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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ESCOLA DE VETERINÁRIA
Colegiado dos Cursos de Pós-Graduação

Avaliação do bem-estar dos eqüinos de cavalaria da Polícia Militar de Minas


Gerais: indicadores etológicos, endocrinológicos e incidência de cólica

Baity Boock Leal

Belo Horizonte
Escola de Veterinária da UFMG
2007
“Se todos os seus esforços
forem vistos com indiferença,
não desanime!
Pois o sol, também ao nascer
dá um espetáculo todo especial, no entanto,
a maioria da platéia continua dormindo”
Autor desconhecido

2
AGRADECIMENTOS

À Deus e seus discípulos pelo amparo espiritual, permitindo superar limites.

Aos cavalos, motivo de dedicação de todo meu empenho.

À Mamis, por estar ao meu lado nas horas de choros, de risos, de lamentos.
Pelo sorriso diário, sem mágoas, nem rancores, pelo bom humor irritante nos
meus dias de mal humor. E, é claro obrigada pela atenção nutricional,
traduções e paciência, maiores do que essa dissertação!!

Ao Papis, pelo apoio e amor constantes e pela visão empreendedora. Tô te


devendo aquela trilha! Dri pelo apoio e paciência durante esses dois anos.

Ao Rafa, exemplo de orientador, de amigo. Exigente nas horas certas,


psicólogo em outras...obrigada por guiar as rédeas do meu conhecimento;

Ao Cyril, por andar sempre ao meu lado e nunca à frente. Pelo amparo que me
surpreendeu nas horas de angústia;

À todos da Polícia Militar de Minas Gerais pelo interesse no trabalho e pela


possibilidade de execução. Em especial à junta veterinária, enfermeiros e
cavalariços.

Ao Geraldo Eleno pelo crescimento espiritual, profissional, didático... Para


qualquer hora!!

Ao Dr. Robert Douglas, Bia, Vanessa e o pessoal do Laboratórios BET por


mais que apenas análises laboratoriais, mas sim amizade e acessibilidade a
qualquer momento;

À amigona Camila, obrigada pelo ouvido-plantão-24hs. Vai embora não...

Ao Prof. Paulo, Eve, Joelma, Greg e Marcinha pela ajuda no LAC UFMG;

À turma madrugadeira: Lilian, Guilherme “Xis”, Marcela, Heloisa, Camila;

Àos professores e colegas de mestrado que contribuiram de alguma forma para


minha evolução profissional;

À amiga Angélica pelo tele-terapia e Alexandre pelas amizades que se


formaram;

Às amigas Angela e Clarinha pelas duvidas via msn: bendita hora que
inventaram internet! Silke pelas consultas pessoais e profissionais; Geane por
me ouvir dizer “estresse” poucas vezes...Bruninha, juntas mais quatro anos?!

À turma do Manada, Maneje Del Rey, Chevals e Bh Clínica, pelo crescimento


prático e pessoal;

3
Ao amigo e instrutor Junior por me permitir ter capacidade física para usufruir
de grandes emoções nos esportes novamente.

Aos cães: Plin, Rabita, Raiza, Jason por me lembrarem: havia vida além do
computador.

Ao Colegiado de Pós-Graduação pelo atenção e pelo esclarecimento de


dúvidas e por permitir a execução desse trabalho,

À Capes e à FAPEMIG pelo finaciamento desta pesquisa;

Àos professores e à turminha Rosângela, Eliane e Lourdes do Departamento


de Clínica e Cirurgia que sempre ouviram e atenderam com muito atenção
meus apelos...

À todos que de alguma forma contribuiram para que esse trabalho se


concretizasse.

4
SUMÁRIO

LISTA DE TABELAS 6
LISTA DE FIGURAS 7
LISTA DE ANEXOS 9
RESUMO 10
ABSTRACT 11
1. INTRODUÇÃO 12
2. REVISÃO DE LITERATURA 13
2.1. Bem-estar animal 13
2.2. O estresse e suas conseqüências para o organismo 16
2.2. Indicadores etológicos de bem-estar 18
2.3. Indicadores endocrinológicos de bem-estar 24
2.4. Incidência de cólica como indicador de saúde e bem-estar 27
3. HIPÓTESE E OBJETIVOS 28
4. MATERIAL E MÉTODOS 28
4.1. Animais e grupos experimentais 28
4.2. Avaliação clínica 31
4.3. Avaliação etológica 31
4.4. Avaliação endocrinológica 37
4.5. Incidência de cólica 38
4.6. Análise estatística 38
5. RESULTADOS 39
5.1. Animais e exame físico 39
5.2. Tipo e intensidade de trabalho 40
5.3. Avaliação etológica 41
5.4. Avaliação endocrinológica 52
5.5. Incidência de cólica 55
5.6. Interação entre etologia, endocrinologia e episódios de cólica 56
6. DISCUSSÃO 57
6.1. Uniformidade da amostra 57
6.2. Exame físico 58
6.3. Atividade física 59

5
6.4. Avaliação etológica 61
6.5. Avaliação endocrinológica 69
6.6. Incidência de cólica 72
6.7. Interação comportamento, endocrinologia e cólica 73
6.8. Considerações finais 75
8. CONCLUSÕES 78
9. REFERÊNCIAS BIBLOGRÁFICAS 80

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Dados referentes às distribuições de sexo, idade, escore


corporal e raça nos eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar
de Minas Gerais submetidos a estabulação total com atividades de
patrulhamento urbano (RCAT 1); equoterapia e esportivas (RCAT 2);
submetidos a estabulação parcial, submetidos a atividade de
patrulhamento urbano (PAMP) ou sem estabulação (FLOR). 39

Tabela 2. Parâmetros fisiológicos dos eqüinos do Regimento de Cavalaria


da Polícia Militar de Minas Gerais submetidos a estabulação total com
atividades de patrulhamento urbano (RCAT 1); equoterapia e esportivas
(RCAT 2); submetidos a estabulação parcial com trabalho de
patrulhamento urbano (PAMP) ou sem estabulação (FLOR).
40
Tabela 3. Incidência de tipos de comportamentos normais e anormais nos
animais estabulados (RCAT1, RCAT2 e PAMP) da PMMG.

41
Tabela 4 - Incidência de tipos de comportamentos normais e anormais em
eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais
submetidos a diferentes formas de estabulação e atividade.
44
Tabela 5. Incidência de tipos de comportamentos observados em relação
ao momento de com os momentos de observação: antes dos
fornecimentos de alimento concentrado (AC) e de alimento volumoso (AF)
e no intervalo das alimentações (IA) em eqüinos do Regimento de
Cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais.
48
Tabela 6 – Concentrações séricas (Média ± EPM) de TT4, insulina e
cortisol em eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar de Minas
Gerais submetidos a estabulação total com atividades de patrulhamento
urbano (RCAT 1) ou equoterapia e esportivas (RCAT 2) ou submetidos a
estabulação parcial com atividade de patrulhamento urbano (PAMP) em
folga (Folga) e em serviço (Serviço) ou sem estabulação (FLOR). 53

Tabela 7. Ritmo de cortisol (razão entre as concentrações séricas diárias

6
de cortisol: maior/menor) em eqüinos do Regimento de Cavalaria da
Polícia Militar de Minas Gerais submetidos a diferentes formas de
estabulação e trabalho. 55

Tabela 8. Ocorrências de quadros de cólica de acordo com suas causas


em eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais
submetidos à diferentes formas de manejo.

55
Tabela 9. Correlações significativas entre concentrações séricas de
cortisol, temperamentos, comportamentos anormais e ocorrências de
cólica em equinos do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar de Minas
Gerais submetidos a diferentes formas de estabulação e atividade de
trabalho. 57

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Esquema de estereotipias em eqüinos: A) Aerofagia; B)


Movimentos laterais repetitivos. 23

Figura 2. Diferentes tipos de instalações para eqüinos de Cavalaria da


Polícia Militar de Minas Gerais. Grupo RCAT1 (A); Grupo RCAT2 (B);
Grupo PAMP (C) e Grupo FLOR (D). 30

Figura 3. Posicionamento da pesquisadora durante observação direta dos


eqüinos em RCAT 1: durante o fornecimento de alimentação (A) e no
intervalo das alimentações (B). Vista do observador em FLOR (C). 33

Figura 4. Comportamentos normais observados nos eqüinos de Cavalaria


da Polícia Militar de Minas Gerais submetidos a diferentes formas de
estabulação e atividade. A. Subir no cocho; B. Estação distraído; C.Cavar;
D. Agressividade; E. Deitar; F. Focinho rente ao chão; G. Estação alerta. 35

Figura 5. Comportamentos anormais observados em eqüinos de Cavalaria


da Polícia Militar de Minas Gerais submetidos a diferentes formas de
estabulação e atividade. A) Aerofagia; B) Coprofagia; C) e D) Dança de
lobo. 37

Figura 6. Prevalência de tipos de temperamentos em eqüinos da Cavalaria


da Polícia Militar de Minas Gerais submetidos a estabulação total com
atividade de patrulhamento urbano (RCAT 1); equoterapia e esportivas
(RCAT 2); submetidos a estabulação parcial com trabalho de
patrulhamento urbano (PAMP) ou sem estabulação (FLOR).
42
Figura 7. Tipos de comportamentos normais durante observação etológica
em eqüinos de Cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais submetidos a
estabulação total com atividade de patrulhamento urbano (RCAT 1) ou

7
equoterapia e esportivas (RCAT 2) ou submetidos a estabulação parcial
com atividade de patrulhamento urbano (PAMP) ou sem estabulação
(FLOR).
45
Figura 8. Incidência de comportamentos anormais em eqüinos de
Cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais submetidos a estabulação
total com atividade de patrulhamento urbano (RCAT 1) ou equoterapia e
esportivas (RCAT 2) ou submetidos a estabulação parcial com atividade
de patrulhamento urbano (PAMP) ou sem estabulação (FLOR).
46
Figura 9. Total de comportamentos anormais em eqüinos do Regimento de
Cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais submetidos a estabulação
total com atividade de patrulhamento urbano (RCAT 1) ou equoterapia e
esportivas (RCAT 2) ou submetidos a estabulação parcial com atividade
de patrulhamento urbano (PAMP) ou sem estabulação (FLOR). 46

Figura 10. Incidência de observações dos tipos de comportamentos


normais totais em relação aos momentos de observação: antes dos
fornecimentos de alimento concentrado (AC) e de alimento volumoso (AF)
e no intervalo das alimentações (IA) em eqüinos de Cavalaria da Polícia
Militar de Minas Gerais.
49
Figura 11. Incidência de observações de tipos de comportamentos
anormais de acordo com os momentos de observação: antes dos
fornecimentos de alimento concentrado (AC) e de alimento volumoso (AF)
e no intervalo das alimentações (IA) em eqüinos de Cavalaria da Polícia
Militar de Minas Gerais.
50
Figura 12. Incidência de observações de tipos de comportamentos
anormais de acordo com os momentos de observação: antes dos
fornecimentos de alimento concentrado (AC) e de alimento volumoso (AF)
e no intervalo das alimentações (IA) em eqüinos de Cavalaria da Polícia
Militar de Minas Gerais.
51
Figura 13. Concentrações séricas (Média ± EPM) de T4 (ng/ml), insulina
(µUI/ml) e cortisol (ng/ml) em eqüinos do Regimento de Cavalaria da
Polícia Militar de Minas Gerais submetidos a estabulação total com
atividade de patrulhamento urbano (RCAT 1) ou equoterapia e esportivas
(RCAT 2) ou submetidos a estabulação parcial com atividade de
patrulhamento urbano (PAMP), em folga (Folga) e em serviço (Serviço) ou
sem estabulação (FLOR). 54

Figura 14. Incidência de eqüinos em Regimento de Cavalaria da Polícia


Militar de Minas Gerais com cólica submetidos a estabulação total com
atividades de patrulhamento urbano RCAT1 ou equoterapia e esportivas
RCAT 2 ou submetidos a estabulação parcial com atividade de
patrulhamento urbano PAMP ou sem estabulação FLOR . 56

Figura 15. Eqüino em momento de repouso: em baia com cama (A); em


baia sem cama (B). 69

8
LISTA DE ANEXOS

Anexo 1. Ficha para avaliação física e etológica dos eqüinos de Cavalaria


Militar submetidos a estabulação total com atividades de patrulhamento
urbano (RCAT 1) ou equoterapia e esportivas (RCAT 2) ou submetidos a
estabulação parcial com atividade de patrulhamento urbano (PAMP) ou
sem estabulação (FLOR). 88
Anexo 2. Ficha de campo utilizada para registro comportamental, de forma
direta dos eqüinos de Cavalaria militar da Polícia Militar de Minas Gerais
submetidos à diferentes formas de estabulação e atividade. 89

9
RESUMO

O objetivo desse trabalho foi avaliar o bem-estar de eqüinos de Cavalaria


submetidos a diferentes tipos de trabalho, instalações e manejo por meio de
indicadores etológicos, endocrinológicos e incidência de cólica. Foram
utilizados 116 eqüinos distribuídos em quatro grupos: estabulados em baias de
6,25m2, sem cama e que trabalhavam exclusivamente em patrulhamento
urbano (RCAT1); estabulados em baias de 16m2, com cama de serragem e
que exerciam atividades de equoterapia e esporte (RCAT2); semi-estabulados
em baias de 6,25m2, sem cama e que exerciam exclusivamente patrulhamento
urbano (PAMP) e o grupo com animais criados livres em piquetes coletivos e
que não exerciam trabalho (FLOR). Pela avaliação etológica, pode-se notar
maior incidência de comportamentos anormais nos eqüinos submetidos a
estabulação quando comparados ao eqüinos em liberdade. Em relação às
concentrações séricas de insulina e tiroxina total nos eqüinos dos quatro
grupos, elas se apresentaram dentro dos valores de referência. As de cortisol
estiveram mais elevadas no grupo RCAT 1, seguidas pelas dos grupos RCAT2
e PAMP, quando comparadas ao grupo FLOR. O ritmo circadiano de cortisol
esteve diminuído nos animais estabulados, confirmando a situação de estresse
crônico. A incidência de episódios de cólica nos eqüinos estabulados foi maior
quando comparado com os animais em liberdade. Conclui-se que os eqüinos
de cavalaria submetidos a estabulação, realizando atividades de patrulhamento
urbano, têm seu bem-estar comprometido em relação aos animais criados em
piquetes, sem aquela atividade. Esses animais têm maior chance de
desenvolver comportamentos anormais e cólicas.

Palavras-chave: bem-estar animal, eqüinos, Cavalaria, comportamentos


anormais, estresse crônico.

10
ABSTRACT

The aim of this study was to evaluate equines welfare undergone to different
types of work, housing and handling through behavioural and endocrinological
parameters and colic occurences. 116 horses were used, divided into four
groups: stabled in stall of 6,25m2 without bedding and which worked on an
exclusive urban patrolling (RCAT 1); stabled in stalls of 16 m2 with sawdust bed
and performed mainly equine therapy and sports (RCAT 2); semi-stabled in
stalls of 6,25m2 without bed and carried out exclusively urban patrolling (PAMP)
and the fourth group of animals that were handled within extensive rules, kept
free, without work (FLOR). During behavioural observe of stabled horses,
higher behavioral disturbances were noticed if compared to the ones kept free.
Concerning endocrinological evaluation of seric concentrations of insulin and
total tiroxin (TT4), the four groups were within the references values. In relation
to cortisol, they were higher in group RCAT 1, followed by the group RCAT 2
and PAMP if compared to group FLOR. Cortisol circadian rhythm was also
decreased on stabled animals confirming the occurrence of chronic stressing
condition. Incidency of colic occurrences were higher on stabled horses than
with free handling ones. Taking the results in account, it can be concluded
therefore, that cavalry stabled horses that perforrm urban patrolling activities
have their welfare compromised in relation to animals kept free at pickets,
country enviroment and without patrolling activity. These mentioned animals
have higher probability of developing behavioural disturbances and colic
occurrences.

Key-words: welfare, horse, cavalry, behavioural disturbances, chronic stress.

