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Cristologia

Jeferson Pimentel
TEXTO BASE
 MARCOS 8:27-30
“E saiu Jesus, e os seus discípulos, para as aldeias
de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou aos
seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens
que eu sou?
E eles responderam: João o Batista; e outros:
Elias; mas outros: Um dos profetas.
E ele lhes disse: Mas vós, quem dizeis que eu sou?
E, respondendo Pedro, lhe disse: Tu és o Cristo.
E admoestou-os, para que a ninguém dissessem
aquilo dele.”.
INTRODUÇÃO
 A Cristologia é o estudo acerca da pessoa e obra de
Cristo;
 Cristo é a tradução de Jesus em grego e significa
“Ungido”;
 Esta matéria teológica se reveste de grande
importância, pois estuda o fundador do Cristianismo, a
maior religião do planeta;
 Todas as demais religiões são de profetas e mestres
mortos; o Cristianismo, porém, é a única religião que
o seu fundador vive para sempre.
1. A PESSOA DE JESUS CRISTO
 Jesus Cristo é o centro e âmago da história do mundo.
A própria história do mundo se divide entre antes e
depois de Cristo;
 Muitos historiadores e pensadores tentam classificar
Jesus como um simples fundador de religião como
Maomé, Buda, Confúcio;
 Mas estes jamais conseguirão ofuscar o brilho e a
influência da obra de Cristo no coração de milhares e
milhares de pessoas através da história e nos dias atuais;
 O grande teólogo Neighbor afirmou: “o Cristianismo
não pode ser comparado com outros cultos, como
também Jesus Cristo não pode ser comparado com
outras pessoas. Cristo é incomparável; ele está acima
dos homens”;
2. A HUMANIDADE DE JESUS CRISTO
 O que quer que Jesus tenha sido, e praticamente certo
que ele deve ter sido humano.
Jesus Cristo é homem verdadeiro e Deus Verdadeiro;
A encarnação do Verbo é, sem dúvida, um dos grandes
mistérios do Cristianismo (Jo 1.14);
Para o teólogo Bushnell: “Cristo pertence à raça e dela
participa, nascido de mulher, vivendo dentro da linhagem
humana, sujeito às condições humanas e fazendo parte
integral da história do mundo”;
Cristo não foi 50% homem e 50% Deus; Ele é 100%
homem e 100% Deus;
Cristo tornou-se homem através de uma concepção
sobrenatural “nasceu do Espírito Santo e da virgem Maria”
(Mt 1.18);
 O ministério intercessor de Jesus depende de sua
humanidade. Se ele de fato era um de nós, passando por
todas as tentações e provações da existência humana,
então ele e capaz de nos compreender e ser solidário
conosco em nossas lutas como homens;
Paulo resume este assunto em (Gl 4.4);
“Plenitude dos tempos”  Todas as peças do quebra-cabeça
estavam no lugar (Situação política do mundo (profetizada por
Daniel cap 2 – pedra cortada sem auxílio de mãos que
destruiu a estátua); língua mundial; cativeiro romano; João
Batista; etc.)
 Alguns pontos cruciais nos ajudarão a compreender a
encarnação de Jesus:
 A encarnação foi mais uma aquisição de atributos humanos que
uma desistência de atributos divinos (Cl 2.9);
 A união das duas naturezas significa que elas não atuaram
independentemente;
 E importante pensar que a iniciativa da encarnação vem,
digamos, do alto, e não de baixo (foi Deus que tornou-se
homem e não o contrário).
Provas da humanidade de Jesus:
 Ele tinha um corpo plenamente humano. Ele nasceu;
 Jesus também teve uma árvore genealógica típica, conforme
indicam as genealogias em Mateus e Lucas;
 Ele crescia fisicamente, alimentado por comida e água. Ele não
tinha capacidade física ilimitada (Lc 2.52);
 Jesus com certeza estava sujeito as mesmas limitações físicas dos
outros seres humanos, pois possuía a mesma fisiologia. Assim,
sentia fome quando jejuava (Mt 4.2). Também sentia sede (Jo
19.28);
 Jesus sofreu fisicamente e morreu, exatamente como qualquer
outro (Jo 19.34).
