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Unidade III

Unidade III
Todo o segredo da arte é talvez saber ordenar as emoções desordenadas,
mas ordená-las de tal modo que se faça sentir ainda melhor a desordem.
Charles-Ferdinand Ramuz

Podemos entender a arte sob diversos aspectos. Tomamos como exemplo o pensamento do
escritor e poeta de língua francesa, Charles-Ferdinand Ramuz (1878-1947). Na frase de introdução,
Ramuz desvenda o segredo da arte. Defende que, para se entender a arte profundamente e poder
criá-la, é preciso conhecer a organização de todas as partes, como a dos sentimentos, dos estilos,
das linguagens, das percepções, das formas, das cores, da cultura, da sociedade etc.

A partir do momento em que organizamos todas as partes “desordenadas”, começamos a entender


por completo a arte construída. Para o artista e criador, quando é descoberta a arte “ordenada”, há
a necessidade de desconstruí-la. Ou seja, só depois desse estudo meticuloso da organização e seu
entendimento é que conseguimos desconstruir a organização por puro prazer ou necessidade e, assim,
criar algo novo.

A desconstrução, ou o “voltar à desordem”, fazem-nos conseguir construir algo diferente na arte. O


Modernismo, por exemplo, foi criado, entre outras coisas, a partir da desconstrução da Arte Clássica. O
Cubismo tinha como uma de suas funções desconstruir a profundidade e a perspectiva.

Crispolti (2004), historiador da arte, crítico, estudioso e pesquisador na linguagem da arte, define sua
percepção sobre o estudo da arte contemporânea. Segundo ele, para entendermos a arte contemporânea,
são necessários um estudo aprofundado em história da arte e um entendimento sobre a arte do passado.
A partir desse estudo, o processo de construção torna‑se contínuo.

Para Crispolti (2004), o entendimento do passado é fundamental para criar e produzir a arte
atual. Também é importante que a estrutura da arte atual possa trazer algo do passado, uma
complementando a outra.

Um bom exemplo é o trabalho da artista italiana radicada em São Paulo, Anna Maria Maiolino. Na
obra intitulada Karlsaue, ela usa a argila colorida, que é um material natural orgânico abundante no
Brasil, utilizado para fabricar cerâmicas, para produzir as formas dos alimentos mais comuns consumidos
pelos brasileiros.

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Figura 41 – Detalhe da obra Karlsaue (2012), instalação em argila colorida, de Anna Maria Maiolino

Crispolti (2004) defende também a facilidade do acesso do grande público às artes contemporâneas
com visitas às grandes exposições, livros, artigos e palestras, a fim de abrir discussões e educar a massa
para o entendimento dessa linguagem artística.

Por outro lado, Enrico Crispolti acredita numa dinâmica metodológica,


em que a leitura e interpretação artística por parte do Historiador da Arte
é um processo sempre em construção e que as novidades que o estudo
da arte contemporânea traz ao contexto artístico possam também ser
adequadas ao estudo do passado. Ou seja, para Crispolti a continuidade
e a diversidade metodológicas podem coexistir em complementaridade.
A autonomia da Arte Contemporânea também se conquistou e ainda
constrói através da problematização que está na base da publicação
de artigos e livros: a bibliografia, na sua maioria recente, é bastante
extensa, o que revela que há um interesse grande em discutir a Arte
Contemporânea, mas também em torná-la acessível ao grande público
(LOPES; SOUZA; FONTES, 2014, p. 157).

Essa é a linha de estudos desta unidade: rever o pensamento de Charles-Ferdinand Ramuz para
ordenar a desordem e depois desordená-la para desvendar os segredos da arte; e seguir os fundamentos
de Enrico Crispolti para o entendimento da arte moderna e da arte na contemporaneidade.

Trataremos de duas grandes exposições de arte na atualidade: a 13ª dOCUMENTA, de Kassel,


Alemanha, e a 31ª Bienal de São Paulo.

A partir do acesso e da participação nessas duas grandes exposições de artes da atualidade,


demonstraremos e estudaremos sua comunicação, apreciação, percepção, linguagens, mediação,
interpretação, visão de alguns artistas participantes e, claro, suas obras.

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7 A 13ª DOCUMENTA – A MAIOR EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA


DO MUNDO

Considerada uma das maiores exposições de arte na atualidade, a dOCUMENTA acontece de cinco
em cinco anos e reúne as obras dos maiores nomes da arte moderna de ontem e os promissores nomes
da arte do amanhã. Veremos um pouco dos artistas do mundo inteiro e suas obras.

A dOCUMENTA disputa com a exposição da Bienal de Veneza o posto de mais importante exposição
sobre arte moderna e contemporânea. Se a dOCUMENTA não for a mais importante, com certeza é a
maior em relação à quantidade de obras e aos espaços reservados para a exposição.

Em 2012, ano da 13ª dOCUMENTA, foram 100 dias de exposição de arte contemporânea na cidade
de Kassel, na Alemanha.

Kassel é uma cidade reconstruída no Pós-guerra, situada no norte do Estado de Hessen, perto de
Frankfurt, às margens do rio Fulda. Kassel é a terceira maior cidade em Hessen, depois de Frankfurt, no
Main, e Wiesbaden.

Figura 42 – Rua comercial na cidade de Kassel, Alemanha

Toda a cidade se organiza para receber turistas, pesquisadores e degustadores de arte do


mundo inteiro nos 100 dias de exposição. Museus, praças, teatros, fábricas, estações de trens e
de ônibus, hotéis, restaurantes, bares e todos os tipos de estabelecimentos se mobilizam para
expor as obras, dar assessoria, prestar serviços aos visitantes e receber os apreciadores de arte dos
quatro cantos do mundo.

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A partir desta parte da unidade, quero compartilhar minha experiência depois que ganhei a Bolsa
de Intercâmbio Internacional para finalizar meus estudos, onde morei por seis meses, os congressos de
que participei, os lugares a que fui para completar os estudos, as pesquisas e a visita à 13ª dOCUMENTA
de Kassel, na Alemanha.

No primeiro semestre do ano de 2012, fui premiado com a Bolsa Fórmula Santander para fazer um
intercâmbio de seis meses fora do país. A regra era escolher uma universidade e um país conveniado
com o programa de intercâmbios do Banco Santander e o Brasil. Minha escolha foi Portugal, mais
precisamente o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, de Barcelos. Apesar de o instituto onde estudei
ser em Barcelos, minha residência foi na cidade do Porto, ao norte de Portugal.

Figura 43 – Dia da premiação da Bolsa de Intercâmbio Internacional Santander 2012

Saiba mais

Todos os anos, o Banco Santander e outras instituições premiam alunos


da graduação e da pós-graduação para intercâmbios fora do Brasil. As
melhores universidades do Brasil, como a UNIP – Universidade Paulista,
possuem esse convênio com as instituições. Além do Banco Santander,
outras empresas fornecem bolsas de estudos para fora do país. Por exemplo,
Banco do Brasil, Ciência Sem Fronteiras, Fundação Estudar, Fundação
Lemann, Instituto Ling, entre outras organizações.

Para saber das bolsas fornecidas pelo Santander, acesse:

<www.santanderuniversidades.com.br>.

Com a bolsa de estudos em mãos, além de Portugal, aproveitei minha estadia na Europa e fui
conhecer outros países para aprofundar meus estudos e pesquisas em Arte, que eram o centro da
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minha dissertação de mestrado. Fui à Turquia, em Istambul, para estudar Arte Bizantina, e à Alemanha,
Kassel, para estudar Arte Moderna e Contemporânea. Por coincidência, na época, estava em cartaz na
Alemanha a famosa exposição dOCUMENTA (13).

A ideia é fazer um breve relato sobre a chegada à Europa para o intercâmbio internacional, a
experiência da visita pela primeira vez à Alemanha e o acesso ao conhecimento e às expressões artísticas
nessa famosa exposição de arte contemporânea mundial.

Por conta da bolsa de intercâmbio internacional, morei e estudei durante seis meses em Portugal.
Lá, além dos estudos em Semiótica, tive a oportunidade de me apresentar em vários congressos
voltados à comunicação, à docência universitária, à arte-educação e às artes em geral.

Em abril de 2012, palestrei no Congresso Mundial de Comunicação e Artes, em Portugal. A


Universidade do Minho, onde aconteceu o congresso, fica no centro da cidade de Guimarães, ao norte
de Portugal. O interessante é que, naquele ano, a cidade de Guimarães tinha sido escolhida como a
capital europeia da cultura, e vários eventos ligados as artes plásticas, música, comunicação, cinema
e literatura estavam acontecendo naquela região.

Passaram-se alguns meses e, em junho do mesmo ano, apresentei-me em outro congresso, com uma
amiga do Brasil. Era o Cidu 2012, Congresso Internacional de Docência Universitária, que ocorreu na
cidade do Porto, também em Portugal. Ao hospedar essa amiga no apartamento que tinha alugado, recebi
um feliz convite de acompanhá-la na visita à cidade de Kassel, na Alemanha, para ver a dOCUMENTA.

Para aproveitar mais a viagem, resolvi visitar Frankfurt e Berlim, depois de Kassel. A chegada à
Alemanha foi pelo aeroporto perto de Frankfurt. Do aeroporto, peguei um ônibus que me deixou no
centro da cidade e de lá peguei um trem rumo à cidade de Kassel, onde me encontrei com os outros três
amigos. Deixamos as malas, e uma maratona artística começou: havia muitas obras para serem vistas.