11
1. Introdução A Polícia Militar de Minas Gerais
(PMMG) possui um plantel de 311
Diante da importância da indústria eqüinos, da raça Brasileira de
eqüina como fonte geradora de Hipismo, dentre eles 250 animais
empregos no campo, setor de adultos que são utilizados,
destaque no agronegócio e alternadamente, no patrulhamento
mercado produtor de divisas para o montado dos hipercentros de Belo
Estado de Minas Gerais, justifica-se Horizonte. Para exemplificar a
o investimento em pesquisa para se importância e a eficiência do
identificar os principais problemas patrulhamento montado, somente
do rebanho eqüino, trazendo durante os meses de agosto e
soluções que possam contribuir setembro de 2004 foram atendidas
para que o Estado de Minas Gerais 85 ocorrências na capital mineira,
continue com o maior rebanho que resultaram em 105 prisões e 83
eqüino do país, responsável pela apreensões de armas.
criação e produção das principais
raças de eqüinos nacionais. Além da importância na segurança,
os eqüinos do Regimento de
A saúde, tanto em humanos quanto Cavalaria Alferes Tiradentes
em animais, está diretamente (RCAT) têm uma função
relacionada com a qualidade do filantrópica, sendo utilizados para
bem-estar. Eqüinos criados em equoterapia. Esse serviço é
ambientes inadequados e em oferecido no próprio regimento e foi
condições estressantes têm maior criado a 12 anos através de uma
probabilidade de desenvolver parceria entre a PMMG e o Hospital
doenças que acarretam, além do de Minas Gerais (Fhemig). A
sofrimento animal, a redução de seu equoterapia é importante na
desempenho e o aumento dos recuperação de pacientes com
custos de sua criação. lesões neurológicas, onde a
movimentação do animal nos
Dentre as várias classes de eqüinos diversos tipos de andadura,
submetidas às situações de estimula centros específicos no
estresse, destaca-se a dos cavalos cérebro (Anderson et al., 1999).
utilizados em patrulhamento urbano. Dessa forma, os animais utilizados
nessa função, devem ser bem Acredita-se que estes transtornos
adestrados e principalmente calmos ocorram devido ao
e dóceis. Dessa forma, a avaliação comprometimento da qualidade de
de fatores de risco para o estresse vida desses animais e por isto a
se faz importante para que o importância do presente estudo,
desempenho dos eqüinos utilizados uma vez que este se propõe a
para esse fim não seja avaliar a qualidade do bem-estar,
comprometido. correlacionando com os problemas
observados, e apresentar sugestões
Para que esses animais realizem que possam contribuir para
sua função adequadamente, são melhoria dessa situação.
mantidos em locais próximos e
estratégicos como, por exemplo, a 2. Revisão de Literatura
sede do Regimento da Cavalaria
Alferes Tiradentes (RCAT), 2.1. Bem-estar Animal
localizado próximo na região central
de Belo Horizonte. Sendo assim, a As questões relativas ao bem-estar
estabulação em espaço restrito e animal (BEA) estão a cada dia mais
em ambiente urbano são situações presente dentre os assuntos de
em que esses animais são criados. interesse da comunidade civil, dos
governos, órgãos nacionais e
Esta situação tem trazido internacionais e de instituições
transtornos aos animais do RCAT. acadêmicas em todo o mundo.
Como por exemplo, elevada Como exemplo, há inúmeras
incidência de cólicas de origem instituições nacionais e
gastrintestinal, conforme relatado internacionais promovendo a
pelo corpo de Médicos Veterinários conscientização da sociedade,
da PMMG. Além disso, foi descrita como por exemplo: a Arca Brasil, a
alta prevalência de alterações Associação para o Bem-estar
comportamentais conforme Animal (ABEAC), Associação
evidenciado em estudo anterior Mundial de Veterinária (WVA), a
(Alves et al., 2004). Associação Veterinária de
Commomwealth (CVA), a
Associação de Veterinária de

13
Pequenos Animais (WSVA) e a exploração racional dos animais
Sociedade Mundial de Proteção como forma de bem-estar,
Animal (WSPA). educação e evolução da própria
humanidade (Malinowski, 2005).
Atualmente, observam-se na
sociedade dois movimentos A avaliação da qualidade do BEA
envolvidos com a questão da envolve uma gama de indicadores
proteção dos animais: os grupos que devem ser apreciados em
radicais ligados aos direitos dos conjunto. Para tal, foram criadas
animais e os interessados pela pela FAWC (Farm Animal Welfare
ciência do BEA. Os primeiros têm a Council), em 1993, as cinco
intenção de mudar a atitude moral liberdades, parâmetros que
da sociedade defendendo a visão possibilitam quantificar a qualidade
de que os animais deveriam ser do bem-estar de um animal:
livres, não sendo utilizados para • Livre de fome e sede: acesso
nenhum fim. Este tipo de à água limpa e alimento de
movimento tem sido fomentado por boa qualidade para a
organizações não governamentais manutenção de sua condição
(ONG’s), não interessadas em física;
questões científicas, não sendo
portanto objeto dessa dissertação. • Livre do desconforto: permitir
um ambiente apropriado e

Por outro lado, há grupos e confortável;

instituições que atuam na ciência do


• Livre de dor, injúria e doença:
BEA, ou seja, no estudo das
disponibilidade de
reações psico-fisiológicas dos
prevenção, de diagnóstico e
animais frente a estímulos externos
de tratamento;
gerados pelo homem, com o
objetivo de detectar possíveis • Livre para expressar
situações de comprometimento da comportamento natural:

qualidade de vida, propondo disponibilidade de espaço e


medidas para minimizá-las ou aboli- de socialização inter-
las. Portanto, uma ciência que específica ou intra-
propõe o convívio, o respeito e a específica;

14
• Livre de medo e distresse: social, a intensidade da atividade
minimizar situações de física e a baixa ingestão de
estresse, disponibilizando volumoso são fatores ligados ao
condições de tratamento dos confinamento que podem ser
sofrimentos mentais. considerados fatores estressores

Em se tratando dos eqüinos, para os eqüinos, prejudicando a

existem várias situações que podem qualidade de seu bem-estar (Houpt,

interferir na qualidade de seu bem- 1993; McGreevy, 2004).

estar, variando de acordo com a


atividade a que estão submetidos. Em decorrência de seu porte e de

Os eqüinos utilizados em ambientes sua mobilidade, os eqüinos de

urbanos estão, invariavelmente, Cavalaria são utilizados para vários


fins, sendo insubstituíveis em
submetidos ao confinamento. As
vantagens do confinamento para os situações específicas como no

proprietários incluem facilidade de patrulhamento urbano e no controle

lida e do fornecimento da de multidões. No entanto, para que


exerçam sua função
alimentação, além da detecção
precoce de doenças; já para os adequadamente, devem

animais a proteção do sol e do frio permanecer próximos ao homem.

excessivo incrementam seu bem- Dessa forma, estão sujeitos aos

estar (McGreevy, 2004). fatores ligados ao confinamento, já


mencionados anteriormente.

No entanto, de modo geral, o


confinamento para a espécie eqüina O bem-estar de um animal é o

vai de encontro à sua natureza. Isso estado em que ele se encontra a fim
de se manter em equilíbrio com o
porque, em seu ambiente natural,
os eqüinos passam 60% do seu seu ambiente (Broom, 1988).

tempo pastando, enquanto em Observando a essa capacidade de

confinamento, recebendo adaptação de um indivíduo, pode-se


avaliar seu nível de bem-estar.
alimentação pré-determinada,
utilizam apenas 10% do seu tempo Dessa forma, a associação de

para esse fim (McGreevy, 2004). A vários parâmetros

restrição de pastejo e de convívio comportamentais, fisiológicos,


endocrinológicos e clínicos

15
possibilita a avaliação do BEA funções vitais, desencadeando
(Appleby e Hughes, 1997). ineficiência reprodutiva, úlceras
gástricas, quedas de imunidade e
2.2. O estresse e suas transtornos psicológicos, podendo
conseqüências para o organismo gerar quadros de dor e de
desconforto (Breazile, 1987;
Há várias definições de estresse, no Morberg, 1987).
entanto, a de Appleby e Hughes
(1997) nos parece a mais O estresse pode ser classificado
apropriada. Estresse é a também em agudo ou fisiológico e
capacidade fisiológica e crônico. O estresse agudo modula
comportamental de um animal alterações sistêmicas no organismo
quando submetido a um desafio. O do animal estimulando-o a se
estresse é causado pela interação adaptar aquele agente agressor
entre fatores externos ou (Mostl e Palme, 2002). Essas
ambientais e predisposição alterações iniciam-se no cérebro
individual. Esta última, influenciada com a ativação de uma cascata
pela genética e experiências hormonal que será descrita
anteriores (Grandin, 1997; Pell e posteriormente. Metabolicamente,
McGreevy, 1999). por meio do hormônio cortisol, o
estresse permite a mobilização de
O estresse pode ser classificado em aminoácidos e gorduras a partir de
eustresse e distresse e em agudo reservas tissulares. Esses
ou crônico. O eustresse ou também compostos se tornam disponíveis
denominado estresse bom, tanto para a geração de energia
desencadeia alterações fisiológicas quanto para a síntese de novos
benéficas por estimular reações que compostos, dentre eles a glicose,
incrementam o conforto e bem-estar necessária para as funções vitais
de um indivíduo. Já o distresse dos órgãos (Guyton e Hall, 2006).
pode ser ou não maléfico ao animal, No coração, a ativação do sistema
dependendo dos efeitos que nervoso autônomo pode triplicar sua
desencadeia. Na maioria das vezes freqüência cardíaca e duplicar a
as desordens do distresse alteram força de contração do miocárdio
os comportamentos alimentares, as (Moberg, 1987; Guyton e Hall,

16
2006). Vocalização, movimentação linfóides (Beerda, 1999; Guyton e
excessiva e agressividade são Hall, 2006).
alterações comportamentais que
podem ser induzidas pelo estresse Por outro lado, quadros depressivos
(Moberg, 1987). ou de estresse repetitivos podem
gerar situações antagônicas.
A persistência e a intensidade Recentemente, demonstrou-se em
exagerada de agentes estressores, humanos um fenômeno
bem como a incapacidade do denominado hipocortisolismo,
indivíduo em se adaptar a eles, afetando cerca de 20-25% de
podem desencadear prejuízos pacientes com desordens
potenciais (Church, 2000; Joca et depressivas (Fries et al., 2005).
al., 2003), predispondo à situação Nesses casos, as concentrações
pré-patológica de estresse crônico séricas de cortisol se mantêm
(Jong, 2000; Choi et al., 2006). reduzidas em decorrência de uma
Assim como no estresse agudo, hipoatividade do eixo hipotálamo-
durante o estresse crônico há hipófise-adrenal (HPA). Essa
elevação das concentrações séricas redução de atividade do eixo HPA
de cortisol, mantendo-se ou não ocorre devido a fatores como o
elevadas dependendo do grau do aumento de sensibilidade ao
estímulo estressor (Beerda et al., feedback negativo do cortisol, a
1999). redução da atividade do cortisol nos
tecidos-alvos (resistência ao
Concentrações elevadas de cortisol cortisol), dentre outras (Fries et al.,
podem acarretar efeitos deletérios 2005).
na reprodução, no crescimento, no
comportamento (Jong, 2000) e no O sistema límbico, mais
desempenho dos animais (Nogueira especificamente o hipotálamo, o
e Barnabé, 1997; Mcgreevy, 2004). hipocampo e a amígdala estão
Imunologicamente, o estresse diretamente envolvidos nos
crônico causa grandes prejuízos, mecanismos do estresse agudo e
reduzindo o número de eosinófilos, crônico (Joca, 2003; Guyton e Hall,
neutrófilos e linfócitos circulantes, 2006). O hipotálamo é a área para
além de induzir a atrofia dos tecidos onde todos os estímulos do sistema

17
límbico se convergem. Ele também (Fuchs e Flügge, 2003; Joca et al.,
é responsável pela regulação 2003).
térmica, hormonal, osmótica e
nutricional (Fuchs e Flügge, 2003). A amígdala é uma estrutura cortical
do lobo temporal responsável pelas
O hipocampo é a região do córtex respostas emocionais frente a
cerebral responsável pelo envio das ameaças, como medo e angústia
informações de caráter sensorial (Fuchs e Flügge, 2003; Guyton e
para as outras estruturas do Hall, 2006). Ela é responsável pela
sistema límbico, como o próprio modulação do processamento das
hipotálamo e a amígdala (Guyton e novas experiências positivas ou
Hall, 2006). Além disso, o negativas ao hipocampo nas
hipocampo é sede da interação situações de estresse (Joca, 2003).
entre estresse repetido e
serotonina. Observa-se em Sendo assim, o estresse tem efeitos
pacientes com quadros sistêmicos no organismo e seus
depressivos, um prejuízo na efeitos irão variar de acordo com a
neurotransmissão serotoninérgica intensidade e a duração do estímulo
hipocampal (Joca, 2003). estressor para que se tornem
benéficos ou maléficos (Munson, e
O hipocampo tem número elevado Terio, 2005).
de receptores para os
glicocorticóides, sendo 2.2. Indicadores etológicos de
hiperexcitado em situações de bem-estar
estresse, aumentando a liberação
de glutamato, principal Comportamento pode ser definido
neurotransmissor excitatório do como a resposta de um indivíduo ao
sistema nervoso central (Joca, seu ambiente, demonstrado pelas
2003; Guyton e Hall, 2006). Quando suas escolhas perante situações
as concentrações séricas de específicas. (Mcgreevy, 2004). Os
glicocorticóides se mantêm indicadores comportamentais de
elevadas e prolongadas, o BEA proporcionam impressões a
hipocampo pode sofrer apoptose cerca das preferências e
neuronal e redução de seu volume necessidades dos animais (Appleby

18
e Hughes, 1997). Em situações estresse gerado por transporte em
onde o animal não consegue se animais com temperamentos mais
adaptar a um ambiente estressante, reativos é mais deletério do que em
mudanças ou inatividades animais mais tranqüilos. Em
comportamentais (Appleby e humanos com características de
Hughes, 1997; Mcgreevy, 2004) introversão, ansiedade e
podem ser indícios de estresse nervosismo há maior predisposição
crônico (Broom, 1988). Portanto, a para desencadear quadros
avaliação das reações depressivos em decorrência de
comportamentais dos animais em situações de estresse (Tyrka, 2006).
relação ao seu ambiente externo
indica o seu grau de adaptação. Lê Scolan (1997) demonstrou que
temperamento é característica
A expressão de determinado presente nos eqüinos, existindo
comportamento pode ser vários métodos para avaliá-lo. Em
influenciada pela temperamento do humanos, é freqüente a utilização
indivíduo. O temperamento definido de questionários (Tyrka, 2006). Em
por Stur (1987), citado por Seaman eqüinos e em cães, o uso de
et al. (2002) é o conjunto de todas questionários é freqüente, e
as características comportamentais perguntas são realizadas as
inerentes e adquiridas de um pessoas que estão em contato
indivíduo. Há também a definição constante com os animais
de Kilgour (1975), onde (tratadores, adestradores) (Le
temperamento são as Scolan et al., 1997; Anderson et al.,
características comportamentais 1999; Hsu e Serpell, 2003).
resultantes das variáveis físicas,
hormonais e nervosas de um O conhecimento do etograma de
indivíduo. uma espécie é fundamental para
avaliação do seu comportamento e
A avaliação do temperamento pode consequentemente de seu bem-
inferir sobre a reação estar (Appleby e Hughes, 1997;
comportamental do indivíduo diante McGreevy, 2004). Os eqüinos,
de uma situação desagradável. quando na natureza, apresentam
Grandin (1997) demonstrou que o comportamentos bem diferenciados

19
de quando se encontram em na cor do piso (Hall e Cassaday,
situações de confinamento. Cerca 2006), em ambientes de doma
de 60% do seu tempo passam racional (Krueger, 2006) dentre
pastando, 20% em estação, 10% outros. Por meio desses estudos,
deitados e os outros 10% realizando observou-se que os
comportamentos diversos. Já comportamentos anormais fazem
eqüinos estabulados com restrição parte da rotina de eqüinos
de alimentação e sem contato físico estabulados, principalmente
entre si, ficam 65% do seu tempo aqueles utilizados para
em estação, 15% se alimentando, patrulhamento urbano.
15% deitados e 5% realizando outro
tipo de comportamento (McGreevy, As estereotipias são exemplos de
2004). comportamentos anormais que
podem ser indicativos de
A importância da avaliação do deterioração do bem-estar de um
comportamento dos indivíduos é animal, trazendo conseqüências
evidenciada tanto em estudos muitas vezes deletérias. São
nacionais quanto internacionais. No caracterizadas por comportamentos
Brasil, vários estudos foram repetitivos e invariáveis sem
realizados por Crizanto (2002), objetivo óbvio ou funcional (Pell e
Alves et al. (2004), Vieira (2006) e McGreevy, 1999). Podem ocorrer
Rezende et al. (2006), evidenciando em animais em cativeiro com
os principais comportamentos em restrição alimentar, em situações de
eqüinos de patrulhamento controle minucioso da rotina, em
submetidos à estabulação. privação de contato social e em
McDonnell e Haviland (1995) outras ocasiões que possam gerar
descreveram diversos frustração (Nicol, 2000; Mills e
comportamentos normais através Nankervis, 2005).
da formulação de um etograma para
a espécie eqüina. McAfee et al. A etiologia das estereotipias ainda
(2002) também avaliaram a reação não foi completamente elucidada,
comportamental de eqüinos perante no entanto, alterações no sistema
um estímulo, como a colocação de dopaminérgico têm sido a teoria
espelhos nas baias ou mudanças mais aceita atualmente. McBride e

