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CIP-Brasil.

Catalogação-na-Fonte
Câmara Brasileira do Livro, SP

Adama, Paul T.
A176a Ajuda-te pela nova auto-hipnose / Paul T.
4.ed. Adams ; prefácio do Dr. William Bryan
Junior ; tradução de Auriphebo Simões. —
4. ed. — São Paulo : IBRASA, 1978.
(Biblioteca psicologia e educa­
ção ; 59)

1. Sugestão (Psicologia) ' I. Título

CDD-154.76
78-0776

índices para catálogo sistemático:


1. Auto-hipnose Psicologia 154.76
Ajuda-te
Pela Nova Auto-Hipnose
PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO
- 59 -

Volumes publicados:
1. O Segrêdo da Paz Familiar Harry P. Tashman
2. Usos e Abusos da Psicologia H. J. Eysenck
3. Relações Humanas Thomason e Clement
4. Ajuda-te Pela Psiquiatria Frank 8. Caprlo
S. Nos Subterrâneos da Mente Frltz Redllch
0. D escobre-te a Ti Mesmo Stephen Lackner
7. Seja Invulnerávell Laura A. Huxley
8. Vença Pela F i Gordon Poweil
9. Renovar Para Vencer John W. Gardnep
10. A Conquista da Mente Wllllam Sargant
11. As Drogas e a Mente Kobert S. de Ropp
12. Fato e Ficção na Psicologia H. J. Eysenck
13. Liberdade Sem Mêdo A. S. Nelll
14. Liberdade Sem Excesso A. 8. Nelll
15. A Marca da Violência Predrlc Wertham
16. Condicionamento Pessoal Hornell Hart
17. Criatividade Profissional Eugene von Fange
18. O Poder Criador da Mente A1'2X F. Osborn
19. Arte e Ciência da Criatividade George F. Kneller
20. Sonhos e Pesadelos J. A. Hadíleld
21. As Três Faces de Eva C. H. Thlgpen
22. O Rapto do Espirito J. A. Merloo
23. Educação Soviética G. L. Kllne
24. A Face Final de Eva~ J. Follng
25. O Siculo de Freud Benjamln Nelson
26. Educação e Desenvolvimento Várloa autores
27. Economia da Educação John Valzey
28. Ajude Seu Marido a Vencer Kenneth Hutchln
29. A Criança Problema Joseph Roucek
30. A Criança Excepcional Joseph Roucek
31. Idéias Para Vencer Myron 8. AUen
32. Psicotera%ia de Grupo Vários autores
33. História da Psiquiatria Franz Alexander e 8. T.
Selesnlck
34. Educação é Investim ento José Reis
35. A Necessidade de Amor Theodor Relk
36. O Dirigente Criativo Joseph G. Mason
37. Vse o Poder de Sua Mente Davld J. Schwartz
38. Psicologia Prática no Ensino L. Dervllle
39. Conversas Com Pais e Mestres Homer Lane
40. Formação de Lideres A. K. Rlce
41. Qual o Problema de Seu Filho7 Francês L. Ilg/L. B. Ames
42. Técnicas Revolucionárias de Ensino Pré-
Escolar Maya Pines
43. Use a Cabeça Aaron Levensteln
44. Prisão Não Cura, Corrompe D. Slngton/G. Playfalr
45. Para Enriquecer, Pense Como um
Milionário Howard E. Hlll
46. A Saúde Mental da Criança Mlchael M. Mlller
47. A Cura Pela Liberdade W. Davld Wllls
48. Liberdade no Lar A. 8. Nelll
49. Eros e Tãnatos — O Homem Contra Si
Próprio Karl Mennlnger
50. Amor Contra o ôdio Karl Mennlnger
51. Liberdade na Escola A. 8. Nelll
52. Liberdade, Escola, Amor e Juventude A. 8. Nelll
AJUDANTE n,fr., ]
PELA NOVA
AUTO-HIPNOSE

PAUL T. ADAMS

Prefácio do
D r . W il l ia m B r y a n J u n io r
F u n d a d o r do I n s t i t u t o A m e r i c a n o d e H i p n o s e

Tradução de
A u r ip h e b o S im õ e s

4 ° edição
953713

IBRASA — In s titu iç ã o B r a s ile ir a de D ifu s ã o C u ltu r a l S.A.


Titulo do original norte-americano: F IL:
The new Self-Hypnosis
Copyright (c) 1967 by -15 v f.
PARKER PUBLISHING CO. INC.
West Nyack, N. Y. A
V . Ç jd

Todos os nomes mencionados nos casos rela­


tados por 6sto Uvro sfto fictícios e n&o se re­
ferem a qualquor pessoa viva ou morta. Os
casos s&o verdadeiros. Os nomes foram substi­
tuídos a fim de proteger a Identidade das pessoas
às quais os casos dizem respeito.

Capa de
A lb e r to N acer

Direitos exclusivos para a língua portuguêsa da


IB R A S A — INSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE DIFUSÃO CULTURAL S.A.
Rua Vinte e Um de Abril, 97 — T el. 93-9524
03047 São Paulo, SP

P u b U c a d o em 19~S

IM P R E S S O N O B K A 81L ----- P R IN T B D IN fcR A Z IL


ÊSTE LIVRO É DEDICADO A M INHA QUERIDA ESPÔSA
BETTY E AOS MEUS QUATRO M .E .D .P . —
Paul II, B l a i r , B r a d f o r d e P erry
.
PREFACIO d e u m m é d ic o
\

O dr. P a u l T. A dam s escreveu um livro nôvo sôbre auto-


hipnose. É um livro maravilhoso e prático que esboça as
técnicas necessárias para que uma pessoa possa dominar a
auto-hipnose com facilidade, corretamente e com segurança.
O dr. Adams é especialmente qualificado para escrever um
livro desta natureza, em virtude de seu vasto conhecimento
em psicologia e religião, juntamente com seus ótimos ante­
cedentes de muitos anos de treinamento e experiência em
hipnotismo. Êste livro, no entanto, é muito mais do que uma
simples discussão sôbre auto-hipnose. Na realidade, êle
ensina como viver nestes tempos perturbados, a fim de en­
riquecer a vida em centenas de modos, para iniciar uma
série de hábitos e vincular-se a êles através do hipnotismo.
Como líder brilhante e destemeroso, o dr. Adams repta
cada indivíduo para que leve uma vida espiritualmente com-
pensadora e, a seguir, mostra ao leitor como fazer face a
tais desafios espirituais, demonstrando a maneira de desco­
brir a “ erva daninha” no “ jardim do pensamento” da pes­
soa, e eliminá-la através de um nôvo e dinâmico processo
de auto-hipnose.
Como primeiro médico dos Estados Unidos a especializar-
se no emprêgo da hipnose, conheço mais do que a maioria as
dificuldades da aplicação da auto-hipnose. Em minha opi­
nião o dr. Adams escreveu um livro claro e compreensível,
eliminando o mistério que envolve o fenômeno.
Os leitores encontrarão um uso prático para êste livro.
Certamente êle será de extraordinária serventia como ver­
dadeiro auto-auxílio a qualquer pessoa interessada no campo
do hipnotismo.

W i l l i a m J . B r y a n , J r .,
Doutor em Medicina
0 QUE ÊSTE LIVRO PODE FAZER
POR VOCÊ

ÊSTE N Ã o É a p e n a s mais um livro sôbre auto-hipnose. O


indivíduo que não tenha qualquer empenho em hipnotismo,
verificará, não obstante, que a obra é de grande valor e in-
terêsse. A Seção III ataca os problemas da vida, problemas
êsses que dizem respeito a todos nós. Um singular discer­
nimento nesta moderna era espacial é apresentado de ma­
neira direta e compreensível, e, passo a passo, são dadas as
maneiras de solucionar tais problemas. As instruções con­
tidas na obra resultam de muitos anos de aconselhamento aos
que encontraram dificuldade em fazer face às exigências da
era espacial.
Se estiver interessado em auto-hipnose, você achará recon­
fortantes as Seções I e II. Não espere encontrar idéias já
muito conhecidas e apenas apresentadas sob outras formas. A
abordagem ao assunto de hipnose é diferente de tudo quanto
já foi escrito. O dr. Adams explica o que é a auto-hipnose e
como funciona. Depois, dá nove diferentes testes de suges­
tão, os quais você poderá experimentar em você mesmo. A
seguir, são dadas instruções bem definidas sôbre como, na
realidade, você pode auto-hipnotizar-se. As induções são
apresentadas palavra por palavra, de modo que mesmo o in­
divíduo de parcos conhecimentos pode ter sucesso em apren­
der auto-hipnose.
De maneira simples, porém minuciosa, o dr. Adams ex­
plica como funciona o subconsciente. A parte desempenha­
da pela imaginação no processo de hipnose é revelada de
maneira lúcida. O Capítulo 9 é singular e fora do comum,
pois que nêle você encontrará os seis princípios que podem
ser usados nas sugestões para a auto-hipnose. O dr. Adams
defende o ponto de vista de que o que você diz a você mesmo
enquanto está sob hipnose é mais importante do que a pro­
fundidade da hipnose. O Capítulo 9 contém o segrêdo do seu
M.E.P.D. que é mencionado através do texto todo.
A matéria das Seções I e II é o resultado dos cursos cole­
tivos de auto-hipnose ministrados pelo dr. Adams. Gente
de tôdas as camadas sociais e de formações religiosas dife­
rentes, fêz êste curso. Além de pastor de uma grande con­
gregação, dando conselhos particulares, escrevendo e fazendo
conferências, o dr. Adams é consultor de inúmeras emprêsas
industriais e comerciais. Estas firmas procuram seus con­
selhos relativamente a matérias de relações humanas e moti­
vações.
No todo, você verificará que a leitura dêste livro é uma
valiosa experiência. Com freqüência você o consultará para
orientação prática, a fim de desfrutar de uma vida satis­
feita quanto a saúde, riqueza e felicidade.
Í N D I C E

Prefácio de um Médico • 9
O Que Êste Livro Pode Fazer Por Você • 11 . .
Prefácio do Autor • 19

Seção Um

O ESTADO DE RELAXAM EN TO

1. Auto-Hipnose — Uma Arte Antiga para Enfrentar as


Necessidades da Era Moderna * 23
Concepções errôneas * Não se deve temer a hipnose * Origem
do poder hipnótico * Liberação do pleno potencial através do
hipnotismo * A hipnose é a chave para viver eficazmente * Os
elementos essenciais para aprender auto-hipnose * Hipnose como
fenômeno perfeitamente normal

2. Que é Auto-Hipnose e Como Age? • 35

Hipnose não i sono * Ê mais fácil hipnotizar pessoas inteligentes


* Pode a hipnose agir contra a fôrça moral? * Existe algum
possível mau efeito sôbre a vontade ou o cérebro? * Destruindo
o mito do perigo em hipnose * Hipnose, um modo de viver *
O verdadeiro conceito * O estado de hipersugestibilidade * Ori­
gem das dificuldades e dos fracassos na vida

3. Você é o Que Subconscientemente Acredita Ser • 47

Natureza da hipnose * Convicção mental sob hipnose * O


enigma da motivação consciente e subconsciente * Pode-se alcançar
o subconsciente por meio de hipnose * Fracasso como questão
de convicção * Nem sempre a causa do fracasso precisa ser co­
nhecida * Resumo de um caso de fracasso e sucesso * Caso
de uma pessoa que “ tinha mêdo de ser feliz” * A origem da doença
psicossomática * Crença subconsciente como causa de morte *
Um ponto decisivo de vida ou morte * Explicação de cura reli­
giosa: exemplo perfeito de auto-hipnose

4. Passos Preliminares em Auto-Hipnose • 62

A base de um programa * Ã procura de um hipnotizador qualifi­


cado * Iniciando um programa de auto-auxílio para a auto-
hipnose * Conceda a você mesmo um prazo razoável * Como
programar seus exercícios * As ferramentas com que você trabalha

5. Como Hipnotizar-se com Êxito * 75

Dois lembretes básicos * Selecionando sua melhor base de reação


hipnótica * Fórmula hipnótica 1 * Sugestões suplementares e
procedimentos para despertar * Fórmula hipnótica 2 * Fórmula
hipnótica 3

Seção Dois

AS REGRAS

6. O Subconsciente Deve Ser Seu Servo Obediente • 89

O que compreende o subconsciente * Como um vendedor venceu


um mêdo singular * O domínio do subconsciente ao alcance de
Iodos * Um exemplo de hipnose na solução de uma vida confusa
* Uma fórmula para dominar o subconsciente

1. Use O Subconsciente Para Atingir Suas Metas


na Vida • 101

O papel do subconsciente em alcançar as metas da vida * Conceitos


que podem mudar sua vida * A influência e o sentido do meio *
Um caso subconsciente que tinha por meta a morte * Auto-
hipnose para impressionar o subconsciente quanto às metas *
Efeito de “supermotivação” nos atletas * Minha meta pessoal
atingida pelo subconsciente * Como dirigir apropriadamente seu
subconsciente * Como usar a auto-hipnose para verificação das
metas

8. Organize Sua Imaginação e Deixe-a Trabalhar Criativamente


Para Você • 117

O poder de sua imaginação * Todos nascem com imaginação *


A imaginação é mais poderosa que a fôrça de vontade * Como
sua imaginação pode prejudicá-lo * Como a imaginação pode des­
truir o casamento * Como a hipnose pode controlar a imaginação
de uma criança * Aumento salarial conseguido por imaginação con­
trolada * Tôdas as relações humanas beneficiam-se com a imagi­
nação controlada * Imaginação para induzir auto-hipnose *
Como uma pessoa deixou de fumar * Como aumentar o poder
de sua imaginação

9. Dinâmica Básica da Sugestão Eficaz


(Seu M.E.P.D.) • 133

Os seis grandes princípios da sugestão eficaz * Princípio 1 *


A lei do motivador emocional positivo e dominante * Princípio 2
* A lei da auto-aprovação * Princípio 3 * A lei do efeito
inverso * Princípio 4 * A lei de julgamento antecipado *
Princípio 5 * A lei do desempenho de papel * Princípio 6
* A lei da exposição concentrada repetida * Como fazer fun­
cionar os princípios
A REEDUCAÇÃO

10. Como a Auto-Hipnose Pode Ajudá-lo a Aumentar


a Fé • 155

Fé e crença aplicadas ao campo médico * Caso psicossomático de


ataque cardíaco * A fé pode conseguir o impossível * As limi­
tações do conhecimento pessoal * Eficácia da fé fortalecida por
hipnose * Os elementos da fé positiva * Limitações da fé realís-
tica * A ação da fé é essencial * Exemplo da fé em ação *
A fé eficaz curou espôsa alcoólatra * Programa diretor para
desenvolver e aumentar a fé * Sugestão da auto-hipnose para au­
mentar e melhorar sua fé

11. Como a Auto-Hipnose Pode Aumentar Sua


Autoconfiança • 172

Que é falta de autoconfiança? * A natureza da autoconfiança *


Como a auto-hipnose ajudou um jovem a obter autoconfiança * Co­
mece com o que possa oferecer maior atração para você * Que
é que causa a autodescrença? * Passos positivos para adquirir
. confiança * Um programa para aumentar a autoconfiança através
da auto-hipnose * Sugestões de auto-hipnose para aumentar sua
autoconfiança

12. Como a Auto-Hipnose Pode Melhorar Suas Relações


Humanas • 189

A importância de dar-se bem com os outros * "Fórmula da Acei-


tação~da realidade” * Aceite-se como você é * Aceite os outros
como êles são * Aceite a vida como a vida é * Sugestões de
auto-hipnose para melhorar suas relações humanas

13. Como a Auto-Hipnose Pode Ajudá-lo a Viver com o


Passado • 204

Que fazer com nosso passad»? * O problema do nome e da repu­


tação de família * Vivendo com sua vida pessoal passada * Su­
gestões de auto-hipnose para viver com o passodo
II Como a Auto-Hipnose Pode Melhorar Seu
Casamento * 220

As diferenças psicológicas entre sexos * Diminuição das diferenças


sociológicas * A falta de preparação para a maioria dos casa­
mentos * Ignorância na administração das finanças da família *
Imaturidade no casamento * Usando a hipnose para evitar os
cinco "I” perigosos * Sugestões de auto-hipnose para auxiliá-lo
a melhorar seu estado matrimonial

15. Como a Auto-Hipnose Pode Ajudá-lo a Ter Êxito


Financeiro * 235

O verdadeiro significado de êxito * Como a auto-hipnose auxilia


no sucesso financeiro * Sugestões de auto-hipnose para êxito
financeiro

16. Como a Auto-Hipnose Pode Ajudá-lo a Controlar Suas


Emoções • 249

Ansiedade, um algoz * Como foi resolvido um caso de ansiedade


* Sugestão de auto-hipnose para sobrepujar a ansiedade * Ven­
cendo os mêdos inúteis * Sugestão de auto-hipnose para eliminar
o mêdo inútil * Sobrepujando o sentimento de culpa * Como
perdoar-se a si mesmo * Sugestão de auto-hipnose para eliminar
a falsa culpa * Vencendo a depressão * Sugestões de auto-hip-
nose para livrá-lo da depressão * Controlando o temperamento *
Sugestões de auto-hipnose para ajudá-lo a vencer suas hostilidades

17. Como a Auto-Hipnose Pode Auxiliá-lo a Melhorar Seus


Poderes de Concentração e Memória * 266

Aproveitando o poder do subconsciente * Importância do hábito


de bons estudos * Não existe tipo especial de cérebro * Hipnose
para melhorar o aprendizado * Hipnose para melhorar a con­
centração, compreensão e memória * Sugestões de auto-hipnose
para melhorar concentração e memória * A esponja * A câmera
* O gravador de fita * O computador eletrônico * Sobrepu­
jando a “ contração” durante os exames e as crises * Sugestões de
auto-hipnose para vencer a "contração” quando sob exame

18. Conclusão: “ O Futuro É Seu” • 280


PREFÁCIO DO ADTOR

HA M u it o s S é c u l o s , um sábio escreveu: “ Porque como ima­


ginou em seu coração, e assim é.” * (Provérbios 23:7). Se o
Rei Salomão tivesse de escrever a mesma coisa em linguagem
moderna, teria escrito: “ Como o homem imaginou em seu
subconsciente ou no íntimo de sua mente, êle assim é.” A
palavra “ coração” *, como é usada nesta Escritura e na maio­
ria das Escrituras dos Testamentos Hebraicos e Cristãos,
não se refere ao coração físico. Pelo contrário, é usada em
sentido figurado e geralmente refere-se à sede das emoções,
ao íntimo do homem, o subconsciente. Muito antes de Freud
ter nascido, o Rei Salomão disse que o que determina o ca­
ráter e a conduta dos humanos não é o que o homem exprime
conscientemente, mas o que êle pensa “ com o coração,” * ou
subconscientemente.
Desde os tempos de Salomão têm sido feitos muitos desco­
brimentos que confirmam sua assertiva. E nada ainda foi

* Na tradução para o português, está empregada a palavra “ alma” e


não coração; isto, no entanto, não prejudica o sentido. (N. do T .)
descoberto que possa pô-la à margem. O que você pensa
com o coração toína-se você mesmo. Isto, algumas vêzes é
bom e algumas vêzes não, dependendo de como o subcons­
ciente pensa. A tragédia está em que muitas vêzes as con­
figurações de reação estabelecem-se em seu subconsciente sem
que você se aperceba de maneira completa. Estas configu­
rações de comportamento podem arruiná-lo. O fracassado diz,
“ Não quero fracassar," e, no entanto, continua a agir de
maneira que o fará fracassar. O homem que sofre de ansie­
dades extremadas diz, “ Não quero ter m ê d o ...,” e ainda
assim continua a temer. Por quê? Compulsão, ansiedade,
fobia, obsessão e dezenas de outros nomes são dados como
respostas, mas a real é que o subconsciente de tal indivíduo
está convencido de que estas reações do comportamento são
necessárias a sua vida.
De que modo pode ser alcançado o subconsciente? De que
modo pode ser reeducado? Acredito que a melhor maneira é
através do uso adequado da hipnose e da auto-hipnose. Inú­
meras pessoas têm sido e continuam sendo auxiliadas a viver
com confiança, à medida que satisfazem as exigências da era
espacial. Espero que, por intermédio das lições dêste livro,
você seja capaz de conseguir exatamente isso.
Êste livro destina-se a todos, porque a hipnose é uma dá­
diva de Deus para todos. Se você julgar que não pode acres­
centar qualquer melhoria em sua vida, será melhor então
que não continue a leitura. Porém, se quer viver a vida em
tôda a sua plenitude, comece a fazê-lo agora, tendo neste
volume um amigo de confiança e um guia.
[ SEÇAO UM J

0 ESTADO DE RELAXAMENTO

1

AUTO-HIPNOSE —
UMA ARTE ANTIGA PARA ENFRENTAR
AS NECESSIDADES DA ERA MODERNA

provavelm en te você a cabeça em descrença,


s a c u d ir á

quando eu lhe disser que você tem sido hipnotizado todos os


dias de sua vida. Mesmo que não acredite, a assertiva não
é menos verdadeira. De fato, não apenas tem sido hipnoti­
zado em todos os dias de sua vida, com a possível exceção dos
anos de sua infância, como também, em certo sentido, você
tem estado hipnotizado durante tôda a sua vida. À medida
que prosseguirmos, você verá que ambas as afirmativas são
verdadeiras.

CONCEPÇÕES ERRÔNEAS

O homem comum aborda o assunto de hipnotismo com


diversas idéias preconcebidas que, na maioria das vêzes, são
errôneas. Estas idéias vão desde a crença de que a hipnose
e o sono são sinônim os/ até a de que um hipnotista** possui
algum poder diabólico. Já que sou um clérigo, com muita
freqüência tenho tido contato com esta última concepção.
Mães e pais bem intencionados previnem os filhos de que
não devem fitar-me nos olhos, porque posso enfeitiçá-los.
Alguns bons membros da irmandade previnem seus reba­
nhos de que devem evitar-me, já que é possível que as “ ove­
lhas” fiquem “ possuídas pelo demônio” se se aventurarem a
aproximar-se muito de mim. Êstes exemplos são um pouco
extremados, mas indicam as atitudes de grande número de
indivíduos.
Hoje, como nunca antes, as pessoas esclarecidas estão co­
meçando a perceber que o hipnotismo pode ajudá-las a atin­
gir suas metas e realizar suas ambições. Têm-se escrito
muitos livros e ministrado muitos cursos para dizer às pes­
soas tl que fazer, mas nenhum diz como realizar o que devem
fazer. A auto-hipnose é a única ferramenta dinâmica eficaz
na implementação e execução dos planos que você tem para
sua vida.

NÃO SE DEVE TEMER A HIPNOSE

Pelo emprêgo da hipnose você pode liberar a fôrça que


existe em seu interior. A hipnose é tão velha quanto o ho­
mem e, no entanto, sòmente uns poucos se têm aproveitado
de seus benefícios. O mêdo é uma das razões por que os
homens não têm empregado e não empregam a hipnose. Esta
representa um poder mal compreendido e, invariàvelmente,
os homens temem tudo o que é poderoso ou aquilo que não
compreendem. Sacerdotes e reis em eras passadas exerce­
ram a hipnose como um poder divino. Na verdade, não lhe

• Henri Piéron define hipnose como sono artificial provocado ou por


medicamento (hipnótico) ou por manobras de sugestão (hipnotismo).
00 Hipnotista é quem pratica hipnotismo e hipnotizador é quem hipno­
tiza. Caldas Aulete. Usaremos de preferência “hipnotista” por motivos
óbvios. (N. do T .)
f

davam o node de hipnose, mas não se tratava de outra coisa.


Acreditavam que Deus lhes havia conferido a dádiva do
poder sôbre os que lhes estavam abaixo, mas a verdade é que
êles simplesmente evocavam um poder que está dentro de
todos nós. Êste poder, que se acha no íntimo de todo homem
e o tem feito ver visões, ouvir o que não se ouve, e realizar
o impossível, tem sido liberado pela hipnose para curar os
doentes, para dar visão aos cegos e para fazer com que os
surdos ouçam.
Os homens ainda temem a hipnose, em decorrência dos fe­
nômenos que podem ser por ela evocados: estados catatôni-
cos, anestesia, alucinações. .. Mesmo as pessoas mais cultas
agarram-se à falsa associação de magia e hipnotismo. Acre­
ditam que o hipnotista tem algum poder místico, mágico.
Nada poderia estar mais longe da verdade. O hipnotista
está simplesmente liberando uma fôrça que está dentro de
seu sujeito.*
Êste poder é dado por Deus! É um poder que está dentro
de você, a sua disposição; está à espera de ser usado, diri­
gido e controlado por você.
Qualquer autoridade em hipnose dirá que tôdas as hip­
noses são auto-hipnoses. O hipnotista é simplesmente um
guia. Êle está dirigindo e controlando uma fôrça que está
dentro do sujeito. Uma vez que o indivíduo seja devidamente
instruído e condicionado, êle próprio poderá dirigir e con­
trolar esta fôrça.

ORIGEM DO PODER HIPNÓTICO

Para mim é interessante e surpreendente que o interêsse


do homem pelo espaço exterior tenha começado aproximada­
mente ao mesmo tempo em que passou a interessar-se pelo
espaço interior — a hipnose. De fato, estou informado de

• Sujeito é o paciente; o que está sendo submetido a um teste ou


tratamento, manobra etc. e será sempre empregado neste sentido. ( N. do T .)
que alguns astronautas estão sendo submetidos a técnicas
hipnóticas, a fim de que sejam condicionados para as muitas
facêtas de seu trabalho.
Você já notou como têm sucesso os homens que parecem
estar possuídos por um poder? Sem dúvida, você já ouviu
falar de alguém que é possuído por uma fôrça divina. Na
realidade, o homem que vence não é possuído por qualquer
outro poder senão o seu próprio. Êste é o potencial de todos
os mortais. Jesus Cristo compreendeu isto quando declarou:
“ Dentro de vós está o Reino de Deus.” A diferença entre o
homem que fêz uma colheita das coisas boas dêste mundo e
do que não o fêz, é que o primeiro aproveitou e controlou a
fôrça invisível dentro de si, ao passo que o outro não
fêz isso.
Hipnose, hipnotismo e auto-hipnose são apenas palavras.
A maioria dos grandes homens e mulheres do passado que
usaram eficazmente esta fôrça, nada sabia de hipnose como
hoje a conhecemos. E ainda não sabemos tudo a seu respeito.
Por exemplo, não sabemos por que certas pessoas são hip­
notizadas com mais facilidade do que outras. Em suma, não
compreendemos exatamente como a hipnose funciona, mas
sabemos que funciona e, no que nos interessa, é isto que é
importante. Está sendo levada a efeito uma pesquisa cons­
tante quanto à dinâmica e ao mecanismo do hipnotismo, con­
tudo, hoje já se conhece o suficiente, de modo que você pode
lançar mão dos benefícios da auto-hipnose. Você pode co­
meçar a orientar e dirigir o pleno potencial de sua vida.
Você alguma vez já analisou o que faz com que um homem
tenha êxito, ao passo que outro fracassa? Êste fator tem
recebido diversos nomes, tais como: tendência impulsiva,
ímpeto etc. No entanto, nenhum dêstes têrmos chega a de­
finir adequadamente “ aquêle certo algo” que dá êxito aos
homens. Dois homens podem ser idênticos em estatura fí­
sica e capacidade mental. Podem estar empenhados na mesma
ocupação e, ainda assim, um terá mais sucesso do que o
outro. Por quê? Para encontrar o motivo real, você pre­
cisa voltar à premissa de que o homem de sucesso, ainda
que êle nada saiba sôbre hipnose, possui, governa, controla
e libera o poder que dentro dêle existe.

LIBERAÇÃO DO PLENO POTENCIAL ATRAVÉS


DO HIPNOTISMO

A finalidade dêste livro é ensinar o uso inteligente da


auto-hipnose, de modo que você também possa realizar seu
pleno potencial na vida. Nesta era espacial, cada vez mais
se espera e exige da mente humana. Uma criança na quarta
série primária está aprendendo matemática e ciências, ma­
térias que, na geração passada, eram ensinadas tão-só na
terceira ou na quarta série ginasial. Com efeito, a criança
comum, hoje em dia, está aprendendo matemática e ciên­
cias sob formas que não existiam há alguns anos.

A indústria está se tornando cada vez mais rigorosa em


suas exigências. Os homens precisam ter um diploma de
colégio ou faculdade para que possam obter a mais humilde
das posições. Tôdas as grandes firmas esperam de seus em­
pregados instrução formal contínua. Para manter-se na
cúpula, o executivo comum tem de passar horas lendo sôbre
novos progressos da técnica em sua determinada esfera de
ação. Raramente é promovido o homem que não se aperfeiçoa.
A dona de casa que deseja manter-se em pé de igualdade
com o marido está também submetida a muitas exigências
mentais. Além de seus deveres para com o lar, clubes e
funções na igreja, precisa encontrar tempo para manter-se
informada. A espôsa e mãe que não fizer isso, dentro de
pouco tempo perceberá que está fora do círculo mais íntimo
da família. Esta é uma das razões para a dissolução de
muitos casamentos — a espôsa não progride intelectualmente
na mesma proporção que o marido.
O inverso também é verdade. Recentemente, entrei em
contato com um casal já entrado em seus cinqüenta anos,
que estava à beira da separação. A dificuldade básica no
casamento era a diferença intelectual. A mulher era auto­
didata e possuía muitos interêsses intelectuais e culturais.
O marido, no entanto, não estava interessado em coisa algu­
ma, exceto programas de televisão e a página cômica dos
jornais. Êle não apreciava a roda de amigos da espôsa, por­
que se sentia deslocado. Por intermédio de uma técnica hip­
nótica, motivei-o a interessar-se pela leitura e a aprender.
Ensinei-lhe auto-hipnose, de modo que êle pudesse aumentar
seus podêres de concentração, compreensão e memória. Não
levou muito tempo para que o homem se tornasse parte de
um nôvo mundo, e, assim, um casamento deixou de ser des­
feito.

A HIPNOSE É A CHAVE PARA VIVER


EFICAZMENTE

Trouxemos à sua atenção apenas algumas das demandas


mentais impostas pela sociedade moderna aos cidadãos da
era espacial do Século XX. Permita-me fazer uma pergunta
bem importante. De que modo seus filhos terão a possibi­
lidade de atender a estas exigências? Os psicologistas acre­
ditam que a pessoa comum usa sòmente oito por cento de
seu poder mental quando se empenha em estudo sério. Se
você duvida dêste fato, faça um pequeno experimento. Quan­
to das poucas páginas que leu neste livro você se lembra?
Melhor ainda, apanhe um livro didático, leia uma página ou
duas, e examine-se para ver quanto pôde compreender. A
dificuldade será ainda maior se se tratar de matéria pela
qual você não sinta atração.
Eis o problema: Você vai ou não ressuscitar êste imenso
reservatório de poder mental latente? Para começar, a maior
parte do poder mental não utilizado é classificado como sub­
consciente. A melhor maneira de chegar ao subconsciente é
através de uma técnica hipnótica. Hipnose e auto-hipnose
são a resposta para as suas exigências mentais. Dentro de
uma década ou duas, a auto-hipnose será usada em quase
tôdas as facetas da vida do homem moderno.
Se você deseja ter sucesso nos anseios de sua vida, se de­
seja manter-se em ritmo com os tempos que correm e satis­
fazer os requisitos mentais desta época, é imperativo que
adquira um bom conhecimento prático da auto-hipnose.
Naturalmente, existem indivíduos que não têm vontade
de melhorar suas condições. Estão satisfeitos com o status
quo. Contentam-se em deixar o mundo seguir seu curso.
Seja o que fôr que o mundo lhes proporcione, para êles
está bom. Às vêzes, até sentem orgulho em ser ignorantes.
Isto, com efeito, é chocante! Tenho como certo que você
não é dêste tipo, pois, se fôsse, não estaria lendo êste livro.
É necessário que você faça mais do que simplesmente ler
êste volume, se é que pretende aprender a hipnotizar-se.
Você deve relê-lo diversas vêzes e precisa também praticar
o que vai aprender. Dentre os que me lêem, algüns apren­
derão mais fàcilmente do que outros como se hipnotizarem,
mas qualquer pessoa com mente normal pode aprender auto-
hipnose e aprendê-la bem. Os indivíduos qüe lhe disserem
que tentaram e não o conseguiram, são os que não se esfor­
çaram bastante durante o tempo necessário.
Para que você aprenda a hipnotizar-se eficazmente,, é pre­
ciso saber algo sôbre o mecanismo da hipnose. Você deve\
conhecer, pelo menos, um pouco da história da hipnose.
(Existem diversos livros bons sôbre a matéria). Sabendo
como a hipnose funciona, eliminará a maior parte de seus
temores. O mêdo é um dos maiores inimigos da hipnose.
Tenho observado em minhas aulas de auto-hipnose que,
quando as pessoas compreendem o que ela é e perdem seus
temores, conseguem entrar em hipnose com facilidade. De
início, tentar muito àrduamente pode constituir um impedi­
mento para alguns. A motivação da espécie certa é muito
importante, mas o “ excesso” de motivação pode ser defini­
tivamente prejudicial à consecução da auto-hipnose.
A idade pouco ou nada tem a ver com o aprendizado de
auto-hipnose, pois creio que qualquer pessoa a partir dos
doze anos pode aprendê-la. Mesmo crianças com menos de
doze anos aprendem esta arte. Nos grupos etários mais
altos, o único impedimento é a senilidade. Desde que um
indivíduo tenha mentalidade arejada e o desejo de aprender
auto-hipnose, êle pode ter êxito.
À medida que você prosseguir no estudo da auto-hipnose,
terá de desaprender muita coisa. Não existe assunto mais
mal compreendido do que a hipnose. Pouquíssimas pessoas
instruídas estão informadas sôbre a matéria. Homens de
extensa educação formal, no que tange à hipnose, são tão
ignorantes quanto os que não sabem assinar o nome. Dentro
dos próximos vinte e cinco anos, êstes homens sentir-se-ão
embaraçados quando pensarem na aspereza das declarações
que fizeram relativamente ao hipnotismo.

OS ELEMENTOS ESSENCIAIS PARA APRENDER


AUTO-HIPNOSE

Ao abordar êste nôvo campo de estudo, faça-o com candura


e sem preconceitos. Não seja como o camarada que sabia
tudo quanto poderia saber-se sôbre matemática e, mesmo
assim, matriculou-se num curso dessa disciplina. Quando
o professor lhe perguntou por que estava cursando matemá­
tica, visto que o aluno já sabia tudo quanto havia para apren­
der, êste respondeu: “ Quero aprender um pouco mais.”
Os três elementos essenciais para aprender auto-hipnose
são:

1. Mente normal
2. Vontade de aprender
3. Prática constante

Se você tem mente normal, motivação adequada e fizer


aplicação diária do que aprendeu, será capaz de hipnotizar-se.
Quando digo “ hipnotizar-se” , não quero dizer que você en­
trará necessàriamente em transe profundo ou sairá dêste
nosso mundo. Muita gente espera êste tipo de experiência.
A finalidade dêste livro é ensinar como aprender auto-hipnose
de maneira construtiva para sua própria melhoria pessoal.
O motivo pelo qual tão poucas pessoas têm tido sucesso
em auto-hipnose é que elas não sabem o que devem esperar.
Não sabem se foram hipnotizadas ou não.
Lembre-se de uma coisa, ainda que você se esqueça de tudo
o mais neste livro: existe somente uma prova real da ver­
dadeira hipnose eficaz, e esta é a reação pós-hipnótica. A
reação pós-hipnótica significa que, depois de voltar ao estado
normal de consciência, você reage à sugestão que deu a você
mesmo enquanto estava hipnotizado. Por exemplo, você se
hipnotiza e sob hipnose faz a você mesmo a sugestão de que
terá mais paciência em lidar com os filhos. Durante o estado
de relaxamento, você poderá ou não sentir-se hipnotizado,
mas se você desenvolver mais paciência em relação aos filhos,
isto provará que você estêve realmente sob hipnose.
Irei um passo mais além e direi o que, à superfície, pare­
cerá negar o que acabo de dizer. Certas pessoas terão que
fazer uma sugestão a si mesmas mais de uma vez, antes que
obtenham o desejado resultado pós-hipnótico. Por alguma
causa desconhecida, certas pessoas naturalmente se suges-
tionam mais do que outras. As que se sugestionam menos
devem trabalhar um pouco mais-até que obtenham a reação
pós-hipnótica. O importante, contudo, é que, eventualmente,
a reação aparece. Quando examino certas áreas de minha
vida por intermédio de auto-hipnose, geralmente dou margem
de seis semanas até ver os benefícios totais. Na realidade,
seis semanas é um período bastante curto para expender-se
na busca de uma nova configuração de hábitos que durarão
o resto da vida. O gasto de cinco a quinze minutos por dia,
durante sei 3 semanas, às vêzes pode operar milagres em sua
vida.
Talvez eu esteja parecendo entusiástico em demasia. Note
que eu disse “ às vêzes” . Os resultados nem sempre são os
mesmos, mas sempre aparecem desde que seja feito o esforço.
O que chamo de “ milagre” pode não parecer milagre para
você e vice-versa. George Jenson, um menino de doze anos
de idade, veio ao meu consultório acompanhado da mãe. O
menino já estava com um ano de atraso escolar e iria nova­
mente repetir o ano se suas notas não melhorassem. George
era de grande estatura para a idade e tinha sofrido muitos
tormentos por parte de seus colegas de classe. Seu ego estava
quase aniquilado. Êle era tenso, ansioso e falto do autocon­
fiança. Depois de analisar os problemas do menino, não
demorou muito para que êle começasse a demonstrar me­
lhoria. Usei de técnicas hipnóticas e ao mesmo tempo ensi-
nei-lhe auto-hipnose. George passou de ano e passou muito
bem. Para mim, isto é um milagre.

HIPNOSE COMO FENÔMENO .


PERFEITAMENTE NORMAL

Quando digo que qualquer pessoa com mente normal pode


aprender auto-hipnose, não quero dizer que todos entrarão
em transe profundo. Na verdade, no que toca à auto-hipnose,
um transe profundo é prejudicial. Se entrar em transe muito
profundo você não estará em condições de fazer a você mes­
mo as sugestões apropriadas.
A auto-hipnose não é algo sobrenatural e fora de alcance.
Ela é prática e construtiva. A hipnose está sendo cada vez
mais utilizada no campo da medicina, mas sua utilidade não
termina aí. A auto-hipnose pode fazer uma contribuição
definitiva em quase tôdas as áreas de sua vida. Fisicamente,
ela tornará você mais capaz de descontrair-se o tempo todo,
em tôdas as situações. Isto de modo algum diminuirá sua
eficiência no trabalho; pelo contrário, servirá para aumen-
*á-la. Um atleta profissional de alta cúpula está completa­
mente relaxado até que seja necessária certa quantidade de
energia. Por exemplo, um bom boxeador desfere golpes vio­
lentos porque seus músculos são propulsionados de um estado
de relaxamento máximo para uma condição de'tensão má­
xima. A energia produzida pelo deslocamento de uma con­
dição para a outra produz a potência de seú golpe. Quando
menciono relaxar-se no trabalho, não quero dizer dormir em
serviço. Já existe gente em demasia que relaxa dêsse modo.
Refiro-me à redução de tensão que causa ou contribui para
muitas das moléstias do homem moderno. A tensão desem­
penha papel preponderante nas moléstias cardíacas, úlceras,
pressão alta e muitas outras más funções do corpo. A auto-
hipnose ajudará você a relaxar fisicamente.
Mentalmente, você aumentará seus podêres de concentra­
ção e memória. Podêres criativos que você nunca julgou pos­
suir, começarão a enriquecer-lhe a vida. Novos horizontes
de atividade intelectual serão descortinados e estarão a seu
alcance.
Espiritualmente, a auto-hipnose fará de você melhor dis­
cípulo de sua fé. Não acredito que a auto-hipnose seja prece,
mas creio que quando totalmente empenhado em oração espi­
ritual, você se encontra em estado de auto-hipnose. Esta
auxiliará você a concentrar a mente em Deus de maneira
mais completa. O uso da auto-hipnose não colide com os en­
sinamentos de qualquer das principais seitas religiosas.
A auto-hipnose pode enriquecer, e enriquecerá, cada uma
das áreas de sua vida.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. A auto-hipnose é a única ferramenta que lhe per­


mitirá utilizar seu pleno potencial na vida.
2. Os homens temem a hipnose porque não a com­
preendem.
3. A auto-hipnose é um poder legado por Deus e que
está em todos.
4. Os homens de sucesso não são possuídos por um
poder, mas possuem e controlam o poder que têm
em si.
5. Todos os grandes homens do passado, embora nada
soubessem sôbre hipnose, eram auto-hipnotizados.
6. Hoje exige-se mais dos podêres mentais do ho­
mem do que em qualquer outra época. A auto-hip­
nose é a única ferramenta que pode satisfazer
esta necessidade.
7. A auto-hipnose pode reviver no indivíduo comum
os 92 por cento do poder mental não utilizado.
8. Qualquer pessoa com mente normal e desejo de
aprender auto-hipnose pode ter sucesso.
9. A única prova da hipnose realmente eficaz é a
reação pós-hipnótica.
10. Certas pessoas terão de hipnotizar-se diversas vê­
zes antes de obter as reações pós-hipnóticas que
desejam.
11. A auto-hipnose pode fazer uma contribuição po­
sitiva em tôdas as fases de sua vida, física, mental
e espiritualmente.
2

QUE É AUTO-HIPNOSE
E COMO AGE?

“ A c r e d it o q u e t u d o is s o é u m a f a r s a . Não acredito em
hipnose.” Estas foram as observações que ouvi ao sair do
auditório em que um hipnotizador de palco tinha terminado
sua função.
Parece que no que diz respeito a hipnose, as pessoas di­
videm-se em três categorias. Algumas expressam o ponto
de vista acima mencionado: não acreditam em hipnose.
Outras, temem-na terrivelmente. Para estas pessoas, a hip­
nose é a coisa mais perigosa e ameaçadora do mundo. O
último grupo é grandemente favorável à hipnose. Em seu
zêlo, alguns indivíduos vão a extremos, porém a maioria
emprega a hipnose que beneficia a humanidade.
Para auxiliar-nos a compreender melhor a hipnose, come­
cemos por desaprender alguma coisa, conforme observamos
no capítulo anterior. Consideremos algumas das concepções
mais errôneas.
HIPNOSE NÃO É SONO

O êrro em que alguns incorrem, mais do que outros, é


julgar que a hipnose é sono. Nada poderia estar mais longe
da verdade. Contudo, é fácil compreender por que você po­
deria acreditar nisso. Primeiro, porque é uma concepção
popular. Pràticamente, todos acreditam que se trata de
sono. Em segundo lugar, quando uma pessoa está sendo
hipnotizada, ela acaba fechando os olhos.
Dr. James Braid, famoso físico inglês do Século XIX, de
início foi enganado ao pensar que a hipnose, então conhe­
cida sob o nome de mesmerismo, era sono. Êle tinha ido
ver um hipnotizador de palco, com a intenção de provar que
o homem era charlatão. Após ter apreciado a habilidade do
artista, Dr. Braid tornou-se firmemente convencido de que
havia algo real no mesmerismo. E começou a fazer seus
próprios experimentos. Seus primeiros sujeitos foram a es­
pôsa e os empregados domésticos. Das primeiras observa­
ções, Braid chegou à conclusão de que mesmerismo era sono.
Por conseguinte, tomou a palavra grega “ hipnos,” que signi­
fica sono, e o mesmerismo transformou-se em hipnose. Mais
tarde, Braid compreendeu o engano e tentou, em vão, modifi­
car a palavra para mono-ideísmo. Desde então, muitos homens
têm tentado modificar a designação de “ hipnose” , porém
ninguém jamais conseguiu efetuar qualquer alteração.
A hipnose não está relacionada ao sono, de modo algum.
Um indivíduo hipnotizado está bem consciente e atento. Pos­
so hipnotizar sem que as pessoas fechem os olhos e sem falar
em sono ou relaxamento e, ainda sem usar qualquer outro
têrmo da terminologia do hipnotismo. Tenho feito essa de­
monstração, tanto no isolamento de meu consultório como
perante grandes e pequenos grupos. Dentre um grupo de
cinqüenta ou mais pessoas, é fácil encontrar algumas que
alucinarão* os cinco sentidos físicos. Existem inúmeros

• O sentido de alucinar não tem aqui o significado popular que é tido


com o espécie de loucura, mom entânea ou não.
autores que fazem distinção entre isto e a hipnose, chamando
esta última técnica de "sugestão desperta” , mas para mim,
esta distinção é estritamente acadêmica. Hipnose é hipnose,
e se os olhos estão abertos ou fechados não faz diferença.
Uma de minhas demonstrações favoritas ante grupos de
pessoal de vendas é, na realidade, vender a um dos compo­
nentes do grupo um pedaço de ouro em barra, que nada mais
é do que “ um pedaço de ar” . Geralmente, vendo o ar por
mil dólares, com pagamento inicial de vinte e cinco, cin­
qüenta ou cem dólares. Ninguém fecha os olhos, não se fala
de sono ou de relaxamento. O fato é que êstes indivíduos fi­
cam visualmente alucinados* o que indica que estão nas fases
mais profundas da hipnose. Isto deveria provar que hipnose
não é sono e indica também que você não fica inconsciente
quando está hipnotizado.

É M A IS FÁCIL HIPNOTIZAR PESSOAS


INTELIGENTES

Possivelmente, alguns de vocês estarão pensando, “ Ora,


que gente mais ignorante e crédula! Sou muito inteligente
para permitir que uma coisa dessas aconteça comigo” . Êste
pensamento leva-nos à segunda concepção popular errônea,
isto é, que sòmente os estúpidos e crédulos podem ser hip­
notizados. O inverso é que é a verdade. A pessoa inteligente,
bem informada, não tem os temores de um ignorante. Isto
não quer dizer que tôdas as pessoas inteligentes são fàcil-
mente hipnotizadas, mas significa que a inteligência age de
modo favorável. Há quem acredite que apenas um completo
mentecapto pode ser hipnotizado.
Existe nítida diferença entre ser crédulo e ser sugestível.*
A pessoa crédula geralmente é ignorante e acredita em tudo,

• O fenômeno da alucinação visual denòmina-se onirismo. (N. do T .)


°® Existem conotações sutis entre sugestível e sugestionável. Aqui, suges­
tível é a pessoa surcetível dc sugestão, principalmente através de hipnose;
para o sugestionável, nem mesmo é necessário o emprêgo da hipnose: é o
que o autor chama de crédulo. (N. do T .)
não importa o quão irreal a coisa possa ser. Uma pessoa su-
gestível, e todos nós o somos, é aquela que acredita naquilo
que pode ser apresentado de maneira realista, convincente.
Os homens, aos quais vendo o ouro em barra, geralmente são
os melhores vendedores em suas respectivas firmas. Na
maioria, são homens de curso superior e bastante inteligentes.

PODE A HIPNOSE AGIR CONTRA A


FÔRÇA MORAL?

Outra preocupação sôbre hipnose: “ Será que farei alguma


coisa contra minha própria vontade?” Isto nada tem a ver
com a auto-hipnose, porque, ao hipnotizar-se, as sugestões
são feitas por você mesmo.
Todavia, é bom que você esteja informado neste particular.
É muito remotamente possível, mas com certeza bastante
improvável, que uma pessoa infrinja seu código moral. Para
fazer com que uma pessoa aja contra sua própria fôrça mo­
ral ou vontade, o hipnotizador precisaria ter contato diário
com ela, usando técnicas de lavagem cerebral e subterfúgios,
durante longo tempo. Tal possibilidade é extremamente tê­
nue. Tenho conhecimento de apenas um crime cometido sob
influência hipnótica e, nesse incidente, tanto o hipnotizador
como seu sujeito já eram criminosos. Neste caso, com cer­
teza, não houve nenhuma redução ou infração a princípios
de moral dos indivíduos envolvidos.
Estamos seguros na suposição de que um indivíduo hip­
notizado não violará sua vontade. Minha experiência pessoal
tem sido que uma pessoa não violará sua vontade, moralmente
ou de qualquer outro modo. Em certas ocasiões solicitei a de­
terminadas pessoas que fizessem coisas simples e inócuas, po­
rém elas se recusaram. Quando indagadas por que, deram-me
razões que uma pessoa comum jamais teria sonhado. Certa vez
pedi a um cantor, que se achava em hipnose profunda, que
cantasse. Recusou-se peremptòriamente! Apesar das maneiras
por que era formulada a sugestão, êle não acedia. Após ter
saído do transe, perguntei-lhe por que se havia recusado a
cantar. Respondeu-me que a única coisa em que pudera pen­
sar é que êle era sindicalizado e, por conseguinte, era proi­
bido de cantar sem receber pagamento.
Muitos de vocês têm visto hipnotizadores de palco e já
viram pessoas fazendo coisas bem tôlas — coisas que ordi-
nàriamente não fariam. Poderia parecer que estou aqui ne­
gando o que há pouco disse sôbre a não violação da vontade
própria. Na realidade, tal não se dá. Quando um indivíduo
voluntàriamente se dispõe a ser o sujeito de um hipnotiza­
dor que está dando uma função num teatro ou num clube
noturno, automàticamente êle está dando seu consentimento
para ser enganado, fazer papel de tolo e ser motivo de riso.
Não existe violação da vontade ou da fôrça moral.

EXISTE ALGUM POSSÍVEL MAU EFEITO SÔBRE


A VONTADE OU O CÉREBRO?

Outra concepção errônea é a de que a hipnose amortece


a vontade e talvez seja nociva ao cérebro. Não é verdade. A
hipnose em si — o estado de hipnose — não faz mal de
espécie alguma. De fato, o relaxamento produz grande bem.
A auto-hipnose, em vez de enfraquecer a vontade, fortalece-a.
Ao aprender auto-hipnose, você aprende também como con­
centrar-se. Você aprende como controlar os pensamentos e a
imaginação. Todos êstes fatores contribuem para fortalecer
e não para enfraquecer a fôrça de vontade.

DESTRUINDO O MITO DE PERIGO


EM HIPNOSE

Com muita freqüência você ouve falar ou lê sôbre os


perigos da hipnose. Desejo agora fazer-lhe uma pergunta e
gostaria que refletisse sôbre ela. Já ouviu alguém explicar
quais são tais perigos? Conhece alguém que tenha demons­
trado ou especificado tais perigos? Acredito que, na maioria,
todos responderão que não. Um assunto emocional, como o
hipnotismo, atrai malucos de ambos os lados da cêrca — os
que são pró e os que são contra. Você ouve tôdas as espécies
de histórias esquisitas, mas quando vai aos fatos verifica
que não têm fundamento ou que foram grosseiramente exa­
geradas. Estima-se que entre cinco a vinte milhões de ci­
dadãos americanos já foram hipnotizados na última década.
Literalmente, milhares receberam ensinamentos de auto-hip­
nose. E, no entanto, tanto quanto eu saiba, ninguém ficou
ainda prejudicado em resultado direto de hipnose ou auto-
hipnose.
Na verdade, o maior perigo no emprêgo da hipnose é para
quem hipnotiza e não para o sujeito. Em sua maioria, os
estados americanos não dispõem de leis que regulamentem
o emprêgo da hipnose, e quem quer que faça uso dela está
exposto a tôdas as espécies de ações legais. Se um médico
emprega hipnotismo num paciente que mais tarde venha a
sofrer de câncer, o cônjuge imediatamente lança a culpa na
hipnose como causa da moléstia. Em resultado, temos lití­
gios, pesares e despesas.
Se você me perguntar de forma direta: “ A hipnose é peri­
gosa?” Eu responderei com outra pergunta: “ É perigoso estar
acordado ou dormindo?” Dirá você: “ Mas que tem uma coisa
com outra?” Tudo! O estado hipnótico é exatamente tão
normal e natural como estar acordado ou estar dormindo.

HIPNOSE, UM MODO DE VIVER

Se você pensar um pouco, verificará que a maioria dos atos


que pratica diàriamente é realizada mais em nível subcons­
ciente do que consciente. Quando dirige um automóvel, você
não está consciente ou atento àquilo que está fazendo. Você
não diz a você mesmo: “ Vire a esquina, agora aplique os
fr e io s .. .” Se fizesse isso, você seria, com efeito, um fraco
motorista. Logo que aprendeu, você agiu dessa maneira,
porém agora você dirige o automóvel num nível subconsciente.
Datilografar é outro exemplo. Uma boa datilografa não
está atenta à movimentação dos dedos. Êstes são dirigidos
por seu subconsciente.
Qualquer coisa que você faça bem é feita em base hip­
nótica — dançar, ler, qualquer proficiência atlética. . .
Conforme declarei no início, você tem estado hipnotizado
todos os dias de sua vida. Com isto em mente, podemos agora
responder a sua pergunta, se a hipnose oferece perigo. Se
a hipnose é perigosa ou não, depende das circunstâncias.
Não é perigoso estar na companhia de bons amigos enquanto
acordado, mas é perigoso estar na presença de criminosos
e charlatães. Não é perigoso estar dormindo em sua pró­
pria cama, mas é perigoso dormir numa pista de patinação.
Os mesmos princípios aplicam-se ao estado hipnótico. Se
você permitir que alguém, que leu um livro barato sôbre
hipnose, o hipnotize, numa festa, estará arriscado a sofrer
algum desconforto temporário, mas se se deixar hipnotizar
por uma pessoa competente e treinada, sem dúvida obterá
alguns resultados agradáveis.

O VERDADEIRO CONCEITO

Agora que já tratamos das concepções errôneas que mais


prevalecem, digamos a verdade sôbre a hipnose e a auto-hip­
nose. Ambas são a mesma coisa. A única diferença é que
na hétero-hipnose, o hipnotista dirige seu pensamento, ao
passo que na auto-hipnose é você quem o faz. Lembre-se:
tôda hipnose é auto-hipnose. Em nível de sugestão positiva,
aquilo que o hipnotista pode fazer por você, você também
poderá fazê-lo se fôr treinado em auto-hipnose. Note, tam­
bém, que eu disse “ nível de sugestão positiva” . Isto não se
aplicaria aos que sofrem de séria dificuldade emocional ou
mental. Êstes indivíduos devem procurar o auxílio de um
psicoterapeuta competente antes de tentar aprender auto-
hipnose.
Deixem-me explicar agora o que quero dizer quando afir­
mo que hipnose é um estado normal, natural, e que você
tem sido hipnotizado em todos os dias de sua vida. Você já
leu um livro, assistiu a um programa de televisão, ou estêve
tão absorvido em alguma coisa que, quando alguém o chamou,
você não prestou atenção ou não ouviu? Bem, isto é hipnose.
Em qualquer ocasião em que sua mente está exclusivamente,
ou quase exclusivamente voltada para alguma coisa, você
está hipnotizado.
Define-se hipnose como “ um estado alterado da consciên­
cia” . Ela também é definida como um estado de “ hipersu-
gestibilidade” . Quando hipnotizado, você está consciente, mas
sua consciência limita-se principalmente às sugestões que
você está recebendo. Existem graus de consciência. Por
exemplo, se eu perguntasse agora mesmo se você está cons­
ciente, sua resposta seria: “ Ora, é claro que estou.” E é
verdade; você precisa estar consciente se está lendo êste
livro. Contudo, a consciência que você está tendo agora é
diferente daquela que sentiu esta manhã ao levantar-se. Eu
deveria qualificar esta asserção, dizendo que esta é a verdade
se você e eu somos iguais a êste respeito. Levo mais ou
menos duas horas para despertar-me completamente. Mes­
mo assim, ao levantar-me estou consciente, mas não tanto
como em outras ocasiões. Se você estivesse atravessando a
rua e visse um automóvel vir em sua direção a grande velo­
cidade, você se tornaria realmente consciente. Seu cérebro,
sistema nervoso, glândulas, coração e músculos, entrariam
em ação imediatamente para salvá-lo de possível morte ou
de ferimentos. Dêstes poucos exemplos pode perceber que
há diferentes graus de consciência. Você está mais cons­
ciente em certas ocasiões do que em outras.
Quando você está sob hipnose, sua amplitude de atenção
(consciência) limita-se ao pensamento ou idéia que lhe é
dado naquele momento. Você está então experimentando
consciência em uma de suas mais altas formas. Em estado
normal de consciência, está atento a muitas coisas: objetos,
pessoas, ruídos, odores e tudo o que o cerca, ao passo que,
sob hipnose, você está totalmente atento a determinada coisa.
Você poderia ouvir outros ruídos etc. mas êles pouco ou
nada lhe significariam. Sua mente está prêsa a uma coisa
— ao pensamento que você está dando a você mesmo. Isso
é auto-hipnose.

O ESTADO DE HIPERSUGESTIBILIDADE

Quando sob hipnose, você se encontra em estado de hiper-


sugestibilidade. “ Hiper” significa em alto grau. Em qual­
quer dado momento você é acessível à sugestão, yocê já
estêve em meio a uma multidão quando alguém começou a
tossir? Não demora muito e numerosas pessoas passam a
tossir também. Você já viu um comercial de televisão anun­
ciando um alimento com deliciosa aparência? Ficou com
vontade, não ficou? Jamais procure enganar-se supondo não
ser sugestível. Se você acredita que não o é, será uma pers­
pectiva brilhante para o próximo falso artista que aparecer
em sua cidade.
Somos passíveis de sugestão o tempo todo, porém mais
ainda sob hipnose. A mente consciente possui o que denomi­
namos “ faculdade de crítica” , e, quando estamos em hipnose,
esta faculdade é relaxada. A faculdade de crítica é nosso po­
der de julgamento e discernimento. Quando ela está relaxa­
da, as sugestões seguem diretamente para o subconsciente.
Êste, literalmente, aceita as sugestões. Se você sugerir que
sentirá as mãos pesadas como dois blocos de chumbo, elas co­
meçarão a sentir tal pêso. Se você estivesse em estado nor­
mal de consciência, com sua faculdade de crítica em pleno
funcionamento, isto não aconteceria. Sua mente consciente
faria o julgamento e diria: “ Minhas mãos não são dois blocos
de chumbo, portanto, não sentem tal pêso.” Quando a mente
consciente está relaxada, a sugestão triansforma-se em rea­
lidade.
O subconsciente não possui uma “ faculdade de crítica” .
Muitos autores acreditam que o subconsciente tem um me­
canismo de realimentação de informação (feedback mecha-
n ism ); o que você dá como insumo* ao subconsciente, é
insumado de volta em sua vida consciente. Se durante tôda
a vida lhe dizem: “ Você não presta, não vale nada” , e você
aceitar estas idéias, alimentando com elas o seu subcons­
ciente, acabará com um terrível complexo de inferioridade.
Se seus vizinhos, amigos e parentes dizem que você é um
indivíduo bom e agradável e que tem um bom futuro, e você
aceitar esta idéia, alimentando seu subconsciente com ela,
êste a insumará de volta em sua vida, tornando-o confiante.
A esta altura, devemos fazer uma observação importante.
O que alguém diz ou pensa a seu respeito não afeta seu
subconsciente, a menos que você aceite as sugestões. Nada
entra no subconsciente, salvo se vem através da mente cons­
ciente. O jovem, ao qual se diz que êle não é bom, não será
afetado por esta afirmativa, a menos que a aceite como fato.
Se fôr capaz de “ controlar” seu fluxo de pensamento, na
realidade êle terá sua autoconfiança aumentada. O que quer
que alguém possa dizer a seu respeito, por mais horrível
que seja, poderá ser nocivo, exceto se você não aceitar o que
foi dito. Você é a única pessoa que pode prejudicar-se, e
isto poderá acontecer se acreditar e aceitar as coisas desa­
gradáveis que são ditas a seu respeito. Jogue tais coisas
fora. Esqueça-as. Deixe de repisá-las na mente para que
elas não se gravem no subconsciente e lá permaneçam para
aborrecê-lo. Esqueça-as, ponto final.