Figura 44 – Vista da área externa do Parlamento Alemão, localizado na cidade de Berlim

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Figura 45 – Lado ocidental do muro de Berlim, que separava a Berlim Oriental da Berlim Ocidental

A última etapa de visita na Alemanha foi a cidade de Frankfurt. Cidade moderna e rica, o que
chamou nossa atenção foi a quantidade de arranha-céus. A cidade de Frankfurt é considerada o
centro econômico da Alemanha. Assim como Kassel, toda a cidade foi reconstruída no Pós-guerra.
Em Frankfurt, fui à exposição de Jeff Koons, no museu Schirn & Liebieghaus. Em seu trabalho há
uma mistura de materiais que retratam a porcelana, o balão metalizado, os objetos e personagens
desejados pela cultura de massa, o kitsch.

Figura 46 – Jardim do museu Schirn & Liebieghaus, na cidade de Frankfurt

A dOCUMENTA é uma mostra internacional de arte que traz as mais novas tendências sobre as
linguagens artísticas. Apresenta a visão das novas gerações de artistas e dos artistas consagrados,
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envolvendo seus estilos, linguagens e a diversidade do uso dos materiais para a construção de suas
obras. Os visitantes aproveitam para refletir, pesquisar e estudar o panorama da produção artística
na atualidade.

7.1 A dOCUMENTA de Kassel na Alemanha

Como foi concebida a exposição da dOCUMENTA de Kassel? Vamos entender como foram a história
e o começo dessa famosa e grandiosa exposição mundial. Tudo foi feito através de um acerto de contas
com a humanidade para trazer e mostrar a modernidade pela ótica das artes.

Roger Martin Buergel foi nomeado Diretor Artístico da dOCUMENTA (12), em dezembro de 2003. Em
2007, foi o principal responsável pela exposição dOCUMENTA (12). Na década de 1980, Buergel estudou
cultura, filosofia e ciências econômicas em Viena. Iniciou sua carreira de professor universitário em
1990, como tutor em Teoria do Cinema no Departamento de História da Universidade de Viena.

Na área acadêmica, como professor e como pesquisador, desenvolve pesquisas e ministra cursos
de graduação e pós-graduação em Arte Moderna e Contemporânea. Foi pesquisador-convidado no
Instituto de Tecnologia de Massachusetts e na Universidade da Califórnia, entre 1997 e 1999. Desde
2001, leciona Teoria Visual na Universidade de Lüneburg, na Alemanha.

Desde o início, Roger M. Buergel enfatizou a ideia de se desenvolver uma “genealogia da


dOCUMENTA”, voltando os olhares para a primeira exposição, realizada em 1955.

Com a destruição da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, construiu-se um pensamento de


positivismo acerca da visão dos habitantes e suas cidades. Por exemplo, Frankfurt foi devastada durante
a Segunda Guerra Mundial. O mais impressionante é saber que apenas a Catedral de São Bartolomeu,
no centro da cidade, não foi destruída.

A dOCUMENTA nasceu no caos em que se encontrava a cidade de Kassel após a Segunda Guerra
Mundial. O desejo surgiu com a intenção de reorganizar e unir uma sociedade alemã devastada pela
guerra. Além disso, os criadores queriam trazer o centro das atenções das artes contemporâneas do
mundo para a Alemanha.

Segundo Roger Martin Buergel, a intenção era de trazer o prestígio de volta às artes da Alemanha
e em Kassel, internacionalizando a arte dentro de um sistema global e garantindo acesso do grande
público mundial às artes e à cultura com finalidades educativas. O mais importante para Buergel era
corrigir um erro do passado e fazer uma relação estreita com a modernidade

Uma novidade marcou a última edição, em 2012. Diferentemente das outras edições, em que
a exposição ficou restrita ao museu Fridericianum, as obras se expandiram para outros espaços e
localidades da cidade de Kassel.

Foram explorados quatro importantes centros culturais da cidade. Além do museu Fridericianum,
a exposição utilizou os espaços do Aue-Pavilion, concebido como uma espécie de “museu imaginário”
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ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

de Buergel, galerias de arte, como a Neue Galerie, e, por fim, um palácio construído no século XVIII, o
Schlöss Wilhelmshöhe.

Assim, Buergel acredita que essa estratégia tenha trazido os principais eixos e pilares que fomentam
a cultura da cidade de Kassel, focando toda a exposição nesses quatro importantes centros de arte e
cultura da cidade.

Entretanto, a dOCUMENTA foi além desses quatro importantes lugares: havia obras de arte em cada
espaço da cidade, como nos armazéns da estação de trem, praças e parques da cidade e também na
antiga residência, em Kassel, dos irmãos Grimm.

Jacob Grimm e Wilhelm Grimm foram dois irmãos acadêmicos, linguistas, poetas e escritores que
nasceram no então Condado de Hesse-Darmstadt, atual Alemanha. Os dois dedicaram-se ao registro de
várias fábulas infantis, ganhando grande notoriedade local. Mais tarde, diante da importância de seus
contos, e de forma gradativa, atingiram um reconhecimento de proporções globais.

Várias obras dos irmãos foram traduzidas em diferentes línguas para o mundo todo. Algumas foram
imortalizadas também no cinema, como nas animações dos estúdios de Walt Disney ou em releituras
de filmes que se transformaram em clássicos de Hollywood. Alguns exemplos são: Branca de Neve,
Rapunzel, O Rei e o Sapo, A Bela Adormecida, O Ganso de Ouro e O Pequeno Polegar.

Saiba mais

Veja Os irmãos Grimm, filme que mostra um pouco do universo em que


viviam os irmãos na Alemanha antiga. A produção traz uma metalinguagem
que mistura realidade e fantasia em sua história. O interessante é o formato
de aventura e fantasia apresentado no filme, misturando a vida real dos
irmãos com os personagens e ambientes de seus contos.

OS IRMÃOS Grimm. Dir. Terry Gilliam. EUA; Reino Unido: Dimension


Films, 2005. 118 min.

Vários artistas tiveram suas obras expostas na dOCUMENTA (13): artistas novos, artistas antigos,
alguns reconhecidos mundialmente e outros em plena ascensão. Alguns nomes: Etel Adnan, Allora &
Calzadilla, Ida Applebroog, Doug Ashford, Julie Ault, Amy Balkin, Massimo Bartolini, Mariana Castillo
Deball, Sam Durant, Jimmie Durham, Willie Doherty, Trisha Donnelly, Llyn Foulkes, Mario Garcia Torres,
Fernando García-Dory, Theaster Gates, Mariam Ghani, Horst Hoheisel, Pierre Huyghe, Emily Jacir, William
Kentridge, Erkki Kurenniemi, Gabriel Lester, David Link, Marcos Lutyens, Nalini Malani, Raimundas
Malašauskas, Julie Mehretu, Aman Mojadidi, Shinro Ohtake, Giuseppe Penone, Michael Portnoy, Ana
Prvacki, Walid Raad, Pedro Reyes (Artist), Paul Ryan, Anri Sala, Natascha Stellmach, Mika Taanila, Jalal
Toufic, Koen Vanmechelen, Ian Wallace, Oliver Weber, Lawrence Weiner, Arjun Appadurai, Franco Berardi
Bifo, Bruno Bosteels, Dinh Q. Le.
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No primeiro dia visitamos dois dos quatro principais centros culturais. Vimos o museu Fridericianum,
com várias obras espalhadas em vários pavilhões e andares, e as obras do Aue-Pavilion. Depois, andamos
pelos parques e jardins, que também tinham importantes obras espalhadas em todo canto.

No segundo dia, fomos à Neue Galerie e ao palácio Schloss Wilhelmshöhe. Também vimos a
casa‑museu dos Irmãos Grimm e outras obras espalhadas pela cidade.

No terceiro e último dia, fomos à estação de trem para comprar as passagens de volta e aproveitamos
para visitar um dos armazéns que também tinham obras de arte para serem vistas.

Como minha passagem estava marcada para o final do dia, resolvi conhecer o museu que fica no
maior parque de colina da Europa. Visitei o quarto eixo da cultura de Kassel, o Castelo Wilhelmshöhe.

É uma colina lindíssima onde podemos caminhar e apreciar a paisagem. No meio do caminho da
colina encontra-se o castelo, onde pude ver artes antigas e contemporâneas.

O castelo fica no território do distrito de Kassel, Bad Wilhelmshöhe, na parte inferior do parque de
montanha Wilhelmshöhe, cerca de 282 metros acima do nível do mar. Pude ver a Coleção de Antiguidades
Clássicas, as pinturas flamengas e holandesas do Barroco, como as pinturas de Rembrandt, Frans Hals,
Rubens, etc. Tive a oportunidade de ver de perto as obras do artista alemão Albrecht Dürer, além de
pinturas italianas do Renascimento e do Barroco espanhol.

Após minha passagem por Kassel, segui minha viagem pela Alemanha para conhecer Berlim e
Frankfurt e, depois, voltar para a cidade do Porto.

7.2 A exposição dOCUMENTA (13) e sua importância

Apresentaremos a ligação entre as obras artísticas e os lugares onde a dOCUMENTA (13) é


exibida: Kassel, Kabul, Alexandria e Banff. Artistas, obras de arte e eventos ocupam os referidos
locais simultaneamente.

