cultuar a Deus. Mas, o
problema é que tem surgido diversas igrejas novas com muitas idéias controvertidas
e aí fica difícil saber quais as intenções dos líderes destas igrejas.
3. Não tenha preferência por aquelas igrejas que dão muita ênfase as chamadas
“correntes”. Existem igrejas que se dedicam muito a correntes da “prosperidade”,
“corrente da quebra de maldições”, “corrente da mesa branca” e etc. Estas igrejas
costumam ser superficiais no ensino.
4. Quando procurar uma igreja, procure saber se o líder de tal denominação tem a
preocupação com o ensino. Existem muitas igrejas que só ensinam o “leite,” o
básico da fé cristã (Hebreus 5.12 ao 14 e 1ª Coríntios 3.2). É preciso que a igreja
tenha um bom ensino tanto nos cultos como na escola dominical.
5. Peça ao líder da igreja que você quer freqüentar uma lista do que eles crêem. Se a
igreja nega as doutrinas fundamentais do cristianismo, fuja de tal denominação, pois
há igrejas que usam uma fachada cristã, mas negam doutrinas fundamentais do
cristianismo. Veja um exemplo resumido da lista das doutrinas fundamentais do
cristianismo:
A igreja que você se associar tem que apoiar seus ensinamentos
na Bíblia somente, e por isso tem que crer:
• Na Trindade (Deuteronômio 6.4; Mateus 28.19; João 10.30);
• Que Jesus Cristo é Deus (João 1.1; Romanos 9.5; Hebreus 1.8-9 comparar com
Salmo 45.6-7; 1ª João 5.20);
• Que o Espírito Santo é Deus e possui personalidade assim como o Pai e o Filho
(Atos 5.3-4 e 7.51 comparar com Salmo 78.18,19; João 14.26; 1ª Coríntios
2.13);
• Que a Salvação é somente pela fé em Jesus Cristo sem o auxílio de boas obras
(Efésios 2.8,9);
• Que Jesus é o único que pode salvar o pecador (Atos 4.11,12);
• Que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens sem a necessidade de
outros mediadores (1ª Timóteo 2.5);
• A Bíblia é a única regra de fé e prática do cristão (2ª Timóteo 3.14 a 17);
• Que Jesus ressuscitou corporalmente, ou seja, ressuscitou literalmente (João
20.25 ao 29; 1ª Coríntios 15.20);
• No nascimento virginal de Jesus Cristo, ou seja, que Jesus nasceu de uma
virgem (Lucas 2.6-7);
• Não poderá negar a existência do pecado (Romanos 3.23). Há templos
religiosos disfarçados de igrejas que negam a existência do pecado, das doenças
e etc;

103
• Não pode negar a existência da condenação eterna para aqueles que se recusam
aceitar Jesus (Mateus 25.41, 46);
• Na imortalidade da alma (Apocalipse 6.9).
Qualquer ensinamento errado com relação há somente uma dessas doutrinas
citadas acima, faz com que uma religião seja uma seita que prega heresias. Para mais
informações sobre a doutrina cristã, consulte no final deste livro no tópico Obras
Importantes Para Pesquisa, uma lista de bons livros cristãos que poderá ajudá-lo em
suas pesquisas e edificação espiritual.
6. Cuidado com seitas que usam a terminologia cristã. Há grupos que se dizem
cristãos e que são a igreja de Jesus Cristo, mas paralelo a Bíblia usam um livro que
diz ser ‘sagrado’ ou um ‘outro evangelho de Cristo’. Estes grupos não pregam o
verdadeiro evangelho de Jesus Cristo (Gálatas 1.8,9).
7. Se uma denominação religiosa ensina que a Bíblia não pode ser entendida sem o
auxílio de alguém com mais conhecimento, ou se é extremamente necessário o uso
de literaturas para entender a Bíblia, fuja desta denominação. O correto é que as
pessoas possam ter o direito ao livre exame das Escrituras. Lembre-se do que já foi
dito neste livro: a leitura da Bíblia não é complicada, quem a complica são os
religiosos.
8. Cuidado com grupos religiosos fechados. Há grupos religiosos que são sectaristas,
só eles possuem a verdade e só quem está com eles é que poderá ir para o céu.
9. Existem denominações religiosas que não incentivam o estudo da Bíblia. Dizem
os líderes de tais denominações que o estudo das Sagradas Escrituras é coisa do
homem, algo carnal. Os líderes dessas denominações costumam escravizar o povo.
10. Cuidado com igrejas que afirmam ser errado pregar o evangelho nas ruas.
Existem diversas denominações com fachada cristã que dizem que é errado pregar o
evangelho pelas ruas.
Dentro de nossas limitações, cremos ter aqui uma pequena ajuda para quem quer
freqüentar uma igreja séria e compromissada com a Palavra de Deus. Para um
estudo adicional leia abaixo como saber se uma igreja tem o potencial de se tornar
uma seita.

Como saber se uma igreja tem o potencial


para se tornar uma seita?
Muitas igrejas começam dentro da corrente cristã e paulatinamente vão se
desviando da verdade com o tempo. Abaixo vão algumas dicas para você identificar
se uma igreja tem o potencial de se tornar uma seita:

O perfil do líder1

1. Possui as características de um verdadeiro líder? (1ª Timóteo 3.2 a 7).


2. Está livre do amor ao dinheiro?

104
3. É arrogante? Só ele está certo e o membro sempre errado?
4. Presta conta de seus atos para o conselho da igreja?
Se a resposta foi SIM para às perguntas 1, 2 e 4 e NÃO para a pergunta 3, neste
caso no que depender do líder a igreja não tem o potencial de se tornar uma seita.

O perfil da igreja

1. Existe um medo terrível nos membros da igreja?


2. Quando a pessoa se desliga da igreja para ir para outra, ela é incentivada e
recebe a benção para ir?
3. Quando a pessoa se desliga da igreja, ela é rejeitada pelos membros de sua
antiga denominação?
4. Ao se desligar da igreja, a pessoa que sai é a que sempre estava errada? Há
igrejas que afirmam a seus membros que quem sai é quem está errado, nunca a
igreja é humilde e admite seus erros.
5. Quando um membro da igreja erra, ele é humilhado?
6. As lideranças da igreja costumam prestar contas das despesas e finanças da
igreja?