• Insumo é têrmo de Economia que traduz o “input” da língua inelêsa


e que alguns traduzem, conforme o caso, como alimentação; é um dado
fator que "entra” em algum processo produtivo, resultando em qualquer
tipo dado de produção ou "saída” (output). (N . do T .).
ORIGEM DAS DIFICULDADES E DOS FRACASSOS
NA VIDA

A maioria das dificuldades e dos fracassos na vida tem


origem no fato de o subconsciente ser o reservatório de vasta
quantidade de informações erradas. O subconsciente precisa
ser reeducado e ter nova programação. Dr. Maxwell Maltz,
em seu livro Psycho-Cybemetics (publicado pela Prentice-
Hall, Inc., Englewood Cliffs, N. J.), revela o fato de que a
maioria das pessoas precisa ser desipnotizada. Eis porque
é quase impossível que se adquira autoconfiança ou auto-
aperfeiçoamento em qualquer área da vida sem usar a dinâ­
mica da hipnose ou da auto-hipnose. O subconsciente precisa
ser alcançado e convencido por novas e poderosas sugestões,
se é que se deseja conseguir o que se pretende na vida.
Uma jovem apareceu em meu consultório com um pro­
blema bastante sério. Fazia mais de três meses que não
conseguia dormir mais do que alguns momentos de cada vez.
Havia consultado diversos médicos, mas nenhum tinha con­
seguido dar-lhe alívio. Hipnotizei-a e descobri que ela havia
visitado uma quiromante exatamente na época em que a
insônia tinha começado. A quiromante havia dito que a
môça iria morrer dentro em breve. Esta ficou de tal modo
aterrorizada que reprimiu a idéia profundamente em seu
subconsciente e, conscientemente, esqueceu-se do caso. Não
conseguia dormir porque tinha mêdo. Enquanto estava acor­
dada, sabia que estava vivendo, mas o sono poderia significar
morte. Depois que lhe prestei os esclarecimentos e ela re­
educou os pensamentos, passou a dormir como um recém-
nascido.
Durante a infância, a mente é alimentada por uma série
de fantasias: Papa} Noel, fadas bondosas etc. Mais tarde,
entre a adolescência e a virilidade, você começa a entrar no
período de idealismo. É quando você começa a ser alimen­
tado por muitas outras fantasias — tôdas de tipo diferente,
mas que, não obstante, são fantasias. Não é minha intenção
menoscabar o idealismo ou a idade idealística. Acredito,
porém, que todos os que passaram por esta fase sabem o que
quero dizer quando afirmo que nesse período todos nós nos
enchemos de fantasia. Foi nessa estação da vida que senti
ser capaz de modificar e salvar o mundo, mas desde então
aprendi coisas bem diferentes. Isto não significa que me
tornei pessimista, mas que passei a ser mais realista.
Usada eficazmente, a auto-hipnose pode ser uma ferra­
menta poderosa em sua vida, para efetuar as modificações
que sejam necessárias e para reeducar a mente a fim de
passar a pensar de uma maneira nova, realística e saudável.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. Hipnose não é sono.


2. Todos os fenômenos da hipnose podem ser pro­
duzidos no chamado “ estado desperto” .
3. É mais fácil hipnotizar uma pessoa inteligente que
uma que não o seja.
4. Sob hipnose, você não transgride suas crenças mo­
rais nem perde o poder de sua vontade.
5. A hipnose não enfraquece a mente nem a vontade.
6. A hipnose é um estado normal, natural.
7. A maior parte do que você faz diàriamente é rea­
lizada em nível subconsciente.
8. Tôda hipnose é auto-hipnose.
9. Hipnose é um “ estado alterado da consciência” .
10. Hipnose é um estado de hipersugestibilidade.
11. A mente consciente possui “ faculdade de crítica” .
12. O subconsciente possui um mecanismo de reali-
mentação.
13. A maioria das pessoas precisa desipnotizar-se.
14. Auto-hipnose é a maneira mais eficaz de modifi­
car sua vida.
3
VOCÊ É O QUE
SUBCONSCIENTEMENTE ACREDITA SER

NATUREZA DA HIPNOSE

de maneira clara é a do
U m a t e o r ia q u e e x p l i c a h i p n o s e
Dr. William S. Kroger, médico, em sua obra, Clinicai & E x­
perimental. Hypnosis, publicada pela J. B. Lippincott Com-
pany. O Dr. Kroger acredita que a hipnose é um “ fenômeno
de convicção” .
Enunciado de maneira simples, “ fenômeno de convicção”
significa que você acredita em alguma coisa com tal inten­
sidade que, para você, ela se torna real. Sob hipnose, seu
subconsciente aceita informações sem fazer julgamento; êle
fica convencido de certos fatos. Quando seu subconsciente
está convencido, as coisas tornam-se reais para você.

CONVICÇÃO MENTAL SOB HIPNOSE

Sob hipnose, um indivíduo pode deixar-se convencer. O


hipnotizador lhe diz que uma fôlha de papel pesa quinhentos
quilos ainda que use de tôda a sua fôrça, o sujeito hipno­
tizado não consegue erguê-la.
Ordinariamente, poderia fazer isso sem qualquer esforço.
Por que não pode erguê-la agora? A resposta é simples:
êle permitiu-se ser convencido de que o papel é excessiva­
mente pesado. Note que não lhe foi dito que êle é muito
fraco para erguer o papel, mas que êste é muito pesado para
que possa erguê-lo.
Outro exemplo de natureza diferente é produzir uma bôlha
ou irritação cutânea por sugestão hipnótica. Depois de o
sujeito ter sido pôsto sob hipnose profunda, o hipnotizador
lhe diz que vai ser tocado por um ferro quente e que lhe será
formada uma bôlha na pele. O hipnotizador toca o sujeito,
não com ferro quente, mas com a ponta de um lápis, o dedo,
ou nem o toca, e forma-se a bôlha.
É conhecimento comum dos que trabalham em hipnose
que é possível produzir uma irritação da pele por simples
sugestão. A maneira de agir é mais ou menos igual à de
produzir uma bôlha. Neste caso, entretanto, geralmente é
necessário encontrar alguém cuja alergia por alguma coisa
produza irritação cutânea. Sob hipnose, a pessoa é infor­
mada de que aquilo por que sente alergia está sendo fric-
cionado em sua pele; logo após, a irritação aparece. Natu­
ralmente, não se fricciona coisa alguma — sòmente as pa­
lavras é que são usadas.
O fator importante a ser notado aqui, é que o subconsciente
é tão poderoso que, uma vez convencido, pode produzir alte­
ração fisiológica no corpo.
Um homem, em transe profundo, é informado de que vai
saltar de três metros de altura. Na realidade, êle estará
saltando de quinze centímetros. Mas, embora fisicamente
esteja saltando de apenas quinze centímetros, fisiològica-
mente estará saltando de três metros. A razão é que êle
está convencido de que o salto é de três metros. A distorção
de tempo, de espaço e de muitos outros fatores, desempenha
parte importante neste fenômeno.
Muitas vêzes hipnotizei pessoas, dizendo-lhes que estão
tomando uma excelente refeição. Elas mastigam e engolem
~~x -pv
o alimento. O sistema digestivo põe-se a funcionar. Muitas
vêzes, sentem-se tão satisfeitas com a refeição imaginária
quanto o estariam com uma refeição real.
Poderíamos prosseguir citando exemplos, mas suponho que
êstes são suficientes para provar a importância de “ crença”
em hipnose. Quando o subconsciente acredita em alguma
coisa, isto afeta tôdas as fases da existência, podendo pro­
duzir as mais profundas reações físicas, psicológicas e fisio­
lógicas na vida. Você já ouviu dizer que o homem é aquilo
que acredita? Irei um passo mais a frente e direi que o
homem é aquilo que seu subconsciente acredita. Existem
muitas coisas que você crèdulamente diz acreditar, porém
acredita em nível consciente, verbal, mas não subconsciente­
mente. Aquilo em que você acredita conscientemente não tem
efeito sôbre sua vida ou sôbre seu comportamento. Porém,
o que você acredita ou do que está convencido em nível sub­
consciente, exerce tremendo efeito sôbre sua vida e sua ma­
neira de agir.

O ENIGMA DA MOTIVAÇÃO CONSCIENTE


E SUBCONSCIENTE

Com muita freqüência você não admitirá em sua mente


consciente o que o subconsciente crê, geralmente, por não
desejar ir contra os costumes e hábitos sociais. E, no entanto,
as crenças que motivam a maioria das pessoas são as que
elas raramente expressam de modo verbal, e o que elas dizem
acreditar conscientemente não lhes serve como motivação.
As crenças subconscientes resultam de muitos fatores. A
repetição de certas idéias pelos pais, parentes, mestres e
amigos, pode influenciá-las. Elas também são causadas por
inferências, porque os indivíduos citados podem ter dito uma
coisa, mas ter demonstrado com seu modo de viver algo com­
pletamente diferente. As crenças subconscientes podem ser
o resultado de uma experiência traumática, ou mais de uma.
Resultam de tudo o que temos lido, ouvido ou experimentado
e que tenha penetrado até nosso subconsciente.
Neste ponto, você poderia estar dizendo consigo mesmo:
“ Em que é que acredito subconscientemente?” Existe sò­
mente um modo de responder a tais perguntas: a crença sub­
consciente afeta o comportamento consciente. O subcons­
ciente realimenta em nossas vidas o que acreditou sem crítica
da mente consciente. Conscientemente você poderia dizer
que é autoconfiante, ou que não tem mêdo de falar com os
outros, mas o fato é que você não fala com outras pessoas.
Muitas vêzes você deixa de fazê-lo e assim perde um bom
amigo, por hesitar em tomar a iniciativa e dirigir-se a uma
pessoa. Suas ações demonstram que seu subconsciente está
convencido de que nestas áreas você é inferior. A amplitude
desta verdade é ilimitada. Homens e mulheres fracassam,
homens e mulheres são escravos do hábito, homens e mulheres
claudicam, não porque assim o desejem conscientemente, mas
porque o subconsciente está convencido de que êles têm de
ser como são!

PODE-SE ALCANÇAR O SUBCONSCIENTE


POR MEIO DE HIPNOSE

Isto pode soar como não havendo esperança, mas, na rea­


lidade, há. O subconsciente pode ser alcançado por meio de
hipnose e auto-hipnose. Pode-se não só alcançá-lo como tam­
bém reeducá-lo e convencê-lo corretamente.
Um homem cujo subconsciente foi convencido de deter­
minado fato, pode tentar modificá-lo em nível consciente,
a partir dêsse mesmo momento até o dia de sua morte, porém
jamais terá êxito completo.
Voltemos ao homem que tem falta de autoconfiança. Êle
pode fazer cursos de oratória ou de autoconfiança; pode for­
çar-se a falar com os outros e ser sociável, porém jamais
conquistará autoconfiança por quaisquer de tais métodos. A
única maneira de tornar-se autoconfiante é pela reeducação
de seu subconsciente. Êle precisa, literalmente, passar a bor­
racha em suas velhas crenças subconscientes e substituí-las
por crenças novas e positivas.

FRACASSO COMO QUESTÃO DE CONVICÇÃO

Os homens não são fracassos porque isto seja necessário.


Deus não os deseja dessa maneira. Seus empregadores tam­
bém não desejam que falhem. Quando um homem está ga­
nhando bem, está também ganhando para seu empregador.
Os homens falham porque o subconsciente fôra convencido
de que deveriam falhar.
Recentemente, tratei de um jovem chefe de vendas, em­
pregado numa grande firma de engenharia. O jovem tinha
tudo a seu favor para tornar-se um brilhante elemento. Pos­
suía bons antecedentes de família. Tinha ido bem no colégio.
Sua personalidade era gregária e afetuosa. De aparência
agradável, vestia-se muito bem. Tôdas estas são qualidades
superficiais que ajudam a obter êxito. Contudo, quando me
procurou, o jovem estava às vésperas de seu terceiro fra­
casso. Anteriormente, havia trabalhado para duas outras
firmas e ambas as vêzes a história tinha sido a mesma. No
início, era um dínamo. Ninguém podia acompanhá-lo ou
alcançar seu nível de vendas. Os demais vendedores inve­
javam-no e chegavam a odiá-lo. Seus superiores o elogiavam
e o encorajavam.
Depois, lenta mas seguramente, suas vendas começavam
a declinar. Algumas vêzes não conseguia efetuar a venda
e desacoroçoava-se. Simplesmente não conseguia forçar-se
a prosseguir. Não importa o que tentasse, nada podia reer­
guer seu entusiasmo ou esperança. Eventualmente, desistia,
lançando a culpa de seus maus sucessos na emprêsa e nos
produtos. Logo conseguia outro emprêgo, mas a mesma coisa
repetia-se. Cada vez que isto acontecia, perdia mais de sua
auto-estima. Quando usava de honestidade para consigo mes­
mo, sabia que era um homem do tipo que desiste. Era bas­
tante inteligente para perceber que havia algo errado, e podia
discernir o padrão que se havia estabelecido em sua vida —
sempre perdia o entusiasmo e desistia depois que não con­
seguia efetuar uma ou duas vendas.
Ao abrir-se comigo, disse saber que a rejeição do produto
não era rejeição de sua própria pessoa. Sabia que todos os
vendedores têm períodos bons e períodos maus. Sabia que
não deveria desencorajar-se e desistir. Entretanto, todo êste
conhecimento não o auxiliava, porque em seu subconsciente
não havia crença.
Conversei com o jovem e, por intermédio da auto-hipnose,
encontrei muitos fatores que criavam propensão ao fracasso.
Tinha tido muitos desapontamentos na infância, mais do que
se podia esperar. Sempre havia tido do melhor, porém sentia
que não era amado ou aceito pelo pai, um homem brilhante
que se fizera por si mesmo e constantemente submetia o filho
a testes. Enquanto conseguia fazer o que o pai exigia, era
maravilhoso, mas quando falhava, sentia um longo período
de rejeição paternal. Muitas vêzes, além de infligir-lhe cas­
tigos, o pai dizia-lhe que êle não tinha fibra para ater-se a
qualquer coisa. Isto era repetido pelo pai, com tal freqüência,
que em seu subconsciente o môço estava certo de que tal era
o fato. A mãe era uma mulher nervosa, cujo excesso de sen­
sibilidade escoava no filho.
Depois de perceber êstes e outros fatores e de ter apren­
dido a técnica da auto-hipnose, o jovem ràpidamente venceu
as barreiras que se erguiam ante seu sucesso pessoal. Pro­
porcionei-lhe ensinamentos sôbre como convencer-se subcons­
cientemente para ter êxito e de como poderia enfrentar qual­
quer situação por mais difícil que esta fôsse, e vencê-la.
Muita gente não tem o sucesso que gostaria de ter. A
razão para a falta de êxito é a mesma que a do jovem acima
mencionado. Subconscientemente você permite-se convencer
que vence até certo ponto e não mais. Existe uma barreira
ao sucesso que você não se permite ultrapassar além de
certo ponto.

NEM SEMPRE A CAUSA DO FRACASSO PRECISA


SER CONHECIDA

Nem sempre é necessário que você perceba a causa de seu


insucesso. Tenho tratado de muitas pessoas que venceram
suas dificuldades por intermédio de sugestões positivas en­
quanto sob hipnose auto-induzida. A mente parece um gra­
vador de fita. É possível extinguir os pensamentos e padrões
antigos e estabelecer novas configurações e pensamentos po­
sitivos. Eis a técnica que ensino. Você precisa determinar
qual é o seu padrão real de conduta ou hábito — não o que
você pensa conscientemente, mas o que na realidade faz. A
razão para isto, conforme já estabelecemos, é que você faz
o que o subconsciente acredita. Após ter feito isto, escreva
uma sugestão para ser usada com sua auto-hipnose. Esta
simples técnica pode produzir resultados surpreendentes.
Naturalmente, os que têm problemas sérios devem procurar
um psiquiatra.

RESUMO DE UM CASO DE FRACASSO


E SUCESSO

Conheço outro homem que é exatamente o oposto do que


há pouco discutimos. Sua educação formal foi sòmente até
o terceiro ano primário. Sua origem é de família pobre e sem
cultura. Assemelha-se ao outro homem por ter boa aparên­
cia e personalidade marcante. Êste cavalheiro, apesar de sua
falta de instrução formal, desfruta de extraordinário sucesso.
Se você conversasse com êle, logo veria o motivo. Seus pais
instilaram-lhe a idéia de que um dia êle seria um grande
homem. Foi obrigado a deixar a escola no terceiro ano para
poder ajudar a família. Isto, no entanto, não lhe foi um
impedimento. Lia todos os livros que podia t compras
ou tomar emprestado. Fêz uma emprêsa de cada um dos
cargos que exerceu e, gradualmente, tornou-se proeminente
em seu campo de ação. Os pais sempre se orgulharam de
cada uma de suas novas realizações e convenciam-no cons­
tantemente de sua inevitável grandeza.

A diferença entre os dois homens: Um havia sido sub­


conscientemente convencido de que, no final, fracassaria por­
que não se apegava a coisa alguma — e o outro tinha sido
subconscientemente convencido de que, não importa o que
fizesse, venceria sempre.
Há homens que vencem sem o encorajamento correto por
parte dos pais. Geralmente, tais homens identificam-se coir
aquêles que vencem e criam um desejo ardente de obter a
mesma espécie de sucesso. Literalmente, hipnotizaram-se
para tornar-se pessoas de renome.
As pessoas podem convencer-se subconscientemente, não
apenas no que tange ao seu êxito ou falha, mas podem fa­
zê-lo também quanto ao serem ou não felizes. Existem indi­
víduos que têm tudo quanto um ser humano poderia desejar:
cônjuge amoroso, filhos, posição social e conforto material
e, mesmo assim, encontram um jeito de ser infelizes. Na
realidade, buscam e encontram algo para torná-los infelizes.
Conscientemente, dizem saber que deveriam ser felizes, po­
rém nada parece satisfazê-los. A razão, naturalmente, é que,
subconscientemente, convenceram-se de que não podem ser
felizes.

CASO DE UMA PESSOA QUE “TINHA


MÊDO DE SER FELIZ”

Anos atrás encontrei uma senhora que dizia não poder


encontrar paz e felicidade. Era cristã, cujas crenças reli­
giosas se assemelhavam às minhas. Em conversa, certo dia,
ela me dis que “ tinha mêdo” de ser feliz. Hipnotizei-a e
usei a palavra “ mêdo” como instrumento para desvendar por
que motivo temia ser feliz. Revelou-me que, em seus jovens
anos, os pais estavam sempre preocupados em que as coisas
corressem bem. Haviam-na convencido de que os tempos
difíceis estavam para surgir de um momento para outro.
Não goze a vida, porque não durará; não confie em ninguém;
esteja sempre na defensiva. Ela tinha sido hipnotizada a
acreditar que não lhe seria possível ser feliz. No que lhe
dizia respeito, felicidade era impossível.
Esta mulher tinha um marido dedicado e dois filhos ado­
ráveis. As finanças da família eram mais do que adequadas
para satisfazer-lhe as necessidades e permitir-lhe alguns
prazeres. Conscientemente, ela declarava sua fé na graça
onipotente de Deus. O fato, porém, é que seu subconsciente
acreditava em coisa bem diferente, e isto constituía o fator
de motivação em sua vida. Com o uso da hipnose e da auto-
hipnose, ela reeducou o subconsciente para acreditar que
Deus desejava que ela fôsse feliz e que encontrasse a paz
espiritual que Cristo havia prometido.
O reverso da medalha é o indivíduo que desfruta de pou­
quíssimos bens dêste mundo, a quem poderíamos designar
como joão-ninguém, mas que é extremamente feliz. Estou
certo de que cada um dos leitores conhece alguém que se ajus­
taria a esta descrição. Isto não significa que as pessoàs
precisam ser pobres para que sejam felizes. Existem muitos
pobres que são muito infelizes e tenho a certeza de que há
gente rica que é feliz.
A questão é que as circunstâncias externas pouco têm a
ver com felicidade ou infelicidade. A atitude íntima, a cren­
ça do subconsciente é que é o fator determinante. Algumas
pessoas, em decorrência de seu primitivo condicionamento,
acreditam subconscientemente que não podem ser felizes, a
menos que vivam em certos círculos, habitem em determi­
nados lugares, ou ganhem anualmente determinada quantia.
Outras estão subconscientemente convencidas de que é pe­
cado ser rico e que a riqueza traz aborrecimento e desapon­
tamento.
É imperativo que você reeduque o subconsciente para acre­
ditar que pode ser feliz em tôdas e quaisquer circunstâncias.

A ORIGEM DA DOENÇA PSICOSSOMÁTICA

As autoridades médicas acreditam que aproximadamente


setenta e cinco por cento de tôdas as pessoas doentes sofrem
de distúrbios psicossomáticos. Isto simplesmente quer dizer
que a origem de suas doenças é mais emocional do que física.
É possível que uma pessoa se torne cega, surda ou paralítica,
mesmo que não haja nada de errado com os olhos, ouvidos ou
membros. Estas pessoas não estão fingindo. A cegueira,
surdez ou paralisia são reais. Podem ter sido causadas por
trauma ou choque. Muitos soldados da Primeira e Segunda
Guerras Mundiais sofreram de tais moléstias. Verificou-se
que a hipnose era uma das melhores maneiras para o trata­
mento destas condições. E isto constituiu um dos principais
fatores que ocasionaram a ressurgência da hipnose em me­
dicina.
Quando um indivíduo sofre um trauma, o subconsciente
fica convencido de que é melhor não ver ou ouvir etc. A
vida torna-se excessivamente horrível para que se deseje
vê-la ou ouvi-la. Isto, para muitos, pode parecer um exagêro
de simplificação, mas não o creio, porque, quando o indivíduo
afetado está sob hipnose, se convence de que “ tudo vai bem,
a guerra terminou e êle já pode ver novamente” , sua visão
retorna. Reviver a experiência sofrida, quando sob hipnose,
faz também parte do processo de voltar a convencer o sub­
consciente.
Existem muitas pessoas doentes que não adquiriram a
doença através de choque. De um modo ou de outro, o sub­
consciente de tais pessoas convenceu-se de que elas estão
doentes. Algumas vêzes, o subconsciente é levado a acre­
ditar que elas são culpadas e que têm a necessidade de ser
punidas. Nesse caso, o subconsciente cria uma doença com
compensação pela culpa. Freqüentemente o subconsciente é
impressionado pelo fato de que a melhor maneira de conse­
guir a atenção dos outros é ficando doente.
A identificação é outro meio pelo qual o subconsciente é
persuadido a criar uma doença. Um indivíduo identifica-se
com um parente que sofre de um mal qualquer. A mãe lhe
diz que provàvelmente êle irá sofrer do mesmo mal e isto
fica de tal modo impresso em sua mente, que o mal se trans­
forma em realidade. Existem muitas outras maneiras pelas
quais o subconsciente pode convencer-se de que o organismo
tem necessidade de ficar doente. O fato importante a ser
lembrado é que, seja num caso de doença, de êxito ou fra­
casso, de felicidade ou infelicidade, quando o subconsciente
está convencido de alguma coisa, esta passa a ser realidade.

CRENÇA SUBCONSCIENTE COMO


CAUSA DE MORTE

A crença subconsciente é tão poderosa que pode realmente


ocasionar a morte. Um exemplo é o dos adeptos da ma­
cumba.* Desde a infância tais adeptos são ensinados que
se alguém transfixar um boneco que os represente, morrerão.
E o fato é que, na verdade, êles morrem quando isso acontece.
Ora, por que morrem? É porque a pessoa com o boneco tem
um poder místico, ou é porque o próprio boneco seja ins­
trumento de morte? Não. A resposta é simplesmente que,
em decorrência de tôda uma vida de condicionamento, o sub­
consciente do indivíduo fica convencido de que sobrevirá

• Na realidade, o têrmo em inglês é voodoo, mais ou menos equiva­


lente a magia negra ou feitiçaria. O voodoo é macumba com outro nome.
(N . do T .)
a morte se o feitiço da macumba fôr lançado contra êle.
Quando o boneco é transfixado, o fato causa tal choque que
ocorre a morte.

Caso Clínico: Foi a “Mágoa”


Que Causou a Morte?

Existem muitos casos em nossa própria sociedade moderna


em que as pessoas começam a envelhecer prematuramente e
morrem por sugestão. O subconsciente convence-se de que
elas vão morrer, e elas morrem. Fantástico, não obstante,
verdade. Lembro-me de uma mulher, com menos de quarenta
anos, que jamais havia casado, mas que durante quinze anos
mantinha contato com um homem. Nunca foram noivos de
maneira formal, mas todos acreditavam que algum dia se
casariam. Subitamente, o homem anunciou que ia casar-se
com outra. A amasia não tinha qualquer idéia de que o
amante estivesse interessado em qualquer outra mulher. Du­
rante quinze anos tinham feito tudo em conjunto. Tôdas
as esperanças que a mulher tinha para o futuro, baseavam-se
no companheiro. Quando êste lhe deu a notícia do casamento
que tinha em vista, a mulher desintegrou-se emocionalmente
durante alguns dias. Depois, parece que conseguiu reequi­
librar-se. Deixou a reclusão em que tinha passado a viver,
voltou ao trabalho, regressando à rotina. Em poucas sema­
nas, no entanto, começou a envelhecer! A pele enrugou-se.
Perdeu pêso e sua aparência era de esgotamento. Os cabelos
embranqueceram. Tornou-se trêmula!
Deram-lhe o melhor tratamento médico possível. Foi hos­
pitalizada, submeteu-se a uma série de exames, porém nada
foi encontrado que pudesse ter ocasionado o estado em que
se achava. Em menos de um ano morreu. Morreu porque
o subconsciente estava convencido de que não valia a pena
viver sem o amante. Poder-se-ia dizer que ela morreu de,
mágoa, mas a verdade é que morreu em virtude da convicção
adquirida pelo subconsciente” .

UM PONTO DECISIVO DE VIDA OU MORTE

A crença subconsciente também pode fazer com que as


pessoas vivam quando a morte parece certa. Já testemunhei
êste fenômeno diversas vêzes. Antes de conhecer qualquer
coisa sôbre hipnose, tenho a certeza de que hipnotizei pessoas
que se sentiam desesperançadas, conseguindo incutir nelas
a vontade de viver. Todos os clérigos e médicos têm tido a
mesma experiência. O indivíduo que está gravemente enfêr-
mo chega a um ponto em que a vida ou a morte depende de
êle acreditar se viverá ou se morrerá. Se subconscientemente
acredita que vai viver, vive! Se acredita que não pode viver
ou sofrer mais, morre.
Um exemplo flagrante de um caso como êste aconteceu
com um amigo íntimo. Aos doze anos de idade, sofreu forte
ataque de pneumonia e durante muitos dias oscilou entre a
vida e a morte. Isto aconteceu antes do descobrimento de
tôdas as maravilhosas drogas modernas. Uma noite, quando
seu estado era crítico, êle ouviu o médico dizer à mãe que
iria ministrar um nôvo medicamento e que esperava encon­
trá-lo muito melhor e já em vias de convalescença na manhã
seguinte. E foi um fato. No dia seguinte, ao despertar, o
menino sentiu-se bem melhor do que nos últimos dias. Defi­
nitivamente, tinha vencido a fase crítica. Mais tarde, ficou-se
sabendo que a enfermeira lhe havia dado o remédio errado.
Por engano, ela havia dado o mesmo remédio anterior. Meu
amigo crê que se curou por ter acreditado piamente no que
o médico havia dito sôbre o nôvo remédio. Isto fêz com que
êle melhorasse da noite para o dia.
A panacéia clássica, ou pílula de açúcar, é outro exemplo.
Um paciente vai ao médico e queixa-se de um mal qualquer;
o médico receita-lhe uma pílula sem qualquer conteúdo me­
dicinal. O paciente toma a pílula e sente-se melhor.
EXPLICAÇÃO DE CURA RELIGIOSA: EXEMPLO
PERFEITO DE AUTO-HIPNOSE

O “ fenômeno da convicção” também serve para explicar


tôdas as curas religiosas. O indivíduo enfêrmo está conven­
cido dé que se receber as preces e bênçãos de um homem com
certos dotes, ou que se certas pessoas rezarem por êle, ou
ainda, se êle puder visitar algum lugar sagrado, ficará curado.
Muitas vêzes, é exatamente o que acontece. Não nego o poder
de Deus para curar. Deus pode escolher o instrumento que
desejar para efetuar a cura. Simplesmente digo que esta
é uma explicação científica para seu poder milagroso. Acre­
dito que tôda cura promana de Deus, seja por intermédio de
medicamentos, cirurgia, prece ou sugestão.
A crença subconsciente é o fator mais poderoso na vida.
Ela determina todos os padrões de comportamento. Deter­
mina o que você é e o que vai ser. Nos capítulos seguintes,
demonstraremos métodos práticos, por intermédio dos quais
você pode penetrar eficazmente seu subconsciente e modificar
e dirigir aquilo em que acredita.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. Hipnose é um “ fenômeno de convicção” . Em suas


ramificações pode explicar a cura religiosa.
2. Quando o subconsciente se convence de um fato
verdadeiro ou falso, o fato passa a ser verdadeiro
em sua vida.
3. O subconsciente é capaz de afetar você física e fi-
siològicamente.
4. Você é aquilo que seu subconsciente acredita. O
que êste acredita é enviado de volta a sua vida cons­
ciente e determina sua maneira de agir.
5. Você pode determinar o que acredita subconscien­
temente, analisando seu comportamento consciente.
6. O que você acredita subconscientemente pode de­
terminar se você terá sucesso ou não, se será feliz
ou infeliz, se terá saúde ou será doente, se viverá
ou morrerá.
7. A hipnose é o meio mais eficaz para atingir e reedu­
car o subconsciente.
4

PASSOS PRELIMINARES
EM AUTO-HIPNOSE

começa a tocar piano, não inicia com


Q u a n d o u m in d i v í d u o
Mozart ou Chopin. Começa por aprender as escalas. Mais
tarde é que êle vai aprender a tocar peças musicais. O jovem
que ingressa numa equipe futebolística não começa a jogar
futebol imediatamente. Primeiramente êle corre, corre, e
depois é submetido a uma variedade de exercícios. Final­
mente, depois de umas seis semanas, o treinador lhe permite
então jogar um pouco de bola.

A BASE DE UM PROGRAMA

O mesmo acontece para aprender-se auto-hipnose. Deve-se


iniciar pelo início. Devem ser aprendidas as escalas, devem
ser feitos os exercícios. Quanto a ser condicionada e trei­
nada, a mente assemelha-se ao corpo. Não existe nenhum
modo fácil de adquirir proficiência em auto-hipnose. É ver­
dade que a pessoa comum pode aprender auto-hipnose em
tempo relativamente curto, mas se você deseja ser eficaz é
preciso aplicar-se diligentemente.
Não é minha intenção assustá-lo ou fazê-lo pensar que a
auto-hipnose leva mais tempo para ser aprendida do que o
tempo que você tem disponível. Com efeito, o tempo neces­
sário é de apenas quinze minutos por dia. No comêço
você precisará praticar diàriamente, até perceber que con­
seguiu realmente fazer a auto-hipnose. Depois disto, será
necessário praticar somente uma ou duas vêzes por semana,
a fim de manter-se em condições. Evidentemente, quando
você está trabalhando em determinado aperfeiçoamento, será
necessário usar a auto-hipnose diàriamente. Realço êsses
pontos para que você não pense que pode conseguir fazer
auto-hipnose por intermédio de uma fórmula mágica.
O melhor e mais rápido método para aprender auto-hip-
nose é ser primeiramente hipnotizado por um hipnotizador.
Quando sob hipnose, peça-lhe que diga que no futuro você
será capaz de hipnotizar-se eficazmente. Geralmente, há a
necessidade de seis a dez sessões com um hipnotista para
que se aprenda auto-hipnose. Dou aulas a grupos que se
reúnem uma vez por semana, durante dois meses. Cada
sessão tem a duração de pelo menos duas horas. A primeira
hora é dedicada a preleções sôbre auto-hipnose, e a segunda,
à hipnose em grupo. Oitenta e cinco por cento dos que fre­
qüentam meu curso são capazes de hipnotizar-se quando
o curso chega ao fim. Os quinze por cento restantes apren­
dem a relaxar e são capazes de usar as regras de sugestão
que ensinamos para proveito dêles.

À PROCURA DE UM HIPNOTIZADOR
QUALIFICADO

Encontrar um hipnotizador qualificado nem sempre é fácil.


Eis aqui um pouco de orientação para que você possa sele­
cionar um homem que emprega auto-hipnose. Se fôr possí­
vel, procure obter os serviços de um profissional que esteja
empenhado ou em cura ou no ensino dêsse ofício. Escolha
um homem de responsabilidade perante o público. Médicos,
psicologistas, dentistas, pastores, professores ou advogados,
são todos responsáveis perante alguma associação de classe.
Julgue o hipnotizador em base de seu treinamento e experiên­
cia no campo da hipnose. Um médico pode ser um bom cirur­
gião, mas talvez saiba muito pouco sôbre hipnose. Um clé­
rigo pode saber muito sôbre teologia, mas pode ser fraco
hipnotizador. O Instituto Americano de Hipnose dar-lhe-á
a indicação de um profissional em hipnose. Escreva para:
The American Institute of Hypnosis, 8833 Sunset Boulevard,
Los Angeles, Califórnia. Se você não conseguir encontrar
um profissional, entre em contato com A.A.E.H., 10 Washing­
ton Avenue, Irvington, New Jersey. Êles terão prazer em
indicar-lhe um hipnotizador leigo qualificado.
As gravações em disco e em fita, sôbre auto-hipnose, tam­
bém podem ajudá-lo em seu desejo de aprender auto-hipnose.
Hoje em dia, existem no mercado boas gravações, as quais
podem auxiliar o indivíduo comum.

INICIANDO UM PROGRAMA DE AUTO-AUXÍLIO


PARA AUTO-HIPNOSE

Agora que você já sabe qual a maneira mais fácil e mais


rápida de aprender auto-hipnose que, por sinal, é a menos
dispendiosa, permita-me demonstrar como aprendê-la sozi­
nho. A maior barreira em conseguir auto-hipnose é não saber
reconhecer o estado de hipnose. Por conseguinte, vou repetir,
para sua orientação, certos fatos muito importantes.
1. Hipnose é um estado normal, natural.
2. Você nem adormece nem perde a consciência.
3. A hipnose é o estreitamento da amplitude da atenção
tendo um alvo principal.
4. É um estado alterado da consciência.
5. Ê um estado de hipersugestibilidade.
6. A única prova genuína da hipnose eficaz ou da auto-
hipnose é a reação pós-hipnótica.
Noventa e nove de cada cem pessoas que hipnotizo dizem-
me não crer terem estado sob hipnose. Dizem: “ Mas ouvi
tudo o que o senhor disse e percebi tudo o que eu estava fa­
zendo!” As pessoas que entram em hipnose profunda rea­
gem com estas mesmas palavras, do mesmo modo que as que
não estiveram em transe tão profundo. Portanto, é muito
importante que você compreenda completamente os fatos sô­
bre a auto-hipnose, se é que pretende realizá-la por você
mesmo.

Tome cuidado com uma atitude excessivamente analítica:


outra coisa que o atrapalhará é a atitude analítica em de­
masia. Se você começar a analisar todos os movimentos que
fizer e duvidar da eficácia do que está fazendo, ser-lhe-á
muito difícil entrar em auto-hipnose. Em vez de examinar-se,
relaxe e deixe que as coisas sigam seu curso; os resultados
virão. Se se alimentar de torta e sorvete como dieta firme,
engordará. Se fizer ginástica diàriamente, ficará forte. Do
mesmo modo, se se aplicar aos ensinamentos dêste livro,
conseguirá a auto-hipnose. Nem todos os que tomam lições
de piano tornam-se concertistas, mas quem praticar piano
durante bastante tempo aprenderá a tocar suficientemente
bem para ficar satisfeito consigo mesmo. Possivelmente,
jamais você realizará as proezas de Houdini.* Mas será
capaz de melhorar diferentes fases de sua vida, apenas pra­
ticando.
A atitude de “ tirar a prova” , é outra atitude que o impe­
dirá de ser eficaz em sua auto-hipnose. Existem indivíduos

* Harry Houdini, ilusionista e escritor americano. Seu verdadeiro nome


era Erich Weiss, mas adotou seu nome de guerra, por influência do mágico
francês Jean Eugène Robert Houdin. Houdini notabilizou-se por escapar
de cordas ou correntes com que se fazia amarrar e por denunciar os falsos
“médiuns” e seus fenômenos. O francês era notável em ilusionismo e ja­
mais disse que lidava com coisas sobrenaturais. (N. do T .)
que “ querem ver para crer” . Ocupam-se tanto em procurar
decidir se estão ou não sob hipnose, que prejudicam seus
próprios esforços. Exemplo típico é quando um hipnotizador,
ao hipnotizar uma pessoa pela primeira vez, lhe diz que den­
tro em breve seus olhos se fecharão. Automàticamente, os
olhos do sujeito começam a fechar-se, mas êste faz o possível
para mantê-los abertos. Combate a sugestão do hipnotizador
e a reação física de seus olhos, simplesmente para provar
alguma coisa a si mesmo. O que êle tenta provar, todo hip­
notizador sabe muito bem: que não se pode obrigar um su­
jeito a fazer qualquer coisa que êste não queira. A única
coisa que êste tipo de indivíduo consegue é atrapalhar e de­
morar sua hipnose.
Quanto à auto-hipnose, a maioria das pessoas expressa
esta atitude de “ provar” , testando-se continuamente. Se não
passam no teste que impõem a si mesmas, sentem-se como
se não estivessem fazendo progressos. Diz um velho pro­
vérbio: “ Panela vigiada não ferve.” Isto é bem real quanto
aos que são “ excessivamente analíticos” e têm a atitude de
“ tirar prova” enquanto se acham no processo de aprender
o uso da auto-hipnose. Conheço muito bem êstes impedi­
mentos porque tive experiência própria com ambos os tipos.
Quando percebi que êstes fatores eram óbices frente a minha
auto-hipnose, deixei de agir dessa maneira e consegui rea­
lizá-la. O que me proporcionou êxito foi a simples prática
das “ escalas” de auto-hipnose.

“ Calma” é o que lhe trará resultados. Outra coisa que


você deve evitar é “ tentar muito àrduamente” . Isto é um
tanto difícil de explicar, porque parece contradição, mas
tentarei. Tôdas as vêzes que você anseia muito por uma
coisa, o resultado é que você fica nervoso e tenso. E sempre
que você estiver nessas condições, será impossível agir me­
lhor. O motorista contraído é um mau motorista. O estu­
dante tenso é um mau estudante. Podemos dizer que o maior
inimigo da hipnose é a tensão. Já observei que, quando uma
pessoa deseja ardentemente ser hipnotizada, a ponto de tor­
nar-se ansiosa e tensa, a maior parte do meu tempo esvai-se
em acalmá-la e relaxá-la antes de poder hipnotizá-la. Isto é
especialmente verdade relativamente às pessoas que esperam
milagres em uma ou duas sessões de hipnose.

CONCEDA A VOCÊ MESMO UM PRAZO


RAZOÁVEL

Quando você começa a aprender auto-hipnose, dê tempo


ao tempo. Comece como principiante; não espere milagres
da noite para o dia e, acima de tudo, esqueça-se de você; re­
laxe e deixe que as coisas sigam seu curso normal. Tenha
em mente durante o tempo todo o pensamento de que com
esfôrço consistente e prática você conseguirá fazer auto-
hipnose. Não se deixe desencorajar. Estou para conhecer
a pessoa que tenha continuado a tentar e que não acabe con­
seguindo hipnotizar-se.
Trabalhei com um amigo íntimo cêrca de três anos. Êle
recebeu aulas particulares e usou minhas gravações sôbre
auto-hipnose, pràticamente até gastá-las. Freqüentou tam­
bém o curso em grupo, não uma vez apenas, mas três vêzes.
Já havia conseguido alguns bons resultados, mas ainda não
estava satisfeito. Uma noite, ao dar minha aula, mencionei
os impedimentos à hipnose que acabo de citar. A seguir,
hipnotizei o grupo, fazendo sugestões quanto à auto-hipnose.
No dia seguinte, meu amigo me disse: “ Sabe de uma coisa?”
“ Que coisa?” respondi. Disse êle: “ Consegui.” “ Conseguiu
o quê?” “ Esta manhã consegui hipnotizar-me” , respondeu.
Na realidade, êle vinha hipnotizando-se há três anos,
mas tinha de provar isso a si mesmo, “ passando num teste” .
Aqui, o fator primacial, entretanto, é que êle conseguiu auto-
hipnose de modo que lhe era satisfatório, após três anos de
esforços. A maioria das pessoas conseguirá os mesmos re­
sultados em muito menos tempo.

COMO PROGRAMAR SEUS EXERCÍCIOS

Para obter os melhores resultados, você deve exercitar-se


sempre na mesma hora e no mesmo lugar todos os dias. Via
de regra, tôdas as pessoas são extremamente ocupadas, por­
tanto, é necessário que arranjem tempo. Em geral, quando
queremos fazer alguma tarefa, encontramos tempo. A espôsa
pode pedir-lhe para fazer um serviço qualquer, quando você
volta do trabalho, mas você diz que trabalhou muito o dia
inteiro e que está cansado. Lá pelas tantas, após o jantar,
chega um amigo e convida-o para jogar boliche — o resto
da história você já sabe. De um modo ou de outro, você dá
um jeito de sentir-se descansado e vai. Se você realmente
quer obter resultados em auto-hipnose, tem de arranjar
tempo para exercitar-se.
Quando estiver praticando auto-hipnose, faça com que
alguém se encarregue de atender o telefone ou quando ba­
terem à porta. Se fôr assunto de importância, quem chamou
voltará a chamar. Depois de praticar durante duas semanas,
o tocar do telefone não lhe causará aborrecimento. Você
poderá ouvi-lo tocar, mas poderá decidir se deseja ou não ir
atender. É possível condicionar-se de tal modo que poderá
atender o telefone e, após a conversação, voltar à hipnose no
ponto interrompido.

AS FERRAMENTAS COM QUE VOCÊ TRABALHA

As coisas mais vitais que você deverá lembrar quando


começar a praticar auto-hipnose, são as ferramentas com as
quais você está trabalhando. São elas, sugestão e imaginação.
O caminho que leva à hipnose é a sugestão, mas o veículo em
que você viaja é a imaginação. Qualquer pessoa com boa
imaginação pode facilmente conseguir fazer auto-hipnose. O
segrêdo está em descobrir de que modo você é mais suges-
tível. Lembre-se, todos são sugestíveis e, por isso, todos
podem ser hipnotizados. É simplesmente uma questão de
decidir de que modo você reage melhor à sugestão. Para
determiná-lo, experimente alguns dos seguintes testes de
sugestão.

Teste um. Junte as pontas do polegar e do dedo médio e


aperte. Ao mesmo tempo, contemple-os e imagine que estão
grudados com cola. Imagine ainda que ao redor das unhas
há fortes cintas de esparadrapo, unindo-os mais fortemente.
À medida que fôr exercendo maior pressão, diga a você
mesmo que as pontas dos dedos estão ficando cada vez mais
afixadas entre si e que não se separarão. Quando você contar
até três, o dedo médio e o polegar não se separarão até que
você diga, “ JÁ.” Quanto mais você tentar separá-los, mais
grudados êles ficarão.
Se você reagir de maneira satisfatória a êste teste, não
terá dificuldade em aprender a hipnotizar-se. Se sua reação
não fôr tão favorável, não se aborreça, porque, eventual­
mente, você encontrará sua área de sugestibilidade. Poderia
ser mais eficaz se você fizesse o teste com os olhos fechados.

Teste dois. Sente-se confortàvelmente numa poltrona ou


deite-se numa cama e diga a você mesmo o seguinte:
“ Meus olhos estão tornando-se bastante relaxados. Todos
os músculos que controlam o movimento de minhas pálpebras
estão ficando descontraídos e sem ação. Logo meus olhos
fecharão e permanecerão fechados. Depois que estiverem fe­
chados não serei capaz de abri-los, até que diga JÁ. Meus
olhos continuam a relaxar-se. Relaxam-se cada vez mais.
Parece que há chumbo em minhas pálpebras, puxando-as
para baixo. Sinto que as pálpebras são como persianas que
estão descendo vagarosamente. Meus olhos continuam a re­
laxar-se. Estão tão relaxados que quando eu contar até
três, êles se fecharão e permanecerão fechados, até que eu
diga JÁ.”
A maioria das pessoas reagirá favoràvelmente a êste teste,
desde que dêem tempo ao tempo e façam bom uso da ima­
ginação.

Teste três. Junte bem as mãos e estenda os braços a sua


frente. Feche os olhos e imagine que as mãos estão sendo
fundidas uma na outra. Imagine-as como um sólido bloco de
madeira. À medida que você fôr imaginando, vá apertando
as mãos gradativamente. Diga a você mesmo: “ Minhas mãos
estão sendo completamente fundidas uma na outra. Estão
ficando como se fôssem um bloco de madeira. Quando eu
contar até três, serei incapaz de separá-las até que diga JÁ."
Os que reagem bem a êste teste deverão ter imaginação
forte. Quando você testar-se desta forma, não se incomode
com o tempo e vá tentando, tanto quanto lhe seja possível,
ver stías mãos como um sólido bloco de madeira.

Teste quatro. Sente-se confortàvelmente numa cadeira


reta. Deixe que as mãos fiquem caídas, sem esforço, ao
longo de cada um de seus lados. Feche os olhos e imagine
que elas são dois pêsos de chumbo. Diga a você mesmo o
seguinte: “ Minhas mãos estão ficando cada vez mais pe­
sadas. Sinto que são enormes e que pesam como nunca.
Minhas mãos sentem-se preguiçosas e cansadas. Neste mo­
mento, para mim, a coisa mais difícil do mundo é levantá-las,
porque estão tão pesadas e preguiçosas. Quando eu contar
três, ser-me-á impossível levantá-las, até que eu diga JÁ."

Teste cinco. Uma vez mais, sente-se confortàvelmente


numa cadeira reta. Coloque as plantas dos pés contra o chão.
Deixe uma das mãos descansar relaxadamente sôbre a coxa,
logo acima do joelho. Deixe que o corpo relaxe e olhe para
a mão. Pense o seguinte: “ Minha mão está ficando muito
leve. Dentro em pouco ficará mais leve que o ar. Começará
a flutuar no ar. Minha mão está ficando cada vez mais leve.
Tão leve como uma pluma. Sinto a mão como uma pluma
soprada pelo vento do outono.” Quando a mão começar a
erguer-se, diga a você mesmo: “ Minha mão continuará a
ficar mais leve, mais leve, e continuará a subir até que eu
diga JÁ.”
Êste teste consome mais tempo do que os outros, porém se
os resultados forem satisfatórios é sinal de que você vai
indo muito bem.
Os próximos testes dependem inteiramente da imaginação.
Os primeiros cinco usaram a imaginação, mas houve também
fatôres físicos fortemente envolvidos. A ênfase agora recai
sôbre a imaginação e sua aptidão para criar imagens men­
tais.

Teste seis. Se possível, deite-se de costas para fazer êste


exercício mental. Feche os olhos e comece a pensar num
jantar ou almôço em que você tomou parte recentemente,
numa reunião em que havia bastante gente. Vá devagar;
deixe a mente derivar lentamente para a ocasião. Veja-se
sentado à mesa, veja a toalha, os pratos, os talheres, os co­
pos; veja as outras pessoas e a própria sala. Agora, comece
a sentir-se sentado à mesa. Comece a reviver a ocasião. Veja
os alimentos etc. Sinta os talheres. Ouça o tintilar dos
pratos. Ouça a conversação. Sinta o gôsto dos alimentos.
Sinta-lhes o odor. Vá devagar e reviva a refeição inteira.
Se o reviver o almôço ou jantar não fôr coisa atraente para
sua imaginação, reviva qualquer incidente que lhe dê prazer.
Os que reagirem bem a êste teste serão capazes de conse­
guir auto-hipnose dentro de bem pouco tempo.

Teste sete. Instale-se confortàvelmente, ou sentado ou dei­


tado. Feche os olhos e comece a ver uma casa qualquer que
lhe seja atraente. Imagine que você está vendo a casa a
distância. Veja-a em três dimensões. Leve o tempo que fôr
necessário e permita-se focalizar a casa e a paisagem ao seu
redor. Dentro de alguns minutos a casa e a paisagem come­
çarão a tomar forma. Neste ponto, comece a visualizar as
côres do céu, da casa, da paisagem. Faça concessão ao
tempo, e a imagem virá até você. Se houver alguma coisa
esquisita ou diferente na casa, perceba o que é. Agora, ve­
ja-se encaminhando para a casa. Abra a porta e entre. Vá
às diversas dependências e veja a mobília, as cortinas etc.
Nem tôdas as pessoas reagirão completamente a êste
teste, portanto, não fique aborrecido se não puder ver a casa
em três dimensões e se não puder visualizar as côres. Qual­
quer reação positiva ao teste ser-lhe-á favorável no que diz
respeito à auto-hipnose.

Teste oito. Feche os olhos e visualize um ponto prêto no


meio da testa. Dê tempo ao tempo e permita que o ponto
se materialize. Quando o ponto aparecer, veja formar-se
um círculo vermelho ao seu redor, depois um círculo azul
etc., até que tôdas as côres que você possa imaginar se for­
mem ao redor do ponto.
Êste teste envolve o uso de uma reação fisiológica que
surpreenderá muitos dos que o experimentarem.

Teste nove. Sente-se e deixe uma das mãos ao colo. Você


poderá ficar de olhos abertos e olhar para a mão, ou fechá-
los. Pense o seguinte: “ Minha mão está começando a for­
migar. Está começando a ficar entanguida e gelada. Sinto
a mão como se estivesse recebendo uma porção de pequenas
picadas. Minha mão está ficando cada vez mais fria. Não
demorará muito e ela ficará insensível e gelada, insensível à
dor. Tôda sensação de tato está deixando minha mão e den­
tro em pouco ela estará completamente insensível e gelada.
De fato, quando eu contar até três, minha mão estará com­
pletamente gelada e insensível até que eu diga JÁ. Quando
eu contar três, beslicarei a mão. Sentirei certa pressão, po­
rém não mais do que isso. Sentirei conforto na mão quando
ela fôr beliscada.”
Se você fizer concessão ao tempo ao tentar êstes testes,
obterá êxito na maioria dêles. Ficar relaxado e usar a ima­
ginação é da máxima importância.
Os que tiverem reações favoráveis em seis ou mais dos
testes, farão progresso maravilhoso, rápida e facilmente,
em auto-hipnose, desde que se apliquem diligentemente.
Os que tiverem reações favoráveis em dois a cinco dos
testes, também encontrarão relativa facilidade em conseguir
auto-hipnose.
Se você tiver apenas uma ou duas reações favoráveis, não
se deixe desencorajar, pois que qualquer reação é uma boa
reação. Se você não reage a qualquer dos testes, isto não quer
dizer que você não pode hipnotizar-se. Foram-lhe dados
apenas nove testes. Naturalmente, há muitos outros aos
quais você reagiria, mas tenho de submeter-me às limitações
de espaço. Acredito que todos reagirão em certo grau a um
ou a todos os testes dados. Por exemplo, talvez no teste
quatro suas mãos não sintam tanto pêso de forma que você
não possa erguê-las, mas ficarão mais pesadas do que antes.
Isto não constituiria uma reação total, mas é uma reação
positiva. Talvez no teste sete você não conseguisse ver uma
casa em três dimensões ou em côr, mas poderia pensar numa
determinada casa. Isto é também reação positiva.
Pratique êstes testes de sugestão pelo menos uma vez,
antes de prosseguir na leitura do livro. Durante o próximo
mês ou durante os dois próximos meses, pratique um teste
diferente todos os dias, até adquirir proficiência. Fazendo
isto, você estará criando os elementos básicos que lhe per­
mitirão ser eficaz no emprêgo da auto-hipnose. Isto é o ali­
cerce; construa-o bem.
PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER
RELEMBRADOS

1. Se você quer aprender auto-hipnose, deve apli-


car-se à tarefa.
2. De início, você precisará praticar no mínimo
quinze minutos por dia.
3. A melhor e mais rápida maneira de aprender auto-
hipnose é com o auxílio de um hipnotista profis­
sional.
4. As gravações podem ser de inestimável valor para
a aprendizagem de auto-hipnose.
5. Embora um hipnotizador e as gravações facilitem
a matéria, é possível, mesmo assim, aprender so­
zinho a auto-hipnose.
6. As barreiras que você precisa aprender a evitar
são:
(1) Não reconhecer o estado de hipnose. Na
maioria, as pessoas que ficam hipnotizadas
não pensam que estão sob hipnose. Convém
reler o Capítulo 2.
(2) Atitude “ excessivamente analítica” .
(3) Atitude “ prove que eu quero ver” .
(4) Tentar muito àrduamente.
7. Dê tempo ao tempo para aprender auto-hipnose.
Não espere milagres da noite para o dia.
8. Se fôr possível, pratique na mesma hora e no
mesmo lugar todos os dias. Peça a alguém que
atenda a porta ou o telefone por você.
9. Tente os nove testes de sugestão antes de pros­
seguir na leitura do livro.
10. Não desanime.
5
COMO HIPNOTIZAR-SE COM ÊXITO

A esta altura você já deve ter adqui­


V am os ao tr a b a lh o !
rido uma boa idéia de como funciona a hipnose. O mêdo
que você pudesse ter tido, com certeza já não existe mais.
Agora, por intermédio dos testes de sugestão dados no ca­
pítulo anterior, você já deve saber de que modo é mais su-
gestível.

DOIS LEMBRETES BÁSICOS

Neste ponto, há duas coisas que você deve manter em


mente: tôda hipnose é auto-hipnose, e suas ferramentas bá­
sicas são a sugestão e a imaginação. Para hipnotizar-se,
você precisa tornar-se seu próprio hipnotizador. Isto sig­
nifica que você deverá fazer sugestões que sejam atraentes
para sua imaginação.
De início, isto pode ser feito de duas maneiras. Você pode
sugestionar-se decorando ou familiarizando-se com as fór­
mulas hipnóticas que encontrará na parte final dêste capí­
tulo e pensar nelas para, você mesmo! Ou você poderá gra-
vá-las e ouvir sua própria voz. O gravador de fita torna
literalmente possível que você seja seu próprio hipnotizador.
Use-o como medida temporária para aprender auto-hipnose.
Isto não quer dizer que, no futuro, você não deve usá-lo,
mas é necessário não fazer co gravador um substituto para
a auto-hipnose. Nem sempre você poderá ter um gravador à
disposição, e haverá ocasiões em que desejará sugestões
auto-hipnóticas imediatas.
Se você fôr usar um gravador, grave em voz clara e res­
sonante as fórmulas hipnóticas. Leia-as devagar e com
ênfase.
Se você continuar usando as sugestões pensadas, precisará
decidir qual será a fórmula que empregará e lê-la repetida­
mente até ficar minuciosamente familiarizado com as idéias
que ela contém. Quando estiver pronto para hipnotizar-se,
simplesmente pense em tais idéias. Ao mesmo tempo em
que pensa, você deverá sentir o que está pensando. Vá de­
vagar. Não se apresse. Dê tempo suficiente para que seu
sistema nervoso reaja às suas sugestões.

SELECIONANDO SUA MELHOR BASE


DE REAÇÃO HIPNÓTICA

Antes de dar-lhe as fórmulas hipnóticas, eu gostaria de


mencionar o seguinte: Você poderá adotar qualquer dos tes­
tes dados no último capítulo; deverá escolher aquêle ao qual
você reage melhor para induzir auto-hipnose. Ao hipnoti­
zar-se, você converge a atenção para determinado alvo. Ge­
ralmente, isto é feito por intermédio do uso adequado de sua
imaginação. Por exemplo, no primeiro teste do último ca­
pítulo, você deveria unir as pontas do polegar e do dedo
médio, imaginando que ambas estavam coladas e fixadas com
esparadrapo. Uma vez feito isso, deverá dizer a você mesmo
que seus olhos estão ficando pesados e vão fechar-se e que
você está entrando em hipnose. A partir dêsse ponto, co­
mece a usar as fórmulas dadas dêste capítulo.
Se você reagir bem ao quinto teste, diga a você mesmo que
sua mão flutuará até seu rosto e que quando ela o tocar, os
olhos se fecharão e você entrará em hipnose. Em tal mo­
mento, use uma das fórmulas hipnóticas dêste capítulo.
Acredito que, através desta ilustração, quando você puder
controlar uma parte de seu corpo ou da mente, poderá usá-la
como ponte para controlar a outra parte e, por fim, entrar
em hipnose. Desde que você compreenda bem êste fato, terá
ganho metade da batalha.
Se você usar um gravador de fita, deve proceder da mesma
maneira, exceto que, quando estiver reagindo ao teste, pre­
cisará de alguém que a um dado sinal desligue o aparelho.
Usei como exemplos apenas dois testes, mas você pode usar
a mesma técnica com qualquer dos testes. Lembre-se de que,
logo que você reagir ao teste, terá que dizer a você mesmo
que está entrando em hipnose. Neste ponto, comece a usar
uma das fórmulas hipnóticas para fomentar e completar a
hipnose. Se preferir, poderá usar as próprias fórmulas hip­
nóticas. Elas demonstrarão ser mais do que suficientes para
hipnotizá-lo.
Esta tem sido minha técnica favorita para hipnotizar os
outros. Uma vez que eu perceba como as pessoas reagem à
sugestão, prossigo a partir dêsse ponto hipnotizando-as pro­
fundamente.
Tôdas as fórmulas hipnóticas dadas neste capítulo podem
ser divididas em quatro seções. A primeira parte contém
a indução, e a segunda, o processo de penetração. A terceira
parte é a sugestão real dada para a reação hipnótica. A
quarta parte é o chamado processo de despertar. A fórmula
dada a seguir denomina-se técnica do relaxamento progres­
sivo.