Tais lugares são “fenômenos espaciais” que reúnem as condições nas quais artistas e pensadores
encontram-se atuando no presente – estando “no palco”/ “sob cerco”/“em estado de esperança”/“em
reflexão” – descongelando as associações que são tipicamente feitas nessas condições e estressando seu
deslocamento contínuo.

Os quatro lugares da dOCUMENTA (13), Kassel, Kabul, Alexandria e Banff, constituem todo o
trabalho preparado em anos. Os quatro lugares completam e representam a maior exposição de arte
contemporânea do mundo.

Neles, os visitantes exploram todas as sensações que o corpo pode perceber. São lugares onde
se respira arte! Isso só é possível pela grandiosidade da exposição. O visitante é imerso em arte. As
condições levam o visitante pensar e discutir arte o tempo todo. É obrigado a ouvir, ver, escutar,
degustar e tatear arte.
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Essa questão define nossa relação com muitos lugares hoje: o que significa conhecer coisas que não
são fisicamente perceptíveis por nós através de nossos sentidos? Qual é o significado de exercícios de
orientação do pensamento na direção desses locais?

Figura 47 – Uma das obras da dOCUMENTA (13), que ocupou os jardins externos do palácio
de Schloss Wilhelmshöhe. Teve como tema a interação do espaço com a natureza

O corpo humano se adapta e suporta as particularidades do local e, então, faz a obra de arte.
Por exemplo, o Hotel One, em Kabul, estabelecido por Alighiero Boetti em 1971 e habitado por ele
até 1977 como sua segunda casa. Uma casa de visitas e um espaço de trabalho, que tornou-se um
ponto de referência da dOCUMENTA (13). A imaginação do visitante no encontro com essa casa e
sua localização iluminam a simples ideia de que lugares geram um espaço, e de que esse espaço
é a região do possível.

O conceito e pensamento da exposição é: tudo o que é, é algum lugar e algum quando. Nessa
reflexão estão contidos a história das exibições de documentários conectados à história de Kassel e
o significado dado pela dOCUMENTA (13). A exposição explora o ato de uma obra ser “colocada”, os
espaços propiciados pela cidade para a colocação dessas obras e o tempo em que elas estarão convivendo
nesse espaço. Para se ter uma ideia, a obra Onda, de Massimo Bartolini, tem a grama ao seu redor em
constante mudança. Nos cem dias da exposição, a grama passa de morta, no inverno, para verdejante,
na primavera. Esse processo faz parte da obra de arte.

Uma exibição é sempre um ato de localização da obra de arte e de corpos produzindo um


entendimento do papel da parcialidade, da importância de engajamento com um local e, ao mesmo
tempo, de múltiplos diálogos com outros lugares. Um lugar não é algo fixo, mas possui uma história
particular e assume aspecto próprio através de uma intensa imersão.

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Em Kassel, além dos tradicionais e principais pontos, como o museu Fridericianum, os espaços do
Aue-Pavilion, a galeria de arte Neue Galerie e o palácio Schloss Wilhelmshöhe, a dOCUMENTA (13)
explora outros espaços de forma inteligente, trabalhando bem a variedade das localidades específicas.

Um exemplo de uso do espaço foi no Ottoneum e no Orangerie, onde ocorreram apresentações de


obras em circunstâncias específicas e particulares. Outro espaço foi o magnífico jardim verde do parque
barroco Karlsaue.

Além dos parques e de suas esferas de iluminação natural, foram usados espaços industriais; por
exemplo, a área atrás da antiga estação de Hauptbahnhof, principal estação de trem de Kassel no
passado, mas agora apenas usada para transporte local. Um espaço peculiar, conectado com o mundo
que produziu tanques militares para o Regime Nacional Socialista no século XX.

Para ilustrar a riqueza do “viver e experimentar a arte”, vamos abordar quatro artistas que
apresentaram suas obras na dOCUMENTA (13) de Kassel.

7.3 Os mais consagrados artistas contemporâneos em um só lugar na Europa

Não são somente artistas que participam das grandes exposições de arte na atualidade. São
profissionais de diferentes áreas que encontram na arte a ferramenta necessária para se expressar ao o
público. A arte é multidisciplinar e, na atualidade, apropria-se dessa característica para construir‑se com
mais força. Pessoas de diversas áreas trabalharam sua comunicação através da arte na 13ª dOCUMENTA:
conselheiros, agentes, antropólogos, arqueólogos, arquitetos, críticos de arte, historiadores de arte,
artistas, diretores artísticos, autores, biólogos, coreógrafos, compositores, cientistas da computação,
conservacionistas, críticos, analistas culturais, antropólogos culturais, historiadores culturais, teóricos
culturais, curadores, dançarinos, escultores, desenhistas, economistas, editores, engenheiros, diretores
de cinema, cineastas, jardineiros, geneticistas, historiadores, inventores, críticos literários, músicos,
performers, filósofos, fotógrafos, físicos, poetas, filósofos políticos, cientistas políticos, teóricos políticos,
padres, psicanalistas, analistas sociais, teóricos sociais, poetas do som, zoólogos etc.

7.3.1 Os artistas do mundo inteiro e suas obras

Kader Attia

A prática artística de Kader Attia é formada pela experiência de ter crescido entre a Algéria e os
arrabaldes de Paris.

Realizado em ambiente complexo e que trata de problemas fundamentais, seu trabalho está repleto
da complexa dualidade política, econômica, cultural, religiosa, de gênero, do Leste e do Oeste.

Carregados pela tensão do apelo sensorial externo e de conteúdo controverso, suas fotografias,
filmes, esculturas e instalações usam uma alegoria minimalista para questionar o pós-idealístico estado
da mente do mundo globalizado.

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Figura 48 – O Reparo (2012), esculturas em madeira de Kader Attia

Mesmo quando executados em larga escala, suas instalações, feitas de materiais brutos e achados,
frequentemente se constituem em efêmero, uma experiência monumental, na qual o vazio é usado
como uma referência política e como uma referência poética.

Ghost (2007), obra que Attia uma vez descreveu como “a síntese de minha reflexão entre as
fronteiras da arte sociopolítica e a realidade da vida cotidiana”, é um exército fantasmagórico do vazio:
figuras ajoelhadas parecendo mulheres muçulmanas durante a oração, feitas com folhas baratas de
papel‑alumínio doméstico e conchas vazias.

Fazendo referência ao Minimalismo, a intervenção arquitetônica Kasbah (2009), parecida com


materiais de telhado, recolhidos de favelas ao redor do mundo, convida o visitante a caminhar através
dele, como se fossem esculturas de piso de Carl Andre.

Neste caso, participar torna-se um ato carregado não apenas pelo fato de que folhas de material
corrugado fazem de cada passo uma aventura física, mas também de uma aventura através da consciência
da realidade social e da matriz do poder econômico que essas estruturas representam. A obra também
se refere às favelas como réplicas funcionais de Medina (cidade histórica no Oeste da Arábia Saudita e
de elevadíssima densidade populacional).

O projeto The Repair from Occident to Extra-Occidental Cultures (2012) (O Reparo do Ocidente para
as Culturas Extra-ocidentais) foi desenvolvido a partir do conceito contínuo de Attia da reapropriação.

Durante os anos que consumiu movendo-se entre a Algéria e Kinshasa e Brazzaville, no Congo, o
artista ficou fascinado por objetos da África que foram “reparados”, mas não de maneira a trazer-lhe a
sua forma original, e sim fazendo a emenda visível, adicionando outra estética ao objeto.

Muitos desses reparos foram feitos usando materiais da colonização, como velhos botões, estilhaços
de espelhos, ou tecidos franceses. Esses artefatos, todavia, nunca foram registrados ou dispostos nas
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coleções etnológicas dos museus da Europa, uma vez que sua estética heterogênea aparentemente não
se adequou à ideia ocidental de arte e artesanato africanos.

Attia aponta impressionantes e preocupantes analogias entre esses objetos e as esculturas da África
contemporânea feitas a partir de fotografias de cirurgias plásticas em soldados na Europa, feridos e
deformados durante a Primeira Guerra – rostos que da mesma forma foram “quebrados” e “reparados”.

Através da justaposição de objetos reparados com as esculturas em madeira de tamanho natural


e com o elenco médico, ele faz perguntas fundamentais sobre a diferença entre os conceitos ético
e estético de “reparação”, sobre a ilusão da perfeição Ocidental e a cicatrização pós-traumática.
Enquanto os objetos criam uma forte experiência sensual e física, Attia apresenta-os ao lado de
vitrines vazias.

Warwick Thornton

Warwick Thornton tinha apenas dez anos quando o inovador Aboriginal-run (programa que promove
a saúde e o condicionamento físico dos membros das comunidades aborígenes), da Associação Central
Australiana de Mídia Aborígene (Caama), abriu suas portas na cidade natal de Mparntwe (no Território
do Norte, Austrália).

Figura 49 – Lar e Caminhos (2012), instalação de Warwick Thornton

Poucos anos mais tarde, ele tornou-se DJ para a estação de rádio que revolucionou a mídia australiana
por transmitir nas línguas aborígenes.

A Caama cresceu, incorporando a capacidade de produção de filmes e dispondo da estação de


televisão Imparja, inspirando Thornton a receber treinamento em cinematografia na Escola de Cinema,

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ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Televisão e Rádio da Austrália, em Sidney. Seu primeiro longa-metragem, Sansão e Dalila, ganhou a
Câmara de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 2009.