Se a resposta foi NÃO para às perguntas 1, 3, 4 e 5 e SIM para às perguntas 2 e


6, estamos diante de uma igreja que não tem o potencial de se tornar uma seita.

As Atitudes de Alguns Líderes Religiosos são as


Mesmas do Fariseu Contra o Publicano
“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um fariseu e o outro
publicano. O fariseu, posto de pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus,
graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e
adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o
dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem
ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, se propício a
mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele;
porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado”
(Lucas 18.10 a 14).
Este fariseu excedia, em muito, os requisitos normais da lei de Deus: o de jejuar e
dar o dízimo de apenas algumas espécies insignificantes de renda. O fariseu
justificando a si mesmo rejeita a justiça gratuita de Deus (Romanos 3.23,24). Os
publicanos eram cobradores de impostos e eram considerados como grandes
pecadores. Diferente da idéia do fariseu, o Senhor Jesus recebia os pecadores e
publicanos: “Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o
ouvir. E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e
come com eles” (Lucas 15.1,2). Jesus não só recebia, mas buscava diligentemente
(ver versículos 4,8), não para participar de seus pecados, mas para oferecer
libertação. Assim, como o fariseu da parábola, muitos líderes e membros de igrejas

105
procedem da mesma forma. Há membros de igrejas que evitam conversar com
pessoas pecadoras. Prostitutas, travestis, beberrões e muitos outros são
discriminados por esta gente que se diz cristã. Há membros de igrejas que acham
que estão numa posição elevadíssima e não podem se contaminar conversando com
os pecadores. Mas, Jesus nos manda ir e pregar o evangelho a toda criatura (Marcos
16.15,16). Ninguém está numa posição que possa julgar o seu próximo. Realmente,
existe uma diferença entre o que serve a Deus e o que não o serve (Malaquias 3.18),
mas isto não é motivo para que ninguém se vanglorie. Já vi pessoas glorificando a si
mesmas, porque passam dias e mais dias jejuando, porque oram de joelhos, porque
lêem a Bíblia dia e noite e etc. Mas, os que são de Cristo não agem assim. Muito
pelo contrário, estão dispostos a receber de braços abertos os pecadores e jamais
marginalizam ninguém. Ao escolher uma igreja, observe se as atitudes dos membros
e das lideranças são semelhantes às atitudes do fariseu da parábola.

_______________________________________

BIBLIOGRAFIA

1. Como saber se uma igreja tem o potencial para se tornar uma seita? (Extraído do
site da Agirnet – Agência de Informações Religiosas).

106
Capítulo 9
Análise de Reportagens de Revistas
Que Tentam Desacreditar a Bíblia e
o Cristianismo

Todos os anos são publicadas em revistas seculares (em épocas especiais, como
páscoa e natal) matérias de cunho religioso. Matérias estas que falam sobre Jesus e
sobre o cristianismo. Infelizmente, estas matérias são cheias de preconceitos,
ceticismo e parcialidade. Tais matérias causam mal estar em pessoas que tem fé em
Jesus e na Bíblia, porque sentem que sua fé está sendo desafiada. Os jornalistas que
elaboram as matérias sobre a fé cristã, pecam (e muito) por ferir dois dos princípios
básicos de qualquer escola de jornalismo em países democráticos: “ouvir sempre
todos os lados envolvidos no assunto e, primordialmente, conceder amplo direito de
defesa.” E justamente ouvir todos os lados envolvidos é o que faltam nessas
matérias. Todas as matérias giram em torno das mesmas questões:
1. Provas de que Jesus não nasceu em Belém e sim em Nazaré;
2. A possibilidade de Cristo ser essênio (uma seita da época de Cristo);
3. Descoberta de 1968 de um homem de mais ou menos 30 anos, crucificado no
tempo de Jesus;
4. Histórias absurdas dos livros apócrifos (não canonizados);
5. Os evangelhos não podem ser considerados fontes imparciais da vida de Jesus
(uma vez que foram escritos por seus discípulos);
6. Algumas passagens da Bíblia são verídicas e outras não (Fica no ar a questão:
quando se deve aceitar ou descartar um texto bíblico?);
7. A matança das criancinhas quando do nascimento de Jesus, a fuga de José e
Maria para o Egito e a visita dos reis magos do Oriente a Jesus seriam
invenções dos evangelistas;
8. As matérias jornalísticas costumam ignorar o caráter da pregação espiritual de
Jesus;
9. Há propaganda política nos evangelhos.
As questões citadas acima são apenas o começo dos que os jornalistas fazem em
tais matérias. O Brasil é um país em que 99% das pessoas dizem crer em Deus e
mais de 80% acreditam na vida eterna e no paraíso. Falar de Jesus num país assim
(seja contra ou a favor) é garantia de retorno na certa. As revistas com temas