20
Hemmings (2005) revelaram que clínicos de estresse (Cooper e
alterações no sistema Nicol, 1993).
dopaminérgico mesoaccumbens e
nigrostriatal, com ativação dos As estereotipias fazem parte de
receptores dopaminérgicos 1 (D1) e mecanismos de combate ao
2 (D2), estão envolvidas na estresse crônico (Broom, 1988), por
realização das estereotipias. O meio de liberação de opióides
sistema mesoaccumbens recebe endógenos (Dodman et al., 1994). A
estímulos de várias áreas do administração de medicamentos
cérebro, dentre elas, hipocampo e bloqueadores dos receptores
amígdala (Chuhma e Rayport, opiógenos, como a naloxona e
2006). A administração de naltrexona, reduz a realização das
medicamentos que ativam as vias estereotipias (Houpt e McDonell,
dopaminérgicas, como por exemplo, 1993).
as anfetaminas, estimulam a
ocorrência de estereotipias, O sistema serotoninérgico também
enquanto que os antagonistas está envolvido na ocorrência de
dopaminérgicos, tais como estereotipias. Isso porque relaciona-
haloperidol, reduzem essa se com medo, com ansiedade e
ocorrência (Schoenecker e Heller, com frustração, fatores
2001). predisponentes para sua
ocorrência. A administração de
Estudos recentes demonstram outra medicamentos inibidores da
teoria sobre a etiologia das recaptação de serotonina, como a
estereotipias, denominada “coping fluoxetina, é efetiva no controle das
hypothesis”. De acordo com essa estereotipias (Hugo et al., 2003).
teoria, as estereotipias ocorreriam
em situações adversas na tentativa Em se tratando da espécie eqüina,
de amenizar e reduzir o nível de há vários fatores que predispõem a
estresse (Cooper e Nicol, 1993; ocorrência das estereotipias. A
Würbel et al., 1998). Dessa forma, estabulação e a restrição do
avaliações de animais a longo prazo convívio social são fatores
demonstraram redução nos sinais importantes por causarem
frustração e ansiedade (Mills, 2005).

21
A impossibilidade de pastejo e a variados com a língua (Redbo et al.,
baixa ingestão de volumoso 1998). Já as estereotipias
também influenciam na ocorrência locomotoras são caracterizadas por
de estereotipias (Nicol, 2000). movimentos laterais repetitivos, por
Fatores como sexo, idade e andar constante pela baia (Mills et
condição física têm sido ignorados al., 2002) e por balanço de cabeça
ou considerados secundários (Mills (Houpt e McDonnell, 1993).
et al., 2002).
A aerofagia é a estereotipia mais
A atividade a que o animal é freqüente nos eqüinos estabulados
submetido pode influenciar na (Figura 1A). O eqüino fixa ou não
ocorrência de estereotipias. Mc seus dentes incisivos a um objeto e
Greevy et al. (1995) demonstraram realiza movimento de engolir ar
menor incidência de (McGreevy e Nicol, 1998).
comportamentos anormais em McGreevy (2004) demonstrou em
cavalos utilizados para enduro, eqüinos que realizavam aerofagia e
quando comparados a animais de recebiam alimentação à vontade,
adestramento e de concurso passavam 30% do seu tempo
completo de equitação. Esse fato praticando aerofagia, outros 40% se
pode ser explicado pelo maior alimentando, e os outros 30% em
tempo de exercício fora de suas estação ou deitados.
baias, em ambiente natural e junto
com outros animais. A aerofagia pode acarretar
desgaste anormal dos dentes
As estereotipias nos eqüinos podem incisivos, além de predispor à
ser divididas em duas categorias: ocorrência de cólicas (Mills et al.,
orais e locomotoras (Houpt e 2005). Para evitar esse tipo de
McDonnell, 1993; Redbo et al., comportamento, a utilização de
1998). A primeira é caracterizada coleiras que impedem que o animal
por comportamentos como curve o pescoço, eletrificação nas
aerofagia, morder madeira, portas das baias para que o animal
automutilação (Houpt, 1993), não consiga fixar os dentes
lamber e morder cochos (Houpt e (McGreevy e Nicol, 1998) e a
McDonnell, 1993) e movimentos colocação de substâncias não

22
palatáveis nas superfícies de apoio excessivo dos cascos e sobrecarga
dentro da baia (Houpt e McDonnel, dos membros desencadeando, até
1993) são formas pouco eficazes de mesmo, claudicação (Cooper et al.,
controlar a aerofagia, já que podem 2000).
comprometer ainda mais o BEA.

A síndrome da automutilação em
eqüinos está relacionada ao
estresse, frustração ou medo. Não
tem predisposição de raças e tem
sido relatada sua maior ocorrência A B
em garanhões (Houpt e McDonnel, Figura 1. Esquema de estereotipias
1993; Dodman, 1994). O animal em eqüinos: A) Aerofagia; B)
realiza movimentos na tentativa de Movimentos laterais repetitivos
morder a região do flanco, membros (Mills e Nankervis, 2005).
e cauda (Dodman, 1994).
Os movimentos repetidos de
Os movimentos laterais repetitivos cabeça são caracterizados por
se caracterizam por balanço lateral oscilações verticais de cabeça, que
da cabeça, pescoço, membros pode se iniciar com algum tipo de
anteriores e algumas vezes incômodo local nesta e acaba por
posteriores (Mills e Riezebos, 2005) se tornar um comportamento
(Figura 1B). Ocorre normalmente repetitivo. Pode ocorrer também em
antecedendo o fornecimento do decorrência de privação de contato
concentrado, no qual o animal está social entre eqüinos (Mills et al.,
visualizando o alimento e é incapaz 2005), frustração e ansiedade
de alcançá-lo, causando frustração (Houpt e McDonnel, 1993; Mills et
e ansiedade (Houpt e McDonnel, al., 2005).
1993). Esse tipo de comportamento
pode ocasionar impactos no A coprofagia é considerada um
desempenho do animal como comportamento normal entre
fadiga, desenvolvimento irregular da algumas espécies como coelhos,
musculatura do pescoço (Mills e insetos e pássaros (Soave e Brand,
Riezebos, 2005), desgaste 1991). A coprofagia significa a

23
ingestão de fezes do próprio animal preservando o bem-estar desse
(autocoprofagia) ou de outros animal (Azevedo et al., 2006).
(alocoprofagia), seja depositada no Sendo assim, o enriquecimento
chão ou retirada do ânus (Soave e ambiental reduz o tempo ocioso e a
Brand, 1991; Hirawa, 2001). Potros ocorrência de desvios
podem apresentar coprofagia comportamentais (Appleby e
durante as primeiras semanas de Hughes, 1997).
vida ao ingerirem fezes de suas
mães, na tentativa de formar uma 2.3. Indicadores endocrinológicos
flora bacteriana própria e suprir de bem-estar
deficiência de vitaminas e minerais
(Crowell-Davis e Houpt, 1985; Em 1932, Selye realizou a primeira
Soave e Brand, 1991). Em animais mensuração dos efeitos do estresse
adultos, a coprofagia pode ocorrer sobre as concentrações séricas de
em animais com deficiência de cortisol e sua importância para se
proteína na dieta (Crowell-Davis e avaliar o grau do estímulo inferido
Houpt, 1985). Contudo, a coprofagia em ratos, denominando a reação do
vem sendo considerada distúrbio organismo frente ao estresse como
comportamental em eqüinos Síndrome da Adaptação
confinados (Alves et al., 2004; Generalizada (GAS) (Appleby e
Rezende et al., 2006). Hughes, 1997). Desde então, a
mensuração das concentrações
As formas utilizadas para conter hormonais se faz importante para
esses comportamentos anormais se avaliar a intensidade do agente
são, em sua maioria, ineficazes por estressor e, consequentemente, o
não retirarem a causa primária, os BEA.
fatores estressores. O
enriquecimento ambiental se torna As reações hormonais do
um método eficaz, pois a introdução organismo em decorrência do
de fonte de estímulos ao ambiente estresse se iniciam com a ativação
de cativeiro, de forma que o do eixo HPA, por meio da secreção
indivíduo interaja com o estímulo do hormônio liberador de
(Appleby e Hughes, 1997), estimula corticotropina (CRH) pelo
comportamentos naturais, hipotálamo. O CRH ativa a adeno-

24
hipófise a liberar o hormônio pelas células tipo β do pâncreas
adrenocorticotrópico (ACTH) que, (Greco e Stabenfelt, 1999). O efeito
por sua vez estimula a glândula resultante da insulina na corrente
adrenal a secretar o hormônio sanguínea é baixar as
cortisol (Guyton e Hall, 2006). concentrações da glicose, dos
ácidos graxos e dos aminoácidos e
O aumento do cortisol circulante promover a entrada desses
desencadeia inúmeras cascatas constituintes nas células dos tecidos
fisiológicas. O principal efeito desse (Guyton e Hall, 2006).
hormônio é a gliconeogênese, ou
seja, a formação de glicose a partir No entanto, as altas concentrações
de outros compostos, como as plasmáticas de cortisol reduzem a
proteínas (Greco e Stabenfelt, sensibilidade de alguns tecidos aos
1999). Esse fenômeno ocorre por efeitos estimulantes da insulina
meio do aumento das enzimas sobre a captação e utilização da
hepáticas necessárias para a glicose (Guyton e Hall, 2006). Esse
conversão de aminoácidos em processo metabólico é denominado
glicose pelos hepatócitos e pela resistência à insulina (IR) e são
mobilização de aminoácidos a partir inúmeros os mecanismos pelo qual
de tecidos extra-hepáticos, ele ocorre: redução da quantidade
principalmente músculos. Dessa de receptores na superfície celular,
forma, há um aumento dos mau funcionamento dos receptores
estoques de glicogênio nessas de insulina nos tecidos e
células, podendo ser utilizado em interferência no funcionamento de
momentos de necessidade proteínas responsáveis pela
metabólica (Guyton e Hall, 2006). passagem da glicose para a célula
(Frank, 2006).
Além da gliconeogênese, o cortisol
desencadeia redução moderada na Dessa forma, a concentração de
velocidade de utilização da glicose insulina tende a se elevar para que
pelas células, provocando uma a glicose atinja os tecidos,
elevação na glicemia (Guyton e desencadeando um quadro de
Hall, 2006). Em contrapartida, há o hiperinsulinemia causado pela
aumento da secreção de insulina hiperatividade das células

25
pancreáticas (Johnson, 2002). A encontram reduzidas (Johnson,
estimulação excessiva dessas 2002). Dessa forma, se faz
células pode levar a exaustão e a importante a dosagem das
ocorrência do diabetes mellitus concentrações séricas dos
(Ferguson e Hoenig, 2005). hormônios tireoideanos, a tiroxina
total (TT4) e a triiodotironina total
A IR e diabetes mellitus são as (TT3) a fim de avaliar a função da
principais conseqüências das altas glândula tireóide (Frank, 2006).
concentrações séricas de cortisol.
Em indivíduos submetidos a As secreções de ACTH e cortisol
situações de estresse crônico, tem- obedecem a um padrão de ritmo
se observado o desenvolvimento da circadiano endógeno (Elias e
síndrome metabólica. Largamente Castro, 2005). Nos animais de
estudada em humanos, é hábitos diurnos, como os eqüinos,
caracterizada por um quadro de as concentrações apresentam
hipertensão arterial, hiperglicemia, valores mais elevados no período
obesidade, resistência à insulina, da manhã entre 6:00h e 10:00h,
hiperinsulinemia e diabetes mellitus decrescendo ao longo do dia
(Brandão et al., 2005; Hanley et al., (McCue, 2002). O ritmo circadiano
2005). Em eqüinos é denominada pode ser afetado por vários fatores
síndrome de Cushing periférica ou como exercício, padrões de sono,
síndrome metabólica eqüina. O tipo de atividade a que o indivíduo é
animal apresenta sinais clínicos de submetido e ambientes
laminites recorrentes, alterações estressantes (Pell e Mc Greevy,
reprodutivas como infertilidade, 1999), porém não se altera em
obesidade, infecções recidivantes decorrência de raça, idade, sexo ou
(Johnson, 2002). prenhez (Douglas, 2000).

A síndrome metabólica pode ser Segundo Douglas (2000), para se


confundida com alterações avaliar o ritmo de cortisol de um
tireoideanas, como o animal são necessárias duas
hipotireoidismo, pois em eqüinos colheitas de sangue em um
acometidos por essa síndrome as intervalo de oito a dez horas para
concentrações séricas de T4 se dosagem do cortisol sérico. A

26
ausência de variação da comparados a eqüinos submetidos
concentração sérica de cortisol à estabulação (McGreevy, 2004).
durante o dia, pode ser indício de Como mencionado anteriormente os
estresse crônico, como eqüinos, quando na natureza,
demonstrado em humanos (Yehuda pastam cerca de 60% do seu
et al., 2005), em suínos (Jong, tempo, selecionando os melhores
2000) e em eqüinos (Nogueira e alimentos (McGreevy, 2004).
Barnabé, 1997; Douglas, 2000). Contudo, quando em confinamento,
eles recebem alimentação muitas
A resposta do sistema vezes de qualidade duvidosa e em
neuroendócrino varia de acordo horários previamente determinados
com o grau de desafio ambiental e (Gonçalves et al., 2002), gerando
da resposta do indivíduo, estresse, frustração e ansiedade.
influenciando na adaptação do Com isso, os animais ingerem o
animal ao estresse (Broom, 2006). alimento rapidamente, predispondo
Portanto, em animais submetidos a à ocorrência de episódios de cólica
ambientes estressantes a dosagem (Clarke et al., 1990).
dos hormônios cortisol, insulina e
TT4 podem refletir o seu bem-estar. Eqüinos com comportamentos
anormais como aerofagia,
2.4. Incidência de cólica como apresentam maior chance de
indicador de saúde e bem-estar apresentar episódios de cólica. A
possível justificativa para esse fato
A cólica é afecção comum e uma são o tipo de temperamento do
das maiores causas de mortes em animal e as alterações psíquicas
eqüinos estabulados. Esse termo é desencadeadas pelo estabulação e
utilizado para descrever dor práticas de manejo (Clarke et al.,
abdominal, na maioria das vezes de 1990; Archer e Proudman, 2006).
origem gastrintestinal (Gonçalves et
al., 2002; White II, 2005). Portanto, a ocorrência de episódios
de cólica em eqüinos,
Eqüinos criados em liberdade principalmente em condições de
apresentam menor ocorrência de estabulação, pode ser considerada
episódios de cólica, quando fator de comprometimento da saúde

27
e do bem-estar desses animais Regimento de Cavalaria
(Archer e Proudman, 2006). da PMMG.
• Avaliar a presença de
3. Hipótese e objetivos alterações clínicas,
etológicas e
A hipótese deste estudo é que endocrinológicas que
animais estabulados em ambiente sejam condizentes com
urbano e submetidos a trabalho de estresse crônico,
patrulhamento têm seu bem-estar comparando-as entre
comprometido em relação aos grupos de eqüinos do
animais criados em piquetes, em Regimento de Cavalaria
ambiente rural e sem atividade de da PMMG submetidos a
patrulhamento. diferentes condições de
estabulação, de manejo e
O objetivo geral deste estudo foi de atividade.
avaliar o bem-estar dos eqüinos da • Verificar possíveis
Cavalaria da Polícia Militar de Minas associações entre
Gerais criados em diferentes alterações
condições de manejo e submetidos endocrinológicas,
a diferentes atividades, utilizando-se presença de
indicadores etológicos, comportamentos anormais
endocrinológicos e incidência de e incidência de cólica.
cólica para essa avaliação.
4. Material e métodos
Os objetivos específicos foram:
• Determinar as concentrações 4.1. Animais e grupos
séricas de cortisol, insulina experimentais
e tiroxina total (TT4) em
eqüinos do Regimento de Foram utilizados 116 eqüinos de
Cavalaria da PMMG. Cavalaria do Regimento de
• Verificar a incidência de Cavalaria Alferes Tiradentes da
comportamentos normais Polícia Militar de Minas Gerais,
e comportamentos divididos em quatro grupos
anormais em eqüinos do experimentais:

28
era constituída por capim picado
 Grupo RCAT 1: 31 (Pennisetum purpureum variedade
eqüinos estabulados em Cameron) ou feno (Cynodon spp) e
baias de 6,25m2, sem cama e ração comercial1 fornecida de
que trabalhavam acordo com o horário da atividade
exclusivamente em que exerciam. A quantidade de
patrulhamento urbano alimento fornecida variava de
(Figura 2); acordo com o escore corporal do
animal, mas de modo geral, cada
 Grupo RCAT 2: 27 eqüino recebia em média 6kg de
eqüinos estabulados em concentrado e 20kg de capim
baias de 16m2, com cama de picado ou 4kg de feno (Tabelas 1,2
serragem e que exerciam e 3).
predominantemente
atividades de equoterapia e Os animais do grupo RCAT1
de hipismo (Figura 2); recebiam alimentação a cada duas
horas, sendo a ração quatro vezes
 Grupo PAMPULHA ao dia. Os horários de alimentação
(PAMP): 25 eqüinos sob variavam de acordo com o turno de
regime de semi-estabulação trabalho desses animais. Os
em baias de 6,25m2, sem eqüinos do turno 1 trabalharam em
cama e que exerciam patrulhamento na região central de
exclusivamente Belo Horizonte no período de 7:30h
patrulhamento urbano a 13:30h. Já os animais do turno 2,
(Figura 2); no período de 14:30h a 20:30h.