O trabalho de Thornton para a dOCUMENTA (13), Mãe Coragem e seu Filho, de 2012, inspira-se
na obra de Bertolt Brecht, de 1939. Mãe Coragem é uma mulher idosa aborígene, que vende pinturas
pelas ruas numa van batida, seguindo os visitantes ao redor de Kassel. Ela é acompanhada de seu filho,
um representante da desafeta “geração i”. Imagens deste protagonismo, projetadas dentro do veículo,
acrescentam o “efeito de distanciamento” na audiência.

Em Mparntwe, artistas aborígenes pintando e vendendo seus trabalhos na principal avenida da


região, ao longo de outlets turísticos, são um sinal corriqueiro. A produção de arte em comunidades
mais remotas é um dos poucos pontos de engajamento entre os australianos negros e os brancos, e a
“distância” entre eles é claramente perceptível.

A repetição “dot, dot, dot” da técnica de pintura da Mãe Coragem parece destacar sua condição de
moradora marginalizada. Todavia, a aparente monotonia desse ato é desmentida pela tradicional música
que ela murmura quase inconscientemente.

Essa sutil inflexão é a parte onipresente do fazer arte – seja para cerimônias, seja para exibição
– através da Austrália aborígene. O cantar e o gesto de marcar a superfície são ambos atos culturais
de reiteração ou de reinserção. O trabalho de Thornton sinaliza o mundo paralelo, o mundo onde as
tradições herdadas de milênios se incutem no presente.

Tal qual muito da arte de Thornton, Mãe Coragem e seu Filho é obliquamente autobiográfica e
encontra a mais ampla ressonância na contínua diáspora do povo aborígene na Austrália contemporânea.

Thornton tem dito que ele faz filmes para o seu povo, ainda que explorem temas universais –
mudanças entre gerações, abuso de substâncias, espoliação, amor. Desenhando sobre a experiência da
Mãe Coragem de Brecht, ele exorta sobre o custo de se vender a nossa herança cultural.

Thornton defende uma nova compreensão do papel da cultura aborígene no contexto mais amplo
da arte australiana. Ele cruza fronteiras artísticas em sua exploração das várias formas de expressar suas
ideias – incluindo recursos, documentários, 3-D e filmes experimentais, fotografia e instalações. Seu
trabalho traz conceitos tradicionais à prática de arte contemporânea e oferece comentários instigadores
sobre a vida nas comunidades aborígenes do século XXI.

Massimo Bartolini

O trabalho de Massimo Bartolini abrange vários materiais e técnicas, desde a escultura e a atuação,
até a fotografia, o vídeo e as instalações (construções).

Preocupado com a suposta certeza física provocada pelos ambientes familiares, Bartolini cria
intervenções espaciais e altamente sensoriais, que ajudam a dar ao espectador uma experiência única,
uma sensação que pode tanto ser contemplativa quanto sutilmente perturbadora de sua percepção.
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Combinando natureza e mecânica, o trabalho envolve considerações filosóficas sobre nossa relação
com o ambiente natural e o artificial.

Figura 50 – Onda (2000), instalação de Massimo Bartolini

Tamburo (2002) é um exemplo das sequências de ambientes experimental e interativo através dos
quais Bartolini tem alternado a experiência física do espaço e o caminho pelo qual nós recebemos o
mundo ao nosso redor.

Um quarto isolado no qual o visitante entre sozinho envolve-o na pura percepção do físico. Quando
alguém entra, o piso desloca-se levemente na direção na qual o corpo se move. O declive é mínimo, mas
suficiente para criar um instante de suspense.

À exceção do corpo do visitante, os únicos objetos no recinto são nozes dispersas pelo piso, que,
quando movimentadas, criam um som de tambor, desafiando ainda mais a percepção sensorial de
espaço, peso e movimento.

Double Shell (2001) (concha dupla), à primeira vista, trata-se de uma etiqueta de parede com título
e subtítulo. Contudo, as últimas dicas no local do trabalho invisível indicam: “pérola cultivada, nas mãos
de um idoso vigilante de museu”.

Uma vez posto em evidência, o vigilante, com gestos confiantes e sorriso cúmplice, abre sua mão,
mostrando a pérola sagrada como um segredo e, então, fecha-a novamente e se vai. Ante a ambiguidade
poética do título, o trabalho está aberto para muitas associações, mas o mais importante é que ele cria
um momento de interação íntima entre o vigilante, o espectador e o artista.

Para dOCUMENTA (13), Bartolini trouxe Untitled (Wave), ou Sem Título (Onda), instalada primeiro em
2000, nos jardins da Villa Medici, em Roma, para então ir ao parque Karlsaue, em Kassel.

112
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

A obra consiste em uma piscina retangular embutida no solo, na qual uma onda ritmicamente oscila
para a frente e para trás. Seu movimento infinito e com forma definida simboliza a eterna transformação,
mas, além disso, a onda viaja para lugar algum e nunca se finda.

Com sua reduzida natureza estética e meditativa, é um remanescente do Zen Garden (Jardim Zen);
o movimento interno e contido da água, fluente, ainda que revolto, representa o interminável ciclo
da vida. Assim como muitos elementos da obra de Bartolini, Untitled (Wave) nos faz refletir sobre a
relatividade do que é considerado estável e imutável.

Giuseppe Penone

Enraizado nas origens da Arte Povera, a prática escultural de Giuseppe Penone explora a relação
empática entre a cultura e a natureza, entre a humanidade e todas as outras formas de vida. Seu
trabalho reflete o processo natural, frequentemente oculto ou invisível, de mudança, crescimento,
respiração, erosão e germinação, que configura qualquer forma de vida, assim como a criação humana.

Desde 1969, a árvore tem sido o seu motivo recorrente. Mantendo ao mesmo tempo um
constante e delicado equilíbrio entre natural e artificial através de uma perspectiva ecológica,
Penone abraça e integra o evento ontológico da vida das árvores com o seu próprio. Quando ele
tinha 22 anos, por exemplo, revelou os 22 anéis no tronco da primeira árvore que esculpiu.

Figura 51 – Ideia de Pedra (2010), instalação de Giuseppe Penone

Idee di Pietra (2003/2008/2010), ou Ideia de Pedra, originalmente instalado num parque durante a
16ª Bienal de Sidney, foi reinstalado e inaugurado no parque Karlsaue, de Kassel.

A obra ficou registrada e continuou permanecendo, nos 100 dias de exposição, como a celebração
das esculturas em ambientes externos. As obras que ficam nos lados externos dos grandes edifícios
113
Unidade III

escolhidos têm como propósito simbolizar a memória coletiva da população de Kassel e representar o
dia a dia de seus habitantes.

A escultura de Penone exposta na dOCUMENTA (13) foi feita em bronze fundido e traz uma
árvore suportando uma grande pedra. Mostra elementos naturais e as forças que os rodeiam:
por exemplo, a luz que constantemente transforma a árvore e que originalmente determina o
peso de seus ramos e a energia de seu crescimento ou a gravidade que a fixa para sempre e
inevitavelmente sobre a terra.

Todos esses elementos dinâmicos estão suspensos, através do bronze, num momento eterno, de tal
forma que a escultura se torna um instante do curso da história natural. Em um equilibrado jogo de
opostos, tal qual o artista destaca, a pedra que está em cima da árvore representa a força da gravidade
e mostra a fuga da árvore nas ramificações de seus galhos. Para o uso dos materiais, como o bronze,
sua fusão ocorre também através da gravidade. O artista derrama o bronze líquido dentro da estrutura
vegetal, que serve como molde da escultura.

Trabalhando em paralelo e destacando os valores universais de seu método, Penone, em Kabul,


apresenta uma permanente intervenção na natureza, um trabalho (Radici di Pietra, 2012 – Raízes de
Pedra) que se integrará com o crescimento natural de uma árvore.

Tanto sob o aspecto natural quanto sob o artificial, essa árvore contribui com o complexo arquitetônico
e de geometria simbólica do parque e, ao mesmo tempo, faz referência à outra árvore, a de Kassel.

As árvores em Kabul e em Kassel nos convidam a conectar diferentes lugares e tempos, assim como
arte e vida, a ver através dos opostos e a alcançar a profunda compreensão e a conexão com o mundo
ao nosso redor.

8 A 31ª BIENAL DE SÃO PAULO: A MAIOR EXPOSIÇÃO DE ARTE DA AMÉRICA


LATINA

Considerada a maior exposição de arte moderna e contemporânea da América Latina, a Bienal de


São Paulo faz parte do seleto grupo de expositores de arte e do circuito das grandes bienais do mundo.

O tema da 31ª Bienal de São Paulo, “Como (...) que não existem”, explora um dilema contemporâneo,
de uma São Paulo em transformação. Transformação da comunicação, do trabalho, de comportamento,
do povo, das tecnologias, das relações, das artes.

Para Luis Terepins, presidente da Fundação Bienal, ao escolher o novo tema e a proposta de curadoria,
a Bienal renova seu prédio e sua história. Em troca de colocações modernistas, como era de costume,
entra uma nova abordagem com novos olhares.