107
científicos também têm-se aventurado pelos assuntos da fé e publicado matérias de
cunho religioso.
Destacamos aqui a revista Superinteressante e a Veja (que não é científica). Essas
duas revistas são da mesma Editora Abril. A revista Superinteressante trata Jesus
Cristo como um revolucionário dos tempos bíblicos. O mesmo faz a revista Veja. A
revista Veja é mais voltada para as massas, e parece tratar desse assunto com mais
suavidade. O publico da Veja é formado por um bom número de evangélicos e
maioria esmagadora de Católicos. Quem procurar nos arquivos da revista Veja, verá
que algumas matérias não foram tão cristianizadas como atualmente. A matéria de
23 de dezembro de 1992 com o título: “O Jesus da história”, cujo o autor é o
jornalista Roberto Pompeu de Toledo, comenta sobre a vida de Jesus da seguinte
maneira: “Não há história mais cheia de furos, esta é a verdade. Os relatos são
confusos, as zonas de sombras se sucedem, as contradições abundam”. Eis aqui o
motivo porque não se pode crer cegamente em matérias de revistas. O que
escreveram ontem, provavelmente não será o mesmo amanhã. Apesar das grandes
descobertas da arqueologia, o caráter cético, parcial e preconceituoso continuam a
permear a maioria dessas revistas. Creio que as reportagens mais carregadas de
parcialidade, preconceito e ceticismo são as da revista Superinteressante. Muitos se
perguntam: “Com tanta prova a favor da Bíblia que tem surgido nos últimos anos,
com tanto conhecimento a respeito de Jesus Cristo que nos últimos trinta anos tem
superado os primeiros dois mil anos de cristianismo, porque razão tais revistas
continuam com tanto ceticismo para desacreditar a Bíblia?” Na minha opinião, a
maioria esmagadora dessas reportagens, são mais de interpretação dos textos
bíblicos do que estudo científico. Vale lembrar que quem tiver interesse poderá
encontrar muitos livros que, baseados em evidências históricas, confirmam o relato
bíblico sobre Jesus Cristo, Sua Divindade e outras partes da Bíblia (Ver no final
deste livro, o tópico Obras Importantes Para Pesquisa).

São Paulo Traiu Jesus?


“São Paulo traiu Jesus?”, este foi o título da revista Superinteressante de
dezembro de 2003 (edição 195). Na mesma capa da revista, abaixo do título, está
escrito também: “Sem Paulo de Tarso, o cristianismo que você conhece não
existiria. Agora surge a polêmica: ele é o herói que disseminou a fé em Cristo ou o
vilão que deturpou as palavras de Jesus para sempre?” Infelizmente, para este tipo
de matéria são ouvidos os teólogos liberais. Tais teólogos chegam as mais absurdas
interpretações do texto bíblico, que uma pessoa comum jamais chegaria. É o caso da
opinião de um pastor americano chamado Edgar Jones. Ele é citado na matéria:
“Jesus de Nazaré deve ser cuidadosamente diferenciado do Jesus de Paulo.
Gerações e séculos passaram até que a corrente paulina com seu forte apelo em
favor do Império Romano ganhasse ascendência sobre a corrente apostólica”, diz o
teólogo.”1 Em seguida é dito também: “Para os críticos de Paulo, um exemplo
dessa “afabilidade” está presente na Epístola aos Romanos. “Cada um se submeta
às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as
que existem foram estabelecidas por Deus. Aquele que se revolta contra a

108
autoridade opõe-se à ordem estabelecida por Deus”, escreve Paulo. E continua: “É
também por isto é que pagais impostos, pois os que governam são servidores de
Deus”. “Essa passagem revela que ele estava a serviço das autoridades romanas.
Jesus, por sua vez, se insurgia contra as leis de Estado”, afirma Fernando.”2 Quem
foi que disse que Jesus se insurgia contra as leis do Estado? E quem disse que Ele
era contra pagar impostos? E onde está escrito que Paulo foi contra Jesus quando se
trata de Estado e impostos? É por isto que o próprio Jesus disse que “Errais, por
não conhecer as Escrituras nem o poder de Deus” (Mateus 22.29). Sobre a questão
do imposto o próprio Senhor Jesus nos deu o exemplo: “Então, retirando-se os
fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam em alguma palavra. E
enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre,
sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a
verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olha a aparência
dos homens. Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar tributo a César, ou não?
Jesus, porém, conhecendo-lhes a malícia, respondeu: Por que me experimentais,
hipócritas? Mostra-me a moeda do tributo. Trouxeram-lhe um denário. E ele lhe
perguntou: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Então lhes
disse: Daí, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus
22.15 a 21). Ver também 1ª Pedro 2.13,14 e 15.
Em outra ocasião, Jesus mandou Pedro pescar um peixe e tirar dinheiro dele para
pagar o chamado imposto das duas dracmas (Mateus 17.24 a 27). As más
interpretações a respeito do apóstolo Paulo não param por aí. Na página 64 da
mesma matéria da Superinteressante, encontramos a comparação da salvação
pregada por Paulo e a de Jesus: “Paulo diz que os pecados são perdoados se a
pessoa acreditar que Jesus morreu na cruz por ela. É a doutrina da salvação em
que o herói derrama seu sangue e todos são perdoados por causa dele. Enquanto
isso, Jesus diz: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’. Para Jesus, a salvação será
dada àqueles que seguirem seus ensinamentos”, afirma Fernando Travi.”3 Aqui
está outra falta de conhecimento sobre às Escrituras Sagradas. O próprio Senhor
Jesus foi quem afirmou que crer nEle seria a garantia de perdão e salvação dos
pecadores: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Quem
nEle crê não é julgado...” (João 3.16,18). “Por isso quem crê no Filho tem a vida
eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas
sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36). Crer em Cristo é ser salvo
instantaneamente, e seguir seus ensinamentos é conseqüência. Como vimos, os
erros jornalísticos são grandes quando se trata de assuntos bíblicos. E não param por
aí! Certa vez uma determinada revista publicou que a religião e a ciência disputam a
posse da verdade há tempos. Pode ser que a religião sim, mas a Bíblia não! A Bíblia
não é um livro de ciências. O assunto da Bíblia é a redenção da humanidade através
da obra de Jesus Cristo. Para a mesma revista a Bíblia contém 73 livros (pelo que
entendemos o jornalista de tal matéria incluiu os livros apócrifos). Muitos jornalistas
em suas matérias chegam ao absurdo de fazer uma verdadeira salada religiosa. Usam
expressões tais como “padre evangélico”, “missa evangélica”, e isto, quando não
dizem algumas besteiras sem conhecimento de causa. Por estes motivos apontados,
devemos ter cautela com informações de matérias de revistas. Tais matérias são

109
muito vagas e deixam a desejar, e seus conteúdos são parciais. Fica o alerta, de que
não é somente a falsa religião em si que é perigosa, mas há falsas mensagens que são
produzidas por jornalistas, e estas mensagens podem trazer problemas para sua fé.
Infelizmente, livros que defendem a fé cristã, que respondem a qualquer
questionamento, são arbitrariamente excluídos pela mídia secular, quando se trata de
analisar a vida de Jesus Cristo e a Bíblia como um todo.