 Grupo FLORESTAL Os eqüinos do grupo RCAT2


(FLOR): 33 eqüinos criados recebiam alimentação em intervalo
em regime extensivo e que de em média a cada duas a quatro
não exerciam trabalho horas. A ração era fornecida 4
(Figura 2). vezes ao dia.

A alimentação dos animais dos


grupos RCAT 1, RCAT 2 e PAMP 1. Equitage Guabi – Campinas - SP

29
(Pennisetum purpureum) e ração
comercial1 duas vezes ao dia, às

A B

C D

Figura 2. Diferentes tipos de instalações para eqüinos de Cavalaria da Polícia


Militar de Minas Gerais. Grupo RCAT1 (A); Grupo RCAT2 (B); Grupo PAMP (C) e
Grupo FLOR (D).

Os animais do grupo PAMP


recebiam alimentação seis vezes ao 08:00 e 14:00 horas.
dia, sendo que o fornecimento de
ração ocorria em quatro delas. Todos os eqüinos da Cavalaria
eram vermifugados a cada 3 meses
Os animais do grupo FLOR eram com ivermectina e associações e
criados de forma extensiva em vacinados anualmente para tétano,
piquetes coletivos formados por influenza, encefalomielite e raiva.
capim Brachiaria decumbens, com
suplementação capim picado A fim de se avaliar o tipo e a
intensidade de trabalho dos eqüinos

30
dos quatro grupos, realizou-se um matutina e a freqüência cardíaca 2
levantamento das atividades físicas (FC2) a da venopunção vespertina.
exercidas por eles durante o
período de dezembro de 2005. 4.3. Avaliação etológica

4.2. Avaliação clínica Para avaliação do comportamento


levando-se em conta o
Os 116 eqüinos foram submetidos à temperamento dos eqüinos, foi
avaliação clínica a fim de desenvolvido um questionário com
determinar o estado geral do o intuito de verificar as impressões
animal, sendo os resultados dos militares responsáveis quanto
anotados em fichas (Anexo 1). aos animais. Esse questionário foi
Nesta avaliação foi mensurada a preenchido pelo pesquisador em
freqüência cardíaca por entrevista com o cavaleiro de cada
auscultação, a freqüência animal nos grupos RCAT1, RCAT2
respiratória (FR) por visualização da e PAMP ou pelo responsável pela
movimentação da caixa torácica, a alimentação e cuidados com os
temperatura retal (TR) por animais no grupo FLOR.
termômetro digital2, o tempo de
perfusão tecidual (TPC) da mucosa Para se avaliar os tipos de
oral e a motilidade intestinal por temperamento, as respostas
auscultação. Com o objetivo de se variavam de 1-3, sendo que o grau
verificar uma possível reação do 1 correspondia à menor intensidade
sistema nervoso autônomo, a do temperamento do animal e o
freqüência cardíaca foi aferida grau 3 a maior intensidade. Os tipos
simultaneamente com a de temperamentos que foram
venopunção para dosagem de considerados estão descritos a
hormônios, enquanto que os outros seguir:
exames foram realizados a) Curioso: Tendência do
imediatamente após. Considerou-se indivíduo de interessar-se por
como freqüência cardíaca 1 (FC1) a objetos ou pessoas que se
mensurada na venopunção aproximem dele (Momozawa
et al., 2003)
2
Termômetro digital BD, Juiz de Fora, MG.

31
b) Brincalhão: Tendência do das alimentações nos quatro
animal a interagir com os grupos.
estímulos do ambiente
(Momozawa et al., 2003); Nos animais estabulados, quando a
c) Nervoso: Tendência do observação era realizada durante o
indivíduo de ser facilmente fornecimento do alimento, o
excitado, acarretando em pesquisador posicionava-se
mudanças de postura e antecedendo a aproximação do
comportamento (Lê Scolan, carrinho com o alimento (ao final do
1997); corredor do pavilhão) ou junto do
d) Assustado: Tendência do mesmo. A observação era feita por
indivíduo em reagir com alguns minutos até que se
medo, apresentando reação completasse o fornecimento da
de aversão ao estímulo (Lê alimentação de cada animal.
Scolan, 1997).
Quando a observação era feita ao
Os itens do questionário eram intervalo entre os tratos, o
exemplificados aos militares, a fim pesquisador se posicionava em
de não gerar dúvida sobre o real frente à baia com certa distância
significado de tais tipos. que o animal não se interessasse
pela presença do pesquisador, e
Para avaliação etológica dos permanecia observando o animal
eqüinos de forma direta, realizou-se por cerca de cinco minutos,
a observação dos tipos de registrando o tipo de
comportamentos mais comuns nos comportamento realizado pelo
eqüinos quando estivessem em animal naquele momento.
repouso, em suas baias. Esta Terminado este prazo, o observador
observação foi realizada, sempre se direcionada ao animal seguinte.
pelo mesmo pesquisador, durante Sendo assim, o mesmo animal foi
12 horas de um dia, durante o dia e observado em diversos momentos
parte da noite, observando os durante o dia.
animais em seu respectivo
ambiente durante e aos intervalos No grupo FLOR, as observações
foram feitas de forma coletiva

32
durante as alimentações e também comportamentos para eqüinos. Os
em diversos momentos no intervalo tipos de comportamentos com as
entre elas. Nestes casos, o respectivas referências literárias
observador se locomovia a pé para estão descritas a seguir:
não chamar muito a atenção dos
eqüinos e se posicionava a uma
distancia que permitia a
visualização de todos, mas que não
interferisse no comportamento
natural dos animais.

A B

Figura 3. Posicionamento da pesquisadora durante observação direta dos


eqüinos em RCAT 1: durante o fornecimento de alimentação (3A) e no intervalo
das alimentações (3B). Vista do observador em FLOR (C).
.
Comportamentos normais:
Com o objetivo de padronizar as
A) Estação distraído: Eqüino em
observações comportamentais, foi
estação com os olhos
confeccionada uma ficha (Anexo 2),
fechados ou semi-fechados,
contendo os principais tipos de

33
lábio inferior relaxado, I) Bater na porta da baia: Bater
perdendo contato com o lábio com os membros anteriores
superior (Cooper, 2000) na porta da baia (Cooper et
(Figura 4B); al., 2005);
B) Alerta estação: Eqüino em
estação com as orelhas
orientadas em direção ao
estímulo (Mills e Riezebos,
2005) (Figura 4G);
C) Deitado: animal em decúbito
esternal ou lateral (Cooper et
al., 2005) (Figura 4E);
D) Focinho rente ao chão:
Eqüino em estação com
focinho rente ao chão ou
ingerindo restos de cama
(Cooper et al., 2005) (Figura
4D);
E) Subir no cocho: o animal
coloca os membros
anteriores dentro do cocho
(Figura 4A);
F) Cavar: um dos membros
anteriores do eqüino é
elevado e esticado
bruscamente entrando em
contato com o solo
(McDonnel e Haviland, 1995)
(Figura 4C);
G) Relinchar
H) Morder outros animais:
tentativa de morder outros
eqüinos quando sob algum
estímulo (Figura 4F);

34
A B

C D

E F

35
Figura 4. Comportamentos normais observados nos eqüinos de Cavalaria da
Polícia Militar de Minas Gerais submetidos à diferentes formas de estabulação
grunhido (Mc Greevy & Nicol,
1998) (Figura 5);
G) Movimentos repetidos de
cabeça: movimentos de
balanço da cabeça para cima
e para baixo (Cooper et al.,
Comportamentos anormais: 2000);
A) Movimentos aleatórios na H) Dança de lobo ou síndrome
baia: eqüino realiza do urso: ou “weaving”,
movimentos circulares dentro balanço lateral da cabeça,
da baia, pode ser em uma ou pescoço, membros
em qualquer direção (Houpt anteriores e algumas vezes
e McDonnell, 1993; Mills et os posteriores (Mills &
al., 2005); Riezebos, 2005) (Figura 5);
B) Escoicear a baia: Bater com
os membros posteriores nas
paredes e porta da baia;
C) Morder madeira: o animal
mORDE locais onde há
madeira, como portas de
baias e cochos (Mills, 2005);
D) Coprofagia: o animal ingere
suas próprias fezes ou de
outros (Soave e Brand, 1991)
(Figura 5B);
E) Lambedura de cocho: eqüino
lambendo o cocho após o
fornecimento da alimentação;
F) Aerofagia: o animal fixa os
incisivos em um objeto,
contraindo o pescoço,
podendo ou não emitir um
som específico, como um

36
de sangue, a primeira de manhã e a
segunda oito horas após. Os
eqüinos foram mantidos em jejum
de concentrado e volumoso por 10
horas antecedendo a primeira

A B

C D

Figura 5. Comportamentos anormais observados nos eqüinos de Cavalaria da


Polícia Militar de Minas Gerais. A) Aerofagia; B) Coprofagia; C e D) Dança de
lobo.

4.4. Avaliação endocrinológica


colheita e jejum de concentrado no
intervalo entre as duas colheitas.
Para o estudo hormonal foram
mensuradas as concentrações
Obteve-se um volume de 20mL por
séricas de cortisol, insulina e TT4.
punção jugular após desinfecção
Foram colheitadas duas amostras
com solução de álcool iodado,

37
utilizando frascos dotados de analisadas a fim de se fazer um
sistema a vácuo3. Após a colheita, levantamento do número de
as amostras foram centrifugadas ocorrências de cólica durante o
(3000 rpm x 6 min) e o soro período de um ano (julho de 2005 a
separado e congelado à julho de 2006).
temperatura de 20ºC negativos até
4.6. Análise estatística
a análise. Todas as colheitas foram
realizadas procurando-se evitar Os dados paramétricos incluindo os

estímulos estressantes aos animais. parâmetros fisiológicos do exame


clínico e as dosagens hormonais
As amostras foram analisadas em
foram comparadas entre grupos por
duplicata obedecendo a um critério
análise de variância inteiramente ao
de coeficiente de variação de até
acaso, seguida pelo teste de
5%. Foi utilizada a técnica de
Student–Newman-Keuls. Quando
radioimunoensaio (RIE), em
necessárias, as comparações entre
parceria com o laboratório B.E.T.
tempos dentro do mesmo grupo
Laboratories (Bluegrass Embryo
foram feitas pelo teste t de Student
Transplant Laboratories - Lexington,
pareado.
KY). Para a análise foram utilizados
kits comerciais específicos para as
Os dados dos grupos experimentais
concentrações séricas de TT4,
relativos às características
insulina e cortisol (Diagnostic
comportamentais foram
Products, Los Angeles, CA) em
comparados ao serem submetidos à
aparelho de radioimunoensaio
análise de dispersão de freqüência
(Gambyt Cr, Diagonostic Products,
por meio do teste de qui-quadrado.
Los Angeles, CA).
Quando os valores esperados foram
4.5. Incidência de cólica inferiores a 5 utilizou-se o Teste
Exato de Fischer.
Com intuito de verificar associações
As associações entre parâmetros
entre distúrbios hormonais, tipos de
hormonais, temperamentos, tipos
comportamento e temperamento
de comportamento e incidência de
com a incidência de cólica, as fichas
cólica foram avaliadas pelo Teste
clínicas dos 116 eqüinos foram
de Spearman. Associações entre
3
Frascos à vácuo sem anticoagulante. BD. Juiz
de Fora/MG.

38
cólica e ocorrência de
comportamentos anormais e ritmo
de cortisol, bem como seus fatores
de risco, também foram verificados
por meio do teste de qui-quadrado
seguido da Odds Ratio (razão de
vantagem). Para todas as análises,
considerou-se nível de significância
de P ≤ 0,05.
5. Resultados Já na Tabela 2, os resultados dos
exames físicos realizados nos
5.1. Animais e exame físico eqüinos dos 4 grupos analisados.
Também observou-se que as FC 1,
Na Tabela 1, estão representadas FC 2 e FR do grupo FLOR e a FC 2
as distribuições de sexo, idade, do grupo PAMP apresentaram
escore corporal e raça. Pôde-se valores superiores aos outros
observar que os animais do grupo grupos.
RCAT 2 apresentaram idade mais
avançada e escore corporal mais
elevado quando comparado aos
outros grupos.

Tabela 1. Dados referentes às distribuições de sexo, idade, escore corporal e


raça nos eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais
submetidos a estabulação total com atividades de patrulhamento urbano (RCAT
1); equoterapia e esportivas (RCAT 2); submetidos a estabulação parcial,
submetidos a atividade de patrulhamento urbano (PAMP) ou sem estabulação
(FLOR).
Idade Escore
Sexo (anos) Corporal Raça
Fêmeas Castrado Garanhão Mestiço BH MM
Número Médias Médias Número
RCAT 1
n= (31) 12 19 0 9,1b 3b 30 0 1
RCAT2
n= (27) 10 15 2 13,5a 3,4a 18 9 0
PAMP
n= (25) 9 15 1 10,24b 3,1b 24 0 1
FLOR
n= (33) 29 4 0 9,1b 2,6b 31 1 1
39
BH: Brasileiro de hipismo; MM: Mangalarga Marchador
trabalharam 26 dias no mês, com
duração de 40 minutos diários de
exercício em pista, alternando trote
e galope, e cinco dias em atividades
de salto. Outros seis animais de
equoterapia trabalharam ao passo
em pista de areia todos os dias de
09:00 às 12:00 ou de 14:00 às
17:00.

Tabela 2. Parâmetros fisiológicos dos eqüinos do Regimento de Cavalaria da


Polícia Militar de Minas Gerais submetidos à estabulação total com atividades
de patrulhamento urbano (RCAT 1); equoterapia e esportivas (RCAT 2);
submetidos à estabulação parcial com trabalho de patrulhamento urbano
(PAMP) ou sem estabulação (FLOR).

Parâmetros fisiológicos
0
FC 1 (bpm) FC 2 (bpm) FR (mrm) TPC (seg) TR C
b c b ab
RCAT 1 36,2 ± 4,0 38,0 ± 5,0 17,0 ± 3,5 1,9 ± 0,3 37,9 ± 0,3
b c b bc
RCAT 2 37,2 ± 4,5 36,5 ± 5,2 15,6 ± 4,3 2,0 ± 0,2 37,64 ± 0,4
ab b b a
PAMP 40,6 ± 5,7 41,84 ± 4,7 16,5 ± 5,0 1,9 ± 0,3 38,0 ± 0,5
a a a c
FLOR 43,0 ± 11,9 44,9 ± 7,1 20,2 ±- 5,9 2,0 ± 0,3 37,5 ± 0,6
FC1: freqüência cardíaca matutina e a FC2: freqüência cardíaca vespertina; FR: freqüência
respiratória; TPC: tempo de perfusão capilar; TR: temperatura retal
Médias seguidas de letras iguais não diferem entre si, P<0,05.

5.2. Tipo e intensidade de Havia também dois garanhões que


trabalho exerciam apenas atividades
reprodutivas.
No grupo RCAT 1, os animais
trabalharam em média (±DP) 18,5 ± No PAMP, 15 eqüinos trabalharam
8 dias no mês, sendo que um deles em média 21,5 ± 4,4 dias (de 19 a
não trabalhou nenhum e outro 30 dias) em patrulhamento urbano
trabalhou os 31 dias, sem folga. no período de 6:30h a 14:30h ou de
14:30h a 22:30h, enquanto que os
No RCAT 2 havia 19 animais de outros eqüinos permaneceram todo
hipismo sendo que todos o tempo em folga. Devido a esta

40
diferença, nas análises hormonais,
este grupo foi subdividido em dois:
serviço e folga.