Implicações da humanidade de Jesus:
 A morte expiatória de Jesus pode de fato ter proveito para nós;
 Jesus pode realmente ter empatia para conosco e interceder por
nós (Hb 4.15);
 Jesus manifesta a verdadeira natureza da humanidade;
 Jesus pode ser nosso exemplo. Ele não e algum superastro
celestial, mas alguém que viveu onde vivemos;
 A natureza humana e boa;
 Deus não e totalmente transcendente (imanente). Ele não esta
tão distante da raça humana.
3. A DIVINDADE DE JESUS CRISTO
Jesus Cristo possuía duas naturezas: a divina e a humana.
“A união da divindade com a humanidade era essencial à
constituição da pessoa de Cristo”;
Nossa fé repousa no fato de Jesus ser realmente Deus em
carne humana, e não simplesmente um homem
extraordinário, apesar de ser a pessoa mais incomum que já
existiu;
O teólogo Bancroft afirmou: “Se Cristo é a segunda
pessoa da Trindade, é da mesma essência do Pai e do
Espírito Santo, possuindo igual poder e glória”;
O Pai é a fonte da glória; Jesus Cristo, o Filho, é o
resplendor dessa glória (Hb 1.3);
Cristo é a expressão exata da natureza e da essência da
divindade (Eu e o Pai somos um – Jo 10.30);
O apóstolo Paulo apresenta Jesus como o próprio Deus
(Tt 2.13);
Pedro também apresenta Jesus como o próprio Deus (
2Pe 1.1);
O apóstolo João chama a Jesus Cristo de verdadeiro Deus
1Jo 5.20).
Implicações da divindade de Jesus:
 Podemos ter conhecimento real de Deus. Jesus disse: "Quem
me vê a mim vê o Pai" (Jo 14.9);
 A redenção (resgate) está a nossa disposição;
 Deus e a humanidade foram religados;
 E correto adorar a Cristo.
4. O CARÁTER DE JESUS CRISTO
A ética e a moral de Jesus Cristo eram tão elevadas que
até os pensadores ímpios a reconheceram:
Pecaut, um célebre sociólogo e infiel francês, reconheceu a
pureza moral do caráter de Cristo dizendo: “O caráter moral de
Cristo elevou-se incomparavelmente acima de qualquer outro
grande homem da antiguidade. Nenhum outro foi tão meigo, tão
humilde e tão bondoso como Ele.”;
O caráter puro e santo de Jesus demonstrado nos Evangelhos
apenas confirmam sua superioridade ética e moral bem acima
dos demais fundadores de religião;
A Bíblia comprova o caráter puro de Jesus Cristo em (Hb
7.26);
O apóstolo Pedro, que conviveu por três anos e meio
com Jesus Cristo, deu o seu testemunho do caráter santo e
puro de Jesus (1Pe 2.21-25).
5. A OBRA DE JESUS CRISTO
A obra de Cristo é tudo aquilo que Ele realizou para o
nosso bem mediante a sua morte e ressurreição;
Segundo Lindsay Glegg “Todas as bênçãos que Deus tem
para o homem encontram-se em Jesus Cristo e são dadas
por meio d’Ele”;
A obra de Cristo se define por tudo aquilo que ele
conquistou para nós como legado perpétuo: a vida eterna,
a paz eterna e a alegria eterna (Jo 3.16; Jo 14.23; Jo
16.22);
A salvação (é o amor ativo de Deus em favor do homem), a
redenção (resgate), a remissão (perdão), a justificação (o
homem pecador é declarado justo perante Deus), a expiação
(reparação do pecado humano através de um ato redentor), a
regeneração (o homem recebe uma nova vida), a reconciliação
(quando dois inimigos fazem as pazes), a santificação (o homem é
declarado santo pelo próprio Deus) são obras que somente Jesus
tinha condições de realizar em favor da humanidade pecadora;
Martinho Lutero definiu a obra de Cristo assim: “Em sua vida,
Cristo foi um exemplo edificante, que nos traçou normas salutares
de conduta; em sua morte, um sacrifício propiciatório pelos nossos
pecados; em sua ressurreição, um conquistador; em sua ascenção,
um rei; em sua intercessão, um sumo sacerdote.”