Confusão Entre Cristianismo


e Falso Cristianismo
Assim como os jornalistas, muitas pessoas tropeçam quando usam a palavra
‘cristianismo’. Costumam confundir cristianismo com instituições que o
representam, ou que pelo menos dizem representá-lo. Por exemplo, muitas
atrocidades foram cometidas por igrejas, e milhares de pessoas foram mortas por
praticarem bruxaria, por dizerem que a terra é redonda e por muitas idéias que
alguns líderes religiosos dizem ser heresias. Professores de história, historiadores,
filósofos e jornalistas muitas vezes costumam colocar a culpa destas atrocidades no
cristianismo, dizendo que o mesmo é atrasado em questões de ciência e
modernidade. Afirmam também que os cristãos são culpados por milhares de
muçulmanos serem mortos nas Cruzadas. Mas, cristianismo, ser cristão é uma coisa
e denominações religiosas fazerem atrocidades em nome de Cristo é outra bem
diferente. A palavra cristão significa pessoas de Cristo ou como dizem alguns
parecidos com Cristo. Os cristãos foram chamados com este título pela primeira vez
em Antioquia (Atos 11.26). Foram assim chamados porque suas obras eram
semelhantes a de seu Grande Mestre, Jesus Cristo. Todo o que diz ser cristão deve
andar assim como Cristo andou (1ª João 2.6). Qualquer que seguir os santos
ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, jamais chegará a conclusão que uma
igreja está autorizada a julgar, condenar e matar pessoas. É justamente isto que
algumas religiões têm feito em Nome de Cristo. Pedro, Paulo, Tomé, Tiago e os
outros apóstolos jamais cometeram atrocidades em nome da fé cristã. Portanto, uma
igreja como organização terrena, não está autorizada a julgar, condenar e matar
quem quer que seja por questões de bruxaria, ciência e etc. O Divino Mestre, Jesus,
apenas nos mandou pregar o evangelho a toda a criatura e fazer discípulos (Marcos
16.15,16).

____________________________________________

BIBLIOGRAFIA

1. Revista Superinteressante – edição 195 – dezembro 2003 p. 62 – Editora Abril.

2. Revista Superinteressante – edição 195 – dezembro 2003 p. 62 – Editora Abril.

3. Revista Superinteressante – edição 195 – dezembro 2003 p. 64 – Editora Abril.

110
Capítulo 10
Teorias Humanas

De acordo com o dicionário a palavra teoria significa: “Parte especulativa de


uma ciência; conjunto de princípios fundamentais de uma ciência ou arte; o
conhecimento desses princípios; noções gerais; hipótese...” (Dicionário Brasileiro
Globo, 20ª edição – Editora Globo). Teoria nada mais é do que pura especulação,
hipótese. Quando há fatos comprovados a teoria deixa de ser teoria. O problema das
teorias humanas é quando elas são consideradas como verdades comprovadas,
embora não haja nada que às apoie. A Bíblia já alertava sobre isto ao dizer sobre às
falsas filosofias: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs
sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e
não segundo Cristo...” (Colossenses 2.8). Algumas vezes podemos chamar as falsas
filosofias e teorias científicas de contradições do saber: “E tu, ó Timóteo, guarda o
que te foi confiado, evitando os falatórios inúteis e profanos, e as contradições do
saber, como falsamente lhe chamam, pois alguns, professando-o, se desviaram da
fé.” (1ª Timóteo 6.20,21). A teoria da evolução se enquadra como contradições do
saber. É justamente essa teoria que fez com que muitos se desviassem do Criador.
Creio na importância da ciência, em suas descobertas, mas não podemos confiar
cegamente nela, pois a ciência também muda com o decorrer dos anos. A ciência
vive de descobertas, e não podemos fazer afirmações baseados em teorias. A
confiança cega na ciência faz com que desviemos da verdade de Deus: “Porque
confiaste na tua maldade e disseste: Não há quem veja. A tua sabedoria e a tua
ciência, isso te fez desviar...” (Isaías 47.10).

Teoria da Evolução
Infelizmente, a teoria da evolução é apresentada de uma forma tão confiante nos
livros didáticos, revistas e programas de televisão, que dão à impressão que todos os
cientistas aceitam essa teoria como a única e mais correta explicação das origens da
vida humana, e da vida em geral. Muitos cientistas acreditam que a evolução seja
muito mais do que teoria. A teoria da evolução tem sido a que mais tem afrontado o
criacionismo bíblico. Tal teoria tem sido ensinada nas escolas públicas como se
fosse verdade comprovada. Mas, a teoria da evolução nada mais é do que teoria. Não
há nada que a prove. Se a teoria da evolução fosse um fato comprovado, a Bíblia
seria absolutamente falsa, pois ela afirma claramente que Deus é o Criador do
mundo e tudo que nele há (Atos 17:25-28; Hebreus 11:3). Se não fosse assim, a
nossa fé em Deus seria vazia e sem valor algum. A teoria da evolução contraria os