No grupo FLOR os animais se


exercitaram naturalmente em
piquetes coletivos.

5.3. Avaliação etológica

Os resultados obtidos por meio dos O temperamento nervoso


questionários quanto ao apresentou-se mais freqüente no
temperamento dos eqüinos estão grupo RCAT 1, quando comparado
representados na Figura 6. com o grupo FLOR.

Observou-se que os As incidências de tipos de


temperamentos brincalhão e curioso comportamento normal e anormal
ocorreram com maior freqüência nos animais estabulados,
nos eqüinos do grupo FLOR quando considerando os grupos RCAT 1,
comparado aos outros grupos. Já o RCAT 2 e PAMP, estão
temperamento assustado, esteve representadas em conjunto na
mais presente nos eqüinos dos Tabela 3.
grupos RCAT 1 e PAMP.

Tabela 3. Incidência de tipos de comportamentos normais e comportamentos


anormais nos animais estabulados da PMMG.

Tipo de comportamento TOTAL ESTABULADOS


Normal Animais %
Distraído 12 14,5
Alerta em estação 79 95,2
Deitado 2 2,4
Focinho rente ao chão 4 4,8
Cavar 20 24,1
Relinchar 41 49,4
Bater na porta da baia 5 6,0
Subir no cocho 1 1,2
41
Distúrbios de comportamento
Morder a porta da baia 3 3,6
Tipos de temperamento
CURIOSO
BRINCALHÃO

Brincalhão Curioso
FLOR a FLOR a
Não Não

PAMP b PAMP b b

Grupos
Grupos
b

RCAT 2 b RCAT 2 b

RCAT 1 b RCAT 1 b b
0 10 20 30 40 0 10 20 30 40

Eqüinos Eqüinos

NERVOSO
ASSUSTADO

Nervoso
Assustado FLOR b
FLOR b Não
Não
a PAMP

Grupos
PAMP a
ab
Grupos

RCAT 2 b
RCAT 2 ab

RCAT 1 a RCAT 1 a

0 10 20 30 40 0 10 20 30 40
Eqüinos Eqüinos

Figura 6. Prevalência de tipos de temperamentos em eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia militar de Minas Gerais
submetidos à estabulação total com funções de patrulhamento urbano (RCAT 1); equoterapia e esportivas (RCAT 2); submetidos à
estabulação parcial com funções de patrulhamento urbano (PAMP) ou sem estabulação (FLOR). Médias seguidas de letras iguais
não diferem entre si, P<0,05.

42
Na Tabela 4 e nas Figuras 7, 8 e 9 Quando os comportamentos
foram feitas as comparações entre anormais foram analisados em
tipos de comportamentos conjunto nos grupos de eqüinos
observados de forma direta nos estabulados, foram encontradas
quatro grupos de eqüinos. diferenças significativas (Figura 10).
O total de comportamentos
Quanto aos comportamentos anormais nos eqüinos estabulados
normais, estação distraído esteve foi de 43% (36% estereotipias).
mais presente nos grupos PAMP e Observou-se maior ocorrência
FLOR quando comparado aos desses comportamentos no grupo
grupos RCAT 1 e RCAT 2. Estação PAMP quando comparado com os
alerta esteve mais freqüente em outros grupos.
RCAT 1 e FLOR quando
comparado a RCAT 2. Cavar
ocorreu em maior freqüência em
PAMP do que em FLOR. Focinho
rente ao chão esteve em maior
freqüência em RCAT 2 em
comparação ao RCAT 1. Relinchar
esteve mais freqüente em RCAT 1 e
RCAT 2 em comparação a PAMP e
FLOR. Bater na porta da baia
ocorreu em maior número em
PAMP quando comparado a RCAT
1 e FLOR.

Em relação aos comportamentos


anormais, foi detectada diferença
significativa para o comportamento
movimentos aleatórios na baia.
Esse esteve mais freqüente em
PAMP quando comparado aos
outros três grupos (Figura 9).

43
Tabela 4 - Incidência de tipos de comportamentos normais e anormais em eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia militar de
Minas Gerais submetidos à diferentes formas de estabulação e atividade.

Tipo de comportamento RCAT 1 RCAT 2 PAMPULHA FLORESTAL


Normal Animais % Animais % Animais % Animais %
c c ab a
Distraído 1 3,2 1 3,7 10 40,0 13 39,4
Alerta em estação 31 100 a 23 85,2 b 25 100 ab 33 100 a
Deitado 0 0,0 1 3,7 1 4,0 0 0,0
b a ab ab
Focinho rente ao chão 0 0,0 4 14,8 0 0,0 1 3,0
ab ab a b
Cavar 6 19,4 5 18,5 9 36,0 1 3,0
a a b c
Relinchar 18 58,1 16 59,3 7 28,0 0 0,0
b ab a b
Bater na porta da baia 0 0,0 0 0,0 5 20,0 0 0,0
Escoicear a baia 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0
Subir no cocho 1 3,2 0 0,0 0 0,0 0 0,0
Morder outro animal 0 0,0 0 0,0 0 0,0 3 9,1
Distúrbios de comportamento
Morder a porta da baia 1 3,2 2 7,4 0 0,0 0 0,0
Coprofagia 2 6,5 2 7,4 4 16,0 0 0,0
Lambedura de cochos 0 0,0 0 0,0 3 12,0 0 0,0
Aerofagia 2 6,5 1 3,7 0 0,0 0 0,0
Movimentos repetidos de cabeça 2 6,5 5 18,5 2 8,0 0 0,0
Dança de Lobo 0 0,0 1 3,7 0 0,0 0 0,0
b b a b
Movimentos aleatórios na baia 3 9,7 2 7,4 10 40,0 0 0,0

RCAT 1 - estabulação total com atividades de patrulhamento urbano. RCAT 2 - estabulação total com atividades esportivas e de equoterapia e PAMP -
estabulação parcial com atividade de patrulhamento urbano em folga (Folga) e em serviço (Serviço). FLOR – animais sem trabalho e estabulação. Médias
seguidas da mesma letra não diferem entre si (P<0,05).

44
Comportamentos normais
DISTRAÍDO FOCINHO RENTE AO CHÃO

POSITIVO POSITIVO
FLOR a FLOR ab
NEGATIVO NEGATIVO

PAMP ab PAMP ab

Grupos
Grupos

RCAT 2 c RCAT 2 a

RCAT 1 c RCAT 1 b

0 10 20 30 40 0 10 20 30 40

Eqüinos Eqüinos

ALERTA CAVAR

POSITIVO POSITIVO
FLOR a FLOR b
NEGATIVO NEGATIVO

ab PAMP a
Grupos
PAMP
Grupos

RCAT 2 b RCAT 2 ab

RCAT 1 a RCAT 1 ab

0 10 20 30 40 0 10 20 30 40

Eqüinos Eqüinos

BATER NA PORTA DA BAIA RELINCHAR

POSITIVO POSITIVO
FLOR b
FLOR c NEGATIVO
NEGATIVO
PAMP b
Grupos

PAMP a
Grupos

RCAT 2 ab
RCAT 2 a

RCAT 1 a
RCAT 1 b
0 10 20 30 40
0 10 20 30 40
Eqüinos
Eqüinos

Figura 7. Tipos de comportamentos normais durante observação etológica em eqüinos do


Regimento de Cavalaria da Polícia militar de Minas Gerais submetidos à estabulação total
com função de patrulhamento urbano (RCAT 1) ou equoterapia e esportivas (RCAT 2) ou
submetidos à estabulação parcial com função de patrulhamento urbano (PAMP) ou sem
estabulação (FLOR). Médias seguidas de letras iguais não diferem entre si, P<0,05.

45
MOVIMENTOS ALEATÓRIOS NA BAIA

POSITIVO
FLOR b NEGATIVO

PAMP a
Grupos
RCAT 2 b

RCAT 1 b
0 10 20 30 40

Eqüinos

Figura 8. Incidência de comportamentos anormais em eqüinos do Regimento


de Cavalaria da Polícia militar de Minas Gerais submetidos à estabulação total
com atividades de patrulhamento urbano (RCAT 1) ou equoterapia e esportivas
(RCAT 2) ou submetidos à estabulação parcial com atividade de patrulhamento
urbano (PAMP) ou sem estabulação (FLOR). Médias seguidas de letras iguais
não diferem entre si, P<0,05.

TOTAL DE DISTÚRBIOS

POSITIVO
FLOR b NEGATIVO

PAMP a
Grupos

RCAT 2 b

RCAT 1 b
0 10 20 30 40

Eqüinos

Figura 9. Total de comportamentos anormais em eqüinos do Regimento de


Cavalaria da Polícia militar de Minas Gerais submetidos à estabulação total
com atividades de patrulhamento urbano (RCAT 1) ou equoterapia e esportivas
(RCAT 2) ou submetidos à estabulação parcial com atividade de patrulhamento
urbano (PAMP) ou sem estabulação (FLOR). Médias seguidas de letras iguais
não diferem entre si, P<0,05.

46
Os resultados das observações dos
comportamentos normais e
comportamentos anormais em
relação ao período de observação
estão descritos na tabela 5 e nas
figuras 10, 11 e 12.

Os comportamentos de estação
alerta, relinchar e cavar ocorreram
com maior freqüência antes do
fornecimento do concentrado (AC)
quando comparado aos outros
períodos de alimentação. Já o
comportamento focinho rente ao
chão teve maior ocorrência no
intervalo das alimentações (IA), em
comparação aos outros períodos de
trato.

O comportamento de coprofagia
ocorreu com maior freqüência em IA
em relação a antes da forragem
(AF). Movimentos aleatórios na baia
e movimentos repetitivos de cabeça
tiveram maior ocorrência em AC
quando comparado a AF e IA.

47
Tabela 5. Incidência de tipos de comportamentos observados em relação ao momento de observação: antes dos fornecimentos de
alimento concentrado (AC) e de alimento volumoso (AF) e no intervalo das alimentações (IA) em eqüinos do Regimento de
Cavalaria da Polícia militar de Minas Gerais. Médias seguidas de letras iguais não diferem entre si, P<0,05.

Tipo de comportamento Período da observação


Normais Antes do concentrado Antes da forragem Intervalo entre as alimentações Total
a b c
Estação e alerta % 48,7 30,3 20,9 100,0
número 151 94 65 310
a b c
Relinchar % 69,4 30,6 0 100,0
número 43 19 0 62
a b c
Cavar % 61,5 33,3 5,1 100,0
número 24 13 2 39
Focinho rente ao chão % 0b 0b 100 a 100,0
número 0 0 4 4
Anormais Antes do concentrado Antes da forragem Intervalo entre as alimentações Total
a b b
Mov. Aleatórios na baia % 75 10 15 100,0
número 15 2 3 20
Aerofagia % 30,0 30,0 40,0 100,0
número 3 3 4 10
ab b a
Coprofagia % 23,1 15,4 61,5 100,0
número 3 2 8 13
a b b
Mov. Repetidos de cabeça % 83,3 16,7 0 100,0
número 10 2 0 12
Roer madeira (morde baia) % 45,5 45,5 9,1 100,0
número 5 5 1 11
Dança de lobo % 75,0 25,0 0,0 100,0
número 3 1 0 4
Agressividade com outros animais % 20,0 60,0 20,0 100,0
número 1 3 1 5

48
Comportamentos normais

Figura 10. Incidência de observações dos tipos de comportamentos normais totais em relação aos momentos de observação:
antes dos fornecimentos de alimento concentrado (AC) e de alimento volumoso (AF) e no intervalo das alimentações (IA) em
eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia militar de Minas Gerais. Médias seguidas de letras iguais não diferem entre si,
P<0,05.

49
Comportamentos anormais

Figura 11. Incidência de observações de tipos de comportamentos anormais de acordo com os momentos de observação: antes
dos fornecimentos de alimento concentrado (AC) e de alimento volumoso (AF) e no intervalo das alimentações (IA) em eqüinos do
Regimento de Cavalaria da Polícia militar de Minas Gerais. Médias seguidas de letras iguais não diferem entre si, P<0,05.

50
Figura 12. Incidência de observações de tipos de comportamentos anormais de acordo com os momentos de observação: antes
dos fornecimentos de alimento concentrado (AC) e de alimento volumoso (AF) e no intervalo das alimentações (IA) em eqüinos do
Regimento de Cavalaria da Polícia militar de Minas Gerais.

51
5.4. Avaliação endocrinológica comparados ao grupo FLOR. Houve
diferença entre as concentrações
Em função dos resultados sobre a séricas de cortisol matutino e
carga de trabalho, que vespertino, sendo este inferior.
demonstraram que no grupo PAMP
havia metade dos animais em folga O ritmo de cortisol (razão entre as
no mês em que foram realizadas as concentrações séricas diárias de
observações, para as avaliações cortisol: maior/menor) encontra-se
hormonais, os animais do grupo na Tabela 7. Esse ritmo apresentou
PAMP foram subdivididos em dois maior variação no grupo FLOR
grupos: folga e serviço. quando comparado aos grupos
RCAT 1, RCAT 2 e PAMP.
As concentrações séricas dos
hormônios TT4, insulina e cortisol Constatado que o grupo FLOR foi
dos grupos RCAT 1, RCAT 2, diferente de pelo menos um dos
PAMP (Folga e Serviço) e FLOR outros grupos em quase todas as
encontram-se descritos na Tabela 6 análises hormonais e que o grupo
e na Figura 13. As concentrações FLOR era constituído
séricas de TT4 matutinas e majoritariamente de fêmeas, foram
vespertinas se encontraram mais realizadas, em forma de
elevadas nos grupos RCAT 1, amostragem, testes t de Student
RCAT 2 e PAMP Serviço em comparando as concentrações
comparação ao grupo FLOR. séricas de hormônios entre machos
e fêmeas em um mesmo grupo.
As concentrações séricas de Verificou-se assim que em nenhum
insulina matutinas no grupo PAMP dos casos houve diferenças
Total apresentaram-se mais estatística entre sexos: cortisol
elevadas quando comparadas aos manhã do RCAT 1 (P=0,90),
outros grupos. As concentrações insulina manhã do RCAT 2 (P=0,61)
séricas de cortisol matutinas e e TT4 da tarde em PAMP (P=0,19).
vespertinas estiveram mais
elevadas nos grupos RCAT 1,
RCAT 2 e PAMP, em especial os
animais do grupo Serviço quando

52
Tabela 6 – Concentrações séricas (Média ± EPM) de TT4, insulina e cortisol em eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia
militar de Minas Gerais submetidos à estabulação total com atividade de patrulhamento urbano (RCAT 1) ou de equoterapia e
esportivas (RCAT 2) ou submetidos à estabulação parcial com atividade de patrulhamento urbano (PAMP) em folga (Folga) e em
serviço (Serviço) ou sem estabulação (FLOR). Médias seguidas de letras iguais não diferem entre si, P<0,05.