Em Lc 19.10 o próprio Jesus define a sua obra. Esta foi e continua
sendo a principal missão de Cristo em favor do homem.
A obra foi realizada em dois estágios básicos: estado de
humilhação e estado de exaltação;
5. Humilhação de Jesus Cristo
 Filipenses 2.6,7: Jesus Cristo "não julgou como usurpação o ser
igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de
servo, tornando-se em semelhança de homens“;
O que Jesus renunciou ao vir para a terra e imenso:
 De uma posição de igualdade com Deus, que implicava presença imediata
do Pai e do Espirito Santo, bem como o louvor continuo dos anjos, ele
veio a terra, onde não tinha nada disso.
 Mesmo que Cristo viesse para o maior esplendor que a terra pode
oferecer, o declínio ainda seria imenso;
 Assumiu a forma de servo, um escravo;
 Ele veio para uma família bem comum;
 Ele nasceu na pequena cidade muito obscura de Belém (Mq 5.2);
 nasceu num ambiente muito humilde de um estabulo e foi deitado numa
manjedoura.
 Ele nasceu sob a lei. Ele, que deu origem a lei, que era o Senhor dela,
tomou-se sujeito a lei, cumprindo-a em tudo;
 O rebaixamento de Jesus e sua sujeição a lei foram completos (precisou
ser circuncidado e precisou passar pelo ato de purificação no templo Lc
2.21-39);
 Jesus renunciou ao exercício independente de seus atributos divinos
(renunciou a capacidade de exerce-los por si próprio);
 Ele não podia exercer, de forma livre e independente, todas as
capacidades que possuía quando estava no céu.
5.1. A morte de Jesus Cristo
O Cristianismo é uma religião redentora. Por isso a
morte de Jesus tem o primeiro lugar em sua mensagem;
Somente o sangue de Jesus, que pelo Espírito eterno se
ofereceu a si mesmo sem mancha a Deus, pode purificar a
nossa consciência de obras mortas a fim de servirmos ao
Deus vivo;
Cristo encarnou-se a fim de poder fazer a expiação.
Nasceu para morrer. Manifestou-se para retirar os pecados;
Encarnou-se a fim de que oferecesse a sua vida como
sacrifício pelos pecados dos homens;
Em 1Co 15.1-4 o apóstolo Paulo resumiu todo o
conteúdo do evangelho;
Paulo ainda escreveu 1 Co 2.2 reconhecendo o grande
valor da morte de Cristo.
O derradeiro passo descendente na humilhação de Jesus
foi sua morte;
Ele, que era "a vida" (Jo 14.6), o Criador, o doador da
vida e da nova vida que constitui vitória sobre a morte,
tornou-se sujeito a morte;
Ele, que não havia cometido nenhum pecado, sofreu a
morte, que e a consequência ou o "salario" do pecado.
Em 1Co 15.1-4 o apóstolo
E mais, Jesus sofreu não apenas a morte, mas uma morte
humilhante.
Ele sofreu um tipo de execução reservado pelo Império
Romano aos criminosos mais execráveis;
Foi uma morte lenta, dolorosa, praticamente uma morte por
tortura;
A zombaria e o sarcasmo das multidões, o abuso dos lideres
religiosos e dos soldados romanos multiplicaram a humilhação;
A morte parecia ter dado um fim a sua missão: havia falhado
em sua tarefa. Sua voz fora silenciada, de modo que já não
podia pregar ou ensinar, e seu corpo estava sem vida, incapaz
de curar, ressuscitar ou de aquietar tempestades.