111
princípios fundamentais da Bíblia e até mesmo nega a existência de Deus. Se o
relato da criação em Gênesis não é digno de confiança, o restante da Bíblia também
não pode ser confiável. Além disso, provaria que Jesus Cristo não é Deus, mas um
mero homem mortal que, tola e erroneamente interpretou literalmente a história de
Adão e Eva (Mateus 19.4-5). Com isto não poderia também, ser nosso Salvador. O
periódico The American Atheist [O Ateu Americano] indicou muito bem qual é a
questão: “Destruam-se Adão e Eva e o pecado original, e nos escombros se
encontrarão os restos mortais do Filho de Deus, eliminando-se assim qualquer
significado para sua morte.”(4) Essa teoria, tem limitado e dominado o pensamento
de muitos cientistas. Nunca nenhum cientista a comprovou, e jamais conseguirão.
Nos últimos 200 anos, as idéias propostas por Charles Darwin têm se tornado artigos
de fé que servem como a base da religião de muitos nos círculos científicos. Mas, o
evolucionismo não é fato, e sim teorias e falsas interpretações. Nem todos os
cientistas professam fé na evolução. Nem todos os cientistas aceitam a teoria da
evolução. Um número cada vez maior de cientistas, a maioria deles não-cristãos, se
opõe à teoria da evolução. Veja, o que os cientistas dizem sobre a teoria da
evolução:
“O mundo científico foi iludido e acabou crendo que a evolução fora provada.
Nada poderia estar mais longe da verdade”. Sir Fred Hoyle - astrônomo e
matemático (7)
O professor de matemática Wolfgang Smith chama a evolução de “um mito
metafísico... completamente desprovido de aprovação científica...”(8)
Alguém já afirmou que a história futuramente, julgará o neodarwinismo como
uma "pequena seita religiosa do século XX”. Até hoje, nenhum cientista,
arqueólogo, historiador descobriu provas científicas e evidências arqueológicas
irrefutáveis para sustentar a teoria da evolução. Muitos afirmam que os proponentes
dessa teoria ficam cada vez mais frustrados diante disso. Darwin acreditou que o
desenvolvimento tecnológico e científico com mais pesquisas, forneceriam as
evidências que faltavam em sua época. Mas justamente o contrário tem acontecido
atualmente. Quase dois séculos passaram, e as evidências científicas mostram mais e
mais a fraqueza da teoria da evolução. Os cristãos de um modo geral têm reclamado
com justiça por ver a evolução ensinada como fato nas escolas públicas. Assim, é
interessante para o engano de Satanás destruir a história de Adão e Eva, fazendo dela
um mito. Portanto, é inaceitável que a evolução seja ensinada nas escolas públicas
como um fato comprovado se não existem provas genuínas a seu favor. A teoria da
Evolução é uma artimanha satânica, e tem sido uma poderosa ferramenta de Satanás
para convencer milhões de pessoas de que a Bíblia não é digna de confiança. Como
afirmou Phillip Johnson, professor de direito em Berkeley: "O único propósito da
história evolucionista darwiniana é... demonstrar que não é necessária a existência
prévia de um ser inteligente...[para] haver a criação."(21) O primeiro livro da
Bíblia (Gênesis) afirma que Deus formou Adão "do pó da terra", e que depois
formou Eva a partir de uma de suas costelas (Gênesis 2.7, 18-22). O Senhor Jesus
confirmou esta verdade do primeiro livro da Bíblia: "Não tendes lido que o Criador
desde o princípio os fez homem e mulher, e que disse: Por esta causa deixará o

112
homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?"
(Mateus 19.4-5). O apóstolo Paulo também atesta a verdade do relato ao declarar
que "primeiro foi formado Adão, e depois Eva" (1ª Timóteo 2.13-14 – ver também
1ª Coríntios 15.22, 45; Judas 14). A evolução se tornou uma seita científica. Quase
todos os cientistas a aceitaram e muitos estão preparados para “torcer” suas
observações para que a ela se ajustem. Dizem eles que se não há Deus, não há
criação, se não há criação tem que ter havido evolução. Pode parecer lógico, mas
não é um pensamento científico, pois parte da idéia inicial de que não há um Deus,
uma suposição não provada e nem fundamentada em coisa alguma. Se um cientista é
ateu, logo o caminho estará mais espaçoso para ele acreditar na teoria da evolução,
mesmo que os fatos demonstrem o contrário. Quando os fatos demonstram o
contrário, ele cria hipóteses vagas na tentativa de encaixar o fato observado com a
sua teoria. Para concluir, podemos afirmar que se não há evolução há criação, e se
há criação, também há um Deus Criador. Se uma teoria por mais que venha com
roupagem de científica, for falsa, com o tempo as provas aparecem para a
desmantelar. Este é o caso da teoria da evolução. Certa vez vi escrito em um site na
Internet: "A evolução é 10% de má ciência e 90% de má filosofia”. E, essa má
filosofia é satânica, pois tem cegado a muitos. Para crer na teoria da evolução e no
ensinamento bíblico, são ambas questões de fé. Mas, para crer no evolucionismo
exige-se uma fé maior ainda do que a dos cristãos.

Pensamentos Humanos
Muitas pessoas afirmam que os preceitos bíblicos são ultrapassados, porque hoje
vivemos na era moderna. Assim, se expressando, essas pessoas aprovam certos
comportamentos imorais condenados pela Bíblia. Com isto afirmam que praticar
algumas coisas é algo moderno. Ora, não há nada de moderno em certas praticas. É
por isso que a Bíblia diz em Eclesiastes 1.9: “O que foi, é o que há de ser; e o que
se fez, isso se tornará a fazer: nada há, pois, de novo debaixo do sol.” Não existe
nada de novo nesta terra. A única coisa realmente nova e moderna em nosso mundo
é a tecnologia. Os atos sejam eles morais ou imorais, são atos antigos praticados a
milênios e séculos passados. A única diferença é que hoje as telecomunicações
avançaram muito, e as coisas tendem a serem mais expostas ao público. Por isso,
praticar atos imorais é tão antigo quanto praticar e seguir preceitos bíblicos. Não
podemos pensar que os povos da Antigüidade eram como animais bem mais
ignorantes que nós. Eles eram pessoas também de grande cultura e ciência. Muitas
coisas eles desconheciam em matéria de medicina, astronomia e a ciência em geral,
mas não eram tão inferiores a nós. Hoje em dia, o homem e a mulher moderna
possuem os mesmos hábitos daqueles que viveram séculos passados. São cruéis,
ignorantes, inteligentes, maravilhosos e etc. O homem moderno não é superior
aqueles que viveram antes dele. Os erros e acertos praticados são os mesmos. Só
temos o benefício de termos a nossa disposição a maravilhosa tecnologia atual. Com
tanto avanço científico que estamos vendo em nossos dias do qual nunca houve em
nosso mundo, seria de esperar que a modernidade trouxesse paz em nosso mundo.
Muito pelo contrário, as favelas têm aumentado, a diferença entre ricos e pobres tem