GRUPOS T4 (ng/ml) Insulina (µIU per ml) Cortisol (ng/ml)


Manhã Tarde Manhã Tarde Manhã Tarde
a a c a a
RCAT 1 24,13 ± 6,40 25,01 ± 5,07 4,18 ± 5,07 4,81± 8,90 93,62± 25,71 84,89 ± 27,85
ab b c bc b
RCAT 2 22,34± 4,55 20,60 ± 3,38 6,79 ± 8,84 4,38 ± 5,41 75,84 ± 16,19 62,35 ± 16,60
cd cd b bc b
PAMP 14,04 ± 7,05 13,72 ± 5,77 12,91 ± 13,97 5,02 ± 4,28 70,46 ± 23,32 61,95 ± 21,52
d d bc c b
Folga 11,03 ± 4,92 10,17 ± 3,34 6,84 ± 11,71 3,98 ± 4,06 60,02 ± 19,23 52,68 ± 20,16
bc bc a ab ab
Serviço 17,29 ± 7,73 17,6 ± 5,70 19,48 ± 13,62 6,13 ± 4,59 81,77 ± 22,68 71,98 ± 19,94
bc c c d c
FLOR 17,22± 6,10 15,65 ± 6,90 1,98 ± 1,86 2,14 ± 1,61 33,93 ± 13,43 29,46 ± 15,30

53
T4 Manhã Insulina Manhã Cortisol Manhã
a
30 a* 100
a 25 ab
ab* bc*
20
bc*
bc b* 75 c
20 bc*
cd

miliUI/L

ng/mL
ng/mL
15
d bc 50
c d
10
10 c
25
5 c
0 0 0
RCAT 1 RCAT 2 Total Folga Serviço FLOR RCAT 1 RCAT 2 Total Folga Serviço FLOR RCAT 1 RCAT 2 Total Folga Serviço FLOR

PAMP PAMP PAMP

T4 Tarde Insulina Tarde Cortisol Tarde


30 a 17.5 100 a
15.0 ab
b*
bc 12.5 75 b*
20 c* b*
b

miliUI/L
ng/mL

cd 10.0

ng/mL
d 7.5
* 50
10
* c
5.0
25
2.5
0 0.0
RCAT 1 RCAT 2 Total Folga Serviço FLOR 0
RCAT 1 RCAT 2 Total Folga Serviço FLOR RCAT 1 RCAT 2 Total Folga Serviço FLOR

PAMP PAMP PAMP

Figura 13. Concentrações séricas (Média ± EPM) de TT4 (ng/ml), insulina (µUI/ml) e cortisol (ng/ml) em eqüinos do Regimento de
Cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais submetidos à estabulação total com atividades de patrulhamento urbano (RCAT 1) ou
equoterapia e esportivas (RCAT 2) ou submetidos à estabulação parcial com atividade de patrulhamento urbano (PAMP), em folga
(Folga) e em serviço (Serviço) ou sem estabulação (FLOR). Médias seguidas de letras iguais não diferem entre si (P<0,05).
Médias seguidas de * apresentam diferenças significativas entre as coletas matutinas e vespertinas.

54
Tabela 7. Ritmo de cortisol (razão entre as concentrações séricas diárias de
cortisol: maior/menor) em eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar
de Minas Gerais submetidos a diferentes formas de estabulação e trabalho.
Médias seguidas de letras iguais não diferem entre si, P<0,05.

R itm o d e c o r tis o l
G ru p o s M é d ia DP
RCAT 1 0 ,2 2 b 0 ,1 4
RCAT 2 0 ,2 6 b 0 ,1 6
T o ta l 0 ,2 0 b 0 ,1 3
PAM P F o lg a 0 ,2 3 b 0 ,1 6
S e rv iç o 0 ,1 8 b 0 ,1 0
FLO R 0 ,3 5 a 0 ,1 8

5.5. Incidência de cólica nos eqüinos dos quatro grupos


estão descritas na Tabela 8 e no
As ocorrências de episódios de Figura 14.
cólica bem como as suas causas

Tabela 8. Ocorrências de quadros de cólica de acordo com suas causas em


eqüinos do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar de Minas Gerais
submetidos à diferentes formas de manejo.

Episódios RCAT 1 RCAT 2 PAMP FLOR TOTAL


Timpanismo 1 1 1 0
Dilatação gástrica 4 9 5 0
Sem causa 11 6 8 2
Gastrite 13 8 18 3
Encarceramento nefroesplenico 0 1 0 0
Compactação 0 2 9 1
Enterite anterior 0 0 1 0
Colite 0 0 1 0
Deslocamento de ceco 1 0 0 0
Espasmódica 1 0 0 0
Total 31 27 43 6 107
Incidência de cólica
Positivo
FLOR b
Negativo

PAMP a
Grupos

RCAT 2 a

RCAT 1 a

0 10 20 30 40
Eqüinos

Figura 14. Incidência de eqüinos em Regimento de Cavalaria da Polícia Militar


de Minas Gerais com cólica submetidos à estabulação total com atividades de
patrulhamento urbano RCAT1 ou equoterapia e esportivas RCAT 2 ou
submetidos à estabulação parcial com atividade de patrulhamento urbano
PAMP ou sem estabulação FLOR . Colunas seguidas de letras iguais não
diferem entre si (P < 0,01.)

Observa-se que o total de episódios principal causa de cólica dentre


de cólica foi de 107 episódios em todas as ocorrências.
um total de 116 animais durante o
período de um ano. 5.6. Interação entre etologia,
endocrinologia e episódios
Pode-se observar que os animais de cólica
do grupo FLOR apresentaram
menor incidência de cólica quando As correlações significativas entre
comparada aos animais dos grupos concentrações séricas de cortisol,
RCAT 1, RCAT 2 e PAMP. De temperamentos, comportamentos
acordo com o diagnóstico clínico da anormais e ocorrências de
junta veterinária, a gastrite foi a episódios de cólica estão
representadas na Tabela 9. Existiu

56
correlação positiva entre cólica e estereotipias e movimentos
cortisol manhã, cortisol tarde, aleatórios.

Tabela 9. Correlações significativas entre concentrações séricas de cortisol,


temperamentos, comportamentos anormais e ocorrências de cólica em eqüinos
do Regimento de Cavalaria da Polícia militar de Minas Gerais submetidos à
diferentes formas de estabulação e atividade de trabalho.

Associações Coeficiente de Spearman P


Cólica X Cortisol manhã 0,24 0,0078
Cólica X Cortisol tarde 0,18 0,0520
Cólica X Estereotipias 0,29 0,0014
Cólica X Mov. aleatorios na baia 0,21 0,0207
Cólicas X Ritmo de Cortisol -0,20 0,0312
Cortisol manhã X Temperamento nervoso 0,21 0,0212
Cortisol manhã X Temperamento assustado 0,30 0,0010
Cortisol manhã X Estereotipias 0,23 0,0107
Cortisol manhã X Mov. Repetidos de cabeça 0,22 0,0174
Cortisol tarde X Temperamento nervoso 0,18 0,0522
Cortisol tarde X Temperamento assustado 0,33 0,0002

Correlação também positiva entre 95% 1,52 a 11,44, P = 0,0016) e


cortisol manhã e temperamento que apresentam movimentos
nervoso, assustado, estereotipias e aleatórios na baia têm 3,58 mais
movimentos repetidos de cabeça. chances de ter episódios de cólica
Cortisol da tarde e temperamentos (odds igual a 3,58 – IC 95% 1,03 a
nervoso e assustado também se 14,07, P = 0,02). Também foi
correlacionaram de forma positiva. verificado que eqüinos com ritmo de
cortisol alterado (< 0,30) têm 2,3
Por meio do teste de qui-quadrado, mais chances de ter episódios de
pôde-se revelar a associação entre cólica (odds igual a 2,3 – IC 95%
presença de comportamentos 1,04 a 5,13, P = 0,03) quando
anormais, de movimentos aleatórios comparado com animais com ritmo
na baia e ritmo de cortisol com a de cortisol normal.
ocorrência de cólica. Os eqüinos
com comportamentos anormais têm 6. Discussão
4,08 mais chances de ter episódios
de cólica (odds igual a 4,08 - IC 6.1. Uniformidade da amostra
Os 116 eqüinos foram recrutados corporal, possivelmente em
aleatoriamente na tentativa de decorrência do tipo de criação
preservar a uniformidade da extensiva a que são submetidos,
amostra. No entanto, o grupo RCAT onde estão em constante
2 apresentou eqüinos com idade movimentação nos piquetes. O
mais avançada quando comparado grupo FLOR foi constituído
aos outros grupos. Isso ocorreu majoritariamente de fêmeas, fato
possivelmente porque os animais explicado pela atividade de
desse grupo são utilizados reprodução realizada na unidade de
exclusivamente para funções Florestal. O possível efeito deste
internas da Cavalaria. Esse fator fato sobre as dosagens hormonais
implica em reduzida necessidade de não foi verificado, conforme será
substituição dos animais, discutido no item avaliação
diferentemente do que ocorre nos endocrinológica.
grupos RCAT 1, PAMP e FLOR,
permitindo assim que eles sejam 6.2. Exame físico
utilizados por mais tempo.
Embora a determinação da
Embora os escores corporais dos freqüência cardíaca de forma
animais sejam controlados a cada isolada não reflita a real situação de
dois meses a fim de manter em 3, estresse crônico nos animais, ela
em uma escada de 1 a 5 (Speirs, serve para identificar os efeitos da
1997), o grupo RCAT 2 apresentou ativação do sistema nervoso
animais com escore corporal mais autônomo, como taquicardia
elevado. Esse fato pode ser (Guyton e Hall, 2006). Isso se fez
explicado pela atividade de menor importante para se controlar,
intensidade e duração a que estão principalmente na hora da colheita,
submetidos. Além disso, a os efeitos do estresse agudo da
diminuição do metabolismo basal manipulação.
em decorrência do avançar da
idade também pode influenciar Em relação aos parâmetros do
nesse aumento de peso (Campos et exame físico, a FC 1 e FC 2
al., 2000). Já o grupo FLOR estiveram dentro dos valores de
apresentou o menor escore referência (30-40 bpm) (Speirs,

58
1997), com exceção do grupo FLOR concentrações de cortisol
que apresentou valores superiores verificadas em outros grupos se
para as duas mensurações e o referem realmente a condições
grupo PAMP que teve a FC 2 mais crônicas.
elevada. Já a FR esteve dentro dos
valores de referência (10-40 mrm) A temperatura basal e o TPC dos
(Colahan et al., 1999), sendo a do eqüinos avaliados estiveram de
grupo FLOR a mais elevada quando acordo com os valores de referência
comparada às dos outros grupos. 38,0 ±1,0ºC e 1-2 segundos
Esses aumentos de FC e FR no respectivamente (Speirs, 1997),
grupo FLOR podem ser justificados diferenças pequenas entre grupos
pelo menor contato desses animais poderiam ser explicadas por
com pessoas, desencadeando uma diferenças de idade ou temperatura
maior ativação do sistema nervoso do dia do exame.
autônomo com liberação de
catecolaminas no momento do 6.3. Atividade física
exame. Esses resultados clínicos
demonstram que este grupo foi De acordo com a programação da
mais afetado pelo estresse agudo própria Cavalaria, os animais
durante a colheita de sangue deveriam folgar juntamente com o
quando comparado com os outros militar responsável, ou seja, a cada
grupos. dois dias de trabalho. No entanto,
pôde-se observar que vários
Apesar dessa maior interferência eqüinos, dentro de um período de
nos parâmetros clínicos, esse grupo 31 dias, trabalharam mais dias que
foi o que apresentou menores níveis o estipulado. No grupo RCAT 1, a
sanguíneos de cortisol. Esse média (±DP) de trabalho em 31 dias
achado indica que a resposta de foi de18,5 ± 8 dias, correspondendo
estresse agudo promovida pela a menos de uma folga para cada
colheita de sangue não interferiu dia de trabalho. Além disso, alguns
nos níveis de cortisol circulantes no animais chegaram a trabalhar os 31
ato da colheita, demonstrando que dias do mês de dezembro,
a metodologia de colheita foi enquanto outros ficaram presos em
adequada e que as alterações nas

59
suas baias durante o mesmo concentrações séricas de cortisol
período. nos grupos RCAT 1 e RCAT 2. Já
no grupo PAMP observou-se
Dessa forma, pode-se observar no significância estatística (P=0,018)
grupo RCAT 1, uma sobrecarga de entre os animais em Folga e os em
trabalho em alguns animais e falta Serviço. Além disso, os animais do
de atividade física em outros. Isso grupo PAMP Serviço apresentaram
possivelmente possa ter ocorrido uma menor variação do ritmo de
porque os animais que estavam cortisol (0,18). Em situações de
recém domados se tornavam mais estresse crônico, podem-se
perigosos durante o patrulhamento, observar alterações no ritmo
sendo substituídos por animais mais circadiano de cortisol (Douglas
experientes. No entanto, excesso 2000; Jong 2000; Mostl e Palme,
ou ausência de trabalho pode ser 2002) causando menor variação (<
maléfico para os eqüinos, já que o 0.30) entre as duas colheitas
primeiro pode desencadear (Douglas, 2000). Isso possivelmente
afecções ortopédicas e tenha ocorrido pelo fato de que
compressões na região da cernelha animais sob atividade de
e o segundo pode gerar altos níveis patrulhamento urbano estejam sob
de estresse devido à estabulação situação de estresse crônico
total, aumentando a incidência de quando comparados a animais que
comportamentos anormais não realizam essa função.
(Rezende et al., 2006).
Uma alternativa para minimizar
Já no grupo RCAT 2, os animais essas discrepâncias de intensidade
praticamente não tiveram folgas, de trabalho nos eqüinos seria o
contudo o trabalho era de menor adestramento precoce dos animais
intensidade. No grupo PAMP, os que serão utilizados para
resultados revelaram que quase substituição no grupo RCAT 1,
metade dos animais permaneceu de facilitando a saída com segurança
folga no mês da colheita de dados. desses animais para o
patrulhamento. No grupo RCAT 2, o
Não houve significância estatística aumento do número de animais
entre dias de trabalho e as destinados a equoterapia pode

60
permitir maior revezamento entre anormais (Cabib, 1993 citado por
eles. Mills et al., 2002).

6.4. Avaliação etológica A ocorrência de um maior número


de animais com temperamento
A incidência total de brincalhão e curioso no grupo FLOR
comportamentos anormais nos pode ser explicado pelo ambiente
eqüinos estabulados foi de 43%, em que os animais vivem, em
apresentando-se superior às regime de pasto, permitindo
variações de 7 a 30% descrita por socialização com outros animais e
Johnson et al. (1998) e de 5 a 20% com o próprio ambiente (Mills et al.,
descrita por Mills e Nankervis 2005). Os eqüinos são animais que
(2005) em eqüinos estabulados, no apresentam esses tipos de
entanto os valores do presente temperamento desde o nascimento,
trabalho estiveram mais próximos fazendo parte do desenvolvimento
aos encontrados por Vieira (2006), do comportamento normal (Mills e
37%, em trabalho realizado em Nankervis, 2005). Esse contexto
eqüinos de Cavalaria no Distrito ambiental e comportamental sugere
Federal e ao valor de 32,5% uma situação de bem-estar bom
descrito por McGreevy et al. (1995) nos eqüinos do grupo FLOR, onde
em eqüinos de adestramento são livres para expressar seu
estabulados. Essa ocorrência de comportamento normal.
comportamentos anormais nos
animais do presente estudo pode A ocorrência de maior número de
ser justificada pela situação de animais com temperamento
estresse crônico a que os animais assustado em RCAT 1 e PAMP
estabulados estão submetidos, pode ser justificada pelo tipo de
desencadeando frustração e atividade a que estão submetidos.
ansiedade. Além disso, o estresse Situações de estresse e acidentes
crônico reduz o limiar de com veículos fazem parte da rotina
sensibilidade dos receptores dos eqüinos de patrulhamento
dopaminérgicos, predispondo a (Houpt, 2000). Esta atividade
ocorrência de comportamentos predispõe os eqüinos a situações
atípicas à sua natureza, como por

61
exemplo, convívio com ônibus, com A utilização de questionários é o
carros, com barulho e com multidão, método mais utilizado para
predispondo o animal a esse tipo de avaliação do temperamento de um
reações. animal, porém apresenta o
inconveniente de ser subjetivo
Assim como a equoterapia envolve (Momozawa et al., 2003). No
contato com pessoas com presente estudo, embora uma única
necessidades especiais, o hipismo pessoa tenha fornecido sua
requer pleno controle do animal impressão a cerca de cada animal,
(Romaszkan e Junqueira, 1986), os resultados encontrados foram
sendo necessário o uso de animais condizentes com as hipóteses
mais tranqüilos e tolerantes, como inicias e com a literatura. Isso
foi observado nos animais do grupo demonstra que a utilização de
RCAT 2 (Anderson et al., 1999). questionário para avaliação do
temperamento de um animal foi de
Em relação ao temperamento grande relevância.
nervoso, houve uma maior
ocorrência de animais nervosos no O ambiente do grupo PAMP devido
RCAT 1 quando comparado ao às instalações proporcionou dois
FLOR e pode ser justificada pela tipos de comportamentos distintos
diferença manejo entre os grupos. nos eqüinos: maior ocorrência de
O temperamento nervoso pode ser estação distraído e de cavar. Alguns
influenciado pela presença de eqüinos devido a impossibilidade de
inúmeros fatores estressantes visualização externa passaram a
verificados em RCAT 1 como maior parte do tempo em estação
patrulhamento urbano (Houpt, distraído, possivelmente pela
2000), falta de socialização com ausência de interação com o meio
outros animais (McGreevy, 2004) e ao seu redor. Por outro lado, outros
ausência de cama na baia eqüinos apresentaram
(Rezende et al., 2006), não sendo comportamento de cavar como
observados em FLOR, pois esses resposta a essa mesma situação,
animais não se apresentavam em demonstrando a variação individual
regime de estabulação. dos animais perante situações
semelhantes. Os animais do grupo