FÓRMULA HIPNÓTICA 1

“ À medida que fecho os olhos, entro em completo estado


de relaxação. Presto atenção apenas aos pensamentos que
dirijo a mim mesmo. Quaisquer ruídos ou sons que eu possa
ouvir, não me distrairão nem me perturbarão. De fato, êles
até aprofundarão minha hipnose. Cada vez que eu entrar
em hipnose, esta será mais profunda que da vez^ anterior.
Agora, sinto-me completamente confortável e à vontade.
Minha respiração é fácil, normal e suave. Cada vez que res­
piro, isto me põe em hipnose mais profunda. Sinto o fluxo
do ar nas narinas e cada vez que respiro isto me faz relaxar
mais profundamente. Sinto bater o pulso e cada batida faz-
me relaxar mais profundamente.
“ Agora, centralizo a atenção no pé direito. Êle começa
a relaxar-se. Os músculos dos artelhos relaxam-se. Os mús­
culos dos artelhos relaxam-se cada vez mais. Esta sensação
de relaxamento desloca-se pelo peito do pé até o calcanhar.
O pé direito inteiro sente-se envolvido pelo relaxamento. O
pé direito está frouxo, sem fôrças; está'inteira e completa­
mente relaxado. Tem a sensação de que está recebendo uma
massagem suave.
“ Agora, centralizo a atenção no pé esquerdo. Êle começa
a relaxar. O pé esquerdo está ficando cada vez mais rela­
xado. Os músculos do pé esquerdo estão ficando frouxos e
sem fôrças. Os artelhos do pé esquerdo relaxam-se. Esta
sensação desloca-se para a sola e para o peito do pé, chegan­
do ao calcanhar. - A relaxação toma conta do pé inteiro. O
pé esquerdo está total e completamente relaxado.
“ Esta sensação de relaxamento sobe aos tornozelos, que -
estão ficando frouxos e sem energia. As juntas dos torno­
zelos estão ficando frouxas e sem fôrças. -
“ Esta sensação sobe pela barriga das pernas, que se tornam
frouxas e relaxadas. Elas também têm a sensação de que
estão recebendo uma suave massagem. Tornam-se completa e
totalmente relaxadas. Estão relaxadas.
“ A sensação sobe para os joelhos, que ficam completamen­
te frouxos. Tôda contração desapareceu. Esta relaxação
dinâmica invade-me as coxas, que se tornam frouxas e sem
movimento. Os músculos, os tendões, as juntas tornam-se
frouxos e completamente relaxados.
“ Aprofundo-me mais e mais cada vez que respiro.
“ Esta sensação de relaxamento chega aos quadris e à re­
gião pélvica. Êstes músculos estão ficando totalmente las-
sos. Estão ficando frouxos e relaxados. A lassidão sobe até
o abdome. Segue para as costas. Os músculos e nervos das
costas e do abdome tornam-se total e completamente rela­
xados. Cada vez que respiro, isto faz-me relaxar mais e
mais. Sinto como se alguém estivesse fazendo-me uma mas- -
sagem suave. Esta lassidão espalha-se pelo peito e para o -
alto das costas. Envolve e relaxa totalmente os músculos
do peito e das costas. Estou sentindo relaxação cada vez
maior.
“ Esta relaxação dinâmica agora encaminha-se para as
pontas dos dedos; agora, gentil e vagarosamente, sobe para
os antebraços. Êles estão frouxos, pesados, completamente
relaxados. Esta sensação de relaxamento sobe até os coto­
velos; êstes ficam relaxados; as juntas e os músculos re­
laxam-se. Esta sensação invade os braços. Os bíceps e os
tríceps relaxam-se. Esta cálida e maravilhosa relaxação
penetra os músculos deltóides dos ombros, os músculos do
pescoço e relaxa a coluna vertebral. É como se alguém es-“ ‘i*
tivesse fazendo-me uma massagem suave, mas vigorosa, na
espinha; esta massagem faz relaxar ainda mais os músculos
de meu corpo.
“ A sensação agora é de que alguém está pegando e aper­
tando-me gentilmente os músculos do pescoço até a ponta
dos ombros; meu pescoço e ombros estão relaxando-se mais —
e mais. Meu corpo todo continua a sentir-se em lassidão
cada vez maior. Esta relaxação faz a volta e acaricia-me
gentilmente a garganta. Esta sente-se confortável e descon­
traída. Esta maravilhosa sensação calmante agora sobe va­
garosamente pela nuca até o alto de minha cabeça. O alto'
de minha cabeça está tão relaxado que o couro cabeludo se
sente frouxo. Estou relaxando cada vez mais e entrando
em hipnose cada vez mais profunda. Agora, esta lassidão
maravilhosa desce gentilmente sôbre minha face. Minha
testa sente-se relaxada e banhada por uma agradável sen­
sação de frescor. Os maxilares estão relaxando-se. Rela-
xam-se tanto que meus dentes se separam ligeiramente. As
pálpebras afrouxam-se. Estão tão relaxadas que se sentem
como dois elásticos jogados sôbre uma mesa.
“ Agora, meu corpo todo está completamente relaxado e
continuará a relaxar-se mais e mais neste momento de auto-
hipnose. Meu corpo está tão relaxado que parece não ter
ossos. A sensação é de que não existe nenhum ôsso em meu
corpo.
“ Minha mente está relaxando-se com meu corpo. Minha
mente está experimentando maravilhosa sensação de paz e
de tranqüilidade. Tôda tensão, preocupação, dúvida e mêdo
desapareceram. Meu subconsciente está ficando agora recep­
tivo aos bons pensamentos e idéias que logo darei a mim
mesmo.
“ Agora estou sentindo lassidão cada vez maior, mais pro­
funda. Ao contar inversamente de dez até zero, aprofun-
dar-me-ei cada vez mais com cada número que contar. Dez
— estou relaxando riiais ainda, aprofundo-me cada vez mais.
Nove — deixo-me aprofundar cada vez mais e mais nesta
maravilhosa lassidão. Oito — tôda tensão e contração deixam
meu corpo e aprofundo-me cada vez mais. Sete — para
baixo, para baixo, mais profundo, mais profundo. Seis —
relaxo mais e mais e aprofundo cada vez mais. Cinco —
mais para baixo, mais ainda, mais profundo, mais profundo.
Quatro — mais profundo, mais profundo. Três — para
baixo, para baixo. Dois — para baixo, para baixo, mais
profundamente, ainda mais profundamente. Um — rela­
xação profunda, profunda, profunda, profunda. Zero —
agora estou total e completamente relaxado e meu subcons­
ciente está pronto para receber sugestões.”
SUGESTÕES SUPLEMENTARES E
PROCEDIMENTOS PARA DESPERTAR

“ No futuro, jamais entrarei acidentalmente em hipnose.


Jamais ficarei hipnotizado quando estiver dirigindo um au­
tomóvel ou quando estiver lidando com equipamento peri­
goso. No futuro, quando eu quiser hipnotizar-me, tudo o que
terei a fazer é instalar-me confortàvelmente e dizer a mim
mesmo: Vamos, relaxe agora, relaxe, relaxe. Quando eu
disser estas palavras a mim mesmo, imediatamente entrarei
em hipnose. Cada vez que me hipnotizar, conseguirei fazê-lo
melhor. Cada vez entrarei mais rápida e profundamente em
hipnose do que anteriormente. Cada vez que me hipno­
tizar, automàticamente conseguirei melhor equilíbrio entre a
mente consciente e a subconsciente, de modo a poder suges-
tionar-me eficazmente. Estas sugestões estão agora penetran­
do cada vez mais profundamente meu subconsciente. Meu sub­
consciente automàticamente realimentará êstes pensamentos
em minha vida consciente.”
Uma vez que você se torne eficaz em auto-hipnose, poderá
acrescentar qualquer sugestão que deseje.
“ Agora vou voltar a meu estado normal de consciência.
Quando despertar, sentir-me-ei muito bem. Minha mente
estará alerta e o corpo perfeitamente coordenado. Vou sen­
tir-me cheio de energia, vigor, vitalidade. Sentir-me-ei des­
cansado e rejuvenescido. Estarei em estado normal, de tôdas
as maneiras possíveis. Agora conto até cinco e quando che­
gar a cinco estarei completamente acordado. Um — estou
despertando. Dois — tôdas as sensações de pêso deixam
meu corpo. Três — estou ficando cada vez mais desperto e
sinto-me maravilhosamente. Quatro — meus olhos áe abrem.
Cinco — respiro profundamente e estou completamente
alerta.”
A indução seguinte funcionará especialmente bem para os
que têm facilidade em criar imagens mentais.
FÓRMULA HIPNÓTICA 2
“ À medida que fecho os olhos, entro em profundo e mara­
vilhoso estado de lassidão, e deixo-me relaxar cada vez mais,
cada vez que respiro. Sinto o fluxo de ar entrar-me nas
narinas e com a respiração deixo-me aprofundar cada vez
mais. Sinto o coração pulsar e aprofundo-me cada vez mais
com cada pulsação. Sinto o pulso bater e aprofundo-me
cada vez mais a cada batida. Cada vez que aspiro o ar, minha
relaxação torna-se mais profunda.
“ Vejo-me caminhando ao longo de uma praia bonita e are­
nosa. Estou caminhando por uma praia arenosa e bonita. Es­
tou descalço. Estou descalço e sinto a areia tépida entre meus
artelhos. (Faça uma pausa e permita-se sentir a areia entre
os artelhos.) Enquanto caminho pela praia fico cada vez
mais cansado. Estou ficando agradàvelmente cansado. A
um lado vejo uma alta duna arenosa. Vejo uma imensa
duna. No alto há dois pinheiros grandes e bonitos. Entre
os dois pinheiros há uma rêde que se balança gentilmente
soprada pela brisa. Perto do tronco de uma das árvores
vejo uma garrafa de água fresca.
“ Já que estou cansado e com tanta sêde, vou subir ao alto
da duna. Quando chegar lá em cima, tomarei um pouco de
água. Depois, vou deitar-me na rêde e entrar no mais pro­
fundo estado de relaxação que me seja possível no momento.
Quando deitar-me na rêde, entrarei no mais profundo
estado de relaxação que me seja possível no momento.
“ Vou começar a correr. Corro. Minhas pernas ficam tão
cansadas que cedem sob meu pêso. Caio sôbre os joelhos e
as mãos. Vejo-me com as mãos e os joelhos na areia sôlta.
Sinto a areia passar entre meus dedos. Os joelhos estão afun­
dados na areia. Sinto a areia correr entre os artelhos. Estou
ficando cada vez mais confortàvelmente cansado, e mal posso
esperar chegar ao alto do monte de areia para deitar-me na
rêde e entrar na mais profunda relaxação que me seja pos­
sível no momento. Levanto-me e prossigo duna acima. En­
quanto subo vou ficando mais e mais confortàvelmente can­
sado. Minhas pernas estão cansadas e sentem-se como duas
barras de chumbo. Meus braços estão cansados e sentem-se
como duas barras de chumbo. Minha cabeça está cansada
e sente-se como um bloco de chumbo. Meu corpo inteiro
sente-se confortavelmente pesado e cansado.
“ Vagarosamente, vou subindo, vou subindo, até alcançar o
alto da duna. Vagarosamente, vou subindo, vou subindo,
até alcançar o alto da duna. Estou quase chegando ao tôpo.
Estou quase no alto da duna. Estou chegando mais perto,
mais perto. Estou no alto do monte de areia. Estou no
tôpo. Agora, tomo um pouco de água refrescante. Agora
tomo um pouco de água refrescante.
“ Estou deitando-me na rêde. Estou deitando-me na rêde.
Estou na rêde. Espicho-me e entro em profundo estado de
relaxação. Estou no mais profundo estado de relaxação que
me é possível no momento. Deitado nesta rêde confortável,
sinto ondas de relaxação que me invadem o corpo.
“ Sinto a brisa fresca e agradável acariciar-me o corpo.
Sinto a brisa suave e fresca no rosto e nos ombros. Ela
passa por meu peito e meu abdome. Sinto-lhe o efeito rela-
xante nas pernas e pés. Estou relaxando mais e mais, des­
cendo cada vez mais profundamente, mais profundamente
do que antes, em lassidão profunda.. . profunda.
“ Sinto a rêde ser suavemente balançada pela brisa. Balança
suavemente de um lado para o outro, de um lado para o ou­
tro. Enquanto a rêde balança para lá e para cá, sinto que
estou relaxando-me cada vez mais, mais e mais. Enquanto
a rêde oscila, conto inversamente de dez até zero, e aprofun­
do-me cada vez mais em hipnose. Dez — à medida que con­
tinuo a relaxar mais e mais, tôdas as tensões e preocupações
do dia vão me deixando. Nove — quanto mais me aprofundo,
mais me sinto em comunhão com Deus. Percebo Sua pre­
sença. Oito — mais profundamente, mais profundamente,
descendo, afundando. Sete — deixo-me aprofundar mais e
mais do que antes. Seis — minha mente e meu corpo estão
ficando total e completamente relaxados. Cinco — mais
profundamente, descendo, mais para baixo. Quatro — para
baixo, para baixo, para baixo. Três — deixo-me levar mais
profundamente, mais profundamente. Dois — dois-ois-ois. . .
Um — u m . .. u m . . . ummmm.. . Zero — hipnose profunda,
mais profunda do que qualquer outra vez.”
Neste ponto, use as sugestões e o procedimento para acor­
dar, que se acham no final da primeira indução.

FÓRMULA HIPNÓTICA 3

A indução seguinte é maravilhosa para pessoas religiosas.


É de grande eficiência para fortalecer a fé e a devoção em
Deus.
“ Fecho os olhos, e ao fechá-los sinto que tem início o es­
tado de relaxação. Relaxo-me mais e mais e logo estarei no
mais porfundo estado de relaxação que me é possível no
momento. À medida que me deixo relaxar, torno-me cada
vez mais consciente de minha mente e cada vez menos cons­
ciente de meu corpo. Estou também bastante cônscio de que
Deus deseja que eu controle o corpo e as emoções, em vez
de permitir que o corpo e as emoções me controlem. Agora
descanso profundamente — corpo, alma e espírito, na paz de
Deus. Enquanto descanso no amor de Deus, sinto-me total
e completamente relaxado. Em minha mente vejo a cruz.
(As pessoas cuja fé não é cristã devem substituir o símbolo
por um que esteja de acôrdo com sua crença.) Desta cruz
emanam ondas de amor divino e de graça, trazendo-me paz
e relaxação. Sinto-me perfeitamente confortável e seguro
no amor de Deus. Êstes eflúvios da cruz trazem fé, paz e
cura para meu corpo, alma e espírito. Estou sentindo-me
cada vez mais relaxado. À medida que me relaxo cada vez
mais, torno-me mais consciente da presença de Deus em
mim.
“ Todo mêdo está indo embora, sendo substituído pela fé
dinâmica. Todo pessimismo está indo embora, sendo subs­
tituído pelo otimismo. A depressão e o desespêro deixam-me,
sendo substituídos por gloriosa esperança e prazer infinito.
O ódio e o amargor estão deixando-me, sendo substituídos
por amor desinteressado.
“ À medida que me deixo relaxar cada vez mais, Deus
torna-se real em minha vida. Compreendo que Seu amor,
graça, paz, misericórdia e perdão estão sempre ao meu al­
cance.
“ Com êste maravilhoso conhecimento e paz na mente,
agora conto inversamente de dez até zero, para aprofundar
meu estado de relaxação. Dez — cada vez mais profunda­
mente. Nove — continuo a sentir os eflúvios do amor e da
graça de Deus e da Cruz, e deixo-me aprofundar cada vez
mais. Oito — tôdas as partículas de meu corpo estão rela­
xando-se total e completamente. Sete — mais profunda­
mente, mais, mais, para baixo. Seis — descendo, descendo,
mais profundamente, mais para baixo. Cinco — deixo-me
aprofundar mais. Quatro — . . . Três — três-ês-ês . . . Dois
— dois-ois-ois. . . Um — um. . . um. . . ummm. Zero —
ero. . . ero. . . ”
Neste ponto, use as sugestões e os procedimentos para
despertar, que se encontram no final da primeira fórmula de
indução hipnótica.
Existem centenas de induções hipnóticas, porém escolhi
estas três, por ter verificado que são eficazes para a maioria
das pessoas. Agora que você já sabe qual é a idéia, formule
sua própria indução se assim o desejar. Estas induções e
fórmulas surtirão efeito se você o permitir.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. As ferramentas básicas da hipnose são a sugestão


e a imaginação.
2. Você pode usar as fórmulas de indução contidas
neste capítulo, de duas maneiras: pode decorá-las
e apenas pensar ou pode lê-las ante o microfone de
um gravador, para depois ouvi-las.
3. Use quaisquer dos testes do Capítulo 4 ao qual você
reagir melhor, como técnicas de indução.
4. Fórmula 1 — Técnica de Relaxação.
5. Fórmula 2 — Técnica de Visualização deImagem.
6. Fórmula 3 — Técnica Religiosa.
[SEÇÃO II]

REGRAS
6
0 SUBCONSCIENTE DEVE
SER SEU SERVO OBEDIENTE

É m u it o definir ou descrever a mente humana.


d ifíc il
Centenas de autores diferentes poderiam dar centenas de
definições diversas sôbre a palavra “ mente” . Quando abor­
damos a questão do subconsciente, encontramos alguma
coisa que é ainda mais difícil de definir ou descrever. Tanto
a mente como o subconsciente têm sido um mistério para o
homem. É preciso observar que não estamos discutindo o
cérebro ou o sistema nervoso. Conquanto o homem ainda
tenha muito que aprender sôbre essas coisas, já acumulou,
não obstante, vasto conhecimento relativamente à matéria.
O cérebro é tangível e material. Pode ser visto e investigado.
Mas a mente, e também a alma, não. Ambas não são sus­
cetíveis de percepção por qualquer dos cinco sentidos. Ainda
que não possamos senti-las fisicamente, sabemos que existem.
A mente é aquilo com o que pensamos, desejamos e perce­
bemos. Sem ela, nada mais seriamos do que vegetais vi-
ventes.
O QUE COMPREENDE O SUBCONSCIENTE

Nos últimos quinze anos tem-se aprendido mais sôbre o


subconsciente do que em tôda a história da raça humana.
Êste conhecimento veio até nós por intermédio dos cérebros
mecânicos. Os cientistas que descobriram e inventaram os di­
versos cérebros mecânicos perceberam que êstes funcionam
da mesma maneira que o subconsciente humano. O Dr.
Maxwell Maltz, em seu livro Psycho-Cybernetics (publi­
cação de Prentice-Hall, Inc., Englewood Cliffs, N.J.) põe em
relêvo os fatos mais importantes já descobertos a respeito do
subconsciente. Primeiro, o subconsciente não é uma mente, e
sim um mecanismo, do mesmo modo que o cérebro mecânico.
A máquina subconsciente compõe-se da mente e do sistema
nervoso do homem. Segundo, conforme já mencionamos, o
subconsciente é um mecanismo de realimentação (feedback).
Êste realimenta em nossa vida consciente aquilo que a mente
consciente lhe alimentou. Assim como o cérebro mecânico tem
um programa que lhe é alimentado, nosso subconsciente está
sendo “ programado” * todos os dias de nossa vida. A ter­
ceira coisa que se aprende sôbre o subconsciente é que êle
constitui um mecanismo que se “ esforça para atingir as me­
tas” . Trataremos dêste aspecto no próximo capítulo. O
quarto fator derivado da comparação do subconsciente do
homem com o cérebro mecânico é que êle constitui um “ ser-
vomecanismo” . A mente subconsciente é um servo que você
tem. O cérebro e o sistema nervoso, que formam o meca­
nismo subconsciente, são seus servos.
Existe dentro de você um gênio gigante, desejoso de sa­
tisfazer tôdas as suas vontades. Seu subconsciente recebe e
cumpre as ordens e diretrizes que lhe são transmitidas pela
mente consciente. Êle foi designado pelo Criador para ser
seu servo. E, no entanto, a maioria das pessoas é que é

0 Em linguagem de computação eletrônica ou mecânica, “ programar”


significa instruir, dar dados ao computador para que êste os processe.
(N. do T.)
serva do subconsciente. Tal não foi a intenção de Deus. De
fato, isto é o inverso do desejo divino. Na grande maioria,
as pessoas deixam-se dominar por suas emoções, desejos,
nervos, caprichos etc. Não existe uma finalidade ou desíg­
nio real em seu viver. Têm boas intenções, porém jamais
são capazes de atingir qualquer de suas metas, porque nunca
dominaram seu subconsciente. São como o Apóstolo Paulo,
que no clássico sétimo capítulo, aos Romanos, disse:

“ Porque o que faço não aprovo; pois o que quero, isso não
faço, mas o que aborreço, isso faço” . (Rom. 7:15)

O motivo por que a condição inversa do desejo divino


existe na maioria das pessoas é porque elas se convenceram
de que lhes é impossível dominar o subconsciente. Estão
servindo o robô, em vez de fazerem o robô servi-las.
Seu subconsciente é um mau patrão, porque não foi feito
para isso. Foi criado por Deus para ser um servomeca-
nismo. A finalidade do subconsciente não é pensar, mas
reagir aos pensamentos que lhe são dados. Se você conven­
cer o subconsciente de que êle deve mandar, governar e di­
rigir você, êle o fará do melhor modo possível, mas ser-lhe-á
impossível funcionar com eficácia. Tudo o que o subcons­
ciente pode fazer é realimentar em sua vida os pensamentos
dispersos, frustrados e fúteis que você lhe deu. O resultado
final é, na pior das hipóteses, o fracasso e a infelicidade,
e na melhor, vida desordenada e perturbada.
A história do homem é a história de seus esforços para
conseguir autodomínio. Os homens têm praticado abnegação,
convocado sua fôrça de vontade, têm-se submetido a auto-
punição e tentado várias outras medidas extremas para ad­
quirir autodomínio. As razões por que os homens desejam
autodomínio são muitas e variadas. Alexandre, o Grande, dis­
se não lhe ter sido possível conquistar os outros antes de
conquistar-se a si mesmo. Precisava do autodomínio para
poder dominar os outros. Os religiosos do passado deseja­
vam autodomínio por sentirem que assim poderiam receber
o favor divino. Outros, naturalmente, desejavam o auto­
domínio porque queriam obter mais felicidade na vida.
Hoje, como nunca antes, você precisa conseguir autodomí­
nio. Sem isso, você jamais terá êxito ou felicidade. Antes
que passemos adiante, é necessário que eu explique o que
quero dizer por autodomínio. Não me refiro à repressão ou
rejeição das emoções e desejos dados por Deus. É minha
crença pessoal de que tudo no universo existe para a feli­
cidade e bem-aventurança do homem, desde que êle proceda
de maneira apropriada. Rejeitar ou reprimir completamente
seus desejos básicos e impulsos emocionais é uma perversão
da natureza que Deus lhe deu. Quando falo de autodomínio,
quero dizer govêrno e controle de suas emoções e impulsos,
de modo que isto lhe traga o máximo de êxito e felicidade.
É isto o que o Senhor deseja para você e está bem dentro de
sua capacidade consegui-lo. Em vez de deixar que seu tem­
peramento exerça o controle, você é que deve controlá-lo!
Em vez de seu apetite exercer o domínio, você é que deve
dominá-lo! Em vez de seus desejos exercerem o controle,
a você é que cabe exercer o controle! Em vez de seus há­
bitos o dominarem, você é que os deve dominar!
Para alguns, isto poderia parecer impossível, mas não é.
Na realidade, é mais fácil dirigir o subconsciente do que ser
por êle dirigido. Seu subconsciente é como um automóvel
de 333HP; tem tôdas as espécies de potência e energia, mas
esta potência precisa ser eficazmente orientada e guiada. Se
não o fôr, jazerá dormente, ou então poderia ser impropria­
mente usada para danificar e matar. É isto, precisamente,
o que tem causado a maior parte da confusão e do caos no
mundo. Homens com poder íntimo ilimitado, ou não usaram
êsse poder em seu próprio benefício e no benefício da huma­
nidade, ou dêle abusaram, causando males a muitos. Lem­
bre-se do que dissemos anteriormente — que os homens de
sucesso não são os possuídos por um poder, mas os possui­
dores do poder que está dentro dêles.
Talvez devêssemos acrescentar um têrmo mais específico
para definir autodomínio. Ao invés de falar em autodomínio,
que significa muitas coisas diferentes para muitas pessoas,
devemos usar o têrmo domínio subconsciente. Se você pode
dominar seu subconsciente, poderá controlar e dirigir em
grande extensão as funções de seu corpo e as reações emo­
cionais. Você reagirá aos estímulos exteriores de modo a
sentir-se satisfeito. O ambiente não o preocupará muito,
porque você será capaz de controlar sua reação a êle. A
verdade que estou estabelecendo, não é a comumente conhe­
cida como a mente sôbre a matéria, mas é a mente consciente
controlando o subconsciente.
Quando você está dormindo, o subconsciente mantém seu
coração palpitando, o sangue fluindo, e os pulmões respi­
rando. Êle controla o aparelho digestivo e as outras funções
vitais de seu corpo. Muitas vêzes, em estado normal de cons­
ciência, você reage de certa maneira a uma determinada
situação, e mais tarde diz consigo: “ Não sei porque fiz isso.”
Talvez você grite e não saiba porque está gritando. Você
“ perde as estribeiras” e grita e não sabe o que está fazendo,
até que tudo tenha acontecido. Estas reações, além de muitas
outras que poderiam ser mencionadas, são subconscientes.
Elas foram programadas em seu subconsciente durante mui­
tos anos, e automàticamente são realimentadas em seu com­
portamento, pondo-se a funcionar quando a ocasião se apre­
senta.

COMO UM VENDEDOR VENCEU UM


MÊDO SINGULAR

Como ilustração desta verdade, eis aqui a história de um


jovem vendedor que veio pedir-me auxílio. Para dizer o mí­
nimo, seu problema era incomum. Cada vez que visitava um
cliente de mais idade, do tipo autoritário, começava a suar.
Suava tão profusamente que logo depois a roupa ficava per-
ceptivelmente molhada. Isto causava-lhe imenso embaraço e
percebia que o fenômeno lhe fazia perder muitas vendas.
Não havia poupado esforços para corrigir a situação. Já
tinha consultado todos os tipos concebíveis de médicos e ne­
nhum conseguira auxiliá-lo.
Tentei descobrir a causa de sua condição, mas nunca o
consegui. O que consegui saber foi que, de acôrdo com sua
lembrança, sempre fôra assim. Tôdas as vêzes que se sentia
assustado, começava a transpirar. O suor corria-lhe pelo
rosto, pingando-lhe nas mãos! O corpo ficava encharcado!
À medida que foi crescendo, o caso parecia não aborrecê-lo
tanto, mas era incontrolável quando tinha de enfrentar cer­
tos clientes. Ensinei-lhe uma técnica simples de auto-hipnose
e ajudei-o a formular uma sugestão para controlar a trans­
piração.
Depois de aproximadamente dez semanas de treinamento
em auto-hipnose, êle começou a perceber resultados. Seis
meses mais tarde, havia dominado completamente o problema.
É verdade que levou algum tempo, mas valeu a pena. Seu
subconsciente controlou as glândulas e tudo o mais que cau­
sava a transpiração excessiva, e êle ensinou seu subconsciente
a reagir de maneira normal. Não foi êste o único uso da
auto-hipnose pelo jovem. Usou-a como elemento eficaz para
aumentar sua aptidão em vendas, e logo depois foi nomeado
gerente regional! Na realidade, não há limite para o que
se pode conseguir através da auto-hipnose.

O DOMÍNIO DO SUBCONSCIENTE
AO ALCANCE DE TODOS

Poucas pessoas compreendem que é possível conseguir o


domínio do subconsciente. Porque desconhecem a existência
desta ferramenta, privam-se de muitas das bênçãos desta
vida. Podemos compará-las ao homem que tomou o navio
nos Estados Unidos para a Europa. Durante muitos anoa
tinha economizado para ir visitar a terra natal. Finalmente,
conseguiu a quantia necessária para uma viagem de ida e
volta. Depois de pagar a passagem, ficou apenas com alguns
dólares para fazer frente às demais despesas de viagem. No
navio, limitava-se a uma pequena refeição por dia. Após
três ou quatro dias tinha tanta fome que se punha a olhar
os companheiros de viagem enquanto êstes se alimentavam.
Seus olhos quase saltavam das órbitas! Chegava a babar!
Tinha fom e! O caso tornou-se tão perceptível que no último
dia oe viagem um dos comissários de bordo perguntou-lhe
o que havia de errado. O viajante contou. O comissário pe­
diu-lhe para ver o bilhete, após o que lhe disse algo sur­
preendente: seu bilhete era de primeira classe, cobrindo não
só a viagem de ida e volta, dos Estados Unidos para a Euro­
pa, como também lhe dava direito a tôdas as refeições. Tinha
direito a quatro refeições diárias se o desejasse. E, no en-
t'anto, o homem vinha vivendo a bordo com apenas uma
refeição por dia!
O subconsciente, se você o dirigir, pode proporcionar-lhe
não apenas uma existência, mas trazer-lhe tôdas as bênçãos
da vida, às quais você tem direito.
O potencial do homem é limitado apenas por não dominar
o subconsciente. Como resultado da sugestão hipnótica, as
pessoas podem passar dias sem dormir, não sofrendo quais­
quer maus efeitos. Podem controlar o apetite. Seus mêdos
podem ser sobrepujados. É possível submeterem-se a alta
cirurgia sob hipnose, sem anestésicos. A dor e a sangria
são controláveis por sugestão hipnótica. Os vendedores po­
dem ser motivados de tal modo que suas vendas vão além
dos níveis anteriormente conseguidos. Os estudantes podem
ser ensinados a concentrar-se e a compreender as lições de
modo quase inacreditável. É possível desenvolverem uma
supermemória! Sob hipnose, o tempo pode ser acelerado
ou retardado. Os executivos muito ocupados e as donas de
casa nervosas podem aprender a viver mais descontraida-
mente.
Quando menciono êstes fatos, não me refiro a pessoas in-
comuns e extraordinárias. A maior parte dessas sugestões
acha-se ao alcance de qualquer pessoa adequadamente con­
dicionada para hipnose. Lembre-se também que tôda hipnose
é auto-hipnose. Qualquer coisa que um hipnotizador possa
fazer por você, você poderá fazer sozinho. A auto-hipnose
põe o domínio do subconsciente ao seu alcance.
Sem dúvida, você já se sentiu mistificado e surprêso por
feitos do grande Houdini e dos faquires orientais. Os céticos
poderiam dizer tratar-se de fraude. Contudo, algumas das
façanhas foram genuínas e sem a menor sombra de dúvida.
Houdini, o faquir egípcio Hamid Bey e o faquir hindu Chan-
dra Bey foram postos em esquifes selados no fundo de uma
piscina. Nos esquifes havia oxigênio suficiente para que um
homem normal pudesse viver durante dez minutos. E, no
entanto, êstes homens permaneceram nos esquifes lacrados,
no fundo da piscina, bem mais de uma hora! Houdini sub­
meteu-se ao teste num esquife de vidro, sob as mais rigorosas
condições.
Como é que êstes homens conseguiram realizar façanhas
tão espetaculares? Magia? Eram sêres humanos extraor­
dinários? Possuiam algum poder que o homem do nível co­
mum não possui? A resposta a tôdas estas perguntas é:
não. Eram sêres comuns como você e eu. Seu segrêdo estava
em que haviam aprendido a dominar o subconsciente pelo
uso da auto-hipnose. Por intermédio da auto-hipnose eram
capazes de diminuir o ritmo do coração e respirar tão pouco
que parecia não estarem vivendo. Retardando a respiração
e a circulação a êste grau, o oxigênio dentro do esquife era
suficiente para mantê-los vivos.
Acredito que os que me lêem não têm necessidade ou de­
sejo de imitar façanhas dêsse tipo, porém a mesma técnica
usada por aquêles homens pode ser usada por quaisquer pes­
soas para que melhorem suas vidas quando julgarem que
tal é necessário. Não tenho a menor vontade de ser lacrado
num esquife no fundo de uma piscina, nem mesmo por um
minuto. Mas desejo ter tanto êxito quanto seja possível em
serviço a Deus, minha família e a humanidade. Você e eu
podemos usar construtivamente esta ferramentà para nossa
melhoria e a de nossos irmãos. É êste o segrêdo das idades!
É êste o segrêdo do sucesso e da felicidade reais. Hoje em
dia, isso não está apenas ao alcance de alguns profissionais;
a ciência da hipnose põe o segrêdo ao alcance de todos.
A pessoa comum, que não é instruída, pensa que a hipnose
é uma forma de entretenimento ou terapêutica. Às vêzes,
ela é ambas as coisas, mas o maior benefício da hipnose é a
melhoria da vida da pessoa comum. Quando alguém me diz
que não tem problemas e não necessita de hipnose, sempre
pergunto: “ Está ganhando tanto quanto deseja?” “ Suas no­
tas escolares são tão boas quanto você quer?” “ Você gostaria
de ter melhor memória?” “ Gostaria de perder um pouco do
excesso de pêso?” “ Gostaria de poder concentrar-se melhor
e compreender de maneira mais completa?” “ Você tem a cria­
tividade que gostaria de ter?”
Poucas pessoas pensam em hipnose nestes têrmos. Sim,
elas gostariam de ter mais autodomínio, mas o que não
compreendem é que isso é o domínio do subconsciente. E a
maneira melhor e mais rápida — com efeito, a única ma­
neira de dominar o subconsciente é através da auto-hipnose.
Apesar dêste fato, os indivíduos, as organizações de vendas
e as indústrias permitem que superstições e preconceitos os
impeçam de utilizar esta ferramenta capital em benefício
próprio.
Você tem em seu interior todos os recursos necessários
para obter sucesso, concretização de seus objetivos, felici­
dade e qualquer outra coisa necessária para desfrutar de
uma vida completa. Você pode ser o que deseja. O subcons­
ciente é um servomecanismo; é seu servo! Êle terá prazer
em obedecer suas ordens! Esta verdade não é um jargão
metafísico, mas um fato científico. Use o subconsciente e
passe de uma vida de falhas e frustrações para uma de triun­
fo e sucesso.
UM EXEMPLO DE HIPNOSE NA SOLUÇÃO
DE UMA VIDA GONFUSA

Jamais me esquecerei de um cavalheiro possuído de grande


desespero, que me procurou uma noite. Disse-me que sua
vida tinha sido de derrotas e fracassos, embora tivesse tido
tôdas as oportunidades que um homem pudesse desejar.
Acredito ter sido êste um dos homens mais inteligentes que
já encontrei, mas sua vida era um caos. Tinha-se casado e
divorciado três vêzes. Quatro vêzes tinha sido um sucesso
financeiro. Os filhos nada queriam com êle, por sua maneira
de conduzir-se. Bebia muito, embora eu não o classificasse
como um alcoólatra. Revelou-me o que havia de mais íntimo
em seus sentimentos e em sua vida.
O que o havia encorajado a procurar-me foi uma história
que leu num jornal da cidade sôbre minhas atividades como
pastor. Encontrava-se em Detroit a negócios, tendo visto
falhar aquilo em que depositava tôdas as suas esperanças.
Pensava em suicídio, quando casualmente leu a história de
um ministro protestante que usava a hipnose. Após ter lido
a história, telefonou-me. Lembro-me bem disso, porque quan­
do telefonou despertou-me de profundo sono.
Marquei entrevista para recebê-lo na manhã seguinte, e a
primeira coisa que fizemos foi orar em conjunto. Depois,
apontei-lhe a verdade contida neste capítulo: o subconsciente
é nosso servo. Durante anos êle havia dirigido seu subcons­
ciente. Agora estava permitindo que o subconsciente o diri­
gisse. Eis porque êle havia formado e destruído quatro em-
prêsa e porque três casamentos tinham ido por água abaixo.
Expliquei-lhe essa verdade. Aceitou e acreditou no que eu
disse. Prolongou sua permanência em Detroit por uma sema­
na, depois duas, e finalmente três. Durante êsse tempo, estive
com êle todos os dias e ensinei-lhe como dominar o subcons­
ciente por intermédio da auto-hipnose. Não faz muito tempo,
ouvi falar sôbre êle. Está em vias de realizar seu quinto
sucesso financeiro. Talvez haja presunção de minha parte,
mas acredito que desta vez o negócio irá para a frente e
prosperará.

UMA FÓRMULA PARA DOMINAR


O SUBCONSCIENTE

Permita-me agora dar-lhe uma fórmula para ajudá-lo a


dominar o subconsciente.
Primeiro, você precisa reconhecer o fato de que seu sub­
consciente é seu servo. Você precisa estar profundamente
convencido desta verdade. Isto, apenas, pode ser uma fôrça
tremenda de transformação em sua vida. Não lhe será possí­
vel conseguir o domínio do subconsciente até você conven­
cer-se dêste fato. A maior parte das, pessoas jamais domina
o subconsciente porque não percebem o fato de que existe
essa possibilidade real de dominá-lo.
Segundo, aja. Comece a assumir o controle do subcons­
ciente por intermédio de auto-sugestão e auto-hipnose. Co­
mece a dar-lhe ordens. Dirija, em vez de ser dirigido.
Terceiro, aguarde os resultados! Se você dirigir o sub­
consciente, conseguirá os efeitos que deseja. Isto é fato e
não ficção.

PONTOS DÊSTE CAPfTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. O subconsciente não é a mente, mas um mecanismo


composto do cérebro e do sistema nervoso.
2. O subconsciente realimenta em sua vida as idéias
que você programar.
3. O subconsciente é um servomecanismo. Sua fi­
nalidade é servir você.
4. Na maioria, as pessoas servem o subconsciente.
São pessoas dominadas por suas emoções e ape­
tites.
0 subconsciente é mau patrão porque foi criado
para ser servo.
Autodomínio significa governar e controlar as
emoções e desejos, mas não quer dizer a repressão
de tais emoções e desejos.
Autodomínio, na realidade, significa “ domínio do
subconsciente” .
O domínio do subconsciente não é a mente sôbre
a matéria, mas é a mente consciente controlando
o subconsciente.
Seu potencial é limitado apenas pela falta de “ do­
mínio do subconsciente” .
A auto-hipnose põe o “ domínio do subconsciente”
ao seu alcance.
Houdini e outros usaram auto-hipnose no desem­
penho de muitas de suas singulares façanhas.
Você pode utilizar esta mesma ferramenta posi­
tiva e construtivamente em sua vida.
7

USE 0 SUBCONSCIENTE PARA


ATINGIR SUAS METAS NA VIDA

têm realçado o valor e a im­


D u r a n te s é c u lo s os h om em s
portância das metas. Jovens de ambos os sexos têm sido
aconselhados a estabelecer metas para suas vidas. Poucos
homens, se houver algum, obterão êxito se não estiverem
orientados relativamente às suas metas. Atualmente, quase
todos os cursos que ensinam como obter êxito dão grande
ênfase ao papel das metas no total das realizações do indi­
víduo.

O PAPEL DO SUBCONSCIENTE EM
ALCANÇAR A S METAS DA VIDA

Apesar do realce dado ao fato, poucas pessoas realizam o


papel vital desempenhado pelo subconsciente na consecução
destas metas. Mencionamos no último capítulo que o sub­
consciente é um mecanismo “ que se esforça para atingir as
metas” . Esta expressão significa que quando o subconsciente
percebe qual é a meta, automàticamente encaminha-se em
sua direção. 0 subconsciente funciona de maneira muito
semelhante aos cérebros mecânicos dos mísseis e foguetes.
Um mecanismo orientado em direção às metas precisa ser
programado. No início, esta programação envolve grande
quantidade de tentativas e erros. Uma vez que o foguete ou
míssil esteja programado, é determinada uma meta especí­
fica e êle é lançado. À medida que é propulsionado através
do espaço, segue em direção à meta especificada. No cérebro
mecânico há impulsos negativos e positivos, que o mantêm
no curso. Eventualmente, o aparelho atingirá sua meta pre­
determinada.
Seu subconsciente funciona de maneira bem semelhante.
Desde o dia em que você nasce, até o dia em que morre, sua
mente subconsciente está sendo programada. Algumas vêzes,
a programação é correta e algumas vêzes não é. As metas
que você atinge são alcançadas depois de muita tentativa e
êrro. Uma vez que você estabeleça sua meta determinada,
o subconsciente procurará atingi-la. A meta pode ser qual­
quer coisa, desde o apanhar um livro até a presidência de
seu clube. Ao apanhar um livro, você não diz a você mesmo
como irá apanhá-lo. Simplesmente você se ordena a apa­
nhá-lo. Quando criança de tenra idade, você apanhava um
objeto, parando no meio, hesitando — tentativa e êrro. Even­
tualmente, no entanto, a maneira certa ia sendo progra­
mada em seu subconsciente e agora você executa a ação
automàticamente.
Se você fornecesse ao seu subconsciente a meta de tornar-se
presidente de seu clube ou de sua companhia, êle criaria um
plano para que você o conseguisse. Se seu subconsciente
fôr corretamente programado, êle fará de você o presidente,
de maneira fácil e suave. Mas se a programação fôr insu­
ficiente ou errônea, o subconsciente poderá colocá-lo na pre­
sidência, mas através de um caminho turbulento, acrimonioso
e violento. De qualquer modo, você se tornará o presidente,
porque a meta foi determinada, porém a direção a ser tomada
dependerá da programação.
CONCEITOS QUE PODEM MUDAR SU A VIDA

Neste ponto, desejo mencionar algumas verdades que po­


dem modificar sua vida. (1) Todos encaminham-se em
direção a uma meta. Entretanto, você poderá não estar cons­
ciente de qual é a meta. De fato, alguém poderia ter deter­
minado a meta por você, mas, não obstante, você se encaminha
para alcançá-la. (2) Uma vez que o subconsciente compre­
enda qual é a meta, êle encontrará um meio de atingi-la. A
única maneira por que ela poderá não ser alcançada é se o
organismo — seu corpo — sofrer morte. (3) Como estas
duas premissas são verdadeiras, é imperativo que você, cons­
ciente e inteligentemente, guie seu subconsciente em direção
às metas adequadas. Estas devem ser construtivas e trarão
benefícios para sua vida e para a de seus semelhantes.
Dêstes três fatos, você deve ser capaz de realizar o po­
tencial de sua vida. Não existe limite para o que você pode
fazer ou ser. Se você tem filhos, êstes fatos devem ser pro­
fundamente impressos em suas mentes, porque o conheci­
mento ou não conhecimento destas coisas pode determinar o
curso de suas vidas. Pense na revolução que a compreensão
dêstes fatos pode produzir numa organização de vendas ou
numa firma industrial.
Sim, você está se deslocando em direção a uma meta.
Você poderia replicar: “ Não tenho meta alguma. Jamais
pensei em têrmos de metas.” Não obstante, permanece o
fato: você está se deslocando para uma meta determinada.
Se você mesmo não estiver determinando quais são as metas,
outros o farão por você. Acredito que, conscientemente, mui­
to poucas pessoas têm plano definido para a realização de
suas vidas que vá além da consecução do necessário para
viver. As metas que seu subconsciente percebe, e das quais
você não tem consciência, podem ser de destruição, fracasso,
doença, perdas financeiras, desentendimentos conjugais, ou
prisão, isto para citar apenas algumas.
Estas metas estão sendo estabelecidas para você, porque
você não está escolhendo nenhuma por si próprio. O sub­
consciente é vibrante e vivo. Está sempre se deslocando
para alguma direção. Esta direção pode ser escolhida por
você ou pelos outros.

A INFLUÊNCIA E O SENTIDO DO MEIO


O meio é um fator muito importante na determinação das
metas. Por exemplo, um jovem criado num cortiço ou numa
área favelada, onde os elementos marginais são ídolos, tem
muito pouca probabilidade de ter qualquer outra meta que
não seja a de tornar-se um criminoso. Concordo em que
lhe é possível elevar-se acima do meio e tornar-se “ o fave­
lado que venceu” . Esta possibilidade existe, desde que re­
ceba o incentivo e motivação positivos. Sem incentivo e sem
motivação, suas oportunidades são tênues. Ainda mesmo que
êle não faça dos gangsters seus ídolos e não escolha cons­
cientemente a meta de tornar-se como êles, sem dúvida, êste
seria seu curso na vida. Digo isto, porque, como a maioria
das pessoas, êle não determinaria uma meta definida em
sua vida, e a influência predominante das vidas dêstes cri­
minosos ficaria impressa em seu subconsciente.
Além da influência direta dêsses homens, haveria a in­
fluência dos amigos, os quais têm grande admiração pelas
façanhas dos gangsters. Isto seria complicado pelas obser­
vações sugestivas dos adultos, os quais expressam sua apro­
vação por tais homens. Desta forma, em decorrência de um
ambiente que conduz ao crime, e porque êle não estabelece
metas positivas para si mesmo, temos aqui um jovem que
poderá transformar-se em criminoso. Êle também não recebe
incentivo e motivação que lhe mostrem o caminho certo.
Compreendo que esta situação é altamente hipotética, mas
coisas desta espécie ocorrem todos os dias. Não é necessário
que se trate de um cortiço ou de uma favela. A coisa acom-
tece nos subúrbios. Acontece em todos os lugares o tempo
todo! Existem três fatores que criam vidas sem direção
consciente e construtiva: (a) o ambiente básico, (b) a in­
fluência do meio, e (c) a falta de motivação positiva. O
indivíduo pode não se tornar um criminoso, mas não realizará
o pleno potencial de sua vida. Para mim, não se chegar às
alturas que se pode atingir, é um crime. Deve-se observar
um instante ao redor: ver-se-ão mentes e vidas desperdi­
çadas. Para mim, isto é um crime.
O inverso da história do jovem da área favelada ou de
cortiço também é verdadeiro. Um jovem criado num meio
que conduza ao pensamento e ao modo de viver corretos,
provàvelmente reagirá ao seu meio. Isto será verdade ainda
mesmo que êle não determine conscientemente uma meta
como tal, e desde que não haja incentivo e motivação nega­
tivos.

UM CASO SUBCONSCIENTE QUE TINHA


POR META A MORTE

Recentemente, freqüentei um curso de pós-graduação em


hipnose, dirigido pelo dr. William J. Bryan Junior. Durante
o curso êle contou à classe um caso inusitado — o de um ho­
mem cuja meta subconsciente era a morte. Um homem de
meia-idade sofreu forte ataque cardíaco, sendo aconselhado
pelos médicos a permanecer em repouso na cama. Não po­
deria ter os privilégios de um banheiro e a única visita que
poderia receber era a da espôsa. Apesar do aviso dos mé­
dicos, o homem levantava-se e andava de um lado para o
outro, subindo e descendo de um salão para o outro. Os
médicos também lhe haviam dito para não fumar. Êle co­
meçou a fumar três maços de cigarros por dia.
Finalmente, o dr. Bryan, que foi o primeiro médico nos
Estados Unidos a especializar-se em hipnose, recebeu um
chamado para agir como consultor especial. Entrevistando
o homem, a primeira coisa que o dr. Bryan descobriu foi que
o homem estava acostumado a fumar sòmente seis ou sete
cigarros por dia. Para o dr. Bryan, isto significou que o
homem estava compulsivamente procurando a morte. Pela
hipnoanálise, o dr. Bryan descobriu que o homem se iden­
tificava com um tio que havia falecido em conseqüência de
um ataque cardíaco. O paciente sabia que o tio tinha tido
saúde precária durante muitos anos. Havia extraído todos
os dentes e isto havia precipitado o enfarte fatal.
Por que o homem se identificou com o tio, jamais foi des­
coberto. Já que êste havia falecido quando contava qua­
renta e poucos anos, o subconsciente do homem em aprêço
havia percebido a meta de ocasionar sua própria morte após
os quarenta anos. O paralelo entre êste homem e o tio era
tão forte que antes de sofrer o ataque cardíaco havia feito
extrair todos os dentes! E êstes não precisavam ser extraí­
dos. O dentista havia-lhe assegurado que os dentes pode­
riam ser salvos, mas o homem insistiu e o dentista os extraiu.
Tinha sido estabelecido um perfeito padrão para a morte:
a identificação com o tio, a meta de morrer lá pelos qua­
renta e poucos anos, a extração dos dentes, o enfarte. Mas
ainda estava vivo; por conseguinte, seu subconsciente ainda
percebendo a meta, prosseguiu em sua marcha de liqüidar
com êle. Felizmente, o dr. Bryan foi capaz de desvendar
êstes fatos e convencer o subconsciente dêste homem da
meta de viver.

“ Pessoas Propensas” a Acidentes. Pensemos nos milhares


e talvez milhões de pessoas nas estradas de hoje, que cha­
mamos de “ propensas a acidentes” . Estas têm a meta
subconsciente de se destruírem. Na maioria, não têm cons­
ciência de tal meta, mas o subconsciente delas percebe-a e
convence-se de que deve procurar atingi-la. O triste é que
essas pessoás não matam sòmente a si próprias, mas também
a milhares de outras.
Metas de Frustração e Pobreza. Esta mesma verdade apli-
ca-se ao indivíduo que está empregado e ganhando bem e, no
entanto, está sempre sem dinheiro. Invariàvelmente, o sub­
consciente percebeu uma meta de frustração ou de pobreza.
Conheço homens que têm ganho quantias enormes em ques­
tão de meses e que dentro de um mês ou dois estão sem
dinheiro algum. Nada deixaram de lado para o impôsto
de renda ou para o tempo das “ vacas magras” . Tudo o que
ganharam gastaram, nada lhes sobrou em resultado. Êstes
homens não são estúpidos. De fato, são inteligentes e ca­
pazes, mas profundamente arraigados em seus subconscientes
têm o fator de frustração e de pobreza, o que os leva a cala­
midades financeiras.

Fenômenos de Comportamento Criminoso. Quando exami­


namos os padrões de comportamento dos criminosos, verifi­
camos estas metas subconscientes em grande evidência. O
criminoso verdadeiramente profissional raramente é apri­
sionado, se alguma vez o é. Existe, porém, um tipo de cri­
minoso que parece deixar-se apanhar deliberadamente a fim
de cumprir a meta de ser prêso. Naturalmente, tais indi­
víduos têm tendências masoquistas, mas sua característica:
particular de autopunição é serem presos! Uma vez mais,
a inteligência em si nada tem a ver com o caso. Alguns dês­
tes homens são gênios ou quase gênios. Literalmente, estão
brincando de “ soldado e ladrão” . Durante algum tempo seus
crimes não são descobertos. Mas, o permanecerem anôni­
mos significaria que ninguém lhes perceberia o gênio; por­
tanto, precisam ser apanhados de modo que o mundo todo
saiba de suas façanhas. Quando na prisão, empregam suas
horas de lazer na leitura de livros de Direito a fim de poderem
exercer esperteza sôbre policiais tolos, sair da prisão e voltar
às mesmas atividades. Devo enfatizar uma vez mais que
êstes homens, em decorrência dêste fator de meta subcons­
ciente, se deixam apanhar deliberadamente.
AUTO-HIPNOSE PARA IMPRESSIONAR O
SUBCONSCIENTE QUANTO AS METAS

Observe, dêstes exemplos, o fato triste, mas verdadeiro, de


que muitas pessoas não determinam suas próprias metas na
vida. Estas lhes são estabelecidas pelo meio em que vivem
e pela influência de outras pessoas. Venho citando o bizarro
e o incomum, mas isto realça o fato importante ao qual
você precisa prestar atenção. Decida em sua própria mente
que, a partir dêste instante, você vai escolher suas próprias
metas e que usará a auto-hipnose para impressioná-laa em
seu subconsciente. Seu sucesso, sua felicidade e seu bem-estar
dependem dêste fator. Seu subconsciente, que é seu servo,
quer ser guiado e dirigido para as metas que você lhe deter­
minar. Você pode ser o que deseja e pode fazer o que quiser,
bastando simplesmente que guie seu mecanismo-de-esfôrço-
para-as-metas para o destino que predeterminou. Nada, se­
não a morte, poderá impedi-lo.

EFEITO DE “SUPERMOTIVAÇÃO”
NOS ATLETAS

A última assertiva no parágrafo acima poderia parecer,


de certo modo, um ponto de vista fanático, porém permi­
ta-me demonstrar que não é êsse o caso. Uma das razões
por que a hipnose não é aconselhada para os atletas, é algo
descrito como “ supermotivação” . Por exemplo, é dito a uma
equipe de futebol sob hipnose que ela vai vencer a partida.
Êste fato é impresso no subconsciente. O subconsciente do
futebolista percebe a meta de ganhar a partida e move-se
nessa direção. Os homens, sob esta influência hipnótica, po­
deriam ferir e até mesmo matar seus oponentes para ven­
cer a partida. Talvez os jogadores se contundissem ou
procurassem a própria morte para a consecução da meta de
vencer a partida.
Isto é uni perigo, e eu gostaria de frisar que pode ser anu­
lado por uma sugestão verbal adequada, como por exemplo:
“ Você ganhará a partida sem causar contusões indevidas
tanto em você como nos seus oponentes.” Muitas vêzes tenho
estado a pensar o que poderia ser feito com uma equipe de
futebol hipnotizada. Embora não seja apostador, geria ca­
paz de apostar um contra dez que, tudo o mais sendo igual,
a equipe hipnotizada venceria o campeonato. O fato a ser
lembrado, no entanto, é: o que o subconsciente percebe êle
consegue.

MINHA META PESSOAL ATINGIDA


PELO SUBCONSCIENTE

Tem havido muitos exemplos em que as pessoas executa­


ram feitos super-humanos quando sob tensão. A explicação
para tôdas estas ocorrências é que o subconsciente recebeu
determinada meta e atingiu-a.
Com a devida permissão, gostaria de citar um exemplo
em minha própria vida. Fundei a igreja da qual sou o pastor,
quando tinha vinte anos. Minha vida era de completa ati­
vidade. No comêço, o número de membros de minha igreja
era um zero bem redondo. Passei a bater de porta em porta,
trabalhando entre quatro e oito horas por dia. Ao mesmo
tempo, continuava a estudar. Poderia mencionar também
que já estava casado com uma linda jovem. Com todos êstes
esforços, dentro em pouco a igreja começou a crescer. Dois
meses depois tínhamos cêrca de cem freqüentadores da Esco­
la Dominical.
Durante os primeiros dois anos, nossa devoção em con­
junto tinha lugar num prédio escolar. Depois, compramos
um terreno, a um quilômetro e meio da escola. Eu costu­
mava ir ver o terreno quase tôdas as noites. Lá, eu subia
numa saliência do solo, onde imaginava que um dia seria
localizado o púlpito. Em minha mente, eu visualizava a
igreja terminada, as fileiras de bancos e a congregação. Al­
gumas vêzes esta sensação era tão real, que me é difícil
explicá-la. Em certas ocasiões eu chorava profusamente.
Confiei em Deus tão completamente que em meu subcons­
ciente a igreja já estava pronta. Para mim ela já existia,
mesmo antes de ter sido assentado o primeiro tijolo. A meta
existia em meu subconsciente, apesar de a igreja não dispor
de dinheiro em seus fundos para a construção. Havíamos
acabado de pagar o terreno e, em conseqüência, a caixa esta­
va vazia.
Apesar disto, consegui convencer um empreiteiro a iniciar
as obras. Disse-lhe que não sabia de onde viria o dinheiro,
mas que eu o conseguiria. Lembro-me de que na ocasião eu
tinha apenas vinte e dois anos. Quando penso no caso, fico
apavorado.
Depois de as obras terem sido iniciadas, comecei a pedir
e a tomar dinheiro emprestado. Exceto furtar, fiz tudo quan­
to era concebível para levantar fundos e construir a igreja.
Fui tantas vêzes à seção de empréstimos de um banco local
que a porta era trancada assim que eu era avistado. Eu
não conhecia o significado da palavra “ não” .
Finalmente, depois de “ vender” milhares de dólares em
notas promissórias, colocamos o telhado na igreja e o banco
concedeu-me um empréstimo para finalizar a conjstrução.
Mais tarde, o banqueiro contou-me que fêz o empréstimo à
igreja para livrar-se de mim — eu estava deixando-o ma­
luco! Não sou diferente de ninguém. O que fiz, outros têm
feito. Na verdade, o que fiz poderia ser feito por qualquer
pessoa. Na época, eu nada sabia sôbre o subconsciente, mas
havia decidido seguir certa meta, a qual foi percebida e
alcançada por meu subconsciente.
Acredite-me que digo isto com tôda sinceridade — você
não precisa ser um fracassado ou um medíocre, não precisa
sentir-se deprimido ou infeliz. Apenas dê ao subconsciente
a meta que você deseja, que êle a alcançará. O que consegui
foi feito sem o saber. Eu desconhecia as leis atuantes, mas
você já pode, deliberada e inteligentemente, escolher suas
metas e atingi-las.
Agora que você já conhece estas verdades, é da máxima
importância que comece a orientar e dirigir o subconsciente
para metas específicas. Para auxiliá-lo nisso, vou dar-lhe
um método sistemático que você poderá seguir.

COMO DIRIGIR APROPRIADAMENTE


SEU SUBCONSCIENTE

Para dirigir seu subconsciente de maneira apropriada,


você precisa primeiramente determinar o que é que deseja
da vida. É necessário escolher uma meta importante, que
seja a principal para sua vida. Se você é jovem, provavel­
mente sua meta dirá respeito a sua carreira. Os que esti­
verem em idade média, provàvelmente pensarão em alcançar
certo ponto em suas carreiras. Os indivíduos mais velhos
estabelecem uma determinada meta de aposentadoria. O que
r'cabo de mencionar não se aplica a todos, mas dá uma idéia
m que quero dizer quando falo de meta importante.
Existem muitas áreas em sua vida que necessitam de uma
direção de meta. Você deve ter metas definidas quanto ao
espírito, às finanças e ao trabalho. A questão da instrução
dos filhos deve ser enquadrada neste reino. Suas aptidões
e ambições devem ser exploradas. Seu filho e você devem
fazer avaliações realísticas das habilidades que êle possui,
para determinar se deverá seguir uma faculdade ou se seria
melhor que adquirisse uma especialização.

Metas Otimistas. Ao estabelecer metas definidas para


sua própria vida, seja realista e, ao mesmo tempo, otimista.
Determine sua meta um pouco mais alto do que você se
sente capaz de alcançar no momento. Você poderá surpre­
ender-se. No mês passado, estive “ trabalhando” com um
corretor de imóveis. Veio procurar-me porque nos dois últi­
mos meses não conseguia vender nada. Em sua segunda
sessão, estabelecemos uma meta definida para suas vendas
nos dois meses seguintes. Êstes dois meses, novembro e de­
zembro, são considerados os piores para a venda de imóveis
em nossa área. Depois de estabelecer sua meta, dei-lhe for­
tes sugestões, sob hipnose, de que êle excederia com facili­
dade o número de vendas que havia determinado como um
mínimo.
Tínhamos uma entrevista marcada para a semana seguinte,
mas telefonou-me cancelando-a. Quando veio ver-me na outra
semana, disse que andava tão ocupado que quase havia cance­
lado novamente a entrevista. Em menos de quatro semanas,
tinha quase atingido sua meta mínima e parecia que iria
dobrá-la antes que expirassem os dois meses. Êste homem
não havia vendido nada nos dois meses anteriores, mas agora
que seu subconsciente tinha uma meta, sua vida estava sendo
marcada pelo sucesso.

Estabeleça Metas Específicas. Quando finalmente você


decidir sôbre uma meta, seja específico. Por exemplo, não
diga: “ Quero sentir-me financeiramente seguro” , mas de­
termine quanto de dinheiro você precisa para ficar finan­
ceiramente tranqüilo. Não diga simplesmente: “ Quero ser
feliz” , mas diga a você mesmo de que modo pode ser feliz.
O subconsciente reage às sugestões de maneira literal; por­
tanto, seja específico.

Incendeie Sua Imaginação. Depois de decidir exatamente


quais serão suas metas, use sua imaginação para conferi-las.
Você poderia desejar certa renda para poder viver em de­
terminado nível social. Se fôr esta a sua meta, imagine que
já atingiu o nível estabelecido. Veja-se vivendo numa nova
comunidade, sem seus velhos amigos. Visualize as novas
pressões e responsabilidades. Com sua imaginação, experi­
mente os benefícios positivos de sua ascensão social, assim
também como os fatores negativos. Se esta experiência sin­
tética com sua imaginação demonstrar ser favorável, talvez
então esta seja a meta correta para você. Isto é, se você
fôr honesto consigo mesmo ao máximo possível.