113
crescido, as guerras e crueldades são praticadas em todo o mundo assim como na
antigüidade eram, a sindrome do pânico tem crescido, a depressão tem atacado
pessoas jovens, às epidemias de doenças têm se levantado assustadoramente.
Baseados nisso, podemos dizer que o cidadão atual não deve se gabar por estar
vivendo na modernidade, achando que não precisa de Deus. É justamente agora que
precisamos estar com Cristo. Leia Mateus 24.1 a 51; Lucas 21.5 a 36 e veja que as
profecias bíblicas acerca de nossa era moderna estão se cumprindo à risca. Jesus
realmente está voltando!
Muitos em nosso tempo combatem a idéia da existência do pecado, dizendo que o
tal foi incutido na mente das pessoas pela religião. Quem assim pensa parece não
estar vivendo neste mundo, e parece nunca ter lido a história da humanidade. A
humanidade desde os primórdios tem sido um fracasso moral e espiritual perante
Deus. O pecado é a pratica do mal contra o próximo, contra Deus e contra si mesmo.
É desviar-se do alvo que Deus planejou para nossas vidas. A Bíblia diz: “pois todos
pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Negar a existência do
pecado é negar a existência das guerras, assassinatos e imoralidades que existem em
nosso mundo. Graças a Deus que pela obra de Jesus Cristo todos podem ser salvos e
livres do pecado, e assim ser pessoas que vivem conforme o padrão de Deus.

_____________________________________________

BIBLIOGRAFIA

The American Atheist (1978), 19, conforme citado em The Christian News (11 de
novembro de 1996), 15.
Daschbach, loc. cit.
New Catholic Encyclopedia, vol. 5 (McGraw-Hill, 1967), 689.
George W. Cornell, "Scientist calls Darwin evolution theory absurd", Times-Advocate,
10 de dezembro de 1982, A10.
Wolfgang Smith, Teilhard and the New Religion (Tan Books, 1988), 242.
Thomas E. Woodward, "Doubts About Darwin", Moody Monthly (setembro de 1988),
20.
The Times Picayune (Flórida, 25 de outubro de 1996), A-30.
Stephen F. Smith, "Is Darwinism a Religion?", The Catholic World Report (dezembro
de 1996), 50.
William Bole, "Of Biochemistry and Belief", Our Sunday Visitor (1 de dezembro de
1996), 6.
Richard Dawkins, The Blind Watchmaker (England: Longman, 1986), 1.
Dawkins, op. cit., 18.
Michael J. Behe, Darwin’s Black Box: The Biochemical Challenge to Evolution (The
Free Press, 1996), 139.
Ibid., 186.
Ibid., 192-93. 18. Donald Devine, Human Events (13 de dezembro de 1996), 19.
Los Angeles Times (30 de novembro de 1996), B13.
Doug Bandow, "Fossils and Fallacies", National Review (29 de abril de 1991), 47.
Russell Schoch, "The Evolution of a Creationist", California Monthly (novembro de
1991), 22.

114
Quatro Leis Espirituais

Mudar de religião é a mesma coisa da cobra que muda de “casca”. A aparência


externa da cobra muda, mas a natureza continua sendo de cobra. Assim também a
pessoa que muda de religião, muda apenas na aparência e ritos externos, mas
continua sendo pecadora. Satanás é chamado de “o deus deste século” (2ª Coríntios
4.4). Assim é chamado por ser o mais poderoso do reino das trevas. Com isto ele
causa cegueira nos homens para que não vejam a verdade do evangelho de Cristo. E
o homem estando cego, não pode ver o verdadeiro Deus. Certa vez um filósofo
disse que “existe o Deus Criador do Universo e o deus criado pelos homens.” É
justamente este deus criado pelos homens que a religião ensina. Os homens
colocaram Deus dentro de uma religião. Na religião este deus está constantemente
insatisfeito com seus filhos. É um deus cruel que procura matar quem o desobedece.
Isto são ensinos de demônios e de homens. Aliás, no final dos tempos, muitos
obedecerão a ensinos de demônios: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos
últimos tempos alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e
a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras, e que têm
cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento, exigem abstinência
de alimentos...” (1ª Timóteo 4.1, 2 e 3). Estas são algumas características de ensinos
de demônios: proibir casamento e exigências com relação a alimentos. Muitas
religiões proíbem o casamento de seus líderes religiosos. Este não é o ensino
bíblico! Muitos vivem a vida religiosa de maneira aparente, mas suas obras negam
este viver religioso, pois tais pessoas são mais amigas dos prazeres do que de Deus
(2ª Timóteo 3.4, 5).
O Senhor Jesus afirmou que o ladrão vem para matar, roubar e destruir (João
10.10). Neste caso o ladrão é o diabo. O diabo tenta escravizar o ser humano de
várias maneiras. E a falsa religião é uma delas! Nenhuma pessoa nasceu para ser
escrava da religião. Todos podemos ser livres! O Senhor Jesus pagou o preço na
cruz do Calvário para que pudéssemos ter vida abundante (João 10.10). Ninguém,
estará livre da sedução da falsa religião enquanto viver. Enquanto na terra, todos os
seres humanos serão tentados até o túmulo. Não podemos também agradar a irmãos,
pai, mãe, parentes e amigos quando o assunto é religião. Quem amar seu pai, sua
mãe, seus irmãos, seus amigos e sua religião mais do que a Jesus, não é digno dEle
(Mateus 10.34 ao 39). Cada um deve negar a si mesmo para seguir a Cristo. Sua
religião não poderá fazer nada por você, muito pelo contrário, quando fores roubado
pelo diabo, e machucado estiveres a beira do caminho, a religião passará por você e
não fará absolutamente nada. Isto podemos ver ao ler a parábola do bom samaritano
(Lucas 10.30 ao 37). Jesus é o Bom Samaritano, o Único que passa pelo caminho e
dá auxílio ao pecador. O sacerdote e o levita não fazem isso. Não se deixe preocupar
com que os outros irão dizer, considere que se você vier a cair numa situação sem
dinheiro, no lamaçal, provavelmente ninguém o ajudará. Todos te abandonarão!