62
FLOR por estarem em seu observação, os comportamentos
ambiente natural apresentaram estação alerta, cavar e relinchar
maior ocorrência do comportamento foram mais freqüentes antecedendo
estação distraído. Na natureza, os o fornecimento do concentrado (AC)
eqüinos passam cerca de 20% do devido à palatabilidade da ração
seu tempo em estação (McGreevy, (Bachmann et al., 2003). A ração
2004). quando comparada com o volumoso
é mais palatável e saborosa,
Estação alerta esteve mais desencadeando maior interesse dos
freqüente em RCAT 1 e FLOR. No animais na hora de seu
primeiro grupo, isso possivelmente fornecimento.
ocorreu devido a constante
movimentação de animais e A maior freqüência do
pessoas no pátio, chamando a comportamento focinho rente ao
atenção dos animais. Já nos chão no grupo RCAT 2 pode ser
eqüinos do grupo FLOR, pode-se justificado pela presença de cama
explicar possivelmente pelo fato de nas baias, estimulando o animal a
que no ambiente onde esses procurar os restos alimentares
animais vivem, a presença da entremeados na serragem. Esse
pesquisadora durante a observação comportamento teve maior
comportamental pode ter tido ocorrência nos intervalos das
significado de fornecimento de alimentações (IA). Em seu ambiente
alimentação, despertando a atenção natural, os eqüinos passam várias
dos eqüinos. horas do dia se alimentando (Mills e
Nankervis, 2005). No entanto, no
Relinchar esteve mais freqüente em ambiente de estabulação esse
RCAT 1 e RCAT 2 possivelmente comportamento se torna
pelo tipo de instalações, que “dissociado” e o animal passa a
permitem maior visualização dos ingerir alimentos atípicos à sua
outros eqüinos, facilitando a alimentação (Appleby, 1997).
comunicação entre eles.
O comportamento de bater na porta
Em relação à observação de da baia esteve mais freqüente no
comportamento e o período dessa grupo PAMP possivelmente devido

63
às instalações que não permitiam a de espaço, poderia gerar maior
visualização do ambiente externo. inquietação, desencadeando maior
Esse tipo de comportamento ocorrência de movimentos
redirecionado reflete a insatisfação aleatórios dentro das baias.
do animal em estar longe de seu McGreevy (2004) relata a
alimento (McGreevy, 2004). Os necessidade dos eqüinos em
animais ao ouvirem a realizar movimentação nas baias
movimentação dos cavalariços na por fazer parte de um
hora da alimentação não podiam comportamento cinético natural. A
visualizar o alimento, demonstrando imposição física em decorrência do
sua insatisfação com o tamanho reduzido das baias inibe
comportamento de bater na porta essa locomoção espontânea. No
da baia. entanto, ela mesmo assim ocorre,
tornando-se posteriormente um
Quanto aos comportamentos comportamento repetitivo. Além
anormais, a porcentagem de disso, Houpt (1993) relata que esse
ocorrência de movimentos tipo de comportamento pode
aleatórios na baia (18,1%) esteve influenciar na condição física e no
superior à relatada na literatura: 3% desempenho do animal, embora no
(Mills et al., 2005), 1,1% (McGreevy, presente trabalho não tenha sido
2004), 0,51% (Rezende et al., 2006) realizado acompanhamento mais
e 0,25% (Vieira, 2006). Esse valor prolongado dos animais.
foi influenciado pela maior
porcentagem de ocorrência nos Algumas medidas podem ser
eqüinos do grupo PAMP (40%). A sugeridas para que esses
maior ocorrência desse tipo de comportamentos anormais sejam
comportamento nesse grupo pode minimizados, como por exemplo, o
ter sido influenciada por dois aumento de forragem na
fatores: pelas instalações, que alimentação (Houpt, 1993; Mills et
impossibilitavam a visualização e a al., 2005), a reformulação das
socialização entre os animais e o instalações, permitindo maior
fato dos eqüinos passarem parte do contato visual e socialização.
dia em liberdade e ao serem
colocados em locais com restrição

64
A porcentagem total de ocorrência um caráter lúdico, gratificante e
de coprofagia nesse estudo (9,6%) auto-reforçador (Lantzman, 2000;
foi maior em comparação a 0,73% Lardy e Poland, 2001; McGreevy,
relatado por Rezende et al. (2006), 2004). Pode-se observar que a
em eqüinos estabulados do exército coprofagia ocorreu com maior
de Brasília e menor em relação a freqüência nos intervalos das
80% (Alves et al., 2004) nos alimentações, possivelmente devido
mesmos eqüinos do presente à força do hábito de pastejo dos
estudo. Possíveis justificativas para eqüinos e por busca por alimento.
essa discrepância entre resultados Uma forma de diminuir esse
são o tempo e o número de comportamento é permitir mais
observações utilizadas nos estudos, opções de socialização entre eles,
no primeiro a observação foi além de incrementar a limpeza das
realizada no período noturno, os baias, não permitindo que as fezes
animais avaliados não foram os fiquem à disposição dos animais.
mesmos, o esquema de
alimentação era diferenciado onde A porcentagem total de ocorrência
não havia fornecimento de feno ou de movimentos repetidos de cabeça
ração a cada duas horas. (10,8%) esteve superior a estudos
realizados anteriormente 8,3%
Considerando que a alimentação (Alves et al., 2004) e superior a
fornecida aos animais seja de boa 1,37% em eqüinos de exército
qualidade e quantidade, a (Rezende et al., 2006). Esse
deficiência de proteína e fibras na comportamento ocorreu em maior
dieta deve ser descartada como freqüência nesse estudo,
fator de predisposição à coprofagia antecedendo o fornecimento do
nesses animais (Crowell-Davis e concentrado conforme relataram
Houpt, 1985). Portanto, uma Mills et al. (2005). Esse fato pode
possível explicação para a ser justificado devido à alta
ocorrência desse comportamento palatabilidade da ração, além do
anormal seria o estresse crônico e o estímulo a liberação de opióides
tédio (Goloubeff, 1993), fatores que endógenos (Bachmann et al., 2003).
desencadearia ansiedade e O aumento de opióides endógenos,
frustração, onde as fezes adquirem especificamente a β-endorfina ativa

65
as vias dopaminérgicas estimulando (McGreevy, 2004) e e inferior a
a realização das estereotipias 8,35% (Vieira, 2006). Essa
(Gillham et al., 1994). estereotipia está ligada à restrição
de comportamentos de origem oral,
Outro fator que poderia estar como por exemplo, ausência de
envolvido nas taxas elevadas de pastejo em eqüinos estabulados
movimentos repetidos de cabeça (McGreevy, 2004). Nesses casos, o
neste estudo seria o consumo de fornecimento fracionado do
proteínas. Dodman et al. (1994) volumoso em quantidade adequada
demonstraram que cães tende a diminuir a ocorrência desse
alimentados com baixas comportamento (Mills et al., 2005).
concentrações de proteína No entanto, a menor taxa de
reduziram a ocorrência de aerofagia nesse estudo já pode ser
comportamentos anormais, como explicada pelo fracionamento da
agressividade. A baixa quantidade alimentação instituída nesse plantel.
de proteína estimula a formação de O comportamento dança de lobo ou
serotonina por aumentar a síndrome de urso pôde ser
passagem de L-triptofano pela observado em 1,2% dos animais
barreira hematoencefálica. A estabulados, valor inferior ao
serotonina é conhecida por diminuir encontrado por Vieira (2006), 4,91%
comportamentos anormais e 2,8% (McGreevy, 2004), no
(Dodman et al., 1994; Gillham, entanto semelhante ao 1,4% (Alves
1994). No entanto, a porcentagem et al., 2004).
de proteína na alimentação dos
animais do presente estudo Quando todos os comportamentos
corresponde a 15%, quantidade anormais foram analisados em
suficiente para que exerçam sua conjunto, o grupo PAMP apresentou
função adequadamente, portanto maior ocorrência em comparação
não seria ideal alterá-la. aos outros grupos. Isso pode ser
justificado possivelmente por dois
A porcentagem total de aerofagia fatores: o fato dos animais terem
nesse estudo (3,6%) esteve maior chance de se socializarem
semelhante quando comparada aos quando em liberdade
dados da literatura: 4,2% desencadearia maior agitação

66
associado às instalações com baias sistema de aparato suspensório dos
fechadas sem possibilidade de membros, eles necessitam de um
contato visual ou físico. Essa tempo em decúbito para a
agitação seria um reflexo de um realização do sono REM (Rapid Eye
possível quadro de ansiedade e Movement). Este só ocorre quando
frustração desencadeando maior o animal estiver deitado, já que
ocorrência de comportamentos essa postura proporciona um
anormais. relaxamento total da musculatura
(Houpt, 2000). Em ratos, a privação
Na comparação entre grupos, do sono REM, gera distúrbios
apesar de diferença estatística na cerebrais como apoptose neuronal,
incidência de comportamentos queda na aquisição de memória
anormais terem sido encontradas espacial e maturação dos neurônios
apenas entre os grupos PAMP e (Biswas et al., 2006); além de
FLOR, é importante destacar que comportamentos anormais em
no grupo FLOR, onde os eqüinos decorrência de alterações de
são criados em condições mais atividades enzimáticas e de
próximas ao natural, nenhum tipo neurotransmissores (Majumdar e
de distúrbio foi observado. Mallick, 2005). A introdução de
Provavelmente outras diferenças cama nas baias, seria um fator que
seriam detectadas entre o grupo incrementaria o bem-estar dos
FLOR e os grupos estabulados, se animais do grupo RCAT 1 e PAMP,
uma amostra maior de indivíduos uma vez que esses animais
fosse analisada. realizam atividade de patrulhamento
urbano necessitando de momentos
Os eqüinos dos grupos RCAT 1 e de repouso em decúbito (Figura 15).
PAMP não possuíam camas em Em relação às instalações, o
suas baias. A ausência de cama tamanho das baias dos eqüinos do
nas baias pode ser um fator grupo RCAT 1 e PAMP era de
estressante para um eqüino 6,25m2. O tamanho mínimo de uma
estabulado, podendo comprometer baia para um eqüino de 500-600kg
sua vida útil de trabalho (McGreevy, seria de 4m x 4m ou 4m x 5m
2004). Embora os eqüinos possam (McGreevy, 2004), permitindo maior
dormir em estação devido ao movimentação dos animais. Um

67
aumento no tamanho das baias e fator de melhoria do bem-estar
colocação de cama poderia ser um desses eqüinos.

Figura 15. Eqüino em momento de repouso: em baia com cama (RCAT 2) (A);
B
baia sem cama (RCAT 1) (B).

O tipo de estabulação de eqüinos situações de frustração e ansiedade


em baias individuais permite o (Appleby e Hughes, 1997).
contato olfatório, auditivo e algumas
vezes visual, mas o contato físico Alterações no manejo alimentar
não é possível. Este tipo de contato com o fracionamento da
é necessário na espécie eqüina alimentação, principalmente o
(Feh e Mazieres, 1993). Por isso, volumoso (McGreevy, 2004),
possibilitar mais chance de permitir o convívio social entre os
socialização entre os animais por animais (Mills e Nankervis, 2005) e
meio de adaptação das instalações, a utilização do enriquecimento
por meio de contato físico e maior ambiental se tornam opções para
tempo em liberdade, poderia minimizar a ocorrência desses
incrementar o bem-estar dos comportamentos anormais.
eqüinos de Cavalaria militar da
PMMG. Verificou-se elevada ocorrência de
comportamentos anormais nos
Pode-se observar que os eqüinos estabulados (43%) quando
comportamentos anormais em comparados com os animais em
eqüinos estão associados a liberdade (FLOR). A ocorrência de

68
comportamentos anormais reflete no grupo PAMP, possivelmente em
uma condição de bem-estar ruim decorrência de um fornecimento
(Mills e Nankervis, 2005), portanto, inadequado de alimentação,
os animais não estabulados se especificamente concentrado, para
encontram em melhor bem-estar em os animais desse grupo. O
comparação aos estabulados. fornecimento de concentrado
6.5. Avaliação endocrinológica ocasiona pico elevado e prolongado
de glicose e consequentemente de
As concentrações séricas médias insulina (Douglas, 2000; Ralston,
matutinas e vespertinas de TT4 dos 2002). Dessa forma, acredita-se
eqüinos dos quatro grupos que não foi mantido o jejum de 10
estiveram entre os valores de horas antes da primeira coleta no
referência para eqüinos, que variam grupo PAMP. A hiperinsulinemia
de 12 – 25 ng/mL (BET encontrada em animais com
Laboratórios, 2006). De forma síndrome metabólica em
geral, os eqüinos sob estabulação decorrência da resistência à insulina
restrita tiveram as concentrações (IR) pode não ser detectada por
séricas de TT4 mais elevadas em colheitas simples de insulina. Isso
relação à PAMP e FLOR. Essas pode ocorrer devido a dois fatores:
variações em relação a esse o eqüino apresenta um quadro de
hormônio podem ser justificadas IR leve ou moderada ou a
pelas diferenças na qualidade e hiperinsulinemia não se
quantidade dos alimentos desenvolveu ao ponto de exceder
oferecidos aos eqüinos. os limites de referência para as
concentrações séricas de insulina
As concentrações séricas médias (Frank, 2006). Portanto, não se
de insulina dos grupos RCAT 1, pode afirmar no presente estudo
RCAT 2, PAMP e FLOR estiveram que os animais por não terem
de acordo com os valores de concentrações séricas alteradas de
referência para eqüinos, que variam insulina não apresentassem
de 2 – 25 µ IU/mL (BET nenhum grau de síndrome
Laboratórios, 2006). As metabólica.
concentrações séricas de insulina
matutinas estiveram mais elevadas

69
Quanto ao cortisol, as grupos confinados, principalmente
concentrações séricas médias nos no grupo RCAT 1.
grupos RCAT 1 (vespertino), RCAT
2, PAMP e FLOR estiveram de Outro fator que poderia explicar
acordo com os valores de referência essa elevação do cortisol nesses
para eqüinos, que variam de 20 – grupos seria a ocorrência de uma
90 ng/mL (BET Laboratórios, 2006), hiperatividade do eixo hipotálamo-
já as concentrações séricas de hipófise-adrenal (HPA) em
cortisol do RCAT 1 (matutinas) decorrência do efeito do estresse
apresentaram-se superiores aos crônico (Bartolomucci et al., 2003).
valores de referência. Vários fatores Nessa situação, a resposta do
alteram a liberação do cortisol, cortisol a um estresse agudo é
dentre elas exercício, reprodução, exagerada (Rushen, 1991).
alimentação e estresse (Greco e
Stabenfelt, 1999). Concentrações Em contrapartida, Furr et al. (1992)
séricas elevadas de cortisol em consideraram que o cortisol não
situações de estresse crônico já seria um bom indicador de estresse
estão amplamente documentadas crônico, pois encontraram
em humanos (Inslicht et al. 2006; concentrações séricas de cortisol
Fuchs e Flügge, 2003). Beerda et reduzidas em potros sob essa
al. (1999) relataram aumento de condição. No entanto, devido à
cortisol urinário e salivar em cães síndrome do hipocortisolismo, que
submetidos a estresse crônico por acarreta uma hipoatividade do eixo
confinamento. Irvine e Alexander HPA, em decorrência da adaptação
(1994) encontraram concentrações do animal aos agentes estressantes
séricas mais elevadas de cortisol ou em decorrência de exaustão do
em eqüinos sob estresse crônico. eixo HPA, há uma diminuição das
Noqueira e Barnabé (1997) concentrações séricas cortisol. Isso
demonstraram situação de estresse ocorre em decorrência de inúmeros
crônico em eqüinos de corrida. fatores como um aumento de
Sendo assim, o estresse crônico sensibilidade ao feedback negativo
pode ser responsável pelas maiores do cortisol, uma redução da
concentrações de cortisol nos atividade do cortisol nos tecidos-
alvos (resistência ao cortisol),