Com a atuação em uma das maiores metrópoles mundiais, a Bienal de São Paulo atrai cerca de
500 mil visitantes em cada edição. Além da mostra no Parque do Ibirapuera, a intenção é continuar
a exposição de forma itinerante por diferentes cidades brasileiras. No final, serão cerca de 25 mil
114
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

educadores aptos para os ensinamentos da arte contemporânea atual; para a 31ª edição, a meta
era atingir 1 milhão.

8.1 A 31ª Bienal de Arte de São Paulo no Brasil

Além dos aspectos da formação e da divulgação da arte, a Bienal cada vez mais se aprofunda
na área da pesquisa. Desde 2013, a Fundação Bienal se preocupa com a atualização de dados dos
acervos documentais e recursos para revitalizar o Arquivo Bienal e tornar-se referência nas artes
moderna e contemporânea.

Por isso, o objetivo da instituição Bienal de São Paulo é ultrapassar os limites físicos da exposição
no prédio do Ibirapuera. Dedicar-se a construir e produzir conteúdos, profissionalizar suas equipes
e implantar um modelo consistente de gestão, com a ajuda de organizações e instituições, como o
Ministério da Cultura, a Secretaria de Estado da Cultura, a Secretaria Municipal da Cultura,e outras
empresas privadas, como o Banco Itaú e o Sesc.

Terepins conclui o pensamento sobre a nova Bienal dizendo que a rede de apoio para a organização
e produção da exposição permite uma costura cada vez melhor entre a arte, a vanguarda e a formação
educacional. Com isso, merece um lugar especial no cenário das artes, nacional e internacional.

Com o título “Como (...) coisas que não existem”, a organização da 31ª Bienal de São Paulo reflete
sobre o poder que a arte tem sobre quem a observa e a estuda; como a arte age e influencia indivíduos,
pessoas, comunidades ou povos, ou por qualquer lugar que ela transite; sobre a arte como manifestação
e o observador como absorção.

As possibilidades de acessos e interpretações se abrem a partir do tema escolhido. As diversas opções


de perceber, sentir, entender, procurar as coisas que não existem! A amplitude desse exercício abrange
áreas impensáveis e que podemos trabalhar para compreender a arte. Falar das coisas, vivenciá-las, lutar
por elas e, por fim, aprender com elas.

Com essa ação, há o reforço do aprender em sua totalidade. O indivíduo aprende de forma parcial
ou limitada, e a intenção é explorar o aprendizado em sua totalidade. As coisas que não existem são
importantes para que a reflexão e o pensamento possam aparecer. Ainda, quando estamos em uma
situação na qual as coisas que não existem não aparecem, devemos nos esforçar para que o intangível
torne-se tangível em sua ausência. O observador é convidado ao confronto para agir e utilizar as
ferramentas apresentadas pelas obras.

Nos dias atuais, muitos obstáculos afetam o entendimento sobre o ato de aprender a arte,
transfigurando-se em barreiras muitas vezes intransponíveis. Em tempos em que a comunicação, as
ferramentas e as trocas de informação se transformam rapidamente, há uma diminuição na forma de
construção do pensamento e na sua abrangência.

A economia dominante e a preocupação entre ganhos e perdas também dificultam a


assimilação e o aprofundamento da história e dos costumes locais, atingindo o aprendizado.
115
Unidade III

A exploração da espiritualidade para a compreensão poderá ser afetada se a religião entrar de


forma que não haja diálogo sobre o certo e o errado, determinando apenas a posição de um
lado. Abusos são praticados e ações extremas atrapalham o entendimento e o estudo completo.
Por fim, o jogo político, com a sua crise profunda e com movimentos de protestos em diversas
regiões, não abre margens para caminhos e novas atuações.

8.2 A 31ª Bienal de Arte de São Paulo e sua importância

A condição da 31ª edição da mostra é a virada para transpor a economia dominante, a exploração
de uma espiritualidade livre e o fim do jogo político para abrir os espaços do entendimento. Com
uma ação flexível, essa virada acontece para deixar o observador livre, sem imposição alguma. Sem
induzir linguagens modernistas ou progressistas, o objetivo da mostra confunde o pensamento
do observador e abre espaços para a reflexão, afastando os vícios impostos pela atualidade para
entrar na complexidade e na flexibilidade, sem conflito existencial. O estado de virada é a condição
da Bienal para o entender da contemporaneidade.

A virada – a nossa virada – não é moderna, orientada para o futuro,


progressista. É, ao contrário, desordenada, às vezes enganosa, definitivamente
inconstante. Ela parece estar tentando sair dos parâmetros estabelecidos a
fim de dar espaço à complexidade e à flexibilidade, sem receio de conflitos e
enfrentamentos. Esse estado de virada é nossa condição contemporânea e,
por conseguinte, a condição desta 31a Bienal (GUIA..., 2014)

Conflito, coletividade, imaginação e transformação. Através dessas quatro palavras a 31ª Bienal quis
driblar a crise de identidade e do entendimento sobre a arte. A arte como primeira expressão vem dos
primórdios da história do homem, e hoje enfrentamos um problema de representação e conhecimento.

Os artistas que participaram da mostra preocuparam-se em como estar presentes, e não em como
representar. Procuraram formas pelas quais suas obras fossem interpretadas aos poucos, de modo que
o observador construísse seu entendimento, descobrindo a obra aos poucos, bem como participando do
processo criativo e artístico dessa obra.

A proposta dos organizadores foi criar diferentes maneiras de conflitos no público, utilizando duas
vertentes: explorar grupos diferentes e versões contraditórias da mesma história. A dinâmica foi gerar a
necessidade de pensar e agir coletivamente, em vez da lógica imposta do pensar e agir individual. Usar
a imaginação para nos levar até aonde o artista quer é outra ordem de conduta para a transformação
da obra.

A obra pode, através dessas ordens, levar o mais discriminado dos observadores para uma esfera de
inserção conjunta artística e social e, assim, transformar o rejeitado em aceito e valorizado.

Essa transformação é a virada proposta na 31ª mostra, efetivando mudanças e apontando novas
direções em vez de uma única e absoluta verdade.

116
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Figura 52 – Instalação de Palavras alheias: Conversas de Deus com Alguns Homens e de Alguns Homens com
Alguns Homens e com Deus (2014), instalação de Etcétera... e León Ferrari

O processo de identidade da Bienal, podemos dizer, ainda é de representação de arte


contemporânea, atingindo o pré-moderno, o moderno e o Pós-moderno. Dentro de uma metrópole
em constante transformação como São Paulo, a arte se modifica, e, a cada dois anos, a Bienal
acompanha as mudanças da cidade e de seus habitantes. Nesse diálogo constante, e que continua
após o término da mostra, é que se estabelece a contemporaneidade. Para ir mais a fundo na
questão do contemporâneo, a intenção da 31ª edição foi estreitar a relação de público e artista,
derrubando as barreiras de acesso, de diferenças de conhecimento e de cultura, e o processo como
meio de aprendizagem e experimentação dos dois lados.

Esta não é uma Bienal fundada em objetos de arte, mas em pessoas


que trabalham com pessoas que, por sua vez, trabalham em projetos
colaborativos com outros indivíduos e grupos, em relações que devem
continuar e desenvolver-se ao longo de sua duração e talvez mesmo
depois de seu encerramento. Embora se possa dizer que um pequeno
grupo de pessoas sejam os iniciadores, o foco da 31ª Bienal é posto
sobre todos aqueles que entrarão em contato com ela e dela farão uso,
bem como sobre o que será criado a partir dos encontros no evento
como um todo. Essa abertura do processo precisa ser entendida como
um meio de aprendizagem: uma troca educacional estabelecida ao
longo e em cada um dos níveis e que é, por conseguinte, não resolvida
e experimental (GUIA..., 2014).

A jornada final determinada na mostra é a interação global de artista, arte e público. Essa jornada,
curta ou longa, deve proporcionar experiências profundas que transformem os envolvidos, mostrando
117
Unidade III

novos caminhos individuais e coletivos a serem descobertos. A organização esperava que o momento
fosse de transformação para todos os envolvidos. Para que isso se concretize, é necessário que as obras,
sua comunicação, seus códigos, ideias e palavras surgidas durante a exposição se confrontem abrindo
discussões e reflexões sobre a arte. Portanto, “as coisas que não existem” podem aparecer trazendo uma
visão nova sobre o mundo, acreditando-se que este deva ser o verdadeiro potencial da arte.

Saiba mais

Para entender mais sobre a exposição da Bienal de São Paulo, sua


história, criação, organização e os artistas que fizeram parte das mostras,
acesse o site da Fundação Bienal de São Paulo.

<http://www.bienal.org.br>.

8.3 Os artistas mais renomados e suas obras contemporâneas em São Paulo

Na 31ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, os mais renomados e ascendentes artistas da
atualidade tiveram seus trabalhos expostos. Considerada uma das três maiores exposições de arte
contemporânea do mundo, teve início no dia 6 de setembro de 2014, reunindo 250 obras de 100 artistas
de 34 países. O evento contou com a curadoria conjunta de Charles Esche, Galit Eilat, Nuria Enguita
Mayo, Pablo Lafuente e Oren Sagiv. Todos os artistas trabalharam em conjunto para representar o mesmo
tema da mostra.

O cartaz foi criado pelo artista indiano Prabhakar Pachpute. Através de um desenho em preto e
branco, o artista apresenta uma torre movida à força humana enquadrada por uma tipografia que
remete à produção manual de letras feita no estilo fantasia.