Tenha Boa Vontade em Pagar o Preço. Existe um preço


que precisa ser pago, ou uma responsabilidade que precisa
ser cumprida em cada meta que você atingir. Um jovem
que deseja na vida uma posição que lhe trará grande proe-
minência deve usar a imaginação para auxiliá-lo a deter­
minar se é realmente o que êle deseja na vida. Êle deve
ver-se não apenas usufruindo momentos de glória, como tam­
bém visualizar-se sob crítica do público volúvel. O fato de
que sua vida não será totalmente privada e que desfrutará
de pouca vivência com a família, deve ser sentido por inter­
médio de sua imaginação. Se depois disto êle ainda sentir
que êste é o caminho que deve seguir, talvez então êle esteja
certo em sua meta.

Seja Prático na Imaginação. Esta técnica não é a tôda


prova ou perfeita, mas tem demonstrado ser muito útil para
muitos de meus clientes. Lembro-me vlvidamente de um
casal idoso que se achava num dilema sob certos aspectos
de sua aposentadoria. O sr. Jones, como vamos chamá-lo,
tinha sido executivo de uma pequena firma industrial du­
rante mais de vinte e cinco anos. Êle e a espôsa tinham pas­
sado a vida adulta numa grande cidade. Quase tôdas as
suas férias tinham sido passadas num chalé ao norte do
estado de Michigan, onde passavam o tempo em relaxação,
nadando, passeando e pescando. Haviam decidido vender a
casa na cidade e viver o ano inteiro no local onde costuma­
vam passar as férias.
Quando vieram ver-me sôbre o caso, disse-lhes como de­
veriam usar a imaginação para ficarem duplamente certos
quanto ao passo que pensavam dar. Passada uma semana
voltaram, tendo chegado à conclusão de que a solidão, que era
aprazível durante um mês, seria insuportável durante doze
meses. Também não acreditavam que iriam gostar muito
dos longos e frios invernos. A falta de sua igreja, parentes,
amigos, teatros etc., seria quase insuportável. Baseados na
experiência de sua imaginação, haviam decidido passar qua­
tro meses por ano no norte de Michigan, quatro meses em
sua casa na cidade e quatro meses na Flórida.
Acredito que muitas pessoas teriam poupado a si mesmas
muitos aborrecimentos nas decisões de suas metas, se utili­
zassem esta pequena norma.

COM O USAR A AUTO-HIPNOSE PARA


VERIFICAÇÃO DAS METAS

Depois que você tiver determinado o que deseja, isto é, o


que julga que devem ser suas metas na vida e as confirmar
por intermédio de sua imaginação, empregue a auto-hipnose
como auxílio final para sua verificação. Hipnotize-se e ima­
gine que seu subconsciente é um computador (que na rea­
lidade é). Alimente todos os dados disponíveis relativamen­
te a sua meta em seu computador subconsciente. Ao mesmo
tempo, diga a você mesmo que em pouco tempo seu subcons­
ciente lhe dará uma resposta. Tenho usado esta técnica na
solução de tôdas as espécies de problemas e para tomar mui­
tas decisões. Honestamente, não me lembro de uma só vez
em que tenha errado ao fazer isto.
Quando conscientemente você decide suas metas, confir­
me-as através da imaginação e verifique-as por intermédio
da auto-hipnose; poderá ir adiante com um bom grau de
confiança.
Posso acrescentar mais uma sugestão mais importante?
Envolva todos êstes procedimentos numa prece. Utilize êstes
métodos científicos, mas, ao mesmo tempo, peça a sabedoria
e a orientação de Deus para sua vida.
Agora que você já tomou a decisão sôbre sua meta ou
metas através dos métodos recomendados, hipnotize-se e im­
prima em fogo estas metas em seu subconsciente.. Use tam­
bém sua imaginação, tanto quanto possível, para visualizar
as metas em sua mente. Acredite-me, se você atingir estas
metas da maneira que recomendei, elas se tornarão uma
realidade em sua vida. O que seu subconsciente percebe, êle
consegui! Não se preocupe com o sucesso; você não poderá
deixar dè ter sucesso!
Agora que você compreende estas tremendas verdades, asse­
gure-se de que irá usá-las de maneira correta e positiva. Há
muitos homens na História que prostituíram estas verdades
dadas por Deus para a destruição e miséria da humanidade.
Hitler, para mencionar um, ilustra êste fato. O que pode
ser usado para o bem, também pode ser usado para o mal.
Depois de você determinar sua meta e passá-la ao seu sub­
consciente, apronte-se para a arrancada!

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. O subconsciente é um “ mecanismo que sé esforça


para as metas” .
2. Seu subconsciente é como um cérebro mecânico.
(1) Precisa ser programado.
(2) Chega até a meta após muita tentativa e
êrro.
(3) Uma vez programado, reage automàtica-
mente.
3. Todos seguem em direção a uma meta.
4. É imperativo que você consciente e inteligente­
mente escolha suas metas.
5. Uma vez que o subconsciente perceba uma meta,
atinge-a.
6. Se você não determinar suaa próprias metas, outros
farão isso por você.
7. Há três fatores numa vida sem uma meta cons­
trutiva consciente:
(1) O meio básico.
(2) A influência do meio.
(3) A falta de incentivo e motivação positivos.
8. As metas inconscientes que você não escolhe, ge­
ralmente conduzem à morte, destruição, fracasso,
doença, perdas financeiras, desavenças conjugais
e prisão.
9. Escolha suas próprias metas na vida, através de:
(1) Determinação do que deseja na vida.
(2) Uso de sua imaginação para verificar du­
plamente tais metas.
(3) Uso da auto-hipnose como auxílio final para
verificação destas metas.
(4) Envolva tudo em oração.
(5) Hipnotize-se e imprima em fogo estas metas
em seu subconsciente.
(6) Use sua imaginação para visualizar as me­
tas determinadas.
10. Êste é um poder dado por Deus; não abuse.
8
ORGANIZE SUA IMAGINAÇÃO
E DEIXE-A TRARALHAR
CRIATIVAMENTE PARA VOCÊ

O PODER DE SUA IMAGINAÇÃO

Sua im a g in a ç ã o pode destruí-lo! Êste fato


f o r m á - lo ou
está sendo cada vez mais compreendido, tanto por indivíduos
como por organizações. Todo pensamento criativo vem do
uso eficaz da imaginação. A maioria dos homens e mulheres
com salários mais elevados devem-no, não porque trabalhem
àrduamente, mas porque têm imaginação criativa. Existe
uma quantidade enorme de gente que trabalha àrduamente
todos os dias, mas não tem aquilo que poderíamos realmente
chamar de sucesso. Uma das principais razões é que elas
jamais aprenderam como usar realmente a imaginação. É
possível que alguém lhes tenha sufocado e eliminado o poder
de criar.

TODOS NASCEM COM IM AGINAÇÃO

Todos nós nascemos com a maravilhosa faculdade mental


que denominamos imaginação. Tôda criança tem mais do
que sua dose de imaginação. De fato, durante muitos anos
as crianças vivem no maravilhoso e fantástico mundo da ima­
ginação. Esta é uma fase normal do desenvolvimento da
personalidade da criança. Tenho quatro filhos e todos êles
brincaram com amigos imaginários em seus primeiros anos.
Êste mundo de fantasia é real para as crianças, mas, à
medida que crescem, entram no mundo do realismo. Esta é
uma idade crítica no que diz respeito à imaginação. Neste
ponto da vida, alguns jovens deixam de usar a imaginação
quase que completamente. Outros, especialmente os interes­
sados pelas artes, começam a utilizar a imaginação de modo
construtivo e amadurecido. Como pai, é preciso que você
proporcione ao filho algum modo de êle dar vazão a seus po-
dêres imaginativos.
Para muitos, a imaginação floresce durante os últimos
anos da adolescência. Algumas vêzes isto continua até que
o jovem adulto tem duas ou três confrontações com o mundo
cruel da realidade adulta. É êste o ponto em que a maioria
cessa de usar a imaginação. Foram feridas e desiludidas
pelo mundo, e se permitirem que sua imaginação funcione,
esta as levará a novas experiências de derrota e desencora-
jamento. Ou, pelo menos, é o que dizem a si mesmas.
Na realidade, não existe nenhum animal como o humano
que não seja dotado de imaginação. Você pode ter uma ima­
ginação reprimida, distorcida, ela, porém, existe. Quando
entrevisto alguém pela primeira vez, sempre pergunto se tem
boa imaginação. As respostas mais comuns são: (1) Não
tenho imaginação. (2) Tenho excesso de imaginação. (3)
Perdi a imaginação há muitos anos. (4) Minha imaginação
funciona em excesso. (5) Que é que o senhor quer dizer com
imaginação? De quarenta a cinqüenta por cento respondem:
“ Não tenho imaginação alguma” . Indico o fato de que não
lhes perguntei se têm imaginação, mas se tem “ boa imagi­
nação” . Todos a têm, mas a grande pergunta é: “ Que é que
você está fazendo com ela?”
A IM AGINAÇÃO É M AIS PODEROSA QUE
A FÔRÇA DE VONTADE

Se lhe perguntassem: “ Que é que tem mais poder, sua ima­


ginação ou sua fôrça de vontade?” qual seria sua resposta?
Acredite ou não, sua imaginação é muito mais poderosa do
que sua fôrça de vontade. No século passado, Émile Coué
declarou esta verdade ao mundo. Tôdas as vêzes em que há
um conflito entre a imaginação e a fôrça de vontade, a ima­
ginação sempre sai vitoriosa. Você pode desejar fazer uma
dieta para emagrecer com tôda a determinação que puder
reunir, mas se você começar a imaginar como são gostosos
e que boa aparência têm certos alimentos, não demorará
muito para que suas boas intenções sejam esquecidas.
Em qualquer situação, a imaginação é fôrça mais potente
que a denominada fôrça de vontade. Se você tivesse de andar
numa corda de quinze metros estendida no solo, poderia
fazê-lo com facilidade. Mas se a corda estivesse elevada a
seis metros do solo, tôda fôrça de vontade que você pudesse
reunir não o auxiliaria. Sem a menor dúvida você cairia.
Se, por outro lado, você usar da imaginação e visualizar a
corda no chão, você pode acalmar seus mêdos e talvez ter
êxito.
Tôdas as grandes idéias humanas foram concebidas na
imaginação. Qualquer grande músico como Chopin, Beetho-
ven, Bach e outros, antes de ter escrito sua composição, pri­
meiro ouviu-a^ na mente. Rembrandt, Renoir Van Gogh vi­
ram suas pinturas em suas respectivas imaginações antes
de passá-las para a tela. Todo arquiteto percebe a estrutura
em seu pensamento antes de chegar à mesa de desenho. O
fato demonstra ser real com tôdas as pessoas criativas. Os
escritores formam suas idéias ou palpites antes de começar
a esboçar seu trabalho. Os desenhistas de figurinos e os que
trabalham em modas têm imaginações fabulosas.
Que seria de um inventor sem imaginação? Primeiramen­
te, é preciso que, em sua mente, êle veja a necessidade que se
tem de certo produto. A seguir é preciso que êle visualize
um modo de satisfazer tal necessidade. Finalmente, êle pre­
cisa desenhar e criar o produto real. A diferença entre o
engenheiro que “ toma conta da usina” e o engenheiro de
sucesso, é a imaginação. O primeiro, meramente, segue ordens
e trabalha com fatos e cifras, ao passo que o engenheiro
imaginativo cria, desenha, inova.
O uso apropriado da imaginação é importante para todos.
Não faz diferença se se é um artista, engenheiro, empre­
sário, ou dona de casa — a imaginação e a maneira de uti­
lizá-la podem determinar o curso futuro da vida.
Acredito que, apesar dos muitos obstáculos existentes hoje
em dia, a América ainda é a terra onde um homem pode co­
meçar com apenas uma idéia e transformar essa idéia numa
emprêsa de muitos milhões de dólares. O sr. Vic Tanny e
o sr. Robert Heffner são exemplos dêste fato. Ambos co­
meçaram com capital bem modesto, mas tinham imaginação
criativa e tornaram-se os dois homens de maior sucesso em
nòssa geração.
Sua imaginação pode embaraçá-lo e trabalhar contra você,
se não fôr guiada e controlada de maneira correta. Se você
imaginar que uma tarefa é muito difícil ou dura, estará
derrotando-se antes mesmo de começar. A maior parte das
dificuldades que as pessoas têm na vida, com maior fre­
qüência está mais na imaginação do que nos fatos. Você
pode permitir que a mente crie tôdas as sortes de dificul­
dades que poderiam ocorrer no futuro. Estas criações ne­
gativas da mente geram o mêdo e êste, em quantidade sufi­
ciente, pode, na realidade paralisá-lo. Você pode ficar ame­
drontado de seguir em frente na busca de uma vida abun­
dante.
Conheci homens de grande talento e habilidade que não se
tinham bem em certa fase da vida porque não puderam con­
trolar suas imaginações. Um exemplo frisante que me vem
à mente é o de um determinado empresário. Quando veio
ver-me pela primeira vez, encontrava-se sob alta pressão e
desejava aprender como relaxar. Depois de conversar com
êle durante alguns momentos, comecei a ensinar-lhe os fun­
damentos da relaxação. Foi somente na quarta sessão que
êle começou a expressar seu problema real.
Iniciara o negócio aos vinte e dois anos de idade. Naquela
época da vida, tinha tudo a ganhar e nada a perder. Sua
imaginação era vibrante e viva, e êle usou-a de modo a obter
um bom grau de sucesso. Ao longo do caminho para sua
atual posição, como todos os empresários, sofreu alguns re­
veses temporários.
Agora, o problema era sua imaginação. Embora estivesse
tendo êxito, a concorrência em seu campo de ação estava
ficando cada vez mais aguda. Êle precisava expandir e au­
mentar a produção para poder concorrer tanto em preço
como em qualidade. Não lhe seria difícil obter um emprés­
timo, mas estava imaginando tôdas as espécies de aborreci­
mentos que o futuro poderia estar-lhe reservando. Sua ima­
ginação estava criando pesadelos monstruosos. Ela havia
conjurado recessões, depressões, monopólios, quebras de con­
trato e tôdas as espécies de situações desagradáveis.
Meu conselho foi que esquecesse todos os maus sucessos
do passado. O fato era que, apesar dos maus sucessos, tinha
sempre sido vitorioso. Era êste o ponto vital em que deveria
fixar a mente. Ao mesmo tempo, êle deveria enfrentar esta
nova concorrência com a imaginação. Esta deveria ser usada
da mesma maneira que nos primitivos anos de seu negócio.
Encorajei-o não somente a aumentar a produção, como tam­
bém a encontrar novos usos para seus produtos. Tôdas estas
idéias foram forçadas e reforçadas por hipnose. Êle fêz
tudo o que foi recomendado, e não demorou muito para que
seus negócios estivessem em ascensão bem além de tôda e
qualquer concorrência.
Muitos outros fatores, até agora mencionados neste livro,
envolveram-se nesta situação, mas a coisa predominante ti­
nha sido o uso negativo da imaginação. A imaginação imo­
bilizara-o, e não levaria muito tempo para que êle se arrui­
nasse. Estou certo de que você já teve experiência seme­
lhante na vida. Pode não ter sido com negócios, mas sua
imaginação impedira que concretizasse o que desejara.

COMO SUA IMAGINAÇÃO PODE


PREJUDICÁ-LO

Se usada impròpriamente, a imaginação pode prejudicá-lo.


Pode tornar-lhe a vida improdutiva e estéril. O exemplo
clássico é o do homem que devaneia. Certos indivíduos estão
sempre criando “ bolos no ar” mas nunca produzem “ pão na
mesa” . Todos conhecem o camarada que está sempre espe­
rando que seu dia há de chegar. Sempre que a imaginação
impede alguma atividade produtiva, é porque está havendo
abuso. Esta é uma regra a ser relembrada quanto ao uso
adequado da imaginação. Os homens e mulheres que criam
fantasias e devaneiam, mas nada realizam, não são pensa­
dores criativos.
Os que têm imaginação criativa produzem! Uma imagina­
ção criativa é sempre uma imaginação realística. Na época
de Thomas Edison, a lâmpada elétrica parecia ser uma idéia
quase que extremada. Mas para Edison, era uma realidade
que carecia apenas de ser cumprida. E foi o que êle fêz!
Alexander Graham Bell não pensou apenas em conversar
com alguém que estivesse a uma grande distância. Usou esta
idéia de sua imaginação para concretizar o florescimento do
seu pensamento — inventou o instrumento que chamamos
de telefone. Hoje podemos falar com qualquer pessoa em
qualquer lugar do mundo graças à imaginação criativa dêle.
É preciso distinguir entre devaneio ocioso e imaginação
criativa e produtiva. A primeira causa ruína, e a última
levará ao sucesso e à realização. O devaneio ocioso é quase
sempre uma forma de procrastinação. É a prostituição de
uma das maiores dádivas de Deus. O mau uso da imaginação
pode atrasá-lo e prejudicá-lo.
Desejo agora apresentar um fato dos mais solenes. Sua
imaginação pode destruí-lo. Eventualmente, o mau uso da
imaginação pode conduzir a séria moléstia mental. A para­
nóia é um distúrbio mental em que o paciente tem mania de
grandeza ou de perseguição. Êle acredita que é Napoleão,
Jesus, ou o Presidente. O sintoma mais comum, no entanto,
é imaginar que o mundo está contra êle. Tenho tido contato
com pessoas que me dizem estar sendo constantemente
seguidas, ou que o F.B.I. escuta o que dizem ao telefone.
Suspeitam de tudo e de todos. Esta é uma condição muito
séria. Não pretendo simplificar exageradamente a comple­
xidade desta moléstia, mas acredito que o mau uso da ima­
ginação desempenha nela um papel bem importante — os
atacados de paranóia distorcem a realidade.
Mesmo que você não seja um paranóico, é possível que sua
imaginação o faça excessivamente ciumento e suspeitoso.
Quando esta condição persiste, ela pode arruinar-lhe a perso­
nalidade, o caráter, o casamento ou a carreira.
Um indivíduo que permite a sua imaginação torná-lo des­
confiado e não confiar em ninguém, está causando grande mal
a sua personalidade. Êle está formando para si um padrão de
severidade e estreiteza. À medida que esta condição persiste,
êle se torna cada vez menos afável. Os sorrisos e a galanteria
diminuem. Lenta, mas seguramente, todo sentimento gregá­
rio desaparece, e em casos extremos o indivíduo torna-se
completamente autista.*
Sua imaginação, se não fôr controlada, pode causar tôda
sorte de dificuldades. Diàriamente, você pode acordar tôdas
as manhãs e imaginar diversas razões por que você não
deve ir trabalhar, ou por que não será capaz de executar as
tarefas que têm de ser realizadas. Em maior amplitude, você
pode prognosticar e ver-se morrendo de câncer, ou o mundo
explodir pela explosão de uma bomba de hidrogênio. Con­

* De autismo, fenômeno psicológico caracterizado pela tendência a se


alhear do mundo exterior e a ensimesmar-se. (N. do T.)
forme já mencionei, estas atitudes podem atrasá-lo, corroê-lo
e até mesmo destruí-lo.

COMO A IMAGINAÇÃO PODE DESTRUIR


O CASAMENTO

Todos os anos muitos casamentos são destruídos porque


um dos componentes do casal tem imaginação descontrolada.
O indivíduo afetado dêste modo é com efeito uma pessoa
doente, bem doente, espiritual e psicologicamente. Qualquer
sorriso ou olhar de um dos componentes do casal, para o sexo
oposto, é considerado pelo indivíduo como uma proposição de
adultério. Se um dos cônjuges está cinco minutos atrasado,
imediatamente é acusado de ter um caso de amor. Se a pessoa
conversa com alguém do sexo oposto, o cônjuge fica com a
certeza de que está sendo planejado um encontro futuro.
Na imaginação da pessoa doente, tudo o que um dos cônjuges
faz é para promover o adultério. Êste tipo de situação quase
sempre termina em divórcio.
Anos atrás, uma jovem casada, com três filhos, veio con­
sultar-me sôbre um problema conjugal. O marido sentia
ciúme doentio e a coisa estava chegando a tal ponto que ela
já não podia suportar mais. Disse que o marido já era
ciumento antes do casamento; entretanto, ela havia pensado
que êle se modificaria. Pelo contrário, seu ciúme piorou
progressivamente. Na ocasião em que veio ver-me, a coisa
ia tão mal que o marido imaginava que qualquer homem que
passasse de automóvel em frente à casa em que viviam era
um dos namorados da espôsa. Êle imaginava que ela estava
tendo casos com rapazes e homens velhos. . .
O marido recusou-se a vir ver-me ou procurar auxílio de
qualquer outro lugar, e não demorou que o casamento fôsse
dissolvido. Foi muito lamentável, porque ela era uma espôsa
fiel e mãe amorosa. Mas o marido não soube ou não quis
controlar a imaginação.
COMO A HIPNOSE PODE CONTROLAR A
IM AGINAÇÃO DE UMA CRIANÇA

Faz aproximadamente um ano, tive um caso interessante


que ilustra de maneira completa a imaginação de uma crian­
ça. Os pais de uma menina de oito anos trouxeram-na ao
meu consultório para que eu a auxiliasse em seu trabalho
escolar. Ela estava no terceiro ano da Escola Católica local
e suas notas estavam muito abaixo da média. Expendi algu­
mas sessões conversando com os pais e com a menina. Destas
discussões depreendi que os pais não se davam muito bem e
discordavam fortemente quanto ao que dizia respeito à me­
nina. O pai era muito severo e austero, ao passo que a mãe,
em reação a tal atitude, protegia a menina de modo excessivo
Em muitas ocasiões tinham discussões calorosas na presença
da filha.
Esta, era muito nervosa e retraída. Rara era a noite em
que não tinha um pesadêlo traumático. Em tais sonhos,
sempre via cenas sangrentas, nas quais via-se envolvida.
Depois de várias semanas, finalmente, fui capaz de fazer com
que a menina se expressasse. Falou-me da hostilidade que
sentia pelo pai, e do mêdo que tinha que os pais se separas­
sem. Estas coisas, naturalmente, afetavam-lhe os estudos
na escola.
Depois descobri uma razão mais específica para seu fra­
casso escolar. Freqüentemente o pai batia-lhe. De fato, po­
dia-se perceber o mêdo da menina quando o pai aparecia. A
freira encarregada de ensinar a classe, à qual a menina per­
tencia, era muito bondosa e amorosa, mas exigia respeito e
obediência e, em duas ocasiões, havia castigado duas alunas
ante a classe tôda. Minha jovem cliente contou-me que tinha
mêdo da freira da mesma maneira que temia o pai, e que,
para ela, ambos pareciam monstros. Quando lhe perguntei
o que queria dizer por monstros, fêz uma descrição bastante
detalhada. No que se referia à freira, o mau uso de sua ima­
ginação tornava-a temerosa e incapaz de estudar bem.
A menina tinha mêdo de ser hipnotizada, por isso disse-lhe
que fechasse os olhos e visse a professora como a Virgem
Maria. Disse à menina para imaginar que a freira era a
pessoa mais formidável do mundo. Esta maneira de pro­
ceder surtiu bom efeito. Suas notas logo melhoraram e seu
comportamento na escola modificou-se para melhor. Êstes
benefícios ocorreram apesar de os pais não terem melhorado
muito em suas relações mútuas.

AUMENTO SALARIAL CONSEGUIDO POR


IMAGINAÇÃO CONTROLADA

Sua imaginação, quando propriamente utilizada, pode ser


de grande auxílio para que você realize o pleno potencial de
sua vida. Ela pode desempenhar papel preponderante no
aumento de sua renda, na melhoria de suas relações humanas,
suas notas escolares, sua autoconfiança e suas aptidões cria­
tivas. Você poderá, através da imaginação, descobrir aptidões
e capacidades sôbre as quais jamais sonhou.
Para exemplificar como a imaginação pode ajudar no au­
mento de renda, vou contar a história de uma jovem que
sentia merecer um aumento, mas tinha mêdo de solicitá-lo.
Ela descreveu o chefe como velho, duro e pouco apreciativo.
Perguntei-lhe quais as razões para formar tal opinião sôbre
o homem. Disse-me que êle não falava muito, e sempre que
o fazia era sob forma de crítica. Em sua opinião, êle não
passava de um bicho papão. Diversas vêzes ela havia come­
çado a ventilar o assunto de aumento salarial, mas sempre
ficava com mêdo e não dava seqüência ao que tinha iniciado.
Na época, a idéia de deixar o emprêgo começou a assediar-lhe
a mente. A única coisa que a impedia disso era que gostava
do trabalho e das pessoas com quem trabalhava. Veio ver-me,
com a esperança de que eu lhe pudesse dar alguma idéia
sôbre como agir.
Uma de suas amigas havia aprendido auto-hipnose comigo
e desejava que eu hipnotizasse a môça e lhe desse confiança.
Bem, usei a hipnose e fiz as sugestões de autoconfiança, mas
também disse-lhe que imaginasse o chefe como a pessoa mais
bondosa, gentil, generosa e benevolente do mundo. Devia
imaginar que êle era um verdadeiro Papai Noel, desejoso de
proporcionar grandes aumentos salariais e boas gratificações.
No dia seguinte ela solicitou o aumento e, para sua grande
surprêsa, obteve-o. O empregador apreciava seu trabalho
e vinha pensando em aumentar-lhe o ordenado, mas não sabia
ou não tinha decidido como fazê-lo.
Esta é apenas uma ilustração de como a imaginação pode
ser usada para aumentar a renda. Os vendedores podem
usar êste mesmo método para efetuar vendas para clientes
difíceis. Você pode usar sua imaginação para inventar novos
usos para seu produto e novos meios para sua distribuição
e venda. Na verdade, existem variedades infindáveis de ma­
neiras pelas quais você pode aumentar sua renda, fazendo
uso da imaginação.

TÔDAS AS RELAÇÕES HUM ANAS BENEFICIAM-SE


COM A IM AGINAÇÃO CONTROLADA

Tôdas as áreas de relações humanas podem ser grande­


mente melhoradas se se dirigir a imaginação de maneira
positiva e construtiva. Se você pensar um instante, verá
que possui a tendência de criar uma imagem mental de
tôdas as pessoas que conhece. Esta imagem baseia-se no
conhecimento que tem do indivíduo e das associações que faz
entre êle e outras pessoas que você tem conhecido. Rara­
mente, se é que jamais acontece, você vê uma pessoa apenas
como Jane ou John! Ao invés, você visualiza John como John
mais Joe, George e outros que se enquadram em certa cate­
goria de imagem.
Dito de maneira simples, sua imaginação desempenha
papel importante na determinação de seu ponto de vista sô­
bre um indivíduo; por conseguinte, ela desempenha um papel
preponderante em suas relações humanas. Use esta tremen­
da fôrça de moldar novas configurações de imagem para as
pessoas que têm papel vital em sua vida e bem-estar.

Melhores notas escolares. A imaginação pode ajudar o


estudante a obter melhores notas. Já lhe dei um exemplo
de como a imaginação pode atrapalhar um estudante. Agora,
vou contar-lhe uma história bastante pessoal sôbre como o
uso adequado da imaginação auxiliou um de meus filhos de
maneira notável. Meu segundo filho, Blair, teve dificulda­
des na escola desde o comêço. Quando estava na primeira
parte de seu primeiro ano, suas notas estavam ligeiramente
acima do nível de reprovação. Para mim, isto era um fardo
terrível, porque eu estava ajudando outras crianças, mas,
aparentemente, não conseguia fazer qualquer coisa por meu
filho. Mandamo-lo ao psicologista da escola para um exame
e testes. O psicologista informou que a inteligência do me­
nino estava acima da média.
Certa manhã, depois do café, Blair disse-me: “ Papai, tenho
uma sabatina hoje; você pode ensinar-me a ser brilhante?”
Como reação espontânea, coloquei minhas mãos em sua ca­
beça e disse-lhe para pensar que seu “ chapéu de pensamento”
estava sendo colocado no lugar, e que êle estaria perfeita­
mente relaxado durante a sabatina. Disse-lhe também que
êle iria ser capaz de lembrar-se de tudo o que havia apren­
dido. Na realidade, nem minha espôsa nem eu julgamos
que isso pudesse ter muito efeito. De fato, rimo-nos quando
Blair pareceu ficar em transe, como resultado da maneira
que agi. Mas, quando voltei para casa naquela noite, encon­
trei minha mulher e Blair extremamente satisfeitos: Blair
tinha obtido a nota máxima em sua sabatina. Desnecessário
dizer que durante dois meses coloquei em sua cabeça “ o
chapéu de pensamento.” Depois, passei a fazer isso dia sim,
dia não, depois, duas vêzes por semana, uma vez por semana,
e finalmente disse a êle que o chapéu ficara colocado para
sempre. A partir dessa época, nunca mais Blair teve qual­
quer problema mais sério em seus estudos. Êle é ainda me­
nino e, por conseguinte, às vêzes sente certa preguiça, não
quer estudar, porém houve modificação definitiva em seu
poder mental.
Juntamente com isto, eu gostaria' de mencionar a maneira
maravilhosa por que o psicologista da escola lidou com Blair.
Dois meses depois que passei a aplicar em Blair o “ chapéu
do pensamento” , o psicologista chamou-o para uma entre­
vista. E durante a entrevista, disse-lhe que êle tinha um
“ cérebro brilhante” . Isto deixou Blair radiante e aumentou
muito sua confiança. Acredito que isto, com o “ chapéu do
pensamento” , foram as duas coisas que lhe modificaram a
vida mental.

IMAGINAÇÃO PARA INDUZIR AUTO-HIPNOSE

Num capítulo anterior mencionei que a sugestão é o ca­


minho que conduz a hipnose, mas que a imaginação é o
veículo em que você viaja. Você pode usar a imaginação
para induzir auto-hipnose. Ela é muito eficaz se você não
deseja mais senão relaxar a mente e o corpo. A imaginação
é também o melhor meio para ser usado no aprofundamento
de sua hipnose. As aplicações dêstes fatos são excessiva­
mente numerosas para que possam ser tôdas mencionadas.

COMO UMA PESSOA DEIXOU DE FUMAR

Sua imaginação pode também ajudá-lo a atingir suas


metas. Trabalhei, sem sucesso, com um jovem que vinha
tentando deixar de fumar. Êle era bom sujeito, tinha forte
motivação, e dava a impressão de que seria capaz, não o
conseguindo, no entanto! Tentei imaginar por que é que eu
tinha falhado, mas não podia encontrar a resposta. Final­
mente, após oito sessões, eu lhe disse que se até a semana
seguinte êle não melhorasse, eu não julgava direito receber
o que êle me pagava. Na semana seguinte apareceu com
um grande sorriso e informou-me que havia “ deixado” . E
passou a contar-me como o tinha conseguido.
Eu lhe havia ensinado uma técnica de auto-hipnose na qual
êle escrevia sua sugestão num pedaço de papel, sintetizando
depois a sugestão tôda numa simples palavra. Êle então
induzia a auto-hipnose e deixava a palavra flutuar em sua
mente durante três ou quatro minutos. Finalmente, êle con­
tava até cinco e despertava. Êle fizera isto durante sete
semanas, mas sem qualquer resultado importante. Porém,
na última semana, usara da imaginação enquanto em hipnose.
A síntese de sua sugestão para não fumar era a palavra
“ pare” . Em vez de simplesmente deixar a palavra “ pare”
flutuar em sua mente, êle visualizou um ponto de parada com
a figura de um cigarro pintada no disco! Foi o bastante!
Deixou de fumar porque combinou sua imaginação com hip­
nose.

COMO AUMENTAR O PODER DE


SUA IMAGINAÇÃO

Permita-me dar-lhe agora algumas indicações sôbre como


aumentar o poder de sua imaginação. Primeiro, você precisa
reconhecer o poder de sua imaginação. Isto é essencial! Se
você não admitir completamente êste fato, você jamais rea­
lizará seu pleno potencial na vida. Segundo, aprenda a con­
trolar a imaginação. Empregue alguns minutos todos os dias
na prática de ver imagens em sua mente. Imagine mãos
pesadas ou leves etc. . . Terceiro, aprenda a usar sempre a
imaginação como preparação para atividade construtiva. Ja­
mais a use para devaneio ocioso. Aprenda a controlá-la e a
dirigi-la para finalidades benéficas. Quarto, comece a desen­
volver o aspecto criativo de sua imaginação. Visualize novos
produtos e novos serviços que seriam de grande valor para a
humanidade. Pense em novas abordagens e técnicas para o
progresso de seu negócio ou seu modo de vida. Quinto,
quando parecer que você chegou de encontro a uma barreira,
deixe que a imaginação faça o que quiser. Algumas pessoas
dão a isto o nome de agitação de idéias” .* Dêstes “ pensa­
mentos selvagens” virão alguns “ pensamentos de solução” .
Sexto, continue praticando até que você possa usar eficaz­
mente a imaginação em seu próprio benefício.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. Sua imaginação pode fazê-lo ou destruí-lo.


2. O segrêdo real do sucesso é a imaginação criativa.
3. Todos nós nascemos com boa imaginação. Você
ainda tem imaginação embora ela possa estar dor­
mente e inativa.
4. Sua imaginação é mais poderosa que sua “fôrça
de vontade.”
5. Tôdas as grandes realizações começam como uma
idéia.
6. Se mal utilizada, sua imaginação pode emba­
raçá-lo.
7. Sua imaginação, se mal utilizada, pode prejudi­
cá-lo. É importante que você distinga entre deva­
neio ocioso e imaginação construtiva. A imagina­
ção construtiva é sempre produtiva.
8. Sua imaginação, se mal usada, pode destruí-lo.
9. Sua imaginação pode ajudá-lo a aumentar sua
renda e melhorar suas relações humanas e notas
escolares.
10. Sua imaginação pode ajudá-lo a ser mais eficaz
em induzir e aprofundar sua auto-hipnose.

• A expressão em inglês é brain-storming, técnica usada em adminis­


tração de emprêsa, onde os executivos reunidos, dizem a primeira coisa que
lhes vem à mente, havendo muitas vêzes idéias ótimas. (N. do T .)
Um programa etapa por etapa, para o melhor uso
de sua imaginação:
(1) Reconhecer-lhe o valor e poder.
(2) Aprender a controlá-la.
(3) Usá-la como preparação para atividade cons­
trutiva.
(4) Desenvolver o aspecto criativo de sua ima­
ginação.
(5) Às vêzes, deixá-la às rédeas soltas.
(6) A prática faz a perfeição.
9

DINÂMICA BÁSICA
DA SUGESTÍO EFICAZ ( SEU M. E. P. D .)

Saber uma sugestão é quase


como frasear ad e q u a d a m e n te
tão importante, ou talvez mais importante do que um transe
hipnótico profundo, no que concerne a obtenção de resultados.
De que vale aprender como relaxar se você não sabe como
sugestionar-se adequadamente enquanto sob hipnose? Natu­
ralmente, você obterá muito benefício do estado de relaxação
física e mental. Muitas pessoas procuram meus serviços
apenas para isso; para aprenderem a relaxar. Porém, se
você deseja conseguir algum melhoramento em alguma de­
terminada área da vida, é preciso que tenha um conhecimen­
to minucioso das regras básicas da sugestão.
Já verifiquei que, quando finalmente escrevo uma sugestão
que me é atraente e se ajusta a minha necessidade, muitas
vêzes isto é tudo quanto necessito para conseguir o melho­
ramento que desejo. É preciso muito raciocínio e auto-exame
para formar uma sugestão que ajudará você a conseguir
alcançar sua meta. Durante o tempo em que você está escre­
vendo e reescrevendo sua sugestão, você está convencendo o
subconsciente do que deseja e, uma vez, de quando em
quando, isto é o suficiente para a consecução da melhoria
desejada.

O S SEIS GRANDES PRINCÍPIOS DA


SUGESTÃO EFICAZ

Consideremos agora os seis grandes princípios da sugestão.


Se lhes acrescentarmos o fato de que o subconsciente é um
“ mecanismo que se esforça para as metas” , teremos sete
grandes regras de sugestão para auxiliá-lo em seu progresso.
Bàsicamente, três dos princípios contidos neste capítulo
são os que foram estabelecidos pelo famoso Émile Coué. Acres­
centei aos princípios algumas idéias próprias, porém tôda a
humanidade deve ser grata a Émile Coué por seu gênio ma­
ravilhoso.* Os demais princípios que discutiremos baseiam-
se nos fatos descobertos e revelados por Jerome D. Frank,
médico, em seu livro Persiuasion and Healing.

PRINCÍPIO 1
A LEI DO MOTIVADOR EMOCIONAL
POSITIVO E DOMINANTE

Entre outras coisas, o homem é um ser emocional. Na


média, o comportamento do indivíduo é governado mais por
suas emoções do que por seu intelecto. “ Sentimentos” , que
são o resultado de emoções, são os principais impulsionado
res dos sêres humanos. Os agentes de publicidade sabem
muito bem disto. Raramente êles apelam para o intelecto
— seu apêlo é sempre dirigido às emoções. O surpreendente
a êste respeito é que muito poucas pessoas inteligentes ex-

• Émile Coué (1857-1926), famoso psicoterapeuta francês conhecido


por sua fórmula "Dia a dia, de tôdas as maneiras, estou ficando cada vez
melhor.” ( N. do T .)
pendem algum tempo para avaliar realmente o produto.
Aceitam o apêlo emocional e nêle acreditam.
Todo bom vendedor sabe como apelar para as emoções.
Qual seria o sucesso de um vendedor de aspirador de pó se
dirigisse o apêlo de suas vendas ao intelecto da dona de
casa? “ Sra. Brown, êste aspirador tem um motor de três
quartos de cavalo que gera x r.p.m. O recipiente de pó tem
uma capacidade de quinze litros e é feito com o melhor
nylon. A mangueira principal tem três metros de compri­
mento. . . ” Um vendedor de aspirador de pó que usasse êste
método de venda morreria de fome. Mas, se êle fizer um
apêlo emocional, venderá. “ Sra. Brown, eu sei que a se­
nhora já tem um aspirador e que acaba de usá-lo em seu
tapête. Isto me ajudará a demonstrar êste belo aparelho
que estou vendendo.” A seguir, êle começa a aspirar o pó,
apanhando uma boa quantidade, o que qualquer outro aspi­
rador também faria. Mas a jovem mãe ou espôsa não per­
cebe isso, e imediatamente sente-se desapontada porque há
pó no tapête. Ela quer uma casa limpa. Daí, o vendedor
diz: “ Sra. Brown, eu sei que a senhora deseja ter a casa mais
limpa possível, mas a senhora não vai conseguir isso com o
aspirador que tem. Pense em seu filhinho engatinhando e
brincando neste tapête, com todos os germes que contém ..
Com êste meio de abordar emocionalmente, o homem efe­
tuará a venda.
Você poderia dizer: “ É, mas comigo isso não daria resul­
tado. Sou negociante velho e ninguém me venderá nada
usando de truque emocional.” Por favor, não se engane
com êste tipo de raciocínio. Todos têm emoções e são por
elas motivados. Uma das melhores histórias que já ouvi,
ilustra vivamente êste fato. Foi-me contada por um cor­
retor de seguros. Um de seus amigos, que representava uma
companhia de seguros numa cidade do Mid-West, estava ten­
tando desesperadamente vender uma apólice de seguro de
vida para um cliente. Êste era um dos poucos homens
ricos da cidade e já tinha seguro de vida no valor de 75 mil
dólares. 0 agente estava tentando vender outra apólice de
25 mil dólares, a fim de arredondar a cobertura do seguro
para cem mil. Sua abordagem tinha sido intelectual e rea-
lística, mas em vão. O cavalheiro simplesmente não estava
interessado em mais seguro de vida. Quando o vendedor
se ergueu para sair, o cliente perguntou-lhe onde é que tinha
conseguido aquele bonito distintivo de ouro com o número
100 gravado. O vendedor tinha recebido o distintivo por ter
vendido cem mil dólares em seguros em três meses, mas não
foi isso o que disse ao cliente! Disse que a companhia ia dar
um daqueles distintivos a todos os homens da cidade que
tivessem um seguro de vida totalizando cem mil, acrescen­
tando que apenas sòmente quatro outras pessoas na cidade
podiam ter a oportunidade de usar o distintivo. Êle tinha
trazido o distintivo na lapela por ter pensado que iria vender
mais vinte e cinco mil dólares de seguros e dar o botão ao
cliente. Êste, ao ouvir que o botão de ouro era uma marca
de distinção e que sòmente quatro outras pessoas na cidade
tinham a possibilidade de usá-lo, comprou a apólice de seguro
extra. Um distintivo folhado a ouro, no valor de um dólar
mais um forte apêlo de prestígio, vendeu a apólice.
As emoções são os principais motivadores dos homens.
Todos os hábitos, tôdas as configurações de comportamento
recebem seu ímpeto da emoção. O segrêdo do sucesso e da
felicidade na vida está em ser capaz de dirigir e até certo
ponto controlar as emoções.
Tôdas as vêzes que existir um conflito em sua vida, a emo­
ção dominante vencerá. Você deseja entregar-se com ardor
ao trabalho, mas tem mêdo. Qual a emoção que vencerá, seu
desejo de progredir (orgulho, autopreservação, prestígio etc.)
ou o mêdo? Naturalmente, a resposta dependeria de sua
formação psicológica. Contudo, uma coisa é certa: um dês-
tes fatores será o dominante e, portanto, o determinante.
Uma senhora está com uma dor de cabeça terrível, até que
o marido chega e diz que acaba de receber uma gratificação
de 500 dólares. Ao ouvir a notícia ela se esquece da dor
de cabeça. A emoção dominante de alegria sobrepuja qual­
quer outra emoção que possa ter induzido a dor de cabeça.
Conheci inúmeras pessoas que têm tentado deixar de fu­
mar, mas não o conseguem. Depois, foram ao médico para um
exame geral e o médico disse: “É melhor que você deixe de
fumar ou então morrerá.” Depois disso, essas pessoas não
tiveram muita dificuldade em deixar o vício. Para mim,
êste é um fraco motivador, mas é eficaz para a maioria das
pessoas. Neste exemplo, o mêdo domina o prazer.

Porque você precisa encontrar seu fator emocional e do­


minante. Se você deseja melhorar determinado aspecto de
sua vida, ou modificar um hábito, ou sobrepujar um emba­
raço, precisa encontrar o motivador emocional dominante
que será mais forte do que a emoção que atualmente o do­
mina. O próprio fato de que você deseja efetuar uma modi­
ficação em tal área de sua vida implica em que o atual fator
emocional dominante é uma fôrça negativa em sua vida. Isto
é verdade, embora sob outras circunstâncias o motivador pu­
desse ser considerado como positivo. Um indivíduo que come
demais poderia estar fazendo isto pelo prazer que sente nos
alimentos. Nada existe de negativo sôbre o prazer em si,
mas quando êle se torna nocivo ao corpo, como no caso de
quem come excessivamente, então considero tal prazer como
um motivador emocional dominante negativo.
O problema, portanto, é pesquisar seu coração, mente e
espírito à procura de um motivador emocional dominante
positivo que destronará o motivador negativo. Em benefício
da brevidade, eu me referirei ao motivador emocional domi­
nante e positivo, como o M. E. P. D. Meus alunos estão
sempre discutindo seus M.E.P.D. respectivos.

Como encontrar seu M.E.P.D. A única maneira de encon­


trar um M.E.P.D. eficaz para as metas desejadas é ser
honesto para consigo mesmo. Isto é mais difícil do que pa­
rece, pois já descobri que poucas pessoas são honestas con­
sigo mesmas. Todos nós temos tendência a racionalizar,
projetar ou reprimir nossos sentimentos, mas se quisermos
ter êxito em nossa auto-hipnose precisamos ser perfeitamente
honestos conosco quando sondamos nosso M. E. P. D.
Em uma de minhas aulas, estávamos discutindo os vários
M.E.P.D. que dirigiriam um indivíduo para o sucesso. Muitas
das motivações comuns foram aventadas — dinheiro, auxílio
aos outros, mais lazer para dedicar-se a trabalho criativo,
dinheiro para a instrução dos filhos. . . Nesse ponto, um
homem que já desfrutava de bastante sucesso chocou a
classe dizendo que sua motivação mais forte nesta área era o
desejo de dominar os outros. Gostava de ser o chefe; dese­
java ser o “ manda-chuva” . Conforme disse antes, isto cho­
cou a classe, mas acredito que o homem foi um dos poucos
realmente honestos. Seu M.E.P.D. certamente não era o
que se podia chamar de altruístico, nem se diria que era
exatamente moral, mas satisfaria suas ambições.
Ao decidir sôbre um M.E.P.D., examine a mente e tente
determinar o que faz você agir da maneira que age. Você
quer progredir no trabalho por causa do ganho financeiro,
prestígio, fortalecimento da estima da espôsa por você, ou o
quê? Qual é exatamente a razão? Poderia ser qualquer das
razões acima ou tôdas elas e mais algumas. É melhor esco­
lher a mais forte, mas, às vêzes, são necessárias três razões.
Se você deseja obter melhores notas na escola, pergunte
a você mesmo qual é o seu M.E.P.D. mais forte para tal
desejo. É porque você deseja satisfação pessoal, uma boa
posição após ser diplomado, ou porque deseja a aprovação
dos pais? Determine, tanto quanto possível, exatamente qual
é o seu M.E.P.D.
Êste, algumas vêzes, será tão definido e tão poderoso que
você não precisará escrevê-lo como parte de sua sugestão.
Em outras ocasiões, êle será o fator determinante de seu
sucesso. Quando é êste o caso, escreva-o em sua sugestão.
Não importa qual seja a situação, sempre emocione sua auto-
hipnose com seu M.E.P.D.

PRINCÍPIO 2
A LEI DA AUTO-APROVAÇÀO

Há muitos anos os psicologistas vêm fazendo experimentos


com animais, utilizando uma técnica conhecida como “ ope-
rant conditioning” * O procedimento envolve a recompensa
imediata do animal ou pássaro, quando seu comportamento
satisfaz os desejos do psicologista. Verificou-se que tal mé­
todo aumenta muito o processo de ensinar animais. Um
camundongo fechado numa gaiola com dez saídas tentará
tôdas elas, mas tôdas as vêzes em que se dirige à saída
certa recebe um pedaço de queijo. Quando êste processo é
suficientemente repetido, pode tornar-se um padrão fixo. O
animal reage pela recompensa que recebe. Esta recompensa
é também um símbolo da aprovação do psicologista. Com
base nestes descobrimentos, foram feitas experimentações
semelhantes com sêres humanos. As recompensas recebidas
pelos humanos tinham a forma de palavras e gestos. Poder-
se-iam solicitar a um indivíduo, que dissesse números, quais­
quer números que desejasse, na ordem que quisesse. Cada
vez que êle dissesse um número que no meio tivesse “ 5” o
operador faria um ligeiro sinal, ou som, de aprovação. Em
resultado desta aprovação, a pessoa sob experimentação re­
petiria o número “ 5” , mais do que qualquer outro. A pessoa
fará isso ainda que não saiba qual a finalidade real do expe­
rimento. Ela não tem a menor ciência do que está aconte­
cendo.
Entrei em alguns detalhes aqui, apenas para mostrar a
você a base científica desta lei: a lei da auto-aprovação.
Todos nós, em vários graus, preocupamo-nos com o que os

* Pela descrição que vem a seguir, o autor refere-se ao chamado condi­


cionamento instrumental em que há a intervenção de uma recompensa ou
supressão de castigo, como no treinamento de animais. (N. do T .)
outros pensam a nosso respeito. Desejamos que êles nos
aprovem. Isto começa na infância, quando queremos a apro­
vação de nossos pais. E continua através da vida.

Como a auto-aprovação está relacionada à auto-hipnose


eficaz. Contudo, existe para você algo mais importante que
a aprovação por parte dos outros: é você aprovar-se a si
mesmo. Para ter paz de espírito e equilíbrio emocional,
você precisa da aprovação própria.
Êste fato está vinculado à auto-hipnose no sentido de que
uma sugestão não será eficaz com você, se fôr contrária a
uma profunda convicção moral. Por exemplo, externamente
você poderia desejar um grau mais elevado de sucesso finan­
ceiro, mas internamente, pode abrigar a crença de que
o dinheiro é bàsicamente um mal. Antes que uma sugestão
relativamente ao sucesso financeiro possa trazer resultados,
é preciso que você se reeduque internamente quanto ao di­
nheiro.
Fui criado durante os duros e magros anos da depressão.
Meus pais eram muito pobres. Nunca passamos fome, nem
fomos privados das necessidades da vida, mas podíamo-nos
dar a muito poucos luxos. Era o consenso geral de tôdas as
pessoas com as quais fui criado que um homem rico era um
patife. Simplesmente não era possível ser honesto e ter di­
nheiro. Ao relembrar-me daqueles anos, não sinto dificul­
dade em compreender por que o povo pensava daquela ma­
neira, pois que todos dispunham de muito pouco, inclusive
esperança.
Esta crença que adquiri nos primeiros anos de minha vida
permaneceu comigo durante longo tempo. Na verdade, não
fui capaz de modificar a crença até percebê-la em mim. Em
certo verão, quando eu estava trabalhando numa fábrica de
automóveis, percebi que cada vez que eu recebia pagamento
acima de certa importância, sentia-me culpado e amedron­
tado. Ao analisar meus sentimentos, verifiquei que se tra­
tava da influência de meus primeiros anos.

Inculcanáo autoconfiança. Outra área onde esta condição


existe com certa freqüência é a da autoconfiança e auto-ex-
pressão. Externamente você deseja confiança, mas interna­
mente sente que não é realmente direito expressar sua opi­
nião para alguém que você considere como seu superior. Até
certo ponto isto é verdade para todos nós, porque fomos en­
sinados que “ crianças são para serem vistas e não para se­
rem ouvidas” . Não responda ao professor, não responda ao
policial etc. Isto constitui bom conselho quando você é cri­
ança, mas pode ser um embaraço quando entra no mundo
adulto. Alguns indivíduos encontram grande dificuldade em
vencer esta atitude interna, em decorrência do ensinamento
rígido que tiveram na juventude. Você jamais será capaz
de expressar-se cabalmente até que tenha resolvido êste con­
flito de pensamento.
O trabalho, especialmente o trabalho árduo, é certo e bom,
mas a comodidade e o prazer são pecaminosos — ou pelo
menos foi o que nos ensinaram. Esta crença interna pode
criar problemas reais para as pessoas que estão em vias de
aposentar-se. Desejam aposentar-se, mas sentem-se culpadas
por não trabalhar. Se você tivesse de, sob auto-hipnose,
dar a sugestão de que quer aposentar-se aos 45 ou 50 anos,
mas não se livrar da crença interna acima mencionada, difi­
cilmente lograria êxito.
Externamente, você gostaria de desfrutar de popularidade
com o sexo oposto, mas internamente você poderia sentir
que tais relações fôssem pecaminosas. Você poderia dar a
você mesmo sugestão após sugestão sôbre esta questão, mas
nunca seria completamente eficaz se não resolvesse esta
crença íntima.
Ao escrever sua sugestão para auto-hipnose, esteja certo
de que ela satisfaz as exigências de sua auto-aprovação. Se
você está cônscio de uma crença íntima, que é prejudicial ao
cumprimento de sua meta, resolva-a através de auto-educa-
ção. Isto tanto pode ser feito no nível consciente como sub­
consciente.

PRINCÍPIO 3
A LEI DO EFEITO INVERSO

A lei do efeito inverso é a seguinte: Tôdas as vêzes em


que você tentar fazer uma modificação em sua vida, por
meio de um esforço consciente, você não terá êxito. Na ver­
dade, você estará fortalecendo o hábito ou idéia que deseja
modificar. Por exemplo, quanto mais você tenta dormir du­
rante a noite, mais você fica acordado. Quanto mais você
tentar lembrar-se ds uma coisa, tanto menos provável será
que você a lembre. Quanto mais você tentar remover uma
idéia da mente, mais arraigada ela se torna.

Fraquezas dos enunciados negativos. Tôdas as vêzes que


um pensamento negativo é acrescentado ao seu esforço, você
arruina completamente suas possibilidades de sucesso. “ Eu
não terei mêdo.” “ Eu não comerei demais.” “ Eu não quero
fumar.” “ Eu não esquecerei.” “ Eu me manterei calmo.”
Enunciados desta espécie derrotam-se a si mesmos. Êles im­
plantam na mente um vácuo negativo. Você não terá mêdo,
mas o que terá então? Você não comerá excessivamente, mas
quanto comerá? Você não fumará, mas o que é que tomará
o lugar do fumo em sua vida? É da maior importância que
você proponha sua sugestão de modo positivo. Se possível,
nunca use uma negativa na formação de sua sugestão.
Outra fraqueza dos enunciados negativos é que mencionam
as coisas que você quer modificar, mas que fazem um apêlo
direto a sua imaginação. Quartdo você declara: “ Não terei
mêdo,” imediatamente forma-se em sua mente a imagem do
mêdo. Em resultado, o mêdo torna-se o fator dominante em
seus pensamentos. Seria muito melhor se você dissesse: “ Es­
tarei calmo e confiante o tempo todo, em tôdas as situações.”
Quando você faz uma afirmativa desta espécie, sua mente
percebe a imagem que você deseja que ela veja. Veja-se
confiante e calmo, não importa o que aconteça.
Sempre que você faz uma declaração negativa para você
ou para qualquer pessoa, é o mesmo que agitar um pano
vermelho em frente a um touro. A palavra “ não faça” é
um desafio para a maioria das pessoas. Muitas vêzes, é uma
idéia! A mãe diz: “ Johnny, não pise na lama.” Bem, talvez
Johnny nem ao menos tivesse pensado em andar sôbre a
lama (embora eu possa garantir-lhe que isto seria muito di­
fícil). Não obstante, em resultado da declaração da mãe,
aparece uma idéia maravilhosa na mente de Johnny —
LAMA. Ràpidamente êle se esquece do “ não” , mas lembra-se
das palavras “ pise na lama ” . Estou certo que qualquer mãe
que esteja lendo isto já teve experiência semelhante com o
filho.
Todos temos dentro de nós certo espírito de rebelião, e
quando alguém nos diz para não fazermos alguma coisa, in-
vàriavelmente desejamos demonstrar-lhe que fazemos como
queremos. Não precisamos receber ordens de ninguém. Va­
mos mostrar-lhe! Se a autoridade de um indivíduo sôbre nós
não fôr grande, provàvelmente o desafiaremos, fazendo exa­
tamente o oposto do que êle deseja que façamos. Se sua
autoridade fôr absoluta, externamente cumpriremos a ordem,
mas Intimamente, em nossa alma e emoções, haverá um estado
de rebelião ardente. Isto deveria ser uma palavra de cautela
para todos os pais, professores, ou quaisquer outras pessoas
responsáveis em lidar e dirigir os outros. O indivíduo que
comanda “ não faça isso, não faça aquiló” , pode obter alguns
resultados em curta duração, mas em longa duração não
terá êxito.
Antes de passarmos adiante, sintetizemos as três fraque­
zas das sugestões negativas.
1. Elas criam um vácuo. Não dizem a você o que fazer.
2. Produzem a imagem mental errada. Você fica a pen­
sar na coisa que deseja modificar.
3. Elas provocam um desafio. Isto é verdade mesmo
quando você procura sugestionar-se. “ Eu gosto dêste
hábito, por que é que êle tem de ser prejudicial?”

Acredito que a filosofia religiosa de “ não toque, não prove,


não veja” , causa mais problemas emocionais e espirituais
que qualquer outra coisa. Ela presume que uma vida de ne­
gação tem algum mérito e coloca os que vivem dessa maneira
acima dos demais. Na verdade, a única coisa que tal filosofia
faz é reprimir, torcer, desfigurar e sufocar a maravilhosa
fôrça vital com que Deus nos aquinhoou.

O poder da abordagem positiva. A abordagem positiva é


sempre o melhor método. A sugestão positiva é sempre a
melhor sugestão. Um dia, eu estava discutindo êste fato com
um grupo de amigos, e uma senhora presente deu-nos mara­
vilhosa ilustração da eficácia de uma sugestão positiva. Dis­
se-me ela que quando tinha cêrca de catorze anos a maioria
das amigas tinha adquirido o hábito de fumar. Em conse­
qüência, ela também desejava fumar e perguntou à mãe o
que achava. A mãe não ficou furiosa, gritando: “ Não ouse
fumar! Você está proibida de pôr um cigarro na bôca!” Ao
invés, ela simplesmente disse: “ Fumar não é próprio de uma
mulher de categoria; você quer ser uma mulher de categoria,
não quer?” Ora, compreendo muito bem, assim como tam­
bém o compreende a senhora a que me refiro, que muitas
senhoras adoráveis fumam; o que penso é que a maneira de a
mãe expor o caso é um exemplo maravilhoso da abordagem
positiva.
Ao formular suas sugestões para auto-hipnose, faça-as o
mais positivas possíveis. Já tenho lidado com pessoas que têm
de ser dominadas por uma sugestão negativa, mas são pou­
cas em número. Quanto menos consciente fôr o esforço em
sua auto-hipnose, e quanto mais positiva a sugestão, maior
será o seu êxito.

PRINCÍPIO 4
A LEI DO JULGAMENTO ANTECIPADO

Uma das poderosas fôrças na motivação dos homens é a


do julgamento antecipado. Esta constitui, talvez, um dos
mais antigos instrumentos da sugestão. “ Se você não agir
bem, será julgado no dia do juízo” . “ Johnny, se você não se
comportar bem, mandá-lo-ei à Diretoria” .
Se lhe dissessem que você teria de melhorar qualquer coisa
em sua vida, dentro de três semanas, ou então sofrer as
conseqüências, estou certo de que você faria a melhoria.
Um dos dispositivos mais antigos para motivar as pessoas
é a promessa a ser concretizada no futuro. “ Se você traba­
lhar com mais afinco, arranjar-lhe-ei um aumento de orde­
nado” , etc. O indivíduo que reage a isto, assim o faz porque
acredita que no futuro será recompensado.
Quase todos nós sentimos que algum dia, em algum lugar,
teremos de prestar contas de nossas vidas. No emprêgo da
auto-hipnose, convém dar a você mesmo determinado prazo.
Você não precisa escrevê-lo, mas simplesmente determinar
mentalmente quanto tempo demorará para atingir a meta
que traçou. Em outras palavras, dê a você mesmo um “ dia
do juízo” . Você quer ter êxito, mas quando é que quer que
isto aconteça? Dentro de seis semanas, seis meses, ou seis
anos? Quando você marcar um prazo, seja realista. Não
use um prazo muito curto, porque então você jamais atingirá
a meta, ficará desanimado e desistirá. Por outro lado, não
marque um prazo muito longo, porque seu entusiasmo tem
a possibilidade de arrefecer.
Na maioria, trabalhamos mais constantemente e mais cons­
trutivamente quando temos um horário ou nrazo a cumprir:
portanto, devemos formular uma estrutura de tempo em nos­
sas sugestões auto-hipnóticas.
Outro motivo para introduzir o elemento de tempo é que
o subconsciente não percebe o tempo no sentido ordinário
da palavra. É muito fácil distorcer o tempo quando sob hip­
nose. Por simples sugestão os minutos podem parecer horas
e as horas podem parecer minutos. Não obstante, o sub­
consciente pode ser minuciosamente preciso quanto ao tempo.
Você pode ordenar ao subconsciente que o desperte às 5h33
da manhã, e êle será de mai§ confiança do que o melhor des­
pertador jamais fabricado.
Ao usar a auto-hipnose, dê a você mesmo um prazo defi­
nido e realístico. Se você atingir o prazo sem conseguir os
resultados que deseja, faça uma avaliação e veja o que foi
conseguido. Depois disso, recomece com um prazo mais rea­
lista. Já verifiquei que de três a seis semanas constitui um
prazo suficiente para atingir a maioria das metas. Se sua
meta fôr difícil, você deve começar a obter resultados pelo
menos dentro de seis semanas. O fator importante está em
o subconsciente receber uma estrutura específica de tempo
para dentro dêle funcionar.