6. A EXALTAÇÃO DE JESUS CRISTO
6.1. A RESSURREIÇÃO
A morte de Jesus foi o ponto baixo em sua humilhação;
Vitória sobre a morte, foi o primeiro passo de retorno no
processo de sua exaltação;
Na incapacidade de a morte segura-lo simboliza-se a
completitude de sua vitória;
Que mais podem fazer as forças do mal, se alguém a
quem elas mataram não permanece morto?
A ressurreição de Cristo é a coluna mestra que sustenta o
edifício da fé cristã;
A ressurreição é sustentada e apoiada por provas
corroborativas e infalíveis, como poucos fatos históricos
Sepulcro vazio;
Aparições pessoais do Senhor ressurreto para dezenas e
centenas de pessoas de uma só vez;
O doutor Lucas, em suas investigações, também atestou a
ressurreição de Cristo em At1.3;
A ressurreição de Jesus é a comprovação de que tudo que
Ele falou é verdadeiro. É a prova cabal de que Jesus é o
Deus vivo e verdadeiro (Rm 4.25);
A ressurreição de Jesus lavou a alma de seus discípulos
acanhados pela sua morte e pelos inimigos que acusavam
seu Senhor e Mestre de apenas mais um embusteiro (Jo
20.19);
O antes medroso Pedro assim declarou com autoridade
(At 2.22-24);
O apóstolo Paulo declara que a nossa crença na
ressurreição de Cristo é fator determinante para nossa
salvação (Rm 10.9).
7. A ASCENSÃO DE JESUS CRISTO
O segundo passo na exaltação implicou deixar as
condições da terra e reassumir seu lugar junto ao Pai;
A ascensão de Jesus não foi uma mera mudança física e
espacial, mas também espiritual;
O significado da ascensão e que Jesus deixou para trás as
condições associadas a vida sobre esta terra;
A oposição, hostilidade, descrença e infidelidade que
enfrentou foram substituídas pelo louvor dos anjos e pela
presença imediata do Pai;
A ascensão visível de Jesus em corpo ressurreto aos céus é
a prova mais contundente de que ele havia descido lá do
alto, mediante sua encarnação e agora retornava para o céu
reassumindo a glória que ele já possuía antes da fundação
do mundo (Jo 17.5,13,24);
Houve razões definidas pelas quais Jesus teve de deixar a
terra:
 Precisava preparar o lugar de nossa futura habitação (Jo
14.2,3);
 Precisava ir para possibilitar a vinda do Espirito Santo (Jo 16.7).
 O envio do Espirito Santo era essencial, pois, enquanto Jesus só
podia atuar nos discípulos por meio de ensinos externos e
exemplos, o Espirito Santo poderia trabalhar dentro deles (Jo
14.17);
 Por conseguinte, os fieis teriam condições de realizar as obras
que Jesus realizava ou obras ainda maiores (Jo 14.12);
 A ascensão de Jesus significa que ele esta agora assentado a
direita do Pai. O lado direito e o lugar de distinção e poder;
A ascensão de Jesus foi um até breve do rei que retornará
da mesma forma visível com que foi assunto ao céu (At
1.9-11).
Ele será o Senhor vitorioso, o juiz sobre todas as coisas;
Nessa ocasião, seu reinado que, no presente, e em alguns
aspectos apenas potencial e que muitos não aceitam, será
total;
Ele mesmo disse que sua segunda vinda será em gloria
(Mt 25.31)
Aquele que veio em inferioridade, humildade e ate
humilhação, retomara em completa exaltação;
Então, de fato, todo joelho se dobrara e toda língua
confessará que Jesus Cristo e Senhor (Fp 2.10,11).
CONCLUSÃO
O Apóstolo Paulo assim afirmou: “Por que dele, e por ele,
e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele
eternamente. Amém” (Rm 11.36).
FIM