8.3.1 Os artistas do mundo inteiro e suas obras

Prabhakar Pachpute

A arte de Pachpute nos faz pensar as relações entre o visível e o invisível, a coletividade e o
conflito, o trauma e o sublime, o forte e o fraco, e equaciona a resistência poética da arte face à
adversidade do mundo.

Essas características são encontradas na obra Dark Clouds of the Future (Nuvens Escuras do Futuro),
expostas na 31ª Bienal de São Paulo. Os desenhos murais de Pachpute se estendem por todos os níveis
do edifício, transpassando os andares em direção ao teto e incorporando humor leve e imperturbável,
característica de seu trabalho.

118
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Figura 53 – Nuvens Escuras do Futuro (2014), desenho de Prabhakar Pachpute

Dos materiais usados, o carvão faz uma alusão às minas e a seus trabalhadores. Contudo, as obras
do artista não ficam apenas na leitura de levantamento social ou político, mas vão ao encontro também
de sua profissão de mineiro de carvão.

Com traços marcantes de desenhos em carvão, o artista parece navegar sempre entre dois mundos
opostos, o estático e o de movimento, o concreto e o inatingível, ou os lados de baixo e de cima de um
mesmo eixo.

Mujeres Creando

Sem dúvida, uma das obras que causaram maior polêmica nessa exposição foi Espacio Para Abortar,
das artistas Mujeres Creando. O grupo é formado por ativistas urbanas, feministas e anarquistas, das
cidades de La Paz e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. A ideia foi expor um grande útero na entrada da
Bienal, que se tornaria ambulante, para abrir as discussões sobre os direitos da mulher.

A contribuição de Mujeres Creando para a 31ª Bienal é um espaço para abortar.


O projeto consiste em uma intervenção urbana, passeata‑performance
pública e participativa, contra a ditadura do patriarcado sobre o corpo da
mulher. A ideia é promover um ambiente de discussão e diálogo com a
ajuda de um enorme útero ambulante, temporariamente estacionado no

119
Unidade III

Pavilhão da Bienal. Em pauta, as implicações do aborto, da colonização do


corpo feminino e o que pode significar a decisão soberana, o livre-arbítrio
e a liberdade de consciência em uma democracia contemporânea, como a
de nossos países sul-americanos, nos quais o aborto é ilegal e penalizado
(GUIA..., 2014, p. 72).

As pautas das discussões eram apoiadas nas implicações do aborto, do livre-arbítrio e da liberdade
de consciência em uma sociedade na qual o aborto é ilegal. Outra intenção da obra era a de construir, no
decorrer da exposição, um útero coletivo. Foram captados vozes e sons do público, bolivianos, coreanos,
italianos, alemães, japoneses, portugueses, angolanos, haitianos, argentinos, peruanos etc. A mistura da
população atual mostra a contemporaneidade da obra.

Figura 54 – Espaço para Abortar (2014), instalação de Mujeres Creando

Fundado em 1992, em La Paz, o grupo Mujeres Creando é formado por prostitutas, professoras,
poetas, costureiras, artistas, vendedoras etc. Tem como objetivo expor os problemas das mulheres
nos dias de hoje, na Bolívia e em todos os lugares do mundo. Essas mulheres agem em espaços de
visibilidade, ou públicos, como guerrilheiras, ao expor o próprio corpo como arma de combate para
defender seu pensamento e sua ideologia.

Éder Oliveira

Éder Oliveira costuma realizar em sua cidade, Belém do Pará, trabalhos controversos. Para a Bienal,
o artista realizou pinturas murais de grandes proporções. Em retratos monumentais, o artista utiliza
esse parâmetro para retratar exatamente as pessoas estigmatizadas na sociedade atual. São pessoas
envolvidas em crimes e que são expostas de forma sensacionalista em retratos nas páginas policiais
dos jornais paraenses.

120
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Figura 55 – Sem Título (2014), pintura em mural de Éder de Oliveira

Os trabalhos do artista, originalmente, cobriam os muros de Belém, mas foram transportados para
a Bienal de São Paulo, e outros novos foram pintados nas paredes da mostra. A pintura evoca uma
discussão sobre como os direitos civis são desrespeitados na sociedade atual.

O artista torna monumentais justo aqueles personagens que a dinâmica


social estigmatiza: envolvidos em crimes e cujas imagens são estampadas de
modo sensacionalista nas páginas policiais de jornais paraenses. Transpostos
para os muros de Belém, e agora também de São Paulo, eles se tornam
amplamente visíveis, embora ainda anônimos. A despeito de detalhes da
sua identidade e do lugar onde são originalmente fotografados – dados dos
quais Éder Oliveira abre mão –, a pintura evoca uma reflexão sobre como os
direitos civis são desrespeitados socialmente, aqui de modo mais evidente
na cobertura fotojornalística (GUIA..., 2014, p. 146).

Chamados de criminosos, bandidos ou delinquentes, esses indivíduos são, em sua maioria, caboclos
com traços de índios e negros. O modo como as mídias expõem essas pessoas aponta um outro agravante:
o desrespeito às etnias minoritárias no país. Na Bienal de São Paulo, os retratos de Éder Oliveira tomam
outras proporções, indo além do caboclo paraense. Em São Paulo, os retratos representam as minorias
excluídas dessa sociedade, como imigrantes nordestinos, bolivianos, haitianos, peruanos e tantos outros
que vivem na cidade.

Qiu Zhijie

Mapear e desenhar é o trabalho deste artista. Ele retrata o modo como os povos antigos da
sociedade ocidental fizeram acordos com o mundo. Com os mapas, o desconhecido torna-se visível
121
Unidade III

e compreensível. Os mapas alertam também para afastar visitantes indesejáveis, como os antigos
mapas europeus que retratavam as Américas e alertavam para monstros em determinados lugares.

Zhijie usa uma antiga técnica chinesa de mapeamento para representar histórias e lugares
imaginários. Com isso, o artista cria cidades fictícias, lugares fantasiosos e narrativas inesperadas. Sua
formação de calígrafo ajuda na execução dos desenhos, todos feitos à mão livre.

Figura 56 – Mapa (2014), desenho de Qiu Zhijie

Para a Bienal, Qiu Zhijie criou um grande mapa que serve como introdução ao que vai ser visto na
exposição. O mapa junta percepções artísticas da história da Bienal, obras antigas e o que seria a proposta
da nova mostra. O artista juntou todas essas informações enquanto estava criando e desenvolvendo o
painel na 31ª Bienal.

Para a 31ª Bienal, ele desenhou um mapa em grande escala que funciona
como um curioso prólogo para a jornada pela exposição adiante. O
mapa se baseia em algumas das ideias curatoriais e artísticas por trás
da Bienal, fundidas com as próprias reflexões do artista enquanto estava
aqui preparando a imagem. O desenho, traçado diretamente na parede
da rampa pequena que sai da área Parque, desaparecerá assim que a
exposição for fechada, em 7 de dezembro. Desse modo, a ideia de um
mapa como representação permanente de uma paisagem geográfica é
rejeitada em favor dos aspectos temporários e subjetivos do mapeamento
– aspectos sempre presentes, por mais neutro ou científico que ele se
proclame (GUIA..., 2014, p. 109).

122
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Thiago Martins de Melo

“A carne é a razão pela qual a pintura a óleo foi inventada”. Essa citação do artista Willem de
Kooning é a chave que Thiago Martins de Melo apresenta para o entendimento de sua relação com
a pintura, feita de alegorias visualmente rebuscadas e sempre pontuadas por oposições, como
feminino e masculino, sagrado e profano, íntimo e público. No entanto, em sua obra, o convívio
dos contrários, além de chamar atenção para as ambivalências da condição humana, de modo
semelhante ao barroco do século XVII, pauta os sincretismos religioso e cultural que caracterizam
a história nas colônias latino‑americanas e estruturam suas atuais sociedades, como o Brasil
(GUIA..., 2014, p. 110).

Na obra Martírio, exposta na Bienal, o artista extrapola e cria ambiguidades que saltam da tela, como
uma pintura violenta e violentada. A obra sai das telas, cria tridimensionalidade, como as esculturas,
e se transforma em instalação onde o público pode entrar para entender. Com um misto de alerta da
exploração da natureza que, desde 1500, fazia parte de nosso cotidiano, as pessoas ficam em um espaço
que não é nem dentro, nem fora da obra, mas uma espécie de umbral ou purgatório.

Figura 57 – Martírio (2014), instalação de Thiago Martins de Melo

A partir desse espaço, a obra começa a aparecer. Ela presta homenagem a todos os mártires que
morreram na luta para salvar a Floresta Amazônica. O trabalho representa a dualidade entre as realidades
naturais: o deserto da extração de Carajás e a mata virgem e intacta; e, ainda, estão presentes as religiões
africanas, com o vodu, em totens de proteção para espantar os mal-intencionados.

Etcétera... e León Ferrari

A obra Palabras Ajenas (ou Palavras Alheias) é a base do grupo Etcétera... com León Ferrari em
contribuição à 31ª Bienal de São Paulo. A obra é uma colagem literária da Bíblia com a Igreja Católica,
123
Unidade III

do imperialismo nazista na Segunda Guerra e do poder norte-americano, com abordagens da economia,


política, religião e cultura, extraídas dos meios de comunicação.