PRINCÍPIO 5
A LEI DO DESEMPENHO DE PAPEL

O desempenho de papel pode ser fôrça poderosa quando em


combinação com a auto-hipnose. O dr. Jerome Frank, médico,
em seu livro Persuasion and Healing, faz referência a certos
experimentos que evidenciam fortemente que a participação
em um papel, em base estritamente consciente, é capaz de
modificar atitudes e de produzir conformidade. Se você fizer
de conta que acredita em determinada coisa, ou se agir como
se fôsse alguma outra pessoa, isto terá algum efeito definido
em sua atitude e comportamento. Quando um hipnotizador
tem de hipnotizar um sujeito muito difícil, êle emprega a
técnica conhecida como “ desempenho de papel” . Êle diz ao
sujeito para agir como se estivesse hipnotizado, quer o su­
jeito esteja ou não sob hipnose. Geralmente, após algumas
semanas, o sujeito é capaz de ser hipnotizado.
Todos nós possuímos o que os psicologistas chamam de
“ auto-imagem” . Sua auto-imagem é a maneira pela qual
você se vê em sua mente. A auto-imagem que você percebe
determina o papel que você desempenha na vida. Se você
se visualizar como um fracasso, você desempenhará o papel
de fracassado. Se você se visualizar como um sucesso, você
desempenhará o papel de um homem de sucesso. Todavia, é
possível modificar sua auto-imagem, usando adequadamente
sua imaginação e auto-hipnose. Ao hipnotizar-se, veja-se
como você deseja ser, ou visualize a meta como já alcançada.
Antes de levantar-se, pela manhã, feche os olhos e imagi­
ne-se ou imagine a meta como já realizada. Repita o mesmo
processo antes de dormir, tôdas as noites.
Por exemplo, suponhamos que a meta seja a autoconfiança
numa situação social. Você lê cinco vêzes a sugestão que
escreveu e depois induz a auto-hipnose. Sob auto-hipnose,
veja-se como confiante ao defrontar-se com outras pessoas,
quando falando em público etc.
Se você imaginar a meta e desempenhar o papel, não de­
morará muito para que você a alcance.

PRINCÍPIO 6
A LEI DA EXPOSIÇÃO CONCENTRADA REPETIDA
Meu conceito desta lei é triplo. Primeiro, quanto mais
você se expõe a uma idéia, tanto mais ela se torna parte de
seu pensamento. Quando a sugestão correta é repetida com
bastante freqüência, ela se torna altamente eficaz. De fato,
quando uma idéia, verdadeira ou falsa, é repetida com fre­
qüência, geralmente alguém passa a acreditar nela.
Outra matéria envolvida nesta lei é que, quanto mais sua
mente se concentrar numa idéia, tanto mais esta se tornará
parte de você.
0 terceiro aspecto desta regra é o da exposição. Em qual­
quer ocasião que você estiver exposto a uma idéia, esta exer­
cerá algum efeito sôbre você. O efeito pode ser negativo
ou positivo, mas sempre há um efeito.
Pense no potencial tremendo da exposição indireta a uma
idéia. Você está exposto a êste tipo de sugestão, todos os
dias de sua vida.
Émile Coué explicou a exposição indireta da seguinte ma­
neira. Disse que uma idéia gera outra idéia. Por exemplo,
imaginemos que você não está com fome. De fato, faz apenas
uma hora que você tomou uma boa refeição. Mas o dia está
quente, úmido, e você está passeando pelo parque. No ca­
minho para o parque, você tem de passar por um sorveteiro.
Lembre-se de que não está com fome. Seu apetite foi com­
pletamente satisfeito. À medida que você se aproxima do
sorveteiro, vê a imagem de um delicioso cone de sorvete.
Você vê gente ao redor do sorveteiro tomando o sorvete e,
repentinamente, você se sente com vontade de tomar um.
Ninguém se chega a você e diz: “ Compre sorvete” . A tabu­
leta do sorveteiro que traz a figura do sorvete não diz: “ com­
pre sorvete” . Mas você compra, porque através dos anos
estêve exposto ao sorvete. A idéia de sorvete produz a idéia
de prazer. A visão do sorvete é uma sugestão indireta que
gera outra sugestão.
Quase tôdas as sugestões às quais você tem estado exposto
em sua vida são desta natureza. Os fabricantes de automó­
veis nunca fazem um anúncio que diz “ Você deve comprar
nosso automóvel” . Êles simplesmente mostram seus auto­
móveis da maneira mais agradável possível, esperando que
as figuras de automóveis bonitos gerarão em sua mente a
idéia de comprar um. A exposição concentrada, repetida a
uma idéia, é bastante eficaz em produzir o resultado dese­
jado, especialmente quando isso se dá sob hipnose, pois que
hipnose é o máximo em concentração humana.
Para ilustrar as três facêtas desta lei, imagine que há um
grande tronco que você deseja queimar. Você não tem fós­
foros mas tem uma grande lente. Você poderia colocar o
tronco em campo aberto e expô-lo completamente aos raios
solares durante anos; êle, entretanto, se queimaria. Mas se
você usar a lente, o calor dos raios solares concentra-se e
intensifica-se de modo que logo ocorre a combustão. Já que
se trata de um tronco grande, o processo precisa ser repe­
tido inúmeras vêzes até que êle fique completamente desin­
tegrado. Levemos agora a ilustração um passo mais a frente.
Pense que o tronco é o padrão de comportamento que você
deseja modificar. Você expôs o padrão de comportamento
ao “ sol” de boas intenções gerais durante anos, mas êle per­
manece da mesma maneira. Você permite então que suas
boas intenções gerais passem através da “ lente” de suges­
tões concisas e positivas, enquanto sob hipnose. Isto produz
a combustão e queima parte de seu padrão de comporta­
mento. Você repete o processo até que a modificação que
você procura se efetue.
Já mencionei o fato de que os resultados de hipnose são
temporários, porém cumulativos. Da primeira vez que você
propõe uma sugestão a você mesmo, os efeitos duram poucas
horas. A sugestão seguinte permanece com você algumas
horas mais. Cada vez a duração será maior, até que, final­
mente, passa a ser um hábito padrão. Quando empregar
uma sugestão juntamente com auto-hipnose, repita o esforço
até obter êxito.

COM O FAZER FUNCIONAR OS PRINCÍPIOS

Observe agora como fazer com que êstes princípios fun­


cionem ao escrever suas sugestões.
1) A primeira coisa que você tem de fazer, antes de apli­
car quaisquer dos princípios dêste capítulo, é selecionar a
meta. Lembre-se, o subconsciente é um mecanismo que se
esforça em direção às metas. Ao tomar a decisão sôbre a
meta, seja definido e específico em determinar o que você
deseja. Não diga simplesmente: “ Quero ter sucesso” . Diga
ao seu subconsciente qual a espécie de sucesso — sucesso
em negócios, sucesso em atletismo etc.
2) Dê a você mesmo um M.E.P.D. que seja tão definido
quanto possível. Por exemplo: “ Desejo sucesso financeiro
em meu negócio” (meta) “ porque desejo estar financeira­
mente independente aos 55 anos de idade” . (M.E.P.D.)
“ Quando estudo, minha mente absorverá conhecimento como
uma esponja absorve água, porque quero uma média 8” .
“ Porque eu quero uma média 8” é tanto sua meta como seu
M.E.P.D.
3) Examine sua sugestão para ter a certeza de que ela
satisfaz sua auto-aprovação. Se houver conflitos íntimos,
deverão ser resolvidos antes que você prossiga.
4) Aplique a “ lei do efeito inverso” e adquira a certeza
de que sua sugestão é formulada de modo positivo. Também
seja conciso, pois que, quanto menor fôr o esforço, tanto
melhor.
5) Dê a você mesmo um tempo limite realístico.
6) Visualize sua nova auto-imagem como já conseguida.
7) Exponha-se repetidamente à sugestão por intermédio
de auto-hipnose.
Ao escrever sua sugestão, não se apresse. Seja conciso e
use de linguagem simples e pitoresca. Escreva e reescreva
sua sugestão até ter a certeza de que ela é a correta. É
difícil explicar como uma pessoa sabe que fêz a sugestão certa.
Geralmente, digo ao indivíduo que se êle sente o impacto emo­
cional das palavras, isto constitui boa indicação de que está
com a sugestão certa. Êste fator “ saber” é mais emocional
que intelectual. O íntimo parece dizer: “ É isto” , tôdas as
vêzes que você escolhe as palavras e frases certas.
Uma vez que você tenha escrito a sugestão de maneira a
sentir-se satisfeito, leia-a repetidamente, palavra por pala­
vra, até que pràticamente a saiba de cor. Ao usar a sugestão
juntamente com auto-hipnose, leia-a ou pense sôbre ela de
cinco a dez vêzes antes de induzir auto-hipnose. Depois de
você atingir a condição de relaxação total e completa, per­
mita que a sugestão flutue na mente. Neste ponto, não tente
pensar na sugestão conscientemente, palavra por palavra;
deixe apenas a idéia flutuar na mente. Quanto menor fôr
o esforço consciente, tanto mais fácil será alcançar o sub­
consciente. Algumas vêzes você poderá resumir a sugestão
com uma palavra ou palavras que retratem a idéia para você.
Quando estiver sob hipnose, permita esta palavra resumida
derivar e flutuar em seu subconsciente.
Lembre-se de ser conciso, simples e pitoresco ao formular
e escrever sua sugestão. Quando usar sua sugestão com auto-
hipnose, leia-a repetidamente antes de induzir o transe, e
depois permita que a idéia derive e flutue na mente. Quanto
menos esforço consciente você exercer, tanto melhor. Exerça
seus esforços conscientes ao formular a sugestão, não quando
a estiver usando.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. A redação de uma sugestão é tão importante quan­


to a profundidade do transe hipnótico.
2. Pór isso, 'é importante que você compreenda os
princípios básicos da sugestão.
3. Os seis princípios da sugestão são:
(1) A lei do M.E.P.D.
(2) A lei da auto-aprovação.
(3) A lei do efeito inverso.
(4) A lei do julgamento antecipado.
(5) A lei do desempenho de papel.
(6) A lei da exposição concentrada repetida.
4. Como aplicar êstes seis princípios ao escrever sua
sugestão:
5. Ao escrever sua sugestão, não se apresse e racio­
cine. Seja conciso e empregue linguagem pitoresca.
6. Leia repetidamente a sugestão até familiarizar-se
com ela.
7. Leia a sugestão ou pense nela de cinco a dez vêzes
antes de hipnotizar-se. Depois deixe a sugestão flu­
tuar em sua mente.
[SEÇ Ã O I I I ]

A REEDUCAÇÍO
10

COMO A AUTO-HIPNOSE PODE


AJUDA-LO A AUMENTAR A FÉ

e s t a se ç Ao com o assunto de fé, por uma razão


Co m e ç a m o s
lógica. Já atentamos para o fato de que a hipnose é um
“ fenômeno de convicção” . Quando substituímos a palavra
convicção por “ fé” ou “ crença” , começamos a compreender
a importância da questão de fé. A expressão fé ou crença,
da maneira usada neste livro, não tem qualquer referência
a qualquer fé ou crença religiosa. A palavra fé significa
crença, confiança ou convicção.
O sr. Claude M. Bristol, em seu livro, The Magic of Belie-
ving, publicado por Prentice-Hall, Inc., chama a atenção para
o fato de que a crença é o denominador comum para todos
os fenômenos milagrosos.
Você já pensou alguma vez se as coisas inusitadas sôbre
as quais você leu ou ouviu dizer são verdadeiras? A maioria
das pessoas não dá crédito ao miraculoso, dizendo: “ Não
acredito. É um truque etc.” Não obstante, há prova posi­
tiva de que os aborígines das ilhas do Pacífico andam sôbre
pedras aquecidas a cêrca de 800 graus centígrados. Mo­
radores das montanhas do Kentucky têm sido picados por
cobras venenosas durante os serviços religiosos, sem sofrer
qualquer fatalidade. Têm ocorrido curas nas reuniões em
lugares sagrados, para as quais os médicos não têm uma
explicação.
Quando consideramos o papel que a fé desempenha nestes
acontecimentos, talvez tenhamos de reavaliar os milagres re­
gistrados nas Escrituras cristãs e judaicas e em outros es­
critos antigos. Considere e compare o aborígine caminhando
sôbre pedras quentes, um homem mantendo um cigarro aceso
contra a pele quando auto-hipnotizado, o relato bíblico das
três crianças hebréias entrando na fornalha acesa. Nos três
exemplos, as pessoas estão expostas a um calor tremendo que
deveria causar grande dano. E, no entanto, nenhuma sofre
qualquer queimadura. Qual a explicação lógica para isto?
Examinemos o que ocorre.
Antes de o aborígine aventurar-se a andar sôbre os car­
vões em brasa, êle recebe uma bênção especial do sacerdote.
Êle então caminha sôbre as pedras aquecidas para demons­
trar sua fé e o poder de sua deidade. Os homens auto-hip-
notizados que queimam a pele com a brasa do cigarro con-
venceram-se de que a carne está anestesiada. Êles nem sen­
tem dor e no local não forma bôlha d’água. Sua crença é
tão eficaz que o subconsciente reage de maneira a torná-los
imunes à dor e ao dano. Shadrach, Mechach e Abednego
acreditavam que Jeová os livraria da fornalha, e Êle assim
o fêz. Convicção de crença é o fator comum em todos três
acontecimentos inusitados. Todos êstes homens tinham di­
ferentes objetos de fé. O aborígine tem fé em seu sacerdote
pagão e em deus também pagão. Jeová foi o objeto da fé
dos hebreus dentro da fornalha. O homem usando auto-hip­
nose tem crença na ciência da hipnose. Ainda que tenham
diferentes objetos de fé, todos têm sucesso.
FÉ E CRENÇA APLICADAS AO CAMPO MÉDICO

A fé e a crença também são bastante importantes no cam­


po da medicina. Um grupo de médicos competentes estima
que setenta 6 cinco por cento de tôdas as doenças são de
natureza psicossomática. Isto quer dizer que três em cada
quatro pessoas têm moléstias psicossomáticas. Psicossomá­
tica é palavra que significa psique (mente) e soma (corpo).
Refere-se à moléstia que é causada principalmente por fa­
tores mentais ou emocionais. Os médicos falam em sintomas
funcionais. Uma pessoa sofrendo de um distúrbio funcional,
terá certos sintomas fisiológicos, mas fisicamente, estará bem.

CASO PSICOSSOMÁTICO DE ATAQUE


CARDÍACO

Certa vez, um médico mandou-me uma paciente que estava


tendo ataques cardíacos que não eram realmente ataques
cardíacos. Isto parece um tanto confuso, portanto, permi­
tam-me explicar. A paciente tinha aproximadamente qua­
renta e cinco anos de idade e sofria de algo parecido com
moléstia do coração. Tinha tido quatro ataques, durante os
quais havia sentido fortes dôres no peito e em duas ocasiões
tinha chegado a perder os sentidos. O médico hospitalizou-a
e fêz todos os testes possíveis, os quais provaram que fisica­
mente a senhora estava muito bem. Devemos observar que
fisiològicamente a senhora estava sofrendo de falta de ar,
dor no peito e outros sintomas de ataque cardíaco. A mente
subconsciente tinha sido convencida erroneamente. Não obs­
tante, ela agia, produzindo certas reações no sistema nervoso.
Para esta senhora, as reações eram reais.
Depois de trabalhar com a paciente durante curto tempo,
consegui descobrir muitas razões para seus pseudo-ataques
cardíacos. No passado ela havia feito coisas pelas quais jul­
gava que devia ser punida. Era convicção profunda em sub­
consciente de que ela deveria sofrer e até mesmo morrer.
Julgava-se culpada da morte da mãe. Esta havia morrido
no ano anterior de um ataque cardíaco e, em resultado, a
filha estava punindo-se com dôres no coração. Seu subcons­
ciente estava convencido de que ela necessitava de puniçãç
e em conseqüência ela agia de acôrdo com a crença.
Você pode pensar e fazer-se ficar doente. O mesmo se
aplica a ficar curado. Duas das coisas mais importantes
em recobrar a saúde são o desejo de ficar bom e a crença
de que ficará realmente bom.

A FÉ PODE CONSEGUIR O IMPOSSÍVEL

A fé não somente faz com que as pessoas se tornem doen­


tes e fiquem boas, como também pode inspirar os homens a
realizar o impossível.
Evidentemente, Colombo não podia provar que os ameri­
canos existiam, mas tinha crença na sua existência. Com
base nesta convicção, dispôs-se a descobrir o que não tinha
sido descoberto. Quando um astronauta sai numa viagem,
êle sabe onde está indo. Isto é mais do que Colombo
sabia. Ainda que possam negá-lo, todos os homens que já
realizaram alguma coisa na vida têm sido homens de fé. A
fé tem construído impérios! A fé tem aberto novos cami­
nhos! A fé tem alargado os horizontes e dado esperança
aos povos!
Os Estados Unidos foram feitos com a fé. Nos tempos
primitivos, a palavra de um homem era realmente uma obri­
gação. Se esta confiança não existisse, os Estados Unidos
não poderiam ter chegado até onde chegaram. Um amigo
meu que negocia com gado já efetuou transações no valor
de 50.000 dólares, baseado simplesmente na palavra de um
criador do Michigan. Embora vivamos fazendo queixas, nós,
norte-americanos, temos grande fé em nosso govêrno. Temos
fé em nossa economia, em nossa maneira de viver, em nosso
destino. Acima de tudo, temos fé um no outro. Pensemos
nos milhões de dólares que diàriamente são concedidos em
crédito, de americanos para americanos. Um exemplo vi­
vido de nossa confiança mútua está no fato de que não apenas
usamos papel-moeda garantido pelo governo, mas usamos
também cheques, que são garantidos apenas pela assinatura
de um indivíduo. Em outras palavras, a palavra de um
norte-americano ainda é, em grande extensão, uma obrigação
de verdade.
Todos os homens têm f é ! Sem ela, você não poderia viver.
O sistema econômico dos Estados Unidos estagnaria se não
houvesse fé. Você tem fé que o sol se erguerá amanhã e
acredita que estará vivo amanhã cedo. Você também acre­
dita que irá trabalhar amanhã. Talvez você nunca tenha
pensado em fé nestes têrmos. Fé, ou crença, não tem de
restringir-se às crenças místicas e ao credo religioso.
A fé é um mecanismo que você está utilizando em todos os
momentos de sua vida: fé nas pessoas, fé numa série de
fatos, fé no que você está fazendo e fé em você mesmo. A
crença está envolvida em quase tôdas as atividades de sua
vida.
Na verdade, existem poucas coisas neste mundo sôbre as
quais você tem conhecimento completo. Sôbre a maioria das
coisas você tem apenas conhecimento parcial. Por exemplo,
você tem conhecimento parcial sôbre o Sol e a Terra. Com
base neste conhecimento parcial você acredita que o sol se
erguerá pela manhã. Você acredita que êle se erguerá, mas
não pode provar que isso acontecerá.

AS LIMITAÇÕES DO CONHECIMENTO PESSOAL

O conhecimento pessoal é outro reino em que estamos muito


limitados. A maioria do conhecimento que temos nos é trans­
mitido. A única coisa que podemos chamar de conhecimento
pessoal é o que pessoalmente vimos, ouvimos ou experimen­
tamos. No entanto, existem muitas coisas em que acredi­
tamos e que jamais experimentamos. Acreditamos que Co­
lombo descobriu a América, que dois mais dois são quatro,
que a Terra é redonda, e em muitas outras coisas, tudo em
decorrência do conhecimento transmitido. Relativamente ap
conhecimento pessoal, acreditamos porque tivemos a expe­
riência. Quando temos fé no conhecimento transmitido, acre­
ditamos na palavra dos outros. Crença é aceitação. Você
aceita ou toma a palavra de outrem. Ao exercer a fé, você
dá e recebe.
Uma vez mais, permita-me enfatizar que fé ou crença é
uma parte muito importante de seu ser. Você não poderia
viver sem isso! Todos os homens normais têm fé!

EFICÁCIA DA FÉ FORTALECIDA POR HIPNOSE

A crença é uma fôrça tremenda em nossa vida. Isto é es­


pecialmente verdade quando a ela acrescentamos hipnose ou
auto-hipnose. Quando a mente subconsciente está convencida,
começa a agir. Por conseguinte, é imperativo que tenhamos
a certeza de que a mente subconsciente acredita nas coisas
certas. Comecemos por adquirir a certeza de que temos a
espécie correta de fé.
A espécie certa de fé será uma fé positiva, realística, li­
mitada e ativa.
A expressão de sua crença determina se você tem fé ne­
gativa ou positiva. A descrença é a fé de maneira negativa.
Um homem cuja fé é negativa diz: “ Não acredito em nin­
guém e em coisa alguma” , ou “ Não confio nêle” . Um homem
desta espécie leva uma vida de desconfiança e de descrença.
Tôdas as suas energias são gastas em provar que não se pode
confiar em ninguém. Sua vida toda é uma negação.
O homem cuja fé é positiva diz: “ Confio nêle no que tange
a suas ocupações” , ou “ Em questões financeiras, confio nêle” .
De um modo ou de outro, sempre temos de confiar em alguém.
Isto não quer dizer que você seja estúpido ou ingênuo. Quer
simplesmente dizer que você usa a abordagem positiva. Você
tenta encontrar no homem o bem e não o mal.
Você já notou como certas pessoas têm boa vontade em
descobrir e explorar o que acreditam ser maldade nos outros?
Se ouvem dizer alguma coisa boa sôbre alguém, não se dão
ao trabalho de repeti-la, mas se ouvem algo de mau, não
podem conter-se até que tenham espalhado o caso. Tais pes­
soas mastigam o murmúrio! Digerem a maledicência! O
prazer de suas vidas é banharem-se nas dificuldades alheias.
Invariàvelmente, estas pessoas têm fé negativa. A fé nega­
tiva faz secar e destruir sua vida e a das pessoas que as
rodeiam. Ela sufoca o progresso e a ambição. Mata e destrói
o bem. Todos os princípios do que é direito são aniquilados
pela fé negativa, portanto, livre-se dela. Com a fé negativa
você jamais vencerá. Evite os que são assim e cerque-se dos
que têm fé positiva.
Um homem com fé positiva terá pensamentos pósitivos e
será possuidor de características positivas. A êste homem
só poderá acontecer uma coisa — ter sucesso. Tôdas as for­
ças do universo criado por Deus estão a sua disposição. Es­
force-se diàriamente para conseguir êste atributo, a fé po­
sitiva.

OS ELEMENTOS DA FÉ POSITIVA

Se você deseja uma fé eficaz e positiva, esta tem de ser


realística. Fé baseada em fatos. Pense nas coisas ridículas
que certas pessoas acreditam. Aceitam idéias das quais não
existe a menor prova. Com muita freqüência estas idéias
sem base torcem e desfiguram-lhes as vidas, roubando-as da
felicidade e forçando-as a viver em mêdo e ansiedade.
É surpreendente como homens que têm bom grau de ins­
trução agarram-se a idéias supersticiosas que os atrapalham
e lhes causam prejuízos. Tais homens possuem algumas das
verdades do Século XX, mas não permitem que a verdade os
liberte. Absurdo como possa parecer, êles são como os ho­
mens de Neandertal com diplomas de faculdades. Têm ins­
trução relativamente ao seu trabalho, mas não como saber
viver.
A fé realística não é uma contradição da fé positiva. Uma
complementa a outra. A fé positiva é um método para de­
terminada situação. Você procura o bem. É seu desejo ter
fé positiva. A fé realística dirige você para o que você pode
acreditar. Por exemplo, suponhamos que você seja um em­
pregador e um homem chega para pedir-lhe emprêgo. Ao
verificar as referências que êle traz, você vê que êle foi
despedido de um emprêgo três anos atrás. Foi demitido por­
que um problema conjugal lhe afetava o trabalho. Desde
então, tudo corre bem em sua casa. Êle tem boa recomen­
dação de seu último empregador. Se exercer fé negativa,
você não lhe dará emprêgo. Se você tiver fé positiva, ava­
liará os fatos e determinará no que acredita relativamente
ao homem. Com base no testemunho, você pode acreditar
que os problemas conjugais do candidato foram solucionados
e que êle é capaz de trabalhar bem. O racionalismo dirige
a fé positiva. Quando ambos se juntam, são inconquistáveis.
Sua fé baseia-se no melhor conhecimento que existe a sua
disposição. Fé positiva sem realismo seria fatal.
Algumas pessoas confundem tolice com fé. Insultam Deus
dirigindo-Lhe a estupidez que têm. Certa vez um homem
disse que nunca precisou comprar gasolina. Disse que tinha
fé e por isso Deus enchia-lhe o tanque de gasolina para que
êle pudesse ir à igreja. Isto poderia parecer um exemplo um
tanto extremado, mas situações como esta são diàriamente
apresentadas no drama da vida.
Já que a crença desempenha papel tão importante em
nossa vida, e já que o subconsciente aceita sem crítica o que
quer que se lhe ofereça, existe a necessidade de têrmos cer­
teza de que somos positivos e realísticos em nossas crenças.
Para que tenhamos fé realística, precisamos aprender a
limitar a fé de acôrdo com o objeto que ela tem em mira.
~Não devemos ter num homem o mesmo grau de fé que temos
em Deus, assim como também não é inteligente confiar igual­
mente em todos os homens.
Se você é um crente devotado em Deus, você n* Êle confia
implicitamente e sem reservas, porém sua fé num indivíduo
é limitada pelo que você sabe a seu respeito. No homem ho­
nesto você confia como homem honesto. No desonesto você
desconfia como desonesto. Êste é outro exemplo da fé realís­
tica positiva e ilustra uma vez mais como todos êstes fatores
se acham inter-relacionados.
Uma das principais razões por que as pessoas sofrem
mágoas é que elas têm a fé errada na pessoa errada. Con­
fiar completamente em qualquer ser humano é o máximo da
tolice. Não faz muito tempo, um jovem sentou-se em meu
consultório e aos soluços contou-me a história d» infideli­
dade da espôsa. Mais tarde, êle teve de passar uma tempo­
rada numa instituição de saúde mental, a fim de reconquistar
o equilíbrio emocional. Antes de prosseguir, permita-me di­
zer que é minha crença que você precisa acreditar e confiar
em seu marido ou espôsa. Esta confiança, no entanto, deve
ser limitada pelo fato de que somos todos humanos. Os hu-
»

manos modificam-se. Somos criaturas da emoção. É possível


ferirmo-nos uns aos outros.
É compreensível que êste jovem tenha sentido um choque
imenso ao descobrir a infidelidade da espôsa. Porém, porque
tinha por ela uma fé sem reservas, irrealística e ilimitada,
tornou-se mental e emocionalmente desequilibrado. Isto
constitui um exemplo de imaturidade quanto a crença.
Como criança, você tem fé ilimitada nos pais. Isto pode
aplicar-se também a outras figuras de autoridade de sua
juventude. Se seus pais dizem que a lua é feita de queijo
fresco, você acredita. Você confia implicitamente nêles e em
suas pãlavras. Durante o processo de amadurecimento, você
começa a limitar sua fé em seus pais. Você ainda acredita
nêles, mas o tipo de fé já é diferente. É uma fé limitada. A
realização de que êles são humanos e falíveis, de que êles
podem e cometem enganos, limita a fé que você pode ter em
seus pais.
%

LIMITAÇÕES DA FÉ REALÍSTICA

Observe que uma fé realística é autolimitada. Ela limi­


ta-se automàticamente de acôrdo com o conhecimento que
tem relativamente ao objeto da fé.
Certos indivíduos jamais amadurecem ou aprendem a li­
mitar a confiança nos pais. Mesmo aos quarenta ou cin­
qüenta anos de idade, consideram a opinião dos pais como
infalível. A palavra do marido ou mulher de tal indivíduo
nada significa. Com efeito, esta é uma situação triste para
a pessoa que se acha assim afetada, e é ainda mais triste
para o casamento.
Enquanto outros amadurecem relativamente ao limite de
confiança nos pais, sentem, não obstante, a necessidade de
projetar confiança ilimitada em quem quer que seja. No caso
do jovem com a espôsa infiel, a fé ilimitada tinha sido pro­
jetada na espôsa. Êste é um tipo comum de situação nos
Estados Unidos, onde se enfatiza um tipo neurótico de amor
como base para o matrimônio. A tragédia está em que, de­
pois que a “ neurose” enfraquece, começam os aborrecimentos.
Outros há que projetam a fé ilimitada em alguma outra
pessoa ou parente. Muitas vêzes é um clérigo, um professor,
uma figura política, um artista de cinema, ou qualquer outra
personalidade.
Com bastante freqüência alguém vem dizer-me que foi
magoado por seu ministro religioso. Invariàvelmente, veri­
fico que tal pessoa considera o ministro, não como um mi­
nistro ou ser humano, nem mesmo como um homem feito
por Deus, mas o próprio Deus. Um dia, tal pessoa torna-se
consciente do fato de que seu pastor é humano e que, como
humano, é falível. Na realidade, a pessoa não está magoada
pelo ministro, mas por sua própria fé errônea.
Lembre-se de que você deve limitar sua fé ao objeto da fé,
sem o que ela não poderá ser positiva e realística.

A AÇÃO DA FÉ É ESSENCIAL

Outro atributo importante que sua fé deve possuir é o da


atividade. Você deve ter uma fé ativa! A fé inativa está
morta! A única maneira pela qual você pode provar sua fé
é agindo.
Você poderia sentir que deveria fazer mais em sua ocupa­
ção, em sua casa, em sua comunidade e em sua igreja, se
tivesse mais fé. Existem certos indivíduos que você admira
e respeita como homens e mulheres de grande fé. Se êste
fôr o seu caso, vou revelar-lhe algo que pode mudar com­
pletamente sua vida. Ouça as palavras do Mestre: “ Porque
em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de
mostarda, direis a êste monte: Passa daqui para acolá —■
e há de passar; e nada vos será impossível.”
Você já viu um grão de mostarda? Não é muito grande,
é? De fato, é bem pequeno. Você mal pode vê-lo. “ Fé como
grão de mostarda” — não uma grande fé, mas um pouquinho
de fé ! Um pouco de fé com potencial para crescimento! A
semente da mostarda, quando plantada, crescerá numa gran­
de planta. Jesus estava enfatizando a importância de usar
a fé que você tem. Não importa quão pequena, sua fé pode
mover uma montanha! ültimamente você tem removido al­
gumas montanhas? Comece a usar e exercitar esta poderosa
ferramenta que chamamos de fé. Comece a mover monta­
nhas!
Um braço, ou uma perna, jamais usado, eventualmente
seca e torna-se inútil. A fé que não é exercida de maneira
positiva torna-se inútil. Uma semente que jamais é plantada
não cresce.
Quando a fé é exercitada, ela começa a crescer. À medida
que sua fé cresce, você torna-se capaz não apenas de remover
uma montanha; você pode remover montanhas! Comece a
realizar: “ Tudo é possível para os que crêem” .

EXEMPLO DA FÉ EM AÇÃO

É uma experiência maravilhosa ver a fé germinar e cres­


cer. Uma jovem chamada Alice, que sentia a vida arruinada,
veio ver-me há algumas semanas. Sua infância tinha sido
agitada e insegura por causa de um pai alcoólatra e uma
mãe amargurada. Um jovem que havia prometido casar-se
com ela acabava de abandoná-la. A moça sentia-se comple­
tamente rejeitada e odiava o mundo. Sentia que não podia
confiar em ninguém. Para ela, a vida nada mais era que
um vazio e uma vaidade.
Deixei-a expressar-se e ventilar suas hostilidades. Depois
disso, disse-lhe que a depressão, o mêdo e a hostilidade exis­
tiam porque em seu subconsciente ela estava convencida de
que o mundo era odioso. A mente subconsciente, por sua
vez, liberava estas emoções de volta em sua vida. Depois de
algumas sessões de orientação, Alice começou a ter fé no­
vamente. Seu semblante mostrava um sorriso adorável e sua
atitude tôda mudou. No escritório, as colegas de trabalho
notaram a diferença, e o supervisor deu-lhe substancial au­
mento de salário porque seu trabalho havia melhorado. Que
i oi que ocasionou a modificação? A hipnose e a auto-hipnose
*oram usadas para encher-lhe a mente subconsciente com fé
positiva, realística, limitada e ativa. Ela aprendeu que se
pode confiar nos outros, mas de maneira realística e limi­
tada. Hoje, Alice sente-se segura e é capaz de agir eficaz­
mente em seu modo funcional e social.
O caso de Alice era sério, mas não tão desesperado como
outra situação com que tive de lidar. Alice sabia que havia
algo errado e procurou auxílio. Compreendendo sua neces­
sidade e reagindo a ela, isto pode significar tudo quando uma
pessoa tem um problema.

A FÉ EFICAZ CUROU ESPÔSA ALCOÓLATRA

Anos atrás fui procurado por um homem que tinha um


problema. O problema era a espôsa, totalmente alcoólatra.
Estavam casados havia 21 anos e tinham quatro filhos entre
a adolescência e a juventude. Nos últimos cinco anos, ela
embriagava-se todos os dias. A filha mais velha havia pas­
sado a ocupar o lugar da mãe e o papel de dona de casa.
Quando êste homem voltava do trabalho podia encontrar a
mulher em casa ou não. Se estivesse em casa, provàvelmente
estaria embriagada. Sua embriaguez afetava os filhos de
tal modo que êstes não a respeitavam. De fato, desejavam
que o pai se divorciasse. Foi por isto que êle veio ver-me.
Tinha pensado em divórcio muitas vêzes, mas ainda amava
a espôsa e queria que ela fôsse a mãe e espôsa que já havia
sido. Embora me estivesse procurando para auxiliar, já a
mulher não queria auxílio algum. Ela sentia que seu caso
não tinha esperança e recusava-se a vir ver-me.
Depois de ter-me aberto seu coração, eu disse ao homem
que dentro da espôsa, muito profundamente, havia ainda um
diminuto clarão de fé. Se quisesse salvá-la, êle deveria ter
fé por ela. Observe, não meramente fé na espôsa, mas fé
por ela. Êle não conseguiu compreender exatamente o que
eu queria dizer e, por isso, expliquei-lhe que se ela não tinha
confiança em si como pessoa e não tinha fé em suas aptidões,
cabia a êle acreditar por ela. Queria que êle dissesse à espô­
sa que tinha vindo procurar-me e o que eu havia recomendado.
Êle não acreditou muito que a coisa surtisse efeito, mas disse
que tentaria.
Durante as duas semanas seguintes expressou sua fé na
espôsa e demonstrou-lha. Tratou-a como se ela não fôsse
uma alcoólatra, e ajudou-a de tôdas as maneiras possíveis.
Quando voltou a ver-me, disse que a melhoria tinha sido bem
pequena. Oramos juntos e eu pedi a Deus que lhe desse
fôrças para continuar. Finalmente, após seis semanas, a
espôsa veio com êle ao meu consultório. Fazia séis dias que
estava sóbria e agora queria auxílio. Para ela, parecia que
alguém tinha alcançado o mais íntimo recesso de sua alma
dando nova vida e energia à pequena quantidade de fé que
lá existia. Não demorou, muito para que ela renovasse seus
votos para com Deus e sua igreja. Sua vida e seu lar foram
restaurados porque o marido a amava bastante para ter fé
nela e por ela.
Neste interregno, o marido também tornou-se uma pessoa
muito melhor e mais forte. Cada vez que você tem fé por
alguma pessoa, sua própria fé se fortalece.

PROGRAMA DIRETOR PARA DESENVOLVER


E AUMENTAR A FÉ

Consideremos agora um plano construtivo, por intermédio


do qual podemos desenvolver e aumentar a fé que temos
estado a discutir.
A palavra “ fé” , pode também significar “ credo” , e pres­
ta-se para um bom acróstico.*

CConsiga esquecer falhas passadas e pense em sucessos


passados.
R Retempere sua fé, tornando-a atuante.
E Estabeleça novas metas. Dê a você mesmo um M.E.D.P.
para fé.
D Deus está com você para o triunfo sôbre todos os obs­
táculos.
O Ore e tenha esperança num futuro glorioso.

* O parágrafo inteiro marcado pelo asterisco é uma adaptação. No


original o acróstico é feito com a palavra inglesa FAITH, que quer dizer
fé; induzimos o significado de fé em CREDO para que a seção inteira não
fique prejudicada. (N. do T .)
“ C” significa consiga esquecer os fracassos passados e pense
nos sucessos passados. Pensar em tôdas as coisas más e infe­
lizes da vida não auxilia a quem quer que seja. Todos nós
temos tido momentos difíceis. Fixar a idéia sôbre tais coisas
só realiza uma coisa: convence nosso subconsciente de que
tudo tem sido difícil e será sempre difícil. Isto instilará
uma tenaz fé negativa em nosso ser. Se, ao pensarmos no
passado, dirigirmos nossos pensamentos para as coisas boas,
felizes e de sucesso que já experimentamos, desenvolveremos
poderosa fé positiva. A menos que tenhamos prazer em sen­
tir pena de nós mesmos e em banharmo-nos em autopiedade,
encontraremos facilidade em conseguir pensar tanto nas coi­
sas boas como nas más.
Conseguir isto, no comêço, pode carecer de algum esforço,
mas você pode fazê-lo. É uma boa idéia não pensar muito
sôbre o passado, mas quando isto acontecer, pense em coisas
boas. O passado está passado. Jamais pode ser desfeito e
trazido de volta. Você está vivendo hoje e é importante que
viva hoje ao máximo. Os que vivem no passado, estão mera­
mente existindo; não estão vivendo.
“ R” significa retemperar sua fé, agindo. A fé sem fina­
lidade está morta. Você já percebeu que muitos fracassados
são pessoas que têm inúmeras idéias, mas que jamais fazem
qualquer coisa por elas? Se você tem fé em alguma coisa,
aja. Você acredita que sua escola necessita de uma nova
biblioteca ou que sua igreja necessita de um nôvo prédio.
Talvez você acredite que está precisando de nova mobília.
Bem, aja sôbre esta convicção. Retempere sua fé e ponha-a
em ação. Na média, os indivíduos ficam à espera de que
alguém faça o que tem de ser feito. Que não seja você êsse
indivíduo.
Se você pensa que é necessário aumentar sua renda, co­
mece a pôr a fé em ação. Você poderá ficar surpreso com
o que acontecerá.
“ E ” significa estabelecer novas metas e seguir avante
todos os dias. Não deixe a vida passar! Não se deixe estag­
nar! As pessoas que realmente permaneceram vivas até que
passaram para outra vida, foram as que mantiveram a mente
alerta. Constantemente elas buscaram novos horizontes e
sondaram nos campos de empreendimento. Churchill e Eins-
tein são dois exemplos bem conhecidos desta verdade, e exis­
tem muitos outros.
“ D” significa que Deus, em quem você confia, fará você
triunfar sôbre todos os obstáculos.
“ O” significa oração para ajudar na esperança de um bom
e glorioso futuro. A esperança é o aspecto avançado da fé.
A ciência moderna e a tecnologia estão trazendo um nôvo
e maravilhoso dia na história da existência do homem. Ore­
mos para que seja um mundo maravilhoso e não um mundo
mal dirigido.
Um homem sem esperança é um homem sem fé positiva.
Seu futuro pode ser o que você espera ser!
Ponha em prática estas cinco coisas, e você realizará uma
fé positiva em sua vida.

SUGESTÃO DE AUTO-HIPNOSE PARA


AUMENTAR E MELHORAR SUA FÉ

Use a seguinte sugestão, quando em estado de auto-hipnose,


pelo menos uma vez por dia, durante trinta dias: Porque eu
quero (você deve inserir aqui o seu M.E.P.D.) sempre ex­
presso uma fé positiva. Esta crença é limitada pelo objeto
da fé. Sempre mantenho uma fé ativa e vigorosa.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. Já que a hipnose é um “ fenômeno de convicção” ,


a fé e a hipnose estão intimamente relacionadas.
2. O “ fenômeno da crença” é a única coisa que explica
os acontecimentos mais milagrosos.
3. Fé e crença desempenham um papel importante
no campo da medicina.
4. A fé tem inspirado os homens a conseguir o im­
possível.
6. Os Estados Unidos estão construídos sôbre fé.
6. Todos os homens têm fé ; sem ela não poderiam
viver.
7. A fé correta é composta de quatro elementos t
(1) É fé positiva.
(2) É fé realística.
(3) É limitada pelo objeto da fé.
(4) É fé ativa.
8. Algumas vêzes você precisa ter fé pelos outros.
9. Foi dado um programa de cinco pontos para me­
lhorar sua fé, aumentando-a.
10. É dada uma sugestão de auto-hipnose para aumen­
tar sua fé.
COMO A AUTO-HIPNOSE
.1
PODE AUMENTAR
SUA AUTOCONFIANÇA

A f a l t a de c o n p ia n ç a é a mais comum de tôdas as pertur­


bações psicológicas. “ Eu não tenho autoconfiança” , tornou-se
frase comum, englobando muita coisa, e que pode significar
algo muito trivial ou algo de natureza mais séria. A falta de
confiança própria é a raiz de muitas dificuldades. Pode cau­
sar extremo desespero e, em algumas situações, sérios em­
baraços para a pessoa afetada.

O indivíduo que não tem confiança em si próprio jamais


terá êxito completo. Isso pode causar-lhe a perda da posição
que ocupa ou impedir que progrida em seu trabalho. Pode
até mesmo impedi-lo de casar-se! As amizades fortes e legí­
timas podem não estar ao alcance dos que não têm confiança
em si próprios. Tais pessoas passam pela vida, sem a expe­
riência de aventuras, romance e novas sensações. Uma coisa
é certa: o indivíduo que sofre de falta de autoconfiança perde
muitas das coisas boas da vida.
QUE É FALTA DE AUTOCONFIANÇA?

Antes de irmos adiante, convém explicarmos o que quere­


mos dizer por “ falta de autoconfiança” . Tenho lido nume­
rosos artigos sôbre o assunto, mas em nenhum encontrei o
significado de falta de confiança. A chave para compreensão
de autoconfiança está na reformulação da expressão. O que
verdadeiramente você quer dizer com a asserção: “ Não tenho
confiança em mim mesmo” , ou “ Tenho falta de autoconfian­
ça” ? Para obter resposta às perguntas, basta substituir a
palavra “ confiança” por outras palavras que bàsicamente
significam a mesma coisa, mas que trazem à sua mente o
impacto do que você está exprimindo: “ Eu não confio em
mim.” “ Não tenho fé em mim,” “ Desconfio de mim.” Ao
dizer que não tem autoconfiança, o significado é que não
confia em você mesmo! Não tem fé em você mesmo! É da
máxima importância que isto seja compreendido, porque não
poderá enfrentar o problema a menos que saiba o que êle é.
Ao possuir autoconfiança, você acredita em você mesmo,
confia em você mesmo e tem fé em você mesmo. A falta de
autoconfiança pode ser dividida em duas categorias. Costu­
ma-se dizer que um indivíduo que tem falta de confiança em
si próprio, de modo quase completo, sofre de um complexo
de inferioridade. Uma pessoa dêste tipo é quase totalmente
sem autoconfiança. (Observe que eu disse quase totalmente,
porque ninguém pode deixar de ter confiança própria, ainda
que seja em dose mínima. Os que julgam possuir autocon­
fiança são os que, subconscientemente, estão convencidos de
sua aptidão para enfrentar a vida, sejam homens ou mulheres.
Acreditam que podem fazer o que quer que seja que a vida
lhes exija. Possuem a maravilhosa faculdade da elasticidade.
Podem cair aos ataques, mas erguem-se imediatamente).
A outra categoria geral de autoconfiança, ou falta dela,
é exemplificada pelo indivíduo que bàsicamente parece ser
confiante, mas dela tem falta em certos segmentos de sua
vida. Todos têm certas áreas da vida em que são confiantes
e outras em que têm falta de confiança. O fenômeno varia
de um indivíduo para o outro. Certas pessoas possuem con­
fiança na maioria dos segmentos de suas vidas. Outras têm
muito poucos segmentos em que realmente se sentem con­
fiantes. Nenhuma pessoa tem falta absoluta de autoconfian­
ça, assim como nenhuma é completamente autoconfiante. O
homem que chamamos de autoconfiante é bàsicamente o que
confia na maioria dos aspectos de sua vida, ao passo que o
que tem um complexo de inferioridade, sofre da falta de
confiança na maioria das áreas de sua vida.
Todos nós temos mais confiança em certas áreas do que
em outras. Você poderia ter grande autoconfiança no que
diz respeito ao seu trabalho, mas ser muito pouco confiante
relativamente a situações sociais. Talvez você não sinta em­
baraço em dirigir a palavra a uma pessoa, mas ser-lhe-ia
muito difícil fazê-lo a um grupo. Você pode ser muito auto­
confiante num campo de futebol, mas pode ficar terrivel­
mente assustado num salão de baile. Um homem de negó­
cios pode sentir-se perfeitamente em casa e auto-seguro em
seu escritório, mas pode sentir-se pouco à vontade em pre­
sença de pessoas muito instruídas. A mãe pode sentir-se
segura e confiante no lar, mas quando tem de tomar parte
nas reuniões em que participam os colegas do marido, des­
morona-se. O filho pode ter grande autoconfiança nos es­
portes, mas não tem fé em sua aptidão para obter boas
notas na escola.

A NATUREZA DA AUTOCONFIANÇA

Nosso último capítulo versou sôbre a fé e nêle salientamos


o papel vital que ela desempenha em nossa vida. Foram
dadas também algumas orientações quanto ao modo de usar
eua fé. Notemos agora as cinco direções em que a fé deve
aer exercida. Ela deve ser dirigida para cima, para dentro,
para fora, para frente e para trás. O aspecto ascendente da
fé é aquêle que você tem em Deus. O aspecto interno, é a
fé em você mesmo. O aspecto externo é a fé nos sêres hu­
manos. O aspecto para frente, é a fé no futuro. O aspecto
retrospectivo é a fé no passado.
Outra maneira de fazer êste enunciado, que demonstrará
a relação que tudo isto tem com o problema da autoconfiança,
é substituir a palavra fé por confiança. O aspecto ascendente
da fé é a confiança em Deus. O aspecto interno da fé é a
autoconfiança. O aspecto externo da fé é o que chamo de
confiança humana ou confiança nos sêres humanos. O aspecto
prospectivo da fé é a confiança no futuro. O aspecto re­
trospectivo da fé é a confiança histórica ou tradicional.
Fiz tôdas estas assertivas pela razão seguinte: cada aspecto
da confiança ou fé está relacionado ao todo. Em outras pa­
lavras, se vôcê tiver em Deus uma fé fraca ou irrealística,
você terá confiança fraca ou irrealística em você, nos outros,
no passado e no futuro. Invariàvelmente, o homem que tem
falta de autoconfiança, tem falta de fé em Deus, nos homens,
no passado e no futuro. Isto pode não ser evidente à super­
fície, mas indo até a raiz do problema você verá que é um
fato. Por exemplo, um selvagem que acredita num deus
cruel e vingativo, geralmente é cruel para si mesmo e para
seus iguais, tendo pouca esperança no futuro. A pessoa que
acredita em si mesma, geralmente tem mais facilidade em
acreditar em Deus, em seus semelhantes e no futuro.
Uma objeção que alguém poderia levantar é : De que modo
isto se aplica a um ateu? A resposta é relativamente sim­
ples. Quando o ateu diz: “ Não acredito em Deus” , o que na
realidade êle está dizendo é: “ Não acredito no conceito tra­
dicional e ortodoxo de Deus.” Êle acredita na deidade do
humanismo. Sua crença no ateísmo torna-se sua deidade.
Com muita freqüência encontramos um ateu que é mais de­
votado a sua “ fé” do que a média dos cristãos. Subsiste
ainda o fato de que cada aspecto da fé ou confiança se acha
relacionado aos quatro demais aspectos. Se um ateu tem pro­
funda fé em sua “ deidade” , êle terá grande fé em si mesmo,
nos outros e no futuro.
Já encontrei um ou dois homens em minha vida que me
impressionaram por não acreditar genuinamente em nada.
Quando digo “ nada” , refiro-me a Deus, a êles próprios, à
humanidade, ao futuro ou ao passado. Isto prova uma vez
mais meu ponto de vista da inter-relação da fé.
Poder-se-ia objetar dizendo: “ Conheço pessoas que não
têm confiança em si próprias, mas que têm grande fé em
Deus e em seus semelhantes.” Mas, será mesmo êsse o caso?
Talvez essas pessoas tenham mais autoconfiança do que a que
demonstram. Ou talvez o que você chame de grande fé em
Deus, na realidade seja mêdo abjeto de Deus.

COMO A AUTO-HIPNOSE AJUDOU UM


JOVEM A OBTER AUTOCONFIANÇA

Para mim é surpreendente errar sôbre esta simples verdade


quanto à natureza da autoconfiança. Sua falta de confiança
em você próprio é falta de fé própria. Você não confia em
você mesmo. Sabendo agora de que se trata, você pode co­
meçar a fazer alguma coisa sôbre o assunto.
Não faz muito tempo tive um jovem cliente que afirmava
ser sua falta de confiança o que o impedia de progredir no
emprêgo e de casar-se. Contou-me uma longa história de
fracassos sucessivos, tudo em conseqüência de não ter se­
gurança em aproveitar-se das oportunidades que lhe cruza­
vam o caminho. O amor e o casamento tinham ficado à mar­
gem, por não se sentir confiante em procurar as môças que
o atraíam. Depois de relatar-me a história trágica de sua
vida, contei-lhe qual era o significado de falta de confiança
própria, e como a fé seguia cinco direções, relacionando-se
tôdas entre si. Êle então perguntou por onde devia começar.
Deveria iniciar acreditando mais em Deus, em si próprio,
ou como? Recomendei-lhe que fizesse uma avaliação de sua
fé, a fim de determinar qual o seu ponto mais fraco e come­
çar a partir de tal direção. Daí por diante, êle deveria pros­
seguir e trabalhar nos demais aspectos de sua fé.
Decidiu êle que sua fé em Deus estava “ em muito mau
estado” . Começou a freqüentar a igreja — igreja diferente
da minha, e conseguiu adquirir forte fé em Deus. Em pouco
tempo sua confiança própria começou a surgir em ondas
sucessivas. Tornou-se capaz de travar boas amizades. As
môças já não constituíam um problema — tinha mais garo­
tas do que tempo ou dinheiro para encontrar-se com elas.
Como sempre, usei da hipnose para impressionar tais idéias
em seu subconsciente, e ensinei-lhe a arte da auto-hipnose.

COMECE COM O QUE POSSA OFERECER


MAIOR ATRAÇÃO PARA VOCÊ

Algumas vêzes aconselho a que uma pessoa comece a tra­


balhar no aspecto mais forte de sua fé ou nos demais quatro
aspectos de uma só vez. Na realidade, isso não faz muita
diferença, porque quando um segmento da fé é fortalecido,
o mesmo acontece com os demais. Comece com o que para
você exerce maior atração. Acredite que Deus é Amor. Acre­
dite que Êle sente amor por você. Acredite que Êle ama o
mundo e a humanidade. Acredite que Êle tem um glorioso
e maravilhoso futuro para você.
Muitas vêzes, a pessoa que se vangloria de sua autocon­
fiança, na verdade está muito insegura de si mesma. O indi­
víduo que tem verdadeira confiança em si próprio é como o
homem que tem riqueza de verdade. Êste não precisa sair
por aí a demonstrá-la, porque está seguro de si mesmo;
acredita em si próprio e não está tentando provar algo a quem
quer que seja. Geralmente o que mais alto fala, o que mais
se vangloria, o que mais força situações é o que tem o mais
profundo sentimento de inferioridade. Age desta maneira
num esforço para cobrir seu sentimento de inferioridade e
dar vazão a suas hostilidades.

QUE É QUE CAUSA A AUTODESCRENÇA?

Que é que faz com que um indivíduo não confie ou não


acredite em si mesmo? Nenhuma pessoa normal nasce des­
sa maneira. Um bebêzinho tem de confiar em si mesmo. Se
não o fizer, jamais aprenderá a engatinhar, andar, falar ou
alimentar-se. Tôda pessoa normal nasce dotada de confiança!
Os que sofrem de falta de autoconfiança foram ensinados a
não acreditar em si mesmos. Ensinaram-lhes “ Você não
é tão bom como os outros.” “ Você não é capaz de fazer isto
ou aquilo.” “ Isto é impossível.” “ Não faça isso porque não
é bom.” Talvez não tenham sido usadas estas mosmas ex­
pressões, porém esta foi a impressão transmitida para a jo ­
vem mente impressionável.
O pai que não permite ao filho aprender por si mesmo está.
ensinando-o a ter falta de confiança. Os pais da criança não
acreditam nela; por conseguinte, como é possível que a crian­
ça acredite em si mesma? Um indivíduo nasce com uma
fé, mas esta pode ser ou enfraquecida ou fortalecida. Se
se deve fortalecer a fé da criança, esta tem de ser cuidada
e guiada. A ela se deve ensinar novos caminhos em autocon­
fiança e confiança nos demais. Muitas vêzes isto leva tempo
por parte dos pais, além do esforço que é necessário, já que
é mais fácil fazer qualquer coisa por uma criança do que
ensiná-la a fazer por si mesma. Não quero dizer com isto que
você deve ensinar uma criança de três anos a fazer seu pró­
prio jantar e passar a própria roupa. Ensine autoconfiança
a seu filho. Ensine-lhe a fazer as coisas próprias de sua
idade. Demonstre-lhe como ficar de pé. Ajude-o a amadu­
recer emocional e fisicamente. Dê-lhe a mão para guiá-lo,
mas não a aperte demais. Deixe-o aprender a pensar por
si mesmo. De vez em quando êle se enganará — isso acon­
tece com todos nós! Quando isso acontecer com êle, acolha-o
e mostre a direção certa.
Tenho visto certos pais tratando os filhos já quase com
vinte anos como bebêzinhos de fraldas. Pessoas desta espécie
são neuróticas e doentes, e estão prejudicando os filhos. Os
pais podem fazer demais ou de menos por seus filhos. Acre­
dito, no entanto, que a criança que sofre a negligência dos
pais fica em melhor situação, pelo menos no que se refere
a autoconfiança, do que a criança com pais excessivamente
cuidadosos.
Se você tem falta de autoconfiança, ela lhe falta hoje, e
você não pode desfazer o que foi feito no passado. O que
está escrito, está escrito! O que foi feito foi feito, e é impos­
sível desmanchar o passado. Mas você pode modificar o pre­
sente e o futuro. Você pode começar a acreditar em você
mesmo. Você seria capaz de dar-me alguma razão por que
não deve acreditar em você? A resposta a esta pergunta é:
“ Não.” Você poderá ser capaz de apresentar-me algumas
desculpas, mas não poderá apresentar-me uma razão legíti­
ma por que não deve acreditar em você mesmo. As desculpas
mais comuns dos que não confiam são: “ Fracassei.” “ Comi­
go, as coisas nunca dão certo.” “ Não consigo ir adiante.”
“ Sempre me sinto nervoso.” “ Ninguém gosta de mim.” “ Não
tenho a menor ambição na vida.” “ Parece que todos estão
contra mim.” A lista de desculpas poderia ser interminável,
contudo, convém lembrar que elas são desculpas e não razões.

PASSOS POSITIVOS PARA ADQUIRIR


CONFIANÇA

Permita-me fornecer uma série de razões por que você


pode e deve acreditar e confiar em você. Use estas razões
como etapas que lhe ensinarão fàcilmente a lição valiosa mas
esquecida da autoconfiança.
Primeiro. Acredite em você mesmo, porque você nasceu
com autoconfiança. Sim, eu sei, você também nasceu preci­
sando de auxílio, mas não se amedrontava com as coisas que
tinha de fazer, e não se aborrecia com as que não podia fazer.
Creio que êste exemplo da infância nos dá a visão mais clara
possível do que é a autoconfiança. É algo que nos foi dado
por Deus. É o legado de nossa natureza. É nosso divino
direito de nascença.
Competência não é confiança. A competência pode ser um
poderoso auxílio para aumentar a confiança, mas não é si­
nônimo de confiança. Eu conheço e você conhece pessoas que
são muito competentes no trabalho e em outros setores de
suas vidas e, mesmo assim, não têm confiança em sua aptidão
para o trabalho que executam. Muitas vêzes, tais indivíduos
trabalham sob as ordens de pessoas que sabem muito menos
do que êles, mas que têm confiança em si e no pouco que
sabem. Uma criança pequena é bastante incompetente.
Quando começa a andar, freqüentemente tropeça e cai, mas
ergue-se, torna a erguer-se, até que finalmente é capaz de
andar e correr. Sua autoconfiança não é evidenciada pela
competência senão pelo fato de que continua erguendo-se
cada vez que cai. Que Deus nos ajude a reaprendermos esta
lição e desaprendermos as lições nocivas que nos são ensi­
nadas por nossos semelhantes bem-intencionados.
A criança pequena também não se preocupa com aquilo
que não pode fazer. Autoconfiança não é competência nem
é conquista. Com a palavra “ conquista” quero dizer que
você nunca será capaz de fazer tudo, porque a vida é muito
curta. Igualmente, haverá muitas coisas que serão feitas
por você, as quais você mesmo não seria capaz de fazer.
Eu não posso colocar um pêso de cento e cinqüenta quilos
em minha cabeça. Não posso correr um quilômetro e meio
em quatro minutos. Não posso ler três mil palavras por mi­
nuto. Não posso citar tudo o que Shakespeare escreveu, de
memória. Não sou tão belo como Rock Hudson. Não ganho
cinco mil dólares por semana. Não possuo um milhão de
dólares. Mando minhas roupas para o tintureiro. Vou ao
dentista para tratar dos dentes. Vou ao médico para cuidar
de minha saúde. Levo meu automóvel a um mecânico,
quando há necessidade de consertos. Mas nada disto me
preocupa. Nem mesmo invejo as pessoas que fazem o que
não posso fazer. E não me embaraça que certas pessoas
façam por mim o que eu mesmo não posso fazer. Não obs­
tante, considero-me autoconfiante, porque acredito em mim.
Certas coisas, não as faço bem, mas não perco o sono por
causa disso. Acredito que posso fazer aquilo que decido fa­
zer. Outra pessoa poderia fazê-lo melhor, mas farei o melhor
que posso, e isto é que é o importante. “ Uma criança os
guiará.” Você nasceu com autoconfiança. Competência não
é autoconfiança. A autoconfiança não inveja; nem se la­
múria.