115
Somente o Senhor Jesus estará ao teu lado! Considere estas coisas! Mas, o que se
pode fazer para ter segurança e romper com os laços da falsa religião? Como
poderemos nos salvar? O caminho é receber o Senhor Jesus Cristo como Único e
Suficiente Salvador. Veja como fazer lendo nas quatro leis espirituais:
Primeira Lei
DEUS NOS AMA, E TEM UM PLANO MARAVILHOSO PARA A NOSSA
VIDA.
O AMOR DE DEUS
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para
que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". (João 3:16)
O PLANO DE DEUS
Cristo afirma: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (uma vida
plena e com propósito) (João 10:10)
Por que é que a maioria das pessoas não conhece essa "vida em abundância"?
Segunda Lei
O HOMEM É PECADOR E ESTÁ SEPARADO DE DEUS; POR ISSO NÃO
PODE CONHECER NEM EXPERIMENTAR O AMOR E O PLANO DE
DEUS PARA A SUA VIDA.
O HOMEM É PECADOR
"Pois todos pecaram e separados estão da glória de Deus" (Romanos 3:23).
O homem foi criado para ter um relacionamento perfeito com Deus, mas por
causa da sua desobediência e rebelião, escolheu seguir o seu próprio caminho, e o
relacionamento com Deus desfez-se. O pecado é um estado de indiferença do
homem para com Deus.
O HOMEM ESTÁ SEPARADO
"Porque o salário do pecado é a morte" (separação espiritual de Deus) (Romanos
6:23)
Deus é santo e o homem é pecador. Um grande abismo os separa. O homem está
continuamente a procurar alcançar a Deus e a vida abundante, através dos seus
próprios esforços: vida reta, boa moral, filosofia, etc.
A Terceira Lei oferece-nos a única resposta para o problema da separação...
Terceira Lei
JESUS CRISTO É A ÚNICA PROVISÃO DE DEUS PARA O PECADO DO
HOMEM. POR MEIO DELE PODE CONHECER O AMOR E O PLANO DE
DEUS PARA A SUA VIDA.

116
ELE MORREU EM NOSSO LUGAR

"Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido
por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8).

ELE RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS

"Cristo morreu pelos nossos pecados... foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia,
segundo as Escrituras." (1ª Coríntios 15:3, 4).

ELE É O ÚNICO CAMINHO

"Respondeu-lhe Jesus: "Eu sou o caminho e a verdade, e a vida: ninguém vem ao


Pai senão por mim" (João 14:6).

Deus ligou o abismo que nos separa dele, ao enviar o seu Filho, Jesus Cristo, para
morrer na cruz em nosso lugar.

Não é suficiente conhecer estas três leis...

Quarta Lei

PRECISAMOS RECEBER JESUS CRISTO COMO NOSSO SALVADOR E


SENHOR, POR MEIO DE UM CONVITE PESSOAL. SÓ ENTÃO
PODEREMOS CONHECER E EXPERIMENTAR O AMOR E O PLANO DE
DEUS PARA A NOSSA VIDA.

PRECISAMOS RECEBER CRISTO

"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de


Deus; a saber; aos que crêem no seu nome” (João 1:12).

RECEBEMOS CRISTO PELA FÉ

"Porque pela graça sois salvos; mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de
Deus; não das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9).

RECEBEMOS CRISTO POR MEIO


DE UM CONVITE PESSOAL

Cristo afirma: "Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a
porta, entrarei em sua casa" (Apocalipse 3:20).
Receber Cristo significa convidá-lo a entrar na nossa vida e a perdoar nossos
pecados.
Eu gostaria de explicar-lhe como pode receber Cristo.

117
Receber

Você PODE RECEBER CRISTO AGORA


MESMO EM ORAÇÃO
(Orar é falar com Deus)

Deus conhece o seu coração e está mais interessado na atitude do seu coração do que
nas suas palavras. A oração seguinte serve como exemplo:

"Senhor Jesus, eu preciso de ti. Abro a porta da minha vida e te recebo como meu
Salvador e Senhor. Toma conta da minha vida. Te agradeço porque perdoas os
meus pecados e me aceitas como sou."

Esta oração expressa o desejo do seu coração?

Se assim for, faça-a agora mesmo e Cristo entrará em sua vida, como prometeu.

COMO SABER QUE CRISTO ESTÁ NA SUA VIDA

Recebeu Cristo no seu coração? De acordo com a promessa de Apocalipse 3:20,


onde está Cristo agora? Cristo disse que entraria na sua vida, Ele iria enganá-lo?
Baseado em que autoridade sabe que Deus respondeu à sua oração? (Na fidelidade
do próprio Deus e da sua Palavra.)

A BÍBLIA PROMETE VIDA ETERNA A TODOS OS QUE RECEBEM


CRISTO

"E o testemunho é este, que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu
Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não
tem a vida. Estas cousas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna" (1ª
João 5:11-13).

Agradeça sempre a Deus porque Cristo habita na sua vida e porque Ele nunca o
deixará (Hebreus 13:5). Pode saber que o Cristo vivo habita em ti, e que tem a vida
eterna, desde o momento que convidou, baseado na sua promessa. Ele não
decepciona.

E as emoções?

NÃO DEPENDA DAS EMOÇÕES

A nossa autoridade é a promessa da Palavra de Deus, e não as nossas emoções. O


cristão vive pela fé (confiança) na fidelidade de Deus e da sua Palavra. O fato é

118
Deus e a sua Palavra, a fé é a nossa confiança em Deus e na sua Palavra e a
emoção é o resultado da nossa fé e obediência (João 14:21)

Nós, como cristãos, não dependemos de sentimentos ou emoções, mas colocamos


a nossa fé (confiança) na fidelidade de Deus e nas promessas da sua Palavra.