Figura 58 – Palavras Alheias: Conversas de Deus com Alguns Homens e de Alguns Homens
com Alguns Homens e com Deus, de Etcétera... e León Ferrari

A instalação Errar de Dios (Errar de Deus), exposta na Bienal, de León Ferrari e do grupo
Etcétera..., mostra um ensaio sobre a nova configuração global a partir da crise financeira de 2008.
A ligação do grupo Etcétera... com Ferrari já tem 15 anos de existência. O grupo nasceu em Buenos
Aires, na Argentina, em 1997, no cruzamento entre teatro, literatura, prática artística e militância
social e política. No começo, eram produzidas performances grotescas que agiam em prol dos
direitos humanos contra a ditadura militar argentina. A obra mostra, de forma humorístico-
crítica, a glorificação do errar com o objetivo de chamar a atenção para a especulação, a razão do
capitalismo moderno.

Errar de Dios [Errar de Deus], a instalação participativa do grupo Etcétera..., e


o roteiro escrito por Loreto Garín Guzmán e Federico Zukerfeld, em parceria
com o filósofo e militante Franco “Bifo” Berardi, são um ensaio sobre a nova
configuração global a partir da crise financeira de 2008. No texto, “fazem falar”,
entre outros, o papa Francisco, Angela Merkel, Deus, Monsanto, São Paulo e
Goldman Sachs. A encenação realiza-se em dois tribunais confrontados, nos
quais os “espect‑atores” podem fazer intervenções espontâneas, sobrepondo suas
vozes ao texto gravado. Essa “ligação” entre Etcétera... e Ferrari está fundada em
quinze anos de intercâmbio entre ambos. O coletivo Etcétera... trabalha, desde sua
124
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

formação em Buenos Aires, em 1997, no cruzamento de teatro, literatura, prática


artística e militância (GUIA..., 2014, p. 68).

Voluspa Jarpa

A obra de Jarpa, Histórias de Aprendizagem , questiona as representações da história em


imagens como forma de comunicação e arte. É uma instalação labiríntica e irregular composta
por documentos liberados pela CIA nos Estados Unidos sobre a ditadura no Brasil e documentos
do serviço secreto do governo brasileiro produzidos durante os mandatos de Getúlio Vargas e
João Goulart. Inclui também registros do exílio de Goulart no Uruguai e o suposto assassinato
na Argentina.

Figura 59 – Histórias de Aprendizagem (2014), instalação de Voluspa Jarpa

Alguns trechos das frases liberadas ao público estão riscados. Como explicação, a artista utiliza
Freud, atestando que isso pode ser interpretado como uma atividade histérica na incapacidade de
lidar com o trauma. Em algumas partes da obra, trabalha a transparência, em que só é possível
enxergar a partir do segundo ou do terceiro plano, fazendo uma relação com a repressão inserida
na época da ditadura.

Para Jarpa, é sintomático o fato de que, antes da liberação desses


documentos ao acesso público, em todos eles haja trechos que foram
riscados. Isso pode ser interpretado como o comportamento histérico
que, na psicanálise freudiana, designa a impossibilidade de lidar com o
trauma. Para Sigmund Freud, o trauma é um relato arquivado e negado,
e o sintoma, um arquivo cifrado. Aos riscos dos documentos originais,
a artista soma a estrutura da instalação, que impede que o espectador
tenha acesso aos documentos que estão diante dele, podendo apenas
vislumbrar os que estão em segundo e terceiro planos. Dessa maneira,
experimenta-se uma possibilidade como impossibilidade, o que remete
125
Unidade III

a uma promessa de revelação que, na verdade, se concretiza como


repressão (GUIA..., 2014, p. 82-83).

Jarpa realizou várias obras a partir de arquivos do Chile ou de outros países sul-americanos
liberados pelo governo norte-americano. Em todos os casos, analisa as partes apagadas e que
sofreram intervenções. Uma imagem que gera visibilidade poética e política, mas que, ao mesmo
tempo, cria uma escuridão no passado.

Resumo

Esta unidade mostra as duas principais exposições de arte


contemporânea dos dias de hoje, a dOCUMENTA de Kassel, na Alemanha,
e a Bienal de São Paulo, no Brasil. Nessas mostras, elencamos alguns
artistas e suas obras para destacar como foi o processo criativo na
elaboração da obra de arte contemporânea, e a comunicação imposta
pelo artista com sua obra.

Trouxe um relato de minhas experiências, individual e bibliográfica,


através dos guias oficiais das exposições. Em Kassel, na Alemanha, foi feita
uma maratona artística para absorver a maior quantidade de informação
possível sobre as obras e seus artistas. Realizada de cinco em cinco anos,
a dOCUMENTA reúne artistas e obras do mundo todo. Os principais nomes
da arte moderna e da contemporânea se encontram na cidade reerguida
depois da Segunda Grande Guerra Mundial.

São Paulo abriga outra exposição de renome mundial, que acontece


de dois em dois anos: a Bienal de São Paulo. A cidade é também o celeiro
de uma formação diversificada de arte, cultura, costumes e tradições que
influenciaram as artes popular e contemporânea brasileiras.

O mapeamento dos eventos das comunidades estrangeiras na capital


paulista ajuda no encontro das representações culturais que formam o
riquíssimo patrimônio cultural da cidade de São Paulo.

Com uma mistura étnica e peculiar, há manifestações que atingem


diretamente a formação cultural dos moradores e frequentadores dessas
atividades paulistanas. Não podemos ignorar a importância dessas
influências e como o compartilhamento das atividades aumenta o rizoma,
ampliando o caldeirão cultural brasileiro.

A 31ª Bienal de São Paulo reúne no país grandes nomes das artes
contemporânea nacional e internacional. Visitantes do Brasil inteiro e de
outros países vêm prestigiar esta famosa exposição brasileira.
126
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Exercícios

Questão 1. Leia o texto a seguir:

A noção de “incerteza” é o eixo central da 32ª Bienal, a fim de refletir sobre atuais condições da vida
em tempos de mudança contínua

Sob o título Incerteza viva [Live Uncertainty], a 32ª Bienal de São Paulo busca refletir sobre as
atuais condições da vida e as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar
incertezas. A exposição acontece de 10 de setembro a 11 de dezembro de 2016 no Pavilhão Ciccillo
Matarazzo, reunindo aproximadamente 90 artistas e coletivos, 54 deles agora anunciados.

Incerteza viva

Sob o título Incerteza viva, a 32ª Bienal de São Paulo tem como eixo central a noção de incerteza a
fim de refletir sobre atuais condições da vida em tempos de mudança contínua e sobre as estratégias
oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar incertezas. A exposição se propõe a traçar
pensamentos cosmológicos, inteligência ambiental e coletiva assim como ecologias naturais e sistêmicas.

Para que possamos enfrentar objetivamente grandes questões do nosso tempo, como o aquecimento
global e seu impacto em nosso hábitat, a extinção de espécies e a perda de diversidade biológica e
cultural, a instabilidade econômica ou política, a injustiça na distribuição dos recursos naturais da Terra,
a migração global, entre outros, talvez seja preciso desvincular a incerteza do medo. A incerteza está
claramente conectada a noções endêmicas no corpo e na terra, com uma qualidade viral em organismos e
ecossistemas. Embora esteja atrelada à palavra crise, não é equivalente a ela. Incerteza é, sobretudo, uma
condição psicológica ligada aos processos individuais ou coletivos de tomada de decisão, descrevendo o
entendimento e o não entendimento de problemas concretos.

A noção de incerteza faz parte do repertório de muitas disciplinas – da matemática à astronomia,


passando pela linguística, biologia, sociologia, antropologia, história ou educação. Diferentemente do
que acontece em outros campos, no entanto, a incerteza na arte aponta para a desordem, levando
em conta a ambiguidade e a contradição. A arte se alimenta da incerteza, da chance, do improviso, da
especulação e ao mesmo tempo tenta contar o incontável ou mensurar o imensurável. Ela dá espaço
para o erro, para a dúvida e até para os fantasmas e receios mais profundos de cada um de nós, mas sem
manipulá-los. Não seria o caso, então, de fazer com que os vários modos de pensar e de fazer da arte
pudessem ser aplicados a outros campos da vida pública?

Aprender a viver com a incerteza pode nos ensinar soluções. Compreender diariamente o sentido da
Incerteza Viva é manter-se consciente de que vivemos imersos em um ambiente por ela regido. Assim,
podemos propor outras formas de ação em tempos de mudança contínua. Discutir incerteza demanda
compreender a diversidade do conhecimento, uma vez que descrever o desconhecido significa interrogar
tudo o que pressupomos como conhecido. Significa, ainda e também, valorizar códigos científicos e

127
Unidade III

simbólicos como complementares em vez de excludentes. A arte promove a troca ativa entre pessoas,
reconhecendo incertezas como sistemas generativos direcionadores e construtivos.

32ª Bienal de São Paulo – Incerteza viva 10 de setembro a 11 de dezembro de 2016. Curador: Jochen Volz. Cocuradores: Gabi Ngcobo,
Júlia Rebouças, Lars Bang Larsen e Sofía Olascoaga. Disponível em: <http://www.bienal.org.br/post.php?i=2355>. Acesso em: 15 jan.
2016.

Com base na leitura e nos seus conhecimentos, analise as afirmativas:

I – A Bienal de São Paulo é uma das maiores exposições do mundo e, a cada ano, adota um tema que
norteia a seleção de obras e artistas.

II – O nome do pavilhão que abriga a Bienal é uma homenagem ao empresário que realizou a
primeira exposição, na década de 1950.