Segundo. Você deve acreditar em você mesmo, porque


Deus o ama e acredita em você. O próprio fato de o Criador
permitir que você exista demonstra que Êle lhe tem amor e
que acredita em você. Haverá quem erga objeções a estas
assertivas e, como almas livres, é um direito que têm. Para
minha mente simples, no entanto, êstes fatos são auto-evi-
dentes. Deus acredita o suficiente para permitir que você
viva e sirva em Seu mundo. Existe uma finalidade divina
em sua existência e é importante que você descubra qual
ela é. É apenas sensatez acreditar em você mesmo se Deus
assim o faz. Êle sabe de tôdas as suas faltas e fraquezas e,
mesmo assim, confia em você.

Terceiro. Você deve acreditar em você mesmo, porque os


outros acreditam em você. Haverá quem se sinta inclinado
a discordar, mas não deixa de ser verdade. Não importa
quantas vêzes você tenha falhado ou deixado de atingir suas
metas, mas há alguém que acredita em você.
Procurou-me um homem e contou-me seus passos em falso
na vida. Eu lhe disse que ainda havia alguém no mundo que
acreditava nêle e a resposta que êle me deu foi que eu estava
louco. Disse-me que a espôsa não tinha confiança nêle nem
para mandá-lo até a padaria buscar pão. Tudo o que haviam
poupado havia sido perdido num negócio que êle tinha ten­
tado realizar, o que havia causado alvoroço na família e pro­
blemas financeiros. Perguntei ao cavalheiro se tinha filhos.
Respondeu-me que tinha dois meninos e uma menina de tenra
idade.
A fim de provar-lhe meu ponto de vista, pedi-lhe que
chamasse o filho de dez anos, o qual estava esperando. Per­
guntei ao menino que espécie de homem era o pai e o garôto
respondeu-me que era o maior do mundo. Perguntei, a se­
guir, se acreditava no pai, em sua palavra, em sua capacidade
para vencer nos negócios etc. O menino disse que acredi­
tava ser o pai capaz de fazer qualquer coisa que quisesse.
Sabia que o pai tinha tido tempos difíceis, mas ainda acre­
ditava que êle venceria.
Eis aqui alguém que acredita em você. Na verdade, todos
nós temos muita gente que acredita em nós: nossa espôsa,
nossos filhos, o garôto da esquina, nosso chefe. . . É preciso
que você não os deixe frustrados: tenha confiança própria.

Quarto. Acredite em você mesmo, pois do contrário


muitos de seus talentos deixarão de realizar-se e suas metas
não serão alcançadas. A pessoa do nível .médio é quase que
totalmente inconsciente dos talentos e dotes que possui. Tem
mêdo de tentar; tem mêdo de aventurar; e por isso, os ta­
lentos e dotes jamais são descobertos. Se a pessoa tem cons­
ciência de seus próprios dotes, pode ter mêdo de desenvolvê-
los. Tenho conhecido grande quantidade de homens e mu­
lheres que me afirmaram não ser capazes de dirigir a pa­
lavra a grupos, quando foram solicitadas a ensinar na Escola
Dominical. Mas, depois que aumentaram sua confiança em
Deus, conseguiram criar certa autoconfiança e começaram a
ensinar. Dizer que tais pessoas ficaram perplexas é falta de
ênfase; ficaram pasmadas. Talentos que durante anos es-
tavam adormecidos, foram despertados.
Um engenheiro, que havia estudado pintura, veio ver-me
certa vez; contou-me de sua frustração por não ter seguido
a carreira das artes. Logo depois de terminar o curso de
arte casara-se e tinha buscado trabalho rendoso. Assim con­
tinuou através dos anos, pintando apenas vez ou outra. Sen­
tia, no entanto, que não tinha atingido o alvo na vida, porque
não podia dedicar-se a tempo integral àquilo que mais gos­
tava. No momento, achava-se em posição financeira que lhe
permitia dedicar-se exclusivamente à arte, desde que pudesse
ganhar alguma quantia regular com a pintura. Pouco sei a
respeito de pintura, mas alguns de seus amigos pintores dis­
seram-lhe que seu trabalho era bom e que êle conseguiria
vender. O problema é que êle antes nunca havia exposto seus
trabalhos onde valesse a pena, temendo que suas pinturas
não atingissem o nível suficiente. Êste homem estava ne­
gando a si próprio a realização de sua vida, não porque não
pudesse pintar, mas porque não acreditava no que podia
fazer.

Quinto. Você deve acreditar em você mesmo, porque isto


é uma obrigação devida a sua própria pessoa. Isto desenvol­
verá sua personalidade, pondo por terra seu egoísmo e ego­
centrismo. Digo isto sem querer ofender, mas exprimo a
verdade. A pessoa que não tem autoconfiança possui um
grande grau de consciência de si mesma.* A consciência de
gi mesmo, ou autoconsciência, é inimiga da autoconfiança. O
indivíduo que tem falta de confiança está pensando dema­

• Em inglês, self-consciousness, uma espécie de complexo de inferiori­


dade; a pessoa tem sempre a impressão de que todos estão a pôr-lhe
reparo, que está sendo observada e que ela, de certo modo está falhando;
julga-se centro da atenção crítica dos outros. (N. do T .)
siadamente em si mesmo e demasiadamente sôbre o que os
outros pensam a seu respeito.
Talvez você possa lembrar-se da primeira vez que foi a
um restaurante de alta classe. Ficou bastante assustado,
não? “ Como estou parecendo? Estou caminhando direito?
Fiz isto ou aquilo da maneira certa? Deus me livre de man­
char a toalha ou derrubar um talher. Estarei usando o talher
correto? Por que será que todos me olham ?.. . ” Você se sen­
tiu tão mal pensando em você mesmo e na opinião que os
outros poderiam ter a seu respeito, que não pôde sentir
prazer nos alimentos e na ocasião. Hoje, você pode ir ao
mesmo restaurante e não pensar em coisa alguma como
antes. Você senta-se relaxadamente e desfruta da refeição.
Na verdade, a pessoa que sempre se preocupa demais com
o que os o atros estão pensando a seu respeito está fazendo
lisonjas a si mesma, porque a maioria das pessoas nem
mesmo lhe percebeu a presença. Os circunstantes não po­
deriam importar-se menos sôbre a maneira de andar, falar
ou segurar a faca. Quanto mais cedo perceber isto, tanto
mais feliz e mais sábio será. As pessoas gostarão de você,
não por suas maneiras ou suas roupas, mas porque você é
legitimamente você mesmo. Esta assertiva não significa que
você não deva ter boas maneiras ou que não deva trajar-se
bem; o que desejo frisar é a importância de você ser você
mesmo e agir com naturalidade. Boas maneiras são coisas
naturais. As pessoas das quais gostamos são pessoas natu­
rais. Os autoconfiantes são naturais. Quando você começar
a acreditar em você mesmo, deixará de pensar a seu próprio
respeito.
É uma obrigação que você tem para com seu próprio eu,
e, se você não a cumprir, os outros também não o farão.
Empregadores, empregados, clientes etc. Simplesmente não
terão confiança em você. Já disse, pouco mais acima, que
alguém sempre acredita em você, porém se você não tiver
autocrença, a grande maioria das pessoas não acreditará em
você.
Muitas vêzes me perguntam: “ Você acredita que uma pes­
soa pode tornar-se excessivamente confiante?” Primeiramen­
te, permita-me declarar que não julgo que você pode acre­
ditar excessivamente em você mesmo. Isto é, você não pode
crer excessivamente nos talentos que Deus lhe deu, em suas
próprias aptidões, valor e potencial. Para poder usar apro­
priadamente a autoconfiança, você precisa aplicar os quatro
princípios da fé na fé que você sente. Sua abordagem tem de
ser positiva. A atitude da abordagem deve ser de crença. Sua
avaliação própria deve ser realística.
Naturalmente, você precisa limitar os esforços e tentativas
de acôrdo com as aptidões e talentos que Deus lhe deu.
Nem todos podem ser bons em tudo, mas isto não deve im­
pedir que você tenha autoconfiança. Igualmente, você pre­
cisa limitar suas tentativas ao treinamento que tem. Um
homem que não seja treinado ou educado em medicina e ci­
rurgia não deve tentar fazer uma operação cirúrgica apenas
porque confia em si mesmo. Eu, pelo menos, não me deixaria
operar por êle! Do mesmo modo, eu não permitiria que um
cirurgião formado me operasse se êle não tivesse confiança
própria.
O último princípio da fé a ser aplicado é o da ação. O
que você pode fazer, faça. Ponha em funcionamento suas
aptidões, talentos e treinamento. Se você tem falta de auto­
confiança, sua capacidade está sendo desperdiçada e enfer­
rujada por ociosidade.
Se você aplicar estas quatro orientações da fé em você
mesmo, não poderá evitar obter autoconfiança que será sig­
nificativa e duradoura.

UM PROGRAMA PARA AUMENTAR A AUTO­


CONFIANÇA ATRAVÉS DA AUTO-HIPNOSE

Vou dar-lhe um programa, de etapa por etapa, que lhe


permitirá aumentar sua autoconfiança, com o auxílio da
auto-hipnose.
1. Tanto quanto possível, determine a natureza de seu
problema. Tem algum complexo de inferioridade — ausên­
cia quase completa de fé em você mesmo? Ou sente falta de
confiança em algum determinado segmento de sua vida, tal
como no trabalho, em situações sociais, sexo oposto etc.?
2. Depois de ter determinado qual é o caso, dê a você
mesmo uma meta definida para atingir o que deseja. Se
você julga que tem um complexo de inferioridade, sua meta
deve ser a de um aumento geral na fé em você mesmo. Po­
deria ser vantajoso incluir maior fé em Deus e nos outros
como parte de sua meta.
Se você tem falta de confiança numa área específica, as­
segure-se de que ela está designada em sua meta. Por
exemplo: “ Desejaria ter maior confiança quando estivesse
jogando golfe.”
3. Aplique todos os seis princípios de sugestão quando
escrever sua sugestão. Tenha a certeza de ter dado a você
mesmo um forte M.E.P.D. “ Vou acreditar em mim, porque
desejo amor-aumento-salarial-sucesso-em-meu-trabalho.” Seja
bastante específico em seu M.E.P.D. como: “ Vou ter mais
confiança quando jogar gôlfe porque quero ser superior a
George Jones.. . ! ”
4. Hipnotize-se pelo menos uma vez por dia, até alcançar
sua meta.
5. Empregue auto-hipnose e sua imaginação para modi­
ficar sua auto-imagem. Veja-se autoconfiante. Visualize-se
agindo confiantemente em várias situações da vida.
6. Permita a sua mente pensar mais nas coisas em que
você confia. Diga que você pode fazer qualquer coisa neces­
sária para sua felicidade e seu bem-estar.
7. Comece a confiar em você mesmo cada vez mais, todos
os dias. Permita-se o benefício da dúvida.
8. Comece a aumentar sua fé em Deus e nos outros. Leia
coisas que inspiram. Lembre-se de que sua atitude, em rela­
ção a Deus e aos outros, determina em grande parte sua
atitude para com você mesmo.
9. Deixe de pensar em você mesmo e no que os outros
podem pensar a seu respeito.
10. Não tenha mêdo de agarrar-se a uma oportunidade.
Não tenha mêdo de cometer qualquer engano.

SUGESTÕES DE AUTO-HIPNOSE PARA


AUMENTAR SUA AUTOCONFIANÇA

1. Acreditarei em mim porque (inserir seu próprio M.


E.P.D.). Porque meu destino é ser autoconfiante. Porque
Deus acredita em mim. Porque os outros acreditam em mim.
Porque serei capaz de desenvolver meus talentos e aptidões
latentes. Porque devo isso a mim mesmo.
2. Terei confiança em minha (inserir a meta determi­
nada), em virtude de meu (inserir o M.E.P.D.)

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. A falta de autoconfiança pode negar a você muitas


das coisas boas da vida.
2. A falta de autoconfiança significa que você tem
falta de fé ou não confia em você mesma Você
não se acredita.
3. Existem duas categorias gerais quanto à falta de
autoconfiança.
(1) Falta quase completa de fé em você mesmo.
Isto, geralmente, é chamado de complexo de
inferioridade. (2) Falta de confiança em
certos aspectos de sua vida.
4. A fé, ou confiança, desloca-se em cinco direções.
(1) Para cima — confiança divina.
(2) Para dentro — autoconfiança.
(3) Para fora — confiança humana.
(4) Para a frente — confiança futura.
(5) Para trás — confiança histórica.
5. Cada aspecto de sua fé está relacionado ao todo.
6. Quase sempre a pessoa que se vangloria age desta
maneira para encobrir seu sentido real de infe­
rioridade.
7. As pessoas que não confiam em si, foram ensi­
nadas assim.
8. Existem cinco razões por que você deve acreditar
em você.
(1) Você nasceu com confiança.
(2) Deus acredita em você.
(3) Os outros acreditam em você.
(4) Os talentos e aptidões dormentes e ocultos
se concretizarão.
(5) Você deve isso a você mesmo.
9. A autoconsciência é inimiga da autoconfiança.
10. Aplique os quatro princípios da fé, que se encon­
tram no Capítulo 10, para a fé em você mesmo.
11. Foi dado um programa de dez pontos para con-
seguir autoconfiança através da auto-hipnose.
12. São dadas duas amostras de sugestões para au­
mentar a autoconfiança.
12

COMO A AUTO-HIPNOSE
PODE MELHORAR SUAS
RELAÇÕES HUMANAS

O u tro t ít u l o que poderíamos ter usado para êste capítulo


seria: “ Como a Auto-Hipnose Pode Aumentar Sua Confiança
Humana.” Quando a fé que você tem em seus semelhantes é
aumentada, suas relações com êles são automàticamente me­
lhoradas.
A maior parte das confusões e aborrecimentos que existem
no mundo tem origem porque o homem é incapaz de dar-se
bem com seu semelhante. E de onde surgem as discussões,
a violência, o assassínio, divórcios, guerras, greves e dis­
pensa de trabalhadores para forçá-los a aceitar as condições
dos empregadores? Essas coisas têm origem na incapacidade
do homem em manter-se em paz consigo mesmo e com os
outros. Um dos maiores problemas de tôdas as organizações
é “ manter a paz” . Todo pequeno escritório e tôda grande
organização defronta-se com êste problema.
O empregador vivo considera dois fatores quanto contrata
um empregado: sua habilidade para executar o trabalho e
sua aptidão para dar-se bem com os outros. Um indivíduo que
causa atrito e distúrbios em seu ambiente de trabalho,
nunca é considerado como empregado desejável. Êle pode
ser bastante produtivo, mas o atrito que causa, de certo modo
anula sua produção. Se êle agita dez outros empregados de
maneira que haja baixa na produção, sua própria aptidão
pouco significa.

A IMPORTÂNCIA DE DAR-SE BEM


COM O S OUTROS

Uma das maiores aptidões que você pode possuir é a so­


ciabilidade! A habilidade de dar-se bem com as outras pes­
soas é o maior patrimônio que você pode possuir. Se você
tiver êste bem inestimável, terá um casamento feliz, muitos
amigos leais, renda suficiente e completa realização na vida.
Nenhum homem é uma ilha. Ninguém vive apenas para si.
Todos nós cruzamos o caminho um do outro. A engenharia
humana é um dos maiores desafios desta geração. Se é que
devemos ter paz no lar, na comunidade, na nação, e no
mundo, devemos aprender a darmo-nos bem uns com os ou­
tros. O homem aprendeu como conquistar muitas coisas, mas
ainda não aprendeu como conquistar sua própria natureza.
Como pastor, tive de aprender como dar-me bem com os
outros, de modo eficaz. Ocasionalmente tenho permitido que
os outros ajam como querem, na maior parte do tempo. O
método conservou a paz, mas foi um tanto mortal para o
ego. Quando usei êste método, degenerei para o nível do
“ homem que sempre diz sim” . Em geral, eu me tornava o
menino de recados de pessoas inferiores e com poucas idéias.
Outra técnica que experimentei foi a de dominar as
pessoas. Usando de pressão e coerção eu vencia o caso, mas
perdia a boa vontade das pessoas. Nenhum dêstes métodos
é construtivo ou eficaz.
"FÓRMULA DA ACEITAÇÃO DA REALIDADE”

Após muitos anos de aconselhamento como pastor, criei um


método em relação a meus semelhantes, que provou ser bas­
tante satisfatório. Fiz do método um resumo que denominei
“ Fórmula da Aceitação da Realidade,” a qual se acha ex­
plicada abaixo.
1. Aceitarei a mim mesmo como sou.
2. Aceitarei os outros como êles são.
3. Aceitarei a vida como a vida é.
Se você conseguir dominar esta fórmula da maneira por
que é dada neste capítulo, não haverá dificuldades para você
dominar-se, dominar os outros e dominar a vida.

ACEITE-SE COMO VOCÊ É

Se você deseja melhorar as relações com seus semelhantes,


é preciso primeiramente aprender como dar-se com você mes­
mo. Sua atitude em relação a você próprio determina sua
atitude em relação aos outros. Em nosso último capítulo
estabelecemos o fato de que se você não confiar em você
mesmo, não poderá confiar nos outros. Agora, levamos esta
verdade mais além. Jesus disse que o segundo grande man­
damento era “ Amar o próximo como a ti mesmo.” Com
muita propriedade alguém mencionou o fato de que a pa­
lavra mais importante da assertiva é “ como.” Sem auto-
estima, você verá que é impossível estimar os outros. Se
você não encontra paz em seu íntimo, ser-lhe-á difícil estar
em paz com seu vizinho. Se você não se respeita, será inca­
paz de ter legítimo respeito por seus semelhantes. O homem
que odeia o mundo, na realidade odeia-se a si mesmo. O
homem que sempre está com raiva dos outros, na verdade está
com raiva de si próprio.
Quando Jesus nos disse para amarmos nosso próximo
como a nós mesmos, Êle não se referia a um tipo doentio e
egocêntrico de auto-amor. Êle estava ensinando-nos a ter
uma atitude sadia de respeito e piedade para conosco. Êle
desejava que nos víssemos como a imagem de nosso criador,
como tendo grande valor aos olhos de Deus. Acredito que
todos os que estudarem Seus ensinamentos em profundi­
dade, chegarão a esta conclusão. É natural que a pessoa
que se estima e respeita, que confia em si mesma, que se vê
como tendo grande dignidade, terá a mesma atitude em re­
lação aos outros.
Infelizmente, nem todos se estimam desta maneira. Exis­
tem numerosas pessoas que têm falta desta atitude para con­
sigo mesmas, mas é-lhes possível adquirir a auto-estima
descrita por Cristo. O primeiro passo é que você se aceite
como é. Isto não é para ser tomado como fatalismo. Quero
apenas dizer que, talvez pela primeira vez êm sua vida, você
se detém para mirar-se honestamente. Você pode não gostar
do que verá. O importante é que você cesse de tentar enga­
nar-se. Você não pode corrigir qualquer fraqueza em sua
vida, a menos que primeiro conheça quais as fraquezas que
tem em relação a você mesmo.
Quando você aceitar-se como é, comece a corrigir o que
tem de ser corrigido, e aceite o que não tem possibilidade de
ser corrigido. A maior parte das coisas que você considera
como fraquezas pode ser modificada. Contudo, haverá coi­
sas que você considerará indesejáveis, mas que não são sus­
cetíveis de correção. Por exemplo, pode julgar que é muito
baixo ou muito alto. Estas coisas da natureza não podem
ser corrigidas. Você pode compensá-las até certo ponto,
através do traje e da postura, mas não pode modificá-las.
O melhor que pode fazer é criar uma atitude correta em re­
lação a sua altura. “ Sou baixo, mas e daí ? — quantos grandes
homens têm sido de baixa estatura.. . ” “ Sou excessivamen­
te alto; por conseguinte, devo orgulhar-me de miníra altura.
Eu poderia até tornar-me um profissional da bola ao cesto.”
Você não pode modificar um membro mirrado, mas pode
modificar um espírito mirrado. Talvez você não possa mo­
dificar um defeito na espinha dorsal, mas pode modificar
uma mente cega. Você não pode modificar um coração do­
entio, mas pode modificar um coração mau.

Orientação para um auto-inventário.- Faça um julgamento


honesto de sua vida e veja o que necessita de correção.
Mencionarei apenas alguns pontos, mas estou certo que você
poderá acrescentar muitos outros itens.

1. Sou excessivamente ciumento?


2. Sou excessivamente temperamental?
3. Minha linguagem é muito ríspida?
4. Interesso-me realmente pelos outros?
5. Desconfio dos outros?
6. Tenho falta de autoconfiança?
7. Tenho falta de uma sadia auto-estima?
8. Sou muito egocêntrico?
9. Tenho fé real?
10. Sou ansioso?
11. Sou muito resmungão?
12. Estou realmente interessado em meu trabalho?
13. Dou ao meu empregador um dia de trabalho honesto?
14. Abrigo sentimentos desnecessários de culpa?
15. Odeio-me?
16. Estou seguindo um caminho de autodestruição?
17. Estou bebendo mais do que devo?
18. Estou comendo excessivamente?
19. Exercito-me o suficiente?
20. Estou crescendo espiritual e intelectualmente?
21. Estou tomando minha espôsa (ou marido) como in­
falível?
22. Estou expendendo tempo suficiente com meus filhos?
23. Minha ambição está perdendo o vigor?
24. Estagnei em minha vida ou carreira?
25. Tenho mêdo dos outros?
26. Sinto pena de mim mesmo?
27. Leio o suficiente?
28. Sou pessoa de iniciativa?
29. Aceitei o fracasso como minha sina?
30. Tenho uma atitude amigável?
31. Tenho realmente fé ilimitada em Deus?

Tudo o que foi mencionado na lista acima pode ser cor­


rigido, desde que você deseje fazê-lo. Lembre-se de que a
atitude que tem para com você mesmo determina sua atitude
em relação aos outros.
Les Giblin, em seu maravilhoso livro How You Can Have
Confidence And Power In Dealing With People (Como você
pode adquirir confiança e poder em lidar com os outros),
publicado por Prentice-Hall, Inc., salienta um fato que com­
bina muito bem com esta linha de pensamento. Diz êle que
um homem com um ego mal nutrido não pode pensar em
ninguém mais senão em si mesmo. Portanto, tal homem não
pode conviver eficazmente com os outros. O homem faminto
não pode pensar em outra coisa senão no alimento que lhe
extinguirá a fome. Da mesma maneira, um homem que te­
nha falta de confiança, estima e respeito por si mesmo, não
pensa senão em si próprio e na satisfação daquilo de que
está privado.
Aceite-se como você é, e depois modifique-se para o que
você deseja ser. Ao mesmo tempo, conforme-se com o que
não pode ser modificado.

ACEITE OS OUTROS COM O ÊLES SÃO

Você jamais terá sucesso em lidar com seu semelhante até


que aprenda a aceitá-lo como êle é. Aceitar uma pessoa como
ela é não quer dizer necessàriamente que você tem de aprovar
o que ela faz. Um dos maiores problemas do mundo hoje
em dia é que todos estão tentando fazer com que os outros
se conformem às suas idéias e a seu modo de viver.
Você jamais obterá a amizade de quem quer que seja, a
menos que aceite a pessoa como é. Que conseguiria um con­
selheiro com um viciado em drogas ou com um homossexual
se não os aceitasse como são? Se o conselheiro começar
imediatamente a pregar sermões e a condená-los, nunca
mais os verá. Estas são pessoas com problemas sérios, à
procura de alguém que possa tratá-las como parte da raça
humana. Se o terapeuta demonstrar uma atitude “ mais
santa do que a de um santo” , perderá a guerra mesmo antes
de ela começar. Êle precisa aceitar os pacientes como cria­
ções de Deus, como indivíduos de grande dignidade potencial,
e como pessoas que devem merecer respeito.
Por outro lado, se agíssemos como se elas não tivessem pro­
blema algum, não poderíamos ajudá-las. Eis por que chamo
minha fórmula de “ Fórmula de Aceitação da Realidade” .
Tomemos agora esta filosofia clínica e projetemo-la em
algumas das situações de sua vida. Você gostaria de ter
um círculo maior de amigos? Comece então a pôr em prá­
tica esta fórmula. Você gostaria de ser mais eficaz no auxílio
aos outros? Então cesse de condená-los e comece a aceitá-los!
Você quer melhorar suas relações humanas na fábrica ou no
escritório em que trabalha? Então comece a usar esta fór­
mula, a qual não pode deixar de funcionar se você quiser
mesmo usá-la.

O Conceito Mor&l. Há pouco tempo atrás tive como cli­


ente um vendedor o qual regredia constantemente. Tinha
recebido um nôvo território de vendas e perdia mais clientes
do que obtinha. Veio a mim para saber o que havia. Não
acredito ter jamais encontrado pessoa de opinião tão forte
em tôda minha vida. Quando êle entrava no escritório de
um cliente, logo começava a tentar modificar as crenças
políticas, religiosas e sociais daquele a quem vinha vender.
Chegava mesmo a aconselhar a mudança dos móveis do es­
critório e a côr das paredes. Depois procurava efetuar uma
venda. A esta altura, todos bem podem imaginar qual seria
a situação.
Nem todos são assim tão irredutíveis e agressivos em suas
idéias, mas talvez haja quem tenha estas tendências. Isto
acontece à maioria das pessoas. Para vencer êste hábito pre­
judicial, comece a tratar as outras pessoas como gostaria que
elas tratassem você. Respeite-lhes as crenças e costumes,
do mesmo modo que você respeitaria suas próprias crenças
e costumes. Tenho inúmeros amigos com os quais não com­
partilho dos mesmos pontos de vista. Todos nós estamos
conscientes do fato de que discordamos. Vez ou outra dis­
cutimos nossas divergências, porém com respeito mútuo.
O motivo por que o Apóstolo Paulo teve êxito em difundir
o Evangelho Cristão foi porque êle era “ tudo para todos”
(I Aos Coríntios, 9:22). Êle não criticava aos pagãos sua
cultura nem aos hebreus sua religião, logo que com êles en­
trou em contato — aceitou-os como eram. Jesus Cristo disse:
“ Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que o conde­
n a s s e ...” (João 3:17). Êle era amigo dos taberneiros e
dos pecadores. Aceitava as pessoas como eram. Estou certo
de que nenhum dêstes homens aprovava o que os outros fa­
ziam, mas isto não os impedia de aceitá-los.
Depois que você aceitar uma pessoa como é e de a pessoa
aceitar você como você é, veja se encontra alguma coisa
para elogiá-la. Sempre existe algo em alguém que merece
sua aprovação. Algumas das melhores pessoas que tenho
encontrado, em base profissional, têm padrões extremos de
comportamento. Êsses indivíduos foram rejeitados pela “ So­
ciedade decente” . E a despeito de suas “ anormalidades,” são
algumas das pessoas mais finas com as quais já tive o prazer
de entrar em contato. Em virtude de meu contato com elas,
acredito que minha vida foi grandemente enriquecida. Não
adotei nenhum de seus hábitos, mas adquiri maior compre­
ensão e piedade.
Elogiar, nada lhe custa e, no entanto, isso pode angariar-
lhe muitos amigos de valor. Isso pode aumentar seus ren­
dimentos. Pode até preservar seu casamento ou sua posição
no trabalho! A pessoa que não está segura de si mesma ou
que tem conflitos internos, encontrará dificuldade em elogiar
ou aprovar outra pessoa. Seu “ banco de ego” está tão curto
de fundos que não tem nenhum elogio para gastar.
Depois que você aceitar um indivíduo como êle é e ter
nêle encontrado algo que possa ser honestamente aprovado,
comece a acentuar as coisas que vocês têm em comum. Você
ficará surpreendido pela grande quantidade de interêsses
mútuos que existe entre você e o indivíduo que você considera
diferente. Esportes, música, arte, drama, religião e política,
são alguns dos interêsses que você pode ter em comum com
os outros.
Seria difícil, senão impossível, que você entrasse em con­
tato com alguém que não pôde concordar com você em algum
assunto. Comece a cultivar o hábito de ser agradável. É
fácil demais entrar em discussões. Sem dúvida você co­
nhece alguém que discute sôbre tudo e sôbre todos. Êste tipo
de personalidade não ajuda ninguém a conseguir amigos e
influenciar pessoas. De fato, uma pessoa dêste tipo terá di­
ficuldade em conservar os poucos amigos que tem.

Melhores maneiras de lidar com as pessoas. Ao lidar com


as pessoas, especialmente na primeira vez, não enfatize suas
diferenças. Ao invés, acentue o que é positivo. Talvez um
indivíduo seja diferente de você no reino da política. Êle
pertence a um partido político que professa pontos de vista
completamente divergentes de suas idéias políticas. Ainda
assim, é possível que nessa mesma área você encontre algo
em que ambos possam concordar. Se suas crenças são dife­
rentes quanto a questões do país, elas podem ser iguais em
questões de política internacional. Se fôr êste o caso, evite
as questões domésticas e mantenha a conversação sôbre ma­
térias internacionais. Acentue o que é positivo de modo que
sua amizade possa ter uma oportunidade de crescer e au­
mentar.
Provàvelmente, você já notou que estou usando a letra
“ A ” ao esboçar sua abordagem a seu semelhante: Aceite,
Aprove, Acentue. A etapa final agora é avançar suas idéias
e pensamentos. Êste último ponto, naturalmente, aplica-se
sòmente àquêles que têm idéias e pensamentos que desejam
avançar. Se seu propósito é meramente criar amizades e
avançar boa vontade, não é necessário que você pratique êste
último ponto. Mas para os que precisam vender produtos
ou idéias, é necessário não esquecer esta pequena fórmula
dos “ 4A” : Aceitar as pessoas como são, aprovar algo que
façam, acentuar o interêsse que têm em comum, e, finalmen­
te, avançar suas idéias. O processo inteiro pode levar cinco
minutos ou cinco anos, dependendo da pessoa e das circuns­
tâncias.
Agora que já proporcionei o que poderia denominar-se
abordagem positiva em aceitar os outros como são, permi­
ta-me indicar-lhe alguns tropeços que devem ser evitados.

Um. Evite mesquinharias. As pessoas mesquinhas são


imaturas. Para elas é impossível ir à frente, porque estão
muito ocupadas em “ voltar atrás” .
Uma pessoa assim pode obter alguma vitória mesquinha,
mas perderá o amor, amizade e respeito de muita gente.
Pequenos homens nunca se tornam grandes homens. A des­
forra nem sempre consegue a vitória. Ferir alguém não
cicatriza seus ferimentos. A atitude negativa, o espírito
amargurado e a natureza hostil resultam da mesquinhez.
Evite ser mesquinho assim como você evita a praga.

Dois. Evite bisbilhotar. Não se gosta por muito tempo da


pessoa que vive a fazer perguntas de caráter pessoal. Geral­
mente, as pessoas dizem aquilo que querem que você saiba.
Se elas não derem voluntàriamente a informação, é porque
acham que isso não é da sua conta. Se você quer criar des­
confiança e ter um grande ponto de interrogação sôbre seus
motivos, simplesmente faça mais perguntas do que deve. Os
indivíduos que não excedem as fronteiras do senso de pro­
priedade nesta área, são merecedores de confiança.

Três. Evite preconceitos. Quando uso a palavra precon­


ceito, faço-o em seu sentido mais amplo. Não feche sua
mente a certas pessoas, tradições, idéias e culturas, sem pri­
meiramente aceitá-las e- enviá-las de modo positivo. O pre­
conceito cego rouba-lhe amizades preciosas e experiências
notáveis. O preconceito diminui a mente e afoga o espírito.

Quatro. Evite debicar. Todos têm suas faltas, mas nin­


guém gosta que estejam constantemente a mencioná-las.
Lembre-se de que todos, inclusive você, têm suas faltas. Os
implicantes e apoquentadores jamais se encontram no alto
da lista social. Podem figurar em uma outra espécie de lista,
mas não a social.

Cinco. Evite o orgulho. Por orgulho quero dizer orgulho


vaidoso. Nunca é errado orgulhar-se de sua aparência, de
seu trabalho, de sua família, mas não seja tão orgulhoso a
ponto de não poder suportar uma brincadeira. Aprenda a
rir-se de você mesmo. Não viva amuado, ou olhe os outros
por cima do ombro. Alguém poderia sacudir seu orgulho.
A maioria das pessoas com orgulho excessivo geralmente
tem muito pouco de que se orgulhar.
Estas são apenas algumas das poucas coisas que você
deve evitar se é que deseja ganhar amigos e influenciar pes­
soas. Estou certo de que você poderia acrescentar muitos
outros itens a esta lista. Seria uma boa idéia fazer isto
agora mesmo, antes que você se esqueça.

ACEITE A VIDA COMO ELA É

Seja realista quanto à vida e, ao mesmo tempo, otimista.


Estas duas atitudes caminham juntas em bela harmonia. Não
existe contradição entre elas. Ao invés, complementam-se
mütuamente. Você não pode ter otimismo legítimo a menos
que êste se fundamente no realismo. O que algumas vêzes
passa por otimismo é melhor descrito como ilusão.
Se você se aceitar como é e aceitar os outros como são,
ser-lhe-á mais fácil aceitar a vida como é. Você aceita a
vida para o bom e para o mau. Não importa como seja, sua
intenção é vivê-la e melhorá-la. A vida pode ser desfrutada,
não importa quais sejam as circunstâncias. Sua atitude é
que é importante para determinar se você desfruta ou não a
vida. O Apóstolo Paulo e Silas cantaram louvores a Deus,
numa prisão, durante a noite, a despeito do fato de que
tinham as costas em sangue e os músculos pisados. Os ho­
mens puderam fazer sofrer seus corpos, mas não puderam
modificar suas atitudes.

Uma atitude realística é fundamental. Quando você tem


uma atitude realística, otimista, em relação à vida, é melhor
sua oportunidade de conseguir sucesso e felicidade. Seja
realístico; não espere algo em troca de nada. Você obtém
da vida aquilo que nela põe. Vivemos numa era em que a
atitude é “ o que posso conseguir da vida ou o que a vida
pode fazer por mim” . Somente alguns poucos pensam em
têrmos do que podem contribuir para a vida. As pessoas
ingressam em posições, casam-se, tornam-se membros de uma
igreja com a idéia de receber, mas não de dar. Você colhe
da vida aquilo que semeia.
Recentemente conversei com um jovem diplomado de uma
faculdade, que se achava profundamente perturbado. Tinha
recebido seu diploma e ninguém lhe oferecera o pagamento
e a posição que esperara. Tinham sido oferecidos bom pa­
gamento e oportunidade maravilhosa, mas ninguém lhe
havia feito a proposta de torná-lo vice-presidente e começar
com um salário de $25.000 por ano. Êste jovem havia visto
muitas fitas de Hollywood e lia artigos demais sôbre o su­
cesso. Não havia compreendido que se começa de baixo e
sobe-se para a cúpula.
Seja realístico. Não espere que todos gostem de você o
tempo todo. Todos têm seus inimigos. Isto não me preocupa
porque sinto pena dos que não têm o bom senso de gostar de
mim. Seja você mesmo. Seja agradável. Goste de todos.
Mesmo assim ainda haverá quem lhe seja hostil. Estaa pes­
soas não gostarão de você, não importa o que você faça.
Nada existe que você possa fazer para modificá-las. O
melhor é adotar uma atitude humilde e ter pena dessas
pobres almas mal orientadas.
Seja realístico. Não espere que tudo corra da maneira
que você quer o tempo todo. Não é necessário esperar que
isso aconteça, porque não acontecerá. Lembro-me de que
quando era pequeno jogava beisebol; um menino trazia a
bola e outro fornecia o bastão. Se acontecia alguma coisa
que algum dêles não gostasse, êle retiraria a bola ou o bastão
e iria embora. Os outros meninos logo cansaram-se disso e
começaram a trazer suas próprias bolas e bastões. Em re­
sultado, os dois meninos citados ficaram fora do jôgo.
O jôgo da vida é muito semelhante. Os que não podem
aprender a jogá-lo de acôrdo com as regras, algumas vêzes
são deixados fora. Não existe ninguém tão importante que
não possa ser substituído no jôgo da vida. Geralmente os
bebêzinhos fazem o que querem, mas os adultos precisam
aprender a dar e a receber.
Seja realístico. Não procure a perfeição em nada e em
ninguém. Em vez de procurar a perfeição na vida, comece a
desfrutá-la. Aprenda a gostar das pequenas coisas da vida.
Aprecie a natureza. Seja agradecido e desenvolva uma ati­
tude jovial para as chamadas coisas más da vida. Da pró­
xima vez que chover, volte a ser criança — saia e encharque-
se! Os vizinhos pensarão que você está louco, mas você
sentirá algum prazer. Vá a algum velho parque de diversões
e compre um cachorro quente. Desfrute uma vez mais das
pequenas coisas boas da vida.

SUGESTÕES DE AUTO-HIPNOSE PARA MELHORAR


SU AS RELAÇÕES HUMANAS

Porque eu (inserir seu M.E.D.P.) aceitarei a mim e ao3


outros como somos e a vida como é.

PONTOS D ÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. Hoje em dia, a maioria dos aborrecimentos do


mundo origina-se da inaptidão do homem de dar-se
bem com seu semelhante.
2. Uma das grandes aptidões que você pode ter é a
sociabilidade.
3. Aceite-se como você é.
(1) A atitude para com você mesmo determinará
sua atitude para com os outros.
(2) Aceite aquilo que você não pode alterar.
(3) Corrija o que necessita ser corrigido.
4. Aceite os outros como são.
(1) Um terapeuta precisa aprender a aceitar os
outros como são, se é que deseja auxiliá-los.
(2) Aprenda a respeitar as crenças e idéias dos
outros.
(3) Encontre algo que você possa aprovar.
(4) Acentue seus interêsses comuns.
(5) Avance suas idéias.
(6) Evite estas cinco coisas: mesquinhez, bisbi­
lhotice, preconceito, debique, orgulho.
5. Aceite a vida como é.
(1) Não espere algo a trôco de nada.
(2) Não espere que todos gostem de você o tempo
todo.
(3) Não espere que tudo corra como você quer
o tempo todo.
(4) Não espere perfeição em nada e em ninguém.
6. Foi dada uma sugestão de auto-hipnose para você
melhorar suas relações humanas.
13

COMO A AUTO-HIPNOSE
PODE AJUDÁ-LO A VIVER
COM O PASSADO

A m a n h ã , h o je será passad o . Assim como o homem não pode


viver sem uma relação com seu semelhante, não pode também
desligar-se do passado. Todos nós temos dois passados:
nosso passado pessoal e o passado histórico do homem. O
primeiro, nós o fizemos, mas nada tivemos a fazer quanto
ao segundo. O passado histórico já se achava pronto para
nós, quando nascemos. Embora não tenhamos desempenhado
papel algum em sua criação, ainda assim êle tem um efeito
tremendo em nossas vidas. Êle determina nossa posição
social, nosso potencial econômico, nossas crenças religiosas
e nossas atitudes culturais. Conquanto não tenhamos nada
quanto à formação de nosso próprio passado, neste mesmo
instante estamos produzindo um passado para as gerações
vindouras.
QUE FAZER COM NOSSO PASSADO?

Que é que devemos fazer com nosso passado histórico?


Como devemos viver com as tradições que nos foram legadas
por nossos antepassados? Relativamente ao passado, existem
três atitudes gerais:

1. Negar, destruir e esquecer as tradições, do passado.


Qualquer coisa do passado é reacionária e sem valor; por
conseguinte, fora com êle e comecemos de nôvo. Deixe “ a
fé de nossos antepassados” com êles; não precisamos dela.
Esta é a filosofia dos que não têm fé no passado.
Esta atitude é evidenciada de muitas maneiras, incluindo
a destruição de construções históricas e de marcos em muitas
de nossas grandes cidades, fazendo-se com que a ênfase seja
na juventude. Sou pela juventude de nossa nação, mas sou
também pelos cidadãos mais antigos. Êles contribuíram e
ainda podem contribuir vitalmente para nossa sociedade.

2. Viver no passado. Permitir que as tradições que po­


deriam ter sido práticas e sensatas quinhentos, mil ou dois
mil anos atrás influenciem sua vida. Talvez as mesmas tra­
dições não tenham qualquer valor ou significado hoje em
dia, mas se são antigas, devem ser boas. Ou assim o dizem
os que desejam viver de acôrdo com as tradições do passado.
O vinho velho é bom e de grande valor, mas a carne velha
é estragada e venenosa. Algumas tradições são boas, e
outras, más. O mundo é vagaroso em progredir porque as
gentes e nações querem agarrar-se às idéias e práticas que
embaraçam a evolução do aperfeiçoamento social. “ O que
foi bom para meu pai é bom também para mim.” “ Quem me
dera os bons velhos tempos!” Duvido sèriamente de que os
que fazem tais declarações querem realmente voltar aos
bons e velhos tempos e viver como viveram seus pais.
A civilização moderna tem suas falhas, mas o homem
comum vive hoje melhor do que em qualquer outra época.
Temos melhores alimentos, vestuários, habitação, instrução,
comunicação, transportes, serviços sanitários. . . Nenhuma
outra era da história pode comparar-se, por mais leve que seja,
a esta era moderna. Afora estas vantagens materiais, o ho­
mem é mais tolerante e desfruta de um grau maior de liber­
dade pessoal.
Se você quer de volta os bons velhos tempos, até onde
você quer ir, ou quanto do passado você quer trazer de
volta? Pelos velhos bons tempos você quer dizer a década
de 1920, a Era Vitoriana, o tempo dos Puritanos, a Era
Medieval, ou o tempo de Cristo? Você quer de volta a es­
cravidão, a doença e a degradação humana que existiram du­
rante vários períodos da história do homem?
Não. Nem é bom nem sensato viver no passado. Você
está vivendo hoje, portanto, entre em ritmo com a época.
3. Misturar o bom do antigo com o bom do moderno.
Construir sôbre as tradições duráveis e racionais do pas­
sado. Isto dá origem a uma forte confiança tradicional.
Uma árvore que não tem raízes é um árvore morta. Um
homem que não tem raízes tradicionais não está muito vivo.
Uma das coisas mais fascinantes da moderna cidade de Roma
é a maneira pela qual ela misturou o velho com o nôvo.
Você pode ver altos e modernos edifícios de apartamentos
e escritórios, ao mesmo tempo em que vê uma muralha
construída antes da era de Cristo.
O fato de uma tradição ser velha não a torna boa nem
a torna má. Sòmente porque Jesus andou no dorso de um
jumento isto não quer dizer que você deve escolher o ju­
mento como seu meio de transporte. Você deixa para trás
os jumentos, mas os ensinamentos éticos de Jesus são tão
atuais hoje como o eram dois mil anos atrás. Como pode
alguém aperfeiçoar coisas tais com o: “ Ama teu Deus. . .
e teu próximo, como a ti mesmo,” e “ Faze aos outros o que
queres que te façam” ?
Não se divorcie nem viva no passado; misture o melhor
do antigo com o melhor do moderno. Dêste modo você será
capaz de viver bem com seus pais e, ao mesmo tempo, ser
“ ativo” como pai ou como mãe para seus filhos que se acham
entre a adolescência e a virilidade.
De que modo você pode resolver alguns dos problemas que
seu passado histórico lhe criou? Para muitos, esta é uma
questão muito séria. Sofrem por algo que não podem con­
trolar. Talvez você tenha herdado um mau nome de família,
ou qualquer outra infelicidade. Lembre-se sempre: você
pode sofrer pelos pecados de seus pais, mas você não é o
responsável pelos pecados que cometeram. Não permita
que ninguém atribua a culpa a você. Você é responsável
perante a sociedade por suas próprias ações, mas não pelas
ações de seu pai, seu avô, seu bisavô, ou qualquer outro
parente.

O PROBLEMA DO NOME E DA REPUTAÇÃO


DE FAMÍLIA

O problema do nome e da reputação da família é especial­


mente relevante para os que vivem em pequenas cidades e
comunidades rurais. A melhor coisa que você pode fazer nu­
ma comunidade que não esquece, é sair dela.
Uma das melhores pessoas que conheço é um jovem que
nasceu de um noivado. A mãe vivia numa pequena cidade
onde êle nasceu e foi criado. Quando êle tinha dois anos
a mãe casou-se e mais tarde teve dois outros filhos. O povo
nesta comunidade de mentalidade estreita jamais podia es­
quecer o fato de que o menino era um filho ilegítimo. Isto
era-lhe atirado ao rosto tantas vêzes que, ao terminar o
ginásio, deixou a cidade.
Um dia veio procurar-me para aprender auto-hipnose.
Durante nossa conversação, revelou-me os transes emocio­
nais que havia experimentado. Expressou-me também al­
gumas das dúvidas e preocupações que tinha em sua mente,
em resultado daquele tratamento cruel que havia recebido.
“Eu gostaria de saber quem é realmente meu pai. Sou bàsi-
camente mau porque não tenho um pai? Por que certas
pessoas ainda dizem que minha mãe é uma prostituta? Por
que essa gente não esquece?” Estas são apenas algumas das
perguntas feitas pelo jovem. Disse-lhe que não existia tal
coisa como filho ilegítimo. Pode haver pais ilegítimos, mas
naturalmente um bebê não poderia ser ilegítimo. Êle tinha
tanto direito à vida como qualquer outra pessoa. Aconse­
lhei-o a renunciar à idéia de procurar saber quem era o pai.
Seu verdadeiro pai era o que o tinha amado e sustentado
desde que êle tinha dois anos de idade. Quanto à mãe, acon­
selhei-o a respeitá-la, não importa o que dissessem. Êle sabia
que a mãe era boa, e isto é que era o importante.
Não se preocupe com os antecedentes de família. Na li­
nhagem de família todos têm um ladrão de cavalos ou algum
outro tipo de patife. O importante não é quem ou o que
foram seus ancestrais. Na família de Jesus havia duas
prostitutas, pelo menos uma adúltera, um assassino, e al­
guns outros personagens pouco respeitáveis. De fato, os
contemporâneos de Jesus consideravam-no como ilegítimo.
E, no entanto, êle se tornou o maior homem que o mundo
jamais conheceu.

VIVENDO COM SU A VIDA PESSOAL PASSADA

Consideremos agora como você pode viver eficazmente


com sua vida pessoal passada. Todos têm cometido enganos,
conseguido vitórias, têm sido feridos e sofrido traumas du­
rante a vida. A maneira por que você se relaciona ao passado
determina qual será o seu futuro. Se você abriga uma ati­
tude amargurada, cheia de ressentimentos pelo que trans­
pirou de sua vida, esta atitude projetar-se-á em seu futuro.
Isto é, a menos que você a modifique. Se o passado o tornou
forte em caráter e positivo em fé, isto também será projetado
em seu futura É da máxima importância que você aprenda
a viver com o seu passado. Êste, como tudo o mais, pode
ser dividido em duas categorias gerais: as coisas boas e as
coisas más.

Três etapas a seguir quanto ao passado. Existem três


etapas que você deve seguir ao lidar com os eventos desa­
gradáveis de sua vida passada. (1) Você deve deixá-los no
passado. (2) Deve aprender a viver com êles. (3) Você deve
rir-se do humor que eXiste em tôdas as circunstâncias ad­
versas. Ao examinar êstes três estádios em detalhe, você
verá que êles são suficientes para torná-lo capaz de
viver com os maus eventos dos anos passados. Os detalhes
dos estádios são dados a seguir.

Tanto quanto possível, deixe suas más experiências no


lugar a que pertencem — no passado. O que está escrito
está escrito e você não poderá modificá-lo. Deixe oã esque­
letos no lugar em que devem estar — no armário de coisas
velhas. Não tente desfazer o passado. Você não consegue!
É impossível!
Não é incomum entrarmos em contato com pessoas que se
sentem extremamente amarguradas por coisas do passado.
Sentem-se amarguradas pelos cônjuges dos quais se divor­
ciaram, os entes queridos que morreram, o dinheiro e a po­
sição que perderam, ou os danos físicos que sofreram. Todos
êstes males podem ser resumidos na palavra “ perdido” —
cônjuges perdidos, entes queridos perdidos, dinheiro perdido,
posições perdidas, aptidões perdidas, capacidade física per­
dida.
Se você cair nesta classificação de amargura, isto acon­
tece porque você perdeu alguma coisa ou alguém. Você per­
deu algo que não pode ter de volta, e quanto mais você
tentar obter essa coisa ou êsse alguém de volta, tanto mais
amargurado você ficará. A maneira lógica de abordar êste
problema é parar de tentar obter de volta o que foi perdido
e substituí-lo por algo tão semelhante ao original quanto
seja possível. Se você julga que aquilo que perdeu não pode
ser substituído, aceite a perda e aprenda a viver sem ela.
Em minha profissão tenho testemunhado acontecimentos
de cortar o coração. Tenho visto a mão fria da morte ar­
rebatar criancinhas, adolescentes, pais na flor da vida, e
os velhos. Tem sido minha tarefa tentar consolar homens
que financeiramente perderam tudo. Também tem sido minha
tarefa reconstruir o ego partido dos divorciados. Estas e
muitas outras calamidades fazem parte do ofício de um clé­
rigo. Certos indivíduos aceitam as infelicidades da vida e
ãjustam-se maravilhosamente bem. Outros tornam-se extre­
mamente amargurados. A pena é que assim se ferem mais
que qualquer outra pessoa poderia fazê-lo. Suas amarguras
também afetam todos os que lhes estão próximos. Em sentido
bastante real, suas vidas param porque, para que se man­
tenham amargurados, constantemente tais indivíduos têm de
reviver o acontecimento passado que tanto os desesperou.
Literalmente, vivem no passado e, por isso, sua esperança
no futuro é muito tênue.
Anos atrás tive como cliente uma mulher cuja vida in­
teira passara odiando o ex-marido. Era somente sôbre o que
desejava conversar. Para ela, o ex-marido não passava de
um patife, um camundongo, um rato, um rato ordinário e
muitas outras coisas desagradáveis que aqui omitirei. No que
lhe dizia respeito, êle era a criatura mais desprezível sôbre
a face da Terra. Ela contou-me tudo isso embora já estivesse
divorciada havia dez anos. Durante todo êste tempo
havia feito de sua própria vida uma miséria, tinha tornado
miserável a vida do ex-marido, dos filhos e de todos os que
se achavam envolvidos.
Perguntei o que ela havia realizado na vida desde o di­
vórcio. Disse-me que estava desforrando-se. Respondi: “ Des­
forrando-se, tôdas as vêzes que você o fere está ferindo-se
duas vêzes mais. Você não o conseguiu de volta e não o con­
seguirá. Sua amargura é tal que você não consegue ter
amigos. Não consegue manter-se num emprêgo. E, acima
de tudo, não começou ainda a construir uma nova vida.
Tudo o que você realizou nos últimos dez anos foi nada.
Esbanjou dez anos de sua vida num esforço fútil. Ninguém
jamais consegue desforrar-se. Você fere alguém, mas fere-
se ainda mais.”
Respondeu-me ela que não deseja o velho “ isto e aquilo”
de volta, e que continuaria fazendo o possível para preju­
dicá-lo de tôdas as maneiras possíveis. Sua finalidade ao
vir procurar-me era livrar-se da depressão que nada tinha
a ver com seu ex-marido. Para encurtar a história, eu lhe
disse que era perda de tempo e dinheiro, tempo para mim,
dinheiro para ela, continuar vindo ver-me. Não gosto de
fazer isto com ninguém, mas quando uma pessoa está tão
inclinada a arruinar sua própria vida e a vida de outra pes­
soa, há muito pouco a fazer-se para auxiliá-la.

A auto-hipnose pode auxiliá-lo a esquecer o passado. Pelo


menos pode remover a dor emocional dos acontecimentos
passados. Hipnotize-se e diga a você mesmo: “ Pensarei
cada vez menos sôbre o que aconteceu. Desejo ser feliz e
estar em paz comigo mesmo; por isso, logo estarei pensando
somente em coisas boas do meu passado.”
Abandonar os acontecimentos desagradáveis do passado
é difícil quando você abriga amargura na alma. Também é
difícil “ castigar-se” por causa de alguma coisa feita no pas­
sado. A culpa e o remorso servem uma finalidade positiva
em certas ocasiões, mas isto somente é verdade quando existe
uma razão genuína para que você se sinta culpado. Uma vez
que se sinta a culpa e que ela seja reconhecida por uma ati­
tude de arrependimento, já não existe mais a necessidade de
sentir-se culpado.
É possível que você tenha causado mal a alguém e por isso
sente forte necessidade de punir-se. Muitas vêzes isto acon­
tece mais em nível subconsciente do que consciente. Talvez
já sejam decorridos dez, vinte, trinta ou mais anos desde que
a coisa aconteceu, mas você continua a punir-se, a castigar-se.
É claro que isto não pode de modo algum retificar qualquer
que seja o êrro que você cometeu.

Um complexo de culpa aliviado por auto-hipnose. Um


exemplo frisante de autopunição é o de uma cliente que
tenho, a qual se castigava por sentir-se culpada das circuns­
tâncias em que o pai havia morrido. Esta senhora estava
quase com setenta anos e o pai tinha morrido havia vinte
e oito anos e, no entanto, a culpa que ela sentia causava-lhe
grande desespêro. Literalmente, surrava-se física, emocional
e espiritualmente, de tôdas as maneiras concebíveis. Quando
lhe perguntei por que se sentia parcialmente responsável pela
morte do pai, respondeu que não havia qualquer razão espe­
cífica.
Êle tinha estado enfêrmo durante muitos anos, e fôra ela
quem cuidara dêle naquele período. Embora tivesse tentado
evitá-lo, o ressentimento havia penetrado seu coração. Res­
sentia-se de ter tido de cuidar do pai. Ressentia-se do di­
nheiro que estava sendo gasto com os cuidados médicos. Ha­
via outros filhos, mas todos haviam-se recusado a dar assis­
tência adequada. Minha cliente era a filha mais jovem e a
favorita do pai e, por isso, êle preferiu ir viver com ela e
com sua família.
Na manhã do dia em que o pai faleceu, não havia indício
de que êle estava pior; de fato, parecia o mesmo de muitos
meses atrás. Foi naquela manhã que ela julgou ter atingido
o ponto de saturação. Tinha que sair. Não importava o que
fôsse fazer; o que precisava era passar algumas horas fora
de casa. Combinou com uma vizinha para vigiar o pai en­
quanto ia à cidade almoçar e olhar as vitrinas. Durante sua
ausência, o pai havia falecido subitamente.
Foi a combinação de todos êstes fatores que havia criado
a culpa que a vinha devastando durante todos êstes anos. Eu
lhe disse que seu sentimento de culpa era desnecessário. Ela
nada tinha feito para que o pai morresse, mas na verdade
tinha feito mais do que era seu quinhão em cuidar do pai.
O fato de que estava fora de casa quando êle morreu era
irrelevante. De qualquer modo êle teria morrido. Nada ha­
via que ela pudesse ter feito para evitar-lhe a morte. Seu
ressentimento era natural. Vez ou outra, todos nós sentimos
ressentimento por alguma coisa. O importante é que o per­
cebamos e nos livremos dêle. Todos êstes anos de autopuni-
ção tinham sido completamente desnecessários. Sua própria
vida e a de seus entes queridos tinham sido prejudicadas e
embaraçadas por suas atitudes e idéias errôneas.
Tentei fortalecer a fé desta senhora pelas cinco diferentes
maneiras mencionadas e dei-lhe sugestões hipnóticas posi­
tivas para esta situação específica. Após algumas semanas ela
havia feito maravilhoso ajustamento à vida. Disse-me: “ Sin­
to como se me houvessem tirado dos ombros um fardo pesado
e a vida tem novamente um significado real” .
Há outra circunstância que desejo mencionar quanto a dei­
xar as coisas más no passado. Nem sempre culpe o passado
pelos erros que você comete hoje. Sei e acredito que tôdas as
pessoas inteligentes aceitam o fato de que nossos primeiros
anos, nossos pais, nosso ambiente social, tudo desempenha
um papel em moldar nossa personalidade e caráter. Algumas
vêzes, estas primeiras experiências criam um padrão anor­
mal de comportamento que pode causar a um indivíduo grande
desespêro e tristeza. Tenho êste fato em mente quando digo:
“ Nem sempre culpe o passado por suas dificuldades atuais” .
Não importa o que seu passado tenha sido, você é moralmente
responsável por seu comportamento atual.
É muito freqüente que uma pessoa cometa um crime hor­
roroso e depois diga: “ Fiz isso, porque, quando tinha três
meses de idade, minha mãe deixou-me cair e bati a cabeça.”
Êste exemplo poderia parecer um tanto ridículo, mas não
obstante ilustra o que queremos dizer. Todos nós poderíamos
encontrar algo no passado que nos causaria o pranto, se o
quiséssemos. Todos nós poderíamos sentir autopiedade. Mas
esta espécie de atitude só nos prejudica; em nada nos auxi­
liará.
Tanto quanto possível, deixe suas más experiências no pas­
sado. Não se amargure com elas. Não se castigue por coisas
que aconteceram anos atrás. E nem sempre culpe o passado
por suas infelicidades atuais.

Benefícios das más experiências. Um dos grandes benefí­


cios de suas más experiências são as lições que você aprende.
Talvez eu devesse dizer, as lições que você deve aprender das
más experiências, pois que nem sempre parece que você tirou
proveito das lições do passado. Quando você não aprende, é
porque não foi suficientemente perceptivo. Você não está
prestando atenção. Existe um velho adágio que diz: “ Quando
um cachorro te morde pela primeira vez, tu não tens culpa.
Se o cachorro te morder novamente, a culpa é tua.” Não co­
meta duas vêzes o mesmo engano. Aprenda bem a lição da
primeira vez que freqüentar a dura escola da vida. Repetir
o ano nessa mesma escola poderia ser desastroso.
Outra razão por que você algumas vêzes não aprende do
passado é que você sente prazer em sentir-se ferido. Se você
não sentisse alguma espécie de satisfação, não o faria. O
menininho que cai todos os dias na mesma sarjeta enlameada,
assim procede porque gosta de enlamear-se. Êle também gosta
da atenção que obtém da mãe. As mulheres que nunca com­
pletam o serviço da casa e nunca têm a refeição feita em
tempo, são como o menininho citado. O mesmo é verdade em
relação ao homem que a caminho de casa entra num bar e
se esquece do aniversário da espôsa. Se seu mal é desta
espécie, aprenda a obter prazer de maneira mais construtiva
e positiva. Comece a aprender do passado. Diz um velho
provérbio: “ Ficamos espertos muito tarde e velhos muito
cedo.”
Você pode aprender de seus fracassos e sofrimentos pas­
sados. Aprenda o que não deve fazer e aprenda o que deve
fazer. Examine suas experiências para ver se nelas existe
algum padrão de fracasso discernível. Você costuma repetir
o mesmo engano ou enganos? Se descobrir que êsse é o caso,
aja imediatamente para modificar sua vida. Esta coisa tão
simples pode inverter a tendência descendente em sua vida.
A maioria dos homens que falha repetidamente nos negó­
cios comete o mesmo êrro tôdas as vêzes. Um cliente que
tive iniciou um negócio seis vêzes e fracassou em tôdas elas.
Cometeu sempre o mesmo êrro: o negócio ia bem e êle co­
meçava a ter manias de grandeza. Expandia-se mais do que
podia, tentava abarcar o mundo com as pernas e perdia o
negócio. Havia algumas lições valiosas nestas experiências,
mas êle não as estava aprendendo. Primeiro, era um pequeno
empresário com aptidões, mas não sabia lidar efetivamente
com as questões de pessoal de uma operação em grande escala.
Segundo, gostava de ser o pioneiro em novos negócios, mas
aborrecia-se depois que o negócio ficava estabelecido. Pre­
cisava de um desafio, mas às vêzes aceitava mais desafios do
que podia satisfazer. Terceiro, falhava repetidamente pela
atenção que costumava receber. As pessoas prestavam-lhe
atenção. A espôsa consolava-o e mimava-o até que êle sobre­
pujasse o sofrimento.
Esta mesma verdade também se aplica àquêles que cons­
tantemente se ferem. Acredito que tais pessoas têm um “ pa­
drão de sofrimento” , porque sempre conseguem meter-se em
situações que as farão sofrer. Um de tais casos é o de uma
senhora que se havia divorciado três vêzes e estava em vés­
peras de divorciar-se novamente. Falou-me de seus casamen­
tos, seus maridos, e como todos a tinham traído. Após vê-la
durante algumas semanas, demonstrei-lhe que ela havia ca­
sado com o mesmo tipo de personalidade tôdas as vêzes. Todos
os seus maridos eram do tipo brilhante e instável — play-
boys. Ela sabia disto quando se casou com êles. Por que o
fêz? Por que repetiu o mesmo “ padrão de sofrimento” ?
Bem, ela gostava do excitamento. Gostava do romance que
havia na coisa. Gostava das discussões. Gostava da simpatia
que lhe era demonstrada pelas amigas durante e após o di­
vórcio. Bàsicamente, era imatura e não sabia como construir
uma relação duradoura com um homem de maturidade.