Crescer

AGORA QUE RECEBEU CRISTO

No momento em que, num ato de fé, recebeu Cristo, diversas coisas aconteceram,
inclusive as seguintes:

• Cristo entrou na sua vida (Apocalipse 3:20 e Colossenses 1:27).


• Os seus pecados foram perdoados (Colossenses 1:14).
• Tornou-se filho de Deus (João 1:12).
• Começou a viver a nova vida para a qual Deus criou-o (João 10:10; 2 Coríntios
5:17 e 1 Tessalonicenses 5:18).
Pode pensar em algo mais maravilhoso que lhe pudesse ter acontecido do que
receber Cristo? Gostaria de agradecer a Deus agora mesmo, em oração, aquilo que
Ele fez por ti? O próprio ato de agradecer a Deus revela fé.

E agora?

SUGESTÕES PARA O SEU


CRESCIMENTO ESPIRITUAL

Crescimento espiritual é o resultado de se confiar em Jesus Cristo. "O justo


viverá pela fé (Gálatas 3:11). Uma vida de fé capacitá-lo-á a confiar em Deus de
maneira crescente em todos os aspectos da sua vida, e a praticar o seguinte:

C ultivar uma vida de oração (João 15:7).


R evigorar-se pela leitura diária da Palavra de Deus (Atos 17:11).
E star sempre disposto a obedecer à vontade de Deus (João 14:21).
S er uma testemunha fiel, no viver e no falar (Mateus 4:19; João 15:8).
C onsagrar a Deus o seu corpo, tempo e talentos (1 Coríntios 6:19,20).
E sperar de Deus a orientação para a vida (1 Pedro 5:7).
R evestir-se do poder do Espírito Santo para uma vida vitoriosa (Atos 1:8; Gálatas
5:16,17).

A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA IGREJA

A brasa, no braseiro, mantém-se acesa por longo tempo; tirada do braseiro, logo
se apaga. O mesmo acontece no nosso relacionamento com os outros cristãos. Se
não pertence a uma igreja, não espere até ser convidado. Tome a iniciativa. Entre em
contato com o ministro de alguma igreja próxima da sua casa, onde Cristo é honrado

119
e a Bíblia é pregada. Faça planos de começar a freqüentá-la regularmente, a partir do
próximo domingo.

120
Obras Importantes Para Pesquisa

O escritor e apologista da fé cristã Josh McDowell, formado pela Faculdade de


Wheaton e pelo Seminário Teológico de Talbot (nos E.U.A), é um dos mais famosos
palestrantes em faculdades e campi universitários. Nos últimos dez anos, McDowell
falou a mais de sete milhões de estudantes, em 600 universidades e 62 países
conforme a contra capa de seu livro Evidência Que Exige Um Veredito. Para
escrever este livro, McDowell gastou aproximadamente 5.000 homens-hora para
identificar as fontes originais de um dado ou informação. Na bibliografia, no final de
cada capítulo, o leitor encontra centenas de fontes documentadas, que poderá usar
com confiança. Na compilação desta pesquisa, trabalhou com ele uma equipe de
onze estudantes, de nove faculdades ou universidades diferentes. Os livros de
McDowell são excelentes para quem procura por respostas arqueológicas e
históricas sobre a fé cristã. Seus livros principais são:

• Evidências Que Exige Um Veredito, volume 1 e 2 – Editora Candeia


• Entendendo as Religiões Seculares,
• Respostas Àquelas Perguntas e Razões para os Céticos Considerarem o
Cristianismo.

Como Responder às Testemunhas de Jeová – Comentário Exgético e Explicativo


– Esequias Soares da Silva - Volume 1 – Editora Candeia.
Para pesquisa da fé cristã histórica, da teologia, da cristologia e outras doutrinas
bíblicas, recomendo esta obra que creio ser objetiva e muito rica na defesa da fé
cristã.

Evangélicos em Crise – Paulo Romeiro – Editora Mundo Cristão.


Excelente livro para quem quer saber mais sobre discernimento espiritual. Neste
livro o escritor Paulo Romeiro aponta os problemas doutrinários na igreja moderna,
e aponta saídas e soluções para os mesmos.

www.chamada.com.br
Este site da Obra Missionária Chamada da Meia Noite é uma excelente
enciclopédia eletrônica sobre diversos assuntos sobre a fé cristã. Desde a teoria da
evolução até a Divindade de Cristo, passando pelas religiões seculares, é um
excelente site para pesquisas. Há também muitos artigos e livros que são divulgados
pela Chamada da Meia Noite.

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A Bíblia Sagrada
Leia a Bíblia todos os dias. Estude, analise, reflita sobre ela. Peça orientação ao
Espírito Santo de Deus. Deus terá o prazer em lhe ajudar. Recomendo
primeiramente a leitura do evangelho de João. O evangelho de João é o mais simples
de se ler. Leia o capítulo 10 inteiro de João, e veja o que Jesus é, e o que Ele faz por
suas ovelhas.

Biografia do Autor

Nascido em 2 de maio de 1.976, o autor deste livro se encontrou com Jesus aos
treze anos de idade. Como autodidata estudou Escatologia, Básico do Grego do
Novo Testamento, Doutrinas Bíblicas, Discípulado Básico, Como Fazer Discípulos,
Seitas, História da Igreja Cristã, Arqueologia Bíblica, Heresiologia e muitas outras
matérias relacionadas com às Escrituras Sagradas. Escreveu o livreto Salvação Não
Se Perde... É Eterna!!! volume 1 e 2 e, atualmente vem trabalhando na divulgação
deste último livro Como Descobrir a Verdade Sobre Religião e Não Ser Mais
Enganado, sendo este uma edição especial da Revista Cristã Última Chamada
também de sua autoria.

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Para mais informações, críticas, dúvidas fale direto com o autor pelo e-mail:

ultimachamada@bol.com.br
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