III – A proposta da Bienal de 2016 é resolver a incerteza dos tempos instáveis em que vivemos.

Está correto o que se afirma somente em:

A) I.

B) II.

C) III.

D) I e III.

E) I e II.

Resposta correta: alternativa E.

Análise das afirmativas

I – Afirmativa correta.

Justificativa: a Bienal de São Paulo figura como um dos principais eventos artísticos internacionais,
ao lado da Bienal de Veneza e da Documenta de Kassel.

II – Afirmativa correta.

Justificativa: em 1951, ocorreu a primeira Bienal de São Paulo, organizada por Francisco Matarazzo
Sobrinho, conhecido como Ciccillo Matarazzo.

128
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

III – Afirmativa incorreta.

Justificativa: a proposta é mostrar a incerteza dos tempos atuais expressa na arte, e não resolvê-la.

Questão 2. Leia o texto a seguir e observe a obra de Alexandre Orion:

Alexandre Orion Criscuolo (São Paulo-SP, 1978). Artista visual, fotógrafo e designer. Inicia, como
autodidata, em 1993, seu trabalho com grafite e arte pública, e, em 2001, com fotografia. Em 2004, gradua-
se em artes visuais pela Faculdade Montessori - Famec, São Paulo. Cria, em 2002, o projeto Metabiótica,
em que suas pinturas realizadas nos muros da cidade, intencionalmente, produzem relações visuais com
os transeuntes e o espaço urbano. Essa interação entre as figuras pintadas e as situações reais é registrada
em fotografias, que são o resultado final do trabalho. É autor, em parceria com Monica Murakami, do
curta-metragem  Uma Janela para o Mundo, produzido em 2002, e, em 2004, de Desdobramento Rua
Augusta, produzido pela Big Bonsai. No mesmo ano, cria a instalação Desdobramento I, realizada nos
elevadores da Galeria Ouro Fino, em São Paulo, durante o Projeto Coisa Fina. Participa, em 2005, das
mostras Amalgames Brésiliens, em Mantes-la-Jolie, e Rencontres Parallèles, no Centre d’Art Contemporain
de Basse-Normandie, em Hérouville Saint-Clair, ambas na França. Em 2006, inicia a intervenção urbana
Ossário, na qual utiliza apenas panos para remover a fuligem impregnada nas paredes do Túnel Max
Feffer, na cidade de São Paulo, criando imagens de caveiras humanas.

Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa202813/alexandre-orion>. Acesso em: 10 jan.2016.

Com base nessas informações e nos seus conhecimentos, analise as afirmativas:

I – A obra de Orion não pode ser considerada arte, pois é construída no espaço urbano, sem
função estética.

II – Ao combinar linguagens, Orion confunde o receptor e a mensagem acaba não se tornando efetiva.

129
Unidade III

III – A interação de elementos fotografados com o grafite no muro impacta o observador, pois
mistura formas de representação do real.

Está correto o que se afirma somente em:

A) I.

B) II.

C) III.

D) I e III.

E) II e III.

Resolução desta questão na plataforma.

130
FIGURAS E ILUSTRAÇÕES

Figura 1

MUNCH, E. O Grito. 1893. 91cm x 73cm. Galeria Nacional Oslo.

Figura 2

MATISSE, H. A dança. 1909 – 1910. Óleo sobre tela, 2,60m x 3,91m. Museu Hermitage, São Petersburgo.

Figura 3

PICASSO, P. O poeta. 1911. Óleo sobre tela, 1,30m x 89cm. Coleção Peggy Guggenheim, Veneza.

Figura 4

BRAQUE, G. Mulher com violão. 1913. 1,30m x 73cm. Museu Nacional de Arte Moderna, Centro Georges
Pompidou, Paris.

Figura 5

PICASSO, P. Les Demoiselles d’Avignon. 1906-1907. Óleo sobre tela, 2,43m x 2,33m. Museu de Arte
Moderna, Nova Iorque.

Figura 6

PICASSO, P. Guernica. 1937. Painel, 3,49m x 7,76m. Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, Madri.

Figura 7

LÉGER, F. Elementos mecânicos. 1918-1923. Óleo sobre tela, 2,11m x 1,67m. Museu de Arte da Basileia.

Figura 8

KANDINSKY, W. Batalha (Cossacos). 1910. Óleo sobre tela, 95cm x 1,30m. Tate Galery, Londres.

Figura 9

MODIGLIANI, A. C. Retrato de Jeanne Hébuterne, sentada. 92cm x 60cm. Coleção particular, Paris - Flammarion.

Figura 10

DALÍ, S. Casal com as cabeças cheias de nuvem. 1934. Óleo sobre madeira, 91cm x 61cm. Coleção
particular, Sussex.

131
Figura 11

DALÍ, S. Descoberta da América por Colombo. 1959. Óleo sobre tela, 4,10m x 3,10m. Galeria de Arte
Moderna, Nova York. Coleção particular, Paris.

Figura 12

DALÍ, S. A persistência da memória. 1931. Óleo sobre tela, 24cm x 33cm. Museu de Arte de Nova Iorque
(Metropolitan Museum of Art).

Figura 13

CHAGALL, M. Passeio (1917-1918). Óleo sobre tela, 1,70m x 1,63m. Museu Estatal Russo/Brasil Connects.

Figura 14

MIRÓ, J. Estrela da manhã. 1940. Guache e pintura a essência de terebintina sobre papel, 38cm x 46cm.
Coleção particular, Palma de Maiorca.

Figura 15

CHIRICO, G. de. As musas inquietantes. 1924. Óleo sobre tela, 65cm x 50cm. Fundação Giorgio e Isa de
Chirico, Roma.

Figura 16

CHIRICO, G. de. As musas inquietantes. 1924. Escultura em bronze dourado, altura: 37,2cm. Fundação
Giorgio e Isa de Chirico, Roma.

Figura 17

SEGALL, L. Rua de erradias. 1956. Óleo sobre tela, 1,15m x 1,43m. Museu Lasar Segall, São Paulo.

Figura 18

PROENÇA, G. História da arte. São Paulo: Ática, 2009. p. 176.

Figura 19

MALFATTI, A. Mulher de cabelos verdes.1915. Óleo sobre tela, 61cm x 51cm. Coleção particular.

Figura 20

AMARAL, T. do. Abaporu. 1928. Óleo sobre tela, 85cm x 73cm.


132
Figura 21

PORTINARI, C. Retirantes. 1944. 1,90m x 1,80m.

Figura 22

STRICKLAND, C. Arte comentada: da Pré-história ao Pós-moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 175.

Figura 23

STRICKLAND, C. Arte comentada: da Pré-história ao Pós-moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 174.

Figura 24

STRICKLAND, C. Arte comentada: da Pré-história ao Pós-moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 184.

Figura 25

STRICKLAND, C. Arte comentada: da Pré-história ao Pós-moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 185.

Figura 26

EES012-480X480.JPEG. Disponível em: <http://images.guggenheim-bilbao.es/src/uploads/2012/05/


ees012-480x480.jpeg>. Acesso em: 15 jan. 2016.

Figura 27

PROENÇA, G. História da arte. São Paulo: Ática, 2009. p. 257.

Figura 28

PROENÇA, G. História da arte. São Paulo: Ática, 2009. p. 248.

Figura 29

PROENÇA, G. História da arte. São Paulo: Ática, 2009. p. 260.

Figura 31

PROENÇA, G. História da arte. São Paulo: Ática, 2009. p. 261.

Figura 32

PROENÇA, G. História da arte. São Paulo: Ática, 2009. p. 260.


133
Figura 33

PROENÇA, G. História da arte. São Paulo: Ática, 2009. p. 259.

Figura 34

PROENÇA, G. História da arte. São Paulo: Ática, 2009. p. 148.

Figura 35

STRICKLAND, C. Arte comentada: da Pré-história ao Pós-moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 148.

Figura 36

CILDO, M. Geografia do Brasil. Rio de Janeiro: Artviva, 2001. Catálogo de exposição. p. 28-29.

Figura 37

LIPPARD, L. R.; CHANDLER, J. A desmaterialização da arte. Arte & Ensaios, Rio de Janeiro, n. 25, p. 150,
maio 2013.

Figura 38

STRICKLAND, C. Arte comentada: da Pré-história ao Pós-moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 175.

Figura 39

KAC, E. Signs of life: Bio Art and Beyond. Cambridge: The MIT Press, 2007. p. 167.

Figura 40

PINHEIRO, G. V. Reakt – Olhares e Processos. Portugal: Guimarães, 2012; 2013. p. 65

REFERÊNCIAS

Audiovisuais

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OS IRMÃOS Grimm. Dir. Terry Gilliam. EUA; Reino Unido: Dimension Films, 2005. 118 min.

UM HOMEM com uma câmera. Dir. Dziga Vertov. União Soviética, 1929. 68 min.
134
Textuais

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<http://www.tate.org.uk>.

EXERCÍCIOS

Unidade I – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO


TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010. Questão 131. Disponível em: < http://
download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2010/AZUL_Domingo_GAB.pdf>. Acesso em: 22
nov. 2017.

Unidade II – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO


TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) 2011: Artes Visuais. Questão
34. Disponível em: <http://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/provas/2011/ARTES_
VISUAIS.pdf>. Acesso em: 22 nov. 2017.

136
Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000