Aprenda a rir-se das más experiências. Não apenas você


deve deixar as más experiências no passado e delas aprender
boas lições, como também precisa aprender a rir-se delas. Se
você procurar, encontrará algo engraçado mesmo nas situa­
ções mais difíceis. Quando você é capaz de rir das"~coisas
más do passado, atingiu o planalto da vitória. As emoções
negativas do passado — mêdo, preocupação e ansiedade —
já não o escravizam. Ria-se do diabo e êle fugirá de você!
É sempre melhor rir do que chorar.
CJma cliente estava encontrando dificuldade em ajustar-se
a uma reconciliação com o marido. Êste achava-se envolvido
com outra mulher havia cêrca de três anos. Minha cliente
só veio a saber do caso uns meses antes de êle ter acabado.
Durante êsses meses, tinha havido brigas e discussões inter­
mináveis. Finalmente, decidiram acabar com tudo. Porém,
depois de terem incorrido nas despesas legais, concordaram
em fazer uma nova tentativa.
Voltaram a casar-se e tudo correu muito bem, exceto que
ela não conseguia esquecer as escapadas do marido. Eu lhe
disse que seria difícil, mas que o casamento corria perigo
se ela não conseguisse livrar-se daquela mágoa com o que ha­
via acontecido. Perguntei-lhe se ela já havia pensado como
deveria ter sido ridículo o marido esgueirando-se como um
jovem de menos de vinte anos. Êle já tinha feito um tolo
de si mesmo. Ela mencionou a ocasião em que o havia apa­
nhado numa grande mentira. Ficou quieta, durante um mo­
mento em nossa conversação, e depois riu. “ Foi a mentira
mais esfarrapada que jamais ouvi” , disse ela.
Isto foi apenas um início. Durante algumas semanas foi
usada a hipnose, até que ela conseguiu viver com o passado.
0 alicerce das boas experiências passadas. Discutimos as
coisas más do passado, mas, e as coisas boas? Sem dúvida,
você já deve ter tido dias de sucesso, memoráveis e felizes.
Bem, não se encoste em tais dias; construa sôbre êles. O
homem que vive no passado, seja êste bom ou mau, jamais
se relaciona muito bem com o presente ou com o futuro.
Pode ter a certeza de que o indivíduo que está sempre fa­
lando sôbre o que já fêz, atualmente não está fazendo coisa
alguma.
Use como inspiração os seus momentos de triunfo no pas­
sado. Quando o Rei Davi de Israel era um menino pastor
foi chamado para combater um gigante chamado Golias. Davi
inspirou-se dizendo a si mesmo: “ Já matei um leão e um urso,
e Deus fará com que o filisteu caia em minhas mãos.” Mãe,
você criou seus filhos, portanto poderá ter sucesso no mundo
dos negócios se assim o desejar. Pai, você criou um negócio
ou tem tido êxito em sua posição, portanto você pode enfren­
tar um nôvo desafio em sua vida.
Use também as coisas boas do passado para instruir-se.
Você pode aprender das más experiências, mas as boas lhe
ensinarão muito mais. O sucesso é o seu melhor mestre. Fre­
qüente assiduamente esta escola e aprenda bem suas lições.
Nunca despreze essa sua boa amiga, a experiência. Não a
despreze como se ela fôsse uma recém-chegada sem valor. A
boa experiência lhe apresentará a muitos novos amigos, mas
seja apresentado através da boa amiga, a experiência.
Use a lembrança de seus-bons tempos no passado para
sustentá-lo durante os tempos difíceis do presente. Um ami­
go meu, que estivera prisioneiro durante a Segunda Guerra
Mundial, disse que manteve vivas suas esperanças, pensando
nas cenas agradáveis do passado. Vez ou outra, a vida pa­
recia insuportável, mas durante aquêles momentos de tor­
mento lembrava-se das experiências de sua meninice. Disse
que se lembrava especialmente das visitas que fazia à fazenda
do avô. A lembrança do ar fresco, dos campos abertos, da
boa alimentação e o conselho sábio dos avós, possibilitou-lhe
suportar os rigores da vida na prisão.
Você pode viver com seu passado e pode ter fé nêle se
aplicar os princípios da fé dados no Capítulo 10. Contemple
o passado de maneira positiva e realística. Limite sua fé de
acôrdo com o objeto da fé. Depois, projete-a no futuro. O
amanhã é seu 1

SUGESTÕES DE AUTO-HIPNOSE
PARA VIVER COM O PASSADO

Porque quero (inserir seu M.E.D.P.) deixarei as más ex­


periências no passado. Aprenderei suas lições valiosas e serei
capaz de rir-me das más experiências. Farei um alicerce
das boas experiências.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. Você tem dois passados: o histórico e o pessoal.


2. Existem três atitudes que você pode manter quanto
ao passado histórico.
(1) Você pode negá-lo e tentar esquecê-lo.
(2) Você pode viver no passado.
(3) Você pode mesclar o que é bom do antigo com
o que é bom do moderno.
3. Você pode sofrer pelos pecados dos pais, mas não
é responsável por tais pecados.
4. Sua atitude para com o passado determina sua ati­
tude para com o futuro.
5. Existem três coisas que você deve fazer quando lidar
com as más experiências do passado:
(1) Deixe-as no passado. Não se amargure. Não
se castigue. Não culpe o passado.
(2) Aprenda das experiências.
(S> 3Üa-se delas.
Existem cinco coisas que você deve fazer com as
boas experiências de seu passado:
(1) Faça delas um alicerce.
(2) Use-as como inspiração.
(ã) Use-as para instruí-lo.
(4) Use-as para sustentá-lo.
(5) Use os princípios da fé, do Capítulo 10, para
aumentar sua confiança no passado.
Foi dada uma sugestáo de auto-hipnose para você
viver com o passado.
14

COMO A AUTO-HíPNOSE
PODE MELHORAR
SEU CASAMENTO

A m a i o r i a DAS PESSOAS surpreende-se com o fato de que um


em cada quatro casamentos eventualmente termina em di­
vórcio. Contudo, o que mais me surpreende é que a propor­
ção de divórcios não seja maior, A maior parte das pessoas
casadas está suportando o casamento; não o está desfrutando.
A auto-hipnose pode ser de imenso valor em acrescentar pra­
zer e paz ao casamento.

A S DIFERENÇAS PSICOLÓGICAS ENTRE SEXOS

Vou explicar por que me surpreende que o índice de di­


vórcios nos Estados Unidos não soja mais alto do que o é.
A primeira razão está nas diferenças básicas antropológicas,
culturais, emocionais e perceptivas que existem entre os sexos.
Muito poucos homens compreendem a fêmea das espécies.
Rimos e brincamos sôbre o assunto, mas não se trata de brin­
cadeira; é um fato. O reverso da medalha raramente é dis­
cutido, mas prevalece da mesma maneira. Poucas mulheres
compreendem o macho das espécies. As diferenças de sexos
são mais psicológicas do que físicas.
As distinções físicas foram feitas por Deus, mas as psico­
lógicas foram moldadas pelo homem. É o fator psicológico
que causa desarmonia no casamento. O homem que nunca
demonstra interêsse, paciência, pensamento ou bondade para
com a espôsa, não a terá por muito tempo. A mulher que não
faz o marido sentir-se como um equivalente moderno do ho­
mem da caverna não o terá a seu redor por muito tempo.
Na verdade, êle não está lutando com dinossauros, mas está
ganhando o pão. A mulher não é o sexo frágil, mas na maio­
ria das situações deseja ser tratada como tal. E se você fôr
um marido inteligente, dar-lhe-á a consideração que ela de­
seja. Você abrirá a porta do automóvel, a porta da casa etc.,
para que ela saia ou entre. Você deverá postá-la na cadeira,
principalmente em locais públicos. Talvez você esteja casado
há vinte anos e não tenha feito nada disso nos últimos de­
zenove. Faça-o e veja o que acontece! Se ela não cair morta,
tornar-se-á a espôsa mais doce possível. No leito conjugal
o marido pode não ser um Hércules, mas se você deseja
conservá-lo, é melhor agir como se êle o fôsse. Sua espôsa
pode não ser a mulher mais bonita do mundo, mas é melhor
que você aja como se ela o fôsse.

DIMINUIÇÃO DAS DIFERENÇAS SOCIOLÓGICAS

As diferenças sociológicas entre os sexos estão diminuindo


a cada nova geração. Umas centenas de anos atrás, uma
mulher casada não se aventuraria a sair de casa sem ser
acompanhada por alguém. Quando o marido recebia visitas,
ela não podia aparecer ou dizer qualquer coisa sem sua per­
missão. Nos últimos sessenta anos as mulheres conseguiram
mais direitos do que em todos os anos anteriores da história.
Estas novas liberdades criaram uma nova imagem feminina.
Agora, uma mulher pode andar de um lado para o outro,
como muito bem o entender. Tem as mesmas oportunidades
educacionais que o homem. Tem o direito de votar. Se ela
não deseja viver com um homem, pode divorciar-se. Ela pode
trabalhar e, em muitos casos, recebe salários comparáveis
aos dos homens. O aperfeiçoamento do controle de natalidade,
o aumento das graduações de trabalho e salários para a mu­
lher, e as oportunidades continuadas para educação em futuro
próximo, farão diminuir ainda mais as diferenças socioló­
gicas e psicológicas entre os sexos.

A FALTA DE PREPARAÇÃO PARA A


MAIORIA DOS CASAMENTOS

A segunda razão por que me surpreendo de a taxa de di­


vórcio não ser mais alta é pela falta de preparação para o
casamento. O Exército mandaria seu filho para a guerra
antes de ensiná-lo a usar um fuzil? Você permitiria que sua
filha saísse pilotando um avião sem que primeiramente re­
cebesse a instrução necessária? A resposta a ambas as per­
guntas é: não. Você não faria coisa alguma que pudesse pre­
judicar o filho. Mas, pense um instante. Você educa o filho
para os negócios, mas educa-o para a coisa mais importante
da vida? O contrato matrimonial é o mais rigoroso dos con­
tratos que as pessoas àssinam. E, no entanto, que é que os
filhos sabem sôbre o negócio do casamento? Êstes têrmos
podem parecer frios, mas o casamento é um contrato legal que
estabelece obrigações que devem ser cumpridas. Se você não
me acredita, tente rompê-lo. Uma das vergonhas de uma na­
ção é a falta de cursos educacionais apropriados sôbre a vida
de casado e a vida em família.
Observemos agora por que alguns casamentos fracassam
e o que você pode fazer para melhorar o seu. A maioria dos
divórcios resulta de ignorância, imaturidade, indiferença, in­
discrição ou interferência.
Se eu tivesse de arrolar as razões para a dissolução do
casamento, no alto da lista figuraria a ignorância. Quanto
mais lido com os problemas humanos de todos os tipos, tanto
mais me convenço dêste fato. A ignorância é o inimigo nú­
mero um do casamento. Como há pouco mencionamos, a pes­
soa da camada comum ingressa no matrimônio sem a menor
concepção de qual a sua finalidade. Ela não tem qualquer
idéia sôbre as responsabilidades e vicissitudes do casamento.
Muitos jovens são levados ao altar acreditando que da noite
para o dia algum poder mágico se encarregará de suas vidas.
Porque formam uma unidade, possuirão tôdas as grandes ca­
sas e automóveis que vêem possuir os casados nas fitas de
cinema.
Não faz muito tempo eu estava aconselhando um casal de
noivos, cuja cerimônia de casamento eu celebraria. Durante
a conversação, perguntei-lhes onde iriam viver. No início
pensavam ir morar num apartamento, mas planejavam den­
tro de dois anos mudar-se para um bairro elegante da cidade.
O jovem tinha um emprêgo que lhe rendia um salário apenas
moderado e, por isso, perguntei-lhe como iria conseguir ir
morar num bairro residencial elegante. Nenhum dos dois
sabia. O jovem disse que, na verdade, não se importava de
ir ou não residir lá. Neste ponto, a noiva fê-lo saber que ela
precisava morar naquele bairro. Exatamente nesse ponto
estavam lançadas as sementes do divórcio. Êstes dois jovens
não tinham a concepção do valor da moeda.

IGNORÂNCIA NA ADMINISTRAÇÃO DAS


FINANÇAS DA FAMÍLIA

A ignorância na administração do dinheiro da família é


inimigo mortal dos bons casamentos. Acredito que os pro­
blemas financeiros são uma das principais causas de divórcio
nos primeiros anos do casamento. Êles são, com grande fre­
qüência, a raiz de muitos outros problemas. Isto é especial­
mente verdade em situações nas quais a renda da família é
moderada e nascem muitos filhos em pouco espaço de tempo.
O mesmo acontece com casais que têm dinheiro abundante e
não têm filhos, mas que, ainda assim, não seguem uma polí­
tica financeira doméstica sólida. Fazem mais contas do que
as que podem pagar. E começam a culpar-se mutuamente
pelo dilema. Você pode comprar uma porção de coisas até
mesmo com pagamento inicial bem pequeno, mas não se es­
queça de que o resto da conta tem de ser pago. O que pode
fazer naufragar o orçamento familiar é a acumulação de mui­
tas pequenas contas por mês. O sistema de crédito é uma
instituição maravilhosa se você usa de bom senso e não co­
mete abusos.
Eu hesitaria em enumerar as pessoas que tenho entrevis­
tado, cujos débitos, sem contar o armazém, excedem suas
rendas. Televisão em côres, cortadores de grama motoriza­
dos, estéreos, secadores de cabelo, gravadores de fita e em­
préstimos pessoais das companhias emprestadoras, encabe­
çam a lista comum de débitos. Na maioria, êstes itens não
caem na categoria dos essenciais. Mas são “ raposinhas” que
podem arruiná-lo financeiramente.
Meu conselho aos casais jovens seria: não se empobreçam
por uma casa, um automóvel ou um artigo eletrodoméstico.
Dêem boa margem ao seu orçamento para comprar um san­
duíche vez ou outra. Reservem dinheiro para tirar férias.
São estas as coisas que aliviam um pouco das suas tensões e
fazem valer a pena viver a vida.
A ignorância na administração do dinheiro da família é
apenas uma espécie de ignorância que pode fazer naufragar
o barco do matrimônio. Existem muitos outros torpedos mor­
tais que podem exercer sua função destruidora da mesma
maneira. A ignorância em questões sexuais, ignorância sôbre
o comportamento das crianças, e ignorância sôbre os elemen­
tos básicos das relações humanas, são apenas algumas das
muitas áreas que poderiam ser mencionadas. Tudo isto pode
ser sobrepujado pela espécie certa de educação. E esta edu­
cação começa em casa. Seja honesto com os filhos. Seja
otimista e, ao mesmo tempo, realista. Dê-lhes responsabi­
lidades comensuráveis com suas idades. Não descarregue so­
bre êles todos os fatos da vida quando êles têm apenas cinco
anos de idade, mas responda a suas perguntas de modo inte­
ligente. Dê-lhes um bom fundamento emocional e espiritual
sôbre o qual possam construir suas vidas e matrimônio.

IMATURIDADE NO CASAMENTO

Outra causa de divórcio é a imaturidade. Pessoas existem


que parece nunca crescerem. Fisicamente, podem ter trinta,
quarenta, cinqüenta ou sessenta anos idade, mas emocio­
nalmente têm a idade de oito, dez ou doze. Quando os côn­
juges não agem de acôrdo com seus desejos ou dançam de
acôrdo com suas músicas, estão prontos para acabar com
tudo. Com tais pessoas, é sempre uma questão de receber e
nunca a de dar. A mulher dêste tipo geralmente vai para a
casa da mãe, e o homem, quase sempre, encontra consolo na
bebida. É realmente uma pena que as pessoas se casem antes
de atingir a maturidade, porque, em tal caso, o casamento
lhes cria aborrecimentos e tristezas como também para todos
os interessados.
Uma ocasião dei consulta a um jovem marido que não
podia ou não queria tomar qualquer decisão sem primeira­
mente saber do pai o que é que deveria fazer. Naturalmente,
dentro de certos limites, isto nada tem de errado. Mas êste
homem não tomava decisão alguma, sem consultar o pai. O
que êste dizia era final. Além disso, o jovem marido nunca
perguntava à espôsa qual era sua opinião, e se esta a emi­
tisse, o marido logo lhe dizia para calar a bôca. Bem, ela
fechou a bôca, mas abriu uma ação de divórcio!
Outro exemplo de imaturidade é o da jovem espôsa e mãe
que simplesmente não consegue adaptar-se às responsabili­
dades ou ao trabalho. O marido trabalha o dia inteiro, volta
para casa, faz o jantar, limpa a casa e lava a roupa. A única
coisa que a jovem mãe pôde fazer, foi cuidar “ adequada­
mente” da criança. O casamento segue sem tropeços enquan­
to o marido faz o trabalho da espôsa, mas quando êle se
cansa desta rotina, a mulher está pronta para atirá-lo na rua.
Pessoas desta espécie são extremamente neuróticas e são
fracos companheiros de casamento. Enquanto você alimenta
suas neuroses e faz o seu jôgo, o casamento continua, mas que
Deus o ajude quando você faz onda e cessa de satisfazer to­
dos os seus caprichos.
A interferência externa desempenha parte importante na
destruição de muitos casamentos. Aos pais é difícil ficar de
longe e permitir que o filho ou filha recém-casado cometa seus
próprios enganos. Mas, acredite-me, é melhor você manter-se
a distância. Se você fôr consultado, dê seus conselhos. Mas
se não o fôr, não se manifeste. Permita que os filhos cons­
truam e vivam suas próprias vidas. Se você quer ser apre­
ciado, mantenha sua distância. Agindo dessa forma, você
pode salvar o casamento de seu filho ou filha.
Uma vez casado, você já não é mais obrigado a obedecer
aos pais. Você deve honrá-los e respeitá-los, mas não tem de
obedecer-lhes. Sua principal aliança é com seu cônjuge.
Um casal, com pouco mais de cinqüenta anos, veio pedir-
me conselhos, por causa da interferência da mãe do marido.
O casal estava casado havia dez anos, e não tinha filhos. O
marido demonstrava preferência pela mãe, em detrimento
da mulher, em tudo. A espôsa tinha esperado, rezado e traba­
lhado para que fôsse um bom casamento, mas jamais o con­
seguiu. Por parte do marido não havia boa vontade em modi­
ficar a situação. Êle julgava que a espôsa era ciumenta e
irracionável. Disse que amava a espôsa, mas amava também
a mãe. Poderia amar as duas mulheres, mas seu amor pelas
duas era anormal.
De que maneira poderá sobreviver o casamento se se é in­
diferente ao companheiro de vida conjugal? Acredite-me, tal
casamento não sobreviverá! Pode-se ter um casamento em
nome e aparência, mas isso será tudo. A indiferença é o ini­
migo mortal dos casamentos que duraram dez anos ou mais.
Não se tenha a certeza de que tudo vai bem com o marido ou
mulher, pois a realidade pode ser outra! Plantas, animais
ou qualquer outra coisa que se negligencie, perecem. O mes­
mo acontece em relação ao casamento — se se não o cultivar
e não trabalhar por êle, perecerá.
O marido que nunca está em casa e que, quando está, ador­
mece em sua poltrona favorita, sempre fica chocado quando
a mulher propõe o divórcio. “ Que foi que eu fiz? Não tenho
sido um bom marido? Não tenho ganho a vida e pago as
contas... ?” Não é tanto o que êle tem feito que está cau­
sando o problema conjugal, mas o que êle não tem feito. Não
tem dado atenção à espôsa. Geralmente a negligencia sexual
e socialmente. O lar é um lugar onde êle ocasionalmente co­
me e dorme.
Para êle, a espôsa não tem uma identidade determinada.
É a cozinheira, a arrumadeira da casa, ou governante, mas
não uma pessoa. Porque ela tem sufocado seus sentimentos,
êle julga que ela não os tem. Uma vez ou outra êle honra-a
com um rápido beijo no rosto. Quando deseja sexo, espera
que a espôsa seja a “ amante instantânea” .
O outro lado do quadro é a mulher que está tão atarefada
com os filhos, os clubes, ou suas caridades, que não tem tempo
para o marido. Êle é um sujeito formidável que vigia as
crianças e paga as contas. Na realidade êle não liga muito
para o sexo e mesmo para ficar junto da espôsa muito tempo.
Chega então o momento fatal quando êle encontra alguém
que lhe presta atenção, que o faz sentir como se fôsse uma
pessoa. A espôsa simplesmente não consegue imaginar onde
foi que errou. Crê ter feito o melhor que pôde. Sim, ela fêz
o melhor que pôde em tudo, exceto no casamento.
Negligencie seu casamento e você o destruirá!
A indiscrição é outro fator que freqüentemente leva o
casamento por água abaixo. O cônjuge que sempre sente
prazer em embaraçar o outro em público, algum dia rece­
berá o que merece. Geralmente o que consegue é um divórcio
ou uma espôsa frígida. Marido e mulher podem muitas vêzes
reconciliar-se com situações desagradáveis, mas raramente
suportam a humilhação do embaraço público. Até mesmo a
ferida de um caso amoroso pode ser cicatrizada, desde que
o ofensor não seja excessivamente indiscreto. Porém, quanto
mais pessoas souberem do caso, tanto mais difícil se torna
viver com êle.

USANDO A HIPNOSE PARA EVITAR OS


CINCO “I” PERIGOSOS

Evite êstes cinco “ I” perigosos: ignorância, imaturidade,


interferência, indiferença e indiscrição, se é que você deseja
manter um casamento feliz. Use a auto-hipnose para aper-
feiçoar-se em quaisquer das áreas em que você vê a necessi­
dade. Eis aqui sete coisas que você pode fazer para melhorar
o casamento:

1. Certifique-se de que compreende perfeitamente o que


é o casamento e tudo o que êle engloba. O casamento é duas
coisas: contrato e comunicação. Já mencionei que o casa­
mento é o contrato mais compulsório e exigente que você
assina. É um contrato que envolve você, seu cônjuge, o estado,
Deus, os filhos e, algumas vêzes, seu estabelecimento religioso.
Não dê pouca importância a êste contrato. Procedendo desta
maneira, você não estará casado por muito tempo. Se você
honrar o contrato em boa fé, seu casamento será duradouro.
O casamento é também uma forma de comunicação. Êste
é um fato muito enfatizado pelos psicologistas e conselheiros
matrimoniais. Demonstrarei agora como a psicologia e a re­
ligião mesclam-se muito bem nesta matéria. Os teologistas
algumas vêzes referem-se ao casamento como uma comunhão.
As palavras comunicação e comunhão têm uma derivação
comum. Ambas vêm da palavra latina “ communis” . Bàsi-
camente, ambas as palavras significam ter algo em comum
ou participar de algo em comum. .Quando não existe comu­
nhão no casamento, não haverá comunicação. A conversação
verbal por si só não é comunicação! A comunicação no casa­
mento vai muito além de mera conversação — é a comunhão
espiritual, social e sexual das personalidades de duas pessoas.
Êstes três fatores acham-se entrelaçados. Um fator depende
dos demais. Um bom casamento é aquêle em que existem
comunhão e comunicação.

2. Certifique-se de que você compreende a natureza do


amor. Pouquíssimas pessoas compreendem a natureza do
amor! Que é que você quer dizer com: “ Amo-o ou amo-a?”
A palavra “ amor” é difícil de definir, mas existem três pa­
lavras gregas que podem ser exprimidas como amor, auxi­
liando-nos a compreender seu significado. São elas: eros,
filos e ágapa. Eros refere-se à expressão sensual, sexual do
amor. De fato, eros era o nome de um dos deuses gregos do
amor. Mais tarde os romanos tomaram êsse deus por en-
préstimo e deram-lhe o nome de Cupido. Certamente você já
ouviu falar de Cupido e suas setas. Talvez você já tenha sido
atingido algumas vêzes por suas setas. Para começar, a maio­
ria dos casamentos baseia-se em eros. A primeira atração
que você sente por seu companheiro é física, sexual.
O sexo é uma parte vital do casamento, porém o casamento
feito somente à base de sexo não durará muito. As leis da
natureza são contra isto. No casamento, dá-se excesso de
ênfase ao sexo. Um casamento normal tem de ter sexo, mas
êste é apenas um aspecto da comunicação no casamento.
Tenho dado conselhos a numerosas mulheres cujos maridos
as espancam impiedosamente. Elas aceitam o espancamento
e continuam a viver com êles. Mas quando o marido vai para
a cama com outra mulher, isto é o fim. Como todos os ho­
mens não compreendo perfeitamente os processos do raciocí­
nio de uma mulher, mas se eu fôsse mulher o motivo para o
divórcio seria o primeiro.
A palavra filos significa profunda afeição. Descreve o
amor que você poderia sentir por um amigo íntimo ou um
parente.
A palavra ágapa significa amor divino. Esta foi a palavra
usada por João, 3:16, para descrever o amor de Deus pela
humanidade. Significa que Deus nos amou, apesar dos fatos
de que não somos dignos de ser amados, que não desejamos
seu amor, e que não fomos capazes de retribuir tal amor. A
expressão dêste amor está nas dádivas de Deus. Quando
aplicamos o têrmo ao amor conjugal, êle significa que esta­
mos casados não somente “ por causa” , mas também “ apesar
de” . A espôsa ama o marido, não somente porque êle é sim­
pático, bondoso etc., mas também apesar do fato de que
êle chega tarde para jantar, apesar do fato de que êle se
esquece de que ela faz anos. O marido ama a espôsa não
somente porque ela é meiga e desejável, mas ama-a apesar
do fato de que ela gasta demais e é implicante vez ou outra.
A expressão de seu ágapa está em dar. Dando cem por
cento de si mesmo ao casamento, geralmente receberá cem
por cento em troca.
Acredito que estas três palavras gregas descrevem a evo­
lução de um bom casamento. Começa com eros, floresce em
filos e desabrocha em ágapa.

3. Certifique-se de que seu cônjuge se sente amado por


você. Êste é o aspecto mais importante de seu casamento.
Seu cônjuge pode não levar em conta e perdoar-lhe muitas
coisas se sentir que você o ama. É possível assegurar seu
amor ao cônjuge, de duas maneiras.
A primeira é declarando verbalmente seu amor. Quando
foi a última vez que você disse a sua espôsa que a amava?
Você poderá responder: “ Não preciso dizer-lhe que a amo.”
Você pensa que ela sábe disso, mas garanto que ela gostaria
de ouvi-lo dizer isso, vez ou outra. A mesma coisa acontece
em relação ao marido. Êle gosta de ouvir a mulher dizer que
o ama. Em tôdas as fases da vida, as pessoas necessitam de
sentir-se seguras. As três pequenas palavras: “ Eu amo você” ,
podem fazer milagres em seu casamento.
A segunda maneira de fazer seu cônjuge sentir-se amado
é demonstrando-lhe seu amor. Demonstre-lhe amor por meio
de ações de bondade e de consideração. Lembre-se das datas
importantes, especialmente de seu aniversário. Existem mui­
tas maneiras pelas quais você pode expressar seu amor, po­
rém as coisas mais importantes são as pequenas cortesias
comuns da vida diária. Declare e demonstre seu amor e você
desenvolverá um casamento firme e feliz.

4. Permaneça jovem em sua mente e corpo. É impres­


sionante como alguns casais permitem sua aparência física
“ levar o diabo” . Muitas esposas não tomam o tempo sufi­
ciente para manter uma aparência ordeira e atraente. O ca­
belo é sujo e escorrido, o corpo é balofo e desengonçado.
São necessários apenas alguns minutos por dia para manter-se
limpa e bem arrumada. De fato, é mais fácil ser limpa do que
ser suja. A mulher conservará o marido da mesma maneira
que o conseguiu. Um dos fatores mais importantes em con­
segui-lo foi sua aparência. Alguns poucos minutos por dia
empregados em certos exercícios básicos podem manter o
corpo em boa forma até o dia em que se morrer. A alimen­
tação também desempenha papel importante em manter o
corpo bem formado. Use-se de uma dieta moderada, bem
equilibrada, e não se terão problemas. Êste conselho aplica-se
à mulher tanto quanto ao marido. Para o bem de sua saúde
assim como para o bem de seu casamento, elimine seu excesso
de pêso. Vigie as calorias e faça exercícios moderados.
Igualmente, permaneça mentalmente jovem. Com exceção
da senilidade, a idade é uma atitude da mente. Permane­
cendo mentalmente jovem, não quero dizer que você deva
tentar pensar como uma pessoa de vinte anos ou um garôto
de colégio. Quero dizer que você deve manter sua mente vivaz.
Esteja informado das tremendas questões que confrontam
nossa geração. Leia uma boa variedade de livros, revistas e
jornais. Desenvolva o poder mental que Deus lhe deu.
Já pensou como você seria erudito se lesse cinqüenta pá­
ginas por dia? Isto tomaria apenas de trinta a sessenta mi­
nutos por dia. Você faria a média de ler um livro por se­
mana ou cinqüenta e dois por ano. Em dez anos você teria
lido quinhentos e vinte livros. Se você fizer isto, será tão
bem informado como a média dos professores de faculdade,
desde que leia os livros certos.

5. Acrescente novas dimensões e experiências a seu casa­


mento. Não se acomode a uma existência insípida. Faça pla­
nos para uma lua de mel, duas vêzes por ano. Isso não requer
muito dinheiro e se você cuidar bem de seu orçainento, poderá
viajar em alguns fins de semana.
Aumente seu círculo de amizades. Faça um esforço para
adquirir amigos fora de seu grupo atual. Isto demonstrará
ser estimulante intelectual e socialmente.
Não vá para o mesmo lugar tôdas as vêzes em que tiver
férias. Algumas pessoas vão para os mesmos lugares todos
os anos. Faça um pouco de exploração. Viajem juntos e
visitem novos lugares para ver como os outros vivem.

6. Seja realístico em relação a seu cônjuge. Lembre-se,


não deposite fé ilimitada nêle ou nela. Não busque perfei­
ção. Todos têm suas faltas. Portanto, dê margem às imper­
feições de seu consorte. Se você tem fé realística em seu con­
sorte, não se desmoronará quando souber que êle não é um
príncipe encantado nem ela é uma fada.

7. Façam a vida em conjunto, mas não percam a iden­


tidade pessoal. Ficar juntos excessivamente pode ser tão pre­
judicial quanto ficar juntos durante muito pouco tempo. O
marido ou mulher que constrói a vida inteira ao redor do
consorte é extremamente tolo. E se o casamento resultar
em divórcio? Se se der o caso de você ter construído sua
vida em relação a seu cônjuge, você estará perdido. Por con­
seguinte, é necessário que você mantenha sua identidade pes­
soal e tenha interêsses próprios. Isto é importante para você
e para o seu casamento. Você pode sufocar o casamento por
excesso de permanência em conjunto. Nenhum homem quer
ter a espôsa consigo o tempo todo, e nenhuma mulher quer
ter o marido consigo em todos os seus momentos.
Eis aqui seis coisas que vocês devem fazer juntos:
(1) Crescer juntos.
(2) Brincar juntos.
(3) Amar juntos.
(4) Trabalhar juntos.
(5) Orar juntos.
(6) Conversar juntos.
O casamento é a união vital de duas pessoas que se juntam
em comunhão mútua. Você deve trabalhar e orar para man­
ter o casamento vibrante e cheio de significado.

SUGESTÕES DE AUTO-HIPNOSE PARA AUXILIÁ-LO


A MELHORAR SEU ESTADO MATRIMONIAL

Porque (inserir seu M.E.D.P.) farei o melhor que puder


para manter o casamento vital e vibrante. Sou compreensivo,
bondoso e tenho sido atencioso para com meu cônjuge o tem­
po todo. A cada dia que passa maior é o meu amor por meu
cônjuge.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1. As duas razões por que me surpreendo de o índice de


divórcio não ser mais alto são:
(1) As diferenças básicas antropológicas, cultu­
rais, emocionais e perceptivas entre os sexos.
(2) A falta de preparação para o casamento.
2. Os cinco maiores fatores que causam o divórcio são:
(1) Ignorância.
(2) Imaturidade.
(3) Interferência.
(4) Indiferença.
(5) Indiscrição.
3. Sete coisas que você pode fazer para manter e me­
lhorar seu casamento :
(1) Certifique-se de que você compreende com­
pletamente a natureza do casamento. O casa­
mento é um contrato e uma comunicação.
(2) Certifique-se de que você compreende perfei­
tamente a natureza do amor.
(3) Certifique-se de que seu cônjuge se sente ama­
do por você.
(4) Permaneça jovem na mente e no corpo.
(5) Acrescente as dimensões e experiências ne­
cessárias ao seu casamento.
(6) Seja realístico quanto ao seu cônjuge.
(7) Façam a vida em conjunto, mas não percam
suas respectivas identidades pessoais.
4. Foi dada uma sugestão de auto-hipnose para me­
lhorar seu casamento.
15

COMO A AUTO-HIPNOSE
PODE AJUDA-LO A TER
ÊXITO FINANCEIRO

S u c e s s o , q u e é i s s o ? Sucesso, quem o tem? Sucesso, como


o conseguimos? Onde o compramos? Vem em garrafas? Po­
de-se aprender fazendo um curso de sucesso? Na maioria,
tais cursos são ensinados pelos que não tiveram sucesso. Será
que você pode tornar-se um sucesso lendo um livro? Hoje em
dia são escritos mais livros sôbre o sucesso do que sôbre
qualquer outro assunto. Todos querem obter êxito. O maior
pecado de nossa era é não ter sucesso. Se você não o tiver,
sua mulher não o amará, seus filhos não o respeitarão, ou
pelo menos é o que dizem os livros.

O VERDADEIRO SIGNIFICADO DE ÊXITO



Tentemos agora responder a algumas das perguntas feitas.
É possível ter sucesso sem ser um sucesso. E é possível ser
um sucesso sem ter sucesso. Um homem pode obter êxito
em cometer um crime; assalto a um banco, assassínio, estu­
pro etc. e não ser um sucesso. Êle é um criminoso de êxito,
mas eu, pelo menos, não o consideraria um sucesso. É possí­
vel a um homem não obter sucesso extraordinário em qualquer
coisa e mesmo assim ser um sucesso na vida. Talvez êle
tenha apenas um emprêgo simples, no qual recebe ordens e
segue uma rotina pràticamente inalterável, e valha apenas
uma quantia moderada em salário. Mas sua vida tem signi­
ficado e profundidade. Êle está tentando aperfeiçoar-se, mas
nesse meio tempo tem autoconfiança e está em paz consigo
mesmo. As relações com a espôsa e os filhos são afetuosas
e legítimas. Os amigos elogiam-no e os inimigos sentem di­
ficuldade em odiá-lo. Êste homem é um sucesso, e é apenas
uma questão de tempo para que seja também um sucesso fi­
nanceiro.
Conheço pessoas, e estou certo de que você conhece muitas,
que têm sucesso em uma ou duas fases de suas vidas. Mas
estas pessoas são fracassos nos aspectos mais importantes
da vida. Alguns dos empresários de grande êxito são fracas­
sos abjetos em suas vidas pessoais. Como maridos e como
pais, a nota que conseguem obter é um zero bem redondo.
Podem ter bom conhecimento do mercado de títulos, mas nada
sabem sôbre seus próprios filhos. Sim, sabem quem são os
filhos, mas desconhecem-lhes as necessidades e desejos.
Sucesso é o indivíduo que vive uma vida cheia de signifi­
cação e útil. Sua vida tem consistência e equilíbrio. Êle é
um indivíduo de êxito na maior parte de sua vida, em con­
traste a ter êxito apenas em unia ou duas área3. Desempe­
nha uma tarefa que escolheu e da qual gosta. Seu rendimento
é adequado para satisfazer suas necessidades e as da família.
As relações com seus semelhantes são boas, porque êle tem
fé positiva e realística em tôdas as cinco direções da fé.
Se você puder pôr em prática os ensinamentos dêste livro,
será um sucesso em sua vida. Neste capítulo, é minha inten­
ção dar-lhe certas informações vitais sôbre a maneira por
que você poderá ter mais sucesso em seu trabalho. Quero
ensiná-lo a conseguir uma renda maior de modo que você
e seus entes queridos possam desfrutar as coisas boas da vida.
Deus quer que você tenha essas coisas, e é meu desejo aju­
dá-lo através da auto-hipnose.
A razão por que entrei numa porção de detalhes em definir
sucesso, é para realçar o fato de que você não precisa ser
um fracasso como marido e pai para ser um sucesso. Há
pessoas que lançam a culpa de suas falhas em negócios por­
que não puderam negligenciar suas famílias. Esta é uma
desculpa esfarrapada. E há também pessoas que culpam as
falhas de família em decorrência de seu sucesso em negócios.
Esta é, igualmente, uma desculpa um tanto fraca. O homem
que é um sucesso, encontra tempo e talento para fazer na
vida tudo o que tem de ser feito. E o que faz, faz direito.

COMO A AUTO-HIPNOSE AUXILIA NO


SUCESSO FINANCEIRO

A auto-hipnose pode ser um tremendo auxílio em trazer-


lhe sucesso financeiro. Inúmeras pessoas que seguiram meu
curso de auto-hipnose têm melhorado financeiramente. Numa
classe média de quinze ou vinte, sempre haverá duas ou três
pessoas que darão testemunho de ter melhorado em rendi­
mento ou em progresso no emprêgo. Já tive alguns alunos
que iniciaram negócios próprios em conseqüência do curso.
Logo que me contaram seus planos, fiquei assustado, mas
todos tiveram mais do que sucesso em seus esforços. Acre­
dito firmemente que, quando é empregada a auto-hipnose da
maneira certa, ela pode ser um instrumento eficaz em au­
mentar seus rendimentos e fazê-lo progredir em seu negócio
ou carreira.
Ninguém pode fazer de você um sucesso da noite para o
dia, mas eis aqui algumas idéias construtivas que você pode
usar para aumentar suas aptidões.
1. Saiba onde está indo. Lembre-se, seu subconsciente
é um mecanismo que se esforça em direção às metas. Dê-lhe
uma meta razoável e êle a conseguirá. É preciso que você
esteja completamente convencido dêste fato, para que o seu
subconsciente seja realmente eficaz na consecução de seu
sucesso. Há pouco tempo trabalhei com um corretor de imó­
veis, durante um período de declínio em vendas. O jovem
veio ver-me, mais por curiosidade. Êle não acreditava que
pudesse ser hipnotizado, e acreditava que o conceito de que
a hipnose podia ajudar alguém a viver era pura conversa.
Felizmente, demonstrou ser um bom sujeito para o hip­
notismo, entrando em transe profundo logo na primeira ses­
são. Isto convenceu-o das possibilidades do que poderia ser
feito. Numa visita subseqüente, começamos a estabelecer mé­
dias de vendas mensais. No mês anterior a sua visita, êle
nada tinha vendido. Fiz com que êle mesmo escolhesse suas
metas de vendas. Êle pensou durante algum tempo e final­
mente decidiu que deveria fechar seis negócios por mês. A
meta era um tanto alta para a época do ano, mas êle tinha
necessidade de fechar êsses negócios todos os meses, a fim
de satisfazer suas obrigações financeiras.
Enquanto sob hipnose, fiz com que êle visualizasse a quan­
tia que o fechamento de negócios significaria todos os meses.
Fiz a sugestão de que seu subconsciente iria trabalhar para
êle transformando esta idéia em realidade. Igualmente, êle
foi ensinado a hipnotizar-se e dar a si mesmo tal meta de
vendas. Na semana seguinte, êle fechou dois negócios. Em
duas semanas e meia êle cumpriu a meta de seis negócios
para o primeiro mês. Desnecessário dizer que hoje êste ho­
mem está convencido da idéia da auto-hipnose para incre­
mentar as vendas.
Tenho tido numerosos vendedores como alunos individuais,
mas até agora não fui capaz de convencer nenhuma grande
organização de vendas, embora tenha oferecido a garantia
de que o curso se pagará por si mesmo pelo aumento de ven­
das, ou nada custará à emprêsa. Menciono êste ponto para
demonstrar como o preconceito e o mêdo embaraçam o pro­
gresso relativamente ao uso da hipnose.
Tôdas as vêzes que ensino alguma coisa sôbre metas em
minhas aulas, invariàvelmente, um ou dois estudantes dirão:
“ Todos falam de metas; isso não tem nada de nôvo.” É ver­
dade. Quase todos os cursos de treinamento dão ênfase às
metas, mas somente um curso de auto-hipnose pode dizer
como alcançar as metas. Quando falamos sôbre metas, em
relação à hipnose e ao subconsciente, estamos em terreno
sólido, científico e bom.
Estabeleça sua própria meta; alimente-a em seu subcons­
ciente, e você a alcançará. Saiba onde você quer ir em sua
carreira.

2. Estabeleça um M.E.P.D. para atingir esta determinada


meta. É da máxima importância que você saiba por que de­
seja ganhar mais dinheiro ou melhorar de posição. Isto é
coisa relativamente fácil de ser determinada. Pergunte-se:
“ Que é que desejo fazer com o dinheiro? Como me sentirei
quando obtiver a nova posição?” Se você deseja pôr dinheiro
numa Caixa Econômica, seu M.E.P.D. seria segurança. Se
você tenciona pôr de lado uma boa quantia para a educação
dos filhos, seu M.E.P.D. seria então o futuro dos filhos. Tal­
vez você queira mais dinheiro para conhecer mais o mundo
ou aposentar-se mais cedo. Estas coisas, em si, constituiriam
seu M.E.P.D.
As razões para desejar progresso na posição poderiam ser
prestígio, aumento de renda, maior estima ante os olhos da
espôsa etc. Quaisquer dessas coisas em si é um M.E.P.D.
bastante poderoso. Quando você fôr capaz de conceber uma
meta específica e saber exatamente qual é o seu M.E.P.D.,
você terá sucesso, desde que faça a programação de seu sub­
consciente da maneira certa. As demais idéias contidas neste
capítulo irão auxiliá-lo a estabelecer o programa apropriado.
3. Prepare-se adequadamente. Prepare-se com as neces­
sárias qualificações educacionais e a atitude mental própria.
A maioria dos homens de cúpula é constituída dos que jamais
cessam de dar a si mesmos preparação minuciosa para cada
tarefa que têm de desempenhar. Um grande homem que
certa vez conheci disse que noventa por cento do gênio é o
trabalho árduo.
Prepare-se com tanta experiência prática quanto lhe seja
possível. Se você pretende ser pastor algum dia, comece hoje
a ensinar numa Escola Dominical. Se você deseja ser um
engenheiro de vendas no futuro, comece a vender revistas ou
alguma outra coisa, bem depressa. Não importa o ramo que
você escolher, haverá alguma coisa que você pode encontrar
imediatamente que lhe dará valiosa experiência prática.

4. Para obter sucesso você precisa ter determinação de


propósito. O homem de êxito é o que sabe do que dêle se
requer e está desejoso de pagar o preço. É o homem que con­
tinua quando todos os demais desistem. É o que se ergue
tôdas vêzes em que é derrubado. Os homens que fracassam
são os que não têm paciência e determinação.

5. É preciso ter autoconfiança. É preciso que você tenha


confiança em sua própria pessoa. Um dos ditos comuns entre
os vendedores é : “ Posso vender qualquer coisa na qual acre­
dite.” Isto soa muito bem, mas creio que um bom vendedor
deve ser capaz de vender qualquer coisa. Acreditar em seu
produto é sem dúvida uma qualidade valiosa. Mas algo muito
mais importante é você acreditar em você mesmo e em sua
habilidade. Se não acreditar que pode ter sucesso, jamais
o terá se não modificar sua atitude.

6. Pense em altos têrmosl Determine uma grande meta.


Depois planeje metas menores diárias, semanais e mensais,
as quais eventualmente o conduzirão à grande meta. Seja
realístico, mas sempre determine sua meta um pouco mais
alto do que você pensa que pode alcançar. Acredite-me! Mui­
tas vêzes é tão fácil ir para cima como permanecer embaixo.
Desenvolva uma auto-imagem maior e melhor. Abandone
a classe do tostão e siga para a frente, em ascensão. Lem­
bre-se, pequenos homens pensam em escala pequena. Gran­
des homens pensam em têrmos altos.

7. Você precisa ser capaz de tomar decisões. Nem sem­


pre você tomará a decisão certa, mas é preciso que você tome
a decisão certa, na época certa maior parte do tempo. A inde­
cisão é aquilo que o arruinará mais depressa do que qualquer
outra coisa. O indivíduo que não souber se deve ou não ex­
pandir seu negócio ou seguir uma nova linha ou contratar
determinada pessoa, jamais terá êxito. É melhor uma de­
cisão errada do que nenhuma. Se você não puder tomar
decisões não demorará muito a perder o respeito daqueles
com quem trabalha. Logo alguém estará tomando decisões
por você, e estará também sentando-se em sua cadeira e na
sua escrivaninha, no local que era anteriormente seu escri­
tório.
A auto-hipnose pode ser de grande valor em auxiliar a
tomada de decisão! O método que uso é hipnotizar-me, de­
pois dou a meu subconsciente todos os fatos pertinentes asso­
ciados a minha decisão. Digo a meu subconsciente que libere
para mim uma decisão dentro dãs próximas horas ou minutos,
dependendo do fator tempo: Depois, esqueço-me do caso e
não demora muito até que um curso definido de ação se im­
prime em minha mente. E nunca errei seguindo êste modo
de proceder. Tem havido ocasiões em que não segui o con­
selho de meu subconsciente, porque a coisa parecia ser exces­
sivamente grande, e invariàvelmente arrependo-me de não
ter seguido o conselho impresso em minha mente.
8. Aproveite o poder de sua imaginação. Ponha-a a tra­
balhar por você. Já discutimos a importância do poder da
imaginação, mas êste conhecimento será inútil a menos que
você a ponha a funcionar. Para dar apenas um exemplo de
como a imaginação pode ajudá-lo a obter êxito, imagine que
você está desempregado. Pense nas várias coisas que você
poderia fazer para viver sem ter de trabalhar para quem
quer que seja. Se você permitir que sua imaginação trabalhe
um pouco sôbre o problema, ela surgirá com várias idéias.
Isto poderia ser perigoso, porque você poderia imaginar algo
que o motivaria a deixar seu atual emprêgo e ir trabalhar
por conta própria.

9. Você precisa estar disposto a trabalhar arduamente.


O trabalho árduo apenas não o tornará rico nem lhe dará
sucesso. Você precisa ter idéias, metas, M.E.D.P. etc., po­
rém estas coisas não terão valor a menos que você as faça
funcionar. Você não terá êxito se tiver mêdo de trabalhar.
Pouquíssimos homens de real sucesso trabalham um dia de
oito horas. O preguiçoso está fora da corrida mesmo antes
que ela se inicie. Se você gostar de seu trabalho e aprender
a fazê-lo com atitude relaxada mas com o máximo de efi­
ciência, o trabalho árduo em nada o prejudicará. Você pode
aprender a trabalhar desta maneira descontraída através
da auto-hipnose. Não estou inferindo que você deva traba­
lhar vinte horas por dia, sete dias por semana. Você precisa
de tempo para relaxar e gozar a vida, mas precisa também
ter o desejo de trabalhar longa e àrduamente, se é que deseja
ter sucesso.

10. O indivíduo de sucesso resolve seus problemas logo


que surgem. Se você não solucionar seus pequenos problemas,
em breve êles se tornarão grandes problemas. Você precisa
desenvolver a habilidade para distinguir numa situação de
problema, se êle é do tipo que se resolve poi: si mesmo ou se
é do tipo que solicita sua atenção mais aguda. Esta habili­
dade somente advém da experiência. O homem que tem mêdo
de enfrentar situações difíceis não tem a possibilidade de ter
sucesso. Não existe nenhum negócio ou ocupação que não
tenha seus problemas e dores de cabeça.
Os jovens ministros freqüentemente se desiludem quando
ingressam como pastores, em decorrência de mesquinhez, con­
flitos de personalidade e politicalha que existem em tôda
congregação. Para mim, sempre é divertido ouvir um ho­
mem de negócios dizer que qualquer dia largará tudo e ingres­
sará na vida sossegada do ministério religioso. Acredite-me,
êle seria uma ovelha lançada num covil de lôbos.
Em grande extensão, sua aptidão para enfrentar os pro­
blemas à medida que surgem, determina se você será ou não
um homem de sucesso. Não existe sucedâneo para a espinha
dorsal. Para expressar isto de modo ainda mais popular,
você precisa ter tutano, estômago e ímpeto, se é que você
quer mesmo ter sucesso.

11. Se quer ter sucesso, não se deixe governar pelas cir­


cunstâncias; governe-as. Você não espera que as coisas acon­
teçam ; você as faz acontecer. O indivíduo que está continua­
mente à espera de que o sol brilhe, ou que o mercado reaja,
jamais terá sucesso. Existem quatro desculpas comuns que
as pessoas dão para sua falta de iniciativa em seguir o ca­
minho estreito que conduz ao sucesso e à prosperidade. Estas
desculpas são clássicas. Você as ouve todos os dias:
1. “ Para fazer dinheiro é preciso ter dinheiro.” Isto soa
bem e parece razoável, mas não é verdade. É verdade para
os que acreditam nisso, mas somente porque o acreditam. O
fato é que a maioria dos homens que se fizeram por si mes­
mos dispunham de muito pouco dinheiro. Depois que se ini­
ciaram e começaram a progredir, puderam ter a sua dispo­
sição grandes quantias, mas inicialmente dispunham de pouco
ou nenhum dinheiro. Realmente, o dinheiro é um patrimônio
de valor, mas não essencial. Se você tem as idéias, as metas,
a determinação e o desejo de trabalhar, o dinheiro que você
precisa virá ter às suas mãos. Aja como se você já tivesse
o apoio de biliões de dólares. Desempenhe o papel de um
milionário e veja o que acontece.
2. “ É preciso ter muita instrução.” Eu seria a última
das pessoas a depreciar o valor da educação. Isto é especial­
mente verdade para os jovens. Meu conselho é que você deve
conseguir o máximo de instrução que puder. Mas se você já
fôr muito idoso e sem muita instrução, não acredite na men­
tira de que é preciso instrução para vencer. Existem ainda
muitos campos da atividade humana em que o indivíduo sem
muita instrução pode perfeitamente vencer. Lembre-se tam­
bém de que a instrução ou educação é um processo que jamais
termina. Você pode instruir-se. É preciso disciplina e esfor­
ço, mas é coisa que pode ser feita.
3. “ Você precisa de boas relações para progredir; isso
depende de quem você conhece e não do que você sabe.” Em
certas situações, isto não deixa de ser verdade, mas na maior
parte das vêzes não é êsse o caso. Pouquíssimas emprêsas
permitirão alguém em sua fôlha de pagamento, em nível
executivo, se essa pessoa não produz. É raro o caso da firma
que não proporciona emprêgo e promoção ao homem que tem
aptidão para ganhar dinheiro para ela.
No que tange às relações, já verifiquei que muito poucos
homens com a possibilidade de ajudar têm boa vontade para
isso. Não peça pistolões; crie-os você mesmo. Se você neces­
sitar de auxílio de certa origem, não procure nenhum pisto-
lão para apresentá-lo. Apresente-se você mesmo! Se você
tem algo a oferecer a quem ou àquilo-que procura, você é tão
importante para êle quanto êle para você. Nunca tema apro­
ximar-se de alguém. Todos foram feitos pelo mesmo Criador
que criou você. São todos feitos do mesmo pó que você. A fi­
nal, o pior que podem fazer é dizer “ Não” , e se você não
procurasse, a resposta também seria negativa quanto ao que
lhe diz respeito.
4. “ Sozinho, você não consegue.” Uma vez mais, existe
cérto grau de verdade nesta desculpa. Todos precisam do
auxílio e da assistência dos outros em qualquer situação da
vida. Mas, desta feita, não é disso que estou falando. Exis­
tem homens que têm mêdo de aventurar-se por si sós. Sem­
pre julgam que precisam de um parceiro. Muitas vêzes as
parcerias ou sociedades funcionam bem, mas não são essen­
ciais. Você não precisa de mais alguém com você. Pode
fazer tudo sozinho, desdè que tenha autoconfiança. Se você
sente necessidade de outrem, para obter sucesso, isto indica
falta de confiança em si mesmo e falta de maturidade de sua
parte. Aprenda a ficar de pé em seus dois próprios pés. Êste
será o maior dia de sua vida, quando você aprender a ter esta
espécie de confiança.
Evite êstes quatro erros fatais. Governe as circunstân­
cias. Faça com que as coisas aconteçam. O vendedor que
sempre está esperando uma melhor oportunidade ou uma
melhor perspectiva, vai passar fome, a menos que tenha um
ordenado. O executivo que espera a oportunidade bater-lhe
à porta, deve esperar sentado. Trabalhe e crie suas próprias
oportunidades. Se você fizer isso e não houver lugar na cúpula,
não se preocupe! Será aberto um lugar para você!

12. Não tema cometer enganos. Você não deve planejar


cometer erros, mas ao mesmo tempo não deve temer cometer
algum. O homem que nunca comete um êrro é aquêle que
nunca faz nada. Errar é humano. É errando que se aprende.
Não cometa duas vêzes o mesmo êrro. Os cientistas cometem
milhares de erros antes de obter êxito. A falha não é
derrota, a menos que você a aceite como tal. A falha não
deve fazer você parar, a menos que você o permita. O pro­
vérbio é velho, mas não deixa de ser verdadeiro: você pode
perder uma batalha sem perder a guerra.
13.Você precisa ser capaz de motivar os outros. 0 ho­
mem de sucesso é aquêle que tem aptidão para fazer com
que os outros façam o melhor por êle. Uma coisa é ter pes­
soas trabalhando para você, e outra bem diferente ter pes­
soas trabalhando para você fazendo o melhor que podem.
Desenvolva o talento de ser capaz de inspirar os outros.
Aplique os princípios de hipnose, de modo que possa motivar
os outros a que trabalhem em seu benefício. Instile um espí­
rito deorgulho e lealdade nos que estão trabalhando para
você ou sob suas ordens. As seguintes idéias o ajudarão
nisso:
1. Realce a importância pessoal que tais pessoas têm
para você e para sua organização.
2. Saliente a importância do trabalho que executam.
Nunca se refira ao trabalho que executam como em­
prego, e sim como posição, especialização ou ofício.
3. Identifique-os com sua firma de todos os modos pos­
síveis.
4. Quando errarem, observe-os em particular. Elogie-os
em público.
5. Incentive-os constantemente para que façam mais.
6. Use programas de treinamento que dêem ênfase à
sugestão positiva e ao progresso pessoal. Se possível,
use a hipnose.
7. Reconheça a dignidade e o valor da família do em­
pregado.
8. Incentive a espôsa, de modo que ela possa motivar
o marido. Ao invés de oferecer uma gratificação
anual por determinada quantidade de produção, ofe­
reça férias para a família. Ao dar a um vendedor
uma nova roupa para que êle atinja determinado pla­
nalto de vendas, proporcione o mesmo também à
espôsa.
9. Seja positivo e alegre. A boa atitude é contagiosa,
como também o é a má.
10. Seja firme, mas não ríspido.
A espécie certa de motivação pode poupar-lhe grande quan­
tidade de dinheiro e de trabalho perdido.

14. Em tôdas as atividades, tenha Deus como parceiro.


Não divida sua vida nas categorias espiritual e secular. Deus
está tão interessado em seu bem-estar temporal como em seu
bem-estar espiritual. Êle é um maravilhoso parceiro em ne­
gócios, portanto:
1. Reconheça Sua presença o tempo todo.
2. Ore diàriamente.
3. Busque Sua orientação.
4. Seja generoso para com sua igreja ou alguma insti­
tuição de caridade. Tenho feito isto minha vida intei­
ra e não sinto falta do dinheiro dado. Isto criará em
você um espírito de generosidade e o protegerá contra
a ganância. Isto fará com que você se aperceba das
necessidades dos outros. Não faça isso forçadamente.
Deus não precisa do seu dinheiro, mas você precisa
de Sua bênção.

15. Quando o sucesso chegar, aceite-o. Deixei êste ponto


em último lugar, mas é um dos mais importantes. Muitas
pessoas trabalham anos e anos para obter êxito e finalmente,
quando o conseguem, não sabem o que fazer com êle. O su­
cesso assusta-as. A preparação para o sucesso é de grande
importância. Algumas pessoas sentem-se indignas ou ina­
dequadas para o prestígio e as responsabilidades que estão
vinculados ao sucesso. Sei de exemplos em que certas pes­
soas deixam que outras colham os frutos de seus esforços.
Outras, esgotam em pouco tempo seus anos de trabalho.
Agindo como pessoa de sucesso mesmo antes de atingi-lo,
auxiliá-lo-á em seu preparo psicológico para o dia em que sua
estrêla brilhar. Outra coisa que auxilia na aceitação e ma­
nutenção do sucesso é não modificar os hábitos de vida e a
maneira de gastar, de uma hora para outra. Acima de tudo,
sinta que você merece o sucesso. Sinta que Deus lhe deu
êxito. Aceite-o como dádiva beneficente do Doador de todos
os presentes bons e perfeitos.
Pense sucesso, viva sucesso, e você será um sucesso!

SUGESTÕES DE AUTO-HIPNOSE PARA


ÊXITO FINANCEIRO

Porque (inserir seu M.E.P.D.) o sucesso financeiro vem


chegando para mim, dia após dia. Automàticamente ponho
em prática os princípios do sucesso. Sou um sucesso em tô-
das as fases de minha vida.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER


RELEMBRADOS

1 . Saiba onde está indo.