70
dentre outras (Fries et al., 2005). No (FLOR) (Broom, 1988) foi o que
entanto, observou-se no presente apresentou as concentrações
estudo concentrações séricas mais séricas de cortisol mais baixas,
elevadas de cortisol nos animais tanto na manhã quanto na tarde.
submetidos a condições mais Esses achados demonstram que a
estressantes. metodologia utilizada no presente
trabalho possivelmente não causou
Alguns autores preferem a dosagem uma resposta aguda suficiente para
do cortisol na saliva, na urina e nas alterar as concentrações séricas do
fezes, minimizando o estresse cortisol. Desta forma, acredita-se
agudo na hora da colheita (Jong, que as concentrações séricas de
2000; Mostl e Palme, 2002). No cortisol desse experimento refletem
entanto, optou-se nesse trabalho a ocorrência de uma situação de
pela dosagem sérica por meio de estresse crônico condizentes com o
venopunção. Alguns cuidados foram ambiente em que os animais viviam.
tomados para minimizar o estresse:
colheita por meio de sistema à As diferenças entre as
vácuo e não excedendo 30 concentrações séricas de cortisol
segundos até o final. Isso porque matutinas e vespertinas respeitaram
até esse limite de tempo a a variação do ritmo de cortisol,
concentração sérica de cortisol não apresentando-se mais elevadas na
é afetada pelo estresse agudo4. colheita da manhã. Os eqüinos
Além disso, outro cuidado tomado possuem esse ritmo padrão com
foi a determinação da freqüência valores mais elevados na parte da
cardíaca simultaneamente à manhã decrescendo ao longo do dia
realização da colheita de sangue. (Irvine e Alexander, 1994; Schott II,
2006). Em situações de estresse
Pôde-se observar que o grupo que crônico, como confinamento em
apresentou freqüências cardíacas baias, podem-se observar
mais elevadas, ou seja, o grupo que alterações no ritmo circadiano de
possivelmente estaria sofrendo com cortisol (Douglas 2000; Jong 2000;
os efeitos do estresse agudo Mostl e Palme, 2002), observando
variações inferiores a 0,30
4
Broom, 2006: Comunicação pessoal. (Douglas, 2000). A perda de

71
variação no ritmo de cortisol pôde vespertinas e a menor variação do
ser evidenciada pelos resultados ritmo de cortisol, pode-se concluir
dos grupos RCAT 1 (0,22), RCAT 2 que os eqüinos dos grupos RCAT 1
(0,26) e PAMP (0,20), sugerindo estão sob situação de maior
que os animais sob estabulação se estresse crônico seguidos dos
encontravam em uma situação de animais do grupo RCAT 2 e PAMP.
estresse crônico, quando Já os animais do grupo FLOR estão
comparado aos eqüinos não na melhor condição.
confinados, grupo FLOR (0,35).
6.6. Incidência de cólica
O fato do grupo FLOR ser
A incidência média de episódios de
constituído de um maior número de
cólica nos animais avaliados foi de
fêmeas pode ter influenciado nos
92 para cada 100 animais em um
testes hormonais. Contudo, os
período de um ano. A incidência
resultados negativos dos testes t de
média reportada na literatura é de
Student realizados entre machos e
3,5 a 10,6 episódios de cólica por
fêmeas de um mesmo grupo
cada 100 eqüinos em um período
indicaram que o sexo não foi um
de um ano (Archer e Proudman,
fator determinante nas diferenças
2006). Pode-se observar que a
verificadas.
incidência do presente estudo foi de
8,7 a 26,3 vezes superior à relatada
A subdivisão do grupo PAMP, em
na literatura internacional, embora o
animais em Folga e em Serviço
ambiente de avaliação de Archer e
durante o mês da colheita das
Proudman (2006) tenha sido
amostras permitiu verificar que o
diferenciado. Mesmo assim, pode-
grupo de Serviço apresentou níveis
se inferir que o há um
séricos superiores de cortisol
comprometimento do bem-estar dos
demonstrando que a atividade de
animais, justificando o alto índice de
patrulhamento pode ser uma
episódios de cólica.
atividade estressante para os
eqüinos.
O número de eventos de cólica por
animal no período estudado foi de 1
Considerando as concentrações
para os grupos RCAT 1 e 2; 1,72
séricas de cortisol matutinas e

72
para o grupo PAMP. Essas ácido clorídrico, reduzindo o pH do
incidências foram respectivamente estômago. O fornecimento de
5,5 e 9,5 vezes maiores que o concentrado em excesso estimula a
grupo FLOR que foi de 0,18. liberação de gastrina, além de
predispor a fermentação bacteriana,
Os eqüinos do grupo FLOR reduzindo ainda mais o pH
apresentaram menor incidência de estomacal, predispondo à crises de
cólica quando comparado aos gastrite (Andrews et al., 2005).
outros grupos. Estabulação e
diminuição de pastejo são fatores O possível fator que possa ter
predisponentes para a ocorrência contribuído para os eventos de
de cólica em eqüinos (Cohen, 2003; cólica no grupo PAMP foi a
McGreevy, 2004). A estabulação mudança na alimentação ocorrida
dos animais dos grupos RCAT 1, durante a avaliação do presente
RCAT 2 e PAMP favoreceram a estudo. Já no grupo RCAT 1, a
ocorrência dos episódios de cólica. privação de água a que os animais
de patrulhamento estão submetidos
A maior causa dos episódios de pode ser um fator importante para a
cólica foi a gastrite, correspondendo ocorrência de episódios de cólica. A
a 39% dos episódios totais. Esse quantidade de água que o eqüino
valor está inferior ao encontrado por consome é um fator importante no
Hammond (1986), 66% em eqüinos bom funcionamento do trato
de corrida Puro Sangue Inglês. A gastrintestinal (Archer e Proudman,
gastrite é uma afecção comum em 2006). A ingestão hídrica reduzida
animais estabulados ou que sofrem pode favorecer a ocorrência de
algum tipo de estresse constante, episódios de cólica,
como por exemplo, transporte especificamente as compactações
(Colahan et al., 1999). Alguns de cólon maior (Goloubeff, 1993;
fatores ligados a manejo também Archer e Proudman, 2006). Embora
podem influenciar na ocorrência de o número de episódios de cólica por
gastrites, como por exemplo, compactação tenha sido inferior aos
intensidade de trabalho, de gastrite, o fornecimento de água
aumentando a liberação de aos equinos durante o
gastrina, consequentemente de

73
patrulhamento urbano poderia significativas não foram
reduzir a incidência de cólica. encontradas entre comportamentos
normais e abdômen agudo ou
6.7. Interações entre hormônios.
comportamento, endocrinologia e
cólica O contexto hormonal e
comportamental já relatado
O coeficiente de Spearman anteriormente dos eqüinos de
quantifica o grau de correlação Cavalaria de Minas Gerais indica
entre duas variáveis. Esse que estão sob situação de estresse
coeficiente varia de -1 a 1 (nula -0- crônico. Os eqüinos avaliados,
e máxima -1). Porém apenas esse principalmente aqueles submetidos
coeficiente não é suficiente, deve-se ao confinamento, à ausência de
saber o valor de P. Quando o valor pastejo, ao tipo de atividade estão
de P<0,05, conclui-se que o valor sob uma situação de estresse
do coeficiente de Spearman é (McGreevy, 2004). Os desafios
confiável. ambientais que desencadeiam um
bem-estar pobre podem ameaçar a
Embora as associações “cólica x integridade mental e corporal,
cortisol manhã”, “cólica x cortisol resultando em mecanismos de
tarde”, “cólica x estereotipia” e adaptação em nível
“cólica x movimentos aleatórios na psiconeuroimunológico.
baia” apresentaram coeficiente de
Spearman baixo (menor que 0,30), A gastrite foi a maior causa de
os valores de P demonstram cólica dentre os eqüinos estudados.
relação positiva e confiável entre as O estresse de estabulação faz parte
correlações. Correlações entre da etiologia da gastrite (Andrews et
cólica e cortisol manhã e tarde, al., 2005), por aumentar a atividade
estereotipias e movimentos adrenal, ativando a liberação de
aleatórios na baia mostram que na cortisol, por sua vez diminui a
medida em que esses fatores produção de muco protetor da
aumentam sua ocorrência, maior mucosa e de prostaglandinas,
será a incidência de cólica. predispondo à gastrite (Greco e
Correlações positivas e Stabenfelt, 1999). (Broom, 2006).

74
Murray e Crowell-Davis (1985) 7. Considerações Finais
descreveram a ocorrência de cólica
de origem psicogênica. Eqüinos confinados em ambiente
urbano e submetidos a atividades
Além disso, os episódios de cólica militares apresentaram alterações
estão ligados ao comprometimento de comportamento, revelando-se
do bem-estar do animal (Archer e mais nervosos e assustados, além
Proudman, 2006). Os eqüinos do de apresentarem comportamentos
presente estudo estão sob estresse anormais não observados em
crônico desencadeando episódios animais livres. Esses animais
de cólica, especificamente gastrites. apresentaram alteração do ciclo
Além disso, foi demonstrado que os circadiano de cortisol, com
eqüinos que apresentam concentrações séricas de cortisol de
comportamentos anormais e até 2,7 vezes maiores quando
movimentos aleatórios na baia têm comparadas com as de animais
4,8 e 3,5 respectivamente mais livres. Estas alterações revelam a
chances de terem episódios de presença de uma situação de
cólica. estresse crônico, fator
comprometedor de BEA. As
As concentrações séricas de conseqüências desta situação já se
cortisol manhã e tarde se manifestam por meio de alterações
correlacionaram de forma fraca com em outros hormônios e,
temperamento nervoso e principalmente na incidência de
assustado, ocorrência de cólicas. Estando esta última
estereotipias e movimentos aumentada em 5,5 e 9,5 vezes
repetidos de cabeça nesses animais, colocando em risco
correlacionaram de forma baixa a saúde e mesmo a vida dos
com coeficiente de Spearman (até eqüinos, além de aumentar os
0,33). A ocorrência de estereotipias custos de sua criação.
reflete um ambiente de estresse
crônico, por isso as concentrações Outro achado interessante do
séricas de cortisol apresentaram-se presente estudo foi a detecção de
elevadas (Pell e McGreevy, 1999). correlações fracas, porém
significativas, entre alterações nas

75
concentrações séricas e no ritmo concentrações séricas de cortisol
circadiano de cortisol com dos subgrupos em Serviço e em
mudanças no temperamento, Folga do grupo PAMP. O fator tipo
comportamentos anormais e de atividade exercida também
incidência de cólica. Correlações aparece, dessa vez associado ao
semelhantes também foram tipo de baia (menor e sem cama),
verificadas entre presença de quando se observou diferenças
estereotipias e incidência de cólica. entre os grupos RCAT 1 e RCAT 2.
Com base nesses achados foi Constatações de interesse podem
possível determinar fatores de risco ser feitas ao se comparar o grupo
para a ocorrência de episódios de RCAT 1 e PAMP, dois grupos com
cólica, como a presença de atividade de patrulhamento, mas
estereotipias, aumentando em 4,8 com instalações e manejo
vezes a chance dos animais diferenciados. Ambos os grupos
apresentarem um desses episódios apresentaram alterações de
e alteração do ritmo de cortisol, com temperamento com presença de
valores inferiores a 0,30, animais nervosos e assustados e as
proporcionando 2,3 mais chances concentrações séricas de cortisol
de episódios de cólica. foram semelhantes considerando os
eqüinos em Serviço de PAMP,
Com base no presente estudo contudo, a incidência de
percebe-se que a privação do estereotipias e de cólicas foi maior
ambiente natural e o confinamento em PAMP. Esses resultados
são os principais fatores que sugerem que, apesar dos animais
interferem no bem-estar dos em PAMP ficarem em liberdade
eqüinos de Cavalaria, visto as parte do dia ,em ambiente próximo
diferenças entre os animais livres e ao natural (reserva ecológica da
os estabulados. Entretanto, UFMG), as instalações e o manejo
diferenças entre os grupos prejudicam seu bem-estar em
confinados também puderam ser relação à RCAT 1.
observadas evidenciando outros
fatores estressantes. A atividade de Com relação ao manejo, no grupo
patrulhamento é um deles, tendo RCAT 1 os animais permanecem o
em vista a diferença entre as tempo todo em baias, no entanto a

76
alimentação era feita em intervalos anormaiss e de cólicas. Estas
menores, possibilitando, observações são relevantes uma
possivelmente que os animais vez que na atualidade novas
ficassem mais tempo entretidos. Já instalações estão sendo construídas
em PAMP os animais ficavam em na unidade da Cavalaria da PMMG
liberdade parte do dia e eram onde se localizam esses animais.
alimentados nas baias em intervalos
maiores. Além dessas alterações, que
Em se tratando das instalações a poderiam beneficiar imediatamente
maior diferença é que as baias em os eqüinos do grupo PAMP, sugere-
PAMP eram mais fechadas, se que novos estudos sejam
impedindo contato visual dos iniciados visando propor alterações
eqüinos com o exterior e entre eles. de manejo e de instalações,
Sem desprezar o maior intervalo obviamente dentro das
entre as alimentações, talvez o possibilidades da PMMG e,
principal fator para maior ocorrência principalmente, desenvolver
de cólicas e estereotipias em PAMP métodos de enriquecimento
seja a frustração a que os eqüinos ambiental que poderiam compensar
eram submetidos diariamente ao o inevitável confinamento e
serem recolhidos de um ambiente afastamento desses eqüinos de
favorável para baias pequenas, suas condições naturais.
escuras que os impediam de
socializar e observar o ambiente Este estudo evidencia a importância
externo. da integração da Universidade
Pública com a sociedade em geral,
Assim, os resultados deste estudo aqui representada pela Polícia
sugerem alterações nas instalações Militar de Minas Gerais, por meio do
de PAMP de forma a possibilitar emprego de avaliações científicas
maior interação entre os próprios demonstrando situações que
eqüinos e a visualização do meio colocam em risco a saúde e o bem-
externo, associado a um menor estar dos animais e propondo
intervalo entre alimentações, que medidas que visem reduzir os
seriam benéficas para reduzir-se a impactos no custo e na qualidade
ocorrência de comportamentos

77
dos serviços prestados à séricas de cortisol superiores
comunidade. em relação aos seus
semelhantes criados em
Dessa forma, alterações de manejo ambiente rural, livres em
como proporcionar mais piquetes coletivos e sem
oportunidades de socialização, atividades de patrulhamento.
melhoria das instalações como • Eqüinos estabulados em
utilização de cama nas baias, ambiente urbano e
regulação da intensidade de submetidos a atividades de
trabalho, evitando que animais patrulhamento ou esporte e
trabalhem em excesso e medidas equoterapia apresentaram,
de enriquecimento ambiental podem em média, ritmo circadiano
ser instituídas para minimizar os de cortisol alterado,
efeitos do estresse crônico. apresentando valores
Evitando conseqüências a longo inferiores a 0,30. Esses
prazo como alterações psíquicas e valores podem ser utilizados
clínicas severas que acarretam como indícios de situações
perda de desempenho na atividade de estresse crônico.
que os eqüinos exercem, maior • Eqüinos do Regimento de
incidência de cólicas e óbitos. Cavalaria Alferes Tiradentes
com ritmo circadiano de
8. Conclusões cortisol alterado e com
presença de
Nas condições do presente estudo comportamentos anormais
e com base nos resultados obtidos, apresentam mais chances de
pode-se concluir que: manifestarem episódios de
cólica.
• Eqüinos estabulados em • Estabulação em baias
ambiente urbano e pequenas e sem contato com
submetidos a atividades de o meio externo ou com
patrulhamento apresentam outros animais pode
incidência de desencadear maior
comportamentos anormais e ocorrência de
de cólicas, e concentrações comportamentos anormais.

78
• Eqüinos sob mesmas
condições de manejo e
instalações, quando
submetidos à atividade de
patrulhamento urbano
apresentam elevação das
concentrações séricas de
cortisol, indicando que essa
atividade tem potencial
estressante.
• Eqüinos de Cavalaria
submetidos à estabulação,
realizando atividades de
patrulhamento urbano têm
seu bem-estar comprometido
em relação aos animais
criados em piquetes, em
ambiente rural e sem
atividade de patrulhamento.

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87
Anexo 1. Ficha para avaliação física e etológica dos eqüinos de Cavalaria
militar submetidos à estabulação total com atividades de patrulhamento urbano
(RCAT 1) ou equoterapia e esportivas (RCAT 2) ou submetidos a estabulação
parcial com atividade de patrulhamento urbano (PAMP) ou sem estabulação
(FLOR).

Identificação do animal

Número: Nome:
Idade: Sexo:
Raça:
Escore corporal (1-3):
Tratador:
Cama (Material):
Histórico

Animal em trabalho: Carga horária: Militar:


Exame físico

FC 1 (bpm): FC 2 (bpm): FR (mrm):


Coloração de mucosas: TPC (0-3s):
Motilidade intestinal:
Questionário comportamental

Brincalhão (1-3):
Curioso (1-3):
Nervoso (1-3):

88
Assustado (1-3):

Anexo 2. Ficha de campo utilizada para registro comportamental, de forma


direta dos eqüinos de Cavalaria militar da Polícia Militar de Minas Gerais
submetidos à diferentes formas de estabulação e atividade.

89