2. Dê a você mesmo um M.E.P.D. adequado para suas
metas na vida.
3. Prepare-se adequadamente.
4. Tenha determinação.
5. Tenha autoconfiança.
6. Pense em altos têrmos.
7. Seja capaz de tomar decisões.
8. Aproveite o poder de sua imaginação.
9. Tenha boa vontade em trabalhar àrduamente.
10. Solucione os problemas logo que surjam.
11. Não se deixe governar pelas circunstâncias. Você
é quem faz suas próprias circunstâncias.
12. Não tema cometer erros.
13. Você precisa ser capaz de motivar os outros.
14. Faça de Deus seu parceiro.
15. Aceite o sucesso quando êste chegar.
16. Foi dada uma sugestão de auto-hipnose para o su­
cesso financeiro.
16

COMO A AUTO-HIPNOSE PODE


AJUDÂ-LO A CONTROLAR
SUAS EMOÇÕES

e culpa são seus piores


R a i v a , D e p r e s s ã o , M ê d o , A n s ie d a d e
inimigos. São emoções ou estados da mente que podem re­
duzi-lo a frangalhos. Estas emoções têm sôbre você um efeito
adverso, físico, mental e espiritualmente. Elas podem des­
truir o corpo e afetar a mente. Quando estas emoções são
exacerbadas, podem criar o vazio espiritual.
Poucas pessoas sabem como lidar eficazmente com as emo­
ções. Ou estão constantemente a reprimi-las, ou estão sem­
pre “ explodindo” . Êste último comportamento exemplifica
uma falácia moderna: se você explode, nunca terá problemas
emocionais. Isto é falso. Muitos de meus clientes mais en­
fermos estão sempre explodindo. São gente que tem pro­
blemas emocionais sérios. Suas explosões só lhes criam mais
problemas. Incidentalmente, tais pessoas quase não têm
amigos.
Sempre é bom desabafar emocionalmente, um pouquinho de
cada vez. Você deve controlar o desabafo emocional. Existe
grande diferença entre o desabafo controlado e uma explosão
completa. A pessoa que nunca reprime uma emoção é tão
doente quanto o indivíduo que recalca todos os seus senti­
mentos, senão mais ainda.
A repressão, o retraimento, a projeção, a racionalização e
a hostilidade são padrões normais de defesa humana e podem
ser usados para fazer frente às emoções negativas. São pa­
drões anormais quando levados ao excesso. Se você reprimis­
se tôdas as experiências desagradáveis e sofrimentos, dentro
em breve estaria em estado emocional bastante perigoso. E,
no entanto, há ocasiões em que é prático e benéfico reprimir
certas más experiências. É o indivíduo emocionalmente ma­
duro que sabe como e quando usar a repressão.
Em certas ocasiões, todos nós projetamos nossos sofrimen­
tos e faltas nos outros. Ocasionalmente, todos nós somos
dados a racionalizações. Todos se retraem em certo grau,
vez ou outra. Todos têm seus momentos de hostilidade. Isto
é natural. É indicação de que você está vivo. Quando um ou
mais dêstes mecanismos de defesa se tornam constantes e
excessivos na vida, está então na hora de remediar a situa­
ção. A auto-hipnose pode ajudá-lo a manter suas defesas
naturais em boa ordem de funcionamento, e ao mesmo tempo
ajudá-lo a dominar suas emoções.

ANSIEDADE, UM ALGOZ

A ansiedade tem sempre atormentado o homem. O indi­


víduo que sofre desta terrível enfermidade mental e espiri­
tual é o mais miserável dos homens. Êle se preocupa por
coisas pelas quais não tem base racional para preocupar-se.
Teme perder o emprêgo, apesar do fato de que faz um tra­
balho excelente e seu empregador está satisfeito com êle.
Seu corpo é sadio, mas o homem pensa que sofre do coração
ou tem câncer. Apesar de que seus filhos são ideais, preo­
cupa-se com mêdo de que se tornem criminosos, viciados em
drogas, ou as filhas prostitutas. Para tal homem, os terre­
motos, tornados, guerra e depressão são sempre iminentes.
Tôdas estas coisas são possibilidades, mas ficar à espera de
que aconteçam é o máximo da insensatez.
O homem moderno sofre de mais ansiedade pelo temor de
uma guerra atômica de que por qualquer outra coisa. Isto,
naturalmente, é uma- possibilidade definitiva, mas preocu­
par-se não adianta. Espero e peço a Deus que tal cataclisma
jamais aconteça, mas não me preocupo com isso. Se a coisa
acontecer e uma bomba cair perto de onde estou, nem ficarei
sabendo. Será um modo rápido de morrer.

COMO FOI RESOLVIDO UM CASO DE ANSIEDADE

Recentemente, tive a oportunidade de aconselhar um cava­


lheiro que se achava em constante estado de ansiedade sôbre
a espôsa e a filha. Contou-me que as amava tanto que tinha
mêdo de que algo trágico lhes acontecesse. Sua condição
tornou-se tão séria que temia ir trabalhar com mêdo de que
alguma coisa pudesse acontecer enquanto êle estivesse fora
e, portanto, sem poder protegê-las. Evidentemente, tal com­
portamento tinha um efeito prejudicial sôbre seu trabalho,
seu casamento e suas relações com seus semelhantes.
Depois de algumas sessões de aconselhamento, descobri
que, quando era jovem, o homem havia perdido tudo quanto
amava na vida. Com regressão etária hipnótica, fiquei sa­
bendo de um incidente, quando êle tinha seis anos, o qual
parecia ter precipitado seu estado de ansiedade. Êle possuía
um cachorro ao qual se achava bastante ligado. Um dia o
cachorro escapou, foi atropelado e morto por um caminhão.
Quando tinha quinze anos, perdeu o pai. Com a morte dêste,
foram-se as esperanças de cursar uma faculdade. Aos de­
zenove anos perdeu a mãe. Tanto o pai como a mãe mor­
reram em conseqüência de acidentes. O pai morreu num
acidente de trabalho e a mãe num acidente de auttímóvel.
Em resultado, êle estava subconscientemente convencido
de que tudo quanto amasse logo se perderia. Foram usadas a
hipnose e a auto-hipnose para convencê-lo de que tudo estava
bem e que êle não tinha com o que se preocupar inütilmente.
Eis aqui alguns pontos que podem auxiliá-lo a viver sem
que a ansiedade controle sua vida:
Um, convença-se de que Deus o ama. Êle quer ser seu
Pai. Êle o preservará e o sustentará se você confiar nêle.
Dois, faça a você mesmo a seguinte pergunta: “ Qual é a
pior coisa que pode acontecer-me se o que eu temo ocorrer?”
Pense na situação em sua eventualidade mais extrema. Você
perderá seu emprêgo, seu lar, sua espôsa, seus filhos? Você
morrerá? Tôdas estas coisas seriam terríveis, mas você pode
sobreviver. Isjo é, você pode sobreviver a tudo, exceto à
morte. Se você morrer irá ter com Deus. O ser humano tem
uma tremenda capacidade de adaptação. Se você perdesse
sua casa em conseqüência de uma crise econômica, a maior
parte de seus amigos estaria na mesma situação. A maioria
das casas retornaria ao govêrno e êste provàvelmente iria
alugá-la a você mesmo. Poderia ser pior, não poderia?
Três, ponha em prática tudo o que você aprendeu sôbre
a fé. Desenvolva uma crença positiva, limitada, realística e
ativa. Estenda-a em tôdas suas cinco direções. Acredite em
Deus, em você, em seu semelhante. Acredite no passado e
no futuro. Se você aprender a viver com a fé e pela fé,
estará livre da maior parte de sua ansiedade.
Quatro, proporcione a você mesmo um forte M.E.D.P. para
sobrepujar suas ansiedades. Convença-se de que sua felici­
dade e a dos seus significam muito mais do que uma ansie­
dade sem motivos. Você não pode melhorar em coisa alguma
se estiver nutrindo uma ansiedade.
Cinco, viva um dia de cada vez. Êste conselho não é ori­
ginal, mas é bom; e trabalhará por você se você trabalhar
por êle. Tenha em mente suas metas na vida, mas viva um
dia de cada vez. Deus disse: “ Não vos inquieteis pois pelo
dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.
Basta a cada dia o seu mal.” (Matheus, 6:34).
Se hoje você der conta dos problemas de hoje, não terá
dificuldade em lidar com os problemas de amanhã. Expenda
suas energias em viver o dia de hoje; dessa forma você não
terá tempo para preocupar-se com o dia de amanhã.
Seis, compreenda que a maioria das coisas que você teme,
jamais ocorrerá. É um desperdício inútil de emoção. Mesmo
que algo aconteça, ficar ansioso de nada valerá.
Sete, use a auto-hipnose para sobrepujar a ansiedade. Dê
a você mesmo sugestões positivas que o auxiliarão a vencer
suas ansiedades.

SUGESTÃO DE AUTO-HIPNOSE PARA


SOBREPUJAR A ANSIEDADE

Porque (inserir seu M.E.D.P.) tenho grande fé em todos


seus cinco aspectos. Acredito especialmente que posso en­
frentar o que quer que aconteça em minha vida. A bondade,
misericórdia e graças de Deus sempre estão comigo. Expendo
tôdas as minhas energias vivendo um dia de cada vez.
Deve-se distinguir o mêdo da ansiedade. Na ansiedade, o
indivíduo não tem base realística para suas preocupações.
Mêdo é uma reação emocional a determinada série de cir­
cunstâncias. Por exemplo, um homem defronta-se com um
cão raivoso, e sua reação é o mêdo. Não existe razão lógica
para ansiedade, mas existe para o mêdo. De quando em vez,
é normal ter mêdo. Não existe ser humano que não tenha
tido mêdo vez ou outra. O mêdo torna-se anormal quando
levado ao excesso.
V ocêtseria um tolo se não tivesse uma quantidade razoável
e sadia de mêdo quanto ao fogo e outras fôrças perigosas que
encontra na vida. O mêdo normal é uma emoção dada por
Deus, a fim de nos preservar de males e morte inúteis. Se
o mêdo do fogo se tornar tão extremado que impede seus
processos normais de vida, será um mêdo anormal. De fato,
já eu não o classificaria como mêdo, mas como ansiedade.
Uma das melhores explicações de mêdo é encontrada na
maneira em que a palavra “ mêdo” é usada nas Escrituras.
Em Provérbios 1:7, temos: “ O temor do Senhor é o prin­
cípio da ciência: os loucos desprezam a sabedoria e a ins­
trução.” Alguns acreditam que esta Escritura significa que
você deve ter mêdo de Deus, mas estão completamente enga­
nados. Literalmente a expressão significa que devemos ter
“ confiança reverente” em Deus.
Se tivéssemos de colocar a expressão em nossa linguagem
diária, diríamos: “ A reverência ao Senhor” ou “ O respeito
ao Senhor. . . ” Quando você sente reverência por alguma
coisa, você a respeita. Esta “ espécie certa de mêdo” é o
princípio do conhecimento, ou o conhecimento de Deus cria
uma reverência e respeito pelo Senhor. Êste é o princípio
de tôda sabedoria. Se você aplicar isto às verdades que di­
zem respeito à fé (ver o Capítulo 11) compreenderá o efeito
que tal princípio terá em sua vida. Se você fôr temeroso de
Deus, será temeroso de você mesmo, de seu semelhante, de
seu passado e de seu futuro. Se você reverencia e respeita
Deus, reverenciará e respeitará a você mesmo, seus seme­
lhantes, seu passado e seu futuro.
Quando eu tinha cinco anos de idade, mudamo-nos para
uma casa que meu pai havia construído com suas próprias
mãos. A casa estava longe de acabada. A parte de fora es­
tava tapada com papel asfaltado. Dentro havia vigas que
indicavam onde eventualmente seriam os cômodos. Em meio
a tôdas estas vigas e suportes havia um velho fogão arre­
dondado. Quando cheio de carvão, o fogão ficava vermelho
em brasa. Minha mãe e minha avó viviam a dizer-me que
não chegasse perto do fogão. Apesar de tôdas as solenes
advertências, queimei a parte traseira de minha anatomia,
numa ocasião em que estava tentando aquecer-me. A partir
daquele momento comecei a respeitar o fogão. Jamais che­
guei muito perto dêle novamente. Mas não permiti que esta
experiência me privasse de usar o fogão da maneira apro­
priada. Eu ainda ficava por perto do fogão, a fim de aque­
cer-me, depois de ficar completamente enregelado por brin­
car lá fora. Eu respeitava-o mas não tinha mêdo dêle.
Uma de minhas Escrituras prediletas é II A Timóteo:
“ Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de forta­
leza, e de amor, e de moderação.” A palavra “ temor” aqui
significa mêdo abjeto. Quer dizer, mêdo quando não há
necessidade de mêdo. Uma palavra melhor seria ansiedade
— temer alguma coisa quando não há base real para o temor.
Outra palavra psicológica moderna que poderia ser usada é
fobia. O homem moderno tem tôdas as espécies de fobia —
acrofobia (temor das alturas), claustrofobia (mêdo dos es­
paços exíguos), agorafobia (mêdo dos espaços abertos), e
muitos outros ad infinitum. As pessoas têm mêdo de outras.
Têm mêdo de doença, da perda do emprêgo, da vida, da
morte.
Êste tipo de mêdo, que hoje classificamos como fobia ou
ansiedade, não provém de Deus. “ O princípio da sabedoria” ,
a reverência e o respeito por Deus e por nós mesmos, vem
de Deus. O respeito que nos é ditado pelo bom senso contra
os objetos nocivos e perigosos e situações dessa espécie, vem
de Deus.

VENCENDO OS MÊDOS INÚTEIS

Eis aqui algumas orientações que o ajudarão a vencer os


mêdos inúteis e o auxiliarão a utilizar o mêdo normal como
fôrça construtiva:
1. Determine se você tem ou não base realística para
seus mêdos. Existe alguma razão real para temer, ou seu
mêdo seria classificado como uma ansiedade ou fobia?
2. Comece a pensar em mêdo no sentido de “ ter respeito
por” , em vez de “ ter mêdo de” . Se você tem um inimigo,
deve respeitar seu poder e capacidade, mas não deve temê-lo.
8. Uma vez que você compreenda perfeitamente o ponto
dois, comece a usar e controlar seus mêdos em sua própria
vantagem e benefício. A Bíblia nos dá um maravilhoso
exemplo de como isso pode ser conseguido. “ Pela fé, Noé,
divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu
e para a salvação de sua família preparou a ar c a. . (Aos
Hebreus 11:7). Observe as palavras, “ N o é .. . temeu. . . ” Em
vez de permitir que seu medo o paralisasse e destruísse,
usou-o como fôrça positiva. Seu mêdo fê-lo trabalhar mais
àrduamente, mais depressa e mais eficazmente. Um bom
orador público sempre tem um ligeiro caso de “ nervos” , mas
utiliza esta energia nervosa, gerada pelo mêdo, para ser di­
nâmico e impressivo em seu modo de falar. Êle respeita seus
ouvintes; sabe o que pode acontecer-lhe se falhar. Êste co­
nhecimento é usado para sua vantagem.
4. Reconheça que o mêdo desnecessário, sem base, não
vem de Deus. Esta é uma emoção alheia a Deus.
5. Viva cada dia e cada momento, cônscio da presença
de Deus.
6. Dê a você mesmo um forte M.E.D.P. e uma meta rea-
lística que o auxiliará a levar uma vida sem mêdo.
7. Esforce-se constantemente para fortalecer sua fé. A
fé e o mêdo não podem viver juntos.
8. Use a auto-hipnose para auxiliá-lo a eliminar de sua
vida os mêdos inúteis.

SUGESTÃO DE AUTO-HIPNOSE PARA ELIMINAR


O MÊDO INÚTIL

Porque (inserir seu M.E.D.P.) respeito tôdas as coisas,


mas não tenho mêdo de nada.

SOBREPUJANDO O SENTIMENTO DE CULPA

0 excesso de sentimento de culpa é uma emoção que pode


causar muito dano a sua personalidade e a sua vida. Culpa,
como o mêdo (respeito baseado em conhecimento), é um
componente necessário da personalidade do homem. O
mêdo livra-nos do mal. A culpa livra-nos de prejudicar
os outros. Quando cometemos uma ação que prejudica
nosso semelhante, devemos sentir uma compunção que
nos motivará a corrigir o êrro. Acredito que todos os que
pensam corretamente concordariam com êste ponto. Deve
ser considerada a intenção quando aceitamos o sentimento de
culpa por uma ação que cometemos. Pergunte-se: “ Foi minha
intenção deliberada ferir esta pessoa, ou fiz isso acidental­
mente?” Quando você agir erradamente, deverá reconhecê-lo
e, tanto quanto possível, corrigir o que fêz.
Já verifiquei que muitas pessoas passam pela vida com
um falso sentimento de culpa. Condenam-se constantemente
por coisas pelas quais não são responsáveis. É muito comum
que as pessoas sintam uma falsa culpa pela morte da pessoa
amada. Uma jovem mãe certa vez contou-me que fazia
dois anos não dormia bem e julgava que nunca mais poderia
fazê-lo, por sentir-se responsável pela morte de seu filhinho
de dois meses. Seu sentimento de culpa era completamente
infundado. Durante a enfermidade, ela havia estado dia e
noite ao lado da criança. De fato, ela quase arruinou sua
própria saúde ao cuidar do filho, pois que êste já estava
morto havia dois anos, e a saúde da mãe ainda estava em
más condições. Outra razão por que ela não devia sentir-se
culpada é que a criança teria morrido, não importa o que se
fizesse ou não por ela. Tratava-se de uma enfermidade para
a qual a ciência ainda não tem cura. Apesar disto tudo, a
jovem mãe sentia-se culpada. Conselhos, preces e hipnose
ajudaram-na a mudar a maneira de pensar e a livrá-la da
culpa inútil.
Certas pessoas sentem-se culpadas por gastar dinheiro,
por gozar a vida e o sexo. Existem pessoas que se sentem
culpadas por tudo. Muito da culpa do que acontece cabe à
religião. As Escrituras e o bom senso nos ensinam que o
mundo foi feito por Deus para benefício e prazer do homem.
Tudo neste mundo pode ser usado pelo homem de maneira
apropriada e com moderação. Vivendo com êste conhecimen­
to, êle não precisa sentir-se culpado. Antes de você começar
a culpar-se por alguma coisa, pergunte a você mesmo: “ Foi
mesmo um êrro, Se foi, o que o fêz errar.”
Deus e a Bíblia recebem a culpa por muitas idéias falsas.
Alguém dirá: “ Não faça isso que é pecado.” Você responderá:
“ É? A Bíblia diz que isso é errado?” Invariàvelmente, quem
fêz a afirmação não sabe onde encontrá-la na Bíblia, mas
sabe que lá está. E, no entanto, você poderia procurar du­
rante mil anos e nunca haveria de encontrar uma palavra a
tal respeito na Bíblia.
Os falsos sentimentos de culpa quanto ao sexo têm arrui­
nado inúmeras vidas e casamentos. Existem pessoas que tra­
balharam àrduamente durante anos e que não podem des­
frutar da riqueza que possuem devido a um falso sentimento
de culpa quanto ao dinheiro que têm.

COM O PERDOAR-SE A SI M ESM O

Uma situação que tenho encontrado com certa freqüência


é aquela em que um indivíduo cometeu um mal real ou ima­
ginário, pede e aceita o perdão de Deus, mas não se perdoa.
“ Simplesmente não posso perdoar-me. Fiz esta coisa terrível
da qual jamais me esquecerei.” Quando alguém assume esta
atitude, é evidente que não aceitou completamente o perdão
de Deus. Se tivesse acreditado que Deus o tinha perdoado,
também teria perdoado a si mesmo. Dizem as Escrituras:
“ Se confessarmos os nossos pecados, Êle é fiel e justo para
nos perdoar os pecados e nos purificar de tôda injustiça.”
(I João, 1:19). Quando pedimos a Deus que nos perdoe, so­
mos perdoados. Não importa qual seja o pecado, Êle perdoa.
Portanto, é imperativo que aceitemos seu perdão e que tam­
bém nos perdoemos.
Os sentimentos de culpa vêm de nosso treinamento no iní­
cio de nossa vida e de nosso condicionamento. É da máxima
importância que os pais não inflijam falsos sentimentos de
culpa no superego dos filhos. A mãe deve ser cuidadosa
quanto às impressões que causa na mente dos filhos.
Eis aqui algumas orientações que o ajudarão a livrar sua
vida da falsa culpa:
Um, determine se seu sentimento de culpa é real ou falso.
Você cometeu mesmo algum mal a seu semelhante? Fêz isso
intencional ou incidentalmente ?
Dois, se você cometeu o mal intencional, peça e aceite o
perdão de Deus. Peça perdão à pessoa ofendida, se isto fôr
possível. Conceda perdão a você mesmo.
Três, examine suas idéias e conceitos quanto ao que é certo
e ao que é errado. Talvez você esteja vivendo uma vida limi­
tada por causa de idéias errôneas. Se tiver dúvidas, pro­
cure um sacerdote ou um psicologista para orientá-lo.
Quatro, use a auto-hipnose para livrar-se de tôda falsa
culpa. Esqueça o passado e viva o presente.

SUGESTÃO DE AUTO-HIPNOSE PARA ELIMINAR


A FALSA CULPA

Porque (inserir seu M.E.D.P.) reconheço e procuro perdão


por tôdas as coisas erradas que realmente fiz. Aceito o
perdão de Deus e perdôo-me a mim mesmo. Estou livre de
tôda e qualquer falsa culpa. Êste mundo foi feito para meu
benefício e prazer; portanto, desfruto-o.

VENCENDO A DEPRESSÃO

Às vêzes, todos nós nos sentimos deprimidos. Todos têm


os seus maus dias. Pessoalmente, se me acontece de ter um
mau dia, êste cai numa sexta-feira. Não me pergunte por
que nem diga: “ Médico, cura-te a ti mesmo.” Não sei por que.
É uma das tais coisas que aceitei. Como tôdas as emoções,
é normal que você tenha suas depressões vez ou outra. O
indivíduo que diz jamais ter-se sentido deprimido ou está
mentindo ou está muito doente.
A depressão extrema é uma condição bastante perigosa.
O estado maníaco-depressivo é morte quase certa, a menos
que o indivíduo com essa enfermidade receba atenção ime­
diata. Se a condição não fôr sanada, o indivíduo terminará
sua miséria com o suícídio. A depressão extrema ou endó-
gena é a que vem de dentro da própria pessoa. Uma mu­
dança de circunstância afeta muito pouco a depressão. Êste
tipo de enfermidade é muito intenso e prolongado. Uma vez
mais, enfatizo o fato de que esta é uma condição bastante
perigosa e justifica imediata atenção psiquiátrica. Quando
vem alguém a meu consultório e expressa sintomas que in­
dicam depressão endógena extrema, imediatamente aconse­
lho-o a ir procurar um psiquiatra. Não tente curar esta con­
dição ou qualquer outra condição séria através de auto-hip-
nose ou qualquer outra forma de autocura! Procure o auxílio
de um clínico.
Agora que já o assustei bastante, consideremos as espécies
de depressão que a auto-hipnose pode curar. A auto-hipnose
é bastante benéfica em combater os estados depressivos mo­
derados. A maioria das condições depressivas normais é
causada pelas circunstâncias. Geralmente existe uma série
de fatores que se correlacionam para ocasionar a depressão.
Muitas vêzes, a compreensão do que são tais fatores contri­
bui para trazer alívio total ou parcial. Se você é capaz de
discernir a causa ou causas de sua depressão, fuja dela ou
delas, tanto quanto possível. Melhor ainda, modifique sua
atitude em relação à causa ou ao seu humor depressivo. Você
não tem de ficar deprimido, a menos que o deseje. Comece
a reagir com uma atitude de júbilo, em vez de uma atitude
de depressão.
Um de meus clientes estava sentindo-se muito deprimido
pela rotina insípida de sua vida. Tinha vinte e cinco anos,
era casado, e pai de dois filhos. Na ocasião em que pro­
curou meu auxílio, estava trabalhando durante a noite numa
fábrica de automóveis, e durante o dia tinha a pesada carga
do estudo numa faculdade. Tudo quanto fazia era trabalhar
e freqüentar a escola. A espôsa era mais do que compreen­
siva, mas êle estava começando a sentir-se culpado por ne­
gligenciar tanto a ela quanto aos filhos. Parte de seu pro­
blema era falta de descanso e dieta adequados, mas além
disto, era uma questão de atitude. Em meio a todos os seus
intensos esforços, havia-se esquecido de quais eram suas me­
tas e por que estava na escola. As coisas eram duras, mas a
espôsa sabia que ambos estavam fazendo sacrifícios para
que os filhos pudessem ter melhor vida no futuro. Orientei
êste homem em três áreas: Ensinei-lhe auto-hipnose de modo
que êle pudesse aprender a relaxar-se mais eficazmente. En­
sinei-lhe também como usar a auto-hipnose para aumentar
seus podêres de concentração e memória. Ao mesmo tempo,
reafirmei suas metas e desejos para o futuro, enquanto sob
hipnose.
Eis aqui algumas indicações que poderão auxiliá-lo a com­
bater a depressão:
1. Determine, tanto quanto possível, as circunstâncias
que causaram sua depressão.
2. Modifique sua atitude em relação a êsses fatores.
3. Pergunte-se se está ou não gostando de sua depres­
são. Você gosta de sentir-se com pena de você mesmo?
4. Acrescente a sua vida tanta variedade quanto puder.
Evite o tédio.
5. Esteja no meio dos outros tantas vêzes quantas pu­
der. É muito difícil permanecer deprimido quando se está
no meio de gente alegre.
6. Pratique a fé positiva em tôdas as suas cinco dire­
ções.
7. Aprenda a amar a vida. Comece a viver.
8. Estabeleça um forte M.E.D.P. para ser feliz.
9. Estabeleça a meta de viver alegre.
10. Pense em tôdas as bênçãos com que Deus o aqui­
nhoou.
11. Agradeça a Deus, através da prece, tôdas as suas
dádivas.
12. Use a auto-hipnose para alimentar seu subconsciente
com pensamentos de felicidade e alegria.

SUGESTÕES DE AUTO-HIPNOSE PARA


LIVRÁ-LO DA DEPRESSÃO

Porque (inserir seu M.E.D.P.) sou feliz todos os tempos


e sob quaisquer circunstâncias. A bondade e a graça de
Deus estão comigo. Rejubilo-me em épocas adversas assim
como também em tempos de prazer. Minha felicidade vem
de dentro e não depende das circunstâncias externas.

CONTROLANDO O TEMPERAMENTO

“ Acontece que não posso controlar meu temperamento” , é


uma queixa que ouço de muitas pessoas frustradas. Sei que
isto soa um tanto repetitivo, mas, em decorrência de sua
importância, volto a mencionar. A emoção da raiva é normal.
Se você nunca tem raiva, ou está doente ou morto. O im­
portante é que você domine sua raiva em vez de deixar que
ela o domine. O Apóstolo Paulo disse que é possível ter raiva
sem pecar. “ Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sôbre
vossa ira.” (Aos Efésios 4:26).
É possível controlar o temperamento. Meu avô costumava
dizer-me que indivíduo zangado que nunca controlava sua
raiva, geralmente acalmava-se quando havia por perto alguém
mais duro. Você pode dominar suas hostilidades se assim o
desejar.
Eis aqui algumas orientações para auxiliá-lo a dominar
suas hostilidades:
1. Procure determinar a causa de sua hostilidade. Por
que certas coisas e certas pessoas o irritam? É em decorrên­
cia de alguma situação desagradável do passado? Você tem
alguma razão legítima para descontrolar-se? Tem raiva de
você mesmo?
2. Não dê abrigo em seu coração ao ressentimento e à
amargura. Se assim o fizer, você se prejudicará mais do que
a qualquer pessoa. As pessoas hostis e amarguradas nunca
são felizes. Geralmente não têm amigos e sofrem a solidão.
Cesse de pensar nos sofrimentos do passado. Reviver as
más experiências serve apenas para mantê-las vivas. Per­
guntaram ao Presidente Lincoln por que êle não dava res­
postas aos que o criticavam e não procurava defender-se.
Êste respondeu que estava muito ocupado com coisas impor­
tantes e não tinha tempo para mesquinharias.
3. Conceda ao seu semelhante o benefício da dúvida. Foi
deliberadamente que êle fêz a observação com que você se
ofendeu, ou você está sentindo-se ofendido sem uma razão
justa?
4. Aprenda a passar por cima da ignorância de certas
pessoas. Considere a origem das declarações depreciativas.
Não dê prazer a essas pessoas respondendo às suas tolices.
5. Pratique o perdão e o esquecimento. Fazer isto de
maneira total é humanamente impossível, mas qualquer grau
de sucesso neste assunto adicionará profundidade e matu­
ridade reais ao seu caráter.
6. Aja. Não reaja em qualquer dada situação. Avalie
cada pessoa e cada incidente com base em quem é a pessoa
ou o que a coisa é. Dê tempo a você mesmo antes de explodir.
7. Dê a você mesmo a meta de ter natureza pacífica.
8. Estabeleça um forte M.E.D.P. para atingir suas metas.
9. Reforce tudo isto com auto-hipnose.

SUGESTÕES DE AUTO-HIPNOSE PARA AJUDÁ-LO


A VENCER SU AS HOSTILIDADES

Porque (inserir seu próprio M.E.D.P.) estou em paz com


Deus, comigo, e com meu semelhante.
PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM SER
RELEMBRADOS

1. As emoções negativas em excesso são seus piores


inimigos.
2. Explodir não resolve seus problemas emocionais.
3. Repressão, retraimento, projeção etc., são meca­
nismos normais de defesa que podem ser utilizados
para que enfrentemos as emoções negativas. Em
excesso, tornam-se anormais.
4. A ansiedade é um estado em que o indivíduo se
preocupa cpm coisas para as quais não existe uma
base racional.
5. Foram dada3 sete orientações para auxiliá-lo a li-
vrar-se das ansiedades.
6. O mêdo é diferente da ansiedade.
7. O mêdo é uma reação emocional a uma dada série
de circunstâncias.
8. O “ mêdo do Senhor” significa respeito por Êle. A
compreensão de Deus cria respeito e reverência
por Êle.
9. O mêdo abjeto não vem de Deus.
10. Foram dadas oito orientações para auxiliá-lo a li­
vrar-se dos mêdos inúteis.
11. A culpa é uma emoção normal que nos impede de
causar prejuízo ou dano aos outros.
12. O excesso de culpa pode ser muito prejudicial.
13. A falsa culpa pode arruinar sua vida.
14. Foram dadas quatro orientações para livrar sua
vida da falsa culpa.
15. A depressão moderada é normal. A depressão ex­
trema, intensa e crônica é muito perigosa.
16. Foram dadas doze orientações para ajudá-lo a ven­
cer a depressão.
17. A raiva é normal, quando não levada ao extremo.
18. Foram dadas nove orientações para vencer suas
hostilidades.
19. Foram dadas sugestões de auto-hipnose para so­
brepujar a ansiedade, o mêdo, a culpa, a depressão
e a hostilidade.
COMO A AUTO-HIPNOSE PODE
AUXILIÁ-LO A MELHORAR SEUS
PODÊRES DE CONCENTRAÇÃO E MEMÓRIA

é o n o m e que damos à época em que vivemos.


E r a e s p a c ia l
Outra expressão que poderia ser mais descritiva, seria era
da mente. Ambas as designações têm aplicação direta para
as nações mais progressistas do mundo. O homem está mo-
vendo-se rapidamente para o espaço exterior. Hoje em dia,
os homens estão ganhando o pão de cada dia, mais com o
cérebro do que com os músculos.
Há poucos dias ouvi a conversação de um avô com o neto
de dez anos de idade. O avô fazia reminiscências, contando
certas “ vantagens” . Dizia que a geração moderna é fraca
e sem ânimo. “ Quando eu tinha sua idade, já estava fazendo
o trabalho de um homem. Guiava o arado entre duas mulas
o dia inteiro.. . ” O neto respondeu: “ É verdade, vovô, mas
você não tinha de aprender a matemática moderna, espanhol,
biologia etc. Quando estava no quarto ano, tinha?” Esta pe­
quena história ilustra a natureza da era em que vivemos. A
maioria dos cidadãos da era espacial ganha o pão com “ o suor
de seus cérebros” .

APROVEITANDO O PODER DO SUBCONSCIENTE

Nem todos nós somos gênios; portanto, precisamos apren­


der a usar o poder mental de que somos dotados, em seu
maior potencial. Acima de tudo, precisamos aprender a apro­
veitar o grande reservatório de poder que existe em nosso
subconsciente. A hipnose e a auto-hipnose podem capacitá-lo
a realizar o quase inacreditável nas áreas de concentração
e memória. A racionalidade desta declaração é demonstrada
pelo fato de que os estados de hipnose e concentração são
irmãos de sangue. Quando sua mente está completamente
concentrada num livro, televisão etc., você está sob hipnose.
Do mesmo modo, quando você está em hipnose, encontra-se
num estado de hiperconcentração. O subconsciente é o arma­
zém eventual de tôdas as memórias, por causa disto, a me­
mória está também intimamente associada à hipnose.

IMPORTÂNCIA DO HÁBITO DE BONS ESTUDOS

Antes de prosseguirmos, eu gostaria de mencionar algo


muito importante. Nem mesmo a hipnose ou auto-hipnose
pode tomar o lugar dos hábitos de bom estudo. Numerosos
estudantes vêm até mim para que os auxilie em seus estudos,
com a idéia errônea de que se aprenderem auto-hipnose não
precisarão estudar mais. Naturalmente, esta idéia é com­
pletamente errada. A hipnose não pode dar poder mental a
você, mas pode auxiliá-lo a usar o poder mental que você
tem. Você pode tornar-se perito em auto-hipnose, mas se
você não aplicar esta habilidade em seus estudos certamente
de pouco lhe valerá. O indivíduo que pensa dessa maneira
é como o pastor sem instrução que sempre se vangloria de
sua falta de escola. Diz êle que nunca estudou para fazer
sermões. Tudo o que tem a fazer ao pregar, é abrir a bôca,
e Deus lhe dá a palavra. Um membro de sua congregação
respondeu: “ É, o senhor abre a bôca e as palavras são ôcas.”
Existem muitos livros e cursos para hábitos de estudo,
portanto, não prosseguiremos no assunto. Se você é defi­
ciente nesta área, aproveite as idéias de um dêsses livros ou
de um dos instrutores de tais cursos, escreva uma fórmula
de auto-hipnose e alimente-a em seu subconsciente. Não le­
vará muito tempo até que você desenvolva bons hábitos de
estudo.
Não se deixe enganar acreditando que você nasceu com
má memória e com falta de aptidão para concentrar-se. Qual­
quer pessoa com um Q.I. médio pode aprender a concentrar-se
e desenvolver uma memória poderosa.* A diferença entre o
indivíduo que se concentra e que se recorda bem, e o indi­
víduo que é fraco nas duas coisas, é que um tem a mente
treinada e outro não. Se você tem falta destas aptidões,
comece hoje mesmo a adquiri-las. Utilize sua imaginação e
as técnicas hipnóticas dadas neste capítulo para realçar e
melhorar o poder de sua mente.
Se você tem um Q.I. médio, você pode conseguir uma média
entre 7,5 e 9, desde que use a auto-hipnose diligentemente.
Se seu Q.I. fôr acima da média, naturalmente você poderá
ter notas ainda mais altas, dependendo de seus esforços.
Certas pessoas vão mal na escola ou em determinadas ma­
térias, porque subconscientemente se convenceram de que não
são inteligentes. Via de regra, isso significa que alguém fêz
um excelente serviço de lavagem cerebral, fazendo-as acre­
ditar que são estúpidas. Quando estas pessoas infelizes são
motivadas adequadamente, tornam-se capazes naquilo que
anteriormente julgavam impossível.
Há poucos meses, defrontei com uma situação que ilustra
esta verdade. Uma senhora trouxe-me o filho, para que eu

* Q .I . quer dizer quociente intelectual; é uma medida de inteligência.


o ajudasse em seu trabalho escolar. Disse-me ela que o me­
nino tinha catorze anos e era bàsicamente tolo; ela, contudo,
tinha esperança de que eu conseguiria fazer qualquer coisa.
“ É uma pena” , disse, “ que êle não possa ter um cérebro como
o da irmã mais velha. Ela sempre tem nota 10.” Ao ouvir
isto, fiquei logo sabendo que não teria de ir muito longe para
encontrar a causa do problema. E eu estava certo. No de­
correr dos anos, êste jovem tinha vivido na sombra proje­
tada pela capacidade escolar da irmã. Constantemente havia
sido bombardeado com a sugestão de que êle era tão palerma
quanto a irmã era esperta. Em resultado, o menino teve-se
na conta de que era atrasado e estúpido. Por isso, nunca
fêz esforço para estudar. Não importa o que êle pudesse ter
feito, não teria sido o bastante. Convenci-o em seu subcons­
ciente de que êle podia obter boas notas e que podia ser bom
aluno. Os pais também foram aconselhados a cessar de esta­
belecer comparações entre o menino e sua irmã. Ao contrário,
deviam encorajá-lo e dar-lhe segurança. A partir daí, o jo ­
vem tem obtido na escola notas médias e acima das médias.

NÃO EXISTE TIPO ESPECIAL DE CÉREBRO

Acredite ou não, não existe tal coisa como “ cérebro mecâ­


nico” ou “ cérebro matemático” , ou ainda, “ cérebro para ne­
gócios” etc. Dizem às crianças que elas não têm possibili­
dade de ir bem em determinada matéria porque não têm certo
tipo de cérebro ou mente. O indivíduo que lhes dá tal infor­
mação, geralmente é uma figura revestida de alguma auto­
ridade. Muitas vêzes a sugestão tem efeito duradouro sôbre
a criança. Compreendo que diferentes pessoas têm diferentes
aptidões para diferentes coisas. Também é verdade que cer­
tas pessoas sofrem de uma espécie de “ bloqueio ao aprendi­
zado” quanto a certas matérias, porém sua percentagem é
pequena. As pessoas às quais me refiro, contudo, são normais,
com aptidões normais. Elas têm cérebros. Não possuem
“ cérebros matemáticos” , “ cérebros mecânicos” , "cérebros
gramaticais” etc. Se podem ir bem em determinada matéria,
podem ir relativamente bem em outras, a menos que estejam
convencidas do contrário.

HIPNOSE PARA MELHORAR O APRENDIZADO

Agora que eliminamos algumas das falácias sôbre apren­


dizagem e sôbre os “ cérebros” privilegiados, vejamos como
a auto-hipnose pode ajudar a desenvolver melhor capacidade
para aprender. Existem três áreas nas quais você pode usar
auto-hipnose para melhorar suas aptidões escolares: na apti­
dão para concentrar-se, na aptidão para relembrar-se e na
aptidão para ter calma e sentir-se relaxado durante os
exames.
Meu método para estas aptidões estudantis é instilar mo­
tivação no estudante e, ao mesmo tempo, ensinar-lhe técnicas
hipnóticas que facilitarão suas habilidades.
A motivação é de tremenda importância. Se você gostar
de estudar certa matéria, não terá dificuldade em concen­
trar-se nela. Se você se concentrar bem numa matéria, en­
contrará facilidade em compreendê-la. Se compreendê-la, terá
facilidade em recordar-se dela tôdas as vêzes que o desejar.
Inversamente, se você não gostar de certa matéria, ser-lhe-á
realmente difícil concentrar-se nela. Em conseqüência, você
terá dificuldade em concentrar-se, e, por isso, encontrará di­
ficuldade em recordar-se com facilidade. O que você deve
fazer então é encontrar um M.E.D.P. que lhe proporcione o
incentivo adequado para fazê-lo desejar e gostar da matéria.
George Jones era um jovem estudante do pré-médico, que
estava encontrando dificuldade em química. Não gostava da
matéria. De fato, nunca tinha se aplicado à química. Para
êle, a disciplina era árida e desagradável. Esta atitude é que
não lhe permitia ir melhor na matéria. Depois de conversar
com êle durante alguns momentos, perguntei-lhe por que de­
sejava ser médico e qual a importância de obter o diploma.
Respondeu que desejava ser médico porque sentia ser esta
uma das maneiras de prestar serviços valiosos à humanidade.
Tornar-se médico era para êle a coisa mais importante do
mundo. Formar-se era também importante, porque os pais não
tinham instrução e sentiam-se extremamente orgulhosos das
realizações acadêmicas do filho. Depois de ensinar a George os
princípios fundamentais da auto-hipnose, escrevemos uma
sugestão que solucionou suas dificuldades em química. Seu
M.E.D.P. era seu grande desejo de ser médico, e a aprovação
dos pais fêz com que êle se interessasse realmente pela quí­
mica, já que esta matéria era essencial para sua profissão.
Quando lido com pessoas que estão no ginásio, torno-me
elementar em determinar seus respectivos M.E.D.P. Faço-as
conversar sôbre o que desejam ser na vida e o que dela pre­
tendem. Eventualmente, falam-me sôbre os automóveis de
esporte de alta potência que desejam possuir um dia. Ou tal­
vez seja uma casa bonita, roupas caras, ou férias num lugar
exótico. . . Depois, pergunto-lhes se têm idéia quanto ao custo
do que desejam. Algumas vêzes têm e algumas vêzes não.
Uma vez estabelecido um custo, pergunto-lhes quanto tempo
teriam de trabalhar e poupar para que pudessem comprar
o bem que desejam. Nesse ponto, começo a dizer-lhes que a
quantidade de instrução que obtiverem determinará a quantia
que ganharão durante a vida. Se desejam uma boa vida no
futuro, é melhor que consigam hoje o máximo de instrução
possível. Automóveis, casas, roupas e férias custam dinheiro.
Cargos que pagam bem vão para os que são treinados para
ocupar tais posições. Êste tipo de motivação tem sido bas­
tante efetivo em manter os jovens estudando.
O mesmo método pode ser usado para os estudantes que
estão tendo dificuldade com determinada matéria. Se querem
ir para a faculdade e possuir carros-esporte etc., terão de
passar pelo ginásio e vencer a matéria que lhes é difícil. Em
virtude do desejo ardente de possuírem seus próprios carros-
esporte, ou o que quer que seus M.E.D.P. possam ser, tor-
nam-se mais interessados em matemática, linguagem etc.
Alguns dêstes M.E.D.P. podem não parecer de grande valor
para os adultos amadurecidos, porém são molas reais que
motivam os jovens. Por isso, use-os de modo positivo, a fim
de guiar os jovens na direção certa. Uma carreira, por exem­
plo, ser artista de cinema, ou o desejo de possuir um carro
de corrida, sem dúvida são fantasias que passam na vida dos
rapazes, mas são bastante reais no momento em que as ali­
mentam. Não tente modificar-lhes as idéias; use-as como
fôrça construtiva positiva. À medida que êles maturam, suas
idéias automàticamente se modificam. O importante é que
você os motive para que permaneçam na escola e melhorem
suas notas e hábitos de estudo.
Outra maneira de instilar motivação em você mesmo ou em
seu filho para um assunto que não é muito atraente, consiste
de enfatizar o fato de que saber é poder. Todos os sêres hu­
manos têm um desejo inato de ser opulentos e poderosos.
Quanto mais você aprende, tanto mais poderoso se torna.
Os homens e mulheres de cúpula hoje em dia não são os fisi­
camente fortes, mas os que são mentalmente fortes.
O desejo de auxiliar os outros é uma motivação altruística
bastante eficaz com alguns indivíduos. Quanto mais você
aprende, inclusive as matérias de que não gosta, tanto mais
equipado você estará para servir a Deus e à humanidade.
Outro método que surte efeito bem é demonstrar como uma
matéria desinteressante está relacionada a outras que o es­
tudante acha interessantes. É preciso enfatizar a relação
entre as matérias e ignorar as dificuldades.
Também se pode criar o interêsse por uma matéria, rela­
cionando-a de modo prático em sua vida diária. Matemática,
gramática etc., seriam muito áridas se você não usasse estas
áreas de aprendizado em sua vida cotidiana. Muitas vêzes
um estudante perguntará: “ Por que tenho de aprender isto ?”
Se você puder dar-lhe uma resposta razoável, terá ganho
metade da batalha.
HIPNOSE PARA MELHORAR A CONCENTRAÇÃO,
COMPREENSÃO E MEMÓRIA

Agora que já lidamos com a motivação para estudar, pas­


semos para as técnicas hipnóticas que melhorarão seus po­
deres de concentração, compreensão e memória. Um método
bastante simples e, no entanto, muito eficaz é dar a você
mesmo uma sugestão, enquanto sob hipnose, de que você
compreenderá minuciosa e totalmente quando está estudando.
Você será também capaz de recordar-se, quando o desejar,
de tudo o que aprendeu. A cada dia aumentará sua habili­
dade para concentrar-se, compreender e lembrar-se. Esta
simples sugestão tem modificado as vidas e a auto-imagem
de muitas pessoas.
Apelo freqüentemente para a imaginação, quando tento
melhorar a capacidade de apreensão dos estudantes. Aqui
estão quatro imagens que você pode utilizar para melhorar
sua concentração e memória: uma esponja, uma câmera, um
gravador de fita e um computador eletrônico. Hipnotize-se
e use uma das seguintes sugestões. Primeiramente, experi­
mente tôdas. Depois utilize a que demonstrar ser mais eficaz.

SUGESTÕES DE AUTO-HIPNOSE PARA MELHORAR


CONCENTRAÇÃO E MEMÓRIA — A ESPONJA

Minha mente é como uma enorme esponja que automàti-


camente absorve conhecimento. Tudo o que leio, ouço, vejo
ou experimento é absorvido por minha mente. Tudo o que
absorvo, retenho. Tôda matéria que aprendo fica permanen­
temente armazenada em meu subconsciente e está a minha
disposição o tempo todo. Poderei lembrar-me de tudo o que
quiser a qualquer tempo, bastando dizer a palavra aperte.
Quando eu disser aperte, aquilo que desejo lembrar sairá
de minha mente como a água de uma esponja.
A CÂMERA

Minha mente é como uma câmera. Tudo o que leio, ouço,


vejo ou experimento é fotografado por minha mente. Minha
mente é capaz de fotografar palavras, sentenças, parágrafos
e páginas de livros, revistas e jornais. Minha mente foto­
grafa tudo que vê. Tudo o que minha mente fotografa ela
retém, e poderei lembrar-me de nomes, lugares, datas, livros,
faces, números, e dados de qualquer espécie, assim que o
desejar.
Quando começo a estuaar, digo a mim mesmo — focalize,
focalize, focalize — e fico em completo estado de concentra­
ção até terminar meu trabalho. Em tudo o que me concentro
sou capaz de compreender perfeitamente. Tudo o que com­
preendo perfeitamente, sou capaz de relembrar.

O GRAVADOR DE FITA

Minha mente é como um gravador de fita. Tudo o que


ouço, vejo ou experimento, é gravado em minha mente. Tudo
o que minha mente grava, ela retém. Tenho em minha men­
te uma gravação permanente de tudo o que leio, vejo, ouço,
ou experimento. Sou capaz de rememorar e lembrar-me de
nomes, lugares, datas, livros, preleções, faces e dados de tôdas
as espécies, quando assim desejo. Tudo o que tenho de fazer
para lembrar-me de alguma coisa é enviar uma mensagem
a meu subconsciente, sôbre o que desejo lembrar. Depois
digo — reproduza, reproduza, reproduza — e em poucos mi­
nutos obtenho a resposta.
Tôdas as vêzes que começo a estudar digo a mim mesmo
— grave, grave, grave — e fico em total estado de concen­
tração, até terminar meu trabalho. Tudo aquilo em que me
concentro completamente, compreendo perfeitamente. Tudo
o que compreendo perfeitamente sou capaz de lembrar.
\

O COMPUTADOR ELETRÔNICO

Minha mente é como um computador eletrônico. Alimento


os dados pela leitura e escuta. Tudo o que é alimentado no
computador é minuciosa e completamente avaliado. Os dados
estão associados e relacionadas com todo o conhecimento
prévio acumulado em minha mente. Tudo o que é alimentado
em meu computador fica permanentemente retido e éstá a
minha disposição o tempo todo. Tôdas as vêzes que desejo
lembrar-me de alguma coisa, simplesmente digo as palavras
— emita, emita, emita — e imediatamente tenho o resultado.
Estas sugestões são de certo modo mais longas do que
as demais sugestões dêste livro, mas verifiquei que são bas­
tante eficazes. Porque são um tanto longas, omiti o M.E.D.P.
Você pode inserir seu M.E.D.P. no comêço da sugestão, di­
zendo: Em virtude de meu M.E.D.P., minha m ente...
Tenho usado estas quatro imagens mentais porque elas
têm atuado bem com meus estudantes, mas estou certo de
que você pode pensar em outras imagens que, com você, atua­
rão tão bem ou melhor.

SOBREPUJANDO A “CONTRAÇÃO” DURANTE


OS EXAMES E AS CRISES

O “ gêlo” durante os exames é coisa comum entre os estu­


dantes. Êles estudaram a matéria; sabem-na; mas quando
estão em exames, contraem-se, ficam gelados. É então impos­
sível pensarem acuradamente. Sua memória e o poder de
lembrarem-se os abandonam. Muitas vêzes um bum estu­
dante falha num curso, ou recebe nota baixa, em decorrência
do “ gêlo” .
Cêrca de dois anos atrás, atendi a um jovem que teve êste
problema. Sempre foi muito bem em suas tarefas diárias,
mas geralmente falhava nos exames semestrais em conse­
qüência da tensão. Quando veio ver-me, estava em depen­
dência. Se não melhorasse as notas, teria de deixar a escola.
Estava em seu primeiro ano na faculdade local e desejava
muito terminar o curso. De início, entrevistei-o duas vêzes
por semana durante três semanas. Depois, uma vez sema­
nalmente, durante três semanas. Depois, passei a vê-lo uma
semana sim outra não, até o término do curso. Quando
obteve suas notas, ficou tão contente que me telefonou para
dizer que havia recebido as melhores notas de sua carreira
escolar. Esta experiência deu-lhe confiança suficiente, de
modo que êle não necessitava mais de minha atenção pessoal,
mas ainda usa auto-hipnose como parte intrínseca de seu
método de estudo.
Quando confrontado como uma contração ante a banca
examinadora, você deve analisar-se tanto quanto puder,
a fim de determinar por que fica gelado. Você tem mêdo das
figuras de autoridade que o mestre representa? Você tem
mêdo da competição? Você tem mêdo de falhar? Estas são
apenas algumas das perguntas que você deve perguntar-se.
Uma vez feita esta determinação, enfrente o problema. For­
me uma sugestão e alimente-a em seu subconsciente através
da auto-hipnose.
Não é incomum que o estudante se sinta gelado numa ma­
téria e não na outra. Geralmente, a razão é o mêdo do ins­
trutor ou o mêdo da matéria. Conscientemente o estudante
negará isto, mas subconscientemente é verdade.
Permita-me fazer-lhe uma pergunta: Quando você está
dirigindo um automóvel e defronta com uma situação de crise,
como é que reage? Você entra em pânico e fica gelado? Se
isto tivesse acontecido muitas vêzes, você não estaria aqui
para responder. Normalmente, seu subconsciente toma conta
da situação. Sua reação será automática e precisa. Sua co­
ordenação e tempo serão perfeitos. Você reage de maneira
muito superior aos seus padrões normais de reação. Em vez
de gelar ou descontrolar-se, você permite que o tremendo
poder de seu subconsciente assuma inteiro comando da situa­
ção. Você pode fazer o mesmo em tôdas as situações de crise
em sua vida, inclusive durante os exames. Não fique gelado.
Permita que seu subconsciente assuma completo comando e
faça com que você tenha sucesso em todos os exames. Dê a
você mesmo a seguinte sugestão para sobrepujar o gêlo doa
exames.

SUGESTÕES DE AUTO-HIPNOSE PARA SOBREPUJAR A


“CONTRAÇÃO” QUANDO SOB EXAME

Porque (inserir seu próprio M.E.D.P.) estou completa­


mente calmo, confiante e descontraído ao ser examinado.
Reajo de modo positivo, da mesma maneira que o faço quan­
do encontro uma situação de crise ao dirigir meu automóvel.
Minha mente age com absoluta perfeição e dá a resposta certa
a tôdas as perguntas. Todo conhecimento está a minha dis­
posição. Faço o melhor exame possível.
Eis aqui algumas orientações que o auxiliarão a melhorar
sua aptidão para aprender e lembrar-se:
1. Estabeleça a meta de obter boas notas.
2. Estabeleça um forte M.E.D.P. para ajudá-lo a alcan­
çar esta meta.
3. Acredite em você mesmo e na aptidão que tem para
obter boas notas.
4. Analise e enfrente qualquer problema especial de
aprendizagem que você possa ter. ■"
5. Desenvolva e mantenha bons hábitos de estudo.
6. Use as sugestões de auto-hipnose encontradas neste
capítulo, até que elas façam parte de você.

PONTOS DÊSTE CAPÍTULO QUE DEVEM


SER RELEMBRADOS

1. Esta é a “ era da mente” . Hoje em dia a maior


parte do povo vive pela mente e não pelo músculo.
2. O estado de hipnose e concentração da mente estão
Intimamente relacionados.
3. A auto-hipnose não é um substituto para os bons
hábitos de estudo.
4. Ninguém nasce com má memória e mau poder de
concentração.
5. Certas pessoas vão mal na escola porque subcons­
cientemente se convenceram de que são estúpidas.
6. Você não tem um “ cérebro mecânico” etc. Você
simplesmente tem um cérebro. Se você vai bem
numa matéria pode ir bem nas outras também.
7. A auto-hipnose pode aumentar seusi podêres de
concentração e de memória e pode ajudá-lo a sen­
tir-se calmo e confiante durante os exames.
8. A motivação é a chave para aumentar a concen­
tração, compreensão e aptidão para relembrar
determinada matéria ou assunto.
9. Os estudantes jovens precisam de um M.E.D.P. bá­
sico se é que devem ser motivados na direção certa.
10. Alguns M.E.D.P. gerais para aumentar o interêsse
em aprender são:
(1) Saber é poder.
(2) Quanto mais você aprende, inclusive as ma­
térias que não aprecia, tanto mais você pode
auxiliar os outros.
(3) Demonstre como as matérias não apreciadas
estão relacionadas aos assuntos que são in­
teressantes.
(4) Relacione os assuntos não apreciados com
situações reais.
11. Foram dadas quatro sugestões de auto-hipnose que
apelam à imagem mental: a esponja, a câmera, o
gravador de fita e o computador eletrônico.
12. Ficar gelado durante os exames é problema de
muito estudante.
13. Tente determinar porque você fica contraído du­
rante os exames.
14. Foi dada uma sugestão de auto-hipnose que o aju­
dará a vencer o gêlo durante os exames.
15. Foi dado um plano de seis pontos para ajudá-lo
em sua concentração e capacidade de memorizar.
18

CONCLUSÃO:
“O FUTURO É SEU”

Que é guarda para você? Nenhum mortal


q u e o f u tu r o

pode dar uma resposta minuciosa e completa a esta pergunta.


Existem muitas variáveis e incertezas envolvidas. Somente
Deus sabe o absoluto sôbre o futuro, e alguns teólogos con­
testariam até mesmo êste ponto. Conquanto você não possa
prever o futuro, pode fazer certas coisas para assegurá-lo.
Não lhç será possível ter uma garantia futura contra doença,
acidente, calamidade, morte etc., mas você pode assegurar-se
de um futuro confiante. O futuro do mundo não pode ser
controlado por você, mas até certo ponto você pode exercer
controle sôbre certos acontecimentos que ocorrerão em sua
vida. Acima de tudo, você pode controlar sua atitude e modo
de ver a vida, a fim de viver confiantemente em quaisquer
circunstâncias que a vida possa ter reservado para você.
Tôdas as coisas vêm igualmente para todos os homens, mas
nem todos reagem igualmente “ às mesmas coisas” . Na pri­
são, Paulo e Silas, com as costas em sangue, cantaram lou­
vores ao Senhor e a Êle dirigiram preces no meio da noite.
John Bunyan escreveu a obra imortal Pilgrim’s Progress
enquanto se encontrava na prisão. Homenzinhos teriam fi­
cado desiludidos e com o espírito esmagado.
Lembre-se, o que você faz hoje determina, em grande pro­
porção, o que será o seu amanhã. A auto-hipnose pode aju­
dá-lo a construir uma ação de fé positiva, realística e forte,
que seguirá com você futuro a dentro. Eis aqui algumas idéias
que você pode utilizar para construir sua confiança no futuro:

1. Verifique seus fundamentos. Você está construindo


uma vida, um caráter e um futuro. Sôbre que espécie de
alicerce você está construindo? É um fundamento frágil e
defeituoso ou é forte e duradouro? Se sua vida é construída
sôbre o ódio, falsidade e má fé, algum dia ela desmoronará
sôbre sua cabeça. Se ela fôr construída sôbre a verdade, a
fé e o amor, ela será duradoura. Construa sua vida sôbre
estas três coisas: verdade, fé e amor. Jamais tenha mêdo
da verdade. Nunca tenha mêdo de acreditar no que é ver­
dadeiro. E nunca tenha mêdo de amar a Deus e seus seme­
lhantes como a você mesmo.
Não importa o quão bonita sua vida ou caráter possa pa­
recer à superfície, ela será destruída pelos ventos da adver­
sidade se os alicerces forem fracos. Se os fundamentos de
sua vida são fracos ou insuficientes, comece desde já a cons­
truir novos.

2. Construa consistentemente. Uma pluma não pesa


muito, mas se você acrescentar a ela novas plumas todos os
dias, eventualmente você terá uma carga que não conseguirá
erguer. O mesmo se dá com sua vida. Um pouco de conhe­
cimento não é muita coisa, mas se você consistentemente
acrescentar mais conhecimento, pouco a pouco, algum dia
você será uma pessoa bem informada. Um ato de fé pode
não parecer muito, mas se você torná-lo composto todos os
dias com outros feitos de fé, em breve sua fé será imensa.
Lembre-se, como o grão de mostarda, a fé pode fazer mila­
gres. A ação consistente produz resultados. O mundo está
à espera de homens e mulheres dos quais possa depender.
Seja você essa pessoa!

3. Solidifique seus ganhos na vida. Se você queimar as


pontes que ficaram atrás, certifique-se de que resta pelo me­
nos uma corda que possa levá-lo de volta. Algum dia você
poderá precisar voltar atrás. Tanto quanto possível, procure
manter tôdas as amizades que fizer. Retenha todo o conhe­
cimento que adquiriu, tão fresco quanto possível em sua
mente. Porque você não está usando uma determinada coisa
hoje, isto não quer dizer que não tenha de usá-la amanhã.
Conserve aquilo que construiu.

4. Dê seguimento. Termine o que começou. Isto é, se


valer a pena terminar o que foi iniciado. Há gente demais
que salta de uma coisa para outra, sem jamais terminar
coisa alguma. Se você hoje terminar algo, isso estará a sua
disposição amanhã.

5. Comece hoje e aplique os ensinamentos dêste livro


em sua vida. Acredite em você e no futuro. Você pode viver
confiantemente e satisfazer as exigências do viver na era
espacial, através da aplicação da auto-hipnose.
0 AUTOR

PAUL ADAMS, membro da divisão profissional


do Instituto Norte-Americano de Hipnose, tem
muitos anos de experiência na prática da hip­
nose. Além de fazer freqüentes conferências
perante auditórios de entidades públicas, irman-
dades, igrejas e grupos empresariais, é funda­
dor e diretor do Help Counseling Center (Cen­
tro de Consultoria e Auxílio), organização sem
fins lucrativos, que aconselha e orienta pessoas
com as mais diversas espécies de problemas. O
Centro ensina hipnose, tanto individualmente
como em grupos. O dr. Adams é autor e narra­
dor dos conhecidos Auto-Dynamics Recordings
(Gravações Autodinâmicas) que foram testados
e aprovados pelo Instituto Norte-Americano de
Hipnose. Estas gravações são usadas por inú­
meras firmas a fim de motivar suas fôrças de
vendas e seus executivos.

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